terça-feira, 9 de julho de 2019

GASTRONOMIA CALUNGA












60 ANOS DO CARAVELAS


O CARAVELAS FAZ 60 ANOS E continua celebrando a história de São Vicente. Fundado em 1961 pelos sócios Gaspar e José Carlos, o famoso restaurante vicentino da Praça 22 de Janeiro (Padre Manoel esquina com Padre Anchieta) está no mesmo lugar e segue firme em tempos difíceis para os comerciantes. O restaurante abriu no apogeu turístico da cidade, à poucos passos da Biquinha de Anchieta e da frequentadíssima Praia do Gonzaguinha, época que a cidade enfervecia de paulistanos. Alguns anos antes um prefeito até tentou mundar o nome da praia para "Jardim das Caravelas", mas não pegou. O restaurante passou por altos e baixos e foi para a mãos de Paulino Nery, um santista que trabalhou no estabelecimento um ano como copa, dez anos como garçom, vinte como gerente e nove como proprietário, até falecer em 2004. Foi exatamente nesse ano que o seu filho Vitor Nery assumiu a direção. Vitor é calunga. Muita coisa mudou na cidade e na vizinhança desde 1961: o barulho dos carros, o abandono da praça, o perfil dos moradores e frequentadores, o abre e fecha dos negócio vizinhos. Mas o Caravelas segue sua viagem no ramo da gastronomia, sempre se adaptando aos novos tempos. Vida longa ao Caravelas!!! (São Vicente na Memória, 9 de fevereiro de 2021)


















60 ANOS DO RESTAURANTE CARAVELAS. Osni, um antigo e fiél frequentador e o garçom Santana, desde 1975.



PASTEL DA FEIRA  E GARAPA





Barraca de pastel na feira livre da Avenida Capitão-Mor Aguiar. Foto: Pastel Hanada. 

AS COMIDAS E RESTAURANTES 


São Vicente hoje é uma cidade com hábitos alimentares cosmopolitas, como todas as demais que possuem suas colônias estrangeiras e também importaram os modernos fast-foods das grandes metrópoles do mundo. Ainda assim, semelhante às suas vizinhas, ela mantém seus antigos costumes herdados da velha colonização portuguesa, hoje disseminada na chamada cultura caiçara, que mistura hábitos europeus, indígenas e africanos. 

Como na maioria das cidades paulistas próximas aos grandes centros industriais, as cidades da Baixada Santista também têm um grande contingente populacional de migrantes nordestinos, cujos costumes e hábitos culinários dispensam apresentações, por estarem totalmente integrados na mesa brasileira. 

O peixe, os frutos mar, a caça florestal e os frutos e raízes silvestres, compõem basicamente a dieta tradicional vicentina, sempre ofertada nas feiras, supermercados, bares e quitandas dos bairros. 

A alimentação ibérica, sobretudo a de origem litorânea, é muito forte nos municípios que se desprenderam de São Vicente ao longo da sua história. Prova disso é o sotaque português e espanhol bastante influente na fala popular dos vicentinos e santistas e que se espalhou pelas demais cidades praianas (mistura de xis com erres) dando nome aos pratos e receitas para as comidas e bebidas da região. 

A sardinha assada ou escabeche e as calderadas de marisco são os pratos populares mais consumidos nos grupos europeus aqui estabelecidos. 

O pastel de camarão e a garapa de cana são praticamente obrigatórios nas feiras da semana, bem como as inúmeras bancas de peixes e sua enorme diversidade de espécies marinhas. 

Restaurantes famosos como o Gaúdio, Itapura ( que funcionou em três lugares), Caravelas, Boa Vista, Leão de Ouro, Panela de Barro fazeram durante décadas a alegria dos admiradores da boa mesa. Alguns mudaram de lugar e de nome, outros fecharam suas suas portas e outros ainda resistem aos tempo. 

Nos bairros mais populares de São Vicente, longe da da badalação da orla, sempre tem um bar de um morador de sangue espanhol ou português que serve uma deliciosa comida de boteco, sempre acompanhada de uma boa cerveja gelada.Tem ótimos restaurantes também .Na Vila São Jorge tem o Manolo e o Pimenta. E o Bar do Sargento, na Cidade Náutica. 

