SUMÁRIO
VII- A FORTALEZA DE ITAIPU
VIII- A PONTE PÊNSIL E PRAIA GRANDE
IX - SÃO VICENTE E A LUZ ELÉTRICA
X - A AVENIDA MANOEL DA NÓBREGA
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INTRODUÇÃO
AS ANTIGAS FAMÍLIAS VICENTINAS
32 RUAS E 551 IMÓVEIS
I
UM DOCUMENTO IMPORTANTE
CHAMAMENTOS E MODERNIZAÇÃO MUNICIPAL
II
O BRASIL E O MUNDO EM 1909
A vizinha cidade portuária de Santos, que divide com os calungas a Ilha de São Vicente desde 1540, era governada pelo Intendente Coronel Carlos Augusto Vasconcelos Tavares. A intendência e vice intendência foram cargos da modernização republicana de 1891, que corresponderia depois aos cargos de prefeito e vice.
Capitão Antão Alves de Moura
VISITA PASTORAL
III
SÃO VICENTE MORREU E RESSUSCITOU
SÃO VICENTE EM 1878. Planta da Vila feita pelo litógrafo Jules Martin com destaque para o Largo de Santo Antônio (Câmara, Cadeia e Matriz), Fábrica de Cal de Antônio Paquetá e o Chafariz (Biquinha de Anchieta). As ruas aparecem com nomes primitivos como do Rocio, do Sambaiatuba, de Martim Afonso (com edificação antiga de 1532), Direita, dos Barreiros, do Porto, da Praia, do Gusmão, do Pelourinho, da Pedreira, de Iporanga, de Brás Cubas, rua Nova e uma ainda sem nome, entre o centro e a orla.
Acervo: Museu da Cidade - Praia Grande
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SÃO VICENTE EM 1829
Relatório do Dr Joaquim Antônio Pinto Júnior
Vice-presidente da Província de São Paulo-1885
Quadro de Benedito Calixto. Chácara vicentina do Coronel José Proost de Souza, 1886, referindo-se a uma personalidade eminente na política santista do final do século XIX. São Vicente era uma cidade de veraneio e residência da aristocracia paulistana e santista, bem como de estrangeiros e vicentinos que tralhavam nos bancos e casas comissárias de café nas imediações da Rua do Porto. Novo Milênio.
RUÍNAS da Casa de Pedra de Martim Afonso. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra6211/ruinas-da-casa-de-pedra-de-martim-afonso. Acesso em: 28 de agosto de 2021. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7
A VILA DE SÃO VICENTE EM 1870
SÃO VICENTE EM 1873
Câmara Municipal -Presidente - João Marcellino de Azevedo.Vereadores – Joaquim Antonio da Luz. José Marcellino de Camargo. Manoel Pedro de Almeida. Fernando José Augusto Bittencourt. Antonio Gonçalves da Silva. Americo Marcellino Rodrigues.Secretário - Indalecio Constancio Ferreira.Procurador - Antonio Gonçalves de Freitas.Fiscal - Antonio Gonçalves da Silva.Porteiro - Bento Antonio Marcellino.
Instrução primária. Inspetor -Professor público - Indalecio Constantino Ferreira.Professora pública - D. Mafalda Virginia das Dores.
Vigário- ......... Os sacramentos são administrados pelo vigário da cidade de Santos. Igreja - Matriz, sob a invocação de S. Vicente.Sacristão - Indalecio Constancio Ferreira. Irmandades - Santíssimo Sacramento. Nossa Senhora do Amparo. Nossa Senhora do Rosário.
Subdelegado - Arlindo José das Neves.Suplentes - 1º, Joaquim Manoel das Neves; 2º, Manoel Antonio das Neves. 3º, José Marcellino de Camargo. Escrivão - Damaso Maria Gomes.Juízes de paz - Arlindo José das Neves. João Baptista Passos. José Francisco Pinheiro. Bento Antonio dos Santos.Escrivão - ...............Oficial de justiça e carcereiro - Martiniano Gonçalves da Silva.
Eleitor da freguesia - tenente Arlindo José das Neves.
Proprietários capitalistas - Manoel Teixeira da Silva. Antonio José da Silva Bastos. Tenente-coronel Bento Thomaz Vianna.
Negociantes - Tenente Arlindo José das Neves. João Marcellino de Azevedo. Luiz da Costa Sol. Lino de Araujo. Joaquim da Silva Soares. Joaquim Leite.
Hotel - de João Marcellino de Azevedo.
ALMANAK DA PROVÍNCIA DE S. PAULO- organizado e publicado por Antonio José Baptista de Luné e Paulo Delfino da Fonseca, com impressão na Typographia Americana, da capital paulista
SÃO VICENTE EM 1890- ALMANAK LAEMMERT
SÃO VICENTE NO INÍCIO DO SÉCULO XX
O BRASIL E SÃO VICENTE EM 1913
IV
FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA DE SÃO VICENTE
VILA DE SÃO VICENTE TORNA-SE CIDADE 363 ANOS DEPOIS DE SUA FUNDAÇÃO~
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OS 15 PRIMEIROS PREFEITOS REPUBLICANOS
Antônio Lima Machado, 1878-1887 e 1889-1902.
Ten. Cel. Gil Alves de Araújo, 1891.
Julião Leocádio Neiva de Lima (Julião Caramuru), 1893.
Joaquim Dias da Silva, 1897.
Antônio Emmerick, 1894-1895 e 1895, 1897, 1898.
Herman Reipert, 1899.
Salvador Malaquias Leal, 1904 a 1905 e 27/5/1916.
Cap. Antão Alves de Moura, 1906 a 1913 e 9/2/1915.
Teotônio Gonçalves Corvelo, 5/5/1914.
João Francisco Bensdorf, 13/2/1917 -1928.
Cap. José Meireles, 23/10/1928 - 1930.
Ten. Antônio de Andrade, 24 a 29/10/1930.
Antônio dos Santos Barbosa, 30/10 a 22/12/1930.
Durval de Andrade e Silva, 22/10/1930 a 9/4/1931.
Dr. José Monteiro, 10/4/1931 a 19/5/1938 - 1/1/1948 a
31/12/1951.
V
NEGÓCIOS E NEGOCIANTES
Fábrica de cal - Jorge Avelino, na Fazenda das Palmeiras.
Fábrica de aguardente - António Teixeira de A. Bastos;
Fernando José Augusto Bittencourt.
Ferro Carril - Empresa Emmerich & Ablas.
Rink Vicentino - propriedade de uma associação particular.
Tavernas
Antônio de Lima Machado, Rua do Imperador;
Arlindo José das Neves, Rua do Imperador;
Abel Soeiro Sarmento, Largo do Baptista Pereira;
Carneiro & Lascazas, Rua Jacob Emmerich;
Francisco José da Silva, Rua do Imperador;
Francisco Lapetina, Rua do Marquez de S. Vicente;
José dos Santos Neves, Rua do Marquez de São Vicente;
José Antônio Fernandes Guimarães, Rua do Imperador;
João Marcelino de Azevedo, Largo de Baptista Pereira;
Joaquim Leite Rabello, Rua do Marquez de S. Vicente;
Lino de Araújo
Santos, Rua do Imperador.
Lojas de fazendas
Antônio Ritz, Rua do Imperador;
Carneiro & Lascazas, Rua de Jacob Emmerich;
José Antônio Fernandes Guimarães, Rua do
Imperador.
Bilhar
Antônio José Monteiro Torres, largo de Baptista
Pereira.
Pharmacia
José Ignácio da Glória, Largo de Baptista
Pereira.
Padarias
João Hourneaux, Rua do Imperador; José Ricére,
Rua do Imperador.
Sapateiros
Domingos Naiveze, Rua do Marquez de S. Vicente;
Luiz Attilio, Largo de Baptista Pereira.
Açougues
Domingos Naiveze, Largo de Baptista Pereira;
Henrique Ablas (Herança), Rua de Jacob Emmerich.
Botica do Glória, Largo Batista Pereira. Bico de pena de Edison Telles de Azevedo.
A Câmara Municipal de São Vicente publicou em 1903 um relatório e registro denominado "Comércio, profissão e indústrias" constando os principais estabelecimentos. Nessa lista Antão de Moura aparece diversas vezes como proprietário de negócios.
Os nomes
que aparecem nesta publicação e no Indicador Santista de 1885, em sua maioria, são os mesmos que aparecem no edital do prefeito Antão de Moura em 1909. Alguns estabelecimentos constam com endereço no "Porto dos Reis", bairro localizado na área continental lado orla que corresponde ao Japui e Porto do Rei em Praia Grande, onde existiam propriedades e comerciante de produtos agrícola
CASA REQUEJO - AGRICULTURA – INDUSTRIA - MINERAÇÃO
Açougues
Chrispim Simões, Largo Baptista Pereira; Rua Martim Affonso;
Paulino Alves de Oliveira, Largo Baptista Pereira.
Alfaiates
Francisco Molinari, Rua 15 de Novembro;
Luiz Flausino, Rua 15 de Novembro;
Vicente Gil, Rua Frei Gaspar.
Barbeiros
José Serra, Rua 15 de Novembro;
Manoel da Costa,
Rua 15 de Novembro, 37.
Bilhares - Antão de Moura, Rua Martim Affonso, 30-32;
Ricardo Requejo, Rua 15 de Novembro.
