Bairro que contorna o morro do mesmo nome e que faz divisa com o Jardim Independência e Via São Jorge através do canal da Avenida Monteiro Lobato, agora chamada Linha Vermelha. A localidade maios antiga do Voturuá é o antigo Horto Municipal, criando nos anos 1950. Na época ainda existia uma cachoeira , mais tarde substituída por um reservatório de água. A área foi fruto de uma doação de Dona Felipa Emmerich.
Ainda se mantém como área residencial e no início do século XX passou ser alvo da construção de sobrados e condomínio de casas. 25 anos depois já existem indícios de verticalização, com edifício de 20 a 30 andares.
Nos anos 1970 o Voturuá era praticamente ocupado pelas pedreiras, que realizavam explosões diárias com dinamite, para confecção de pedra britada. Essa atividade gerava empregos, porém causava transtornos e graves acidentes entre os moradores mais próximos.
Com o crescimento da população e das reclamação, as pedreiras foram gradualmente desativadas. (Ver também os textos Vila Valença Jardim Independência, Vila São Jorge e Ruas e Lugares (Parque Vuturuá)
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SÃO VICENTE CONTINENTAL - LADO ORLA
Dividida em duas regiões extremas: Lado Orla e o Lado Serra. Abrange o Japui, o Samaritá e os bairros que dali surgiram, bem como o antigo bairro de Praia Grande, emancipado como município no final dos anos 1960. Inclui também nessa área as terras limítrofes com os municípios do litoral sul e grande parte da Serra do Mar, que fazem divisa com os municípios do Planalto Paulista e região do ABCD. Descontando o Japui e a Praia Grande (bairro emancipado em 1967), até a década de 1980 a Área Continental próxima à Serra do Mar era praticamente uma área isolada e de baixa densidade populacional. Intensas mudanças nas três décadas seguintes provocaram o deslocamento e ocupação de um forte contingente humano para essa região, cujo número de habitantes passou da casa do 100 mil, causando inclusive preocupação constante entre os gestores políticos quanto à sua possível emancipação.
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JAPUI
População: 5.891 habitantes em 2010 e 5.232 em 2000 (+13%) (Censo IBGE)
Japui em 1963. Acima os antigos bananais de Antônio Luiz barreiros começam a ceder espaço para loteamentos e arruamentos. Abaixo as instalações da Pedreira Itapoã, vista a partir do morro. No fundo a avenida Tupiniquins e o Curtume Cardamone. Acervo de Waldiney La Petina.
É um dos bairros mais antigos da cidade, senão o mais antigo, pois existe desde a época pré-colonial, se for considerada a tese de que o Porto dos Escravos e das Naus, cujas ruínas estão lá até hoje, foi o início da nossa história. Pode ser que essas ruínas sejam também as do Engenho de Jerônimo Leitão. Ali já foi encontrada uma moeda de ouro e, em algumas escavações feitas por arqueólogos, foram encontrados vestígios de ocupação comercial no século XVI.
O Japuí é a porta de entrada e um antigo caminho para a área continental, ligando pela Ponte Pênsil, a cidade ao ex-bairro Praia Grande e as cidades do litoral sul, também antigos territórios de São Vicente.
É no Japuí que está a Prainha, da qual vemos a baía de São Vicente do ponto de vista continental, dando acesso também às praias de Parapuã e Itaquitanduva. A Prainha é hoje habitada tanto por moradores de alto poder aquisitivo como por populares, que se instalaram junto ao morro ali existente.
Foi neste bairro que foi construído, no lado do morro, o famoso Curtume Cardamone, cujas ruínas ficam dentro do Parque Estadual Xixová. Na Praia de Paranapuã já teve uma unidade da FEBEM fundação para o Bem Estar do Menor, na década de 1970; e a ocupação de grupos indígenas vindos de Itanhaém para participarem de uma encenação e ali se instalaram como forma de retomada territorial. Em 1913 praticamente toda essa área pertencia ao agricultor e comerciante Antônio Luiz Barreiros, imigrante português que desenvolveu ali uma vasta plantação de banana, cuja produção era levada por caminhões até o porto de Santos. Barreiros também possuía plantações na Esplanada os Barreiros, na área insular.
Avenida Tupiniquins cortando o Japui na direção da Ponte Pênsil nos anos 1950. Acervo: Claudio Sterque (Historiador PG).
Japui nos anos 1970. Publicação: São Vicente de Outrora.
Japui em 1962. Acervo Claudio Sterque (Historiador PG)
Instalações do Curtume Cardamone na década de 1950. Acervo SPU-Santos
No lado da orla do Mar Pequeno, na avenida Tupiniquins, da cabeceira da Ponte Pênsil até a divisa com Praia Grande, quase invisível aos transeuntes, estão as sedes e instalações náuticas dos antigos clubes vicentinos como o Tumiaru e o Beira-Mar, bem como o Yatch Clube de São Vicente e algumas marinas particulares.
A pequena vila do Japui, se comparada com os demais bairros vicentinos, tem poucas ruas e casas, permanecendo isolada tanto de São Vicente quanto de Praia Grande, embora seja pouca a distância do bairro entre as duas cidades. É uma pequena faixa de terra entre o morro e o mar, incluindo uma grande área de proteção ambiental, o que, de certa forma, inibe o desenvolvimento urbano dessa localidade. Alguns moradores gostariam que o Japuí se desenvolvesse e até anexado à Praia Grande; outros são contrário tanto à ideia de desenvolvimento como da anexação.
Baía do Mar Pequeno na margem continental do Japui, anos 1950. SPU.
Lançamento do empreendimento Belvedere Mar Pequeno no Japui, nos anos 1960. O loteamento foi realizado na propriedade de Luiz Antônio Barreiros, bananicultor e ex-presidente da Associação Comercial, Agrícola e Industrial de São Vicente. Atrás da placa de lançamento vê-se ainda parte do bananal cuja produção era exportada para o Uruguai e Argentina. Empreendimento , segundo familiares, não teve o resultado esperado por ter sido lançado no início de 1964, perído de granbde instabilidadae politica e econômica no Brasil. Acervo familiar: Lilian de Santana Botelho.
Antônio Luiz Barreiros e o genro e engenheiro Ismar de Santana Azevedo, de paletó e gravata, acompanhados de autoridades no lançamento do empreendimento Belvedere Mar Pequeno.
OS BANANAIS DE ANTÔNIO LUIZ BARREIROS
A biografia de Luiz Antônio Barreiros (1890-1971) confirma que os portugueses continuaram sendo os grandes propulsores do desenvolvimento de São Vicente, em diversos contextos históricos após a colonização. Por iniciativa do vereador Jaime Horneaux de Moura, recebeu no ano de 1971 o título de Cidadão Vicentino, em reconhecimento aos serviços prestados à comunidade. Era casado em primeiras núpcias com Isabel da Encarnação Barreiros e em segunda núpcias com Ana de Deus Barreiros, tendo muitos filhos, netos e bisnetos.
Lílian de Santana Botelho, neta, lembra do avô como pioneiro, empreendedor e com reverência aos antepassados:
"Sou filha de Prazeres Barreiros de Santana Azevedo , sua filha mais velha , que ele tinha um imenso orgulho por ser a primeira médica da Baixada santista. Mamãe se formou em 1953 na então capital do país, Rio de Janeiro na UFRJ. Mamãe foi também uma pintora premiada. E eu sou médica como ela e meu irmão Sérgio Barreiros de Santana Azevedo, diplomata casado com a embaixadora atual da Guatemala,. Sua descendência inclui quatro netos da mamãe e inúmeros outros dos outros filhos".
O neto Sérgio Azevedo guarda na memória a imagem forte e influenciadora do agricultor vicentino:
"É meu avô. Era um sujeito extraordinário. Chegou ao Brasil com tostões no bolso e em 10 anos já era um dos maiores exportadores de banana para a Europa. Venceu na raça e na coragem como muitos que ajudaram a construir o Brasil..."
Comentando as lacunas da nossa postagem sobre o agricultor na página São Vicente na Memória, em 17 de fevereiro de 2021, a neta Tânia Mara identificou assim as raízes europeias do pioneiro:
“Meu avô nasceu em 11 de setembro de 1890, em Seixo do Coa, Guarda, Portugal. Faleceu em março de 1971. Seus filhos da primeira núpcias eram Prazeres, Rosa e Miguel. Da segunda núpcias, Gloria, ainda viva . Sou filha dela”.
Radicado em São Vicente desde o início do século XIX e morador do bairro do Japui, Antônio Luiz Barreiros tornou-se o principal proprietário daquelas terras da área continental , lado orla , e também na área insular onde adquiriu parte das terras que já eram conhecidas como Esplanada e Caminho dos Barreiros, desde a época do Império. Tornou-se o maior produtor e exportador de banana de São Vicente, atividade econômica que era uma das mais importantes da Baixada Santista e cidades do litoral sul entre as décadas de 1910 e 1960.
Comentários - São Vicente na Memórias
Sergio Lapa: Bonita historia, tive o prazer de conhecê-lo.
Rosana Maria Louza: Sou neta
Olivia Goulart: Quando cheguei de Portugal em 1958 já está em lá a muito tempo.
Marisa Claudia: Lembro muito dele. Legal saber um pouco mais do bairro onde nasci
Roberto Sidney Rufino: Nossa adorei saber um pouco da história do Japui
Mirian Montagni de Bakker: Saudades da minha infância.
Márcia Barreiros: Meu bisavô
Patricia Romano: Maria Beatriz Barreiros Romano é da família?
Mirian Montagni de Bakker: Renato de Bakker Victor Bakker e Leonardo Bakker bisavô de vcs ...
VitorBakker Seu trisavô.
Gabriel Barreiros: Regina Berenice olha o meu trisavô aqui!
Adriana Ferreira: Gabi Absolon , que legal !!
Lilian De Santana Botelho: Meu avô. Empreendedor. Pioneiro. Sou filha de Prazeres Barreiros de Santana Azevedo , sua filha mais velha , que ele tinha um imenso orgulho por ser a primeira médica da Baixada santista. Mamãe se formou em 1953 na então capital do país, Rio de Janeiro na UFRJ. Mamãe foi também uma pintora premiada. E eu sou médica como ela e meu irmão Sérgio Barreiros de Santana Azevedo, diplomata casado com a embaixadora atual da Guatemala. Sua descendência inclui quatro netos da mamãe e inúmeros outros dos outros filhos. Reverência aos antepassados.🙏
Vera Cintia Alvarez: Que orgulho. Sou casada com um filho da Dr. Prazeres, médica e pintora, o Sérgio
Barreiros Azevedo, diplomata. O velho Barreiros foi um exemplo.
Tania Mara: Meu avô: nasceu em 11 de setembro de 1890, em Seixo do Coa, Guarda, Portugal. Faleceu em março de 1971. Seus filhos da primeira núpcias eram Prazeres, Rosa e Miguel. Da segunda núpcias, Gloria, ainda viva 🙏🏻 . Sou filha dela.
Sergio Azevedo: É meu avô era um sujeito extraordinário. Chegou ao Brasil com tostões no bolso e em 10 anos já era um dos maiores exportadores de banana para a Europa. Venceu na raça e na coragem como muitos que ajudaram a construir o Brasil...
Paulo Salaro: Interessante matéria, não sabia disso! 👏👏👏
Japuí, 1977. Na Av.Tupiniquins, proximidades da divisa com Praia Grande; em destaque, um ônibus da Breda Turismo que fazia a linha Cidade Ocian-Santos (via pista). Jornal Cidade de Santos
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PRAIA GRANDE
O bairro de Praia Grande, no canto do Itaipu no início do século XX, Cartão postal (colorido manualmente pela Union Postale Universelle) publicado no site Novo Milênio.
Até 1967 Praia Grande era bairro de São Vicente, com Distrito em Solemar, fazendo divisa com o município de Mongaguá. Praticamente uma área rural habitada por arrendatários das sesmarias desde o período colonial, no século a região passou a ser alvo de sitiantes veranistas, tendo como centro ativo o Porto do Rei, no Mar Pequeno, que fazia ligação navegável com o Porto Tumiaru ou então no Japui, próximo ao Porto das Naus. Além do Porto do Rei, a maioria dos sítios localizava-se junto aos morros do Xixová e Itaipu, entes últimos grandes produtores de banana, transportada por troleys até o porto do mar pequeno ou por caminhões pela ponte Pênsil ( a partir de 19140) até o porto de Santos. Em 1906, com a conclusão das primeiras obras da Fortaleza d Itaipu, o bairro passou a ter uma população militar fixa, que teriam profundo influência na vida cotidiana e politica na futura cidade. A maioria dos militares que ali serviam tinha convívio muito próximo com os sitiantes, reação que aumentou com a presença de veranistas paulistanos e interioranos. Muitos militares aposentados permaneciam ali com suas famílias, aumentando gradualmente a população da então orla continental vicentina. Os conflitos políticos com administração vicentina eram constantes e foram iniciados pelos primeiros loteadores e comerciantes, ainda na década de 1930, que reclamavam constantemente da divisão desproporcional dos recursos capitados com os impostos e que não eram aplicados no bairro. Este foi o embrião do movimento de autonomia, iniciado em 1950 no distrito de Solemar , ampliado com o plebiscito de 1963 e vitorioso com o desmembramento definitivo. O evento ocorrido em 19 de janeiro de 1967 se efetivou após longa batalha judicial iniciada na Câmara Municipal de São Vicente, depois alçada para a Assembleia Legislativa do estado até ser definida no Supremo Tribunal Federal e sancionada pela presidência da república, na época ocupada pelo general Costa e Silva. Com esse ato, Praia Grande tornou município livre e provavelmente, até agora, o último território desmembrado da antiga Capitania de São Vicente. Por ter sido um movimento de memoráveis lutas históricas, teve marca regional e fenômeno demográfico que influiu na construção da rodovia dos Imigrantes e na Ponte do Mar Pequeno. Por isso a história de Praia Grande, mesmo sendo recente a criação do município, porém de raízes antigas, precisou ser relatada num capítulo próprio, contemplando suas características próprias, as principais fases e seus mais destacados protagonistas.

Loteamento do Jardim Mathilde nos anos 1950. Ponto de desenvolvimento urbano e politico de Praia Grande. Acervo: Circe Sanchez Toschi. Museu da Cidade.
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ÁREA CONTINENTAL - LADO SERRA
SAMARITÁ
Englobou o núcleo Vila Samaritá e parte do núcleo Jardim Rio Preto. Conforme a Lei Complementar nº 216, de 19 de novembro de 1998: População: 4.685 habitantes em 2010 e 1.472 em 2000 (+218%) (Censo IBGE)
É o bairro-matriz do outro extremo da área continental e que deu origem a todos os demais bairros daquela região. Foi habitado por sitiante desde o período colonial. Um dos sítios mais conhecidos da região é Santana de Acaraú, onde nasceu e foi batizado o Frei Gaspar da Madre de Deus. As ruídas dessa propriedade foram registradas em pintura de Benedito Calixto e parente delas existe até hoje. Um dos grandes ocupantes dessas terras no século XIX foi Francisco Antonio da Silvo, cujo nome apare3ce em inventário datado de 1875. Outros nomes aparecem como sitiantes no final do século: Francisco Xavier dos Passos e Ignácio Gonzalez Requeijo. No início do século XX o Samaritá começa a ter um destino diferente: foi ocupado como zonal rural na década de 1920, para exploração de minério industrial, e logo tornou-se trecho estratégico de uma importante estrada de ferro cuja estação serviu como base logística e de desenvolvimento regional. Uma grande área de quase 70 quilômetros quadrados próxima ao eixo São Paulo-Santos naturalmente seria alvo de interesses empresariais. Em 1980 uma campanha empreendida pelos membros Lions Clube de São Vicente alertava para o perigo de um novo desmembramento territorial do município, denunciando o interesse de políticos de Praia Grande e Cubatão em se apropriarem do Samaritá. O movimento tornou-se popular e levantou mais de 50 mil assinaturas de defesa do patrimônio vicentino, obtidas também pela ajuda de outras entidades. Na época o Samaritá possuía apenas 12 mil habitantes, número que seria radicalmente alterado pela construção de 3.200 casas populares no Parque Humaitá, empreendida pela Cohab Santista. Alguns anos depois outros núcleos habitacionais seriam construídos naquela região. Alí já existia também, desde os anos 1940, um extenso núcleo de terras do Ministério da Agricultura, usado como “quarentenário” de animais que iriam ser abatidos no matadouro de Santos. Quarentenário era um isolamento sanitário obrigatório para prevenção de doenças do gado e área que, ao ser invadida e loteados, se tornaria décadas depois nome do atual bairro ali localizado. Foi também nessa região, mais próxima ao Rio Branco, que aconteceu o famoso episódio de contaminação do solo, causada por um depósito clandestino de degetos químicos da Rhodia, empresa de origem francesa instalada no polo industrial de Cubatão.
HISTÓRICO DA LINHA
Projetada desde 1889, a Mairinque-Santos, linha que quebraria o monopólio da SPR para ligar o interior ao litoral foi iniciada em 1929 e terminada em 1937, com a ligação das duas frentes, uma vindo de Santos e outra de Mairinque. É uma das obras ferroviárias mais reportadas por livros no Brasil. Já havia, no entanto, tráfego desde 1930 nas duas partes, e o trecho desde Santos até Samaritá havia sido adquirido em 1927 da Southern São Paulo Railway, operante desde 1913. Com o fim da Sorocabana e a criação da Fepasa, em 1971, a linha foi prolongada até Boa Vista, no fim dos anos 80 (retificação do antigo ramal de Campinas). Houve tráfego de passageiros entre Mairinque e Santos até cerca de 1975, e mais tarde entre Embu-Guaçu e Santos, até novembro de 1997. A linha opera até hoje sob a administração da Ferroban. (Ferrovias de São Paulo)
A ESTAÇÃO
Foto da estação nos anos 1970 publicada no Grupo Santos Antiga.
A estação de Samaritá foi inaugurada no meio do nada, em 1930, para servir de ponto de encontro da então Santos-Juquiá com a Mairinque-Santos, então em construção. No mesmo dia de sua inauguração, entregou-se ao tráfego o trecho Samaritá-Estaleiro (hoje Gaspar Ricardo). A estação, nesta época, estava a cerca de 1 km da atual, à frente, sentido Juquiá. Em 1936, a estação ganhou um novo prédio, que deve ser o que está atualmente lá. "Meu avô, Armindo Ramos, foi chefe de estação em Santos e em 1929 adquiriu o sítio Barranco, hoje Vila Samaritá. A primeira estação situava-se a cerca de 1 km da atual, e fora construída em 1930, por meu avô, e doada à Sorocabana, com o intuito de atender às terras de nossa propriedade. A segunda estação, a atual, foi construída em 1936, em local diferente, como assinalei. Toda sua vida, minha infância e parte da juventude foram passadas frequentando Samaritá. Até 1980, as terras eram utilizadas para extração de areia sílica, em escala industrial, com fornecimento regular para industrias de vidro e fundição. Ali meu avô construiu sua empresa, a Mineração Atlântica Ltda., desativada em 1985.
Instalações da antiga Estação Samaritá já abandonadas na década de 1990.
"Após 1985, foi iniciado um plano de desenvolvimento sustentado para manutenção da propriedade. O local que havia tido um loteamento de cerca de 80 lotes aprovados em 1956, passou a contar com mais 400. Hoje (2006) o local, que era uma vila operária, está com grande parte das ruas asfaltadas, incluindo um anel viário, tem todas as ruas iluminadas, água e esgoto em toda área urbanizada. Foram construídos 750 apartamentos pela CEF, o CDHU está implantando 320 casas, e prevê implantar mais 640 em dois anos. Ainda mantemos a propriedade e existe um plano diretor para ocupação do restante da área. O entorno, Jardim Rio Branco, Parque das Bandeiras, Vila Ema, Vila Nova, Quarentenário, e Humaitá possuem, juntamente com a Vila Samaritá, cerca de 90.000 habitantes, que contam com supermercados, prontos-socorros, escolas de primeiro e segundo graus" (Clóvis Bitencourt, 07/2006).
Quanto à estação original, que funcionou de 1930 a 1936, moradores do local afirmam que ainda existe, e o prédio que teria sido a própria está abandonado a pouco mais de 1.000 metros da estação original. A estação serviu para passageiros dos trens de longa distância até o final de 1997, quando os trens do ramal de Juquiá e da Mairinque-Santos foram suprimidos. Porém, até 2000 serviu aos trens metropolitanos (TIM) que ligavam Santos a Samaritá. Quando visitei a entrada da estação em 1998, que fica situada numa curva fechada de 90 graus e ruas não asfaltadas na época, a foto ficou difícil, pois basicamente era uma pequena porta, com uma placa sobre ela com o nome "Estação Samaritá" e muros e mais muros. O prédio está dentro dos muros, impossível de se ver de fora. Em 2001 era um enorme cemitério de carros, vagões e locomotivas. Arlindo Miranda, mestre de linha aposentado que vive na antiga vila ferroviária de Samaritá, reclama dos problemas com o transporte público. "Toda manhã é um sufoco. As peruas já saem lotadas e seguem apertadas durante todo o trajeto, colocando gente para dentro enquanto for possível. Quando o trem estava funcionando, não era assim". Aos 57 anos, Miranda recorda com saudades os tempos áureos da Linha Sorocabana. "A movimentação de passageiros era tão intensa, que próximo à Estação do Samaritá existia um bar famoso em toda a região". Praticamente abandonado, hoje o local serve de depósito de vagões velhos, mas ainda guarda um certo charme, sendo considerado um marco do bairro. (A Tribuna, 15/2/2003).
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HUMAITÁ
Vista área do Conjunto Humaitá em 1983. Jornal A Tribuna.
O bairro surgiu em 6/11/1983 com a entrega do conjunto Habitacional Humaitá, construído pela Cohab Santista. No início do século XXI apresentava-se com área de 1.796 m², sendo 596 mil m² em quadras.Inclui antigo núcleo Humaitá. Bairro alterado pela Lei Complementar nº 408, de 2 de julho de 2003, que altera a LC 216/2002, criando a Vila Nova Mariana
População: 13.586 habitantes em 2010 e 17.227 em 2000 (-21%) (Censo IBGE)
Situado a 13Km de Cubatão, 23Km de Santos e 8Km da ilha de São Vicente, construído de frente a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, bem no trajeto que liga Cubatão à Praia Grande, o Conjunto Habitacional Humaitá foi entregue à população em 1983 e deu origem ao bairro. Segundo alguns moradores, lá já existiam casas, ruas demarcadas e um pequeno grupo de famílias, oriundas não se sabe de onde, de posse da terra.
Na década de setenta, o Conjunto Residencial Humaitá, da COHAB (Companhia Habitacional do Estado de São Paulo), dá o primeiro grande impulso de ocupação da região e se transforma no maior bairro e o mais populoso bairro da área continental.
Segundo relatos dos moradores e notícias publicadas no jornal A Tribuna, um dos motivos pelos quais esses bairros proliferaram foi à construção do Presídio Regional de São Vicente, situado na área pertencente ao bairro do Humaitá. Inaugurado em abril de 1977, era destinado a aliviar a sobrecarga carcerária da Baixada Santista e a transferir os detentos para longe dos centros urbanos. A edificação deste prédio demorou dois anos, ganhou fama e marcou o lugar pelo apelido de cenourão, devido à cor abóbora com que foi pintado.
