09/07/2019

BIOGRAFIAS VICENTINAS III








INTRODUÇÃO


Aqui estão em destaque o rol de personalidades e localidades relacionadas direta ou indiretamente à história da Capitania e da Vila de São Vicente. São pessoas, lugares e instituições de destaque que, de alguma forma, influíram, contribuíram,  e ainda o fazem, para compor a memória e construir a história vicentina em diversas épocas e aspectos. 

Antecedendo as minibiografias, pontuamos a importância dos degradados como raiz precursora dessas experiências em tempos remotos  e que seria séculos mais tarde sucedida pelos imigrantes e refugiados nas épocas mais próximas da atualidade.  

Segue depois dessa rápida introdução a lista dos escolhidos  aqui registrados sem ordem cronológica, mas apenas sequência de recordação casual. Provavelmente muitos não foram contemplados, por falha nossa, injustiça que pode, na medida do possível, certamente ser corrigida. 

O Organizador



322.Calunga, gentílico de São Vicente. 
323.Vicentinos no Gonzaga.
324.O Porto Federal em Santos, Guarujá, Cubatão e São Vicente.
325. As águas e adutora do Itú.
326. O Museu de História Colonial. 
327.A Capela de São Jorge dos Erasmos. I,II e III
328. Sítios e Bananais.
329. Porto da Bananas.
330. Edifício Iguassu. Prédios Antigos de São Vicente.
331.Edifício e Conjunto Benedito Calixto. 
332.Praia Grande Bar.
333. A Velha Estação da Sorocabana.
334. O Córrego Sapeiro (Sapateiro)
335. São Vicente, 421 anos.
336.Necrópole Vicentina.
337. Cadeias Públicas, Delegacias de Polícia e Presídios.
338.Prof. Noside
339.Museu Nacional em São Vicente.
340. O Livro de Viagens: o Rico Brasil. 
341. As Primeiras Encenações da Fundação da Vila de S. Vicente.
342.Museu à Beira do Oceano.
343.Caminho de Praia Grande
344.Dalmo Duque dos Santos.
345. Dr.Magino Bastos.
346. Sergio Willians.
347. Olao Rodrigues.
348. Julião Caramurú.
349. Paulo José Gallotti Bonavides.
350. Prof. Constante Luciano Clemente Godfroid Houlmont.
351. Dino.
352. Maria Suzel e Roberto Frutuoso.
353. Adolpho Marreiro Jr.
354. Prof. André Retz.
355. Alberto Martins de Oliveira.
356. Simplício Brando (Luiz Tramonte Garcia).
357. Paulo Jorge Mansur.
358. Gil Mansur.
359. Mário Roberto Santini. 
360. Silvio Lousada. 



"De 1888 em diante, com o fim da escravidão, verificou-se em Santos a existência de aproximadamente 4 mil negros. Só o famoso Quilombo de Jabaquara, abrigava cerca de 3 mil, podendo-se calcular-se em 1.000 os que estavam distribuídos pelas famílias abolicionistas. Uma parte destes voltou para o interior; outra ficou em Santos com seus antigos senhores ou agregada a novas famílias, a pagamento, pela casa ou pela comida. Uma terceira parte, porém, procurou liberdade total, emigrando para onde havia mais abrigo natural e solidão. Foi assim que São Vicente se encheu de ex-escravos, principalmente dos mais idosos, de espírito mais rebelde, pois a cidade era apenas um pequeno núcleo concentrado junto ao morro dos Barbosas, junto das fontes e do mar, ou junto do velho Porto do Tumiarú. Assim, ao final do século 19, São Vicente abrigava os negros mais velhos que existiam em toda a região e tornou-se o refúgio dos "calungas", dos mais idosos, dos mais sofridos pela escravidão, daqueles que buscavam a tranquilidade comendo seu peixinho com farinha, felizes, em liberdade, cachimbando, sentados à sombra dos jambolões e das pitangueiras. Os "calungas" vicentinos eram daqueles que procuravam a paz." (Boletim do IHGSV). 

Em São Vicente, calunga também é o nome dos pequeninos caranguejos pretos que vivem entre as pedras encravadas no mar ou espalhadas nas praias. #323

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"Calunga grande é o mar, a enormidade de seu destino e de seu horizonte. Calunga pequeno é a terra que recebe esses corpos e os transforma em semente. Mas no caso da escravidão, reinventada no Novo Mundo, a terra tragou os corpos desses milhares de cativos, que foram antes transformados em prisioneiros, brutalizados pela violência desse sistema que supôs a posse de um homem por outro. É esse mundo "estranho" que captou a curiosidade de uma série de pintores, viajantes ou meros observadores, que retrataram os trópicos e suas gentes, tal qual um espetáculo ou, às vezes, como um intrincado laboratório racial".
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Contam os historiadores que, com a descoberta do Novo Mundo, o imaginário ocidental se voltou entre encantado e assustado para esse novo continente. Por certo a atitude era, no mínimo, ambígua. Afinal, se com relação à natureza as representações insistiam na edenização na idealização de um paraíso perdido recém-descoberto, já no que se refere aos "naturais" a maior parte das imagens reafirmavam uma certa detração ou, ao menos, a estranheza diante desses homens sem "fé, lei ou rei". Polígamos, politeístas e, sobretudo, com suas "vergonhas à mostra", esses habitantes das Américas representavam quase a não-humanidade, ainda mais quando sujeitos à mistura advinda da introdução maciça de trabalhadores negros, que, de forma compulsória, chegavam da África, alternando ainda mais padrões e costumes.
A viagem era longa; maior ainda o fastígio.

Lilia Katri Moritz Schwarcz. Professora do Departamento de Antropologia da USP
Revista de Antropologia. vol.44 no.2 São Paulo 2001.



Para milhares vicentinos que vivem nos arredores do Itararé e ilha Porchat, o Gonzaga é muito mais próximo do que para outros milhares de santistas que, por exemplo, moram depois do canal 3. É por isso que invadimos,todos os dias, não só essa praia, mas o centro e todos os bairros até o ferryboat e o porto. Não é?
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CINEMA NO GONZAGA

Em São Vicente em meados da década de 1970 haviam apenas três cinemas: o Petrópolis (na avenida Antonio Emmerich, lado do Cascatinha); o Cinemar (na rua Benjamim Constant, em frente ao Clube Tumiarú); e o Cine Jangada, um pouco mais sofisticado (na rua Martim Afonso, no centro). Nesse último vimos, entre 1975 e 1976, o lançamento de Dona Flor e seus Dois Maridos, Tubarão e a peça O Santo Inquérito, de Dias Gomes, um monólogo com Regina Duarte. Um dos meus colegas de escola e praia - o Chico - era filho do gerente do Petrópolis e do Jangada, nos quais sempre tínhamos entrada franca.

Essas eram as únicas opções de diversão noturna em São Vicente. Isso nos levava a buscar as atrações de Santos, especificamente no Gonzaga, antigo bairro balneário de casarões de milionários e hotéis de luxo. Ali era, nos anos 70, o verdadeiro esplendor de consumo e footing para jovens e adultos, local sempre muito movimentado e de muitas novidades, vitrines, luminosos, barulho de carros e motos durante a noite e na madrugada. Nas calçadas, largas e limpas, sempre havia oferta de artesanato hippie e pinturas em quadros, de todos os estilos. 

Cortado pela centenária avenida Ana Costa, o Gonzaga tinha como destaque a redonda praça Independência em torno da qual se concentrava inúmeros estabelecimentos: restaurantes especializados, rodízios de pizza, lanchonetes e casas de sucos e vitaminas, sorveterias, farmácias, grande lojas de sapatos, roupas e acessórios; galerias com muitas lojinhas da moda e de discos, boutiques de luxo, duas livrarias muitos frequentadas (Martins Fontes e Siciliano) e principalmente os cinemas, cuja frequência era altíssima nos finais de semana.

Durante o dia, como hoje, o Gonzaga funcionava como um centro de serviços com muitos consultórios, bancos e escritórios; era também o bairro dos solteiros, pois havia muitos prédios com apartamentos pequenos e kitinetes de temporada. Eu mesmo morei sozinho, entre 1984 e 1986, na rua Pereira Barreto, em frente ao atual Shopping e Hotel Miramar. Fazia minhas refeições, pasmem, numa loja da Drogaria São Paulo, na rua Floriano Peixoto, precursora das lojas de conveniência e que também era restaurante.
Durante a noite, sobretudo nos fins de semana, o bairro sofria uma transformação espetacular, tornando-se uma vitrine frequentada por uma multidão de pedestres sempre muito bem vestidos. 

De todas as atividades comerciais a que mais representava esse espírito da diversão e do passeio noturno no Gonzaga ainda eram os cinemas, que serviam, por exemplo, para demarcar o tempo de permanência dos que buscavam o bairro aos sábados e domingos. As sessões tanto poderiam ser o início, o meio quanto o final da jornada de lazer e diversões, dependendo das características e das intenções das centenas pessoas que ali passavam. As salas de cinema do Gonzaga variavam de tamanho e gosto pelos filmes ofertados: as maiores para as películas comerciais e a menores para os filmes de arte. Muitos deles faziam sessões de pré-estreia à meia noite de sexta-feira. Mas o ponto alto eram as noites de sábado, quando o bairro era invadido pelas multidões desde o período da manhã e da tarde para fazer compras e à noite para os passeios de costume. 

Contando da praia do Gonzaga em direção ao centro, existiam na avenida Ana Costa os seguintes cinemas: Atlântico I e II (Hoje lojas C&A, Mc Donald e Americanas, próximos ao bulevard da rua Othon Feliciano); Iporanga I e II (salas grandes) e Iporanga III (sala de arte), vizinhos do Clube Sírio-Libanês, todos demolidos para dar lugar ao atual shopping denominado Pátio Iporanga. Na sequência havia o Cine Roxy (talvez o maior de todos, até hoje em funcionamento e com rede nos shoppings do litoral); e por último o Cine Indaiá, conjugado ao hotel com o mesmo nome, próximo ao Colégio São José. Na rua paralela, atrás do Indaiá, tinha o pequeno Cine Alhambra, também só para exibição de películas de arte e voltado para um público seleto. 

Mesmo com essas diferenças de público e salas, não havia distinção de preços nos ingressos para filmes comerciais e de arte.

Na década de 1980 Santos também teve a fase dos cine-clubes, porém de uma forma diferente. Como a cidade sempre teve e ainda conservava boa parte das suas salas de cinema, o Cine Clube de Santos funcionava alternadamente em diversos pontos, como espaço locado em horários ociosos ou de baixa frequência. A ideia era do conhecido cinéfilo Maurice Legeard, que exibia seus filmes preferidos sobretudo no Iporanga 3, Alhambra e mais tarde no Cine Indaiá. Marcando o fim de um ciclo de uma antiga e imensa paixão dos santistas pelo cinema, Maurice faleceu em 1997 quando sua obra cultural circulante e seu gigantesco acervo de milhares de filmes, equipamentos e impressos permaneciam guardados na sede da famosa Cinemateca de Santos, que funcionava inicialmente num sobrado no Gonzaga e anos mais tarde incorporado como patrimônio gerido pela Secretaria de Cultura da Cidade no CIne Posto 3. (Dalmo Duque) #324

PS. Para voltar de madrugada do Gonzaga a S. Vicente, íamos andando pela praia até que surgisse o útimo Zeffir que vinha de São Paulo e sempre nos dava de carona até o início da Presidente Wilson. 



Muito antes da chegada de Américo Vespúcio (1502), que aqui deixou alguns degredados e deu nome à ilha que hoje habitamos, São Vicente, já era conhecida como Tumiaru. O porto dos escravos pré-colonial, que também poderia ser chamado de porto das sereias, cujo ponto de parada  era sedutor em todos os aspectos para os navegantes que aqui passavam, torna-se porto do açúcar, mantendo-se nesse formato até que as atenções dos negócios  se voltassem para a exploração de ouro e diamantes em Minas e Goiás. 

A "PORTAGEM" COMO AÇÃO CIVILIZATÓRIA.  

A "portagem", prática portuária, existente desde a Antiguidade, surgida juntamente com a civitas e polis,  reunia todas atividades econômicas mercantis envolvendo os negócios privados e também do Estado por meio da arrecadação tributária e distribuição pública dos recursos. Essa prática foi mantida nos feudos medievais por mais de mil anos. Os portos eram literalmente as portas de entrada e saída territoriais de mercadorias, secas ou molhadas, isto é, os "pedágios" perto ou afastados dos rios e mares, locais do exercício de arrecadação: 

"Um pedágio ou portagem é um direito de passagem pago mediante taxa ou tarifa a autarquia ou concessionária delegada, respectivamente, para ressarcir custos de construção e manutenção de uma via de transporte. Tradicionalmente, os pedágios/portagens rodoviárias têm sido cobrados só em estradas rurais ou interurbanas"

No Brasil a expressão "portagem" não se consolidou como termo jurídico oficial nem popular, mas em Portugal, até hoje, "portagem" significa ação tributária em muitos sentidos. Por aqui predominou o vocabulário fiscalista colonial, prevalecendo os termos "alfândega" e "imposto". 

Por esse motivo escolhemos a "portagem" como conceito e percurso narrativo, isto é,  a cronologia dos portos e da civilização marítima que os portugueses criaram na Ilha de São Vicente e parte da área continental a partir dos acontecimentos da longínqua Revolução de Avis (1385) e que se expandiram nos séculos XV e XVI no Atlântico, Indico e Pacífico:

O Porto do Pau-Brasil e o Porto dos Escravos, do período pré-colonial;

O Porto do Açúcar, no período colonial: capitania, semarias e vilas.

O Porto do Café e das Ferrovias, durante o Império e da Primeira República;

O Porto das Indústrias e das Rodovias, incluindo o rápido ciclo da bananicultura produzida na região até meados do século XX; e o atual maior exportador do mundo da indústria alimentícia de laranja, açúcar e café em grãos. 

No início do século XXI toda a região do litoral paulista e da extensa Bacia de Santos foi sacudida pela promessa dos negócios da produção petrolífera e já se articulava  para viver um longo período de operações logísticas do Porto do Pré-Sal, interrompido com a crise política de 2016, com o impeachment da presidente Dilma e prisão do presidente Lula.

Esses são os principais temas e narrativas norteadoras dessa historiografia, que influíram e influem  em importantes eventos da vida regional e brasileira. 

TERRITÓRIO PORTUÁRIO FEDERAL

O porto, comumente citado e conhecido popularmente não pertence exclusivamente ao município de Santos. É um território federal, restrito  de segurança nacional e alfandegado, com duas margens, abrangendo Guarujá e Cubatão. Como porto seco, vai além desses limites municipais. Todos os órgãos reguladores e fiscalizadores e de arrecadação são da União. 

A expressão geográfica  “Porto de Santos” se refere amplamente à Bacia Marítima de Santos e não restritamente à cidade, que apenas está mais próxima desse território federal, que também controla a margem continental. É um equipamento e ponto estratégico regional controlado pela Receita (Alfândega) e Polícia Federal, defendido por dois quartéis do Exército- em São Vicente e Praia Grande, uma base da Aeronáutica no Guarujá e forças de segurança do estado e municípios próximos. 

Nenhuma autoridade municipal da região tem poder direto sobre o porto. Todas as grandes decisões são do governo do estado e da União. 

