terça-feira, 9 de julho de 2019

SÃO VICENTE ERA UM JARDIM



Wilson Verta (1936) - Victor Lopes Veleije (1937)
Osvaldo Lescreck Filho (1939)- Júlio Vasques Filho (1938)
Reinaldo Machado (1934)- Antônio Lima de Andrade (1934) 


Relatado por um grupo de amigos que viveram na infância o período dos anos 30/50, e a adolescência de 50/70, de um início de um tempo que não participavam das dificuldades dos seus progenitores e da cidade, onde cada família tinha a sua particularidade, e os olhos voltados a inocência de uma criança. Não poderíamos deixar de repassar estes momentos 

OS ANOS 1930/1950 

Não poderíamos deixar de repassar estes momentos aos descendentes daquela comunidade e aos atuais vicentinos de sangue ou adoção que desconhecem esses momentos maravilhosos, para que gravem em seus corações, inclusive em um período de 1941/1945 da 2ª Guerra Mundial, tenso e de desabastecimento, porém sem alterar o bem viver da família e vizinhos da tranquilidade da nossa querida São Vicente. 

RIQUEZA DA ÉPOCA 

São Vicente estava atrelada aos tempos áureos da cidade de Santos, onde ficava o maior porto exportador de café, que era a riqueza produtiva do país, denominado “ouro verde”. Consequentemente, com as atividades econômicas fortalecidas, surgiram muitas mansões e palacetes dos representantes considerados magnatas das exportadoras, embaixadas e mesmos fazendeiros (Café), que procuravam residir em nossa cidade devido às belezas das praias, e do sossego de uma cidade tranquila e pacata. 

BONDES ELÉTRICOS 

Mudanças na Ilha de São Vicente, com a introdução e construção das linhas de bondespela companhia City, empresa inglesa que mantinha o monopólio eletricidade, ligando Santos e São Vicente, através das linhas 1, 2, 13 e 22, dando origem ao desenvolvimento turístico e econômico da nossa cidade.Os bondes ligavam os extremos da ilha de São Vicente através das linhas 1, 2, 13 e 22.A linha 1 seguia pelo Matadouto, bairro Santa Maria; As linhas 2,13 e 22 transitavam pela Praia. O bonde 22 era o único que ia até o final da av. Capitão Mor Aguiar, Porto Guamium e retornava para a Estação de de Bondes, que ficava entre as Ruas Jacob Emerich e Frei Gaspar, quase divisa com a Praça Barão do Rio Branco. 

A Praça Barão do Rio Branco não atingia a rua Jacob Emerich. Existia um prédio da Cia. City, que integrava o conjunto da Estação de Bondes e reduzia a Praça e a tornava irregular. O Prefeito Polydoro de Oliveira Bittencourt desapropriou o imóvel e tornou a praça mais ampla. 

PUJANÇA DA CIDADE 

São Vicente era considerada uma cidade de rara beleza, pelas suas praias, ilha, baía do Gonzaguinha e contorno do Mar Pequeno. Outro atrativo era a Biquinha de Anchieta, ponto de lazer e relaxamento onde as famílias, inclusive da vizinha cidade de Santos, traziam as crianças para comerem doces caseiros, que eram famosos, e brincarem com as pombinhas, onde mais tarde construíram um Pombal Supenso para acomodá-las (um tempo em que as “pombinhas” não eram consideradas transmissoras de doenças). 

MANSÕES E PALACETES 

Única mansão preservada desse período é a que pertencia a Kurt Gustav von Pritzelwitz, um conceituado gerente da firma Theodor Wille & Cia. Ltda, onde atualmente está localizado o Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente- IHGSV. E na mansão que existia defronte a Prefeitura somente restam duas palmeiras do tipo imperal , que o Shopping Brisamar conservou de frente à rua Jacob Emerich. Infelizmente, as demais foram demolidas, inclusive prédios históricos como as residências de Martim Afonsde Souza e Benedicto Calixto e tantos outros. 

O casarão da família de Ivo Roma Nóvoa (Jornalista/Chefe agência AT da cidade), hoje existe ao lado de um edifício, foi preseravado, onde está instalada a Diretoria de Ensino, localizada na rua João Ramalho, atrás do IHGSV. 

OS CLUBES FREQUENTADOS PELA ELITE 

CLUBE HÍPICO, frequentado para reuniões esportivas e das famílias, que tinha a sua sede na Avenida Antonio Emmerich. Hoje transformado em um conglomerado comercial. 

GOLF CLUBE DE SANTOS/SÃO VICENTE, também frequentado para reuniões esportivas e familiar e a sua sede ainda está em atividade, porém com menor intensidade, localizada entre a Vila Ferroviária; Jardim Nosso Lar e Campo Belo, todos no bairro do Catiapoã. 

CASSINO ILHA PORCHAT 

Que teve seus áureos tempos de jogos e luxo, atualmente sede do ILHA PORCHAT CLUBE, localizada na Ilha Porchat. 

JOCKEY CLUBE DE SÃO VICENTE 

Conhecida como Pista Prateada, pela sua bela iluminação noturna, surgiu nos meados de 1950 com o loteamento do atual bairro Jockey Clube e complemento do Parque São Vicente, pela família de Fábio e Armando Bei. 

O BAIRRO DE PRAIA GRANDE 

Os bairros eram de baixa densidade populacional e se limitavam a Ilha de São Vicente. 

Bairros localizados na área continental Lado Mar, antes da emancipação, hoje cidade de Praia Grande. No Canto do Forte existia um belo recanto e os moradores e turistas aguardavam a retirada de rede de pesca, que era puxada por bois.. Um dos desbravadores de Praia Grande foi o senhor Heitor Sanches, que loteou os Jardins Guinle, Matilde e Guilhermina e inaugurou o famoso Restaurante Lagosta. Família radicada e teve como genro Osvaldo Toschi que se tornou vereador representante daquela bela localidade. No Boqueirão da Praia Grande, esquina com a praia, existia a conhecida Cantina do Vitorino; Bar e Mercearia do Pinheiros; o conhecido senhor apelidado de Açúcar, que era Presidente do E.C.Flamengo e pai do Rubens Sales, ex-profissional de futebol. E no bairro Solemar um morador muito conhecido chamado Júlio Secco de Carvalho, presidente do E.C. Solemar. Personalidades. Consta que Oscar Niemeyer, arquiteto de projeção internacional, e que mais tarde projetou Brasília no tempo de Juscelino Kubtscheck, possuía uma casa de veraneio, a qual colocava à disposição dos seus arquitetos para se concentrarem em projetos arquitetônicos; também o famoso artista cômico chamado Mazzaropi e muitas outras personalidades. 

VILA SAMARITÁ 

Na área continental do Lado Serra, ficava a Vila Samaritá, região conhecida pelas minerações de areia branca destinada às indústrias de vidro; e também um local que possuía um capinzal onde tinha muitos passarinhos tipo canários e coleirinhas; O desbravador da época chamava-se Armindo Ramos, que loteou a Vila Samaritá e tinha uma mineração de areia branca; e posteriormente seu filho Amindo Ramos Filho, que se casou com a professora Tereza, filha do coletor esstadual, senhor Olegário. Em Samaritá ficava o entroncamento da linha férrea onde separava o lado Praia sentido Juquiá; e do lado Serra do Mar sentido São Paulo, via paradas Cipó e Gaspar Ricardo. 

RISCOS DECORRENTES DA MARÉ ALTA E CHUVAS 

Não existia rodovia e os transportes eram realizados por via férrea através dos trens de passageiros e cargas. Era uma aventura chegar de automóvel ou caminhão até a cidade de Itanhaém, pois o único acesso seria pelas praias durante as marés baixas; e quando chovia havia o risco da formação de córregos em toda extensão da Praia Grande, pois se parassem na areia da praia os carros seriam sugados. Os caiçaras ficavam na espreita para empurrar e ganhar uns trocados, caso contrário acabavam afundado na areia e seria perda total. No lado da Serra do Mar, no bairro Samaritá, ficava o entroncamento das linhas férreas Juquiá- Mairinque. 

