Carlos Martins Nabeto: "O DKW creme era do meu pai. O caminhãozinho provavelmente era de algum fornecedor do Restaurante Cotia. As duas lojas laterais estavam ocupadas: a primeira, pela quitanda do Sr, Jorge Kazuo Ono; e a segunda, pelo Comércio de Cereais Tatuí, do Sr. Amado, que posteriormente mudou-se para o outro lado da avenida, mais precisamente para a Av. 9 de Julho nº 50, e depois, já no início da década de 90 abriu o Supermercado Tatuí, na Av. Antônio Emmerich, onde hoje é o Mercadão de Carnes Marquesa."
O velho curtume de São Vicente, localizado na av. Tupiniquins, 727, foi construído pouco antes de 1914, pela família Cardamone. O lugar abrange uma área de 69 mil metros quadrados, dos quais 3.200 são de área construída.Composta por um conglomerado de casas, com destaque para a construção central, sede da indústria, um imponente prédio branco com janelas verdes, entre as árvores e a encosta do Morro de Paranapuan, pode ser visto por quem passa pela av. Tupiniquins. O curtume continua atraindo a atenção!
Para se chegar à sede da antiga empresa havia um longo caminho a ser percorrido. Depois, a grata surpresa de ver as casas que serviam de morada aos antigos funcionários, no mesmo padrão de pintura do edifício principal, construídas para agilizar a produção, facilitar a vida dos funcionários e propiciar um melhor inter-relacionamento das famílias. Foram também construídos, para lazer dos trabalhadores, um campo de futebol e a sede de um clube esportivo.
O curtume Cardamone funcionou em São Vicente por cerca de 60 anos. Durante esse período, chegou a empregar 400 funcionários. Seus produtos eram comercializados em todo o mundo e, numa exposição na Alemanha, recebeu o couro produzido no curtume o título de melhor do mundo.
Porém com a desativação do matadouro de gado em Santos, o estabelecimento entrou em fase de decadência devido à escassez de matéria-prima.
Desde 1991 os locatários da área deram início ao processo de recuperação do local, começando, obviamente, pela sede principal. O proprietário desde 1978, Carlos Farina, que faleceu em 16/2/91 na cidade de Jundiaí, sempre demonstrou interesse na preservação não só dos prédios como também da maquinaria. Com sua morte, porém, os imóveis deixaram de receber a manutenção necessária e se encontram bastante deteriorados.
Hoje a área está tombada pelo Parque Estadual Xixová-Japuí, através do artigo 22, Decreto-Lei 25.341/86.
FONTE: Boletim do IHGSV
Curtume do Japuí, nos documentos do SPU
Estas raras imagens do antigo Curtume do Japuí foram garimpadas nos arquivos do Serviço do Patrimônio da União (SPU) em Santos pelo arquiteto Ronney Van Opstal Martins da Costa, que as enviou a Novo Milênio em 2018. As fotos não estão datadas (possivelmente datem da década de 1950), e algumas possuem a indicação de serem de Itaquitanduva, área posteriormente incorporada na descrição do bairro Japuí. Site Novo Milênio
SÃO VICENTE NOS ANOS 1950-1960
Neide Andrade
Praça Barão do Rio Branco, esquina com a rua Frei Gaspar.
Moro no Rio, mas nasci e me criei em São Vicente. Conheci diversas pessoas e lugares como a Alfaiataria Argentina, em frente ao Bar Seleto ( Fuminho) , de meu padrinho José Saguir e onde meu pai , Lydio trabalhava. Ao lado existia uma garagem imensa que era a Bacal, mais tarde mudada para o lado da ponte em frente à praça (viaduto e praça da Bandeira). Esta garagem depois foi a Sears por uns dois anos.
Na Farmácia Anchieta, ao lado do Bar Esporte existia um banco onde alguns frequentadores se reuniam e era chamado de banco da calúnia ( muita fofoca era feita ali). O Sr. Novaes , dono da farmácia era uma pessoa doce e competentíssima.
Nasci no prédio onde funcionava a primeira Alfaiataria Argentina, na Rua Frei Gaspar ( entre a praça e a rua XV) em frente a loja do Sr. Abrão.
Meu padrinho José Saguir e patrão de meu pai , era irmão do Jamil Saguir, dono do Mundo das Sedas em Santos. A filha do Jamil é Norah que junto com o marido, creio que Namor, abriu uma loja bem em frente à praça.
Mais tarde meu pai construiu uma casa na antiga rua 8, hoje Catalão, na Vila Voturuá onde fui criada. Lá tive uma infância muito feliz, árvores, catar peixinhos nas águas que desciam da caixa d’água, brincar nas ruas de terra. Estudei na escola que funcionava no Horto e depois no Martim Afonso.
Bem jovem fiz curso de datilografia na escola que ficava num sobrado bem antigo na Rua XV ao lado da casa dos Hourneaux, máquinas bem antigas e duas irmãs idosas ensinando. Com isso fui trabalhar no escritório do Vittorio Fioretti no prédio em cima das Pernambucanas - do Sr. Teixeira, que também era dono da pedreira e da fábrica de blocos de concreto próximo à minha casa, ele tinha um Impala azul, lindo e passava pelo bairro.
Na porta do Bar Seleto meu pai e o Fausto, da loja Tic Tac. A Sorveteria Paulista já havia fechado.O Fioretti era construtor e fez diversos prédios no centro, o Laura na Rua XV , o Romiti na João Ramalho, Miramar e outros.Ele era casado com a Milena Malagoli, filha do Sr. Malagoli, irmã do Danilo e Rudgero – que estudou comigo- e morava numa casa grande na Padre Anchieta em frente à antiga telefônica, ao lado da casa dos Politi.
Após o Fioretti, fui admitida na Sears que estava abrindo em São Vicente, transferida para a loja de Santos e por último trabalhei como secretária na Union Carbide , quando casei e me mudei de São Vicente.
Conheci bem aquele centro, a Alfaiataria já na Martim Afonso era um ponto de encontro, Carlos Alemão, Moacyr Dias, e muitos outros participavam das conversas.
Nos fundos do Bar Seleto morava o Beco, que consertava de tudo.
Em cima da Bacal , onde após a morte de meu padrinho, meu pai e minha mãe, Lourdes, abriram um atelier, ficava o Sr. Eloy, fotógrafo e a sala do José Pires Nobre, despachante.
Lembro-me do Custódio, dono do Bar Esporte, elegantérrimo, cabelos grisalhos, sempre impecável, um gentleman.
Assisti ,quando muito nova, as sessões de cinema no alto da Royal, tomei muito sorvete na Paulista do Armênio, adorava as balas de alcaçus.
Eram tempos muito felizes, com pouco nos divertíamos muito. Aos domingos meu pai nos levava ao Beira Mar e nos ensinava a jogar damas, já adolescente lá mesmo ia aos bailes ( com as mães todas nas mesas) .

RAÍZES E UM CÍRCULO DE 40 GERAÇÕES
Não consigo especificar um tempo marcante, todas essas fases tiveram sua importância e tenho sempre boas memórias delas. Faço 73 anos em breve e como minha família continuou morando aí, atualmente próximo ao Gonzaguinha , até hoje visito a cidade, onde estarei no mês de junho . Meus filhos, criados no Rio de Janeiro adoram São Vicente. As lembranças das visitas à avó, do tempo que eram pequenos, no quintal de meus pais, os parques de diversões na Itararé, a praia calma, os doces e o tremoço da Biquinha são objeto de divertidas lembranças quando nos juntamos.
Senti que precisava saber mais da história de meus antepassados, comecei por um levantamento do meu lado materno que chegou ao Brasil em 1914, cheguei até 1600.
Hoje tudo está disponível na internet.
Resolvi então fazer minha linhagem do lado paterno, surpresa e espanto, acabei chegando, comprovadamente através de documentação , arquivos da Igreja Católica disponíveis na Arquidiose de São Paulo, tratados de genealogia, crônicas de Pedro Taques ( nome da rodovia), testamentos , através de diversas linhagens , a comprovar que :
Sou descendente direta de Martim Afonso através de sua filha Isabel, de João Ramalho/Bartira através dos filhos Joana, Catarina e Andre, e consequentemente de Tibiriçá e Guaianá A myi Paguana ( 16 gerações), de Garcia Rodrigues e Isabel Velho, que vieram para o Brasil na frota de Martim Afonso através do filho Antônio Rodrigues Velho e da filha Isabel, de Antônio Carneiro Bicudo e muitos outros personagens da história da fundação de São Vicente.
Enfim, tenho que pedir a benção à diversas placas de rua em São Vicente.Tenho bandeirantes, alcaides, militares nas linhagens. Ao longo de 500 anos saíram de São Vicente para São Paulo, e dali pra o interior até o ramo de meu pai, os Andrades, chegar à Itatinga onde ele nasce e com vinte anos vem para São Vicente, sem ter a mínima ideia de seus laços com a cidade, fechando o círculo. Nesse levantamento cheguei aos antepassados até a 40ª geração. Um mapeamento de DNA comprovou: lá estão meus índios, meus portugueses, meus espanhóis, francos, italianos, enfim toda a Europa e muitos judeus.
CASINO DE SÃO VICENTE
Cassino de São Vicente. 1945. Entrada principal e Salão de Jogos.
O POSTO E LOJA MONUMENTO
"A foto é de 1965 e retrata a inauguração do Posto Monumento de onde derivou o hoje Monumento Shopping Car e mostra além de seu proprietário Armindo Coelho da Silva, o saudoso Monsenhor Geraldo Borowski, então Pároco da Igreja Matriz de São Vicente. Cinco anos depois era inaugurado o hoje existente Monumento Shopping Car sob o comando do mesmo proprietário e empreendedor empresário". (IHGSV)
Helena Fraga lança “A grande travessia”, biografia do pai Armindo Coelho da Silva
Da Redação
Quando uma história de vida é repleta de exemplos a serem seguidos e impacta pessoas ao seu redor no dia-a-dia, faz-se necessário que seja perpetuada nas páginas de um livro e possa atravessar fronteiras.
Foi assim que nasceu a obra biográfica “A grande travessia – uma vida de fé, garra, amor e determinação” que conta a biografia de Armindo Coelho da Silva, escrita por ele e pelas mãos de sua filha, a escritora e empresária Helena Fraga.
Herminda e Armindo Coelho iniciando ninho de fé e trabalho.
“Seo Armindo”, como é conhecido, é um português de alma abrasileirada que ainda jovem deixou a terra natal em busca de prosperidade além-mar. Atravessou o oceano e desembarcou no Brasil em meados da década de 50 e depois de realizar diversos ofícios, com sangue empreendedor quando o termo “empreendedorismo” não estava tão em evidência como hoje, começou seu próprio negócio.
O vendedor de bolinhas na feira logo montou sua própria barraca e depois de mudar de ofício algumas vezes, sempre dando um passo maior no crescimento, tornou-se dono de um grande império do segmento motor no Litoral Sul de São Paulo. E não poderia estar mais orgulhoso, pois tem seus dois filhos e netos atuantes ao seu lado nos negócios.
Coragem, resiliência, fé, amor, otimismo e empreendedorismo são a combinação de elementos que despertarão a atenção do leitor levando-o da emoção à reflexão e inspiração. Afinal, é sempre motivador conhecer experiências de vida que não se deixam vencer pelos obstáculos e mostram que com foco, garra e determinação todos os objetivos podem ser alcançados.