No início do porto organizado muitos executivos e autoridades portuárias moraram em São Vicente. Havia bondes exclusivos para eles, que moravam na Vila Betânia. Nessa época Santos era considerada uma cidade insalubre e perigosa para se morar.  Já a massa popular de estivadores e demais funcionários comuns sempre foi composta de moradores de Santos e São Vicente e demais cidades próximas.#325



Vereadores e Prefeitura Vistoriam Avanço no Abastecimento da Cachoeira de Itu e Rio Mariana

Em visita técnica realizada na última [dia da semana], vereadores da comissão de obras, acompanhados de engenheiros e funcionários da Prefeitura, inspecionaram os avanços das obras de saneamento e captação de água na região da Cachoeira de Itu e passagens pelo Rio Mariana. Está sendo finalizada a instalação de tubos de aço de 10 e 14 polegadas de diâmetro, destinados a reforçar o sistema de abastecimento local. O trabalho de soldagem dos tubos submersos está sendo realizado com solda a eletrodo revestido, garantindo a vedação e a resistência necessária para a pressão da água. A equipe conferiu a fixação dos canos no leito do rio, um trabalho complexo que visa garantir a perenidade do serviço.

A comitiva destacou que, na ocasião, o investimento total na obra já ultrapassa a marca de 11 milhões, demonstrando o compromisso do Poder Público com a infraestrutura sanitária da área, que há anos necessitava de modernização. Os representantes municipais reafirmaram que as obras devem ser concluídas dentro do prazo, garantindo melhorias imediatas para a população.

O PREFEITO AGUARDOU A COMITIVA NO RIO MARIANA

Quando os excursionistas regressavam da cachoeira de Itu, rumo à cidade, foram esperados no Rio Mariana pelo prefeito, dr. Charles de Souza Dantas Forbes, que se fez acompanhar do sr. México
Rossi, suplente de vereador e de vários funcionários da Prefeitura.

VÁRIAS NOTAS

Justo é destacar o gesto do dr. Celso Santos, coproprietário da Vicri S. A.,doando à Prefeitura toda a faixa de terra onde passa a adutora.

As chapas de aço para os tubos são de Volta Redonda e calhandradas em Honório Gurgel, no Rio. Os tubos são revestidos de esmalte, à base de betume, e conforme o terreno são colocados canos com revestimentos adequados.

Vem a E.F. Sorocabana colaborando com a Prefeitura, para o completo êxito do abastecimento da água. Muito ttêmm trabalhado os drs. Roberto Magano, engenheiro residente, Raul Cavalcanti. subdiretor das operações e Humberto Nobre Mendes, encarregado do reforço da ponte dos Barreiros. Estão sendo empregados tratores e duas motoniveladoras para a preparação do terreno. A abertura e fechamento de valas é feito por empreitada.

O cano de duas polegadas colocado para facilidade do serviço está sendo substituído pelos tubos de aço de 16 polegadas. Durante todo o trabalho, registou-se a perda de uma vida. Por sua própria imprudência, Mário Joviniano, pereceu afogado virando de uma canoa, ao transpor o rio Mariana.#326,

A TRIBUNA. Quinta-feira,23-4-1953
Hemeroteca Digital BN 



Como complemento da campanha de resgate histórico das relíquias religiosas do Engenho dos Erasmos, o jornalista Edson Telles de Azevedo propôs na sua coluna semanal de A Tribuna a criação do primeiro museu de história colonial do Brasil. O colunista sugeriu que esse novo equipamento cultural fosse construído no Largo de Santa Cruz, onde já existia uma pequena capela devocional:

(...) Estas linhas servem para lembrar local para a ereção do 1º Museu de História Colonial de S. Vicente. Por ser um lugar também histórico e próximo ao centro da cidade, citamos o antigo Largo de Santa Cruz, hoje Praça Bernardino de Campos que, em época recuada, também se chamou Largo da Lavanderia. Este último nome dava-se devido à existência de uma lavanderia pública, que grande parte da população pobre utilizava, emprestando vivos traços de pitoresco aquele local. Existiu nessa praça uma rústica capela a de Santa Cruz onde mãos piedosas, frequentemente, acendiam velas, onde também corações crentes depositavam esmolas, por força de promessas feitas e como reconhecimento de graças alcançadas. Nessa capela, todos os anos no dia de Santa Cruz realizavam grandes festejos, ficando o antigo Largo de Santa Cruz todo embandeirado, e regorgitante de pessoas em volta de fogueiras e das mesas dos leilões de prendas. Depois tudo foi transformado. O que era tradicional, o que se dizia do passado histórico, foi desaparecendo paulatinamente. #327

Edison Telles de Azevedo. A Tribuna, domingo, 29 de janeiro de 1950. Acervo Digital da BN.7



Ruinas históricas e completamente desprezadas pelas autoridades existem aqui, bem pertinho de nós e próximas à antiga fazenda de São Jorge. Essas ruínas sempre pertenceram a São Vicente. Entretanto, quando do arbitramento feito em 1905, para as divisas com Santos, os responsáveis, desconhecendo a verdade histórica apresentaram um traçado errôneo no laudo, prejudicando o nosso patrimônio territorial. São Vicente foi esbulhada e perdeu aquelas relíquias. Trata-se das ruinas da capela de São Jorge, do cemitério e do Engenho dos Erasmos, que pertenciam ao município desde a sua fundação (1532).

Conta-nos a história que Martim Afonso de Souza e seu irmão Pero Lopes de Souza fizeram um contrato com João Venist, Francisco Lobo e Vicente Gonçalves, para a instalação de um engenho para fabricação de açúcar, contrato esse feito em 1534. Acredita-se que nessa oсаsião foram construídos a capela de São Jorge e o cemitério anexo, cujas ruinas ainda existem e foram por nós fotografadas (vide clichês). Vários historiadores não fazem referência à capela e ao cemitério, mas a verdade é que existiram, como se pode provar com os nichos nas ruínas da capela e a escavação procedida há 6 meses, na parte do cemitério, onde foram encontradas ossadas. Era costume, conforme acentuamos em artigo anterior, fazerem-se os sepultamentos nas igrejas e capelas e em tôrno delas.

A imagem de São Jorge (também fotografada), não podemos afirmar seja daquela época (1534). Parece-nos porém bastante antiga. Soubemos dos atuais e antigos moradores do sítio São Jorge ter sido encontrada num buraco de pedra nas ruinas do engenho, após abandonada a capela e caídas suas paredes. A imagem, pequena (15 centímetros de altura), é feita de barro e tem sido venerada há longos anos pelos sitiantes. Duma feita, um morador levou-a e, após protestos e reclamações de fiéis, devolveu-a. Sem que ninguém visse, colocou-a novamente no seu primitivo lugar, isto é, no buraco de pedra da parede do engenho. Hoje, está ela sob a guarda da família de João Chagas, que toma conta das ruinas, por ordem do Sr. Otávio Ribeiro de Araujo, não faltando, diariamente, as velas acesas em seu louvог
importantes ocorridos na capela de São Jorge. Benedito Calixto afirmava que, em atenção ao seu pedido. o cel. Almeida Morais, presidente da Câmara de Santos, mandou colocar uma placa de bronze numa das paredes da vetusta capela, cujas inscrições atestaram sua importância como relíquia. Tudo isso fol feito com plena ciência e autorização da Câmara de São Vicente e do proprietário do terreno. Não vimos essa placa e ignoramos o seu paradeiro. Frei Gaspar da Madre de Deus, em suas "Memórias", relata que Martim Afonso de Souza mandou construir a capela dedicada a São Jorge e bem assim o engenho, para que os lavradores pudessem moer as canas doces.

Consta que vão ser construídos o engenho e a capela, através de um movimento encabeçado pela Universidade de Filosofia de São Paulo. O sr. Otávio Ribeiro de Araujo já abriu um crédito de um milhão de cruzeiros, em favor dessa finalidade. #328

-No clichê, as ruinas da capela, com as setas mostrando os nichos; e a imagem de São Jorge.

A Tribuna, domingo, 21 de abril de 1957
Acevo Hemeroteca Digital BN


Martim Afonso de Sousa, fundador da "Cellula Mater", foi o introdutor da cana-de-açúcar no Brasil, instalando em S. Vicente o primeiro engenho. Desde o início, em que era o açúcar a moeda corrente. Os documentos antigos nos relatam que João Ramalho "pagaria as despesas em Portugal com açúcar vicentino". Eis o motivo por que vemos o brasão de armas da cidade ornado com duas hastes de cana de açúcar, o que evidencia sua importância, ao ser assim representado na simbologia heráldica.

Rememorando-se esse acontecimento, ainda se vêm plantados, nas adjacências e nas fraldas dos Morros Itararé e São Jorge, vários canaviais. Essa cultura tomou grande incremento naquela época e a consequência disto foi multiplicarem-se os engenhos, o que possibilitou a São Vicente exportar não pequena quantidade de açúcar para outras capitanias e para Portugal. Vários foram os apelidos do engenho, por terem sido também diversos os seus donos em tempos diferentes: no princípio chamavam-no "Engenho do Senhor Governador", por ser do Donatário; depois, "Engenho dos Armadores", e ultimamente "São Jorge dos Erasmos". Martim Afonso, Francisco Lobo e o piloto-mor Vicente Gonçalves venderam suas partes ao alemão Erasmo Schetz (existe em São Vicente uma rua com o seu nome, situada entre as Praças João Pessoa e Bernardino de Campos); seus filhos compraram também o quinhão de João Venist, por isso ficou chamado o "Engenho São Jorge dos Erasmos". Isso nos relata Frei Gaspar da Madre de Deus, em suas "Memórias". "Das terras de Rui Pinto" vinham as canas para sustentar o engenho. Alguns historiadores discordam de que o Engenho de São Jorge dos Erasmos tenha sido o primeiro do Brasil. Outros afirmam que Martim Afonso de Sousa mandou buscar na Ilha da Madeira, em Portugal, as primeiras canas de açúcar e gado vaccum, há, ainda, os que acreditam ter "cana doce" vindo de algum lugar bem mais próximo de São Vicente.

A fazenda onde funcionou o engenho, a capela de São Jorge e o cemitério passaram por diversos proprietários. Tivemos em mãos uma escritura de 22 de outubro de 1804, na qual aparecem o alferes Manoel Marques do Vale e sua mulher, Maria Conceição, vendendo o sítio "São Jorge" ao Sargento-Mor das Milícias, Manoel José da Graça. No inventário do dr. João Floriano Martins, falecido em 18 de dezembro de 1881, conforme certidão do Arquivo Nacional, consta que o sítio denominado "San Jorge, no distrito da Villa de San Vicente, por sentença de 2 de outubro de 1879, esse Imóvel foi avaliado em quinhentos mil réis", com casa de morada muito estragada, um rancho grande com paredes de pedra e cal, coberto de telha e terras respectivas.

CERTIDÕES DO PADRE MANOEL (1856)

A Repartição de Estatística e Arquivo do Estado de São Paulo forneceu uma certidão, a pedido do sr. Edgard de Toledo, residente no Rio de Janeiro, na petição do dr. José de Costa e Silva Sobrinho, após rever o livro de "Registro de Terras da Paróquia de São Vicente" na qual declara os possuidores das terras de São Jorge, na Vila de São Vicente, em 31 de maio de 1256. E aparece o vigário Manoel de Assunção Costa assinando a referida certidão. Esse sacerdote assinou outro documento certificando a declaração que fez Gabriel da Silva e Oliveira, Curador do doente padre João Nepomuceno Neves, do sítio Cachoeira, que o mesmo possuiu na Vila de São Vicente, com data de 25 de maio de 1856, e assinada pelo citado vigário de São Vicente, padre Manoel, e pelo escrivão do Registro, Pacífico Antonio de Sousa.

O imóvel São Jorge pertenceu também ao Sargento-Mor Francisco de Pauta Martins, passando, por falecimento dos cônjuges, a sua filha d. Ana Margarida da Graça. Esta casou-se, em segundas núpcias, com o conselheiro Joaquim Floriano de Toledo. Ao casal ficou pertencendo o referido imóvel. Falecendo o conselheiro, foram os bens por ele deixados, entre os quais se achava o de "São Jorge", adjucado ao de João Floriano Martins de Toledo, pai do sr. Edgard de Toledo. Por morte do dr. Floriano, "São Jorge" foi partilhado entre seus dois filhos, Edgar e Heitor, este último falecido antes de 1927.

FESTAS EM LOUVOR A S. JORGE.

Na capela que funcionou junto ao Engenho dos Erasmos, São Jorge foi muito festejado, especialmente nas solenidades que se realizavam dia 23 de abril, data consagrada pelo calendário cristão ao martirológio desse santo querido e cultuado por verdadeiras legiões de fiéis e devotos. Vários milagres foram constatados por pessoas que invocavam o nome de São Jorge, nos momentos mais difíceis. Dissemos em artigo anterior que a imagem fora encontrada num buraco de pedra no engenho, após abandonada a capela e caídas as suas paredes. Hoje publicamos a foto, mostrando a imagem no lugar do encontro.

No "cliché". as ruinas tente do Engenho São Jorge dos Erasmos, e a imagem no buraco de pedra onde foi encontrada pelos antigos moradores.

A Tribuna. Domingo, 28 de abril de 1957.
Acervo: Hemeroteca Digital BN 


AS TERRAS DE S. JORGE
Para conseguirmos subsídios inéditos para a história de São Vicente, consultamos documentos antigos em cartórios e temos conversado com velhos moradores. Ainda com referência às terras de São Jorge, onde estão as relíquias que vimos abordando, deparamos num documento sobre as suas divisas: 'e, da referida pedra para baixo parte-se pela mesma cachoeira abaixo a sair no rio São Jorge, chamado rio da Igreja", o que vem provar a importância da capela de São Jorge, naquela época.

CERTIDÕES DE 1708, 1768, 1798 e 1804
Tivemos em mãos certidões de próprio punho, dos anos de 1708, 1768, 1798 e 1804, todas referindo-se as terras de São Jorge. A de 1708, é fornecida, e assinada pelo escrivão Firmino de Quadros Aranha, em 21 de janeiro daquele ano, do Livro de Notas que serviu na Vila de São Vicente. Aparece a venda do sítio São Jorge, com terras de outeiros e atlas, pelo tte. Miguel Lopes de Aguiar como procurador de José de Morais Gois ao alferes Jacinto Muniz de Gusmão, ao preço de quinhentos mil réis, e o escravo de nome Felipe, crioulo muito estimado. Escritura de 1798, Manoel Marques do Vale e sua mulher, d. Maria da Conceição, vendeu o sítio Cachoeira vizinho ao de São Jorge, ao cap. Manoel Cardoso.

CEMITÉRIO DE S. JORGE
Vimos confirmar hoje, o encontro das ossadas, no lugar onde existiu o cemitério, anexo à capela de São Jorge. O sr. Otavio Ribeiro de Araújo ordenou a dois empregados seus, que fizessem uma escavação em forma de L. Isso foi feito há seis meses, e, de fato, foram encontrados crânios, maxilares perfeitos e ossos dos membros superiores e inferiores. A quem pertenceriam essas assadas?

ROMARIA PARA CONHECER A IMAGEM E AS RUÍNAS
Depois das nossas notas, com referência à imagem de São Jorge e às ruinas do engenho, da capela e do cemitério, muitas pessoas têm se dirigido ao local. Ainda dia 1.0, o número de visitantes foi bastante acentuado.

NOSSOS APELOS HÁ VÁRIOS ANOS
Quando das datas comemorativas ao dia da fundação de São Vicente, há vários anos, vimos fazendo veementes apêlos às autoridades locais e do Estado. Ainda no dia 22 de janeiro de 1957, repetimos: "Embora já não mais estejam dentro do nosso município as ruinas do primeiro engenho sul-americano estão ameaçadas de desaparecer. Portanto, que se proceda à chamada patriótica de restauração do histórico engenho. Reconstrua-se o Engenho dos Erasmos para que o povo e os forasteiros, em peregrinação no local, possam prestar suas homenagens a esse Monumento Nacional.

Que a Câmara e o Governo Estadual intercedam junto aos usineiros do Estado e do Brasil, no sentido de ser erguido, no local do primeiro engenho, algo em defesa de nosso patrimônio histórico".

É preciso, realmente, que as tradições de glória de São Vicente sejam rememoradas e reverenciadas com entusiasmo e o civismo próprios das coletividades a que jamais faltou o culto de veneração pelas coisas grandiosas e pelos vultos eminentes do seu passado.

