terça-feira, 9 de julho de 2019

BAIRROS VICENTINOS

ÁREA INSULAR


Abrange a Ilha de São Vicente, dividida com a cidade de Santos nos limites da orla (praia e Morro do Itararé) e na Zona Noroeste ( Morro Voturuá, Vila São Jorge, Jardim Gassu e os bairros dos diques). 

BEIRA-MAR 

População: 7.904 habitantes em 2010 e 7.551 em 2000 (+5%) (Censo IBGE) 

O bairro foi até o início dos anos 1980 uma área periférica do centro de São Vicente. Entretando , por ser cortado pela rua Frei Gaspar, a mais longa rua vicentina; e a Avenida Martins Fontes (atual Linha Amarela), o Beira Mar teve uma alta taxa de crescimento populacional e expansão do comércio, bem como prestação de serviços. É interligação e passagem praticamente obrigatória para outros bairros como o Centro, Espalanada dos Barreiros, Vila Margarida, Cidade Náutica, Tacredo Neves, Parque São Vicente e Vila Jockey Club e as principais alças de acesso à rodovia dos Imigrantes. 

BOA VISTA (ANTIGA VILA BETÂNIA) 

População: 9.250 habitantes em 2010 e 7.196 em 2000 (+29%)(Censo IBGE) 

Bairro do Vista no início do século XX, cujo loteamento original era Vila Betânia. 

Localizado entre os mais valorizados bairros da cidade (Centro, Gonzaguinha, Vila Valença e Itararé), o Boa Vista era no início do século XX apenas um conjunto de poucas casas de veraneio de famílias paulistanas de classe média alta. O nome original e registrado na prefeitura é Vila Betânia, em terrenos doados pela Câmara Municipal, para a construção de moradias de famílias estrangeiras (Waeny, Lichti, Von Pfhul, Gieseler, Grieg e Nobiling). Boa Vista era o nome do primeiro estabelecimento comercial do bairro, Empório Boa Vista, de Eleutério Teixeira, na esquina das ruas 11 de junho e Pêro Correia. Surgiu depois a Padaria Boa Vista, de Firmino Dias; e o Empório São Paulo, de José Amado. Três linhas de bondes serviam aos passageiros entre São Vicente e Santos: Linha 2 (centro), Linha 13 (Ponta da Praia) e Linha R (especial da hora do almoço para vicentinos que trabalhavam em Santos). Em virtude da Segunda Guerra Mundial , muitos alemães, italianos e japoneses foram obrigados a se desfazrem de suas propriedades para serem segregados em colônias no interior de São Paulo. Com o passar do tempo, sobretudo após as três primeiras décadas, as casas antigas com seu enormes terrenos começararm a ceder lugar para a construção de pequenos sobrados , bem como pequenos e grandes edifícios de apartamentos . A partir dos anos 1960 ocorre no bairro uma explosão imobliária, acelerando demolições de edificações antigas e construção de novas, voltadas para o ocupção de imóveis de temparada. Um antigo e primeiro hotel de São Vicente ali instalado (Hotel Itararé) cedeu lugar, por exemplo, ao edifício Marahu. O Boa Vista tornou-se um bairro de elite, passando a ter como destaque a Ilha lha Porchat, grande parte da Praia do Itararé e a Praia do Milionários. Sua proximidade com a cidade de Santos manteve sua importância de localização estratégica e continua sendo o metro quadrado mais valorizado de São Vicente, sempre alvo de interesse de novos e imponentes projetos comerciais e imobiliários. 

CENTRO 

População: 9.913 habitantes em 2010 e 8.579 em 2000 (+16%) (Censo IBGE) 



O Centro de São Vicente nos anos 1950 no quadrilátero das ruas Frei Gaspar (à direita), Jacob Emmerich (à esquerda), Tibiriçá (acima) e Visconde do Rio Branco (abaixo). 

É literalmente o centro nervoso do comércio e de serviços da cidade, com uma ampla rede bancária, lojas de todos os tamanhos, ramose produtos, incluindo o Shopping Center Brisa Mar, bem como supermermercados, hospital, pronto-socorro, distrito policial, restaurantes, lanchonetes, central de camelôs (produtos populares) e uma imensa rede de serviços técnicos especializados, típicos das áreas urbanas centrais. Ao contrário da maioria da cidades essas áreas urbanas sofrem declínio econômico e degradação social, o centro vicentino é extremamente disputado como ponto comercial. Até a década de 1990 o centro de São Vicente tinha funcionalidade dentro dos padrões normais das pequenas cidades, até que ocorresse a pressão, seguida da explosão demográfica e ocupação da área continental e áreas periféricas insulares, que passaram a ser servidas pelo transporte alternativo de massa, multiplicando o fluxo de consumidores e usuários de serviços. Muitas lojas e serviços que funcionavam somente no centro de Santos ou no Gonzaga – e mesmo na Capital- passar a ter filiais em São Vicente em função dessa nova demanda comercial. Atualmente o centro Vicente passa por um rápido processo de verticalização dos imóveis, indicando o aumento de demanda, novos investimentos e constante alta no preço do metro quadrado comercial. Como nos períodos anteriores, quando o centro comercial foi dominado por imigrantes sírios-libaneses, portugueses e espanhóis, atualmente predominam os negócios controlados por chineses, como pastelareias e lojas de produtos populares importados. 

A HISTÓRICA VILA AFONSINA 

Naquela época, tinha um precário meio de condução entre Santos e São Vicente, “o troley” e “a caleça”( Carruagem de tração animal (cavalo) montada sobre quatro rodas, tendo à frente um assento de encosto móvel e atrás uma capota conversível; caleche.) que transitavam pela praia via “Boqueirão da Barra”, ou pela Velha Estrada Provincial (Caminho de Dentro) que passava pelo Sítio dos Erasmos, Taxinho, São Jorge, Voturuá e Caneleira. A vila de São Vicente que ainda conservava as suas características coloniais, era constituída apenas pelas seguintes vias públicas: Rua Direita (hoje rua XV de Novembro), uma via estreita, com um punhado de casas, com grandes beirais , portas e janelas toscas. Largo da Matriz (ex-Largo Santo Antonio, hoje Praça João Pessoa), onde se achava erigida a “Casa de Câmara e Cadeia” e vestígios das ruínas do “Convento de Santo Antonio”, que nos tempos coloniais, serviu de “Casa do Conselho”; Rua do Porto (hoje Rua Marquês de São Vicente), onde residia a maioria dos pescadores; Rua da Praia (hoje Rua Padre Manuel), que atravessava a atual Praça 22 de Janeiro, terminando no jundu, no canto da Biquinha; Rua dos Velhacos (ex-Rua Conselheiro Nébias, hoje Rua do Colégio). A histórica Biquinha, que também era chamada “Fonte dos Jesuítas”, já fornecia à população vicentina água potável e, do lado esquerdo havia uma nascente em forma de cachoeira onde as famílias mandavam suas escravas lavar a roupa branca. A água era fornecida à população mais abastada, por uma pipa conduzida em carroça, sendo vendida a três vinténs cada barril. O líquido, entretanto, jorrava dia e noite, à disposição dos interessados. Naquele tempo, poucas eram as famílias de destaque que moravam em São Vicente, e existiam apenas duas escolas primárias, uma destinada ao sexo feminino, instalada na sacristia da igreja, regida pela Padre Antonio Santana, então vigário da paróquia, a outra, para o sexo masculino, instalada em um velho prédio na então Rua da Praia (hoje Rua Padre Manuel), regida pela professora Dona Mafalda, irmã do mestre Tomaz Antonio de Azevedo, pai de Antonio Militão de Azevedo. (Vultos Vicentinos) 























O centro vicentino retratado num cartão postal do início do século XIX. 



CATIAPOà

Inclui os núcleos Catiapoã, Jardim Nosso Lar e Sá Catarina de Morais, Vila Sorocanana ou Vila Ferroviária e parte da antiga Vila Melo ou Vila Cascatinha. Conforme a Lei Complementar nº 216, de 19 de novembro de 1998: 

População: 15.388 habitantes em 2010 e 17.022 em 2000 (-10%) (Censo IBGE) 




























Casas do Catiapoã em 1982 vistas da passarela da Fepasa. Foto do organizador. 

A vila ferroviária surgiu no antigo bairro do Catiapoã por força da expansão dos servições ferroviários da Estrad de Ferro Sorocabana na década de 1940, o que ocasionou a vinda de muitos funcionários da empresa para o o litoral. Ela tinha um padrão de construção de simples chalés de madeira, pois os funcionários eram constantemente transferidos para outras cidades. A ferrovia servia ao porto, às extensas plantações de bananas e também à fábrica de vidros, cujos funcionários também residim no bairro. Até o início dos anos 1980 ainda se viam muitas casas e barracões, usados como depósito de algodão. Com o declínio da ferrovia, os moradores foram permancendo e transferindo a posse dos imóveis para os filhos. No final da década de 1970, a Ferrovia Paulista –FERPASA, empresa estatal e sucessora de E.F. Sorocabana, negociou a venda coletiva dos imóveis para os moradores. 



Conheça as ruas de sua Cidade. Narciso Vital de Carvalho, 1978.






UMA GEOGRAFIA ESPECIAL

 NOEMI FRANCESCA DE MACEDO 



A natureza foi pródiga com São Vicente. Sua geografia peculiar foi recebendo novos contornos pela mão do homem, e seus bairros, a partir das edificações, reformas e adaptações, estão sempre apresentando uma "nova geografia".

Não há quem consiga passar pelas ruas do Jardim Três Estrelas, localizado entre a Avenida Antonio Emmerich e o bairro do Catiapoã, bem pertinho do centro da cidade, sem ficar encantado com seus sobrados, alguns de tijolinhos vermelhos, ao lado de casas em estilo colonial que lembram fazendas do século passado e que dividem seu espaço com casas geminadas de estilo mais atual.

O encanto cresce quando se fica sabendo que as ruas daquele quadrilátero, que começa na Rua Emílio Carlos e termina nas avenidas Martins Fontes e Alcides de Araújo, no bairro do Catiapoã, não pertencem ao Jardim Três Estrelas, mas também a outros três loteamentos.

No princípio tudo era mangue


"No final dos anos 40, isto aqui era tudo mangue. Nas proximidades ainda viviam uns índios e no Canal Alcides de Araújo, que naquela época era um belo rio, a gente ainda pescava à vontade. Sem mentira nenhuma, em 1952, pesquei aqui mesmo uma lagosta de nove quilos", diz o aposentado Altamiro Ferreiro, de 64 anos, mais conhecido por Biguá, que mora numa área do Jardim Vila Nova, à beira do canal da Avenida Alcides de Araújo.

Imaginação ou realidade, ninguém ousa desmentir Biguá. Afinal, os que moram no Jardim Três Estrelas e no Catiapoã o conhecem desde que esta área próxima ao centro da cidade ainda era formada por pequenos morros, onde as crianças, apesar da vigilância severa de Biguá, se arriscavam a passar pelas cercas de arame e subir no morro para roubar jambolão. Quando alguma criança conseguia o feito, tornava-se verdadeiro líder entre os colegas, lembram os que ali residem desde pequenos.

Embora não seja o primeiro morador da área formada pelos jardins Três Estrelas, Feliciano, Pedro Gomes e Vila Nova, Biguá conhece cada palmo daquela área. Não é para menos; afinal, ele foi um dos vigias contratados pela família Feliciano para tomar conta daquele extenso loteamento, em 1948.

O próprio Biguá comenta que a história da sua vida começa a ter uma definição a partir do momento que chegou ao local. "Saí de Paraibuna (interior do Estado de São Paulo), onde moravam outros membros da família Feliciano, em 1943. Estava fazendo o serviço militar e fui convocado para a II Guerra Mundial. Embarcamos para o Rio de Janeiro e, quando lá chegamos, a guerra havia acabado. Ficamos livres e cada um se virou como pôde. Eu tinha um parente em São Vicente e vim para a cidade, mas não achei ninguém. Dormi uma semana sob a ponte da antiga Sorocabana, aqui perto do Três Estrelas".

Depois, encontrei meu parente trabalhando no Tradicional Café Mundial, em Santos, e fui para lá. Um ano depois, vim trabalhar na Fábrica de Vidro São Vicente. Em 1948, ingressei na Polícia Marítima e naquele tempo já estava contratado para cuidar da vigilância do loteamento da família Feliciano".

Até o final da década de 50, Biguá ainda morava na casa ao pé do morro que existia em frente à Rua XV de Novembro, 158. "No princípio, tínhamos ordens de não deixar ninguém passar pelo loteamento, que era uma área única desde a divisa do Catiapoã até a Avenida Antonio Emmerich. Depois, com a divisão da propriedade entre os membros da família, a situação mudou. Foram feitos atalhos, para diminuir as distâncias. A Estrada de Ferro Sorocabana transferiu o mangueirão que ficava no início da Avenida Alcides de Araújo com a Avenida Martins Fontes para a esquina com a Avenida Mota Lima, pegando um trecho do loteamento Pedro Duarte, que muitos confundem com Vila Cascatinha ou Vila Melo".

Segundo Biguá, o mangueirão era, a exemplo dos pés de jambolão, uma tentação para a molecada. Era um transtorno quando algum moleque conseguia soltar os animais. Os bois saíam desembestados pelas ruas, principalmente na área do Jardim Três Estrelas.

"Já nessa época, a família do ex-prefeito de Santos, Antonio Feliciano, não residia mais no local, e seus parentes, Ilo e Nico Feliciano, assim como meu patrão, Celso Vila nova, já haviam loteado toda a área que aos poucos foi se tornando este conjunto de ruas bonitas e de casas bem cuidadas", concluí Biguá.

Desafio à Geografia


Graças à geografia peculiar de São Vicente e à divisão de terras entre famílias num passado não muito distante, é que uma casa localizada em um bairro pertence a outro loteamento. isto acontece com a casa instalada no que seria uma praça, na confluência da Rua XV de Novembro com a Avenida Alcides de Araújo.