Botequins
A. Fernandes, Rua Martim Affonso;
Antão de Moura, Rua Martim Affonso, 30-32;
Antônio H. Ferreira, Rua 15 de Novembro;
Antônio Ramos Junior, Rua Marquez de S. Vicente;
Manoel José da Silva Junior, Rua Visconde Tamandaré;
Ricardo Requejo, Rua 15 de Novembro;
Rodrigues &
C.º, Rua Martim Affonso.
Calçados
Antônio Alves Gonçalves, Rua 15 de Novembro;
Francisco Tochi, Rua 15 de Novembro.
Charutaria
João Richetti, Rua 15 de Novembro.
Constructor
José Vidal, Rua Martim Affonso.
Fazendas e armarinho
A. L. Ritter, Rua 15 de Novembro;
Antônio João José, Rua Marquez de S. Vicente;
Antão de Moura, Rua Martim Affonso, 30-32;
Joaquim Alves Bexiga, Rua Padre Manoel Aguiar, 6.
Louça
Antão de Moura, Rua Martim Affonso, 30-32.
Officina Encyclopedica
Joaquim Dias Bexiga, Rua Padre
Manoel Aguiar, 6.
Officina Mechanica , Ferreiro e Serralheiro
Officina de Ferraria e Funilaria Antônio Nunes,
Rua Ypiranga, 12
Padarias
Agostinho Pereira Pinto, Rua 15 de Novembro;
Annunciado Silvidio, Rua Marquez de S. Vicente;
Antônio Plotow, Rua Frei Gaspar;
Emílio Horneaux, Rua 15 de Novembro; Couto & Costa, Rua 15 de Novembro;
Paulino Alves de Oliveira, Largo Baptista Pereira.
Versão arquitetônica dos anos 1950-60 da legendária Panificadora Requejo, atual Rio Branco, na rua XV de Novembro esquina com a 13 de Maio. A padaria teve vários nomes, proprietários e sócios, entre eles o pioneiro português José Cruz Leite e Ricardo Requejo. Aqui funcionou no andar superior da Padaria das Famílias o Clube Carnavalesco dos Adristas (1895) e também a primeira sede do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente. O prédio original, juntamente com seus vizinhos (incluindo o orfanato e depois educandário São Gabriel) sofreram descaracterização com reformas e revestimentos de cerâmica. IHGSV.
Pharmacias
Arthur Augusto Pereira Magalhães, Rua 15 de Novembro;
José Ignacio da Gloria, Rua Jacob Emmerich.
Restaurantes
Antônio H. Ferreira, Rua 15 de Novembro;
Ricardo Requejo, Rua 15 de Novembro.
A. Fernandes, Rua 15 de Novembro;
Agostinho Pereira Pinto, Rua 15 de Novembro;
Antão de Moura, Rua Martim Affonso, 30-32;
Anthero Alves de Moura, Porto dos Reis;
Antônio Ferreira da Costa, Rua 15 de Novembro;
Antônio P. de Amorim, Rua Martim Affonso;
Antônio Roque, Rua Visconde Tamandaré;
Costa & C.ª, Porto dos Reis;
Francisco Lapetina, Rua Visconde Tamandaré;
Ignacio Requejo, Largo Baptista Pereira;
Joaquim José Leite, Rua Marquez de S. Vicente;
José Joaquim Barrozo, Rua Capitão Mór Aguiar;
Manoel Alves Pereira, Rua Marquez de São Vicente;
Manoel Antônio Claro, Rua Frei Gaspar.
VI
LOGRADOUROS E PROPRIETÁRIOS
Imagem de São Vicente feita pela Esquadrilha de Aviação Naval em 22 de janeiro de 1932. Não foram muitas as modificações urbanas 23 anos depois da publicação do edital do prefeito Antão de Moura .
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1
O PORTO TUMIARU
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2
CAPITÃO-MÓR AGUIAR
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3
VISCONDE DE TAMANDARÉ
Jacob Emmerich, imigrante alemão, e seu filho Antonio Emmerich, proprietário do número 31 da rua Visconde de Tamandaré. Os Emmerich aparecem como proprietários em outras ruas. Essa família marcou época com a implantação do sistema de transporte coletivo por bondes desde o século XIX. O pai é nome de rua citada neste edital e o filho, algumas décadas depois, deu nome à principal avenida que liga São Vicente e Santos na zona noroeste (da Praça das Bandeiras até à divisa do Tambores) e que antes era a linha 1 Via Matadouro).
O nosso biografado de hoje era filho de Jacob Emmerich, alemão, que contraiu casamento, em Santos, com d. Filipina Kinitel. Ele faleceu em 24-6-1881, com mais de 70 anos, sendo sepultado na Quadra da Ordem 3ª do Carmo, no Paquetá (depois seus restos mortais foram transladados para o cemitério de São Vicente, em campa perpétua da família). D. Filipina Emmerich (também chamada “Dona Felipa”) nasceu em 3-3-1816, tendo falecido em São Vicente, em 30-9-1895. Essa dama era um coração aberto para os desafortunados. Foi quem doou a cachoeira do Voturuá à Prefeitura local. Seu mausoléu é um dos mais antigos da necrópole de São Vicente. O casal teve os seguintes filhos: Catarina, batizada em 17-7-1836; Jorgiana, batizada em 1-1-1838; Adão (1), batizado em 6-8-1839; Tiago, nascido a 14-7-1842, batizado em 25-7-1842 e falecido em 8-11-1879; Antônio (o nosso biografado de hoje), nascido a 10-7-1844 e falecido em S. Vicente, em 21-8-1916; Adão (II), batizado em 12-9-1847; Margarida, nascida em 17-12-1848, batizada em 31-12-1849 e falecida em Santos a 16-5-1930; Henrique, nascido em.. 16-4-1850 e batizado em 22-6-1850; André, nascido em 30-11-1851 e batizado em 14-12-1851; José (1), nascido em 19-2-1855 e batizado em 13-5-1855; Maria, nascida em 2-11-1856 e batizada em 30-11-1856; José (II), nascido em 16-9-1858 e batizado em 13-10-1858, e João, nascido em 12-11-1861 e batizado em 25-12-1861. D. Filipina Emmerich de Miranda nasceu em S. Vicente a 7-6-1846 e faleceu em Santos a 13-10-1921, foi casada com o estimado cidadão Alexandre Páscoa de Miranda. Era costume dos antigos batizarem seus filhos após o sétimo dia do nascimento, para se livrarem do “mal dos sete dias” (do umbigo). (Vultos Vicentinos- Edison Telles de Azevedo)
O comerciante Francesco Lapetina e sua filha Maria Helena Lapetina em foto de 1925, na rua Visconde de Tamandaré, 40. Também foi citado no edital como proprietário de lote na avenida Capitão Mor Aguiar, 22. Francesco era natural de Tramutola, Potenza, Itália, onde nasceu em 1844. Imigrou para São Vicente em 1879. Segundo o Almanaque Santista (1885), era um dos comerciantes mais antigos em atividade, tendo primeiramente uma taverna, secos e molhados e depois uma pedreira. Foi pai de 12 filhos, 10 vicentinos e dois italianos. Sua filha Maria Helena (foto) casou-se com Antônio Pinto Amorim (irmão de Luiz Pinto Amorim, dono do famoso Iate Etelvina, que fazia a travessia para Praia Grande, no Porto Tumiaru), com quem teve sete filhos. O caçula dessa prole de Maria Helena e Antônio foi o famoso médico Dr. João Amorim, que fez brilhante carreira científica e gestora em importantes núcleos da medicina paulistana, incluindo os hospitais Pérola Byington, Matarazzo e Pro-Matre.
Hermenegildo Lapetina, de chapéu claro, durante a inauguração da Delegacia de Polícia de São Vicente em 1930.
CARLOS MIRABELLI
Fonte: Revista Reformador - FEB. novembro, 2001 - páginas 28 e 29.
Rodolfo Mikulasch. autor da obra "O Médium Mirabelli", resultado de um Inquérito, editado em 1926 na cidade de Santos. Mikulash foi prefeito de São Vicente entre 1938 e 1945. No edital de nomes listados na rua Ypiranga aparece como proprietário dos lotes 26 e 28 o Sr. Francisco Mikulasch.
O CASARÃO DA MARQUÊS COM SANTA CRUZ
CASAMENTO. Meados da década de 1950. Casamento da filha caçula de Agostinho Auricchio. Familiares e convidados reunidos no hall do Casarão da rua Visconde de Tamandaré, esquina com Santa Cruz.
As ruínas do sobrado e o Edificio Maria Auríchio, construído na rua Santa Cruz.
4
DR. CAMPOS SALLES
Além do prefeito Antão de Moura e outros antigos moradores vicentinos, chama a atenção na lista de proprietários o nome João Bensdorp (137), proprietário do imóvel número 14. Trata-se do imigrante holandês Jan Franciscus Bensdorp, nascido em Antuérpia, que exerceu o mandato de prefeito de São Vicente por três vezes.
5
YPIRANGA
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6
TRAVESSA DA IMPERATRIZ
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ANTÔNIO NUNES, DE FERREIRO A PRODUTOR DE BANANA
LUIS RENATO THDEU LIMA
*
CAMILLO E IZAURA
VIZINHOS NA YPIRANGA CRESCEM, NAMORAM E SE CASAM
LUIS RENATO THADEU LIMA
O casamento de Camillo e Izaura em 19 de dezembro de 1925.
