quarta-feira, 10 de julho de 2019

A CIDADE ERA TODA VERDE - Histórias de Seu Evaristo



AS HISTÓRIAS DE SEU EVARISTO



Suplemento especial de A Tribuna de 24/4/1983) 

Comemorando seu 90º aniversário de publicação, o jornal A Tribuna de Santos publicou - em 24 de abril de 1983 - um caderno especial com uma grande entrevista com José Evaristo da Silva, residente em São Vicente, que nesse dia completava 93 anos de idade "e pode se gabar de ser uma das poucas pessoas a existir há mais tempo do que este jornal. Personagem que se tornou uma testemunha viva de acontecimentos históricos, dramáticos ou simplesmente pitorescos", como citou o matutino na capa desse caderno especial, que abrangeu também histórias de Guarujá e outras cidades da região. 

Serra acima - Nascido em 24/4/1890 em Barretos/SP e criado em Bebedouro/SP, José Evaristo se transferiu ainda jovem para São Vicente. Ele se lembra do histórico dia de 1913 em que ele e alguns amigos subiram a Serra Velha numa Ítala de quatro cilindros, "um pistão enorme", e foram recebidos com um almoço pelo prefeito de São Paulo, pois foi a primeira vez que alguém teve a coragem de fazer aquela viagem de automóvel. 

Cita a matéria que a Serra Velha era "um caminho por onde passavam apenas cavaleiros e tropas de burros. O senhor Evaristo tenta, mas não consegue se lembrar dos nomes de todos os seus companheiros, naquela viagem pioneira".



E José Evaristo retoma o relato: "O carro era uma Ítala muito potente. Tinha só quatro cilindros, mas o pistão era grande assim. Eles me convidaram porque eu era motorista e entendia um pouco de mecânica. Foi difícil a subida e atolamos várias vezes. O carro foi retirado três vezes por cavalos emprestados pelo dono de umas olarias lá no meio da serra. Na quarta vez ele reclamou que a gente estava atrapalhando seu serviço e aí tiramos o carro na mão mesmo". 

José Evaristo lembra que ficou muito mais fácil depois de chegar a São Bernardo. Mas bom mesmo foi quando chegaram a São Paulo e o prefeito ofereceu um almoço a eles: "Foi no Rotisserie Hotel, ao lado do Viaduto do Chá. Isso aconteceu em 1913." Foi nesse mesmo ano que ele tirou sua carta de motorista, segundo sua memória. 

Ele não se esquece, por exemplo, que o lugar onde existe hoje o quartel do 2º Batalhão de Caçadores era uma sociedade alemã, o Clube Germânico: "Depois da guerra é que o Brasil tomou tudo aquilo". 

Primeiro ponto - José Evaristo teve outro pioneirismo: a abertura do primeiro ponto de automóveis de aluguel de São Vicente(em 1936, na Praça Barão do Rio Branco). Como relatou ao jornal: "Já havia uns carros de aluguel, mas ponto mesmo foi o primeiro. Era ali na Praça Barão do Rio Branco, onde só existia a estação dos bondes e um barracão de zinco grande, que era a Polícia da Cidade." 

Continua o jornal: "Os primeiros carros que chegaram por aqui eram europeus. Só mais tarde é que vieram os americanos. São Vicente tinha pouquíssimas ruas que permitiam a passagem de automóveis. No início, só havia calçamento onde passava o bonde, nas linhas 1 e 2. A linha 1 era pelo Matadouro e a 2 ia da Capitão-mor Aguiar até Santos. Mas automóvel ainda era para poucos e o trem era o grande veículo para as viagens." 