SERÃO RESTAURADOS O ENGENHO E A CAPELA?
Lemos na semana passada, um artigo na "A Gazeta", de São Paulo. a propósito da carta do Bispo de Santos, provocada pela recente entrevista do sr. Mariano Laet Gomes, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santos, e com referência às ruinas do engenho e da capela de São Jorge dos Erasmos. Estão dispostos a Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo, a de Arquitetura e Urbanismo, a Associação dos Usineiros Paulistas e o chefe do 4.º Distrito do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional a restaurar essas relíquias, tornando o local também ponto turístico.

Na referida carta, s. excia. revdma. D. Idílio José Soares mostra-se entusiasmado com a iniciativa, dando o seu apoio. Justo, entretanto, reafirmarmos que o proprietário das terras, sr. Otávio Ribeiro de Araujo, está no firme propósito de doar a área onde estão situadas as ruinas, no valor de um milhão de cruzeiros!
Seja como för, a história de São Vicente é digna de ser exaltada sempre e merece a apoteótica consagração de todos os brasileiros. Que se restaure esse patrimônio, para que fique perpetuado o passado da 1.a capitania do Brasil e as glórias de São Paulo.

No cliché, o local anexo à capela de São Jorge que serviu de cemitério sendo assinaladas pelas duas flechas, as escavações recentes, em forma de L.

A Tribuna. Domingo, 5 de maio de 1957.
Acervo: Hemeroteca Digital BN


ONTEM A ASSINATURA DA ESCRITURA DE DOAÇÃO DOS TERRENOS DO ENGENHO DE SÃO JORGE DOS ERASMOS - Realizou-se ontem, às 21,30 horas, no salão "Princesa Isabel", no Paço Municipal, a solenidade da assinatura da escritura de doação dos terrenos do Engenho de São Jorge dos Erasmos, que foi o primeiro engenho de cana no Brasil e talvez da América do Sul. Compareceu à cerimônia, como representante do Legislativo, o vereador Mariano Laet Gomes, que presidiu os trabalhos. Participaram da mesa o prof. dr. Gabriel Teldra de Carvalho, magnífico reitor da Universidade de São Paulo, prof. dr. Luiz Antônio da Gama e Silva, catedrático da Faculdade de Direito; dr. Francisco Malta Cardoso, da Associação dos Usineiros, e dr. Otávio Ribeiro de Araújo, um dos principais doadores da área, avaliada em cerca de um milhão de cruzeiros. Como orador oficial fez-se ouvir o prof. dr. Luiz Antônio da Gama e Silva, que, em vibrante discurso, disse do significado do ato, fazendo também também um retrospecto histórico evocando Braz Cubas, Martim Afonso e outros colonizadores. Terminou sua oração agradecendo aos srs. Otávio Ribeiro de Araujo, Otávio Ribeiro de Araujo Filho e Alfredo Almeida Barros, e destacando o trabalho de pesquisa da profa, Maria Regina da Cunha Rodrigues. Seguiu-se com a palavra o dr. Francisco Malta Cardoso, que, em belo improviso, falou em nome da Associação dos Usinetros pondo em destaque a Universidade de São Paulo e todos quantos se têm dedicado a cultivar a história paulista. Em seguida o eng. Antônio da Silva Val procedeu a leitura da escritura de doação, que foi assinada pelos doadores, magnifico reitor da Universidade, prof. dr. Gabriel Teixeira de Carvalho. em feliz peça oratória, falou o prof. dr. Gabriel e testemunhas, srs. André Retz e Luiz Magalhães. Teixeira de Carvalho, que disse da grandeza do gesto dos doadores, fazendo, depois, uma verdadeira apologia no Estado de São Paulo pelo cultivo das tradições do Brasil. Seguiram-se com a palavra Ribeiro Filho, da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, que falou em nome dos professores Eurípides Simões de Paula e Haroldo de Azevedo, respectivamente, diretores do Departamento de Geografia c e de História: dr. José Pedro Leite Cordeiro, presidente Durval Ferreira, do Instituto Histórico e Geográfico de Santos, e, encerrando, em feliz improviso, o sr. Mariano numerosas pessoas de destaque nos meios intelectuais de do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo; sr. Laet Gomes. No Plenário, acompanharam a solenidade

São Paulo e representantes de entidades culturais. No cliché, em baixo, quando usava da palavra o prof. dr. Luiz Antônio da Gama e Silva, e, em baixo, aspecto do Plenário, durante a solenidade de ontem.







ESTATÍSTICA DA LAVOURA DE BANANA EM 1910. 

Total: 3.124 touceiras*. 79 Sítios em Cubatão, Santos, São Vicente,Guarujá e Bertioga:

Piassaguera e Mogy (250) 
Areiais (20).
Cubatão e Itutinga (1.100). 
Boa Vist e Nova Cintra (20) 
Morrão e Quilombo,(300)
Peruty,Itapurucaia,Pedreira (20)
Santa Rita e Santa Cruz 120) 
Jurubatuba (280)
Janden e Barnabé(80)
Rio Diana e Monte Cabrão (30)
Trindade(40)
Cabuçu (40)
Quatinga (120)
Jaheté (20)
Iriry (3)
Carauara (20)
Ribeirão,Caiubura e São João(20)
Jacareguaba (30)
Catacica (20)
Pedrinha e Buracão (20) 
33.Cachoeira (30)
Perequé Guassú e Morro Alto (20)
Morrinho,Itapema e Bocaina (20) 
Outeiros e Guayuba(20)
Matto Grosso e Canhema(40)
Pau Grande, Boa Vista e Bertioga (20)

E mais a produção englobadamente dos seguintes bairros do município vizinho - São Vicente-  que faz o seu comércio e respectiva exportação dos seus sítios pelo porto de Santos, a saber: 

Japuy, Campinas, Ituê, Prainha, Paranapoã, Sepetuba, Grajaů, Zanzalá, Mariana,Tapera, Itararé,Vuturuá, São Jorge, São Gonçalo,Piassabuçú, Imbuassu,Caramborê,Queirozes,Chico Pires, Botucupê, Sant'Anna, Pedrinhas, Itapoă,Carahu-Assú, Carahu-Mirim,Nathária,Itú,Fazenda Zerrener, José Corrêa e Várzea Grande (394).

*Nota técnica do CALUNGAH: Touceira é o conjunto formado por duas ou mais plantas originadas de um mesmo rizoma (caule subterrâneo). Uma touceira equilibrada deve seguir a regra da "família": Mãe, Filho e Neto. Mãe: A planta principal que está produzindo o cacho. Filho: O broto mais vigoroso escolhido para substituir a mãe após a colheita. Neto: O broto que surgirá do filho para garantir a terceira geração.

 #329

Acervo Digital da Biblioteca Nacional.
Imagens: Sítio Itutinga -Luis Renato Thadeu. Sítio em Cubatão. Memória Santista. 



Transporte fluvial de banana dos sítios de Cubatão para o porto de Santos no final do século XIX. O embarque era feito diretamente das barcaças no canal junto aos navios atracados. Fonte : Biblioteca do IBGE.

***
No início do período republicano veio para o Brasil um grupo de imigrantes portugueses provenientes das áreas rurais da Europa e também das ilhas atlânticas portuguesas: Açores e Madeira. Eram agricultores acostumados a lidar com a terra em lugares e condições difíceis de plantio e comercialização dos seus produtos. No Brasil eles descobriram que as condições climáticas e a abundância de terras tornava a agricultura um negócio rentável e lucrativo, sobretudo nas áreas próximas aos portos onde era possível exportar a produção. Eles lideraram na baixada santista a bananicultura, lavoura de fácil adaptação ao solo tropical e de crescente demanda nos países temperados da América do Norte e da Europa. Argentina e Uruguai também estavam na lista de grandes importadores da banana brasileira
. 
Toda extensão noroeste da Ilha de São Vicente, incluindo os morros, bem como as áreas continentais do Guarujá e Cubatão, foi ocupada pela banicultura na primeira metade do século XX. O apogeu dessa atividade agrícola se deu entre 1905 e 1911, na qual os especialistas identificaram em documentos aduaneiros um alto volume de exportações nessa época. Foi calculado que nesse curto período de seis anos a região produzia todo esse volume exportador em cerca de 3 milhões de pés de bananeiras. Cerca de 60% dessa produção era garantida pelos bananais da comerciante  Aurea Conde , espalhados no Guarujá, Cubatão e no litoral Sul, em Praia Grande, Mongaguá, Agenor de Campos e Itanhaém. Aurea foi a maior exportadora do Brasil e uma das fundadoras da Cooperativa Geral de bananicultores dos Estado de São Paulo. 

Em São Vicente a bananicultura também teve o seu apogeu a partir de 1913 com a chegada dos imigrantes portugueses.  A maioria dos sítios  do litoral sul - entre Praia Grande e Itanhaém  era controlada nesse período  por esses imigrantes. Antônio Luiz Barreiros, que se instalou com sua família no Japuí e iniciou ali o plantio das primeiras mudas do ciclo vicentino contemporâneo.  A propriedade não comportava a demanda exportadora e o agricultor teve que arrendar e fazer parcerias com outros proprietários para ampliar as áreas de plantio, como foi o caso do Curtume Cardamone e do Parque Balneário Hotel de Santos, que possuíam extensas áreas na vizinhança.
Imagem original em p&b: Novo Milênio. # 330


Imagem antiga de cartão postal colorizado do Itararé-Boa Vista, muito utilizada em publicações históricas da cidade. Em destaque as antigas casas do vila Betânia e o Edifício Iguassu,  construído nos anos 1940 na esquina rua Quintino Bocaiuva com a avenida Manoel da Nóbrega. Uma curiosidade desse prédio: foi uma das residências do filósofo, médium e escritor italiano Pietro Ubaldi, célebre autor de "A Grande Síntese", elogiado por Einstein e considerado o Evangelho da Ciência. Ubaldi também morou na Praça 22 de Janeiro, no Edifício Nova Era. Está sepultado no Cemitério Municipal. 
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EDIFICIO IGUASSU / 1945-1948 / Projeto: Engenheiro Evaristo Valadares Costa 
Este edifício residencial foi dos primeiros a ser construído na Praia do Itararé, juntamente com seu vizinho o Edifício Tamoyo. São 9 andares tipo com 4 apartamentos por andar, mais um pavimento térreo de aparência bastante robusta pelo seu tratamento de pedra, ocupado por comércio. Hoje está situado em esquina de grande movimento viário, na chegada da linha amarela junto à orla, que lhe prejudica a implantação outrora isolada, porem ainda preserva suas características e cores originais.
Fonte:Arquiteto Edison Eloi de Souza/Arquitetura e paisagem.
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O Edifício Iguaçu foi um dos primeiros arranha-céus na orla da Praia do Itararé, em São Vicente, construído na esquina com a Avenida Quintino Bocaiuva. O anúncio no jornal A Tribuna é de 1945 e promovia a incorporação pela Cia. Imobiliária Pan-Americana indicava que o edifício estava sendo construído no "melhor ponto da Praia de S. Vicente", conhecido como "Boa Vista". 
Atualmente o endereço é a Avenida Padre Manoel da Nóbrega,686. Os apartamentos foram projetados para ter uma vista magnífica para o mar e insolação perfeita, com amplos dormitórios, sala, quarto de banho, cozinha, quarto de empregada e área de serviço.
O nome "Iguaçu" (ou Iguassu) tem origem Tupi-Guarani, significando ITA (pedra) e GUASSU (grande), inspirado pelo grande rochedo próximo .
O anúncio oferecia preços entre Cr$ 170.000,00 e Cr$ 220.000,00, com condições de pagamento que incluíam 10% no ato do compromisso, prestações mensais e o restante financiado em até 15 anos pela Tabela Price, com juros de 9% ao ano. A incorporação foi feita pela Cia. Imobiliária Pan-Americana, e as vendas estavam a cargo de G. Moraes Camargo, com escritório na Praça Mauá, 25, sala 112, em Santos.
A construção do edifício ocorreu em um período de grande desenvolvimento urbano na região, logo após a inauguração da Rodovia Anchieta , que facilitou o acesso à Baixada Santista e aumentou a procura por imóveis de veraneio e moradia na orla. #331



No anúncio publicado no jornal A Tribuna - edições de março de 1957 - vê-se uma imagem bem diferente do verdadeiro conjunto residencial Benedito Calixto, que ainda está na rua Martim Afonso. Entre os dois prédios é mostrado um bulervard que talvez nunca existiu. Para os apartamentos dos fundos nos andares altos (rua Padre Anchieta) e laterais, ainda possível ver o mar da praia do Gonzaguinha. 

Uma curiosidade: vimos algumas escrituras de apartamentos desse prédio e nelas consta como proprietário do terreno do conjunto o Sr. Sizenando Calixto, um dos filhos do pintor que deu nome ao condomínio.#332

Acervo Digital da Biblioteca Nacional.


O Praia Grande Bar, de Franklin Moura, no Boqueirão, sobreviveu na família até meados de 1960 , quando foi arrendado e posteriormente vendido. Nessa foto cedida por Mário Leitão Filho e publicada por Claudio Sterque (Historiador PG), o antigo armazém ainda tinha sua aparência original e recebia muitos veranistas paulistanos e turistas de Santos e São Vicente.

"Eu tinha por volta de 10 anos de idade quando meu pai montou nosso rancho na Praia Grande e a única lembrança que tenho é do armazém com a inscrição 'Franklin Moura'. Ficava na esquina da Dr Júlio de Mesquita Filho com a atual Presidente Castelo Branco do lado oposto ao Aero Clube. Logo foi vendido e a inscrição do proprietário passou a ser João Dória & Filhos" - Mário Leitão Filho
Um dos mais antigos estabelecimentos comerciais de Praia Grande, na época um bairro de São Vicente. Franklin Moura. O Praia Grande Bar - com esse nome e gerenciado por F. Moura - funcionou no Boqueirão até meados dos anos 1960.
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"A Vila Itaipu era formada por três ruas: uma delas, Rui Barbosa, tinha um pequeno número de casas de veraneio. Havia também, na esquina com a rua Bahia, um armazém onde se vendia de tudo um pouco. Seu proprietário, Franklin Moura, morava em São Vicente e, diariamente, vinha a Praia Grande trabalhar no seu comércio (...)"

- Circe Sanchez Toschi. Praia Grande antes da emancipação.

Antonio Carlos Barbosa:

" Meu Deus!! Eu me recordo, eu desde a minha infância eu viajava de férias para S.Vicente e ficava hospedado na residência da família do Frankilin Moura,eles tinham um bazar na rua Frei Gaspar esquina com Padre Anchieta,eles trouxeram meu pai de Portugal com 16 anos e criaram meu pai até a idade adulta. E lembro que ele tinha este bar na Praia Grande, nem iluminação tinha nas ruas, ficava a uma quadra da praia, este local chamavam de Aviação" #333



Comerciante em São Vicente e Praia Grande nas primeiras décadas do século passado, Franklin era filho primogênito do também comerciante e prefeito de São Vicente Antão Alves de Moura. Manteve durante muitos anos o conhecido Armazém Seccos&Molhados F.Moura Comp. próximo ao Campo de Aviação em Praia Grande.  Nessa época (até 1967) era um bairro de São Vicente. Franklin Alves de Moura foi casado com a Sra. Henriqueta Classen de Moura, com quem teve quatro filhos: Nivio, Nilton, Manoel e Franklin. Este último, nascido em 1922, foi alto-funcionário municipal e prestigiado atleta do C.R.Tumiaru. Faleceu de mal súbito em 1964 durante uma partida de futebol no estádio do S.Vicente Atlético Clube. É nome de rua no bairro Cidade Náutica. Depois da residência na Padre Anchieta, Franklin Alves Moura e Henriqueta foram residir na rua Expedicionários Vicentinos. Posteriormente se mudaram para Santos, no Gonzaga,  na rua Assis Corrêa, atrás do Colégio São José. Mesmo morando em São Vicente, eram considerados uma das principais famílias festeiras de Sant'Anna em Praia Grande.
As informações são de Antônio Carlos Barbosa, afilhado do casal, hoje residente em Bauru-SP; do neto do comerciante,  Franklin da Costa Moura;  e do Guia de Ruas de São Vicente (1978), editado por Narciso Vital de Carvalho.