Em 2006, abriga infratores que praticaram crimes hediondos. Houve uma forma de isolamento territorial, pois as famílias não encontravam outra solução para moradia e acabavam se instalando na região continental da cidade.
Vista da rodovia Pe. Manoel da Nóbrega, dos residenciais Humaitá e Parque Continental e do rio Mariana.
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JARDIM IRMÃ DOLORES E QUARENTENÁRIO
Inclui o núcleo Jardim Rio Negro (que compreende o Conjunto Habitacional São Vicente I2/Projeto México 70, denominado em 22/12/2011, pela lei 2793-A, como Conjunto Habitacional Dr. Luiz Gonzaga de Oliveira Gomes e o núcleo Jardim Irmã Dolores (junção dos antigos loteamentos Quarentenário e Vila Ponte Nova).
Criado em 2009, a partir da junção daqueles dois antigos bairros, na área continental. É assim descrito na Lei Complementar nº 546, de 3 de outubro de 2008 (que alterou a LC 216, de 19/11/1998, já alterada pelas LCs 234/1999, 376/2002 e 408/2003):
População: 23.429 habitantes em 2010 e 16.751 em 2000 (+40%) (Censo IBGE)
O antigo bairro Quarentenário começou a ser ocupado a partir de 1991, após a inauguração da Ponte dos Barreiros. Situado em terras do Ministério da Agricultura, teve seu nome em razão de na década de 1950, antes da criação dos grandes frigoríficos, ter sido um local onde o gado procedente do interior paulista permanecia em quarentena, aguardando o abate no matadouro e a liberação da carne para exportação. Irmã Dolores, Frei Guilherme, católicos leigos e membros da comunidade promoveram as construções da Igreja Nossa Senhora da Esperança (1993), do Posto de Saúde (1994), da Escola Municipal Raul Rocha do Amaral (1996), Escola Profissionalizante VIP (1997), Capela São Francisco e Santa Clara (2000), Salão de Oficinas Profissionalizantes (2000), capela Nossa Senhora de Lourdes (2001), Centro de Parto (2002), Biblioteca Comunitária VIP (2002), Escola Municipal Nossa Senhora da Esperança (2003), Capela Nossa Senhora da Paz (2004) e um Restaurante Popular.
Mudança de nome e numeração causa problemas
Além do nome e números, situação da rua piora em dias de chuva. Condições de postes de luz também preocupam moradores.
Do G1 Santos – 24/09/2013
Os moradores da Área Continental de São Vicente, no litoral de São Paulo, há mais de ano convivem com problemas causados pela mudança do nome do local para Irmã Dolores e da numeração nas casas. O bairro era conhecido como Quarentenário.
Os números das casas da rua mudaram, mas a numeração antiga continua exposta. Com isso a correspondência demora para chegar nas casas corretas. Admilson Santos Gonçalves, morador do bairro é um dos prejudicados. "As cartas chegam em um número ou outro, daí o vizinho traz para mim e leva a deles".
As placas das ruas aumentam a confusão. Carlos Alberto dos Santos, inspetor de alunos, explica que o mesmo número se repete em mais de uma residência. "Às vezes recebo a correspondência de outro vizinho e tenho que sair de casa e entregar para que ele possa pagar a conte dele".
A manutenção da rua também é um problema para os moradores. Quando chove as ruas ficam cheias de poças de água. Maria Edna Batista, moradora do bairro, conta as manobras que tem que fazer para passar pela rua. "Tem que desviar um pouco e ir passando, se não, quando a gente passa os sapatos já eram".
As condições dos postes também preocupam os moradores. "Tem muita lama, muita sujeira. Os postes estão podres. Já vieram aqui, disseram que iam trocar, mas esse poste está condenado, vai cair na minha laje. Todos eles estão podres", conta o morador do bairro Reginaldo dos Santos.
Por nota, a Prefeitura de São Vicente disse que uma equipe vai até o bairro, ver de perto todos esses problemas mostrados. Segundo a nota, uma lei deu nova denominação aos bairros Quarentenário e Ponte Nova, que passaram a se chamar Jardim Irmã Dulce. Com relação aos números das casas, a administração disse que aquela é uma área que está sendo regularizada e, por isso, ainda existe a numeração nova e a antiga.
A CPFL, concessionária de energia que opera na cidade, disse que uma equipe vai ao bairro para avaliar a reclamação sobre o estado dos postes.
A TRAJETÓRIA DE IRMÃ DOLORES
O Jardim Irmã Dolores mudou muito desde seu início até hoje e a Irmã Maria Dolores Muñiz Junquera foi uma das principais responsáveis por essas mudanças. Espanhola, grande lutadora pela igualdade social, sua atuação foi reconhecida por meio de prêmios significativos que recebeu. As pessoas que conviveram com ela consideram-na como a “Mãe dos Pobres” e a “Guerreira da Paz”, que Deus chamou para o seu convívio a 30 de agosto de 2008, mas que continua presente pelo seu exemplo e a missão de continuar mantendo a sua obra.
Sua trajetória de vida dedicada ao bem coletivo está registrada no livro de Rubens Amaral e Nélia Cursino – “Dolores do Evangelho. Caminhos de Santidade da Guerreira da Paz”, lançado em Santos, em 2006, pela Editora Leopoldianum.
Maria Dolores Muñiz Junquera nasceu em 26/02/1926, em Gijón, nas Astúrias, ao norte da Espanha, em uma família de oito irmãos, filha de Eugênio Muñiz Olloqui e Carolina Junquera Prendes. Em 1.º de julho de 1948, entrou como postulante na Congregação Maria Imaculada e, em 27 de maio de 1948, em Madri (Espanha), fez os votos perpétuos. Na década de 50 foi para França e Inglaterra. Cursou dois anos de Medicina. De Londres (Inglaterra) veio para o Brasil, como religiosa das Filhas de Maria Imaculada. Em 1967, trabalhou, inicialmente, em São Paulo e, depois, na Baixada Santista. Seu nome de religiosa na Congregação era “Madre Covadonga de Vicenta Maria”. Ela assumira o nome da Virgem padroeira das Astúrias e o da fundadora de sua congregação. Tornou-se uma estudiosa de Teologia, na linha de Leonardo Boff, Carlos Mesters, Benedito Ferraro, D. Pedro Casaldáliga e outros da Teologia da Libertação.
Com sua aparência frágil, pequena de estatura, cabelos brancos e olhos muito azuis, pessoa alguma, à primeira vista, poderia imaginar sua extraordinária resistência física, sua palavra forte, seu poder de determinação e extrema sensibilidade. Apaixonada pela causa dos “sem voz e sem vez”, desligou-se da congregação para viver totalmente dedicada aos mais carentes e excluídos. Foi morar, em 1970, em uma simples palafita, em São Vicente, onde criou a JIP – Jockey Club Instituição Promocional – entidade que prepara jovens legionárias. Em 1979, no Guarujá, ajudou na transferência das famílias que viviam em áreas de risco nos morros para os núcleos hoje conhecidos como bairros Vila Zilda Natel e Vila Edna.
Em 1989, de volta a São Vicente, na Área Continental, trabalhou nos bairros Humaitá, Parque das Bandeiras, Samaritá e na Vila Ponte Nova/Quarentenário (hoje Jardim Irmã Maria Dolores). Quando conheceu o Quarentenário, resolveu trabalhar e morar na área, para ajudar a melhorar as condições de vida da população. Esteve presente no local desde o início da ocupação. Com um grupo de pessoas, Irmã Maria Dolores resolveu fazer alguma coisa por aquela população excluída, carente de tudo, inclusive de orientação e impulsionar a implantação de equipamentos e serviços no bairro. O trabalho foi iniciado com visitas domiciliares e formação de pequenos grupos que se reuniam nos barracos. Assim, nasceu a VIP – Vila Ponte Nova Instituição Promocional, hoje Associação Promocional Irmã Maria Dolores – VIP.
VOCAÇÃO
Sua vocação vem da infância. Com seis anos de idade, sua professora perguntou-lhe “o que vai ser quando crescer?” Maria Dolores respondeu, sem titubear, que queria ser freira. A incrédula professora retrucou: “quero ver se você vai dizer a mesma coisa daqui a 20 anos”. Após sua consagração, trabalhou em vários lugares da Europa, porém como seu desejo era trabalhar junto aos pobres, acabou vindo para o Brasil. Inicialmente foi para São Paulo e depois para Santos, onde começou suas atividades na ‘Congregação Maria Imaculada’ trabalhando com jovens.
Por seu temperamento dinâmico, não se sentiu realizada. Com apoio do Bispo Diocesano Dom David Picão, deixou a sua Congregação e foi morar em humilde barraco na Vila Jóquei, em São Vicente. O lugar era muito pobre, rodeado de palafitas, com valas expostas, por onde corria o esgoto e, muitas vezes, teve que sair de casa com água pela cintura devido às enchentes para ver como estavam os moradores perto dos diques.
Seu trabalho estendia-se pelos Diques das Caxetas e Sambaiatuba. Para formar uma comunidade, a primeira coisa que construiu foi a Capela São José Operário. No terreno dos fundos, criou serviço de atendimento às mães, ambulatório e classe para crianças onde, apesar de seu “portunhol”, foi a primeira professora do MOBRAL (alfabetização de adultos).
Com o tempo, criou a JIP – Jóquei Instituição Promocional – , com diversos cursos profissionalizantes. O Curso de Legionárias dá oportunidade do primeiro emprego a centenas de jovens. A direção continua com pessoas que começaram o trabalho com Irmã Maria Dolores.
MUDANÇA
Após um período de intensas chuvas, houve uma série de desabamentos em morros no Guarujá. Os moradores desses locais foram transferidos para a Vila Zilda. Irmã Maria Dolores, vendo todo aquele povo necessitado e carente de tipos de recursos, não teve dúvidas e mudou-se para lá. Com o auxílio dos integrantes do ‘Movimento de Cursilhos de Cristandade’, conseguiu construir uma pequena Capela e uma casa para morar. Quando chovia muito, a água invadia sua casa até a altura das canelas. Na parte da frente desta casa, instalou-se um ambulatório médico e dentário. As doações recebidas foram revertidas para a construção da Igreja e do Centro Comunitário que serviam para desenvolver várias atividades sociais e religiosas, o que colaborou para formar uma comunidade unida e organizada.
CHEGADA À ÁREA CONTINENTAL
Quando o Bispo nomeou um padre para o local, Irmã Dolores partiu para outras aventuras. Foi para a Área Continental de São Vicente para atuar nos bairros: Samaritá, Parque das Bandeiras, Vila Sonia, Gleba I e Gleba II, Parque Continental, Jardim Rio Branco e Humaitá, os quais contavam apenas com um sacerdote. Inicialmente ela foi morar no Humaitá, onde, com o auxílio recebido da ‘Advenit’, iniciou a construção da Igreja e do Centro Comunitário, deixando esta obra bastante avançada quando se afastou. Em seguida foi morar nos fundos da Capela Santa Terezinha, em Samaritá. Ali os mosquitos “pólvora” só faltavam comer as pessoas, mas ela nunca se queixou, como também nunca se queixou em qualquer ocasião de suas fortes dores provocadas pela coluna cervical. Nessa ocasião iniciou-se a ocupação de uma região chamada Quarentenário.
Irmã Maria Dolores, caminhando a pé pela linha do trem, já que não havia ruas, ia de Samaritá para ajudar na organização dessa ocupação. Lá construiu a Capela Nossa Senhora da Esperança, com apoio da ONG espanhola ‘Manos Unidas’ e também Posto de Saúde, Centro Comunitário e Escola Profissionalizante Irmã Maria Dolores – VIP, com os Cursos de Informática, Manutenção de Microcomputadores, Costura Industrial, Panificação e Confeitaria, Cabeleireiro, Elétrica Básica, Comandos Elétricos, Artesanato, Corte e Costura, Assistente Administrativo, Barman, Garçom, Modelagem, Configuração de micro, Eletrônica, Elétrica Instalador e Logística. Com a ajuda dos paroquianos do Embaré, construiu a “Escola de Ensino Frundamental Raul Rocha do Amaral”, onde estudam 1.500 alunos. Mas ela não parou e inaugurou, em 26 de outubro de 2002, a”Biblioteca Comunitária”, com acervo de 5.000 livros – a única na área continental. Seu lema era: “Um povo sem leitura é um povo sem educação”.
Anexo ao Centro Comunitário funciona uma Pré-escola com 330 alunos e a Casa da Saúde da Mulher da Área Continental que, desde outubro de 2003, recebe gestantes para o pré-natal e oferece aparelhagem para outros exames. Atende principalmente a população dos bairros: Quarentenário, Vila Ponte Nova e Jardim rio Negro, que são carentes nessa área. (Associação Promocional Maria Dolores)
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JARDIM RIO BRANCO
População: 17.695 habitantes em 2010 e 12.411 em 2000 (+43%) (Censo IBGE)
Jardim Rio Branco: Avenida Ulisses Guimarães sentido Imigrantes.
O nome do bairro refere-se ao próprio rio de planície formado por cursos de água da encosta da Serra do Mar e que atravessa a área continental em direção ao Mar Pequeno. O bairro é fruto de um loteamento realizado em 1957, empreendido por Leão Jafet & Irmãos. Como os demais bairros que dependiam da estrado de ferro Santos-Juquiá, o Rio Branco permaneceu isolado durante muitos anos e seu moradores tinham que ir até Cubatão pele rodovoa Padre Manoel da Nóbrega para ter acesso à ilha de São Vicente. O cenário mudaria somente em 1995 com a construção do acesso rodoviário da ponte do Bairreiros, ligando as áreas continental e insular, resultando nos anos seguintes numa onda migratória e povoamento em massa para o continente. Apesar da distância da área insular, o Rio Branco desenvolveu-se rapidamente em função facilidade de acesso à Cubatão, Santos, Guarujá e São Paulo pelas rodovias Padre Manoel da Nóbrega, Imigrantes e Domênico Rangoni. O bairro também tornou-se muito próximo de Praia Grande e dos municípios do litoral sul. Essa localização estratégica entre alguns dos principais bairros da área continental , pois é uma passagem praticamente obrigatória, fez do Rio Branco um influente centro comercial e de serviços públicos.
MORADORES RECLAMAM
Cobrança por asfalto é uma reivindicação antiga da população. Obra deve demorar pelo menos seis meses para começar.
Do G1 Santos -30/10/2013
Moradores da Área Continental de São Vicente, no litoral de São Paulo, reclamam de problemas no bairro Jardim Rio Branco. Ruas sem asfalto, esburacadas e esgoto que retorna para as casas são as principais queixas. Segundo os munícipes, o problema aumenta quando chove. Pessoas que vivem há mais tempo no bairro dizem que os problemas existem há quase 30 anos. Cecília Batista da Silva, moradora do bairro, tem uma filha cadeirante. Para ela, passar com a criança com a cadeira é quase impossível. “Eu não tenho condições de sair com a minha filha para buscar um pão na padaria. Tenho que deixar ela em casa sozinha para poder sair. Em dia que está chovendo é um transtorno, porque só consigo sair de casa com ela de carro”, diz.
Segundo a moradora Armênia Oliveira de Souza, muitas crianças acabam doentes. “Ficam com feridas, pegam dengue. Elas sempre estão com doenças”, conta. Já a munícipe Regina Santana explica que, por conta do saneamento inadequado, o esgoto tem voltado para as casas. “Fui na Sabesp e eles desentupiram nos fundos da casa, mas agora é na porta. Eles disseram que o esgoto todo da rua está entupido e que não podem mais fazer nada por nós”, lembra.
Zenivaldo Ascenção dos Santos, gerente da Sabesp em São Vicente, afirma que o problema foi resolvido. “Houve uma intervenção, um reparo. O ramal estava quebrado e isso estava dificultando o escoamento. O serviço de manutenção foi concluído, inclusive a desobstrução”, relata.
Roberto Rossi, gerente de obras da Companhia de Desenvolvimento de São Vicente (Codesavi), diz que, embora a rua não tenha asfalto, está preparada para recebê-lo. “Descobrimos que é um problema antigo. Na Rua 10 só existem duas quadras que não foram asfaltadas. Metade da Rua 19 já tem guias e sarjetas, mas não foi feito o asfalto, não sei o motivo exato. O que a gente pode fazer é mandar imediatamente o maquinário, junto com a subprefeitura, para melhorar o piso, tirar as poças de água, fazer a capinação e a limpeza”, explica.
Rossi diz que os trabalhos devem começar ainda nesta semana. “Nós temos um cronograma de seis ruas que vai começar brevemente nos bairros Parque das Bandeiras e Gleba II. São projetos de drenagem e pavimentação, e após a conclusão dessas obras, nós vamos iniciar nas ruas do Jardim Rio Branco”, afirma.
O representante da Codesavi diz ainda que não há data para o início da pavimentação do bairro. “Não há previsão porque vamos depender da conclusão das obras na Gleba II, que é um projeto grande e que demanda uns seis meses, no mínimo”, conclui.
Jardim Rio Branco: Avenida Ulisses Guimarães sentido Samarita -Quarentenário.
TrTrem da FEPASA atravessando o bairo do Rio Branco nos anos 1980.
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VILA EMA
De acordo com a Prefeitura Municipal de São Vicente, o Vitório Viquetti loteou sua fazenda e, em homenagem a sua esposa falecida, nomeou o local de Vila Emma. Não há dados sobre como Vitório Viquetti se tornou proprietário das terras. A Vila Emma é um dos menores bairros dessa região. É um bairro de pequenos lotes com casas e, mais recentemente, com conjuntos, da COHAB, de prédios de até quatro andares.
VILA NOVA SÃO VICENTE
O bairro Vila Nova São Vicente é um dos mais recentes e pertencia à Samaritá; porém a área foi loteada em 1984 através do processo de número 3513 que consta da Prefeitura e da Câmara Municipal de São Vicente pela Samaritá Empreendimentos Imobiliários.
VILA NOVA MARIANA
Novo bairro, desmembrado do bairro Humaitá, pela Lei Complementar nº 408, de 2 de julho de 2003, que altera a LC 216/2002.
População: 1.727 habitantes em 2010 e 1.727 em 2000 (0%) (Censo IBGE)
A Vila Nova Mariana se localiza após o Humaitá e era conhecida como Favelinha, com população em extrema pobreza. Este bairro é constituído em cima do Rio Mariana, causando grandes degradação ambiental e probelmas no abastecimento de água para a população. Em julho de 2003 a Lei Complementar nº 216, de 23 de agosto de 2003 solicitou o abairramento. O pedido só aprovado pela Câmara em 2006, sendo último local em que foi realizado o abairramento pela Prefeitura Municipal de São Vicente.
JARDIM RIO NEGRO
Esta comunidade fica às margens do Rio Branco, com suas casas situadas nas baixas do rio, portanto, nas áreas de mangues. As áreas de manguezais constituídos de água salobra são raras na região da baixada santista. O Jardim Rio Negro é o mais populoso dos bairros invadidos e com a pior adequação territorial das famílias: a maioria das casas, cerca de 90%, era de madeira, compensado, zinco e madeirite. Segundo dados fornecidos pela prefeitura, (censo escolar 2007), cada casa possuia pelo menos cinco crianças, das quais quatro nasceram em casa, sem nenhum cuidado hospitalar.
VILA IOLANDA
Outra comunidade que não consta dos abairramentos da prefeitura é Vila Iolanda. Também fruto da invasão, fica próximo à linha férrea, do lado oposto a Vila Ema e é composto de pequenos sítios.
VILA MATIAS
A Vila Matias deveria ser um loteamento após Samaritá; os moradores demarcaram o local por conta própria e aguardam até hoje a regularização oficial Dividido da Vila Iolanda pela linha férrea, o espaço territorial desses dois bairros é pequeno, mas com terras para a construção de novas casas. A prefeitura tem uma escola com o endereço de Vila Matias, mas, na Câmara Municipal não consta o abairramento. O local é indefinido e não há concordância sobre onde inicia e onde termina.
“Fazendinha”, a mais recente área de invasões na área continental de São Vicente. Imagem: TV Tribuna
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PARQUE CONTINENTAL
População: 13.035 habitantes em 2010 e 12.577 em 2000 (+4%) (Censo IBGE)
É a antiga Gleba II, propriedade de uma empresa que loteou a área no ano de 1982.
ANÚNCIO DE LOTEAMENTO DA EMPRESA CIDADE NÁUTICA
JORNAL CIDADE SANTOS, 1969.


O Parque das Bandeiras, está situado entre as estações de
Samaritá da Estrada de Ferro Sorocabana e o asfalto da Rodovia Cubatão-Pedro Taques.
Com pouco mais de seis meses de vida, nasceu do nada, num local cuja única
vantagem é ser alto, seco e saudável. Hoje possui serviços de terraplenagem em
valor superior a 200 milhões de cruzeiros antigos. Num futuro bem próximo se
transformará em um dos maiores e mais prósperos centros residenciais de todo o litoral.
Quando de seu lançamento, o Parque das Bandeiras foi surpreendido
pelas obras que a E.F.S. está realizando para o grande terminal ferroviário que
o ligará diretamente a Cubatão e à Cosipa. Este terminal em execução, estará
concluí- do ainda no Governo Sodré. O sucesso de seu lançamento foi Inédito,
tendo chegado a atingir 160 reservas num só domingo.
Mais dois acontecimentos em junho passado, vieram confirmar
o sucesso indiscutível do lançamento do Parque das Bandeiras: em primeiro lugar
a E.F. Sorocabana resolve ampliar o pátio da estrada para possibilitar maior
espaço para as manobras das composições que demandam a Cosipa, Ultrafértil e
outras grandes Industrias, ainda será provável a transferência para Samaritá parte
das oficinas de manutenção da E.F.S. Em segundo lugar, a Ultrafértil instala
junto à Sorocabana nos fundos do Parque das Bandeiras um grande pontão para a
carga dos vagões da ferrovia.
Sendo o Parque das Bandeiras o caminho mais curto e mais fácil
entre o asfalto da Rodovia Cubatão-Pedro Taques e o pontão de carga, a em-
presa encarregada do transporte da produ- ção da Ultrafértil num total de 250
viagens diárias, já entrou em entendimento com a adminis- tração do Parque das
Bandeiras, para efetuar uma ligação direta entre o asfalto e o local de carga
por uma das ruas do loteamento, Mais de 50 famílias de funcionários do D.E.R.,
que são pessoas que têm conhecimento direto com os projetos e sempre souberam
achar bons negócios, já se preparam para iniciar a construção de suas casas,
pois as 16 primeiras quadras já estão preparadas para receber as construções.
Outro sintoma da valorização
que o Parque das Bandeiras está trazendo para a região, são INVASOES de as terra
que são sempre acompanhadas do progresso e põe muitas vezes em perigo a
segurança das famílias que já residem no local, local. Por esta razão os
terrenos vi- zinhos ao Parque das Bandeiras sofreram tentativa de invasão que
graças à pronta interferência da polícia local, pôde ser evitada sem maiores consequências.
Assim é que foram detidos no local e encaminhados à Delegacia
de Polícia de São Vicente, três indivíduos que falsamente se intitulavam
"FUNCIONARIOS DO MINISTERIO DAS MINAS E ENERGIA".

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PARQUE DAS BANDEIRAS
PARQUE DAS BANDEIRAS - JORNAL A TRINUNA (NOVO MILÊNIO)
Pavimentação da avenida central (atual Celso Santos) em 1983. A Tribuna.