Com a crescente ascensão social dos nordestinos e seus descendentes, as Casas do Norte e restaurantes especializados se espalharam pelos cantos da cidade, com é o caso do disputadíssimo e o farto Itabaiana - “sem miséria” - como dizem seus alegres e barulhentos fregueses. E no centro da cidade proliferam as casas de açaí, pastelarias de chineses e , como em todos os lugares, em cada esquina tem uma pizzaria. 



Boa Vista e Panela de Barro na rua 11 de Junho, dois restaurantes que marcaram época na gastronomia vicentina. O Boa Vista reinou durante 40 anos e resitiu até 2016. O Panela de Barro, que foi a sensação dos ano 80, fechou suas portas na mesma década do seu grande sucesso.. 



BOA VISTA TRADIÇÃO DE BAIRRO BOÊMIO 


Noemi Francesca de Macedo 

Durante o dia, a tranquilidade de um bairro comum, com exceção do período de temporada de verão, quando o movimento é maior. Olhando aquelas ruas por onde pessoas passam sem muita pressa, não se pode imaginar a transformação daquele bairro à noite, quando o Boa Vista se torna o centro das atrações, o ponto de convergência da vida noturna da região. 

Bares, restaurantes, calçadas e ruas tomadas por gente de todas as idades e lugares. O bairro noturno de São Vicente é uma mistura de raças, onde a convivência pacífica é caracterizada pelas opções de seus frequentadores. Uns preferem os restaurantes e bares mais badalados; outros, aguardar na fila uma mesa na pizzaria ou num banquinho no jardim, montado no final de uma das ruas pela proprietária de uma barraquinha de petiscos. Isso sem contar os que preferem, em meio a toda aquela agitação, tentar junto à banca de jornal, mesmo que tardiamente, saber se ainda restou algum jornal. 

Há também aqueles que preferem ficar encostados ou sentados nas muretas, observando o movimento,principalmente o das garotas, e aproveitar para ouvir o som da boa música vinda das casas noturnas, ou mesmo dos próprios automóveis estacionados ao longo das ruas que formam o bairro. O Boa Vista, situado entre as praias de Itararé e São Vicente, sempre apresentou controvérsias com relação a seus limites. 


Surpresas e histórias da noite 

No Boa Vista a noite é uma criança, e para que ela se apresente cheia de luzes, cores e sons, os preparativos começam muito cedo. 

Os bares e restaurantes quase não fecham, pois, para preparar os atrativos da noite, comerciantes e funcionários estão prontos logo cedo, ou seja, nem bem a casa fechou, outra equipe já está trabalhando. 

Eugênio Francisco Cação, proprietário de um dos mais badalados restaurantes, o Boa Vista, comerciante no bairro há 26 anos, diz que a tradição noturna de uma casa começa nos preparativos da manhã. Ali, na esquina das ruas 11 de Junho com Pero Correa, onde funciona seu estabelecimento, sempre foi ponto de encontro dos amantes da noite, mesmo quando o bairro ainda era pacato, mas com a distinção de local preferido pelos boêmios. 

Na década de 40, naquele lugar funcionava o empório de Eleutério Teixeira, onde, à noite, os rapazes, vestidos de ternos, brilhantina nos cabelos e sapatos bico fino, paravam para namorar. Aquele ponto de encontro funcionou como Padaria continental, antes de chegar a ser o Restaurante Boa Vista. 

A especialidade da casa, naturalmente, são frutos do mar o ano inteiro. Como o restaurante funciona durante o dia e tem clientela que passa de pai para filho, nos fins de semana, durante o horário de almoço, a espera por uma mesa é recompensada pela delícia dos pratos servidos. 

À noite, o grande movimento começa a partir das oito horas, sem horário para acabar, e é nesse período que acontecem histórias pitorescas, como a de Maria Isabel Antunes e Hector Antunes, que se conheceram no Boa Vista em 1977. Voltaram a se encontrar no mesmo local dois anos depois. No terceiro encontro (1980), sempre em festas de fim de ano, começaram um namoro de três meses e logo em seguida se casaram. Garantem que o Boa Vista os uniu. 

"Uma pérola", exclamou o pesquisador Narciso Vital, quando na madrugada de 5 de abril de 1989, em companhia de seus colegas de trabalho da Câmara Municipal de São Vicente, Walter e Eliezer, este último jogou o que julgava ter sido uma pedra dentro de um marisco. Eles haviam se reunido para comemorar o final da exaustiva sessão de promulgação da nova Constituinte do município e, como sempre, escolheram o Boa Vista. 

