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Câmara Municipal de Santos
Sessão Ordinária, em 2 de Junho de 1955
PRESIDENCIA: Srs. João Carlos de Azevedo e Remo Petrarchi
SECRETARIOS: Srs. Francisco Mendes e Domingos Fuschini
O SR. JOAO CARLOS Sr. Presidente, Srs. Vereadores, o
Requerimento ora apresentado, de minha autoria, representa ura esforço da
Câmara Municipal de São Vicente e da Câmara Municipal de Santos, no sentido de
evitar-se a ocorrência de cenas degradantes para a cidade, como a que tivemos
oportunidade de assistir hoje de manhã - um estouro de boiada. É uma cena multo
interessante, o estouro de uma bolada, com o consequente espalhamento das reses
pela cidade inteira. Foi uma cena cómica, não há dúvida nenhuma, mas que,
efetivamente, não se enquadra nos nossos foros de civilidade.
O SR. LA SCALA Trágico-cômica...
O SR. JOAO CARLOS - Trágico-cômica, não há dúvida...
O SR. LA SCALA ...e de pavor...
O SR. JOÃO CARLOS -...de pavor, sim, mas que motiva, também,
boas rizadas...
A Câmara Municipal de São Vicente também está bastante
preocupada com o assunto porque todo o gado levado a pé de São Vicente para o
Matadouro de Santos, para ser sacrificado. Quase todas as manhãs, cenas como a
que assistimos hoje sede toda ordem, como de que cria problemas de
propriedades, muros, cercas, jardins, plantações, e, como disse o nobre vereador
Luiz La Scala, causando pavor à população. E' um fato que revela falta de
organização. Há necessidade premente de cuidar-se de assunto e modificar-se o
estado de coisas reinantes.
Antigamente, o transporte de gado era feito, de São Vicente
para o Saboó, como os colegas se lembram, em galeras, que eram puxadas por uma
maquininha branca. Assim, o gado era conduzido àquele Matadouro sem ter
necessidade de passar. como atualmente, pela linha 1. Esta situação lembrada
pela Câmara Municipal de São Vicente, determinou a providências daquela
Edilidade, consubstanciada num Projeto de Lel transformado em lei já, através
do qual cobra-se do proprietário uma multa de 200 cruzeiros por rez que seja
encontrada transitando pelas ruas. Quanto se cobrará de uma boiada, uma vez que
não há outro caminho para o transporte?
Isto, a meu ver, não é uma solução porque quem vai continuar
pagando a multa? E o gado, não será mais transportado? A solução seria a
construção ou, melhor, a colo- cação de mais um trilho na linha 1, de São
Vicente para cá. Mais um trilho adaptado à linha, possibilitaria o trans- porte
em galeras como se fazia antigamente. Penso que a solução, nesse particular,
compete ao Executivo Santista, pela SMTC, já que a Autarquia está subordinada à
Prefeitura Municipal.
Nestas condições, o Requerimento que apresentei, visa, sendo
aprovado, juntar mais este elemento aos inúmeros outros que já se apresentaram
nesta Casa, e constituirá mais um problema para ser tratado pela Comissão Especial
de Vereadores junto à direção da Sorocabana, pois, certamente à Estrada de
Ferro Sorocabana caberia solução definitiva do problema. Mas este é um assunto
que demanda o máximo de urgência por parte da Câmara, pois se espera, há muito,
solução adequada.
O SR. PRESIDENTE Continua em discussão. O SR. ARISTOTELES
FERREIRA
Sr. Presidente,
Sobre o assunto em tela, na sessão de 7 de outubro de 34
apresentei e foi aprovado pela Câmara um Requeri- mento assim redigido:
(Le): "Requeiro, ouvido o Plenário e em regime de
urgência, seja oficiado ao Exmo. Sr. Prefeito Municipal, transmitindo-lhe o
teor da noticia publicada no "Estado de São Paulo" e transcrita no
jornal local "O Diário", relativa ao transporte de gado para o
matadouro desta cidade, no sentido de que o Executivo apure devidamente as
dificuldades all apontadas e tome as necessárias e imediatas providências para e indispensável
regularização desse transporte".
Sr. Presidente, como disse, em 7 de outubro do ano passado,
aprovava esta Câmara um Requerimento com referência ao assunto.
Entendo que o Sr. Prefeito Municipal deve ter um es- tudo
sobre o mesmo, porquanto não é admissível que S Excia., tendo recebido esse
Requerimento, acompanhado de uma nota do jornal "Estado de São
Paulo", transcrita no "Diário", de Santos, não tenha cuidado do
assunto.
Portanto, sugiro que a Comissão, à qual vai ser envia- da
esta proposição, se entenda também com o Sr. Prefeito, porque, como disse, S.
Excla. deve ter estudos sobre o assunto.
O SR. JOAO CARLOS. Realmente, V. Excia. tem razão. E' de meu
conhecimento que o Sr. Prefeito Municipal tem estudos sobre o assunto. Mas,
achou S. Excia. que a Câmara também deveria estudá-lo, entrando em contacto com
o problema através da Câmara Municipal de São Vicente. Porque, disseram
Vereadores de S. Vicente, que o Prefeito Municipal de lá não tem o menor
interesse na questão. A Câmara Municipal é que, de "motu-próprio",
deliberou enfrentar o problema, aprovando a lei de que falei no início deste
debate. Assim, também se dirigiram a nós, para que, em conjunto, decidíssemos,
O SR. ARISTOTELES FERREIRA
O meu fito, ao usar da palavra, é o de esclarecer a Câmara
que em outubro do ano passado já ventilamos o assunto e nesse sentido fol
enviado o meu Requerimento ao Sr. Chefe do Executivo.
O SR. LUCIO GRAÇA Sr. Presidente, exatamente hoje, lendo
noticias locais no "O Diário", vi a transcrição de artigo de redator
de "O Estado de São Paulo". Nestas condições, pediria ao ilustre
apresentante do Requerimento que concordasse em que constasse dos trabalhos da
Comissão, a sugestão feita pelo matutino "O Diário" e que está assim
redigida: (Le):
"Urge que se faça sentir ao governo do Estado a conveniência
de se construir um novo Matadouro Modelo, para servir a região de Santos, cuja
localização ideal seria, in- discutivelmente, em terrenos da Alemoa,
pertencentes à "Santos-Jundiai", com desvios fáceis e pronta saída
para a Via Anchieta, além de proporcionar facilidades para o caso de uma
possível exportação, com acesso para o lado do mar".
E' esta a solução que encaminho para ser oferecida à
Comissão encarregada de estudar o problema. A Mesa consulta o nobre Vereador
João Carlos se aceita o adendo oferecido ao seu requerimento.
O SR. PRESIDENTE
O SR. JOAO CARLOS (Pela ordem) Sr. Presidente, o assunto é
correlato. Se bem que não seja pertinente, é correlato, pois trata da questão
do matadouro e deve ser incluído.
O SR. PRESIDENTE Continua em discussão o se- requerimento.
(Pausa) Está encerrada a discussão. Os Srs. Vereadores que forem favoráveis ao
Requerimento, com o adendo do nobre Vereador Lúcio Graça, queiram conservar- se
como estão. (Pausa) Está aprovado.
Será encaminhado a Comissão Especial que está tratando do
assunto.
A TRIBUNA Quarta-feira, 8-6-1955
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SÃO VICENTE NO CINEMA
Cenas vicentinas do filme "São Paulo Sociedade Anônima" (Luis Sérgio Person´) , de 1965.
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CHARADA FOTOGRÁFICA
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SÃO VICENTE NOS ANOS 60 E 70
DALMO DUQUE E SAGRADO LIBERTO
ISAURA BRUNO CIDADÃ VICENTINA
MANCHETE DE JORNAL CONFUNDE LOCAL DA QUEDA DO AVIÃO
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MIRABELLI ASSOMBRA SÃO VICENTE E O MUNDO
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NAZISTAS EM SANTOS E SÃO VICENTE
ADELTO GONÇALVES (*)
Três dias depois, conta o diplomata, Starziczny veio a Santos para ver o cônsul Otto Uebele, que seria seu chefe imediato. Embora nascido no Brasil, Uebele sempre estivera ligado a Alemanha, tendo colaborado com o império alemão durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). E, assim, facilitou contatos para o engenheiro eletrônico estabelecer uma rede de espiões em Santos e São Vicente.
Starziczny, segundo Correa da Costa, era um espião um tanto trapalhão, tendo se envolvido com mulheres brasileiras, mas não é isto o que interessa aqui. Não seria mesmo uma pessoa muito arguta, a ponto de ter deixado incompleto o trabalho que pretendia desenvolver, o que provocou muitos desentendimentos com seus superiores.
