10/07/2019

MEMÓRIA DA SAÚDE E DA MEDICINA



DALMO DUQUE DOS SANTOS


A Ilha e a Capitania de São Vicente foram os primeiros cenários da fusão e desenvolvimento da medicina tropical e europeia estabelecida Brasil colonial. Foi  nas vilas de São Vicente, Santos e no planalto paulista, entre os séculos XVI e XVIII, que surgiram as primeiras observações e conhecimentos pré-científicos sobre as doenças e as práticas curativas. Doença e saúde fez parte do amplo e duradouro encontro de culturas do Brasil colonial, marcado pelo convívio entre europeus, índios e africanos, dentro do mesmo contexto de miscigenação racial e  sincretismo cultural e religioso. 

A medicina formal nascente na América e na Europa e os costumes e conhecimentos do curandeirismo popular  foram desenvolvidos e ampliados simultaneamente.  Encontraram no Brasil um terreno fértil para trocas de experiências e aprendizagem na arte de diagnosticar e curar. Médicos e curandeiros, farmacêuticos , donos de boticas e feirantes de ervas e raízes,  enfermeiras e parteiras, tira-dentes, protéticos, massagistas dividiam os mesmos espaços das necessidades medicinais das elites e das camadas sociais populares. Fórmulas alopatas e homeopatas, rezas e benzimentos, doutores, pagés, pretas e pretos velhos,  todos nasceram e povoaram- como acontece até hoje - o universo cotidiano da doença e da saúde no Brasil. 

RUA DO COLÉGIO. BIQUINHA.  Marco da Fundação da Primeira Escola de São Vicente e Segunda do Brasil (Salvador -BA), monumento instalado pela Ordem Jesuíta do Brasil em 1954 em comemoração dos 400 anos da presença ignaciana no Brasil.  

Além dos costumes domésticos de prevenção e cura trazidos pelos primeiros colonizadores, o  Brasil conheceu a medicina pré-científica europeia por meio dos jesuítas, cujo acervo de obras literária e curiosidade dos educadores dessa ordem foram se disseminando nos lugares por onde se instalavam as missões.

Desse acervo teórico e práticas básicas, os jesuítas, bem como os colonos, observavam e aprendiam os conhecimentos e as práticas dos indígenas e também dos escravizados africanos, ambas culturas com vasto e farto material de prevenção e tratamento a partir da flora e da fauna selvagem brasileira.

As primeiras boticas e serviços farmacêuticos foram iniciativas de religiosos dessa ordem em cujos quadros sacerdotais eram encontrados estudiosos e praticantes da medicina que ingressavam na Companhia de Jesus para obterem recursos de formação básica e aperfeiçoamento intelectual.

As chamadas drogas do sertão, amplamente difundidas e comercializados na colônia pelos feirantes e curandeiros – locais e nômades- compôs no decorrer dos primeiros séculos o acervo medicinal do Brasil.

Os primeiros médicos brasileiros formados na Europa também incorporaram esse acervo cultural primitivo aos seus elementos pré-científicos trazidos pelos jesuítas e depois pelos bacharéis formados em Portugal e Espanha.

Somente com a vinda da Família Real em 1806 é que foi possível o estabelecimento da medicina científica no Brasil, formando as primeiras gerações de médicos e farmacêuticos que iriam atuar nas cidades coloniais do litoral e  regiões do sertão. 

Gravura do século XVIII de uma Botica no período colonial. Nota-se nessa ilustração alguns aristocratas em conversação científica e de negócios, o balconista e prático farmacêutico e o escravo, com vestimentas da época, porém descalço, aguardando para levar a medicação solicitada pelos seus senhores.  


A partir do século XIX, com estreitamento cultural entre o Brasil e a Europa industrial, as políticas de saúde pública tomam corpo científico e profissional. Foi também a fase da propagação e combate das chamadas doenças tropicais e da medicina social , desenvolvida pelos médicos sanitaristas de grande projeção como Oswaldo Cruz e Carlos Chagas.

Também no início do século XX aparecem as primeiras inciativas da criação de redes de atendimento e internação hospitalar, incluindo os sanatórios de doenças pulmonares e as colônias psiquiátricas, todas seguindo modelos estruturais e concepções científicas europeias, sobretudo da França. No caso dos manicômios, como aconteceu na Europa, inicialmente os doentes mentais conviviam com criminosos  comuns, classificados genericamente como alienados mentais, sendo a reclusão vista como profilaxia e ao mesmo tempo solução social.

Essas transformações, estimuladas pelo desenvolvimento econômico e urbano, também causadas pelas epidemias trazidas pelo comércio marítimo, influiu também no aperfeiçoamento das escolas de medicina, algumas delas se tornando referência internacional.

A Baixada Santista, por estar próxima à Capital do estado, teve um rápido desenvolvimento dos serviços de saúde pública e privada. Isso ocorreu por causa da presença de europeus que vinham morar na região em função dos negócios de transporte ferroviário e da industrialização nascente. 

No final do século XIX e início do XX, a cidade de Santos teve um rápido crescimento urbano em função da movimentação portuária, porém não havia uma infraestrutura de saneamento básica proporcional. Era uma cidade de clima com altas temperaturas e considerada insalubre, de fácil propagação de doenças epidêmicas. Por esse motivo muitas famílias europeias instaladas na região preferiam morar em chácaras nos arredores como São Vicente, Cubatão e Guarujá. Esse problema sanitário começou a ser solucionado com as obras dos primeiros canais projetados pelo engenheiro Saturnino de Brito. O esgoto de Santos e São Vicente era bombeado através de canos e estações transmissoras e despejado na ponta do Itaipu em Praia Grande. Inicialmente, a Ponte Pênsil tinha essa função condutora de esgoto. 

Mas a principal referência de saúde e medicina da  Baixada Santista foi durante décadas a Santa Casa de Santos, instituição secular que teve que ser ampliada e modernizada em função do rápido crescimento populacional santista e das localidades vizinhas, sempre muito carentes e desprovidas de equipamentos públicos de saúde. 

Santa Casa de Misericórdia de Santos, em 1935. Foto de August Tegtmeier. Fonte: Memória Santista. 


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A BOTICA DE JOSÉ INÁCIO DA GLÓRIA






Bico de pena de Edson Telles de Azevedo. 


"José Ignácio da Glória nasceu em 29 de outubro de 1845, filho do boticário do mesmo nome; faleceu com 82 anos, em 19 de agosto de 1927. Casou-se na cidade de Santos com d. Ana Lourenço, casou-se em segundas núpcias com d. Josefina Lopes dos Santos, e por terceira vez, com d. Celestina Ribeiro de Melo.

José Ignácio da Glória fundou a primeira "Botica de seu Glória". A Câmara Municipal da Vila de São Vicente, em 1883, nomeou-o para o cargo de vacinador. Durante o surto de febre amarela que invadiu São Vicente em 1892, teve José Ignácio da Glória destacada atuação no combate a doenças; a Santa Casa de Santos também exigiu a sua presença, no combate à febre amarela. Em 1918, durante o surto de "gripe espanhola", destaca-se novamente.

Foi nomeado intendente de São Vicente. Exerceu as funções de juiz de casamentos. Como jornalista, foi diretor de A Imprensa, fundado por seu pai em 1870, em Santos, onde em 1808 (N. E.: o ano é 1875) fundara também o Rabecão. Em 1890, José Ignácio funda em São Vicente o bissemanário O Futuro, impresso em tipografia própria. Além de O Leque, fundou O Vicentino em 1898. Foi também abolicionista.

Ocupou o cargo de agente do Correio em São Vicente, em 1885. Já era eleitor nesta cidade, em 1876. Foi juiz federal antes da criação das coletorias federais. Secretário e procurador da vereança municipal, sem remuneração. Ocupou o cargo de coletor federal vários anos.

O imperador d. Pedro II foi recepcionado em São Vicente, na residência de José Ignácio da Glória. O Governo nomeou-o Protetor dos Índios. Trabalhou com o dr. Oswaldo Cruz no saneamento do Rio de Janeiro. Doou a sua parte do Morro dos Barbosas à Prefeitura". 

Vultos Vicentinos. Edson Telles de Azevedo, 1972. 


Praça João Pessoa nos anos 1950 ainda com o prédio da antiga Farmácia de José Ignácio da Glória. A publicação dessa fotografia na página São Vicente de Outrora resgata a imagem original do prédio na esquina da rua Erasmo Shetz, antes só conhecida por desenho em bico pena no livro Vultos Vicentinos, de Edson Telles de Azevedo.






Ignácio da Glória e o Dr. Martins Fontes, Chefe Regional do Serviço de Saúde em Santos. 



Duma feita, "seu" Gloria foi denunciado por estar exercendo ilegalmente a medicina, o que obrigou a repartição competente a tomar providências e enviar o seu representante para constatar o fato. Para solução do caso, compareceu o próprio chefe do Serviço de Saúde, dr. Martins Fontes, que, ao chegar à botica, encontrou longa fila de pobres em busca de remédios. Depois de anunciar a razão de sua presença, ficou surpreso com a resposta do farmacêutico Gloria: "Não posso atendê-lo no momento, em vista do grande número de doentes, à espera na fila, como v.s. testemunhou". Com grande surpresa por parte do denunciado, o dr. Martins Fontes, após arrancar o paletó, começou a ajudá-lo na distribuição dos medicamentos, elogiando-o pelo ato de solidariedade humana que praticava.

Ante a bela compreensão do espírito dinâmico e humanitário do dr. Martins Fontes, pôde o farmacêutico Gloria continuar o seu trabalho filantrópico na distribuição gratuita, de cuidados médicos e remédios à pobreza local.

Preocupado também com os assuntos de ordem cívica, em 2-8-1878 José Ignacio da Gloria participou, no Consistório da Igreja Matriz de São Vicente, de reunião sob a presidência do juiz de Paz Firmino Antônio Passos, com o fim especial da formação das mesas eleitorais.

A ata dessa reunião foi lavrada pelo próprio José Ignacio da Gloria, que exercia o cargo de escrivão de paz, e escrivão da Junta paroquial.

Em 10-8-1888, assinava a ata da eleição de um senador do Império, como mesário e secretário, em reunião realizada no corpo da Igreja Matriz de São Vicente.