Englobou os núcleos Parque das Bandeiras (ou Gleba 1) e Gleba 2. Conforme a Lei Complementar nº 216, de 19 de novembro de 1998: População: 13.040 habitantes em 2010 e 11.522 em 2000 (+13%) (Censo IBGE
Parque das Bandeiras, em 1978. A Tribuna.
Núcleo habitacional tinha 670 casas e muitos problemas
Um "recorte" na história do desenvolvimento urbano vicentino pode ser dado por esta matéria, publicada em 22 de outubro de 1978 pelo jornal santista A Tribuna:
Recentemente, a Seção de Serviço Social da Prefeitura, com a colaboração da Sociedade de Melhoramentos do Parque das Bandeiras, fez um levantamento completo sobre a condição social do bairro e os resultados não foram animadores. Há muito a se fazer por uma população de 4.761 habitantes aproximadamente, que residem em apenas 670 casas, como foi dito na reunião entre o prefeito Koyu Iha, os diretores da SM e as assistentes sociais, que logo a seguir iniciaram as visitas no núcleo. Verificou-se que 158 famílias apresentam uma situação habitacional unifamiliar, 107 delas morando em casas de alvenaria e 42 em casas de madeira. Um pequeno número de pessoas no Parque das bandeiras moram em habitação coletiva, o que f ez crer que a situação habitacional não é das piores, tendo em vista até mesmo o tipo de construção. De 166 casas, apenas quinze recolhem o imposto territorial à Prefeitura, enquanto 18 pagam imposto predial e 103 - uma porcentagem de 62,2 por cento - não pagam impostos de qualquer espécie. Como justificativa do não-pagamento desses impostos, muitos não souberam dar qualquer informação, e os que moram de aluguel acreditam que os proprietários paguem. Setenta famílias alegaram jamais ter recebido qualquer notificação da Prefeitura, e o certo é que a maioria dos habitantes do Parque das Bandeiras possuem casa própria e afirmam que não se negam a pagar impostos, desde que sejam notificados e melhor esclarecidos.
Não querem mudar
A maioria das pessoas residentes no Parque das Bandeiras não pensa em deixar o bairro, e esperam que futuramente ele esteja bastante melhorado, inclusive, para valorização de terrenos e casas. Cerca de quarenta famílias, no entanto, não desejam permanecer ali, pelo fato de morarem há pouco tempo - uma média de 1 ano - e acharem que o bairro não oferece os mínimos recursos de sobrevivência. Segundo os observadores, os que desejam ficar no Parque das Bandeiras são aqueles que possuem casa própria.Luz e água - Oitenta e nove por cento das casas do Parque das Bandeiras possuem energia elétrica, enquanto apenas três por cento se servem da luz de lamparina e lampião e 1,8 por cento se utilizam de outros meios. O bairro continua sem um sistema de iluminação pública eficiente, e apenas a avenida principal e parte da Rua 4 já possuem essa melhoria.
Segundo informações da Prefeitura, os postes já estão instalados, faltando somente as luminárias, cerca de 500 aproximadamente, que serão ligadas no início do próximo ano com verba do município. A maior parte da população utiliza água de poço, tendo o cuidado de filtrá-la antes do consumo pessoal, e alguns moradores buscam o líquido no único chafariz existente no bairro. Um número bastante reduzido de casas possui água canalizada, sendo também empregado o filtro para tratamento, prevenindo, assim, a contração de moléstias. No que se refere às instalações sanitárias, cerca de 84 por cento dos moradores do parque utilizam a chamada fossa séptica, em condições regulares de salubridade. A fossa negra, que ocasiona péssimas condições de salubridade, é utilizada por um pequeno número de famílias. Dessa forma, a situação do bairro, em termos de saneamento, não é boa, e necessita de uma providência urgente por parte da Prefeitura, no sentido de que haja uma atuação da Sabesp naquela área.
Situação econômico-cultural
O POVOAMENTO CONTINENTAL
Duplicação da Avenida Quarentenário, na área Continental serrana de São Vicente. O bairro foi construído sobre uma vasta área rural onde, nas primeiras décadas do século passado, era usado como pastagem e abrigo de gado em quarentena sanitária, antes do abate nos matadouros de São Vicente e de Santos.
CONTINENTE IMPULSIONA CRESCIMENTO
IBGE MOSTRA O QUE ACONTECEU EM DEZ ANOS
A Tribuna, 25 de julho de 2011.
Victor Miranda
A Área Continental impulsionou o crescimento populacional de São Vicente na última década. Embora essa fosse uma realidade nitidamente sentida, a confirmação veio com a divulgação de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), baseados no Censo Demográfico realizado no ano passado.De acordo com o levantamento, o Município viu sua população aumentar 9,52% entre 2000 e 2010. Com isso, a primeira cidade do País chegou a 332.445, ante os 303.551 habitantes observados pelo censo de 2000. No mesmo período, o continente vicentino saltou de 77.816 para 98.160 moradores, crescimento de 26,1%.A evolução se deu em praticamente todos os bairros da região continental: Samaritá (218%), Vila Ema (78%), Jardim Rio Branco (43%), Parque das Bandeiras (13%), Nova São Vicente (13%) e Parque Continental (4%).
A exceção foi o Humaitá (-16%), dividido com um novo bairro, a Vila Nova Mariana. Já o Jardim Irmã Dolores é um novo núcleo, que abriga os antigos Quarentenário e Vila Ponte Nova. Na comparação de ambos com o bairro atual, o crescimento foi de 40%.
"Nós já sentíamos esse crescimento, mas os números estão aí para confirmar", diz o prefeito Tercio Garcia (PSB). "Para um período de dez anos, é um crescimento muito grande daquela região. Precisamos estar muito atentos a esses novos focos, pois os números confirmam o tamanho da responsabilidade e do desafio", emenda.
Para efeito de comparação, entre um recenseamento e outro, a parte insular de São Vicente obteve um crescimento de apenas 4%, saindo dos 225.735 moradores de 2000, para os 234.285 atuais.
Explicações - Alguns fatores contribuíram para que essa característica fosse observada. A primeira: a chegada de conjuntos habitacionais na região. No Samaritá, por exemplo, empreendimentos do Governo Federal e do Estado já foram entregues, e contribuíram para que o bairro tivesse o maior crescimento proporcional do período.
Outra característica que justifica esse boom populacional é a valorização da região. Embora ainda seja extremamente carente em uma série de serviços, a Área Continental vem acumulando uma série de investimentos. Bairros como Jardim Rio Branco, Samaritá e Jardim Irmã Dolores - que no Censo 2000 era dividido entre Quarentenário e Vila Ponte Nova - já começaram a receber pavimentação em suas vias.
A terceira razão - e possivelmente a principal - pode ser econômica. Conforme o IBGE, a renda média per capita do morador de São Vicente saltou de R$ 330,52 em 2000 para R$ 854,31 no ano passado.
"Com isso, muita gente que morava de aluguel em bairros como Cidade Náutica, Vila Jóquei Clube e Catiapoã conseguiu investir na compra de um imóvel na Área Continental que, por enquanto, ainda tem preços bem mais acessíveis do que a ilha", analisa o secretário municipal de Planejamento e Gestão Orçamentária, Emerson dos Santos.
Bairros da orla ficaram mais populosos
Na área insular, os aumentos de população mais sensíveis ocorreram justamente nos bairros da orla. Itararé (31%), Boa Vista (29%) e Gonzaguinha (22%) tiveram aumentos consideráveis, algo que antes seria impensável.
"Faz parte do processo de verticalização. Além da construção de alguns novos prédios no período, nós tivemos uma redução de residências vagas (hoje são 8.786) e de imóveis de uso ocasional (11.592). Essas situações refletem diretamente nos bairros que trabalham com apartamentos de veraneios", explica Emerson dos Santos, da Secretaria de Planejamento de São Vicente.
Paralelamente, bairros nobres como Jardim Independência, Vila Valença e Vila Melo não obtiveram crescimento. A justificativa pode estar no perfil imobiliário desses núcleos, que deixaram de ter chalés e casas com famílias de rendas inferiores e muitos filhos para abrigar sobrados, triplex e sobrepostas.
"O que importa é que temos visto uma movimentação interna na Cidade. Quem morava nos bairros de periferia, ou adquiriu a casa própria, ou mudou-se para os bairros da orla e os mais centrais. Isso é fruto da melhora do poder aquisitivo", argumenta o prefeito Tercio Garcia.
CONTINENTE, UMA ÁREA A SER DESCOBERTA
VICTOR MIRANDA
O crescimento desproporcional da Área Continental trouxe, a reboque, um problema importante a ser resolvido pelo Poder Público: como estruturar uma região com nove bairros, praticamente 100 mil habitantes e que, por décadas, não contou com praticamente nenhum investimento?
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicados ontem em A Tribuna, enquanto a parte insular de São Vicente cresceu 4% em dez anos, a região continental saltou 26,1% no mesmo período. O aumento populacional do Município ficou em 9,52%. A tarefa da Administração é como trocar o pneu de um carro em movimento. Ou seja, precisa agir urgentemente na região, trazendo investimentos, atraindo recursos, mas sem poder frear o crescimento populacional que, ao que tudo indica, tende a prosseguir nos próximos anos.
"Durante muito tempo, falou-se na Área Continental como um local que poderia amenizar os problemas habitacionais da Ilha de São Vicente. Essa solução surgiu, na cabeça das pessoas, quase que naturalmente. Foram comprando terrenos, construindo casas e, hoje, é um enorme desafio dar condições para que essas famílias possam viver bem", analisa o secretário de Planejamento e Gestão, Emerson dos Santos.
As dificuldades podem ser observadas na precariedade de opções de serviço e de lazer. Às crianças, falta conforto nas escolas. Aos adolescentes, faltam atividades que os tirem das ruas, reduzindo desde gestações precoces à violência e drogas. Aos jovens e adultos, há carência de bons empregos. Às famílias, faltam farmácias para comprar remédios. Aos idosos, as vagas para atendimento nas unidades de saúde não são suficientes. A todos, falta segurança. Como as carências são muitas, fica impossível resolver todos esses problemas de uma só vez e a curto prazo. É preciso um plano mais amplo de crescimento. Afinal, são itens de competência do Poder Público, mas também do setor privado, que, aparentemente, ainda reluta em investir em uma região com mais de 98 mil habitantes.
Olhar do político – "São Vicente é uma Cidade com poucos recursos", comenta o prefeito Tercio Garcia, "mas, nos últimos tempos, temos dado atenção especial à Área Continental. Só que fica complicado resolver problemas históricos de uma hora para outra. Mas não podemos nos omitir".
Ele, aliás, afirma que a Prefeitura está empolgada com a chegada de empresas relacionadas ao pré-sal àquela área – o que poderá gerar empregos e injetar recursos na economia local. Mas ainda espera que novos empreendimentos se instalem no continente.
"Para se ter uma idéia, após muitos anos de reivindicações, a primeira agência bancária ainda vai se instalar nessa região no final do ano", complementa. Tercio entende que pequenos, médios e grandes empresários deveriam olhar mais para essa região. "A Área Continental de São Vicente pode ser um maná para empresários", avalia o político. No entanto, órgãos governamentais poderiam pensar dessa forma. A agência bancária citada pelo prefeito, por exemplo, é privada. Bancos públicos, por ora, nem pensar. Outros órgãos também seriam bem-vindos, como o INSS.
Na contramão
A população de São Vicente é majoritariamente feminina. Elas somam 52% dos habitantes da Cidade, enquanto os homens compõem 48%. Essa tendência ocorre em 28 dos 29 bairros. A exceção é o Jardim Rio Branco, na Área Continental, onde o sexo masculino lidera com 53,2% dos moradores. O curioso é que, embora esses dados sejam do IBGE – ou seja, números oficiais – os próprios homens do bairro contestam a informação. Ao conversar com seis moradores do Jardim Rio Branco, todos disseram a A Tribuna que deve haver algum engano, pois elas seriam supremas lá também.
"Os pesquisadores devem ter feito o censo de manhã, quando as mulheres estão no mercado e os porteiros – maioria no bairro – estão em casa", arrisca o bem-humorado Manoel Galdino Souza. Gerson de Jesus é mais prático em sua explicação. "Nem precisa fazer pesquisa. É só olhar a rua e perceber que aqui não falta mulher coisa nenhuma".
CONJUNTOS MUDAM O SAMARITÁ
Imagine só: você mora em um bairro tranqüilo, sem muita infra-estrutura e, de uma hora para outra, recebe a companhia de centenas de novos vizinhos. Alguns meses avançam e mais moradores passam a dividir o mesmo espaço. Foi exatamente por essa situação que passaram os habitantes antigos do Samaritá.

Do censo de 2000 para o de 2010, o IBGE aponta que o bairro registrou um aumento populacional de exatos 218%. A justificativa é simples: o núcleo recebeu projetos habitacionais dos governos do Estado e Federal. Paralelamente, porém, ações de estrutura demoram a acontecer. Atualmente, a Prefeitura trabalha em obras de drenagem, guia, sarjeta e pavimentação. Há projetos de uma escola estadual naquela região. Fora isso, muito pouco.
Vazios – "Tem farmácia no bairro?" Não. Tem padarias? Apenas uma. Tem mercado? Não. Tem unidade de saúde? Só um posto antigo e incompatível com a demanda. Tem escola de Ensino Médio? Também não. Assim, é complicado demais de viver", comenta um homem que identificou-se como Adriano e diz morar há 12 anos no Samaritá. O comerciante Joelito Cardoso de Santana concorda com as dificuldades citadas. Há oito anos, antes do boom populacional, ele trocou o Parque das Bandeiras pelo Samaritá. Lá, abriu um bar.
"Comercialmente falando, gostei muito da vinda desses conjuntos habitacionais, pois aumentaram minha clientela. Mas não dá para (o órgão público) atender a população de hoje da mesma forma que atendia antes. A estrutura precisa acompanhar esse crescimento", analisa Joelito.
Moradora de um dos novos conjuntos habitacionais, a faxineira Creuza Domingos da Costa mudou da Zona Noroeste, em Santos, para o Samaritá. Há cinco anos no bairro, ela exalta algumas transformações – como a pavimentação e drenagem das vias -, mas critica a lentidão para a chegada dos serviços.
"Se sabem que vão mudar famílias para cá, precisam melhorar as condições antes das pessoas pegarem as chaves dos apartamentos. Outro problema é a falta de transporte público. São coisas que todos sabem que acontece, mas ninguém resolve", comenta.
Essas mudanças estruturais se farão mais urgentes a curto prazo. Isso porque está prevista a mudança de 880 famílias nos próximos anos, com a entrega de dois novos conjuntos habitacionais.
Quase 42% da população estão em idade economicamente ativa
Maioria da população vicentina é jovem Ao contrário de outras cidades da Baixada Santista, onde o número de idosos é crescente, São Vicente segue com o perfil de poucos aposentados. No entanto, uma mudança pode ser observada nesse censo: a população majoritária não é mais composta por crianças. A população jovem cresce muito no Município. Segundo o IBGE, 58.390 (ou 17,6%) pessoas têm entre 20 e 29 anos. Já os que possuem entre 15 e 19 anos somam 27.368 (8,23%) e, os com idade de 30 a 39 anos, 53.497 (16,1%).
Resumindo, 41,9% dos vicentinos têm de 15 a 39 anos, estando no auge do vigor e em idade economicamente ativa. Além de aspectos positivos para a economia, a nova realidade modifica também a carência de serviços e inverte uma lógica geométrica, segundo explica Emerson dos Santos.
"A população de São Vicente, dividida por faixa etária, formava um triângulo. Ou seja, nascia muita gente, ia perdendo fôlego na juventude e chegava à população mais idosa com um índice baixo. Hoje, essa característica mudou, formando um losango. Nasce bastante gente, mas o número de jovens tem crescido muito", explica. O prefeito Tercio Garcia (PSB) cita que essa característica exige que a Prefeitura atue em frentes diferentes. "Precisamos cada vez mais fomentar a criação de empregos e ser uma Cidade voltada para o futuro. Ou seja, investir na educação e qualificação de nossas crianças, adolescentes e jovens".
Segundo ele, essa realidade complementa o trabalho de saúde feito com crianças desde o nascimento, até a adolescência. "Investir na qualidade de vida infantil é o mesmo que investir no futuro. Trabalhamos muito para melhorar a vida das crianças, seja na área de educação, seja em projetos sociais. Agora, é preciso dar seqüência a esse trabalho".
Bairro Irmã Dolores, o gigante caçula Além dos índices de crescimento populacional nos últimos dez anos, a Área Continental de São Vicente apresenta algumas particularidades no Censo 2010 do IBGE. O Humaitá, então o maior bairro da região, encolheu, perdeu território – a Vila Nova Mariana – e caiu para o terceiro principal núcleo habitacional. Foi ultrapassado pelo Jardim Rio Branco e Jardim Irmã Dolores. O bairro caçula do continente, aliás, estréia no levantamento oficial como o mais populoso daquela parte da Cidade. Com 23.429 moradores, o Irmã Dolores é a junção dos antigos Quarentenário e Vila Ponte Nova.
Mesma vida – Embora novo (menos de dois anos), a nomenclatura pouco acrescentou na qualidade de vida dessa população, segundo depoimento deles mesmos.
"A única mudança que o novo nome trouxe foi uma justa homenagem à Irmã Dolores, uma mulher batalhadora que fez muito pelo Quarentenário. Porque, melhorias recentes, nós não tivemos", comenta o pedreiro João Batista Dias da Rocha, de 48 anos. Há 17 anos no bairro, ele comenta que a principal evolução, ali, se deu durante a atuação da missionária espanhola que agora é homenageada, que levou ao local melhorias como asfalto, iluminação e uma casa de parto. "Ela batalhava demais por essa comunidade. Eu a conheci e acho essa homenagem justíssima. O desenvolvimento da estrutura do bairro e do trabalho social morreram com a Irmã Dolores", relata a comerciante portuguesa Emília Maia, de 71 anos, moradora do núcleo.
Tempo – Apesar da crítica, numa comparação a longo prazo, a população garante que é impossível ignorar as melhorias. Isso porque, até 15 anos atrás, tanto o Quarentenário como a Vila Ponte Nova eram núcleos sem qualquer infra-estrutura. A pavimentação até hoje não chegou em algumas das vias dos locais – ainda não saíram do estágio de projetos -, mas o abastecimento de água e energia elétrica, a melhora no saneamento básico e a iluminação viária em nada trazem saudade do tempo de valas correndo a céu aberto em ruas escuras.
"Já até recebi proposta para vender minha casa, de três andares. Mas ainda acredito que nos próximos anos essa região vai valorizar ainda mais. Assim como há 12 anos eu tinha uma visão do futuro, hoje, ainda preciso pensar assim", comenta Renato dos Santos.
Ponte dos Barreiros durante o período de seis meses de interdição rodoviária em 2020. Único acesso próximo para a Área Continental.
ESCOLA PÚBLICA É DESAFIO CONTINENTAL
UM QUARTO DA POPULAÇÂO DE SV TEM IDADE ESCOLAR
Victor Miranda –Foto: Paulo Freitas - Da Redação
O crescimento populacional recente da Área Continental de São Vicente tem gerado uma série de desafios ao Poder Público. Um dos maiores, certamente, é lidar com a educação em uma região com grande número de crianças – pelo menos 25% dos moradores estão em idade escolar.Atualmente, são 52 equipamentos de ensino naquela região, sendo 21 creches, quatro escolas municipais de Educação Infantil, 13 escolas municipais de Ensino Fundamental, seis escolas estaduais – que atendem o Ensino Médio – e oito unidades do Centro Educacional Recreativo (CER).De 2000 a 2010, período entre os dois últimos censos do IBGE, foram inauguradas seis escolas municipais, todos os CERs, além de 11 creches. Todos os equipamentos por parte do Município. "Se fizermos uma comparação, na Educação, investimos muito mais na Área Continental do que na ilha nos últimos anos", comenta a secretária da Educação de São Vicente, Tânia Simões.
Futuro – Para os próximos anos, a região deve ganhar ainda duas novas unidades de Educação Infantil (uma no Parque das Bandeiras, outra no Samaritá), além de uma unidade estadual, que deve ser erguida no mesmo bairro.Para tentar reduzir a morosidade do Estado em investimentos, a secretária comenta que a Prefeitura já formalizou o pedido para se ampliar as vagas oferecidas pela Escola Técnica (Etec) na Área Continental. Tânia admite que a escassez de colégios estaduais preocupa.
"O ideal é que os governos, seja municipal, estadual ou federal, trabalhem na construção de escolas antes de construir os conjuntos habitacionais. Isso é um planejamento obrigatório, uma vez que essas unidades trazem grande número de novos estudantes a serem absorvidos pela rede pública de ensino".
Distribuição – O problema é facilmente compreendido quando se observa o gargalo atual. Ao mesmo tempo que 18 mil crianças são distribuídas por 38 escolas ou creches do Município, apenas 6 mil são atendidas pelas seis unidades estaduais.Hoje, 25 mil crianças e adolescentes compõem a rede pública de ensino da Área Continental. Se for projetada a média atual de crescimento populacional do continente para os próximos anos – julgando os pouco mais de 26% observados no último censo do IBGE – chega-se a uma demanda de novos 6.240 alunos, ultrapassando a casa de 30 mil estudantes na região.
"Há bairros que nos preocupam muito. O Jardim Rio Branco é um deles. Hoje a demanda já é grande. Em breve, teremos lá novos conjuntos habitacionais", comenta Tânia Simões.
Estado – Procurada desde as 15 horas de segunda-feira para comentar a situação e traçar as perspectivas de crescimento da rede para a Área Continental de São Vicente, a Secretaria de Estado da Educação não respondeu até o encerramento da edição. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, por ser período de retorno das aulas, não foi possível fazer o levantamento dos dados em tempo de serem publicados nessa matéria.

SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
A ÁREA CONTINENTAL: UMA HISTÓRIA EM CINCO TEMPOS
HISTÓRIA DA ÁREA CONTINENTAL NA VISÃO DA IMPRENSA
AS INVASÕES E OCUPAÇÕES DOS BAIRROS DA ÁREA CONTINENTAL-1998
A POPULAÇÃO E OS RESÍDUOS ORGANOCLORADOS
MORADORES DA ÁREA RURAL E SEUS PROBLEMAS
SÃO VICENTE: FORMAÇÃO HISTÓRICA E DINÂMICAS RECENTES
DESCRIÇÃO DE PERÍMETRO DOS BAIRROS EM 2020
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DALMO DUQUE DOS SANTOS
Planta elaborada em meados do século XX mostrando o crescimento de Santos e São Vicente de 1532 a 1950. A Expansão de Santos - A Baixada Santista: aspectos geográficos, de José Ribeiro de Araújo Filho, editora Edusp, São Paulo/SP, 1965.
A notícia de um loteamento, legal ou ilegal, sempre provoca uma inquietação mercadológica nas cidades que convivem com o eterno problema do déficit habitacional. O mesmo ocorre quando é anunciada a oferta de imóveis financiados a preços populares e subsidiados pelos órgãos governamentais de habitação. É assim que surgem e se desenvolvem os bairros, as vilas, as ruas, os lotes e finalmente os conjuntos de moradias. Ali misturam-se, num mesmo espaço e tempo, os costumes, hábitos e crenças que identificam seus moradores.