SÍNTESE DA CIDADE 

Veículos automotivos contavam-se nos dedos. Inclusive, era raridade na época construções de garagens nas casas. As ruas estavam iniciando calçamentos com paralepipedos. Rua XV de Novembro, que liga via férrea (Catiapoã) até a Igreja da Matriz, onde ainda existe a conhecida Padaria Rio Branco, que pertencia ao português Cruz Leite. Uma das filhas casou com José Teixeira Mattoso. Em frente morava e tinha armazém o português Gabriel Lopes Pereira, pai do Gabriel que foi o Fundador e Diretor do Horto Municipal; Na foto aparecem duas das suas filhas olhando os calceteiros e provavelmente por curiosidade quando tiravam a foto. Ao lado moravam as famílias de Reynaldo Saboya, Desidério e o seu pai tocava trombone na bandinha da cidade, mais adiante farmácia do senhor LAPENNA; e adiante Antonio Militão de Azevedo; e do outro lado vizinho a padaria o Orfanato São Gabriel, na sequência a loja distribuidora de leite, onde morava o Luiz Carlos apelidado de “Leiterinho”;


No sentido Matriz e Mercado Municipal, tinha a loja do Correio; Lavanderia Quilombo e a Farmácia do Sebastião. Lojas existentes, exceto do Correio, que foi demolida. Na esquina com a rua Jacob Emmerich existia o casarão da família Horneux de Moura (Dr. Olavo, médico, Jaime ex-vereador e Padre Paulo Horneux de Moura), hoje um posto de gasolina. Em frente, também de esquina, a Casa Prandini, e do outro lado a casa que morava o pároco Cônego Teófilo Fraile, que algumas vezes deixava propositalmente o portão aberto para as crianças pegarem frutos das árvores que ficavam em frente à casa; E mais.. Sempre que se dirigia para a Matriz com as vestes de padre, as crianças pegavam sua mão, beijavam e pediam a benção; E ele amorosamente pegava do bolso um santinho e as presenteava. 

Na Praça João Pessoa, onde se localiza a Matriz e o Mercado Municipal, existia o Seminário São José, que era administrado pelo Monsenhor Pestana (Infelizmente foi demolido), e que muitos desconhecem. Rua XV ao lado do casarão dos Horneux, em um porão de uma das casas geminadas ensaiava o pequeno grupo da Banda Vicentina, onde o pai do Desidério tocava trombone. 

Defronte ao casarão que mais tarde transformou-se no “Colégio Nações Unidas” do professor Carlinhos; Nesta rua residiram as famílias de Osvaldo Lescreck; dentista Dr. Pires Nobre; Jônio Garibaldi Garcia, que casou com a filha do Dr. Pires Nobre; senhor Nicolino Bozzela, pai e avô do ex-vereador Bozella Filho e Neto; Família Moura, de Mauricy, Maurício e Leco; Família Retz, pais da Maria de Lourdes, mãe da Tânia e prima da Raquel Retz; José Lino Cavaleiro que tinha a sua carroça de verduras; E posteriormente Geraldo Volpe, ex- vereador e Haroldo Ludovico, procurador do estado, entre outros. 

COSTUMES DA ÉPOCA 

Era comum os vizinhos das ruas do centro e mesmo dos bairros, colocarem cadeira nas calçadas para conversarem. E geralmente a conversa durante a semana ia até a hora da ... Novela do rádio, na época o sucesso do momento era... “O Direito de Nascer”, e neste horário as senhoras largavam tudo e corriam para ouvirem no rádio de válvulas. E quando terminava, retornavam para comentar e continuar o bate-papao, e nos finais de semana ficavam até altas horas, principalmente no verão, pois não existiam ar codicionado e ventiladores, e o negócio era abanar com lenço ou leque. Desta aproximação entre vizinhos reinava a cordialidade e solidariedade, fosse para emprestar uma xícara de sal ou mesmo um auxilio em caso de doença. 

FESTAS JUNINAS 

Os vizinhos se reuniam para fazer cordão de bandeirinhas; balões (não existia a refinaria e o céu ficava florido com tantos balões, inclusive com lanternas); fogueiras e guloseimas de batata-doce assada na fogueira, bolo de fubá, Quentão e Vinho quente; Água com groselha para as crianças, etc. Entradas de vielas como a Santo Antonio da Rua Henrique Ablas, próximo da casa onde morou o ex-prefeito José Monteiro, bem lembrado pelo Reinaldo Machado que morou no local; viela da rua Marquês de São Vicente entre a praça João Pessoa (Matriz) e rua Visconde Tamandaré, onde morava Eliezer Lopes Fernandes, pai do Soneca, Mengalvio e Célia, depois casada com Olavo. E outras ruas do centro e dos bairros. 

HISTÓRIAS QUE MARCARAM UM TEMPO 

Rua João Ramalho, pelo fato de ser passagem obrigatória dos que desciam dos bondes para chegar a estação de trem, onde na esquina da rua campos Sales próxima à estação existia o BAR ZÉ QUE DANÇA, ponto praticamente obrigatório de quem queria fazer suas refeições ou pernoitar. No andar superior tinha um grande salão com camas arrumadas. Neste trecho entre o Jardim da City e Estação residiam a família Cecchi que tinha uma transportadora de areia branca e mantinha o Clube S.P.R.; Teixeira pais do Delfin, Nelson e Toninho; Major Favalli; Marinho e Orieta Verta, pais do Wilson, Zinho (Gabriel Verta) e Iracema; Família Rossi pais do Darcio, Espartero, Dinah e outro irmão. 

Rua Ipiranga com Benjamim Constante, onde se achava estabelecido o Depósito de Construção Neves, hoje um posto de gasolina, em frente existia um terreno baldio onde as crianças jogavam bola e o Padre, após o jogo, levava a criançada para a casa dos pais do Zé Macarrão e Funato, que cedia a sala da frente para ensinar catecismo, pois tratava de uma família religiosa. 

SIRENE DA FÁBRICA DE VIDROS 

Acionada durante a semana, ás 7:00 entrada dos funcionários e 11:00 horas, horário de almoço; E as 13:00 horas retorno e ás 17:00 horas o encerramento do expediente. Onde estivesse, fosse na Vila Melo, Parque Bitarú, Parque SãoVicente ou Gonzaguinha, todos ouviam a Sirene da Fábrica de Vidros, um tempo de uma cidade pequena e do silêncio pela inexistência de autos e caminhões. Tinham mamães que recomendavam os filhos se recolherem das ruas (areia) para tomar banho. Ou seja, a população acompanhava as horas pela Sirene. 

TRANQUILIDADE DA CIDADE 

Era costume das crianças brincarem nas ruas de areia de esconde-esconde, gararafão, cobra cega, bolinha de gude, tacos e tantos outros. Crianças não andavam sozinhas nas ruas após as 22:00 horas. Existiam os Inspecdores de Menores (Inspetores com “C”) e os pais diziam às crianças que durante a noite aparecia o Homem da Capa Preta, que pegava crianças, para colocar medo nas crianças não andarem sozinhas tarde da noite. A iluminação, principalmente nas vias públicas eram precárias; Mas em compensação não existia violência; e quando aparecia algum caso era um comentário geral. Andava-se nas ruas tranquilamente. 

LEITEIROS AMBULANTES 

Prova disso, eram os leiteiros, que colocavam nas portas das casas o litro de leite e pães, pois naquela época existiam entregadores com carroças puxados à mão, as embalagens eram de vidro e ninguém mexia. A Cadeia Pública, era no mesmo local, atrás do Hospital São José, rua João Ramalho com a rua XV, uma construção pequena com uma escadaria externa onde ficavam as celas e os policiais eram conhecidos, Cabo Garrido (Pai do Antonio Garrido Filho), Pisca-Pisca, Moura e o investigador Moncaio, eram poucos em uma cidade tranquila e pacata onde todos se conheciam. A Delegacia ficava na Rua Ipiranga em um casarão, e o escrivão chamava-se Antonio Lua Filho, era muito conhecido na cidade. 

FARMACÊUTICOS ERAM OS GUARDIÕES DO POVO 

Um tempo que a população olhavam as farmácias de outra forma, e que os farmacéuticos eram procurados pela população quando se tratava de doenças corriqueiras. Os conhecidos da cidade chamavam-se Braga, Laroca, Sebastião, Lapena, Lima, Hernandes, Paulo e outros; Geralmente pequenos sintomas onde mediam pressão e temperaturas, receitavam remédios para dores, gripes e outros, aplicavam injeções como eucalipetina, para gripes e pulmol, para proteger os pulmões. Não tinha tantas variedades e não existia penicelina (antibiótco). 

MÉDICOS DA FAMILIA E PARTEIRAS 

Eram poucos e dependendo da gravidade eram chamados nas residências como “médico da família”. Alguns após consulta tomavam até café e batiam papo. As parteiras eram chamadas para fazerem o parto nas residências e todas eram conhecidas. 

ESTOURO DA BOIADA 

Existia na cidade um local chamado Mangueirão, localizado na Rua Martins Fontes próximo ao complemento da rua XV (lado Catiapoã), após linha de trem, e que servia de Páteo de Descanso onde ficavam os bois, e durante a madrugada os boiadeiros Octavianho e Flávio os levavam em manada (galope) pela Linha 1, Av. Antonio Emerich, até o Matadouro de Santos. Os moleques faziam uma farra, alguns até se atreviam subir na garupa dos bois agarrados nos mourões do cercado; Passavam correndo dentro do Magueirão para mostrar coragem (coisa de criança). Algumas vezes no desembarcar os bois que passavam de um vagão para outro, um ou outro ficava preso entre os vagões, caía fora e desembestavam pela cidade deixando todo mundo em alvoroço inclusive senhoras, e que os boiadeiros com muita pericia laçavam e levavam de volta para o Mangueirão. Teve o caso de um dos bois fugir no trajeto para o matadouro e cair no canal da cidade vizinha de Santos, em meados de 1968. Um trabalho de muita pericia e quando os moleques avistavam a boiada vinda a galope pela Avenida Antonio Emerich rumo ao Matadouro, sempre bem tarde da noite, tratavam de subir nos muros para apreciar. Os boiadeiros eram conhecidos e tinham muita pericia para tocar a manada, pois o caminho era longo e os bois em sua maioria estavam exaustos... E estressados da longa viagem, pois tinha como origem o estado de Mato Grosso. 