Vultos Vicentinos. Edson Telles de Azevedo.

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A FUNDAÇÃO E CONSTRUÇÃO DO HOSPITAL SÃO JOSÉ





Em São Vicente, o marco da transformação dos serviços de saúde foi, em 1918, a fundação  e início da  construção do Hospital São José, empreendido pela Irmandade da Santa Casa local. O empreendimento foi desenvolvido no antigo terrenos onde funcionava a Chácara dos Inocentes e um creche e escola infantil, sob os cuidados da conhecida benemérita paulistana Anália Franco.  



Membros da Irmandade e autoridades em visita às obras do Hospital São José no início dos anos 1930. Acervo do IHGSV.



A IRMANDADE DA 

SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO VICENTE

POLIANTEIA VICENTINA (1982)

Coube ao jornal "O Progresso", em janeiro de 1918, promover uma campanha objetivando mobilizar a comunidade vicentina para a fundação da Santa Casa da Misericórdia de São Vicente, pois o surto de gripe (a chamada gripe espanhola) que assolava todo o litoral, criava sérios embaraços de atendimento, pela falta de hospitais em São Vicente e pela superlotação de doentes na Santa Casa da Misericórdia de Santos.

Sensibilizada por essa campanha, que mostrava a gravidade da situação, D. Ofélia Chaves Meirelles, esposa do Presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Vereador José Meirelles, tomou a iniciativa de coordenar a fundação do hospital vicentino, contando, de pronto, com a solidariedade, com a ajuda e a movimentação de mais duas senhoras vicentinas D. Maria das Dores Bensdorp e D. Maria José do Amaral Reippert -transformando-se, de pronto, num dinâmico trio feminino, que não mais cessou suas empreendedoras atividades em prol desse ideal, até que o hospital vicentino se trans- formasse numa realidade.

Sob a liderança de D. Ofélia Chaves Meirelles foram promovidas numerosas reuniões, na casa do casal José Meirelles, à Rua Antônio Rodrigues n.o 172, com a participação dos Srs. Silvio Pereira Mendes, Pérsio de Souza Queiróz, José Rittes, João Francisco Bensdorp, Dr. Lobo Viana, Nicola Patrício Moreira, Raul Serapião Barroso, Luiz Antonio Pimenta, João Wenceslau Emmerich, Dr. João Queiroz de Assunção Filho, Olegário Herculano Alves e Edison Telles de Azevedo, a fim de ajustar todos os detalhes para a fundação do hospital.

E, com esse propósito, foi convocada uma Assembléia Geral, através do jornal "O Progresso", aprazada para o dia 26 de setembro de 1918, no recinto da Câmara Municipal de S. Vicente (hoje prédio da Prefeitura), aberta a quantos desejassem participar dessa fundação e prestigiar a criação do hospital vicentino. Efetivamente, no recinto do Paço Municipal, as 20 horas, no dia 16 de setembro de 1918, D. Ofélia Chaves Meirelles instalava essa assembléia geral, cuja presidência, por aclamação dos presentes, foi transferida ao Capitão José Meirelles, que convidou para Secretariá-la o Sr. Olegário Herculano Alves. Discutida a denominação da instituição que se fundava, por proposta do Sr. Olegário Herculano Alves, foi aprovada a manutenção da denominação provisória que a Comissão Coordenadora das três senhoras havia escolhido ASSOCIAÇÃO PROTETORA DO HOSPITAL SÃO JOSÉ. 

Dr Pérsio de Souza Queiroz, Membro da Comissão Elaboradora dos Estatutos.


Por sugestão do Sr. Pérsio de Souza Queiroz a Comissão Iniciadora, integrada pelas senhoras Ofélia Chaves Meirelles, Maria das Dores Bensdorp e Maria José do Amaral Reippert, foi eleita como Diretora Provisória, até que, aprovados os Estatutos, viesse a ser eleita a Diretoria para o primeiro mandato. D. Ofélia Chaves Meirelles assumiu a Presidência, D. Maria das Dores Bensdorp, assumiu a Secretaria e D. Maria José do Amaral Reippert, assumiu a Tesouraria. 

Para integrar a Comissão de elaboração dos Estatutos foram designados os Srs. Dr. Pérsio de Souza Queiróz, Benedito Calixto de Jesus e Dr. João Pedro de Jesus Neto. 

Para constituir a Comissão de F Srs. Presidente, José Rittes; Secretário, Eduardo de Freitas Júnior; Tesoureiro, Olegário Herculano Alves; Membros: Antônio Rodrigues Fernandes, Alberto Martins de Oliveira, Olympio Militão de Azevedo, Hordecio Lopes dos Santos Júnior, Antônio Mendes Batista, Marcilio Dias do Nascimento, José Meirelles, João Francisco Bensdorp, Alberico Robillard de Marigny, Dr. João Queiroz de Assumpção Filho, Thomas Alves Pinto, Divo de Souza Aguiar e Carlos Borba.

A Diretoria Provisória informou a assembléia, que durante a coordenação preparatória da fundação do Hospital havia sido obtida, por doações, a importância de RS. 4:272$000. 

Além de todas as pessoas mencionadas nos trabalhos da assembléia de fundação, também estiveram presentes: Maria Caiaffa Borba, Ana Bensdorp, Sofia Bensdorp, Antonio Figueiredo Júnior, Sílvio Pereira Mendes, Hermann de Castro Reippert, Antônio Augusto Dias Carneiro e Oscar Meirelles da Silva.

Alberico Robillard de Marigny, membro da Comissão Iniciadora.



INSTALAÇÔES PROVISÓRIAS E QUERMESSES

A instalação provisória do Hospital São José foi feita no salão da Casa Paroquial, por cessão do Padre Leopoldo Ripa, onde foram alojados e tratados, sob a assistência médica do Dr. Guilherme Raposo de Almeida, os enfermos mais graves e mais carentes, atingidos pela "gripe espanhola". Muito ajudaram nesse surto de gripe, os membros da Sociedade S. Vicente de Paulo e do Tiro de Guerra n. 11, presidido pelo capitão Luiz Hourneaux. A 29 de novembro de 1918 a Sociedade Protetora do Hospital São José adquiria de D. Maria das Dores de Vasconcelos Meijers a área situada no centro da cidade e conhecida como "Chácara dos Inocentes", cuja compra foi realizada por RS. 30.000$000 (trinta contos de réis), com a dedução de RS 5.000$000 (cinco contos de réis) que a proprietária reverteu em donativo, por se tratar de uma instituição beneficente e que necessitava de recursos para proceder a adaptação do prédio residencial, existente na chácara, em hospital. A transação foi feita em nome do Sr. João Bensdorp Prefeito Municipal - mediante hipoteca ao Dr. Maurilio Porto. Logo que quitada a dívida, o imóvel foi transferido à propriedade definitiva do Hospital São José.

Para a construção de um novo prédio foram realizadas sucessivas quermesses, das quais podemos destacar algumas barracas; em 1921, a barraca do C. R. Tumiaru, coordenada por D. Catarina Neves e a do Feitiço A. C.; em 1925, a barraca das Flores, coordenada pelo Dr. Pérsio de Souza Queiroz e a barraca das Borboletas, coordenada por D. Ofélia Chaves Meirelles arrecadara, RS. 2.2465000; em 1926 a barraca S. Vicente, coordenada pela Profa. Odila Bittencourt arrecadou RS.1.700$000, arrecadando igual importância a barraca Barão do Rio Branco, coordenada por D. Ofélia Meirelles e também se destacando a barraca Beija-Flor; em 1928, essa senhora coordenou a barraca Independência. Nesse ano também se destacaram as barracas: Santos Futebol Clube, coordenada por D. Zizi Melo e Deus Braham, falo Sr. Luiz da Silva Primo. 

Em 1929, voltaram a se destacar as barracas Beija-Flor F. C. e União F. C. Em 1937, destacou-se a barraca S. Cristóvão, coordenada por D. Olga Mirabelli. As campanhas em prol do Hospital São José prosseguiam, permanentemente, recebendo valores em espécie, áreas imobiliárias, donativos em dinheiro, além das promoções financeiras através de rifas, sorteios, leilões.

Os primeiros títulos honoríficos concedidos pela Sociedade, datam de 5 de janeiro de 1919 e foram concedidos, num justo preito de reconhecimento, a D. Ofélia Chaves Meirelles - Irma Benemérita; a D. Maria das Dores Bensdorp - Irmã Benemérita; ao Sr. José Meirelles Irmão Benemérito; a D. Maria José do Amaral Reippert - Irmã Benemérita e a João Francisco Bensdorp Irmão Benemérito.

O Hospital São José - no primitivo prédio da Chácara dos Inocentes, ligeiramente adaptado, foi inaugurado a 29 de junho de 1921, sob a Presidência do Sr. José Meirelles.

Em 1929, ainda sob à Presidência do Sr. José Meirelles, e sendo Diretores, Dr. José Avelino Ribas D'Ávila, Norberto Neves, Edison Telles de Azevedo, Raul Serapião Barroso e Nicolau Patrício Moreira, foi iniciada a reforma do prédio, com sua ampliação e construção do 2. pavimento, inclusive com elevador, cujas obras foram concluídas em 1932. 

Em 1939 o Hospital São José atravessou talvez sua crise mais alarmante, pois a própria prefeitura Municipal havia suspendido o pagamento de suas subvenções, por atravessar também dificuldades financeiras. Contudo, com a interferência do Sr. Aberlardo  Soares de Souza, em janeiro de 1940, a municipalidade normalizou o pagamento atrasado de suas subvenções e com isso o Hospital pôde superar, aquela crise. O Sr. Abelardo Soares de Souza foi distinguido pela Irmandade, em reconhecimento aos seus serviços, com o título de Irmão-Benfeitor.


Relatório da Administração do Hospital São José em 1948.  Acervo de Júlio Secco de Carvalho (fundador do Distrito de Solemar). 

Doado por Lucy de Carvalho ao IHGPG.


Em 1950 foram inauguradas as novas dependências da cozinha e despensa. Essas obras foram realizadas sob a administração do Eng. Rafael Faro Politi. Ainda em 1951 foi adquirida uma nova mesa para o centro cirúrgico e um novo aparelho para anestesia. Também o prédio foi ampliado em seu segundo pavimento. Entretanto, desde 1941, a Irmandade vinha vendendo lotes de terre- nos de sua propriedade, para fazer face a esses investimentos na área hospitalar.

