terça-feira, 9 de julho de 2019

SANTUÁRIOS ECOLÓGICOS


MATA ATLÂNTICA NO HORTO 



Museu do Escravo, que abriga escultura do artista Geraldo Albertini. 



O antigo Horto Municipal de São Vicente, hoje Parque Ecológico, volta a fazer parte do roteiro turístico da cidade. Em breve, as atrações naturais, totalmente recuperadas, e o trabalho que vem sendo desenvolvido no Parque, transformarão o local em ponto de visita obrigatória tanto para turistas como para munícipes e, principalmente, estudantes de todos os níveis. 

Com uma área de 850 mil metros quadrados de muito verde, o Parque Ecológico de São Vicente se constitui numa excelente opção de lazer. Abriga o Museu do Escravo, pequenos animais, aves, área para piquenique, estufa, viveiro, sementeira, bica de água potável, treze nascentes de água, acesso ao maior reservatório de água da Sabesp, localizado no alto dos morros Voturuá (lado de São Vicente) e Santa Terezinha (Santos), além de várias trilhas em direção à parte mais "fechada" da Mata Atlântica, onde o ar se apresenta como dos mais puros.Localizado na Rua Catalão, 620 (muitos só conhecem o acesos pela Avenida Dona Anita Costa, rua paralela à Catalão), na Vila Voturuá, o Parque Ecológico de São Vicente está aberto ao público diariamente das 8 às 18 horas, com entrada franca. 

Desde o início da atual administração, os responsáveis pelo então Horto Municipal, engenheiro Tércio Garcia Júnior (diretor de Parques e Jardins) e o chefe do Departamento de Administração do local, Idevanir dos Reis, apresentaram ao prefeito Antonio Fernando dos Reis um estudo completo visando não apenas a recuperação do Horto, mas sua transformação em Parque Ecológico. 

Transformado em Parque Ecológico em janeiro de 1991, através do artigo 275 da Lei Orgânica do Município, o antigo Horto vive novos tempos. O processo de transformação em parque ecológico não é simples. Exige uma série de cumprimentos, mas oferece maiores facilidades para negociar com os diversos órgãos governamentais, visando ao cumprimento de um dos objetivos, que é a ação conjunta para o estudo e proliferação da fauna e flora. 

Segundo pesquisas, as primeiras mudas e sementes chegadas ao horto, para enriquecimento de sua flora natural, foram enviadas pelo Serviço Florestal do Estado (horto da Cantareira) e pela Escola Agrícola "Luiz de Queiroz", de Piracicaba. Posteriormente recebeu coqueiros-anões, vindos de Ilhéus (Bahia). 































Na floresta calunga, o Museu da Escravatura 

O Museu do Escravo é uma atração à parte no Parque Ecológico. Apresentando peças originais do tempo da escravidão, um pilão e um carro de bois, o Museu ocupa uma área de destaque. Localizado numa casa feita de taipa, seu salão reúne cerca de 800 peças feitas em argila pelo escultor Geraldo Albertini. 

Inaugurado em maio de 1976, o Museu esteve praticamente abandonado nos últimos anos, desmotivando inclusive o artista Geraldo Albertini, responsável pelo acervo ali existente. O telhado chegou a ruir, danificando várias peças. Com a nova mentalidade em desenvolvimento no Parque Ecológico, o Museu foi recuperado e reinaugurado em 19 de janeiro de 1990. 

Visitar o Museu é fazer um passeio pelo período da escravatura no Brasil. 

As peças são tão perfeitas que algumas chegam a impressionar. Com uma habilidade incrível, Albertini reproduziu várias cenas da época, usando apenas argila e suas inseparáveis ferramentas: um pente um canivete e um clipe arredondado de forma tosca e preso numa madeira. As cenas são dispostas em bancadas e numa sequência que facilita a compreensão da História do Brasil. 