Em dezembro de 1941, o serviço de Starziczny chegava ao fim, pouco depois de ter deixado um transmissor na casa de Gerard Schroeder, um simpatizante nazista que morava na Rua Ipiranga, 13, em São Vicente. O serviço de Starziczny era fornecer informações sobre a entrada e saída de navios nos portos do Rio de Janeiro e de Santos. Com base em suas informações, muitos navios aliados podem ter sido bombardeados por submarinos alemães.
Enquanto a polícia carioca, praticamente, ignorava as atividades dos agentes do Eixo, o mesmo não acontecia em São Paulo, graças à atuação do delegado adjunto na Delegacia de Ordem Pública e Social, Elpídio Reali, pai do jornalista Reali Júnior, correspondente de O Estado de S.Paulo em Paris, e avô da atriz Cristiana Reali.
Logo, Reali chegaria a Starziczny, que, um tanto desajeitado, facilitaria a ação da polícia. Ao tentar comprar na firma Sayão & Sayão, na rua Dom Bosco, em São Paulo, um ondômetro para o transmissor que deixara em São Vicente, o alemão, falando em inglês, iria apresentar-se como O. Mendes, deixando como endereço o Hotel Santos, em Santos. Tudo isso iria despertar suspeitas no comerciante, que sabia muito bem que a peça que o estrangeiro queria era usada em transmissores potentes. E achou melhor avisar a polícia.
Logo, a polícia chegou a Odélio Garcia, que, mais tarde, iria telefonar para a loja, perguntando pelo ondômetro. Detido, Garcia não negou que havia adquirido não só a peça como uma estação radiotransmissora, fazendo-o por encomenda de Ulrich Uebele, gerente da exportadora de café Theodor Wille e filho do cônsul alemão em Santos. Detido, Uebele entregou seu patrício Gerard Schroeder, da seção de navegação da Theodor Wille, que confirmou que a estação havia sido passada a um funcionário do consulado alemão.
O delegado Reali não levou em conta imunidades diplomáticas e colocou em cana todos os envolvidos, inclusive, um brasileiro, na casa de quem fora localizada a estação retransmissora. Só faltava o principal elo, o espião Starziczny. Com o pai de Uebele, Oto, o delegado ainda iria encontrar filmes de navios ingleses e americanos e de pontos estratégicos do litoral de São Paulo e ainda uma pista que o levaria ao Rio de Janeiro, mais especificamente a um sobrado no Leblon.
Lá, finalmente, iria encontrar Niels Christensen, engenheiro civil, nome atrás do qual se escondia Starziczny. Na casa, a polícia iria descobrir muitos equipamentos e, dentro de uma caixa de madeira, informações que partiam diretamente do Leblon para o almirantado alemão, em Hamburgo.
A ação rápida de Reali permitiu que o navio britânico Queen Mary, que deixara havia poucos dias o Rio de Janeiro levando a bordo oito mil soldados canadenses, mudasse de rota e escapasse de um ataque. Eis aqui uma história de nossa polícia pouco lembrada, mas que merece ser conhecida pelas novas gerações.
(*) Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Bocage - o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003).
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A VIDA COTIDIANA DE CÔNEGO
UMA CARTA COMUM E CURIOSA
Encontrada casualmente entre vários outros documentos, num envelope de papel manilha, a carta do Cônego Antônio Pedron, escrita há quase meio século, é uma preciosidade histórica do cotidiano da vida regular e secular dos padres que atuam nas paróquias. Um curioso registro de época e costumes, bem como das atividades sociais dos fiéis religiosos. O achado aconteceu na primeira semana de janeiro de 2021 durante a reforma de um apartamento na rua Freitas Guimarães, esquina com Floriano Peixoto, no Boa Vista, onde residiu o destinatário. O autor da carta era figura muito conhecida na Baixada Santista e Litoral Norte, onde atuou em várias paróquias. Foi o idealizador e apoiador da primeira e hoje tradicional Encenação da Paixão de Cristo de Cubatão, em 1969, reunindo jovens da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Lapa. Foi o primeiro pároco da Igreja de São Judas, no Casqueiro, construída em 1961, por doação e em função do loteamento social empreendido pelo Coronel Parisi, dono daquela extensa gleba, que incluía a Ilha Caraguatá. O Cônego Pedron foi transferido de São Vicente para a cidade de Buri-SP e de lá , em fevereiro de 1974, enviou esta carta ao Sr. Valdir, que na época residia no referido imóvel do Boa Vista e que trabalhava no ramo imobiliário. O Cônego é hoje nome de rua na cidade de Buri.Buri, 2002-74
Prezado amigo Valdir,
Saí de S. Vicente sem praticamente despedir-me de ninguém. Preferi assim, porque eu facilmente me emociono e, conforme conselho médico, devo, o mais possível, evitar comoções. Conselho baseado no eletrocardiograma...
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O RECUO DA MARÉ
AS PEDRAS PORTUÁRIAS DO TUMIARU
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CLUBE DOS EM PÉ
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CENTRO DE CONVIVÊNCIA
REVOLUÇÃO CULTURAL NOS AN0S 70 e 80
A REVOLUÇÃO COMUNITÁRIA VICENTINA
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CENTRO ARTÍSTICO MARTIM AFONSO
Revista Flama, Santos, 1945. Acervo da FAMS

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O MUSEU HISTÓRICO NAVAL DE SÃO VICENTE
O Museu Histórico Naval de São Vicente foi fundado em São Vicente em 1979, pelo engenheiro civil Carlos Alfredo Hablitzel.
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TRAGÉDIAS E CALAMINDADES
ÁGUAS DE MARÇO
TEMPORAL E CALAMIDADE- 1956
Colaborações eficientes durante a catástrofe
NATUREZA EM FÚRIA
A TRIBUNA NÃO ESQUECE
CRÔNICAS HISTÓRICAS
Especial de Raul Lellis* para a edição histórica de O Cruzeiro, de janeiro de 1932, em comemoração do IV Centenário da fundação de São Vicente. Ilustrações de M. Cavalleiro.
No amplo pateo da casa senhorial, casa de largas taboas e tapetado de relva macia, formou-se a comitiva: os cavaleiros, que a custo soffreavam os corcéis inquietos; os escravos –negros- e índios – que conduziam a carga numerosa; a liteira elegante e de cortinas bordadas; e, por último, fechando a retaguarda, um punhado de arcabuzeiros.
Eram seis horas da manhã. São Vicente, o primeiro lampejo de civilização atirada à solidão verde do Brasil, começava a despertar. Uma janella se abria de quando em quando e, de longe em longe, um escravo, passando rápido na praça lamacenta e ampla, arriscava um olhar curioso pelo largo portão que dava entrada ao pateo da casa do capitão mor.
Um jovem envergando a farda lusidia de tenente das guardas reaes approximou-se de um grupo de fidalgos que cerca a liteira.
- Estamos prontptos, falou elle, dirigindo-se ao mais velho, um nobre de figura arrogante figura e alvos cabelos. Partiremos quando Vossa Mercê o ordenar.
O fidalgo relanceou o olhar pela coluna de escravos e de homens armados que se estendia do portão até as cavalariças e, tomando o official pelo braço. Afastou-se com ele do grupo. Uma funda ruga fendeu-lhe do cenho, quando elle falou:
- Eu vos entrego uma carga duplamente preciosa, dom Luiz, por isso que dona Maria, com ser minha única sobrinha, é também a noiva de meu filho...
A viagem que ides fazer, don, não é longa, mas eu vos peço que estejaes sempre attento, afim de evitar riscos que possam aparecer. Dizem por ahi que os bugres estão assanhados e, embora ninguém os tenha visto e armas nestes últimos meses, sempre é de temer que nos façam uma surpreza de um momento para o outro. Se vos for possível, deixai de dormir até o momento em que tenhaes entregue a dona Maria em casa dos Paes, junto à cabeceira de minha irmã que, segundo sei, agoniza...
- farei como dizei!!!
O velho fidalgo poz a mão, familharmente, no ombro do jovem militar
- Apesar de toda a confiança que vós e a vossa bravura mereceis, eu gostaria de acompanhar pessoalmente minha sobrinha ou de que meu filho o fizesse, mas o governador deve chegar aqui amanhã ou depois, vindo de Cananéia e da Vila de João Ramalho e é necessário que aqui estejamos para dar notícia dos negócios da capitania. Eu vos dou o maior número de homens armados de que posso dispor no momento. Mas não posso daqui afastar, agora, pois bem sabeis que os franceses não nos dão tréguas.
- Descanse que esses me bastarão.
-Sabeis como deveis fazer: às três da tarde alcançareis a quinta fortificada da Garcia Pimenta; lá pernoitareis para continuar viagem ao amanhecer do dia seguinte. Os vossos batedores levam uma hora de avanço sobre a comitiva e vos darão notícia de qualquer perigo no caminho; se algum imprevisto aparecer, despachaes logo um mensageiro a dar-me notícia ou a pedir-me auxílio.