Os bairros de São Vicente, como ocorreu em muitos outros lugares do Brasil e do mundo, são frutos da necessidade social de morar e historicamente fazer parte de organização urbana já existente, formal ou informalmente. É o antigo, difícil e persistente sonho de fincar raízes numa moradia própria e familiar. Os negócios imobiliários, públicos ou particulares, funcionam nesses contextos como meios de organização e estabelecimento das populações nos locais escolhidos para moradias. Pela ordem contextual e histórica, esse fenômeno de urbanização na Baixada Santista ocorreu primeiramente na cidade de Santos, entre o início e meados do século XX; e nas demais cidades a partir da década de 1950.
Uma publicação do Departamento de Turismo da Prefeitura, de 1952, indicava que nesta época São Vicente contava com 17 bairros, “todos em franco desenvolvimento”. Na verdade eram pequenas vilas que passariam por transformações como o crescimento, a estagnação e a incorporação, conforme o ritmo dos deslocamentos populacionais. Eram eles: Boa Vista - Gonzaguinha - Biquinha - Vila Voturuá - Vila Melo - Vila Margarida - Jardim Guassu - Vila Matilde - Vila Jóquei Clube - Parque São Vicente - Parque Bitaru - Vila N. S. Amparo - Vila N. S. Aparecida - Vila Cascatinha - Vila Gomes - Vila Itararé - Vila Valença. Nessa época não havia praticamente povoamento na área continental e a Vila Matilde, por exemplo, pertence hoje ao município de Praia Grande.
Nos anos 1980 a cidade de Santos atinge seu limite de horizontalidade habitacional dos núcleos populares e passa atender somente os que buscam a a migração para os altos edifícios de apartamentos. Essa crise e pressão demográfica também atinge a vizinha e estreitamente próxima São Vicente. A solução seria encontrada na construção de conjuntos habitacionais na área continental vicentina, no lado Serra do Mar, próximo ao complexo Anchieta-Imigrantes.
Foi assim que, nas últimas seis décadas, entre as ocupações regulares e irregulares, foram surgindo na área Insular e na área Continental os chamados abairramentos e arruamentos no território urbano vicentino. Devido à crescente escassez de terrenos, ocorre na orla e na região central a verticalização dos imóveis, por meio de edifícios altos com centenas de unidades ou apartamentos. Nos bairros periféricos a falta de terrenos também provocou a verticalização, menos acentuada, por meio da construção de sobrados e casas geminadas (isoladas ou em vilas), pequenos prédios de dois ou três andares, a maioria com poucas garagens para automóveis. E mais recentemente as chamadas casas sobrepostas (unidades com acesso independente no mesmo terreno) e condomínios de sobrados, com áreas comuns de acesso e lazer .
Detalhe da planta elaborada em meados do século XX mostrando o crescimento de Santos e São Vicente de 1532 a 1950. Nela percebe-se a mudança e permanência de nomes de alguns alguns bairros e vilas de São Vicente. Alguns desses nomes desapareceram como Vila NS do Amparo, Vila Sorocabana, Bugre, Vila Carmela, Vila Gomes, Vila Rebouças e Jardim Guaçu Paraíso. Na orla do Itararé vê-se a indicação das chácaras de lazer e , próximo ao morro Voturuá, a Vila Santa Isabel. Com o crescimento da demanda turísticas e demográfica, as inúmeras chácaras na ilha e na área continental vão sendo gradualmente fragmentadas pelos loteamentos de terrenos residenciais.
Em 1999 São Vicente já havia ampliado o número de bairros, na ilha e no continente, e registrava a existência 30 bairros, com cerca de 170 logradouros (ruas e avenidas), conforme a descrição contida na Lei Complementar de Ocupação e Uso do Solo (1999): Centro, Gonzaguinha, Boa Vista, Itararé, Vila Valença, Vila Voturuá, Vila São Jorge, Jardim Guaçu, Vila Mello, Catiapoã, Vila Jóquei Clube, Parque São Vicente, Vila Nossa Senhora de Fátima, Cidade Náutica, Beira Mar, Esplanada dos Barreiros, Vila Margarida, Parque Bitaru, Japuí, Humaitá, Parque Continental, Quarentenário, Jardim Rio Branco, Parque das Bandeiras, Nova São Vicente, Vila Emma, Vila Samaritá, Vila Ponte Nova, Jardim Independência e Vila Nova Mariana.
Pontes ferroviária e rodoviária dos Barreiros, sentido ilha continente.
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A ÁREA CONTINENTAL EM CINCO TEMPOS HISTÓRICOS
Heranças fundiárias do período colonial: Certidão de propriedade de Manuel Paulino Gomes - de 26 de fevereiro de 1961 - publicada no jornal Cidade de Santos em 25 de julho de 1967. Arquivo Digital da Biblioteca Nacional.
A Fazenda Santana de Acaraú, na área continental de São Vicente era um núcleo familiar de imigrantes portugueses dos primeiros tempos da colonização. Nesse sítio nasceu o Frei Gaspar em 1715, fato que hoje teria mais de 300 anos.
Fernando Augusto Bittencourt, herdeiro da propriedade, casou-se em 1870 e trabalhou na fazenda por 40 anos. Era vereador e vendia sua produção na área insular, no portinho Tumiaru. A Pinga do Acaraú, com garrafão de 18 litros e os vidros de Calmante de Flor de Laranjeira era seus produtos mais conhecidos (Vultos Vicentinos, 1972).
Esse fatos não contam ou foi somente a criação do distrito em função da Estação de trem do Samaritá?
Antes disso, Francisco Xavier dos Passos era dono do Sítio Iguá, mais tarde vendido ao comerciante Ignácio Gonzalez Requejo. Haviam muitos outros sitiantes e exploradores nessa região continental da serra e também no lado orla, Japui e Praia Grande.

A chamada fundação distrital da Área Continental foi um evento do período republicano, criado por uma lei municipal. Esse fato marca o início da região como personalidade social e política. O ex-prefeito Tércio Garcia incluiu a data no Calendário Oficial do Município a Semana e o Dia do Distrito da Área Continental, reconhecendo a força e a cultura aqui existente. A Lei n.° 1608-A . Entretanto a àrea Continental tem um história mais antiga e mais ampla, que vem da época colonial, nos séculos XVI e XVIII; e do período imperial, no século XIX.
PRIMEIRO PERÍODO
Área Continental Colonial (1532-1822) – O destaque da região no período colonial foi o vilarejo de Santana de Acaraú, onde nasceu o clérigo e famoso historiador Frei Gaspar. Ele foi batizado na Capela de Sant’Ana de Acaraú, cujas ruínas existem até hoje. O Acaraú é prova histórica da ocupação portuguesa para estabelecer na região serrana um núcleo de exploração colonial.
SEGUNDO PERÍODO
Área Continental Imperial (1822–1889). Nesse período a região ainda era completamente rural. Os únicos habitantes conhecidos eram da família do português Fernando José Augusto Bittencourt, herdeiro do Sítio Acaraú, onde viveu por 40 anos. Explorador, agricultor e comerciante nato, Bittencourt produzia frutas, legumes e cereais, além de galinhas, ovos e carne de porco. Produzia também doces em compotas e a famosa Pinga do Acaraú. Tudo era transportado em uma canoa, remada por ele mesmo, através do rio Mariana até o Porto Guamium, hoje rua Japão. Ali ele vendia seus produtos e depois cuidava de assuntos políticos. Assumiu a presidência da Câmara da Vila de São Vicente em 1877. Quem faltasse nas sessões era multado. Foi reeleito em 1881 e realizou diversas obras, como o serviço de águas.
Samaritá- Vila Ema
TERCEIRO PERÍODO
Área Continental Republicana . A Era das Ferrovias. (1889-1960) quando as terras públicas do Samaritá, Quarentenário e Serra do Mar foram ocupadas pelos sitiantes e pela ferrovia. Entre os pioneiros de ocupação estavam respectivamente Francisco Antônio da Silva com os filhos Francisco e Laurinda Xavier dos Passos, o espanhol Ignácio Gonzalez Requejo (comerciante insular) e o português Armindo Ramos, funcionário da Ferrovia Santos-Mairinque, empresa que criou na região várias estações e patrimônios, incluindo Acaraú e Paratinga. A exploração mineral de areia de vidro nos rios fazia parte desses primeiros negócios. O Quarentenário também era uma área pública do Ministério da Agricultura, para pouso e quarentena do gado antes do abate nos matadouros de São Vicente e Santos. A partir daí começa outra fase, que são as novas ocupações.
QUARTO PERÍODO
Foi a Era das Rodovias(1960-1990), quando a Área Continental desperta o interesse dos loteadores e também dos municípios vizinhos, por causa da pressão populacional insular forçando a migração para o continente. Os loteadores de destaque foram o próprio Armindo Ramos - que “abriu mão” de terras para construção ruas e espaços públicos - Luis Celso Santos, Manoel Paulino, Leon Jafet e Sartori.
Entre os principais fatos dessa época estão a construção do Conjunto Residencial do Humaitá e do 1º Presídio do Samaritá, mudando radicalmente o perfil da região Distrital. Décadas depois, dois novos presídios foram instalados nas margens da rodovia Padre Manoel da Nóbrega, na altura do Jardim Rio Branco: a PII |(masculina) e uma unidade feminina. Nesse mesmo trecho da rodovia e do bairro, seria construído um cemitério, de serviços funerários privados.
6 de novembro de 1983 marcou a realização do sonho da casa própria para 3.768 famílias no Conjunto Habitacional Humaitá, construído na Rodovia Padre Manoel da Nóbrega.
Triste e necessário lembrar do crime ambiental cometido pela Rohdia, depositando nos terrenos dos futuros bairros Rio Branco e Parque Continental resíduos químicos de alto risco de contaminação, trazidos de Cubatão.
Não havia tráfego de veículos na Ponte dos Barreiros, implantando-se gradualmente os trens urbanos da FEPASA, entre o Samaritá e Santos.
E por último, a tentativa política de Praia Grande (separada de São Vicente em 1969) de anexar a área Continental ao seu território, ação rapidamente combatida pelos membros do Lions Clube de São Vicente.
QuarentenárioQuarentenário
QUINTO PERÍODO
Foi a época da explosão demográfica e da novas definições e limites territoriais (1990-2020). Talvez a época mais crítica da história dessa região, marcada por uma nova onda de ocupações e aumento assustador dos problemas sociais decorrentes do rápido crescimento. A área Continental atingiu em 2020 a marca de 150 mil habitantes, exigindo uma nova configuração do plano diretor da cidade e a reestruturação político-administrativa dos bairros com a criação de uma subprefeitura . A Câmara Municipal ganha diversos representantes dos bairros, caracterizados por um grande contingente de eleitores Surge nos meios populares e bastidores políticos a ideia de emancipação, logo contida por uma lei federal que dificultada a criação de novos municípios. As invasões e as sucessivas regularizações fundiárias marcam esse período que culminou com o fechamento da ponte rodoviária A Tribuna (também chamada dos Barreiros) por meio de intervenção judicial durante seis meses. Esse fato causou muitos transtornos à população, que foi obrigada a fazer a travessia ilha-continente, de 600 metros, à pé, bicicleta e veículos alternativos. Antes disso a Área Continental conheceu uma intensa transformação com a formação e urbanização de grandes extensões de terras como o Quarentenário, Jardim Maria Dolores e mais recentemente a Fazendinha. Ocorre também o crescimento do comércio, da rede escolar, o sistema de transporte público, este último fortemente marcado pelas lotações (sistema de cooperativa), também recentemente substituídas por ônibus de empresas privadas. A proximidade dessa região com a Praia Grande (aeroporto de cargas do Andaraguá)e também com o complexo industrial e portuário de Santos e Cubatão, lançam a Área Continental de São Vicente em novo patamar de investimento públicos e privados.

Rodovia Padre Manoel da Nóbrega. Rio Branco e Parque Continental, ao fundo, na direção de Praia.
Grande e Mongaguá.
AS INVASÕES E OCUPAÇÕES
DOS BAIRROS DA ÁREA CONTINENTAL
MÁRCIA REGINA SILVA DO VALE
1998
ENRE A ILHA E O CONTINENTE
O processo de transformação que São Vicente sofreu e o número de migrantes existentes provocaram uma reorganização nos bairros, e as moradias acabaram por se expandir, a partir da década de oitenta, para além da ilha, na direção da Ponte dos Barreiros, chegando ao continente. O canal dos Barreiros funciona como um limite geográfico, econômico e cultural, como um marco divisório que separa a ilha do continente.
Os habitantes da ilha, que chegam ao continente na condição de migrantes, evidenciam uma situação de inferioridade já trazida de suas localidades de origem, ou seja, lugares afastados e com dificuldades de sobrevivência, como a seca do norte e nordeste do país. Não vieram em busca de lazer e praias, mas de um lote para construir um barraco, como costumam declarar, e de empregos. O meio familiar em que agrupam é o sustentáculo das invasões e ocupações.
A distância do centro e, portanto, do comércio, do lazer e dos serviços de saúde é expressiva. O isolamento torna-se impositivo e marcante. E as localidades que ali surgem se vêem unificadas por interesses comuns e pelo modo de vida.
A contradição entre esses moradores e os habitantes da ilha são marcas da tentativa de participação deles na sociedade da cidade. São marcas que jogam com mediações de exclusão, porque ora eles são habitantes da cidade e ora não são; é como se a área continental não fizesse parte do mesmo município.
É cruel o fato de os habitantes da ilha se referirem ao continente como uma região de marginalização e a seus habitantes como nordestinos, colocados em sentido discriminatório e de baixa capacidade intelectual.É a identidade que transforma espaços de segregação em guetos de resistência e de aconchego, em lugares com calor humano, um antídoto ao desprezo da sociedade. É essa sensação que os locais de moradia formados além da Ponte dos Barreiros transmitem, cria uma nova São Vicente, que se configurou como uma região de oposição à ilha. Sua ocupação se deu pela proximidade com a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, portanto, pelos limites da cidade-ilha.
Foi a exclusão territorial que obrigou as pessoas de baixa renda a saírem da ilha para morar na região do continente. As migrações simbolizam a pobreza e configuram um espaço onde o modo de vida se sustenta no convívio e na ajuda mútua, criando tramas de oposição para com os moradores do outro lado da ponte, ou seja, de São Vicente-ilha.
No caso dos habitantes da área continental, a união se dá pelo local de moradia. Vinte anos depois do início do povoamento da região, o número de habitantes se iguala aos da ilha, o que mostra um aumento populacional enorme. Trata-se de uma população organizada e que sabe o que quer para os bairros em termos de vida coletiva e de comunidade, mas que continua sofrendo os males impostos aos excluídos.
A pequena ilha tem 18 Km² e aproximadamente 170 mil habitantes em seus 19 bairros contra o continente com 117 km² e 150 mil habitantes em seus 10 bairros regularizados e 3 ainda não constituídos legalmente.
As povoações apresentam contrastes, a área continental, como é conhecida, é constituída por uma população migrante do norte e nordeste do país e a ilha, por descendentes de portugueses, em sua maioria.
As terras da região continental não foram todas vendidas, há aqueles que adquiriram lotes pelo valor legitimador da compra e aqueles que os invadiram. Trata-se de um campo social constituído por organizações agrupadas por etnia/raça e gênero.
Temos um espaço marcado por conflitos e contradições na dinâmica da vida cotidiana. Como o acesso à região era difícil, ela deveria ser uma área de isolamento, porém sua dinâmica territorial proporcionou a formação de bairros. Os migrantes começaram a chegar timidamente, e muitas famílias ali se fixaram mesmo sem água encanada, rede de esgoto, apenas para estarem perto de algum parente detido no presídio existente em Humaitá.
Essas terras anteriormente pertenciam ao Ministério da Agricultura, depois ao Estado de São Paulo e, após 1996, devido à proposta da administração eleita na época e do partido do PSB, ligado à Prefeitura, passou a existir um gerente morando em cada bairro, incumbido de organizá-lo. O abairramento, como é chamado à constituição legal de um bairro, não alterou a dinâmica de vida do local.
A história dos bairros registrada pela Prefeitura é bastante reduzida e diferente do que os moradores contam, ficando indefinida a real ocupação do local, que tem como encantamento o poder que a casa própria exerce nas pessoas.
A rede hidrográfica que conflui para o canal dos Barreiros compreende os rios Branco, Piaçabuçu, Mariana, Gragaú e Taquimboque, que desenvolvem percursos meândricos, característica da baixa declividade da área. O lençol freático se encontra à pequena profundidade, inferior a um metro e apenas em casos excepcionais em profundidade superior a dois metros.
A ocupação cresceu desordenadamente por causa do déficit de moradias na ilha, das dificuldades econômicas da população e do término da construção da Ponte dos Barreiros em 1995. Depois da ponte, segue-se em paralelo aos trilhos do trem por uma extensa área de 10 km. Em ambos os lados da pista, estão os últimos manguezais preservados da Baixada Santista. Eles oferecem um espetáculo com o brilho das areias brancas que margeiam o trilho do trem e refletem a luz do sol. Em março de 2005, houve uma nova tentativa de invasão e a queima de grande parte da vegetação, mas foram contidas pelos órgãos públicos municipais e estaduais.
Para chegar ao centro de São Vicente, a travessia demorava em média uma hora, isso reduzia muito as chances de trabalho dos moradores do local, principalmente das mulheres que buscavam emprego de domésticas.
Tanto a distância como os gastos com transporte mantinham os moradores dessa região afastados da cidade e de todos os benefícios que ela pudesse oferecer. Encontravam-se ilhados, sem escola, emprego, saúde e lazer.
O trajeto das invasões vai recebendo adesões de pessoas que se ligam pelo protecionismo das religiões. As pessoas que ali chegaram traziam o sonho do progresso e a vontade de consegui-lo com o suor de seu trabalho.
Chamados de sem-teto e desordeiros pelos jornais e revistas da época, nos anos de 1940 e 50, os invasores enfrentavam todo tipo de discriminação e problema, como um alto índice de mortalidade infantil. Eles mencionaram a presença de quatro guardas da polícia florestal que dispunham de um jipe para impedir o desmatamento. Quando não conseguiam, formava-se mais um bairro na área continental de São Vicente. A preocupação das autoridades públicas era proteger parte da vegetação próxima ao mangue e aos rios Piaçabuçu e Mariana que passam por grande parte da região.
Do outro lado da cidade, na ilha, os habitantes de classes mais abastadas como políticos e comerciantes expressavam alívio, porque as tensões sociais e os dissabores que diziam enfrentar pelo acúmulo de favelas estavam aparentemente resolvidos com o deslocamento populacional para a região do continente. Entretanto, foi uma ilusão pensar que as vinte e duas favelas existentes ao redor da ilha de São Vicente desapareceriam. Tal fato não ocorreu.
Em São Vicente-continente, o isolamento foi marcado pelas atividades e ações dos sujeitos do que pelas fronteiras geográficas. Esse fator colocou-os na condição de excluídos frente à sociedade capitalista de São Vicente-ilha.
Depois da Ponte dos Barreiros, criou-se uma outra São Vicente, que se configurou como uma região de oposição à ilha pela própria localização e pelos contrastes de cultura. Foi um período de povoamento e organização territorial, deixados a deus-dará como cita o autor acima.
A Ponte dos Barreiros, como é conhecida pelos moradores da cidade, liga o continente e a ilha e foi construída sobre o canal dos Barreiros, um braço de mar que abriga uma região de manguezais. Demorou cerca de seis anos para ficar pronta e Fo inaugurada em 1995 com o nome de Ponte A Tribuna, em homenagem ao jornal santista que relatava as dificuldades dos moradores da região continental para chegar à ilha de São Vicente.
Nos anos que antecederam o término da ponte, entre 1984 e 1994, os moradores dependiam do TIM (Transporte Intermunicipal), um trem que fazia a travessia por cima do canal, onde hoje se encontra a ponte. Atualmente, essa linha férrea não transporta passageiros, mas somente cargas. Outra forma de chegar à região era de ônibus, dando a volta pela cidade de Praia Grande até a curva do S e utilizando a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega.
A acessibilidade criada pela rodovia não foi suficiente para impulsionar uma ocupação da região em larga escala, pelo menos até o final da década de oitenta. O processo de ocupação deu-se via abertura de loteamentos, pela dinâmica do mercado imobiliário, relacionado com o desenvolvimento das atividades econômicas regionais.
Os interesses dos supostos proprietários da terra e a especulação imobiliária uniram-se à demanda de habitações por parte da população com baixa renda, o que fez crescer o número de domicílios ao longo dos últimos anos do fim do século passado. A área continental constitui hoje um espaço possível para a população, porque o da ilha saturou-se pelo desenvolvimento já ocorrido.
O povoamento da área continental teve início em 1910, com a ocupação daquela imensa área, com 117 Km² de terras e deu-se por conta da estrada de ferro Southern São Paulo Railway, que antecedeu a estrada de ferro Sorocabana e iniciou a construção da linha Santos-Juquiá.
Em 1926, o Governo do Estado de São Paulo comprou todo o patrimônio da Southern e, no ano seguinte, deu início à linha Mairinque-Santos, construída a partir do Km 19 da linha Santos-Juquiá e que entrava pela área continental da cidade de São Vicente.
Nos abairramentos do continente, observamos que todos os bairros ficam próximo às linhas férreas e à Rodovia Pe. Manoel da Nóbrega, que são as vias de acesso para a região. Os bairros foram assim constituídos e demarcados pela prefeitura porque na época o trem era o único meio de transporte para região.
Na região continental de São Vicente, o contraste cria reflexos e sentidos expressivos de uma população que traz consigo uma cultura originária do norte e nordeste do país, de onde migraram para tentar se adaptar à cidade litorânea, embora não estejam próximos ao mar. A cidade principalmente a cidade grande, é o lócus de todas essas confrontações, por ser também o lugar essencial do afrontamento das forças desencadeadas no processo violento da mudança. Vemos que os habitantes da parte continental de São Vicente utilizam uma estratégia de sobrevivência baseada naquilo que lhes foi transmitido, pelas gerações anteriores, como um atributo atemporal de suas experiências urbanas. Quando instalados, esses moradores passam a adquirir hábitos, costumes e práticas do local em que se encontram como o uso de celular, antena parabólica, computador.
Embora estejam próximos à zona urbanizada de São Vicente, com seus inúmeros prédios, inclusive à beira mar, os habitantes da região continental sofrem o efeito da exclusão, um processo acelerado porque, na ilha, não há espaço de moradia que lhes seja acessível.
A região do continente começou a ser povoada em meados de 1930 e, em 2007, soma 150 mil habitantes, uma aceleração populacional significativa.
Desde 1930 tem-se notícias de famílias se alojando nessa região, mas o grande aumento se deu a partir da década de 1980. Antes existia apenas alguns aglomerados de moradias próximas à Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-55), eixo de ligação da via Anchieta com o litoral sul paulista.
No início, tímidos povoamentos e as famílias que se fixaram no lugar não dispunham de água encanada, rede de esgoto e luz elétrica. Muitas delas ainda residem na mesma casa e foram realizando melhorias.
As terras da área continental antes pertenciam ao Ministério da Agricultura, depois ao Estado de São Paulo, após 1996, devido à proposta da administração da época, ligada ao Partido Socialista Brasileiro, o PSB, os moradores tiveram a posse da terra. A administração pretendia que cada bairro possuísse um gerente morador e administrador incumbido de organizá-lo, instituindo o abairramento. Por quatro anos isso foi feito, mas pelas brigas pelo poder entre os regionais, como eram chamados, o processo não teve continuidade.
