SUMÁRIO
VII-TRANSFORMAÇÕES URBANAS
VIII. A FORTALEZA DE ITAIPU
IX- O CLUBE DE REGATAS TUMIARÚ
X- A PONTE PÊNSIL E PRAIA GRANDE
XI - SÃO VICENTE E A LUZ ELÉTRICA
XII - A AVENIDA MANOEL DA NÓBREGA
*
INTRODUÇÃO
AS ANTIGAS FAMÍLIAS VICENTINAS
32 RUAS E 551 IMÓVEIS
I
UM DOCUMENTO IMPORTANTE
CHAMAMENTOS E MODERNIZAÇÃO MUNICIPAL
II
O BRASIL E O MUNDO NO INÍCIO DO SÉCULO XX
A vizinha cidade portuária de Santos, que divide com os calungas a Ilha de São Vicente desde 1540, era governada pelo Intendente Coronel Carlos Augusto Vasconcelos Tavares. A intendência e vice intendência foram cargos da modernização republicana de 1891, que corresponderia depois aos cargos de prefeito e vice.
Capitão Antão Alves de Moura
PREFEITO CAUSOU ESPANTO AO DESOBEDECER MANDATO JUDICIAL
*
VISITA PASTORAL
III
ANTECEDENTES
S.VICENTE MORREU E RESSUSCITOU
SÃO VICENTE EM 1878. Planta da Vila feita pelo litógrafo Jules Martin com destaque para o Largo de Santo Antônio (Câmara, Cadeia e Matriz), Fábrica de Cal de Antônio Paquetá e o Chafariz (Biquinha de Anchieta). As ruas aparecem com nomes primitivos como do Rocio, do Sambaiatuba, de Martim Afonso (com edificação antiga de 1532), Direita, dos Barreiros, do Porto, da Praia, do Gusmão, do Pelourinho, da Pedreira, de Iporanga, de Brás Cubas, rua Nova e uma ainda sem nome, entre o centro e a orla.
Acervo: Museu da Cidade - Praia Grande
*
S.VICENTE EM 1829
Relatório do Dr Joaquim Antônio Pinto Júnior
Vice-presidente da Província de São Paulo-1885
Quadro de Benedito Calixto. Chácara vicentina do Coronel José Proost de Souza, 1886, referindo-se a uma personalidade eminente na política santista do final do século XIX. São Vicente era uma cidade de veraneio e residência da aristocracia paulistana e santista, bem como de estrangeiros e vicentinos que trabalhavam nos bancos e casas comissárias de café nas imediações da Rua do Porto. Novo Milênio.
RUÍNAS da Casa de Pedra de Martim Afonso. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra6211/ruinas-da-casa-de-pedra-de-martim-afonso. Acesso em: 28 de agosto de 2021. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7
A VILA EM 1870
EM 1873
ALMANAK DA PROVÍNCIA DE S. PAULO- organizado e publicado por Antonio José Baptista de Luné e Paulo Delfino da Fonseca, com impressão na Typographia Americana, da capital paulista
1890- ALMANAK LAEMMERT
INÍCIO DO SÉCULO XX
EM 1913
*
IV
FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA
REPUBLICANA
A CIDADE 363 ANOS APÓS SUA FUNDAÇÃO
*
OS 15 PRIMEIROS PREFEITOS
Antônio Lima Machado, 1878-1887 e 1889-1902.
Ten. Cel. Gil Alves de Araújo, 1891.
Julião Leocádio Neiva de Lima (Julião Caramuru), 1893.
Joaquim Dias da Silva, 1897.
Antônio Emmerick, 1894-1895 e 1895, 1897, 1898.
Herman Reipert, 1899.
Salvador Malaquias Leal, 1904 a 1905 e 27/5/1916.
Cap. Antão Alves de Moura, 1906 a 1913 e 9/2/1915.
Teotônio Gonçalves Corvelo, 5/5/1914.
João Francisco Bensdorf, 13/2/1917 -1928.
Cap. José Meireles, 23/10/1928 - 1930.
Ten. Antônio de Andrade, 24 a 29/10/1930.
Antônio dos Santos Barbosa, 30/10 a 22/12/1930.
Durval de Andrade e Silva, 22/10/1930 a 9/4/1931.
Dr. José Monteiro, 10/4/1931 a 19/5/1938 - 1/1/1948 a 31/12/1951.
V
NEGÓCIOS E NEGOCIANTES
Fábrica de cal - Jorge Avelino, na Fazenda das Palmeiras.
Fábrica de aguardente - António Teixeira de A. Bastos;
Fernando José Augusto Bittencourt.
Ferro Carril - Empresa Emmerich & Ablas.
Rink Vicentino - propriedade de uma associação particular.
Tavernas
Antônio de Lima Machado, Rua do Imperador;
Arlindo José das Neves, Rua do Imperador;
Abel Soeiro Sarmento, Largo do Baptista Pereira;
Carneiro & Lascazas, Rua Jacob Emmerich;
Francisco José da Silva, Rua do Imperador;
Francisco Lapetina, Rua do Marquez de S. Vicente;
José dos Santos Neves, Rua do Marquez de São Vicente;
José Antônio Fernandes Guimarães, Rua do Imperador;
João Marcelino de Azevedo, Largo de Baptista Pereira;
Joaquim Leite Rabello, Rua do Marquez de S. Vicente;
Lino de Araújo
Santos, Rua do Imperador.
Lojas de fazendas
Antônio Ritz, Rua do Imperador;
Carneiro & Lascazas, Rua de Jacob Emmerich;
José Antônio Fernandes Guimarães, Rua do
Imperador.
Bilhar
Antônio José Monteiro Torres, largo de Baptista
Pereira.
Pharmacia
José Ignácio da Glória, Largo de Baptista
Pereira.
Padarias
João Hourneaux, Rua do Imperador; José Ricére,
Rua do Imperador.
Sapateiros
Domingos Naiveze, Rua do Marquez de S. Vicente;
Luiz Attilio, Largo de Baptista Pereira.
Açougues
Domingos Naiveze, Largo de Baptista Pereira;
Henrique Ablas (Herança), Rua de Jacob Emmerich.
*
A Câmara Municipal de São Vicente publicou em 1903 um relatório e registro denominado "Comércio, profissão e indústrias" constando os principais estabelecimentos. Nessa lista Antão de Moura aparece diversas vezes como proprietário de negócios.
Os nomes que aparecem nesta publicação e no Indicador Santista de 1885, em sua maioria, são os mesmos que aparecem no edital do prefeito Antão de Moura em 1909. Alguns estabelecimentos constam com endereço no "Porto dos Reis", bairro localizado na área continental lado orla que corresponde ao Japui e Porto do Rei em Praia Grande, onde existiam propriedades e comerciante de produtos agrícola.
CASA REQUEJO - AGRICULTURA – INDÚSTRIA - MINERAÇÃO
Açougues
Chrispim Simões, Largo Baptista Pereira; Rua Martim Affonso;
Paulino Alves de Oliveira, Largo Baptista Pereira.
Alfaiates
Francisco Molinari, Rua 15 de Novembro;
Luiz Flausino, Rua 15 de Novembro;
Vicente Gil, Rua Frei Gaspar.
Barbeiros
José Serra, Rua 15 de Novembro;
Manoel da Costa,
Rua 15 de Novembro, 37.
Bilhares - Antão de Moura, Rua Martim Affonso, 30-32;
Ricardo Requejo, Rua 15 de Novembro.
Botequins
A. Fernandes, Rua Martim Affonso;
Antão de Moura, Rua Martim Affonso, 30-32;
Antônio H. Ferreira, Rua 15 de Novembro;
Antônio Ramos Junior, Rua Marquez de S. Vicente;
Manoel José da Silva Junior, Rua Visconde Tamandaré;
Ricardo Requejo, Rua 15 de Novembro;
Rodrigues &
C.º, Rua Martim Affonso.
Calçados
Antônio Alves Gonçalves, Rua 15 de Novembro;
Francisco Tochi, Rua 15 de Novembro.
Charutaria
João Richetti, Rua 15 de Novembro.
Constructor
José Vidal, Rua Martim Affonso.
Fazendas e armarinho
A. L. Ritter, Rua 15 de Novembro;
Antônio João José, Rua Marquez de S. Vicente;
Antão de Moura, Rua Martim Affonso, 30-32;
Joaquim Alves Bexiga, Rua Padre Manoel Aguiar, 6.
Louça
Antão de Moura, Rua Martim Affonso, 30-32.
Officina Encyclopedica
Joaquim Dias Bexiga, Rua Padre
Manoel Aguiar, 6.
Officina Mechanica , Ferreiro e Serralheiro
Officina de Ferraria e Funilaria Antônio Nunes,
Rua Ypiranga, 12
Padarias
Agostinho Pereira Pinto, Rua 15 de Novembro;
Annunciado Silvidio, Rua Marquez de S. Vicente;
Antônio Plotow, Rua Frei Gaspar;
Emílio Horneaux, Rua 15 de Novembro; Couto & Costa, Rua 15 de Novembro;
Paulino Alves de Oliveira, Largo Baptista Pereira.
Pharmacias
Arthur Augusto Pereira Magalhães, Rua 15 de Novembro;
José Ignacio da Gloria, Rua Jacob Emmerich.
Restaurantes
Antônio H. Ferreira, Rua 15 de Novembro;
Ricardo Requejo, Rua 15 de Novembro.
A. Fernandes, Rua 15 de Novembro;
Agostinho Pereira Pinto, Rua 15 de Novembro;
Antão de Moura, Rua Martim Affonso, 30-32;
Anthero Alves de Moura, Porto dos Reis;
Antônio Ferreira da Costa, Rua 15 de Novembro;
Antônio P. de Amorim, Rua Martim Affonso;
Antônio Roque, Rua Visconde Tamandaré;
Costa & C.ª, Porto dos Reis;
Francisco Lapetina, Rua Visconde Tamandaré;
Ignacio Requejo, Largo Baptista Pereira;
Joaquim José Leite, Rua Marquez de S. Vicente;
José Joaquim Barrozo, Rua Capitão Mór Aguiar;
Manoel Alves Pereira, Rua Marquez de São Vicente;
Manoel Antônio Claro, Rua Frei Gaspar.