Foto em IA baseada em retrato original em p&b de Antão Alves de Moura, pai do biografado.
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Franklin da Costa Moura: Meu querido avô Franklin Alves de Moura, é a primeira vez que vejo uma foto dele mais novo, obrigado. Franklin Clasen de Moura era meu tio, falecido em 1964. O Franklin remanescente sou eu, Franklin da Costa Moura. Um abraço ao Antonio Carlos, filho do Barbosa e D. Jandira, amicíssimos da família, dos quais tenho boas lembranças. Tenho muitas saudades da minha avó Henriqueta, uma pessoa extraordinária.




A antiga Estação Ferroviária de São Vicente, que atendia à Estrada de Ferro Sorocabana (EFS), foi um marco histórico localizado no bairro da Vila Sorocabana. Ficava próxima à Avenida Martins Fontes e à fábrica de vidros (Santa Marina), na região da Vila Sorocabana. A estação original foi inaugurada em 1913 para a Southern São Paulo Railway, sendo depois adquirida pela Sorocabana. O prédio principal que existiu até 2006 foi edificado em 1957. Esse prédio foi derrubado para a construção de novas vias, incluindo uma avenida e visando o projeto do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). A área ficou marcada pelo abandono ferroviário antes da demolição. Fazia parte da Linha Mairinque-Santos da Sorocabana, que foi um importante corredor ferroviário de passageiros e cargas (especialmente para o Porto de Santos). #334
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Humberto Wisnik: Quando nasci, em 1941, morávamos na Rua João Ramalho 1109 (a meia quadra da Rua Campos Sales). Na frente de minha casa havia um terreno baldio (depois ocupado por uma revenda  Volkswagen) onde o SPR, São Paulo Recreativo, do Comendador Mássimo Cecchi improvisou um Campo de Futebol com jogos de  fins de semana. Em dias chuvosos eu ficava na janela do meu quarto observando as manobras dos Trens na Estação São Vicente. Eu via o trem de passageiros cheio de estudantes vindos de Samaritá, Agenor de Campos, Pedro Taques que ali desembarcavam para assistir às aulas no Grupão. Tenho saudades de meus dias de infância (anos 40) quando eu brincava na plataforma da Estação.

Suely Zozo Spilotros: Conheci essa estação de trem, por cima tinha uma ponte de madeira onde hoje faz parte da linha amarela....e pequena morava na esquina da linha do trem...hoje moro quase no mesmo lugar onde passa o VLT...tenho saudade desses tempos passados.

Thiago Teixeira: Anos atrás, enviei essa foto ao Ralph Menucci Giesbrecht. É dos poucos registros da antiga estação de São Vicente. Trata-se de um acampamento do Grupo Escoteiro Avanhandava, de São Paulo que, como era comum na época, viajou de trem e posou com seus membros em frente a placa da estação. A foto está no livro de aniversário do GE Avanhandava.

João Carlos Verissimo: saudades ia muito nessa estação. Meu pai era maquinista, ver escala de serviço, lembro que o operador de telégrafo chamava Nádir.

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SOROCABANA E SANTA MARINA
1982




As fotos a seguir foram postadas no blogue São Vicente na Memória por seu editor, Dalmo Duque dos Santos, em 10 de janeiro de 2010, com um texto explicativo:



 "(...) As velhas estações aos poucos estão desaparecendo. A de São Vicente já não existe mais e cedeu espaço para o trânsito ensurdecedor da chamada Linha Amarela, criada para aliviar o fluxo da Presidente Wilson e das avenidas do Gonzaguinha. Essas imagens mostram a região central da cidade, quando os trens ainda faziam parte do cenário urbano. Foram feitas em 1982 (não nos recordamos a época do ano) entre as 6 e as 7 horas da manhã, antes do expediente [na] São Vicente Veículos, onde trabalhávamos no escritório da oficina. Em 1982 já existia foto colorida e a revelação já era feita em processo eletrônico, porém as imagens em P&B também eram objeto e culto para os estudantes de fotografia, como nós. Essas foram feitas na época em que frequentávamos o curso do já famoso Araquém Alcântara, na fase experimental de composições em preto e branco. O filme foi revelado manualmente no Foto Embaré, no Gonzaga. Um amigo de andanças fotográficas dessa época foi o Penacho (da Valino Tintas), que nos vendeu a máquina Yashika FXD com a qual registramos a antiga e hoje desaparecida Estação de São Vicente. Com o Penacho também registramos cenas da área portuária de Santos e que, por descuido e inexperiência, perdemos os filmes numa blitz da Segurança das Docas."

Novo Milênio. O fim da estação dos trens da Sorocabana



























Um estreito córrego, com suas inúmeras ramificações corta, desde as imediações da rua Frei Gaspar, junto à vidraçaria Santa Marina, longitudinalmente, a cidade, vindo desaguar no mar ao lado do Monumento do IV Centenário da Fundação da Vila de São Vicente. 

Até o final do século XIX, talvez em função do elevado número de batráquios que povoavam suas águas e margens, ele ficou conhecido como Rio Sapeiro. 

Esse antigo rio vicentino nascia nas imediações da Av. Capitão-Mór Aguiar e atravessava o centro da cidade, com várias ramificações, hoje canalizadas, atravessando as ruas Visconde de Tamandaré, Campos Salles e Ipiranga em direção à rua XV de Novembro e as praças João Pessoa e 22 de Janeiro (hoje Ypupiara) a qual atravessava em superfície para desaguar na baía vicentina, junto ao Marco Padrão (Monumento Comemorativo do IV Centenário da Fundação da Vila de São Vicente). 

Ocorre, porém que, às suas margens, foi instalada a 1ª oficina de consertos de calçados da cidade, de propriedade do Ernesto Intrieri, figura muito conhecida e estimada na São Vicente antiga. 

Assim sendo, não demorou muito para a pequena população da cidade alterar o nome do riacho de Sapeiro para Sapateiro, em função das atividades profissionais exercidas pelo prestante cidadão Ernesto Intrieri, denominação, aliás, que permanece até os dias de hoje. (Boletim do IHGSV) #335


Início do século XX. Córrego Sapeiro desembocando na praia do Gonzaguinha próximo ao Morro dos Barbosas. Ao fundo a Praça 22 de Janeiro e os casarões da rua Padre Anchieta.



Na sede do Clube de Regatas Tumiarů, foi realizada, quinta-feira última, a sessão solene comemorativa do 421º aniversário da fundação da cidade.

Abriu-a o presidente da Câmara, ar. Antônio Bueno Capolupo, que após convidar as autoridades civis, militares e eclesiásticas para tomar assento na mesa de honra, inclusive o conferencista dr. Amazonas Duarte e o deputado estadual Athié Jorge Coury, discursou sobre a data, apresentando em seguida o orador oficial. 

O dr. Amazonas Duarte, com a facilidade que lhe é peculiar, discorreu de improviso sobre a história da fundação da "Cellula Mater" da Nacionalidade, não perdendo a oportunidade para lançar o seu protesto contra o desmembramento da Praia Grande, pretendido por conhecido deputado paulistano. 

O dr. Amazonas Duarte, grande amigo de São Vicente, recebeu fartos aplausos pela feliz oração.
O Coral Municipal Vicentino proporcionou mais uma agradável audição, sendo aplaudido. 

O dr. Alberto Lopes dos Santos, integrante do Coral, em nome dos seus colegas, prestou homenagem ao prefeito, oferecendo-lhe um cartão de prata com significativa dedicatória.

No cliché, o Coral, e, em baixo, o dr. Amazonas Duarte, no momento em que proferia a sua apreciada conferência em homenagem à data da fundação da cidade. #336
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Edson Telles de Azevedo


O cemitério de São Vicente guarda no seu acervo tumular os restos mortais das mais antigas famílias da cidade, das simples até as mais aristocráticas. Algumas delas cuidam dos túmulos como relíquias e monumentos aos seus mortos. Se fosse melhor cuidado, o cemitério de São Vicente não ficaria devendo nada às necrópoles mais visitadas do mundo, onde foram enterradas suas celebridades. E poderia ser também ponto da curiosidade e visitas turísticas, como acontece em Paris, por exemplo, nos túmulos de Chopin, Allan Kardec e Jim Morrinson. Aliás , São Vicente deveria ter em local de destaque um Panteão dos Fundadores do Brasil, com os restos mortais ou memoriais de João Ramalho, Tibiriçá, Bartira, Cosme Fernandes, Antônio Rodrigues, Gonçalo Monteiro, Manoel da Nóbrega, Anchieta e muitos outros construtores do Tumiaru e da Vila Afonsina.#337
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Morada dos Mortos
https://peabirucalunga.blogspot.com/2019/07/grilagem-de-terras-nos-anos-50.html
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Imagens: reprodução em IA a partir do original de Tateo Ikura, Jornal Espaço Aberto. Republicado por São Vicente de Outrora.

SEGURANÇA PÚBLICA
CADEIAS, DELEGACIAS DE POLÍCIA E PRESÍDIOS


Casa de Câmara (Conselho) e Cadeia, construída no período Imperial. Foi desativada no final do século XIX, em função da dependência administrativa e jurídica à Santos. Depois de longos anos de abandono, foi demolida no período inicial da república para dar lugar ao prédio do Mercado Municipal.
#338

Memória do Judiciário
https://peabirucalunga.blogspot.com/.../presidente...
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"Os primeiros delegados leigos foram os Srs. Coronel Júlio Maurício da Silva, Antão Alves de Moura e Alberto Martins de Oliveira. Segue-se então a gestão de Antero Alves de Moura, nomeado por decreto do governo estadual, em 17 de Março de 1906, tendo antes exercido o cargo de subdelegado de polícia. A delegacia achava-se instalada nos baixos do antigo prédio da prefeitura municipal, depois Mercado, na praça Batista Pereira (...) Antero de Moura e Heraldo Lapetina, que o substituiu em 24 de julho de 1916, sempre trabalharam no sentido de que a delegacia de polícia fosse instalada em prédio próprio, com acomodações amplas e seguras".
Polianteía, 1982


Inauguração da Delegacia de Polícia de São Vicente em 1930 com a presença de autoridades locais e regionais do setor de segurança pública. Destaca-se na imagem em IA (ver original no comentário) Hermenegildo Lapetina, de chapéu claro. Sobre essa figura histórica, encontramos na obra Vultos Vicentinos* (1972) a seguinte nota:

"Em 1911 Hermengildo Lapetina fez parte da diretoria de um curioso filantrópico, o Clube dos Em Pé, cujos sócios eram em sua maioria comerciantes e políticos vicentinos. Hermenegildo era músico e tocava na banda Musical aos domingos no coreto da Praça Coronel Lopes. Foi um ativo da Irmandade do Hospital São José, entre 1919 e 1921, usando seu prestígio na Alfândega de Santos para conseguir muitas doações para a entidade. Em 1922 saiu do serviço de despachante para assumir o cargo de escrivão de polícia na delegacia de polícia em 1930, acumulando a função de delegado e carcereiro. Aposentou-se em 1953 e faleceu em fevereiro de 1955"
.
*Edison Telles de Azevedo, 1972.
**Foto original enviada pelo genealogista Waldiney La Petina.


"Em julho de 1932, a delegacia de São Vicente foi elevada novamente a categoria de 5ª classe, com autoridades remuneradas, sucedendo-se seis mandatos, primeiramente com o delegado efetivo Dr. Eduardo Vitor de Lamare (com dois mandatos intercalados) finalizando esse período com o Dr. Antônio Lotito Salvia em 1934. A delegacia funcionou na rua XV de Novembro (mista, homens e mulheres) até 1949, quando foi transferida, apenas como delegacia comum, para uma casa alugada na rua Ypiranga (foto) onde permaneceu até 1964".

Imagem em IA a partir do original da Poliantéia, 1982. 


"A cadeia só para homens, nos últimos anos, permaneceu na rua XV, em prédio obsoleto, até que veio a ser demolido para permitir a construção do novo prédio e presídio, inaugurado em 1972 durante o governo Laudo Natel, sendo delegado o Bel. Airton Martini, que muito se empenhou para conseguir a construção do novo prédio, onde hoje funcionam a delegacia e a cadeia, à rua João Ramalho esquina com a XV de Novembro".

Nota: "A fim de suprir a necessidade carcerária em toda a Baixada Santista, foi construída uma pequena penitênciária, em Samaritá, São Vicente, na rodovia Padre Manoel da Nóbrega, km 66. Foi inaugurada em 1977 com capacidade para abrigar 200 presos".

Fonte: Poliantéia, 1982. Imagem em IA a partir de foto original da mesma publicação.



As incríveis promoções e performances do Professor Noside. Quem era capaz de decifrar os enigmas desse grande mágico vicentino.? Um doce - momento de recordação - pra quem advinhar a verdadeira identidade do Prof. NOSIDE. #339


O mágico e ilusionista  Prof. Noside , personagem criado pelo jornalista Edson Telles de Azevedo. 





"A MÃE DAS POVAÇÕES COLONIAIS DO BRASIL"

O sociólogo e então deputado federal por Pernambuco pela UDN escreveu um artigo na revista O Cruzeiro defendendo a criação especial de um Museu Histórico Nacional em São Vicente. No artigo o famoso autor de Casa Grande & Senzala reafirma a condição de Céllula Mater de São Vicente: "... a mãe das povoações coloniais do Brasil" e também "cidade monumento". O artigo foi publicado na edição de 22 outubro de 1949. Aprovado na Câmara, o projeto foi recomendado por uma comissão e estava atrelado ao projeto regional de unificação regional das cidades de Santos, São Vicente, Cubatão e Guarujá, de autoria do engenheiro urbanista Francisco Prestes Maia. A ideia não passou no Senado.
***
CONGRATULO-ME daqui – como já me congratulei na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados – com a gente de São Vicente que, praticando o bom municipalismo e o bom tradicionalismo de que o Brasil necessita hoje, se volta carinhosamente para os valores do seu passado. Pois esses valores fazem do velho burgo cidade de significação não apenas paulista, porém regional e nacional.

Por isso mesmo São Vicente é lugar ideal onde fundar-se ou organizar-se um Museu á maneira de que, nas cidades mais antigas dos Estados Unidos, recordam, por meio de reconstituições que até à arquitetura civil, a vida cívica, a profissional, a religiosa e até a doméstica dos primeiros povoadores europeus da América colonizada pelos ingleses. A fundação de um museu assim em São Vicente estou certo de que merecerá a simpatia de todos os bons brasileiros, tal a importância cívica e educativa que teria um centro de reconstituição histórica dos começos da sociedade e da economia brasileira, situado precisamente na cidade que foi a mãe das povoações coloniais do Brasil, isto é, das regular e oficialmente reconhecidas.

Em estudo sobre o plano regional de Santos –estudo cujo reconhecimento devo ao deputado por São Paulo, Sr. Aurélio Leite – o Engenheiro Francisco Prestes Maia, paulista ilustre e reconhecida autoridade brasileira em assuntos urbanísticos, destaca a conveniência de, dentro de um plano urbanístico, preservarem-se, na velha cidade, locais ou memórias de acontecimentos históricos, sem ter, entretanto, lhe ocorrido a ideia de, com vestígio tão dispersos, do passado como os que ali se encontram hoje, ser possível reclamar-se para São Vicente a condição de cidade-monumento. Parece-lhe, ao contrário, que São Vicente e Santo Amaro terão de constituir “por conveniências técnicas e administrativas”, uma unidade com Santos.

