10/07/2019

BIOGRAFIAS VICENTINAS II



INTRODUÇÃO


Aqui estão em destaque o rol de personalidades e localidades relacionadas direta ou indiretamente à história da Capitania e da Vila de São Vicente. São pessoas, lugares e instituições de destaque que, de alguma forma, influíram, contribuíram,  e ainda o fazem, para compor a memória e construir a história vicentina em diversas épocas e aspectos. 

Antecedendo as biografias, pontuamos a importância dos degradados como raiz precursora dessas experiências em tempos remotos  e que seria séculos mais tarde sucedida pelos imigrantes e refugiados nas épocas mais próximas da atualidade.  

Segue depois dessa rápida introdução a lista dos escolhidos e suas biografias aqui registradas sem ordem cronológica, mas apenas sequência de recordação casual. Provavelmente muitos não foram contemplados, por falha nossa, injustiça que pode ser corrigida numa segunda edição.

O Organizador



PARTE II


176.Antonio Ferrigno.
177.Praça da Companhia City-Light.
178.Bonde Especial da Vila de São Vicente.
179.Pedras dos Ladrões.
180.C.R. Tumiarú.
181.Roberto Mafaldo.
. 182.Babahianas Sem Tabuleiro.
183.Ricardo Severo.
184.Marco-Padrão.
185.Geraldo Volpe.
186.Pepe (José Macia).
187.Del Vechio.
188.Garotas do Basquete.
189.Francisco Marques Sopa.
190.Lovely Plauchut.
191.Edmond Plauchut.
192.Pinacoteca Benedicto Calixto.
193.Maria Bonita.
194.Ângela, a Santa.
195.Edson Arantes do Nascimento (Pelé).
196.Porto das Naus.
197.Valdir Lanza.
198. Gymnasio Martim Afonso.
199.Torre de Belém (São Vicente)
200.Torre do Tombo.
201.Viriato Corrêa.
202.Passos Sobrinho.
203. São Jorge dos Tambores.
204.Os Matarazzo-Suplicy.
205.Osvaldo Muniz Oliva.
206. As Bandeirantes do Itaipu.
207.Polydoro Bitencourt.
208.Sinagoga Espírita Cáritas.
209.Claude Lévi-Strauss.
210. A Saga dos Sá Lopes.
211.Saint-Exupéry.
212.Posto telefônico da CTB (Cia. Telefônica Brasileira).
213.Boris Kauffmann.
214.Pelé (Edson Arantes do Nascimento).
215.Padre Leonardo Nunes.
216.Pero Corrêa.
217.José Carlos e Wanda de Oliveira.
218.Chad Varah e os Samaritans.
219. Jacques Conchon e o CVV-Centro de Valorização da Vida.
220.Thaís Rozo.
221.Casa das Bananadas.
222.Anguair Gomes.
223.Fábio Luiz Salgado.
224. José Roberto Sagrado da Hora.
225.Helena Gomes.
226. Clube Hippico.
227.Victório Morbin.
228. Edifício Gaudio.
229.Roberto Andraus.
230.Cidade Ocian.
231.Celso Corrêa de Freitas.
232.Oswaldo Toschi.
233. Cortume Cardamone.
234.Molhes de Pedras do Gonzaguinha.
235.Rinaldo Rondino.
236.Revista Mare Nostrum.
237.José Lucas Guimarães.
238.Silvio Gomes Bispo.
239.Capitania de São Vicente.
240.Santos Dumont.
241.Bartolomeu Lourenço de Gusmão.
242.CVV-Centro de Valorização da Vida.
243.COSIPA-Companhia Siderúrgica Paulista.
244.A Casa Caramurú.
241.O Porto de S. Vicente e o Porto de Santos.
242. A Refinaria Presidente Bernardes-RBPC.
243. O Magueirão..
244. A Lendária Barra Sul.
245. Cachoeira, Barragem e Adutora Voturuá.
246.Clube dos em Pé.
247.Vultos Vicentinos
248.Polianteia Vicentina.
249. A Cruz de Portugal ou da Ordem de Cristo.
250. Praça da Cia. City.
251. Escola do Povo.
252. Planta Cadastral de 1899.
253.Praça 22 de Janeiro.
254.Monumento do IV Centenário do Descobrimento do Brasil.
255.Jornal "O Vicentino".
256.Á Bocca do Coffre. S.Vicente em 1909.
257.Júlio Secco de Carvalho.
258. Silvio Luiz dos Anjos.
259. Coro da Igreja da Matriz.
260. LP do Coral da 1ª Igreja Batista.
261. Fazenda Sant'Anna do Acarahú.
262.Fernando José Augusto Bittencourt.
263.Lourenço Vieira.
264.Professor Oswaldo Névola Filho
265.T.E.M.A-Teatro Estudantil Martim Afonso.
266.Feira Hippie da Biquinha.
267.Escragnolle Dória.
268. Ilha do Mudo (Porchat).
269.Daniel P. Kidder.
270.Toponímia Vicentina
271. Capitão Galileu Ramos.
272. Hotel dos Alemães.
273.Heitor Sanchez.
274.Restaurante Lagosta.
275. Maria do Forte.
276.Sérgio Buarque de Holanda.
277.Museu do Ipiranga.
278.Anita Novinsky.
279.A 1ª Canaã das Américas.
280.Zeppelin em São Vicente.
281.S.Vicente:28 Canais Naturais. Catarina de Morais.
282.Canal da Avenida Monteiro Lobato.
283.Canal da Avenida Eduardo Souto.
284.Amácio Mazzaropi.
285.Praia Mahuá.
286. Cachoeira, Barragem e Adutora Voturuá.
287.Rios Vicentinos.
288. O Subterrâneo Rio Sapateiro.
289.Peabiru.
290. Calçada do Lorena.
291. Rodovias em São Vicente
Caminho do Mar.
Anchieta.
Imigrantes.
Pe. Manoel da Nóbrega
292.Pontes de São Vicente.
Pênsil. 
Barreiros: ferroviária e rodoviária.
Mar Pequeno (Esmeraldo Tarquínio)
Largo do Pompeba
293. Jânio Quadros em São Vicente. 
294. Ferrovias em  São Vicente.
SPR-São Paulo Railway
EFS-Estrada de Ferro Sorocabana.
Estrada de Ferro Santos Juquiá
295.Thomas Cavendish, o Corsário. 
296. Ressacas no Gonzaguinha.
297.A polêmica Saint-Exupéry em Praia Grande.
298.A Queda do Edifício Vista Linda.
299.Reservatório Votuaruá-Santa Tereza.
300.Parque Estadual Xixová-Japuí.
301. Vila São Jorge 
302.Morada dos Mortos.
303.Cidade Náutica.
304. A Era dos Bondes.
305. Parque Estadual Xixová-Japuí.
306. Reservatório Voturuá-Santa Tereza.
307. Marco Divisório Areia Branca.
308.Ruas de Parelepípedo.
309.Fortalezinha.
310.Fazenda Sant'Anna do Acarahú.





Antônio Ferrigno (Salerno, Itália, 1863 - Salerno, Itália, 1940). Pintor e professor. Nasceu em Maiori, província de Salerno. Aos 19 anos iniciava uma intensa e longa fase de estudos com mestres italianos. Parte para o Brasil em 1893 e fixa residência em São Paulo, onde se encontra o amigo e pintor Rosalbino Santoro (1858 - s.d.) desde 1887. Convive com Pedro Alexandrino (1856 - 1942) e Almeida Júnior (1850 - 1899) e torna-se amigo do mecenas Freitas Valle (1870 - 1958). Rapidamente alcança notoriedade como pintor e passa a receber encomendas de fazendeiros, entre as quais se destacam a série de 12 telas sobre o cultivo do café. Nos 12 anos que permanece em São Paulo, entre 1893 e 1905, reproduz paisagens paulistanas, do interior e do litoral, assim como cenas de gênero que retratam personagens populares. Encanta-se a princípio com o litoral. O mar já o atraía na Itália: interessa-lhe explorar os efeitos da luz sobre a água. No Brasil, pinta baías com pequenas casas, barcos, praias, muitas delas povoadas por pescadores, crianças e senhoras passeando, como as que aparecem em Passeio nas Pedras - Guarujá. Diversas dessas cenas do litoral - que retratam praias de Santos, São Vicente, Guarujá e Caraguatatuba. Fonte: Itaú Cultural. #176


AS PINTURAS VICENTINAS DE FERRIGNO

Ranchos dos construtores do Forte Itaipu perto de São Vicente,1893. Antônio Ferrigno, pintor italiano. 
Fonte: Itaú Cultural.



O título original "Ressaca em Santos" é mantido até hoje , porém a paisagem é vicentina, com o mar agitado próximo às Pedras do Mato. Ao fundo a Ilha Porchat. Fonte: Itaú Cultural.


Pedras do Mato. Praia do Mahuá (Gonzaguinha), 1893. Óleo sobre madeira retratando o ponto turístico onde seria construído o Marco Padrão do IV Centenário da fundação da Vila de São Vicente.  Fonte: Itaú Cultural.




PRAÇA DA CITY-LIGHT na década de 1910, atual Coronel Lopes, Correio e Camelódromo. Cenário bucólico mantido pela Companhia City e também da linha 1 do bonde que trafegava num longo e deserto trecho até o centro de Santos. Ainda não existiam as avenidas Antônio Emmerich nem a N.S. de Fátima. O entorno era composto por antigas residências e também da Escola do Povo. 
Acervo: Waldiney La Petina. # 177


O engenheiro Camilo Thadeu na Praça Cel. Lopes (antigas Cia City e Light). Construiu sua casa no número 138, esquina com a rua Expedicionários Vicentinos. Acervo Luis Renato Thadeu. 

A praça da City-Light  tinha o Coreto e onde a Banda de São Vicente tocava as suas marchinha nos fins de seman e feriados. Locais agradáveis onde os jovens passeavam e as famílias com as crianças se acomodavam nos bancos dos jardins que era a Cel. Lopes, administrada pela Light conservando os bancos, alamedas e jardins: Inclusive a Praça era cercada com madeiras trabalhadas e pintadas com horário de ocupação (dia de semana até as 22:00 horas). Fonte: Relatos de São Vicente era um Jardim. 




O bonde especial que trouxe Pedro II e a Família Real nas últimas visitas a Santos e São Vicente. 

Percurso - O traçado do tramway seguia pelo aterrado do mangue, o trem saía da Estação de São Vicente, atravessava a Praça Coronel Lopes (na época não existiam o jardim, o coreto e a escola), e seguia pela atual Avenida Emmerich, passando pelo Matadouro, até a Estação Emmerich (em frente à Igreja Nossa Senhora de Fátima era a divisa-secção), seguia o trem em direção a Chico de Paula, Saboó, Rua Visconde de São Leopoldo, Largo do Rosário (atual Praça Rui Barbosa), Rua do Rosário (atual João Pessoa) e Rua Itororó esquina de Rua Amador Bueno (Ponto final, estação de cargas). 
A Carril de Ferro de São Vicente teve seis locomotivas, sendo três de quatro rodas, do tipo fechado, e três locomotivas com caldeira e chaminé expostas. As locomotivas foram batizadas como: nº. 1 Santos, nº. 2 Democrata, nº. 3 São Vicente, nº. 4 1º de Outubro, nº. 5 Santa Maria, nº. 6 Janacopoulos. Todas queimavam carvão de pedra. Cada locomotiva puxava duas gôndolas para passageiros e um reboque do tipo Caradura, no qual os passageiros podiam transportar galinhas, cabritos e leitões. Os condutores e fiscais usavam fardamento azul marinho com quepe, e botões amarelos na túnica. Os chefes de estação eram Bento Vieira Neto e Joaquim Vilas Boas. Os maquinistas: Rafael Frezelone, Joaquim Machado, João Proost, Jordão, Mário de Oliveira, António Silva, António Torquato, Barnabé, e Alexandre Sedin que pilotava o Trem da Carne, puxado pela locomotiva nº. 5 Santa Maria. Os foguistas: José Tomás Pereira, Noé Constâncio Ferreira, Eloi dos Passos e outros. Os cobradores: Isaac Xavier dos Passos, João Venceslau Emmerich, Noronha e José Santos Amorim. O chefe da oficina onde eram feitos reparos das locomotivas era o José Gustavo Bruncken, seu contramestre era o Nicola Antonietti. Profissionais que, com a eletrificação da linha em 1909, foram contratados para cuidar das locomotivas a vapor da Estrada de Ferro Guarujá-Itapema. # 178






Itararé e a Pedra do Ladrão em 1912/15, demolida com as obras de urbanização da área, esta rocha dominava em 1915 a Praia do Itararé, como se nota nesta foto. Ao lado da rocha, o bonde da linha 2, que fazia a ligação entre São Vicente e Santos via praias. Na segunda foto, do mesmo ano, a Praia do Itararé e a região de Boa Vista, logo após a Pedra dos Ladrões, vendo-se ainda a baía e os morros do Tumiaru e Barbosas.


"As tradicionaes Pedras dos Ladrões, na praia de Itararé". Capa da revista santista A Fita, edição de de 25 de junho de 1914. A impressão de imagens era feita em clichê de chumbo.

Acervo Digital da Biblioteca Nacional.




Pedra dos Ladrões antes da duplicação da avenida Manoel da Nóbrega. Acervo do Museu Paulista.

Luciano Azevedo: Pedras demolidas para a passagem primeiro dos bondes, depois do trem e hoje do VLT. Sobre a citação do rio, não era um rio e sim uma pequena corrente de água de uma nascente que tinha no sopé do morro que aumentava conforme a incidência de chuvas no morro. São Vicente na Memória. 


São Vicente de Outrora. Idos de 1912. Ali, nas proximidades onde hoje encontra-se a sede do Itararé Praia Clube desaguava o Rio Itararé, que há tempos fora reduzido a um córrego canalizado, paralelo à Av. Quintino Bocaiúva. À esquerda, vemos o sopé do Morro do Voturuá e ao fundo, os trilhos dos bondes e a temível Pedra dos Ladrões.



"A história do Clube de Regatas Tumiaru data de uma época em que São Vicente era considerada apenas cidade de estilo colonial. O turista ainda não havia descoberto seus encantos e apenas jovens aqui radicados tomavam conta das praias, sem que houvesse uma entidade recreativa onde fossem proporcionados momentos alegres de estreito convívio da coletividade. 
Assim, um animado grupo de rapazes, imbuído de ardente vontade, resolveu fundar uma agremiação náutica, a fim de possibilitar sua participação nas regatas disputadas em Santos, entre os clubes de regatas Santista, Internacional de Regatas e Saldanha da Gama, agremiações que ainda hoje, como a entidade calunga, ostentam respeitável patrimônio histórico e esportivo. 

Com essa finalidade, reuniram-se na manhã de 22 de dezembro de 1905, segundo consta, em local onde funcionava o antigo rinque de patinação vicentino, os srs. Salvador Malaquias Leal, Manoel Geraldo Forjaz Júnior, Manoel da Costa, Mário da Cunha Nogueira, Gaspar Manga, Henrique Wright, Luiz Hourneaux, Leopoldo Magalhães de Matos, João da Silva Santos, Bloen Martins e Olegário Herculano Alves. Foi aclamado para presidir os trabalhos o sr. Mário da Cunha Nogueira, que convidou para secretários os srs. Antero Bloen Martins e Manoel Geraldo Forjaz Júnior. Estava assim fundada a primeira agremiação esportiva de São Vicente. 

Segundo proposta do sr. Salvador Malaquias Leal, foi escolhida a denominação da sociedade: Clube de Regatas Tumiaru, homenagem ao local onde iria ser erguida a sua primeira sede, no porto de São Vicente, que naquela época era assim denominado. 

Quanto ao vocábulo Tumiaru, existe uma controvérsia entre historiadores, não sendo até hoje conhecida ao certo sua origem. Alguns afirmam ser "nome antigo e tradicional de nossa toponímia dos tempos de colonização. Era designativo da zona fronteira à ilha de São Vicente". No entanto, nenhum estudioso afirmou ao certo a origem da denominação daquela área compreendida na Vila de São Vicente. 

A primeira sede do clube foi inaugurada no ano de 1906, por ocasião do primeiro aniversário, sendo construída pelos próprios fundadores, em local próximo à cabeceira da Ponte Pênsil, do lado da ilha. 
Ali esteve sediado o Clube de Regatas Tumiaru até o ano de 1931, quando foi constrangido a transferir sua garagem de barcos para outro local, após atravessar diversas crises financeiras. 
Assim, em 1932, quando se comemorava o IV Centenário da fundação da cidade, outro grupo de jovens, cuja maioria ainda pertence ao quadro associativo tumiaruense, inaugurou a sede do Japuí, hoje transformada em instalações de campo e recreativas da entidade, onde está construída a primeira piscina oficial de São Vicente. 

Depois disso, ante o surgimento de novas crises financeiras, o Tumiaru esteve prestes a desaparecer. Todavia, o trabalho hercúleo do mesmo grupo de sócios abnegados conseguiu, em 1939, adquirir um terreno na Praça Coronel Lopes, onde foi construída a quadra de bola-ao-cesto. Mais dez anos se passaram e o alvinegro calunga sentiu necessidade de ampliar suas instalações, adquirindo, então, o terreno anexo, que faz esquina com a Rua Expedicionários Vicentinos. 
Dessa época até nossos dias, o Tumiaru foi crescendo satisfatoriamente e galgando a esplêndida linha de progresso que hoje todos conhecem. 

Construída a sede social, as instalações esportivas passaram a ser criadas e ampliadas, transformando a antiga agremiação do Japuí em expressiva força no esporte da Baixada Santista e de todo o Estado de São Paulo. 

Enumerar os feitos esportivos tumiaruenses é tarefa desnecessária. No entanto, seria injustiça não rememorar o reide São Vicente-Buenos Aires, efetuado em 1934, pelos remadores Antonio Rocha e José Ferreira de Andrade, no barco Bandeirantes. Essa a maior vitória obtida pelo Tumiaru, secundada por muitas outras, dentre elas a de Wlamir Marques, esportista militante nos quadros de bola-ao-cesto do alvinegro calunga, que inscreveu o nome do clube vicentino no plantel sulamericano e mundial." (A Tribuna, 22 de dezembro de 1960 ) 

Esportes - Depois do remo, foi para a natação. O polo aquático foi, igualmente, introduzido, trazendo para o clube vicentino inúmeras glórias e projetando entre outros: Rui Ribeiro Rato, Olimpio Azevedo Filho, Luiz Martins Viana, Irany de Carvalho, Gilberto Jordão Ribeiro, Saulo de Castro Bicudo, Ari Gardon, Gastão Moreira do Amaral, Alberto Junior, Durval Martins Duarte e José do Carmo Neves Filho como seus maiores valores. 

Nessa modalidade conquistou o título de vice-campeão dos Jogos Abertos do Interior de 1939. Mais tarde, surgiram novos valores como: Silvio A. de Castro, Irineu de Carvalho, Lauro Azevedo, Edison Teles de Azevedo Filho, Pedro Corvelo, Francisco Schneider, Armando Lichti Filho e outros. 
Em sua galeria de campeões destaca-se as figuras de Vilibaldo Mello Leite, campeão brasileiro de natação - 1952; Isabel Ribeiro Morais e Silva, campeã brasileira de natação; Wlamir Marques, vice-campeão mundial de bola ao cesto - 1954; Noé P. Vaz, campeão brasileiro de 1952, modalidade bola ao cesto juvenil e Milton Almeida, campeão brasileiro de 1953, na mesma modalidade. 

Hino - Adamastor F. Pereira compôs para o clube a marcha "Tumiaru", hino oficial da agremiação vicentina (Polianteia) . # 180




Roberto Mafaldo nasceu em Santos e veio residir em São Vicente em 1952. Morou muitos anos na Vila Margarida. Viveu nos tempos áureos vicentinos nos 30 anos de chumbo do regime militar e também do despertar do veranismo, que viveu intensamente como cidadão comum e grande personalidade da nossa cultura.  Essas marcas nunca conseguiram esconder e reprimir o temperamento alegre descontraído, dele e  dos vicentinos. Roberto foi criado nesse tempo de convívio difícil, mas sempre encarado com alegria, coragem e muita diversão. Sua carreira como funcionário público dos Correios - que sempre preservou com muita prudência- foi embalada também pela profissão de cabelereiro, que lhe permitia explorar e expressar a "Mafalda", sua personalidade mais profunda e autêntica, bem como sua criatividade artística e a personalidade extrovertida e libertária. Sempre muito querido e respeitado, soube se impor pela competência e oferecia em troca os melhores anos de alegria dos festejos do nosso carnaval. Foi o ídolo máximo do Bloco das Baianas (Babbahianas Sem Tabuleiro) sempre muito aguardado e celebrado respeitosamente  por todos foliões, das pessoas simples até as mais importantes autoridades públicas. Alegremente, Roberto é um mito e também patrimônio cultural da cidade.  Ainda vive entre nós, na velha São Vicente, entre inúmeras lembranças do passado e também na nossa recente história. # 181


MAFALDA, A ESTRELA MÁXIMA 
DO BLOCO DAS BAIANAS


Quando falamos em Carnaval vicentino, imediatamente lembramos o mais popular bloco da cidade: o Bloco das Baianas e quando falamos no Bloco das Baianas, automaticamente vem o nome de Roberto Mafaldo, ou melhor, Mafalda, uma das figuras mais populares de nossa cidade e que durante quase 40 anos puxou e abrilhantou a famosa patuscada. Aqui ele nos conta sua trajetória em vários Carnavais passados. são relatos breves, mas repletos de emoção, que trazem à tona a magia dos verdadeiros Carnavais, onde a ordem era puramente brincar e se divertir.
Acompanhem:


A era dos foliões de rua entre os anos 1960 e 1980. Mafaldo e o Bloco das Baianas. Acervo pessoal e registro de São Vicente de Outrora.




DESDE A INFÂNCIA, 
UM INCONDICIONÁVEL AMOR PELO CARNAVAL

"O primeiro bloco que eu desfilei foi o Chineses do Mercado, que era o mais bonito e requintado do Brasil, melhor até que as escolas de samba do Rio. Saíamos do Mercado Municipal de Santos, pegávamos o canal da Vila Nova, descíamos a Conselheiro Nébias todinha e findávamos a folia no Gonzaga. Eu fui levado pelas mãos da minha irmã, ainda era era muito criança ,mas me lembro muito bem que minha primeira fantasia foi de pirata, então saí na Ala dos Piratas. Começava ali meu amor pelo Carnaval. Alguns anos depois, já crescido, passei a sair no tradicional Banho da Dorotéia. Fui coroado como a rainha do bloco. Meu amigo Jackson também. Não sei se ele está vivo, há muito tempo não o vejo.
 
Sabe qual foi minha primeira fantasia no Banho da Dorotéia? De Cleópatra. E era importada. Verdade. Importada de Nova York. Foi comprada na 10ª Avenida, em uma firma que comercializava figurinos adquiridos das grandes companhias cinematográficas dos States: Columbia Pictures, 20th Century Fox, Universal e outras. Quem comprava era uma grande amiga minha que me adorava e sempre vinha ao Brasil.

Nessa época e por anos e anos, além do Bloco das Baianas, eu desfilei em muitos outros blocos: um dos mais divertidos era Os Papacos, formados por gays, em boa parte gringos cheios do dinheiro; não era meu caso, infelizmente, mas era um sarro! Também desfilei nas Favoritas do Sultão, nas Dengosas do Marapé, Bloco das Misses e Agora Vai.
 
Sabe quem desfilava comigo em cima do caminhão do Agora Vai? O Cauby Peixoto. Ele vinha cantando com aquela voz linda e sempre me elogiava: 'Ai como você é bonito e não sei-o-quê...'

Até hoje me lembro da marchinha:

Agora vai/nossa turma, agora vai/
Vai ser pra nós/ nós queremos é farrear/
A nossa turma é da folia, é do barulho/
Carnaval é um embrulho/ quem não brinca, vai deitar

Ainda posso ouvir um homem que sempre vinha com um trombone tocando bem no meu ouvido! Ah, meu Deus! E eu tinha problema de ouvido e aquela coisa tocando, mas a alegria de desfilar era bem maior! Que coisa linda! Que Carnavais espetaculares!"



O LONGO REINADO EM SÃO VICENTE

"Depois de ser destaque no Banho da Dorotéia, em 1961, fui requisitado pra desfilar no Bloco das Baianas. A familia Sbravatti, o Toninho Campos, o Nelson da Prefeitura e o Pedro Pacheco fizeram questão que eu desfilasse também como destaque. E Carnaval após Carnaval fui puxando o bloco. Saíamos defronte ao portão do campo do São Vicente Atlético Clube, passávamos pela Rua Marquês de São Vicente, pela praça da Matriz e pelas ruas do Centro, às vezes, de um ano para o outro havia pequenas variações no trajeto daquelas ruas cheias de lojas, mas sempre desfilávamos pelas ruas do Centro. De um modo escrachado e com muita criatividade, sempre criticávamos as situações pelas quais a cidade e o Brasil estavam atravessando, mas tudo era brincadeira e diversão, e, muito ao contrário destes tempos modernos em que estamos vivendo, ninguém desrespeitava ninguém, não havia abusos e nem delitos de nenhuma espécie.
 
Depois do Centro, o bloco sempre descia a Frei Gaspar e terminava defronte ao Gáudio, mas ainda ficávamos por ali pulando, sambando e sorrindo até o meio da tarde. Ai, que saudade desses Carnavais!
O bloco era a minha paixão, a minha vida. Na véspera do desfile eu nem dormia de tanta ansiedade. Sabia que a maior parte ia pra ver a Mafalda? Até mesmo gente famosa: o saudoso e querido Pietro Ubaldi, grande historiador e igualmente grande espírita, saía de sua casa na Rua Amador Bueno da Ribeira e ficava sempre no comecinho da Frei Gaspar a esperar. 

Outro que me admirava era o Agnaldo Rayol, uma pessoa maravilhosa! E ele sempre me tecia os maiores elogios. Não me esqueço do querido Monsenhor Geraldo Borowsky, que sempre acenava pra mim lá da rampa da igreja.

Resumindo: eu brinquei um Carnaval melhor que o outro!

Mas o tempo foi passando, os comportamentos foram mudando e em 1999, percebi que a tradição do Bloco das Baianas estava quebrada, somando isso ao fato de que havia perdido minha mãezinha, me senti desestimulado e assim, aquele foi o último Carnaval em que a Mafalda esteve presente. Uma pena!"

E após tantas lembranças, veio a inevitável pergunta, seguida de uma sucinta resposta:
"Se eu tenho vontade de desfilar de novo? Um dia talvez eu volte, mas isso dependerá de uma série de fatores..."- completa nosso célebre amigo com um nítido timbre de tristeza em sua voz.




O Bloco Ba-Bahianas Sem Taboleiro foi criado em  1936 por um grupo de 60 foliões que saíram às ruas vestidos de mulher durante o carnaval, tradição muito comum nesses grupos. Inicialmente, o bloco era chamado de "Bahianas sem Taboleiro". Na década de 1960, o nome foi alterado para "Ba-Bahianas sem Taboleiro", em homenagem ao primeiro presidente do grupo, Alberto "Babá" Sbravati, falecido em 1957.  A partir de uma pequena iniciativa, o bloco cresceu e se tornou um dos maiores e mais esperados eventos do carnaval vicentino, atraindo milhares de foliões, não apenas da Baixada Santista, mas de toda a região. Em 2008, o bloco "Ba-Bahianas sem Taboleiro" foi alvo de debates culturais entre os conselheiros nas reuniões dos CONDEPHASVI sendo algum tempo depois reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Cidade de São Vicente, em reconhecimento à sua longa tradição e importância histórica. O título sugerido pelo Conselho foi reconhecido oficialmente  pelos poderes municipais. A imagem registrou um desfile em 1959 na rua Frei Gaspar em direção à orla do Gonzaguinha. Destaque na imagem para a linha do bonde e as mansões entre as ruas Tibiriçá e Visconde do Rio Branco.  Acervo do IHGSV. #182

Desfile do bloco na esquina das ruas XV de Novembro com 13 de maio nos anos 1950. Abaixo reportagem do jornal Cidade de Santos em 1971.



É o autor do Marco-Padrão de São Vicente. Ricardo Severo da Fonseca e Costa (Lisboa, Portugal 1869 - São Paulo, São Paulo, 1940). Engenheiro, arqueólogo, arquiteto. Em 1891, participa da revolta republicana do Porto e é obrigado a emigrar para o Brasil. Em 1893, casa-se com Francisca Santos Dumont, irmã do inventor Alberto Santos Dumont (1873-1932) e filha do então rei do café, Henrique Dumont. Entre 1895 e 1897 regressa a Portugal e retoma as atividades como arqueólogo à frente da Portugália. Em 1908, diante de dificuldades financeiras, retorna ao Brasil. Em 1908, torna-se sócio do Escritório Técnico F. P. Ramos de Azevedo, estendendo o vínculo à Companhia Iniciadora Predial, à Companhia Cerâmica Vila Prudente e ao Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo (Laosp), do qual é diretor entre 1928 e 1940. Filia-se ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP) em 1911 e participa da criação da Revista do Brasil. Nessas e outras instituições e periódicos publica séries de artigos e conferências dedicadas a arqueologia, republicanismo, colônia portuguesa e arquitetura. Entre os  projetos tradicionais assinados pelo engenheiro estão: Casa Lusa, 1920/1924, Banco Português, Beneficência Portuguesa de Santos e Campinas, 1926, a restauração da Igreja da Ordem Terceira do Carmo, e por último o projeto para o Congresso do Estado de São Paulo, 1929, aos quais se reúnem apoiados na bibliografia específica e na análise dos projetos, a Casa do Porto, 1900, a Casa Júlio de Mesquita, ca.1916, a Casa Praiana, 1921, o Pavilhão das Indústrias de Portugal, 1922/1923, a Casa José Moreira, 1926, a Sociedade de Cultura Artística, 1926, a Faculdade de Direito do Largo São Francisco, 1932 e a Casa Rui Nogueira, 1939/1940. Itaú Cultural. # 183

Uma das faces da base do Marco-Padrão erguido em 1932 nas Pedras do Mato, junto ao riacho Sapateiro. Juntamente com a Ponte Pênsil (1914), é o monumento mais conhecido e divulgado de S. Vicente. Foi idealizado pelo engenheiro e historiador português Ricardo Severo e construído pela colônia portuguesa da região. Foi inaugurado em 1933. # 184



Praia de São Vicente na década de 1920, ainda conhecida na região como Mahuá. Nos anos 1950, após uma reforma de embelezamento, a prefeitura tentou denominá-la Praia das Caravelas, nome que não vingou. A população vicentina, imitando o footing em moda na praia mais badalada da orla de Santos, passou a chamá-la de Gonzaguinha. Pegou.

Baseado no relato de Fernando Lichit no Boletim do IHGSV.



Geraldo Volpe (1927-2013) foi vereador por quatro mandatos consecutivos e presidiu a Câmara no biênio 1989/1990. Juntamente com o Prefeito Antônio Fernando dos Reis, foi um grande defensor do transporte público e funcional.  Sua defesa e empenho na construção de uma pista para veículos junto à Ponte dos Barreiros, por exemplo, foi a base do desenvolvimento da área continental. Volpe conseguiu a modernização do trem que ligava Samaritá ao Centro, Itararé e Gonzaga na direção  do Porto de Santos. Hoje esse trecho é ocupado pelo VLT São Vicente a Santos confirmando sua postura visionária  reconhecida em 13/9/2018, quando ele passou a emprestar seu nome ao sistema de transporte de massa do litoral: Complexo VLT Vereador Geraldo Volpe. Quando iniciou na vereança em 1973, o cargo era voluntário em uma honraria representar os cidadãos que lhe confiavam essa responsabilidade. Falecido em 26 de julho de 2013, aos 85 anos de idade, Geraldo Volpe trabalhou como comerciário no ramo de materiais para construção e na Superintendência do Desenvolvimento do Litoral Paulista (Sudelpa), antes de iniciar a carreira política em 1972. Foi presidente da Câmara Municipal de São Vicente na década de 1990.Levou melhorias a diversos bairros e, na década de 1980, chegou a presidir uma sessão solene da Câmara de São Vicente no tabuleiro da Ponte dos Barreiros em protesto contra a demora da conclusão de duas cabeceiras. Política como vocação e ética era o tom dessa época, compartilhada com outros grandes valores do serviço público vicentino. Deixou muitas saudades. # 185


Filho dos imigrantes espanhóis José Macia Vega e Clotilde Arias Yáñez, Pepe nasceu em Santos em 1935. Aos sete anos de idade, em 1942,  mudou-se com a família para  São Vicente, na Vila Melo e ali  com seu irmão, Mário, começou a praticar futebol nas equipes do bairro e arredores, como o Comercial e o Mota Lima. Aos dezesseis anos, Pepe ainda jogava no infantil do São Vicente AC quando Cobrinha, o goleiro do time que também defendia o infantil do Santos, o convidou para realizar um teste. No dia 4 de maio de 1951, Pepe pisou pela primeira vez no gramado de Vila Belmiro, e foi aprovado pelo técnico Salu. Como jogador, atuou como ponta-esquerda e é considerado um dos maiores ídolos da história do Santos, única equipe em que defendeu de 1954 a 1969. Com 403 gols marcados em 750 partidas, Pepe é o segundo maior artilheiro da história do Santos. Em 15 anos de clube (1954–1969), ganhou o apelido de "Canhão da Vila", por seu fortíssimo chute de esquerda. Realizou 40 jogos pela Seleção Brasileira e marcou 27 gols. Pepe possui uma longa carreira como treinador iniciada em 1969 nas categorias de base do Santos. Em 1973 dirigiu a grande equipe que conquistou o título paulista. Como treinador, teve cinco passagens pelo Santos. Dirigiu o Santos em 371 partidas, sendo o terceiro técnico que mais comandou a equipe praiana. Em sua passagem pelo banco de reservas do São Paulo dirigiu o time em 45 oportunidades. #186


Nascido em São Paulo e criado  São Vicente na Praça  João Pessoas (da Matriz), Emanuele Del Vecchio (1934-1995) iniciou sua carreira em 1954, defendendo o Santos , e fazendo parte do elenco que venceu o Campeonato Paulista em 1955 e em 1956. Jogou sua primeira partida internacional em 24 de janeiro de 1956, contra o Chile , marcando seu único gol pela seleção em 16 de junho de 1957, contra Portugal. Sua última partida foi em 10 de julho de 1957, contra a Argentina. Jogou também na Itália no Boca Juniors e voltou ao Brasil contratado pelo São Paulo FC, onde atuou em 1964 e 65. Fez 69 jogos (35 vitórias, 17 empates, 17 derrotas) e marcou 34 gols (25 desses tentos foram anotados em sua primeira temporada pelo time do Morumbi, em 41 partidas. Faleceu tragicamente alguns dia após ser alvejado por tiros de revolver numa briga de rua.  Deixou três filhos, Maria, Victor e César, seis netos e dois bisnetos. # 187.


Foto do Santos Futebol Clube em 1965. Em pé, da esquerda para a direita: Carlos Alberto Torres, Lima, Orlando, Gylmar, Oberdan e Zé Carlos Silvério. Agachados: Dorval, Mengálvio, Del Vecchio, Toninho Guerreiro e Abel.



HELENINHA, ZILA, CARMEM, JUCY E ELZA AS PRINCIPAIS CLEIDE, RUTH, MADALENA, DEISE KALIL, DEISE CARDIM E DILMA-  TREINADOR: NELSON "TIO DE BARROS. # 188

Dentro daqueles uniformes bonitos e curiosos que à primeira vista já impressionam, as garotas de São Vicente tomaram conta do ambiente cestobolistico bandeirante. E quando largaram da sua cidade para irem vencer a série colegial dos "Jogos da Primavera" do "Jornal dos Sports" no ano passado, conquistaram também as plateias cariocas, exercendo no Rio em toda a sua extensão, aquele enorme poder que têm sobre o público que assiste a partidas de bola ao cesto.

Um dia, não faz isso mais de três meses, as garotas foram a Sorocaba disputar a finalíssima do Troféu Bandeirantes, um dos torneios mais emocionantes pro.. movidos pelo Departamento de Esportes do Estado de São Paulo. Acabou-se, então o tabu de invulnerabilidade da turma sorocabana, pois as vicentinas alcançaram consagrador triunfo. Mas não é isso o mais importante. O mais importante é que aquela torcida de Sorocaba cantada por todos como a mais feroz do Interior paulista aplaudiu em peso as diabinhas de São Vicente e fez delas verdadeiras heroínas.  Não se pode negar; as meninas são simpáticas, de fato. Simpaticíssimas. Perdendo ou ganhando também perdem de seus lábios só sai aquele sorriso despreocupado de quem joga pelo prazer de jogar e para quem a derrota e a vitória são simples contingencias de disputas esportivas.

Suam as camisetas, jogam com fibra, empenham-se ao máximo em todas as disputas, fazem misérias com a bola e parecem pequenas "globetrotters" do bola ao cesto feminino. Heleninha é a principal "estrela". Simpática e alegre, na quadra é fenomenal. Encesta de longe, de perto, de qualquer jeito. Dá passos magníficos, é completa. Já não se tem dúvida de que seu nome, obrigatoriamente, estará entre os das cestobolistas convocadas para qualquer seleção paulista que se organize. Zilá aquele "monstrinho" que tem nos jogos um semblante de eterna zanga é também uma garota 100%. E como sabe jogar basquetebol! Olhe o leitor as fotografias que ilustram a reportagem.  Veja, por exemplo, aquele lance em que Zilá está em pleno ar, após receber um passe bonito de Heleninha, Lances assim se repetem em todas as partidas das vicentinas. Carmem como é bonita! tem qualidades enormes de grande cestobolista. Elza é uma grande "fominha", na mais pura acepção do termo. Bate bola como veterana, possui um controle excepcional e magnífico da "redonda". Jucy encarna com perfeição o espírito vicentino de amor à equipe. Em Sorocaba, com o joelho a lhe causar fortíssimas dores, fez questão de continuar na quadra até o fim. E garantiu a vitória do Praia Clube. Cleide tão bonita quanto a irmã, Carmem; tão simpática quanto todas as outras companheiras; tão sangadinha na quadra quanto Zilá - vem melhorando de dia para dia. Ruth, Madalena. Deise Kalil, Deise Cardim e Dilma, todas, enfim, têm as mesmas características todas são grandes garotas.

Jogam por São Vicente. Pertencem ao Praia Clube. mas também vestem a camiseta do selecionado da cidade, ou do Grêmio do colégio em que estudam. São as donas do basquetebol praiano de São Paulo. No ano passado tiraram dois honrosos terceiros lugares: no Troféu Bandeirantes e no campeonato da Liga Santista. Nos Jogos da Primavera, representando o Colégio, venceram a série colegial e deram um "show" de bola que conquistou os cariocas. Este ano foi mais pródigo, pois até agora conseguiram, além de uma série enorme de vitórias de menor vulto, aquele maiúsculo sucesso no Troféu Bandeirantes, cuja final foi disputada em Sorocaba. E conseguiram também, vencendo as mestras e veteranas de Santos levantar o campeonato da Liga Santista.

De onde surgiram? Como começaram a jogar basquetebol? Quem as descobriu? Não se sabe ao certo. Há quatro anos que elas vêm sendo preparadas. O técnico Nelson "Tio" Barros tem feito medonhos sacrifícios para dar-lhes sempre uma assistência completa. E tem sido feliz. As garotas só lhe dão alegria.

São umas "diabinhas" simpáticas. Muito simpáticas...

Dezembro de 1955


O INCRÍVEL BASQUETE FEMININO DE SÃO VICENTE. O Cenário era o SV Praia Clube, mas tudo teve início no C.R. Tumiaru. A reportagem parece ser de O Cruzeiro. Humberto Wisnik tem lembranças curiosas dessa época: "Como já coloquei, a Zilá Nepomuceno foi minha colega de classe no Martim Afonso em 1955 (3ª Série), não recordo se completou o ano ou se seguiu no Ginásio. Elas jogavam no São Vicente Praia Clube e Zilá e Heleninha (e não sei quais das outras mais) participaram da Seleção Brasileira em muitos Torneios e por um bom tempo. A Heleninha morava na Expedicionários Vicentinos e, como também fazia o Wlamir Marques, ela, à tarde, descia pelo muro dos fundos da casa com pão com manteiga na boca e vinha "bater bola" com a garotadado juvenil do Tumiaru. Muitas vezes a bola que ela tocava vinha com manteiga do pão que ela trazia".



Imigrante português e antigo morador de São Vicente. Foi chamado, com muito acerto, de "Bandeirante do Catiapoã", pelo muito que fez em prol do desenvolvimento e do progresso desse bairro, onde residia. Nas primeiras décadas do século XX ali se formaram vários núcleos residenciais com muitos nomes, como o Jardim Nosso Lar, Sá Catarina de Morais, Vila Sorocabana ou Vila Ferroviária e parte da antiga Vila Melo ou Vila Cascatinha. Era também a região do famoso Mangueirão, da Fábrica de Vidros, do Clube Hipíco e do Golf Clube. Dentre outras iniciativas que  tornaram Francisco Sopa credor de gratidão e do respeito dos munícipes vicentinos , inclui-se a doação do terreno destinado a construção do prédio do Grupo Escolar Municipal "9 de Julho", posteriormente E.E.P.G. Prof. Octvio de Cesare, localizado na rua Tenente Durval do Amaral. Marques Sopa Era casado com Eufrozina de Campos - conhecida como Dona Maria - e faleceu em maio de 1963. Muitos dos seus descendentes residem no bairro até os dias atuais. # 189.


O BANDEIRANTE DO CATIAPOÃ


Escola 9 de Julho no Catiapoã, construída em 1940 em terreno doado pelo morador e urbanizador Francisco Marques Sopa. Fonte: Relatório da Administração do prefeito José Monteiro em 1940.


SÃO VICENTE ANTIGO

AINDA VIVE O “BANDEIRANTE” DO CATIAPOÃ “CHICO SOPA” COM 86 ANOS

Texto: Edson T. de Azevedo. Foto: João Vieira. 

A Tribuna. Terça-feira, 26-3-1963, página 12. 

Os bairros Catiapoã e Praia Grande são os mais antigos de São Vicente. Vamos hoje falar do primeiro. Para tanto, tivemos que procurar o nosso amigo Francisco Marques Sopa, mais conhecido por  “Chico Sopa”. 

QUEM É CHICO SOPA

Nasceu em 14 de agosto de 1877 em (Portugal), sendo batizado na Igreja da Sé dessa mesma localidade, filho de Manoel Ferreira Fernandes e de Dona Maria da Conceição Clemência. Tinha 11 anos quando sua mãe o levou para Buenos Aires, onde já estava o seu progenitor à espera. Com a idade de 14 anos veio para São Vicente, aqui ficando até hoje. Se pais faleceu com 42 anos em 1933 atacado de febre amarela, sendo sepultado no cemitério de São Vicente, e sua mãe, casando-se pela segunda vez, em Santos, regressou para Portugal (Algarve).