Camillo Thadeu nasceu em São Vicente no dia 13 de setembro de1897, filho de Luíz Taddeo e Carolina Mauri Taddeo, imigrantes italianos que chegaram ao Porto de Santos e não seguiram para São Paulo, como fazia a maioria dos italianos, mas foram morar na Rua Ipiranga em São Vicente.
Luiz trabalhou como pedreiro na construção do Hotel Internacional (que ficava entre a atual divisa de Santos e São Vicente e o Parque do Emissário). Carolina era costureira e atendia a domicilio as famílias alemãs e inglesas da cidade. Camillo teve três irmãs: Julieta nascida em Montevidéu, Luiza e Maria Elizabeth nascidas em São Vicente.
Para a alteração do sobrenome existem duas versões orais: a
primeira de que teria sido feito na imigração, a segunda de que a professora de
Camillo teria dito: "Você mora no Brasil e tem que ser Thadeu e não Taddeo".
Estudou na Escola do Povo, o Grupão, na Praça Coronel Lopes e terminou o curso
primário na Escola Barnabé em Santos.
Em 19 de dezembro de 1925 casou se com Izaura Nunes, filha
do imigrante português Antônio Nunes e de Camila Inocêncio de Farias.
Eram vizinhos na Rua Ipiranga onde o sogro tinha uma oficina de ferreiro e
funilaria e a sogra sua madrinha de batismo (razão de terem o mesmo nome). Eram
proprietários também de um sitio na localidade de Itutinga, município de
Cubatão, onde plantavam e comercializavam bananas. Antônio Nunes, sogro de Camillo, aparece no edital como proprietário do imóvel de número 30.
Em 23 de setembro de 1926 nasce a única filha de Camillo e Izaura, que recebeu o nome de Neyde.
Camillo e Antônio de Paula Martins (de terno escuro) em Praia Grande nos anos 1930.
Ingressou no funcionalismo da Prefeitura Municipal de São
Vicente no ano de 1923, quando era prefeito João Francisco Bensdorp, com o
cargo de aferidor. Foi desenvolvendo habilidades junto ao Setor de Obras tendo
trabalhado na urbanização da Praça 22 de Janeiro, para comemorar o Quarto
Centenário de São Vicente em 1932, e nos trabalhos topográficos de loteamento e
arruamento da Praia Grande, que na época fazia parte do Município de São
Vicente. O trabalho da Praia Grande foi feito em conjunto com o Senhor Antônio
de Paula Martins, também funcionário municipal.
Participou ativamente da Revolução Constitucionalista de
1932 encarregado de levar pão e suprimentos, na Estação Ferroviária de São
Vicente, para alimentar as tropas. Participava dos desfiles e cerimônias do 9
de Julho com o distintivo da mesma no paletó.
Em 1938 recebeu do Conselho Regional de Engenharia e
Arquitetura a autorização para exercer os trabalhos que já vinha realizando na
prefeitura com organização de alinhamentos, nivelamentos e construção de
plantas.
No ano de 1939 projetou sua residência, que foi construída
na Praça Coronel Lopes 138, onde residiu até o ano de 1963. Nos anos de 1970 a
casa foi comprada e demolida pelo Bradesco que construiu sua agência no local.
Em 1945 recebeu do CREA sua licença definitiva como
Arquiteto Licenciado.
Sua aposentadoria ocorreu no ano de 1947, na gestão do prefeito
Doutor Álvaro de Assis, e em seguida foi candidato a vereador sendo eleito pelo
antigo PSP para a legislatura 1948 a 1951 com 121 votos.
Continuou trabalhando como Arquiteto em São Vicente sendo de sua autoria o projeto da Vila Santo Antônio, atual Rua José Antônio Zuffo (imigrante italiano que construiu a vila e outros prédios próximos as praças 22 de janeiro e João Pessoa), e também na Praia Grande onde projetou os primeiros edifícios de três andares no Boqueirão e uma Colônia de Férias na Vila Caiçara.
Camilo na Praça Coronel Lopes ainda com o coreto e basicamente residencial.
Foi um dos sócios fundadores do Lions Clube de São Vicente
em 1955 e presidente no biênio 1957-1958 permanecendo na entidade até sua
morte.
Tinha como hobby o desenho e a pintura sempre reproduzindo a
Pedra do Mato, Igreja Matriz, Ponte Pênsil e outros pontos da cidade.
Fez cursos com o professor e artista plástico Romeu da Graça
e expôs suas obras no Clube Caiçara em Santos em 1977 pintando flores,
naturezas mortas sem nunca abandonar os quadros da sua querida São Vicente.
Nunca abandonou o convívio com os amigos da prefeitura, sendo sempre recebido pelos prefeitos, alguns deles ex-colegas de trabalho ou ex-vereadores como ele. O jornal “A TRIBUNA” fez uma matéria com Camillo sobre a história do prédio da Prefeitura Municipal.
Mas o grande trabalho, para não dizer a grande paixão, da sua vida foi a Irmandade do Hospital São José, fazendo parte da mesa administrativa com o cargo de mordomo, mas supervisionando todas as obras e também a construção da capela e da nova ala na lateral da Rua XV de Novembro. Mesmo bastante idoso, com mais de 80 anos, ia diariamente ao hospital e colaborava com as reformas e manutenções do prédio. Em 1971 teve seu trabalho reconhecido pela Irmandade recebendo o titulo de primeiro irmão jubilado da entidade. Em 1985 ele pediu o cancelamento do seu registro de arquiteto no CREA por estar com 88 anos de idade e considerar cumprida sua missão. Em dezembro do mesmo ano comemorou, com a esposa Izaura, as Bodas de Diamante (60 anos) na Matriz São Vicente Mártir em missa celebrada pelo Monsenhor Geraldo Borowski com a presença de familiares e amigos.
Sua filha Neyde conheceu seu esposo Célio Carvalho Lima num baile de Carnaval no Clube Tumiaru. Casaram em 1955 e tiveram três filhos: Luis Renato, Cícero e Camila Maria, nascidos na maternidade do Hospital São José. Vive atualmente em Casa Branca, cidade da família de seu esposo, e vai completar 97 anos em 23 de setembro de 2023. Têm cinco bisnetos Nathalia, Gabriel, Thiago, Felipe e Bruno e duas trinetas Julia e Betina, todos residentes em Casa Branca e Campinas no Estado de São Paulo e Belford Roxo e Cabo Frio no Rio de Janeiro.Camillo Thadeu faleceu em 26 de janeiro de 1987 em São Vicente
aos 89 anos, e sua esposa Izaura Nunes Thadeu em 22 de setembro de 2007 aos 101
anos.
Este é o legado de um filho de imigrantes italianos que nasceu, viveu e amou São Vicente e dedicou toda a sua vida em favor da comunidade que acolheu seus pais e irmãs. Foi verdadeiramente um “calunga” no significado de quem se prende a um lugar e ali quer descansar (como definido pelo Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente). Por mais que criticasse ou ficasse triste com a situação de São Vicente nunca passou pela sua cabeça morar em outra cidade ou deixar de colaborar com qualquer iniciativa que pudesse contribuir para o bem estar da comunidade.
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7
QUINZE DE NOVEMBRO
A RUA QUINZE EM 1909
ASYLO E CHÁCARA DOS INNOCENTES
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8
MARTIM AFFONSO
Imagem da rua Martim no início do século XX, já bastante modificada pelas sucessivas demolições e reformas da casa de pedra do Bacharel Cosme Fernandes, que restou apenas um parede. A casa de Tobias de Aguiar, erguida 1900 e que em 1910 passou a ter João Francisco Wrigth como proprietário.
Moção honrosa ao pintor Benedito Calixto nos anos 1960, identificando seus endereços em São Vicente.
"Môço ainda, deixou sua terra natal, a antiga Vila de Mangaratiba, no Estado do Rio, e, pleno de coragem para defrontar-se com as asperezas da luta pela vida, percorreu como caixeiro-viajante cidades várias dos Estados de Minas Gerais e São Paulo. Fixou-se, depois, em São Carlos, com loja de rendas e armarinho. Mais tarde, por volta de 1892, transferiu-se para Santos, dedicando-se ao comércio de café, fundando, então, a casa comissária Pimenta & Cia. Data dêste tempo sua residência em S. Vicente, primeiro na ex-rua do Pôrto (hoje rua Marquês de São Vicente), depois no Largo da Matriz (agora praça João Pessoa), esquina da atual rua Erasmo Schtez, onde está funcionando o Seminário Diocesano, e transferindo-se para o casarão da rua Martim Afonso, esquina do ex-Largo do Monumento, ex-praça 13 de Maio (hoje praça 22 de Janeiro), onde habitava em companhia de uma santa senhora, d. Ambrosina, sua finada cunhada, e de seus sobrinhos"
Óleo sobre tela. 100,00 cm x 56,50 cm. Enciclopedia Itaú Cultural.
A TRIBUNA domingo, 4 de agosto de 1963. Coluna de página inteira do jornalista Edison Telles de Azevedo. Os destaques da edição: os 50 anos da Escola do Povo e da banda musical dirigida pelo maestro Antônio Pedro
AÇOARIANOS NA “PRAIA DAS VACAS”
"Praia das Vacas" nos anos 1930. Área continental de São Vicente, lado orla, no início do século XX. Uma prática típica dos descendentes de açorianos que migraram para o Brasil. Foto: São Vicente de Outrora.