A visita começa pela bancada do leilão do escravo, onde vários negros eram examinados e vendidos, e fica evidente a dor da separação dos parentes; depois a bancada do samba, quilombo, Lei do Sexagenário, capoeira, capitão-do-mato, castigo com vários instrumentos de tortura da época, inclusive o tronco; as manifestações religiosas dos negros: umbanda e candomblé; a fundação de São Vicente, a lei do Ventre Livre, a casa de farinha, o engenho de açúcar, o batuque, a Lei Áurea e a bancada da vingança - quando livres, os negros perseguem os capitães-do-mato e outros. 

Além dessas peças, outras belíssimas, como a reprodução perfeita do marco do IV Centenário da Fundação de São Vicente. O museu apresenta, ainda, uma sala de visitas com cadeiras antigas e a Santa Ceia entalhada em madeira (São Vicente, 1532-1992)

AS PRAIAS DO MACIÇO JAPUI-XIXOVÁ-ITAIPU





























São Vicente ainda possui na sua orla marinha três praias que não foram alvo de especulação imobiliária e loteamentos residenciais e comerciais. Elas se localizam na área continental no bairo do Japui e Morro do Xixová, na divisa com o município de Praia Grande, que até 1969 era território vicentino. Apesar do isolamento, esse locais são próximos das áreas urbanas e, por isso mesmo, muito freqüentados por banhistas, sobretudo jovens estudantes nos finais de semana e períodos de férias. O acesso a alguma delas só pode ser feito á pé, por trilhas e estradas de terra. Empresas de turismo promovem regularmente passeios monotorados nesses locais, onde podemos ter a noção de como eram as nossa praias e matas na época que a região era habitad somente pelos silvícolas e tmabém na época da chegada dos colonizadores portugueses. 

Paranapuã ou Praia das Vacas- Possui cerca e 600 m de extensão e está localizada na encosta do Morro do Japuí, em frente à Ilha Porchat. A tranquilidade e o panorâmico de toda a baía de São Vicente São os destaques. O acesso pode ser feito de carro, pela Avenida Eng. Saturnino de Brito, que se encontra à esquerda da saída da Ponte Pênsil, no sentido Centro-Japuí. Na década de 1970 essa praia foi usada para a construção de uma unidade da antiga FEBEM Fundação do Bem Estar do Menor( atual Fundação Casa), para acolher crianças e adolescentes que cometiam delitos na região. A unidade foi desativada e transferida para a área continental. Em 2004 a mesma pria foi ocupada membros de uma comunidade indígena de Intahaém, que vieram participar de uma encenação da fundação da Vila de São Vicente. A ocupação durou até que fosse cumprida uma ordem da justiça federal , e virtude do local ser uma área de preservação. 

Praia do Itaquitanduva- Pertence Parque Estadual Xixová-Japuí, equivalendo a 300 metros dos 900 alqueires do parque. Ainda preservada, pelo difícil acesso, a praia recebe surfistas e aventureiros, que vão até ela por trilha no meio da mata. 

Prainha Porta do Sol- A menor praia de São Vicente. Pertence ao Ministério da Marinha e está fechada à visitação pública. Possui aproximadamente 100 metros de extensão e está situada bem ao lado da Praia de Paranapuã (Praia das Vacas).



PLANO DE MANEJO DO PARQUE ESTADUAL XIXOVÁ-JAPUI, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e UNESP. 2010.







LIMA MACHADO E O SÍTIO PARANAPOÃ






INTENDENTE LIMA MACHADO – Espírito empreendedor e altruísta




Antônio de Lima Machado, que foi Intendente e vereador em São Vicente, e a quem deve a nossa cidade benefícios de monta, não só como administrador público e legislador, mas também como homem de negócios e cidadão prestante à coletividade - Antônio de Lima Machado é a figura sobre quem recaiu a nossa escolha para ser o primeiro biografado. 

Manoel Antônio Machado, pai do nosso homenageado, veio da Ilha Graciosa, arquipélago dos Açores, Portugal, no começo do século passado, precisamente no ano de 1814, acompanhado de sua esposa, Domingas Maria da Conceição, casal que teve mais nove filhos. Instalou-se com a família, de início, na vizinha localidade de Cubatão, – na época, pouco mais que um trecho alagadiço da primitiva estrada que, mal e mal, conduzia a São Paulo. 