De repente, Eliezer mordeu algo estranho. Tirou da boca aquela bolinha branca e jogou fora. Mas Narciso, ao ver a bolinha rolando, notou um brilho diferente. O fato foi notícia explorada pela imprensa e a pérola, hoje, é o símbolo de união entre os três amigos e obrigatoriedade de retorno "sempre" ao Boa Vista, onde o garçom Catarina, há 22 anos trabalhando com o proprietário da casa, é figura folclórica e das mais queridas pelos frequentadores do local. Com 67 anos, Catarina venceu várias vezes a tradicional "Corrida dos Garçons" (extinta) e sua rapidez e segurança no transporte de travessas, copos, garrafas etc. o tornaram famoso. 

Lá também está o garçom Edvaldo, há 21 anos. Muito parecido com o cantor Caubi Peixoto, é carinhosamente chamado pelos fregueses de Caubi, até pelas crianças. 

Em frente ao Boa Vista está o Panela de Barro, tradicional restaurante dançante. Sob a direção de José Luiz Severo (proprietário), a casa parece não saber o que é crise. Há dez anos Severo resolveu incrementar o restaurante, abrindo espaço para música ao vivo, e o sucesso foi geral. Em 1986, desmembrou o restaurante e, no andar superior, criou o Aconchego, local mais que perfeito para bufê e eventos, com ampla pista de dança, iluminação moderna, ar-condicionado e música. Muitas são as pessoas que às vezes não sabem se ficam na parte de baixo (Panela de Barro) ou se preferem o Aconchego. Em ambos os locais o serviço é excelente, com freguesia garantida, que costuma ficar na dúvida na hora de escolher um entre os quarenta tipos de pizzas oferecidos, pratos tradicionais de frutos do mar, churrasco e outros. 

Em frente ao Boa Vista e ao Panela de Barro está o Mares do Sul. Ainda na Rua 11 de Junho, a Morada do Sol, onde a pizza é muito disputada. Pouco antes dessa rua, o Restaurante e Pizzaria Lá em Casa, também com música ao vivo. O Restaurante Itapura, de larga tradição na cidade, funcionou durante muitos anos próximo à Ponte Pênsil. Agora está no bairro, com instalações recentemente inauguradas na Avenida Presidente Wilson. 

As opções para quem gosta de um chope, petiscos e bate-papo à noite não param por aí. Na Rua Messia Assu, assim como na 11 de Junho, inúmeros são os barzinhos, alguns funcionando durante 24 horas. Nessa mesma rua, bem no final, juntinho da pequena praia, uma barraca especial: a de Zulmira Abadia Prate que, para incrementar o local, montou um pequeno jardim, aproveitando algumas mesas e bancos que já existiam. Assim, sua barraca de petiscos, onde o peixinho frito na hora é uma tradição, é ponto obrigatório na noite do Boa Vista. (São Vicente 1532-1992) 

BANANADAS E QUEIJADINHAS 

Durante muitos anos – nas primeiras décadas do século passado- já fomos os maiores plantadores e exportadores de bananas do Brasil e, mesmo perdendo os vastos bananais para as fazendas e sítios do Vale do Ribeira, ainda somos grandes consumidores da fruta símbolo do Brasil. Somos loucos pelo derivados doces que foram sendo criados nas cozinhas domésticas e hoje vendidas em escala industrial. O estabelecimento comercial alimentício mais antigo de São Vicente é a Casa das Bananadas, instalado desde 1921 ao lado da Ponte Pênsil, indicando que os morros dos Barbosas, do Japui, Itararé e Vuturuá já foram grandes bananais. 



A Casa das Banadas, a mais tradicional doceria vicentina. 



Falando na antiga ponte suspensa que liga São Vicente à Praia Grande, cuja espera da travessia de mão única durava horas nas temporadas de verão, foi nas longas filas de carros que os turistas se habituaram a comer as famosas queijadinhas. Ali, perto da Ponte, o turista que vem a São Vicente nunca deixa de perguntar onde fica a Biquinha de Anchieta ou lugar onde se toma água pura e fresca e também se compra uma variedade tentadora de doces. (O Organizador) 

OS DOCES DA BIQUINHA RECEITA DE SUCESSO 



Box de doces da Biquinha: uma tradição que resiste á décadas. 