*
VILA BETÂNIA E O EMPÓRIO BOA VISTA)

Um dos registros mais antigos da orla de São Vicente, no início do século XX. O Boa Vista (Vila Bethânia) a partir da Ilha Porchat. Um automóvel trafega na praia do Itararé em direção à baía (futura praia dos milionários). Também conhecida como Vila dos Estrangeiros, nela residiam as famílias europeias que atuavam no comércio portuário de Santos. Segundo o memorialista Fernando Martins Licht, o nome original do bairro Boa Vista era vila Bethânia, núcleo residencial também conhecido como Vila dos Estrangeiros, pois ali residiam as famílias muitas famílias euroéias e tambés aristocratas brasileiros: Hayden, Van Pfhul, Gieseler, Borm, Nobling, Kealman, Grieg, White, Reipert, Kaiser, Meireles, Alfaya, Copenhaguen, Veridiano, Proost, Porchat. Eram proprietários das vivendas mais requintadas da cidade, bem como o famoso empório comercial Boa Vista. O ex-presidente Washington Luiz, o empresário de calçados e médium Carmine Mirabelli, os ex-prefeitos Rodolfo MiKulash e Charles Dantas Forbes e a fazendeira e empresária Theolina "Sinhá" Junqueira (de Ribeirão Preto) tinham mansões no bairro entre os anos 1930 e 1960. Veranistas abastados do interior e da capital foram sendo atraídos pela beleza natural da orla construindo mansões que anos mais tarde seriam demolidas para dar lugar à verticalização dos edifício de apartamentos. Estes últimos, notadamente de famílias aristocráticas e projetados por famosos arquitetos paulistanos.
SECCOS E MOLHADOS JOÃO & ADÃO ROSA
A "Mercearia" existente na Rua Frei Gaspar no
local onde hoje está situado o Centro Comercial Gonzaguinha no ano de 1930, de
propriedade do Sr. Adão e do Sr. João Maria Horta. Secos e molhados, armarinhos
e até medicamentos eram vendidos no local. Postagem do IHGSV foram lembrados
diversos estabelecimentos similares, alguns mais recente e outros mais antigos,
mas todos desaparecidos com a dinâmica comercial urbana.
***
Silvio Elizei: São Vicente
tinha várias mercearias: a já citada Márcia ( que vendia um pão italiano
perfeito, Rua Padre Manoel 19); Cruzeiro (Pça João Pessoa 58 ), algumas dentro
do Mercado Municipal; Rada, (na Martim Afonso 209); Laticínios São Vicente (
Frei Gaspar 466) Tamandaré ( Visconde de Tamandaré 257); Dell'erba (Padre
Anchieta 28); Alvinegro ( Agostinho Pereira P. Jr c/ Marquê de S. Vicente);
quatro que não lembro o nome ( José Bonifácio 471, João Ramalho 1133, Antônio
Emmerich 15 e Frei Gaspar 317 ), também tinha Morumbi ( Pres. Wilson 42 e São
Tiago ( Lima Machado 515) - essas duas tinham donos que sofriam de megalomania
e intitulavam-se como supermercado. Poucas ainda resistem, como a Nova Era (Bento
Viana 291 ) e a antiga venda do seu Zequinha ( 13 de Maio 573), mas nenhuma
marcou tanto quanto A Casa da Bolacha, da folclórica Dona Fernanda ( Marquês de
S. Vicente 217-221). Sempre que passo em frente tenho a impressão de ouvir os
gritos da saudosa portuguesa.
Domingos Pardal Brás: Todas estas são posteriores. A primeira, de fato foi a Casa do Antão, de propriedade do Capitão e intendente Antão Alves de Moura, inaugurada em 1900 junto a praça Barão e 'falida' em 1917 quando foi adquirida por Franklin Alves de Moura, seu sobrinho

Padaria Rio Branco. Rua XV de Novembro esquina coma rua 13 Maio. Década de 1930. Nos anos 1950, a andar superior foi a primeira sede do IHGSV.
Foto batida no dia 14 de julho de 1929, data da inauguração do Mercado Municipal de São Vicente, pelo prefeito José Meireles. Construído na Praça João Pessoa no local da antiga Casa de Câmara e Cadeia. IHGSV.
Lançamento do empreendimento Belvedere Mar Pequeno no Japui, nos anos 1960. O loteamento foi realizado na propriedade de Luiz Antônio Barreiros, bananicultor e ex-presidente da Associação Comercial, Agrícola e Industrial de São Vicente. Atrás da placa de lançamento vê-se ainda parte do bananal cuja produção era exportada para o Uruguai e Argentina. Empreendimento , segundo familiares, não teve o resultado esperado por ter sido lançado no início de 1964, perído de granbde instabilidadae politica e econômica no Brasil.
Acervo familiar: Lilian de Santana Botelho.
Antônio Luiz Barreiros e o genro e engenheiro Ismar de Santana Azevedo, de paletó e gravata, acompanhados de autoridades no lançamento do empreendimento Belvedere Mar Pequeno.
OS BANANAIS DE ANTÔNIO LUIZ BARREIROS
A biografia de Luiz Antônio Barreiros (1890-1971) confirma que os portugueses continuaram sendo os grandes propulsores do desenvolvimento de São Vicente, em diversos contextos históricos após a colonização. Por iniciativa do vereador Jaime Horneaux de Moura, recebeu no ano de 1971 o título de Cidadão Vicentino, em reconhecimento aos serviços prestados à comunidade. Era casado em primeiras núpcias com Isabel da Encarnação Barreiros e em segunda núpcias com Ana de Deus Barreiros, tendo muitos filhos, netos e bisnetos.
Lílian de Santana Botelho, neta, lembra do avô como pioneiro, empreendedor e com reverência aos antepassados:
"Sou filha de Prazeres Barreiros de Santana Azevedo , sua filha mais velha , que ele tinha um imenso orgulho por ser a primeira médica da Baixada santista. Mamãe se formou em 1953 na então capital do país, Rio de Janeiro na UFRJ. Mamãe foi também uma pintora premiada. E eu sou médica como ela e meu irmão Sérgio Barreiros de Santana Azevedo, diplomata casado com a embaixadora atual da Guatemala,. Sua descendência inclui quatro netos da mamãe e inúmeros outros dos outros filhos".
O neto Sérgio Azevedo guarda na memória a imagem forte e influenciadora do agricultor vicentino:
"É meu avô. Era um sujeito extraordinário. Chegou ao Brasil com tostões no bolso e em 10 anos já era um dos maiores exportadores de banana para a Europa. Venceu na raça e na coragem como muitos que ajudaram a construir o Brasil..."
Comentando as lacunas da nossa postagem sobre o agricultor na página São Vicente na Memória, em 17 de fevereiro de 2021, a neta Tânia Mara identificou assim as raízes europeias do pioneiro:
“Meu avô nasceu em 11 de setembro de 1890, em Seixo do Coa, Guarda, Portugal. Faleceu em março de 1971. Seus filhos da primeira núpcias eram Prazeres, Rosa e Miguel. Da segunda núpcias, Gloria, ainda viva . Sou filha dela”.
Radicado em São Vicente desde o início do século XIX e morador do bairro do Japui, Antônio Luiz Barreiros tornou-se o principal proprietário daquelas terras da área continental , lado orla , e também na área insular onde adquiriu parte das terras que já eram conhecidas como Esplanada e Caminho dos Barreiros, desde a época do Império. Tornou-se o maior produtor e exportador de banana de São Vicente, atividade econômica que era uma das mais importantes da Baixada Santista e cidades do litoral sul entre as décadas de 1910 e 1960.
Comentários - São Vicente na Memórias
Sergio Lapa: Bonita historia, tive o prazer de conhecê-lo.
Rosana Maria Louza: Sou neta
Olivia Goulart: Quando cheguei de Portugal em 1958 já está em lá a muito tempo.
Marisa Claudia: Lembro muito dele. Legal saber um pouco mais do bairro onde nasci
Roberto Sidney Rufino: Nossa adorei saber um pouco da história do Japui
Mirian Montagni de Bakker: Saudades da minha infância.
Márcia Barreiros: Meu bisavô
Patricia Romano: Maria Beatriz Barreiros Romano é da família?
Mirian Montagni de Bakker: Renato de Bakker Victor Bakker e Leonardo Bakker bisavô de vcs ...
VitorBakker Seu trisavô.
Gabriel Barreiros: Regina Berenice olha o meu trisavô aqui!
Adriana Ferreira: Gabi Absolon , que legal !!
Lilian De Santana Botelho: Meu avô. Empreendedor. Pioneiro. Sou filha de Prazeres Barreiros de Santana Azevedo , sua filha mais velha , que ele tinha um imenso orgulho por ser a primeira médica da Baixada santista. Mamãe se formou em 1953 na então capital do país, Rio de Janeiro na UFRJ. Mamãe foi também uma pintora premiada. E eu sou médica como ela e meu irmão Sérgio Barreiros de Santana Azevedo, diplomata casado com a embaixadora atual da Guatemala. Sua descendência inclui quatro netos da mamãe e inúmeros outros dos outros filhos. Reverência aos antepassados.🙏
Vera Cintia Alvarez: Que orgulho. Sou casada com um filho da Dr. Prazeres, médica e pintora, o Sérgio
Barreiros Azevedo, diplomata. O velho Barreiros foi um exemplo.
Tania Mara: Meu avô: nasceu em 11 de setembro de 1890, em Seixo do Coa, Guarda, Portugal. Faleceu em março de 1971. Seus filhos da primeira núpcias eram Prazeres, Rosa e Miguel. Da segunda núpcias, Gloria, ainda viva 🙏🏻 . Sou filha dela.
Sergio Azevedo: É meu avô era um sujeito extraordinário. Chegou ao Brasil com tostões no bolso e em 10 anos já era um dos maiores exportadores de banana para a Europa. Venceu na raça e na coragem como muitos que ajudaram a construir o Brasil...
Paulo Salaro: Interessante matéria, não sabia disso! 👏👏👏

Na mesma postagem, comentando sobre alguns equívocos do texto sobre a relação do avô com a São Paulo Railway, a outra neta, Rosa Maria Louza, esclareceu que o avô não utilizava a ferrovia para transportar a produção de banana nem tinha relação alguma com a Ponte dos Barreiros:
“As bananas eram transportadas por caminhões. As filhas dirigiam dentro do sítio e meus tios levavam para o porto. Naquela época não tinha estufa e, quando o navio entrava na barra, os funcionários e família embalavam. Acho que o Cardamone, Rene Cocito entre outros tinham até uma parte no sítio, que era do Parque Balneário (arrendado, em troca meu avô tirava todo o lixo do Hotel e a lavagem da cozinha, que servia para alimentar os porcos) e acho que do Santos futebol Clube, onde ficava a olaria. Na época ele tinha duas filhas que moravam no Rio de Janeiro,onde uma delas fazia medicina. Ela foi a primeira médica do sexo feminino em São Vicente. Elas tinham que vir para o sítio para ajudar no embarque das bananas porque se não ajudassem não tinha dinheiro para voltar. Vinham de avião e desciam na base aérea do Guarujá”
Na década de 1940, já bem estabelecido, Antônio Luiz Barreiros torna-se figura muito expressiva na sociedade vicentina como amigo e benfeitor da cidade. Foi um influente parceiro na administração do prefeito José Monteiro. Nesse período participa da fundação do Esporte Clube Beija-Flor, do qual foi seu segundo presidente. No Japui também foi de certa forma responsável pela criação da escola estadual que leva o seu nome, tendo sido o doador do terreno onde o estabelecimento foi construído. Também foi um dos fundadores e 2° Presidente da Associação Comercial, Agrícola e Industrial de São Vicente, representando a bananicultura.