COMPRA DE ÁREA

Em 16 de fevereiro de 1903, Francosco Marques Sopa comprou de Antônio de Almeida uma terça parte de terras, contendo mata, partindo todo o terreno ao Sul com a cerca de arame de José Joaquim de Azevedo(Seu Morgado) onde hoje está a Estação Sorocabana, e ao Norte com o rio do Bugre, compra essa pela importância de Cr$ 150,00, paga no ato, em cédulas. De “sisa” foram pagos Cr$9,90 ao administrador da Recebedoria de Rendas, José Carlos da Silva Teles, sendo fiél de tesoureiro Argemiro Pupo de Morais e escriturário Gustavo L. de Loyola.

A área na época de sua compra ia até a rua João Ramalho. Nessa ocasião (1903), a Southern São Paulo Railway estava estudando o corte para a estrada Santos-Juquiá.

Serviram como testemunhas da parte do Catiapoã, Cândido Alves de Campos e Rosalino Duarte (este último foi funcionário da Recebedoria de Rendas em Santos e escrivão de paz em São Vicente, quando fez o registro de nascimento do autor dessas linhas, em 1900, porém escrevendo “Hedysson”, ao invés de Edson). Era ajudante juramentado Rodrigo Prieto Rosado e tabelião Arlindo Carneiro Aguiar. Foi fiador da transação Antônio Emmerich.

PLANTAÇÕES

Logo que adquiriu as terras, “Chico Sopa” iniciou as plantações de  arroz, abacaxi, caju, bem assim na parte onde hoje está o Jardim Nosso Lar, plantou bananal. Perdeu tudo devido a uma enfermidade.

LUGAR DE CAÇADAS

O Catiapoã, antigamente, era o lugar preferidos pelos caçadores  de então. “Chico Sopa” enumerou-os: Eduardo de Freitas, Alberto Martins, os Richettis e Amadeu Horneaux.

LOTEAMENTO

Em 1949 iniciou o loteamento do Catiapoã, lotes de 10X30 e 10X40 a Cr$ 3.000,00 cada, mediante pagamentos mensais de Cr$50,00, reservando tão somente a sua moradia, à rua Salvador Malaquias Leal, 23, antiga Projetada 85.

Hoje o Catiapoã é um bairro bastante populoso, com boas residências, sobrados, bares, mercearias e padaria, campos de esportes e escolas. 

DOOU  O TERRENO  PARA O GRUPO 9 DE JULHO

Poucas são as pessoas que sabem dum gesto merecedor, de registro do Sr. Francisco Marques Sopa: a doação do terrenos à rua Tenente Durval do Amaral , onde hoje está funcionando o Grupo Escolar Municipal”9 de Julho”. A solicitação partiu do Dr. José Monteiro quando exercia pela segunda vez o cargo de prefeito. Houve nessa ocasião a abertura de duas ruas de acesso à avenida Persio  Queiróz Filho. O pedido do ”seu” Sopa não foi atendido, porém a escola foi inaugurada  e vem prestando relevantes serviços  há 25 anos.

SUAS ATIVIDADES

Começou a trabalhar em São Vicente como servente de pedreiro, com José do Carmo Neves(saudoso progenitor do conhecido desportista vicentino José do Carmo Neves Filho), construtor de obras nesta cidade e em Santos. Depois, durante 14 ano de La Platas, como pedreiro oficial, com Antônio Soares. Trabalhou por conta própria comprando carroça. , vendendo lenha. Aprendeu a ler e escrever em São Vicente, pois quando veio de Portugal era analfabeto. Em Buenos Aires foi carroceiro da Prefeitura em La Plata, e foi também copeiro. Acabando a revolução de 1890, embarcou em 1891 para São Vicente, onde já conhecia seu patrício José Inácio Teixeira foi ele um “bandeirante”, agente do Correio (pais dos esportistas Adão, José, Antero e Bernardo Teixeira). Tomou parte no Grêmio Recreativo “Triunfo”, aos 18 anos. Nos festejos carnavalescos foi o “General” do Internacional de São Vicente.

“Chico Sopa” tem cinco filhos. Com pouca visão, não pode dar caminhadas a pé. Entretanto com a memória, recordou fatos interessantes do passado vicentino. O progresso do Catiapoã deve-se em parte a esse cidadão, pois,  foi ele um “bandeirante” do populoso bairro onde moramos. 



Francisca Antônia Lovely Plauchut nasceu na cidade de Espírito Santo do Pinhal a 30 de dezembro de 1898, fi-lha de Joseph Marie Edmond Plauchut, de nacionalidade francesa ás da aviação na França e no Brasil, tendo -trazido desmontado o seu avião para o Brasil, onde fez diversas exibições no Rio de Janeiro e na cidade de San tos, nos idos de 1906 a 1914. Sua mãe, Dona Carolina Paes Plauchut, de tradicional família paulista, era descen-dente de João Ramalho. Orfă de pai aos 16 anos, assumiu a chefia da família, começando a trabalhar, dando aulas particulares. Em 1917 foi nomeada professora substitu-ta do Grupo Escolar Cesário Bastos. En 1921 foi nomeada professora efetiva do Grupo Escolar de São Vicente (Escola de Povo), hoje EEPG Zina de Castro Bicudo, en-de trabalhou ate a sua aposentadoria, após 33 anos de efetivo exercício. Muito alegre, vivia com simplicida-de, dedicando muito amor à sua familia e aos seus alu-nos, que a adoravam. Extremanente piedosa e carinhosa, nem a propria família sabia de seus atos de bondade, fa tos esses que somente vieram ao conhecimento da fami-lia através das pessoas que por ela foram beneficiadas. O que a mão direita dava, a esquerda não sabia. Sua ir nã, De Maria Izabel Plauchut de Amorin, era casada com o Dr. Pompeo de Amorin, alto funcionário da Prefeitura Municipal de São Vicente, ambos falecidos. Deixou sobrinha, Maria Helena Plauchut de Amorim Ferreira de Moraes, casada com o Sr. Antônio Ferreira de Moraes Neto. Lovely faleceu a 11 de setembro de 1972. Está sepultada no CEmitério Muncipal de São Vicente.
Fonte: Guia de Ruas de S. Vicente. Narciso Vital de Cavalho, 1978. # 190.


Lovely Plauchut com familiares em sua residência . O local era um sobrado que ela morava ao lado da Delegacia de Polícia em SV,  no caso da foto Av XV de novembro No 517, atual Mercado Fiel Barateiro. Acervo de Paulo Ferreira, sobrinho de Lovely:

 1ª Lovely Plauchut . 2ª Monsenhor Cintra Paez de Alcântara, tio avô. Exerceu o sacerdócio por muitos anos em Petrópolis/RJ. Foi historiador da Igreja. 3ª Criança sou eu Antônio Paulo de Amorim Ferreira de Moraes. 4ª Meu pai Antonio Ferreira de Moraes Neto, hoje com 95 anos, está vivo. 5ª Minha irmã Maria Isabel Amorim Ferreira de Moraes. Hoje com nome de casada Maria Isabel Toledo de Oliveira.


Marie Josetph Edmond Plauchut, nasceu em Angoulême/França.  Na juventude alista-se na Legião Estrangeira, período em que passou antes de vir ao Brasil. Quando  chegou no Brasil apaixonou-se loucamente por  pela jovem Carolina Paes, uma linda brasileira do interior de Santo Antonio do Jardim/SP, e comentava sobre as cartas e bilhetes de amor que ainda os guardava. Dessa paixão segue o casamento passou a se chamar Carolina de Oliveira Paes Plauchut, que deixou duas filhas Isabel Plaucht e Lovely Plauchut. Esta última tornaria-se uma destacada educadora da Escola do Povo em São Vicente.

Da França, Edmond trouxe nada menos que um motor Bleriot XI com motorização Anzani de 50hp esse pequeno motor conseguia levantar sua pequena aeronave de bambu, uma das aeronaves foi construída dentro de casa e as asas... é pasmem, saiam para fora das janelas. Uma das aeronaves que construiu em 1910 após ser sofrer alguns ajustes fez história no Rio de Janeiro onde após “alguns vôos” entre eles um Reid promocional foi fundado o primeiro Aero Clube do Rio.

Edmond construiu alguns aeroplanos, pequenos planadores muito parecidos com as asa-delta ao menos em tamanho e forma de alçar vôo e engenhocas a motor, como um primeiro pedalinho motorizado. 

# 191.

***


O PRIMEIRO VÔO COMLETO PELA BAÍA DE SANTOS 


Enfim, chegava o dia 13, uma segunda-feira, a grande data do voo oficial. O céu amanheceu envolto em uma névoa tênue, gerando um véu difuso sobre os morros do Itaipú e da Ponta Grossa, rota do voo de Plauchut.

Nas praias, os banhistas entregavam-se ao alvoroço matinal—alguns já desafiavam as ondas, mergulhando na espuma revolta; outros permaneciam na areia, contemplando o oceano. Entre os entusiasmados homens, estava o aviador Edmond Plauchut, prestes a desafiar os céus com seu Blériot. De todos os cantos do Gonzaga, surgiam espectadores, formando uma multidão silenciosa e expectante.

O mecânico Akary, vindo da Europa para auxiliar Plauchut, realizou a última inspeção na máquina. A esposa do aviador francês, a brasileira Carolina de Oliveira Paes Plauchut, ao lado da  filha, a pequena Lovely, permanecia imóvel, as mãos unidas sobre o peito, cercada por amigos do aviador.

Apenas Plauchut exibia um sorriso calmo. Postado sobre o dorso de seu grande pássaro, deu as últimas instruções. O aviador ergueu a mão. Os auxiliares soltaram o avião. O Blériot, leve e gracioso como um pássaro em primeiro voo, iniciou sua corrida sobre a areia. Avançou apenas alguns metros antes de erguer-se, sutilmente, balançando como se testasse suas asas. Lá no alto, o Blériot flutuava. Plauchut manejava os controles com destreza, elevando-se na direção dos morros do José Menino e do Itararé. Foi mais além, na direção da Praia Grande, quando, de repente, desapareceu.

Uma pequena névoa o engoliu sem aviso. O céu, antes cortado pelo rastro da máquina, agora se fechava em um silêncio inquietante.

— Onde está? Vocês o veem? — perguntavam-se as pessoas na areia da praia, aflitas.

O alvoroço foi imediato. Palavras não bastavam para expressar o êxtase do momento. Madame Plauchut chorava de emoção. Lovely batia palmas, saltava, ria. Os amigos do aviador o cercaram, abraçando-o entre exclamações de triunfo.

Os auxiliares tomaram o Blériot e o conduziram de volta ao hangar. Plauchut, ainda vibrando com a emoção da façanha, subiu ao terraço do Parque, onde brindou com champagne, celebrando a conquista dos céus sobre a terra de Bartolomeu Lourenço de Gusmão.

O voo durou exatamente 11 minutos e 42 segundos. A hélice havia girado a 1.200 rotações por minuto. O espetáculo havia terminado, mas Plauchut ainda iria fazer mais um voo, pelo prêmio e para autoridades. 

Resumido de Sergio Willians (Memória Santista)



 Herança da época áurea das exportações de café pelo porto santista, e uma das primeiras casas não-geminadas de Santos, a edificação que abriga a Pinacoteca Benedito Calixto desde o final do século XX tem detalhes arquitetônicos clássicos misturados com art nouveau.Situada na Av. Bartolomeu de Gusmão, e conhecida como Casa Branca da praia, pertenceu à família Pires. (Novo Milênio).# 192

OCUPAÇÕES. Dentre as diversas famílias está a de Anton Carl Dick, alemão, proprietário do curtume na região, que por volta de 1908, constrói, em um terreno de 6.600 m2, no nº 12 da antiga Avenida da Barra, à beira mar, sua residência, na qual vive por três anos. Vende, em 1911, para Francisco da Costa Pires, português, exportador de café, que mora com sua a família até 1913, quando precisa comercializar o imóvel por motivos financeiros.

Em seguida, a casa é ocupada pelo Asilo dos Inválidos, que permanece no casarão por um período de oito anos. No ano de 1921, Pires readquire o Casarão, reformando-o inteiramente, passando a casa a ter aparência e a forma atual. Foram dois anos de remodelação, empregando elementos ornamentais em estilo art nouveau, mármore Carrara na escadaria, ferro maciço nos corrimões, vitrais no alpendre e na varanda das salas, executados pela Casa Conrado de São Paulo, pinturas decorativas, e na parte externa, jardins em estilo francês, com bancos, pérgolas e uma fonte decorativa na lateral direita da casa.

DA DECADÊNCIA AO RENASCIMENTO – Entre 1923 a 1935, foi um período de pujança, porém 1936 a residência é vendida para Companhia Sul América de Capitalização, e transforma-se, por dois anos, em pensionato para moças. Posteriormente é adquirida pelo sr. Antonio Canero, espanhol que enriquecera com negócio de ferro velho. A família reside até 1978, neste interím falece o sr. Canero, levando à divergências o futuro do imóvel. A Prefeitura intervém, e em 9 de outubro de 1979, é declarada de utilidade pública para fins de desapropriação pelo prefeito Carlos Caldeira Filho, todavia não houve um consenso entre os herdeiros e a municipalidade, ocasionando o abandono do Casarão, tornando-se um cortiço, onde viveram cerca de 24 famílias.

Novamente a Prefeitura intercede e são estudadas diversas sugestões para a utilização do casarão, tais como: sede da Câmara Municipal, Balneário Municipal, sede da Secretaria de Turismo ou espaço para atividades culturais. Em 1986 decide-se que no imóvel seria instalada a Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto. Após o restauro do edifício, com as adequações necessárias para abrigar espaços expositivos e para atividades culturais, a instituição é inaugurada em 04 de abril de 1992. Em 13 de dezembro de 2012, o imóvel é tombado pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos – 

CONDEPASA, por sua representatividade arquitetônica, como o último dos casarões existentes na região da época áurea do café.
Hoje a sede da Pinacoteca Benedicto Calixto, também conhecida como Casarão Branco é uma referência cultural para Santos e região. (Protagonismo Cidadão). 2021

FUNDAÇÃO. A Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto, instituída segundo a Lei nº 154, de 28 de maio de 1986, é gerenciada desde 2003 por uma associação de amigos da Pinacoteca Benedicto Calixto. A instituição recebe o nome de Benedicto Calixto em homenagem ao pintor que dedicou tanto tempo retratando e estudando Santos e a região.  Seu objetivo é difundir e estimular a produção artística em geral, especialmente as artes plásticas; reunir, classificar, catalogar e expor convenientemente obras plásticas consideradas de alto nível estético e representativas de sua época; conservar e restaurar obras de arte; promover estudos e pesquisas relacionados à defesa das artes plásticas no município de Santos; manter serviços e atividades culturais permanentes, constituindo um centro dinâmico de estudo das artes em geral no município de Santos.

ACERVO. Atualmente, o acervo artístico conta com 227 telas, sendo 127 de Armando Sendin, 62 de Benedicto Calixto, 01 de Pedro Alexandrino, 02 de A. Fernandes, 02 de Sizenando Calixto, 01 de Angelo Cantú, 01 de Salvador Rodrigues Jr., 02 de Atayde Mestieri Chammas, 01 de Gilberto Winter, 01 de Accindino Andrade, 01 de Niobe Xandó, 01de Percy Lau, entre outros artistas, além de 51 cerâmicas de Armando Sendin.

O acervo inclui também objetos pessoais e de pintura de Armando Sendin e Benedicto Calixto, como caixas de tintas, pincéis, fotografias, etc.




Velha Casa de Martim Afonso. São Vicente.

Pinturas e cerâmica de Armando Sendin. 


Ruínas de Santana de Acarahu- São Vicente


Maria Bonita e Lampião são figuras clássicas da “marginalidade” brasileira registradas no livro “Bandidos”, do historiador britânico Eric Hobbsbawm. A obra explica sua conhecida tese acadêmica sobre o chamado "banditismo social". Nela, essas duas figuras, assim como todo o universo do cangaço, povoa o  imaginário popular em diversos aspectos, condenando ou exaltando -de forma de reacionária ou heroica- essas personalidades, ecoando também como culto místico-religioso. É uma clara resposta aos anseios contra o preconceito e a opressão , espalhada no Brasil  principalmente pelos retirantes e migrantes nordestinos. Em São Vicente, por exemplo, essa mística devocional ao cangaço, assim como outras manifestações,  encontrou eco nos bairros simples por meio de médiuns populares. Na região do Dique das Caixetas, nos anos 1980, foi muito famosa e cultuada a própria “Maria Bonita” cujo aparelho mediúnico - vestida à caráter - atendia ali aos anseios espirituais dos moradores e visitantes. Nas cidades do interior – e aqui no litoral - esse fenômeno ocorre também através da manifestação do “Boiadeiro” e muitas outras entidades legendárias desse universo. # 193. 


ÂNGELA JA ESTÁ EM LIBERDADE. Já está em liberdade, mediante pagamento de fiança, a curandeira Francisca Cezário, a “Ângela, a Santa” que foi presa pela Polícia de São Vicente. O maior problema encontrado pelas autoridades, é o elevado número de pessoas que querem depor em favor da mulher, a maioria afirmando ter sido curado por ela. Já foram tomados depoimentos de mais de 10 pessoas e outras deverão comparecer à Delegacia vicentina na segunda-feira. Contudo Ângela a Santa, está proibida pelas autoridades policiais, de continuar atendendo os que a procuram.Enquanto várias pessoas defendem Ângela, a Polícia mantem reservas sobre os poderes que ela diz possuir. Contudo, em face do grande número de pessoas que se dizem curados por ela, o delegado Ayrton Martini de terminou o maior rigor durante as investigações.
ESPIRITOS. Apesar de analfabeta, Ângela possui uma maneira toda especial para falar ás pessoas, tendo grande facilidade em convence-las. Muito humilde e chamando a todos de senhor, ela vai contando a sua estória e no final a maioria acaba acreditando. Ela impressiona pelo seu alto poder convincente. "Há tempos eu estava doente, quando tive uma visão. Um homem que dizia ser um médico, disse-me que a partir daquele instante estaria orientando-me, para que eu pudesse curar as pessoas, através de orações". Concluindo sua narração, Ângela disse que tão logo ficou curada do mal que a prendia na sua cama. começou a missão Sempre trajada de branco, com mascara de médico Ângela atendia a quantos a procuravam, depois a sua fama cresceu e a clientela aumentou, então "eu tive que marcar horário de trabalho, do contrário teria que trabalhar dia e noite".
Para rebater as afirmações de que Ângela é uma santa. a polícia conta com um laudo de laboratório, afirmando ser fígado de galinha, o que a curandeira afirmou ter sido extraído de uma paciente. As investigações prosseguem e a população acompanha com vivo interesse o desenrolar dos acontecimentos. alguns afirmando. "também o Zé Arigó apesar de provar e comprovar a sua capacidade para curar as pessoas, foi preso e perseguido. É uma provação que eles têm que passar". Outro popular não identificado, declarou que "dona Ângela curou minha mulher e se ela precisar eu pagarei as custas do advoga do para defendê-la. Cidade de Santos, 11 de março de 1972. # 194


Edson Arantes do Nascimento era mineiro de Três Corações (1937). Apesar do apelido ter sido inventado por volta de 1947, o nascimento de Pelé deu-se na tarde de 16 de julho de 1950, enquanto ouvia em Bauru (SP) a transmissão da final da Copa daquele ano, entre Brasil e Uruguai. "Foi um dos dias mais tristes da minha infância. A festa já estava preparada, todos achavam que o Uruguai não tinha chances, ainda mais jogando no Maracanã. Quando terminou o jogo e eles venceram (2 a 1, de virada), senti como se tivesse perdido um parente. Ao mesmo tempo, veio uma sensação gozada, de não querer que aquilo se repetisse mais. Foi aí que decidi ser um jogador que fizesse diferença, que trouxesse a alegria que os uruguaios nos roubaram daquela vez. Foi aí que o Pelé realmente começou”. 
A carreira só foi concretizada a partir da união com João Havelange no final dos anos 1960, como trampolim para presidência da FIFA e que culminaria com a ida de Pelé para o New York Cosmos em 1976. O começo dessa trajetória profissional meteórica teve início com a transferência da família do jogador para o litoral que, segundo alguns teria se fixado inicialmente no bairro Voturuá - S.Vicente- de onde  o jogador seria transferido para uma pensão em Santos, de propriedade do conhecido empresário Pepe Gordo. Adaptado de Folha de São Paulo. # 195



RUÍNAS NO ENGENHO DE JERÔNIMO LEITÃO (PORTO DAS NAUS) - Mais conhecidas como Porto das Naus. As ruínas que ali existem datam de 1615. O engenho foi construído em 1580, sobre as ruínas do primeiro trapiche alfandegado do Brasil, construído em 1532. Defronte a estas ruínas existe o local da antiga Igreja Nossa Senhora ou Santa Maria das Naus, construída em 1552. Juntamente com o engenho foi destruída pelos corsários holandeses comandados pelo famoso pirata Joris Van Spilbergen. Essas terras pertenceram primeiro ao bacharel Cosme Fernandes; depois de 1532 a Pero Correa e mais tarde ao governador ou capitão-mor Jerônimo Leitão. Foi ele, por duas vezes consecutivas, capitão-mor de São Vicente, de 1573 a 1580 e de 1583 a 1592. Localiza-se à Avenida Tupiniquins, logo depois da Ponte Pênsil, sentido São Vicente-Praia Grande. # 196




José Valdir Lanza  era filho do empresário Vitório Lanza e da educadora Maria Ottília Pires Lanza, fundadores da Escola e Faculdade Monte Serrat, em Santos. Foi um dos criadores e  presidente da União Brasileira Educacional (UNIBR). O grupo  entrou em São Vicente em 2006, quando adquiriu a Faculdade Integração ampliando as instalações e cursos superiores , saltando de 300 para cerca de 2 mil alunos. O centro universitário abrangia três endereços: a avenida Capitão-mor Aguiar,  rua Sorocabana e rua Visconde de Tamandaré. Lanza era publicitário formado pela Universidade Católica de Santos, pós-graduado pela ESPM- Escola Superior de Propaganda e Marketing. Fundou e dirigiu também Fundador  a Educa Comunicação Educacional, em São Paulo e  agência publicitária Êxodo, na cidade de Santos, No Semesp, sindicato de escolas superiores, ocupou vários cargos em diversas diretorias da entidade. Faleceu em 2022 aos  57 anos em um acidente na avenida Perimetral do Porto  de Santos deixando esposa e três filhas. # 197.


Exmo. Senhor.
Venho, pela presente, comunicar-lhe que tendo recebido dos Snrs. Drs. Luiz Silveira, Adelino Leal e Antenor Paz, a proposta para fundir o meu Colegio São Paulo com o modelar Ginasio que se propunham fundar, considerei, primeiramente, o interesse dos alunos. Entre as vantagens que lhes adviriam dessa fusão, ressalta o fato de poderem completar a educação no mesmo estabelecimento, não sofrendo assim os prejuízos consequentes de alterações no método de ensino ou no sistema de educação. Reconhecendo, tambem, a importancia do empreendimento e, principalmente, a relevancia dos nomes que o encabeçam, deliberei aceitar o honroso convite para cooperar na realização de um justo desejo do povo vicentino.

Dess’arte, a 22 de janeiro de 1939, será inaugurado o sucessor do “Colegio São Paulo”, o “Ginasio Martim Affonso”, que será dirigido pelo Snr. Dr. Luiz Silveira, homem cujas altas qualidades morais e intelectuais prescindem de qualquer referencia minha, visto serem sobejamente conhecidas pela sua atuação, não só no magisterio superior , como na imprensa, e nos elevados cargos que tem desempenhado.

Farão parte, também, da Diretoria, os srs. Dr. Adelino Leal, ex-Diretor do Laboratorio Bromatologico do Estado de São Paulo e fundador dos Ginasios Oswaldo Cruz e Minerva e Antenor Paz, cuja cultura já é bastante conhecida em nosso meio. O Curso Primario continuará sob minha direção, e o ensino será ministrado pelas mesmas professoras. Assim poderão os alunos usufruir de todos os melhoramentos que serão introduzidos, e receberão a instrução por métodos pedagogicos já experimentados e eficientes.
Assim sendo, espero que o “Ginasio Martim Affonso” continue a merecer-lhe a preferencia, pois, auxiliada pelos valiosos elementos aos quais me associei, sinto--me mais capaz de corresponder á confiança com que V. Exa. Sempre me honrou e mais apta a atender-lhe a justas exigencias relativas á instrução e educação de seus filhos.

Respeitosas saudações

Zina De Castro Bicudo  # 198



A Torre de Belém, antigamente Torre de São Vicente a Par de Belém, oficialmente Torre de São Vicente,[é uma fortificação localizada na freguesia de Belém, Município e Distrito de Lisboa, em Portugal. Na margem direita do rio Tejo, onde existiu outrora a praia de Belém, era primitivamente cercada pelas águas em todo o seu perímetro. Ao longo dos séculos foi envolvida pela praia, até se incorporar hoje à terra firme. Um dos ex libris da cidade, o monumento é um ícone da arquitetura do reinado de D. Manuel I, numa síntese entre a torre de menagem de tradição medieval e o baluarte moderno, onde se dispunham peças de artilharia. Ao longo do tempo, a torre foi perdendo a sua função de defesa da barra do Tejo e, a partir da ocupação filipina, os antigos paióis deram lugar a calabouços. Nos quatro pisos da torre, mantêm-se a Sala do Governador, a Sala dos Reis, a Sala de Audiências e, finalmente, a Capela com as suas características abóbadas quinhentistas. A Torre de São Vicente (1514) pertence a uma formação de defesa da bacia do Tejo mandada erigir por João II de Portugal, composta a sul pela torre de São Sebastião da Caparica (1481) e a oeste pela Torre de Santo António de Cascais (1488).

O monumento destaca-se pelo nacionalismo implícito, visto que é todo rodeado por decorações do Brasão de armas de Portugal, incluindo inscrições de cruzes da Ordem de Cristo nas janelas de baluarte; tais características remetem principalmente à arquitetura típica de uma época em que o país era uma potência global (a do início da Idade Moderna). Juntamente com o Mosteiro dos Jerónimos, foi classificada em 1983 como Património Mundial da UNESCO e eleita como uma das Sete Maravilhas de Portugal em 2007. Em 2015 foi visitada por mais de 608 mil turistas. Em 2022, registou 377.780 entradas, sendo um dos monumentos mais visitados do país. # 199




A Torre do Tombo é de uma das instituições mais antigas de Portugal. Foi nela onde foi encontrada e reproduzida os Diários de Pero Lopes de Souza, que contém o registro da fundação da Vila de São Vicente em 1532. Também ali está a Carta de Pera Vaz de Caminha, registro oficial do Descobrimento do Brasil em 1550, pela expedição de Pedro Álvares Cabral. 

Desde a sua instalação numa das torres do castelo de Lisboa, ocorrida provavelmente no reinado de D. Fernando e seguramente desde 1378, data da primeira certidão conhecida, até 1755, prestou serviço como Arquivo do rei, dos seus vassalos, da administração do reino e das possessões ultramarinas, guardando também os documentos resultantes das relações com os outros reinos.

Além de servir a administração régia, com funções semelhantes às de um arquivo intermédio dos nossos dias, o serviço mais importante prestado pela Torre, foi o das certidões, solicitado pelos particulares e pelas instituições. Mediante autorização régia, facultou a consulta e mesmo o empréstimo de documentos, a alguns estudiosos, cujas obras foram depois impressas.

No século XVII, começou a ser organizado o Arquivo do Arquivo, surgindo os primeiros livros do seu registo, fizeram-se alguns índices. No século XVIII, o crescente número de certidões solicitado à Torre do Tombo, onde avultam as pedidas pela Academia de História, fez aumentar o número dos seus oficiais. Neste século, no âmbito da descrição dos documentos, realizaram-se numerosos índices, indo ao encontro da necessidade de se conhecerem os documentos e de se criarem os instrumentos de pesquisa necessários à sua recuperação: este trabalho iniciou-se e decorreu, em boa parte, no edifício da torre do castelo: assim foram elaborados a maioria dos índices das Chancelarias régias (1715-1749), das Leis e Ordenações (1731), das Bulas (1732), dos moradores da Casa Real (entre 1713 e 1742), o inventário das Bulas, Breves e trasuntos pontifícios (1751-1753).

No dia 1 de Novembro de 1755, a torre ruiu durante o terremoto que devastou Lisboa. A documentação foi recolhida dos escombros, e guardada, temporariamente, numa barraca de madeira, construída na Praça de Armas, após autorização do Marquês de Pombal, datada de 6 de Novembro. Em 26 e 27 de Agosto de 1757, foi transferida para uma parte do edifício do Mosteiro de São Bento da Saúde, da lado da Calçada da Estrela, ocupando as instalações designadas por Casa dos Bispos e compartimentos contíguos, que foram arrendados ao mosteiro. Houve então que proceder à sua instalação, e à sua organização: os maços da Casa da Coroa, foram organizados em colecção do Corpo Cronológico, e em colecção dos Fragmentos. Os oficiais do arquivo fizeram várias cópias de documentos, nomeadamente, a Reforma das Gavetas, a Reforma dos Forais Antigos, e a colecção de Cópias, tendo continuado o trabalho de descrição de documentos de que resultaram os índices do Corpo Cronológico (1764), os sumários e índices dos documentos das Gavetas (1765), os índices dos livros das Ementas (1765), os índice dos maços das Moradias e dos Ofícios da Casa Real (1767, 1770), o inventário dos documentos da Casa da Coroa (1776). Alguns destes instrumentos de descrição, podem ser ainda hoje consultados no Serviço de Referência.

A partir de 1777, pelo Regimento de 1 de Agosto, os livros de registo das mercês dos reinados findos, estavam obrigados a dar entrada na Torre do Tombo. Em 1791, por Aviso de 5 de Fevereiro, o Registo Geral de Mercês foi transferido para a Torre do Tombo, mantendo-se a funcionar nesta instituição até 1927. escreve sobre o papel histórico de São Vicente na história do Brasil.

No início do século XIX, as atribuições do Arquivo alargaram-se à formação de funcionários e ao ensino da Diplomática, concretizada na criação da Aula de Diplomática. # 200




Viriato Correia (Manuel Viriato Correia Baima do Lago Filho), jornalista, contista, romancista, teatrólogo e autor de crônicas históricas e livros infanto-juvenis, nasceu em 23 de janeiro de 1884, em Pirapemas, MA, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 10 de abril de 1967. Era filho de Manuel Viriato Correia Baima e de Raimunda Silva Baima. Ainda pequeno, foi para a capital do Maranhão para ingressar nos ensinos primários no Colégio São Luís e, posteriormente, no secundário, no Liceu Maranhense. A escrita começou aos 16 anos, com poesias e contos. Mudando-se para Recife, após o curso preparatório, ingressou na Faculdade de Direito, que cursou por três anos. Completou o curso de Direito no Rio de Janeiro em 1907, mas trabalhou pouco como advogado. Viriato se destacou na literatura, no jornalismo e na carreira política. Por intermédio de Medeiros e Albuquerque, conseguiu um emprego no jornal Gazeta de Notícias. Contribuiu, ao longo dos anos, com vários jornais, como o Jornal do Brasil, Correio da Manhã, além de revistas como a A Noite Ilustrada e a Tico-Tico. Foi também fundador de dois jornais, o Fafazinho e A Rua.  Em As Belas Histórias da História do Brasil registrou o papel e a primazia história de São Vicente. Ingressou na política em 1911, onde foi eleito deputado estadual no Maranhão e pelo mesmo estado foi deputado federal em 1927 e 1930. Acabou afastando-se da política em 1930 ao ser preso pela Revolução de 1930 e seguiu para a literatura, onde escreveu romances, peças teatrais, livros para crianças e crônicas históricas. # 201


Antônio de Oliveira Passos Sobrinho nasceu em São Sebastião a 24 de abril de 1876. Depois de trabalhar na Coletoria do Estado em sua terra natal e de lecionar no bairro sebastianense de Pontal da Cruz, veio para Santos em 1901, aqui constituindo família, de que foi chefe exemplar. Professor na Escola Noturna, em Vila Matias, mantida pela Prefeitura, transferiu-se para o grupo escolar que funcionou na Rua 2 de Dezembro, hoje D. Pedro II. Em 1919, acometido de séria enfermidade, deixou o Magistério, aposentando-se. Foi também funcionário da Companhia Docas de Santos, onde desenvolveu funções de praticante de escriturário, encarregado do Expediente, secretário da Superintendência e despachante. Mais antigo professor municipal de Santos, Antônio de Oliveira Passos Sobrinho faleceu em 1970 com a idade de 94 anos. A Escola Pré-Primária situada na Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, esquina da rua 28 de Setembro, inaugurada a 31 de maio de 1972, pelo interventor federal, general Clóvis Bandeira Brasil, recebeu o nome do saudoso educador, de conformidade com o decreto 3.952, de 9 de fevereiro de 1972. # 202

Fonte: RODRIGUES, Olao. Veja Santos!, 2ª edição, 1978. Ed. do autor - pág. 78/79. Novo Milênio.

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Como é de nosso hábito, mais uma visita fizemos hontem, domingo, a vizinha cidade de S. Vicente, - a cellula-mater" da nacionalidade brasileira.
Manhã clara, cheia de sol e de temperatura agradável, convidava memo a gente a um passeio por aquelles lindos recantos da terra vicentina.
E. assim, para o fim em vista, tomamos na praça o bonde 13, saltando no José Menino, em frente ao Grande Hotel Internacional e o Emporio Alonso, e ali aguardamos a passagem do bonde 2, que nos levou até o porto do Tumyaru.
Ali saltando, tomamos logo a direcção da avenida Newton Prado, a mais pittoresca de S. Vicente, e, depois de termos saboreado um duplo de boa garapa no "Recreio Guarany", fomos contornar a outra avenida que circunda o Morro dos Barbosas, (da Biquinha), já agora toda asphaltada e offerecendo um bellissimo aspecto. Em toda a sua extensão desde a Ponte Pensil, que se observam all lindos panoramas, principalmente do outro lado do mar, onde se accumulam lindas e pittorescas vivendas de recreio, nas fraldas e nos altos dos morros e também à beira das duas pequeninas praias ali existentes, - todas ladeadas ou circundadas de arvores frondosas, taes como umbaúbas, canivetes. taquarussus, palmeiras, etc., etc., formando verdadeiros bosques para recreios e piqueniques.
Tudo ali é de attrahir ao visitante: o canto dos periquitos, das juritys e dos sabiás nos ramos mais altos dos arvoredos; a vegetação silvestre e o seu odor agradavel; o mar com as suas ondas se desfazendo sobre as pedras e o cheiro activo de marezia; as suas pequeninas praias; o porto do Tumyarú com as suas coluñas e laga-mares, estes, até então, abundantes em "bribigão". E, hoje, sem nenhum; os seus mangues infindáveis; o monumento de granito a João Ramalho, e, por ultimo, a Biquinha de Anchieta, sempre repleta de visitantes!
A linda e encantadora praia de S. Vicente, formando uma perfeita curvilinea, ajardinada e iluminação a capricho; as suas extensas avenidas, ruas e praças, - todas arborizadas e bem cuidadas; o seu mar sempre bonançoso e repleto de banhistas, ora na praia fazendo exercícios de cultura physica, ora nos  trampolins exercitando a natação, - tudo isto é o que se observa, principalmente aos domingos e feriados, em toda a orla marítima vicentina, inclusive a Ilha Porchat.
E' para lamentar que os turistas que desembarcam em Santos conheçam a cidade de S. Vicente de passagem pela sua praia, pois os automóveis que os levam à Praia Grande e Ponte Pensil, regressam a Santos, pelo mesmo caminho que é o da avenida que contorna o Morro dos Barbosas, quando deviam regressar pela avenida Newton Prado de modo a ficarem conhecendo também o centro da primeira cidade fundada no Brasil e a sua tradicional Igreja Matriz, - uma das mais antigas existentes.
Para isto, seria necessário que a Prefeitura local mandasse fazer naquella avenida, a Newton Prado, o mesmo trabalho já realizado na do Morro dos Barbosas, e que, em seguida, ordenasse a volta dos automóveis por ali, tanto os de cargas como os de passageiros.
Notamos que a grande avenida que começa no José Menino, atravessando toda a praia do Itararé e alcançando a avenida Presidente Wilson em S. Vicente, está quase toda construída de lindos e vistosos palacetes, pouco faltando para ficar intimamente ligada a Santos!
Depois de termos percorrido as principaes ruas, avenidas e praças de S. Vicente resolvemos voltar a Santos pelo bonde 1, via Matadouro. E nada perdemos com isto, pois a nossa impressão foi magnifica ao passarmos pela avenida Antônio Emmerich. Desde a praça Coronel Lopes até bem próximo ao Matadouro, que se observa ali um grande numero de bangalôs, palacetes e pequenas vivendas, uns já construídos e outros em construcção, principalmente na antiga area de terreno pertencente á Santa Casa de Misericordia de Santos, antes verdadeiro capoeirão!
Ao lado da Villa Mello, num antigo prédio ali existente, agora completamente pintado e renovado, observamos uma grande placa com os seguintes dizeres: "Escolas Urbanas". o que quer dizer que a instrucção em S. Vicente está de facto progredindo bastante com a criação de novas escolas.
E o lindo prédio do Collegio "Madre Theodora" localizado numa das praças principaes de S. Vicente. E destinado á instrucção primaria e profissional, bem demonstra o actual grau de instrucção da terra vicentina.
Segundo a imprensa local, já foi tambem demarcado ali, na Villa Valença, o terreno destinado á construcção do segundo grupo escolar estadual de S. Vicente. 
Por hoje, ficamos por aqui. deixando o que escapou à nossa observação, ao cuidado do nosso presado amigo, sr. Edison de Azevedo, onde, com o máximo interesse, carinho e competência jornalística, desenvolve, pelas colunas desta folha, tudo o que se relaciona directamente com a terra vicentina e com a  sua laboriosa população
16 de setembro de 1940.
A. PASSOS SOBRINHO


O MONUMENTO DOS "TAMBORES" está reformado  e mudado de lugar para otimizar o trânsito nas avenidas das N.S. de Fátima e Antônio Emmerich, na divisa da Zona Noroeste. O monumento já sofreu várias reformas desde à sua inauguração em 1967. Politicamente é marco de uma antiga área de disputa territorial entre os dois municípios, na qual Santos se apropriou tirando proveito da construção do cemitério de Areia Branca (construído em terreno cedido politicamente por S. Vicente) e das antigas estações de bonde. A divisa original ficava depois do cemitério, próxima ao Chico de Paula. A Vila São Jorge - antigo sítio-  e também o Engenho dos Erasmo, pertencem historicamente a São Vicente.
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Na vida cotidiana  é só um ato convencional técnico e político. Mas há também um outro olhar territorial nessa mudança. "Tambores" é uma referência ao combustível de transporte rodoviário embalado em recipientes metálicos pelas refinarias, simbolizando o patrocínio material. Porém, subliminarmente, soa como uma alusão ao instrumento rítmico marcante nos terreiros de umbanda e candomblé que existem há décadas nas duas vilas São Jorge, amplo e histórico território de engenho, de escravizados e de quilombos. Na mística do sincretismo religioso São Jorge é símbolo da justiça espiritual reparadora, que na cultura africana é Oxossi.  Abrindo o mapa do Google nessa antiga região colonial vicentina percebe-se um grande número de terreiros com nomes afro-indígenas. O principal deles (do lendário Chico Feiticeiro) está localizado na avenida NS de Fátima, na Caneleira, na antiga divisa com São Vicente, no rio Rio São Jorge, próximo ao Matadouro. O templo foi construído com doações de influentes comissários de café, entre eles o ex-prefeito vicentino Charles Dantas Forbes, sob o comando de um delegado da Alfândega que frequentava como adepto religioso o terreiro ou como se dizia "batia o tambor". Esse também é o universo de uma potestade angélica, que protege  os marginalizados da ilha e preserva a memória e a história local, dos opressores e oprimidos. A Lua é a prisão espiritual de criminosos punidos por São Jorge Guerreiro e regenerados pelas mães (aos pés de Maria, como está na Bíblia). A região também é católica mariana. (CALUNGAH). #203



Núcleo aristocrático paulistano formado por empresários industriais e do comércio portuário exportador em Santos. Paulo Cochrane Suplicy (corretor de café) e Filomena Matarazzo Suplicy foram pais do senador paulista Eduardo Suplicy e sogros de Marta Suplicy, prefeita de São Paulo, ambos fundadores do PT-Partido dos Trabalhadores nos final dos anos 1970. Juntamente com membros originários do movimento sindical , da USP e da PUC-SP, compunham o então maior grupo politico de resistência e oposição ao regime militar instalado no Brasil em 1964. A família possuía casa de veraneio no Morro do Barbosas, em São Vicente, construída a partir das instalação de um antigo mosteiro. #204


OS SUPLICY E OS VASCONCELOS. Acima, a vista do Morro dos Barbosas no início do século XX. A casa em primeiro plano foi um antigo mosteiro e depois transformada em mansão veranista da família Suplicy, avós do senador Eduardo Matarazzo Suplicy, assíduo frequentador da então badalada praia Gonzaguinha. O romance e casamento dele com a sexóloga e prefeita paulistana Marta Vasconcelos Suplicy  teve início num desses verões dos anos 1960 quando os dois teriam protagonizado uma romântica cena de quase afogamento e salvamento no então limpíssimo mar da baía vicentina.
Imagens: IHGSV e Folha Press.



