SUMÁRIO
VII-TRANSFORMAÇÕES URBANAS
VIII. A FORTALEZA DE ITAIPU
IX- O CLUBE DE REGATAS TUMIARÚ
X- A PONTE PÊNSIL E PRAIA GRANDE
XI - SÃO VICENTE E A LUZ ELÉTRICA
XII - A AVENIDA MANOEL DA NÓBREGA
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INTRODUÇÃO
AS ANTIGAS FAMÍLIAS VICENTINAS
32 RUAS E 551 IMÓVEIS
I
UM DOCUMENTO IMPORTANTE
CHAMAMENTOS E MODERNIZAÇÃO MUNICIPAL
II
O BRASIL E O MUNDO EM 1909
A vizinha cidade portuária de Santos, que divide com os calungas a Ilha de São Vicente desde 1540, era governada pelo Intendente Coronel Carlos Augusto Vasconcelos Tavares. A intendência e vice intendência foram cargos da modernização republicana de 1891, que corresponderia depois aos cargos de prefeito e vice.
Capitão Antão Alves de Moura
*
VISITA PASTORAL
III
SÃO VICENTE MORREU E RESSUSCITOU
SÃO VICENTE EM 1878. Planta da Vila feita pelo litógrafo Jules Martin com destaque para o Largo de Santo Antônio (Câmara, Cadeia e Matriz), Fábrica de Cal de Antônio Paquetá e o Chafariz (Biquinha de Anchieta). As ruas aparecem com nomes primitivos como do Rocio, do Sambaiatuba, de Martim Afonso (com edificação antiga de 1532), Direita, dos Barreiros, do Porto, da Praia, do Gusmão, do Pelourinho, da Pedreira, de Iporanga, de Brás Cubas, rua Nova e uma ainda sem nome, entre o centro e a orla.
Acervo: Museu da Cidade - Praia Grande
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SÃO VICENTE EM 1829
Relatório do Dr Joaquim Antônio Pinto Júnior
Vice-presidente da Província de São Paulo-1885
Quadro de Benedito Calixto. Chácara vicentina do Coronel José Proost de Souza, 1886, referindo-se a uma personalidade eminente na política santista do final do século XIX. São Vicente era uma cidade de veraneio e residência da aristocracia paulistana e santista, bem como de estrangeiros e vicentinos que trabalhavam nos bancos e casas comissárias de café nas imediações da Rua do Porto. Novo Milênio.
RUÍNAS da Casa de Pedra de Martim Afonso. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra6211/ruinas-da-casa-de-pedra-de-martim-afonso. Acesso em: 28 de agosto de 2021. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7
A VILA DE SÃO VICENTE EM 1870
SÃO VICENTE EM 1873
Instrução primária. Inspetor -Professor público - Indalecio Constantino Ferreira.Professora pública - D. Mafalda Virginia das Dores.
Vigário- ......... Os sacramentos são administrados pelo vigário da cidade de Santos. Igreja - Matriz, sob a invocação de S. Vicente.Sacristão - Indalecio Constancio Ferreira. Irmandades - Santíssimo Sacramento. Nossa Senhora do Amparo. Nossa Senhora do Rosário.
Subdelegado - Arlindo José das Neves.Suplentes - 1º, Joaquim Manoel das Neves; 2º, Manoel Antonio das Neves. 3º, José Marcellino de Camargo. Escrivão - Damaso Maria Gomes.Juízes de paz - Arlindo José das Neves. João Baptista Passos. José Francisco Pinheiro. Bento Antonio dos Santos.Escrivão - ...............Oficial de justiça e carcereiro - Martiniano Gonçalves da Silva.
Eleitor da freguesia - tenente Arlindo José das Neves.
Proprietários capitalistas - Manoel Teixeira da Silva. Antonio José da Silva Bastos. Tenente-coronel Bento Thomaz Vianna.
Negociantes - Tenente Arlindo José das Neves. João Marcellino de Azevedo. Luiz da Costa Sol. Lino de Araujo. Joaquim da Silva Soares. Joaquim Leite.
Hotel - de João Marcellino de Azevedo.
ALMANAK DA PROVÍNCIA DE S. PAULO- organizado e publicado por Antonio José Baptista de Luné e Paulo Delfino da Fonseca, com impressão na Typographia Americana, da capital paulista
SÃO VICENTE EM 1890- ALMANAK LAEMMERT
SÃO VICENTE NO INÍCIO DO SÉCULO XX
O BRASIL E SÃO VICENTE EM 1913
IV
A FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA
VILA DE SÃO VICENTE TORNA-SE CIDADE 363 ANOS DEPOIS DE SUA FUNDAÇÃO
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OS 15 PRIMEIROS PREFEITOS REPUBLICANOS
Antônio Lima Machado, 1878-1887 e 1889-1902.
Ten. Cel. Gil Alves de Araújo, 1891.
Julião Leocádio Neiva de Lima (Julião Caramuru), 1893.
Joaquim Dias da Silva, 1897.
Antônio Emmerick, 1894-1895 e 1895, 1897, 1898.
Herman Reipert, 1899.
Salvador Malaquias Leal, 1904 a 1905 e 27/5/1916.
Cap. Antão Alves de Moura, 1906 a 1913 e 9/2/1915.
Teotônio Gonçalves Corvelo, 5/5/1914.
João Francisco Bensdorf, 13/2/1917 -1928.
Cap. José Meireles, 23/10/1928 - 1930.
Ten. Antônio de Andrade, 24 a 29/10/1930.
Antônio dos Santos Barbosa, 30/10 a 22/12/1930.
Durval de Andrade e Silva, 22/10/1930 a 9/4/1931.
Dr. José Monteiro, 10/4/1931 a 19/5/1938 - 1/1/1948 a 31/12/1951.
V
NEGÓCIOS E NEGOCIANTES
Fábrica de cal - Jorge Avelino, na Fazenda das Palmeiras.