COMÉRCIO LIMITADO 

Um tempo que não existiam atacadistas e supermercados, e os poucos se sujeitavam a serem comerciantes, de bar ou mercearia, que os imigrantes portugueses enfrentaram com muita paciência. Festas de casamento , aniversários ou grandes festas, os moradores procuravam o depósito de bebidas da Antártica (Único) que tinha como gerente o Alcides, filho mais velho da família; Onde estava estabelecido e residia na rua XV de Novembro com a Rua Frei Gaspar, defronte Hospital São José (atualmente lojas e salas). Mais adiante na mesma Rua XV esquina da Rua João Ramalho ficava o Bar e Mercearia do casal de portuguêses Carlos e Elmira, onde as famílias da redondeza faziam suas compras anotadas nas conhecidas “cadernetas” para pagamento no final do mês; Os bons pagadores eram presenteados com uma garrafa de vinho ou uma lata de doce. Esta mercearia ficava defronte a Cadeia Velha, onde o seu sobrinho Ulisses após o falecimento dos tios assumiu a Mercearia, e mais tarde comprou as residências defronte e lado da Cadeia, onde residiam os senhores Pompeo, Amorim, Moacir Dias (filho onde seu pai fez uma vila abrindo a rua São Luiz); Dentista Dr. José Meireles e na esquina mercearia da família Furegato, onde atualmente esta estabelecida o supermercado Ao Fiel Barateiro. Um verdureiro que vendia legumes e frutas em carroça e conhecido nas imediações do centro da cidade chamava-se Lino, nome completo José Adelino Cavalheiro, que com a sua buzina de mão tocava nas frentes das residências dando sinal da sua presença. E também um vendedor de roupas chamado senhor Paschoal Gezbien. Todos se conheciam e confiavam à venda nas famosas cadernetas, onde existia respeito e gentilezas. Mais tarde montou a sua loja 

CLUBES DA CIDADE 

SÃO VICENTE PRAIA CLUBE tinha sua pequena sede com a quadra de esportes em um terreno na esquina da rua Ipiranga com Jacob Emerich, onde jogaram Nelson de Barros, apelido de Titio, Pecente, Leôncio Juan Farinelli e muitos outros inclusive jogadoras residentes nas proximidades; Depois transferido para o bairro do Guamium, onde construiu uma bela sede defronte av. Capitão Mór Aguiar, hoje vizinho da sede do Corpo de Bombeiros, local onde muitos saudosistas vão recordar os bailinhos aos sábados. 

CLUBE BEIRA MAR tinha sua sede em uma casa de frente para a rua XV de Novembro, quadra da Estação de Bonde e defronte ao Bazar Ideal, do senhor José Fernandes, onde as crianças pulavam o carnaval fantasiado. Na sala da frente, cantando as marchinhas “Mamãe eu quero mamar; Jardineira” e outras daquela época. Mais tarde compraram o prédio de uma pensão na esquina com a rua Benjamim Constant onde construíram o edifício mais alto da cidade. Construíram mais tarde uma bela sede recreativa no bairro do Japuí, lado continente após a Ponte Pênsil. 

CLUBE DE REGATAS TUMIARÚ, clube elitizado da cidade de onde saíram grandes jogadores de seleção como Wlamir Marques, conhecido como Alemão, filho do dentista dr. Osvaldo Marques;  Robles Lucchesi, Noquinha, Heleninha, Zilá e muitos outros que inclusive honraram nossa seleção de basquete. Ainda mantém uma bela sede defronte a Praça Cel. Lopes (Praça da Ligth, hoje Correio), com quadra de esportes e recreação ao lado com a Rua Benjamim Constante, onde nos fundos confrontava com o E.C.BEIRA MAR. Também tem uma sede náutica no Japui, de onde saíram excelentes nadadores e remadores de regatas; Inclusive muita gente aprendeu a nadar com o conhecido treinador Zequinha, ao lado do trapiche de acesso aos barcos. Atualmente o CR Tumiaru e o EC Beira Mar, são vizinhos com na avenida Tupiniquins, em frente ao Mar Pequeno, onde nas proximidades residiam no sopé do morro Antonio Buena Capoluto (Ex-vereador e Presidente da Câmara) e como vizinho Dr. Alberto Lopes dos Santos (ex-vereador), defronte ao Porto das Naus. 

CLUBE ATLÂNTICO VICENTINO, conhecido como TRANQUINHO, e todos os fins de semana patrocinava “Bailinhos para os Jovens”, inclusive foi palco da coroação das Mais Belas Banhistas da Cidade, (inclusive da Princesa e Rainha do Bangú F.C). Com sede na Rua João Ramalho esquina com a rua Tibiriçá, hoje Edifício Paladium. 























SÃO VICENTE ATLETICO CLUBE 

Único clube da cidade com estádio e que tinha como personagens fundadores Mansueto Pierotti (âncora do clube), Pedro Spilotros, PedroPacheco, Liezer Lopes Fernandes e muitos outros. Iniciou como FEITIÇO ATLÉTICO CLUBE e em 1950 o presidente Mansueto propôs mudar para São Vicente A. C. 

PULANDO CARNAVAL NOS SALÕES 

Um tempo que os diretores (Leôncio Juan Farinelli era um deles) circulavam pelo salão para manter a ordem e todos pulavam e se divertiam com respeito, inclusive uma tranquilidade para as famílias que participavam das MESAS a volta do salão. 

BAIANAS SEM TABULEIRO 

O SÃO VICENTE A.C. que em 1936 iniciou o desfile das “Baiana Sem Tabulereiro” capitaneado pelos irmãos Murias, Irmãos Sbavratti (Natalino e Alberto conhecido por Babá e Totó Ferrugem) e outros. O porta-estandarte era o Francisco Serrano e depois Lauro Rocha. Com o falecimento do Babá o desfile passou a ser chamar...“Ba-Baianas Sem Tabuleiro”. Desfilavam somente homens travestidos de baianas com fantasias de “papelote crepon”, pois no final do desfile quase todos mergulhavam na praia do Gonzaguinha. Saiam da sede desfilando pela contramão subindo a rua Marquês de São Vicente, XV de Novembro e desciam a rua Frei Gaspar passando pela praça Barão do Rio Branco, Prefeitura e Mansão (Hoje Casa do Barão) até chegar no posto de salvamento do Gonzaguinha, onde quase todos mergulhavam no mar com a fantasia de crepon. Descendo a Rua Frei Gaspar em frente a mansão de um gerente da firma Theodor Wille & Cia. (exportadora de café), atualmente Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente. 

RECREAÇÃO DOS MORADORES 

Nos sábados as famílias se dirigiam com as crianças para a Praça Barão do Rio Branco, ponto central da cidade, onde se aglomeravam para assistirem no alto do Edifício Zufo onde tinha no topo uma tela de cinema da empresa Royal de Publicidades, onde passava filmes e todos assistiam, ou seja, um tempo que não existia TV e era uma distração gratuita. Os jovens faziam “tour” entre a Praça Barão descendo a rua Martim Afonso e a Praça 22 de Janeiro e Biquinha. Do outro lado seguiam a Rua Martim Afonso até a praça Cel. Lopes (Light) onde tinha o Coreto e a Banda de São Vicente tocava as suas marchinhas. Locais agradáveis onde os jovens passeavam e as famílias com as crianças se acomodavam nos bancos dos jardins que era a Cel. Lopes, administrada pela Light conservando os bancos, alamedas e jardins: Inclusive a Praça era cercada com madeiras trabalhadas e pintadas com horário de ocupação (dia de semana até as 22:00 horas) 

ESCOLAS E DESFILES 

A escola com mais destaque da cidade era o conhecido Grupão, Escola do Povo curso primário do Estado. O Ginásio Martim Afonso de Souza; o colégio particular Externato São Luiz. 

ESCOLA DO POVO (GRUPÃO) 

Localizado na Praça Cel. Lopes, hoje conhecida como Praça do Correiro, chamada de Escola do Povo, onde teve os diretores professores Leonardo, Valdomiro e Manoel Pio de Freitas Queiroz (1949); Nesta escola primaria estudaram Lescreck, Verta, Tércio Garcia (pai do ex-prefeito); Miguel Papai, Borba, Emídio, Célio, Borges, Pinheirinho, Chiquinho, Aldo Ramaciotti, Rubens Sales e muitos outros... Personalidades que passaram pelo Grupão como Orlando Intrieri, ex-prefeito e posteriormente Márcio França, atual Vice-Governador de São Paulo. 

