terça-feira, 9 de julho de 2019

MEMÓRIA DA ARQUITETURA Edison Eloy de Souza


As orlas do Gonzaguinha e Itararé retradas em um cartão postal dos anos 1970 


SÃO VICENTE EM TRÊS TEMPOS

Arquitetura e urbanização na Área Insular 

*Arquiteto Edison Eloy de Souza 



Preliminarmente é preciso compreender que o território atual do município de São Vicente é composto geograficamente em duas partes bastante distintas: uma área menor e insular, parte da ilha de São Vicente, que também engloba o município de Santos, e outra maior e continental, que faz divisa com a Praia Grande na baixada e vai até São Bernardo do Campo no planalto. Desse total somente 16% (dezesseis por centro) é área urbanizada, já que as demais 84% (oitenta e quatro por cento) é ocupada pelas 4 (quatro) áreas ambientais protegidas do Município, que são: o Parque Ecológico Voturuá, o Parque Estadual da Serra do Mar, o Parque Estadual Xixová-Japui e a Apa Marinha Litoral Centro. 

A maior concentração populacional se dá na área insular, em torno de 70% junto à orla, através de edifícios residenciais altos, ocupados por habitações permanentes ou de veraneio, por uma classe media em termos econômicos. Nesta parte também há pequenos enclaves de favelas ou palafitas ocupados por população de baixa renda. Já a parte continental, mais extensa e mais rarefeita em termos de ocupação, é ocupada por população de baixa renda, em torno de 30%, bastante ligada às atividades do polo industrial de Cubatão e aos serviços da Praia Grande. A população atual do município de São Vicente é composta por 332.445 mil habitantes, segundo o censo de 2010, para seus 148 km2, que caracteriza uma cidade fisicamente pequena e dividida nas suas partes físicas; sua densidade populacional média é considerada baixa (2.232,28 hab./Km2 ou 22hab/ha). Porem há áreas especificas do Centro e da Orla que registram densidades maiores, em torno de 22/hab/ha. Essa população é bastante jovem, representando 42% (quarenta e dois por cento) na faixa entre 15 e 39 anos, considerada economicamente ativa. 

A cidade é majoritariamente urbana, com a população de maior poder aquisitivo concentrada na orla (70%) e os demais 30%, de menor poder econômico, habitam na parte continental, apesar de seu maior território, gerando baixa densidade populacional, onde as carências de infraestrutura e serviços públicos são mais acentuadas. Há uma população flutuante, nas temporadas, que chega a representar um acréscimo de 60.000 pessoas, ou seja, em torno de 20% a 25% da população fixa, bastante facilitada pela pequena distancia da capital, (60 quilômetros), pela Rodovia dos Imigrantes, que desemboca praticamente na cidade, ou ainda pela Via Anchieta que chega a Santos, ambas vias de ótima qualidade. As atividades econômicas da cidade se desenvolvem principalmente nas áreas de serviços, comércio. 

A localização e geografia da cidade, como continuação natural da orla de Santos, por um lado e ligada ao município de Praia Grande pela ponte sobre o Mar Pequeno, bem como pela Ponte Pênsil por outro, a transforma num inevitável corredor viário de passagem, com suas vantagens e problemas decorrentes. 

EVOLUÇÃO URBANA 

No inicio do século XX foram construídas mansões em lotes de quadras inteiras no centro histórico e comercial, como a Casa do Barão em 1925, a vila do Castelinho em 1931, para atender a demanda dos funcionários das empresas estrangeiras aqui sediadas. Houve também construções de vários casarões importantes de famílias abastadas na área do bairro de Boa Vista próximos à orla, na época áurea do café, algumas até fugindo dos problemas de saúde publica de Santos. 

A partir daí a evolução urbana, já na forma de edifícios residenciais verticais, foi se dando em pontos isolados no próprio centro, na praia do Gonzaguinha ou ainda na Praia de Itararé. Assim, foram construídos o Edifício Anchieta (1935) no centro comercial; o edifício Gaudio (1939) no Gonzaguinha; o Edifício Mirante (1945), junto a Ponte Pênsil. 

Porém, a grande massa de edifícios construídos na cidade e particularmente na orla aconteceu a partir das décadas de 1950, 60, e menor na de 1970; Há uma retomada a partir de 1977 pela transformação da cidade em Estância Balneária do Estado. Mas mesmo assim foi afetada, nesse período, pela crise que se abateu na economia regional em função do choque do petróleo, da redução das exportações, da modernização dos portos, e privatização da Cosipa e da grave poluição de Cubatão em 1982. 

A maioria dos edifícios construídos teve função residencial e foi projetada para veraneio, isto é como residência de fim de semana ou temporada, dada a proximidade da capital de São Paulo. Salvo algumas exceções os programas arquitetônicos se constituíam de pequenos apartamentos, tipos quitinetes, realizados por companhias construtoras que aqui se instalaram, realizando empreendimentos a preço de custo, isto é, financiados pelos próprios proprietários durante sua construção, já que não existiam os programas de financiamentos atuais. Note-se que grande parte deles se constituiu de construções feitas meramente com interesse comercial, da chamada especulação imobiliária, com pouca ou nenhuma preocupação arquitetônica. Alguns com longa maturação e construção pelos percalços e dificuldades do sistema de financiamento próprio. 

Procuramos selecionar neste trabalho algumas honrosas exceções, feitas por arquitetos antigos ou atuais que conseguiram produzir obras diferenciadas na paisagem. Ainda assim, elaborados eventualmente com algumas concessões comerciais. 

A linguagem arquitetônica utilizada em geral por esses profissionais se prendeu ao período realizado, de forte transformação formal, com a ascensão do movimento moderno da Arquitetura, em termos nacionais e internacionais, que pregava formas puras, a honestidade e a independência estrutural, as divisórias leves, a devolução do solo livre e a permeabilidade do pavimento térreo, através dos pilotis, o teto jardim etc. A tônica geral era a eliminação dos ornamentos, adereços e romantismo do período anterior e a busca de um desenho mais limpo e racionalista. 


ESTRUTURA VIÁRIA E VOLUMETRIA URBANA 

O desenvolvimento urbano é definido por sua estrutura viária. Com relação ao traçado urbano geral de São Vicente é curioso observar que, mesmo nas áreas planas, ele não seque o padrão convencional das cidades portuguesas ou espanholas tradicionais, formado por quadras ortogonais de 100m x 100m num tabuleiro uniforme, monótono e sem criatividade. 

Em São Vicente se observamos o desenho da maioria dos bairros vemos que eles seguem um padrão de arruamento mais variado, bastante aleatório, dando a impressão que são frutos de loteamentos especulativos, mas mais espontâneos. 

Com relação aos edifícios em geral temos que diferenciar os edifícios da orla e alguns mais recentes no interior da ilha e do continente daquelas raras edificações remanescentes do período passado, ou ainda das construções espontâneas. Enquanto os edifícios altos têm uma linguagem moderna, isto é são prismáticos, funcionalistas com o emprego de materiais de acabamento mais contemporâneos, as antigas residências ainda guardam um estilo mais livre, romântico, com varandas e ambientes generosos e o emprego de materiais tradicionais. 

Na configuração volumétrica urbana, principalmente na orla da ilha, a influencia maior talvez tenha sido o modelo da orla de Copacabana no Rio Janeiro, como tantas outras cidades litorâneas brasileiras. 

Não tivemos outras influencias estrangeiras ou estilos, como por exemplo, observadas em cidades costeiras americanas, como na Miami Road em Miami EUA, onde prevalece um interessante conjunto urbano “art - deco”, ou ainda os edifícios realizados, por exemplo, pelo Arquiteto Hans Scharoum na Finlândia, com linguagem claramente ligada às formas navais. 

Lembramos também que grande parte desses edifícios da orla de São Vicente e Santista, principalmente os pioneiros, sofreu, ou ainda sofrem, um processo de reforma e atualização, chamada de “modernização” ou retrofit, com a aplicação de novos revestimentos cerâmicos externos, em geral danosos ao seu aspecto original e nem sempre adequados ao espírito que os nortearam, alterações estas que contribuíram para descaracterizá-los. 

