10/07/2019

SP: CAPITAL E ESTADO


INDEX
PRIMEIRA PARTE


INTRODUÇÃO E 30 CAPÌTULOS

Poderes Municipais. Os governantes municipais e os prefeitos icônicos.
Zonas, Distritos e Bairros Principais.
As avenidas mais longas da cidade.

*

1. Campos Elísios e República. Praça Ramos e Praça do Patriarca.
2. Barra Funda, Santa Cecília e Vila Buarque. Minhocão.
3. Cerqueira César. Corrida de São Silvestre. Avenida Paulista. 
Parque Trianon. O Masp. Instituto Pasteur. Fiesp. 
4. Consolação. Vida e Morte. Paulicéia Adoentada. 
Modernas Necrópoles Paulistanas. Tragédias Paulistanas. 
São Paulo de tempos remotos e hoje periféricos. 
Arenas da Velocidade. Pinacoteca do Estado.
A Urbis Paulistana: vila, cidade e metrópole
Urbanização e Paisagem. Lei da Cidade Limpa. 
A Era dos Engenheiros e Arquitetos. O Complexo Anhembi.
Capital da Vertigem e da Solidão
5. Pacaembu. Companhia City. 
Os Clubes Históricos da Capital e do Estado.. 
O Futebol Paulista e seus Estádios.
 Universidade de São Paulo-USP. 
Avenida 23 de Maio. Centro Cultural SP.
6. Higienópolis. Avenida Angélica. Mackenzie.
7. A Várzea do Carmo e o Tamanduateí. 
Abastecimento e Gastronomia Paulistana.
 A Publicidade, a Propaganda e a Pop Art
A Época das Salas de Cinema. 
Jornais Paulistanos e Paulistas.
 A Companhia e Editora Melhoramentos.
O Liceu de Artes e Ofícios. 
Os Civita e a Editora Abril.  
Livrarias e Sebos Literários.
Rádio e Tv Tupi. 
Rádio, Tv Paulista e TV Globo. 
Rádio e TV Cultura. 
A Morte de Vlado Herzoz
TV e Rede Record. 
Paulo Machado de Carvalho. 
Silvio Santos e Edir Macedo.  
8. Perdizes, Sumaré. Parque da Água Branca.
Puc, Espm. Curso e Colégio Objetivo.
Liceu de Artes e Ofícios. Semana de Arte Moderna. 
Músicos e compositores que traduziram São Paulo. 
Virada Cultural. 
Teatros, bandas, festivais e carnavais. 
9. Jardins América e Europa. Itaim Bibi
Museu da Imagem e do Som. 
Avenida 9 de Julho. 
300 rios no subsolo. 
Avenida Faria Lima. 
Avenida JK.
10. Jaguaré e Butantã.
11. Morumbi e Paraisópolis.
12. Pinheiros. O Complexo Clínicas.
13. Moema e Ibirapuera. 
O Mam e a Bienal.
14. Paraíso e Vila Mariana. 
Museu Lasar Segall. O Complexo Ibirapuera.
15. Liberdade e Aclimação. 
Mulheres Paulistanas.
16. Brás, Pari. Gasômetro.
17. Jardim Anália Franco, Tatuapé, São Mateus. 
Penha, Cangaíba, Belém, Belenzinho. 
Mooca, Vila Maria Zélia. 
Parque Novo Mundo. Vila Matilde.
Itaquera
Conjuntos Habitacionais.
18. Jabaquara.
19. Centro. Bixiga (Bela Vista). 
Bom Retiro. Largo do Arouche. 
Museu das Favelas. Museu Catavento.
As grandes lojas de departamentos.
O Vale do Anhagabaú.
20.Indianópolis. 
21. Ipiranga e Heliópolis. O Museu do Ipiranga. 
22. Lapa, Vila Romana e Pompéia. Sesc Fábrica. 
23.Vila Maria, Casa Verde e Limão.
24.Freguesia do Ó, Pirituba e Brasilândia. 
Pico do Jaraguá e Perus.
25. Brooklin Paulista e Campo Belo.
26. Santo Amaro
Interlagos, Capela do Socorro, 
Jardim Ângela, Parelheiros e Cidade Dutra. 
27. Campo Limpo e Vila Sônia
28. Cambuci, Vila Prudente e Ipiranga
29. Santana, Tucuruvi, Carandiru, Vila Mazzei.
30. Mandaqui, Jaçanã e Tremembé.
Transporte coletivo e mobilidade urbana:
 Carroças, Metrô e Ciclovias.
 Aviação e Aeronáutica. 
Aeroportos Paulistanos e Regionais. 
Bolsa de Valores-Bovespa. 
Empresas Públicas Paulistas:
Vasp. Banespa. Caixa Econômica. 
Telesp. Cosipa. Sabesp. Cesp. Cpfl. Emtu.
Metrô. Terminais Rodoviários e Travessias. 
A Hidrovia Tietê-Paraná e a Crise Climática. 
 Parque do Estado e Fontes do Ipiranga. 
Represas e Lagos.
Arquivo Publico Municipal de São Paulo

SEGUNDA PARTE

10 CAPÍTULOS
 
1. Capitania, Província e Estado
2. Regiões Administrativas e Micro-Regiões.
3. A Era das Ferrovias e o Porto do Café. 
O Trem de Prata SP-Rio.
4. Poderes de São Paulo
 Alesp, Palácio dos Bandeirantes e Justiça. 
Exército, Polícias e Bombeiros. 
O Arquivo do Estado. 
A Orquestra Sinfônica do Estado. 
Industrialização, Urbanização e Poluição
A Indústria Paulista e a Fiesp. 
A Emblemática Votorantim. A Beneficência Portuguesa. 
Antônio Ermírio de Moraes. O Colégio Rio Branco. 
5. Cidades Regionais do Centro e Oeste Paulista. 
O Abc Paulista. 
Franco da Rocha e o |Complexo Psiquiátrico do Juquery
O Vale do Paraíba. 
O Ita e o Centro Aeroespacial em S.J. dos Campos 
 Serra da Mantiqueira. Serra da Bocaina.
Pontal do Paranapanema.  
6. Localidades Históricas e Turísticas
7. Unesp e  Unicamp.
8. A Era das Rodovias e o Porto das Indústrias
9. O porto Federal em Santos, Guarujá e Cubatão
10. A Obra paulista e paulistana de Benedito Calixto
ESPECIAL 100 ANOS
A GUERA CIVIL PAULISTA DE 1924


ORIGEM PORTUGUESA E COLONIAL VICENTINA


Gravura de São Paulo na época do Império provinciana. Acervo da Biblioteca Nacional.


A história da cidade de São Paulo ocorre paralelamente à história do Brasil, ao longo de aproximadamente 469 anos de sua existência, contra os mais de quinhentos anos do país. Todavia tenha sido marcada por uma relativa inexpressividade, seja do ponto de vista político ou econômico, durante os primeiros três séculos desde sua fundação, São Paulo destacou-se em diversos momentos como cenário de variados e importantes momentos de ruptura na história do país.

Em 1532, Martim Afonso de Sousa fundou no litoral de São Paulo a primeira vila brasileira, de São Vicente. Onde ocorreu o primeiro conflito entre europeus na América Sul, a Guerra de Iguape. Donatário da capitania de São Vicente, Martim Afonso incentivava a ocupação da região e outras vilas são criadas no litoral, como Santos(1546) e Itanhaém (1561). Poucos anos depois, vencida a barreira representada pela serra do Mar, os colonizadores portugueses avançam pelo planalto Paulista, estabelecendo novos povoados. Em 1553, João Ramalho, que vivia no planalto desde antes da criação de São Vicente, funda a vila de Santo André da Borda do Campo, situada no caminho do mar (atual região do ABC paulista). Explorador português, João Ramalho era casado com a índia Bartira. Esta, por sua vez, era filha do cacique Tibiriçá, chefe da tribo dos tupiniquins. João Ramalho encontrava-se, dessa forma, apto a exercer a função de intermediário dos interesses portugueses junto aos indígenas.

Interessado em estabelecer um local onde pudesse catequizar os indígenas longe da influência dos homens brancos, o padre Manuel da Nóbrega, superior da Companhia de Jesus no Brasil, observou que uma região próxima, localizada sobre um planalto, seria o ponto ideal, então chamado de Piratininga. Em 29 de agosto de 1553, padre Nóbrega fez 50 catecúmenos entre os nativos, o que fez aumentar a vontade de fundar um colégio jesuíta no Brasil.
Ocupação da cidade

Desde o início, a ocupação das terras da cidade se deu de forma policêntrica, com diversos aldeamentos, principalmente jesuítas mas também de outras ordens eclesiásticas, em torno das quais iniciavam-se as aglomerações. A motivação mais natural para isso, em São Paulo, era o relevo da cidade, com muitos aclives e riachos. A organização urbana, da mesma forma que em toda a colônia, era centrada, administrativa e eclesiasticamente, nas paróquias. Cada paróquia era centrada em uma capela.A primeira paróquia foi, naturalmente, a Freguesia da Sé, fundada em 1589. Conforme os demais núcleos foram crescendo, eles desmembraram-se, com novas capelas ganhando status de paróquia. As paróquias desmembradas do centro foram:

1796, 26 de março: Paróquias de Nossa Senhora do Ó e Penha de França, ambas distantes cerca de 10 km do centro;  1809, 21 de abril: Paróquia da Santa Ifigênia, mais próxima mas naturalmente separada pelo rio Anhangabaú; 1812, 21 de outubro: Paróquia de São Bernardo, que no ano seguinte (1813, 9 de novembro) foi ainda elevado a distrito; 1818, 8 de junho: Paróquia do Brás, também mais próxima, mas naturalmente separada pelo rio Tamanduateí.

Além dessas, houve diversos aldeamentos mais distantes. Dentre eles, apenas dois prosperaram: o de Pinheiros e o de São Miguel, ambos fundados por José de Anchieta em 1560. Vários aldeamentos foram dizimados pela varíola, dentre os quais podemos citar: Itaquaquecetuba, Mboy, Itapecerica, Barueri, Guarapiranga, Carapicuíba, Ibirapuera e Guarulhos.

São desta época os primeiros caminhos: o que ia ao Campo do Guaré (hoje chamado bairro da Luz) tornou-se a atual rua Florêncio de Abreu. Os outros dois dariam origem às hoje denominadas rua 15 de Novembro e rua Direita.

Também no século XVI são fundadas novas igrejas: a Matriz, em 1588 (primeiro protótipo da Sé paulistana), a de Nossa Senhora do Carmo, de 1592 (demolida em 1928), a Igreja de Santo Antônio (ainda hoje na Praça do Patriarca), e a capela de Nossa Senhora da Assunção, por volta de 1600 (que daria origem ao atual Mosteiro de São Bento).




Túmulo do Chefe Tupiniquim Tibiriçá na Cripta da Catedral da Sé
, São Paulo. Aliado dos portugueses, Tibiriçá teve papel destacado na fundação da Vila de São Paulo de Piratininga, atual Cidade de São Paulo, em 1554. Foi convertido e batizado pelos jesuítas José de Anchieta e Leonardo Nunes. Seu nome de batismo cristão foi Martim Afonso, em homenagem ao fundador de São Vicente, Martim Afonso de Sousa. Por seu papel em proteger a Vila de Piratininga do ataque de indios hostis, Tibiriçá ganhou o título de Cavaleiro da Ordem de Cristo pelo Rei de Portugal. Foi também Proclamado por José de Anchieta como fundador e protetor da Vila da São Paulo de Piratininga, pois junto de seus guerreiros defendeu a jovem Vila da Invasão dos Índios Guaianases



Pátio do Colégio, no centro da cidade,  é onde foi levantada a primeira construção da atual cidade de São Paulo, quando o padre Manuel da Nóbrega e o então noviço José de Anchieta, bem como outros padres jesuítas a pedido de Portugal e da Companhia de Jesus, estabeleceram um núcleo para fins de catequização de indígenas no Planalto. É uma obra apostólica pertencente à Companhia de Jesus. Composto pelo Museu Anchieta, Auditório Manoel da Nóbrega, Galeria Tenerife, praça Ilhas Canárias (Café do Pátio), Igreja São José de Anchieta (abriga o fêmur de José de Anchieta), a Cripta Tibiriçá e a Biblioteca Padre Antônio Vieira. Também integram o complexo Pateo do Collegio o Museu de Arte Sacra dos Jesuítas e o projeto social Oficinas Culturais Anchieta, ambos no município de Embu das Artes.[Textos e imagens da Wikipedia]


Páteo do Colégio, em São Paulo, fundado por Nóbrega, Anchieta, Paiva e Brás em 1554. Fotografia de Militão Augusto de Azevedo, em 1862. Ponto de origem da expansão territorial e da colonização do interior do país, e hoje a maior cidade do Hemisfério Sul e a quinta maior cidade do mundo.

Pátio do Colégio, no centro da cidade,  é onde foi levantada a primeira construção da atual cidade de São Paulo, quando o padre Manuel da Nóbrega e o então noviço José de Anchieta, bem como outros padres jesuítas a pedido de Portugal e da Companhia de Jesus, estabeleceram um núcleo para fins de catequização de indígenas no Planalto. É uma obra apostólica pertencente à Companhia de Jesus. Composto pelo Museu Anchieta, Auditório Manoel da Nóbrega, Galeria Tenerife, praça Ilhas Canárias (Café do Pátio), Igreja São José de Anchieta (abriga o fêmur de José de Anchieta), a Cripta Tibiriçá e a Biblioteca Padre Antônio Vieira. Também integram o complexo Pateo do Collegio o Museu de Arte Sacra dos Jesuítas e o projeto social Oficinas Culturais Anchieta, ambos no município de Embu das Artes.[Textos e imagens da Wikipedia]

Bandeiras. No século XVII, as atividades econômicas da vila limitavam-se quase que exclusivamente à agricultura de subsistência. A produção e exportação de açúcar não tinha grande desenvolvimento, embora crescessem outros cultivos nos arredores da vila, como o de trigo, mandioca e milho, além da criação de gado. Não obstante, São Paulo permanecia como um núcleo de povoamento pobre e isolado das áreas mais dinâmicas da colônia. Assim, já nas primeiras décadas do século, os paulistas começaram a organizar as bandeiras – grandes expedições que partiam em direção aos sertões inexplorados da colônia, em busca de mão-de-obra indígena, pedras e metais preciosos. Em pouco tempo, os bandeirantes se tornaram os grandes responsáveis pela ampliação dos limites das fronteiras da colônia, incorporando ao território do Brasil inúmeras áreas que, de acordo com o Tratado de Tordesilhas, pertenciam à Espanha.. Os bandeirantes se tornaram figuras centrais na história política de São Paulo no século XVII, e a autoridade local dos exploradores por vezes sobrepujava os interesses da Igreja Católica e da própria coroa portuguesa. Em 1640, a forte oposição dos jesuítas à captura e comercialização da mão-de-obra indígena promovida pelos bandeirantes levou a uma série de conflitos entre os dois grupos, que culminariam, em 13 de julho daquele ano, com a expulsão dos jesuítas de São Paulo, medida que teve apoio dos comerciantes da vila. Os jesuítas só obteriam permissão para retornar a São Paulo em 1653.

É também na vila de São Paulo que se registra, no mesmo ano de 1640, o primeiro movimento nativista do Brasil, a chamada "Aclamação de Amador Bueno". Com o fim da Guerra da Restauração, em que Portugal restabeleceu sua independência política da Espanha, os moradores de São Paulo, principalmente bandeirantes e comerciantes, temiam ser prejudicados, já que haviam se beneficiado economicamente do tráfico de indígenas na região do rio da Prata durante as décadas em que vigorou a União Ibérica. Como forma de protesto, declararam São Paulo reino independente, e Amador Bueno, capitão-mor, rico morador da vila e irmão do bandeirante Francisco Bueno, é aclamado como rei. Amador Bueno, no entanto, rejeita o título e jura fidelidade à coroa portuguesa, encerrando o levante.



CICLODO OURO

Primeiros a explorar e ocupar o território mineiro, os paulistas logo enfrentariam a concorrência de luso-brasileiros de outras regiões da colônia, culminando no conflito denominado Guerra dos Emboabas. A descoberta paulista despertou pela primeira vez a atenção do reino português sobre a vila, já que São Paulo, a essa altura, não apenas concentrava a partida das expedições, mas também tornara-se o núcleo principal de irradiação das correntes de povoamento que se dirigiam para Minas Gerais e, posteriormente, para o Mato Grosso e Goiás. Como consequência, em 1709, São Paulo substitui São Vicente como sede administrativa da capitania (que tem seu nome alterado para Capitania de São Paulo e Minas de Ouro). Em 1711, São Paulo é elevada a cidade. Conta nesse ano 9 mil habitantes. Em 1745, torna-se sede de bispado autônomo, separando-se da diocese do Rio de Janeiro. Embora a corrida pelo ouro de Minas tenha enriquecido muitos desbravadores paulistas, o efeito sobre a cidade foi o oposto. O esvaziamento populacional empobreceu São Paulo, que assistiu a um longo período de estagnação em seu crescimento econômico. Com o esgotamento das jazidas mineiras, na segunda metade do século XVIII, a situação se agrava, e muitos paulistas retornam aos seus locais de origem. A cidade recebe novo fluxo populacional e tenta reorganizar sua atividade econômica.

O CICLO E O PORTO  DO AÇÚCAR 

O governo paulista passa a desenvolver um plano de fixação de suas populações em áreas exploradas da capitania, e começa a fornecer incentivos à lavoura e à indústria. O plantio da cana-de-açúcar é estimulado nas áreas a sudeste da capital, e grandes fábricas de tecelagem e fundição são instaladas.
De forma ainda intermitente, São Paulo começa a prosperar, e novas edificações são erguidas. Em 1750, com a expulsão dos jesuítas do Brasil, dessa vez por determinação do marquês de Pombal, os bens da ordem são confiscados. A igreja dos jesuítas, reconstruída no início do século XVIII, é transformada em sede da administração da capitania (agora, já separada de Minas Gerais e renomeada Capitania de São Paulo). Em 1765, é fundada a Casa de Ópera do Pátio do Colégio, primeiro teatro da cidade, e em 1775 é inaugurado o Cemitério dos Aflitos, primeira necrópole paulistana, destinada ao enterro de pobres, escravos e condenados à forca. Também do século XVIII são o Mosteiro da Luz(recolhimento de religiosas construído em taipa de pilão, a partir do projeto de Frei Galvão, de 1774) e a Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco (1787), entre outros. Em 1798, a cidade inaugura seu Jardim Botânico (atual Jardim da Luz). Ainda no fim do século XVIII, por iniciativa do marechal José Arouche de Toledo Rendon, os limites urbanos da cidade são expandidos, com a abertura da rua São João e da ponte do Marechal, sobre o rio Anhangabaú. Começa a ser formado o Campo do Curro, atual Praça da República.  Em 1792, a abertura da Calçada do Lorena, importante obra de engenharia do período colonial, ligando as cidades de São Paulo e Santos, forneceria condições adequadas para o transporte de açúcar e de outros gêneros alimentícios produzidos no interior da capitania. São Paulo é beneficiada por sua posição geográfica estratégica, como encruzilhada natural das vias de circulação entre o interior e o litoral da colônia. Afirma então seu papel de centro comercial, através do qual se fazia o escoamento da produção, rumo ao porto de Santos.

PROVÍNCIA E PALCO DA INDEPENDÊNCIA

Durante a maior parte de todo o século XIX, São Paulo preservaria as características de uma cidade provinciana, mas vê crescerem suas possibilidades de desenvolvimento após a transferência da Família Real Portuguesa para o Rio de Janeiro. A abertura dos portos às nações amigas, decretada por Dom João VI em 1808, dá novo alento à economia do litoral paulista, ao passo que interior da capitania continua a registrar relativa prosperidade com a plantação da cana-de-açúcar. A capital, situada em meio à rota obrigatória para o escoamento da produção do açúcar, assiste ao desenvolvimento do comércio. Cresce a importância política da capitania (que se torna província em 1821, e a cidade de São Paulo serve de palco para acontecimentos de grande importância na história do país. Entre os mais destacados nomes da campanha pela independência brasileira figurou um paulista, José Bonifácio de Andrada e Silva. E foi na capital paulista, à margens do riacho do Ipiranga, que Dom Pedro I proclamou a independência do Brasil. 

CIDADE IMPERIAL E BURGO DOS ESTUDANTES

Após a independência, São Paulo recebeu o título de "Imperial Cidade", outorgado por D. Pedro I em 1823. Em 1825, é criada a Biblioteca Pública Oficial de São Paulo, a primeira da província. Em 1827, é lançado o primeiro periódico da cidade, O Farol Paulistano. Em 1828, é inaugurada a Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Trata-se da mais antiga instituição de ensino jurídico do país, ao lado da Faculdade de Direito de Olinda, ambas instituídas por decreto imperial de 1827. Após a instalação da faculdade, a cidade recebe o título de "Imperial Cidade e Burgo dos Estudantes de São Paulo de Piratininga". O consequente afluxo de mestres e estudantes ocasiona uma radical mudança no cotidiano da cidade. Além de demandar a construção de hotéis, restaurantes e núcleos artísticos, a aglomeração de acadêmicos enriquece a vida cultural paulistana. Ao longo da história, a faculdade (incorporada à USP em 1934) formou parte considerável da elite intelectual e política brasileira, e seu edifício (instalado no local do antigo convento de São Francisco) foi palco de atos e manifestações públicas relacionadas a inúmeros fatos da vida política do país.


O II REINADO E O CICLO DO CAFÉ . 

Desde as primeiras décadas do século XIX, a queda dos preços do açúcar nos mercados internacionais havia motivado o cultivo do café no Brasil. Vindo do Rio de Janeiro, o café começou a ser extensivamente cultivado em São Paulo, sobretudo na região do Vale do Paraíba. Em 1850, o café já era o principal produto exportado por São Paulo. Do Vale do Paraíba, os cafezais se espalharam pelas terras roxas do oeste paulista, antes ocupadas com a cana-de-açúcar (Rio Claro, Campinas e Jaú), enriquecendo a província. A partir do reinado de D. Pedro II, a cidade ganha novo impulso com o desenvolvimento da economia cafeeira: os setores de comércio e de serviços aumentam consideravelmente e observa-se a formação de uma expressiva burguesia. Muitos fazendeiros prosperam, com lucros provenientes da utilização do trabalho assalariado e do emprego de mão-de-obra imigrante. A abundância de recursos financeiros propicia a realização de grandes investimentos, a maior parte custeada pela iniciativa privada. São abertas várias ferrovias, interligando a cidade de São Paulo às principais áreas produtoras da província e ao porto de Santos: a primeira é a São Paulo Railway, inaugurada em 1867, à qual se segue a Estrada de Ferro Sorocabana, entregue em 1870. Ao mesmo tempo, em áreas mais distantes do centro da cidade, as quais posteriormente seriam alcançados pela vertiginosa expansão urbana do século XX, um modo de vida rural ainda predominava, com diversas fazendas distribuídas por esse território.


MOVIMENTO REPUBLICANO E A MODERNIDADE URBANA

No primeiro censo nacional, realizado em 1872, São Paulo contabilizava 31 385 habitantes. A cidade ganha casas exportadoras e vários bancos de financiamento. Sua fisionomia começa a mudar: o casario baixo e acanhado começa a ceder lugar a edificações maiores e tipicamente urbanas. Com vistas a garantir a salubridade, é inaugurado, em 1858, o Cemitério da Consolação, o mais antigo em funcionamento da cidade. Em 1865, é fundado o Teatro São José. Em 1872, são instalados os serviços de abastecimento de água, esgoto e iluminação a gás, e é criado o sistema de transporte com bondes de tração animal. Em 1884, começam a funcionar as primeiras linhas telefônicas. Para suprir as necessidades educacionais da crescente elite paulistana e minorar os problemas provenientes da falta de habilitação técnica, a iniciativa privada inaugura as primeiras instituições de ensino (Instituto Presbiteriano Mackenzie, em 1870; Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, em 1873; Escola Alemã, em 1878). Após a década de 1880, o café teve nova valorização internacional. Os fazendeiros paulistas, entretanto, tinham de lidar com o problema da escassez de trabalhadores. Após a promulgação da Lei Eusébio de Queirós e a consequente abolição do tráfico negreiro, ocorrida em 1850, os negros escravizados tornaram-se escassos e cada vez mais caros. Para substituí-los, começaram a chegar os imigrantes, sobretudo italianos. Um número significativo desses imigrantes fixou-se na própria capital, empregando-se nas primeiras indústrias que se instalavam nos bairros do Brás e da Mooca, a partir de investimentos provenientes dos lucros obtidos pelos empresários do setor cafeicultor. Em 1882, é fundada a Hospedaria dos Imigrantes, a princípio no Bom Retiro (1882) e posteriormente na Mooca (1885).

A riqueza proveniente dos cafezais e de uma indústria ainda incipiente sustentou a liderança paulista no movimento republicano. Em 1873, realiza-se em Itu a primeira convenção republicana do Brasil, e é criado o Partido Republicano Paulista (PRP), que utilizará o periódico Correio Paulistano como veículo oficial. Com a extinção da escravidão após a promulgação da Lei Áurea, em 1888, os fazendeiros paulistas exigem indenização pela perda de propriedade. Sem conseguir, aderem ao movimento republicano como forma de pressão. O império perde sua última base de sustentação (crises políticas e econômicas iniciadas ou agravadas após a Guerra do Paraguai já haviam afastado a igreja e os militares da base de apoio da monarquia) e a república é proclamada no Rio de Janeiro, a 15 de novembro de 1889.

O SÉCULO XX E A A INDUSTRIALIZAÇÂO

Com o crescimento industrial da cidade, no século XIX e XX, a sua área urbanizada passou a aumentar em ritmos acelerados, sendo que alguns bairros residenciais foram construídos em lugares de chácaras. O grande surto industrial se deu durante a Segunda Guerra Mundial, devido à crise na cafeicultura e às restrições ao comércio internacional, o que fez a cidade ter uma taxa de crescimento muito elevada até os dias atuais. Uma das indústrias de maior destaque nesse período é o conglomerado conhecido como Indústrias Reunidas Fábrica Matarazzo, a qual tinha seu parque industrial de cerca de 100 000 metros quadrados localizado no bairro da Água Branca, o qual funcionou entre as décadas de 1920 e 1980.

O fim da República Velha, assim como as seguidas crises econômicas que abalaram o café enquanto commodity na primeira metade do século XX, representam um marco político não só nacional, mas também da própria cidade de São Paulo. Nesse período, movimentos como a Greve Geral de 1917 e a Revolta Paulista de 1924 simbolizam a dimensão das manifestações populares que já ocorriam em São Paulo, bem como a disposição do governo federal em reprimir de forma veemente tais insurreições, ainda que à custa de parte da infraestrutura urbana paulistana. Por conseguinte, a chamada Revolução Constitucionalista de 1932 representa um choque mais amplo de interesses políticos, no qual parte da elite paulista e paulistana contestou a perda do poder político em escala nacional após a deposição de Washington Luís. Apesar da derrota paulista, um fato revelador da manutenção do prestígio político e econômico da elite paulistana foi a criação da Universidade de São Paulo em 1934, originalmente criada com a função de fornecer instrução de excelência para essa mesma elite, recebendo diversos professores estrangeiros de grande prestígio em seus anos iniciais.


A GREVE ANARCO-SINDICALISTA  DE 1917

Imagem de uma das ruas de São Paulo tomada de trabalhadores com bandeiras vermelhas na greve geral de 1917. Legenda n'A Cigarra diz: "A multidão de operários grevistas, depois de ter percorrido as ruas centraes, descendo a ladeira do Carmo, a caminho do Braz, empunhando bandeiras vermelhas" — A Cigarra, n.71 (26 July 1917),

A greve geral de 1917 foi uma greve da indústria e do comércio brasileiro, ocorrida em julho de 1917 em São Paulo, durante a Primeira Guerra Mundial, promovida por organizações operárias de inspiração anarquista aliadas à imprensa libertária. Foi a primeira greve geral da história do Brasil, e durou 30 dias.

Histórico social. A greve geral de 1917 no Brasil faz parte de um processo de politização dos trabalhadores brasileiros. Esta politização se deu em parte graças às ideias e princípios organizacionais aportados no país junto com trabalhadores europeus italianos e espanhóis que imigraram para o Brasil buscando melhores condições de vida a partir da segunda metade do século XIX. Enquanto os espanhóis permaneceram no meio urbano, ao aportarem no Brasil, as famílias de imigrantes italianos tiveram destinos diversos. No estado de São Paulo, ainda que em regime assalariado os italianos passaram a substituir a mão de obra escrava nas fazendas de café, enquanto no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina os italianos foram enviados para a região da serra onde receberam lotes de terra não trabalhada para desenvolver atividades produtivas, sem conhecer as especifidades dos solos e do clima da região.


Oreste Ristori, importante militante e jornalista libertário, ativista anti-imigração, assinala o tratamento escravista dado aos imigrantes italianos no interior de São Paulo pelos grandes proprietários de terra, fator que fez com que os trabalhadores se dirigissem a capital, quando possível.

Nas proximidades de Araraquara, existe uma daquelas tantas prisões perpétuas, chamada Fazenda São Luís, da qual é digno proprietário aquela pérola de bandido que responde pelo nome de José de Lacerda Abreu. (...) Nesta prisão perpétua ocorrem frequentemente cenas assustadoras. Os pobres reclusos (é assim que precisamos chamar os colonos porque não podem sair da fazenda, sob pena de serem pegos a pauladas ou assassinados) trabalham anos e anos sem serem pagos. Quando perguntam pelo seu ganho se responde a eles com insultos e com chicotadas (...) Deste lugar de horror nove famílias colonas conseguiram fugir enfrentando perigos de toda a espécie. As outras que permanecem gostariam de seguir o exemplo das primeiras mas, sendo a Fazenda circundada por capangas, não se arriscam.
— ROMANI p. 150

Ainda no início do século XX, um número considerável de imigrantes italianos abandonou o regime de servidão imperante nas fazendas de café do interior paulista para trabalhar em fábricas na capital. No meio urbano, passaram a atuar contra as precárias condições de trabalho nas fábricas, a utilização massiva de mão de obra infantil e as jornadas laborais de mais de 13 horas. Em diversas cidades os italianos passaram também a fazer contato com grupos de ativistas libertários brasileiros, mas também espanhóis e portugueses emigrados. Juntos estes trabalhadores de diferentes origens fundaram diversos sindicatos e organizações de trabalhadores que compunham o movimento operário, lutando por direitos laborais básicos, como férias, salários dignos, jornada laboral diária de oito horas e proibição do trabalho infantil.

A crescente organização dos trabalhadores passou a ser vista com maus olhos pelas elites urbanas brasileiras que enxergavam ali uma ameaça aos seus interesses. Diante da organização das classes subalternas as elites passaram a assumir um discurso nacionalista homogeneizante afirmando que os trabalhadores estrangeiros estavam se voltando contra o país que os acolheu. As organizações governamentais e grande parte dos meios de mídia foram mobilizadas contra os trabalhadores na defesa dos interesses das classes dominantes: a primeira greve geral realizada ainda em 1906 foi combatida com energia pelo então secretario da segurança pública, Washington Luis.

Naquela conjuntura o anarcossindicalismo era uma das tendências majoritárias no meio operário europeu e se consolidava rapidamente também nos países americanos. No Brasil os anarcos sindicalistas articulavam diferentes iniciativas para fazer frente exploração imbricada no projeto desenvolvimentista das elites agrárias e urbanas, e da classe política a estas vinculada. Além dos sindicatos, também foram fundadas creches, escolas de educação libertária, gráficas e jornais. Um dos objetivos destas iniciativas era propagar entre as classes exploradas de operários urbanos e trabalhadores rurais a greve geral como estratégia de luta, não só por melhores condições de vida, mas também como forma de emancipação da dominação das classes dominantes.


Antecedentes. O período de 1917 a 1920 marcou o auge dos movimentos grevistas no Brasil. Liderado por imigrantes, principalmente italianos, esse processo entrou em declínio, principalmente devido à incompatibilidade entre as palavras de ordem dos movimentos, ditadas pelos organizadores, e os reais interesses do operariado. Com o crescimento industrial e urbano, surgiram bairros operários em várias cidades brasileiras. Formados em sua maioria por imigrantes estrangeiros, a vida nesses bairros era bastante precária, refletindo os baixos salários dos operários, a jornada de trabalho estafante, a absoluta falta de garantias de leis trabalhistas, como descanso semanal, férias e aposentadoria.

Os problemas eram muitos. Nas fábricas, por exemplo, ocorria o emprego maciço de mão de obra infantil, mais barata que a adulta. Muitas crianças empregadas acabavam com um dos membros mutilados pelas máquinas e, assim como os demais trabalhadores, não tinham direito a tratamento médico, seguro por acidentes de trabalho, etc.

Nesse contexto, surgiram as primeiras manifestações sob influência das ideias socialistas e anarquistas, que moviam as lutas operárias internacionais. Tanto no Brasil como em outros países, lutava-se tanto por resultados imediatos (a conquista de melhores condições de trabalhos e salários, por exemplo) como por objetivos mais amplos, dentre eles a derrubada do sistema capitalista e implantação de uma sociedade mais igualitária.

A organização dos trabalhadores resultou na fundação de associações sindicais e de jornais operários, tornando o movimento mais forte para enfrentar as inúmeras dificuldades. Seguindo o exemplo dos trabalhadores de outros países, surgiram manifestações e greves em vários estados, destacadamente em São Paulo, onde se concentrava o maior número de indústrias.

Em 1907, a cidade de São Paulo foi paralisada por uma greve que reivindicava: jornada de oito horas diárias de trabalho, direito a férias, proibição do trabalho infantil, proibição do trabalho noturno para as mulheres, aposentadoria e assistência médica hospitalar. A manifestação iniciada por trabalhadores da construção civil, da indústria de alimentos e metalúrgicos acabou contagiando outras categorias e atingindo diversas cidades do estado, como Santos, Ribeirão Preto e Campinas.

Em 1917 houve uma onda de greves iniciada em São Paulo em duas fábricas têxteis do Cotonifício Rodolfo Crespi e, obtendo a adesão dos servidores públicos, rapidamente se espalhou por toda a cidade, e depois por quase todo o país. Logo se estendeu ao Rio de Janeiro, e outros estados, principalmente ao Rio Grande do Sul. Foi liderada por trabalhadores e ativistas inspirados nos ideais anarquistas e Socialistas, dentre eles vários imigrantes italianos e espanhóis. Os sindicatos por ramos e ofícios, as ligas e uniões operárias, as federações estaduais, e a Confederação Operária Brasileira (fundada em 1906) inspirada em ideais anarquistas.

Contexto político econômico, Com o início da Primeira Guerra Mundial, o Brasil tornou-se exportador de gêneros alimentícios aos países da "Tríplice Entente"; essas exportações se aceleraram a partir de 1915, reduzindo a oferta de alimentos disponíveis para o consumo interno, e provocando altas em seus preços. Entre 1914 e 1923, o salário havia subido 71% enquanto o custo de vida havia aumentado 189%; isso representava uma queda de dois terços no poder de compra dos salários. Para salário médio de um operário de cerca de 100 mil réis correspondia um consumo básico que para uma família com dois filhos atingia a 207 mil réis. O trabalho infantil era generalizado. 

…a greve geral de 1917 não pode, de maneira alguma, ser equiparada sob qualquer aspecto que seja examinada, com outros movimentos que posteriormente se verificaram como sendo manifestações do operariado. Isso não, absolutamente não! A greve geral de 1917 foi um movimento espontâneo do proletariado sem a interferência, direta ou indireta, de quem quer que seja. Foi uma manifestação explosiva, conseqüentemente de um longo período da vida tormentosa que então levava a classe trabalhadora. A carestia do indispensável à subsistência do povo trabalhador tinha como aliada a insuficiência dos ganhos; a possibilidade normal de legítimas reivindicações de indispensáveis melhorias de situação esbarrava com a sistemática reação policial; as organizações dos trabalhadores eram constantemente assaltadas e impedidas de funcionar; os postos policiais superlotavam-se de operários, cujas residências eram invadidas e devassadas; qualquer tentativa de reunião de trabalhadores provocava a intervenção brutal da Policia. A reação imperava nas mais odiosas modalidades. O ambiente proletário era de incertezas, de sobressaltos, de angústias. A situação tornava-se insustentável.
— Edgard Leuenroth[8]



. A morte de José Martinez


Em 9 de julho, uma carga de cavalaria foi lançada contra os operários que protestavam na porta da fábrica Mariângela, no Brás resultou na morte do jovem anarquista espanhol José Martinez. Seu funeral atraiu uma multidão que atravessou a cidade acompanhando o corpo até o cemitério do Araçá onde foi sepultado. Indignados e já preparados para a greve os operários da indústria têxtil Cotonifício Crespi, com sede na Mooca entraram em greve, e logo foram seguidos por outras fábricas e bairros operários. Três dias depois mais de 70 mil trabalhadores já aderiram a greve. Armazéns foram saqueados, bondes e outros veículos foram incendiados e barricadas foram erguidas em meio às ruas.

"O enterro dessa vitima da reação foi uma das mais impressionantes demonstrações populares até então verificadas em São Paulo. Partindo o féretro da Rua Caetano Pinto, no Brás, estendeu-se o cortejo, como um oceano humano, por toda a avenida Rangel Pestana até a então Ladeira do Carmo em caminho da Cidade, sob um silencio impressionante, que assumiu o aspecto de uma advertência. Foram percorridas as principais ruas do centro. Debalde a Policia cercava os encontros de ruas. A multidão ia rompendo todos os cordões, prosseguindo sua impetuosa marca até o cemitério. À beira da sepultura revezaram os oradores, em indignadas manifestações de repulsa à reação (…) No regresso do cemitério, uma parte da multidão reuniu-se em comício na Praça da Sé; a outra parte desceu para o Brás, até à rua Caetano Pinto, onde, em frente à casa da família do operário assassinado, foi realizado outro comício."
— Edgard Leuenroth


Exigências. A violenta greve geral estava deflagrada em São Paulo. Hermínio Linhares em seu livro Contribuição à história das lutas operárias no Brasil; 2ª Ed.; São Paulo; Alfa-Omega; 1977 diz: "O auge deste período foi a greve geral de julho de 1917, que paralisou a cidade de São Paulo durante vários dias. Os trabalhadores em greve exigiam aumento de salário. O comércio fechou, os transportes pararam e o governo impotente não conseguiu dominar o movimento pela força. Os grevistas tomaram conta da cidade por trinta dias. Leite e carne só eram distribuídos a hospitais e, mesmo assim, com autorização da comissão de greve. O governo abandonou a capital. (…)."


Trabalhadores cruzam os braços em uma fábrica em São Paulo.

As ligas e corporações operárias em greve, juntamente com o Comitê de Defesa Proletária decidiram na noite de 11 de Julho numeraram 11 tópicos através dos quais apresentavam suas reivindicações.

- Que sejam postas em liberdade todas as pessoas detidas por motivo de greve;
- Que seja respeitado do modo mais absoluto o direito de associação para os trabalhadores;
- Que nenhum operário seja dispensado por haver participado ativa e ostensivamente no movimento grevista;
- Que seja abolida de fato a exploração do trabalho de menores de 14 anos nas fábricas, oficinas etc.;
- Que os trabalhadores com menos de 18 anos não sejam ocupados em trabalhos noturnos;
- Que seja abolido o trabalho noturno das mulheres;
- Aumento de 35% nos salários inferiores a $5000 e de 25% para os mais elevados;
- Que o pagamento dos salários seja efetuado pontualmente, cada 15 dias, e, o mais tardar, 5 dias após o vencimento;
- Que seja garantido aos operários trabalho permanente;
- Jornada de oito horas e semana inglesa;
- Aumento de 50% em todo o trabalho extraordinário.

Negociações.Cerca de 70.000 pessoas aderiram ao movimento. Para defender a greve foi organizado o Comitê de Defesa Proletária, que teve Edgard Leuenroth como um dos principais porta-vozes.


A situação ia se tornando cada vez mais grave com os choques entre a Policia e os trabalhadores. O Comitê de Defesa Proletária, somente vencendo toda a sorte de dificuldades conseguia realizar apressadas reuniões em pontos diversos da cidade, às vezes sob a impressão congrangedora do ruido de tiroteios nas imediações. Tornava-se indispensável um encontro dos trabalhadores, para ser tomada uma resolução decisiva. Surgiu, então, a sugestão de um comício geral. Como e onde? E como vencer os cercos da Policia? Mas a situação, que se desenrolava com a mesma gravidade, exigia a sua realização. O perigo a que os trabalhadores se iriam expor estava sendo transformado em sangrenta realidade nos ataques da Policia em todos os bairros da cidade, deles resultando também vitimas da reação, inúmeros operários, cujo único crime era reclamarem o direito à sobrevivência. E o comício foi realizado. O Brás, bairro onde tivera inicio o movimento, foi o ponto da cidade mais indicado, tendo como local o vasto recinto do antigo Hipódromo da Mooca. Foi indescritível o espetaculo que então a população de São Paulo assistiu, preocupara com a gravidade da situação. 

De todos os pontos da cidade, como verdadeiros caudais humanos, caminhavam as multidões em busca do local que, durante muito tempo, havia servido de passarela para a ostentação de dispendiosas vaidades, justamente neste recanto da cidade de céu habitualmente toldado pela fumaça das fábricas, naquele instante, vazias dos trabalhadores que ali se reuniam para reclamar o seu indiscutível direito a um mais alto teor de vida. Não cabe aqui a descrição de como se desenrolou aquele comício, considerado como uma das maiores manifestações que a história do proletariado brasileiro registra. Basta dizer que a imensa multidão decidiu que o movimento somente cessaria quando as suas reivindicações, sintetizadas no memorial do Comitê de Defesa Proletária, fossem atendidas."
— Edgard Leuenroth

Everardo Dias, em "História das Lutas Sociais no Brasil", relata dessa forma os acontecimentos:

"São Paulo é uma cidade morta: sua população está alarmada, os rostos denotam apreensão e pânico, porque tudo está fechado, sem o menor movimento. Pelas ruas, afora alguns transeuntes apressados, só circulavam veículos militares, requisitados pela Cia. Antártica e demais indústrias, com tropas armadas de fuzis e metralhadoras. Há ordem de atirar para quem fique parado na rua. Nos bairros fabris do Brás, Moóca, Barra Funda, Lapa, sucederam-se tiroteios com grupos de populares; em certas ruas já começaram fazer barricadas com pedras, madeiras velhas, carroças viradas. A polícia não se atreve a passar por lá, porque dos telhados e cantos partem tiros certeiros. Os jornais saem cheios de notícias sem comentários quase, mas o que se sabe é sumamente grave, prenunciando dramáticos acontecimentos".
— Fernando Dannemann

Conclusão das paralisações. Os patrões deram um aumento imediato de salário e prometeram estudar as demais exigências. A grande vitória foi o reconhecimento do movimento operário como instância legítima, obrigando os patrões a negociar com os proletários e a considerá-los em suas decisões.

"Na primeira reunião foi examinado o memorial das reivindicações dos trabalhadores, apresentado pelo Comitê de Defesa Proletária, que a comissão de jornalistas estava encarregada de levar ao governo do Estado. A segunda reunião teve o seu inicio retardado, em virtude da prisão de dois dos membros do comitê de Defesa Proletária ao saírem da redação, após a primeira reunião. Os entendimentos seriam rompidos se esses dois elementos não fossem imediatamente postos em liberdade. Essa resolução foi transmitida ao presidente do Estado. A exigência foi atendida, os elementos levados à redação, e a reunião pôde ser realizada com breve duração, pois o governo ainda não havia entregue a sua resolução. A resolução da concessão das reivindicações dos trabalhadores foi dada por intermédio da Comissão de Jornalistas, com a informação de que já estavam sendo libertados os operários presos durante o movimento. Foram realizados comícios dos trabalhadores em vários bairros para a decisão da retomada do trabalho, que se iniciou no dia imediato. São Paulo reiniciava suas atividades laboriosas. A cidade retomava o seu aspecto costumeiro, restando, entretanto, a triste lembrança das vitimas que haviam deixado lares enlutados".

— Edgard Leuenroth



A ação do presidente Altino Arantes e do prefeito Washington Luís. O presidente do Estado de São Paulo, na época, Altino Arantes assumiria a defesa dos interesses das classes dominantes atribuindo à greve a uma infiltração de anarquistas e comunistas, considerados subversivos, em meio à classe trabalhadora. No entanto, em sua mensagem ao Congresso Legislativo do Estado de São Paulo, de 1918 assumiu ao menos em termos de discurso seu governo deveria agir "como elemento de mediação amparando concomitantemente os direitos de patrões e operários e velando pela ordem pública".

Altino afirmou, ainda, que, mesmo, depois da conquista de aumentos salariais de 15 a 30%, anarquistas ainda incitavam a nova greve e nova onda de depredações. A partir desses eventos passou a considerar perigosa a generalização dos movimentos grevistas e instituiu, no plano policial, a prevenção aos movimentos gerais e a perseguição aos anarquistas[.

Altino relatou, também, que foram atacados, pelos grevistas, funcionários da prefeitura, inclusive enfermeiros. O prefeito de São Paulo Washington Luís, então, redobrou os esforços para manter os serviços públicos funcionando normalmente durante a greve de 1917.



A SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX

Segundo o censo realizado em 1960, a cidade de São Paulo contava com uma população de 3 825 350 habitantes. Nessa época, o município já era considerado o mais populoso do Brasil, também concentrando a maior parte da produção industrial e atividade econômica do país. Esse crescimento acelerado na primeira metade do século XX se deveu não só a imigração estrangeira, mas também à chegada de brasileiros de diversas regiões, em sua maioria atraídos pela demanda de mão-de-obra das indústrias localizadas em São Paulo. Nas palavras do geógrafo Pasquale Petrone, o qual escreveu em 1951 justamente sobre a rápida modificação urbana pela qual São Paulo esteve submetida no século XX:

“No que se refere à construção de prédios, parece não existir nenhuma cidade que a iguale: não há rua que não ofereça um telhado novo, raras são as que não assistem à construção de um prédio. Prédios residenciais, finos ou modestos, palacetes ou bangalôs estandartizados, arranha-céus, de 8 a 10 andares e gigantes de mais de 25 andares, com sua estrutura de cimento armado. Enquanto em Nova York constrói-se, a cada ano, uma casa para cada grupo de 423 habitantes, em Buenos Aires para 134, em São Paulo registra-se a média de 102. Nos últimos anos, o aumento médio anual de prédios foi mais de 18 000, embora já se tenha registrado um total de mais de 24 000 por ano. Pode-se afirmar, sem receio de errar, que se constrói em São Paulo uma casa em cada 20 minutos!"

Atualmente, o crescimento vem-se desacelerando, devido ao desenvolvimento industrial verificado em outras regiões do Brasil. A cidade passa por um processo de transformação em seu perfil econômico, convertendo-se de um centro industrial para um grande polo de comércio, serviços e tecnologia, sendo, atualmente, uma das mais importantes metrópoles do mundo.


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FERROVIA E URBANIZAÇÃO




A Estação da Luz em 1900: símbolo da prosperidade trazida pelo café. Ferrovias Paulistas. 

Ferrovias Paulistas


A SÃO PAULO RAIL COMPANY-SPR 

POR MARC FERREZ



Obras da Ferrovia São Paulo Railway. Fotografias de Marc Ferrez, c. 1870- 1880. Instituto Moreira Sales.


A São Paulo Railway inicia suas operações ligando Santos a São Paulo em 1865 e chegando a Jundiaí em 1867. No ano seguinte fazendeiros, capitalistas e grandes proprietários criaram uma nova empresa ferroviária – a Companhia Paulista de Estrada de Ferro, cujo objetivo inicial era ligar Jundiaí a Campinas. Os trilhos da ferrovia chegam a Campinas em 1872, Limeira em 1876, Rio Claro em 1884. Continuam sua expansão, através de construção e compra de outras companhias ferroviárias, ocupando uma enorme área do estado de São Paulo.  Seus trilhos percorriam milhares de quilômetros e chegavam nos limites do estado com Mato Grosso e Goiás, tendo incorporado, dentre outros, a Estrada de Ferro São Paulo Goiás, Estrada de Ferro Dourados, Estrada de Ferro Rio Claro.  Foram construídas em função dos interesses do café, caracterizando a clássica vinculação entre expansão cafeeira, ferrovia e urbanização. O trabalhador da ferrovia era preferencialmente brasileiro e com origem no estado de 
São Paulo. Quando estrangeiro basicamente português, sem distinção de ocupação por 
nacionalidade ( Brazil Imperial)



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MATARAZZO,  UMA FAMÍLIA PAULISTANA ICÔNICA



Francisco Matarazzo Júnior saindo com sua carruagem da cocheira da mansão da família, na avenida Paulista, em 1947. #SPFotos

Mansão Matarazzo em sua primeira versão em 1896, no estilo eclético. Foto da década de 1910. O palacete foi construído na avenida Paulista em estilo neoclássico, com área de 4.400 metros quadrados, implantado num terreno de doze mil metros quadrados de jardins. A casa foi cenário de festas grandiosas, frequentadas pela alta sociedade paulistana. Foi demolido em 1996 e o terreno foi vendido à Cyrela Commercial Properties e a uma empresa do grupo Camargo Corrêa (atual Mover Participações), por 125 milhões de reais, que no local construiu o Shopping Cidade São Paulo.


O ramo brasileiro foi fundado por Francesco Matarazzo, também conhecido no Brasil como Francisco, nascido em Castellabate em 9 de março de 1854, o primeiro dos nove filhos de Costabile Matarazzo, prestigiado advogado e proprietário terras, e de Mariangela Jovane. Francesco contraiu matrimônio com Filomena Sansivieri, com quem teve 13 filhos: Giuseppe, Andrea, Ermelino, Teresa, Mariangela, Attilio, Carmela, Lydia, Olga, Ida, Claudia, Francisco Júnior e Luís Eduardo. Em outubro de 1881 embarcou com a família para o Brasil, e quatro dos seus irmãos o acompanhariam pouco depois. Começou trabalhando em Sorocaba, onde foi tropeiro e abriu um comércio de alimentos, e mais tarde montou uma pequena fábrica para processar banha de porco. Uma segunda fábrica foi aberta em Capão Bonito, passando a acumular considerável fortuna também com o comércio de suínos e a produção de latas para embalar a banha produzida, uma novidade no Brasil. Em 1889 mudou-se para São Paulo. Seu sucesso empresarial levou à fundação em 1890 da Matarazzo & Irmãos, em sociedade com Giuseppe e Luigi, que foi a origem das Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo. Em 1900 a empresa já faturava 2 mil contos de réis. O império Matarazzo cresceu cada vez mais investindo em diversos setores, como o bancário, madeireiro, petrolífero, alimentício, têxtil, naval, siderúrgico, ferroviário e hidrelétrico. Foi um dos fundadores e primeiro presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo. Figura brilhante mas complexa e controversa, Matarazzo faleceu em 10 de fevereiro de 1937. Deixava uma fortuna estimada em 10 bilhões de dólares. Seu filho Ermelino havia sido preparado para sucedê-lo na direção do conglomerado empresarial, mas morreu antes do pai, recaindo o comando em Francisco Júnior. A divisão da herança deu origem a muitas disputas na família. 
[Textos e imagens da Wikipedia]


NASCIMENTO E MORTE DO RIO TIETÊ


O Clube de Regatas Tietê no início do século XX. Guilherme Gaensly. Museu Paulista


CHUVAS INTENSAS REDESENHARAM O TIETÊ HÁ 17 MIL ANOS. "Com um trajeto que corta quase todo o estado de São Paulo, desde a região metropolitana até a divisa com Mato Grosso do Sul, o rio Tietê tinha um formato bem diferente até cerca de 17 mil anos. Era um rio formado por uma rede de canais entrelaçados que corria 5 quilômetros (km) mais ao norte no interior paulista e a essa mesma distância ao sul na atual capital paulista, em comparação com o traçado de hoje.
A rede de canais percorria uma paisagem ocupada por árvores baixas e esparsas, similar ao Cerrado típico, entre terrenos com idades próximas a 17 mil anos e 35 metros (m) mais altos que os do atual leito. O rio era provavelmente três vezes mais largo e transportava rochas do tamanho de uma bola de tênis, que erodiam o leito e abriam caminho para terras mais baixas. A configuração atual do Tietê resultou das chuvas intensas que banharam a atual região Sudeste do Brasil. Em quase toda a área que hoje é o estado de São Paulo, períodos de chuva intensa e contínua, durante milhares de anos, transformaram a paisagem e alimentaram uma vegetação florestal, parcialmente eliminada nos últimos séculos com a expansão das cidades e da agricultura. O aguaceiro intensificou o transporte de sedimentos para o rio, que aos poucos migrou para terrenos mais baixos e jovens, com idade aproximada de 3 mil anos. Formou-se um canal principal sinuoso, as margens foram ocupadas por vegetação e, em consequência, o volume de água transportado para o rio diminuiu. Desde essa época, o rio carrega principalmente lama e sedimentos finos como a areia de praia".  Carlos Fioravanti. Revista PESQUISA Fapesp


Passagem da comitiva do Imperador Dom Pedro II pela Ponte Grande sobre o Rio Tietê, 1880. Foto Militão Augusto de Azevedo #SPFotos


TERRA DA NEBLINA  E DA GARÔA



Avenida 9 de Julho, anos 1950.


Do ponto de vista climático, São Paulo é caracterizada pelo clima tropical de altitude, devido ao gradativo aumento da umidade no final da primavera e início do outono, que são as estações de transição, respectivamente, para o verão (chuvoso) e inverno (seco). Uma intensa garoa regava o solo e o imaginário de artistas paulistanos. Atualmente, esta condição praticamente deixou de existir. Os motivos são os mais diversos, não sendo necessariamente ocasionados pela “martelada” mudança climática global, mas sim pelas modificações antrópicas associadas a um acelerado processo de crescimento urbano.

As alterações antrópicas que contribuíram decisivamente para acabar com a “garoa paulistana” estão ligadas ao próprio desenvolvimento da cidade. A construção das habitações em áreas legais e ilegais, de comércios, ruas, pontes resultou na retirada de árvores, importantes dispersoras de umidade (através da evapotranspiração); a impermeabilização do solo reduziu a infiltração e a umidade que ele proporcionava (também aumentou o escoamento superficial e contribuiu terminantemente para as enchentes). A retificação e canalização dos rios reduzem de forma marcante a oferta de umidade, a verticalização prejudica a circulação dos ventos e o deslocamento da umidade e a poluição, associada “às ilhas de calor”, aumenta muito a incidência de tempestades.

Pesquisas recentes (Fapesp e INPE) demostram o aumento de tempestades em detrimento da garoa, isso ocorre devido às ilhas de calor, que atuam aumentando a velocidade da evaporação, e à poluição, responsável pelo material particulado, que serve como “núcleo de condensação”. Assim, a velocidade de formação da precipitação (chuva) é muito maior, dessa maneira, vão ocorrer mudanças no padrão das precipitações com maior ocorrência dos eventos de tempestades.

São Paulo dificilmente voltará a ser a “terra da garoa”, pois medidas para reverter o processo de degradação que foi instalado são muito complexas e somente surtirão efeitos a longo prazo. Mas isso não quer dizer que devemos cruzar os braços. Medidas para mitigar os efeitos da poluição, das ilhas de calor (que também causam grande desconforto térmico) e das enchentes fazem parte da administração eficiente de uma cidade, devendo ser colocadas em prática algumas ações como: o plantio de árvores, a construção de praças, a retirada da cobertura de concreto e asfalto de áreas estratégicas (várzeas, por exemplo), a redução da verticalização em áreas de topos, a “descanalização” de rios e córregos, etc. Estas são medidas que no atual momento, apesar de serem mitigatórias, podem melhorar a vida das pessoas que moram em São Paulo. Mas, o título de “terra da garoa” já não vai mais ser de São Paulo.

Fonte: Hexag-Mackenzie


 Dia de chuva em 1940.  Avenida São João e o edifício da Delegacia Fiscal ao fundo.  #SPFotos


O DIA QUE A CIDADE CONGELOU 



Em 25 de junho de 1918, o Brasil presenciou um fenômeno curioso e encantador: a cidade de São Paulo parecia coberta de neve. No entanto, o que realmente aconteceu foi um evento raro, registrado pelo meteorologista José Nunes Belford Mattos em sua caderneta de observações, na estação meteorológica da Avenida Paulista, um dos pontos mais altos da cidade, ainda cercada de Mata Atlântica.

Naquele dia, a cidade estava envolta por uma forte neblina, e, de repente, o que parecia ser neve se formou rapidamente. Mas, ao contrário do que muitos pensaram, não era neve. O fenômeno foi causado pela sublimação do nevoeiro: a água passou diretamente do estado gasoso para o sólido, criando cristais de gelo finos, semelhantes à "poeira de neve" que vemos em geladeiras antigas. A quantidade de água era tão pequena que a condensação consumiu o vapor d'água em minutos, e o céu ficou bem azul.

Os termômetros marcavam 3,0°C negativos a 2 metros do solo e no chão certamente a temperatura era bem menor. Como estava muito frio, este gelinho não derreteu ao tocar o solo criando uma camada branca e dando um aspecto europeu à cidade. O fenômeno durou pouco, o gelo não resistiu ao sol da manhã.

Para os meteorologistas, a neve é uma precipitação que se forma dentro das nuvens, mas, naquele dia, não havia nuvens visíveis sobre São Paulo. Portanto, apesar do encantamento dos moradores, o fenômeno de 1918 não pode ser classificado como neve técnica, mas como um raro e fascinante exemplo de sublimação.

Fonte: Clima Tempo
Fotos: Antigo observatório da Paulista. Registro meteorológico realizado em 25 de junho de 1918.


PODÊRES MUNICIPAIS 



A criação da Câmara, importante marco da história da cidade de São Paulo, se deu por ato régio quando da criação da Vila de São Paulo de Piratininga, por ordem do governador-geral Mem de Sá, em 1560. As reuniões do Concelho, na época ocasionais, se davam na residência de um dos vereadores, uma vez que o paço municipal só viria a ser construído em 1575. Assim como em todo o Império Português, o funcionamento da Câmara era objeto de correições periódicas em que juízes togados examinavam a documentação e aferiam o cumprimento das Ordenações Manuelinas (depois de 1618, as Ordenações Filipinas). De acordo com a tradição ibérica, as antigas Câmaras exerciam, simultaneamente, os três poderes, legislativo, executivo e judiciário, conforme as Ordenações Filipinas, Título LXVI (Dos Vereadores):

Aos Vereadores pertence ter carrego [cargo] de todo o regimento da terra e das obras do Concelho, e de tudo o que poderem saber, e entender, porque a terra e os moradores della possam bem viver, e nisto hão de trabalhar. E se souberem que se fazem na terra malfeitorias, ou que não he guardada pela Justiça, como deve, requererão aos Juízes, que olhem por isso. E se o fazer não quizerem, façam-no saber ao Corregedor da Comarca, ou a Nós.


As atas da Câmara são fontes importantes para reconstruir a história da cidade, e estão hoje no Arquivo Histórico Municipal Washington Luís. Foram traduzidas e publicadas no começo do século XX pelo então prefeito Washington Luís. O tomo mais antigo sobrevivente é de 1562, como explica Taunay (1920):


De 1560 data, pois, a vida municipal de que deveriam constar os primeiros documentos comprobatórios se do arquivo da Câmara, não houvesse desaparecido o primeiro tomo das Atas, em época em que não é possível fixar, diz o Sr. Manuel Alves de Souza, um dos tradutores desses papéis de tão difícil leitura. Leu-o Azevedo Marques e Cândido Mendes de Almeida também o percorreu pouco antes de 1880. Não há 40 anos, ainda, foi subtraído o tão precioso livro... após uma permanência de mais de três séculos no arquivo paulistano. Para o período mais próximo da fundação do povoamento de José de Anchieta, há as Actas de Santo André da Borda do Campo, levadas à Piratininga em 1560. Como os primeiros habitantes de São Paulo de Piratininga, uma vila isolada no planalto, não tinham grande educação formal, os manuscritos são de difícil leitura e interpretação:

À primeira vista nem parecem as Atas da Câmara de São Paulo quinhentistas, escritas não em português, mas em idioma lusitaniforme, áspero e grosseiro, em que a grafia extravagante das palavras se une à confusão dos conceitos, às ambuiguidades da frase, à ausência de pontuação senão, frequentemente de termos indispensáveis à oração. Percorre-se toda a escala de atentados à gramática num estilo (?) bárbaro e tão cheio de vícios que torna os documentos de penosa leitura.
Já no século XIX, com a riqueza do café, vê-se algumas demonstrações de ostentação, como as capas dos tomos das atas com as letras folheadas a ouro.





Palacete da sede em 1862 em fotografia de Militão Augusto de Azevedo.


Já no período imperial, já sob a Constituição de 1824 e Lei de 1 de outubro de 1828, as primeiras eleições para vereador em São Paulo ocorreram em 1 de fevereiro de 1829, e a primeira sessão realizada no dia 22, presidida pelo juiz de fora da comarca. Os nove vereadores eleitos para o período 1829-1830 foram: sargento-mor José Manoel da Luz, presidente; alferes, José Manoel da França; capitão Antonio Bernardes Bueno da Veiga que, por ser idoso e doente, pediu escusas, sendo substituído pelo suplente, Pe. Ildefonso Xavier Ferreira; tenente Joaquim Antônio Alves Alvim; Cândido Gonçalves Gomide; capitão Francisco Mariano Galvão Bueno; sargento-mor Antônio Cardoso Nogueira.
Período republicano. Proclamada a República, a Câmara foi dissolvida pelo Ato n 26 de 10 de janeiro de 1890, e nomeado um Conselho de Intendência Municipal. Os vereadores depostos drs. Francisco de Penaforte Mendes de Almeida, José Evaristo Alves da Cruz e Vicente Ferreira da Silva consignaram protesto contra o ato de dissolução da Câmara "por ser um golpe no regime municipal, fundamento e origem das liberdades políticas do cidadão". No dia 13 foram empossados no Conselho de Intendência Antônio Pais de Barros, Cândido Franco de Lacerda, Dr. Clementino de Souza e Castro, Dr. José Álvares Rubião Júnior, João Batista de Melo Oliveira, Joaquim Paião, José Hipólito da Silva Dutra, Dr. Luís Anhaia Melo e Manoel Lopes de Oliveira.

PREFEITOS PAULISTANOS



O primeiro administrador da cidade de São Paulo de que se tem notícia foi Salvador Pires, pai de Amador Bueno, o "homem que não quis ser rei". Salvador Pires era procurador do 2º Conselho (hoje Câmara Municipal), foi nomeado em 1563 e permaneceu à frente da então Vila de São Paulo de Piratininga por um ano. Até a promulgação da Lei municipal nº 374, de 29 de novembro de 1898, os homens que administravam a cidade eram chamados de intendentes (com exceção de um curto período entre 1835/38, quando a nomenclatura mudou para prefeito) e eram, no tempo do Império, os presidentes da Câmara Municipal de São Paulo, que, eleitos para a chefia do Legislativo municipal, eram automaticamente designados intendentes.

Com a nova lei e a criação do cargo de prefeito, coube ao conselheiro Antônio da Silva Prado ser eleito pela Câmara Municipal para assumir a prefeitura da capital, o que ocorreu em 7 de janeiro de 1899, sendo eleito e reeleito para a chefia do poder executivo por quatro vezes consecutivas, inclusive pelo voto direto dos paulistanos em 1907. Silva Prado administrou a cidade até 15 de janeiro de 1911, sendo o homem que mais tempo permaneceu como prefeito na história de São Paulo.

Até 1930, quando eclodiu a Revolução de 3 de outubro, os prefeitos eram eleitos diretamente pela população paulistana. A partir de então, coube aos governadores a escolha e a nomeação dos prefeitos (o que ocorreria também entre 1969/1988). Em 1953, foi restabelecido o voto direto para a prefeitura de São Paulo, tendo sido eleito o então deputado estadual Jânio da Silva Quadros. Jânio seria, novamente, o primeiro prefeito eleito pelo povo em 1988, depois de um jejum de 23 anos. Pois foi em 1965 que os paulistanos elegeram, na última eleição direta, o brigadeiro José Vicente de Faria Lima.

José Serra é o 41º prefeito da capital (considerados aqueles que assumiram por mais de uma vez o cargo), desde a posse Antônio da Silva Prado, entre eles duas mulheres. Nesse período, entre prefeitos, vice-prefeitos, presidentes da Câmara Municipal, secretários e diretores municipais, 59 pessoas ocuparam o cargo.

Veja abaixo a relação completa de todos os homens e mulheres que exerceram a chefia do Poder Executivo municipal de São Paulo com as respectivas datas:

07/01/1899-16/01/1911 - Antônio da Silva Prado - P

(23/01/1907-01/10/1907) - Asdrúbal Augusto do Nascimento - VP

16/01/1911-15/01/1914 - Raymundo da Silva Duprat - P

15/01/1914-16/08/1919 - Washington Luís Pereira de Sousa - P

16/08/1919-16/01/1920 - Álvaro Gomes da Rocha Azevedo - VP

16/01/1920-16/01/1926 - Firmiano de Moraes Pinto - P

16/01/1926-23/10/1930 - José Pires do Rio - P

24/10/1930-06/12/1930 - Joaquim José Cardozo de Mello Neto - P

06/12/1930-26/07/1931 - Luiz Inácio Romeiro de Anhaia Mello - P

26/07/1931-14/11/1931 - Francisco Machado de Campos - P

14/11/1931-05/12/1931 - Luiz Inácio Romeiro de Anhaia Mello - P

05/12/1931-24/05/1932 - Henrique Jorge Guedes - P

24/05/1932-03/10/1932 - Goffredo Teixeira da Silva Telles - P

03/10/1932-29/12/1932 - Arthur Saboya - DOV/RE

29/12/1932-02/04/1933 - Theodoro Augusto Ramos - P

02/04/1933-23/05/1933 - Arthur Saboya - DOV/RE

23/05/1933-31/07/1933 - Oswaldo Gomes da Costa - P

31/07/1933-22/08/1933 - Carlos dos Santos Gomes - P

22/08/1933-07/09/1934 - Antônio Carlos de Assumpção - P

07/09/1934-01/05/1938 - Fábio da Silva Prado - P

(01/02/1938-16/02/1938) - Paulo Barbosa de Campos Filho - DDJ/RE

01/05/1938-11/11/1945 - Francisco Prestes Maia - P

11/11/1945-15/03/1947 - Abrahão Ribeiro - P

15/03/1947-29/08/1947 - Christiano Stockler das Neves - P

29/08/1947-26/08/1948 - Paulo Lauro - P

26/08/1948-04/01/1949 - Milton Improta - SF/PI

04/01/1949-28/02/1950 - Asdrúbal Euritysses da Cunha - P

28/02/1950-01/02/1951 - Lineu Prestes - P

01/02/1951-08/04/1953 - Armando de Arruda Pereira - P

08/04/1953-31/01/1955 - Jânio da Silva Quadros - P

(07/07/1954-17/01/1955) - José Porphírio da Paz - VP

31/01/1955-22/06/1955 - William Salem - PCM

22/06/1955-13/04/1956 - Juvenal Lino de Mattos - P

(28/12/1955-04/01/1956) - Wladimir de Toledo Piza - VP

13/04/1956-08/04/1957 - Wladimir de Toledo Piza - VP/P

08/04/1957-08/04/1961 - Adhemar Pereira de Barros - P

(10/01/1958-06/02/1958) - Cantídio Nogueira Sampaio - VP

(09/02/1961-28/02/1961) - Manoel de Figueiredo Ferraz - PCM

08/04/1961-08/04/1965 - Francisco Prestes Maia - P

- Leôncio Ferraz Júnior - VP

08/04/1965-08/04/1969 - José Vicente de Faria Lima - P

- José Freitas Nobre - VP

08/04/1969-08/04/1971 - Paulo Salim Maluf - P

08/04/1971-21/08/1973 - José Carlos de Figueiredo Ferraz - P

21/08/1973-28/08/1973 - João Brasil Vita - PCM

28/08/1973-17/08/1975 - Miguel Colasuonno - P

17/08/1973-12/07/1979 - Olavo Egydio Setúbal - P

(04/01/1977-28/01/1977) - Carlos Eduardo Sampaio Dória - PCM

12/07/1979-15/05/1982 - Reynaldo Emygdio de Barros - P

15/05/1982-15/03/1983 - Antônio Salim Curiati - P

15/03/1983-10/05/1983 - Francisco Altino Lima - PCM

10/05/1983 - 01/01/1986 - Mário Covas Júnior - P

(17/05/1985-28/05/1985) - Marcos Ribeiro de Mendonça - PCM

01/01/1986-01/01/1989 - Jânio da Silva Quadros - P

(10/04/1986-12/05/1986) - Arthur Alves Pinto - VP

(08/03/1987-21/04/1987) - Antônio Sampaio - PCM

(29/05/1987-02/07/1987 - Cláudio Salvador Lembo - SNJ/RE

(11/12/1987-14/01/1988) - Antônio Sampaio - PCM

(20/07/1988-05/08/1988) - Cláudio Salvador Lembo - SNJ/RE

(26/12/1988-01/01/1989) - Antônio Sampaio - PCM

01/01/1989-01/01/1993 - Luiza Erundina de Sousa - P

(26/05/1989-03/06/1989) - Luis Eduardo Greenhalgh - VP

01/01/1993-01/01/1997 - Paulo Salim Maluf - P

(27/10/1993-21/11/1993) - Sólon Borges dos Reis - VP

(14/04/1995-08/05/1995) - Sólon Borges dos Reis - VP

01/01/1997-01/01/2001 - Celso Roberto Pitta do Nascimento - P

(24/03/2000-26/03/2000) - Régis Fernandes de Oliveira - VP

26/05/2000-13/06/2000 - Régis Fernandes de Oliveira - VP/P

01/01/2001-01/01/2005 - Marta Teresa Smith Vasconcellos Suplicy - P

(02/01/2002-04/01/2002) - Hélio Bicudo - VP

(27/01/2003-04/02/2003) - Hélio Bicudo - VP

(01/05/2004-09/05/2004) - Hélio Bicudo - VP

(13/10/2004-27/10/2004) - Hélio Bicudo - VP

(29/11/2004-08/12/2004) - Hélio Bicudo - VP

(01 /01 2005 -31/03/2006) - José Serra - P

(01/03/ 2006- 01/01/2013) - Gilberto Kassab - VP

(01/01- 2013- 01/2017)- Fernando Haddad-P

(01/01/2017-06/04/2018)- João Dória-P

(06/04/2018- 16/05/2021)- Bruno Covas-VP

(16/05/2021-01/01/2024)-Ricardo Nunes - VP

(01/01/2025)- Ricardo Nunes-P

Abreviaturas:

DDJ/RE - Diretor do Departamento Jurídico respondendo pelo Expediente da Prefeitura;

DOV/RE - Diretor de Obras e Viação respondendo pelo Expediente da Prefeitura;

P - Prefeito;

PCM - Presidente da Câmara Municipal;

SNJ/RE - Secretário dos Negócios Jurídicos respondendo pelo Expediente da Prefeitura;

SF/PI - Secretário das Finanças designado Prefeito Interino;

VP - Vice-prefeito;

VP/P - Vice-Prefeito que assumiu efetivamente o cargo de Prefeito.

(*) Antônio Sérgio Ribeiro, advogado e pesquisador, é funcionário da Secretaria Geral Parlamentar da Alesp.


O autor agradece a colaboração de: Sandra Sciulli Vital, da Divisão de Biblioteca e Documentação da Alesp; Supervisão de Biblioteca da Câmara Municipal de São Paulo; Gabinete do Vice-prefeito Hélio Bicudo.

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FARIA LIMA, UM PREFEITO ICÔNICO




José Vicente de Faria Lima (Rio de Janeiro, 7 de outubro de 1909 – Rio de Janeiro, 4 de setembro de 1969) foi um engenheiro militar e político brasileiro. Filho de João Soares de Lima, imigrante português vindo ao Brasil com apenas oito anos de idade que trabalhava no Arsenal da Marinha, e de Castorina de Faria descendente de velha estirpe espírito-santense. É irmão do almirante Floriano Peixoto Faria Lima, presidente da Petrobras nos anos de 1973 a 1974 e governador do Estado do Rio de Janeiro entre os anos de 1975 e 1979. Seu outro irmão, Roberto de Faria Lima, foi inspetor geral da Aeronáutica em 1974.

Carreira. Com 21 anos de idade foi graduado Oficial Aviador, logo depois iniciou sua carreira na aviação militar do exército, (depois incorporada pela Força Aérea Brasileira), chegando em 1958 a Brigadeiro do ar. Antes, no Colégio Militar, já havia mostrado ser um aluno aplicado. Na década de 1930, juntamente com Eduardo Gomes, do tenente Wanderley e do capitão Montenegro, voou muito pelo interior do país, fazendo as linhas do Correio Aéreo Nacional, sobrevoando por todo os recantos do território brasileiro, em uma missão de assistência e ligação desde os sertões até o litoral, que até então eram inacessíveis para populações do Brasil Central, do Mato Grosso e da Amazônia.

Na FAB fez cursos de aviador militar, de observador e de engenharia aeronáutica, especializando-se em engenharia na Escola Superior de Aeronáutica da Porta de Versalhes, na França, se destacando entre os alunos estrangeiros da escola. Participou da criação do Ministério da Aeronáutica e competiu com Nero Moura, no início da Segunda Guerra Mundial, para ser comandante do 1º Grupo de Aviação de Caça, mas, com especialidade na área técnica, cedeu seu lugar ao então major combatente, posteriormente se tornando assistente técnico do então Ministro Salgado Filho. Foi chefe da comissão da Aeronáutica nos Estados Unidos, em Washington, apesar das dificuldades, conseguiu suprir a aviação brasileira com material de voo necessário. Em 1948, tornou-se comandante do Parque de Aeronáutica de São Paulo, até o ano de 1954.

Chamado por Jânio Quadros, em 1955 assumiu a presidência da Vasp, transformando-a em uma das melhores empresas de aviação do país. Foi secretário de Estado da Viação e Obras Públicas, no governo Jânio Quadros, tendo permanecido no cargo durante a gestão Carvalho Pinto com administração exemplar. No ano de 1958, foi nomeado brigadeiro-do-ar, ainda exercendo a função de secretário, em que permaneceu até o ano de 1961, quando foi nomeado, pelo então presidente, Jânio Quadros, ao cargo de presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), cargo que permaneceu entre os meses de março a setembro, até a renúncia de Jânio Quadros.

Prefeitura de São Paulo. Em 22 março de 1965, foi eleito por voto direto ao cargo prefeito de São Paulo, após ser lançado pela legenda da União Democrática Nacional (UDN), disputando as eleições com o então vice-governador Laudo Natel, do Partido Republicano (PR), o senador Auro de Moura Andrade, do Partido Social Democrático (PSD), o deputado federal Franco Montoro, do Partido Democrata Cristão (PDC), o senador Lino de Matos, do Partido Trabalhista Nacional (PTN) e o engenheiro Paulo Egídio Martins. Assumiu a prefeitura de São Paulo no mês seguinte, sucedendo Francisco Prestes Maia. Sua gestão foi considerada excepcional pelo volume de obras e pela profunda alteração que promoveu na paisagem urbana da cidade. Para descentralizar a ação administrativa, a cidade de São Paulo foi dividida em 12 regiões, em que cada uma delas contava com subprefeitos e funcionários que eram responsáveis em acompanhar e levantar as necessidades de cada região.

Durante sua administração, Faria Lima notabilizou-se pelas diversas obras, entre elas a Marginal Tietê, a Marginal Pinheiros, avenidas Sumaré, Radial Leste, Vinte e Três de Maio, Rubem Berta, promovendo o alargamento e duplicando, dentre outras, a rua da Consolação e as avenidas Rebouças, Sumaré, Pacaembu, Cruzeiro do Sul e Rio Branco. Foram construídos inúmeros viadutos, como o Alcântara Machado, considerado um dos maiores da América Latina, mercados distritais, pavimentação de ruas, iluminação e logradouros públicos, como a praça Roosevelt, além de obras nas áreas de saúde, educação, bem-estar social etc. Foi durante este período que o serviço de bondes foi extinto em São Paulo, em 1967. Faria Lima começou as obras do Metrô de São Paulo, com a Companhia de Metrô em dezembro de 1968.

Foi também, durante sua gestão, que Faria Lima teve a iniciativa de criar um concurso para a criação de um piso padrão para as calçadas paulistanas, tendo como resultado a arte premiada de Mirthes Bernardes, representando de maneira minimalista o mapa do Estado de São Paulo em preto e branco, que tornou-se um dos principais símbolos da cidade.

Entre as obras para a melhoria do trânsito de São Paulo, Faria Lima começou a construção de uma avenida ligando os bairros de Pinheiros e Itaim Bibi. Após a sua morte a avenida, que se chamaria Radial Oeste, recebeu o nome de Avenida Brigadeiro Faria Lima em sua homenagem.

Sua eficiência administrativa fez com que Faria Lima ganhasse prestigio político no nacionalmente, chegando a ser considerado, ao lado do senador Carvalho Pinto e do governador Abreu Sodré, uma das três maiores forças políticas do Estado. Faria Lima só se filiou ao ARENA em maio de 1968, visando garantir sua chance de disputar o governo de São Paulo.

Faria Lima faleceu no dia 4 de setembro de 1969, no Rio de Janeiro, um ano antes das eleições que pretendia concorrer.


JÂNIO, UM PREFEITO CARISMÁTICO E POLÊMICO



Jânio Quadros descendo a escadaria do Palácio das Indústrias, no centro de São Paulo, ao lado do Parque Dom Pedro, quando era governador de São Paulo, na década de 1950. Na época, o palácio era sede da Assembléia Legislativa de SP ( Alesp) Foto: Acervo Alesp/ antonio m. rudolf.


Jânio da Silva Quadros  (Campo Grande, 25 de janeiro de 1917 – São Paulo, 16 de fevereiro de 1992), Advogado, professor, letrólogo  e escritor. Foi prefeito e governador do estado de São Paulo nos anos 1950. Em seguida, foi o 22.º presidente do Brasil, entre 31 de janeiro de 1961 e 25 de agosto de 1961, data em que renunciou ao seu mandato. Em 1985, elegeu-se novamente prefeito de São Paulo dessa vez pelo PTB, tomando posse em 1 de janeiro de 1986, tendo sido este o seu último cargo eletivo. 

Filho do médico e engenheiro agrônomo Gabriel Quadros( vereador paulistano assassinado em crime passional por um correligionário), nasceu no estado de Mato Grosso (na porção que hoje corresponde ao Mato Grosso do Sul), mas foi criado em Curitiba. Em 1947, foi eleito vereador com 1 707 votos na cidade de São Paulo pelo Partido Democrata Cristão. A seguir elegeu-se prefeito do município de São Paulo, o que caracterizou uma grande façanha, pois enfrentou um enorme arco de partidos políticos. Após deixar o PDC e filiar-se ao Partido Trabalhista Nacional (PTN), foi candidato da aliança PTN-PSB a Governador de São Paulo, tendo ganhado o pleito sobre o favorito Ademar de Barros (um de seus maiores rivais políticos) por uma pequena margem de votos, de cerca de 1%. Sua gestão foi entre 1955 e 1959. 

Elegeu-se deputado federal pelo estado do Paraná em 1958, mas viajou para o exterior e não participou de nenhuma das sessões do Congresso. Ao retornar, preparou sua candidatura à presidência, com apoio da União Democrática Nacional (UDN). Utilizou como mote da campanha o "varre, varre vassourinha, varre a corrupção. Jânio chegou à presidência da República de forma muito veloz. Em São Paulo, exerceu sucessivamente os cargos de vereador, deputado, prefeito da capital e governador do estado. Tinha um estilo político exibicionista, dramático e demagógico. Conquistou grande parte do eleitorado prometendo combater a corrupção e usando uma expressão por ele criada: varrer toda a sujeira da administração pública. Por isso o seu símbolo de campanha era uma vassoura.

Foi eleito presidente em 3 de outubro de 1960, por uma coligação, para o mandato de 1961 a 1965, com 5,6 milhões de votos — a maior votação até então obtida no Brasil — vencendo o marechal Henrique Lott de forma arrasadora, por mais de dois milhões de votos. Porém não conseguiu eleger o candidato a vice-presidente de sua chapa, Milton Campos (naquela época votava-se separadamente para presidente e vice). Quem se elegeu para vice-presidente foi João Goulart, do Partido Trabalhista Brasileiro. Os eleitos formaram a chapa conhecida como chapa Jan-Jan. Embora tenha feito um governo bastante breve — que só durou sete meses — pôde-se, nesse período, traçar novos rumos à política externa e orientar, de maneira singular, os negócios internos. A posição de Cuba nas Américas após a vitória de Fidel Castro mereceu sua atenção. Na tarde de 25 de agosto, Jânio Quadros, para espanto de toda a nação, anunciou sua renúncia, que foi prontamente aceita pelo Congresso Nacional. 

Em 1985, contando com o proeminente apoio do empresariado (Olavo Setúbal, Herbert Levy) e dos setores e figuras mais conservadoras da sociedade paulistana, como a TFP, a Opus Dei, o ex-governador Paulo Maluf e o ex-ministro Antônio Delfim Netto, retornou aos cargos públicos elegendo-se prefeito de São Paulo também pelo PTB, derrotando o candidato situacionista, senador Fernando Henrique Cardoso (PMDB), e o representante das esquerdas, deputado federal Eduardo Suplicy (PT). Recebeu o cargo de Mário Covas, um santista e ex-janista que havia se tornado uma das principais lideranças do PMDB. "Com minha eleição a Prefeitura de São Paulo, encerro minha biografia política", afirmou em junho de 1985.

A morte da esposa Eloá, vítima de câncer, em novembro de 1990, agravou-se seu estado de saúde. Passou os últimos meses de sua vida entre casas de repouso e quartos de hospitais. Morreu em São Paulo, internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em 16 de fevereiro de 1992, em estado vegetativo, vítima de três derrames cerebrais. Está sepultado no Cemitério da Paz em São Paulo.
(Resumido da Wikipédia)



CAPITAL E MUNICÍPIO



Palácio do Anhangabaú (Edifício Matarazzo), sede da Prefeitura de São Paulo.


O Poder Executivo do município de São Paulo é representado pelo Prefeito e seu Gabinete de Secretários, seguindo o modelo proposto pela Constituição Federal. A Lei Orgânica do Município e o atual Plano Diretor da cidade, porém, determinam que a administração pública deva garantir à população ferramentas efetivas de manifestação da democracia participativa, o que faz com que a cidade seja dividida em subprefeituras, cada uma delas liderada por um subprefeito, nomeado pelo prefeito. Cada subprefeitura conta com um conselho de representantes da sociedade civil eleito a cada 2 anos. A prefeitura atualmente é composta por 26 secretarias, aos quais são as seguintes de acordo com a Lei Municipal nº 17 776, de 13 de abril de 2022. O Poder Legislativo é representado pela Câmara Municipal, composta por 55 vereadores eleitos para cargos de quatro anos. Cabe à Câmara elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente leis relacionadas ao orçamento municipal, como, por exemplo, a Lei de Diretrizes Orçamentárias.

Subprefeituras. São Paulo possui 32 pequenos "municípios" distribuídos pela cidade. Desde 2002, com a aprovação da lei 13.399, a maioria dos equipamentos públicos, como clubes da comunidade (antigos Clubes Desportivos Municipais - CDMs) e clubes da cidade foram transferidos para as Subprefeituras. As Subprefeituras têm o papel de receber pedidos e reclamações da população, solucionar os problemas apontados; preocupam-se com a educação, saúde e cultura de cada região, tentando sempre promover atividades para a população. Além disso, elas cuidam da manutenção do sistema viário, da rede de drenagem, limpeza urbana, vigilância sanitária e epidemiológica, entre outros papéis. Atualmente estas subprefeituras estão vinculadas à Administração Direta do Município por meio da Secretaria Municipal das Subprefeituras.

A política do Município de São Paulo, dado que o município possui posição de destaque na economia brasileira, tradicionalmente envolve interesses bastante diversos, não raro ligados a grupos sociais e políticos externos ao município. As decisões políticas que aí ocorrem costumam apresentar consequências em regiões alheias à cidade: visto que pela cidade circula grande parte dos capitais em fluxo no país, por exemplo, leis municipais envolvendo taxações diversas fatalmente acarretarão alterações econômicas em regiões distantes. Desta forma, a configuração política do Município é considerada bastante complexa, composta por grupos e forças sociopolíticas de caracterização bastante variada no espectro político. Muitos dos principais políticos do país são paulistanos, assim como vários dos maiores partidos políticos brasileiros possuem líderes importantes em São Paulo. Porém, são comuns ao longo da história política de São Paulo fenômenos essencialmente bairristas, exemplificados por políticos que possuem uma base de apoio restrita ao microcosmos paulistano.

Salto Industrial. O primeiro grande projeto para a instalação industrial na cidade foi o complexo industrial das indústrias Matarazzo na Barra Funda, na avenida Francisco Matarazzo, que aos poucos se expandia na cidade. Na década de 1930, os irmãos Jafet, atuando no ramo de tecidos, Rodolfo Crespi, os irmãos Puglisi Carbone e a família Klabin, que fundaria a primeira grande indústria de celulose do Brasil, a Klabin. Outro grande surto industrial deu-se, durante a Segunda Guerra Mundial, devido à crise na cafeicultura na década de 1930 e às restrições ao comércio internacional durante a guerra, o que fez a cidade ter uma taxa de crescimento econômico muito elevada que se manteve elevada no pós-guerra. Em 1947, São Paulo ganha sua primeira rodovia asfaltada: a Via Anchieta (construída sobre o antigo traçado do Caminho do Padre José de Anchieta), liga a capital ao litoral paulista. Na década de 1950, São Paulo era conhecida como A cidade que não pode parar e como A cidade que mais cresce no mundo. São Paulo realizou uma grande comemoração, em 1954, do "Quarto Centenário" de fundação da cidade. É inaugurado o Parque do Ibirapuera, lançados muitos livros históricos e descoberta a nascente do rio Tietê em Salesópolis. Com a transferência, a partir da década de 1950, de parte do centro financeiro da cidade que fica localizado no centro histórico (na região chamada de "Triângulo Histórico"), para a Avenida Paulista, as suas mansões foram, na sua maioria, substituídas por grandes edifícios. No período da década de 1930 até a década de 1960, os grandes empreendedores do desenvolvimento de São Paulo foram o prefeito Francisco Prestes Maia e o governador do estado de São Paulo Ademar de Barros, o qual também foi prefeito de São Paulo entre 1957 e 1961. Prestes Maia projetou e implantou, na década de 1930, o "Plano de Avenidas para a Cidade de São Paulo", que revolucionou o trânsito de São Paulo. Estes dois governantes são os responsáveis, também, pelas duas maiores intervenções urbanas, depois do Plano de Avenidas, e que mudaram São Paulo: a retificação do rio Tietê com a construção de suas marginais e do Metrô de São Paulo: em 13 de fevereiro de 1963, o Barros e Maia criaram as comissões (estadual e municipal) de estudos para a elaboração do projeto básico do Metrô de São Paulo, e destinaram ao Metrô suas primeiras verbas.

Salto populacional. No início dos anos 1960, São Paulo já somava quatro milhões de habitantes. Iniciado a sua construção em 1968, na gestão do prefeito José Vicente de Faria Lima, o metrô paulistano começou a operar comercialmente em 14 de setembro de 1974 e em 2016 contava com uma rede de 71,5 km de extensão e 64 estações distribuídas por cinco linhas. Naquele ano, foram transportados pelo sistema 1,1 bilhão de passageiros. No final do século XX e início do século XXI, São Paulo se tornou o principal centro financeiro da América do Sul[8] e uma das cidades mais populosas do mundo. Como a cidade brasileira mais influente no cenário global, São Paulo é atualmente classificada como uma cidade global alfa. A metrópole possui o 23.º maior PIB do mundo, representando, isoladamente, 9,2% de todo o PIB brasileiro e 34% do PIB do estado em 2018,sendo ainda responsável por 28% de toda a produção científica nacional em 2005.

Grande São Paulo vista da Estação Espacial Internacional à noite


Macrometrópole. O intenso processo de conurbação atualmente em curso na Grande São Paulo tem tornado inefetivas as fronteiras políticas entre os municípios da região, criando uma metrópole cujo centro está em São Paulo e atinge municípios, como por exemplo, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema (a chamada Região do Grande ABC), Osasco e Guarulhos, entre várias outros. A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) foi criada no ano de 1973 e atualmente é constituída por 39 municípios, sendo a maior aglomeração urbana brasileira e a terceira maior das Américas, com 20 820 093 habitantes. Outras regiões próximas a São Paulo são também regiões metropolitanas do estado, como Campinas, Baixada Santista, Vale do Paraíba e Sorocaba; outras cidades próximas compreendem aglomerações urbanas em processo de conurbação, como Jundiaí. O chamado Complexo Metropolitano Expandido, megalópole da qual a Grande São Paulo faz parte, ultrapassa os 32,2 milhões de habitantes, aproximadamente 75% da população do estado. As regiões metropolitanas de Campinas e de São Paulo, são interligadas pela aglomeração Urbana de Jundiaí, e formam a primeira macrometrópole do hemisfério sul, unindo 72 municípios que, juntos, abrigam 12% da população brasileira.

Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), também conhecida como Grande São Paulo, é a maior região metropolitana do Brasil, com cerca de 20,7 milhões de habitantes, e uma das dez regiões metropolitanas mais populosas do mundo. Reúne 39 municípios do estado de São Paulo em intenso processo de conurbação. O termo refere-se à extensão da capital paulista, formando com seus municípios lindeiros uma mancha urbana contínua.

A população, segundo a estimativa calculada para 1º de julho de 2021, era de 20 743 587 habitantes. Sua população é superior à de vários países, como o Chile (17 248 450), Países Baixos (17 100 475) e Portugal (10 487 289), além de ser mais populoso que a Bolívia, o Paraguai e o Uruguai juntos. Se a Região Metropolitana de São Paulo fosse uma nação, seria a 59ª mais populosa do mundo. Outros centros urbanos próximos a São Paulo são também regiões metropolitanas do estado, como Campinas, Baixada Santista, Vale do Paraíba, Sorocaba e Jundiaí. O chamado Complexo Metropolitano Expandido, megalópole da qual a Grande São Paulo faz parte, ultrapassa os 32,2 milhões de habitantes, aproximadamente 75% da população do estado. As regiões metropolitanas de Campinas e de São Paulo são interligadas pela Região Metropolitana de Jundiaí, e formam a primeira macrometrópole do hemisfério sul, unindo 72 municípios que, juntos, abrigam 12% da população brasileira.

A Região Metropolitana de São Paulo é o maior polo de riqueza nacional. A renda per capita em 2011 atingiu cerca de R$ 38 348. A metrópole detém a centralização do comando do grande capital privado, concentrando a maioria das sedes brasileiras dos mais importantes complexos industriais, comerciais e principalmente financeiros, que controlam as atividades econômicas no país Esses fenômenos fizeram surgir e condensar na região metropolitana uma série de serviços sofisticados, definidos pela íntima dependência da circulação e transporte de informações: planejamento, publicidade, marketing, seguro, finanças e consultorias, entre outros. A região exibe um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 760,04 bilhões (2011). Em 2011 representava 56,32% do PIB paulista.

A Grande São Paulo abriga quatro das trinta cidades com melhor infraestrutura no Brasil, tendo São Paulo em primeiro lugar, São Bernardo do Campo e Guarulhos empatadas na nona posição e Santo André na vigésima-sétima colocação.


Mapa político da região metropolitana e suas sub-regiões, conforme a lei complementar estadual 1 139, de 16 de junho de 2011:   Sub-região norte;   Sub-região leste;   Sub-região sudeste;   Sub-região sudoeste;   Sub-região oeste;   Município de São Paulo (integra todas as sub-regiões).



O Rodoanel Mário Covas (SP-21) é um anel rodoviário de 176 km de extensão que circunda a região central da Grande São Paulo. Construído ao longo de duas décadas (com a conclusão da última etapa prevista para 2025), o Rodoanel conecta todas as dez rodovias estaduais ou federais que passam pela Grande São Paulo, criando rotas alternativas que evitam, por exemplo, que caminhões vindos do interior do estado com destino ao porto de Santos circulem pelas vias urbanas já congestionadas da região metropolitana. A rodovia é dividida em 4 trechos, construídos em etapas separadas e operados por duas concessionárias diferentes. O primeiro trecho a ser aberto, o oeste, começou a ser construído em 1998 e foi inaugurado em 2002. O trecho sul foi aberto em 2010, e o leste em 2014. O trecho norte, ainda em construção. O congestionamento de veículos na cidade é recorrente, principalmente, mas não restrito, aos horários de pico. Desde 1996, a prefeitura adota medidas paliativas para amenizar os problemas causados pelo trânsito, como a adoção do Rodízio Municipal, a restrição de estacionamentos (Zona Azul) e de circulação de caminhões e veículos de carga. O recorde de congestionamento da cidade foi o de 344 km, em maio de 2014.



AS DEZ AVENIDAS MAIS LONGAS DA CAPITAL


Marginal Tietê – Crédito: Helvio Romero/Estadão


Marginal Tietê, com 22 km, aparece em primeiro lugar, de acordo com a Prefeitura de SP

São Paulo tem mais de 50 mil ruas e avenidas oficiais, que se estendem por mais de 19.400 quilômetros. Entre as mais longas da cidade estão a Marginal Tietê, considerada a principal via expressa da cidade; a avenida Sapopemba, que passa por regiões rurais e urbanas; e a avenida Aricanduva, importante acesso para os bairros da zona leste.

As vias da Capital paulista estão listadas na plataforma GeoSampa, mantida pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL): trata-se de um mapa digital em que é possível encontrar dados georreferenciados sobre o território. Além de informações sobre a rede de transporte público, mapas técnicos e dados de densidade demográfica e vulnerabilidade social, pode ser consultada pelo portal a Base de Logradouros do Município.
A seguir, estão listadas as vias mais longas, de acordo com a Base de Logradouros 2023. Segundo a Prefeitura, no caso de pistas contínuas que mudam de nome (a Radial Leste, por exemplo), cada trecho com nome diferente é medido separadamente.

1 – Marginal Tietê (22 quilômetros)
Considerada a via arterial mais importante do município, pois interliga as regiões central, norte, leste e oeste e tem conexões com as principais rodovias que dão acesso à região metropolitana. O trecho de 22 quilômetros considerado pela Base de Logradouros vai do viaduto Cebolão, na zona oeste, até o viaduto Imigrante Nordestino, na zona leste.

2 – Avenida Sapopemba (18,2 quilômetros)
As origens da avenida Sapopemba remontam ao século 19. Com o nome Estrada de Sapopemba, foi aberta para conectar os sítios e fazendas da região. De lá para cá, passou por retificações, mas permanece com seu percurso quase igual ao original. O nome, que significa “raízes angulosas” em tupi —  faz referência às árvores locais, que tinham raízes que se projetavam para fora da terra. A via começa na confluência da rua Água Rasa com a avenida Salim Farah Maluf e passa por regiões das subprefeituras Mooca; Aricanduva/Formosa/Carrão; Vila Prudente; Sapopemba e São Mateus (todas na zona leste). Nos 18,2 quilômetros, seu percurso termina próximo à divisa com Mauá.

3 – Avenida Aricanduva (16,8 quilômetros)
Do Tatuapé a São Mateus, estende-se por 16,8 quilômetros ao longo da zona leste. A via começa perto da rua Melo Freire, na Radial Leste, e termina na avenida Ragueb Chohfi. O termo Aricanduva vem do tupi para “terra das palmeiras da variedade airy”, já que “airica” significa palmeira e “duva” significa terra. Concluída na década de 1970, a via facilitou a ligação da Marginal Tietê com a Estrada de Itaquera, o que buscava facilitar o tráfego entre Itaquera, Penha e São Miguel Paulista.

4 – Avenida Jacu-Pêssego (12,5 quilômetros)
Esta avenida corre ao longo do córrego Jacu-Pêssego e é a junção da antiga estrada do Pêssego, área em que migrantes japoneses cultivavam a fruta, e da estrada do Jacu. Ela também é conhecida como avenida Nova Trabalhadores e seu percurso de 12,5 quilômetros corta os distritos de Vila Jacuí (subprefeitura São Miguel Paulista), Itaquera e José Bonifácio (subprefeitura Itaquera) e Iguatemi (subprefeitura São Mateus).

5 – Avenida do Estado (11,9 quilômetros)
Leva esse nome como uma homenagem ao Estado de São Paulo e margeia o canal do rio Tamanduateí. É uma importante conexão entre a capital e o ABC Paulista, que passa pelo centro da cidade e segue na direção das regiões das Subprefeituras Ipiranga e Vila Prudente.

6- Avenida das Nações Unidas (11,8 quilômetros)
É uma das vias que formam a Marginal Pinheiros. Nela está localizado um dos prédios mais altos da cidade; o Centro Empresarial Nações Unidas. A avenida leva esse nome em homenagem à Organização das Nações Unidas (ONU) e seu percurso vai da rua Hungria, na Subprefeitura Pinheiros (zona oeste), à avenida Interlagos, na Subprefeitura Santo Amaro (zona sul).

7 – Avenida Raimundo Pereira de Magalhães (11,7 quilômetros)
Começa na Subprefeitura Lapa (zona oeste), atravessa a Marginal Tietê e vai até o extremo norte da cidade, na região da Subprefeitura Perus (zona norte), passando por Jaraguá e Pirituba. O percurso chama atenção por contar com paisagens urbanas e também rurais. Leva o nome do português Raimundo Pereira de Magalhães, comerciante de açúcar e fundador, na Lapa, da Companhia Suburbana Imobiliária. Ele é apontado como responsável por custear o saneamento, abrir as ruas e construir os viadutos necessários para que o terreno se tornasse um parque industrial.

8 – Rua Doutor Assis Ribeiro (11 quilômetros)
O engenheiro Joaquim de Assis Ribeiro dá nome a essa rua de 11 quilômetros de extensão, que corre pela zona leste de São Paulo — da avenida Gabriela Mistral, na Penha, até a rua Frei Fidelis Mota, na Vila Jacuí. Nascido em Juiz de Fora (MG), Assis Ribeiro foi diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil e membro da equipe de engenheiros envolvidos na construção de Belo Horizonte.

9 – Avenida Professor Luiz Ignácio Anhaia Mello (10,2 quilômetros)
Importante via arterial, liga os distritos São Lucas, Vila Prudente e Sapopemba, na zona leste, e dá acesso ao distrito do Ipiranga. Seu percurso inicia na avenida do Estado e termina na rua Milton da Cruz, na subprefeitura de Sapopemba. O homenageado pelo nome da avenida foi um engenheiro formado pela Escola Politécnica, ex-prefeito de São Paulo — por cerca de oito meses —, ex-vereador, professor universitário e fundador da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

10 – Avenida Salim Farah Maluf (10,2 quilômetros)
Com o nome do pai do político Paulo Maluf, a avenida Salim Farah Maluf tem 10,2 quilômetros de extensão e facilita o fluxo de veículos para a Marginal Tietê. Passa pelas áreas das Subprefeituras Mooca e Vila Prudente. Começa na avenida Condessa Elizabeth de Robiano, que integra a Marginal, e acaba na avenida Professor Luiz Ignácio Anhaia Mello.



 DISTRITOS E BAIRROS

TRANSFORMAÇÃO POLÍTICA E TERRITORIAL



Mapa das Regiões e Bairros da Cidade de São Paulo


Entre 1558, da sua elevação a categoria de Vila, e 2007, quando a cidade atingiu o ápice (sempre provisório) da sua dimensão e dinâmica geopolítica, a cidade passou por intensas mudanças, quase sempre acompanhadas pelo esforço de organização jurídica que respondesse às necessidades administrativas. A urbanização acelerada no início do século XX mudou totalmente a acanhada paisagem paulistana original, que ainda se mantinha nas primeiras décadas. Para acompanhar esse ritmo frenético, leis e decretos tiveram que ser sucessivamente aplicados para ordenar e organizar as ocupações. Essa evolução está descrita pelo IBGE no perfil da cidade, que obviamente muda de acordo com as rápidas e constantes transformações:

"Em divisão territorial datada de 2003, o município de São Paulo é constituído de 97 distritos: São Paulo e mais 96.

São Paulo tem cinco grandes zonas urbanas: Centro, Leste, Norte, Oeste e  Sul, com cerca de 96 bairros e centenas de vilas. Seguindo esse panorama, sem ordenar necessariamente por zona , inserimos os pontos e eventos considerados histórica e culturalmente  marcantes e mais ilustrativos do território municipal.  Escolhemos então as avenidas e ruas de grandes circulação com suas respectivas referências de notoriedade, assim como os seus estabelecimentos mais conhecidos e frequentados diariamente por milhões de paulistanos e paulistas.

Em seguida, na segunda parte da página, usando o mesmo critério (micro-regiões), escolhemos as cidades da grande região metropolitana de São Paulo e também das grandes regiões paulistas, do interior e do litoral:

1. Centro: Bela Vista; Bom retiro; Cambuci; Consolação; Liberdade; República; Santa Cecília; e Sé.

2. Zona Leste: Água Rasa; Aricanduva; Artur Alvim; Belém;
Brás; Cangaíba; Carrão; Moóca; Pari; Penha; São Lucas; Sapopemba; Tatuapé; Vila Formosa; Vila Matilde; Vila Prudente; Cidade Líder; Cidade Tiradentes; Ermelino Matarazzo; Guaianases; Iguatemi; Itaim Paulista; Itaquera; Jardim Helena; José Bonifácio; Lajeado; Parque do Carmo; Ponte Rasa; São Mateus; São Miguel; São Rafael; Vila Curuçá; e Vila Jacuí.

3. Zona Norte: Jaçanã; Mandaqui; Santana; Tremembé; Tucuruvi; Vila Guilherme; Vila Maria; Vila Medeiros; Anhangüera; Brasilândia; Cachoeirinha; Casa Verde; Freguesia do Ó; Jaraguá; Limão; Perus; Pirituba; e São Domingos.

4. Zona Oeste: Alto de Pinheiros; Barra Funda; Butantã; Itaim Bibi; Jaguará; Jaguaré; Jardim Paulista; Lapa; Morumbi; Perdizes; Pinheiros; Raposo Tavares; Rio Pequeno; Vila Leopoldina; Vila Sônia

5. Zona Sul: Cursino; Ipiranga; Jabaquara; Moema; Sacomã; Saúde; Vila Mariana; Campo Belo; Campo Grande; Campo Limpo; Capão Redondo; Cidade Ademar; Cidade Dutra; Grajaú;; Jardim Ângela; Jardim São Luís; Marsilac; Parelheiros; Pedreira; Santo Amaro; Socorro; e Vila Andrade.


I

CAMPOS ELÍSIOS E REPÚBLICA


Alameda Nothmann, Campos Elísos. Embaixo dos trilhos da São Paulo Railway. Ao fundo a residência da família de Santos Dumont. 


 Campos Elíseos bairro  localizado no distrito de Santa Cecília, região central. Foi o primeiro bairro planejado da cidade, onde se fixaram vários dos antigos e abastados fazendeiros do café. No bairro está localizada a antiga sede do Governo do Estado de São Paulo, o Palácio dos Campos Elíseos, que pertenceu anteriormente ao aristocrata e político Elias Antônio Pacheco e Chaves, localizado na antiga Alameda dos Bambus, futura Avenida Rio Branco. A sede do Governo foi transferida posteriormente, após sofrer um incêndio, para o Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi. Veio a abrigar posteriormente a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo. A Sala São Paulo e a Estação Júlio Prestes, que foi reformada para ser a maior sala de concertos da cidade, também se localizam no bairro. O bairro  foi idealizado e loteado por empresários suíços no fim do século XIX, em 1878, notadamente pelo suíço Frederico Glete e o alemão Victor Nothmann, que adquiriram antiga chácara em um local conhecido como Campo Redondo e a lotearam. Para isso contrataram o arquiteto alemão Herman von Puttkamer, que desenhou o urbanismo da área. A localização era privilegiada: próximo da Estação Sorocabana, inaugurada em 1878 (atual estação Estação Júlio Prestes) e da Estação da Luz e, ao mesmo tempo, não muito longe do centro da cidade, os espaçosos terrenos do loteamento eram ideais para abrigar as mansões e residências dos barões do café quando vinham à capital a negócios. O Liceu Coração de Jesus, renomada instituição pedagógica também se instalou na área. E ficava nas cercanias o principal hospital da cidade à época, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Algumas das ruas foram batizadas com os sobrenomes destes empresários ou em homenagem aos seus países de origem, como Alameda Glette, Alameda Nothmann, Alameda Cleveland e Rua Helvetia. Na Revolta Paulista de 1924 o bairro foi bombardeado e durantes os combates vários pontos da cidade foram atingidos, em especial bairros operários como Mooca, Ipiranga, Brás, Belenzinho e Centro, que foram seriamente afetados pelos bombardeios. A partir de década de 1930, os Campos Elíseos sofreram com o prejuízo dos barões do café que lá moravam. Com as dificuldades dos cafeicultores, e seus herdeiros que repartiam as heranças, e que optaram por mudarem para novos bairros, muitos casarões e mansões foram demolidos, cedendo espaço a prédios de apartamentos e galpões industriais. Outros continuaram de pé, sendo alugados e sublocados, transformando-se em pensões, cortiços e moradias coletivas precárias. Apenas um núcleo do bairro preservou características das décadas de 1930 e 1940. Trata-se da região próxima à rua Chácara do Carvalho (antiga propriedade do Conselheiro Antônio da Silva Prado, com seu majestoso palacete), onde fica o Colégio Boni Consilii: ali ainda existem alguns poucos casarões e edifícios residenciais de porte, muitos com garagem, ocupados ainda por pessoas de classe média. [Textos e imagens da Wikipedia]



O Palácio dos Campos Elísios, na Avenida Rio Branco.

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CAETANO DE CAMPOS, EDUCAÇÃO PÚBLICA DE ELITE


Escola Normal de São Paulo em 1908 


A Escola Normal Caetano de Campos, fundada inicialmente como Escola Normal da Capital, hoje é denominada como Escola Estadual Caetano de Campos. Funcionava no prédio anexo à Catedral da Sé velha e foi transferida para a Praça da República para o edifício projetado por Antônio Francisco de Paula Sousa e Ramos de Azevedo, inaugurado em 1894 e funcionou neste edifício até 1978, onde passou a abrigar a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Foi a primeira dessa modalidade , criada em 1846, com a primeira lei de instrução primária da Província de São Paulo que instituía: Art. 31º - 0 governo estabelecerá na Capital da Província uma escola normal de instrução primária. Todas as aulas eram dadas pelo mesmo professor, também fundador da escola, Dr. Manoel José Chaves. Havia uma variação de 11 a 21 alunos matriculados anualmente na escola. Esta escola atendia alunos exclusivamente do sexo masculino, que uma vez aprovados, poderiam prover instrução primária. No ano de 1867, a escola foi a fechada por ausência de verba, em razão da aposentadoria do professor. Após oito anos, foi reaberta devido a obrigatoriedade do ensino, consagrada na lei número 9 de 22 de março de 1874. Começa a funcionar em uma ala da Faculdade de Direito do Largo São Francisco e passou a aceitar estudantes do sexo feminino, que estudavam em horários e locais diferentes, já que não podiam ter contato com os estudantes do sexo masculino. Ocorre um novo fechamento das portas em 1878, por motivos de instalação, disponibilização de material didático, baixa frequência e alta evasão escolar: o curso começava com 214 alunos e alunas, terminando com apenas 44. Em 1880, a Escola foi novamente aberta, mas em outro local, mudando ainda mais duas vezes. Acomodou-se primeiramente na Rua do Tesouro; depois, no prédio do Fórum Civil. Mais tarde em 1881, foi transferida para a Rua da Boa Morte, conhecida hoje como Rua do Carmo.   Abrigava os cursos normais primários e secundários, para a formação de docentes nestes dois níveis de ensino. Tinha como anexo o Jardim da Infância, único caso de investimento pré-escolar na época da República e a Escola Modelo, destinada ao Ensino Primário masculino, dirigida pela professora Miss Browne. O Jardim de Infância foi inaugurado em 1896 e tinha como objetivo servir de estágio para aos professores normalistas. Com relação aos cursos normais, o espaço destinado a ela apresentava uma distinta separação entre a seção masculina situada na ala direita do edifício e a seção feminina, localizada na área esquerda. Essa diferenciação de gênero indicava também formações diferentes, que prescrevia disciplinas diferentes de acordo com o gênero. Por exemplo, na ala direita destinada aos alunos estavam as oficinas de tornos e marcenarias. Já na ala esquerda, situavam-se as oficinas de modelagem e esculturas em argila e gesso. Em anuários de ensino de 1907 e 1908, consta que a escola dispunha de um museu com mais de 600 espécies de zoologia, 257 fósseis, 150 espécies de mineralogia, um museu escolar de Saffray e aparelhos para o ensino de Anatomia. Nos meados dos anos 1870, o edifício contemplava várias salas para diferentes fins: sessenta amplas salas de aula, três salas dedicadas à música, quatro salas de professores, três secretarias, até dois gabinetes dentários, um gabinete médico, dois pátios abertos, dois cobertos, um auditório, uma sala nobre conhecida como sala Álvaro Guião, conservada até hoje, porém sem o mobiliário da época que eram poltronas de madeira, estas foram substituídas por poltronas de tecido, duas bibliotecas, quatro salas de orientação, além de porão, onde funcionava a cantina, o centro de documentação e depósitos . [Textos e imagens da Wikipedia]


PRAÇA RAMOS DE AZEVEDO





Em primeiro plano à esquerda o Theatro Municipal e o Hotel Esplanada. No centro o cruzamento da Praça Ramos de Azevedo com o Viaduto do Chá. Ao centro o Vale do Anhangabaú, os Palacetes Conde Prates. Ao fundo o Edifício Martinelli e Altino Arantes (Banespa), ainda em construção e à esquerda o Mosteiro São Bento, em 1949. São Paulo Antigamente.