- Faremos como acabas de dizer.
Então, em marcha, e que Deus vá convosco... Eis que dona Maria acaba de subir para a liteira...
O velho fidalgo caminhou rápido ao encontro de um rosto de mulher que aparecia entre as cortinas bordadas. Tomou de uma pequenina mão que lhe era estendida e beijou-a forcejando por sorrir entre as lágrimas da moça:
- Enxugae vossos lhos, dona Maria, que não há razão para pranto. Deus há de permitir que a moléstia de vossa mãe e minha irmã não tenha maior importância e ainda nos riremos do alarme feito.
A jovem sacudiu a cabeça mimosa de louros cabellos revoltosos, ao mesmo tempo em que enxugava as lágrimas com o pequenino lenço de cambraia rendada.
- Meu pai não sujeitaria ao risco de uma viagem feita às pressas se não visse que era realmente grave o estado de minha mãe!... Pra à Virgem que eu ainda chegue a encontrá-la com vida...
- Por Deus, não vos desespereis, minha filha!
Doana Maria abafou um soluço e indagou, como se quizesse desviar o assunpto:
- Não vindes comigo?
-Bem sabeis que não é possível... Esperamo o governador amanhã ou depois e minha presença é necessária aqui. – E tão pouco virá D. Francisco, vosso filho.
- E vosso noivo, sublinhou o fidalgo.
Um jovem aproximou-se nesse instante dos que conversavam. Era garbos e forte e tinha nos olhos o mesmo brilho audacioso e no rosto os mesmos traços de energia que tanta majestade emprestavam á figura venerável do capitã-mór; o chapéu pendia-lhe da mão, com a pluma a roçar o solo.
Era Don Francisco de Souza e Góes, filho do capitão-mór, noivo D. Maria, commandante das guardas do governador. Elle falou, numk tom de voz que mais parecia de súplica do que de explicação:
- Eu já vos disse, dona Maria, dos motivos que me prendem a São Vicente neste momento. Espero que me perdoeis se vos faço companhia até o primeiro pouso e prometto-vos que estarei em Piratininga tão depressa quanto mo permita o serviço do governador.
Dona Maria inclinou a cabeça, mudamente. O capitão-mór fez um signal ao tenente. Dom Luiz que já ia montando, tinha os olhos fixos nelle. O som de uma trompa encheu os ares. Houve no pateo um rumor de metais que se chocavam, de espadas que se baiam, de animais que escarvavam a terra. Os cavalleiros montaram. Dom Francisco foi collocar-se com seu nervoso Cavallo branco ao lado da liteira da noiva. O capitão-mór beijou a mão que a sobrinha lhe estendia através das cortinas e murmurou:
- Que a Virgem seja a vossa companheira, dona Maria...
Novamente o som da trompa dominou os ruídos do pateo e a pequena colluna se poz em marcha.
Quando o último mosqueteiro já havia transposto o largo portão e a comitiva ia longe, além dos limites da praça ampla, aproximou-se do capitão-mór:
- Não vos parece um pouco temerário esta viagem, com os rumeres que correm ahi? – indagou.
O interpelado fitou-o, com uma sombra de olhar:
- Certamente, dom Alvaro, mas, que quereis? O recado que hontem recebemos, trazido por um mensageiro despachado às pressas de Piratininga era claro e dizia que minha irmã, agonisando , queria ver a filha, de quem está separada já vai para dois anos... Não houve como evitar a viagem, tanto mais quanto Dona Maria ficou como louca... Ainda se lhe pudéssemos dar uma boa escolta! Mas numa época como a que atravessamos, com as guarnições a um terço, os franceses às portas da colônia e sem o menor auxílio do Reino...
Dom Alvaro teve um sorriso!
- Quase que se não pode saber se é melhor a sorte dos vão ou a dos que ficam...
O capitão-mór sacudiu a cabeça:
Tendes razão...
E estendeu o olhar, contemplativamente, pelas collinas baixas que o sol começava a dourar na alegria da manhã.
Às seis há a vida de São Vicente, vida pobre de Villa colonial de século XVI – começava a declinar. Terminando o completório da igreja rústica accendiam-se os fogos nas casas de alvenaria e nem mesmo o passo de um caminhante se ouvia nas ruas tortuosas do villarejo acanhado. O último sinal de vida era sempre dado, nas tardes luminosas, pelo pavilhão das quintas que lá ficava a drapejar ao vento, no topo do mastro, por cima das fortificações que Martim Afonso de Souza fizera construir ao sul da Villa, no alto do promontório que dominava o mar.
E aquella tarde teria sido igual a todas as outras monótonas, frias,, sem vida se cerca das seis horas um tirode canhão, secco,imprevisto,atroador, não tivesse quebrado o recolhimento do crepúsculo estival.
Em todas as casas assomaram cabeças à janellas, appareceram nas ruas e o próprio capitão-mór, que digeria calmamente o seu jantar, não poude deixar de chagar também à sacada rústica, investigando com o olhar as forticações que apareciam coroadas por uma nuvem branca.
-Deve haver alguma coisa! – falou elle para um escudeiro que se approximára. É pssível que o governador chegasse inesperadamente. Dá-me a capa e a espada que vou descer ao porto...
Quando, porém, ele transpoz o portão do pateo, um cavalleiro chegado em louco galope tomou-lhe o caminho.
- Que há? – indagou o fidalgo.
-Manda-me o commandante para vos dizer que estão à vista cinco nãos, vindas do sul. Estão longe demais para que para que se lhes possa ver bandeiras mas trata-se, ao que parece, de três caravellas e dois bergantins, e estes dois úlitimos bordejam, como se procurassem porto...
O capitão montou, rápido, galopando para as fortificações. Recebeu-o o comandante do forte, nervoso eagitado:
- Cá estão novamente os francezes!
- Como o sabeis?
- Já se podem ver as cores da França na maestração... Felizmente que há calmaria, pois do contrário elles teriam caído de surpresa sobre a Villa!...
- E tendes tudo pronpto para recebe-los?
- Bem podeis ver, capitão...
E o official apontava, satisfeito, as guarnições que se alinhavam atraz das peças baixas. Depois, reflectindo um instante:
- Mandaremos cincoenta homens para o sul, afim de impedir um desembarque durante a noite. Aqui sabemos bem que não teremos antes do amanhecer, a menos que elles queiram quebrar a nãos nos arrecifes da entrada...
O sino de rebate bem depressa levou a nova à última casa da Villa e em pouco todos os homens validos de São Vicente tinham accorrido para a luta. Atrás da palissadas, dentro dos reductos erguidos às pressas, todos esperavam, aferrando pistolas e adagas, durindanas e montantes, partazanas e mosquetes, o instante do ataque, dispostos a repelir o francez rapineiro.
Mas a noite desceu sem que o primeiro tiro soasse, sem que ao menos as mãos inimigas, abandonadas pelo vendo,estivesse diante da Villa.
Ao alvorecer do dia seguinte os portugueszes viram, com assombro, que os escaleres francezes, descidos durante a madrugada, apinhados de homens, estavam a poucos metros da praia.
As nãos, com o panejamento colhido a meio, alinhavam-se ante a Villa, promptas para o fogo. A luta prometia.
Um tiro partiu de terra, certeiro, para quebrar a mastreação de um bergantim e a dansa infernal teve início. As bombardas explodiam, das fotificações para as nãos e destas para a terra e os homens na praia , com os pés batidos pelas ondas, faziam descarregar as pistolas e os mosquetes.
Depois foi o aço que entrou em jogo,, com as durindanas a atravessar peitos, com as achas das armas a esmagar craneos, com as alambardas a formar uma barreira instransponível de pontas aguçadas e brilhantes. São Vicente, tão cobiçada sempre pelos corsários de todas as bandeiras, jamais vira uma luta igual áquella! Se grande Ra o número dos francezes invasores, maior, muito maior, era o ímpeto dos portuguezes que defendiam com loucura a mais florescente Villa do Reino em terras da América. O capitão-mór descera a dirigir a defesa. O seu montante de guerra, que de tantas glorias se cobrira na Índia abria claros impreenchíveis entre os assaltantes e ele estava em todos os reductos, animando, encorajando, dirigindo.

Súbito houve uma mudança na face da luta. Os francezes diminuíram a intensidadae do ataque e começaram a recuar, voltando aos escaleres fazendo-se de remos para as nãos. Não era o fim, percebia-se bem, pois, que as bombardas continuavam a explodir de lado a lado e novos escaleres desciam,cheios, pelos flancos das caravellas, mas era pelos menos uma trégua que daria descanso aos sitiados.
O capitão-mor descansou a ponta da espada na biqueira da bota de couro cru e passeou os olhos pela praia onde havia homens caídos sobre a areia manchada de vermelho.