Uma figura militar de destaque que residiu no Forte Itaipu de Praia Grande foi o general Osvaldo Muniz Oliva, nascido em Santos em 1925 e ingressante na Academia das Agulhas Negras em 1945. Na sua biografia do CEPDOC da Fundação Getúlio Vargas, consta a sua rápida trajetória de promoções e serviços em importantes unidades técnicas do Exército: "Cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais entre fevereiro e novembro de 1955, quando foi para o Grupo de Artilharia da Costa, em São Vicente (SP)". Foi oficial de gabinete do então ministro do Exército general Artur da Costa e Silva e depois assessor-chefe da Secretaria Geral do Conselho de Segurança Nacional, onde ficou até 1970. Nesse mesmo ano tornou-se comandante do 6º Grupo de Artilharia Motorizado, em Praia Grande. Do seu casamento com Iara Mercadante Oliva, teve seis filhos, "Um deles, Aluísio Mercadante, deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT), de São Paulo, na legislatura 1991-1995 e a partir de 1999, candidato derrotado à vice-presidência da República na chapa encabeçada por Luís Inácio Lula da Silva, nas eleições de outubro de 1994 e a vice-prefeito na chapa encabeçada por Luísa Erundina à prefeitura de São Paulo, em outubro de 1996, e senador eleito em 2002". O General Oliva declarou em entrevista que, mesmo sendo conservador, era apartidário e que sempre votou no filho. Encerrou suas carreira em 1990 como um dos mais influentes diretores da ESG, Escola Superior de Guerra. Na reserva atuou como consultor e tornou-se comentarista de jornalismo da Rádio Trianon, em São Paulo. #205


Em meio ao movimento internacional do escotismo, criado pelo escocês Baden-Powell (também homônimo de um conhecido compositor e violonista brasileiro) surgiu em 1909 uma vertente feminina - Girl Guides (Meninas Guias)- liderada por Agnes Baden-Powell, irmão do fundador. A ideia era compor uma força-tarefa colaborativa, prontamente aceita e que também se espalhou rapidamente em diversos países atraídos pelo escotismo. No Brasil as mulheres adotaram o emblema dos "bandeirantes" , na época vistos como símbolos de virtudes cívicas dos desbravadores paulistas do período colonial (mesmo sendo, como paradigma social dominante, escravagistas e violentos com os indígenas). Foi essa ideia que inspirou esse pequeno grupo de mulheres que orbitavam o círculo militar da Fortaleza de Itaipu nos anos 1970, lideradas por Yara Mercadante, esposa do então Comandante Oliva. Yara teve filhos que seguiram a carreira do pai e também o ideal politico civil, como foi i caso do senador petista Aloisio Mercadante. As bandeirantes surgiram nesse cenário de diversidade ao mesmo tempo conservadora e libertária, mas claramente um núcleo de apoio ao novo Comandante que assumia a unidade com novos desafios após os "anos de chumbo" do Cel. Erasmo Dias. Ambos eram cidadãos santistas. #206
Informações da FGV  e Foto: Claudio Sterque.



Paranaense de Curitiba, era filho de Cyriaco de Oliveira Bittcourt e de Dona Hermínia Polydoro Bittencourt. Desde os primeiros bancos escolares demonstrou apurada inteligência e desejo de saber. Foi aluno assíduo exemplar durante os anos que cursou o Ginasio Paranaense. Engenheiro Agrimensor formado no Rio de Janeiro, trabalhou na colonização do povoamento do solo do Paraná, denominado Miguel Calmon Dupi Almeida, na Estrada Ferro do Brasil Railway Construction, na Estrada de Ferro Sorocabana, na Estrada de Ferro Araguari a Catalão, como auxiliar técnico da Estrada de Ferro São Paulo-Rio-Santos, na Repartição de Saneamento de Santos. Colaborou com varias entidades, ocupando cargos de relevância, como o de Presidente do Conselho da Sociedade de Assistência à Infância, Tesoureiro e Conselheiro da Santa Casa de Misericórdia de Santos, Presidente do Centro dos Construtores de Santos, além de ter sido Presidente da Sociedade Amigos de São Vicente e Presidente e Conselheiro do Hospital São José. Foi Prefeito Municipal de São Vicente e Vereador, respectivamente nos períodos de 1941 a 1945 e de 1948 a 1951. Foi Presidente da Fundação Pro-Monumento a Martim Afonso de Souza.Era casado com Dona Ormuzd (Zeca) Sanchez Bittencourt. Residiu durante longos anos numa bonita e bem decorada casa na Praça 22 de Janeiro. Guia de Rua de Sâo Vicente. Narciso Vital de Carvalho. 1978. #205


Localizada desde a sua fundação em 1951 na rua Frei Gaspar,900, esta obra foi criada e mantida pela Fraternidade Cristã Vicentina. Ali também funcionavam a Biblioteca Pública, o Albergue Domingos Albano, o Dispensário dos Pobres André Luiz, a Escola de Corte e Costura Anália Franco e a Clínica Dentária Fraternidade. Na foto, de roupa branca, aparece  o fundador da Sinagoga Espírita Cáritas, o dentista Antônio Lopes Garrido.
O nome original desse núcleo  tem dois significados históricos: Cáritas, uma jovem cristã martirizada em Roma, cujas mensagens  foram obtidas na Sociedade Espírita de Paris  e inseridas em 1864  por Allan Kardec no livro O Evangelho Segundo o Espiritismo;  é também uma homenagem  aos comerciantes judeus que fraternalmente se empenharam para que a obra  social fosse rapidamente erguida. Funcionou durante décadas com atividades doutrinárias-assistenciais próprias e também como sede de eventos de entidades federativas espíritas da Capital e da nossa região. Nos anos 1980, aproveitando um vazio gestor, o núcleo sofreu uma tentativa de modernização de natureza política, organizada por um grupo de jovens ativistas laicos, que  trocaram o nome original por “Centro Espírita Evolução”. Por inciativa da União Municipal Espírita, o núcleo histórico foi recuperado e teve restaurado parcialmente seu nome original, permanecendo apenas Centro Espírita Cáritas, retomando apenas suas atividades doutrinárias kardecistas tradicionais. # 206
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SOU A CARIDADE. (Espírito Cáritas - O Evangelho Segundo o Espiritismo-1864).

"Chamo-me Caridade, sou o caminho principal que conduz a Deus; segui-me, porque eu sou a meta a que vós todos deveis visar.
 Fiz nesta manhã o meu passeio habitual, e com o coração magoado venho dizer-vos: Oh! meus amigos, quantas misérias, quantas lágrimas, e quanto tendes de fazer para secá-las todas! Inutilmente tentei consolar as pobres mães, dizendo-lhes ao ouvido: Coragem! Há corações bondosos que velam por vós, que não vos abandonarão; paciência! Deus existe, e vós sois as suas amadas, as suas eleitas. Elas pareciam ouvir-me e voltavam para mim os seus grandes olhos assustados. Eu lia em seus pobres semblantes que o corpo, esse tirano do Espírito, tinha fome, e que, se as minhas palavras lhes tranquilizavam um pouco o coração, não lhes saciavam o estômago. Então eu repetia: Coragem! Coragem! E uma pobre mãe, muito jovem, que amamentava uma criancinha, tomou-a nos braços e ergueu-a no espaço vazio, como para me rogar que protegesse aquele pobre e pequeno ser, que só encontrava num seio estéril alimento insuficiente.
Mais adiante, meus amigos, vi pobres velhos, sem trabalho e logo sem abrigo, atormentados por todos os sofrimentos da necessidade, e envergonhados de sua miséria, não se atrevendo, eles que jamais mendigaram, a implorar a piedade dos passantes. Coração empolgado de compaixão, eu, que nada tenho, me fiz mendiga para eles, e vou para toda a parte estimular a beneficência, inspirar bons pensamentos aos corações generosos e compassivos. Eis por que venho até vós, meus amigos, e vos digo: Lá embaixo há infelizes, cuja cesta está sem pão, a lareira sem fogo, o leito sem cobertas. Não vos digo o que deveis fazer; deixo a iniciativa aos vossos bons corações; pois se eu vos ditasse a linha de conduta, não teríeis o mérito de vossas boas ações. Eu vos digo somente: Sou a caridade e vos estendo as mãos pelos vossos irmãos sofredores.
Mas, se peço, também dou, e muito; eu vos convido para um grande festim, e ofereço a árvore em que vós todos podereis saciar-vos. Vede como é bela, como está carregada de flores e de frutos! Ide, ide, colhei, tomai todos os frutos dessa bela árvore que se chama beneficência. Em lugar dos ramos que lhe arrancardes, porei todas as boas ações que fizerdes e levarei a árvore a Deus, para que Ele a carregue de novo, porque a beneficência é inesgotável. Segui-me, pois, meus amigos, a fim de que eu vos possa contar entre os que se alistam sob a minha bandeira. Sede intrépidos: eu vos conduzirei pela via da salvação, porque eu sou a Caridade"!


Etnólogo, antropólogo e filósofo, Claude Lévi-Strauss nasceu em 1908, em Bruxelas, Bélgica. É considerado, além de fundador da antropologia estruturalista, um dos grandes intelectuais do século XX. Chegou ao Brasil em 1935, aos 27 anos, integrando o segundo grupo de acadêmicos estrangeiros convidados a dar aulas na USP. Alguns deles produziram obras curiosas sobre o Brasil e ainda não eram as celebridades que se tornariam ao voltarem para a Europa.  Entre esses pesquisadores estavam o historiador Fernand Braudel e o geógrafo Pierre Mombeig. Entre 1935 e 1937 Lévi-Strauss, além das suas conhecidas obras sociológicas, produziu um conjunto de fotografias contendo paisagens  urbanas de São Paulo e do litoral. As fotos revelaram não só as paisagens, mas principalmente os hábitos e os costumes dessas localidades. Entre as imagens mais icônicas estão as famosas estão os registros do carnaval na avenida São João e do gado transitando livremente em maio aos bondes. O mesmo aconteceu no litoral, começando na descida da Serra do Mar e os pescadores  Canto do Forte e Boqueirão em Praia Grande, na época bairro de São Vicente. As fotografias estão no acervo do Fundação Moreira Sales e no livro Saudades do Brasil, da editora Companhia das Letras. # 207



Antônio Augusto de Sá Lopes foi um empresário santista pioneiro dos transportes no Litoral Sul de São Paulo. Desde os anos de 1920 sua máquina fotográfica registrava o cotidiano de Praia Grande, na época chamada Praia da Conceição. Lopes sempre acreditou que o melhor destino turístico do litoral estava nessa região e procurava divulgar todas as imagens que obtinha. Nos anos 1940 fundou sua empresa de ônibus – a Sul Praiana - transportando por muitos anos milhares de moradores e turistas. Não havia estradas e o trajeto nas areias da longa orla muitas vezes resultava em atolamento. Teve uma época que as viagens eram acompanhadas por um avião pilotado por Jorge de Sá, filho do empresário, o que oferecia uma certa tranquilidade aos passageiros que temiam ficar abandonados na praia. As linhas da Sul Praiana foram posteriormente foram transferidas para a Breda Transporte.
(Do Historiador PG-Cláudio Sterque) # 208

 
Antoine de Saint-Exupéry nasceu em Lyon, França em 1900 e faleceu Mar Mediterrâneo em 1944. Foi escritor, ilustrador e piloto francês, internacionalmente reconhecido pelo seu livro O Pequeno Príncipe. Escrita um ano antes da sua morte, foi provavelmente a obra infantil mais celebrada da história. Aviador, fez célebre carreira como piloto da Latecoére, correio aéreo anos mais tarde adquirida pela Aeropostale. Nos anos 1920 as linhas Latécoère passavam por Toulouse, Casablanca e Dacar e tinham na mesma equipe  Vacher, Jean Mermoz, Guillaumet e outros famosos pilotos pioneiros. As linhas também atravessavam o atlântico e percorriam vários pontos da América do Sul, pontualmente no litoral do Rio Grande do Norte, São Paulo e Santa Catarina. 

Segundo o aviador e pesquisador Elson Sterque, existem diversos documentos que comprovam  o pouso de Saint-Exupéry no campo de utilizado pela Latécoére em Praia Grande. No Boletim nº 1 do Instituto Histórico e Geográfico de Praia Grande , Elson cita uma das comprovações desse evento histórico: “Exupéry pousou em Praia Grande ao amanhecer no dia 17 de abril de 1930, vindo de Florianópolis-SC, de onde decolou as 06:00 da manhã, pilotando a aeronave Laté 28. Após seu pouso em Praia Grande, decolou por volta das 09:00 horas com destino ao Rio de Janeiro”. A notícia, entre outros, foi publicada no Correio Paulistano na edição de 17 de abril de 1930. # 209


Rota percorrida por Saint-Exupéry quando era piltoto da Aéropostale. O escritor-aviador pousou em Praia Grande em 1930.


O campo de pouso em Praia Grande da Latécoère (F1) usado por Exupéry em 1930  Na foto 2, o piloto com populares na Argentina durante sua atuação na Latécoère.


Situada na esquina das Ruas Frei Gaspar e Padre Anchieta,  a velha casinha foi desativada e demolida em 1975, logo depois, os cerca de 1300  m² do terreno onde ela se situava, à rua Frei Gaspar n.º 433, serviram como depósito para a TELESP (Telecomunicações de São Paulo). São Vicente de Outrora .
# 210
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Humberto Wisnik: No início dos anos 50, Dona Dinorá Silva Pinto era a Telefonista Chefe da Telefônica nesta casa da foto. Nesta época eu residia atrás da Sorveteria Yayá e o César Camargo Mariano acima da Farmácia do Seu Ernani. Nós brincávamos no enorme terreno cheio de Goiabeiras e também onde havia uma Mangueira onde "residia" o Macaco Chico que pertencia à Dona Tereza mãe da Dinorá. Com 10/11 anos eu fiz algumas vezes o "Serviço de Mensageiro" que consistia em levar um Aviso para alguém que deveria comparecer ao Posto Telefônico para receber uma Chamada Telefônica Interurbana a uma determinada hora. Hoje no lugar da Sorveteria está o Shopping e no lugar da Telefônica uma Agência do Banco do Brasil. 

Regina Franca: Minha mãe Cartum foi telefonista muito tempo. Ela sempre falava de dona Dinorá, sua chefe.

Jose Chagas Reli: Terminei um namoro com uma garota, daqui de São Paulo, por telefone, aí nessa casinha. Confesso que foi um triste momento. Tinha uns 17 anos. Me lembro muito das cabines de onde falávamos após espera para que as telefonistas completassem as ligações.



O fotógrafo e comerciante Boris Kauffmann foi um dos cinco filhos José e Laura Kauffmann: Beila, Amália, Elisa, Malvina,  emigrantes vindos da Bessarábia (antiga União Soviética) e atual Moldávia. Chegaram  em Santos em 1911. Boris se casou com Bertha Padron e tiveram 5 filhos: Boris, Betinha, as gêmeas Beatriz e Berenice (também fotógrafa), e José Neto. Além de ter sido um renomado e prestigiado fotógrafo em Santos, Boris também tinha uma conhecida loja de artigos fotográficos no Centro da cidade e na praia (na Praça Independência). Deixou um importante acervo fotográfico de localidades e personalidades de São Vicente e Santos, registro feito em preto e branco da década de 1950. Parte do acervo que ficou sob a guarda da filha Berenice Kauffmann Abud  foi posteriormente foi doado para a Fundação Arquivo e Memória de Santos. # 211.


Imagem do banner: A atriz Cacilda Becker com o amigo Boris Kauffmann. Santos, 1937 (compartilhado por Berenice Kauffmann).



Edson Arantes do Nascimento nasceu em 23 de outubro de 1940 em Três Corações, MG, filho do jogador João Ramos do Nascimento -o Dondinho-e Celeste Arantes. Pelé tocava violão e compunha. Também atuou como ator de cinema e comediante na TV ao lado de Ronald Golias e Jô Soares (Família Trapo). Sobre ele, seu parceiro Pepe (criado na Vila Melo) afirmava intuitivamente: "Não era daqui. Veio de Saturno". Treinou inúmeras vezes com o Santos F.C. nas areias do Itaraé.  Nos anos 1980, gravou no Gonzaguinha  uma histórica entrevista com o repórter Milton Neves. Foi a estrela na premiação do concurso de misses no Ilha Porchat Clube. O jornalista Joelmir Betting, ainda criança, testemunhou um vaticínio da carreira do jogador durante uma missa do Padre Donizete em Tambáu. Edson e Dondinho, nesse dia, foram vistos por Beting e sua família. Passou a infância em Baurú (SP) e nos 1950 transferiu-se para o litoral. Seus pais e irmãos viviam nesse período em São Vicente, na Vila Voturuá, e ele numa pensão em Santos.  

Pelé recebeu seu primeiro nome em homenagem ao inventor Thomas Edison, de quem Dondinho era fã. Descrito como o "Rei do Futebol", foi considerado como o maior atleta de todos os tempos. Em 2000, foi eleito Jogador e também Atleta do Século. É o quinto maior goleador da história do futebol marcado 1283 gols em 1363 jogos. Já foi o atleta mais bem pago do mundo. Encerrou sua carreira no New York Cosmos, juntamente com o jogador alemão Franz Beckenbauer. Morreu no dia 29 de dezembro de 2022 na capital paulista, aos 82 anos, vítima de falência múltipla de órgãos. Foi velado em 2 e 3 de janeiro de 2023. Seus restos mortais estão no Memorial Necrópole Ecumênica, em Santos. # 212


Leonardo Nunes nasce, em S. Vicente da Beira, no seio de uma família de cristãos-novos, antigos judeus convertidos ao Cristianismo. Seu pai é Simão Álvares e sua mãe Isabel Fernandes. Veio ao mundo em data incerta, possivelmente, em 1518.
Já era padre, quando, em 1548, entra para a Companhia de Jesus.
A partir do colégio da Companhia, em Coimbra, percorre o Minho e a Beira, em pregação e vivendo de esmolas, o que muito chocou seus pais, quando o viram a mendigar, na sua terra natal.
Em 1549, parte para o Brasil, incorporado na armada de Tomé de Sousa, o primeiro governador-geral desta colónia. Integra um grupo de jesuítas chefiados por Manuel da Nóbrega. Os outros são o P.e António Pires de Castelo Branco, o P.e Juan de Azpilcueta de Navarra, o Irmão Diogo Jácome e o Irmão Vicente Rodrigues.
A sua missão é converter os índios e dar assistência religiosa aos portugueses que lá viviam.
Nos anos 1550 a 1554, Leonardo Nunes fica em São Vicente, ajudado pelo Irmão Diogo Jácome. São Vicente era já uma grande colónia portuguesa, desde 1530. Ali funda um colégio e depois aventura-se montanha a dentro, onde tem contacto com os indígenas e enfrenta os caçadores de índios que os queriam escravizar. O filme “A Missão” é um excelente testemunho da realidade que o P.e Leonardo Nunes ali viveu.
No ano de 1553, o P.e Manuel da Nóbrega, o Provincial da Companhia de Jesus, junta-se a Leonardo Nunes, em São Vicente, centralizando ali o trabalho missionário dos jesuítas, no Brasil. Manuel da Nóbrega fixa-se nos campos de Piratininga, numa aldeia, onde funda o Colégio de São Paulo, que deu nome à pequena povoação e hoje enorme cidade de São Paulo.
Nesse ano de 1553, Leonardo Nunes desloca-se à Baía, de onde regressa com o Irmão e futuro Padre José de Anchieta, outra figura cimeira na missionação do Brasil.
No ano seguinte, 1554, o Pe. Leonardo Nunes embarca para Lisboa, com destino a Roma. Manuel da Nóbrega encarregara-o de transmitir a (Santo) Inácio de Loiola os sucessos da Companhia de Jesus no Brasil.
Mas o barco naufragou ainda à vista da vila de São Vicente, arrastando consigo o nosso Leonardo Nunes, apenas com 36 anos, os últimos 5 como missionário no Brasil.  #213

Fonte: Síntese do prefácio de “Abarebebê” Tão rápido como um beija-flor. José Miguel Teodoro.Edição: Câmara Municipal de Castelo Branco. Ano: 2004.




Chegou ao Brasil em 1534 e nos primeiros anos levou uma vida de aventuras como conquistador e aprisionando índios para vendê-los como escravos. Em 1549, deixou a vida bárbara que levava e se converteu sendo recebido como irmão pelo padre Leonardo Nunes. Entrou na Companhia de Jesus, em São Vicente, sendo o primeiro irmão recebido no Brasil, e, então, doou todos os seus bens e as terras que possuía ao Colégio de São Vicente, do qual foi um dos fundadores. Falando fluentemente a língua tupi evangelizou índios de diversas nações e participou, em 1554, da fundação do Colégio de São Paulo de Piratininga. Em fins de 1554, com seu companheiro irmão João de Sousa, foi morto a flechadas pelos índios Carijós, na região de Cananeia, quando em missão de catequese. Ainda em São Vicente, depois de sua conversão, em 1552,  Pero Correa construiu a Igreja de Santa Maria das Naus, defronte do engenho de cana-de-açúcar de Gerônimo Leitão (Portos da Naus). Tanto a Igreja como o Engenho foram destruídos em 1615 pelos corsários holandeses. #214


A Conversão de Pero Correa. Benedito Calixto. Igreja de Santa Cecília, São Paulo. "A cena aconteceu no ano de 1549 na praia do Guarahú, em frente a Ilha Grande, região de Peruíbe, São Paulo.
Fonte: Terra de Santa Cr



A curiosa e admirável trajetória de um casal de paulistanos que ousou dar um novo rumo para suas vidas e conquistar a então quase selvagem Praia Grande. José Carlos com a sua esposa - a comerciante e incentivadora cultural Wanda Aparecida Dione de Oliveira - fizeram história. José Carlos, o "Peludo", é hoje nome de rua em Praia Grande e Dna. Wanda teve o seu nome homenageado em um viaduto na cidade. José Carlos de Oliveira foi o primeiro subprefeito de Praia Grande, quando a localidade era um promissor bairro de São Vicente. Foi também o primeiro dentista da então futura cidade e também grande empresário da pesca.  O casal teve participação memorável no movimento de emancipação, efetivada em 1967. Colaboração de Cláudio Sterque. #215



Edward Chad Varah era psicólogo e padre da Igreja Anglicana em Londres. Começou a compreender os problemas enfrentados pelos suicidas quando, em 1935, realizou seu primeiro funeral como assistente de pároco, o de uma menina de quatorze anos que havia tirado a própria vida por ter começado a menstruar e temer ter contraído uma doença sexualmente transmissível.  Mais tarde, ele disse: "Menina, eu não a conhecia, mas você mudou o resto da minha vida para melhor". Naquela época, ele prometeu incentivar a educação sexual e ajudar pessoas que estivessem pensando em suicídio e não tivessem a quem recorrer. Para esse fim, Chad Varah fundou os Samaritanos em 1953 na cripta de sua igreja, com o objetivo declarado de que seria uma organização "para fazer amizade com os suicidas e desesperados". A linha telefônica, MAN 9000 (para MANsion House), recebeu sua primeira chamada em 2 de novembro de 1953, e o número de chamadas aumentou substancialmente após a publicidade no Daily Herald em 7 de dezembro de 1953. 
Ele foi diretor da filial central de Londres dos Samaritanos até 1974 e presidente de 1974 a 1986. Também foi presidente fundador da Befrienders Worldwide de 1974 a 1983 e, posteriormente, seu presidente de 1983 a 1986. Veio ao Brasil em 1976 e propôs a criação da sigla CVV-Samaritanos para expansão dos postos voluntários de prevenção;  e em 1982, quando visitou os posto de Santos e São Vicente. # 216

1982. Chad Varah, criador do Samaritanos do Reino Unido no Posto do CVV Santos (Centro de Cultura) com voluntários e uma repórter da TV Tribuna. Foto de Dalmo Duque.



Jacques André Conchon, pernabucano nascido em Recife, foi aos 17 anos de idade um dos fundadores do CVV- Centro de Valorização da Vida, em 1961, em São Paulo. O primeiro posto do CVV funcionaria em 01 de março, de 1962, às 16 horas, em uma sala e um aparelho telefônico emprestado pela FEESP, na época de Edgard Armond. Jacques era engenheiro especialista em recursos hídricos e proprietário da Neotex, empresa de consultoria ambiental e construção de estações de tratamento de água. Foi também fundador e dirigente da Aliança Espírita Evangélica e membro atuante da Fraternidade dos Discípulos de Jesus. Nós o conhecemos nos anos 1970 aqui São Vicente, quando nos ajudou a implantar várias frentes de trabalhos humanitários, incluindo o posto do CVV de Santos. Era um grande entusiasta da Escola de Aprendizes do Evangelho, base educativa de trabalhares e de fundação permanente de novas casas espíritas.
ANTENADO E SERVINDO SEMPRE. Jacques André Conchon era um ativista incansável e inquieto. Sempre esteve antenado com as mudanças que poderiam gerar sofrimento humano e também oportunidade de servir e ajudar os que não se adaptam a essas mudanças. Nesse mais de 60 anos , ele e alguns companheiros inventaram e reinventarem o CVV várias vezes quando sentia que poderíamos ampliar o nosso raio de ação. Foi assim quando liderou a expansão dos postos, criou os estágios nos plantões, implantou o role-playing para treinamento, desenvolveu os Cursos de Aperfeiçoamento, o Caminho de Renovação Contínua, enfim, todas as inovações pelas quais tivemos que passar. Faleceu em 14 de Julho de 2021 no Rio de Janeiro, aos 76 anos. Nos últimos meses estava bem feliz por que o CVV conquistou o número 188 ( de ação nacional gratuita) e que chegamos ao posto número 100. Já bem doente e sem a sua e nossa companheira Suely Conchon, atuava nas redes sociais gravando vídeos no YouTube com a ajuda de um neto. Nunca esqueceu a primeira instrução dada a ele pelo Comandante Edgard Armond, sugerindo num bilhete e num recorte de jornal sobre suicídio a criação do CVV :
"Para quem quer servir esta é uma ótima oportunidade". # 217


Manual de voluntários editado em 1977 e a três biografias do CVV



Uma criança que brincava nas ruas de São Vicente, professora de balé aos13 anos e finalmente uma jornalista e repórter de TV consagrada no universo da comunicação. Entre muitas outras matérias sobre diversos assuntos – sempre com forte tom social – Thais Rozo narrou para o público do Jornal da Tribuna-Globo (21 de janeiro de 2023) uma rápida trajetória histórica da Cidade na comemoração dos 491 anos da fundação da primeira Vila do Brasil. Entrevistou comerciantes, cidadãos comuns e também um historiador explicando que São Vicente nasceu, na verdade em 1502, trinta anos antes da chegada do fundador Martim Afonso de Souza.  Revelou  que o nome da localidade foi dado pelo famoso navegador Américo Vespúcio, a serviço do Rei de Portugal.  Mesmo sendo um assunto pouco conhecido do grande público e que normalmente não era abordado em matérias jornalísticas curtas, Thaís e seu editor perceberam que o tema deveria então ser revelado como data comemorativa. E fizeram com maestria. A matéria com Dalmo Duque foi gravada na Casa das Bananadas – vizinha da Ponte Pênsil- com Dona Osnilda Blumem, herdeira do mais antigo emblemático comércio vicentino. Com imagens gravadas pelo cinegrafista Leandro Guedes, a reportagem - que daria um ótimo documentário (como já foi dito) - foi cuidadosamente reduzida para que chegasse ao público com a maior síntese e fidelidade possível. E assim foi, em duas versões para duas edições do telejornal. Um bela reportagem que virou documento histórico e memorial. # 218





Com mais de 100 anos e posicionada ao lado da Ponte Pênsil, a Casa das Bananadas foi erguida em função do grande movimento de turistas vindos principalmente de São Paulo para conhecer a grande obra de engenharia alemã que ligava a Ilha e o continente, no Bairro Japuí. É possível que das Bananadas seja uma ampliação de uma antiga garagem usada pela travessia de barcos, na época de propriedade do comerciante Antero de Moura, irmão do prefeito Antão de Moura. Bem próximo também funcionava as antigas instalações do Clube de Regatas Tumiaru. A garagem do clube foi registrada em fotos feitas por Benedito Calixto antes da construção da ponte. Dois anos depois a garagem teria sido reformada pela família paulistana – os Blume- que comandam o negócio até hoje. Casa das bananadas sempre foi um autêntico negócio feminino, para complementar a renda da família. A responsável atual é Osnilda Blume, herdeira da avó e da mãe Maria Blume. Octogenária em bem lúcida, ela mantém até hoje a produção tradicional criada pelas mulheres da família: as bananadas feitas de banana prata; doces tradicionais de abóbora e outras guloseimas de origem rural. Onilda talvez seja a última geração da doceria mais antiga do litoral sul. #  221. 





Anguair Gomes dos Santos, ator, educador, poeta, ativista político e cultural. Carioca de nascimento e vicentino desde 1978, como proposta de vida e realização. Foi um dos criadores da Casa Crescer e Brilhar, no Jockey Clube, espaço de reconstrução humana por meio da arte e ressignificação das coisas. Dessa experiência surgiu o livro que narra o sonho dele e dos seus parceiros falando da trajetória desse pequeno e persistente núcleo que ensina a arte de acreditar em si mesmo. Constatamos isso quando vimos o grande Rodolfo Rondon voltar ao Jockey para ensinar os primeiros passos da sua poderosa e múltipla arte. Anguair publicou também um livro recente contando a história da fundação de São Vicente, narrada por uma personagem africano. Afinal de contas, 1532 marcou o começo da vila afonsina e dos engenhos de açúcar. Eles se espalharam na capitania e pelo Brasil afora juntamente com a instituição da escravização dos africanos em terras brasileiras. O universo mercantil ibérico só foi possível com a presença simultânea do "calunga", o mundo mágico africano. Este atravessou o Atlântico sob o jugo do tráfico humano e, direta ou indiretamente, espalhou-se no sangue e no coração de todos os brasileiros. O mesmo aconteceu com o "pindorama" indígena e o constante ingresso de novos imigrantes. Viva o Pai Anastácio!!!  #219


Quem transita no universo da arte e da cultura não estranha as múltiplas vocações e habilidades de Fábio Luiz Salgado, sempre envolvido em eventos de vanguarda. Fábio é produtor Cultural da Pinacoteca Benedito Calixto, em Santos, sempre em busca de novidades para abastecer esse prestigiado e dinâmico espaço da nossa região. Músico concertista de formação, Fábio conhece e trafega no universo da literatura e das artes plásticas. Sua formação em ciências da computação na Unisanta também revela nele um lado muito instigante, que é a linguagem a arte digital. Quando dissemos a ele que sabíamos da sua origem vicentina, confirmou balançando a cabeça e completou rapidamente: “Calunga”!!! , isto é, um começo simples  que foi crescendo e se transformando numa vocação mais ampla e complexa. Fábio exibia seu  talento precoce tocando teclados nas calçadas,  ampliava seus conhecimentos nos clássicos da literatura nas bibliotecas, públicas ou escolares;  e também na banca de revistas da família.  São Vicente é assim mesmo. Do nada, aparentemente,  surgem talentos  e celebridades  que extrapolam as divisas e os limites da nossa ilha, como aconteceu com José  Miguel WisniK, Ubirajara Rancan e o inesquecível Eduardo Souto, autor do clássico "O Despertar da Montanha". Fábio faz parte dessa, vamos dizer assim, tradição de rupturas. #220



José Roberto Sagrado da Hora é literalmente a figura definida por este nome: curioso, inquieto e emblemático, da qual ninguém  resiste em perguntar o significado. Sempre que é questionado, explica  calmamente o motivo, porém deixa no ar o que há por trás dessa escolha feita pelos pais. Entendemos que nomes, quando pensados e decididos, não são meras coincidências. Funcionam como estratégia de afirmação de identidade, manifestação e definição de um destino que pode ser mudado. Foi o que aconteceu com ele. Rompeu incrivelmente a linha comum do seu caminho e atribui essa mudança à paixão pela escola. Roberto nasceu em Santos, mas passou a maior parte da sua vida morando e frequentando, com muito gosto, as escassas escolas vicentinas. Era uma época que elas eram improvisadas em salas emprestadas por instituições e clubes. Os professores percorriam  os bairros indo ao encontro dos alunos, combinando diferentes itinerários e currículos. Enquanto por algum motivo a maioria desistia, Roberto persistia. Essa teimosia deu certo e, sempre que pode, compartilha a experiência com alunos dos bairros periféricos. Ao terminar  uma palestra, logo é rodeado por um pequeno grupo querendo saber como, depois de tornar-se advogado, conseguiu ingressar e fazer carreira como delegado da Polícia Federal. A resposta é muito simples: a hora do estudo é sempre uma escolha  e também  um momento sagrado. # 221
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POD CAST de Tom o Mago como Sagrado da Hora e Dalmo Duque.
https://www.youtube.com/watch?v=kcYHQqKfjqs&t=318s



Formada em jornalismo e pós-graduada em educação, Helena Gomes é uma santista que vive do outro lado da Ilha de São Vicente, para ela um lugar mágico e inspirador para quem escreve livros e todo tipo de arte. Foi influenciada não apenas por livros, mas também pelo universo geek de filmes, seriados, animes e histórias em quadrinhos, onde aprendeu muito sobre os ritmos narrativos que aplica em suas obras. A escritora tem livros escolhidos para representar a literatura brasileira em catálogos internacionais da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), e obras finalistas do Prêmio Jabuti - principal prêmio literário do Brasil. Um deles vem se tornando com o passar dos anos o que mais traduz e revela o espírito vicentino ou calunga: ‘O enigma do edifício Gáudio’. Na sinopse de divulgação consta que o livro é uma autêntica “história de mistério e suspense, que tem como protagonista Raquel, de 16 anos, que vai morar com o pai no Gáudio, um dos mais antigos e emblemáticos edifícios da Praia do Gonzaguinha. A jovem, que perdeu recentemente a visão do olho direito, sofre para se adaptar a sua nova realidade. E o desafio aumenta quando estranhos pesadelos, envolvendo um misterioso crime ocorrido na década de 1980, levam a jovem a uma aventura perigosa e sobrenatural”. Além do Gáudio como cenário, a trama tem nas entrelinhas muitas particularidades de São Vicente, como o famoso baile “Uma Noite nos Mares do Sul”, realizado em sucessivos anos no Ilha Porchat Clube, “Uma noite nos Mares do Sul". Adaptado do site da PMSV - #222




A aguardada inauguração das dependências do fidalgo Clube Hípico de Santos, realizada domingo, com um grande concurso patrocinado pela Federação Paulista de Hippismo, em beneficio do Hospital S. José, Orphanato São Gabriel, de S. Vicente, foi coroada de inexcedível êxito.

Esse acontecimento, pela novidade que encerrava e pelo grande conceito em que já é tida a novel entidade, logrou reunir um público selectissimo que lotou todas as dependências do aprazível logradouro, não regateando aplausos aos intrépidos disputantes, que fizeram jus, fartamente, pelo arrojo, tenacidade e destemor, ás demoradas salvas de palmas, im-possivel de serem refreadas, ante a belleza e incomparável elegância com que eram transpostos, pe-los disputantes, os mais difíceis obstáculos.

Por várias vezes a commissão dirigente do torneio. solicitou so publico que se abstivesse de aplaudir quando um cavalleiro estava na pista, competindo, pois -o ruido da ovação perturbaría a montada, transtornando a possibilidade do disputante. Isso se deu com Dalva Morozetti, a intrépida e elegante amazona, vencedora da primeira prova. Dalva, em linda "performance", havia já transposto quase todos os obstáculos. Uma salva de palmas, vibrante, quando a joven amazona se aproximava do penúltimo obstáculo, se fez ouvir, demoradamente, entusiasticamente, e sua montada, "Tie-té", desviou, levando-a a perder 3 pontos, quando tudo indicava a transposição de todos os obstáculos. 

A Tribuna. Acervo Digital BN - # 223


HIPISMO EM SÃO VICENTE

INAUGURAÇÃO DA HÍPICA DE SANTOS EM SÃO VICENTE SÃO VICENTE, segunda-feira, 11 de novembro de 1940. 

O Ten. Fernando Henrique da Silva, Jayme Loureiro Filho e Ten. Sylvio Marcondes Rezende, vencedores da "Taça Parque Balneário Hotel", respectivamente em 1.°, 2.º e 3.º lugares. Dalva Morozetti, a elegante amazona, sobre "Tietê", após sua victoria na primeira prova; ao lado, o competente tratador Mariani do Clube Hippico João Alves de Toledo, ao executar a passagem de um obstáculo, montando "Principe". Aspecto de uma das archibancadas. 





Victório Morbin, conceituado empresário da construção civil e politico paulistano que expandiu seus negócios no litoral para atender a demanda veranista nos anos 1940,50 e 60.  Essa demanda seria marcada pela onda de verticalização e oferta de milhares de apartamentos nas orlas da região. Morbin se fixou em São Vicente e aqui concentrou seus principais negócios imobiliários de forma promocional bastante diferenciada. A política e a cultura marcou a vida empresarial de Morbin a partir do empreendimento da Edifício Gaudio, construído na esquina da rua Frei Gaspar com a avenida Embaixador Pedro de Toledo.  Para acelerar as vendas, deu início a uma série de promoções elitizadas e também populares, sempre atraentes, como uma galeria de arte e eventos, bem como o lendário bunker antiaéreo. O mundo  vivia intensamente os confrontos violentos da II Guerra Mundial e a cidade vivia em clima de medo em função da proximidade do porto de Santos. Para atrair o grande público, Morbin promovia em parceria com a prefeitura os famosos concursos e desfiles de beleza na orla do Gonzaguinha. Uma das suas investiduras nos negócios público-privados foi a direção da Companhia Telefônica Vicentina, a primeira a ofertar uma grande expansão de linhas em São Vicente e Praia Grande. Nesse cenário ele ingressou na política reivindicando uma vaga na Câmara Municipal. # 224

Victório Morbi, empresário e diretor da Companhia Telefônica Vicentina em entrevista ao jornal A Tribuna explicando a demanda e expansão de linhas em São Vicente e Praia Grande.  Acervo Digital da Biblioteca Nacional.

CONCURSO DE MISSES EM SÃO VICENTE EM 1951. O evento era promovido em parceria com a revista O Cruzeiro e o Clube Atlântico Vicentino. Na concepção dos autores da matéria - e também dos leitores - todas as cidades do litoral eram "Santos", daí o título genérico da reportagem. O promotor do concurso e representante do Departamento de Turismo era o empresário paulistano Victorio Morbin, construtor do Edifício Gáudio. Acervo Particular.



Edifício Gaudio. 1946. Av. Embaixador Pedro de Toledo, Bairro Gonzaguinha. Empreendimento de Victor Morbin. Projeto e Construção Escritório Técnico Luiz Muzi. Foto: Revista Acrópole. n.147, p 84-85, jul.1950. Gaudio é estado de espírito, da expressão latina, itálica, gaudério, usada para definir o hedonismo, estado de espírito alegre, o ócio, da constante busca de prazer.
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"Um dos mais icônicos edifícios da praia e da cidade, pelas suas características formais pioneiras e pela qualidade do seu projeto e construção. Este edifício está implantado numa esquina de terreno irregular e apresenta uma linguagem moderna original, com destaque para o bloco da escada saliente de frente, com coroamento superior em forma de cúpula, acompanhado das varandas arredondadas na fachada da praia. Os ricos detalhes coloridos em verde também lhe emprestam um caráter original. Semelhante ao edifício Astro no Boqueirão em Santos, do mesmo arquiteto, este edifício residencial tem 12 pavimentos-tipo com amplos apartamentos e térreo com restaurante tradicional, além de uma curiosidade interessante. Como foi construído durante a 2ª. Guerra mundial ele foi provido de um “bunker” em seu subsolo, com capacidade para 80 pessoas, destinado a servir de refugio em caso de ataque aéreo. Hoje serve como discoteca, sem dúvida um uso mais agradável.
Edson Eloy. Arquitetura e Paisagem. # 225

https://peabirucalunga.blogspot.com/.../as-orlas-do...



Formado em Química, dedicou-se às atividades imobiliárias, a partir da década de 1950, constituindo, com seus irmãos e o eng. Nicolau Paal, a Construtora e Incorporadora Andraus Ltda., com maior campo de atividade em Praia Grande. Homem de empresa, de visão e de iniciativa, projetou a construção da Cidade Ocian - um empreendimento revolucionário, em termos imobiliários, no final da década de 1950. Concomitantemente a Construtora Andraus construía outros grandes prédios em Santos e em São Paulo, onde construiu o primeiro heliporto no Brasil sobre um edifício, no prédio-sede da própria Construtora Andraus.
Seu espírito empreendedor e arrojado chamou a atenção das lideranças políticas vicentinas, que foram convidá-lo a adentrar à política, candidatando-se a prefeito municipal de S. Vicente, em 1959. Foi eleito e empossado a 1º de janeiro de 1960. Pretendeu administrar S. Vicente com espírito empresarial e dinâmico, sem burocracia, com medidas práticas, objetivas e imediatas, mas encontrava resistência na organização política e no marasmo das decisões legislativas. Isso o foi desgastando, principalmente quando passou a aceitar doações da comunidade vicentina, recolhidas na Tesouraria Municipal, para ajudar o soerguimento das finanças do município, contra o que reagiu uma parcela dos vereadores vicentinos.
Desgostoso por se sentir tolhido em seu dinamismo, Roberto Andraus renunciou o cargo de prefeito municipal a 15 de abril de 1961. No curto período de sua gestão construiu uma moderníssima Fonte Sonora-luminosa, junto à Biquinha, a qual, por muitos anos, passou a ser a principal atração turística vicentina. Foi casado com d. Maria José da Gama e Silva Andraus. Faleceu a 10 de agosto de 1974.
Fonte: Poliantéia Vicentina. 1982. # 226




Edificada em terras outrora denominadas Sítio Ubatuba, que dona Maria da Conceição e Silva havia herdado de seus avós, remanescentes do tempo da escravatura, terras que, em 1946, foram vendidas a Nagib Saeg, que posteriormente as transferiu à família Andraus. Para concretizar seu grande sonho, a diretoria da Organização Construtora e Incorporadora Andraus Ltda., que era formada pelos irmãos Roberto, Renê e Raul Andraus, transferiu parte de sua equipe para a orla da praia. Integrava o grupo, ainda, o engenheiro Nicolau Paal, auxiliar direto do dr. Roberto Andraus, na parte de Engenharia, e que mais tarde viria a ser o primeiro interventor federal do Município, graças ao conhecimento que tinha da Cidade, da referência dos Irmãos Andraus e de sua capacidade como engenheiro civil. 
A 8 de maio de 1956 nasce a Cidade Ocian. O termo "cidade" foi colocado porque foi sonhada com carinho e planejada para ter todo o conforto e requisitos de uma grande metrópole. Era um complexo formado por 22 prédios, totalizando 1.600 apartamentos. Toda esta obra com infra-estrutura, tal como coleta e incineração de lixo, mais esgotos, água, igreja, policiamento e comércio. O nome Ocian surgiu da sigla Organização Construtora e Incorporadora Andraus Ltda. Construída em pleno mangue, tendo inclusive um difícil acesso para a sua construção, foi considerada em 1946 a cidade mais bem planejada e moderna do Brasil, só perdendo esse título no dia 21 de abril de 1960, com a inauguração de Brasília. Incalculável foi o número de pessoas que compareceu à inauguração do bairro. Eram compradores de apartamentos, curiosos, admiradores da obra; outros vinham para conferir o que fora anunciado; enfim, gente de todas as partes afluiu naquele histórico 27 de maio, que mais tarde veio a se tornar o dia oficial de Cidade Ocian. # 227

Resumido do Informativo Cultural, edição 28 (abril de 1980), por Graziela Sreque, redatora da Associação Centro de Estudos Amazônicos de Praia Grande (Aceam).