Fábrica de aguardente - António Teixeira de A. Bastos;
Fernando José Augusto Bittencourt.
Ferro Carril - Empresa Emmerich & Ablas.
Rink Vicentino - propriedade de uma associação particular.
Tavernas
Antônio de Lima Machado, Rua do Imperador;
Arlindo José das Neves, Rua do Imperador;
Abel Soeiro Sarmento, Largo do Baptista Pereira;
Carneiro & Lascazas, Rua Jacob Emmerich;
Francisco José da Silva, Rua do Imperador;
Francisco Lapetina, Rua do Marquez de S. Vicente;
José dos Santos Neves, Rua do Marquez de São Vicente;
José Antônio Fernandes Guimarães, Rua do Imperador;
João Marcelino de Azevedo, Largo de Baptista Pereira;
Joaquim Leite Rabello, Rua do Marquez de S. Vicente;
Lino de Araújo
Santos, Rua do Imperador.
Lojas de fazendas
Antônio Ritz, Rua do Imperador;
Carneiro & Lascazas, Rua de Jacob Emmerich;
José Antônio Fernandes Guimarães, Rua do
Imperador.
Bilhar
Antônio José Monteiro Torres, largo de Baptista
Pereira.
Pharmacia
José Ignácio da Glória, Largo de Baptista
Pereira.
Padarias
João Hourneaux, Rua do Imperador; José Ricére,
Rua do Imperador.
Sapateiros
Domingos Naiveze, Rua do Marquez de S. Vicente;
Luiz Attilio, Largo de Baptista Pereira.
Açougues
Domingos Naiveze, Largo de Baptista Pereira;
Henrique Ablas (Herança), Rua de Jacob Emmerich.
*
A Câmara Municipal de São Vicente publicou em 1903 um relatório e registro denominado "Comércio, profissão e indústrias" constando os principais estabelecimentos. Nessa lista Antão de Moura aparece diversas vezes como proprietário de negócios.
Os nomes
que aparecem nesta publicação e no Indicador Santista de 1885, em sua maioria, são os mesmos que aparecem no edital do prefeito Antão de Moura em 1909. Alguns estabelecimentos constam com endereço no "Porto dos Reis", bairro localizado na área continental lado orla que corresponde ao Japui e Porto do Rei em Praia Grande, onde existiam propriedades e comerciante de produtos agrícola
CASA REQUEJO - AGRICULTURA – INDÚSTRIA - MINERAÇÃO
Açougues
Chrispim Simões, Largo Baptista Pereira; Rua Martim Affonso;
Paulino Alves de Oliveira, Largo Baptista Pereira.
Alfaiates
Francisco Molinari, Rua 15 de Novembro;
Luiz Flausino, Rua 15 de Novembro;
Vicente Gil, Rua Frei Gaspar.
Barbeiros
José Serra, Rua 15 de Novembro;
Manoel da Costa,
Rua 15 de Novembro, 37.
Bilhares - Antão de Moura, Rua Martim Affonso, 30-32;
Ricardo Requejo, Rua 15 de Novembro.
Botequins
A. Fernandes, Rua Martim Affonso;
Antão de Moura, Rua Martim Affonso, 30-32;
Antônio H. Ferreira, Rua 15 de Novembro;
Antônio Ramos Junior, Rua Marquez de S. Vicente;
Manoel José da Silva Junior, Rua Visconde Tamandaré;
Ricardo Requejo, Rua 15 de Novembro;
Rodrigues &
C.º, Rua Martim Affonso.
Calçados
Antônio Alves Gonçalves, Rua 15 de Novembro;
Francisco Tochi, Rua 15 de Novembro.
Charutaria
João Richetti, Rua 15 de Novembro.
Constructor
José Vidal, Rua Martim Affonso.
Fazendas e armarinho
A. L. Ritter, Rua 15 de Novembro;
Antônio João José, Rua Marquez de S. Vicente;
Antão de Moura, Rua Martim Affonso, 30-32;
Joaquim Alves Bexiga, Rua Padre Manoel Aguiar, 6.
Louça
Antão de Moura, Rua Martim Affonso, 30-32.
Officina Encyclopedica
Joaquim Dias Bexiga, Rua Padre
Manoel Aguiar, 6.
Officina Mechanica , Ferreiro e Serralheiro
Officina de Ferraria e Funilaria Antônio Nunes,
Rua Ypiranga, 12
Padarias
Agostinho Pereira Pinto, Rua 15 de Novembro;
Annunciado Silvidio, Rua Marquez de S. Vicente;
Antônio Plotow, Rua Frei Gaspar;
Emílio Horneaux, Rua 15 de Novembro; Couto & Costa, Rua 15 de Novembro;
Paulino Alves de Oliveira, Largo Baptista Pereira.
Pharmacias
Arthur Augusto Pereira Magalhães, Rua 15 de Novembro;
José Ignacio da Gloria, Rua Jacob Emmerich.
Restaurantes
Antônio H. Ferreira, Rua 15 de Novembro;
Ricardo Requejo, Rua 15 de Novembro.
A. Fernandes, Rua 15 de Novembro;
Agostinho Pereira Pinto, Rua 15 de Novembro;
Antão de Moura, Rua Martim Affonso, 30-32;
Anthero Alves de Moura, Porto dos Reis;
Antônio Ferreira da Costa, Rua 15 de Novembro;
Antônio P. de Amorim, Rua Martim Affonso;
Antônio Roque, Rua Visconde Tamandaré;
Costa & C.ª, Porto dos Reis;
Francisco Lapetina, Rua Visconde Tamandaré;
Ignacio Requejo, Largo Baptista Pereira;
Joaquim José Leite, Rua Marquez de S. Vicente;
José Joaquim Barrozo, Rua Capitão Mór Aguiar;
Manoel Alves Pereira, Rua Marquez de São Vicente;
Manoel Antônio Claro, Rua Frei Gaspar.