VI
LOGRADOUROS E PROPRIETÁRIOS
*
1
O PORTO TUMIARU
*
2CAPITÃO-MÓR AGUIAR
*
3
VISCONDE DE TAMANDARÉ
Jacob Emmerich, imigrante alemão, e seu filho Antonio Emmerich, proprietário do número 31 da rua Visconde de Tamandaré. Os Emmerich aparecem como proprietários em outras ruas. Essa família marcou época com a implantação do sistema de transporte coletivo por bondes desde o século XIX. O pai é nome de rua citada neste edital e o filho, algumas décadas depois, deu nome à principal avenida que liga São Vicente e Santos na zona noroeste (da Praça das Bandeiras até à divisa do Tambores) e que antes era a linha 1 Via Matadouro).
O comerciante Francesco Lapetina e sua filha Maria Helena Lapetina em foto de 1925, na rua Visconde de Tamandaré, 40. Também foi citado no edital como proprietário de lote na avenida Capitão Mor Aguiar, 22. Francesco era natural de Tramutola, Potenza, Itália, onde nasceu em 1844. Imigrou para São Vicente em 1879. Segundo o Almanaque Santista (1885), era um dos comerciantes mais antigos em atividade, tendo primeiramente uma taverna, secos e molhados e depois uma pedreira. Foi pai de 12 filhos, 10 vicentinos e dois italianos. Sua filha Maria Helena (foto) casou-se com Antônio Pinto Amorim (irmão de Luiz Pinto Amorim, dono do famoso Iate Etelvina, que fazia a travessia para Praia Grande, no Porto Tumiaru), com quem teve sete filhos. O caçula dessa prole de Maria Helena e Antônio foi o famoso médico Dr. João Amorim, que fez brilhante carreira científica e gestora em importantes núcleos da medicina paulistana, incluindo os hospitais Pérola Byington, Matarazzo e Pro-Matre.
CARLOS MIRABELLI
Fonte: Revista Reformador - FEB. novembro, 2001 - páginas 28 e 29.
Rodolfo Mikulasch. autor da obra "O Médium Mirabelli", resultado de um Inquérito, editado em 1926 na cidade de Santos. Mikulash foi prefeito de São Vicente entre 1938 e 1945. No edital de nomes listados na rua Ypiranga aparece como proprietário dos lotes 26 e 28 o Sr. Francisco Mikulasch.
O CASARÃO DA MARQUÊS COM SANTA CRUZ
CASAMENTO. Meados da década de 1950. Casamento da filha caçula de Agostinho Auricchio. Familiares e convidados reunidos no hall do Casarão da rua Visconde de Tamandaré, esquina com Santa Cruz.
4
DR. CAMPOS SALLES

Imagem em IA do ex-prefeito a partir de retrato de um dos seus descendentes. Dois antigos moradores, de épocas diferentes (anos 1930 e 1950) confirmaram a semelhança de traços.
5
YPIRANGA
*
6
TRAVESSA DA IMPERATRIZ
*
ANTÔNIO NUNES, DE FERREIRO A PRODUTOR DE BANANA
LUIS RENATO THDEU LIMA
*
7
QUINZE DE NOVEMBRO
A RUA QUINZE EM 1909
Antero Alves de Moura com amigos e autoridades no automóvel na rua XV de Novembro em 1925. Acervo do IHGSV.
*
8
MARTIM AFFONSO
Imagem da rua Martim no início do século XX, já bastante modificada pelas sucessivas demolições e reformas da casa de pedra do Bacharel Cosme Fernandes, que restou apenas um parede. A casa de Tobias de Aguiar, erguida 1900 e que em 1910 passou a ter João Francisco Wrigth como proprietário.
Óleo sobre tela. 100,00 cm x 56,50 cm. Enciclopedia Itaú Cultural.
AÇOARIANOS NA “PRAIA DAS VACAS”
"Praia das Vacas" nos anos 1930. Área continental de São Vicente, lado orla, no início do século XX. Uma prática típica dos descendentes de açorianos que migraram para o Brasil.
A presença de açorianos em São Vicente já era conhecida no início do século XIX quando Manoel Antônio Machado e sua esposa chegaram na região em 1814. Eles eram pais de Antônio de Lima Machado, empreendedor que se mudou para São Vicente e se destacou nos negócios e também na política.
OS GOMES-SERPA DA ILHA DE SÃO MIGUEL
Na mesma época, migraram para São Vicente, ocupando a Prainha e também Paranapuã , o núcleo dos Gomes e Serpa, vindos da Ilha de São Miguel, no Arquipélago dos Açores. A descrição genealógica e a instalação dessas famílias em terras vicentinas é de Fernanda M. Macedo, descendente direta dos patriarcas Damaso Maria Gomes (Vila Gomes) e Emmanuel Francisco Gomes (Vila Serpa):
“Damaso Maria Gomes, nascido na Vila Gomes, da ilha de São
Miguel, arquipélago dos Açores. Instalou-se num lote de terreno na Praia de
Paranapuã (Praia das Vacas) e ali desenvolveu um sítio de gado leiteiro, cujo
leite era vendido na Vila de São Vicente.
Não se sabe se o lote foi doado pela municipalidade ou
escolhido entre os lotes vizinhos por
estar vago. Porém, temos aí a prova de que já existiam moradores nessa
praia em meados do século XIX.
Por mau gerenciamento de seu sítio, trocou o mesmo por uma
quitanda, uma carroça e um burro na Vila de São Vicente, onde veio falecer em
1901”.
No edital do prefeito Antão de Moura, Damaso aparece como proprietário do lote 13 da rua Martim Afonso, já transferido aos herdeiros após o seu falecimento.
*
"CLUB DOS EM PÉ"
Este club celebrou na noite de ante-hontem, a passagem do eu primeiro anniversario, offertando aos seus associados, convidados e representantes da imprensa local e de Santos, no Rink Vicentino uma lauta ceia.
Antes, porém, dessa refeição, foi constituida, por acclamação, a directoria que tem de gerir os destinos sociaes no anno vigente.
Por proposta do sr. Santos Amom, foi acclamada a seguinte diretoria:
Tesoureiro, Alvaro dos Santos Barbosa.
por esta succursal".
HORNEAUX, MOURA, LAPETINA, EMMERICH, ABLAS
O Capitão Antero de Moura e sua esposa Izabel Horneaux de Moura em sua residência na rua XV de Novembro. Acervo familiar doado ao IHGSV.
O PRIMEIRO MÉDICO MODERNO VICENTINO
*
9
PADRE ANCHIETA
10
VISCONDE DO RIO BRANCO
11
DR. AMÉRICO BRASILIENSE
12
DR. RANGEL PESTANA
*
13
PRAIA DE S. VICENTE
14
PRAIA DO ITARARÉ
15
XI DE JUNHO
Dia de São Calixto, 14 de outubro de 1924, aniversário de Benedito Calixto, recebe a visita de seus amigos Capistrano de Abreu e Domingos Jaguaribe. Na foto está o seu genro Engº João Pedro de Jesus Neto, casado com sua filha Fantina. Capistrano vinha todos os anos passar as férias na chácara de Jaguaribe (Praia de S, Vicente s/n), médico cearense e fundador do em São Paulo do Instituto Psico Fisiológico.
A ocupação da orla foi sendo ampliada pelas criação de ruas paralelas e seguidos cruzamentos formando nelas a Vila Betânia, hoje Boa Vista. As duas áreas inicialmente foi ocupada por aristocratas paulistanos, como se vê no edital, com destaque para Raymundo de Oliveira e Domingos Jaguaribe, que tinha chalés nas areia sobre o a vegetação de jundú, como consta em registro de alguns quadros de Benedito Calixto. Neste registro abaixo aparece a Ilha Porchat.
Henri Porchat, suíço radicado em Santos ( no século XIX, pioneiro em rebocadores a vapor, telefonia local e curtumes, acumulando grande fortuna.
*
"Um lindo aspecto da Praça 22 de Janeiro, em São Vicente, completamente remodelada na administração do sr. Polidoro Bittencourt". Foto-legenda: revista Flama, janeiro de 1944 (ano XXIII, nº 1). Site Novo Milênio. Editado por Carlos Pimentel.
Nos anos 1950-60 praça a chegou a ter um busto do pintor Benedito Calixto (desaparecido durante algumas reformas) e alguns estabelecimentos também desaparecidos, como o Seminário Católico entre as ruas Erasmo Schetzs e Djalma Dutra.
No início dos anos 2.000 a praça sofreu uma intervenção turística com a criação do Parque da Vila de São Vicente, quando foi construída uma réplica de uma vila colonial, mantida até hoje. A Igreja Mariz e o Mercado Municipal são imóveis tombados pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico.
*
19
MARQUEZ DE S.VICENTE
*
20 PADRE MANOEL*21 TRAVESSA DAS FLORES*22 LARGO DA SANTA CRUZ*23 SANTA CRUZ *24 JOSÉ BONIFÁCIO*25 *RUA 24 DE MAIO
Esses endereços, mesmo com a descaracterização da arquitetura original, possuem até hoje os traços antigos da vila vicentina, com algumas construções das primeiras décadas do século XX. Aos poucos essas antigas casinhas e prédios foram desaparecendo pela força do comércio e da pressão demográfica. Mas algumas resistem bravamente e desafiam a imaginação de alguns transeuntes, que fazem questão de cortar caminho por elas, desviando das barulhentas praças e avenidas tomadas pelos automóveis e ônibus.
RESIDÊNCIA, PENSÃO E ESCOLA MARTIM AFONSO
*
26
JACOB EMMERICH
*
27
FREI GASPAR
Na rua Frei Gaspar, a mais extensa e que corta toda a ilha de São Vicente, da orla até o lago Pompeba, aparecem com os mesmos conhecidos nomes citados na rua Jacob Emmerich e com número bem maior de logradouros: Leôncio, Paulino e João Carlos Ratto (9, 11 e 22), a The City Of Santos Company (23) e destacados proprietários: Frederico Roth (4), Dr. José da Costa B.P. Neves (14 e 16), Julião Caramuru (34), filhos d Dr. Silva Jardim (36), Vicente Gil(do 40 ao 46), Francisco Lapetina (58), Antão Alves de Souza (48).
No mesmo número 48 estava imóvel de Antônio Plothow, proprietário de uma antiga e famosa padaria fundada em 1894 e que seria vendida nos anos 1950. Seu herdeiro Francisco Plothow transferiu-se para Santos, onde montou na avenida Vicente de Carvalho, 36 (Edifício Belmar) a Confeitaria Joinville existente até os dias atuais. Na foto a seguir , na primeira quadra da rua Frei Gaspa, no sentido praia-centro, a quarta casa seria dos Plothow.