Um detalhe funcional importante do programa arquitetônico desses edifícios residenciais é quanto aos seus estacionamentos de veículos; Nos mais antigos eles são inexistentes, pois não se previa a tamanha sanha automobilística que viria nos anos seguintes; nos edifícios mais atuais, eles são resolvidos acima do solo em garagens suspensas de capacidade limitada, devido aos problemas de subsolo, em rocha ou em camadas frágeis sob areia superficial, aspectos que apresentam um grande desafio para as boas soluções de projeto. 

A seriedade desse problema de subsolo e a solução incorreta das fundações podem ser claramente observadas nos famosos edifícios inclinados da orla Santista, que apresentaram vários problemas de recalques diferenciais, de difícil e cara solução técnica, comprometendo sua funcionalidade, apesar de terem um bizarro apelo turístico. 


ROTEIROS DA ARQUITETURA ATUAL 


A fim de mostrar o resultado dessa evolução urbana apresentamos um levantamento dos seus exemplares mais significativos na forma de um Guia de Arquitetura da Área Insular de São Vicente. São inúmeras obras selecionadas por critérios de qualidade arquitetônica ou histórico, entre toda a produção construída nessa área. Ele é apresentado através deRoteiros de visitação que seguem os bairros oficiais definidos pelo município. 


ROTEIRO CENTRO HISTÓRICO E COMERCIAL 


O centro é o coração da cidade e reúne as principais construções históricas e tradicionais, o forte comercio, incluindo edifícios de serviços e residenciais. Aí se encontra a Igreja Matriz, o mercado, as praças principais, o comercio de rua, o shopping Center, as varias repartições publicas. Ele está localizado muito próximo da orla, particularmente da Praia do Gonzaguinha, bem como das ligações com São Paulo e com as demais cidades da baixada como Santos e Praia Grande. 

PLANTA HISTÓRICA JULES MARTIN 1878. 

Foi aqui que a cidade de São Vicente começou a se estruturar em 1532. Inicialmente como povoação, depois como Vila e posteriormente como cidade, mas somente em 1895, 363 anos após a sua fundação. Neste fragmento de mapa de 1878 vemos que os limites iniciais da cidade eram o Morro dos Barbosas, a Rua do Porto (atual Marques de São Vicente), Rua da Pedreira (atual Rua Visconde de Tamandaré), Rua do Rocio (atual Rua João Ramalho) e atual Praia do Gonzaguinha. Dentro deste perímetro ficavam as principais praças e edificações principais como a Igreja Matriz, Casa de Câmara e Cadeia, o pelourinho, etc. A partir daí a cidade cresceu, aumentou seu arruamento, a oferta de transportes, como bondes e vans, mas é curioso observar que a malha viária central original pouco se alterou através dos tempos. Hoje o centro da cidade ainda concentra os principais monumentos históricos remanescentes, numerosos edifícios públicos e principalmente o comercio varejista, que é extremamente pujante e movimentado. 

IGREJA MATRIZ / 1532-1757 

A primeira Igreja Matriz foi construída sob as ordens de Martim Afonso de Sousa, em 1532, próximo à praia onde foi fundada a Vila de São Vicente. Dez anos depois, um maremoto destruiu essa construção. A segunda foi erguida pelo povo em um local mais distante do mar que, entretanto foi destruída por piratas. Em 1757, a atual igreja, singela, de estilo característico desse período colonial, é a terceira e foi reconstruída sobre as ruínas da anterior. Seu nome é uma homenagem a São Vicente Mártir, santo espanhol que deu nome e é padroeiro da Cidade. Durante a restauração da estrutura original, que foi concluída em 2006, foram descobertas lápides próximas ao altar e na escadaria da entrada. 

MERCADO MUNICIPAL / 1929-2001 

Construído em 1729, funcionou durante 186 anos como a Primeira Câmara Municipal. No prédio também funcionavam a Cadeia e o quartel da Polícia. Porém, desde 1870, São Vicente já necessitava de um posto central de abastecimento, pois todo o comércio era realizado por alguns armazéns, pequenas quitandas e vendedores ambulantes. Assim, em 1929, o local foi transformado em Mercado Municipal. Atualmente, apesar de ele ter sido restaurado recentemente, infelizmente o edifício não funciona plenamente como mercado de abastecimento de alimentos, restando apenas alguns poucos boxes de alimentos, complementados por outras lojas comerciais e serviços populares, alheios à função de abastecimento, descaracterizando o edifício. Além disso, funcionou também até recentemente como terminal rodoviário da cidade de forma muito precária e improvisada. Pela sua importância histórica, mereceria uma revitalização e animação. 

CASA MARTIM AFONSO / 1895 

Instalada numa edificação do final do século XIX e que foi parcialmente demolida em 1997, é uma homenagem a Martim Afonso de Sousa, fundador da cidade de São Vicente. Atualmente, a Casa abriga dois espaços de exposições: A Casa de Madeira e a Casa do Barão de Piracicaba. A Casa de Madeira, localizada nos fundos da Casa Martim Afonso de Sousa abriga o “Sitio Arqueológico do Bacharel”, tendo como atração uma parede histórica do inicio do século XVI, além de pecas arqueológicas coletadas na escavação do sítio e painéis explicativos das pesquisas realizadas sobre sambaquis de 2.000 ou 3.000 anos e da ocupação indígena com cerâmicas tupis de 800 anos. Essas pesquisas se iniciaram em 1997, continuaram em 2009 pelo arqueólogo Manuel Gonzalez, evidenciando vestígios da ocupação européia do século XVI ao XX, num total de 800 pecas. A Casa do Barão de Piracicaba é a edificação que sobrou da casa construída por Rafael Tobias de Aguiar Barros, o 2º Barão de Piracicaba, em 1895 para sua residência de verão. Após vários usos, no final da década de 1990 a casa encontrava-se abandonada. Adquirida pela Prefeitura, a Casa do Barão de Piracicaba, foi transformada em espaço cultural, sendo inaugurada no ano 2000 nas comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil. O espaço atualmente é utilizado para exposições na parte superior e para o Centro de Documentação e Memória de São Vicente (Cedom-SV) na parte inferior. A Casa Martim Afonso fica aberta para visitação pública de terça a domingo, das 10 às 18 horas. 





EDIFICIO NOVA ERA / 1955 / Engenheiro João Birman 

Primeiro edifício residencial construído na Praça, possui 8 pavimentos-tipo com 4 amplos apartamentos por andar e acesso aberto no térreo. Seu tratamento simples, sóbrio, monocromático em verde revela detalhes e acabamentos interiores bastante requintados, como vemos no hall de entrada. Neste edifício viveu o escritor e filosofo italiano Pietro Ubaldi até o seu fim em 1972. 

EDIFICIO ANCHIETA / 1935 /Eng. Arquiteto Ernesto Behrendt 

Tradicional esquina da cidade, antigo Edifício ZUFFO, construído nos alinhamentos das vias, está situado na confluência da Rua Frei Gaspar com Rua Martim Afonso e voltado para a Praça Barão de Rio Branco; Sua volumetria se prolongava por estas vias em corpos assobradados que serviam ao comercio. Ele foi o maior centro comercial da cidade até fins do século passado. Também foi o principal ponto de encontro cívico e de diversão dos cidadãos vicentinos por vários anos. No pavimento superior funcionou inicialmente o Serviço Royal de Autofalantes da cidade, transmitindo as principais noticias do Brasil e do mundo e animava os bailes ao ar livre da cidade. Posteriormente ai se instalou a Associação Comercial da cidade. No térreo funcionou o Bar Esporte de São Vicente, onde se reuniam os boêmios da cidade. Uma reforma posterior descaracterizou a cobertura do edifício original criando um espaço utilitário, numa espécie de sótão como se pode ver nas imagens.Hoje está um tanto descaracterizado no seu aspecto funcional e pictórico, abrigando uma loja de calcados no nível do térreo e uma escola de cabeleireiros nos andares superiores, com acesso por escada bastante limitado e inseguro. 