Os tradicionais doces da Praça da Biquinha são de encher os olhos e dar água na boca. Cocadas, maçãs do amor, bolos, tortas e pudins estão entre as atrações que encantam milhares de vicentinos e turistas. Para sete famílias, porém, os quitutes representam a principal fonte de renda. 

É o caso de Joanira Martins de Lima, de 58 anos. A vendedora trabalha no local há mais de cinco décadas e acompanhou as transformações no local ao longo dos últimos 51 anos. A alagoana iniciou sua relação com os doces ainda na infância. A irmã mais velha casou em São Vicente, trazendo consigo vários parentes. Sem emprego, logo a família encontrou na Biquinha uma oportunidade de geração de renda. 

“No começo, vendíamos queijadinhas, cocadas, quindins e bolos de mandioca e de milho, além de pipoca e tremoços”. 

Com o tempo, a família fixou a produção nos doces. E, em se tratando da Biquinha, Joanira já aprendeu que não adianta querer inovar. 

“A procura é sempre maior pelos produtos tradicionais, como cocadas, quindins e bolos de milho e de mandioca. Os turistas, por exemplo, já vêm com essa ideia fixa”. 

O valor dos doces é tabelado: R$ 7. Em dias de muito movimento, ela chega a vender mais de 120 produtos. Para atender esta demanda, a vendedora conta com a ajuda do irmão e da filha na produção dos quitutes. 

Trajetória – A história de vida da vendedora Luciana Pereira Silva, de 43 anos, também está relacionada aos doces da Biquinha. Antes de se casar, quando tinha apenas 13 anos, Luciana ajudava uma família a vender quitutes no local. À época, não imaginava o que o futuro lhe reservara: seus patrões eram parentes do seu marido. O casal absorveu o negócio da família. Atualmente, ela conta principalmente com a ajuda do irmão para fazer e vender os doces, uma vez que o esposo está doente e não pode mais ajudá-la. 

Luciana lembra saudosista dos tempos áureos da Biquinha, quando os turistas lotavam a praça em busca dos doces. “Principalmente das cocadas”, conta. O movimento, agora, é intenso na alta temporada, quando a família se empenha para dar conta do trabalho. 

“Eu tenho outras rendas, mas me mantenho com a venda de doces”. 

Se hoje os comerciantes estão estáveis na praça, nem sempre foi assim. 

Em 2013, os antigos boxes da praça pegaram fogo. Os comerciantes tiveram que trabalhar na Praça Vinte e Dois de Janeiro. 

“O movimento caiu bastante”. Porém, para ela, nos últimos dois anos a situação melhorou. “Conseguimos voltar para a Biquinha, que é o local de onde não deveríamos ter saído”, declara Joanira. 

Para Luciana o período é algo a ser esquecido. “Foi muito ruim. Quase falimos”. A principal reivindicação dos comerciantes é a construção de novos boxes. 

“Os clientes sempre reclamam que os doces estão expostos e muitos não compram por esse motivo”, destaca Joanira. 

“A Biquinha é um ponto turístico e precisa de investimentos para ficar cada vez melhor”, diz Luciana. 

Segundo a Secretaria de Projetos Especiais (Sepes), em breve terá início uma obra de revitalização do local. A principal intervenção será a criação de estruturas removíveis nas tendas. A Sepes irá fazer a logística de modo a interditar metade da Praça, num primeiro momento. Depois, a outra metade, segundo o secretário Adão Ribeiro. 

“Esse é um compromisso com o permissionário, eles não sairão de lá. Eles não podem ser penalizados”. (Site da Prefeitura Municipal)


DOCERIA ELITE, A RAINHA DO GUAMIUM-BITARU E DAS FILAS DA PONTE PÊNSIL




A Doceria Elite, fundada em 1960 foi um marco comercial do Guamium-Bitaru. A demanda de produtos era estimulada principalmente pela longa espera da fila da Ponte Pênsil. Os depoimentos a seguir foram extraídos de comentário de uma postagem publicada na página São Vicente de Outrora, comemorando os 60 anos da empresa familiar 

Emilia Gomes 

Doces Elite, fundada pelo meu pai Sr. Justino. Meus pais fabricavam doces caseiros sem conservantes como a bananada, doce de leite, cocada. etc. 