O abairramento dessa região não se localiza nas demarcações realizadas pela prefeitura. Os limites das três comunidades estão dentro de bairros, mas não são entendidas dessa forma pelos moradores. Cada bairro ou comunidade sem abairramento começa e termina de acordo com suas próprias demarcações, que muitas vezes são totalmente diferentes das da prefeitura.
A história dos bairros registrada pela prefeitura é oposta ao que os moradores contam, deixando indefinida a real constituição e ocupação do local, que tem como maior atrativo a possibilidade da aquisição da casa própria. É nesse campo social atravessado por contradições de representações que a história social das pessoas que residem na área continental se produz.
As formas de organização social dessas comunidades são entrelaçadas pela religião, moral, família e educação. A formação dos bairros da região continental de São Vicente expressa esse sentimento de reciprocidade, porque seus moradores sentem-se acolhidos pelo local. Tudo se passa como se, ao atravessarem a ponte, encontrassem o aconchego, a segurança de estarem em seu ambiente e longe dos perigos da cidade.
A seguir, descrevemos os dez abairramentos que constam na prefeitura e os três que não constam. Nossa intenção é mostrar seus limites territoriais e a formação populacional. Algumas fotos revelam os locais característicos de cada bairro.
SAMARITÁ
O início do loteamento chamado de Distrito de Samaritá, conhecido pelos moradores como Vila Ferroviária, baseou-se no fato de ser uma região belíssima, intocada pelo homem e com paisagens e cachoeiras que encantariam qualquer família que quisesse contato com a natureza. Seus primeiros loteamentos foram a Vila Iolanda, a Vila Matias e a Vila Emma e apenas este último foi constituído como bairro perante a prefeitura. Os outros dois foram frutos de invasões e estão em estado de precariedade, com trechos ainda sem luz elétrica e esgoto.
Nessa época foi construída a Estação de Samaritá, que permanece inalterada até hoje. A ocupação da área se deu pela proximidade com a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, na divisa com Praia Grande.
Até 1980, apenas uma linha de ônibus fazia o trajeto Santos/Samaritá. A ideia inicial era que Samaritá seria uma área de reserva, com sítios e chácaras em meio à natureza, porém a dinâmica territorial dessa região, ligada aos aglomerados populacionais de São Vicente, levou à formação de bairros no local.
As principais atividades econômicas desenvolvidas na década de 1980 foram sempre de pequena expressão para a cidade; ficaram circunscritas à exploração de recursos naturais ou a pequenas atividades agrícolas. Ainda na década de trinta, a Estrada de Ferro iniciou estudos para encontrar um local adequado, próximo a São Vicente, para a instalação de uma estação de embarque.
Armindo Ramos, chefe da estação de trem da Sorocabana, em Santos, resolve comprar doze quilômetros quadrados de terras. Não foram encontrados registros ou documentos que comprovem o dono anterior das terras. Os documentos desapareceram e alguns moradores contam que foi a estrada de ferro que fez a negociação com o governo do estado de São Paulo. A intenção seria a de que Armindo Ramos doasse 18 mil metros para construção da estação, que beneficiaria inclusive a ele mesmo. O acordo foi realizado e a doação concretizada.
Outra versão dos moradores diz que Armindo Ramos ainda doou 800 metros quadrados para construção de uma escola e vendeu ou doou alguns lotes para o início da vila. Os moradores mais antigos relatam que as terras onde está o presídio foram vendidas por ele e também faziam parte do acordo.
Dez anos depois, o vilarejo contava com uma capelinha de madeira, uma venda, a Mussolini, e uma tapera junto ao rio, com plantação de café e banana. Somente em 1968 é que o centro do Bairro de Samaritá começou a contar com alguma infraestrutura: água encanada e energia elétrica.
Os estudos geomorfológicos realizados na época mostraram que aquela área era adequada para a extração de areia sílica, que poderia ser utilizada para fabricação de vidro e, se tratada, de cristal puro. Essa possibilidade, em nenhum momento contribuiu para o processo de urbanização. Aliás, os registros da Prefeitura Municipal revelam somente a extração de areia nas décadas de quarenta e cinqüenta. A mão-de-obra empregada era pouco significativa em termos econômicos para a cidade.
As outras atividades extrativas e agrícolas limitaram-se à extração de moluscos e crustáceos nos mangues e à plantação de banana em pequenos sítios. Segundo notícias do jornal A Tribuna (1970), o processo de ocupação da região, entre 1970 e 1980, aconteceu com a abertura dos loteamentos pelo mercado imobiliário, que se encontrava sem saída para grandes empreendimentos na ilha.
A área de Samaritá é parte da província geomorfológica costeira, formada por deposição flúvio-marinhas de origem recente. Extensa parte da área continental é constituída pela planície de Samaritá, de relevo levemente ondulado, com baixas declividades e cortada por rios meândricos.
O nome Samaritá vem do hebraico Sama, que significa desolação, abandono, aridez e deserto. Isso talvez se relacione com a demora no processo de povoamento do Distrito e justifica o fato de o lugar ter sido escolhido pela Rhodia Indústrias Químicas, em meados dos anos setenta, para deposição inadequada de resíduos químicos industriais.
HUMAITÁ
Situado a 13 Km de Cubatão, 23Km de Santos e 8Km da ilha de São Vicente, construído de frente a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, bem no trajeto que liga Cubatão à Praia Grande, o Conjunto Habitacional Humaitá foi entregue à população em 1983 e deu origem ao bairro. Segundo alguns moradores, lá já existiam casas, ruas demarcadas e um pequeno grupo de famílias, oriundas não se sabe de onde, de posse da terra.
Na década de setenta, o Conjunto Residencial Humaitá, da COHAB (Companhia Habitacional do Estado de São Paulo), dá o primeiro grande impulso de ocupação da região e se transforma no maior bairro e o mais populoso bairro da área continental.
Segundo relatos dos moradores e notícias publicadas no jornal A Tribuna, um dos motivos pelos quais esses bairros proliferaram foi à construção do Presídio Regional de São Vicente, situado na área pertencente ao bairro do Humaitá. Inaugurado em abril de 1977, era destinado a aliviar a sobrecarga carcerária da Baixada Santista e a transferir os detentos para longe dos centros urbanos. A edificação deste prédio demorou dois anos, ganhou fama e marcou o lugar pelo apelido de cenourão, devido à cor abóbora com que foi pintado. Em 2006, abriga infratores que praticaram crimes hediondos.
Houve uma forma de isolamento territorial, pois as famílias não encontravam outra solução para moradia e acabavam na região continental da cidade. Humaitá é hoje um dos maiores bairros da região e tem uma das melhores infraestruturas, com lojas, supermercados, açougues, padarias, locadoras, lanchonetes, duas escolas municipais e uma estadual, todas funcionando com capacidade máxima de alunos. O que falta no bairro são bancos, que só são encontrados no centro da ilha de São Vicente ou nas cidades próximas. Apesar disso o Humaitá se tornou um local violento, e os moradores antigos, com mais de trinta anos no bairro afirmam que isso passou a acontecer após a invasão da “favelinha”, nome dado a Vila Nova Mariana.
QUARENTENÁRIO
Essas grandes áreas estão sujeitas à influência das marés e abrigam grandes porções de manguezais, que ocupam 40% do local, porque o solo vem sendo aterrado desordenadamente para a construção de moradias.
O lençol freático encontra-se em pequena profundidade, geralmente inferior a um metro e, apenas em casos excepcionais, o nível da água está em profundidade superior a dois metros, o que facilita a contaminação das águas e, conseqüentemente, o aterramento.
O Quarentenário recebeu esse nome porque, durante as décadas de 50, 60 até 70, era uma fazenda de recepção e manutenção do gado proveniente do interior paulista que aguardava cerca de quarenta dias, a chamada quarentena. Caso não fosse constatado nada, o gado era liberado para o abate no Matadouro Municipal de São Vicente e enviado ao Porto de Santos para ser levado a outras cidades do Brasil e também para ser exportado. Nessa época, o meio de transporte naval era mais rápido e lucrativo.
Com o aparecimento de frigoríficos na cidade de Santos houve um desinteresse por aquelas terras; o Quarentenário perdeu rapidamente a visibilidade que possuía, deixou de existir em pouco tempo, suas terras ficaram sem uso, abandonadas e foram reocupadas por grupos que não conseguiam sobreviver na ilha.
A invasão das terras da antiga fazenda Quarentenário fez parecer que haviam encontrado uma solução para abrigar os migrantes. A dificuldade de moradia e emprego leva os migrantes a procurar as terras do Quarentenário para construir suas casas. O Quarentenário é apenas um exemplo de uma região deixada à mercê de uma ocupação em larga escala. Rapidamente as pessoas chegaram ao local e logo foram buscar parentes, compadres, amigos... Para lá, vieram pessoas de todo o Brasil. Ali elas se deparavam com uma acomodação residencial. As autoridades, por sua vez, não conseguiram retirar os moradores porque mais e mais pessoas chegavam a cada dia. De início, por imposição do suposto loteador, uma das exigências para a compra do lote eram a construção e fixação de moradia. Caso contrário, a pessoa seria expulsa, perderia o terreno e o barraco seria demolido ou vendido para outro. Os moradores afirmam que foi reservado um terreno para uma igreja, uma creche e uma praça. Acreditavam na possibilidade de terem uma infra-estrutura de cidade, com luz elétrica, água encanada, escolas, praças e comércio. A fé os movia a procura de melhor condições de vida para si e suas famílias. Os moradores do Quarentenário tinham em suas palavras o sentido do cultivo de seus valores por meio da religião.
Em 1990, os jornais locais publicam notícias de uma região pronta para a construção. Esse lugar seco, plano e próximo ao centro da cidade começa a atrair um elevado número de pessoas, principalmente nordestinos que ali ergueram casebres e instalaram suas famílias ou agregados.
Em 1995, com o término da construção da Ponte dos Barreiros, a ocupação cresceu desordenadamente, aliada ao déficit de moradias da ilha e às dificuldades econômicas da população, o que colaborou sensivelmente para essa explosão populacional. Em março de 2005, houve a tentativa de novas invasões com a queima de grande parte da vegetação nesse percurso, que foi contida pelos órgãos públicos municipais e estaduais.
Segundo dados da Prefeitura Municipal de São Vicente, o número de famílias já era bastante elevado em 1991 com 150 famílias e cresceu para 3145 em 2000. Oriundos dos mais diversos lugares do Brasil como Pernambuco, Rio de Janeiro, Alagoas, Paraíba e Bahia, os migrantes vão sendo absorvidos, apesar da precariedade nas condições de vida.
A falta de água, luz, transporte e condições de higiene deu ao novo conjunto populacional o maior índice de mortalidade da Baixada, com 115,80 mortes por cada 1000 crianças nascidas, conforme dados da Prefeitura Municipal, em 2005.
A implantação de um posto de saúde no Quarentenário terminou por atender os moradores da Vila Ponte Nova também. Ali acontecem palestras sobre aleitamento, alimentação e saúde, alcoolismo e fumo.
Houve a construção de creche e uma escola de educação infantil no bairro, essas melhorias ocorreram quando a Vila Ponte Nova brigava por separar-se do Quarentenário e buscava galgava ser um bairro isolado e administrado por mulheres, o que causava incomodo para algumas famílias.
Atualmente, o Quarentenário tem ruas disformes, é bastante sujo, não possui rede de esgoto, a iluminação elétrica é precária e o transporte alternativo é escasso em proporção ao número de habitantes.
VILA PONTE NOVA
Outro bairro que se formou graças à invasão populacional foi a Vila Ponte Nova. Separado do Quarentenário pelos trilhos da FEPASA (Ferrovia Paulista S.A.), o bairro tem características peculiares quanto aos habitantes. Desde o início, do povoamento do local, a escola centralizou a dinâmica coletiva e aproximou esses moradores dos valores educacionais da ilha.
A travessia da ilha para a Vila Ponte Nova se dá pela Ponte dos Barreiros, um braço de mar que abriga um mangue de águas salobras. A paisagem é privilegiada pelo verde da vegetação que pode ser observado dos dois lados da pista. Segue-se paralelo ao trilho do trem por uma extensa área de aproximadamente 10 km.
Em ambos os lados da pista estão os últimos manguezais preservados da Baixada. Após alguns minutos de carro, avistam-se as primeiras moradias na beira da pista, que nos aproxima da Vila Ponte Nova à esquerda e do Quarentenário à direita. Do lado esquerdo da pista, após duas quadras, fica a escola municipal Raul Rocha do Amaral e, ao fundo, uma praça.
Na Vila Ponte Nova, as casas foram construídas com blocos, poucas são revestidas de cimento ou pintadas. Muros muito baixos demarcam os lotes. Nessas casas, destaca-se o portão, geralmente feito com sobras de madeira, ferro e alumínio.
Antes da ponte, o deslocamento das pessoas para a ilha era feito pela ferrovia, e o trem não tinha parada nem no Quarentenário, nem na Vila Ponte Nova, mas apenas no Jardim Rio Branco, que fica a 3 Km. O tempo de viagem ao centro de São Vicente demorava em média uma hora, o que reduzia as chances de trabalho dos moradores, principalmente para as mulheres que buscavam emprego de domésticas. Tanto a distância como os gastos com transporte mantinham os moradores afastados da cidade e de todos os benefícios que ela pudesse oferecer. Encontravam-se ilhados, sem escola, emprego, saúde e lazer.
Atualmente 30% dos primeiros moradores já não se encontram mais no local. Venderam seus terrenos e se mudaram, e os relativamente novos buscam uma organização comunitária em prol do bem comum. Uma providência tomada pela população organizada por mulheres foi à construção de um poço coletivo, cavado na direção de um lençol freático, para a obtenção de água. Essa medida foi realizada em oito dos dez bairros.
Com disposição, os moradores começaram a solicitar a parada do trem no local, já que era a única via de acesso ao bairro. Só conseguem após oito anos. O ponto, uma base de cimento, aberta, maior que um ponto de ônibus, foi erguido pela própria população. Essa história é contada por moradores que ainda se encontram no lugar, como o Maguila, falecido em 2002, e Maria Silvina. Dizem que a população construiu com os próprios braços a parada do trem, pois a FEPASA cedeu somente o material, alegando não ter mão-de-obra.
Nos dias atuais, o TIM (Trem Intermunicipal) está desativado, ele fazia a ligação da área continental com Santos e São Vicente-ilha. O trajeto demora 40 minutos para ir até Praia Grande, Itanhaém, Mongaguá e Peruíbe.
Os moradores precisaram solicitar energia elétrica à Eletropaulo, pavimentação da pista ao governo do estado de São Paulo e o término da construção da ponte sobre o Canal dos Barreiros para a prefeitura de São Vicente. Sua mobilização e as lutas sociais empreendidas possibilitaram-lhes um transporte rápida para outras localidades.
Apesar de o progresso chegar, houveram muitas lutas sociais como dizem os moradores mais antigos, porque, mesmo com a construção da ponte e a pavimentação da via, não existia iluminação nessa pista até 2000. A lua e as estrelas eram as únicas companhias até a Vila Margarida, primeiro bairro da ilha depois de atravessar a ponte.
Foram instituídos serviços como transporte, água encanada, ruas demarcadas e iluminação elétrica nas casas e ruas. Formaram-se uma rádio comunitária, algumas escolas de ensino fundamental e apenas duas de ensino médio nessa região. Existe ainda a Vila Ponte Nova Instituição Profissionalizante (VIP), uma escola mantida por uma religiosa, a Irmã Dolores, e a ONG Manos Unidos. Situada na Vila Ponte Nova, profissionaliza adolescentes maiores de 14 anos e é dirigida pela própria freira que a fundou e que diz: “A luta pela construção desta escola foi menos árdua que a Raul Rocha do Amaral”.
A Vila Ponte Nova Instituição Profissionalizante (VIP) concretizou-se por ter sido a Vila Ponte Nova alvo dos olhares e preocupações de entidades católicas. Ali a Irmã Dolores exerce de forma política e social seus ideais de fé.
O trabalho comunitário desenvolvido pela Irmã Dolores proporcionou o contato com a Organização Não Governamental (ONG) Manos Unidos, de origem espanhola, que subsidiou os recursos para construção da VIP. Feita em madeira própria e tratada para suportar o salitre local, tem salas de computadores, de datilografia, de corte e costura, de pintura em tecido, de elétrica, de inglês, espanhol, assistente administrativo, todas elas equipadas pelo SENAI. Os membros da ONG quiseram criar cursos que fossem de curta duração.
A escola abriga um ponto de orgulho para a Irmã Dolores: uma pequena padaria. Ela fornece pão para as escolas e creches da região, que funcionam em regime de parceria com a Prefeitura e, ao mesmo tempo, ensina o ofício da panificação aos meninos maiores de 14 anos. Possibilita, também, ligação da coletividade local com os projetos ali desenvolvidos.
As formações das comunidades dessa região tiveram dois propósitos para seus moradores. O primeiro foi à busca por moradia própria, depois pelo emprego. Hoje em 2007 todas as casas já sofreram reformas.
PARQUE CONTINENTAL
Não há registro de quando o Parque Continental começou a ser habitado. O loteamento foi iniciado pelo processo de nº 16295/82 e constituído como bairro em 19 de novembro de 1998. Portanto, não tem dez anos segundo dados da prefeitura e, por isso mesmo, não têm expressividade na região.
Por se tratar de um bairro residencial, seus lotes eram pequenos e o custo inferior aos do Humaitá, um dos bairros próximos. As ruas não são asfaltadas e não há registro oral de moradores antigos; ainda hoje, encontramos uma vasta extensão de terras com grandes arbustos, o que dificulta o trânsito no local. As casas são simples e os moradores pouco amigáveis, mas, como a grande maioria é da mesma família, são solidários entre eles. Pouco conseguimos descobrir a respeito dos habitantes desse novo bairro. Possuem transporte alternativo, que os leva para São Vicente-ilha.
JARDIM RIO BRANCO
O Rio Branco, nome do rio que originou o bairro, é praticamente um rio de planície e recebe contribuição dos cursos de água da encosta da Serra do Mar, formando lagamares de água salobra devido ao movimento das marés. Em sua encosta, Rio Branco guarda um trecho conhecido como Jardim Rio Negro, que é fruto de invasões e não é reconhecido como outro bairro pela prefeitura; os moradores separam nitidamente os dois bairros, segundo a fala dos habitantes locais.
O abairramento deste loteamento foi bastante conturbado e continua sendo por ter se dividido, pelos próprios moradores, em Jardim Rio Branco e Jardim Rio Negro, cujas demarcações não têm exatidão.
O Jardim Rio Branco tem sua história datada de 1979. Nesse bairro foi inaugurado, em dezembro de 2005, o primeiro supermercado da região. Os habitantes da área continental estão unidos pela territorialidade e pela intensidade das relações humanas desenvolvidas nas comunidades. É como se houvesse ali um dentro e um fora. O FORA indicaria tempestades, furacões, ventos congelantes, emboscadas e perigos por toda parte. O DENTRO indicaria aconchego, cordialidade, lar, segurança, proteção. Como foi visto no capítulo anterior, São Vicente foi considerada uma cidade dormitório por várias décadas e, hoje, os habitantes da área continental carregam esse estereótipo que também os desclassifica como se a cidade os marcasse como não-cidadãos.
VILA EMA
Segundo a história contada pelos moradores, ela existe desde a década de cinqüenta, em 1952, mas esses dados diferem dos já citados anteriormente porque fazem menção aos relatos dos moradores locais e não aos declarados pelos órgãos oficiais. De acordo com a Prefeitura Municipal de São Vicente, Vitório Viquetti loteou sua fazenda e, em homenagem a sua esposa falecida, nomeou o local de Vila Emma. Não há dados sobre como Vitório Viquetti se tornou proprietário das terras. A Vila Emma é um dos menores bairros dessa região. É um bairro de pequenos lotes com casas e, mais recentemente, com conjuntos, da COHAB, de prédios de até quatro andares, com apartamentos de dois quartos, garagem, playground, portaria e interfone. Os moradores dos predinhos, como são conhecidos, e das poucas casas se orgulham do bairro por ser pequeno e aconchegante, apesar de longe do centro da cidade. Dependem do transporte alternativo e cuidam da região e das pessoas que lá residem com muita união, conforme relatam vários deles.
VILA NOVA SÃO VICENTE
“O bairro Vila Nova São Vicente é um dos mais recentes e pertencia à Samaritá; porém a área foi loteada em 1984 através do processo de número 3513 que consta da Prefeitura e da Câmara Municipal de São Vicente pela Samaritá Empreendimentos Imobiliários. O bairro fica próximo do Samaritá e mais parece um desmembramento dele. Há uma indefinição sobre quando começou e sobre seu nome. É pequeno em relação aos outros bairros. Suas ruas são largas e de areia branca. As casas parecem fazer parte de um mesmo edifício, são iguais na construção e no tamanho dos terrenos; poucos são os casebres de madeira.
PARQUE DAS BANDEIRAS (Gleba I e Gleba II)
Este bairro foi loteado por Eduardo Celso Santos, em 1969, por meio do processo de nº 509, que consta da Câmara Municipal de São Vicente. Nasceu da necessidade de manter os trabalhadores e suas famílias residindo próximos à Refinaria Presidente Bernardes, que funcionava em expansão nessa época.
O Parque das Bandeiras, Gleba I, foi estruturado e entregue com ruas asfaltadas e os terrenos continham metragem quadrada equivalente, depois tendo sua segunda etapa também pavimentada e conhecida como Gleba II. Este loteamento, Gleba I se estruturou e, atualmente, é reconhecido pelos moradores como um dos mais avançados em termos de infra-estrutura. Fica do lado esquerdo da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega para quem vem da ilha para o continente. Entre 1975 e 1980, foi aprovado o loteamento do Parque das Bandeiras Gleba II, localizado do outro lado da mesma rodovia, já na encosta da Serra do Mar, por isso até hoje somente as ruas principais são asfaltadas. As travessas são de areia branca, suas casas e terrenos são grandes em comparação com outros bairros. Na Gleba II, temos a sensação de estar no interior, nos quintais das casas há árvores frutíferas e, nas ruas, cavalos, dando a impressão de sítios. Neste bairro o desenvolvimento corresponde à busca pelos bens e serviços como: segurança, emprego, lazer e moradia e são transformados e renovados no próprio bairro perante seu crescimento em termos de comércio, alimentação e lazer, espaço e mão -de -obra.
VILA NOVA MARIANA
Este bairro é constituído em cima do Rio Mariana, o que causa grandes degradações ambientais e no abastecimento de água para a população. Nada consta sobre seu loteamento ou história, sabemos apenas que, em julho de 2003, foi assinado o abairramento solicitado pela Lei Complementar nº 216, de 23 de agosto de 2002; e sem motivo aparente. A Vila Nova Mariana, que se localiza após o Humaitá, é conhecida como Favelinha, pois abriga pessoas em extrema pobreza, vivendo sem a menor noção de higiene. Têm dificuldade de relacionamento com a população de outros bairros, mesmo os mais próximos, como Humaitá. Não permitem que qualquer pessoa circule nas ruas estreitas do local, ficando sujeitas à morte caso não sejam bem vindas. A estrutura social que ali se instituiu busca apenas moradia e escola para os filhos. O bairro Vila Nova Mariana, aprovado pela Câmara em 2006, é o último local em que foi realizado o abairramento pela Prefeitura Municipal de São Vicente. Embora sem rede de esgoto e saneamento básico, ali as casas vão se amontoando e se subdividindo para abrigar os novos relacionamentos que se criam entre os habitantes. A cultura de serem hostis na primeira conversa, existe no bairro e é vista em outros bairros também formados por invasões é fruto do medo de serem retirados do local. Afinal, eles sabem que estão em uma área de preservação ambiental.