HOSPITAL SÃO JOSÉ (Santa Casa de São Vicente) / 1929-30 

Este edifício hospitalar, de características construtivas simples, foi erguido pela benemerência e abnegação dos cidadãos da cidade no inicio do século XX, como acontece com todas as Santas Casas desse tipo. No primeiro ano de funcionamento só havia o pavimento térreo para o atendimento médico; Posteriormente foi executado o pavimento superior para os quartos dos pacientes. Com o tempo foi sendo ampliado até a configuração atual, que ocupa toda a quadra da Rua Frei Gaspar com Rua 15 de Novembro e Rua Ipiranga, no centro da cidade 



GRUPÃO (ESCOLA DO POVO)/ 1898-1913 

Este tradicional Colégio vicentino foi fundado em 1893 com o nome de Escola do Povo por um grupo de Maçons santistas era destinado exclusivamente a alfabetização popular. Em 1913 tornou-se Escola Estadual conhecida com o nome popular de Grupão. Hoje ele é ocupado pela Escola Técnica estadual ETEC Dra. Ruth Cardozo, ligada ao Centro Paula Souza, que coordena todo o ensino profissionalizante do Estado de São Paulo. O edifício atual, de características formais neoclássicas, tem 1811 m2 de área construída, num terreno de 3.000m2 em pleno centro da cidade sofreu varias reformas e ampliações interiores, mas manteve varias características como o pátio central, seus pisos ladrilhados, sua escadaria de acesso e sua fachada original. Esta fachada conserva as colunas que sustentam em seu frontispício triangular, símbolos ligados à maçonaria e à educação, como o globo terrestre, o compasso e o livro. Está localizado em tradicional praça central da cidade, conhecida pelos Jardins da Cia City, que reunia vistosa arborização, o coreto municipal, substituído posteriormente pelo prédio dos Correios que continua no centro da praça. Hoje a praça está descaracterizada pelas construções do Camelódromo, mercado popular de artigos importados numa ponta e de uma lanchonete da rede Mcdonalds na outra, comprometendo um dos espaços públicos mais privilegiados e centrais da cidade. 

EDIFICIO CENTRO EMPRESARIAL / 1988 /Arquiteto Hugo Braz 

Edifício de escritórios com linguagem tipicamente modernista, que tem como referencia formal claramente os edifícios do Arquiteto Carlos Bratke na Av. Berrini em São Paulo. Seus materiais de acabamentos são despojados, porém reforçam, com muita clareza, os volumes e as aberturas do corpo principal, bem como das prumadas verticais de circulação.Projetado originalmente para centro medico, hoje reúne não só consultórios, mas também outros escritórios e associações de classe. 

RESIDÊNCIA RUBENS CASTANHO / 194 /Arquiteto Nilo Ramos Villaboim 

Legitimo exemplar da Arquitetura modernista para fins residenciais executado no período. Três pavimentos definem claramente as funções; no subsolo os serviços e o abrigo de autos em pilotis, a sala de estar no 1º pavimento, quase ao nível da rua, acessada por rampa curva e os dormitórios no pavimento superior. 













SEDE DA SUCEN /1987 / Projeto: Denes & Levy Associados 

Edifício de programa arquitetônico diferenciado para sede de autarquia ligada ao controle de endemias regionais. Solução baixa em 3 pavimentos, aberta e ventilada com estrutura modulada de concreto aparente, amplas aberturas, vedações externas em tijolo aparente, rampas de acesso e muros de elementos vazados. Típica linguagem característica do período moderno de materiais aparentes. As configurações das saliências de concreto da fachada denotam a existência de quebra sois para proteção das aberturas de vidro, eliminados provavelmente por falta de manutenção. 

PREFEITURA MUNICIPAL/ 1885 

Casarão tradicional da cidade edificado pelo Cel. Julião Caramuru (Julião Leocádio Neiva de Lima) em estilo eclético, com materiais importados, como telhas francesas, vidros belgas, mármore de Carrara, madeira de Riga e mobiliário fino. Ele ocupava toda a quadra com frente para a Rua Frei Gaspar, fundos para a Rua João Ramalho e lateral para a atual Rua Tibiriçá. O Cel. Julião Caramuru foi destacado cidadão e político de São Vicente, tendo chegado a presidir a Câmara Municipal. Antes de se tornar o atual Palácio Martim Afonso, sede da Prefeitura Municipal serviu para acomodar a Câmara Municipal de São Vicente. Sua fachada restaurada em 1982 está tombada pelo Condephasv. 

CASA DO BARÃO / 1925 

Este casarão eclético edificado no final do século XIX em uma grande área verde, tombada pelos Conselhos de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Município e do Estado de São Paulo. O casarão foi construído pelo barão alemão Von Prietzelwitz, em 1925 e vendido em 1944 para um médico, que montou a primeira clínica cardiológica do País, em São Vicente. Em 1965, o imóvel foi entregue à Caixa Econômica Federal, em função de dívidas não quitadas. No ano seguinte, a instituição financeira cedeu o imóvel, em comodato, ao Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente. O casarão tem 1.600 metros quadrados de área construída num terreno de 7.700 metros quadrados, reformado e restaurado graças ao apoio financeiro da iniciativa privada. O local conta ainda com um museu cujo acervo tem 1.380 peças, entre móveis antigos, quadros, fotos, animais embalsamados, objetos das culturas caiçara e indígena, quadros a óleo com reproduções históricas e até os ossos de uma baleia azul encontrada durante escavações de uma obra no Itararé. O museu funciona de terça a domingo, das 9 às 15 horas. Numa construção complementar aos fundos funciona uma pequena Biblioteca Municipal. Nos fundos também ainda existe aquela que é considerada primeira casa construída em São Vicente, destinada ao Cel. José Lopes, como vemos na ilustração. 

EDIFICIO STUDIO 60 / 1982 /Arquiteto Sylvio Sandall Pires 

Linguagem moderna para este edifício residencial de 9 pavimentos tipo, com o uso do concreto aparente par realçar a estrutura e as sacadas frontais, além do tijolo aparente tratado nas vedações externas. Nota-se certo maneirismo no tratamento do pavimento térreo. 



ROTEIRO BIQUINHA / MORRO DOS BARBOSAS 


Na realidade esta área pertence à região central da cidade, da qual é contigua e está localizada num canto da Praça 22 de Janeiro, que reúne os vários símbolos da fundação da cidade. Este ponto geográfico, de caráter histórico e estratégico da cidade, caracteriza-se pela sua grande reserva verde em pleno centro e pela enorme bandeira nacional hasteada no seu topo. No seu sopé se encontram os dois marcos históricos mais simbólicos da cidade de São Vicente: A Biquinha de Anchieta e a Ponte Pênsil. 

MUSEU DO MOSTEIRO (EX-RESIDÊNCIA FAMILIA SUPLICY)/ 1900 

Esta bela Mansão tem seu nome ligado a vários acontecimentos históricos de São Vicente. Ela se compõe de vários e amplos aposentos de dormir, de estar, de serviços e esta bela varanda e alpendre de madeira nobre. Todos os materiais da construção e acabamentos são originários da Europa. Ele está restaurado e bem conservado, junto ao Hotel Chácara do Mosteiro, e guarda relíquias e objetos dos primeiros tempos da cidade e da Historia do Brasil, como azulejos, telhas, moedas, etc., bem como mantém exposta a tradição das primeiras fazendas de cana, uva e café da região, graças à dedicação de seu curador particular Sr. Neri Ambrósio. As primeiras mudas das espécies trazidas da Europa foram plantadas a sua volta para a devida aclimatação e plantio em larga escala nas novas terras. O nome dos Barbosas deriva das primeiras famílias que habitaram o Morro ainda no século XVIII. A mansão foi construída e ocupada originalmente pela família Suplicy, no inicio do século 19. Após longo período desativada a Mansão foi ocupada pelos padres beneditinos, tendo com visitantes ilustres o Cardeal Pacelli, que se tornou o Papa Pio XII. Também se registraram outras visitas ilustres como D.Pedro II e Janio Quadros. Durante a 2ª. Guerra Mundial foi base de observação e operações do monitoradamente dos navios alemães que por aqui navegaram.O renomado pintor Benedito Calixto (1853-1927), nascido em Itanhaém, se utilizou deste lugar para perpetuar suas pinturas da orla de Santos e São Vicente. 

EDIFICIO MIRANTE/ 1935 / Arquiteto Luiz Muzi 

Este é um dos primeiros edifícios residenciais da orla com concepção moderna, de volumetria elegante, com detalhes neoclássicos no bloco circular da circulação vertical, composta de escada e elevadores, com destaque volumétrico no seu coroamento. Sua elegância, sobriedade e qualidade arquitetônica perduram até os dias de hoje. Ele possui 13 pavimentos tipo, mais o pavimento térreo e a cobertura, prevista para bar, boate e restaurante.Projeto do mesmo arquiteto do tradicional Edifício Gaudio na praia do Gonzaguinha e do Edifício Astro na orla Santista, semelhantes no estilo. 