A Praça Ramos de Azevedo é um logradouro situado no bairro da República, no Centro do município de São Paulo, no Brasil, famosa por abrigar o Theatro Municipal de São Paulo. A praça foi inaugurada junto com o Theatro Municipal em 1911, quando foi dado o nome de Esplanada do Theatro e passou a ter o nome de Praça Ramos de Azevedo após a morte do arquiteto apenas em 1928. A praça se localiza no espaço compreendido entre a Rua Conselheiro Crispiniano e Rua Formosa, à área frontal e atrás do Teatro Municipal de São Paulo e sob o Viaduto do Chá, ao lado do Prédio Alexandre Mackenzie e compõe, com tal espaço, um conhecido cartão-postal da cidade.

No terreno ficava a serralheria do imigrante alemão Gustav Sydow no antigo Morro do Chá, bem onde hoje é o Theatro Municipal. Após o local ter sido escolhido, o mesmo foi desapropriado pela Câmara Municipal em 1903. A Praça nasceu em 1911, juntamente com o Theatro Municipal de São Paulo, . naquela época, era mais conhecida como Esplanada do Theatro, e não fazia parte de um conjunto de obras para urbanização do Vale do Anhangabaú, hoje conhecida como Plano Bouvbaú. Antes da aparição do teatro, a região abrigava casas populares de aluguel que foram demolidas para abertura do Vale do Anhangabaú. O local passou a ser conhecido como Praça Ramos de Azevedo apenas em 1928 após seu falecimento, em homenagem ao arquiteto que construiu o Theatro Municipal.

O desenho da praça. A Praça Ramos de Azevedo fica em terreno onde antes estavam parte das terras da Chácara do Chá, pertencentes ao Barão de Itapetininga, José Joaquim dos Santos Silva, que realizava na região o cultivo de chá preto. O Governo exigiu que fosse aberta uma ligação entre o Largo da Memória e a Rua de São João em 1855, o que ocorreu com a abertura da Rua Formosa. No dia 21 de abril de 1863, a desapropriação de outros lotes foi autorizada pela Câmara Municipal de São Paulo, que decidiu reservar o local para a abertura das ruas Coronel Xavier de Toledo, Conselheiro Crispiniano, Barão de Itapetininga e 24 de maio. Estas vias foram oficialmente entregues entre 1875 e 1876. Em 6 de novembro de 1892, foi inaugurado o Viaduto do Chá, o primeiro da cidade de São Paulo, que passa sobre a praça.

A partir de 1895, gestores da prefeitura passaram a discutir a possibilidade de construção de um grande Theatro na capital paulista. O local, então conhecido como “Morro do Chá”, que viria a se transformar na Praça Ramos de Azevedo somente em 1928, foi o escolhido. O conjunto escultórico ali construído, chamado Monumento a Carlos Gomes, é um presente da comunidade italiana de São Paulo em homenagem ao grande compositor brasileiro de óperas – cujos personagens das mais importantes ilustram as estátuas e alegorias do monumento – e foi concluído em 1922, pelo escultor italiano Luigi Brizzolara. O conjunto passou a ser conhecido também como Fonte dos Desejos, em 1957.

Homenagem do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP, a Ruy Barbosa.
As obras para a construção do Theatro Municipal foram iniciadas em 16 de junho de 1903. O trabalho foi projetado pelos arquitetos italianos Domiziano Rossi e Cláudio Rossi (apesar da coincidência, ambos não são irmãos), que prestavam serviços para o escritório do arquiteto brasileiro Francisco de Paula Ramos de Azevedo, conhecido como Ramos de Azevedo. O erguimento foi concluído após 8 anos, em 11 de outubro de 1911, com a inauguração oficial do Theatro Municipal de São Paulo.  Antes da chegada do prédio, a região abrigava a Serralheria e Marcenaria dos irmãos Adolph e Gustav Sidow além de suas residências, demolidos com a famosa edificação. A partir daí, a praça onde está situado o empreendimento passou a ser conhecida como Esplanada do Theatro. Em frente ao Theatro Municipal, desde 1907, já funcionava o Theatro São José, que acabou sendo demolido em 1924. Além destes, mais duas casas de espetáculos estavam instaladas no lado oeste do Anhangabaú. Para aprimorar as condições de acesso à região, técnicos da prefeitura decidiram realizar obras na região frontal ao Theatro. O projeto escolhido foi o de Joseph Antoine Bouvard, que previa a construção de uma área ajardinada que iria da Rua Líbero Badaró à Conselheiro Crispiniano e não incluía a área em torno do Teatro, pois tal projeto foi aprovado três dias antes da inauguração ds Praça . O nome do espaço só foi alterado para Praça Ramos de Azevedo em 1928, ano da morte do arquiteto, como homenagem ao responsável pelo Theatro Municipal. Após o ajardinamento da área da encosta do Morro do Chá, depois denominada Praça Ramos de Azevedo, o local, com alamedas curvas e tratamento paisagístico requintado, constituiu-se numa espécie de antessala para o Theatro, em uma ambientação que valorizava um dos mais importante espaços artísticos da cidade.




PRAÇA DO PATRIARCA



Vista frontal da praça por Júlia V.Z.


A Praça do Patriarca é um logradouro situado no Centro Histórico da cidade brasileira de São Paulo. A praça está situada no histórico distrito da Sé e é uma das praças mais antigas da cidade. A sua denominação homenageia o "Patriarca da Independência", José Bonifácio de Andrada e Silva. Apesar de fazer parte do Plano Bouvard de 1911 , e as primeiras desapropriações ocorrerem em 1913, o processo de abertura da praça ficou parado devido o estabelecimento de outras prioridades e a ocorrência de dificuldades financeiras fizeram com que as desapropriações só fossem retomadas em 1920. As últimas desapropriações foram autorizadas em 1 de abril de 1922. Construída em 1922 com a demolição de antigos casarões localizados entre a Ruas São Bento e Líbero Badaró, na continuidade das Ruas Direita e da Quitanda, lembrando que esta última terminava na Rua São Bento, não a cruzava. Foi inaugurada oficialmente em 13 de janeiro de 1926 com a instalação do Lampadário no centro da Praça, projetado por Ramos de Azevedo. 

A praça dá acesso a importantes pontos do Centro da cidade, como: Vale do Anhangabaú, Viaduto do Chá, Rua Líbero Badaró, Rua Direita, Rua São Bento, Rua da Quitanda, Rua XV de Novembro, dentre outros. Na esquina com a Ladeira Dr. Falcão, se encontra a sede da Prefeitura Municipal de São Paulo instalada no Edifício Matarazzo. Na região se localiza o prédio do Othon Palace Hotel, e o Edifício Barão de Iguape, o Edifício Sampaio Moreira entre outros tantos. A Igreja de Santo Antônio, que é considerada a Igreja mais antiga do centro, está na praça.

O Centro Histórico de São Paulo concentra o maior número de patrimônios tombados da cidade. São 910 exemplares em uma área de 4,4 km² nos distritos municipais da Sé e República, em que grande parte dessas construções aconteceram a partir de 1900. O surgimento da Praça do Patriarca se dá a partir da expansão do centro da cidade de São Paulo, com a travessia do Vale do Anhangabaú a partir do Triângulo Histórico (cujos vértices são o Mosteiro de São Bento, a Igreja de São Francisco e a Igreja da Ordem Terceira do Carmo) Até o início do século XIX, as ruas concentravam o comércio, a rede bancária e os principais serviços de São Paulo. Com a expansão da lavoura cafeeira, a cidade passou por transformações econômicas e sociais que refletiram na expansão da área urbana para além do perímetro do triângulo. São Paulo cresce e recebe muitos melhoramentos urbanos como calçamento, praças, viadutos, parques, trens, bondes, eletricidade, telefone, automóvel, e os primeiros arranha-céus. Anteriormente , a construção do Viaduto do Chá, projeto do arquiteto Jules Martins, em 1892 promoveu a ligação do "centro velho" com a "cidade nova. A partir da expansão da cidade para além do Anhangabaú, o Vale tornou-se um obstáculo geográfico e uma dificuldade para o deslocamento. Em 1911, o projeto do arquiteto francês Joseph Antoine Bouvard previa melhorias urbanas no centro da cidade e integração entre os espaços.

Praça do Patriarcha José Bonifácio, primeira denominação. No dia 22 de abril de 1922 , o Presidente da Câmara Municipal Raymundo Duprat assina a Lei nº 2475 que denomina Praça do Patriarcha José Bonifácio a praça fronteira ao Viaduto do Chá, entre as Ruas São Bento , Direita e Líbero Badaró e o prolongamento da Rua da Quitanda, lembrando que esta rua terminava na Rua São Bento, não a cruzava. A praça foi aberta nos mesmos dias em que passou a ter recebido o nome oficial junto ao centro comercial mais moderno da época, com a presença da loja de departamentos Mappin Stores, Grand Hotel de La Rotisserie Sportsman, e tempos depois mudaria para o novo Prédio na esquina da Rua da Quitanda a Casa Fretin , relojoaria e ótica fundada em 1885 pôr Louis Fretin, na rua São Bento, uma referência em equipamentos médicos, de laboratório e engenharia na época.

O primeiro traçado da Praça foi projetada por Rudge Ramos, por indicação de Raymundo Duprat, Presidente da Câmara Municipal. A inauguração oficial da Praça do Patriarca aconteceu com a instalação no dia 13 de janeiro de 1926 do monumento projetado pelos Escritórios de Arquitetura Ramos de Azevedo no centro da nova Praça. Batizado de Lampadário era composta de 4 luminárias para clarear o logradouro. Um dia antes do Prefeito Firmiano de Morais Pinto terminar o mandato. O Lampadário erroneamente foi chamado de Coluna Rostral, porém são algos completamente distintos.
As melhorias do Anhangabaú, com o Viaduto do Chá e o Parque de Bovard arrematavam construções imponentes, como o Teatro Municipal. Em 1929, em visita a São Paulo, o arquiteto francês Le Corbusier esboçou um importante projeto para a cidade. É contemporâneo a esse projeto o Plano de Avenidas para São Paulo, elaborado por Prestes Maia e Ulhôa Cintra, publicado em 1930. Tratava-se de um plano abrangente, que foi implantado em grande parte e é o principal projeto responsável pela atual feição da cidade de São Paulo, não tanto pela sua arquitetura, mas pela sua lógica e avenidas. Foi através dele que Prestes Maia impôs uma centralidade à cidade.

Meados do século XX. No início dos anos 90, o processo de abandono e deterioração do Centro de São Paulo atingiu seu auge. Nesta ocasião um grupo de empresários, em maioria representantes do setor financeiro se uniram a representantes de vários setores da sociedade e fundaram a Associação Viva o Centro, com o objetivo de reverter este quadro de degradação do patrimônio histórico de São Paulo. O grupo técnico da Associação elaborou o documento denominado “O Coração da Cidade”, que posteriormente foi entregue à Prefeitura de São Paulo. Este documento serviu como base para uma série propostas e decretos municipais , apresentando um diagnóstico das principais possíveis causas de deterioramento e soluções consideradas fundamentais para a reversão do processo, como por exemplo: a deterioração ambiental e paisagística; a dificuldade de acesso, circulação e estacionamento; a obsolescência e insuficiência do estoque imobiliário e a deficiência da segurança pessoal e patrimonial. O resultado foi a abertura do processo de tombamento de perímetro referente ao Parque do Anhangabaú, em abril de 1991. Entre os projetos, apresentava: Fachadas do Centro; Plano de incentivo à Cultura, Lazer e Turismo; Plano de revisão da ocupação e utilização do espaço público; Projeto Centro Acessível e o Projeto Patriarca, que englobava o Pórtico, e Praça e Galeria.

Características arquitetônicas. A iniciativa da Associação Viva o Centro levou à implantação de um pórtico projetado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, marcando a reurbanização da praça, que fora ocupada pelo trânsito e havia se transformado num terminal de ônibus. Um lugar onde as pessoas já não paravam mais e que com a reforma ganhou novas funções, recuperando seu sentido na cidade. Com a retirada dos ônibus, o amplo espaço existente foi designado aos pedestres, que conseguem acessar a praça por seis diferentes vias, e ganhou um piso de mosaico para delimitar a área. O arabesco de mosaico português existente foi reconstituído, com o auxílio de montagens de fotos, e cortado em uma das laterais por uma baia para veículos (carga e descarga, táxis e ônibus turísticos, entre outros). Outro elemento significativo no projeto do arquiteto Paulo Mendes Rocha é a cobertura metálica com 40 metros de vão, demarcando os limites entre o centro velho e novo, do interior ao exterior da Galeria Prestes Maia. A estrutura da cobertura se assemelha a uma asa de avião recoberta por chapas metálicas com dois pontos de apoio assimétricos. Na parte mais baixa, uma calha capta águas pluviais.

Detalhe do pórtico. A reforma da Praça do Patriarca levou, ao todo, nove meses para ficar pronta. As fundações, do tipo radier (tipo de fundação que distribui toda a carga da edificação de maneira uniforme no terreno), foram situadas fora dos limites da galeria subterrânea, com cuidado para não atingir tubulações de água, luz, gás e telefone. Depois, foi montado o pórtico e, em seguida, içada a cobertura metálica. Na parte interna da galeria, Mendes Rocha implantou a instalação de peças de diversos museus da cidade de São Paulo em vitrines, possibilitando o contato de transeuntes com obras de arte. O MASP (Museu de Arte de São Paulo) já mantém, ali, um espaço. A Praça também abriga a escultura de José Bonifácio, o Patriarca da Independência. A peça foi criada em 1972 por Alfredo Ceschiatti (1918-1989), destacado artista plástico brasileiro, com o incentivo da comunidade libanesa de São Paulo, em comissão formada por figuras como então ex-prefeito Paulo Maluf (1969-1971) e o engenheiro Miguel Badra.



PROJETO AULA PÚBLICA NO GLICÉRIO




"Desde o primeiro dia que entrou em sala de aula, há 33 anos, o professor de geografia Paulo Roberto Magalhães, 57 anos, sonha em contribuir para melhorar a sociedade e fazê-la acreditar que o caminho da mudança está atrelado à educação.  Professor de uma escola pública na região central de São Paulo, ele conta que a violência urbana é a tônica local e que as famílias dos alunos fogem à estrutura nuclear tradicional e muitas vivem em situação de vulnerabilidade. Mestre em arquitetura e urbanismo, o professor desenvolveu um projeto, em 2016, para levar os estudantes a visitações em vários pontos da capital paulista, para mostrar, a partir de fotografias antigas, como se deu a ocupação do espaço e como isso influencia a vida na região, em especial no Glicério, onde está inserida a escola em que ele trabalha: Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Duque de Caxias. Surgiu assim o projeto Aula Pública: Além dos muros da escola". Correio Brasiliense. 


Itinerários externos do Projeto Aula Pública.



II

BARRA FUNDA, SANTA CECÍLIA E VILA BUARQUE



Barra Funda é um distrito situado na região oeste do município de São Paulo, com 5,6 km² de superfície. Situado em uma área de várzea ao sul do rio Tietê, cortada desde o século XIX por duas ferrovias (Santos-Jundiaí e Sorocabana), foi durante muitos anos uma região de vocação industrial. Atualmente se tornou uma zona de classe média e pequenos escritórios. Em seu limite se encontram o Parque Fernando Costa (Parque da Água Branca) e o terminal rodoviário da Barra Funda, que funciona junto com a estação terminal da Linha 3 (vermelha) do Metrô de São Paulo. Foi retratada na obra de Alcântara Machado "Brás, Bexiga e Barra Funda", que aborda o cotidiano das classes proletárias da cidade de São Paulo na primeira metade do século XX. Por volta de 1850, a região que corresponde atualmente à Barra Funda fazia parte da antiga Fazenda Iguape, propriedade de Antônio da Silva Prado, o Barão de Iguape. Essa fazenda após loteada deu origem a várias chácaras, entre elas a Chácara do Carvalho, pertencente ao Conselheiro Antônio Prado, neto do Barão de Iguape, e que mais tarde se tornaria prefeito do município de São Paulo. As outras áreas loteadas deram origem ao distrito da Barra Funda e a parte dos atuais distritos da Casa Verde e Freguesia do Ó.[Textos e imagens da Wikipedia]

O desenvolvimento maior da região ocorreu após a inauguração da Estação Barra Funda da Estrada de Ferro Sorocabana, em 1875, funcionando como escoamento da produção de café paulista e também como armazém dos produtos que eram transportados do porto de Santos para o interior.
Isso incentivou o aumento populacional e a ocupação da região e de seus arredores, que se intensificou com a criação, em 1892, da São Paulo Railway, inaugurada próxima à Estrada Sorocabana, justamente onde se encontra atualmente o Viaduto da Avenida Pacaembu. O crescimento demográfico na região proporcionado pela ferrovia fez com que essa passasse a transportar, a partir de 1920, não apenas cargas mas também passageiros. A partir do século XX a população negra começou a povoar a região, alterando a característica essencialmente italiana da Barra Funda. O primeiro bonde elétrico de São Paulo foi lançado em 7 de Maio de 1902, ligando a Barra Funda ao Largo São Bento. Neste trajeto, passava nas ruas Barra Funda, Brigadeiro Galvão, até seu ponto final na rua Anhanguera. Também na Barra Funda, na rua Brigadeiro Galvão, foi inaugurada pela Companhia Telefônica Brasileira (CTB) em 14 de julho de 1928 a primeira central telefônica automática da cidade de São Paulo. Este prédio encontra-se conservado até os dias atuais. Esse desenvolvimento comercial do bairro, aliado à grande facilidade no transporte e à proximidade dos elitizados bairro de Higienópolis e Campos Elísios, fez com que parte da elite paulista da indústria e do café se instalasse nessa região ao sul do bairro, entre a linha férrea e as margens do rio Tietê. Outro fator que colaborou para o desenvolvimento da Barra Funda foi a proximidade com o Parque Industrial das Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo, instalado no bairro vizinho da Água Branca, em 1920. As Indústrias Matarazzo empregavam boa parte da população da região, assim como em grande parte da cidade e foram a base do conhecido "Império Matarazzo", que foi se enfraquecendo até se extinguir na década de 1980. O desenvolvimento da região sofreu um forte abalo com a Grande Depressão, que resultou no fechamento de indústrias e deslocamento da elite dessa região, abandonando seus casarões (alguns se tornaram cortiços mais adiante). Restou basicamente a indústria artesanal com oficinas, marcenarias, serraria ou indústrias alimentícias e têxteis de pequeno porte.

CULTURA. Em 1917 foi inaugurado o Teatro São Pedro. Três anos depois, o Palestra Itália de São Paulo comprou um terreno em que foi construído o Estádio Palestra Itália, pertencente ao clube que em 1942 mudaria seu nome para Sociedade Esportiva Palmeiras, em 2014 foi inaugurado o novo estádio do clube, o Allianz Parque, no mesmo local do antigo estádio. A Barra Funda também foi palco da criação do mais antigo cordão de carnaval da cidade: o Grupo Carnavalesco Barra Funda. O Grupo foi perseguido por pressão do presidente Getúlio Vargas, que confundiu a associação já que os mesmos utilizavam camisas verdes e calças brancas, mesmas cores da ação Integralista de Plinio Salgado. Finalmente, mudou de nome em 1953 para cordão Camisa Verde e Branco, mais tarde tornando-se escola de samba em 1972, ganhando o carnaval paulistano por 9 vezes e mantém sua sede no distrito.

A partir da década de 1970 começou a migração nordestina para a região e a atividade industrial, anteriormente um dos grandes pontos fortes da Barra Funda, diminuiu sensivelmente. Essa situação começou a mudar apenas no final da década seguinte, com a construção do Terminal Intermodal Barra Funda, um dos maiores do país e com importância semelhante ao Terminal Tietê, pois reunia todas os tipos de transporte coletivo existentes na capital paulista: Metrô (com a inauguração da estação terminal da linha 3 - Barra Funda), trens das antigas linhas Sorocabana e Santos-Jundiaí, além de ônibus para viagens municipais, intermunicipais e internacionais. Tais obras trouxeram novo desenvolvimento a área, com a revitalização de imóveis antigos, novos estabelecimentos comerciais e inclusive a instalação dos estúdios da Rede Record de televisão em 1995. Antes eram ocupados pela extinta TV Jovem Pan. Neste bairro também se encontram os Fóruns Trabalhista Rui Barbosa e Criminal Mário Guimarães, além de abrigar a nova sede da Federação Paulista de Futebol. A FPF, antigamente, era situada na Av. Brigadeiro Luiz Antônio, centro da Capital.


Santa Cecília é um distrito situado na zona central do município de São Paulo. O distrito compreende os bairros de: Campos Elísios, Santa Cecília, Várzea da Barra Funda (triângulo formado entre as vias férreas do Trem Metropolitano e as avenidas Abraão Ribeiro e Rudge), e parte da Vila Buarque onde estão localizados o Largo Santa Cecília e a estação do metrô Santa Cecília. Em seus domínios encontram-se a maior parte do Elevado Presidente João Goulart (vulgo Minhocão), a Praça Marechal Deodoro, a Praça Princesa Isabel, a Praça Júlio Prestes e o Largo Coração de Jesus.

Enquanto a área do distrito ao sul das linhas de trem é caracterizada pelo alto adensamento e pelo uso misto residencial e comercial, as localizadas ao norte dele são menos verticalizadas, marcadas pela presença de casas, galpões e indústrias. Regiões como o bairro de Campos Elíseos e o entorno do Elevado, outrora habitadas por uma população de alta renda, atualmente se caracterizam por maior diversidade no perfil socioeconômico. Edifícios históricos se concentram notadamente nos Campos Elíseos, tais como o Palácio dos Campos Elísios, a antiga residência da família de Elias Antônio Pacheco e Chaves, mais tarde sede do Governo do Estado de São Paulo e residência oficial do Governador do Estado de São Paulo antes da mudança para o Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi.

Santa Cecília é um bairro situado zona central do município de São Paulo pertencente ao distrito homônimo de Santa Cecília. Foi um dos primeiros loteamentos de alto padrão do município, onde se fixaram vários dos antigos fazendeiros do café. A localização privilegiada e os espaçosos terrenos do loteamento eram ideais para abrigar as mansões e residências dos fazendeiros quando vinham à capital a negócios. Também ficava nas cercanias o principal hospital do município à época, a Santa Casa.
A partir de década de 1930, com a epidemia de febre amarela que assolou localidades do interior do estado fazendo com que cafeicultores mudassem suas residências para a capital, somadas a Grande Depressão (a Crise de 1929) e a Revolução de 1930 trouxeram mudanças a muitas famílias, que, instalados no bairro, tiveram muitos de seus casarões e mansões demolidos, cedendo espaço a prédios de apartamentos, cedendo à especulação imobiliária. Outros continuaram de pé, sendo alugados e sublocados, transformando-se em pensões, cortiços e moradias coletivas precárias.

Mas outros fatores também contribuíram para a decadência progressiva do bairro, entre as décadas de 1930 e 1990: herdeiros de imóveis que na partilha de bens e desinteresse pelo bairro, os venderam ;
o processo de decadência e esvaziamento da região central do município, a partir da década de 1970, com a transferência de muitos escritórios para a região da Avenida Paulista; a falta de atratividade do bairro para a classe média, uma vez que a maioria dos prédios de apartamentos lá construídos, das décadas de 1930 e 1940, não tinham garagem nem área de lazer (os edifícios passaram a ser ocupados por famílias de renda mais modesta, que não tinham condições de conservar adequadamente os imóveis); a construção em 1970 do Elevado Presidente João Goulart (vulgo Minhocão) na Consolação sobre a rua Amaral Gurgel e na Santa Cecília sobre boa parte das avenidas São João e General Olímpio da Silveira, contribuiu ainda mais para a progressiva decadência da região. Apenas um núcleo do bairro preservou características das décadas de 1930 e 1940. Trata-se da região próxima à alameda Barros, onde fica o Externato Casa Pia São Vicente de Paulo[2], onde há a casa de D. Maria Angélica de Souza Queiroz, também antiga Chácara das Palmeiras; ali ainda existem alguns poucos casarões e edifícios residenciais de porte, muitos com garagem, ocupados ainda por pessoas de classe média-alta.


Vila Buarque é um bairro de São Paulo localizado parte no distrito da Consolação, parte no distrito da República, parte no distrito da Santa Cecília na região central da capital paulista. É administrado pela Prefeitura Regional da Sé. Logradouros: ruas Maria Antônia, Major Sertório, General Jardim, Marquês de Itu, Dr. Vila Nova, Dr. Cesário Motta Júnior, Cunha Horta, Maria Borba, Amaral Gurgel, Rego Freitas, Bento Freitas, Santa Isabel e praça Rotary. É o bairro onde se localizam a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e a Universidade Presbiteriana Mackenzie. Também estão localizados na Vila Buarque a Escola da Cidade, o SESC Consolação, o Centro Universitário Maria Antônia (no antigo prédio da FFCL-USP), a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, o Teatro Aliança Francesa, o Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo, a sede do IAB, a Biblioteca Monteiro Lobato  A região que forma atualmente a Vila Buarque constituía uma Chácara, primeiro pertencente ao marechal José Toledo de Arouche Rendon e mais tarde ao Senador Antônio Pinto do Rego Freitas. Em 1893, seus herdeiros a venderam à Empresa de Obras do Brasil, que arruou a chácara. A empresa era propriedade do Senador Rodolfo Miranda e do engenheiro de obras Manuel Buarque de Macedo, que deu nome ao bairro. O desenvolvimento do bairro e de outros adjacentes, como Santa Cecília e Higienópolis, foi fruto do processo migratório das classes mais abastadas, que começavam a sair do centro da cidade ou até mesmo do isolamento das fazendas. Até a década de 1940, a região possuía espaçosas casas, que depois deram lugar a edifícios de classe média. A partir de 1960 o bairro cresceu, ganhando também diversas boates. Um dos points da bossa nova em São Paulo ficava no bairro: o Juão Sebastião Bar, que ficava na Rua Major Sertório, 772 (no porão do casarão) onde atualmente é a Pizzaria Veridiana; entre a UNE – União Nacional de Estudantes e a Universidade Mackenzie, esse lendário bar viu apresentações de Carlos Lyra, João Gilberto, Cesar Camargo Mariano, Arthur Moreira Lima, Billy Blanco, Lúcio Alves, Elza Soares, Vinicius de Moraes e Tom Jobim. Cortada pelo Minhocão, a Vila Buarque sofreu com a degradação do centro de São Paulo na década de 1970. 


Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Foto de 1938.  é uma instituição privada e laica considerada como um dos maiores hospitais filantrópicos da América Latina. A assistência é financiada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) conjuntamente com as serventias extrajudiciais (cartórios) e o Governo do Estado de São Paulo. O atual prédio da Irmandade da Santa Casa foi planejado em 1897, quando o Senador Antônio Pinto de Rego Freitas doou o terreno no quarteirão hoje compreendido pelas Ruas Santa Isabel, Dr. Domingos José Nogueira Jaguaribe, Marquês de Itu e Dr. Cesario Mota - coincidentemente os mesmos espaços antes ocupados pela plantação de chá do general José Arouche - para a construção da nova unidade. Para tanto, foi criado uma comissão com membros notáveis da sociedade paulistana para decidir o caminho da construção. Então, no dia primeiro de outubro de 1878, aproveitando a estada na cidade do Imperador D. Pedro II e da Imperatriz D. Teresa Cristina, a partir de um concurso, foi escolhido o projeto do engenheiro Luiz Pucci. Mais tarde, a elaboração do hospital foi constituída por outras duas comissões, uma para diligenciar sobre o terreno e cuidar da venda do prédio antigo da Irmandade, e a segunda, formada pelo médicos Antônio Caetano de Campos e José Maria Correia de Sá e Benevides foi responsável por estudar o terreno a fim de estudar a disposição dos serviços e pavilhões. Em 31 de agosto de 1884, foi inaugurado o prédio da nova Santa Casa da Misericórdia, na presença da sociedade paulistana e dos membros da lrmandade. As enfermarias foram batizadas com os nomes dos patrocinadores: Condessa de Três Rios - dedicada a São José de Três Rios, o maior doador; Barão de Iguape - em homenagem ao Dr. Antônio da Silva Prado, provedor durante 1846 e 1875; Viscondessa de Itu - dedicada a Santo Antônio, e Baronesa de Piracicaba, dedicada ao Sagrado Coração de Maria. A irmandade da Santa Casa era constituída por seis hospitais, um colégio e uma faculdade de medicina: Hospital Central; Hospital Santa Isabel; Centro de Atenção Integrada á Saúde Mental; Hospital Geriátrico e de Convalescentes D. Pedro II; Hospital São Luiz Gonzaga; Colégio São José e Faculdade de Ciências Médicas Santa Casa de São Paulo.

Enfermeiras da Santa Casa em 1921. 


A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) é uma instituição de ensino superior de São Paulo voltada ao ensino das ciências da saúde. Possui cursos de bacharel em Medicina (considerado como um dos melhores e mais tradicionais cursos do país), Enfermagem e Fonoaudiologia, além de cursos tecnológicos em Radiologia e Sistemas Biomédicos. Também oferece cursos de pós-graduação (especialização lato sensu), mestrado e doutorado (stricto sensu) e pós-doutorado. A faculdade é uma instituição de ensino particular, cuja mantenedora é a Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho. A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, hospital-escola da instituição, foi o primeiro local a formar médicos e cirurgiões no estado de São Paulo, tendo sido o berço dos cursos de medicina da Universidade de São Paulo (USP) e da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, mas seu ensino foi interrompido durante algumas décadas do século XX. Na década de 1950 o corpo docente da Santa Casa se mobilizou para organizar uma nova faculdade de medicina no local, a FCMSCSP, iniciando suas atividades acadêmicas em 24 de maio de 1963, dentro do hospital-escola da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (primeiro hospital da cidade de São Paulo). A Faculdade já formou mais de 3.500 médicos, além de 274 mestres, 114 doutores e 26 livres-docentes. Apresenta grupos de pesquisa científica, tanto nas áreas básicas quanto clínicas. Em 2013, a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo completou 50 anos de fundação. A maioria do seu corpo docente graduou-se na própria Faculdade e, atualmente, existem 374 professores, sendo 284 (75,9%) doutores,  77 (20,6%) mestres e 13 (3,5%) especialistas, que lecionam para mais de 1.100 alunos dos cinco cursos de graduação, 200 alunos dos cursos de pós-graduação (stricto sensu) e 1.650 alunos de especialização (lato sensu)


MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA




O Memorial da América Latina é um centro cultural, político e de lazer, inaugurado em 18 de março de 1989 na cidade de São Paulo, Brasil. O conjunto arquitetônico, projetado por Oscar Niemeyer, é um monumento à integração cultural, política, econômica e social da América Latina, situado em um terreno de 84 482 metros quadrados no bairro da Barra Funda. Seu projeto cultural foi desenvolvido pelo antropólogo Darcy Ribeiro. É uma fundação de direito público estadual, com autonomia financeira e administrativa, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura. O complexo é constituído por vários edifícios dispostos ao longo de duas áreas unidas por uma passarela, que somam ao todo 25 210 metros quadrados de área construída: o Salão de Atos, a Biblioteca Latino-Americana, a Galeria Marta Traba, o Pavilhão da Criatividade, o Anexo dos Congressistas e o Auditório Simón Bolívar — que sofreu um incêndio em novembro de 2013. Na Praça Cívica, encontra-se a escultura em concreto, também de Niemeyer, representando uma mão aberta, em posição vertical, com o mapa da América Latina pintado em vermelho na palma, simbolizando uma mancha de sangue, em referência aos episódios turbulentos do passado e aos problemas sociais da região. O Memorial possui um acervo permanente de obras de arte, exibidas ao longo da esplanada e nos espaços internos, e conta com um centro de documentação de arte popular latino-americana. A biblioteca possui cerca de 30 mil volumes, além de seção de música e imagens. Mantém o Centro Brasileiro de Estudos da América Latina. [Textos e imagens da Wikipedia]


O MINHOCÃO


Rua Amaral Gurgel nos anos 1960 sobre a qual foi contruída a via elevada expressa.



O Elevado Presidente João Goulart, nomeado anteriormente Elevado Presidente Costa e Silva, e popularmente conhecido como Minhocão, é uma via expressa elevada da cidade de São Paulo, Brasil, que liga a região da Praça Roosevelt, no centro da cidade, ao Largo Padre Péricles, na Barra Funda. Foi construído com o intuito de desafogar o trânsito de vias que, por cortarem regiões centrais da cidade, não poderiam ser alargadas para ter sua capacidade ampliada. Assim, a solução seria a construção de uma via paralela sobre os logradouros para que a capacidade de tráfego fosse duplicada.

Desde que começou a ser construído, o Minhocão gerou desconforto e reclamações da população lindeira. A poluição do ar, sonora e visual causadas pelo Elevado são evidentes, principalmente para os edifícios vizinhos, que sofrem mais com a situação. Juntamente com o abandono do centro ao longo das décadas de 1980, 1990 e 2000, a região degradou-se, virando local de abrigo para pessoas em situação de rua, prostituição e usuários de droga.

Há décadas, existem pressões pela sua desativação e as negociações que têm sido desenvolvidas apontam para sua transformação em área de lazer, parque linear e local para eventos, como forma de valorizar a região. Apesar disso, seu papel no escoamento do tráfego na região justifica inclusive a defesa de sua permanência como via expressa. A complexidade do debate inclui também a vulnerabilidade da população local, que, devido à desvalorização que o Elevado carrega, criou uma região de aluguéis — tanto residenciais como comerciais — mais acessíveis em uma área cercada de infraestrutura na franja de dois bairros historicamente destinados às classes mais abastadas: Higienópolis e Campos Elíseos. Portanto, há também o temor de que a desativação induza um processo de gentrificação decorrente da reurbanização e revalorização da área, expulsando a população mais pobre e vulnerável.

Como estratégia para diminuir o impacto negativo do Elevado desde 1976, ele é interditado de segunda a sábado, das 21h30 às 6 horas, com fechamento total aos domingos. Atualmente, a via fica aberta para carros de segunda a sexta, das 7 às 20 horas, permanecendo fechada para veículos nos demais dias e horários, inclusive em feriados nacionais, quando é aberta apenas a pedestres e ciclistas.

Desde o Plano Diretor Estratégico de 2016, aprovado em 2014 na gestão de Fernando Haddad, já existe previsão para a transformação do elevado em parque, deixando o planejamento para o porvir. Em fevereiro de 2018, a lei que cria o Parque Municipal do Minhocão foi promulgada pelo então prefeito João Doria e publicada no Diário Oficial.Um ano depois, em 21 de fevereiro de 2019, o prefeito Bruno Covas anunciou o início do planejamento, prevendo a desativação do elevado e a criação de um parque suspenso num primeiro trecho de novecentos metros que liga a Praça Roosevelt ao Largo do Arouche.

Etimologia. Desde antes de as obras iniciarem, o nome do elevado tinha sido anunciado por Paulo Maluf, responsável pela obra, como Elevado Presidente Costa e Silva, em homenagem a um dos generais-presidentes do Brasil no período da ditadura militar, que fora, também, o responsável pela indicação do prefeito para seu cargo. Ainda na época de sua construção, o Elevado já ganhou apelidos. Além de já ser conhecido por Minhocão, devido à sua forma alongada que se esgueira ininterrupta pelo centro novo, a estrutura também era chamada de Estrada da Serraria, pois desembocava em frente à EUCATEX, fábrica de móveis da família Maluf na Barra Funda.

Desde a redemocratização, a estrutura foi renomeada duas vezes. As duas alcunhas oficiais, Parque Minhocão e Elevado Presidente João Goulart, coexistem desde 2016. A primeira é usada quando as pistas estão abertas para pedestres, enquanto que a segunda é utilizada quando estão abertas para veículos. A mudança de nome foi feita em desrespeito à Lei Municipal 13 180.

Trajeto
O Minhocão é uma via expressa com duas pistas de tráfego separadas por barreiras de concreto e com duas faixas de tráfego por sentido. Os acessos ao Elevado ocorrem a leste pela Praça Franklin Roosevelt e a oeste pela Avenida Francisco Matarazzo. A estrutura possui, também, cinco acessos intermediários, sendo três entradas e duas saídas. Os 3,4 quilômetros que o compõem, sendo 2.500 metros de via principal e 900 de acessos, são sustentados por 514 vigas, que pesam entre 80 e 120 toneladas cada.

As ruas e avenidas que se localizam sob e/ou sobre o Elevado Presidente João Goulart são:

Largo Padre Péricles, Avenida Francisco Matarazzo, Avenida General Olímpio da Silveira
Praça Marechal Deodoro, Avenida São João, Rua Amaral Gurgel e Praça Roosevelt.


LINHA DO TEMPO DA VIA EXPRESSA ELEVADA


1971- Inauguração do Elevado, que liga o centro de São Paulo ao Largo Padre Péricles, em Perdizes, na Zona Oeste, com uma extensão total de 3,4 mil metros. O Minhocão ganha o nome oficial de Elevado Costa e Silva.

1976- O Elevado, que funcionava 24 horas para o tráfego de veículos, passa a ser fechado diariamente, da meia-noite às 5 horas, a fim de diminuir o barulho causado pelo tráfego e também o número de acidentes.

1989- A Prefeitura determina a interdição, de segunda a sábado, das 21h30 às 6 horas, e fechamento total aos domingos.

2014- O artigo 375 da lei número 16 050 (o Plano Diretor Estratégico) diz que "uma lei específica deverá ser elaborada determinando a gradual restrição ao transporte individual motorizado no Elevado Costa e Silva, definindo prazos até sua completa desativação como via de tráfego, sua demolição ou transformação, parcial ou integral, em parque".

2015- A via passa a ser fechada das 15 horas nos sábados até a manhã das segundas-feiras.

2016- Decreto muda o nome oficial do Minhocão para Elevado João Goulart.

2018- É promulgada a lei 16 833, instituindo o Parque Municipal do Minhocão, estabelecendo que será gerido democraticamente com a participação de um conselho gestor com controle social popular. O fechamento passa a ser da noite de sexta-feira até a manhã de segunda-feira.[20]

2019- A Prefeitura anuncia o início do planejamento para a desativação e a transformação em parque.





O Elevado em construção nos anos 1970. Rua Amaral Gurgel. 


HISTÓRIA. Idealizado por Luiz Carlos Gomes Cardim Sangirdadi, arquiteto do Departamento de Urbanismo da Prefeitura de São Paulo, em 1968, o projeto do Minhocão foi apresentado ao prefeito Brigadeiro José Vicente de Faria Lima como uma solução ao tráfego pesado da Avenida São João, duplicando sua capacidade sem alargá-la, indo até a Praça Marechal Deodoro. À época, a via elevada era uma tipologia consagrada, que resolvia uma das questões fundamentais do século XX: o conflito entre trajetórias diferentes de veículos ou pedestres, tendo em vista o vertiginoso aumento nos volumes de tráfego urbano. O Brigadeiro recusou a obra, considerando-a radical demais, e deu prioridade à construção do metrô. Contudo, enviou o projeto para a Câmara dos Vereadores e reservou a área necessária para a construção, caso algum de seus sucessores se interessasse.  No ano seguinte, o engenheiro Paulo Maluf assumiu como prefeito biônico da cidade disposto a fazer uma obra que marcasse sua gestão. Maluf teria tentado imprimir sua marca, para se contrapor ao prefeito anterior como um bom administrador público, uma vez que, aos 38 anos, nunca havia assumido um cargo dessa envergadura. Assim, retomou o projeto do Elevado, uma construção grandiosa e de rápida execução, que contrastava com o prefeito anterior pela importância que o projeto dava ao automóvel. Deste modo, dia 24 de janeiro de 1971, aniversário da cidade de São Paulo, apenas 11 meses após o começo da construção, era inaugurado o Elevado Presidente Costa e Silva, uma via expressa com velocidade máxima de 80 km/h. 950 homens trabalharam em um ritmo febril de 16 horas por dia, totalizando seis milhões e 80 mil horas.

Construído para desafogar o tráfego, o Minhocão ironicamente foi cenário de um congestionamento em seu primeiro dia de funcionamento, quando um carro quebrado provocou um engarrafamento, agravado já que os demais motoristas não podiam fazer uma rota alternativa pela pequena quantidade de acessos e saídas à via elevada. O equipamento possuía torres de observação para alertar os motoristas sobre acontecimentos assim, algo importante quando rádios não eram acessórios comuns em carros.

A questão do custo final do Elevado não é totalmente esclarecida. Ao anunciar o projeto em 1969, Maluf assegurou um preço de 37 milhões de cruzeiros. No entanto, a Folha de S.Paulo aponta um valor de cinquenta milhões de cruzeiros, discriminando o valor pago às duas vencedoras da licitação pública: ao Consórcio Brasileiro Construtor de Estruturas, foram repassados Cr$ 32 milhões para a construção do trecho entre as praças Roosevelt e Marechal Deodoro, e à Rossi Engenharia, responsável pela parte até o Largo Padre Péricles, se transferiu um montante de Cr$ 18 milhões.

Passando a cinco metros dos prédios de apartamentos, o elevado tem 3,4 quilômetros de extensão e liga a região central à zona oeste da cidade. Foram usados na obra trezentos mil sacos de cimento, sessenta mil metros cúbicos de concreto e duas mil toneladas de cabos de aço, entre outros materiais. A obra recebeu diversas críticas, sendo chamado de "cenário com arquitetura cruel" e "uma aberração arquitetônica". O jornal O Estado de S. Paulo criticou a obra, em dezembro de 1970, alegando que ela não tinha "um objetivo definido": "A via elevada não é resposta a nenhuma pesquisa de origem e destino da população, não tem um objetivo definido. É apenas uma obra. O prefeito [Maluf] já tentou explicá-la, mas não apresentou nenhum argumento técnico, nenhum dado de pesquisa". Houve críticas, ainda, relacionadas à obra do Metrô, que teria sido atrasada por causa do Minhocão, que também causaria mudanças no trajeto da então futura Linha Leste-Oeste, que passaria sob a Avenida São João, mas teria de mudar de lugar ou receber um método de construção mais caro, por causa dos pilares do elevado. Ainda hoje, não é bem visto pela população da região, devido à desvalorização dos imóveis próximos e à deterioração do local.[Textos e imagens da Wikipedia]

Minhocão em 1969 em registro de uma revista da época. 



Impacto e transformações. Com o Minhocão, um novo projeto urbano foi posto em prática em São Paulo. No entanto, diferente de todos os outros que haviam transformado São Paulo em sua história, esse se diferenciava pelas escalas, não apenas da estrutura em si, mas também pela força do autoritarismo com que foi imposto, sem abrir espaços para a consulta popular. Ainda que as reformas públicas anteriores não tenham sido modelos de participação cidadã, essa em particular envolveu uma deliberação que atingiu um novo nível autocrata.

Sendo uma construção tão grande e impactante, o Minhocão funciona como uma metonímia das mudanças que São Paulo atravessou ao entrar na fase de sua história em que pode ser definida como metrópole. Sua construção desvalorizou imediatamente o metro quadrado das ruas sobre as quais lançou suas sombras, ao mesmo tempo em que permitiu o desenvolvimento de regiões mais distantes do centro, e incentivou o uso do transporte individual sobre rodas, e todas as consequências que isso acarreta.

Simultaneamente a essa construção, novas avenidas eram traçadas nas zonas oeste e sul, tornando-as cada vez mais acessíveis por automóvel e assim atraindo as camadas superiores da sociedade para longe do caótico centro. Nem a inauguração do Metrô em 1974 foi capaz de frear essa tendência, considerando a predileção das elites pelo transporte individual. O Minhocão fazia parte de um processo mais amplo de abandono do centro pelas elites, que ia muito além de seu próprio traçado, não sendo plausível apontá-lo como único responsável pela degradação da área. Ainda que faça parte de um contexto maior da mudança demográfica e da deterioração do Centro, o Elevado foi um catalisador dessa nova configuração social da região.

No caso do Minhocão, a fuga dos moradores da classe média e o fato de que as pessoas não queriam utilizar aquele espaço tornaram a estrutura um chamariz para atividades como a prostituição e o consumo de drogas, afastando mais o restante da população, em um ciclo que se mantém até hoje. Além disso, com a mudança do perfil dos moradores do entorno de classe média para a baixa, havia pouca verba para a manutenção estética dos edifícios, o que contribui para a atmosfera degradada. É importante ressaltar que a desvalorização imobiliária da região central não pode ser entendida como algo necessariamente negativo, pois possibilitou a ocupação dessa área por uma população de renda mais baixa e por serviços e lojas populares. Por meio desse processo, a parcela menos favorecida da sociedade conseguiu viver perto de seus trabalhos e ter fácil acesso à rede de transporte público, acabando com o paradigma de centro abastado e periferia pobre e longe das oportunidades e comodidades centrais.

Outra grande transformação do centro da cidade ocorreu em 1976, quando o prefeito biônico Olavo Setúbal inaugura o que chamava de “Reino do Pedestre”. Vinte ruas dos centros velho e novo foram fechadas para os veículos e convertidas em calçadões totalizando 60 mil metros quadrados de espaços pedonais. Tratava-se de uma tentativa de revalorizar essa área, inspirada no sucesso do calçadão da Rua das Flores em Curitiba, reurbanizada quatro anos antes com um intuito similar, e em outros projetos do tipo na Europa. Era também o oposto do Minhocão, tirando qualquer prioridade do automóvel e contando com a locomoção a pé e pelo metrô. Buscando acabar com a degradação do centro, também foram feitos grandes investimentos para reformar a Praça da Sé e o Edifício Martinelli, símbolos de uma época melhor para a região. No entanto, como normalmente ocorre com grandes obras que não são discutidas, o projeto teve grandes falhas. A falta de acesso aos carros afastou as classes sociais que os utilizavam e que, portanto, passaram a fazer compras nos shopping centers que surgiam na cidade, como o Iguatemi, fortalecendo ainda mais o caráter popular que o centro adquiria na época.

Voltando ao Elevado, a estrutura funciona como um muro, separando a região rica de Higienópolis do empobrecido bairro dos Campos Elísios e a região da Cracolândia.

Durante alguns anos o equipamento foi ocupado por blocos durante o Carnaval e pelas atividades da Virada Cultural. No entanto, logo foi determinado que o Elevado não possui estrutura de segurança necessária para eventos desse porte, uma vez que seus gradis são muito baixos e não possui acessos suficientes para o caso de uma emergência. Mesmo assim, milhares de pessoas usufruem do espaço quando esse se encontra sem veículos. Em uma cidade tão carente de equipamentos de lazer como São Paulo, a população aproveita quaisquer frestas que permitam um respiro da vida na metrópole, ainda que nesse caso isso ocorra em um local cercado de concreto por três lados.

Técnico da CET medindo o nível de ruido no trânsito do elevado. 


O Minhocão já foi cenário de filmes, como os longas Terra Estrangeira, de Walter Salles, As Meninas, adaptação do romance de Lygia Fagundes Telles dirigido por Emiliano Ribeiro e protagonizado por Cláudia Liz e Otávio Augusto, Não Por Acaso, de Philippe Barcinski, e Ensaio Sobre a Cegueira, dirigido por Fernando Meirelles e protagonizado por Mark Ruffalo, Julianne Moore, Alice Braga, Danny Glover e Gael García Bernal. Também foi utilizado na série da HBO Alice.



O Grito é uma telenovela brasileira produzida pela TV Globo e exibida de 27 de outubro de 1975 a 30 de abril de 1976, em 125 capítulos. Escrita por Jorge Andrade, foi dirigida por Walter Avancini, Gonzaga Blota e Roberto Talma.  O cenário principal e centro da trama é o Edifício Paraíso, construído por uma família aristocrática na cidade de São Paulo, que sofre desvalorização com a construção do Elevado Presidente Costa e Silva, mais conhecido como "Minhocão", que passa à altura de seu segundo andar. Os personagens são os moradores do edifício, cada qual com sua história. No térreo moram os zeladores e nos demais andares, os vários tipos característicos da classe média paulistana. A cobertura é habitada por remanescentes da família que construiu o prédio. Em meio à variada gama de personagens, está a ex-freira Marta, que vai morar no prédio, e cujo filho Paulinho grita horrivelmente durante a noite, suscitando um movimento para expulsá-los, mas nem todos concordam, formando-se grupos a favor e contra. Um clima de tensão se forma quando um interceptador telefônico é roubado e alguém pode estar ouvindo as conversas dos moradores. Preocupado, o síndico Otávio convoca uma reunião com os moradores para esclarecer o roubo do equipamento e também para decidir sobre a expulsão de Marta. Entre acusações mútuas, todos são considerados suspeitos, e a reunião é interrompida pelo zelador, que encontrou uma carta anônima no prédio, com a mensagem: "Conheço o segredo de todos! Ainda estão escondidos, mas poderão ser revelados! Cada um terá o seu preço. Assinado... o interceptador!". A reunião é encerrada e os moradores seguem lidando com suas culpas e problemas, pressionando pela expulsão de Marta, que recebe uma segunda carta anônima: "Como os outros, você sabe o que fez. O preço de seu segredo é sair do prédio. Se não sair, ele será comunicado aos condôminos. Assim vou fazer com todos. Da cobertura ao térreo, cada um tem um delito escondido que será revelado ao prédio." O síndico marca uma nova reunião quando Marta recebe uma outra carta anônima, em que o suposto o ladrão do interceptador ameaça revelar o segredo de cada morador ao delegado Sérgio, que se instala numa sala do edifício, para interrogar os moradores sobre uma investigação de contrabando. Ele desconfia de uma ligação entre o roubo do interceptador e supostos contrabandistas moradores do prédio. A proposta principal da novela era mostrar a realidade de se viver na cidade de São Paulo, que em 1975 já era bastante caótica. O ponto de partida da história era o convívio entre os moradores do Edifício Paraíso, que havia se desvalorizado com a construção do Minhocão.

“O paraíso de se viver em São Paulo. O retrato dessa realidade. A vida nas suas vinte e quatro horas de correria, poluição, gente se esbarrando e nem sentindo, solidão, superpopulação e potencialidades, marginalidades e neurose
—  Jorge Andrade, autor da novela.


               


Minhocão interditado e funcionando como parque nos finais de semana.


*



III

CERQUEIRA CÉSAR 



Vista do Parque Trianon sobre a avenida Nove de Julho Cerqueira César e Jardim Paulista. 


Cerqueira César é um bairro nobre do município de São Paulo, capital do estado de São Paulo. Tem como limites ao noroeste Avenida Rebouças e Rua da Consolação; ao nordeste: Rua Caio Prado, Rua Frei Caneca, Rua Dr. Penaforte Mendes e Rua Herculano de Freitas; ao sudeste a Rua Plínio Figueiredo, a Avenida Nove de Julho e a Alameda Casa Branca; e ao sudoeste a Rua Estados Unidos.
Sua área localizada ao sul da Avenida Paulista costuma frequentemente ser classificada como parte da região dos Jardins. Já a região localizada ao norte da mesma avenida recebe o nome de Baixo Augusta. Está situado em uma das regiões mais altas da cidade, chamada de Espigão da Paulista. Limita-se com os bairros: Higienópolis, Jardim Paulista, Vila Buarque, República, Jardim América, Bela Vista e Pacaembu. O bairro surgiu com o nome de Villa América em 1890, do loteamento de propriedades rurais, como: a chácara Água Branca, chácara dos Pinheiros e sítio Rio Verde. Todas pertenciam ao Dr. José Oswald Andrade, pai do escritor paulista Oswald de Andrade. Horácio Belfort Sabino, também, possuía uma extensa gleba de terra nas extensões do atual bairro de Cerqueira César. Era casado com América Milliet - filha de Afonso Augusto Milliet - razão do nome do bairro vizinho ser Jardim América. Ele construiu, em 1902, sua residência projetada pelo arquiteto Victor Dubugras, onde encontra-se, atualmente, o Conjunto Nacional. Coincidentemente seu neto e bisneto de Cesário Cecílio de Assis Coimbra, Horácio Sabino Coimbra - descendente, por seu pai Cesário de Lacerda Coimbra, do Barão de Arary e do Barão de Araras - foi casado na família Cerqueira César, com Maria Yolanda Cerqueira Cesar. Residência Joaquim Franco de Melo na Avenida Paulista, resquício da ocupação inicial do bairro. Anos antes houve a inauguração do Parque Trianon e da Avenida Paulista, via destinada a construção de imóveis horizontais de alto-padrão, tendo seu crescimento ligado à evolução da mesma. Assim como Pinheiros e Consolação, bairros vizinhos, tornou-se um tradicional bairro da classe média alta paulistana. Em 1938 tornou-se subdistrito da capital. Seu nome é uma homenagem ao ex-vice-presidente do Estado de São Paulo Dr. José Alves de Cerqueira César. Após a segunda metade do século XX a região onde se encontra adquire características comerciais, tornando-se o principal centro financeiro da cidade. Esse desenvolvimento levou à verticalização do bairro com a perda de suas características essenciais. Prova dessa mudança foi a construção do Conjunto Nacional e do Museu de Arte de São Paulo, símbolos da nova economia. Com o passar dos anos antigas residências tornavam-se pequenos prédios de escritórios e comércio. Na reforma de distritos ocorrida em 1991 o bairro fora fragmentado entre os distritos de Consolação, Bela Vista e Jardim Paulista. Seu cartório de registro civil, porém, continua em operação com os limites da divisão anterior. Em 2008 foi inaugurado em sua extensão o Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira, administrado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, sendo o maior centro de oncologia da América Latina.



CORRIDA DE SÃO SILVESTRE




A Corrida Internacional de São Silvestre é uma corrida de rua realizada anualmente na cidade de São Paulo, Brasil, em 31 de dezembro, dia de São Silvestre (data de morte do Papa da Igreja Católica, canonizado também neste dia, anos depois, no quarto século da Era Cristã) e de onde vem o seu nome.

A corrida, a mais famosa e tradicional do Brasil e a da América do Sul, tem um percurso atual de 15 km pelo centro de São Paulo e é uma corrida mista desde 1975, quando começou a participação oficial das mulheres. Entre 1925, ano de sua criação e 1944, foi disputada apenas por corredores brasileiros.

O maior vencedor da prova — e recordista até a edição de 2019, quando afinal teve sua marca quebrada após 25 anos — é o queniano Paul Tergat com cinco vitórias e, entre as mulheres, a portuguesa Rosa Mota, que com seis vitórias consecutivas nos anos 1980 é a maior vencedora geral. Entre os brasileiros, o título fica com Marílson Gomes dos Santos, com três vitórias.

Alguns dos maiores fundistas da história do atletismo já participaram e venceram a prova. Além de Paul Tergat e Rosa Mota, já correram nas ruas de São Paulo, campeões e medalhistas olímpicos e recordistas mundiais como Franjo Mihalic, Gaston Roelants, Frank Shorter, Carlos Lopes, Arturo Barrios, Ronaldo da Costa, Priscah Jeptoo, Derartu Tulu e a "Locomotiva Humana", o tcheco Emil Zatopek, campeão em 1953. A Corrida Internacional de São Silvestre é transmitida ao vivo pela televisão para o Brasil e para o mundo pela TV Gazeta e pela TV Globo desde 1982.

História. Cásper Líbero, um jornalista e advogado paulista milionário que fez fortuna no início do século XX no setor de imprensa era um apaixonado por esportes, tanto que ele foi o idealizador da Gazeta Esportiva, que havia sido lançada inicialmente como coluna do jornal A Gazeta e posteriormente, em 1947, foi lançada como jornal (4 anos após a morte de Cásper). Em uma viagem que fez a Paris, ficou maravilhado com uma corrida realizada à noite, em que os corredores carregavam tochas ao longo do percurso. Decidido a promover algo semelhante no Brasil, criou uma corrida noturna a ser realizada no último dia do ano de 1925. Estava fundada a Corrida de São Silvestre, que recebeu esse nome em homenagem ao santo do dia.

Em sua primeira edição, de 60 inscritos, 48 compareceram para disputar a prova e apenas 37 foram oficialmente classificados, já que as regras exigiam que todos os corredores cruzassem a linha de chegada no máximo 3 minutos após a chegada do vencedor. O primeiro vencedor foi o atleta fundista l Alfredo Gomes, que completou os 6,2  km do percurso em 33:21. Inicialmente aceitando apenas a participação de brasileiros natos, nos anos seguintes a inscrição foi permitida a estrangeiros morando no Brasil, o que permitiu ao italiano Heitor Blasi, radicado em São Paulo, ser convidado a disputá-la e vencer duas das primeiras edições da prova, em 1927 e 1929. Sem grande experiência na organização deste tipo de evento, as primeiras edições impediam os corredores de beberem qualquer tipo de líquido durante a prova, e os atletas muitas vezes nela competiam com os próprios sapatos que usavam para treino no dia a dia e roupas que acumulavam suor.

Ao contrário de outros eventos desportivos tão ou mais antigos, a Corrida de São Silvestre nunca deixou de realizar-se, nem mesmo durante a Revolução Constitucionalista de 1932 ou a Segunda Guerra Mundial.

Em 1941, atletas do estado de São Paulo perderam a invencibilidade. Desde a inauguração da prova em 1925, apenas atletas paulistas haviam vencido a disputa da São Silvestre. Este domínio só acabou após o mineiro José Tibúrcio dos Santos vencer esta edição, quebrando uma hegemonia paulista de 16 anos.

A partir de 1945, com o fim da guerra, passou a contar com a participação de estrangeiros, mas apenas para corredores convidados provenientes de outros países da América do Sul. O sucesso das duas primeiras edições internacionais, no entanto, levou os organizadores a permitirem a participação de corredores de todo o mundo a partir de 1947. Este ano marcou o início de período de 34 anos durante o qual nenhum brasileiro venceria a prova, o que se encerrou somente quando o garçom pernambucano José João da Silva venceu a edição de 1980, feito que repetiria em 1985.

A primeira transmissão ao vivo da corrida ocorreu no ano de 1948, graças à Rádio Gazeta, que comprou um aparato de frequência modulada. O dispositivo foi instalado em um carro situado na rua com receptação no topo do prédio da emissora. Desde 1945, a ideia estava sendo planejada, mas foi em 1948 que a transmissão via rádio da Corrida de São Silvestre aconteceu.

A corrida permaneceria restrita a homens até 1975, quando as Nações Unidas declararam aquele ano como o Ano Internacional da Mulher. Os organizadores da São Silvestre aproveitaram o momento para realizar a primeira corrida feminina no mesmo ano. Nesse sentido, como uma resposta ao apelo da igualdade entre os gêneros, a organização da prova incluiu as mulheres na disputa. O evento feminino começou já com livre participação internacional, e a primeira mulher a vencê-lo foi a alemã-ocidental Christa Vahlensieck, o que fez duas vezes seguidas.[ A primeira vitória brasileira ocorreria somente vinte anos depois, quando a brasiliense Carmem de Oliveira venceu em 1995.

Além de Paul Tergat e Rosa Mota, outros grandes campeões na história da São Silvestre são o belga Gaston Roelants, recordista mundial e campeão olímpico dos 3 000 m c/ obstáculos em Tóquio 1964 e o equatoriano Rolando Vera, os dois quatro vezes vencedores da prova, sendo que Rolando Vera foi o único a vencê-la por quatro vezes consecutivas entre os homens, nos anos 1980. A queniana Lydia Cheromei a venceu três vezes entre 1999 e 2004.

Já famosa em toda a América Latina e na Europa desde 1953, quando a presença e a vitória do multicampeão olímpico tcheco Emil Zatopek a transformou num evento realmente internacional de ponta,[7] em 1970 a São Silvestre começou a chamar a atenção da imprensa especializada dos Estados Unidos, quando o norte-americano Frank Shorter, futuro campeão olímpico da maratona em Munique 1972, veio ao Brasil e a venceu. A vitória de Frank Shorter provocou uma posterior invasão de corredores americanos na prova, que veria Dana Slater ser bicampeã entre as mulheres em 1978–79 e o fundista Herb Lindsay vencê-la em 1979, ano em que a vitória no masculino e no feminino pertenceu aos Estados Unidos, feito nunca mais repetido. O Brasil repetiria o mesmo feito na edição de 2006, com a vitória de Franck Caldeira no masculino e Lucélia Peres no feminino.

Em 1964, atletas indígenas se inscreveram para a 40ª corrida internacional de São Silvestre. Cinco atletas da Ilha do Bananal formaram uma equipe para competir. Na época, um dos organizadores do evento, Aurélio Bellotti, e o indianista Willy Aureli, visitaram a tribo para dar orientações e explicar o funcionamento e regras da São Silvestre.

Em 1967 a corrida passou a ser uma atração turística. No dia 10 de dezembro, a prova passou a integrar o calendário turístico paulista graças ao Decreto de Oficialização da Corrida Internacional de São Silvestre, que foi assinado pelo então governador de São Paulo, Roberto Costa de Abreu Sodré.

No ano de 1968, O cantor e compositor Jorge Ben Jor tentou correr no pelotão de elite masculino. O brasileiro se inscreveu na XV Preliminar Paulista da Corrida Internacional de São Silvestre. Nessa prova, Jorge Ben estava entre os 700 atletas inscritos, mas havia apenas 250 vagas. O músico não conseguiu garantir o seu lugar.

Até 1988, a corrida era realizada à noite, geralmente iniciando-se às 23h30, de forma que os primeiros classificados cruzavam a linha de chegada por volta da meia-noite, mas o ano de 1989 foi marcado por sensíveis modificações no formato do evento. O objetivo era cumprir as determinações da Federação Internacional de Atletismo — IAAF. O horário de início da corrida foi alterado, passando às 15 horas para mulheres e às 17 horas para homens; a distância a ser percorrida, que variava quase que anualmente (geralmente entre 6,5 e 8,8 km) foi definitivamente fixada em 15 km em 1991, o mínimo exigido pelas regras da Federação. Em 1989, a Corrida Internacional de São Silvestre foi oficialmente reconhecida e incluída no calendário internacional da IAAF.


Tradicional percurso noturno da prova nos anos 1970. 

Em 2003, Marílson Gomes dos Santos conquistou o topo mais alto do pódio pela primeira vez. Essa vitória foi apenas o início, pois em 2005 e 2010 o atleta voltou a vencer, se consagrando como o primeiro corredor do Brasil tricampeão da Corrida de São Silvestre desde o início de sua fase internacional.

Em 2011, pela primeira vez desde sua criação, a São Silvestre teve o tradicional local de chegada alterado. Ao invés da Avenida Paulista, passou a ser no Parque do Ibirapuera. A modificação viu a queniana Priscah Jeptoo, vice-campeã olímpica da maratona em Londres 2012, vencer a prova feminina em 48:48, recorde e a primeira vez que uma mulher completou os 15 km da São Silvestre em menos de 50 minutos. Esta edição também assistiu a uma das maiores tragédias da história da corrida, com a morte do atleta paraolímpico Israel Cruz de Barros, que, disputando a divisão de cadeira de rodas, perdeu o controle na descida da Rua Major Natanael, de acentuado declive, e chocou-se com o muro em volta do Estádio do Pacaembu, morrendo no hospital.

Crescendo e sendo prestigiada através dos anos não apenas por atletas de elite mas também pelos corredores amadores, os números da São Silvestre fazem dela a maior corrida de massas da América do Sul, também em quantidade. Os 48 participantes da edição inicial em 1925 transformaram-se em cerca de 2 mil ainda no fim da década de 1950, mais de 10 mil por edição nos anos 1980, até alcançar um recorde de cerca de 25 mil participantes na edição de 2011.

Desde 2011, todos os campeões masculinos, são de nacionalidade africana, e desde 2007, as campeãs femininas também. Esta hegemonia africana na prova começou em 1992, ano em que o queniano Simon Chemwoyo conquistou o primeiro título à África, desde então, foram 19 vitórias africanas, contra apenas 6 brasileiras. O último brasileiro a vencer a prova foi Marilson, no ano de 2010, e a última mulher foi Lucélia Peres, em 2006.

Além do prestígio nacional e internacional, financeiramente a São Silvestre também compensa para seus campeões: em 2013, o vencedor recebeu R$ 60 mil (US$ 30 mil), o segundo colocado R$ 35 mil (US$ 17 mil) e o terceiro colocado R$ 20 mil (US$ 10 mil).

Pessoas portadoras de deficiências também participam da prova. Há largadas especificas para atletas cadeirantes e outra para portadores de outros tipos de deficiência. Só depois é que largam as elites feminina e masculina e o pelotão geral.

Em 22 de setembro de 2020, a organização resolveu adiar em razão da Pandemia de COVID-19 no Brasil a 96ª edição da corrida inicialmente para 11 de julho de 2021. No entanto, a organização optou por fixar esta edição no último dia de 2021. Entre as mudanças na edição de 2021 está o uso obrigatório de máscaras, a adoção de passaporte vacinal e a realização da corrida sem a presença de público por conta das medidas de segurança contra a COVID-19.

Em 2022, a corrida volta aos seus moldes tradicionais como a presença de público pelas calçadas do trajeto, mas mantendo apenas a regra do passaporte vacinal, adotada em 2021.

Participação feminina. Desde sempre, o conceito de que mulheres são mais frágeis é propagado por toda sociedade, acabando interferindo na participação feminina nas competições esportivas como, por exemplo, nos Jogos Olímpicos. Até que então, em 11 de julho de 1924 (Jogos de Paris) a primeira mulher consegue conquistar a primeira medalha de ouro nas Olimpíadas: Charlotte Cooper. Desde então, as mulheres foram conseguindo conquistar cada vez mais seu espaço nos esportes, inclusive na São Silvestre quando o jornal A Gazeta Esportiva (o jornal era organizador do evento) resolveu acompanhar a mudança e evolução social e incluiu, em 1975, a prova feminina da São Silvestre.

A primeira vencedora foi Christa Vahlensieck, que deu o título para a Alemanha. A primeira vencedora brasileira foi Carmem de Oliveira, somente em 1995, vinte anos após a estreia feminina na maratona. Porém, o maior destaque vai para a portuguesa Rosa Mota, que é recordista de títulos com seis vitórias seguidas nos anos de 1981, 1982, 1983, 1984, 1985 e 1986. A participação de mulheres na São Silvestre aumentou, tendo na 91° edição da corrida, 28,55% finalistas femininas, ou seja 6 645 dos 23 268. Sendo esse número extremamente representativo, pois em 1999 o número era oito vezes menor, tendo apenas 795 mulheres e 10 758 homens.


Percurso. Realizada em grande parte pelo centro da cidade de São Paulo, a São Silvestre já teve vários percursos e distâncias diferentes através das décadas. Um erro comum, mesmo em parte da imprensa, é se referir à São Silvestre como uma maratona (para isso, precisaria ter 42,195 quilômetros). O atual percurso tem 15 km de distância e a seguinte composição:

Largada na Avenida Paulista, nas proximidades da Alameda Ministro Rocha Azevedo; Rua HaddockLobo; Túnel José Roberto Fanganiello Melhem; Avenida Doutor Arnaldo;Rua Major Natanael;
Rua Desembargador Paulo Passalaqua; Avenida Pacaembu; Rua Margarida; Alameda Olga; Rua Tagipuru; Rua Fuad Naufel; Avenida Auro Soares de Moura Andrade; Rua Mário de Andrade;
novamente Avenida Pacaembu em direção à Marginal Tietê; Viaduto Pacaembu;m Av. Dr. Abraão Ribeiro; Av. Marquês de São Vicente; Rua Norma Pieruccini Giannotti; Avenida Rudge; Viaduto Eng. Orlando Murgel; Av. Rio Branco; Av. Duque de Caxias; Avenida São João; Largo do Arouche;
Av. Vieira de Carvalho; Praça da República; Avenida Ipiranga; novamente Av. São João; Largo do Paiçandu; Rua Conselheiro Crispiniano; Praça Ramos de Azevedo; Viaduto do Chá; Rua Líbero Badaró; Largo de São Francisco; Avenida Brigadeiro Luís Antônio; Viaduto Brigadeiro Luiz Antônio; Av. Paulista, com chegada em frente ao prédio da Gazeta Esportiva.[2


A  AVENIDA  PAULISTA



A avenida Paulista foi criada no final do século XIX, a partir do desejo de paulistas em expandir na cidade novas áreas residenciais que não estivessem localizadas imediatamente próximo às mais movimentadas centralidades do período, por essa época altamente valorizadas e totalmente ocupadas, tais como a Praça da República, o bairro de Higienópolis e os Campos Elísios. A avenida Paulista foi inaugurada no dia 8 de dezembro de 1891, por iniciativa do engenheiro Joaquim Eugênio de Lima e do dr. Clementino de Sousa e Castro (na época Presidente do conselho de intendências da cidade de São Paulo, atual cargo de prefeito), para abrigar paulistas que desejavam adquirir seu espaço na cidade.
Naquela época, houve grande expansão imobiliária em terrenos de antigas fazendas e áreas devolutas, o que deu início a um período de grande crescimento. As novas ruas seguiam projetos desenvolvidos por engenheiros renomados, e nas áreas mais próximas à avenida e a seu parque central os terrenos eram naturalmente mais caros que nas áreas mais afastadas; não havia apenas residências de maior porte, mas também habitações populares, casebres e até mesmo cocheiras em toda a região circundante. "Avenida Paulista no dia da inauguração, 8 de dezembro de 1891". Aquarela de Jules Martin.



A Paulista está localizada no limite entre as zonas Centro-Sul, Central e Oeste; e em uma das regiões mais elevadas da cidade, chamada de Espigão da Paulista. Considerado uma das mais importantes vias e um dos principais centros financeiros da cidade, assim como também um dos seus pontos turísticos mais característicos, a avenida revela sua importância não só como polo econômico, mas também como centralidade cultural e de entretenimento. Abriga um grande número de sedes de empresas, bancos, consulados, hotéis, hospitais, como o tradicional Hospital Santa Catarina e instituições científicas, como o Instituto Pasteur, culturais, como o MASP e o Sesc Avenida Paulista e educacionais, como os tradicionais Colégio São Luís e a Escola Estadual Rodrigues Alves. Também não deixa de existir o lazer, contém grandes shoppings e uma diversidade enorme de lugares para comprar, desde o Shopping Pátio Paulista e o Cidade São Paulo, até os camelôs. Por ela, todos os dias, movimentam-se milhares de pessoas oriundas de todas as regiões da cidade e de fora dela, é um dos lugares de São Paulo com a maior diversificação cultural possível. Além disso, a avenida é um importante eixo viário da cidade ligando importantes avenidas como a Dr. Arnaldo, Rebouças, 9 de Julho, Brigadeiro Luís Antônio, 23 de Maio, rua da Consolação e a Avenida Angélica. De acordo com a Associação Paulista Viva, a população residente na avenida era de 5 mil em 2014.[Textos e imagens da Wikipedia]


"O Projeto Nova Paulista previa pistas abaixo do nível em toda a extensão da Avenida. Porém, devido ao corte de verbas do Governo Militar, que se posicionou contra o projeto por ser muito caro, a obra foi interrompida. Hoje vemos apenas um pequeno trecho do Projeto do Engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz que inclusive era o prefeito de São Paulo na época". Roberto de Castro. Amo SP-  SP em Fotos Antigas. 




Avenida Paulista nos anos 1970. A avenida foi criada no final do século XIX, a partir do desejo de paulistas em expandir na cidade novas áreas residenciais que não estivessem localizadas imediatamente próximo às mais movimentadas centralidades do período, por essa época altamente valorizadas e totalmente ocupadas, tais como a Praça da República, o bairro de Higienópolis e os Campos Elísios. A avenida Paulista foi inaugurada no dia 8 de dezembro de 1891, por iniciativa do engenheiro Joaquim Eugênio de Lima e do dr. Clementino de Sousa e Castro (na época Presidente do conselho de intendências da cidade de São Paulo, atual cargo de prefeito), para abrigar paulistas que desejavam adquirir seu espaço na cidade. 

O MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO-MASP


A Rainha Elizabeth II inaugurando o Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista em 1968. Na sua agenda paulistana, visitou o terraço do Edifício Itália, o Museu do Ipiranga e assistiu o show musical com Wilson Simonal, Jair Rodrigues e Elza Soares.


Avenida Paulista e o Masp, 1972. #SPFotos



Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - MASP é um centro cultural e museu de arte brasileiro fundado em 1947 pelo empresário e jornalista paraibano Assis Chateaubriand. Entre os anos de 1947 e 1990, o crítico e marchand italiano Pietro Bardi assumiu a direção do MASP a convite de Chateaubriand. Inicialmente instalado na rua 7 de abril, desde 7 de novembro o prédio está localizado de 1968 na Avenida Paulista, cidade de São Paulo (estado homônimo), em um edifício projetado pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi para ser sua sede, é considerado uma das mais importantes instituições culturais brasileiras. O MASP possui a mais importante e abrangente coleção de arte ocidental da América Latina e do hemisfério sul, abrangendo arte africana, das Américas, asiática, brasileira e europeia, desde a Antiguidade até o século 21, incluindo pinturas, esculturas, desenhos, fotografias e roupas, entre outros, totalizando aproximadamente 10 mil peças. O acervo é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Também abriga uma das maiores bibliotecas especializadas em arte do país. É o museu mais visitado do Brasil e frequentemente listado entre os melhores do mundo. É conhecido pelos cavaletes de cristal de autoria de Lina Bo Bardi, conhecidos por suspender as obras de arte em suportes transparentes com o objetivo de aproximá-las do público, que desta forma pode circular em seu entorno. ( Ver no capitulo 11 artigo sobre a construção do MASP .[Textos e imagens da Wikipedia]

Salão principal de exposições do MASP



PARQUE TRIANON




O Parque Tenente Siqueira Campos, mais conhecido como Parque Trianon ou Parque do Trianon, foi inaugurado no dia 3 de abril de 1892 na cidade de São Paulo, um ano após a abertura da Avenida Paulista. Foi projetado pelo paisagista francês Paul Villon e inaugurado pelo inglês Barry Parker. O nome Trianon foi dado por conta da existência do Restaurante Trianon inaugurado em 10 de junho de 1916, que foi criado e fundado pelos irmãos Vicente Rosati e Luigi Rosati (imigrantes italianos provenientes da cidade de Fontecchio) nas dependências do Belvedere da Paulista localizado em frente ao parque, onde hoje está situado o Museu de Arte de São Paulo. O proprietário do elegante "Bar e Restaurante" escolheu o nome que provém do Palacete Grand Trianon em Versáilles, que foi propriedade de Maria Antonieta, pela semelhança das construções. O arquiteto Ramos de Azevedo desenvolveu, de 1911-1914, na administração do Barão de Duprat, o projeto do chamado Belvedere, construído em 1916 e demolido em 1951 para dar lugar à primeira edição da Bienal de Arte de São Paulo.

O Parque foi comprado pela Prefeitura com auxílio financeiro da Câmara Municipal, em 1911. Em 1931 recebeu sua denominação atual em homenagem a um dos heróis da Revolução do forte de Copacabana, na Revolta Tenentista de 1924, o Tenente Antônio de Siqueira Campos. Aberto todos os dias da semana, das 6:00 até as 18:00, o parque conta com playgrounds, aparelhos de ginástica e a "Trilha do Fauno", nome dado devido à presença da escultura "Fauno" do artista Victor Brecheret e da escultura "Aretusta" de Francisco Leopoldo.



Avenida Paulista, anos 1920: O Parque e Belvedere Trianon. Pinterest. 


O parque foi inaugurado em 3 de abril de 1892 e teve seu surgimento entendido no contexto do processo de urbanização da cidade de São Paulo daquela época. No ano anterior, ocorrera a inauguração da Avenida Paulista. Naquela época, o ambiente cultural da aristocracia cafeeira era dominado por influências do romantismo europeu do século XIX; dessa forma, o parque acabou ganhando ares de um jardim inglês, apesar de sua exuberante vegetação tropical, remanescente da Mata Atlântica da região do alto do Caaguaçu, atual espigão da Paulista.

O Parque Tenente Siqueira Campos é o nome oficial do parque que foi dado em homenagem ao militar e político brasileiro que participou da Revolta Tenentista ocorrida em 1924, um dos acontecimentos mais importantes ocorridos na cidade de São Paulo.

O responsável pelo projeto paisagístico foi o francês Paul Villon, motivo pelo qual o parque às vezes é citado, em textos antigos, como Parque Villon. O nome Trianon veio do fato de, naquele tempo, existir no local onde hoje se situa o Museu de Arte de São Paulo, em frente ao parque, o Belvedere da Paulista, nome oficial do lugar porém havia nas dependências um restaurante/bar e um mirante no nível da avenida com o nome Trianon, administrado pelo italiano Vicente Rosati e o irmão Luigi, os mesmos que gerenciavam o Bar do Theatro Municipal, onde foi construído de 1914-1916 o chamado Belvedere Trianon, com projeto do arquiteto Ramos de Azevedo. Tal restaurante era frequentado pela elite paulista e chegou a ter como frequentadores, príncipes europeus e Getúlio Vargas. Na região do parque havia também a casa de chá da família Rosati. Por muitos anos, foi ainda conhecido como Parque da Avenida e era frequentado pela alta sociedade que passou a morar na região da Paulista.

Na avenida entre ambos ocorria a largada de várias corridas de automóveis. Em 1925 ocorreu a primeira Corrida de São Silvestre, largando desse mesmo lugar. Em 1924 foi doado à Prefeitura de São Paulo e em 1931 o parque recebeu seu nome atual em homenagem ao tenente Antônio de Siqueira Campos, um paulista de Rio Claro e herói do Movimento Tenentista de 1924. A partir de 1968, na gestão do prefeito Faria Lima, o parque passou por várias mudanças que tiveram a assinatura do paisagista Burle Marx e do arquiteto Clóvis Olga. O parque é tombado pelo CONDEPHAAT e pelo CONPRESP.

Descrição. O piso das pistas e trilhas o diferencia de outros parques pois é formado por pedras portuguesas. Conta com locais para recreação infantil, aparelhos de ginástica, sanitários públicos e centro administrativo, tornando-se um refúgio de lazer e descanso no meio da agitada Avenida Paulista.
Ainda há outros atrativos como a Trilha do Fauno, um caminho com 600 metros que conecta a Avenida Paulista à Alameda Santos, onde é possível encontrar duas estátuas: Fauno, de Vítor Brecheret, e Aretusa, de Francisco Leopoldo e Silva. Próxima a entrada do parque ainda é possível visualizar uma obra em mármore de Luigi Brizzollara, a qual representa Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera.

Vegetação e Fauna.  Dentro de seus 48,6 mil m² de área verde, o Parque incorpora uma vasta vegetação composta por espécies remanescentes da Mata Atlântica, além de espécies exóticas e mudas da vegetação nativa que foram introduzidas no sub-bosque para aumentar a flora, que totaliza 135 espécies registradas. Destaque para os exemplares de de araribá-rosa, canela-poca, cedro, jequitibá, pau-ferro, sapopemba, sapucaia, palmeira-de-leque-da-china, seafórtia e tamboril. Das 135 espécies encontradas no parque, 8 estão ameaçadas como a cabreúva, o chichá e o palmito-jussara. Apesar de o parque ser localizado no meio da Avenida Paulista, um ambiente hostil para uma fauna diversificada, quem anda por entre as árvores pode se surpreender. A grande área verde serve de micro-habitat para diversas espécies, sendo um dos poucos lugares da cidade que proporciona uma condição adequada para a reprodução desses animais. Com exceção dos aracnídeos e a rãzinha-piadeira, uma espécie de anfíbio encontrado na Mata Atlântica, a fauna do parque abriga 37 espécies de animais alados catalogados, sendo duas espécies de borboletas, sete de morcegos e 28 de aves, entre elas o piriguari, tico-tico e sabiá-ferreiro.

INSITUTO PASTEUR


O Instituto Pasteur é uma entidade centenária ligada à Secretaria da Saúde do Governo do estado de São Paulo dedicada à pesquisa científica sobre a raiva animal, doença infecciosa que atinge o Sistema Nervoso Central e que através da transmissão do vírus pode contaminar todos os grupos de mamíferos, sendo potencialmente fatal em casos mais graves. A grande missão do Instituto é, com as atividades em laboratórios e projetos de pesquisa, controlar e atentar a população em relação à raiva e outras encefalites virais fazendo atividades de laboratório com pesquisas e inovações. Ele está localizado atualmente no logradouro: Avenida Paulista, 393 - Cerqueira César. São Paulo - SP. Foi fundado por iniciativa privada em 5 de agosto de 1903 como uma instituição particular e altruística, tendo como seu primeiro presidente Ignácio Wallace da Gama Cochrane, ex-deputado e diretor da Superintendência de Obras Públicas do Estado. 

No início do século XX, a raiva canina não era controlada, provocando mortes em humanos. Moradores da capital, do interior de São Paulo e de outros estados procuravam o Instituto em busca do tratamento preventivo. Chegavam também pessoas já doentes e/ou com suspeita de raiva humana que eram encaminhadas ao Hospital de Isolamento Emilio Ribas, mas acabavam morrendo. Nos canis do IP eram observados animais suspeitos.

Em novembro de 1903, as primeiras vacinas contra a raiva produzidas em São Paulo começaram a ser distribuídas para a população da cidade. As culturas das primeiras amostras foram fornecidas pelo Instituto Pasteur do Rio de Janeiro, inaugurado em 1888. Em 1906, o patologista italiano Antonio Carini assumiu a presidência do Instituto e impulsionou as pesquisas sobre bacteriologia e patologia animal, consolidando a entidade e trazendo recursos provenientes de empresários como Francisco Matarazzo e de empresas como a Light and Power. No período de 1908 adiante, as vacinas eram feitas na própria instituição. Eles se preocupavam com a divulgação dos serviços e a dissipação das informações sobre a doença para uma publicação chamada "Noções Populares sobre a Hydrophobia"
Em 1956, foi criado o fundo destinado à pesquisa(Decreto Nº 26.978) a instituição impulsionou o estudo sobre a raiva. A partir de 1958, a fabricação de vacinas contra a raiva foi transferida ao Instituto Butantã.


RUA AUGUSTA

A rua Augusta nos anos 1950.


A Rua Augusta é uma via arterial da cidade de São Paulo que conecta o bairro dos Jardins a região do Centro Histórico de São Paulo. A rua é conhecida por suas lojas, boutiques e estabelecimentos de luxo na região do Jardins e por suas boates, casas noturnas, bares e vida noturna na região que parte da Avenida Paulista em direção ao Centro, passando pela região conhecida como Baixo Augusta.

A rua segue em subida a partir de seu início no entroncamento das ruas Martins Fontes, Martinho Prado e a Praça Franklin Roosevelt, até o cruzamento com a Avenida Paulista. Após cruzar a Paulista, ela se torna uma descida seguindo em direção a rua Colômbia, no Jardim Europa.

A Rua Augusta é conhecida principalmente por sua vida noturna que inclui bares, baladas e casas de shows variadas, mas também por algumas casas de prostituição, saunas e boates adultas.

As primeiras referências dela datam de 1875, chamando-se primeiramente Rua Maria Augusta; em 1897 já aparece como Rua Augusta. Foi parte das terras do português Mariano António Vieira, dono da Chácara do Capão desde 1880, quando abriu várias ruas no Bairro da Bela Sintra, inclusive a Rua da Real Grandeza, atual Avenida Paulista. Resolveu abrir uma trilha, pois os caminhos eram muito íngremes, para posteriormente serem instalados bondes puxados por burros, em 1890.

Apenas em 1891, com a inauguração da luz elétrica, foram movidos com eletricidade. Entre 1910 e 1912 ela foi estendida até a Rua Álvaro de Carvalho, ficando oficial em 1927. Até 1942, a Rua Martins Fontes fazia parte da Rua Augusta. Ela aos poucos virou um grande ponto de prostituição, ocasião em que foi desmembrada (Decreto Lei N.º 153). Do lado oposto, em direção aos "Jardins", o seu prolongamento até a Rua Estados Unidos foi oficializado em 1914.

O nome "Augusta": tudo leva a crer que o responsável pela sua abertura, o português Mariano Antonio Vieira, não quis homenagear uma pessoa e sim aplicar algo como um título de nobreza (ou adjetivo) ao chamá-la de "Rua Augusta". Colabora para esta versão o fato de que o mesmo Mariano, ao abrir uma "picada" no alto do Morro do Caaguaçu, chamou este logradouro de "Rua da Real Grandeza".

Com o tempo, vieram os loteamentos, quando surgiram confortáveis residências e algum comércio para servi-las. Pouco a pouco começaram a surgir pequenos edifícios de moradia.

Grande parte de comércio fino de decoração se instalou na região central-ascendente, a partir da Rua Marquês de Paranaguá. As casas residenciais deram lugar ao comércio de rua. Shoppings, Galerias e Cinemas de categoria se instalaram frequentados pelas famílias e mais tarde pelos jovens que buscavam distração. Caminho certo rumo aos bairros dos Jardins e seus clubes, como o Club Athletico Paulistano, a Sociedade Harmonia de Tênis e o Esporte Clube Pinheiros.

Década de 1960. A Rua Augusta representou para os jovens paulistanos na década de 1960 boêmia, glamour e diversão, onde eram instaladas diversas lojas e mais cinemas de categoria, como os cines Paulista, Astor, Bristol, Majestic, Marachá, Regência e outros. A canção Rua Augusta, de Ronnie Cord, lançada em 1964 foi uma espécie de hino da juventude paulistana que frequentava o logradouro nesta época. Mais tarde também seria regravada pelos Mutantes (no álbum Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets) e por Raul Seixas.


A rua Augusta nos anos 1970. 

A partir da década de 1970, começou a adaptar-se às mudanças, dado o pesado tráfego de automóveis e ônibus e a criação de inúmeras galerias e centros comerciais, aliado à falta de estacionamento. Mesmo assim, os jovens continuaram a estar por lá com suas motos, carros envenenados e muito congestionamento, principalmente, entre 1976 e 1980. Haviam muitas discotecas para acompanhar os "embalos de sábado à noite", pistas de esqui no gelo, doceiras, academias de musculação e aeróbicas.

Está sempre sendo atualizada desde aquela época, com a reforma do calçamento, decoração com vasos, retirada de uma parte dos postes de iluminação pública (que estavam obsoletos), colocação de carpete, estacionamento Zona Azul e subterrâneo e a construção de um boulevard e por fim a eliminação dos ônibus elétricos com as novas calçadas.

Atualidade. Na década de 70 a rua Augusta perdeu seu prestígio e comércio por conta da abertura de shoppings centers na cidade de São Paulo. Nessa época também foram abertos diversos prostíbulos em seu entorno. A rua modernizou-se em 1993 com a abertura do cinema Espaço Unibanco. A partir da década de 2000, a Rua Augusta voltou a ser parte da vida noturna dos jovens. Nessa época a Augusta abriu o Vegas Club, The Pub, Club Noir, o Comedy Club Comedians, primeiro clube de comédias do Brasil, YO restaurante, entre outros. Seu entorno está movimentado por bares, restaurantes, casas noturnas, lojas e os antigos prostíbulos.




IV

CONSOLAÇÃO


Rua da Consolação em 1957. Do lado esquerdo a igreja da Consolação , e ao fundo a praça Roosevelt em um dia de feira. / F. / Almanaque Folha.


Consolação é um distrito da região central do município de São Paulo e uma das regiões históricas e culturais mais importantes do município. Compreende parte do bairro de Vila Buarque, onde está sediada a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, o teatro da Universidade de São Paulo (TUSP) e o Centro Universitário Maria Antônia; parte do bairro de Cerqueira César, onde está o Colégio São Luís. Também estão dentro do distrito os bairros nobres de Higienópolis e do Pacaembu, tradicionais redutos intelectuais e de famílias descendentes dos grandes cafeicultores do início do século XX onde estão situadas a Universidade Presbiteriana Mackenzie e a Fundação Armando Álvares Penteado. O distrito é atendido pela linhas 2-Verde (Estações Clínicas e Consolação) do Metrô de São Paulo e 4-Amarela (Estações Paulista e Higienopolis-Mackenzie) da ViaQuatro. Futuramente também será atendido pela Linha 6-Laranja, com a construção da Estação Higienópolis–Mackenzie e Estação FAAP–Pacaembu.

Formação. Um dos distritos da cidade de São Paulo, é composto pelos bairros da Consolação, Higienópolis, Vila Buarque e Pacaembu. Seu desenvolvimento se deu a partir do Caminho de Pinheiros ou Caminho de Sorocaba, a atual Rua da Consolação, principal via do bairro. Região distante da cidade, havia na época plantações de hortaliças e frutas e foi só por volta de 1779 que um pequeno povoado começou a habitar a região. Eram os devotos de Nossa Senhora da Consolação, que construíram em taipa de pilão uma capela para a santa. A igreja transformou-se na Paróquia Nossa Senhora da Consolação, fundada em 1798. Foi a construção da igreja que trouxe mais moradores para o logradouro que, graças à sua recém-adquirida importância, ganhou atenção do governo da cidade, que construiu ali vias e ruas, possibilitando e facilitando o acesso. Como estava à margem do Caminho de Pinheiros, utilizado pelos condutores de tropas que iam do Largo da Memória a Pinheiros para fechar acordos com negociantes de cidades como Itu e Sorocaba, tem significado histórico para a construção do bairro e da cidade. Após a construção da igreja, foi criada em 1855 a Irmandade de Nossa Senhora da Consolação e São João Batista, ano em que uma epidemia de cólera atingiu a região. Com o objetivo de “amparar os morféticos que em grande número vagavam pela Província”, a instituição garantiu à igreja um novo significado. Havia, também, cuidado com outras doenças. A ação da Irmandade presenteou-lhe com uma doação da Santa Casa de Misericórdia: um prédio e a prerrogativa de tratar os doentes acometidos pelo mal de Hansen. O aumento de doentes e a iniciativa de tratamento da Irmandade garantiu o crescimento populacional e consequente urbanização da região.

Foi o surto de cólera que fez surgir o Cemitério da Consolação, inaugurado em 1858, pois fez-se necessário enterrar as vítimas fatais. A Câmara Municipal escolheu o endereço por estar afastado da população também foi fundamental para a consolidação do bairro. É lá que estão enterrados nomes como Ramos de Azevedo, Oswald de Andrade, Monteiro Lobato e o próprio Caetano de Campos.
Em 1870, com uma população aproximada de 3,5 mil habitantes, a Igreja da Consolação foi elevada a sede da paróquia. Em 23 de março do mesmo ano, o bairro passou a ser denominado distrito. Nas redondezas, instalaram-se famílias abastadas da cidade, que construíram grandes chácaras e surgiram bairros como Higienópolis e Santa Cecília. O surgimento da Avenida Paulista em 1891 também conferiu à Consolação importância, dada a proximidade das duas áreas. A partir de então, o bairro popularizou-se entre os moradores da cidade e ganhou destaque na vida noturna, social e cultural de São Paulo.

Rua da Consolação no século XIX, por Almeida Júnior.

A Rua da Consolação é uma das mais importantes vias da cidade de São Paulo. Tem início no Centro da cidade, próximo ao Vale do Anhangabaú e termina na Rua Estados Unidos, nos Jardins. Apresenta três trechos bem distintos. No primeiro e no terceiro trechos, entre o Vale do Anhangabaú até a Avenida São Luís e depois, entre a Avenida Paulista e a Rua Estados Unidos, é uma via comum, de uma única pista. No trecho central, entretanto, é uma avenida de oito pistas (duas de corredor exclusivo de ônibus), que integra o Corredor de ônibus Campo Limpo-Rebouças-Centro. Originou-se de um caminho já existente na época da colônia, o Caminho de Pinheiros. Um dos principais caminhos da região na época colonial ligava a Vila de São Paulo à Vila de Pinheiros e era início de caminho para as cidades no oeste.
Essa antiga estrada começava no final da Rua Direita, passava pelo Anhangabaú e tomava o rumo de Pinheiros até encontrar a Estrada de Sorocaba. Conhecido também como "Caminho do Aniceto" e "Rua do Taques", a antiga estrada transformou-se hoje na conhecida Rua da Consolação. Sua denominação deve-se a construção, em 1800, da antiga Igreja de Nossa Senhora da Consolação. Apesar da existência desta igreja, em 1855 o atual bairro da Consolação ainda era ermo, afastado da cidade e com pouquíssimos moradores. A Rua da Consolação, por sua vez, passou por muitas transformações. Em 1858 foi inaugurado o Cemitério da Consolação e, já no final do século XIX, era uma das principais vias que levavam à Avenida Paulista. Outras como o estádio dos jogos em casa da extinta Associação Atlética Mackenzie College. Cemitério da Consolação. Entre as décadas de 1950 e 1960, passou por uma ampla reforma com a ampliação do seu leito. Data dessa mesma época a instalação das primeiras casas especializadas em iluminação e lustres. Apesar de possuir todas as características de uma avenida (pelo menos no trecho entre a Rua Bráulio Gomes e a Avenida Paulista), o seu nome oficial continua sendo Rua da Consolação. Na década de 60, o prefeito Faria Lima decidiu duplicar a rua, tendo as obras sido iniciadas em 1965, e terminadas em 1968, depois de desapropriações e demolições do lado ímpar da Consolação, entre a rua Dona Antônia de Queirós e a avenida Paulista. A área expropriada para o seu alargamento foi de 21 600 metros quadrados. Em 1972, foi construída uma passagem de pedestres que fica embaixo da via, na altura da Avenida Paulista, onde são realizadas exposições diversas.


VIDA E MORTE

"PAULICÉIA ADOENTADA"  



Epidemia mais letal da história, gripe espanhola de 1918 foi tratada com purgantes, sangrias e um avô da cloroquina; em dois meses, matou 1% dos paulistanos


. "Epidemia mais letal da história, gripe espanhola de 1918 foi tratada com purgantes, sangrias e um avô da cloroquina; em dois meses, matou 1% dos paulistanos.  Para ter uma ideia do que foi a gripe que assolou São Paulo em 1918, você precisa mentalizar tudo o que de pior você viveu neste ano com a covid-19 e depois multiplicar pelo cenário de um apocalipse zumbi. Imagine uma cidade de ruas vazias, por onde circulam apenas bondes e caminhões lotados de caixões. Acrescente médicos que ainda acreditavam em receitar purgantes, sangrias e quinino — um avô da cloroquina — para curar todos os males, sem falar dos que envenenavam seus pacientes com injeções de mercúrio. Misture tudo com muita desigualdade social. Polvilhe com a fome nos bairros operários e os saques por comida. Deixe o medo da morte se estender por 66 dias. Está pronto. Visualize o horror acompanhado de uma caipirinha — bebida que, reza a lenda, nasceu daqueles dias de peste — e bote para tocar um samba anunciando que o mundo ia se acabar".



Manchete anuncia as mortes causadas pela pandemia. A Gazeta, 29/10/1918



Loucura-trágica. Os piores crimes eram atribuídos à gripe espanhola. O Combate, 3/12/1918



Depósito de caixões da Prefeitura de São Paulo. Fon-Fon, 23/11/1918


Fonte: Fausto Salvatore. Portal da Câmara Municipal de São Paulo.


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O CEMITÉRIO DOS AFLITOS


Capela  do Cemitério dos Aflitos


Aberto no dia 3 de outubro de 1775 e administrado pela igreja, período em que São Paulo (cidade) possuía cerca de 8.500 habitantes e quando as práticas de sepultamento eram muito distintas das de hoje, o Cemitério dos Aflitos, com quatro muros de taipa, era o local destinado para o sepultamento dos indigentes, escravos que não pertenciam à Irmandade do Rosário e para os condenados à morte na forca, também chamados de supliciados.

O local de sepultamento dependia da classe social a que pertencia o indivíduo: os mais ricos, membros da elite e do clero eram enterrados no interior das igrejas católicas ou até mesmo em seus adros (lado de fora das igrejas) e dependendo da procura, cobravam taxas altíssimas para receberem os corpos. Já para a camada mais pobre ou mesmo da classe média, que não possuía dinheiro suficiente para pagar seu sepultamento, eram reservados os espaços abertos, fronteiros ou ao lado das igrejas, que recebiam o nome de adros.

Porém com o passar do tempo, tanto os pequenos cemitérios quanto as igrejas tornaram-se insuficientes e como os condenados pela Justiça não poderiam ser enterrados em solo sagrado, a solução encontrada foi a de construir um pequeno cemitério a céu aberto, local que na época ainda era distante da cidade, recebendo o nome de Cemitério dos Aflitos.

É possível que no ano de 1869 tenha havido alguma reforma de monta. Se é que se podia fazer algo de tanto fausto na capelinha mais escondida do centro de São Paulo. Ela situa-se num beco sem saída. Beco dos Aflitos. Ou antes a saída, a verdadeira, é a Igreja. Travessa da Rua dos Estudantes. No meio da Liberdade. Presa entre prédios que nela se colam e, grudados, têm até uma janela com a face no sino.

Fechamento

De 1554, ano em que a cidade de São Paulo foi fundada, até 1858, ano de inauguração do Cemitério da Consolação, o primeiro cemitério público da cidade, a prática funerária seguiu o velho costume português de sepultar os mortos no interior ou nos adros dos templos católicos. Porém, ao longo do século XIX, foram surgindo leis que proibiam as práticas de enterramento dentro das igrejas ou sob covas rasas, já que médicos e higienistas consideravam essas práticas prejudiciais à salubridade pública.

A própria medicina da época aconselhava que a edificação dos cemitérios deveria ser feita a uma certa distância da cidade. O modelo higienista não somente modificou as regras em relação ao sepultamento, mas também aos cortejos e procissões que ocorriam na cidade, acompanhando os mortos ao local de sepultamento. A partir de meados do século XIX, a Câmara Pública começa a procurar um local para implantar um cemitério isolado e afastado do núcleo populacional.

Formou-se uma comissão que decidiu por implantar em uma das saídas da cidade, na “estrada para Sorocaba”, hoje Consolação (distrito de São Paulo), onde não havia moradores. Em 1854, surgiu o primeiro Regulamento para os Cemitérios da Cidade de São Paulo, que estabelecia o traçado interno em forma de quadrilongos, a obrigatoriedade de muros, ruas arborizadas, a profundidade das covas, o tipo de sepulturas e a distância entre elas. Após uma epidemia de varíola e com o surgimento do Cemitério da Consolação, como o primeiro Cemitério Público da cidade de São Paulo, também desapareciam as valas comuns do antigo Cemitério dos Aflitos, só restando a Capela dos Aflitos que permanece até hoje no fim do Beco dos Aflitos.

Com o tempo, e as transformações ocorridas na cidade de São Paulo, os cemitérios passam a fazer parte da própria arquitetura da cidade, deixam de estar em locais afastados e passam a ser cada vez mais, partes integrantes da vida urbana paulistana. Em 1854, o Cemitério público da Consolação começou a ser construído. A construção estava sob a direção da Câmara Municipal que era composta por vereadores e instância da “parte civilizada da população” interessada em acabar com os costumes de se fazer enterramentos dentro das igrejas.

Assim, em 1858 foi inaugurado o primeiro cemitério público municipal, o Cemitério da Consolação, em terreno doado pela Marquesa de Santos e proibidos tanto os sepultamentos no Cemitério dos Aflitos quanto no interior dos templos católicos. Assim, o cemitério dos aflitos foi abandonado, e quase cem anos depois, quando o prédio estava em ruínas, o então bispo D. Lino Deodato Rodrigues mandou retirar os despojos, lotear a área e vender os terrenos localizados na área. A partir do dinheiro arrecadado com a venda dos loteamentos, as obras da Catedral da Sé foram iniciadas.

Carro funerário da Empresa Rodovalho Junior & Cia., que também prestava serviço gratuito em São Paulo no final do século XIX. A empresa ficava na zona leste, imediações da Penha. Rodovalho Júnior era vereador e filho do Coronel Rodovalho, fundador da Cia. Melhoramentos.



 AS MODERNAS NECRÓPOLES PAULISTANAS




Uma  das alamedas do Cemitério da Consolação


Cemitérios de SP: números e curiosidades. Por Edison Veiga
Estadão. 02/11/2011. Atualização: 25/11/2022 | 16h25

Quantos cemitérios há na cidade? Existem em São Paulo 22 cemitérios municipais, 18 particulares e um crematório - que fica na Vila Alpina. Quantas pessoas morrem por dia em São Paulo? Morrem cerca de 220 pessoas por dia na cidade. Qual é o mais antigo cemitério paulistano em funcionamento? Trata-se do Cemitério da Consolação (foto acima). Ele foi inaugurado em 1858, com o nome de Cemitério Municipal. Ali estão enterradas personalidades importantes para a história e a cultura do Brasil, como Campos Sales, Washington Luis, Monteiro Lobato, a Marquesa de Santos, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Mario de Andrade... E antes da inauguração desse cemitério, onde as pessoas eram enterradas? Antes, o costume era que os mortos fossem sepultados nos interiores ou nos arredores das igrejas. Mas aí havia um problema: indigentes, criminosos e escravos mortos não tinham lugar nas igrejas. Então esses excluídos costumavam ser enterrados no Cemitério dos Aflitos, construído em 1775 na Liberdade. O local foi abandonado com a inauguração do Cemitério Municipal da Consolação e, já em ruínas, acabou loteado no fim do século 19. Sobrou apenas uma pequena igreja, que ficava dentro dele e existe até hoje. O beco que dá acesso a ela, pertinho da Praça da Liberdade, é chamado de Rua dos Aflitos.  Qual o maior cemitério de São Paulo? Não só de São Paulo, mas do Brasil. É o cemitério da Vila Formosa, na zona leste da cidade. Cerca de 2 milhões de mortos já foram enterrados ali, em seus 760 mil metros quadrados. Em média, são 300 sepultamentos novos por mês.

O Cemitério da Consolação. Entrada no Dia de Finados, 1928. É a mais antiga necrópole em funcionamento no município brasileiro de São Paulo, capital do estado homônimo. É uma das principais referências do Brasil na área da arte tumular, ao lado do Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro. Localizado no distrito da Consolação, região central da cidade, foi fundado em 10 de julho de 1858 e inaugurado oficialmente em 15 de agosto do mesmo ano, com o nome de Cemitério Municipal, tendo uma área de 76 340 m². Com a prosperidade advinda da aristocracia da cafeicultura e o surgimento de uma expressiva burguesia em São Paulo, o local passou a abrigar obras de arte produzidas por escultores de renome, que serviam para ornamentar os jazigos de famílias abastadas e de personalidades importantes na história do Brasil. Sua área é arborizada e tranquila, em oposição à agitada rua do mesmo nome. Apresenta cerca de trezentas esculturas e trabalhos de artistas importantes, como Victor Brecheret e o arquiteto Ramos de Azevedo, que projetou seu portão principal. Em 2017, foi tombado pela Resolução n° 08 do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (CONPRESP), cuja proteção recai sobre "O traçado das alamedas, quadras e ruas dos três cemitérios; a capela, o pórtico de entrada, o Ossário e a atual administração, de autoria de Ramos de Azevedo, além das inúmeras esculturas, de grande valor artístico". A resolução é acompanhada de uma lista de bens tombados e de um mapa com sua localização dentro do cemitério. Abriga um grande número de sepulturas de figuras conhecidas, além de personalidades da história paulistana, como Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Monteiro Lobato, Ramos de Azevedo, Marquesa de Santos, Líbero Badarò e o monumental mausoléu da Família Matarazzo, considerado o maior da América do Sul, com altura aproximada de um prédio de três andares.[Textos e imagens da Wikipedia]

Ainda que inaugurado oficialmente em 1858, o Consolação tem uma história anterior. Foi em meados de 1829, que o então vereador Joaquim Antonio Alves Alvim defendeu a construção de um cemitério público na cidade. Antes disso, a prática era sepultar os corpos em solo sagrado, ou seja, no terreno de igrejas, pois o senso comum dizia que a proximidade com os santos auxiliaria a entrada daquelas almas no Paraíso. No entanto, isso trazia inúmeros problemas de saúde pública e assim, com o surgimento de noções sobre sanitarismo e higiene, os governos das cidades passaram a construir necrópoles.

Por envolver crenças religiosas, a proposta resultou em imensa discussão que durou cerca de trinta anos. Durante esse período, o projeto foi sofrendo algumas alterações sobre sua localização, ao lado da igreja da Consolação, no bairro da Luz, ou no bairro Campos Elísios. Em 1855, o engenheiro Carlos Rath elaborou um estudo indicando que o melhor local era a região da Consolação, já que levava em conta a elevada altitude da região, a direção dos ventos dominantes, qualidade do solo e até então, a distância da cidade. Uma parte do terreno era de domínio público, outra uma chácara pertencente a Marciano Pires de Oliveira. Foi somente um ano depois do início das obras que a Câmara Municipal conseguiu comprar a chácara pelo valor de duzentos mil réis. Entretanto, a construção seguia devagar por conta da falta de verba. Em 1857, a Marquesa de Santos doou dois contos de réis, uma considerável fortuna na época, para uso exclusivo na construção da capela.

Quando se deu o surto de varíola na cidade de São Paulo, em 1858, os corpos ainda estavam sendo enterrados nas igrejas. O presidente da província ordena então à Câmara Municipal de São Paulo, em 7 de julho de 1858, que proibisse a partir de então as práticas de sepultamento nos templos. Dessa forma o Cemitério da Consolação passaria a receber os primeiros corpos das vítimas desta epidemia, antes mesmo que as obras estivessem totalmente concluídas. Assim, no dia 15 de agosto de 1858, quando aconteceu o primeiro sepultamento, foi oficialmente inaugurado o primeiro cemitério público de São Paulo. Foi ampliado duas vezes, a primeira em 1884, quando foi incorporada parte da chácara do Conselheiro Ramalho, localizada nos limites com o bairro de Higienópolis, e em 1890, com a venda da grande chácara de Joaquim Floriano Wanderley, na direção da Avenida Paulista, ao custo de três contos de Réis.

Cemitério da Consolação em 1858. SP de Antigamente. 

Primeiros anos

Em seus primeiros anos era o lugar de sepultamento de pessoas de todas as classes sociais, incluídos os escravos, que foram posteriormente transferidos ao Cemitério dos Aflitos. Até o ano de 1893, era o único na cidade de São Paulo, quando foi aberto o Cemitério do Brás. Em 1897, foi inaugurado o Cemitério do Araçá. Com a construção dessas duas novas necrópoles, o local passou por um processo de elitização, recebendo quase que exclusivamente pessoas das classes média e alta, devido ao loteamento dos terrenos em jazigos perpétuos que passaram a ser vendidos pela prefeitura. Na época, um túmulo suntuoso era visto como sinal inequívoco de status social. Havia uma verdadeira competição entre as famílias abastadas que construíam jazigos cada vez mais sofisticados, em materiais nobres como mármore e bronze. A ornamentação ficava a cargo de artistas de primeira grandeza, que tinham na arte tumular atividade com demanda estável a altamente lucrativa. Uma ala específica, principalmente a voltada para a rua da Consolação, se tornou cada vez mais aristocrática. Um bom exemplo é o de Joaquim Antonio Alves Alvim, que no ano de 1871 encomendou na Europa a confecção de um mausoléu, que foi remontado em São Paulo. Em 1901, o então vereador José Oswald Nogueira de Andrade, pai do escritor Oswald de Andrade, propôs uma reforma geral nos muros e portões de entrada, com o argumento de que estava com um aspecto desagradável para a cidade. Um ano depois, tais reformas foram aprovadas, com o projeto do arquiteto Ramos de Azevedo. O resultado das novas obras já podia ser visto em 1909, época em que se tornou a primeira necrópole de São Paulo "por todos admirada, principalmente por visitantes estrangeiros".

Atualmente, o cemitério é tido por muitos como um museu a céu aberto, abrigando túmulos de personalidades históricas e famílias ilustres da sociedade brasileira e da sociedade paulista. Além disso, é também referência na arte tumular no Brasil, reunindo cerca de mais de trezentas obras de escultores como Victor Brecheret, Celso Antônio Silveira de Menezes, Nicola Rollo, Luigi Brizzolara e Galileo Emendabili e do arquiteto Ramos de Azevedo, chamando a atenção não somente dos apreciadores de arte, como também de fotógrafos e estudantes de arquitetura.[Textos e imagens da Wikipedia]


Mausoléu da Família Matarazzo, no Cemitério da Consolação, ao lado do túmulo do Presidente Campos Sales, é considerado o maior mausoléu da América Latina, com 20 metros de altura e 150 m². Foi construído para o sepultamento do Conde Matarazzo, e sua família, sendo ornamentado com um conjunto escultórico de bronze e o brasão do Conde na entrada. Seu projeto é do renomado escultor italiano Luigi Brizzolara.


O Cemitério São Paulo, também denominado Necrópole São Paulo, é um dos principais e mais antigos cemitérios do município de São Paulo, capital do Estado de São Paulo. Sua fundação ocorreu em 14 de janeiro de 1926. Localizado na Rua Cardeal Arcoverde, entre os bairros de Pinheiros e Vila Madalena, o Cemitério São Paulo foi projetado devido à superlotação dos aristocráticos cemitérios da Consolação e do Araçá, tornando-se um novo local para abrigar os jazigos da elite paulistana. Possui 104 mil metros quadrados de área e registra mais de 140 mil sepultamentos desde sua fundação. Abriga um grande número de mausoléus e monumentos funerários projetados por escultores de renome, como Victor Brecheret, Galileo Emendabili e Luigi Brizzolara, destacando-se algumas obras de referência na arte tumular do país. Após a criação do Cemitério da Consolação em 1858, encerrou-se em São Paulo a prática de sepultar as pessoas nas criptas das igrejas, criticada por razões sanitárias desde 1820. A secularização do sepultamento também representou o fim do hábito de marcar a posição social dos falecidos por meio de sua localização no interior das igrejas, mais ou menos próxima do altar. O então denominado Cemitério Municipal passaria a atender a todos os estratos sociais, de escravos a fazendeiros. Surge nesse contexto o hábito recorrente entre a elite paulistana de homenagear os amigos e familiares falecidos com obras tumulares monumentais, à altura de sua importância social, como forma de perpetuar após a morte a distinta posição social adquirida em vida.[Textos e imagens da Wikipedia]

Projeto da fachada principal, de autoria do escritório Dacio & Winter em 1921.