Novos e vigorosos, o casal de açoreanos, desejosos de progredir, dedicaram-se com afinco à lavoura, o que lhes permitiu, com o decorrer do tempo, adquirir e ampliar espaçosa área de terra para cultivo. Foi nessa altura, em 19 de novembro de 1840, que veio ao mundo aquele que constituiria o nosso biografado de hoje – Antônio de Lima Machado. Dispondo o casal, já então, de recursos que lhe permitiam melhor cuidar da educação dos filhos, puderam os pais proporcionar a esse filho uma educação mais esmerada, aproveitando os predicados de inteligência de que dava mostras. 

INSTALOU BEM MONTADO ESTÁBULO 

Com a idade de 31 anos, Antônio de Lima Machado, que não gozava de boa saúde, trocou a vida agreste da lavoura, em Cubatão, por local em que melhor pudesse refazer-se dos males que o afligiam e também dar adequado emprego aos seus conhecimentos e preparo intelectual. Nesse sentido, transferiu-se, já casado, para São Vicente, no ano de 1871, adquirindo uma residência, em espaçoso terreno, na rua 15 de Novembro, esquina da José Bonifácio (demolida aproximadamente há oito anos), que pertencia a Francisco Sá. Recuperando aos poucos a saúde, passou a desenvolver atividades várias, de compra e venda, movimentando algum capital de que dispunha, produto de trabalho ao lado de seus familiares, que continuaram lavradores em Cubatão. Ao mesmo tempo, aproveitou os amplos fundos da residência, onde valendo-se de seus conhecimentos na criação de vacas leiteiras de boa raça. Para poder apascentar as réses, cujo número ia paulatinamente aumentando, adquiriu uma fazenda, composta de várias porções de terra na Praia do Paranapoan, entre elas a que pertenceu à viúva de Francisco Xavier dos Passos, éste, em vida, também conhecido por "Chico Botafogo”. Como ainda não existia a Ponte Pênsil, o gado atravessava em jangadas apropriadas, amiudadas vezes, o canal na altura da “Pedra do Mato" até à Prainha, daí se encaminhando para a pastagem de dita fazenda. Quando as travessias não se podiam fazer, devido às fortes correntezas ou à agitação do mar, as vacas limitavam-se a pastar na várzea junto à Biquinha, local outrora conhecido por Largo 13 de Maio, hoje Praça 89 de Janeiro. Um serviçal de côr, chamado Marcos, era quem cuidava do gado e o ordenhava, ajudado nesse mister por Abelardo Pereira. 

Bem administrado, o negócio prosperou, quer com a venda do leite, quer com o periódico fornecimento de gado para abate. Sua lhaneza no trato e sua prosperidade financeira, devida àquela e outras atividades lucrativas, influíram decisivamente no conceito sempre crescente que foi alcançando, refletindo-se na vida pública e política local. 

DISTRIBUIÇÃO DE LEITE ÀS CRIANÇAS POBRES - PEDITÓRIOS 

A esposa de Lima Machado, dona Helena Anta Machado, graças ao seu feitio filantrópico e às boas maneiras no trato com os seus semelhantes, tornou-se benquista entre a população. De graça, fornecia leite do estábulo, habitualmente, às crianças mais pobres das redondezas, e Bocorria, na medida do possível, a pobreza que vinha bater-lhe à porta, não poucas vezes para que intercedesse junto ao marido, quando Intendente, para a obtenção de facilidades ou favores. Acontecia que Lima Machado, nessa função, em sua residência, na rua acima eitada, também conhecida como "Beco do Machado”, em intenção ao seu nome, era constantemente requestado com pedidos por parte de munícipes, inclusive da Praia Grande, que para isso empreendiam longas caminhadas. Nem sempre eram bem sucedidos os solicitantes, já por não dispor a Intendência de recursos suficientes para a todos atender, ja porque certas pretensões conflitavam com suas normas de administrador probo e cumpridor da lei. 