Não existe posto médico no bairro, mas o do Humaitá foi ampliado para servir os moradores. As autoridades públicas não podem ir até o bairro, porque são ameaçados com palavras e até com armas de fogo. Nenhum membro do Poder Público soube explicar porque esse local foi constituído como bairro, já que se localiza em cima de um rio; quando questionados afirmam que a regularização lhes foi solicitada. A constituição da identidade social os coloca como representantes de um processo de desvalorização. Essas pessoas evidenciam a construção de uma nova comunidade formada por um lado de uma identidade que se assemelha àquela dos locais de onde se originaram, e por outro procura adequar-se à nova situação em que vivem. São inúmeros os mecanismos de sobrevivência desenvolvidos por esses habitantes e, por isso, eles devem ser citados todas as vezes que se fala em área continental da cidade de São Vicente. Lá a mortalidade de crianças e mulheres é muito alta, mas sem registro por parte dos órgãos públicos; as doenças (hepatite, dengue, entre outras) são tratadas com benzimentos e chá, o que ocasiona óbitos. O abairramento da Vila Nova Mariana não deve ser visto como natural, a responsabilidade sobre a situação que se instalou no local é de todos.
COMUNIDADES SEM ABAIRRAMENTO
Jardim Rio Negro
Esta comunidade fica às margens do Rio Branco, com suas casas situadas nas baixas do rio, portanto, nas áreas de mangues. A população não tem a posse da terra porque é uma área de invasão. Seus moradores não compraram os terrenos e moram em áreas impróprias, sem perceber ou entender degradam o meio ambiente. As áreas de manguezais constituídos de água salobra são raras na região da baixada santista.
O Jardim Rio Negro é o mais populoso dos bairros invadidos e com a pior adequação territorial das famílias: a maioria das casas, cerca de 90%, é de madeira, compensado, zinco e madeirite. A precariedade é grande, porque as pessoas ficam distante do transporte, das mercearias, quitandas ou mercados e também longe das escolas. Segundo dados fornecidos pela prefeitura, (censo escolar 2007), cada casa possui pelo menos cinco crianças, das quais quatro nasceram em casa, sem nenhum cuidado hospitalar.
O índice de mortalidade infantil é alto. As mulheres menores de dezoito anos já passaram pela maternidade e não possuem o ensino fundamental completo. As crianças em idade escolar faltam muito às aulas e cerca de 70% estudam na escola municipal José Meireles, localizada no bairro Quarentenário ou, como eles dizem, no areião.
Os moradores são hostis e de poucas palavras. Encontramos alguns bares, chamados por eles de botecos, em que os homens não permitem a entrada de mulheres. Algumas vezes, em conversas e bate-papos nas residências, fomos surpreendidos por outros moradores avisando para não sairmos na rua e que ninguém tentasse sair do bairro naquele momento. O bairro é um dos mais violentos. Ali são disparados tiros para conter brigas entre vizinhos ou entre familiares, algumas vezes pela posse de mulheres e seus filhos, outras por simples discussões.
Vila Iolanda
Outra comunidade que não consta dos abairramentos da prefeitura é Vila Iolanda. Também fruto da invasão, fica próximo à linha férrea, do lado oposto a Vila Ema e é composto de pequenos sítios.
Neste bairro os moradores pouco se conhecem ou se comunicam, escolhem seus pedaços de terra e vão construindo aleatoriamente; a grande maioria trabalha na ilha e apenas vem para casa à noite e, em muitas casas, as crianças ficam sozinhas durante o dia. Os irmãos mais velhos, com cerca de dez a doze anos, cuidam dos mais novos.
Seus moradores são rudimentares e obtiveram a posse da terra por estarem no local há mais de dez anos. Em todos os sítios visitados haviam pessoas idosas morando sozinhas, casais e conhecidos que acabaram tendo uma vida conjugal.
Vila Matias
A Vila Matias deveria ser um loteamento após Samaritá; os moradores demarcaram o local por conta própria e aguardam até hoje a regularização oficial. Dividido da Vila Iolanda pela linha férrea, o espaço territorial desses dois bairros é pequeno, mas com terras para a construção de novas casas. A prefeitura tem uma escola com o endereço de Vila Matias, mas, na Câmara Municipal não consta o abairramento.
O local é indefinido e não há concordância sobre onde inicia e onde termina. Os moradores são idosos e muitos afirmam estar ali há cinqüenta anos. Na entrada do bairro antes de atravessar a linha férrea, há um bar freqüentado por homens e que marca o início do suposto bairro.
JAIRO E MAGUILA E A ORIGEM DOS BAIRROS CONTINENTAIS
Segundo dados da Câmara Municipal de São Vicente, foram os loteamentos que os formaram, porém isso não coincide com a declaração de moradores, como a do Jairo, que diz ter ido para Samaritá ainda bebê, em 1925, e, portanto conhece aquele local:
“Aqui eu conheço todo mundo e ainda cada cantinho de terra, praticamente nasci aqui; muita gente me deve favor e mora aqui porque eu e minha família ajudamos e enquanto eu viver ajudo todo mundo que puder”.
Falecido em 2006, Jairo trabalhou na subprefeitura e, no dia em que conversamos, O assunto girava em torno dos impostos e dos possíveis benefícios que eles geram (escolas, postos de saúde, entre outros). Jairo acreditava nesses benefícios e lutava por eles. Ele se encontrava com a saúde abalada pela bronquite asmática, além de problemas cardíacos.
Do diário de campo, retiramos a seguinte frase sobre a posse da terra do Maguila, ex-morador do Quarentenário, assassinado em 2000, quando dormia em sua casa durante a noite: “Essa terra, ninguém me deu não, eu tomei no braço. É nela que criei meus filhos e cuidei da patroa, nenhum filho da puta vai cobrar por ela.”
O Maguila, como era conhecido, foi para a região do Quarentenário em meados dos anos 60 e passou a se intitular dono das terras: vendia ou trocava alguns metros quadrados com famílias do seu interesse. Por ser um homem bastante rude, tinha sempre consigo uma arma ou punhal e alguns guarda-costas. Cultivou mais inimigos do que amigos e, durante muitos anos, tentou impedir a construção da Escola Raul Rocha do Amaral, contam alguns moradores.
Para esses moradores, Maguila era um homem muito bom desde que fossem seguidas suas ordens. Outros revelam que, ele era o dono do tráfico na região. O fato real é que foi assassinado, não houve investigação nem muito alarme sobre o ocorrido e até hoje Márcia, sua esposa, não pode voltar à região. Mudou-se para um pequeno apartamento no centro de São Vicente e passou a trabalhar no Departamento de Merenda Escolar.
No lugar da Escola Raul Rocha do Amaral, o Maguila queria construir um posto de gasolina e, por várias vezes, retirou dali o material de construção. Houve um embate corporal e, depois, os moradores de um lado da linha férrea não passavam para o outro lado; separou-se, assim, a Vila Ponte Nova e o Quarentenário. Os administradores desses dois bairros não conversavam e, nas reuniões coletivas na prefeitura, ficavam sempre em lados opostos até a morte do Maguila.
Contam alguns moradores que filhos do Maguila residem no local e tentam continuar o trabalho do pai. Existem ainda os filhos fora do casamento que travam uma briga no bairro por direitos sobre as terras do pai.
(...) A Vila Ponte Nova e o Quarentenário são separados apenas pela linha férrea. O povoamento do Quarentenário foi marcado por conflitos corporais e resultou na morte do seu líder, o Maguila. Cacilda fala dele e lembra:
"Quando chegamos aqui, eu e meus filhos, eu nunca tive marido, não, o Maguila foi logo avisando que os meninos tinham que ajudar e não eram para arrumar serviço na cidade. Um dos meus filhos ficou bem porque ouviu suas ordens, ele trabalha para o Maguila na Regional e conhece cada buraco desse lugar e ganha muito bem".
Cacilda não tem clareza sobre o que seu filho faz, mas sabe que tem de obedecer ao Maguila, o que acredita ser melhor do que procurar emprego por aí.
Apesar do Quarentenário ser maior em área e em números de habitantes, só conseguiu uma escola de educação infantil em meados de 2000. Já a Vila Ponte Nova é marcada pelo progresso e pela consciência de seus moradores, traduzidos na instalação de um poço artesiano de água, hoje a caixa dágua do bairro, luz elétrica e uma escola para os filhos dos moradores.
Outros dois bairros próximos, mas que se constituíram de forma totalmente oposta foram o Humaitá e a Vila Nova Mariana. O Humaitá foi loteado e seus terrenos vendidos. Houve a construção de prédios e as suas ruas foram asfaltadas. A Vila Nova Mariana, ao contrário, é fruto de invasão e não possui infra-estrutura.
(...) O preço dos terrenos e sua revenda como casas construídas mostram uma evolução perante o mercado imobiliário local. Esse fato gerou uma mudança comportamental para acolher mais e mais pessoas.
Segundo a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano de São Vicente (SEPLAN/SV 2004), a área continental pertencia à Estrada de Ferro Santos-Jundiai, à família Requeijo e ao próprio Estado de São Paulo, que eram possuidores de grandes glebas de terras e fazendas. Alguns bairros foram loteados e a maioria, cerca de oito deles, contando com as conhecidas invasões, foram adquiridos de uma só pessoa que se intitulava proprietário. O lado esquerdo das terras, que recentemente tentaram invadir logo após a Ponte dos Barreiros, pertence à Imobiliária Cidade Náutica de São Vicente, que instalou ali uma família para tomar conta do local.
Apesar de longos períodos de observações e conversas, não conseguimos descobrir quantos são os moradores dessa casa. Somente Antonio conversou conosco e afirmou que todos ali são adultos. Ele tinha sempre um facão na cintura e uma arma, que parecia um rifle, desses antigos. Não dizia para quem trabalhava, mas afirma:
“Ganho bem e faço meu serviço direitinho; tentou entrar aqui primeiro eu atiro, depois pergunto!”
Antonio não saia de casa há muitos anos. Somente saia para fazer sua ronda nas terras, pois é de sua responsabilidade inibir a ocupação.
A pretensão de invadir essa área próxima à rodovia deve-se ao acesso rápido ao centro da cidade, mas a prefeitura e os policiais militares florestais impediram, porque ali se localiza uma reserva de mangue, com uma biodiversidade específica do local, que precisa ser preservada.
Após várias tentativas de invasão, o bloco populacional deslocou-se para a região oposta, situada atrás do bairro do Humaitá, já na encosta da Serra do Mar e próxima ao Rio Mariana, onde se formou a Vila Nova Mariana.
Antonia Maria, moradora do Humaitá, conta que seu filho é dono de uma locadora no bairro e queria invadir um lote nessas terras e ela lhe falou:
“Você não precisa, para que quer fazer isso, se invadir vou te dar um pau e todo mundo vai saber da sua safadeza, onde se viu invadir terras que não são suas, ainda mais sem precisão, é um descalabro. Não criei filho meu para ser sem vergonha!”
Ela não se conformava com o procedimento do filho, que é casado e tem cinco filhos em idade escolar. Antonia Maria é diarista em um escritório no centro de Santos. Para ela, conceitos de moral e respeito são levados, nos moldes nordestinos, em que os filhos obedecem aos pai.
Na análise sobre o povoamento de São Vicente-continente, sobressai a afetividade demonstrada pelos habitantes das áreas invadidas, que se unem com a intenção de solucionar os problemas da coletividade. Com isso, percebemos que o processo de adaptação dessas pessoas aos conceitos sociais modernos como trabalho, educação, saúde, religião e respeito ao bem comum. Nas famílias, encontramos pessoas que são chamadas de tios e tias, pais e mães, primos e primas, mas que, de forma alguma, fazem parte da mesma família na relação de sangue e parentesco. Os habitantes da área continental formam dois grupos. O primeiro é constituído pelos que compraram suas casas e terrenos e pagam seus impostos e taxas de água e luz. O segundo é oriundo de invasão e seus moradores não pagam impostos e vivem sem condições de higiene.
Antonia Maria comprou seu terreno e conta que ela e o marido, quando estava vivo, construíram a casa que hoje abriga todos os três filhos casados, um rapaz e duas moças, com suas famílias e dois solteiros. No terreno, foram sendo construídas casinhas para abrigar toda a família.
As pessoas que invadem terras na região vivem em condições subumanas de higiene e saúde, com morte e vida caminhando lado a lado, não possuem emprego e se mantêm de doações de alimentos e roupas. A luz é puxada de um poste da rua ou não existe, na maioria das casas, a água é de poço ou de um cano da rua e só chega a um local da casa.
Orlando, faxineiro de um edifício na Praia do Itararé, início da Ilha Porchat, não sabe ler e escrever direito e é morador da Vila Mariana, na época sem abairramento, portanto invadiu as terras e conta:
"Eu vim para cá por intermédio de um compadre que me arrumou emprego, porque eu já estava desempregado há cinco anos em Pernambuco. Fiquei na casa dele, isso em 1997. Perto da casa dele, tinha um pedaço de terra, mas precisava roçar. Depois de pronto, ergui um barraco e só o quarto era de bloco, o restante era de madeira, foi quando mandei vir a patroa e a criançada, seis filhos pequenos. Nessa época, era 2000, e fazia todo esse tempo que não sabia da família. Hoje os dois mais velhos já trabalham e fizeram até o primeiro grau (nono ano de escolaridade hoje, antiga oitava série). As meninas não estudaram não, lugar de mulher é na lida da casa, ajudando a mãe; aqui a vida é difícil, mas é bem melhor que lá".
As ações desses grupos invasores mostram uma sociedade paralela; um exemplo disso são os habitantes dos bairros Jardim Rio Negro, Vila Matias, Vila Iolanda, áreas invadidas e com características de isolamento.
A invasão está relacionada a diferentes causas, tais como: noventa por cento da população não tem escolaridade, mal sabem ler e escrever, os mais velhos apenas sabem assinar o nome, são os chamados analfabetos funcionais, não possuem documentos como carteira de identidade, de trabalho, PIS e SUS. Como a maioria está desempregada sem carteira de trabalho assinada, como eles dizem, o sustento da casa é feito pelas mulheres, a partir de empregos de menor importância como limpeza de lojas, escritórios, casas e sem carteira assinada ou qualquer outro benefício.
A ilha de São Vicente possui 18 km² de terras, que foram facilmente povoadas, ficando a população de baixa renda e os migrantes sem alternativas de moradia; alguns bairros se tornaram periféricos devido à instalação de palafitas nos mangues e braços de mar, que cercavam a pequena cidade. Alguns habitantes considerados de classe média foram obrigados a investir em casas, terrenos, lotes e conjuntos habitacionais da área continental, uma vez que na ilha residem pessoas de uma situação relativamente abastada (turistas, proprietários de supermercados e lojas, construtores, médicos, políticos, professores, etc.) ou os muitíssimo pobres, como é o caso da Favela México 70, Catarina de Moraes, bairros dos mais pobres da ilha.
Diante da situação da coletividade de São Vicente-continente, podemos verificar sua representação social, ou seja, são dois grupos distintos pela forma de aquisição da moradia. As melhorias que o estado oferece provocam sentimentos de revolta nos habitantes das regiões menos assistidas.
No bairro Samaritá encontramos os moradores mais velhos da área continental. São pessoas acima de sessenta e cinco anos. Suas atitudes, expressas ora por intolerância, ora por conformidade, mostram que a posse da terra é valiosa para eles. Os laços de amizade e de reconhecimento variam entre dois extremos: da passividade extrema à agressividade extrema. Cândida é moradora de Samaritá há muitos anos e não lembra quando foi para lá, confunde-se nas datas, mas fez alguns relatos, entre eles:
“Eu vim aqui com Mainha e Paizinho mais meus irmãos e irmãs, éramos cinco na época e minha mãe teve mais cinco por aqui. Hoje eles moram por ai em outras cidades do interior de São Paulo e dois já morreram, só vejo uma irmã mais nova, que eu cuidei e que mora em Juquiá. Eu casei e fiquei por aqui mesmo, também perdi dois filhos, que nasceram com problemas e, naquela época, não ia para hospital não, também até hoje o hospital fica muito longe, às vezes as crianças nascem em casa. Tenho seis filhos, treze netos e um bisneto, quase dois, vai nascer em novembro. A vida me deu de tudo, não quero essas modernidades, mas uma televisão para ver as novelas é bastante, também não enxergo direito, mas dá para cuidar da casa, fazer comida e lavar roupa. O velho me ajuda de vez em quando e nos dois passamos o dia por aqui entre cuidar da casa e do quintal"
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O marido de Cândida trabalhou na Estrada de Ferro Santos-Jundiaí e compraram o terreno e construíram a casa, onde moram até hoje, com um quintal de terra com árvores e muitas flores, segundo ele, sua mulher gosta. Na casa, não há eletrodomésticos algum, somente televisão e rádio.
As idas à área continental são feitas por lotação, ou transporte alternativo como alguns chamam, trata-se de uma Van registrada pela prefeitura que leva os moradores dessa área para outros bairros e também para o centro da cidade e praias. O depoimento da Marcelina mostra a separação entre a forma de vida dessas pessoas e as da ilha de São Vicente:
"Hoje nós vamos para São Vicente, para ir ao banco”.
Marcelina já possui idade avançada e seu maior lazer é ir até a ilha de São Vicente passear no comércio, é como se estivesse visitando uma outra cidade. Aqui, vemos a representação social que eles fazem do outro lado da cidade, é como se a área continental não fizesse parte de São Vicente. Na fala dos moradores, vivencia-se a exclusão; quando falam de seu bairro, parecem se referir à roça, lembrando o lugar de onde migraram e não como integrantes da cidade de São Vicente.
(...) Excluídos do modelo de povoamento realizado em São Vicente-ilha, os novos moradores muitas vezes são considerados intrusos, como se a cidade não lhes abrisse espaço embora se valesse da sua força de trabalho quando necessário. Recrutam os desempregados para pequenos afazeres como lavador de carros, manobristas, pedreiros e carpinteiros para a construção civil, empregos temporários e com mão-de-obra barata.
(...) As famílias que residem no Parque das Bandeiras seriam a elite dessa região. Lá as ruas possuem nomes e não números existe um posto de saúde e na entrada do bairro e, na marginal da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, há um posto de gasolina. Os laços de afetividade e de matrimônio se processam de maneira mais sólida e duradoura. O comércio é desenvolvido em relação aos outros bairros, com sorveterias, padarias, minimercados, lojas de um e noventa e nove, farmácia e lojas de material de limpeza.
Os moradores mais antigos eram funcionários da Refinaria Presidente Bernardes e compraram seus terrenos e casas, pagam impostos para a prefeitura, portanto, têm a escritura dos seus lotes e casas. As residências possuem dois quartos, sala cozinha e banheiro, alguns sobrados são isolados e outros têm um comércio na parte de baixo; no quintal das casas é comum haver árvores, como goiabeiras, pitangueiras e chapéu de sol.
O bairro não possui nenhum conjunto de prédios e as casas são isoladas ou geminadas de um só lado. Afirmam os moradores desse bairro que ali reina a paz e a felicidade, não há assaltos, as ruas são limpas e cuidadas pelos moradores, as escolas são boas e os professores não faltam.
ADAPTADO DA TESE DE DOUTORADO EM CIÊNCIAS SOCIAIS PELA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO- PUC-SP. “Tempo, memória e oralidade: uma análise da população residente na área continental de São Vicente (litoral sul de São Paulo)”. São Paulo, 2008
A HISTÓRIA DA ÁREA CONTINENTAL
NA VISÃO DA IMPRENSA
(JORNAL CIDADE DE SANTOS)
A HISTÓRIA DA ÁREA CONTINENTAL
NA VISÃO DA IMPRENSA
(A TRIBUNA)
Nota de A Tribuna sobre obras do Ministério da Agricultura 03 de dezembro de 1967
Notícia da posse da diretoria da Sociedade de Melhoramentos da Ponte Nova em 29 de agosto de 1992
Antônio Fernandes dos Reis e representantes dos moradores da Ponte Nova. 27 de setembro de 1992.
Notícias sobre os problemas de infraestrutura e equipamentos sociais na área continental. 27 de setembro de 1992.
Notícia sobre as invasões no Distrito Samaritá. 20 de julho de 1993.
Notícia alerta para risco de convulsão social no Quarentenário. 20 de julho de 1993
Tensão e medo se alastras no Quarentenário. 22 de março de 1993.
Alunos da FACOS vistam Quarentenário-Ponte Nova. 22 de agosto de 1993.
Denúncias e pressões sobre vendas irregular de lotes no Quarentenári0-Ponte Nova. 19 de maio de 1995.
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O QUARENTENÁRIO E VILA PONTE NOVA
HELDER DOS SANTOS DE OLIVEIRA
Os vereadores da Câmara Municipal de São Vicente aprovaram na íntegra o Projeto de Ocupação e Uso do Solo do distrito de Samaritá no dia 12 de dezembro 1985. O projeto foi elaborado pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional - CDH. O estudo da CDH é uma das exigências do Secretário de Planejamento do Estado, José Serra, para a construção da ponte sobre o canal dos Barreiros. Prevê um processo de ocupação para o distrito totalmente disciplinado, como nunca ocorreu na Baixada Santista. Todas as áreas de mangue, as encostas da Serra do Mar e os cursos d’água, não podem mais, serem tocados ou destruídos. Os loteamentos a serem implantados na zona urbana proporcionarão a criação de núcleos com alto padrão de preservação ambiental e infra-estrutura aos habitantes (A TRIBUNA, 1985).
Apesar da aprovação do Projeto de Ocupação e Uso do Solo, a ocupação concreta da Planície de Samaritá, assim como do bairro Quarentenário e da Vila Ponte Nova, se deu de maneira problemática. “Entre esses problemas estão a falta de infra-estrutura para acolher a população, que aumentou rapidamente devido a ligação à área insular pela ponte dos Barreiros, e a poluição química, que contribuiu para a degradação da área” (O antigo Quarentenário, era o local onde, na década de cinqüenta, o gado ficava de quarentena aguardando o abate. “Nesta mesma época foram criadas redes de frigoríficos no interior do Estado de São Paulo, provocando o abandono da área. Ao mesmo tempo, a expansão do Pólo Petroquímico e Siderúrgico de Cubatão, com a implantação de indústrias de fertilizantes e agrotóxicos, gerou uma grande quantidade de lixo químico que precisava ser depositado em algum lugar. E uma das “soluções” encontradas foi depositar na área onde hoje se localiza o bairro Quarentenário. A região anteriormente rica e preservada teve uma rápida deteorização” Esse crime ambiental, cometido pela multinacional francesa Rhounê-Poulenc, através de sua subsidiária no Brasil, Rhodia S/A, levou a contaminação do solo, dos rios, do lençol freático, da fauna, flora e de toda uma cadeia alimentar, comprometendo a utilização dos recursos naturais da região.
O prefeito Sebastião Ribeiro da Silva interdita a área através do decreto 3.460 de 14 de novembro de 1985. No entanto, o decreto é desrespeitado e dezenas de moradias são construídas na área, sem o menor critério. Seu sucessor, o prefeito Antonio dos Reis, baixa um decreto declarando estado de calamidade pública no trecho situado entre o Jardim Rio Branco e o Quarentenário. O decreto proíbe a construção de novas casas nas imediações dos depósitos de lixo químico industrial da Rhodia (A TRIBUNA, 1990).