Entre o fim do século XIX e o começo do século XX, a prosperidade advinda do plantio do café e da incipiente industrialização ocasionou profundas mudanças no perfil socioeconômico da cidade. A criação de novos cemitérios nesse período – como os do Araçá (1887), da Quarta Parada (1893) e do Chora Menino (1897) – permitiu a “estratificação social” da atividade funerária. Cercados por incipientes bairros nobres, os cemitérios da Consolação e do Araçá passaram por um processo de elitização, consolidado nas duas primeiras décadas do século XX. Converteram-se em “museus de arte” a céu aberto, passando a abrigar um grande número de jazigos luxuosos e monumentos funerários encomendados por barões do café, industriais, intelectuais, médicos, juristas e pessoas públicas a escultores de renome. Com a superlotação do Cemitério da Consolação e a ocupação da área verde contígua ao Cemitério do Araçá, surgiu a necessidade de um novo local para sepultar a elite econômica e social da cidade. O Cemitério São Paulo surgiria, portanto, como um "prolongamento" dessas duas necrópoles. Os planos para construí-lo datam de 1920, quando a prefeitura autorizou a aquisição do terreno de propriedade dos padres passionistas, no bairro de Pinheiros. O projeto da fachada principal, capela e muros é de autoria dos engenheiros Dacio Aguiar de Moraes e Guilherme Winter. A construção do cemitério ficou a cargo do mestre-de-obras Caetano Antônio Bastianett e de operários espanhóis, italianos e portugueses, que se converteram nos primeiros moradores do nascente bairro de Vila Madalena. O cemitério foi inaugurado em 14 de janeiro de 1926, o último ano de gestão do prefeito Firmiano de Morais Pinto. Nas décadas seguintes, aos jazigos das famílias tradicionais da cidade, somaram-se túmulos, mausoléus e monumentos encomendados por famílias de imigrantes bem-sucedidos, nomeadamente das comunidades italiana e sírio-libanesa, com o intuito de firmar uma posição social recém adquirida, além de artistas, militares, atletas, pequenos e médios empresários que haviam prosperado após o estabelecimento da sociedade do trabalho livre.[Textos e imagens da Wikipedia]

Muitos dos escultores comissionados para executar os jazigos eram imigrantes europeus, sobretudo italianos, ou artistas brasileiros de formação europeia, bastante valorizados por seu conhecimento de técnicas e tendências artísticas então pouco divulgadas no país. Obras encomendadas a Victor Brecheret, Bruno Giorgi, Luigi Brizzolara, Galileo Emendabili e Nicola Rollo, entre outros, transformariam o Cemitério São Paulo em uma importante referência para a arte tumular brasileira.
Uma comissão estabelecida durante a segunda administração do prefeito Jânio Quadros (1986-1988) identificou 180 peças de importância artística no local. Projetos para explorar o potencial turístico e didático deste e de outros cemitérios da cidade têm sido elaborados desde a década de 1980, mas com poucos resultados práticos.[Textos e imagens da Wikipedia]

Vista do Cemitério São Paulo, no bairro de Pinheiros.



O Cemitério do Araçá (Necrópole do Santíssimo Sacramento)  localizado na Avenida Doutor Arnaldo. Fundado em 4 de junho de 1887, é um dos mais antigos da capital paulista. Sua área atual é de 221.475,16 m², divididos entre os bairros de Pinheiros e do Pacaembu, região nobre no distrito da Consolação, onde se localizam mausoléus de importantes e tradicionais famílias paulistanas. Surgiu da necessidade da cidade de São Paulo ter uma nova necrópole, após a superlotação do Cemitério da Consolação. Além disso, os imigrantes italianos, que estavam em ascensão, demandavam um local específico para enterrar os seus mortos, pois no Consolação, o espaço era predominantemente destinado às famílias tradicionais da elite paulistana, ligadas à cultura cafeeira. Se no início era uma alternativa mais econômica para esse segmento emergente da população, transformou-se depois em uma cemitério mais elitizado. O nome Araçá foi escolhido por estar situado na antiga Estrada do Araçá, atual Avenida Doutor Arnaldo, que pode indicar que essa árvore era comum na região.[Textos e imagens da Wikipedia]

ISRAELITAS


O Cemitério Israelita da Vila Mariana é uma necrópole brasileira de confissão judaica criada em 1919, no bairro da Vila Mariana, em São Paulo. Tem sua origem em uma doação de Maurício Klabin, quando da fundação da Sociedade Cemitério Israelita de São Paulo. A família Klabin ainda doaria terras para o cemitério até 1947, quando já não mais foi possível ampliar a área. Primeiro cemitério comunitário judaico de São Paulo, a origem deste cemitério, segundo histórias populares, leva a um sítio da família Klabin, que no início do século ainda servia como sinagoga para grandes festas. Quando da doação da área, foi acordado com a prefeitura que a área se destinaria a abrigar um cemitério judaico, um católico e um protestante, uma vez que, naquela época, não havia cemitérios particulares na cidade. A guarda dos registros de sepultamentos permaneceu como incumbência da municipalidade até 1964. Neste ano, devido a um incêndio, muitos dos registros que não possuíam cópia ficaram perdidos. O serviço de coveiros ainda fez parte de atribuição municipal até a década de 1970. Atualmente, encontra-se quase lotado, sendo administrado pela Associação Cemitério Israelita de São Paulo - Chevra Kadisha (ACISP).  Personalidades sepultadas no cemitério;Lasar Segall (pintor e escultor);
Gregori Warchavchik (arquiteto); Felícia Leirner (escultora); José Mindlin (escritor e bibliófilo).
Kaká di Polly (drag queen e ativista).


O Cemitério Israelita do Butantã é uma necrópole brasileira de confissão judaica criada em 1953 no bairro do Jardim Educandário. Foi inaugurado em 1953, para suprir as necessidades das famílias judaicas e da falta de espaço tumular no Cemitério da Vila Mariana inaugurado em 1919. É mantido pela Chevra Kadisha - Associação Cemitério Israelita de São Paulo, fundada em 1923, que também administra também mais outros três cemitérios - Embú -Vila Mariana - Cubatão. 

Personalidades sepultadas no cemitério: Alberto Goldman, político; Carlos Brickmann, jornalista e escritor; Chael Charles Schreier, estudante universitário, morto sob tortura por agentes do Deops/RJ na ditadura militar brasileira; Gelson Reicher, estudante de medicina, morto por agentes do DOI-Codi/SP, em 1972 na ditadura militar brasileira; Girsz Aronson, comerciante e empresário, considerado o "Rei do Varejo"; Iara Iavelberg, psicóloga e professora, morta em 1971 por agentes da repressão em Salvador na ditadura militar brasileira; Léo Santos, apresentador de televisão e empresário; Nydia Licia, atriz, diretora e produtora; Samuel Klein, empresário; Silvio Santos, apresentador de televisão e empresário;
Vladimir Herzog, jornalista, professor e dramaturgo.

VILA FORMOSA

O Cemitério da Vila Formosa. É considerado o maior cemitério da América Latina.  Fundado em 20 de maio de 1949, o Cemitério da Vila Formosa ocupa uma área de 763 175 m². Desde a sua inauguração, já foram realizados mais de 1,5 milhão de sepultamentos. É uma necrópole voltada sobretudo para pessoas das classe C, D e E. Dividido em duas alas, todo mês realizam-se uma média de 275 sepultamentos. Com vinte e quatro salas para os velórios, o Vila Formosa possui três entradas. Ocupa a quarta maior área verde do município, sendo superado apenas pelos parques Anhanguera, Ibirapuera e Carmo, também na zona leste paulistana, representando assim uma importante área verde para a zona leste da cidade. Por ser muito arborizado é utilizado diariamente para o lazer, principalmente das crianças e dos adeptos das caminhadas e corridas.[Textos e imagens da Wikipedia]

Ala E do cemitério. Reportagem do jornal Washinton Post destacando o alto número de sepultamentos no cemitério de Vila Formosa no período pandemia do corona virus.





CEMITÉRIO ZOOPHILO




A UNIÃO INTERNACIONAL DE PROTEÇÃO ANIMAL (UIPA) fundada em 1895 mantinha no final da rua França Pinto que hoje é aproximadamente os portões 4 e 5 do Parque do Ibirapuera um abrigo, hospital e cemitério veterinário pois  na segunda metade da década de 1920 a UIPA instalou em sua propriedade na rua França Pinto o "Asilo, hospital e cemitério Zoophilo" o primeiro cemitério de animais da Cidade de São Paulo, e que funcionou até o início da década de 1970 com lápides, túmulos e esculturas dedicadas aos animais que ali estavam cães e gatos. Frequentemente visitado não apenas pelos donos dos animais que estavam ali enterrados mas também por outras pessoas que tinham curiosidade de conhecer era bastante comum que algumas lápides apresentassem uma foto do bicho de estimação sendo o maior túmulo do antigo cemitério era uma grande cruz que foi a última morada de um pastor alemão.Quando a UIPA foi obrigada a deixar o local por determinação do então prefeito Figueiredo levou o hospital, abrigo e administração da associação para a Marginal do Rio Tietê, no bairro do Pari mas o cemitério de animais foi destruído, restando apenas dois túmulos como lembrança dentro próprio parque do Ibiraquera sendo um o que eu vi.  

Jaime Cosmo Pai. AMO SP - Fotos Antigas e Histórias de Nossa São Paulo 


CEMITÉRIO DA COLÔNIA, O MAIS ANTIGO DA CIDADE




O Cemitério de Colônia, em Parelheiros, foi fundado em meados do século 19


AH-Aventuras na História:17/04/2022

Registro do cemitério - Divulgação/Cemitério de Colônia
Muita gente acredita, nos dias de hoje, que o Cemitério da Consolação é o mais antigo da cidade de São Paulo. No entanto, cerca de trinta anos antes dele, foi fundado, em Parelheiros, o Cemitério de Colônia.
O local foi inaugurado em 1829 por um grupo de 200 imigrantes, em sua maioria alemã. Eles haviam chegado à Província de São Paulo dois anos antes, a fim de estabelecer uma colônia agrícola.
De acordo com o portal do O Globo de 2010, havia entre os imigrantes católicos e protestantes, o que resultou em uma divisão do terreno. Ao lado do cemitério, era possível ver pequenas casas de taipa ou madeira, além de uma igreja simples.

Desativação e reabertura. Com a chegada da Segunda Guerra Mundial, o estabelecimento acabou sem recursos e apoio do governo, o que resultou em sua desativação parcial. O local deixou de funcionar por completo décadas depois, no ano de 1996, retornando à atividade em 18 de novembro de 2000, após esforços de diferentes associações alemãs.
Conforme afirmou o então vice-presidente da Associação dos Cemitérios Protestantes, Franz Schmidt, responsável pela administração do local, ninguém sabe quantas pessoas foram enterradas no terreno antes de seu fechamento. 

Cruzes de ferro. Os túmulos do local contavam com cruzes de ferros marcantes. De acordo com o Cemitério de Colônia: "colocavam-se cruzes de ferro que eram feitas na própria Fundição Ipanema (primeira casa de fundição do país), nas quais eram atribuídas características especificas, como os semicírculos em suas extremidades, estrelas fundidas no centro dos círculos e as inscrições em horizontal, grafadas no centro da cruz", explica o material enviado ao site Aventuras na História.
Com os mesmos traços, as cruzes que chamavam atenção hoje pode ser encontradas no Cemitério da Colônia. Ao total são dez cruzes; e três não contam com inscrições. Já as outras sete apresentam nomes estrangeiros e mortes que ocorreram entre 1887 e 1892. 

"Não se sabe exatamente como estas cruzes foram instaladas no cemitério, mas é provável que as famílias tenham se mudado de Colônia para Araçoiaba da Serra e, lá, tenham adquirido as cruzes. A partir daí, estes trabalhadores podem ter sido enterrados em Sorocaba e, durante a exumação, foram transferidos para Colônia novamente, por terem família na região. A outra hipótese é de que os estrangeiros adquiriram as cruzes em vida e trouxeram para Colônia, podendo até tê-las vendido para outras pessoas", diz um trecho do material recebido pelo site Aventuras na História.
Além das cruzes acima, é possível que outras tenham sido colocadas nos túmulos do cemitério, contudo, e acabaram sendo alvo de violação ou roubo - algumas das bases de concreto presentes em muitas sepulturas se assemelham as que firmavam as cruzes de Ipanema no chão.
Protegido por lei

Na década de 1970, o cemitério de Parelheiros foi protegido por uma legislação de zoneamento e, no ano de 2004, foi incluído como Zona Especial de Preservação Cultural (ZEPEC) no plano regional das subprefeituras. Hoje, a parte mais alta do terreno é utilizada para novos sepultamentos.
Apesar de ter origem alemã, o cemitério fica em um endereço com nome japonês: Sachio Nakau, 28. O bairro da Zona Sul de São Paulo tem ainda um segundo cemitério municipal, construído em 1905.



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AS TRAGÉDIAS  DOS INCÊNDIOS E QUEDAS DE AVIÕES


Reconhecimento de vítimas do incêndio do Cine Oberdan.



A Tragédia do Cine Oberdan faz referência a uma calamidade ocorrida em 10 de abril de 1938, naquele que era então um dos principais cinemas da região central de São Paulo, capital do estado homônimo, no Brasil.Trata-se de um caso de alarme falso de incêndio que vitimou trinta crianças e um adulto, enquanto tentavam desesperadamente fugir do edifício. É considerada assim a maior tragédia infantil da cidade. Era tarde de domingo e a sessão exibia o filme Criminosos do Ar, de 1937. O Cine Oberdan foi inaugurado no ano de 1929, como Theatro Oberdan. Projetado pelo imigrante italiano Augusto Marchesini para a Sociedade Italiana de Mútuo Socorro Guglielmo Oberdane, localizava-se na esquina das ruas Saião Lobado com Chavantes, hoje Ministro Firmino Whitaker, no Brás. Parte dos custos foi bancada pelo Conde Francesco Matarazzo, presidente honorário da entidade.
O prédio era decorado com azulejos portugueses no teto e estátuas no hall. A sala foi preparada para 1 600 pessoas e seu nome homenageava o anarquista italiano Guglielmo Oberdan.Posteriormente foi vendido para a Empresa Teatral Paulista.

Segundo relatos, no dia dos fatos, durante a exibição do filme, alguém entre os espectadores teria gritado "fogo!", o que gerou inúmeras controvérsias. O alarme falso colocou a plateia em pânico, que correu buscando a saída. Porém, a única porta do prédio e as duas escadarias de acesso ao andar superior eram estreitas e não comportavam o fluxo de pessoas, assim muitos foram pisoteados e esmagados. O socorro chegou em seguida, porém muitos dos sobreviventes levados à Santa Casa de São Paulo não resistiram. No total, trinta menores de idade e um adulto faleceram. A vítima maior de idade era Maria Pereira, que tinha 45 anos e morreu ao salvar sua filha, Joana, com menos de um ano de idade.

Luto e repercussão. O evento causou comoção em São Paulo, que tinha cerca de um milhão de habitantes. Multidões acompanharam o velório das vítimas, realizado no então "Cemitério do Brás", atual Cemitério da Quarta Parada, onde vinte das vítimas foram sepultadas. Seis dos falecidos foram enterrados no Cemitério da Penha, três no Cemitério do Araçá e dois no Cemitério de Itaquera. A notícia teve repercussão mundial, com telegramas de solidariedade de países como Itália, Cuba e Peru. A cidade decretou três dias de luto oficial e operários das fábricas foram convidados a enviar comissões para os eventos fúnebres.


INCÊNDIO NO CLUBE ELITE XXVIII DE SETEMBRO


O incêndio no clube Elite XXVIII de Setembro foi um incêndio ocorrido em São Paulo na noite de 13 de junho de 1953 no clube Elite XXVIII de Setembro, localizado na Rua Florêncio de Abreu, 259. O incêndio causou a morte de 58 pessoas e o ferimento de outras 100, tornando-se o pior da cidade até o incêndio no Edifício Joelma. Localizado sobre uma loja de tecidos e comércio variado no primeiro andar do número 259 da Rua Florêncio de Abreu, o clube "Elite XXVIII de Setembro" era frequentado pela classe pobre de São Paulo e possuía capacidade para 80 pessoas, porém sempre recebia público maior que sua capacidade. Por ser um clube de origem negra foi batizado de “28 de setembro”, pois nessa data foram proclamadas as leis do Ventre Livre (1871) e a dos Sexagenários (1885). Em junho de 1953 foi anunciada uma festa junina no dia de Santo Antônio. Os donos do clube solicitaram um alvará para a prefeitura de São Paulo e informaram uma previsão de público de 130 pessoas (embora essa previsão excedesse a capacidade do salão em 50 pessoas). Na noite de 13 de junho compareceram ao "Elite" mais de 500 pessoas, lotando o pequeno salão. Por volta da meia noite irrompeu um pequeno incêndio em um imóvel contíguo ao clube. Notado por uma viatura da Polícia Civil, o incêndio foi comunicado ao Corpo de Bombeiros. Do quartel da Praça Clóvis partiram quatro viaturas e cinquenta homens, comandados pelo tenente Clóvis de Melo, para a Rua Florêncio de Abreu. Quando alcançaram o local às 0h25 de 14 de setembro, o incêndio havia se alastrado para o clube. Centenas de pessoas se comprimiam na única escada de acesso ao clube, localizado no primeiro andar do imóvel, enquanto outras se atiravam pelas janelas. A confusão no clube era tamanha que a multidão encurralada na escada tentou se agarrar aos bombeiros que tentavam abrir caminho para evacuar o clube. Durante o resgate o cabo dos bombeiros Antônio Duarte do Amaral e o investigador do DOPS Armando dos Santos morreram asfixiados após serem agarrados por dezenas de pessoas presas na escada de acesso ao clube.

A escada Magirus disponível era insuficiente para a evacuação dos frequentadores do clube e os bombeiros tiveram de usar mais três escadas convencionais prolongadas. Após controlar o incêndio, os bombeiros acessaram o clube e encontraram trinta corpos presos na escada. O prefeito recém-empossado Jânio Quadros compareceu ao local da tragédia de terno e pijamas. Ao ver dezenas de corpos, chorou e não fez declarações para a imprensa. Até a manhã de 14 de junho haviam sido removidos 58 corpos.

Consequências. A causa do incêndio nunca foi determinada. Durante a investigação, as autoridades descobriram que o único destacamento de bombeiros que compareceu ao local não era aparelhado o suficiente para o resgate. A ausência de rádios de comunicação nas viaturas impediu o destacamento de solicitar reforços. Mais tarde foi descoberto que a prefeitura de São Paulo havia concedido alvará para a festa prevendo apenas oitenta pessoas e que a fiscalização de salões e boates há muito não era feita.  O cabo Antônio Duarte do Amaral recebeu homenagem póstuma da prefeitura de São Paulo, com seu nome denominando uma praça no bairro de Pinheiros.


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No dia 3 de maio de 1963, o avião “Convair CV-340 PP-CDW” dos Serivços Aéreos Cruzeiro do Sul, com 45 passageiros e 5 tripulantes, após a decolagem do aeroporto Congonhas, com destino ao Rio de Janeiro, teve uma pane no motor esquerdo, que incendiou, fazendo com que perdesse sustentação e caísse na Avenida Piaçanguaba, no bairro do Planalto Paulista, minutos após ter decolado.

O acidente resultou na morte de 37 pessoas, dentre as quais estava o deputado federal Miguel Bahury, que presidia uma Comissão Parlamentar de Inquérito que investigava as causas que levaram a aviação a protagonizar tantos acidentes aéreos à época.

Um dos motivos que havia levado à criação de uma CPI decorreu da morte da esposa do deputado, ocasionada pela queda de um Convair da Real na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, no dia 24 de junho de 1960.



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O INCÊNDIO DO EDIFÍCIO ANDRAUS


O incêndio no Edifício Andraus foi um incêndio de grandes proporções que atingiu o Edifício Andraus, na tarde do dia 24 de fevereiro de 1972, matando 16 pessoas e ferindo 320. Até então, era o maior incêndio da história do estado de São Paulo, no Brasil, até ser superado pelo incêndio no Edifício Joelma, dois anos depois. O Edifício Andraus fica na região central da cidade de São Paulo. Foi construído entre 1957 e 1962, possuindo 31 pavimentos, mais o subsolo. Incêndio. O fogo começou por volta das 16h20, na seção de crediário das Casas Pirani, localizada no terceiro andar. A loja ocupava cinco dos 27 andares do prédio. O fogo começou com um curto-circuito nos cartazes de propaganda da loja. Em menos de dez minutos, o fogo começou a se propagar para os andares inferiores, e então os superiores. Em duas horas, tomou conta de todo o prédio. Menos de uma hora após o início do incêndio, quase todas as guarnições do Corpo de Bombeiros estavam presentes no local. Eles usaram lenços úmidos para se proteger da fumaça, já que não havia máscaras suficientes.

Figueiredo Ferraz, então prefeito de São Paulo, mobilizou ambulâncias de todas as Secretarias da Prefeitura e das Administrações Regionais, carros-pipas e o único helicóptero funcional, que foi primeiro a chegar ao heliponto do edifício para resgatar as vítimas. Para o reconhecimento da área, o primeiro helicóptero fez algumas evoluções em volta do edifício, e pousou às 17h15 no heliponto, decolando com as primeiras pessoas resgatadas um minuto depois. Segundo o Acervo Folha, mais de cem vítimas foram salvas por helicóptero. O site Memória Globo diz que quinhentas pessoas foram resgatadas pelo heliporto.

O incêndio foi o primeiro a ser transmitido em uma grande cobertura da televisão.O comandante do Corpo de Bombeiros declarou, por volta das 21h30, que os trabalhos de rescaldos seriam iniciados. Os bombeiros ainda não estimavam um número total de mortos, já que o trabalho de resgate das pessoas que estavam no topo do edifício não havia terminado. O incêndio durou aproximadamente sete horas. Durante o período, toda a região em torno do Andraus ficou sem energia elétrica.

De acordo com o IML, dezesseis pessoas morreram carbonizadas ou se atiraram pelas janelas, e outras 320 ficaram feridas. Nilson Cazzarini, gerente-geral das Casas Pirani, foi condenado a dois anos de prisão, com direito a sursis. O prédio foi reformado após o incêndio, ganhando parapeitos entre um andar e outro, portas corta-fogo, iluminação de emergência, escadas externas e brigada de incêndio treinada. A Sehab (Secretaria da Habitação) exigiu a revisão total da instalação elétrica de vários andares, removendo as extensões irregulares e o aquecimento excessivo dos disjuntores. Uma nova escada de emergência foi construída. Em 2013, o especialista em prevenção de incêndios Sérgio Ceccarelli verificou que o edifício ainda tinha falhas quanto à proteção a incêndios, como falta de placas de indicação em hidrantes, extintores e saídas, além de portas corta-fogo abertas, permitindo a proliferação de fumaça.


O bombeiro Cabo Geraldo Alves de Andrade, faleceu algum tempo depois, vítima de queda do caminhão de combate a incêndio na Praça Panamericana. Foto: Agência Estado.



O EDIFÍCIO JOELMA



Praça da Bandeira. Incêndio do Edifício Joelma em 1974.


O Incêndio no Edifício Joelma, tragédia ocorrida em 1º de fevereiro de 1974, no atualmente denominado Edifício Praça da Bandeira, na região central de São Paulo, Brasil, e que provocou a morte de 187 pessoas e deixou mais de 300 feridos. O incêndio aconteceu menos de dois anos após outro prédio arder em chamas no centro da cidade, o Edifício Andraus. A tragédia do Joelma é o segundo pior incêndio em arranha-céu por número de vítimas fatais, atrás do colapso das Torres Gêmeas do World Trade Center em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Concluída sua construção em 1971, o Edifício Joelma foi imediatamente alugado ao Banco Crefisul de Investimentos. No começo de 1974, a empresa ainda terminava a transferência de seus departamentos, quando no dia 1º de fevereiro, às 8h45 de uma chuvosa sexta-feira, um curto-circuito em um aparelho de ar condicionado no 12º andar deu início a um incêndio, que rapidamente se espalhou pelos demais pavimentos. As salas e escritórios do Joelma eram configurados por divisórias, com móveis de madeira, pisos acarpetados, cortinas de tecido e forros internos de fibra sintética, condição que contribuiu sobremaneira para o alastramento incontrolável das chamas.Quinze minutos após o curto-circuito era impossível descer as íngremes escadas, localizadas no centro dos pavimentos, que foram bloqueadas pelo fogo e a fumaça. Os corredores, por sua vez, eram estreitos. Na ausência de uma escada de incêndio, muitas pessoas ainda conseguiram se salvar ao contrariar as normas básicas e descer pelos elevadores, mas estes também logo deixaram de funcionar, quando as chamas provocaram a pane no sistema elétrico dos aparelhos e a morte de uma ascensorista no 20º andar.

Nos braços da mãe, que saltou para a morte no 15º andar, uma criança de um ano e meio foi salva em um dos episódios mais dramáticos do incidente. A multidão acompanhou o salto bem em frente ao prédio. O choro da criança, levada imediatamente ao Hospital das Clínicas, foi ouvido logo após o impacto da queda. No último andar, segundo o depoimento de Ivã Augusto Pires, coordenador do Serviço de Transportes da Câmara, um rapaz jogou-se ao chão e aproximou-se de gatinhas da borda do terraço. Mas uma labareda fez com que ele escorregasse e ficasse suspenso no ar, segurando no parapeito até não mais aguentar e despencar na rua. Sem ter como deixar o prédio, muitos tentaram abrigar-se nos banheiros e parapeitos das janelas. Outros sobreviventes concentraram-se no 25º andar que tinha saída para dois terraços. Lembrando-se de um incidente similar ocorrido no Edifício Andraus, dois anos antes, em que as vítimas foram salvas por um helicóptero, que pousou em um heliponto no topo do prédio, elas esperavam ser resgatadas da mesma forma.

Na rua os bombeiros tentavam agir em meio à confusão estabelecida pela Polícia Civil, curiosos, PMs, médicos, enfermeiros, soldados do Exército e até escoteiros. Homens e mulheres, alguns em trajes menores, os rostos escurecidos pela fuligem, agitavam-se freneticamente nas janelas tentando chamar a atenção. Mas os helicópteros não conseguiam pousar no terraço escaldante e seus cabos de aço pendiam inutilmente. As escadas Magirus, de 40 metros, não chegavam aos andares mais altos. No 20º andar, seis pessoas se equilibravam-se em um pequeno patamar. Quase não havia lugar para todas. Um rapaz de terno azul agarrava-se muito precariamente a uma parte saliente, uma das pernas já do lado de fora do edifício, como se fosse saltar. Embaixo, os bombeiros acenavam e pediam calma. O fogo acabou, só um pouco mais de paciência, gritava um policial por um megafone. Outros pintaram num amarelo muito vivo, sob grandes faixas de pano - O fogo já apagou! e Coragem, vamos salvá-los! O som do megafone aparentemente não chegou a eles, mas ao ver as faixas um dos rapazes fez um sinal positivo com o polegar, puxou um lenço verde e acenou.

Resgate. O Corpo de Bombeiros recebeu a primeira chamada às 9h03. Dois minutos depois, viaturas partiram de quartéis próximos, mas devido às condições adversas no trânsito, só chegaram no local às 9h10, quando as chamas já atingiam o 20º andar e várias pessoas começaram a se atirar do prédio.
O socorro mobilizou 1 500 homens, entre bombeiros e tropas de segurança, as equipes de cinco hospitais estaduais e outros privados, quatorze helicópteros, trinta e nove viaturas e todas as ambulâncias da rede hospitalar. Todos os carros-pipa da Prefeitura e vários particulares, além de um grande número de voluntários que antecederam os pedidos das autoridades para doação de sangue. A fim de garantir o livre acesso de ambulâncias e de veículos dos bombeiros ao prédio incendiado, convocaram-se tropas de choque do Regimento 9 de Julho, do Exército e da Polícia Militar, além da Companhia de Operações Especiais e do Departamento do Sistema Viário. Um esquema de emergência foi armado nas imediações do prédio, onde se concentraram milhares de curiosos. Aos 250 bombeiros da capital, juntou-se o reforço de um destacamento de Santo André. Policiais Militares especializados, da Companhia de Operações Especiais (COE) também participaram do trabalho de socorro. Quando a primeira guarnição chegou, comandada pelo sargento Rufino Rodrigues de Oliveira, o fogo consumia só o centro do prédio, mas avançava rapidamente para tomar toda a estrutura. O sargento lamentou não ter podido vir de helicóptero para lançar cordas e escadas pelas laterais ainda intactas do edifício. Como estavam de carro-tanque e as escadas Magirus ainda não haviam chegado, começaram a atirar cordas para subir. O sargento conta que ao chegar ao 12º andar, sua primeira providência foi apagar três corpos em chamas. Logo que uma das quatro escadas Magirus foi instalada, organizou a descida.[
Ele carregava pela escada uma menina desmaiada quando uma pessoa se jogou do 19º andar e bateu no corpo de uma outra, que também se jogara do 16º. O peso dos dois arrancou a garota de suas costas e ele só não caiu porque seu pé se enganchou num dos ferros laterais da escada. Na queda morreram dois, mas o que pulou do 19º andar se salvou com ferimentos graves. Os bombeiros usaram quatro jatos de água combatendo o fogo, mas logo de início tiveram problemas, pois os hidrantes da região estavam com defeito. A solução chegou quando a Prefeitura enviou ao local trinta caminhões-pipa. A exemplo do que ocorrera no incêndio do Edifício Andraus, faltavam equipamentos, embora desta vez tenham podido usar duas novas escadas de 45 metros que foram anexadas às menores para chegar ao 16º pavimento.

Enquanto um grupo de bombeiros tentava penetrar no prédio, outros procuravam salvar pessoas que se encontravam nas janelas pela parte externa com as Magirus. Um helicóptero do SAR, da FAB, fazia o resgate dos sobreviventes que se encontravam no telhado e que eram auxiliados por homens do COE e pelos tripulantes. Outros treze helicópteros do Governo e de empresas particulares não puderam aproximar-se muito, mas atiraram cordas, sacos de leite e água e tubos de oxigênio aos que se achavam no teto. Depois participaram do transporte dos feridos para os hospitais.

De acordo com o testemunho de um bombeiro, passava das dez da manhã quando os corpos começaram a cair como moscas. Todos queriam sair do edifício de qualquer maneira. Alguns chegaram a pular três andares, com o risco de despencar, para alcançar os andares inferiores onde chegavam as Magirus. O primeiro a se atirar estava no 15º andar. Durante mais de uma hora ele gritou por socorro, desesperado, as vezes encoberto pela fumaça. Pessoas apavoradas tentavam fazer cordas com tiras de pano, que acabavam arrebentando, não resistindo ao peso do corpo humano. Uma mulher, só de calcinha e sutiã, morreu assim, a cabeça esmigalhada na calçada.

Os cadáveres se amontoavam na rua, protegidos por cobertores, jornais e capas de chuva. Vários minutos depois, um caminhão da polícia e algumas ambulâncias recolheram os primeiros cadáveres e os levaram ao Instituto Médico Legal. No 8º andar os bombeiros encontraram pelo menos onze cadáveres abraçados. O fogo tinha praticamente soldado os corpos.

No 12º andar, dezessete pessoas que o capitão Mazzelli, comandante do COE, pretendia salvar, já estavam mortas quando ele chegou. O oficial subiu com um destacamento especializado. Diante do quadro trágico, cinco mortos no banheiro e doze no saguão, o batalhão começou a sentir-se mal e teve que ser retirado pelo helicóptero. Em outra tentativa de salvamento pelo pessoal da FAB, os bombeiros não conseguiram descer no telhado, não somente pelo intenso calor, mas pelo forte cheiro de carne incinerada. Em volta do edifício a multidão rompia os cordões de isolamento e os militares precisaram muitas vezes usar da força para conter os curiosos. As operações eram orientadas pelo próprio Comandante-Geral da Polícia Militar, Coronel Teodoro Cabette, e pelo Secretário de Segurança Pública, General Sérvulo Mota Lima, que foram para a área logo que tomaram conhecimento da tragédia. Policiais e bombeiros lamentaram que muitas pessoas tenham morrido por falta de calma ao se atirarem do prédio.

Apenas uma hora e meia após o início do fogo é que o primeiro bombeiro conseguiu, com a ajuda de um helicóptero do Para-Sar, o único potente o suficiente para se manter pairando no ar enquanto era feito o resgate, chegar ao telhado. Já então muitos haviam perecido devido à alta temperatura no topo do prédio, que chegou a alcançar 100 graus celsius. A maioria dos sobreviventes conseguiu se salvar por se abrigar sob uma telha de amianto. Quinze bombeiros ficaram intoxicados pela fumaça e muitos fizeram críticas por conta do parco equipamento que dispunham, além dos regulamentos então vigentes de prevenção a incêndios na capital. O Código de Obras do Município de São Paulo, datado de 1934, não dispunha da obrigação de instalações de equipamentos contra o fogo e nem exigia a construção de escadas de emergência. Os recursos concedidos ao Corpo de Bombeiros eram insuficientes, assim como o efetivo da corporação era bastante diminuto.

Por volta de 10h30, o fogo já havia consumido praticamente todo o material inflamável do prédio. O incêndio foi finalmente debelado com a ajuda de doze autobombas, três autoescadas, duas plataformas elevatórias e o apoio de dezenas de veículos de resgate. Apenas às 14h20, todos os sobreviventes haviam sido resgatados.

Personagens

Joel Correia - Instalado com seu telescópio numa das extremidades do Viaduto do Chá, comunicou à rádio Jovem Pan a existência de sobreviventes no edifício, mesmo com o incêndio dominado e os pilotos de helicóptero não avistando mais feridos a serem resgatados. Foi o responsável pelo fim do pavor em que se encontravam José Ferreira Couto Filho, Ivan Bezerra, Ibar Rezende, Mauro Ligeli Filho, Hiroshi Shimuta e Luiz Carlos Gonzalez. Ele tinha ido visitar um amigo, o gerente da construtora Ferreira Guedes, no 31º andar do edifício Conde Prates. Com o início do incêndio, passou a acompanhar a operação de salvamento com um telescópio. Ao ouvir no rádio a informação de que não havia mais ninguém no prédio, entrou em contato com a Jovem Pan e a informação chegou ao comandante do Corpo de Bombeiros que deu o alarme. O comandante ligou para o escritório onde Joel estava, e ele orientou a localização dos seis homens, no 20º andar, usando o telescópio. Mais tarde o comandante do Serviço de Salvamento do Corpo de Bombeiros reconheceu a ajuda, afirmando que as vítimas estavam realmente vivas e foram salvas.

Rolf Victor Heuer - Gaúcho, então com 54 anos, passou mais de três horas sentado em um dos parapeitos do edifício esperando para ser resgatado. Enquanto aguardava fumava vários cigarros, e sua imagem de aparente tranquilidade foi captada pelas câmeras dos noticiários de televisão e amplamente reproduzida. Antes de ser salvo, ainda conseguiu subir ao 19º andar, onde acalmou uma mulher que ameaçava se jogar de uma janela. De terno e gravata, dono de uma calma absoluta, ficou em pé do lado de fora do edifício, perto de uma janela. De vez em quando secava o suor do rosto com um lenço. A certa altura o Capitão Caldas, pendurado por um cabo, que por sua vez pendia de um helicóptero, aproximou-se para salvá-lo, mas não conseguiu. Alguns minutos antes de ser resgatado, não aguentou mais o calor e tirou o paletó, a gravata e a camisa. Não se perturbou um só instante, mas quando pisou o chão, começou a chorar. Levou 25 minutos para descer a escada Magirus até chegar à rua.
José Roberto Viestel - Gerente do estacionamento do edifício, estava em casa quando foi acordado com a notícia do incêndio. Tentou chegar ao local e, impedido pelo trânsito caótico, deixou as chaves de seu carro com um guarda e seguiu a pé. Lá chegando, ajudou os manobristas na retirada dos veículos guardados para evitar o risco de mais explosões, e quando as mangueiras dos bombeiros começaram a falhar providenciou as do estacionamento, que ele mesmo testava uma vez por semana, para o combate ao fogo.

Celso Bidinguer - 22 anos, estava no 16º andar quando se refugiou no banheiro com outras seis pessoas. Todas as que estavam com ele morreram, mas Celso conseguiu salvar-se porque ao ver da janela do 13º andar, sozinha e amedrontada, a funcionária Tarsila de Souza, que ameaçava se jogar. Ao se aperceber do risco, decidiu salvá-la. Ele amarrou um pedaço de cortina, que levara para o banheiro, na janela e pelo lado de fora do edifício conseguiu descer três andares até chegar junto a Tarsila, com quem ficou mais de duas horas à espera de socorro, vendo as pessoas se jogarem. A escada dos bombeiros só chegava até o 12º andar, portanto, os dois tiveram que descer por cordas. Ambos sobreviveram.

Rodolfo Manfredo Júnior - 20 anos. Estava datilografando em um escritório do 21º andar quando soube do incêndio. Subiu com dezenas de pessoas para o terraço do prédio, pois os elevadores já não mais funcionavam. Havia cerca de duzentas pessoas comprimidas e aterrorizadas. Ele conta que viu várias se jogarem, outras tirarem a roupa, pois não suportavam mais o calor, além de cerca de trinta que se contorciam em chamas. Ele conta que teve que dar tapas na cara de alguns que pareciam paralisados, incitando-os a se salvarem. Quando a situação ficou mais dramática surgiu um helicóptero da FAB que pairou no terraço. Rodolfo pulou e agarrou-se à aeronave. Ficou com as pernas ao ar, mas foi salvo ao ser puxado para dentro.

José dos Santos - 20 anos, residente no Jardim Peri, foi o penúltimo funcionário da Crefisul a ser resgatado e salvo pelos bombeiros. Estava no 18º andar quando ocorreu o incêndio e foi para a janela, onde teve que esperar por cerca de quatro horas. Para resgatá-lo os bombeiros tiveram que estender a escada de 45 metros até o 12º andar e prosseguir depois com uma pequena até o 16º andar. Depois, o próprio José amarrou uma corda nas travas da janela e desceu do 18º ao 16º andar, chegando então à escada dos bombeiros numa operação que durou meia hora.

João Aparecido Frutuoso - 24 anos, analista de contas do Banco Crefisul, tinha organizado o grupo que deixou o 15º andar improvisando cortinas para a descida até o 13º, de onde todos passaram à escada com a ajuda dos bombeiros. Ele conta que viu muita gente cair do patamar do 14º andar, além de muitos que perderam os sentidos por conta da inalação da fumaça. Ficou com as mãos e pés queimados.

Consequências. A parte do edifício que compreendia os escritórios da Crefisul foi totalmente destruída, mas estava segurada na Companhia Seguradora Santa Cruz. Os sete primeiros andares, de garagens, não foram atingidos pelas chamas. Essa parte, administrada pela Joelma, formava um bloco quase isolado do restante do edifício, tendo portas de emergência e de interligação. Todos os dezessete empregados do estacionamento se salvaram. Dos aproximadamente 756 ocupantes do edifício, 187 morreram e mais de 300 ficaram feridos. A grande maioria das vítimas era formada por funcionários do Banco Crefisul de Investimentos. Segundo o vice-presidente do Crefisul, Garrett Bouton, 1 016 funcionários trabalhavam no edifício. Desse total, 861 ficavam nos andares superiores à garagem e cerca de 600 já haviam chegado quando o incêndio começou. A firma de limpeza Continental tinha 77 funcionários no prédio.

Até as 18 horas do dia da tragédia, 125 corpos já tinham sido retirados do Instituto Médico Legal, depois de identificados por parentes e amigos. Restaram 54 corpos, dos quais 12 identificáveis e o restante completamente carbonizado. Em 30 horas, do meio-dia de sexta-feira até às 18h do dia seguinte (sábado), aproximadamente oito mil pessoas foram ao local, no bairro de Pinheiros, para reconhecer os cadáveres. O ambiente era de tristeza e até os funcionários não conseguiam esconder a emoção. Cinco mulheres desmaiaram enquanto faziam a identificação. O IML comprou 200 caixões e 50 coroas de flores para facilitar a retirada dos corpos. As vítimas foram colocadas no chão de quatro salas e pela manhã já exalavam um mau cheiro que os funcionários tentaram aliviar colocando incenso. O secretário dos Serviços Municipais, engenheiro Werner Zalouf, afirmou que cerca de 30 pessoas que morreram no incêndio e permaneceram no prédio não foram identificadas: "Acredito que o calor durante o incêndio tenha superado 900 graus e nessa temperatura um corpo fica totalmente destruído, restando no máximo um quilo e meio de cinzas. A água que os bombeiros jogaram pode ter transformado tudo em lama".

A tragédia do Joelma, que ocorreu apenas dois anos após o incêndio do Edifício Andraus, reabriu a discussão popular com relação aos sistemas de prevenção e combate a incêndios nas metrópoles brasileiras, cujas deficiências foram evidenciadas nas duas grandes tragédias. Na ocasião, o Código de Obras do Município de São Paulo, em vigor era de 1934, um tempo em que a cidade tinha 700 000 habitantes, prédios de poucos andares e não havia a quantidade de aparelhos elétricos dos anos 1970.

A investigação sobre as causas do acidente, concluída e encaminhada à justiça, em julho de 1974, apontava a Crefisul e a Termoclima, empresa responsável pela manutenção elétrica, como principais responsáveis pelo incêndio. Afirmava que o sistema elétrico do Joelma era precário e estava sobrecarregado. Além disso, os registros dos hidrantes do prédio estavam inexplicavelmente fechados, apesar do reservatório contar na ocasião com 29 000 litros de água.

Segundo o Estadão, três empresas receberam acusações a respeito do caso: o Banco Crefisul (inquilino do prédio); a Joelma S.A Importadora Comercial e Construtora (construiu o prédio); e a Termoclima Indústria e Comércio Ltda (que instalou os aparelhos). De acordo com investigações, Alvino Fernandes e Sebastião da Silva, eletricista e ajudante de eletricista, não tinham curso completo sobre eletricidade e nunca receberam orientação técnica do Departamento de Serviços Gerais, que era quem respondia por reparações elétricas. O resultado do julgamento foi divulgado a 30 de abril de 1975. Kiril Petrov, gerente-administrativo da Crefisul, foi condenado a três anos de prisão. Walfrid Georg, proprietário da Termoclima, seu funcionário, o eletricista Gilberto Araújo Nepomuceno, e os eletricistas da Crefisul, Sebastião da Silva Filho e Alvino Fernandes Martins, receberam condenações de dois anos.



Sepulturas dos corpos não identificados.

Cultura popular. A tragédia acabou ajudando a espalhar entre a população rumores de que o terreno no qual o prédio foi erguido seria amaldiçoado, com especulações de que até o fim do século XIX teria sido um pelourinho e fantasmas rondariam o local. Durante o incêndio, treze pessoas tentaram escapar por um elevador, mas não foram bem sucedidas. Seus corpos, não identificados, foram enterrados lado a lado no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina. O fato acabaria sendo inspiração para o chamado "Mistério das Treze Almas", às quais são atribuídos diversos milagres. Funcionários que já trabalharam no edifício revelam terem presenciado aparições de espíritos, ouvido gritos e vozes, além de terem visto fenômenos estranhos, como faróis de carros vazios acenderem e apagarem.

 

INCÊNDIO NO GRANDE AVENIDA




O Incêndio no Edifício Grande Avenida foi um incêndio ocorrido na tarde do dia 14 de fevereiro de 1981 no Edifício Grande Avenida no centro da cidade de São Paulo. Ao todo 17 pessoas morreram e outras 100 pessoas ficaram feridas no incidente. O prédio possuía 20 andares, onde apenas os 3 últimos andares do prédio não ficaram totalmente destruídos. A principal causa do incêndio foi a sobrecarga no circuito elétrico do edifício.

O Edifício Grande Avenida, é um prédio construído entre os anos de 1962 e 1966 onde em apenas 3 anos de sua construção, sofreu com um incêndio de menores proporções no dia 13 de janeiro de 1969. Dos 19 andares do edifício, 14 foram completamente destruídos pelas chamas, sendo que uma das colunas de sustentação sofreu rachaduras. Apesar da intensidade do incêndio, ninguém se feriu, o prédio foi reformado e reinaugurado.

Na data do incidente, o edifício era utilizado para fins comerciais onde funcionavam duas agências bancárias, escritórios comerciais e uma torre de transmissão da TV Record. Por ter ocorrido em um sábado, o edifício não estava com sua ocupação máxima, o que evitou maiores vítimas.

Evento. Próximo ao meio dia uma sobrecarga elétrica no edifício ocasionou o início dos focos de incêndio na sobreloja do edifício, o fogo se alastrou rapidamente, principalmente por conta de uma corrente de vento vinda da Avenida 9 de Julho localizada nos fundos do prédio, local onde funcionários da empresa Construtora Figueiredo Ferraz estavam trabalhando em um projeto atrasado.

No início das chamas existiam cerca de 50 pessoas dentro do edifício, entre elas: vigilantes, funcionários da limpeza, funcionários da construtora, funcionários de plantão e técnicos da torre da TV Record. Assim os presentes nos primeiros andares conseguiram fugir rapidamente do local, porém as demais pessoas que estavam a cima da sobreloja acabaram ficando presas tendo em vista que todos os andares possuíam portas corta-fogo e de pânico menos a sobreloja onde o incêndio começou.

Outra preocupação, era a existência de materiais inflamáveis no topo do prédio onde estavam armazenadas itens para a manutenção da torre da TV Record os itens em questão eram: mais de vinte latas de tinta para pintar a torre, além do óleo diesel, que mantinha o gerador da torre funcionando.

Resgate. Os bombeiros após diversos chamados, seguiram com a viaturas para os arredores da Praça da Sé, subiram a avenida Brigadeiro Luís Antônio, somando-se a eles outras viaturas vindas da guarnição da rua da Consolação. Alguns policiais ajudavam na proteção ao redor do prédio e alguns médicos que passavam pelo local esperavam próximos ao local para auxiliar as primeiras vítimas do incêndio. Ao todo foram mobilizados:

250 bombeiros. 40 viaturas, incluindo: escada magirus, auto-escada, guindaste e cinco helicópteros para salvamento. Mesmo com a velocidade dos bombeiros para o atendimento da ocorrência, a falta de água para combater o fogo retardou o trabalho de combate ao incêndio. Prejudicados pela falta de estrutura, alguns bombeiros entraram nos andares iniciais do prédio, sem a devida proteção para auxiliar no resgate das vítimas com segurança o que ocasionou alguns feriados com baixa gravidade.

Ao perceberem pessoas em andares superiores do prédio, os civis escreveram com cal no solo repetidamente a palavra "calma!" assim solicitando com que as pessoas não saltassem do prédio. Mesmo com os avisos, um momento emocionante do resgate um auxiliar de escritório Cosme Adolfo Barreira que, desesperado com a violência das chamas, acabou jogando os dois filhos pela janela e depois se jogando numa laje logo abaixo. O pai e as crianças (Luciano de 5 anos e sua irmã Elaine de 4 anos) foram resgatados e não sofreram nenhum ferimento grave.

17 mortos. . Após o evento, foi constatado que 17 pessoas que estavam presentes no prédio morreram no fatídico evento, além de outras 100 pessoas (incluindo bombeiros) que se machucaram durante o combate das chamas, o prédio ficou 60% destruído e foi reformado após o incidente.

Investigações e consequência. As investigações apontaram que a principal causa do incêndio foi a sobrecarga no circuito elétrico do edifício e que alguns fatores contribuíram para a tragédia, como a inexistência da porta contra fogo na sobreloja do prédio e a falta de água e a má manutenção dos hidrantes da Avenida Paulista onde o mais próximo estava com sua tampa emperrada. Assim após as investigações, foram atualizadas as normas técnicas para a realização de manutenção e construção em edifícios e diversos edifícios e hidrantes na região da Avenida Paulista foram vistoriados para garantir o bom funcionamento.


Foto testemunhal de Wladmir Primo


A MORTE DE AYRTON SENNA. O DIA QUE SÃO PAULO PAROU



No dia 4 de maio de 1994, a "cidade que não para", parou. Sobre o carro de bombeiros, a esquife de Senna com a bandeira do Brasil, foi acompanhada por milhares de pessoas. De Guarulhos ao Ibirapuera, onde seu corpo seria velado, foram 2 horas e 28 minutos de emoções, nesse que é considerado o maior cortejo fúnebre do Brasil.

A maioria das pessoas que têm menos de 30 anos, não consegue entender o quanto Ayrton Senna era querido. Um domingo de Fórmula 1, era como assistir um jogo de Copa do Mundo, o Brasil parava. A gente se programava pra fazer as coisas "depois da corrida" e todo mundo entendia isso. Vibrávamos quando Senna ganhava uma corrida, pegava a bandeira do Brasil e dava mais uma volta no autódromo, mostrando-a ao mundo com orgulho.

Naquela quarta-feira, 4 de maio, a cidade parou, o Brasil parou, pra se despedir de Senna, envolto na bandeira que tanto honrou.


ACIDENTE DO FOOKER 100 DA TAM



"O avião que decolava do aeroporto de Congonhas para o Rio de Janeiro caiu sobre oito casas da Rua Luís Orsini de Castro, no Jabaquara, segundos após decolar. A tragédia deixou 99 mortos, sendo 96 passageiros e tripulantes da aeronave, além de três pessoas no solo". Foto e legenda:Band News. 

"Um dos mais graves desastres da história da aviação brasileira abalou o país no dia 31 de outubro de 1996. Um avião da companhia TAM, que fazia a ponte aérea Rio – São Paulo, caiu sobre o bairro residencial de Jabaquara, em São Paulo, a dois quilômetros do aeroporto de Congonhas, segundos após a decolagem. As primeiras informações do acidente divulgavam que não havia sobreviventes entre os ocupantes do Fokker e que pelo menos nove moradores teriam morrido atingidos pelos destroços do avião. Imagens de um cinegrafista amador, registradas logo após a tragédia, foram exibidas com exclusividade no Jornal Hoje, que fez uma edição especial sobre o acidente. Ao vivo, do estúdio, Sandra Annenberg atualizava os telespectadores com informações sobre o caso, ao passo que imagens aéreas davam uma dimensão da tragédia. Nesta edição, reportagens de Graziela Azevedo e Paulo Markun mostravam de perto as consequências do acidente, entrevistando testemunhas sobre o ocorrido".  Jornal Hoje.  Memória da Globo. 


O ACIDENTE DO VÔO TAM 3054 




O Vôo 3054 foi um rota comercial doméstica, operada pela TAM Linhas Aéreas (atual LATAM Airlines Brasil), utilizando um Airbus A320-233, partindo do Aeroporto Internacional de Porto Alegre com destino ao Aeroporto de Congonhas. Em 17 de julho de 2007, ao tentar pousar na pista 35L em São Paulo, a aeronave não conseguiu frear, ultrapassou os limites da pista, planou sobre a avenida Washington Luís e colidiu com o prédio da TAM Express e com um posto de gasolina da Shell. Todos os 187 passageiros e tripulantes a bordo do A320 e mais doze pessoas em solo morreram. É  o acidente aéreo com mais mortes na história da aviação brasileira, ultrapassando o voo Gol 1907 e também o mais mortífero envolvendo uma aeronave da família A320 até então, sendo ultrapassado em outubro de 2015 pelo voo Metrojet 9268, com 224 mortes. O acidente, investigado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, órgão filiado à Força Aérea Brasileira, teve seu relatório final divulgado em setembro de 2009, apontando como causas principais do acidente o erro do piloto, ao configurar irregularmente os manetes, falta da infraestrutura aeroportuária brasileira, faltando groovings (ranhuras) na pista de Congonhas e autonomia excessiva aplicada aos computadores da aeronave.

Nas duas pistas do aeroporto de Congonhas, uma inclinação impedia o escoamento da água acumulada sobre o asfalto, que já era liso por causa do excesso de borracha sobre a pista, causado pela pressão dos pneus ao pousar. Não havia áreas de escape junto às cabeceiras, já que logo após o final da pista encontrava-se a avenida Washington Luís e vários prédios, casas e edifícios comerciais. No dia 24 de julho de 2006, um ano antes do acidente, um Boeing 737 da BRA Transportes Aéreos, ao pousar no aeroporto, deslizou pela pista e conseguiu parar só porque o piloto realizou uma manobra conhecida como "cavalo de pau", o que evitou que a aeronave caísse na avenida Washington Luís. Devido a atrasos e cancelamentos de voos, provocados por chuvas no início de 2007, a Infraero decidiu pelo recapeamento do asfalto da pista principal do aeroporto. De acordo com o projeto, seriam instalados groovings no asfalto, que são pequenas ranhuras para escoar a água das chuvas e evitar alagamentos, já que pilotos alertavam sobre a pouca aderência da pista em dias de chuvas. As obras foram concluídas em 29 de junho, mas sem a instalação dos groovings, já que, segundo a Infraero, seriam necessários mais 30 dias para a aplicação dos mesmos. Enquanto a pista de Congonhas estava em reformas, o apagão aéreo de 2006 continuava avançando sobre o setor aeroviário brasileiro, o que fez com que a pista fosse liberada para uso, mesmo sem os groovings.

Dificuldade para pousos

No dia 16 de julho, um dia antes do acidente, quatro pilotos que pousaram no aeroporto relataram haver pouca aderência, inclusive de um piloto da TAM, o qual conseguiu frear sua aeronave apenas alguns metros antes do final da pista. Entre as 12h25 e as 12h28, a Infraero suspendeu as operações no aeroporto para examinar as condições de aderência da pista, a qual foi liberada por "ausência de poças e de lâminas d'água". Mas, logo depois da checagem, às 12h42, uma aeronave ATR-42, da Pantanal Linhas Aéreas, logo após tocar o trem de pouso na pista, aquaplanou, deslizando pela pista, fazendo uma curva abrupta para a esquerda e invadindo o gramado. A aeronave ainda colidiu com uma caixa de concreto(pt-BR) ou betão(pt) e com um pequeno poste de luz, antes do piloto fazer um "cavalo de pau" para conseguir frear a aeronave. Nenhuma das 21 pessoas a bordo se feriram, mas a aeronave teve seu trem de pouso destruído e o nariz da aeronave danificado. Mesmo com o incidente, os pousos na chuva continuaram sendo realizados normalmente no aeroporto.

Aeronave e tripulação

A aeronave envolvida no acidente, fotografada no Aeroporto Internacional Tan Son Nhat em fevereiro de 2004, enquanto ainda era operada pela Pacific Airlines. A aeronave envolvida no acidente era um Airbus A320-233, número de série 789, fabricada nas instalações da Airbus em Hamburgo, Alemanha. Foi registrada no Brasil como PR-MBK, equipada com dois motores IAE V2527-A5. Seu primeiro voo foi em 13 de fevereiro de 1998 e entrou em serviço um mês depois com a TACA Peru, com o registro peruano N454TA. Posteriormente, entrou na frota da Pacific Airlines com o registro vietnamita VN-A168. A aeronave era de propriedade da companhia turca Pegasus Airlines, antes de entrar em serviço com a TAM em dezembro de 2006. A aeronave tinha 20 000 horas de voo e 9 300 ciclos (pousos e decolagens somados). A aeronave estava com um defeito no reversor do motor direito, o qual estava inoperante. Seguindo recomendações da fabricante francesa Airbus, a aeronave poderia operar, mesmo com o reversor inoperante, por um prazo máximo de dez dias. Além disso, foi relatado que a aeronave não tinha dificuldade para pousar na pista do aeroporto de Congonhas.

O voo estava sob o comando do capitão Henrique Stephanini di Sacco, 53 anos de idade e 13 655 horas de voo, sendo 2 236 horas no modelo A320, e também pelo comandante Kleyber Aguiar Lima, 54 anos de idade e 14 760 horas de voo, sendo 237 horas no modelo A320.[24] Após esse acidente a TAM proibiu que voos regulares fossem realizados por dois comandantes ao mesmo tempo, devido a supostas falhas na logística de tarefas de cabine diagnosticada posteriormente pelo CENIPA. Além dos pilotos, havia quatro comissários de voo a bordo, e outros 13 funcionários não-operantes da companhia.


Rota do voo, partindo de Porto Alegre até São Paulo.

A delegação da equipe de futebol do Grêmio estava prevista para embarcar neste voo. Jogadores e comissão técnica fariam uma conexão em Congonhas e seguiriam para Goiânia, onde havia um jogo marcado contra a equipe do Goiás, mas a direção do clube adiou a viagem para o dia seguinte. Após o embarque, a aeronave decolou em direção a São Paulo, subindo ao nível de voo 340 (34 mil pés, aproximadamente 10 300 metros) e desviando de algumas formações de nuvens. Cerca de 40 minutos após atingir o nível de cruzeiro, a aeronave iniciou a aproximação para o pouso. Inicialmente, a aeronave iria pousar no Aeroporto de Guarulhos, onde as condições climáticas estavam melhores, mas a tripulação decidiu aterrissar em Congonhas.


Pouso e colisão

A aeronave foi autorizada a pousar em Congonhas na pista 35L. Testemunhas oculares e câmeras de segurança do aeroporto mostraram que quando a aeronave tocou a pista na área conhecida como "zona de toque", onde todas as aeronaves devem pousar, ela não diminuiu sua velocidade, atravessando a pista a uma velocidade média de 90 nós (170 quilômetros por hora). A aeronave fez uma curva abrupta para a esquerda, saindo da pista e invadindo o gramado e o pátio de manobras do aeroporto. A pista é localizada em um platô, ao lado da avenida Washington Luis, a qual estava com movimento intenso no momento. A aeronave saiu das delimitações do aeroporto, planou sobre a avenida e colidiu com o edifício da TAM Express e com um posto de gasolina da Shell, causando uma enorme explosão e um incêndio imediato de grandes proporções. Todos os 187 ocupantes da aeronave morreram imediatamente. Onze pessoas que estavam no prédio da TAM Express também morreram, além de um motorista de táxi que estava no posto de gasolina.

Dados da caixa preta da aeronave mostraram que, pouco antes do pouso, ambos manetes de potência dos motores estavam em CLB (posição de subida, com 80% de potência), regulados pelo sistema autothrust da aeronave, sistema que regula a potência dos motores com base em uma velocidade determinada pelo piloto, com o objetivo de mantê-la sempre constante. Dois segundos antes do pouso, um aviso sonoro foi emitido pela aeronave, aconselhando os pilotos a levarem os manetes para a posição IDLE (posição de pouso, sem potência). Isso desativaria o sistema autothrust da aeronave, fazendo com que a aeronave tivesse pouca velocidade, conseguindo frear completamente dentro dos limites da pista.

De acordo com o computador de bordo do A320, para que os spoilers, superfícies moveis sobre a asa que são abertos para quebrar a resistência do ar e diminuir a velocidade, fossem armados, os motores deveriam estar na posição IDLE, sem potência. A caixa preta mostra ainda que, imediatamente após o aviso para retardar os manetes, o piloto trouxe apenas o manete da esquerda para a posição IDLE, ativando o reverso do motor esquerdo, enquanto o manete da direita estava na posição CLB, com 80% de potência. Por causa da configuração incorreta dos manetes, o computador de bordo entendeu que a aeronave estava arremetendo. Uma teoria apresentada pelo CENIPA é que os pilotos podem não ter notado que o motor direito manteve-se em CLB, já que o sistema autothrust desenvolvido pela Airbus, ao contrário dos modelos de outras fabricantes, não move os manetes enquanto a potência dos motores é alterada. Assim, quando o piloto puxou o manete do motor esquerdo para a posição IDLE, ele desligou o sistema autothrottle e o computador de bordo não retardou a potência do motor direito para a posição IDLE. Esta assimetria nas potências dos motores ocasionou uma perda de controle, fazendo com que a aeronave se desviasse para a esquerda e saísse da pista.

Memorial 17 de Julho, com a amoreira que resistiu ao acidente.




O Cruzeiro de março de 1962: "Os motoristas de São Paulo são tidos como os mais nervosos e grosseiros do Pais, pelos pedestres. Mas esse sentimento é reciproco. Os motorista julgam os pedestres do mesmo modo.

VIOLÊNCIA DO TRÂNSITO PAULISTANO



Pedestres são as principais vítimas de acidentes de trânsito, segundo pesquisa
Mortes por atropelamentos representam 39% do total de casos de acidentes no Estado de SP
São Paulo|Do R7

02/05/2013 

O número de pessoas que morrem atropeladas, no Estado de São Paulo, representa 39% do total de mortes envolvendo veículos automobilísticos, motos e bicicletas, de acordo com o levantamento da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

Do total de 5.394 mortes por acidentes de trânsito notificadas no Estado em 2011, 2.114 foram de pedestres, 1.721 de motociclistas, 1.273 de passageiros de veículos automobilísticos e 286 de ciclistas. Entre os tipos de acidentes mais fatais estão, respectivamente, a de pedestres com automóveis, ônibus e veículos motorizados de duas ou três rodas.

Em relação a 2010, quando foram notificados 1.968 óbitos por atropelamentos no Estado, o número de mortes registrados no Estado foi 9% maior em 2011. O número de internações de pedestres também apresentou aumento, passando de 10.155 em 2010 para 10.548 em 2011.

Mortes de ciclistas crescem 6% em 2012 em SP, diz CET

Em relação às internações, o número de vítimas de atropelamentos é menor somente ao de motociclistas, como explica Gustavo Feriani, supervisor médico do Grupo de Resgate e Atendimento a Urgência (Grau) da Secretaria.

— Quando o pedestre é atingido por um veículo, toda a energia do impacto é transferida para a vítima, que não possui dispositivos de segurança, como cinto de segurança, estofados, air bags, barras de proteção, entre outros, para minimizar a energia liberada após a batida. Mesmo motocicletas ou bicicletas são capazes de causar mortes por conta desta transferência de energia. Além disso, por ser muito frágil quando exposto aos acidentes com outros veículos, o corpo humano fica vulnerável a traumas graves que podem comprometer funções vitais.

Mortes no trânsito

O número de mortes no trânsito caiu 9,8% em 2012, segundo balanço divulgado no dia 13 de março, pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). No ano passado, 1.231 pessoas morreram por causa de acidentes na capital paulista. Em 2011, foram 1.365 vítimas fatais.

Segundo a CET, o número de mortes por atropelamentos também diminuiu. O relatório da companhia mostra que as mortes de pedestres, as principais vítimas do trânsito paulistano, caíram 12,5% em relação ao ano anterior, o que significa 77 vidas poupadas. Em 2012, 540 pedestres perderam a vida no trânsito paulistano ante 617 em 2011.

A ampliação do PPP (Programa de Proteção ao Pedestre na cidade) é um dos motivos apontados pela empresa municipal para a redução dos índices de atropelamentos. No dia 18 de fevereiro, foi assinado um termo de cooperação pelas secretarias municipais dos Transportes e do Trabalho e Empreendedorismo. A parceria, de acordo com a CET, prevê repasse de R$ 5 milhões para ser investido no programa.

No ano passado, cerca de 800 orientadores de travessia estavam nas ruas. Neste ano, a companhia prevê um aumento de 200 pessoas atuando na função. O programa está sendo ampliado para mais regiões da cidade, inclusive as mais distantes, como as estradas do M´Boi Mirim e de Itapecerica (na zona sul), as avenidas Sapopemba, Marechal Tito e Ragueb Chohfi (todas na zona leste) bem como Teotônio Vilela, Guarapiranga, Cupecê e Largo 13 de Maio (também zona sul), dentre outras.



2024:  INFOSIGA APONTA 237 MORTES


Dados do Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de SP) mostram que 237 pessoas morreram em decorrência de acidentes de trânsito na cidade de São Paulo nos primeiros três meses de 2024.

Os atropelamentos são a principal causa de mortes. Em muitos desses casos, os ônibus estão envolvidos
E os pedestres são as principais vítimas.

Em seis horas, foram dois acidentes graves envolvendo ônibus na capital:

Por volta das 7h desta terça-feira (7), em Pirituba, na Zona Norte, um homem de 62 anos foi atropelado enquanto atravessava numa faixa de pedestres quase totalmente apagada. Ele foi levado de helicóptero para o Hospital das Clínicas.

Trânsito da cidade de São Paulo tem 237 mortes nos três primeiros meses do ano
Na terça-feira (7), dois acidentes graves envolvendo ônibus foram registrados num intervalo de 6 horas na capital; sobre os casos, a SPTrans disse que o programa de redução de acidentes de trânsito apura a ocorrência. No entanto, o projeto não foi implementado na prática.
Por SP2 — São Paulo

08/05/2024 20h42  Atualizado há 3 meses

Trânsito da cidade de São Paulo tem 237 mortes nos três primeiros meses do ano

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Dados do Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de SP) mostram que 237 pessoas morreram em decorrência de acidentes de trânsito na cidade de São Paulo nos primeiros três meses de 2024.

Os atropelamentos são a principal causa de mortes
Em muitos desses casos, os ônibus estão envolvidos
E os pedestres são as principais vítimas.
Em seis horas, foram dois acidentes graves envolvendo ônibus na capital:

Por volta das 7h desta terça-feira (7), em Pirituba, na Zona Norte, um homem de 62 anos foi atropelado enquanto atravessava numa faixa de pedestres quase totalmente apagada. Ele foi levado de helicóptero para o Hospital das Clínicas.


Perto das 13h, na Vila Carrão, na Zona Leste, a vítima foi uma mulher: Rosemary Silva, de 66 anos. Ela morreu ao ser atropelada por um ônibus quando tentou atravessar correndo, pela faixa de pedestres, a Avenida Dezenove de Janeiro, na Vila Carrão, Zona Leste da capital.

Sobre os dois casos – e em todos os outros 17 atropelamentos por ônibus deste ano –, a SPTrans deu a mesma resposta: o programa de redução de acidentes de trânsito, o PRAT, apura a ocorrência.

Por meio da Lei de Acesso à Informação, o SP2 perguntou à empresa qual a estrutura desse programa, quantas pessoas trabalham nele, qual o orçamento e o que ele faz na prática.

A resposta foi que o PRAT é ligado ao Centro de Operações da SPTrans e não tem nem equipe nem orçamento próprios. O decreto que criou o programa em 2007 afirma que o PRAT deveria:

Ter um conselho consultivo, presidido pelo secretário de Transportes;
Contar com especialistas no assunto;
E um comitê que fica subordinado a esse conselho;
No entanto, nada disso saiu do papel.

Gláucia Pereira, do Instituto Multiplicidade, diz que o PRAT não pode ser apenas uma resposta padrão depois de um acidente.

"A SPTrans e a prefeitura ficam muito distantes dos motoristas de ônibus, porque os motoristas são funcionários das empresas concessionárias e permissionárias. Então, não adianta a prefeitura ficar tratando disso com o chefe dos motoristas. Precisa conversar, de fato, e essas pessoas precisam participar desses programas", explicou a especialista em mobilidade.

"Não é simplesmente um indicador que, depois que a gente tem mortos e feridos, a gente vai verificar. Não pode acontecer. A gente tem que entender que morrer no trânsito não é normal, e a prefeitura não pode tratar isso como algo simplesmente burocrático”, completou Gláucia.

A SPTrans disse que o programa de redução de acidentes de trânsito não foi implementado como o decreto manda, ou seja, a prefeitura não cumpriu o decreto da própria prefeitura.

A Prefeitura de São Paulo informou, no entanto, que o PRAT foi responsável pelo afastamento de diversos motoristas, pelo treinamento de 24 mil motoristas em 2023, além de promover ações para melhorar a segurança no trânsito envolvendo motoristas e pedestres.



OPINIÃO – Sobre o relatório de vítimas fatais no trânsito paulistano
15/05/2015
Autor: Joana Canêdo*
Data: 15/05/2015

A semana que se seguiu à publicação do Relatório de acidentes de trânsito fatais da CET, referentes ao ano de 2014, foi repleta de análises da mídia. O grande destaque foi para o número de morte de ciclistas que teria aumentado — mas que deixou de levar em consideração a quantidade de ciclistas em circulação, ou seja, proporcionalmente ao uso de bicicletas, as mortes de ciclistas diminuíram 10% em São Paulo.

Fiquei me perguntando por que não pareceu chocante para ninguém que  a maior vítima do trânsito na capital paulista sempre foi, e continua sendo, os pedestres. E isso mesmo quando os acidentes estavam em queda. (Entre os poucos jornais que tocaram no assunto estão:  Metro e Agora, e o portal Mobilize; e a Globo fez uma reportagem específica sobre a avenida mais letal da cidade).

Por que tão pouca gente  comentou que tantas pessoas morrem atropeladas todos os dias em São Paulo. Será que essa “fatalidade” é normal?

Os pedestres representam a maioria dos usuários das vias da cidade, mais de 13 milhões de pessoas se deslocam a pé todos os dias na RMSP (contra 12 milhões de carros). Ainda assim todo o planejamento do viário é pensado e estruturado para facilitar o fluxo, e com isso a velocidade, dos veículos e o conforto dos motoristas, demonstrando que a segurança no trânsito não é prioridade das ações de mobilidade na cidade.

Em São Paulo, as velocidades máximas permitidas nas ruas são assustadoramente altas, o que aumenta a gravidade dos atropelamentos,  a maior causa de fatalidades no trânsito da cidade.

Além disso há uma cultura de desrespeito às leis básicas do trânsito, como parar na faixa para o pedestre atravessar, prioridade do pedestre na conversão, ultrapassar o limite de velocidade da via, etc. Sem contar uma engenharia de tráfego que calcula tempos semafóricos em função do número de carros na via e não em função do tempo necessário para as pessoas atravessarem, para citar apenas alguns exemplos de como as pessoas que caminham estão sempre em último lugar na escala de prioridades.

É urgente que a cidade abra os olhos e reaja para a segurança dos atores mais vulneráveis da mobilidade urbana: as milhões de pessoas que andam pelas ruas e calçadas de São Paulo todos os dias e se encontram constantemente em situação de risco.

Segunda o relatório da CET, em 2014, 44,4% das vítimas fatais do trânsito foram pedestres, 555 no total, sendo que 537 deles morreram atropelados, em sua grande maioria por automóveis (45%, seguidos de ônibus, 26%, e motos, 20%). Esse número significa um aumento de 8% na morte de pedestres, quando comparado a 2013.

De todas as mortes de pedestres, mais de 35% foram de pessoas com mais de 60 anos – sinal de que os mais velhos, com mais dificuldade de deslocamento e de atenção, enfim os mais vulneráveis, são as grandes vítimas.

O perfil sócio econômico das vítimas se equivale ao perfil socioeconômico da população abrangida pelo Modal a Pé na Pesquisa de Origem e Destino do Metrô (2007).

Quanto ao local dos acidentes fatais, eles estão espalhados por toda a cidade. Mas observando bem o os mapas é possível identificar pontos específicos onde é nítida a necessidade de ações estratégicas para evitar mortes.

É o caso, por exemplo, do centro da cidade, onde a restrição da circulação de veículos poderia ser ampliada, uma vez que é uma área com grande número de circulação de pessoas a pé e com ampla estrutura de transporte público.

As marginais do  Tietê e do Pinheiros, ao lado das avenidas Marechal Tito e Teotônio Vilela, foram as recordistas de atropelamentos fatais, indicando uma óbvia necessidade de reduzir a velocidade máxima permitida nessas vias imediatamente.

A Zona Leste precisa de uma atenção especial, pois é a região na cidade com o maior número de vítimas fatais, ultrapassando 17% do total das 10 regiões consideradas, sendo que quase 50% das vítimas da região eram pedestres.

Há várias outras conclusões que podem ser tiradas deste relatório e que deveriam subsidiar políticas públicas voltadas para a segurança sobretudo do pedestre, o ator mais vulnerável da mobilidade.

É preciso destacar que, apesar de 32% das viagens serem feitas exclusivamente a pé na cidade (e esse número não inclui caminhantes que vão para os pontos de ônibus, estações de trem, até a padaria do bairro ou almoçar ao meio-dia), o pedestre é sempre o último a ser considerado nas políticas públicas. Quando essas o fazem, é dificultando a sua vida ou os infantilizando.

Os chamados projetos de segurança para o pedestre incluem a instalação de  barreiras físicas em cruzamentos onde há muito trânsito de veículos – o que aumenta a distância e diminui a eficiência dos trajetos. Isso é uma inversão da prioridade, garantida por lei, ao pedestre pois, segundo o art. 38 do Código Brasileiro de Trânsito, “o condutor deverá ceder passagem aos pedestres e ciclistas” ao fazer a conversão. Com essas barreiras, a CET passa, na prática, a prioridade ao condutor do veículo. E não vou nem citar as campanhas “educativas” que idiotizam o pedestre ao exibir palhaços atravessando fora da faixa.

São portanto mais do que urgentes políticas públicas voltadas especificamente para a segurança das pessoas que andam pela cidade, as grandes vítimas do trânsito urbano

Entre as primeiras medidas que devem ser tomadas estão:

1) Redução da velocidade dos veículos automotores nas ruas – por meio de redução do limite das velocidades das vias, mas também através de ações de engenharia, como implantação de traffic calming, implantação de ciclovias, estreitamento das faixas em avenidas, plantio de árvores no centro da via, entre outros.

2) Uma verdadeira reeducação do trânsito, na qual todos os atores aprendam e obedeçam às regras mais fundamentais do CTB, como a mais óbvia, de respeitar o limite de velocidade da via, mas também a de que (Art. 44): “ao aproximar-se de qualquer tipo de cruzamento, o condutor do veículo deve demonstrar prudência especial, transitando em velocidade moderada, de forma que possa deter seu veículo com segurança para dar passagem a pedestre e a veículos que tenham o direito de preferência”.


* Agradeço as sugestões de Rafael Calábria e as colocações de Meli Malatesta.

O PAULISTANO NO TRÂNSITO


Paulistano demora quase 3 horas por dia no trânsito, e 88% dos pedestres se sentem inseguros, diz pesquisa

Estudo do Ibope Inteligência encomendado pela Rede Nossa São Paulo mostra também que 44% dos paulistanos têm ou já tiveram problemas de saúde relacionados à poluição.

O paulistano gasta, em média, 2 horas e 43 minutos por dia para fazer todos os deslocamentos que precisa na cidade de São Paulo neste ano. O tempo é menor que a média de 2017, de 2 horas e 53 minutos, mas maior que as 2 horas e 38 minutos diárias registradas em 2015.

Os dados são da Pesquisa de Mobilidade Urbana na Cidade, feita pelo Ibope Inteligência a pedido da Rede Nossa São Paulo, e divulgada nesta terça-feira (18).

O levantamento também apontou que o paulistano leva 1 hora e 57 minutos para se deslocar, ida e volta, pela cidade para realizar a atividade principal, como trabalho ou estudo. No ano passado, esse tempo médio foi de 2 horas, ainda longe da 1 hora e 44 minutos registrada em 2015.

A pesquisa foi realizada entre os dias 15 de agosto e 3 de setembro, com 800 moradores da cidade de São Paulo com 16 anos ou mais. A confiança da pesquisa é de 95%, e a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Poluição. A pesquisa também mostra que 44% dos paulistanos têm ou já tiveram problemas de saúde relacionados à poluição. Em 2017 esse número foi de 59%.

Meios de transporte

Ônibus municipal – Em 2018, 43% dos paulistanos afirmaram ter o ônibus como o meio de transporte que mais usam para se deslocar pela cidade de São Paulo. No ano passado, esse número foi de 47%. O levantamento também aponta que 49% usam ônibus municipais de uma a cinco vezes por semana.
Entre os entrevistados que não usam ônibus, a lotação do coletivo aparece foi citada por 37% dos entrevistados como motivadora para não escolher este meio de transporte. O uso do carro para se locomover aparece como motivação para 32%, mesmo percentual dos que justificaram a demora do trajeto.

Entre os usuários de ônibus municipais, 88% dos disseram que levam até dez minutos de casa até o ponto de ônibus; e 44% dos entrevistados afirmaram que esperam até 15 minutos pelo ônibus.

Sobre os casos de assédio sexual nos ônibus, 51% dos entrevistados avaliaram negativamente a atuação do poder público no combate aos casos.

Carro – Esta é a opção de transporte usada por 24% dos entrevistados neste ano. Em 2017, carro foi a opção de 22% dos paulistanos entrevistados; 47% dos entrevistados respoderam que usam carro com a mesma frequência de antes.

Metrô – É a terceira opção mais usada. Em 2018, 12% dos entrevistados preferiram esse tipo de transporte, ante 13% em 2017.

A pé – 7% dos entrevistados responderam que preferem se locomover a pé pela cidade neste ano. Em 2017 foram 8%. Segundo a pesquisa, 88% dos pedestres paulistanos se sentem pouco ou nada seguros.
Transporte por aplicativo – 5% dos entrevistados disseram que esse é o meio de transporte que mais usa em 2018. No ano passado foram 2%.

Trem – Em 2018, essa é a opção para 3% dos paulistanos. Em 2017 foi de 4% dos entrevistados.
Bicicleta – Em 2018, apenas 2% dos paulistanos afirmam se locomover dessa maneira. Em 2017 foi a opção de 1% dos entrevistados. Segundo levantamento, apesar da queda da menção da bicicleta como opção de transporte, a segurança dos ciclistas aparece como ponto prioritário para 30% dos paulistanos. Para 48% dos entrevistados a manutenção das ciclovias é ruim ou péssima.

Táxi ou táxi por aplicativo – Em 2017, nenhum entrevistado afirmou usar esse tipo de modal. Em 2018 apenas 1% respondeu que usa esse tipo de transporte.

Motocicleta – Esta não é opção de transporte para os entrevistados. No ano passado foi pra 1% dos entrevistados.
Fonte: G1
 

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SÃO PAULO DE TEMPOS REMOTOS E HOJE PERIFÉRICOS


Igreja Santa Cruz - década de 1930, na  Vila Santa Cruz,


Guaianases, distrito situado na Zona Leste do município de São Paulo e pertencente à Subprefeitura de Guaianases Igreja fundada em 1879 que se encontra hoje no distrito de Guaianases - esta é a segunda igreja de Santa Cruz que ainda permanece. A primeira, fundada em 1861 nas dependências da hoje Paróquia de Santa Quitéria, foi derrubada. A formação do distrito de Guaianases é a mesma de Itaquera: ambos nasceram de aldeamentos indígenas e do esforço dos jesuítas, com destaque para o padre Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, que fundaram o colégio Jesuíta para a catequese dos guaianás. O aldeamento prosseguiu, mas "por volta de 1820 os índios já estavam extintos e a terra encontrava-se em mãos de particulares". Nessa época, o distrito era parada e pousada de viajantes, um ponto de passagem na Estrada do Imperador, que, depois, seguia para as minas de ouro. Existem registros de que a chácara do major Aníbal serviu de estadia para o próprio dom Pedro por mais de uma vez. Como de costume, ergueu-se uma igreja. Dessa vez, em homenagem a Santa Cruz do Lajeado Velho. Onde hoje está instalada a paróquia de Santa Quitéria, foi fundado, a 3 de maio de 1861, o bairro e uma capela chamada Santa Cruz. O bairro era chamado de Lajeado Velho. O local cresceu lentamente com a instalação de diversas olarias nas imediações e com a chegada dos trilhos da Estrada de Ferro do Norte mais tarde foi conhecida como Estrada de Ferro Central do Brasil. Em 1879, foi fundada a nova Capela de Santa Cruz e a antiga teve seu nome alterado para Santa Quitéria, porém viria a ser derrubada em meados do século XX para a construção de um novo templo. A partir dos anos 1920, o bairro se tornou mais populoso, as olarias e a Estrada de Ferro Norte deram um impulso na economia local. Pela estrada de ferro também vieram os imigrantes italianos e posteriormente os espanhóis a partir de 1912, para dedicar-se à extração de pedras através das Pedreiras Lajeado e São Mateus. Mais tarde, começou o domínio da família Matheus que construiu um grande império no bairro. Em 7 de setembro de 1950, Isidoro Mateus fundou o E.C. Santa Cruz de Guaianases, nome que homenageava a Igreja de Santa Cruz. Até hoje, o time é considerado histórico dentro do futebol amador do estado de São Paulo e tinha a maior torcida da várzea paulistana. Além disso ficou conhecido como "Galo da Central". Em 1957, o distrito recebeu oficialmente o nome de Guaianases, que era a tribo que o habitava.[Textos e imagens da Wikipedia]


Foto aérea do Distrito em 2023


Itaquera é um distrito dentro da Subprefeitura de Itaquera, na Zona Leste de São Paulo. Por volta de 1620, apareceram as primeiras referências à "Roça Itaquera", localizada nas proximidades do Aldeamento de São Miguel.[3] No final do século XVII, a região passou a ser citada como povoamento de São Miguel, no fim do século XVIII, como território da freguesia da Penha e por último como bairro do distrito de São Miguel Paulista. Em 1920, passou a ser um distrito autônomo. O desenvolvimento do distrito se deu, em grande parte, sob a forma clássica de loteamentos e vilas. Em 1837 existiam apenas três grandes extensões de terras: Fazenda Caguaçu, também conhecida como Fazenda do Carmo, que pertencia a uma ordem religiosa chamada Província Carmelitana Fluminense (daí a origem dos nomes - Carmosina, Fazenda do Carmo, Parque do Carmo e Jardim Nossa Senhora do Carmo e da própria igreja matriz no centro do bairro), Sítio Caguaçu, que pertencia ao doutor Rodrigo Pereira Barreto, onde foi feito o primeiro "loteamento" ocorrido na região, com lotes de 10.000 metros quadrados cada um, vendidos como áreas de veraneio e chácaras (área compreendida entre o Hospital Planalto e o Rio Jacu).Sítio da Casa Pintada - cuja casa sede foi retratada por Debret, teve um cunho mais popular. Os compradores fizeram casas no local e ergueram uma capela em louvor a Santa Ana, surgindo assim a Vila Santana.A Fazenda Caguaçu teve uma parte vendida para o engenheiro Oscar Americano, parte esta que compreendia a área do Jardim e do Parque do Carmo. Na área remanescente a Companhia Pastorial e Agricola. Este fez um loteamento de cunho popular e urbano plenamente planejado (um dos primeiros da Zona Leste de São Paulo) no que hoje conhecemos como Vila Carmosina e fez loteamentos de cunho rural, na área hoje conhecida como Colônia Japonesa. Em 1875, um acontecimento moldou o desenvolvimento econômico da região: a inauguração da Estação de Trem de Itaquera pelo ramal da Estrada de Ferro Central do Brasil. O impacto da chegada da estrada de ferro foi enorme, propiciando o transporte de seus moradores a outras regiões e das mercadorias produzidas em Itaquera ao centro de São Paulo. Ao redor da estação se consolidou um pujante centro comercial. A partir da década de 1920, imigrantes japoneses passaram a residir nas glebas rurais existentes na região. A principal atividade econômica dessas famílias era a produção de pêssegos em uma extensa área circundante à Mata do Carmo. No transcorrer do século XX, processos econômicos foram aos poucos substituindo as áreas de roçado por vilas e loteamentos. Grandes levas populacionais, sobretudo do Nordeste assentaram-se na região, atraídas pelos terrenos baratos e pela estação de trem, que permitia o deslocamento rápido até o centro do município.[Textos e imagens da Wikipedia]

Itaquera no início do século XX. Área rural. 


Bairro de Itaquera. Até o início da década de 1980, Itaquera era um distrito com pouca infraestrutura urbana, e sua população era composta de operários e trabalhadores assalariados no comércio e no ramo de serviços. Foi nessa época que surgiram as primeiras favelas da região. A partir de 1980, no entanto, a construção dos conjuntos habitacionais (conhecidos como Cohabs) potencializou a explosão demográfica de Itaquera. O primeiro deles, o Cohab José Bonifácio, foi inaugurado em 1980 pelo então presidente João Batista Figueiredo e se localiza em um enorme terreno ao lado das plantações de pêssegos. Após a inauguração do primeiro conjunto habitacional, vários outros foram construídos, sendo rapidamente povoados. A população pressionou o poder público por serviços essenciais de saúde e educação, sendo em parte atendida, uma vez que até hoje a prestação de serviços públicos é deficitária. Nesse momento, o distrito contava com 1.247.239 habitantes e por meio do processo migratório, sem precedentes, por conta do programa de habitação popular da COHAB atingiu 2.380.783 de habitantes em 2010.


A Estrada do M'Boi Mirim é uma via estrutural localizada na zona sul do município de São Paulo, no estado de São Paulo, Brasil. As origens do bairro remontam ao início do século XVIII, quando foi criado o aldeamento jesuíta de Mboy, a 36 km do centro de São Paulo de Piratininga. Após a criação da Vila de Santo Amaro, em 1852, Mboy foi incluída em seu território.  A estrada, caracterizada como uma grande avenida, liga o início do distrito do Jardim São Luis até o final do distrito de Jardim Ângela, numa extensão de mais de 16 quilômetros. A estrada tem o nome de M'Boi Mirim, por cruzar o rio Embu-mirim (antigo M'Boi Mirim, que também deu nome á região), próximo a divisa com Itapecerica da Serra. No decorrer da estrada predominam o variável e extenso comércio popular, pequenos empreendedores individuais, o Hospital Dr. Moysés Deutsch (popularmente conhecido como Hospital M'Boi Mirim), os terminais de ônibus Terminal Jardim Ângela e Terminal Guarapiranga além de um grande número de residências. Nos bairros que existem ao seu redor, moram cerca de 2 milhões de pessoas. Outro ponto importante está relacionado ao transporte público na região, que é notadamente insuficiente para suprir toda a demanda ali existente, resultando na superlotação dos ônibus, além de grandes congestionamentos em diversos horários durante o dia. O topônimo "M'Boi Mirim" é de origem tupi: significa "cobra pequena", através da junção de mboîa (cobra) e mirim (pequena). Apesar de corrente, a prosódia /eme boi mirim/ é totalmente equivocada. O "M" sem vogal inicial faz parte do nome "Mboi" (cobra), presente, em sua forma simplificada para o português, em palavras de origem tupi tais como "boitatá", "jibóia" ("i-mboi", cobra d'água), "boiçucanga", "boiçununga", "boipeba". Deve-se preferir a prosódia em que a vogal é omitida mas o fonema /m/ soa: /mboi mirim/.[Textos e imagens da Wikipedia]


Estrada do Mboy Mirim cruzando o bairro do Butantã em 1942. Uma aldeia indígena foi fundada por jesuítas no início do século XVII na região onde hoje fica o município de Embu. Segundo historiadores, o agrupamento recebeu o nome do rio que cortava a região: M'Boy Mirim. Em tupi, a expressão significa "cobra pequena", um tipo de serpente muito abundante por lá naquela época. Com 9,6 quilômetros, a extensa Estrada do M'Boi Mirim é uma das mais movimentadas vias da extrema Zona Sul da capital, que dá acesso aos bairros de Jardim Ângela, Capão Redondo e Jardim São Luís.



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 ARENAS  DA VELOCIDADE



Primeiro Grande Prêmio de São Paulo pelas ruas do Jardim América em 1936. #SPFotos




Autódromo de Interlagos, na zona Sul. Pela proximidade com o bairro de Interlagos é popularmente chamado de Autódromo de Interlagos. Foi inaugurado em 12 de maio de 1940, pelo interventor Ademar de Barros. O nome tradicional do bairro (e consequentemente do circuito) vem do fato da localização em uma região entre dois lagos artificiais, Guarapiranga e Billings, que foram construídos no começo do século XX para suprir a cidade com água e energia elétrica. O nome foi sugerido pelo arquiteto e urbanista francês Alfred Agache devido a região de Interlaken (literalmente "entre lagos") localizada na Suíça. Em 1985 foi renomeado para homenagear o piloto de Fórmula 1 José Carlos Pace, falecido em 1977. Anexo a sua construção, há um Kartódromo, o Kartódromo Municipal Ayrton Senna.

História. No fim da década de 1920, o engenheiro britânico Luiz Romero Sanson idealizou uma região de lazer entre as represas Billings e Guarapiranga, sendo que sua filha escolheu o nome Interlagos para o local. A ideia era atender a população mais rica da cidade, que se interessava pelo automobilismo. A construção do circuito também foi incentivada por um acidente acontecido em 1936, quando foi realizada a primeira prova internacional de São Paulo nas ruas da cidade. A francesa Hellé-Nice sofreu um acidente que causou 6 mortes e deixou mais de 30 pessoas feridas. A iniciativa da construção foi de Sanson e do Automóvel Clube do Brasil. O traçado foi inspirado nas pistas de Indianapolis, nos Estados Unidos, Brooklands, na Inglaterra e Monthony, na França. Em abril de 1939, com o autódromo ainda em obras, um grupo de pilotos liderado por Manoel de Teffé deu as primeiras voltas na pista. Um ano após houve a grande inauguração no dia 12 de maio de 1940, quando o autódromo abriu suas portas. Tinha, à época, uma extensão total de 7 960 m. Neste dia o autódromo recebeu 15 mil pessoas para duas corridas: uma de motos, com 96 km (12 voltas) e o Grande Prêmio São Paulo, com 200 km (25 voltas). O vencedor foi o piloto Artur Nascimento Júnior, que percorreu 25 voltas da prova no tempo de 1 hora, 46 minutos e 44 segundos. A estrutura ainda não estava pronto, e ainda não haviam arquibancadas, boxes, lanchonetes, banheiros, torre de cronometragem e de transmissão. Fechado para reformas em 1967, só foi reaberto em 1 de março de 1970, para a realização de uma prova do campeonato internacional de Fórmula Ford. Em 1971, o autódromo passou novamente por reformas para abrigar no ano seguinte, pela primeira vez, um Grande Prêmio de Fórmula 1. Em 1972 houve o primeiro Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 sem contar pontos para o campeonato, sendo vencido pelo argentino Carlos Reutemann, piloto da equipe Brabham. Em 1973 a prova já era válida pelo campeonato mundial de equipes e pilotos, sendo vencida pelo brasileiro Emerson Fittipaldi, da Lotus. Em 1975, o autódromo foi palco da primeira dobradinha de brasileiros na Fórmula 1: José Carlos Pace foi o vencedor, seguido de Fittipaldi.[2] Até 1980 o autódromo recebeu o Grande Prêmio sucessivamente, com exceção de 1978 que foi no Autódromo de Jacarepaguá devido à reformas no circuito. Devido às condições precárias e poucas manutenções, Interlagos ficou impossibilitada de realizar corridas de Fórmula 1, sendo assim, em 1981, o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 passou a ser realizado no Rio de Janeiro em Jacarepaguá até 1989.[3] Em 29 de junho de 1988, o Autódromo de Interlagos recebeu o 1° Hanabi Matsuri, em comemoração aos 80 anos da Imigração japonesa no Brasil [Textos e imagens da Wikipedia]

 O Grande Prêmio do Brasil foi realizado pela primeira vez em Interlagos, em 1972, embora ainda não fizesse parte da Fórmula 1. No ano seguinte, no entanto, a corrida foi incluída pela primeira vez ao calendário oficial. Em 1978, o Grande Prêmio do Brasil foi transferido para o Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, enquanto o Autódromo de Interlagos era modernizado e remodelado.  


JOCKEY CLUB DE SÃO PAULO


Jockey Club de São Paulo na avenida Lineu de Paula Machado 1263, entre o Butantã e o Morumbi.



O Jockey Club de São Paulo é a entidade que administra e detém a propriedade do Hipódromo de Cidade Jardim. Foi fundado em 14 de março de 1875, sob o nome de "Club de Corridas Paulistano". Sua primeira praça de corridas foi o Hipódromo da Mooca, na rua Bresser. Inicialmente havia uma determinação para que o novo hipódromo fosse situado no Ibirapuera. No entanto, mais tarde, em 25 de janeiro de 1941, foi inaugurado o atual hipódromo da Cidade Jardim, que buscou corresponder as modernidades atuando como palco de diversos eventos como feiras, desfiles de moda, algumas festas, entre outros, instalado no bairro de mesmo nome, no distrito do Morumbi, em São Paulo. O terreno em que se encontra o atual Jockey Club de São Paulo foi uma doação da Companhia Cidade Jardim, que entendia a necessidade de um espaço maior que atendesse às demandas do público e concebido pelo então Prefeito de São Paulo e Presidente do Jockey Club, Fábio Prado. O hipódromo foi então construído nos 600.000 metros às margens do Rio Pinheiros, ainda não retificado na época, entre os anos de 1937 e 1941. O projeto foi feito por Elisário Bahiana, arquiteto brasileiro e posteriormente remodelado pelo arquiteto francês Henri Sajous. Apesar da localização do novo hipódromo, a sede social do clube ainda permaneceu nas proximidades de seu local de origem, à rua do Rosário. Dali, mudou-se para a rua São Bento em 1917, depois para a rua 15 de Novembro, Praça Antônio Prado e, finalmente, nos anos 60, para a localização atual, situada à rua Boa Vista, no centro da cidade. O Jockey Club também possui o Centro de Treinamento de Campinas, na cidade homônima, situada no interior do estado de São Paulo, no local onde funcionou o Hipódromo Boa Vista.

Antônio da Silva Prado, ou Conselheiro Antônio Prado, advogado, agricultor, político . Filho de Martinho da Silva Prado e de Veridiana Valéria da Silva Prado, membros da aristocracia cafeeira paulista; tinha o apelido de Antonico. Dona Veridiana era filha de Antônio da Silva Prado, o Barão de Iguape. O pai de Antônio da Silva Prado era tio de sua mãe. Formado na Faculdade de Direito de São Paulo em 1861; cursou especialização em direito em Paris. Foi chefe de polícia em São Paulo. Deputado provincial de São Paulo (1862-1864) e deputado federal (geral), Em 1878, foi inspetor especial de terras e colonização da Província de São Paulo.

A entidade constituiu-se por efeito da paixão que um republicano tinha por cavalos. Apesar da sede atual do Jockey Club de São Paulo só ter sido inaugurada em 1941, a história desta associação já marca mais de 100 anos. Em março de 1875, foi inaugurado o então Club de Corridas Paulistano tendo como um dos mais importantes fundadores Antonio da Silva Prado, que tinha na época 23 anos. A Diretoria ainda era composta pelo presidente Rafael Aguiar Pais de Barros, formado em direito e reconhecido como o patriarca do turfe. Após viagem para a Inglaterra, onde conheceu o esporte, o fundador do clube buscou os meios para criar o Club de Corridas na cidade de São Paulo que tinha, na época, 25.000 habitantes. O espaço foi arrendado por 20 contos de réis em um terreno na várzea da Mooca.

ELITE EMPRESARIAL

O Jockey Club de São Paulo foi uma entidade formadora da elite empresarial paulistana. No início, uma seleção de 73 sócios dispunha de um capital de 9 contos e 90 mil réis. Rafael Aguiar Pais de Barros, junto com seus sócios, redigiu o regulamento de corridas e traçou as raias nas colinas da Mooca. Assim pôde ser inaugurada a primeira corrida no domingo de 29 de outubro de 1876. No evento, dois cavalos compareceram para disputar um prêmio de mil contos de réis do Governo da Província. Seus nomes eram Macaco e Republicano, o primeiro ainda desconhecido, de menor tamanho, enquanto o segundo apresentava mais vitórias. Entretanto, foi Macaco o primeiro cavalo a vencer uma corrida no Club correndo 1.609 metros em 2 minutos e 3 segundos, 2 segundos mais rápido que o adversário e contrariando as expectativas de quem assistia. Há ainda registros da primeira mulher a praticar o turfe em São Paulo, Domitila de Aguiar e Castro, que venceu com 2 minutos e 9 segundos no terceiro páreo da corrida de 10 de julho de 1877. Posteriormente, mais corridas foram sediadas, tendo uma média de três a cinco eventos anualmente até 1886. É em 1881 que o clube passará a ser chamado oficialmente por Jockey Club, que até então era considerado o nome informal. Em 1888, uma crise decorrente da abolição da escravatura atinge o Jockey e no ano seguinte morre o presidente Rafael Aguiar, dando início a uma nova fase a partir de 1890. A reabertura do Jockey sob a presidência de José de Souza Queirós foi reanimadora, mas sofreu altos e baixos por alguns anos. Em 1893 registrou até 41 corridas, mas ainda era seguida por outras dificuldades. Em 28 de abril de 1912, a pista do hipódromo da Mooca foi utilizada como pista de voo, com o Comandante Edu Chaves pilotando um aeroplano em direção ao Rio de Janeiro[1]. Foi a primeira conexão feita entre as duas cidades por via aérea. Em 1920, há a melhora e ampliação do espaço, com o objetivo de abrigar mais 2.800 espectadores. Durante a Revolução Paulista de 1924, Revolução de 1930 e Revolução de 1932, as corridas precisaram ser suspensas, o que consequentemente resultou em momentos ruins para o Jockey. 

Rafael Tobias de Aguiar Pais de Barros, segundo Barão de Piracicaba, (1830-1898),  fazendeiro, filho de Antônio Pais de Barros, primeiro Barão de Piracicaba, e de Gertrudes Eufrosina de Aguiar. Casou-se em primeiras núpcias com sua prima Leonarda de Aguiar de Barros, filha de Bento Pais de Barros, Barão de Itu, e em segundas com Maria Joaquina de Melo e Oliveira, filha de José Estanislau de Oliveira, Visconde de Rio Claro.Dentre seus filhos, destaca-se Sofia Pais de Barros, que se casou com Washington Luís Pereira de Sousa, futuro Presidente do Brasil.


Entrada principal do hipódromo na avenida Lineu Prestes, no Morumbi. 

Último páreo do Grande Prêmio São Paulo de Turfe 2017.


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PINACOTECA DE ESTADO 


Pinacoteca do Estado de São Paulo, no Parque da Luz é um dos mais importantes museus de arte do Brasil. Ocupa um edifício construído em 1900, no Jardim da Luz, centro de São Paulo, projetado por Ramos de Azevedo e Domiziano Rossi para ser a sede do Liceu de Artes e Ofícios. É o mais antigo museu de arte de São Paulo, fundado em 1905 e regulamentado como museu público estadual desde 1911. Após a reforma conduzida por Paulo Mendes da Rocha na década de 1990, tornou-se uma das mais dinâmicas instituições culturais do país, integrando-se ao circuito internacional de exposições, promovendo eventos culturais diversos e mantendo uma ativa produção bibliográfica.  Administra o espaço denominado Estação Pinacoteca , instalado no antigo edifício do DOPS, no Bom Retiro, onde mantém exposições temporárias de arte contemporânea, a Biblioteca Walter Wey e o Centro de Documentação e Memória da instituição. A Pinacoteca abriga um dos maiores e mais representativos acervos de arte brasileira, com mais dez mil peças abrangendo majoritariamente a história da pintura brasileira dos séculos XIX e XX. Destacam-se também a Coleção Brasiliana, integrada por trabalhos de artistas estrangeiros atuantes no Brasil ou inspirados pela iconografia do país, a Coleção Nemirovsky, com um expressivo conjunto de obras-primas do modernismo brasileiro e, mais recentemente, a Coleção Roger Wright, recebida em comodato no mês de janeiro de 2015.




Retrato de Ramos de Azevedo, por Oscar Pereira da Silva. Acervo da Pinacoteca do Estado.


Em 1895, numa tentativa de salvar o Liceu de Artes e Ofícios, a sociedade indica o influente arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo para assumir sua direção. Ao passo que Leôncio Carvalho tinha fortes ligações com o Império, Ramos de Azevedo era um republicano convicto, participou dos movimentos de renovação do quadro político após a queda da monarquia e possuía relações estreitas com relevantes nomes do novo regime, incluindo Francisco Glicério, ministro do governo do marechal Deodoro da Fonseca. 


Projeto de Ramos de Azevedo e Domiziano Rossi para o Liceu de Artes e Ofícios (1896), cujo edifício abrigou a Pinacoteca em dois períodos: meados da década de 1910-1932, e 1947-presente.


O projeto do edifício ficou a cargo do escritório do próprio Ramos de Azevedo, que o concebeu em colaboração com Domiziano Rossi. Foi idealizado em estilo neorrenascentista, tipologia adequada aos edifícios oficiais, conforme a caracterologia dos acadêmicos atrelados à tradição arquitetônica da Beaux-Arts parisiense, e imaginado com monumentalidade.  O problema da exiguidade do espaço logo se tornou insustentável. Para solucionar a questão, Ramos de Azevedo solicitou ao Presidente do Estado, Jorge Tibiriçá, a doação de um terreno localizado entre as ruas Cantareira, João Teodoro e Jorge Miranda, para a construção de galpões propriamente industriais, aptos a atender a demanda. Em 1919, obteve do Presidente Rodrigues Alves nova doação de terreno, ampliando a área das oficinas para um total de 13 500 m2. Assim, o edifício que fora projetado para abrigar o Liceu progressivamente perdeu a sua função original. A instituição continuaria a manter algumas atividades no prédio do Jardim da Luz até a década de 1930, como, por exemplo, exposições de trabalhos de alunos, mas desde o começo da década de 1910 passou a concentrar a maior parte de suas atividades nos galpões da Rua da Cantareira.



Leitura (1892), de Almeida Júnior. Uma das 26 pinturas transferidas do Museu do Estado que constituíram o acervo-base da Pinacoteca.



Na condição de diretor do Liceu, Ramos de Azevedo também tornou-se responsável pela gestão da pinacoteca, embora a hierarquia administrativa do novo museu só viesse a ser estabelecida na década de 1930. Para receber as obras, o arquiteto projetou adaptações no terceiro andar do edifício, em consonância com os padrões museográficos então vigentes. Instalou uma grande claraboia retangular, com claridade regulada por véus transparentes, evitando que os quadros recebessem iluminação direta das janelas, e mandou revestir as paredes com pintura lisa em tons purpúreos, despidos de ornatos, de forma a destacar as obras. A inauguração do novo museu ocorreu em 24 de dezembro de 1905. Estiveram presentes na solenidade de abertura o presidente da República, Rodrigues Alves, o presidente do Estado, Jorge Tibiriçá, o diplomata Domício da Gama, o Ministro do Interior e Justiça da União José Joaquim Seabra, além de secretários, senadores, deputados, magistrados, membros da elite financeira de São Paulo e os cônsules de Portugal, Espanha, França e Áustria. O discurso de inauguração ficou a cargo de Cardoso de Almeida, que ressaltou a importância da iniciativa para a preservação da memória artística nacional e salientou que a coleção, "embora pequena, tem o alto valor de um estímulo à educação de nossos sentimentos estéticos".


Mudança de endereço e reunião do acervo (1930-1947)





Almeida Júnior (1850-1899). Caipira picando fumo, 1893. Óleo sobre tela, 70 x 50 cm.

A visitação inexpressiva seria em parte compensada pela iniciativa denominada Pinacoteca Circulante. O projeto, levado a cabo até 1971, consistia em percorrer o interior paulista com uma seleção de obras consagradas, exibidas em clubes, salões paroquiais e escolas, visando democratizar o acesso e reforçar o caráter estadual da instituição. Iniciando por São José do Rio Preto, a pinacoteca Circulante realizaria mais de 100 exposições em aproximadamente setenta cidades do interior do estado, atingindo um público total de 300 mil pessoas. Após quase duas décadas de mostras itinerantes, as exposições foram encerradas após uma grande reforma no edifício do Jardim da Luz. Walter Wey, o diretor da pinacoteca à época, justificaria o fim da iniciativa por meio do desgaste causado pelo transporte contínuo das obras mais frágeis.



Uma das salas de exposições da instituição.



Baía de São Vicente, de Benedito Calixto (1905). A retrospectiva do pintor reinaugurou a pinacoteca em 1990.



Interior do edifício-sede com intervenção de Paulo Mendes da Rocha.


Acervo. A pinacoteca do Estado mantém um expressivo e variado acervo de arte brasileira, principalmente dos séculos XIX e XX. Entre as mais de sete mil obras mantidas pela instituição, estão pinturas, esculturas, desenhos, gravuras, fotografias, tapeçarias, objetos de arte decorativa e um seleto conjunto de imaginária do período colonial, capazes de fornecer um amplo panorama da arte nacional.

No segmento referente ao século XIX, certamente o núcleo mais consistente e importante da instituição, é possível entrar em contato com a maior coleção de obras de Almeida Júnior. Entre paisagens, retratos e cenas de interior, sobressaem as célebres obras Caipira Picando Fumo, Saudade e Leitura. As naturezas-mortas de Pedro Alexandrino ocupam uma sala inteira, onde se destacam Cozinha na Roça, Peru Depenado e Aspargos. Há ainda paisagens de Antônio Parreiras e Benedito Calixto, como a Baía de São Vicente; pinturas históricas e cenas de gênero de Oscar Pereira da Silva (Hora de Música e Infância de Giotto), retratos de Bertha Worms e Henrique Bernardelli, a tela Maternidade, de Eliseu Visconti, obras de Castagneto, João Batista da Costa e Pedro Weingärtner, entre muitos outros. A coleção tem especial importância ainda pelo destacado número obras de pintores acadêmicos paulistas.[


Benedito Calixto (1853-1927) Praia do Itararé, s/d (Baía São Vicente)


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 A URBIS PAULISTANA

VILA, CIDADE E METRÓPOLE 



Rua XV de Novembro em 1920. #SPFotos

Quem nasceu e viveu em São Paulo talvez não compreenda o olhar e as impressões de quem vem de fora sobre essa grande cidade, principalmente quem veio de lugares pequenos, silenciosos e calmos. 
Um dessas impressões foram - e ainda são- as rápidas mudanças que acontecem nesse universo urbano gigantesco e que recebe conhecidas classificações da dimensão da sua urbanidade. Metrópole e megalópole são as mais conhecidas. 

Em outros países, sobretudo na Europa, as grandes cidades atingiram seu ápice urbano de grandeza e complexidade no século XIX , apogeu da industrialização, principal fator do rápido e intenso   crescimento demográfico nessas localidades. 

São Paulo industrializou-se tardiamente, se comparada com as grandes metrópoles do mundo, porque desenvolveu-se sobretudo nas décadas do pós-guerra, quando muitas cidades do período industrial já tinham mais de um século de idade e de modernidade urbana. A capital paulista, nascida na segunda metade do século XVI, dormiu como uma província durante quatro séculos e só foi despertar quando milhares de imigrantes europeus e asiáticos, assim como os próprios brasileiros do interior e de outros estados, começaram a povoar suas pequenas ruas centrais e depois sua crescente periferia. 

Essa diferença em relação aos países já industrializados, impressionou fortemente alguns pesquisadores  europeus, convidados como professores visitantes da recém fundada Universidade de São Paulo no início dos anos 1930.  Claude Lévi-Strauss foi um deles e observou como a cidade  se transformou rapidamente de um território provinciano num imenso espaço urbano cheio de contrastes. Nessa mesma época, Pierre Monbeig viajou de São Paulo para o interior paulista e pôde observar o surgimento e transformação de arraiais em pequenas cidades a partir das estações ferroviárias que se instalavam nessas pequenas localidades. Algumas delas também se transformariam em grandes cidades tornando-se também referências e polos regionais. Tudo isso num curto período de pouco mais de 50 anos. 

Outro fenômeno  que ainda impressiona os novos moradores da cidade é como São Paulo é abastecido e dinamizado pelas novidades vindas de outras partes do mundo e que só vão repercutir no interior ou no litoral quase uma década depois. Isso acontece por causa das intensas e constantes viagens e intercâmbios de negócios com o exterior, permitido durante muitas décadas pelas viagens aéreas  e atualmente pela dinâmica das redes sociais na internet.  

Realmente São Paulo nunca dorme e não para. Essa tem sido a sua marca permanente desde quando resolveu se tornar uma gigantesca cultura cosmopolita. O cidadão paulistano e da Grande São Paulo é indiscutivelmente um Cidadão do Mundo. 

Antes de ser invadida por milhares edifícios de muitos andares e centenas de avenidas alargadas, efeitos da explosão demográfica e da industrialização, São Paulo dormiu por mais de três séculos o sono o sono provinciano de vila acanhada e rodeada de propriedades rurais. Com a o advento da república e sua ascensão politica e reconhecimento como Capital, a cidade rapidamente toma outros rumos de desenvolvimento. 

No início do século XIX, como aconteceu nas demais capitais republicanas, a cidade adotou o modelo parisiense de modernização urbana, adotando uma estética dominante na época de construção e embelezamento de amplas áreas públicas como praças, largos, avenidas, estações ferroviárias, prédios de serviços públicos e principalmente parques de lazer e eventos. Essas transformações deram uma aparência de organização e sobriedade urbana, porém teria pouca durabilidade. 

Nas décadas seguintes, atraídas pela beleza e praticidade, surgem rapidamente, na própria área central e também no seu entorno, as mudanças da verticalização que transformaram São Paulo num mar de  prédio comerciais e residenciais. Eles tomaram conta da cidade na área central, forçando inicialmente a busca de ocupação nos bairros periféricos mais próximos, mas ainda dentro dos limites dos rios Tietê, Tamanduateí e Pinheiros. 

Com o tempo, essa ocupação e verticalização atingiu as antigas freguesias, abrindo centenas de loteamentos para atender a crescente demanda de moradias. Surgem também no centro e nas áreas periféricas as ocupações precárias como os cortiços e favelas, que também vão se espalhando na medida que o crescimento urbano vai se deslocando no sentido inverso à área central. 

Na década de 1970 tem início a ocupação organizada nas áreas limítrofes com outros municípios, que ainda tinham grande áreas verdes, antigos sítios e fazendas. Eram os primeiros condomínios suburbanos de luxo, construídos próximo às rodovias que davam acesso à Capital. Esse crescimento foi tão acelerado, muito estimulado pelo transporte de abastecimento, que houve a necessidade da construção gradual de um grande anel viário interligando as principais regiões e municípios  da chamada Grande São Paulo. 