A presença de açorianos em São Vicente já era conhecida no início do século XIX quando Manoel Antônio Machado e sua esposa chegaram na região em 1814. Eles eram pais de Antônio de Lima Machado, empreendedor que se mudou para São Vicente e se destacou nos negócios e também na política.
OS GOMES-SERPA DA ILHA DE SÃO MIGUEL
Na mesma época migraram para São Vicente, ocupando a Prainha e também Paranapuã , o núcleo dos Gomes e Serpa, vindos da Ilha de São Miguel, no Arquipélago dos Açores. A descrição genealógica e a instalação dessas famílias em terras vicentinas é de Fernanda M. Macedo, descendente direta dos patriarcas Damaso Maria Gomes (Vila Gomes) e Emmanuel Francisco Gomes (Vila Serpa):
“Damaso Maria Gomes, nascido na Vila Gomes, da ilha de São
Miguel, arquipélago dos Açores. Instalou-se num lote de terreno na Praia de
Paranapuã (Praia das Vacas) e ali desenvolveu um sítio de gado leiteiro, cujo
leite era vendido na Vila de São Vicente.
Não se sabe se o lote foi doado pela municipalidade ou
escolhido entre os lotes vizinhos por
estar vago. Porém, temos aí a prova de que já existiam moradores nessa
praia em meado do século XIX.
Por mau gerenciamento de seu sítio, trocou o mesmo por uma
quitanda, uma carroça e um burro na Vila de São Vicente, onde veio falecer em
1901”.
No edital do prefeito Antão de Moura, Damaso aparece como proprietário do lote 13 da rua Martim Afonso, já transferido aos herdeiros após o seu falecimento.
*
"CLUB DOS EM PÉ"
Este club celebrou na noite de ante-hontem, a passagem do eu primeiro anniversario, offertando aos seus associados, convidados e representantes da imprensa local e de Santos, no Rink Vicentino uma lauta ceia.
Antes, porém, dessa refeição, foi constituida, por acclamação, a directoria que tem de gerir os destinos sociaes no anno vigente.
O sr. Heraldo Lapetina, presidente dessa sympathica aggremiacão recreativa, tendo aberto e sessão em que deveria ser eleita a directoria, convidou para assumir a presidencia dr. Pinto Paccs, que, accedendo ao convite e assumindo a direcção dos trabalhos, recebeu calorosa salva de palmas.
Por proposta do sr. Santos Amom, foi acclamada a seguinte diretoria:
Presidente, Heraldo Lapetina; Vice-presidente, Guilherme Figueiredo.
Secretários, Manoel Freiro de Carvalho, Benedicto Ribeiro.
Tesoureiro, Alvaro dos Santos Barbosa.
Conselho deliberativo: capitão Anthero de Moura, major Joaquim Neves Figueiredo Junior, cel. Francisco de Souza Junior, José Leite Forjaz, Carlos José da Rocha.
Acclamada a directoria, o sr. Guiherme Figueiredo, fazendo uso da palavra, agradeceu a sua reeleição, prometteu trabalhar, como até aqui, com todos os seus esforços em prol do "Club dos Em Pé" e incitou os seus companheiros a seguirem-no nesse mesmo esforço.
O dr. Pinto Paoca, numa bella allocução, discorreu sobre o "Club dos Em Pé", animando os associados a proseguiren sempre пеssa união demonstrativa da sociabilidade vicentina,
Os srs. Benedicto Ribeiro, Miguel Barcalla, Santos Amorim e outros fizeram uso da palavra, referindo-se a commemoração que fazia o "Club dos Em Pé".
A festa anniversaria dessa associação, como era esperada, decorreu com muito enthusiasmo. À mesa, em forma de T, sentaram-se as 28 seguintes pessoas: Anthero de Moura, João Lapetina. Franklin Alves de Moura, José P. Martins, Luiz Pimenta, Genaro Fernando Otero. Benedicto Ribeiro, dr. Gustavo Pluto Pacca, Antonio C. Bibeiro, Álvaro dos Santos Barbosa, dr. Rocha Carvalho. Heraldo Lapetina, Ramiro Calheiro, Estácio de Moura, Antônio Santos Amorim, Antônio Bruno. Sebastião Bittencourt, Lydio de Almeida, Affonso Lopes Fernandes, José Carmo Neves. Julio Teixeira Junior, Antonio Emmerich Junior, Angelo Richetti, Guilherme A. de Figueiredo. Armando Requejo, Miguel Barcalla, Francisco Rienze, Manoel Freire de Carvalho. Antonio da Rocha Carvalho, Idelfonso A. de Oliveira e J. de Santiago,
por esta succursal".
HORNEAUX, MOURA, LAPETINA, EMMERICH, ABLAS
Segundo o Padre Paulo, os Horneaux são de origem francesa e vieram para São Vicente como refugiados na passagem do século XVIII para o XIX durante a Revolução Francesa, informação do pesquisador Francisco Carbala. Os Moura são de origem portuguesa e os Lapetina (a grafia original é La Petina) são de origem italiana. Essas três antigas famílias vicentinas ficaram bastante conhecidas porque seus membros criaram entre laços conjugais e descendentes comuns numa São Vicente pequena e provinciana, alguns se tornando personalidades de destaque na região, como foi o caso do Padre Paulo Horneaux de Moura, figura religiosa muito atuante e popular em Santos e na sua terra natal. Os patriarcas Antero de Moura e João Horneaux aparecem no edital publicado pelo prefeito Antão como proprietários em diversos logradouros
O PRIMEIRO MÉDICO MODERNO VICENTINO
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PADRE ANCHIETA
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VISCONDE DO RIO BRANCO
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DR. AMÉRICO BRASILIENSE
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DR. RANGEL PESTANA
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PRAIA DE S. VICENTE
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PRAIA DO ITARARÉ
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XI DE JUNHO
Dia de São Calixto, 14 de outubro de 1924, aniversário de Benedito Calixto, recebe a visita de seus amigos Capistrano de Abreu e Domingos Jaguaribe. Na foto está o seu genro Engº João Pedro de Jesus Neto, casado com sua filha Fantina. Capistrano vinha todos os anos passar as férias na chácara de Jaguaribe (Praia de S, Vicente s/n), médico cearense e fundador do em São Paulo do Instituto Psico Fisiológico.
A ocupação da orla foi sendo ampliada pelas criação de ruas paralelas e seguidos cruzamentos formando nelas a Vila Betânia, hoje Boa Vista. As duas áreas inicialmente foi ocupada por aristocratas paulistanos, como se vê no edital, com destaque para Raymundo de Oliveira e Domingos Jaguaribe, que tinha chalés nas areia sobre o a vegetação de jundú, como consta em registro de alguns quadros de Benedito Calixto. Neste registro abaixo aparece a Ilha Porchat.
Cartão postal da Vila Betânia (Vila dos Estrangeiros ou ainda Boa Vista) retratada do Morro do Itararé nos anos 1940. Autor desconhecido. O logradouro que divide o bairro é atual rua Pero Correia, que inicia da rua Quintino Bocaiuva, passando pelas ruas Cel. Pinto Novaes, Freitas Guimarães, Presidente Wilson, 11 de Junho, até a Praia de São Vicente, na avenida Miguel Presgrave, desaparecida com uma ressaca em 1947, mas que consta até hoje nos mapa digital do Google. .
Posteriormente a Vila Betânia foi sendo ocupada por alemães, franceses, suíços e até dinamarqueses, quase todos comerciantes de café e executivos de companhia de vapores. Havia uma linha de bonde para transportar os moradores que trabalhavam no porto, incluindo uma especial para o horário de almoço. Na época a Câmara Municipal fazia legalmente doação de terrenos para fossem construídas casas e estabelecimentos em prazo determinado por lei. Dos nomes que parecem na lista da chamada Vila dos Estrangeiros chama a atenção o de Th. Nobling, família da famosa artista plástica e escultura Elisabeth Nobling. A artista, nascida em São Vicente e formada em escolas superiores da Alemanha, fez parte do conhecido Grupo dos Sete, era catedrática da USP e foi a autora dos elementos decorativos da Torre do Relógio da Cidade Universitária. No período em que voltou a residir em São Vicente, Elisabeth foi assistente do escultor Victor Brecheret, que mantinha residência e estúdio na rua José Bonifácio, quase na esquina da rua Martim Afonso. O vereador Herman Aloys Reipert volta a parecer no edital, agora como proprietário do imóvel número 1, que era na verdade uma grande propriedade denominada Chácara Boa Vista.
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A escolha dos nomes das ruas faz parte de um ritual político e administrativo que envolve fatores explícitos e implícitos, ocultos e transparentes. Isso explica, em parte, porque muitos nomes de personalidades replicam em várias cidades sem que os homenageados tenham qualquer vínculo ou raiz com essas localidades. Muitas vezes é um modismo causado por algum fato que tornam essas personalidades heróis, mitos; ou ainda um evento mais amplo, desses que, da noite para dia, lançam nomes no rol da fama.
O guia de rua elaborado por Narciso Vital de Carvalho em 1978 informa que o Largo 13 Maio, que homenageava a abolição da escravatura, foi substituído pela luxuosa Praça 22 de Janeiro, com dimensões de um parque, escolhida para comemorar os 400 anos do descobrimento do Brasil. A mudança de nome foi acompanhada de uma reforma paisagística aparentemente simples e colocou no centro da mesma um monumento especialmente projetado por Benedito Calixto, exaltando as virtudes cívicas daquele acontecimento. O endereço sequente no edital, que ostentava o nome da figura do Conselheiro Nébias, personalidade santista e também nome de avenida em sua terra natal, foi trocado por rua do Colégio, exaltando a instituição histórica dos jesuítas com a sua segunda organização escolar mais antiga em nosso país.