A LOJA J. CORVELLO
Benedito Calixto. Óleo sobre tela de 45x70 cm, que mostra as antigas ruas Meridional e Setentrional, que depois dariam lugar à Praça da República, tendo ao centro a loja de armarinhos do comerciante J. Corvelo, imigrante açoariano vindo para Santos em 1855 cujos filhos, também nascidos em Açores (Terceira Ilha), herdaram a loja e depois a liquidaram. O prédio foi demolido. Raimundo Gonçalves Corvello permaneceu na cidade, destacando no comércio e na sociedade santista; e Theotônio Gonçalves Corvello estabeleu-se em São Vicente, também com grade destaque comercial, político e humanitário. Aqui investiu seu capital basicamente no ramo imobiliário, como por exemplo a esquina da Praça Barão com a rua Martim Afonso.

OS IRMÃOS CORVELO. Theotônio Gonçalves Corvello e Raimundo Gonçalves Corvello nasceram em Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, arquipélago dos Açores. Eram filhos de João Gonçalves Corvello e Luzia Corvello. A família veio para Santos por volta de 1855, estabelecendo-se com loja de fazendas e armarinhos. A Casa Corvello & Filho ficava inicialmente na Rua Septentrional n. 20. Sucedendo ao pai e, depois, liquidando a firma, Raimundo estabeleceu-se no Largo do Carmo com um armazém, negociando também com bilhetes lotéricos. No mesmo largo, montou depois o chalé denominado "Casa da Fortuna", especializado em loterias. Theotônio veio para São Vicente, aplicando seu capital no ramo imobiliário.Os dois irmão eram muito cultos e voltados para as artes, incentivando eventos e protegendo artistas. A pianista Georgina Moura (mãe de de maurício e mauricy Moura; também professora de César Camargo Mariano, que ná época residia no centro, na rua Frei Gaspar) foi umas das tuteladas de Theotônio Corvello.
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NOS TEMPOS DAS MERCEARIAS. "Esta foto foi publicada em 1956 no S. Vicente Jornal e mostra o estabelecimento Casa da Sogra, que funcionava na Praça 1º de Maio nº 38. O proprietário era Martinho Albano Rodrigues Cró.". Alessandro José Padin Ferreira
A Casa da Sogra cresceu, assim, de1963 a 1966, onde hoje está o Bradesco da Antônio Emmerich, existiu o Supermercado Da Sogra, o primeiro inaugurado na cidade. E até meados dos 90, onde estava a Casa da Sogra, funcionou um outro estabelecimento pertencente à mesma família: a Avícola da Sogra. São Vicente de Outrora.
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DA FOME EM PORTUGAL AO SUCESSO EM SV
Os irmãos portugueses Ulisses (direita) e Celestino (esquerda) escaparam da fome e mudaram de vida no Brasil. Foto: Rodrigo Montaldi/DL.
As ruas do Centro de São Vicente ainda eram de terra quando o jovem português Ulisses Alves Domingues, então com 15 anos, chegou à primeira vila do Brasil. O ano era 1961 quando ele deixou em Portugal o pai, a mãe, cinco irmãos e a fome para trabalhar na mercearia de um tio distante no Brasil. Mais de meio século depois daquela viagem de 10 dias de navio e o sonho de uma vida melhor, o rapaz, que tinha apenas o quarto ano do primário, se tornou um importante empresário e dono de um dos principais supermercados do município, o ‘Ao Fiel Barateiro’.
“A miséria era muito grande em Portugal, que ficou arrasada depois da guerra. Minha mãe dividia uma lata de sardinha para nós, isso quando tinha. A gente não tinha muita opção naquela época. Tinha de trabalhar ou estudar. Eu tive que trabalhar bem cedo na lavoura para ajudar o meu pai. A gente não tinha muita coisa, mas éramos muito felizes”, disse Ulisses. Preocupado com o futuro do filho mais velho, o pai de Ulisses enviou cartas para parentes em outros países, na esperança que alguém pudesse lhe ajudar. “Foi para um que morava na África e outra para um tio do meu tio que morava no Brasil. O do Brasil respondeu e disse que eu poderia vir para trabalhar”, relembrou o empresário. Com uma carta na mão, Ulisses embarcou rumo ao Brasil de navio. Até então nunca havia saído da aldeia onde nasceu e foi criado. Foi recebido por esse tio no Porto de Santos e com ele foi morar no Centro de São Vicente, onde imediatamente começou a trabalhar na mercearia da família, que ficava na esquina das ruas XV de Novembro e João Ramalho. “Não tinha salário. Tinha comida e casa para dormir. Trabalhava dia e noite. Fazia de tudo. Empacotava, entregava compra de bicicleta. Naquela época só tinha o bonde que passava na Rua Frei Gaspar. O trem carregava os bois que iam lá para o Matadouro. A maioria das lojas que tinha no Centro era de portugueses”, disse.
Sete anos depois, o tio de Ulisses, como prometido, deu entrada em um negócio para o sobrinho, em uma loja no número 488 da Rua XV de Novembro. “Era uma mercearia também. A gente vendia creolina, sabão em pedra, sapólio, banha de lata e comida a granel. Foi ali que comecei o meu negócio”, relembrou Ulisses, que casou em 1967, e passou a trabalhar com a esposa. Ulisses trouxe o irmão Celestino, então com 14 anos, para trabalhar com ele. Ele viria a ser seu sócio depois. O negócio prosperou e, em 1983, ele comprou outro imóvel (local onde permanece até hoje) na mesma rua, onde a mercearia Ao Fiel Barateiro, nome se tornaria um grande supermercado. “Quando se tem honestidade, fé e trabalho a gente consegue vencer. Tem que saber lidar com o público. Acho que esse é o segredo. A gente já enfrentou crise econômica e a chegada das grandes redes, mas seguimos”, disse. Celestino Augusto Alves Domingues, de 64 anos, é o irmão e sócio de Ulisses. Chegou ao Brasil de avião e com uma carta de chamada na mão. “A vida da gente era muito difícil em Portugal. A cultura dos meus pais ainda era da guerra. Vim para cá com a proposta de sociedade. Desde então trabalhamos muito. No dia 19 de maio deste ano completou 50 anos que cheguei ao Brasil”.
Trabalho
O supermercado emprega atualmente 250 funcionários. O estabelecimento, que deve ganhar mais um prédio de estacionamento na rua lateral, chama atenção dos clientes por dar oportunidade a jovens no primeiro emprego e pessoas com idades entre 40 e 50 anos, faixa etária muitas vezes com pouca chance no mercado de trabalho. Entre os colaboradores Ulisses é chamado de pai pela forma como os trata. “Eu faço questão de pagar plano de saúde para todos do que ter um lucro maior. Se não tiver plano de saúde e for depender do hospital público morre. Eu falo para eles estudarem. Eu não estudei, mas a gente sabe que hoje o estudo é importante. Quem estuda tem oportunidade. Não quero que fiquem parados no tempo. Eles têm que se capacitar para se saírem daqui terem condições de trabalhar em outro lugar. Os meus padeiros eram todos pacoteiros (empacotadores). Temos funcionários com mais de 20 anos de casa”, destacou.
Além dos 250 funcionários, a família de Ulisses e do irmão Celestino trabalha no supermercado. Os dois irmãos são encontrados facilmente no estabelecimento, onde são reconhecidos por clientes antigos que fazem questão de cumprimentar. A fidelidade da clientela fez o comércio, mesmo diante da chegada dos cartões de crédito e débito, manter o sistema de carnê para o pagamento das compras. Até tempos atrás eles ainda utilizavam a antiga caderneta para anotar os ‘fiados’.
Bondade
Ulisses não gosta de falar no assunto, acha que caridade não deve ser divulgada. Mas a Reportagem recebeu mensagens de clientes do comerciante sobre as boas ações feitas pelo empresário, que costuma ser generoso com entidades beneficentes do município. Uma igreja católica localizada no bairro Catiapoã, que leva o nome da santa de devoção da família, Nossa Senhora de Fátima, foi construída por ele. “Tive uma sobrinha muito doente. Ficou por muito tempo desenganada. Somos muito devotos de Fátima e pedimos pela sua recuperação. Ela ficou boa. Desde 1985, todo dia 13 rezamos o terço para ela. Construímos a capela para Fátima. Sou muito abençoado por Deus. O trabalho é bom e não faz mal a ninguém. Agradeço tudo o que Deus me deu”, explicou.
A chance do primeiro emprego
O supermercado foi o primeiro emprego de muitos funcionários. Matheus Felipe de Oliveira, de 22 anos, é um deles. Entrou no estabelecimento aos 18 anos, como empacotador, e hoje atua na padaria do comércio e é considerado um dos melhores padeiros do local. “Foi uma oportunidade que mudou a minha vida. O meu primo trabalhava aqui e falou com o ‘seu’ Ulisses que me contratou. Me dediquei vendo aqueles que faziam certo e fui me espelhando neles”, afirmou Matheus, que mora na Vila Margarida. Depois do pacote, o rapaz ficou três meses na balança e lá surgiu a oportunidade de ir para a padaria. “Perguntaram se eu queria trabalhar na padaria. Eu aceitei. Sei fazer todo tipo de pão hoje. Nunca imaginei, porque não cozinhava nada. O ‘seu’ Ulisses incentiva muito a gente a crescer”, disse.
O primeiro de Paulo Simões também foi o supermercado. O atual gerente do estabelecimento foi levado pela mãe aos 14 anos ao comércio, que pediu ao proprietário uma oportunidade para o filho. “Comecei no magazine, em 1991, naquela época vendia roupa aqui. Passei por todos os setores da loja. Fui até motorista. Há seis anos estou como gerente. Com 14 anos a gente não sabe nada da vida, mas hoje sei que Deus me capacitou para estar aqui. Me espelho muito no ‘seu’ Ulisses, que tem o caráter de um homem correto e de honestidade”, afirmou. Atualmente a maioria dos jovens que ingressam no supermercado como empacotador é de instituições que formam para mão de obra para o primeiro emprego.
‘Ele financiou a obra da minha casa’
Conquistar a casa própria não é tarefa fácil. Mas com a ajuda do ‘patrão’ alguns funcionários do supermercado conseguiram reformar a moradia e melhorar a qualidade de vida. O ‘financiamento do sonho’ é descontado suavemente do salário e eles fazem questão de ressaltar o apoio daquele que consideram como pai. “O ‘seu’ Ulisses é como um pai. Entrei no mercado adolescente, entre 15 e 16 anos. Precisava reformar a casa, que só tinha dois cômodos. Falei com ele se poderia me ajudar. No meio da obra ele falou para os pedreiros que podia derrubar a casa e fazer tudo de novo. Ele financiou a obra da minha casa”, disse Aron Alexandre, de 45 anos. O encarregado de laticínios trabalha no estabelecimento desde 1988. O mesmo aconteceu com Geraldo Guedes, de 43 anos. O encarregado de mercearia precisava de R$ 16 mil para terminar a casa. “O tratamento dele é de pai para filho. Puxa a orelha quando tem que puxa. Tenho a minha casa do jeito que sempre sonhei por causa dele”, afirmou.
Sonho da faculdade realizado
A história de Patricia Pinto de Castilho, de 42 anos, tem relação com o desejo de Ulisses, que é ver o crescimento do funcionário. Ela entrou no supermercado como ajudante, aos 32 anos, e atualmente é a nutricionista responsável pela equipe que atua na padaria do estabelecimento. “Era gerente de loja, nunca trabalhei com panificação ou em padaria. Minha cunhada era confeiteira aqui e falou da vaga de ajudante. Comecei a trabalhar”, destacou Patricia. A força de vontade da funcionária chamou a atenção de Ulisses, que perguntou se ela tinha o desejo de fazer o curso de Nutrição. “Já tinha feito o curso de confeitaria. Tinha o sonho de fazer faculdade sim, mas não relacionado à comida. Ele veio com a ideia e eu achei que não fosse conseguir pagar, mas fiz o vestibular. Passei e falei para ele. Ele disse que poderia me matricular que ele pagaria 50% do curso”, afirmou. Em 2015 Patricia se formou e se tornou nutricionista. Assumiu o comando da padaria, que usa meia tonelada de farinha por dia, e atualmente coordena 18 funcionários.