EXTERNATO SÃO LUIZ 

Teve as suas atividades de educação iniciadas em uma residência da Rua Jacob Emerick defronte a entrada da Estação de Bondes (bem lembrado por Antonio Lima); Transferiu-se para um casarão onde era a sede do E.C.UNIÃO na rua Martim Afonso esquina com a rua João Ramalho. E por último uma casa defronte à Praça Cel. Lopes, hoje praça do correio, e diretora proprietária a senhora Júlia Nogueira de Almeida, onde estudou Lauricy Lucchesi, que se formou em 1953 e em 1959 casou-se com o Wilson Verta. 


















Desfile cívico do Externato São Luiz, na Praça Cel. Lopes esquina com João Ramalho. Ao fundo o prédio do CR Tumiaru. Antes , na esquina da rua Expedicionários Vicentinos, a casa que foi do engenheiro João Camilo onde hoje está o Bradesco. 


GINÁSIO MARTIM AFONSO DE SOUZA 

Localizado na Rua José Bonifácio, próximo da praia do Gonzaguinha, colégio estadual, porém com muitos estudantes da cidade vizinha (Santos). 

PRÓXIMO DOS ANOS 50 

Em direção ao bairro VILA MELO... 

A Vila Melo tinha a mercearia da família de Domingos Sierra, as compras eram entregues pelo carroceiro Feijó, sempre acompanhado do cão que atendia por Goés; Alfaiataria do Nabor; Bomba de Gasolina de rua na esquina da Praça 1º de Maio do Brasileiro (apelido de apelido de Antonio); Farmacia Santa Terezinha, do senhor Nelson depois Paulo. 

LOJA MAÇÔNICA DUQUE DE CAXIAS 

O inicio se deu por intermédio do Manoel Vileije Omos, que era participante da Loja XV de Novembro, de Santos, e junto com amigos resolveram fundar uma loja maçônica da cidade e que recebeu o nome de Duque de Caxias. No inicio se reunia na sua residência na avenida Antonio Emerich nº 403, onde sua esposa Alice levava os filhos menores (Victor, Vilma e Vital) para passear na residência da sua irmã Ana, esposa de Antonio Sierra que residia na mesma avenida nº 560. E na sala da frente com os amigos Edson Teles de Azevedo; Gabriel Lopes; José Macia; Cremiro Azevedo; Moacyr de Andrade Lima, Clóvis Gonçalves, Gal.. J Joaquim da Silveira Vargão, Paulo Lie se reuniam. Com o crescimento da entidade José Macia, pai do Macia e José Macia Filho (jogador Pepe), cedeu o galpão que tinha nos fundos da sua mercearia, e com isso deu inicio definitivo da Loja. Mais tarde com o crescimento da loja e por iniciativa do Sr. Moacyr Andrade de Lima, o grupo foi transferido para o Cne São Jorge, de sua propriedade, localizado na Rua Frei Gaspar (Beira Mar). Em seguida compraram uma casa na avenida Capitão Mór Aguiar e construíram nos fundos um galpão com churrasqeira e zeladoria. Após o falecimento de Manoel Veleije, o seu afilhado maçônico Mário Diegues durante sua gestão construiu, o Templo Maçônico Duque de Caxias, onde se acha instalado até hoje. 

























BAILE GAFIEIRA

Na Praça 1º de maio existia o Supermercado do Sesi e o Cine Petropolis, que foi demolido e construíram um prédio de apartamentos. Na Avenida Prefeito José Monteiro morava o conhecido Pedro Piche, que trabalhava como contínuo da Câmara Municipal, pai do Abelardo, que foi presidente da Federação Nacional dos Estivadores, e aos sábados promovia em sua casa um “Baile- Gafieira”, pois era um exímio dançarino e não admitia bagunça ou desrespeito. Nesta mesma avenida, antes da Irmandade da Santa Casa lotear o Jardim Independência, era o campo do Paulistano onde tinha dois bons jogadores, irmãos Rubens e Edmundo. Um tempo que gás encanado somente tinha no centro e não existia venda em botijões, o que imperava eram as carvoarias que se destacavam e as entregas eram realizadas por carroças, a granel. Profissões de alfaites, sapateiros,ourives,relojoieiros,músicos e outras atividades profissionais manuais eram consideradas “profissões artes”. 

RETORNANDO AOS ANOS 40 

PONTO DE ENCONTRO 

Era na Praça Barão do Rio Branco e Edifício Zufo . E os jovens aproveitavam para fazer o “tour” descendo a rua Martim Afonso, passando pela Praça 22 de Janeiro até a Biquinha. Outro local muito procurado pelas famílias era a Praça da City. Enquanto as famílias se deliciavam com as músicas, as crianças brincavam pelas alamedas dos jardins bem cuidados. O “tour” quando descia a rua Martim Afonso passava pelo Casarão onde morou Benedicto Calixto, que era ocupada pelos seus descendentes, inclusive família de Maria Adilis, depois casada com Carlos Santos Amorim. E mais adiante, antes da Praça 22 de Janeiro, tinha de esquina o Bar Guapo, e a casa de Martim Afonso de Souza. Nesta mesma rua quase defronte o o casarão do Benedito Calixto, onde existia um enorme terreno armavam Circos, e em uma das apresentações o Silvio Santos, ainda jovem, se apresentou com o seu Macaquinho, que carregava no ombro. 

ATITUDE DE UM JOVEM DA ÉPOCA 

Há exatos 85 anos, um jovem enamorado de uma moça da cidade elaborou uma carta fazendo um pedido de licença ao futuro sogro para namorar, e que a transcrevemos mostrando como era o respeito dos jovens da época. 

São Vicente, 5/11/1934 

Nesta 

Ilmo. Snr. Mario (Nome presevado) 

Tomo a liberdade de dirigir-me a V.S. pedindo vênia para uma pretensão, o qual deveria ser feito verbalmente. Porem como é a primeira vez que faço um pedido desta natureza, aproveito-me, como é natural, possuído de certa timidez minha por isso que formulo a presente. 

Como V.S. já deve estar ciente, há alguns mezes que falo com sua filha, mas sem a prévia autorização de V.S. e como julgo isso não seja de sua inteira satisfação, não obstante ter notado a sua boa attenção para comigo, peço por ora o seu consentimento para falar com ella, pois por enquanto não posso pretender mais em vista de estar, a bem dizer começando a vida. 

Convém frizar que pertenço a uma família modesta e sou um simples auxiliar de comercio, porem tenho vontade de vencer na vida, ei de esforçar-me para consegui-lo, com o fim de um dia obter o que mais almejo, que é ser feliz e fazer a felicidade de sua filha para quem dispenso as melhores intenções possíveis. 

Esperando a sua decisão qual será acatada inteiramente, aproveito a oportunidade para apresentar-lhe os mais sinceros votos de felicidades em companhia de sua exma esposa e família. 

Respeitosamente, 

(nome preservado) 

GUAMIUM E PESCADORES 

Outro local atrativo da cidade era a rua Japão no PORTO DO GUAMIUM, onde ainda existem as garagens náuticas de propriedades do Hitiô, Matcha, hoje representado pelo filho Alfredo Tsuneo e outros pescadores artesanais como os irmãos Salvador e Angelo Verta, depois o filho Vicente, cunhado Jesus e o filho Zezinho e muitos outros, que tinham os seus sustentos dos peixes que pescavam nas redes e cerco que ficavam armados próximos aos manguesais, hoje infelizmente invadidos pelas palafitas e na área do manguezal está instalada a Favela do México 70. Também tinha a família Yamauiti, que mais tarde construíram uma fábrica de gelo e venda de pescados. 

ACONTECIMENTOS MARCANTES 

Um acontecimento que abalou a cidade de um funcionário do Correio (prédio demolido ao lado da LAVANDERIA QUILOMBO próximo a Igreja Matriz), que namorava uma moça da cidade e por uma questão de ciúmes foi assassinado por um outro rapaz e uma das “balas do revolver” ficou alojada na parede do Depósito de Construções” do senhor Alexandre Neves. O local virou atração principalmente nos finais de semana na hora do tour, onde as pessoas se aglomeravam para ver o “Buraco da Bala”, pois se tratava de um escândalo e fatalidade de um momento raro. Contando até parece conto de ficção!... 