VI
LOGRADOUROS E PROPRIETÁRIOS
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1
O PORTO TUMIARU
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2
CAPITÃO-MÓR AGUIAR
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3
VISCONDE DE TAMANDARÉ
Jacob Emmerich, imigrante alemão, e seu filho Antonio Emmerich, proprietário do número 31 da rua Visconde de Tamandaré. Os Emmerich aparecem como proprietários em outras ruas. Essa família marcou época com a implantação do sistema de transporte coletivo por bondes desde o século XIX. O pai é nome de rua citada neste edital e o filho, algumas décadas depois, deu nome à principal avenida que liga São Vicente e Santos na zona noroeste (da Praça das Bandeiras até à divisa do Tambores) e que antes era a linha 1 Via Matadouro).
O comerciante Francesco Lapetina e sua filha Maria Helena Lapetina em foto de 1925, na rua Visconde de Tamandaré, 40. Também foi citado no edital como proprietário de lote na avenida Capitão Mor Aguiar, 22. Francesco era natural de Tramutola, Potenza, Itália, onde nasceu em 1844. Imigrou para São Vicente em 1879. Segundo o Almanaque Santista (1885), era um dos comerciantes mais antigos em atividade, tendo primeiramente uma taverna, secos e molhados e depois uma pedreira. Foi pai de 12 filhos, 10 vicentinos e dois italianos. Sua filha Maria Helena (foto) casou-se com Antônio Pinto Amorim (irmão de Luiz Pinto Amorim, dono do famoso Iate Etelvina, que fazia a travessia para Praia Grande, no Porto Tumiaru), com quem teve sete filhos. O caçula dessa prole de Maria Helena e Antônio foi o famoso médico Dr. João Amorim, que fez brilhante carreira científica e gestora em importantes núcleos da medicina paulistana, incluindo os hospitais Pérola Byington, Matarazzo e Pro-Matre.
CARLOS MIRABELLI
Fonte: Revista Reformador - FEB. novembro, 2001 - páginas 28 e 29.
Rodolfo Mikulasch. autor da obra "O Médium Mirabelli", resultado de um Inquérito, editado em 1926 na cidade de Santos. Mikulash foi prefeito de São Vicente entre 1938 e 1945. No edital de nomes listados na rua Ypiranga aparece como proprietário dos lotes 26 e 28 o Sr. Francisco Mikulasch.
O CASARÃO DA MARQUÊS COM SANTA CRUZ
CASAMENTO. Meados da década de 1950. Casamento da filha caçula de Agostinho Auricchio. Familiares e convidados reunidos no hall do Casarão da rua Visconde de Tamandaré, esquina com Santa Cruz.
As ruínas do sobrado e o Edificio Maria Auríchio, construído na rua Santa Cruz.
4
DR. CAMPOS SALLES
Além do prefeito Antão de Moura e outros antigos moradores vicentinos, chama a atenção na lista de proprietários o nome João Bensdorp (137), proprietário do imóvel número 14. Trata-se do imigrante holandês Jan Franciscus Bensdorp, nascido em Antuérpia, que exerceu o mandato de prefeito de São Vicente por três vezes.
5
YPIRANGA
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6
TRAVESSA DA IMPERATRIZ
*
ANTÔNIO NUNES, DE FERREIRO A PRODUTOR DE BANANA
LUIS RENATO THDEU LIMA
*
CAMILLO E IZAURA
VIZINHOS NA YPIRANGA CRESCEM, NAMORAM E SE CASAM
LUIS RENATO THADEU LIMA
O casamento de Camillo e Izaura em 19 de dezembro de 1925.
Camillo Thadeu nasceu em São Vicente no dia 13 de setembro de1897, filho de Luíz Taddeo e Carolina Mauri Taddeo, imigrantes italianos que chegaram ao Porto de Santos e não seguiram para São Paulo, como fazia a maioria dos italianos, mas foram morar na Rua Ipiranga em São Vicente.
Luiz trabalhou como pedreiro na construção do Hotel Internacional (que ficava entre a atual divisa de Santos e São Vicente e o Parque do Emissário). Carolina era costureira e atendia a domicilio as famílias alemãs e inglesas da cidade. Camillo teve três irmãs: Julieta nascida em Montevidéu, Luiza e Maria Elizabeth nascidas em São Vicente.
Para a alteração do sobrenome existem duas versões orais: a
primeira de que teria sido feito na imigração, a segunda de que a professora de
Camillo teria dito: "Você mora no Brasil e tem que ser Thadeu e não Taddeo".
Estudou na Escola do Povo, o Grupão, na Praça Coronel Lopes e terminou o curso
primário na Escola Barnabé em Santos.
Em 19 de dezembro de 1925 casou se com Izaura Nunes, filha
do imigrante português Antônio Nunes e de Camila Inocêncio de Farias.
Eram vizinhos na Rua Ipiranga onde o sogro tinha uma oficina de ferreiro e
funilaria e a sogra sua madrinha de batismo (razão de terem o mesmo nome). Eram
proprietários também de um sitio na localidade de Itutinga, município de
Cubatão, onde plantavam e comercializavam bananas. Antônio Nunes, sogro de Camillo, aparece no edital como proprietário do imóvel de número 30.
Em 23 de setembro de 1926 nasce a única filha de Camillo e Izaura, que recebeu o nome de Neyde.
Camillo e Antônio de Paula Martins (de terno escuro) em Praia Grande nos anos 1930.
Ingressou no funcionalismo da Prefeitura Municipal de São
Vicente no ano de 1923, quando era prefeito João Francisco Bensdorp, com o
cargo de aferidor. Foi desenvolvendo habilidades junto ao Setor de Obras tendo
trabalhado na urbanização da Praça 22 de Janeiro, para comemorar o Quarto
Centenário de São Vicente em 1932, e nos trabalhos topográficos de loteamento e
arruamento da Praia Grande, que na época fazia parte do Município de São
Vicente. O trabalho da Praia Grande foi feito em conjunto com o Senhor Antônio
de Paula Martins, também funcionário municipal.