O Rodoanel é hoje o grande ponto de transformação da Capital e sua expansão no sentido interior e litoral. Paralelamente, ocorreu nesse período, acentuadamente nas três últimas décadas,  entre 1990 e 2020, uma intensa verticalização com a construção de edifícios com o dobro de andares dos que foram construídos nas décadas anteriores. Essas novas ocupações ocorreram principalmente em locais onde foram instaladas novas linhas e estações do Metrô, bem como novos terminais rodoviários. 

Outro fator que facilitou essa expansão verticalizada foi a desativação de antigas fábricas e e galpões de empresas, que faliram ou que se deslocaram para o interior e outros estados. São Paulo atinge na terceira década do século XXI com cerca de 21 milhões de habitantes: "... é a sétima maior aglomeração urbana do planeta. São Paulo é a cidade brasileira mais influente no cenário global, sendo, em 2016, a 11.ª cidade mais globalizada do planeta". (texto do organizador)


MODELO EUROPEU DE CIDADE ARISTOCRÁTICA



Guilherme Gaensly. Rua Libero Badaró, sentido Praça do Patriarca, c. 1920. Arquitetura semelhante aos edifícios da capital francesa, modelo de transformação urbanística da época. Acervo: Instituto Moreira Salles, São Paulo.



 Júlio Prestes então presidente do Estado de São Paulo (cargo equivalente ao atual de governador) em frente a antiga fábrica da Ford na rua Sólon, Bom Retiro, em 1929. Na foto Prestes é o que está mais na frente.  Influência da arquitetura fabril e pragmática norte-americana. São Paulo Antiga.


CONTRASTE : REALIDADE  DE CIDADE POPULAR


Vale do Anhangabaú em foto dos anos 60. / Foto / Carlos Moreira / Olhavê.

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LEI CIDADE LIMPA


Calçadão da avenida Barão de Itapetininga nos anos 1970



Lei Cidade Limpa é um regulamento que ordena a paisagem do município de São Paulo que está em vigor desde 1 de janeiro de 2007. A lei foi sancionada pelo então prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e publicada no Diário Oficial da Cidade em 26 de dezembro de 2006 (Lei Municipal nº. 14.223/06) e proíbe a propaganda em outdoors na cidade, além de regular o tamanho de letreiros e placas de estabelecimentos comerciais, entre outras providências. Com a lei, foi anunciado a proibição de anúncios publicitários em muros, coberturas e laterais de lotes urbanos, a publicidade em bicicletas, motos, ônibus e carros. A legislação foi elaborada pela arquiteta e urbanista Regina Monteiro que estava a frente da Diretoria de Meio Ambiente e Paisagem Urbana da Emurb. A lei proíbe, em seu artigo 18, toda e qualquer forma de publicidade exterior: "Fica proibida, no âmbito do Município de São Paulo, a colocação de anúncio publicitário nos imóveis públicos e privados, edificados ou não." Uma das consequências da lei é o desvio das publicidades para os outros meios de comunicação, pois, ao retirar as propagandas da rua os profissionais que trabalham com essa mídia passaram a redirecionarem seus veículos para outros locais, como sites em internet, spam online e outros locais, e ainda assim parte da população como comerciantes não se sentem favorecidos com a lei, já que foi retirada, através dela, parte de seu meio de veiculação de suas propagandas. Essa foi uma das principais e mais notáveis transformações urbanas que a cidade de São Paulo já passou na última década, tornando-se um marco histórico para a capital. O não cumprimento da lei implica uma série de punições, como por exemplo: intimação, multa, multa com reincidência (valor em dobro), cancelamento de licença/autorização (quando houver) e remoção do anúncio. 


Rua Direita nos aos anos 1970 no auge da poluição visual.

A Rua Direita é um dos mais antigos logradouros da cidade de São Paulo, localizada na região da Sé. Tem início na Praça da Sé e término na Praça do Patriarca. Forma em conjunto com a rua Quinze de Novembro e a rua São Bento, o histórico "triângulo" do centro da cidade. Faz esquina com a rua José Bonifácio, o Largo da Misericórdia e a rua Quintino Bocaiuva. Foi aberta no final do século XVI para ligar o centro da cidade com a antiga estrada que levava à aldeia indígena de Pinheiros. Dar a denominação de Rua Direita a principal rua de uma cidade é um costume que veio de Portugal com os colonizadores. Não importando se a rua era reta ou não, sendo a principal rua da cidade ela tinha que se chamar Direita, e geralmente ficava à direita da principal igreja local, devido a influência religiosa na vida das pessoas. A rua inicialmente foi chamada "Direita de Santo Antônio" e também "Direita da Misericórdia", sendo os templos religiosos as referências. A rua tornou-se famosa nacionalmente nos ano 1970 quando tornou título de uma canção gravada pelo conjunto Os Originais do Samba, cujo verso inicial da letra brincava com esse nome: "Do lado direito da rua Direita", insinuando uma confusão geográfica e sentimental.[Textos e imagens da Wikipedia]

 

O LADO DIREITO DA RUA DIREITA


Rua Direita após  a Lei da Cidade Limpa.




Rua Direita: Luiz Carlos Evangelista de Souza e Francisco Serra. 


Do lado direito da rua direita
Olhando as vitrines coloridas eu a vi
Mas quando quis me aproximar de ti não tive tempo
Num movimento imenso da rua eu lhe perdi
Do lado direito da rua direita
Olhando as vitrines coloridas eu a vi
Mas quando quis me aproximar de ti não tive tempo
Num movimento imenso da rua eu lhe perdi
E cada menina que passava
Para o seu rosto eu olhava
E me enganava pensando que fosse você
E na rua direita eu voltarei pra lhe ver
Do lado direito da rua direita
Olhando as vitrines coloridas eu a vi
Mas quando quis me aproximar de ti não tive tempo
Num movimento imenso da rua eu lhe perdi
Do lado direito da rua direita
Olhando as vitrines coloridas eu a vi
Mas quando quis me aproximar de ti não tive tempo
Num movimento imenso da rua eu lhe perdi
E cada menina que passava
Para o seu rosto eu olhava
E me enganava pensando que fosse você
E na rua direita eu voltarei pra lhe ver...


A ERA DOS CONSTRUTORES, ENGENHEIROS E ARQUITETOS







O Martinelli (ao fundo) com o Clube Comercial e um dos Palacetes Prates, em 1931.
Edifício Martinelli, São Paulo, 1933. Arquivo Nacional. Fundo Correio da Manhã.


Edifício Martinelli é um prédio localizado no centro da metrópole brasileira de São Paulo. Situa-se no triângulo formado pela Rua São Bento, avenida São João e Rua Líbero Badaró. Devido a sua altura, o local é um mirante, onde é possível observar pontos turísticos próximos, como o Vale do Anhangabaú e a Catedral da Sé. Foi o segundo arranha-céu do Brasil entre 1934 e 1947 (e durante um tempo, o mais alto da América Latina), ultrapassando o Edifício Joseph Gire, conhecido como "A Noite", no Rio de Janeiro, que teve sua construção concluída em apenas dois anos, entre 1927 e 1929. Foi completamente remodelado pelo prefeito Olavo Setúbal, em 1975, e reformado novamente em 1979. Atualmente abriga órgãos municipais, além de lojas no piso térreo.

Projeto e construção. O Edifício Martinelli foi idealizado pelo italiano Giuseppe Martinelli e projetado pelo arquiteto húngaro Vilmos (William) Fillinger (1888-1968), formado na Academia de Belas-Artes de Viena. Sem apoio governamental para terminar a obra, Martinelli foi obrigado a vender uma parte do empreendimento ao Istituto Nazionale di Credito per il Lavoro Italiano all'Estero, instituição do Governo Italiano que recolhia as economias de emigrantes italianos e as depositavam em empresas italianas que operavam no exterior.

Erguido com a técnica construtiva de alvenaria de tijolos e estrutura de concreto, o andar principal é inteiramente revestido por granito vermelho róseo, tornando sua característica marcante. Foi considerado o símbolo arquitetônico mais importante do momento de transição da cidade baixa, ou seja, desde seu início, foi considerado marco do processo de transmutação de uma cidade para uma metrópole, visto que em sua localidade, na época, não havia nenhum outro tipo de construção vertical.

O edifício Martinelli foi, em seu início, portador de diversos produtos vindos da Suíça, tais como elevadores e telefones. A construção foi iniciada em 1924, e foi inaugurada mesmo inacabada, com apenas 12 andares, em 1929. Ainda neste mesmo ano, foi publicado um artigo que nomeava o Edifício A Noite como o maior arranha-céu construído com concreto armado do mundo. Tal questão de disputa entre ambos os edifícios demonstravam o interesse de seus empreendedores sobre o título de maior arranha-céu, que visava enfatizar o poder público e o poder relacionado à imagem de progresso tecnológico da cidade de São Paulo. O projeto arquitetônico foi modificado diversas vezes, aumentando a altura do edifício, com o objetivo de ultrapassar seu concorrente. Os trabalhos foram retomados e seguiram até 1934, finalizando a obra com 30 andares e 105 metros de altura.

A construção do Martinelli gerou grande polêmica, pois, até esse momento, não havia nenhum outro prédio em São Paulo com altura semelhante, e se discutiu a conveniência e segurança de ter edifícios de tal altura na cidade. Para garantir a segurança do prédio, Martinelli encomendou a execução de um palacete na cobertura do prédio, réplica de uma villa italiana, como moradia de sua própria família Martinelli para mostrar à população que o prédio não cairia. Ao ser terminado em 1934, o Edifício Martinelli conseguiu ultrapassar o Edifício A Noite, que já havia sido inaugurado 5 anos antes. Em 1935, o posto de mais alto da América Latina passou a ser do Edifício Kavanagh, levantado em Buenos Aires, que media 120 metros de altura.


O Comendador Martinelli , e o Governador de São Paulo , Júlio Prestes , posam para uma foto no alto do Prédio Martinelli, ainda em construção, em foto do ano de 1929 . No centro da foto , o viaduto do Chá , e o edifício Alexandre Mackenzie , antigo prédio da Light , hoje Shopping Light. / Foto / O Cruzeiro / F./ brasiliana Fotográfica .


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Rino Levi no alto do Edifício Columbus. O arquiteto nasceu em São Paulo em 31 de dezembro de 1901. Filho de pais italianos, estudou arquitetura em Milão e Roma. Foi um dos responsáveis pela transformação da arquitetura da cidade de São Paulo e é um dos expoentes da arquitetura moderna no Brasil. Rino estudou inicialmente na Academia de Brera em Milão, passando para a Escola Superior de Arquitetura em Roma, onde formou-se em 1926. Ainda antes de concluir seus estudos em Roma, Rino Levi envia da Itália uma carta ao jornal Estado de São Paulo (publicada em 15 de outubro de 1925) sob o título “Arquitetura e estética das cidades”, que foi futuramente classificada como uma das primeiras manifestações em torno da arquitetura moderna no Brasil. Foi aluno de Marcello Piacentini em Roma, autor do edifício Matarazzo em São Paulo. Rino Levi faleceu em 29 de setembro de 1965, acompanhando Burle Marx em uma expedição botânica no interior da Bahia, em Morro do Chapéu, mais especificamente no Morrão, ponto turístico que da o nome da cidade. Burle Marx foi um grande amigo e colaborador e participou, como paisagista e como artista plástico, dos seus mais significativos projetos.

Principais obras: Edifício Columbus (1932) - São Paulo (demolido em 1971);Edifício Guarani (1936);Cine Art-Palácio (1936) - Recife; Edifício Porchat (1940);Instituto Sedes Sapientia (1940);Cine Ipiranga (1941);Teatro Cultura Artística (1942);Edifício Prudência (1944);Casa de Rino Levi (1946) - São Paulo; Hospital do Câncer (1947); Edifício Seguradora Brasileira (1948) - Largo da Pólvora
Hospital Cruzada Pró-Infância (1948) - (atual Hospital Pérola Byington), em São Paulo; Casa de Olivo Gomes (1949) - no Parque da Cidade em São José dos Campos; Residência de Milton Guper (1951)
Hospital Israelita Albert Einstein (1958) - São Paulo; Edifício Sul-Americano (1963); Centro Cívico (1965) - atual Paço Municipal de Santo André, São Paulo. Torre do Relógio da Cidade Universitária- USP, em parceria com a a escultora Elisabeth Nobiling. 


Edifício Columbus - ca.1937. foto: Claude Lévi-Strauss. Acervo do Instituto Moreira Salles (IMS) -



Edifício da IBM do Brasil em 1977, localizado no número 1157 da rua Tutóia e a Avenida 23 de maio.
O prédio é projeto do arquiteto Gian Carlo Gasperini e as obras ficaram a cargo da Construtora Loyo S.A. #SPFotos.


CONSTRUÇÃO E REINVENÇÃO DO EDIFÍCIO VIRGÍNIA




Edifício Virgínia. Projeto José Augusto Belucci. O Virginia foi entregue à cidade em 1951 pelas mãos do arquiteto José Augusto Bellucci e do engenheiro Luiz Maiorana. O prédio foi encomendado pela família Matarazzo para servir de renda para Virginia Matarazzo Ippolito. Com 11 pavimentos, dois blocos de apartamentos e quatro lojas no térreo, foi um residencial de alto e médio padrão nas suas primeiras décadas de vida. O declínio da região central a partir da década de 1970 teve um triste efeito sobre o Virginia. O prédio passou de residencial para comercial e aos poucos foi sendo abandonado. Em 2019, fechou as portas e ficou à mercê do tempo .O traço do Virginia traz a assinatura de José Augusto Bellucci, um gênio discreto, que preferiu se manter longe dos holofotes, mas deixou um legado de construções icônicas nas nossas cidades.  Nascido em São Paulo em 1907, Bellucci foi por muito tempo um dos arquitetos preferidos da família Matarazzo. Para eles, projetou casas, móveis, prédios, além de ter tocado uma série de reformas. Dessa época, o Virgínia é seu trabalho mais simbólico, e também o mais conhecido em sua cidade natal. 

Instalações da 12ª Semana de Design de São Paulo no Edifício Virgínia | Foto: Fabiano Sanches


 Mostra “Quanto tempo temos?”, no Edifício Virgínia, durante a 12ª Semana de Design de São Paulo idealizada pela incorporadora Somauma, dedicada ao retrofit de edifícios abandonados ou subutilizados, e responsável pela revitalização do Edifício Virgínia, no centro da capital paulista. O objetivo, segundo Marcelo Falcão, arquiteto e sócio da incorporadora Somauma, é expor uma reflexão sobre como é possível construir um futuro mais justo, democrático e sustentável: "A proposta é fazer com que o Virgínia seja um grito coletivo. Queremos mostrar que por meio do design é possível criar cidades e soluções desejáveis e sustentáveis que atendam a diversas camadas da sociedade. Acreditamos e estamos provando que existe sim um caminho para colaborar e criar melhores soluções para a sociedade, causando o mínimo de impacto no planeta”.

 
Instalações da 12ª Semana de Design de São Paulo no Edifício Virgínia | Foto: Fabiano Sanches.


ARTACHO JURADO




Artacho com Eurlyne Howell, Miss EUA 1958, visitando o Edifício Bretagne, em Higienópolis. 



João Artacho Jurado (São Paulo, 3 de setembro de 1907 – São Paulo, 18 de outubro de 1983) foi um arquiteto autodidata e empresário paulista, proprietário da Construtora e Imobiliária Monções S/A, responsável pela construção de diversos edifícios residenciais - alguns de uso misto - nas cidades de São Paulo e Santos.

Filho dos imigrantes espanhóis Ramón Artacho e Dolores Jurado, ambos naturais dum vilarejo próximo à cidade andaluz de Málaga, João começou a trabalhar na década de 1930 e sua produção se aprofundou nas décadas de 40 e 50. Apesar de não ser arquiteto, Jurado idealizava os prédios e pedia para algum arquiteto assinar as plantas. Artacho não frequentou escolas pois seu pai, que era anarquista, se recusava a deixar seu filho jurar à bandeira, cerimônia obrigatória nas escolas da época.

Projetava suas obras ao som de ópera. Sua arquitetura reflete os sonhos hollywoodianos do pós-guerra em uma mistura de estilos e linguagens: o moderno, o nouveau, o déco e o clássico. Visando à classe média-alta e alta, seus edifícios eram projetados com uma série de serviços e opções de lazer: piscina, terraço com bar na cobertura, onde eram promovidas as festas de inauguração.

Iniciou sua carreira entre a publicidade - projetando placas e letreiros em neon - e as feiras, desenhando estandes inspirados no art déco, de 1930 a 1944, ano em que se tornou construtor. Fundou, junto do irmão Aurélio Artacho Jurado, a construtora Anhanguera - construindo casas e pequenos edifícios - , que depois se tornou Construtora e Imobiliária Monções, em 1946, iniciando suas grandes obras.

Constantemente fiscalizado pelo CREA, nas placas de suas obras seu nome não podia figurar em tamanho maior do que o nome do engenheiro responsável. No entanto, Artacho Jurado dificilmente obedecia à imposição, aumentando a ira de alguns arquitetos, que consideravam ultrajante sua atuação profissional, visto que ele não era arquiteto formado.

O reconhecimento de suas obras foi tardio, uma vez que nunca lhe foi permitido assiná-las. Inicialmente refutado, como kitsch, a partir da década de 1990, já após sua morte, recuperou o prestígio.

CIDADE MONÇÕES


Loteamento Cidade Monções, que fica no bairro do Brooklin Novo, na zona sul da cidade de São Paulo, com construções de todas as casas pelo arquiteto Artacho Jurado - 1945.




"Vista parcial da região central de São Paulo a partir de fotografia tirada do alto do Edifício Viadutos.
No centro da imagem, destaque para o Edifício Planalto, projetado por Artacho Jurado". SP Antiga. 


DAVI LIBESKIND


O arquiteto em foto dos anos 1950


O arquiteto David Libeskind é mais conhecido pela autoria do projeto do Conjunto Nacional, em São Paulo, sua obra máxima. Porém, Libeskind teve uma significativa e diversa produção arquitetônica durante seus anos de atividade na área, além de atuar também como artista plástico e ilustrador gráfico.

David Libeskind nasceu no dia 24 de novembro de 1928, na cidade de Ponta Grossa, Paraná, mas logo mudou-se com a família para Belo Horizonte, em 1929. Desde cedo demonstrou habilidades artísticas ao frequentar cursos de desenho e pintura, o que mais tarde se mostrou importante durante seu trabalho de arquiteto.

Desde a década de 1920, Minas Gerais passava por um movimento de desenvolvimento cultural. Porém, foi apenas na década de 1940 que as ideias modernistas começaram a ser implantadas de forma mais intensa na capital Belo Horizonte. O projeto da Pampulha por Oscar Niemeyer é uma das iniciativas que demonstram o desejo do questionamento dos padrões tradicionais, e que marcou a memória do jovem David Libeskind, residente na capital.

Em 1947, iniciou os estudos em arquitetura na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Durante o curso, foi aluno do professor Sylvio de Vasconcellos, que o convidou para trabalhar no Sphan – Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Pouco tempo após sua formação, em 1952, Libeskind muda-se para São Paulo com duas cartas de recomendação de Vasconcellos, onde tem maior contato com a arquitetura moderna e com arquitetos influentes do IAB – Instituto de Arquitetos do Brasil.

Durante um momento de grandes transformações na cidade de São Paulo, que havia ganhado o status de metrópole, o ambiente era propício ao desenvolvimento das artes e da cultura. Nesse contexto, em 1955, ainda jovem, Libeskind vence o concurso fechado para o projeto do Conjunto Nacional, que é representativo de um momento de verticalização da cidade e de mudança na relação entre edifício e rua.

Sua produção arquitetônica foi marcada por projetos de habitação unifamiliar, tema recorrente aos arquitetos da década de 1950, num período de crescimento econômico e urbano acentuado, no qual o desenho moderno não só era incentivado como aclamado. Durante esse período, Libeskind teve diversos projetos de residências publicados em revistas internacionais e teve contato com a produção de vários arquitetos, como Oscar Niemeyer, Mies van der Rohe, Richard Neutra e Charles e Ray Eames. 


O CONJUNTO NACIONAL DA PAULISTA


O Conjunto Nacional é um edifício e centro comercial da cidade de São Paulo, Brasil. Ocupa a quadra delimitada pela Avenida Paulista, Rua Augusta, Alameda Santos e Rua Padre João Manuel. O projeto é de autoria do arquiteto David Libeskind e caracteriza-se por ser um dos primeiros grandes edifícios modernos multifuncionais implantados na cidade de São Paulo.

O conjunto começou a ser construído em 1952, após a decisão do empresário judeu argentino José Tjurs de edificar uma grande construção na Avenida Paulista - a qual, até então, possuía caráter predominantemente residencial. Sua intenção era reunir em um mesmo prédio hotel e centro comercial. No final dos anos 1950, como a prefeitura não permitiu a construção do hotel no local, foram executadas algumas modificações no projeto


O Conjunto Nacional em foto dos anos 1950


O complexo caracteriza-se pela mistura de diferentes usos em uma mesma estrutura urbana: verificam-se no Conjunto Nacional os usos residencial, comercial, serviços e lazer. A relação entre os usos coletivos - comércio, lazer - e os usos privados - residências - dá-se pela composição entre duas lâminas: na lâmina horizontal, que ocupa toda a quadra na qual se implanta o edifício -, encontra-se uma galeria comercial e na lâmina vertical, a qual ocupa apenas uma parte da projeção do terreno, encontram-se os apartamentos. As galerias convergem para uma área central, onde uma rampa conduz ao mezanino. Ali, há quatro entradas disponíveis (uma em cada uma das ruas que formam a quadra onde se situa o prédio). A lâmina superior conta com 25 pavimentos, que dispõem de três entradas independentes. A galeria proposta no Conjunto Nacional transformou-se em um paradigma arquitetônico para projetos de edifícios similares na área central de São Paulo durante a década de 1950.

O Conjunto Nacional apresenta restaurantes (entre eles o Grill Hall, o Tenda Paulista, o Súbito e o Restaurante Vien), escritórios e outros tipos de estabelecimentos de comércio e prestação de serviços (como drogarias, casa de câmbio, academia e lojas, além da maior livraria da América Latina em área construída, a Cultura. Abrigou por muitos anos o Cine Astor e o Restaurante Fasano. O Conjunto Nacional apresenta também uma unidade da Caixa Cultural, em que ocorre exposições de arte e apresentações de teatro e dança. Em 2005, a edificação foi tombada pelo Condephaat, o conselho estadual de defesa do patrimônio histórico e arquitetônico.

Décadas de 1950 e 1960.Em 1952, José Tjurs compra a mansão que pertencia à família de Horácio Sabino. Nasceu dos sonhos deste argentino a ideia de criar o Conjunto Nacional. O empresário, que morreu em 1977, teve o seu sonho realizado: transformar a Paulista na Quinta Avenida de São Paulo. Em 1953, Tjurs contratou, para a realização do empreendimento, os arquitetos Salvador Candia e Giancarlo Gasperini. As obras iniciadas pela dupla, porém, acabaram sendo paralisadas, no mesmo ano. Com isso, um novo profissional foi chamado para a realização do desenho arquitetônico. O arquiteto David Libeskind, então com 26 anos, ganha o concurso feito por Tjurs para a elaboração do projeto da construção e um Hotel na paulista, que mais tarde foi impedido pela prefeitura de ser realizado, e passou a ser o autor do projeto do Conjunto Nacional.

Começo da construção do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, no início dos anos 50, obra do arquiteto: David Libeskind. de 1955 a 1962. Fonte - Prédios e Casas de São Paulo/ antonio m. rudolf.



Fachada inferior do edifício. A construção do Conjunto Nacional foi iniciada em 1955 e trouxe para a cidade uma grande novidade na época: uma maravilhosa cúpula geodésica de alumínio, inspirado nos trabalhos do designer e arquiteto Buckminster Fuller e construído pelo engenheiro Hans Eger. A volumetria da cúpula é toda montada por um módulo hexagonal, e é finalizada com apenas uma peça pentagonal no topo, sendo esta feita de concreto.

Foi inaugurado em 1956, como o primeiro shopping center da América Latina, e teve a presença do então presidente da República, Juscelino Kubitschek. Em 1957, o Conjunto Nacional recebeu seu primeiro e ilustre estabelecimento: o sofisticado Restaurante Fasano. Com mesas espalhadas pela ampla calçada da Avenida Paulista, o local fervilhava de gente dia e noite. Em 1958, o Fasano abriu o seu luxuoso restaurante no mezanino, onde realizavam-se os famosos “jantares dançantes”, e o requintado jardim de inverno, logo eleito o melhor e o mais elegante salão de festas da cidade, com capacidade para duas mil pessoas. O Fasano era palco obrigatório dos grandes nomes da música internacional que visitavam São Paulo, como Nat King Cole, Roy Hamilton e Marlene Dietrich. O setor comercial, uma área de 613.545.142 metros quadrados, foi destinado a um centro de compras e serviços, considerado o primeiro shopping center da América Latina e o maior da América do Sul. A inauguração da primeira etapa do Conjunto Nacional, em dezembro de 1958, contou com a presença do então presidente da República, Juscelino Kubitschek, que observa a maquete do edifício, elaborada por José Zanini Caldas.

No início dos anos 1960, o edifício instalou duas escadas rolantes no centro comercial, considerada a terceira construída na cidade. Em 1961 foi inaugurado o Cine Astor, logo eleito o mais luxuoso e o mais moderno cinema da cidade. Ao ficar pronto, no início dos anos 60, no alto do edifício foi instalado o relógio luminoso da Willys, o Fasano foi vendido para a Liquigás em 1963 por causa da situação política do país. Em 1968, devido ao Golpe de 1964, o restaurante e o jardim de inverno foram fechados e o local passou por reformas para ser adaptado e funcionar como escritório. A Confeitaria Fasano permaneceu aberta até 1973. A Livraria Cultura foi transferida para o Conjunto Nacional em 1969.

Décadas de 1970 e 1980. Em 1970, o relógio do Conjunto Nacional passou a exibir a marca da Ford. A marca do Banco Itaú chegou ao alto do edifício em 1975. Em 1992, o relógio passou por uma grande reforma e recebeu um complexo eletrônico de última geração, controlado por computador e, além das horas, passou a marcar também a temperatura da cidade. Em 1975, surgiu o Viena Delicatessen, que depois de um começo modesto nos corredores do Conjunto Nacional, tornou-se uma das maiores redes de fast-food da cidade. No final dos anos 1970, devido a problemas administrativos, o Conjunto Nacional apresentava sinais de decadência e abandono.

Fachada do Cine Arte. Na madrugada do dia 4 de setembro de 1978, por volta das 4h50, um grande incêndio irrompeu no Conjunto Nacional. As chamas foram contidas às 12h30, após a mobilização de cerca de 250 homens do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo e 750 em operações de apoio. A “Operação Incêndio” interditou a Avenida Paulista e bloqueou parcialmente vias próximas, como Alameda Santos, Rua Augusta, Avenida Brigadeiro Luís Antônio e Rua Vergueiro, desviando 40.000 veículos. Carpetes, acrílicos, forros falsos e paredes divisórias de fácil combustão colaboraram para espalhar o fogo. O prédio mais atingido foi o Horsa 2, no bloco comercial. O Consulado Geral dos Estados Unidos, um dos estabelecimentos afetados pelas chamas, precisou fechar ao público no dia 5 de setembro. Como o incidente ocorreu de madrugada, havia apenas moradores da parte residencial no momento do incêndio. Às 5h30, quando os bombeiros chegaram, todos os moradores já haviam saído do edifício, observando a propagação das chamas do lado de fora. O único problema aconteceu com uma das moradoras, do 20º andar, que estava grávida de nove meses e precisou ser levada às pressas para o hospital.

Em 1984, o grupo imobiliário Savoy comprou o que restava dos bens da Horsa no Conjunto Nacional e passou a administrar o condomínio. No mesmo ano, foi eleita síndica a advogada Vilma Peramezza, iniciando um período de recuperação com a realização de diversas obras de restauração. Em 1987, o Cine Rio deu lugar ao Cine Arte. Em poucos meses tornou-se um dos melhores cinemas da cidade. O trabalho de recuperação do Conjunto Nacional foi iniciado na galeria comercial. A arquiteta Maria Cecília Barbieri Gorski, da Barbieri & Gorski Arquitetos Associados, foi responsável pelo trabalho de restauração e paisagismo do terraço. A Inauguração do Viena ocorreu em 1988, na esquina da Rua Augusta com a Alameda Santos.

Década de 1990 e 2000.Em março de 1992, o programa de Coleta Seletiva foi aprovado e oficializado pelos condôminos em Assembleia Geral Ordinária. O terraço, reinaugurado em junho de 1997, devolveu parte do glamour que caracterizou o Conjunto Nacional nos anos 1950, 1960 e início dos 1970. Em dezembro de 1997 foi lançada a semente da criação do Espaço Cultural Conjunto Nacional, com uma exposição que reuniu vários artistas plásticos consagrados. Com a realização de exposições de arte, o edifício passou a fazer parte do corredor cultural em que se transformou a Avenida Paulista.

Em dezembro de 1998, o jornalista Ângelo Iacocca lança o livro Conjunto Nacional – A Conquista da Paulista. A obra foi elaborada para comemorar os 40 anos de existência do edifício, e conta a história da avenida Paulista mostrando cada etapa de sua transformação, acelerada a partir do surgimento do Conjunto Nacional. A partir de 1999, todo mês de dezembro, as galerias e a fachada do Conjunto Nacional passaram a ser decoradas com adereços elaborados por comunidades carentes utilizando materiais recicláveis. Em dezembro de 1999, foi instalado, no Horsa II, o painel ‘Festa na Avenida Paulista’, pintado pela artista Naif Waldeci de Deus.


Em 2003, o Espaço Cultural Conjunto Nacional organizou a campanha "SOS Cine Arte", com o objetivo de evitar o fechamento do cinema. O livro Conjunto Nacional – A Conquista da Paulista foi ampliado em mais 30 páginas. A obra foi lançada em janeiro de 2004, em comemoração aos 450 anos da cidade de São Paulo. No capítulo sobre ‘Responsabilidade Social e Qualidade de Vida’, o autor relata as várias ações desenvolvidas pelo Conjunto Nacional, voltadas à valorização dos nossos funcionários e comunidade. Em abril de 2005, o Conjunto Nacional foi tombado pelo Condephaat, órgão estadual responsável pelo patrimônio histórico. Em outubro do mesmo ano, o Cine Bombril substituiu as duas salas do antigo Cine Arte. Em setembro de 2010, o cinema tornou-se Cine Livraria Cultura. As duas salas de cinema integram o Circuito Cine Arte de exibição, de Adhemar Oliveira e Leon Cakoff.

Em maio de 2007, a tradicional sede da Livraria Cultura, no Conjunto Nacional, passou a ocupar o espaço em que funcionava o antigo Cine Astor. A nova loja é a maior livraria do país, com 4,3 mil metros quadrados de área distribuídos por três pisos. Em março de 2008, o arquiteto David Libeskind, aos 79 anos, é tema de um livro que leva seu nome – David Libeskind - Ensaio sobre as Residências. Em 2007, o cinema do Conjunto Nacional passou por reformas e foi reaberto ao público, após ser readaptado para uso comercial.

Características.Arquitetura


Detalhe da fachada do edifício.

Domo geodésico do Conjunto Nacional. No início dos anos 1950, José Tjurs planejava idealizar em São Paulo um grande edifício, que deveria reunir em um único espaço um hotel, restaurantes, bares, cinemas, lojas comerciais e de prestação de serviços, além de escritórios e apartamentos residenciais com serviço de hotelaria. Também queria ver a Paulista tornar-se a Quinta Avenida de São Paulo. Mas, para tanto, alguém precisava dar o passo inicial, e esse alguém seria ele. A primeira providência foi comprar a mansão que pertencia à família de Horácio Sabino, que ficava exatamente na esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta. Para concretizar o audacioso empreendimento, Tjurs realizou uma espécie de concurso para a elaboração do projeto, que teve a participação de diversos arquitetos. Para surpresa dos concorrentes, foi escolhido o projeto de David Libeskind, de apenas 26 anos, recém-formado e quase desconhecido.

Ao iniciar as obras, em 1954, Tjurs dava a largada para a futura ocupação comercial da avenida. A lâmina horizontal, concluída em 1958, cobria todo o andar térreo, que formava uma ampla galeria onde se cruzavam quatro amplos corredores que formavam uma praça de 1.600 metros quadrados, com entradas pela Avenida Paulista e pelas ruas Augusta, Padre João Manoel e Alameda Santos.

A construção da torre que abrigaria o Hotel Nacional de São Paulo foi vetada pelas autoridades: não era permitido construir hotéis na Avenida Paulista. Então Tjurs mudou o projeto e reduziu a lâmina vertical para três edifícios de 25 andares: um residencial, o Guayupiá, com apartamentos de 180 a 890 metros quadrados, e dois comerciais: o Horsa I, para pequenos escritórios e consultórios, e o Horsa II, para empresas de grande porte. Em 1962, a lâmina vertical estava pronta, com 120 mil metros quadrados de área construída.

Como José Tjurs havia planejado, o Conjunto Nacional era, de fato, uma cidade dentro da cidade. Depois de concluído, o edifício passou a ser um marco na cidade de São Paulo, que ostentava um novo cartão-postal, e anunciava novos tempos para a Avenida Paulista, dando a largada para a verticalização de toda a região. O edifício também deu início à valorização do metro quadrado dos terrenos das mansões, que com a chegada do poder financeiro, nos anos 1970, alcançaria valores astronômicos, uma tendência que transformaria radicalmente a avenida.


Relógio do Conjunto Nacional.


O relógio do Conjunto Nacional marca a hora e a temperatura da cidade de São Paulo. Está localizado no alto do Edifício Horsa - Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, sendo visível a partir de vários pontos da cidade, num raio de aproximadamente cinco quilômetros de distância. A Willys Overland do Brasil usou como estratégia publicitária em 1962, um luminoso de cor verde com o nome Willys, no alto do Conjunto Nacional. Em 1967, a Ford do Brasil compra a Willys Overland. Em 1970, foi, então, colocado um painel com o nome Ford, e marcando as horas, que era visto em vários pontos da cidade.

No ano de 1975, o Banco Itaú comprou o espaço publicitário, e mais uma vez o nome foi trocado, para Itaú. Em 1992, o relógio, que podia ser visto a mais de cinco quilômetros, foi reformado, passando a ser controlado por computador, regulando a hora e mostrando a temperatura. Tem três faces e pesa 230 toneladas.

Em 2007, a propaganda do Itaú teve que ser retirada devido à Lei Cidade Limpa, implantada pelo prefeito Gilberto Kassab. A princípio, a propaganda não foi retirada quando a lei entrou em vigor pois ela fazia parte de uma lista de exceções, que logo foi extinguida. Em seguida, o Banco Itaú consultou o Condephaat sobre se a propaganda também era tombada. A resposta saiu em maio de 2011: o relógio deve ser preservado, mas a publicidade não. A prefeitura deu um prazo até 18 de julho para que o banco retirasse a publicidade. E, até lá, mandou apagar o relógio. Mas a administração do condomínio não permitiu a retirada do anúncio. O Banco Itaú, que foi multado em R$ 14 milhões pela Prefeitura de São Paulo por desrespeitar a lei, comunicou que continuaria dando manutenção ao relógio e estuda apresentar um recurso administrativo, para manutenção do anúncio. Em 2012, o letreiro foi retirado.

Espaço Cultural


Oficialmente inaugurado em 1997, o Espaço Cultural do Conjunto Nacional tem como proposta ser aberto a diversas tendências artísticas, acessível a todo tipo de manifestação e temáticas da arte contemporânea. O Conjunto também recebe eventos de entidades de assistência social, ONG's, e diversos órgãos que prezam pelos direitos do cidadão. Faz, inclusive, atos de utilidade pública, como campanhas de prevenção de doenças e reciclagem. Quatro vezes no ano ocorre a Feira Criativa. É uma parceria do Conjunto Nacional com o Núcleo de Economia Criativa da Associação Paulista Viva, o qual oferece aos artesãos, o espaço gratuitamente, para comercialização dos produtos com preços accessíveis.

Segurança. O edifício possui monitoramento 24 horas e uma equipe com bombeiros e seguranças, que realizam o atendimento médico de urgência. Os profissionais são periodicamente atualizados por meio de cursos de resgate vertical, técnicas de emergência médica, combate à incêndio, atendimento pré-hospitalar e outras especializações.


Orelhões no interior do Conjunto Nacional, com cúpulas transparentes.

Para monitorar o que acontece nas galerias e demais áreas, o prédio tem câmeras distribuídas em pontos estratégicos. As imagens gravadas pelo circuito interno têm acesso restrito. Semanalmente, um grupo formado por profissionais de diferentes áreas do edifício discute o desenvolvimento de um programa de segurança cidadã, inspirado em experiências realizadas em Bogotá. O Conjunto Nacional possui uma equipe capacitada para utilizar o Desfibrilador automático externo. Os funcionários treinados para dar assistência em casos de parada cardíaca são identificados com um botton do curso Salva Corações, promovido pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Os ramais dos apartamentos têm identificador de chamadas. Nos andares dos edifícios Horsa I e Horsa II, ao lado dos elevadores, há um telefone interno que chama automaticamente a segurança, diretamente ligada aos órgãos públicos competentes.

O fato de estar a 200m do metrô Consolação, ter alta densidade construtiva, ter diversos serviços disponíveis em uma curta distância e ter um pavimento térreo desenhado conectado à área urbana, e assim estimulando o deslocamento a pé, rendeu ao projeto do Conjunto o padrão Prata com 78 pontos (de uma escala que varia de 0 a 100), segundo os critérios do Padrão de Qualidade TOD. 


BANESPÃO



O Ed. Altino Arantes como destaque de uma edição da revista Life nos anos 1950



O Edifício Altino Arantes (também conhecido como Farol Santander, Edifício Banespa ou Banespão) é um dos prédios mais emblemáticos da capital paulista, sendo um dos mais altos arranha-céus brasileiros.

Construído a partir de 1939 pelo interventor federal Ademar Pereira de Barros para sediar o Banco do Estado de São Paulo (que ocupou o prédio até 2001) e inaugurado oito anos depois, em 27 de junho de 1947, também por Ademar de Barros, quando ele já era governador de São Paulo, foi durante mais de uma década o mais alto da cidade, até ser superado pelo Mirante do Vale, em 1960.

O edifício foi inspirado na arquitetura art decó do Empire State Building, em Nova Iorque. Com 35 andares e 161 metros de altura, foi considerada a maior construção de concreto armado do mundo. Em 2000, o prédio foi incorporado ao patrimônio do Grupo Santander, que comprou o Banespa. Em 2014, a construção foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (Condephaat).

O prédio atrai cerca de cinco mil visitantes mensalmente. Sua visita pode ser feita em cinco minutos e o acesso é limitado a grupos pequenos. Do alto do mirante do edifício é possível ter um raio de visão de 360º e que atinge cerca de 40 quilômetros, de onde é possível ver a Serra do Mar, o Pico do Jaraguá, os prédios da Avenida Paulista, além do Vale do Anhangabaú e as principais construções do Centro.

Projeto. Após a sua fundação em 1909, (inicialmente sob o nome de Banco de Crédito Hipotecário e Agrícola do Estado de São Paulo), o Banco do Estado de São Paulo passou por um período de grande expansão e necessitava de uma sede maior para seus negócios. O primeiro local escolhido para tal finalidade ficava na praça Ramos de Azevedo, local um pouco inadequado pois ficava distante do centro bancário da cidade, compreendido pelas ruas São Bento, Rua XV de Novembro, Direita e adjacentes.

Decidida a mudar para a área de mais destaque econômico, a diretoria do banco faz um acordo com a Santa Casa de Misericórdia e compra mais alguns prédios ao redor, que seriam demolidos para dar início a construção do novo edifício-sede na Rua João Brícola. O projeto do novo edifício ficou por conta do engenheiro e arquiteto Plínio Botelho do Amaral, mas foi adaptado pela construtora Camargo & Mesquita pois queriam que o novo prédio fosse semelhante ao Empire State Building, em Nova Iorque.

Construção. As obras tiveram início com o lançamento da pedra fundamental da matriz, em 19 de setembro de 1939. Após quase oito anos, o edifício foi inaugurado em 27 de junho de 1947 já sendo o edifício mais alto de São Paulo, com seus 161,22 metros de altura, título que lhe pertenceu durante quase vinte anos. Durante muito tempo o prédio ficou facilmente identificável devido ao letreiro luminoso que brilhava em seu topo.

Com 161,22 metros de altura, seus 35 andares, 14 elevadores, 900 degraus e 1 119 janelas, em 1948 foi considerado nos anos 40 a maior construção de concreto armado do mundo por uma revista francesa como, pois os demais prédios (incluindo o norte-americano Empire State Building, o maior do mundo na época) eram construções de estrutura metálica ou mistas de metal e concreto.

Nos anos 1950, a torre foi ocupada pela antena retransmissora da TV Tupi. Na década de 1960 teve seu nome mudado para "edifício Altino Arantes", uma homenagem ao primeiro presidente brasileiro do banco, Altino Arantes Marques. Isso porque desde sua fundação, em 1909, até 1919, quando, - na gestão Altino Arantes - o Governo Estadual tornou-se seu acionista majoritário, o banco era controlado por acionistas franceses.


Edifícios do Banco do Brasil (esquerda), Altino Arantes (centro) e Martinelli (direita).


Alterações. Com o passar dos anos o edifício não sofreu muitas alterações externas notáveis, apenas passou por limpezas e reconstituição das fachadas, ganhando também uma nova iluminação. Já na parte interna sofreu diversas alterações que exigiram intervenção do Museu Banespa, quando algumas áreas do edifício foram tombadas, para protegê-las de modificações que pudessem alterar suas características originais.

No prédio funcionou também o Museu Banespa, inaugurado em 1965 e reúne a história do banco desde sua inauguração em 1909 como Banco de Crédito Hipotecário e Agrícola do Estado de São Paulo até os dias atuais, perto de completar 110 anos. O museu possui 993 objetos e mobiliários, 1 003 obras, 98 fotografias assinadas, 66 tapetes orientais e nacionais entre outros itens.

Na década de 1970, o edifício ganhou uma cinta de alumínio em volta de sua torre, onde foi concedido o logotipo do Banco Banespa. Foi também nesse período que o prédio ganhou a bandeira do estado de São Paulo no topo, a qual é trocada frequentemente devido as fortes ventanias que assolam o topo do edifício.[6] Em 1988, um lustre de três metros de altura e 1,5 tonelada foi instalado no hall de entrada do edifício. Tal peça conta como 150 lâmpadas e cerca de dez mil acessórios de cristal.

Venda do Banespa e tombamento. No ano de 2000, o Banespa foi privatizado, sendo vendido ao Banco Santander Central Hispano, ocupando o 2º e 3º andar do edifício. Porém, para evitar represálias, respeitando a tradição do povo paulistano, os novos donos não fizeram nenhuma alteração significativa na fachada do edifício. A partir de sua privatização, passou a abrigar um museu onde encontra-se mais de dois mil objetos que participam da história de quase 100 anos de existência e originou ali o Banco Hipotecário e Agrícola do Estado de São Paulo.

Em 2011, o edifício foi tombado pelo patrimônio histórico de São Paulo. O órgão do patrimônio histórico, Condepraat, preserva integralmente a fachada e o terraço do edifício e os cinco pisos do empreendimento.

Reforma em 2017. Em 2017, o Banco Santander anunciou que estava reformando o prédio. O local será relançado como farol e espaço cultural.[8] Em 25 de janeiro de 2018, no aniversário da cidade de São Paulo, o Banco Santander - proprietário do edifício - inaugurou um centro cultural nominado "Farol Santander" trazendo uma pista de skate no 21° andar, que pode ser alugada hora e uma arena de debates no 8° andar, que comporta até 100 pessoas e receberá, todos os sábados, palestras sobre empreendedorismo e cidades, com os andares 22 e 23 dedicados a exposições temporárias. O prédio tem um mirante e até um apartamento amplo de luxo que pode ser alugado por R$ 3 500 a diária.

A bandeira paulista no topo do edifício. A Torre Banespa é um dos destaques do edifício. Situada no ponto mais alto do prédio, acessível a partir do 34º andar, ela permite uma privilegiada vista panorâmica da cidade, com um alcance de até 40 quilômetros, sendo possível ver outros marcos importantes da cidade, como o Mercado Municipal, a Catedral da Sé, e até mesmo os edifícios Itália, Copan e Hilton.

O Mirante do Vale concluído em 1960, e que apesar de não ser muito conhecido, é o segundo edifício mais alto do Brasil. Além de diversos bairros vizinhos. Isso tudo é possível também pois, apesar de não ser o prédio mais alto, ele está situado no ponto topograficamente mais alto do centro de São Paulo.

No final dos anos 1970 a torre ganhou em volta de sua base uma cinta de alumínio, onde foi fixado o logotipo do banco. E no topo de edifício encontra-se uma bandeira do estado de São Paulo medindo 7,20 metros de largura por 5,40 de altura, sendo trocada mensalmente por conta do desgaste provocado pelos fortes ventos àquela altura. Em 1988, chegou belíssimo saguão do edifício um lustre de cristal, ele possui 13 metros de altura, 10 mil peças de cristal e 1,5 toneladas, feito no formato do edifício

O térreo, acessado pela Rua João Brícola, 24, conta com o hall de entrada, onde os visitantes podem admirar a decoração art decó, o pé direito de 16 metros e um lustre de 13 metros e uma tonelada instalado em 1988. No 2º andar há um túnel onde vários painéis gigantes exibem um vídeo sobre a história do prédio e da cidade de São Paulo. No 3º andar serão reproduzidos os guichês de banco e as salas de atendimento ao público. Através de totens, é possível simular a abertura de uma conta bancária como era feito em 1940. No 5º andar é possível ver os retratos pintados dos presidentes do Banco Agrícola antes de virar Banespa e, depois, Santander. O ambiente ainda tem os antigos móveis como mesas, cadeiras, tapetes usados nas reuniões da diretoria do Banespa, sendo que os móveis de jacarandá foram feitos no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. No 8º andar, a Arena de Economia Criativa será um local dedicado para debater assuntos de empreendedorismo e economia.

A pista de skate localizada no 21.º andar foi idealizada por Robert Dean Silva - ou Bob Burnquist um skatista brasileiro-americano. Os 22º e 23º andares tem 330 m² e estão dedicados a exposições de arte imersiva, sempre com artistas nacionais e internacionais. O 25.º andar tem um loft que funciona como um apartamento com mais de mais de 335 m² e decoração art déco. Qualquer pessoa pode se hospedar no local, a uma diária de cerca de 3 500 reais. No 26.º andar, há um mirante, onde é possível contemplar a cidade a uma altura de 160 metros. O artista paulistano Vik Muniz fotografou o prédio do mirante e com várias paisagens. As fotos foram ampliadas e viraram 6 painéis de 150x200 cm e 1 painel complementar de 100x2015 cm. A instalação lembra uma vista 360º. Junto ao mirante, será inaugurado um café.


OS 50 ANDARES DO EDIFÍCIO PLATINA 220


 


O Platina 220, edifício de uso misto no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo, e o mais alto da cidade, está pronto após 8 anos intensos entre projeto e construção. A arquitetura é da Königsberger Vannucchi Arquitetos Associados, e o empreendimento faz parte do Eixo Platina, uma ampla proposta de urbanização da Porte Engenharia e Urbanismo na região. Em uma única torre com 172 metros de altura e 46 andares, em frente ao Shopping Tatuapé, o Platina 220 reúne variedade de usos: lojas (no térreo), hotel e unidades residenciais (no terço mais baixo da edificação), conjuntos comerciais (na parte intermediária) e lajes corporativas (na parte superior).  A união de todos estes usos almeja atrair mais empresas para a região e, com isso, outros benefícios, como reduzir os deslocamentos dos moradores para outras regiões da capital. “Pela complexidade e diversidade do programa, nós comparamos sua resolução à montagem de um Tangram”, afirma Jorge Königsberger, um dos autores do projeto e sócio fundador do escritório.  A entrada para o edifício acontece a partir da Rua Bom Sucesso, onde o prisma principal ‘pisa’ no térreo. Já na área envoltória da quadra, os espaços para lojas escalonam o projeto para criar duas situações de áreas externas: no espaço público, generosas e arborizadas calçadas perimetrais; na área privativa, acima das lojas, lazer para usuários do edifício.  
Para que fosse atingido este potencial construtivo e de entrega para a cidade, todos os instrumentos e benefícios previstos pelo Novo Plano Diretor de São Paulo de 2014 foram utilizados, garantindo também um edifício positivo ao entorno: uso misto, fachadas ativas, fruição com a rua, dentre outros. Ainda na fase de projeto, o Platina 220 conquistou o selo internacional de sustentabilidade AQUA-HQE, da Fundação Vanzolini.  Texto e imagens: Arch Daily




OS  5 MAIORES ARRANHA-CÉUS DE SAMPA


5️⃣ Lugar - Edifício Altino Arantes (Altura: 161,22 metros)


4️⃣ Lugar - Edifício Itália (Altura: 165 metros)


3️⃣ Lugar - Figueira Altos do Tatuapé (Altura: 168 metros)


2️⃣ Lugar - Mirante do Vale (Altura: 170 metros)


1️⃣ Lugar - Platina 220 (Altura: 172 metros)

Fonte: Curiosidades


JACQUES PILON


Construção em 1938 de prédio residencial no Largo do Paissandú pelo Arquiteto Jacques Pilon .


Jacques Émile Paul Pilon (1905-1962) foi um arquiteto francês que viveu e trabalhou durante décadas em São Paulo (SP). Em 1934, associou-se ao engenheiro civil Francisco Matarazzo Neto, fundando a empresa de projetos e construção Pilon & Matarazzo Ltda. Em 1939, abriu um escritório com os arquitetos alemães Herbert Duschenes e Franz Heep, o italiano Gian Carlo Gasperini e o brasileiro Jerônimo Bonilha Esteves. Projetos como a antiga sede do jornal O Estado de S. Paulo e os Edifícios Paulicéia e São Carlos do Pinhal, ícones da arquitetura paulistana, foram assinados pelos profissionais desse escritório. Arte Fora do Museu.



Fachada da Biblioteca Mário de Andrade voltada para a Avenida da Consolação. Notamos sua imponência perante os edifícios do entorno e sua composição geometrizante (fonte: foto cedida pelo escritório Piratininga Arquitetos Associados, identificada como pertencente ao acervo da BMA. Dados retirados do Projeto Tesouros da Cidade, programa de digitalização do acervo da Biblioteca Mário de Andrade, com o Título de Biblioteca Municipal de São Paulo, número de registro 159F, datado de outubro de 1952, autoria de A. Câmara)


(...) o novo desenho urbano proposto por Prestes Maia e a arquitetura moderna que surgiram nesse período, estabeleceram não somente novas feições urbanas para o centro da cidade, mas também novas funções para os térreos dos edifícios, possibilitando uma intensa relação entre a arquitetura e o espaço urbano, explorando a interação entre o espaço público e o privado, e trazendo uma novata e considerável urbanidade para o centro de São Paulo.

Neste contexto, arquitetos e profissionais da construção civil de origem estrangeira, recém-instalados no país, se beneficiaram desse momento de significativas transformações urbanas e culturais, fazendo-se presentes na construção de uma nova cidade, em novos moldes. Oriundos de diversos países, vieram a São Paulo por diferentes motivos. Ora fugindo de um cenário de perseguições étnicas e raciais e da precariedade da vida entre guerras, ora buscando melhores oportunidades de trabalho. Entre os mais expressivos, destacamos o autor do projeto da Biblioteca Mário de Andrade, objeto central deste artigo: o arquiteto francês Jacques Emile Paul Pilon (1905-1962); profissional que, uma vez aprovado e desejado pela elite paulistana, pôde exercer a sua arquitetura e o seu empreendedorismo em toda a cidade de São Paulo.

Jacques Pilon, desde a sua chegada ao Brasil em 1933, adotou diferentes técnicas e tendências arquitetônicas, demonstrando o seu desenvolvimento como arquiteto e as suas referências projetuais. Entre algumas das notáveis obras em que participou na capital paulista, podemos citar: edifício residencial São Luís, edifício Stella, edifício Edlu, hotel Jaraguá, edifício sede da Aliança Francesa, condomínio Paulicéia e São Carlos do Pinhal e Liceu Pasteur (Casa Santos Dumont). Um dos edifícios mais importantes projetados por Jacques Pilon, contudo, que simboliza o processo de verticalização do centro histórico, as transformações urbanas impulsionadas pelo surto imobiliário e a adoção de propostas arquitetônicas pautadas pela interação entre espaços públicos e privados é a Biblioteca Mário de Andrade.  Laís Silva Amorim e Manoela Rossinetti Rufinoni. Revista Restauro


Acesso / recepção da BMA, na Avenida da Consolação. Podemos notar o polimento das pedras e uma maior permeabilidade do espaço do que seu projeto inicial previa (fonte: acervo pessoal de Laís Silva Amorim, 2018). Revista Restauro. 

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LINA BO BARDI E ANTONIO FIGUEIREDO FERRAZ




Construção do MASP na avenida Paulista em 1963.  Figueiredo Ferraz, à esquerda, dando explicações aos visitantes, foi o engenheiro responsável pela obra, na época considerado o maior  vão em concreto do mundo. Á direita, a arquiteta Lina Bo Bardi, autora do projeto.

No final da década de 1950, o crescente volume do acervo e a ampliação das atividades didáticas do museu demandavam espaços mais amplos e adequados a atividades museológicas regulares. Na tentativa de solucionar o problema, Bardi fez contatos com a Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Ficou acertado que o museu teria um espaço no edifício que a fundação estava erguendo no bairro de Higienópolis, onde seria exposto seu acervo, ao qual se juntariam as obras do fundador da FAAP (hoje reunidas no Museu de Arte Brasileira). As obras do MASP chegaram a ser expostas nas salas da fundação, mas Bardi mostrou-se preocupado com a qualidade de algumas peças a serem incorporadas à coleção. Preferiu romper o acordo, recomeçando a busca por uma nova sede.

Havia então, na avenida Paulista, um terreno no local antes ocupado pelo belvedere Trianon, tradicional ponto de encontro da elite paulistana, projetado por Ramos de Azevedo e demolido em 1951 para dar lugar a um pavilhão, onde fora realizada a primeira Bienal Internacional de São Paulo. O terreno havia sido doado à prefeitura por Joaquim Eugênio de Lima, idealizador e construtor da avenida Paulista, com a condição de que a vista para o centro da cidade fosse preservada, através do vale da avenida Nove de Julho.

Lina Bo Bardi, ciente da situação do terreno e das condições impostas pelo doador, considerava o local ideal para a construção da nova sede. Contou seus planos a Edmundo Monteiro, que, por sua vez, decidiu negociar a concessão do terreno com Ademar de Barros. Ademar era candidato à eleição para a prefeitura de São Paulo. Acertou com Edmundo Monteiro de fazer a sua campanha pelos Diários Associados, de graça, comprometendo-se, caso fosse eleito, a aprovar a concessão do terreno para a construção da nova sede. Eleito, Ademar manteve o acordo, dando início aos trabalhos.

É, para mim, motivo de especial satisfação inaugurar este magnífico Museu de Arte. A sua beleza, simplicidade e a perícia com que foi construído tornam-no mais um impressionante exemplo do espírito de iniciativa dos paulistas. Sinto-me feliz também em pensar que ele abrigará uma coleção de quadros de um dos mais ativos e generosos embaixadores que jamais foram à Corte de St. James: o dr. Assis Chateaubriand. Lembro-me muito bem de seu espírito e estuante personalidade e todos sentimos, profundamente, que ele não esteja mais aqui conosco neste dia. Aos paulistas desejamos, meu marido e eu, felicidades e prosperidade. É com grande prazer que declaro inaugurado este Museu.
Elizabeth II, em seu discurso de inauguração da nova sede do MASP, em 8 de novembro de 1968.
Lina Bo Bardi concebeu arquitetonicamente a atual sede do MASP. Para preservar a vista exigida para o centro da cidade era necessário ou uma edificação subterrânea ou uma suspensa. A arquiteta optou por ambas as alternativas, concebendo um bloco subterrâneo e um elevado, suspenso a oito metros do piso. A construção é considerada única pela sua peculiaridade: o corpo principal pousado sobre quatro pilares laterais, resultando em um vão livre de 74 metros, à época considerado o maior do mundo. A inovação foi viabilizada pelo trabalho do engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz, que aplicou na obra a sua própria patente de concreto protendido.

O edifício, projetado em 1958, levou dez anos para ser concluído. As obras se estenderam ao longo dos mandatos de Ademar de Barros e Prestes Maia, sendo somente finalizadas durante a gestão de Faria Lima. A nova sede do MASP foi finalmente inaugurada em 8 de novembro de 1968, na presença do príncipe Filipe e da rainha Elizabeth II, da Inglaterra, a quem coube o discurso de inauguração. Lina Bo coordenou a exposição de abertura, intitulada A mão do povo brasileiro, dedicada à cultura popular do país. A arquiteta inovou na forma de expor a coleção permanente, ao utilizar lâminas de cristal temperado amparados por blocos de concreto como suportes para as pinturas. Essa forma de exibição deixou de ser adotada pelo MASP no fim dos anos 1990 e seria retomada somente em dezembro de 2015, durante a gestão de Heitor Martins.


SÃO VICENTE: UM MUSEU À BEIRA DO OCEANO



Projeto de Lina Bo Bardi concebido para São Vicente foi a base da Casa de Vidro e do MASP. Tornou-se um ícone da invenção e considerada uma das 50 melhores imagens de arquitetura do mundo.

Além de edifícios com projetos arquitetônicos arrojados, São Vicente já foi alvo da vanguarda artística paulistana, que se deliciava nas praias, e que inspirava obras que deixariam a cidade imortalizada da história da arte e da cultura. Em 1952 surgiu em São Paulo a ideia do MASP, projeto modernista conjunto de Pietro Maria Bardi e Assis Chateaubriand que seria considerando o primeiro da América Latina nessa categoria. O Museu de Arte de São Paulo funcionou nas instalações dos Diários Associados até que ganhasse sede própria no Parque Trianon, na avenida Paulista. 

Mas o protótipo que deu origem ao mais conhecido museu da Capital foi um projeto elaborado em 1951 pela mesma arquiteta, Lina Bo Bardi. Era o Museu à Beira do Oceano, concebido para ser construído na praia de São Vicente ( não se sabe se seria no Gonzaguinha ou no Itararé). Na época o a cidade era governada pelo prefeito Charles Dantas Forbes, conhecido pelos seus esforços e marca pessoal em transformar São Vicente numa sofisticada estância balneária. O projeto nunca saiu do papel, talvez por falta de recursos ou falta de terreno, já que a construção sobre a faixa de areia dependia da autorização do governo federal. Mesmo assim o projeto de Lina Bo Bardi foi desdobrado como base da nova sede do Museu de Arte de São Paulo, tornando-se objeto permanente de estudos de engenharia e arquitetura em obras especializadas no Brasil e no exterior. 

“Em seus estudos para o Museu à Beira do Oceano (1951), Lina Bo Bardi concebe um paralelepípedo elevado do solo por pórticos transversais, com a face voltada para o mar inteiramente transparente. Nas perspectivas internas a autora utiliza da mesma técnica de foto-colagem de Mies para apresentar a transparência do recinto expositivo em relação à paisagem. Entretanto o desenho de Lina Bo Bardi se mantém fiel à sua formação italiana reproduzindo algumas características da pintura de De Chirico e de Sironi. Comparado ao desenho de Mies, o plano de piso assume uma proporção muito maior em relação às obras expostas e apresenta uma continuidade em perspectiva com o plano horizontal da paisagem. Ao acentuar o vazio, o espaço entre os objetos expostos, Lina recria a suspensão temporal da pintura metafísica. Na exposição representada encontram-se obras antigas e modernas, entre elas a mesma Guernica de Picasso reproduzida com destaque no desenho de Mies. Já comparece um objeto da cultura popular brasileira – uma carranca de barcos do Rio São Francisco, tema que viria a dominar suas preocupações no final daquela década.

Como o Museu à Beira do Oceano não foi construído, a arquiteta teria a oportunidade de experimentar a transparência total no projeto da sua residência, a Casa de Vidro. (...) O projeto do segundo Masp partiu dessa situação, com duas diferenças em relação aos projetos do Museu à Beira do Oceano e da Casa de Vidro. A primeira é a maior intensidade de ocupação da pinacoteca do Masp pelas obras dispostas nos suportes de vidro que a afasta do vazio metafísico sugerido no Museu à Beira do Oceano. A segunda é que o Masp assumiu a continuidade visual e espacial com a cidade, disfarçada na Casa de Vidro pelo enfoque na vegetação”.



BARDI, Lina Bo, Museu à Beira do Oceano, Habitat, São Paulo, n. 8, e BARDI, Lina Bo. Museu de Arte di San Paolo del Brasile, in L’Architettura, Cronache e Storia, Roma, n. 210, abril;1973.




O projeto “Museu à Beira do Oceano”, de Lina Bo Bardi, ilustra a capa da oitava edição da Revista Habitat, lançada em 1952.


Lina publicou um artigo sobre as propostas arquitetônica e educacional que pensou para a construção deste museu na praia de Itararé, em São Vicente.


A edição conta com o texto "Balanços e perspectivas museográficas: o Museu de São Vicente", escrito por P.M. Bardi, que comenta o projeto de Lina:


“Se o Museu de São Vicente lograr êxito nos seus desígnios, isto é, se tornar um organismo através do qual o homem da cidade possa tornar-se aos poucos, contemporâneo de todo o mundo moderno, cada vez mais conscientemente, teremos criado um meio de tornar a cultura um fato verdadeiramente vital e popular”.
O projeto do Museu não se concretizou.


Crédito: Instituto Bardi / Casa de Vidro


ALFAVILLE E TAMBORÉ



Idealizado pelos engenheiros Yojiro Takaoka e Renato Albuquerque, sócios da empresa Albuquerque Takaoka, é considerado como a primeira tentativa de se criar artificialmente um bairro de grandes proporções no Brasil. É formado por uma série de condomínios fechados de alto padrão, chamados Residenciais, além de um centro industrial e empresarial. Proveniente de um terreno de 500 hectares comprado em 1973, era um empreendimento voltado inicialmente às indústrias não-poluentes. Foi erguido no lugar da antiga Fazenda Tamboré, comprada pela construtora dos herdeiros Almeida Prado.

A implantação deu-se com as vendas de lotes na década de 1970, primeiramente a proprietários e executivos de empresas que ali se instalavam, como a: HP, Sadia, Du Pont e Confab. O projeto original de Takaoka era construir um centro empresarial em torno da sede brasileira da Hewlett Packard, com um núcleo de comércio, mas depois surgiu a ideia de construir casas para os funcionários da HP, depois para funcionários das outras empresas e, finalmente, para quem quer que fosse. "O resultado é que em dez anos fizemos uma minicidade", declarou Takaoka à revista Veja em São Paulo em 1986.

Devido à necessidade de moradia dos executivos dessas empresas houve, em 1975, o lançamento do AlphaVille Residencial.. Assim nascia o embrião do conceito AlphaVille de ocupação ordenada. A instalação de uma multinacional mudou o conceito e até o nome de AlphaVille, que passou de AlphaVille Centro Industrial para AlphaVille Centro Comercial, Industrial e Empresarial. Com o passar do tempo percebeu-se que era mais rentável a venda residencial do que a empresarial, sendo construídos outros Residenciais, designados com números. O primeiro se chamou Residencial 1.

Central de vendas nos anos 1980. 

No início da década de 1980, era possível comprar terrenos no condomínio pelo preço de um carro, mas a valorização em 1986 já tornava essa comparação obsoleta, embora esse aumento não tenha afastado novos moradores, tanto é que imóveis eram comumente vendidos no máximo uma semanas depois de ser listados e apenas no lançamento do Alphaville 10 foram vendidos duzentos dos setecentos lotes colocados à venda. Muita gente dizia que se mudava para lá por causa das crianças. Havia poucas, mas rígidas regras: era proibido instalar casas pré-fabricadas nos terrenos dos condomínios, o que ajudou a afastar a ideia de loteamento de fim de semana, e cada quadra não podia comportar mais de 22 casas, com recuo obrigatório de quatro metros na frente, para o jardim.  Na mesma década o bairro verticaliza-se por causa da grande demanda imobiliária, onde mudaram-se profissionais liberais e altos funcionários de empresas da região, antigos moradores da cidade de São Paulo.
Pedido de emancipação Na década de 1990, Alphaville, juntamente com Tamboré, tentou emancipar-se, criando um novo município com a junção dos dois bairros, mas o processo não obteve êxito e foi arquivado. Legalmente, os dois bairros estão localizados nos município de Barueri e Santana do Parnaíba.



Alfaville em 1975
. "Uma virada significativa aconteceu quando a Hewlett-Packard (HP) manifestou interesse em Alphaville. O encontro entre Albuquerque e o diretor de Patrimônio da HP, apelidado de "Skip," desencadeou uma transformação. Skip propôs uma mudança de foco, passando da indústria primária para armazéns e escritórios, incluindo residenciais para executivos viverem nas proximidades, eliminando deslocamentos para São Paulo. Essa ideia foi apoiada por outras empresas como Babylândia, Banco Real, Carbex, Chuca, Confab, DuPont, ECM, Otto Haensel e Sadia, levando a uma expansão bem-sucedida de residenciais em Alphaville". Grazilella Costa. 50 Anos de evolução e transformação em São Paulo. Folha de Alfaville


Atualmente, Alphaville abriga mais de doze mil residências, 42 edifícios residenciais e 16 comerciais. Totalmente urbanizado e com segurança própria, sendo independente. Possui uma população fixa estimada em 35 mil habitantes e uma flutuante de 200 mil pessoas por dia, formada por quem ali trabalha ou visita o bairro, a passeio ou a negócios. A região conta com cinco hospitais 24 horas e muitas clínicas, seis laboratórios, 16 agências bancárias, oito hotéis e flats, cinema (nos shoppings Tamboré e Iguatemi Alphaville) e quatro supermercados. Inicialmente previa-se chegar ao Alphaville 15, mas o último a ser lançado, ainda no século XX, foi o Alphaville 12 — não há condomínio com o número 7, embora haja um com o número 0. A grande procura imobiliária nos últimos anos anos levou incorporadoras e construtoras a buscar novos terrenos, mais distantes do primeiro centro comercial, favorecendo, desta forma, o aparecimento de novas áreas de serviços e de novos bairros, como o Tamboré, que tem empreendimentos com características semelhantes aos de Alphaville, porém com residenciais lançados a partir da década de 1980, ou como o Bethaville, um bairro planejado, com áreas comerciais, empresariais e residenciais, que se localiza próximo ao novo centro político e administrativo de Barueri e junto à saída para São Paulo pelo Rodoanel Mário Covas. O conjunto de empreendimentos erigidos em torno dos condomínios ficou conhecido como "Centro Comercial" ou "Centro Empresarial" de Alphaville.


JORGE WILHEIN



Jorge Wilheim. Nascido em Trieste, na Itália, descendente de judeus húngaros, Wilheim se mudou com a família para o Brasil em 1940, aos 11 anos de idade, em meio a II Guerra Mundial. Como urbanista, atuou em obras no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Bahia. Entre 1975 e 1979 foi secretário estadual de economia e planejamento de São Paulo. Em sua gestão fundou as estatais EMTU e a Fundação Procon SP, além de ter criado o Vale-transporte. Na década de 1980 sua empresa de arquitetura e urbanismo foi vencedora do concurso de reforma do Vale do Anhangabaú, supervisionando a implantação do projeto do novo Vale. Morreu em 14 de fevereiro de 2014 devido a complicações após um acidente de carro. Seu corpo foi velado no Hospital Albert Einstein e enterrado no Cemitério Israelita do Butantã. Wilheim era casado e deixou esposa, irmã, dois filhos e netos.[Textos e imagens da Wikipedia]

HOSPITAL DO SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL

Revista Acrópole, 1961.







EDUARDO LONGO, A CARA DE SÃO PAULO



Casa Bola na Rua Amauri,  Obra do arquiteto Eduardo Longo. #SPFotos. 



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A CALÇADA DE MIRTHES BERNARDES





Quem criou o “piso paulista”, a tradicional calçada de São Paulo?

O “piso paulista”, como ficou conhecido este calçamento, chegou primeiro à Av. Faria Lima, depois na Av. Amaral Gurgel e até na tradicional esquina da Av. Ipiranga com a Av. São João.

Contornos que representam o mapa do estado de São Paulo, em um formato geométrico que passou a simbolizar a cidade paulistana a partir de suas calçadas. Você sabia que uma artista e arquiteta foi a criadora deste símbolo? Tudo começou em um concurso cultural, em 1965, para a escolha daquele que seria o padrão das calçadas paulistanas. Mirthes Bernardes, na época desenhista da Secretaria de Obras, entrou no concurso, mas não imaginava que logo o seu desenho seria o eleito como ganhador.

Mirthes considerava simples o esboço que tinha feito, e não imaginava que ficaria entre os quatro finalistas. A votação final seria feita após a aplicação dos desenhos nos ladrilhos da Av. Consolação. A criação de Mirthes concorria com um desenho de grãos de café e outro que representava pés caminhando. “Foi uma festa com meus colegas. Concorri e trabalhava com arquitetos. Foi muito legal, fiquei feliz”, disse em entrevista ao blog Perfis Paulistanos.

Mesmo não tendo a pretensão de ganhar o concurso, para a criação Mirthes tinha se inspirado em um símbolo bastante famoso: as ondas do calçadão de Copacabana. Sem copiar a ideia, a inspiração fez com que contornos simples passassem a representar a capital paulistana, assim como havia sido no Rio de Janeiro. E o símbolo não se restringiu apenas ao calçamento da cidade, mas ao longo dos anos chegou aos souvenirs, propagandas e até aos chinelos.


O “piso paulista”, como ficou conhecido este calçamento, chegou primeiro à Av. Faria Lima, depois na Av. Amaral Gurgel e até na tradicional esquina da Av. Ipiranga com a Av. São João. Hoje, entretanto, os tradicionais ladrilhos aos poucos estão sumindo das calçadas paulistanas, sendo substituídos por concreto, cinza, não mais com o símbolo tão tradicional da cidade.

O reconhecimento da artista. Mirthes, mesmo com a representatividade que o desenho ganhou, após ter vencido o concurso não recebeu valores ou direitos pela criação. Os anos se passaram e a artista continuou lutando pelo reconhecimento, mas não disfarça o desapontamento por não ter alcançado este objetivo e por ver a cada dia a substituição dos ladrilhos com seu desenho nas calçadas paulistanas. “Qualquer piso desses que está aí em São Paulo está esculhambado. Vão passando por cima, vão tapando buracos ao invés de restaurar”, disse em entrevista à Folha de S. Paulo.

A arquiteta e artista já passou dos 80 anos e permanece desenvolvendo trabalhos artísticos, com cobre e esmalte. Seu engajamento sempre esteve presente nos trabalhos que desenvolvia, incluindo a Fundação Casa e a Secretaria de Cultura do Estado. Tudo isso em paralelo à arte.

Apesar de não guardar objetos que remetam ao símbolo, a matéria publicada no jornal “Diário da Noite”, seis anos após o concurso, ainda está em uma pasta da artista. A matéria conta a história do concurso e de Mirthes, a ganhadora – história essa que foi adaptada para atualidade através até mesmo de enredo de escola de samba, sendo o tema da Mocidade Alegre, no desfile em 2007, em São Paulo.

Patrimônio Histórico? As calçadas na cidade de São Paulo, conforme a possibilidade de que cada morador e comerciante cuide do seu pedacinho de calçamento, se tornaram desiguais e, na maioria dos exemplos, mal conservadas. A troca do “piso paulista” pela calçada de concreto é justificada pela Prefeitura como um modo de aumentar a drenagem.

O fato de não ser tombado faz com que os ladrilhos possam ser substituídos facilmente, o que leva à defesa por especialistas de que a solução seria a consideração dos ladrilhos como patrimônio histórico, ou que ao menos houvesse a mudança quanto a quem cabe a responsabilidade pelas calçadas, retornando então ao município.

Até que mudanças sejam feitas, o incentivo a que os paulistanos conheçam o trabalho da artista Mirthes Bernardes chegou até a exposição que está em cartaz em exposição “São Paulo Não É Uma Cidade”, no recém-inaugurado SESC 24 de Maio, chamando a atenção do público para o trabalho e a contribuição à cidade.

Fonte: Blog da Arquitetura


O COMPLEXO ANHEMBI


Complexo do Anhembi: Centro de Exposições, Palácio de Convenções e Hotel Foto:P.M. de São Paulo


Na década de 1950 as feiras industriais estavam em alta nos EUA, e o país foi introduzido a esse universo de empreendedores, e a partir disso surgiu a possibilidade de introdução das feiras. E tudo teve início no ano de 1966, quando Caio de Alcântara Machado constatou que o Pavilhão da Bienal já estava pequeno para os eventos que ali ocorriam, e passou a idealizar um novo espaço. Ele tinha a intenção de construir um Grande Polo de Exposição em São Paulo. Com isso começou a procura de um espaço grande onde pudesse realizar o seu plano. Até que encontrou um terreno ás margens do Rio Tietê, de 510.000 metros quadrados que pertencia a Prefeitura. Em 12 de dezembro de 1967, foi concedido pelo governo o uso deste terreno às margens do Rio Tietê para a construção do projeto de Caio Alcântara. As obras deram início em 5 de julho de 1968 com apoio financeiro de aproximadamente duas mil empresas que compraram cotas e ações na Bolsa de Valores de São Paulo. E devido ao apoio, em 1970 o Anhembi Parque foi inaugurado sob o nome de "Centro Interamericano de Feiras e Salões S.A.", ou CIFS, o complexo tinha um caráter mais voltado aos negócios, diferente dos outros centros de convenção em São Paulo, o que possibilitou também a internacionalização da indústria nacional. Em novembro de 1970, o Pavilhão de Exposições do Anhembi foi inaugurado com a realização do “VII Salão Automóvel”, se consagrando como evento inaugural. Em 1972 o "Centro Interamericano de Feiras e Salões S.A." passou a se chamar Anhembi Parque. No entanto, com uma divida de de US$ 15 milhões para um banco nova-iorquino, Alcântara Machado, em 1975, se obrigou a propor uma parceria para a Prefeitura de São Paulo, que ficou com 77% das ações da empresa, e se tornou sócia majoritária e total responsável pela administração do Anhembi Parque. A criação do Anhembi Parque foi um marco importante para São Paulo, possibilitando um fluxo diferente de negócios para a região norte da cidade, além de ser um importante marco para o turismo na cidade. Atualmente complexo do Anhembi é dividido em três grandes áreas: Pavilhão de Exposições, Centro de Convenções e Sambódromo. [Textos e imagens da Wikipedia]


O ex-presidente Juscelino Kubitshek observa uma demonstração musical durante uma feira no Anhembi nos anos 70.




"Registradas no início de 1970 pelo fotógrafo Edison Pacheco de Aquino, vemos cenas da construção [entre 1968~1970] do ‘Pavilhão de Exposições do Parque Anhembi’. O projeto de arquitetura foi de Jorge Wilhelm; o estrutural, do engenheiro Cedric Marsh e a construção esteve a cargo da Alcântara Machado S/A Comércio e Empreendimentos". São Paulo, suas histórias e algo mais. Hilton Takahashi  


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CAPITAL DA VERTIGEM E DA SOLIDÃO




A Capital da Solidão.  De todos os paradoxos de São Paulo, um dos maiores é o que oferece o cotejo de seu presente com o seu passado. A metrópole vertiginosa e trepidante de hoje nasceu distante, fora do alcance dos navios portugueses, escondida pela serra do Mar - uma barreira que foi obstáculo, mas também desafio a vencer, definindo a personalidade desta São Paulo. Numa narrativa envolvente e reveladora, o leitor é convidado a conhecer momentos cruciais da trajetória da cidade que, por mais de uma ocasião, esteve ameaçada de penosos retrocessos, senão de extinção, por motivo do abandono dos moradores, da precariedade de recursos e do que por vezes pareceu uma irremediável falta de futuro.
O destino de São Paulo, ao longo dos três primeiros séculos de existência, foi de isolamento e de solidão. Em 1872, os primeiros sinais de prosperidade começavam a visitá-la, por conta da riqueza trazida pelo café, mais ainda assim a população de pouco mais de 30 mil habitantes a situava numa rabeira com relação às demais capitais brasileiras. Em 1890 já tinha dobrado de tamanho. O momento em que finalmente engrena é súbito como uma explosão - na passagem do século XIX para o XX, a cidade se transformou num aglomerado de gente vinda de diferentes partes do mundo e começou a virar a São Paulo que se conhece hoje. Após reconstituir em A capital da solidão a história de São Paulo das origens a 1900, o jornalista Roberto Pompeu de Toledo narra em A capital da vertigem sua arrancada rumo à modernidade. Eis uma cidade que deixa a condição de vila e se torna a maior metrópole do país. É a capital da vertigem: vertigem artística, industrial, demográfica, social e urbanística.
Neste painel que vai do início do século XX a 1954 - quando a cidade completa quatrocentos anos -, aparecem personagens como Oswald e Mário de Andrade, Monteiro Lobato, Washington Luís, Prestes Maia, e Francisco Matarazzo, e surgem episódios que vão da Semana de Arte Moderna de 1922 à epidemia de gripe espanhola, da Revolução de 1924 à chegada do futebol ao país. 

Fonte: Resenhas do site da Amazon, fornecida pela editora das duas obras. 

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ALGUÉM NA MULTIDÃO


 Um pequeno tumulto tomou conta do viaduto do chá naquela manhã de 1968. Alguém ia se precipitar para a morte no vale do Anhangabaú. Mesmo com pressa, os curiosos paravam ali para ver o desfecho da cena, alguns criticando, outros pedindo que o infeliz desistisse e muitos em silêncio. Foi quando, de repente, surgiu um jovem alto, de paletó e gravata, e dirigiu-se ao suicida com um sorriso acolhedor, porém com olhar firme, e disse confiante e com a mão estendida: "Meu amigo, vamos tomar um café"? Alguns segundos de tensão e incerteza e logo veio a resposta: "Vamos, sim". E saíram calmamente conversando enquanto a multidão foi se dispensando lentamente. O jovem que ofereceu o café era Jacques André Conchon, fundador do CVV, Centro de Valorização da Vida. E o novo amigo dele era só alguém que precisava falar sobre coisas da vida.



CVV- CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA





2012: Livro Biográfico  comemorativo dos 50 anos da ONG


Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma associação civil sem fins lucrativos brasileira, de caráter filantrópico, fundada em 1 de março de 1962 na cidade de São Paulo. Reconhecida como de Utilidade Pública Federal em 1973, é mantenedora e responsável pelo Programa CVV de Valorização da Vida e Prevenção ao Suicídio, desenvolvido pelos Postos do CVV em todo o país, de onde presta serviço voluntário, sigiloso e gratuito de apoio emocional, com atendimento presencial, via chat e, principalmente pelo telefone 188, com chamada gratuita e anônima. Em 1977 iniciou sua expansão para outras cidades do país, mantendo hoje seus serviços em quase todas as capitais e diversas cidades do interior. São mais de 120 postos e cerca de 3 400 voluntários que se revezam para o atendimento 24 horas por dia, nos 365 dias. A história do CVV está registrada no livro "Como Vai Você — CVV, 50 anos ouvindo pessoas", da Editora Aliança.

No dia 10 de março de 2017, o Ministério da Saúde firmou uma parceria com o CVV, permitindo que as ligações se tornassem gratuitas. A instituição é mantida com as contribuições dos próprios voluntários e por doações de pessoas e segmentos da sociedade. Tem personalidade jurídica e não está vinculada com qualquer religião, governo ou partido político.

Programa CVV. Atualmente o CVV cria e apoia iniciativas de ajuda emocional e prevenção do suicídio por meio de novos programas e atividades comunitárias. CRC — Caminho de Renovação Contínua (grupos de encontro de ajuda emocional); Escola de Valorização da Vida (autoconhecimento); GASS — Grupos de Apoio aos Sobreviventes do Suicídio (familiares e amigos enlutados, ajuda emocional mútua); Estação Amizade (palestras para jovens e adolescentes; e rodas de conversa sobre convívio e problemas emocionais).

Saúde Mental — O CVV Francisca Júlia é uma comunidade terapêutica instalada em São José dos Campos com a finalidade de amparar pessoas com crise suicidas e outros transtornos mentais. São leitos, ambulatórios e centros de convívio mantidos pelo CVV e conveniados com o SUS.

No Brasil, o CVV é reconhecido como serviço de utilidade pública pelo Ministério da Saúde, pertencendo às organizações do terceiro setor. Nos primórdios, o Programa CVV recebeu influência dos Samaritanos Internacionais, grupo fundado pelo Reverendo Chad Varah, em 1953, na Inglaterra.

Posto do CVV na rua Abolição 411, funcionando desde o final dos anos 1960. Nos primeiros anos teve vários endereços|: uma sala da FESSP, na rua Maria Paula e depois num apartamento num prédio residencial vizinho; na rua Francisca Miquelina, também num prédio de apartamentos; numa casa na rua Japurá e final na rua Abolição. A sede administrativa na rua Genebra, 168, funciona desde 1972. CVV-50 Anos ouvindo pessoas.  Foto: Fernando Bispo da Silva. 




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"A agitação permanente de uma cidade que não dorme é admirável e prova da sua amplitude em todos os aspectos. Porém essa grandiosidade tem um lado obscuro de dor moral que incomoda muita gente que vive numa metrópole: a solidão e o risco permanente de suicídio. Para enfrentar o problema e aliviar o sofrimento emocional, que põe em risco milhares de habitantes, surgiu em 1961 um grupo de voluntários treinados para acolher e ouvir as pessoas que sofrem de solidão e ideação suicida. O serviço de prevenção hoje está em quase todas as grandes cidades do Brasil, tem mais de 3 mil voluntários e recebe cerca de quatro milhões de chamadas por ano. É o CVV, Centro de Valorização da Vida, que atende pelo número 188. Um trabalho que começou há de 60 anos com apenas 17 voluntários
Em 1982 o jornal o Estado de São Paulo, falando sobre o problema da solidão paulistana, contou uma parte dessa história.

SOLIDÃO

José Maria Mayrink



No Centro de Valorização da Vida (CVV), rua da Abolição, no 411, um empresário tocou a campainha num fim de tarde de trabalho e entrou. "Não sei bem o que estou fazendo aqui”, disse ele se desculpando, mas aceitou o convite do jornalista Valentim Lorenzetti, que estava de plantão.
“Era um executivo muito bem vestido, sem dúvida um homem bem instalado na vida", conta Valentim, que jamais ficou sabendo o seu nome. Ele simplesmente sentou-se diante do plantonista e soluçou durante quinze minutos, sem dizer uma só palavra. Na hora de sair e agradecer, comentou apenas: "Este foi o único lugar onde me deixaram chorar".

Os 120 plantonistas do CVV, que se revezam em turnos de cinco horas de trabalho voluntário, atendem a 500 chamadas por dia. As pessoas costumam falar uma média de trinta minutos e pelo menos 10% delas acabam indo à instituição para um contato pessoal. Os telefonemas são mais numerosos entre 16 e 22 horas, todos os dias, multiplicando-se assombrosamente na época do Natal.

"Todos ligam porque se sentem solitários ou quando se descobrem sozinhos, numa solidão que pode levá-los à beira do suicídio", explica Valentim Lorenzetti, que muitas vezes identifica no recurso ao CVV o último grito da pessoa que se sente abandonada e quer se matar.

O plantonista apenas ouve, frequentemente nem precisa dizer nada. As pessoas que se sentem sós e ligam para outra, mesmo que seja uma desconhecida, têm necessidade de falar, querem só alguém disposto a ouvi-las, não exigindo mais do que isso. Muitas delas são pessoas que, acordadas na solidão da madrugada, não têm mais a quem recorrer. Quando sai do ar o último programa de televisão, elas se lembram do número 34-4141 e começam a conversar, como se estivessem retomando um papo interrompido.

Como as emissoras de rádio e TV costumam divulgar o telefone do CVV no fim da noite, os solitários aproveitam a dica para chamar imediatamente. Ou guardam o endereço para procurá-lo, quando for necessário. Foi o que fez o pernambucano Arnaldo Alves, de vinte e um anos, vigia de obra, que chegou há dez meses a São Paulo. Trabalhando das 18 às 6 horas da manhã, numa construção em Perdizes, ele ainda não precisou de ajuda, mas fez questão de ir conhecer a sede do CVV na rua da Abolição, depois de ouvir o anúncio do rádio.

A madrugada é vazia e dura para Arnaldo, principalmente entre uma e 4 horas, quando não há mais movimento de gente na rua. Sua distração é ouvir música ou conversar com o zelador do prédio em frente, que ficou seu amigo e até o convidou para almoçar em casa num domingo. Se não fosse essa amizade, ele não sabe como seria sua vida em São Paulo.

"Não quero saber de baile, pois não vou arranjar namorada para casar. Casamento é só com moça do Norte."

Arnaldo, que deixou os pais e cinco irmãos no Recife para vir ganhar um salário de Cr$ 40 mil em São Paulo, confessa que algumas vezes costuma sentir alguma coisa parecida com solidão, mas trata de abafá-la com o trabalho.

Cartaz do CVV em 1977, na época associado aos "Samaritans", da Inglaterra. 




Rua das Carmelitas nos anos 1950.  Nessa rua aconteceram as primeiras reuniões de um grupo de jovens que iriam fundar em 1961 a Campanha de Valorização da Vida, para prevenção do suicídio. Eles faziam incursões de auxílio em lugares carentes da periferia e da região central e constataram um elevado numero de tentativas e suicídios. Fora aconselhados a desenvolverem um projeto de pronto-socorro emocional. O grupo passou se reunir na sede FEESP -Federação Espírita do Estado de São Paulo, na rua Maria Paula, onde realizaram um curso preparatório ministrado por amigos médicos, enfermeiros e até advogados. Ali, numa pequena sala , iniciaram o atendimento de apoio através de 17 voluntários. O primeiro plantão foi feito às 16 horas do dia 31 de março de 1962 pela voluntária Misayo Ishioca.

 Antiga sede da FEESP na rua Maria Paula: sala e telefone emprestados para funcionar o primeiro posto do CVV em 1962.



PEIXOTO GOMIDE, FRANCISCA JÚLIA E BATISTA CEPELOS



O Setembro Amarelo é o mês mundial da Prevenção do Suicídio e no Brasil o movimento foi inspirado em dois poetas parnasianos: Francisca Júlia da Silva e Manoel Batista Cepelos, ambos mortos tragicamente ao tirar suas próprias vidas no início do século XX. As duas mortes, com histórias e épocas diferentes, chocaram a sociedade paulistana e o mundo literário brasileiro, porém inspiraram a fundação do CVV- Centro de Valorização da Vida, o primeiro trabalho voluntário preventivo do Brasil, por sua vez também inspirado no formato dos Samaritanos da Inglaterra, com postos de atendimento presencial e telefônico. A lembrança inspiradora desses dois poetas foi uma sugestão de Chico Xavier ao jovem Jacques Conchon, um dos fundadores do CVV que, por acaso, tinha ido à Uberaba acompanhando um amigo que ilustrava as capas dos livros do médium. O amigo teve que voltar a São Paulo, pois tinha esquecido os desenhos de aprovação mais urgente. Jacques permaneceu no hotel e recebeu um recado inesperado do Chico para que fosse até sua casa. Ali lhe foi sugerido fundar um trabalho de prevenção do suicídio e que o mesmo seria feito sob a inspiração dos dois poetas mortos. Meses depois Jacques e um outro amigo, Flávio Focaccio, reunidos numa casa da rua das Carmelitas, formaram um grupo de 17 voluntários e criaram o CVV, que funcionava incialmente numa sala com telefone emprestado pela Federação Espirita de São Paulo-FEESP. Antes organizaram um curso e pediram instruções a dois médicos amigos, que os prepararam para essa primeira fase de atuação, que durou dez anos em forma experimental. Em 1972 fundaram o Hospital Francisca Júlia, para acolher pacientes com transtornos mentais e ideação suicida, quase todos, cerca de 150, oriundos do Manicômio do Juqueri, que estava sendo desmontado. Em 1977 o CVV-Samaritanos (fusão programática com a sigla inglesa), expande seus postos na Grande São Paulo e várias cidades do Brasil, Colômbia, Argentina e Uruguai. Em 2012, já tinha 70 postos e 2.500 voluntários. Na década seguinte esse número saltou para 100 postos, 4.500 voluntários e com 4 milhões de chamadas telefônicas por ano. Vários grupos de prevenção surgiram inspirados no CVV e nos Samaritanos de Londres, atuando também nas comunidades, ofertando amizade e apoio como alívio do sofrimento psíquico e da solidão. Hoje o CVV atende pela linha 188 gratuita.

Fonte: CVV, Como Vai Você. 50 anos ouvindo pessoas. Editora Aliança., 2012.


O senador Peixoto Gomide ( em pé à direta), influente político da República Velha, matou a filha com tiro, atirou na própria cabeça, morrendo logo depois. Essa tragédia ainda provocou o suicídio do poeta Batista Cepellos. 




Visita de aprendizes do CAMP Rio Branco -São Vicente à Pinacoteca de São Paulo. Ao fundo a estátua de Francisca Júlia da Silva -Musa Impassível - feita em Paris por Victor Brecheret. A estátua fazia parte do túmulo da poetisa no Cemitério São Paulo, substituída por uma réplica.

TREINANDO JOVENS NA PREVENÇÃO DO SUICÍDIO

 Histórias cotidianas do sofrimento emocional e busca de apoio entre jovens.

Professor cria Programa Estação Amizade em escola de São Vicente

Apoio emocional trata das questões sentimentais dos jovens; educador é voluntário do CVV há 30 anos.
  
Ouvir os jovens e fazer eles se ouvirem é o trabalho do professor Dalmo Duque dos Santos, da E.E. Margarida Pinho Rodrigues, de São Vicente. Com o Programa Estação Amizade, entre palestras e rodas de conversa, o educador promove uma relação de aproximação e respeito entre os estudantes.

“O programa estação amizade é um programa de prevenção ao suicídio. Um programa de apoio emocional criado especialmente para jovens, que têm dificuldade de se comunicar, de se posicionar, de falar sobre os seus sentimentos, um programa temático que se concentra em questões sentimentais do humano em geral, mas especificamente dos jovens”, explicou o professor.

Para a aluna Sthefany Karoline Goes Santana, as atividades têm um grande impacto na vida dos adolescentes. “Eu acho importante porque a maioria das pessoas que sofrem com depressão e têm tendência suicida, elas não procuram ajuda abertamente. Então, um debate, uma atividade, levam essa pessoa a tomar uma atitude de procurar uma ajuda. Ela se sente acolhida”, disse.

De acordo com o professor, os alunos sempre manifestam confiança, melhoram, inclusive, o desempenho na escola. “Eles melhoram entre si como amigos, eles dão valor a essa questão da amizade e eu acho que esse programa reforça essa ideia de amizade, de confiança entre eles, de fidelidade, esses valores que para eles é muito difícil de entender”, disse. Além dos debates e rodas de conversa, Dalmo é criador do blog minicursocvv.blogspot.com , que concentra informações para propagar a atividade desenvolvida por ele. “O objetivo é que mais pessoas conheçam, participem e articulem essas ações e com o blog eu consigo explicar como realizar a atividade na escola ou em qualquer lugar”, disse.

O educador é voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV) há 30 anos, é autor dos livros “CVV, 50 anos ouvindo pessoas” e Estação Amizade – Dez jovens tentados ao suicídio”, ficção voltada para o público jovem e base do programa de ajuda emocional. Atua como voluntário do CVV desde 1980 e atualmente é membro do Conselho Diretor do Centro de Valorização da Vida.

Fonte: Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. 



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V

OS BAIRROS DA COMPANHIA CITY


Abertura da avenida Pacaembú nos anos 1938. Na imagem, a Praça Charles Miller e arredores do bairro do Pacaembu em 1938, ano da inauguração Avenida Pacaembu, o trecho completo só seria concluído vinte anos depois.
1938 - Ano da inauguração do primeiro trecho Avenida Pacaembu, entre a Praça Charles Miller e a Rua das Palmeiras (atual General Olímpio da Silveira).
1942 - Após a inauguração do Viaduto Gen. Olímpio da Silveira, a avenida foi estendida até as imediações das ruas Lavradio e Margarida.
1945 - A avenida foi prolongada até as proximidades da Estrada de Ferro Sorocabana, junto à antiga Estação Barra Funda.
1958 - Com a construção do viaduto sobre a estrada de ferro, a última parte da avenida foi concluída, chegando até a Ponte da Casa Verde. O Estádio do Pacaembu seria inaugurado dois anos após essa foto.

Fonte: Amao SP Fotos Antigas. Valmir Almeida. 
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A Companhia City é a empresa fundada em 1912 com o nome de "City of São Paulo Improvements and Freehold Land Company Limited" que participou ativamente do processo urbanístico da cidade de São Paulo.
A cia. foi fundada em 1912 com o nome de "City of São Paulo Improvements and Freehold Land Company Limited", a Companhia City, como ficou conhecida, urbanizou vários bairros importantes de São Paulo, como o Jardim América, Anhangabaú, City Butantã, Alto da Lapa, City América, Planalto Paulista, Alto de Pinheiros e Pacaembu. Além disso projetaram o loteamento City Bussocaba, na cidade de Osasco. Os urbanistas ingleses Barry Parker e Raymond Unwin foram contratados para o projeto de um bairro que ficaria conhecido como Jardim América.

Previamente a isso a Cia. City havia adquirido duas áreas que totalizavam aproximadamente 960.000 m² e localizadas na antiga Chácara Bela Veneza e na Freguesia da Consolação que eram áreas inóspitas e inundadas em boa parte do ano por estarem situadas na várzea do Rio Pinheiros. A partir da década de 1970 retomou suas atividades de urbanização iniciando por cidades do Estado de São Paulo implantando os loteamentos Nova Piracicaba na cidade de Piracicaba, Parque do Martim Cererê na cidade de São José dos Campos, Campos Elísios na cidade de Taubaté, City Ribeirão na cidade de Ribeirão Preto, City Barretos na cidade de Barretos, City Figueiras na cidade de Blumenau em Santa Catarina e retornando a cidade de São Paulo na década de 1980 implantando os loteamentos Parque das Nações Unidas, City América I , City América II e Jardim dos Pinheiros todos na zona norte da capital de São Paulo.

Todos estes projetos e sua implantação tiveram as autorias dos Engenheiros Victor Malamud, João Pereira de Castro, Kerginaldo da Siva e Pedro Ernesto Francisco Py. Todos trabalhando com a mesma filosofia que deu origem a esta empresa e que a tornou a referencia de urbanização na cidade e estado de São Paulo e em alguns outros estados.




Projeto de doação da área para construção do Estádio do Pacaembu em 1935, pela Companhia City. A construção das vias já era prevista no projeto do estádio, elaborado por Domício Pacheco, do escritório técnico Ramos de Azevedo - Severo & Villares. Também informa que a prefeitura, como beneficiária, comprometeu-se a erguer um estádio para ao menos 50 mil pessoas e com valor mínimo de quatro mil contos de réis.

Também foi acordado na escritura o calçamento, em asfalto, da avenida Pacaembu, de uma praça diante do complexo esportivo e das ruas Itápolis, Itatiara, Itapecuá, 9A e 32A. Com isso, nota-se a visão empreendedora da Cia. City em doar os terrenos ao poder público. Apesar de abrir mão de uma área do bairro, a empresa se beneficiou dos melhoramentos que a prefeitura fez no Pacaembu, os quais valorizaram a região e facilitaram a venda dos lotes.

Empreendimento da Cia. City no Butantã no início do século XX.


A partir da década de 1970 retomou suas atividades de urbanização iniciando por cidades do Estado de São Paulo implantando os loteamentos Nova Piracicaba na cidade de Piracicaba, Parque do Martim Cererê na cidade de São José dos Campos, Campos Elísios na cidade de Taubaté, City Ribeirão na cidade de Ribeirão Preto, City Barretos na cidade de Barretos, City Figueiras na cidade de Blumenau em Santa Catarina e retornando a cidade de São Paulo na década de 1980 implantando os loteamentos Parque das Nações Unidas, City América I , City América II e Jardim dos Pinheiros todos na zona norte da capital de São Paulo. Todos estes projetos e sua implantação tiveram as autorias dos Engenheiros Victor Malamud, João Pereira de Castro, Kerginaldo da Siva e Pedro Ernesto Francisco Py. Todos trabalhando com a mesma filosofia que deu origem a esta empresa e que a tornou a referencia de urbanização na cidade e estado de São Paulo e em alguns outros estados.


Pacaembú Como a maioria dos bairros paulistanos, formou-se do loteamento de diversas propriedades rurais originadas com os jesuítas. Uma delas era o Sítio do Pacaembu. Com o passar dos anos, o sítio isolado coberto por vegetação foi subdividido em pequenas chácaras majoritariamente cultivadoras de chá. Entre o bairro de Pinheiros e do futuro Pacaembu, foi criado, em 1887, o Cemitério do Araçá, importante necrópole do município, que abriga os mausoléus da elite paulistana. No ano de 1912, a empresa inglesa City of São Paulo Improvements and Freehold Company Limited adquiriu terrenos na cidade. Uma dessas áreas seria o futuro bairro do Pacaembu. A empresa anunciava a criação de bairros baseados nos princípios básicos da garden-city, causando alvoroço entre os paulistanos. Pelo fato de o bairro se situar em um vale, a City enfrentou diversos desafios, como o terreno acidentado e dificuldades de logística e transportes, onde eram utilizados burros de carga.Pelo fato de ser um plano arquitetônico ambicioso, nunca visto na cidade e bem maior do que o pioneiro Jardim América, foi embargado de início pela Câmara Municipal. Com a aprovação dos órgãos municipais, o projeto foi retomado em 1925, quando a Cia. City começou o loteamento e a urbanização da região. As primeiras modificações na região foram a canalização do ribeirão Pacaembu, a formação da primeira via do bairro, a Avenida Pacaembu, além da drenagem e aterramento de grandes áreas.

Em 1935, a empresa inglesa doou, ao poder público, um terreno 75 000 metros quadrados para a construção do Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho (mais conhecido por seu nome antigo, Estádio Municipal do Pacaembu). Projetada pela Companhia Severo e Villares, a obra foi concluída em 1938, sendo inaugurada em 27 de abril de 1940, com a presença do então presidente da república, Getúlio Vargas, o qual foi recebido por estrondosa vaia pelos paulistas. Na época, era o maior estádio da América Latina. Quatro anos mais tarde, uma parte significativa dos terrenos do bairro fora comprada, tornando-se um dos endereços preferidos da alta sociedade paulistana. A partir da década de 1970, algumas de suas vias ganharam caráter comercial e de serviços, caso da Avenida Pacaembu. No ano de 1991, foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico, devido à intensa arborização das ruas e praças públicas, à grande área de solo permeável e a sua baixa taxa de densidade populacional. Este decreto evitou alterações em suas vias e modificações na estrutura das edificações, dentre outras minuciosas especificações.



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OS CLUBES E SUAS ÉPOCAS

Baile de debutantes no Aristocrata, clube fundado no Grajaú no início dos anos 1960

Entre 1821 e 1924 foram fundados cerca de 100 clubes reunindo em suas sedes as mais diversas categorias e segmentos da sociedade brasileira. O primeiro clube a ter as característica dessas agremiações, isto é, registro formal, sede, sócios, diretoria constituída, estatutos e atividades ofertadas de forma aberta ou privativa, foi o clube Sociedade Germânia, no Rio de Janeiros fundado em 20 de agosto de 1821. Em São Paulo essa tendência teve praticamente as mesmas características de formação e organização. Com a mudança de costumes, os espaços e hábitos ocupados e oferecidos pelo clubes foram afetados tendo suas sedes transformadas em novos empreendimentos, geralmente imobiliários.

Esse hábito essencialmente europeu foi amplamente difundido em todos os continentes onde se instalavam os negócios desenvolvidos pela nações industrializadas, quase sempre apoiadas pelo sistema financeiro já bem desenvolvido e em franca expansão na época. O caráter étnico estrangeiro, bem como o regional, foi marcante também na formação dos clubes paulistano e paulistas, funcionando como pontos de referência cultural e das tradições desses grupos, dos mais simples aos mais sofisticadas.  Na medida em que a cidade foi crescendo e atraindo essa diversidade populacional os clubes vão surgindo e se espalhando nos seus respectivos territórios.  

O clube torna-se então a organização social perfeita e privativa para reunir pessoas de interesses afins, substituindo e aprofundando os negócios políticos e econômicos. Nele o entrelaçamento era mais amplo e permitia a participação de familiares. Enquanto a sociedade urbana se caracterizava pela dispersão e isolamento, os clubes, como as igrejas e  estabelecimentos comerciais, funcionavam como pontos agregadores. Mesmo rompendo os limites urbanos, surgindo no campo e na praia, os clubes continuaram sendo referência  de organização mais utilizada pelos grupos, sempre combinando lazer, cultura e negócios. 

Além dos serviços comuns de bar, restaurante, são de beleza para homens e mulheres, os clubes eram também centros esportivos, atraindo aficionados em diversas modalidades, desde o simples jogos de cartas até as grande competições das inúmeras modalidades atléticas, consideradas mais abrangentes aos sócios de todas a idades. 

O contato social promovido pelos clubes era o alimento da civilidade e da cultura dos seus fundadores, difundindo e reforçando hábitos, costumes e também ideias. As reuniões festivas e de lazer, que antes eram restritas aos lares e igrejas, expandiram imensamente com a criação dos clubes , de todos os tamanhos, características e objetivos. Esse fenômeno essencialmente urbano e burguês teve um papel fundamental no desenvolvimento das cidades e seus segmentos. 

São Paulo, 1958: Baile de Debutantes do Clube Atlético Paulistano. 



Muitos clubes tiveram existência efêmera e muitos outros ultrapassaram a marca secular de funcionamento. Os primeiros clubes de São Paulo, por exemplo, tinham ao mesmo tempo suas instalações em pontos centrais da cidades e também áreas periférica, mais próximas da natureza, como foi os caso dos que tinha atividades esportivas aquáticas. 

A maioria dos estádios de futebol, públicos ou privados, surgiram em regiões afastadas do centro por causa da disponibilidade de áreas mais amplas de baixo custo na época da suas fundações. Com o passar dos anos, essas sedes de campo tiveram seus entornos ocupados por bairros e vilas de moradias e também de empresas de grande porte, como as fábricas. 

 Mesmo centenários e atingidos pelas sucessivas mudança de costumes, muitos clubes resistiram ao tempo se renovando e reinventando suas atividades.

Será que os clubes vão resistir à redes sociais digitais?

È possível que sim, pois muitas atividades esportivas e sociais não perderam e nem vão perder suas característica presencial como as festas e práticas esportivas específica e que exigem espaços físicos.


O Ilha Porchat Club na Praia do Itararé em São Vicente nos anos nos anos 1980. O clube fundado por veranistas paulistanos e  do litoral nos anos 1960 e ficou famoso pelo baile "Uma Noite nos Mares do Sul", transmitido pela TV Bandeirantes. Hoje está desativado e pode ser demolido para dar lugar a um empreendimento imobiliário. 


OS CLUBES PAULISTAS MAIS ANTIGOS


Desportistas do Clube de Regatas Tumiarú em foto de de 1925 em São Vicente. Fundado 20 anos antes, sua sede náutica original foi cedida ao governo do estado para a construção da Ponte Pênsil em 1910. Existe até hoje com sede social no centro da cidade e uma sede náutica próxima ao antigo Porto da Naus.


Nessa lista de clubes mais antigos do Brasil encontramos dezenas de agremiações da Capital, interior e litoral. O número que antecede a data de fundação e sua identificação representa a sua posição no ranking nacional de antiguidade:  


4 16/07/1857 CLUBE SEMANAL DE CULTURA ARTÍSTICA / SP

14 12/06/1869 CLUBE XV DE SANTOS / SP

15 17/05/1870 CLUBE CONCÓRDIA / SP

20 14/03/1875 JOCKEY CLUBE DE SÃO PAULO / SP

23 19/09/1877 JOCKEY CLUB CAMPINEIRO / SP

28 01/03/1882 CLUBE ARARAQUARENSE / SP

37 08/09/1885 CLUBE OITO DE SETEMBRO / SP

45  15/08/1889 SANTOS ATLÉTICO CLUBE / SP

47 3/05/1888 CLUBE ATLÉTICO SÃO PAULO / SP

54 03/04/1893 CLUBE REGATAS SANTISTA / SP

62 06/01/1895 CENTRO ESPANHOL E REPATRIAÇÃO DE SANTOS / SP

64 18/04/1895 SOCIEDADE RECREATIVA ESPORTIVA PINHALENSE / SP

72 29/06/1896 CLUBE UNIÃO RECREATIVO / SP

74 05/08/1896 GRÊMIO RECREATIVO DOS EMPREGADOS DA CIA PAULISTA DE ESTRADA DE FERRO-RIO CLARO / SP

75 27/08/1896 CLUBE ATLÉTICO CAMPINAS / SP

78 01/08/1897 CLUBE RECREATIVO ATIBAIANO / SP

80 22/08/1897 SOCIETÁ ITALIANA DE SANTOS / SP

84 24/05/1898 CLUBE INTERNACIONAL DE REGATAS / SP

90 07/09/1899 ESPORTE CLUBE PINHEIROS / SP

91 01/11/1899 CLUBE ESPERIA / SP

98 11/08/1900 ASSOCIAÇÃO ATLÉTICA PONTE PRETA / SP

99 15/11/1900 GRÊMIO RECREATIVO 

DOS EMPREGADOS DA CIA PAULISTA DE ESTRADA DE FERRO / SP

100 30/11/1900 CLUB ATHLÉTICO PAULISTANO / SP

101 01/01/1901 SÃO PAULO GOLF CLUBE / SP

103 21/04/1901 SOCIEDADE FILARMÔNICA PIETRO MASCAGNI / SP

104 13/05/1901 SOCIEDADE BENEFICENTE CLUBE 13 DE MAIO / SP

109 16/01/1902 SOCIEDADE BENEFICENTE SÍRIA LIBANESA / SP

110 02/02/1902 ASSOCIAÇÃO DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO DE TAUBATÉ / SP

113 18/02/1902 GRÊMIO PAULISTA DE JAÚ / SP

12/06/1902 CLUBE DE XADREZ DE SÃO PAULO / SP

123 14/07/1903 CLUBE RECREATIVO SALDANHA DA GAMA / SP

133 19/07/1905 CLUBE RECREATIVO BENEFICENTE DE CONCHAS / SP

Foto dos remadores José Ferreira de Andrade e  e Antônio Rocha, do Clube de Regatas Tumiaru, de São Vicente-SP, publicada em 1938 na capa da revista argentina El Gráfico, quando da sua chegada em Buenos Aires 

134 22/12/1905 CLUBE DE REGATAS TUMIARU / SP

138 10/07/1906 CLUBE ATLÉTICO YPIRANGA / SP

144 01/09/1907 CLUBE ATLÉTICO PIRASSUNUNGUENSE / SP

147 07/09/1908 ESPORTE CLUBE PALMEIRENSE / SP

152 21/01/1909 ASSOCIAÇÃO ROCINHENCE DE FUTEBOL / SP

155 09/05/1909 RIO CLARO FUTEBOL CLUBE / SP

156 15/05/1909 ASSOCIAÇÃO DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO DE FRANCA / SP

157 17/05/1909 PAULISTA FUTEBOL CLUBE / SP

159 12/09/1909 CLUBE RECREATIVO DE CRAVINHOS / SP

164 26/04/1910 GRÊMIO LITERÁRIO E RECREATIVO DE BARRETOS / SP

165 13/05/1910 ASSOCIAÇÃO ATLÉTICA ORLÂNDIA / SP

166 28/08/1910 ASSOCIAÇÃO ESPORTIVA VELO CLUBE RIOCLARENSE / SP

167 01/09/1910 ESPORTE CLUBE NOROESTE / SP

168 01/09/1910 SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA / SP

169 25/09/1910 ESPORTE CLUBE UNIÃO / SP

173 02/04/1911 GUARANI FUTEBOL CLUBE / SP

174 13/04/1911 CÍRCULO ITALIANO SAN PAOLO / SP

176 30/04/1911 JABOTICABAL ATLÉTICO / SP

179 08/07/1911 RIBEIRÃO PIRES FUTEBOL CLUBE / SP

180 31/07/1911 SOCIEDADE HÍPICA PAULISTA / SP

183 10/10/1911 COMERCIAL FUTEBOL CLUBE / SP

185 14/04/1912 SANTOS FUTEBOL CLUBE / SP

191 13/08/1912 PORTO FERREIRA FUTEBOL CLUBE / SP

204 14/04/1913 CLUBE SÃO JOÃO / SP

205 04/05/1913 TÊNIS CLUBE DE CAMPINAS / SP

211 15/08/1913 ASSOCIAÇÃO ESPORTIVA SÃO JOSÉ / SP

212 18/08/1913 1º DE MAIO FUTEBOL CLUBE / SP

213 21/08/1913 BRASIL FUTEBOL CLUBE / SP

214 04/09/1913 RIO BRANCO ESPORTE CLUBE DE AMERICANA / SP

216 05/10/1913 ASSOCIAÇÃO ATLÉTICA INTERNACIONAL DE LIMEIRA / SP

220 15/11/1913 ESPORTE CLUBE XV DE NOVEMBRO / SP

225 19/03/1914 RIO PARDO FUTEBOL CLUBE / SP

233 26/07/1914 ASSOCIAÇÃO ATLÉTICA SÃO PAULO / SP

236 26/08/1914 SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS / SP

237 03/09/1914 CRUZEIRO FUTEBOL CLUBE / SP

240 01/11/1914 ESPORTE CLUBE TAUBATÉ / SP

241 14/11/1914 UNIÃO AGRICOLA BARBARENSE FUTEBOL CLUBE / SP

242 15/11/1914 JABAQUARA ATLETICO CLUBE / SP

266 21/04/1918 ASSOCIAÇÃO ATLÉTICA BOTUCATUENSE / SP

267 28/04/1918 CLUBE CAMPINEIRO DE REGATAS E NATAÇÃO / SP

269 12/10/1918 BOTAFOGO FUTEBOL CLUBE / SP

270 12/10/1918 CAPIVARIANO FUTEBOL CLUBE / SP

275 01/05/1919 BAURU ATLETICO CLUBE / SP

280 18/09/1919 BATATAIS FUTEBOL CLUBE / SP

283 13/05/1920 RIO PRETO AUTOMOVEL CLUBE / SP

285 14/08/1920 ASSOCIACAO PORTUGUESA DE DESPORTOS / SP

291 22/04/1922 BONFIM RECREATIVO E SOCIAL / SP

292 11/03/1923 BANDEIRANTE ESPORTE CLUBE / SP

293 25/03/1923 SAMPAIO CORRÊA FUTEBOL CLUBE / MA

294 21/04/1923 ASSOCIAÇÃO ATLÉTICA BARRA BONITA / SP

300 12/01/1924 PALMEIRAS FUTEBOL CLUBE / SP

302 20/04/1924 CLUBE ATLÉTICO JUVENTUS / SP

308 26/08/1924 CLUBE ATLÉTICO PARQUE DA MOOCA / SP

309 07/09/1924 CASTANHAL ESPORTE CLUBE / PA

310 15/11/1924 ESPORTE CLUBE XV DE NOVEMBRO / SP

Fonte: Federação Nacional dos Clubes. Atualizado em julho de 2024


O FUTEBOL PAULISTA E SEUS ESTÁDIOS



Charles William Miller (São Paulo, 24 de novembro de 1874 – 30 de junho de 1953) foi um esportista brasileiro, considerado o "pai" do futebol e do rugby no Brasil.