Ponte Pênsil - Relata o jornal, na edição especial, referindo-se a José Evaristo da Silva: "Ele se lembra, por exemplo, do acidente de moto que aconteceu no dia da inauguração da Ponte Pênsil, em 1914, fatal para o piloto, um rapaz da família Prado. (...) No dia da inauguração da Ponte Pênsil, ele estava trabalhando. Era motorista particular de Antônio Cândido Gomes, naquele distante dia de 1914, quando todas as autoridades desceram a serra para a grande festa. Só que aconteceu o que ninguém esperava: um acidente de trânsito, com uma vítima. 'As mãos de direção eram como hoje. A gente entrava na ponte vindo pelo lado da Capitão-mor Aguiar e saía pelo lado da Biquinha. Um motociclista tentou entrar pela contramão, pegou a frente de um carro e subiu. Ele subiu até a altura do fio do poste e acho que já estava morto quando caiu no chão. Ele era da família Prado, não me lembro do primeiro nome. Só sei que era família grossa e nem saiu direito nos jornais. Nesse dia, teve um grande engarrafamento na ponte, porque o trânsito parou dos dois lados'. Parece incrível, mas a velha Ponte Pênsil já começou com um congestionamento". 

"Aqui (Vila Valença- São Vicente) era só pasto, onde o pessoal trazia o gado para descansar e não perder peso na viagem" 

Em termos comparativos, é difícil dizer o que foi mais importante para a vida de São Vicente nestes últimos 90 anos: se a inauguração do monumento comemorativo ao 4º Centenário do Descobrimento do Brasil ou a reurbanização da Praça Barão do Rio Branco que aí está; se a Ponte Pênsil ou a nova ponte sobre o Mar Pequeno; se a Via Anchieta ou a Rodovia dos Imigrantes; se a água que veio da Adutora de Itu ou o reservatório-túnel no Morro do Voturuá; se as linhas de bondes ou as avenidas de tráfego expresso; se as violentas ressacas da maré ou a total desfiguração da Ilha Porchat; se a paulatina perda de áreas limítrofes para Santos ou a emancipação de Praia Grande em um só golpe; se o Cassino Ilha Porchat ou o Jockey Club São Vicente; se o quarto centenário de 1932 ou os quatro séculos e meio no ano passado [N.E.: 1982]. 

É difícil dizer, porque cada um destes acontecimentos, e tantos outros mais registrados dia a dia por A Tribuna, desde seus primeiros números, contribuíram em sua época para afetar, de alguma forma, a evolução histórica da Cidade. 

"Ali era um grande descampado onde a boiada pastava e descansava depois da viagem, antes de ser levada para o matadouro". O ali, a que se refere o seu José Evaristo da Silva, era a área pertencente à Santa Casa da Misericórdia de Santos, onde hoje estão os povoados bairros de Vila Valença e Jardim Independência. 

Nas primeiras décadas deste século [N.E.: século XX], São Vicente era toda verde. Afora as construções no Centro, onde remanesciam estoicamente alguns prédios da época colonial, o restante desta metade da Ilha era formado de densa vegetação, eventualmente cortado por caminhos, picadas e linha do bonde. A abertura da avenida de acesso à Ponte Pênsil, e a casa do João do Morro na encosta próxima à Biquinha, nem de leve afetavam a virgindade do Morro dos Barbosas, onde viviam grupos de índios aculturados. 

A Ilha Porchat, que era verdadeiramente ilha, cercada de água por todos os lados, estava inteira; apenas no sopé, onde se chegava por uma ponte vazada de madeira, o cassino movimentava centenas de contos de réis entre um e outro show de famosos artistas nacionais e internacionais. Os barões do café, os membros do corpo diplomático e os empresários da navegação construíam na Boa Vista seus casarões em estilo europeu, muita grama e muita árvore, sem faltarem as cocheiras com puros-sangues para trotes e galopes nas areias quase desertas da Praia do Itararé. 

"Glória ao berço do Brasil" foi a manchete de primeira página de A Tribuna numa sexta-feira, dia 22 de janeiro de 1932. Margeada por longa matéria alusiva ao 4º Centenário de Fundação da Cellula Mater, artístico desenho de uma nau portuguesa saudava o fundador Martim Afonso de Souza. Seu Evaristo leu tudo aquilo e mais o noticiário nas páginas internas, com muita calma pois era feriado nacional especialmente decretado pelo chefe do Governo Provisório, Getúlio Dornelles Vargas. Houve muita festa na Cidade, apesar da inquietação política que pairava sobre São Paulo. Veio o 9 de Julho e São Vicente também teve seus heróis. 