A rua Frei Gaspar sempre foi um endereço cobiçado pelos comerciantes e prestadores de serviços, pela sua posição intermediária no centro da cidade e de grande fluxo de transeuntes e consumidores. Até hoje tem o metro quadrado comercial vai valioso do centro da cidade, abrigando pontos de negócios estratégicos e construções históricas como o Edifício Gáudio, a Casa do Barão, o Edifício Zufo (Alto Falantes Royal) e o Café Floresta - ambos na esquina da Praça Barão - a sede da Irmandade da Santa Casa de São Vicente e a Fábrica de Vidros. Nela também, logo após a quadra do Hospital São José, foi fundada, nos anos 1950, a Sinagoga Espírita Cáritas, em homenagem aos comerciantes judeus anônimos que contribuíram para a aquisição do terreno e construção do prédio da entidade. A S.E. Cáritas mantinha uma obra assistencial denominada Fraternidade Cristã, com albergue noturno, clínica dentária e uma conhecida biblioteca pública para pesquisas escolares. Na época, centenas de alunos procuravam a Biblioteca Municipal de Santos para fazer suas pesquisas, se locomovendo de bonde até o centro da cidade. A biblioteca do Cáritas supriu boa parte das necessidades dos estudantes que não podiam cobrir o custo da passagem para ir até Santos.
*
28
JOÃO RAMALHO
*
29
PRAÇA CORONEL LOPES
*
30
LINHA DOS BONDS DA CIA. CITY
Praça construída originalmente pela Companhia City de bondes e que nas décadas seguintes ficou conhecida como Praça do Correio. É também a praça da Escola do Povo, a primeira edificação construída especificamente para essa função, tornando-se nas décadas posteriores sede da escola técnica Ruth Cardoso. Anteriormente teve s nome de Professora Zina de Castro Bicudo e também "Grupão".
ITINERÁRIOS DOS BONDES
Carlos Pimentel. Novo Milênio
Bonde Nº 1 - São Vicente via Matadouro
Ida - Praça dos Andradas, esquina da Rua Visc. de São Leopoldo, Rua Visc. de São Leopoldo, Largo da Saudade (Saboó), Av. Bandeirantes, Rua Nossa Senhora de Fátima (Matadouro), Av. Antonio Emerich, Praça Coronel Lopes, Rua Frei Gaspar, Rua 15 de Novembro, Rua Jacob Emerich, Praça Barão do Rio Branco.
Volta - Praça Barão do Rio Branco, Rua Martim Afonso, Praça Coronel Lopes, Avenida Antonio Emerich, Rua Nossa Senhora de Fátima (Matadouro), Av. Bandeirantes, Largo da Saudade, Rua Visc. de S. Leopoldo, Rua Visc. de Embaré, Praça dos Andradas.
Bonde Nº 2 - São Vicente via Praias
Ida - Praça Mauá (Abrigo dos Bondes), Rua Cidade de Toledo, Rua Augusto Severo, Praça Barão do Rio Branco, Praça da República, Rua Senador Feijó, Rua Rangel Pestana, Av. Ana Costa, Praça da Independência (Gonzaga), Av. Presidente Wilson (José Menino), Av. Manoel da Nóbrega (S. Vicente), Av. Presidente Wilson (S. Vicente), Rua Pêro Corrêa (S. Vicente), Rua 11 de Junho (S. Vicente), Av. Antonio Rodrigues (S. Vicente), Av. Pedro de Toledo (S. Vicente), Rua Frei Gaspar, Rua 15 de Novembro, Rua Martim Afonso (S. Vicente), Rua Padre Manoel (S. Vicente), Rua Marquês de S. Vicente, Rua Capitão Mór Aguiar, ponto final.
Volta - Rua Capitão Mór Aguiar (S. Vicente), Rua Marquês de S. Vicente (S. Vicente), Praça João Pessoa (S. Vicente), Rua Padre Manoel (S. Vicente), Rua Martim Afonso (S. Vicente), Praça Barão do Rio Branco (S. Vicente), Rua Frei Gaspar (S. Vicente), Av. Pedro de Toledo (S. Vicente), Av. Antonio Rodrigues (S. Vicente), Rua 11 de Junho (S. Vicente), Av. Manoel da Nóbrega (S. Vicente), Av. Presidente Wilson (José Menino), Av. Ana Costa (Gonzaga), Praça da Independência, Av. Ana Costa, Rua Rangel Pestana, Rua Senador Feijó, Praça José Bonifácio, Rua Amador Bueno, Rua Dom Pedro II, Praça Mauá.
O TRAMWAY DOS EMMERICH
TRÊS IMAGENS VICENTINAS DE 1905
*
31
AVENIDA MISERICÓRDIA
*
32
DR. HYPÓLITO DA SILVA
*
33
DR. CÂNDIDO RODRIGUES
Parte do mapa turístico de 1932 mostrando as principais ruas vicentinas e setores ainda desabitados, onde surgiriam novos bairros e vilas. A avenida Misericórdia já havia sido rebatiza de como Presidente Wilson.
O nome Misericórdia identifica esta conhecida avenida vicentina como área de propriedade da Santa Casa de Misericórdia de Santos, entidade que recebeu na cidade muitas doações de pequenos terrenos, prédios residenciais e comerciais e até sítios e glebas, como foi caso do espólio do imigrante português Francisco Valença. Anos mais tarde a Santa Casa transformaria essas áreas em loteamentos da Vila Valença e Jardim Independência, que originalmente se chamava Vila Misericórdia.
A grande e larga avenida que corta uma parte imobiliária valiosa da cidade, como se vê no edital, é um projeto do final do século XIX e início do XX, pensado como fator de ocupação e desenvolvimento nas áreas antes e depois da linha da Estrada Ferro SPR-Sorocabana. Isso só foi possível quando foi iniciada a construção da linha de bonde e que mais tarde receberia o nome de avenida Antonio Emmerich, na direção da zona noroeste de Santos. Essa linha estimulou entre 1915 e 1930 os loteamentos da Vila Melo, Vila Pedro Duarte, sucedidos pela Vila São, Cascatinha e Vila Bugre (atrás do quartel do Exército, onde era o Hotel dos Alemães) e o Jardim Gassu. Esse empreendimento mudou também os limites e divisas com Santos, marcando a perda territorial vicentina tanto na zona noroeste (que ia até a atual avenida Jovino de Melo) como também na orla (que ia além da Ilha Urubuqueçaba, onde foi construído o Hotel Internacional.
A avenida da Misericórdia teve seu nome modificado estranhamente para avenida Presidente Wilson, homenagem a um presidente norte-americano, seguindo um modelo de denominação nada transparente e que cumpre ordens ocultas e a revelia da população. Em Praia Grande, no contexto da emancipação do município, foi imposta dessa forma a denominação da mais extensa avenida da cidade, o nome Presidente Kennedy, antiga Estrada do Telégrafo. Algumas vozes vicentinas protestaram contra o nome presidente Wilson, mas não foram ouvidas. Eles pretendiam dar a ela o nome de Bacharel Cosme Fernandes, figura emblemática que viveu na cidade nos primórdios da colonização e que, com a chegada de Martim Afonso em 1532, foi expulso para Cananéia, onde deveria cumprir sua pena de degredo.
A AVENIDA MISERICÓRDIA- PRESIDENTE WILSON
VII
TRANSFORMAÇÕES URBANAS
Na primeira foto o Largo Santo Antônio(Século XVIII), depois Batista Pereira e atualmente Praça João Pessoa. Na segunda, Ambulatório Médico, Cadeia Pública e Câmara Municipal no início do século XX. A construção, já em ruínas em 1925, foi demolida para dar lugar ao Mercado Municipal nos anos 1930.
As décadas de 1910 e 1920 foi a época no qual São Vicente passou pelas primeiras transformações urbanas que romperiam definitivamente a sua tradicional marca de vila bucólica, composta basicamente pelo pequeníssimo centro histórico com poucas ruas e logradouros. No mapa elaborado por Jules Martin em 1878 vê-se claramente o acanhado número de ruas com denominações da vila primitiva, muito diferente das que surgiriam na virada do século XIX para o XX. O centro antigo era composto basicamente por um acanhado conjunto de comércios, pela Casa de Câmara e Cadeia (demolida para dar lugar ao Mercado Municipal nos anos 1930) e um núcleo residencial em torno do largo de Santo Antônio e da velha Igreja Matriz erigida no século XVIII. Algumas casas, a exemplo da chamada Casa de Martim Afonso, eram tão antigas que os proprietários, mantendo apenas o interesse pelos terrenos, deixavam que se desfizessem naturalmente em ruínas. Algumas delas sobreviveram até os anos 1950. Nos arredores existiam sítios e chácaras, incluindo as mansões de “estrangeiros” e os primeiros veranistas que habitaram a orla.
Como já foi dito e ilustrado, esse cenário urbano primitivo vicentino,
com cerca de 800 habitantes, começaria a
mudar após a publicação do edital do prefeito Antão Moura, atualizando o
cadastro municipal, atraindo novos moradores e também empreendimentos
imobiliários. O caso do empreiteiro paulistano José Antônio Zuffo ilustra bem esse
período de mudanças. Ele e seria sucedido, como modelo, pela onda verticalizadora dos edifícios que ocupariam a orla
entre 1940 e 1980 e que atualmente retorna no centro e na direção dos bairros.
José Antônio Zuffo foi um conhecido construtor civil da capital paulista nas primeiras décadas do século XX. Imigrante italiano nascido em Rovido em 1876, na região de Vêneto, fez carreira produtiva nesse período em São Paulo até quando, em 1918, mudou-se para S. Vicente. Aqui construiu sua residência no lote número 5 da rua Martim Afonso, que pertencia a João Horneaux. Ampliou rapidamente seus negócios construindo algumas casas na rua João Ramalho. Tempos depois Zuffo adquiriu uma grande área próxima dos Morro dos Barbosas e ali construiu numa viela a famosa e até hoje existente Vila Santo Antônio. O empreendimento foi uma pareceria com o arquiteto vicentino Camillo Thadeu com as obras foram iniciadas em 6 de agosto de 1930 e concluídas as oito primeiras casas em setembro do mesmo ano. A Vila Santo Antônio era composta de 16 casas alugadas, algumas delas com renda destinada para a construção dos Hospital São José. Por ser membro fundador dessa Santa Casa de Misericórdia, destinou algumas unidades para renda perpétua da entidade. Zuffo foi também construtor do primeiro edifício e conjunto comercial da cidade, denominado “Anchieta”, na esquina das ruas Frei Gaspar e Martim Afonso. Também deixou sua marca benemérita erigindo em 1932 uma nova base de alvenaria para a famosa e centenária Biquinha de Anchieta.
Conjunto de casas geminadas construídas na viela José Antônio Zuffo e arredores da rua Henrique Ablas.