O que não falta a São Vicente é condição, ambiente, densidade histórica, para ser a sede de um museu onde se reconstitua a vida dos primeiros povoadores do Brasil organizados em vila ou cidade. Um museu que seja uma lição sugestiva de história colonial e não simples coleção de velharias ou relíquias.
Vitorioso já na Câmara, o projeto de lei que autoriza o Governo Federal a criar em São Vicente um museu desse gênero, é de esperar que não tarde a sua fundação. Será novo e bom aspecto da atividade educativa e não apenas técnica, de preservação ou conservação de valores do passado brasileiro, que desenvolve há anos, no nosso país, o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, sob a direção admirável do Sr. Rodrigo Melo Franco de Andrade. #340

O Cruzeiro. Edição 1, 1949.


Idealização atual em IA do Museu Nacional de S. Vicente proposto por Gilberto Freire em 1949.






O "Livro de viagens do rico Brasil, Rio da Prata e Magalhães, e detalha a geografia, o comércio e os costumes do Brasil, da região do Rio da Prata ao do Estreito de Magalhães. Destaca-se São Vicente e Rio de Janeiro incluindo Salvador durante a conquista holandesa. 

Seu autor, Johan van Dorth foi nomeado Governador da Bahia pela Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais na primeira das Invasões holandesas do Brasil, que ocorreu em 1624.

Foi morto pelo capitão Francisco Padilha em uma emboscada diante do Forte de Nossa Senhora de Monte Serrat. #341

Fonte: Portal A Terra de Santa Cruz


"Livro de viagens do rico Brasil, Rio da Prata e Magalhães, e detalha a geografia, o comércio e os costumes do Brasil, da região do Rio da Prata ao do Estreito de Magalhães. 1624.
Fonte: A Terra de Santa Cruz.




Criada nos palcos do teatro amador nos anos 1940 pelo Grupo Teatral Martim Afonso,  a encenação da fundação da Vila de São Vicente foi posteriormente levada  para a orla na década de 1950. Próxima ao grande público num cenário natural, era realizada sem nenhuma tecnologia de sonorização e iluminação cenográfica. Suspensa por longos anos, a Encenação foi retomada somente em 1982, na época das comemorações dos 450 anos da chegada de Martim Afonso, praticamente no mesmo formato anterior. Duas décadas depois o evento ressurgiu em bases tecnológicas num formato de arena e ganharia nos anos seguintes o status de maior espetáculo teatral em areia de praia do mundo. O reconhecimento foi feito com a avaliação dos produtores do Livro dos Recordes Guiness. # 342

Imagens em IA a partir de um vídeo institucional da PMSV-2022



Além de edifícios com projetos arquitetônicos arrojados, São Vicente já foi alvo da vanguarda artística paulistana, que se deliciava nas praias, e que inspirava obras que deixariam a cidade imortalizada da história da arte e da cultura. Em 1952 surgiu em São Paulo a ideia do MASP, projeto modernista conjunto de Pietro Maria Bardi e Assis Chateaubriand que seria considerado o primeiro da América Latina nessa categoria. O Museu de Arte de São Paulo funcionou nas instalações dos Diários Associados até que ganhasse sede própria no Parque Trianon, na avenida Paulista. 

Mas o protótipo que deu origem ao mais conhecido museu da Capital foi um projeto elaborado em 1951 pela mesma arquiteta, Lina Bo Bardi. Era o Museu à Beira do Oceano, concebido para ser construído na praia de São Vicente ( não se sabe se seria no Gonzaguinha ou no Itararé). Na época o a cidade era governada pelo prefeito Charles Dantas Forbes, conhecido pelos seus esforços e marca pessoal em transformar São Vicente numa sofisticada estância balneária. O projeto nunca saiu do papel, talvez por falta de recursos ou falta de terreno, já que a construção sobre a faixa de areia dependia da autorização do governo federal. Mesmo assim, o projeto de Lina Bo Bardi foi desdobrado como base da nova sede do Museu de Arte de São Paulo, tornando-se objeto permanente de estudos de engenharia e arquitetura em obras especializadas no Brasil e no exterior. 

“Em seus estudos para o Museu à Beira do Oceano (1951), Lina Bo Bardi concebe um paralelepípedo elevado do solo por pórticos transversais, com a face voltada para o mar inteiramente transparente. Nas perspectivas internas a autora utiliza da mesma técnica de foto-colagem de Mies para apresentar a transparência do recinto expositivo em relação à paisagem. Entretanto, o desenho de Lina Bo Bardi se mantém fiel à sua formação italiana reproduzindo algumas características da pintura de De Chirico e de Sironi. Comparado ao desenho de Mies, o plano de piso assume uma proporção muito maior em relação às obras expostas e apresenta uma continuidade em perspectiva com o plano horizontal da paisagem. Ao acentuar o vazio, o espaço entre os objetos expostos, Lina recria a suspensão temporal da pintura metafísica. Na exposição representada encontram-se obras antigas e modernas, entre elas a mesma Guernica de Picasso reproduzida com destaque no desenho de Mies. Já comparece um objeto da cultura popular brasileira – uma carranca de barcos do Rio São Francisco, tema que viria a dominar suas preocupações no final daquela década.

Como o Museu à Beira do Oceano não foi construído, a arquiteta teria a oportunidade de experimentar a transparência total no projeto da sua residência, a Casa de Vidro. (...) O projeto do segundo Masp partiu dessa situação, com duas diferenças em relação aos projetos do Museu à Beira do Oceano e da Casa de Vidro. A primeira é a maior intensidade de ocupação da pinacoteca do Masp pelas obras dispostas nos suportes de vidro que a afasta do vazio metafísico sugerido no Museu à Beira do Oceano. A segunda é que o Masp assumiu a continuidade visual e espacial com a cidade, disfarçada na Casa de Vidro pelo enfoque na vegetação”.  #342


BARDI, Lina Bo, Museu à Beira do Oceano, Habitat, São Paulo, n. 8, e BARDI, Lina Bo. Museu de Arte di San Paolo del Brasile, in L’Architettura, Cronache e Storia, Roma, n. 210, abril;1973.





Antes da conclusão dos trabalhos da Inauguração da Ponte Pênsil 1914), por onde transitam atualmente centenas de carros, diariamente, durante a semana, e milhares aos sábados e domingos, o serviço da travessia do Mar Pequeno, em demanda da Praia Grande, era feito por canoas e balsas, que partiam, quando a maré estava alta, de uma espécie de porto localizado onde está hoje a Escola "D. Raquel Ferreira".

Quando a maré estava baixa, o embarque era feito no Paquetá, hoje Newton Prado, defronte da casa de propriedade da Cia. Docas, onde reside a viúva do Sr. Romão). Existia ali, uma escada de pedra com alguns degraus. 

Mais tarde esse meio de transporte de passageiros passou a ser feito por lanchas a querosene, depois a gasolina, iniciativa essa do Sr. Luis Pinto de Amorim, nome que merece respeito e gratidão de todos os vicentinos. Esse cidadão mandou construir às suas expensas, um pequeno cais para as atracações, posteriormente ocupado por outros. Ainda existem dois trilhos fincados como vestígios da ponte de atracação. 

Do primitivo serviço de canoas, era contratante o Sr. Firmino Gonçalves dos Santos, "Seu Lica", que mantinha permanentemente dois homens, ele e o Maneco Ribeiro, do lado daqui, e mais dois canoeiros do lado de lá. "Seu Lica" faleceu com idade bastante avançada, 103 anos. 

Foi contratante desse serviço, bem como o da condução de malas do Correio de São Vicente a Iguape, o Capitão Antero Alves de Moura, outro vicentino pela alma e coração, a quem a nossa terra muito ficou devendo. 

Depois de 20 minutos de percurso, com maré a favor, as canoas atracaram no Porto do Campo. Nesse local existia uma ponte, sobre alicerce de pedras, e que até há pouco tempo permitia o desembarque, com qualquer maré. A vendola de d. Raimundinha era Ponto obrigatório para quem demandava o caminho da Praia Grande, tanto por carros e "troleys" puxados por animais.  

O caminho fazia uma reta até o morro do Xixová e o contornava por uma curva até à ponta, e dali em diante, sempre em curva até o Boqueirão da Praia Grande, conhecido por Porto do Rei.
Norte local, morava com sua família o bem-ancião, sr. Anselmo Nobre, antes desse porto, do lado direito, ficava um caminho deserto que levava à casa do Sr. Francisco de Camargo, outro veterano, de respeitável memória, a casa de "seu" Chico Inácio, que tinha por ponto de referência um coqueiro járová, era parada dos amigos e conhecidos. 

Os sitiantes da Praia Grande, além do Piaçabuçu, de preferência, a viagem pelo porto que  existia ainda no rio desse nome, pelo qual conduziam as suas canoas, passando pelos sítios do Jesuino, Barraco do Toucinho e Sapituba, carregadas de abacaxis, melancias, palmitos, tomates, Iaranjas, tangerinas, farinha de mandioca, manga, batata-doce, etc., para a venda em São Vicente e Santos. Hoje, os praianos ainda compram a farinha.

Eram pessoas benquistas em Praia Grande, nesse tempo, entre outros, Domingos da Luz, Urcenildo, os Irmãos Delfino e Florêncio, seu Afonso Cirino, Nicolau, Joaquim dos Anjos e o grande caçador Sr. Ferreira de Sousa, que teve como auxiliar o saudoso Jacinto Lúcio de Oliveira, detentor do esplêndido sítio, no canto do Itaipú, antes do início da construção da Fortaleza do Itaipu pelo inesquecível cel. Villeroy, da qual se destacou o Batalhão 34, que trouxe entre outros, o sargento Heli de Aguiar Boto, mais tarde radicado em nosso melo social, contraindo matrimônio e constituindo família em São Vicente. 

Já existia nessa época, encalhada quase no jundú, a grande barca de ferro "Caldebeck", destroços mais tarde destruídos a dinamite e vendida como ferro velho. #343

Jornal A Tribuna, 1953. Acervo Digital da BN





Nasceu na vila Porto Tibiriçá em 1961 (atual Presidente Epítácio), então propriedade da Serviço de Navegação da Bacia do Prata (Ministério do Transportes) onde seus avós e depois seus pais eram funcionários na travessia SP-MT, no rio Paraná. Em 1974 a família mudou para São Vicente quando seus pais aguardavam posse de cargos no DNPVN, no porto de Santos. Cursou o antigo ginásio e colegial em escolas públicas de Santos e São Vicente. Em 1984 foi trabalhar como servente de operação na Liquid Química em Cubatão quando também ingressou no curso de História da UNISANTOS. Dois anos depois se mudou para a Capital  transferindo seu curso para a PUC-SP, onde fez o bacharelado e a licenciatura. Em 1986, ainda estudante na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo,  Dalmo ingressou como professor substituto no Centro Educaciolanal Objetivo, lecionando no ensino regular e cursinho nas unidades Paulista, Pinheiros, Vergueiro, Santo Amaro, Lapa e Alfaville. Aprovado no Concurso de 1998-1999, foi nomeado ao cargo no ano letivo seguinte, sob atribuição à função de docência nas aulas de História na Escola Estadual  Narbal Fontes, regional de Santana/SP Capital. Removeu-se no mesmo ano para a E.E. Almirante Tamandaré, no bairro da Freguesia do Ó, Zona Oeste da mesma Capital. Em 2000, com deferimento de remoção para a Diretoria Regional de Ensino de São Vicente, foi-lhe atribuídas aulas na E.E. Lions Clube, em Praia Grande. Logo em seguida foi nomeado vice-diretor da E.E. Júlio Secco de Carvalho, na mesma cidade e diretoria regional.  Em 2005, por concurso de remoção, transferiu sua sede para a E.E Margarida Pinho Rodrigues, na Vila Margarida, em São Vicente, onde permaneceu  como docente até 16 de agosto de 2026, quando se aposentou. #344

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EDUCADOR, HISTORIADOR E ESCRITOR

JOSÉ LUCAS GUIMARÃES 
 
É admirável escritor com extensa rotina de escrita e pensador arquiteto de estilos e obras, que formam sua própria arquitetura literária. Apesar de anos experienciados em horas diárias dedicadas à leitura e escrita, é inspirador conhecer alguém que me exige mais folego nessa caminhada, caso proponha o coração, ao alcance de tal atitude e altitude. Seus educandos e colegas de profissão talvez não dimensionem que, com postura reservada, jeito tranquilo, simplicidade espontânea, timidez socializada e presença desapercebida pelo anonimato de devido destaque, um historiador com enorme fluência histórica sobre a região. É membro-fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Praia Grande (IHGPG). Com experiência profissional em jornalismo (cronista, repórter e diretor de redação de pequenos jonais no interior paulista), parece que esse gosto inicial o perseguiu no exercício da profissão de docente-historiador. O caráter investigativo de pesquisas históricas e a seriedade no tratamento dos fatos, são marcas que legaram o reconhecimento de referência historiográfica. 

Em sua arquitetura literária, o professor Dalmo Duque parecia fadado à divulgação da história do espiritismo, a qual foi informado como sua missão, juntamente com atuação na prevenção do suicídio, segundo dá ciência em entrevista concedida ao Canal Encantada Oficial. Inevitavelmente, como lado da mesma moeda, à medida de seu nível de conhecimento histórico do espiritismo tem por culminância a produção literária espiritualista, consequência de sua busca à superação das cristalizações de certas concepções sistematizadas como referência à crença espírita no Brasil, mas alheias ao próprio crivo do ensino de Alan Kardec. O lançamento do livro "Protótipos Humanos" (2013) parecia indicá-lo como o mais novo representante dessa filosofia. Portanto, não diz respeito somente ao estilo autoral, o que extrairia a possibilidade do envolvimento de dimensões em níveis fenomenológicos. Sem desvio de foco, mas à garantia de pontaria certeira no alvo, publica o seu segundo livro de ficção, intitulado "2036: Uma jornada após a data limite" (2018). Nele se faz jus à citada arquitetura, como produto de sua criação. Consequentemente, a ficção elencada na obra não se moldura ao gênero popularmente prezada. Ela se dimensiona em realidades, perspectivas e projeções, tendo como alicerce os mundos dimensionais e os universos das realidades efêmeras, então, daí o conceito de "Nova Era".

Junte-se, ainda, a essa empreitada, a habilidade de se adaptar à evolução dos processos oportunos à documentação e pesquisa historiográficas. Contrariando a indisposição dos historiadores ao abandono dos domínios técnicos do passado, facilmente o aposentando se sentiu em apreço à leveza do teclado e desprezo à datilografia, bem como da conversa pessoal às postagens nas redes sociais. Profissional dos vestígios do passado com suporte da atualidade, jamais esteve no time dos últimos à adesão ou adaptação de um novo instrumental à metodologia da pesquisa histórica e à didática do exercício docente. Escritor com mais de uma dezena de livros publicados,  é apaixonado pela leitura na celulose,  tem status de blogueiro em popular rede social com milhares de seguidores, atraídos pelo encanto que seus textos com temáticas históricas regionais exercem à curiosidade leitora. Postagens em série temáticas sobre pessoas, famílias e ruas tem acrescentado outros leitores, com suas recordações, descoberta de detalhe histórico familiar ou ao conhecimento das origens de sua naturalidade. 