Em 1951, na gestão do Sr. Antônio Bueno Capolupo, fez-se mais um adendo ao prédio, no andar térreo, para a instalação da Maternidade, cujo melhoramento só veio a ser concluído e inaugurado sob a Provedoria do Sr. Marcilio Dias Hourneaux.

Em março de 1953, mediante contrato com a municipalidade, o Pronto Socorro Municipal passou a funcionar no Hospital São José. Em 1955 é feita a ampliação do Centro Cirúrgico, com recursos provenientes da venda de mais alguns lotes de terreno, cujas obras foram inauguradas em 1957.

Em 1960 a Irmandade tinha 200 Irmãos Beneméritos e Benfeitores; 550 Irmãos Remidos e 300 Irmãos Contribuintes. Nesse ano a situação financeira do hospital voltou a agravar-se, sendo necessária a venda de lotes de terrenos para enfrentar a crise. Em 1967, para que se concretizasse o convênio com o INPS, se tornou necessário proceder a diversas reformas non prédio , cujo orçamento atingia a mais de Cr$10.000,00. Em 1969 foram colocados à venda novos títulos de sócios no valor de Cr$550.000,00.

Em 1970 foi solicitado à Caixa Econômica Federal um empréstimo para a construção do Pronto-Socorro Infantil. Em 1971 foi adquirido um novo Aparelho de Raio-X. Ainda neste coordenada pelo Comando do 20 BC, em ano foi realizada a "Operação S. Vicente" prol da construção do Pronto-Socorro In- fantil, campanha essa que contou com muita cooperação de pessoas e firmas da cidade, com destaque especial para o Deputado Athiê Jorge Coury, Cia. Votorantim, H. Quintas & Cia., Coca-Cola Refrigerantes, Sociedade Civil Parque São Vicente, Rafael Faro Politi & Cia., Rossi & Cia., Materiais para Construção Valença, todas as pedreiras vicentinas e, em especial, do Lions e do Rotary de São Vicente. Em 1973 nessa ala construída, foi inaugurado o Pronto-Socorro Infantil e o Banco de Sangue.

Ainda em 1973 novas ampliações foram feitas ao Hospital São José, de modo a permitir a instalação do novo equipamento de Raio-X, nova lavanderia e gerador de emergência, transformando as antigas instalações do raio-x numa enfermaria para 12 leitos e alojamento para os médicos-estagiários vindos, por convênio, da Faculdade de Medicina de Vassouras, Estado do Rio de Janeiro.

Em 1975 foi iniciada a construção de um novo prédio, para proporcionar ao Hospital S. José uma nova Maternidade, um novo Centro Cirúrgico, além de apartamentos de classe "A" para proporcionar maior renda ao nosocômio. Essa construção, pelo seu vulto, contribuiu para o agravamento da situação financeira do hospital, além de exigir a paralisação da obra em 1977. A crise do hospital foi superada, nos últimos três anos e hoje a nossa Santa Casa está em absoluta estabilidade financeira. As obras paralisadas, a quase cinco anos, foram reiniciadas, embora lentamente, por iniciativa do Lions Clube de São Vicente e da Prefeitura Municipal, que passou a destinar a essa obra hospitalar a receita proveniente do Estacionamento Regulamentado do Município.

Em 1952 a Irmandade dispensou a valiosa cooperação das Freiras que prestavam serviços ao Hospital -por se tornar imprescindível ao nosocômio a utilização da ala residencial ocupada pelas Irmãs de Caridade.

Em 1938, em Assembléia realizada a 21 de dezembro, por propostas do Sr. Jayme de Almeida Paiva, a denominação do Hospital deveria ser mudada de Sociedade Protetora do Hospital São José para, Irmandade do Hospital São José- Santa Casa da Misericórdia de S. Vicente, Essa proposta foi apoiada pelos srs. Carlos de Barros Faria e Aparicio Mascarenhas. Entretanto a ela se opôs o Dr. Guilherme Gonçalves, que concordava apenas com a transformação do nome em Irmandade do Hospital São José, que apoiado pelos Srs. Pérsio de Souza Queiroz, José de Castro Tibiriçá, Mário de Souza e outros, teve sua proposição aprovada.

Entretanto, na década de 70, a Assembléia Geral, por exigência da Previdência Social e das instituições de Assistência Social do Estado, veio a adotar a denominação de Irmandade do Hospital São José Casa da Misericórdia de S. Vicente confirmando a assertiva da denominação proposta pelo Sr. Jayme de Almeida Paiva, em 1938.

Hoje a Santa Casa da Misericórdia de S. Vicente conta com modernas instalações de traumatologia, Raio-X, Maternidade e, Farmácia, Banco de Santos, Centro Cirúrgico, Sala de Recuperação, Laboratórios de Análises, Pediatria, Pronto Socorro, Clínica Genicológica e Obstétrica, Fisioterapia, além de moderna cozinha, lavanderia, refeitório para médicos e funcionários, Capela, velórios, Berçário e dependências administrativas. É uma instituição benemérita que muito cresceu, ultimamente, mercê de suas boas administrações e dos convênios firmados com a Previdência Social e IAMSP e que continua a merecer e a precisar do apoio de toda a comunidade vicentina, à qual ela vem prestando inestimáveis serviços há 64 anos consecutivos.


 
OS PRIMEIROS ADMINISTRADORES DO HOSPITAL SÃO JOSÉ

1918-1919- D. Ofélia Chaves Meirelles

1920-1921- João Francisco Bensdorp

1922-1930- José Meirelles

1931-1935- Luiz Antônio Pimenta 

1936-1939-Carlos Vieira da Cunha 

21 de dezembro de 1938 - Transformação em Hospital São José- Santa Casa da Misericórdia de São Vicente - Criação do Conselho Deliberativo e o cargo de Provedor. 

Membros pioneiros da Irmandade que exerceram as funções de presidente do conselho e provedores entre 1939 e 1982 (ano dessa publicação) :

Dr. Luís Silveira, Pérsio de Souza Queiroz , Dr. Alcides de Araújo, Nicolau Moreira, Antônio Bueno Capolupo, Silvio Fortunato, Marcilio Dias Hourneaux, Raul Carlos Oliveira, José Gomes dos Santos Neto, Dr. Polydoro de Oliveira Bittencourt, Lauro Pereira Carvalho, Dr. Álvaro de Assis, Antônio Peixoto, Aube Pereira, Fernando Barbosa Dias.


2018 - CENTENÁRIO DO HOSPITAL SÃO JOSÉ.



Imagem de 1976 da fachada principal do Hospital e da antiga Maternidade, na quadra da rua Frei Gaspar, entre as Ypiranga e XV de Novembro. Site do IBGE. Colorização em IA. 






AGONIA DO HOSPITAL SÃO JOSÉ. Em 1960 vereadores vicentinos tentam, obter da presidência da república um auxílio especial de 10 milhões de cruzeiros para socorrer o Hospital São José. No grupo estava a vereadora Maria Luisa Infantini. Os três primeiros ofícios descrevem o processo encaminhado ao Executivo pelo deputado federal Antônio Feliciano até chegar à Comissão da Câmara Federal. Esta última, presidida por Maurícío Joppert da Silva, já em 1962, no quarto ofício, rejeita o pedido, dando pa


O HOSPITAL EM  2026 

POSTAGEM NO FACEBOOK-SÃO VICENTE NA MEMÓRIA.

Hospital São José em 1967. Foto do jornal Cidade de Santos (colorizada por IA), feita da janela de um prédio na esquina da ruas Frei Gaspar com XV de Novembro. Acervo da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.


Carlos Gigliotti- Provedor - Comentário em postagem da página São Vicente na Memória em 23 de março de 2026

"Há mais de 25 anos mantenho este hospital aberto sem qualquer ajuda financeira dos poderes públicos, quer seja federal, estadual ou municipal, aliás a Prefeitura municipal de São Vicente foi que destruiu o hospital São José, quando em janeiro de 1993, o Prefeito Lucas decretou intervenção no hospital e lá ficaram 4 anos deixando uma monstruosa dívida para a Irmandade que na época era de 30.000.000,00 (trinta milhões de reais ) hoje mais de 300 milhões".

"De lá para cá a luta é constante para manter as portas abertas sem nenhuma ajuda da classe política da Região. Estamos abertos e atendendo mais de 8.000 pessoas por mês, infelizmente, a Prefeitura não quer credenciar o hospital para atender à população pelo SUS, função precípua de um hospital filantrópico deixando a população menos favorecida sem atendimento, desprezando esse Secular hospital nossa Santa Casa de Misericórdia" !

Comentários de alguns seguidores da página:

Rosangela Rangel
Mtaaa Gratidão ao Hospital São José Em k com Mtooo Orgulho Fiz parte do quadro de Funcionários trabalhando no Faturamento e TB onde tive as maiores Alegrias da minha Vida . Meus três Netos Júlia Thiago E Camila Nasceram Neste Grandioso e respeitado Hospital trazidos ao Mundo pelo Dr Benedito Rinaldo César " Dr Bene" Como e Conhecido.. Hj já estão uns Mocinhos com 19 anos Julia e Thiaguinho Camila já fez 16 o k TB na Época eram Pacientes de Dra Fátima Pediatra . Hj quero Expressar minha Gratidão ao Provedor Dr Carlos Gigliotti e Dna Rose Royer Nossa Administradora Geral por Cuidar tão Bem do Nosso Querido Hospital São José e por TD k Sempreeeee precisei e fui Atendida Com Excelência pela Administração Médicos Enfermeiros Recepção Higiene Segurança e Nutrição TD Maravilhoso Como Sempreeeee.👏👏👏😀😀💋❤️🙏🙌🥰
Luciano Azevedo
No ano de 1965 em 27 de julho, meu avô Olympio Azevedo, devido ser um grande benfeitor desse tradicional hospital vicentino, faleceu nesse local e seu corpo foi velado no saguão principal. Durante o féretro, quando era conduzido para o cemitério local, todos os comerciantes da rua Xv de novembro , cerraram as portas em sinal de respeito. Fato marcante em toda minha vida.