Por mais evidente que seja a localização da casa dentro do bairro do Catiapoã, ela pertence, na verdade, de acordo com registros, ao Jardim Vila Nova. É como se este último bairro tivesse deixado sua marca no bairro vizinho.

As ruas dos quatro bairros são parecidas, mas todas apresentam uma característica que, para os moradores, as tornam diferentes uma das outras. Todas calçadas de paralelepípedo, exceto um trecho do Jardim Vila Nova, as ruas, que outrora pertenceram a uma única área, distinguem-se uma das outras pela arborização, estilo das casas e estabelecimentos comerciais.

A Rua Emílio Carlos, no Jardim Três Estrelas, considerada a principal da área, abriga uma salão de festas numa casa de estilo colonial e a sede do Clube Amigos do Menor Patrulheiro. No Jardim Feliciano, a principal rua atrai pela arborização. O Jardim Pedro Gomes tem como característica a existência de garagens de empresas e o Jardim Vila Nova, além de muitas árvores, ainda apresenta áreas desocupadas.  (São Vicente 1532-1992. Editora do jornal Espaço Aberto)




CIDADE NÁUTICA 





Anúncio de leoteamento da Cidade Náutica. Jornal A Tribuna. Publicação São Vicente de Outrora. 



Incluiu os núcleos Náutica 1, Cidade Náutica/Náutica 2, Náutica 3 e Pompeba e o Conjunto Habitacional Tancredo Neves. Conforme a Lei Complementar nº 216, de 19 de novembro de 1998: 

População: 31.772 habitantes em 2010 e 33.249 em 2000 (-4%) (Censo IBGE) 





























Arruamento e loteamento da Cidade Náutica nos anos 1960. 

Este foi um típico caso de expansão periférica na área insular de São Vcente ocorrida na décade de 1960. A ocupação não foi rápida e demoros quase cinquante anos para que todos os lotes fossem vendidos e prenchidos por edeficações essencialmente residenciais. Originalmente vendidos para famílias de classe média baixa, a Cidade Náutica mudou no decorrer dos anos seu status para classe média. O mesmo aconteceu com os bairros vizinhos: Vila Fátima, Parque São Vicente e Beira Mar. Uma curiosidade sobre esse loteamento é sua proximidade com a orla do Mar Pequeno, cujas terrenos são considerados “áreas de marinha”, portanto propridade federal ou da União, regida por legislação específica e que implica de cobrança do “laudêmio”, taxas de ocupação e transação imobiliárias ( Decreto-Lei nº 9.760/1946, são terrenos de marinha em uma profundidade de 33 metros, medidos horizontalmente para a parte da terra, da posição da linha da preamar-média de 1.831: a) Os situados no continente, na costa marítima e nas margens dos rios e lagoas, até onde se faça sentir a influência das marés; b) Os que contornam as ilhas, situados em zonas onde se faça sentir a influência das marés). Essas mesmas taxas são cobradas sobre os imóveis construídos próximos às praias .



São Vicente entrega 840 unidades do Conjunto Habitacional Tancredo Neves 3





























Há três anos em obras, os prédios deveriam ser entregues em dezembro de 2016



A TRIBUNA - 20.12.17


Com um ano de atraso, 840 famílias devem receber nesta quarta-feira (20) as chaves das primeiras unidades do Conjunto Habitacional Tancredo Neves 3. Os novos moradores do local vêm das comunidades Caminho das Índias e Ilha do Bugre, no antigo lixão do Sambaiatuba, além de mutuários sorteados entre os cadastrados pela Prefeitura. Há três anos em obras, os prédios, que deveriam ser entregues em dezembro de 2016, ficaram prontos em agosto e aguardavam a regularização da papelada para que os moradores recebessem as chaves. A promessa do Governo do Estado era de que os apartamentos seriam entregues até o final de novembro, o que acabou não acontecendo.

“Tivemos que correr muito para que todas as famílias fizessem a escolha de suas unidades e a vistoria”, explica o secretário municipal de Habitação, Edson Brasil. Outras 280 unidades deste conjunto ainda passam por análise da Caixa Econômica e devem ser entregues até março. O investimento para a construção das 1.120 unidades é de R$ 100 milhões, bancados pela Caixa, pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Os apartamentos têm 45m², dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço. As unidades seguem o padrão dos conjuntos habitacionais Penedo e Primavera, no Jóquei Clube, com área de lazer para os moradores. Outras unidades Para 2018, a Secretaria de Habitação de São Vicente pretende retomar as obras do conjunto atrás do Centro de Convenções, no Parque Bitaru, abandonado há anos, com mais 400 apartamentos. Até o final do ano, a expectativa é que as 360 moradias do São Vicente H - Catarina de Moraes estejam com os novos donos. “Além disso, já solicitamos 740 unidades ao Ministério das Cidades”, diz Edson, que garante precisar de 25 mil casas para resolver de vez o deficit habitacional de São Vicente.


ESPLANADA DOS BARREIROS 

Começa no cruzamento da Avenida Nações Unidas com a Rua Mal. Cândido Mariano da Silva Rondon, segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Mal. Mascarenhas de Moraes; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Praça Avelino Teixeira Tavares Filho; contorna a Praça até o cruzamento com a Rua Prof. Carlos Araújo dos Santos, segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Praça Prof. Lúcio Martins Rodrigues, contorna a Praça até o cruzamento com o Rio d' Avó; segue pelo eixo deste até o cruzamento com o prolongamento da Avenida Nações Unidas; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o ponto de partida." 

Inclui partes dos antigos núcleos Esplanada dos Barreiros, Vila Margarida e Parque Bitaru. Conforme a Lei Complementar nº 216, de 19 de novembro de 1998. 

População: 9.883 habitantes em 2010 e 9.215 em 2000 (+7%) (Censo IBGE) 








A esplanada era uma antiga área de sítios e chácaras afastadas do centro, uma delas de propriedade da família do imigrante português Antônio Luiz Barreiros, que a transformou em um imenso bananal no início do século XIX. Em 1912 a área foi cortada pela constução da ferrovia São Paulo Railway Companhy, separando os bairros do Catiapoã e Beira Mar da Vila Margarida. Tornou-se área de passagem centro-bairros não somente pelas grandes avenidas próximas, mas principalmente pela Ponte do Canal dos Barreiros, que liga a área Insular ao Continente. Tanto que foi contemplada, em diferentes épocas, pelas estações de trem da Vila Margarida (FEPASA e TIM) e atualmente do VLT (Terminal Barreiros). 




VIAGEM A BARREIROS. A Poliantéia Vicentina, album histórico ilustrado e editado em 1982 (Editora Caudex) trouxe à tona vários temas das memórias vicentinas. Este mostra uma excursão aventuresca de santistas aos sítios vicentinos de Barreiros, habitado em 1898 pelo pescador português Antônio Tavares de Almeida. 




Ponte rodoviária e ferrovária do Canal dos Barreiros. Acima a Ponte do Mar Pequeno. A Tribuna. 





GONZAGUINHA (PRAIA MAHUÁ) 

População: 12.203 habitantes em 2010 e 9.982 em 2000 (+22%) (Censo IBGE) 




Publicação de 1905 retratando a praia de São Vicente. 


Em 1515 encontramos as primeiras notícias das águas da fonte do povoado, que viria a ser a atual Biquinha de Anchieta. O Morro de Tumiaru (Outeiro de São Vicente, Morro Santo Antônio, Morro dos Padres e atualmente Morro dos Barbosas), junto à Praia Mahuá (Gonzaguinha). 

No final do século XIX e início do XX São Vicente tinha poucas ruas e imóveis , a maioria restrita à área central da cidade. Surgem nesse período, nas cercanias do centro, as primeiras vilas periféricas, construídas nas poucas áreas secas vizinhas ao mangue. Nessa época as praias não eram o alvo das moradia regulares, mas somente de algumas poucas construções de veraneio. O Gonzaguinha ou Praia de São Vicente que conhecemos hoje foi uma ocupação resultante da explosão do turismo praiano no século XX, influindo na rápida tranformação das grandes e poucas moradias horizontais em centenas de unidades verticalizadas dos edifícios erigidos na orla e próximo ao centro.A busca por imóveis de uso comercial teve ritmo semelhante no centro e também na orla. É fácil constatar essa observação nas mudanças de paisagem registradas nas fotografias e cartões postais das diferentes épocas desse período. Em alguns documentos de escrituras também é possível identificar os antigos proprietários de casas onde hoje existem grandes edifícios de pequenos apartamentos de temportada. É o caso , por exemplo, de algumas unidades do Conjunto Residencial Bendito Calixto, construído na rua Martim Afonso (entre as ruas Jacob Emmerich e José Bonifácio) cuja grande parte do terrenos pertencia aos herdeiros do famoso pintor que residia na casa ali demolida para dar lugar ao prédio. E assim aconteceu e ainda acontece não somente somente no Gonzaguinha, mas também no Boa Vista e Itararé. 


As variações da Praia de São Vicente 





























RESSACAS. Imagem do Gonzaguinha após uma das grandes ressacas registradas no início do século XX. A maior delas foi em 1924. O assunto foi registrado na Poliantéia relatando o histórico desse fenômeno desde o início da colonização até a construção dos moles de pedras na década de 1960, após estudo e recomendação do engenheiro Rinaldo Rondino. 


No seu trecho inicial, junto ao Marco do IV Centenário de São Vicente (Praça Tom Jobim), durante muitos anos desde a fundação da Vila de São Vicente, já em 1542, passaram a acontecer violentas ressacas, com a maré batendo fortemente contra a orla marítima destruindo as praias, as terras adjacentes e a 1ª Vila Vicentina. As ressacas mais fortes no século XX, durante muitos anos passaram a ser quase cíclicas, variando entre mais fortes e mais fracas, em períodos de cerca de 20 anos. Em 1920 destruiu a praia e a avenida beira-mar, com sua larga faixa de areia. Foi a mais forte ressaca, talvez semelhante a de 1542, chegando a atingir uma profundidade variável entre 9 e 13 metros entre o barranco e a pedra do Mato. No início da década de 40 voltou a repetir o fenômeno. Como sempre, a própria maré em alguns meses, voltava a repor toda a areia cobrindo completamente a vasta erosão que havia deixado. Esse fato só acontecia nas imediações da Praça 22 de Janeiro e Biquinha, atual Praça Tom Jobim. Em toda a extensão da Praia de São Vicente, nessas épocas em que a maré se apresentava muito forte, não ameaçava de destruição na orla da praia, com exceção, a atual Praça Heróis de 32, onde está construído o Edifício Marrocos. 




Divisa das Praia do Gonzaguinha e Milionários. Molhe de pedras construído ao lado do Edifício Grajaú, onde residia o engenheiro Rinaldo Rondino e do qual observa o movimento das marés da Baía de São Vicente . Foto: Verônica Esquive. 


O mar só iniciou seu processo permanente de devorar a Praia de São Vicente, em quase toda sua extensão, a partir de 1945, aumentando suas agressividade destruidora sempre nos meses de julho e agosto. Na década de 40 o processo de agressividade inverteu-se num determinado momento por volta de 1946, atenuando a maré sobre a faixa da Biquinha, passando a agredir toda a costa da Praça Heróis de 32 até a Rua Pero Correa. O Prefeito Álvaro Assis (1947) iniciou a proteção da orla marítima, para preservar as linhas dos bondes, a avenida beira-mar e até mesmo alguns prédios (Gáudio, Marrocos, Icaraí e Grajahu), iniciando celeremente a rústica construção do enrocamento, procurando vencer o impacto do mar bravio, com o grande volume de pedras adquiridas nas pedreiras vicentinas e lançadas nos pontos mais críticos. 

Nos anos seguintes o engenheiro Rinaldo Rondino dedicou-se ao estudo do fenômeno chegando à conclusão dos pontos mais vulneráveis à ação do mar, sugerindo à Prefeitura que nesses locais fossem construídos molhes de pedra. Nas épocas das marés altas,toda a orla marítima é açoitada pelo mar ameaçador, mas depois regride, devolvendo a praia no trecho do Gonzaguinha e junto aos molhes construídos nos anos 50. Na década de 30 a faixa de areia era larga e contínua (areia dura, ou seja, molhada pela maré alta e batida e seca na maré baixa), excelente para a prática de esportes e para o ciclismo, estendendo-se sem nenhuma interrupção, desde a Biquinha até o Canal 1 em Santos, pois ainda não existia o aterro de acesso à Ilha Porchat nem o emissário, construído pela Sabesp para saneamento. A Ilha de Urubuqueçaba, nas marés baixas, tinha acesso em plena praia. 

RAZÕES DA ELEVAÇÃO DO NÍVEL DO MAR 

Ainda são cientificamente desconhecidas, até mesmo porque essas alterações aconteceram e se repetiram durante centenas de anos, como se observa em mapas antigos. Muitos acusam o fenômeno da perda das praias, em razão do aterro para acesso à Ilha Porchat que coincide em parte, com a alteração da corrente marítima, já que o acesso foi construído em 1946, porém sua primeira construção foi em madeira sobre pilotes, também em madeira e com vão de circulação de água por baixo. Só mais tarde foi substituído por aterro e, ainda assim, com um vão livre de aproximadamente 6 metros para a passagem do mar, entre a praia de São Vicente e a praia do Itararé. Somente mais recentemente esse vão foi fechado. 

Registre-se que, na década de 40, o mar, que circulava na frente da Ilha Porchat, sempre foi um pequeno lençol de água mansa, sem correntes fortes e nunca com volume de água superior a 30 cm de altura. 