CAMINHO DE PRAIA GRANDE
JOSÉ AZEVEDO JR.
O Iate Etelvina atracado no Porto Tumiarú (Mar Pequeno), em São Vicente, 1892. Empreendimento do portugês Luiz Pinto Amorim. Nesse tempo ainda não tinha a famosa Ponte Pênsil (1914). IA segundo a descrição de Edson Telles de Azevedo (Vultos Vicentinos).
Em um dia do mês de setembro de 1892, a pacata população de São Vicente era surpreendida com a entrada, barra a dentro, de avantajado iate, velas pandas pela brisa de leste, e que, sob a praticagem do pescador Manoel, atracou no ancoradouro do Paquetá, próximo de onde se vê a Ponte Pênsil. O fato despertou natural curiosidade, pois não havia notícia de que, até então, a não ser, possivelmente, as naus de Martim Afonso, outra qualquer embarcação de maior porte e calado houvesse transposto a nossa barra.
O veleiro calava 12 pés, medindo 31 metros de comprimento, por 5,50 de largura. Havia sido fretado no Sul do País e contratada a sua viagem, até nossas águas, por Luiz Pinto de Amorim, o vicentino de adoção, mas cordial amigo da nossa gente e das nossas coisas. A embarcação, de avantajado porte na classificação do tráfego costeiro, vinha com sua capacidade de carregamento completa, trazendo para São Vicente grande quantidade de dormentes para a linha de bondes, sacos de milho, de farinha de mandioca, animais para abate e outras utilidades.
Era seu comandante e dono do carregamento o próprio Luiz Pinto de Amorim, trazendo como tripulantes vários veteranos na navegação marítima, afora o cozinheiro. Depois do exame da documentação de bordo e desembaraço do carregamento pela Capitania dos Portos de Santos, mandou ele proceder à descarga de parte dela para uma balsa, sustentada por duas canoas grandes. O êxito dessa primeira viagem encorajou-o a empreender outras mais, em seu benefício e no do comércio e da população vicentinos, que assim viram ampliado o seu campo de atividades, bastante restrito nesse tempo.
O conhecimento deste fato, merecedor de registro, decorridos que são 75 anos, devemo-lo a subsídios colhidos junto ao seu filho José Santos Amorim, atualmente com a provecta idade de 89 anos, e do dileto amigo Juca Azevedo, com 83 anos. (Vultos Vicentinos).
A FORTALEZA DE ITAIPÚ
O Forte foi construído na Barra de São Vicente (denominação geográfica usada oficialmente pelo Exército ) e teve como função principal proteger o Porto de Santos, ação que se acentuou no período da II Guerra Mundial.
A comunidade militar, mesmo tendo a maioria do seu efetivo em trânsito, tornou-se referência de autoridade federal na região, tendo a sua alta oficialidade exercido intervenções nos destinos políticos do município criado em 1967. Por esse motivo, muitos grupos e segmentos cultivam, de forma cultural e ideológica, a presença dos militares como um fator de segurança e proteção social. Muitos oficiais que serviram no Itaipu permaneceram residindo em Praia Grande e na região após darem baixa na vida militar, dedicando-se à diversas atividades civis.
A Fortaleza de Itaipu e a Vila Militar, desde a sua construção entre 1901 e 1906, tornam-se um patrimônio e fonte de orgulho local por ser o estabelecimento oficial mais antigo da atual cidade. Em quase todas as famílias que viveram na região nas últimas seis décadas encontramos algum membro que prestou serviço militar ou se aposentou na Fortaleza.
PROJETO DE DEFESA DO PORTO DE SANTOS (1897). Em 1895, o Estado-Maior do Exército Brasileiro mandou executar um projeto de defesa do Porto de Santos, encargo que ficou nas mãos do capitão de arma de artilharia Erico Augusto de Oliveira. A tarefa começou a ser executada em 1896 e foi apresentada, concluída, ao Ministério da Guerra, em 1 de dezembro do ano seguinte. A Fortaleza de Itaipu aparece como um dos pontos da primeira linha de defesa. Imagem: Memória Santista.O Forte foi construído na Barra de São Vicente (denominação geográfica usada oficialmente pelo Exército ) e teve como função principal proteger o Porto de Santos, ação que se acentuou no período da II Guerra Mundial.
A comunidade militar, mesmo tendo a maioria do seu efetivo em trânsito, tornou-se referência de autoridade federal na região, tendo a sua alta oficialidade exercido intervenções nos destinos políticos do município criado em 1967. Por esse motivo, muitos grupos e segmentos cultivam, de forma cultural e ideológica, a presença dos militares como um fator de segurança e proteção social. Muitos oficiais que serviram no Itaipu permaneceram residindo em Praia Grande e na região após darem baixa na vida militar, dedicando-se à diversas atividades civis.
A Fortaleza de Itaipu e a Vila Militar, desde a sua construção entre 1901 e 1906, tornam-se um patrimônio e fonte de orgulho local por ser o estabelecimento oficial mais antigo da atual cidade. Em quase todas as famílias que viveram na região nas últimas seis décadas encontramos algum membro que prestou serviço militar ou se aposentou na Fortaleza.
X
A PONTE PÊNSIL E PRAIA GRANDE
COMEÇAM AS NEGOCIAÇÕES E AS OBRAS
UMA GRANDE OBRA DE ENGENHARIA
A Tribuna 25 de janeiro de 1914
Mais alguns meses, e será franqueada ao público a grande ponte pênsil que a Comissão de Saneamento está construindo em um dos mais pitorescos recantos da vetusta cidade de S. Vicente.
Trata-se de uma grande obra de engenharia, que honra sobremaneira o ilustre profissional que hoje superintende os serviços da Comissão de Saneamento de Santos, o dr. Miguel Presgreave.
A necessidade de conduzir até os Itaipus o emissário de esgotos, que deverá lançar as matérias que recolhe das redes secundárias, obrigou a Comissão de Saneamento a planejar essa grande ponte, que atravessa o denominado Mar Pequeno, na sua parte mais estreita.
Após os necessários estudos preliminares, foi encomendada a uma casa da Alemanha a grande ponte pênsil, cuja construção tem sido feita com a maior presteza e cautela.
Logo no início das obras, o dr. Miguel Presgreave e seu digno auxiliar, o dr. Mário Gambaro, atual chefe do serviço de construção da ponte, encontraram um grande obstáculo para o assentamento dos alicerces e pegões da mesma.
As sondagens efetuadas então revelaram a presença de uma enorme laje, que da ponta em que se achava nessa época a garagem do Clube de Regatas Tumiaru, avançava pelo mar adentro, em uma longa distância, e que não apresentava, infelizmente, resistência suficiente para servir de apoio ao pilar inicial da enorme ponte.
Essa dificuldade foi vencida, afinal, após ingentes sacrifícios e enorme trabalho dos escafandristas contratados pelo chefe da comissão construtora.
Terminada a construção dos pilares, foi dado começo ao lançamento da ponte, cuja beleza de linhas causa admiração a todos que a vêem.
O lançamento da ponte está sendo feito, como dissemos, sob imediata fiscalização do dr. Mário Gambaro, que tem como auxiliar o hábil engenheiro dr. Henrique Bramann, mandado para esse fim pela casa August Kloenne, fornecedora do material.
A construção da ponte vai adiantadíssima e já hoje podem os pedestres ir de S. Vicente à Praia Grande sem precisar atravessar o Mar Pequeno nas incômodas lanchas-automóveis que, em virtude de um contrato com o governo, ali fazem o serviço de transportes.
Como dissemos acima, a grande ponte foi feita para por ela passar o emissário dos esgotos da cidade, mas isso não impedirá que a City dela se aproveite para levar os seus trilhos até a Praia Grande, segundo um belo projeto dessa companhia.
Assim, pois, dentro de alguns meses já se poderá ir, então cômoda e rapidamente, do centro desta cidade à Praia Grande ou Itanhaém, em um veloz automóvel ou em uma elegante carruagem.
A Comissão de Saneamento já concluiu a abertura de uma linda avenida que, beirando o mar, conduz da praia do Itararé até o porto do Tumiaru, e outra que vai do Japuí a Itaipus.
Para a construção dessa linda obra de arte, o governo federal concorreu com a importância de 150 contos, pois essa ponte vai facilitar grandemente as comunicações com a fortaleza de Itaipus, construída na ponta do mesmo nome.
Os cabos sustentadores do tabuleiro são em número de 16 e têm o comprimento de 286 metros. Desses cabos, 12 pesam 6 toneladas cada um e 4 atingem a 10 toneladas de peso cada um.
O comprimento do tabuleiro é de 180 metros.
ENGENHOS E SÍTIOS
FAZENDA PARANAPOÃ
"No clichê, a tela do dr. Antonio Militão de Azevedo Neto, (bisneto do Intendente), pintada em 1929,cópia de uma fotografia de Marques Pereira, vendo-se o antigo casarão da fazenda, a capela. Contam os antigos, que no Paranapoã, existiu uma capela mandada levantar por Martim Afonso, fundador de São Vicente, em 1532. Edison Telles de Azevedo. Colorização em IA.
A Tribuna, domingo, 31 de março de 1957.
Acervo da Hermeroteca Digital da Biblioteca Nacional.
Benedito Calixto e família em visita ao Sitio Itaipu durante as obras dos Forte Duque de Caxias. Acervo: Museu Paulista
A área continental vicentina, em toda a sua extensão continental de orla e serrana sempre foi a grande fonte de abastecimento para a parte insular urbanizada que no decorrer das ocupações urbanas foram se desfazendo das práticas agrícolas de consumo familiar e comercial, incluindo o fornecimento de lenha e minérios de construção civil. Também os sítios, que antes eram originalmente áreas produtoras de gêneros alimentícios, tornaram-se chácaras de lazer e mais tarde empreendimentos e loteamentos imobiliários. Durante os séculos XVII e XIX toda essa região continental permaneceu estruturada nos antigos moldes da colonização, com grandes extensões de terras, as sesmarias, mais tarde divididas sucessivamente em propriedades menores, em função do crescimento do número de habitantes em diversos núcleos formados geralmente por lavradores e pescadores. Motivados por essas mudanças demográficas comerciais, o bairro Pria Grande passa ser alvo de interesse crescente de novos empreendimentos. O prefeito de São Vicente , Antão Alves de Moura, foi o mais destacado empreendedor, público e privado, a perceber o potencial de crescimento dos negócios do bairro. Além de adquirir propriedades e residir na praia do Boqueirão, Moura se empenhou politicamente na construção da Ponte Pênsil e na melhoria da estrada para a Praia Grande argumentando junto ao governo do estado e também federal a questão do abastecimento agrícola e a logística de pessoal efetivos e equipamentos militares da Fortaleza de Itaipu, que continuava isolada da área insular (Santos e São Vicente). Outro exemplo de interesse empreendedor, diante do plano da construção da ponte, da instalação de linhas de bondes e também da ampliação da estrada rodoviária até Itanhaém, foi o financista Alexandre Dickson, que anunciou a transformação numa parte do sítio Boguassu em um complexo educacional e hoteleiro, em moldes britânicos, denominado "Villa Nova Escócia".