PRAIA E FAZENDA PARANAPOAN 

As paragens de Paranapoan tiveram, no passado, talvez maior movimentação e importância, na vida vicentina, guardadas as proporções, do que na atualidade. Em sucessivas épocas, ali foi, por longo tempo, senzala de escravos, com os seus senhores de engenho; plantação e colheita de cana, fabricação de açúcar mascavo e de caninha, garapa, melado, rapadura, potes, panelas e outros artefatos de barro, para uso e consumo local, ou que eram transportados em dorso de animal e negociados, a dinheiro ou em permuta de suprimentos, pelo litoral a fora e serra acima. A retirada de lenha das luxuriantes matas circunvizinhas constituía modalidade a mais de trabalho, destinada a combustível para as atividades locais, ou ser enviada, geralmente em canoas, para a redondeza, ao natural ou em forma de carvão. Tinha Paranapoan, em decorrência, uma população fixa, embora não muito numerosa, e outra flutuante, pois ali vinham, periòdicamente, mercadejar sitiantes das cercanias. 

CAPELA E ENGENHO

Como não podia deixar de ser, seguindo os ditames da doutrina cristā dos povoadores de nossas imensas plagas, lá foi erigida uma capela, levantadas as paredes com pedra bruta e firmadas com cal de ostras; as vigas eram de cerne de urucurana e fixadas com pregos de airi, ou brejauva, designação como é mais conhecida essa espécie de palmeira. Ao serem demolidas suas ruínas, pelo ano de 1912, foram encontrados, incrustados nas paredes, medalhões, moedas de bronze da época em que foi levantada a capela, escritos alusivos à ereção do pequeno templo, e uma pena de ganso, aparelhada para se poder com ela escrever, como era uso em tempos pretéritos. 

Ao que se presume, a capela teve como padroeiros Santo Inácio e Nossa Senhora da Conceição. A imagem da padroeira, que por largo tempo ali foi venerada, está ao que sabemos, desde 1913, de posse dos herdeiros do Intendente Lima Machado, residentes em São Paulo. 

Ajusante da capela, construída numa elevação, fluia um curso de água, que se despenhava mais adiante, formando uma cachoeira que movia duas rodas de engenho, uma para servir à moenda de cana e fabricação de açúcar, a que já nos referimos, outra, menor, utilizada para ralar mandioca e fabricar polvilho, como sabemos, de substancial aplica ção culinária, em doces e salgados, e na época até para fins medicamentosos. Desse empírico centro industrial, desde há muito não existe qual quer vestígio. 

Da fazenda que Lima Machado, mais tarde, adquirira na Praia de Paranapoan, onde -- como dissemos – o gado de sua propriedade, sempre que possível, ia pastar (daí a designação pela qual, até hoje, é impropriamente chamada - Praia das Vacas), - era caseiro um irmão do popularíssimo e benquisto “João do Morro", de nome Alfredo Pereira de Almeida, que sucumbiu a mortal mordedura de uma jararacuçu. Nessa praia, existiu, em longinqua era, a "Fortalezinha" ou "Casa de Pedra", Tortificação ali levantada na era colonial. 

ESCRITURA PÚBLICA - 1891 

Na escritura pública da venda do sítio Paranapoan, em 12 de Tevereiro de 1891, aparece, entre outros, o nome de Antônio de Lima Machado. Esse sitio dividia, de um lado, com a "Prainha", em frente à bôca da barra de São Vicente, e "Pasto Grande" e partia da "Fortalezinha" ou "Simiıinduba" no cume do morro.

ATIVIDADES DO INTENDENTE 

Nas suas funções de Intendente, Lima Machado percebia cem mil réis por mês, fazendo reverter essa importância em benefício da própria Intendência. Montado em seu cavalo branco “Democrata", diàriamente Inspecionava os serviços públicos. Convidava as crianças a retirar o eapim das ruas, a título de economia para a Intendência. Mandou construir uma caixa dágua no Morro dos Barbosas, à sua própria custa, poly não havia renda do município. Foi quem construiu o primeiro muro fronteiriço do cemitério local. Fundou com outros dedicados cidadãos a ex-"Escola do Povo", hoje Grupo Escolar e Ginásio Estadual, praça Cel. Lopes. 