“Tive o sonho da faculdade realizada por ele. O ‘seu’ Ulisses fala, o aprendizado não é meu é seu. É muito gratificante tudo o que ele fez por mim. Ele é um grande professor. Me mostrou um caminho e hoje sou muito feliz”, destacou. Diário do Litoral, 26 de junho de 2017
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Fundada em 1960 pelo Sr. Armindo Monteiro Batista, a Casa Benfica foi uma loja de muita tradição, cuja história se confunde com o desenvolvimento do bairro do Jockey Club e adjacências.
Suas atividades foram encerradas em 2020, poucas semanas após o falecimento do Sr. Armindo.
Aqui vemos a fachada da loja em 1997 (à Av. Dr. Augusto Severo nº 405, esquina com a Rua Guarani), antes de se transferir para um espaço maior logo em frente. São Vicente de Outrora.
ANÚNCIOS VICENTINOS NO DIÁRIO DE SANTOS - 1939
SANTOS 100 ANOS. Homenagem do comércio vicentino. Destaque para o Bar e Charutaria de Franklin Moura, que existia desde o final do século XIX, com filial em Praia Grande desde 1910. O prefeito José Meireles como distribuidor da cerveja Brahma e as padarias Paulista e Rio Branco. E outros estabelecimentos já muitos conhecidos como o famoso Bar dos Esporte.
Jornal O Diário, de Santos. 20 de janeiro de 1939.
Hemeroteca da BN.
IHGS- Hemeroteca da Biblioteca Nacional
PAULINO ALVES DE OLIVEIRA
Vamos hoje relatar, a largos traços, a história de uma criatura por muitos anos nossa conterrânea, tendo aqui constituído família, e que, havendo aprendido a aumentar suas, a princípio, limitadas fôrças físicas e intelectuais, chegou a galgar posições de destaque nas atividades deste e do Município de Santos. De auxiliar do comércio de carnes e artífice autodidata, ocupações que teve no começo de sua vida de árduo trabalho, atingiu por fim, graças ao esfôrço, inteligência e estudo, sólidas posições, a princípio no comércio retalhista, na construção naval e, mais tarde, em destacados cargos públicos e administração comercial.
Falaremos, desta feita, em Paulino Alves de Oliveira. Nascido em Santos, no ano de 1872, a certa altura de sua mocidade os fadários da vida o trouxeram para nossa terra, à qual prestou apreciável parcela de labor e dedicação.
COMERCIANTE RETALHISTA
Depois de aprendizado entre os criadores de gado, abatedores e retalhistas, passou, nesse ramo, a trabalhar por conta própria, estabelecendo-se, em 1899, com negócio do gênero. Tal tipo de comércio, na época, ainda não obedecia aos métodos, à organização e fiscalização de hoje, e cada comerciante retalhista dirigia-se ao curral de sua preferência, e ali adquiria a rês que, depois de ser por ele mesmo laçada, era conduzida em pé, pelas ruas, até o local do abate. Trazida a peça para o açougue, ali se iniciava o estafante trabalho de desmancho, para entregas a domicílio e atendimento à freguesia de balcão. Era atividade fatigante, que, iniciada pela madrugada, prosseguia até à noitinha, mesmo aos domingos, chovesse ou fizesse bom tempo. Mas o pior é que o ganho não compensava tamanha lida, no entender de nosso biografado, merecedor de compensação mais condizente com as legítimas aspirações de erlatura votada a melhores destinos. Essa maneira de encarar a vida levou Paulino a mudar de diretriz, e assim passou para o comércio de padaria, no mesmo local, depois das imprescindíveis adaptações. Com a denominação de "Padaria Moderna”, deu-se a inauguração em abril de 1902. Al, em outro meio mais adequado às suas qualidades de trato e tino comercial, sem demora alcançou melhor nível de vida. Procurando ser útil, o mais possível, aos que se valiam de seu espírito de bem servir, conseguiu novos amigos e apreciável conceito nos meios associativos e filantrópicos locais. Paulino Alves de Oliveira tornou-se, assim, por seus méritos de inteligência, de iniciativa e cordial empenho de entre ajuda, figura indispensável na concretização das causas meritórias Visando ao bem-estar da coletividade.
ESTALEIRO NAVAL
Impulsionado pelo natural desejo de progredir e, ao mesmo tempo, dar vazas ao espírito de empreendedora versatilidade, sem descurar de suas atividades comerciais, passou a dividi-las como principiante em construção de barcos. Montando modesto estaleiro nos fundos de sua residência, no Largo Batista Pereira, 8, com saída para o Largo da Lavandaria (hoje Praça Bernardino de Campos), ali, graças às suas qualidades natas de habilidoso artífice, e com a ajuda de um ou outro entendido na matéria, lançou-se à confecção de pequenas embarcações: canoas, botes, baleeiras e respectivos petrechos. De tal maneira desenvolveu o novo ramo de atividades, que das suas mãos, conduzidas por seu esclarecido espírito artesanal, saíram lanchas e barcos de pesca de pequeno porte, e até vários tipos de delicados barcos para regatas — canoés, ioles a 2 e 4 remos, encomendados pelos Clubes de Regatas Tumiaru e Saldanha da Gama.
Seu bom nome como construtor naval foi-se ampliando, e o Governo do Estado, em 1911, autorizou Paulino Alves de Oliveira a construir dois escaleres destinados à Repartição de Saneamento de Santos, a fim de prestarem serviços no início da montagem da Ponte Pênsil, inaugurada no ano de 1914. De outra feita, o industrial de São Paulo, Leon Jaffet, mandou confeccionar, no estaleiro de nosso biografado, lancha de amplo porte, destinada ao reboque de chatas, barcaças e outros tipos de embarcação, subordinadas à tração. Com a introdução dos motores de pôpa, a oficina naval era a mais escolhida para ali se operar a adaptação desse dispositivo propulsor, em barcos até então desprovidos do notável melhoramento.
DEDICADO AO ESTUDO
Ao mesmo tempo que se dedicava aos seus afazeres, aproveitava o parco tempo que lhe restava para ampliar seus conhecimentos. Favorecido pela inteligência e firme vontade de aprender mais e melhor, dedicava-se ao estudo de contabilidade comercial, valendo-se da perspicácia em lidar com números e em destrinçar problemas correlativos. Elegante e caprichado talhe de letra, atributo, na época, para fácil e quase decisivo acesso e promoção no terreno de contabilidade, completava suas qualidades no início da nova carreira que ansiava palmilhar, e em que antevia as mais amplas perspectivas.
Terminando, com méritos, esses estudos, conseguiu ingressar no alto comércio da praça de Santos, após negociar a padaria e passar para um seu filho homônimo a direção do estaleiro,
Seu conceito como profissional esclarecido, de ilibada probidade, foi consagrando Paulino de Oliveira no alto comércio, o que o guindou a elevados cargos de responsabilidade, em organizações de renome. Do cargos de procurador, com todos os poderes, da firma comissária de café A. Coutinho e Cia., passou, no ano de 1910, para a gerência de uma organização congênere, denominada Sampaio Peixoto e Cia., das mais acreditadas no mercado cafeeiro, por muitos anos com escritório em amplo. sobrado no ex-Largo do Rosário (hoje Praça Rui Barbosa), fazendo esquina com a Rua São Leopoldo. Ingressando, depois, na importante organização britânica, empreendedora de variadas atividades comerciais - a Brazilian Warrant Co. – ali dedicou o melhor de seus esforços, por largos anos, na contadoria dessa emprêsa, uma das mais enraizadas no conceito desse mister em todo o País. A alta direção, na matriz de Londres, galardoando os méritos de competência, esforço e assiduidade de seu antigo e dedicado auxiliar, conferiu-lhe merecida aposentadoria, antecipando-se à lei trabalhista mais tarde implantada no Brasil.
CARGOS PÚBLICOS DE PROJEÇÃO
Apolítico por índole, sòmente graças aos seus predicados de inteligência, serenidade e justeza, Paulino Alves de Oliveira foi chamado a exercer, em duas ocasiões, o sempre espinhoso cargo de chefe de Polícia em nossa terra. Os entrechoques políticos que amiúde agitavam as correntes em litígio, agravados pelas implicações decorrentes, punham à prova a sua conduta imparcial, serena e conciliadora, algumas vezes submetida a duras provas, das quais se saía airosamente, pelo exato motivo de, inarredàvelmente, se manter fora e acima de injunções políticas.
Exerceu, também, por vários anos, a função de Juiz de Paz, sem receber qualquer remuneração, embora a lei facultasse.
OUTRAS NOTAS
Era seguidor, à risca, dos sábios preceitos da filosofia espiritualista, e assim, entre tantas outras práticas, distribuía pela pobreza, por Indleação médica, produtos homeopáticos obtidos de conceituados laboratórios. Fol um dos mais dedicados praticantes, ao lado de compa nheiros de ideal filosófico.
– Fez parte da comissão dos festejos comemorativos do IV Centená rio da Descoberta do Brasil, em maio de 1900 (Inauguração do monitmento e grande exposição do ex-Largo 13 de Maio, hoje Praça 29 de Janeiro).
- Na ata de fundação do Clube de Regatas Tumiaru (22-12-1905), aparece o seu prestigioso nome.
- Quando das festas juninas, contribuia para seu maior realce, soltando balões de todas as formas, que êle mesmo confeccionava.
– Sua distração predileta era o bilhar, e animadas reuniões davamse na Casa Requejo, tendo como parceiros: Luís Hourneaux, Manoel Lopes Fernandes, Adrião dos Santos, Alberto Martins de Oliveira, Anselmo Ferreira, Inácio Requejo, Alexandre Santos, Gaspar Manga e outros.
DADOS BIOGRÁFICOS
Nosso biografado nasceu em Santos, em 30-4-1872, filho de Inácio José de Oliveira, de São Sebastião, e da professôra Francisca Alves de Assis Oliveira, do Rio de Janeiro. Avós paternos: Manoel Pedro de Oliveira, português da Ilha da Madeira, faleceu com 94 anos, e Maria Carolina de Oliveira, brasileira, filha de índios, sucumbiu aos 78 anos; avós maternos: Isidoro Alves de Azevedo, de Macaé (RJ), faleceu com 82 anos, e Jerônima Alves de Figueiró, de Campos (RJ), faleceu com 85 anos. Paulino Alves de Oliveira casou-se em primeiras núpcias, em São Vicente, em 29-11-1890, com Belmira de Almeida (faleceu com 29 anos, em 3-3-1903); dêsse consórcio tiveram os seguintes filhos: Francisco, que foi casado com Elvira de Campos Oliveira, falecidos; Paulino, casado com Ana Botto de Oliveira, residentes em Santos; Georgina, casada com Francisco Pompeu Franco de Andrade; ele falecido; Narcisa, casada com Paulo Régis de Almeida; Inácio de Loyola faleceu com 1 ano. O nosso biografado casou-se em segundas núpcias com sua cunhada de nome Alodia, falecida, tendo desse matrimônio os seguintes filhos: Osvaldo, falecido, que foi casado com Nair Lopes dos Santos; Arnaldo, que se casou com Joana de Oliveira, falecidos; Manoel Pedro, casado com Angelina Romanelli de Oliveira, residentes em Santos; Wilson, casado com Elisa da Silva Oliveira; Noêmia, solteira; Jacinto faleceu solteiro, em São Paulo. Em terceiras núpcias, casou-se com Ester Godói de Oliveira, residente em Santo André; os filhos: Ida, casada com Osvaldo Batista; Ester, casada com Job Sapupo; Nelson, casado com Cacilda G. Oliveira.