OS SITIANTES DE TERRAS DEVOLUTAS
EDITAL. Secretaria de Agricultura, Commercio e Obras Publicas
Serviço de discriminação de terras devolutas. MUNICIPÍO DE S. VICENTE (Comarca de Santos)
Alferino Ernesto Miranda, chefe do Serviço de Discriminação de Terras do Município de S. Vicente, na comarca de Santos, etc.
Faço público que tendo de proceder a discriminação das terras devolutas situadas no perímetro que: partindo do Porto Campo, seguindo pela estrada que vae á Praia Grande, por esta até á entrada do Mongaguá, pelo divisor das águas dos ribeirões Mongaguá, Aguapia’ e Mineiro até encontrar a margem direita do rio Branco ou Boturoca, por este até á sua barra e pelo Mar Pequeno de S. Vicente até ao Porto do Campo, comprehendendo os logares denominados:
Berrerinho, Caramburá, Sepetuba, Major,
Sembiuva, Barranco; Mombatuba, Piassabuçu’,
Caramburá, Mongaguá, Acabú dos Mendes,
Jurubahú, Itúnga, Gupova, Botúçucá Paygy,
Canhimá, Tapera, Payabuço, Valerios, Mihú’,
Villela, Araquera, Jangary, Imbuassu’,
Batuva, Bupeva, Taperinha, Miranda,
S. Gonçalo, Caraú’-mirim, Mariana,
Brandina, Estaleiro, Cebolas, Izua, Ermida,
Mongary, Imbiré, Tubayurú’,
Guarapuãba, Guaraquira, Jucahú’ e Caniné,
no municipio de S. Vicente, comarca de Santos, de accordo com o artigo 127 do decreto n. 734 de 5 de janeiro de 1876, combinado com o artigo 54 do decreto n. 3.375 de 30 de Novembro de 1900, e para os effeitos do artigo 123 do mesmo decreto, faço público o presente edital, para que chegue ao conhecimento dos interessados e não venham no dia, hora e logar referidos allegar ignorancia, fazendo-se o mesmo publico pela imprensa.
E, para constar, mandei expedir este edital, que será publicado no Diario Oficial, na imprensa de S. Vicente, Santos e da capital. Designado o dia quatorze (14), do proximo mez de novembro do corrente anno para, ás onze horas da manhã, no edificio da Camara Municipal de S. Vicente, realizar a audiência de installação e inicio dos referidos trabalhos, devendo a ella comparecer os interessados comprehendidos na zona acima mencionada; pelo que notifico aos confrontantes, occupantes e interessados seguintes:
Delegacia Fiscal do Governo Federal,
Camara Municipal de S. Vicente, coronel Antão de Moura, José Antonio da Silva Bastos,
Emilio Vocovich, João Fernandes, Alfredo Malheiros, dr. Guilherme Aralhe, Affonso Veridiano,
Alexandre Guligan, João Masaranduva, Martim Henrique Sobral, Gertrudes Ribas da Costa,
Cypriano Leigo, Salvador Souto, Luis Francisco, Firmino Pacheco Nobre,
dr. Fernando Arens, Joaquim Antonio dos Passos, Celestina Cezaria da Graça,
Ivo Francisco de Carvalho, Martim Antonio de Souza, Severiano Valle de Souza,
Paulino José Ribeiro Ratto, Felicidade de Souza, Manoel Lourenço,
Nicolau Antonio da Silva, Anna Dias de Moraes, Leoncio Ratto,
Henrique Manoel dos Santos, José Cyrino, Maria Cyrino,
Vicente Francisco Cyrino, Joaquim da Silva Cyrino, João Honorio Dias,
Arthur Baptista de Assumpção, Gaspar Vereboso, João Carrollino da Silva,
Ignacio, Benedicto Vicente, Agostinho e Francisco da Silva, José Martino dos Santos,
Victoriano da Silva, Antonio Marques de Sá, herdeiro de Antonio Martins dos Santos,
Eduardo Vereboso, José Leme, herdeiro de Manoel José da Graça, Francisco Pinto,
Guilherme Arnaldo Guimarães, Felippe do Prado, Maria José Appolinaria,
Francisco Pires de Camargo, Alexandre Dickson, Berrenner Bulow e Cia.,
Francisco Ignacio de Oliveira Ribas, Valerio da Silva, Joaquim Jesuino Pedroso, Custodio da Silva
e os demais interessados e occupantes incluidos no perimetro já descripto e cujos nomes são ignorados, a comparecerem á referida audiencia, no dia, logar e hora designados oara o fim de exibir os seus titulos de domínio particular ou de legitimação e re-posse, devidamente transcriptos nos termos do decreto supracitado, como o representante Fiscal e curador geral de orphãos da comarca de Santos, para assistirem ao processo de discriminação, sob pena de revelia.
E, para constar, mandei expedir este edital, que será publicado no Diario Official, na imprensa de S. Vicente, Santos e da capital. Dado e passado nesta cidade de S. Paulo, em 9 de outubro de 1911. — Eu, Marco Aurelio Natividade, escrivão, irão, o escrevi e publiquei — Alerino Ernesto Miranda.
O SÍTIO BOGUASSU (NOVA ESCÓCIA)
Imagens criadas por com base no edital publicado em A Tribuna.
EXECUÇÃO HIPOTECÁRIA
Parte do antigo Boguassu e depois propriedade do comerciante Alexandre Dickson, o sítio Nova Escócia foi alvo de uma ação judicial de execução hipotecária no fórum de Santos a pedido do credor José Ferreira Lopes. O Nova Escócia tinha como vizinhos os proprietários: Ubert Simon (Taperinha), Antônio da Silva Bastos (Sítio do Camargo) e Antônio Militão de Azevedo, conhecido leiloeiro vicentino que atuava na praça de Santos.
A propriedade tinha os seguintes bens:
" Uma casa de morada no alto sitio construída de taboas e coberta de telhas ardosias, avaliada por quinhentos mil réis.
Uma casa de madeira, coberta de telhas ordinárias, avaliada por quatrocentos mil réis.
Uma cocheira, avaliada por duzentos mil réis.
Um gallinheiro, avaliado por cem mil réis.
Um motor hydraulico, avaliado por quinhentos mil réis.
Dois mil pés do cajueiros*, avaliados por um conto de réis.
Diversas bananeiras, laranjeiras e outras arvores fructiferas. avaliados por.... quinhentos mil réis.
Tudo, no total de 33:200$000 (trinta e tres contos e duzentos mil réis). E, para que chegue ao conhecimento de todos, mandei expedir o presente edi. tal, que será affixado nos logares publicos do costume e publicado pela imprensa local. Dado e passado nesta cidade de Santos, em 6 de novembro de 1914.
Eu, Eliziario de Mello Cardoso... escrevente, o escrevi. E eu. Itto Macuco Borges. escrivào, subscrevi. Francisco de Paula e Silva".
Em 1913 a propriedade desmembrada do sítio Boguassu transforma-se Villa Nova Escócia, um arrojado projeto dirigido por Alexandre Dickson, gerente do Banco Belga, na praça de Santos. Tratava-se de um complexo e, bem ao estilo neocolonial europeu, leia-se imperialismo cultural britânico, aplicado em diversas regiões do planeta a partir da segunda metade do século XIX . Era o mais difundido projeto de ascensão social almejado pela classe média: formar os filhos na cultura industrial e comercial britânica, a mais poderosa do mundo contemporâneo e que proporcionava o ingresso nas maiores e mais influentes corporações empresariais. Milhares de jovens brasileiros estudavam e se formavam em internatos ingleses e que já se espalhavam nas regiões portuárias de influência inglesa. Essa era ideia de Dickson. Fazia parte do complexo uma grande estrutura educacional no formato de um colégio de internato, acoplado a uma estrutura de lazer e hotelaria, como descreve o anúncio publicado no jornal A Tribuna em várias edições.
No ano seguinte, o empreendimento já estava numa situação completamente oposta ao que havia sido descrito na propaganda anterior, sendo agora anunciado num edital judicial de execução hipotecária de 9 de novembro de 1914, publicada seguidas vezes.
O empreendimento planejado para funcionar em extensa área entre a orla marítima e os sítios rurais de Praia Grande pretendia atrair uma seleta clientela paulistana e interiorana potencialmente interessada numa educação aristocrática da Era Vitoriana, considerada modelar e preparatória para o acesso às melhores universidades e empresas da Inglaterra, EUA e Canadá. Conforme foi descrito num edital de leilão, propriedade possuía 2 mil pés de cajueiros e muitas outras curiosas características exóticas. Aparentemente inexplicável , o projeto de Dickson sofreu um revés e rapidamente tornou-se uma massa falida exposta em leilão judicial.
O que teria acontecido?
Imagens criadas por com base no edital publicado em A Tribuna.
EXECUÇÃO HIPOTECÁRIA
Parte do antigo Boguassu e depois propriedade do comerciante Alexandre Dickson, o sítio Nova Escócia foi alvo de uma ação judicial de execução hipotecária no fórum de Santos a pedido do credor José Ferreira Lopes. O Nova Escócia tinha como vizinhos os proprietários: Ubert Simon (Taperinha), Antônio da Silva Bastos (Sítio do Camargo) e Antônio Militão de Azevedo, conhecido leiloeiro vicentino que atuava na praça de Santos.
A propriedade tinha os seguintes bens:
" Uma casa de morada no alto sitio construída de taboas e coberta de telhas ardosias, avaliada por quinhentos mil réis.
Uma casa de madeira, coberta de telhas ordinárias, avaliada por quatrocentos mil réis.
Uma cocheira, avaliada por duzentos mil réis.
Um gallinheiro, avaliado por cem mil réis.
Um motor hydraulico, avaliado por quinhentos mil réis.
Dois mil pés do cajueiros*, avaliados por um conto de réis.
Diversas bananeiras, laranjeiras e outras arvores fructiferas. avaliados por.... quinhentos mil réis.
Tudo, no total de 33:200$000 (trinta e tres contos e duzentos mil réis). E, para que chegue ao conhecimento de todos, mandei expedir o presente edi. tal, que será affixado nos logares publicos do costume e publicado pela imprensa local. Dado e passado nesta cidade de Santos, em 6 de novembro de 1914.