Em 20 de setembro de 1989, o jornal A Tribuna denuncia a ocupação por dezenas de famílias em ritmo acelerado das áreas próximas à cava do Quarentenário. Sendo os lotes comercializados pela família Jafet (A TRIBUNA, 1989).
A área foi ocupada no final da década de 80 devido ao grande déficit habitacional popular na região. Segundo (TEIXEIRA, 1991), “o déficit habitacional do município era estimado em 35 mil unidades”.
Na década de oitenta havia apenas algumas chácaras na região, se intensificando a ocupação a partir da década de noventa, com o término da obra da Ponte dos Barreiros, facilitando o acesso a região. “Quando as primeiras investigações foram feitas, em 1988, havia poucas casas, uma das quais era habitada por uma senhora há mais de dezessete anos”
“A principal área de favelamento na área continental de São Vicente, que apresenta maior adensamento populacional e mais rápido índice de crescimento é a Vila Ponte Nova, que ocupa a área do Quarentenário”
“A população é formada, em sua grande maioria, por migrantes de zonas rurais que, por falta de uma política agrária, procuram os grandes centros urbanos. Como esses centros urbanos não conseguem absorver esse contingente humano, as periferias tornaram-se a única opção de moradia”. Grande parte são migrantes nordestinos ou descendentes, que vieram para a região atraídos pela expectativa de emprego no Pólo Petroquímico e Siderúrgico de Cubatão.
Os moradores organizaram um movimento de ocupação, liderado por Antonio Carlos Silva, o “China”, e José Alves de Barros, o “Maguila”. No início, as terras eram distribuídas gratuitamente, mas logo começaram as cobranças de taxas de melhorias. “Em uma casa branca, que ficava onde hoje é a escola, eram feitas reuniões com pessoas interessadas em terrenos na região. O terreno foi demarcado pelo próprio (China), que media como seriam as ruas e suas quadras, chegando a demarcar até a área da igreja. No local onde hoje é a igreja, havia um poço.”
Segundo Márcio Santos de Moura, que mora no bairro desde 1993, os moradores trocavam sacos de cimento por lotes junto à Sociedade Melhoramentos de Bairro. O morador revela também que as ruas foram abertas pelos próprios moradores, utilizando instrumentos rudimentares como pás, enxadas e carrinhos de mão, modificando o relevo e a vegetação, através da utilização de aterro retirado de dunas existentes no local, aterrando áreas de mangue e restinga. As ruas receberam nomes de cidades de onde os primeiros moradores vieram. Restos de materiais utilizados na construção civil como pedras, blocos, tijolos e telhas são ainda hoje utilizados para aterrar ruas.
Márcia Aparecida dos Santos, moradora no Quarentenário desde 1989, diz que a única condução no início da ocupação era o TIM, (Trem IntraMetropolitano), sendo a estação mais próxima a do Jardim Rio Branco, à aproximadamente dois quilômetros de distância. Os moradores freqüentemente puxavam o freio de emergência do trem e pulavam. Havia também apedrejamentos de vagões, onde muitas pessoas se machucavam.
Houve inclusive a morte de uma usuária que morreu em pé sufocada pelo excesso de lotação do trem. A estação do Quarentenário só foi construída depois com dinheiro dos próprios moradores, através de doações de materiais e com mão de obra local. Hoje esse sistema de transporte foi extinto.
Para o abastecimento de água, a população contou, até 1994, apenas com o poço do Jacob. Depois a Sabesp instalou duas caixas d’água, uma perto da igreja, no atual bairro do Quarentenário e outra na rua Rio de Janeiro, na Vila Ponte Nova, que eram abastecidas duas vezes ao dia por um caminhão pipa, havendo dias em que o abastecimento não era feito. “Somente em 1997, o Governo do Estado, após muitos protestos da população, implantou a ligação de água encanada”
QUARENTENÁRIO E VILA PONTE NOVA: A RELAÇÃO SÓCIO-AMBIENTAL DA POPULAÇÃO EM ÁREA DE DEPÓSITO DE RESÍDUOS ORGANOCLORADOS. Faculdade de Filosofia, ciências e Letras da Unisantos-Universidade Católica de Santos.
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ACARAÚ: A CASA DE FREI GASPAR
Mato encobre as ruínas da capela de Sant'Ana de Acaraú em São Vicente. Nessa capela foi realizado o batizado do historiador Frei Gaspar
Clóvis Vasconcellos
Da Sucursal de A Tribuna, 27 de agosto de 1995.
As pedras ainda estão lá, encobertas pela mata, guardando segredos do Século XVI. Guardando pedaços da história de São Vicente e do Brasil. São as ruínas da Capela de Sant'Ana, onde foi batizado frei Gaspar da Madre de Deus, historiador beneditino, nascido a 9 de janeiro de 1715, na então Fazenda de Santana, perto do hoje chamado Rio Branco, em Samaritá, região continental de São Vicente.
São pedras importantes demais para estarem esquecidas e abandonadas como estão. São as ruínas da primeira capela no Brasil exclusivamente dedicada a homenagear Sant'Ana, que foi a mãe de Nossa Senhora, simplesmente a avó de Jesus Cristo.
A mata cobriu tudo, inclusive as seis colunas com mais de três metros de altura. Uma delas foi envolvida por uma figueira, árvore de 20 metros de altura, que deixa aparecer, em pedaços do tronco, trechos da pilastra erguida provavelmente no século XVI, quase 100 anos antes do nascimento do frei Gaspar da Madre de Deus.
Abandono - O próprio beneditino, nas suas célebres Memórias para a História da Capitania de São Vicente, conta que foi batizado na capela da Fazenda Santana, outrora muito produtiva e hoje fechada, servindo apenas de pasto para algumas cabeças de gado de um morador das proximidades. O abandono das ruínas impressiona porque fica difícil até se aproximar das pedras. Há ninho de marimbondos, espinheiros, muitos mosquitos e até cobras, segundo depoimentos de sitiantes.
A professora de História da UniSantos, Wilma Terezinha Fernandes Andrade, confirma a importância histórica da capela, onde esteve, há muitos anos, com o pesquisador Jayme Caldas: "Naquela época já não existia mais imagem da santa, provavelmente furtada". A professora informou que frei Gaspar, nos seus escritos, afirmou que a capela, onde aconteciam até festas religiosas, era quase secular.
O frei nasceu em 1715, filho de Domingos Teixeira de Azevedo (coronel do Regimento de Ordenanças de Santos e São Vicente) e de Ana Siqueira e Mendonça, descendente de Antônio de Siqueira, escrivão e tabelião quinhentista de Santos. Ou seja, a fazenda e a capela já estavam lá muito antes de frei Gaspar nascer.
Pinga e frutas - Mais recentemente, por volta de 1840, a Fazenda de Santana do Acaraú foi administrada por Fernando José Augusto Bittencourt, que durante 40 anos plantou laranja, tangerina, limão-doce, cará-mimoso, inhame, cana-de-açúcar e produziu a famosa Pinga do Acaraú, com melado, farinha de mandioca e biju. Também fabricou calmante extraído da flor de laranjeira, vendido em frascos em Santos e São Vicente.
O falecido jornalista de A Tribuna, Edison Telles de Azevedo, que já esteve nas ruínas e na fazenda, relata em seu Vultos da História Vicentina que Fernando Bittencourt trazia para a Vila de São Vicente, em "canoa por ele remada", melado tamarindo, caju, jaca e outras frutas para presentear os amigos.
A gentileza do antigo fazendeiro, incomum nos dias de hoje, merecia destaque porque a remo demorava até dois dias para chegar à vila. Ele atracava onde hoje fica a Rua Japão, efetivamente recebido. Na casa da fazenda os livros registram que havia uma placa, em inglês, Great House of Family Bittencourt. De toda a fartura e opulência restam hoje algumas pedras que poderiam ser transformadas em magníficas lições de história e humanismo às futuras gerações.
A professora Wilma Terezinha sugere uma prospecção arqueológica no local, que poderia ser executada pelo Instituto de Pesquisas Arqueológicas da Universidade Católica de Santos (UniSantos) sem custo para o proprietário da área ou a Prefeitura. Ela explica que o instituto da universidade é credenciado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), cujo diretor esteve recentemente em São Vicente.
Wilma Terezinha considera a ruína de extrema importância e entende que a Prefeitura, pelo menos, poderia colocar placas indicando a localização e montar um esquema de visitação, de acordo com os proprietários da antiga fazenda, de inestimável valor histórico. "O fato de ali ter nascido frei Gaspar só enriquece sua importância", esclareceu a professora, uma entusiasta da pesquisa histórica em nossa região.

Este óleo sobre tela, de 29x56 cm, pintado em 1914 e pertencente ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, mostra o que Calixto denominou como Aspecto Atual da Fazenda Sta. Anna - São Vicente. Na parte inferior do quadro, há uma anotação, lembrando que
ali nasceu o religioso e famoso historiador brasileiro Frei Gaspar da Madre de Deus.
Segundo Benedicto Calixto de Jesus, não é possível, por falta de documentos, fazer a discriminação exata da extensa área que constituiu outrora a primitiva Fazenda de Sant'Anna de Acarahu, onde nasceu Frei Gaspar da Madre de Deus. As ruínas, no tempo de Calixto, sofreram mais depredações, pois o administrador e os roçadores, seguindo um boato e incentivados por um sonho de um dos trabalhadores (de que deveria cavar em determinado local na capela, pois lá os jesuítas haviam escondido um tesouro), esburacaram todo o chão da capela. Existiam ainda, na época em que o pintos produziu esses quadros, as ruínas (pilares e restos do muro) do vasto solar onde nasceu Frei Gaspar, no alto de uma colina, a cerca de 200 metros da capela. Em 1917, Calixto voltou àquele local - o sítio Acarahu - e pintou este óleo sobre tela (35x58 cm, pertencente a uma coleção particular), denominado Ruínas do Solar de Fr. Gaspar da Madre de Deus II (o quadro I é a vista mais próxima das ruínas da capela):
SANTANA DO ACARAÚ
Moradores da área rural de São Vicente relatam problemas com transporte escolar
Ailton Martins
Moradores da área rural de São Vicente relatam problemas com transporte escolar, de acordo com relatos as dificuldades sempre ocorreram em maior ou menor grau, entretanto, este ano aumentaram, principalmente para os moradores do núcleo Cachoeira 2, que estão tendo que caminhar uma distância de em torno de 1,5 km para serem atendidos pelo transporte escolar - num trecho de estrada que carece de manutenção, e que fica ao lado de uma ferrovia de trens de cargas com intensa movimentação.
"É perigoso aqui quando chove, a estrada alaga, temos que andar pelos trilhos, aí quando passa o trem, ou pula na poça ou no mato [...] a van não quer entrar, diz que a gente tem que trazer a criança no ponto, só que o antigo motorista ia até a porta da minha casa, a estrada está ruim, mas não é culpa nossa." Chaida, moradora do Núcleo Acaraú
"É bem complicado essa questão da perua escolar, nas férias agora, eles pararam uma semana antes e voltaram somente uma semana depois, quer dizer, as crianças perderam duas semanas de aula, e ninguém avisa, não há comunicado." Thiago Carneiro, morador do Núcleo Acaraú
"E assim, às vezes a gente fica no ponto esperando com a crianças, e a perua não vem, debaixo de chuva, sol, quando tem alguma atividade fora do horário de aula, eles não levam, e aqui é longe, dependemos do transporte". Fernanda, moradora do núcleo Acaraú.
"Como você está vendo, é um caminho grande, e olha que a gente nem chegou até onde eu moro que é bem pra lá ainda, na Cachoeira 2, e olha a situação da estrada, de noite não tem luz, não tem poste de luz aqui, outro dia a van deixou uma criança na porta daquele bar e ela teve que ir pra casa sozinha nessa estrada com esses trens passando, é complicado isso, a gente reclama, fala as coisas, ainda tá errada"

Foto: Ailton Martins
A área rural de São Vicente é um região distante da parte urbana, o acesso é feito por carro ou caminhando.Não há equipamentos de educação ou de saúde no local, a distância para chegar ao bairro mais próximo, Humaitá, onde as crianças estudam é de cerca 4 km do ponto mais próximo até 6 km do mais distante. Logo, a mobilidade é um fator problemático para toda a população rural. A utilização do transporte público, por exemplo, somente acessando a via expressa onde há um ponto de ônibus próximo ao pedágio, 3 km. Ou seja, sem o transporte escolar, estudantes precisam caminhar em torno de 1h, até 2h para chegar até a escola. E vale ressaltar que o transporte escolar não atende o horário noturno, logo, evasão escolar é uma realidade.
Fonte: Frequência Caiçara - Mídia Livre- Direitos Humanos
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DESCRIÇÃO DE PERÍMETROS DOS BAIRROS EM 2020
PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO VICENTE
ANEXO II LEI COMPLEMENTAR Nº 987/2020 DE 16 DE MARÇO DE 2020

I – CENTRO – Começa no cruzamento da estrada de ferro com a Rua Frei Gaspar, segue pelo eixo da ferrovia até o cruzamento com o prolongamento da Rua Visc. do Rio Branco; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Jacob Emmerich; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Tibiriçá; deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua José Bonifácio; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Pe. Anchieta; deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Praça 22 de Janeiro; deflete à direita e segue pelo prolongamento da Rua Pe. Manuel até o cruzamento com a Rua Martim Afonso; deflete à esquerda e segue pelo prolongamento desta até o cruzamento com a Rua do Colégio; deflete à direita, segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Avenida Capitão Mor Aguiar; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Frei Gaspar; deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o ponto de partida.
Com área de 0,75 km², sendo constituído por parte do loteamento Centro.
II - GONZAGUINHA – Começa no cruzamento da Rua Visc. do Rio Branco com a Avenida Quintino Bocaiúva, segue por esta até o cruzamento com a Rua Benedicto Calixto; deflete à direita e segue pelo eixo desta e seu prolongamento até o cruzamento com a orla da praia, na Baía de São Vicente; deflete à direita e segue por esta, contornando o Morro dos Barbosas e a orla do Mar Pequeno, até a Ponte Pênsil; deflete à direita e segue pelo eixo da Av. Newton Prado até o cruzamento com a Av. Cap. Luiz Antônio Pimenta; deflete à direita e segue por esta até o cruzamento com a Avenida Capitão Mor Aguiar; deflete à direita e segue por este até o cruzamento com a Rua do Colégio; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Praça 22 de Janeiro; deflete à esquerda e segue por este até o cruzamento com a Rua Pe. Manuel e segue pelo prolongamento desta, na Praça 22 de Janeiro, até o cruzamento com a Rua Pe. Anchieta; deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua José Bonifácio; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Tibiriçá; deflete à esquerda, segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Jacob Emmerich; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Visc. do Rio Branco; deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o ponto de partida.
Com área de 0,61 km², sendo constituído por parte do loteamento Centro e pelo loteamento do Morro dos Barbosas.
III – BOA VISTA – Começa no cruzamento da Avenida Quintino Bocaiúva com a Rua Benedicto Calixto, segue pelo eixo desta e seu prolongamento até o cruzamento com a orla da praia; deflete à esquerda e segue por esta até o cruzamento com o prolongamento da Rua Pero Corrêa; deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Avenida Quintino Bocaiúva; deflete à esquerda e segue por esta até o ponto de partida. Com área de 0,30 km², sendo constituído por parte do loteamento Centro.
IV – ITARARÉ – Começa no cruzamento da linha de sopé do Morro do Itararé com a linha divisória entre os Municípios de São Vicente e Santos, segue por esta até a orla da praia; deflete à direita e segue por esta, circundando a Ilha Porchat e seguindo pela orla da Praia dos Milionários até o cruzamento com o prolongamento da Rua Pero Corrêa; deflete à direita e segue pelo eixo desta e seu prolongamento até a Cota 10 do Morro do Itararé, segue por esta até atingir o limite do Parque Ecológico Tércio Garcia, deflete à direita e segue pelo limite do parque até a linha limite de municípios, deflete à direita e segue pela linha divisória entre os Municípios de São Vicente e Santos pelo Morro do Itararé até o ponto de partida.
Com área de 1,70 km², sendo constituído pelos loteamentos: Vila Itararé, Ilha Porchat e parte do loteamento Centro.
V – VILA VALENÇA – Começa no cruzamento da Avenida Antônio Emmerich com a Avenida Pref. José Monteiro, segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Avenida Mal. Deodoro; deflete à direita e segue por esta até o cruzamento com a Avenida Antônio Emmerich; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o ponto de partida.
Com área de 0,45 km², sendo constituído pelo loteamento Vila Valença.
VI – VILA VOTURUÁ – Começa no cruzamento da Avenida Dona Anita Costa com a Praça 1.º de Maio, contorna a Praça e segue pelo eixo da Rua São Jorge até o cruzamento com a Praça Vitória da Conquista, deflete à direita e contorna a praça até o cruzamento com a Av. Minas Gerais; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Bento Antônio do Monte, deflete à esquerda e segue pelo prolongamento desta até a Cota 20 do Morro do Voturuá, deflete à esquerda e segue pela Cota 20 até a linha divisória dos municípios de Santos e São Vicente, deflete à direita e segue pela linha divisória de municípios até os limites do Parque Ecológico Tércio Garcia, deflete à direita contornando os limites do Parque até o cruzamento com a Av. Juiz de Fora, deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Av. Monteiro Lobato, segue pelo eixo da Rua Dr. Lincoln Feliciano da Silva até a Praça Força Expedicionária Brasileira, contorna a praça e deflete à esquerda, seguindo pelo eixo da Rua Mantenópolis até o cruzamento com a Rua Uberaba, deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Niterói, deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com Av. Pref. José Monteiro, deflete à direita e segue pelo eixo desta até o ponto de partida.
Com área de 0,85 km², sendo constituído pelo loteamento Vila Voturuá, parte do Jardim Independência, compreendendo o Morro do Voturuá e Parque Ecológico Tércio Garcia.
VII – JARDIM INDEPENDÊNCIA – Começa no cruzamento do eixo da Avenida Prefeito José Monteiro com a Rua Niterói, segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Uberaba; deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Mantenópolis; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Dr. Lincoln Feliciano da Silva, segue pelo eixo desta até alcançar o cruzamento com a Avenida Monteiro Lobato, onde encontra a Avenida Juiz de Fora, segue pelo eixo desta até o sopé dos Morros do Voturuá, segue pela Cota 10 do Morro até o cruzamento com o prolongamento da Rua Pero Correa; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a linha férrea; deflete à direita e segue por esta, até o cruzamento com a Avenida Prefeito José Monteiro; deflete à direita e segue pelo eixo desta, até o ponto de partida.
Com área de 0,37 km², sendo constituído pelo loteamento Vila Misericórdia e parte do Jardim Independência.
VIII – VILA SÃO JORGE – Começa no cruzamento da Avenida Antônio Emmerich com a Avenida Divisória, entre os Municípios de São Vicente e Santos, segue por esta, corta a Praça Estado de Israel e continua pela Avenida Divisória até o cruzamento com a Cota 20 do Morro do Voturuá; deflete à direita e segue por esta até o cruzamento com o prolongamento da Rua Bento Antônio do Monte, segue por esta até o cruzamento com a Av. Minas Gerais, segue pelo eixo desta até a Praça Vitória da Conquista, contorna a praça e segue pelo eixo da Rua São Jorge até o cruzamento com a Praça 1.º de Maio; contorna a Praça e segue pelo eixo da Avenida Antônio Emmerich até o ponto de partida.
Com área de 0,65 km², sendo constituído pelo loteamento Vila São Jorge, Vila Amorim e parte do Sítio São Jorge.
IX – JARDIM GUAÇU – Começa no cruzamento da linha divisória entre os Municípios de Santos e São Vicente com a Avenida Antônio Emmerich, segue pelo eixo desta até o cruzamento coma Rua Américo Martins dos Santos; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Avenida Dr. Alcides de Araújo; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com o prolongamento da Avenida Penedo; deflete à direita e segue por este até o cruzamento com a linha divisória entre os Municípios de Santos e São Vicente, segue por esta até o ponto de partida.
Com área de 0,30 km², sendo constituído pelo loteamento Jardim Guaçu e parte do Jardim Paraíso.
X – VILA MELLO – Começa no cruzamento da Avenida Dr. Alcides de Araújo com a Rua Américo Martins dos Santos, segue por esta até o cruzamento com a Av. Antônio Emmerich; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Dr. Emílio Carlos; deflete à direita e segue por esta e seu prolongamento até o cruzamento com a Avenida Genivaldo José Damasceno; deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Feliciana Marcondes da Silva; deflete à direita e segue pelo seu prolongamento até o cruzamento com a Avenida Dr. Alcides de Araújo; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o ponto de partida.
Com área de 0,76 km², sendo constituído pelo loteamento Vila Petrópolis Vicentina, Vila Melo, Vila Pedro Duarte, Vila Hípica, parte do Jardim Vila Nova, parte do Jardim Três Estrelas, parte da Vila Cascatinha e parte do Jardim Paraíso. Abrange parte dos Terrenos da FEPASA.
XI – CATIAPOÃ – Começa no cruzamento do prolongamento do canal da Avenida Ver. Lourival Moreira do Amaral com a Avenida Penedo, segue pelo eixo desta, até o cruzamento com a Avenida Dr. Alcides de Araújo; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com o prolongamento da Rua Feliciana Marcondes da Silva; deflete à esquerda e segue por este até o cruzamento com a Avenida Genivaldo José Damasceno; deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Dr. Emílio Carlos; deflete à direita e segue por esta e seu prolongamento até o cruzamento com a Avenida Antônio Emmerich; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Avenida Martins Fontes; deflete à direita e segue pelo eixo desta, até o cruzamento com o prolongamento do canal da Avenida Ver. Lourival Moreira do Amaral; segue por este até o ponto de partida.
Com área de 1,42 km², sendo constituído pelos loteamentos Catiapoã, Vila Campo Belo, Jardim Nosso Lar, Sítio de Baixo, Vila Sorocabana, Vila Nova, Vila Santos, Vila Santa Cruz, Espólio Vicente Gil, Terrenos de José Gonçalves, Vila Sopa, Vila Breim, Vila Avelar, Terrenos do Hospital São José, Vila Gomes, Terrenos de Noé Vaz, Jardim Feliciano, Vila Ferroviária, Vila Golf Clube, parte da Vila Nossa Senhora do Amparo, parte do Jardim Vila Nova, parte do Jardim Três Estrelas, parte da Vila Cascatinha. Abrange Terrenos da FEPASA.
XII – VILA JÓQUEI CLUBE – Começa na margem esquerda da foz do Rio das Cachetas, segue pela margem direita do Rio Casqueiro até a margem esquerda da foz do Rio do Bugre, segue por esta até o canal da Rua Dr. Alciddes de Araújo; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com o prolongamento da Av. Penedo; deflete à direita e segue por este e pelo eixo desta via e da Avenida Augusto Severo até o cruzamento com o Canal da Avenida Ver. José Rosindo dos Santos Filho; deflete à direita e segue pelo eixo deste até o cruzamento com a Rua Haiti; deflete à direita e segue pelo seu prolongamento até o cruzamento com o eixo do Canal do Rio das Cachetas; segue pela margem direita do Rio das Cachetas até o ponto de partida.
Com área de 2,93 km², sendo constituído pelos loteamentos Maximino Bispo e parte da Vila Jóquei Clube.