Entre umas e outras ressacas da maré, menos ou mais violentas, a Baía de São Vicente ia pouco a pouco perdendo sua faixa de areia, devido, segundo alguns, à substituição do acesso de madeira à Ilha Porchat por uma compacta ponte de concreto. Brotavam na orla do mar os "arranha-céus" Mirante, Gáudio, Icaraí e Grajahu, precursores de centenas de outros mais altos, enquanto áreas de periferia, anteriormente destinadas à agricultura (com seus canais de irrigação) eram convertidas em loteamento. 

A falta de água, que já era crítica para o morador vicentino, virava calamidade pública no verão com a chegada dos forasteiros. Durante muitos anos foi um martírio ter-se de recorrer à Biquinha ou às fontes no Itararé ou Voturuá, em filas intermináveis de garrafões e panelas à cata de água potável. A de torneira, quando havia, era armazenada em latões para o chamado na época "banho de canequinha". Quem tinha recursos, mandava furar um poço artesiano no quintal ou então abastecia as caixas subterrâneas recém-construídas com água comprada em caminhões-pipa. Apesar desta dificuldade, a Via Anchieta trazia nos fins de semana e temporadas mais e mais paulistanos para as praias ainda limpas e de águas claras. 

E aconteceu o surto imobiliário, ajudado pela parcial solução do problema do abastecimento de água com o advento da Adutora de Itu. Aproveitando a tibieza da fiscalização e os "buracos" da legislação de obras, os edifícios de apartamentos do tipo porta-e-janela pipocaram indiscriminadamente; as últimas casas antigas do Centro deram lugar a prédios comerciais e os bairros periféricos já eram sólidos núcleos habitacionais, muitos deles favelas ou palafitas sobre o mangue. 

Sem o "inconveniente" da Pedra dos Ladrões, que a insensibilidade do administrador transformara em guias e sarjetas, e com os bondes fora de circulação, a Cidade recebia suas primeiras avenidas asfaltadas, na praia e na antiga Linha 1. Era o progresso que chegava, trazendo também o telefone de disco em substituição ao de manivela da velha C.T.B.: o mesmo progresso que trocara as flores, o gramado britânico e o coreto do Jardim da City pelo estranho, importuno e feio prédio dos Correios e Telégrafos. 

Vieram os tempos bicudos. O funcionalismo municipal vivia à custa de esmolados vales nos cofres vazios da Prefeitura ou convertendo em dinheiro as mercadorias que retirava fiado na Cooperativa. Um prefeito renunciou, um vice-prefeito também, outro prefeito foi demitido pela Revolução e a Cidade andou aos trancos e barrancos nas mãos de interventores. O Morro dos Barbosas vingou-se das seguidas violações que vinha sofrendo e, em memorável rasteira, derrubou o Edifício Vista Linda, felizmente sem vítimas fatais. De abandono em abandono, o Bairro de Praia Grande não agüentava mais e acabou tornando-se Município. As pedreiras localizadas no Morro do Voturuá começavam a aterrorizar os moradores na Vila Valença e Vila Misericórdia (hoje Jardim Independência). A cada chuva mais forte, coincidindo com maré alta, ocorriam violentas enchentes na Vila Fátima e bairros vizinhos, destruindo habitações humildes e deixando centenas de desabrigados; era um desespero só. 

Depois vieram outros prefeitos, não tão bons quanto José Monteiro (foto), que foi o melhor de todos - no entender do seu Evaristo -, mas que procuraram assumir a realidade do chamado progresso e desenvolvimento; ajeitaram as finanças municipais, iluminaram e pavimentaram avenidas e ruas de praias e bairros, reurbanizaram praças, construíram escolas e pré-escolas, brigaram com o Governo do Estado por obras prioritárias etc. Viveram os adventos da Rodovia dos Imigrantes e da nova ponte sobre o Mar Pequeno, mas não conseguiram (e quem conseguirá?) solucionar o problema das favelas onde hoje vivem 45 mil pessoas. 