Nas marés baixas, o acesso ao Cassino da Ilha Porchat se fazia por carro ou a pé. Nas marés altas, o Cassino colocava charretes com tração humana, para fazer o translado entre as duas ilhas.Somente no século XVI o oceano adentrava a baia, pela frente da Ilha Porchat (Ilha do Mudo), com calado suficiente para a navegação de caravelas e com larga faixa de água que hoje corresponde aproximadamente, até a Rua 11 de Junho.Fato, possivelmente responsável por todo esse aumento do volume de água do mar sobre a orla marítima da baia, e que deve ser melhor estudado, são as enormes áreas de manguezais aterrados ao redor da Ilha de São Vicente, principalmente em larga extensão no Rio Casqueiro, tanto do lado de São Vicente como do lado de Cubatão, em todas as áreas da Zona Noroeste de Santos e em larga extensão da Ilha de Santo Amaro, para a construção do Porto de Santos, e ainda em Cubatão, em áreas ocupadas pelas indústrias e no Guarujá, pela construção do cais do porto. Obviamente, o enorme volume de água do mar que se espalhava sobre tantos quilômetros quadrados de mangues, foi desviado e pressionado sobre as orlas adjacentes, principalmente nas praias, que mais sentem os fluxos das marés Fonte: Revista do IHGSV 


ITARARÉ 

Inclui o núcleo Itararé e o morro Itararé, e a Ilha Porchat. Bairro alterado pela Lei Complementar nº 376, de 23 de agosto de 2002 (que alterou a LC 216/98, de abairramento da zona urbana) 

População: 8.640 habitantes em 2010 e 6.579 em 2000 (+31%) (Censo IBGE) 


























Ilha Porchat e Itararé nos anos 1970.  A antiga ferrovia Sorocabana-FEPASA foi subistituída pelo VLT.

O Itararé é uma extensão e confunde-se com o Boa Vista e a o bairro santista do José Menino, com a diferença de que se tornou uma ampla faixa de orla e praia, e também trecho de morro, que vai desde a Ilha Porchat até a divisa de Santos. É um bairro na sua maior parte de natureza turística. Já foi em outros tempos lugar de grandes casarões de famílias de alto poder aquisitivo e que depois seriam demolidas e substitídas por prédio de apartamentos. Hoje tem baixa densidade populacional,com poucas moradias fixas e isoladas , por causa da faixa estreita de terra entre a praia e o morro do mesmo nome. É passagem obrigatória ( as duas avenidas largas que formam o chamado “Tapetão” e a linha do VLT) para quem transita pela orla entre Santos, São Vicente e as cidades do Litoral Sul. É a maior praia vicentina , cuja taxa de ocupação é alta nas temporadas de verão; e baixa nos demais meses do ano, sobretudo no inverno. Essa característica inibe a instalação de estabelecimentos comerciais de uso e permanência regulares como bancos e serviços públicos, com exceção na avenida divisória, onde existe umpequeno centro comercial e também a feira de sábado. Nesse ponto da divisa foi instalado um terminal de transporte alternativo (lotações). Durante muitos anos o Itararé teve como equipamentos turísticos os tradicionais parques de diversões (Luna Park e outros), fixos e sazonais; e o conhecido Oceanorium (Golfinhos), instalado em 1967 e desativado nos anos 1990. Com a instalação do VLT o Itaré ganhou duas estações (Itararé e Moura Ribeiro), que trouxeram um relativo movimento de moradores e banhistas de outros bairros. Atualmente, além da Ilha Porchat (com o Monumento Niemeyer, incluindo o antigo e desativado clube do mesmo nome, boates e restaurantes de vista panorâmica), o Itararé mantém um amplo espaço para instalação de eventos artísticos e esportivos. 

JARDIM GUASSU 

Inclui o núcleo Jardim Guassu e parte do núcleo Jardim Paraíso. Conforme a Lei Complementar nº 216, de 19 de novembro de 1998: 

População: 3.974 habitantes em 2010 e 3.642 em 2000 (+9%) (Censo IBGE) 

De pequeno bairro periférico surgido na divisa com Santos anos 1950, o Guassu tornou-se um importante centro comercial a partir de um eixo formado por três avenidas de grande movimento: Antônio Emmerich (direção centro e praias); Capitão Luiz Horneux (direção Catiapoã,Jockey Club e saída para a Imigrantes); e Nossa Senhora de Fátima (direção Areia Branca e Zona Noroeste de Santos). Didide com o Cascatinha o Quartel do 2º Batalhão do Exército. 

JARDIM INDEPENDÊNCIA 




























Rua Rio de Janeiro em 1982. Foto: Dalmo Duque dos Santos. 


População: 3.493 habitantes em 2010 e 7.661 em 2000 (-54%) (Censo IBGE)

Vila Valença, Vila Misericórdia e Voturuá foram desmebramentos do Sítio Itararé , antiga propriedade de José Francisco Valença, doada em testamento para a Santa Casa de Misiericórdia de Santos, ainda no século XIX. O loteamento foi feito a partir de 1946. Em 1972 um projeto de lei alterou o nome Vila Misericórdia para Jardim Independência, em homenagem ao Sesquicentenário. Até o final da década de 1970 o bairro ainda era de classe média baixa e sem calçamento, inclusive a avenida Prefeito José Monteiro. Nas décadas seguintes teve valorização crescente por causa da construção de sobrados geminados, muito procurados por moradores de Santos. A construção do Condomínio Verde Oliva, habitado basicamente por militares do então Batalhão de Caçadores, aumentou a demanda residencial na região. 


VILA JOCKEY CLUBE E VILA MATTEO BEI 

 

Inclui os antigos núcleos Vila Jockey Club e Sambaiatuba, Dique do Rio Cachetas e Dique do Piçarro. Conforme a Lei Complementar nº 216, de 19 de novembro de 1998. 

População: 27.554 habitantes em 2010 e 27.912 em 2000 (-1%) (Censo IBGE) 



O Jockey Club na avenida Salgado Filho em São Vicente. Avenida Matteo Bei e Jardim São Mateus na zona leste de São Paulo.



Campa da Família Bei no Cemitério do Araçá, em São Paulo.

A proximidade geográfica entre o planalto paulista e o litoral fez com que os loteamentos e negócios imobliários que se realizavam na Capital fossem também reproduzidos na baixada Santista. Muitos empresários paulistanos que haviam fundado bairros na periferia de São Paulo também desceram a serra para explorar grandes áreas ainda intocadas da região. Experientes como empreiteiros e corretores, os loteadores rapidamente organizavam pedidos de arruamentos e lotes para à venda em locais onde havía déficit de moradias. Foi caso da Loteadora Bei, que havia atuado na fundação de importantes bairros na zona Leste paulistana, principalmente São Mateus, em homengem ao patriarca da família, Matteo Bei. Em São Vicente, em 1950, por iniciativa de Armando Vitório Bei, a empresa dessa família loteou a grande área que ficaria conhecida como Vila Jockey Club, Vila Matteo Bei e Sambaiatuba. Armando Vitório Bei foi um dos fundadores e presidente do Jockey Clube de São Vicente. A foto acima são do início dos anos 1980, das quadras e garagens de propriedade da Viação Santos-São Vicente. 


Garagens da Viação Santos - São Vicente na Vila Jockey Clube nos anos 1950



PARQUE BITARU 

Englobou a área conhecida como Guamium ou Guamiun, ou ainda Vila dos Pescadores. Inclui parte do antigo núcleo Parque Bitaru. Conforme a Lei Complementar nº 216, de 19 de novembro de 1998. 

População: 15.879 habitantes em 2010 e 15.282 em 2000 (+4%) (Censo IBGE) 

É um dos maiores bairros da cidade, com alta densidade populacional, embora seja pratricamente horizontal. Foi separado recentemente da Vila Margarida pela alça de acesso da Rodovia dos Imigrantes e também da favela México 70. Boa parte do bairro próximo ao Viaduto Mário Covas ainda permanece como um núcleo de extrema pobreza, composto por barracos de madeira e construções desordenadas de alvenaria. Na direção da avenida Capitão- Mor Aguir, Jacob Emmerrch e Martins Fontes, o bairro assume características de classe média e sedia vários serviços públicos importantes como o Fórum, a Escola Estadual Leopoldo José Santana, um hospital particular, os dois cemitérios da área insular, Câmara Municipal e diversos estabelecimentos escolares e religiosos. (ver os textos Ruas e Lugares). 


























Parque Bitaru e Mar Pequeno antes da construção da ponte e da formação da favela do México 70. Abaixo a Ponte Pênsil e a Prainha 


PARQUE SÃO VICENTE 





População: 10.684 habitantes em 2010 e 10.358 em 2000 (+3%) (Censo IBGE) 


VILA MARGARIDA E MÉXICO 70 


População: 28.618 habitantes em 2010 e 27.474 em 2000 (+4%) (Censo IBGE) 

O Sítio dos Barreiros, de propriedade da família Bento Antônio dos Santos, foi objeto de ação divisória intimada no ano de 1917, dando início a ações que mais tarde, fariam com que parte desta terra fosse loteada, dando origem ao bairro da Vila Margarida, em São Vicente. Após a consumação da divisão do sítio dos Barreiros, e concretizadas as partilhas, ambas processadas perante o cartório do segundo ofício em São Vicente, o Sr. Lúcio Martins Rodrigues, adiquiriu várias partes desta propriedade, que anos mais tarde, viriam a transformar-se num loteamento, aprovado em 14 de Janeiro de 1954, e expedido alvará em 20 de Janeiro do mesmo ano.O populoso e movimentado bairro vicentino, assim nasceu, recebendo a denominação de Vila Margarida, em homenagem a primeira esposa do Sr. Lúcio Martins Rodrigues, Sra. Margarida Pinho Rodrigues. A Vila Margarida progrediu lentamente. No ano de 1957, o bairro possuía apenas um açougue, de propriedade do Sr. Manoel dos Santos, situada na Avenida Mascarenhas de Moraes, principal avenida do bairro.Nesta época, existia um chafariz, onde os moradores iam buscar água para o seu consumo, transportando-a em latas e baldes, pois não havia ainda um sistema de ligação, que permitisse o abastecimento a todo o bairro. A Avenida Mascarenhas de Moraes, foi pavimentada no ano de 1972, durante a gestão do então Prefeito Municipal, Profº Jonas Rodrigues, dando um novo impulso ao bairro.As obras de infra-estrutura realizadas, levaram grande progresso para a Vila Margarida, multiplicando dezenas de vezes o valor de diverso trechos, principalmente após a construção da rodovia dos Imigrantes, da inauguração da Ponte Esmeraldo Tarquínio, sobre o Mar Pequeno, e recentemente, o viaduto Mario Covas, tornando o bairro de fácil acesso, facilitando a vida de seus moradores, motivando a abertura de estabelecimentos comerciais e melhorando a qualidade de vida das pessoas. 





Sede da Sociedade de Melhoramentos em 1972. Jornal A Tribuna. 


Cidade mais velha do país é campeã do cólera em SP 


CLÁUDIA VARELLA – 10/04 de 1994 - DA AGÊNCIA FOLHA, EM SÃO VICENTE 

São Vicente, o município mais antigo do país –fundado em 1532–, se transformou no principal foco do cólera em São Paulo. A cidade do litoral sul é campeã de casos da doença no Estado este ano. Até a última sexta-feira 16 pessoas haviam sido contaminadas. Três morreram. São Paulo já registrou 39 casos este ano. A causa do problema é a falta de infra-estrutura sanitária. Segundo o SOS Saneamento, apenas 17% da população é servida por rede de esgoto. A doença ameaça 100 mil pessoas (30% da população).Segundo a coordenadora da entidade, Edith Badini da Silva, 49, a cidade apresenta todos os pré-requisitos para o surgimento da doença: falta de saneamento nas casas e esgotos a céu aberto. 

"A contaminação por via hídrica foi determinante para a propagação de doenças como cólera, verminoses e leptospirose", disse. 

"Não podemos continuar vivendo dentro de um enorme esgoto a céu aberto. A questão é de vida ou morte", diz o prefeito Luiz Carlos Luca Pedro (PT), 39. 

O superintendente regional da Sabesp na Baixada Santista, João Paulo Tavares Papa, 35, afirmou que 46% dos imóveis de São Vicente têm rede de esgoto. Segundo ele, todas as casas de veraneio têm água e esgoto. O fornecimento de água atingiria 96% das casas de moradores da cidade. Papa diz que três obras em andamento (orçadas em US$ 7,5 milhões) devem melhorar a rede.A Secretaria Municipal de Saúde instalou 33 caixas de cloração nos 19 canais da cidade para conter o avanço do vibrião do cólera nas áreas onde não há saneamento. A pesca e a retirada de frutos do mar nas pontes dos Barreiros e do Mar Pequeno –locais considerados de risco pela Vigilância Sanitária– são desaconselhadas. 

"Ainda não é necessária a proibição", disse Reis. Ele afirmou que espera liberação do Ministério de Saúde de CR$ 50 milhões para programas de combate à doença. 

José Aparecido Soares, 37, que pescava quinta-feira passada na Ponte dos Barreiros, disse não ter medo de contrair o vibrião. "Se fritar o peixe a 70 graus por 20 minutos o vibrião morre", disse.José Pascoal da Silva, 62, disse que há um mês teve diarréia e ficou internado. "Comi muito marisco, mas acho que a desinteria foi por causa de um frango." 

"Bem fritinho, o micróbio da cólera não pode viver,", disse Pedro Valentim, 75, que pescava quinta-feira à tarde. Ele não acredita que possa contrair a doença. 

No bairro Esplanada dos Barreiros, José Rodovalho, 67, também disse não temer o vibrião: "Como 20 ostras de uma só vez".Segundo Gilmar Pascoal da Silva, 35, a venda de ostras diminuiu com a divulgação do cólera. "Antes, vendia dez dúzias por dia. Hoje, vendo no máximo quatro."O desempregado José Carlos da Silva, 35, mora com três adultos e três crianças numa casa de alvenaria de dois cômodos, na favela Sá Catarina de Moraes. Ele, o irmão José Roberto, 29, e o sobrinho Márcio Silva, 16, contraíram cólera. José Roberto morreu. Foram os primeiros casos confirmados neste ano na cidade.A vigilância informou que José Roberto foi considerado "caso compatível", isto é, a doença foi constatada devido aos sintomas, mas não foram feitos exames. José Carlos diz que ficou doente em março, depois de comer peixada na ponte dos Barreiros. "Comi siri e marisco. Meus irmãos também. Todos ficaram doentes." O outro irmão, Gélson, 31, morreu em março com sintomas da doença. Oficialmente, o caso não é de cólera. A vigilância aguarda resultado do Instituto Médico Legal. 


