Nesse momento um soldado, sujo, Ferid e sem armas approximou-se delle:
- Capitão!
- Dizei.
- Eu venho da quinta de dom Garcia Pimenta...
O ancião fitou-o com ansiedade incontida, como se esperasse uma notícia má.
- E que trazeis?
- Vosso filho manda pedir auxílio urgente. Os bugres, em número assustador, cercaram a quinta e não lhes pode resistir por muito tempo...
O capitão enfiou a montante na bainha e fez menção de caminhar, mas não chegou a dar um passo. Prestou ouvidos às bombardas que continuavam a estourar, olhou os seus homens,que,offegantes, suarentos, continuavam à espera de novo ataque, contemplou o mar onde as náos se balouçavam e onde novos escaleres rumavam para a terra e não se moveu. Fitou o mensageiro com um brilho estranho no olhar e indagou:
- Dizei-me: achas que eu só possa adiantar alguma coisa indo lá?
O soldado vacilou um momento ante a pergunta mas acabou respondendo:
- Perdoa-me se vos digo que não, mas os tamoyos são numerosíssimos.
O fidalgo voltou a desembainhar a espada:
- Então, nada poderemos fazer. Eu não posso afastar um só homem daqui neste momento, pois estamos a serviço d’el rei...Meu filho que me perdoe!
Deu dois passos na areia e voltou-se novamente, procurando suffocar a emoção que o dominava:
- Esperemos até que finde a luta e alvez ainda seja tempo... Enquanto esperamos, vinde lutar conosco, pois que, pois que esta terra bem merece o nosso esforço...
E caminhou para a praia, ao encontro dos escaleres francezes que se aproximavam.
* Professor de gramática e literatura da PUC e Universidade Santa Úrsula do Rio de Janeiro entre as décadas de 1940 e 1970; autor do famoso manual didático “Português para o Ginásio”, da Companhia Editora Nacional e do romance “Há sol por trás da nuvens”.
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O PANORAMA VISTO DA
PONTE
MÁRIO AZEVEDO
Outro dia, passando pela centenária Ponte Pênsil, precisamente às 21 horas, uma noite bonita e agradável, caminhava com meus passos lentos, ouvindo apenas o barulho das águas que se encontravam com as rochas, parecia uma sinfonia que fazia bem a qualquer mortal, e de vez em quando o barulho era quebrado, pelos carros que passavam sobre o madeiramento. Parei por alguns momentos, já bem no meio da ponte, e fiquei observando a beleza de nossa Célula Máter apresenta, os prédios iluminados, todos enfileirados, refletindo suas luzes nas águas, que ao fazer as marolas, distorcia aquela geometria refletida dos prédios.
Do meu lado direito, os casarões iluminados que dão acesso à Prainha, mas o melhor estava por vir, bem na minha direção estava a majestosa Ilha Porchat, sempre badalada e redutos dos jovens, iluminada em todo o seu contorno dos prédios, discotecas e restaurantes, parecendo uma ilha da fantasia, tal a sua beleza.
Enfim, senti-me iluminado e de fato estava, a iluminação da ponte é algo fascinante e comove o ser humano e debruçado naquelas ferragens, senti uma solidão profunda, porém notei, que não estava sozinho, a lua era minha companheira e testemunha de toda aquela beleza, que já passa dos cem anos, mas nossa ponte continua jovem e na sua plenitude, olhando para o alto, senti-me tão pequeno, pela grandiosidade de suas torres, suspensas por cabos de aço, é sem dúvida uma peça de arte exposta ao ar livre.
Mesmo com o barulho dos carros, notei que alguns peixes saltavam de um lado para outro, pareciam espadas, pois brilhavam no reflexo da lua e nas suas marolas, que se fazia ao redor, pareciam que as espadas estavam saudando a nossa Ponte Pênsil, que talvez muitos vicentinos passando de carros não observam a beleza que ela representa.
Depois de olhar toda essa grandeza de cimento e aço, senti um alivio na alma e uma sensação de êxtase em pode observar e sentir ao mesmo tempo a brisa refrescante numa noite de lua cheia.
Boletim do IHGSV , Julho/Agosto de 2016
TRABALHO, FUTEBOL, CHOP E CERVEJA
São Vicente foi um celeiro de craques do futebol de várzea, muito disputado pelo que me lembro, nas décadas de 60, 70 e mais, torneios organizados pela Liga Vicentina de Futebol Amador, entidade que existe há mais de 80 anos. E fez São Vicente ter atletas que disputaram vários torneios pelo Brasil, não vou mencionar nomes, pois a memória pode esquecer alguns deles. Assisti muitos jogos na várzea, inclusive, quando comecei a trabalhar na Vidrobrás, fábrica de vidros, o time da fábrica disputava o torneio da LVFA, diziam até, que para entrar na fábrica, tinha um item na entrevista : joga futebol ? Assim também consegui trabalhar na fábrica, não pelo futebol, pois era jovem ainda. Poucos clubes resistiram, bem como seus campos de futebol, assim podemos citar alguns, E. C. Beira Mar, Tumiaru, Ilha Porchat, Itararé Praia Clube, São Vicente Praia Clube, Guamium, Primavera, Continental, São Paulo, Industrial, Ferroviária, Beija-Flor Brasil, Sporting, Portuguesa, Campo Belo, Paulistano, Petrópolis e muitos outros que ficaram pelo caminho. Nessa época, os clubes para divulgação e melhorar suas receitas, faziam a tradicional festa do chopp, em seus salões ou alugados de outras entidades, e como lembrança, depois de tomar o chopp, levava uma linda caneca,VIAGEM NO TEMPO
Vamos fazer uma viagem pelo tempo, década de 60, São Vicente era servida pelo bonde 1 e 2 com destino a Santos, o bonde 1 tinha o caminho da Av. N. S. de Fátima (alguns ainda falam da linha 1) e ao retornar pela praia, tinha o número dois, chegando em São Vicente, pela praia, logo após a divisa podíamos observar:OCEANORIUM – Situado na areia da praia do Itararé, era como se fosse um aquário, em forma circular, de côr azul, que abrigava o famoso golfinho Flipper. Que era a alegria das crianças, adultos e turistas, após o fechamento do Oceanorium, o golfinho Flipper saiu do cativeiro para o mar aberto, se não falha a memória foi para Santa Catarina, porém em certa época ele aparecia na praia dos milionários.
PEDRA DA FEITICEIRA - Encontra-se na praia do Itararé, conta-se que uma misteriosa mulher, pernoitava ali, na chamada !Cama da Velha”, essa senhora apresentava-se muito mal trajada, com um longo vestido, parecendo a imagem lendária de uma bruxa, contava que ela acendia fogueira, acenando para os barcos que ao longo passavam, não molestava ninguém, dizia que amava um marinheiro, que por ele havia concedido, que mais tarde prometera voltar, ficara grávida e nunca mais voltou, por decepção e crise mental, perdeu a gestação naquele local, na pedra onde acontecia seus encontros amorosos, e permaneceu por longos períodos, esperando pelo retorno do amado marinheiro. Certo dia, achando que algum barco distante lhe acenava, foi adentrando ao mar, com maré cheia, junto as pedras e ali morrera afogada, sob forte correnteza, dizem que ainda hoje no local, em noites de luar, escuta-se vozes daquela feiticeira.
PEDRA DO LADRÃO - mais adiante da pedra da feiticeira, tinha a chamada pedra do ladrão, era uma pedra enorme, próximo ao teleférico de hoje, e o bonde 2 passava próximo à pedra, o que causa transtorno à população, era um local desabitado, apenas servia de passagem de pedestres, com a urbanização da avenida da praia, chamado de tapetão, a pedra do ladrão desapareceu, ficando hoje somente os ladrões.
O ERMITÃO - bem em frente à pedra do ladrão, tinha uma pessoa folclórica no Itararé, era chamado de Ermitão, com sua barba branca longa, mal vestido e habitava em uma caverna no Morro Voturuá, bem próximo onde o VLT faz uma pequena curva, era uma pessoa pacata, falava pouco, e não fazia mal a ninguém, apenas se alguém tentasse invadir seu recanto, ele costumava jogar pedras.
BAR SUJEIRA – Era um bar bem acanhado e sem estrutura, estava bem na esquina com a Rua Onze de Junho, hoje tem a Igreja São Pedro Pescador, era um ponto de encontro dos jovens frequentadores da Praia do Itararé, frequentei muito com meu amigo Ruivo, após partida de futebol na praia do Itararé, tomando uma caipirinha e observando as moçoilas da época.
PANELA DE BARRO – Situado também na Rua Onze de Junho, era muito frequentado pelos vicentinos e turistas, tinha variedade de pratos, era considerado um restaurante dançante, sob a direção de José Luiz Servo, com música ao vivo, em 1986 desmembrou o restaurante no andar superior criou o “Aconchego” local para buffê e eventos, com pista de danças..