E o futuro? Bem, o futuro a Deus pertence, diria talvez seu Evaristo, com a experiência de quem viu sua cidade passar por tantas transformações ao longo das últimas décadas, onde a imprevisibilidade da vida quase sempre desmentiu as perspectivas feitas com base no raciocínio e na lógica dos futurólogos e planejadores. Mas, seja qual for esse futuro, São Vicente depende de decisões - principalmente ações - urgentes para solucionar os muitos e graves problemas que hoje [N.E.: 1983...] enfrenta. 

No momento, a Cidade tem nos contrastes a sua característica principal. Ao caminhar pela chamada área turística do Município, seu Evaristo encontra hoje a orla da praia totalmente ocupada por grandes edifícios, que à primeira vista dão idéia de um progresso discutível que São Vicente conheceu nos últimos tempos. Um pouco mais para trás, surge uma extensa área periférica que vai, com grandes dificuldades, conhecendo os primeiros sinais da urbanização que, na orla das praias, já é coisa antiga. Mais para trás ainda na Cidade, um enorme cinturão de favelas, abrigando 45 mil pessoas, sitia a parte insular do Município. E do outro lado do mar, após o Canal dos Barreiros, está o Distrito de Samaritá, o território continental de São Vicente, muito maior do que a área insular e praticamente inexplorado em suas potencialidades diversas. 

Há algum tempo, os administradores vicentinos têm consciência de que as possibilidades do Município dentro da ilha estão esgotadas e, na região insular, a atenção se volta agora para a busca de soluções que minorem alguns problemas que ameaçam se tornar irreversíveis. Se o boom imobiliário na orla da praia incrementou o setor da construção civil e transformou São Vicente num dos principais pólos de atração turística da Baixada, hoje é flagrante que a Cidade se ressente da falta de uma infra-estrutura para agüentar o peso dessa posição, sob ameaça de ver comprometida uma das únicas fontes de renda municipal. 

A concentração populacional nas praias provocou desequilíbrios no meio-ambiente, o mais grave representado pela poluição do mar, resultado de um sistema de esgotos não planejado para suportar tamanha sobrecarga. Atualmente, a Cidade tem apenas 16 por cento da área insular (centro e praias) com saneamento. A Sabesp, dentro de suas obras de expansão que já se arrastam há quase três anos, pretende ampliar esse índice para 60 por cento, mas beneficiando apenas a zona periférica, não havendo no momento verbas para se redimensionar o sistema na orla da praia, embora os técnicos da concessionária admitam que a situação ali é grave, com constantes extravasamentos de esgoto para o mar, durante temporadas ou fins de semana prolongados. E seu Evaristo corre hoje o risco de nunca mais ver o mar vicentino tão belo e limpo que atraiu para a Cidade tanta gente de fora. De que adianta um mar onde a gente já tem que pensar duas vezes antes de mergulhar, não é mesmo, seu Evaristo? Por isso, a luta pelo saneamento básico continuará sendo um dos itens mais importantes do futuro de São Vicente. 

Urbanizar a periferia representa uma outra tarefa árdua, especialmente em função dos altos custos que o calçamento de ruas envolve hoje em dia, inviabilizando o outrora eficiente plano comunitário de urbanização, sem que até agora tivessem surgido alternativas para substituí-lo. Nada, porém, se compara, em termos de gravidade para os problemas da região insular do Município, como as favelas. De tempos em tempos, seu Evaristo abria as páginas de A Tribuna e constatava que mais uma invasão das chamadas áreas de marinha ocorrera, com o rápido surgimento de mais um núcleo de sub-habitações. Hoje, os favelados, de acordo com as últimas estimativas (que já podem estar defasadas com a realidade), somam 45 mil, o maior índice da Baixada. 