Celso Corrêa de Freitas é natural de Itaperuna, RJ , nascido aos 26 de agosto de 1954. Jornalista e escritor, sua obra compõem-se de 47 antologias e seis livros solos como contista, cronista e poeta,  sendo também compositor musical. Foi representante de Praia Grande na etapa regional do Mapa Cultural Paulista  e Delegado na Conferência Estadual de Cultura em 2009 e  2013 realizadas no Memorial América Latina em São Paulo-SP. Radicado na Baixada Santista desde 1996, preside  a Casa do Poeta Brasileiro de Praia Grande, uma das mais antigas e atuantes entidades artísticas da região. A Casa do Poeta é hoje membro do Instituto Histórico e Geográfico de Praia Grande, formando com este e a Academia de Letras, a Tríade Cultural da cidade. É presença constante em eventos literários em várias cidades brasileiras. #228



Nasceu a 3.12.1918, na cidade de São Paulo, Capital. Filho de Orlando Toschi e de Dona Ermelinda de Guglielma Toschi. Ainda jovem abandonou o torrão natal e transferiu-se para São Vicente, fixando residência no bairro da Praia Grande, hoje município, aqui vivendo por mais de 40 anos, sempre ao lado das boas causas, sempre lado dos menos protegidos pela sorte. Toschi veio para a Praia Grande em companhia de sua esposa, Dona Circe Sanchez Toschi e de uma filha de colo (Suely) para trabalhar e administrar uma gleba do Jardim Guilhermina.  Oswaldo contribuiu também para a instalação da primeira Sub-Delegacia, da Escola, da primeira agência do Correio, da Comissão de Planejamento e Execução de Obras do Posto de Puericultura e de um Plano de Abastecimento de Água, tendo sido, inclusive, homenageado pelo Diretor do Departamento de Obras Sanitárias. No setor de assistência social, Oswaldo era sócio de todas as entidades filantrópicas, assistenciais e hospitalares do Município, tendo sido sócio remido do Hospital São José, colaborando, mensalmente e tendo, inclusive, promovido duas campanhas pessoais em benefício desse Hospital e uma em benefício da Santa Casa de Misericórdia de Santos. Foi eleito por duas vezes Presidente da Câmara sendo que, numa delas, um caso inédito no Município, por unanimidade de votos. A criação da Comarca, sem desmerecer o trabalho dos demais Vereadores, deve-se esforços do Vereador Oswaldo Toschi, dando uma demonstração cabal de que sempre lutou em favor da nossa terra. Cassado o seu mandato em 1966, nunca mais retornou à política, vindo a falecer no dia 11 de julho de 1981, em virtude do duro golpe que havia sofrido, um mês antes, com a morte de seu filho Oswaldo Luiz Sanchez Toschi, vítima de um acidente automobilistico.
Fonte: Guia de Ruas. Narciso Vital de Carvalho. 1978. #229.


Quem atravessa a Ponte Pênsil em direção ao Litoral Sul avista, antes da divisa com o município de Praia Grande, no bairro do Japuí, antiga edificação industrial, abandonada. Ela é um marco da economia vicentina do início do século XX: o Curtume, que teve seu fim decretado com a desativação do Matadouro de Santos, já que dele dependia para a obtenção de matéria-prima, o couro a ser curtido (pois o Matadouro de São Vicente - instalado em 1891 por Luiz Pinto do Amorim e Jacob Emmerich, aproximadamente na área do atual Clube Hípico - foi fechado em 1916). Fundado por Caetano Cardamone, o curtume funcionou em São Vicente por cerca de 60 anos, chegando a empregar nesse período 400 funcionários. Foram feitas várias tentativas de aproveitamento das antigas instalações -escola de pesca, museu naval, tecelagem e finalmente um terminal Turístico- todas fracassadas. Com a criação do Parque Estadual Japui-Xixová, a área toda do curtume ficou anexa ao mesmo. #230.
 Resumido de artigos dos site Novo Milênio e CALUNGAH.

Anúncio do cortume nos anos 1950. Novo Milênio. 




A praia antiga praia do Mahuá, depois apelidada Gonzaguinha, até início do XX, era recuada até onde está a avenida Pres. Wilson. A primeira avenida de orla foi denominada Miguel Presgrave e ia até a Ilha Porchat quando ali só tinha chácaras e casas de veraneio. A verticalização imobiliária foi ocupando gradualmente as areias, fazendo desparecer avenida Miguel Pregrave (Praia do Milionários). Surge então uma nova avenida (da Praia da Usina até o rio Sapateiro e Marco-Padrão). Essas mudanças causaram uma perda de cerca de 100 de orla e foi necessário concretar um paredão para conter as ondas. As ressacas arrebentavam impiedosamente a parede de concreto e causava constante erosão sob a nova avenida. As obras de reparos eram constantes e altamente custosas. A área urbana não recuava e as ressacas não perdoavam a invasão da orla. A solução para diminuir esse impacto destruidor foi encontrada nos moles de pedras (quebra-mar) sugeridos pelo engenheiro Rinaldo Rondino. Ele morava no recém inaugurado Ed. Grajaú e do seu apartamento observa os diversos movimentos da maré, indicando que ela fosse contida antes da arrebentação de ondas. Mesmo diminuindo o impacto, a força das ondas e das ressacas nunca foram contidas. A cidade teve que aprender a conviver com esse problema criado por ela mesma e arcar perpetuamente com os altos custos da manutenção viária. #231


Construção de molhes(quebra-mar) no Gonzaguinha foi notícia de primeira página em 1971.


PRAIA DA USINA. Takashi Iratsuka, 1965, já com os moles de pedras idealizados pelo engenheiro Rinaldo Rondino. Foto colorida original. Neide Castro: "Essa era a praia da Usina* que frequentei durante toda minha infância. Meu pai levava uma faquinha e limão e comíamos ostras das pedras, mar sem poluição, águas limpas". 

*Referindo-se à primeira Usina Elevatória de esgoto, projetada por Saturnino de Brito e construída no Largo Tomé de Souza, entre as avenidas Presidente Wilson e Embaixador Pedro de Toledo. A segunda usina está no Morro dos Barbosas exatamente no ponto de fixação dos cabos de sustentação da Ponte Pênsil, lado insular, antes da Casa das Bananadas.


Rinaldo Rondino, paulistano e descendente de italianos,  foi engenheiro de grande influência no setor público entre as décadas 1950 e 1980, sempre ocupando importantes cargos e funções no governo do Estado e diversas prefeituras, na Capital e interior. Era constantemente requisitado para compor comissões e opinar tecnicamente sobre grandes obras estruturais urbanas por meio de pareceres e laudos. Em São Vicente foi assessor especial do interventor Jorge Conway e do prefeito Jonas Rodrigues, tendo residido na rua Freitas Guimarães numa casa existente até hoje e também no edifício Grajaú, entre a praias do Gonzaguinha e Milionários (antiga e desaparecida avenida Miguel Presgrave). Ficou conhecido em nossa região por estudar e explicar a partir do seu apartamento o intenso fenômeno de erosão ocorrido na orla do Gonzaguinha. Dessa observação das correntes marítimas na Baía de São Vicente, Rondino propôs a construção de moles de pedras nos pontos de maior impacto das ondas durante as ressacas, diminuindo seu efeito destruidor. Casado com Carmem de Azevedo desde 1939, Rondino presidiu o Clube Hippico de Santos, como sede no Catiapoã em São Vicente. Era apaixonado por cães da raça doberman e sócio ativo do Kennel Club de Santos. # 232



É a revista acadêmica oficial do Instituto Histórico e Geográfico de Praia Grande, fundado em 2021 por iniciativa da escritora Fátima Jaguanharo e do memorialista Cláudio Sterque. Diversas pessoas ligadas à história da cidade e da região foram convidadas para compor o grupo fundador da entidade.  Sob direção do atual presidente Prof. Gabriel Resende Nascimento, organização de Dalmo Duque dos Santos e revisão supervisionada por Edgar Dall’Acqua, o volume inaugural da revista — intitulado “Os Primórdios” — reúne pesquisas que revisitam a formação histórica de Praia Grande, desde os primeiros vestígios humanos da região.  O título Mare Nostrum remete ao lema da bandeira de Praia Grande e mais remotamente à expressão latina que definiu a formação do Império Romano, inicialmente a partir da ocupação republicana do Mar Mediterrâneo em oposição ao império de Cartago. Roma venceu. #233.



José Lucas Guimarães, educador, teólogo e pastor da Igreja Presbiteriana radicado em São Vicente desde a década de 1990. É cearense de Sobral , cidade onde passou a infância e teve sua formação básica, posteriormente complementada com a graduação e pós-graduação em História, Filosofia e Teologia. Leciona como docente efetivo na rede estadual em São Vicente e em Praia Grande. É especialista e biógrafo de João Calvino, tendo publicado diversas obras sobre a vida religiosa e filosófica desse grande reformador franco-suíço. Atua como membro do CALUNGAH-Coletivo dos Historiadores de São Vicente historiadores , onde colaborou com o histórico da Igreja presbiteriana resgatando calvinistas históricos em nossa região e a fundação dos diversos núcleos dessa vertente do protestantismo. É membro fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Praia Grande. #234. 



Silvio Gomes Bispo é  graduado e Mestre em Educação Matemática. Iniciou sua carreira há mais de 50 anos no Porto de Santos como escriturário. Tornou-se professor da rede pública estadual, municipal e particular; foi coordenador pedagógico, supervisor de ensino concursado. É diretor efetivo da E.E. Margarida Pinho Rodrigues, na Vila Margarida.  
Aqui ele recorda como era viver na periferia de São Vicente e como era muito mais difícil romper as barreiras sociais da época. #235
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Ao retornar no tempo, vejo-me no local onde nasci, São Vicente, bairro Jóquei Clube. O Brasil estava inaugurando Brasília e logo depois, em 1964, começa a ditadura militar. Portanto, vivenciei todo período da ditadura, apesar de não ter consciência política na época,  do que representou esse movimento, nem sabíamos desse  período obscuro da história recente do País.
Meu nascimento ocorreu em 05/09/1960,  no "Jóquei", numa casa localizada na rua Amadeu de Queiroz, 581, pelas mãos de uma parteira do bairro.

Meus pais são Sinole Gomes Bispo e José Antônio Bispo, ambos falecidos e já nasceram antes de mim  meus irmãos Selma, Célia e Celso falecidos e a Clélia (que mora no Guarujá). Onde nasci era uma casa simples com 2 quartos, sala, cozinha e banheiro, de madeira com um quintal no fundo onde meus pais criavam galinhas, porcos e árvores frutíferas como manga, goiabeira, cuca além de verduras para consumo próprio.

Eu era  o caçula dessa família . Meu pai era pedreiro e minha mãe , empregada doméstica.
Tivemos uma infância pobre, porém feliz , superando as dificuldades com muito trabalho e conquistas difíceis, mas muito significativas para o meu crescimento pessoal.

Nas décadas de 60 a 70,  o bairro jóquei clube era uma espécie de zona rural,  pois haviam poucas residências e nas ruas haviam  plantas e árvores. Perto da casa tem um rio chamado Sambaiatuba, lugar onde podíamos pescar e nadar pois as águas eram limpas e nessa época pegavamos com as mãos lagosta, camarão, siri e peixes diversos, parecendo que estávamos num sítio. Havia uma ponte entre o bairro Jóquei Clube e o dique Sambaiatuba, no qual ficávamos pescando para consumo próprio, com muita diversão.

Diante desse cenário, aparentemente tranquilo, existia problemas sérios quanto ao esgoto, que era em céu aberto, na rua que morava tinha uma vala que quebrei a clavícula com 5 anos, por conta de um cachorro que me empurrou e cai nessa vala. A energia elétrica demorou para chegar e  usávamos lamparinas pra iluminar a casa. Quando ligaram a energia elétrica, apareceu outra dificuldade, pois o acesso aos bens materiais como TV, geladeira, ventiladores era muito difícil necessitando que os pais para adquirir faziam prestações de 48 meses para conseguir obtê-los. 

Outro ponto difícil era a alimentação, pois não existiam supermercados perto e vivíamos de compra em mercado por meio de cadernetas em que o pequeno comerciante comprava em mercado maiores e revendia por preços abusivos, deixando nossos responsáveis  sempre em divida. Outro fato bastante marcante era o transporte coletivo. Para irmos ao centro de São Vicente íamos andando por não haver transporte municipal (não tínhamos condições ou conhecimento desse transporte) e para irmos a Santos tínhamos que andar até a linha 1 (atual av Antônio Emmerich), pois só por lá tinha esse transporte.

Quanto a vida cultural, não existia, o único lugar que tínhamos acesso a vida cultural era a escola, embora estarmos na Ditadura, só tínhamos algum acesso a cultura por meio dos professores. Também às vezes passavam os circos mambembes que faziam apresentações num local perto de casa, o "areião" que era um terreno baldio com areia da praia.

Assim são as lembranças que tenho da minha infância, que apesar de difícil ajudou muito na formação da minha identidade.



Nomeada como porto em 1502 por Américo Vespúcio, foi a primeira Capitania e Vila do Brasil, fundada por Martim Afonso de Sousa em 1532, sendo o berço da colonização brasileira. Esse evento foi narrado nos Diários de Pero Lopes de Sousa, irmão de Martim Afonso. Diferente de outras capitanias, seu sucesso não foi no açúcar, mas sim na produção de alimentos e na exploração de recursos como o pau-brasil e a escravidão de nativos. Apesar da vila inicial ter sofrido com ataques e ser prejudicada pela Serra do Mar, a colonização se expandiu para o interior. A geografia e a insegurança da região litorânea levaram os colonizadores a buscarem novas terras, subindo a Serra e fundando novas vilas no planalto de Piratininga. Dessa expansão, surgiu a Vila de São Paulo, que se tornaria a segunda Capitania, um importante centro colonial, servindo como base para a exploração do interior. São Vicente, portanto, manteve-se por 175 anos como o centro politico sistema colonial português no Brasil. #236


Alberto Santos-Dumont, nasceu a 20 de julho de 1873 em Santa Luzia do Rio das Velhas, hoje cidade de Santos-Dumont,  MG. Era filho do engenheiro francês Henrique Dumont e de D. Francisca de Paula Santos. Alberto iniciou os estudos no Brasil, mas, ainda muito novo passou a estudar em Paris. Recebeu a influência dos romances de Júlio Verne, tendo enorme interesse pela construção de balões. Em 1898 fez subir ao espaço o primeiro de uma série desses engenhos. Em 1901, venceu o prêmio Deutsch de la Meurthe, de circunavegação da Torre Eiffel em 30 minutos. O prêmio de 100 mil francos foi dividido com os pobres de Paris e os mecânicos que com ele haviam trabalhado na construção dos aparelhos voadores. 
Em 1905 obteve grande êxito com o aparelho 14-Bis, em experiências no Champ de Bagatelle. Neste local, a 12 de novembro de 1906, sob controle do Aeroclube da França, estabeleceu os primeiros recordes de aviação do mundo. Em 1913 o Aeroclube da França inaugurou em Saint-Cloud um monumento a Santos-Dumont, representando o lendário Ícaro numa estátua de bronze.
Em 1918 o Governo Brasileiro doou a Santos-Dumont o sítio Cabangu, onde nascera, perto da estação de Palmira, em Minas Gerais. No mesmo ano publica o seu segundo livro, O que eu vi, o que nós veremos. Em 23 de julho de 1932, aos 59 anos de idade, suicidou-se no Guarujá, profundamente traumatizado, ao que se presume, com o desenrolar do movimento revolucionário irrompido a 9 do referido mês, nos Estados de São Paulo e Mato Grosso. (ABL). #237

PS. Santos Dumont concluiria a obra de Bartolomeu de Gusmão em 1901, ao construir o primeiro balão dirigível. Os modernos balões de ar quente constituem versões modificadas do modelo de Bartolomeu, com desenvolvimentos de Paul Edward Yost. Outra história.


 Bartolomeu Lourenço de Gusmão, cognominado “O Padre Voador” morreu em Toledo, Espanha, no dia 18 de novembro de 1724, aos 38 anos. Sacerdote secular, cientista e inventor português, nascido na capitania de São Vicente, no Brasil, tornou-se famoso por ter inventado o primeiro aeróstato operacional, a que chamou  “passarola” – mais conhecido na sua versão moderna, como balão de ar quente.

Cursou as primeiras letras no Colégio São Miguel em São Vicente. Prosseguiu os estudos na Capitania da Baía de Todos os Santos. Ingressou no Seminário de Belém, em Cachoeira, onde teve início a profícua carreira de inventor. Em1699, concluído a formação, Bartolomeu transferiu-se para Salvador, capital do Brasil à época e ingressou na Companhia de Jesus, de onde saiu antes de ser ordenado, em 1701.

Viaja para Portugal, hospedando-se em Lisboa na casa do Marquês de Fontes, que se impressionara com os dotes intelectuais do jovem de 16 anos.

Em 1702, Bartolomeu retorna ao Brasil e dá início ao processo de ordenação sacerdotal. 

Em 1708, o já padre Bartolomeu embarca para Portugal, matriculando-se na Faculdade de Cânones da Universidade de Coimbra. Abandona a faculdade a meio e  instala-se em Lisboa. Na capital pede patente para um “instrumento para se andar pelo ar” – que se revelaria mais tarde como sendo o aeróstato ou balão – concedida em 19 de abril de 1709. O invento, divulgado por meia Europa em estampas fantasiosas, causou celeuma. Era retratado como uma barca com formato de pássaro, ficando conhecido como “passarola”.

                      
Bartolomeu Lourenço de Gusmão, por Benedito Calixto, em quadro de 1902.


As primeiras ilustrações da Passarola tinham sido elaboradas por um filho do Marquês de Fontes, Joaquim Francisco, com a conivência de Bartolomeu. Aluno de matemática do padre,  era a única pessoa que tinha livre acesso ao recinto em que o engenho voador era guardado.

Leva a cabo então o exótico desenho da Passarola, em que tudo era propositadamente falseado. E para preservar o verdadeiro princípio da invenção – o Princípio de Arquimedes - atribuiu a ascensão da engenhoca ao magnetismo, resposta naquela altura a quase todos os mistérios científicos. A Passarola, inspirada ao que parece em fábula da fauna brasileira, espalhou-se pela Europa em várias versões.
Em sgosto de 1709, finalmente, Bartolomeu fez perante a corte portuguesa cinco experiências com balões de pequenas dimensões: na primeira, realizada na Casa do Forte, o protótipo incendiou-se antes de subir; na segunda, noutra dependência do palácio, a Casa Real, o aeróstato, provido no fundo de uma tigela com álcool em combustão,  elevou-se a 4 metros, quando começou a arder; na terceira, feita novamente na Casa do Forte, o balão, contendo no interior uma vela acesa, logrou fazer um voo curto, mas incendiou-se ao descer; na quarta, feita no Terreiro do Paço, o balonete elevou-se a grande altura, pousando lentamente minutos depois; na quinta, feita na Sala das Audiências, no interior do Palácio Real, o globo subiu até ao tecto do aposento, aí permanecendo, quando enfim desceu com suavidade.
Em 3 de outubro de 1709, na ponte da Casa da Índia, o padre fez nova demonstração do invento. O aparelho utilizado era maior que os anteriores, mas ainda incapaz de transportar um homem. A experiência teve êxito absoluto: o balão subiu bastante alto, flutuou por um tempo não medido e pousou sem problemas.

Bartolomeu de Gusmão apresenta os seus protótipos à corte de D. João V.


Cinco testemunhas registaram estas experiências: o cardeal italiano Michelangelo Conti, eleito papa em 1721 sob o nome de Inocêncio XIII, os escritores Francisco Leitão e José Soares, membros da Academia Real de História Portuguesa, o diplomata José Brochado e o cronista Salvador Ferreira.
Estas experiências, embora com a assistência de personalidades da época, não foram suficientes para popularizar o invento. Os pequenos balões exibidos, além de não terem sido encarados como inovação importante ou útil, por serem desprovidos de qualquer tipo de controlo - eram levados pelo vento. Foram considerados perigosos, pois podiam provocar incêndios. Estes factores não permitiram a construção de um modelo grande, tripulável.
Entre 1713 e 1716, viajou pela Europa. Registou na Holanda o invento de uma “máquina para drenagem da água alagadora das embarcações de alto mar”.  Viveu em Paris, trabalhou como ervanário para sustentar-se.
O padre Bartolomeu de Gusmão voltou a Portugal, quando foi vítima de insidiosa campanha de difamação. Acusado pela Inquisição de simpatizar com cristãos-novos, viu-se forçado a fugir para a Espanha, no final de setembro de 1724.

Segundo o testemunho que, mais tarde, João Álvares, um irmão mais novo, daria à Inquisição espanhola, Bartolomeu teria feito a conversão ao judaísmo, em 1722, depois de atravessar uma crise religiosa. O relato de João Álvares ao Santo Ofício, ainda que deva ser visto com cautela, mostra aspectos místicos, messiânicos e megalómanos do "padre voador".

Em Toledo, Bartolomeu adoece gravemente, recolhendo-se ao Hospital da Misericórdia, onde veio a falecer em 18 de novembro de 1724. Antes de morrer, confessou-se e recebeu a comunhão, conforme o rito católico, e assim foi sepultado na Igreja de São Romão, em Toledo. Foram feitas, ao longo de décadas, várias tentativas para localizar a sua sepultura , o que só ocorreu em 1856. Parte dos restos mortais foi transportada para o Brasil e  encontra-se, desde 2004, na Catedral Metropolitana de São Paulo.

Bartolomeu de Gusmão figura como uma das personagens centrais de Memorial do Convento, romance de José Saramago. #238

Fonte: Opera Mundi


O CVV-Centro de Valorização da Vida foi a primeira organização voluntária de prevenção do Suicídio da América Latina. Foi fundada em São Paulo por um grupo de alunos de uma escola religiosa da Federação Espírita de São Paulo-FEESP, com sal e telefone emprestado pela instituição. Uma sugestão do CEl. Edgard Armond ao jovem Jacques Andrê Conchon, líder da turma. Eles faziam caravanas nos cortiços do centro da cidade e constataram um elevado número de suicídios e aceiram o desafio. Consultaram profissionais de psiquiatria e enfermagem para as primeiras instruções e seguiram o exemplo de uma reportagem publicada numa revista paulista que falava dos Samaritans de Londres, que fazia o trabalho com voluntários dez anos antes, sob a liderança do socerdote anglicanos Chad Varah. Este visitaria o Brasil em 1976 e propôs ao CVV a fusão das duas entidades num programa de expansão no Brasil e América latina. Uma cidades escolhidas foi Santos, cujo posto foi fundado por um grupo de vicentinos, paulistanos e santistas em 1979. É uma ONG areligiosa e sem vínculo políticos. Desde então funciona sem interrupção, 24 horas, com uma média de 60 voluntários usando um sistema desenvolvido com o Ministério da Saúde-Anatel com o telefone 188 gratuito. O CVV tem hoje cerca de 2.500 voluntários, mais de 100 postos franqueados e recebe cerca de 4 milhões de chamadas por ano. Em S.Vicente o CVV funciona em sede própria na  R. do Colégio, 130 - Centro, São Vicente - SP, 11310-210, integrada ao www.cvv.org.br # 239




A Companhia Siderúrgica Paulista-COSIPA (Usina José Bonifácio de Andrade e Silva) compôs o polo industrial de Cubatão nos anos 1950. Possuía 12 milhões de metros quadrados, incluindo um porto privativo alfandegado e que podia operar 12 milhões de toneladas/ano, e um complexo ferroviário com capacidade de atender 4 milhões de toneladas/ano. Tinha cerca de 5 500 empregados, dos quais 5 300 trabalhando diretamente na Usina de Cubatão. Eram em sua maioria moradores de Santos , São Vicente e Vicente de Carvalho (Guarujá). Cláudio Sterque(Historiador PG) reforça essa regionalidade e a ampliação de núcleos habitacionais na região: "Vamos lembrar que na Praia Grande também havia muitos cosipanos. O Conjunto Habitacional Samambaia com mais de 1,400 casas nasceu com os cosipanos sendo os maiores clientes". Na mesma direção serrana da rodovia Padre Manoel da Nóbrega ergueu-se em 1983 o Conjunto Humaitá, com 3.768 casas.
A empresa produzia aços planos não revestidos, (placas, chapas grossas, laminados a quente e a frio), para atender segmentos estratégicos da economia como o automobilístico, ferroviário, automotivo, naval, de construção civil, agrícola, de embalagens, mecânico, eletroeletrônico, de utilidades domésticas, máquinas, equipamentos e de distribuição. Foi privatizada nos anos 1990 sob a direção da Usiminas. #240


Casarão Caramuru, atual PALÁCIO MARTIM AFONSO. Ainda está localizado na esquina das ruas Frei Gaspar e Tibiriçá. A edificação foi construída como residência particular de Julião Caramuru, figura politica de destaque na São Vicente do início do século XX. Foi posteriormente herdada pela família do advogado e vereador Magino Bastos (pai do engenheiro e também vereador Tude Bastos). Alguns anos depois, o casarão foi adquirido pela terceira administração do prefeito João Francisco Bensdorp, para funcionar como sede do poder Executivo e também da Câmara Municipal. Uma curiosidade desse prédio e sede da prefeitura foi a recente e sucessiva troca de cores adotadas pelos prefeitos para marcar suas administrações. As três últimas cores ali imprimidas com intenção política ideológica foram a amarela, dos prefeitos Márcio França e seu sucessor Tércio Garcia, por sua vez mantida também pelo prefeito Billy: este adotou a cor lilás em sua administração, porém mas não pintou a prefeitura com essa cor; a cor seguinte foi a verde, adotada pelo prefeito Pedro Gouvêia; e finalmente a cor branca escolhida pelo prefeito Kaio Amado, como tentativa de quebrar a disputa e permitir que as paredes fosse iluminadas pelo calendário mensal de cores, adotado universalmente pelo ONU. #241



O PORTO DE SÃO VICENTE E O PORTO DE SANTOS. O que revelam os mapas quando são historicamente contextualizados e comparados. Usamos como fonte a carta cartográfica da Biblioteca Nacional de Portugal, publicada na página do  Instituto Histórico e Geográfico de Santos (P&B) e do Arquivo Público do Distrito Federal.
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Vejamos o detalhe do mapa do Porto de São Vicente em 1626, quando a região ainda pertencia à capitania afonsina:
- As  primitivas Vilas de São Vicente (1502) e de Santos (1540),  localizadas nos dois extremos da Ilha de São Vicente;
- Os territórios mais próximos são a Ilha de Santo Amaro (com fazendas ou engenhos);
- As Terras de Paranapiacaba, em direção ao Planalto e as vilas de Piratinga (S. André, S. Bernardo da Borda do Campo e S. Paulo).

Este foi o Porto do Açúcar ou Sacarina. 

O texto (lido por IA) no cabeçalho do mapa descreve o Porto de São Vicente como um dos melhores portos do Brasil, com uma barra de 3 a 7 braças de profundidade. A área é considerada abundante em terras e saudável. O porto permite a entrada para a Vila de São Paulo e é um local de comércio constante. A profundidade da barra do porto varia de 3 a 7 braças. A área é fértil, saudável e com terras abundantes. O porto serve como ponto de acesso para a Vila de São Paulo. 
No século seguinte a capitania vicentina, já decadente, seria substituída pela Capitania de São Paulo, tendo em vista o interesse dos novos fidalgos pelos negócios da mineração. 

No segundo mapa, do século XVIII, a descrição geográfica cita Santos como cidade e Cubatão (que pertenceria à Vila de São Vicente até 1840, sendo anexada por Santos). Eram os primórdios do Porto do Café, sucedido pelo Porto das Industrias  e Bananas. Foi nesse longo período que a influência política de Santos se ampliou, aliada à São Paulo, denominando não somente a barra e o porto, mas também a bacia marítima. 

Ao explicar essa dinâmica política regional , a  historiadora santista Wilma Therezinha lembra que São Vicente era um nome realmente muito forte , seguindo uma tradição de nomenclatura católica portuguesa. Se não fosse a mudança do nome para Capitania de São Paulo (influência jesuíta), provavelmente seríamos sequencialmente Capitania de São Vicente, Província e Estado de São Vicente e finalmente Bacia Marítima de São Vicente. São Vicente foi se apagando e  somente retomou as rédeas da sua autonomia no início do século XX por meio de dois executivos portuários: o prefeito Antão Alves de Moura (que residia no então bairro de Praia Grande)  e o presidente da Câmara, Hermann Reipert, residente na chácara e atual bairro Boa Vista). #242
Dalmo Duque-CALUNGAH.









Em 1949 o Conselho Nacional do Petróleo determinou  que fosse construída uma refinaria com capacidade de processamento de 45 mil barris/dia, volume que na ocasião correspondia a 80% do consumo de derivados. Pela proximidade do Porto de Santos e das industriais da Grande São Paulo, foi escolhida como ponto estratégico a cidade de Cubatão, formando com a Companhia Siderúrgica Paulista-COSIPA a base do nosso polo petroquímico regional. A Refinaria Presidente Bernardes  (RPBC) pertence à Petrobras, com capacidade instalada para 170 mil barris/dia. Seus principais produtos são: gasolina Podium, gasolina comum, gasolina de aviação, óleo diesel, coque, GLP, nafta, gás natural, butano, benzeno, xilenos, tolueno, hexano, enxofre, resíduo aromático, bunker, hidrogênio e componentes para a gasolina da Fórmula 1. É responsável por 11% do fornecimento de derivados de petróleo do País. A RPBC foi a primeira grande refinaria brasileira, projetada pela empresa norte-americana Hydrocarbon Research, Inc. em 1952, com equipamentos fornecidos pelo consorcio francês Fives-Lille/Schneider & Cie. Foi inaugurada pelo presidente da República João Café Filho, em 16 de Abril de 1955, sendo na ocasião responsável por 50% do abastecimento do Brasil.
Segundo Walter Hori (Petróleo: a história começa em Cubatão), a Via Anchieta surgia como uma das melhores rodovias do mundo. Tudo era importado: caminhões, automóveis, combustíveis e até mesmo o asfalto que substituiria o cimento na pavimentação. O consumo nacional de combustível era da ordem de 70 mil barris por dia (barril = 159 litros). Nessa época, iniciava-se, em Cubatão, a fase pré-operacional da Refinaria de Petróleo, visando, numa primeira etapa, processar diariamente 45 mil barris de petróleo. No sopé da serra, junto ao pontilhão do Caminho do Mar, barracões de madeira acomodavam da melhor forma possível o centro de treinamento, sala de projetos e restaurante. A Petrobrás estava recrutando pessoal para a área de refino, exploração e transporte de petróleo e derivados. #243.



Espaço de confinamento de gado à espera de abate nos matadouros de São Vicente e de Santos, o Mangueirão veio sendo utilizado durante muitos anos e foi aos poucos perdendo sua utilidade quando  o próprio matadouro foi também perdendo sua utilidade comercial na região, causada pela rápida distribuição de carnes feitas pelos frigoríficos do interior e da Capital. Nas década seguintes a área seria ocupada por loteamentos. Mas enquanto funcionava era motivo de constantes reclamações pelos inúmeros incidentes causados pela fuga e dispersão - provocados ou acidentalmente- do gado pelas ruas, causando inúmeros transtornos entre os moradores dos bairros vizinhos. As reclamações eram tantas que o assunto foi até motivo de debate na Câmara de Santos, onde estava o maior estabelecimento de abate da região.  #244
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NO TEMPO DO MAGUEIRÃO No texto a seguir juntamos comentários de pessoas que viveram próximo desse local emblemático da cidade, entre os anos 1930 e 1960. Quais os bairros e ruas que ele abrangia?
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SÍTIO DO BUGRE, MANGUEIRÃO, BOIADEIROS, RAMAL FERROVIÁRIO, HOTEL E QJosé Roberto Frutuoso: Lá no início, perto do centro de São Vicente na década de 50 e 60, tinha o Mangueirão dos bois que eram conduzidos na madrugada pelas ruas por boiadeiros até o matadouro. De vez em quando alguns bois escapavam pela cidade e tinham que ser caçados. Aí quando meu pai ia trabalhar as 5 horas da manhã e topava com os bois tinha que pular um muro e se esconder dentro de um quintal. 

O espaço maior do Mangueirão ficava junto à atual avenida Martins Fontes e Aleixo Garcia. 

Eunice Requejo Costa: “O mangueirão começava atrás da Fábrica de Sabão e terminava antes de chegar na avenida Mota Lima. Lã no final tinha outra porteira de onde os boiadeiros em seus cavalos os conduziam na madrugada em manadas até o Matadouro. Esses boiadeiros - um deles era filho da dona Juventina Parteira - também trabalhavam na estação de trem e quando tinha as manobras dos trens eles ficavam nos ramais para desviar os trilhos da via principal. De um lado ficavam as galerias dos bois, na linha que ia até ao Mangueirão atravessando a avenida Martins Fontes, atrás dos chalés da Vila Sorocabana, depois FEPASA. Do outro lado da linha principal, ficavam os vagões fechados e inda tinham os vagões de areia que descarregaram ali para a Areia Vieira. Tirei muito estrume de bois dentro da galeria e levava para o jardineiro ali na Rua Tenente Durval do Amaral. Hoje ficou imaginando como eu e meu irmão rastejávamos por baixo dos bois para enchermos os baldes. Era uma época boa”.

Jansen Gallo: Excelentes lembranças de um tempo que não voltará jamais. Hoje posso dizer que tive a felicidade de ter “participado” dessas correrias fugindo dos bois pelas ruas de terra no Parque São Vicente e adjacências. Tempos felizes de garoto, livre e solto pelas ruas do bairro.

Carmen Jabuca: Minha mãe subia nas árvores para fugir dos bois. A irmã de criação, que era terrível, montava neles.

Silvia Martin Leme: Eu morava na XV de novembro e de vez em quando os bois corriam pelas ruas
Antonio Augusto Gorni: No início dos anos 1990 ví um anúncio de leilão de vários terrenos da Fepasa em São Vicente que se situavam no região do malfadado ramal para o Porto. A maioria estava ocupada ilegalmente.

Ivo De Moraes Pistéco: Aí os bois escapavam e adentraram na praça foi uma correria , veio bombeiros p laça- Los eu estudava no 1 ginásio da Vidrobrás em 1964 anexo do Martim Afonso


MANGUEIRÃO FOI DISCUTIDO NA CÂMARA DE SANTOS

Em sessão extraordinária em 2 de junho de 1955, a Câmara Municipal de Santos discutiu os problemas causados pelo Mangueirão. Num clima de bom humor, os vereadores, na verdade, pretendiam iniciar outra discussão: a urgência de obras de um novo matadouro na cidade, que seria construído na margem santista do rio São Jorge, na avenida N.S. de Fátima, no Chico Paula. Detalhe: a prefeitura vicentina foi apontada como "indiferente ao assunto".  A discussão confirma todos os depoimentos relatados aqui pelos nossos seguidores  e que viveram sua infância essa época.




Câmara Municipal de Santos

Sessão Ordinária, em 2 de Junho de 1955

PRESIDENCIA: Srs. João Carlos de Azevedo e Remo Petrarchi

SECRETARIOS: Srs. Francisco Mendes e Domingos Fuschini

O SR. JOAO CARLOS Sr. Presidente, Srs. Vereadores, o Requerimento ora apresentado, de minha autoria, representa ura esforço da Câmara Municipal de São Vicente e da Câmara Municipal de Santos, no sentido de evitar-se a ocorrência de cenas degradantes para a cidade, como a que tivemos oportunidade de assistir hoje de manhã - um estouro de boiada. É uma cena multo interessante, o estouro de uma bolada, com o consequente espalhamento das reses pela cidade inteira. Foi uma cena cómica, não há dúvida nenhuma, mas que, efetivamente, não se enquadra nos nossos foros de civilidade.

O SR. LA SCALA Trágico-cômica...

O SR. JOAO CARLOS - Trágico-cômica, não há dúvida...

O SR. LA SCALA ...e de pavor...

O SR. JOÃO CARLOS -...de pavor, sim, mas que motiva, também, boas rizadas...

A Câmara Municipal de São Vicente também está bastante preocupada com o assunto porque todo o gado levado a pé de São Vicente para o Matadouro de Santos, para ser sacrificado. Quase todas as manhãs, cenas como a que assistimos hoje sede toda ordem, como de que cria problemas de propriedades, muros, cercas, jardins, plantações, e, como disse o nobre vereador Luiz La Scala, causando pavor à população. E' um fato que revela falta de organização. Há necessidade premente de cuidar-se de assunto e modificar-se o estado de coisas reinantes.

Antigamente, o transporte de gado era feito, de São Vicente para o Saboó, como os colegas se lembram, em galeras, que eram puxadas por uma maquininha branca. Assim, o gado era conduzido àquele Matadouro sem ter necessidade de passar. como atualmente, pela linha 1. Esta situação lembrada pela Câmara Municipal de São Vicente, determinou a providências daquela Edilidade, consubstanciada num Projeto de Lel transformado em lei já, através do qual cobra-se do proprietário uma multa de 200 cruzeiros por rez que seja encontrada transitando pelas ruas. Quanto se cobrará de uma boiada, uma vez que não há outro caminho para o transporte?

Isto, a meu ver, não é uma solução porque quem vai continuar pagando a multa? E o gado, não será mais transportado? A solução seria a construção ou, melhor, a colo- cação de mais um trilho na linha 1, de São Vicente para cá. Mais um trilho adaptado à linha, possibilitaria o trans- porte em galeras como se fazia antigamente. Penso que a solução, nesse particular, compete ao Executivo Santista, pela SMTC, já que a Autarquia está subordinada à Prefeitura Municipal.

Nestas condições, o Requerimento que apresentei, visa, sendo aprovado, juntar mais este elemento aos inúmeros outros que já se apresentaram nesta Casa, e constituirá mais um problema para ser tratado pela Comissão Especial de Vereadores junto à direção da Sorocabana, pois, certamente à Estrada de Ferro Sorocabana caberia solução definitiva do problema. Mas este é um assunto que demanda o máximo de urgência por parte da Câmara, pois se espera, há muito, solução adequada.

O SR. PRESIDENTE Continua em discussão. O SR. ARISTOTELES FERREIRA

Sr. Presidente,

Sobre o assunto em tela, na sessão de 7 de outubro de 34 apresentei e foi aprovado pela Câmara um Requeri- mento assim redigido:

(Le): "Requeiro, ouvido o Plenário e em regime de urgência, seja oficiado ao Exmo. Sr. Prefeito Municipal, transmitindo-lhe o teor da noticia publicada no "Estado de São Paulo" e transcrita no jornal local "O Diário", relativa ao transporte de gado para o matadouro desta cidade, no sentido de que o Executivo apure devidamente as dificuldades all apontadas e tome as necessárias e  imediatas providências para e indispensável regularização desse transporte".

Sr. Presidente, como disse, em 7 de outubro do ano passado, aprovava esta Câmara um Requerimento com referência ao assunto.

Entendo que o Sr. Prefeito Municipal deve ter um es- tudo sobre o mesmo, porquanto não é admissível que S Excia., tendo recebido esse Requerimento, acompanhado de uma nota do jornal "Estado de São Paulo", transcrita no "Diário", de Santos, não tenha cuidado do assunto.

Portanto, sugiro que a Comissão, à qual vai ser envia- da esta proposição, se entenda também com o Sr. Prefeito, porque, como disse, S. Excla. deve ter estudos sobre o assunto.

O SR. JOAO CARLOS. Realmente, V. Excia. tem razão. E' de meu conhecimento que o Sr. Prefeito Municipal tem estudos sobre o assunto. Mas, achou S. Excia. que a Câmara também deveria estudá-lo, entrando em contacto com o problema através da Câmara Municipal de São Vicente. Porque, disseram Vereadores de S. Vicente, que o Prefeito Municipal de lá não tem o menor interesse na questão. A Câmara Municipal é que, de "motu-próprio", deliberou enfrentar o problema, aprovando a lei de que falei no início deste debate. Assim, também se dirigiram a nós, para que, em conjunto, decidíssemos,

O SR. ARISTOTELES FERREIRA

O meu fito, ao usar da palavra, é o de esclarecer a Câmara que em outubro do ano passado já ventilamos o assunto e nesse sentido fol enviado o meu Requerimento ao Sr. Chefe do Executivo.

O SR. LUCIO GRAÇA Sr. Presidente, exatamente hoje, lendo noticias locais no "O Diário", vi a transcrição de artigo de redator de "O Estado de São Paulo". Nestas condições, pediria ao ilustre apresentante do Requerimento que concordasse em que constasse dos trabalhos da Comissão, a sugestão feita pelo matutino "O Diário" e que está assim redigida: (Le):

"Urge que se faça sentir ao governo do Estado a conveniência de se construir um novo Matadouro Modelo, para servir a região de Santos, cuja localização ideal seria, in- discutivelmente, em terrenos da Alemoa, pertencentes à "Santos-Jundiai", com desvios fáceis e pronta saída para a Via Anchieta, além de proporcionar facilidades para o caso de uma possível exportação, com acesso para o lado do mar".

E' esta a solução que encaminho para ser oferecida à Comissão encarregada de estudar o problema. A Mesa consulta o nobre Vereador João Carlos se aceita o adendo oferecido ao seu requerimento.

O SR. PRESIDENTE

O SR. JOAO CARLOS (Pela ordem) Sr. Presidente, o assunto é correlato. Se bem que não seja pertinente, é correlato, pois trata da questão do matadouro e deve ser incluído.

O SR. PRESIDENTE Continua em discussão o se- requerimento. (Pausa) Está encerrada a discussão. Os Srs. Vereadores que forem favoráveis ao Requerimento, com o adendo do nobre Vereador Lúcio Graça, queiram conservar- se como estão. (Pausa) Está aprovado.

Será encaminhado a Comissão Especial que está tratando do assunto.

A TRIBUNA Quarta-feira, 8-6-1955






Há segredos ainda não desvendados na história da primeira Vila do Brasil, denominada pelos índios de Ipanema e batizada pela expedição de Américo Vespúcio, de São Vicente. Fonte e Ilustrações : São Vicente Sociedade Alternativa. É incontroverso que São Vicente, antes de 22 de janeiro de 1502, era porto conhecido e freqüentado pelos aventureiros dos mares. Martim Afonso quando veio de Cananéia para instalar aqui o primeiro núcleo da civilização ocidental no Brasil, ancorou no porto de São Vicente, entrando pela Barra Sul.

A Barra Sul era conhecida também por “Rio de São Vicente” porque antes de 1543 o Rio Piassabuçu desembocava no Oceano Atlântico no sopé do pontão do Morro do Itaipu, na Praia Grande. Em 1543, houve um maremoto que alterou a geomorfologia da região. O cataclisma destruiu a vila construída por Martim Afonso. Mergulhadores retiraram do fundo do mar os sinos da igreja e o pelourinho por ele construído. Depois desse desastre ecológico, a Barra Sul tornou-se imprópria para a navegação de navios de médio e grande porte.