No edital dos devedores de impostos dessas duas localidades constam 15 nomes e neles logo vem à tona as figuras de Antônio Militão de Azevedo, o qual já destacamos como proprietário no Porto Tumiaru, e de Francisco Xavier dos Passos.
CHICO BOTAFOGO
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LARGO BAPTISTA PEREIRA
Nos anos 1950-60 praça a chegou a ter um busto do pintor Benedito Calixto (desaparecido durante algumas reformas) e alguns estabelecimentos também desaparecidos, como o Seminário Católico entre as ruas Erasmo Schetzs e Djalma Dutra.
No início dos anos 2.000 a praça sofreu uma intervenção turística com a criação do Parque da Vila de São Vicente, quando foi construída uma réplica de uma vila colonial, mantida até hoje. A Igreja Mariz e o Mercado Municipal são imóveis tombados pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico.
PRIMEIRA BOTICA EM SÃO VICENTE
Praça João Pessoa (antigo Largo Batista Pereira) esquina com a rua Erasmo Shetz nos anos 1950 ainda com a fachada da da Botica do Glória. São Vicente de Outrora.
Impulsionado pelo natural desejo de progredir e, ao mesmo tempo, dar vazas ao espírito de empreendedora versatilidade, sem descurar de suas atividades comerciais, passou a dividi-las como principiante em construção de barcos. Montando modesto estaleiro nos fundos de sua residência, no Largo Batista Pereira, 8, com saída para o Largo da Lavandaria (hoje Praça Bernardino de Campos), ali, graças às suas qualidades natas de habilidoso artífice, e com a ajuda de um ou outro entendido na matéria, lançou-se à confecção de pequenas embarcações: canoas, botes, baleeiras e respectivos petrechos. De tal maneira desenvolveu o novo ramo de atividades, que das suas mãos, conduzidas por seu esclarecido espírito artesanal, saíram lanchas e barcos de pesca de pequeno porte, e até vários tipos de delicados barcos para regatas - canoés, ioles a 2 e 4 remos, encomendados pelos Clubes de Regatas Tumiaru e Saldanha da Gama.
Seu bom nome como construtor naval foi-se ampliando, e o Governo do Estado, em 1911, autorizou Paulino Alves de Oliveira a construir dois escaleres destinados à Repartição de Saneamento de Santos, a fim de prestarem serviços no início da montagem da Ponte Pênsil, inaugurada no ano de 1914. De outra feita, o industrial de São Paulo, Leon Jaffet, mandou confeccionar, no estaleiro de nosso biografado, lancha de amplo porte, destinada ao reboque de chatas, barcaças e outros tipos de embarcação, subordinadas à tração. Com a introdução dos motores de pôpa, a oficina naval era a mais escolhida para ali se operar a adaptação desse dispositivo propulsor, em barcos até então desprovidos do notável melhoramento.
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MARQUEZ DE S.VICENTE
Ao assumir em 30 de junho de 1877 a presidência da Câmara Municipal da Vila de São Vicente, alertou os vereadores, na sessão inaugural, que quem faltasse nas sessões sem motivo justificado seria multado. Havendo sua majestade o imperador d. Pedro II, por decreto, dissolvido a Câmara dos Deputados, Fernando José Augusto tomava as providências para a eleição de novos deputados em 1878, organizando para isso a Mesa Paroquial, conforme os prazos da lei. Foi eleito vereador (1881-1884).
Participou na inauguração do serviço de água da Vila de São Vicente, em 27 de outubro de 1889. Sempre foi admirador de d. Pedro II, e por isso, quando o imperador visita São Vicente, ofereceu uma colcha de damasco para que sua majestade ajoelhasse na Matriz local, já que tinha tapetes na igreja. Faleceu em sua residência, vítima de febre palustre, em 18 de novembro de 1903". (Vultos Vicentinos. Edson Telles de Azevedo, Ed. Revista dos Tribunais. 1972)
Um dos últimos proprietários da lista é Joaquim Dias Bexiga. Nasceu em Portugal, no Algarve, em 1862, vindo para São Vicente aos 20 anos de idade, trabalhando como carpinteiro, pintor, encanador e vidraceiro. Era um autodidata e também entusiasta do ensino. Em 1905 fez em sua residência a primeira instalação na cidade de um aparelho de gás acetileno, iniciativa que teve grande repercussão em toda a região. Sua criação logo foi reconhecido e levada à Santos, realizando iluminação da Igreja de Nossa Senhora do Carmo. No ano seguinte adaptou seu aparelho para iluminação pública. Sua "Officina Encyclopedica" não se restringia a consertos e reparos, sendo alvo de curiosidade da população, que ali comparecia aos sábados e domingos para assistir suas demonstrações técnicas e aparelhagens inovadoras. Era casado com Dona Flora Gonçalves da Silveira e faleceu no ano de 1930 deixando muitos descendentes na cidade.
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20 PADRE MANOEL*21 TRAVESSA DAS FLORES*22 LARGO DA SANTA CRUZ*23 SANTA CRUZ *24 JOSÉ BONIFÁCIO*25 RUA 24 DE MAIO
Casa do Coronel Júlio Maurício na Travessa da Flores (atual rua João de Souza). Bico de pena de Edison Telles de Azevedo. Vultos Vicentinos.
Esses endereços, mesmo com a descaracterização da arquitetura original, possuem até hoje os traços antigos da vila vicentina, com algumas construções das primeiras décadas do século XX. A casa do Cel. Júlio Maurício, retratada no bico de pena de Edison Telles de Azevedo e já demolida, era do século XIX ou XVIII. Seu subsolo, como em toda a vizinhança, deve esconder vestígios da época colonial e do império. As ruas ainda são estreitas e quem passa nelas durante a noite têm a nítida impressão de estar caminhando em outros tempos e até podem ter uma repentina crise "déjà-vu", sobretudo entre alguns trechos das atuais ruas João de Souza, Djalma Dutra e 13 de Maio. O mesmo acontece na Erasmo Schetz, bem como nas primeiras quadras próximas ao Morro dos Barbosas. São poucos minutos nos quais suas mentes descansam e suas memórias inconscientes lhe proporcionam emoções e sentimentos que não conseguem explicar.
Em tempo: a rua Santa Cruz antes era denominada rua das Sete Casas; e a rua 24 de Maio é hoje a rua 13 de Maio.
Aos poucos essas antigas casinhas e prédios foram desaparecendo pela força do comércio e da pressão demográfica. Mas algumas resistem bravamente e desafiam a imaginação de alguns transeuntes, que fazem questão de cortar caminho por elas, desviando das barulhentas praças e avenidas tomadas pelos automóveis e ônibus.
RESIDÊNCIA, PENSÃO E ESCOLA MARTIM AFONSO
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JACOB EMMERICH
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FREI GASPAR
Na rua Frei Gaspar, a mais extensa e que corta toda a ilha de São Vicente, da orla até o lago Pompeba, aparecem com os mesmos conhecidos nomes citados na rua Jacob Emmerich e com número bem maior de logradouros: Leôncio, Paulino e João Carlos Ratto (9, 11 e 22), a The City Of Santos Company (23) e destacados proprietários: Frederico Roth (4), Dr. José da Costa B.P. Neves (14 e 16), Julião Caramuru (34), filhos d Dr. Silva Jardim (36), Vicente Gil(do 40 ao 46), Francisco Lapetina (58), Antão Alves de Souza (48) e outros.
A rua Frei Gaspar sempre foi um endereço cobiçado pelos comerciantes e prestadores de serviços, pela sua posição intermediária no centro da cidade e de grande fluxo de transeuntes e consumidores. Até hoje tem o metro quadrado comercial vai valioso do centro da cidade, abrigando pontos de negócios estratégicos e construções históricas como o Edifício Gáudio, a Casa do Barão, o Edifício Zufo (Alto Falantes Royal) e o Café Floresta - ambos na esquina da Praça Barão - a sede da Irmandade da Santa Casa de São Vicente e a Fábrica de Vidros. Nela também, logo após a quadra do Hospital São José, foi fundada, nos anos 1950, a Sinagoga Espírita Cáritas, em homenagem aos comerciantes judeus anônimos que contribuíram para a aquisição do terreno e construção do prédio da entidade. A S.E. Cáritas mantinha uma obra assistencial denominada Fraternidade Cristã, com albergue noturno, clínica dentária e uma conhecida biblioteca pública para pesquisas escolares. Na época, centenas de alunos procuravam a Biblioteca Municipal de Santos para fazer suas pesquisas, se locomovendo de bonde até o centro da cidade. A biblioteca do Cáritas supriu boa parte das necessidades dos estudantes que não podiam cobrir o custo da passagem para ir até Santos.
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JOÃO RAMALHO
CONSERVATÓRIO DA TIA MIMI
"Por volta dos 4 anos, passei a compor a “bandinha rítmica” de iniciação musical de Tia Mimi,Dona Mimi, Maria Guilhermina Martins Machado, querida professora de piano que, em sua residência na João Ramalho, 432, recebia com grande carinho e dedicação crianças cuja musicalidade natural ela pacientemente disciplinava. Mas não era como uma espécie de confirmação do dito: “Filho de peixe, peixinho é” que eu lá me encontrava. Muito mais do que viria a ocorrer depois, e sobretudo ocorre nos dias de hoje um relativo grande número de meninos e meninas receber alguma educação musical era prática bastante corriqueira entre as famílias de classe média da época. Assim, embora filho do Maestro Jesus—José Jesus de Azevedo Marques, havia relativo bom tempo o Diretor de Cultura Artística da Prefeitura Municipal de São Vicente -, eu era somente mais uma criança que, antes de ser alfabetizada, aprendia aos poucos a decodificar os signos inscritos nas partituras.