Sua descendência: 33 netos, 73 bisnetos e 7 trinetos.
SEU FALECIMENTO
Com a saúde seriamente comprometida, buscou no clima de ille beirão Pires retempero para o mal que o afligia. Entretanto, nem og euldados médicos, tão pouco a desvelada assistência dos familiares impediram que chegasse ao fim, no llospital de Santo André, em 18 de junho de 1915, uma vida que durou 73 anos, em boa parte dedicados ao trabalho e ao bem-estar da família e de quantos podia o nosso blografado minorar os males. Foi sepultado no cemitério de Ribeirão Pires.
EDISON TELLES DE AZEVEDO - Vultos Vicentinos. A Tribuna ,7-11-1971
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CONSTRUÇÃO DO BRISAMAR
Construção do complexo Shopping Brisamar em São Vicente no terreno de uma antiga colônia de férias e casas de veraneio no século passado. Registro e acervo: Flávio Russo Pinto.
Vista das rua Jacob Emmerich (ônibus na direção da praia) e Frei Gaspar, com Palácio Caramuru.
Rua José Bonifácio
Rua Jacob Emmerich
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Jornal PERSPECTIVA. Edição 152 , julho de 2006. Brisamar, o shopping center de São Vicente. Implantação do empreendimento está despertando o interesse da população.
Reprodução: Novo Milênio
Perspectiva artística da fachada: empreendimento valorizará entorno. Imagem: divulgação
Iniciadas em 15 de janeiro de 2006, as obras do Brisamar Shopping Center, em São Vicente, estão em ritmo acelerado, com prazo de entrega para maio de 2007. Para isso, a Miramar Construtora, do Grupo Mendes, traçou uma detalhada logística, visando um perfeito entrosamento entre as equipes de trabalho, que totalizam 180 operários, e definiu um amplo programa de parcerias, envolvendo alguns dos principais profissionais e empresas da construção civil em atuação na Baixada Santista.
Conforme detalhou o arquiteto Roberto Saviello, autor do projeto arquitetônico, o Brisamar ocupará quase a totalidade de dois quarteirões no Centro de São Vicente, sendo cada terreno com 8.000 metros quadrados, que formam uma grande área delimitada pelas Ruas Frei Gaspar, Tibiriçá, José Bonifácio e Padre Anchieta. O empreendimento compreenderá duas edificações distintas, cada uma sendo erguida num dos quarteirões, que serão interligadas por uma passarela sobre a Rua Jacob Emerich.
Uma edificação abrigará o centro comercial, com 134 lojas, das quais duas âncoras, distribuídas em quatro pisos, com uma área construída de 30 mil metros quadrados. A outra, estrategicamente localizada do outro lado da rua, será um amplo estacionamento com seis pisos, sendo que um deles também será dotado de 36 lojas para futura expansão.
A passarela que interligará os prédios será construída no nível do piso da praça de alimentação e cinemas, a 15 metros de altura do nível da rua. Inspirada numa estação de trem antigo, ela será feita em estrutura metálica, com 18 metros de comprimento, por oito metros de largura, com vidros dos dois lados – proporcionando um visual de toda a cidade, especialmente da Praia do Gonzaguinha. Coberta, será equipada com mesas e cadeiras, para tornar-se um ponto de encontro.
A obra está usando modernas técnicas construtivas, afirmou o gerente de obras do Grupo Mendes, arquiteto Aristides Damásio, que comentou sobre os fornecedores do empreendimento. A Drenamar mais uma vez é parceria nos serviços de rebaixamento de lençol freático e, conforme explicou o diretor da empresa, Marcelo Franco, foram utilizados equipamentos com tecnologia própria, mais silenciosos que os existentes no mercado, que permitem o uso durante 24 horas sem incomodar a vizinhança.
Em função das características do solo, o projeto de fundação indicou a necessidade de estaqueamento com profundidade de 32 metros. Foi exigida também a adoção de paredes-cortina para a contenção de encostas, considerando os desníveis existentes em vários pontos do terreno.
Com a conclusão do estaqueamento, foi iniciada a estrutura da obra, que tem a direção técnica do engenheiro Cláudio da Rocha Soares. Conforme informou, a mão-de-obra desta fase é executada por duas empresas: a Miramar, que faz a parte de escoramento e fôrma, e a Cavalcante Construções Civis, armação de pilares, vigas e lajes.
Para a execução das lajes estão sendo utilizadas fôrmas pré-fabricadas para concreto da Madewal System. As fôrmas possuem dimensões que proporcionam alinhamento e esquadrias perfeitas, e acarretam praticidade e qualidade na obra. A grande vantagem das fôrmas prontas está na agilização de mão-de-obra no canteiro, permitindo o cumprimento do cronograma, sem desperdício de materiais e reaproveitamento das fôrmas.
Entre outros fornecedores, o escoramento metálico é executado pela Jahu Escoramentos e Andaimes. De acordo com informações da empresa, estão sendo utilizadas cerca de 500 toneladas de torres tubulares para cimbramento das estruturas de concreto. O equipamento é leve, versátil, eficiente e facilita a liberação das fôrmas das lajes.
O concreto está sendo fornecido por um consórcio de concreteiras, cuja principal é a Concretex. Até início de 7/2006 foram utilizados cerca de 40 mil metros cúbicos de concreto, sendo FcK 20 nas fundações e FcK 25 na superestrutura. Já o material de pedreira é fornecido pela Arpe Areia.
A Belgo está fornecendo toda a linha de aço utilizado na obra. O serviço que envolve a armação da estrutura da obra é executado pela Cavalcante Construções Civis. Parceira do Grupo Miramar há 20 anos, a empresa de Antônio Lins Cavalcante atua com 50 homens e cinco máquinas elétricas, agilizando os trabalhos de corte, dobra e armação, para atender o cronograma, que prevê o término da estrutura do shopping em setembro/2006.
De acordo com as juntas de dilatação, o edifício do centro comercial foi dividido em blocos. Em julho, as equipes próprias da Miramar concluíram a concretagem dos três primeiros blocos, F, G e A, sendo a cobertura dos F e G com pé direito de 12 metros, que vão abrigar as salas de cinema.
Também está programada a concretagem do Bloco C, que compreende o vão central, cujos pilares já foram concretados. Simultaneamente, são feitas as escavações de poços das escadas-rolantes e dos poços dos elevadores panorâmicos. O engenheiro Cláudio da Rocha Soares frisa que todos os blocos têm cinco pavimentos: térreos 1 e 2, primeiro e segundo pisos e cobertura. Para a área do estacionamento estão programadas as etapas de terraplenagem, fundação, infra-estrutura e superestrutura.
Assim que for concluída a estrutura de concreto de cada bloco do prédio do centro comercial, terá início a alvenaria interna, com a utilização de blocos de concreto, com grouting a cada três metros; revestimento; e o piso, que será preparado para receber pedra natural. Em sintonia com a entrega da parte de concreto, serão executadas as instalações eletromecânicas, como de ar-condicionado, elétricas e de combate a incêndio.
Cláudio da Rocha Soares destacou a preocupação da Miramar em executar o serviço com qualidade e o máximo de proteção, visando a segurança pessoal dos funcionários. Nesse sentido, a empresa mantém uma equipe especializada em Engenharia de Segurança, aplicando conceitos modernos de execução e cumprindo as normas vigentes.
Adotando a solução do Praiamar Shopping Center, também construído pelo Grupo Mendes, a iluminação interna buscou recursos naturais, a partir de clarabóias de vidro na cobertura, o que vai gerar economia de energia elétrica. No Brisamar o projeto incluiu duas clarabóias, uma sobre o vão central, com 12 x 18 metros, e outra sobre a praça de alimentação, com 10 x 18 metros. Ambas terão a colocação de filme, que resiste até 70% de raios ultravioletas. Já os forros serão dotados de tratamento acústico para maior comodidade ao público.
O transporte vertical será fornecido pela Thyssenkrupp Elevadores. Para servir os pavimentos do edifício do centro comercial serão implantadas seis escadas rolantes modelo Velino, sendo quatro para atender dois desníveis de 6 metros e duas para um desnível de 4,3 metros. As escadas são dotadas de iluminação nos pentes e embaixo do corrimão.
Também no shopping serão instalados cinco elevadores, dos quais dois panorâmicos, para 12 passageiros, dotados do sistema Frequencedyne, com cabina tipo R abrigada; dois elevadores com capacidade para 24 passageiros, com cabina Sky, sistema Frequencedyne, e monta-carga; e um elevador do tipo hidráulico, com duas paradas, que interligará uma loja entre os térreos 1 e 2. O equipamento é destinado a deficientes físicos e pessoas idosas e está inserido entre os itens de acessibilidade do centro comercial. Já para os usuários do estacionamento serão instalados mais dois elevadores, cada um com capacidade para 20 passageiros, cabina convencional, com sete paradas.
O Brisamar também atende outras normas de acessibilidade no que se refere a rampas e sanitários. Com relação ao meio-ambiente, está em estudos o reaproveitamento da água de chuva e o tratamento da água usada em lavatórios para reuso nas descargas dos sanitários.
Com 36 anos de experiência, a Artec Ar Condicionado e Engenharia implantará o sistema de ar condicionado, com duas unidades resfriadoras e climatizadores de ar, dotadas de um gerenciador para as unidades resfriadoras, bombas, torres, climatizadores e ventiladores. A empresa também implantará sistemas inteligentes de controle de fumaça, que serão instalados nas áreas de circulação do shopping e nas grandes lojas, praças e cinemas, visando garantir o conforto e segurança dos visitantes e funcionários.
Conforme destacou o diretor da Artec, Antonio Luiz Schiliró, desde o inicio o Grupo Mendes solicitou o desenvolvimento do projeto destacando a necessidade de uma solução moderna, eficaz e econômica, e que permitisse no futuro uma operação simples automatizada com baixo custo de manutenção. "Estas premissas foram contempladas através de grupos de profissionais multidisciplinares integrados e com equipamento de alta performance operacional", afirmou Schiliró.
Perspectiva mostra o interior do Brisamar: pisos interligados por escadas rolantes e elevadores panorâmicos. Imagem: divulgação
"Brisamar mexeu com o orgulho vicentino"
O arquiteto Roberto Saviello comentou que a concepção do Brisamar Shopping Center não difere de outros empreendimentos do gênero, cuja pretensão é ser um ponto de encontro de pessoas, com segurança e comodidade, visando compras, alimentação e entretenimento. No caso do Brisamar, contudo, essa concepção adquire um significado especial, pois se trata do primeiro centro comercial de São Vicente, que, aliás, é o primeiro Município do Brasil, denominado Celula Mater da Nacionalidade.
"O Brisamar mexeu com o orgulho vicentino. A expectativa é que ocorra uma grande mudança de comportamento da população", afirma Saviello. "Ainda nesta fase de obras, o local já se tornou um ponto de convergência, no qual as pessoas vêm para conhecer a maquete, perguntar sobre o funcionamento, enfim, está havendo um interesse muito grande". Além disso, de uma forma natural, a construção do centro comercial influenciará no entorno, impulsionando novos investimentos imobiliários.
Atualmente, para usufruir as vantagens de um centro comercial, o vicentino tem que se deslocar para Santos, Praia Grande ou Guarujá. Com o Brisamar ele terá bem perto as facilidades do shopping center, especialmente no que se refere ao lazer proporcionado pelas salas de cinema, há décadas uma grande carência do Município. O empreendimento também será capaz de gerar um intercâmbio de público, atraindo consumidores de outros Municípios da metrópole da Baixada Santista, já que o mix de lojas que está locando seus espaços trará novidades para o mercado da região.