Em 22 de janeiro de 1502, a expedição de Américo Vespúcio, comandada por Nuno Manoel, percorreu a costa brasileira de Norte para o Sul. Avaliou as riquezas do litoral e batizou com o nome dos Santos do dia da chegada, os lugares mais importantes, como se vê do relatório designado à posteridade o dia a que a elas aportava, do modo seguinte:

“A 22 do dito (mês de janeiro) NO PORTO DE SÃO VICENTE”, ou seja, no dia 22 de janeiro, as três caravelas ancoravam no porto que, a partir daquele instante passou a designar-se de São Vicente. (Varnhagem 7ª edição / pág. 83).

Vespúcio batizou São Vicente como PORTO e não como um lugar qualquer. Daí, a certeza histórica da antiguidade do PORTO DE SÃO VICENTE, que remonta à época anterior ao descobrimento oficial do Brasil. O porto das Naus e o Porto de Tumiaru, formavam o Porto de São Vicente. O maciço Xixová-Japui-Itaipu, formavam a Ilha de Guaibe, fronteiriça ao Porto de Tumiaru, este, na Ilha de São Vicente.
“Da Ilha de Guaibe, onde é o Porto das Naus, defronte desta Ilha de São Vicente, onde todos estamos e da banda Sul, partem com a barra e porto da dita Ilha de Guaibe, e desta de São Vicente, que é onde ancoram as naus quando vem para este porto de São Vicente”, (Frei Gaspar – Memória para a História da Capitania de São Vicente – pág. 49/texto de 1536).

O Padre José de Anchieta, em uma de suas cartas diz que: “São Vicente era rica e hoje é pobre porque perdeu sua barra”. Pesquisando chegaremos à verdadeira história de São Vicente.
FONTE: Boletim do IHGSV.

Tendo em vista que na época do descobrimento os mapas eram elaborados de acordo com a visão que os navegadores tinham olhando do mar, nota-se que a geografia da área é um pouco diferente da realidade.
Também, mapa com a SUPOSIÇÃO de como poderia ter sido a Barra Sul de conformidade com a teoria defendida pelo Professor Teleginski. #245


(O Professor Teleginski é especializado em terras, divisas e territórios, sendo autoridade nessas matérias e participação preponderante no projeto que instituiu o Parque Estadual Xixová-Japuí).
Seus conceitos para a Barra Sul:

***

SÃO VICENTE TINHA BARRA PRÓPRIA PARA O MAR.
ERA A TERCEIRA BARRA OU BARRA SUL

Documentos - Pe. José de Anchieta em 1585 escreveu dizendo que São Vicente fora, antigamente, porto de mar. Palavras textuais: “Mas depois, com a corrente das águas e de terras do monte se tem fechado o canal, nem podem chegar as embarcações por causa dos baixos e arrecifes.” (Porto Seguro - História Geral do Brasil - I Vol. pág. 155)

Fernão Cardim, na mesma época observa, em relação a São Vicente, que:

“Foi rica, agora é pobre por se lhe fechar o porto de mar e barra antiga.”
(Fernão Cardim - Tratado da Terra e Gente do Brasil - pág. 315/316).

Para melhor compreensão dos fatos, cumpre alertar para o seguinte: - A Vila São Vicente foi destruída pelo mar, entre 1542 a 1545. Os documentos que falam da Barra de São Vicente tratam da barra por onde entrou a armada de Martim Afonso. Não se referem ao canal estreito, como sempre sobre o qual atravessa a Ponte Pênsil, por onde caravelas de 150 toneladas de calado não passariam senão com grande risco de acidente.

Frei Gaspar da Madre de Deus, no livro MEMÓRIAS PARA A HISTÓRIA DA CAPITANIA DE SÃO VICENTE, pág. 46 e seguintes, irrita-se e se embaraça, quando fala sobre a Barra de São Vicente. Ele faz confusão, não sei se proposital, entre o canal da Ponte Pênsil e a antiga barra de São Vicente, ou Barra Sul.

São palavras suas:

"É opinião ou erro comum que a esquadra de Martim Afonso entrou pela mencionada Barra de São Vicente. Dizem eles, que nesse tempo ela conservava fundo suficiente para naus maiores e que depois se areara e hoje somente é capaz de canoas.” pág. 46.

Na pág. 48:
“Ainda teimam os moradores desta Vila, que todos os navios antigamente entravam pela sua barra e davam fundo no Porto de Tumiaru.”
O mesmo Frei Gaspar traz um documento de Sesmaria dada em 31 de dezembro de 1536, a Estevão da Costa, por Gonçalo Monteiro, vazado nestes termos: (documento anterior à destruição da Vila)
“Da Ilha de Guaibe, onde é o Porto das Naus, defronte desta Ilha de São Vicente, onde todos estamos..... e da banda do Sul partem com a barra e Porto da dita Ilha de Guaibê, e desta de São Vicente, que é onde ancoram as náus quando vem para este porto de São Vicente.”

JERÔNIMO LEITÃO ao pedir o uso do Porto das Naus, dentre outras coisas, diz em seu requerimento:
“Martim Afonso ........ deu na dita terra ao Conselho um tiro de arco em roda, para varadouro dos navios “ (porque naquele tempo parece que varavam ali). (doc. de 1580 posterior à destruição da Vila).
Confirmando tudo o que acima ficou dito, quero trazer ao conhecimento dos leitores, um documento que reputo de grande valia para o tema em exame. Trata-se da doação que fez Pero Correia, à Casa da Companhia da Ilha de SãoVicente, das terras que recebera em Sesmaria, de Gonçalo Monteiro, em 1542:

“... digo ser verdade que no livro do tombo são duas cartas registradas das terras que Gonçalo Monteiro sendo Capitão deu ao dito Pero Correia. A primeira que foi dada que é defronte desta ilha e Vila de São Vicente que era antes dada pelo Governador a um Mestre Cosme Bacharel, que o dito Gonçalo Monteiro houve por devoluta, começa a partir do Porto de Naus ......... Começou a partir que é no dito Porto das Naus, ficara um rocio de um tiro de arco, assim como foi mandado e ordenado pelo senhor Governador que fica livre e desembargado para quando as naves ali ancorassem.”
(Serafim Leite - História da Companhia de Jesus no Brasil - Tomo I - Ed. 1938)

Esse documento lavrado em cartório, em 1553 dá conta, de maneira inequívoca sobre a real situação da Vila de São Vicente, antes do fenômeno marinho que a destruiu em 1542/45

Outra feição importante é situar a Ilha de Guaibê, que não é outra senão o belo maciço que se estende desde o Porto das Naus, Prainha (praia de Paranapuã ou das Vacas) até a Fortaleza de Itaipu.
Anos atrás poder-se-ia ir de canoa do Mar Pequeno, até a ponta de ltaipu, por água, sem pisar em terra firme, em dia de maré alta (com o assoreamento e depois canalização do rio, isto não é mais possível).
Resta, ainda, também, o maciço tornado Parque Ecológico por Decreto Estadual de nº 37.536 de 27/09/93.

Neste particular, São Vicente é, também, pioneira.

A antiga Ilha de Guaibê é Parque Estadual, unidade de preservação de relevante significado científico, cultural e ambiental.

Desde 1988 a UNESP vem desenvolvendo trabalhos de ensino e de pesquisa na região, através de seu Centro de Ensino e Pesquisa do Litoral Paulista - CEPEL. Conta atualmente, com o aporte técnico-científico e diversas equipes de docentes dos diferentes “campus” da Universidade espalhados pelo Estado. Além de estarem sendo desenvolvidos inúmeros projetos para o aperfeiçoamento e especialização dos profissionais em biologia, microbiologia, oceanografia e outros profissionais da baixada santista, existem, em andamento, pesquisas científicas, neste Parque, pioneiras no mundo, como é o caso da absorção e transformação dos poluentes pesados, por organismos vivos das águas marinhas.

Hoje, o estudo da biodiversidade representa, para o amanhã, riqueza de projeção incalculável.
Nesse Parque de 901,00 hectares razoavelmente preservado, biodiversidade e os ecossistemas de Mata Atlântica guardam, ainda, características notáveis.

O Parque, além de servir de pouso e reprodução de aves migratórias, apresenta, ainda, moluscos e outras espécies marinhas que não existem mais, em outros lugares da região.
Com a criação do Parque Xixová-Japuí, São Vicente não terá problemas com favelas em morros. Quando desaparecerem as favelas urbanas, com o desenvolvimento das populações hoje carentes, São Vicente prosseguirá desenvolvendo sua vocação histórica de cidade pioneira do Brasil.

Ilha Porchat, 11 de Janeiro de l995.

Dr. Antonio Teleginski.



HERMENEGILDO LA PETINA nasceu em São Vicente, no dia 07 de junho de 1888. Filho de: Francesco La Petina , italiano nascido em 28 de setembro de 1854 em Tramutola, na província de Potenza), radicado em São Vicente desde dezembro de 1879 e segundo o Almanaque de Santos de 1885, um dos comerciantes mais antigos da cidade;  e Maria Rosa Branda. Batizado na Igreja Matriz de São Vicente no dia 08 de Outubro de 1888, foram os padrinhos Hermenegildo da Silva Ablas e Dona Margarida Emmerich Ablas, esta filha de Jacob Emmerich e Filipina Emmerich.
Hermenegildo era o sexto filho de uma família de onze filhos. Estudou no colégio do povo dos dez aos dezessete anos de idade, trabalhou nos estabelecimentos comerciais de seu pai, um Empório na Rua do Porto (Rua Marques de São Vicente), uma Taverna na Rua Visconde de Tamandaré e uma Pedreira no Morro dos Barbosas.

Em 1910, Hermenegildo fez parte da Diretoria de um curioso clube filantrópico de São Vicente, o “Clube dos Em pés”. Os sócios desse clube em sua maioria eram comerciantes e políticos vicentinos. A curiosidade desse clube é que nas reuniões de diretoria todos permaneciam em pé porque não havia cadeiras no recinto.

Hermenegildo era músico tocando na Banda Municipal de São Vicente e aos domingos no coreto que existia na Praça Coronel Lopes. Entre 1919 e 1921, Hermenegildo foi membro da Irmandade do Hospital São José e usando de sua influência na Alfândega de Santos, conseguiu varias doações. Em 1922 pediu sua saída do cargo de Despachante da Alfândega de Santos e veio trabalhar na cidade de São Vicente assumindo o cargo de escrivão de policia na delegacia local. Em 1930, acumulou além da função de escrivão, a de carcereiro. Aposentou-se em 195.  Faleceu em 04 de Fevereiro de 1955. #246

Publicado originalmente  no Boletim do IHGSV.  Colaboração de Waldiney La Petina - Genealogista


Em 01 de janeiro de 1913 foi fundado em São Vicente uma curiosa agremiação. O memorialista Costa e Siva Sobrinho relata em suas anotações que um grupo de rapazes se reunia à noite num imóvel na rua Martim Afonso  e todos permanciam por horas seguidas em pé e resistindo ao cançaço. Nesse tempo promoviam calorosos debates sobre diversos assuntos. O jornal A Tribuna, através da sua sucursal vicentina reproduziu em sua edição a festa do 1º aniversário do clube e identificou todos o membros presentes. # 247
 
Pesquisa:  Waldiney Lapetina, nos arquivos da FAMS. 
“CLUB DOS EM PÉ" 
Este club celebrou na noite de ante-hontem, a passagem do eu primeiro anniversario, offereando aos seus associados, convidados e representantes da imprensa local e de Santos, no Rink Vicentino una lauta ceia. 
Antes, porém, dessa refeição, foi constituida, por acclamação,  a directoria que tem de gerir os destinos sociaes no anno vigente. 
O sr. Heraldo Lapetina, presidente dessa sympathica aggremiacão recreativa, tendo aberto e sessão em que deveria ser eleita a directoria, convidou para assumir a presidencia dr. Pinto Paccs, que, accedendo ao convite e assumindo a direcção dos trabalhos, recebeu calorosa salva de palmas. 
Por proposta do sr. Santos Amom, foi acclamada a seguinte diretoria:
Presidente, Heraldo Lapetina; Vice-presidente, Guilherme Figueiredo.
Secretários, Manoel Freiro de Carvalho, Benedicto Ribeiro.
Tesoureiro, Alvaro dos Santos Barbosa.
Conselho deliberativo: capitão Anthero de Moura, major Joaquim Neves Figueiredo Junior, cel. Francisco de Souza Junior, José Leite Forjaz, Carlos José da Rocha.
Acclamada a directoria, o sr. Guiherme Figueiredo, fazendo uso da palavra, agradeceu a sua reeleição, prometteu trabalhar, como até aqui, com todos os seus esforços em prol do "Club dos Em Pé" e incitou os seus companheiros a seguirem-no nesse mesmo esforço.
O dr. Pinto Paoca, numa bella allocução, discorreu sobre o "Club dos Em Pé", animando os associados a proseguiren sempre пеssa união demonstrativa da sociabilidade vicentina,
Os srs. Benedicto Ribeiro, Miguel Barcalla, Santos Amorim e outros fizeram uso da palavra, referindo-se a commemoração que fazia o "Club dos Em Pé".
A festa anniversaria dessa associacão, como era esperada, decorreu com muito enthusiasmo. À mesa, em forma de T, sentaram-se as 28 seguintes pessoas: Anthero de Moura, João Lapetina. Franklin Alves de Moura, José P. Martins, Luiz Pimenta, Genaro Fernando Otero.  Benedicto Ribeiro, dr. Gustavo Pluto Pacca, Antonio C. Bibeiro, Alvaro dos Santos Barbosa,  dr. Rocha Carvalho. Heraldo Lapetina, Ramiro Calheiro, Estácio de Moura, Antonio Santos Amorim, Antonio Bruno. Sebastião Bittencourt, Lydio de Almeida, Affonso Lopes Fernandes, José Carmo Neves.  Julio Teixeira Junior, Antonio Emmerich. ck Junior, Angelo Richetti, Guilherme A. de Figueiredo. Armando Requejo, Miguel Barcalla, Francisco Rienze, Manoel Freire de Carvalho. Antonio da Rocha Carvalho, Idelfonso A. de Oliveira e J. de Santiago, 
por esta succursal".



Figuras antigas de São Vicente imortalizadas em biografias e bico de pena pelo jornalista e vereador Edson Telles de Azevedo. A obra foi publicada anteriormente em série nas páginas do jornal A Tribuna, de Santos, e  editada em 1972 pelo próprio autor em parceria com a Revista dos Tribunais. #247 
***

Vultos Vicentinos: Subsídios para a História de São Vicente
Introdução
São Vicente, cidade localizada no litoral do estado de São Paulo, é conhecida como a primeira vila fundada pelos portugueses no Brasil. Com uma rica história que remonta ao século XVI, esta cidade guarda segredos e personagens fascinantes que moldaram seu destino ao longo dos anos. E é justamente sobre esses personagens que o livro "Vultos Vicentinos: Subsídios para a História de São Vicente", escrito por Edison Telles de Azevedo, trata de forma magistral.
Capítulo 1: Os primeiros colonizadores
Neste capítulo, somos apresentados aos primeiros colonizadores de São Vicente, liderados por Martim Afonso de Sousa. O autor nos leva em uma viagem no tempo, recriando as dificuldades enfrentadas pelos desbravadores portugueses ao chegarem em terras brasileiras. Através de uma pesquisa minuciosa, Azevedo traz à luz detalhes desconhecidos sobre esses bravos homens e mulheres que lutaram para estabelecer uma colônia duradoura em solo brasileiro.
Capítulo 2: As mulheres fortes de São Vicente
Neste capítulo, o autor destaca a importância das mulheres na história de São Vicente. Ele nos conta histórias emocionantes de mulheres corajosas que enfrentaram os desafios da época e deixaram um legado significativo para a cidade. Desde as índias que se uniram aos colonizadores até as mulheres que desafiaram normas sociais para lutar por seus direitos, Azevedo nos mostra como essas vultosas figuras femininas moldaram a identidade de São Vicente.
Capítulo 3: Os líderes políticos
Neste capítulo, o autor nos apresenta os líderes políticos que governaram São Vicente ao longo dos séculos. Ele analisa suas trajetórias, suas conquistas e seus desafios, revelando as estratégias e os dilemas enfrentados por esses homens que buscavam o progresso da cidade. Através de uma narrativa envolvente, Azevedo nos transporta para os bastidores do poder, mostrando como esses líderes influenciaram diretamente o desenvolvimento de São Vicente.
Capítulo 4: Os artistas e intelectuais
Neste capítulo, o autor mergulha no mundo dos artistas e intelectuais que fizeram de São Vicente um celeiro de cultura e conhecimento. Ele nos apresenta poetas, escritores, músicos e pintores que encontraram inspiração nas belezas naturais e na rica história da cidade. Com uma escrita sensível, Azevedo nos faz apreciar o talento desses vultos vicentinos, cujas obras ainda ecoam nos dias de hoje.
Capítulo 5: As lendas e folclores
Neste capítulo, o autor nos leva para o lado místico e folclórico de São Vicente. Ele nos conta histórias de assombrações, lendas e manifestações culturais que permeiam a cidade. Com uma abordagem cuidadosa, Azevedo nos faz refletir sobre a importância dessas tradições para a identidade local, resgatando personagens e eventos que muitas vezes são esquecidos pela história oficial.
Conclusão
"Vultos Vicentinos: Subsídios para a História de São Vicente" é um livro que nos convida a mergulhar nas profundezas da história da cidade de São Vicente. Com uma narrativa envolvente e uma pesquisa minuciosa, o autor Edison Telles de Azevedo traz à tona personagens fascinantes que moldaram o destino desta cidade ao longo dos séculos. Ao ler este livro, você será transportado para um passado rico em acontecimentos e descobrirá segredos escondidos por trás das ruas e monumentos de São Vicente.
Se você é um amante da história, da cultura e do folclore brasileiro, não pode deixar de ler "Vultos Vicentinos: Subsídios para a História de São Vicente". Este livro é uma verdadeira ode à cidade de São Vicente e seus personagens ilustres. Adquira agora mesmo e embarque nesta incrível jornada pelo passado de uma das cidades mais antigas do Brasil. 

Resenha publicada no site da "Amazon"



















Em 2022 a "Poliantéia-450 Anos de Brasilidade" completou 40 anos da sua edição. Foi a primeira tentativa de resumir a história de São Vicente numa publicação única. Não é uma obra de historiografia acadêmica e sim um álbum memorial comemorativo da fundação da Vila de São Vicente. Foi impressa  num formato gráfico fora do padrão dos livros convencionais, o que tornou difícil a sua distribuição comercial. Hoje, a Poliantéia só é encontrada em bibliotecas, coleções particulares e sebos, ofertada em média por cerca de 140 reais. O álbum foi organizado e produzido por uma equipe editorial liderada por Fernando Martins Lichti, subsidiado financeiramente por patrocinadores anunciantes e contribuintes; e comercializado pela Editora Caudex.

"Com doze capítulos e 392 páginas, editorada em formato e conteúdo de álbum-almanaque, a Poliantéia tinha como base uma rica cronologia de fatos históricos vicentinos, descrição geográfica e cultural das entidades vicentinas, com seus destaques, eventos e finalmente uma coletânea de artigos de diversos autores memorialistas. Eram personalidades especialmente convidadas para abrilhantar a edição comemorativa, entre muitos outros, Francisco Martins do Santos, Jaime Mesquita Caldas, Jaime Franco, Esther de Figueiredo Ferraz, Lincoln Feliciano, Costa e Silva Sobrinho, Jaime Horneaux de Moura, Antônio Tellegisky, Lydia Federici, Jonas Rodrigues e Edson Telles de Azevedo (jornalista de A Tribuna, célebre autor do livro de biografias Vultos Vicentinos e editor da revista A Rosa). A obra foi publicada em parceria com o Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente, dirigido na época por Odete Veiga Martins dos Santos". #248



O Historiador santista Jaime Caldas propôs que São Vicente adotasse como padrão das calçadas a estampa da Cruz da Ordem do Cristo, símbolo da expansão marítima portuguesa e que teve nas capitanias vicentina e pernambucana seus principais pontos de ocupação no continente americano. A ideia surgiu em 1982 durante as comemorações dos 450 anos da fundação da Vila, pelo donatário Martim Afonso de Souza e sua Armada composta de 400 colonizadores. A Cruz de Portugal é também chamada de Cruz da Ordem de Cristo. A Cruz tem os braços verticais e horizontais proporcionais, formando um quadrado. É vermelha e foi bastante utilizada durante as cruzadas. Ela simboliza a religiosidade, a vontade dos membros da Ordem de Cristo de espalhar o cristianismo em suas expedições marítimas. Este símbolo nacional português descende de outros símbolos da Ordem dos Templários, que foi dissolvida em 1312 pelo Papa Clemente. Em 1317 o rei Dom Dinis pede o reconhecimento da Ordem de Cristo e para ser dono de todas as posses dos Templários em Portugal. A Cruz da Ordem de Cristo foi instituída entre 1317 e 1319. #249




Dois ícones do final do século XIX, quando São Vicente estava renascendo com sua autonomia política e urbana. A praça da City , construída e mantida pela companhia que explorava as linhas dos bondes SV-Santos, pela orla e pela zona noroeste. Ao fundo, com vizinhança residencial, a Escola do Povo, empreendimento de benfeitores das duas cidades da Ilha e que formou diversas gerações na região. Os nomes dos dois pontos foram trocados, porém a história não esquece as sua origens. 

PRAÇA DA CITY na década de 1910, atual Coronel Lopes, Correio e Camelódromo. Cenário bucólico mantido pela Companhia City e também da linha 1 do bonde que trafegava num longo e deserto trecho até o centro de Santos. Ainda não existiam as avenidas Antônio Emmerich nem a N.S. de Fátima. 
Acervo: Waldiney La Petina. #250


ESCOLA DO POVO

(... ) Quem cursou o velho grupo escolar de São Vicente, que outrora se chamava Escola do Povo, haverá de recordar-se sempre do velho “Bento”, o porteiro que tangia o sino avisando o início das aulas. Lembrar-se-á do velho professor Osório Alves, figura impressionante de mestre, que à inteligência, sabedoria e compreensão, aliava o talento de ficcionista, premiando os alunos com suas histórias saborosas de aventuras, cuja lembrança ainda nos emociona.

A Mestra Da. Lovely Plauchut, que acompanhou várias gerações de alunos, educando-os, instruindo-os, e encerrando entre as paredes daquele casarão amarelo a primavera da sua mocidade.

O intransigente Diderot Teotônio Santana Espinhel Júnior...

E a tristeza de ver desfeito e mutilado aquele formoso jardim tão cuidado, primorosamente desenhado, fronteiro à Escola, onde à noite havia projeções cinematográficas aos domingos...

Quem como eu viveu em São Vicente há trinta e tantos anos, freqüentou os bancos da Escola do Povo e repastou os olhos naquele jardim, identificou-se com a alma dessas coisas (...)

Derosse José de Oliveira - São Vicente, história e memória –Poliantéia Vicentina, 1982.
“Professoras e professores que se dedicaram com muito amor ao magistério vicentino, verdadeiro sacerdócio do ensino, formando a base cultural, cívica e moral de tantas famílias radicadas em São Vicente, através de tantos anos”.


Primeira instalação da Escola do Povo, no Largo Batista Pereira.


A notícia mais antiga que encontramos da Escola do Povo é: "que em 1894 passa aos cuidados do Governo, mantendo porém o mesmo nome”, (Edison Telles de Azevedo, em Vultos Vicentinos). Isto é evidência de que já na época era bem conhecida, e que naturalmente a sua fundação é anterior, a essa data.

Em 1895 começa um movimento entre os habitantes de São Vicente, que formam um Sociedade Civil, para a construção do prédio da “Escola do Povo”.

Em 1896 a Escola funcionava no Largo Batista Pereira, mudou-se depois para a Rua XV de Novembro. Finalmente em 1898, a Escola do Povo, mudou-se para prédio próprio, na Praça Cel. Lopes.
Em 1900, a Escola do Povo, oferecia nas suas salas a Exposição Arqueológica, Artística e Histórica, como parte das comemorações do IV Centenário da Descoberta do Brasil.

RELATO DO ANNUARIO DO ENSINO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Grupo Escolar de São Vicente GESC Capitão-mor Gonçalo Monteiro

 EEPSG Profª Zina de Castro Bicudo Atual: extinta São Vicente – SP 

Esse grupo escolar foi instalado pelo governo do estado em agosto de 1913.

Segundo informações de Adamastor Amado Stoffel, parte delas publicadas no jornal “A Tribuna”, em 13 de junho de 1989, essa escola está relacionada à “Escola do Povo”, fundada em 1893.
 Sobre a fundação dessa escola diz o citado autor: 

“ Os fundadores, na sua maioria, são maçons respeitáveis e pertencem à loja ‘Fraternidade’, de Santos. Um dos seus nobres objetivos é construir escolas laicas para a infância pobre. A instituição não é, portanto, um ‘colégio’ e nem esse nome recebe porque o termo, durante anos, significou ‘estabelecimento religioso de ensino com objetivos catequistas”. 

Stoffel alega que em 1894, segundo noticiário da época, o Estado pretendia assumir a escola e que, em 1895, era iniciado um movimento entre os habitantes de São Vicente para a construção de prédio próprio para esse estabelecimento de ensino. Segundo o autor, em 1896, a “Escola do Povo”, que funcionava no Largo Batista Pereira, esquina com a “Rua das Flores” mudou-se para a Rua XV de Novembro, em casa adaptada para residência do mestre José Gonçalves Paim, que viera do Rio de Janeiro, e de sua família. Lá permaneceram até 1898 quando, em setembro a cobertura do edifício social foi terminada:

 “(...)Encimando as colunas, um trabalho de alto relevo representa o globo terrestre, um livro e um compasso, simbolizando a sabedoria, a cultura e a filosofia dos fundadores da ‘Escola do Povo’...”. 
Em 10 de junho de 1903, conforme Stoffel, são realizadas as comemorações do 10º aniversário da “Escola do Povo” de São Vicente: 

“Recebe felicitações a diretoria da ‘Escola do Povo’, representada na figura simpática de seu digno presidente, JOAQUIM DUARTE DA SILVA, pelo brilhantismo da festa aniversária comemoradora dos dez anos da mais útil instituição que, iniciada em fins do século passado, inicia o presente século e tanto honra os que nela se empenham.” 

Em 6 de agosto de 1913, diz Stoffel, “... a ‘Escola do Povo’, construída com subscrições populares, acha-se, agora, sob tutela do Estado, que resolve ampliá-la, construindo um prédio, em forma de ‘U’, dando fundos para a Rua Padre Anchieta. Nessa oportunidade, o governo delibera reunir as escolas públicas isoladas que funcionam na cidade, instalando-as todas, num só estabelecimento: um Grupo Escolar.” 

Em 1915, segundo o Anuário do Ensino do Estado de São Paulo daquele ano, foram matriculados 497 alunos, com freqüência média de 304. Seu diretor era Gastão Ramos. 

Em 1922 os festejos oficiais do primeiro centenário da Independência do Brasil foram realizados nas dependências dessa escola, consideradas o melhor local para aquelas comemorações. 

Para homenagear o primeiro Vigário e Capitão-mor nomeado na Capitania de São Vicente, por Martin Afonso de Souza, a denominação da escola mudou, em 1947, para GESC Capitão-mor Gonçalo Monteiro. Em 1949 o Governo do Estado torna a mudar seu nome para GESC de São Vicente. 
A comemoração dos 50 anos da “Escola do Povo” em 1963, e a colocação no prédio da escola de placa alusiva à data, com a seguinte inscrição: 

“Esta ‘Escola do Povo’, por ele iniciada, completa meio século de serviços – 1913- 6 de agosto de 1963” , na opinião de Stoffel: “escamoteia 20 anos, um mês e 27 dias, como se esse tempo real e romântico, anterior a 1913 não existisse.”
 
Conforme lei nº 2237, de 20 de dezembro de 1979, a Escola Estadual de Primeiro Grau de São Vicente passou a denominar-se Escola Estadual de Primeiro Grau Profª Zina de Castro Bicudo. 

Em 1985 a escola passou a oferecer também o segundo grau, mudando sua denominação para: Escola Estadual de Primeiro e Segundo Grau Profª Zina de Castro Bicudo. 

Conforme informação de Stoffel, as instalações da escola, construída em 1913 sofrem um incêndio criminoso.

Em 19 de abril de 2001 foi assinado o convênio entre o governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura Municipal de São Vicente, municipalizando as classes dessa escola, que foi extinta no dia 02 de maio de 2001. Suas classes e seus respectivos alunos foram remanejados para as escolas municipais: EMEF Carolina Dantas e EMEF Prof. Constante Luciano Clemente Houlmont. Seu prédio, localizado na Praça Coronel Lopes nº 387, abriga, desde 2001, a Diretoria de Ensino – Região de São Vicente. #251

BIBLIOGRAFIA: São Paulo (Estado). Directoria Geral da Instrucção Publica. 
Annuario do Ensino do Estado de São Paulo. São Paulo: Typ. Siqueira, 1913. São Paulo (Estado). Directoria Geral da Instrucção Publica. Annuario do Ensino do Estado de São Paulo. São Paulo: Typ. Augusto Siqueira & C., 1915.



Planta Cadastral de S. Vicente. 1899. Nomes dos logradouros já modernizados após a proclamação da república. Verticais sentido centro-praia: Estrada de Ferro São Paulo Railway; Avenida sem nome (depois Misericórdia, posteriormente Presidente Wilson); ruas João Ramalho; Frei Gaspar; Jacob Emmerich; José Bonifácio; 13 de maio; Lima Machado; Santa Cruz e Largo do mesmo nome; Largo Batista Pereira. Algumas estão ilegíveis. Horizontais- sentido centro-Morro dos Barbosas: ruas Campos Salles; Ipiranga; 15 de Novembro; Martim Afonso; Padre Anchieta; Largo 13 de Maio (depois praça 22 de Janeiro); rua 31 de Outubro (depois Tibiriçá); Visconde do Rio Branco; Américo Brasiliense; Ruas sem nomes e futuramente Cândido Rodrigues. Amador Bueno da Ribeira; Benedito Calixto; Mem de Sá; etc até o Itararé. #252

 Ps. 31 de Outubro foi a data da abolição da escravidão em São Vicente.




Até o século XIX, a Praça 22 de Janeiro situada no centro de São Vicente, ao lado da Biquinha de Anchieta, era conhecida como o Campo ou Largo da Fonte. Em 1888, com a abolição da escravidão, o local passou a ser denominado Largo Treze de Maio. Em 1918, a Câmara Municipal alterou a nomenclatura para Praça 22 de Janeiro. A praça conta com um terreno de 8.170 metros, que engloba equipamentos de lazer, como o Espaço Multicultural (antigo Cine 3D), área verde e importantes monumentos em seu espaço: o Monumento IV Centenário do Descobrimento do Brasil, o Obelisco a Pérsio de Queiroz, o Relógio de Sol e a Estátua de Benedito Calixto. A Praça é tombada pelo Conselho Municipal (CONDEPHASV- 2011). # 253



 O Monumento do IV Centenário do Descobrimento do Brasil está localizado na Praça 22 de Janeiro.
Projetado pelo historiador e artista plástico Benedito Calixto, juntamente com o arquiteto belga Florimond Colpaert e execução por Augusto Kauschus, o monumento foi inaugurado em 22 de abril de 1900, em gratidão aos fundadores da Capitania de São Vicente. O monumento tem 10 metros de altura e cada face de bronze contém inscrições com os nomes dos principais personagens da descoberta e povoamento do Brasil até 1570, brasões da capitania portuguesa, esfera armilar e ramos de palmeiras e oliveiras simbolizando a paz. #254

1899- O jornal o Estado de São Paulo noticia o envio à sua redação do projeto de construção, em São Vicente, do Monumento do IV Centenário do Descobrimento do Brasil.

Quarto Centenário do Brasil. Monumento 400 anos São Vicente Ferdinand Colpaert. Do jornal Estado de São Paulo, 15 de agosto de 1899, p. 3

"A Sociedade comemorada do IV Centenário do Brasil, fundada em S. Vicente, enviou-nos um desenho do monumento que pretende erigir naquela cidade em 1900.

O monumento mede 10 metros de altura da base no ápice; a primeira parte é quadrangular, de cantaria lavrada em estilo dórico, com 4 metros e 50 centímetros de altura, tendo em cada uma das faces uma placa de bronze com inscrições contendo os nomes dos principais personagens da descoberta e povoamento do Brasil até 1570.

A segunda secção do monumento é de bronze, em estilo misto; tem em cada uma das faces um medalhão enfiado de ramos de fumo e de enfé e por baixo uma grinalda. No centro do medalhão vê-se uma caravela com as velas.

É de bronze também a terceira secção, de forma octogonal, em estilo misto. Traz em duas faces mais largas o brasão de armas de Martim Affonso de Souza – Era de 1532 – e a inscrição – Deus, Pátria e Liberdade.

Nas outras duas faces mais largas o brasão de armas de Pedro Álvares Cabral, com a seguinte legenda: 22 de abril de 1500.

Monumento 400 anos São Vicente Ferdinand Colpaert. A quarta secção, de bronze, também octogonal, do mesmo estilo, tendo nas faces mais largos escudos ornadas de volutas e ramos de palmeiras e oliveiras, símbolos da gloria e paz. Esta ultima parte termina por linhas ogivas, encimadas por uma esfera armilar tendo no alto um tridente.

O projeto é executado pelo arquiteto sr. Florimond Colpaert, por indienções e desenhos do sr. Benedicto Calixto.

O monumento será colocado na praça Treze de Maio, em frente da barra de S. Vicente e será inaugurado a 22 de abril de 1900."


 O jornal O Vicentino, foi criado e publicado em 1900 pelo farmacêutico José Ignácio da Glória. 
Com ilustrações históricas da Vila de São Vicente feitas por Benedicto Calixto esse número foi dedicado especialmente a uma extensa reportagem alusiva à comemorações do IV Centenário do Descobrimento do Brasil. Santista criado e vivido em São Vicente, o Glória, como  era popularmente chamado -  foi um grande ativista contra o surto de gripe espanhola que assolou a Baixada Santista em 1892. Na Botica do Glória, todo dia e muitas noites,filas e filas de vicentinos vindo tratar com o químico-farmacêutico que era também jornalista, fundador de vários jornais e depois Intendente da cidade. Também foi juiz federal. José Ignácio da Glória casou-se três vezes. Quando D. Pedro II veio a São Vicente, hospedou-se em sua casa. O imperador e a família gostava de simplicidade, molhar os pés no córrego Sapateiro e tomar água na Biquinha.  José Ignácio aprendeu medicina sanitária trabalhando no Rio com o Dr. Oswaldo Cruz. Faleceu em 1927, aos 82 anos. #255


Ilustrações históricas da Vila de São Vicente feitas por Benedicto Calixto para o jornal "O Vicentino", de propriedade do seu amigo e também farmacêutico José Ignácio da Glória. Esse número (maio de 1900) foi dedicado a uma extensa reportagem alusiva à comemorações do IV Centenário do Descobrimento do Brasil. Acervo Digital- IHGSV.




Este documento faz parte do acervo da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo- ALESP. Um simples edital de chamamento de dívidas tributárias municipais que poderia passar despercebido aos olhos comuns, foi localizado num rotineira pesquisa genealógica, olhar específico que mudou totalmente o grau de importância dessa peça de arquivo. Recebeu tratamento científico do pesquisador Dalmo Duque dos Santos e do genealogista Waldiney La Petina, transformada em obra historiográfica

São Vicente em 1909 era pequena e restrita ao que atualmente é somente a região central. O povoado tinha reduzido número de famílias e moradores, muitos com ascendência do período colonial, tendo algumas delas pisado em território brasileiro quando aqui desembarcaram na histórica expedição de Martim Afonso, iniciada um ano antes em Portugal. Encontramos também muitos sobrenomes estrangeiros, de técnicos e executivos do setor  comercial portuário e dos serviços das ferrovias e eletricidade que chegavam na região. 

No edital não constam apenas valores tributários e informações sobre a regularização dos débitos. Constam os nomes dos proprietários e moradores de 551 lotes em 32 logradouros (ruas e praças), membros das principais famílias da cidade. Era uma São Vicente ainda provinciana, recém liberta da condição de dependência política de Santos, com apenas dois núcleos de habitação insular: o centro e um pequena parte da orla. Na área continental predominavam os sítios distantes do Japuí, Praia Grande, Sant'Ana de Acaraú e Samaritá.  Atualmente, na ilha e no continente, São Vicente tem mais de  cinco mil ruas distribuídas em 45 bairros.

Na lista de propriedades (terrenos e edificações) aparecem nomes e sobrenomes que sobreviveram através dos seus descentes e que também deram denominação às novas ruas que surgiram com a expansão de loteamentos urbanos. # 256



Em 1926, chega a Solemar o imigrante Júlio Secco de Carvalho, em companhia de sua esposa D. Maria da Costa Carvalho, com quem havia casado em Campinas em 1915. Tornou-se sócio em negócios imobiliários com o ex-prefeito Antão de Moura. Em 1928 o casal doou uma gleba de terra à E.F Sorocabana, para qual fornecia madeira de dormentes para os trilhos. Nos anos 1950 Júlio Secco lançou as bases da emancipação de Praia Grande a partir da criação de um Distrito nesse bairro vicentino ficando estabelecido que suas divisas iam da Vila Tupiry até os limites de Mongaguá. Com o esgotamento das reservas de madeira, Júlio Secco de Carvalho teve a ideia de lotear a área, transformando-a numa vila atraente aos veranistas. Construiu uma moderna estação ferroviária, depois tratou de interessar os políticos da época em torno do local. A uns forneceu terrenos gratuitamente, a outros, vendeu lotes a preços módicos, tudo com a finalidade de conseguir melhoramentos para Solemar. Abriu ruas, construiu igreja, instalou um cartório e assim transformou a vila de Solemar. Ao lado de Nestor Ferreira da Rocha e Heitor Sanchez, foram os primeiros líderes em Praia Grande a cogitar a emancipação. Faleceu sem ver concretizada sua luta de tantos e tantos anos, mas seu nome permanece vivo na lembrança de todos os que querem bem a Praia Grande, sendo seu nome pronunciado sempre com respeito e carinho. Hoje, uma das ruas de Solemar leva o seu nome, além da escola E.E. Júlio Secco de Carvalho. #257
Fonte: Boletim Informativo da Escola com informações e fotos da família.


Silvio Luis é formado em História e Mestre em Educação, cujo objeto de investigação de sua dissertação foi a E.E. Reynaldo Kuntz Busch, onde cursou o ensino médio. Publicou também “Lembranças da Caserna”, um livro de memórias que descreve sua passagem pelo 2º Batalhão de Caçadores de São Vicente, atual BIL e Batalhão Martim Afonso em 1978. É autor de outras publicações como "Rotary Clube de Praia Grande - memórias e lembranças - 50 anos"; "E.E. Reynaldo Kuntz Busch- a primeira turma do ensino técnico profissionalizante de 2.o grau"; Testemunhos de Fé - Deus cuida de mim-um relato de uma viagem de peregrinação pelo Egito, Jordânia, Palestina e Israel; Memórias da FEFIS, uma história de superação ", formação e trajetória como professor de educação física; e "Destino… Serra Negra", que descreve a relação afetiva do autor com essa cidade interiorana. #258



Coro Santa Cecília da Matriz de São Vicente. Amigos, orquestra e cantores. Comemorações do IV Centenário da fundação de São Vicente em 1932. Acervo da professora Zina de Castro Bicudo. 
Revista Leopoldianum. 2015.Ano 41, 2015 nºs113, 114 e 115. #259



Uma produção do selo Bom Pastor marcou o registro marcou o registro fonográfico do Coral da Primeira Igreja Batista de São Vicente, sob a regência do Pastor Ney Angelo Pereira  e que ele fez questão de citar um por um:

Sopranos: Amélia Nonato Silva de Oliveira, Ana Maugeri, Floripes Barreto Ferreira, Ignéz Pereira Bispo, Iracy Edington Santos, Lela Silvia Félix Morgado, Madalena Xavier, Marlene de Brito e Silva, Maria dos Remédios Silva Ribeiro, Sheila Susan Aguiar Silva, Yone Agular Silva. Contraltos: Iracy Pereira de Souza, Ivany Rodrigues Carvalho, Ivonete Edington Santos, Janete Santos de Souza, Josepha Rosa da Silva, Maria da Silva Ca-raúba, Maria José de Souza, Maria Lúcia Félix Morgado, Marinalva Rodrigues dos Santos, Nilza Pinto de Souza. Tenores: Benedito Pedro de Oliveira, Daniel de Oliveira Bispo, Elisio Pereira Santos, Jose Bernardino Ferreira (in memorian). Paulo Constantino do Nascimento, Samuel Bispo de Souza. Baixos Cláudio César de Brito, Durval de Oliveira, Eldes Mauricio Aguiar Silva, Gerson Carlos Correia, Heraldo Carvalho Pereira, Jair Pinheiro de Souza, Jose Fernandes de Oliveira, pianista Rosidéia Rodrigues Costa, regente Darcili Sitva. Ficha Técnica.
Estúdio Publisol mixagem Ricardo técnico Ton nho regência Darcıl Silva piano Rosilera Rodn gues Costa órgão, sintetizador e Korg String A. Misael foto Oswaldo Micheloni arte Marcos Re-che direção e produção Elias de Carvalho. #260





A Fazenda Santana de Acaraú, na área continental de São Vicente, era um núcleo familiar de imigrantes portugueses dos primeiros tempos da colonização. Nesse sítio nasceu o Frei Gaspar em 1715, fato que hoje teria 306 anos. 

O Acarahú é uma das mais antigas áreas do território vicentino continental. Está literalmente na Serra do Mar. Seu sítio principal é tão antigo que , ao ser registrado há mais de 100 anos por Benedito Calixto, já era mostrado como ruínas do século XVII. A Fazenda Sant'Anna de Acarahú pertenceu remotamente à Domingos Teixeira de Azevedo, coronel do Regimento de Ordenanças de Santos e São Vicente, provedor da Real Casa de Fundição de Paranaguá. Era filho de Gaspar Teixeira de Azevedo, antigo capitão-mor da Capitania de São Vicente (1697-1699) e provedor dos reais quintos de ouro. Ali nasceria o famoso Frei Gaspar da Madre de Deus (filho de Domingos e neto de Gaspar) e primo de Pedro Taques, ambos destacados historiadores desse período e com descendentes até hoje na ilha de São Vicente. Já no século XIX, a fazenda de Sant'Anna do Acarahú (foto) teve como herdeiro mais recente - antes de ser extinta - Fernando José Augusto Bittencourt (1822-1903), conhecido agricultor, comerciante e intendente vicentino. #261

Fonte: Polianteia, 1982. FOTOs: Fazenda Acaraú, no início do século XX. Poliantéia Vicentina (1982); e Ruínas do Acaraú, pintura de Benedito Calixto.