CONJUNTO RESIDENCIAL DOS ESTADOS 

Interessante conjunto residencial separado por blocos, com nomes de Estados Brasileiros. De Arquitetura singela, com somente três pavimentos que saem diretamente do solo foi realizada com materiais tradicionais, como alvenaria e telhados cerâmicos, esquadrias padronizadas e cor discreta, se integra adequadamente na natureza exuberante do seu entorno. Além de posição privilegiada com vistas para o mar, tem na sua implantação seu ponto forte: São dois blocos laterais salientes com outro mais recuado, criando um pátio comum de vivencia e estacionamento. Atualmente está completamente diferente, pelas alterações havidas nos seus revestimentos. 




PONTE PÊNSIL / 1911-1914 Projeto: August Kloenne / Bruckenbauanstalt Eng. Miguel Presgreave / Mario GambaroIdealização: Eng. Saturnino de Brito 

Cartão-postal número um da cidade de São Vicente, a Ponte Pênsil foi inaugurada em 21 de Maio de 1914 sendo a primeira do gênero a ser construída no País. A ponte foi tombada como patrimônio histórico pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) em 30 de abril de 1982 e pelo Condephasv. Ela foi construída como parte do sistema de saneamento básico da cidade de Santos, juntamente com os seus canais de drenagem, a fim de transportar o esgoto sanitário dessas cidades para lançá-lo no Oceano Atlântico, junto a Fortaleza de Itaipu na Praia Grande, sobre o chamado Mar Pequeno. Desde a sua inauguração até os dias de hoje ela continua aberta ao trafego de veículos, em mão única, nos dois sentidos, ligando São Vicente à Praia Grande, como opção à Ponte sobre o Mar Pequeno. 

Do ponto de vista técnico ela é uma ponte suspensa por cabos ou tirantes de sustentação. De silhueta curva bastante harmoniosa ela tem 180 metros em um único vão livre entre os eixos das torres de 23 m de altura cada, em treliças metálicas suspensas por 16 cabos de aço, sendo 12 de 64m e 4 de 83m.A viga de rigidez é simplesmente apoiada com distancia entre apoios de 177,60m, dividida em 30 painéis com 6m de lado e duas diagonais. Cada um dos montantes que dividem os painéis é suspenso aos cabos por meio de pendurais. Os cabos na parte externa de ponte são retos e inclinados a 32 graus. A pista de rolamento em madeira está encaixada entre duas vigas de rigidez, com uma dimensão de 6,40m. Os 2 tubos que transportavam os esgotos já não existem mais, e no seu lugar há somente tubulação para o transporte de água potável. A manutenção da Ponte vem sendo realizada ao longo do tempo com a supervisão do IPT de São Paulo. A ponte sofreu recentemente uma reforma completa, com a substituição dos seus cabos de sustentação e seu tabuleiro de passagem do trafego. 




ROTEIRO GONZAGUINHA 


Gonzaguinha é o nome popular da Praia de São Vicente, bastante frequentada e que faz ligação direta com o centro histórico e comercial da cidade. Ela se estende entre o Marco Padrão e a Praia dos Milionários, tendo 800m de extensão, perfeitamente balneáveis, com calçadão, ciclovias e equipada com serviços de apoio como bares, restaurantes e quiosques. Ela reúne algumas das edificações mais antigas e tradicionais da cidade como os Edifícios Gaudio e Tumiaru e uma das Estações Elevatórias de esgoto originais da cidade 

CASTELINHO / 1931 Arquiteto Ernesto Behrendt. Proprietário Humberto Gagliasso 

Conhecido como “Castelinho” este antigo e bem conservado sobrado particular se destaca na paisagem pela sua qualidade volumétrica e pela composição dos seus acabamentos. A partir da esquina sua composição se desenvolve de forma simétrica e harmoniosa para as ruas perpendiculares que compõem a quadra. Em 1946 o imóvel foi transformado em condomínio residencial, com 6 apartamentos, dentre os quais ainda residem descendentes dos primeiros proprietários. Ele faz parte de uma Vila residencial, chamada Jardim Aralinda, conhecida como a dos Ingleses, por reunirem moradores das companhias desse país, na época áurea do café, que podemos ver a seguir. 

JARDIM ARALINDA / 193 Arquiteto Ernesto Behrendt. Proprietário Humberto Gagliasso 

Charmoso conjunto residencial composto de 36 residências de bom padrão, conhecido como Vila dos Ingleses é um verdadeiro Oasis no centro da cidade, que tem o Castelinho como ancora na sua esquina. Casas assobradadas com telhado de barro em vários estilos antigos convivem harmoniosamente em torno de generoso pátio central arborizado. O conjunto é formado por 6 residências de 2 pavimentos mais um sótão, 24 residências assobradadas sem sótão e o castelinho de 3 pavimentos composto por 6 residências. A maioria tem acesso pelo pátio interior e outras dão diretamente nas ruas. O ótimo aproveitamento do espaço da quadra e a engenhosidade da solução arquitetônica faz com que todas as residências possuam garagem de auto, numa época em que esse bem era muito raro entre nos. Suas características o transformam num autentico precursor dos condomínios horizontais de alta qualidade. As entradas do conjunto podem ser feitas tanto pelas ruas João Ramalho como pela Candido Rodrigues. Infelizmente algumas das residências sofreram um processo de “modernização” descaracterizando parcialmente este belo conjunto arquitetônico. 

EDIFICIO TUMIARU / 1948 Incorporadores: Domingos Del Nero e Juvenal Waetge 

Fachada caracterizada pelas cores azuis e brancas dos revestimentos, que destacam as aberturas e as sacadas curvas, hoje envidraçadas. Este é o segundo edifício construído nesta praia, de volumetria simples, bastante recuado da Avenida e tem 12 pavimentos-tipo com 6 amplos apartamentos por andar e estacionamento amplo no terreno dos fundos. 

EDIFICIO GAUDIO / 1946 /Arquiteto Luiz Muzi / Construtor Vitorio Morbin 

Este é um dos mais icônicos edifícios da praia e da cidade, pelas suas características formais pioneiras e pela qualidade do seu projeto e construção. Este edifício está implantado numa esquina de terreno irregular e apresenta uma linguagem moderna original, com destaque para o bloco da escada saliente de frente, com coroamento superior em forma de cúpula, acompanhado das varandas arredondadas na fachada da praia. Os ricos detalhes coloridos em verde também lhe emprestam um caráter original. Semelhante ao edifício Astro no Boqueirão em Santos, do mesmo arquiteto, este edifício residencial tem 12 pavimentos-tipo com amplos apartamentos e térreo com restaurante tradicional, além de uma curiosidade interessante. Como foi construído durante a 2ª. Guerra mundial ele foi provido de um “bunker” em seu subsolo, com capacidade para 80 pessoas, destinado a servir de refugio em caso de ataque aéreo. Hoje serve como discoteca, sem duvida um uso mais agradável. 



ESCOLA ESTADUAL MARTIM AFONSO / 1955 Engenheiro Pablo P. Marrero 

Escola de ensino fundamental com salas de aula na parte superior, administração e recreios no pavimento térreo. Nas fachadas se destacam os painéis laterais alusivos a cidade de São Vicente e o pórtico da entrada central. Esta edificação entra neste roteiro mais pelo valor histórico do que propriamente Arquitetônico. 

CENTRAL TELEFONICA TELESP-VIVO / 1976-1979 /Engenheiro Orestes Pagliuso Neto (Reforma) 

Nas imagens vemos à esquerda a edificação da central original, mais baixa com destaque para as colunas do acesso principal e à direita o edifício isolado de ampliação. Eles revelam situações diferentes do sistema de telefonia no Brasil. No original ainda há atendimento publico no posto de telefones do térreo, além dos equipamentos de telefonia situados nos dois únicos pavimentos superiores.Na ampliação, da época do milagre brasileiro dos anos 70, já se vê um edifício de 6 pavimentos, de caráter industrial, todo fechado, reservado basicamente para abrigar os equipamentos, que ainda eram eletromecânicos, muito volumosos. A expressão desses edifícios da Telesp nessa época era facilmente reconhecida pelo tratamento moderno dado ao prédio fechado pela alvenaria aparente e marcação da estrutura de concreto aparente e as aberturas para a entrada dos equipamentos. Hoje a telefonia mudou muito e está toda digitalizada e computadorizada, onde os equipamentos das centrais são pequenos e cabem em pequenos contêineres industrializados. 