Filho de um pai escocês chamado John d'Silva Miller, que veio ao Brasil para trabalhar na São Paulo Railway Company, e uma mãe brasileira de ascendência inglesa chamada Carlota Antunes Fox, nasceu perto da estação ferroviária da mesma companhia em São Paulo. Aos dez anos, foi estudar na Inglaterra. Desembarcou em Southampton, no sul das ilhas britânicas, e aprendeu a jogar futebol na Bannister Court School. Atuando como jogador, árbitro e dirigente desde o princípio - e mais tarde apenas nas duas últimas funções - foi um entusiasta do desporto em geral, sendo também fundador da Associação Paulista de Tênis, com sede, inicialmente, em Sorocaba.


Hans Nobiling trouxe para o Brasil diversos 'apetrechos' para jogar futebol
Centro Pró-Memoria Hans Nobiling



Sem sombra de dúvidas Charles Miller, ao lado de Hans Nobiling, Arthur Friedenreich, Fritz Essenfelder, Hermann Friese, Oscar Alfredo Cox, Belfort Duarte (entre outros) foi um dos grandes propagadores do futebol no Brasil. Além de ser um dos principais nomes responsáveis pela disseminação do futebol no Brasil, Charles Miller também foi um dos responsáveis por introduzir o polo aquático no Brasil. Neste último esporte, porém, não obteve o mesmo incentivo e apoio que obteve ao difundir o futebol. Assim, perdeu-se o interesse e o foco no polo aquático, que mais tarde viria a ser impulsionado novamente por Flávio Vieira.


Os fundadores da Liga Paulista de Futebol. Da esq. p/ dir.: (Sentados) Antônio Casemiro da Costa, ex-capitão do Internacional; Charles Miller, fundador do São Paulo Athletic; Hans Nobiling, do Germania e Ibañes Salles do Paulistano

Da dir. p/ esq. (Em pé) Hermann Friese,grande jogador do Germania; Artur Friendereich, um dos maiores jogadores do Brasil; Dr. Jessei, do Mackenzie; Leopoldo Villa Real, fundador do Internacional; José Sobral (Gazuza), jogador do Internacional e Paulo Varzea, jornalista
Centro Pró-Memoria Hans Nobiling.


Hans Nobiling ao centro, de bigode, junto com o primeiro time de futebol do Germânia em 1899
Centro Pró-Memoria Hans Nobiling


***

Em 1884 ele foi mandado para uma escola pública em Hampshire, na Inglaterra, onde aprendeu a jogar futebol, rugby e críquete. Enquanto estava nesta escola, jogou por eles contra os times Corinthians Team e o de St. Mary's. Retornou ao Brasil em 18 de fevereiro[ de 1894 para trabalhar na São Paulo Railway (posteriormente Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (EFSJ), como seu pai, tornando-se também correspondente da Coroa Britânica e vice-cônsul inglês em 1904. Trouxe na bagagem duas bolas usadas, um par de chuteiras, um livro com as regras do futebol, uma bomba de encher bolas e uniformes usados. No dia 14 de abril de 1895, na Várzea do Carmo, no Brás, em São Paulo, foi realizada a primeira partida de futebol do Brasil, disputada de forma organizada, entre os funcionários da Companhia de Gás de São Paulo (São Paulo Gaz Company) e da Companhia Ferroviária de São Paulo (São Paulo Railway Company) onde o São Paulo Railway, o time de Charles Miller, venceu por 4–2.[6]


Charles Miller no St. Mary's (Southampton F.C.) -1893-94

Miller foi fundamental na montagem do time do São Paulo Athletic Club (SPAC) e a Liga Paulista de Futebol, a primeira liga de futebol no Brasil. Com ele como artilheiro, o SPAC ganhou os três primeiros campeonatos em 1902 de 1903 e 1904. Jogou no clube até 1911, quando ganhou sua última Liga Paulista. Depois disso, no ano seguinte ele se aposentou e começou a atuar como árbitro.

Foi casado com Antonieta Rudge, uma das grandes pianistas brasileiras de prestígio internacional, cuja descendência ficou conhecida como Família Rudge Miller. Esta, no entanto, o abandonou na década de 1920 para viver com o poeta Menotti Del Picchia. Sua biografia foi relatada pela primeira vez pelo historiador John R. Mills, em um livro traz detalhes da carreira, do casamento, do time de coração, dos negócios, da família de Miller.

Títulos: SPAC. Campeonato Paulista: 1902, 1903, 1904, 1911
Artilharia: Charles Miller foi artilheiro do Campeonato Paulista de Futebol em duas ocasiões. No Campeonato Paulista de 1902 e no Campeonato Paulista de 1904 (junto ao companheiro de São Paulo Athletic Herbert Boyes). Campeonato Paulista de 1902: 10 gols.Campeonato Paulista de 1904: 9 gols
Logradouro. Posteriormente, passou a dar nome à praça onde fica o Estádio do Pacaembu, em São Paulo, a Praça Charles Miller.


Estádio  do Pacembú. 
Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, mais conhecido por Estádio do Pacaembu ou simplesmente Pacaembu, é um estádio desportivo localizado na praça Charles Miller, no final da avenida Pacaembu, no bairro do Pacaembu,[na zona central da cidade de São Paulo, no Brasil. Foi inaugurado na década de 1940 com capacidade para 70 mil espectadores e, na época, era considerado o mais moderno estádio da América do Sul. Também abriga o Complexo Esportivo do Pacaembu, que contém estruturas para atividades físicas variadas. Ali também está o Museu do Futebol.  Foi um dos principais palcos da Copa do Mundo de 1950. O estádio foi tombado pelo CONDEPHAAT, em 1998, em virtude de seu estilo Art Déco, característico da época em que foi construído.[Textos e imagens da Wikipedia]

Início da construção do Estádio do Pacaembu no final dos anos 1930

Inauguração do Estádio do Pacaembu, em 27 de abril de 1940. Mídia sob a guarda do Arquivo Nacional.

Vista da Praça Charles Miller  e do Estádio Paulo Machado de Carvalho, popular Pacaembu, em fotografia de meados da década  de 1960. São Paulo Antiga. 

OS ESTÁDIOS CANINDÉ, PARQUE ANTÁRTICA, MOOCA


Antigo estádio da Portuguesa de Desportos no Canindé. 


Novo estádio da Portuguesa. Em 1956, a Portuguesa adquiriu o imóvel no bairro do Canindé, do seu proprietário, Wadih Sadi,[5] um sócio do São Paulo, que comprara o imóvel do próprio clube, que usou o dinheiro nas obras do Estádio do Morumbi. No local havia apenas uma pequena infraestrutura, que incluía um campo para treinos, um pequeno salão, vestiários e outras dependências de treinamento. Para que pudessem ser realizadas partidas oficiais no local e atender às exigências da Federação Paulista de Futebol, foram realizadas várias reformas, levantados alambrados e uma arquibancada provisória de madeira. Estas primeiras arquibancadas acabaram conferindo ao estádio o apelido carinhoso de "Ilha da Madeira" — título que, além de ser alusivo à condição da edificação, também se refere à ilha portuguesa, tendo as suas arquibancadas de madeira existido até 1962. Com tais características, o Canindé recebeu sua primeira partida oficial em 11 de novembro de 1956, quando a Portuguesa venceu um combinado dos rivais Palmeiras e São Paulo por 3 a 2. Nelsinho do São Paulo fez o primeiro gol desta partida no estádio ainda de madeira. Com o nome de Estádio Independência, o Estádio do Canindé foi inaugurado oficialmente em 9 de janeiro de 1972, com a partida Portuguesa 1×3 Benfica.[7] Nessa inauguração oficial o estádio já contou com arquibancadas de concreto, mas sua capacidade ainda era de apenas dez mil espectadores. O árbitro foi Oscar Scolfaro, com gols de Vitor Batista, Jordão, Marinho Peres (pênalti) e Simões (pênalti). A Portuguesa jogou com Aguilera, Deodoro, Marinho Peres, Calegari e Fogueira; Lorico e Dirceu (Luís Américo); Ratinho (Xaxá), Cabinho, Basílio e Piau; o Benfica, com José Henrique, Da Silva, Messias, Rui Rodrigues e Adolfo; Toni e Vitor; Nenê (Artur), Vítor Batista, Jordão e Simões. Em 1979, o presidente Manuel Mendes Gregório rebatizou o estádio com o atual nome de Estádio Dr. Oswaldo Teixeira Duarte, homenageando seu predecessor na presidência do clube.[8] A capacidade total foi ampliada para 28.500 espectadores sentados. Anteriormente à construção deste estádio, porém, foi encomendado ao arquiteto João Batista Vilanova Artigas (que já havia projetado o Estádio do Morumbi na década anterior) um estudo para o estádio-sede do clube, no mesmo local. Este estudo — caracterizado por arquibancadas triangulares e por estar aberto às marginais —, porém, foi descartado em favor do projeto que constitui o atual estádio.[Textos e imagens da Wikipedia]


O Canindé e o rio Tietê na de década de 1940


O Estádio Palestra Itália, também conhecido popularmente como Parque Antarctica, foi o primeiro estádio de futebol pertencente à Sociedade Esportiva Palmeiras, localizado no distrito da Barra Funda, na zona oeste da cidade. No final do século XIX, a Companhia Antarctica Paulista criou o Parque da Antarctica, um espaço de lazer de trezentos mil metros quadrados para seus funcionários, próximo à fábrica, contendo uma vasta área verde (com um pequeno lago, coreto e bosques), parque infantil, restaurantes, choperia e áreas para a prática esportiva (incluindo pistas de atletismo, quadra de tênis e um dos primeiros campos de futebol da cidade). Com a chegada e a expansão do futebol, esse espaço passou a ser cada vez mais requisitado, e a empresa aproveitou a oportunidade ao alugar o campo de futebol para pequenos clubes da cidade no início do século XX. Além de se tornar um dos principais campos para a prática do futebol, o parque era referência para uma série de eventos ao ar livre, como exibições de boxe e até corrida de automóveis. Em julho de 1908, sediou a primeira corrida automobilística disputada na América do Sul, o "Circuito de Itapecerica", que terminou com vitória do paulista Sílvio Penteado. Em 1920, o América afundou-se em problemas financeiros e acabou extinto. Em meio a isso, o Palestra Italia efetuou a compra do terreno, incluindo não apenas o estádio, mas também todas as outras instalações esportivas, pelo valor total de 500 contos de réis, sendo 250 contos à vista e outras duas parcelas anuais de 125 contos cada, além de um contrato perpétuo de venda dos produtos da Companhia Antarctica nas dependências do estádio. Na época, isso chegou a ser chamado de "A Loucura do Século", porque muitos duvidaram que o Palestra pudesse pagar as prestações, já que era um clube ainda com poucos anos de existência e poucos recursos. Realmente, em 1922 o Palestra Italia não tinha condições de pagar a última parcela, e a solução foi vender uma parte do terreno para as Industrias Matarazzo (o terreno onde hoje existe um shopping center). O Estádio Palestra Italia (assim como o atual Allianz Parque, hoje) era considerado um dos estádios mais acessíveis da capital paulista (assim como o Pacaembu). Localizado na Rua Turiaçu, 1840, no bairro da Água Branca (limite entre os bairros da Barra Funda e de Perdizes), no chamado "centro expandido" da cidade de São Paulo, ficava às margens das linhas 7 e 8 do Trem Metropolitano de São Paulo (antigas Estrada de Ferro Santos Jundiaí e Estrada de Ferro Sorocabana, respectivamente) e do Metrô, com as estações Palmeiras–Barra Funda e Água Branca.

Instalações do estádio do Palestra Itália no início do século XX

JUVENTUS DA RUA JAVARI



De Alameda Javry à Rua Javari – o estádio do Juventus na Mooca. O estádio e o clube mais tradicionais da capital paulista.

Orra meu, o começo de tudo! A história começa na fábrica de manufatura de tecidos da Família Crespi e seus dois times de futebol de várzea: o Extra São Paulo F.C., e o Cavalheiro Crespi F.C. Da união dos dois times, surgiu o Cotonifício Rodolfo Crespi F.C. em 20 de abril de 1924, mantendo as cores do Extra e a sede social do Cavalheiro, na Rua dos Trilhos, no antigo nº 42. O dono da fábrica de tecidos, o imigrante italiano Cavalheiro Rodolfo Crespi, em um gesto de profunda gratidão, deu ao clube que carregava o nome de sua família e de sua fábrica, um espaço para que o futebol, que nessa época começava a se popularizar na cidade, pudesse ser jogado em melhores condições. O terreno cedido pelo Cavalheiro, que era usado como cocheira de cavalos, era amplo e estava situado na Alameda Javry, nº 117 – hoje Rua Javari. Naquele momento, mesmo que ainda não existisse, o Clube Atlético Juventus já era um pequeno bebê, dando seus primeiros passos.

O papel do Conde Rodolfo Crespi.. Simplesmente, o nome mais influente do clube, cedeu o espaço para jogo, que hoje é o estádio da Rua Javari. Antes de ser Juventus, o clube levava o nome do Conde, e se o Cotonifício Rodolfo Crespi se tornou Clube Atlético Juventus, foi por influência do Conde. Em uma assembleia realizada buscando melhorias para o clube, para que o futebol se tornasse algo muito mais sério do que já era ali, foi decidido que o nome da agremiação seria mudado, bem como suas cores. O Conde Rodolfo Crespi havia feito uma viagem à sua terra natal, Itália, e lá acompanhou uma partida de futebol entre Juventus e Torino, jogo conhecido como o Clássico de Turim. Encantado com a peleja e com os dois times, ele deu a ideia de homenagear esses dois clubes na nova agremiação que estava para ser criada da zona leste de São Paulo. Juntaram o nome do Juventus Football Club, e as cores grená do Torino Football Club. Nasceu de vez, no dia 19 de fevereiro de 1930, por intermédio do Conde, o Clube Atlético Juventus. Rodolfo Enrico Crespi foi um dos maiores industriários paulistanos do século XX, e o sucesso do italiano em terras tupiniquins rendeu a ele duas honrarias do Rei da Itália na época, Vítor Emanuel II: em 1907 recebeu o título de Cavalheiro pela Ordem de Mérito do Trabalho e em 1928, recebeu o título de Conde. Sua esposa era a Condessa Marina, e eles juntos tiveram quatro filhos: os Condes Raul, Dino e Adriano, e a Condessa Renata. O filho Adriano Crespi seguiu os passos do pai no Juventus, e foi o segundo presidente da história do clube. Todos esses feitos tornaram o Conde Rodolfo Crespi um ídolo do clube e da torcida. Eterno e imortalizado. Além de ter sido o primeiro presente do Juve, ele ganhou o título de Presidente Honorário Perpétuo, e o estádio do time leva o seu nome: Estádio Conde Rodolfo Crespi, o Templo da Rua Javari. PMSP


Há seis décadas, Pelé, com seus 19 anos, surpreendeu cerca de 10 mil espectadores presentes na Rua Javari em um jogo entre Santos e Juventus, pelo Campeonato Paulista de 1959. Naquele 2 de agosto, o Rei do Futebol marcou o considerado gol mais bonito de sua carreira; veja no vídeo acima. Após receber passe de Dorval, o ex-atacante distribuiu quatro chapéis, incluindo um no goleiro Mão de Onça, e, de cabeça, estufou a rede do Moleque Travesso. Era o quarto gol do Peixe na partida, o terceiro de Pelé. Um golaço sem precedentes e que nunca mais foi reproduzido. O tento, apesar de histórico e de ser o preferido do Rei, carece de registros. Corpo e Ação . TV Tribuna-Globo


PARQUE SÃO JORGE E ARENA CORÍNTHIANS




Parque São Jorge, tradicionalmente conhecido como Fazendinha, é a sede social do Sport Club Corinthians Paulista. Está localizado no bairro do Tatuapé, na zona leste de São Paulo. São mais de 158 mil m² de área, que abriga o maior conjunto aquático brasileiro, bosques arborizados, ginásios poliesportivos, playground, quadras, espaços para eventos e completa estrutura para alimentação com restaurante e lanchonetes. Conta ainda com uma academia completa, locais para práticas desportivas e no Memorial com a exposição permanente de diversos materiais para ilustrar a paixão de toda uma nação, utilizando da tecnologia para transmitir a sua história singular. Além do Estádio Alfredo Schürig, utilizado pelas categorias de base de futebol masculino, futebol feminino e para jogos do time do Corinthians Steamrollers de Futebol Americano.


História da Arena Corinthians Estádio Itaquerão. Por várias décadas, dirigentes do Corinthians prometeram construir um novo estádio para o clube, já que o Estádio do Parque São Jorge (Estádio Alfredo Schürig) tem capacidade inferior a 18 mil espectadores. Uma das primeiras promessas foi anunciada em 1968, pelo então presidente Wadih Helu, de construir um estádio coberto para 135 mil pessoas. Mais tarde, ele afirmou que compraria o Pacaembu. Depois, lançou uma campanha de venda de alguns títulos patrimoniais e de carnê de prêmios com o objetivo de arrecadar recursos para a construção do “Corinthião”. Entre as décadas de 1950 e 1960, o presidente Vicente Matheus sonhava em construir um estádio para mais de 200 mil torcedores. Como o plano exigia uma grande área, Matheus solicitou à Prefeitura Municipal de São Paulo um terreno localizado em Itaquera, na zona leste de São Paulo, que à época era de propriedade da Cohab, e uma projeção de construir o estádio entre três a cinco anos. Em novembro de 1978, o pedido foi atendido pelo então prefeito Olavo Setúbal, que aprovou a concessão de uma área de 197 mil metros quadrados por 90 anos. Em 1988, a concessão foi renovada por 90 anos, com a condição de que qualquer construção feita na área devesse ser revertida para a cidade sem nenhum custo. Sem obter financiamento, o projeto de Matheus acabou sendo arquivado. Ainda na década de 1980, durante a Democracia Corintiana, o plano do presidente Waldemar Pires era cobrir e elevar a capacidade do estádio do Parque São Jorge para 41 mil lugares. O ídolo Sócrates chegou a fazer propaganda do lançamento da pedra fundamental do estádio em anúncio veiculado na Rede Globo. Durante a gestão de Alberto Dualib, novos projetos fracassaram. Em meados da década de 1990, a parceria com o Banco Excel previa a construção de um estádio às margens da Rodovia dos Bandeirantes ou da Ayrton Senna. Pouco depois, outra parceira do clube com a Hicks, Muse, Tate & Furst, que prometeu um estádio na região da Rodovia Raposo Tavares, zona oeste da capital paulista, com capacidade entre 40 e 50 mil lugares, para ser entregue até 2002. Com o novo fracasso, cogitou-se retomar algum projeto em Itaquera ou mesmo demolir o Estádio Alfredo Schurig e construir um novo no mesmo local. Na terceira parceria da gestão Dualib, com a Media Sports Investment, o iraniano Kia Jorabichian almejava comprar o Pacaembu, mas depois prometeu um estádio semelhante ao do Sporting de Lisboa, com capacidade para 55 000 pessoas, shopping center e estrutura para receber shows.

Após a era Dualib, novas ideias foram lançadas. Em 2007, foi formada a ONG Cooperfiel, por torcedores que tentavam arrecadar fundos para construção de um estádio através de doações e vendas de produtos, mas o plano fracassou. Já sob administração de Andrés Sanches, houve conversas para uma concessão do Estádio do Pacaembu em 2009, entre outros projetos.


Em 13 de agosto de 2010, o presidente Sanches revelou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo um novo projeto para um estádio corintiano. Entre quatro propostas diferentes, venceu o projeto para um estádio em Itaquera, na zona leste de São Paulo, com capacidade para 48 mil torcedores e um orçamento de 350 milhões de reais. Às vésperas da festa do centenário do clube, o projeto do novo estádio foi oficializado. Especula-se que o então presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva, corintiano assumido, tenha tido um papel fundamental ao pressionar a construtora Odebrecht a realizar a obra, embora o clube oficialmente desminta uma grande influência do ex-mandatário nacional.Construção. Após a assinatura do contrato com a construtora Norberto Odebrecht, as obras do novo estádio corintiano começaram oficialmente em 30 de maio de 2011 com a terraplanagem. Com 100 dias de trabalhos completados em 6 de setembro, a promessa era de que as obras da arena fossem concluídas em dezembro de 2013. Em dezembro, a arena recebeu as primeiras vigas de sustentação das arquibancadas. Nesse mesmo período, teve início a realocação de dutos da Petrobras que transportavam nafta e óleo combustível entre Santo André e Guarulhos, que foi um primeiro obstáculo na obra. Sua transposição foi finalizada em abril de 2012. Naquele mesmo mês, com 30% das obras concluídas, foram iniciados os trabalhos de assentamento de degraus da arquibancada superior leste. No início de outubro, as obras ultrapassaram a marca de 50% de conclusão.

Em abril de 2013, com mais de 70% das obras concluídas, o telão gigante passou pelo primeiro teste noturno e foi aprovado. No final de junho, a grama do estádio foi plantada e, dias depois, começou a nascer. Em julho, com mais de 82% das obras concluidas, os vidros da fachada do prédio oeste começam a ser instalados.

Em setembro, a obra atingiu 87% de conclusão, com o início da instalação das primeiras cadeiras na arquibancada inferior leste, a elevação das primeiras estruturas da cobertura e conclusão da demarcação oficial do campo. Em outubro, a arena chegou aos 90% de conclusão, com prédio leste pronto. Ao final de novembro, as obras estavam 95% concluídas quando um guindaste cedeu e acertou parte da arquibancada do estádio.

Após uma visita do secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, foi anunciado que o estádio alcançou 97% das obras concluídas ao fim de janeiro de 2014. Em 15 de abril, o estádio foi entregue simbolicamente ao Corinthians, embora com 98% das obras concluídas.
Conceito Arquitetônico
A Arena Corinthians tem um projeto único se comparado aos grandes estádios do mundo, com uma ideia que foge do lugar-comum. Sem seguir um conceito convencional, a casa alvinegra foi moldada em um formato retangular, que aproxima a torcida do campo de jogo e garante a visibilidade para todos os presentes. A sensação do torcedor é de estar muito perto do que está acontecendo no gramado.

O estádio corinthiano possui quatro setores – Norte, Sul, Leste e Oeste –, com duas grandes arquibancadas laterais. No lado leste, foi construído um enorme painel de LED, com 170 metros de largura e 20 metros de altura. Já no Oeste, há um painel de vidro formado por 1.350 peças, em uma área de 240 metros de comprimento por 30 metros de altura.

Abertura da Copa de 2014. A estimativa de que a abertura da Copa do Mundo FIFA de 2014 traria 30,75 bilhões de reais em 10 anos para o município de São Paulo, estimulou a cidade a sediar o jogo de abertura. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas estimou de 1 bilhão de reais em receita apenas para o jogo de abertura, como os 290 mil turistas são esperados para o evento.

Após o Estádio do Morumbi ser considerado inadequado pela FIFA, o comitê organizador local procurou alternativas e decidiu oferecer a Arena Corinthians para sediar o jogo de abertura da Copa do Mundo; a FIFA aceitou a sugestão e confirmou a decisão em 10 de outubro de 2011. Para sediar a partida de abertura foi necessário realizar modificações no projeto original, o que elevou o custo original de 335 milhões de reais para 1,07 bilhão de reais para atender aos requisitos da FIFA. Os cortes em custos em equipamentos, mobiliário e construção abaixou o preço. Além disso, devido a acordos da FIFA com o Brasil, todas as construções relacionadas com a Copa do Mundo não podem ser tributadas pelo governo federal brasileiro; o preço final acordado foi de 820 milhões de reais.

Um novo contrato foi assinado em 19 de julho de 2011, com a Odebrecht; 400 milhões de reais do total seriam financiados pelo BNDES e o restante de 420 milhões de reais em isenções fiscais concedidos pela cidade. Uma lei de 2007 declarou que esses créditos tributários podem ser usados por qualquer empresa que se estabelecer na região leste da cidade, oferecendo um crédito de sessenta centavos por cada real investido. A nova lei foi aprovada pelo câmara municipal da cidade para lidar especificamente com este estádio e reduzir os incentivos, vinculando a concessão dos créditos para sediar o jogo de abertura da Copa do Mundo e limitando a quantidade total de créditos de 420 milhões de reais.

O contrato de financiamento com o BNDES foi assinado em 29 de novembro de 2013, sob seu programa ProCopas, para as arenas da Copa do Mundo de 2014. A Caixa Econômica Federal é o agente de distribuição dos recursos. O custo estimado de construção não incluía as despesas de instalação das estruturas móveis exclusivas para a Copa do Mundo, que elevariam a capacidade bruta do estádio oficialmente para 67 349 lugares, com assentos disponíveis de 59 955. Em realidade, até poucos meses antes do início da Copa, houve divergências entre dirigentes corintianos e da Fifa sobre quem arcaria com essas despesas.

No dia 12 de junho de 2014, a expectativa e ansiedade do planeta bola chegaram ao fim com o início da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014. Com mais de 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo, e cerca de 60 mil in loco, a casa da Fiel recebeu a partida inaugural do torneio: Brasil e Croácia. Os croatas saíram na frente, com gol contra de Marcelo, mas os brasileiros viraram, com tentos de Neymar (2) e Oscar, e fecharam o placar em 3 a 1.

Na primeira fase, a Arena Corinthians ainda recebeu outras três partidas: Uruguai 2 x 1 Inglaterra, no dia 19; Holanda 2 x 0 Chile, no dia 23; e Coréia do Sul 0 x 1 Bélgica, no dia 26.

Antes de voltar a receber os jogos do Timão, a Arena Corinthians se despediu da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014 ao receber dois jogos épicos. No dia 1º de julho, pelas oitavas de final, a Argentina superou a Suíça no fim do segundo tempo da prorrogação ao anotar 1 a 0 com Di María.

No dia 09, o estádio corinthiano recebeu novamente a Seleção Argentina. Desta vez, na semifinal. Contra a Holanda, os argentinos suaram um pouco mais para vencer nos pênaltis (4 a 2), após empate no tempo normal e na prorrogação em 0 a 0. O recorde de público da Arena Corinthians pertence a este duelo: 63.267 pagantes.

MORUMBI


~Estádio do Morumbi, dois dias antes da inauguração total em 1970 (Arquivo Nacional)


Morumbi é o estádio do São Paulo Futebol Clube. Com capacidade para 66 795 pessoas, o Estádio Cícero Pompeu de Toledo, também conhecido como Estádio do Morumbi, foi inaugurado em 2 de outubro de 1960 ainda inacabado e sua primeira partida foi entre São Paulo Futebol Clube e Sporting Lisboa de Portugal, sendo a partida vencida pelos donos da casa pelo placar de 1 a 0. O gol dessa partida foi marcado pelo jogador Peixinho, que em um cruzamento, mergulhou para cabecear a bola próximo do chão. Desde então essa jogada ficou conhecida no Brasil como "gol de peixinho".  A inauguração total se deu em 25 de janeiro de 1970 em uma partida entre o Tricolor Paulista e o Porto, também de Portugal, que terminou empatada em 1 a 1, com gols de Vieira Nunes para o Porto e Miruca para o São Paulo. A capacidade total do estádio quando inaugurado era de 149 408 pessoas. O São Paulo Futebol Clube, mais conhecido como São Paulo FC ou simplesmente São Paulo, é um clube poliesportivo brasileiro da cidade de São Paulo, capital do estado homônimo. Foi fundado em 25 de janeiro de 1930, tendo interrompido suas atividades em maio de 1935, e as retomado em dezembro do mesmo ano.

Nos primeiros anos de sua existência, o São Paulo utilizou como sede e campo a Chácara da Floresta, (localizada à esquerda da Ponte das Bandeiras, junto ao rio Tietê, na zona central da capital paulista). Daí ser empregado o nome de São Paulo da Floresta quando se fala do primeiro período de existência da agremiação, de janeiro de 1930 até maio de 1935.

Quando o clube foi refundado em dezembro de 1935, não tinha um campo próprio, situação que perdurou até 1938, quando a união com o Estudante Paulista rendeu ao São Paulo a posse do campo da Mooca pertencente à Antárctica. Em 1940, passou a usar o Pacaembu. Em 1944, o São Paulo adquiriu o Canindé, por doze milhões de cruzeiros que passou a ser o seu campo. Mas o Canindé só era utilizado como sede social e local para treinamentos; a área era pequena para a construção de um grande estádio e então surgiram ideias e projetos para a viabilização de uma praça esportiva em algum outro local da cidade.

O sonho de construir um grande estádio começou a se tornar realidade. A ideia inicial era a área onde atualmente encontra-se o Parque do Ibirapuera, na época uma região alagada, mas o então vereador Jânio Quadros impediu que o clube recebesse a área da prefeitura. O local escolhido foi uma área na região do Morumbi, praticamente desabitado, que estava em processo de loteamento imobiliário.

Em 4 de agosto de 1952 o terreno foi doado para a construção do Morumbi pela Imobiliária e Construtora Aricanduva que era de propriedade de Adhemar Pereira de Barros, ex-governador de São Paulo na época. Neste mesmo ano, 1952, o presidente do clube, Cícero Pompeu de Toledo, procurou Laudo Natel, diretor do Bradesco, propondo-lhe que assumisse o clube administrativamente.

Em 1952, o governador do estado de São Paulo era Lucas Nogueira Garcez (31/1/1951 a 31/1/1955). Laudo Natel era diretor do Bradesco, não ex-diretor em 1952, e não tinha nenhum cargo político ou exercia algum, tampouco poderia ser vice-governador. Laudo Natel somente entrou para a política em 1962, dez anos depois, quando então elegeu-se vice-governador em chapa única pelo PR (Partido Republicano) com 1,2 milhão de votos. Tomou posse do cargo em 31 de janeiro 1963, e não era vice de Adhemar, e nunca foi, pois as eleições para governador e vice eram independentes à época. A Imobiliária e Construtora Aricanduva S/A era presidida por João Jorge Saad, genro de Adhemar de Barros e dono da Rádio e Televisão Bandeirantes.

Em 15 de agosto de 1952, Monsenhor Bastos abençoou os terrenos e foi lançada a campanha pró-construção do Morumbi. Foi eleita uma comissão constituída pelo presidente Cícero Pompeu de Toledo e pelos seguintes nomes: Piragibe Nogueira (vice-presidente); Luís Cássio dos Santos (secretário); Amador Aguiar (tesoureiro); Altino de Castro Lima, Carlos Alberto Gomes Cardim, Luís Campos Aranha, Manuel Raimundo Pais de Almeida, Osvaldo Artur Bratke, Roberto Gomes Pedrosa, Roberto Barros Lima, Marcos Gasparian, Paulo Machado de Carvalho e Pedro França Filho Pinto. Iniciava-se então, uma nova fase na vida do São Paulo Futebol Clube.

Parte do dinheiro da venda do Canindé (vendido à Portuguesa de Desportos em 1956) foi revertido em material de construção. Toda a receita do clube também foi investida na construção do estádio, ficando o time num segundo plano. As obras para a construção do novo estádio começaram em 1953.

Em 1956, o clube recebeu concessão de auxílio de dez milhões de cruzeiros, em apólices da dívida pública mediante juros de 8% ao ano, para o prosseguimento das obras do seu estádio. A Prefeitura concedeu auxílio idêntico a todos os grandes clubes da Capital.

O clube fez em 1955, uma campanha uma campanha de venda das cadeiras cativas que restavam pelo interior do estado, com grande aceitação dos torcedores.

No final de 1964, o São Paulo fez um acordo para adquirir a última parte do terreno do Morumbi junto à Imobiliária Aricanduva. O pagamento foi efetuado em março de 1965. A partir disso, foram vendidas setecentas mil unidades do carnê "Paulistão". Foram seis séries distintas de mais cem mil unidades cada, vendidos a cinco cruzeiros cada um. Sobre esse montante, foram devolvidos somente sessenta mil. É nesse ponto que reside a grande "distorção" por parte dos torcedores rivais, pois os carnês eram vendidos para qualquer pessoa ou torcedor, e só pagou o valor e ajudou o São Paulo a construir o estádio e o clube quem quis.

O projeto do estádio do Morumbi teve a criação do arquiteto Vilanova Artigas, um dos principais representantes da "escola paulista" da arquitetura moderna.

Alguns números do Morumbi: para o desenvolvimento do projeto foram necessárias 370 pranchas de papel vegetal; cinco meses foram consumidos nas terraplenagens e escavações, com o movimento de 340 mil metros cúbicos de terra; um córrego foi canalizado; o volume de concreto utilizado é equivalente a construção de 83 edifícios de dez andares; os 280 mil sacos de cimento usados, se colocados lado a lado, cobririam a distância de São Paulo ao Rio de Janeiro; cinquenta mil toneladas de ferro, que daria para circundar a Terra duas vezes e meia.

Num determinado momento, uma troca foi proposta pela prefeitura que ficaria com o Morumbi e o São Paulo, com o Pacaembu. Mas Laudo Natel, apoiado por toda a diretoria, prosseguiu a batalha, após a morte de Cícero Pompeu de Toledo.

Estreia

A partida que inaugurou o estádio aconteceu em 2 de outubro de 1960. O São Paulo venceu o Sporting Clube de Portugal, por 1x0. O árbitro da partida inaugural foi Olten Ayres de Abreu. O primeiro gol do Morumbi foi marcado por Peixinho (Arnaldo Poffo Garcia), aos 12 minutos de jogo, diante de 56 448 pessoas que lotavam o estádio ainda inacabado, pois o objetivo era abrigar 120 mil pessoas, com renda de 7 868 400 cruzeiros, recorde em amistosos na época. Uma informação; o gol marcado por Peixinho foi de cabeça, se jogando quase rente ao chão. Daí nasceu a expressão "gol de peixinho". É citado esse lance, erroneamente, pois faz-se uma analogia com o peixe nadando e o jogador cabeceando, mas o correto "gol de peixinho" é pelo primeiro jogador a marcar no Morumbi e por essa jogada característica.

O São Paulo jogou com: Poy; Ademar, Gildésio e Riberto; Fernando Sátyro e Víctor; Peixinho, Jonas (Paulo), Gino Orlando, Gonçalo (Cláudio) e Canhoteiro; técnico Flávio Costa. O Sporting jogou com: Aníbal; Mário Lino e Hilário; Fernando Mendes, António Morato e David Julius; Hugo Sarmento, Faustino Pinto, Ernesto Figueiredo (Fernando Puglia), Diego Arizaga (Géo) e Juan Seminario; técnico Alfredo González.

O primeiro jogo do São Paulo por uma competição oficial no Morumbi foi no Campeonato Paulista de 1960, contra o Corinthians, não o rival da capital, era o Esporte Clube Corinthians de Presidente Prudente, Clube curiosamente criado por torcedores do Timão maior rival do Tricolor. O São Paulo acabou vencendo a partida por 3 a 0, os gols foram marcados por Dino Sani, Gino Orlando e Gonçalo.
A inauguração total do Morumbi ocorreu em 25 de janeiro de 1970. A partida de comemoração foi entre São Paulo e Porto, de Portugal, e terminou empatada em 1 a 1. Vieira Nunes abriu o placar para a equipe portuguesa, aos 32 minutos de jogo e Miruca empatou para o São Paulo aos 35 minutos do primeiro tempo. O árbitro da partida foi José Favilli Neto e o público foi de 107 069 espectadores presentes (59 924 pagantes). O jogo teve a presença do presidente da República, o general Emílio Garrastazu Médici, e do governador paulista, Abreu Sodré.

O São Paulo jogou com: Picasso; Édson, Jurandir, Roberto Dias e Tenente; Lourival e Gérson; Miruca (José Roberto), Toninho, Téia (Babá) e Paraná (Claudinho); técnico Zezé Moreira. O Porto formou com: Vaz; Acácio, Valdemar, Vieira Nunes e Sucena; Pavão e Rolando; Gomes, Chico (Seninho), Pinto (Ronaldo) e Nóbrega.

Após esta inauguração o Morumbi passou a ser chamado de "o maior estádio particular do mundo", apesar da redução de sua capacidade de 120 para 85 mil espectadores nos anos 1990, por medida de segurança. Entre 1994 e 1996, o estádio passou por uma série de reformas para melhorias na estrutura (que apresentava falhas), foram colocados amortecedor de impacto e para a colocação de assentos nas arquibancadas e nas chamadas "gerais" e teve a capacidade reduzida em 10 mil pessoas. O nome oficial é Estádio Cícero Pompeu de Toledo, em homenagem ao ex-jogador, dirigente e presidente do clube.

A SELEÇÃO PAULISTA


Seleção Paulista - 1955. Em pé: Djalma Santos, Alfredo Ramos, Roberto Belangero, Mauro, Gilmar e Bauer. Agachados: Maurinho, Ipojucan, Álvaro Valente, Vasconcelos, Tite e o massagista Mário Américo.


A Seleção Paulista de Futebol convocava os melhores jogadores dos clubes do estado de São Paulo, para diferentes disputas, destacando-se o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais. Este certamente teve 29 edições de 1922 a 1962 e mais uma em 1987.
Na história desta competição, a Seleção Paulista ganhou 13 títulos (12 pela CBD e 1 pela FBF), contra 15 do Rio de Janeiro, 1 da Bahia e 1 de Minas Gerais. Foi a campeã da primeira edição e vice da última. A Seleção Carioca foi sua maior rival.

Existia a Seleção Paulista de Novos, a qual fazia alguns jogos amistosos, principalmente contra a Seleção Carioca. Em 22 de junho de 1975, no Maracanã, os paulistas novos venceram os cariocas por 2 a 0, em preliminar do jogo entre as seleções principais.

Além desta, outra era a Seleção Paulista do Interior, que tinha função semelhante.
A Seleção Paulista, desde 1901, fez 383 jogos, sendo 160 jogos em campeonatos, taças ou torneios e 223 amistosos. Contra a Seleção Carioca realizou 134 jogos. Em 1907, pelo tira-teima denominado Taça Brasil, foi campeã sobre esta.

Grandes artilheiros:   Arthur Friedenreich, Feitiço, Petronilho de Brito, Heitor, Neco; Araken Patusca, Luizinho Mesquita, Teleco, De Maria e Servílio

Títulos oficiais: Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais: 13 - 1922, 1923, 1926, 1929, 1933, 1934-FBF, 1936,1941, 1942,1952, 1954, 1956 e 1959.

Taça Brasil: 1907

Torneios amistosos: Torneio João Lira Filho: 1954; Troféu Miguel Arraes: 2007.

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A UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO-USP


A Escola Politécnica foi fundada em 1893 na Capital, 40 anos antes da criação da Universidade de São Paulo.,Os cursos de Engenharia Industrial, Engenharia Agrícola e Engenharia Civil, além do Curso Anexo de Artes Mecânicas foram os primeiros a serem criados. Arquivo Público de São Paulo. Álbum Vistas de São Paulo. Ref.: VS19000000_009


A Universidade de São Paulo (USP) é uma das maiores e uma das mais importantes universidades públicas do Brasil, uma das mais importantes da Ibero-América, da lusofonia e uma das mais prestigiadas em todo o mundo. É uma das quatro grandes universidades públicas mantidas pelo Governo do Estado de São Paulo, juntamente com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (UNESP) e a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). A USP é uma das maiores instituições de ensino superior na América Latina. São 42 unidades de ensino e pesquisa, distribuídos em dez campi: São Paulo (com três campi), Bauru, Lorena, Piracicaba, Pirassununga, Ribeirão Preto, Santos e São Carlos (2 áreas). O campus principal em São Paulo é chamado Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira,[18] com uma área de quase 3,7 milhões de metros quadrados.[19] A instituição está envolvida no ensino, pesquisa e extensão universitária em todas as áreas do conhecimento. Somando todos os Campi, a USP possui uma área total de aproximadamente 78 milhões de metros quadrados,[20] 246 cursos de graduação, 229 cursos de pós-graduação, 5,8 mil professores e 93 mil alunos matriculados entre graduação e pós-graduação (2012).

ORIGENS. A USP surgiu da união da recém-criada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) com as já existentes Escola Politécnica de São Paulo, Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", Faculdade de Medicina, Faculdade de Direito (foto acima) e Faculdade de Farmácia e Odontologia. A FFCL surgiu como o elemento de integração da universidade, reunindo cursos nas diversas áreas do conhecimento. Ainda em 1934, havia sido criada a Escola de Educação Física do Estado de São Paulo, primeira faculdade civil de educação física no Brasil e que viria a ser incorporada pela USP anos depois. Na sequência foi criada a Escola de Engenharia de São Carlos - EESC (1948) e a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto- FMRP (1951) e outras várias unidades foram sendo criadas pela universidade nos anos seguintes, e nos anos 1960 a universidade foi gradualmente transferindo as sedes de suas unidades para a Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, em São Paulo. Além do político Armando de Salles Oliveira, um outro homem de grande importância na fundação da USP foi o jornalista Júlio de Mesquita Filho. A instituição recebeu inúmeros professores estrangeiros nesse período.

Após o revés sofrido por São Paulo na Revolução Constitucionalista de 1932, o estado viu-se ante a necessidade de formar uma nova elite, capaz de contribuir para o aperfeiçoamento das instituições, do governo e da melhoria do país. Com esse objetivo, nasceram duas instituições distintas: em 1933, um grupo de empresários fundou a Escola Livre de Sociologia e Política (ELSP), hoje Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Em 1934, o então interventor de São Paulo, cargo que atualmente corresponde ao de governador, Armando de Salles Oliveira, criou a Universidade de São Paulo (USP). A ELSP assumiu o objetivo de formar elites administrativas para um novo modelo que vinha se configurando em que se notava uma atuação crescente do Estado, enquanto a USP voltou-se a formar professores para as escolas secundárias e especialistas nas ciências básicas. O modelo sociológico norte-americano constituiu o exemplo para ELSP, enquanto que o mundo acadêmico francês foi a principal fonte de inspiração para a USP. Professores estrangeiros tais como Claude Lévi-Strauss, Fernand Braudel, Roger Bastide, Emilio Willems, Donald Pierson, Pierre Monbeig e Herbert Baldus difundiram nas duas instituições novos padrões de ensino e pesquisa, formando as novas gerações de cientistas sociais no Brasil. A aula inaugural da USP em seu segundo ano, deu-se em 11 de março de 1935, no anfiteatro da Faculdade de Medicina, às 21h00 horas.[Textos e imagens da Wikipedia]


A CIDADE UNIVERSITÁRIA



A Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira (CUASO) sedia a Universidade de São Paulo (USP), fazendo parte do campus USP da Capital. Está localizada na zona oeste da cidade de São Paulo, bairro do Butantã.[1] Leva o nome do fundador da universidade, o então interventor do estado, Armando de Salles Oliveira, político liberal paulista. Nela estão localizadas a maioria das unidades de ensino, pesquisa e extensão da Universidade de São Paulo. Encontram-se também os órgãos centrais e administrativos da USP, como a Reitoria, gabinete do reitor, secretarias, superintendências e as pró-reitorias. A Cidade Universitária possui mais de 3,7 milhões de metros quadrados. Também estão sediados na Cidade Universitária: o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o Instituto Geográfico e Cartográfico (IGC), a Academia de Polícia (Acadepol), o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) e a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM), Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados e uma ETEC do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza.

História. A construção da Cidade Universitária já estava prevista no projeto original da USP na década de 1930. Intelectuais paulistanos basearem-se no modelo alemão de universidade moderna, e uma comissão de estudos reservou a área da antiga Fazenda Butantã para a instalação da universidade.[2] No entanto, por diferentes motivos, sua implementação efetiva foi postergada diversas vezes. Sua ocupação, com a construção de edifícios para diversas unidades, deu-se a partir da segunda metade dos anos 50. A maior parte dos edifícios existentes hoje na Cidade Universitária foram construídos a partir de meados da década de 1960. Desta forma, apresentou-se de forma bastante evidente uma intenção urbanismo funcionalista na constituição de seus espaços e na organização de suas unidades. Apesar de não ter havido um plano original para a Cidade (segundo esta linha de pensamento, pois havia antes dela uma série de outros planos com caráter historicista), os edifícios foram sendo implantados segundo a lógica da arquitetura moderna e do funcionalismo, buscando espaços que se assemelham a superquadras. É possível dizer que parte dos arquitetos ligados a estes projetos buscavam um ideal de cidade diverso daquele encontrado em São Paulo (ou seja, buscavam um desenho aparentemente ordenado em oposição a uma organização urbana informal e desprovida de planejamento). O resultado, porém, foi um bairro dentro de São Paulo com poucas ligações com a cidade que o rodeia e altamente dependente do automóvel. De uma forma geral, os edifícios da Cidade Universitária possuem implantação isolada, apresentando grandes distâncias entre uns e outros. Eventualmente, algumas unidades possuem cercamentos em seu perímetro, mas a permeabilidade é mais comum à maioria das unidades. Junto a elas, normalmente são encontrados grandes bolsões de estacionamento e espaços livres desqualificados, cobertos por vegetação.[Textos e imagens da Wikipedia]


Praça do Relógio na Cidade Universitária- USP entre as zonas Oeste e Sul.  A Torre do Relógio foi inaugurada em 1973 – há exatos 50 anos, portanto. O projeto do arquiteto paulistano Rino Levi, nos anos 1950, foi criado para o estudante contemplar e refletir sobre o seu cotidiano na Universidade de São Paulo. Mas são os 12 desenhos em baixo e alto-relevo desenvolvidos pela escultora vicentina Elizabeth Nobiling que destacam a Torre do Relógio como um dos monumentos marcantes de São Paulo. A professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP foi convidada especialmente por Levi para repensar o tema. Criou seis imagens em cada um dos lados da torre para representar o Mundo da Fantasia e o Mundo da Realidade. A face da Fantasia foi composta de cima para baixo, representando a Poesia; Ciências Sociais; Ciências Econômicas; Música, Dança e Teatro; Artes Plásticas e Arquitetura; e a Filosofia. Já a face da Realidade, também observada de cima para baixo, destaca a Astronomia; Química; Ciências Biológicas; Física; Ciências Geológicas; e Matemática.
Na base circular da torre está a frase do professor Miguel Reale, reitor da USP em 1949 e 1950 e entre 1969 e 1973: “No universo da cultura, o centro está em toda parte”.

CRUSP. O Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo é o alojamento estudantil da Cidade Universitária Armando Salles de Oliveira. Atualmente as vagas no alojamento são geridas pela Coordenadoria de Assistência Social da USP que conta com cerca de 1200 vagas para alunos de Graduação e Pós-Graduação.

 

FACULDADE DE DIREITO DE SÃO PAULO



A Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP), também conhecida por Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, "São Francisco", "Sanfran" ou, ainda, "Arcadas", em alusão à sua arquitetura, é uma unidade de ensino, pesquisa e extensão da Universidade de São Paulo. Foi criada em 11 de agosto de 1827 juntamente com a Faculdade de Direito do Recife, sendo estas as duas mais antigas faculdades de direito do país. Ao longo de quase dois séculos formou diversas personalidades notórias da história do Brasil. 55 Ministros que compuseram o STF desde a Proclamação da República estudaram o Bacharelado em Direito na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. 13 Presidentes da República, 45 Governadores do Estado de São Paulo e 13 Prefeitos de São Paulo estudaram o curso de graduação na instituição. A Ideia acerca da criação de um curso jurídico no Brasil surgiu em 1822, com José Feliciano Fernandes Pinheiro, o Visconde de São Leopoldo, membro do Parlamento. Até então, os que desejavam estudar direito deveriam deslocar-se até Coimbra, em Portugal. O local onde hoje funciona a Faculdade de Direito era, originalmente, ocupado por um Convento franciscano. O prédio do estilo barroco luso-brasileiro, inaugurado em 17 de setembro de 1647, era feito de taipa, com fundações de 03 metros de profundidade e com paredes que chegavam a 02 metros de espessura em alguns pontos. A Faculdade de Direito, a mais antiga instituição do gênero no Brasil juntamente com a Faculdade de Direito do Recife, deve a sua origem a um decreto imperial assinado em 1827.  Devido a um incêndio ocorrido em 1880, a fachada foi reformulada em 1884. Por conta do incêndio de 1880, foi criado o Corpo de Bombeiros na Cidade de São Paulo, pois se percebeu a expansão da cidade e necessidade da disposição de recursos para o combate a incêndios. Por ocasião dessa reforma da fachada em 1884 foi instalado o relógio que possui até a atualidade em sua fachada, o primeiro relógio da Cidade de São Paulo.

Em 1903, fora fundada aquela que seria considerada a Entidade (administração) estudantil mais tradicional e antiga do Brasil. Chamada de "Centro Acadêmico XI de Agosto", corresponde a um local de representação dos alunos da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Na década de 1930 foi iniciada a construção do novo prédio do antigo Convento de São Francisco, chamado de “Prédio Histórico”, que foi finalizada em 1941. Ricardo Severo foi o autor do projeto de estilo
neocolonial, no qual implementou características do barroco luso-brasileiro à Arquitetura moderna, mesclando a tradição do antigo convento com o aspecto cultural do país. Desde o início, a Faculdade de Direito pertenceu ao Governo central, passando do monárquico ao republicano, e em agosto de 1934 a Faculdade foi incorporada à Universidade de São Paulo por Getúlio Vargas. Com a Revolução Constitucionalista de 1932, alguns alunos da Faculdade de Direito morreram lutando contra a Ditadura de Getúlio Vargas. Assim, ergueram em Homenagem a estes o "Monumento ao Soldado Constitucionalista", situado na área interna do Prédio Histórico. Encontra-se, também, um túmulo, construído em 1842 em homenagem a Julius Frank, um professor de história e geografia fundador de uma sociedade secreta de jovens, Burschenschaft, que teria influenciado, principalmente os jovens, durante muitos anos na história da política brasileira.

Um Túmulo no Pátio da Faculdade de Direito de São Paulo.Johann Julius Gottfried Ludwig Frank, conhecido, no Brasil, por Julius Frank, nasceu na Saxônia em 1809 e se transferiu para o Brasil no final do Primeiro Reinado. Foi sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, e grande incentivador dos movimentos de cunho liberal. Foi um professor alemão do Curso anexo da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde lecionou entre os anos de 1834 até sua morte, em 1841. Seu túmulo em estilo neoclássico, encontra-se no pátio interno da Faculdade. Júlio Frank, morreu vitimado por forte pneumonia em 1841.

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A história da faculdade está relacionada ao desenvolvimento de importantes momentos históricos do Brasil. Ela formou alunos notórios que fizeram parte de grandes movimentos políticos, como o movimento abolicionista, de Joaquim Nabuco, José Antônio Pimenta Bueno e Perdigão Malheiro, o movimento republicano, de Prudente de Moraes, Campos Salles e Bernardino José de Campos Júnior, e as campanhas das Diretas Já, de Franco Montoro e Ulysses Guimarães. Emergiram treze presidentes da república desta faculdade, por exemplo, o primeiro presidente civil eleito por meio do voto direto no Brasil, Prudente de Morais, que assumiu o cargo em 1894,[60] e o ex-presidente Michel Temer, empossado após Dilma Rousseff ser destituída do cargo pelo processo de impeachment no dia 31 de agosto de 2016.[61] Fernando Haddad - que ficou em segundo lugar na disputa para a Presidência da República em 2018 - também é egresso do curso de graduação da instituição. Além disso, diversos governadores, prefeitos e outras figuras importantes na história do Brasil formaram-se na Faculdade de Direito da Cidade de São Paulo. Os últimos egressos a serem prefeitos de São Paulo foram Fernando Haddad (Turma 154) e Bruno Covas (Turma 171) e os últimos egressos a serem governadores foram Cláudio Lembo (Turma 127) e Franco Montoro (Turma 107).

O surgimento desta faculdade também trouxe para São Paulo enorme efervescência cultural. Inúmeros escritores de renome e movimentos culturais ali surgiram, tais como: Alphonsus Guimaraens, um dos principais representantes do Simbolismo no Brasil; Álvares de Azevedo, Escritor e poeta ultrarromântico; Castro Alves, poeta e um dos representantes do movimento abolicionista; Hilda Hilst, uma das maiores escritoras da Língua portuguesa contemporânea; José de Alencar, Autor do Livro Iracema e um dos maiores nomes do Romantismo no Brasil; Monteiro Lobato, escritor de obras-infantis como O Sítio do Picapau Amarelo; Oswald de Andrade, representante do movimento modernista e autor do Manifesto Antropófago. O edifício da faculdade também é repleto de obras com significado cultural, "(...) encontram-se agregados elementos dignos de nota, tais como os vitrais da escadaria, produzidos pela Casa Conrado Sorgenicht, e o mobiliário do Salão Nobre e da Sala da Congregação, confeccionado no Liceu de artes e Ofícios de São Paulo (...)".

A Faculdade de Direito de São Paulo foi a primeira entidade a ser incorporada à Universidade de São Paulo na fundação desta, em 1934, e é considerada uma das melhores no ensino jurídico. Em 116 anos de existência, o XI de Agosto sempre foi, e ainda é, um centro de difusão de ideais republicanos e de Igualdade, concretizados na resistência à Ditadura de Getúlio Vargas. Foi palco de diversas conquistas, como o Sufrágio feminino e do Voto secreto, e envolveu-se em várias campanhas, como "O petróleo é nosso!", "Diretas Já!", "Fora Collor" e, mais recentemente, na organização do ato e na leitura da "Carta às brasileiras e aos brasileiros".

Biblioteca

Considerada a primeira Biblioteca pública da cidade de São Paulo, criada em 1825 no Convento de São Francisco, é especializada em Direito e serve ao corpo discente e docente da faculdade, além de poder ser utilizada pelo público em geral para consulta. Dom Manuel da Ressurreição, terceiro Bispo de São Paulo, colocou um acervo de 2 000 exemplares disponibilizados para membros do clero e para os estudantes. Com a fundação da Faculdade de Direito de São Paulo, a biblioteca herda aproximadamente mais 5 000 volumes para sua coleção. Em 1934, a faculdade passa por uma reforma completa, onde a biblioteca passa a localizar-se em suas atuais dependências, ocupando uma considerável parte do primeiro pavimento do prédio do Largo de São Francisco, e, a partir de 1982, esta passa a integrar o Sistemas de Bibliotecas da USP (SIBi), visando atender as necessidades de informação do coletivo da universidade. Ao longo dos anos, a biblioteca passou por uma série de inovações, como a passagem do Serviço de Biblioteca e Documentação para a atual SBD, a disponibilização do acesso ao DEDALUS (Banco de Dados Biográficos da USP pela internet), a instalação de microcomputadores e a criação da homepage do SBD. Atualmente conta com 366 996 volumes, classificados em Livros/Folhetos, Teses, Fascículos de Periódicos, Multimeios, Obras raras e Separatas. É utilizada por aproximadamente 51 194 pessoas que fazem parte da Comunidade USP e também por usuários.

Faculdade de Direito de São Paulo em 1880, foto de Jean Georges Renouleau (1845-1909).


O INSTITUTO BUTANTÃ


Os jardins do Instituto Butantã em 1940





O Instituto Butantan surgiu em 1899 (final do século XIX) para ajudar no combate a um surto de peste bubônica que se propagava no estado de São Paulo a partir do Porto de Santos. Temendo que a doença atingisse a capital, o governo paulista convocou o Instituto Bacteriológico (atual Instituto Adolfo Lutz) para tentar resolver o problema. Seu diretor, Adolfo Lutz, mandou para essa cidade o assistente Vital Brazil. Em pouco tempo ele diagnosticou a doença e, em conjunto com o médico Oswaldo Cruz, criou um plano para controlá-la. De volta à capital, Vital Brazil foi encarregado de chefiar a organização de um laboratório de produção de soro antipestoso, vinculado ao Instituto Bacteriológico. Para albergar este novo serviço e laboratório, o médico Emílio Ribas, diretor sanitarista do estado, sugeriu ao então presidente de São Paulo, Coronel Fernando Prestes de Albuquerque, a desapropriação da fazenda Butantan. A localização da fazenda era ideal, já que ficava bastante afastada do centro da cidade, do outro lado do Rio Pinheiros, em uma época em que não havia pontes para unir as duas margens. Em fevereiro de 1901, esse serviço transformou-se em instituição autônoma, então denominada "Instituto Serumtherapico do Estado de São Paulo", e tendo como primeiro diretor o médico sanitarista Vital Brazil. O nome Butantan, segundo o filólogo Eduardo Navarro, é originário do tupi antigo e quer dizer "terra dura dura", formando o superlativo a partir da duplicação do adjetivo. A nomeação para Instituto Butantan aconteceria na década de 1920: em 1925, a instituição já era chamada assim em documentos oficiais. 


AVENIDA 23 DE MAIO


Vale do Itororó, local onde hoje é a Avenida 23 de Maio, anos 1930. #SPFotos


Avenida 23 de maio na altura do Ibirapuera


Avenida 23 de Maio.  Originalmente conhecida como Avenida Itororó e, depois, Avenida Anhangabaú, é uma das mais movimentadas avenidas do município de São Paulo, sendo o principal corredor de ligação dos bairros da subprefeitura da Vila Mariana à região central da cidade. Faz parte do Corredor Norte-Sul. Recebeu este nome em referência ao dia em que foram mortos os estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (conhecidos pelo acrônimo MMDC), 23 de maio de 1932, evento que se encaixa no contexto da Revolução Constitucionalista de 1932.  Construída sobre o antigo córrego Itororó, que foi canalizado, a avenida consiste numa via expressa em sua totalidade, isto é, não é endereço de nenhum estabelecimento residencial ou comercial, tendo barreiras de contenção em seus lugares, ocupando uma faixa com largura total de oitenta metros, para permitir a arborização dos locais. Três dos viadutos que passam sobre a avenida — Dona Paulina, Condessa de São Joaquim e Pedroso — têm uma estrutura interna, cuja função original, no caso dos dois últimos, seria abrigar futuras estações de metrô, referentes aos antigos projetos da Linha Norte–Sul do Metrô, que correria a céu aberto pelo largo canteiro central da avenida — inicialmente, entretanto, esse canteiro central deveria ser usado como faixa expressa. Essas estruturas, inclusive, contam com escadas que desembocam no que seriam as plataformas laterais das estações. No Dona Paulina, funciona o serviço funerário municipal; já no Condessa de São Joaquim, que já funcionou como albergue, moravam, em 2006, famílias de sem-teto. No Pedroso, ainda funciona um abrigo, mantido desde 1996 pela Comunidade Metodista do Povo de Rua. Já os viadutos construídos na região do Ibirapuera foram definidos pelo jornal O Estado de S. Paulo', em 1969, como tendo "linhas arquitetônicas inéditas e um completo tratamento paisagístico do local".  [Textos e imagens da Wikipedia]



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O CENTRO CULTURAL SÃO PAULO


Centro Cultural São Paulo visto de um viaduto sobre a avenida 23 de maio na altura do Paraíso. 



A história do Centro Cultural São Paulo começa na década de 70, quando o terreno entre a rua Vergueiro e a Avenida 23 de Maio foi cedido para a prefeitura. Fruto das desapropriações ocasionadas pela construção do metrô, a área de aproximadamente 300 mil metros quadrados foi alvo de diversas especulações. Em julho de 1973, na administração de Miguel Colassuono, surgiu o Projeto Vergueiro, cujo objetivo era promover a urbanização do local, onde seriam construídos um complexo de escritórios, hotéis, um shopping center e uma grande biblioteca pública. O prazo para o término das obras era de cinco anos.

Dois anos depois, a administração de Olavo Setúbal cancelou o Projeto Vergueiro, tendo que arcar com a indenização ao consórcio Prounb, que havia vencido a licitação para as obras. Do plano antigo restou somente a construção da biblioteca pública. Para isso, foi instalada uma comissão de estudos que contava com bibliotecários, professores e o arquiteto Aron Cohen. A ideia do grupo era construir uma biblioteca moderna em que o leitor tivesse livre acesso ao material, de forma que o objetivo não seria mais guardar a informação e sim escancará-la para o público. O arquiteto Eurico Prado Lopes venceu a concorrência aberta em 1976, e as obras tiveram início em 1978.

A gestão seguinte, do prefeito Reynaldo de Barros, resolveu reformular o projeto da biblioteca e adaptá-lo ao de um centro cultural multidisciplinar nos moldes dos que estavam surgindo no mundo todo como o Georges Pompidou, fundado em 1977 na cidade de Paris (França). O então secretário municipal de cultura, Mário Chamie, alegava que a localização era ideal para a instalação de uma instituição como essa. Além disso, argumentava-se que a obra era grande demais para abrigar somente uma biblioteca. Ficou decidido, então, que o centro cultural contaria com cinema, teatro, espaço para recitais e concertos, ateliês e áreas de exposições. Os arquitetos Eurico Prado Lopes e Luiz Telles continuaram à frente do projeto.

A concepção do centro cultural foi baseada em extensa pesquisa para entender o que significava o acesso à informação em um país como o Brasil. O edifício foi projetado com o objetivo de facilitar ao máximo o encontro do usuário com aquilo que seria oferecido no centro cultural. Dessa maneira, a arquitetura do prédio não obedeceu a padrões pré-estabelecidos, privilegiando as dimensões amplas e as múltiplas entradas e caminhos.

O arquiteto Eurico Prado Lopes (à esquerda) apresentando a maquete do Centro Cultural São Paulo aos secretários municipais Mário Chamie (cultura) e Paulo Gomes Machado (obras), 1979.


A construção

O Centro Cultural São Paulo começou a ser construído nos últimos anos da ditadura no Brasil. A proposta de valorizar o aspecto multidisciplinar dos espaços e evitar a compartimentação foi alvo de muitas polêmicas. Nas palavras do arquiteto Luiz Telles: “Ficávamos de prontidão, para ver com o que iam implicar. Não que fôssemos subversivos, os outros é que eram retrógrados”. 

O projeto foi amplamente discutido na mídia, pois, além de apresentar conceitos inéditos como integração e multidisciplinaridade, sua construção contou com alguns problemas de ordem técnica, já que apresentava muitas inovações arquitetônicas. Pesquisas e experimentações tiveram que ser realizadas antes que se pudesse chegar ao produto final. Para viabilizar as formas arrojadas pretendidas pelos arquitetos, utilizou-se os mais variados materiais, como vidro, aço, concreto, acrílico, tijolo e tecido.

As estruturas mistas previstas no projeto fizeram com que conceitos tradicionais de execução tivessem que ser modificados, dando lugar a novas técnicas muito específicas, em um processo que beirou o artesanal. Durante a construção do prédio, Emilie Chamie, esposa do então secretário de cultura, Mário Chamie, criou o logotipo da instituição. O desenho é a representação de uma junção de curvas e foi pensado, segundo sua criadora, a partir das estruturas do prédio.

A inauguração

A lei de criação do Centro Cultural São Paulo, promulgada em 6 de maio de 1982, estabelecia que suas funções incluíam: “planejar, promover, incentivar e documentar as criações culturais e artísticas; reunir e organizar uma infra-estrutura de informações sobre o conhecimento humano; desenvolver pesquisas sobre a cultura e a arte brasileiras, fornecendo subsídios para as suas atividades; incentivar a participação da comunidade, com o objetivo de desenvolver a capacidade criativa de seus membros, permitindo a estes o acesso simultâneo a diferentes formas de cultura; e oferecer condições para estudo e pesquisa, nos campos do saber e da cultura, como apoio à educação e ao desenvolvimento científico e tecnológico”.

A inauguração aconteceu no dia 13 de maio de 1982. O prefeito Reynaldo de Barros e o secretário de cultura Mário Chamie receberam um grande público entre convidados, participantes da obra e a população em geral. Após a cerimônia, os presentes percorreram as dependências do edifício, assistiram a espetáculos musicais com o Coral Paulistano e com o pianista João Carlos Martins e puderam apreciar as obras em exibição na Pinacoteca.

Em 1982, São Paulo possuía aproximadamente 8,5 milhões de habitantes, grande parte deles espalhada pela periferia. A intenção do centro cultural que nascia era a de agregar essa população heterogênea, fornecendo um espaço em que todos tivessem acesso aos mais variados gêneros culturais.

Mário Chamie destacou em seu discurso todo o trabalho que a obra demandou, apontando que “durante dois anos, dez meses e um dia pelas manhãs, tardes e madrugadas adentro, trabalhou-se na construção desse espaço”. Segundo Chamie, era necessário abrigar em um só espaço cultura popular e erudita, e todo tipo de manifestação cultural de grupos ou comunidades as mais diversas, para refletir “toda essa igualdade cultural brasileira que é feita justamente das diferenças”. PMSP


Projeto de arquitetura de Eurico Prado Lopes e Luiz Teles.

Escultura de Tomie Otake no Centro Cultural São Paulo, na avenida 23 de Maio. 


*

VI

HIGIENÓPOLIS 


Rua Maranhão, no bairro paulistano de Higienópolis, em 1911.


Higienópolis. A região ocupada desde o século XVI, tendo seu desenvolvimento se dado paralelamente àquele da própria cidade. O bairro se destaca pela presença de grande quantidade de exemplares da arquitetura de tendências diversas. Sempre foi endereço de expressivas famílias tradicionais da aristocracia paulista, de maioria de origem portuguesa no início e depois de norte americanos e outras nacionalidades, passando a abrigar, nos dias de hoje, habitantes de variadas origens, migrantes e imigrantes, inclusive judeus de diversas nacionalidades provindos em sua maioria da Europa Central. Tendo ainda se tornado um dos bairros preferidos por artistas em geral, sendo palco de grandes atividades na semana de arte moderna. História A região onde se situam os atuais bairros de Higienópolis, Pacaembu e Perdizes compreendia a "Sesmaria do Pacaembu", que era dividida em Pacaembu de Cima, do Meio e de Baixo. O bairro de Higienóplis está localizado em parte do que era conhecida como "de Cima". A extensa propriedade rural pertencia à Companhia de Jesus. Seus membros, os jesuítas, receberam-na no século XVI como resultado de uma doação feita pelo donatário Martim Afonso de Sousa. Esses religiosos foram violentamente expulsos do Reino de Portugal e de suas colônias em 1760, através da determinação de Marquês de Pombal e seus bens foram confiscados e vendidos, dentre eles a sesmaria. E ali, com o passar dos anos, integrantes da aristocracia paulistana construíam suas chácaras, propriedades urbano-rurais e autossuficientes em água e subsistência. Já existia na região do Bairro da Vila Buarque a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, inaugurada em 1884, bem como, inaugurou-se em 1892 o viaduto do Chá que trouxeram ao lugar, desenvolvimento e fluxo respectivamente àquele local que era considerado inóspito. Devido ao crescimento da cidade, causado pelo êxodo rural e o Ciclo do café, essas terras foram loteadas. As antigas terras do Barão de Ramalho e do legado do espólio do padre pernambucano Wanderley, que juntas apresentavam 847.473 m², foram compradas em 1893 por Martinho Buchard e Victor Nothmann, capitalistas alemães. Os dois empreendedores trouxeram da França o projeto e os materiais para a construção do segundo loteamento planejado e de alto-padrão da cidade, destinado especificamente para a elite paulistana. Chamado primeiramente de "Boulevard Bouchard", o loteamento fora lançado em 1895. Com os acréscimos posteriormente dos já existentes sítios de Dona Veridiana que mandou construir em 1884 uma "villa" denominada Maria que ladeava a hoje avenida Higienóplis até ao que hoje é a avenida Angélica e Dona Angélica que possuía também um sítio; que se juntaram todas essas terras formando o que hoje é o bairro de Higienópolis (cidade ou lugar de higiene), nome atribuído por conta de um hotel indicado por suas condições de limpeza e climáticas que era administrado pela Cia Higienópolis, acrescente-se a isso que ressaltadas pela altitude do bairro, que impedia o acúmulo de grandes enchentes, que poderia resultar em áreas de fácil contaminação da Malária, Febre Amarela e Tifo e pela publicidade do empreendimento, tais como o fornecimento de água e esgoto que vieram logo depois, que na época eram proporcionados em poucos locais da cidade. Além disso possuiria também iluminação à gás, arborização e seria atendido por linhas de bondes, sendo considerado como o maior loteamento em extensão territorial e em importância social e econômica.

Na época no bairro de Vila Buarque a região já contava com o Colégio Mackenzie - Gymnasio Americano, que gerou o atual campus paulistano da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Construído em 1874 no terreno de parte da antiga chácara de Dona Maria Antônia da Silva Ramos, e que foi um empreendimento idealizado pelo Reverendo Chamberlain.[5] Além do Hospital Samaritano de São Paulo, edificado em 1892 pela firma Krugg & Filho, através de doações diversas: de José Pereira Achao (por testamento), Victor Nothmann e Burchard, dos presbiterianos do Instituto Mackenzie, família Lee e Dona Maria Paes de Barros. O loteamento foi dividido em duas fases: Higienópolis 1 e Higienópolis 2, possuindo lotes de 700m² a 1000 m² juntamente com os sítios de Dona Veridiana e Dona Angélica. Na primeira etapa, a dos altos de Santa Cecília, vias foram criadas e receberam os nomes de 3 senhoras integrantes da aristocracia local, proprietárias de extensa áreas na região, todas filhas de abastados barões: Maria Angélica de Sousa Queirós, filha do barão de Sousa Queirós (Avenida Angélica), Maria Antônia da Silva Ramos, filha do barão de Antonina (Rua Maria Antônia) e Veridiana da Silva Prado, filha do barão de Iguape (Rua Dona Veridiana).

A Vila Penteado na Avenida Higienópolis em foto de 1900.Transcrição do texto no rodapé: "Martin Bouchard e Victor Nothmann foram responsáveis por esse loteamento urbano lançado em 1895."
São Paulo.


E logo a área foi ocupada pela aristocracia do café, fazendeiros, empresários, comerciantes, anglo-saxões e profissionais liberais; que erguiam seus palacetes, os mais elegantes da cidade. Muitos deles anteriormente moravam nos Campos Elísios, primeiro bairro nobre paulistano. Dentre os membros da elite destacam-se:as famílias Sousa Queirós, Prado, Alves Lima, Silva Telles, Toledo Piza, Pacheco e Silva, Paes de Barros, Barros Brotero, Amaral Souza, Lucas Garcia Borges, o conde Antônio Álvares Leite Penteado, o cafeicultor Carlos Leôncio de Magalhães, a família do presidente Rodrigues Alves, o presidente Fernando Henrique Cardoso, o empresário e comendador Franz Müller, o delegado Arthur Rudge da Silva Ramos, o jurista e político Jorge Americano, os ex-prefeitos da cidade: o urbanista e engenheiro Francisco Prestes Maia e o empresário, banqueiro e engenheiro Olavo Egydio Setúbal, o aristocrata e cafeicultor José de Queirós Aranha, a pintora modernista Tarsila do Amaral, a pianista Guiomar Novais, o jornalista Júlio Mesquita, o médico e ex-governador do estado Ademar de Barros, o médico Geraldo Vicente de Azevedo, e, dentre outros, Dom Luís Gastão de Orléans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil.  As mansões do bairro reproduziam os modelos franceses, procurava-se recriar o modo de vida das metrópoles europeias mais importantes do século XIX, tanto que a manutenção de um palacete exigia no mínimo de 10 a 15 criados. Os móveis, o material de construção e até a planta das casas eram trazidas da Europa. Possuíam pomares e jardins, algumas delas seriam tombadas pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico Cultural e Ambiental de São Paulo e, instituições educacionais e consulados se estabeleceriam nas tradicionais moradias. Uma das mais conhecidas da época chamava-se Vila Penteado. Construída em 1902 no estilo art nouveau, era pertencente ao conde Antônio Álvares Leite Penteado, fazendeiro de café e industrial paulista, detentor de grande riqueza. Projetada pelo engenheiro sueco Carlos Ekman foi a lançadora desse estilo na cidade. Decorada com estátuas, mobiliário, vitrais e mármores europeus. Ocupava toda a quadra entre a Avenida Higienópolis, ruas Sabará, Maranhão e Itambé, com grande área verde".


 Final da avenida Higienópolis em 1900. No primeiro plano o Hospital Samaritano e ao fundo a várzea do Rio Tietê. Publicação: SP Fotos Antigas. 


Desde sua fundação Higienópolis foi residência das classes mais abastadas. Os palacetes outrora pertencentes aos barões de café e seus filhos, aliados aos edifícios modernistas do início do século XX, o tornam uma miríade da arquitetura paulistana. Nele existem exemplares em estilos: eclético, neoclássico, pitoresco, normando, florentino, art nouveau, neocolonial, art déco, e outros, sendo objeto de estudos e pesquisas.Muitos desses imóveis foram tombados por órgãos governamentais. Ciclo do café. Bairro planejado por uma empresa privada ao final do século XIX, Higienópolis apresentava características que o diferenciavam do restante da cidade. Suas residências possuíam água tratada, esgoto além de apresentar vias arborizadas, praças, dentre as quais a Praça Higienópolis (de 1913) mais tarde denominada Praça Buenos Ayres, e enfim, Parque Buenos Aires. Os moradores, integrantes da elite paulistana, construíam seus palacetes baseados na arquitetura europeia, sendo trazidos de lá os materiais de construção e as plantas das futuras residências.


 A Vila Adelaide em 1911, na Avenida Higienópolis, entre as ruas Sabará e Itacolomi.


Residência de Dona Angélica: Por volta de 1893, Dona Maria Angélica de Sousa Queirós Aguiar de Barros, deixou a chácara de seu pai, o Barão de Souza Queiroz, para residir em um palacete da Avenida Angélica. A construção era uma réplica do Palácio de Charlottenburg, com materiais importados da Alemanha. Possuía um renque de palmeiras que vinha desde a estrada de Campinas, ladeando o caminho, e de onde surge o nome da Rua das Palmeiras. >.

Palácio de Charlottenburg, inspiração para residência de Dona Maria Angélica
Residência de Dona Veridiana: A filha do Barão de Iguape, Veridiana da Silva Prado, era personagem influente na sociedade da época. Sua mansão era ponto de encontro dos intelectuais e da elite paulistana, e mais tarde, palco das discussões da Semana de 1922. Denominada de Chácara Vila Maria, a propriedade da família Prado, se estendia até a Avenida Angélica e a Rua Dr. Martinico Prado. Apresentava uma mansão francesa, datada de 1884, e estava situada no quadrilátero entre as ruas Dona Veridiana, General Jardim, Sabará e Avenida Higienópolis. Nela funcionou o São Paulo Clube e posteriormente veio a abrigar o Iate Clube de Santos.

Vila Penteado: Em 1902, o conde Antônio Álvares Leite Penteado, fazendeiro de café e industrial paulista, detentor de grande fortuna, mandou construir suntuoso palacete em estilo art nouveau com projeto do arquiteto sueco Carlos Ekman. O palacete foi o lançador do estilo em São Paulo. Decorado com estátuas, mobiliário, vitrais e mármores europeus além de apresentar grande área verde. A Vila Penteado, como ficou conhecida, ocupava toda a quadra entre a Avenida Higienópolis e as ruas: Sabará, Maranhão e Itambé. Seus herdeiros, doaram a propriedade à Universidade de São Paulo, onde tornou-se, em seus fundos, sede dos cursos de pós-graduação da FAU-USP, na Rua Maranhão. Tombada pelo Condephaat em 1978.

Vila Antonieta: Em 1903, Antonieta Álvares Penteado e o marido Caio Prado foram residir em palacete construído pelo engenheiro sueco Carlos Ekman, com tendência art nouveau.
Residência de Maximilian Emiliano Hehl: O arquiteto construiu sua residência, baseando-se nos castelos medievais e na art nouveau. Situava-se no lado impar da Avenida Higienópolis. Por sua arquitetura, recebeu a denominação de Château de France.

Cúria Metropolitana: construção de 1916, na Avenida Higienópolis, abriga sede da Cúria Metropolitana, onde funcionava o Colégio Santa Cruz, em estilo de influência florentina.

Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus: inaugurada na Rua Maranhão, no ano de 1928. Projetada pelo engenheiro italiano Antonio Vincenti, executada a obra pelo arquiteto Fiorello Panelli, com seu interior inacabado. A imagem de Santa Teresinha, trazida de Lisieux (França), foi doação de Dona Sofia Neves Torres e o sino, foi presente do empresário ítalo-brasileiro Conde Matarazzo. A paróquia, uma das mais ricas de São Paulo, realiza inclusive obras assistenciais e filantrópicas.

Residência de Carlos Leôncio de Magalhães: O palacete do "rei do café", apelidado de Nhonhô Magalhães, foi construído na década de 1930. Foi erguido na Avenida Higienópolis pela empresa Siciliano & Silva, com estilo eclético e requinte em toda construção. Apresentando cinco pavimentos, no estilo manuelino português, e abrigando também uma capela, inspirada no Mosteiro dos Jerônimos, de Lisboa; além de um anfiteatro para acolher até 50 pessoas. O proprietário faleceu antes da conclusão do palacete, desfrutado por sua esposa, dona Ernestina e os filhos. Em 1974 se instalou no local a Secretaria da Segurança e Anti-Sequestro. Preservado pelo Patrimônio Histórico, foi vendido em leilão pelo Governo do estado ao grupo que administra o Shopping Pátio Higienópolis.

Casarão de Antonieta Cintra Gordinho: na Avenida Higienópolis, um casarão tombado, mais tarde tornou-se salão de entrada do Edifício Maria Antonieta que fica atrás. O casarão, construção de 1947 para o casal Antonieta e Antonio Cintra Gordinho, foi projeto do arquiteto francês Jacques Pilon, com inspiração no Petit Trianon, de Versalhes.

Casa de Franz Müller: propriedade do empresário alemão Franz Müller, construída no ano de 1895, na Rua Maranhão, de estilo neoclássico, foi em 1969 comprada e recuperada pela Sociedade Tradição, Família e Propriedade, sendo tombada pelo Condephaat.

Casa de Henrich Trost, na Rua Maranhão, uma das três casas primitivas do loteamento.

Residência de Martinho Burchard, vizinha das três casas pioneiras do bairro, de 1892, na Rua Maranhão, que abrigou pensionato de religiosas por anos, sendo demolida mais tarde.

Casa modernista da Rua Bahia, situada no nº 1126, tombada pelo IPHAN, residência de Luiz da Silva Prado. Construção de Gregori Warchavchik (1930).

Na Avenida Higienópolis, o palacete da família de Oscar Rodrigues Alves, filho do presidente da República Rodrigues Alves, de 1922 em estilo neoclássico, foi inspirado no Petit Trianon, conservado e tombado pelo Condephaat, e abrigou o Consulado Geral da Itália e posteriormente o Instituto Italiano de Cultura de São Paulo (IICSP), com construção prevista para ser iniciada, de um moderno anexo do Instituto Italiano que vai abrigar restaurante, teatro, duas galerias e centro multimídia, obra do arquiteto italiano Massimiliano Fuksas. "Trata-se de uma ideia que temos desde 2005, quando o instituto passou a ocupar o atual endereço", conta o diretor adjunto da entidade, Claudio D’Agostini.

O fazendeiro de café em Jaú, Alcides Ribeiro de Barros foi proprietário da residência seguinte, construção de Ramos de Azevedo, do ano de 1927, com mobiliário do Liceu de Artes e Ofícios, demolida para construção dos edifícios Santa Sophia e Santa Odila, fazendo esquina com a Avenida Angélica.

Em frente, na esquina da Avenida Angélica com a Avenida Higienópolis, morava a família de Francisco Camargo Lima, posteriormente uma pensão e mais tarde adquirida pelo médico dr.Rubens de Brito, onde instalou sua clínica e posteriormente a alugou para instalação de agência bancária, sendo tombada pelo Condephaat em sua arquitetura externa e vitrais.

Na Rua Piauí, logo depois da Praça Vilaboim, ao lado do Edifício Louveira, antiga residência do médico paulista Dr. Geraldo Vicente de Azevedo, filho do Barão da Bocaina, Francisco de Paula Vicente de Azevedo, belo casarão antigo preservado, de tijolos aparentes, chama atenção por seu conjunto arquitetônico construído em ampla área e que contém inúmeros vitrais coloridos, todos com diferentes desenhos na temática de barcos à vela. Placa: "Dr. Geraldo V. de Azevedo - Médico Operador" .

A Vila da Rua Piauí, no nº 1164, com construção de 1925, apresenta conjunto de casas de estilo art déco num projeto do arquiteto Augusto Rodrigues.

A antiga residência de Gustavo Stahl e família, construída nas primeiras décadas do século XX, localizada na Rua Piauí ao lado do Parque Buenos Aires, e que já foi sede do Consulado do Japão, tendo tombamento pelo Conpresp, apresenta arquitetura eclética, com elementos do estilo Luís XVI modernizado, e requintados detalhes e pinturas, preservando na totalidade suas áreas internas e externas.

Na esquina das ruas Piauí e Itacolomi, à espera de nova finalidade, imponente casarão, construído entre os anos de 1910 e 1918 que já foi propriedade da família do ex-presidente Rodrigues Alves, é um dos últimos exemplares da arquitetura dos palacetes do período de ouro do café. Pertencente ao INSS, até o ano de 2003 abrigou a sede da PF (Polícia Federal), e que teve prisão funcionando em alguns de seus cômodos. Tombado pelo patrimônio histórico, entrou em um período de abandono e degradação, permanecendo fechado devido a questões judiciais.

Na Rua Maranhão em frente à Paróquia de Santa Teresinha, um prédio histórico de seis andares, e tombado pelo patrimônio, que já foi ateliê do artista modernista Di Cavalcanti, abriga galeria de arte.


Início da verticalização. Devido ao desejo da elite local por espaços segregados, Higienópolis se tornou junto com a Avenida São Luís uma das primeiras áreas a se verticalizar e abrigar edifícios de alto-padrão. Esse processo se iniciou na década de 1930. O primeiro edifício do bairro foi construído no ano de 1933, na Rua Alagoas esquina com a Avenida Angélica. O prédio de cinco pavimentos, Edifício Alagoas, foi construído onde mais tarde residiu o jurista Plínio Correia de Oliveira, fundador da Sociedade Tradição Família e Propriedade. Depois surgiu o Edifício Santo André em 1935, na esquina da Rua Piauí com a Avenida Angélica, frente ao Parque Buenos Aires, sendo construído pelo engenheiro Francisco Matarazzo e projetado pelo arquiteto francês Jacques Pilon, com painel, no hall de entrada, em alto relevo, do artista John Graz, e que foi considerado o edifício elegante da ocasião. Nesse edifício residiu a artista modernista Tarsila do Amaral. No ano de 1937, houve a construção do terceiro, o Edifício Augusto Barreto. Foi construído pelos engenheiros da empresa Barreto Xandi e Cia. e erguido por iniciativa do fazendeiro de café em Mococa, Augusto Barreto, para residência de seus familiares. O Edifício D. Pedro II, o primeiro da Avenida Higienópolis, possuidor de dois andares, foi levantado no ano posterior 1938, onde se situava casa da família de Nhonhô Magalhães. Por muitos anos foi escritório da Cia. Belgo Mineira, e o prédio passou a ser o Convento das Irmãs de Santa Zita, que se mudaram para o local quando as casas onde viviam desde o ano de 1946 foram demolidas para a construção do Shopping Higienópolis.

Efeitos da verticalização. A partir da década de 1950, o bairro começou a se verticalizar substancialmente e grande parte dos antigos casarões que o caracterizavam foram demolidos. Alguns desses palacetes foram ocupados por instituições, tais como: Na Avenida Angélica, esquina com Rua Alagoas, o palacete estilo neocolonial de dona Belinha e do jurista Eurico Sodré, passou a ser utilizado por agência bancária, tendo sua frente voltada para o Parque Buenos Aires. A Sociedade de Cultura Inglesa, se estabeleceu onde era a casa da família Fonseca Rodrigues. No ano de 1953, teve início a construção do Edifício Rotary, na Avenida Higienópolis, tendo sido doado ao Colégio Rio Branco em 1960. O Colégio Nuno de Andrade, ocupou o imóvel da família Pereira do Valle e na do advogado Antônio Caio da Silva Ramos, na Rua Itacolomi, se instalou o Colégio Higienópolis. Em 1970 foi instalada a Escola Panamericana de Arte e Design, na antiga residência de Izabel Maria de Lima, na Avenida Angélica, esquina com Rua Pará, de 1998, um projeto de Siegbert Zanettini. O prédio onde foi instalado o Colégio Nossa Senhora de Sion, o Colégio Sion, foi projetado pelo engenheiro-arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo, em estilo eclético e erguido nos terrenos do antigo Hotel Higienópolis, tendo sido gradativamente ampliado. A Capela de Nossa Senhora de Sion, provisória, foi construída mais tarde, em 1940. Em 28 de março de 1941, a atual capela tem suas obras iniciadas, seu estilo guarda as características das Capelas de Nossa Senhora de Sion de outros países. O conjunto arquitetônico foi tombado pelo Condephaat em 1986. Com tal fenômeno, o bairro tornou-se um ponto de destaque na cidade como um "mostruário" de exemplares diversos de arquitetura, ocupado quase que predominantemente por edifícios de apartamentos de múltiplos andares, como os que se seguem:

O delegado Arthur Rudge da Silva Ramos, era morador do palacete na esquina da Avenida Higienópolis com Rua Martim Francisco. Com seu falecimento, no local foi erguido o Edifício Mansão Orlandina Rudge Ramos, nome de sua esposa. A residência da família do Dr. Renato Rudge Ramos, na Avenida Angélica, deu lugar a prédio comercial. A casa de Fernando Chaves e após, residência de dona Maria Helena Prado Ramos e do doutor Eduardo da Silva Ramos, foi demolida após o falecimento do casal, sendo erguido no local o Edifício Barão de Antonina, nome em homenagem ao antepassado do proprietário, na Avenida Higienópolis.

O ex-prefeito de São Paulo, o engenheiro e urbanista Francisco Prestes Maia, residia em ampla casa do lado par, na Avenida Angélica, na região próxima da Avenida Paulista, sendo após demolida para construção de arranha-céu comercial. Em frente, lado impar, ficava a residência da família do fazendeiro de café em Campinas, José de Queirós Aranha, filho do Barão de Anhumas, também dando lugar mais tarde a novo prédio. A casa de seu filho, o jurista Cássio Egídio de Queirós Aranha, era na Rua Bahia, onde foi construído o Edifício Lafayette. Na residência do engenheiro Felix Dabus, na mesma avenida, ergueu-se o Edifício São José.

A família Gasparian habitava na Rua Pará, que deu lugar ao Edifício Solar do Conde, onde veio a residir o historiador José Aranha de Assis Pacheco e, na mesma via, o palacete da família Silva Telles sofreu demolição para dar lugar a um prédio. A pianista Guiomar Novais assim como a vizinha família Castilho de Andrade, tiveram a construção de condomínio em suas propriedades, na Rua Ceará, já liberada pelo então prefeito de São Paulo, Miguel Colasuonno. A família Rocha Campos residia na Avenida Angélica, posterior Edifício Paulistânia.

Na Rua Itacolomi, no antigo casarão do jurista Renato Egídio de Souza Aranha, ergueu-se o Edifício Marquês de Três Rios, homenagem a seu familiar. O empresário e ex-prefeito de São Paulo, Olavo Setúbal, tinha residência na Rua Sergipe, onde posteriormente foi erguido edifício de consultórios e escritórios. Na mesma rua, esquina com a Avenida Angélica, ficava a casa do jurista e professor de direito José Pedro Galvão de Souza, que deu lugar ao Edifício Palmares. E, mais adiante, na proximidade da Rua Bahia, o mesmo ocorreu com relação ao palacete do engenheiro Caio Sergio Paes de Barros, com a construção do Edifício São Vicente, denominação dada em homenagem à fazenda do mesmo nome, de seus antepassados, em Campinas.

No final da Avenida Higienópolis, esquina com a Rua Conselheiro Brotero, na antiga propriedade do jornalista Júlio Mesquita e vendida a Cássio Muniz, ergueu-se o Edifício Muniz de Sousa. Na Rua Maranhão, esquina com a Rua Rio de Janeiro o engenheiro Edgard de Sousa, superintendente da São Paulo Tramway, Light and Power Company, tinha casa térrea, no futuro, um prédio de apartamentos.

Os anos de 1940 surgiram com edificação de novos prédios a preços módicos, como o Edifício Rubayat e o Edifício Teresópolis, na avenida Higienópolis. Começou nova era para o bairro. Aconteceu o êxodo da elite deixando seus palacetes para locais mais aprazíveis, dando lugar aos edifícios para a classe média. Em 1946 o Edifício Louveira, edifício residencial com dois blocos interligados por rampa e jardins, localizado na Rua Piauí, junto à Praça Villaboim, foi projetado pelos arquitetos João Batista Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, sendo considerado importante representante da arquitetura moderna, tendo sido tombado pelo Condephaat.

Edifícios como os de Rino Levi tornaram-se logo exemplares do novo momento, tendo no Edifício Louveira, de Vilanova Artigas, um caso paradigmático. Seguiram-se a ele outros arquitetos influenciados pelo modernismo, tais como o Edifício Prudência e Capitalização, na Avenida Higienópolis (1950), de autoria de Rino Levi e Roberto Cerqueira César, com paisagismo de Burle Marx, e o Edifício Lausanne, na Avenida Higienópolis, projeto do suíço Franz Heep. Foi também local de surgimento de exemplares de uma arquitetura caracterizada pelo abuso da ornamentação de pastilhas de tonalidades vistosas, muito criticada em sua época porém hoje revalorizada, como o Edifício Bretagne, na Avenida Higienópolis e o Edifício Parque das Hortênsias, na Avenida Angélica, ambos projetados por João Artacho Jurado (1957). E ainda, pelo mesmo Artacho Jurado, o Edifício Cinderela (1956), na Rua Maranhão, em pastilhas rosa e elementos vazados que apresentam mosaicos de flores.

O Edifício Anchieta, projeto dos arquitetos Marcelo Roberto e Milton Roberto, de 1941, de um dos mais importantes escritórios da Arquitetura Moderna Brasileira, o MMM Roberto, é o último da Avenida Angélica, com frente para a Avenida Paulista.

O CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo, promove abertura do processo de estudo de tombamento de imóveis situados no Bairro de Higienópolis, assegurando a preservação dos bens até decisão final da autoridade competente, ficando, portanto, proibida, sem prévia autorização deste Conselho, qualquer intervenção nos mesmos em termos de modificação ou destruição que venham a descaracterizá-los.

Fonte: HOMEM, Maria Cecília Naclério: Higienópolis, grandeza e decadência de um bairro paulistano - Prefeitura do Município de São Paulo - Secretaria Municipal de Cultura - Departamento do Patrimônio Histórico, 1980.



O Edifício Bretagne (1959), construção projetada por João Artacho Jurado, na Avenida Higienópolis, tendo ao lado o palacete de Antonieta Cintra Gordinho e o da Cúria Metropolitana de São Paulo, e do mesmo, o Edifício Parque das Hortênsias (1957), o Edifício Piauí (1949) e o Edifício Cinderela (1956). de construção de Adolpho Lindenberg (engenheiro), na mesma confluência com a Rua Sabará, onde já havia o Domus de 1956, feito na obra de Ermanno Siffredi e Maria Bardelli. E os Edifícios Santa Francisca e Santa Cândida (1963) projetado por Salvador Candia, nas esquinas da Rua Marques de Itú com Rua Aureliano Coutinho, feitos embasados na obra de Ludwig Mies van der Rohe, todos de vidro e lajes nervuradas que dispensam colunas no interior do imóvel, são um ícone da arquitetura moderna da cidade. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (8º Distrito do IPHAN), ocupa, na Avenida Angélica nº 626, na Santa Cecília. O palacete que pertenceu a Dona Sebastiana de Souza Queiroz, de 1910, projeto do arquiteto Ramos de Azevedo, no antigo pomar da residência de Dona Angélica de Barros e que ainda conserva os portões originais para passagem dos veículos a tração animal.

Padeiro subindo a avenida Angélica. à esquerda, a rua Antônio Prado. 1945. 

A Avenida Angélica é uma via localizada nos bairros de Santa Cecília e Higienópolis, nos distritos de Santa Cecília e Consolação, na cidade de São Paulo, capital do Estado de São Paulo, Brasil.

História. Palácio de Charlottenburg, inspiração para residência de Dona Maria Angélica.
Homenageia Dona Maria Angélica de Sousa Queirós Aguiar de Barros, situando-se seu palacete (inspirado no Palácio de Charlottenburg, Alemanha), na esquina com a Alameda Barros, posteriormente demolido.

Tanto a avenida Angélica como a alameda Barros receberam seus nomes em homenagem à distinta senhora, filha do Barão de Sousa Queirós, senador do Império, abastado fazendeiro e proprietário na cidade de São Paulo, e de Antônia Eufrosina Vergueiro. Foi casada com Francisco Aguiar de Barros. Recebeu o título pessoal de baronesa outorgado pelo Vaticano, por seu trabalho de benemerência junto à Associação de Caridade Damas de São Vicente de Paulo.

O local onde hoje se situa a avenida era parte da Chácara das Palmeiras de mais de 25 alqueires, originalmente pertencente a Francisco José Leite Pereira da Gama e depois a Frederico Borghoff. Foi arrematada em leilão, em 23 de janeiro de 1874, por Francisco de Aguiar Barros.

Ocupada em seu início por chácaras, posteriormente por ricos palacetes da elite, mais tarde demolidos para darem lugar a edifícios residenciais em sua grande maioria. No nº 626, com um projeto de Ramos de Azevedo, de 1910, que pertenceu a Dona Sebastiana de Sousa Queirós, palacete construido no antigo pomar da residência de Dona Angélica de Barros, ainda conserva os portões que eram utilizados para passagem dos veículos a tração animal. Passou a pertencer ao Governo Federal, ocupado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (8º Distrito do IPHAN).

É cortada por importantes vias, como a Avenida Higienópolis, as ruas Maranhão, Piauí, esta cortando a Praça Vilaboim, a Rua Alagoas entre outras.

Abriga praças como a Praça Marechal Deodoro e o Parque Buenos Aires, que tem o parque dos cães, pensado especialmente para os cachorros, apresentando área cercada onde eles podem correr livres e se socializar. Em seu término, se encontra a Praça Marechal Cordeiro de Farias, que se localiza no final da Avenida Paulista.




MACKENZIE



Universidade Presbiteriana Mackenzie é uma instituição de ensino superior privada e confessional no Brasil. A universidade é mantida pelo Instituto Presbiteriano Mackenzie, uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos e de finalidade educacional. O associado vitalício do Mackenzie é a Igreja Presbiteriana do Brasil. Possui campi de graduação e pós-graduação em São Paulo (Campus Higienópolis), Campinas (Campus Campinas) e Barueri (Campus Alphaville). 

História. Em 1869 chega e se instala na cidade de São Paulo o casal de missionários presbiterianos George e Mary Ann Annesley Chamberlain. Em 1870, enquanto o reverendo Chamberlain empreendia viagens missionárias pelo interior do Estado, sua esposa, Mary, dedicava-se à área pedagógica na residência do casal. Três crianças, sendo dois meninos e uma menina, foram os primeiros alunos de um sistema educacional em turmas mistas, sem os castigos físicos adotados na época. Nascia, assim, uma escola socialmente responsável e integrada à sociedade.

George Whitehill Chamberlain. Em 1871, a escola da senhora Chamberlain mudou-se para um novo endereço, rua Nova São José, atual Líbero Badaró. A partir de 1872, as aulas passaram a ser pagas – 12 mil réis por trimestre – concedendo-se bolsas parciais e integrais para os alunos carentes. Aceitando a proposta do jornalista José Carlos Rodrigues, adotou-se o nome de Escola Americana. Estudaram na escola nessa época tanto filhos de escravos como de famílias tradicionais.[carece de fontes]

Em 1876, uma nova mudança, agora para a esquina das ruas Ipiranga e São João, com a implantação de dois novos cursos: Escola Normal e o Curso de Filosofia (nível superior). Em 3 de setembro do mesmo ano, era inaugurado um edifício de tijolinhos, cuja parte superior fora reservada para o internato feminino, e o térreo para dois escritórios e três espaçosas salas de aula. Em 1879, Dona Maria Antônia da Silva Ramos, baronesa de Antonina, vendeu ao Reverendo Chamberlain, por 800 mil réis, área de sua chácara em Higienópolis, onde pastavam os cavalos que puxavam suas carruagens e escravos plantavam frutas e hortaliças.

Finalmente, em 1880, adquiriu-se uma área de 27,7 mil metros quadrados no bairro de Higienópolis. A fama da Escola Americana não se restringia ao Brasil, chegando aos ouvidos do advogado americano John Theron Mackenzie que, sem nunca ter vindo ao Brasil, fez constar em seu testamento, em 1890, uma doação à Igreja Presbiteriana americana para que se construísse no Brasil uma escola de Engenharia. Desta forma, tem início o nome utilizado até hoje: Mackenzie. Em fevereiro de 1896, já em Higienópolis, teve início o primeiro ano letivo da Escola de Engenharia Mackenzie, sendo os diplomas ainda expedidos pela Universidade de Nova Iorque.[carece de fontes]

Na década de 1940, o Mackenzie começou introduzir novas unidades e cursos, como a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras em 1946; Faculdade de Arquitetura, em 1947 e a Faculdade de Ciências Econômicas, em 1950. Em 1952, com quatro escolas superiores, o Mackenzie é reconhecido por meio de decreto assinado pelo então presidente Getúlio Vargas como uma universidade. Neste mesmo ano, Dr. Henrique Pegado assume a primeira reitoria da universidade. Em 1955 se iniciam as aulas da primeira turma da então criada Faculdade de Direito, que desde sua fundação destaca-se como uma das escolas mais tradicionais de São Paulo.

Em 1965, o Mackenzie nomeia Esther de Figueiredo Ferraz para o cargo de reitora. Ela foi a primeira mulher a assumir um cargo de reitora em universidades brasileiras. Ainda durante o mandato de Esther de Figueiredo Ferraz, alunos da Presbiteriana Mackenzie e da Universidade de São Paulo entraram em um conflito conhecido como a Batalha da Maria Antônia. Na época a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (que depois mudou o nome para FFLCH) era na rua Maria Antônia. Houve um grande conflito violento e sangrento entre os alunos pró-ditadura e contra-ditadura, evento que ficou conhecido como a Batalha da Maria Antônia. Os estudantes de esquerda, opositores ao regime militar, se concentraram no prédio da USP, em contra partida, os alunos direitistas locaram-se no prédio Mackenzista, grupo denominado de CCC - Comando de Caça aos Comunistas.[ Pelas diferenças ideológicas contrastantes, o conflito foi inevitável e só acabou com a repressão da Tropa de Choque solicitada pela então reitora Esther de Figueiredo Ferraz.[carece de fontes]

Em 1970 o Mackenzie abre a Faculdade de Tecnologia para suprir os vários setores tecnológicos do mercado de trabalho de profissionais qualificados em cursos superiores. A Faculdade de Tecnologia se tornaria, em 1999, a Faculdade de Computação e Informática.

O campus São Paulo possui atualmente mais de 50 prédios e está localizado no bairro de Higienópolis. Cerca de 35 mil alunos frequentam mais de 40 cursos nos diversos campi do Mackenzie. As unidades de São Paulo e Tamboré oferecem desde a educação infantil à pós-graduação. 


FAAP


A Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) é uma instituição de ensino superior privada de caráter filantrópico e também uma das mais prestigiadas universidades do país. Possui campi em duas cidades: São Paulo; e Ribeirão Preto. Foi fundada em 1947 e contribui com a cultura, através do Museu de Arte Brasileira, do Teatro FAAP, do Colégio FAAP, da biblioteca (criada em 1959) e das faculdades. 

A FAAP nasceu em 1947 do sonho do conde Armando Alvares Penteado de criar uma escola de artes e um museu. Desde sua fundação, em 1947, expandiu sua missão inicial e criou um centro universitário de excelência, além de manter o Museu de Arte Brasileira (MAB), o Teatro FAAP, o Cine FAAP e programas de residência artística em São Paulo e Paris. Penteado tinha o sonho de colocar São Paulo, uma metrópole que começava a se modernizar, no mapa mundial das artes. Entusiasta do desenho, pintura, escultura e tecnologia, ele decidiu financiar a criação de uma “Eschola de Bellas Artes com uma Pinacoteca para quadros originais”. Infelizmente, não teve tempo de ver seu projeto tomar forma, mas deixou as instruções para a fundação da FAAP estabelecidas em seu testamento. No ano seguinte à morte do conde, sua viúva, Annie, e seu irmão, Sílvio Alvares Penteado, decidiram concretizar seu desejo. Sílvio foi o primeiro presidente da FAAP. A dupla contou com a ajuda decisiva de Celia Scarpa Comenale, melhor amiga de Annie, que desde sempre ajudou a tocar os projetos. 

Em 1948, foi lançada a pedra fundamental para as obras de construção da Escola de Artes e do Museu, que seguiria pelas próximas décadas. Assim começava a tomar forma o novo monumento à cultura e à educação de São Paulo. O projeto do prédio 1 da FAAP foi encomendado ao arquiteto francês Auguste Perret, um dos mais importantes de seu tempo. É a única obra dele na América Latina. Antes mesmo da conclusão do prédio principal, no entanto, a instituição começou a ministrar em 1954 os primeiros cursos de artes, em um prédio anexo. O trabalho de Perret foi coroado em 1959 com a instalação de um majestoso conjunto de vitrais no átrio central do prédio da FAAP. Projetado por Claudia Andujar, os vitrais causaram espanto, tanto pelo tamanho, com 350m², um recorde nacional para a época, quanto pela qualidade dos artistas convidados a colaborar com obras: Lasar Segall, Candido Portinari, Tarsila do Amaral, Tomie Ohtake, Lina Bo Bardi, Colette Pujol, Bruno Giorgi, entre outros. Os vitrais se tornaram um ícone das artes brasileiras. 

Em 1960 acontece a Inauguração do Museu de Arte Brasileira (MAB FAAP). A primeira exposição foi em agosto de 1961, dedicada aos 300 anos do Barroco no Brasil. A exposição reuniu 184 peças de pintura, ourivesaria, mobiliário, numismática e documentos. Na ocasião, Annie Penteado foi agraciada pelo então presidente Jânio Quadros com a Comenda Nacional do Mérito. As réplicas em gesso de esculturas de Aleijadinho, feitas a partir dos originais do artista mineiro, estão até hoje expostas no prédio principal.

Em 1967 a  FAAP torna-se uma Faculdade. Com a criação da Faculdade de Artes Plásticas e Comunicações, a FAAP ganha seu primeiro curso universitário. No ano seguinte, o governo federal reconheceu a Fundação como entidade de utilidade pública, reafirmando mais uma vez o compromisso da FAAP com o desenvolvimento educacional e cultural de São Paulo e do Brasil. Ao longo da década de 1970, a FAAP continua a investir no ensino superior e a ampliar a oferta de cursos, além de aprimorar os já existentes. Durante esse período foram lançadas as Faculdades de Administração, Economia, Engenharia, Rádio e TV e Cinema.

Em 1976 o Teatro FAAP já é um dos mais tradicionais e importantes da capital paulista, tendo se firmado como uma referência no universo das artes dramáticas. Inaugurado nos anos 1970, já recebeu diversos artistas de renome e produções que marcaram época. Até hoje é parada obrigatória para todos aqueles que apreciam e valorizam o teatro em São Paulo.




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VII

A VÁRZEA DO CARMO E O RIO TAMANDUATEÍ


Várzea do Carmo e Rio Tamanduateí, de José Wasth Rodrigues (1858), retrata lavadeiras ao Tamanduateí, casas e o Convento do Carmo


Várzea do Carmo era a denominação de uma das zonas centrais da cidade de São Paulo, adjacente ao Convento do Carmo e freqüentemente atingida pelas cheias do rio Tamanduateí, inicialmente conhecido como Piratininga. Em 1821, o Major de Engenheiros Pedro Arbues Moreira apresentou ao governo uma proposta de desaguamento da Várzea do Carmo, com a abertura de um canal de 40 palmos de largura. Por ser uma obra muito cara não foi executada. Durante a presidência do Padre Dr. Vicente Pires da Mota foram feitas muitas melhoras no local, entre elas a mudança no curso do rio Tamanduateí. Na administração dos presidentes João Teodoro Xavier e João Alfredo Correia de Oliveira, foram realizadas várias obras com o objetivo de preservar o local das inundações.

O saneamento integral e a recuperação da Várzea do Carmo foi um processo lento. Após a canalização do rio, que só foi concluída na segunda década do século XX, o topônimo caiu em desuso e, hoje a zona é - grosso modo - equivalente ao Parque Dom Pedro II.

Na Várzea do Carmo, em São Paulo, em 14 de abril de 1895, foi realizada uma partida de futebol entre ingleses e anglo-brasileiros, formados pelos funcionários da Companhia de Gás e da Estrada de Ferro São Paulo Railway. Essa é considerada a primeira partida de futebol do país. O amistoso terminou em 4 a 2, com vitória do São Paulo Railway.

A Companhia da Várzea do Carmo

A Companhia Mêcanica, que havia efetuado grande parte da canalização do rio Tamanduateí, recebeu a proposta da Prefeitura para realizar a urbanização da Várzea. Tratava-se de executar o projeto então elaborado para o parque. Como o Tesouro Municipal não dispunha de recursos, o prefeito Washington Luís Pereira de Sousa propôs que o serviço fosse pago com os terrenos remanescentes, que pertenciam ao Município. A Companhia Mecânica, por ser uma poderosa organização empreiteira, não achou vantajosa essa troca de terras por serviços e desistiu.

O prefeito tinha como secretário o Sr. Antônio Almeida Braga, que se propôs a conseguir os recursos necessários para a urbanização por meio de uma companhia a ser construída. Assim surgiu a Companhia da Várzea do Carmo, que tinha como presidente o Visconde de Moraes. Para o Conselho Fiscal foi nomeado o engenheiro Ricardo Severo da Fonseca e Costa, sócio do escritório de Engenharia e Construções Ramos de Azevedo. Os escritórios dessa nova Companhia ficavam no prédio do Banco Português do Brasil, na rua XV de Novembro.

Em 1921 o canal do Tamanduateí foi concluído, junto com o ajardinamento da área, atraindo multidões à procura de trabalho. Dois anos depois o serviço estava completamente terminado e teve início a venda de lotes, que eram em média de duzentos metros quadrados com sete metros de frente. Os dois maiores lotes foram adquiridos pela Prefeitura para a construção do Mercado Central (atual Mercado Municipal de São Paulo).

Com os trabalhos de urbanização do parque e canalização do rio, mudava-se o leito antigo para transformar-se na rua 25 de Março. Ali existia um movimentado porto, com grandes e rústicos armazéns. Dessa extinta atividade restou a denominação Ladeira Porto Geral. Também desapareceram os portos do Tamaduateí, denominados Beco das Barbas, na atual Ladeira Porto Geral, da Figueira, na foz do Anhangabaú; da Tabatinguera, diante da rua de mesmo nome. Já o rio estava difícil de navegar devido aos bancos de areia, entulhos e aguapés.

História. Antes de se tornar o Parque Dom. Pedro II, toda região era denominada Várzea do Carmo, várzea por ser uma área que se inunda pelas cheias do rio Tamanduateí e rio do Carmo , este que se encontrava próximo a igreja do Carmo, que também nomeava a ladeira e ponte ao final dela ( região hoje conhecida como Avenida Rangel Pestana). O rio Tamanduateí teve por anos suas margens utilizadas para banhos, pelas lavadeiras e também para o despejo de lixos. As recorrentes enchentes se tonaram um problema para a população, pois foi responsável por trazer doenças às pessoas, por conta da insalubridade da Várzea. Com a intenção de resolver este problema, em 1810, uma vala foi construída no centro da Várzea para barrar os alagamentos.

Em 1822, ao visitar a cidade de São Paulo o botânico francês Auguste Saint-Hilaire, caracterizou a Várzea de Carmo como uma “planície sem acidentes que apresenta uma encantadora alternativa de pastagens rasteiras e de capões de mato pouco elevados […] nas partes em que há mais água, o solo é entremeado de montículos cobertos de espessos tufos de relva.” e o rio Tamanduateí como quem ia serpenteando a região com suas sete voltas[5]. Beco das sete voltas era denominada essa pequena parte que margeava o rio. em uma das setes voltas ficava o Porto Geral, que recebeu esse nome por ser o mais movimentado dos portos do rio. Eles duraram até 1849, quando se iniciaram obras para a retificação do rio. O Beco virou uma rua, que hoje é conhecida por 25 de março.