Sob recente domínio, tem empreendido seu entusiasmo na tarefa de devolução do colorido ao passado seu colorido natural, por vez retratada apenas pela retina em suas memórias ou pelo conhecimento apropriado da expressão de época, mas cristalizado na fotografia pelo preto no branco. Um feito próprio de seu ofício, porém na singularidade de sua curiosidade e de sua busca de tornar possível o que antes somente colore o pincel da imaginação. Não seria exagero afirmar, que é mais do que empolgação dele. Essa é sua mais nova especialização em prol da história: o tratamento de fotos do passado, tendo como suporte de colorizador digital das plataformas de Inteligência Artificial (IA). O resultado verifica-se nas postagens publicadas, nas quais a reprodução fotográfica colorida apresenta um nível de proximidade da realidade, que somente um historiador que alcançou alto nível de intelectualidade metódica é capaz de dar comando a programação da IA, a ponto dela espelhar a imagem racionalizada na imaginação da consciência histórica, evidenciando onde se encontra a superioridade de inteligência na artificialidade comandada ou no comando da inteligibilidade daquele que se projeta como individualidade pensante do passado como cultura histórica, no tempo e no espaço, evidencia-se ao olhar com lentes desembaçadas pela intelectualidade de apropriada ciência, que torna possível a artificialidade produtiva da IA em evidência do passado, não por apresentar os vestígios de sua realidade, mas por se definir como suporte tecnológico possível dada a sua ausência na origem do registro focal da cena: a gravação em cores na retina não era espelhada no papel, senão pela ausência do preto no branco. Relata o professor que após publicação de fotografia de recente vulto histórico da região, um familiar publicou relato de lembrança do ente querido em uso da vestimenta à semelhante da cena retratada e, enfim, como já expresso anteriormente, espelhava o registro de sua retina: o que viu, supreendentemente, agora observava. A fidelidade do registro histórico ao amador é reflexo da realidade. Ao historiador, ela é apenas vestígio, ou seja, parte dela. Por mais que o campo focal tenha gravado todos os detalhes do momento, a imagem é apenas reprodução da realidade: um vestígio, apesar do seu enorme senso realidade na memória.

A distante Estação do Futuro-do-Presente

O primeiro emprego do professor Dalmo Duque foi de entregador de remédio. Que não se tenha como mera coincidência, em razão de sua destinação em caminhar ao encontro de doentes à entrega de remédios. Antigamente se dizia sobre um suspeito de muitos crimes, que ele carregava muitas mortes nas costas, ou seja, o seu peso esmagador à própria vida da pessoa. Então, sem temeridade alguma dada à afirmação, do aposentando pode-se dizer que ele carrega muitas vidas no coração, para falar da leveza oferecida à vida que faz o bem ao próximo. Tendo sido informado que dentre a dupla missão de sua destinação estava a atuação no combate ao suicídio, à qual não foi negligente e nem ausente de empreendedora criatividade. Já como educador, foi um dos fundadores do CVV-Centro de Valorização da Vida (posto de Santos, em 1979), cujo objetivo era a prevenção de suicídio. Sua participação no CVV possui aspecto de mão dupla: o Centro oportuniza o cumprimento de sua missão e é ajudada na realização de seu objetivo por ele. Portanto, não é por acaso que mantem um engajamento efetivo na realização dos projetos do CVV, bem como proporciona suporte ao Centro como voluntário desde 1980. Por certo, não apenas através de sua disponibilidade como palestrante, mas por sua organização do memorial histórico do CVV, como se observa com a publicação da obra comemorativa a meio século de sua criação, intitulada "Como vai você? – CVV 50 anos , ouvindo pessoas" (2012). E, mais recentemente, com o lançamento da obra sob título "Ouvindo sentimentos: Estação Amizade e os 60 anos do CVV" (2021), com entrelaçamento da criação e atuação do Programa Estação Amizade (2016) à sexta década da fundação do CVV.

O Programa Estação Amizade, baseado em sua primeira ficção, foi criado para oportunizar mecanismo à comunidade escolar, visando a neutralização do desafio da "baleia azul", à época, em circulação na internet, à indução ao suicídio. O programa utilizava-se da metologia de roda de conversa. Nela o participante recebia apoio emocional ao vivenciar a oportunidade da conversa amiga com os demais. Como projeto voltado à atuação do CVV, a conversa jamais envolvia conselhos ou terapia. No ano seguinte, com o lançamento do livro “Estação Amizade: Dez jovens lutando contra o suicídio” (2017), escrito em apenas uma semana pelo professor Dalmo, tem-se não apenas a literatura de referência, mas o componente de inserção do apoio emocional ao universo jovem, de forma a ocorrer sua transmissão através da mutualidade das suas interações.

A contemporaneidade perdeu um legado por demais significativo à formação dos pretendentes ao extraordinário na história da humanidade. Antes dela, verificava-se que a maioria dos grandes estiveram à sombra de um gigante da história, seja para o substituir por herança ou inspirado à sua vida e obra. Enquanto é sentido o tédio do sofrimento da ausência de líderes capazes de nos elevar ao cume do Everest da verdadeira inteireza de caráter, a mais poderosa força transformadora de anônimos em empreendedores do momento oportuno à decisão que tornará o futuro espaço de sua arquitetura humana à humanidade e do pequeno desejo à firmeza de espírito, ainda é exemplo de uma pessoa íntegra no curso de sua história. Àqueles que estiveram à sombra de um gigante, quando grande revelaram a causa de sua altitude, motivo por que se tem ciência disso. É possível que um dentre seus alunos, em quase três décadas de docência, levante-se e testemunhe que esteve à sombra de seu antigo professor e reconheça que, por isso, alcançou a grandeza pretendida.

Por ele mesmo, pela Estação Amizade

"— Está no seu aposento?" Iniciei conversa encaminhando mensagem utilizando-me de uma palavra homônima perfeita. Como pretendia realizar uma breve entrevista, é próprio ter ciência da disponibilidade ou o ambiente é propício ao empreendimento. No entanto, o momento era oportuno para indagar sobre a imersão do professor no devaneio do desejado ócio existencial. Dada à prontidão imediata em responder, segue, por ele mesmo:

Numa frase, sua filosofia de vida: — Servir ao próximo.

Numa palavra, o que realmente importa: — Evoluir.

Numa ação, o que expressa tudo: — Amar.

Perfil de pessoa admirável: — Pessoa amiga.

Pessoa que evitaria, mas não odiaria: — A indiferente.

Definição de si mesmo como existência: — Sou um espírito em evolução.

Em olhar retrospectivo, tem como visão: — Olhando para trás vejo a História.

Expressão de seu grito de pleno desabafo à beira da praia: — Eu amo todo mundo.

Traria à mente como suspiro ou oração em total desalento da vida: — Oração do Pai Nosso.

Evento da história que gostaria de ter sido testemunha ocular: — De certo, de Guerra, passaria longe.


Autor: Prof. J. A. Lucas Guimarães. Historiador, jornalista, pastor presbiteriano em Santos, escritor e professor efetivo  História da E. E. Margarida Pinho Rodrigues, em S.Vicente.


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O Dr. Magino Bastos tinha escritório de advocacia em Santos em sociedade com o Dr. José Monteiro - vereador em Santos e futuro prefeito de São Vicente. Tornou-se um venerado político vicentino, como demonstra esse pequeno texto biográfico que justificava a denominação de uma rua no bairro Catiapoã (leis municipais de 1949 e de 1958): 

“São Vicente produziu em era pretérita um varão ilustre, dos mais dignos, dos mais conspícuos e altaneiros que um solo pode conceber. Chamou-se Dr. Magino Bastos, filho de Antonio José da Silva Bastos e Maria Plácida Bastos. Magino Bastos foi o primeiro vicentino formado pela Faculdade de Direito de São Paulo. Em 1907 desempenhou as funções de vigilante do tradicional colégio de Direito. Indicado para vereança em 1911, foi o primeiro legislador eleito por grande esmagadora maioria de votos, apesar de pertencer à oposição, fato inédito naquela época em que o sufrágio não era secreto e que as consciências e os eleitores eram severamente vigiados pelos partidos a que pertenciam. Era casado com a Sra. Maria Emília Bastos, com quem teve o filho Tude Bastos,  um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente em 1959. Magino Bastos faleceu em 1937”. (Narciso Vital de Carvalho. São Vicente. Conheça as ruas de sua Cidade, 1978). #345

Nota do Oganizador: O Dr Magino Bastos teve como avô materno o Dr. Julião Caramurú, pai de Maria Plácida Bastos, que teve Caramurú como sobrenome de solteira. Este foi o primeiro proprietário da mansão que anos mais tarde seria comprada oficialmente pelo prefeito João Francisco Bensdorp, para funcionar como sede da prefeitura e câmara Municipal. #345

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Revestiu-se de toda a pompa a manifestação levada a effeito, hontem, por iniciativa de diversos amigos e admiradores do sr. dr. Maximo Bastos, que por ter completado o curso de direito, regressou a esta cidade, sua terra natal.

Às 11 e meia da manhã, como estava annunciado, na estação dos bondes era grande o numero de cavalheiros e exmas. familias que aguardavam a chegada do illustre moço, que devia desembarcar no primeiro bonde a chegar. A banda de musica, composta de moços distinctos, elemento componente da sympathica e popularissima «Humanitaria» de Santos executava bella partitura, quando entrou na gare o bonde que conduzia o manifestado e diversos amigos que o foram esperar na estação da Ingleza.
Logo ao desembarque do sr. Magimo Bastos a senhorita M.ª Victorina de Araujo, pronunciou desembaraçadamente uma bonita saudação, offerecendo-lhe em nome dos seus amigos um bouquet de flores naturaes. Foi tocante essa inesperada scena, para o manifestado, sendo este muito abraçado e cumprimentado. Em seguida, acompanhados pela banda de música da Sociedade Humanitária , dirigiram-se para o edificio da Escola do Povo— recentemente creado pela sua Directoria, onde, graças à presença de 600 pessoas mais ou menos, que assistiram ao discurso bem inspirado do sr. José Ignacio de Gloria Junior, que foi muito applaudido e felicitado. 

A TRIBUNA. NOTAS DE S. VICENTE
Do correspondente especial, em data de 14 de dezembro de 1909

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Sergio Willians nasceu em Santos no dia 15 de dezembro de 1967. Desde a juventude se mostrou interessado pela literatura e sobretudo pela história regional, acalentando um dia poder unir essas duas paixões. A opção pelo jornalismo foi natural e em 1992 iniciou sua trajetória profissional no Diário Popular (atual Diário de São Paulo). Passou também pela TV Tribuna e TV Mar. Foi roteirista e diretor de imagem em documentários e vídeos institucionais de empresas do setor público e privado, entre elas a Cosipa, Petrobrás, Copebrás, Sesc, além de oito das nove prefeituras da Região da Baixada Santista, incluindo Santos e São Vicente. É autor  dos romances  "Majestade a Mais Bela" e "Pelas Curvas da Estrada de Santos"; de obras memoriais como "Bondes de Santos", "Almanaque de Santos" e "Jacinto, o Sansão do Cais Santista". É voluntário do Instituto Histórico e Geográfico de Santos desde 2008.
Foi Secretário Adjunto de Cultura do município de Santos, diretor cultural da Sociedade Humanitária dos Empregados do Comércio, além de membro de diversos conselhos municipais. Em 2018, implantou o projeto de digitalização de periódicos antigos em parceria com a Fundação Biblioteca Nacional, trabalho que chamou a atenção da mídia nacional, chegando a virar tema de reportagem do programa Antena Paulista, da Rede Globo. Em 2020, Sergio assume a presidência do Instituto Histórico e inicia um amplo processo de remodelação do casarão-sede da entidade.  Resumido do site do IHGS. #346.

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Olao do Carmo Rodrigues nasceu em Santos/SP em 16 de julho de 1907, falecendo em 14 de dezembro de 1981. Começou sua carreira jornalística em 1931, no Jornal da Noite, como cronista esportivo. Ingressou em A Tribuna de Santos, em 1937, onde trabalhou por 46 anos, passando por diversos postos até alcançar a chefia de redação. Marcou época na imprensa regional, não apenas como repórter, mas também como cronista e autor de 13 obras dos mais variados gêneros: da célebre Cartilha do Turista (1965) até o livro de contos "Santos de Pijama" (1981). A preocupação com a preservação da história da cidade sempre permeou seu trabalho como escritor, e seus livros evidenciam isto. As fontes que o inspiravam - a pesquisa nas hemerotecas e arquivos da cidade, de onde extraía a matéria prima, aliadas às suas experiências vividas como jornalista -, são as principais características de suas obras. Olao também desempenhou outras atividades junto a sociedade local, destacando-se na criação da Delegacia do Sindicato dos Jornalistas em Santos, em 1942, quando foi eleito o primeiro presidente da entidade, e pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico de Santos, onde ocupou a cadeira nº. 126. Seu trabalho como escritor e pesquisador também foi reconhecido pela Academia Santista de Letras, pela União Brasileira de Escritores, pela Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado de São Paulo e pelo Centro Paulista de Pesquisa e Memória da Imprensa, organizações às quais Olao pertenceu e atuou durante toda a vida.

Em 1955, Olao Rodrigues foi nomeado funcionário público, passando a prestar assessoria ao Conselho Municipal de Turismo e depois às Secretarias de Turismo e Educação. Essas experiências muito influenciaram suas primeiras publicações: a Cartilha do Turista e Santos em Números, impressas em 1966, e o Plano Diretor de Turismo, em 1968. 
Aposentado do jornalismo diário, aos 59 anos de idade, passou a se dedicar a novos projetos editoriais, participando como redator do lançamento do Almanaque de Santos, em 1969, publicação de cunho informativo, recheado de curiosidades históricas, que teve atualizações anuais até 1978. Em 1975, apresentou a segunda edição da obra "Veja Santos", guia da história das vias públicas santistas, que inspirou o presente guia digital. Em 1979, lançou a "História da Imprensa de Santos". #347

Fonte: Almanaque Esportivo de Santos - pág. com base em texto de Gilmar Domingos de Oliveira. Publicado por Novo Milênio.


Panfleto de campanha política do jornalista santista Olao Rodrigues para o cargo de vereador por Santos pelo P.S.D. (Partido Social Democrático). Olao do Carmo Rodrigues (1907–1981) foi um icônico jornalista, cronista e escritor brasileiro nascido em Santos (SP), tendo trabalhado por décadas no jornal A Tribuna. Destacou-se na imprensa regional cobrindo diversos setores e escrevendo obras dedicadas a resgatar a história e as memórias da cidade de Santos. O material impresso convida o eleitorado santista a votar em sua legenda para a Câmara Municipal, indicando locais de distribuição de cédulas de votação da época na Praça Rui Barbosa, Praça Mauá e Rua General Câmara. 

Fonte: A Tribuna , 11 de outubro d 1951. Resumo do IA Gemini-Google. 

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Julião Leocádio Neiva de Lima, após a proclamação da República, adotou o nome de Julião Caramuru, conforme a lei facultava. Nasceu em1839, veio ainda moço da Paraíba do Norte, instalando-se em São Vicente. Começou trabalhando em firmas comissárias de café, onde chegou a postos de guarda-livros, chefe de escritórios e gerente de firmas. Foi gerente do Banco do Brasil, de que se afastou em 1900, por doença. Candidato a vereador, sendo o mais votado, ocupou a presidência e vice-presidência da Câmara de São Vicente, em 1893.No posto de tenente-coronel da Guarda Nacional, prestou relevantes serviços a São Vicente, notadamente na Revolução da Armada, vigiando quando navios da Esquadra brasileira se avizinhavam em atitude hostil na barra de Santos.

O INTENDENTE JULIÃO CARAMURU E SEU PATRONO HISTÓRICO.

“Viajando para São Vicente por volta de 1510, o Fidalgo da Casa Real Diogo Álvares naufragou nas proximidades do Rio Vermelho, em Salvador, na baía de Todos os Santos. Seus companheiros foram mortos pelos Tupinambá, mas ele conseguiu sobreviver e passou a viver entre os índios, de quem recebeu a alcunha de Caramuru, que significa moreia. O náufrago foi bem acolhido pelos Tupinambás, a ponto de o chefe deles, Taparica, ter-lhe dado uma de suas filhas, Paraguaçu, como esposa.
Diogo Álvares Correia (Viana do Minho, 10 de Janeiro de 1475 – Tatuapara, 5 de outubro de 1557), também conhecido como Caramuru (do tupi caramuru, moreia, nome de um peixe) foi um náufrago português que passou a vida entre os indígenas da costa do Brasil e que facilitou o contato entre os primeiros viajantes europeus e os povos nativos do Brasil. Recebeu a alcunha de Caramuru pelos Tupinambá. Da principal nobreza de Viana, vindo ter à Bahia por acaso da fortuna, Diogo alcançou a costa na altura do Arraial do Rio Vermelho como náufrago de uma embarcação francesa (Binot Palmier), entre 1509 e 1516.