Participou ativamente da Revolução Constitucionalista de
1932 encarregado de levar pão e suprimentos, na Estação Ferroviária de São
Vicente, para alimentar as tropas. Participava dos desfiles e cerimônias do 9
de Julho com o distintivo da mesma no paletó.
Em 1938 recebeu do Conselho Regional de Engenharia e
Arquitetura a autorização para exercer os trabalhos que já vinha realizando na
prefeitura com organização de alinhamentos, nivelamentos e construção de
plantas.
No ano de 1939 projetou sua residência, que foi construída
na Praça Coronel Lopes 138, onde residiu até o ano de 1963. Nos anos de 1970 a
casa foi comprada e demolida pelo Bradesco que construiu sua agência no local.
Em 1945 recebeu do CREA sua licença definitiva como
Arquiteto Licenciado.
Sua aposentadoria ocorreu no ano de 1947, na gestão do prefeito
Doutor Álvaro de Assis, e em seguida foi candidato a vereador sendo eleito pelo
antigo PSP para a legislatura 1948 a 1951 com 121 votos.
Continuou trabalhando como Arquiteto em São Vicente sendo de sua autoria o projeto da Vila Santo Antônio, atual Rua José Antônio Zuffo (imigrante italiano que construiu a vila e outros prédios próximos as praças 22 de janeiro e João Pessoa), e também na Praia Grande onde projetou os primeiros edifícios de três andares no Boqueirão e uma Colônia de Férias na Vila Caiçara.
Camilo na Praça Coronel Lopes ainda com o coreto e basicamente residencial.
Foi um dos sócios fundadores do Lions Clube de São Vicente
em 1955 e presidente no biênio 1957-1958 permanecendo na entidade até sua
morte.
Tinha como hobby o desenho e a pintura sempre reproduzindo a
Pedra do Mato, Igreja Matriz, Ponte Pênsil e outros pontos da cidade.
Fez cursos com o professor e artista plástico Romeu da Graça
e expôs suas obras no Clube Caiçara em Santos em 1977 pintando flores,
naturezas mortas sem nunca abandonar os quadros da sua querida São Vicente.
Nunca abandonou o convívio com os amigos da prefeitura, sendo sempre recebido pelos prefeitos, alguns deles ex-colegas de trabalho ou ex-vereadores como ele. O jornal “A TRIBUNA” fez uma matéria com Camillo sobre a história do prédio da Prefeitura Municipal.
Mas o grande trabalho, para não dizer a grande paixão, da sua vida foi a Irmandade do Hospital São José, fazendo parte da mesa administrativa com o cargo de mordomo, mas supervisionando todas as obras e também a construção da capela e da nova ala na lateral da Rua XV de Novembro. Mesmo bastante idoso, com mais de 80 anos, ia diariamente ao hospital e colaborava com as reformas e manutenções do prédio. Em 1971 teve seu trabalho reconhecido pela Irmandade recebendo o titulo de primeiro irmão jubilado da entidade. Em 1985 ele pediu o cancelamento do seu registro de arquiteto no CREA por estar com 88 anos de idade e considerar cumprida sua missão. Em dezembro do mesmo ano comemorou, com a esposa Izaura, as Bodas de Diamante (60 anos) na Matriz São Vicente Mártir em missa celebrada pelo Monsenhor Geraldo Borowski com a presença de familiares e amigos.
Sua filha Neyde conheceu seu esposo Célio Carvalho Lima num baile de Carnaval no Clube Tumiaru. Casaram em 1955 e tiveram três filhos: Luis Renato, Cícero e Camila Maria, nascidos na maternidade do Hospital São José. Vive atualmente em Casa Branca, cidade da família de seu esposo, e vai completar 97 anos em 23 de setembro de 2023. Têm cinco bisnetos Nathalia, Gabriel, Thiago, Felipe e Bruno e duas trinetas Julia e Betina, todos residentes em Casa Branca e Campinas no Estado de São Paulo e Belford Roxo e Cabo Frio no Rio de Janeiro.Camillo Thadeu faleceu em 26 de janeiro de 1987 em São Vicente
aos 89 anos, e sua esposa Izaura Nunes Thadeu em 22 de setembro de 2007 aos 101
anos.
Este é o legado de um filho de imigrantes italianos que nasceu, viveu e amou São Vicente e dedicou toda a sua vida em favor da comunidade que acolheu seus pais e irmãs. Foi verdadeiramente um “calunga” no significado de quem se prende a um lugar e ali quer descansar (como definido pelo Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente). Por mais que criticasse ou ficasse triste com a situação de São Vicente nunca passou pela sua cabeça morar em outra cidade ou deixar de colaborar com qualquer iniciativa que pudesse contribuir para o bem estar da comunidade.
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QUINZE DE NOVEMBRO
A RUA QUINZE EM 1909
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MARTIM AFFONSO
Imagem da rua Martim no início do século XX, já bastante modificada pelas sucessivas demolições e reformas da casa de pedra do Bacharel Cosme Fernandes, que restou apenas um parede. A casa de Tobias de Aguiar, erguida 1900 e que em 1910 passou a ter João Francisco Wrigth como proprietário.
Óleo sobre tela. 100,00 cm x 56,50 cm. Enciclopedia Itaú Cultural.
A TRIBUNA domingo, 4 de agosto de 1963. Coluna de página inteira do jornalista Edison Telles de Azevedo. Os destaques da edição: os 50 anos da Escola do Povo e da banda musical dirigida pelo maestro Antônio Pedro
AÇOARIANOS NA “PRAIA DAS VACAS”
"Praia das Vacas" nos anos 1930. Área continental de São Vicente, lado orla, no início do século XX. Uma prática típica dos descendentes de açorianos que migraram para o Brasil.
A presença de açorianos em São Vicente já era conhecida no início do século XIX quando Manoel Antônio Machado e sua esposa chegaram na região em 1814. Eles eram pais de Antônio de Lima Machado, empreendedor que se mudou para São Vicente e se destacou nos negócios e também na política.