No fim do século XIX, a obra ganhou força para ser terminada. João Theodoro, em sua gestão, com o objetivo de transformar o rio em uma reta, especialmente na região do Brás e Luz, realizou a canalização da primeira parte do rio. Ainda, Theodoro foi responsável por colocar jardins e projetar a Ilha dos Amores, o que o transformou como um dos primeiros urbanistas do país. Em 1890, além de tentar encontrar novas soluções para as enchentes que ainda atingiam a população, o poder público discutia um plano de "embelezamento" da Várzea do Carmo.

Para que uma decisão fosse tomada, pelo executivo paulistano, sobre a situação das enchentes, foram 30 anos de discussões e debates. Em 1910, então, foi decido erguer um parque, onde participariam a iniciativa privada, o poder público municipal e estadual. Ideia que foi aprovada em 1914 e entregue a população em 1922. Assim, deixa de existir a Várzea do Carmo e surge o Parque Dom. Pedro II que se torna um dos mais importantes espaços públicos de São Paulo, por conter grande variedade de árvores. Em 1924, considerando a ideia do poder paulistano e a importância de transformar a região, foi contemplado o Palácio das Industrias.

Com o crescimento demográfico e econômico da cidade, na década de 30, a maioria das construções dos tempos coloniais e do império foram destruídas e a cidade foi deixando de possuir característica "europeia". Além disso, nesse período surge o Plano das Avenidas que mudaria totalmente a estrutura do parque.

A primeira proposta voltada para à cidade de São Paulo foi feita pelo engenheiro Prestes Maia que, ao se tornar prefeito em 1938, começou a executar seu plano. A principal característica de sua ideia era a tentativa de fazer uma "cópia" das metrópoles americanas, e ter uma política voltada para o transporte rodoviário.

O parque sofreu intervenções e teve sua estrutura alterado, no final dos anos 50, como a pavimentação da Avenida do Estado no trajeto do Tamanduateí, a criação de cinco viadutos e diversas outras obras. A propósito, a concepção da Avenida do Estado, foi o marco para o início da degradação do parque. A estação do metrô Pedro II, o terminal de ônibus, surgido em 1971, e outras ideias do poder público, foram de gradando e destruindo o espaço do parque, que resultou no que temos hoje: apenas um espaço de transição e não mais de interação com a cidade.


O processo de urbanização na região central da cidade de São Paulo no século XIX perpassou o rio Tamanduateí que inicialmente era chamado de Rio Piratininga, daí o nome da cidade de São Paulo, quando ainda era uma Vila (São Paulo de Piratininga). O curso natural do rio compreendia uma série de voltas até encontrar o seu afluente Anhangabaú, de forma que os bairros do centro da cidade surgiram adaptados ao seu contorno. O rio tem papel chave nesse momento de desenvolvimento da cidade de São Paulo, sendo via de transporte para mercadorias, local de pesca e ponto de encontro de lavadeiras. 

A várzea do Tamanduateí, assim como a Várzea do Carmo, eram utilizadas para banhos e faziam parte da vida social de São Paulo durante o período de urbanização da cidade. Artistas como Antonio Ferrigno, Arnaud Julien Palliè e Benedito Calixto retrataram entre o final do século XIX e início do século XX o rio Tamanduateí como integrado à paisagem de São Paulo, servindo à sua comunidade, embora ainda fosse um marco do limite geográfico de São Paulo, de onde podia se partir em direção ao Rio de Janeiro. Autores também descreveram a várzea do rio e o baixo da Ladeira do Carmo por seu teor operário, fabril e pobre, em oposição à região do Anhangabaú que com suas palmeiras imperiais e construções planejadas ostentava a rica economia do café paulista.Em 1848, houve os primeiros esforços na eliminação das curvas sinuosas do rio Tamanduateí a fim de conter suas enchentes na região central de São Paulo, durante a gestão de João Theodoro.

Entre as décadas de 1870 e 1880, o rio Tamanduateí foi um dos pontos de lazer do paulistano, quando a "Ilha dos Amores", que era uma pequena ilhota ajardinada existente nas proximidades da atual Rua 25 de Março, mantinha quiosques com bebidas e comidas, além de uma casa de banho e espaço para o descanso, permitindo, assim, um local de entretenimento e lazer para a população, estimada nesta época em 31 mil habitantes conforme o censo de 1872. Após vários alagamentos, a ilha foi abandonada e deixou de existir no início do século XX, quando ocorreu a segunda retificação do rio. O Tamanduateí, até o início do século XX, foi um via de transporte fluvial, atendendo o Mercado Grande (ou Mercado Velho) e o Mercado dos Caipiras que existiam na antiga Rua de Baixo, atual rua 25 de Março, quando barcos transportavam mercadorias e escravos até o porto denominado de Ladeira Porto Geral. Frequentemente alagado por estar na área da várzea do Tamanduateí, o local ficou conhecido também como "beco das sete voltas".[Textos e imagens da Wikipedia]

Lavadeira à margem do Tamanduateí na década de 1910.



Rio Tamanduateí nos anos 1920. 

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ABASTECIMENTO E GASTRONOMIA PAULISTANA



Bairros de Pinheiros e Butantã na Planta da Cidade de S. Paulo Mostrando Todos Os Arrabaldes e Terrenos Arruados (1924)

Pinheiros e São Miguel Paulista são considerados os dois primeiros bairros paulistanos, em função de sua criação relacionada à Vila de São Paulo, inicialmente como aldeamentos, posteriormente convertidos em freguesias e vilas. No início do século XVII, o Caminho de Pinheiros era um dos mais destacados da Vila de São Paulo, por ser o único acesso à aldeia e às terras além do rio, no sentido oeste. Em 1786 iniciou-se a construção de uma estrada ligando Pinheiros aos campos de Santo Amaro, que hoje corresponde à Avenida Brigadeiro Faria Lima. No final do século XIX, essa estrada foi sendo estendida para o sentido oposto até a Lapa, recebendo inicialmente o nome de Estrada da Boiada, hoje correspondente aos trechos designados por Rua Fernão Dias, Rua dos Macunis e Avenida Diógenes Ribeiro de Lima. A progressiva mudança na configuração do bairro, em função do aumento do número de casas e ruas foi documentado nos mapas publicados nos anos seguintes: na primeira década do século XX foi construída a Rua Arco Verde (atual Rua Cardeal Arco-Verde) e instalada, na Rua Teodoro Sampaio, a linha de bonde ligando Pinheiros ao centro de São Paulo: iniciada em 1904, a linha de bonde passava pelo cemitério do Araçá e chegava até o cruzamento da Rua Teodoro Sampaio com a Rua Capote Valente. O Largo de Pinheiros foi contemplado com essa linha de bonde somente em 1909, após drenagem e aterro em toda a área entre os dois pontos.[Textos e imagens da Wikipedia]


Instalações da Cooperativa Agrícola de Cotia (década de 1920) no Largo da Batata, onde os agricultores de Cotia comercializavam batatas e outros produtos agrícolas.

O Mercado de Pinheiros foi inaugurado em 1910 e inicialmente não passava de uma área cercada por arame farpado com pequeno galpão no centro, onde agricultores locais e de Itapecerica da Serra, Carapicuíba, Piedade, M'Boy, mas principalmente de Cotia, comercializavam seus produtos. A área que ficava entre o Mercado de Pinheiros e o Largo de Pinheiros e que, a partir do início do século XX, começou a receber os agricultores de Cotia (predominantemente japoneses) que dirigiam-se à região para comercializar batatas (o principal produto agrícola de Cotia nas primeiras décadas do século XX) e lá estacionavam suas carroças e animais, acabou sendo denominada, por essa razão, de Largo da Batata.

Na década de 1910 o bairro foi ampliado, com a construção do novo bairro operário da Vila Cerqueira César e de um bairro operário entre as atuais ruas Fernão Dias, Padre Carvalho e Ferreira de Araújo, ambos a partir do modelo dos bairros operários da Mooca e do Brás, constituídos de ruas curtas e casas pequenas, com a frente junto à calçada e com as paredes laterais próximas das casas vizinhas, sem espaço frontal ou lateral para jardins, porém com quintal e, eventualmente, edícula nos fundos. Com isso, intensa modificação do perfil do bairro: em 1915 inaugurou-se a iluminação pública e, em 1929, iniciou-se o serviço de água encanada e a pavimentação das ruas com paralelepípedos. Ao mesmo tempo, o espaço entre o bairro de Pinheiros e o centro de São Paulo foi rapidamente urbanizado, passando a ser facilmente percorrido por meio do bonde. O início da construção, em 1922, da BR-2 ou Estrada São Paulo-Paraná (futura Rodovia Raposo Tavares), sobre a antiga Estrada de Cotia ou Estrada de Sorocaba (anteriormente Caminho das Tropas), acelerou o desenvolvimento da região e atraiu os agricultores de Cotia a comercializarem seus produtos no Mercado de Pinheiros, fazendo com que a Cooperativa Agrícola de Cotia instalasse galpões de armazenamento no local que, por essa razão, passou a ser conhecido como Largo da Batata.[Textos e imagens da Wikipedia]

São Paulo - 1906. Bonde de Transporte de Carne Saindo Do Matadouro Municipal De Vila Clementino. Em 1903 Foram Adicionados Dois Carros Motores E Quatro Reboques.Hoje no local funciona a Cinemateca Brasileira, fica no Largo Senador Raul Cardoso, prédio preservado.. Amo SP



Mercado Municipal - SP - 1933. Projetado por Ramos de Azevedo, inaugurado em 25 de janeiro de 1933. SP e suas Histórias. 


Mercado Municipal. O edifício, em estilo eclético, foi projetado em 1925 pelo engenheiro Felisberto Ranzini, funcionário do escritório do renomado arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo, sendo o desenho das fachadas de Felisberto Ranzini. Sua construção se deu entre os anos de 1928 e 1933. Trata-se de um representante da arquitetura da "Metrópole do Café" quando a cidade buscava a valorização de suas áreas centrais, associada a uma ideia de modernidade e adequada com o aquecimento econômico proveniente da produção cafeeira. Por outro lado, a construção do Mercado Municipal também se enquadra à adoção de preceitos higienistas que ocorreram entre o início do século XIX até meados do XX. Inspirados em modelos de cidades europeias, e ainda receosos com surtos epidêmicos ocorridos em diversas cidades brasileiras no período, os arquitetos brasileiros apostaram em novos modelos para a edificação de mercados públicos e outros equipamentos de infraestrutura urbana. A inauguração aconteceu em 1933. Além de sua importância histórica, o "Mercadão" também possui uma enorme importância na gastronomia tradicional da cidade de São Paulo, possuindo grandes variedades de lanches, aperitivos, frutas entre outros. A refeição mais popular do "Mercadão" é o tradicional lanche de mortadela, como também o bolinho e o pastel de bacalhau, além de uma variedade de amendoins, frutas (cristalizadas ou não), queijos e presuntos.[Textos e imagens da Wikipedia]

Construção do mercado  na década de 1920.#SPFotos

Movimento informal no entorno do Mercado Municipal nos anos 1940. Acervo do Instituto Moreira Salles.


Trânsito no entorno do Mercado Municipal nos anos 1947. 



Boxes internos do Mercado 


MERCADO DA LAPA




O Mercado Municipal da Lapa foi idealizado pelo vereador Iapeano Ermano Marchetti, projetado e construído pela Prefeitura do Município de São Paulo, conforme lei 4.162 de 28.12.1951. O prédio de forma triangular foi considerado na época um dos mais modernos e recebeu elogios de engenheiros de outros países da América Latina.

Com uma área construída de 4.840m², foi inaugurado no dia 24 de agosto de 1954, ano em que se comemorava o 4º centenário de São Paulo, justamente no dia do falecimento do então Presidente Getúlio Vargas. Só havia 40 boxes prontos, a maior parte deles ocupados por comerciantes de um extinto mercadinho da Rua Clélia, quase todos imigrantes recém-chegados da Europa, principalmente da Itália.

Os primeiros clientes a aparecerem no Mercado foram os fiéis imigrantes europeus, os quais encontravam grande parte dos produtos vindos da terra natal. Eram vinhos, uísques, bacalhau, peixes, funghis italianos e azeites.

Hoje, o mercado da lapa está muito mais estruturado e moderno, conta com 96 lojas. O consumidor encontra produtos como: bebidas, queijos e vinhos de diversas procedências, tabacaria, ervas medicinais, temperos e especiarias, iguarias, conservas, pescados, frutos do mar, embutidos, carnes exóticas e carnes com cortes especiais. Além também de produtos de decoração, utensílios domésticos, produtos de limpeza, armarinhos, presentes, entre outros. Pode-se curtir momentos agradáveis nas lanchonetes, saboreando o tradicional Pão com Mortadela caprichado ou Pastel de Bacalhau delicioso. É um charmoso ponto de encontro dos paulistanos de diversas gerações.


CEASA E CEAGESP



A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP), ou simplesmente CEAGESP, é uma empresa pública federal brasileira, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar[2]. É uma das principais empresas estatais de abastecimento, o terceiro maior centro atacadista de alimentos do mundo e o primeiro do Brasil e da América Latina. Com sede em São Paulo, localizada na Avenida Doutor Gastão Vidigal, nº 1.946, opera atualmente em 21 municípios do Estado de São Paulo, conta com duas unidades de negócios distintas e que são complementares: a armazenagem e a entrepostagem. Foi instituída em 31 de maio de 1969, em decorrência da fusão de duas empresas do setor de abastecimento agroalimentar pertencentes ao governo do Estado de São Paulo, a Companhia de Armazéns Gerais do Estado de São Paulo - CAGESP e o Centro Estadual de Abastecimento S/A - CEASA. A empresa opera como agente do sistema de abastecimento agroalimentar na área de agronegócios, atua diretamente nas atividades de armazenagem e entrepostagem, promovendo a guarda e conservação de mercadorias de terceiros em armazéns, silos (grandes depósitos, em forma de cilindro, para guardar produtos agrícolas) e frigoríficos e na instalação de entrepostos para, sob sua administração, permitir o uso remunerado de seus espaços para a comercialização de produtos agrícolas por terceiros. Mantém a maior rede pública de armazéns, silos e graneleiros (locais que recebem ou abrigam mercadorias a granel) do Estado de São Paulo, ao mesmo tempo em que contribui para escoar as safras, que movimentam o comércio atacadista e varejista e barateiam os custos para o consumidor, e tem como compromisso executar a política do abastecimento alimentar no âmbito do sistema nacional.

A CEAGESP surgiu em 31 de maio de 1969, resultado da fusão de duas empresas mantidas pelo governo de São Paulo: o Centro Estadual de Abastecimento (CEASA) e a Companhia de Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (CAGESP); e o novo nome foi escolhido pelo então governador do Estado, Abreu Sodré. Desde o início, a empresa centraliza o abastecimento agroalimentar de boa parte do país e rapidamente consolidou sua atuação nas áreas de comercialização de hortícolas e armazenagem de grãos. Em 1977, quando a companhia ampliou o Mercado Livre do Produtor no entreposto da capital paulista, a comercialização atingiu o recorde de 6,2 mil toneladas de produtos vendidos num só dia, superando o maior mercado do mundo, o Paris-Rungis, na França.Ainda hoje, o Entreposto Terminal São Paulo (ETSP) é considerado o terceiro centro de comercialização atacadista de perecíveis do mundo – depois de Paris e Nova York – e o maior da América Latina, com a movimentação de 250 mil toneladas de frutas, legumes, verduras, pescados e flores a cada mês.

A rede de armazenagem também acompanhou o crescimento da companhia. Em 1970, a Ceagesp construiu os primeiros silos horizontais do país, acoplados a graneleiros. Na época, a rede recebia os estoques reguladores do governo federal, comprados em vários estados e armazenados em cidades do interior de São Paulo. No final dos anos 1970, a empresa iniciou o processo de descentralização, inaugurando em São José do Rio Preto a primeira unidade de comercialização fora da capital. Atualmente, a companhia mantém 11 unidades no interior, próximas a polos de produção e consumo.[9]

Nos anos 1980, a empresa também investiu no atendimento ao consumidor. Criou o primeiro varejão com produtos frescos a preços controlados. Em 1983, vieram os sacolões para vender legumes e verduras por quilo a preço único. Em 1984, surgiram os comboios, que funcionavam como mini-varejões. A partir de 1986, os armazéns da CEAGESP passaram a abrigar açúcar ensacado, por conta da expansão da cultura de cana-de-açúcar que, ao lado da laranja, assumiu a liderança da agricultura paulista.

Na década de 1990, a CEAGESP estava com dívidas de cerca de R$ 180 milhões com o Banespa, e o governo de São Paulo anunciou que leiloaria a companhia na Bolsa de Valores, em 1996. Foi estipulado o valor de venda de 98,9% das ações por cerca de R$ 250 milhões. Foram realizadas duas tentativas de leilão. A primeira tentativa foi cancelada por falta de comprador e a segunda porque o único consórcio interessado na compra informou que não tinha condições de fechar negócio.

Em 1997, a CEAGESP foi federalizada e o patrimônio da Companhia entrou como parte do pagamento da dívida do estado de São Paulo com a União. A companhia foi vinculada ao Ministério da Agricultura, entre 2019 foi transferida e permaneceu vinculada ao Ministério da Economia até o final de 2022, e desde a publicação do Decreto nº 11.338, de 1º de janeiro de 2023, passou a compor a estrutura do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. A CEAGESP foi incluída no Programa Nacional de Desestatização em outubro de 2019, por meio do Decreto nº 10.045/2019.

A CEAGESP mantém a maior rede pública de armazéns do Estado de São Paulo, são 17 unidades ativas situadas próximas aos polos produtivos presentes na capital e no interior de São Paulo. Os serviços prestados na rede armazenadora são: armazenagem; limpeza; secagem; expurgo; classificação vegetal; recepção; ad-valorem; embarque; e serviços complementares. Os principais itens armazenados são: produtos à granel, como grãos, açúcar e pellets; produtos agrícolas em sacos e/ou bags; e produtos industrializados de acordo com a estrutura disponível em cada unidade. Os principais clientes são: pequenos, médios e grandes produtores agrícolas, usinas de açúcar, moinhos, cooperativas agrícolas, importadores, exportadores e órgãos do Governo.


Mercadão de frutas - ETSP.

Outra atividade de grande importância desenvolvida pela Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais (CEAGESP) é a entrepostagem (depósito ou venda de mercadorias), são 13 unidades de entrepostos atacadistas que funcionam como ponto de encontro de produtores e comerciantes presentes na capital e no interior de São Paulo.[As unidades de entrepostagem, também conhecidas popularmente como CEASA, operam como canais de distribuição da produção regional para feiras-livres, supermercados, sacolões, restaurantes e distribuidoras de hortifrutícolas. Ao mesmo tempo em que contribuem para escoar as safras, movimentam o comércio atacadista e varejista e barateiam os custos para o consumidor. As principais atividades desenvolvidas nos entrepostos são: atacado, varejão, feira de flores e pescado. O Entreposto Terminal São Paulo (ETSP), que é a maior central de abastecimento de frutas, legumes, verduras, flores, pescados e diversos (alho, batata, cebola, coco seco e ovos) da América Latina, chegam os mais variados produtos, vindos de 1.495 municípios brasileiros e de 18 países. Os principais clientes são: pequenos, médios e grandes produtores agrícolas, cooperativas agrícolas, importadores, exportadores e órgãos do Governo. Ainda, atendem às pessoas que desejam trabalhar por conta própria como ambulante e carregadores autônomos.

Banco de Alimentos. Criado em 2003, Banco CEAGESP de Alimentos (BCA) tem como principal objetivo receber, selecionar e distribuir diariamente excedentes da comercialização atacadista, em geral oriundos de produtores e comerciantes locais. Esses produtos, por razões variadas, estão fora do padrão para a comercialização, mas em excelente condição para o consumo humano. Os alimentos coletados junto aos comerciantes e distribuídos diretamente aos beneficiários são produtos que mantêm bom estado de conservação e condições de consumo, como a durabilidade e o valor nutritivo, mas que não são comercializados por conta de algum defeito, como um amassado ou mancha na casca, o que torna o seu valor e atração de comercialização menor. O esforço do Banco Ceagesp de Alimentos foi reconhecido com duas premiações muito importantes: o troféu Bronze na competição realizada pela WUWM 2016 (sigla em inglês para União Mundial dos Mercados Atacadistas), na Polônia, que teve como tema “Eficiência na redução da perda e desperdício de alimentos no mercado”.

Eventos. Ao longo do ano, a CEAGESP promove diversos eventos gastronômicos, sendo o principal deles o Festival de Sopas da CEAGESP, que ocorre há mais de cinco décadas consolidando-se como um dos mais tradicionais festivais de inverno na capital paulista.. O festival atrai milhares de pessoas todos os anos e oferece diversas opções de caldos e cremes, como: Sopa de Cebola, Sopa de Rabada com Agrião, Sopa de Bobó de Camarão, Creme de Couve-flor com Roquefort, Sopa de Legumes com Shitaki e Capeletti in Brodo. O cardápio muda ao longo do período do festival, incluindo sempre novos sabores de cremes e caldos.


PRATOS POPULARES 


Jô Soares saboreando um dos  sanduíches mais tradicionais  do centro de SP.

A variedade da comida popular paulistana é encontrada numa grande diversidade de lugares  e situações como os eventos as feiras, os jogos nos estádios e campos improvisados , nas feiras, calçadas, nos restaurantes, botecos, lanchonetes, pontos de ônibus, estações do metrô, praças, prédios comerciais e públicos, shoppings, enfim, onde houver alguma chance da procura pela fome e oferta do que comer. 

Inúmeras publicações e reportagens já listaram os pratos típicos e preferidos em diversas épocas, revelando sempre uma enorme riqueza de culturas, preferências e gostos. 

Claro que sempre alguns desse pratos podem ser muitos mais lembrados e outros até esquecidos mas, no geral, esses são os mais citados e consumidos: 

a coxinha, a esfiha, o quibe e o pastel;

 o pão na chapa com pingado (café com leite);

o churrasquinho de rua, o cachorro-quente, o milho verde;

os sanduiches de pernil e de mortadela, o misto quente e o baurú;

a pizza, o virado à paulista, a feijoada, o picadinho;

o sonho, o brigadeiro, o beijinho, a trufa, a vitamina de frutas e o churro. 

Sempre tem por perto uma sorveteria, um carrinho de pipoca e de algodão doce;

uma bomboniere de guloseimas;

os restaurantes de nacionalidades,

as churrascarias gaúchas com seus fartos rodízios, 

as casas e restaurante do Norte 

as lanchonetes comuns e de redes de hamburgueria; 

as pastelarias;  

e finalmente os queridíssimos cafés  e seus pães de queijo. 

Pronto, falamos tudo. Quase tudo... porque existe na cidade e nos arredores uma imensa diversidade de colônias e redutos de povos estrangeiros e também das comunidades nacionais e estrangeiras, sempre contribuindo para uma constante renovação de hábitos e costumes.

Esquecemos alguma que não poderia ter ficado de fora? 

Então, bom apetite!

ALGUNS DOS MUITOS PONTOS HISTÓRICOS


Avenida Faria, 1973. Os primeiros espaço fast-food da cidade. 




O Gato que Ri, no Largo do Arouche nos anos 1960.

O Gato que Ri é um patrimônio de São Paulo, ainda em pleno funcionamento no largo do Arouche. A cantina foi fundada em 1951 pela italiana Amélia Montanari, a dona Amélia, que, recém-chegada de Vêneto, começou a servir massas caseiras preparadas por ela. Fez-se fama a lasanha verde, que até hoje recebe o incremento de molho à bolonhesa e molho branco intercalados com a massa, feita de espinafre. É histórica a cena do músico Adoniran Barbosa sentado em uma cadeira, em frente à porta do restaurante, na calçada, com uma dose de uísque, a batucar samba na caixinha de fósforo. Ele tinha o costume de levar o nhoque ao sugo para comer com a mulher, Matilde, em casa. A cantina, que nasceu de um pequeno espaço e hoje ocupa um salão espaçoso e alegremente barulhento, mantém um cardápio extenso, que traz, para além das massas, risotos, carnes, peixes, sopas e um galeto desossado com arroz à grega e purê de batata.- Gurmit Guide


O Gigetto chega aos 70 anos
muito mudado, distante daquele que foi provavelmente o restaurante mais conhecido, animado e badalado, que reunia "toda São Paulo", era ponto habitual de artistas, jornalistas, políticos, intelectuais, boêmios e desgarrados da noite. Mas ainda conserva um pouco da majestade dessa época e faz ainda pratos que podem agradar os saudosistas, como steak Diana (R$ 56), strogonov (R$ 49), miolo de boi à dorê (R$ 40), camarões à grega (R$ 82), camarões à paulista (com azeite e muito alho, R$ 79), filé cordon bleu (empanado e recheado com presunto e queijo, R$ 62), filé de pescada com molho de camarão (R$ 78). Preços meio altos para uma casa relativamente simples. O restaurante nasceu na avenida Rio Branco, mas o seu auge foi na Nestor Pestana. Era uma delícia, um desfilar constante de pessoas interessantes, mulheres bonitas. As contas de algumas mesas nunca fechavam. Os amigos iam chegando, jantando e pagando a sua conta. A mesa continuava até o fim da noite nesse senta levanta. Não era uma cozinha requintada, mas sim cheia de sabor, com algo caseiro, que hoje se perdeu um pouco. Há 39 anos ele foi para a Avahandava, para um grande salão retangular, com lambris de madeira nas paredes e meio frio, sem o calor do casarão. Deixou de lado alguns de seus melhores pratos, como o lombo de porco assado, o rosbife com salada de batatas, o peixe dourado à brasileira com um belíssimo pirão. O galeto assado foi substituído por um frango adulto, que foi o melhor prato da noite (R$ 26) O galeto era melhor, mas o frango estava ótimo. Nos velhos tempos, o cozinheiro colocava o panelão de arroz para prensar o frango na chapa. Camarão à grega empanado e entremeado no espeto com queijo. Empanado um pouco espesso, aparecendo demais. Filé à cubana correto, à milanesa, com banana, palmito, ervilhas, batata palha, R$ 59). Dobradinha à toscana muito boa, saborosa, porém um pouco rija (R$ 22,50). O ponto franco ficou com a massa, um cappelletti gratinado com queijo e calabresa (massa além do ponto, pegando no dente e lingüiça comum). Clientela constante. Muitos casais que demonstram conhecer a casa e os garçons. Serviço cordial. Compensa como garçon Neto há décadas na casa, para ouvir causos dos velhos tempos. Onde: Avanhandava, 63, Centro. Jamil Chade. Estadão. 8 de junho de 2018. 



O “Café dos Artistas” ou simplesmente “Café” era um encontro de artistas e empresários circenses que acontecia no dia de folga da categoria, segunda-feira, num ou em torno de um café. O de São Paulo, já que existiu “cafés” em várias capitais do país, foi sediado inicialmente no Largo do Rosário, atual Praça Antonio Prado, e no início do século XX, passou a acontecer no Largo do Paissandu, chegando a reunir mais de 600 pessoas em torno de vários cafés - Ponto Chic, Juca Pato, 518, entre outros - e ocupando todo quadrilátero que abrange o Largo do Paissandu e a avenida São João, até o cruzamento com a Ipiranga. Era  um lugar de encontros sociais, um marco importante de referência dos artistas, que iam procurar trabalho, e de empresários, agentes culturais e donos de circo de todo Brasil, que procuravam artistas para trabalhar em seus espetáculos. - São Paulo, suas histórias e algo mais.


O Ponto Chic, no largo do Paissandu na década de 70 conhecido pelo seu tradicional sanduíche Bauru, juntamente com o Bar Tamoio (ao lado).Ponto Chic é um bar e lanchonete situado em São Paulo, no Largo do Paiçandu, fundado por Odílio Cecchini e Antônio Milanese, em 24 de março de 1922. Odilio Cecchini fazia parte da diretoria da Sociedade Esportiva Palestra Itália (desde 1942 é a Sociedade Esportiva Palmeiras). Seu sócio Antônio Milanese morreu em combate como voluntário na Revolução Constitucionalista de 1932. O estabelecimento ficava no térreo de um prédio de três andares, tinha mesas e balcão em mármore de Carrara, azulejos e cristais importados. Era frequentado por homens da alta sociedade, muito bem vestidos, que ali discutiam política, arte, economia, esportes. Nos andares superiores havia "Madame Fifi com suas francesas". Por muitos anos, foi um ponto de encontro de torcedores do Palmeiras. Foi no Ponto Chic que Casimiro Pinto Neto, em 1937, criou o sanduíche Bauru, referência à sua cidade natal, o município de Bauru, no estado de São Paulo. A verdadeira receita do Bauru do Ponto Chic é um sanduíche no pão francês com finas fatias de rosbife, tomate em rodelas, picles e uma mistura de 4 tipos de queijos fundidos em banho-maria (queijo prato, estepe, gouda e suíço).

Na foto, o Restaurante Guanabara, quando ainda ficava na Rua Boa Vista, esquina com a Ladeira Porto Geral, anos 1950/60

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Pizzarias e Restaurantes tradicionais da nossa cidade estão fechando e estão permanecendo somente na memória paulistana. Algumas deles ainda resistem, mas respirando a base de aparelhos(ou sem eles, pois estão em falta!)

A mais antiga das pizzarias é a Castelões, no Brás, cujos atuais proprietários atribuem o ano de 1924 como o da abertura da casa. A Speranza foi a primeira pizzaria na cidade a servir a margherita. A casa, fundada em 1958 no Brooklin, mudou-se em 1961 para a região do Bixiga, onde permanece a matriz.
A Pizzaria Bruno  está no mesmo ponto desde 1939. Atualmente, passa por mais uma reforma. Um dos sucessos do menu é a pizza de camarão com catupiry. Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó.
A Monte Verde está no mesmo endereço desde  1956, no Bom retiro. É um dos “culpados” por fazer a pizza de massa fina virar pop.  A primeira unidade da pizzaria Camelo nasceu em 1957, no Jardim Paulista. Era um restaurante árabe antes de começar a servir os discos de massa fina. Hoje a rede está em diferentes cantos da capital.

O texto gostaria de pautar os inúmeros locais de encontros e degustes, mas o cenário está mudando. E pra pior.  A cantina Capuano, restaurante mais antigo em funcionamento contínuo na cidade, encerrou as atividades há pouco mais de duas semanas. Desde 1907 no mesmo endereço, na rua Conselheiro Carrão Bixiga, a casa não resistiu à morte do dono Angelo Luisi.
O Parreirinha, no centro, cuja fachada tinha uma vitrine que exibia rãs em pose de bailarinas, fechou.  O La Paillote, famoso pelo caríssimo camarão à provençal, que deixou o improvável endereço no Ipiranga para agonizar nos Jardins.
O Cacciatore, que servia comida da Itália setentrional em meio às cantinas do Bixiga.  O Gigetto, que projetou o restauranteur Giovanni Bruno numa época em que garçons ascendiam socialmente.  O Massimo e o Antiquarius, o cúmulo do luxo em suas épocas.
O alemão Kakuk, em Santa Cecília, e suas estranhas cabines equipadas com interruptor para chamar o garçom – mais um delicioso purê de ervilhas para acompanhar o eisbein.  O Suntory, cenário de banquetes japoneses.
O Pandoro, que tinha o bar mais charmoso de São Paulo.  A cantina Balilla, no Brás, em que o cliente atravessava a cozinha para chegar ao salão e comer um delicioso capão na brasa ao molho de cebola.
A pizzaria Celeste, instalada em um sobrado decadente na Vila Mariana, que deu origem à Mamma Celeste e ao Babbo Giovanni, este convertido em uma rede de franquias qualquer nota.
A pizzaria Micheluccio, na rua da Consolação, que teve fim semelhante ao da Babbo.  A pizzaria do Edgar, uma lembrança de infância: o dono não admitia juntar mesas e servia só dois sabores de pizza, aliche e mussarela.  Restaurante 1060,  Marinheiro, Giglio, Cantina 1020, Recanto da Mooca, etc...
Outros lugares antigos me transmitem a mesma sensação de fim iminente: Castelões, Star City, Caverna Bugre, PASV, Los Molinos, Gato que Ri, La Casserole, Bolinha, Terraço Itália.  Alguns lugares foram reabertos, mas sem a alma antiga: Bologna, Riviera, Don Curro, Fuentes, Carlino, Acrópoles, Da Giovanni, Bar Léo.
E centenas de outros restaurantes defuntos. Essas casas fecham porque morre a matriarca ou o patriarca, por causa de uma briga familiar, por má gerência. Isto sem falar da pandemia atual!! Com elas, somem fragmentos da nossa história paulistana.  Enfim, fica na memória do paulistano estas doces recordações.  Na foto, o Restaurante Guanabara, quando ainda ficava na Rua Boa Vista, esquina com a Ladeira Porto Geral, anos 1950/60

Fonte: Folha de SP. Créditos: Ramiro Wagner. Memórias Paulistanas


Restaurante popular mantido pela Liga das Senhoras Católicas


Essa história começou em 1920, com a Liga das Mães Católicas, na cidade de São Paulo, cujo objetivo era promover os princípios cristãos e católicos dentro do âmbito familiar. Em 1921, o Arcebispo de São Paulo, D. Duarte Leopoldo e Silva, batiza o grupo de Liga das Senhoras Católicas.

No dia 10 de março de 1923, a Liga das Senhoras Católicas oficializou seu trabalho criando seu primeiro estatuto e registrando a instituição em cartório. No mesmo ano fundou o seu primeiro departamento, o de Auxílio Social. Em 1924, fundou a Escola de Economia Doméstica para educar moças de todas as camadas sociais preparando-as para o futuro.

A entidade também tem forte participação na história do País. Foi a Liga que criou, em 1926, quando nenhuma mulher podia frequentar restaurantes desacompanhadas, um restaurante exclusivo com preço popular para as moças empregadas no comércio, na região central da cidade. 

Durante a Revolução de 1932, a Liga teve uma atuação significativa amparando órfãos, mutilados e viúvas. Momento de atuação decisiva do Dr. Cândido Dores, livre-docente da FMUSP e fundador do lactário da instituição, homenageado em rua de São Paulo. Sua esposa, Aracy Bresser consta entre as fundadoras da instituição, tendo atuado como Diretora do Departamento Social.

Dentre suas participantes, destaca-se Alaíde Borba, vice-presidente e representante social da Liga durante muitos anos, e que ajudou a fundar o Complexo Educacional Educandário Dom Duarte e a Cidade dos Meninos, uma instituição filantrópica responsável por acolher crianças e adolescentes de baixa renda.


 PADARIAS E PANIFICADORAS




PADARIAS ANTIGAS DO BEXIGA

No Bexiga, padarias ultrapassam os 100 anos e chegam à 4ª geração



                  

Adoniram Barbosa em frente a Padaria São Domingos, na rua rua do mesmo nome. Folha de São Paulo.


Gilberto Amendola- Portal Terra, 29 junho de 2019

De manhã, o cheiro do pão italiano quentinho vai impregnando as ruas do Bexiga, na Bela Vista, região central de São Paulo. Clientes locais, gente que veio de longe e até turistas são guiados pelo aroma e pela promessa de uma bela mordida na tradição - que também pode vir recheada com linguiça e provolone. Por lá, há quatro padarias italianas que ultrapassaram os 100 anos: Italianinha (fundada em 1896), 14 de Julho (1897), São Domingos (1913) e Basilicata (1914). Com boa vontade (e desejo de queimar as calorias conquistadas nos próprios estabelecimentos em questão) é até possível fazer um circuito a pé para conhecê-las. Hoje, todas ostentam uma quarta geração de descendentes interessados nas próximas fornadas. A história das padarias centenárias do bairro tem muitos pontos em comum. O primeiro, claro, é a imigração italiana. No início do século 19, diversas famílias recém-chegadas ao País foram morar na região. Na época, trouxeram para a cidade um hábito de sua terra natal - o de fazer pão em casa.  "Na Itália, cada família tinha um forno, girava sua massa e fazia o próprio pão por um mês. Depois, as famílias passavam seu fermento natural para o vizinho, que após produzir o seu pão também repassava o fermento para a próxima família", contou Ângelo Agazio Lorenti, da quarta geração da família que está no comando da Basilicata. O prazer de produção caseira veio antes da comercialização do produto. Como a quantidade produzida era grande, os pães eram compartilhados entre amigos e vizinhos. Depois, a crise econômica e a dificuldade de arrumar trabalho em outras áreas fizeram com que aquilo que era um hobby virasse profissão. Nos primeiros anos, as padarias do Bexiga faziam suas entregas em carroças, usando cavalos para levar os pães de casa em casa.


 À margem do viaduto que dá acesso à Avenida Radial Leste está a Padaria São Domingos. Fundada em 1913 por Domenico Albanese, militar da Guarda Nacional Italiana. No início, Albanese percorria as ruas do bairro entregando pães com um carrocinha. Depois, estabeleceu-se no endereço onde a padaria existe até hoje. Detalhe: por muitos anos, Albanese e a família moraram nesse mesmo sobrado. "Nós estávamos aqui antes do viaduto. Tem na família quem conte que, por pressão e boa influência dos meus avós, a padaria não foi desapropriada na época da construção do viaduto", conta Victor Albanese, 28 anos, da quarta geração. Na São Domingos, os pães saem do mesmo forno desde a inauguração. O espaço também não mudou - continua charmoso e apertado (a expressão mais repetida pelos clientes é 'com licença'). Além dos pães (com destaque para o recheado com calabresa), vale a pena beliscar um cannoli. Um dos clientes históricos da casa foi o músico Adoniran Barbosa (seria de lá o tal torresmo à milanesa cantado pelo compositor?).


A mais antiga delas é a Italianinha, com quase 123 anos, que em seus primórdios se chamava Lucânia (mais conhecida hoje como região da Basilicata), terra natal do fundador, Felipe Poncio. Nos anos 1960, foi comprada por Rafaelli Franciulli e passou a se chamar Italianinha. Naquele período, a padaria era muito maior - e estendia-se até a metade da Rua Rui Barbosa. Com o processo de urbanização do bairro, a Rui Barbosa foi alargada e boa parte da padaria, desapropriada. Hoje, a Italianinha ocupa o que era o depósito da padaria original. "Tenho muitos clientes que me conheceram quando eu era criança", conta Sandra Franciulli, da quarta geração a trabalhar ali. Como as outras padarias centenárias, a Italianinha fabrica pães respeitando o processo de fermentação natural, usando um forno tão velho quanto a própria padaria e uma receita que vem de longe. Além do italiano tradicional, a casa se destaca pelo pão recheado com linguiça calabresa e antepastos como sardela e alichela. O irmão de Sandra, Alexandre Franciulli, é hoje o responsável por outra padaria centenária do bairro, a 14 de Julho. Fundada em 1897 por Rafaelli Franciulli (que anos mais tarde também seria dono da Lucânia/Italianinha). Originalmente, Franciulli trabalhava como mecânico em Santa Maria di Castellabate, na Itália, mas ao chegar ao Brasil notou que quase não existiam automóveis circulando pela cidade. "A saída dele foi abrir uma padaria", contou o neto, Alexandre, da terceira geração. O pai, Wilson Franciulli, foi quem cuidou da padaria por mais tempo - até que perdeu um braço em um acidente de trabalho. Depois do ocorrido, Rafaelli vendeu a padaria - que teve outros donos até ser recomprada pelo próprio Wilson. Hoje, Alexandre é quem toca o lugar e mantém a tradição familiar. Além dos pães italianos, o lugar é conhecido pela porchetta recheada. Ao lado da padaria, Alexandre abriu uma cantina com o mesmo nome.

Por fim, a Basilicata. No início, o espaço que hoje tem um característica sofisticada (com produtos importados e restaurante) era um empório popular (do tipo que vende pasta de dente, vassoura...). O espaço era dividido com uma cocheira - lugar onde ficavam os cavalos usados na entrega dos pães. O lugar também era casa da família e abrigo para pessoas que saíam de sua terra natal para tentar a sorte no Brasil. "Os padeiros e leiteiros tinham a chave de casa e entravam de madrugada para o trabalho. Eles entregavam pães para todos os casarões da Avenida Paulista", conta Lorenti. "Os cavalos eram tão condicionados que, diz a lenda familiar, quando o entregador descia para bater na porta de alguém e entregar o pão, o cavalo já ia sozinho para a próxima residência - porque conhecia o itinerário."



RODÍZIOS E BOTECOS







"A boa ideia foi do empresário Sergio Ricardo Della Crocci, que deu o seu nome à primeira unidade da rede, inaugurada no Pari em 1976, mesmo antes de ser um “grupo”. As previsões deram certo, e dois e dois anos depois, o “Grupo Sérgio” já podia ser chamado realmente de grupo, pois tinha cinco filiais na cidade". VEja SP por Roosevelt Garcia, 22 março de 2017.  


RESTAURANTES RODÍZIOS. Os rodízios surgiram nas grandes cidades como forma de atender a demanda popular pela comida servida de forma personalizada ou “a larte carte”. A primeira experiência mais conhecida desse serviço de atendimento mais rápido e massivo surgiu nas churrascarias em meados dos anos 1970, juntamente com os self-service vegetarianos, ambos em horário comercial de atendimento. A prática logo foi estendida aos fins semana, como forma de lazer e atendimento rápido e rotativo, também logo ampliada para outros cardápios como as pizzas e outras massas, bem como as refeições de origem árabe (quibes e esfihas). Tudo isso coincidiu com as casas de vitaminas e pequenas lanchonetes, cujo consumo foi amplamente ofertado com a chegada no Brasil das grandes de hamburger. O grupo Sérgio, nascido no bairro do Pari foi pioneiro dessa oferta e ampliação. Começou como churrascaria e depois adotou o rodízio de pizza mais popular da cidade, com duração de pouco mais de uma década, surgindo e desparecendo por força da mudança de costumes. 



O Bar das Batidas, tradicional bar da cidade desde a década de 1950, situado no Largo da Batata, aos fundos da Igreja Nossa Senhora do Monte Serrat. O Bar das Batidas foi fundado no ano de 1957, mantido desde então pelos dois irmãos que o fundaram, sendo que o último deles a morrer, Narciso Moreira, dirigiu a casa até o fim da vida, em 2009.


O Bar das Batidas, que ganhou o apelido popular de "Cú do Padre" por estar bem próximo da Igreja Matriz do bairro.



O Restaurante Soberano era um ponto de encontro, escritório informal dos profissionais de cinema da Boca do Lixo. Localizado no número 155 da rua do Triunfo, centro da capital paulista, o estabelecimento era parada obrigatória de técnicos, artistas e diretores de cinema entre as décadas de 1960-1980. Era no boteco de pratos-feitos que se planejavam as produções e se distribuíam empregos. Tudo em meio à agitação da área povoada por malandros, prostitutas, travestis pré-silicone e desocupados, que também frequentavam o lugar. A história do Soberano se confunde com a da produção cinematográfica da Boca do Lixo. A Boca refletia o contexto do cinema marginal nos anos 1960-70, quando chegou a produzir cerca de 60 dos 90 filmes realizados por ano no Brasil. Apesar da intensa produção (boa parte independente das verbas da Embrafilme) e de ter revelado vários profissionais do cinema nacional, uma considerável parcela da filmografia dessa época ainda hoje enfrenta preconceito identificada como uma produção de conteúdo alienante, e de gosto duvidoso e  do contexto da ditadura militar.

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PUBLICIDADE, PROPAGANDA E A POP ART

DALMO DUQUE

Coca-Cola 3 é uma pintura de Andy Warhol  de 1962  A pintura e outras da série mostrando produtos populares industrializados são consideradas pinturas fundadoras do movimento pop art .


Historicamente publicidade e a propaganda sempre estiveram relacionada aos negócios, comerciais ou políticos. 

A informação sobre a oferta de produtos e serviços, bem como dos projetos políticos que dependem da opinião pública (aprovação ou rejeição) sempre dependeu dos serviços especializados de pesquisa, sondagem, de expectativa de realização e consumo. 

Os criadores e organizadores desse trabalho sempre trabalharam em conjunto, embora divididos nos múltiplos segmentos da comunicação. Este é um setor econômicos que cresceu juntamente com a sociedade urbana e sobretudo do surgimento das massas. 

Todos os veículos de comunicação agregam profissionais de múltiplas especializações e funcionalidades. A mídia foi se tornando cada vez\ mais complexa na medida que as demanda de informação e comunicação também se desdobravam em diversas especialidades. 

 Apesar da crescente sofisticação dos meios, as mensagens permaneceram ligadas às suas mais antigas raízes: o ambiente das feiras e e os antigos núcleo de poder ideológico, político ou religiosa. "Bom é o que vende, ruim é o que não vende". Esse é o mais antigo principio da publicidade e da propaganda. No jornalismo o mecanismo é idêntico, com algumas diferenças técnicas e operacionais: notícia boa é a que vende; notícia ruim nasce morta. 

Uma histórica rivalidade entre jornalistas e publicitários, fora da esfera empresarial, mas principalmente entre os trabalhadores desse dois setores , marcou durante muitas décadas o universo da comunicação, com acusações ideológicas mútuas de manipulação e ausência critérios éticos no exercício dessas profissões. O jornalismo se proletarizou rapidamente, enquanto a publicidade e a propaganda ( que essencialmente são idêntica) conservou um certo elitismo financeiro. 

No século XX esses dois segmentos da comunicação funcionaram de forma crescente, integrada e complexa, em função do rápido desenvolvimento tecnológico, sempre em sintonia com as demandas econômicas. 

No Japão, uma sociedade industrial, massivamente demográfica e leitora, os jornais impressos impressos tinham tiragens diárias que chegavam a 8 milhões de exemplares. Esses números são da primeira década desse século. Será que as novas gerações vão manter esse hábito, mesmo porque nesse país a maioria dos casais se recusam a ter filhos. Mais dez mil escolas já foram fechadas nos último dez anos por falta de alunos (BBC News) e um novo hábito de recusa a frequentar salas de aula (fotuko).

Houve historicamente uma Era da Informação e da Comunicação, um longo período de produção e difusão do conhecimento, como conceito e também como produto de valor e consumo. Falava-se muito também numa Era do Conhecimento, que marcaria as primeiras décadas do século XXI. Essas denominações quase sempre estiveram relacionadas ao poder midiáticos dos veículos de comunicação produzidos pela indústria gráfica e eletrônica. 

Com a advento do mundo digital o mundo plano vem sofrendo um estrondoso abalo desagregador. O internet e o universo virtual mudou para sempre todos esses acontecimentos aqui rapidamente relatados. Essa plataforma na qual narramos essas mudanças (o blog) foi um dos primeiros sinais de que as coisas iriam mudar radicalmente. 

Mesmo migrando para o mundo digital, o jornalismo e a publicidade não resistiram aos novos formatos e necessidades de informações. O monóplio do conhecimento, que dava, por exemplo, o status de 4º Poder ao jornalismo, caiu por terra. O mesmo aconteceu com os livros. A TV e o rádio sobrevivem. Até quando não se sabe, mas bem diferentes e mais restritos em sua capacidade de audiência. 

Os costumes mudaram e com eles os hábitos de consumo e a complexidade de interesses. 

A antiga profecia de Andy Warhol finalmente se concretizou e vive a plenitude de sua realização, bem como dos seus danos transformadores.
 

Andy Warhol ( 1928 - 1987) foi um artista visual, diretor de cinema e produtor americano. Uma figura importante no movimento pop art. É considerado um dos artistas mais importantes da segunda metade do século XX. Suas obras exploram a relação entre expressão artística, publicidade e cultura de celebridades e abrangem uma variedade de mídias, incluindo pintura, escultura, fotografia e produção cinematográfica. " No futuro todos serão famosos por quinze minutos"


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 ESPM- ESCOLA SUPERIOR DE DE PROPAGANDA MARKETING



Escola Superior de Propaganda e Marketing-ESPM
 em sua sede nos anos 1980 na rua Rui Barbosa, na Bela Vista. Foi criada em 1951 por Rodolfo Lima Martensen, fruto da percepção de Pietro Maria Bardi, diretor do Masp. Originalmente a ESPM nasceu como Escola de Propaganda do Museu de Arte de São Paulo (Masp), que na época  funcionava  no segundo andar do Edifício Guilherme Guinle, na rua Sete de Abril, centro de São Paulo. A ideia dos criadores da escola era reunir num mesmo espaço a experiência dos mais conceituados profissionais desses dois segmentos da comunicação. 


Reunião dos fundadores da ESPM numa sala emprestada pelo MASP em 1951. Em baixo um cartaz conceitual da nova escola.  Acervo: ESPM



O FEIJÃO E O SONHO DA PUBLICIDADE

DALMO DUQUE

Charles Chaplin em entrevista para Orígenes Lessa. Não perguntem onde nem como. 


Em 1986, já cursando História na PUC das Perdizes, resolvi fazer o curso de verão de Redação Publicitária da ESPM. Era uma oficina ministrada por Ricardo Ramos, escritor pouco conhecido, mas publicitário famoso, pelo menos nesse meio, dono de um amplo e invejável portfólio. 

Os encontros aconteciam aos sábados à tarde na antiga sede da escola, na rua Rui Barbosa, na Bela Vista. Sala cheia de gente curiosa e interessada em ingressar nesse setor, sempre vista como glamuroso e promissor. 

Ricardo Ramos era filho de Graciliano e tinha sotaque nordestino, acentuado pela voz grave e empostada. Sempre sentado e debruçado sobre uma mesa, acendia seus cigarros frequentemente, sem nenhuma preocupação com os não fumantes, muito menos com o pouco tempo que tinha para falar sobre a arte de criar e escrever anúncios. Cada tragada vinha acompanhada do olhar vago para o teto da sala, que facilitava a busca de lembranças e explicações sobre o que estava explicando. 

Terminada sua fala, dividida em longas pausas, todos nós queríamos tecer comentários e mostrar algum conhecimento sobre os temas propostos. Afinal, nossa presença ali tinha função de arrumar emprego em alguma agência ou ser promovido a redator nas empresas que alguns atuavam. Os salários, o prestígio e o glamour em torno dos redatores já era alvo de cobiça e imitação. 

Ricardo achava tudo natural e, com muita paciência e compreensão, nunca fez nada que pudesse questionar, abalar ou destruir os nossos sonhos e fantasias. Quando viu meu portifólio criado especialmente para essa oficina, leu em silêncio cada uma das peças e sorriu com ternura ao concluir cada uma as frases das frases de efeito. Eram anúncios fictícios para o CVV-Centro de Valorização da Vida. Também dava gargalhas, pitecos e provocava as criações dos outros alunos, fazendo comentários lembrando suas experiências com seus antigos colegas de profissão. 

A única coisa que Ricardo não deixava passar , sem a preocupação de ser duro ao desiludir, era sempre lembrar a todos que tudo ali era uma negócio. Lembrava de colegas famosos e bem-sucedidos, sempre mostrando que a ideia básica deles era pagar as contas. O sucesso veio como consequência natural.

Questionado sobre o pai, ele recordava outros nomes da literatura que sobreviveram criando anúncios e redigindo manuais de produtos que ele não tinha a menor ideia de como funcionavam e para que serviam. Liam, se informavam do básico e criavam peças de comunicação impressionantes, cuja linguagem e vocabulários eram rapidamente absorvidos e utilizados pelos técnicos e vendedores desses produtos e serviços. Esses redatores eram profissionais de despertamento de desejos ou falsas necessidades. Só isso. 

A lista deles era enorme e quando seus nomes eram pronunciados durante as aulas, todos ficam em silêncio imaginando como era o dia-a-dia deles nas agências e redações de jornais e revistas. Me perguntava: como eles vieram parar nesse negócio? Isso era muito comum nos países onde a comunicação era negócio antigo  - cultura mais  escolada - e chegou ao Brasil juntamente com seus clientes, geralmente empresas multinacionais que vieram explorar novos mercados e traziam funcionários cuja especialização de vender ideias e sonhos era raro , mas essencial. 

Não tardou descobrir entre nós pessoas com esse perfil. Aliás, Orígenes Lessa, autor de “O feijão e o Sonho” (livro e depois novela da Globo) foi um deles. E o livro é autobiográfico. Este não é um universo comum do trabalho cotidiano. Existem os que que ficam ricos e famosos e também os que apenas pagam suas contas.


RICARDO RAMOS



Ricardo Medeiros Ramos (Palmeira dos Índios, 4 de janeiro de 1929 — São Paulo, 21 de março de 1992) foi um escritor (romancista e ensaísta), advogado e jornalista brasileiro. Ganhou, por três vezes, o Prêmio Jabuti com as respectivas obras Os caminhantes de Santa Luzia (1960), Os desertos (1962) e Matar um homem (1971).

Ricardo Ramos era filho do Graciliano Ramos e de Heloísa de Medeiros Ramos. Viveu uma parte da sua infância em Maceió, num ambiente literário, uma vez que seu pai tinha amizade com importantes autores brasileiros, a exemplo de José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, Jorge Amado, Aurélio Buarque de Holanda e Valdemar Cavalcanti. Em 1936, quando Graciliano foi preso, a esposa, Heloísa, viaja para o Rio de Janeiro com as duas filhas menores, deixando Ricardo com o avô materno.

Nos anos 1950, Ricardo Ramos transfere-se para São Paulo, onde permanecerá por mais de trinta anos, trabalhando como publicitário. Faleceu em 1992.

Carreira literária

Em Maceió, Ricardo Ramos conclui o ginásio no colégio dos irmãos maristas. Em 1944, aos 15 anos, volta a morar com o pai, no Rio de Janeiro, iniciando, ali, o curso de direito paralela ao trabalho jornalístico. Nesse período, começa a escrever contos e trabalhar, aos quais “o autor se debruça, com a delicadeza do miniaturista que se notabilizou na arte do conto, sobre a análise dos dramas da alma brasileira” De Graciliano Ramos, o pai, "herdou a concisão e o labor empregado nos textos, além do engajamento em causas sociopolíticas". Em 1954, publica seu primeiro livro “Tempo de espera”, um conjunto de nove volumes. Algumas de suas obras foram traduzidas “para o inglês, espanhol, alemão, russo e japonês. Foi também editor, professor da ESPM e presidente da União Brasileira de Escritores (UBE)”.

ORÍGENES LESSA

Ao centro da mesa, Orígenes aparece tomando posse como primeiro presidente da APP -Associação dos Profissionais de Propaganda. Acervo da APP (Associação dos Profissionais de Propaganda.


Orígenes Themudo Lessa (Lençóis Paulista, 12 de julho de 1903 – Rio de Janeiro, 13 de julho de 1986) foi um jornalista, contista, novelista, romancista e ensaísta brasileiro, um dos imortais da Academia Brasileira de Letras.

Orígenes Themudo Lessa era filho de Vicente Themudo Lessa, historiador, jornalista e pastor presbiteriano pernambucano, e de Henriqueta Pinheiro Themudo Lessa. Em 1906, foi levado pela família para São Luís do Maranhão, onde cresceu até os nove anos, acompanhando a jornada do pai como missionário. Da experiência de sua infância resultou o romance Rua do Sol. Em 1912, voltou para São Paulo. Aos 19 anos, ingressou num seminário protestante, do qual saiu dois anos depois.

Em 1924, transferiu-se para o Rio de Janeiro, separando-se voluntariamente da família e lutando com grandes dificuldades. Para se sustentar, dedicou-se ao magistério. Completou um curso de Educação Física, tornando-se instrutor de ginástica do Instituto de Educação Física da Associação Cristã de Moços. Ingressou no jornalismo, publicando os seus primeiros artigos na seção “Tribuna Social-Operária” de O Imparcial.

Matriculou-se na Escola Dramática do Rio de Janeiro em 1928, dirigida então por Coelho Neto, objetivando o teatro como forma de realizar-se. Saudou Coelho Neto, em nome dos colegas, quando o romancista foi aclamado “Príncipe dos Escritores Brasileiros”. Ainda em 1928, voltou para São Paulo, onde ingressou como tradutor no Departamento de Propaganda da General Motors, ali permanecendo até 1931.

Em 1929, começou a escrever no Diário da Noite de São Paulo e publicou a primeira coleção de contos, O Escritor Proibido, calorosamente recebida por Medeiros e Albuquerque, João Ribeiro, Menotti del Picchia e Sud Mennucci. Seguiram-se a essa coletânea Garçon, Garçonnette, Garçonnière, menção honrosa da Academia Brasileira de Letras, e A Cidade que o Diabo Esqueceu.

Em 1932 participou ativamente na Revolução Constitucionalista, durante a qual foi preso e removido para o Rio de Janeiro. No presídio de Ilha Grande, escreveu Não Há de ser Nada, reportagem sobre a Revolução Constitucionalista, e Ilha Grande, jornal de um prisioneiro de guerra , dois trabalhos que o projetaram nos meios literários. Nesse mesmo ano ingressou como redator na N.Y. Ayer & Son, atividade que exerceu durante mais de quarenta anos em sucessivas agências de publicidade.

Voltou à atividade literária, publicando a coletânea de contos Passa-Três e, a seguir, a novela O Joguete e o romance O Feijão e o Sonho, obra que conquistou o Prêmio Antônio de Alcântara Machado e teve um sucesso extraordinário, inclusive na sua adaptação como novela de televisão.

Em 1942 mudou-se para Nova Iorque para trabalhar no Coordinator of Inter-American Affairs, tendo sido redator na NBC em programas irradiados para o Brasil. Em 1943, de volta ao Rio de Janeiro, reuniu no volume Ok, América as reportagens e entrevistas escritas nos Estados Unidos. Deu continuidade à sua atividade literária, publicando novas coletâneas de contos, novelas e romances. A partir de 1970 dedicou-se também à literatura infanto-juvenil, chegando a publicar, nessa área, quase 40 títulos, que o tornaram um autor conhecido e amado pelas crianças e jovens brasileiros.

Foi casado com a jornalista e cronista Elsie Lessa, sua prima-irmã, com quem teve um filho, o jornalista, cronista e escritor Ivan Lessa. Também foi casado com Edith Thomas, com quem teve outro filho, Rubens Lessa. Na ocasião de sua morte, estava casado com Maria Eduarda Lessa. Foi sepultado em Lençóis Paulista, sua cidade natal.

Sobre sua atuação no universo da publicidade e da propaganda, Elton Laud , no artigo "A propaganda e o sonho", (jornal O Eco, 2023), resumiu sua trajetória  e também como Orígenes tornou-se pioneiro e uma das referências mais citadas nas publicações históricas desse segmento da comunicação:

"Na maior parte do tempo trabalhou na norte-americana J. Walter Thompson, primeira agência internacional de publicidade a se instalar no Brasil, para onde migrou em 1929, depois que a General Motors extinguiu seu departamento de propaganda. Em três épocas distintas, atuou cerca de 22 anos na multinacional, a mais longa delas entre 1943 e 1960. Além da JWT, Orígenes ainda integrou a equipe da N. W. Ayer & Son, outra agência vinda dos Estados Unidos, pela qual teve duas passagens; chefiou o departamento de criação da Eclética, pioneira do país no segmento, fundada em 1914; colaborou brevemente com a também norte-americana McCann Erickson; e encerrou a carreira na JMM Publicidade, empresa genuinamente brasileira, na qual atuou entre 1960 e 1976. Naquele ano, já com 73 de idade, decidiu se aposentar para se dedicar apenas à literatura, de forma especial, ao gênero infantojuvenil. Além de atuar em diversas agências, Orígenes foi o primeiro presidente da APP-Associação dos Profissionais de Propaganda, fundada em 1937. Durante o período em que esteve à frente da entidade, por também ter experiência no jornalismo, acabou assumindo o posto de editor-chefe da revista Propaganda, publicação voltada aos profissionais do setor. Seu reconhecimento dentro da instituição é tão grande que, além de ocupar lugar de destaque na galeria de ex-presidentes, também empresta seu nome à biblioteca do local, inaugurada em sua homenagem em 1999".

 


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O CLUBE DE CRIAÇÃO DE SP E O
ANUÁRIO BRASILEIRO DE PROPAGANDA


O Clube de Criação de São Paulo (CCSP) foi criado em 1975 por publicitários de São Paulo, tendo como primeiro presidente José Zaragoza. Tem o intuito de registrar em seu anuário as peças mais criativas feitas pela publicidade no ano. As categorias são (até 2005): TV e Cinema, Revista, Jornal, Outdoor, Rádio, Internet e Material Promocional/Design. Os prêmios são divididos em Grand Prix (prêmio máximo), Ouro, Prata e Bronze. O júri é eleito pelos sócios do Clube.




Exemplar do 1º Anuário do Clube de Criação de São Paulo ofertado num sebo virtual .



















Clube de Criação divulga foto histórica. 30 de Abril de 2015 . ProMark

No ano em que o Clube de Criação de São Paulo faz 40 anos, o publicitário José Zaragoza apresenta uma foto histórica da primeira diretoria. “Foi para mim um momento histórico que teve muito a ver com a evolução da história da propaganda no Brasil”, conta ele.

Segundo Zaragoza, havia muito de nacionalização de campanhas internacionais e o surgimento do Clube foi uma forma de dar um basta, de mostrar que o Brasil tinha bons profissionais e que tinham uma cultura própria e a necessidade de criar suas propagandas. “Surgia assim o jeito nacional de fazer publicidade, de forma irreverente e ousada e que nos deu tantos prêmios e reconhecimento”, diz José Zaragoza, que oi o primeiro presidente do Clube de Criação de São Paulo.
 


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A ÉPOCA DAS SALAS DE CINEMA 



Em 1906 o imigrante espanhol Domingos Fernando Alonso desembarcou no Brasil, e nesse país o jovem construiu um império, com empreendimentos em muitas áreas, dentre elas o cinema. O empresário tinha mais de uma dezena de salas de cinema, na época da construção do Cine Olido, onde antes existia o Cine Avenida. Depois da demolição do antigo cinema, foi construído um prédio, com o mesmo nome do dono, Domingos Fernando Alonso. No piso térreo do edifício, a Galeria e o Cine Olido foram construídos, sendo este o primeiro cinema localizado dentro de uma galeria. O nome Olido foi escolhido através de uma fusão entre o nome Domingos e o nome da sua esposa, Olivia, daí surgiu o singular nome Olido. Cinelândia era como a região do centro de São Paulo era conhecida, por causa das célebres salas de cinema que existiam no local, dentre elas: Broadway, Ritz e Paissandu. Aproveitando a fama local o Cine Olido foi inaugurado na Avenida São João, número 473; no dia 13 de dezembro de 1957. O filme “Tarde demais para esquecer”, com Cary Grant e Débora Kerr, foi a primeira exibição do cinema, a inauguração também contou com uma orquestra sinfônica que apresentou a música principal do longa. O Cine Olido estreou com inúmeras novidades, em comparação à concorrência. Além de ter sido o primeiro cinema de São Paulo instalado dentro de uma galeria comercial, o que o transformou em um antecessor do conceito que se tornaria forte em todo o Brasil, cinemas em shoppings centers. O pioneirismo também ficou por conta da venda dos ingressos antecipados, com o intuito de evitar filas; e as 800 poltronas numeradas, que proporcionavam a possibilidade dos telespectadores escolherem os seus lugares. O espaço do cinema era muito sofisticado, com um grande salão de entrada revestido de mármore, espelhos de cristal e uma orquestra com piano que se apresentava antes das exibições. O edifício passou por uma demolição tendo sido reconstruído com maiores dimensões em 1970, edifício presente até hoje. Na década de 80, as grandes instituições financeiras mudaram para outras áreas da Cidade de São Paulo e começou a surgir os shoppings  com amplos estacionamentos, pois o automóvel era cada vez mais utilizado pela população. Devido a essa junção de fatores o centro da cidade entrou em declínio, e as salas de cinema, que outrora foram um local da elite, passaram a ser esquecidas pelo público. A empresa que administrava o Cine Olido nessa época de transformação econômica, dividiu a sala que antes tinha 800 lugares, em três salas menores. [Textos e imagens da Wikipedia]






Belas Artes na Rua da  Consolação nos anos 1960



Cine Arte Palácio na estreia do filme Presença de Anita, 1951.



Inauguração do Cine Comodoro em 1959. SP in Foco. 

O Cine Comodoro foi idealizado pelo empresário Paulo Sá Pinto (1912-1991), diretor-presidente das Empresas Cinematográficas Paulista e Sul, proprietária de outras salas importantes na capital paulista, como o já citado cine Marabá, além dos cines Ouro, República, Olido e Ritz. Sá Pinto (acima, em 1960, ao ser condecorado com a medalha Marechal Rondon) nasceu em Minas Gerais, mas se estabeleceu em São Paulo, onde entrou para o ramo das salas de espetáculos e cinemas. Posteriormente, expandiu os seus negócios para o sul do Brasil, nas cidades de Curitiba e Porto Alegre. O empresário chegou a ter o controle de 60 salas de cinema em sete capitais do país. Mas foi em São Paulo que a sua empresa adquiriu maior prestigio e ficou conhecida, quebrando a hegemonia de outro empresário do ramo, Francisco Serrador. Sempre entusiasmado com as novas técnicas cinematográficas vindas de Hollywood, foi por sua iniciativa que foi exibido o primeiro filme em cinemascope (tela panorâmica) no Brasil, "O Manto Sagrado" (The Robe, 1953), no cine República, em São Paulo. Nesta mesma sala, foi apresentado pela primeira vez o Terceira Dimensão (3D), também por iniciativa de Paulo Sá Pinto. História Mundi






Cine Paissandu, 1967 – Localizado no número 62 do Largo do Paissandu, era um dos cinemas de maior capacidade de São Paulo (2.150 cadeiras na sala). A inauguração foi em 19 de dezembro de 1957. A partir de 1973, o Paissandu se dividiu em duas salas. A crise financeira chegou forte e, em 1993, parte do cinema se transformou em um bingo. A proibição do jogo e queda nas bilheterias foi o golpe definitivo para o cinema fechar as portas definitivamente. (Valéria Valeriano)


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JORNAIS E REVISTAS  PAULISTAS E PAULISTANAS



Banca na Avenida Paulista em janeiro de 1971. Anúncio da Editora Abril.


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Capa do primeiro exemplar do Correio Paulistano, de 26 de junho de 1854. Fotografia sob guarda do Arquivo Nacional

Lançado em junho de 1854, foi o primeiro jornal diário publicado paulista e o terceiro do Brasil. Teve como fundador o proprietário da Tipografia Imparcial, Joaquim Roberto de Azevedo Marques, e como primeiro redator Pedro Taques de Almeida Alvim.

O jornal nasceu liberal e teve posições avançadas, em sua época. Posteriormente, foi atrelado ao Partido Conservador e, após a criação do Partido Republicano Paulista (PRP), passou a ser seu órgão oficial, em junho de 1890. Durante o período imperial foi um forte formador de opinião pública. Notabilizou-se pela defesa da abolição da escravatura e da causa republicana. Mais tarde, apesar de ser dirigido e sustentado por oligarcas tradicionalistas, foi o único, entre os grandes jornais de São Paulo, a apoiar a Semana de Arte Moderna de 1922, reconhecendo o vanguardismo do movimento modernista - enquanto os demais jornais da época se referiam aos modernistas como "subversores da arte", "espíritos cretinos e débeis" ou "futuristas endiabrados". A presença de Menotti del Picchia na redação - ou Helios como costumava assinar a sua Chronica Social é fundamental para entender o apoio do jornal à Semana. O Correio Paulistano também se posicionou contra o governo Vargas, sendo por isso empastelado por diversas vezes, durante anos.

A sede do jornal, onde operavam seus setores editorial e gráfico, ficava no centro histórico da cidade de São Paulo, na esquina da rua Líbero Badaró com o Largo de São Bento. A sofisticação arquitetônica do prédio, assim como sua localização, era um indicador da prosperidade dos seus proprietários. Por muitos anos, o papel utilizado na impressão de jornais - então importado - era popularmente conhecido como papel CP, sendo a sigla alusiva à abreviatura do Correio Paulistano.

A oligarquia paulista, que dirigia o PRP, transmitia seus ideais através do jornal, foi derrotada na revolução de 1930, o que também afetou o Correio Paulistano. O jornal foi fechado até 1934, por ordem de Getúlio Vargas. As oficinas foram incorporadas ao patrimônio do Estado. Daí em diante, o jornal teve vários proprietários, até ser definitivamente fechado em 1963. Os últimos anos de existência do jornal foram um longo processo de decadência financeira e consequente perda de relevância empresarial e editorial.
Sede do Correio Paulistano em 1901.


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"Viva a República!". Assim o jornal Diário Popular de 16 de novembro de 1889 anunciava, em São Paulo, a implantação da nova forma de governo no Brasil. Na madrugada do dia anterior, no Rio de Janeiro, Marechal Deodoro da Fonseca deixou sua residência, atravessou o Campo de Santana e conclamou os soldados do batalhão, onde hoje se localiza o Palácio Duque de Caxias, a se unirem a ele na deposição da monarquia e na proclamação da república no Brasil. A antiga residência do Marechal atualmente abriga uma exposição permanente sobre o episódio, e está localizada bem próximo à sede do Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, onde podemos encontrar diversos documentos sobre os períodos imperial e republicano. Na imagem, capa do Diário Popular. São Paulo, 16 de novembro de 1889. Arquivo Nacional, J 468, n. 1999, p. 1.


Um jornaleiro em São Paulo no ano 1911. Foto da Revista Illustração Paulista. SP e Suas Histórias.






O Estado de S. Paulo,  é um jornal brasileiro publicado na cidade de São Paulo desde 1875. Foi fundado com base nos ideais de um grupo de republicanos, em 4 de janeiro de 1875. Nessa época, o jornal se chamava A Província de São Paulo e foi o pioneiro em venda avulsa no país, fato pelo qual foi ridicularizado pela concorrência (Correio Paulistano, O Ipiranga e Diário de S. Paulo (1865). A venda avulsa foi impulsionada pelo imigrante francês Bernard Gregoire, que saía às ruas montado num cavalo e tocando uma corneta para chamar a atenção do público — e que, décadas depois, viraria o próprio símbolo do jornal — aumentou a tiragem do jornal. Ao final do século XIX, o Estado já era o maior jornal de São Paulo Quando o jornal surgiu, tinha quatro páginas e uma tiragem de 2 025 exemplares. O termo "Província" perdurou até 31 de dezembro de 1889, um mês após o golpe militar que depôs a monarquia e estabeleceu a república no Brasil. Embora tenha apoiado o golpe, o jornal se mostrou independente de qualquer partido político, recusando-se a servir aos interesses do ascendente Partido Republicano Paulista (PRP). Quando o então redator-chefe Francisco Rangel Pestana se afastou para trabalhar no projeto da Constituição, em Petrópolis, o jovem redator Júlio de Mesquita assumiu efetivamente a direção d'O Estado e deu início a uma série de inovações. A agência Havas, então a maior do mundo, foi contratada pelo jornal e deu mais agilidade às notícias internacionais.

Primeira metade do século XX


Redação do jornal em 1927: da esquerda para a direita Júlio de Mesquita Filho, Nestor Rangel Pestana e o correspondente da agência United Press, sr. Comora.

Ao final do século XIX, o Estado já era o maior jornal de São Paulo. Propriedade exclusiva da família Mesquita a partir de 1902, o Estado apoiou a causa aliada na Primeira Guerra Mundial, sofrendo represália da comunidade alemã na cidade, que retira todos os anúncios do jornal. Mesmo assim, Mesquita mantém a posição de seu diário. Em 1924, o Estado foi impedido de circular pela primeira vez, entre os dias 28 de julho e 17 de agosto. A censura veio primeiramente do lado dos revoltosos, quando ocuparam a cidade, e depois do governo federal, após expulsar os rebeldes. Julio Mesquita foi preso e enviado ao Rio de Janeiro, sendo libertado pouco depois. Com a morte do velho diretor em 1927, seu filho Júlio de Mesquita Filho assumiu a redação com o irmão Francisco, este à frente da parte financeira do jornal.

Em 1930, o Estado, ligado ao Partido Democrático, apoiou a candidatura de Getúlio Vargas pela Aliança Liberal. Vargas foi derrotado nas eleições, mas assumiu o poder com a Revolução de 1930, saudada pelo jornal como um marco do fim de um sistema oligárquico. O chamado Grupo Estado assumiu em 1932 a liderança da revolução constitucionalista e, com sua derrota, boa parte da diretoria foi enviada ao exílio — Júlio e Francisco foram para Portugal e lá permaneceram até novembro de 1933, quando Getúlio nomeou Armando de Salles Oliveira, amigo dos diretores, como interventor de São Paulo. Anos depois, com a eclosão do Estado Novo, o jornal manteve a oposição ao regime e, em março de 1940, foi invadido pelo Dops por supostamente armazenar armas. O jornal foi inicialmente fechado e logo depois confiscado pela ditadura, sendo administrado pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) até 6 de dezembro de 1945, quando foi devolvido pelo Supremo Tribunal Federal a seus legítimos proprietários após a deposição de Getúlio. Os números publicados a partir da intervenção são desconsiderados na história do diário.

Logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, o Estado viu enorme progresso, com o aumento da tiragem e de seu prestígio nacional. A administração dos interventores mostrou-se financeiramente eficiente e o periódico gozava de ótima situação financeira. Na década de 1950, foi construída uma nova sede, o edifício da Rua Major Quedinho (que ainda abrigaria o Hotel Jaraguá), e máquinas modernas de impressão foram importadas. Foi a fase em que a editoria de Internacional foi comandada pelo jornalista Giannino Carta e por Ruy Mesquita. O Estado, desse período até a década de 1970, ostentou em sua primeira página quase que exclusivamente o noticiário internacional. Outros produtos do Grupo Estado vieram nessa mesma época, como a Rádio Eldorado (1954), a Edição de Esportes (1964), o Jornal da Tarde (1966) e a Agência Estado (1970).

DITADURA MILITAR

Redação do Estadão em 13 de abril de 1977, assistindo ao então "presidente" Geisel anunciar o seu famoso "pacote de abril".


República Nova e golpe de 1964. Durante a República Nova (1946–1964) o Estado alinhou-se à União Democrática Nacional de Carlos Lacerda e fez oposição a todos os governos, em especial o de João Goulart. Em 1962, o diretor Júlio de Mesquita Filho chegou a escrever o "Roteiro da Revolução". Em 1964, o Estado apoiou a insurreição militar que levou ao Golpe de 64 que instaurou a ditadura militar no Brasil — descrito como "contragolpe" por Ruy Mesquita — e a eleição indireta de Castelo Branco. No dia 1 de abril daquele ano publicou texto de apoio à derrubada de João Goulart. Em 20 de abril de 1968 o jornal sofre um atentado a bomba que acabou por destruir a entrada da sede. A explosão rua Major Quedinho com a Martins Fontes, arrebenta a porta de aço, destrói o saguão, fere o porteiro do jornal e estilhaça os vidros das janelas de todos os prédios num raio de quinhentos metros.

Censura na ditadura militar. Em 13 de dezembro de 1968, a edição do Estado foi apreendida em razão da recusa de Mesquita Filho de excluir da seção "Notas e Informações" o editorial "Instituições em Frangalhos", em que denunciava o fim de qualquer aparência de normalidade democrática. Os jornalistas conseguiram distribuir algumas centenas de exemplares, e repetiram o feito no dia seguinte, desta vez com 84,9 mil edições do Jornal da Tarde. A partir da data, o jornal passou a contar com censores da Polícia Federal em sua redação, ao contrário dos outros grandes jornais brasileiros, que aceitaram se autocensurar. Com a morte de Mesquita Filho, o Estado passou a ser dirigido, em 1969, por Júlio de Mesquita Neto. Nesse período o jornal ganhou visibilidade mundial ao denunciar a censura prévia com a publicação de trechos de Os Lusíadas, de Luís de Camões, no lugar de matérias proibidas pelos censores. Outros poetas, como Gonçalves Dias, Castro Alves, Manuel Bandeira e Cecília Meireles também tiveram obras suas publicadas no lugar de matérias censuradas. Entre 29 de março de 1973 e 3 de janeiro de 1975, o Estado teve 1136 textos cortados — em 655 ocasiões, versos de Os Lusíadas foram colocados no lugar das matérias cortadas. Muitos jornalistas do Estado foram perseguidos, presos e torturados.

A partir de 6 de janeiro de 1969, a censura continuou, mas a distância — os cortes eram ordenados por telefone ou por escrito. Ordens ignoradas eram punidas com a apreensão da edição na saída do prédio. Em 1974, o jornal recebeu o Prêmio Pena de Ouro da Liberdade, conferido pela Federação Internacional de Editores de Jornais. Em 3 de dezembro de 1975, acabou oficialmente a censura ao jornal, com a ascensão de Ernesto Geisel ao poder. A partir da década de 1970 o jornal endividou-se para a construção de sua nova sede na Marginal Tietê (para onde se mudou em 1976 e passou por severa crise financeira, disputando o mercado com o novo padrão de jornalismo.

Jornal da Tarde, ou apenas JT, é um jornal online diário da cidade de São Paulo, Brasil publicado pela SMEdit. O periódico circulou de forma impressa por quase 50 anos. Sua primeira edição circulou em 4 de janeiro de 1966. A última edição da versão impressa, foi em 31 de outubro de 2012. Inicialmente vespertino, passou a ser matutino em 1988, em função da piora no trânsito da cidade, que atrasava a distribuição no começo da tarde. O JT é um dos jornais que apostam na escola do new journalism americano, de Gay Talese e Truman Capote. Surgida em 14 de setembro de 1964, a Edição de Esportes era publicada pelo Grupo Estado nos domingos à noite, como forma de compensar o fato de o jornal O Estado de S. Paulo não circular às segundas-feiras, para cobrir os acontecimentos esportivos do domingo. O jornal apresentou grandes mudanças, como inovação gráfica, uso de máquinas de telefoto e textos diferenciados. Nos textos foram quebrados tabus como a utilização da palavra "gol" (costumava-se escrever "ponto") e marcas de carros que concorriam em Interlagos, o que era até então considerado publicidade. A Edição de Esportes conquistou um Prêmio Esso, em 1965, por uma reportagem sobre o futebol no interior de São Paulo, de autoria de Hamilton de Almeida e Tão Gomes Pinto. Mino Carta, que comandou tanto a Edição de Esportes como o início do JT, disse em 1991 que "era natural que um dia a Edição de Esportes fosse absorvida pelo Jornal da Tarde, o que não ocorreu de imediato". Apesar de ambas as publicações terem convivido por alguns anos, a Edição de Esportes é considerada um "laboratório" para a criação do JT.


Concepção e lançamento. O JT foi concebido e idealizado por Mino Carta, com o auxílio de Murilo Felisberto. Eles foram incumbidos pela família Mesquita, de O Estado de S. Paulo, para criar um novo modelo de jornal no Brasil, diferente do tradicional, buscando inspiração no intenso movimento cultural e nas mudanças de comportamento que ocorriam na segunda metade da década de 1960. Sua primeira manchete, por exemplo, passou longe da política e da economia, assuntos que quase invariavelmente marcavam as manchetes dos outros jornais: "Pelé casa (sic) no Carnaval". Essa manchete representou ainda a primeira vez que um veículo de comunicação publicou o nome da noiva, Rosemere dos Reis Cholbi, até então mantido em segredo pelo jogador, embora a foto mostrada na capa fosse da irmã da noiva, o que só se descobriria no dia seguinte. A política também tinha o seu espaço, mas com um enfoque mais informal que o do Estado, como na manchete publicada em 1966 para "comemorar" a saída de Ademar de Barros do governo do estado: "É um prazer ver este senhor pelas costas".

Apesar do "generoso" orçamento inicial, a empresa previa que o jornal fosse deficitário em seus primeiros anos. O jornal só alcançou sua emancipação econômico-financeira no final de seu décimo-primeiro ano, quando já era o maior vespertino paulista. Essa emancipação permitiu que fosse eliminada a tabela de anúncios conjugados com O Estado de S. Paulo, embora tal tabela acabasse sendo retomada anos mais tarde.

Os jornalistas da redação, em sua maioria muito mais jovens que a média de outras redações, começaram a publicar edições experimentais conhecidas como "número zero" já em dezembro de 1965, um mês antes do lançamento, embora a Edição de Esportes tenha servido como laboratório. A cada edição gerada seguia-se um debate, com correção diária de rumo e de visão, em busca do que seria o produto final, que inicialmente seria baseado no vespertino francês France Soir, mas que progressivamente foi abandonado como modelo. A preocupação, de acordo com o diretor Ruy Mesquita, era "fazer alguma coisa que seria um misto entre um jornal diário e uma revista semanal". O primeiro editorial definiu a nova publicação como de "estilo vibrante, irreverente, de um vespertino moderno que visa a atingir um público diferente daquele que, normalmente, lê apenas os matutinos".

Com nova linguagem gráfica, claramente contrastando com o visual quase padronizado dos jornais da época, muitas vezes eram os próprios editores que cuidavam do desenho das páginas, ao contrário de outros jornais em que essas tarefas eram exclusivas dos diagramadores e diretores de arte. Os repórteres não só tinham permissão, como eram encorajados a escrever textos mais próximos do estilo literário, inclusive na reportagem policial, com narração semelhante a um romance policial. 

A juventude da redação do JT era evidenciada pela diferença em relação à redação do Estado, que ficava do outro lado de um corredor no quinto andar do prédio onde ficava à época o Grupo Estado, na Rua Major Quedinho, no centro de São Paulo. Enquanto a primeira era muito barulhenta, com todos vestindo jeans e alguns até calçando sandálias, na segunda imperava o silêncio e todos, mais velhos ou mais jovens, usavam gravatas. O corredor que dividia as redações era conhecido como "túnel do tempo", e a redação do JT era conhecida do outro lado do corredor como "os meninos do Ruy", em referência ao diretor do jornal, Ruy Mesquita. A fase inicial, considerada por Ruy Mesquita como "a mais brilhante" da história do jornal, encerrou-se em meados dos anos 1970, quando o jornal teve de restringir seus gastos, não pôde mais investir apenas em poucos assuntos importantes e planejar grandes reportagens e perdeu o jeito de revista.

Censura. A primeira briga com o governo veio já no primeiro ano de vida do jornal, que culminou em uma manchete que escancarava uma ameaça de censura, em 23 de dezembro de 1966: "Ditador quer calar a Imprensa". Dois anos depois o governo quis impedir o jornal de publicar matéria sobre a crise no Congresso Nacional que resultaria no AI-5, o que foi rechaçado por telefone pelo diretor Ruy Mesquita, gerando reação da Polícia Federal, que bloqueou a saída do jornal pela Rua Major Quedinho. O jornal seguia sendo impresso, mas os agentes diziam: "Pode rodar, mas distribuir não vai." Pouco depois eles descobriram que o jornal estava nas bancas, e o próprio general Sílvio Corrêa de Andrade, chefe da DPF, saiu para recolher nas bancas os exemplares, que estavam saindo pela Rua Martins Fontes, oposta à Major Quedinho, por outra esteira.

Na década seguinte o jornal sofreu, assim como seus concorrentes, censura na redação, por causa da ditadura militar então em vigor no Brasil. Por iniciativa de Ruy Mesquita, notícias censuradas passaram a ser substituídas por receitas que não funcionavam (não apenas como maneira de protesto, mas também porque nem sempre a receita cabia no espaço deixado pela censura) ou com títulos irônicos (por exemplo, "Aves à passarinho", em referência ao então senador Jarbas Passarinho). O título que fez mais sucesso foi "Lauto Pastel", crítica ao então governador paulista Laudo Natel.

Em junho de 2008 o jornal classificou como censura uma decisão judicial que o impediu por alguns dias de publicar matéria com supostas irregularidades no Conselho Regional de Medicina de São Paulo. Em julho do ano seguinte nova decisão judicial, pedida pelo empresário Fernando Sarney e dada pelo desembargador Dávio Vieira, impediu o Estado de publicar reportagens sobre a Operação Faktor, da Polícia Federal, mais conhecida como "Operação Boi Barrica", o que também foi classificado como censura pelo jornal. A decisão só seria revogada nove anos depois, em novembro de 2018.

Inovações e suplementos. Por decisão de Murilo Felisberto, que substituiu Mino Carta na direção do jornal, o JT foi o primeiro jornal brasileiro a possuir oficialmente um editor de fotografia, Milton Ferraz. Foi ainda o primeiro jornal latino-americano a adotar a ecologia como causa, feito reconhecido pela Comissão das Nações Unidas para o Meio-Ambiente e Desenvolvimento.

Além disso, o jornal criou primeiras páginas consideradas históricas. Numa delas o ex-presidente da República Jânio Quadros aparece numa foto de página inteira visivelmente embriagado e noutra um garoto é mostrado entre lágrimas, também em página inteira, por conta da eliminação da seleção brasileira pela Itália na Copa do Mundo de 1982. Sem usar fotos, mas com caricaturas do político Paulo Maluf, o jornal fez uma série de capas em 1983, em que o nariz de Maluf crescia a cada edição, por causa dos prejuízos da Paulipetro. O jornal ainda publicou capas conceituais, com uma grande imagem sem manchete ou uma em que quatro assuntos eram apresentados com o mesmo destaque e a manchete pedia "ajuda" ao leitor: "Escolha aqui a sua grande manchete". Por esse conceito inovador, o JT passou a ser, segundo o diretor Sandro Vaia, "objeto do desejo dos jornalistas". Suas capas históricas já foram expostas no Masp.

"Seu Bolso". No início o jornal abordava assuntos econômicos geralmente apenas quando se tratavam de aumentos de preços e salários, mas o "Milagre Econômico", a primeira crise do petróleo e a censura então em vigor — que impedia que diversas notícias sobre política fossem publicadas e mutilava outras tantas — foram os principais motivos para a criação de uma seção de Economia, em 1974, chefiada por Celso Ming. Com ele, reportagens especiais sobre temas específicos mereceram destaque, como um encarte especial sobre compra de imóveis, publicado em agosto de 1976. A seção deu um Prêmio Esso ao jornal, com uma matéria de Ming mostrando a falência da Previdência Social.

Em junho de 1981, período de grande instabilidade econômica no País, foi lançada a seção "Seu Dinheiro", sobre finanças pessoais, inicialmente chamada de "Entenda Economia" e publicada em uma página. A seção fora idealizada quando da criação da editoria de Economia, sete anos antes, e mais tarde projetada por Luis Nassif. A arte da primeira página foi idealizada pelo então redator-chefe Fernando Mitre, que definiu a seção como "um divirtão trágico", em oposição à seção "Divirta-se".

A seção circularia às segundas-feiras com orientações financeiras populares, escritas com um didatismo que Ming compararia mais tarde a "ensinar a pescar, em vez de entregar o peixe limpo e enfarinhado".Apesar de conter textos mais longos, a seção só ganharia uma segunda página a partir de fevereiro de 1983 e tornar-se-ia diária a partir de abril de 1987. As principais coberturas deram-se entre 1986 e 1990, com seguidas trocas de moeda no Brasil, e, a partir da última delas, o Plano Collor, em março de 1990, "Seu Dinheiro" tornou-se um suplemento, o que só não ocorreu antes por causa das limitações ao consumo de papel impostas justamente pelas crises econômicas. Não demorou para diversos jornais passarem a ter colunas ou seções similares. O suplemento, que entre os anos 1990 e 2000 foi publicado às terças-feiras em formato tabloide, tornou-se um caderno diário, agora chamado "Seu Bolso", em 2008.

"Divirta-se" e "Caderno de Sábado". Outro suplemento que marcou a história do jornal é o "Divirta-se", publicado como página diária já no primeiro número, com a proposta de descobrir alternativas culturais "para o leitor driblar a rotina". Em 20 de agosto de 1970 a seção passou a ter duas páginas diárias e, mais tarde, passaria a ter mais espaço aos fins de semana, até virar um suplemento semanal, publicado às sextas-feiras, em 7 de junho de 1985, com indicações para o fim de semana. A seção de Variedades, que por períodos na história do jornal foi substituída às sextas-feiras pelo "Divirta-se", foi pioneira em colocar informações sobre filmes exibidos na televisão e sobre o mercado de vídeo. O "Divirta-se" continuou saindo em formato pequeno e grampeado, às sextas-feiras, de 21 de maio de 2004 até o fim do jornal, com ocasionais edições especiais quando de grandes eventos na cidade. O Estadão passou a usar o mesmo nome em seu guia semanal a partir de 19 de março de 2010.

Na segunda metade dos anos 1970 o JT passou a ser publicado em dois cadernos, e o segundo foi batizado de "O seu caderno de Programas e Leituras". Mais tarde a redação pressionou pela economia de palavras, e o título passou a ser "Caderno de Sábado". A iniciativa do caderno, que continha ensaios e textos, foi de Ruy Mesquita, que o considerava "uma publicação das mais importantes na cidade no campo da cultura". Em 10 de março de 1996 pela primeira vez o jornal passou a ter edições aos domingos. Nessa estreia, publicou um caderno chamado "Domingo", que teve vida curta, sendo depois incorporado ao primeiro caderno — depois sumiu.

"Jornal do Carro". Em 4 de agosto de 1982, uma quarta-feira, foi lançado, também por Nassif, o suplemento "Jornal do Carro", sobre veículos, com 16 páginas e o mesmo formato tabloide que mantém até hoje. Foi baseado numa coluna de mesmo nome que o jornal publicava desde o primeiro número. Nessa coluna, em 1967, já tinha sido publicado um "furo", com fotos da primeira limusine brasileira, a Itamaraty Executivo, fabricada pela Willys Overland. As fotos foram conseguidas com o aluguel de um helicóptero, e os seguranças presentes ao evento, numa chácara fechada na Rodovia Anchieta, tentaram esconder o carro com o corpo, alguns até tirando a roupa na esperança de que assim as fotos não fossem publicadas. Publicado inicialmente uma vez por quinzena, passou depois a ser publicado todas as quartas-feiras e, desde os anos 2000, também aos sábados. A partir da edição de 27 de outubro de 2010 passou a circular também com O Estado de S. Paulo.

Já nos primeiros meses o suplemento conquistou seu primeiro prêmio, o Prêmio Abraciclo, setorial, por uma reportagem sobre condução de motos com segurança. A partir de agosto de 1987 o suplemento passou a ter cores nas capas e em eventuais páginas internas, uma inovação para a época, e a ser dividido em cadernos, para separar assuntos e também classificados. Sua tabela de preços, que começou com 34 modelos de automóveis e seis de motocicletas, em um total de três mil cotações, tornou-se referência no mercado. Como o "Jornal do Carro" seguia sendo o suplemento automotivo mais lido em São Paulo, quando o JT deixou de ser publicado ele migrou para o Estado. Segundo estimativas divulgadas pelo jornal, nas primeiras semanas a procura pelo Estado às quartas-feiras teria crescido 400%.

"Edição de Esportes". Às segundas-feiras, a partir de agosto de 2003, foi publicada a "Edição de Esportes", caderno em formato tabloide que abordava a rodada do fim de semana no mundo esportivo (o caderno já tinha sido publicado em formato tabloide na primeira metade da década de 1970). Com numeração separada mantida até 2008, foi colecionado por diversos leitores, que ligavam para a redação procurando números faltantes, inclusive os chamados "números zero", que não foram às bancas.[36] A numeração separada foi mantida até 1 de abril de 2008. A partir do dia seguinte, todas as edições do caderno de esportes do jornal passaram a ser em formato tabloide, e a numeração separada das edições de segunda-feira deixou de fazer sentido.

O caderno era herança direta da Edição de Esportes, que circulava também às segundas-feiras nos anos 1970 e 1980 e é considerada por Paulo Vinicius Coelho "o melhor exemplo de cobertura esportiva" da época. Nesse tempo, o JT "arrasava em vendas às segundas-feiras" e tinha uma cobertura mais completa das rodadas de meio de semana, porque seu horário de fechamento era posterior ao dos outros jornais. Chegou até a instituir o Troféu Jornal da Tarde, a ser entregue à equipe com o ataque mais positivo no Campeonato Paulista nos anos 1980.

Em 1994 e entre 2002 e 2005, o JT conquistou o prêmio anual da Aceesp (Associação de Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo) como melhor equipe. O JT também é citado pelo autor José Eduardo de Carvalho como uma das publicações responsáveis por levar o esporte "da cozinha para a sala de estar". A marca "Edição de Esportes" também foi levada para O Estado com o fim do JT, inicialmente dando nome ao caderno de Esportes às segundas, aos sábados e aos domingos. Em 2015, passou a ser publicada apenas às segundas e aos domingos.

Outros suplementos. O Grupo Estado empenhou-se ao longo dos anos 2000 na recuperação de mercado do JT, tentando imprimir-lhe a imagem de um jornal de mais fácil leitura, ágil e defensor do leitor e do cidadão. Em 5 de abril de 2006, o jornal sofreu sua última grande reforma gráfica e passou a dar mais destaque à prestação de serviços. Em sua redação, foi reunida uma equipe de reportagem policial que contava com nomes como Ivan Ventura, Josmar Jozino e Marinês Campos. Nessa reforma gráfica foi reintroduzido um caderno falando de estilo de vida, chamado "Revista JT", que, apesar do nome, não era uma revista, mas um caderno em formato tabloide, grampeado, em papel semelhante ao sulfite. O suplemento era herança do caderno "Modo de Vida", publicado a partir de 1975 em uma página interna e a partir de 1985 como caderno, às quintas-feiras. O próprio "Modo de Vida" já era herança da seção "Viver", que, por sua vez, tivera origem na seção feminina "Agora É que São Elas", publicada desde o segundo mês de vida do jornal. Ao contrário de seus antecessores, o "Revista JT" não durou muito.

Em 2 de abril de 2008, mais uma reforma gráfica, baseada na anterior, teve como grandes novidades o caderno de esportes em formato tabloide ao longo de todos os dias da semana e a mudança de nome do caderno "Seu Dinheiro" que passou a ser diário, sob o nome de "Seu bolso". De acordo com a edição do dia seguinte, as mudanças foram aprovadas pela maioria dos leitores.

O jornal ainda publicava, às quintas-feiras, os cadernos "Link", originalmente "Informática", criado no início dos anos 1990 e rebatizado em meados dos anos 2000, e "Turismo", que estreou em 14 de dezembro de 1989 depois de ser apenas uma página semanal por alguns anos. Ambos os cadernos deixaram de ser publicados nos anos 2010.

Estrutura. Até 1988 o JT fechava às 4 horas, só circulava depois das 10h30 da manhã, não tinha assinaturas e era deficitário. Uma reestruturação da empresa mudou tudo isso, e o jornal saiu do vermelho já no primeiro ano após a mudança, embora o novo fechamento, às 23 horas, tenha feito com que o jornal fosse fechado "na correria". Três anos depois o jornal passou a buscar mercados mais específicos[46], o que geraria diversas mudanças de rumo ao longo das duas décadas seguintes. "O JT se colocando em um segmento do mercado, provavelmente será imbatível", dizia o então diretor-superintendente do Grupo Estado, Francisco Mesquita, em janeiro de 1991, sem especificar a que segmento se referia. "Aliás, ele terá de ser, obrigatoriamente, líder nesse segmento prioritário. Nos outros, ele entrará naturalmente, sem essa preocupação de liderança."

Polêmicas. A tira de quadrinhos Zé do Boné, publicada por décadas pelo jornal, gerou um processo de um advogado que se sentiu ofendido por uma piada em junho de 1980. Em dezembro de 1990 o então governador de São Paulo Orestes Quércia disse que o JT não tinha "autoridade moral" para criticá-lo porque "vive subvencionado pela prostituição", em referência a anúncios de garotas de programa publicados nos classificados do jornal. O episódio motivou um editorial criticando o governador e os "prostitutos da política". Uma entrevista com a atriz Tônia Carrero publicada em 5 de janeiro de 2009 causou a demissão de um repórter. O jornal afirmava que o repórter confirmara à sua chefia que a entrevista havia sido feita dois dias antes da publicação, informação desmentida pela assessoria de imprensa da atriz. Segundo o pedido de desculpas publicado pelo jornal em 9 de janeiro, a matéria fora realizada havia um ano.

Circulação. Em 1986, os dados do IVC informavam que o Jornal da Tarde era o mais vendido nas bancas da Grande São Paulo. O gráfico publicado comparava a venda em bancas do JT com a da Folha de S.Paulo, com o primeiro levando vantagem em todos os meses entre abril de 1985 e março de 1986.Nesse ultimo mês, a circulação dos dois periódicos em bancas disparou, mas a diferença em favor do JT aumentou: 121 mil contra 75 mil, comparados com os 66 mil e 44 mil de fevereiro.

O ano de 1990 foi o melhor da história do JT para Francisco Mesquita em entrevista dada no ano seguinte: naquele ano a publicação era o jornal mais vendido em bancas na Grande São Paulo e tinha uma tiragem média que oscilava entre 120 mil (às terças, quintas, sextas e sábados) e 190 mil (às segundas e quartas). No final dos anos 1990 o periódico passou por uma fase de queda nas vendas e tentou ocupar a lacuna deixada pelos tradicionais jornais populares paulistanos, como o Notícias Populares, extinto no início de 2001. Ao longo de 2007 o jornal viu sua circulação média diária na Grande São Paulo subir 6,8%, passando de 44,5 mil em dezembro de 2006 para 47,5 mil um ano depois. Naquele ano o jornal era o quinto em circulação na região, atrás, pela ordem, de O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, Agora e Diário de S. Paulo. Dois anos depois, o jornal decidiu concentrar as vendas apenas na Grande São Paulo, suspendendo a circulação no interior e em outros estados, a não ser por algumas cidades específicas. Com isso, sua circulação média em janeiro de 2011 foi de 42 775 exemplares, um número inferior ao de quatro anos antes, embora o jornal tenha ultrapassado o Diário, que teve circulação média de 33 761 naquele mês. Em agosto de 2012, a circulação tinha caído, novamente, para 37 778 exemplares, mas mantendo uma venda de mais de cinquenta mil exemplares às quartas-feiras, com a distribuição do "Jornal do Carro".

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Capa da primeira edição da "Folha da Noite" que foi publicada num sábado, 19 de fevereiro de 1921



Um grupo de jornalistas liderado por Olival Costa e Pedro Cunha fundou a Folha em 19 de fevereiro de 1921,com o nome de Folha da Noite. Era um jornal vespertino, com um projeto que pregava textos mais curtos e mais claros, enfoque mais noticioso que opinativo, agilidade e proximidade com os assuntos que afetavam o dia a dia da população paulistana, principalmente os trabalhadores urbanos.
O empreendimento foi bem-sucedido, levando os sócios a comprar uma sede própria, uma rotativa e, em julho de 1925, criar um segundo jornal, agora matutino: a Folha da Manhã. O propósito inicial de Alves de Lima, que assumiu o jornal em 1931, era defender os interesses “da agricultura”, ou seja, dos produtores rurais. Mas eventos importantes levaram o foco noticioso para outros temas: a revolução de 1932 (em que paulistas tentaram recuperar o poder perdido para Getúlio Vargas), a Segunda Guerra Mundial (de 1939 a 1945) e o Estado Novo (ditadura varguista que durou de 1937 a 1945).

Sem familiaridade com a imprensa, Lima trouxe para a direção da empresa o poeta Guilherme de Almeida e entregou a direção editorial a Rubens do Amaral, que formou uma Redação de tendência antigetulista. Hermínio Sachetta, militante trotskista que chegou a ser preso pelo Estado Novo, assumiu a Secretaria de Redação logo depois de deixar a prisão. O governo ditatorial exercia pressão política e econômica sobre a imprensa, concentrando munição em São Paulo contra o matutino O Estado de S. Paulo, que havia patrocinado a revolução de 1932. O diretor do jornal, Júlio de Mesquita Filho, foi preso três vezes e forçado a se exilar, enquanto o Estado ficava sob intervenção do governo varguista, de 1940 a 1945. Com o concorrente calado, a Folha da Manhã sobressaiu como voz de oposição à ditadura. A atitude crítica é um dos motivos apontados para a troca de proprietários da empresa, ocorrida em 1945.

Na terceira mudança de mãos, os jornais foram comprados pelo fazendeiro Alcides Ribeiro Meirelles, o advogado José Nabantino Ramos e o administrador Clóvis Queiroga. Nabantino foi indicado pelo interventor do estado de São Paulo, Fernando Costa, a pedido de Getúlio. Queiroga, por sua vez, representava o conde Francisco Matarazzo Júnior, que era impedido de possuir veículos de comunicação, por ser italiano. Matarazzo financiou a compra de rotativas mais modernas e viu na empreitada uma oportunidade para responder aos ataques que lhe faziam os jornais de Assis Chateaubriand, seu desafeto. Uma das armas idealizadas por ele nessa batalha foi reduzir o preço das Folhas, para sufocar os negócios dos Diários Associados, de Chateaubriand. O tiro, no entanto saiu pela culatra: Nabantino Ramos contabilizou as perdas que a empresa sofreu com essa redução de preço como pagamento pelo financiamento concedido pelo conde e, após alguns meses, declarou a dívida quitada, assumindo a condução editorial dos jornais.



Caminhonete da "Folha da Manhã" usada para distribuir o jornal, no bairro da Vila Prudente, em São Paulo, em 1948.

Advogado, Nabantino Ramos era aficionado por técnicas de gestão e controle, e implantou nas décadas de 1940 e 1950 várias inovações: concursos públicos para contratação, cursos de jornalismo, premiação por desempenho, controle de erros. Redigiu um manual de redação e uma política editorial. Lançou um terceiro jornal, a Folha da Tarde, em 1949, e patrocinou dezenas de campanhas em várias áreas: combate à corrupção e ao crime organizado, defesa de mananciais, melhorias de infraestrutura, obras urbanas, entre outros. Em 1950, todas as Folhas passaram a ser impressas num prédio na Alameda Barão de Campinas, no bairro dos Campos Elísios. Em 1953, todas as instalações dos jornais foram transferidas para lá. No final dos anos 1960, foi construído um segundo prédio, na alameda Barão de Limeira, sede da Folha até hoje. O local também abrigaria as instalações dos jornais Agora São Paulo e Notícias Populares. Apesar da organização empresarial, Nabantino carecia de tino comercial e da flexibilidade necessária para negociar financiamentos e administrar orçamentos. No começo dos anos 1960, a empresa sofria com custos aumentados pelo preço do papel jornal. Os três jornais foram fundidos em um só título, Folha de S.Paulo, em 1960, no início mantendo as três edições. Mas, conforme a situação financeira se deteriorava, as edições vespertinas foram canceladas e o jornal fixou-se como matutino. As dificuldades foram agravadas em 1961, pela vitória de uma greve de jornalistas que paralisou todos os veículos de São Paulo e obteve melhorias de salário e benefícios trabalhistas, o que ampliou ainda mais os custos do jornal. A empresa foi vendida em 13 de agosto de 1962 aos empresários Octavio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho. Durante vinte anos (1950-1970), o diretor de arte da Folha foi o chargista Orlando Mattos.


Funcionários fazem a composição a chumbo das páginas do jornal em 1958.


Pluralismo e liderança. Frias e Caldeira, respectivamente presidente e superintendente da empresa, voltaram-se à tarefa prioritária de recuperar o equilíbrio financeiro do jornal. Para dirigir a Redação, Frias nomeou o cientista José Reis, um dos criadores da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Trouxe para integrar a equipe o responsável pela modernização do rival O Estado de S. Paulo, o jornalista Cláudio Abramo, que viria a suceder a Reis e manter, com Frias, uma produtiva convivência profissional que se prolongou por mais de vinte anos. Em 1964 a Folha de S.Paulo apoiou a derrubada do presidente João Goulart e o estabelecimento de um regime de tutela militar temporária, conforme se acreditava - sobre o país. Superada a fase de adversidades econômico-financeiras, a nova gestão passou a se dedicar à modernização industrial e à montagem de uma estrutura de distribuição de exemplares que alicerçou os saltos de circulação que estavam por vir. Foram comprados novos equipamentos e impressoras nos Estados Unidos. Em 1968 a Folha se tornou o primeiro dentre os grandes jornais latino-americanos a ser impresso no sistema "off-set". Em 1971, outro pioneirismo: os moldes de chumbo passavam à história e o jornal adotava a composição "a frio". O jornal crescia em circulação e melhorava sua participação no mercado publicitário.

No final dos anos 1960, Frias chegou a organizar o embrião de uma rede nacional de televisão, congregando à TV Excelsior de São Paulo, líder de audiência cujo controle adquiriu em 1967, mais três emissoras no RJ, MG e RS. Por insistência de Caldeira, porém, os dois sócios abandonaram a empreitada em 1969. O começo da década de 1970 foi turbulento para a história do jornal. Acusado por organizações da luta armada de emprestar carros para a repressão da ditadura, a Folha passou a ser alvo dos guerrilheiros, que interceptaram e queimaram três camionetes de entrega do jornal, duas em setembro e uma em outubro de 1971 e ameaçaram de morte o dono do jornal. Em resposta, Octavio Frias assinou na capa do jornal o editorial “Banditismo”, afirmando que não aceitaria a agressão nem as ameaças. 

O antagonismo entre o jornal e os grupos de esquerda se aprofundou e culminou com o editorial “Presos Políticos?”, publicado em junho de 1972, no qual se questionava a existência de pessoas presas por causa de suas posições políticas. O editorial era também uma resposta ao concorrente O Estado, que defendera tratamento especial aos presos políticos. Dizia: “É sabido que esses criminosos, que o matutino O Estado de S. Paulo qualifica tendenciosamente de presos políticos, mais não são que assaltantes de bancos, sequestradores, ladrões, incendiários e assassinos, agindo, muitas vezes, com maiores requintes de perversidade que os outros, pobres-diabos, marginais da vida, para os quais o órgão em apreço julga legítimas todas as promiscuidades”. O episódio provocou também uma crise interna. Na semana seguinte, os editoriais foram suspensos. No mesmo ano, Cláudio Abramo foi afastado da chefia e a Folha só voltaria a adotar uma atitude política mais independente e afirmativa, em vez da "neutralidade" acrítica que se seguiu ao fim dos editoriais, no final de 1973.
Jorge Luis Borges chega para debate no pátio de reportagem da Folha, em 1984.

A Folha começou a ganhar espaço junto às camadas médias que ascenderam com o "milagre econômico", fixando-se como publicação de grande presença entre jovens e mulheres. Ao mesmo tempo, dedicava-se com desenvoltura crescente a áreas do jornalismo até então pouco exploradas, como o noticiário econômico, esportivo, educacional e de serviços. A Folha apoiou a ideia da abertura política e se colocou a serviço da redemocratização, abriu suas páginas para todas as tendências de opinião e incrementou o teor crítico de suas edições. Frias acreditava firmemente na filosofia editorial de uma publicação isenta e pluralista, capaz de oferecer o mais amplo leque de visões sobre os fatos. Encontrou um colaborador habilitado em Abramo, responsável pela área editorial entre 1965 e 1973, sucedido por Ruy Lopes (1972/73) e Boris Casoy (de 1974 a 1976) e reconduzido a essa função em 1976, onde permaneceu até 1977, quando Casoy, em meio à crise provocada por uma tentativa de golpe militar contra o presidente Ernesto Geisel, foi convidado por Frias a retornar ao cargo. Abramo reformulou o jornal, fez a primeira (1976) de uma série de reformas gráficas que se sucederiam, reuniu colunistas como Jânio de Freitas, Paulo Francis, Tarso de Castro, Glauber Rocha, Flavio Rangel, Alberto Dines, Mino Carta, Osvaldo Peralva, Luiz Alberto Bahia e Fernando Henrique Cardoso. A Folha se transformava num dos principais focos de debate público do país. Ao contrário das expectativas, essa linha editorial foi preservada e desenvolvida durante o período em que Casoy foi editor responsável (1977-1984). Em 1983-84, a Folha foi o baluarte do movimento Diretas-Já, a favor de eleições populares para a Presidência da República, na imprensa.

Pioneirismo. Em 1967, a Folha adotou a impressão offset em cores, usada em larga tiragem pela primeira vez no Brasil. Em 1971, o jornal abandonou a composição gráfica a chumbo e se tornou o primeiro a usar o sistema eletrônico de fotocomposição no Brasil. Em 1983, com a instalação dos primeiros terminais de computador, passou a ter a primeira Redação informatizada da América do Sul.
Em 1984, lançou o primeiro de seus manuais da Redação, que viriam a se tornar obras de referência para estudantes e jornalistas. O livro ganhou novas versões em 1987, 1992, 2001 e 2018. Em 1989, foi o primeiro veículo no país a ter um ombudsman, uma espécie de ouvidor encarregado de receber, investigar e encaminhar as queixas dos leitores e de fazer comentários críticos sobre o jornal e outros meios de comunicação. Desde então, onze jornalistas ocuparam o cargo: Caio Túlio Costa, Mario Vitor Santos, Junia Nogueira de Sá, Marcelo Leite, Renata Lo Prete, Bernardo Ajzenberg, Marcelo Beraba, Mário Magalhães, Carlos Eduardo Lins da Silva, Suzana Singer, Vera Guimarães Martins e Paula Cesarino Costa. Ainda na década de 1980 a Folha também foi pioneira na adoção de infográficos e quadros que explicam detalhes e contexto das principais notícias.


Capa colorida do jornal Cidade Santos, novembro de 1967, do grupo Folha de São Paulo.
  Acervo: Hemeroteca Digital BN.



A COMPANHIA  MELHORAMENTOS DE SP


Em meados da década de 1890, a cidade de São Paulo, com uma população de 100 mil habitantes, ansiava por água, esgoto, iluminação moderna e conforto. A crescente demanda urbana exigia materiais de construção, equipamentos para melhorias urbanísticas e papel. Nesse contexto, foi fundada a empresa Melhoramentos, cujo nome reflete o nobre objetivo de trazer avanços e melhorias para a cidade de São Paulo.