EDIFICIO TIBIRIÇA /1965 / Arquiteto Joaquim Guedes 

Edifício esbelto e profundo de 12 andares, com duas unidades habitacionais por andar, com 2 dormitórios, living, dependências de empregada e garagem.Raro projeto deste arquiteto e Urbanista. Famoso por residências unifamiliares e urbanização de cidades. 



EDIFICIO ÁUREA/ 1971 /Eng. Aloysio Telles de Melo 

Interessante jogo volumétrico em lote de esquina, realçado pelo trabalho movimentado da composição do bloco principal branco, contrastando com as aberturas e o bloco da circulação posterior em azul forte. Edifício residencial com 14 andares-tipo, com 6 apartamentos pequenos por andar com sala, dormitório, cozinha, num total de 84 unidades habitacionais. Possui garagem rotativa no pavimento térreo. 

EDIFICIO ALBATROZ/ 1954 Eng. Aníbal Mendes Gonçalves 

Edifício residencial de 10 pavimentos tipo com apartamentos de 2 dormitórios onde as sacadas das salas são salientes e envidraçadas, criando um interessante movimento volumétrico na fachada principal. O pavimento térreo, bastante recuado é utilizado para comercio.A marcação em vermelho na fachada procura emprestar uma identidade particular ao edifício. 

EDIFICIOS COSTA ATLANTICA E COSTA AZUL/ 1956 Engenheiro Nelson Scuracchio 

Construídos simultaneamente com o Edifício Marrocos contiguo de esquina, estes dois edifícios residenciais justapostos tem destacadas na sua volumetria as sacadas verdes e azuis que dão para o mar. Originalmente essas sacadas eram multicoloridas. São dois blocos de 20 pavimentos cada com uma grande quantidade de apartamentos pequenos e médios. 

EDIFICIO MARROCOS / 1960 /Eng. Nelson Scuracchio 

Situado num ponto focal da praia, na confluência da Avenida Embaixador Pedro de Toledo com as Ruas João Ramalho e Amador Bueno da Ribeira este edifício residencial tira partido dessa posição propondo uma forma circular marcada pelas suas lajes horizontais para compor sua volumetria, garantindo visuais para todas as direções a sua volta. Ele tem 22 pavimentos tipo com apartamentos de 2 e 3 dormitórios + dependências, com comercio no térreo 

EDIFICIO ICARAI / 1950 / Arquiteto Lauro da Costa Lima 

Sóbrio e elegante este edifício residencial é dos primeiros a serem construídos na Praia do Gonzaguinha. Tem dois blocos de 12 pavimentos tipo de amplos apartamentos ligados pelo corpo cilíndrico da circulação vertical, junto à marquise de acesso do edifício. Seu caráter modernista de linhas simples, volumetria bem proporcionada, aberturas claras, acabamentos sóbrios e duradouros, tem uma similitude com o Edifício Mirante localizado junto ä ponte Pênsil. Este projeto é do mesmo arquiteto dos Edifícios Marahu, Humaitá e Mainumbi na Praia de Itararé. 

EDIFICIO AUDAX/ 1953 /Helio Duarte Eng. Domingos Pinto Passareli e Ivo Ferdinando Merlin 

Solução circular para as plantas tipo definem a volumetria curva e convexa em esquina privilegiada da Praia. As aberturas contínuas envidraçadas, marcadas pelas lajes horizontais, privilegiam as visuais para toda a orla. As aberturas não denotam os ambientes internos, se dormitórios ou salas. O pavimento térreo, bastante recuado e a sobreloja em corpo destacado, são destinados a comércio e serviços, com amplos jardins. 














ROTEIRO PRAIA DOS MILIONÁRIOS / BOA VISTA 

A pequena e simpática Praia dos Milionários tem somente 200 metros de extensão e está situada junto às pedras da Ilha Porchat, indo até a Praia do Gonzaguinha, com águas muito tranquilas, formando uma baia ideal para a pratica de pesca e esportes náuticos. Propicia uma bela vista da baia de São Vicente bem como da Ponte Pênsil, em magníficos pores do sol. O nome dos Milionários é uma referência ao hábito dos proprietários de lanchas que ali paravam e ainda ancoram seus barcos para um refrescante mergulho. O bairro de Boa Vista, contiguo a ela, tem a tradição de reduto boêmio da orla, reúne bares, restaurantes e muitos edifícios residenciais e estabelecimentos comerciais. 


EDIFICIO RIVIEIRA / 1956 /Eng. Ivo Ferdinando Merlin 

Edifício residencial de 9 pavimentos tipo + dois mezaninos com salões e térreo de desenho volumétrico simples, com destaque para as jardineiras salientes dos caixilhos da fachada. O detalhe do elemento vazado amarelo do térreo denota uma solução recorrente dos edifícios da época da sua construção. 

ESTACÃO ELEVATÓRIA THOMÉ DE SOUZA / 1932 / Engenheiro Saturnino de Brito 

Remanescente da antiga Estação Elevatória do sistema esgotos da baixada santista. Ela foi projetada em 1932, pelo Engenheiro Saturnino de Brito, juntamente com as demais elevatórias e Usina de tratamento bem como de todo o sistema de tubulações, quando da realização do saneamento básico do litoral, juntamente com os canais de drenagem de Santos e da Ponte Pênsil.Esta parte externa visível é somente o abrigo para o acesso à estação, que já foi substituída por outra enterrada, no mesmo local, com maior capacidade feita pela Sabesp, concessionária desse serviço publico. O abrigo tem planta hexagonal, com grandes aberturas, inclusive chaminés para eliminação dos odores e são revestidas de azulejos importados, tanto interna quanto externamente. Ele é semelhante a outros construídos na mesma época na Baixada Santista. Hoje este patrimônio histórico. 

EDIFICIO GRAJAHU / 1946 Arquitetos João Marino e Ary de Queiroz Barros. Eng. Evaristo V. Costa 

Pioneiro nesta praia este grande edifício residencial tem implantação privilegiada com apartamentos com vistas panorâmicas para o mar. Há um jogo interessante dos corpos que compõem sua volumetria, com elementos pergolados no térreo, apesar dele ser um tanto visualmente pesado na sua implantação com o solo. 

RESIDENCIA ALEXANDER EDOUARD GRIEG-MARIA DILECTA GRIEG/ 1941 

Este grande e tradicional casarão dos áureos tempos do café era cercado de imenso jardim com árvores centenárias e estava situado em uma das Avenidas principais da cidade. Ela foi demolida para provavelmente para dar lugar a outro espigão residencial, ignorando mais uma vez a memória iconográfica da cidade. 















RESIDENCIA OLAVO HORNEAUX DE MOURA / 1946 Arquiteto Gregori Warchavchic projeto original- Jorge Bierrenbach Senra - reforma 

Esta outra bela residência situada em uma das esquinas mais movimentadas do bairro está vazia e aguardando locação comercial. Seu projeto original esta assinado por um dos mais importantes arquitetos modernistas do Brasil, Gregori Warchavchic, russo de nascimento, contemporâneo de Lucio Costa, Frank Lloyd Wright e outros artistas da semana de arte moderna de 1922. Este arquiteto foi responsável por obras pioneiras como as residências da Rua Santa Cruz em 1927, Rua Melo Alves em 1929, Rua Itápolis em 1930, ambas em S.Paulo e tantas outras. Ela foi reformada posteriormente por Jorge Bierrenbach Senra, em 1969. Hoje está instalada uma agencia do Banco Itaú Personalite, após nova reforma, que descaracterizou definitivamente o imóvel. 

EDIFICIO FERNANDA /1950. Arquiteto Oswaldo Arthur Bratke 

Este edifício é uma relíquia do brilhante arquiteto brasileiro, Oswaldo Arthur Bratke, autor de memoráveis obras de arquitetura e do urbanismo moderno brasileiro, como o bairro do Morumbi, a Vila Serra do Navio, a Residência Oscar Americano e tantas outras, como o loteamento original da Ilha Porchat e algumas das suas residências iniciais. É pai de outro famoso arquiteto contemporâneo chamado Carlos Bratke. Pequeno edifício residencial de 4 pavimentos, com somente 9 apartamentos, acabamento discreto, proporções agradáveis com tratamento interessante no recuo lateral onde se dá o acesso ao edifício através de rampa de meio lance. Ele contrasta em escala e delicadeza com seu vizinho de frente, o Edifício Caribe, de 22 pavimentos. 