Maria Vitalina Fernandes Oubiña 

Meu tio deu início e desde pequena (14 anos) trabalhei na Elite, depois me mudei e retornei a trabalhar com meu irmão Antônio quando minha irmã Isabel infelizmente nos deixou. Lá os doces sempre foram feitos com qualidade e produtos de primeira, receitas caseiras com o principal ingrediente que era o amor pelo fazíamos, a Elite é mais que uma doceria, é a história de vida de uma família. 

Alberto Lang 

Emilia Gomes Saudades do seu pai, seu Justino e da sua mãe. Sua mãe sempre sentadinha na loja fazendo croche. Lembro de você, garotinha na época rsss... Morei em cima da loja de vocês por muitos anos, tempo bom. A Dona Emília gostava da minha mãe, sempre estavam conversando. E a bicicleta do seu pai, lembra? Muito legal. Saudades. 

Paulo Salaro 

Emília, morei no Bitarú dos 1960 a 1993. Mas nos 70 e 80, comi muito doce de leite e gostava da groselha geladinha vendidos na doceria. Você me serviu várias vezes essas guloseimas, entre outras! 

Mônica Fernandes Nunes 

O Padrinho do meu irmão Carlos Alberto Fernandes, os irmãos Antônio e Isabel(em memória), nossos primos de segundo grau, que ficaram por muitos anos na direção da doceria 

Marcos Lemes 

Oh meu Deus, minha infância foi por ali, por uma moedinha tomava-se um copo de groselha geladinha. O alge da Elite foi quando ainda não tinha a ponte do mar pequeno e a filha da Ponte Pensil era enorrrrrme 

Elaine Greg 

Sou suspeita em falar.... mas a melhor queijadinha, a melhor bananada, o melhor quindim eram feitos ali. Receita tradicional, caseira, feita com ingredientes naturais... doce de verdade. Eu e meus irmãos passamos a infância, adolescência ali. O cheiro e sabor de cada doce está em minha memória. Na verdade o cheiro daquela bananada ficava pelo quarteirão. Tempos gloriosos... Fiquei emocionada. 

Maria Vitalina Fernandes Oubiña 

Meu tio deu início e desde pequena (14 anos) trabalhei na Elite, depois me mudei e retornei a trabalhar com meu irmão Antônio quando minha irmã Isabel infelizmente nos deixou. Lá os doces sempre foram feitos com qualidade e produtos de primeira, receitas caseiras com o principal ingrediente que era o amor pelo fazíamos, a Elite é mais que uma doceria, é a história de vida de uma família. 

Emilia Gomes 

Emilia Gomes Maria Helena Fernandes Forli quanta história pra contar desses tempos. Lembro da maneira que faziam a bananada, doce de leite e todo maquinário utilizado. Tudo isso me fez relembrar de um passado embora de lutas mas também de muito aprendizado. Saudades dos meus pais. Estou muito contente e feliz. Esses depoimentos me trouxeram tempos gloriosos da doceria Elite. Verdade seja dita, doces feito com amor. Eu mesma, desde pequena, já trabalhava no balcão servindo os fregueses e embrulhado as bananadas. Saudades desses tempos gloriosos. Não posso deixar de agradecer por todos que fizeram parte dessa história. Minha prima Vitalina, minha segunda mãe que além de trabalhar na doceria também me mimava todos os dias. Meus pais foram pessoas guerreiras e de boa índole. Também não esquecendo do meu irmão José que transformou o sonho em realidade.



O TERRAÇO CHOPP

A linha do tempo da nossa trajetória




1969

ONDE TUDO COMEÇOU

Antes mesmo de tornar-se restaurante, no local havia uma casa residencial que foi adaptada para começar a funcionar o Terraço Chopp. Em frente onde era a garagem da casa, eram colocadas algumas mesas onde as pessoas chegavam e tomavam um chopp, pediam porções e apreciavam a vista.

1974

AMPLIAÇÃO DO TERRAÇO CHOPP



Durante o período de 1969 até chegar a 1974, foram realizadas as aquisições de terrenos vizinhos para construções das lajes, para onde seria ampliado o Terraço Chopp.


1979

INICIADA A CONSTRUÇÃO DA CANECA GIGANTE DO TERRAÇO CHOPP



Foi iniciada a construção da caixa d'agua em formado de caneca, que é o marco do Terraço Chopp, sendo possível ser avistada por praticamente toda orla da cidade de São Vicente e Santos.