Fernando José Augusto Bittencourt com a família no Sítio de Sant'Ana do Acarahu,  na área continental serrana de São Vicente. Foi o último herdeiro direto da propriedade, casou-se em 1870 e trabalhou na fazenda por 40 anos. Era vereador e vendia sua produção na área insular, no portinho Tumiaru. A Pinga do Acaraú, com garrafão de 18 litros e os vidros de Calmante de Flor de Laranjeira eram seus produtos mais conhecidos (Vultos Vicentinos, 1972). Antes disso, Francisco Xavier dos Passos era dono do Sítio Iguá, mais tarde vendido ao comerciante Ignácio Gonzalez Requejo. Haviam muitos outros sitiantes e exploradores nessa região continental da serra e também  no lado orla,  Japui e Praia Grande. #262



Muito antes da sua formação e durante a atuação acadêmica, Lourenço Vieira foi um desses jovens inquietos que transitavam nos pontos de cultura de São Vicente e Santos nos anos 60-70 . O teatro, especificamente o T.E.M.A (Martim Afonso), era seu foco de manifestações artísticas e foi ali também que despertou para o universo da psicologia alternativa em voga nos EUA e Europa. No site do Conselho Federal de Psicologia, Lourenço Vieira tem um perfil com foco na integração entre saúde mental e educação. Recentemente, vem resgatando a história cultural vicentina dessa época, talvez o período mais influente da nossa memória regional mais próxima. #263
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Doutor em Psiquiatria Social pela Universidad La Plata, Lourenço reúne diversas especializações em áreas como psicanálise, neuropsicopedagogia, saúde coletiva e administração de sistemas de saúde. Na Seduc-SP-DERSV implantou o Programa de Educação nas Prisões em 2014. Desde 2015, atua como docente na U.F. de Juiz de Fora (UFJF), formando licenciados em Física e Saúde Coletiva. É colaborador da Universidade Aberta do Brasil em Santos/SP. Na prática clínica, dedica-se ao atendimento aos traumas, suicídio, aprendizagem, sexualidade e identidade de gênero.
Memória do Teatro
https://peabirucalunga.blogspot.com/2019/07/willy-aureli-e-o-rio-da-solidao.html


Oswaldo Névola Filho nasceu em 24 de janeiro de 1946, na Capital de São Paulo e era o mais velho dos irmãos Celso e Valter. Veio para o litoral com a família em 1963. Costumava dizer que nasceu em São Vicente aos 17 anos. Estudou no Ginásio Estadual Martim Afonso, onde concluiu o ensino médio. E lá mesmo, começou a se interessar pela arte de representar, tendo participado do TEMA-Teatro Estudantil Martim Afonso. Formou-se pedagogo e ministrou aulas de português e inglês em São Vicente e Santos. Publicou ao longo da sua carreira diversas obras poéticas. Além de bacharel em letras neolatinas e anglo-germânicas, cursou turismo na cidade de Mallorca, Espanha. Foi diretor da Escola Municipal Raquel de Castro Ferreira, onde se aposentou e onde deixou muitos amigos e também sua marca, por ter se dedicado com carinho aos alunos, professores e funcionários. Foi responsável pela coluna "Panorama Cultural", com artigos dedicados à arte e à cultura, publicados duas vezes per semana no Jormal Vicentino
Em 2000, quando se comemorava os 500 anos do descobrimento do Brasil, juntamente com um sobrinho, foi vencedor de primeira etapa do concurso de sambas-enredo do carnaval em São Vicente, para a Escola de Samba Beija Flor, tendo participado da etapa final no Rio de Janeiro. Divulgou o nome de São Vicente em todos os lugares por onde passou, inclusive no Japão, onde ajudou a criar a Casa de Poeta Brasileiro na cidade de Naha. Conheceu vários países, mas tinha um carinho especial pelo Japão, onde permaneceu por três meses, através do convênio “São Vicente-Naha, Cidades Irmãs”. Faleceu em 15 de setembro de 2003. #264
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Com informações de Deise Domingues Giannini.


“Estudei no Martin Afonso de 1967 a 1971, Fiz o Clássico a noite e o Magistério pela manhã... Participei também do TEMA - Teatro Estudantil Martin Afonso, 1967-1971. O nosso diretor era Vicente de Salvo. Levamos várias peças como "A exceção e a regra" , e Bertold Brechet; " O bem amado", de Dias Gomes; "A Pílula", de autor norte-americano e o musical de compilações "Brasil, Rosas. Amor e Dor", esta apresentada em São Paulo no Equipe Vestibulares, e com a estreia no Cine Teatro Jangada em novembro de 1969.. Rosa Maria Marques Loto.

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MANIFESTO de apresentação do T.E.M.A. , grupo de Teatro da E.E. Martim Afonso no final dos anos 1960, escrito e assinado pela professora Sarah Capelari.

“O grupo de estudantes que atualmente forma o T.EM.A. é constituído de jovens artistas. Eles mesmos pesquisam os textos, fazem o roteiro, dirigem-se, estruturam a movimentação e iluminação. São uma autêntica equipe artística.

Jovens que exercem a arte nova, a arte de vanguarda, mas que respeitam e apreciam a arte tradicional clássica, sabendo selecionar dela os valores perenes.

Através do estudo dos textos da literatura clássica, romântica, parnasiana e moderna contemporânea, textos estes nacionais e estrangeiros; desde o imortal Camões até o polêmico Brecht, expressam em "Brasil, Rosas... Amor e Dor" o ideal desta juventude consciente, patriótica e esperançosa. Eles estão cumprindo um destino; não são omissos, são autênticos participantes da realidade brasileira em evolução.

Ouçamos as suas vozes! Porque elas se harmonizam no canto da Poesia e da melhor Música Popular Brasileira Moderna: de Vandré, Gilberto Gil, Chico Buarque, Dorival Caymi, Edu Lobo e outros que cantam o Brasil e o levam além de nossas fronteiras.

Nas mensagens da Poesia e da Música está a bela mensagem de nossa juventude: crença no Amor, na Paz, na justiça, a trilogia que sempre salvou e salvará a Humanidade”.

Profa. Sarah Ortiz Capellari Catedrática de Português do I. Ε. Ε.Μ.Α.



Nos anos 1970. Atores amadores do T.E.M.A - Teatro Martim Afonso. Os encontros, leituras de textos e ensaios eram realizados no casarão da rua João Ramalho, ex-sede do Clube Atlântico, esquina com a rua Tibiriçá. Nessa foto histórica aparecem o psicólogo Lourenço Vieira e a jornalista Noemi Francesca.
Publicação Grupo Ex-alunos do Martim Afonso. #265
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NOTÍCIA DE JORNAL.O Teatro Estudantil Martin Afonso está hoje, às 21 horas, no Teatro Jangada, em São Vicente, para apresentar a peça A Pílula, do gaúcho Fernando Worm, dirigida por Vicente Salvi. A peça estreou dia 29, no mesmo teatro, e os ingressos, por NCr$ 5,00 e NCr$ 2,50 para estudantes, estão à venda na bilheteria.

A Pílula trata do problema dos anticoncepcionais, a explosão demográfica e a infidelidade conjugal. "Escolhemos o texto porque abrange todas as pessoas, de todas as camadas, diz Gilda Galvão, a relações públicas do grupo e autora dos slides da peça. O autor á brasileiro, do Sul, e por isso o problema está bem ligado a nossa platéia, que pode senti-lo mais.

O diretor Vicente Salvi dirige o grupo des-de 1967 e foi o responsável pelas montagens de Odorico, o Bem Amado, de Dias Gomes, classificada em primeiro lugar nas eliminatórias do V Festival de Teatro Amador. Em 1968 dirigiu Brasil, Rosas... Amor e Dor, uma coletânea de textos de Joaquim Luiz de Castro Filho, Washington Mazzola Racy e do próprio Vicente. A peça foi apresentada no I Certame de Teatro Equipe Vestibulares, conseguindo o 3º lugar. Nesse mesmo ano montou A Exceção e a Regra, de Bertold Brecht, que venceu as eliminatórias do VI Festival de Teatro Amador.

A produção, técnica e o elenco é formado por estudantes do Ginásio Estadual Martim Afonso, que arrecadam verbas, junto ao grêmio do colégio e ao comercio para as montagens do grupo. Esse texto, que eles reapresentam hoje, está sendo ensaiado há 9 meses, todos os fins de semana, no Beira Mar Clube, no Teatro Jangada e na casa dos integrantes do grupo.

Cenário, figurino e direção é de Vicente Salvi; iluminação Edson de Medeiros Carceles e Walter da Grecia; sonoplastia de Alcy Beni Stoquini e Reginaldo Lobo; slides, Cida Galvão; contra-regra, Mauro Ferreira Bispo; maquilagem, Celso Ramirez. O elenco: Celso Ramirez, padre Piquet; Carlos Vilton, Dr. Gastão; Leyde de Souza Barbosa; Rose; Maria Tereza Leal Diz, Beth; Vicente Salvi, diretor da disciplina; Carlos Alberto Lima, Leitor; Ivete de Lima, Christine; Adilson Figo dos Santos, George; Vicente Salvi, Juiz; Eugenio Correia, 1.0 hippie; Ricardo Branco, 2.0 hippie; Sergio dos Santos, Guarda; Marina Ayrosa Galvão, Beatriz; Vicente Salvi, Dr. Hugo; Carlos Alberto Lima, Psicanalista; Sergio dos Santos, Cliente; Maria Te-reza Leal Diz, Raquel; Maria Gilce Matias, Clarinha; Carlos Alberto Lima, Sergio dos Santos, Rosa Maria Marques e Ivete de Oliveira, os Jograis; Marina Ayrosa Galvão e Maria Gilce Matias, jovens mascaradas; Ricardo Branco, Anjo da Morte.
Sexta-feira, 14 de novembro de 1969.  CIDADE DE SANTOS


Foi uma dos mais importantes eventos culturais e turísticos da Baixada Santista. Artistas e artesãos da região, da Capital , interior e outras regiões do Brasil vinham expor seus trabalhos aqui. Além da feira , havia shows musicais populares , como o de Inezita Barroso, Giane e Luiz Airão. A Feira Hippie, na verdade instalada na Praça 22 de Janeiro, era uma referência nos currículos para expor em outros eventos.

A poetisa e ativista cultural Deise Domingues, membro da Academia Vicentina de Artes e Ofícios, tem uma lembrança viva da Feira Hippie. Ela trabalhou no arquivo da Secretaria de Turismo e depois na Secretaria da Cultura. Deise lembra que a feira era muito bem controlada e que havia um livro de participação e frequência dos expositores, cujo limite de faltas era de três ausências no mês. Ela mesma levava o livro para a praça 22 de Janeiro. Segundo ela, não tinha apenas artesanato, mas também gastronomia, sobretudo barracas de pastel e comida baiana, que atraía muitos turistas. A feira de doces da Biquinha era muito próximo, o que torva o evento muito frequentado. Os artistas plásticos, os pintores, ficavam separados e tinham um público específico. Deise conta que, numa determinada época eles foram totalmente separados e transferido para o Largo Tomé de Souza, no Gonzaguinha, em frente à subestação de esgoto. Como o cheiro era muito forte, acabaram voltando para a 22 de Janeiro. Ela também explicou que a feira foi perdendo a força com as trocas de prefeitos, que preferiam dar ênfase em novos eventos. 

Na memória de Deise não poderia ficar de fora a lembrança do casal de artistas plásticos Jorge e Denise, já falecidos. Eles foram os mais antigos e constantes expositores da feirinha.

Entre outros artistas marcantes que Deise Domingues recordou está Sônia Vezzá, autora dos desenho original do monumento da praça Heróis de 32, conhecido popularmente como "soldado assustado". Desconstruindo a narrativa pictórica romântica, Sônia inclinou para o realismo, mostrando um soldado comum, voluntário e sem treinamento militar profissional, típico do movimento constitucionalista, alguém tomado pelo medo, mas que morreria assim pela pátria paulista. Os tradicionalistas de uma associação de admiradores da causa ufanista de São Paulo não gostaram desse estilo. Décadas depois, acabaram trocando a cena por uma soldado de aparência agressiva e mais próximo do heroísmo mítico. Junto com essa reforma se foram também os versos do poeta Lulu da Melodia (autor da letra do Hino de São Vicente), gravados no topo do pequeno obelisco. 

Com a ajuda de antigas amigas, Deise trouxe também à tona o nome de mais dois artistas expositores da feira: Mercedes Peres e do Professor Arnold, conhecido docente de arte da região. #266.



Luís Gastão d'Escragnolle Dória (Rio de Janeiro, 1869 -1948), professor, arquivista, compositor, libretista, publicista, tradutor e escritor brasileiro. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Era filho do general Luiz Manuel das Chagas Dória e Adelaide d'Escragnolle Taunay Dória. Formou-se em direito pela Universidade de São Paulo em1890. A partir de 1906 foi professor de história no Colégio Pedro II da cidade do Rio de Janeiro. Entre 1910 e 1912 viajou pela Europa como bolsista do Ministério da Justiça e dos Negócios Interiores do Brasil recolhendo documentação histórica relativa ao Brasil. Numa visita a nossa região fez um curioso relato sobre a estadia e suas impressões:

“Uma visita a Santos jamais pode ser singular. Há de ser dupla por força. Saudar Santos é cumprimentar São Vicente, a cidade vestutosíssima, o modelo histórico dos núcleos de habitação paulistas, a cabeça da capitania até que tal honra pairasse sobre os ombros de São Paulo. São Vicente é a relíquia do Estado. Como tal deveria ser tratada se nossos governos, primeiro, nossos povos, depois, assentassem que a história é insubstituível escola dos homens.

Quem não sabe de onde veio saberá para onde vai? Um provérbio adverte: cabeça de louco jamais embranquece. As experiências, e a história está cheia delas, são as cãs dos povos. Quantos se julgam nascidos sem ligações com o passado errarão eternamente na vida. A parte mais pitoresca de São Vicente é a do mar, com alguns bons prédios, inveja da cidade interior e com certeza, by God, recreio dos ingleses.

Descendo para o oceano, encontra-se o marco comemorativo pousado na terra vicentina pela Comissão Comemorativa do 4º Centenário do nosso Descobrimento, da qual foi pessoa eminente o Barão de Ramiz.

Perpetuaram em bronze vários nomes históricos. Em face do oceano ils ont grand air (em francês – “eles parecem ótimos”). Dizem muito passado a muito presente.

Também é antanho a matriz vicentina, onde traz inscrito o ano de 1757 no alto do arco da entrada. Encerra altares encimados pela coroa portuguesa. Entramos. Num deles celebravam uma missa. O sacerdote erguia hóstia qual a levantava o celebrante de 1757. Vento de passado circulava assim a igreja toda. Em São Vicente os banhos da história concorrem com os do mar". #267.

Fonte: Memória Santista.


Ela já foi realmente uma ilha (pedaço de terra cercado de água por todos os lados). Na verdade um promontório. Mas, como o tempo, a areia avançou a tal ponto que deixou nas “mãos” da maré o destino temporário de sua condição, ora ilha, ora uma espécie de península. Começou a ser ocupada por pequenas moradias de caiçaras e escravos alforriados a partir de 1870. Já foi chamada Ilha das Cobras, nos tempos mais ancestrais. Também foi conhecida por Ilha do Mudo, ainda no período colonial, quando pertenceu a um lusitano “de poucas palavras”. No início do Século XIX ficou conhecida como Ilha das Cabras, por causa do então proprietário, um português que criava caprinos nas encostas do local. Em meados do Século XIX, passou a ser conhecida com o nome atual, Porchat, cuja família adquirira os direitos sobre aquelas terras. Na imagem que ilustra este post, um panorama da Ilha Porchat visto do alto do Morro do Itararé. Magnífico o visual, limpo, paradisíaco, sem prédios ou trânsito.
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No documento iconográfico, publicado em Amsterdam pelo "Miroie Oeste West Indical" no ano de 1621, e que reproduz a invasão de São Vicente Santos pela armada de Joris Van Spilbergen em 1615, vemos a "Ilha do Mudo" (atual Porchat) considerada inexpugnável e fora das cogitações invasoras. Era então a Ilha do Mudo, a vigia da barra vicentina e serviam as suas matas, principalmente, para abrigar e ocultar as sentinelas avançadas dos primeiros tempos da nossa marinha imediata, como para esconder dos olhos dos invasores, as forças de resistência que ali faziam atalaia.

Datam de 1870 as primeiras construções de pedra ou de tijolo, além de construções de taipa ou pau a pique, no contorno externo da ilha famosa. Numa daquelas construções de pedra, que ficavam mais ou menos onde existiu o Grande Cassino de Jogos e Diversões (área ocupada atualmente pelo Ilha Porchat Clube), teve a sua residência de verão a família "Por- chat", cujos membros principais em Santos eram: Eugênio, Henrique, Victorino e Dna. Maria Carlota Porchat. Teria sido Victorino Porchat, pai do jurisconsulto santista e grande mestre de Direito, dr. Reynaldo Porchat, o primeiro foreiro dessa ilha.
Em 1902, a Ilha Porchat já era então denominada com o apelido dessa conceituada família e pertencia ao comendador Manoel Alfaya Rodrigues. Muitos anos depois, sobre o antigo cassino que ali existiu, foi reconstruído outro pela família Fracarolli.

Com o fechamento dos cassinos no Brasil, em 1946, a ilha deixou de ser a grande atração turística de São Vicente, por alguns anos, até que José Fracarolli Sobrinho, seu proprietário, resolveu loteá-la, transformando-a inicialmente, no bairro de maior luxo da cidade com portaria de acesso controlado, proibição à construção de edifícios além de três pavimentos, bem como de hotéis, boates e restaurantes.
# 268


Daniel Parish Kidder era pastor metodista americano, natural da cidade de Darien (Estado de Nova York). Em 1837 veio para o Brasil a mando da American Bible Society com o encargo de percorrer o país e “distribuir Bíblias a quem quisesse aceitá-las”. O empenhado pastor, que futuramente ocuparia importantes cargos na Igreja Metodista americana, permaneceu pouco mais de três anos entre os brasileiros, retornando para os EUA, no ano de 1840, em decorrência da morte de sua mulher. Sua passagem em nossa região foi registrada  no livro "Reminiscências de Viagens e Permanência no Brasil", traduzido por Moacyr N. Vasconcellos. São Vicente foi assim descrita pelo missionário: 
"De Santos, fizemos uma excursão, em companhia de um jovem artista, a São Vicente, o velho porto e capital da província. A distância era de cerca de seis milhas e o caminho nada mais que um trilho serpeando por entre culturas e florestas, e, da mesma forma que muitas outras estradas públicas, fechado de vez em quando com portões particulares". #269



Mapa ilustrativo - Memória Santista

Francisco Henrique Miorim e Jaime Caldas- Revista Cellula Mater

BITARÚ – Nocivo , prejudicial à pele.

CANEU – Lugar onde se fala língua de preto.

CATIAPOÃ – O mato em que os canários da terra cantam.

COTUPÊ – Morro que termina em ponta – ponta mais alta.

GOHAYÓ – Semelhante, parecido- gente branca do lugar.

GUAMIUM – Preto- Velho.

GUARAMÃ – Ninho do Guará.

GUARAÚ – Rio dos guarás (pássaro).

GUASSU – lugar grande, extenso.

IGUÁ- Bacia fluvial.

ITAIPU – Mar que ronca nas pedras.

ITAQUIMBOQUE – Mina de pedra de afiar.

ITARARÉ – Água (mar) que surge da pedra).

INDAIÁUVA – Bebida da palmeira Indaiá.

JAPUÍ – Lugar que mostra entra do mar ou porto.

PARANAPUÃ – Barra seca ou mar levantado.

PIAÇABUÇU –Lugar onde o vento faz a piaçaba se mover.

PIAÇAMIRIM – Piaçaba pequena.

POMPEBA – Cipó chato.

SAMBAIATUBA – Muitas conchas.

SAMARITÁ – Lugar árido, deserto.

SIRIRÍ – Pequeno inseto alado que precede o nascimento dos Içás.

SOCOARÊ – Lugar longe da cidade, várzea, mangue.

SIRIRY- rio dos siris.

TAGUÁ – Argila.

TUMIARU – Grande quantidade de judeus desterrados.

UMBUGUAÇÚ – Umbuzeiro grande.

VOTORUÁ – Dorso ou cume da montanha.

XIXOVÁ – Espeto, ponta, morro pontudo, coisa que se alarga ou se abre.


 #270.



Galileu Ramos (1917-1997) nasceu em Mogi Mirim/SP no ano de 1917. Ao ser liberado do reformatório, aos 18 anos, deslocou-se para Santos, a procura de sua mãe. Com algum dinheiro que conseguiu juntar comprou um pistom usado numa loja de penhores e passou a tocar nos bailes e gafieiras da Praça José Bonifácio. Galileu ingressou no Exército através da Escola de Instrução Militar no 254 (EIM-254). Na época, somente dois negros integravam a turma e - em troca da isenção do pagamento das mensalidades - ministrava aulas para os integrantes da banda de sopros e tambores. Como voluntário, alistou-se na Fortaleza de Itaipu, em setembro de 1938 e foi promovido a soldado corneteiro de 1ª classe. Dois anos depois recebeu as divisas de cabo, passando, inclusive, a exercer a função de instrutor da Banda da Fortaleza de Itaipu. Em 1941, concluiu com aproveitamento o Curso de Formação para Sargentos. Com a eclosão da 2 Guerra Mundial, apresentou-se como voluntário para integrar a Força Expedicionária Brasileira, regressando à Fortaleza de Itaipu em 1945, onde prosseguiu em sua carreira militar. Em 1986, quando o Ministro do Exército, General Leônidas Pires Gonçalves, visitou a Fortaleza de Itaipu, o velho Capitão recebeu a Ordem do Mérito Militar. Transferido para a reserva remunerada, passou os últimos anos de sua vida cumprindo voluntariamente o expediente da Unidade. Foram 60 anos de vida dedicados à Fortaleza de Itaipu. Seu entusiasmo pela carreira das armas influenciou sucessivas gerações de superiores, pares e subordinados que tiveram o privilégio de conviver com este honrado militar. Falecido em 1997, suas cinzas repousam no Oratório de Santa Bárbara na Fortaleza de Itaipu. #271

Fonte: J. Moniz. Fortaleza de Itaipu. Leopoldianum-Unisantos
Fotos. Arquivo de Claudio Sterque


A década de 1920 foi marcada pelo rápido crescimento da capital paulista, estimulada pela industrialização demandada pelo consumo das nações que entraram no conflito mundial de 1914-1918. Muitas fábricas foram transferidas para a América nesse período para fugir da destruição e ao mesmo atender o abastecimento paralisado durante esse grande conflito. Parte dessa produção foi feita no Brasil e a cidade de São Paulo foi escolhida por causa da crescente oferta de mão-de-obra especializada , notadamente entre os imigrantes europeus, e também pela sua sua proximidade do Porto de Santos. Essas transformações urbanas exigiam uma contrapartida  que já era muito comum nos países industrializados, que era a formações e exploração de balneários litorâneos. O Hotel dos Alemães foi um claro exemplo dessa nova demanda comercial. Foi inaugurado em 14 de julho de 1928 tornando-se o primeiro desse ramo na área do então bairro vicentino de Praia Grande. Era a confirmação da potencialidade veranista que se tornaria a principal marca dessa região. Décadas mais tarde, empreendedores imobiliários como o próprio Heitor Sanchez (loteador da Vilas Mathilde e Guilhermina) , Nestor Rocha e Roberto Andraus estabeleceram em Praia Grande as bases desse negócio da organização do futuro município emancipado em 1967. O Hotel dos Alemães, que nessa imagem aparece nos anos 1930, foi , nesse aspecto, foi o pioneiro e também modelo para os novos investidores da cidade que ultrapassaria o número de 300 mil habitantes 100 anos depois desses primeiros empreendimentos. #272

Localização: o hotel ficava  defronte à praia numa época que não existia a Avenida Presidente Castelo Branco -Vila Guilhermina - entre a Rua Leblon e a Avenida Guilhermina, hoje em terrenos ocupados por enormes edifícios de apartamentos.


Heitor Sanchez e sua família foi um dos pilares históricos da construção e também da emancipação de Praia Grande. Nasceu no Uruguai, na cidade de Montevidéu em1898. Seus pais, Francisco Tecino Sanchez e Mathilde Boj Sanchez, vieram da Espanha e se estabeleceram durante um tempo no Uruguai. Francisco era farmacêutico e sua esposa, D. Matilde, praticava bordados e tocava piano. Ao chegarem ao Brasil por volta  de 1899, a família de Heitor Sanchez vai se residir em São Paulo. Heitor estudou até o 4o. ano primário no Grupo Escolar do Largo do Arouche, em São Paulo, posteriormente, termina o 1 ano ginasial no Ginásio do Estado. Já adulto estudou no Liceu de Artes e Ofícios, junto com Victor Brecheret. Mas com a morte de seu irmão mais velho, é obrigado a abandonar os estudos. Casou-se em 1921com  Othilia Ribeiro, formada professora na Escola Caetano de Campos. Adquire no mesmo ano uma gleba de terra de 50 metros de frente para o mar, que se estendia até o morro do Xixová, a qual comprou por dez mil contos de réis da firma Jonhson & Jonhson, de Santos, por intermédio do corretor Francisco Ditt. Posteriormente, ele adquire outras glebas, pertencentes às famílias Alves, Gonçalves e do senhor Nagib Saeg, totalizando uma gleba de 250 metros de frente para o mar. Esta área dará origem ao Jardim Matilde. Em 1925, Heitor entra em contato com os irmãos Guinle, sócios do Porto de Santos, para juntos adquirirem uma gleba de terra ao lado da que Heitor já havia adquirido, e que era denominada "Nova Escócia", aonde até então produziam-se melancias e abacaxis, e que estavam sob tutela da firma atacadista Ferreira Laje. Juntos, adquirem por 250 mil réis, uma área de 500 metros de frente para o mar, com 1.500 metros de comprimento e 700 metros de fundo. Esta foi a origem do Jardim Guilhermina, nome da matriarca da família Guinle, mantido mesmo depois da ruptura judicial da dessa sociedade. Heitor Sanchez foi também um dos fundadores do Rotary Club de São Vicente e Praia Grande além de receber o título de Cidadão Honorário de Praia Grande.Fundou a Companhia Territorial Praia Grande; foi secretário membro da Associação Amigos de Praia Grande; Em 1965 participou da comissão estadual de filatelia; foi diretor da Companhia territorial Jardim Guilhermina; presidente dos Sanatórios Populares de Campos do Jordão; foi juiz preparador eleitoral em Campos do Jordão e em 1925, fundou a Associação dos Proprietários de Praia Grande. Faleceu no dia 6 de novembro de 1985, sendo seu corpo enterrado no Cemitério da Consolação em São Paulo.#273

Imagens: acervo de Circe Sanchez Toschi -Museu da Cidade. adaptado de Rosana Almeida Lafranca a partir do original  cedido por Suely Sanchez Toschi.



Após o desenvolvimento do Jardim Guilhermina e do Jardim Mathilde,  o empresário uruguaio Heitor Sanchez, radicado desde os anos 1920 em São Vicente,  resolve construir um restaurante que atendesse a padrões nunca antes vistos em Praia Grande. O bairro já tinha essa tradição dede a época do Hotel do Alemães. Inicia-se então o projeto do Restaurante Lagosta, um empreendimento luxuoso com 540 mil metros quadrados de área construída, projetado pelos engenheiros Tinoco e Pivatelli. Para suprir a falta de canalização da água, foi construída uma torre em forma de vela de barco, que revestia uma caixa d'água de 20 mil litros. Além dessa, havia no subsolo outro reservatório de água, que captava e armazenava as águas das chuvas. Finalmente, no dia primeiro de julho de 1952, Heitor Sanchez inaugura o seu projeto, que marca definitivamente o desenvolvimento urbano do então bairro de Praia Grande (apesar da falta de estruturas básicas). O projeto foi publicado como referência da revista Acrópole, especializada em arquitetura. O restaurante Lagosta tornou-se o principal local de solenidades sociais, cívicas e políticas da região. Várias foram as personalidades que ali se estabeleceram para alimentarem-se e discutirem assuntos diversos, estando entre estas o ator Mazzaropi, que vinha desfrutar das iguarias marítimas ao lado de sua mãe. Ali foi realizado o jantar beneficente para a construção da antiga escola do Jardim Guilhermina, além de outras festividades e homenagens. O grande cicerone desse empreendimento sempre foi o vereador (na época vicentino) Oswaldo Toschi, genro de Heitor Sanchez. #274

Imagens: acervo de Circe Sanchez Toschi -Museu da Cidade. adaptado de Rosana Almeida Lafranca a partir do original  cedido por Suely Sanchez Toschi.


"Maria Francisca dos Santos, também conhecida como  Dna. Maria do Forte, Tia Maria ou Maria Doceira. Foi uma das primeiras moradoras da Praia Grande urbana. Já nos anos 20, acordava às 4 horas da manhã e a pé e pela praia, ia no escuro do Forte a Aviação para preparar o café e almoço dos  primeiros trabalhadores do Campo de Aviação. Era neta de escravos. Tinha uma obsessão por limpeza e suas panelas brilhavam como espelhos. Sem muitas opções de trabalho na região, tornou-se uma grande cozinheira e doceira. Suas compotas e quindins tinham clientes certos de Santos e São Paulo. Foi a cozinheira de muitos comandantes e  oficiais do Itaipu.

Tia Maria morava dentro dos domínios da Fortaleza. Sua mãe havia construído sua pequena casa, quando a região ainda era um sítio (Itaypus). O Exército sempre manteve a casa  (que ainda  existe  com algumas modificações) até os dias de hoje, no final da Mallet, do lado esquerdo.     
Maria também foi a benzedeira mais conhecida da cidade, além de aconselhar espiritualmente muitos militares e a todos que a procuravam.

Certo dia, nos anos 70, deu um grito na cozinha e deixou cair no chão as panelas que estavam em suas mãos. Pediu que sua afilhada chamasse alguns militares mais queridos e que ela os  tratava  como afilhados. Chorando, ela relatou o que havia acontecido a 20 quilômetros de distância da  Fortaleza naquele momento. "Um sargento afilhado seu, destacado para uma missão em Santos em  uma Harley- Davidson, sofreu um acidente e havia morrido". Quinze minutos depois, o Forte recebe uma ligação de Santos confirmando o acidente fatal contado minutos antes,  em prantos,  por Maria.
Tia Maria foi uma das 10 mulheres homenageadas em 'Mulheres no Museu', exposição que narra a trajetória de grandes mulheres que fizeram história na cidade". #275


 Questionados e convidados a falar  sobre suas memórias a respeito de Dona Maria Francisca, alguns membros do IHGPG relataram essas lembranças:

Claudio Sterque: eu  frequentava a casa dela e tenho muitas historias dela. 

Suely Toschi: a Maria Congá, como era conhecida. Fez parte da minha vida, da minha historia. Era mocinha, ia à casa dela, próxima à entrada da Fortaleza. Ela vendia brigadeiros, pois à época era algo "diferente". Jogava búzios e a  moçada ia para saber dos namoricos. Era uma excelente cozinheira. No Palácio das Artes/Museu da Cidade temos um acervo que sua sobrinha Isaltina nos doou. Fez "altos" almoços e jantares de coronéis a marechais

Claudio Sterque: Cozinheira preferida do Cel. Erasmo Dias.

Suely Toschi: Era amiga íntima de Dona Yara Mercadante, esposa do Comandante Oliva. As lembranças que tenho dela são muito nítidas. Era jovem, muito jovem,  quando a conheci.

Claudio Sterque: eu babava vendo aqueles vidros de compotas.

Suely Toschi: Pois eu não. ADORAVA QUANDO DONA MARIA JOGAVA BÚZIOS E SAÍA TUDO QUE QUERIA. MUITO ... MUITO JOVEM 😂😂😂😂😂

Claudio Sterque: Dona Maria tinha um carinho muito grande pelo Escobar, meu irmão, que serviu no Forte. Está numa dessas fotos com ela. 

Dalmo Duque: O Brasil é interessante né. Onde teve a presença africana, esta aconteceu de uma maneira muito forte, sempre nos bastidores. Dona Maria deve ter sido tipo uma “Mãe Menininha do Gantois”, confidente de muita gente, simples ou importantes, conselheira, devia saber muitas coisas. Como aconteceu em todos os países onde teve escravidão. No sul dos Estados Unidos, tinha aquelas famílias de elite, mas também as figuras africanas de cozinha e serviços domésticos, criadas em casa, elas tinham uma presença poderosíssima.

Maria Cristina de Oliveira: Verdade - Dalmo -  Dona Maria, Nossa, era de uma sabedoria extrema. Nossa Senhora, nem fale. Não tem faculdade que supere, viu. (risos). Ela benzia as crianças, ela atendia todo mundo que ia lá. Eu fui criada ali, desde pequena. Eu sempre estava lá na casa dela. A casa sempre cheia, sempre com muitos visitantes, gente muito importante que ia pedir conselhos. Muito bom. Muito bom. Infelizmente na quela época nada era registrado, então acabou ficando esquecimento. Ela foi uma pessoa, uma peça muito importante aqui na nossa Praia Grande, principalmente o pessoal mais antigo, que ela atendia todo mundo. Ele fez a fez a festa da minha mãe, quando a minha mãe casou, olha só. Ela fez tudo, doce, bolo. Nossa...Cozinheira, doceira, ainda tinha tempo de atender as pessoas no templo religioso que ela tinha em casa. Nossa, não sei como. Desfilava no carnaval... como Dona Maria Baiana. Desfilava na Ala das Baianas em Santos... Deve ter ter algum registro disso. Ela abraçou também as crianças desamparadas, amparou e cuidou de muitas crianças, inclusive o Leonardo, que trabalhava na prefeitura. Ele era o braço direito da Dona Maruca, fazendo a entrega da merenda, aquelas todas.  Ela cuidou um bom tempo dele. É uma pessoa que a gente não pode deixar cair no esquecimento. 


Sérgio Buarque de Holanda nasceu em São Paulo em 11 de julho de 1902. Foi historiador, sociólogo, escritor, intelectual, crítico literário, jornalista e político brasileiro. Considerado um dos mais importantes pensadores sociais do Brasil, notório por sua teoria do Homem Cordial (no sentido passional), apresentada em 1936 no livro Raízes do Brasil e considerada uma ideia-chave na sociologia e antropologia brasileira. Teve, também, uma reconhecida atividade na literatura e na política brasileira, tendo participado do movimento modernista e ajudado a fundar o Partido dos Trabalhadores nos anos 1980. 

Como estudioso das Capitanias de São Vicente e São Paulo,  deu ao tema uma dimensão mais ampla do que o tradicional localismo de exaltação romântica, fazendo uma abordadegm mais sociológca do pioneirismo vicentino e paulista.  Filho do farmacêutico pernambucano Cristóvão Buarque de Hollanda e da dona de casa fluminense Heloísa Gonçalves Moreira Buarque de Hollanda, descendia de portugueses, holandeses, cristãos-novos e indígenas. Estudou em São Paulo, na Escola Caetano de Campos e no Ginásio São Bento, onde foi aluno de Afonso d'Escragnolle Taunay. 

Em 1921, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde participou do movimento Modernista de 1922, tendo sido nomeado por Mário de Andrade e Oswald de Andrade representante da revista Klaxon na mesma cidade. 

Em 1936, obteve o cargo de professor assistente da Universidade do Distrito Federal. Neste mesmo ano, casou-se com a pianista Maria Amélia de Carvalho Cesário Alvim, conhecida como Memélia, com quem teve sete filhos: A cantora Heloísa Maria (Miúcha) (1937); O economista Sérgio Filho (1940); o advogado Álvaro Augusto (1942); o cantor e compositor Chico Buarque (1944); a fotógrafa e cantora Maria do Carmo (Pií) (1946); a cantora Anna Maria (Ana de Hollanda) (1948) e a cantora Maria Christina (Cristina Buarque) (1950). Em 1946, voltou a residir em São Paulo, para assumir a direção do Museu Paulista, que ocuparia até 1956, sucedendo então ao seu antigo professor escolar Afonso Taunay.Em 1948, passou a lecionar na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, na cátedra de história econômica do Brasil, em substituição a Roberto Simonsen.

Viveu na Itália entre 1953 e 1955, onde esteve a cargo da cátedra de estudos brasileiros da Universidade de Roma. Em 1958, assumiu a cadeira de "História da Civilização Brasileira", agora na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. O concurso para esta vaga motivou-o a escrever "Visão do Paraíso", livro que publicou em 1959, no qual analisa aspectos do imaginário europeu à época da conquista do continente americano. Ainda em 1958, ingressou na Academia Paulista de Letras e recebeu o "Prêmio Edgar Cavalheiro", do Instituto Nacional do Livro, por "Caminhos e Fronteiras".A partir de 1960, passou a coordenar o projeto da "História Geral da Civilização Brasileira", para o qual contribuiu também com uma série de artigos. Faleceu em São Paulo, em 1982. #276.



Também conhecido como Museu do Ipiranga ou Museu Paulista, é o museu público mais antigo da cidade de São Paulo, cuja sede é um monumento-edifício que faz parte do conjunto arquitetônico do Parque da Independência. É o mais importante museu da Universidade de São Paulo e um dos mais visitados da capital paulista.

O museu foi inaugurado oficialmente em 7 de setembro de 1895 com o nome Museu de História Natural. Este importante símbolo da Independência do Brasil está vinculado à Universidade de São Paulo desde 1963, como uma instituição científica, cultural e educacional que exerce pesquisa, ensino e extensão com atuação no campo da História.

É responsável por um grande acervo de objetos, mobiliário e obras de arte com relevância histórica, especialmente aquelas que possuem alguma relação com a independência do Brasil e o período histórico correspondente. Uma das obras mais conhecidas de seu acervo é o quadro "Independência ou Morte", pintado pelo artista Pedro Américo, em 1888, recebendo em média 350 000 visitas anuais. Além de exposições, as atividades do Museu do Ipiranga se estendem por meio de programas educativos, como cursos e pesquisas científicas que fazem uso dos recursos humanos e do acervo permanente da instituição. A ampliação de coleções se faz por meio de doações ou aquisições e parte importante das atividades desenvolvidas no museu envolve a conservação física, estudo e documentação do acervo.

Em 1922, no período do Centenário da Independência, formaram-se novos acervos, principalmente abrangendo assuntos da História de São Paulo, e executaram a decoração interna do edifício, contando com pinturas e esculturas no Saguão, na Escadaria e no Salão Nobre que apresentassem a História do Brasil, para assim reforçar a instituição como um símbolo histórico brasileiro. Foi nesta época que se instalou o Museu Republicano “Convenção de Itu”, uma extensão do Museu Paulista no interior do Estado de São Paulo. Em agosto de 2013, o museu foi fechado ao público para obras, restauros e reparos, após um estudo apontar que a estrutura do prédio estava comprometida. Após nove anos de obras, o museu foi reaberto, oficialmente, em 6 de setembro de 2022, como parte das comemorações do bicentenário da Independência. #277

Fonte: Wikippedia.

 

Lançamento da Pedra Fundamental do Museu Paulista em 1882. O Museu Paulista da Universidade de São Paulo, mais conhecido como Museu do Ipiranga levou 13 anos pra ser construído e foi inaugurado oficialmente em 7 de setembro de 1895.

Festa escolar no Museu do Ipiranga em 1912. O Museu Paulista da Universidade de São Paulo, mais conhecido como Museu do Ipiranga levou 13 anos pra ser construído e foi inaugurado oficialmente em 7 de setembro de 1895.



Anita Waingort Novinsky (1922 -2021) foi uma das pioneiras da ciência no Brasil pelo CNPq. Era especialista na Inquisição portuguesa no Brasil, os costumes dos criptojudeus deste país e o renascimento da consciência judaica destes, 200 anos após o fim da Inquisição no Brasil. Professora titular emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), foi a primeira a descobrir e a revelar a origem judaica de grande parte dos portugueses que vieram para o Brasil para escapar do Tribunal do Santo Ofício, instituição da Igreja Católica que perseguia, julgava e punia os judeus de Portugal. Anita nasceu na cidade de Stachów, na Polônia, em 1922. Chegou no Brasil com os pais com apenas dois anos. Estudou no Colégio Mackenzie e foi instruída no judaísmo pela mãe, que pertencia a uma família extremamente ortodoxa. Na sua casa, as festividades judaicas eram comemoradas e seguidas regularmente. Seu pai, original de Kielce (Polônia), era sionista, tendo sido um dos fundadores do partido sionista em São Paulo. Ingressou aos 18 anos no curso de filosofia da Universidade de São Paulo (USP), em 1956, onde foi aconselhada pelo professor Lourival Gomes Machado a pesquisar o papel da Inquisição na história do Brasil, tema que os livros de história omitiam ou pouco falavam. Especializou-se em psicologia pela USP, em 1958, e depois especializou-se em Racismo no Mundo Ibérico pela École des hautes études en sciences sociales, em 1977, seguindo para o doutorado em História Social pela USP, com um estágio de pós-doutorado na Universidade de Paris em 1983. Foi Livre Docente da Universidade de São Paulo até o fim de sua vida.
Nos anos 1970, Anita inaugurou uma importante linha de pesquisa no Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP: os estudos inquisitoriais sobre o prisma da história das mentalidades. Wikipedia. # 278.



A expulsão dos judeus de Portugal no final do século XV causou uma diáspora que resultaria na fundação da Primeira Canaã das Américas, que foi o povoado Tumiaru, futura Vila de São Vicente. Antes da descoberta oficial do Brasil, já haviam judeus degredados e cristãos novos vivendo na futura vila vicentina, onde existiam estaleiros, oficinas, lavoura, criação de animais e algumas casas de alvenaria e pedras. A expedição de André Gonçalves, em 1501, que tinha Américo Vespúcio na tripulação, é prova desse antecedente colonizador. 

Até hoje não se sabe ao certo a identidade dos degredados, pois eram muitos discretos e temerosos, a fim de evitarem novas perseguições. João Ramalho era uma deles, porém não era nada discreto. Era sempre questionado e colocado sob suspeita ideológica quando os católicos do reino se sentiam ameaçados com sua liderança nos negócios. O Bacharel de Cananéia também entra nessa lista.
Judeus brasileiros fugiram para a América do Norte, notadamente os de Recife, por causa da Inquisição e de grupos da nobreza interessados em confiscar seus bens. Segundo Ronaldo Vaifas, foi  "Um  grupo de 23 judeus portugueses, entre homens, mulheres e crianças, foi para a América do Norte, havendo registro, datado de setembro de 1654, da presença deles em Nova Amsterdã".