Eu, Eliziario de Mello Cardoso... escrevente, o escrevi. E eu. Itto Macuco Borges. escrivào, subscrevi. Francisco de Paula e Silva".
Em 1913 a propriedade desmembrada do sítio Boguassu transforma-se Villa Nova Escócia, um arrojado projeto dirigido por Alexandre Dickson, gerente do Banco Belga, na praça de Santos. Tratava-se de um complexo e, bem ao estilo neocolonial europeu, leia-se imperialismo cultural britânico, aplicado em diversas regiões do planeta a partir da segunda metade do século XIX . Era o mais difundido projeto de ascensão social almejado pela classe média: formar os filhos na cultura industrial e comercial britânica, a mais poderosa do mundo contemporâneo e que proporcionava o ingresso nas maiores e mais influentes corporações empresariais. Milhares de jovens brasileiros estudavam e se formavam em internatos ingleses e que já se espalhavam nas regiões portuárias de influência inglesa. Essa era ideia de Dickson. Fazia parte do complexo uma grande estrutura educacional no formato de um colégio de internato, acoplado a uma estrutura de lazer e hotelaria, como descreve o anúncio publicado no jornal A Tribuna em várias edições.
No ano seguinte, o empreendimento já estava numa situação completamente oposta ao que havia sido descrito na propaganda anterior, sendo agora anunciado num edital judicial de execução hipotecária de 9 de novembro de 1914, publicada seguidas vezes.
O empreendimento planejado para funcionar em extensa área entre a orla marítima e os sítios rurais de Praia Grande pretendia atrair uma seleta clientela paulistana e interiorana potencialmente interessada numa educação aristocrática da Era Vitoriana, considerada modelar e preparatória para o acesso às melhores universidades e empresas da Inglaterra, EUA e Canadá. Conforme foi descrito num edital de leilão, propriedade possuía 2 mil pés de cajueiros e muitas outras curiosas características exóticas. Aparentemente inexplicável , o projeto de Dickson sofreu um revés e rapidamente tornou-se uma massa falida exposta em leilão judicial.
O que teria acontecido?
Edital de A Tribuna, em 23 de maio de 1909. Hemeroteca digital BN.
Provavelmente o revés tenha ocorrido após a eclosão da I Guerra Mundial, causando uma incerteza e insegurança e, consequentemente, uma diversidade de distúrbio na economia como os fracassos nos negócios e inadimplência nos pagamentos de dívidas bancárias, que era a principal fonte financiadora da maioria do empreendimentos.
Não foi somente o negócio de Dickson que foi atingido. Um grande leilão em Santos anunciava em 1915, um ano após às declarações de guerra na Europa, a oferta da massa falida de Antão de Moura, prefeito de São Vicente e titular de inúmeras propriedades e negócios em Santos, São Vicente e no então bairro de Praia Grande:
No início de dezembro de 1914 o jornal santista A Tribuna publicava na coluna da sucursal de São Vicente seguidas notas sobre o jovem vicentino Paulo Horneaux de Moura, filho do capitão Antero de Moura, delegado de polícia e também negociante em Praia Grande. O moço teve que abandonar os estudos na Inglaterra e retornar às pressas da Europa quando a família foi surpreendida pela notícia da eclosão da Grande Guerra. O retorno do jovem estudante de engenharia em Manchester, que havia frequentado uma escola preparatória em Southport, finalmente aconteceu no final do mês de dezembro, a bordo do paquete "Amazon".
A PUBLICIDADE E O FIM DO
EMPREENDIMENTO DICKSON EM PRAIA GRANDE
Villa Nova Escócia" –A construção de um grande estabelecimento de ensino. IA conforme descrição do edital publicado no jornal A Tribuna.
***
Dentre os melhoramentos que se notam na Praia Grande, destaca-se a “Villa Nova Escócia" de propriedade do sr. Alexandre Dickinson, gerente do Banco Belga.
Na propriedade que vamos descrever vai ser construído um grande edifício para um estabelecimento de ensino, nas condições Anglo-Americano
A “Nova Escócia" é o antigo sítio Boguassu" transformado do em uma villa, com plantações, avenidas, bosques, caramanchões, lagos, mirantes, etc. Está situado na aprazível praia que se estende desde São Vicente até Itanhaém, junto do caminho de Porto do Rei, em frente para o mar, tendo entrada pela praia e pela estrada.
A villa tem meio quilômetro de frente por um e meio de fundos. Entre tantas condições especiais que se encontram a importante propriedade, cujo futuro se pode avaliar, notam-se, a parte da beleza natural, rios que passam pelo terreno se prestam para passeios em pequenas embarcações. A “Nova Escócia” está organizada para ponte de recreio onde se pode fazer pic-nics de preferência qualquer arrebalde de Santos. Ventilada pela brisa marítima e servida pelo mar que na encantadora praia de se bate com intensidade, as famílias encontrarão na “Nova Escócia” o melhor ponto de recreio e uso de banhos.
Em uma área de 500 metros de frente e 200 de fundo será construído o grande edifício do Collégio.
O projeto do edifício terá dois andares com frente para o mar acomodando 600 pessoas. Pelo projeto que vimos, pelas condições especiais, o Collégio será um dos melhores do nosso Estado. Basta ver que os alunos terão parques para suas diversões, campo de volley-ball e uma excellente praia para passeios, onde poderão multiplicar seus divertimentos.
Para facilitar as visitas das famílias do alunos, será construído uma pavilhão junto ao Collégio, com hotel, restaurante e bar, com condições de comodidade, higiene e conforto.
Dessa forma, não só as famílias dos alunos, como qualquer veranista, poderão fazer estações de banhos (...)
DUAS FAMÍLIAS SIMBÓLICAS
Os Bastos eram uma típica família de origem portuguesa que habitava um extenso território que ia do Japui ao atual Sítio do Campo, faixa de terras entre o Boqueirão e o Mar Pequeno. Ali situava-se também o Porto do Rey, estabelecimento colonial cuja nomenclatura indicava a circulação de mercadorias e posto de arrecadação alfandegária. Entre os moradores mais antigos dessa ampla área, aparecem nos documentos vicentinos figuras como Antônio Teixeira de A. Bastos, conhecido produtor de água ardente, citado no Indicador Santista, publicado no início do século XX.
Outro nome que ficou bastante conhecido como morador desse antigo núcleo continental foi capitão Tude Bastos Sores Neiva Lima, comandante que atuou na construção da Fortaleza do Itaipu, em 1906. Os Bastos provavelmente viviam da arrecadação produtiva de arrendatários de suas terras. Eram também conhecidos bacharéis, formados na Capital, muito atuantes em Santos e São Vicente, como foi o caso de Antônio José da Silva Bastos e Maria Plácida da Costa Bastos. Eram influentes membros da colônia portuguesa da região, citados como fundadores do Teatro Guarani, em Santos. Tiveram três filhos: Maria Bárbara Bastos (Dona Sinhara), que contraiu núpcias em 17 de abril de 1879 com Francisco Américo de Faria, segundo consta em sua certidão de casamento. Foram também pais de Magino Bastos e José Cesário Bastos, ambos nascidos no Sítio do Campo e advogados formados pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco:
"O dr. José Cesário da Silva Bastos foi dos maiores chefes políticos do Município ou o maior deles, segundo a opinião insuspeita de observadores de ontem e de hoje. Segundo comprova Costa e Silva Sobrinho, em 'Santos Noutros Tempos', nasceu ele em São Vicente em 16 de setembro de 1849 e [foi] batizado nesse município em 17 de novembro do mesmo ano, sendo seus padrinhos o padre Manoel de Ascensão Costa, que ministrou o batismo, e d. Mariana Benedita de Faria Albuquerque, sogra do Marquês de São Vicente". (Almanaque de Santos, 1971).
José Antônio da Silva Bastos e seu filho José Cesário da Silva Bastos foram membros históricos do Partido Republicano Paulista e também da Comissão Commemoradora do IV Centenário do Descobrimento do Brasil, movimento formado por políticos vicentinos, santistas. Cesário Bastos foi nomeado orador oficial do grupo. Essa comissão serviu de base fomentadora da produção de monumentos e obras de arte de cunho histórico e memorial elaborados por Benedito Calixto, como o monumento da Praça 22 de Janeiro em São Vicente e quadro "A Fundação de São Vicente" , acervo do Museu Paulista.
O fato foi noticiado por diversos jornais da época, como esta nota do "Lavoura e Commércio", em 9 de agosto de 1898:
"Conforme fora annunciado, realisou-se hontem em S. Vicente a importante reunião para o fim da leitura e discussão dos estatutos da Sociedade Commemoradora do 4º Centenário da descoberta do Brasil. Os estatutos foram aprovados e eleita a seguinte directoria: presidente, capitão Gregorio Innocencio de Freitas; vice-presidente, Antônio José da Silva Bastos; 1ºsecretario, cap. José Leite Sobrinho; 2º dito, Saturnino Argollo; tesoureiro,Coronel Antonio Carlos da Silva Telles; orador, dr. José Cezario da Silva Bastos, e mais 24 conselheiros".
POLIDORI, Eduardo. Fundação de São Vicente, de Benedito Calixto: composição, musealização e apropriação (1900-1932). USP, São Paulo, 2018.
O Dr. José Cesário da Silva Bastos é nome de praça em São Vicente e da primeira escola pública de Santos. A Escola Estadual Barnabé, em Santos, também foi fruto da sua iniciativa de ampliação do ensino primário. Cesário talvez tenha sido o membro mais conhecido dessa família praia-grandense. Depois de cursar a Faculdade de Direito de São Paulo tornou-se promotor público em Araraquara, ingressando posteriormente nas lides republicanas e cuja carreira repercutiu na intendência e câmara municipal de Santos. Posteriormente torna-se senador na Assembleia Legislativa de São Paulo:
"Em 1894, foi eleito senador do Estado na 3ª legislatura republicana, servindo à alta Câmara paulista de 1894 a 1897, para a qual foi reeleito por mais duas vezes, exercendo, portanto, o alto cargo de 1900 a 1910. Após a reforma constitucional, o dr. Cesário Bastos ainda voltou ao Senado estadual, na primeira legislatura, que se desdobrou de 1922 a 1925, figurando ao lado de Reinaldo Porchat, Galeão Carvalhal, Antônio Carlos da Silva Teles e outros. Jornalista, orador consagrado, chefe político de talento e inteligérrimo defensor das causas justas, o ilustre homem público foi coadjuvador de instituições assistenciais, culturais e sociais, com inestimáveis serviços prestados à Santa Casa e à Beneficência Portuguesa. Desta última, foi orador em várias solenidades e dedicado defensor de interesses econômicos junto aos governos da União e do Estado, sendo sócio honorário em 1906 e sócio benemérito em 1910" ( Almanaque de Santos, 1971)
Cesário Bastos também é nome de uma conhecida avenida em Santo André, cidade que escolheu para viver após a revolução de 1930 e onde faleceu em 8 de outubro de 1937.