Favela México 70 registrou 5 casos 

DA AGÊNCIA FOLHA, EM SÃO VICENTE – 10/04/1994 

Criada em 1970, durante a Copa do Mundo de Futebol no México, a favela México 70 registrou este ano cinco casos de cólera. Anteontem, a doença matou W.S., 2.Segundo dados do censo realizado em 91 pelo IBGE, a favela tem pouco mais de 16 mil habitantes. Estimativas feitas pela prefeitura no ano passado elevam este número para 60 mil.A rede de esgoto é inexistente. A quantidade de palafitas (casas construídas sobre pilares) é grande, mas não há um levantamento exato do número.Para o secretário de Planejamento, Sérgio Avancine, a favela está entre as dez maiores do Brasil. Ela conta com um único posto de saúde, que prioriza o atendimento de crianças. O posto tem dois pediatras. Não existe um clínico geral para atender os adultos.As doenças de maior incidência na favela são tuberculose, esquistossomose, hepatite, meningite e doenças diarréicas.As três creches da favela foram construídas por iniciativa dos próprios moradores da México 70. Elas vivem de doações e da renda de bailes e forrós promovidos pela comunidade. Muitas crianças passam os dias brincando nos mangues, uma das principais fontes de contaminação e propagação do embrião do cólera.Maria José Rodrigues Pinto, 47, criou há quatro anos a creche comunitária Estrela do Amor.Sem ajuda financeira de órgãos oficiais, tia Maria, como é chamada pelas 102 crianças que vivem na creche, organiza campanhas e eventos para arrecadar dinheiro.Maria José diz estar "bem informada" sobre o cólera e que tenta evitar que "as crianças brinquem no mangue para não pegarem a doença." (CV) 


Favelas do Bugre e México 70 ganharão novas residências 

Domingo, 07 Maio 2006 

Cerca de mil famílias que residem em palafitas nas favelas México 70 e do Bugre serão beneficiadas por projetos habitacionais, do Governo Federal, com a construção de novas moradias e melhorias nas condições de habitação. A verba, da ordem de R$ 20 milhões, será liberada após a apresentação dos projetos básicos e de engenharia e dos documentos necessários à formalização dos contratos.Os recursos são parte do montante de R$ 66 milhões destinados pelo Ministério das Cidades à Baixada Santista. Conforme o secretário de Habitação de São Vicente, Brito Coelho, 607 famílias, já cadastradas, que residem na Avenida Brasil, no México 70, serão beneficiadas: 103 receberão melhorias nas condições de habitabilidade e 504 terão novas casas.Dentre as novas moradias destinadas a essas famílias, 128 serão construídas em um terreno de 16 mil m2, em uma área localizada atrás do Complexo de Eventos e Convenções da Costa da Mata Atlântica. As demais, 376 vão ser construídas na Avenida Brasil, mudando o viário da rua. ‘‘Vamos fazer um viário de borda, igual ao que foi feito no Sambaiatuba’’, explica Brito, lembrando que a mudança, além de fazer com que as famílias passem a morar de frente para o mar, e não mais dentro dele — nas palafitas —, impede também que outras se instalem no local. ‘‘Esse conceito impede a continuidade das construções’’. 

Palafitas 

As famílias que residem em palafitas no México 70 vão ser beneficiadas com recursos do Fundo Nacional de Habitação e Interesse Social, através do Programa Palafitas. Para a favela serão destinados R$ 9 milhões 701 mil, mais R$ 2,4 milhões da Prefeitura. Os imóveis terão custo zero para as famílias.Inicialmente, de acordo com o secretário, serão levantadas as casas atrás do Complexo de Eventos. ‘‘Removidas as famílias, vamos começar as construções na Avenida Brasil’’. As casas serão sobrepostas, com 42 m2. Até o dia 16 a Secretaria de Assentamentos Urbanos, Desenvolvimento Habitacional e Inclusão Social (Seurb) deverá encaminhar o projeto básico e os documentos necessários ao Ministério das Cidades. ‘‘A partir daí, teremos 30 dias para entregar o projeto de engenharia’’, informa Brito. ‘‘Vencidos esses prazos, será assinado o contrato’’.Já o prazo para a realização das obras, segundo o secretário, dependerá do projeto executivo de engenharia. Os recursos, além das moradias, também serão investidos na recuperação ambiental das áreas atualmente ocupadas e em programas de inclusão social.Para a Favela do Bugre, situada na área do antigo lixão do Sambaiatuba, serão destinados R$ 10 milhões a cerca de 500 famílias. ‘‘As pessoas que moram em áreas de risco extremo irão para casas de alvenaria, mas ganharão mais que uma habitação: terão direito à titularidade da casa e à inclusão social’’, destaca a coordenadora da Unidade Executora Municipal (UEM), Beth Bacellar, lembrando que a ocupação irregular do local começou na década de 1980.(http://www.anoreg.org.br) 


VILA MELLO- VILA CASCATINHA 

Incorporou o núcleo Vila Melo (também denominado Vila Cascatinha) e parte do núcleo Jardim Paraíso. Conforme a Lei Complementar nº 216, de 19 de novembro de 1998: 

População: 5.764 habitantes em 2010 e 6.296 em 2000 (-8%) (Censo IBGE) 

Dois antigos bairros periféricos que foram desenvolvidos por força da urbanização da Avenida Antonio Emmerich, em função da linha de bondes ligando São Vicente ao centro de Santos. Ao londo dessa avenida formou-se uma extensa rede de comércio e serviços e até de lazer, como o antigo Cine Petrópolis. A Vila Melo teve como marca o Clube Hípico (demolido para dar lugar ao Hipermecado Extra e depois Assai), a antiga Escola Estadual Sorocabana (hoje Constante Luciano Hulmont, o lado da Sabesp). Suas principais vias de acesso são as rua Mota Lima e Nove de Julho ( ambas em direção ao Catiapoã, bem como a Prefeito José Monteiro. A Vila Cascatinha tem até hoje como destaque a grande área militar do batalhão do Exército, contruído sobre o antigo Sítio do Bugre e depois Hotel Germânicoou dos Alemães). Essa foi consficada pelogoverno federal na época da II Guerra Mundial. 


VILA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA 

Começa no cruzamento da Rua Tambaú com a Avenida Eduardo Souto, segue pelo eixo desta e seu prolongamento até o cruzamento com o Canal do Rio das Cachetas; deflete à direita e segue pelo eixo deste até o cruzamento com o prolongamento da Rua Haiti; deflete à direita e segue por este até o cruzamento com o Canal da Avenida Ver. José Rosindo dos Santos Filho; segue pelo eixo deste até o cruzamento com a Rua Tamoyos; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Frei Gaspar; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Tambaú; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o ponto de partida." 

População: 10.938 habitantes em 2010 e 9.297 em 2000 (+18%) (Censo IBGE) 

(Ver o texto sobre a Cidade Náutica) 



VILA SÃO JORGE 

População: 7.565 habitantes em 2010 e 6.990 em 2000 (+8%) (Censo IBGE) 


É a parte vicentina da vila com o mesmo nome em Santos e que foi separada pelas linhas divisórias entre os dois minícipios em difrentes épocas nessa região. Nas épocas colonial e imperial a parte de São Vicente era cortada pelo rio Itararé; e a parte de Santos pelo rio São Jorge, ambos canalizados e que formam hoje o grande canal da Linha Vermelha. Nessa região - que na época era tudo São Vicente - foi construído o famoso Engenho de São Jorge dos Erasmos, atualmente um parque arqueológico sob a direção da Univeridade de São Paulo. Nos século seguintes todas essa área era formada por sítios próximos aos rios e morros abrigando posseiros e arrendatários. 

No século XIX ainda havia entre o Saboó e o Rio Capela o conhecido Caminho de São Vicente, usado por sitiantes que possuiam bananais, atividade que teve um grande crescimento em direção à atual zona portuária da via Anchieta, bem como em Cubatão. Consta nos registros da prefeitura que grande parte do bairro, do lado santista,era propriedade João Otávio Ribeiro,filho fora do casamento do conselheiro João Otávio Nébias com a escrava Dona Escolástica Rosa. Em 1900 os terrenos foram deizados em testamento para a Santa Casa de Santos. 

Em São Vicente até o início dos anos 1970 o bairro não tinha rede de esgodo nem calçamento, sendo habitada por uma população de classe baixa, composta basicamente de trabalhadores do porto e operários da indústria e Cubatão. Juntamente com o Voturuá e Vila Valença, abrigava as famosas pedreiras , marcadas pelas explosões diárias de dinamite, sempre antecedida de pelas sirenes de alerta. Com o passar do tempo o perfil sócio-econômico do bairro foi mudando, desparecendo os chalés e construções simples para dar lugar às casas e sobrados mais sofisticados. A Vila São Jorge continua essencialmente residencial, como poucos estabelecimentos comerciais. O marco divisório continua sendo o Monumento dos Tambores, cravado entre a avenida Nossa Senhora de Fátima(Santos) e Antonio Emmerich(São Vicente) e também da Avenidade Francisco da Costa Pires, em direção à Praça Estado de Israel onde foi construída em 1976 a Escola Estadual Neves Prado, com o nome original de Cidades Irmãs. 





























Vila São Jorge, em primeiro plano, nos anos 1970, Jardim Independência, Via Valença e Itararé. Biblioteca IBGE. 



VILA VALENÇA 

População: 5.906 habitantes em 2010 e 6.990 em 2000 (-16%) (Censo IBGE) 

A primeira pesquisa sobre a Vila Valença, bairro nobre de São Vicente, levou-nos ao ano de 1848, quando foi aberto o testamento e iniciado o inventário de José Francisco Valença, falecido na Corte do Imperador, na cidade do Rio de Janeiro, no dia 29 de abril de 1847.José Francisco Valença era português, natural da Vila Nova da Silveira da Província do Minho. Filho de João Barbosa Ratto e Maria Magdalena. Nunca foi casado. Não deixou descendentes. Era proprietário do Sítio Itararé constituído de uma casa coberta de telhas “arvoredo de espinho e terras” que para a parte da Vila de São Vicente divide-se com o rocio da mesma vila; do outro lado, com o Sítio Voturuá; pelo outro lado, com o Sítio Embaré, de José Honório Baino e pelo lado da praia, com o mar grosso. José Francisco Valença, por testamento, deixou seus bens para Margarida Ignez do Amparo, nestes termos: “Declaro que há muitos anos vive em minha companhia, Margarida Ignez do Amparo, a qual sempre me tem tratado com muita amizade, paciência e carinho, em todas as minhas moléstias, em conseqüência do que é minha livre e espontânea vontade que ela dita Margarida, seja por minha morte, herdeira de todos os bens...” 

Dentre esses bens são designados, por seus nomes, seis escravos: Benedito, de Benguela; Antonio, de nação Calunda; João criolo; Antonio, nagô e Luzia, nagô. O usufruto de uma casa assombrada, de duas portas, na Rua Meridional “desta cidade”, (provavelmente Santos).Por testamento, José Francisco Valença, instituiu sobre o sítio, a figura jurídica do fideicomisso.Por estipulação de última vontade indicou dois herdeiros sucessivos: a primeira herdeira, ou fiduciária, foi Margarida Ignez do Amparo; a segunda, a fideicomissária, foi a Santa Casa de Misericórdia de Santos que, após o falecimento da fiduciária, incorporou ao seu patrimônio o Sítio Itararé. A Santa Casa de Santos fez o loteamento e criou a “Vila Valença” na década de 1950. O inventário de José Francisco Valença foi processado perante o Juízo de Santos, historicamente, a 6ª Comarca da Província de São Paulo. (Boletim do IHGSV - por Antonio Teleginski) 


Pedreira junto ao Morro Voturuá e parte da Vila Valença na dácada de 1990. 


VILA VOTURUÁ 


População: 3.066 habitantes em 2010 e 3.066 em 2000 (0%) (Censo IBGE) 

Bairro que contorna o morro do mesmo nome e que faz divisa com o Jardim Independência e Via São Jorge através do canal da Avenida Monteiro Lobato, agora chamada Linha Vermelha. Ainda se mantém como área residencial e mais recentemente passou ser alvo da construção de sobrados e condomínio de casas. Nos anos 1970 o Vuturuá era praticamente ocupado pelas pedreiras, que realizavam explosões diárias com dinamite, para confecção de pedra britada. Essa atividade gerava empregos, porém causava transtornos e graves acidentes entre os moradores mais próximos. Com o crescimento da população e das reclamação, as pedreiras foram gradualmente desativadas. (Ver também os textos Vila Valença Jardim Independência, Vila São Jorge e Ruas e Lugares (Parque Vuturuá) 


ÁREA CONTINENTAL - LADO ORLA


Dividida em duas regiões extremas: Lado Orla e o Lado Serra. Abrange o Japui, o Samaritá e os bairros que dali surgiram, bem como o antigo bairro de Praia Grande, emancipado como município no final dos anos 1960. Inclui também nessa área as terras limítrofes com os municípos do litoral sul e grande parte da Serra do Mar, que fazem divisa com os municípios do Planalto Paulista e região do ABCD. Descontando o Japui e a Praia Grande (bairo emancipado em 1967), até a década de 1980 a Área Continental próxima à Serra do Mar era praticamente uma área isolada e de baixa densidade populacional. Intensas mudanças nas três décadas seguintes provocaram o deslocamento e ocupação de um forte contingente humano para essa região, cujo número de habitantes passou da casa do 100 mil, causando inclusive preocupação contante entre os gestores políticos quanto à sua possível emancipação. 