Beth Micheletti
Eu já era irmã do Hospital São José em 1952


Eugênio Ferreira Jacintho Ferreira Jacintho
Imagem do hospital são José no extinto jornal cidade de santos, que eu Lia todas as manhãs adorava esse jornal !!!!
Carlos Gigliotti
Há mais de 25 anos mantenho este hospital aberto sem qualquer ajuda financeira dos poderes públicos, quer seja federal, estadual ou municipal, aliás a Prefeitura municipal de São Vicente foi que destruiu o hospital São José, quando em janeiro de 1993, o Prefeito Lucas decretou intervenção no hospital e lá ficaram 4 anos deixando uma monstruosa dívida para a Irmandade que na época era de 30.000.000,00 (trinta milhões de reais ) hoje mais de 300 milhões.
De lá para cá a luta é constante para manter as portas abertas sem nenhuma ajuda da classe política da Região. Estamos abertos e atendendo mais de 8.000 pessoas por mês, infelizmente, a Prefeitura não quer credenciar o hospital para atender à população pelo SUS, função precípua de um hospital filantrópico deixando a população menos favorecida sem atendimento, desprezando esse Secular hospital nossa Santa Casa de Misericórdia !

Isis Soares De Souza
Carlos Gigliotti eu nasci em São Vicente em 74, minha mãe fez tratamento neste hospital. Meu pai tinha um primo que foi cirurgião chamado dr. Ranali. Ainda guardo a carteira de nascimento datilografada com nome da parteira e do dr. Vergara. Perdi um irmão que com toda certeza foi por negligência médica(1998) também no São José, pois quando foi transferido para a Santa Casa de Santos, não conseguimos nenhum prontuario, nenhum papel de atendimento do São José. Infelizmente um hospital que já foi referência ficou assim e acredito que não foi por falta de esforço de médicos como o senhor (ouvi minha finada tia - Lais Helena Breviglieri, falar muito em seu nome). Que algum dia, políticos olhem para a primeira cidade do Brasil tão largada e destruída, bem como para Itanhaem que hoje resido.que Deus lhe dê saúde para que possa ver este hospital se reerguer 🙏🙏🙏🙏

Elizabeth Calderaro
Carlos Gigliotti,e o governo do estado de São Paulo não pode ajudar a reverter a situação do hospital São José

Paulo Eduardo Costa
Carlos Gigliotti brilhante manifestação Provedor. Seu inegável mérito ficará na história de nosso Sodalício. Uma honra estar ao seu lado na Mesa Administrativa. Obrigado por tudo o que faz ao povo de São Vicente e de sua Baixada.

Rosimeire Alves Cardoso
Trabalhei de 93 a 94 com muito orgulho ❤️
Carlos Gigliotti meu pai foi militar_ salva vidas na época no Itararé e Biquinha e sempre falou bem do hospital e da gestão . Seu nome era Siloé Arquirusal. Era vicentino de carteirinha e sempre acompanhou evolução e infelizmente as negligências políticas da cidade. Senhor faz muito bem em não unir para não deixar munícipes sem respaldo tirando únicos lugares que ainda competem atendimento ao SUS,embora tem-se alguns setores necessidade de mudanças . Minha mãe qdo eu era criança fez uma cirurgia na unidade e lembro como foi bem atendida em todos os meios , desde recepção até sua alta. E , pelo SUS. Lamentável tanta falta de interesse por um hospital histórico que muiro contribuiu para nossa cidade pelo simples fato de valores
Parabéns pela sua postura e por estar a frente com toda iniciativa mantendo hospital em sua integridade.


Renato Rodrigues da Silva
Carlos Gigliotti a prefeitura de São Vicente não sabe nem capinar mato, vai saber dirigir um hospital? E, claro, tinha que ter sido uma administração daquele partido que afunda tudo o que toca...
Superfã
Marcelo Soares Barboza
Carlos Gigliotti Eu sou de 66 nasci em Santos mas minha infância (todinha) ,kkkkk como diz minha mãe fui, cliente dele kkkkk.Era gente de todo lado,atendia todo mundo,RX, Benzetacil a rodo kkkkkk,de curativo na ponta do dedão até a machadada eles atendiam.Acabaram com ele.
Rogers Lara
E não tinha nascido ainda mas estudei e sei que o prefeito era charles alexander de souza dantas Forbes são vicente enfrentava desmembramento de seu territorio pra emancipação do município de praia grande
Vim ao mundo , nesse hospital, era o melhor hospital da baixada, depois da Sta Casa.
Luiza Novaes
Tbm nasci neste hospital
Sônia Veiga Patrício Gouveia
Meu filho nasceu no hospital São José, 1987.Ja estava com administração precária, mas fui bem atendida sempre que precisei. Gratidão.
Altair Ribeiro
Em julho desse ano (1967) foi meu nascimento nesse hospital 😃
Edison Kliver
Eu nasci nesse hospitaleiro 9 3 45
Antônio Carlos Oliveira
Neste hospital 16/12/1950 vim ao mundo neste lugar,era um hospital muito respeitado nesta cidade de São Vicente que gosto muito com a cidade do passado, triste nos dias atuais acabaram com a primeira cidade ou vila do Brasil, a esperança que melhore este hospital, e tomem a cidade de volta e devolvem pra população.
Iremar Alves Bezerra
Vim ao mundo nesse hospital.
Embora SV seja uma cidade com diversos problemas, é minha terra natal e adoro sua história. Uma pena que é tão negligenciada pelos políticos que possuem projetos de poder e não projetos pelo resgate histórico da cidade.
Maria Aparecida Morais Silva
Se ele sobrevive 65 anos velho acabado imagine se ele estivesse sendo cuidado reformado e manteiga com muito cuidado que lindo hospital seria hoje.
Trabalhei no hospital São José, na tesouraria com a dona Hélia. Foi aí que conheci a minha esposa, ela trabalhava no same. Hoje somos casados a 43 anos, temos 3 Filhos e a 33 anos moramos em São Paulo Capital. Mas me lembro como hoje: tudo começou no hospital São José.
Nelitasandra Nelitasandra
Meu filho nasceu nesse hospital
Eliseu Zigiotti
Era a Santa Casa de São Vicente
Superfã
Francisco Silva
Sou calunga. Nasci e moro em SV há 72 anos. Vim ao mundo neste hospital dia 22/05/53
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Khatya Ganem
Nasci aí nesse ano 1967
Lu Oliveira
Nasci nesse hospital,em1977 e minha filha mais nova em 2008
Deise Peniche Santos
Já passei em frente muitas vezes
Carlos Jair Da Silva
Alô mais um Kalunga e caiçara na área forte abraço há todos sou de ,63
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Nah Castilho
Minha mãe trabalhou no hospital São José 30 anos se aposentou nesse hospital, tenho muitas memórias de quando ia nesse hospital enquanto pequena buscar minha mãe no serviço era muito legal pra mim rs
Superfã
Nilza Maria Agostinho
Trabalhei neste hospital de 1987 a 1992, aprendi muito.
Wagner Alves
Nasci em 31/10/1967 nesse hospital..
Minha mãe e meu irmão mais velho trabalharam por muitos anos no hospital São José..
Ótimas recordações!!
Maria Parracho
Nasci nesse hospital em 1960. Até o hospital São José nessa época era mais bonita do que nos dias de hoje.
Roberto Haidar Campos
Nesse ano fui operado da hérnia inguinal lado esquerdo.

Superfã
Geraldo De Almeida Viana Filho Viana
Boa tarde aí está um lugar que a Prefeitura de São Vicente sugou no tempo que era administração do Sr Lucas e depois muitos outros olha como está hoje 🙏
Um ano depois dessa foto,vim a nascer nesse hospital!
Mudou muito? Já tem muitos anos que não vou em São Vicente.
Mario Nery Machado Branca
Outra história perdida
Ednalva De Lima Santos
Muito bom atendia do Pobre ao rico
Lauricea Carvalho
Trabalhei no Banco de Sangue no ano 1980 até 1990 tempo bom, depois fui para o Hospital. Ana Costa e me aposentei no Sintraport .

Iranis Andre Dos Santos Santos
Meu berço nasci ali eu e minha galera
Antonio Carlos
Era melhor hospital dê são vicente.como fãs falta.
Meu caçula nasceu aí , nem dipirona pra mim tinha ,😔😔😔, meu falecido marido ,que foi na farmácia comprar 😂😂😂, isso fazem 23 anos .
Será que continua assim .
Marcelo Domingues
Nasci aí em 73
Edgard Loepert
nesse ano fui fazer um curativo depois de cair de bicicleta 🙂
Tania Nara Serra
Continua igual
Marcio Soares
Está foto e do ano do meu nascimento.
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Lucia Sena
De que adianta ter um hospital em São Vicente se não tiver recursos. Meu esposo precisava ser entubado. Não havia anestesista é claro que tentaram a sangue frio e morreu é claro tinha , apenas 63 anos. Restou a saudade e a infelicidade de tê-lo levado para lá. Não indico a ninguém.
Roberto de Castro
Minha filha nasceu aí. Leda Fazzio
Fabio Fonseca
O tempo onde o SUS funcionava,fui operado do joelho aí nos anos 90
Jardins lindos que morreram pra dar lugar ao estacionamento.