Casa onde funcionava a escola de Tia Mimi, hoje demolida (2024) para dar lugar a um edifício de apartamentos.
Evidente que ambos os teclados, escolas e objetivos podiam conviver harmoniosamente, cada qual em seu âmbito; mas é como se o da máquina de escrever- compreensivelmente, por sinal, já que tencionávamos ascender de subdesenvolvidos para em-desenvolvimento, de periféricos para emergentes—simbolizasse a atenção preferencial da grande maioria pela atividade econômica geradora de riqueza material, reforçando-a consequente estigmatização do ócio [lugar como que natural da música], o abandono progressivo de ritmo se andamentos generosos para com uma certa criatividade musical e artística, que, junto ao [economicamente contraditório] progressivo depauperamento do ensino formal e da cultura geral, faria logo mais com que aquela educação do gosto, numa inversão do alcance que lhe parecia originalmente reservado, deviesse cada vez mais elitizada".
CALUNGAH -História de São Vicente, Memória da Música e da Cultura.
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PRAÇA CORONEL LOPES
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LINHA DOS BONDS DA CIA. CITY
Praça construída originalmente pela Companhia City de bondes e que nas décadas seguintes ficou conhecida como Praça do Correio. É também a praça da Escola do Povo, a primeira edificação construída especificamente para essa função, tornando-se nas décadas posteriores sede da escola técnica Ruth Cardoso. Anteriormente teve s nome de Professora Zina de Castro Bicudo e também "Grupão".
ITINERÁRIOS DOS BONDES
Carlos Pimentel. Novo Milênio
Bonde Nº 1 - São Vicente via Matadouro
Ida - Praça dos Andradas, esquina da Rua Visc. de São Leopoldo, Rua Visc. de São Leopoldo, Largo da Saudade (Saboó), Av. Bandeirantes, Rua Nossa Senhora de Fátima (Matadouro), Av. Antonio Emerich, Praça Coronel Lopes, Rua Frei Gaspar, Rua 15 de Novembro, Rua Jacob Emerich, Praça Barão do Rio Branco.
Volta - Praça Barão do Rio Branco, Rua Martim Afonso, Praça Coronel Lopes, Avenida Antonio Emerich, Rua Nossa Senhora de Fátima (Matadouro), Av. Bandeirantes, Largo da Saudade, Rua Visc. de S. Leopoldo, Rua Visc. de Embaré, Praça dos Andradas.
Bonde Nº 2 - São Vicente via Praias
Ida - Praça Mauá (Abrigo dos Bondes), Rua Cidade de Toledo, Rua Augusto Severo, Praça Barão do Rio Branco, Praça da República, Rua Senador Feijó, Rua Rangel Pestana, Av. Ana Costa, Praça da Independência (Gonzaga), Av. Presidente Wilson (José Menino), Av. Manoel da Nóbrega (S. Vicente), Av. Presidente Wilson (S. Vicente), Rua Pêro Corrêa (S. Vicente), Rua 11 de Junho (S. Vicente), Av. Antonio Rodrigues (S. Vicente), Av. Pedro de Toledo (S. Vicente), Rua Frei Gaspar, Rua 15 de Novembro, Rua Martim Afonso (S. Vicente), Rua Padre Manoel (S. Vicente), Rua Marquês de S. Vicente, Rua Capitão Mór Aguiar, ponto final.
Volta - Rua Capitão Mór Aguiar (S. Vicente), Rua Marquês de S. Vicente (S. Vicente), Praça João Pessoa (S. Vicente), Rua Padre Manoel (S. Vicente), Rua Martim Afonso (S. Vicente), Praça Barão do Rio Branco (S. Vicente), Rua Frei Gaspar (S. Vicente), Av. Pedro de Toledo (S. Vicente), Av. Antonio Rodrigues (S. Vicente), Rua 11 de Junho (S. Vicente), Av. Manoel da Nóbrega (S. Vicente), Av. Presidente Wilson (José Menino), Av. Ana Costa (Gonzaga), Praça da Independência, Av. Ana Costa, Rua Rangel Pestana, Rua Senador Feijó, Praça José Bonifácio, Rua Amador Bueno, Rua Dom Pedro II, Praça Mauá.
O TRAMWAY DOS EMMERICH
TRÊS IMAGENS VICENTINAS DE 1905
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AVENIDA MISERICÓRDIA
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DR. HYPÓLITO DA SILVA
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DR. CÂNDIDO RODRIGUES
Parte do mapa turístico de 1932 mostrando as principais ruas vicentinas e setores ainda desabitados, onde surgiriam novos bairros e vilas. A avenida Misericórdia já havia sido rebatiza de como Presidente Wilson.
O nome Misericórdia identifica esta conhecida avenida vicentina como área de propriedade da Santa Casa de Misericórdia de Santos, entidade que recebeu na cidade muitas doações de pequenos terrenos, prédios residenciais e comerciais e até sítios e glebas, como foi caso do espólio do imigrante português Francisco Valença. Anos mais tarde a Santa Casa transformaria essas áreas em loteamentos da Vila Valença e Jardim Independência, que originalmente se chamava Vila Misericórdia.
A grande e larga avenida que corta uma parte imobiliária valiosa da cidade, como se vê no edital, é um projeto do final do século XIX e início do XX, pensado como fator de ocupação e desenvolvimento nas áreas antes e depois da linha da Estrada Ferro SPR-Sorocabana. Isso só foi possível quando foi iniciada a construção da linha de bonde e que mais tarde receberia o nome de avenida Antonio Emmerich, na direção da zona noroeste de Santos. Essa linha estimulou entre 1915 e 1930 os loteamentos da Vila Melo, Vila Pedro Duarte, sucedido pela Vila São, Cascatinha e Vila Bugre (atrás do quartel do Exército, onde era o Hotel dos Alemães) e o Jardim Gassu. Esse empreendimento mudou também os limites e divisas co0m Santos, marcando a perda territorial vicentina tanto na zono noroeste (que ia até a atual avenida Jovino de Melo) como também na orla (que ia além da Ilha Urubuqueçaba, onde foi construído o Hotel Internacional.
A avenida da Misericórdia teve seu nome modificado estranhamente para avenida Presidente Wilson, homenagem a um presidente norte americano, seguindo um modelo de denominação nada transparente e que cumpre ordens ocultas e a revelia da população. Em Praia Grande, no contexto da emancipação do município foi imposta dessa forma a denominação da mais extensa avenida da cidade o nome Presidente Kennedy, antiga Estrada do Telégrafo. Algumas vozes vicentinas protestaram contra nome presidente Wilson, mas não foram ouvidas. Eles pretendiam dar a ela o nome Bacharel Cosme Fernandes, figura emblemática que viveu na cidade nos primórdios da colonização e que, com a chegada de Martim Afonso em 1532, foi expulso para Cananéia, onde deveria cumprir sua pena de degredo.
A AVENIDA MISÉRICÓRDIA- PRESIDENTE WILSON
VII
A FORTALEZA DE ITAIPU
O Forte foi construído na Barra de São Vicente (denominação geográfica usada oficialmente pelo Exército ) e teve como função principal proteger o Porto de Santos, ação que se acentuou no período da II Guerra Mundial.
A comunidade militar, mesmo tendo a maioria do seu efetivo em trânsito, tornou-se referência de autoridade federal na região, tendo a sua alta oficialidade exercido intervenções nos destinos políticos do município criado em 1967. Por esse motivo, muitos grupos e segmentos cultivam, de forma cultural e ideológica, a presença dos militares como um fator de segurança e proteção social. Muitos oficiais que serviram no Itaipu permaneceram residindo em Praia Grande e na região após darem baixa na vida militar, dedicando-se à diversas atividades civis.
A Fortaleza de Itaipu e a Vila Militar, desde a sua construção entre 1901 e 1906, tornam-se um patrimônio e fonte de orgulho local por ser o estabelecimento oficial mais antigo da atual cidade. Em quase todas as famílias que viveram na região nas últimas seis décadas encontramos algum membro que prestou serviço militar ou se aposentou na Fortaleza.
PROJETO DE DEFESA DO PORTO DE SANTOS (1897). Em 1895, o Estado-Maior do Exército Brasileiro mandou executar um projeto de defesa do Porto de Santos, encargo que ficou nas mãos do capitão de arma de artilharia Erico Augusto de Oliveira. A tarefa começou a ser executada em 1896 e foi apresentada, concluída, ao Ministério da Guerra, em 1 de dezembro do ano seguinte. A Fortaleza de Itaipu aparece como um dos pontos vermelhos da primeira linha de defesa. Imagem: Memória Santista.O Forte foi construído na Barra de São Vicente (denominação geográfica usada oficialmente pelo Exército ) e teve como função principal proteger o Porto de Santos, ação que se acentuou no período da II Guerra Mundial.