JAPUÍ 


Japui em 1963. Acima os antigos bananais de Antônio Luiz barreiros começam a ceder espaço para loteamentos e arruamentos. Abaixo as instalções da Pedreira Itapoã, vista a partir do morro. No fundo a avenida Tupiniquins e o Curtume Cardamone. Acervo de Waldiney La Petina.





População: 5.891 habitantes em 2010 e 5.232 em 2000 (+13%) (Censo IBGE) 



É um dos bairros mais antigos da cidade, senão o mais antigo, pois existe desde a época pré-colonial, se for considerada a tese de que o Porto dos Escravos e das Naus, cujas ruínas estão lá até hoje, foi o início da nossa história. Pode ser que essas ruínas sejam também as do Engenho de Jerônimo Leitão. Alí já foi encontrada uma moeda de ouro e, em algumas escavações feitas por arqueólogos, foram encontrados vestígios de ocupação comercial no século XVI. 

O Japuí é a porta de entrada e um antigo caminho para a área continental, ligando pela Ponte Pênsil, a cidade ao ex-bairro Praia Grande e as cidades do litoral sul, também antigos territórios de São Vicente. 

É no Japuí que está a Prainha, da qual vemos a baía de São Vicente do ponto de vista continental, dando acesso também às praias de Parapuã e Itaquitanduva. A Prainha é hoje habitada tanto por moradores de alto poder aquisitivo como por populares, que se instalaram junto ao morro ali existente. Foi neste bairro que foi construído, no lado do morro, o famoso Curtume Cardamone, cujas ruínas ficam dentro do Parque Estadual Xixová. Na Praia de Paranapuã já teve uma unidade da FEBEM fundação para o Bem Estar do Menor, na década de 1970; e a ocupação de grupos indígenas vindos de Itanhaém para participarem de uma encenação e ali se intalaram como forma de retomada territorial. Em 1913 praticamente toda essa área pertencia ao agricultor e comerciante Antônio Luiz Barreiros, imigante português que desenvolveu ali uma vasta plantação de banana, cuja produção era levada por caminhões até o portro de Santos. Barreiros também possuía plantações na Esplanada os Barreiros, na área insular. 


Istalações do Curtume Cardamone na década de 1950. Acervo SPU-Santos


No lado da orla do Mar Pequeno, na avenida Tupiniquins, da cabeceira da Ponte Pênsil até a divisa com Praia Grande, quase invisível aos transeuntes, estão as sedes e intalações náuticas dos antigos clubes vicentinos como o Tumiaru e o Beira-Mar, bem como o Yatch Clube de São Vicente e algumas marinas particulares. 

A pequena vila do Japui, se comparada com os demais bairros vicentinos, tem poucas ruas e casas, permancendo isolada tanto de São Vicente quanto de Praia Grande, embora seja pouca a distância do bairro entre as duas cidades. É uma pequena faixa de terra entre o morro e o mar, incluindo uma grande área de proteção ambiental, o que, de certa forma, inibe o desenvolvimento urbano dessa localidade. Alguns moradores gostariam que o Japuí se desenvolvesse e até anexado à Praia Grande; outros são contrário tanto à idéia de desenvolvimento como da anexação.



























Baía do Mar Pequeno na margem continental do Japui, anos 1950. SPU.



ÁREA CONTINENTAL - LADO SERRA


SAMARITÁ 


Englobou o núcleo Vila Samaritá e parte do núcleo Jardim Rio Preto. Conforme a Lei Complementar nº 216, de 19 de novembro de 1998: 

População: 4.685 habitantes em 2010 e 1.472 em 2000 (+218%) (Censo IBGE) 

É o bairro-matriz do outro extremo da área continental e que deu origem a todos os demais bairros daquela região. Foi habitado por sitiante desde o período colonial. Um dos sítios mais conhecidos da região é Santana de Acaraú, onde nasceu e foi batizado o Frei Gaspar da Madre de Deus. As ruídas dessa propriedade foram registradas em pintura de Benedito Calixto e parete delas existe até hoje. Um dos grandes ocupantes dessas terras no século XIX foi Francisco Antonio da Silvo, cujo nome apare3ce em inventário datado de 1875. Outros nomes aparecem como sitiantes no final do século: Francisco Xavier dos Passos e Ignácio Gonzalez Requeijo. No início do século XX o Samaritá começa a ter um destino diferente: foi ocupado como zonal rural na década de 1920, para exploração de minério industrial, e logo tornou-se trecho estratégico de uma importante estrada de ferro cuja estação serviu como base logística e de desenvolvimento regtional. Uma grande área de quase 70 quilômetros quadrados próxima ao eixo São Paulo-Santos naturalmente seria alvo de interesses empresariais. Em 1980 uma campanha empreendida pelos membros Lions Clube de São Vicente alertava para o perigo de um novo desmembramento territorial do município, denunciando o interesse de políticos de Praia Grande e Cubatão em se apropriarem do Samaritá. O movimento tornou-se popular e levantou mais de 50 mil assinaturas de defesa do patrimônio vicentino, obtidas também pela ajuda de outras entidades. Na época o Samaritá possuía apenas 12 mil habitantes, número que seria radicalmente alterado pela construção de 3.200 casas populares no Parque Humaitá, empreendida pela Cohab Santista. Alguns anos depois outros núcleos habitacionais seriam construídos naquela região. Alí já existia também, desde os anos 1940, um extenso núcleo de terras do Ministério da Agricultura, usado como “quarentenário” de animais que iriam ser abatidos no matadouro de Santos. Quarentenário era um isolamento sanitário obrigatório para prevenção de doenças do gado e área que, ao ser invadida e loteados, se tornaria décadas depois nome do atual bairro ali localizado. Foi também nessa região, mais próxima ao Rio Branco, que aconteceu o famoso episódio de contaminação do solo, causada por um depósito clandestino de degetos químicos da Rhodia, empresa de origem francesa instalada no pólo industrial de Cubatão. 

HISTÓRICO DA LINHA 

Projetada desde 1889, a Mairinque-Santos, linha que quebraria o monopólio da SPR para ligar o interior ao litoral foi iniciada em 1929 e terminada em 1937, com a ligação das duas frentes, uma vindo de Santos e outra de Mairinque. É uma das obras ferroviárias mais reportadas por livros no Brasil. Já havia, no entanto, tráfego desde 1930 nas duas partes, e o trecho desde Santos até Samaritá havia sido adquirido em 1927 da Southern São Paulo Railway, operante desde 1913. Com o fim da Sorocabana e a criação da Fepasa, em 1971, a linha foi prolongada até Boa Vista, no fim dos anos 80 (retificação do antigo ramal de Campinas). Houve tráfego de passageiros entre Mairinque e Santos até cerca de 1975, e mais tarde entre Embu-Guaçu e Santos, até novembro de 1997. A linha opera até hoje sob a administração da Ferroban. (Ferrovias de São Paulo) 

A ESTAÇÃO 

A estação de Samaritá foi inaugurada no meio do nada, em 1930, para servir de ponto de encontro da então Santos-Juquiá com a Mairinque-Santos, então em construção. No mesmo dia de sua inauguração, entregou-se ao tráfego o trecho Samaritá-Estaleiro (hoje Gaspar Ricardo). A estação, nesta época, estava a cerca de 1 km da atual, à frente, sentido Juquiá. Em 1936, a estação ganhou um novo prédio, que deve ser o que está atualmente lá. "Meu avô, Armindo Ramos, foi chefe de estação em Santos e em 1929 adquiriu o sítio Barranco, hoje Vila Samaritá. A primeira estação situava-se a cerca de 1 km da atual, e fora construída em 1930, por meu avô, e doada à Sorocabana, com o intuito de atender às terras de nossa propriedade. A segunda estação, a atual, foi construída em 1936, em local diferente, como assinalei. Toda sua vida, minha infância e parte da juventude foram passadas frequentando Samaritá. Até 1980, as terras eram utilizadas para extração de areia sílica, em escala industrial, com fornecimento regular para industrias de vidro e fundição. Ali meu avô construiu sua empresa, a Mineração Atlântica Ltda., desativada em 1985. 






























Instalações da antiga Estação Samaritá já abandonadas na década de 1990.

"Após 1985, foi iniciado um plano de desenvolvimento sustentado para manutenção da propriedade. O local que havia tido um loteamento de cerca de 80 lotes aprovados em 1956, passou a contar com mais 400. Hoje (2006) o local, que era uma vila operária, está com grande parte das ruas asfaltadas, incluindo um anel viário, tem todas as ruas iluminadas, água e esgoto em toda área urbanizada. Foram construídos 750 apartamentos pela CEF, o CDHU está implantando 320 casas, e prevê implantar mais 640 em dois anos. Ainda mantemos a propriedade e existe um plano diretor para ocupação do restante da área. O entorno, Jardim Rio Branco, Parque das Bandeiras, Vila Ema, Vila Nova, Quarentenário, e Humaitá possuem, juntamente com a Vila Samaritá, cerca de 90.000 habitantes, que contam com supermercados, prontos-socorros, escolas de primeiro e segundo graus" (Clóvis Bitencourt, 07/2006). 

Quanto à estação original, que funcionou de 1930 a 1936, moradores do local afirmam que ainda existe, e o prédio que teria sido a própria está abandonado a pouco mais de 1.000 metros da estação original. A estação serviu para passageiros dos trens de longa distância até o final de 1997, quando os trens do ramal de Juquiá e da Mairinque-Santos foram suprimidos. Porém, até 2000 serviu aos trens metropolitanos (TIM) que ligavam Santos a Samaritá. Quando visitei a entrada da estação em 1998, que fica situada numa curva fechada de 90 graus e ruas não asfaltadas na época, a foto ficou difícil, pois basicamente era uma pequena porta, com uma placa sobre ela com o nome "Estação Samaritá" e muros e mais muros. O prédio está dentro dos muros, impossível de se ver de fora. Em 2001 era um enorme cemitério de carros, vagões e locomotivas. Arlindo Miranda, mestre de linha aposentado que vive na antiga vila ferroviária de Samaritá, reclama dos problemas com o transporte público. "Toda manhã é um sufoco. As peruas já saem lotadas e seguem apertadas durante todo o trajeto, colocando gente para dentro enquanto for possível. Quando o trem estava funcionando, não era assim". Aos 57 anos, Miranda recorda com saudades os tempos áureos da Linha Sorocabana. "A movimentação de passageiros era tão intensa, que próximo à Estação do Samaritá existia um bar famoso em toda a região". Praticamente abandonado, hoje o local serve de depósito de vagões velhos, mas ainda guarda um certo charme, sendo considerado um marco do bairro. (A Tribuna, 15/2/2003). 



HUMAITÁ 






Vista área do Conjunto Humaitá em 1983. Jornal A Tribuna.



O bairro surgiu em 6/11/1983 com a entrega do conjunto Habitacional Humaitá, construído pela Cohab Santista. No início do século XXI apresentava-se com área de 1.796 m², sendo 596 mil m² em quadras.Inclui antigo núcleo Humaitá. Bairro alterado pela Lei Complementar nº 408, de 2 de julho de 2003, que altera a LC 216/2002, criando a Vila Nova Mariana 

População: 13.586 habitantes em 2010 e 17.227 em 2000 (-21%) (Censo IBGE) 



Situado a 13Km de Cubatão, 23Km de Santos e 8Km da ilha de São Vicente, construído de frente a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, bem no trajeto que liga Cubatão à Praia Grande, o Conjunto Habitacional Humaitá foi entregue à população em 1983 e deu origem ao bairro. Segundo alguns moradores, lá já existiam casas, ruas demarcadas e um pequeno grupo de famílias, oriundas não se sabe de onde, de posse da terra.Na década de setenta, o Conjunto Residencial Humaitá, da COHAB (Companhia Habitacional do Estado de São Paulo), dá o primeiro grande impulso de ocupação da região e se transforma no maior bairro e o mais populoso bairro da área continental. Segundo relatos dos moradores e notícias publicadas no jornal A Tribuna, um dos motivos pelos quais esses bairros proliferaram foi à construção do Presídio Regional de São Vicente, situado na área pertencente ao bairro do Humaitá. Inaugurado em abril de 1977, era destinado a aliviar a sobrecarga carcerária da Baixada Santista e a transferir os detentos para longe dos centros urbanos. A edificação deste prédio demorou dois anos, ganhou fama e marcou o lugar pelo apelido de cenourão, devido à cor abóbora com que foi pintado. Em 2006, abriga infratores que praticaram crimes hediondos.Houve uma forma de isolamento territorial, pois as famílias não encontravam outra solução para moradia e acabavam se instalando na região continental da cidade. 

JARDIM IRMÃ DOLORES E QUARENTENÁRIO 


Inclui o núcleo Jardim Rio Negro (que compreende o Conjunto Habitacional São Vicente I2/Projeto México 70, denominado em 22/12/2011, pela lei 2793-A, como Conjunto Habitacional Dr. Luiz Gonzaga de Oliveira Gomes ) e o núcleo Jardim Irmã Dolores (junção dos antigos loteamentos Quarentenário e Vila Ponte Nova).Criado em 2009, a partir da junção daqueles dois antigos bairros, na área continental. É assim descrito na Lei Complementar nº 546, de 3 de outubro de 2008 (que alterou a LC 216, de 19/11/1998, já alterada pelas LCs 234/1999, 376/2002 e 408/2003): 

População: 23.429 habitantes em 2010 e 16.751 em 2000 (+40%) (Censo IBGE) 

O antigo bairro Quarentenário começou a ser ocupado a partir de 1991, após a inauguração da Ponte dos Barreiros. Situado em terras do Ministério da Agricultura, teve seu nome em razão de na década de 1950, antes da criação dos grandes frigoríficos, ter sido um local onde o gado procedente do interior paulista permanecia em quarentena, aguardando o abate no matadouro e a liberação da carne para exportação.Irmã Dolores, Frei Guilherme, católicos leigos e membros da comunidade promoveram as construções da Igreja Nossa Senhora da Esperança (1993), do Posto de Saúde (1994), da Escola Municipal Raul Rocha do Amaral (1996), Escola Profissionalizante VIP (1997), Capela São Francisco e Santa Clara (2000), Salão de Oficinas Profissionalizantes (2000), capela Nossa Senhora de Lourdes (2001), Centro de Parto (2002), Biblioteca Comunitária VIP (2002), Escola Municipal Nossa Senhora da Esperança (2003), Capela Nossa Senhora da Paz (2004) e um Restaurante Popular. 