O Porto dos Escravos, como era também conhecido o Tumiaru, e o povoado de Cananéia (terra de cananeus), foram locais de acolhimento dos desterrados de Portugal e Espanha. Essa marca de Primeira Canaã dá a São Vicente uma antiguidade especial, além de ser a mãe de todas as vilas coloniais: era a Terra Prometida aos israelitas, após a queda e destruição romana de Jerusalém e a longa Diáspora;  seria também um oásis para os descendentes de Abraão e Hagar, os ismaelitas, que viriam compor também a a nova pátria americana. Dalmo Duque. SV na Memória. #279
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Ilustração do livro de Helena Ragusa "Os cristãos-novos no Brasil Colonial e a escrita nos livros didáticos". Editora Eduel.



Aeróstato rígido ou dirigível, cujo nome é uma homenagem ao Conde alemão Ferdinand Von Zeppelin, que foi pioneiro no desenvolvimento desses veículos dirigíveis no início do século XX. Os zepelins fizeram os seus primeiros voos comerciais em 1910, pela Deutsche Luftschiffahrts-Aktiengesellschaft, a primeira companhia aérea do mundo em serviço comercial. Quatro anos após o início de suas operações, em meados de 1914, a DELAG já havia transportado mais de 10 mil passageiros pagantes em mais de 1 500 voos. Após o enorme sucesso do projeto, a palavra zeppelin passou a ser comumente utilizada para se referir a todos os dirigíveis rígidos. 

No Brasil os zepelins cruzaram os ares de diversas regiões e cidades, exibindo essa tecnologia ao mesmo tempo de uso civil e militar, já ultrapassada pelos aviões, mais rápido e seguros. Mesmo assim, continuaram sendo usados como observadores-espiões no período entre as duas grandes guerras (1918-1939. Essas operações misturavam interesses econômicos e militares disfarçado de turismo.
Esse registro do fotógrafo alemão Theodore Preising nos anos1930, mostra em primeiro plano a praia Paranapoã (conhecida também como praia da Vacas) tendo ao fundo a baia de São Vicente. Nessa época , os dirigíveis Graf Zeppelin e o ainda maior LZ 129 Hindenburg operaram voos transatlânticos regulares da Alemanha para a América do Norte e para o Brasil. #280




Quem mora em frente ao canal da Rua Lourival Moreira do Amaral, no bairro Sá Catarina de Moraes, em São Vicente, no litoral de São Paulo, não aguenta mais os transtornos que acometem a via. Sem limpeza e roçada do mato, o canal tornou-se uma grande dor de cabeça, principalmente em dias de chuva. A reclamação foi feita pelo internauta Leandro Ferreira, de 32 anos, por meio da plataforma colaborativa VC no G1.
De acordo com Leandro, a situação se arrasta desde o governo anterior da cidade. O descaso é tão habitual que alguns moradores já se acostumaram. “Faz dois meses que ninguém vem aqui e, quando vêm, fazem uma poda pequena e mais nada. Quando a maré sobe, é um ‘Deus nos acuda’”, relata.
A pavimentação da rua também virou um problema. Segundo Ferreira, devido à falta de manutenção, vários buracos abriram no calçamento. Todos foram preenchidos com aterro, e em dias de chuva, tudo vira lama.
“Além do lamaçal, as casas ficam cheias de água. As pessoas precisam colocar os móveis para cima. Isso piora por conta do canal. Ele tem tanto mato que, quando enche, temos que desviar deles na rua, fora bicho morto, pedaços de móveis e outras coisas”, desabafa.
E cenário, segundo o morador, quase mudado há dez anos (2008), quando obras de revitalização começaram a ser feitas. “Pararam antes da metade do canal e nunca mais retomaram. O prefeito já esteve aqui, já viu a situação, mas providência ninguém toma”, diz.

Resposta: 20 CANAIS NATURAIS
Em nota, a Prefeitura de São Vicente informou que mantém serviços básicos de limpeza nos 28 canais naturais que a cidade possui, incluindo o da Rua Lourival Moreira de Amaral, e que os serviços são feitos regularmente, entre 25 e 30 dias em cada leito.
Sobre as obras no canal, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas (Sedup) reitera que há um projeto de drenagem previsto para 2018, que também contempla o Canal Alcides de Araújo, no Catiapoã. A obra está paralisada desde 2015, e faz parte da primeira fase do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal, e já teve processo licitatório finalizado.
Para que ela possa acontecer, um convênio foi firmado com a Caixa Econômica Federal. Ele estabelece um prazo de dois meses para trâmites burocráticos e 12 meses para a execução das obras, a partir da assinatura da ordem de serviço. A expectativa é de que a assinatura ocorra nos próximos dias.. Por G1 Santos -23/02/2018 #281


Se não foi o primeiro, é talvez um dos mais antigos canais de São Vicente. Começa na avenida Mal. Deodoro, na Vila Valença até a Vila São Jorge, na praça Vitória da Conquista. Cruz os bairros: Vila Valença, Voturuá, Jardim Independência e Vila São Jorge.  Dá acesso ao Parque Voturuá e ao bairro Caneleira , em Santos. O  canal  provavelmente era parte do leito do Rio Itararé, nascido na atual rua Quintino Bocaiuva e que seguia em direção à divisa noroeste de Santos desaguando no Rio São Jorge. Este seguia até o Matadouro santista. Há alguns anos recebeu uma nomenclatura urbana denominada Linha Vermelha, inspirada numa famosa via expressa do Rio de Janeiro, juntamente com a Linha Amarela (Mal. Deodoro). #282


O canal é um longo trecho dessa avenida localizada na Cidade Náutica que começa na avenida Marechal Juarez Távora e vai até a rua Frei Gaspar. Essa área - originalmente composta de mangues- sempre esteve abaixo do nível do mar, sendo constantemente atingida pelas chuvas, bem como os avanços e recuos da maré. As constantes ocupações irregulares  e também as sucessivas obras de intervenção (para conter as enchentes) sempre foram fatores agravantes de alteração do equilíbrio natural dessa parte da área insular. #283
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Cidade Náutica. Inclui os núcleos Náutica 1, Cidade Náutica/Náutica 2, Náutica 3 e Pompeba e o Conjunto Habitacional Tancredo Neves.



Filho de imigrantes italianos e portugueses, Amácio Mazzaropi (1912-1981)  nasceu paulistano e foi criado no Vale do Paraíba. Foi ator, humorista, cantor, produtor independente, roteirista e cineasta. Considerado um dos maiores fenômenos de popularidade e bilheteria do cinema nacional, Mazzaropi imortalizou-se através de seu icônico personagem, o "jeca tatú" ou o "caipira", herdado de Monteiro Lobato, mas com contornos próprios das suas interpretações. Entre dezenas de filmes de grande sucesso encontramos  O Vendedor de Linguiça (1962), com cenas antológicas gravadas na praia do Itararé, exatamente no Boa Vista, próximo as canto da ilha Porchat. As cenas em preto&branco realçam as belezas naturais da orla e também uma cidade em processo acelerado de verticalização cuja orla substituía antigas mansões veranistas por edifícios de luxo projetados por famosos arquitetos paulistanos. Nesse mesmo cenário foi rodado o clássico São Paulo Sociedade Anônima, protagonizado por Walmor Chagas, Eva Wilma e Darlene Glória. #284


A antiguidade de São Vicente é tão longínqua que até os nomes dos lugares se perdem no tempo e no espaço. Se usarmos a cronologia das 20 gerações (25 anos cada) desde o descobrimento do Brasil, vamos constatar inúmeros aparecimentos toponímicos, bem como a extinção pelo desuso dos mesmos. Mahuá é um exemplo recente de desaparecimento. Em tupi-guarani significa planície entre lugares altos: morros, serras e montanhas.  O nome identificou por séculos a pequena orla entre o rio Sapateiro(próximo do Morro dos Barbosas) até a montanhosa ilha do Mudo ou Mude (depois Porchat). Essa mudança e desaparecimento coincidiu com o despertar do veranismo no final do século XIX, quando a cidade, sobretudo a orla, começou a ser ocupada por visitantes da Capital e do interior paulista. Muitos europeus que atuavam no comércio portuário santista também vieram residir nas praias vicentinas, em busca do clima ameno e de segurança sanitária. Fugiam do calor  e das doenças que se alastravam nos focos insalubres da cidade vizinha, anos mais tarde socorrida pelos famosos canais de Saturnino de Brito. O nome Mahuá foi se apagando na memória calunga para dar lugar às novas referências, alimentadas pelos forasteiros que desconheciam o passado e precisavam dar ao presente um novo significado à sua morada. Foi assim que Mahuá foi se tornando ausente e foi substituído por Praia de São Vicente. Algumas décadas depois, lá pelos anos 1950, altos funcionários  de prefeitura tentaram historicizar a praia de forma turística dando oficialmente o sugestivo nome de Praia das Caravelas. Não vingou. Nessa época era moda em Santos o “footing”  na frequentada praia do Gonzaga. A ideia aqui foi logo imitada e adaptada como o diminutivo “Gonzaguinha”, que perdura até hoje. Será que um dia vai mudar? #285

Imagem; Desenho de Benedito Calixto



Em julho de 1945 o prefeito Polydoro Bittencourt publicava na revista santista Flama um plano de abastecimento de água, a partir dos mananciais do morro e a construção do Horto Florestal, na avenida Anita Costa. O anúncio foi feito nas páginas da revista Flama, que descrevia também outros planos de urbanização da cidade, com a parceria do setor privado. A área do florestal com os mananciais aquáticos havia sido doada alguns anos antes ao município por Dona Felipa Emmerich. Acervo digital da FAMS.

O ABASTECIMENTO DE ÁGUA

“O problema do abastecimento de água á população de S. Vicente sempre desafiou a argúcia e  a dedicação dos outros governadores. Problema antigo, preocupando desde longos tempos a população inteira, tornou-se angustioso e urgente. S. Vicente dispõe de muita água. Os mananciais de Voturuá e outros, são inesgotáveis. E o. problema visava aproveita-la sem qualquer desperdício, substituindo-se as condições arcaicas do centro distribuidor e canalizador. Pois o sr. Polidoro de Oliveira Bitencourt, atacou de frente o problema e deu-lhe pronta solução, e, dentro de poucos dias, a população vicentina não mais se debaterá com a falta do precioso líquido. A Prefeitura de S. Vicente, contratando os serviços da firma O. Ribeiro e Cia. Ltda., mandou construir uma linha adutora que

parte diretamente dos mananciais 'de Voturuá, cujas vertentes tiveram seus cursos corrigidos, o reservatório ampliado e dois outros especialmente construídos, de maneira a poderem abastecer exclusivamente 0 grande reservatório localizado no alto do morro dos Barbosas, também inteiramente reformado, apresentando aspecto de novo, tão importantes foram as obras nele executadas.

A nova linha adutora abastecera a parte alta da cidade. enquanto a outra parte será abastecida pelos canos da Cia. City. A adutora dispõe de tubos "Hu.

me", de fabricação nacional, e sua linha se estende por quatro quilómetros, já cobertos. trabalhando-se atualmente na base do morro dos Barbosas, o que equivale afirmar que esse importante serviço está virtualmente concluído.

Os reservatórios dog mananciais de Voturuá, em face das obras executadas, dispõem de uma capacidade de 68 milhões de litros. E o grande reservatório do morro dos Barbosas, inteiramente remodelado, abrange uma quantidade de 13.000.000 de -litros de maneira que. somando.se o suprimento da City, que 6 de 30 ou 40 milhões de litros. a população de São Vicente disporá de um abastecimento mensal de perto de 100 milhões de litros, suficiente, portanto, para as necessidades gerais.

Considera-se, desse modo, resolvido o grande problema do abastecimento de água, serviço esse que, por si só, consagra uma administração”. #286


 Comparando as duas pesquisas sobre a hidrografia vicentina: a primeira, feita no século XIX pelo médico e pesquisador  Joaquim Floriano de Godoy, citando apenas 7 rios que ele classificava de "pequena grandeza". E Jaime Mesquita Caldas, que citou cerca de 38 cursos d'água.

1.Ribeirão das Areias – Lança-se à margem direita do Rio Branco ou Boturoca 

2. Rio Ameijá – É um braço do Rio Branco ou Boturoca, formando uma ilha à margem direita deste. 

3.Rio Bochoró – O divisor que contorna as águas deste rio e as do Córrego Guapiruvu, determina a divisão de São Vicente com o município de Itanhaém. 

4.Rio Boipeva ou Botupuca – Nasce perto do povoado Tabalharu, junta-se com o Rio Itinga e lança-se na Praia Grande. 

5.Rio Boturoca – Rio Branco 

6.Rio Branco de Cima – Nasce na Serra do Mar, fazendo divisa com o município de São Paulo e com o município de Itanhaém, na confluência do Rio Claro. 

7.Rio Branco ou Vargem Branca – Nasce no Morro Pai Matias e deságua no Rio Branco. 

8. Rio Cacheta – Nasce perto do povoado Barreiros e o sítio Boa Vista e desemboca no Lagamar do Pombeva, em frente à ilha Pompeva. 

9.Rio Capivari – A confluência deste rio determina o começo da divisa de São Vicente com o município de São Paulo. 

10.Rio Caraú de Baixo – Nasce no Morro Pai Matias e lança-se à margem esquerda do Rio Branco ou Boturoca. 

11.Rio Caraú ou da Cebola – Veja Rio da Cebola. 

Rio Catarina de Moraes – Nasce na zona suburbana da cidade (Vila Nossa Senhora do Amparo) e desemboca no Rio dos Bugres. 

12.Rio Cubatão – Nasce na Serra do Mar, percorre em grande parte o município de São Vicente e deságua no Lagamar do Canéu, no município de Cubatão. 

13. Rio da Avó – Nasce no extremo da zona suburbana do Parque Bitarú e desemboca no Mar Pequeno, no Canal de São Vicente, em frente às Ilhas Sapomim. 

14.Rio da Cebola ou Caraú – Nasce perto do Acaraú dos Mendes e desemboca no Rio Piaçabuçu. 

15. Rio da Cruz – Nasce nas proximidades da Vila Sílvia e deságua no Rio Piaçabuçu. 

16. Rio das Areias – Nasce no Morro do Vieira e lança-se no Rio Branco, à margem esquerda. 

17.Rio das Cabras ou Das Caixas – Nasce no Morro Pai Matias e lança-se à margem esquerda do Rio Branco. 

18.Rio dos Bugres – É formado na foz dos rios da Divisa Sambaiatuba e Catarina de Moraes, desembocando no Rio Casqueiro, próximo ao Lagamar do Pombeva. Este rio determina parte da divisa com o município de Santos. 

19.Rio dos Moços – Desemboca nas proximidades da foz do Rio Branco. 

20. Rio dos Pilões – Nasce na cachoeira de Itutinga em São Bernardo do Campo. Este rio faz divisa com São Vicente, São Bernardo do Campo e Cubatão, na confluência dele com o Passareúva. 

21.Rio dos Queirozes – Este rio determina a divisa de Cubatão com São Vicente. 

22.Rio Emigdio, Emidio ou Ermidia – É formado por um braço do Rio Piaçabuçu quase à sua foz, formando uma ilhota e desemboca no lagamar do São Vicente, perto das Ilhas Sapomim. 

23.Rio Grajaú ou Gragaú – É formado por um braço do Rio Mariana e depois de fazer um círculo desemboca no mesmo formando uma pequena ilha. 

24.Rio Guaramar – Desemboca perto da foz do Rio Piaçabuçu. 

Rio Iguá – Deságua no Rio Grajaú, ambos engrossando o Rio Mariana. 

25.Rio Imbuguaçu – Nasce próximo ao povoado Jagari, deságua no mar de Praia Grande. 

26.Rio Indaiúva – Nasce nas proximidades da Vila Oceânica e deságua no Rio Piaçabuçu. 

27.Rio Itinga – Nasce na serra de Mongaguá e deságua no mar, na Praia Grande. 

28. Rio Mariana – Deságua no lagamar de São Vicente nas proximidades do lagamar Pombeva. 

29.Rio Mongaguá – Nasce na serra de Mongaguá e desemboca no mar, próximo onde era a estação ferroviária de Praia Grande. Serve de divisa com o município de Itanhaém. 

30. Rio Piaçabuçu – Desemboca no lagamar de São Vicente em frente  às ilhas Sapomim. 

30. Rio Piaçamirim – Deságua no Rio Piaçabuçu. 

31.Rio Pompeva – Desemboca no lagamar de São Vicente em frente à ilha do mesmo nome. 

32. Rio Preto – Nasce na serra de Mongaguá e desemboca no Rio Branco ou Boturoca. 

33. Rio Santana – Este rio determina as divisas entre Cubatão e São Vicente. 

34. Rio São Jorge – Nasce no Morro do Cotupê e desemboca no Rio Casqueiro em Santos, perto do antigo Matadouro. 

35.Rio Siriri – Pequeno rio que deságua nas proximidades da foz do Rio Mariana. 

36. Rio Taguá – Nasce no Morro da Mãe Maria e lança-se à margem esquerda do Rio Branco ou Boturoca. 

37. Rio Taquimboque ou Tanquinho – Nasce nas proximidades de Barreirinhos e deságua no Rio Mariana 

38.Rio Negro - Começa e termina no rio Piaçabuçu formando uma ilha de mangue. 


Fonte: Jaime Mesquita Caldas. O Monumento, CDL de São Vicente.

Notas: A  hidrografia de Caldas considerou como vicentinas os rios que a partir de 1967 fariam parte do território emancipado de Praia Grande. O novo mapa político e geográfico foi traçado Pelo Cel. Adston Pompeu Piza, oficial reformado pelo Exército e membro do grupo emancipador do antigo bairro vicentino. #287.



RIO SAPATEIRO É REENCONTRADO EM  SÃO VICENTE

Lendário Riacho é descoberto por acidente durante escavações

Victor Miranda- Da Redação

Matéria publicada no jornal santista A Tribuna, na sexta-feira, 12 de agosto de 2011, página A-12:

Após anos sem informações oficiais, a Prefeitura de São Vicente encontrou na última semana um dos principais vilões da Cidade. O mesmo tem recebido o tratamento adequado e, em breve, estará longe do convívio com a sociedade, gerando mais segurança para seus moradores.

Embora o parágrafo acima pareça mais apropriado para o noticiário policial, ele se refere ao Rio Sapateiro, uma espécie de lenda vicentina que, durante décadas, foi apontado pelos governantes como o maior responsável pelas enchentes na região central do Município.

Durante as obras de pavimentação e drenagem da Avenida Capitão-mor Aguiar, técnicos da Prefeitura se depararam com o córrego, escondido sob uma das vias mais movimentadas da Cidade.

Ressurgimento – Ao cavar o solo para providenciar a substituição das manilhas no trecho em que a avenida se encontra com a Rua Frei Gaspar, chamou a atenção dos operários a quantidade de água que corria por ali, por um estreito sistema de drenagem que aparenta ter mais de 80 anos (ao invés de sustentação de concreto armado, paredes de tijolinho protegiam o equipamento subterrâneo, o que indica uma antiga preocupação com as enchentes).

Não demorou muito para os mais atentos detectarem: aquele ali era o Rio Sapateiro (embora essa seja a denominação oficial, chamar de rio, aliás, é um exagero, sendo que o termo correto é córrego). A constatação confirmou a versão dos vicentinos mais velhos, que sempre disseram que as ruas do Centro escondiam esse curso d'água.

Até mesmo um mapa de 1852, assinado pelo pintor Benedito Calixto, confirma que o traçado do córrego serpenteia o Centro de São Vicente. O problema é que, como há apenas dois pontos em que a água é aparente – a fonte do Ipupiara e um pequeno corredor na lateral do Marco Padrão, na praia da Biquinha – sempre houve a dúvida sobre seu real traçado. Situação que fica ainda mais incerta graças às suas várias ramificações.

Nem mesmo a nascente é conhecida, podendo ser na região próxima da Avenida Capitão-mor Aguiar (mais provável), perto da Rua Aleixo Garcia, no Bairro Catiapoã, ou até mesmo em um terceiro lugar (veja em destaque o provável traçado do córrego).

Independentemente do ponto exato de onde surge seu traçado, o fato é que é provável que o curso esteja relacionado à Bacia do Catiapoã, que compreende os canais das avenidas Alcides de Araújo e da Lourival Moreira do Amaral.

Culpado – Justamente por ter seu traçado exato desconhecido e por possuir um status de lenda, em que todos acreditam que ele corre pelo Centro, mas poucos têm provas concretas, o Rio Sapateiro sempre foi relacionado às enchentes que assolaram o Município no decorrer de décadas. Não foram poucos os governantes que, ao encarar uma enchente, acusaram a baixa vazão e o sumiço do córrego como responsáveis pela cheia.

De fato, o sufocamento do rio, somado ao estado deteriorado das manilhas utilizadas em seu curso, podem contribuir para alguns alagamentos. Tanto que bastou o Rio Sapateiro ser detectado para que houvesse uma mudança no material utilizado na drenagem, que precisou ser mais específico e de dimensões mais largas.

"Para nós, de verdade, foi uma surpresa. Quando encontramos aquelas manilhas aterradas, não entendemos o que era. Depois é que a ficha caiu. Por conta disso, vamos utilizar manilhas de concreto ainda mais largas, para ver se reduz o impacto causado nesse rio no decorrer dos anos", explica o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Manutenção Viária, Léo Santos.

Segundo a secretaria, as obras de drenagem e pavimentação da Avenida Capitão-mor Aguiar não vão interferir diretamente no curso do rio. A única ação vai ser aumentar a vazão do mesmo, que será praticamente dobrada. # 288


Rio Sopeiro, Sapeiro ou Sapateiro. Mencionado em documentos do tempo da chegada de Martim Afonso, o Rio Sopeiro, Sapeiro ou Sapateiro desembocava na Prainha, de São Vicente. Ele é aqui visto neste cartão postal, das primeiras décadas do século XX.



O Caminho do Peabiru se refere a uma longa trilha pré-colombiana que ligava a cordilheira dos Andes ao oceano Atlântico. Embora apresente algumas ramificações, seu trajeto principal consistia na ligação entre a região onde presentemente se assenta a cidade de Cusco até as proximidades da atual cidade de São Vicente, no litoral paulista. A designação "Caminho do Peabiru" foi registrada pela primeira vez pelo jesuíta Pedro Lozano em sua obra "História da Conquista do Paraguai, Rio da Prata e Tucumán", no início do século XVII. Contudo, outras fontes indicam que o termo já era utilizado em São Vicente logo após o Descobrimento do Brasil, em 1500.

O termo peabiru (na língua tupi, "pe" – caminho; "abiru" - gramado amassado) se refere aos antigos caminhos utilizados pelos indígenas sul-americanos desde muito antes da colonização europeia, ligando o litoral ao interior do continente. Outra vertente afirma que "Peabiru" significaria "caminho que vai ao céu". Essa denominação refletiria a importância simbólica que o caminho tinha para os povos indígenas, que o consideravam uma via de acesso ao mundo espiritual.

Segundo os relatos históricos, o caminho principal passava pelas regiões das atuais cidades de Assunção, Foz do Iguaçu, Alto Piquiri, Ivaí, Tibagi, Botucatu, Sorocaba e São Paulo até chegar à região da atual cidade de São Vicente.

Após cruzar o planalto ocidental paulista, o caminho do Peabiru se dividia em diversas ramificações. O principal destes caminhos, propriamente denominado Caminho do Peabiru, constituía-se em uma via que ligava os Andes ao Oceano Atlântico. Mais precisamente, ligando Cusco, no Peru (embora talvez se estendesse até o oceano Pacífico), ao litoral brasileiro na altura da Capitania de São Vicente (atual estados de São Paulo e Paraná), estendendo-se por cerca de 3 000 quilômetros, atravessando os territórios dos atuais Peru, Bolívia, Paraguai e Brasil. Ainda em território brasileiro, um de seus ramais era a chamada Trilha dos Tupiniquins, no litoral de São Vicente, que passava por Cubatão e por São Paulo, em lugares posteriormente conhecidos como o Pátio do Colégio e rua Direita; cruzava o Vale do Anhangabaú; seguia pelo traçado que hoje é o das avenidas Consolação e Rebouças; e cruzava o rio Pinheiros. Outro ramal partia de Cananeia. #289

A Calçada do Lorena foi o primeiro caminho pavimentado que ligou São Paulo a São Vicente, construída a mando do então governador-geral da Capitania, Bernardo José Maria de Lorena. Este foi um dos chamados Caminhos do Mar de São Paulo, aberto ao final do século XVIII, em função das precárias condições do caminho colonial primitivo , que dificultava o transporte do açúcar e demais gêneros do planalto de Piratininga, pela serra do Mar, até o litoral. Desse modo, em 1790 iniciou-se uma nova via, calçada de pedras, por determinação do governador da capitania de São Paulo, Bernardo José Maria de Lorena. As obras ficaram a cargo do Brigadeiro João da Costa Ferreira, engenheiro da Real Academia Militar de Lisboa. Concluída em 1792, estendia-se por 50 km, reduzindo em cerca de 20% o percurso entre Cubatão e São Paulo de Piratininga. 

É considerada uma das maiores obras da engenharia na colônia, à época, uma vez que transpor os mais de 700 metros de desnível representados pela serra do Mar, numa região de mata densa e altos índices pluviométricos, foi um desafio que, para ser vencido, exigiu de seus construtores a adoção de técnicas ainda inéditas na Capitania de São Paulo. A pedra foi utilizada na pavimentação, na construção de muros de arrimo e de proteção junto aos despenhadeiros e nos canais pluviais da Calçada. Nas curvas do trecho de serra, caixas de dissipação desviavam para fora da via as águas conduzidas pelos canais pluviais. Menos íngreme, foi a primeira via a possibilitar o trânsito de tropas de muares, consumindo apenas dois dias na subida.

Uma das mais importantes viagens realizadas por essa via ocorreu em 1822, uma vez que por ela, o Príncipe-Regente D. Pedro subiu a serra em direção a São Paulo, vindo a proclamar, a 7 de setembro, a Independência do Brasil. Os remanescentes da calçada encontram-se preservados e abertos à visitação turística no trecho que se estende do seu início, no planalto, até ao seu terceiro encontro com a Rodovia Caminho do Mar. No Governo Washington Luís (1926-1930) foi recuperada a Rodovia Caminho do Mar e construído o Belvedere e o Padrão do Lorena, em homenagem ao construtor da Calçada, que na época em que foi construída, era uma das mais modernas estradas do mundo. #290.


A Rodovia Caminho do Mar (SP-148), também conhecida como Estrada Velha de Santos, liga o litoral do estado de São Paulo (Santos-Cubatão) ao planalto paulista, via Região do Grande ABC.  É um desdobramento histórico da antiga Estrada da Maioridade, concluída em 1846 e ganhou esse nome em homenagem à maioridade de Dom Pedro II. Em 1864 o trecho do planalto passa por melhorias, alterando sua denominação para Estrada do Vergueiro. Estrada de rodagem para carros de boi, a partir de 1867 começa a sofrer concorrência da estrada de ferro São Paulo Railway (SPR) para o transporte de café. A escarpa da Serra do Mar entre a Baixada Santista e o planalto paulista foi transposta por distintos caminhos indígenas e posteriormente, na sequência, pela Calçada do Lorena, Estrada da Maioridade/Vergueiro/Caminho do Mar, Anchieta e Imigrantes. Em 1913, a estrada foi calçada com macadame e no início da década de 1920 pavimentada em concreto, sendo a primeira estrada da América Latina com esse tipo de pavimentação, facilitando o tráfego de automóveis e passando a se chamar Caminho do Mar. Por ocasião das comemorações do centenário de Independência do Brasil (1922), sete monumentos foram construídos na região do Caminho do Mar. Com a crescente expansão dos parques industriais de São Paulo, o ABC e Cubatão, em 1947 foi inaugurada a primeira pista da Via Anchieta; em 1953, a segunda; em 1976, foi inaugurada a pista Norte da Rodovia dos Imigrantes; e, em 2002, a pista Sul. O fluxo de veículos pela Via Anchieta era mais eficiente do que pelo Caminho do Mar. Logo, a estrada passou a ser subutilizada, assim ficando por várias décadas. #291


A Rodovia Anchieta ou anteriormente Via Anchieta (SP-150) faz a ligação entre a capital paulista, cidades do ABCD e a Baixada Santista. É uma das vias de maior movimentação de pessoas e de mercadorias de todo o Brasil, pela demanda veranista e principalmente pala demanda do polo industrial e Cubado e a localização estratégica do Porto de Santos. Teve seu nome, "Via Anchieta", sugerido por Plínio Salgado, então deputado estadual, em artigo de 1928. A construção da rodovia foi autorizada em lei em 4 de janeiro de 1929 pelo presidente de São Paulo Júlio Prestes. Seria iniciada em 1939 pelo interventor Adhemar Pereira de Barros, e por ele concluída, quando governador do estado, em 1947. Sua inauguração ocorreu em duas etapas: a pista norte em 1947 e a pista sul em 1953. Foi  durante quase 30 anos praticamente a única ligação de grade fluxo rodoviário entre o Planalto e o litoral. A rodovia Anchieta  é considerada uma obra-prima da engenharia brasileira da época, dada a arrojada transposição da Serra do Mar por meio de túneis e viadutos. Em 1969, uma decisão do governo do estado de São Paulo concedia à Dersa, empresa estatal, o direito de explorar o uso da rodovia. Em 1972 foram instalados os primeiros pedágios, ainda no trecho de São Bernardo do Campo. Em 29 de maio de 1998 a rodovia foi privatizada pelo então governador Mário Covas juntamente com a Rodovia dos Imigrantes através de uma licitação em que a empresa Ecovias, formada por um consórcio de empresas privadas, recebeu a concessão por um período de 20 anos para a operação e manutenção de todo o Sistema Anchieta-Imigrantes.


A Rodovia dos Imigrantes (SP-160) possui 44 viadutos, 7 pontes e 14 túneis, em 58,5 km de extensão, de São Paulo a Praia Grande, no litoral sul. É a principal via de acesso da Grande de São Paulo à Baixada Santista e ao litoral sul, possuindo tráfego intenso de veículos principalmente durante o verão e em feriados. Integra o complexo denominado Sistema Anchieta-Imigrantes, composto também pelas rodovias Anchieta, Padre Manuel da Nóbrega e Cônego Domenico Rangoni, no litoral Norte. Já por volta de 1956, os técnicos do DER haviam percebido que a recém-inaugurada Rodovia Anchieta (SP-150) entraria em estado instável de operação e criaram estudos que apontariam para a necessidade da construção de uma nova pista, independente do tipo de ampliação que fosse feita na Anchieta. 
O grupo, chamado de Comissão CMG-44, seria o primeiro passo para a criação da DERSA, uma empresa de economia mista criada em 1969 inicialmente para construir, administrar e conservar as ligações com a Baixada. O projeto foi considerado revolucionário à época, com uma pista composta predominantemente de viadutos e túneis atravessando a Serra do Mar. O projeto inicial previa duas pistas com quatro faixas no trecho de planalto, e três pistas no trecho de Serra: uma pista ascendente com três faixas, uma pista descendente com duas que seria complementada com uma pista reversível com mais duas faixas. Na Baixada Santista haveria duas pistas de três faixas, com mais duas pistas com duas faixas para um ramal para Mongaguá. O projeto, criado em colaboração com uma firma italiana, previa que as três pistas no trecho de Serra fossem paralelas. O governador de São Paulo, Roberto Costa de Abreu Sodré, participou no dia 31 de janeiro de 1969 da cerimônia que deu início às obras para a construção. O evento ocorreu no quilômetro sete da estrada do Alvarenga, em São Bernardo do Campo. A inauguração dos 30,5 km do trecho do Planalto inclusive a Via de Interligação com a Rodovia Anchieta foi no dia 23 de janeiro de 1974 pelo governador Laudo Natel. 


A Rodovia Padre Manuel da Nóbrega (SP-55) estabelece ligação entre as cidades de Cubatão, São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe, situadas na Baixada Santista, e Itariri, Pedro de Toledo e Miracatu, no Vale do Ribeira, onde termina no entroncamento com a Rodovia Régis Bittencourt (BR-116).Começou a ser construída em 1951, mas suas obras acabaram sendo paralisadas, só sendo inaugurada em 1961, sendo sua inauguração de suma importância para o crescimento da Economia, Turismo, populacional e desenvolvimento em geral das cidades do Litoral Sul Paulista, pois, até então, o único acesso rodoviário até cidades como Itanhaém ou Peruíbe era precário, trafegando através da areia das praias. Com sua inauguração, em 1961, além do acesso ferroviário, as cidades praianas do Litoral Sul passaram a ter também acesso fácil a carros, além de, no mesmo ano, ganhar uma Linha de Ônibus ligando o Litoral Sul à Grande São Paulo.

Sua duplicação começou em agosto de 1990, construindo-se a pista lado praia. O primeiro trecho duplicado chegou até Mongaguá, havendo depois uma paralisação das obras em novembro de 1993, por falta de pagamento do Governo Estadual. A duplicação do trecho entre Mongaguá e o km 323 na entrada principal de Itanhaém foi iniciado em fevereiro de 1997. No trecho entre Itanhaém e o viaduto na entrada de Peruíbe, a duplicação começou em agosto de 2001 e foi entregue em 2006. É duplicada entre Cubatão e Peruíbe. De Mongaguá até a Curva do 'S', na Praia Grande, a pista sentido Capital tem três faixas desde 2013. Apresenta um trecho de pista simples em mão dupla de Peruíbe até seu final em Miracatu.
A rodovia SP-55 já foi anteriormente chamada de Rodovia Pedro Taques no trecho desde a Via Anchieta, em Cubatão, até a "Curva do 'S'", na Praia Grande. Hoje, esse trecho da Rodovia pertence ao Sistema Anchieta-Imigrantes, estando em Sistema de Concessão Privada e possuindo um pedágio. O trecho restante da Rodovia, entre Praia Grande e Miracatu, continua sobre administração e cuidados diretos da Administração Pública Estadual. 



Cinco pontes ligam a ilha e a Área Insular de São Vicente à Área Continental, municípios vizinhos e à Serra do Mar: a velha e emblemática Ponte Pênsil, a Ponte Ferroviária e a Rodoviária dos Barreiros, a Ponte do Mar Pequeno e a Ponte do Lago Pompeba , sendo essas duas últimas, na verdade, apenas alças de acesso da Rodovia dos Imigrantes. Entretanto, a Ponte do Mar Pequeno se diferenciou da sua similar adquirindo nome e status de monumento estadual e regional por causa da sua importância política. Foi explorada e publicizada como solução do fluxo de trânsito entre São Vicente e Praia Grande, altamente prejudicado durante décadas e que causava muitos transtornos aos moradores das duas cidades, aos turistas nas altas temporadas de verão e aos demais usuários das rodovias da região.

Com a ocupação em massa da área continental a partir da década de 1980 as duas Pontes dos Barreiros voltaram a ter importância nos caminhos vicentinos e na logística dos transportes na baixada santista. Os novos bairros dessa área (antes era praticamente o Samaritá) atingiu um contingente populacional de mais de 100 mil habitantes, multiplicando sua frotas de automóveis e veículos utilitários, de carga e também coletivos. Recentemente, com a implantação do VLT na área insular, surgiu a ideia de estender seu uso ao continente (incluindo os municípios de Praia Grande e do litoral sul), usando a mesma linha da antiga ferrovia que atingia os limites do Vale do Ribeira. #292



KABELHÄNGEBRÜCKE. Uma ilustração em bico de pena da Ponte Pênsil foi divulgada na Europa em 1914 como modelo de tecnologia alemã.  A publicação especializada cita Santos como local da obra  e dá detalhes técnicos em quatro idiomas sobre sua estrutura e dimensões.
Fonte: https://structurae.net/.../pont-suspendu-de-sao-vicente.


No início do século XIX, já se tornava necessária uma ligação mais rápida com o Litoral Sul. As pequenas vilas cresciam e a Praia Grande se transformaram em importante centro de pesca. Em 1904, a paisagem calma da Baía de São Vicente era alterada, aos domingos, pelas competições do Clube de Regatas Tumiaru. A travessia era feita por barcos e canoas ou pelas linhas regulares de lanchas pertencentes a Antero Hourneaux de Moura. Pequeno o movimento, no entanto. Do lado do Japuí, cujo caminho secular e precário conduzia à Praia Grande, a rota mais importante era na direção do Litoral Sul. Para atingir os sítios de banana de Itanhaém ou Iguape, era preciso viajar pela Praia Grande, até Itanhaém, e daí atingir Peruíbe, sempre pela praia, para afinal alcançar Iguape, costeando o mar, pela Serra dos Itatins. Em 1910, a Comissão de Saneamento de Santos, sob a direção do engenheiro Miguel Presgrave, contrata a elaboração de projeto da ponte, com a firma Trajano e Medeiros & Cia., em consórcio com uma firma de Dortmund, Alemanha. O engenheiro alemão Augusto Kloene é o autor do projeto que previa um vão de 180 metros entre torres, com 6,4 m de largura e 5 de altura acima da maré máxima. Os primeiros desenhos mostram a seção transversal da ponte com duas tubulações de diâmetro inferior a 1 metro, apoiadas no tabuleiro, e, entre elas, uma passarela para pedestres (hoje há duas passarelas). 

A construção dos pontilhões começa em 1911, de ambos os lados. As peças da ponte são transportadas entre 1912 e 1913, por dez navios alemães: Erlanger, Benn, Halle Grefeld, Treassry, Granhandel, Jarseberg, Anversolse, R. Argentina, Lengeise e Merineir. A parte metálica da ponte custou, na época, 10.800 libras esterlinas, equivalentes, então, a 15.162 contos de réis. Foram gastos ainda 21.000 contos de réis com o estrado de madeira. De início, a ponte permitira a passagem de dois veículos de 6 toneladas cada um. Para aumentar a capacidade, foram gastos 78 contos e 750 mil réis na tubulação, 250 mil réis na montagem e 14 contos de réis no assoalho. Na área das obras, os trabalhos eram árduos. Para colocar as bases, os escafandristas tinham descido as barcaças, enfrentando o mar bravo e a correnteza que retardava a execução do serviço. Em dezembro de 1913, quando os operários esticavam os cabos de aço numa barcaça, um deles caiu na água, sendo cortado ao meio por um tintureiro, espécie de tubarão que proliferava na região. 21 de maio de 1914. Manhã de sol. Vinte automóveis vindos da Capital, trazendo elegantes senhoras e senhores de polainas, chapéu-coco, gravatas pretas, descem rumo ao litoral, para participar da festa. Entre os convidados, lá estavam Washington Luiz, prefeito da capital de São Paulo e futuro presidente da República; o presidente do Estado de São Paulo, Francisco de Paula Rodrigues Alves, e o vice, Carlos Pereira Guimarães; o prefeito de Santos, Joaquim Montenegro; o prefeito de São Vicente, Antão Alves de Moura; o pintor Benedito Calixto; o jornalista Afonso Schmidt; o sanitarista Saturnino de Brito. 

Duas bandas aguardavam: a da União Portuguesa, regida por José do Patrocínio; a Colonial Portuguesa, dirigida pelo flautista Burgos. Ocorreu então o primeiro congestionamento. O número dos que desejavam transpor a ponte era demasiado para sua capacidade. E houve o primeiro acidente: um motociclista da capital bateu na traseira de um coche e caiu, fraturando o crânio. O presidente Rodrigues Alves corta a fita inaugural. A multidão avança. A ponte não suporta, balança. Sob o peso, os canos de esgotos se interpenetram. Os populares em pânico procuram logo alcançar terra firme e, segundo relatos antigos, alguns se atiraram ao mar, pensando que a ponte fosse ruir. Suspensa pelos cabos de aço, porém, ela resistiu firme. (DERSA - Material para a imprensa preparado em novembro de 1981 pela empresa Dersa Desenvolvimento Rodoviário S.A)



"Turistas" fotografados apreciando os arredores da Ponte Pênsil nos Anos 1950. Estão na ilha ou no continente. Segundo Luciano Azevedo, amigo da família, o acesso de onde foi tirada essa foto, se dava por uma trilha que se iniciava na casa do Dr. Alberto que ficava em frente ao Porto das Naus. “Inclusive o Dr. Alberto aparece de costas segurando um binóculo”.
https://lopesdojapui.blogspot.com/
Acervo da família Lopes, guardado pelos Rufino.
Colaboração de Vinícius Valino.


PONTE FERROVIÁRIA . 

Foi construída em 1911, pelos ingleses da Companhia Southern São Paulo Railway, com o objetivo de ligar Santos a Juquiá. Em 1912, foram implantados os dormentes da referida estrada de ferro.
Em 17 de janeiro de 1914, é inaugurada oficialmente, a ligação ferroviária entre Santos, São Vicente e Conceição de Itanhaém, pela Southern São Paulo Railway. Ao longo dos 162 Km de ferrovia, que formam o ramal Santos Juquiá, naquela época, o único meio de transporte para toda região, foram surgindo muitas cidades, como, Peruíbe, Itariri, Pedro de Toledo, Miracatu e Juquiá.

A Ponte dos Barreiros, foi, portanto, a mais importante via ferroviária de toda a Baixada Santista e uma das mais importantes do Estado de São Paulo, ela liga o Cais de Santos à Capital e ao Litoral Sul do Estado. Através dela, são transportados café, milho, arroz, trigo, e, sobretudo minérios.
Antigamente, todo o carregamento da produção de banana do Litoral Sul era feito por ela, com destino ao Cais de Santos.

A Ponte, que liga a área insular do município, à área continental, é sustentada por 28 cavaletes de concreto armado, possuindo cada um, em média, 80 metros de altura, dos quais, apenas cinco metros encontram-se fora d'água, suportando cada um, aproximadamente, 1700 toneladas.

Perfilados sob a Ponte, esta infra-estrutura levou quase 5 anos para ser concluída para a Estrada de Ferro Sorocabana, hoje FEPASA, pelos operários da Empreiteira GEOGRÁS. Até sua finalização, foram gastos cerca de 800 milhões de cruzeiros novos, sendo a obra garantida por 25 a 30 anos.
Na época de sua construção, os trens passavam sobre a Ponte, numa velocidade de 20 Km/hora, e para que pudessem alcançar a velocidade de 55 Km/hora, foi necessário providenciar a colocação de contratrilhos, entre os dormentes, ao lado dos trilhos normais.

A Ponte, que possui 600 metros de extensão, consegue suportar o peso de quarenta vagões, incluindo a máquina, passando por ela, diariamente, quarenta composições, sendo trinta delas, de carga.
A Ponte foi construída no local onde o Rio do Canal dos Barreiros é mais fundo, por isso, uma das estacas está a mais de 100 metros de profundidade. Do solo até o topo da Ponte, são 22 metros de concreto e aço, pesando 1000 toneladas somente a estrutura metálica, desconsiderando-se os 1200 dormente existentes. Após alguns anos de sua construção, além de transportar professores e trabalhadores para o Bairro de Samaritá, localizado na Área Continental do Município, e para Juquiá, Evangelista de Souza, e etc, sua tarefa maior, foi transportar os maquinários e o material destinado à construção das Usinas Hidrelétricas de Urubupungá e Juquiá.