O centro comercial terá acesso de pessoas na Rua Frei Gaspar – a tradicional via que liga com o centro comercial de São Vicente –, e na esquina das Ruas Tibiriçá e Jacob Emerich, cuja entrada será identificada por palmeiras imperiais. Na entrada da Frei Gaspar terá uma escadaria de acesso e as rampas de deficientes. No piso térreo 1, o destaque será a colocação de uma Rosa dos Ventos. Já o acesso ao edifício do estacionamento será pela Rua José Bonifácio. Apesar de o centro comercial programar 12 horas de funcionamento, pelo fato de ser independente, o estacionamento vai operar 24 horas, atendendo a região, que é carente em vagas.
Perspectiva da praça de alimentação: 100% dos espaços já locados. Imagem: divulgação
Locação integrada ao projeto de construção
A locação das 130 lojas do Brisamar está sendo feita de forma integrada à obra e, sempre que necessário, determina alterações no projeto de execução para facilitar o funcionamento dos negócios. Segundo explica a superintendente Cleide dos Santos, assim que o negócio é fechado, os setores de Arquitetura e Engenharia são informados sobre o tipo de operação para eventuais ajustes. No caso de uma ótica, por exemplo, que requer a instalação de um laboratório, são tomadas providências para colocação de ponto de água e esgoto. Quanto se trata de locação de duas lojas, o espaço é preparado para evitar a quebra de paredes.
Do conjunto de lojas, 67% já está locado. Para ocupar as duas âncoras as negociações estão sendo finalizadas com a C&A e a Lojas Americanas. As seis salas de cinema, que totalizam 1.600 lugares, serão exploradas por uma nova empresa, fruto da parceria entre o Roxy de Santos e o Grupo Mendes. A praça de alimentação está 100% locada, com a maioria de empresas da Baixada Santista. Uma das novidades é a vinda da rede Burger King.
CHARME CENTENÁRIO DA CASA DAS BANANADAS
A Casa das Bananadas em registro da década de 1940
REPORTAGEM DA TV TRIBUNA -G1
21 DE JANEIRO DE 2023
Gravando um especial para TV Tribuna- Globo sobre os 491 anos de São Vicente, falando do antiquíssimo Porto das Naus, do engenho de Jerônimo Leitão, da famosíssima Ponte Pênsil e da centenária e sempre doce Casa das Bananadas. Reportagem de Thaís Rozo e Leandro Guedes. E a simpatia de Dona Nida Blume, que vive há 80 anos nesse ponto mágico da cidade. Grato ao Silvio, da Associação Comercial pelo acolhimento. CALUNGAH.
A TV Tribuna exibiu reportagem sobre os 491 anos de São Vicente em duas versões de conteúdos do dia 21 de janeiro ( Ver arquivo do G1)destacando a antiguidade vicentina de 30 anos antes da chegada de Martim Afonso, com entrevista do historiador Dalmo Duque. Destacou também o comércio vicentino através de dois modelos históricos sugeridos pela Associação Comercial de SV: a Casa das Bananadas e Supermercado Fiel Barateiro.
1ª Edição
https://globoplay.globo.com/v/11300313/
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Filial do estabelecimento vicentino do Dr. Franklin de Moura em Praia Grande. Anúncio de A Tribuna em 1926.

LAGOSTA: POINT DA ARISTOCRACIA
"Após o desenvolvimento do Jardim Guilhermina e do Jardim Mathilde, Heitor Sanchez resolve construir um restaurante que atendesse a padrões nunca antes vistos em Praia Grande. Inicia-se então o projeto do restaurante Lagosta, um empreendimento luxuoso com 540 mil metros quadrados de área construída, projetado pelos engenheiros Tinoco e Pivatelli.
Para suprir a falta de canalização da água, foi construída uma torre em forma de vela de barco, que revestia uma caixa d'água de 20 mil litros. Além dessa, havia no subsolo outro reservatório de água, que captava e armazenava as águas das chuvas.
Finalmente, no dia primeiro de julho de 1952, Heitor Sanchez inaugura o seu projeto, que marca definitivamente o desenvolvimento urbano do então bairro de Praia Grande (apesar da falta de estruturas básicas). O restaurante Lagosta tornou-se o principal local de solenidades sociais, cívicas e políticas da região. Várias foram as personalidades que ali se estabeleceram para alimentarem-se e discutirem assuntos diversos, estando entre estas o ator Mazzaropi, que vinha desfrutar das iguarias marítimas ao lado de sua mãe.
Ali foi realizado o jantar beneficente para a construção da antiga escola do Jardim Guilhermina, além de outras festividades e homenagens".
(Biografia de Heitor Sanchez, por Rosana Almeida Lafranca in História de Praia Grande- IHGPG)

Abril de 1960 - Almoço no Restaurante Lagosta, comemorando a abertura do primeiro posto de puericultura da cidade, na Rua Campinas. Na foto ao centro de óculos o farmacêutico Cândido Fontoura, criador e proprietário do Biotônico Fontoura, que doou todos os equipamentos. À sua direita o advogado Charles Forbes, 2 vezes prefeito de São Vicente e acima o vereador Oswaldo Toschi que os recebeu nesse dia. Anos depois o Posto Médico Municipal mudou-se para a esquina da Rua Pernambuco com a avenida Brasil no Boqueirão. Claudio Sterque- IHGPG

Varanda do Restaurante Gáudio nos anos 1960.
"Gonzaguinha, 1967. Entrada principal do Restaurante Gaudio . Atuando há 74 anos, é o mais antigo restaurante de São Vicente. Na época, esta casa era dirigida pelos sócios Prieto e Carvalho. Ao fundo, a antiga colônia de férias dos funcionários do Banco do Comércio e Indústria de São Paulo S.A. (Comind), já demolida". São Vicente de outrora. . Acervo do jornal Cidade de Santos . IHGS-Hemeroteca da BN
REVISTA SANTOS 1973





60 ANOS DO CARAVELAS
O CARAVELAS FAZ 60 ANOS E continua celebrando a história de São Vicente. Fundado em 1961 pelos sócios Gaspar e José Carlos, o famoso restaurante vicentino da Praça 22 de Janeiro (Padre Manoel esquina com Padre Anchieta) está no mesmo lugar e segue firme em tempos difíceis para os comerciantes. O restaurante abriu no apogeu turístico da cidade, à poucos passos da Biquinha de Anchieta e da frequentadíssima Praia do Gonzaguinha, época que a cidade era repleta de veranistas paulistanos e do interior. Nos anos 1940 um prefeito até tentou mudar o nome da praia para "Jardim das Caravelas", mas não pegou. O restaurante passou por altos e baixos e foi para a mãos de Paulino Nery, um santista que trabalhou no estabelecimento um ano como copa, dez anos como garçom, vinte como gerente e nove como proprietário, até falecer em 2004. Foi exatamente nesse ano que o seu filho Vitor Nery assumiu a direção. Vitor é calunga. Muita coisa mudou na cidade e na vizinhança desde 1961: o barulho dos carros, a degradação da da praça, o perfil dos moradores e frequentadores, o "abre e fecha" dos negócios vizinhos. Mas o Caravelas segue seu destino no ramo da gastronomia, sempre se adaptando aos novos tempos. Vida longa ao Caravelas!!! (São Vicente na Memória, 9 de fevereiro de 2021)
60 ANOS DO RESTAURANTE CARAVELAS. Osni, um antigo e fiel frequentador e o garçom Santana, desde 1975.



Anúncios na coluna de gastronomia do jornal Cidade de santos, outubro de 1969.
Churrascaria Choupana. Rua José Bonifácio, 64. Jornal Cidade de Santos, 1969.
Restaurante Leão de Ouro (atual TiMaria). Na década de 1970 era conhecido como a casa que tinha como atração o cantor Benito de Paula. Na foto o proprietário Georges "Habib". São Vicente de Outrora.
O Leão de Ouro em 1968. Registro do jornal Cidade de Santos.
PASTEL DA FEIRA E GARAPA
Barraca de pastel na feira livre da Avenida Capitão-Mor Aguiar. Foto: Pastel Hanada.
AS COMIDAS E RESTAURANTES
São Vicente hoje é uma cidade com hábitos alimentares cosmopolitas, como todas as demais que possuem suas colônias estrangeiras e também importaram os modernos fast-foods das grandes metrópoles do mundo. Ainda assim, semelhante às suas vizinhas, ela mantém seus antigos costumes herdados da velha colonização portuguesa, hoje disseminada na chamada cultura caiçara, que mistura hábitos europeus, indígenas e africanos.
Como na maioria das cidades paulistas próximas aos grandes centros industriais, as cidades da Baixada Santista também têm um grande contingente populacional de migrantes nordestinos, cujos costumes e hábitos culinários dispensam apresentações, por estarem totalmente integrados na mesa brasileira.
O peixe, os frutos mar, a caça florestal e os frutos e raízes silvestres, compõem basicamente a dieta tradicional vicentina, sempre ofertada nas feiras, supermercados, bares e quitandas dos bairros.
A alimentação ibérica, sobretudo a de origem litorânea, é muito forte nos municípios que se desprenderam de São Vicente ao longo da sua história. Prova disso é o sotaque português e espanhol bastante influente na fala popular dos vicentinos e santistas e que se espalhou pelas demais cidades praianas (mistura de xis com erres) dando nome aos pratos e receitas para as comidas e bebidas da região.
A sardinha assada ou escabeche e as calderadas de marisco são os pratos populares mais consumidos nos grupos europeus aqui estabelecidos.
O pastel de camarão e a garapa de cana são praticamente obrigatórios nas feiras da semana, bem como as inúmeras bancas de peixes e sua enorme diversidade de espécies marinhas.
Restaurantes famosos como o Gaúdio, Itapura ( que funcionou em três lugares), Caravelas, Boa Vista, Leão de Ouro, Panela de Barro fazeram durante décadas a alegria dos admiradores da boa mesa. Alguns mudaram de lugar e de nome, outros fecharam suas suas portas e outros ainda resistem aos tempo.
Nos bairros mais populares de São Vicente, longe da da badalação da orla, sempre tem um bar de um morador de sangue espanhol ou português que serve uma deliciosa comida de boteco, sempre acompanhada de uma boa cerveja gelada. Tem ótimos restaurantes também .Na Vila São Jorge tem o Manolo e o Pimenta. E o Bar do Sargento, na Cidade Náutica.
Com a crescente ascensão social dos nordestinos e seus descendentes, as Casas do Norte e restaurantes especializados se espalharam pelos cantos da cidade, com é o caso do disputadíssimo e o farto Itabaiana - “sem miséria” - como dizem seus alegres e barulhentos fregueses. E no centro da cidade proliferam as casas de açaí, pastelarias de chineses e , como em todos os lugares, em cada esquina tem uma pizzaria.
Boa Vista e Panela de Barro na rua 11 de Junho, dois restaurantes que marcaram época na gastronomia vicentina. O Boa Vista reinou durante 40 anos e resitiu até 2016. O Panela de Barro, que foi a sensação dos ano 80, fechou suas portas na mesma década do seu grande sucesso..
BOA VISTA TRADIÇÃO DE BAIRRO BOÊMIO
NOEMI FRANCESCA DE MACEDO
Durante o dia, a tranquilidade de um bairro comum, com exceção do período de temporada de verão, quando o movimento é maior. Olhando aquelas ruas por onde pessoas passam sem muita pressa, não se pode imaginar a transformação daquele bairro à noite, quando o Boa Vista se torna o centro das atrações, o ponto de convergência da vida noturna da região.