Superfã
Maria Eurides Pereira
Meus filhos nasceram no Hospital São José!Anos depois enquanto CMSaude,briguei por Vagas SUS e tratamento Humanizados.
Edson Edington
Nascimento em 1966 segunda janela a esquerda!!
Cristiane Pereia
Como era lindo!!!
Daniel da Costas
Quando o são José era útil para a população vicentina eu fiz uma cirurgia nele hoje só serve para poucos que pagam
Paula Consolino
Meu irmão caçula nasceu neste hospital em 72🥰. Minha mãe faleceu neste hospital em 95 😭
Mimos da Luhna
Lembro de uma história do São José se eu não me engano a maternidade estava sendo construída. E entre os blocos as pessoas deixavam dinheiro pra ajudar.
Não tenho doque me queixar passei por duas cirurgias aí e fui muito bem atendido
Silas Petronilio
Eu e meu filho nascemos nesse hospital
Admir Ignácio
Eu mesmo nasci nesse hospital em 1959 quanto tempo em 😄
José Carlos Da Cruz Guarana
Eu tinha 11 anos, hoje com 70 anos.
Priscila De Lara Lima
Minhas duas filhas nasceram nesse hospital 1999 e 2006
Carlinhos Oliveira
Nasci neste hospital,um dos melhores em épocas remotas
Superfã
Cátia Menezes
Morei em São Vicente de 1978 a 1984. Assim como eu toda minha família se tratava nesse hospital. Na época o atendimento era maravilhoso.
Balbina Barbosa Borges
Muitas memórias ..Saudade desse tempo
Mario Perez
Nossa, foi muito descaracterizado!
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Superfã
Neide Tavares
Minha irmã nasceu aí hoje ela tem 62 anos.
Sandra Mendes
Eu tinha dez anos é lembro bem.
Superfã
Nicke Lopes
Meu filho nasceu no hospital sao jose
Maria de Jesus
Eu nasci aí
Meus três filhos nasceram nesse hospital São José 🙏🏻❤️
Emilia Henriques Mendonça
PENA QUE HOJE EM DIA SE ENCONTRA DESSE JEITO. A POLÍTICA FECHOU NOSSO HOSPITAL. (ANTIGOS VICENTINOS FIZERAM DOAÇÕES DO TERRENO E CONSTRUÇÃO E MANTIVERAM TODO EQUIPADO)
Alfredo Rodrigues Neves
Nessa época era ótimo o hospital!!!
Marilsa Contes Oliveira
Nasci em 1968 no hospital São José
Nelson Luz
Eu nasci dia 25 de setembro de 1949 nesses hospital , SEMPRE foi uma referência depois da Sta Casa de Santos.
Paulo Bonisse
São José SV
Tomei vacina da febre amarela ae no são José 1997 fui bem atendido
Parabéns fazer viagem ao acre 😃
Trabalhei na maternidade com o dr Vergara, parteira Terezinha e a mariazinha
Meu padrinho era o provedor dr Meirelles
Alzenir Maria
Meu filho nasceu aí no hospital são josé em 2002
Luciano Azevedo
Somos dois meu amigo. A maioria dos meus parentes nasceram nessa casa de saúde, inclusive eu...
Sonia Regina Pinto Carrilho
Eu nasci aí em 25 /03/2960
Maria De Fatima Pereira Vasques
Minhas filhas tbm nasceram nesse hospital
1 em 1983
2 em 1990
Nalva Gorri
Eu nasci ai

Valéria Carvalho
Tive meus filhos lá em 90 e 95
Aqui no interior onde moro a Santa Casa virou Unimed


 

PERSONALIDADES DA MEDICINA VICENTINA



DR. GUILHERME RAPOSO DE ALMEIDA




No dia 20 de julho de 1894, nascia Guilherme, na Fazenda de Santo Antônio do Rio Manso, distrito e município da comarca do Espírito Santo do Pinhal, neste estado. Casou-se no Rio de Janeiro, em 2 de outubro de 1917, com d. Dulce Teixeira Pinto. Terminando os preparatórios no Instituto de Ciências e Letras em 1911, matriculou-se na Escola Politécnica de São Paulo. Sentindo que não era a Engenharia a sua vocação, ingressa na Medicina, formando-se na Universidade do Paraná, em 3 de março de 1920.

Veio para São Vicente em setembro de 1920. Apresentou-se como voluntário no quartel da Cruz Vermelha, em São Paulo, por ocasião da Revolução de 1930. Foi designado chefe do Serviço de Saúde das Forças Revolucionárias, no setor de São José do Rio de Janeiro, abrangendo parte de Minas Gerais, acompanhado do seu sobrinho Aníbal Raposo do Amaral, médico residente em São Vicente há 30 anos.

Em São Vicente era chamado o médico dos pobres, pois não costumava cobrar as consultas dos pobres.

Organizou em janeiro de 1924 uma excursão náutica São Paulo-Buenos Aires, dois barcos, pelos rios Tietê, Paraná e Prata. Faleceu em 5 de outubro de 1933, em São Paulo. Vultos Vicentinos, 1972.


MARCÍLIO DIAS DO NASCIMENTO



Embora nascido em 10 de junho de 1883, conviveu entre nós quase desde os primórdios de sua existência. Era filho do velho alfaiate Benedito André do Nascimento, oriundo de Vilabela, popular e também benquisto entre os vicentinos, e que foi casado com Joana Antônia do Nascimento.

Instruído, com inclinação para a odontologia, Marcílio Dias do Nas- cimento licenciou-se na profissão de seu pendor, ao longo da qual não fez fortuna, nem sequer chegou a amealhar o necessário para fruir uma velhice sem preocupações. Sua clientela compunha-se, em maior número, de desprovidos de meios, que, não poucas vêzes, lhe ficavam a dever. Mas nem por isso Marcílio deixava de persistir em sua missão de minorar o sofrimento alheio, sem se ater exclusivamente a vantagens pecuniárias. E assim se comportou ao longo da vida, quer em sua atuação profissional, quer nas várias atividades filantrópicas da cidade, das quais era figura obrigatória.

DENTISTA À DOMICILIO
Marcílio Dias do Nascimento era um profissional competente e aplicado. Levava sua dedicação ao ponto de atender clientes a domicílio, quando os mesmos, necessitados de tratamento de urgência, não podiam ir ao seu consultório. Quando isso se dava, Marcílio munia-se dos vá- rios petrechos, incluindo um rotador portátil, desmontável, acionado a pedal, e que funcionava satisfatoriamente. O cliente era convenientemente socorrido em sua própria casa, graças a esse valor a mais que o dedicado dentista acrescentava ao bom e completo desempenho de sua atividade profissional; assim se inculcava na preferência dos clientes, naquela época muito menos numerosos do que agora, e em geral esquivos pelo receio que ainda hoje inspira, a muita gente, esse tratamento.

O fator de poder dar atendimento, a domicílio, ao cliente necessitado, assim como a peculiaridade da instalação do maquinismo em tais circunstâncias, eram motivo não só de curiosidade, mas também de lisonjeiros comentários, que reforçavam o conceito em que era tido, de propugnador do bem-estar alheio.
LEILOEIRO DAS QUERMESSES

De gênio alegre e divertido, sua presença e operosidade eram disputadas em iniciativas e instituições de filantropia; em quermesses sua fama de "leiloeiro" emérito "corria mundo". Além de São Vicente (no lendário e secular adro da Matriz), em Santos, em Itanhaém (recebeu diploma de "leiloeiro honorário"), São Sebastião, Iguape e adjacências, seu concurso era requestado nessas ocasiões, e sua contribuição nos trabalhos de leiloar era invariavelmente tão prestimosa quão desinteressada. E assim levava a vida, trabalhando honestamente, ao mesmo tempo constituindo-se num dos mais ardorosos e eficientes obreiros das boas causas, onde quer que sua presença fosse solicitada.

Na época da "gripe espanhola", no ano de 1918, Marcílio Dias do Nascimento, como soldado integrante do memorável Tiro de Guerra n. 11, de Santos, prestou em São Vicente, juntamente com outros colegas de farda, os mais relevantes serviços, seja no atendimento ao incontável número de atingidos pela famigerada epidemia, que tantas vidas arrebatou à família brasileira, seja na condução de padiolas, na remoção e internamento de doentes, na angariação e na distribuição de medicamentos, enfim numa faina esgotante, por longas semanas em que expôs a própria vida a mortal perigo. (Edson Telles de Azevedo. Vultos Vicentinos, 1972.)


DR. JOÃO AMORIM

O PRIMEIRO MÉDICO CALUNGA


O 1º MÉDICO VICENTINO. Em 11 de dezembro de 1938 a coluna da sucursal de A Tribuna noticiava a colação de grau de João Amorim, médico que fez uma brilhante carreira na Capital. Foi o primeiro médico nascido em São Vicente. Nos anos 1950 seria a vez da 1ª médica, a Dra. Prazeres Barreiros, filha do comerciante português Luiz Antônio Barreiros. O Dr. João Amorim pertencia a um dos núcleo mais antigos da cidade: os Amorim-Lapetina.


Contribuição do genealogista Waldiney La Petina. 
Ps. o colunista era Edson Telles de Azevedo (autor de Vultos Vicentinos)

     

Dr. João Amorim. Filho de Antônio Pinto Amorim e Helena Lapetina, João Amorim foi o caçula de uma família de sete irmãos. Nascido em 23 de junho de 1913 no município de São Vicente, fez seus estudos no Ginásio Santista, então dirigido pelos Irmãos Maristas. Ao final do curso, chamado pelo reitor da instituição para uma conversa, insistiu-se que João deveria seguir com os estudos. Assim foi, e em 1938 João Amorim formou-se pela Faculdade de Medicina da USP, sendo o primeiro cidadão de sua cidade a tornar-se médico. Um dos pioneiros na especialidade da ginecologia-obstetrícia, foi fundador e primeiro Diretor da Casa Maternal e da Infância, hoje Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, criada pelo governo de São Paulo em 1944 para o atendimento a mulheres carentes, gestantes e parturientes. Dr. João Amorim exerceu a medicina durante intensos 65 anos e, graças à sua perícia, dedicação e ética, construiu uma vasta clientela particular, sem nunca abdicar de seu trabalho social. Durante muitos anos foi o Diretor Clínico da Cruzada Pró-Infância (hoje Hospital Pérola Byington), hospital beneficente de inestimável trabalho junto à população em situação de vulnerabilidade social. Foi também Chefe da Maternidade do Hospital do Servidor Público Estadual, Diretor Clínico da Maternidade Matarazzo e Diretor Clínico da Maternidade Pró-Matre Paulista. Nos hospitais e maternidades em que atuou, além de seu trabalho cotidiano como médico, dedicou-se também à formação de novos profissionais, promovendo cursos em sua especialidade. Desta forma, formou várias gerações de ginecologistas e obstetras, incluindo profissionais de renome. Dr João Amorim faleceu em São Paulo capital em 10 de março de 2006, aos 93 anos.

Fonte: O CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
Pesquisa: Waldiney La Petina.