FANTASMA DE UMA MULHER VESTIDA DE BRANCO” 

Um “causo” contado pelos moradores antigos e ocorrido no inicio da década de 30/40, na Praça 22 de Janeiro vizinha a Biquinha de Anchieta, quando mais parecia um vilarejo, e nos finais de semana já faziam “tour” entre a Praça Barão do Rio Branco e Biquinha. A iluminação dos logradouros públicos era precária e após as 22:00 horas a população se recolhia e a cidade ficava em um silêncio total. Os moradores da cidade não se atreviam a passar pela Praça 22 de Janeiro durante a madrugada, pois o comentário geral era que costumava aparecer o fantasma de uma mulher vestidade branco, que atravessava correndo pelo meio da praça e em seguida desaparecia. Este mistério perdurou muito tempo até, que dois moradores resolveram fazer escondidos uma prontidão durante algumas noites até que... Em uma noite de luar surge correndo pelo centro da praça o fantasma da dama de branco, que estava apavorando a cidade. Os dois moradores com as pernas trêmulas assistiam a uma distâncias, aproximada de 100 metros e favorecidos pelo luar resolveram ir até ao fim para esclarecer esse mistério, seguindo a distância quando a viram entrar em uma das poucas residências que existiam e lá ficaram até amanhecer para saber quem morava naquela casa, quando descobriram que o fantasma não passava de uma senhora sonâmbula que durante a madrugada, sem que ninguém da casa soubesse, atravessava correndo pelo meio da praça vestida de “penhoar” (camisola branca). 

Era costume dos moradores contarem “causos” no bate-papo da noite, onde alguns diziam que no final da rua Anita Costa subida do morro da Voturuá sentido morro da Nova Cintra (Uma passagem desconhecida por muita gente) existiam Lobisomens... 



ANOS 50/70 - ADOLESCÊNCIA 

Na década de 30/50 a estrada para São Paulo era chamada de Serra Velha ou Caminho do Mar; Em 1953 foi construída a Rodovia Anchieta, fator que deu origem às invasões na Serra e consequentemente nos manguesais, considerando que a mão-de-obra era de outros estados e quando concluída, sem opção e falta de fiscalização, invadiam e construíam casebres nas áreas do Estado (preservação) e terras da União (manguezal). 

Antes da construção da Via Anchieta era utilizada a Estrada Velha, e São Vicente era atendida pela empresa de de ônibus ÚTIL, que fazia ponto na rua Frei Gaspar defronte à Mercearia do João, ao lado Casa Paulistana. Depois com a construção da Anchieta, a empresa de ônibus chamava-se Expresso Brasileiro, com ponto na “Praça Barão”. 

PRAÇA BARÃO DO RIO BRANCO 



Considerada Marco Zero da história recente da cidade, onde desde 1941 existia a Casa Funerária do Matoso, que era casado com a filha do português José Cruz Leite da Padaria Rio Branco; depois vendeu a Roberto Rodrigues (Bibi), irmão de Jonas Rodrigues (ex-prefeito); A Casa Silva de ferragens e nos fundos (nº 48) morava o comerciante português Alberto Soares Martins, pai da Dalila Soraes Martins, depois Melarato (casou-se com Valter Melarato) ex-vereador; e em 1948 fundou a Papelaria Cruzeiro (rua Frei Gaspar); Restaurante Transmontano, Adega Central de Mário Diegues, cunhado de José Fernandes, onde reuniam-se para jantar os maçons da Loja Duque de Caxias, no Bar do Amigo Campos, do José Campos: João Cachjian, hoje estabelecido Café Floresta, esquina com a rua Frei Gaspar: 

Casa Nico Presentes e do outro lado com a Rua Jacob Emerick a Imobiliária Fiel, de Carlos H. Boucal em um casarão onde foi construído o Edifício Lascane, onde se instalou na esquina o Restaurante Itapura do Abrahão, hoje gerenciado pelas filhas Lourdes e Valéria. Do outro lado da esquina a loja do senhor Diogo Martins, pai do Rubens Martins, que jogou na Portuguesa Santista com Barbosinha e Zinho e depois Santos F. C.; Ao lado a loja do JahJah. Também na praça, entre outros tinha a loja Sandalha de Prata do senhor Pascoal e como gerente Pagani (Duque). 

Na outra esquina uma loja comercial que foi demolida. No local demolido o português senhor Alexandre Neves Teixeira construiu um prédio de dois andares onde mais tarde se instalou as Casas Pernambucanas e a Sapataria “A Veranista” do senhor Vaz Afonso e na parte superior além de salas comerciais, no 2º andar instalou-se a Câmara Municipal, antes instalado nos altos da Padaria Rio Branco. 

Do lado da Estação dos Bondes ficava o Bar do José Júlio onde residia nos fundos com esposa e filhos; Em frente tinha um terreno baldio que frequentemente se instalava os Circos Irmão Queirolo e Chic-Chic. 

Do outro lado da praça, de esquina ficava a Padaria Chic da família de Paulo Lie. Ao lado pela Rua Frei Gaspar a Barbearia Salão Rios, ponto de encontro dos políticos da cidade, onde trabalhavam os barbeiros Toninho, Geraldo, Alcides, Bigurrilho e Margarido (filho foi vereador). 

A outra esquina o Bar Esporte e do lado (frente a praça) a Casa Olimpia (esportivos) de Mario Lopes, mais tarde transferiu-se para Rua Martim Afonso ao lado do Cine Anchieta. 

Em seguida os irmãos Carlos e Leon Sarkissian, depois Ramez Lascane, que adquiriu o Jornal Vicentino do ex-vereador Rochinha. 

PRIMEIRO CINEMA DA CIDADE 

Cine Anchieta, de propriedade do senhor Moacyr Andrade Lima, depois se transformou no Cine Teatro Jagada. Num dos lados do cinema tinha um corredor para saída dos espectadores, também utilizado pelos moradores de uma vila de casas residenciais (particular) com frente para a rua XV de Novembro, onde morava Rubens Alves Simões, ex-vereador e sobrinho do Matoso; Casou-se com a Núbia filha do senhor Silvio Torre, gerente do Banco Moreira Sales; De um dos lados do cinema tinha o escritório de despachantes do Edmar Dias Bexiga, ex-vereador; Alfaiataria do Nicolino Simone também ex-vereador, e vizinho um casarão onde morava o senhor Moacir com a família (filhos: Juca, Lima, João e filhas). 

Em frente ao cinema existia o depósito de bebidas do senhor Alexandre Borges, pai do Fernando que trabalhava na Coletoria Federal, onde vendia estampilhas e mais tarde exator da Receita Federal de Santos. Nesta ocasião o coletor federal se chamava João de Deus Assis, o secretário Luiz de Vasconcelos, onde também trabalhou a senhora Efigênia que era muito conhecida na cidade e, mais tarde como office-boy Wilson Verta (1950/52). Na mesma rua Martim Afonso, próximo a Padaria Chic ficava a Relojoaria Tic Tac., dos irmãos Fausto e Fernando Figueiredo. Na parte superior o Escritório de Contabilidade Confiança do senhor Valdomiro, que se associou com Wilson Costa Pinto, que antes tinha um escritório adquirido de Salvador Curci com escritório na garagem fundos da mansão do Horneux, vizinho a casa do senhor Jarossi, gerente de banco e sua irmã Hermelinda, professora, onde também trabalhou Reinaldo Pedra, depois sargento do Exército Brasileiro e o menino Wilson Verta antes de ser convidado pelo coletor federal para ser office-boy. 

BAR SELETO 

Continuando pela Rua Martim Afonso ao lado do Tic Tac, localizava-se o Bar Seleto, ponto de reunião dos jovens e no inicio como proprietário o senhor Luiz, depois Manoel Cruz Leite (Maneco) com o gerenciamento do seu filho conhecido Fuminho (na verdade não fumava), onde ao lado tinha um enorme galpão com mesas de snooker, mais conhecido de Bilhar (sinuca) onde reunia os jovens da cidade e tinha exímios jogadores. Nesta época existiam uns valentões chamados Carlinhos e Tedesco, possuidores de porte atlético e exibicionistas, mas não eram maus e violentos, simplesmente fanfarrões. 

Em frente ao Bar Seleto ficavam as sorveterias conhecidas na baixada que se chamavam São Paulo e Paulista, de propriedade do senhor Belchior e do senhor Luiz, pai do Lico, que era conhecido como eximo jogador de futebol de várzea. Estas sorveterias eram conhecidas pela confecção de sorvetes com frutas naturais, e aos sábados lotavam com frequentadores de São Paulo e principalmente de Santos, em seguida dirigiam-se a Biquinha onde vendiam doces caseiros, e o Pombal para as crianças darem pipocas e brincar com as pombinhas (Neste tempo as pombinhas não eram discriminadas por causa de contaminação de doenças). 

ROTEIRO DO CENTRO 

Retornando para a Praça do Grupão, achava-se estabelecido a Papelaria Pergaminho, do Joaquim Figueiredo e esquina residência do médico Dr. Alcides de Araújo, depois loja Pata-Pata. Do lado oposto com a rua João Ramalho a Alfaiataria Canalonga, onde tinha um cliente ilustre chamado Edson Arantes do Nascimento, nosso PELÉ, que fazia os seus ternos; e na esquina com rua Martim Afonso a Padaria bandeirantes, antes um bar da família Pinto. 