1990

MODERNIZAÇÃO DA CHOPERIA



1995

REFORMA DE MODERNIZAÇÃO, MAS DESTA VEZ, DO RESTAURANTE TERRAÇO

É realizada a segunda grande reforma de modernização, mas desta vez no Restaurante Terraço.

2011

ÚLTIMA GRANDE REFORMA!



Foi realizada outra grande reforma de modernização do Restaurante Terraço Chopp para melhor atender os clientes.




RUFINO CASAL TREINA

Dalmo Duque dos Santos com Clóvis Vasconcellos


Rufino, sua esposa Lucy e um amigo em dos seus restaurantes da rede Rufinu's


Em meados dos anos 1960 e início dos anos 1970 a avenida Presidente Wilson era forrada de mansões de membros da classe alta, uma aristocracia formada por empresários e executivos  do Porto de Santos. A maioria deles era composta por estrangeiros; ingleses, franceses, italianos e noruegueses. Essa ocupação urbana  estrangeira já era do início do século e foi se espalhando  na antiga Vila Betânia  - atual bairro Boa Vista – e também foi marcada pela surgimento de estabelecimentos comerciais voltados especialmente para essa clientela sofisticada, como o próprio empório Boa Vista, que mais tarde se tornaria o célebre restaurante que funcionou durantes muitos anos na esquina da rua 11 de junho com a rua Pero Correa. Muitos outros estabelecimentos e profissionais de gastronomia  foram fundados e desenvolvidos nesse período de prestígio urbano e também de  euforia do turismo praiano em São Vicente. Foi nesse cenário que teve início a carreira meteórica de Rufino Casal Treina, um jovem imigrante espanhol que se tornaria um dos chefes de cozinha e empresários mais famosos do ramo de restaurante em São Paulo.  Rufino começou a vida como simples garçom nos raros restaurantes aristocráticos de São Vicente. Mas não era um garçom comum e se destacava entre os colegas pela sua postura européia, uma sofisticação de atendimento que lembrava a elegância e fineza dos profissionais italianos, muito em voga na época.  Rufino aprendeu rapidamente essa etiqueta ao atender esses grupos aristocráticos europeus que viviam na Presidente Wilson, Itararé e Boa Vista. À  essa experiência foi somada a sua memória de infância e juventude vivida em uma cidade espanhola do Mediterrâneo, em meio a comerciantes, marinheiros e pescadores. De São Vicente foi para Santos, Guarujá e finalmente subiu a serra para brilhar internacionalmente na rica e competitiva gastronomia paulistana. Tornou-se proprietário do Rufinu's, uma verdadeira griffe estabelecida nos melhores pontos comerciais da Capital.


RESTAURANTE LÁ EM CASA. 

O Restaurante Lá Em Casa ( Avenida Presidente Wilson esquina com a travessa para a Antonio Rodrigues) era um dos mais movimentados restaurantes, não só de São Vicente como de toda a Baixada. Por vezes era impossível achar uma mesa vazia. Fez parte da história de inúmeros vicentinos e turistas e deixou saudades, muitas saudades. Acervo da temponauta Fabiana Joenck. São Vicente de Outrora.

NOTA: O prédio onde funcionou o restarante foi ocupado nos anos seguintes pela Padaria Sensação e  atualmente pelo Banco Santader.
 

Acima funcionários encerrando a jornada da noite com uma refeição. Abaixo uma noite típica de ocupação completa das mesas.


SEIS DÉCADAS DO ITAPURA



O Restaurante Itapura iniciou suas atividades no início dos anos 60, localizado na Praça Barão do Rio Branco – na esquina das Ruas Martim Affonso e Jacob Emerick –, em São Vicente. 

Alguns anos depois, mudou-se para a avenida Newton Prado, próximo à Ponte Pênsil. O cardápio ‘à La Carte’ especializado em frutos do mar e peixes, e a vista ao mar eram pontos altos daquela sede.
Por volta dos anos 90, o Itapura fixou-se na Avenida Presidente Wilson. Junto à nova casa, veio também um novo serviço, transformado em ‘quilo’.
Após nove anos neste local, no ano de 1999, mudou-se novamente, desta vez para o número 917, da mesma avenida. Atualmente, em sede própria, o Restaurante Itapura conta com um ambiente amplo e familiar.