No início do Século XX, os moradores da Área Continental do Município, que se dedicavam às pequenas lavouras de cana-de- açúcar, à plantação de bananas, à horticultura de abacaxis, ananás e melancia, à indústria extrativa de madeira e lenha, e do fabril de cal e alguma pescaria, tinham suas produções conduzidas para o consumo dos habitantes da área insular do município e da vizinha cidade de Santos, através de canoas, saveiros ou lanchas e por terra, através dos bondes puxados a burros, da linha de São Vicente.  Pouco tempo depois, surgiram as locomotivas a vapor, que se constituíram em verdadeiro sucesso, e, por volta de 1913, os ingleses da Companhia Southern São Paulo Railway, compraram o ramal, e o estenderam em 162 Km, até um lugarejo chamado "Juquiá", até então, perdido numa região obscura no Litoral Sul do Estado de São Paulo. Em 1927, a empresa britânica foi encampada pela Sorocabana, surgindo mais tarde a FEPASA - Ferrovia Paulista S/A.

A PONTE RODOVIÁRIA

 Ponte A Tribuna, popularmente conhecida como Ponte dos Barreiros, construída para ligar as áreas Continental e Insular de São Vicente e aberta em 14 de dezembro de 1994. Nem todos entendem por que, apesar da importância da obra e de seu papel no crescimento da Área Continental, não se consegue cravar de quem é a responsabilidade pelos cuidados que a Ponte dos Barreiros não teve e, talvez, possa ter agora. Por muitos anos, se atribuiu a tarefa ao governo estadual, pois a ligação viária foi projetada pela Dersa, hoje vinculada à Secretaria de Logística e Transportes. E partiu do então governador Luiz Antônio Fleury Filho, ainda em 1994, a denominação da ponte de A Tribuna, em homenagem ao centenário do jornal.

Mas, nos últimos meses, o estado tem dito que cuidar das pistas é trabalho da prefeitura. O que caberia a São Paulo seria a ponte ferroviária paralela, inaugurada em 25 de abril de 1912 – menos de um ano após o então governador, Albuquerque Lins, aprovar o projeto. Serviu ao tráfego de passageiros até 1999 e de carga até 2003.

Há outro porém: a ponte foi construída após concorrência aberta pela Companhia de Desenvolvimento de São Vicente (Codesavi, hoje extinta) e vencida pela Construtora Camargo Corrêa.
Quase três décadas

O Distrito de Samaritá, que faz divisa com Praia Grande, tinha cerca de 20 mil moradores no início da década de 1980. Para se atingir o Centro de São Vicente, era uma longa volta, com 20 a 30 quilômetros – como está ocorrendo agora.

Ainda em 1967, um projeto de engenharia mostrava que uma ponte sobre o Canal dos Barreiros reduziria o percurso para, aproximadamente, oito quilômetros. 

A partir de 1977, na gestão do então prefeito Koyu Iha, o pedido ganhou força: a área de Samaritá era estratégica para instalação de indústrias, depositar lixo e reduzir a favelização da Cidade. Tão importante que se cogitava anexá-la a Praia Grande.

No início dos anos 1980, o Governo Federal incluiu São Vicente no projeto Aglurb, sigla para Aglomerados Urbanos. A prefeitura teria de bancar 15% do valor das obras, financiadas em dólar (a inflação, de 110% naquele ano, desvalorizava o cruzeiro). Porém, a Ponte dos Barreiros ficou de fora da lista.

Após ameaças de saída do projeto, negociações e um abaixo-assinado com 45 mil nomes clamando pela ponte, a prefeitura ficou no Aglurb. Em 1986, foi autorizada a construí-la, após licitação da Codesavi com verba do Banco Mundial (41 milhões de cruzados, ou R$ 33 milhões) e município (Cz$ 6 milhões, ou R$ 4,8 milhões).

Mas não havia dinheiro para os acessos à ponte por Samaritá, mais custosos que a ponte. Como a obra não terminou naquele ano (faltaram 63 dos 630 metros), o convênio foi encerrado. A empreiteira cobrava R$ 13 milhões, em valores atuais, para a conclusão. Tudo parou. Houve, até, sessão extraordinária da Câmara na ponte, em protesto, já em 1989. Com 30 milhões de cruzados novos, ou R$ 17,6 milhões em verba federal, os trabalhos recomeçaram em 1990, na gestão de Antônio Fernando dos Reis. Com dinheiro à parte para os acessos, eles acabaram em 1994. 

Resumido do original de Rafael Motta – A Tribuna, 15-12-2019 



Pontes do largo ou canal Pompeba, na rodovia dos Imigrantes (litoral-serra-planalto), dividindo São Vicente de Cubatão. Apesar da estrutura de grande porte em concreto a construção com duas pistas não ganhou denominação específica, permanecendo até hoje como equipamento rodoviário comum.



Popularmente conhecida como Ponte do Mar Pequeno, por passar sobre o canal que faz a ligação de vários com o mar, é um marco na história do desenvolvimento da porção sul da Baixada Santista. Fica situada no trecho final da Rodovia dos Imigrantes e faz a ligação entre os municípios de São Vicente e Praia Grande. Seu nome oficial é uma homenagem ao célebre político da região, Esmeraldo Soares Tarquínio de Campos Filho, que nasceu em São Vicente e eleito prefeito de Santos no final década de 1960. Foi cassado pelo regime militar ante de tomar posse. 

No início do século XX, a única alternativa para quem ia para Praia Grande ou para o Litoral Sul era a travessia feita por barcos e canoas, ou pelas linhas regulares de lanchas administradas por Antero Horneaux de Moura. Em 1914  foi inaugurada entre a ilha e o bairro Japuí a Ponte Pênsil - com estrutura metálica importada da Alemanha - funcionando décadas como único acesso rodoviário. Nos anos 1970 optou-se então por reformá-la, tendo em vista que nem todo o tráfego poderia ser desviado para a Rodovia Pedro Taques. Iniciou-se então, em paralelo, o projeto de uma nova ponte em concreto, com várias pistas e mão dupla, que cortaria o Mar Pequeno e faria conexão com a jovem Rodovia dos Imigrantes.

Em 11 de julho de 1973, o governador Laudo Natel, tendo como secretário dos Transportes o engenheiro Paulo Salim Maluf, outorga à Dersa a construção e exploração dessa nova ponte. Em 1976, é convocada uma comissão para estudar o problema e selecionar, entre os concorrentes à construção da nova ponte, uma empresa que realizasse a obra. Em 10 de setembro de 1979, Paulo Maluf inaugura as obras de construção, que passaram a ser compostas de duas pontes para facilitar ainda mais o tráfego, denominadas ascendente (sentido São Vicente) e descendente (sentido Praia Grande).

Tratando-se de obra sobre o mar, questões como fluxo e refluxo das marés, o assoreamento das águas e vãos e altura suficiente para a navegação, tiveram especial atenção. A transposição do Mar Pequeno exigiu a implantação de 30 apoios para cada pista: 7 em terra e 23 no mar.
Em 19 de dezembro de 1981 era inaugurada a pista descendente. Em 30 de março de 1982 foi inaugurada a pista ascendente, realizado enfim o sonho de tantos anos. 



1961. Hospedado no apartamento do amigo e deputado Abreu Sodré,  o então ex-governador Jânio Quadros, recém empossado na presidência da república, tira uns dias de descanso em São Vicente. Ele caminha  para a ilha Porchat sob a vigilância de agentes de segurança e a curiosidade de um ciclista anônimo que segue na mesma direção. Como atesta a legenda,  foto original foi publicada invertida nas páginas da revista O Cruzeiro. Aqui publicamos no sentido correto. Este foi um período difícil para Jânio, atormentado pelas "forças ocultas" que conseguiriam sua renúncia repentina e até hoje misteriosa.
***
Filho do médico e engenheiro agrônomo Gabriel Quadros, nasceu em Campo Grande no antigo estado de Mato Grosso (na porção que hoje corresponde ao Mato Grosso do Sul), mas foi criado em Curitiba, onde fez seus estudos primários. Mudou-se para São Paulo já na juventude, morando em bairros da Zona Norte, como Santana e, depois, Vila Maria, que se converteria em seu mais fiel e cativo reduto eleitoral. Estudou no Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo para, depois, formar-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo Atuou como advogado e também professor de ensino básico e superior: Colégios Dante Alighieri e Vera Cruz e na Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie. Em 1947, foi eleito vereador paulistano pelo Partido Democrata Cristão. Em 1953 elegeu-se deputado estadual e depois governador numa rápida carreira que o levaria à presidência da república em 1961, tendo João Goulart como vice (por número de votos). Em 25 de agosto de 1961 surpreende a nação com sua renúncia, abrindo uma grave crise sucessória que levaria seu vice à presidência e posteriormente a deposição do mesmo pelo golpe militar de 1964. Com redemocratização, voltou à vida pública participando de vários pleitos até ser eleito novamente ao cargo de prefeito de São Paulo em 1985. Faleceu em 16 de fevereiro de 1992. #293



Estação ferroviária de São Vicente (1982) registrada em p&b pelo organizador. Após ser desativada  juntamente com os galpões de manutenção. a estação foi  demolida para dar lugar à uma pista rodoviária com trecho de alta velocidade denominada Linha Amarela, no sentido centro-praias. Como na maioria das cidades paulistas, São Vicente teve sua vila ferroviária com moradias exclusivas para os funcionários. Diferente das estações, mesmo descaracterizadas em suas edificações originais, estas foram preservadas pelas famílias. Essa posse informal continuou sendo mantida pela sucessora Ferrovias Paulistas-FEPASA. #294

     Vila Ferroviária no bairro Catiapoã em 1982. Foto do organizador.


A São Paulo Railway (SPR) foi a pioneira e mais importante ferrovia de São Paulo, ligando o planalto (Jundiaí/São Paulo) ao porto de Santos, crucial para escoar o café e impulsionar o desenvolvimento econômico paulista, sendo inaugurada em 1867 e operada por uma companhia britânica, nacionalizada em 1946 e hoje parte da infraestrutura da MRS Logística, mantendo sua relevância logística até hoje. 
História e Operação. Foi criada pela britânica The São Paulo Railway Company, foi a primeira ferrovia do estado, inaugurada em 16 de fevereiro de 1867. Conectava Jundiaí (planalto) ao litoral em Santos, cruzando a Serra do Mar com um complexo sistema funicular em Paranapiacaba, utilizando cabos de aço e máquinas fixas para vencer a inclinação. Foi vital para o escoamento da produção de café, modernizando a província e acelerando o crescimento de São Paulo e do litoral. Em 1946, foi nacionalizada pelo governo brasileiro e se tornou a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (EFSJ). A vila operária no alto da serra, construída para os trabalhadores da SPR, é hoje um patrimônio histórico tombado. A SPR acelerou a chegada de imigrantes, a industrialização e a urbanização, moldando a geografia e a sociedade paulista, com seus galpões sendo patrimônio industrial em São Paulo. A São Paulo Railway Association formou o primeiro time de futebol do Brasil, que disputou a primeira partida em 1895. 

A Estrada de Ferro Sorocabana foi uma ferrovia vital que conectou o interior de São Paulo à capital, impulsionando o desenvolvimento econômico, industrial e populacional no século XIX e XX, transportando café e mercadorias, mas entrou em declínio com o advento das estradas de rodagem, uma estrutura de transporte mais flexíveis e velozes.  Foi fundada originalmente pelo imigrante húngaro Matheus Maylasky inaugurada em 1875, inicialmente para escoar o café  até o porto de Santos.  A empresa foi um divisor de águas, crucial para a industrialização e crescimento de São Paulo, transportando um volume imenso de cargas e passageiros, atingindo seu auge entre os anos 1940 e 1950, com recordes de toneladas-quilômetro. Por esse motivo foi durante muitos anos alvo sucessivo de uma intensa disputa de investidores. A  maioria das suas estações formaram  a base da fundação e povoamento de dezenas de pequenos núcleos urbanos – os patrimônios-  que se transformariam em pequenos e grandes municípios na extensa região do oeste paulista. Esse vasto território, dividido com outras ferrovia, ficou conhecido com Alta Sorocaba. Com o avanço das rodovias, a ferrovia perdeu importância, sendo encampada e administrada pelo Estado (FEPASA) e, posteriormente, concedida à iniciativa privada, com vários trechos desativados, como os de Presidente Prudente a Presidente Epitácio, porto fluvial na margem do rio Paraná.

Vista da Estação São Paulo, 1938. O governo do estado de São Paulo construiu ente 1926 e 1938 uma nova estação terminal para abrigar a sede da Sorocabana e rivalizar com a Estação da Luz. Arquivo Nacional
#295

A Linha Santos-Juquiá foi construída pelos ingleses da Southern San Paulo Railway, entre 1913 e 1915. Em 17 de janeiro de 1914, a Southern San Paulo Railway Co. inaugurou a linha ferroviária de Santos a Conceição do Itanhaém, passando por São Vicente. Continuando sua expansão pelo litoral sul do estado de São Paulo, a Southern San Paulo Railway Co. concluiu o assentamento dos trilhos até Itanhaém, chegando a Peruíbe. Esse trecho foi de suma importância para a integração, transporte e desenvolvimento do litoral sul paulista, pois a região estava "separada" de Santos e da capital pelo Rio Itanhaém, e a ferrovia construiu uma ponte que melhorou dramaticamente a travessia do rio para os moradores, isolados. Após vencer um pequeno trecho de serra, por fim, a expansão chegou também a Juquiá.

O trem era o único meio de transporte para toda a região. Assim a produção de frutas (principalmente bananas) e madeiras era levada até o Porto de Santos, de onde poderia ser exportada ou seguir para Jundiaí, no planalto paulista, pelo trem da São Paulo Railway (SPR).

Em 1926, no Governo Washington Luis, a 'Southern San Paulo Railway' Co. foi comprada pelo Governo do Estado de São Paulo, estatizada e incorporada à Estrada de Ferro Sorocabana. Essa aquisição permitiu à Sorocabana a criação do ramal Samaritá a Mairinque que ligou, finalmente, em dezembro de 1937, o porto de Santos à cidade de São Paulo, quebrando o monopólio da São Paulo Railway no transporte de passageiros e cargas da capital e interior pra o Porto. O trecho entre Santos e o Jardim Samaritá, na área continental de São Vicente foi incorporado à Mairinque-Santos, que estava em início de construção no trecho da Serra do Mar, e o restante foi transformado no ramal de Juquiá. A partir daí, novas estações foram construídas.

A ferrovia chegou ao seu apogeu nas décadas de 1940 e 1950, quando circulava em suas linhas o Expresso Ouro Branco, um trem de passageiros moderno e luxuoso, ligando a Capital até Peruíbe. Porém, o descaso com que os governos estaduais e federais trataram as ferrovias nas décadas seguintes, em claro favorecimento ao transporte rodoviário, acabou fazer com que a linha se degradasse ano a ano. Em 1971 a Fepasa se tornou dona da linha, e em 15 de janeiro de 1977 interrompeu, pela primeira vez o Trem de passageiros para o Litoral Sul. Este porém, foi trazido de volta depois. Em 1981 prolongou-a até Cajati (Extensão Juquiá-Cajati), sua extensão máxima, para atender as fábricas de fertilizantes da região.


Vista da ferrovia em São Vicente, 1988. Esse trecho é atualmente utilizado pelo VLT- Veículo Leve sobre Trilho.



Estação Ana Costa- Samaritá. Fotos de Antonio Moreira, do jornal Cidade de Santos, em 10 de maio de 1984. Acervo Unisantos. Pesquisa Waldir Rueda. Publicação: Novo Milênio.


Ferrovia Paulista S/A (Fepasa) foi uma empresa estatal paulista de transporte ferroviário de cargas e de passageiros, sendo constituída mediante a incorporação pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro das empresas Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, Estrada de Ferro Sorocabana, Estrada de Ferro Araraquara e Estrada de Ferro São Paulo e Minas. Permaneceu em atividade de outubro de 1971 até maio de 1998, quando foi extinta e incorporada à Rede Ferroviária Federal.

Em 1970, o número de funcionários das ferrovias formadoras era o seguinte: Sorocabana (17 622), Paulista (11 185), Mogiana (5 935), Araraquara (3 179) e São Paulo-Minas (603), totalizando 38 524 funcionários. Ao ser constituída em 1971, o contingente de mão de obra ferroviária da empresa já estava reduzido para 36 665 pessoas, e em 1972 foi reduzido drasticamente para 29 347, pessoas com a transferência de funcionários para diversos setores do governo estadual. Quando da sua formação em 1971 a Fepasa contava com um parque de tração de 519 locomotivas (354 diesel e 165 elétricas), as quais recebeu de suas formadoras. Em março de 1992 a Fepasa contava com um total de 503 locomotivas (357 diesel e 146 elétricas). 

O transporte de cargas representava o mais importante tráfego e fonte de receitas da Fepasa. Os principais produtos transportados eram cimento, clínquer, ferro e aço laminados, adubos e fertilizantes, papel, celulose, bauxita, enxofre, amônia, dolomita, calcário, cal hidratada, fosfatos, combustíveis (álcool e derivados de petróleo), café, açúcar, algodão, carne, feijão, arroz, milho, trigo, soja, amendoim, farinha de trigo, farelos em geral, óleos vegetais, laranja (sucos e pellets cítricos) e gado vacum.[64] A quantidade transportada de cada um desses produtos variou muito no decorrer dos anos.
A operação de cargas da empresa estendia-se ao litoral paulista, com descida da serra até Santos, rumando depois para Cajati, e por outro lado até os extremos do estado de São Paulo, nas divisas com Mato Grosso do Sul e Paraná, penetrando em Minas Gerais e confluindo em pontos diversos com a navegação fluvial e com a RFFSA.Na fronteira com Mato Grosso do Sul, junto ao rio Paraná, os trilhos chegavam até Santa Fé do Sul, Panorama e Presidente Epitácio, com operações de carga e descarga diretas no porto local.

Os pontos de contato da ferrovia com a RFFSA, na fronteira com o Paraná, eram através das linhas em Itararé e Ourinhos, além de Pinhalzinho no ramal construído pela Fepasa para servir o Tronco Principal Sul. De Apiaí, passando pelas regiões de Itapeva e Sorocaba havia o transporte de calcário industrial e dolomita até as instalações da COSIPA.O transporte de clínquer também seguia um fluxo único de Sorocaba à São Paulo, atendendo as Indústrias Votorantim. Já Minas Gerais era o estado com o qual mais a rede ferroviária paulista se integrava. De Poços de Caldas carregamentos de bauxita partiam diretamente para a fábrica da CBA - Companhia Brasileira de Alumínio na região de Sorocaba.




Sir Thomas Cavendish (1560-1592) foi um dos mais conhecidos corsários ingleses do Século XVI , sendo o quinto europeu a circunnavegar o globo. Era membro do Parlamento e protegido de Elizabeth I. A sua esquadra composta por cinco embarcações, após fracassar em ataques contra as colônias da Espanha no Índico, voltaram contra Portugal:  capturaram um navio em Cabo Frio, arrasaram Santos e incendiaram São Vicente: 
“Na véspera de Natal, às 10 horas da noite, os botes puseram-se prontos para seguir em direção à praia. (…). Permanecemos dois meses em Santos, o que acabou por ser a ruína de nossa viagem(…). Encontramos muito ouro armazenado na cidade, trazido pelos índios de um lugar chamado Maetinga, onde os portugueses mantinham algumas minas. (…) Os homens de nossa tripulação caminharam de Santos a uma povoação vizinha, de nome São Vicente. Pelo caminho, queimaram cinco engenhos e moendas de açúcar. A indisciplina reinava entre eles“. (Anthony Knivet, marujo inglês, 3 de fevereiro de 1592).
Impedidos  de atravessar o estreito de Magalhães e a esquadra pelas tormentas, voltaram para a costa brasileira.  Não conseguiram desembarcar em São Vicente e seguiram para Vitória. 
Ferido em diversos ataques, Cavendish  tentou voltar para Santos e foi rechaçado a tiros de canhão. Enterrou os objetos que havia saqueado no Brasil em Ilha Bela. 
Fontes: Terra de Santa Cruz (“A construção do Brasil na literatura de viagem dos séculos XVI, XVII e XVIII”, Antologia de textos 1591-1808), de Jean Marcel de Carvalho França). #295



Duas imagens de ressacas na praia do Gonzaguinha: uma no início do século XX (quando se chamava Praia Mahuá); e outra no final dos anos 1960. Mesmo com a construção dos moles de pedras -idealizados pelo engenheiro Rinaldo Rondino- a praia nunca se livrou das conhecidas e destruidoras ressacas marinhas. No Itararé elas também acontecem e também impressionam pela sua força, porém tal energia se espalha,  pela grande distância entre a arrebentação de ondas e a faixa e areia.  No Gonzaguinha é bem diferente. As ondas colidem diretamente com a mureta  de contenção, que tentam proteger a calçada e as pistas de carros construídas sobre a faixa de areia. Isso mesmo: a faixa de areia originalmente se estendia até a atual avenida Presidente Wilson, que se chamava Misericórdia.  Não só as duas pistas viárias, mas também muitas casas - e depois os edifícios - foram construídos diretamente sobre a areia da praia. A ocupação foi tão rápida e intensa  que o mar simplesmente foi desafiado e impedido de arrebentar naturalmente as suas ondas sobre a areia. Tudo ilusão de pedra e concreto. Água mole pedra dura... O embate é violento e acontece regularmente em algumas épocas do ano. Apesar dos riscos e prejuízos, o fenômeno tornou-se atração turística e atrai muitos visitantes, sempre impressionados com a fúria da natureza. Quem nunca...  #296



Fernando Tiepelmann Roxo. Registro em15 de abril de 2022
  




Fim da polêmica histórica: Saint-Éxupery pousou em Praia Grande (na época um bairro de São Vicente.  O aviador e pesquisador Elson Sterque reafirma a existência de diversos documentos que comprovam  esse pouso no campo de utilizado pela Latécoére em Praia Grande. No Boletim nº 1 do Instituto Histórico e Geográfico de Praia Grande , Elson cita uma das comprovações desse evento histórico: “Exupéry pousou em Praia Grande ao amanhecer no dia 17 de abril de 1930, vindo de Florianópolis-SC, de onde decolou as 06:00 da manhã, pilotando a aeronave Laté 28. Após seu pouso em Praia Grande, decolou por volta das 09:00 horas com destino ao Rio de Janeiro”. A notícia, entre outras, foi publicada no Correio Paulistano na edição de 17 de abril de 1930. O tema foi debatido em 11 janeiro desse ano (2025) numa conversa com o historiador Dalmo Duque  e Elson Esterque no pod-cast produzido em Santos pelo apresentador Tom, O Mago. #297

https://www.youtube.com/watch?v=g-lPeWii8sE


A queda do Edifício Vista Linda aconteceu em na noite de 23 de dezembro de 1966. O edifício, que tinha 10 andares e ficava em frente à Ponte Pênsil, tombou para trás após um deslizamento de terra e pedras do Morro dos Barbosas. O alerta foi dado pelo policial militar rodoviário Jaime Miranda que ouviu um forte estalo e avisou os moradores, permitindo que eles saíssem em segurança.  Miranda , conhecido popularmente como Turco Louco, até hoje é considerado um herói de uma tragédia que ele conseguiu evitar por intuição e rapidez de iniciativa.  Quando percebeu que era um deslizamento de terra e pedras do Morro dos Barbosas, junto ao zelador, conseguiu que os 38 ocupantes distribuídos nos 10 andares saíssem em cinco minutos. Logo depois aconteceu a queda. O prédio tinha 66 apartamentos e já havia sido interditado antes pela ameaça do mesmo motivo. O caso foi investigado pela Polícia Técnica de São Paulo, e o perito Hercílio Macelano concluiu que a mistura usada na construção não era concreto, mas sim uma mistura que se quebrava na mão. Outra ocorrência semelhante  foi desmoronamento do Edifício Danúbio, ainda em fase de construção e localizado na avenida Quintino Bocaiuva, Boa Vista,  em frente à linha do trem (hoje VLT). Ao contrário do Vista Linda, o  Danúbio foi totalmente reconstruído e existe até  hoje. # 298. 




O Reservatório-Túnel Santa Tereza/Voturuá fica nos morros da divisa entre Santos e São Vicente e é a maior reserva em rocha da América Latina. Em São Vicente o acesso é feito pela avenida Anita Costa, junto ao Parque Estadual Voturuá.

A reserva hídrica tem mais de 1 km de extensão dividida em duas câmaras, cada uma com 13 metros de altura e 15 metros de largura. Ela tem a capacidade para receber 110 milhões de litros de água, equivalente a um terço do armazenamento total disponível na região.

Projetada em 1970, a ‘caixa d´água’ gigante é considerada uma das obras mais ousadas feitas pela Sabesp. O reservatório foi inaugurado em 16 de novembro de 1981. #299


O Parque Estadual Xixová-Japuí (PEXJ) está localizado entre os municípios de São Vicente e de Praia Grande. Foi criado pelo decreto 37 536, de 27 de setembro de 1993. O nome Xixová-Japuí, palavras de origem indígena, está relacionado aos dois maiores morros que integram o Parque Estadual. Xixová significa “morro pontudo”, enquanto japuí é “morro grande que mostra a entrada do rio ou porto”. O parque é delimitado pelas praias Paranapuã e Itaquitanduva na orla marítima e pela Avenida Tupiniquins que é a ligação com a Ponte Pênsil de São Vicente.

Da área total da Unidade de Conservação, 600 ha são de área terrestre, e 301 ha de área marinha, encontra-se inserido em bacia hidrográfica da Baixada Santista (UGRHI 7). No PEXJ, a drenagem é constituída de uma série de pequenas nascentes e corpos d’água; foram identificadas 19 bicas e 8 nascentes Abriga importante porção de Mata Atlântica conservada e destacada da Serra do Mar. São 600 ha em área terrestre e 301 ha em área marinha. Localizado em meio à Região Metropolitana da Baixada Santista, com território densamente urbanizado, o Parque preserva biomas, como ecossistema marinho, costão rochoso, praia arenosa, mata de restinga e mata de encosta.
 
Seus principais atrativos são a Praia de Itaquitanduva, a Praia de Paranapuã, a Praia do Canto do Forte, as trilhas do Curtume e dos Surfistas, o antigo Curtume Cardamone, datado de 1914, que operou durante 60 anos na cidade de São Vicente, o Forte Duque de Caxias de Itaipu, conhecido como a Fortaleza de Itaipu, a Pedreira, as Bicas e a Área marinha. Em sua fauna, podem ser encontradas borboletas, bichos-preguiças, tartarugas marinhas, jacus, morcegos, trinta-réis, e, na flora, podem ser vistas embaúbas, bromélias, figueiras e ainda espécies ameaçadas, como palmitos-juçara, caxetas, paus-brasil, canelas.
#300

 
Uma reportagem de A Tribuna noticiava a reurbanização e novo loteamento  da Vila São Jorge. 

"UMA NOVA CIDADE SE FORMARÁ EM BREVE ENTRE OS MUNICÍPIOS DE SANTOS E DE SÃO VICENTE. 

Adiantados os trabalhos de terraplenagem da Vila São Jorge, à margem da avenida Antônio Emerich - O prefeito de S. Vicente, vereadores de Santos e outras pessoas de destaque visitaram ontem os serviços - O Dr. José Monteiro mandará em breve proceder a pesquisas para abertura de um poço artesiano".  O evento foi uma iniciativa promocional do empresário Otávio Ribeiro de Araújo. 

Originalmente, toda essa área pertencia ao comerciante  João Otávio Ribeiro, filho fora do casamento do conselheiro João Otávio Nébias com a escrava Dona Escolástica Rosa. #301

Acervo Digital da BN. Versão e IA.


VILA S. JORGE II. Uma reportagem de A Tribuna noticiava a reurbanização e novo loteamento  da Vila São Jorge. "UMA NOVA CIDADE SE FORMARÁ EM BREVE ENTRE OS MUNICÍPIOS DE SANTOS E DE SÃO VICENTE. Adiantados os trabalhos de terraplenagem da Vila São Jorge, à margem da avenida Antônio Emmerich - O prefeito de S. Vicente, vereadores de Santos e outras pessoas de destaque visitaram ontem os serviços - O Dr. José Monteiro mandará em breve proceder a pesquisas para abertura de um poço artesiano".  O evento foi uma iniciativa promocional do empresário Otávio Ribeiro de Araújo. Originalmente, toda essa área pertencia ao comerciante  João Otávio Ribeiro, filho fora do casamento do conselheiro João Otávio Nébias com a escrava Dona Escolástica Rosa. 
Acervo Digital da BN. Versão e IA




O cemitério de São Vicente guarda no seu acervo tumular os restos mortais das mais antigas famílias da cidade, das simples até as mais aristocráticas. Algumas delas cuidam dos túmulos como verdadeiras relíquias e monumentos aos seus mortos. Nos seus primórdios tinha difícil acesso, dificultando os cortejos fúnebres, cujo trajeto era feito por um caminho estreito e sinuoso. Entre os anos 1900-1901, o então intendente Lima Machado determinou que fosse aberta uma rua que, partindo da avenida Capitão-mor Aguiar seguia em linha reta até o Campo Santo. Hoje essa rua tem início na praça Bernardino de Campos e tem o nome do seu executor. A capela, o muro e o portão primitivo do cemitério foram edificados pelo Sr. Luiz Pinto Amorim e foi levantada com a frente voltada para o morro Xixová, sendo seu alinhamento retificado alguns anos depois. Outra mudança importante ocorrida  nessa necrópole foi o esgotamento dos túmulos planos horizontal, obrigando a adoção de uma edificação vertical para abrigar as sepulturas em sucessivos andares. Esse serviço foi possível através de uma parceria entre o poder público e uma empresa funerária que administra os cerimoniais fúnebres e a manutenção dos jazigos. Importante lembrar que São Vicente provavelmente teve outras necrópoles, desaparecidas em função antiguidade dos bairros e logradouros existente desde a fundação da Vila Afonsina nos primeiros anos do século XVI. #302

CALUNGAH: MORADA DOS MORTOS


Este foi um típico caso de expansão periférica na área insular de São Vicente ocorrida na década de 1960. A ocupação não foi rápida e demorou quase 50 anos para que todos os lotes fossem vendidos e preenchidos por edificações essencialmente residenciais. Com lotes originalmente vendidos para famílias de classe média baixa, a Cidade Náutica mudou no decorrer dos anos seu status para classe média. O mesmo aconteceu com os bairros vizinhos: Vila Fátima, Parque São Vicente e Beira Mar. Uma curiosidade sobre esse loteamento é sua proximidade com a orla do Mar Pequeno, com alguns terrenos considerados dentro da “área de marinha”, portanto propriedade federal ou da União, regida por legislação específica e que implica de cobrança do “laudêmio”, taxas de ocupação e transação imobiliárias ( Decreto-Lei nº 9.760/1946. São considerados terrenos de marinha em uma profundidade de 33 metros, medidos horizontalmente para a parte da terra, da posição da linha da preamar-média de 1.831: a). Os situados no continente, na costa marítima e nas margens dos rios e lagoas, até onde se faça sentir a influência das marés; b) Os que contornam as ilhas, situados em zonas onde se faça sentir a influência das marés). Essas mesmas taxas são cobradas sobre os imóveis construídos próximos às praias . #303
***
Atualmente inclui os núcleos Náutica 1, Cidade Náutica/Náutica 2, Náutica 3 e Pompeba e o Conjunto Habitacional Tancredo Neves. Conforme a Lei Complementar nº 216, de 19 de novembro de 1998 (Novo Milênio).






Dia 28 de abril de 1909  entrou em circulação o primeiro bonde elétrico entre Santos e São Vicente. A viagem inaugural começou às 10 horas na rua São Leopoldo esquina com São Bento, em Santos, passou pela avenida Ana Costa, praia do José Menino, praia do Itararé e terminou no Porto Tumiaru (final da av. Capitão-Mór Aguiar em São Vicente).

Os bondes elétricos da City of Santos Improvements Co., sucederam os bondes puxados por burros que duraram de 1873 a 1909. A etapa seguinte, em novembro do mesmo ano, foi a implantação de um outro tipo de veículo: os bondes ainda tinham tração animal, mas corriam sobre trilhos de ferro tornando as viagens mais rápidas e confortáveis. A empresa que implantou o sistema era de Jacob Emmerich e Henrique Ablas, que, em 28 de outubro de 1875 fizeram mais uma inovação: uma linha de bitola larga entre Santos e São Vicente. No trecho final da viagem (hoje Av. Antonio Emmerich), os burros eram substituídos por máquinas a vapor.

A primeira linha urbana de bondes em São Vicente foi inaugurada em 1902 por João Éboli. Três anos depois, a Câmara autoriza a Cia. Carril Vicentina a explorar uma linha de bondes de tração animal entre o porto Tumiaru e o José Menino.

Casamentos e enterros - O uso do bonde estava tão disseminado nessa época que havia bondes especiais.Os destinados a festas e casamentos eram enfeitados com cetim branco, flores de laranjeira e eram puxados por parelhas de cavalos normandos. Para os enterros, os carros levavam crepe negro e eram conduzidos por duas ou três parelhas de cavalos também, negros, empenachados e cobertos por xaréus. Havia ainda bondes destinados ao transporte de cargas, encomendas e o bonde de socorro para acidentes. #304

Fonte: Boletim do IHGSV


O Parque Estadual Xixová-Japuí (PEXJ) está localizado entre os municípios de São Vicente e de Praia Grande. Foi criado pelo decreto 37 536, de 27 de setembro de 1993. O nome Xixová-Japuí, palavras de origem indígena, está relacionado aos dois maiores morros que integram o Parque Estadual. Xixová significa “morro pontudo”, enquanto japuí é “morro grande que mostra a entrada do rio ou porto”. O parque é delimitado pelas praias Paranapuã e Itaquitanduva na orla marítima e pela Avenida Tupiniquins que é a ligação com a Ponte Pênsil de São Vicente.

Da área total da Unidade de Conservação, 600 ha são de área terrestre, e 301 ha de área marinha, encontra-se inserido em bacia hidrográfica da Baixada Santista (UGRHI 7). No PEXJ, a drenagem é constituída de uma série de pequenas nascentes e corpos d’água; foram identificadas 19 bicas e 8 nascentes. Abriga importante porção de Mata Atlântica conservada e destacada da Serra do Mar. São 600 ha em área terrestre e 301 ha em área marinha.

Seus principais atrativos são: as praias de Itaquitanduva, Paranapuã e Canto do Forte; as ruínas do Curtume Cardamone (1914); a Fortaleza de Itaipu. Em sua fauna, podem ser encontradas borboletas, bichos-preguiças, tartarugas marinhas, jacus, morcegos, trinta-réis; na flora, podem ser vistas embaúbas, bromélias, figueiras e ainda espécies ameaçadas, como palmitos-juçara, caxetas, paus-brasil, canelas.
#305


O Reservatório-Túnel Santa Teresz/Voturuá fica nos morros da divisa entre Santos e São Vicente e é a maior reserva em rocha da América Latina. Em São Vicente o acesso é feito pela avenida Anita Costa, junto ao Parque Estadual Voturuá. A reserva hídrica tem mais de 1 km de extensão dividida em duas câmaras, cada uma com 13 metros de altura e 15 metros de largura. Ela tem a capacidade para receber 110 milhões de litros de água, equivalente a um terço do armazenamento total disponível na região. Projetada em 1970, a ‘caixa d´água’ gigante é considerada uma das obras mais ousadas feitas pela Sabesp. O reservatório foi inaugurado em 16 de novembro de 1981.
#306

“Na margem leste da avenida Nossa Senhora de Fátima está o marco divisório de Santos - São Vicente, Inaugurado pelo presidente Washington Luis, como comemoração das obras da estrada estadual. A demarcação Santos-São Vicente, segundo a Coleção das Leis e Decretos de São Paulo, é a seguinte: começa na ponta mais ocidental da ilha de Urubuqueçaba; daí vai, em reta, ao morro do Cotupé, de onde segue, por nova reta até a foz do córrego da divisa, no Rio dos Bugres e daí desce por este para a sua foz, no largo da Pompeba”.

Nota da pagina: Esse marco continua preservado - com algumas alterações de restauro- no imóvel 814 da av. NS de Fátima, Areia Branca, ocupado atualmente por uma rede varejista de carnes (Tenessee).
***
O Município de São Vicente (criado em 1530) - divisa com o Município de Santos. Começa no largo da Pompeba, na foz do rio dos Bugres, pelo que sobe até a foz do córrego da Divisa; continua em reta, até o alto do morro do Cotupé, de onde segue, por nova reta, a ponta mais ocidental da Ilha de Urubuqueçaba.

O Município de Santos limita-se oeste com o de São Vicente, cuja demarcação deverá ser bem definida, embora sejam bem conhecidos os acidentes geográficos e os elementos geodésicos componentes da divisa. A região se urbaniza rapidamente entre os dois municípios, cuja geografia e historia se confundem e se completam.

Fonte. Revista Conheça Santos (Santos Ontem 1- Diário Oficial, página 33). Francisco Meira. Historiador. Maio de 1970. Acervo: Hemeroteca Digital da Fundação Arquivo e Memória de Santos-FAMS.  #307


Durante décadas as cidades foram calçadas pelos imponentes blocos paralelepípedos, substituindo o chão batido, cascalhos e pedriscos. Todos contra a poeira e o lamaçal que sujavam as carroças, charretes e os transeuntes. Passando as chuvas, tudo voltava ao normal até que - como diria o jornalista Zé Paulo de Andrade- os gênios do mal da prefeitura adotassem o asfalto. Era a solução definitiva contra tropeções e derrapagens. A massa asfáltica cresceu numa velocidade espantosa, com sucessivas e insaciáveis camadas - pasmem - sobre os blocos de pedra, mantidos como alicerce. Recentemente vimos no centro São Vicente uma sobreposição de camadas de asfalto de quase meio metro acima do velho e firme paralelepípedo. Os arqueólogos da cidade deliraram com a descoberta e perguntavam intrigados: até quando farão novas camadas? Não é melhor trazer de volta o paralelepípedo? Nem precisa muito trabalho. #308


Na antiga planta da Ilha de Santo Amaro e de São Vicente, do Frei João José de Santa Tereza , destacam-se cinco fortificações: uma em Bertioga, a de Vera Cruz do Itapema, a de Santa Madalena (Barra Grande), uma outra defronte do canal da Barra, provavelmente o da Estacada do Castro e, finalmente uma última à esquerda, na boca da barra de São Vicente, entre a atual Ponte Pênsil e a praia de Paranapoan.

Sobre essa quinta e última fortificação, presume-se que seja a famosa Fortalezinha, erigida desde os tempos coloniais nas imediações da antiga Fazenda de Paranapoan, pois de acordo com o relato de Edison Telles de Azevedo (Vultos Vicentinos): "... Nessa praia existiu, em longínqua era, a Fortalezinha ou Casa de Pedra..."

Tal fortificação ficava no caminho da praia de Paranapoan, bem na ponta ou curva, antes de se chegar na dita prainha, e sobre a mesma o Professor Costa e Silva Sobrinho faz a seguinte dissertação :

...o fortim mais tarde conhecido pelo nome de Fortalezinha, a qual se acha mencionada na planta hidrográfica da barra e do porto de Santos, levantada pelo barão de Tefé, em 1876; no mapa da Comissão Geográfica e Geológica do Estado de São Paulo, edição preliminar de 1911; e nos trabalhos de Calixto. Ela ficava precisamente no sítio denominado mais tarde "Fortalezinha" ou "Casa de Pedra". Numa escritura pública de venda do sítio Paranapuan, passada em 12 de fevereiro de 1891, entre Joaquim Manuel das Neves e outros e Antônio de Lima Machado e outro, pudemos verificar que aquele sítio dividia de um lado "com a prainha", em frente à boca da barra de São Vicente, e "Pasto Grande", e partia da Fortalezinha ou Simirinduba ao cume do morro etc.
Sobre a sua provável localização, que é discutida até os dias atuais, vejamos o parecer do historiador Francisco Martins dos Santos (História de Santos):

O Almanaque da Província de São Paulo de 1870 cita também, declarando que a sua construção fora feita apenas em parte, nunca tendo sido concluída. Ficamos assim perfeitamente indecisos, sem podermos identificá-lo com certeza, visto que até mesmo os velhos santistas que consultamos nada puderam adiantar.
Entretanto, como nos mapas antigos da cidade consta como Ponta do Camarão a grande curva do Paquetá, é possível que ali tenha existido esse Forte e não em outro lugar.

No que tange às primitivas fortificações vicentinas, cabe observar que, de acordo com os registros históricos, a Fortalezinha, ou Casa de Pedra, existiu na Ponta do Paranapoan, enquanto a Torre de Pedra foi levantada próximo ao morro dos Barbosas, "por iniciativa de Gonçalo da Costa e do Bacharel Mestre Cosme Fernandes, que protegeu durante alguns anos o povoado de São Vicente, origem da cidade atual, como marco e broquel da nossa primeira civilização", conforme acentua o Prof. Francisco Martins dos Santos. Afirma ainda o mesmo historiador que a fortaleza do Bacharel foi a primeira fortificação erguida em terras do atual Estado de São Paulo. #309

Fonte: Novo Milênio: Histórias e lendas de S. Vicente






O Acarahú é uma das mais antigas áreas do território vicentino continental. Está literalmente na Serra do Mar. Seu sítio principal é tão antigo que , ao ser registrado há mais de 100 anos por Benedito Calixto, já era mostrado como ruínas do século XVII. 

A Fazenda Sant'Anna de Acarahú pertenceu remotamente à Domingos Teixeira de Azevedo, coronel do Regimento de Ordenanças de Santos e São Vicente, provedor da Real Casa de Fundição de Paranaguá. Era filho de Gaspar Teixeira de Azevedo, antigo capitão-mor da Capitania de São Vicente (1697-1699) e provedor dos reais quintos de ouro. Ali nasceria , o famoso Frei Gaspar da Madre de Deus (filho de Domingos e neto de Gaspar) e primo de Pedro Taques, ambos destacados historiadores desse período e com descendentes até hoje na ilha de São Vicente. 

Já no século XIX, a fazenda de Sant'Anna do Acarahú (foto) teve como herdeiro mais recente - antes de ser extinta- Fernando José Augusto Bittencourt (1822-1903), conhecido agricultor, produtor de cachaça, comerciante e intendente vicentino. Este navegava de barco a remo pelo rio Mariana, por onde trazia seus produtos agrícolas até o Porto Tumiaru. Tinha residência na rua Visconde de Tamandaré.
Fontes: Benedito Calixto: Ruínas da Capela do Acaráhu; Vultos Vicentinos (1972) e Polianteia, 1982. 
#310

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