A família Andrade Lima, donos do Cine Anchieta, também inauguraram os cinemas São Jorge, no final da Rua Frei Gaspar/Beira Mar; Depois Cine Maracanã, na rua Campos Sales e no centro à rua Frei Gaspar o Cine Rosário, lado do posto de gasolina do pai do Del Vechio (jogador de futebol e cunhado do Nico); Onde tinha como vizinho o senhor Luiz Araújo, autor da letra de música do Hino de São Vicente, bem lembrado pela Nilza-APAE; Casa A Paulistana que vendia lãs e aviamentos do senhor Ernesto Nascimento; em seguida o Unibanco, Açougue Pastoril e nos fundos a serralheria do senhor Botica. 

Do outro lado da rua tinha a loja de ourives do senhor Miguel Pasquarelli, ex-vereador, a Loja de artigos fotográficos do Joãozinho; ao alto o escritório do engenheiro Faro Politi; mercearia do senhor João e esposa Doca; Mas adiante na esquina com a rua Padre Anchieta a Padaria Alemã, cujos proprietários mais tarde construíram o Cinemar na descida da rua Benjamim Constante. Do outro lado de esquina a loja de ferragens da família Franklin Clasen de Moura, que trabalhou na Prefeitura como contador no tempo da Lourdes Retz; Do outro lado também de esquina o Armazém do Minho, hoje Alfaiataria do Messia, e mais adiante pela rua Padre Anchieta morava o Olavo, apelidado de Martelo. 

Rua Padre Anchieta sentido Avenida Presidente Wilson do lado esquerdo, a loja de Azulejos Azulemart pai do Valdemar, mais adiante quase defronte em um sobrado morava o Dr. Luiz França, pai do Marcio França, atual Governador, seu irmão Luiz Claudio, hoje médico, posteriormente mudou-se para o Jardim Aralinda. 

Esquina com a Rua João Ramalho a residência do Dr. Luiz Ribeiro Gomes, pai do Maurity, Marcos e Delen. Mais adiante ao lado do grupão Laurindo Mirabelli, esportista da cidade, e do outro lado mais adiante Cartório de Registro Civil do Tabelião senhor Valdomiro Aranha e dona Alice, pais de Celso e Gerson, hoje respectivamente advogado e médico da cidade. 

Mas adiante esquina com Avenida Presidente Wilson o jornalista Dr.. Luiz Tramonte Garcia que tinha uma página no São Vicente Jornal, e do outro lado os irmãos Noé e Alexandre Vaz, esportistas do C.R.Tumiaru. 

Retornando para a Rua Frei Gaspar defronte Armazém do Minho (hoje Messias), sede da Companhia Telefônica Brasileira, onde ficavam centralizadas as telefonistas, pois naquele tempo os telefones eram movidos à manivela e comunicação individualizadas. 

Continuando o roteiro da rua Frei Gaspar sentido praia, após Messias, loja de Laticínios e em seguida Papelaria Cruzeiro, do português Alberto Soares Martins, depois vendido para Mario Diegues; 

Farmácia do senhor Ernani; Costureira e Modas Helena e depois Insinuante Modas, da Alzira: Bar Municipal, do senhor João, pai do Manoel Blaz Rodrigues (advogado e conhecido por Manolo); João e o Senem, que trabalhou no Cartório do Registro de Imóveis com Olavo (Martelo); Peres (Cunhado do Mourão, prefeito de Praia Grande) e Nelson Robert, depois tabelião; A Casa Funerária dos irmãos Rodrigues, sendo que Jonas Rodrigues foi ex-vereador e prefeito da cidade; Mercearia do irmãos Bruno e Iram; 

Em frente sorveteria Iaia do senhor Joaquim e dona Margarida, sua filha Belandina casou com Mário Diegues; Ao lado farmácia do seu Lima onde trabalhou o marido da Sidnéia, depois funcionária da Prefeitura; Ótica Luzia, do senhor Orlando, conhecido por Nenê, hoje defronte a Casa do Barão administrada pela sua filha Renata. 

Retornando do outro lado a vidraçaria da família Grossi, sua filha casou-se com o advogado Santelmo Couto Magalhães; Loja de Eletrodomésticos do senhor Fontoura, pai da Marilene que casou com o Oséas, desenhista e funcionário da Prefeitura e um exímio jogador de bola que dava show com a bola parada; E na sequência o Bar do Oliva, filho da dona Ana que tinha uma pensão ao lado da Matriz e o pai fotógrafo que ficava na Praça 22 de Janeiro para tirar fotos, tempo que tinha que colocar a cabeça dentro de uma cabine escura e portátil; e ao lado do bar divisa com a Prefeitura . 

Descendo sentido praia a Casa do Barão, na época Instituto do Dr. Jarossi, esquina com a rua Visconde do Rio Branco, de um lado Boite Savoy onde constantemente Plínio Metropolo tocava piano. 

Do outro lado o cartório do tabelião Walter Leal de Lima , escrivães Amilcare Rienzzi (Ele e Rômulo Ramaciotti jogavam futebol no E.C.Beira Mar, que tinha um esquadrão); O Ayres depois tabelião, senhor Paulo e serventuários auxiliares Alvaro e Martins, aliás o Alvaro trabalha até hoje no Cartório localizado na rua Martim Afonso (Ufa!... que fôlego). -Aposentou-se recentemente. 

BINDERS BAR em um casarão esquina da rua João Ramalho com Rua Amador Bueno da Ribeira; Do outro lado a Mansão da Família Francarolli, proprietários do Cassino da Ilha Porchat e em frente um posto de gasolina com ponto na pequena praça tipo ilhota. 


Ainda na Rua João Ramalho, em uma das esquinas o Jardim Aralinda (vila de casas onde morou Dr. Luiz França e Marcio França ainda jovem) e a outra esquina a Mansão da Família Cardamone, dono do Cortume de São Vicente estabelecido na Avenida Tupiniquins; mais tarde fundaram a Companhia Telefônica de São Vicente, depois encampada pela TELESP. 


Conjunto Jardim Aralinda, rua João Ramalho esquina com rua Cândido Rodrigues. 

HOTEL LIDO, estabelecido na rua Antonio Rodrigues, de frente para a praia do Gonzaguinha, frequentemente hospedavam os time do São Paulo F.C. quando desciam para jogar com o Santos F.C. e que o jogador Bauer, sempre simpático e atencioso distribuía autógrafos. 

RESTAURANTE BOA VISTA 

Casa sempre lotada, famosa com os pratos defrutos do mar. 

FAMOSO “MARES DO SUL” DA ILHA PORCHAT 

Tinha como presidente Odárcio, que promovia os bailes de carnaval e shows com artistas famosos. 

EDIFÍCIO GRAJAHÚ 

Edifício construído sob as pedras defronte da Praia do Gonzaguinha e onde residiu mais tarde Osvaldo Lescreck e o engenheiro Rinaldo Rondino, que apresentou projeto dos “Molhes de Pedras” para recuperar as “areias das praias”, que estavam sendo arrastadas pela vazão da maré. 

PRAIA DO GONZAGUINHA 

Neste tempo o “tour” dos jovens era na orla do Gonzaguinha, onde tinha sido reformada pelo Dr. Forbes (ex-prefeito) que colocou uma fonte lumnosa (demolida) mantendo a tradição das famílias e crianças na Biquinha. 

PARQUE DE DIVERSÕES (Luna Park) do senhor Felipe Garcia, irmão da Corina Garcia Ramirez. Depois transferido para a Praia do Itararé. 

RODA DE SAMBA 

Do lado do Posto de Salvamento um grupo de jovens todo final de semana se reunia e formava uma roda de samba, onde tocavam Maurício Moura, nesta época o seu irmão Mauricy já era músico famoso, Buick do Pandeiro, Santoro e sempre cercados pelos jovens da cidade Lauro Rocha, Roberto Besson, Wilson Verta, Kubalo (José Maria), Victor, Lescreck, Júlio, Lima, Jonio Garcia, Alvaro Fernandes (Cartório) e o Leco também irmão do Maurício e outros. 

Mais adiante tinha na esquina a Churrascaria Choupana, onde em início de carreira costumava apresentar Chitãozinho e Xororó. 

A CASA DA BANANADA E BOLOGNA 

Lado esquerdo da av. Newton Prado lado do Mar Pequeno, onde ainda existe a Casa das Bananadas de propriedade do Valdemar Blume, hoje administrada pela família, e mais adiante também de frente para o Mar Pequeno o restaurante Bologna de propriedade do José Abraão, também proprietário do Itapura no centro da cidade, gerenciado pelas filhas Valéria e Lourdes. Recanto maravilhoso com frente para o Mar Pequeno e a rua Japão, onde se avistava as canoas pescadores ancoradas, e quando a maré ficava baixa virava um atoleiro (mangue) onde os pescadores amadores atolados pegavam siri, e nesta mesma rua moraram os pais do Santelmo Guimarães. 