Mudança de nome e numeração causa problemas 


Além do nome e números, situação da rua piora em dias de chuva. Condições de postes de luz também preocupam moradores. 

Do G1 Santos – 24/09/2013 

Os moradores da Área Continental de São Vicente, no litoral de São Paulo, há mais de ano convivem com problemas causados pela mudança do nome do local para Irmã Dolores e da numeração nas casas. O bairro era conhecido como Quarentenário. 

Os números das casas da rua mudaram, mas a numeração antiga continua exposta. Com isso a correspondência demora para chegar nas casas corretas. Admilson Santos Gonçalves, morador do bairro é um dos prejudicados. "As cartas chegam em um número ou outro, daí o vizinho traz para mim e leva a deles". 

As placas das ruas aumentam a confusão. Carlos Alberto dos Santos, inspetor de alunos, explica que o mesmo número se repete em mais de uma residência. "Às vezes recebo a correspondência de outro vizinho e tenho que sair de casa e entregar para que ele possa pagar a conte dele". 

A manutenção da rua também é um problema para os moradores. Quando chove as ruas ficam cheias de poças de água. Maria Edna Batista, moradora do bairro, conta as manobras que tem que fazer para passar pela rua. "Tem que desviar um pouco e ir passando, se não, quando a gente passa os sapatos já eram". 

As condições dos postes também preocupam os moradores. "Tem muita lama, muita sujeira. Os postes estão podres. Já vieram aqui, disseram que iam trocar, mas esse poste está condenado, vai cair na minha laje. Todos eles estão podres", conta o morador do bairro Reginaldo dos Santos. 

Por nota, a Prefeitura de São Vicente disse que uma equipe vai até o bairro, ver de perto todos esses problemas mostrados. Segundo a nota, uma lei deu nova denominação aos bairros Quarentenário e Ponte Nova, que passaram a se chamar Jardim Irmã Dulce. Com relação aos números das casas, a administração disse que aquela é uma área que está sendo regularizada e, por isso, ainda existe a numeração nova e a antiga. 

A CPFL, concessionária de energia que opera na cidade, disse que uma equipe vai ao bairro para avaliar a reclamação sobre o estado dos postes. 

A trajetória de Irmã Maria Dolores 


O Jardim Irmã Dolores mudou muito desde seu início até hoje e a Irmã Maria Dolores Muñiz Junquera foi uma das principais responsáveis por essas mudanças. Espanhola, grande lutadora pela igualdade social, sua atuação foi reconhecida por meio de prêmios significativos que recebeu. As pessoas que conviveram com ela consideram-na como a “Mãe dos Pobres” e a “Guerreira da Paz”, que Deus chamou para o seu convívio a 30 de agosto de 2008, mas que continua presente pelo seu exemplo e a missão de continuar mantendo a sua obra. 

Sua trajetória de vida dedicada ao bem coletivo está registrada no livro de Rubens Amaral e Nélia Cursino – “Dolores do Evangelho. Caminhos de Santidade da Guerreira da Paz”, lançado em Santos, em 2006, pela Editora Leopoldianum. 

Maria Dolores Muñiz Junquera nasceu em 26/02/1926, em Gijón, nas Astúrias, ao norte da Espanha, em uma família de oito irmãos, filha de Eugênio Muñiz Olloqui e Carolina Junquera Prendes. Em 1.º de julho de 1948, entrou como postulante na Congregação Maria Imaculada e, em 27 de maio de 1948, em Madri (Espanha), fez os votos perpétuos. Na década de 50 foi para França e Inglaterra. Cursou dois anos de Medicina. De Londres (Inglaterra) veio para o Brasil, como religiosa das Filhas de Maria Imaculada. Em 1967, trabalhou, inicialmente, em São Paulo e, depois, na Baixada Santista. Seu nome de religiosa na Congregação era “Madre Covadonga de Vicenta Maria”. Ela assumira o nome da Virgem padroeira das Astúrias e o da fundadora de sua congregação. Tornou-se uma estudiosa de Teologia, na linha de Leonardo Boff, Carlos Mesters, Benedito Ferraro, D. Pedro Casaldáliga e outros da Teologia da Libertação. 

Com sua aparência frágil, pequena de estatura, cabelos brancos e olhos muito azuis, pessoa alguma, à primeira vista, poderia imaginar sua extraordinária resistência física, sua palavra forte, seu poder de determinação e extrema sensibilidade. Apaixonada pela causa dos “sem voz e sem vez”, desligou-se da congregação para viver totalmente dedicada aos mais carentes e excluídos. Foi morar, em 1970, em uma simples palafita, em São Vicente, onde criou a JIP – Jockey Club Instituição Promocional – entidade que prepara jovens legionárias. Em 1979, no Guarujá, ajudou na transferência das famílias que viviam em áreas de risco nos morros para os núcleos hoje conhecidos como bairros Vila Zilda Natel e Vila Edna. 

Em 1989, de volta a São Vicente, na Área Continental, trabalhou nos bairros Humaitá, Parque das Bandeiras, Samaritá e na Vila Ponte Nova/Quarentenário (hoje Jardim Irmã Maria Dolores). Quando conheceu o Quarentenário, resolveu trabalhar e morar na área, para ajudar a melhorar as condições de vida da população. Esteve presente no local desde o início da ocupação. Com um grupo de pessoas, Irmã Maria Dolores resolveu fazer alguma coisa por aquela população excluída, carente de tudo, inclusive de orientação e impulsionar a implantação de equipamentos e serviços no bairro. O trabalho foi iniciado com visitas domiciliares e formação de pequenos grupos que se reuniam nos barracos. Assim, nasceu a VIP – Vila Ponte Nova Instituição Promocional, hoje Associação Promocional Irmã Maria Dolores – VIP. 

VOCAÇÃO 

Sua vocação vem da infância. Com seis anos de idade, sua professora perguntou-lhe “o que vai ser quando crescer?” Maria Dolores respondeu, sem titubear, que queria ser freira. A incrédula professora retrucou: “quero ver se você vai dizer a mesma coisa daqui a 20 anos”. Após sua consagração, trabalhou em vários lugares da Europa, porém como seu desejo era trabalhar junto aos pobres, acabou vindo para o Brasil. Inicialmente foi para São Paulo e depois para Santos, onde começou suas atividades na ‘Congregação Maria Imaculada’ trabalhando com jovens. 

Por seu temperamento dinâmico, não se sentiu realizada. Com apoio do Bispo Diocesano Dom David Picão, deixou a sua Congregação e foi morar em humilde barraco na Vila Jóquei, em São Vicente. O lugar era muito pobre, rodeado de palafitas, com valas expostas, por onde corria o esgoto e, muitas vezes, teve que sair de casa com água pela cintura devido às enchentes para ver como estavam os moradores perto dos diques. 

Seu trabalho estendia-se pelos Diques das Caxetas e Sambaiatuba. Para formar uma comunidade, a primeira coisa que construiu foi a Capela São José Operário. No terreno dos fundos, criou serviço de atendimento às mães, ambulatório e classe para crianças onde, apesar de seu “portunhol”, foi a primeira professora do MOBRAL (alfabetização de adultos). 

Com o tempo, criou a JIP – Jóquei Instituição Promocional – , com diversos cursos profissionalizantes. O Curso de Legionárias dá oportunidade do primeiro emprego a centenas de jovens. A direção continua com pessoas que começaram o trabalho com Irmã Maria Dolores. 

MUDANÇA 

Após um período de intensas chuvas, houve uma série de desabamentos em morros no Guarujá. Os moradores desses locais foram transferidos para a Vila Zilda. Irmã Maria Dolores, vendo todo aquele povo necessitado e carente de tipos de recursos, não teve dúvidas e mudou-se para lá. Com o auxílio dos integrantes do ‘Movimento de Cursilhos de Cristandade’, conseguiu construir uma pequena Capela e uma casa para morar. Quando chovia muito, a água invadia sua casa até a altura das canelas. Na parte da frente desta casa, instalou-se um ambulatório médico e dentário. As doações recebidas foram revertidas para a construção da Igreja e do Centro Comunitário que serviam para desenvolver várias atividades sociais e religiosas, o que colaborou para formar uma comunidade unida e organizada. 

CHEGADA À ÁREA CONTINENTAL 

Quando o Bispo nomeou um padre para o local, Irmã Dolores partiu para outras aventuras. Foi para a Área Continental de São Vicente para atuar nos bairros: Samaritá, Parque das Bandeiras, Vila Sonia, Gleba I e Gleba II, Parque Continental, Jardim Rio Branco e Humaitá, os quais contavam apenas com um sacerdote. Inicialmente ela foi morar no Humaitá, onde, com o auxílio recebido da ‘Advenit’, iniciou a construção da Igreja e do Centro Comunitário, deixando esta obra bastante avançada quando se afastou. Em seguida foi morar nos fundos da Capela Santa Terezinha, em Samaritá. Ali os mosquitos “pólvora” só faltavam comer as pessoas, mas ela nunca se queixou, como também nunca se queixou em qualquer ocasião de suas fortes dores provocadas pela coluna cervical. Nessa ocasião iniciou-se a ocupação de uma região chamada Quarentenário. 

Irmã Maria Dolores, caminhando a pé pela linha do trem, já que não havia ruas, ia de Samaritá para ajudar na organização dessa ocupação. Lá construiu a Capela Nossa Senhora da Esperança, com apoio da ONG espanhola ‘Manos Unidas’ e também Posto de Saúde, Centro Comunitário e Escola Profissionalizante Irmã Maria Dolores – VIP, com os Cursos de Informática, Manutenção de Microcomputadores, Costura Industrial, Panificação e Confeitaria, Cabeleireiro, Elétrica Básica, Comandos Elétricos, Artesanato, Corte e Costura, Assistente Administrativo, Barman, Garçom, Modelagem, Configuração de micro, Eletrônica, Elétrica Instalador e Logística. Com a ajuda dos paroquianos do Embaré, construiu a “Escola de Ensino Frundamental Raul Rocha do Amaral”, onde estudam 1.500 alunos. Mas ela não parou e inaugurou, em 26 de outubro de 2002, a”Biblioteca Comunitária”, com acervo de 5.000 livros – a única na área continental. Seu lema era: “Um povo sem leitura é um povo sem educação”. 

Anexo ao Centro Comunitário funciona uma Pré-escola com 330 alunos e a Casa da Saúde da Mulher da Área Continental que, desde outubro de 2003, recebe gestantes para o pré-natal e oferece aparelhagem para outros exames. Atende principalmente a população dos bairros: Quarentenário, Vila Ponte Nova e Jardim rio Negro, que são carentes nessa área. (Associação Promocional Maria Dolores) 



JARDIM RIO BRANCO 


População: 17.695 habitantes em 2010 e 12.411 em 2000 (+43%) (Censo IBGE)






















Jardim Rio Branco: Avenida Ulisses Guimães sentido Imigrantes.


O nome do bairro refere-se ao próprio rio de planície formado por cursos de água da encosta da Serra do Mar e que atravessa a área continental em direção ao Mar Pequeno. O bairro é fruto de um loteamento realizado em 1957, empreendido por Leão Jafet & Irmãos. Como os demais bairros que dependiam da estrado de ferro Santos-Juquiá, o Rio Branco permaneceu isolado durante muitos anos e seu moradores tinham que ir até Cubatão pele rodovoa Padre Manoel da Nóbrega para ter acesso à ilha de São Vicente. O cenário mudaria somente em 1995 com a construção do acesso rodoviário da ponte do Bairreiros, ligando as áreas continental e insular, resultando nos anos seguintes numa onda migratória e povoamento em massa para o continente. Apesar da distância da área insular, o Rio Branco desenvolveu-se rapidamente em função facilidade de acesso à Cubatão, Santos, Guarujá e São Paulo pelas rodovias Padre Manoel da Nóbrega, Imigrantes e Domênico Rangoni. O bairro também tornou-se muito próximo de Praia Grande e dos municípios do litoral sul. Essa localização estratégica entre alguns dos principais bairros da área continental , pois é uma passagem praticamente obrigatória, fez do Rio Branco um influente centro comercial e de serviços públicos. 

Moradores reclamam da falta de asfalto e esgoto 

Cobrança por asfalto é uma reivindicação antiga da população. Obra deve demorar pelo menos seis meses para começar. 

Do G1 Santos -30/10/2013 

Moradores da Área Continental de São Vicente, no litoral de São Paulo, reclamam de problemas no bairro Jardim Rio Branco. Ruas sem asfalto, esburacadas e esgoto que retorna para as casas são as principais queixas. Segundo os munícipes, o problema aumenta quando chove. Pessoas que vivem há mais tempo no bairro dizem que os problemas existem há quase 30 anos. Cecília Batista da Silva, moradora do bairro, tem uma filha cadeirante. Para ela, passar com a criança com a cadeira é quase impossível. “Eu não tenho condições de sair com a minha filha para buscar um pão na padaria. Tenho que deixar ela em casa sozinha para poder sair. Em dia que está chovendo é um transtorno, porque só consigo sair de casa com ela de carro”, diz. 

Segundo a moradora Armênia Oliveira de Souza, muitas crianças acabam doentes. “Ficam com feridas, pegam dengue. Elas sempre estão com doenças”, conta. Já a munícipe Regina Santana explica que, por conta do saneamento inadequado, o esgoto tem voltado para as casas. “Fui na Sabesp e eles desentupiram nos fundos da casa, mas agora é na porta. Eles disseram que o esgoto todo da rua está entupido e que não podem mais fazer nada por nós”, lembra. 