Bares, restaurantes, calçadas e ruas tomadas por gente de todas as idades e lugares. O bairro noturno de São Vicente é uma mistura de raças, onde a convivência pacífica é caracterizada pelas opções de seus frequentadores. Uns preferem os restaurantes e bares mais badalados; outros, aguardar na fila uma mesa na pizzaria ou num banquinho no jardim, montado no final de uma das ruas pela proprietária de uma barraquinha de petiscos. Isso sem contar os que preferem, em meio a toda aquela agitação, tentar junto à banca de jornal, mesmo que tardiamente, saber se ainda restou algum jornal.
Há também aqueles que preferem ficar encostados ou sentados nas muretas, observando o movimento,principalmente o das garotas, e aproveitar para ouvir o som da boa música vinda das casas noturnas, ou mesmo dos próprios automóveis estacionados ao longo das ruas que formam o bairro. O Boa Vista, situado entre as praias de Itararé e São Vicente, sempre apresentou controvérsias com relação a seus limites.
Surpresas e histórias da noite
No Boa Vista a noite é uma criança, e para que ela se apresente cheia de luzes, cores e sons, os preparativos começam muito cedo.
Os bares e restaurantes quase não fecham, pois, para preparar os atrativos da noite, comerciantes e funcionários estão prontos logo cedo, ou seja, nem bem a casa fechou, outra equipe já está trabalhando.
Eugênio Francisco Cação, proprietário de um dos mais badalados restaurantes, o Boa Vista, comerciante no bairro há 26 anos, diz que a tradição noturna de uma casa começa nos preparativos da manhã. Ali, na esquina das ruas 11 de Junho com Pero Correa, onde funciona seu estabelecimento, sempre foi ponto de encontro dos amantes da noite, mesmo quando o bairro ainda era pacato, mas com a distinção de local preferido pelos boêmios.
Na década de 40, naquele lugar funcionava o empório de Eleutério Teixeira, onde, à noite, os rapazes, vestidos de ternos, brilhantina nos cabelos e sapatos bico fino, paravam para namorar. Aquele ponto de encontro funcionou como Padaria continental, antes de chegar a ser o Restaurante Boa Vista.
A especialidade da casa, naturalmente, são frutos do mar o ano inteiro. Como o restaurante funciona durante o dia e tem clientela que passa de pai para filho, nos fins de semana, durante o horário de almoço, a espera por uma mesa é recompensada pela delícia dos pratos servidos.
À noite, o grande movimento começa a partir das oito horas, sem horário para acabar, e é nesse período que acontecem histórias pitorescas, como a de Maria Isabel Antunes e Hector Antunes, que se conheceram no Boa Vista em 1977. Voltaram a se encontrar no mesmo local dois anos depois. No terceiro encontro (1980), sempre em festas de fim de ano, começaram um namoro de três meses e logo em seguida se casaram. Garantem que o Boa Vista os uniu.
"Uma pérola", exclamou o pesquisador Narciso Vital, quando na madrugada de 5 de abril de 1989, em companhia de seus colegas de trabalho da Câmara Municipal de São Vicente, Walter e Eliezer, este último jogou o que julgava ter sido uma pedra dentro de um marisco. Eles haviam se reunido para comemorar o final da exaustiva sessão de promulgação da nova Constituinte do município e, como sempre, escolheram o Boa Vista.
De repente, Eliezer mordeu algo estranho. Tirou da boca aquela bolinha branca e jogou fora. Mas Narciso, ao ver a bolinha rolando, notou um brilho diferente. O fato foi notícia explorada pela imprensa e a pérola, hoje, é o símbolo de união entre os três amigos e obrigatoriedade de retorno "sempre" ao Boa Vista, onde o garçom Catarina, há 22 anos trabalhando com o proprietário da casa, é figura folclórica e das mais queridas pelos frequentadores do local. Com 67 anos, Catarina venceu várias vezes a tradicional "Corrida dos Garçons" (extinta) e sua rapidez e segurança no transporte de travessas, copos, garrafas etc. o tornaram famoso.
Lá também está o garçom Edvaldo, há 21 anos. Muito parecido com o cantor Caubi Peixoto, é carinhosamente chamado pelos fregueses de Caubi, até pelas crianças.
Em frente ao Boa Vista está o Panela de Barro, tradicional restaurante dançante. Sob a direção de José Luiz Severo (proprietário), a casa parece não saber o que é crise. Há dez anos Severo resolveu incrementar o restaurante, abrindo espaço para música ao vivo, e o sucesso foi geral. Em 1986, desmembrou o restaurante e, no andar superior, criou o Aconchego, local mais que perfeito para bufê e eventos, com ampla pista de dança, iluminação moderna, ar-condicionado e música. Muitas são as pessoas que às vezes não sabem se ficam na parte de baixo (Panela de Barro) ou se preferem o Aconchego. Em ambos os locais o serviço é excelente, com freguesia garantida, que costuma ficar na dúvida na hora de escolher um entre os quarenta tipos de pizzas oferecidos, pratos tradicionais de frutos do mar, churrasco e outros.
Em frente ao Boa Vista e ao Panela de Barro está o Mares do Sul. Ainda na Rua 11 de Junho, a Morada do Sol, onde a pizza é muito disputada. Pouco antes dessa rua, o Restaurante e Pizzaria Lá em Casa, também com música ao vivo. O Restaurante Itapura, de larga tradição na cidade, funcionou durante muitos anos próximo à Ponte Pênsil. Agora está no bairro, com instalações recentemente inauguradas na Avenida Presidente Wilson.
As opções para quem gosta de um chope, petiscos e bate-papo à noite não param por aí. Na Rua Messia Assu, assim como na 11 de Junho, inúmeros são os barzinhos, alguns funcionando durante 24 horas. Nessa mesma rua, bem no final, juntinho da pequena praia, uma barraca especial: a de Zulmira Abadia Prate que, para incrementar o local, montou um pequeno jardim, aproveitando algumas mesas e bancos que já existiam. Assim, sua barraca de petiscos, onde o peixinho frito na hora é uma tradição, é ponto obrigatório na noite do Boa Vista. (São Vicente 1532-1992)
BANANADAS E QUEIJADINHAS
Durante muitos anos – nas primeiras décadas do século passado- já fomos os maiores plantadores e exportadores de bananas do Brasil e, mesmo perdendo os vastos bananais para as fazendas e sítios do Vale do Ribeira, ainda somos grandes consumidores da fruta símbolo do Brasil. Somos loucos pelo derivados doces que foram sendo criados nas cozinhas domésticas e hoje vendidas em escala industrial. O estabelecimento comercial alimentício mais antigo de São Vicente é a Casa das Bananadas, instalado desde 1921 ao lado da Ponte Pênsil, indicando que os morros dos Barbosas, do Japui, Itararé e Vuturuá já foram grandes bananais.
A Casa das Banadas, a mais tradicional doceria vicentina.
Falando na antiga ponte suspensa que liga São Vicente à Praia Grande, cuja espera da travessia de mão única durava horas nas temporadas de verão, foi nas longas filas de carros que os turistas se habituaram a comer as famosas queijadinhas. Ali, perto da Ponte, o turista que vem a São Vicente nunca deixa de perguntar onde fica a Biquinha de Anchieta ou lugar onde se toma água pura e fresca e também se compra uma variedade tentadora de doces. (O Organizador)
Barraca de doces na Biquinha nos anos 1960. "Minha avó Dª Maria e minha irmã Susi Fontes.
Sérgio Silva em São Vicente de Outrora.
OS DOCES DA BIQUINHA RECEITA DE SUCESSO
Box de doces da Biquinha: uma tradição que resiste á décadas.
Os tradicionais doces da Praça da Biquinha são de encher os olhos e dar água na boca. Cocadas, maçãs do amor, bolos, tortas e pudins estão entre as atrações que encantam milhares de vicentinos e turistas. Para sete famílias, porém, os quitutes representam a principal fonte de renda.
É o caso de Joanira Martins de Lima, de 58 anos. A vendedora trabalha no local há mais de cinco décadas e acompanhou as transformações no local ao longo dos últimos 51 anos. A alagoana iniciou sua relação com os doces ainda na infância. A irmã mais velha casou em São Vicente, trazendo consigo vários parentes. Sem emprego, logo a família encontrou na Biquinha uma oportunidade de geração de renda.
“No começo, vendíamos queijadinhas, cocadas, quindins e bolos de mandioca e de milho, além de pipoca e tremoços”.
Com o tempo, a família fixou a produção nos doces. E, em se tratando da Biquinha, Joanira já aprendeu que não adianta querer inovar.
“A procura é sempre maior pelos produtos tradicionais, como cocadas, quindins e bolos de milho e de mandioca. Os turistas, por exemplo, já vêm com essa ideia fixa”.
O valor dos doces é tabelado: R$ 7. Em dias de muito movimento, ela chega a vender mais de 120 produtos. Para atender esta demanda, a vendedora conta com a ajuda do irmão e da filha na produção dos quitutes.
Trajetória – A história de vida da vendedora Luciana Pereira Silva, de 43 anos, também está relacionada aos doces da Biquinha. Antes de se casar, quando tinha apenas 13 anos, Luciana ajudava uma família a vender quitutes no local. À época, não imaginava o que o futuro lhe reservara: seus patrões eram parentes do seu marido. O casal absorveu o negócio da família. Atualmente, ela conta principalmente com a ajuda do irmão para fazer e vender os doces, uma vez que o esposo está doente e não pode mais ajudá-la.
Luciana lembra saudosista dos tempos áureos da Biquinha, quando os turistas lotavam a praça em busca dos doces. “Principalmente das cocadas”, conta. O movimento, agora, é intenso na alta temporada, quando a família se empenha para dar conta do trabalho.
“Eu tenho outras rendas, mas me mantenho com a venda de doces”.
Se hoje os comerciantes estão estáveis na praça, nem sempre foi assim.
Em 2013, os antigos boxes da praça pegaram fogo. Os comerciantes tiveram que trabalhar na Praça Vinte e Dois de Janeiro.
“O movimento caiu bastante”. Porém, para ela, nos últimos dois anos a situação melhorou. “Conseguimos voltar para a Biquinha, que é o local de onde não deveríamos ter saído”, declara Joanira.
Para Luciana o período é algo a ser esquecido. “Foi muito ruim. Quase falimos”. A principal reivindicação dos comerciantes é a construção de novos boxes.
“Os clientes sempre reclamam que os doces estão expostos e muitos não compram por esse motivo”, destaca Joanira.
“A Biquinha é um ponto turístico e precisa de investimentos para ficar cada vez melhor”, diz Luciana.
Segundo a Secretaria de Projetos Especiais (Sepes), em breve terá início uma obra de revitalização do local. A principal intervenção será a criação de estruturas removíveis nas tendas. A Sepes irá fazer a logística de modo a interditar metade da Praça, num primeiro momento. Depois, a outra metade, segundo o secretário Adão Ribeiro.
“Esse é um compromisso com o permissionário, eles não sairão de lá. Eles não podem ser penalizados”. (Site da Prefeitura Municipal)
DOCERIA ELITE, A RAINHA DO GUAMIUM-BITARU E DAS FILAS DA PONTE PÊNSIL

A Doceria Elite, fundada em 1960 foi um marco comercial do Guamium-Bitaru. A demanda de produtos era estimulada principalmente pela longa espera da fila da Ponte Pênsil. Os depoimentos a seguir foram extraídos de comentário de uma postagem publicada na página São Vicente de Outrora, comemorando os 60 anos da empresa familiar
Emilia Gomes: Doces Elite, fundada pelo meu pai Sr. Justino. Meus pais fabricavam doces caseiros sem conservantes como a bananada, doce de leite, cocada. etc.