PARQUE PRAINHA 

Na Avenida Saturnino de Brito localizava-se a Boite Prainha, muito conhecido na época, e mais adiante o Hotel Sobre as Pedras com frente para a Baía de São São Vicente, hoje infelizmente não existem mais. 

Relembrando que na Rua José Bonifácio, próximo do Gonzaguinha, existia a Colônia de Férias da Força Pública (demolido). Mais adiante a Pensão do Airton Alexandre, conhecido por Kiko, e mais tarde em frente a esquina com a rua Padre Anchieta o Restaurante Kiko’s; e na rua Jacob Emerich nº 89 a Pensão da Dona Iolanda, esposa do ex-vereador Miguel Pasquarelli e Presidente da Associação dos Capacetes de Aço, da Revolução de 1932, onde participava entre outros o TTE. João Alberto LucchesiI, maestro da Banda do Corpo dos Bombeiros, e em tempo de greve dos funcionários dos Bondes tinham que exercer as funções motorneiro (1953). 

Retornando para a Rua Martim Afonso vamos complementar com a Alfaiataria do Neves, em frente da sua loja A Tamancaria, do senhor Antunes e filhos, mais tarde o Galpão foi transformado em oficina do São Vicente Jornal, do senhor Antonio Peixoto, onde trabalhou o jornalista Paulo Rosa e outros. Na frente ficava Magazine Q’Amor gerenciada pela sua filha Míriam Peixoto, que mais tarde casou-se com o Nico (Cunhado do jogador Del Vecchio) 

Esta empresa jornalística foi vendida para Fernando Martins Lichti, e posteriormente para Antonio de Andrade Lima e sócio José Fernandes Filho, o primeiro do grupo empresarial de cinemas e o segundo proprietário do Bazar Ideal, onde tinham o escritório e oficinas na Rua João Ramalho, atrás do Hospital São José. 

O senhor Antonio Peixoto também era proprietário da Empresa Publicidade Royal (Altos do Edifício Zufo) onde trabalhou como radialista o funcionário público municipal Marcos Machado. 

A Coletoria Federal mudou-se para a Praça Barão do Rio Branco, sala ao alto da loja onde se instalou o Cartório do Ayres, lado da Sapataria Veranista e do outro um sobrado onde na garagem estava instalada a Alfaiataria do pai do Chuvisco, que por sinal tinha umas irmãs bonitas e admiradas por muitos jovens da cidade. 

PESSOAS FOLCLÓRICAS DA CIDADE 

Tinha um jovem que perdia o controle emocional quando o chamavam de Giginho Parafuso, xingava as pessoas e quando se tratava de molecadas ameaçava atirar pedras. Também um senhor alcoólatra aposentado da Polícia de São Paulo, e gesticulava muito e ameaçava correr atrás quando as crianças o chamavam de Marta Rocha. Barbinha de Ouro, um senhor alcoólatra magrinho que vivia nas ruas, porém tranquilo, e de família bem sucedida de São Paulo e recusava voltar para casa. 

MÉDICOS DESTE PERÍODO 

Alcides de Araújo; Olavo Horneux de Moura (pai do Ricardo e Fábio), José Ribeiro (pai do Maurity, Marco e Delen); Luiz Gonzaga de Oliveira Gomes (pai do Marcio e Cláudio Luiz), Hélio Ramos; André Stucchi, primo de Antenor Stucchi, que era avô do Ivo Stucchi; Francisco Jarussi (Clínica São Vicente). 

PERIFERIA DA CIDADE 

Vamos entrar pela LINHA 1, ou seja, Avenida Antonio Emmerich em direção à Vila Melo, onde de madrugada passava a boiada a caminho do Matadouro de Santos. 

No início da avenida ao lado direito existia uma bomba de gasolina na ilhota entre a ponte e Av. Marechal Deodoro, em seguida uma linda residência toda arborizada e bem cuidada onde residia o Comendador Simone, pai do Nicolino Simone, ex-vereador e sua família. 

Na outra ponta da quadra esquina com a rua Comendador Freixo o estabelecimento de Materiais de Construção Valença, de propriedade do português Manoel da Costa. 

Do outro lado da avenida uma área enorme tipo chácara com uma bela residência, propriedade de Ilo Feliciano, sobrinho do deputado Federal Antonio Feliciano e seu irmão Lincoln Feliciano, que foi interventor federal em São Vicente. Uma bela residência com ares de uma chácara -fazenda onde sua filha costumava galopar com um belo cavalo. Tinha vacas, gansos, galinhas e outros animais, onde um dos seus empregados apelidado de Leiterinho ordenava as vacas e com a charrete fazia transporte. Esta área foi transformada nos loteamentos Jardim Três Estrelas. Detalhe: Esta casa ainda tem uma parte preservada na avenida central) e Jardim Feliciano. 

Em seguida o Clube Hípico, Depósito de Materiais de Construções J. N. Santos e ao lado direito a mercearia do português Aalexandre Cro, chamada Casa da Sogra, que foi o primeiro supermercado, pois não existia na época; E a sua filha casou com o advogado Natividade, cartorário e ex-vereador. 

CLUBES AMADORES CONHECIDOS DA CIDADE 

PAULISTANO A. C. que tinha campo de futebol onde hoje localiza-se o Jardim Independência; E.C. CORINTHIANS da vila Cascatinha; CLUBE PALMEIRINHAS no final da rua Morvam Dias de Figueiredo, Vila Voturuá; FLUMINENSE F. C. onde tinha como goleiro o Valter Melkarato que casou-se com Dalila e ex-vereador. ITARARÉ F.C. presidido pelo senhor Tumoli, com sede no sopé do morro divisa com a estrada de ferro e mando de jogo no campo do Itararé, hoje campo com alambrado nos jardins da praia do Itararé; GUAMIUM no porto do Guamium, onde jogavam os irmãos Wilson, Silas Top,; Darci Marftins, goleiro, irmão do Rubens Martins que foi jogador profissional; Pudim, Leonildo, Leopoldo e seu irmão Ditá. E. C. BRASIL, onde tinha seu campo de futebol hoje instalado do Fórum, no Parque Bitarú; onde jogou Jerico e Jeriquinho, Buiunga, Torquato e outros; e o SPR F.C. da família Cecchi onde tinha como técnico Augusto Ruiz conhecido como Patesco. 

A HISTÓRIA DOS IRMÃOS MACIA 

Mário Macia e José Macia Filho, filhos do senhor José macia e dona Clotilde, onde tinha o Bar e Armazém Central com frente para a avenida Antonio Emmerich quase defronte onde os bondes tinham a junção de trilhos (Vila Melo). 

Mário além de gerenciar o armazém da família era um excelente goleiro e amava futebol, foi um dos fundadores do COMERCIAL F. C. onde jogaram jogadores famosos como Pecente, Del Vecchio e outros.. 

Com um grupo de amigos Reinaldo Machado, Léo Ribeiro (irmão do Célio, Lourdes, Nilza presidente da APAE, casada com Jaime) Osvaldo, Faustão, Molina e muitos outros, resolveram encerrar o COMERCIAL e criar o CONTINENTAL F. C. que mantém a sua sede na avenida Mota Lima, clube que deu muitos títulos e alegria ao bairro da Vila Melo. 

























C.R. CONTINENTAL no ano de 1963, onde PEPE (Macia) aparece na ponta ao lado direito de camisa preta. 

Esquerda para direita: Jorginho pixe, Wyll, Zózimo, Angelo, Nelsinho, Osmar e Pepe. Agachados: De Paula, Pipiu, Gaiola, Cilas e Jarinha; 

Futebol de Salão 

José de Andrade Lima (JUCA), Oberdan, Orlandinho, Reinaldo. Agachados: Zé Preto, Léco, Nininho, Waltinho. 



























Rainha do C. R. Continental (foto) quando junto com o senhor Luiz Beneditino Ferreira, Prefeito Municipal cortava o bolo acompanhados pelos olhares de Reinaldo Machado, José Carlo Viveiro (Sem-Sem) e senhor Antonio Peixoto proprietário do São Vicente Jornal e da empresa Royal de Publicidades. 

Mais... Ainda sobrou tempo para o Mario fundar o Bangú A. C. com as camisas do Comercial que tinha encerrado, para ajudar um grupo de jovens onde está incluído o Wilso filho de Marinho Verta, os irmãos Dirceu e Edmar Martins filhos do senhor Evaristo e a dona Isabel, que veio a ser a massagista e que cuidava das camisas em apoio á garotada, João e Melito filhos do senhor Tertulino; Tote, Reinaldo (Batateiro),Todos moravam na mesma quadra da Rua Armando Sales de Oliveira, e outros que serão citados adiante na história do Bangú. 