BOA VISTA – Fechado recentemente, após 50 anos no mesmo lugar, muito frequentado e conhecido pelos turistas que vinham à nossa cidade, sua especialidade era frutos do mar, principalmente caranguejo, que tinha durante o ano todo, sempre lotado e um ambiente muito agradável, esteve sob a direção de Eugenio Francisco Cação
ILHA PORCHAT CLUBE – Na década de 60 e 70 era considerado um dos maiores clubes da Baixada Santista, com apresentações de artistas famosos em seus bailes, sem contar o famoso Baile do Havai, onde reunia a sociedade da baixada santista e São Paulo, com personalidades e políticos, o show era televisionado pela Bandeirantes, no Programa do Bolinha, que frequentava muito o clube. No auge de sucessos o Ilha apresentou nada menos que Ray Coniff, com sua banda e orquestra, uma noite magnifica com sua lindas músicas, na época o Presidente era Odarcio Ducci .
CASA DO PROFESSOR – na Rua Onze de junho esquina com a Messi Açu, existia uma colônia de Férias de Lazer do Professorado Católico de São Paulo, é um famoso casarão construído em 1.944.
FARMACIA MARMO – situado na Rua Onze de junho, tinha o farmacêutico José Bonna Sobrinho, era muito procurada, pois nessa época, os farmacêuticos também atuavam como médicos e muitas vezes resolviam os problemas.
EDIFICIO GRAJAHU - Situado ao lado da Sociedade Amigos da Boa Vista, na Rua Onze de junho, foi o primeiro prédio construído na areia da praia em 1945, em 27/10/1946 a Tribuna publicava venda de aptos e uma novidade o único prédio sobre as areias da praia de São Vicente.
RESTAURANTE LEÃO DE OURO – Situado no Gonzaguinha (hoje é o Ti Maria) ostentava dois leões na entrada, e servia os melhores pratos gastronômicos, era uma referência para os turistas, permaneceu por muito tempo, comandado pela família Luca.
THE PUB – Também no Gonzaguinha, havia um tipo bar com música MPB, que era comandado pelo Tite jogador do Santos, que tocava violão e algumas vezes seu filho acompanhava, depois de algum tempo mudou para a Av. Newton Prado, próximo a Ponte Pensil.
RESTAURANTE GAUDIO – no inicio da Rua Frei Gaspar, um dos melhores e tradicionais restaurante de São Vicente, de frente ao mar, e o único prédio que foi construído com um abrigo anti-aéreo, motivado pela Guerra Mundial.
BANCO MOREIRA SALES – situado na esquina das Ruas Frei Gaspar e Visconde do Rio Branco, um banco muito tradicional na época, inclusive muitos dos meus amigos, trabalharam nesta agência, com o fechamento do banco, abriu uma Coletoria Estadual e depois um boliche para lazer dos calungas, hoje tem o Supermercado Dia.
Na própria Frei Gaspar, havia também a Casa de Massas do Sr. Gino, um senhor italiano, que preparava as massas caseiras, e servia muito bem os frequentadores.
IHGSV – situado ao lado, em uma imensa área verde e tombada pelo Patrimônio Histórico, conhecida como a Casa do Barão, temos os maior acervo de livros, cursos variados, antes do Instituto, desde 1946 até 1972, funcionou o Instituto São Vicente Clinica cardiológica do Dr. Francisco de Assis Jarussi, sendo que o Instituto veio em 1972, hoje sob comando pelo brilhante Presidente Paulo Costa.
MERCADO MUNICIPAL – Embora construído em 1729, a primeira sede que se tem notícia foi construída na encosta do Morro dos Barbosas, no local onde hoje existe uma nascente, juntamente com a Igreja a cadeia e a Alfandega, após um abalo sísmico, obrigou o governo Municipal a reconstruir a nova sede no Largo Baptista Pereira, depois Largo Santo Antonio e hoje Praça João Pessoa, esse prédio foi construído em 1979, e funcionava juntamente com a cadeia e quartel de polícia.
O Mercado Municipal, existe uma placa logo na entra principal, desde a sua fundação que diz o seguinte “Esse edifico agora construído teve a contribuição de Vinte Contos de Réis da cia. Santista de Crédito Predial-Prefeito José Meirelles – São Vicente, 14 de julho de 1929. Todos tem noção do que representa um mercado e suas finalidades, normalmente tem sua barracas de frutas, legumes, hortaliças, etc.
Para nossa alegria temos remanescentes o casal Carlos Alberto dos Reis e Maria Helena Anacleto dos Reis, que estão há 40 e 60 anos respectivamente, resistiram aos tempos, mudanças de governos, enfim por tudo que passou na fase econômica do País e resistiram até hoje, embora o Mercado hoje completamente desfigurado, tem todos tipo de atividade, inclusive uma precária e humilhante Estação Rodoviária. Conforme relato da Sra. Maria Helena passaram muitos negociantes na época, como Sr. Américo, João Maria (japonesa) Marcos, boda, Lourdes, Rodrigues, Belmira e também o Sr. Alcides Costa, pai do nosso querido Presidente Paulo Costa, Lembrou ainda que na praça havia um Seminário dos Padres, como Monsenhor Boroski, padre Newton, padre Paulo, etc. e no meio da praça havia um busto de Benedito Calixto esculpido por Domingos Savorelli e inaugurado em 1953, na praça também tinha o Colégio Itá, que era comandado pela família Frahia.
CÂMARA MUNICIPAL – O prefeito de São Vicente, Orlando Intrieri, mandou providenciar a mudança da Câmara em 1954 para a Rua Martim Afonso, 251 esquina com a Praça Barão do Rio Branco, hoje temos as lojas Marabráz. Em 1983 o prédio já não comportava mais, os vereadores junto com o Prefeito Sebastião Ribeiro da Silva, conseguiram construir um novo prédio na Rua Jacob Emmerich, no Parque Bitaru, inaugurado em 22 de janeiro de 1987
PRAÇA BARÃO DO RIO BRANCO – A Praça era o centro agitado de São Vicente, para saborear a melhor feijoada de São Vicente, era recomendado Amigo Campos, muito simpático e prestativo, era o ponto de encontro de amigos. Ao lado tinha a Casa Nico, Adega Central, o Rio Branco, muito frequentado, ao lado a Gruta Transmontana, Lojas Ibirapuera, e bem na esquina o Restaurante Itapura, que passou por vários lugares e hoje permanece na Av. Presidente Wilson, contornando a praça, tinha o Cartório Ayres, hoje na Rua Martin Afonso, no mesmo local funcionou também A Droga Régia, ao lado a Veranista, loja tradicional de calçados, ao lado o Banco comercio e Industria de São Paulo, depois Banco Nacional, mais adiante uma pequena Estação de ônibus, e ao lado da estação, o Bar Nosso Ponto, muito frequentado pelos vicentinos, e a seguir a Coletoria Federal. Atravessando a rua Frei Gaspar, havia Lojas Glória, uma loja de magazines que foi novidade na época, ao lado a Olimpica, sinônimo de bem vestir, comandado pelo Carlos e Leon Sarkissian, um dos mais conceituados de roupas masculinas, ao lado o Bar Esporte, parada obrigatória para tomar uma cerveja e jogar conversa fora, no alto do bar a Rádio Royal apresentado pelo radialista Marcos Machado, tocando músicas e dando notícias, no alto da rádio tinha a Associação Comercial e Industrial de São Vicente, e no centro da praça a Banca do Walter, que permanece até hoje, atravessando a Rua a famosa Panificadora Chic, parada obrigatória para fazer lanches e levar pães frescos, na Frei Gaspar ainda, tinha o salão de Barbeiro, do Bigorrilho, famoso por ser barbeiro oficial dos prefeitos naquela época., mais adiante para consertar sapatos tinha Sapataria Rápida São Vicente (funciona até hoje ). Uma referência em tirar fotografias naquela época era o Studio do João Vieira, fotógrafo conceituado na cidade, trabalhando por vários anos na Sucursal de A Tribuna, que era comandado por Edison Telles de Azevedo e depois Ivo Roma Nóvoa., mais na frente na esquina da Padre Anchieta, o Messias Bassili, que fez o meu terno de casamento, com muita dedicação e funciona até hoje, na mesma Padre Anchieta tinha a Paulistana, e permanece até hoje e ao lado A Pensão Anchieta, hotel estritamente familiar, comandado pelo Ernesto Sinigoi, conhecido como Neco, hoje reside em Botucatu, próximo dali na Frei Gaspar a Papelaria Cruzeiro, uma referencia em materiais para escritório e escolar, comandado pelo saudoso Mario Diegues. Mas retornando no centro, pegando a Martim Afonso, ao lado da panificadora Chic, a Loja Tic-Tac, que resistiu aos tempos e funciona até hoje, mais adiante o Bar do Fuminho, local muito frequentado pelos apreciadores de sinuca, era bem simples, mais agradável, em frente ao Fuminho, tinha o Cine Anchieta, da família Lima, depois inaugurou o Cine Teatro Jangada, com bons filmes, sala moderna e peças teatrais vinham para SV, na época de carnaval sempre era montado tablado no meio da praça, era o Carnaval Popular. Dizem os vicentino que para saber noticias em primeira mão, era falar com o Walter da banca e Toninho Campos, não que fossem fofoqueiros, mas ganharam até uma estátua na praça.