OS GOMES-SERPA DA ILHA DE SÃO MIGUEL
Na mesma época migraram para São Vicente, ocupando a Prainha e também Paranapuã , o núcleo dos Gomes e Serpa, vindos da Ilha de São Miguel, no Arquipélago dos Açores. A descrição genealógica e a instalação dessas famílias em terras vicentinas é de Fernanda M. Macedo, descendente direta dos patriarcas Damaso Maria Gomes (Vila Gomes) e Emmanuel Francisco Gomes (Vila Serpa):
“Damaso Maria Gomes, nascido na Vila Gomes, da ilha de São
Miguel, arquipélago dos Açores. Instalou-se num lote de terreno na Praia de
Paranapuã (Praia das Vacas) e ali desenvolveu um sítio de gado leiteiro, cujo
leite era vendido na Vila de São Vicente.
Não se sabe se o lote foi doado pela municipalidade ou
escolhido entre os lotes vizinhos por
estar vago. Porém, temos aí a prova de que já existiam moradores nessa
praia em meados do século XIX.
Por mau gerenciamento de seu sítio, trocou o mesmo por uma
quitanda, uma carroça e um burro na Vila de São Vicente, onde veio falecer em
1901”.
No edital do prefeito Antão de Moura, Damaso aparece como proprietário do lote 13 da rua Martim Afonso, já transferido aos herdeiros após o seu falecimento.
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"CLUB DOS EM PÉ"
Este club celebrou na noite de ante-hontem, a passagem do eu primeiro anniversario, offertando aos seus associados, convidados e representantes da imprensa local e de Santos, no Rink Vicentino uma lauta ceia.
Antes, porém, dessa refeição, foi constituida, por acclamação, a directoria que tem de gerir os destinos sociaes no anno vigente.
Por proposta do sr. Santos Amom, foi acclamada a seguinte diretoria:
Tesoureiro, Alvaro dos Santos Barbosa.
por esta succursal".
HORNEAUX, MOURA, LAPETINA, EMMERICH, ABLAS
O Capitão Antero de Moura e sua esposa Izabel Horneaux de Moura em sua residência na rua XV de Novembro. Acervo familiar doado ao IHGSV.
O PRIMEIRO MÉDICO MODERNO VICENTINO
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PADRE ANCHIETA
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10
VISCONDE DO RIO BRANCO
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11
DR. AMÉRICO BRASILIENSE
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12
DR. RANGEL PESTANA
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13
PRAIA DE S. VICENTE
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PRAIA DO ITARARÉ
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15
XI DE JUNHO
Dia de São Calixto, 14 de outubro de 1924, aniversário de Benedito Calixto, recebe a visita de seus amigos Capistrano de Abreu e Domingos Jaguaribe. Na foto está o seu genro Engº João Pedro de Jesus Neto, casado com sua filha Fantina. Capistrano vinha todos os anos passar as férias na chácara de Jaguaribe (Praia de S, Vicente s/n), médico cearense e fundador do em São Paulo do Instituto Psico Fisiológico.
A ocupação da orla foi sendo ampliada pelas criação de ruas paralelas e seguidos cruzamentos formando nelas a Vila Betânia, hoje Boa Vista. As duas áreas inicialmente foi ocupada por aristocratas paulistanos, como se vê no edital, com destaque para Raymundo de Oliveira e Domingos Jaguaribe, que tinha chalés nas areia sobre o a vegetação de jundú, como consta em registro de alguns quadros de Benedito Calixto. Neste registro abaixo aparece a Ilha Porchat.
Henri Porchat, suíço radicado em Santos ( no século XIX, pioneiro em rebocadores a vapor, telefonia local e curtumes, acumulando grande fortuna.
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LARGO BAPTISTA PEREIRA
Nos anos 1950-60 praça a chegou a ter um busto do pintor Benedito Calixto (desaparecido durante algumas reformas) e alguns estabelecimentos também desaparecidos, como o Seminário Católico entre as ruas Erasmo Schetzs e Djalma Dutra.
No início dos anos 2.000 a praça sofreu uma intervenção turística com a criação do Parque da Vila de São Vicente, quando foi construída uma réplica de uma vila colonial, mantida até hoje. A Igreja Mariz e o Mercado Municipal são imóveis tombados pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico.
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MARQUEZ DE S.VICENTE
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20 PADRE MANOEL*21 TRAVESSA DAS FLORES*22 LARGO DA SANTA CRUZ*23 SANTA CRUZ *24 JOSÉ BONIFÁCIO*25 RUA 24 DE MAIO
Esses endereços, mesmo com a descaracterização da arquitetura original, possuem até hoje os traços antigos da vila vicentina, com algumas construções das primeiras décadas do século XX. Aos poucos essas antigas casinhas e prédios foram desaparecendo pela força do comércio e da pressão demográfica. Mas algumas resistem bravamente e desafiam a imaginação de alguns transeuntes, que fazem questão de cortar caminho por elas, desviando das barulhentas praças e avenidas tomadas pelos automóveis e ônibus.
RESIDÊNCIA, PENSÃO E ESCOLA MARTIM AFONSO
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JACOB EMMERICH
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FREI GASPAR
Na rua Frei Gaspar, a mais extensa e que corta toda a ilha de São Vicente, da orla até o lago Pompeba, aparecem com os mesmos conhecidos nomes citados na rua Jacob Emmerich e com número bem maior de logradouros: Leôncio, Paulino e João Carlos Ratto (9, 11 e 22), a The City Of Santos Company (23) e destacados proprietários: Frederico Roth (4), Dr. José da Costa B.P. Neves (14 e 16), Julião Caramuru (34), filhos d Dr. Silva Jardim (36), Vicente Gil(do 40 ao 46), Francisco Lapetina (58), Antão Alves de Souza (48).