Qualidades do Mário Macia pelo amor ao futebol e o companheirismo, sempre com muita gente em seu redor que acabava congestionando o estabelecimento do seu pai onde gerenciava, razão pelo qual o Bangú A.C. foi transferido para a Vila Valença. 

E como não podia ser de outra forma a família Macia foi premiada com os dotes profissionais de um dos seus membros chamado José Macia Filho, o Pepe, conhecido como o Canhão da Vila e orgulho do C.R.Continental e Bangú F.C. e da nossa São Vicente. 

BANGU A. C. 

O ano de 1952/53, o jovem Verta, com 15 anos de idade e trabalhando na Prefeitura como contínuo, e ajudado pelos colegas fiéis de tesoureiro Rubens Alves Simões, Renã Lopes Faria e Ricardo Botelho, elaborou uma carta ao senhor Silverinha, patrono do Bangú F. C. do Rio de Janeiro e proprietário da Fábrica Bangú de Confecções, solicitando um jogo de camisas o que foi atendido, inclusive receberam também os shorts totalmente idênticos aos do Bangú F.C. do Rio de Janeiro, conforme foto abaixo. 


























Foto ano de 1953 quando estreavam uniformes novos 

Em pé da esquerda para direita; Mario, Gilberto, Flavio, Ademar, Aurélio, Julio, Vadico, Guri, Índio, Reis e Egidio. Agachados: Mangolini, Verta, Nelson, Badalóca, Abóbora, Milton, Kubala, Cabra, Agripino e Nivio. 

INÍCIO DA CARREIRA DO PEPE 

Pepe Macia, além de jogar no Continenatal, treinava e participava de alguns jogos com a turminha do Bangú e na ocasião jogava e treinava como goleiro o Luiz conhecido como “Cobrinha” e nessa ocasião jogava no Juveil do Santos F.C., onde levou o Pepe para treinar e ficou em definitivo tornando-se o “Canhão da Vila”, pois poucos goleiros se atreviam a segurar os seus chutes, Tornando-se um orgulho tanto do Bangú como do Continental, clubes que tinham raízes por causa do irmão Mario Macia. 

Os moradores da Vila Valença adotaram o Bangú inclusive participaram na diretoria e colaboradores simpatizantes do clube como Julio Vasques (Pai do Julinho). Antonio dos Reis, Egídio, Juca e muitos outros, inclusive prestigiados pelos senhores Raul Rios, ex-vereador, pai do Raulzinho do Cartório; Lescreck, pai do Osvaldo; Antonio Chaves pai do Nelson; José Pestana que sempre levava o filho para assistir os jogos (Irmão do Ademir Pestana), hoje vereador e presidente da Beneficiência Portuguesa de Santos); e muitos outros. 

As senhoras e moças das famílias contribuíam e prestigiavam, inclusive promovendo a Rainha e Princesa onde realizavam o baile Clube Atlântico Vicentino (Tranquinho). Dayse, Neuza e a sua mãe dona Glória, Sueli e Dona Hortência, Dona Morena e outras; Na ocasião a Rainha foi a Regina Capela e a Princesa, Sueli Vasques. 

ANFITRIÃ E MASSAGISTA 

Lembramos com carinho da Dona Isabel, esposa do senhor Evaristo Martins e mãe dos irmãos Martins que além de cuidar dos uniformes com amor e carinho da garotada, ainda atendia em sua casa alguém que torcia o pé ou se machucava, pois era uma habilidosa massagista, inclusive atendeu muitos colegas do Pepe que a procuravam. Lembro-me quando um jogador desmaiou de tanta dor e dona Isabel pegou uma pena de galinha e a queimou e após dar para cheirar reanimou-se na hora. 

Nesta mesma rua Dr. Armando Salles de Oliveira moravam após o campo de Bangu, entre outros a família CurciI; Dona Emília; Pais do Alvaro Ferandes (Cartório); Senhor Benedito, conhecido como Fusco, pai do Claudio Figo, Diretor da Câmara aposentado e assessor do atual Governador Márcio França, onde de vez em quando aparecia para bater bola no campinho; Mais tarde José Maria Rey Trontino (Kubala centroavante do Bangu). 

IGREJA NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS 

O pontapé inicial para fincar o Marco para inicio da construção independentemente da Igreja foi iniciativa de um Padre Alemão, que surgiu no meio dos jovens que estavam treinando no campo do Santa Cruz, time do Robalo Carvoeiro que ficava ao lado da praça e que disse em voz alta... Vamos construir nesta pracinha umas barraquinhas de festas junina para angariar fundos para inicio de uma igreja neste lugar e conto com ajuda de vocês. Todos sem exceção encerraram o jogo e gostaram da ideia da festa junina e foram ajudar a capinar o mato e separar as tábuas. Este padre morava vizinho da casa do Julinho Vasques na Rua José Gonçalves da Mota Junior e era muito ativo, e após a construção da Igreja foi o intermediador do asfalto de uma grande parte da Vila Valença. 

PEDREIRAS 

Existiam algumas pedreiras tais como: Voturuá, de propriedade de Alexandre Neves Teixeira, junto ao Horto Municipal; Santa Tereza, da família loteadora do bairro Vila São Jorge; e a pedreira O. Ribeiro onde tinham o gerente chamado Marinho e assistente Maneco. A cidade se expandia e existiam movimentos para fechamentos das pedreiras, o que ocorreu. Hoje no local da Pedereira O. Ribeiro acha-se estabelecido o Supermecado Carrefour. 

A TRISTE REALIDADE ATUAL 

Os nossos mangues e rios foram tomados por dejetos de toda natureza, jogados diretamente a céu aberto, poluindo mangues e praias, em razão das invsões de favelas e palafitas. Acabaram com o ambiente de preservação ambiental onde os peixes deixaram de reproduzir. Os carangueijos e curstácios sumiram e os núcleos de miserabilidade e violência aumentaram consideravelmente; seja seja... Quem conheceu São Vicente deste passado, com certeza, lendo o que aqui foi dito, vai ter boas recordações. 

ENCERRAMENTO 

Reunião do grupo-Honrosamente, além de prestigiar e orientar o lançamento deste livro, fomos presenteados pelo amigo, poeta e escritor Paulo Della Rosa Rosa, com uma poesia dedicada a história da nossa querida São Vicente, denominada... 



LAÇOS COM A ETERNIDADE 


Ranhuras do estêncil. 

Nos braços da Ponte Pênsil. 

Mais do que uma cidade. 

Várias verdades. 

Nos mais diversos papéis. 

Unindo e ungindo poetas, artistas e menestréis. 

Trajetos e objetos. 

O continente e a ilha. 

Todas e todos em família. 

Belezas e riquezas. 

Tempos e templos. 

Bondes e as estações. 

Conduzindo sonhos de primaveras, outonos, inverno e verões. 

Mansões, casebres e palacetes. 

Trinados, gorjeios e falsetes. 

O vaivém das marés. 

Mulheres e homens a serem aplaudidos de pé. 

Os mais inebriantes cenários. 

Um café no Senadinho e um suspiro na Ilha Porchat. 

Nuvens e ventos pra lá e pra cá. 

Um oceano de histórias. 

Contos e contas de um rosário de glórias. 

Uma tonitruante sirene. 

Bronzeadas sereias e atléticos netunos. 

A vida em perfeito prumo. 

A placidez das águas que o espírito acalma. 

Os generosos pastores de almas. 

Passa um boi, passa uma boiada. 

O passado que se foi. 

O presente ansioso por uma guinada. 

O fascinante arrebol. 

O remo, a natação, o basquete e o futebol. 

Os desfiles cívicos e os carnavais. 

A sétima arte lotando os famosos cinemas. 

A fauna e a flora sensacionais. 

Martim Afonso e o Barão do Rio Branco em festa. 

Assistindo à cultura verter por cada fresta. 

Os segredos e alquimias da Maçonaria. 

Duque de Caxias a inspirar novos dias. 

Cadeira nas calçadas. 

O sol nascente visto da rua Japão. 

Enquanto as Ba-Bahianas sem tabuleiro desfilam hilários temas. 

Anchieta e os pombos na Biquinha a entoar uma doce canção. 

Os Mares do Sul a agitar a galera. 

O folclore a nos levar por oníricas esferas. 

A poesia da periferia. O glamouroso Itararé. 

As finas areias do Gonzaguinha. 

O futuro e a obra escritos a muitas mãos. 

Cellula Mater da Nacionalidade. 

São Vicente da gente. 

A sua, a nossa, a minha cidade! 


Nota do Organizador 

“São Vicente era um jardim” foi a frase que encerrou a conversa que tivemos com Antonio Lima de Andrade, em 7 de junho de 2019, na rua Tibiriçá, 146, quando nos apresentou essa preciosa memória dos seus amigos de infância e hoje irmãos em confraria; amigos que depois de mais de 60 anos de convívio ainda se reúnem à sextas-feiras para tomar e vinho e saborear lembranças. O texto foi originalmente organizado por Wilson Verta e formatado em power-point.