Julião Foi o idealizador do edifício onde está ainda hoje a Prefeitura Municipal de São Vicente, que foi edificado por Julião, para lhe servir de residência. Tendo prestado muitos serviços à coletividade, faleceu em maio de 1901, na praia do Botafogo, na sua residência. #348

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Morador e filho eterno da Ilha de São Vicente, Paulo José Gallotti Bonavides nasceu em hospital paulistano em 5 de maio de 1960. É o  filho primogênito de Paulo José de Azevedo Bonavides e de Leopoldina Gallotti Bonavides, radicados em Santos e de família tradicional de juristas e magistrados. Colou grau na Faculdade de Direito de Santos, época na qual vivenciou o movimento democrático e republicano das "Diretas Já",  realizado na Praça da Sé no dia 16 de abril de 1984. Em abril de 1988, Paulo José Gallotti Bonavides se tornou promotor de justiça após ingressar em 2º lugar no concurso de provas e títulos do Ministério Público do Estado do Paraná. Exerceu as funções da promotoria em diversas comarcas, fixando-se em Jacarezinho, onde se casou em 1991 com a procuradora de justiça Samia Saad Gallotti Bonavides. Dessa união nasceram duas filhas e netos. Foi diretor da Associação Paranaense do Ministério Público. É membro perpétuo (como seu pai) do Instituto Histórico e Geográfico de Santos, desde 2005, e ocupa a Cadeira nº 124- Prudente de Moraes. Figurou no mesmo Instituto como diretor de Genealogia.  Na cátedra de Direito Penal, da Faculdade de Direito de Jacarezinho, formou diversas gerações de brilhantes juristas. De São Vicente - a qual sempre se refere como "Célula Matter da Nacionalidade"- guarda memória afetiva da infância e juventude: do futebol de praia, do surf no Itararé, dos bailes e shows do Tumiarú e do Ilha Porchat Club, da escola comum e também das aulas de auto-escola nas ruas tranquilas, onde conquistou primeira carteira de habilitação. Cultiva até hoje, com máximo respeito, o passado vicentino, suas raízes, seus personagens e os seus sagrados pontos históricos. É um típico santista calunga. #349. 


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IA da imagem original do retrato cedida gentilmente pela direção da escola em 04 de setembro de 2026. 

Constante Luciano Clemente Godfroid Houlmont foi um educador belga radicado em São Vicente na década de 1960. Nasceu em 19 de setembro de 1913, em Liège, Países Baixos, filho de Joshef Lucienne Clemente Houlmont e Marguerite Godfroid Houlmont. No Brasil casou-se com Nadyr Zanardi Pera, com quem teve dois filhos. Faleceu em 4 de setembro de 1977, em Santos, São Paulo, Brasil, com 63 anos. Era docente de francês no Ginásio Vila Sorocabana, localizado na avenida Antônio Emmerich,504, na Vila Melo nos anos 1970. Posteriormente essa escola passou a ser denominada Vila Melo até que, em 1990, por iniciativa do deputado Ricardo Izar,  teve seu nome mudado como homenagem póstuma, sendo denominada E.E. Professor Constante Houlmont.  O historiador Dalmo Duque dos Santos, que edita essas linhas biográficas, lembra que conheceu o educador em 1975, quando era aluno do sexto ano  no período noturno da então E.E. Sorocabana:

 "Naquela época era permitido a frequência de alunos a partir dos 11 anos  no horário noturno, pois a maioria das classes era composta por jovens trabalhadores. Nessa escola havia muitos soldados do então 2ºBC-Batalhão de Caçadores, localizado na mesma avenida. Dalmo lembra que o professor Houlmont tinha voz grave e forte sotaque francês. Usava habitualmente terno e gravata. De estatura média,, caminhava  pela sala de aula e corredores com os braços cruzados para trás.  Constante dava aulas de francês, que no ginásio era a língua alternativa ao inglês". 

Outra curiosidade sobre Houlmont era sua paixão pela história de São Vicente. Foi dele a conhecida hipótese que explicava a causa e os efeitos do maremoto de 1540, que destruiu grande parte da vila, arremessando no mar o sino da igreja. O Prof. Constante afirmava que esse desastre natural foi  causado pela queda de um meteoro no canal que existia entre a ilha Guaibé e o complexo montanhoso Japuí-Xixová- Itaipu, assoreando o rio Piaçabuçú, que desaguava  nesse ponto. O impacto dessa queda  não só afetou a vila, mas também juntou a ilha ao continente, forçando a mudança de acesso ao Porto das Naus pela baía até a atual Ponte Pênsil. Formou-se também o atual Mar Pequeno. #350.


Ilustração publicada pelo site São Vicente Sociedade Alternativa.


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"Dino (Accindino Souza Andrade). Conhecido principalmente como chargista, que durante muitos anos publicou seus trabalhos especialmente no jornal santista A Tribuna, Accindino Souza Andrade (que era para ser Accendino de Souza Andrade, mas o cartório...) participou do nascimento da televisão brasileira (como diretor da Rebratel), foi engenheiro agrônomo e diretor do Santos Futebol Clube (SFC) e, com seu traço característico, fez a primeira charge do futebolista Pelé, sendo amigo pessoal também do ex-presidente Jânio Quadros, do ex-governador paulista Mario Covas, de Wilson Fittipaldi e sua família dedicada ao automobilismo, do casal de jornalistas e incentivadores culturais Patrícia Galvão (Pagu) e Geraldo Ferraz, entre muitos outros". Carlos Pimentel. Novo Milênio.

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O ex-presidente Jusclelino Kubitschek em São Vicente, descansa no Ilha Porchat Clube, presidido por Odarcio Ducci. Imagem: charge de Dino, publicada no jornal santista A Tribuna em 3 de setembro de 2004. Publicado por Novo Miênio.


NOTA do CALUNGAH. Dino foi o autor da capa e contra-capa de Vultos Vicentinos (1972) do jornalista Edison Telles de Azevedo. #351





Licenciada em História e depois docente na Universidade Católica de Santos, formou ali muitas gerações de professores e pesquisadores, juntamente com Maria Aparecida Franco, Wilma Terezinha e Clotilde Paul. Nessa trajetória,  titulou-se como Mestre e Doutora em História Econômica pela Universidade de São Paulo. Entre sua conhecida produção acadêmica encontramos uma coleção de artigos científicos individuais e parcerias, tendo como temática principal  a presença histórica e a influência lusitana em Santos e na região. Na revista acadêmica "Leopoldianum", da Unisantos publicou um memorável artigo seu sobre as origens e o apogeu do I.E Martim Afonso, escola de ensino básico que formou diversas gerações de estudantes em São Vicente. O artigo foi elaborado em parceria com a pesquisadora Elizete Moraes. Maria Suzel é casada com o advogado Roberto Frutuoso, com quem teve dois filhos. É filho de imigrantes portugueses, criado na Vila Pedro Duarte (loteamento empreendido pelo prefeito J.F. Bensdorp), localidade urbana desenvolvida ao longo da avenida Mota Lima. É formado em Direito na Universidade Católica de Santos e trabalha como consultor empresarial. Tem dado uma importante contribuição memorial  sobre sua geração, fatos e localidades marcantes, instituições e o comércio vicentino. O casal é membro atuante do  Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente e também do Elos Clube, entidade que congrega patrícios e admiradores da cultura portuguesa no Brasil. # 352.




Nasceu em 09/09/1924 e desencarnou em 31/01/2018. Esposa: Adélia Marreiro. Filhos: Altamir Marreiro, Clóvis Marreiro (falecido) e Solange Marreiro.


Esse versátil artesão vicentino, chamado por amigos e clientes apenas pelo sobrenome, era morador da Esplanada dos Barreiros, onde manteve por muitos anos sua conhecida oficina de carimbos. Foi casado, desde 1950, com Adélia Berti Marreiro, paulistana filha de imigrantes italianos e sua companheira de toda a vida. Era visto quase diariamente caminhando entre seu bairro e o centro da cidade, onde realizava seus contatos profissionais e cumprimentava os conhecidos com um alegres acenos ou uma rápida conversa fraterna. Além do trabalho diário, Seu Marreiro foi um raro estudioso das temáticas espiritualistas, mas sempre inclinado para o espiritismo cristão. Sua base principal era a Sinagoga Espírita Cáritas, porém sempre muito solicitado pelos demais núcleos kardecistas, para realizar suas famosas conferências doutrinárias. Na época do programa de TV "8 ou 800", por insistência de alguns amigos, se preparou com afinco para disputar o prêmio máximo oferecido pelo programa. Iria responder perguntas sobre o romance "Paulo e Estêvão", psicografado pelo médium Chico Xavier. Releu a obra algumas vezes até que se sentisse seguro para o desafio. Além do prêmio, era uma ótima oportunidade para divulgar a doutrina e o personagem que tanto o atraía: o Apóstolo dos Gentios. Preparado e disposto a vencer essa prova, foi surpreendido pelo anúncio do fim do programa. Mas não foi em vão. Convidado a matricular-se em um novo e desafiador roteiro formativo vindo da Capital, ingressou, juntamente com Adélia e a filha Solange, na Escola de Aprendizes do Evangelho, realizada num espaço cedido do C.E. Redenção. Apesar de ser espírita desde os 19 anos de idade, foi ali,  em 1976, que Seu Marreiro teve um reencontro como seu modelo de transformação pessoal: foi um renascimento espiritual pragmático, oferecido numa sequência de aulas dessa marcante escola iniciática criada por Edgard Armond na FEESP. Vencidos os primeiros graus (Aprendiz, Servidor e Discípulo), rapidamente tornou-se expositor e inspirador de novas turmas. Com uma delas, fundou em 1978 um novo núcleo espírita, na Vila Margarida. A nova casa assistencial e também escola espiritual instalou-se na rua Monte Plano, 283, recebendo  o emblemático nome "Centro Espírita Estrada de Damasco". #353

Nota da filha Solange: Antes disso, ele foi no programa do Silvio Santos, "Arrisca Tudo", para falar da Vida e Obra de Allan Kardec. Ah sim, ele fazia questão do ph em seu nome: Adolpho. Era grafia da época!😊






André Luciano Retz  o caçula de sua família e quando menino queria ser contador, encantando-se sempre que via alguém trajando elegantemente um terno, colete e chapéu e  anel de rubi de Contador no dedo que, ao que parece, deveria ser uma profissão de grande importância na sua época . No passado uma pessoa  tornava-se um contador após frequentar um curso médio e profissionalizante de Contabilidade equivalente ao atual curso superior  de Ciências Contábeis. Desta forma, sua vocação para contador surgiu muito cedo e ao crescer não só se tornou-se um deles, mas também se destacou como um dos melhores na Baixada Santista na sua época, chegando inclusive a dar aulas de contabilidade, passando a ser conhecido como Professor André Retz. Trabalhou a vida toda nesse ramo e em sua homenagem existe hoje na Esplanada dos Barreiros, uma rua com seu nome.  Casou-se com Adelina Martins de Oliveira e comprou em São Vicente um terreno com a frente voltada para a Avenida Capitão Mor Aguiar  e a lateral confrontando com a Rua 13 de Maio.  Primeiro ele construiu o chalé de madeira no local que posteriormente, com ajuda de macacos hidráulicos  foi suspenso e embaixo dele foi construída em alvenaria uma sala, uma cozinha, um banheiro e um quartinho, preservando integramente a estrutura original de madeira, que passou a ser o segundo piso, agora de um sobrado. Como André, sua filha Maria de Lourdes também se formou em contabilidade e logo começou a trabalhar, usando seu salário para custear as despesas com pensão e alimentação de seu irmão, que estudava na ESALQ em Piracicaba. Para pagar as contas da casa meu avô trabalhava muito. Durante o dia trabalhava em uma grande serraria de Santos e durante as noites, até tarde, em sua casa debruçado sobre os livros de contabilidade de diversas empresas de Santos, usando como escritório um pequeno e quente quartinho no topo da escada do seu chalé. 

André Retz , Maria de Lurdes  e Adelina por volta de 1924


A vida de André Retz não foi lá muito boa. Pobre na infância, casou-se com uma mulher que devido a um erro médico passou anos em sanatórios tratando de sua saúde, obrigando-o a gastar o que tinha e o que não tinha para pagar seus infindáveis tratamentos médicos, trabalhando muito e ganhando pouco, por um longo período. Sua vida finalmente progrediu financeiramente quando começou a  trabalhar para a Pedreira O’ Ribeiro no escritório localizado no Centro de Santos. Seu patrão, o Sr Otavio Ribeiro e seu filho “Tavico” não só gostavam muito de André como o ajudaram a prosperar em sua vida. André era um homem de estatura média, um pouco mais de 1,70m, de cabelos muito lisos e loiros, estrábico e de olhos muito azuis e que passou a vida dizendo sofrer do coração tratando-se na verdade de uma arritmia crônica, hoje facilmente tratada  antiarrítmicos para a correção desse distúrbio. André era um homem muito inteligente,  na verdade ele era brilhante, muito culto, fluente em francês, era um arqueólogo amador que em suas horas poucas horas vagas escavações prospectava  sambaquis buscando artefatos enterrados pelos índios no local. Possuía uma coleção de minerais, inteiramente catalogada e restos de ferramentas indígenas encontradas por ele em suas escavações em sambaquis. André adorava falar francês, contar piadas, gostava de ler, gostava de teatro da boa música e da boa comida e dos bons vinhos. A arritmia  de André Retz agravou-se após seus 64 anos, provocando acúmulos de água nos seus pulmões obrigando-o a ter que retirá-la com uma grande ampola ou seringa de vidro com enorme agulha através de terríveis e dolorosas sessões. O médico vinha até sua casa e introduzia aquela agulha pelas suas costas até chegar  aos pulmões, retirando a água puxando o embolo da ampola de vidro. Veio a falecer aos 66 anos. 

Adelina sempre foi magra e alta para os padrões da época, tinha cabelos castanhos escuros e os lindos olhos azuis celestes .Sua personalidade era por assim dizer, muito forte e adorava ler a ponto de ir de bonde diversas vezes por semana ao Cento de Santos para comprar livros já que São Vicente não possuía livrarias além de ter antigamente um comércio era incipiente comparado ao do Centro de Santos. No decorrer de sua longa existência acompanhou com extrema naturalidade o imenso e sem precedentes desenvolvimento de tecnologias e de costumes ocorrido no Século 20, sem nunca se espantar com nada ou se escandalizar com coisa alguma. Tinha uma percepção excepcional para entender o caráter, intenções e vontades de todos que a cercavam, ou seja, nunca se deixava enganar por nada ou por ninguém. Sem ser mal-educada era de uma sinceridade contundente, nunca deixando de criticar o que necessitava de críticas. Amava seu marido e filha, mas sem dúvida tinha preferência velada por seu filho Guy, talvez por ter convivido mais tempo com ele durante seus períodos de enferma, já que minha mãe ficava mais com tia Mimi do que com ela. Nasceu, cresceu e viveu sempre acompanhando mudanças e a evolução tecnológica do Século XX, vivendo sempre o presente sem nunca querer voltar para trás mantendo, entretanto, a memória viva de seu pai a quem ela sempre admirou. A superação de suas graves enfermidades na sua juventude não foi ao acaso e sim produto da seleção natural em uma família de 15 filhos onde apenas quatro sobreviveram. 