PRAÇA DO CORREIO – O nome correto é Praça Cel. Lopes, era uma praça agradável, com um coreto, e os jardins eram suspensos, com agencia do correio no Centro, somente na década de 70, em nome do modernismo é que a praça sofreu a grande transformação, suas árvores foram arrancadas, sumiram as flores, as cigarras e os bancos de madeira e ferro foram embora, ficando somente o prédio dos Correios, na esquina a Padaria Bandeirantes, muito frequentada pelas pessoas, mais adiante, tinha a Escola de Datilografia Acosta, da qual ostento um diploma de datilógrafo, próximo a Escola, havia o sinônimo de alta costura que era Canalonga, que na época comentava que o Pelé vinha fazer seus ternos, uma honra para nossa cidade, ao lado do Canalonga o famoso Grupão que dispensa comentários, muitas pessoas estudaram lá. Seguindo tinha o Pergaminho, loja que permanece até os dias de hoje, e na esquina da Praça o famoso Pata-Pata (foto), onde guardo boas recordações de pois de um dia de trabalho, juntamente com os amigos.
RUA JACOB EMERICH – contornado o Restaurante Itapura, no mesmo prédio tinha a Floricultura Cinderela, da nossa Regina do Carmo, que na época eu comprava botões de rosa para minha namorada, hoje minha esposa e creio que deu certo, a floricultura funciona até hoje na esquina com a Rua Padre Anchieta, nesta mesma Rua tem uma firma tradicional em fotografias, a Studio Estrela.
AV. ANTÔNIO EMERICH – A referencia para peças e conserto de carros era a BACAL, (Barreira & Diogo ), firma conceituada e um Atendimento de primeira, mais adiante tinha o Clube Hipico de Santos e São Vicente, um lugar maravilhoso e muito grande. (hoje tem o Luanda Supermercado), mais para a frente outros comércio que ficaram pouco tempo, na esquina com a Av. Mota Lima, tinha o Posto De Colores ( hoje tem um prédio em construção) mais adiante chegando na praça 1 de maio, tinha o Cine Petrópolis, ao lado a Casa da Sogra, era um novo estilo de supermercado na época, da família Alexandre Cró. Do outro lado da praça tinha o SESI, um tipo de supermercado que só vendia para quem era beneficiário das indústrias, tinha carteirinha e tudo, havia um outro SESI na Rua Marques de São Vicente. Mais adiante a Cooperativa Agricola de Cotia, um tipo de atacadão de verduras, frutas e legumes, que atendia os Negociantes na época. Do outro lado da calçada o Colégio Brasilia, também uma referencia em ensino.
RUA JOSE BONIFÁCIO - Além do tradicional Martim Afonso, um dos melhores colégio da Baixada Santista, fiz o científico ( 1 ano) depois fui para o Vidrobrás, tenho boas lembranças de alguns professores, : Joaquim (química) Sebastião (física) Capellari (matemática), Sara (português), Borges (inglês) Disaró (matemática) Yolanda (latin) Pereira, Iracema, etc. e dos diretores Arthur Ewbank e Prof. Cleuza Velloso, nessa época você aprendia ou reprovava de ano, ao lado tinha a Churrascaria Choupana, muito requisitada na época e mais acima o Restaurante Kikos, também uma referencia em pratos deliciosos, na esquina com a R. Martim Afonso, havia um lava-rápido muito frequentado pelos vicentinos, mais adiante na Martim Afonso, tinha o Foto Astral, no local das ruinas da casa de Martim Afonso.
RUA XV DE NOVEMBRO - iniciando pela Igreja Matriz de São Vicente, havia a Lavanderia Colombo, muito antiga, porém com o progresso veio a encerrar as atividades, mais na esquina com a Rua José Bonifácio, a Farmácia do Ruas, era uma referencia em cura pelo farmacêutico Ruas, tinha uma freguesia seleta. Mais adiante a Padaria Rio Branco, que resistiu aos tempos e permanece até hoje, acima da padaria funcionava o IHGSV em algumas salas cedidas, o Educandário São Gabriel, também resistiu aos tempos, assim como a Tapeçaria Dias, uma das poucas referencias em decoração que havia em São Vicente, na quadra seguinte tínhamos o Forum de São Vicente, improvisado em algumas salas. Na quadra seguinte na esquina a Casa Prandini, com comércio de materiais para construção, assim como o Bazar Ideal, também do mesmo ramos sendo o proprietário José Fernandes, já na esquina próximo ao Hospital São José tinha uma das firmas mais importantes de S. Vicente a Cia. Antarctica Paulista. Na quadra seguinte o Hospital São José, que completa 100 anos, na quadra seguinte o Fiel Barateiro, inaugurado em 1945, um pequeno comércio de secos e molhados, comandado pelo Ulisses, Celestino e família, sabemos que Celestino ajuda muitas pessoas e funcionários, tendo um carinho especial, talvez aí o segredo de seu sucesso, hoje abriga uma centena de funcionários, é sem dúvida um marco na história de São Vicente, na esquina com a Rua Expedicionário Vicentino, tinha o Instituto Musical Bethoven, formando vários musicistas na época, na outra esquina o E.C.Beira Mar, com seus bailes, na época era comandado pelo Presidente Toninho Campos, e outros que vestiam a camisa do clube, foi um momento mágico, com torneios de futebol de salão, sem contar o arquivo fotográfico do clube comandado pelo Cotuba, o time profissional disputou muitos torneios na várzea vicentina. Revelando vários atletas, em fevereiro o clube comemorou 80 anos. Na esquina do Beira Mar, tinha o Bar Xangô, muito frequentado pelas pessoas que vinha no Beira.
RUA JAPÃO - Recebeu esse nome em 1958, durante as comemorações do cinquentenário da Imigração Japonesa no Brasil, está num reduto de pescadores, como uma pequena aldeia, entre muitas histórias, há uma que no final de um jogo, numa tarde no campo do E.C. Guamium, as duas equipes perderam para os caranguejos, que de vez em quando eram retirados pelos jogadores, e a partida teve que ser anulada.
AV. CAPITÃO MÓR AGUIAR - uma referencia em ensino tinha Escola Comercial Nações Unidas, fundado em 26 de fevereiro de 1944, a nossa Presidente da Academia vicentina Letras, Artes e Oficio Sra. Regina Dias, em 1958 estudou na escola, após se formar passou a trabalhar como aux. De escritório, em 1962 fez o curso Tecnico Comercial, depois terminou o magistério e começou a dar aulas e orientação. O colégio tinha fama de fazer quadrilhas juninas e também a fanfarra onde ganhos vários prémios pelo Estado, foi o único colegrio que tinha cursos profissionalizante, em 2001 foi vendido para o Grupo Alpha, e hoje infelizmente está abandonado.
RUA JOÃO RAMALHO - Nos fundos do IHGSV, na esquina tinha a Delegacia de Policia, em um lugar meio acanhado que ficou por muito tempo, até a construção da nova sede na Rua XV. Mais adiante tinha CPFL – Cia Telefonica do Litoral Paulista, lembro-me, que para fazer uma ligação para SP, entregava o numero para \a recepcionista, ela mandava entrar numa minúscula cabine, e ficava aguardando para fazer a ligação.
CAMPOS DE FUTEBOL – para os atletas, São Vicente na década de 60 tinha muitos campos de futebol, revelando vários atletas na várzea, quando disputava os torneio da Liga Vicentina de Futebol, hoje temos o campo do São Vicente, Beija Flor, São Paulino, na época tinha a dona Celeste que comandava e orientava o futebol de campo, chegou até a aparecer no Fantástico, Guamium, Itararé, Ferroviária, campo do 2 BC,
Os campos que desapareceram : Sporting (campo de areião, ficava no Parque São Vicente), Portuguesa, no Beira Mar, depois virou Estação Rodoviária, Industrial no Japui, ao lado do Curtume; Brasil no Parque Bitaru, onde hoje tem o fórum, um fato interessante, quando havia jogo de futebol, no meio do caminho tinha uma trilha, e o jogo era interrompido quando pessoas, vinham do cemitério, ou voltava da feira, era uma folga para acalmar os ânimos.