Zenivaldo Ascenção dos Santos, gerente da Sabesp em São Vicente, afirma que o problema foi resolvido. “Houve uma intervenção, um reparo. O ramal estava quebrado e isso estava dificultando o escoamento. O serviço de manutenção foi concluído, inclusive a desobstrução”, relata. 

Roberto Rossi, gerente de obras da Companhia de Desenvolvimento de São Vicente (Codesavi), diz que, embora a rua não tenha asfalto, está preparada para recebê-lo. “Descobrimos que é um problema antigo. Na Rua 10 só existem duas quadras que não foram asfaltadas. Metade da Rua 19 já tem guias e sarjetas, mas não foi feito o asfalto, não sei o motivo exato. O que a gente pode fazer é mandar imediatamente o maquinário, junto com a subprefeitura, para melhorar o piso, tirar as poças de água, fazer a capinação e a limpeza”, explica. 

Rossi diz que os trabalhos devem começar ainda nesta semana. “Nós temos um cronograma de seis ruas que vai começar brevemente nos bairros Parque das Bandeiras e Gleba II. São projetos de drenagem e pavimentação, e após a conclusão dessas obras, nós vamos iniciar nas ruas do Jardim Rio Branco”, afirma. 

O representante da Codesavi diz ainda que não há data para o início da pavimentação do bairro. “Não há previsão porque vamos depender da conclusão das obras na Gleba II, que é um projeto grande e que demanda uns seis meses, no mínimo”, conclui.






















Jardim Rio Branco: Avenida Ulisses Guimarães sentido Samarita -Quarentenário. 






























Trem da FEPASA  atravessando o bairo do Rio Branco nos anos 1980.  


VILA EMA 



De acordo com a Prefeitura Municipal de São Vicente, o Vitório Viquetti loteou sua fazenda e, em homenagem a sua esposa falecida, nomeou o local de Vila Emma. Não há dados sobre como Vitório Viquetti se tornou proprietário das terras. A Vila Emma é um dos menores bairros dessa região. É um bairro de pequenos lotes com casas e, mais recentemente, com conjuntos, da COHAB, de prédios de até quatro andares. 

VILA NOVA SÃO VICENTE 

O bairro Vila Nova São Vicente é um dos mais recentes e pertencia à Samaritá; porém a área foi loteada em 1984 através do processo de número 3513 que consta da Prefeitura e da Câmara Municipal de São Vicente pela Samaritá Empreendimentos Imobiliários. 

VILA NOVA MARIANA 

Novo bairro, desmembrado do bairro Humaitá, pela Lei Complementar nº 408, de 2 de julho de 2003, que altera a LC 216/2002. 

População: 1.727 habitantes em 2010 e 1.727 em 2000 (0%) (Censo IBGE) 

A Vila Nova Mariana se localiza após o Humaitá e era conhecida como Favelinha, com população em extrema pobreza. Este bairro é constituído em cima do Rio Mariana, causando grandes degradação ambiental e probelmas no abastecimento de água para a população. Em julho de 2003 a Lei Complementar nº 216, de 23 de agosto de 2003 solicitou o abairramento. O pedido só aprovado pela Câmara em 2006, sendo último local em que foi realizado o abairramento pela Prefeitura Municipal de São Vicente. 

JARDIM RIO NEGRO 

Esta comunidade fica às margens do Rio Branco, com suas casas situadas nas baixas do rio, portanto, nas áreas de mangues. As áreas de manguezais constituídos de água salobra são raras na região da baixada santista.O Jardim Rio Negro é o mais populoso dos bairros invadidos e com a pior adequação territorial das famílias: a maioria das casas, cerca de 90%, era de madeira, compensado, zinco e madeirite. Segundo dados fornecidos pela prefeitura, (censo escolar 2007), cada casa possuia pelo menos cinco crianças, das quais quatro nasceram em casa, sem nenhum cuidado hospitalar. 

VILA IOLANDA 

Outra comunidade que não consta dos abairramentos da prefeitura é Vila Iolanda. Também fruto da invasão, fica próximo à linha férrea, do lado oposto a Vila Ema e é composto de pequenos sítios. 

VILA MATIAS 

A Vila Matias deveria ser um loteamento após Samaritá; os moradores demarcaram o local por conta própria e aguardam até hoje a regularização oficial Dividido da Vila Iolanda pela linha férrea, o espaço territorial desses dois bairros é pequeno, mas com terras para a construção de novas casas. A prefeitura tem uma escola com o endereço de Vila Matias, mas, na Câmara Municipal não consta o abairramento. O local é indefinido e não há concordância sobre onde inicia e onde termina. 
























“Fazendinha”, a mais recente área de invasões na área continental de São Vicente. Imagem: TV Tribuna 


PARQUE CONTINENTAL 

População: 13.035 habitantes em 2010 e 12.577 em 2000 (+4%) (Censo IBGE) 

É a antiga Gleba II, propriedade de uma empresa que loteou a área no ano de 1982. 



PARQUE DAS BANDEIRAS 




Pavimentação da avenida central (atual Celso Santos) em 1983. A Tribuna. 


Englobou os núcleos Parque das Bandeiras (ou Gleba 1) e Gleba 2. Conforme a Lei Complementar nº 216, de 19 de novembro de 1998: 

População: 13.040 habitantes em 2010 e 11.522 em 2000 (+13%) (Censo IBGE





















Parque das Bandeiras, em 1978.


Núcleo habitacional tinha 670 casas e muitos problemas


Um "recorte" na história do desenvolvimento urbano vicentino pode ser dado por esta matéria, publicada em 22 de outubro de 1978 pelo jornal santista A Tribuna:


Recentemente, a Seção de Serviço Social da Prefeitura, com a colaboração da Sociedade de Melhoramentos do Parque das Bandeiras, fez um levantamento completo sobre a condição social do bairro e os resultados não foram animadores. Há muito a se fazer por uma população de 4.761 habitantes aproximadamente, que residem em apenas 670 casas, como foi dito na reunião entre o prefeito Koyu Iha, os diretores da SM e as assistentes sociais, que logo a seguir iniciaram as visitas no núcleo. Verificou-se que 158 famílias apresentam uma situação habitacional unifamiliar, 107 delas morando em casas de alvenaria e 42 em casas de madeira. Um pequeno número de pessoas no Parque das bandeiras moram em habitação coletiva, o que fez crer que a situação habitacional não é das piores, tendo em vista até mesmo o tipo de construção.De 166 casas, apenas quinze recolhem o imposto territorial à Prefeitura, enquanto 18 pagam imposto predial e 103 - uma porcentagem de 62,2 por cento - não pagam impostos de qualquer espécie. Como justificativa do não-pagamento desses impostos, muitos não souberam dar qualquer informação, e os que moram de aluguel acreditam que os proprietários paguem. Setenta famílias alegaram jamais ter recebido qualquer notificação da Prefeitura, e o certo é que a maioria dos habitantes do Parque das Bandeiras possuem casa própria e afirmam que não se negam a pagar impostos, desde que sejam notificados e melhor esclarecidos.


Não querem mudar


A maioria das pessoas residentes no Parque das Bandeiras não pensa em deixar o bairro, e esperam que futuramente ele esteja bastante melhorado, inclusive, para valorização de terrenos e casas. Cerca de quarenta famílias, no entanto, não desejam permanecer ali, pelo fato de morarem há pouco tempo - uma média de 1 ano - e acharem que o bairro não oferece os mínimos recursos de sobrevivência. Segundo os observadores, os que desejam ficar no Parque das Bandeiras são aqueles que possuem casa própria.Luz e água - Oitenta e nove por cento das casas do Parque das Bandeiras possuem energia elétrica, enquanto apenas três por cento se servem da luz de lamparina e lampião e 1,8 por cento se utilizam de outros meios. O bairro continua sem um sistema de iluminação pública eficiente, e apenas a avenida principal e parte da Rua 4 já possuem essa melhoria.


Segundo informações da Prefeitura, os postes já estão instalados, faltando somente as luminárias, cerca de 500 aproximadamente, que serão ligadas no início do próximo ano com verba do município.A maior parte da população utiliza água de poço, tendo o cuidado de filtrá-la antes do consumo pessoal, e alguns moradores buscam o líquido no único chafariz existente no bairro. Um número bastante reduzido de casas possui água canalizada, sendo também empregado o filtro para tratamento, prevenindo, assim, a contração de moléstias.No que se refere às instalações sanitárias, cerca de 84 por cento dos moradores do parque utilizam a chamada fossa séptica, em condições regulares de salubridade. A fossa negra, que ocasiona péssimas condições de salubridade, é utilizada por um pequeno número de famílias. Dessa forma, a situação do bairro, em termos de saneamento, não é boa, e necessita de uma providência urgente por parte da Prefeitura, no sentido de que haja uma atuação da Sabesp naquela área.


Situação econômico-cultural

As assistentes sociais da Prefeitura constataram que, de 166 chefes de família residentes no parque, somente três não contribuem para o INAMPS. Em busca de recursos, a maioria deles trabalha em Cubatão e apenas 27 em São Vicente, dos quais 11 no próprio bairro. Trinta e dois moradores trabalham em outros municípios.As profissões são as mais variadas, dentro dos setores industrial e da construção civil. Essas profissões possibilitam que 30 por cento dos habitantes do Parque das Bandeiras tenham um ganho de três a quatro salários mínimos mensais; 24 por cento, de dois a três salários mínimos; 17 por cento, de quatro a cinco salários mínimos; 15 por cento, de um a dois salários; e 4,8 por cento, menos de um salário mínimo. De toda a situação do bairro, o que mais impressiona é o nível de escolaridade, uma vez que nenhum dos moradores possui ao menos o primeiro grau completo. Dessa forma, uma porcentagem elevada tem o primeiro grau incompleto, enquanto 17,9 por cento não possuem escolaridade alguma, o que representa cerca de 117 pessoas com idade acima de 7 anos. Há, no momento, uma campanha para encaminhamento dessas pessoas ao Mobral, que funciona na sede da Sociedade de Melhoramentos do Parque das Bandeiras.


O POVOAMENTO CONTINENTAL


Duplicação da Avenida Quarentenário, na área Continental serrana de São Vicente. O bairro foi construído sobre uma vasta área rural onde, nas primeiras décadas do século passado, era usado como pastagem e abrigo de gado em quarentena sanitária, antes do abate nos matadouros de São Vicente e de Santos.


CONTINENTE IMPULSIONA CRESCIMENTO
IBGE mostra o que aconteceu em dez anos


A Tribuna, 25 de julho de 2011.


Victor Miranda


A Área Continental impulsionou o crescimento populacional de São Vicente na última década. Embora essa fosse uma realidade nitidamente sentida, a confirmação veio com a divulgação de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), baseados no Censo Demográfico realizado no ano passado.De acordo com o levantamento, o Município viu sua população aumentar 9,52% entre 2000 e 2010. Com isso, a primeira cidade do País chegou a 332.445, ante os 303.551 habitantes observados pelo censo de 2000. No mesmo período, o continente vicentino saltou de 77.816 para 98.160 moradores, crescimento de 26,1%.A evolução se deu em praticamente todos os bairros da região continental: Samaritá (218%), Vila Ema (78%), Jardim Rio Branco (43%), Parque das Bandeiras (13%), Nova São Vicente (13%) e Parque Continental (4%).

A exceção foi o Humaitá (-16%), dividido com um novo bairro, a Vila Nova Mariana. Já o Jardim Irmã Dolores é um novo núcleo, que abriga os antigos Quarentenário e Vila Ponte Nova. Na comparação de ambos com o bairro atual, o crescimento foi de 40%.

"Nós já sentíamos esse crescimento, mas os números estão aí para confirmar", diz o prefeito Tercio Garcia (PSB). "Para um período de dez anos, é um crescimento muito grande daquela região. Precisamos estar muito atentos a esses novos focos, pois os números confirmam o tamanho da responsabilidade e do desafio", emenda.

Para efeito de comparação, entre um recenseamento e outro, a parte insular de São Vicente obteve um crescimento de apenas 4%, saindo dos 225.735 moradores de 2000, para os 234.285 atuais.

Explicações - Alguns fatores contribuíram para que essa característica fosse observada. A primeira: a chegada de conjuntos habitacionais na região. No Samaritá, por exemplo, empreendimentos do Governo Federal e do Estado já foram entregues, e contribuíram para que o bairro tivesse o maior crescimento proporcional do período.Outra característica que justifica esse boom populacional é a valorização da região. Embora ainda seja extremamente carente em uma série de serviços, a Área Continental vem acumulando uma série de investimentos. Bairros como Jardim Rio Branco, Samaritá e Jardim Irmã Dolores - que no Censo 2000 era dividido entre Quarentenário e Vila Ponte Nova - já começaram a receber pavimentação em suas vias.

A terceira razão - e possivelmente a principal - pode ser econômica. Conforme o IBGE, a renda média per capita do morador de São Vicente saltou de R$ 330,52 em 2000 para R$ 854,31 no ano passado.

"Com isso, muita gente que morava de aluguel em bairros como Cidade Náutica, Vila Jóquei Clube e Catiapoã conseguiu investir na compra de um imóvel na Área Continental que, por enquanto, ainda tem preços bem mais acessíveis do que a ilha", analisa o secretário municipal de Planejamento e Gestão Orçamentária, Emerson dos Santos.

Bairros da orla ficaram mais populosos

Na área insular, os aumentos de população mais sensíveis ocorreram justamente nos bairros da orla. Itararé (31%), Boa Vista (29%) e Gonzaguinha (22%) tiveram aumentos consideráveis, algo que antes seria impensável.

"Faz parte do processo de verticalização. Além da construção de alguns novos prédios no período, nós tivemos uma redução de residências vagas (hoje são 8.786) e de imóveis de uso ocasional (11.592). Essas situações refletem diretamente nos bairros que trabalham com apartamentos de veraneios", explica Emerson dos Santos, da Secretaria de Planejamento de São Vicente.