DRA. PRAZARES BARREIROS

A PRIMEIRA MÉDICA VICENTINA E DA BAIXADA SANTISTA

                 


Filha de Antônio Luiz Barreiros e Isabel da Encarnação Barreiros, recebeu esse nome em homenagem a tia paterna falecida na pandemia mundial de gripe espanhola. Antônio Luiz Barreiros decidiu que sua primeira filha se chamaria Albertina ou Prazeres em homenagem as duas irmãs mortas de gripe espanhola no início do século passado. 

Passou sua infância e adolescência em São Vicente, cidade em que nasceu e desde cedo demonstrou seu talento pela arte . Datam dessa época os primeiros quadros pintados por ela. Mudou - se para o Rio de Janeiro para cursar Medicina na UFRJ , tornando-se a primeira médica da baixada santista e de São Vicente. Formou - se em 1953. Exerceu a Medicina no Rio de Janeiro como pneumologista e sanitarista, com grande amor e abnegação pela profissão.

Casou-se com o goiano Imar de Santana Azevedo em 1954, tendo tido dois filhos Sérgio Barreiros de Santana Azevedo, diplomata, e Lilian de Santana Botelho, médica, além de quatro netos. O engenheiro Imar de Santana Azevedo e Antônio Luiz Barreiros estiveram a frente do empreendimento do loteamento Belvedere Mar Pequeno em terras que pertenceram a Antônio Luiz Barreiros, infelizmente não obtiveram o sucesso esperado, pois foi realizado próximo a 1964 , período de muita instabilidade política e econômica.

Prazeres Barreiros de Santana Azevedo abandonou a Medicina na década de 1980 para se dedicar a sua grande paixão, a pintura. Assumiu o pseudônimo de Zenize, tendo recebido inúmeros prêmios nas exposições de pintura no Rio de Janeiro. Deixou uma obra com mais de quatrocentos quadros pintados por ela. Mudou-se para Goiânia em 1997 , onde faleceu em 2002. 

Dra. Lilian Santana Botelho, São Vicente na Memória. 

Comentários:

Gabriel Barreiros: A Medicina está no sangue da família Barreiros! Que orgulho ❤️

Lilian De Santana Botelho: Gabriel Barreiros obrigada. Verdade.😍

Adriana Barreiros Lapetina: Arildo Aparecido Alves olha a tia da minha mãe..grande mulher

Arildo Aparecido Alves: Adriana Barreiros Lapetina lembranças boas né muito bão a família ter uma história

Lenny Addor: Linda história....Uma vida bem vivida...Jamais a esqueci...Achava interessante ela conciliar a medicina e a pintura...e fazia isso mto bem...Pelas fotos ...vc esta mto parecida com ela...Sds de vc...

Jocelino Pereira da Silva: Bom dia, maravilha a história de Prazeres Vicentina, vc tem raízes e com grande história no Litoral Paulista. Parabéns. Abraços


DR. OLAVO HORNEAUX DE MOURA

DEPUTADO ESTADUAL


Olavo Hourneaux de Moura nasceu em São Vicente, Estado de São Paulo, em 17 de abril de 1917, era filho de Anthero Alves de Moura e de Isabel Hourneaux de Moura.

Após os estudos regulamentares, em sua cidade, formou-se em medicina. Tendo realizado curso de especialização no Hospital St. Louis, de Paris, França. Como médico, foi funcionário do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) e proprietário da antiga Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora das Graças.

Ingressou na carreira política concorrendo em 1962 pelo Partido Democrata Cristão (PDC) a uma cadeira de deputado estadual, obtendo 8.655 votos. Ficou como suplente da bancada de seu partido e assumiu o mandato parlamentar em diversas oportunidades na 5ª Legislatura de 1963-1967. Com o fim do pluripartidarismo, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar que havia tomado o poder pelo movimento revolucionário de 1964. Foi presidente municipal do MDB de São Vicente. Em 1966, foi reeleito para a 6ª Legislatura de 1967-1971, com 9.474 votos, pelo MDB.

Foi também fundador do Esporte Clube Beira Mar, de São Vicente, em 9 de fevereiro de 1938, entidade esportiva atuante até os nossos dias. Era viúvo de Ivaneide Mendes Guimarães de Moura e deixou oito filhos, Márcia, Olavo, Fernando Antônio, Fábio, Ricardo, Maria de Fátima, Marcelo e Eduardo, treze netos, e cinco bisnetos. 

Faleceu em São Paul no dia 4 de setembro de 2012 aos 95 anos. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Memorial de São Vicente, na cidade do litoral paulista.



DADOS DA SAÚDE VICENTINA EM 1952
Sinopse Estatística do Município

Casas de caridade e hospitais.

Possui o município os seguintes:

Hospital São José - Rua Frei Gaspar, 790.

Casa de Saúde N. S. das Graças - Rua Visconde do Rio Branco, 312.

 Instituto São Vicente - Rua Frei Gaspar, 280.

Além das citadas, conta atualmente o município com o S.M.E.S.C.A. (Serviço Municipal de Educação, Saúde, Cultura e Assistência Pública, que mantém ambulatórios médicos localizados em vários bairros, com a humanitária e filantrópica função de favorecer a classe proletária, cuja criação e desenvolvimento se deve à eficiente administração do dr. Charles Alexandre de Souza Dantas Forbes, prefeito municipal.

Os ambulatórios são os seguintes:

Ambulatório "Dona Beatriz Galvão Forbes" - Avenida Siqueira Campos, 73 - Praia Grande - Drs. Ari Garcia e André Stucchi.

Ambulatório "Dona Maria Dezonne Pacheco Fernandes" - Rua 397 - Casa 11 - Vila Cascatinha - Drs. Ari Garcia e José Singer.

 Ambulatório "Vila Margarida" - Planalto Bela Vista - Drs. Helio Ramos Costa e Áureo Rodrigues.

Ambulatório "Parque São Vicente" - Rua Frei Gaspar, 1.937 - Drs. José Singer e Hélio Ramos Costa.

Ambulatório "Dona Paulina Bei" - Vila Jockey Club.

Ambulatório "Rio D'Avó" - Avenida Capitão Luiz Antonio Pimenta, 590 - Drs. André Stucchi e Gilberto L. Cavalcanti. Sede central - Rua João Ramalho, 588 - Diretor: Dr. Sílvio Corrêa da Silva.

Dentistas:

Asthomiel Xavier - Rua Frei Gaspar, 530.

Benedito S. Pires Nobre - Rua Marquês de São Vicente, 229.

 Idler de Pontes - Praça Barão do Rio Branco, 315.

José Meireles Jr. - Rua Frei Gaspar, 582.

Manoel I. Ribas D'Avila - Rua Frei Gaspar, 658.

Otacílio M. Tavares - Praça João Pessoa - Edif. Tav.

Osvaldo Marques - R. Expedicionários Vicentinos, 75

Médicos

Dr. Alcides de Araújo - Av. Antônio Rodrigues, 339.

Dr. Alcides Garcia - Rua Frei Gaspar, 528.

Dr. André Stuchi - Rua São Luiz, 59.

Dr. Anibal R. do Amaral - Rua Frei Gaspar, 169.

Dr. Antônio Cunha de Pontes - Rua Jacob Emmerich, 541.

Dr. Antônio Militão Azevedo Neto - Rua XV de Novembro, 72.

Dr. Carlos Zindel - Rua Rangel Pestana, 46, ap. 4.

Dra. Clementina Faro - Rua Padre Anchieta, 480.

Dr. Dario O. Guimarães - Rua Américo Brasilienses, 49.

Dr. Dielson de Freitas - Fortaleza de Itaipu.

Dr. Eduardo Pirajá - Rua João Ramalho, 529.

Dr. Francisco A. Jarussi - Rua Frei Gaspar, 280.

Dr. Gilberto L. Cavalcanti - Travessa 22 de Janeiro, casa 2.

Dr. Hélio R. Costa - Rua Jacob Emmerich, ?39 (SIC).

Dr. Humberto Silva - Rua 13 de Maio, 193.

Dr. Inácio Cunha - Rua Américo Brasiliense, 330.

Dr. João B. Malbrouck - Rua Martim Afonso, 490.

Dr. José F. Ribeiro - Rua João Ramalho, 625.

Dr. José de Morais Melo - Rua Floriano Peixoto, 80, ap. 2.

Dr. José Toledo de Noronha - Av. Presidente Wilson.

Dr. José Singer - Rua Rangel Pestana, 46, ap. 4.

Dr. Odilon F. Guarita - Rua Jacob Emmerich, 451.

Dr. Olavo Horneaux de Moura - Rua XV de Novembro, 248.

Dr. Paes Alcântara - Rua Saldanha da Gama, 184.

Dr. Silvio Carvalhal - Rua Frei Gaspar, 280

Farmacêuticos:

A.C. Novais - Farmácia Anchieta, Praça Barão do Rio Branco, 308.

Agenor Lapena - Farmácia Central, Rua XV de Novembro, 12.

Ernani M. Monteiro - Farmácia Santo Antonio, Rua Frei Gaspar, 450.

José de Bonna - Farmácia Regina, Rua Benjamin Constant.

José Pinto - Farmácia Marabá, Rua Cândido Rodrigues, 27.

Nelson Corrêa - Farmácia Santa Terezinha, Av. Antonio Emmerich, 636.

Pasqual Larocca - Farmácia Avenida, Rua Martim Afonso.


INDICADOR MÉDICO EM 1970

A TRIBUNA - SÃO VICENTE DE OUTRORA


Dr. Alcides de Araújo. Residência: Rua Vicente Gil, 177 - Catiapoã- Telefone 8-3051.

Dr. André Stucchi. Praça João Pessoa, 279 - Telefone 8-3099. Residência : Rua Benedito Calixto , 240 - Telefone 8-2700.

Dr. A. Rapôso do Amaral. Clínica Geral - Ginecologia. Praça Barão do Rio Branco , 225 - Telefone 8-2421. Das 11:20 às 13 e das 16 às 19 horas.

Dr. Fauzi Simão. Consultório: Hospital São José - Telefone 8-2999. Residência: Praça Coronel Lopes, 127 - Telefone 8-2200.

Dr. Gilberto Figueiredo. Rua Jacob Emmerich,318 (nas dependências do extinto Hospital e Maternidade São Vicente) - Telefone 8-4888 e 8-3000.