TUMIARU, CARTÃO DE VISITA NO GONZAGUINHA.


























Localizado no antigo salão de festas do Edifício Tumiaru, construído em 1948, o segundo mais antigo da Praia do Gonzaguinha, o restaurante do mesmo nome teve longa duração e vários proprietários. No local já funcionou pizzaria, lachonetes, bufês e mais recentemente uma espetaria .



















QUIOSQUE DA CRIS: TRÊS DÉCADAS DE LIBERDADE

Quiosque no litoral paulista vira ‘point’ de paquera GLS no verão

 
Quiosque da Cris, em São Vicente, atrai 4 mil pessoas por dia no verão. Clientes ressaltam liberdade e o respeito como principal atrativo do local.

Anna Gabriela Ribeiro

Do G1 Santos

Um quiosque em São Vicente virou ponto de parada 'obrigatório' do público GLS que mora e que visita o litoral de São Paulo durante o verão. O 'Quiosque da Cris' ficou conhecido no Brasil inteiro por ser um ponto de encontro do público GLS e, com o passar do tempo, passou a atrair turistas de países como a França, Itália e os Estados Unidos.

O quiosque fica na praia do Itararé e é resultado de uma tentativa ousada da proprietária Cristiane Lopes Lorca. “Há 25 anos eu abri meu próprio negócio. Era só um carrinho de pastel. Não era a intenção inicial ser um point GLS, mas as pessoas se identificaram com o meu jeito. Eu sou gay e isso acabou atraindo este público. Hoje o quiosque é um sucesso’, afirma Cris.

Ela conta que já sofreu muito preconceito e, em determinado momento, chegou até a ser agredida. Apesar disso, ela afirma que hoje em dia o local é frequentado por famílias que buscam o bom atendimento e a liberdade de comportamento. “Aqui rola muita paquera, porém, eu estou sempre em cima, de olho. Não admito pegadas mais fortes entre os casais, porque acho que tem que haver um respeito com as outras pessoas. Se queremos ser respeitados, também temos que respeitar”, diz Cris.

E é o respeito e a liberdade que os clientes mais ressaltam quando questionados sobre o que os atrai ao local. “A liberdade de andar a vontade, sem preconceito, poder andar de mãos dadas com o seu namorado, sem se preocupar sobre o que estão pensando. Isto é o melhor do Quiosque da Cris”, afirma o estudante André Salmazo.

Vários grupos de turistas vão ao local, como os amigos Túlio Ferns, Dennys William e Henrique 
Sprocatti, de Jundiaí (SP). Eles ressaltam o bom atendimento e afirmam que a paquera é ponto forte no local. “Daqui só sai solteiro quem quer. Rola muito paquera. Tem muita gente interessante”, conta Henrique.

O quiosque da Cris atrai pessoas jovens e casais mais velhos, como Thalys Garcia e Cláudia Costa, que namoram há dois anos. “Gostamos de vir aqui pela base GLS, pela segurança, por saber que são todos iguais”, diz Thalys.

Para chegar ao local é bastante fácil, já que o Quiosque da Cris é decorado com as cores da bandeira GLS. Segundo a dona do quiosque, Cristina Lorca, o point atrai turistas de diversos países, como França, Itália e Estados Unidos. “No réveillon recebemos um grupo da California, que nos presenteou com uma bandeira do estado que tem as cores do arco-íris”, diz Cris.

POINT LGBT MAIS POPULAR DA REGIÃO




Além do quiosque, o local também possui uma barraca de praia


BLOG BAIXADA EM CORES - 2012


Uma bandeira de dois metros do arco Iris hasteada em plena praia do Itararé, em São Vicente. É assim que há 25 anos o Quiosque da Cris é o estabelecimento mais famoso da Baixada Santista.

Voltado para o público LGBT, o quiosque ainda reúne heterossexuais, famílias, crianças e até idosos. Assim garante a proprietária, Cristiane Margarida Lopes Lorca, ou como todos a conhecem, Cris.

A autônoma contou que começou na areia do Itararé com o carrinho de pastel, depois se instalou com o trailer, chamado “Mudança Radical”, e após as construções da Prefeitura, quem tinha o trailer ganhou o direito a um quiosque, que desde então já faz 15 anos.