EDIFICIO CARIBE / 1965 / Arquitetos Botti e Rubin 

Enorme torre residencial de 22 pavimentos tipo, com 21.865 m2 de área construída e 3 andares de garagem. Linguagem característica do modernismo na Arquitetura, com estrutura de concreto aparente a mostra, com a torre de apartamentos destacada do embasamento, que neste caso se constitui do bloco de garagens elevado da rua e sobre os pilotis do térreo de acesso ao prédio. Sua localização é privilegiada onde as têm magníficas vistas para as praias do Gonzaguinha e Milionários. Na cidade ele é popularmente conhecido como “picolé”, pela sua forma afunilada para o alto. 













ROTEIRO ILHA PORCHAT 


De geografia privilegiada e situada em posição estratégica, a Ilha Porchat possui ótimas vistas panorâmicas para toda a baia de Santos, São Vicente e mar aberto. Sempre foi reduto de mansões milionárias e atividades ligadas ao lazer, como clubes, cassino e discotecas. Teve um projeto de urbanização realizado em 1942, pelo Arquiteto Oswaldo Arthur Bratke, que previa somente residências unifamiliares, sem edifícios, que evidentemente não foi obedecido. Inclusive, posteriormente na década de 50 o mesmo arquiteto fez projetos de algumas residências, baseadas no seu projeto inicial de ocupação da ilha, que não sobreviveram. Grande parte dos lotes da Ilha Porchat pertenceu a família Porchat e ao Cassino, inaugurado em 1938 e que reunia a aristocracia brasileira. Hoje além de amplas residências, edifícios residenciais ela reúne de lazer e entretenimento como restaurantes, boates e salões de eventos. Ainda preserva muita vegetação sendo rodeada de muitas pedras, portanto sem praias; o acesso aos seus edifícios se faz por caminhos internos, bastante restritos e tortuosos. Oficialmente ela pertence ao bairro do Itararé, ao qual se une por via de ligação terrestre, portanto tornando-se um istmo do ponto de vista geográfico. Pela posição estratégica na entrada da barra sempre esteve ligada à defesa da cidade. Inicialmente conhecida como Ilha do Mudo, folclore sobre seu primeiro habitante, posteriormente foi loteada pela família Fracarolli, para mansões de luxo e cassino. 


EDIFICIOS SANVI E GUARU PORCHAT/ 1962 e 1967 Soc. Engenharia Lima, Nelson Rodrigues Otero 

Suas fachadas principais estão voltadas para a Praia de Itararé, com acessos pela Ilha no seu lado posterior. De bom padrão de acabamento, ambos possuem apartamentos residenciais generosos, tipo duplex. Volumetria trabalhada de grande altura, onde se percebe através das aberturas e tratamento dos materiais, o tipo de dependência interior, se dormitórios ou salas de estar. 

MONUMENTO 500 ANOS/ 2000 / Arquiteto Oscar Niemeyer 

Originalmente previsto para ser construído na entrada da Ilha Porchat, à direita de quem olha a Baia de São Vicente, este monumento foi planejado para abrigar um grande espaço de exposições ligadas ao descobrimento do Brasil, aberto à visitação pública, que não se materializou completamente. Expressão plástica característica desse famoso Arquiteto brasileiro, traduzida por uma casca de concreto em forma de vela branca, com 25m de altura e 25 m de extensão ela está apoiada num grande plataforma-belvedere, imersa em densa mata no alto da Ilha Porchat. As visuais das praias do Gonzaguinha e de toda a baia de Santos são realmente espetaculares, graças à sua implantação privilegiada. Afirmam que o mirante aponta uma linha imaginária em direção ao Congresso Nacional em Brasília, outra importante obra de Niemeyer. 
















ROTEIRO PRAIA DE ITARARÉ


A Praia de Itararé se estende por 2,5 quilômetros, numa larga faixa de areia branca e jardins generosos, que vai da ponte de ligação com a Ilha Porchat por um dos lados, até o emissário submarino na divisa com Santos. Talvez seja a mais badalada da cidade. Ela é servida de bons equipamentos como quiosques, chuveiros, sanitários equipamentos de ginásticas. Sempre há boas condições de balneabilidade e para a prática de esportes em geral. Ao longo dela ou nas proximidades podemos destacar vários pontos turísticos interessantes. O teleférico, que leva ao Morro do Voturuá, extensa área verde que lhe faz fundo, com a plataforma de saltos para asa delta e paraglider, e servido de um restaurante com vistas panorâmicas magníficas.Há um calçadão com quiosques que a acompanha em toda a sua extensão; recantos para churrascos e jogos, bem como restaurantes e bares, frequentes feiras de eventos. A utilização da Praia de Itararé reserva momentos de descontração e prazer, pelas águas calmas e abrigadas, além das ótimas visuais circundantes. De sua extensão é possível se avistar muito verde e os navios ancorados ao largo que aguardam a entrada para o Porto de Santos, bem como aqueles que navegam pelo Canal. 

EDIFICIO MARAHU / 1955. Arquiteto Lauro da Costa Lima 

Legitimo exemplar do período modernista de alta qualidade da Arquitetura Brasileira, que buscava o racionalismo, a simplicidade e a pureza no desenho, sem os enfeites e adereços do estilo neoclássico. Apresenta estrutura aparente, os pilotis no térreo, laje de cobertura plana, marquise e plantas funcionalistas. Este edifício de curvas sinuosas, venezianas originais de madeira, perfeitamente conservado tem implantação privilegiada de frente para a Praia de Itararé e fundos para a Praia dos Milionários.Com 15 andares e 4 unidades por andar, de 2 e 3 dormitórios, num total de 60 apartamentos. Possui toda infra estrutura necessária ao bem morar, composta ar condicionado central, garagens, salão de festas, churrasqueira, gás canalizado, coleta seletiva de lixo e um eficiente corpo de servidores. É a morada do autor deste trabalho. 

EDIFICIO HUMAITÁ / 1961 /Arquiteto Lauro da Costa Lima 

Este edifício residencial de 14 pavimentos tipo mais pilotis no pavimento térreo foi projetado pelo mesmo arquiteto dos edifícios vizinhos, Mainumbi e Marahu e na mesma época. Mas, diferente daqueles, possui uma volumetria prismática de esquina, valorizando e padronizando a caixilharia das aberturas em marrom e jogando com as sacadas salientes brancas em contraste com ela. Também como aqueles a linguagem é modernista, limpa e clara, onde se percebe a estrutura, as vedações e os detalhes construtivos muito bem elaborados. 

EDIFICIO MAINUMBI / 1954 /Arquiteto Lauro da Costa Lima 

Constituído de apartamentos de 2, 3 dormitórios e duplex, este edifício de 13 andares tem uma volumetria prismática marcada pelas lajes horizontais salientes, empenas azuis e composição elegante das aberturas. Está implantado em esquina valorizada da orla do Itararé 

EDIFICIO TROPICAL / 1961-1964 / Arquiteto João Marino 

Este é o edifício de frente para a Praia pertence a um conjunto residencial composto por 2 dois outros blocos, um também de frente para praia outro curvo e mais alto, voltado para a rua Lateral numa implantação interessante, ao redor de um amplo jardim. Volumetria clara com a demarcação dos elementos estruturais e caixilharia bem definidos. 

EDIFICIOS JAMAICA E TRINIDAD / 1961-1964 / Arquiteto João Marino 

Estes edifícios residenciais mais altos e que estão atrás compõem, com o Edifício Tropical, que está na frente, um denso conjunto residencial voltado para um amplo jardim interno.Típicos exemplares modernistas eles tem elegantes proporções, com volumetria marcada pela estrutura, com os pilares e lajes aparentes, peitoris de cores fortes e diferenciadas por blocos e amplas aberturas. 