Paralelamente, bairros nobres como Jardim Independência, Vila Valença e Vila Melo não obtiveram crescimento. A justificativa pode estar no perfil imobiliário desses núcleos, que deixaram de ter chalés e casas com famílias de rendas inferiores e muitos filhos para abrigar sobrados, triplex e sobrepostas.

"O que importa é que temos visto uma movimentação interna na Cidade. Quem morava nos bairros de periferia, ou adquiriu a casa própria, ou mudou-se para os bairros da orla e os mais centrais. Isso é fruto da melhora do poder aquisitivo", argumenta o prefeito Tercio Garcia.


Continente, uma área ainda a ser descoberta

Victor Miranda


O crescimento desproporcional da Área Continental trouxe, a reboque, um problema importante a ser resolvido pelo Poder Público: como estruturar uma região com nove bairros, praticamente 100 mil habitantes e que, por décadas, não contou com praticamente nenhum investimento?


Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicados ontem em A Tribuna, enquanto a parte insular de São Vicente cresceu 4% em dez anos, a região continental saltou 26,1% no mesmo período. O aumento populacional do Município ficou em 9,52%. A tarefa da Administração é como trocar o pneu de um carro em movimento. Ou seja, precisa agir urgentemente na região, trazendo investimentos, atraindo recursos, mas sem poder frear o crescimento populacional que, ao que tudo indica, tende a prosseguir nos próximos anos.


"Durante muito tempo, falou-se na Área Continental como um local que poderia amenizar os problemas habitacionais da Ilha de São Vicente. Essa solução surgiu, na cabeça das pessoas, quase que naturalmente. Foram comprando terrenos, construindo casas e, hoje, é um enorme desafio dar condições para que essas famílias possam viver bem", analisa o secretário de Planejamento e Gestão, Emerson dos Santos.


As dificuldades podem ser observadas na precariedade de opções de serviço e de lazer. Às crianças, falta conforto nas escolas. Aos adolescentes, faltam atividades que os tirem das ruas, reduzindo desde gestações precoces à violência e drogas. Aos jovens e adultos, há carência de bons empregos. Às famílias, faltam farmácias para comprar remédios. Aos idosos, as vagas para atendimento nas unidades de saúde não são suficientes. A todos, falta segurança. Como as carências são muitas, fica impossível resolver todos esses problemas de uma só vez e a curto prazo. É preciso um plano mais amplo de crescimento. Afinal, são itens de competência do Poder Público, mas também do setor privado, que, aparentemente, ainda reluta em investir em uma região com mais de 98 mil habitantes.


Olhar do político – "São Vicente é uma Cidade com poucos recursos", comenta o prefeito Tercio Garcia, "mas, nos últimos tempos, temos dado atenção especial à Área Continental. Só que fica complicado resolver problemas históricos de uma hora para outra. Mas não podemos nos omitir".


Ele, aliás, afirma que a Prefeitura está empolgada com a chegada de empresas relacionadas ao pré-sal àquela área – o que poderá gerar empregos e injetar recursos na economia local. Mas ainda espera que novos empreendimentos se instalem no continente.


"Para se ter uma idéia, após muitos anos de reivindicações, a primeira agência bancária ainda vai se instalar nessa região no final do ano", complementa. Tercio entende que pequenos, médios e grandes empresários deveriam olhar mais para essa região. "A Área Continental de São Vicente pode ser um maná para empresários", avalia o político. No entanto, órgãos governamentais poderiam pensar dessa forma. A agência bancária citada pelo prefeito, por exemplo, é privada. Bancos públicos, por ora, nem pensar. Outros órgãos também seriam bem-vindos, como o INSS.


Na contramão


A população de São Vicente é majoritariamente feminina. Elas somam 52% dos habitantes da Cidade, enquanto os homens compõem 48%. Essa tendência ocorre em 28 dos 29 bairros. A exceção é o Jardim Rio Branco, na Área Continental, onde o sexo masculino lidera com 53,2% dos moradores. O curioso é que, embora esses dados sejam do IBGE – ou seja, números oficiais – os próprios homens do bairro contestam a informação. Ao conversar com seis moradores do Jardim Rio Branco, todos disseram a A Tribuna que deve haver algum engano, pois elas seriam supremas lá também.


"Os pesquisadores devem ter feito o censo de manhã, quando as mulheres estão no mercado e os porteiros – maioria no bairro – estão em casa", arrisca o bem-humorado Manoel Galdino Souza. Gerson de Jesus é mais prático em sua explicação. "Nem precisa fazer pesquisa. É só olhar a rua e perceber que aqui não falta mulher coisa nenhuma".


Conjuntos mudam o Samaritá


Imagine só: você mora em um bairro tranqüilo, sem muita infra-estrutura e, de uma hora para outra, recebe a companhia de centenas de novos vizinhos. Alguns meses avançam e mais moradores passam a dividir o mesmo espaço. Foi exatamente por essa situação que passaram os habitantes antigos do Samaritá.






Do censo de 2000 para o de 2010, o IBGE aponta que o bairro registrou um aumento populacional de exatos 218%. A justificativa é simples: o núcleo recebeu projetos habitacionais dos governos do Estado e Federal. Paralelamente, porém, ações de estrutura demoram a acontecer. Atualmente, a Prefeitura trabalha em obras de drenagem, guia, sarjeta e pavimentação. Há projetos de uma escola estadual naquela região. Fora isso, muito pouco.


Vazios – "Tem farmácia no bairro?" Não. Tem padarias? Apenas uma. Tem mercado? Não. Tem unidade de saúde? Só um posto antigo e incompatível com a demanda. Tem escola de Ensino Médio? Também não. Assim, é complicado demais de viver", comenta um homem que identificou-se como Adriano e diz morar há 12 anos no Samaritá. O comerciante Joelito Cardoso de Santana concorda com as dificuldades citadas. Há oito anos, antes do boom populacional, ele trocou o Parque das Bandeiras pelo Samaritá. Lá, abriu um bar.


"Comercialmente falando, gostei muito da vinda desses conjuntos habitacionais, pois aumentaram minha clientela. Mas não dá para (o órgão público) atender a população de hoje da mesma forma que atendia antes. A estrutura precisa acompanhar esse crescimento", analisa Joelito.


Moradora de um dos novos conjuntos habitacionais, a faxineira Creuza Domingos da Costa mudou da Zona Noroeste, em Santos, para o Samaritá. Há cinco anos no bairro, ela exalta algumas transformações – como a pavimentação e drenagem das vias -, mas critica a lentidão para a chegada dos serviços.


"Se sabem que vão mudar famílias para cá, precisam melhorar as condições antes das pessoas pegarem as chaves dos apartamentos. Outro problema é a falta de transporte público. São coisas que todos sabem que acontece, mas ninguém resolve", comenta.


Essas mudanças estruturais se farão mais urgentes a curto prazo. Isso porque está prevista a mudança de 880 famílias nos próximos anos, com a entrega de dois novos conjuntos habitacionais.


Quase 42% da população estão em idade economicamente ativa

Maioria da população vicentina é jovem


Ao contrário de outras cidades da Baixada Santista, onde o número de idosos é crescente, São Vicente segue com o perfil de poucos aposentados. No entanto, uma mudança pode ser observada nesse censo: a população majoritária não é mais composta por crianças. A população jovem cresce muito no Município. Segundo o IBGE, 58.390 (ou 17,6%) pessoas têm entre 20 e 29 anos. Já os que possuem entre 15 e 19 anos somam 27.368 (8,23%) e, os com idade de 30 a 39 anos, 53.497 (16,1%).


Resumindo, 41,9% dos vicentinos têm de 15 a 39 anos, estando no auge do vigor e em idade economicamente ativa. Além de aspectos positivos para a economia, a nova realidade modifica também a carência de serviços e inverte uma lógica geométrica, segundo explica Emerson dos Santos.


"A população de São Vicente, dividida por faixa etária, formava um triângulo. Ou seja, nascia muita gente, ia perdendo fôlego na juventude e chegava à população mais idosa com um índice baixo. Hoje, essa característica mudou, formando um losango. Nasce bastante gente, mas o número de jovens tem crescido muito", explica. O prefeito Tercio Garcia (PSB) cita que essa característica exige que a Prefeitura atue em frentes diferentes. "Precisamos cada vez mais fomentar a criação de empregos e ser uma Cidade voltada para o futuro. Ou seja, investir na educação e qualificação de nossas crianças, adolescentes e jovens".


Segundo ele, essa realidade complementa o trabalho de saúde feito com crianças desde o nascimento, até a adolescência. "Investir na qualidade de vida infantil é o mesmo que investir no futuro. Trabalhamos muito para melhorar a vida das crianças, seja na área de educação, seja em projetos sociais. Agora, é preciso dar seqüência a esse trabalho".

Bairro Irmã Dolores, o gigante caçula


Além dos índices de crescimento populacional nos últimos dez anos, a Área Continental de São Vicente apresenta algumas particularidades no Censo 2010 do IBGE. O Humaitá, então o maior bairro da região, encolheu, perdeu território – a Vila Nova Mariana – e caiu para o terceiro principal núcleo habitacional. Foi ultrapassado pelo Jardim Rio Branco e Jardim Irmã Dolores. O bairro caçula do continente, aliás, estréia no levantamento oficial como o mais populoso daquela parte da Cidade. Com 23.429 moradores, o Irmã Dolores é a junção dos antigos Quarentenário e Vila Ponte Nova.


Mesma vida – Embora novo (menos de dois anos), a nomenclatura pouco acrescentou na qualidade de vida dessa população, segundo depoimento deles mesmos.


"A única mudança que o novo nome trouxe foi uma justa homenagem à Irmã Dolores, uma mulher batalhadora que fez muito pelo Quarentenário. Porque, melhorias recentes, nós não tivemos", comenta o pedreiro João Batista Dias da Rocha, de 48 anos. Há 17 anos no bairro, ele comenta que a principal evolução, ali, se deu durante a atuação da missionária espanhola que agora é homenageada, que levou ao local melhorias como asfalto, iluminação e uma casa de parto. "Ela batalhava demais por essa comunidade. Eu a conheci e acho essa homenagem justíssima. O desenvolvimento da estrutura do bairro e do trabalho social morreram com a Irmã Dolores", relata a comerciante portuguesa Emília Maia, de 71 anos, moradora do núcleo.


Tempo – Apesar da crítica, numa comparação a longo prazo, a população garante que é impossível ignorar as melhorias. Isso porque, até 15 anos atrás, tanto o Quarentenário como a Vila Ponte Nova eram núcleos sem qualquer infra-estrutura. A pavimentação até hoje não chegou em algumas das vias dos locais – ainda não saíram do estágio de projetos -, mas o abastecimento de água e energia elétrica, a melhora no saneamento básico e a iluminação viária em nada trazem saudade do tempo de valas correndo a céu aberto em ruas escuras.


"Já até recebi proposta para vender minha casa, de três andares. Mas ainda acredito que nos próximos anos essa região vai valorizar ainda mais. Assim como há 12 anos eu tinha uma visão do futuro, hoje, ainda preciso pensar assim", comenta Renato dos Santos.

Escola pública é desafio continental

Um quarto da população de São Vicente tem idade escolar

Victor Miranda –Foto: Paulo Freitas - Da Redação


O crescimento populacional recente da Área Continental de São Vicente tem gerado uma série de desafios ao Poder Público. Um dos maiores, certamente, é lidar com a educação em uma região com grande número de crianças – pelo menos 25% dos moradores estão em idade escolar.Atualmente, são 52 equipamentos de ensino naquela região, sendo 21 creches, quatro escolas municipais de Educação Infantil, 13 escolas municipais de Ensino Fundamental, seis escolas estaduais – que atendem o Ensino Médio – e oito unidades do Centro Educacional Recreativo (CER).De 2000 a 2010, período entre os dois últimos censos do IBGE, foram inauguradas seis escolas municipais, todos os CERs, além de 11 creches. Todos os equipamentos por parte do Município. "Se fizermos uma comparação, na Educação, investimos muito mais na Área Continental do que na ilha nos últimos anos", comenta a secretária da Educação de São Vicente, Tânia Simões.


Futuro – Para os próximos anos, a região deve ganhar ainda duas novas unidades de Educação Infantil (uma no Parque das Bandeiras, outra no Samaritá), além de uma unidade estadual, que deve ser erguida no mesmo bairro.Para tentar reduzir a morosidade do Estado em investimentos, a secretária comenta que a Prefeitura já formalizou o pedido para se ampliar as vagas oferecidas pela Escola Técnica (Etec) na Área Continental. Tânia admite que a escassez de colégios estaduais preocupa.


"O ideal é que os governos, seja municipal, estadual ou federal, trabalhem na construção de escolas antes de construir os conjuntos habitacionais. Isso é um planejamento obrigatório, uma vez que essas unidades trazem grande número de novos estudantes a serem absorvidos pela rede pública de ensino".


Distribuição – O problema é facilmente compreendido quando se observa o gargalo atual. Ao mesmo tempo que 18 mil crianças são distribuídas por 38 escolas ou creches do Município, apenas 6 mil são atendidas pelas seis unidades estaduais.Hoje, 25 mil crianças e adolescentes compõem a rede pública de ensino da Área Continental. Se for projetada a média atual de crescimento populacional do continente para os próximos anos – julgando os pouco mais de 26% observados no último censo do IBGE – chega-se a uma demanda de novos 6.240 alunos, ultrapassando a casa de 30 mil estudantes na região.


"Há bairros que nos preocupam muito. O Jardim Rio Branco é um deles. Hoje a demanda já é grande. Em breve, teremos lá novos conjuntos habitacionais", comenta Tânia Simões.


Estado – Procurada desde as 15 horas de segunda-feira para comentar a situação e traçar as perspectivas de crescimento da rede para a Área Continental de São Vicente, a Secretaria de Estado da Educação não respondeu até o encerramento da edição.Segundo a assessoria de imprensa do órgão, por ser período de retorno das aulas, não foi possível fazer o levantamento dos dados em tempo de serem publicados nessa matéria.