Maria Vitalina Fernandes Oubiña :Meu tio deu início e desde pequena (14 anos) trabalhei na Elite, depois me mudei e retornei a trabalhar com meu irmão Antônio quando minha irmã Isabel infelizmente nos deixou. Lá os doces sempre foram feitos com qualidade e produtos de primeira, receitas caseiras com o principal ingrediente que era o amor pelo fazíamos, a Elite é mais que uma doceria, é a história de vida de uma família.
Alberto Lang : Emilia Gomes Saudades do seu pai, seu Justino e da sua mãe. Sua mãe sempre sentadinha na loja fazendo croche. Lembro de você, garotinha na época rsss... Morei em cima da loja de vocês por muitos anos, tempo bom. A Dona Emília gostava da minha mãe, sempre estavam conversando. E a bicicleta do seu pai, lembra? Muito legal. Saudades.
Paulo Salaro: Emília, morei no Bitarú dos 1960 a 1993. Mas nos 70 e 80, comi muito doce de leite e gostava da groselha geladinha vendidos na doceria. Você me serviu várias vezes essas guloseimas, entre outras!
Mônica Fernandes Nunes : O Padrinho do meu irmão Carlos Alberto Fernandes, os irmãos Antônio e Isabel(em memória), nossos primos de segundo grau, que ficaram por muitos anos na direção da doceria
Marcos Lemes : Oh meu Deus, minha infância foi por ali, por uma moedinha tomava-se um copo de groselha geladinha. O alge da Elite foi quando ainda não tinha a ponte do mar pequeno e a filha da Ponte Pensil era enorrrrrme
Elaine Greg : Sou suspeita em falar.... mas a melhor queijadinha, a melhor bananada, o melhor quindim eram feitos ali. Receita tradicional, caseira, feita com ingredientes naturais... doce de verdade. Eu e meus irmãos passamos a infância, adolescência ali. O cheiro e sabor de cada doce está em minha memória. Na verdade o cheiro daquela bananada ficava pelo quarteirão. Tempos gloriosos... Fiquei emocionada.
Maria Vitalina Fernandes Oubiña: Meu tio deu início e desde pequena (14 anos) trabalhei na Elite, depois me mudei e retornei a trabalhar com meu irmão Antônio quando minha irmã Isabel infelizmente nos deixou. Lá os doces sempre foram feitos com qualidade e produtos de primeira, receitas caseiras com o principal ingrediente que era o amor pelo fazíamos, a Elite é mais que uma doceria, é a história de vida de uma família.
Emilia Gomes: Maria Helena Fernandes Forli quanta história pra contar desses tempos. Lembro da maneira que faziam a bananada, doce de leite e todo maquinário utilizado. Tudo isso me fez relembrar de um passado embora de lutas mas também de muito aprendizado. Saudades dos meus pais. Estou muito contente e feliz. Esses depoimentos me trouxeram tempos gloriosos da doceria Elite. Verdade seja dita, doces feito com amor. Eu mesma, desde pequena, já trabalhava no balcão servindo os fregueses e embrulhado as bananadas. Saudades desses tempos gloriosos. Não posso deixar de agradecer por todos que fizeram parte dessa história. Minha prima Vitalina, minha segunda mãe que além de trabalhar na doceria também me mimava todos os dias. Meus pais foram pessoas guerreiras e de boa índole. Também não esquecendo do meu irmão José que transformou o sonho em realidade.
O TERRAÇO CHOPP
A linha do tempo da nossa trajetória
1969
ONDE TUDO COMEÇOU
Antes mesmo de tornar-se restaurante, no local havia uma casa residencial que foi adaptada para começar a funcionar o Terraço Chopp. Em frente onde era a garagem da casa, eram colocadas algumas mesas onde as pessoas chegavam e tomavam um chopp, pediam porções e apreciavam a vista.
1974
AMPLIAÇÃO DO TERRAÇO CHOPP
Durante o período de 1969 até chegar a 1974, foram realizadas as aquisições de terrenos vizinhos para construções das lajes, para onde seria ampliado o Terraço Chopp.
1979
INICIADA A CONSTRUÇÃO DA CANECA GIGANTE DO TERRAÇO CHOPP
Foi iniciada a construção da caixa d'agua em formado de caneca, que é o marco do Terraço Chopp, sendo possível ser avistada por praticamente toda orla da cidade de São Vicente e Santos.
1990
MODERNIZAÇÃO DA CHOPERIA
1995REFORMA DE MODERNIZAÇÃO, MAS DESTA VEZ, DO RESTAURANTE TERRAÇO
É realizada a segunda grande reforma de modernização, mas desta vez no Restaurante Terraço.
2011
ÚLTIMA GRANDE REFORMA!
Foi realizada outra grande reforma de modernização do Restaurante Terraço Chopp para melhor atender os clientes.
RUFINO CASAL TREINA
Dalmo Duque dos Santos com informações de Clóvis Vasconcellos
Rufino, sua esposa Lucy e um amigo em dos seus restaurantes da rede Rufinu's
Em meados dos anos 1960 e início dos anos 1970 a avenida Presidente Wilson era forrada de mansões de membros da classe alta, uma aristocracia formada por empresários e executivos do Porto de Santos. A maioria deles era composta por estrangeiros; ingleses, franceses, italianos e noruegueses. Essa ocupação urbana estrangeira já era do início do século e foi se espalhando na antiga Vila Betânia - atual bairro Boa Vista – e também foi marcada pela surgimento de estabelecimentos comerciais voltados especialmente para essa clientela sofisticada, como o próprio empório Boa Vista, que mais tarde se tornaria o célebre restaurante que funcionou durantes muitos anos na esquina da rua 11 de junho com a rua Pero Correa. Muitos outros estabelecimentos e profissionais de gastronomia foram fundados e desenvolvidos nesse período de prestígio urbano e também de euforia do turismo praiano em São Vicente. Foi nesse cenário que teve início a carreira meteórica de Rufino Casal Treina, um jovem imigrante espanhol que se tornaria um dos chefes de cozinha e empresários mais famosos do ramo de restaurante em São Paulo. Rufino começou a vida como simples garçom nos raros restaurantes aristocráticos de São Vicente. Mas não era um garçom comum e se destacava entre os colegas pela sua postura européia, uma sofisticação de atendimento que lembrava a elegância e fineza dos profissionais italianos, muito em voga na época. Rufino aprendeu rapidamente essa etiqueta ao atender esses grupos aristocráticos europeus que viviam na Presidente Wilson, Itararé e Boa Vista. À essa experiência foi somada a sua memória de infância e juventude vivida em uma cidade espanhola do Mediterrâneo, em meio a comerciantes, marinheiros e pescadores. De São Vicente foi para Santos, Guarujá e finalmente subiu a serra para brilhar internacionalmente na rica e competitiva gastronomia paulistana. Tornou-se proprietário do Rufinu's, uma verdadeira griffe estabelecida nos melhores pontos comerciais da Capital.
RESTAURANTE LÁ EM CASA.
O Restaurante Lá Em Casa ( Avenida Presidente Wilson esquina com a travessa para a Antonio Rodrigues) era um dos mais movimentados restaurantes, não só de São Vicente como de toda a Baixada. Por vezes era impossível achar uma mesa vazia. Fez parte da história de inúmeros vicentinos e turistas e deixou saudades, muitas saudades. Acervo da temponauta Fabiana Joenck. São Vicente de Outrora.
NOTA: O prédio onde funcionou o restaurante foi ocupado nos anos seguintes pela Padaria Sensação e atualmente pelo Banco Santader.

Acima funcionários encerrando a jornada da noite com uma refeição. Abaixo uma noite típica de ocupação completa das mesas.
SEIS DÉCADAS DO ITAPURA
O Restaurante Itapura iniciou suas atividades no início dos anos 60, localizado na Praça Barão do Rio Branco – na esquina das Ruas Martim Affonso e Jacob Emmerich –, em São Vicente.
Alguns anos depois, mudou-se para a avenida Newton Prado, próximo à Ponte Pênsil. O cardápio ‘à La Carte’ especializado em frutos do mar e peixes, e a vista ao mar eram pontos altos daquela sede.
Por volta dos anos 90, o Itapura fixou-se na Avenida Presidente Wilson. Junto à nova casa, veio também um novo serviço, transformado em ‘quilo’.
Após nove anos neste local, no ano de 1999, mudou-se novamente, desta vez para o número 917, da mesma avenida. Atualmente, em sede própria, o Restaurante Itapura conta com um ambiente amplo e familiar.
TUMIARU, CARTÃO DE VISITA NO GONZAGUINHA
Localizado no antigo salão de festas do Edifício Tumiaru, construído em 1948, o segundo mais antigo da Praia do Gonzaguinha, o restaurante do mesmo nome teve longa duração e vários proprietários. No local já funcionou pizzaria, lanchonetes, bufês e mais recentemente uma espetaria .
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QUIOSQUE DA CRIS: TRÊS DÉCADAS DE LIBERDADE

Quiosque da Cris, em São Vicente, atrai 4 mil pessoas por dia no verão. Clientes ressaltam liberdade e o respeito como principal atrativo do local.
Anna Gabriela Ribeiro
Do G1 Santos
Um quiosque em São Vicente virou ponto de parada 'obrigatório' do público GLS que mora e que visita o litoral de São Paulo durante o verão. O 'Quiosque da Cris' ficou conhecido no Brasil inteiro por ser um ponto de encontro do público GLS e, com o passar do tempo, passou a atrair turistas de países como a França, Itália e os Estados Unidos.
O quiosque fica na praia do Itararé e é resultado de uma tentativa ousada da proprietária Cristiane Lopes Lorca. “Há 25 anos eu abri meu próprio negócio. Era só um carrinho de pastel. Não era a intenção inicial ser um point GLS, mas as pessoas se identificaram com o meu jeito. Eu sou gay e isso acabou atraindo este público. Hoje o quiosque é um sucesso’, afirma Cris.
Ela conta que já sofreu muito preconceito e, em determinado momento, chegou até a ser agredida. Apesar disso, ela afirma que hoje em dia o local é frequentado por famílias que buscam o bom atendimento e a liberdade de comportamento. “Aqui rola muita paquera, porém, eu estou sempre em cima, de olho. Não admito pegadas mais fortes entre os casais, porque acho que tem que haver um respeito com as outras pessoas. Se queremos ser respeitados, também temos que respeitar”, diz Cris.
E é o respeito e a liberdade que os clientes mais ressaltam quando questionados sobre o que os atrai ao local. “A liberdade de andar a vontade, sem preconceito, poder andar de mãos dadas com o seu namorado, sem se preocupar sobre o que estão pensando. Isto é o melhor do Quiosque da Cris”, afirma o estudante André Salmazo.
Vários grupos de turistas vão ao local, como os amigos Túlio Ferns, Dennys William e Henrique
Sprocatti, de Jundiaí (SP). Eles ressaltam o bom atendimento e afirmam que a paquera é ponto forte no local. “Daqui só sai solteiro quem quer. Rola muito paquera. Tem muita gente interessante”, conta Henrique.
O quiosque da Cris atrai pessoas jovens e casais mais velhos, como Thalys Garcia e Cláudia Costa, que namoram há dois anos. “Gostamos de vir aqui pela base GLS, pela segurança, por saber que são todos iguais”, diz Thalys.
Para chegar ao local é bastante fácil, já que o Quiosque da Cris é decorado com as cores da bandeira GLS. Segundo a dona do quiosque, Cristina Lorca, o point atrai turistas de diversos países, como França, Itália e Estados Unidos. “No réveillon recebemos um grupo da California, que nos presenteou com uma bandeira do estado que tem as cores do arco-íris”, diz Cris.