EDIFICIO MARINGÁ / 1951 / Eng. Arquiteto F. J. Pinotti 

Edifício residencial baixo e singelo, porém diferenciado através do tratamento da volumetria e dos acabamentos. O uso dos materiais como tijolo cerâmico aparente, cobertura de barro, caixilharia de madeira, condutores de águas pluviais, aplicados de forma honesta e aparentes lhe emprestam uma personalidade diferenciada na quadra 

EDIFICIOS PLACE PIGALLE E PLACE VENDOME, 1984-199 Arquitetos Silvio Sandal Pires e Oscar A. Copelache Jr. 

Dois blocos residenciais compõem este conjunto de 13 pavimentos-tipo com apartamentos de 3 dormitórios de frente para a praia (Pigalle) e de 2 dormitórios na lateral (Vendome). Volumetria bem trabalhada com destaque para as aberturas e saliências coloridas.Tem 3 níveis de estacionamento, no térreo, subsolo e mezanino que garantem as vagas necessárias de autos. 

EDIFICIO SAINT DESIR / 1976 / Engenheiro Delfim Pereira 

Volumetria clara marcada pelo requadramento das empenas laterais e do coroamento, com uma composição delicada e precisa das aberturas e com valorização das lajes e a coloração destacada dos peitoris. Prédio de apartamentos de esquina com 13 pavimentos tipo + térreo e mezanino. 

EDIFICIO SAINT CHARLES / 1978. Arquiteto Claudio Abdala / Engenheiro Luis Rodrigues Otero 

Edifício residencial de 13 pavimentos tipo com 4 apartamentos de 2 dormitórios por andar e 1 subsolo de garagem. Linguagem em concreto aparente pintado com trabalho de marcação das lajes, com saliências das varandas das salas de estar com vistas para o mar. 

EDIFICIO IGUASSU / 1945-1948 / Engenheiro Evaristo Valadares Costa 

Este edifício residencial foi dos primeiros a ser construído na Praia do Itararé, juntamente com seu vizinho o Edifício Tamoyo. São 9 andares tipo com 4 apartamentos por andar, mais um pavimento térreo de aparência bastante robusta pelo seu tratamento de pedra, ocupado por comércio. Hoje está situado em esquina de grande movimento viário, na chegada da linha amarela junto à orla, que lhe prejudica a implantação outrora isolada, porem ainda preserva suas características e cores originais. Foi refugio de importantes artistas aqui radicados como o filosofo italiano Pietro Ubaldi. 












EDIFICIO TAMOYO / 1947-1951 /Evaristo Valadares Costa e Eng. Plácido Dall Acqua 

Imponente edifício residencial de conformação interessante em movimentada esquina da Avenida da orla, com forma curva arrematando o “corner” das vias, privilegiando as visuais para a praia. Constituído de 6 unidades habitacionais de 2 dormitórios nos 11 pavimentos tipo + térreo também utilizado para as unidades, que nascem do solo, sem pilotis. Não há garagem no prédio. Linguagem limpa com clara exposição das aberturas, onde se percebe o tratamento diferenciado dado aos dormitórios e as salas de estar. Hoje sua implantação está prejudicada por se encontrar “ilhado” entre duas avenidas de grande movimento viário que dão para a orla. 

EDIFICIO TREZE LISTAS / 1958-61 /Eng. Pedro Sformaglia 

Edifício residencial com 13 pavimentos-tipo, de Interessante volumetria curva e cromatismo vibrante, que faz alusão ao número de faixas e às cores vermelho e branco da bandeira paulista. Curioso tratamento decorativo foi dado às colunas dos pilotis, bastante altos e vazados, entremeados pela rampa de acesso ao edifício e do estacionamento. Sua implantação está numa perpendicular à orla na primeira quadra, junto a antiga linha do trem. Nessa condição sua insolação e visuais hoje ficaram prejudicadas pela construção de outro edifício à frente, lindeiro à praia. Hoje sua pintura colorida foi modificada para um tratamento monocromático. 

EDIFICIO COLUMBIA / 1950- 1954 / Engenheiro René Andraus 
Este edifício residencial de 14 pavimentos com 4 apartamentos por andar é um dos pioneiros da Praia. Destaque na pintura avermelhada para os elementos “art-deco” aplicados nas fachadas. Seus terraços salientes movimentam as fachadas laterais e de frente do edifício. O edifício com movimentada volumetria dá fundos para a antiga Estrada de Ferro. 

EDIFICIO ANDORRA / 1963 / Arquiteto Marlio Raposo Dantas 

Edifício residencial de 14 pavimentos tipo, de esquina, com interessante volumetria movimentada pelas suas fachadas curvas e o jogo das sacadas salientes.Tratamento bastante claro dos materiais de acabamento através da marcação das lajes estruturais e das varandas em concreto aparente e das paredes curvas. O pavimento térreo fica praticamente junto ao alinhamento da Avenida, prejudicando seu acesso. 

EDIFICIO JAPUI / 1963 /Engenheiro Alberto Sanches Bitencourt 

Edifício residencial com 16 pavimentos, linguagem moderna, simples sem adereços, com predomínio horizontal das aberturas pintadas em azul e peitoris horizontais uniformes e uma caixa d’água superior destacada. Térreo ocupado com o acesso e garagem em 2 níveis. 

EDIFICIO DIVISA / 1949 /Construtora Guerra & Gomes 

Pequeno edifício residencial de 7 pavimentos tipo com amplos apartamentos de 3 dormitórios com dependências, mais o térreo destinado ao comercio, situado na divisa entre São Vicente e Santos. Sua volumetria é diferenciada na quadra pelas fachadas constituídas de empenas vermelhas e de amplas varandas curvas salientes, tratadas de forma contrastante.Pertence a primeira safra de edifícios do Itararé, junto com os edifícios Iguassu e Tamoyo. 



ROTEIRO PARQUE BITARU 

Esta área abrange a tradicional Vila dos Pescadores (antigo Porto Guamium) cujas bordas dão para a Baía do Mar Pequeno entre a Ponte Pênsil e a ponte do Mar Pequeno, ambas que ligam ao Continente em direção à Praia Grande. No Biturú se encontram além da Rua Japão com peixarias e restaurante, o Centro de Convenções e Teatro Municipal (hoje adaptados para outras funções), o Fórum, a E.E. Prof. Leopoldo José Santana, a Câmara Municipal, a Universidade Estadual UNESP e os dois cemitérios verticais da cidade, na sua parte mais alta. 

FORUM DE SÃO VICENTE / 1974 /Projeto Departamento de Obras Publicas / SP 

Edifício construído nos moldes de projeto-padrão dos vários fóruns do Estado de São Paulo, elaborados pelo extinto Departamento de Obras Publicas (DOP). Sua linguagem segue o repertorio modernista, com a nítida separação entre o longo volume prismático horizontal elevado, claramente definido, revestido por grelha de concreto e que protege as aberturas e o bloco térreo solto de acesso. O acréscimo posterior do volume com o mapa de concreto na esquina não se incorpora adequadamente ao conjunto arquitetônico. 

CEMITERIO VERTICAL MUNICIPAL (MEMORIAL DE SÃO VICENTE) / 1998. Eng. Roberto Diz Torres 

Na quadra inteira doantigoCemitério Municipal tradicional, de sepultamento horizontal foi construída esta torre vertical, com 9 andares com 4.000 jazigos e 2.000 ossuários, capela, 2 velórios e administração. Equipada dos demais complementos adequados, para aumentar sua capacidade e resolver carências para os sepultamentos. Administrado pela Sempre, empresa concessionária pela Prefeitura do Município sua volumetria arquitetônica busca de linguagem contemporânea limpa com emprego de vidro e marcação das lajes estruturais. 

CEMITÉRIO VERTICAL METROPOLITANO / 2001 /Arquiteto Francisco Jose Carol 

Cemitério vertical em torre de 12 pavimentos-tipo, destinados a gavetas para sepultamentos, mais demais complementos, com acabamentos sofisticados, administrado pela iniciativa privada. Curiosamente edificada na mesma praça de outra torre de igual função do cemitério tradicional, configurando um exagero funcional no zoneamento da cidade.



*Edison Eloy de Souza, arquiteto pela FAU-USP. Mestre e Arquitetura e Urbanismo. Professor universitário. Presidente dos Sindicato dos Arquitetos de São Paulo (1983). Presidente do IASP; vice-presidente do IAB e Conselheiro do CREA-SP. Gerente Regional do CAU/SP na Baixada Santista.