Dr. José Singer. Rua Jacob Emmerich, 420 - Telefone 8-2942. Residência: Rua Pêro Corrêa, 408 - Telefone 8-3077.

Dr.Milton Davoglio: Praça Coronel Lopes , 18 - Telefone 8-4333.

Dr. Olavo Horneaux de Moura. Rua Visconde do Rio Branco, 312 - Telefone 8-2333. Diariamente das 9 às 12 horas.

Dr. Sebastião Marão. Clínica de olhos, ouvidos, nariz e garganta. Praça Barão do Rio Branco , 94 - 1º andar - sala 106. Telefone 8-5867. Das 11 às 12 e das 13 às 18 horas.



Obras sociais do Centro Espírita Cáritas: Abergue Noturno Domingos Albano. Dispensário dos Pobres André Luiz. Escola de Corte e Costura Anália Franco. Clínica Dentária. Na foto, segundo Ana Célia Pupo, servidora voluntária da instituição, o senhor de roupa branca é o fundador da Sinagoga Espírita Cáritas, Antônio Lopes Garrido.


Anúncio da Clinica do Dr. Jarussi, que funcionava na Casa do Barão nos anos 1950.



 PRAIA GRANDE 

SAÚDE E ASSISTÊNCIA MÉDICA


Esse trecho da biografia do farmacêutico vicentino José Ignácio da Glória revela o precário estado de saúde dos primitivos moradores de Praia Grande, "os caiçaras",  atacados pela maleita, a mais perigosa doença tropical no início do século XX no Brasil.  Mas os atingidos não eram apenas os caiçaras. A Mata Atlântica era um ambiente ainda selvagem e fértil do mosquito causador dessa moléstia. Uma das suas vítimas foi o pioneiro e loteador  Heitor Sanchez, que sobreviveu permanecendo longos anos em tratamento fora de Praia Grande até sua recuperação e retomada dos seus negócios.  Fonte: Vultos Vicentinos. Edson Telles de Azevedo. 



PRAIA GRANDE


DONATIVO DE JÚLIO SECCO DE CARVALHO PARA O HOSPITAL SÃO JOSÉ



Documento de 1962 relatando um donativo de 2 mil cruzeiros de Júlio Secco de Carvalho, fundador de Solemar e emancipador histórico,  para a Irmandade do Hospital São José, de São Vicente. Esse recibo prova que o Hospital São José era uma causa social e  equipamento regional de saúde pública, também utilizado e mantido por moradores de Praia Grande e outras cidades do litoral sul. Acervo de Lucy Carvalho. 

POSTO DE VACINAÇÃO E TELEFONIA



"As imagens antigas são grande fontes de informação e servem também para reavivar a nossa memória de situações e comportamentos vividos. Esse era o local que nós recebíamos as vacinas no final dos anos de 1960 e início dos anos de 1970. É a esquina da Pernambuco com Av. Brasil no Boqueirão, onde hoje é um restaurante. 

Nesses anos pegávamos a fila e nada dizíamos. Ninguém perguntava em que país a vacina foi fabricada, qual o laboratório e quais as possíveis consequências. Se uma autoridade da Saúde dizia que era necessário, a gente se vacinava e pronto.

Se alguém, ao negar a vacina, dissesse que liberdades individuais estariam em jogo, possivelmente seria preso pois estaria confrontando o regime militar então vigente.

O fato é que vacina nesses anos era só um agente introduzido no nosso organismo para provocar a formação de anticorpos contra determinado agente infectante. E hoje podemos dizer que depois de tantas vacinas, sobrevivemos para contar todas essas histórias". Claudio Sterque.


Final dos anos 80 no Ambulatório Médico do Recanto do Forte, na Rua Cintia Giufrida. Postagem de Claudio Sterque e foto de Augusto Viana Neto.

Comentários:

Lucy Carvalho da Cunha: Passava em frente sempre. Saudades

Dani Bueno: fiz acompanhamento da gravidez c dr maureti gaia da silveira nesse posto d saúde. o mesmo fez o parto da minha filha na beneficiência portuguesa/santos.

Maria Carmen Garcia Nieves: A casa existe até hoje!

Dayse Zanfolin: Fui muito aí levar os filhos atendimento excelente

Inês Soares: Levava meus filhos, com a Dra.Leila, pediatra competente, muito atenciosa, e querida.

Mariangela Lira: Nossa fui muito aí com minha mãe levar meus irmãos pequenos, tomar vacina.

Elisa Pulini: Minha casa ainda tem essa grade de cano no quarto 🤣 bem resistente viu!

Luis Carlos: Tirei muito serviço aí como GCM

Elizabeth Calderaro: Frequentei muito .

Maria Martha Sousa: Revendo o posto, pus me a pensar: Que solução incrível essas hastes de proteção colocadas ...permitindo que pude sse projetar a cabeça para fora...🤔🤔🤔🤔

Elenice Aparecida Nunes: Antes de ser ambulatório era uma escola jardim da infância da prefeitura , minha filha estudava aí lá pelos anos 1982 ou 1983

Cassia Motta: Foi aí que depois se expandiu o pré do Jardim Mathilde ???

Edisom Oliveira: Para quem não sabe antes de ser um ambulatório médico essa casa foi uma escolinha para crianças com idade pré escolar.

Maria Carmen Garcia Nieves: acho que era até era uma creche municipal

Edisom Oliveira:  sim algo do tipo...



Registro de um evento do setor odontológico do 1º governo do Dorivaldo Loria Junior -Dozinho (1969/72), quando foi promovida a I Semana Odontológica do Município.  Na foto estão os  dentistas pioneiros do município, Dr. Ezio Dall'Acqua Jr; Dr. Jener; Dr. Homero e Dr. Durval Capp, como também e o Farmacêutico Mendes.   Do 1º escalão do governo: Dra. Layde, Jaspe Bastos e Jodir Seabra. Dr. Ezio Dall'Acqua Jr., um dos primeiros dentistas da cidade. Se estabeleceu em 1969. Atendia  em sua residência, na  Av. Costa e Silva, 1003, Boqueirão. Acervo Edgar Dall'Acqua.

Moradores antigos da cidade lembram que José Carlos de Oliveira, o Peludo, embora não atendesse formalmente pacientes, foi provavelmente o primeiro dentista de Praia Grande, família radicada no Boqueirão desde os anos de 1930 e grande empresário da pesca de arrasto. 

Esse mesmos moradores antigos lembram também do casal de médicos Dr. Esdras e Dra.Maria Lúcia  e atendiam a população na Clínica Costa e Silva, de propriedade deles, desde os anos de 1970


"A primeira psiquiatra que atendia na cidade, Dra. Márcia Prata Ramos. Márcia implantou o primeiro programa de saúde mental em Praia Grande e também atendia no seu consultório na rua Jaú.
Uma profissional impecável ! A imagem é de 1982 e é do amigo Augusto Viana Neto". Claudio Sterque. 

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CAMPANHA VETERINÁRIA





CRISE DAS AMBULÂNCIAS NO PS MUNICIPAL


Pronto-Socorro Municipal. Situação precária das ambulâncias e falta de recurso levou o prefeito Jonas Rodrigues a aceitar ajuda da prefeitura de Cubatão, que tinha recebido veículos novos, cedendo os antigos para São Vicente. Cidade de Santos, 12 de outubro de 1969.





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 MÉDICOS QUE DERAM NOMES À RUAS DA CIDADE

Fonte: Conheça as Ruas de sua Cidade. Narciso Vital de Carvalho. 1978











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FACULDADE DE MEDICINA EM SANTOS



Notícia sobre o processo de autorização do curso de Medicina em Santos em 1967.

A classe médica de Santos e da região era tradicionalmente formada em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Recife. Na década de 1960 esse cenário vai mudar com a criação da Faculdade de Ciências Médicas em 1966, mantida pela Fundação Lusíadas. A Faculdade de Medicina de Santos foi responsável pela formação das primeiras gerações de bacharéis médicos da região. Havia em toda a Baixada Santista  um grande anseio pela instalação de cursos universitários e o movimento para a criação do curso de medicina liderou politicamente essa reivindicação:





Edital dos vestibulares da FMS para turma de 1970. Jornal Cidade de Santos. 

A Faculdade de Ciências Médicas de Santos (FCMS, pronuncia-se ficêmis, como é carinhosamente denominada pelos seus alunos e ex-alunos) foi criada oficialmente no dia 13 de abril de 1966 com a criação da Fundação Lusíada, reconhecida pelo decreto nº 72.489 de 18 de junho de 1973. É uma instituição de caráter privado e funciona na cidade de Santos.

Histórico. O ano de 1967 foi marcado por uma grande movimentação em Santos, com toda a comunidade lutando pela implantação de uma Faculdade de Medicina. Estudantes secundaristas e excedentes de Medicina realizavam passeatas pedindo o apoio do povo à campanha pró-Faculdade de Medicina. Os estudantes mantinham um plantão permanente na Av. Ana Costa nº 453 para receber as doações. O médico Dr. Eduardo Dias Coelho havia oficializado, no dia 13 de abril de 1966, a instituição "Fundação Lusíada", da qual ele foi o idealizador, fundador e primeiro presidente. 

No dia 2 de setembro de 1967, foi a fita simbólica desatada pelo então Ministro da Educação, Sr. Tarso Dutra. O prefeito Sílvio Fernandes Lopes, que muito cooperou com essa campanha, participando do movimento, entregou à Fundação Lusíada, que assumiu a criação da Faculdade, a importância de NCr$ 15.000,00, cumprindo lei municipal, destinada a colaborar no empreendimento. O então governador de São Paulo, sr. Laudo Natel, presente na cerimônia, pois também por várias vezes desceu a Serra para liderar a campanha, pregou a continuidade da luta, mesmo após a implantação, pois a Fundação Lusíada havia assumido compromissos de grande vulto que agora teriam que ser cobertos.

O primeiro primeiro prédio onde funcionou a Faculdade de Medicina de Santos. Acervo: Associação de Ex-Alunos da FCMS. 