MAGINO BASTOS
Magino Bastos. Imagem em IA com base na semelhança com membros da família.
Magino tinha escritório de advocacia em Santos em sociedade com o Dr. José Monteiro, vereador em Santos e futuro prefeito de São Vicente, tornou-se um venerado político vicentino, como demonstra esse pequeno texto biográfico que justificava a denominação de uma rua no bairro Catiapoã (leis municipais de 1949 e de 1958):
“São Vicente produziu, em era pretérita, um varão ilustre, dos mais dignos, dos mais conspícuos e altaneiros que um solo pode conceber. Chamou-se Dr. Magino Bastos, pai do Dr. Tude Bastos e filho de Antonio José da Silva Bastos. Magino Bastos foi o primeiro vicentino formado pela Faculdade de Direito de São Paulo. Em 1907 desempenhou as funções de vigilante do tradicional colégio de Direito. Indicado para vereança em 1911, foi o primeiro legislador eleito por grande esmagadora maioria de votos, apesar de pertencer à oposição, fato inédito naquela época em que o sufrágio não era secreto e que as consciências e os eleitores eram severamente vigiados pelos partidos a que pertenciam. Era casado com a Sra. Maria Emília Bastos, com quem teve o filho Tude Bastos, um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente em 1959. Magino Bastos faleceu em 1937”. (Narciso Vital de Carvalho. São Vicente. Conheça as ruas de sua Cidade, 1978).
HOMENAGEM DOS VICENTINOS
NOTA DE JORNAL informando e convidando o povo para uma homenagem ao jovem advogado Dr. Magino Bastos, primeiro bacharel vicentino formado em Direito.
"Promette revestir-se de extraordinaria pompa, a popular manifestação que se vae fazer ao estimado moço sr. Magino Bastos que acaba de, com o maior brilhantismo, obter na capital paulista, o grau de bacharel em sciencias juridicas e sociaes.Alguns vicentinos e amigos do recem-formado, dentre elles os srs. João Wenceslau Emmerich, Luiz Hourneaux, Quirino Motta, Heli de Aguiar Botto e Paulino de Oliveira, enviaram-nos uma delicada circular convite, concebida nos seguintes termos: — Exm sr. Devendo regressar a esta cidade no dia 12 do corrente, ás 11 1/2 da manhã, o illustre vicentino sr. Magino Bastos que acaba de, com o maior brilhantismo, completar o curso de direito, lembraram-se os seus amigos e admiradores de lhe prestar a justa homenagem offerecendo-lhe o seu retrato, como a mais accentuada prova de estima e consideração, não só porque o manifestado é o primeiro vicentino da geração hodierna que conquista o titulo de bacharel em sciencias juridicas e sociaes, como principalmente, por ter sido elle um distincto estudante, que a força da sua propria vontade inquebrantavel, conseguiu brilhante realisação dos seus nobilissimos desejos.A sociedade vicentina deve ufanar-se dessa victoria alcançada por um seu conterraneo, vindo jubilosa dar-lhe as boa-vindas. A commissão infra assignadas"
A TRIBUNA. NOTAS DE S. VICENTE
Do correspondente especial, em data de 14 de dezembro de 1909
Às 11 e meia da manhã, como estava annunciado, na estação dos bondes era grande o numero de cavalheiros e exmas. familias que aguardavam a chegada do illustre moço, que devia desembarcar no primeiro bonde a chegar. A banda de musica, composta de moços distinctos, elemento componente da sympathica e popularissima «Humanitaria» de Santos executava bella partitura, quando entrou na gare o bonde que conduzia o manifestado e diversos amigos que o foram esperar na estação da Ingleza.
Logo ao desembarque do sr. Magimo Bastos a senhorita M.ª Victorina de Araujo, pronunciou desembaraçadamente uma bonita saudação, offerecendo-lhe em nome dos seus amigos um bouquet de flores naturaes.
Foi tocante essa inesperada scena, para o manifestado, sendo este muito abraçado e cumprimentado.
Em seguida, acompanhados pela banda de música da Sociedade Humanitária , dirigiram-se para o edificio da Escola do Povo— recentemente creado pela sua Directoria, onde, graças à presença de 600 pessoas mais ou menos, que assistiram ao discurso bem inspirado do sr. José Ignacio de Gloria Junior, que foi muito applaudido e felicitado.
Diligência judicial ao sítio "Pitapitanduba" no forte Itaipus, conforme nota da sucursal vicentina do jornal A Tribuna em 1912. Um dos participantes foi o advogado Magino Bastos.
TUDE E DAYSE BASTOS
Figura histórica de Praia Grande, Tude Bastos foi um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente e também vereador, eleito em 1959. Alguns meses depois renunciou. Era engenheiro civil formado de Escola Politécnica da USP em 1937. Seu pai, Dr. Magino Bastos, era advogado e também foi eleito vereador de São Vicente em 1911. Magino era filho do casal de sitiantes Antônio José da Silva Bastos e Maria Plácida da Costa Bastos. A mãe de Tude era Maria Emília Bastos, filha de Julião Caramurú. Seus pais eram herdeiros da Mansão Caramuru, onde hoje é a Prefeitura de São Vicente, esquina da ruas Frei Gaspar e Tibiriçá. Eram vizinhos da família Wolff. Tude casou-se com Dayse Bastos, com quem teve os filhos Lana e Tude Júnior. Tude e Dayse foram proprietários de ampla faixa de terras em Praia Grande (sítio do Campo e parte do Guaramar) herdado do bisavô, motivo pelo qual tomavam parte em conflitos e acordos judiciais fundiários, geralmente resolvidos com a desapropriações ou doações compensatórias de terrenos para uso público e comunitário.
Fundadores do IHG de São Vicente em 1952.
Tude Bastos é o segundo, em pé, da esquerda para direita. Fonte: Poliantéia Vicentina.
ENGENHEIRO E ARQUITETO PELA USP
"TUDE BASTOS. São Vicente,SP,9 de abril de 1914. Tude Bastos foi admitido na Escola Politécnica em 1932 e diplomou-se engenheiro civil em 1937. No ano seguinte, voltou para a Politécnica e concluiu o curso de engenheiro-arquiteto em 1942. Segundo seu depoimento (1986), trabalhou sempre no funcionalismo estadual: em 1938 entrou para o Departamento de Águas e Esgotos, onde se especializou em saneamento. Fez o curso de arquitetura porque seu emprego facilitava tal atividade e por ser conveniente para a sua carreira. Em 1946, fez mestrado em saneamento na Universidade da Carolina do Norte; aposentou-se em 1967. Estava registrado no CREA 6ª Região (1949, página 271) em 1949".
Fonte: Silvia Ficher. Os Arquitetos da Poli. Ensino e Profissão em São Paulo. Edusp.2005.
OS CARAMURÚ
Antiga residência do Intendente Julião Leocádio Neiva de Lima (João Caramuru, pai). 1849–1900 e Adelaide Augusto Curvello1869–1899. Casaram-se em 1879 e tiveram quatro filhos: Vicentina Caramuru-1892–1940; Julião Caramuru -1894–1951; Eloysa Caramurú-1896–1972 e Carmen Caramuru Baptista -1897.
***
Julião Leocádio Neiva de Lima, após a proclamação da República, adotou o nome de João Caramurú, conforme a lei facultava. Nasceu em1839, veio ainda moço da Paraíba do Norte, instalando-se em São Vicente. Começou trabalhando em firmas comissárias de café, onde chegou a postos de guarda-livros, chefe de escritórios e gerente de firmas. Foi gerente do Banco do Brasil, de que se afastou em 1900, por doença. Candidato a vereador, sendo o mais votado, ocupou a presidência e vice-presidência da Câmara de São Vicente, em 1893. No posto de tenente-coronel da Guarda Nacional, prestou relevantes serviços a São Vicente, notadamente na Revolução da Armada, vigiando quando navios da Esquadra brasileira se avizinhavam em atitude hostil na barra de Santos. Residia na rua Frei Garpar (vizinho do palacete dos Wolf) onde está ainda hoje a Prefeitura Municipal de São Vicente. Anos depois mudou-se para o Rio de Janeiro (Botafogo) onde faleceria em maio de 1901.
A residência dos Wolf e o Palácio Caramurú (atual prefeitura) na esquina da ruas Frei Gaspar com Tibiriçá.
Vidros ornamentais belgas, telhas francesas, madeira de Riga e mármore de Carrara.Tamanha beleza pode estar ainda escondida entre armários e ofícios administrativos da Prefeitura de São Vicente e muitas vezes passar despercebida por aqueles que transitam diariamente pelo prédio.Com requintado material, o imóvel foi erguido em 1885 por Julião Leocádio Neiva de Lima, que após a Proclamação da República adotou o nome de Julião Caramuru. Projetado em estilo jônico, o prédio foi construído para lhe servir de moradia. Edison Telles de Azevedo afirma em seu livro “Vultos Vicentinos”, que Julião queria contemplar São Vicente com uma edificação que se destacasse entre quase tudo que havia na ocasião, em termos de construção. A linha arquitetônica do imóvel foi parcialmente modificada em 1944, quando o prefeito Polydoro de Oliveira Bittencourt realizou reforma, construindo uma sacada e colocando mármore na escadaria do hall de entrada. A mudança, acredita-se, foi promovida para transformar a construção residencial em edifício público.
O prédio pertenceu a Julião Caramuru até a sua morte, em 1901. Seus herdeiros venderam o palacete ao advogado Mágino Bastos, que era neto de Julião Caramurú, por parte de mãe. Nova venda aconteceu quando Magino Bastos faleceu em 1917. Estava internado em Campos de Jordão e lá foi sepultado no próprio hospital onde foi a óbito, como era a norma sanitária. Em 1919, sua esposa, Dª. Maria Emília Bastos, e seu filho Tude Bastos, optaram por passá-lo à municipalidade, por 30 contos de réis. O ato de transferência foi assinado pelo prefeito João Francisco Bensdorp, mas com uma curiosidade: a escritura passada no 3º Tabelionato de Santos, foi registrada em nome do “Município de São Vicente”, e não no da Prefeitura ou da Câmara.Reformado, o edifício da Rua Frei Gaspar (antigo nº 34, hoje 384) passou a ser ocupado pela Câmara e Prefeitura em 1929. Depois dessa data, o Poder Executivo foi sempre exercido nesse prédio, ao contrário da Câmara, que em 1953 se mudou para o sobrado da padaria Rio Branco, na esquina das ruas XV de Novembro com 13 de Maio. Em 1959, nova mudança, desta vez para a Rua Martim Afonso, esquina com a Praça Barão do Rio Branco, de onde saiu em 1987 para ocupar o prédio próprio, na Rua Jacob Emmerich, 1195.