CANDIDATO A VEREADOR 

Na sessão do Partido Republicano Governista, realizada em 12 de dezembro de 1901, Leôncio Ratto recomendava o nome do correligio nário Intendente Antônio de Lima Machado para desempenhar o cargo de vereador, levando em consideração o seu prestígio, amizade e trabalhos prestados. Assim foi organizada a seguinte chapa para sufrágio: Antônio de Lima Machado, Hermann Hayn, Leôncio Ratto e Joaquim Bento Alves de Lima, e para o têrço: Alberto Drumond e dr. Costa Barros l'ereira das Neves. Para Juiz de Paz: dr. João Antônio da Costa Dória, Joaquim Vilas Boas Sobrinho e Augusto de Carvalho. Para a referida eleição assinavam no livro competente apenas setenta e sete eleitores. 

RUA LIMA MACHADO 

Por ser difícil a passagem dos entêrros pelo caminho estreito e sinuoso então existente, o Intendente Lima Machado mandou abrir, em linha reta (1900-1901), uma rua partindo da avenida Cap. Mor Aguiar ao cemitério local. Essa via tomou o seu nome. Entretanto, não existe documentação oficial a respeito, legalizando-a. Essa rua tem agora iní eio na praça Bernardino de Campos (ex-Largo da Santa Cruz e da La Vandaria). Em 1899, na planta cadastral da cidade, constava como rua Aurora, da citada praça até a av. Cap. Mór Aguiar. 

Vereadores (em 1948 e 1964), tentaram, sem sucesso, retirar o nome de Lima Machado da placa da rua, ignorando talvez o seu passado e o seu trabalho em benefício da própria Intendência e do povo vicentino. Com o relato que hoje fazemos para conhecimento dos nossos leitores, acereditamos, esses camaristas estarão bastante arrependidos do ato im pensado que tentaram pôr em prática.

OUTRAS NOTAS 

Seu velho hábito era cortar, a canivete, pequenos pedaços de pau, e girar entre os dedos seu pequeno chaveiro. Nos seus últimos tempos, usava chapéu de palha, andava de tamancos, de bengala e em mangas de camisa. Deixando a política e o importante cargo que exerceu, continuou a ser benquisto e respeitado. 

Era sôgro do 1.° Juiz de Paz de São Vicente, Augusto Moreira de Carvalho, pelo casamento de sua filha dona Robertina Machado de Carvalho. 

Por seu falecimento, ficou a fazenda do Paranapoan para a sua filha única, dona Robertina Machado de Carvalho, tendo seu marido, quando do seu passamento, vendido as terras ao cel. Bento Nogueira, por vinte e quatro contos de réis. Hoje, naquele local, ergue-se um edifício moderno, servindo de Colônia de Férias e pertencente ao Governo do Estado. 

SEU FALECIMENTO 

O Intendente Lima Machado faleceu em São Vicente, aos 19 de outubro de 1911, com 71 anos, estando os seus restos mortais no cemitério desta cidade, em campa perpétua doada pela Prefeitura. As autoridades e o povo compareceram aos seus funerais e o comércio cerrou as portas, rendendo-lhe assim a última homenagem, numa prova frisante da estima de que gozava o prestante cidadão, grande amigo de São Vicente e de sua gente. 

10-1-1965 – Edison Telles de Azevedo. Vultos Vicentinos. 1972



Paratinga: uma ponte para o ecoturismo em São Vicente 


Cachoeiras reúnem mais de 6 mil pessoas; Prefeitura quer desenvolver projeto com a comunidade 


Diário do Litoral


 Cachoeira conhecida como ‘escorregadeira’ é uma das mais visitadas; local fica lotado aos finais de semana 

Foto: Daniela Origuela/DL 


Escondidas às margens da Serra do Mar, na Área Continental de São Vicente, três cachoeiras chegam a reunir mais de seis mil pessoas por final de semana ensolarado. Não há estrutura para os visitantes. A falta de segurança e os acidentes são constantes. Em meio aos problemas, a comunidade oferece serviços ao público e trabalha para manter o espaço livre da degradação. Na última semana, equipes da Prefeitura visitaram a região e manifestaram a intenção de desenvolver projeto de educação ambiental e turístico naquela localidade. 