A comunidade militar, mesmo tendo a maioria do seu efetivo em trânsito, tornou-se referência de autoridade federal na região, tendo a sua alta oficialidade exercido intervenções nos destinos políticos do município criado em 1967. Por esse motivo, muitos grupos e segmentos cultivam, de forma cultural e ideológica, a presença dos militares como um fator de segurança e proteção social. Muitos oficiais que serviram no Itaipu permaneceram residindo em Praia Grande e na região após darem baixa na vida militar, dedicando-se à diversas atividades civis.
A Fortaleza de Itaipu e a Vila Militar, desde a sua construção entre 1901 e 1906, tornam-se um patrimônio e fonte de orgulho local por ser o estabelecimento oficial mais antigo da atual cidade. Em quase todas as famílias que viveram na região nas últimas seis décadas encontramos algum membro que prestou serviço militar ou se aposentou na Fortaleza.
PASSADO MILITAR VICENTINO NO ITAIPU
OS MAIS ANTIGOS PROPRIETÁRIOS DO SÍTIO ITAIPU
TENENTE JOÃO JOSÉ RIBAS
FILHO DO CAPITÃO JOSÉ MANOEL GONÇALVES RIBAS, NETO DO CAPITÃO MÓR AGUIAR, VOLUNTÁRIO DA GUERRA DO PARAGUAI, CONDECORADO POR D. PEDRO II.
EDSON TELLES DE AZEVEDO
História do Brasil, a ação de suas Forças Armadas se notabilizou, não só por suas atividades em tempos de paz - sentinela alerta do nosso patrimônio moral e material, para o qual contribuem - mas também por seus feitos bélicos. O soldado brasileiro jamais deixou de honrar as tradições mais dignas de seus ancestrais, e é na defesa, em plagas distantes, de nosso amor próprio Por próprio e dignidade, sempre que feridos por inimigos traiçoeiros, e preservação da unidade territorial, em paragens as mais inóspitas, que vamos deparar com as páginas mais formosas de abnegação e heroísmo, numa gigantesca labuta pelo resguardo do imenso solo pátrio. Contrariamente ao que sucedeu aqui, no Novo Mundo (assim chamado o nosso continente à época das grandes descobertas marítimas), em que as conquistas dos bravos castelhanos não conseguiram, todavia, opor-se à forças da divisão territorial. O seu vastíssimo império colonial americano, do qual, a princípio, eram eles os senhores absolutos, acabou por se fragmentar - apesar de suas inegáveis qualidades de guerreiros colonizadores - em maiores e menores Estados independentes.
Sem embargo de outros memoráveis feitos bélicos mais recentes, foi na prolongada e cruenta guerra contra as hostes de Solano Lopez, ditador impelido pela desmedida ambição de representar papel proeminente na história de seu país, que as nossas Fôrças Armadas mais se cobriram de glórias, não só ao enfrentarem e, por fim, vencerem inimigo aguerrido, como ao arrostarem, ali, ao longo de cinco intermináveis anos, as mais adversas condições climáticas, de terreno, de locomoção, de abastecimento e de precário atendimento hospitalar, além de um número sem fim de outras pungentes e atrozes provações.
Aquela época, a nossa provinciana e bucólica São Vicente, mesmo assim, não deixou de ver-se inscrita nas páginas mais destacadas desse imorredouro feito das nossas forças militares, e fê-lo graças ao denodo, entre outros, de um de seus diletos filhos. De seu valor, como militar participante dessa penosíssima campanha, bem o atesta a condecoração de real mérito, com que foi galardoado, recebida como foi das próprias mãos do imperador D. Pedro II.
Assim, na galeria dos nossos homenageados, desejamos alinhar, desta feita, João José Ribas.
QUEM FOI O NOSSO HOMENAGEADO. Geralmente conhecido por "seu" Ribas, era calunga legítimo, e desde bem novo participou da vida cívica, recreativa e social da época. Filho um militar da ativa, o capitão José Manoel Gonçalves Ribas, que se esmerou em proporcionar-lhe um preparo e educação condizentes com numerosa família a que pertencia, de vários destacados ramos, que a seguir mencionaremos, os pendores de João José Ribas logo se manifestaram para a carreira das armas. Com 17 seguiu para a Guerra do Paraguai no posto de cadete, agregado ao 7.o Batalhão de Infantaria formado por destemidos voluntários, sendo, nessa classe, o único de São Vicente Pelejou com o destemor que lhe era próprio, em numerosos com inclusive no da Ilha da Redenção, inscrito na história dessa legende guerra como um dos mais sanguinolentos, e do qual saiu, como tantos outros combatentes, com sérios ferimentos.
CONDECORACOES. Em reconhecimento ao denodo com que sempre se bateu ao longo dessa memorável campanha, não poucas vezes em cruentos recontros. o governo imperial conferiu-lhe não só o título de "Cavaleiro da Ordem da Rosa", que ele, com razão, ostentava orgulhosamente, como também a "Cruz de Guerra", galardoando a destacada conduta com que assinalou sua prolongada passagem pela vida militar do País. Ainda em decorrência desses atributos, foi nomeado, em 20 de julho de 1868, alferes do Corpo Policial Permanente, em cujo posto foi reformado quando da proclamação da República, em 1889.
REVOLTA DO MARECHAL FLORIANO
Por ocasião desse levante, em 1894, João José Ribas foi novamente chamado a prestar o concurso de sua experiência e intrepidez no campo militar, tendo assumido o comando, no posto de tenente, das fortificações levantadas na Praia Grande, entre o Porto do Rei e o canto do Itaipu, constituídas de entricheiramentos e assestamento de peças de artilharia.
NO COMERCIO E NO FUNCIONALISMO PÚBLICO. Tempos depois, dedicou-se por vários anos à atividade de corretagem de café, em Santos, granjeando, por sua correção e lhaneza, confiança e estima de seus colegas e das firmas com as quais negociava. Como veterano da Guerra do Paraguai, foi-lhe adjudicado cargo na Recebedoria de Rendas, como guarda-fiscal. Também lá foi um mais prestimosos o seu concurso ao serviço público, graças à seriedade e apêgo com que se dedicava às suas tarefas.
FOLHA CORRIDA DA GUERRA DO PARAGUAI. Por determinação direta do general Henrique Teixeira ministro da Guerra, em 1957, foi lida folha corrida relativa ao seu destemeroso comportamento na campanha do Paraguai, de que fez parte durante todo o seu tempo, e no decorrer da qual angariou o respeito e admiração dos seus superiores e mais participantes dessa árdua luta, no meio dos quais era reconhecidamente tido como bravo combatente. Tais méritos valeram para que suas filhas viúvas continuem recebendo, até hoje, a pensão vitalícia a que fez jus.
CONSORCIO. Na antiga Matriz de Santos, a 28 de junho de 1874, o alferes João José Ribas, do Corpo Policial, filho do capitão José Manoel Gonçalves Ribas e de dona Rosa Maria Assunção Ribas, contraía núpcias com d. Elisa Paula Muniz Bruncken, filha de Henrique Geraldo Muniz Bruncken e de d. Jesuína Leopoldina Muniz Bruncken, servindo de testemunhas o cap. João Manoel Alfava Rodrigues e João Bernardino de Lima.
ASCENDÊNCIA DESTACADA. O nosso biografado era neto do capitão-mor José Gonçalves Aguiar, figura das mais representativas de seu tempo em São Vicente, e tais foram os méritos deste último que os poderes públicos o homenagearam indelevelmente, atribuindo o seu consagrado nome a uma das principais avenidas da cidade -a Capitão-Mor Aguiar. Mas a ascendência de João José Ribas não era importante só pelo lado de seu avô e pai, mas também pelo ramo materno dos Bruncken, tradicional família da melhor estirpe, oriunda do então reino da Prússia, berço das famosas e legendárias casas dos Hoenzollern e dos Brandeburgo.
DADOS BIOGRÁFICOS. João José Ribas nasceu em São Vicente, em 22 de maio de 1842, e de seu consórcio com d. Elisa Paula Muniz Bruncken deixou os filhos: Leôncio, que exerceu importantes cargos na Recebedoria de Rendas, inclusive o de tesoureiro, e foi casado com d. Maria Carvalhal Ribas; d. Orieta, viúva do cap. Antão Alves de Moura, ex-prefeito de São Vicente (nosso XXIII biografado); d. Valdomira, que foi casada com o sr. Haroldo Cross. Seus irmãos, Maria, nascida em 20-12-1832; Francisco de Paula foi batizado a 25-9-1838; Carolina nasceu a 7-1-1848; Antônio (9-3-1841); Maria José (19-3-1844); Bernardino (26-8-1848); Gertrudes, "Dona Tudinha (13-6-1850), a qual tivemos oportunidade de conhecer; Bento (20-9-1853). Seu neto, o dr. João Carvalhal Ribas, filho do saudoso Leôncio Ribas, é atualmente figura das mais representativas e respeitadas nos círculos médicos do País, pois, além de ser professor-catedrático é autor de obras, inclusive da Academia Pico da Universidade de S. Paulo, no ramo de psiquiatria e sobre a especialidade, laureadas com prêmios da Academia Paulista de Letras. (Vultos Vicentinos, 1972)
VIII
A PONTE PÊNSIL E PRAIA GRANDE
COMEÇAM AS NEGOCIAÇÕES E AS OBRAS
UMA GRANDE OBRA DE ENGENHARIA
A Tribuna 25 de janeiro de 1914
Mais alguns meses, e será franqueada ao público a grande ponte pênsil que a Comissão de Saneamento está construindo em um dos mais pitorescos recantos da vetusta cidade de S. Vicente.