No mesmo número 48 estava imóvel de Antônio Plothow, proprietário de uma antiga e famosa padaria fundada em 1894 e que seria vendida nos anos 1950. Seu herdeiro Francisco Plothow transferiu-se para Santos, onde montou na avenida Vicente de Carvalho, 36 (Edifício Belmar) a Confeitaria Joinville existente até os dias atuais. Na foto a seguir , na primeira quadra da rua Frei Gaspa, no sentido praia-centro, a quarta casa seria dos Plothow.
A rua Frei Gaspar sempre foi um endereço cobiçado pelos comerciantes e prestadores de serviços, pela sua posição intermediária no centro da cidade e de grande fluxo de transeuntes e consumidores. Até hoje tem o metro quadrado comercial vai valioso do centro da cidade, abrigando pontos de negócios estratégicos e construções históricas como o Edifício Gáudio, a Casa do Barão, o Edifício Zufo (Alto Falantes Royal) e o Café Floresta - ambos na esquina da Praça Barão - a sede da Irmandade da Santa Casa de São Vicente e a Fábrica de Vidros. Nela também, logo após a quadra do Hospital São José, foi fundada, nos anos 1950, a Sinagoga Espírita Cáritas, em homenagem aos comerciantes judeus anônimos que contribuíram para a aquisição do terreno e construção do prédio da entidade. A S.E. Cáritas mantinha uma obra assistencial denominada Fraternidade Cristã, com albergue noturno, clínica dentária e uma conhecida biblioteca pública para pesquisas escolares. Na época, centenas de alunos procuravam a Biblioteca Municipal de Santos para fazer suas pesquisas, se locomovendo de bonde até o centro da cidade. A biblioteca do Cáritas supriu boa parte das necessidades dos estudantes que não podiam cobrir o custo da passagem para ir até Santos.
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JOÃO RAMALHO
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PRAÇA CORONEL LOPES
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LINHA DOS BONDS DA CIA. CITY
Praça construída originalmente pela Companhia City de bondes e que nas décadas seguintes ficou conhecida como Praça do Correio. É também a praça da Escola do Povo, a primeira edificação construída especificamente para essa função, tornando-se nas décadas posteriores sede da escola técnica Ruth Cardoso. Anteriormente teve s nome de Professora Zina de Castro Bicudo e também "Grupão".
ITINERÁRIOS DOS BONDES
Carlos Pimentel. Novo Milênio
Bonde Nº 1 - São Vicente via Matadouro
Ida - Praça dos Andradas, esquina da Rua Visc. de São Leopoldo, Rua Visc. de São Leopoldo, Largo da Saudade (Saboó), Av. Bandeirantes, Rua Nossa Senhora de Fátima (Matadouro), Av. Antonio Emerich, Praça Coronel Lopes, Rua Frei Gaspar, Rua 15 de Novembro, Rua Jacob Emerich, Praça Barão do Rio Branco.
Volta - Praça Barão do Rio Branco, Rua Martim Afonso, Praça Coronel Lopes, Avenida Antonio Emerich, Rua Nossa Senhora de Fátima (Matadouro), Av. Bandeirantes, Largo da Saudade, Rua Visc. de S. Leopoldo, Rua Visc. de Embaré, Praça dos Andradas.
Bonde Nº 2 - São Vicente via Praias
Ida - Praça Mauá (Abrigo dos Bondes), Rua Cidade de Toledo, Rua Augusto Severo, Praça Barão do Rio Branco, Praça da República, Rua Senador Feijó, Rua Rangel Pestana, Av. Ana Costa, Praça da Independência (Gonzaga), Av. Presidente Wilson (José Menino), Av. Manoel da Nóbrega (S. Vicente), Av. Presidente Wilson (S. Vicente), Rua Pêro Corrêa (S. Vicente), Rua 11 de Junho (S. Vicente), Av. Antonio Rodrigues (S. Vicente), Av. Pedro de Toledo (S. Vicente), Rua Frei Gaspar, Rua 15 de Novembro, Rua Martim Afonso (S. Vicente), Rua Padre Manoel (S. Vicente), Rua Marquês de S. Vicente, Rua Capitão Mór Aguiar, ponto final.
Volta - Rua Capitão Mór Aguiar (S. Vicente), Rua Marquês de S. Vicente (S. Vicente), Praça João Pessoa (S. Vicente), Rua Padre Manoel (S. Vicente), Rua Martim Afonso (S. Vicente), Praça Barão do Rio Branco (S. Vicente), Rua Frei Gaspar (S. Vicente), Av. Pedro de Toledo (S. Vicente), Av. Antonio Rodrigues (S. Vicente), Rua 11 de Junho (S. Vicente), Av. Manoel da Nóbrega (S. Vicente), Av. Presidente Wilson (José Menino), Av. Ana Costa (Gonzaga), Praça da Independência, Av. Ana Costa, Rua Rangel Pestana, Rua Senador Feijó, Praça José Bonifácio, Rua Amador Bueno, Rua Dom Pedro II, Praça Mauá.
O TRAMWAY DOS EMMERICH
TRÊS IMAGENS VICENTINAS DE 1905
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AVENIDA MISERICÓRDIA
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DR. HYPÓLITO DA SILVA
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DR. CÂNDIDO RODRIGUES
Parte do mapa turístico de 1932 mostrando as principais ruas vicentinas e setores ainda desabitados, onde surgiriam novos bairros e vilas. A avenida Misericórdia já havia sido rebatiza de como Presidente Wilson.
O nome Misericórdia identifica esta conhecida avenida vicentina como área de propriedade da Santa Casa de Misericórdia de Santos, entidade que recebeu na cidade muitas doações de pequenos terrenos, prédios residenciais e comerciais e até sítios e glebas, como foi caso do espólio do imigrante português Francisco Valença. Anos mais tarde a Santa Casa transformaria essas áreas em loteamentos da Vila Valença e Jardim Independência, que originalmente se chamava Vila Misericórdia.