Próximo de sua morte suas funções vitais ainda se mantinham perfeitas, entretanto de repente veio a surdez e logo em seguida a perda quase total da visão. Ressalta-se que minha avó usou óculos quando moça até que um dia não precisou mais, o curioso é que a partir daí não usava óculos nem para ler. Assim, com a perda da audição e da visão, entrou em depressão e em pouco tempo nos deixou. Não causou nenhum alarde, nunca se queixou nem fez nenhum drama, apenas foi embora para juntar-se aos seus queridos pai e marido deixando esse mundo como deve ser, ou seja, antes de seus filhos! #354.
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Resumido do original escrito por Francisco Marcelo Retz Lucci (Frank) gentilmente enviado pela sua irmã Tânia Márcia Retz Lucci Freitas. 






Alberto Martins de Oliveira, o Patriarca desse ramo de minha família, herdou o Martins como homenagem ao seu padrinho de batismo (um costume da sua época). Por um lado, ele teria sido uma pessoa sofisticada, culta e elegante e por outro, mantinha os costumes arraigados a sua origem de um verdadeiro caiçara adorando caçar, pescar e comer peixes todos os dias. Casou-se com 21 anos, em 28 de fevereiro de 1890 em São Vicente com Maria Pureza Albuquerque de Farias. Tiveram 15 filhos, mas somente quatro deles chegaram à vida adulta, Albertina apelidada de Lena (1.894), Albertino (1899), Adelina (1900) e Odete (1910).

Pureza era filha de Adeline, moravam no Rio de Janeiro e após o falecimento de sua mãe ela seu pai e duas irmãs vieram para Cubatão, onde hoje está instalado o Polo Industrial da Baixada Santista. Seu pai era professor e na época tinha que ir a cavalo à Santos dar aulas.Sobre a história de Pureza, falecida em 1961 em São Paulo com 89 anos. pouco se sabe além do que aqui estou relatando. Sabe-se que Pureza e Alberto Martins tiveram 15 filhos, e como citado antes vários deles faleceram por terem intolerância à lactose, e com isso de um total de quinze filhos sobreviveram apenas quatro.

Existe uma versão tirada de uma reportagem do Jornal A Tribuna sobre Alberto Martins editada em 06/03/1966 por Edison Telles de Azevedo (Vultos Vicentinos), reportando que ele teria nascido em Monte Cabrão, uma vila de pescadores localizada na parte Continental de Santos, ao lado do canal que liga o Porto de Santos a Bertioga, vila essa que hoje fica sob uma ponte logo da Rodovia Piaçaguera- Guarujá e ao lado do início da Rodovia Rio-Santos. Todavia sua filha Adelina afirmaca que Alberto Martins de Oliveira nasceu, na verdade, na Ilha de Monte de Trigo ( hoje chamada de Montão de Trigo), em São Sebastião, distante 13 km da praia de Juquehy. Deve ter sido mesmo nessa ilha porque até hoje ela abriga cerca de 50 ou 55 moradores, todos com o sobrenome Oliveira. Seus pais tiveram dois filhos e decidiram se mudar para São Vicente após a perda de um deles. Assim vieram para São Vicente por medo de perderem o garoto Alberto, dada a total falta de recursos nessa ilha durante o século XIX, que até hoje permanece praticamente igual, a não ser pela adoção de placas solares nas casas de seus moradores para que possam ter eletrodomésticos e contam com uma professora que passa a semana na ilha dando aula aos filhos e netos de seus moradores.

Ao que parece Alberto, segundo sua filha Adelina, descendia de holandeses e vieram de Pernambuco, o que leva a pensar na hipótese de que seu sobrenome Oliveira indicaria uma ascendência judaica, ou seja, tratava-se de uma família de “cristãos novos “ou judeus “convertidos” que se mudaram para a isolada ilha Montão de Trigo, fugindo talvez das perseguições do Século 19 aos judeus em Pernambuco,(sendo essa apenas uma hipótese, é claro ). Hoje a ilha Montão de Trigo, como mencionado anteriormente é habitada por uma pequena colônia de moradores com cerca de 50 pessoas, todos Oliveiras, conforma antes mencionado.Era um homem bastante alto para sua época, com cerca de 1,80m, loiro de olhos azuis e possuía uma força física impressionante, muito ativo e bem-sucedido como profissional, além de ter sido também político da sua época.

Alberto Martins casou-se aos 21 anos na Igreja Matriz de São Vicente em 1890 com Dona Maria Pureza tendo como padrinhos no civil Jacó e Filipina Emmerich e no religioso membros da Família Ablas. Só para constar Jacó e seu irmão Antonio Emmerich são ilustres personagens da história de São Vicente.
Alberto que tinha grande paixão pela caça e pela pesca era também profundo conhecedor das condições atmosféricas locais e das suas influências no mar. Possuía em sua casa, na Rua Marques de São Vicente, uma grande coleção de espingardas de caça de cano duplo calibres.T
rabalhou na firma Theodor Wille & Cia em Santos. Sabe-se que, além de um bem-sucedido profissional exerceu também o Cargo de Delegado de Polícia em 1900 e foi presidente da Câmara dos Vereadores de São Vicente por três vezes, ressaltando-se que nessa época o cargo de Vereador não era remunerado. Fez parte da Comissão Revisora do Alistamento Eleitoral nos anos de 1895 -1897, sendo nomeado pelo governo municipal da época como mesário, cargo importante na sua época. Ressalta-se também sua participação na fundação do Clube de Regatas Tumiarú com a criação da sede náutica no Bairro do Japuí, tendo vencido uma regata por esse clube em 1906.



Apesar de grande e forte, contava sua filha Adeline que Alberto Martins comia muito pouco, ela dizia que suas defectíveis refeições de todos os dias se limitavam a uma ou no máximo duas colheres de arroz e uma pequena posta de peixe, sempre ensopado e nada mais. Contava Adelina que recebiam em sua casa casais de conhecidos e parentes seus que vinham do seu local de nascimento, a Ilha de Monte de Trigo em São Sebastião-SP que vinham ou para visitá-los ou para casar seus filhos no continente, já que a ilha, conforme antes mencionado, nada tem e nada tinha. Vinham em grandes canoas a remo, casavam-se, ficavam alguns dias em sua casa em São Vicente e depois partiam de volta. Muito provavelmente esse pessoal pegava o trecho de mar aberto até o canal de Bertioga e dali seguiam ladeando a Ilha de Santo Amaro (Guarujá) até porto de Santos onde contornavam a ilha pelo canal do Casqueiro e do Barreiros até o Mar Pequeno, aportando no Portinho dos Pescadores em São Vicente, localizado onde hoje fica a rua Japão.

Alberto Martins de Oliveira faleceu repentinamente anos quando morava na Rua Visconde de Tamandaré no 53 em São Vicente em decorrência do rompimento de um aneurisma no seu coração, deixando sua esposa Pureza e quatro filhos, todos já adultos. Tudo se sabe sobre Alberto Martins de Oliveira era contada por sua Adelina esposa de André Retz, que nunca o esqueceu e tampouco nunca deixou de falar dele durante todos os seus 99 anos de vida, sempre se referindo a ele como “papai”, o que me motivou a escrever essas biografias para que essas lembranças não se perdessem. #355

Resumido do original escrito por Francisco Marcelo Retz Lucci (Frank) gentilmente enviado por Tânia Márcia Retz Lucci Freitas, netos do biografado.





Luiz Tramonte Garcia  economista, advogado e Inspetor Federal do Ensino. Articulista, assinava seus textos na imprensa sob o pseudônimo "Simplício Brando". Mantinha uma página fixa no São Vicente Jornal. Foi candidato a vice-prefeito de Luiz Beneditino Ferreira. Morava na Praça Cel. Lopes, esquina com a Av. Presidente Wilson. Era membro ativo do Instituto Histórico e Geográfico de Santos e editorialista da Rádio Atlântica de Santos.  #356


Nota de Edson Telles de Azevedo na coluna A Tribuna em S. Vicente. Quarta-feira, 24 de maio de 1950. Acervo: BN Digital. 



Artigo em A Tribuna, página A Tribuna em São Vicente, 18 de fevereiro de 1951. Acervo BN Digital.





Paulo Jorge Mansur, empresário de comunicação e politico, estabeleceu-se em São Vicente e Santos nos anos 1940, fundando e dirigindo com com seus herdeiros e sócios a Rádio Cultura , emissora pioneira instalada no bairro Jockei Clube. Posteriormente a emissora seria transferida para Santos, à Praça Independência, bairro do Gonzaga. Casou em 1946 com Maria Francisco Gomes. Residiram muitos anos no Edifício Marrocos, na na orla do Gonzaguinha. Pertencia a um grande núcleo familiar de empresários e políticos de origem sírio-libanesa radicados no interior e no litoral de São Paulo. Seus filhos mais conhecidos e que seguiram seus passos foi o vicentino Paulo Roberto Mansur, o Beto Mansur, vereador, prefeito de Santos e deputado federal; e o executivo de comunicação Gilberto Gomes Mansur (Gil Mansur). Seus irmãos Salim Mansur e Elza Mansur eram executivos e sócios proprietários da Rádio Universal de Cubatão e Santos. Filiado histórico do Partido Trabalhista Brasileiro, exercendo mandato de deputado federal e articulador do presidente João Goulart. Foi foi cassado em 1964 por ato institucional decretado pelo presidente Castelo Branco. Em dezembro de 2012, a Câmara dos Deputados realizou uma sessão solene de devolução simbólica de mandatos a parlamentares cassados pelo regime militar, incluindo o nome de Paulo Jorge Mansur. #357.


Foto colorizada a partir do original de uma raríssima aparição numa entrevista exclusiva ao jornal Cidade de Santos, em 21 de janeiro de 1979.


Nota publicitária no jornal A Tribuna promovendo o funcionamento no Jockey Club da nova antena transmissora da Rádio Cultura em São Vicente.





Gilberto Gomes Mansur (Gil Mansur): Nascido em São Vicente em 1953, iniciou a carreira na Rádio Cultura AM do pai. Em 1979, ajudou a criar a Cultura FM, que mais tarde virou a Mix FM Santos. Gil também foi pioneiro ao trazer a internet discada para a Baixada Santista na década de 1990. Em 2002, fundou a VTV (emissora afiliada ao SBT com sinal na Baixada Santista e Campinas), atuando como diretor-presidente até seu falecimento em janeiro de 2025. Em abril de 2026, recebeu uma homenagem póstuma em Santos, batizando a tradicional Praça Duas Rodas como Praça Gil Mansur.


A família Mansur tem uma história de grande importância para o desenvolvimento do rádio, da televisão e da política na Baixada Santista, com raízes profundas em São Vicente e Santos.

Fundação no Rádio: A trajetória começou com o empresário e ex-deputado federal Paulo Jorge Mansur e sua esposa Maria Gomes Mansur (Dona Nena).Rádio Cultura AM: Em 1946, Paulo Jorge criou a Rádio Cultura AM (930 kHz) em São Vicente, uma das pioneiras da região.


Expansão: A família consolidou a presença no setor ao longo das décadas, unindo a comunicação com a atuação política na região. O Legado de Gil Mansur e Beto Mansur. Os filhos do casal continuaram e ampliaram o legado politico e da comunicação local


Nova Geração: O nome da família segue presente na política e na comunicação regional, como através de Paulo Jorge Mansur Neto (filho de Gil), que também exerce mandatos e mantém os laços com a história local. #:358

Fonte: adaptado do Diário Oficial da Prefeitura de Santos |25 de abril de 2026





Presidente do Sistema A Tribuna de Comunicação, entre 1990 e 2007, sucedeu Giusfredo Santini, seu pai e antecedeu Roberto Clemente Santini, seu filho.


Roberto Mário Santini foi a personalidade escolhida para a denominação do parque por sua atuação como "homem público", segundo o prefeito João Paulo Papa:

"Ele não foi político, mas era um homem público, por liderar um sistema que é a essência da Comunicação em nossa Cidade", explicou Papa. Para ele, o Parque Municipal "é um local de boa visibilidade, à altura do que representou sua trajetória".

Nascido em Santos, em 8 de junho de 1928, foi o segundo filho de Giusfredo Santini e Yara Nascimento Santini. A convite do pai, ingressou em A Tribuna aos 20 anos, em 1948. No ano seguinte, viajou para os Estados Unidos, onde completou o curso de Administração de Empresas na Miami University, em Ohio.

Em 1954, Roberto Mário Santini foi promovido a assistente de gerência; em 1959, a gerente auxiliar. No mesmo ano, em 29 de maio, tornou-se superintendente do jornal e, em 1990, com a morte de Giusfredo Santini, diretor-presidente. Daquele ano até 2 de janeiro de 2007, quando morreu, Roberto Santini modernizou o parque gráfico de A Tribuna, inaugurou redações e lançou o jornal Expresso Popular.

Roberto Mário Santini foi casado com Regina Clemente Santini. Tiveram os filhos Roberto, Marcos, Renata, Flávia e Paulo (falecido) - a terceira geração da família Santini, que integra a direção da empresa. A Tribuna, em 16 de janeiro de 2009 (na página A-3). IA a partir da foto original de Carlos Marques, publicada com a matéria de A Tribuna em 2/12/2004. #359


TV TRIBUNA. Entrando no túnel do tempo, vamos direto para 1989, quando essa história começou. Foi nesse ano que o Ministério das Comunicações publicou o edital de concorrência pública para o Canal 18 de televisão, para Santos. O vencedor foi o Sistema A Tribuna de Comunicação Ltda. (SAT), atual Grupo Tribuna. Em 1990, o presidente da República José Sarney concedeu ao SAT o canal de TV.

Um ano depois, em 1991, o então diretor-superintendente do Grupo A Tribuna, Roberto Mário Santini, e o diretor da Central de Afiliadas e Expansão da Rede Globo, Evandro Guimarães, assinaram a convenção de afiliação da TV Tribuna. Esse documento marcou o início da trajetória do maior veículo de comunicação da região.

O lançamento da TV Tribuna aconteceu em 1º de fevereiro de 1992. Além de transmitir a programação da Rede Globo, o objetivo era produzir jornalismo regional e programas na Baixada. Na mesma data, foi ao ar a primeira matéria produzida pela equipe de jornalismo da emissora, sobre os atletas da praia, na 1ª edição do 'São Paulo Já'.





Reportagens da TV Tribuna-Globo com o historiador Dalmo Duque, sobre as idades históricas de São Vicente, em 22 de janeiro de 2023. Reportagem de Thais Rozzo. Com imagens de Abner Reis e Leandro Guedes. Sugestão e Indicação de Silvio Lousada.

https://globoplay.globo.com/v/11300313/?fbclid=IwAR0oTSBIuNI1-geRYzW3Q1vuWd0oHSD5cHG6iRPc65a8Pm-LVXq4cpkz_nY





Figura conhecida na comunicação e no comércio varejista da Baixada Santista, Silvio Lousada era editor do Jornal Metrópolis e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de São Vicente. Ao longo da carreira, atuou em diferentes áreas como assessoria de imprensa, marketing e publicidade. No jornalismo regional, participou da produção de informação voltada diretamente para a população da Baixada Santista. Também exerceu atividades na advogacia. Em São Vicente, além de comandar a CDL, foi diretor de Comunicação da Associação Comercial. No serviço público, teve passagem pela Prefeitura de Itanhaém, onde trabalhou por 16 anos e ocupou cargos nas áreas de Comunicação Social, Turismo e Relações do Atuou como professor do ensino superior nas diversas áreas em atuava. Faleceu no Hospital Metropolitano e teve seu corpo sepultado em São Vicente Deixa esposa, filho e netos. #360. 


Silvio Lousa em entrevista para a #TVRecord sobre a movimentação do comércio para o fim de ano e das contratações temporárias. Na foto, ao seu lado, o repórter Jean Sgarbi e o presidente do CDL de São Vicente, José Jose Roberto Garcia .



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