Outros clubes também tem destaque e funcionam até hoje, Praia Clube e Nissei Vicentino, próximo aos bombeiros, o Paulistano e Petropólis no Jardim Independência, e outros de menor expressão, apenas sobrevivem
ALGUMAS CURIOSIDADES
1) Em uma época em que o preconceito sobre homossexualidade era muito forte, o carteiro Roberto Mafaldo, trabalhando nos correios, entregava cartas na cidade, ele assumiu sua identidade nessa época e todo ano desfilava na Baianas sem Tabuleiro, bloco tradicional da cidade., para não ficar atrás Santos, tinha o DUDU do Gonzaga.2) Biquinha - na década de 70, foi construído um enorme Pombal, e as crianças ficavam contente, e tirar fotos juntos aos pombos, mal sabiam das doenças que podiam ser transmitidas, e também o painel de Anchieta catequizando os índios, são obras do renomado pintor Armando e Waldemar Moral Sendim.
3) A Estrada de ferro Sorocabana, transferiu o mangueirão que ficava na Av. Alcides de Araujo,
4) Um personagem marcante na época era o Parafuso, normalmente os moleques e jovens, do outro lado da rua, gritava oi Parafuso, e logo escutava aquele palavrão bem alto, todo mundo dava risada.
Outros fatos e comércios fizeram parte de nossa São Vicente e para relatar tudo ficaria muito longo e cansativo e
São Vicente é isso uma cidade poética e apaixonante e com boas recordações.
* Mário Azevedo Alexandre, natural de São Vicente/SP, é bacharel em Comunicação Social e Direito, contabilista, escritor, poeta, professor, autor de livros de poesias, crônicas, haicai e ensaios literários, participou de inúmeras Antologias poéticas pelo Brasil, tem trabalhos publicados na Itália e em Portugal., pertence a Academia Santista de Letras, Academia Vicentina de Letras, Artes e Ofícios, Instituto Histórico e Geográfico de Santos e São Vicente, Academia Paulistana Maçônica de Letras em SP, membro da UBE – União Brasileira de Escritores, premiados em mais de uma centena de concursos de poesias, crônicas, haicai, ensaios literários, etc. Tem trabalhos publicados em vários jornais em revistas pelo Brasil.
Acervo: Profa. Eleonora Pontes.
IHG SÃO VICENTE
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MEMÓRIA DA HISTÓRIA E DO FUTURO
DALMO DUQUE
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IMPRENSA
MANUEL ESTEVAM
MAIS UMA ESCARAFUNCHADA NO BAÚ: ESTEVAM E EU
JOÃO VIEIRA
A TRAJETÓRIA DO IHGSV
SEDE PASSOU POR DOIS IMÓVEIS ANTES DA CASA DO BARÃO
O IHGSV E A CASA DO BARÃO
FERNANDO MARTINS LICHTI

A Casa do Barão em tom branco cinza no final dos anos 1990. Fonte: Ipatrimônio.
Quando assumimos a presidência do Instituto Histórico e Geográfico, há doze anos, sabíamos que estávamos preparados, pela longa vivência em entidades, inclusive no próprio instituto, para enfrentarmos desafios, mas, em verdade, não esperávamos que fossem tantos. De pronto os ditais de leilões da Caixa Econômica Federal, proprietária da “Casa do Barão”, colocando à venda, pela melhor oferta, no mercado imobiliário, que logo vislumbrou esta magnífica área de quase oito mil metros quadrados, sobre o outeiro, com três frentes, no centro geográfico entre coração do comércio e a praia. Não preciso falar da ansiedade geral de tantos interessados.
Não foi apenas um edital, foram alguns, porque a cada um deles enfrentamos uma batalha para conseguirmos torna-lo sem efeito, até que logo fosse repetido. Tudo que fazíamos era para ganhar tempo porque a Caixa, como instituição financeira, não admitia ter um patrimônio de tal valor sem transformá-lo em numerário rendendo juros. Foram anos de sobrecarga de adrenalina. Buscamos então uma alternativa que desinteressasse o mercado imobiliário pela “Casa do Barão”: o tombamento pelo CONDEPHAAT, que estava engavetado cerca de dez anos. A secretária de cultura era a santista, deputada Bete Mendes.
Contamos com empenho do presidente da câmara vicentina, Carlos Adherbal Lorens Filho, com o secretário municipal de cultura, Olivério Pieroti Junior e de seu assessor cultural, João Maurício Caiaffa dos Santos Ibañez. Foram de excepcional empenho. Inclusive Bete Mendes; em três meses o imóvel estava tombado. Concomitantemente , a prefeitura – não tínhamos um Márcio França à frente do Executivo municipal – lutava ingentemente, contra o próprio Instituto, pra obter a posse da “Casa do Barão”, talvez para transformá-la numa repartição pública, como já o fizera pouco antes, quando aqui instalou seu arquivo morto, mas muito vivo de cupins, baratas e pulgas. Nesse período, já lutávamos para obter a cessão definitiva do imóvel, com muita dificuldade de acesso, porque para a Caixa Econômica era uma questão de economia. Precisávamos tirar a “Casa do Barão” da propriedade dela. Isso nos parecia um sonho, se não considerarmos uma atrevida presunção. Nada disso, porque tínhamos fé. Porque sabíamos que Deus não nos abandonaria naquele ideal tão puro e tão justo em prol da cultura e da própria São Vicente, que merecia ter prestigiada uma instituição que já havia vencido, superando inauditos sacrifícios, muitos anos de lutas em prol do resgate da história e da memória vicentina. Precisávamos de um parceiro de muito prestígio, que assumisse conosco essa refrega que já se tornava obstinação, pelos dez anos decorridos.
Assinatura de escritura na Delegacia e São Paulo, da Secretaria do Patrimônio da União.
Conseguimos o homem certo, pela grandeza de caráter, força política, prestígio pessoal, pelo amor que já vinha demonstrando à São Vicente e a amizade confirmada em meio a tantos percalços: o deputado federal Almino Affonso. Através dele, enviamos ao presidente Fernando Henrique Cardoso um ofício simples, sem rebusques, de pouco mais de uma lauda apenas, pedindo que a “Casa do Barão” fosse transformada na sede definitiva, permanente e vitalícia, do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente. O despacho foi extraordinário, objetivo e definido: -“De acordo com a solicitação, transfira-se o imóvel. Mas não o desfecho. A Caixa Econômica Federal tinha impedimentos regulamentares, que não permitia fazer doação patrimoniais a instituições privadas. Apresentamos a solução, conforme sugestão do nosso vice-presidente, dr. Antônio Teleginski, no sentido que a Caixa Econômica Federa fizesse a doação do imóvel a outro órgão federal e sugerimos a S.P.U. Assim foi feito, com a resolução aprovada pelo seu Conselho, que o imóvel fosse doado ao S.P.U. com a cláusula irrevogável de que a “Casa do Barão” se destinasse a uso permanente e exclusivo do Instituto Histórico.
Não foi tudo fácil, como aqui está escrito, pois foi muito trabalhoso, exigindo um zelo e uma persistência diuturna do deputado Almino Affonso, que com muita justiça, é hoje não apenas o nosso Sócio Benemérito, mas também “Cidadão Vicentino”, com a outorga da Câmara Municipal de São Vicente. A 18 de maio, na Delegacia e São Paulo, da Secretaria do Patrimônio da União, assinávamos a escritura de cessão do direito de uso exclusivo, cabendo-nos a alta responsabilidade de zelarmos por esse imóvel, que proporciona à cidade o seu parque ecológico, seu museu, sua biblioteca, seu arquivo memorial, sua editora histórica e seus cursos culturais. Outro lutador por essa causa, também credor da nossa gratidão, é o nosso diretor, ex-vereador, Alfredo Soares de Moura, pelo empenho com que se houve, durante toda essa jornada, principalmente se transformado no elo de ligação e de aproximação cotidiana entre o Instituto e o deputado Almino Affonso. Foram dois expoentes dessa conquista, que jamais São Vicente poderá esquecer.
F.M. L. Presidente
Fonte: Cellula Mater. Informativo do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente. Agosto de de 2.000. Ano 04-Número 12. Edição Especial "Brasil 500 Anos".
Não foi apenas um edital, foram alguns, porque a cada um deles enfrentamos uma batalha para conseguirmos torna-lo sem efeito, até que logo fosse repetido. Tudo que fazíamos era para ganhar tempo porque a Caixa, como instituição financeira, não admitia ter um patrimônio de tal valor sem transformá-lo em numerário rendendo juros. Foram anos de sobrecarga de adrenalina. Buscamos então uma alternativa que desinteressasse o mercado imobiliário pela “Casa do Barão”: o tombamento pelo CONDEPHAAT, que estava engavetado cerca de dez anos. A secretária de cultura era a santista, deputada Bete Mendes.