 

A Cia Melhoramentos de São Paulo foi formada pelo Coronel Antônio Proost Rodovalho originalmente em 1877, mas foi constituída formalmente em 12 de setembro de 1890, como fábrica de papel. O Coronel Rodovalho construíra em sua fazenda às margens do Rio Juqueri-Guaçu, dois fornos para produção de cal e contratou Albert Graf como chefe na Construção dos fornos de Cal, um dos primeiros funcionários da Companhia Melhoramentos de São Paulo, logo o local passou a ser conhecido como Caieiras. No mesmo ano, Rodovalho funda a Companhia Cantareira e Esgotos, e obtém contratos oficiais para obras de saneamento e urbanização em São Paulo. Em 1888, a companhia constrói o reservatório da Consolação, em São Paulo. Rodovalho decide produzir papel e, em 1887, inicia-se a construção da fábrica de papel, a cargo da empresa alemã Gebrüder Hemmer.

Em 1894, Otto Weiszflog chega a São Paulo, vindo de Hamburgo, Alemanha, e passa a trabalhar para o também hamburguês M. L. Bühnaeds, no ramo de papelaria, encadernação, livros em branco e importação de papel. Seu irmão, Alfried Weiszflog, chega em 1896. Em 1900 a Companhia Melhoramentos começa a fornecer papel para a “M. L. Bühnaeds & Cia” onde trabalham os irmãos Weiszflog, e Rodovalho deixa a Melhoramentos, após desentendimento com o restante da diretoria sobre uma operação com ações. Em 1905, Otto e Alfried tornam-se donos da Bühnaeds & Cia. e, no ano seguinte, a segunda máquina de papel entra em funcionamento na Melhoramentos.

Em 1908, é inaugurada uma linha férrea ligando a fábrica de Caieiras a São Paulo, e a falta de energia leva a Melhoramentos a começar, em 1912, a plantação de eucaliptos, para fornecer lenha para os fornos de cal e cerâmica, e são construídas uma barragem e uma usina de energia elétrica para movimentar a terceira máquina de papel, que entra em funcionamento em 1913. Nesse mesmo ano, aos 75 anos, morre o Coronel Rodovalho.

A parte editorial teve inicio em 1915, como firma independente, a “Weiszflog Irmãos". Quando o diretor Alfred Weiszflog assumiu o controle da fábrica em 1920, houve a fusão das 2 empresas, com a incorporação da Weiszflog pela Melhoramentos. Weiszflog e Irmãos havia iniciado sua atividade editorial com a publicação de O Patinho Feio, de Hans Christian Andersen, ilustrado por Francisco Richter. Devido às ligações de Andersen com Portugal, o português foi a primeira língua para a qual seus livros foram traduzidos, e essa foi a primeira tradução de Andersen feita no Brasil. O primeiro gerente da Weiszflog, Arnaldo de Oliveira Barreto, deu sequência a essa linha editorial, formando a “Coleção Biblioteca Infantil”.

Em 1928, a produção editorial cresce, chegando nesse mesmo ano a um catálogo de 248 títulos, com 670.000 livros impressos. Em 1929 uma nova máquina de papel é comprada. A produção da Melhoramentos atinge 7.400 toneladas de papel para indústria, impressão, cartões, cartolinas, papel de seda e outros, em 1937. Finalmente, em 1938, é publicado o livro “O Filho do Trovão”, de Barros Ferreira, o primeiro livro a ostentar a indicação “Edições Melhoramentos”.

A máquina de papel V, feita pela alemã Voith, começa a funcionar em 1940 e no ano seguinte o nome da empresa é mudado para “Companhia Melhoramentos de São Paulo, Indústrias de Papel”. A Fazenda Levantina, em Camanducaia (MG) passa a fazer parte da Melhoramentos em 1942, e no ano seguinte inicia-se ali a produção da primeira celulose brasileira. A Melhoramentos foi pioneira no uso de madeira brasileira na fabricação do papel. Em 1946, em Caieiras, obtém-se a produção de celulose a partir de eucalipto, um feito de repercussão mundial.

Em 1960 é inaugurada a “Livraria Melhoramentos” no Largo do Arouche, em São Paulo. Quatro anos depois a empresa adquire a Fazenda Santa Marina, em Bragança Paulista.

Em 1968, quando publicou Meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcellos, a Melhoramentos vendeu 1.200.000 exemplares em menos de 10 anos, e mais 3.000.000 em traduções para o exterior o que foi considerado, na época, um fenômeno.

Em 1969 é constituída a Melbar, sociedade entre a Melhoramentos e a empresa americana Dresser Magcobar. A tecnologia de produção de celulose é inovada em 1982, com o início da produção de polpa de celulose do tipo CTMP a partir de eucalipto, inaugurando mundialmente a fabricação de papel higiênico a partir dessa madeira.

Linha literária. A linha de literatura infantil e os livros didáticos são a linha mestra da Melhoramentos. A concentração na literatura infantil vem dos primeiros tempos, quando Weiszflog e Irmãos havia iniciado sua atividade editorial com a publicação de O Patinho Feio.

Outro nome importante do período inicial para a atividade editorial da Melhoramentos foi Manuel Bergström Lourenço Filho, como diretor de ensino no Ceará desde 1922, e cuja “Introdução ao estudo da escola nova” inspirou toda uma geração de reformadores educacionais em todo o Brasil. Manoel foi consultor editorial da melhoramentos durante muitos anos, e a partir de 1926, passou a fazer a revisão de todos os livros infantis da casa.


A WEISZFLOG E A MELHORAMENTOS


Os irmãos Walther, que também veio para o Brasil para trabalhar com os irmãos, Otto e Alfried. Foto: Os irmãos Weiszflog de Guilherme Gaensly, 1904. São Paulo City



Otto Weiszflog. O primogênito da família Weiszflog mostrou-se um homem de negócios dedicado e empreendedor desde cedo. Além de ser fundamental na expansão dos negócios da família no Brasil, Otto também construiu uma vida familiar estável. Em 9 de janeiro de 1899, casou-se com Ana Maria Kuhlmann e tiveram uma família, criando uma descendência que fortaleceu ainda mais os laços da família Weiszflog no Brasil. Faleceu aos 49 anos vítima da epidemia da gripe espanhola. 


Alfried Weiszflog. O irmão do meio era conhecido por sua paixão pela música e pelas artes. Na cidade de São Paulo, organizava encontros musicais em sua casa, reunindo entusiastas da música em um quarteto. Alfried também cultivou interesse por literatura e cultura, o que o aproximou do meio social paulistano. Casou-se com Alice Köcher, em 22 de maio de 1900. Alfried era um homem visionário e sua dedicação aos negócios e à cultura era equilibrada com uma atenção cuidadosa à sua vida familiar. A convivência entre Otto e Alfried era harmoniosa e o apoio mútuo foi crucial para os sucessos alcançados pelos dois irmãos ao longo dos anos. 

Walther Weiszflog. O irmão mais novo da família teve uma participação fundamental na trajetória dos negócios. Walther era conhecido por sua dedicação às artes gráficas e seu interesse em inovação tecnológica. Antes de sua vinda ao Brasil, seu pai, Wilhelm Weiszflog, lhe confiou uma missão importante em Hamburgo: estudar os últimos avanços das artes gráficas. Ele foi enviado às oficinas Klimsch, em Frankfurt, com o objetivo de aprender e adquirir conhecimentos em zincografia, fotolitografia, impressão em baixo-relevo sobre cobre e impressão com gelatina sensível à luz. Além de sua carreira profissional, Walther também contribuiu para a vida cultural da família e da cidade. 


PATINHO FEIO


“Na Alemanha, os Weiszflog almejam dias melhores. Assim dois deles, Otto e Alfried resolvem partir em busca do sucesso. O Brasil é o país escolhido e, dentro do Brasil, o novo Eldorado chama-se São Paulo. Otto chega em 1894. Semanas depois está trabalhando no estabelecimento do conterrâneo Bühnaeds, um negócio no ramo de papelaria, encadernação e importação de papel. Dois anos mais tarde é a vez de Alfried desembarcar no Brasil. Ele chega com um recado do pai, Wilhelm: “Façam alguma coisa que seja única, em que não tenham concorrência”.

Seguindo os conselhos do pai, os irmãos Weiszflog associam-se a Bühnaeds. Em 1905, adoentado e sem forças, Bühnaeds deixa a sociedade e, posteriormente, em 1915, a empresa é comprada pelos irmãos: nasce então a Weiszflog Irmãos – Estabelecimento Gráfico.

“Os serviços da gráfica dos Weiszflog ganha rápido reconhecimento em razão da qualidade superior dos seus produtos. Percebendo isso, o educador Arnaldo de Oliveira Barreto sugere aos Weiszflog que se tornem também editores. A sugestão é aceita. Já na condição de editores, os Weiszflog produzem em 1915 aquele que seria um marco da literatura infantil brasileira. O livro O Patinho Feio, de Hans Christian Andersen, com ilustrações de Franz Richter, é o primeiro no Brasil editado em quatro cores”.

Livro infantil em pequeno formato  O Patinho Feio , por Hans Andersen, da série Biblioteca infantil, Editora Companhia Melhoramentos de São Paulo, década de 30, ilustrado. Anúncio do Leiloeiro Alberto Lopes. 



Um dos clientes dos Weiszflog, que mandava imprimir livros e seu relatório anual era a Companhia Melhoramentos de São Paulo, que passou por sérias dificuldades financeiras, agravadas durante a Primeira Guerra Mundial.

Seus novos donos só veem uma saída: vender a Melhoramentos. Os Weiszflog já produzem, editam e comercializam seus próprios livros; faltava somente a produção do papel e para isso compraram a Companhia Melhoramentos de São Paulo em abril de 1920 e, em dezembro, incorpora a Weiszflog Irmãos – Estabelecimento Gráfico. Surge um slogan que durante muitos anos acompanha os livros da editora: “Do pinheiro ao livro, uma realização Melhoramentos”. Nas mãos dos Weiszflog, a Melhoramentos cresce e aparece”.

Na década de 1910, o estabelecimento gráfico dos Irmãos Weiszflog, que ficava no vale do Anhangabaú foi o embrião da editora e depois da Companhia Melhoramentos. Na foto abaixo o grande prédio e, à direita, a escadaria que ligava o Vale do Anhangabaú à rua Líbero Badaró.



Empresa sediada entre o Vale do Anhangabaú e a Rua Líbero Badaró.


A história conta que os Weiszflog foram magnatas da indústria nacional de derivados de papel, sendo os primeiros fabricantes de papel higiênico e celulose no País. Neste período, Otto Weiszflog já vivia com sua família no belo casarão da Avenida Paulista.  Ele, a esposa Anna Maria Kuhlmann Weiszflog, filha de deputado conhecido à época, e os filhos Jane, Frederico (Fritz), Hilda, Gerda, Wolfang e Annemarie. Wolfang faleceu muito jovem, aos 25 anos, em um acidente no mar do Guarujá. Otto faleceu em 19 de abril de 1919. Em 1922, recebeu uma homenagem da Revista Nacional, que escreveu sobre sua importância como renovador da arte gráfica no Brasil e reorganizador da cartografia brasileira, que podemos apreciar abaixo, na imagem da Carta geral do Estado de São Paulo, publicada pela Weiszflog Irmãos, em 1912.

Voltando aos Weiszflog, um pouco sobre o irmão de Otto, Alfried Theodor, sabemos que nasceu em Hamburgo, Alemanha, em novembro de 1872. Formou-se em Ciências Econômicas e veio para o Brasil em 1896, tornando-se anos depois o presidente da Cia Melhoramentos. Além disso, Alfried foi um dos primeiros diretores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) em 1928. A história conta que os Weiszflog foram magnatas da indústria nacional de derivados de papel, sendo os primeiros fabricantes de papel higiênico e celulose no País. Alfried morreu em São Paulo, a 05 de setembro de 1942, aos 70 anos.

Os irmãos receberam várias homenagens da cidade. Alfried “virou” praça: a Praça Alfredo Weiszflog fica na Lapa e foi oficializada em novembro de 1950. Otto, Walther e Alfried também “viraram” escola: a Escola Estadual Otto Weiszflog, localizada na Rodovia Presidente Tancredo A. Neves, Km 34, e a E.E. Walther Weiszflog, na Av. dos Estudantes, 360 e a E. E. Alfried Theodor Weisflog, na R. Raimundo dos Réis, 251, todas elas em Caieiras. São Paulo City


O brasão da família Weiszflog

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LICEU DE ARTES E OFÍCIOS



Liceu de Artes e Ofícios. A instituição foi criada em 1873 por um grupo de aristocratas pertencentes à elite cafeeira nacional que pretendia formar mão de obra especializada para uma futura possível industrialização do país, de acordo com os ideais positivistas que pregavam a "dignificação do homem através do trabalho". Seu fundador, Carlos Leôncio da Silva Carvalho, era um advogado e Deputado Geral(atualmente corresponde ao posto de Deputado Federal) e com o apoio financeiro da maçonaria paulista e dos cafeicultores, conseguiu tornar real a instituição para divulgação das artes e ofícios focando na formação de mão-de-obra especializada para a lavoura, a indústria e o comércio. Com a adoção do nome Lyceu de Artes e Officios, o novo modelo passa a ser exercido e são ministrados cursos de marcenaria, serralheria, gesso, desenho, entre outros, dentro do espírito positivista-burguês das Artes e Ofícios. A prosperidade financeira do Liceu possibilitou a criação de uma sede definitiva. Em 1897 o Escritório Técnico Ramos de Azevedo iniciou o projeto do edifício da Praça da Luz, nunca concluído mas entregue em 1900. Este edifício, através de um acordo com o Estado de São Paulo, seria dividido entre o LAOSP e a recém criada Pinacoteca do Estado.A produção industrial do Liceu prosperou nitidamente nos períodos de Guerras Mundiais, com o aumento do consumo de itens produzidos no país (devido à redução de importações). Neste período, passaram pelo Liceu nomes como Victor Brecheret; Alberto Santos Dumont; Adoniran Barbosa. O Liceu se torna o principal divulgador e realizador de obras em estilo Art nouveau da cidade (e do país). A partir dos anos 1950, com a adoção pelo país de um novo modelo de desenvolvimento industrial, os artesãos do Liceu passaram a ser inadequados para as novas atividades de produção. Ocorreu a separação entre a atividade industrial da instituição e sua seção educacional: todo o ideal original de indissociabilidade entre arte e indústria se perdeu a partir daí. [Textos e imagens da Wikipedia]


Oficina dos Ferreiros Artísticos do Liceu de Artes e Ofícios na rua da Cantareira, 1910.

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Ateliê de Volpi no Cambuci.


Alfredo Volpi (Lucca, 14 de abril de 1896 — São Paulo, 28 de maio de 1988) foi um pintor ítalo-brasileiro considerado pela crítica como um dos artistas mais importantes da segunda geração do modernismo. Uma das características de suas obras são as bandeirinhas e os casarios. Começou a pintar em 1911, executando murais decorativos. Em seguida, trabalhou com óleo sobre madeira, consagrando-se como mestre utilizador de têmpera sobre tela. Grande colorista, explorou através das formas, composições magníficas de grande impacto visual. Em conjunto com Arcangelo Ianelli e Aldir Mendes de Souza, formou uma tríade de exímios coloristas, foco de livro denominado 3 Coloristas, escrito por Alberto Beuttenmüller (Ed. IOB, julho de 1989). Trabalhou também como pintor decorador em residências da sociedade paulista da época, executando trabalho de decoração artística em paredes e murais junto com Antonio Ponce Paz, pintor e escultor espanhol que logo virou um grande amigo de Volpi. Realizou a primeira exposição individual aos 47 anos de idade, expondo no Salão de Maio e na 1ª. Exposição da Família Artística Paulista, no ano de 1938 na cidade de São Paulo. Na década de 1950 evoluiu para o abstracionismo geométrico, de que é exemplo a série de bandeiras e mastros de festas juninas. Recebeu o prêmio de melhor pintor nacional na segunda Bienal de São Paulo, em 1953. Participou da primeira Exposição de Arte Concreta, entre ao Grupo Santa Helena, porém sempre ia visitar seus amigos que oficialmente participavam como Mario Zanini e Francisco Rebolo, situado na Praça da Sé, em São Paulo. Faziam parte do Grupo Santa Helena os seguintes pintores: Aldo Bonadei, Clóvis Graciano, Fúlvio Penacchi e Ernesto de Fiori que teve grande influência no trabalho de Volpi.

Vista frontal do altar da Capela do Cristo Operário, no alto do Ipiranga em São Paulo.



Volpi, com amigos no workshop do Grupo Santa Helena em São Paulo. Da esquerda para a direita: Francisco Rebolo, Volpi, Paulo Rossi Ossir, Nélson Nóbrega e Mário Zanini. Final da década de 1930. Foto de Olívio Tavares de Araújo .


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OS CIVITA E A EDITORA  ABRIL 



Victor Civita e o filho Roberto Civita em 1990. 



A Editora Abril é uma editora brasileira, sediada na cidade de São Paulo, parte integrante do Grupo Abril. A empresa atualmente publica 18 títulos, com circulação de 188,5 milhões de exemplares, em um universo de quase 28 milhões de leitores e 4,1 milhões de assinaturas, sendo a maior do segmento na América Latina.

História. Entre 1936 e 1938, o italkim César Civita trabalhou como gerente geral na Arnoldo Mondadori Editore da Itália, editora que publicava histórias em quadrinhos da Disney. Civita nasceu em Milão, em 1938. Com o avanço do fascismo, Civita resolve se mudar com a esposa e os três filhos para Nova York em 1941. Em seguida, foi para Buenos Aires, Argentina, onde fundou a Editorial Abril. A editora publica vários títulos de história em quadrinhos de autores como Hugo Pratt, Mario Faustinelli, Alberto Ongaro, Ivo Pavone, Héctor Oesterheld, Alberto Breccia, Dino Battaglia, e Paul Campani, além dos quadrinhos da Disney.

Em 1946, o jornalista Adolfo Aizen, dono da editora brasileira "Grandes Consórcios de Suplementos Nacionais", funda uma nova editora a Editora Brasil-América Ltda (mais conhecida com EBAL), e estabelece uma parceira com Civita para publicar personagens Disney na revista Seleções Coloridas, foi impressa na Argentina - já que além de possuir a licença dos personagens, a editora de Civita possuía uma moderna impressora colorida. No ano seguinte, a editora de Aizen publicaria a revista "O Heroi" (sem acento) por conta própria.

Durante as férias de 1949, Cesar se reencontrou com o irmão Victor na Itália. Preocupado com como o Peronismo poderia prejudicar seu bem-sucedido negócio, Cesar propôs a Victor um novo empreendimento no Brasil. Victor visitou o Editorial Abril na Argentina, e em seguida foi para o Rio de Janeiro e São Paulo, decidindo se mudar para a segunda, enviando uma carta para a esposa e os filhos pedindo para vender tudo e vir para o Brasil. Em maio de 1950, Victor fundou a Editora Primavera. Seu primeiro título é a revista Raio Vermelho, uma revista em quadrinhos com títulos de origem italiana, que não faz muito sucesso.

Em julho, rebatiza sua corporação como Editora Abril. Sua primeira publicação foi a revista em quadrinhos O Pato Donald. Anos depois, esse começo inspirou Civita a parafrasear uma frase de Walt Disney - "Espero que nunca percamos a vista de uma coisa - tudo começou com um rato." - e declarar que "Tudo começou com um pato". A empreitada foi financiada com US$ 500 mil, conseguidas por meio de empréstimos e dois sócios, o grupo Smith de Vasconcelos, e o mineiro filho de italianos Giordano Rossi, que seria seu parceiro nas primeiras décadas da Abril.

Consolidação. Em 1951, a Abril abriu sua primeira gráfica, e em seus primeiros anos, a editora diversificou seu conteúdo e se posicionou como um das mais importantes do país. Em 1952, a Abril lançou a feminina Capricho, que em seu formato inicial, publicava fotonovelas importadas da Itália – apenas em 1981, a editora passou a tratar de temas voltados para adolescentes. No fim da década, a aposta da Editora foi no mundo da moda, com o lançamento do título Manequim, com fotografias fornecidas por agências estrangeiras. Em 1958, Victor convidou seu filho Roberto, então residindo em Tóquio como subchefe da sucursal local da Time, para voltar para o Brasil e trabalhar na Abril. Roberto eventualmente aceitou desde que pudesse criar três revistas, uma financeira nos moldes da Fortune (Exame, criada em 1967), uma semanal informativa nos moldes da Time (Veja, 1968, depois de uma similar mensal em 1965, a Realidade), e uma versão brasileira da Playboy (criada em 1975 com o nome Revista do Homem, recebendo permissão para rebatismo como Playboy três anos depois).

Mas foi na década de 1960 que a empresa fez uma revolução no mercado editorial, ao lançar fascículos semanais. A Editora Abril trouxe para as bancas, dividido em capítulos, assuntos que antes se restringiam em livrarias e bibliotecas. As coleções variavam desde enciclopédias e personalidades da história, até livros e discos temáticos. Neste mesmo período a Abril diversificou seu conteúdo, lançando e fortalecendo suas publicações voltadas para os públicos infantil, feminino, turismo, automóveis e esportes. No início da década, a Abril lançou a revista em quadrinhos Zé Carioca, a primeira com conteúdo totalmente produzido pela Abril e, posteriormente, exportado para outros países. Na mesma época chegou às bancas Claudia, com conteúdo de comportamento feminino e Quatro Rodas, com informações sobre turismo e automóveis. No fim dos anos 1960, outros três lançamentos marcaram a transformação da editora como a mais importante do continente sul-americano. Em 1968, surgiu a semanal Veja, que hoje é maior revista semanal de notícias do Brasil e a terceira mais vendida no mundo. No ano seguinte foi lançada a revista infantil Recreio e, em 1970, Placar, a mais importante publicação esportiva dos últimos 40 anos.

Expandindo os segmentos, a Abril passa a publicar revistas masculinas (Playboy, Vip e Men's Health) e amplia suas publicações voltadas para o público feminino, com Estilo (versão brasileira da americana InStyle), Nova (versão brasileira da americana Cosmopolitan) e Elle (versão brasileira da revista francesa homônima). Nos anos 80, a Abril se consolidou como a líder do mercado e investiu em publicações técnicas e voltadas para ciência e tecnologia. A primeira, em 1981, foi Ciência Ilustrada; em 1983, chega às bancas, o Guia do Estudante; e em 1987, são lançadas a Info e a Superinteressante, até hoje "a líder no segmento"[carece de fontes]. Para conseguir um espaço em nichos específicos, a Abril se associou o filho de Giordano, Ângelo Rossi, para criar em 1986, a Editora Azul, com revistas segmentadas como Contigo!, Boa Forma, Viagem e Turismo, Saúde, AnaMaria, Terra, Set e Bizz. Alguns dos títulos foram absorvidos pela Abril em 1997, quando Rossi vendeu sua parte em troca de trazer certas revistas para sua nova editora, a Peixes.

Em 2010, foi criada a Abril Mídia, um dos pilares do Grupo Abril, que reúne diversas plataformas de comunicação do grupo. Ela é composta pela Editora Abril, Abril Mídia Digital, MTV, Alpha Base e Elemídia. No ano seguinte a Abril investiu em uma entrada no mercado do livro digital com o Iba, um site com livros, jornais e revistas digitais para leitura em tablet, smartphone ou computador. 50 editoras oferecem produtos no site, que incluem 20 publicações da Abril.


Sede editorial e parque gráfico da Abril na Marginal Tietê


Crise. Em 2013, a editora passou por uma reestruturação, que cortou de dez para cinco o número de unidades de negócios, podendo vir a extinguir diversas revistas. Nos dois anos seguintes, a Editora Caras adquiriu diversos títulos da Abril, como Placar e Você S/A; Exame Info e Capricho passaram a ter apenas versões digitais; e vários outros títulos foram extintos, tanto por queda de circulação como custos com royalties no caso das licenciadas Playboy, Men's Health e Women's Health.

Em 7 de dezembro de 2015, a editora anunciou que as revistas Nova Escola e Gestão Escolar, sem fins lucrativos, em acordo foram transferidas para a Fundação Lemann que passou a ser responsável por sua produção. O acordo entrou em vigor em 2016. Após Walter Longo assumir a presidência do Grupo Abril, Giancarlo Civita passou a dedicar-se exclusivamente à presidência da holding Abrilpar.

Em 10 de outubro de 2016, a Editora Abril anunciou que reassumirá os títulos transferidos à Editora Caras nos últimos dois anos, como Arquitetura e Construção, Minha Casa, Placar, Você RH e Você S/A. As duas primeiras integrarão a unidade de revistas femininas, dirigida por Paula Mageste, enquanto Você RH e Você S/A voltarão a fazer parte da redação da Exame, dirigida por André Lahóz. Já a Placar integra a unidade de estilo de vida, sob o comando de Sergio Gwercman.

Em junho de 2018, a editora deixa o edifício Birmann 21, passando para um prédio menor no bairro paulistano do Morumbi. No mês seguinte, ela deixa de publicar histórias em quadrinhos Disney, após 68 anos. No mesmo mês, a família Civita deixou o comando do Grupo Abril. Em agosto, o Grupo pede recuperação judicial, tendo contraído uma dívida de 1,6 bilhão de reais. Em agosto, a editora fechou títulos e fez demissões. Foram mais de 50 jornalistas demitidos e grandes títulos encerrados como: Arquitetura e Construção, Boa Forma, Casa Claudia, Cosmopolitan Nova, Elle e Minha Casa. Em dezembro, o empresário Fábio Carvalho comprou 100% das ações da empresa, por meio do grupo Legion Holdings.


Capa da primeira edição da revista Realidade, em 1966.


Realidade foi uma revista brasileira lançada pela Editora Abril em abril de 1966, que circulou até março de 1976.[1]Apresentava características inovadoras para a época, com matérias em primeira pessoa, fotos que deixavam perceber a existência do fotógrafo e design gráfico pouco tradicional. Destacou-se também por suas grandes reportagens, permitindo que o repórter 'vivesse' a matéria por um mês ou mais, até a publicação. Foi inspirada nas revistas Life, Look e Paris Match, mas com uma pauta mais revolucionária do que elas. A proposta de publicação que valorizava as grandes reportagens foi elaborada pelo diretor editorial Roberto Civita, juntamente com jovens jornalistas da Quatro Rodas, liderados por Paulo Patarra, que fez a seguinte definição sobre a revista: “o inusitado, o violento, o estranho, o impossível, o movimento e o belo são os assuntos de capa”.

Primeira fase. A primeira fase da revista, de 1966 a 1968, foi provavelmente a mais notável, quando os grandes temas do momento, muitas vezes polêmicos, eram abordados em matérias totalmente esmiuçadas, dentro de uma forma de escrita surgida nos Estados Unidos — o New Journalism, de Tom Wolfe, Gay Talese e outros — que combinava eficientemente clareza e objetividade em uma estrutura com foco narrativo, o jornalismo literário. Nesse novo estilo, os jornalistas tinham total liberdade para escrever os textos em primeira pessoa, inserir diálogos com travessões, fazer descrições minuciosas de lugares, feições e objetos. Além disso, era possível alternar o foco da narrativa de observador onipresente para testemunha ou participante dos acontecimentos. Realidade era uma revista que trabalhava com a emoção: investia-se muito no jornalista para que ele conseguisse transmitir em suas reportagens uma ideia real do fato. Nessa primeira fase, a grande reportagem é a principal característica editorial do periódico. Mas em 1968, pouco antes do AI-5, Patarra foi desligado da revista, sem ser demitido da Editora Abril. A Igreja Católica, assim como outros setores da sociedade, pressionou a editora para que não abordasse temas controversos, no que não foi atendida por Patarra. Dezembro de 1968 traria o endurecimento do regime militar. Decretado o AI-5, estabelecia-se a censura prévia. A edição daquele mês marcava o fim do melhor período de Realidade, segundo os autores José Marão e José Hamilton Ribeiro.

Segunda fase. Em 1969, Realidade entra em sua segunda fase, que duraria até meados de 1973. Além das mudanças suscitadas pela instauração do AI-5, essa segunda fase resulta de dissidências internas na redação, muitas também decorrentes da censura. O texto perde o tom de denúncia, embora o formato da reportagem não tenha sofrido mudanças bruscas. Permanecia o estilo literário, a pesquisa de campo e investigação, o valor ilustrativo da imagem. Entretanto, pouco a pouco, a revista foi assumindo o modelo newsmagazine ou revista de informação.

Terceira fase.A partir de outubro de 1973, as capas de Realidade dão uma guinada radical. O periódico abandona a pauta investigativa. Proliferam nas edições seguintes os "como fazer" e os verbos no imperativo, como "saiba", "transforme", "vença" etc. Até a paginação da revista revela semelhanças com Veja à época. Em janeiro de 1976, Realidade vendeu 120 mil exemplares, metade do que fora vendido em sua estreia, dez anos antes. Seu último número seria lançado dois meses depois. Apesar do seu curto período de existência, a revista Realidade é considerada um divisor de águas na imprensa brasileira.


Capa da primeira edição da Revista Veja, lançada em 11 de setembro de 1968


Veja,  revista de distribuição semanal brasileira publicada pela Editora Abril às quartas-feiras. Criada em 1968 pelo jornalista Roberto Civita, a revista trata de temas variados de abrangência nacional e global. Entre os temas tratados com frequência estão questões políticas, econômicas, e culturais. Apesar de não ser o foco da revista, assuntos como tecnologia, ciência, ecologia e religião são abordados em alguns exemplares. São publicadas, eventualmente, edições que tratam de assuntos regionais, como a Veja São Paulo, Veja Rio, Veja Brasília e Veja BH. Com uma tiragem superior a um milhão de cópias, sendo a maioria de assinaturas, a revista Veja é revista de maior circulação do Brasil, segundo dados de 2017.

Quando Roberto Civita, até então residindo em Tóquio como subchefe da sucursal local da Time, foi convidado pelo pai Victor a voltar para o Brasil e trabalhar em sua editora, a Abril, pôs como uma de suas condições criar uma revista semanal informativa nos moldes da Time. A primeira tentativa de fazer tal publicação, em 1965, eventualmente levou a uma mensal iniciada no ano seguinte, Realidade. O sucesso da Realidade, que chegou a 400 mil exemplares por mês, fez os Civita acreditarem na possibilidade da revista semanal. Roberto convidou Mino Carta, então no Jornal da Tarde após trabalhar na Abril como editor da Quatro Rodas, para ser o editor da revista, e ambos visitaram as cinco maiores revistas semanais dos Estados Unidos e Europa estudando a organização de tais publicações. Para recrutar uma equipe, lançaram um anúncio em outras publicações da Abril buscando "homens e mulheres inteligentes e insatisfeitos, que leiam muito, perguntem sempre 'por que' e queiram participar da construção do Brasil de amanhã", recebendo milhares de currículos e eventualmente peneirando os candidatos a uma equipe de cinquenta repórteres.

Em 11 de setembro de 1968, foi lançada a primeira edição da revista, então batizada Veja e Leia. Tendo como manchete de capa "O Grande Duelo no Mundo Comunista", trazia entre outras, as seguintes matérias: "Rebelião na Galáxia Vermelha", "A Romênia Quer Resistir", "Checos Têm Esperanças". Em sua página 20, no editorial, trazia publicado: "VEJA quer ser a grande revista semanal de informação de todos os brasileiros". A tiragem de 700 mil exemplares da primeira edição se esgotou, mas a edição seguinte vendeu só a metade. Logo as vendas eram de apenas 100 mil exemplares, com Veja dando prejuízos financeiros à Abril. Roberto Civita atribuiu a queda ao caráter denso, com matérias longas e pouco ilustradas, que espantariam o leitor comum. A situação piorou com o Ato Institucional Número Cinco em dezembro, que levou a edição número 15 a ser recolhida das bancas pelo regime militar, e todas as edições seguintes a serem forçadas a passarem pelo crivo da Censura. Ao ver seu conteúdo recusado, a redação em protesto substituía as partes cortadas por desenhos de anjos e demônios, e depois pela logomarca da Abril. Um total de 138 textos foram vetados até o relaxamento da Censura em 1976, com 55 sendo sobre política nacional, e 25 a respeito da própria censura. Houve textos que, mesmo não sendo proibidos na íntegra, tiveram a publicação inviabilizada pelos cortes drásticos. Outra edição acabou sendo apreendida pelo Exército em 1971, por revelar um esquema de corrupção que ameaçava o governador do Paraná Haroldo Leon Peres.

O sócio minoritário Giordano Rossi sempre perguntava a Victor Civita se não era melhor encerrar a publicação, mas Civita sempre mantinha que Veja merecia mais uma chance. Eventualmente a salvação da revista foi a criação das assinaturas, até então descartadas por medo da retaliação dos jornaleiros. Roberto teve de negociar com estes, prometendo que as outras publicações da Abril só entrariam no sistema de assinaturas dez anos mais tarde. Quando as assinaturas de Veja foram implantadas em 1975, a revista finalmente alcançou o equilíbrio entre despesas e lucros. Na mesma época, Carta deixou a publicação, que já alcançava 200 mil exemplares semanais.


Em meados da década de 1970, Roberto Civita, que trabalhava na Editora Abril sob seu pai Victor Civita, acertou com a direção da revista Playboy nos Estados Unidos para acertar o começo de uma versão brasileira da publicação. Em seguida conversou com Victor, que sugeriu pedir permissão para a publicação com o ministro da Justiça, Armando Falcão, visto que o governo militar mantinha a imprensa sob censura prévia. Apesar das garantias que os ensaios seriam mais comportados e o conteúdo editorial seria "muito mais intelectual e sofisticado que qualquer revista que circulava no país", Falcão vetou o plano declarando que "não poderia fazer nenhuma revista com o nome PLAYBOY no Brasil, não importava o conteúdo." (a edição norte-americana teve sua venda proibida em 1970) Observando uma brecha, Civita reenviou os planos sob o título A Revista do Homem, conseguindo a aprovação.

A primeira edição de Revista do Homem, comumente abreviada à época como Homem, foi lançada em agosto de 1975, com um casal na capa ( a modelo era a Rosicleide). Embora a estrela do ensaio interno fosse Lívia Mund, o editor Fernando de Barros vetou uma capa com Mund por ela também estampar a Nova daquele mês. Sua substituta foi uma modelo não creditada, conhecida apenas por Rosicleide. Contando também com fotos da americana Valerie Perrine e textos de Vladimir Nabokov, Francis Ford Coppola, Jorge Amado, Paulinho da Viola e Roberto Drummond, a edição inicial de Homem logo se tornou bem-sucedida, vendendo 135 mil exemplares. As fotos eram cortadas ou retocadas para evitar nudez explícita. Para enganar o crivo da Divisão de Censura de Diversões Públicas, a equipe da revista utilizava-se de truques como submeter fotos escandalosas para conseguir que outras fossem aprovadas, ou ensaios de moças vestindo camisetas molhadas. Ao mesmo tempo, nenhuma menção era feita à Playboy americana na primeira edição, não contando nem com a tradicional entrevista - que estrearia na segunda edição, com o ex-agente da CIA Philip Agee, e só veria versão nacional em 1976 com o ex-jogador Didi.

Em contraste ao veto das fotos, assim como outras revistas masculinas da época a publicação uma condição de vanguarda no jornalismo, contando com reportagens inovadoras, algo que o jornalista Gonçalo Júnior explicou com o fato que "na condição de revista de 'mulher pelada', preocupavam-se mais em censurar as fotos do que em censurar matérias e entrevista". Em abril de 1977, com o afrouxamento do regime militar sob a presidência de Ernesto Geisel, Homem conseguiu pela primeira vez estampar na capa o coelhinho que é a logomarca da Playboy americana, e em julho de 1978, a revista pôde estampar seu verdadeiro título nas bancas, com a presença na capa da modelo importada dos americanos Debra Jo Fondren. Durante o período, a Abril disputava o direito do nome A Revista do Homem com a Editora Três, que publicava a concorrente Status e lançou uma publicação também chamada Revista do Homem em 1975 apenas para se aproveitar do título e prejudicar a Abril.

Na década de 1980, o diretor de redação Mário Escobar de Andrade conseguiu tornar a Playboy uma das revistas de maior vendagem no mercado brasileiro, com média de 400 mil exemplares. Além de ensaios com musas da época, conseguiu impor um forte conteúdo editorial, incluindo entrevistas com personalidades elusivas como Fidel Castro. Na década de 90, a revista teve suas edições mais vendidas sob o diretor Ricardo Setti (1994-1999). A sucessora de Setti, Cynthia de Almeida, priorizou um público mais jovem, se espelhando em revistas masculinas como a Maxim, já que o público de 20 a 29 anos respondia a 41% dos consumidores.


LIVRARIAS PAULISTANAS

UBIRATAN MACHADO




Pequeno Guia Histórico das Livrarias Brasileiras- Ateliê Editorial.


Livraria e Tipografia Correio Paulistano – Em 1854, Azevedo Marques lança em São Paulo o primeiro jornal periódico e terceiro do Brasil, o Correio Paulistano. A população paulista ainda era tímida, mas a cidade começara a dar reflexos na grandiosidade que se tornaria. O Correio Paulistano não possuía convicções políticas, era um jornal independente adotando posições audaciosas em um período monárquico. Foi o incentivador e patrocinador oficial da Semana de Arte Moderna de 1922 e o jornal era escrito por diversos intelectuais como Menot Del Picchia. Seis anos mais tarde, na rua do Rosário, 49 a cidade de São Paulo é contemplada com a primeira livraria do Correio Paulistano (provavelmente junto à tipografia).

Livraria Garraux – São Paulo de 1860. Não tem como descrever a história das livrarias paulistanas sem mencionar o francês Anatole Louis Garraux. Em 70 anos de existência, A Casa Garraux, posteriormente livraria, levou o requinte parisiense para dentro da loja na rua do Rosário, 5 e logo depois para o Largo da Sé, 1 e com endereço definitivo na rua da Imperatriz. Também possuía tipografia e vendia itens de papelaria, vinhos, licores, caixas de biscoitos importados e era fornecedora oficial de artigos para o Governo de São Paulo. Garraux foi o introdutor do envelope de correspondência na cidade de São Paulo. Retornou para a Paris em meados de 1890 onde faleceu em 26 de novembro de 1904. A livraria passou por diversos donos e fechou as portas por ocasião da Revolução de 1930.


Teixeira e Irmão – Em 1876 os irmãos imigrantes portugueses Antônio Maria e José Joaquim Teixeira fundam a Livraria Teixeira, mudando o razão social para Teixeira na década de 20 em homenagem póstuma a José Joaquim. Esta livraria passou por diversos endereços de São Paulo: rua São Bento, Líbero Badaró, avenida São João e definitivamente rua Marconi tornando-se editora como de costume das grandes livrarias da época. Por esta livraria passaram grandes nomes da história brasileira como o jurista Rui Barbosa, o Presidente da República Washington Luis, o Prefeito Prestes Maia além de calorosas tardes de autógrafos de Érico Veríssimo e Mário Lago

Gazeau– Uma mistura de livraria e primeiro sebo da cidade, de 1893. Localizada no Largo da Sé no primeiro prédio de concreto armado da cidade com sete andares. Herdou de uma amiga uma grande biblioteca e começou a negociar estes livros, onde o negócio floresceu chegando a 40 mil livros. José Mindlin era um freqüentador assíduo do Gazeau onde comprou o primeiro livro de Machado de Assis, dedicado a Latino Coelho quando tinha 15 anos. Fechou as portas em 1981.

Italiana – Em 1894, com o crescimento da imigração, as livrarias começaram a acompanhar esse povo, essa nova cultura que foi parar nas prateleiras de livrarias especializadas. Fundado pelo engenheiro italiano Alcebíades Bertolotti, a Livraria Italiana localizava-se na rua Florêncio de Abreu, 4. Foi freqüentada pelos modernistas que sempre estavam em busca das novas tendências europeias.

Magalhães – Tendo como base o precioso café, o Estado de São Paulo era conhecido como a locomotiva do Brasil. O comércio florescia cada vez mais. Inaugurada no início do século XX na rua do Comércio pelo português Pedro Magalhães, chegou a São Paulo e efetivou algumas mudanças, que revolucionaram o comércio livreiro como os descontos tabelados e o envio de livros pelo Correio.

Livraria Leia –1914, a cidade acanhada torna-se cada vez mais importante no cenário brasileiro. Ernesto Masucci funda a livraria Cultura Italiana com sede no Parque Anhangabaú, 7 tendo como exclusividade livros italianos. Seu filho, Folco Masucci assume os negócios onde transformou a livraria em editora chegando a ser a maior importadora de livros italianos, alterando seu nome para Leia – 

Livraria Editora Importadora Americana. Chegou a possuir lojas na rua Sete de abril, 111 e na rua Maria Antônia, 57. No final da década de 50 centralizou as lojas em um único endereço, rua Xavier Toledo 103 e logo para Praça Alfredo Issa, 8. Finalizou as atividades na rua Asdrúbal do Nascimento, 404 no centro.

Saraiva – uma das poucas sobreviventes das livrarias paulistanas, Saraiva começou tímida nas mãos do português Joaquim Inácio da Fonseca Saraiva. Este sonho de fundar uma livraria tornou-se realidade em 1917, como Livraria Acadêmica no Largo do Ouvidor. No mesmo ano entrou no ramo editorial optando apenas na área de direito, que segue até hoje. Em 1944 conselheiro Saraiva, como era conhecido por dar diversos conselhos aos alunos, vem a falecer. Seus três filhos assumem os negócios que passam por uma grande reformulação e ampliação. Em 1968 a livraria muda o nome para Saraiva e de local, agora está instalada na rua José Bonifácio, 203. Começa a investir em filiais por toda São Paulo e em 1995 passa por uma grande transformação com tendências internacionais, com as megastores.

Livraria Saraiva no final dos anos 1960.


Casa Editora O Livro – Em 1919, o livreiro Jacinto Silva era ex-funcionário da Livraria Garnier no Rio de Janeiro e veio tentar a sorte em São Paulo, assumindo a gerência da Livraria Garraux. Um ano depois fundou a livraria e editora O Livro. Jacinto era dinâmico e isso refletia em sua empreendimento. Foram consagrados como freqüentadores Amadeu Amaral, Mário e Oswald de Andrade, Guilherme de Almeida , Emiliano Di Cavalcanti e Zina Aita.

Freitas Bastos – Esta livraria de 1938 foi considerada por muitos anos a principal editora de livros jurídicos do Brasil e da América Latina. Fundou sua sede em um ponto estratégico, na rua XV de novembro, próximo ao Largo São Francisco. Entre os freqüentadores mais ilustres estavam Ulisses Guimarães e Franco Montoro. Encerrou suas atividades em 1996.

Jaraguá – Singular na história das livrarias de São Paulo, esta livraria pertencia à família Mesquita (O Estado de São Paulo) e era oposição ao governo de Getúlio Vargas, reflexo da Revolução Constitucionalista de 1932, onde o jornal não pode circular por um bom tempo. Alfredo Mesquita teve a ideia de fundar uma livraria com as tendências universitárias inglesas, junto com o seu sócio Roberto Meira. A Jaraguá nasceu em 1942 com um diferencial: uma sala de chá que sempre estava cheia de intelectuais como Tarsila do Amaral, Flávio de Carvalho, Anita Malfatti e Caio Prado Júnior. Também vendiam discos garantindo a clientela mais jovem. Foi vendida no final da década de 50.

Siciliano – Outra das poucas livrarias antigas que estão conseguindo sobreviver. Tendo como fundador um descendente de calabreses, Pedro Siciliano, que veio a São Paulo a convite de Assis Chateaubriand para abrir uma distribuidora de jornais e revistas fundando em 1928 a Agência Siciliano. Em 1942 inaugurou-se a Livraria Pedro Siciliano que vendia não só livros, mas também jornais e revistas, um novo seguimento para a época. Siciliano era repleto de novidades, uma delas eram os pocket books importados dos Estados Unidos. As primeiras filiais surgiram em 1954. Em 1999 inaugurou sua primeira megastore em São Paulo e logo se propagou para as cidades como Curitiba e Rio de Janeiro. Em 2008 Livraria Siciliano foi vendida para a Saraiva.

Brasiliense – Fundada em 1943 pelos intelectuais Monteiro Lobato, Caio Prado Júnior, Hermes Lima Arthur Neves e Leandro Dupré. A Editora Brasiliense faz parte da vida de muitos professores e sociólogos espalhados pelo Brasil. Reflexo dessa grandiosidade era a livraria na rua Barão de Itapetininga, 99 referência em São Paulo. Lá se encontravam o Grupo Santa Helena, dentre outros intelectuais das letras. Palco de manifestações, comícios e debates, a Brasiliense foi palco da criação do Partido dos Trabalhadores com o então líder sindical Luis Ignácio Lula da Silva e Eduardo Suplicy em 1978. Chegou a vender cerca de 40 mil livros por mês, sendo a editora que mais vendia livro no Brasil na década de 1980. Em 1997 por problemas administrativos a Brasiliense fecha suas portas e morre o ideal dos seus fundadores.

Nobel –Mais uma livraria sobrevivente. Nobel foi fundada em 1943 pelo italiano Cláudio Milano em homenagem ao prêmio Nobel. Sua sede era um ponto estratégico, Rua da Consolação em frente à biblioteca Mário de Andrade. Começou com encadernação e elaboração de apostilas escolares e mais tarde como distribuidora. Tendo uma base forte nos negócios Nobel resolveu ousar em uma época que o computado não era realidade. Organizar fichários com registro das obras editadas no Brasil facilitando a vida de consulentes. A partir de 1998 a livraria começa a investir em megastores e em pequenos quiosques. Hoje ela possui filiais em Portugal e Espanha.

Ornabi – São Paulo cresceu e os sebos, livrarias e editoras também cresceram. A Ornabi – Organizadora Nacional de Biblioteca foi inaugurada em 1945 por Luis de Oliveira Dias e foi um dos maiores sebos do mundo, localizado na Benjamin Constant, 141, chegando a abrigar 400 mil volumes. Dentre os ilustres freqüentadores está o ex-ministro da Fazenda Delfim Neto, que chegou a declarar que a Ornabi era a melhor livraria do mundo. Encerrou suas atividades em 2008.

Parthenon –Esta livraria nasceu em 1946 tendo como seus donos os bibliófilos José Mindlin e Cláudio Blum. Situava-se na Vila Normandia, próximo a avenida São Luiz. Para montar a livraria, José Mindlin foi para Europa comprar livros mais baratos por conta da crise econômica do pós-guerra. Livraria com cara de biblioteca, logo chamou a atenção dos amantes dos livros por conter muitas raridades, porém ocasionou um grande problema para Mindlin, pois ele gostaria que esses livros fossem incorporados a sua biblioteca. Logo, quando um exemplar era vendido, comunicava ao novo dono que quando fosse desfazer-se do livro, o avisasse para comprar novamente. Passou por diversos endereços perdendo um pouco da sua identidade. Em 1982 a livraria foi vendida e mudou seu nome para Veredas.

Cultura – A maior livraria do Brasil nasceu de forma muito simples, em uma sala na casa da alemã Eva Herz na alameda Lorena. Corria o ano de 1947 e era um serviço de empréstimos de livros para os alemães que vieram a residir em São Paulo. Dois anos depois Eva monta uma pequena livraria na rua Augusta adjunta com uma bomboniere. Logo desistiu dos empréstimos e começou a efetuar compras de obras nacionais e de outras procedências. Em 1969 o filho da fundadora, Pedro Herz instalou-se no Conjunto Nacional na avenida Paulista, onde possui várias sedes específicas. Foi a primeira livraria a organizar cafés filosóficos e vendas pela internet. Abriu filiais em capitais como Recife, Porto Alegre e Brasília e, em 2008, inaugurou a maior loja do país com 4300 metros quadrados no mesmo Conjunto Nacional.

Pioneira –Fundada por Enio Guazzelli em 1948 esta livraria na rua 15 de novembro, 228, 4o andar era especializada em livros importados. Logo surgiram restrições à importação e a livraria começou a trabalhar com livros técnicos, ciências sociais e inglês. Foi distribuidora de pocket books. Em 1951 comprou um prédio na rua Maria Antônia, estando situado em um ponto estratégico: na rua da Faculdade Mackenzie e da Faculdade de Ciências e Letras e Ciências Econômicas da USP, Arquitetura e Serviço Social da PUC sendo freqüentada por vários intelectuais como Sérgio Buarque de Holanda, Florestan Fernandes, e alunos da USP como Fernando Henrique Cardoso. Na década de 1970 entrou em dificuldades financeiras e em 1979 a livraria fechou ficando apenas com a editora.

São Paulo – Era um sebo, mas seu dono, Olinto Moura não considerava assim. Em 1950 esta livraria-sebo localizava-se em uma sala discreta na rua São Bento, 370. Possuía grande prestígio entre os intelectuais.

Mestre Jou – Imigrante chileno, Felipe Mestre Jou abriu a livraria em 1952 na Praça Antônio Prado. Começou a importar livros da Espanha, Inglaterra e França. Traduzia obras facilitando a vida de estudantes universitários e professores. Mestre Jou faleceu em 1980 e seu império foi declinando gradativamente. Em 1983 as portas foram fechadas.

Duas Cidades – Inaugurada em 1954, Duas Cidades possuía sede na Praça das Bandeiras, 40, 13 andar. Fundado e administrado pelo Frei Benevuto a livraria pertencia a Ordem Dominicana. Trabalhava com obras religiosas, principalmente teologia. Em 1957 mudou para rua Bento Freitas, 158 próximo ao curso de letras da USP abrindo espaço para outros temas como sociologia e ciências humanas. Em 1997 com a morte do dono a livraria começou a declinar perdendo espaço para as megastores e a decadência da região central. Finalizou o seu comércio e sua história em 2006.

Alfa – Em 1968 o Brasil passa por uma grande revolução editorial. Verbas, parcerias com universidades e fundações são uma realidade onde as pequenas livrarias começam a ter dificuldades em administrar o seu negócio. A Alfa era um sebo localizado na rua José Bonifácio, 395. Seu dono Alexandre Obelenis, defendia um Decreto Federal de que um livro antigo não poderia sair do país, uma das poucas vozes que aclamava a cultura do livro.

Horus – Em pleno período ditatorial, São Paulo abria as portas para uma livraria diferencial. Em 1970 nasce a Livraria Horus, especializada em esoterismo nacional e internacional. Localizado na rua Bela Cintra, era uma das melhores livrarias do Ocidente e oferecia consultas de tarot e runas. Em 1999 tornou-se uma livraria virtual.

Belas Artes – Livraria pequena, discreta e super badalada. Com essas palavras resumimos o ideal de José Roberto Marinho que em 1981 inaugurou a livraria. Influência no nome ocasionado pelo cinema próximo, na avenida Paulista. Incorporou o estilo cinematográfico organizando debates com atores e diretores. Abriu uma filial no prédio da Secretaria de Cultura com o nome de Livraria Cláudio Abramo. Entrou em crise no início de 2000 com decadência da região central e o fechamento do cinema à época. Foi vendida em 2003 e logo foi fechada em 2006.


MEGALIVRARIAS

Fachada da livraria Ática Shopping Cultural, localizada em Pinheiros. Fabiano Cerchiari/Folha Imagem

MEGASTORE. Ática abre hoje loja com 105 mil títulos
A maior livraria da América Latina possui ainda 107 mil CDs em 8.000 m2 de área; custo é de US$ 25 milhões

Fabiano Cerchiari/Folha Imagem

MARCELO NEGROMONTE
free-lance para a Folha

A maior livraria de livros e CDs da América Latina abre hoje suas portas para o público. O Ática Shopping Cultural, localizado em Pinheiros (zona oeste de São Paulo), possui números superlativos e superiores a qualquer megastore brasileira. Foram investidos US$ 25 milhões para construir o shopping de 8.000 m2. São 300 mil volumes, num total de 105 mil títulos de livros nacionais e estrangeiros, distribuídos por dois dos cinco andares do shopping. 

Há outros dois andares no subsolo para garagem. No primeiro subsolo encontra-se a maioria dos 107 mil CDs, que vão desde ópera e música clássica -cuja seção fica separada das demais- até pagode, rock, MPB, world music, música européia etc.

Para animar o ambiente, um DJ ficará tocando música durante o funcionamento da loja, das 10h à meia-noite, de segunda a sábado, e das 10h às 18h aos domingos. Nesse pavimento, estão distribuídos 132 "listening stations" (fones de ouvido), em que se pode escutar mais de 500 CDs.

"Só isso já faz dela a maior loja de CDs do Brasil", afirma Antonio Nicolau Yuossef, diretor-executivo da Ática, sem computar os 1.300 títulos de videolaser, divididos em clássicos, jazz e filmes.

As comodidades para o consumidor não param por aí. Se o leitor não encontrar o livro que procura, pode acessar os terminais de consultas a catálogos internacionais de livros, com 1,8 milhão de títulos de língua inglesa, e encomendá-lo. Também podem ser encomendados CDs importados de um catálogo com mais de 3 milhões de discos pelo mesmo sistema.

A sessão infanto-juvenil e a destinada a softwares e multimídia, com dois terminais de Internet instalados, ficam no primeiro andar. Em todos os andares de livraria encontram-se poltronas e mesas para leitura. Ainda existem jornais e revistas do mundo inteiro, no térreo, papelaria, no segundo andar, e espaço para eventos, no terceiro piso.

O primeiro evento programado é a leitura de trechos de obras de Raduan Nassar e Chico Buarque, com a presença dos dois no dia 16.

Adaptações. O projeto do Ática Shopping Cultural surgiu com a joint venture da Ática e a editora Scipione, que visava a diversificação dos negócios. No começo, os parâmetros foram a Fnac (rede de livrarias francesa com 193 lojas espalhadas pela Europa, sendo 51 megastores) e a Barnes & Noble (rede de megastores norte-americana).

"Chegou a ser cogitado, na época, um licenciamento de franquias da Fnac para a América do Sul, mas seria impossível devido à falta de adequação dos produtos culturais em relação à sociedade que os consome", disse Yuossef.

Além disso, foi feito um mapeamento das 47 livrarias em São Paulo e 105 editoras brasileiras (que são responsáveis por 75% do catálogo brasileiro). "Nessas livrarias constatamos que não havia 10% da produção brasileira de livros. Aqui estão representadas mais de 1.800 editoras brasileiras. Todos os títulos vivos brasileiros estão no Ática Shopping."

Fnac Pinheiros, instalada na sede anterior da Ática Cultural Shopping. 

Interior da livrai no Conjunto Nacional. 


A Livraria Cultura foi fundada em 1947 por Eva Herz (1911–2001) no centro de São Paulo, mais especificamente na Rua Augusta. Em 1947, Eva Herz, filha de imigrantes judeus da Alemanha, montou um serviço de aluguel de livros chamado Biblioteca Circulante em sua casa na Alameda Lorena, em São Paulo. Os livros eram importados da Europa e sua clientela era principalmente de imigrantes. O serviço se popularizou e a biblioteca circulante passou a emprestar livros de autores brasileiros, bem como a vendê-los. Em 1969, Herz inaugura a loja do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, extinguindo a Biblioteca Circulante. O filho de Eva, Pedro Herz, tornou-se seu sócio na empresa.

Na comemoração de seus 60 anos, em 2007, a Livraria Cultura renovou sua identidade visual e também sua visão como empresa. A unidade da Avenida Paulista foi reinaugurada em 21 de maio de 2007, no espaço antes ocupado pelo histórico Cine Astor, substituindo as quatro lojas menores existentes no Conjunto Nacional. Com o tempo, as quatro lojas reabriram: uma, no final de 2007, abrigando apenas os livros de arte; entre 2008 e 2009, as outras três, em parceria com as editoras Companhia das Letras, Instituto Moreira Salles e Record, em um processo conhecido como varejo customizado. Essa loja customizada foi fechada em 2017.


OS SEBOS LITERÁRIOS

Sebo (alfarrabista). O preço dos livros vendidos em sebos ou alfarrabistas é geralmente mais baixo, com exceção de livros raros, autografados, primeiras edições, os que levam encadernação de luxo, que podem ter um custo maior por seu valor histórico. Estas lojas de livros usados costumam ser bastante frequentadas por curiosos, estudiosos e colecionadores. Alguns sebos disponibilizam uma oferta mais ampla de autores do que as livrarias tradicionais. O livro é o principal produto vendido nessas lojas,entretanto, torna-se comum também a venda de outros produtos usados, geralmente em menor quantidade, tais como LPs, CDs, revistas e artigos de decoração. Etimologias

Sebo:Existem teorias diversas para a origem da palavra "sebo". A mais aceita é a de que o termo provém do fato de que livros usados acabam ficando "ensebados" ou "sebentos", ou seja, engordurados, pelo excesso de manuseio. Alfarrábio: o termo alfarrabista provém de "alfarrábio" ("livro velho, antigo, raro"), cuja origem é o nome do filósofo islâmico Alfarábi (c.870–951; do árabe الفارابي)[3].



LUTO NO MUNDO LITERÁRIO 

MORRE MESSIAS, FUNDADOR DO SEBO MESSIAS.



Na manhã desta quinta-feira, dia 19 de dezembro de 2024, o mundo literário perdeu um de seus grandes defensores: Messias, fundador do renomado Sebo do Messias, faleceu aos 83 anos. Através de 55 anos de perseverança, paixão pelos livros e um compromisso inabalável com a cultura, Messias deixou um legado que permanecerá vivo tanto nas prateleiras do seu sebo quanto nos corações de seus frequentadores.

Localizada na Praça Dr. João Mendes, 140, a Livraria e Sebo do Messias se destacou por seu atendimento diferenciado e pela organização meticulosa de seu acervo, atraindo leitores de todas as idades e classes sociais.

Messias, nascido em Guanhães, Minas Gerais, em 1941, começou sua jornada no mundo dos negócios ainda na adolescência ao negociar objetos, atividade que despertou seu espírito empreendedor. Nos anos 60, após tentar a vida em Belo Horizonte e passar por diversas experiências profissionais, ele finalmente encontrou seu verdadeiro chamado em São Paulo, onde abriu o Sebo do Messias em 1969. Desde então, o local se tornou um patrimônio cultural da cidade, com duas frentes de acervo: a loja física e a virtual, que atualiza um vasto catálogo diariamente.

Messias sempre acreditou que os livros têm o poder de transformar vidas. Ele não apenas vendia produtos, mas propunha experiências. Em suas palavras, "cada livro é um universo que aguarda ser descoberto". Essa filosofia fez do Sebo do Messias um ponto de encontro para leitores, estudantes e amantes da cultura. "Aqui, nós não vendemos apenas livros, nós criamos uma comunidade," ele costumava dizer.

O que torna a partida de Messias ainda mais sentida é a forma como ele tocou vidas. Muitos frequentadores do Sebo do Messias compartilham histórias de como ele teve um impacto positivo em suas vidas, seja por meio da venda de um livro que mudaria sua perspectiva ou pelo acolhimento que oferecia em seu estabelecimento.

O velório ocorrerá no Cemitério Congonhas, na sexta-feira, 20 de dezembro de 2024, a partir das 07h, com sepultamento às 13h, à Rua Ministro Álvaro de Sousa Lima, 101 - Jardim Marajoara.


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O FUTURO DOS LIVROS



O autor do  artigo abaixo falando de um dos seus livros impressos num eventos cultural na Pinacoteca 
de Santos em 2024, cuja atração principal foi uma exposição e doação de livros usados. Dalmo iniciou sua carreira de escritor usando os blogs como plataforma digital antes de torná-los livros físicos. Conseguiu colocar oito livros impressos no mercado editorial num período de  quase 20 anos, com vendas física e também virtuais. Com a aceleração da crise de novos leitores e consumidores físico, voltou a produzir seus livros em blog. Como milhares de escritores espalhados pelo mundo, também está no compasso de espera do mercado editorial. 


A MORTE ANUNCIADA 
                                          

A informação impressa surgiu com o capitalismo, milênios depois da escrita manual. Essa invenção técnica é tradicionalmente atribuída à Guttenberg, criador da impressão escrita pelos tipos em folhas soltas, porém o livro tal como conhecemos hoje  surgiu da solução pragmática de Aldus Manúnzio, editor italiano que juntou as folhas soltas impressas em cadernos costurados e juntados numa peça única em formato octagono, denominada ex-libris. 

Depois de 500 anos dessa revolução gráfica sucessivamente evolutiva em vários aspectos e formatos, o livro foi digitalizado, isto é, deixou de ser plano e tornou-se virtual. Uma empresa famosa de aplicativo gráfico selou o seu nome com um produto chamado Aldus Page-Maker, construtor de páginas digitais para jornais e boletins impressos. Durou pouco, pois a tecnologia rapidamente foi substituída por outros formatos mais avançados. 

Milhões de jornais, livros e revistas passaram a ser publicados na internet, sufocando a indústria gráfica plana, impressa em papel. 

As novas gerações aos foram abandonando o uso de material impresso, acelerado pelos aparelhos celulares e iphones. 

Em pouco tempo o papel impresso tornou lixo massivo para reciclagem. Sobraram apenas os livros marcantes, produtos cultivados por leitores também cada vez mais raros, comercializados nos antigos sebos, estabelecimentos de compra, venda e troca dessas raridades. Eles já existiam como redutos de preciosidade ou mercadoria usadas e mais baratas  do que as livrarias tradicionais, expondo seus estoque em ambientes alternativos e até na calçadas. 

Cena comum nas grandes cidades durante o século XX e início do XXI. Alguns sebos se tornaram grandes redes de trocas e abastecimento. O Messias (foto abaixo) foi o mais conhecido deles no Brasil. Nem o advento da internet conseguiu extinguir essa atividade, que já era marginal muitos antes do fechamento das livrarias.   

Os sebos persistem, mesmo porque as novas gerações enxergam os livros impressos como mercadoria “vintage”, objeto de culto.  Descrente da eficiência do arquivo digital, o escritor Humberto Eco foi um dos grandes defensores da preservação do livros físicos. Tinha uma das maiores bibliotecas particulares do mundo. 

O futuro do livro como mercadorias a gente já sabe, mas qual será o futuro dos sebos? Vão durar até quando?

Dalmo Duque




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RÁDIO E TV


A radiodifusão no Estado de São Paulo surgiu com a fundação da SQIG, Sociedade Educadora Paulista, em novembro de 1923. Vinte dias depois, é criada a Rádio Educadora Paulista. Diante da popularidade, elas lançaram nomes memoráveis na cultura brasileira, como o cantor de samba Adoniran Barbosa e o radialista Vicente Leporace.


Anúncio da Rádio Bandeirantes  sobre o Campeonato Paulista de 1979.

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100 ANOS DO RÁDIO EM SÃO PAULO

SOCIEDADE RÁDIO EDUCADORA PAULISTA  E A PRA-6 RÁDIO GAZETA

ANTONIO ADAMI


E surge o rádio na Paulicéia: SQIG Sociedade Rádio Educadora Paulista

Há muita discussão em torno do rádio e seu uso para a cultura, para as artes, educação, ciência, para o entretenimento e informação, por outro lado, também seu uso para a guerra, para a má política, manipulação das massas, mas essencialmente o rádio é um meio plural, democrático, e que, para o bem ou para o mal, pode ser utilizado para vários interesses. Nessa perspectiva, a primeira década da radiodifusão paulista inicia-se a partir de 30 de novembro de 1923, com a fundação da SQIG – Sociedade Rádio Educadora Paulista e, segundo o documento Radio-difusão Cultural 1937, sua instalação oficial é considerada como sendo em 1925. Entretanto, segundo Pires (2000, p. 36), a primeira irradiação é em fevereiro de 1924 e, em 6 de março de 1924 irradia a primeira audição musical completa com um programa de grande valor artístico, executando Chopin, Haydn, entre outros clássicos. Em sua programação de 20 de agosto de 1924, publicada no jornal O Estado de S. Paulo, aparecem óperas e operetas, intercaladas pela hora oficial e por boletins meteorológicos, fornecidos pelo Observatório Astronômico de São Paulo. A SQIG tem início com uma reunião de confraternização no Clube de Engenharia de São Paulo, sob a presidência do Diretor de Saneamento Rural do Departamento Nacional de Saúde, Dr. Belisário Pena.

Segundo manuscrito deixado por Mauro Pires, citado na dissertação de Mestrado de José Mauro Martins Pires (2000, p. 35-36), a iniciativa de fundação da emissora parte dos engenheiros Leonardo Jones Jr., Otávio Ferraz Sampaio, George Corbisier, Luiz Ferraz de Mesquita e do comerciante Luiz do Amaral César. As primeiras transmissões são feitas por um transmissor Pekam de 10 watts. Em 10 de dezembro de 1923, são aprovados os estatutos da Sociedade Rádio Educadora Paulista, que opera em uma das torres do Palácio das Indústrias, no Parque D. Pedro II. Sobre esta formidável novidade, escrevem Pousa e Yaguana (2013, p. 13):

A incessante motivação do ser humano para a inovação em todas as áreas e campos da ciência tem levado às experimentações, descobrir e aperfeiçoar uma infinidade de inventos. Um deles é a transmissão de informação através de ondas eletromagnéticas. Feito que apareceu vinculado diretamente à evolução da física, graças ao descobrimento da ionosfera, a qual ajuda a propagar os sinais em forma de ondas pelo espaço. A materialização disso é que em 2 de novembro de 1920, em Pittsburg, temos a primeira transmissão oficial, da Rádio K.D.K.A, primeira estação difusora de programação radiofônica programada e contínua (tradução nossa)1 (POUSA E YAGUANA, 2013, p. 13).


Bodas de prata do casal Mauro e Celina Pires, com seus grandes amigos radialistas. Da esquerda para a direita: Dárcio Ferreira, Ivani Ribeiro, o casal Moraes Sarmento, Marilda e Ariowaldo Pires, Elói Teixeira e o casal Italo Izzo. São Paulo, 10 de maio de 1967.


O rádio em São Paulo despontava sob a presidência de Edgard de Souza. Interessante observar que a SQIG tinha o nome fantasia de “Rádio Bandeirantes” (obviamente, não confundido aqui com a PRH-9 Rádio Sociedade Bandeirante de Radiodifusão, que é de 1937). Sobre estes primeiros passos de nascimento do rádio na pauliceia, já havia questionamentos sobre a utilização do rádio, e a sociedade se perguntava quais benefícios este meio traria. Os acadêmicos discutiam o seu uso para a cultura, para as artes, para a educação, para o mercado, para a política, aliás, questões estas que apareceram em todos os países, na Espanha, por exemplo, escreve Sande (2005, p. 23):

A radiodifusão surgiu como uma aplicação prática da radiotelefonia. Para que as primeiras emissoras comerciais se convertessem em um autêntico meio de comunicação, em veículo de transmissão de informação, entretenimento e cultura, foi necessário todo um desenvolvimento tecnológico prévio. Os avanços da ciência conduziram, ao final do séc. XIX, ao maravilhoso descobrimento da transmissão de sinais através das ondas (tradução nossa)2 (SANDE, 2005, p. 23).

O próprio Marconi, neste período de início do rádio, relacionava-o a uma necessidade de comunicação para governos, e de grande escala. O rádio foi pegando força como meio a partir do momento em que a tecnologia evoluiu e pode-se ouvir melhor, músicas, entretenimento de diversos tipos. Sobre isso, escreveu Briggs e Burke (2006, p. 156-157):

Ao voltar da Inglaterra, Marconi queria resultados rápidos. Quando fundou a Wireless Telegraph and Signal Company em 1897, se concentrou principalmente em planejar e vender equipamentos sem fio a clientes comerciais de grande escala e ao governo . Também tinha em mente a realeza: em 1897, cerca de 100 mensagens foram enviadas entre a raínha Vitória, de Osborne House, na ilha de Wight, e o iate real do príncipe de Gales, ao largo de Cowes, onde ele estava de cama, doente. Marconi não via o rádio como um meio de grande difusão. Na verdade nem usou a palavra rádio (BRIGGS E BURKE, 2006, p. 156-157).

Em outro trecho do livro Uma História Social da Mídia, continuando com o papel comercial do rádio visto por Marconi, Briggs e Burk (2006, p. 158), escrevem que Marconi continuou instigando a imaginação tanto dos norte-americanos quanto dos europeus, quando em 1901, enviou uma mensagem por transmissão sem fio a 3.200 quilômetros de distância através do Atlântico, da Terra Nova para a Cornualha.

A empresa Anglo-American Telegraph Company tinha o monopólio da telegrafia na Terra Nova e expulsou a equipe de Marconi da ilha, que na época era independente do Canadá. A publicidade subsequente não precisou ser inventada. Em 1904, a radiotransmissão chegou às manchetes quando foi usada para relatar a prisão do Dr. Crippen, um assassino que fugia da Inglaterra para o Canadá, por mar, com sua amante. Oito anos depois, foi a estação de Marconi el Long Island que captou as mensagens de SOS do Titanic, que afundava, e enviou as notócias para a Casa Branca. O operador foi um homem que mais tarde se tornaria famoso David Sarnoff (1891-1971) (BRIGGS E BURK, 2006, p. 158).

Percebemos então, que realmente o rádio desde o princípio, no início dos anos 1900 até chegar ao Brasil, oficialmente em 1922, e em São Paulo em 1923, sempre teve cunho comercial, mas naqueles anos da “São Paulo antiga” de 1923, os interesses dos empresários de rádio ainda são basicamente culturais e sociais, bem pouco comerciais. Entretanto, já vislumbrando o potencial comercial do rádio, a Educadora é a primeira a transmitir diariamente as cotações da bolsa em diferentes momentos do pregão. A rádio é sustentada pela mensalidade dos sócios, como aliás tantas outras pioneiras, e as transmissões não são contínuas. A escassa programação dos primeiros tempos inclui óperas e concertos, e os aficionados reúnem-se em torno dos poucos aparelhos receptores existentes. Em 1925, as transmissões passam a ser contínuas e a emissora adquire um caráter mais profissional. Desse período, ainda experimental, em uma reportagem especial sobre os 100 anos do rádio, escreve Oliveira (2019, n.p).

Foi em 7 de setembro de 1922, em pleno centenário da independência brasileira. Um discurso do então presidente Epitácio Pessoa e a ópera O Guarani, de Carlos Gomes, inauguraram as transmissões. A novidade deixou os ouvintes incrédulos, como testemunhou, em depoimento histórico, o radialista Renato Murce, falecido em 1987 e um dos pioneiros do rádio brasileiro (OLIVEIRA, 2019, n.p).

Sobre este momento, Oliveira, utilizando a fala de Renato Murce:

E o povo que se juntava na multidão do centenário, uma multidão incalculável, era pior do que São Tomé: estava vendo, ouvindo e não acreditando. Como é na que um aparelhinho pequenino, lá longe, sem nada, sem fios, sem coisa nenhuma, podia ser ouvido a distância. E ficava embasbacado.

Ali na SQIG nascem grandes artistas, técnicos e demais profissionais que entrariam para a história do rádio. Sobre o assunto, segundo José Mauro Martins Pires (2000, p. 41), citando uma fala presente nos documentos de Mauro Pires:

Foi o caso de Nicolau Tuma, o “speaker metralhadora”, que consagraria um modo único de transmitir futebol lance a lance; também o locutor (depois produtor) Raul Duarte, o humorista Gino Cortopassi, conhecido por Zé Fidelis, o “rei dos caipiras” Cornélio Pires, Oduvaldo Vianna, o cantor seresteiro Paraguassú, Walter Forster, o Barão Wilson Fittipaldi, Pilé, Raul Torres (cantor e compositor caipira de grande prestígio, com destaque para “Cavalo zaino”), os radialistas pioneiros maestros Erlon Chaves e Gabriel Migliori, sambista cearense Hélio Sindô, a autora de novelas Ivani Ribeiro, que na época é cantora de programa infantil. Segundo o radialista Mauro Pires, um dos nomes que mais trabalharam pela emissora é o do maestro e compositor Alberto Marino, naquele tempo um modesto músico violinista. Maestro Ítalo Izzo, Osmano Cardoso, cantor e radialista. Segundo o almanaque do rádio de janeiro de 1951, todas as vezes que ele vibrava seu violino, era obrigado a estar de costas para o microfone, senão o som encobria tudo, provocando inclusive a queda da estação (PIRES, 2000, p. 41).

Seja para aqueles que viveram os anos 1920, seja os que conheceram por pesquisas e contatos estes tempos de encantamento do rádio, a enorme surpresa foi quando a Rádio Educadora, já na rua Carlos Sampaio, contrói sua torre de transmissão à nos jardins da sede da emissora e passa a ter um dos mais bem montados estúdios de São Paulo, amplo, todinho atapetado, paredes forradas de celotex, grandes cortinas amortecedoras de som e muitas fotos, dentre elas fotografias de Carlos Gomes, Beethoven, Chopin, Wagner, Brahms etc. Citando documento manuscrito deixado por Mauro Pires [s.d], sobre a programação da Educadora:

A Educadora naqueles primeiros anos irradia os resultados de jogos internacionais realizados na Europa e no Uruguai, para a capital e inte rior do Estado de São Paulo; transmite também em 5 de dezembro, durante a noite, concerto do maestro Heitor Villa-Lobos, no Teatro Municipal; em 30 de junho de 1926 a PRA-6 inaugura modernas instalações, com aparelhos adquiridos da Western Eletric, na nova sede à rua Carlos Sampaio, 5; em 27 de setembro inicia um programa diário dedicado às crianças, apresentado por Tia Brasília, que era uma professora na época, intitulado “Quarto de hora da criança”; em 25 de novembro de 1926, ocorre a inauguração do novo estúdio, com transmissão conjunta com a Rádio Club do Brasil, do Rio de Janeiro, e conta com a participação de Guiomar Novaes e Bidú Sayão. A nova estação transmissora tem 1.000 watts de potência e duas torres de 55 metros cada uma. Trata-se da quinta experiência de transmissão simultânea por estações situadas a longa distância.

Em janeiro de 1929, as emissoras paulistanas mudam os seus indicativos e passam a ser PRs. A Rádio Educadora Paulista passa então de SQIG para PRAE e, em 17 de março, irradia a “Hora Regional”, tendo no comando Cornélio Pires, o “Rei dos caipiras”. O programa tem um grupo de pessoas chamadas de “caipiras legítimos” e apresenta a vida cotidiana do sertão, imitação de pássaros sertanejos, entre outras peculiaridades com este foco. Em 21 de setembro do mesmo ano, Oduvaldo Vianna apresenta palestras sobre o cinema falado. Aliás, Oduvaldo é uma história à parte do rádio paulista.

A Educadora é pioneira no radioteatro

É interessante observar que a Rádio Educadora foi quem lançou de forma pioneira o que seria mais tarde o “Cinema em Casa”, primeiramente na PRF-3 Rádio Difusora de São Paulo, inaugurada em 24 de novembro de 1934 e, posteriormente, com a compra dessa por Assis Chateaubriand, passa a ser transmitido pela mais poderosa emissora de rádio do Estado Paulo, a PRG-2 Rádio Tupi de São Paulo, inaugurada em 3 de setembro de 1937. Não resta dúvida que o programa “Cinema em casa”, criação de Otávio Gabus Mendes e dirigido, após a sua morte, pelo saudoso Walter George Durst, foi o precursor da teledramaturgia no Brasil. Durst foi, sem dúvida, o responsável pelo “andar da carruagem”, do radioteatro para teledramaturgia. Este programa, na mais poderosa emissora de São Paulo, segundo Mário Fanucchi em conversa com este autor, chocava pela forma revolucionária da narrativa. Os diálogos eram enxutos e não faziam concessões; as cenas se sucediam como cortes na montagem cinematográfica; os efeitos sonoros – alguns produzidos na hora e outros, fruto de cuidadosa pesquisa, previamente gravados em discos de acetato – contribuíam para aprimorar a fórmula. O resultado era o total envolvimento do ouvinte que, mesmo se num primeiro instante não entendesse bem algum detalhe da trama, acabava sempre por captar o essencial.

Fizemos este breve relato sobre o “cinema em casa”, pois acreditamos que realmente as primeiras experiências do que seria este programa, surgiram na Rádio Educadora. As palestras sobre cinema, dirigidas por Oduvaldo Vianna, além do conhecimento sobre determinados filmes, fomentava a cultura do que seria um gênero dos mais importantes, o radioteatro. Aproveitamos esta parte do texto para fazermos uma justificativa do porque da utilização desse termo, ou então peça radiofônica, e não radiodrama, é porque estamos seguindo o raciocínio de Sperber (1980, p.125-126), que escreve:

Embora a peça radiofônica contenha elementos dramáticos, épicos e líricos, e esta seja uma de suas características, não se podem levantar restrições contra a sua forma: pois mesmo a tragédia ática poderia ser vista como forma mista de teatro e poesia, de drama e lírica. Uma estética que trabalhe apenas com as categorias de drama, epopeia e lírica não fornece um caminho eficiente para se chegar à peça radiofônica, cuja forma é sui generis. Mas não deve nem pode ser dada aqui uma caracterização satisfatoriamente abrangente da peça radiofônica, e muito menos uma dramaturgia da peça radiofônica. Alguns dos seus traços mais importantes podem, contudo, ser esboçados, por exemplo: a peça radiofônica pode transformar o tempo exterior de uma ação em tempo interior; a peça radiofônica pode unir impulsionar e aprofundar a ação de forma associativa; a ação da peça radiofônica transcorre no palco interior (SPERBER, 1980, p.125-126).

Um aparte para o radialista Nicolau Tuma

É um dos mais brilhantes nomes do rádio brasileiro. É repórter policial no início do rádio, até vencer um concurso para ser locutor na Rádio Educadora Paulista em 1929, aos 18 anos. Tudo começa em 19 de Julho de 1931, quando tem a ideia da narração da primeira partida transmitida integralmente de jogo de futebol. Até então, as transmissões do futebol eram apenas boletins informando os principais lances dos jogos. Antes do jogo começar Tuma vai aos vestiários do campo do Floresta, no bairro da Ponte Grande, para ver e reconhecer os atletas quando da narração de São Paulo e Paraná, pois à época os uniformes não tinham números nas costas. Foi um sucesso amplificado no Vale do Anhangabaú pela Confeitaria Mimi, que pôs alto-falantes para reproduzir a transmissão. Tuma narra com detalhes e muito rápido todo o jogo, e é isso que o torna o “speaker metralhadora”. É difícil falarmos de Nicolau Tuma, dada sua importância para o rádio paulista e brasileiro, pois nunca conseguiremos dar conta, em texto, do trabalho desse pioneiro. Aliás, como disse acima, é o criador da transmissão do futebol como é conhecida hoje “narração em cima do lance”, e também criador do termo radialista, exatamente durante sua passagem pela Educadora. Posteriormente, trabalha também em outras emissoras, inclusive na grande Rádio Record de São Paulo. Segundo ele próprio em entrevista a José Mauro Martins Pires, que tive a honra de orientar, comenta que estando em um congresso de rádio no Rio de Janeiro, quando ele se referiu aos funcionários em rádio como radialistas, foi inquirido a explicar tal termo, pois, segundo este senhor não havia o termo no dicionário de língua portuguesa. Foi então, que Nicolau Tuma justificou dizendo que radi viria de rádio, e alista de idealista, o que retratava bem o profissional de rádio. O termo logo se popularizou.

Nos anos 1940, mais precisamente em 25 de janeiro de 1943, a Rádio Educadora, já decadente, é reinaugurada sob o nome de Rádio Gazeta, com o mesmo prefixo PRA-6 e o slogan “A emissora de elite”. Chega com uma proposta de orientação cultural em sua programação, mantendo um cast fixo de grandes nomes do canto nacional, grande orquestra sob a direção inicial do maestro Souza Lima e a cantora Vera Janacopoulos e, mais tarde, dos maestros Edoardo Di Guarnieri e Armando Abelardi, além de uma excelente jazzband, sob a regência do maestro Totó. Dessa fase de música fina, daí o slogan um pouco forçado, a emissora promoveu expressões como Cortina Lírica, Soirée de Gala e Música dos mestres. Quando começou a inserir na programação a música popular e apresentou os internacionais Ray Ventura e sua orquestra, Eva Garza, El Charro Gil. Entre os brasileiros, destacou-se o auge do reinado do baião, com Luiz Gonzaga.

PRA-6 Educadora e Gazeta

Impossível analisar a Sociedade Rádio Educadora Paulista sem se referir à também grande Rádio Gazeta, pois, herda o prefixo da Educadora quando o proprietário, o empresário Cásper Líbero assume a Educadora. A Rádio Gazeta realmente chega a grande estilo, com prédio próprio na Rua Conceição, mais tarde denominada Av. Cásper Líbero, em homenagem ao fundador da rádio, morto prematuramente alguns meses depois da fundação da Gazeta. Esta ostenta imponente palco-auditório e um grande salão auditório, além de um excelentíssimo restaurante com cardápio e chefs internacionais, que funcionou regularmente até 1965, momento em que o grupo empresarial, rádio e jornais, se muda para a atual sede, na Av. Paulista, 900. Nesse momento a emissora já irradia uma programação mais popular, sob a direção de Ita Ferraz e direção artística de Fernan do Borges. Com a mudança de programação e de localização, a Gazeta passa por reformulações e começa a atingir também um novo público, com alguns programas que marcam época, tais como: “Samburá”, com apresentação de Fernando Borges e Marlene Magaldi, vencedora de um concurso de locução feminina e um outro programa, também de grande sucesso, “A pedida é bossa”, com Mauro Pires.


Elis Regina sendo entrevistada no programa ‘A pedida é bossa’, de 12 de março de 1965. Ao fundo Denis Roberto Martins Pires.

A Gazeta é uma das últimas rádios a se desfazer de sua excepcional discoteca e consolidar nomes, tais como: Elis Regina, Amilton Godoy, Paulinho Nogueira, Claudete Soares, Toquinho, Taiguara, entre outros.

Em conversa com José Mauro Martins Pires, em 2012, ele lembra que na Gazeta trabalhavam vários amigos citados por Mauro Pires, por exemplo, o programador Aguiar, cujo apelido é Dedé, que é o José Ogilvy Aguiar; o programador Aurélio, que é o Aurélio Belotti Filho; o chefe da discoteca Samuel Hiller; o programador Carlos Roberto da Silveira e os auxiliares, Fidelis Jacinto e Sérgio Albertini, que é também um grande tenor. Além disso, a rádio é uma das primeiras a mobilizar a classe estudantil em torno de música, no Teatro de Cultura Artística, no centro de São Paulo, no início da Rua da Consolação, um local com muito da história da comunicação de São Paulo, pois as rádios, os grandes jornais, todos estão naquele entorno. Realmente é muito importante falar da grandeza da Gazeta, do que foi e ainda é na atualidade, agora com muito mais concorrência e segmentação, do que nos anos 1930 e 1940. Tudo isso deve um pouco à experiência adquirida quando da compra da Educadora, mas também, sem dúvida, Cásper Líbero foi e é um desses homens visionários, que estão à frente do seu tempo.

Conclusão

Em São Paulo a radiodifusão inicia-se na SQIG Sociedade Rádio Educado Paulista, em 30 de novembro de 1923. Os dados colhidos se deram através da análise de documentos escritos deixados pelo radialista Mauro Pires, que passou para o seu filho Joé Mauro Martins Pires. Portanto, utilizamos as fontes primárias, memorialistas, escritas e fonte oral. O interessante aí é que antes do livro O Rádio com Sotaque Paulista, ninguém em São Paulo escreveu sobre as emissoras pioneiras, ou então escreveu muito vagamente. Mauro Pires viveu a história do rádio e a documentou em textos escritos. Ele se dá ao trabalho de minuciosamente escrever a história das rádios de São Paulo, capital, litoral e interior do Estado, desde o início nos anos 1920, até os anos 1950. Escreve sobre a abertura de novas emissoras ano a ano, durante quatro décadas, trabalho que não existe antes da publicação do livro citado. Além disso, documentou as programações mais importantes das emissoras, trazendo as grades organizadas por data e os grandes nomes do rádio que estão presentes principalmente na SQIG, nomes como Oduvaldo Viana, Nicolau Tuma, Nhô Totico, Walter George Durst, grandes orquestras, grandes obras, grandes momentos, e tudo isso passa pela pioneira Educadora.

Uma conclusão que chegamos é que quando a Gazeta adquire a Educadora, a impressão é que a Educadora desapareceria, mas ao contrário, a emissora cresce e Cásper Líbero amplia o cast, mantendo o caráter inovador que a emissora tem, portanto naquele momento, muitas outras emissoras já estão no ar em São Paulo, entretanto a Gazeta mantém o prefixo da Educadora e monta programas dos mais importantes da cena musical brasileira, tais como: Cortina Lírica, Soirée de gala e Música de mestres.

Outra questão que nos leva à conclusão a seguir, é o fato de que apesar das rádios terem grande preocupação cultural, artística e educativa, nem a Educadora nem as demais rádios pesquisadas deixam claro a que vieram. A impressão que nos fica é que realmente seus interesses são somente políticos e comerciais. Os empresários percebem rapidamente a grande propensão comercial do meio e sabem utilizá-lo.

Achamos impressionante o fato de José Mauro Pires, apaixonado pelo rádio e com programas importantes em emissoras paulistas, ter deixado documentos escritos tão precisos e de grande valor histórico, pois não havia publicações com dados corretos até 2014, quando do lançamento do livro O Rádio com Sotaque Paulista. Nesse sentido José Mauro Pires é um ícone da história do rádio no Estado, como historiador do meio.

ASTROS DE TODOS OS TEMPOS E ESTILOS



Blota Jr, Zé Bétio, Barros de Alencar, Hélio Ribeiro, Eli Corrêa, Humberto Marçal, Inezita Barroso, Kalil Filho, Vicente Leporace, Fiore Gigliotti, Gil Gomes e Claudete Troiano. 


MULHERES NO RÁDIO


Desde muito tempo, as mulheres tiveram um papel essencial no rádio e em toda sua transmissão, como, por exemplo, as transmissões diurnas passaram a ser caracterizadas como “femininas”, além disso, diversas mulheres foram lançadas no rádio: Carmen Miranda, Dalva de Oliveira, Hebe Camargo, Inezita Barroso, entre outras.

No ano de 1923, no estado do Rio de Janeiro, Maria Beatriz Roquette Pinto foi a primeira mulher radialista e estreou o rádio já nas primeiras transmissões ao exercer diversos cargos em funções. Fundada por seu pai, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro foi seu grande começo.

Com a criação da Rádio Mulher na cidade de São Paulo, em meados dos anos 70, apenas profissionais do sexo feminino tinham espaço na programação. No ano seguinte, foi criado a editoria de futebol e jornalistas como Zuleide Ranieri, Claudete Troiano, Leilah Silveira, foram contratadas.

Desde motorista até a técnica de som, a equipe era feminina. Em 15 de junho, ocorreu a primeira narração esportiva feita por uma mulher: Zuleide Ranieri narrou o amistoso S.E. Palmeiras 2X0 A. Portuguesa de Desportos, no Palestra Itália.

Em entrevista para a rádio Amantes, Claudete Troiano, uma das percussoras femininas no rádio, conta sobre sua participação: “O dono da Rádio Mulher soube que no Salão da Criança tinha uma loirinha lá que narrava jogos e me chamou” disse Claudete. A ideia inicial era que ela fosse repórter da equipe esportiva que em processo de montagem. Logo, houve o interesse da emissora para que ela narrasse jogos de futebol. Para isso, ela teve que se preparar e fez alguns teses. “Antes de estrear, peguei um gravador que era desse tamanho naquela época (faz o gesto com as mãos), fui lá para arquibancada de um jogo do São Paulo com meu gravador e narrando. E assim eu comecei a narrar”.

“Hoje eu reconheço, na época eu não tinha noção, que foi muito importante esse nosso trabalho porque a mulher era colocada como um objeto só decorativo em programas esportivos. A mulher não tinha voz, não tinha vez”, afirmou.

Para a BBC Brasil, a jornalista conta que não existia clima ruim de trabalho. “Não sei se era porque a gente estava tão focada. Já era tão difícil entrar em um campo totalmente ocupado por homens em todos sentidos – por críticos, jogadores, torcedores —, então entre nós foi sempre tudo muito bem”, comenta.

Em entrevista à De Mulher Para o Mundo, Eliana Chuffi, apresentadora e radialista da Rádio Mix falou um pouco sobre a profissão e a representação da mulher no meio.

Eliana Chuffi é atualmente apresentadora da rádio Mix FM na cidade de São Paulo, onde atua há mais de 20 anos, e comenta que sua paixão pelo rádio e por comunicação vem de berço.

“Eu era aquela criança que chorava se a mãe desligava o rádio. Sempre prestei muita atenção na comunicação e nos apresentadores além da programação musical. A primeira vez que me interessei como adulta foi após meu magistério quando estava fazendo estágio de professora e resolvi levar um caderno de anotações anotando a programação. Com 16 anos de idade, pedi um espaço para o diretor. Quando entrei pela primeira vez numa transmissão ao vivo, lembro que meu olho brilhava e tive a certeza que era aquilo que eu queria fazer”, diz Eliana.

“Sempre acreditei no rádio como um dos maiores meios de comunicação da atualidade pois o rádio dispensa a imagem e pode ser carregado para onde você for. Desde o “radinho” de pilha da dona de casa ou até mesmo no rádio de um carro importado. Como é um meio sem imagem, conseguimos realizar diversas outras tarefas escutando o rádio sendo um meio que mais desenvolve a linguagem e a comunicação nos obrigando a descrever tudo o que é visto por nós”, diz a radialista.

Para ela, o rádio traz o papel social fundamental de ser porta-voz. Como, por exemplo, desde um problema de um buraco na rua ou até mesmo as atualizações sobre o estado de uma guerra. “Penso que o rádio tem esse papel na sociedade levando a comunicação com uma rapidez. Como não necessitamos de uma imagem, podemos utilizar nosso próprio celular para transmissão de um boletim informativo”, completa.

LOCUTORA HISTÓRICA



Elizabeth Darcy, nome artístico de Natália Perez de Souza (São Carlos, 2 de dezembro de 1912 – São Paulo, 10 de janeiro de 2010), foi uma atriz e locutora brasileira. Era mãe da falecida atriz Verinha Darcy e Cecilia Maria e também do locutor Silvio Luiz. Começou a sua carreira na antiga TV Paulista, Canal 5, como apresentadora e garota-propaganda. Depois foi para a TV Tupi. Na sua época, ela participou de importantes programas e chegou a ganhar mais de um Troféu Roquette Pinto como a melhor do ano. Deixa 7 netos e 10 bisnetos.

"Elizabeth Darcy, foi uma das primeiras vozes femininas a se tornar locutora no Brasil, além de ter sido mãe de dois talentos da televisão brasileira, a Verinha Darcy , a talentosa intérprete de Pollyana, sucesso de 1912 da antiga TV Tupi São Paulo, que faleceu ainda jovem, em 1979, e do ícone da crônica esportiva, Silvio Luiz. Iniciou sua carreira como locutora em 1931, ao lado do saudoso César Ladeira (58), um dos maiores locutores do Brasil, falecido em 1969. Na época ela ainda usava o seu nome de batismo, Natália, e passou um período longe das rádios, até voltar com a sua voz grave em 1948, com o seu nome artístico. Elizabeth, como gostava de ser chamada após seu retorno, migrou para a TV Paulista, onde não só trabalhou como locutora, como também realizou teleteatros na emissora e em 1958 foi para a TV Tupi ser garota-propaganda de marcas como Walita, Mappin, Bom Bril, Philips e outras. Voz grave sucesso da TV Tupi, Elizabeth recebeu inúmeros prêmios ao longo da carreira, o Troféu Tupiniquim como melhor anunciadora, e a Medalha de Ouro, prêmio do jornal A Gazeta. Também trabalhou na TV Cultura, período em que acumulou prêmios como o de Mais Elegante da TV. Na época, a famosa locutora também se tornou chefe de equipe das garotas propagandas. Elizabeth sofreu um acidente vascular cerebral em 2006, o que a fez se afastar de sua carreira e do público. Faleceu em 2010, aos 97 anos".  Caras. 16 de maio de 2024.



Silvio Luiz, aos 24 anos,  numa entrevista ao vivo com o goleiro Gilmar em 1958

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TV TUPI


"No dia 18 de setembro de 1950, era inaugurada em São Paulo, a TV Tupi, primeira emissora de televisão brasileira, planejada por Assis Chateaubriand. Naquela época, apenas 200 pessoas no país eram proprietárias de aparelhos de televisão, que foram contrabandeados e distribuídos pelo próprio Chateaubriand. Mas a noite de estreia da programação foi assistida por vários curiosos que se aproximaram dos 22 receptores distribuídos em 17 lojas no centro de São Paulo. A imagem acima, que ilustra um desses momentos e cujo autor não foi identificado é provavelmente o registro mais icônica desse momento". Resumo Fotográfico. Fonte: Estadão


A Rede Tupi foi uma rede de televisão aberta brasileira. Sua matriz e geradora, a TV Tupi de São Paulo, inaugurada em 18 de setembro de 1950 pelo jornalista Assis Chateaubriand, foi a primeira emissora de TV a operar no país. Pertencia aos Diários Associados, que na época, detendo vários jornais e rádios, era um dos maiores conglomerados de mídia do Brasil. Outros canais viriam a ser inaugurados pelo grupo em algumas localidades do país, formando futuramente uma das primeiras redes nacionais.

Durante a década de 1950, a Tupi era o canal de maior audiência do Brasil, seguido pela TV Record/TV Rio (Rede das Emissoras Unidas) e pela TV Paulista. A partir da década de 1960, o canal perderia a liderança de audiência para a TV Record e posteriormente o segundo lugar para a TV Excelsior, ocupando então o terceiro lugar. Em 1967, foi superado em audiência pela TV Globo, assumindo o quarto lugar de audiência no restante da década. Durante a década de 1970, devido a extinção da TV Excelsior, passa novamente a ocupar o terceiro lugar, sendo superado pela Rede Globo, em primeiro lugar desde 1969, e pela TV Record, em segundo lugar. Em 1972, havia 64 estações geradoras de televisão no país. A maioria se limitava a retransmitir a programação dos três grandes grupos geradores: Globo, Record e Tupi. Em 18 de julho de 1980, devido a problemas administrativos e financeiros, a Tupi saiu do ar com parte de suas concessões cassadas pelo Governo Federal.

O jornalista Assis Chateaubriand, diretor dos Diários e Emissoras Associados, maior conglomerado de mídia da América Latina,[8] interessou-se por televisão em julho de 1944 durante uma visita de negócios à sede da RCA Victor, em Nova York, da qual havia adquirido equipamentos para a montagem de suas emissoras de rádio. O presidente da RCA David Sarnoff preparou para Chateaubriand uma apresentação de investimentos da empresa em radiodifusão, incluindo alguns modelos de câmeras de televisão. Após ouvir explicações do engenheiro e vice-presidente da RCA Vladimir Zworykin sobre o veículo, que até então nunca havia visto, Chateaubriand rapidamente decidiu criar estações para a Rádio Tupi do Rio de Janeiro e a Rádio Tupi de São Paulo, embora tenha sido aconselhado por Sarnoff de que o Brasil não estava pronto para receber a televisão e que deveria preocupar-se em fortalecer sua rede de rádio.[9] Registrado o pedido de instalação do meio, necessitando esperar pelo fim da Segunda Guerra Mundial para comprar os equipamentos, Chateaubriand retornou ao Brasil e buscou por anunciantes e empresários, que financiaram suas futuras emissoras em troca de contratos de publicidade e arcaram com as despesas de sua montagem. Todos os equipamentos para as estações somaram um investimento de cinco milhões de dólares, equivalentes a 16 milhões de cruzeiros.

Durante o período em que angariava apoio financeiro para a montagem das emissoras, Chateaubriand pediu que técnicos da RCA e da The Marconi Company fossem ao estado de São Paulo para analisar as condições topográficas de transmissão de sinal às cidades de Santos, Jundiaí e Campinas. Apesar de acreditarem que a irradiação seria possível apenas por retransmissoras ou cabos telefônicos, o jornalista insistiu na emissão direta da capital paulista. Em nova viagem aos Estados Unidos para encomendar a aparelhagem, em 1947, aceitou a proposta de adquirir uma versão atualizada de um transmissor, com maior potência, entregue junto ao restante dos equipamentos com atraso após o prazo estipulado pela RCA, ocorrido, segundo Chateaubriand em um artigo para O Jornal em 1963, por uma deflação dos limites financeiros do setor industrial nos bancos do país. Em janeiro de 1949, o engenheiro das rádios associadas Mário Alderighi e seu assistente Jorge Edo viajaram aos EUA e estiveram em Nova York e Burbank para acompanhar o funcionamento da NBC em forma de curso sobre operações de televisão, enquanto engenheiros da RCA foram ao Brasil em fevereiro para planejar a montagem em São Paulo. O contrato de cessão entre os Associados e a RCA, referente à aparelhagem para a capital paulista, foi firmado em maio de 1949, tendo chegado em janeiro de 1950; a do Rio de Janeiro, fechada com a General Electric, desembarcou em outubro de 1949.

A Rádio Tupi do Rio de Janeiro solicitou ao Ministério da Viação e Obras Públicas autorização para operar os dois canais de televisão idealizados por Chateaubriand em janeiro de 1948, porém o ministro Clóvis Pestana, com base em um parecer da Comissão Técnica de Rádio, que considerou o capital social da rádio insuficiente, além de a compra dos equipamentos da RCA ainda não haver sido oficializada, liberou a instalação somente da emissora do Rio. Os Associados então escolheram a Rádio Difusora de São Paulo para ficar responsável pela outorga na cidade, concedida em maio de 1949. Dias após a Rádio Tupi oficializar o pedido, os Associados iniciaram a divulgação de notícias sobre a implantação da televisão no Brasil em seus jornais e revistas, enquanto eram realizados outros esforços de implantação do novo veículo, como o do radialista César Ladeira e sua Rádio Televisão do Brasil S/A, a primeira a receber do governo uma outorga para difundir som e imagem, que não chegou a funcionar devido a impasses em seu financiamento.

Primeiros passos

Atrizes Vida Alves e Geórgia Gomide reproduzindo um beijo em uma cena do teleteatro A Calúnia, de 1963, sendo este o primeiro beijo homoafetivo exibido na TV brasileira. Depois de poucos meses de treinamento, alguns radialistas escolhidos por Assis Chateaubriand, o Chatô, lançaram-se à aventura de fazer TV. Os estúdios eram pequenos, o equipamento precário, mas o nascimento da TV Tupi foi solene. Chateaubriand presidiu a cerimônia que contou com a participação de um cantor mexicano, Frei José Mojica, que entoou "A canção da TV", hino composto pelo poeta Guilherme de Almeida, que contou também com a atriz Lolita Rodrigues, especialmente para a ocasião. Um balé de Lia Marques e declamação da poetisa Rosalina Coelho, nomeada madrinha do "moderno equipamento" fizeram parte do show. A jovem atriz Yara Lins foi convocada especialmente para dizer o prefixo da emissora — PRF-3 — e o de uma série de rádios que transmitiam em cadeia o acontecimento. A seguir entrou a programação na tela dos cinco aparelhos instalados no saguão do prédio dos Diários Associados.

Há muitas histórias a respeito desse dia. Uma delas é que, empolgado, Chateaubriand com problemas na vida pessoal, teria quebrado uma garrafa de champanhe numa das duas câmeras RCA, fazendo com que a TV no Brasil entrasse em cena com apenas metade de sua capacidade, isto é: com apenas uma câmera. Outra é que, acabada a inauguração, a equipe se deu conta de que não havia o que colocar no ar no dia seguinte, pois ninguém havia pensado nisso. O então radialista Cassiano Gabus Mendes que, aos 23 anos, assumiu a direção artística da Tupi, não podia ouvir essas histórias, desmentia quantas vezes fosse preciso. "É tudo invenção do Lima Duarte. Como ele é muito engraçado, as pessoas acabam se convencendo", dizia ele pouco antes de morrer, em 1993. "Chateaubriand era um homem esclarecido, não ia danificar equipamento e tínhamos programação para as três semanas seguintes".

Quando a TV Cultura, canal 2, foi lançada pelos Diários Associados, suas imagens interferiam no canal 3, onde a TV Tupi era sintonizada e vice-versa. Por essa razão, em 1960, a PRF-3 TV Tupi de São Paulo passou a ocupar o canal de número 4, onde ficaria até o fechamento. Isso se explica assim: os canais 2 e 3 são "adjacentes", ou seja, vizinhos, onde termina a frequência de um, ou "espaço" deste, começa a frequência ou espaço do outro. Por essa razão, há a interferência mútua; assim, um interfere no outro. Já entre canais 4 e 5, há um "espaço" de 4 megahertz (os canais do padrão da nossa TV (PAL-M) ocupa um "espaço" de 6 megahertz cada um) desta maneira, pois os canais 4 e 5 não se interferem. Nos primórdios da TV, estava previsto o canal 1, porém antes da sua popularização, os radioamadores ocuparam o "espaço" do canal 1, então para um melhor aproveitamento da faixa 1 ou seja dos canais 1 ao 6, foi feito um arranjo, para um melhor aproveitamento destes canais, sem que ninguém sofresse com interferências.


Às 16h, o bispo auxiliar de São Paulo, dom Paulo Rolim Loureiro abençoou os estúdios e benzeu as câmeras. Chateaubriand fez seu discurso. Na qualidade de madrinha da televisão, a poetisa Rosalina Coelho Lisboa Larragoiti foi a primeira de uma série de convidados a exaltar aquele momento histórico. A solenidade terminou às 18h, com a promessa de um grande show inaugural, às 21h, chamado "TV na Taba". Uma das três câmeras quebrou e o técnico norte-americano Walter Obermiller quis adiar, mas a equipe optou por improvisar. Tendo Dermival Costa Lima na direção artística e Cassiano Gabus Mendes como seu assistente, o espetáculo começou com cerca de uma hora de atraso. A seguir, as atrações que estavam previstas no roteiro de estréia: A atriz-mirim Sonia Maria Dorce, com apenas 5 anos, apareceu vestida de índio, dizendo "Boa noite! Está no ar a televisão do Brasil". Logo, a atriz Yara Lins entra e anuncia o prefixo da emissora. Na sequência, o anfitrião Homero Silva apresentou uma espécie de trailer do que o espectador poderia ver na TV. "Almanaque da TV – 50 Anos de Memória e Informação", Ricardo Xavier (Ed. Objetiva, 2000).

Pioneirismo

Acostumados à improvisação e rapidez do rádio, os pioneiros não tiveram problemas em se adaptar ao moderno veículo e aprenderam muito: ator virava sonoplasta, autor dirigia, diretor entrava em cena. A TV Tupi, dos primeiros anos, era uma verdadeira escola. Dois dias depois da primeira emissão, em 20 de setembro de 1950, estreou o primeiro programa humorístico, chamado Rancho Alegre com Mazzaropi. Aos poucos, outros programas ganharam forma: o primeiro telejornal, a primeira telenovela. Nos primeiros tempos, os atores, acostumados ao rádio, gritavam em cena, assustando os telespectadores. O programa TV de Vanguarda revelou a primeira geração de atores, atrizes e diretores. Foram apresentadas peças, como Hamlet, de Shakespeare, e Crime e Castigo, de Dostoiévski. Alguns programas dos primeiros tempos da TV Tupi tornaram-se campeões de audiência e permanência no ar: Alô Doçura, Sítio do Picapau Amarelo, O Céu é o Limite, comandado por J. Silvestre, e o Clube dos Artistas (que existiu de 1952 a 1980) e o famoso telejornal Repórter Esso (que ficou dezoito anos no ar).

A telenovela foi uma invenção da TV Tupi, que as exibia em capítulo. Foi em 1951, na novela "Sua vida me pertence", que Vida Alves deixou-se beijar pelo galã Walter Forster.

No jornalismo, a emissora repetiu na tela, o sucesso do Repórter Esso, que marcou época no rádio brasileiro a partir de 1941. Os locutores Heron Domingues e Gontijo Teodoro entravam no ar com as últimas noticias nacionais e internacionais ao som de um dos mais famosos prefixos musicais da história do rádio e televisão brasileiros. Se durante a primeira década de sua existência a Tupi foi líder absoluta, nos anos 1960, as emissoras concorrentes aprimoraram sua programação para lutar pela audiência. Em 1968, a novela Beto Rockfeller, de Bráulio Pedroso, revoluciona a linguagem da televisão. A partir da figura de um anti-herói, surge um novo estilo de interpretação, mais natural. A TV Tupi revela mais uma geração de talentos. Também na programação infantil a TV Tupi se destacou com o Clube do Capitão AZA, criado em 1966, onde clássicos do desenho animado como Speed Racer, e séries como Ultraman e Ultraseven foram apresentadas.

A primeira transmissão ao vivo

A TV Tupi de São Paulo estava decidida a transmitir ao vivo a inauguração de Brasília em 21 de abril de 1960 para São Paulo. Nesta época ainda não havia satélites. A criatividade respondeu ao desafio: colocaram três aviões voando em círculos, dois da FAB e um da VASP. As aeronaves estavam distribuídas uniformemente na rota entre Brasília e São Paulo, de modo que uma tinha alcance para transmitir as ondas para outra. Assim, a imagem era captada em Brasília e transmitida para o primeiro avião, que retransmitia para o segundo, para o terceiro, o qual, por fim, retransmitia para a antena principal da TV Tupi em São Paulo, que a retransmitia para a região de alcance.

No final da década de 60, graças aos sistemas de transmissão por micro-ondas, as telecomunicações foram revolucionadas. Isso possibilitava transmissões ao vivo pelas emissoras de TV para todo o país. Um evento histórico transmitido ao vivo pela TV Tupi foi a inauguração oficial em julho de 1970 do sistema de Discagem Direta à Distância (DDD) na cidade de São Paulo, feito em conjunto com a Companhia Telefônica Brasileira e a Embratel.

A formação da rede e a crise


A longa crise dos Diários Associados já havia começado muito antes da morte de Assis Chateaubriand, em 4 de abril de 1968. Abalada por problemas financeiros, mal administrada e sem investimentos, a Tupi perde qualidade e audiência. Na metade da década de 1960, com a chegada do videotape e a expansão das transmissões em micro-ondas, foi formada a Rede de Emissoras Associadas, com as emissoras pertencentes ao conglomerado e parceiras, como a TV Difusora de São Luís, que juntas transmitiram novelas e a Copa do Mundo de 1970.

"Itanhaém, Praia dos Pescadores 1973.  Os atores Carlos Zara,Eva Wilma e a dublê que fazia sua irmã gêmea, na novela Mulheres de Areia, de Ivani Ribeiro."


Em 1972, a Rede Tupi de Televisão começa a ser formada. Houve várias divergências a respeito de qual canal seria a "cabeça da rede": o canal 4 paulistano ou o canal 6 carioca. Houve duas tentativas para que ambas comandassem a Rede Associada. Na primeira, a estação carioca comandaria as emissoras do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, enquanto que a emissora de São Paulo controlaria os canais do Sul e Sudeste. Na segunda, a Tupi paulista ficaria responsável pela produção de telenovelas, e a Tupi do Rio se encarregaria pelos shows e programas de auditório. Mas as duas ideias não vingaram, e a rixa entre as diretorias das duas estações agravaram a situação da Tupi. O único ponto positivo nestas duas tentativas foi que a Tupi foi a primeira rede de TV da América Latina a possuir duas cabeças geradoras de programação. No ano de 1974, foi assinado o decreto que autoriza a TV Tupi a virar "Rede Tupi de TV", decreto que foi lido por Gontijo Teodoro na Rádio Tupi.

As emissoras concorrentes vão ocupando os espaços vazios deixados pela pioneira. Apesar de uma crise se abater, a emissora emplaca sucessos na década como "Mulheres de areia" (1973), "Meu Rico Português" (1975) e "A Viagem" (1975). No fim dos anos 1970, a situação piora. Os salários atrasam cada vez mais. Há dívidas astronômicas junto à Previdência Social. Proliferam muitos escândalos financeiros. Em agosto de 1977, "Éramos Seis", "Cinderela 77" e "Um sol maior" registravam os mais baixos índices de audiência da história do canal. Além da audiência, a publicidade também escapulia para as concorrentes, o caixa se esvaziava, os salários deixavam de ser pagos e a greve era questão de tempo. Em outubro de 1977, com três meses de salários atrasados, os funcionários iniciaram a primeira greve, mas ela é interrompida com o pagamento parcelado dos débitos.

Gravação de A Viagem (1975), sucesso de Ivani Ribeiro que se repetiria na TV Globo nos anos 1990.

O fim

Torre da TV Tupi em São Paulo, inaugurada em 1960 junto ao Edifício Sede das Emissoras Associadas
Os constantes atrasos dos salários mantinham o clima tenso na pioneira. As perspectivas de pagamento dos atrasados eram cada vez mais remotas e as explicações dadas aos funcionários, cada vez mais inconsistentes. Para piorar ainda mais a situação, um incêndio no prédio da emissora em São Paulo, em outubro de 1978, tirou a Tupi do ar por alguns minutos e destruiu os novos equipamentos adquiridos pela emissora no mesmo ano, e que nem chegaram a entrar em funcionamento. Ainda em 1978, iniciou a construção de sua nova antena transmissora, que seria a maior torre de TV da América do Sul (essa torre seria concluída pelo SBT alguns anos depois). No ano seguinte, o elenco de "O Espantalho", de Ivani Ribeiro (exibida pela RecordTV em 1977), processou a Tupi por não pagar os direitos conexos aos atores que trabalharam na trama. Entre 1979 e 1980, nova greve. A crise chegou a Brasília. O então presidente da República, João Figueiredo, se dispôs a receber uma comissão de dirigentes dos sindicatos envolvidos.