MAIS MUDANÇAS . Além das mudanças realizadas em 1944, o prédio sofreria outras transformações ao longo dos anos. No final da década de 70, o madeiramento do teto foi tomado por cupins e parte do telhado acabou desabando (no gabinete do então prefeito Koyu Iha). Na década de 80, nas administrações dos prefeitos Antonio Fernando dos Reis e Sebastião Ribeiro da Silva, foram construídas duas alas, desde o prédio principal até a Rua João Ramalho. Hoje, da velha e imponente Casa de Caramuru, só restam lembranças. ( Boletim IHGSV).
*
VISITA PASTORAL DO ARCEBISPO D. DUARTE EM 1909
Em viagem oficial a São Vicente e Itanhaém, o arcebispo metropolitano de São Paulo visitou no então bairro de Praia Grande a Capella da Santo Antônio; e lanchou na vivenda do prefeito Capitão Antão Moura.
Arcebispo metropolitano Dom Duarte Leopoldo e Silva.
Fonte: Carmelo Santa Terezinha. Aparecida. 2018,
O PREFEITO ANTÃO ALVES DE MOURA
Antão de Moura. Histórias e Lendas de São Vicente. Novo Milênio.
A construção da Ponte Pênsil entre 1910 e 1914 estreitou a comunicação e os laços de ligação cultural e econômica entre o continente do litoral e a ilha de São Vicente. O desmembramento dos antigos sítios de Praia Grande em chácaras de produção agrícola e de lazer, bem como os jardins balneários em formato de loteamentos, atraíram muitas famílias paulistanas e também aristocratas de Santos e São Vicente. Eram propriedades que também tinham função residencial, como foi o caso de Antão Alves de Moura, prefeito-intendente de São Vicente, comerciante-investidor capitalista, que durante muitos anos atuou como comissário de café no porto de Santos. Antão Alves de Moura, segundo relato de Circe Sanchez Toschi, foi uma das primeiras famílias a estabelecer residência na orla de Praia Grande. Antão era português nascido na cidade de Penafiel, em 28 de dezembro de 1865. Imigrou para o Brasil com 17 anos, na companhia dos seus irmãos Antero e Adão. Adão faleceu precocemente, com 20 anos.
Antero de Moura uniu-se em matrimônio com a professora Isabel Horneaux, remanescentes de refugiados franceses em São Vicente no final do século XVIII durante a Revolução Francesa. Antero exerceu o cargo de delegado de polícia em Praia Grande, foi pai do jornalista e desportista Paulo Horneaux de Moura (diretor do Santos Football Club) e avô do famoso Padre Paulo Horneaux de Moura, líder clerical e comunitário em Santos e São Vicente.
Quando exerceu o cargo de intendente, entre 1906 e 1913, Antão de Moura deu o primeiro passo para a criação da educação pública em Praia Grande criando "casas de ensino" em residências particulares: de Bárbara da Graça, no sítio Piaçabuçu, próximo a Mongaguá; e no sítio Itaypu, nas quais atuavam como docentes os educadores Durval Bruncken, Cristina Martins e Maria Pacheco Nobre.
ENSINO E DEVOÇÃO NO SÍTIO ITAIPU
Nascida no Sítio Itaipu, Maria Pacheco Nobre foi pioneira da educação na área continental.
EDSON TELLES DE AZEVEDO
Mariquinha Nobre, mestra em Praia Grande: personificação do altruísmo. Vultos Vicentinos.
(...) Maria Pacheco Nobre, que mais era chamada Mariquinha Nobre, dedicada e benquista mestra-escola do Boqueirão da Praia Grande (a quem tivemos ensejo de conhecer), era filha de Anselmo Pacheco Nobre e de Ambrosina de Azevedo Nobre.
Veio ao mundo num sítio do canto do Itaipu, em 27 de janeiro de 1876, e faleceu aos 49 anos, em 12 de junho de 1925, assistida, nos derradeiros momentos de sua profícua existência, por sua dileta amiga, a sra. Júlia Paranhos, na residência desta, à Rua João Ramalho, esquina da Rua Padre Anchieta, onde atualmente está instalado o Serviço de Profilaxia da Malária.
Seus irmãos: Cidália, casada com Reinor Bonilha; Rosemira, que foi casada com Nabor Gama, e Augusto e Arsênio, falecidos ainda solteiros. Foi sepultada no cemitério de São Vicente e, decorrido o tempo legal, transportados os seus despojos para jazigo que tem o n. 36, na mesma necrópole.
Lecionou 23 anos – Ensinou durante 23 anos, sem jamais se ter valido de qualquer pedido de licença, na Escola Mista de Praia Grande (Boqueirão), onde anteriormente havia lecionado seu pai, a quem substituiu. Seus primeiros vencimentos foram na ordem de 50 mil réis, tendo chegado a ganhar 150 mil réis.
Foi incontável o número de crianças que dela receberam os primeiros ensinamentos, no período de tempo em que esteve à frente daquela casa de ensino, à qual só deixava de comparecer quando as portas se cerravam para as únicas férias escolares de fim de ano.
Mas, nem por isso interrompia sua missão de ensinar, de educar os seus pupilos; àqueles que, durante o ano, pelas suas limitações, não tinham conseguido o aproveitamento desejado, franqueava ela a sua casa, convertida assim numa segunda escola.
E não era só em local do ensino que essa dedicada criatura transformava o próprio lar; era, também, em um pouco de ambulatório, de farmácia, de maternidade, de creche, e a todos servia com o mesmo espírito maternal e de boa samaritana.
Sua inata desambição e doçura no trato floresceram numa repentina riqueza, a que a idade foi emprestando amadurecimento. Daí sua grande força moral, que a transformou na sábia e prudente conselheira, a que tantos recorriam nos momentos de incerteza e aflição. Por isso, era amada, respeitada e obedecida. A todos se comprazia em servir com dedicação, sem se ater a cor, a credo político ou religioso.
Famílias de projeção desciam do Planalto, e em seu acolhedor recanto faziam ponto de reunião, onde sequer faltavam agradáveis passatempos, em que Mariquinha Nobre se revelava excelente animadora de jogos familiares - a diversão caseira da época - como emérita parceira que era. Possuía apreciáveis dotes vocais, e fazia-os acompanhar de concertina, que ela mesma dedilhava.
Exames escolares - No fim do ano, com o encerramento do período letivo, quando os alunos eram examinados por banca presidida pro Antônio Militão de Azevedo (nosso saudoso pai), em sua função de Inspetor Literário, a boa e sensível Mariquinha Nobre, ao mesmo tempo que dedicava, entre expressões de incentivo e ternura, prêmios aos alunos que mais se destacavam por aplicação e comportamento, proporcionava a todos os presentes copiosa e variada mesa de caprichados doces.
Imagem de Nossa Senhora da Conceição - Mariquinha Nobre custodiou em sua residência, por muitos anos, imagem de Nossa Senhora da Conceição, esculpida em mármore de rara qualidade, que havia pertencido, sucessivamente, ao capitão-mor José Gonçalves Neves, de Itanhaém, e a seu pai, Anselmo Pacheco Nobre, que também por largo tempo a havia mantido em veneração pública, em sala de sua residência, reservada para capela. Transferida, processionalmente, para a capela de Santo Antônio, no Boqueirão da Praia Grande, que, abandonada, teve de ser demolida, foi a preciosa imagem, que tem 166 anos, recolhida, na época, por d. Flora Dias Bexiga, neta daquele capitão-mor. Presentemente está essa imagem sob a guarda da viúva d. Cacilda Dias Freixo, em São Vicente.
Escola "Mariquinha Nobre" - O edil Jaime Hourneaux de Moura apresentou na Câmara, em 28 de abril de 1964, o projeto de lei n. 70-64, autorizando o prefeito municipal dar a uma das futuras escolas do município, preferivelmente no subdistrito de Praia Grande, o nome de "Professora Mariquinha Nobre". O ex-prefeito sr. Charles de Souza Dantas Forbes sancionou, com a lei n. 1022-64, o referido projeto em data de 10 de junho do mesmo ano. Ao que se sabe, dita homenagem, até hoje, não foi prestada, lamentável postergação que no entanto pode ser facilmente reparada, numa homenagem das mais merecidas a quem se destina, e também como fonte de inspiração e incentivo ao atual corpo de dignas professoras, na árdua, mas ao mesmo tempo honrosíssima profissão que escolheram. 25-12-1966.
Vultos Vicentinos - Subsídios para a História de São Vicente, impresso na Empresa Gráfica Revista dos Tribunais S.A. (S.Paulo/SP), e lançado em São Vicente/SP em 1972.
"Desfile de 7 de setembro - O clichê acima, que ilustra este despretensioso trabalho, mostra, ao lado da legendária Biquinha de Anchieta, componentes da escola de Mariquinha Nobre, os quais, em regozijo por data comemorativa da nossa independência, essa educadora fez participar do desfile cívico, em que os pequenos alunos se apresentaram irrepreensivelmente, destacando-se dos demais conjuntos escolares". Vultos Vicentinos.
Um interessante registro memorial feito em 2008 por Circe Sanchez Toschi (Praia Grande antes da emancipação) mostra uma lado bem diferente e pitoresco dessa imagem sacerdotal, religiosa e sacralizada da professora Mariquinha Nobre. Moradores mais antigos que a conheceram nas atividades cotidianas, sobretudo nas festividades populares, sempre recordavam seu temperamento desafiador alegre como uma efusiva jogadora de truco.





.png)

































.jpg)











.jpg)























.jpeg)








































































.png)







.png)




