Contamos com empenho do presidente da câmara vicentina, Carlos Adherbal Lorens Filho, com o secretário municipal de cultura, Olivério Pieroti Junior e de seu assessor cultural, João Maurício Caiaffa dos Santos Ibañez. Foram de excepcional empenho. Inclusive Bete Mendes; em três meses o imóvel estava tombado. Concomitantemente , a prefeitura – não tínhamos um Márcio França à frente do Executivo municipal – lutava ingentemente, contra o próprio Instituto, pra obter a posse da “Casa do Barão”, talvez para transformá-la numa repartição pública, como já o fizera pouco antes, quando aqui instalou seu arquivo morto, mas muito vivo de cupins, baratas e pulgas. Nesse período, já lutávamos para obter a cessão definitiva do imóvel, com muita dificuldade de acesso, porque para a Caixa Econômica era uma questão de economia. Precisávamos tirar a “Casa do Barão” da propriedade dela. Isso nos parecia um sonho, se não considerarmos uma atrevida presunção. Nada disso, porque tínhamos fé. Porque sabíamos que Deus não nos abandonaria naquele ideal tão puro e tão justo em prol da cultura e da própria São Vicente, que merecia ter prestigiada uma instituição que já havia vencido, superando inauditos sacrifícios, muitos anos de lutas em prol do resgate da história e da memória vicentina. Precisávamos de um parceiro de muito prestígio, que assumisse conosco essa refrega que já se tornava obstinação, pelos dez anos decorridos.
Não foi tudo fácil, como aqui está escrito, pois foi muito trabalhoso, exigindo um zelo e uma persistência diuturna do deputado Almino Affonso, que com muita justiça, é hoje não apenas o nosso Sócio Benemérito, mas também “Cidadão Vicentino”, com a outorga da Câmara Municipal de São Vicente. A 18 de maio, na Delegacia e São Paulo, da Secretaria do Patrimônio da União, assinávamos a escritura de cessão do direito de uso exclusivo, cabendo-nos a alta responsabilidade de zelarmos por esse imóvel, que proporciona à cidade o seu parque ecológico, seu museu, sua biblioteca, seu arquivo memorial, sua editora histórica e seus cursos culturais. Outro lutador por essa causa, também credor da nossa gratidão, é o nosso diretor, ex-vereador, Alfredo Soares de Moura, pelo empenho com que se houve, durante toda essa jornada, principalmente se transformado no elo de ligação e de aproximação cotidiana entre o Instituto e o deputado Almino Affonso. Foram dois expoentes dessa conquista, que jamais São Vicente poderá esquecer.
ARISTOCRATAS EUROPEUS-VICENTINOS E CORRETORES DE CAFÉ.
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HISTÓRIA NA IMPRENSA
Acervo digital da Biblioteca Nacional.
NA IMPRENSA SANTISTA
LIVRO DA NATALIDADE
CASA DO PROFESSORTOMBAMENTO DE UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO
CASA DO PROFESSOR - CENTRO PROFESSORADO CATÓLICO
SÃO VICENTE EM A TRIBUNA
O GUARDIÃO DA CAPELA
"Francisco Xavier dos Passos (Chico Botafogo) estendeu, muitas vezes, sua piedosa missão de puxador de rezas à Capela de Santa Cruz, que existiu no Largo de Santa Cruz, ex-Largo da Lavandaria, hoje praça Bernardino de Campos. DIA DE SANTA CRUZ. No dia de Santa Cruz, em maio de cada ano, era erguida, diante do altar-mor, uma cruz ornamentada e, terminada a reza, subiam os fiéis, em fila, os degraus de pedra do altar-mor para, em recolhimento, beijar o Santo Lenho, ao mesmo tempo que a assistência entoava cânticos. Francisco Xavier dos Passos, finda a cerimônia, deixava o templo e, acesa sua lanterna, pois rareavam na Vila os empíricos lampeões a querozene, de que cuidava Maneco Peralta, demandava o seu sítio, em rua denominada Conselheiro Nébias, também chamada "rua dos Velhacos” (hoje rua do Colégio), no sopé do Morro dos Barbosas.
Bico de Pena de Edison Telles de Azevedo. Vultos Vicentinos. 1972.
VOCÊ É UM VICENTINO RAIZ?
TESTE DE MEMÓRIA
SILVIO ELIZEI
Listamos aqui 50 antigas recordações e hábitos dos moradores da nossa cidade . Assinale quais desses itens foram partes integrantes de sua vida em algum momento e veja quantos pontos você fez.. Cada item vale um ponto. O passado está presente!
1.Andou nos verdinhos e/ou azuizinhos da Viação
2. Comprou pães na Chic e/ou Bandeirantes
3. Fez crediário na loja do Seu Paschoal
4. Ouvia a sirene da fábrica de vidro
5. Votou no Koyu Iha
6. Chamava o atual VLT de linha da máquina
7. Cortou o cabelo com o Seu Cyro
8. Fez compras no SESI
9. Viu as escovas do Bem Bolado em ação
10. Conheceu o Seu Prandini
11. Brincou ou levou os filhos para brincarem no parquinho da Pça. Dr. Bernardino de Campos
12. Frequentou a feira dominical na Pça. Dr. Bernardino de Campos e Ruas Dr. Campos Salles e Ipiranga
13. Atravessou o pontilhão do Catiapoã
14. Andou no TIM
15. Deu milho aos pombos da Biquinha
16. Dirigiu um carrinho na autopista do Luna Park
17. Revelou filme no Bazar Dorcas
18. Tirou fotos 3x4 no Foto Mizuguchi
19. Foi atendido no PS da Rua Padre Anchieta
20. Comprou jeans na McCoy
21. Frequentou a Feira Hippie
22. Jogou snooker no Taco de Ouro
23. Passou horas nos trailers do Itararé
24. Comeu pastel na China Antiga
25. Paquerou nas muretas do calçadão do Gonzaguinha
26. Lembra-se da Prodesan cuidando da limpeza urbana em SV
27. Sabe onde vivia o ermitão do Itararé
28. Frequentou o Shopping São Vicenter
29. Provou os doces d’A Italianinha e da Arco-Íris
30. Comprou peixes, frutas e etc. no Mercado Municipal
31. Ouviu propagandas do carro de som da Suzana
32. Lembra-se das ambulâncias cor de creme da antiga SESASV
33. Atravessou da Rua XV à Rua Martim Afonso (e vice-versa) pela Vila Amorim
34. Tomou vacina no antigo Centro de Saúde
35. Frequentou os bailes do Beira Mar e do Tumiaru
36. Morou em casa com muros baixos
37. Consultou-se com o Ruas, o Carlito, o Walter, o Bonna ou outro farmacêutico que era praticamente o médico da família
38. Tomou Sorvete Princesa
39. Foi telespectador da TV Litoral
40. Lembra-se da velha perua azul de bolachas que tocava a parte instrumental de The Final Countdown (Europe)
41. Imaginou-se atravessando da Rua Frei Gaspar à Rua Jacob Emmerich (e vice-versa) pela viela da Light/Eletropaulo, mas não podia por conta dos portões alambrados
42. Foi em alguma festa junina da Sociedade São Vicente de Paulo
43. Torceu muito por São Vicente no Cidade Contra Cidade
44. Atravessou de uma porta à outra as antigas instalações em L da Veranista Calçados
45.Navegou (ou quase navegou) pela Baía de São Vicente a bordo de um sandolim alugado
46. Pegou “jacaré” no Gonzaguinha quando havia ondas na praia
47. Pesou-se na Farmácia Central
48. Viu as imensas filas de veículos em ambos os lados para a travessia da Ponte Pênsil
49. Teve dois dedos de prosa com o Seu Walter da banca
50. Assistiu à primeira Encenação da Fundação da Vila de São Vicente
OS IRMÃOS AURELLY POR AFONSO SCHMIDT
DO PORTO TIBIRIÇÁ AO PORTO DE SANTOS
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Vila Tibiriçá em 1938 pelo fotógrafo alemão Konrad Voppel
A PRIMEIRA E A ÙLTIMA CIDADE PAULISTA
NO JARDIM INDEPENDÊCIA
SÃO VICENTE NOS ANO 1970
UM JOVEM VICENTINO NOS ANOS 80
EMPREGO E ASSALTO NA SV VEÍCULOS
NA VIDRO BRÁS E MARTIM AFONSO
CINEMA NO GONZAGA
O MANVANTARA EM SANTOS
NA UNIVERSIDADE
EM CUBATÃO
PROJETO GENTE NOVA
TEMPORADA EM SÃO PAULO
NOVA INVASÃO DA PUC
DE VOLTA À SÃO VICENTE
ROTEIRO HISTÓRICO NA ANTIGA VILA DE SÃO VICENTE
Parede histórica na rua Martim Afonso ocupada por um estacionamento.
CONDEPHASV
CONSELHO DO PATRIMÕNIO HISTÓRICO DE SÃO VICENTE