Trata-se de uma grande obra de engenharia, que honra sobremaneira o ilustre profissional que hoje superintende os serviços da Comissão de Saneamento de Santos, o dr. Miguel Presgreave.
A necessidade de conduzir até os Itaipus o emissário de esgotos, que deverá lançar as matérias que recolhe das redes secundárias, obrigou a Comissão de Saneamento a planejar essa grande ponte, que atravessa o denominado Mar Pequeno, na sua parte mais estreita.
Após os necessários estudos preliminares, foi encomendada a uma casa da Alemanha a grande ponte pênsil, cuja construção tem sido feita com a maior presteza e cautela.
Logo no início das obras, o dr. Miguel Presgreave e seu digno auxiliar, o dr. Mário Gambaro, atual chefe do serviço de construção da ponte, encontraram um grande obstáculo para o assentamento dos alicerces e pegões da mesma.
As sondagens efetuadas então revelaram a presença de uma enorme laje, que da ponta em que se achava nessa época a garagem do Clube de Regatas Tumiaru, avançava pelo mar adentro, em uma longa distância, e que não apresentava, infelizmente, resistência suficiente para servir de apoio ao pilar inicial da enorme ponte.
Essa dificuldade foi vencida, afinal, após ingentes sacrifícios e enorme trabalho dos escafandristas contratados pelo chefe da comissão construtora.
Terminada a construção dos pilares, foi dado começo ao lançamento da ponte, cuja beleza de linhas causa admiração a todos que a vêem.
O lançamento da ponte está sendo feito, como dissemos, sob imediata fiscalização do dr. Mário Gambaro, que tem como auxiliar o hábil engenheiro dr. Henrique Bramann, mandado para esse fim pela casa August Kloenne, fornecedora do material.
A construção da ponte vai adiantadíssima e já hoje podem os pedestres ir de S. Vicente à Praia Grande sem precisar atravessar o Mar Pequeno nas incômodas lanchas-automóveis que, em virtude de um contrato com o governo, ali fazem o serviço de transportes.
Como dissemos acima, a grande ponte foi feita para por ela passar o emissário dos esgotos da cidade, mas isso não impedirá que a City dela se aproveite para levar os seus trilhos até a Praia Grande, segundo um belo projeto dessa companhia.
Assim, pois, dentro de alguns meses já se poderá ir, então cômoda e rapidamente, do centro desta cidade à Praia Grande ou Itanhaém, em um veloz automóvel ou em uma elegante carruagem.
A Comissão de Saneamento já concluiu a abertura de uma linda avenida que, beirando o mar, conduz da praia do Itararé até o porto do Tumiaru, e outra que vai do Japuí a Itaipus.
Para a construção dessa linda obra de arte, o governo federal concorreu com a importância de 150 contos, pois essa ponte vai facilitar grandemente as comunicações com a fortaleza de Itaipus, construída na ponta do mesmo nome.
A ponte pênsil de São Vicente tem, de extremo a extremo, 275 metros de comprimento, é toda de ferro e pesa 550 toneladas, não se contando o peso da madeira nela empregada. A largura do tabuleiro é de 6,40 m.
As duas torres, às quais estão ligados os cabos de aço que sustentam o tabuleiro, têm 23 metros de altura, inclusive 8 metros que se acham enterrados em concreto, no solo.
Os cabos sustentadores do tabuleiro são em número de 16 e têm o comprimento de 286 metros. Desses cabos, 12 pesam 6 toneladas cada um e 4 atingem a 10 toneladas de peso cada um.
O comprimento do tabuleiro é de 180 metros.
DICKSON E O SÍTIO NOVA ESCÓCIA
FORMOSO ARREBALDE Á BEIRA MAR
PRAIA GRANDE BAR
IX
SÃO VICENTE E A LUZ ELÉTRICA
LAMPEÕES A ÓLEO, QUEROSENE, GÁS E OS BONDES ELÉTRICOS
I - A São Paulo Light e seu domínio geográfico
A São Paulo Light S.A. Serviços de Eletricidade, empresa a que pertencem as usinas hidrelétricas de Cubatão, iniciou suas atividades em São Paulo nos últimos anos do século passado (N.E.: século XIX), sendo a primeira na Capital Bandeirante a empregar energia elétrica em serviços de utilidade pública - transportes coletivos (1901) e iluminação (1911).
A empresa, inicialmente denominada The São Paulo Railway and Power Company Limited, modificou logo seu nome para The São Paulo Tramway Light and Power Co. Ltd., para evitar confusões com a ferrovia Santos-Jundiaí (então denominada São Paulo Railway), passando mais tarde ainda a denominar-se São Paulo Light and Power Co. Ltd.
Foi fundada no Canadá tendo sua sede em Toronto, Província de Ontario. Obteve da Rainha Vitória carta patente de incorporação a 7 de abril de 1899 e, pelo decreto nº 3.349, o presidente da República, dr. Campos Salles, autorizou seu funcionamento no Brasil. Recentemente (1956) foi transformada em sociedade anônima brasileira com sede em São Paulo, tomando então o nome de São Paulo Light S.A. Serviços de Eletricidade. A maioria das ações da companhia continua, entretanto, a pertencer a canadenses e europeus.
A São Paulo Light faz parte das Companhias Associadas Light ou simplesmente Light, como é geralmente chamada pela população de São Paulo. A Light é constituída por várias sociedades anônimas, com personalidade jurídica própria e tendo cada uma a concessão de determinado serviço de utilidade pública.
As duas principais empresas do grupo Light concessionárias de serviços de eletricidade são: Rio Light S.A. Serviços de Eletricidade e Carris (1908), que exerce sua atividade no Estado da Guanabara e região Centro-Sul do Estado do Rio de Janeiro, e a São Paulo Light S.A. Serviços de Eletricidade, esta associada a duas outras empresas - São Paulo Serviços de Eletricidade (antiga São Paulo Eletric Company) e a Companhia de Eletricidade São Paulo e Rio.
Usina Henry Borden, 1948. Fonte: Museu da Energia.
A São Paulo Light e associadas têm a concessão dos serviços de eletricidade numa vasta área do Estado de São Paulo - 20.240 km², que abrange os seguintes municípios:
a) servidos pela São Paulo Light - São Paulo, Barueri, Cajamar, Caraguatatuba, Cotia, Diadema, Embu, Ferraz de Vasconcelos, Guarulhos, Itapecerica da Serra, Itapevi, Itaquaquecetuba, Mauá, Mogi das Cruzes, Pirapora do Bom Jesus, Poá, Ribeirão Pires, Santana de Parnaíba, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São José dos Campos, São Sebastião, Suzano e Taboão da Serra;
b) servidos pela São Paulo Serviços de Eletricidade - Sorocaba, São Roque, Salto de Pirapora e Araçoiaba da Serra;
c) servidos pela Companhia de Eletricidade São Paulo e Rio - Itu, Salto, Jundiaí, Indaiatuba, Vinhedo, Jacareí, Guararema, Salesópolis, Santa Branca, Jambeiro, Caçapava, Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Aparecida, Porto Feliz, Boituva, Taubaté, Tremembé, Lorena, Cruzeiro e Cachoeira Paulista.
Além disso, a São Paulo Light e associadas fornecem energia para ser distribuída pela Cidade de Santos Serviços de Eletricidade e Gás S.A. (antiga City of Santos Improvements Co.), empresa concessionária do serviço de energia elétrica nas cidades de Santos, São Vicente e Cubatão, mas que não possui instalações geradoras, executando apenas o serviço de distribuição de energia.
A área servida pela São Paulo Light e associadas é densamente povoada - 5.080.000 hab., distribuídos por 20.240 km² ou sejam 250 hab/km². O consumo de energia anual per capita é, na região, de 1.450 kWh - elevadíssimo em relação ao restante do país e equiparável ao de países considerados de alto desenvolvimento econômico.
A área de concessão da São Paulo Light abrange, além disso, municípios fortemente industrializados tais como o da Capital, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, que desempenham papel importante na economia nacional.
Maria de Lourdes Radesca. A Baixada Santista - Aspectos Geográficos (volume IV - "Cubatão e suas indústrias", páginas 67 a 106, Editora da Universidade de São Paulo, 1965, São Paulo/SP
Vila Light – Ao lado da Usina Henry Borden, está localizada a Vila Light, onde ficam as casas de muitos dos trabalhadores da hidrelétrica. Na vila, além da moradia dos funcionários, existe a Escola Municipal Usina Henry Borden, uma parceria com a prefeitura local. Lá também está localizada a Casa de Visitas, utilizada, antigamente, para receber convidados ilustres. Já estiveram lá Carlos Campos, presidente do Estado de SP, e também Rudyard Kipling, autor inglês ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1907. A Usina Henry Borden tem um circuito turístico e recebe visitantes.
Imagens do Relatório e Inventário do Prefeito
José Monteiro para o Governador Armando Salles de Oliveira (1933-1936)
CRONOLOGIA 1900-1930
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ESQUADRILHA AÉREA NAVAL - SÃO VICENTE EM 1932
Arquivo da Marinha DPHDM - Escola Naval da Marinha (1916-1941)
FOTOS: JORGE KFURI
SÃO VICENTE EM 1948
Planta da Cidade de São Vicente (1948)
Nome do Autor: Sem Informação
Código: BR_APESP_IGC_IGG_CAR_I_S_0349_001_001