A grande e larga avenida que corta uma parte imobiliária valiosa da cidade, como se vê no edital, é um projeto do final do século XIX e início do XX, pensado como fator de ocupação e desenvolvimento nas áreas antes e depois da linha da Estrada Ferro SPR-Sorocabana. Isso só foi possível quando foi iniciada a construção da linha de bonde e que mais tarde receberia o nome de avenida Antonio Emmerich, na direção da zona noroeste de Santos. Essa linha estimulou entre 1915 e 1930 os loteamentos da Vila Melo, Vila Pedro Duarte, sucedidos pela Vila São, Cascatinha e Vila Bugre (atrás do quartel do Exército, onde era o Hotel dos Alemães) e o Jardim Gassu. Esse empreendimento mudou também os limites e divisas com Santos, marcando a perda territorial vicentina tanto na zona noroeste (que ia até a atual avenida Jovino de Melo) como também na orla (que ia além da Ilha Urubuqueçaba, onde foi construído o Hotel Internacional.
A avenida da Misericórdia teve seu nome modificado estranhamente para avenida Presidente Wilson, homenagem a um presidente norte-americano, seguindo um modelo de denominação nada transparente e que cumpre ordens ocultas e a revelia da população. Em Praia Grande, no contexto da emancipação do município, foi imposta dessa forma a denominação da mais extensa avenida da cidade, o nome Presidente Kennedy, antiga Estrada do Telégrafo. Algumas vozes vicentinas protestaram contra o nome presidente Wilson, mas não foram ouvidas. Eles pretendiam dar a ela o nome de Bacharel Cosme Fernandes, figura emblemática que viveu na cidade nos primórdios da colonização e que, com a chegada de Martim Afonso em 1532, foi expulso para Cananéia, onde deveria cumprir sua pena de degredo.
A AVENIDA MISERICÓRDIA- PRESIDENTE WILSON
VII
TRANSFORMAÇÕES URBANAS
Na primeira foto o Largo Santo Antônio(Século XVIII), depois Batista Pereira e atualmente Praça João Pessoa. Na segunda, Ambulatório Médico, Cadeia Pública e Câmara Municipal no início do século XX. A construção, já em ruínas em 1925, foi demolida para dar lugar ao Mercado Municipal nos anos 1930.
As décadas de 1910 e 1920 foi a época no qual São Vicente passou pelas primeiras transformações urbanas que romperiam definitivamente a sua tradicional marca de vila bucólica, composta basicamente pelo pequeníssimo centro histórico com poucas ruas e logradouros. No mapa elaborado por Jules Martin em 1878 vê-se claramente o acanhado número de ruas com denominações da vila primitiva, muito diferente das que surgiriam na virada do século XIX para o XX. O centro antigo era composto basicamente por um acanhado conjunto de comércios, pela Casa de Câmara e Cadeia (demolida para dar lugar ao Mercado Municipal nos anos 1930) e um núcleo residencial em torno do largo de Santo Antônio e da velha Igreja Matriz erigida no século XVIII. Algumas casas, a exemplo da chamada Casa de Martim Afonso, eram tão antigas que os proprietários, mantendo apenas o interesse pelos terrenos, deixavam que se desfizessem naturalmente em ruínas. Algumas delas sobreviveram até os anos 1950. Nos arredores existiam sítios e chácaras, incluindo as mansões de “estrangeiros” e os primeiros veranistas que habitaram a orla.
Como já foi dito e ilustrado, esse cenário urbano primitivo vicentino,
com cerca de 800 habitantes, começaria a
mudar após a publicação do edital do prefeito Antão Moura, atualizando o
cadastro municipal, atraindo novos moradores e também empreendimentos
imobiliários. O caso do empreiteiro paulistano José Antônio Zuffo ilustra bem esse
período de mudanças. Ele e seria sucedido, como modelo, pela onda verticalizadora dos edifícios que ocupariam a orla
entre 1940 e 1980 e que atualmente retorna no centro e na direção dos bairros.
José Antônio Zuffo foi um conhecido construtor civil da capital paulista nas primeiras décadas do século XX. Imigrante italiano nascido em Rovido em 1876, na região de Vêneto, fez carreira produtiva nesse período em São Paulo até quando, em 1918, mudou-se para S. Vicente. Aqui construiu sua residência no lote número 5 da rua Martim Afonso, que pertencia a João Horneaux. Ampliou rapidamente seus negócios construindo algumas casas na rua João Ramalho. Tempos depois Zuffo adquiriu uma grande área próxima dos Morro dos Barbosas e ali construiu numa viela a famosa e até hoje existente Vila Santo Antônio. O empreendimento foi uma pareceria com o arquiteto vicentino Camillo Thadeu com as obras foram iniciadas em 6 de agosto de 1930 e concluídas as oito primeiras casas em setembro do mesmo ano. A Vila Santo Antônio era composta de 16 casas alugadas, algumas delas com renda destinada para a construção dos Hospital São José. Por ser membro fundador dessa Santa Casa de Misericórdia, destinou algumas unidades para renda perpétua da entidade. Zuffo foi também construtor do primeiro edifício e conjunto comercial da cidade, denominado “Anchieta”, na esquina das ruas Frei Gaspar e Martim Afonso. Também deixou sua marca benemérita erigindo em 1932 uma nova base de alvenaria para a famosa e centenária Biquinha de Anchieta.
Conjunto de casas geminadas construídas na viela José Antônio Zuffo e arredores da rua Henrique Ablas.
CAMINHO DE PRAIA GRANDE
JOSÉ AZEVEDO JR.
A FORTALEZA DE ITAIPÚ
O Forte foi construído na Barra de São Vicente (denominação geográfica usada oficialmente pelo Exército ) e teve como função principal proteger o Porto de Santos, ação que se acentuou no período da II Guerra Mundial.