Após hastear bandeira de dois metros do arco Iris, Cris resolveu começar a lutar pelo público e pelos direitos e atualmente é vista como exemplo. “Não imaginava ter um estabelecimento voltado a este público. De repente vi que eles precisavam de um cuidado e uma proteção. E fui essa pessoa que tinha que os proteger. Foi então que comecei a cuidar deles, hoje eles fazem parte da minha família, tenho carinho e respeito por todos e tudo isso faz com que eles continuem frequentando, eles são super fieis”.

Nascida em Bauru e criada em Campinas, interior de São Paulo, Cris é frequentadora de São Vicente desde seus 10 anos de idade, onde passava as férias e o final de semana. “Sempre gostei de São Vicente, eu vim atrás de um sonho. Um dia estava de férias, curtindo e vi um carrinho de praia e me interessei. Foi aí que tudo começou. Joguei tudo para o alto e vim para cá. Acordava às 3 horas da manhã para fazer pasteis e depois ir para a praia”.

Os preços se sobressaem com a qualidade dos produtos. Segundo a proprietária, ela gosta de servir com a mesma qualidade em que quer ser atendida quando sai. “Eu gosto de comer bem. Então, nada mais justo servir bem. Aqui tem uma boa alimentação, eu me preocupo com a qualidade. Tudo isso faz com que o publico venha para cá. São pessoas que eu respeito muito, porque ele vem ate minha casa e tenho que esticar o tapete vermelho pra eles. Dar uma boa comida, bom atendimento, cerveja gelada”.

Frequentadora assídua do local, C.H., de 50 anos, é uma daquelas que se sente em casa quando o assunto é o quiosque da Cris. Ela conta que conheceu o estabelecimento em sua adolescência, e continua indo devido à forma em que é recebida. “Hoje, a Cris se tornou uma amiga minha. Sempre sou bem recebida aqui”, aponta.

Quem compartilha a mesma ideia é a professora C.S, de 26 anos. Ela conheceu a namorada no quiosque e no dia em que o Baixada em Cores esteve no local, comemorava seu noivado, com a presença de sua mãe e amigos. “Estou muito feliz por ela, emocionada, e nem consigo segurar as lágrimas. Só desejo felicidade nessa nova caminhada”, explicou a mãe, D.S.A, emocionada.

Entre os pratos mais pedidos está a cebola empanada, no valor de R$ 35 a porção inteira, e R$27 a meia; a linguiça na cachaça, a R$45 (porção inteira); e o salmão ao molho de maracujá, servido na companhia de arroz, por R$ 58. Já com os drinks, o destaque vai para o beijo gelado (vinho tinto suave, leite condensado, morango, halls extra forte), por R$17; Capeta (morango, licor de cacau, vodka, leite de coco, leite condensado, canela e guaraná), por R$18.

O quiosque da Cris, a Avenida Ayrton Senna da Silva, quiosque 1B, para mais informações no telefone 3466-4868 ou no site http://www.quiosquedacris.com.br. O horário de funcionamento é de segunda a quinta-feira, das 9 h às 2 horas da manhã; de sexta-feira e sábado, 24 horas e aos domingos, das 7 h às 2 horas da manhã.

A Cris – Umas das personalidades mais conhecidas do mundo LGBT de São Vicente e região, a Cris assumiu sua homossexualidade aos 18 anos. “Com seis anos de idade, eu já paquerava minha professora no pré-primário. Eu não era gay assumida. Tive namorados, vários, era muito namoradeira. Depois que conheci uma menina, percebi realmente minha afinidade era por mulheres”, disse descontraída.

Lorca disse que sua família foi descobrindo aos poucos. “Eu comecei contando para uma irmã, que contou para outra, que chegou mais próximo da mamãe e contou a ela. Eu nunca dei bandeira, sempre fui menininha e comportadinha”, relatou.

Ela conta que mais ou menos há 30 anos muitos viviam dentro do armário e que por isso respeitava muito a família. “As namoradas iam em casa, mas sempre como amigas, nos comportávamos, nunca tivemos intimidades frente a minha família”, revelou.

Embora namoradeira quando adolescente, após se assumir gay, Cristiane teve apenas três relacionamentos sérios, um de 12 anos, outro de 7 anos, e hoje é casada há 10 anos, com a Helisa.

Mesmo com a fama e reconhecimento, ela revela a receita do sucesso com o público LGBT. “Eu amo meu trabalho, por isso me dedico tanto. Essa é minha vida e não consigo mais viver sem”.