O que fazer com toda essa gente, seu Evaristo? Essa questão vem sendo feita por todos os últimos prefeitos de São Vicente e, sem dúvida, ainda continuará ocupando lugar de destaque nas administrações futuras, embora, a nível municipal, pouco possa ser feito para resolver o problema, que exige condições financeiras que a Prefeitura vicentina dificilmente terá, mesmo num futuro mais distante. Alguns defendem a urbanização desses núcleos, que hoje já contam, em grande parte, com água encanada e luz. Tal proposta representaria uma ampliação dos esforços para urbanizar a zona periférica, logicamente com obstáculos ainda maiores aos atuais. Outros, contudo, entendem que a transferência das favelas seria a melhor opção, como meio de se ordenar o traçado urbano da cidade. Mas, transferir para onde? 

Bem em frente às duas maiores favelas do Município, Saquaré e México-70, do outro lado do Canal dos Barreiros, fica o Distrito de Samaritá, abrigando hoje uma população em torno de 15 mil habitantes, divididos em três núcleos maiores - Vila Ferroviária, Parque das Bandeiras e Jardim Rio Branco - e outros agrupamentos menores. 

Os defensores da tese da transferência das favelas vêem em Samaritá a alternativa ideal para abrigar conjuntos habitacionais que seriam ocupados pelos favelados da região insular. Área é que não falta, já que a maior parte do distrito é deserta. Os que defendem a não transferência e a urbanização das favelas colocam como empecilho a resistência natural à mudança desses milhares de pessoas, em especial devido às dificuldades de acesso entre São Vicente e Samaritá. Ambos, no entanto, concordam que o distrito representa uma das únicas saídas para resolver o déficit habitacional, não só do Município como da Baixada. 

A nível econômico, o Distrito de Samaritá é também considerado a única opção para São Vicente, que hoje tem nos impostos predial e territorial a sua maior fonte de receita na área insular. Samaritá, na opinião dos últimos administradores vicentinos, também representaria a única saída para a geração de empregos no Município, no momento restrita ao setor da construção civil e ao comércio. Simultânea à ocupação habitacional do distrito, prevê-se também sua ocupação industrial. 

Mas, nos dois casos, as dificuldades de acesso à região continental continuam sendo os maiores obstáculos. É por isso que, volta e meia, seu Evaristo abre o jornal e vê alguém defendendo, de maneira contundente, a construção de uma ponte sobre o Canal dos Barreiros que permita a integração rodoviária entre a parte continental e a sede do Município. Se esse objetivo será alcançado num futuro próximo ou mais distante, é uma questão que só o tempo vai responder, embora a posse do novo Governo Estadual tenha trazido à Cidade grandes esperanças de que a construção dessa ponte considerada tão vital poderá ocorrer pelo menos a médio prazo. 

Mas, através do jornal, seu Evaristo tem lido também que algumas pessoas, que são chamadas de ecologistas, já apontam os riscos que uma ocupação industrial desordenada de Samaritá pode provocar. Se o distrito se transformar, por exemplo, numa nova Cubatão, São Vicente poderá angariar altos recursos com os tributos arrecadados das indústrias, abrindo ao mesmo tempo um amplo mercado de trabalho no Município. Mas a opção habitacional ficará comprometida. Quem quererá viver numa nova Cubatão, seu Evaristo? Na verdade, há um novo código de obras e de uso do solo que traz, como um dos seus principais itens, medidas de preservação para Samaritá, limitando a ocupação industrial apenas por indústrias não poluentes. Tal código, entretanto, não foi até agora votado pela Câmara, embora já tenha sido elaborado há quase três anos. 

É isso aí, seu Evaristo. Como se vê, a situação da Cidade que o senhor vem vendo transformar-se ao longo desses últimos 90 anos é bastante complicada. E as perspectivas para o futuro também são muito complexas. Mas, como diz o velho ditado, a esperança é sempre a última que morre. Por isso, vamos torcer que, ao abrir as páginas dos futuros números de A Tribuna, seu Evaristo possa ler notícias que digam que os responsáveis pelos destinos da sua Cidade estão agindo no sentido de dar aos vicentinos uma melhoria sempre crescente no seu nível de qualidade de vida. 



Mansão da família Wolf, na rua Frei Gaspar, vizinha da Casa Caramuru (atual prefeitura)