A comunidade militar, mesmo tendo a maioria do seu efetivo em trânsito, tornou-se referência de autoridade federal na região, tendo a sua alta oficialidade exercido intervenções nos destinos políticos do município criado em 1967. Por esse motivo, muitos grupos e segmentos cultivam, de forma cultural e ideológica, a presença dos militares como um fator de segurança e proteção social. Muitos oficiais que serviram no Itaipu permaneceram residindo em Praia Grande e na região após darem baixa na vida militar, dedicando-se à diversas atividades civis.
A Fortaleza de Itaipu e a Vila Militar, desde a sua construção entre 1901 e 1906, tornam-se um patrimônio e fonte de orgulho local por ser o estabelecimento oficial mais antigo da atual cidade. Em quase todas as famílias que viveram na região nas últimas seis décadas encontramos algum membro que prestou serviço militar ou se aposentou na Fortaleza.
PROJETO DE DEFESA DO PORTO DE SANTOS (1897). Em 1895, o Estado-Maior do Exército Brasileiro mandou executar um projeto de defesa do Porto de Santos, encargo que ficou nas mãos do capitão de arma de artilharia Erico Augusto de Oliveira. A tarefa começou a ser executada em 1896 e foi apresentada, concluída, ao Ministério da Guerra, em 1 de dezembro do ano seguinte. A Fortaleza de Itaipu aparece como um dos pontos vermelhos da primeira linha de defesa. Imagem: Memória Santista.O Forte foi construído na Barra de São Vicente (denominação geográfica usada oficialmente pelo Exército ) e teve como função principal proteger o Porto de Santos, ação que se acentuou no período da II Guerra Mundial.
A comunidade militar, mesmo tendo a maioria do seu efetivo em trânsito, tornou-se referência de autoridade federal na região, tendo a sua alta oficialidade exercido intervenções nos destinos políticos do município criado em 1967. Por esse motivo, muitos grupos e segmentos cultivam, de forma cultural e ideológica, a presença dos militares como um fator de segurança e proteção social. Muitos oficiais que serviram no Itaipu permaneceram residindo em Praia Grande e na região após darem baixa na vida militar, dedicando-se à diversas atividades civis.
A Fortaleza de Itaipu e a Vila Militar, desde a sua construção entre 1901 e 1906, tornam-se um patrimônio e fonte de orgulho local por ser o estabelecimento oficial mais antigo da atual cidade. Em quase todas as famílias que viveram na região nas últimas seis décadas encontramos algum membro que prestou serviço militar ou se aposentou na Fortaleza.
X
A PONTE PÊNSIL E PRAIA GRANDE
COMEÇAM AS NEGOCIAÇÕES E AS OBRAS
UMA GRANDE OBRA DE ENGENHARIA
A Tribuna 25 de janeiro de 1914
Mais alguns meses, e será franqueada ao público a grande ponte pênsil que a Comissão de Saneamento está construindo em um dos mais pitorescos recantos da vetusta cidade de S. Vicente.
Trata-se de uma grande obra de engenharia, que honra sobremaneira o ilustre profissional que hoje superintende os serviços da Comissão de Saneamento de Santos, o dr. Miguel Presgreave.
A necessidade de conduzir até os Itaipus o emissário de esgotos, que deverá lançar as matérias que recolhe das redes secundárias, obrigou a Comissão de Saneamento a planejar essa grande ponte, que atravessa o denominado Mar Pequeno, na sua parte mais estreita.
Após os necessários estudos preliminares, foi encomendada a uma casa da Alemanha a grande ponte pênsil, cuja construção tem sido feita com a maior presteza e cautela.
Logo no início das obras, o dr. Miguel Presgreave e seu digno auxiliar, o dr. Mário Gambaro, atual chefe do serviço de construção da ponte, encontraram um grande obstáculo para o assentamento dos alicerces e pegões da mesma.
As sondagens efetuadas então revelaram a presença de uma enorme laje, que da ponta em que se achava nessa época a garagem do Clube de Regatas Tumiaru, avançava pelo mar adentro, em uma longa distância, e que não apresentava, infelizmente, resistência suficiente para servir de apoio ao pilar inicial da enorme ponte.
Essa dificuldade foi vencida, afinal, após ingentes sacrifícios e enorme trabalho dos escafandristas contratados pelo chefe da comissão construtora.
Terminada a construção dos pilares, foi dado começo ao lançamento da ponte, cuja beleza de linhas causa admiração a todos que a vêem.
O lançamento da ponte está sendo feito, como dissemos, sob imediata fiscalização do dr. Mário Gambaro, que tem como auxiliar o hábil engenheiro dr. Henrique Bramann, mandado para esse fim pela casa August Kloenne, fornecedora do material.
A construção da ponte vai adiantadíssima e já hoje podem os pedestres ir de S. Vicente à Praia Grande sem precisar atravessar o Mar Pequeno nas incômodas lanchas-automóveis que, em virtude de um contrato com o governo, ali fazem o serviço de transportes.
Como dissemos acima, a grande ponte foi feita para por ela passar o emissário dos esgotos da cidade, mas isso não impedirá que a City dela se aproveite para levar os seus trilhos até a Praia Grande, segundo um belo projeto dessa companhia.
Assim, pois, dentro de alguns meses já se poderá ir, então cômoda e rapidamente, do centro desta cidade à Praia Grande ou Itanhaém, em um veloz automóvel ou em uma elegante carruagem.
A Comissão de Saneamento já concluiu a abertura de uma linda avenida que, beirando o mar, conduz da praia do Itararé até o porto do Tumiaru, e outra que vai do Japuí a Itaipus.
Para a construção dessa linda obra de arte, o governo federal concorreu com a importância de 150 contos, pois essa ponte vai facilitar grandemente as comunicações com a fortaleza de Itaipus, construída na ponta do mesmo nome.
Os cabos sustentadores do tabuleiro são em número de 16 e têm o comprimento de 286 metros. Desses cabos, 12 pesam 6 toneladas cada um e 4 atingem a 10 toneladas de peso cada um.
O comprimento do tabuleiro é de 180 metros.









































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