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Patrimônio arquitetônico para ser apreciado à beira mar

Projetado em 1955, o Edifício Marahu, na Baixada Santista, guarda o melhor das construções modernistas brasileiras


Por Raul Juste Lores

Redator-chefe de Veja São Paulo, é autor do livro "São Paulo nas Alturas", sobre a Pauliceia dos anos 50. Ex-correspondente em Pequim, Nova York, Washington e Buenos Aires, escreve sobre urbanismo e arquitetura

 
Preservação impecável do sexagenário Marahu; o segundo à direita dele, o Edifício Humaitá, é do mesmo arquiteto, Lauro da Costa Lima (@drone.cyrillo/Veja SP)


Quando o Edifício Marahu foi projetado, em 1955, em São Vicente, a Baixada Santista vivia um particular boom. A abertura da Via Anchieta, entre 1947 e 1953 (a pista sul), propiciou uma corrida de paulistanos que queriam um pied à terre à beira-mar. Para sorte de Santos, São Vicente e Guarujá, o período coincidiu com a melhor produção arquitetônica da história do mercado imobiliário brasileiro. Muitos dos renomados arquitetos e engenheiros da capital desceram a serra e puseram seu talento a metros da areia.

Um desses profissionais era o engenheiro-arquiteto paulistano Lauro da Costa Lima. Nascido em 1917, ele estudou no Colégio São Bento e se formou em engenharia pelo Mackenzie em 1941. Foi estagiário no escritório de Eduardo Kneese de Mello, e pronto abriu o seu. Seus primeiros projetos para São Vicente datam dos anos 1940.

Como a Anchieta começou a ser construída em 1939, era natural que houvesse uma corrida para chegar lá primeiro. O Cassino da Ilha Porchat tinha sido aberto em 1938, quando os raros carrões ainda desciam pelo velho Caminho do Mar, e o arquiteto Oswaldo Bratke até planejou um condomínio de casas de alto padrão para a “ilha” (na verdade, um promontório rochoso ligado ao continente), que não foi executado. É justamente diante do istmo que liga a Praia do Itararé à Ilha Porchat que se instalou o Marahu. O arquiteto soube tirar proveito do terreno: os apartamentos têm vistas para a Praia do Itararé, nos fundos para a Praia dos Milionários, além da Porchat.


No encontro das praias Itararé e Milionários, o Edifício Marahu, em São Vicente (@drone.cyrillo/Veja SP)


Tudo nele remete ao melhor da arquitetura moderna brasileira: os pilotis, a marquise sustentada por finas colunas em V, a ondulação da fachada que cita o Copan (lançado três anos antes). Com quinze andares, quatro apartamentos em cada, de dois e três quartos, teve alguns ocupantes ilustres, do ex-presidente Jânio Quadros ao falecido cartola do Corinthians Vicente Matheus.

As venezianas de madeira impecavelmente bem conservadas e o concreto aparente matam de inveja os diversos vizinhos da orla que passaram por reformas pouco inspiradas, com a substituição das pastilhas originais por lajotas baratas (muitos ficam com cara de banheiros gigantes). Lauro da Costa Lima fez vários outros edifícios na cidade: Icaraí, Mainumbi e Humaitá.


Publicado em VEJA SÃO PAULO de 8 de janeiro de 2020, edição nº 2668.



MUSEU Á BEIRA DO OCEANO



O MASP DE SÃO VICENTE


Projeto de Lina Bo Bardi concebido para São Vicente foi a base da Casa de Vidro e do MASP. Tornou-se um ícone da invenção e considerada uma das 50 melhores imagens de arquitetura do mundo.

Além de edifícios com projetos arquitetônicos arrojados, São Vicente já foi alvo da vanguarda artística paulistana, que se deliciava nas praias, e que inspirava obras que deixariam a cidade imortalizada da história da arte e da cultura. Em 1952 surgiu em São Paulo a ideia do MASP, projeto modernista conjunto de Pietro Maria Bardi e Assis Chateaubriand que seria considerando o primeiro da América Latina nessa categoria. O Museu de Arte de São Paulo funcionou nas instalações dos Diários Associados até que ganhasse sede própria no Parque Trianon, na avenida Paulista. 

Mas o protótipo que deu origem ao mais conhecido museu da Capital foi um projeto elaboarado em 1951 pela mesma arquiteta, Lina Bo Bardi. Era o Museu à Beira do Oceano, concebido para ser construído na praia de São Vicente ( não se sabe se seria no Gonzaguinha ou no Itararé). Na época o a cidade era goveranda pelo prefeito Charles Dantas Forbes, conhecido pelos seus esforços e marca pessoal em tranformar São Vicente numa sofisticada estância balnerária. O projeto nunca saiu do papel, talvez por falta de recursos ou falta de terreno, já que a construção sobre a faixa de areia dependia da autorização do governo federal. Mesmo assim o projeto de Lina Bo Bardi foi desdobrado como base da nova sede do Museu de Arte de São Paulo, tornando-se objeto permanente de estudos de engenharia e arquitetura em obras especializadas no Brasil e no exterior. 

“Em seus estudos para o Museu à Beira do Oceano (1951), Lina Bo Bardi concebe um paralelepípedo elevado do solo por pórticos transversais, com a face voltada para o mar inteiramente transparente.Nas perspectivas internas a autora utiliza da mesma técnica de foto-colagem de Mies para apresentar a transparência do recinto expositivo em relação à paisagem. Entretanto o desenho de Lina Bo Bardi se mantém fiel à sua formação italiana reproduzindo algumas características da pintura de De Chirico e de Sironi. Comparado ao desenho de Mies, o plano de piso assume uma proporção muito maior em relação às obras expostas e apresenta uma continuidade em perspectiva com o plano horizontal da paisagem. Ao acentuar o vazio, o espaço entre os objetos expostos, Lina recria a suspensão temporal da pintura metafísica. Na exposição representada encontram-se obras antigas e modernas, entre elas a mesma Guernica de Picasso reproduzida com destaque no desenho de Mies. Já comparece um objeto da cultura popular brasileira – uma carranca de barcos do Rio São Francisco, tema que viria a dominar suas preocupações no final daquela década.

Como o Museu à Beira do Oceano não foi construído, a arquiteta teria a oportunidade de experimentar a transparência total no projeto da sua residência, a Casa de Vidro. (...) O projeto do segundo Masp partiu dessa situação, com duas diferenças em relação aos projetos do Museu à Beira do Oceano e da Casa de Vidro. A primeira é a maior intensidade de ocupação da pinacoteca do Masp pelas obras dispostas nos suportes de vidro que a afasta do vazio metafísico sugerido no Museu à Beira do Oceano. A segunda é que o Masp assumiu a continuidade visual e espacial com a cidade, disfarçada na Casa de Vidro pelo enfoque na vegetação”.



BARDI, Lina Bo, Museu à Beira do Oceano, Habitat, São Paulo, n. 8, e BARDI, Lina Bo. Museu de Arte di San Paolo del Brasile, in L’Architettura, Cronache e Storia, Roma, n. 210, abril;1973.







O projeto “Museu à Beira do Oceano”, de Lina Bo Bardi, ilustra a capa da oitava edição da Revista Habitat, lançada em 1952.


Lina publicou um artigo sobre as propostas arquitetônica e educacional que pensou para a construção deste museu na praia de Itararé, em São Vicente.


A edição conta com o texto "Balanços e perspectivas museográficas: o Museu de São Vicente", escrito por P.M. Bardi, que comenta o projeto de Lina:


“Se o Museu de São Vicente lograr êxito nos seus desígnios, isto é, se tornar um organismo através do qual o homem da cidade possa tornar-se aos poucos, contemporâneo de todo o mundo moderno, cada vez mais conscientemente, teremos criado um meio de tornar a cultura um fato verdadeiramente vital e popular”.
O projeto do Museu não se concretizou.

Crédito: Instituto Bardi / Casa de Vidro



Cobertura e cúpula do Edifício Gáudio. Foto de Mário Rodrigues. 


VICTÓRIO MORBIN, figura marcante da vida cultural e empresarial de São Vicente nas primeiras décadas do século passado. O construtor do emblemático Edifício Gáudio, onde chegou a realizar exposições de artes plásticas, deixou outras obras na cidade e também vivas lembranças dos concursos de beleza feminina nas praias vicentinas.

Prédios de São Vicente. MÁRIO RODRIGUES. https://www.instagram.com/prediosdesaovicente/