XIII – PARQUE SÃO VICENTE – Começa no cruzamento do canal da Avenida Ver. José Rosindo dos Santos Filho com a Avenida Augusto Severo, segue pelo eixo desta até o cruzamento com o prolongamento do canal da Avenida Ver. Lourival Moreira do Amaral; deflete à direita e segue por este até o cruzamento com a Avenida Martins Fontes; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Frei Gaspar; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Tamoyos; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Tapuyas, deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Avenida Ver. José Rosindo dos Santos Filho; segue por este até o ponto de partida.
Com área de 0,77 km², sendo constituído pelos loteamentos Parque São Vicente, parte da Vila Jóquei Clube e parte da Vila Nossa Senhora do Amparo. 4 Prefeitura Municipal de São Vicente
XIV – VILA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA – Começa no cruzamento da Rua Tambaú com a Avenida Eduardo Souto, segue pelo eixo desta e seu prolongamento até o cruzamento com o Canal do Rio das Cachetas; deflete à direita e segue pela margem esquerda deste até o cruzamento com o prolongamento da Rua Haiti; deflete àdireita e segue por este até o cruzamento com o Canal da Avenida Ver. José Rosindo dos Santos Filho; segue pelo eixo deste até o cruzamento com a Rua Tapuyas, deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Tamoyos; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Frei Gaspar; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Tambaú; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o ponto departida.
Com área de 0,71 km², sendo constituído pelos loteamentos parte da Vila Nossa Senhora de Fátima, parte do Parque São Vicente e parte da Esplanada dos Barreiros.
XV – CIDADE NÁUTICA – Começa na margem esquerda da foz do Rio das Cachetas, segue pela margem esquerda do Rio das Cachetas até o cruzamento com o prolongamento do canal da Av. Eduardo Souto, deflete à direita e segue pelo eixo deste até o cruzamento com a Rua Tambaú, deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Frei Gaspar; deflete à direita e segue pelo eixo desta até a Praça Sir Winston Churchill; contorna essa Praça até o cruzamento com a Avenida Pref. Prestes Maia, segue pelo eixo desta e seu prolongamento até o cruzamento com a Rodovia dos Imigrantes; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com Av. Marcolino Xavier de Carvalho, segue pelo eixo desta até a margem direita do Rio Casqueiro, deflete à direita e segue por esta até o ponto departida.
Com área de 1,48 km², sendo constituído pelos loteamentos Pompeba, parte da Cidade Náutica e parte da Vila Nossa Senhora de Fátima.
XVI – BEIRA-MAR – Começa no cruzamento da margem direita do Canal dos Barreiros com o prolongamento da Avenida Pref. Prestes Maia, segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Praça Sir Winston Churchill, contorna a Praça até o cruzamento com a Rua Frei Gaspar; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Avenida Martins Fontes; deflete à direita e segue pelo eixo desta e seu prolongamento até o cruzamento com a margem direita do Canal dos Barreiros; deflete à direita e segue por esta até o ponto de partida.
Com área de 0,65 km², sendo constituído por parte dos loteamentos: Esplanada dos Barreiros, Cidade Náutica, Vila Matteo Bei, Planalto Bela Vista, Parque São Vicente, Vila Margarida, Vila Nossa Senhora do Amparo.
XVII – ESPLANADA DOS BARREIROS – Começa no cruzamento da Avenida Nações Unidas com a Rua Mal. Cândido Mariano da Silva Rondon, segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Mal. Mascarenhas de Moraes; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Praça Avelino Teixeira Tavares Filho; contorna a Praça até o cruzamento com a Rua Prof. Carlos Araújo dos Santos, segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Praça Prof. Lúcio Martins Rodrigues, contorna a Praça até o cruzamento com o Rio d' Avó; segue pelo eixo deste até o cruzamento com o prolongamento da Avenida Nações Unidas; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o ponto de partida.
Com área de 0,74 km², sendo constituído pelo loteamento Jardim Yara e por parte dos loteamentos: Esplanada dos Barreiros, Vila Matteo Bei, Planalto Bela Vista e Vila Margarida.
XVIII – VILA MARGARIDA – Começa no cruzamento da margem esquerda do Canal dos Barreiros com a Ponte Jornal “A Tribuna”, segue por esta até o cruzamento com a Avenida Nações Unidas; deflete à direita e segue pelo eixo desta e seu prolongamento até o cruzamento com o Rio d’Avó; deflete à direita e segue pelo eixo deste até encontrar a Ponte Deputado Esmeraldo Tarquínio; deflete à esquerda e segue pela margem esquerda do Canal dos Barreiros até o cruzamento com o canal do prolongamento da Av. Paula Lourenço de Oliveira, segue pelo eixo deste e seu prolongamento até o cruzamento com a Av. Mal. Euclides Zenóbio da Costa, segue pelo eixo do Canal da Av. Brasil e seu prolongamento até o cruzamento com a Rua G, deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua I, deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua H, deflete à esquerda e segue pelo prolongamento desta até encontrar a margem esquerda do Canal dos Barreiros, deflete à esquerda e segue por esta até o ponto de partida.
Com área de 0,83 km², sendo constituído pelo loteamento Conjunto Residencial Canal do Meio e por parte dos loteamentos: Esplanada dos Barreiros, Vila Matteo Bei, Planalto Bela Vista e Vila Margarida.
XIX – PARQUE BITARU – Começa no cruzamento da Avenida Mal. Cândido Mariano da Silva Rondon com a Rua Mal. Mascarenhas de Moraes, segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Praça Avelino Teixeira Tavares Filho, contorna a Praça até o cruzamento com a Rua Prof. Carlos Araújo dos Santos, segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Praça Prof. Lúcio Martins Rodrigues, contorna a Praça até o cruzamento com o Rio d’Avó, segue pelo eixo deste até encontrar o cruzamento com a Av. Cap. Luis Antonio Pimenta, deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até a Av. Capitão Mór Aguiar, deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua Frei Gaspar; deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Avenida Mal. Cândido Mariano da Silva Rondon; deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o ponto de partida.
Com área de 0,90 km², sendo constituído pelo loteamento Vila São José e por parte dos loteamentos: Vila Margarida, Vila Nossa Senhora do Amparo, Parque São Vicente, Parque Bitaru.
XX – TANCREDO – Começa na margem direita do Rio Casqueiro com a Rodovia dos Imigrantes, deflete à esquerda e segue por esta até o cruzamento com a Av. Marcolino Xavier de Carvalho; deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até encontrar a margem direita do Rio Casqueiro, deflete à esquerda e segue por esta até o ponto de partida.
Com área de 1,43 km², sendo constituído pelo loteamento Conjunto Habitacional Tancredo Neves.
XXI - NÁUTICA III – Começa na margem esquerda do Canal dos Barreiros com a Rodovia dos Imigrantes, deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Av. Pref. Prestes Maia; deflete à direita e segue pelo eixo desta e seu prolongamento até a Ponte Jornal A Tribuna; deflete à direita e segue pela margem esquerda do canal dos Barreiros até o ponto de partida.
Com área de 3,06 km², sendo constituído por parte do loteamento Cidade Náutica.
XXII – MÉXICO 70 – Começa na Marginal do Rio D’Avó com o prolongamento do canal da Av. Paula Lourenço de Oliveira, segue pelo eixo deste até o cruzamento com a Av. Mal. Euclides Zenóbio da Costa, segue pelo eixo do Canal da Av. Brasil e seu prolongamento até o cruzamento com a Rua G, deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua I, deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rua H, deflete à esquerda e segue pelo prolongamento desta até encontrar a margem esquerda do Canal dos Barreiros; deflete à esquerda e segue por este até o ponto de partida.
Com área de 3,28 km², sendo constituído pelo loteamento Canal do Meio e por parte do loteamento Cidade Náutica.
XXIII – JAPÃO – Começa no cruzamento da Rodovia dos Imigrantes e o prolongamento da Av. Cap. Luis Antonio Pimenta; segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Av. Newton Prado; deflete à direita e segue pelo eixo desta até a Ponte Pênsil; deflete à direita e segue pela orla do Mar pequeno até encontrar a Ponte Esmeraldo Tarquínio; deflete à direita e segue pelo eixo da Rodovia dos Imigrantes até o ponto de partida.
Com área de 1,35 km², sendo constituído por parte do loteamento Parque Bitarú.
XXIV - JAPUÍ – Começa no cruzamento da linha divisória entre os Municípios de São Vicente e Praia Grande com a Ponte Deputado Esmeraldo Tarquínio e com a orla do Mar Pequeno, segue pela margem direita do Mar Pequeno até o Porto das Naus (coordenada: E=358664,92/N=7347526,61); deflete à direita e segue pelo prolongamento da Rua Projetada até o limite do Parque Estadual Xixová- Japuí em Cota 50 e 6 coordenadas E=358733,23/N=7347433,92, segue pelo limite do Parque Estadual até o cruzamento com a linha divisória entre os Municípios de São Vicente e Praia Grande; deflete à direita e segue por esta até o ponto de partida.
Com área de 3,45 km², sendo constituído pelo loteamento Japuí, Belvedere Mar Pequeno, Residencial Japuí, Jardim Recanto São Vicente, Jardim Bechara, Cooperativa Habitacional Nosso Lar. Inclui parte do Parque Estadual Xixová-Japuí.
XXV – PARQUE PRAINHA – Começa junto ao Porto das Naus (coordenada E=358664,92/N=7347526,61), na linha de maré do Mar Pequeno e segue por esta até a Praça Fernando Besson, contorna a praça e segue pela linha de maré da Prainha até encontrar o limite do Parque Estadual Xixová-Japuí (coordenada E=359789,85/N=7347370,47); deflete à direita e segue pelo limite do parque até o ponto de coordenada E=358733,23/N=7347433,42, segue pelo eixo da Rua Projetada e seu prolongamento até o ponto de partida.
Com área de 0,16 km², sendo constituído pelo loteamento Parque Prainha.
XXVI - HUMAITÁ – Começa no cruzamento do prolongamento da Av. Vereador Walter Melarato com a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Av. Prof. José de Almeida Pinheiro Jr.; deflete à direita e segue por esta e seu prolongamento até atingir a margem esquerda do Rio Mariana; deflete à direita e segue por esta até o cruzamento com a Av. Ver. Walter Melarato, deflete à direita e segue por esta até o ponto de partida.
Com área de 1,88 km², sendo constituído pelo loteamento Conjunto Habitacional Humaitá. Inclui a área do antigo bairro Vila Nova Mariana.
XXVII – PARQUE CONTINENTAL – Começa no cruzamento do Rodovia Pe. Manoel da Nóbrega com o prolongamento da Av. José Otávio de Andrade, segue por esta até a margem esquerda do Rio Mariana; deflete à esquerda e segue por esta até o cruzamento com a Av. Paschoal Gzebien; deflete à esquerda e segue por esta até o cruzamento com a Rodovia Pe. Manoel da Nóbrega; deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o ponto de partida.
Com área de 1,29 km², sendo constituído pelo loteamento Parque Continental.
XXVIII – JARDIM IRMÃ DOLORES – Começa no cruzamento da Ponte Jornal A Tribuna com a Via Ver. Angelina Pretti da Silva, segue por esta até a Praça Paulo Augusto de Aguiar, contorna a praça e deflete à esquerda e segue pelo eixo da linha férrea até o ponto de coordenada E=350586,46/N=7346481,74; deflete à esquerda e segue até o ponto de coordenada E=350914,60/N=7346221,91; deflete à direita e segue pelo eixo da Rua José Garcia dos Santos até o ponto de coordenada E=350823,52/N=7346054,42; deflete à esquerda e segue até a margem esquerda do Rio Piaçabuçu (coordenada E=351041,31/N=7345763,27); deflete à esquerda e segue por este até o ponto de partida.
Com área de 4,45 km², sendo constituído pelo loteamento Vila Ponte Nova e Rio Negro.
XXIX – JARDIM RIO BRANCO – Começa na Rodovia Pe. Manoel da Nóbrega (coordenada E=349164,16/N=7347494,70), segue pelo eixo da rodovia até o ponto de coordenada E=350098,05/N=7348404,53; deflete à direita e segue até atingir a margem esquerda do Rio Mariana (coordenada E=351218,65/N=7347596,29); deflete à direita e segue por esta até o ponto de coordenada E=350869,27/N=7347168,22; deflete à esquerda e segue pela Rua Sem Nome até o cruzamento com a Rua Augusto de Oliveira Santos; deflete à esquerda e segue pelo eixo desta e seu prolongamento até o cruzamento com a linha férrea; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o ponto de coordenada E=350529,49/N=7346458,99; deflete à direita e segue por estalinha até o ponto de partida.
Com área de 2,36 km², sendo constituído pelo loteamento Jardim Rio Branco.
XXX – PARQUE DAS BANDEIRAS – Começa na Rodovia Pe. Manoel da Nóbrega (coordenada E=348282,25/N=7346640,63); segue pelo eixo desta até a coordenada E=348731,52/N=7347065,30; deflete à direita e segue até o cruzamento com a linha férrea (coordenada E=349860,68/N=7346194,45); deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o ponto de coordenada E=349152,85/N=7346025,36; deflete à direita e segue até o ponto de coordenada E=349072,89/N=7346090,89; deflete à esquerda e segue pelo prolongamento e eixo da Rua José Rodrigues Martins até o cruzamento com a Rua José Antonio Ribeiro Franco; deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o ponto de partida.
Com área de 0,82 km², sendo constituído por parte dos loteamentos: Parque das Bandeiras e Nova São Vicente.
XXXI – NOVA SÃO VICENTE – Começa no eixo da linha férrea na coordenada E=349152,85/N=7346025,36; deflete à direita e segue até o ponto de coordenada E=349072,89/N=7346090,89; deflete à esquerda e segue pelo prolongamento e eixo da Rua José Rodrigues Martins até o cruzamento com a Rua José Antonio Ribeiro Franco; deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Rodovia Pe. Manoel da Nóbrega, segue pelo eixo desta até o cruzamento com a linha férrea; deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o ponto de partida.
Com área de 0,39 km², sendo constituído por parte dos loteamentos: Nova São Vicente e Vila Mathias.
XXXII – VILA EMMA – Começa no cruzamento da linha divisória entre os Municípios de São Vicente e Praia Grande com a Rodovia Pe. Manoel da Nóbrega, segue pelo eixo desta até o cruzamento com a linha férrea; deflete à direita e segue pelo eixo deste até o cruzamento com a linha férrea até a coordenada E=349361,08/N=7345996,81; segue pelo eixo da Av. Teresina até o cruzamento com a Rua Francisco José de Almeida; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Av. Armindo Ramos; deflete à direita e segue pelo prolongamento desta até o ponto de coordenada E=349742,19/N=7345637,27; segue pelo eixo do curso d’água até a margem esquerda do rio Piaçabuçu; deflete à direita e segue por esta até o ponto de partida.
Com área de 2,86 km², sendo constituído pelos loteamentos: Vila Emma, Vila Yolanda, Conjunto Habitacional Reverendo Alcias Alves de Melo e parte da Vila Mathias.
XXXIII – VILA SAMARITÁ – Começa no cruzamento da linha férrea com o prolongamento da Av. Terezina, segue pelo eixo da Av. Teresina até o cruzamento com a Rua Francisco José de Almeida; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o cruzamento com a Av. Armindo Ramos; deflete à direita e segue pelo prolongamento desta até o ponto de coordenada E=349742,19/N=7345637,27; segue pelo eixo do curso d’água até a margem esquerda do rio Piaçabuçu; deflete à esquerda e segue pela margem até o ponto de coordenada E=351041,31/N=7345763,27; deflete à esquerda e segue até a coordenada E=350823,52/N=7346054,42, junto à Rua José Garcia dos Santos, segue pelo eixo desta até o ponto de coordenada E=350914,60/N=7346221,91; deflete à esquerda e segue até o ponto de coordenada E=350586,46/N=7346481,74, deflete à esquerda e segue pelo eixo da ferrovia até o ponto de partida.
Com área de 1,55 km², sendo constituído pelos loteamentos: Estação de Samaritá, Vila Samaritá e Conjunto Habitacional CDHU.
XXXIV – QUARENTENÁRIO - Começa na nascente do Rio Mariana, coordenada E=350869,27/N=7347168,22; segue pela margem direita do rio até o ponto de coordenada E=351805,94/N=7347888,68; deflete à direita e segue até o cruzamento com a Via Angelina Pretti da Silva (coordenada E=352663,96/N=7347257,84); deflete à direita e segue por esta até a Praça Paulo Augusto de Aguiar, contorna a praça, deflete à esquerda e segue pelo eixo da ferrovia até o cruzamento com o prolongamento da Rua Augusto de Oliveira Santos; deflete à direita e segue pelo eixo desta até o ponto de coordenada E=350872,89/N=7347078,39; deflete à direita e segue pelo eixo da Rua Sem Nome até o ponto de partida.
Com área de 1,10 km², sendo constituído pelo loteamento Quarentenário. 8 Prefeitura Municipal de São Vicente
XXXV – GLEBA – Começa na margem direita do Rio Branco (coordenada E=348334,68/N=7346691,20), segue por esta até o ponto de coordenada E=347827,96/N=7347803,66; deflete à direita e segue até o cruzamento com a Rodovia Pe. Manoel da Nóbrega (coordenada E=348731,52/N=7347065,30); deflete à direita e segue pelo eixo desta até o ponto de coordenada E=348334,68/N=7346691,20; deflete à direita e segue até o ponto de partida.
Com área de 0,61 km², sendo constituído pelo loteamento Parque das Bandeiras-Gleba II.
XXXVI - BAIRRO “A” – Começa no cruzamento do prolongamento da Av. Professor José de Almeida Pinhero Jr. Com a Rodovia Pe. Manoel da Nóbrega; segue pela marginal esquerda desta até o Rio Branco; deflete à direita e segue pela margem direita deste até a sua foz; deflete à direita e segue pela margem direita do Rio Santana até o Canal dos Barreiros; deflete à direita e segue pela margem direita deste até a foz do Rio Mariana; deflete à direita e segue pela margem esquerda deste até a Lagoa do Mariana, contorna a lagoa, deflete à direita e segue pela margem esquerda do Rio Mariana até o prolongamento da Av. Professor José de Almeida Pinheiro Jr.; deflete à direita e segue por esta até o ponto de partida.
Com área de 4,27 km², área não loteada.
XXXVII – BAIRRO “B” – Começa na margem direita do Rio Branco (coordenada E=349446,72/N=7348995,79), segue por esta até o cruzamento com a Rodovia Pe. Manoel da Nóbrega; deflete à direita e segue pela marginal esquerda desta até o cruzamento com a Av. Professor José de Almeida Pinheiro Jr.; deflete à direita até o eixo da Rodovia Pe. Manoel da Nóbrega; deflete à esquerda e segue pelo eixo desta até o ponto de coordenada E=350098,05/N=7348404,53; deflete à direita e segue até o ponto de partida.
Com área de 2,94 km², sendo constituído pelo loteamento Parque Industrial Imigrantes. Inclui a Penitenciária Dr. Geraldo de Andrade Vieira.
XXXVIII - BAIRRO “C” – Começa no eixo da Rodovia Pe. Manoel da Nóbrega (coordenada E=350098,05/N=7348404,53),segue pelo eixo desta até o prolongamento da Av. José Otávio de Andrade; deflete à direita e segue por esta até a margem direita do Rio Mariana; deflete à direita e segue por esta até o ponto de coordenada E=351218,65/N=7347596,29; deflete à direita e segue até o ponto de partida.
Com área de 3,72 km², área não loteada.
XXXIX - BAIRRO “D” – Começa na margem esquerda do Rio Mariana (coordenada E=351805,94/N=7347888,68), segue por esta até sua foz; deflete à direita e segue pela margem direita do Canal dos Barreiros até o cruzamento com a Via Ver. Angelina Pretti da Silva; deflete à direita e segue por esta até o ponto de coordenada E=352663,96/N=7347257,84; deflete à direita e segue até o ponto de partida.
Com área de 3,62 km², área não loteada.
XL - BAIRRO “E” – Começa na margem direita do Rio Branco (coordenada E=347827,96/N=7347780,66), segue por esta até o ponto de coordenada E=349446,72/N=7348995,79; deflete à direita e segue até o cruzamento com a Rodovia Pe. Manoel da Nóbrega (coordenada E=350098,05/N=7348404,53); deflete à direita e segue pelo eixo desta até o ponto de coordenada E=348731,52/N=7347065,30; deflete à direita e segue até o ponto de partida.
Com área de 2,40 km², área não loteada.
XLI – BAIRRO “F” – Começa no eixo da Rodovia Pe. Manoel da Nóbrega (coordenada E=348731,52/N=7347065,30); segue por esta até o ponto de coordenada E=349164,16/N=7347494,70; deflete à direita e segue até encontrar o eixo da ferrovia (coordenada E=350529,49/N=7346458,99); deflete à direita e segue por esta até o ponto de coordenada E=349860,68/N=7346194,45; deflete à direita e segue por esta até o ponto de partida.
Com área de 0,96 km², área não loteada. 9 Prefeitura Municipal de São Vicente
XLII - BAIRRO “G” – Começa na linha divisória de municípios São Vicente e Praia Grande , junto a margem direita do Rio Branco, segue por esta até o ponto de coordenada E=348334,68/N=7346691,20; deflete à direita e segue até o cruzamento com a linha férrea (coordenada E=348334,68/N=7346691,20); deflete à direita e segue pelo eixo desta até a linha divisória de municípios São Vicente e Praia Grande; deflete à direita e segue por esta até o ponto de partida.
Com área de 1,92 km², área não loteada.
XLIII - VALE NOVO – Área de Expansão Urbana – Começa na Cota 100, junto ao limite do Parque Estadual da Serra do Mar (coordenada E=350361,86/N=7352414,32), segue por esta até a linha de limite de municípios de São Vicente e Cubatão; deflete à direita e segue por esta até a margem direita do Rio Santana; deflete à direita e segue por esta até a foz do Rio Branco; deflete à direita e segue pela margem esquerda do Rio Branco até o ponto de coordenada E=350168,65/N=7351825,03; deflete à direita e segue por curso d’água até o ponto de partida.
Com área de 3,84 km², sendo constituído pelo povoado Vale Novo. Inclui a área da pedreira Santa Maria.
XLIV – ACARAÚ - Área Rural- Começa na Cota 100, junto ao limite do Parque Estadual da Serra do Mar (coordenada E=348558,18/N=7350148,65), segue por esta até o ponto de coordenada E=350361,86/N=7352414,32; deflete à direita e segue por curso d’água até o cruzamento com o Rio Branco (coordenada E=350168,65/N=7351825,03); deflete à direita e segue pela margem direita do Rio Branco até encontrar a linha de transmissão; deflete à direita e segue pelo eixo desta e seu prolongamento até o ponto de partida.
Com área de 3,43 km², sendo constituído pelo povoado Acaraú.
XLV – PARATINGA – Área Rural – Começa na linha divisória de municípios de São Vicente e Praia Grande, junto a Cota 100 no limite do Parque Estadual da Serra do Mar, segue até o prolongamento da linha de transmissão (coordenada E=348558,18/N=7350148,65); deflete à direita e segue pelo eixo desta até a margem esquerda do Rio Branco; deflete à direita e segue por esta até a linha divisória de municípios de São Vicente e Praia Grande; deflete à direita e segue por esta até o ponto de partida.
Com área de 3,07 km², sendo constituído pelo povoado Paratinga