“Tem tanta coisa para se fazer no Meio Ambiente que temos uma demanda excessiva de projetos. Estamos desenvolvendo uma incubadora de projetos que vai ficar responsável por fazer uma apuração mais detalhada. Para essa região de trilhas e cachoeiras temos a ideia de fazer um trabalho de educação ambiental junto à comunidade”, destacou Vitor Vitório, secretário municipal de Meio Ambiente. 

Segundo a secretária adjunta de Meio Ambiente, Silmara Casadei, que tem experiência no trabalho sustentável de coleta seletiva e com catadores no Parque Ambiental Sambaiatuba (na área do antigo lixão), são necessários estudos e parcerias para viabilizar o projeto e empoderamento da comunidade. 

“As comunidades já estão aqui, inclusive em área que seria de preservação. Precisamos trabalhar urgente para fazer o congelamento disso para que não haja mais invasões. Temos que entrar em contato com os coordenadores do parque estadual Serra do Mar. Vamos sentar e pensar um projeto para cá, mas com certeza tem que ser envolvendo as comunidades. Elas têm que se empoderar desse espaço. A degradação é grande e, às vezes, a falta de conhecimento aliada à algumas atitudes faz com que a coisa piore cada vez mais. É um trabalho de formiguinha, mas acredito que dá para fazer muita coisa”, afirmou ­Silmara. 

"Essa foi a primeira visita de reconhecimento do local. O governo tem a intenção de potencializar o ecoturismo na cidade. Verificamos que as trilhas e cachoeiras de Paratinga, até por reunir milhares de pessoas e ter uma comunidade que sobrevive dessas visitas, devem ser incluídas no projeto de tornar São Vicente sustentável e rota desse tipo de turismo no Brasil", afirmou o secretario de Turismo, Henrique Marx. 






























Comunidade 

Em Paratinga, logo que chega, o visitante encontra a cachoeira conhecida como ‘escorregadeira’. O acesso se dá por baixo do viaduto por onde passa a linha férrea. O Diário do Litoral esteve no local em dia de semana e nublado, mas, aos finais de semana, a quantidade de bicicletas, motos e carros estacionados naquela região é muito grande. São pessoas, na maioria jovens, da própria Área Continental e de bairros da Praia Grande. 

“Estou em Paratinga há dois anos. Montei um bar que é de onde eu tiro o meu sustento. Final de semana tem muita gente. Lota tudo. No meu bar ofereço tilápia, camarão, porquinho, cerveja e guaraná”, disse o comerciante Carlos Eduardo da Silva Cordeiro Gaspar, de 33 anos. 

Em frente ao bar há uma placa indicando as porções disponíveis. Logo mais à frente outra fala que é proibido jogar lixo. A sujeira que os visitantes deixam espalhada nos dias de muita frequência incomoda o comerciante. “Tento conscientizar as pessoas para não jogarem lixo. Coloco plaquinha e tudo. O problema que sofro mais é a falta de saco de lixo, de tambores para o lixo e da prefeitura recolher o lixo”, afirmou Eduardo, enquanto recolhe materiais espalhados ao lado de uma pequena lagoa. 

O morador levou a equipe da prefeitura e a Reportagem para conhecer as demais quedas d’água. O acesso se dá por trilhas. No caminho sítios, bares fechados e o barulho do trem de carga que passa na ponte férrea que fica por cima de um curso d’água que vem da serra. A água desemboca no Rio Branco. Em toda aquela região, que tem parte sob os cuidados do Parque Estadual Serra do Mar, há vestígios de ruínas históricas. “Fui estudar a história daqui. Os escravos passavam por aqui, sabia? Eles traziam banana lá de cima. Lá em cima na cachoeira tem uma roda gigante e um trilho que eles desciam banana”, afirmou.