A campanha dos estudantes foi iniciada com um acampamento na frente do Palácio dos Bandeirantes; a seguir, com seguidas reuniões que varavam a noite na residência do Dr. Eduardo Dias Coelho, na Av. Bernardino de Campos, nº 557, além dos plantões na Av. Ana Costa, para recebimentos das doações. A criação da Faculdade de Medicina de Santos, então, foi o resultado de um movimento conjunto entre os estudantes, operários, trabalhadores, a sociedade em geral, sendo reforçado pela criação da Fundação Lusíada, que teve como fundador e presidente o Dr. Eduardo Dias Coelho. Do lado governamental participaram o ex-prefeito Sílvio Fernandes Lopes, o ex-governador de São Paulo, Laudo Natel, o Ministro da Educação, Tarso Dutra, que em março de 1968 liberou uma verba para a Faculdade no valor de Cr$ 100 mil, destinada à compra de material para a instalação do 2º ano da faculdade, fazendo parte de um convênio firmado entre o Ministério da Educação e a Fundação Lusíada.

Contemporaneidade. Atualmente a Faculdade de Ciências Médicas de Santos é um grande complexo educacional, possuindo centro esportivo, anfiteatro, centro de pesquisas dividido em vários núcleos, como Informática, Foto-documentação e Vídeo, Divulgação e Publicação e Atividades Experimentais. Mantém convênio com o Governo do Estado para que os internos do quinto e do sexto ano prestem assistência à população através do Hospital Guilherme Álvaro e outras atividades também conveniadas. Em de outubro de 2021, a Faculdade de Ciências Médicas de Santos (FCMS) formou a sua 55º turma, demonstrando a força e a tradição no meio médico de Santos e do Brasil.

Obra maçônica.  A Fundação Lusíada, que deu origem à Faculdade de Ciências Médicas de Santos foi  idealizada e fundada pelo Dr. Eduardo Dias Coelho, sendo ele próprio o primeiro presidente da instituição. Ele propôs à Loja Maçônica D. Pedro I a criação de uma fundação de ensino, capaz de operar, a preço de custo, a fim de favorecer a imensa parcela da população que não poderia manter os gastos com um ensino de qualidade. Uma das evidências da origem maçônica da Faculdade está em seu prédio, localizado à Rua Oswaldo Cruz, no Boqueirão, bairro nobre de Santos, que se visto de cima (quer seja de um prédio nos arredores do bairro ou através de recursos como Google maps), possui o formato de um compasso, símbolo maçônico.





Jornal Cidade de Santos. Trote de calouros de Medicina nas ruas de Santos, 8 de março de 1969.


Jornal Cidade de Santos, 1969. 



Cidade de Santos, sexta feira, 31 de outubro de 1969, página 5.



Vestibular 1970. 


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CENTRO DE CONVIVÊNCIA
REVOLUÇÃO NA SAÚDE MENTAL E CULTURAL NOS AN0S 70 e 80

ENDEREÇO EMBLEMÁTICO. Neste endereço da rua Jacob Emmerich, no Gonzaguinha, onde hoje está este grande edifício, aconteceu a maior revolução cultural e saúde mental da Baixada Santista na passagem dos anos 1970 para os anos 80. Aqui existiam duas casas onde jovens universítários de várias procedências fundaram duas comunidades alternativas. Uma de vocação política, na qual os participantes teriam intensa participação nos acontecimentos das cidades da região; nela morava a vereadora, prefeita e deputada Telma de Souza. Na outra morava o casal Domingos Stamato e Maria Izabel Calil Stamato, fundadores do Centro de Convivência de São Vicente, base da criação de ideias e práticas culturais revolucionárias. Domingos era médico e Maria Isabel psicóloga.

Nota do jornal A Tribuna em edição de 1983.

A REVOLUÇÃO  COMUNITÁRIA VICENTINA

No final da década de 1970, São Vicente era bem diferente do que é hoje. Pouquíssimas famílias residiam na área continental, cujo acesso era só por trem ou pela via Anchieta, em Cubatão. A periferia da cidade se concentrava na região do Jockey Club, no córrego Catarina de Moraes e uma parte da Vila Margarida. A Cidade Náutica era um grande loteamento, com centenas de lotes vazios. A maioria dos bairros próximos do centro e da orla não tinham calçamento e somente alguns deles possuíam rede de esgoto. São Vicente ainda era uma cidade pequena, mas com grandes e graves problemas sociais. O acesso à Praia Grande ainda era pela Ponte Pênsil e seus bairros eram pouco povoados. No Gonzaguinha e no Itararé, os edifícios de apartamentos eram predominantemente para uso de turistas nas temporadas. Mas ainda existiam muitas casas de veraneio, algumas delas mansões pertencentes a ricas famílias paulistanas que aos poucos foram deixando de frequentar as praias vicentinas. Eram muitas, com construções imponentes, de muitos cômodos e espaços externos de grandes quintais e árvores enormes. Eram construções aristocráticas de uma época bucólica e que começavam a ter outras finalidades.






Jornal A Tribuna, 1983.

Para fugir da agitação urbana de Santos e da alta dos aluguéis, alguns grupos, geralmente universitários, alugavam essas antigas casas e mansões para instalarem comunidades alternativas, dividindo cômodos e despesas. Eram também conhecidas como “repúblicas”. Na rua Jacob Emmerich, entre os números 155 e 129, à apenas uma quadra do Gonzaguinha, haviam duas dessas casas. Uma delas, a maior, propriedade de um conhecido industrial de São Paulo, foi alugada pelo jovem casal Domingos Stamato e Maria Izabel Calil. Eles não eram casados e viviam juntos há alguns anos e tinham duas filhas. Ele era psiquiatra e ela psicóloga. Se conheceram durante uma palestra-debate quando se uniram para derrubar os argumentos conservadores de um juiz de direito sobre recuperação de menores infratores. Ali perceberam que tinham muitas coisas em comum, inclusive uma identificação de sentimentos e uma proposta de vida diferente e completamente fora dos padrões da época. Eram chamados de "hippies", uma tentativa de desqualificar sua ideia e práticas inovadoras, mas na verdade se consideram libertários. Precisam de uma vida regular para exercer suas profissões. Tinham que ter um endereço fixo, mas não precisava ser um endereço restrito e padrão. Queriam estar livres das obrigações das propriedades privadas e cultivar um tipo de vida nos moldes comunitários, que era o tom da nova sociedade alternativa americana e europeia.

Foi a partir dessa iniciativa do casal que surgiu a ideia de um Centro de Convivência, um espaço plural de moradia, trabalho, educação, lazer e cultivo das ideias libertárias e sobretudo das artes. E assim foi: um lugar amplo, agradável, de encontros de inteligências de vários segmentos e propostas de realização pessoal e coletiva. O Centro de Convivência da São Vicente, aproveitando o que ainda restava de bucolismo e tranquilidade da velha cidade praiana, passou a funcionar em 1978, ainda pequeno e com pouca frequência, mas logo tornou-se um dos núcleos culturais mais influentes da Baixada Santista. Ali se estabeleceu de maneira informal e criativa um espaço de experiências inéditas e que se tornaria referência nas áreas em que eram vivenciadas: a música, a literatura, as artes plásticas, o jornalismo, a psicologia e a psiquiatria humanistas, enfim, todas as expressões que possuíam um diferencial de visão de mundo e ao mesmo tempo uma perspectiva transformadora. Adultos, jovens e crianças vivendo um estilo de vida independente.


A Tribuna, 1983.

As experiências do Centro de Convivência não ficaram restritas ao espaço da mansão. Eram levadas para os locais socialmente mais problemáticos e considerados perigosos da cidade, em formato de intervenções e provocações que estimulavam mudanças na vida cotidiana das periferias. Isso provocou também a atração de outros profissionais - assistentes sociais, artistas, artesãos, educadores - para aprender e replicar essas inovações. No Centro de Convivência aconteceram os primeiros partos humanizados da região e também as primeiras experiências de tratamento em psicoterapia transpessoal. A discussão sobre o uso abusivo de medicações psiquiátricas e as crises dos manicômios eram abordadas ali com muita frequência. Foi numa dessas reuniões que foi sugerida a intervenção pública na Casa de Saúde Anchieta, em Santos, conhecida na época como “Casa dos Horrores”. Vizinha ao centro de Convivência, alguns anos antes, existia uma outra comunidade de jovens universitários, cuja vocação era mais de atuação política. Um dos moradores da casa era ninguém menos que a ativista Telma de Souza, que viria ser prefeita de Santos e cujo secretário de saúde, o médico David Capistrano, encabeçou o projeto de intervenção e ocupação humanitária da Casa Anchieta, na época abarrotada de pacientes vivendo em condições desumanas. David, mais tarde como prefeito de Santos, enfrentaria outro grande desafio da saúde pública regional, empreendendo uma intensa campanha sanitária contra disseminação do vírus HIV e que havia dado a Santos o triste título de “Capital da AIDS”. Venceu a luta e Santos tornou-se referência mundial nesse combate.

Em meio a tantas experiências e desafios, pois o preconceito e a resistência conservadora era intensa diante das propostas inovadoras, nunca é tarde para lembrar que os moradores e frequentadores do Centro de Conivência experimentavam e discutiam todos os assuntos e temas que suscitassem reflexões mais profundas e diferentes, como, por exemplo, as de natureza histórica e antropológica. Numa delas, a psicóloga Maria Izabel Calil Stamato, descente de árabes pelo lado paterno, relatou numa reunião que fizera uma descoberta interessante e que havia despertado nela uma incrível atração e, naquele contexto, um vínculo muito forte com a cidade de São Vicente. No seu mapa genealógico, por parte de mãe, constava que ela era descendente de Bartira, filha do Cacique Tibiriçá e esposa do semita João Ramalho. Na mesma ocasião surgiu a informação de que toda aquela área onde estavam as edificações da quadra das ruas Tibiriçá, Jacob Emmerich, Visconde do Rio Branco e Frei Gaspar, num passado longínquo, havia sido um cemitério indígena. Eram citações sem nenhuma intenção de privilégio, mas que acentuava um profundo respeito pela história calunga e pela cidade que os havia acolhido para realizar uma missão social que marcaria a vida de muitos vicentinos e santistas.



Domingos Stamato e Isabel Calil Stamato quando em reportagem sobre educação ambiental oferecida pelo Centro de Convivência. Jornal A Tribuna, 1985.

Artigo em A Tribuna:  despedida do casal Domingos e Isabel quando se mudaram para S.J. do Rio Preto.

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