Ivani Ribeiro em reportagem de uma revista e de variedade da TV nos anos 1970


A greve durou até o início de fevereiro de 1980, quando a emissora fechou seu departamento de dramaturgia e dispensou os 250 funcionários que trabalhavam nesse setor. Foram interrompidas as novelas "Drácula, Uma História de Amor", que só teve 4 capítulos exibidos, e "Como salvar meu casamento", a 20 episódios de seu desfecho. Além disso, outra trama, "Maria Nazaré", estava em fase de pré-produção e 32 cenas já estavam gravadas na época, mas não chegou a entrar no ar. Para substituir Drácula, uma História de Amor, foi colocada a reprise da novela Éramos Seis, e em substituição à Como Salvar Meu Casamento, foi colocada a reprise de A Viagem. No dia 16 de julho, a Tupi teve 7 de suas 10 concessões declaradas peremptas (termo jurídico que significa "não-renovável") pelo Governo Federal. A decisão foi publicada no Diário Oficial no dia seguinte; ainda no dia 17, os funcionários da Tupi do Rio iniciaram uma vigília que durou 18 horas, comandada pelo apresentador Jorge Perlingeiro, com o objetivo de impedir que o canal fosse fechado. Várias personalidades, como o cantor Agnaldo Timóteo e o humorista Costinha, deram apoio aos funcionários.

A TV Tupi São Paulo foi extinta exatamente 29 anos e dez meses depois de sua inauguração. Também saíram do ar naquele dia a TV Itacolomi de Belo Horizonte, a TV Piratini de Porto Alegre, a TV Ceará de Fortaleza, e a TV Rádio Clube de Recife. A TV Marajoara de Belém havia encerrado suas transmissões pela última vez no dia anterior, e não chegou a retomar suas operações antes dos transmissores serem lacrados pelo DENTEL, às 9h20 da manhã.



O JULGAMENTO


O Julgamento foi uma telenovela brasileira que foi produzida pela Rede Tupi e exibida às 20h, entre 4 de outubro de 1976 a 30 de abril de 1977, tendo 178 capítulos.

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TV PAULISTA E TV GLOBO


Vera Nunes (à frente, mão na cintura), Márcia Real, Antonino Seabra e Luiz Guimarães, entre outros, na gravação da Paixão de Cristo | Acervo pessoal Luiz Guimarães — Foto: Acervo pessoal Luiz Guimarães.



TV Globo São Paulo é uma emissora de televisão brasileira sediada em São Paulo, capital do estado de mesmo nome. Opera no canal 5 (18 UHF digital) e é uma emissora própria e cogeradora da TV Globo juntamente com a TV Globo Rio de Janeiro, sendo responsável por cobrir parte da Região Metropolitana de São Paulo e o município de Ibiúna. Seus estúdios de produção e jornalismo ficam no bairro da Vila Cordeiro, além dos escritórios comerciais e administrativos, localizados no Edifício Jornalista Roberto Marinho, na mesma quadra, e seus transmissores ficam na Torre da Globo, no alto do Edifício Trianon Corporate, no Espigão da Paulista. É a estação de televisão mais antiga em operação no Brasil.

A emissora foi inaugurada em 1952 como TV Paulista, tendo sido a segunda estação de televisão a operar em São Paulo, depois da TV Tupi. Criada pelo deputado federal Oswaldo Ortiz Monteiro em conjunto com três incorporadores, começou exibindo shows e noticiários produzidos em estúdios improvisados de um prédio residencial do bairro Consolação. Em 1955, com dificuldades devido a uma crise, teve parte de suas ações vendidas ao grupo do radialista Victor Costa, em expansão com a compra de emissoras de rádio e televisão pelo Brasil, que aumentou os investimentos na programação e na contratação de artistas.

Após a morte de Costa, em 1959, seu filho Victor Costa Júnior assumiu o controle da TV Paulista, que novamente passou por uma crise, fazendo com que ele vendesse a emissora e outras concessões de rádio e televisão para o jornalista e empresário Roberto Marinho em maio de 1965. A aquisição tornou a estação em filial da TV Globo, do Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que ocorria um processo gradual de mudança para o nome da emissora carioca. Em 1968, com sua sede, anteriormente transferida para o bairro Vila Buarque, atingida por um incêndio, transferiu-se para a Praça Marechal Deodoro, onde passou a produzir, como cogeradora da rede, programas jornalísticos, esportivos e de entretenimento. Em 1999, deslocou-se para o endereço atual.



TV Paulista (1952–1967). A emissora foi inaugurada em 14 de março de 1952 como TV Paulista, em uma cerimônia comandada por Vera Nunes. Foi a segunda estação de televisão a entrar no ar no Brasil e a primeira do país a não pertencer aos Diários Associados de Assis Chateubriand. O primeiro programa exibido pelo canal 5 foi a telenovela Helena (com apenas 10 capítulos), que foi ao ar minutos depois da inauguração. A criada pelo deputado Oswaldo Ortiz Monteiro, que "repassou" o controle da emissora em 1955 à Organização Victor Costa.

A TV Paulista era menor emissora de televisão (em espaço físico) de São Paulo: sua sede era apenas um pequeno apartamento do Edifício Liège, na Rua da Consolação, 2570, e os estúdios eram montados na garagem e num espaço para uma loja no térreo do mesmo prédio. A cozinha era o laboratório de revelação e a redação dos textos e do telejornal eram feitos na sala. Pouco depois, transferiu-se para a Rua das Palmeiras, no bairro de Santa Cecília.

Importantes nomes da televisão brasileira passaram pela emissora, como Hebe Camargo e Silvio Santos. De 1959 a 1961, a estação teve como diretor artístico Mario Brasini que escreveu e dirigiu a telenovela "Laura" e os programas: "A alma das coisas", "Estampas Eucalol", "Teledrama 3 Leões", "Boa noite, Carmela", entre outros. Foi também na TV Paulista que Silvio Santos se lançou como apresentador, com o programa Vamos Brincar de Forca.


Roberto Marinho no início da carreira.


Entre 1957 e 1966, a TV Paulista manteve afiliações de emissoras no interior de São Paulo. Foram afiliadas a TV Santos, entre 1957 e 1960, e a TV Bauru, entre 1960 e 1966. Enfrentando uma grave crise, a TV Paulista foi adquirida por Roberto Marinho em maio de 1965. Em dezembro de 1965, foi nomeado o diretor Roberto Montoro, que deu início à transição.

A programação foi reestruturada para que a emissora pudesse iniciar o processo de integração à TV Globo Rio de Janeiro, e obras foram iniciadas nas instalações. Os prédios foram utilizados para fundar o núcleo de jornalismo da Globo em São Paulo. No primeiro momento, o canal 5 operava como uma espécie de afiliada da emissora carioca.






A sede da Rede Globo  no Brooklin, zona sul da capital paulista. 




TV Globo Paulista / TV Globo São Paulo (1967–presente). Em 24 de março de 1967, o nome TV Paulista foi abandonado e a emissora passou a ser chamada de TV Globo Paulista. Em 24 de março de 1968, após a transição, teve a nomenclatura novamente alterada, desta vez para TV Globo São Paulo.

Após um incêndio no prédio em que estava sediada, em 1969, a TV Globo São Paulo foi transferida para estúdios separados na Praça Marechal Deodoro, 340 e Avenida Angélica, 424, no mesmo bairro, imóvel alugado onde permaneceu durante trinta anos e onde eram produzidos programas como TV Mulher, Balão Mágico, Globo Rural e o Jornal da Globo (esse último a partir de 1993). Em 1970, a TV Globo tinha um escritório Comercial na Rua Canadá, no Jardim América, que mais tarde foi transferido para a Alameda Santos, onde também funcionava a Galeria Arte Global.

Em 29 de janeiro de 1999, a emissora mudou-se para dois novos prédios de médio porte especialmente projetados e construídos para geração de jornalismo e entretenimento, na Avenida Doutor Chucri Zaidan, 46, no bairro da Vila Cordeiro. O jornalismo passou a contar com dois estúdios de 400 m², além da ampla redação sem paredes que passou a ser cenário do Jornal da Globo. O Jornal Hoje também passou a ser produzido em São Paulo (permanecendo em estúdio até julho de 2001). A inauguração contou com a presença de autoridades, incluindo o então presidente da república Fernando Henrique Cardoso, acompanhado pelo então presidente do Congresso Nacional, o deputado federal Antônio Carlos Magalhães, além de ministros de estado e outros convidados.

Em outubro do mesmo ano, estreou o Mais Você, gerado de São Paulo até fevereiro de 2008, quando foi transferido para o Projac no Rio de Janeiro, regressando a São Paulo em fevereiro de 2021. Mais tarde, foi inaugurado o estúdio de shows com 600 m² para a gravação do Programa do Jô e posteriormente do Altas Horas. Em janeiro de 2004, alguns dos programas do Domingão do Faustão passaram a ser gravados em São Paulo, em domingos alternados.

Em 26 de abril de 2007, a emissora inaugurou ao lado dos seus estúdios o Edifício Jornalista Roberto Marinho, transferindo seu setor comercial do antigo escritório localizado na Alameda Santos. O novo edifício abriga no último pavimento um estúdio panorâmico com vista para a Ponte Octávio Frias de Oliveira, que é utilizado desde 12 de maio de 2008 nos telejornais locais da emissora e no Bom Dia Brasil.

Em dezembro de 2021, a Globo passou por uma reestruturação financeira que resultou na venda de suas instalações em São Paulo para a Vinci Partners. O valor da transação foi de R$ 522 milhões. Como parte do acordo, a Globo também estabeleceu um contrato de locação com os novos proprietários. O contrato, com duração inicial de 15 anos e possibilidade de prorrogação por mais 15 anos, estipula um aluguel mensal superior a R$ 4,7 milhões (totalizando R$ 57 milhões anuais). Com isso, a Globo passou a ser uma inquilina em suas antigas instalações, que agora também podem ser alugadas por outros locatários.

Em maio de 2023, a emissora passou por uma reestruturação interna que resultou na demissão de 20 funcionários como parte de uma estratégia para conter despesas e equilibrar suas finanças. As áreas afetadas por essa medida incluíram tecnologia, operações, esportes e jornalismo.

Sinal digital. A TV Globo São Paulo iniciou suas transmissões digitais em 2 de dezembro de 2007, dia do lançamento da televisão digital no Brasil, pelo canal 18 UHF. Para a nova tecnologia, a emissora construiu uma nova torre no alto do Edifício Trianon Corporate, no Espigão da Paulista, que contém uma iluminação especial com um espectro de cores igual ao do logotipo da emissora. Em 11 de novembro de 2013, seus telejornais locais passaram a ser exibidos em alta definição.

Transição para o sinal digital. Com base no decreto federal de transição das emissoras de TV brasileiras do sinal analógico para o digital, a emissora, bem como as demais da Região Metropolitana de São Paulo, cessou suas transmissões pelo canal 05 VHF em 29 de março de 2017, seguindo o cronograma oficial da ANATEL.O sinal foi cortado às 23h59, durante o Big Brother Brasil, e foi substituído pelo aviso do MCTIC e da ANATEL sobre o switch-off.

Controvérsias. No dia 29 de janeiro de 1999, durante a inauguração da nova sede da TV Globo São Paulo, que contou com a presença de toda a cúpula do governo, Marluce Dias da Silva, principal executiva da Rede Globo, criticou duramente o secretário dos direitos humanos, José Gregori, do Governo FHC. Em nenhum momento a Rede Globo consegue pensar na hipótese de qualquer tipo de controle externo ou governamental em relação a programação da TV. — Marluce Silva. A crítica foi feita alguns dias depois que Gregori anunciou que o governo pretendia implantar um modelo de controle de classificação etária nos horários que incluiria até censura à imprensa televisiva, na qual este o modelo proposto no início do segundo governo FHC, desrespeitava claramente a legislação imposta pela Constituição de 1988. Na época FHC foi acusado de querer pressionar redes de TVs brasileiras, com intuito de não exibir notícias negativas sobre o seu governo no aspecto de economia e casos de violência.

Em 2001, os herdeiros do fundador da emissora Oswaldo Ortiz Monteiro tentaram reverter judicialmente a venda da TV Paulista para Roberto Marinho, sob a alegação de que a transferência da emissora para as Organizações Victor Costa nunca teria sido regularizada - ou seja, Victor Costa Junior teria vendido a Roberto Marinho algo que não era legalmente seu. Alegaram ainda que haveriam 673 acionistas minoritários, que juntos detinham 48% do capital da empresa, e que teriam sido lesados - já que Roberto Marinho teria se apropriado de suas ações de modo "irregular" em 1975, declarando-os "mortos" ou "desaparecidos" no recadastramento societário. Após conturbada tramitação judicial, o espólio de Ortiz Monteiro perdeu em todas as instâncias judiciais e no dia 24 de agosto de 2010, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerou válida a compra da TV Paulista por Roberto Marinho. A família Ortiz entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF), que no entanto não foi aceito.

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TV BANDEIRANTES

Primeiro logo, usado a partir da inauguração da emissora em 1967.


Rede Bandeirantes) é uma rede de televisão comercial aberta brasileira, pertencente ao Grupo Bandeirantes. Entrou no ar no dia 13 de maio de 1967 pelo canal 13 VHF. Seu fundador foi João Jorge Saad, que contou com a ajuda do sogro, o político Ademar de Barros, antigo proprietário da Rádio Bandeirantes. Atualmente, a emissora é presidida por Johnny Saad, filho do fundador. É a quarta maior rede de televisão do país em audiência e faturamento. Seu sinal é distribuído para todo o Brasil por meio das suas emissoras próprias ou afiliadas, televisão por assinatura e no exterior pela Band Internacional.

A emissora foi a primeira do Brasil a produzir toda a sua programação em cores, em 1972, e a primeira a fazer uma transmissão via satélite, sendo a rede pioneira na utilização de um canal exclusivo de satélite para suas transmissões simultâneas no Brasil, em 1982. Em 1990, quando se chamava Bandeirantes, a emissora resolveu mudar o nome para "Ban". Porém, isso não agradou o público e voltaram a se chamar Bandeirantes. Ela só começou a usar o nome "Band", que foi trazido para o vídeo vindo da Rádio Bandeirantes, na cobertura televisiva do carnaval de 1995. Na mesma ocasião, a rede foi a primeira emissora brasileira a inserir seu logotipo no canto do vídeo, a chamada marca d'água.
Ficou bastante conhecida nas décadas de 1980 e 1990 como "o canal do esporte", em razão de haver transmitido os mais variados gêneros esportivos, sob influência do locutor Luciano do Valle, sendo a primeira a transmitir a Fórmula Indy, a NBA, e os campeonatos de futebol italiano e espanhol. As coberturas jornalísticas foram outro reconhecimento da Band, na realização de debates entre candidatos políticos na televisão: foi a segunda a fazer um debate para governador de São Paulo em 1982 e em 1989 foi a primeira a realizar um debate entre os candidatos para Presidente da República.


História. Em 1945, em São Paulo, João Jorge Saad comprou a Rádio Bandeirantes de seu sogro Ademar de Barros, que o então governador de São Paulo havia comprado de seu proprietário anterior, Paulo Machado de Carvalho, dono da Rádio Record e das Emissoras Unidas. Ainda na gestão do presidente Getúlio Vargas, João Saad conseguiu a concessão de um canal de televisão na capital paulista, na década de 1950. Durante o governo Juscelino Kubitschek, a concessão chegou a ser cancelada e entregue a outro empresário. Mas Saad conseguiu, já na época do governo João Goulart, recuperar a TV.  No Morumbi, em 1961, iniciaram as obras do Edifício Radiantes – um prédio especialmente construído com a finalidade de abrigar a mais moderna televisão da América Latina, e mais tarde apelidado pelos funcionários de "palácio encantado". O prédio da emissora, primeiro no país a ser concebido para receber uma TV, levou cerca de cinco anos para ser construído. Saad adiou várias vezes o início das operações: "Não era ainda o tempo... Inaugurei a estação só em 67, fincada numa base sólida", disse. Com torre de transmissão no Pico do Jaraguá, em fevereiro de 1967 entraram no ar as imagens experimentais, com slides, filmes e documentários.
1967 a 1969

A TV Bandeirantes entrou no ar pela primeira vez no dia 13 de maio de 1967, com um discurso de seu fundador, João Jorge Saad, seguido por um show dos cantores Agostinho dos Santos e Cláudia, que abriram as transmissões. Estavam presentes o presidente Costa e Silva, o governador de São Paulo Abreu Sodré, o prefeito da cidade de São Paulo Faria Lima, além de ministros e secretários de Estado. Na frente da sede da emissora foram montados um parque infantil e um circo gratuito para famílias de menor poder aquisitivo. Durante dois dias houve gincanas e brincadeiras, com distribuição de brindes comemorativos e foram sorteadas 5 casas para mães pobres.

A Bandeirantes investiu desde o início em esporte, filmes e jornalismo. Para Saad, a programação tinha de ser "eclética". Segundo ele, não se podia "elevar muito o nível dos programas, senão não haverá audiência". Inicialmente, uma novidade foi testada na grade da programação, eliminando-se os intervalos inter-programas. 

Em 1967, dias depois da inauguração, entrava no ar a primeira novela da então TV Bandeirantes, Os Miseráveis, adaptação de Walther Negrão e Chico de Assis, com uma inovação: capítulos com duração de 45 minutos. O primeiro jornalístico da Band foi o Titulares da Notícia, um correspondente do tradicional programa da Rádio Bandeirantes. Destacaram-se nesta primeira os programas Ari Toledo Show; Leporace Show, com Vicente Leporace; Cláudia Querida, com a cantora; I Love Lúcio, espetáculo de música e humor comandado por Lúcio Mauro e Arlete Salles; Além, Muito Além do Além, teatro de terror com Zé do Caixão. Em pouco tempo a direção da emissora passou a Gilberto Martins e Antonino Seabra. Já em 1968 era exibido na emissora, às 15 horas o programa Xênia e Você, que permaneceu na emissora durante anos, e era apresentado por Xênia Bier. Também naquele ano a TV Bandeirantes exibia às 18h30 o Sítio do Picapau Amarelo de produção própria, e às 19h30 As Aventuras de Rin-tin-tin.

Em 1969 a emissora sofreu um incêndio devastador, que destruiu suas instalações. Grande parte dos seus arquivos se perderam. O slogan da época era: "A Bandeirantes não vai parar". O incêndio ocorrido nos estúdios do Morumbi fez com que se alugasse às pressas o Cine Arlequim, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, em São Paulo, que foi batizado de Teatro Bandeirantes.Toda a programação da TV Bandeirantes foi gerada a partir do Cine Arlequim, transformado rapidamente em Teatro Bandeirantes. O incêndio na Bandeirantes foi semelhante as das redes Globo, Record e Excelsior. Todos os quatros incêndios ocorreram em menos de uma semana, o que levou as autoridades a atribuírem os quatro incêndios a atos de sabotagem, sob comando único. 




Em agosto de 1982, entra no ar a novela Renúncia, baseada na obra de Chico Xavier, com Fúlvio Stefanini e Geórgia Gomide. Com o total fracasso na audiência, a emissora decide tirar a novela do ar com apenas 12 dias de exibição, aproveitando-se da entrada do horário político, que na época durava mais de uma hora. No dia 29 de setembro de 1982, comemorando o fato de se tornar a primeira rede de televisão da América do Sul a transmitir via satélite, a TV Bandeirantes mudou o logo e a programação visual, preparados por Cyro Del Nero, que vinha da recém extinta Rede Tupi. Ainda no mesmo ano, a emissora foi pioneira ao promover o primeiro debate eleitoral do país em 1982, mantendo a tradição de promover o primeiro debate eleitoral a cada dois anos, até 2000.



Luciano do Valle foi o principal locutor esportivo da Band desde a década de 80 e idealizou o Show do Esporte, um dos programas de maior sucesso da emissora.


Em 1983, entrava no ar o Show do Esporte, que foi considerado o programa de televisão mais longo do mundo, por ficar no ar 10 horas seguidas aos domingos, das 10h00 às 20h00. Criado, apresentado e coordenado pelo locutor Luciano do Valle depois de sua passagem pela Rede Record, também contava em seu elenco com Elia Júnior, Juarez Soares, Elys Marina, Silvia Vinhas, José Luiz Datena, Jota Júnior e outros. Foi um dos programas de maior sucesso da emissora, e um dos fatores que a fizeram ganhar a alcunha de "canal do esporte" nos anos 90. O programa ficou no ar até 11 de abril de 2004. Os finais de noite passaram a ser preenchidos pelo Programa Ferreira Neto, um bate-papo com políticos. Ele sempre iniciava o programa conversando, por um telefone vermelho, com um fictício amigo chamado Léo, usando esse artifício para comentar os fatos do dia.

A partir de 1 de janeiro de 2003, a Band passou a vender a faixa das 20h30 às 21h15 para o missionário R. R. Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus. Com isso, o Sobcontrole, de Marcos Mion, iria perder 15 minutos, entrando no ar às 21h15. A venda da grade para o Show da Fé causou descontentamento entre as afiliadas da Band, alegando que programas religiosos derrubam a audiência e o faturamento regional. 

A Band comemorou 40 anos de existência no dia 13 de maio de 2007. No entanto, os dirigentes da emissora preferiram comemorar o aniversário de 70 anos do Grupo Bandeirantes de Comunicação, que se deram a partir da criação da Rádio Bandeirantes. Diversas renovações foram feitas na emissora: em fevereiro, substituindo o já desgastado Esporte Total, estreou o programa esportivo Jogo Aberto comandado por Renata Fan, uma das atrações do retorno do futebol à emissora (vieram junto o Band Esporte Clube, Por Dentro da Bola e Bola no Chão). Em abril, estreou o programa musical Terra Nativa comandado pela dupla Guilherme e Santiago. 


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TV GAZETA





TV Gazeta , emissora de televisão brasileira sediada na cidade de São Paulo. foi inaugurada em 25 de janeiro de 1970.  Pertence à Fundação Cásper Líbero, uma instituição sem fins lucrativos que também administra a Gazeta FM, os portais Gazeta Esportiva e Gazeta Press, além da Faculdade Cásper Líbero.

Grandes nomes da televisão brasileira passaram pela Gazeta, tais como: Ângela Rodrigues Alves, Ione Borges, Claudete Troiano, Fausto Silva, Serginho Groisman, Astrid Fontenelle, Galvão Bueno, o eterno Fofão Orival Pessini, Mariane Dombrova, Sérgio Mallandro, Joelmir Beting, o ex Palhaço-Bozo Wandeko Pipoka, a ex-Vovó Mafalda Valentino Guzzo, a dupla de palhaços Atchim & Espirro, o palhaço Tic-Tac, a dupla de palhaços Patati Patatá, Zig Zag e Zazá, Catia Fonseca, Heródoto Barbeiro, Cléber Machado, Luís Roberto, Tiago Leifert, Mariana Godoy, Fernando Meirelles, Marcelo Tas, Ratinho, Luiz Carlos Alborghetti, Ronnie Von e muitos outros.

A história da TV Gazeta confunde-se com a história da televisão no Brasil. Projetada desde a década de 50, teve suas instalações superdimensionadas. Em 15 de janeiro de 1952, por decreto assinado pelo presidente Getúlio Vargas, o canal 2 de São Paulo foi concedido à Fundação Cásper Líbero. Devido à demora da inauguração por questões técnicas, a Fundação Cásper Líbero perdeu a concessão do canal 2, passada para as mãos de Assis Chateaubriand, que um ano depois inaugurou a TV Cultura. E foi dada a concessão do canal 11 para a TV Gazeta. Em 1961, o último ato do governo de Juscelino Kubitschek foi tirar da Fundação o canal e passar à TV Continental do Rio de Janeiro. Um dia depois, com a posse de Jânio Quadros e por pressão da Fundação, a concessão voltou às mãos de quem era de direito.

Inauguração. No dia 23 de junho de 1969 era o prazo final para instalação do sétimo e último canal VHF de São Paulo. Às 17h45, a torre de 116m, no espigão da Paulista, transmitiu seus primeiros sinais e a TV Gazeta foi ao ar experimentalmente. A primeira imagem foi da avenida Paulista ao som de Sá Marina, de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, na voz de Wilson Simonal. A TV Gazeta foi inaugurada no dia 25 de janeiro de 1970, aniversário de 416 anos da cidade de São Paulo, com imagens ao vivo da Avenida Paulista e um texto comemorativo, evocando Cásper Líbero, o patrono da emissora. A primeira emissora montada com equipamento para transmissão em cores, teve a primeira unidade para transmissão externa colorida do país.

Foi a primeira emissora a trabalhar com o equipamento de chroma key e implantou no Brasil a câmera lenta e antecipou tendências ao ter produzido e gerado a primeira corrida de Fórmula 1 no país (retransmitida em parceria com a Rede Globo).


SEDES E ENDEREÇOS

O Edifício Gazeta é o maior patrimônio físico da Fundação Cásper Líbero. Localizado na Avenida Paulista, 900, o edifício possui 14 andares, 68.000 m2 de área construída, que abrigam todas as unidades de negócio da Fundação. No prédio circulam em média 20 mil pessoas por dia. Na base estão dois símbolos: o painel frontispício “Gazeta”, de concreto, e a famosa escadaria, com seus 32 degraus. No alto estão presentes dois símbolos da entidade: a torre da TV Gazeta e Rádio Gazeta FM, com 85 metros, e a sirene – símbolo do jornal “A Gazeta” e da memória de Cásper Líbero, que é ouvida diariamente por todos, ao meio dia, no coração da Avenida Paulista. O Edifício Gazeta é a quinta sede do grupo, desde a criação de “A Gazeta”, em 1906. Conheça um pouco sobre as antigas sedes (duas delas já não existem mais).
 
Primeiro endereço. Sede de “A Gazeta”
Período de utilização: 1906-1917
Logradouro original: Rua Quinze de Novembro, 33
Atual: Rua Quinze de Novembro, 250
 
Proprietários de “A Gazeta” no período:
Adolfo Campos Araújo de Araújo (1906-1914)
Branca Araújo (viúva) e Clibas, Hersio e Dione (filhos) – gestor: José Pedro de Araújo (seu irmão, provisoriamente) (1915), João Dente (1915-1916), Antônio Augusto Covello (1916-1917)

História: Além de inaugurar no imóvel “A Gazeta”, em 16 de maio de 1906, Adolfo Araújo possuía o jornal literário “A Vida de Hoje”, que funcionava, à época, na Rua Direita, nº 9.
Com sua morte, em 07 de dezembro de 1915, sua viúva, Dona Branca pede ajuda para o cunhado e irmão do fundador de “A Gazeta”, o médico José Pedro de Araújo. Ele administra provisoriamente a publicação e o imóvel, até que consegue vender os bens de Adolfo Araújo para o advogado Dr. João Dente, em 1915, que depois de tentativas percebe após dois anos, que não tem vocação para o jornalismo. Assim, Dente se desfaz do jornal, vendendo-o também a outro advogado, Antônio Augusto Covello. Por sua vez, o Dr. Covello permanece no imóvel entre 1916 e 1917, transferindo-se para a Rua Líbero Badaró, no Edifício Maurice Levy. Dr. Covello permanece no comando de “A Gazeta” até 1918, quando vende a empresa jornalística para Cásper Líbero. Nesta época o jornal o papel próprio para impressão do jornal “A Gazeta” era fornecido à Adolfo Araújo pela Casa Vanorden, localizada na Rua do Rosário (atual Rua João Brícola).

Segundo endereço. Edifício Maurice Levy
Período de utilização: 1917-1928
Logradouro original: Rua Líbero Badaró, 15-17
Atual: Rua Líbero Badaró, 624 / 628 (ainda existente)
Proprietários de “A Gazeta” no período: Antônio Augusto Covello (1917-1918) e Cásper Líbero (1918-1928)
 
História: Antônio Augusto Covello transferiu “A Gazeta”, em 1917, da Rua da XV de Novembro para a Rua Líbero Badaró, negociando o aluguel do imóvel com o Comendador Maurice Levy, cujo nome batiza o prédio de três andares (térreo, o primeiro e o segundo). Cásper Líbero passou a trabalhar na redação do jornal, que Dr. Covello, também advogado, resolveu vender. Primeiro é oferecido para Miguel Arco e Flexa, que não aceita e indica o nome do jornalista Cásper Líbero, que aceita a proposta de comprar a publicação e torna-se dono de “A Gazeta” em 1918. Em menos de cinco anos, Cásper Líbero negociou com o Comendador Maurice Levy a ampliação do prédio, um andar para cima, como está até os dias atuais. Foi construído no tempo recorde de uma semana. Assistem a inauguração do prédio, uma semana após o início das obras, Cásper Líbero, Miguel Arco e Flexa, Couto de Magalhães.
Atualmente funciona o Restaurante “Recanto da Líbero”, no 1º andar, com entrada pela escadaria do nº 624  e estacionamento no nº 628.


Terceiro endereço. Nome: Edifício Médici
Período de utilização: 1928-1939
Logradouro original: Rua Líbero Badaró, 4-4A
Atual: Rua Líbero Badaró, 651 (após obras pós-empastelamento, possuiu duas entradas: 645 e 651), tendo hoje no endereço edifício comercial no terreno entre os números 633 e 641.
 
Proprietários de “A Gazeta” no período: Cásper Líbero (1928-1939)

História: Antes de ser sede de “A Gazeta” este sobrado, de três andares acima do nível da rua e três pavimentos do subsolo, foi um hotel e pertencia ao Comendador Médici, com quem Cásper Líbero negociou a ida do jornal para lá. Entre 1930 e 1934, após o empastelamento da redação de “A Gazeta” em 24 de outubro de 1930, o jornal funcionou provisoriamente na sede do Correio Paulistano (daquele dia 24, da “Outubrada”, até 17 de novembro de 1930, a sede provisório foi o “Edifício João Brícola, na esquina da Rua João Brícola com a Rua XV de Novembro, em frente da Praça Antônio Prado).
Por razão do empastelamento da sede do jornal, Cásper Líbero recebeu do Governo Federal indenização em 1934, que possibilitou a construção do Palácio da Imprensa, inaugurado em 1939.
O Edifício Médici foi demolido e hoje está o prédio comercial da Atento, respeitada empresa de call-center, no Edifício Badaró (nº 633 e 641).  Antes foi construído para ser sede do Bank Boston (com 19.072 m² de área construída), que funcionou por vários anos no local.

Quarto endereço. Nome: Palácio da Imprensa (Edifício Gazeta)
Período de utilização: 1939-1966
Logradouro original: Rua da Conceição, 06 (a partir de 1943, Av. Cásper Líbero, 88)
Atual: Av. Cásper Líbero, 88
Projeto (Auditório): Martins Fontes e Eurico José.
Empresas responsáveis: Escritório Técnico Ramos de Azevedo – Engenheiros-Arquitetos Construtores Severo & Villares
Proprietários de “A Gazeta” no período:Cásper Líbero (1939-1943). Fundação Cásper Líbero (1944-1966)

História:Em 03 de novembro de 1939 aconteceu uma solene inauguração deste edifício próprio de “A Gazeta”, com a benção do Arcebispo de São Paulo, Dom José Gaspar de Affonseca e Silva. Discursam na data José Maria Lisboa (diretor do Diário Popular e presidente da API – Associação Paulista de Imprensa), João Neves da Fontoura (jornalista, parlamentar e membro da ABL – Academia Brasileira de Letras) e o próprio Cásper Líbero. Breves palavras são proferidas também por personalidades da época:  Assis Chateaubriand, Stefan Zweig, Henri Torrés, Tristão de Ataíde, Viana Mog, José Mariano Filho, João Neves de Fontoura (já citado), Olegário Mariano, Maurício de Medeiros, Altino Arantes, Filgueiras Lima, Coronel Onofre Muniz Gomes de Lima, Luiz Edmundo, Lopes Cansado, Coronel Ayrton Lobo, Coronel Jonas Correia, J. Maciel Filho, Alcântara Machado, Padre Arias Cruz, Manoel Oliveira Franco Sobrinho, Costa Rego, Afonso Arinos de Melo Franco e outros: escritores, críticos, romancistas, teólogos, economistas, historiadores, militares, jurisconsultos, artistas, etc. É realizado também concerto de Madalena Tagliaferro, interpretando Beethoven e Chopin, que também realiza Curso de Interpretação Pianística, assim como o Maestro Heitor Villa-Lobos, que proferiu palestra também, e curso sobre Psicologia Experimental do Padre dominicano Marcel Marie Desmarais. O Palácio da Imprensa foi o primeiro prédio projetado e construído propriamente para um veículo de comunicação no país.

Desde o final da década de 1960, o imóvel deixou de pertencer à Fundação Cásper Líbero, sendo sua primeira sede desde 1944, quando os bens de “A Gazeta” e de Cásper Líbero foram transformados em Fundação a partir do que foi descrito pelo jornalista em seu testamento (Cásper Líbero faleceu em 1943). O imóvel foi adquirido em 2007 pela Justiça Militar da União, em São Paulo, passando por uma grande obra que restaurou a fachada e alguns ambientes, além de adequar às atividades da instituição. As obras duraram de dezembro de 2008 a maio de 2010, sendo o prédio reinaugurado com grande evento no dia 17 de junho de 2010.

Foi preservada e restaurada a pintura circular de cerca de oito metros de comprimento, de autoria do artista italiano Fulvio Pennachi. O afresco, de 1969, conta a história da imprensa (começando com Johannes Guttenberg, pai da imprensa mundial, em 1442, em Mainz, na Alemanha) e está localizado no alto do pequeno hall de entrada (onde está a portaria e os elevadores do prédio). Pennachi fez o afresco a pedido de Cásper Líbero, para enaltecer mais ainda a importância do Palácio da Imprensa.
Conforme Miguel Arco e Flexa, no livro “48 Anos de A Gazeta”, o imóvel era chamado de Edifício Gazeta (como o da Av. Paulista, 900) e também de Palácio da Imprensa (por ser o primeiro destinado à comunicação no país). Era apelidado, antes e depois da morte do jornalista proprietário, como “Casa de Cásper Líbero” (apelido cujo Edifício Gazeta na Avenida Paulista também ganhou em seu princípio).

Quinto endereço.Nome: Edifício Gazeta
Período de utilização: 1966-Atualidade
Logradouro original: Av. Paulista, 900-910
Atual: Av. Paulista, 900
Projeto (Auditório): Celso José Maria Ribeiro – “Uma Luz Sobre São Paulo”
Empresas responsáveis: Figueiredo Ferraz Consultoria e Engenharia de Projeto S.A.
Proprietários de “A Gazeta” no período:
Fundação Cásper Líbero (1966-Atualidade)

A Fundação viu a necessidade de expandir suas instalações e centralizar suas empresas em um só lugar. Pensou-se em algo simbólico que enaltecesse mais ainda os ideais do fundador. Surgiu assim a ideia de criarem a Casa de Cásper Líbero em plena Avenida Paulista, endereço símbolo da cidade.
A ideia não era simples. Era um projeto arrojado. O sonho de criar um grande centro cultural, instalado no maior prédio do mundo, transformar-se-ia na maior construção em concreto armado.
As obras começaram em 1958.  O projeto foi concebido pelo renomado engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz. Futuro prefeito de São Paulo, foi construtor de obras históricas como o vão livre do Masp – Museu de Arte de São Paulo, o Metrô de São Paulo, o Planetário do Ibirapuera, a cúpula e as torres da Catedral da Sé e o Paço Municipal. O engenheiro Ary de Albuquerque (contratado pela Fundação) ficou responsável pela obra.

O projeto ganhou um nome-slogan: Uma luz sobre São Paulo.
 
Voltando à construção, o local escolhido na Avenida Paulista era a área central da quadra entre a Alameda Joaquim Eugênio de Lima e a Alameda Campinas, com fundos para a Rua São Carlos do Pinhal.

Paulo Santos Mattos, jornalista de A Gazeta, escreveu em matéria do dia 16 de maio de 1966:
“Pareciam obras de monumental represa. Obra faraônica. Ritmo de trabalho e entusiasmo como vimos em Brasília. Era uma nova Babel sendo levantada, com uma diferença fundamental: só os que nela não criam, ou por ela não trabalhavam, falavam línguas diferentes. Os demais integrados no idealismo sacrossanto de criar, crescer e subir, se identificavam e se entendiam perfeitamente, na linguagem positiva de mexa-se. Agora está pronta a mágica. Do vazio do buraco surgiu um monumento de aço e pedra que inscreverá com letras de ouro, nos anais da civilização e da cultura, um novo marco de vista, de fé, realização e coragem”.

Quando foi publicada essa matéria especial, dois terços da obra já estavam construídos (82 metros de altura sobre a Paulista). O edifício gradativamente começou a ser utilizado oficialmente no primeiro semestre de 1966 (alguns departamentos já estavam no edifício no início da década, como a administração, que se instalou em 1961). Aos poucos, todos se mudaram do Palácio da Imprensa para nova “Casa de Cásper Líbero”. Em 21 de maio, o Cine Gazeta foi inaugurado com o filme “Ontem, Hoje e Amanhã” (com Sophia Loren e Marcelo Mastroianni); ainda no mês de maio começou a construção da torre da futura TV Gazeta. Em 30 de junho ocorreu a transferência geral para o novo edifício, esvaziando-se a antiga sede na Avenida Cásper Líbero.

Uma amostra da importância que a obra teve para o campo da engenharia é a de que, em 20 de junho de 1966, o Edifício Gazeta foi escolhido para realizar a cerimônia de abertura da IX Jornada Sul-Americana de Engenharia Estrutural em suas dependências. Durante uma semana, o edifício foi percorrido por cerca de 150 técnicos de 40 países sul-americanos, além de engenheiros brasileiros de todos os estados.

Era um projeto ambicioso. A fachada já impressionava a quem passasse. Foi construída uma grande escadaria no número 900 da Avenida Paulista. Também um mural, com 45 graus de inclinação, com a pintura de uma enorme bandeira do estado de São Paulo (o painel foi substituído pelo mosaico de concreto, com múltiplos logotipos da “Gazeta” em 18 de dezembro de 1978, o que deu à Avenida Paulista um novo símbolo; após reformas iniciadas no primeiro semestre desse ano, foi inaugurado com festa o painel Gazeta, no frontispício do Edifício Gazeta, do artista Fernando Cerqueira Lemos).
Por serem mais largas as calçadas da Paulista havia ainda um pequeno jardim com 30 mastros em que se penduravam flâmulas das cores preta, branca e vermelha. E ainda um toque de modernismo no toldo sob a escadaria: uma verdadeira treliça de ferro e cimento armado, com uma leve inclinação para o alto. As colunas da escadaria eram arredondadas. Com as modificações no projeto, o moderno toldo foi substituído por um convencional e retangular e as pilastras ficaram mais grossas, com ângulos retos.
Em 21 de abril de 1983, numa parceria com a Rede Globo, foi construída a torre da TV Gazeta – com a antena das duas emissoras. Foi a primeira torre iluminada de São Paulo e, consequentemente, a primeira na Avenida Paulista.


TRAJETÓRIA E FASES MARCANTES DA PROGRAMAÇÃO



DÉCADA DE 1970

Antena de transmissão da emissora, no topo do Edifício Gazeta, em São Paulo.
A Gazeta alimentou o sonho de tornar-se rede em meados da década de 1970, quando o mercado começava a se modificar. Tupi e Record estavam decadentes, a Bandeirantes pensava na possibilidade de se tornar rede, enquanto a Globo sempre disputava a audiência.

Havia a possibilidade de surgimento da Rede Jornal do Brasil, mas isso não preocupava muito a Gazeta, que chegou a colocar programação em emissoras da região norte do país, em boa parte do Estado de São Paulo, e dava como certa a concessão do canal 11 do Rio de Janeiro. Só que a história não foi bem assim. Em 1976, o comunicador e apresentador Sílvio Santos ganhou a concessão do canal carioca que era da TVS (TV Studios Silvio Santos de Cinema e Televisão Ltda), (que mais tarde se tornou a pedra fundamental do futuro SBT), e a Bandeirantes fez propostas melhores e levou para sua rede as emissoras que a Gazeta havia afiliado na região amazônica. Com o tempo, os equipamentos da emissora começaram a ser sucateados, não havia caixa suficiente para reaparelhamento, muitos profissionais começaram a mudar de estação, o público passou a assistir cada vez menos à programação e a Gazeta entrou numa fase de ostracismo, que iria durar até meados da década de 1980. Muita gente até ignorava que o canal 11 de São Paulo estivesse no ar.

Mas é importante lembrar de um fato inesquecível da TV Gazeta do ano de 1973: havia sido feito um acordo entre o Governo Federal da Argentina, sob o comando de Perón, e o Governo do Brasil estabelecendo que os técnicos da televisão brasileira iriam implantar a televisão em cores na Argentina, fazendo com que, na primeira transmissão colorida, a operação estivesse sob os nossos cuidados. Foi a festa da OTI (no Teatro Colón, de Buenos Aires). O Governo Brasileiro designou a equipe da TV Gazeta, canal 11 de São Paulo, para este feito. A Rede Tupi exibiu simultaneamente o fato - mesmo sendo este totalmente organizado pela Gazeta - com flashes especiais dos ensaios e do espetáculo durante a transmissão direto da Argentina para o Brasil via satélite. E um momento emocionante deste dia foi quando a equipe da Gazeta deu licença para que os profissionais locais encerrassem aquela primeira transmissão à moda argentina. Muitos argentinos abraçaram os técnicos argentinos e brasileiros e um choro constante rolando direto entre todos os operadores, movidos pela emoção.

No ano de 1978, a Gazeta estreou o programa nipo-brasileiro Programa Nelson Matsuda, uma produção independente, do Japan Pop Show Empreendimentos ou N.Matsuda TV Produções Ltda. Era exibido ao vivo do Teatro Cásper Líbero no 3º andar do prédio da Gazeta. Era apresentado pelo próprio apresentador, Nelson Matsuda. Foi o primeiro programa de variedades nipo-brasileiro, com auditório, inaugurando, assim, a linha de shows da Gazeta, feito de manhã, de tarde ou de noite. Ainda no ano de 1978 ou no ano de 1979, a Gazeta estreou o programa nipo-brasileiro Imagens do Japão, uma produção independente, do Imagens do Japão TV e Jornalismo Ltda, Imagens do Japão TV Programações Ltda e M.Okuhara TV Produções Ltda. Era exibido ao vivo do Teatro Cásper Líbero, que fica no terceiro andar do prédio da Gazeta. Era apresentado por Rosa Miyake, Mário Okuhara, Ênio Santos, Humberto Marçal e Alberto Murata. O programa misturava informação, cultura e entretenimento. Tinha acontecimentos do Japão, Miss-Nikkey, Concurso de Calouros, Musicais Com Brasileiros e Japoneses e etc. Em 1978 a rede chegou a começar á gravar uma telenovela chamada Zulmira, na tentativa de apostar no gênero. Entretanto a telenovela foi censurada antes de estrear devido á aparição de uma privada em uma cena.

DÉCADA DE 1980. Em 22 de setembro de 1980, O Clarisse Amaral em Desfile se transformou em Mulheres. Inicialmente, o programa tinha apresentação de Ângela Rodrigues Alves e Ione Borges. Depois, o Brasil inteiro começou a conhecer a dupla de "parceirinhas", Ione Borges e Claudete Troiano.

Em 1982, o repórter e colunista Amaury Jr. estreou na emissora, entrevistando famosos e celebridades em São Paulo e outras cidades brasileiras no programa Flash. O sucesso do programa é tanto, que outras redes disputam a nova revelação da Gazeta, até que a Rede Bandeirantes negocia com salário maior do que Amaury ganhava na Gazeta e ele sai da emissora em 1986.

Em 1983, para piorar a situação da TV Gazeta, uma competidora de peso entra na briga: a Rede Manchete, canal 9, que apesar de não ser tão grande quanto as demais, tinha recursos de sobra, ao contrário da Gazeta. Portanto, parecia fadada novamente a cair no esquecimento. A TV Gazeta, junto com a TV Globo, ergueu e inaugurou no dia 21 de abril, a Torre Cásper Líbero, na Avenida Paulista, 900, 13º andar, Bela Vista em São Paulo. Ainda em 1983, A TV Gazeta projetou um programa que pudesse levar o mundo circense brasileiro a televisão. Assim, Wandeko Pipoca criou, apresentou, comandou e idealizou o infantil A Turma da Pipoca. Também em 1983, a futura dupla de palhaços Atchim & Espirro, protagonizados pelos artistas Eduardo dos Reis e Carlos Alberto de Oliveira, estiveram nos quadros humorísticos do programa infantil A Turma da Pipoca, criado, apresentado, comandado e idealizado por Wandeko Pipoka. Eduardo dos Reis já tinha nome artístico: o palhaço Atchim. Carlos Alberto de Oliveira, o palhaço Espirro, com seu filho, Carlos Júnior, tinham outro nome: Janela e Janelinha. Depois, só ficou Atchim e Janela. Janela, o personagem de Carlos foi rebatizado de Espirro. A dupla passou a se chamar Atchim & Espirro. Porém, Wandeko Pipoka se desentendeu com a direção da Gazeta e saiu da emissora. Depois, a direção entregou a dupla a continuação do programa A Turma do Pipoca em 1985, nascendo assim, o Brincando na Paulista. A dupla Atchim & Espirro estrearam na grade animando o infantil Brincando na Paulista. O programa esteve no ar de 1985 até 1988. O programa mesclava desenhos animados da Hanna-Barbera, músicas, sorteios, brincadeiras, musicais, esquetes de humor e atrações para crianças.

Entre 1984 e 1985, a emissora faz uma parceria com o Grupo Abril, que resolvera entrar no mercado de televisão. Já que o governo não dava uma concessão à editora, a Abril Vídeo surgiu comprando praticamente todo o espaço noturno da Gazeta, que, apresentando programas de qualidade, passou a ser novamente assistida. Mesmo depois da saída da Abril, a Gazeta continuou tendo uma audiência razoável, mas a manutenção de uma programação realmente competitiva, no molde das demais redes, era arriscada e inviável. Fausto Silva estreia o seu Perdidos na Noite. Com a estreia do Imagens do Japão em 1978 ou em 1979, a atração de Nelson perdeu um pouco da importância na Gazeta e acabou saindo do ar em 1984.

Um acontecimento histórico ocorre na emissora: uma equipe de jovens profissionais chegara ao departamento de programação da emissora e implantara uma linha de programas que poderia ser considerada suicida. Era o nascimento de algo chamado TV Mix, um embrião do que seria a MTV Brasil. Um programa feito praticamente no improviso, que começava as oito da manhã e ia ao vivo até o meio-dia, de segunda a sexta-feira, apresentando sem recursos e sem compromisso. E esse programa pegou. No comando, entre vários apresentadores, uma descontraída Astrid Fontenelle. Depois, muitos vieram se juntando, como Paula Dip, Sérgio Groisman, Patrícia Pillar, Emílio Surita, entre outros. A Gazeta começava a virar referência na manhã paulistana. Era uma tremenda alternativa aos programas infantis e femininos que compunham a grade de outros canais. E melhor ainda: a audiência era formada por telespectadores de diversas faixas etárias.

Em 1988, a Gazeta estreou o novo formato do Programa Nelson Matsuda, agora sob o nome de Japan Pop Show. O Japan Pop Show era feito nos mesmos moldes do Imagens do Japão. Foi um programa de auditório num formato de shows de variedades e musicais, exibido ao vivo, direto do Teatro Cásper Líbero no 3º Andar do prédio da Gazeta. O Japan Pop Show era uma produção independente, do Japan Pop Show Empreendimentos ou da N.Matsuda TV Produções Ltda. Era apresentado pelo Casal Nelson Matsuda e Suzana Matsuda, até 1992 ou até 1994, quando o programa voltou a Rede Bandeirantes.

DÉCADA DE 1990. Em 1990, devido a mudanças internas, o projeto "televisão desindexada", como foi chamado, acabou sendo desativado, e a TV Gazeta começou a decair, com uma programação mais morna, calcada, sobretudo, em filmes que eram recomprados diretamente da Rede Globo, exibidos no Cine Gazeta de segunda a sábado 21h30, e os desenhos animados no programa Gazetinha de segunda a sábado 20h00 até 21h30, com alguns desenhos recomprados do SBT e da própria Globo, quando essa não tinha mais lugar para exibi-los. A emissora parecia condenada a ficar transmitindo apenas para São Paulo, sem muitas perspectivas de crescimento.

No início da década de 1990, ocorre nova fase de mudança da emissora, onde começou a parceria entre a Rede OM (Organizações Martinez) e a TV Gazeta de São Paulo. A reviravolta ocorreu precisamente no início de 1992, quando a TV Paraná (em Curitiba) e a TV Tropical (em Londrina) resolveram romper contrato com Rede Bandeirantes, que estava em fase de rápida expansão, e assim fundava-se a Rede OM. Conquistando afiliadas em todo o país (com as graças do então presidente Collor, de quem o dono da rede era correligionário), a OM logo começou a convencer a Gazeta com a possibilidade de afiliação, o que acabou sendo muito bem aceito a princípio.

Foram tempos de crescimento rápido; a nova rede tinha Galvão Bueno em seu quadro de funcionários e era a grande promessa para a década, com filmes, programas de auditório, jornalismo e esportes, como na transmissão da Copa Libertadores da América de 1992, quando o canal foi líder de audiência na transmissão da final entre São Paulo x Newell's Old Boys. No meio do ano, todos apostavam que a TV Gazeta seria para os anos 90 o que o SBT fora para os anos 80. No entanto, Collor foi acusado de corrupção e sofreu impeachment.

Em 1993, a Rede OM vira a CNT e nunca mais cresceu como antes pois a Rede Record voltou a crescer e acabou levando boa parte de suas afiliadas. Seguiu-se o período de operação conjunta com a CNT. Durante a década, reconhecia-se que boa parte dos programas que eram feitos na emissora paulista e transmitidos em rede, eram responsáveis pelas maiores audiências e, consequentemente, pelos maiores faturamentos. A TV Gazeta percebeu que podia andar sozinha e voltar a crescer.

O Programa Japan Pop Show sai do ar na TV Gazeta e volta à Rede Bandeirantes. A TV Gazeta ainda levou outro desfalque, perdendo a concessão do canal 12 de Santos, emissora no litoral paulista que tentara fazer funcionar por duas vezes. A concessão, da década de 1970, acabara caducando.

Em 1996, a TV Gazeta passou a chamar-se CNT Gazeta. Nessa década, a CNT e a Gazeta chegam a exibir em todo o Brasil novelas estrangeiras, programas de audiências - como os populares programas policiais Cadeia e 190 Urgente, os infantis Hugo Game, Tudo por Brinquedo, com Mariane Dombrova e TV Fofão, com Orival Pessini, além dos desenhos da Hanna Barbera, o esportivo, Mesa Redonda, o de variedades, Mulheres, com forte presença também no jornalismo e nos esportes.


DÉCADA DE 2000.A parceria entre a CNT e Gazeta é desfeita em junho de 2000,[9][10] quando a Gazeta não renova o contrato, deixando a Grande São Paulo e diversos municípios sem o sinal da CNT até 2001. Com isso, a TV Gazeta iniciou seu processo de rede, com a implantação de repetidoras no interior de São Paulo e em outros estados. Até 2000, a TV Gazeta deixou de exibir os filmes, novelas, seriados e desenhos animados que eram exibidos na época da parceria da CNT. Por outro lado, programas como Mesa Redonda, Mulheres e outros responsáveis pelo faturamento de audiência da dupla emissora, permaneceram na Gazeta.

Em 16 de julho de 2001, a TV Gazeta e o jornal Gazeta Mercantil se unem para criar o novo telejornalismo da emissora, que agora, além dos esportivos e o Em Questão (com Maria Lydia Flândoli), incorporam a grade de programação os jornais Primeira Página, Mercado e Jornal da Gazeta, que inaugurou com sucesso o jornalismo naquele dia. Foram reformulados todos os programas jornalísticos da emissora, até mesmo o Gazeta Esportiva. O Jornal da Gazeta estreou com cobertura direta da capital argentina de Buenos Aires, já que naquele momento estava acontecendo o ápice da Crise econômica argentina. Assim, Carlos Alberto Sardenberg, Gustavo Camargo e Camila Teich comandaram a primeira edição do Jornal da Gazeta, tendo Maria Lídia como convidada. Assim, as duas faces da TV Gazeta, a nova e a antiga, se encontram para reabrir o telejornalismo informativo da emissora, sob a direção do ex-diretor do TJ Brasil, Albino Castro.

No primeiro semestre de 2001, o entretenimento da emissora também sofreu alterações: o programa musical Clipper entrava no ar e assumiram o programa Mulheres os apresentadores Clodovil e Christina Rocha.

Mulheres é o programa mais tradicional da TV Gazeta junto com Em Questão e Mesa Redonda. Mulheres começou com Clarisse Amaral sob o nome de Programa Clarisse Amaral. Com a entrada da responsável pelo setor de moda das lojas Mappin, Ione Borges ao lado de Clarisse, o programa passa a se chamar Clarisse Amaral em Desfile. Com a saída da apresentadora, o programa continua com Ione, agora ao lado da locutora de rádio Claudete Troiano, dando início às "parceirinhas" do programa Mulheres em Desfile. Com a separação da dupla no final da década de 90, Claudete muda de emissora e Ione em 2001 apresenta o programa Pra Você" e Ione (sendo que na época do início de Pra Você, Ione faz este programa enquanto Mulheres fica a cargo só de Claudete). Claudete Troiano apresentou Note e Anote, na Rede Record, e Ione Borges apenas seu programa de auditório homônimo. A partir de então, Márcia Goldschmidt e Leão Lobo substituíram Claudete e o programa teve continuidade. Com o passar dos anos, sua programação foi sendo reformulada, adaptando-se às exigências do público e anunciantes, para atender à dinâmica da televisão moderna. Mas com o fim da parceria com a CNT, parte da programação começou a ser preenchida pelos chamados informerciais.

Desde 2006, a emissora paulista busca retomar sua grade de programação, com programas jornalísticos, de entretenimento e comercias. O primeiro passo foi a estreia, no mês de dezembro, do BestShop TV, programa de televendas que teve como principais apresentadores Viviane Romanelli, Fernando Fernandez, Carol Minhoto, Pâmela Domingues, Claudia Pacheco, Thiago Oliveira, Paloma Silva, Regiane Tápias. Em 2007, dois outros programas, de produção própria, estrearam: Super Ofertas (que traz espaço para pequenos e médios anunciantes) e Papo de Amigos, sob o comando de Amanda Françozo.

Em 2009, a apresentadora Claudete Troiano retorna a emissora que a revelou depois de mais de 10 anos apresentando programas em emissoras como Rede Manchete, Rede Record e SBT. Ela comandou ao lado de Ione Borges o Manhã Gazeta, uma revista eletrônica matinal. Inicialmente, o programa era dividido em duas partes, Claudete apresentava uma e Ione a outra. Com a saída de Ione Borges, a emissora escalou Olga Bongiovani em seu lugar que ficou por pouco tempo. Desde então, Claudete apresentou o Manhã Gazeta sozinha.

DÉCADA DE 2010

Com o desejo de aumentar a sua grade, a Gazeta põe fim ao programa de televendas BestShopTV, onde o elenco do programa é aproveitado em novas produções da casa. Após 8 anos sem grandes estréias, a emissora lança em junho de 2010, o Super Esporte, apresentado por Thiago Oliveira na faixa das 22h00, já no mês de outubro de 2010, a emissora abre espaço para a estréia de mais três femininos: Você Bonita de segunda à sexta às 8h30 com Carol Minhoto, Falando sobre sexo nas madrugadas de sexta para sábado com a psicóloga Carla Cecarello e nas manhãs de sábado o Mix Mulher, com Regiane Tápias.

Em 2010, em comemorações aos 40 anos da TV Gazeta, a emissora exibe especiais que falam da trajetória do canal. O Jornalista Elmo Francfort lançou o livro "Av. Paulista 900 - A História da TV Gazeta", mesmo autor que escreveu o livro sobre a Rede Manchete. Outro fato que causou repercussão, foi a polêmica saída de Palmirinha Onofre da Gazeta, a culinarista que apresentou por anos o TV Culinária ficou famosa pelas cenas hilárias que foram exibidas no quadro Top Five do Custe o Que Custar (CQC) da Rede Bandeirantes. O TV Culinária foi reformulado e ganhou a apresentação de Viviane Romanelli.

Em 2011, a apresentadora Luisa Mell voltou à TV com o programa Estação Pet, que saiu do ar devido ao pouco retorno financeiro do programa, no mesmo período o TV Culinária também sai do ar devido a pouca aceitação da nova apresentadora pelo público.[13] No seu lugar a emissora colocou o Delícias do Chef com o Chef Allan Villa Espejo, que até então era apenas um quadro do Manhã Gazeta. Em fevereiro de 2011, o diretor Márcio Tavolari é contratado pela emissora para reformular artisticamente o programa Todo Seu, primeiro programa da TV Gazeta a estrear com transmissão em HD na comemoração das 1.500 edições da atração noturna comandada por Ronnie Von. O Todo Seu torna-se a primeira revista eletrônica diária HD da televisão brasileira em horário nobre, com novos quadros e estética mais requintada. Ronnie Von volta a ser notícia na mídia com elogios da crítica especializada e o programa alcança prestígio junto ao meio artístico e público.

Depois de mais de 20 anos na Gazeta, a jornalista Maria Lydia Flândoli é demitida sem muitas explicações. O Em Questão saiu do ar e o Jornal da Gazeta foi reformulado colocando a dupla Stella Gontijo e Gabriel Cruz. Pouco tempo depois, Maria Lydia volta ao telejornal, realizando entrevistas.
No mesmo ano, a Gazeta investe na reprise de alguns de seus programas durante as madrugadas . Foram reprisados os programas Todo Seu, Jornal da Gazeta, Estação Pet e Vambora (quadro do programa Mulheres)

No início de 2012, o TV Culinária volta, dessa vez com Regiane Tápias no comando e os programas Os Impedidos (humorístico exibido nas noites de domingo, antes do Mesa Redonda), Hoje Tem (programa de eventos culturais exibido às quintas-feiras, apresentado por Pâmela Domingues) e A Máquina (programa de entrevistas comandado por Fabrício Carpinejar, exibido nas noites de terça-feira) estreiam.

No mês de abril, a apresentadora Claudete Troiano sai da Gazeta, no lugar do Manhã Gazeta estreia o Revista da Cidade com Regiane Tápias, sendo que o quadro Ateliê na TV desmembrado do programa, se tornando um programa. No mesmo período, o Super Esporte muda de horário, indo para a faixa das 12:00, o Você Bonita passa a ser exibido em seguida. E estreia o Jornal da Gazeta - Edição das 10, um jornalístico exibido às 22h com trinta minutos de duração. Com o fim da parceria com o Best Shop TV, os programas Gazeta Imóveis, Gazeta Motors e Gazeta Shopping ganham mais espaço na programação.
O De Olho na TV é o quadro de maior sucesso do Todo Seu, o jornalista da Jovem Pan, José Armando Vanucci comentava os principais assuntos sobre a TV Brasileira. Devido ao sucesso, o quadro que era apenas exibido na quarta-feira, ganhou mais dois dias de exibição, às segundas e sextas. Além disso, agora Vanucci mostra os bastidores dos programas de TV e entrevistas. Com a transmissão por satélites em sinal digital e analógico, a programação da TV Gazeta passa a ser acompanhada pelos sistemas de televisão por assinatura NET e Vivo TV. Esta emissora não foi beneficiada pela nova lei de TV por assinatura por não cumprir os requisitos necessários.

No dia 1º de novembro de 2013, a emissora demitiu, sem maiores explicações, o apresentador do "Super Esporte", Thiago Oliveira, que imediatamente assina com a Rede Globo. Desde o dia 4 de novembro, atração passou a ter o comando de Anita Paschkes, que antes tinha substituído Michelle Gianella, que estava de licença-maternidade, no "Gazeta Esportiva" e no "Mesa Redonda".

Em 2014 a TV Gazeta promoveu mudanças na sua programação. Novos programas foram criados e dedicados à cidade e ao estado de São Paulo. A Gazeta já foi conhecida por ser a TV com a cara de São Paulo e a mais paulista das TVs. Os programas Ateliê na TV, Revista da Cidade, Super Esporte, Você Bonita, Mulheres, Gazeta Esportiva, Todo Seu e outros programas foram mantidos, mas agora com um novo pacote gráfico. A nova programação estreou em 10 de março. No mesmo ano, alegando renovação na equipe esportiva, a emissora demite o narrador Fernando Solera e no dia 1º de junho estreia o humorístico Chuchu Beleza, com Felipe Xavier. Foram produzidos programas em formato de série, compostos por quatro episódios cada, tratando sempre em torno do tema São Paulo, entre eles Amor Concreto, Extremos da Cidade, A Cidade que não Dorme. No meio do ano foi montado um novo núcleo de produção, visando a criação de conteúdo exclusivo para internet. Foram produzidos diversos vídeos de bastidores dos programas da TV e séries como Mamma Responde. No comando dos vídeos está a apresentadora Paula Vilhena.

Em 2015, a TV Gazeta promove mudanças drásticas na sua programação. A emissora atualizou as novas chamadas interprogramas e vinhetas atualizadas com um padrão gráfico idealizado integralmente em flat design, com simplicidade de elementos, formas planas e cores sólidas. “Dentro da proposta de evolução contínua e buscando uma aproximação ainda maior com o público, o pacote de novas finalizações foca nas "sensações" que a programação da TV Gazeta , em suas diferentes editorias e programas, traz para o telespectador. Para traduzir essas sensações foi desenvolvida uma paleta de cores que resultou num visual ainda mais vibrante, divertido e moderno”, afirma Denise Wuilleumier, Gerente de Comunicação Social da Fundação Cásper Líbero. O jornalismo da Gazeta realizou contratações importantes: Rodolpho Gamberini estreou ao lado de Stella Gontijo no novo Jornal da Gazeta. Josias de Souza e Denise Campos de Toledo foram contratados como novos comentaristas. A nova programação estreou em 2 de março de 2015.

Em 2016, a TV Gazeta investe no lançamento de novas séries. Entre elas o Projeto 1 Dia, que retrata um dia em algum lugar de São Paulo, Humor.Docs, que faz um panorama do humor nas mais diversas plataformas, com apresentação de Paula Vilhena e Histórias do Rap Nacional, que faz um balanço da história do rap brasileiro, com apresentação de Ronald Rios, ex-repórter do CQC. Rios foi contratado pela emissora em 29 de outubro de 2015. Em 11 de março estreou o programa A Semana,que abordava os fatos da semana que passou de maneira descontraida O programa saiu do ar em julho após divergências entre o humorista e a TV Gazeta. Em 9 de março estreia o reality "Sobremesa Para Dois" com Paula Vilhena, no qual dois competidores com ou sem experiência na cozinha serão desafiados a preparar um prato e tentarão conquistar o pretendente pelo paladar. Em 4 de maio estreia A noite convida, no qual a apresentadora explora a noite paulistana com dois personalidades.

Em 25 de julho, a emissora dispensa após 15 anos a apresentadora Mamma Bruschetta, após a mesma receber proposta irrecusável do SBT. A apresentadora foi substituída pelo ator Guilherme Uzeda, intérprete da personagem Tia. Em 30 de julho, Leão Lobo deixa também a emissora para acompanhar Mamma Bruschetta no SBT. Em seu lugar, a emissora contratou o jornalista Gabriel Perline. Para reforçar o Mulheres, a emissora recontrata Fernando Oliveira, o Fefito e conta também com o colunista José Armando Vannucci. Em 1º de agosto a emissora recontrata Rodrigo Rodrigues, para apresentar o programa 5 Discos na qual vai receber um convidado, que levará os cinco discos mais importantes de sua vida. No dia 23 de agosto de 2016, morre o repórter e jornalista Goulart de Andrade, que estava desde 2012 na TV Gazeta. A emissora mantém as entrevistas gravadas pelo repórter, sendo a primeira reportagem póstuma exibida em 11 de setembro de 2016. Em 17 de outubro, a emissora extingue o núcleo jovem eliminando os programas A Máquina, Hoje Tem, Cidade Ocupada, A Noite Convida e 5 Discos.

Em 6 de março de 2017, reestreia o Cozinha Amiga só que agora a cada dia um chefe apresenta receitas fáceis para o dia a dia. Em 24 de abril, a emissora anuncia as demissões de Anna Paola Fragni após 21 anos na casa passando por todos os programas e também de Michelle Francine, apresentadora do Gazeta Shopping. Em 16 de maio, é demitido da emissora o comentarista de arbitragem da equipe esportiva Oscar Roberto Godói. Em 27 de junho a emissora anuncia o ex-jogador e comentarista Müller para reforçar o programa Mesa Redonda. Em 3 de julho a emissora anuncia a contratação do Padre Alessandro Campos no comando de um programa de auditório dominical. No dia seguinte, em 4 de julho, a emissora deixa de ser retransmitida via satélite, através do sinal de parabólica, a fim de reduzir os gastos financeiros e no dia 21 de julho, a emissora anuncia que também não renovou o contrato de cessão de horários com a TV Ultrafarma.

Em 1º de agosto de 2017, a apresentadora Anita Paschkes deixa o canal após 4 anos. Em 6 de agosto, estreia o Festa Sertaneja com Pe. Alessandro Campos, inicialmente aos domingos e posteriormente transferidos para as sextas-feiras. Em 3 de setembro, estreia o programa dominical sobre beleza, Sempre Bela, com o cabeleireiro Sylvio Rezende. Em 10 de novembro, a Gazeta demitiu 40 funcionários e terceirizou a produção do Gazeta Shopping. Em 11 de dezembro, foi anunciado o fim do Festa Sertaneja, programa comandado pelo Pe. Alessandro Campos.Em 12 de dezembro, Cátia Fonseca deixa após 15 anos o comando do programa Mulheres, transferindo-se para a Rede Bandeirantes. No dia 15 do mesmo mês, foi anunciada pela emissora, a compra dos direitos exclusivos, na TV Aberta, da temporada 2018 da LBF.

Em janeiro de 2018, o programa Mulheres tem nova apresentadora: Regina Volpato que substituiu Cátia Fonseca durante suas férias é efetivada nas funções.Em fevereiro é confirmada a contratação de Rinaldi Faria, empresário de Patati e Patatá para comandar um programa diário nas madrugadas da emissora. Em 1 de fevereiro de 2018, além de São Paulo, o sinal da TV Gazeta passa a ser transmitido pela operadora NET nas cidades de Brasília e Rio de Janeiro. Em 30 de março, a emissora deixa de exibir o programa Vitrine do Artesanato na TV. Alguns dias mais tarde, Juliana Verboonen também deixa a emissora, onde integrava o Departamento de Jornalismo. Em novembro, a emissora Gazeta praticamente extinguiu o jornalismo, demitindo 80% dos funcionários. Em 8 de dezembro, a emissora começou a transmitir os jogos da Superliga 2018/2019, mas deixou de mostrá-las em 20 de janeiro de 2019, devido ao choque de datas e de horários. Os jogos transmitidos foram apenas do naipe masculino. Além disso, a emissora não renovou os direitos de transmissão da LBF. 

Em março de 2019, Laerte Vieira é recontratado pela Gazeta para ancorar o Jornal da Gazeta, junto de Luciana Magalhães. Em 1 de abril, estreia a nova grade de programação da TV Gazeta, com a estreia do programa De A a Zuca, com Celso Zucatelli e novidades nos programas da casa, como Você Bonita, Revista da Cidade, Todo Seu, Mulheres e Cozinha Amiga. Os programas de Regiane Tápias e Ronnie Von ganham novos cenários, novas vinhetas, novos pacotes visuais e alterações nos quadros. No entanto, foi extinto o Gazeta News, mini-jornalístico que era exibido no final da tarde. Em 14 de abril, a emissora reestreiou o Desafio ao Galo, torneio de Futebol de Várzea que marcou época na TV. Porém, as transmissões terminaram em 21 de julho, sendo depois transferidas para a RBTV. Em 22 de abril, Maria Lydia Flândoli deixa o Jornal da Gazeta e a emissora após mais de 20 anos. Em junho, Tássia Sena também deixa o jornalismo da Gazeta para ser repórter da TV Globo São Paulo.Em 19 de julho, são anunciadas as extinções de dois programas de sucesso na casa: o Todo Seu, ancorado há mais de 15 anos por Ronnie Von e o De A a Zuca, que estava no ar desde abril com comando de Celso Zucatelli. Os dois apresentadores foram dispensados da emissora. Em seu lugar, entrarão reprises do Você Bonita, Cozinha Amiga e Mulheres. Em 4 de setembro, é anunciada a estreia, no dia 9, do Faça Você Mesmo, com Rogério Chiaravelli, com informações e dicas sobre artesanato.

Década de 2020. Em 8 de março de 2020, depois de completar seus 50 anos no ar, a Gazeta muda cenários, vinhetas, pacotes visuais, grafismos e alterações nos programas. A Gazeta também estreia seu novo slogan: TV Gazeta, você por perto. Tudo certo! e sua nova vinheta interprogramas. No entanto, devido à Pandemia da COVID-19, a emissora tomou várias medidas de segurança, prevenção e higienização nos seus estúdios e também realizou ajustes na grade, dentre elas a suspensão de programas como o Revista da Cidade que deu lugar ao Gazeta Shopping e Faça Você Mesmo e também do Gazeta Esportiva, que deu lugar no horário ao Plantão da Saúde que atualiza a situação da pandemia no estado, no país e no mundo. No dia seguinte a emissora estreou o programa Fofoca Aí, com a apresentação de Fefito, Tutu (Artur Pires), Tia (Guilherme Uzeda) e Gabriel Perline, colaboradores dos programas Mulheres e Revista da Cidade. No dia 14 de junho, é anunciado que o programa Faça Você Mesmo deixou a programação da emissora. O Plantão da Saúde durou até 3 de julho, quando a emissora encerrou o programa e retornou em 6 de julho o Gazeta Esportiva.


RÁDIO E TV CULTURA


Programa Vila Sésamo, formato trazido ao Brasil nos anos 1970 por José Bonifácio Sobrinho (Boni) apar ser testado na TV Cultura e compartilhado com as demais emissoras. 


TV Cultura é uma rede de televisão pública brasileira sediada em São Paulo, capital do estado homônimo, pertencente ao Governo de São Paulo. Foi inaugurada, originalmente, em 20 de setembro de 1960 pelos Diários Associados e relançada em 15 de junho de 1969 pela Fundação Padre Anchieta, gerando programas educativos que são transmitidos para todo o Brasil via satélite e através de suas afiliadas e retransmissoras em diversas regiões do Brasil. É mantida pela Fundação Padre Anchieta, uma fundação sem fins lucrativos que recebe recursos públicos, através do governo do estado de São Paulo, e privados, através de propagandas, apoios culturais e doações de grandes corporações. No dia 30 de janeiro de 2015, o instituto de pesquisa britânico Populus divulgou que a TV Cultura é o segundo canal de maior qualidade do mundo, atrás apenas da BBC One.

História. Diários Associados (1960-1969). Em 1958, os Diários Associados recebem do governo a concessão do canal 2 de São Paulo. No dia 20 de setembro de 1960, entra no ar a TV Cultura, com o slogan "um verdadeiro presente de cultura para o povo" e com o logotipo C2 Cultura e uma indiazinha desenhada no centro. A implantação da emissora, para evitar interferências técnicas, fez a TV Tupi mudar do canal 3 VHF para o 4 VHF. A TV Cultura iniciou suas operações com um estúdio de 30 m² instalado no décimo quinto andar do Edifício Guilherme Guinle, na Rua 7 de Abril, 230, que foi o mesmo estúdio onde a TV Tupi iniciou suas transmissões. Os técnicos e os atores eram da TV Tupi e, além disso, sua antena no alto do Banespa (Edifício Altino Arantes) também era a antiga antena da TV Tupi, pois já transmitia seu sinal pela Torre Assis Chateaubriand, no bairro do Sumaré. Os Diários Associados colocaram o canal 2 no ar com pouca divulgação, de forma que muitos nem souberam de seu lançamento. No início das transmissões da TV Cultura, José Duarte Jr. era o seu diretor artístico e comercial da emissora, sendo que depois foi substituído por Mário Fanucchi. Fanucchi foi um dos primeiros "vinheteiros" do Brasil e o inventor do indiozinho da TV Tupi. Na época ainda não existia o video-tape, de forma que a programação da TV Cultura nunca foi a mesma da TV Tupi como muitos imaginam, pois na verdade tinha seus próprios estúdios e profissionais. Entre os profissionais da TV Cultura estiveram Ney Gonçalves Dias, Fausto Rocha, Xênia Bier, Carlos Spera e Jacinto Figueira Júnior - que criou o Homem do Sapato Branco, primeiro programa popular da TV Cultura.

Em 1963, os Diários Associados formam parceria com o Governo do estado de São Paulo e com o SERTE (Serviços de Educação de Rádio e Televisão), que dariam origem a dez horas de programação educativa na emissora. Em 28 de abril de 1965, um curto-circuito no 15º andar do Edifício Guilherme Guinle, na Rua 7 de Abril, 230, provocou um incêndio onde era o estúdio da TV Cultura dos Diários Associados. Pouco se salvou deste incêndio, onde inclusive perdeu-se a primeira câmera de TV do Brasil da Rede Tupi (câmera TK-30 de 80 quilos). Devido ao incêndio, os programas da emissora foram provisoriamente produzidos em um estúdio da TV Tupi no Sumaré. Em 1966 a TV Cultura se instala em um bosque próximo a Freguesia do Ó, ao lado da Lagoa Santa Marina - ambos no bairro de Água Branca. Ali criaram a competição Acqua-Ringue, que era uma luta de boxe que fazia vencedor aquele que jogava o outro na água. Com a mudança para a nova sede, mais despesas acabaram se acumulando, sendo que o incêndio de abril de 1965 foi o pivô de toda esta situação, colaborando desta forma para a venda da TV Cultura. Assis Chateaubriand decide então vender a TV Cultura para o Governo do Estado de São Paulo e também as suas novas instalações na Água Branca. 

Transição Diários Associados-Fundação Padre Anchieta

Em setembro de 1967, o governador de São Paulo, Roberto Costa de Abreu Sodré, cria a Fundação Padre Anchieta (Centro Paulista de Rádio e TV Educativa). Esta fundação era composta por diversos profissionais, faculdades (USP, Unicamp, PUC, Mackenzie, entre outras), sociedades privadas e públicas (ABI, UBE, etc.) e com setenta centavos de cada paulista. A Fundação Padre Anchieta adquire então dos Diários Associados a TV Cultura e a Rádio Cultura. A TV Cultura torna-se então a segunda emissora de TV educativa do Brasil (a primeira foi a TV Universitária, da Universidade Federal de Pernambuco). A Fundação Padre Anchieta procurou dar um novo nome para a emissora como: TV Escolar, TV Educativa, etc. Como a TV Cultura já tinha uma programação educativa, a Fundação manteve este nome, mesmo porque todos os funcionários da antiga emissora nesta fase de transição foram mantidos, já que seus profissionais lidavam com programas educacionais. O governo começa então a aterrar a Lagoa Santa Marina na Água Branca, criando ruas, fábricas e prédios a sua volta. É construída então a nova sede da TV Cultura na Rua Carlos Spera, 179 (nome do jornalista da TV Cultura em sua fase nos Diários Associados e também da TV Tupi), e com saídas laterais pela Rua Cenno Sbrighi, 378 e Rua Vladimir Herzog, 74.

Fundação Padre Anchieta (desde 1969)


O governador Laudo Natel visitando as novas instalações da TV Cultura no distrito da Lapa, 1972.


Após quatro meses de transmissões experimentais que iniciaram no dia 4 de abril, foi reinaugurada a TV Cultura às 19h30 do dia 15 de junho, com a apresentação dos discursos do então governador, Abreu Sodré e do presidente da Fundação Padre Anchieta, José Bonifácio Coutinho Nogueira (que posteriormente veio a fundar a EPTV, rede de quatro emissoras afiliadas à Rede Globo no interior de São Paulo e no Sul de Minas Gerais). 

Em seguida, foi exibido um clipe mostrando o surgimento da emissora, os planos para o futuro e uma descrição dos programas que passariam a ser apresentados a partir do dia seguinte. Além disso foi exibida uma fita com o Papa Paulo VI dando bênção à TV Cultura. 

O primeiro programa a ser exibido pela Cultura foi o documentário Planeta Terra, no dia 16 de junho, às 19h30, que trazia como tema terremotos, vulcões e fenômenos que ocorrem nas profundezas do planeta. 

Em seguida, às 19h55, foi levado ao ar um boletim meteorológico chamado A Moça do Tempo, apresentado por Albina Mosqueiro. 

Às 20h iniciava uma série chamada de Curso de Madureza Ginasial (onde Ruth Cardoso, ex-primeira-dama presidencial era uma das professoras que dava aula pela televisão), sendo um dos seus maiores desafios o de provar que uma aula transmitida por televisão poderia ser, ao mesmo tempo, eficiente e agradável. 

Estiveram entre os primeiros programas da emissora, a peça O Feijão e o Sonho, de Orígenes Lessa; Quem Faz o Quê, sobre profissões; Sonatas de Beethoven, com o pianista Fritz Jank; e O Ator na Arena, com Ziembinski. 

O primeiro logotipo da TV Cultura em sua fase na Fundação Padre Anchieta foi adaptação do desenho original dos designers João Cauduro e Ludovico Martino, do escritório paulista Cauduro-Martino,o seu "bonequinho" - como apelidaram seu símbolo,[carece de fontes] que inicialmente era acompanhado da assinatura "TV-2 Cultura". O verde desde sua fundação é tido como a cor oficial da instituição.

No dia 28 de fevereiro de 1986 outro incêndio atinge a sede da TV Cultura, na cidade de São Paulo. 
O fogo destruiu 90% dos equipamentos da emissora, fazendo com que ela ficasse três horas fora do ar. 

A emissora, com equipamentos emprestados das TVs Globo, Manchete e Bandeirantes, retorna ao ar noticiando o incêndio e cobrindo todo o trabalho dos bombeiros. 

Em 22 de agosto de 1992, a emissora inaugurou no bairro do Sumaré a Torre Cultura, que passava a ser usada para emitir os sinais da TV Cultura e da Cultura FM, além das demais emissoras públicas de São Paulo. A nova torre substituiu a antiga utilizada pela emissora desde a década de 1970 no Pico do Jaraguá, que passou a ser utilizada pela Rádio USP FM. 

Em 1993, foi formada a Rede Cultura de Televisão, via satélite para o Brasil inteiro. 

A Rede Pública de Televisão, formada pela união da TVE Brasil com a TV Cultura, foi extinta no dia 2 de Dezembro de 2007, data da inauguração da TV Brasil, a TV pública do Governo Federal. 

Com isso, São Paulo e outros estados brasileiros passaram a transmitir apenas o sinal da TV Cultura. Depois, muitas emissoras públicas em todo o território nacional deixaram de transmitir a programação da TV Cultura para transmitirem a programação da TV Brasil, gerando o rápido encolhimento da rede em 2008.


Jornalismo. No setor de jornalismo, a TV Cultura exibe o Jornal da Cultura, o talk show Roda Viva, o mais antigo programa de entrevistas da televisão brasileira, a revista eletrônica Matéria de Capa, o "eco-telejornal" Repórter Eco, pioneiro do gênero no país, e o Panorama, programa de entrevistas com especialistas em variados assuntos. 

Pela bancada do Jornal da Cultura já passaram âncoras como Carlos Nascimento, Heródoto Barbeiro, Maria Cristina Poli, Joyce Ribeiro, Willian Corrêa, e atualmente o noticiário é conduzido por Karyn Bravo e Ana Paula Couto. 

E no Roda Viva, vários convidados ilustres já foram entrevistados como Telê Santana, Ayrton Senna, Luiz Carlos Prestes, Hebe Camargo, Fidel Castro, Tom Jobim, Dias Gomes, Herbert José de Sousa, Paulo Freire, Ruth Cardoso, Caetano Veloso, Antônio Carlos Magalhães, Luiz Inácio Lula da Silva, Steve Ballmer, Dom Odilo Scherer, entre outros. Além disso, o programa já foi mediado por vários comunicadores importantes como Rodolpho Gamberini, Lilian Witte Fibe, Marília Gabriela, Paulo Markun, Heródoto Barbeiro, Mario Sergio Conti, Augusto Nunes, Ricardo Lessa, Daniela Lima e, desde janeiro de 2020, por Vera Magalhães.

Outros grandes jornalísticos da emissora foram o telejornal A Hora da Notícia (percussor do Jornal da Cultura), dirigido por Vladimir Herzog, e o talk show Vox Populi, atualmente reprisado nas madrugadas da emissora.

Lula no programa "Roda Viva" da TV Cultura em 1991. Na ocasião, ele demonstrou profunda irritação com a derrota eleitoral de 1989. Reprodução

Personagem midiático. TV Cultura entra na Justiça para gravar "Roda Viva" com Lula em Curitiba

Redação ConJur
31 de outubro de 2019, 22h05


Lula no programa "Roda Viva" da TV Cultura em 1991. Na ocasião, ele demonstrou profunda irritação com a derrota eleitoral de 1989
Reprodução
A direção de jornalismo da TV Cultura pediu autorização à Justiça Federal do Paraná para entrevistar o ex-presidente Lula na sede da Polícia Federal, onde ele está preso desde abril de 2018. A informação é do jornalista Maurício Stycer do Uol.

O petista já aceitou o convite da emissora pública de São Paulo, e a gravação da entrevista ao "Roda Viva" depende agora da autorização judicial, emitida pela 12ª Vara Federal de Curitiba.

Em abril deste ano, o Supremo Tribunal Federal autorizou jornalistas da Folha de S.Paulo e do El País a entrevistarem Lula. Depois, um despacho do delegado da Polícia Federal de Curitiba, Luciano Flores de Lima, permitiu a entrada de outros veículos de imprensa para acompanhar a conversa, dentro dos limites de espaço da sede da superintendência.

Desde então Lula tem concedido entrevistas a jornais, sites e televisões nacionais e estrangeiras. Caso obtenha a autorização, esta será a segunda vez que o ex-presidente fala com uma TV aberta brasileira no cárcere. A primeira foi com a TVE da Bahia. 

Lula já concedeu algumas entrevistas ao "Roda Viva". Na de 1991, por exemplo, o ex-presidente revelou uma profunda insatisfação com a derrota para Fernando Collor. Também teve a milésima edição do programa, em 2005, gravada no Palácio do Planalto.

O líder petista foi condenado a 12 anos e 1 mês de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em segunda instância e confirmado pelo STJ. Lula também foi condenado a 12 anos e 11 meses de prisão no caso envolvendo o sítio de Atibaia (SP). Atualmente o caso se encontra no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

Por fim, o ex-presidente também é acusado pelo MPF de receber R$ 12 milhões em propina da Odebrecht por meio da compra de um terreno em São Paulo. O espaço seria usado para a construção de uma nova sede do Instituto Lula. O caso se encontra na fase de alegações finais na 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba.

Redação ConJur




Programação infantil. Para o público infanto-juvenil, a TV Cultura e a Rede Globo uniram-se ao Sesame Workshop para produzir a versão brasileira do norte-americano Sesame Street, chamada no Brasil de Vila Sésamo (1972 a 1977). Logo, a TV Cultura passou a ser especialista em programas infantis educativos, como Bambalalão, que foi laureado em vários anos com o prêmio APCA de Melhor Infantil; Rá-Tim-Bum, que também recebeu o Troféu APCA e a medalha de ouro no Festival de Nova York; X-Tudo; Revistinha; Castelo Rá-Tim-Bum, programa infantil de maior sucesso da TV Cultura, que rendeu shows de suas personagens, revistas, jogos e um longa-metragem: Castelo Rá-Tim-Bum, o Filme; Mundo da Lua; Catavento, que ganhou o prêmio entregue pela televisão estatal japonesa NHK e Cocoricó, programa infantil que usa bonecos como personagens, e é também é um dos maiores sucessos da emissora. O seriado internacional mais assistido pelo público infanto-juvenil foi o Quebra-Cabeça, que também usou bonecos falantes como personagens e teve famílias e amigos dos bonecos.

Esportes. Dos programas esportivos, a TV Cultura exibiu atrações como o Cartão Verde e o Grandes Momentos do Esporte. Também passaram pela emissora diversas personalidades da narração esportiva e comentaristas como Juca Kfouri, José Trajano, Jorge Kajuru, Flávio Prado, Nivaldo Prieto, Armando Nogueira, entre outros. As copas do mundo de 1974 e 1978 foram a primeira e a segunda Copa do Mundo que a TV Cultura exibiu. Os ícones da narração na época eram Luiz Noriega e Walter Abrahão. Na copa de 1982, a TV Cultura exibiu os jogos em parceria com a Rede Globo. À época, a Globo ainda não possuía cobertura total na maioria dos estados, e a alternativa era fazer uma "rede de retransmissoras" ligadas à Cultura, e que eram mantidas, em sua maioria, por emissoras educativas, que cobriam boa parte das regiões onde a Globo ainda não era transmitida. Os narradores eram próprios da emissora carioca: Luciano do Valle (partida de abertura, partidas da seleção brasileira e a final, além de outros países) e Galvão Bueno (partidas dos outros países). Esse acordo só foi possível porque a emissora transmitiu em conjunto com a Rede Globo e a rede de emissoras educativas os Jogos Olímpicos de Verão de 1980, além de já ter transmitido também os Jogos Olímpicos de Verão de 1976.


A MORTE DE WLADO




O Jornalista Wladmir Herzog no estúdio da TV Cultura em meados nos anos 1970. 
Acervo da Folha de São Paulo.


Vladimir Herzog, nascido Vlado Herzog (Osijek, Reino da Iugoslávia, 27 de junho de 1937 – São Paulo, 25 de outubro de 1975), foi um jornalista, professor e dramaturgo brasileiro.

Naturalizado brasileiro, Vladimir também tinha paixão pela fotografia, atividade que exercia por conta de seus projetos com o cinema. Passou a assinar "Vladimir" por considerar que seu nome soasse exótico para os brasileiros. Na década de 1970, assumiu a direção do departamento de telejornalismo da TV Cultura e também foi professor de jornalismo na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP).

O nome de Vladimir tornou-se central no movimento pela restauração da democracia no país após 1964. Militante do Partido Comunista Brasileiro, foi torturado e assassinado pelo regime militar brasileiro durante a ditadura nas instalações do DOI-CODI, no quartel-general do II Exército, no município de São Paulo, após ter se apresentado voluntariamente ao órgão para "prestar esclarecimentos" sobre suas ligações com o Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Primeiros anos. Herzog nasceu na cidade de Osijek, em 1937, na então Iugoslávia (atual Croácia), filho do casal de origem judaica Zigmund Herzog e Zora Wolner. Durante a Segunda Guerra Mundial, para escapar do antissemitismo praticado pelo estado fantoche da Croácia, então controlado pela Alemanha Nazista, que ocupava a Iugoslávia desde 1941, o casal fugiu primeiramente para a Itália e viveram no país clandestinamente, decidindo depois emigrar com o filho para o Brasil, terminado o conflito.

Educação e carreira. Herzog se formou em Filosofia pela Universidade de São Paulo, em 1959. Depois de formado, trabalhou em importantes órgãos de imprensa no Brasil, como O Estado de S. Paulo. Nessa época, passou a assinar "Vladimir", em vez de "Vlado", por acreditar que seu nome verdadeiro soaria um tanto exótico no Brasil. Vladimir também trabalhou por três anos na BBC de Londres.

Na década de 1970, assumiu a direção do departamento de telejornalismo da TV Cultura, de São Paulo. Também foi professor de jornalismo na Escola de Comunicações e Artes da USP. Na mesma época, envolvido com intelectuais do teatro, também atuou como dramaturgo. Mais tarde, Vladimir, que foi vinculado do Partido Comunista Brasileiro, passou a atuar politicamente no movimento de resistência contra a ditadura militar.

Prisão e morte. Contexto. Em 1974, o general Ernesto Geisel tomou posse da Presidência da República com um discurso de abertura política (na época chamado de "distensão"), o que na prática significaria a diminuição da censura, investigar as denúncias de torturas e dar maior participação aos civis no governo. Todavia, o governo enfrentava dois infortúnios: a derrota nas eleições parlamentares e a crise do petróleo. Além disso, o general Ednardo D'Ávila Mello, comandante do II Exército, fazia afirmações de que os comunistas estariam infiltrados no governo de São Paulo, na época chefiado por Paulo Egydio Martins, o que criou uma certa tensão entre estes. Nesse cenário, a linha dura sentiu-se ameaçada, e em 1975 a repressão continuava forte. O Centro de Informações do Exército (CIE) se voltou essencialmente contra o Partido Comunista Brasileiro, do qual Herzog era militante, mas não desenvolvia atividades clandestinas. Através do jornalista Paulo Markun, Herzog chegou a ser informado que seria preso, mas não fugiu.

A prisão. Em 24 de outubro de 1975, época em que Herzog já era diretor de jornalismo da TV Cultura, após campanha contra a sua gestão, levada a cabo na Assembleia Legislativa de São Paulo pelos deputados Wadih Helu e José Maria Marin, pertencentes ao partido de sustentação do regime militar, a ARENA,[13][14] agentes do II Exército convocaram Vladimir para prestar depoimento sobre as ligações que ele mantinha com o Partido Comunista Brasileiro, partido que atuava na ilegalidade durante o regime militar. No dia seguinte, Herzog compareceu espontaneamente ao DOI-CODI. Ele ficou preso com mais dois jornalistas, George Benigno Jatahy Duque Estrada e Rodolfo Oswaldo Konder.[15] Pela manhã, Vlado negou qualquer ligação ao PCB. A partir daí, os outros dois jornalistas foram levados para um corredor, de onde puderam escutar uma ordem para que se trouxesse a máquina de choques elétricos. Para abafar o som da tortura, um rádio com som alto foi ligado. Posteriormente, Konder foi obrigado a assinar um documento no qual ele afirmava ter aliciado Vlado "para entrar no PCB e listava outras pessoas que integrariam o partido." Logo, Konder foi levado à tortura, e Vlado não mais foi visto com vida.

A morte. Foto de Vladimir Herzog morto no DOI-CODI de São Paulo, tirada por Silvaldo Leung Vieira
O Serviço Nacional de Informações recebeu uma mensagem em Brasília de que naquele dia 25 de outubro: "cerca de 15h, o jornalista Vladimir Herzog suicidou-se no DOI/CODI/II Exército". Na época, era comum que o governo militar divulgasse que as vítimas de suas torturas e assassinatos haviam perecido por "suicídio", fuga ou atropelamento, o que gerou comentários irônicos de que Herzog e outras vítimas haviam sido "suicidados" pela ditadura. O jornalista Elio Gaspari comenta que "suicídios desse tipo são possíveis, porém raros. No porão da ditadura, tornaram-se comuns, maioria até."

Foto de Vladimir Herzog morto no DOI-CODI de São Paulo, tirada por Silvaldo Leung Vieira


Conforme o Laudo de Encontro de Cadáver expedido pela Polícia Técnica de São Paulo, Herzog se enforcara com uma tira de pano - a "cinta do macacão que o preso usava" - amarrada a uma grade a 1,63 metro de altura. Ocorre que o macacão dos prisioneiros do DOI-CODI não tinha cinto, o qual era retirado, juntamente com os cordões dos sapatos, segundo a praxe naquele órgão.[16] No laudo, foram anexadas fotos que mostravam os pés do prisioneiro tocando o chão, com os joelhos fletidos - posição em que o enforcamento era impossível. Foi também constatada a existência de duas marcas no pescoço, típicas de estrangulamento.

Vladimir era judeu, e a tradição judaica manda que suicidas sejam sepultados em local separado. Mas quando os membros da Chevra kadisha – responsáveis pela preparação dos corpos dos mortos segundo os preceitos do judaísmo – preparavam o corpo para o funeral, o rabino Henry Sobel, líder da comunidade, viu as marcas da tortura. "Vi o corpo de Herzog. Não havia dúvidas de que ele tinha sido torturado e assassinado", declarou. 

Assim, foi decidido que Vlado seria enterrado no centro do Cemitério Israelita do Butantã, o que significava desmentir publicamente a versão oficial de suicídio. As notícias sobre a morte de Vlado se espalharam, atropelando a censura à imprensa então vigente. Sobel diria mais tarde: "O assassinato de Herzog foi o catalisador da volta da democracia".

Anos depois, em outubro de 1978, o juiz federal Márcio Moraes, em sentença histórica, responsabilizou o governo federal pela morte de Herzog e pediu a apuração da sua autoria e das condições em que ocorrera. Entretanto nada foi feito. Em 24 de setembro de 2012, o registro de óbito de Vladimir Herzog foi retificado, passando a constar que a "morte decorreu de lesões e maus-tratos sofridos em dependência do II Exército – SP (Doi-Codi)", conforme havia sido solicitado pela Comissão Nacional da Verdade. Em 2018, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil por negligência na investigação do assassinato do jornalista.


Ato inter-religioso. Missa em homenagem a Vladimir Herzog reuniu 8 mil pessoas na Praça da Sé, em São Paulo, no dia 31 de outubro de 1975


Depois do Ato Institucional n° 5, de 13 de dezembro de 1968, o ato inter-religioso pela morte de Vladimir Herzog foi a primeira grande manifestação de protesto da sociedade civil contra as práticas da ditadura militar. Reuniu milhares de pessoas dentro e fora da Catedral da Sé, na cidade de São Paulo, entre elas figuras conhecidas, artistas e intelectuais, como o filósofo francês Michel Foucault, cujas aulas na FFLCH da USP tiveram de ser interrompidas. O assassinato colocara uma grande questão religiosa. Os judeus não enterram suicidados dentro de seu cemitério, mas fora dele. Assim o enterro de Herzog, dentro do cemitério Israelita, e a respectiva cerimônia se tornaram atos contra o regime militar.

O então secretário de Segurança Estadual Erasmo Dias bloqueou a cidade inteira com barreiras policiais, impedindo o acesso à Catedral e o trânsito na cidade, mesmo assim as pessoas desceram de seus ônibus e automóveis e se dirigiram a pé até a catedral, no centro da cidade. A própria Praça da Sé, situada em frente a catedral, se encontrava totalmente tomada por policiais, seus cavalos e cachorros, que iam até praticamente a calçada da rua que separa as escadarias da Sé. Apesar da repressão a missa ocorreu silenciosamente até o seu final com cerca de oito mil pessoas em seu interior, e milhares na escadaria que gritando slogans pela volta da democracia. Ao final carros sem placa atiraram bombas de gás lacrimogênio contra os participantes que tentavam sair da Catedral em passeata, dispersando o movimento (Celso Lungareti, "Vladimir Herzog é assassinado: o Brasil repudia o DOI-CODI".)

Registra ainda Celso Miranda em Vladimir Herzog: Mataram o Vlado de 01/10/2005 00h00.

“Nas ruas de São Paulo, o clima era outro. Ainda na segunda-feira, cerca de 30 mil estudantes da USP, PUC e Fundação Getúlio Vargas entraram em greve. A garotada queria marchar pela cidade, mas aguardava a reunião com os jornalistas. Juntos, aprovaram a realização de um ato religioso pela memória de Vlado na sexta, dia 31. O cardeal Arns tomou a iniciativa: ofereceu a catedral da Sé e disse que estaria lá. (...) No dia seguinte, o povo estava na rua e (com a missa) fazia a primeira manifestação contra a ditadura após o AI-5. Um pouco antes da hora do culto, dois secretários do governador Paulo Egydio Martins ainda procuraram o arcebispo de São Paulo e lhe pediram para cancelar o evento. “Fui informado que existiriam mais de 500 policiais na praça com ordem de atirar ao primeiro grito. Se houvesse protestos, eles metralhariam a população”, lembra dom Paulo. A estratégia dos manifestantes era chegar à praça em pequenos grupos, evitando aglomerações. Cerca de 8 mil pessoas se espalharam pelas escadarias da Sé. As que conseguiram entrar viram o cardeal, o rabino Henry Sobel e mais 20 sacerdotes, entre eles dom Helder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife. “Ninguém toca impunemente no homem, que nasceu do coração de Deus para ser fonte de amor”, disse dom Paulo. “Nas minhas dores, ó Senhor, fica ao meu lado”, respondeu a audiência. Vladimir Herzog: Mataram o Vlado de 01/10/2005”



Pós-morte. Gerando uma onda de protestos de toda a imprensa mundial, mobilizando e iniciando um processo internacional em prol dos direitos humanos na América Latina, em especial no Brasil, a morte de Herzog impulsionou fortemente o movimento pelo fim da ditadura militar brasileira. Após a morte de Herzog, grupos intelectuais, agindo em jornais e grupos de atores, no teatro, como também o povo, nas ruas, entre outros, se empenharam na resistência contra a ditadura do Brasil. Diante da agonia de saber se Herzog havia se suicidado ou se havia sido morto pelo Estado, criaram-se comportamentos e atitudes sociais de revolução. Em 1976, por exemplo, Gianfrancesco Guarnieri escreveu Ponto de Partida, espetáculo teatral que tinha o objetivo de mostrar a dor e a indignação da sociedade brasileira diante do ocorrido. Segundo o próprio Guarnieri:

[...] Poderosos e dominados estão perplexos e hesitantes, impotentes e angustiados. Contendo justos gestos de ódio e revolta, taticamente recuando diante de forças transitoriamente invencíveis. Um dia os tempos serão outros. Diante de um homem morto, todos precisam se definir. Ninguém pode permanecer indiferente. A morte de um amigo é a de todos nós. Sobre tudo quando é o Velho que assassina o Novo.

Manifestantes portam cartaz de Latuff contra editorial da Folha de S.Paulo, que chamou a ditadura militar de "ditabranda".
Vladimir era casado com a publicitária Clarice Herzog, com quem tinha dois filhos. Após a morte do marido, além do trauma da perda, ela teve muita dificuldade em explicar aos filhos pequenos o que havia ocorrido com o pai. Corajosa e obstinada, Clarice conseguiu, depois de três anos (1978), que a União fosse responsabilizada judicialmente pela morte de Vlado. Para ela, não foi um consolo saber que sua morte desencadeou a primeira reação popular contra a brutalidade da repressão política do regime.
"Vlado contribuiria muito mais para a sociedade se estivesse vivo", diz.

Em 15 de março de 2013 a família de Herzog recebeu um novo atestado de óbito, substituindo a definição anterior, "asfixia mecânica por enforcamento", por "lesões e maus tratos".

Em 20 de maio de 2016, após mais de 40 anos do ocorrido e três tentativas anteriores, o Caso Herzog chegou à Corte Interamericana de Direitos Humanos, onde foi julgado em 2018. A CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) da OEA (Organização dos Estados Americanos) condenou o Brasil por crime de lesa-humanidade por não investigar, julgar ou punir os responsáveis pela morte do jornalista Vladimir Herzog, do dia 25 de outubro de 1975.

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A TV E REDE RECORD



A Record é uma rede de televisão comercial aberta brasileira. Atualmente é a terceira maior emissora de TV comercial do Brasil, e a 28.ª maior no ranking mundial de 2012. Em 2010, foi eleita pelo mercado publicitário como a quinta maior emissora do mundo em faturamento e a oitava maior rede em estrutura física. Em dezembro de 2021, ocupou a segunda colocação dentre os canais mais assistidos do país no Painel Nacional de Televisão, atrás apenas da TV Globo.

Principal integrante do Grupo Record, a rede está sediada na cidade de São Paulo, de onde também é gerada, no Teatro Dermeval Gonçalves, maior parte de sua programação, e conta com sucursal no Rio de Janeiro, onde são produzidas, no complexo Casablanca Estúdios (RecNov), suas telenovelas e outros formatos. Sua cobertura nacional se dá pela retransmissão de 106 emissoras, sendo quinze próprias e 91 afiliadas.

Sua estação geradora foi inaugurada na capital paulista em 27 de setembro de 1953 pelo empresário Paulo Machado de Carvalho, proprietário até então de um conglomerado de rádios, através de concessão obtida em novembro de 1950, ano em que a televisão foi lançada no Brasil. A Record foi a quarta emissora a operar no país após a TV Tupi São Paulo (1950), a TV Tupi Rio de Janeiro (1951) e a TV Paulista (1952). Durante a década de 1950, a Record e sua afiliada TV Rio eram os canais de segunda maior audiência nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, sendo superada em ambas as cidades apenas pela TV Tupi.

Ao decorrer da década de 1960, o canal tornou-se popular, chegando a liderar em audiência e superar a TV Tupi com a exibição de festivais musicais como os de MPB e Jovem Guarda. Neste período, a Record encabeçava a Rede de Emissoras Independentes (REI), cadeia que integrava estações de diversas localidades do Brasil. No início da década de 1970, a REI, ao lado da Globo e da Tupi, era uma dos três grandes grupos geradores do país, com os três grupos operando cerca de 64 estações geradoras de televisão. Na mesma época foi superada em audiência pela Globo e pela Tupi, ocupando a terceira posição. Ainda na década de 1970, o empresário e apresentador de TV Silvio Santos adquire metade das ações do canal através de sociedade com os Machado de Carvalho. Ao longo da segunda metade da década de 1970 e durante a década de 1980 a audiência da emissora despenca para o quinto lugar no Ranking Nacional de Emissoras, perdendo para a Globo, SBT, Bandeirantes e a Manchete.

Em 1989, a Record, após estar sob situação financeira desfavorável na segunda metade daquela década, foi vendida ao bispo Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus. A nova aquisição impulsionou grandes investimentos na estrutura da emissora, que na década de 1990 formou sua rede nacional com compras de canais e afiliações, resultando em seu posicionamento, de 2007 a 2015, como a segunda maior rede do país em audiência e faturamento até ser ultrapassada pelo SBT. No entanto, volta a ocupar desde 2020 a vice-liderança, ultrapassando novamente o canal de Silvio Santos. A partir de 2012, ambas as emissoras passaram a disputar intensamente décimos pontuais e a revezar-se no ranking do IBOPE.

História. Antecedentes. Apenas dois meses depois da chegada da televisão no Brasil, o empresário e comunicador Paulo Machado de Carvalho conseguiu uma autorização para operar um novo canal de TV na cidade de São Paulo em 22 de novembro de 1950, sendo-lhe concedido o canal 7 paulistano. Na época, Paulo e sua família já eram donos de um grande conglomerado de estações de rádio e aproveitou o nome de sua então Rádio Sociedade Record para batizar seu primeiro canal de televisão; ficou decidido que a nova emissora se chamaria TV Record - um nome que remetia ao inglês recording, lembrando o principal produto do outro negócio de Carvalho, a loja de discos Record, no centro de São Paulo. Para a montagem da emissora foram providenciados modernos equipamentos vindos dos Estados Unidos que foram instalados nos seus estúdios na Avenida Miruna, no bairro de Moema, Zona Sul de São Paulo. Antes de ser lançado ao ar, o canal realizou algumas transmissões experimentais meses antes de sua inauguração exibindo o coral da Escola Normal Caetano de Campos e a orquestra da Força Pública de São Paulo.


Sandra Amaral durante a inauguração da emissora em 1953.

Lançamento e primeiros anos. O canal entrou no ar no dia 27 de setembro de 1953 às 20h53. Na primeira imagem a ser exibida pela emissora, o casal de artistas Blota Júnior e Sônia Ribeiro desceram uma escadaria e anunciaram o lançamento da Record. Após Blota realizar um discurso, iniciou-se um espetáculo com Dorival Caymmi, Inezita Barroso, Adoniran Barbosa, Isaura Garcia, Pagano Sobrinho, Randal Juliano, a orquestra de Enrico Simonetti e vários dançarinos. Esta atração musical foi apresentada por Sandra Amaral e Hélio Ansaldo.

Em seu início de operações, a emissora exibia programas musicais (dentre os quais, com celebridades como Nat King Cole, Charles Aznavour, Ella Fitzgerald e Marlene Dietrich), esportivos, teatrais, humorísticos e informativos. Em 1954, entrou no ar o primeiro seriado produzido no Brasil, Capitão 7, estrelado por Ayres Campos e Idalina de Oliveira, permanecendo até 1966. Em 1954, foi criado o programa Mesa Redonda, apresentado por Geraldo José de Almeida e Raul Tabajara. Em 1955, entrou no ar Grande Gincana Kibon, sendo apresentado por dezesseis anos.

Emissoras Unidas (1959–1967). Com o crescimento ligeiro de seu novo veículo de mídia, Paulo Machado de Carvalho uniu-se a seu cunhado João Batista do Amaral para realizar uma parceria entre a Record São Paulo e a carioca TV Rio (então canal 13 do Rio de Janeiro), originando a Rede Unidas de Televisão (ou ainda Rede das Emissoras Unidas). Com a criação da nova rede, foi construído um link entre as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo que permitiu a conexão via sinal UHF entre a Record e a TV Rio. Foi utilizando-se desse meio que a Record transmitiu o Grande Prêmio de Turfe do Brasil, diretamente do Jóquei Clube do Rio de Janeiro.[31] O elo entre as duas emissoras possibilitava ainda trocas de produções entre ambas. Com isso, as Emissoras Unidas passariam a conseguir afiliadas e retransmissoras pelo Brasil sob a liderança das matrizes das TVs Rio e Record.


Trecho de uma vinheta de 1960 da Record comemorando sete anos de operação.


Em 1958 foi lançado o primeiro programa regular produzido pela Record e TV Rio, o Show 713, atração na qual a tela era dividida ao meio sendo que cada lado ficava com cada emissora. O programa apresentava entrevistas, reportagens e números musicais das duas cidades de origens das emissoras. A Record encerrara a década de 1950 inaugurando seu Teatro Record na Rua da Consolação, que seria muito usado tempos depois para apresentações musicais e gravações de programas.[carece de fontes]

A emissora entra nos anos 60 transmitindo de forma pioneira a inauguração da nova capital federal Brasília se tornando a única emissora de TV fora da nova cidade a transmitir o evento, que contou com entrevistas de diversos políticos brasileiros na época incluindo o então presidente Juscelino Kubitschek.

Contudo a sede da emissora em Moema viria sofrer um incêndio em maio de 1960, fazendo com que a Rede Unidas exibisse mais atrações da cogeradora TV Rio enquanto a Record se recupera. Foi o primeiro de uma série de seis incêndios que o canal da família Machado de Carvalho viria a enfrentar, sendo o mais grave deles em julho de 1966, onde diversos rolos de fitas de arquivos da emissora se perdem. Apesar dos momentos ruins, a emissora conseguia alcançar grande prestígio exibindo várias atrações no decorrer dos anos 1960, com destaque para programas musicais como o O Fino da Bossa e os clássicos Festivais da MPB onde diversos artistas de renome como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Elis Regina, dentre outros se apresentaram em meio a forte ditadura militar no país.

Com o surgimento da TV Globo e o crescimento de sua rival Tupi, a Record vê seu público diminuir gradativamente. Entretanto a emissora consegue lançar mais alguns sucessos de audiência como Família Trapo com Ronald Golias e Jô Soares, e o jornalístico Repórter Esso. O Teatro Record da Consolação sofre um incêndio que obriga a Record a transferir o local para a Rua Augusta mais próxima ao centro de São Paulo.



Flávio Prado, Galvão Bueno e Milton Peruzzi, então membros da equipe esportiva da Record, na década de 1970.


REI e participação de Silvio Santos (1969–1989). O empresário e apresentador de televisão Silvio Santos foi co-gestor da rede na década de 1970. Em 1967 é extinta a sociedade das Emissoras Unidas por conta de desentendimentos entre os diretores das TVs Rio e Record (pelo fato de o canal carioca ter adquirido produções da TV Tupi, então rival da emissora da família Machado de Carvalho). Posteriormente, entretanto, em 1969, as duas emissoras reatam seu elo e fundam a Rede de Emissoras Independentes, que ficou conhecida pelo acrônimo REI. Imediatamente a isso, o empresário Silvio Santos adquire metade da Record e a utiliza para exibir alguns de seus programas (uma vez que o animador havia perdido espaço em outros canais de televisão). Apesar de inicialmente não concordar, os antigos proprietários da Record acabam acatando o acordo para que Silvio co-operasse a emissora.

Nesta época, a Record havia perdido consideravelmente seu público para as TVs Tupi, Globo e também para a recente Rede Bandeirantes de João Saad. Pouco tempo depois, a TV Rio é desligada das Emissoras Independentes e a Record se torna a única geradora da rede. A REI realiza a transmissão da Copa do Mundo FIFA de 1970 diretamente do México, marcando a primeira Copa a ser transmitida pela Record. O canal traz também para o seu elenco de artistas o animador Chacrinha.

Paulo Machado de Carvalho e Silvio Santos passaram administrar juntos a Record na década de 1970.
Mas com a queda que gradativamente ia afetando a Record, o canal decide vender seu Teatro da Rua Augusta, no centro da capital paulista. Enquanto isso, Silvio Santos inaugura um novo canal de TV no Rio de Janeiro chamado TVS e passa a trocar produções dessa emissora com a Record, deixando seu programa na Globo. Com a estreia simultânea do Programa Silvio Santos na TVS e na Tupi, em 1976, o animador passou a ter mais comodidade para apresentar a atração. Após a chegada de Silvio Santos, o nome Rede Record passou a ser utilizado para as atividades da emissora.

Paulo Machado de Carvalho em 1968 acompanhando um jogo de futebol.O empresário e apresentador de televisão Silvio Santos foi co-gestor da rede na década de 1970.


Em 1977, a Rede Record passou a se expandir em São Paulo. O Grupo Silvio Santos divulgou um comunicado anunciando a instalação de uma repetidora no Guarujá, cobrindo o litoral paulista.

No ano de 1978, Paulo Machado de Carvalho adquire concessões para operar mais dois canais de televisão em São Paulo, para a Record: o canal 4, de Franca, e 7 de São José do Rio Preto.

Silvio anunciou, em 1980, que estava construindo no km 16 da Via Anhanguera, o autointitulado "maior centro de TV do Brasil", concentrando as atividades da Rede Record, da TVS e da Rádio Record. Contudo, investimentos maiores só aconteceriam na década de 1990, quando o empresário já era dono do Sistema Brasileiro de Televisão.

Crise e venda para Edir Macedo. Com a falência da Rede Tupi, Silvio Santos ganha algumas concessões da antiga emissora pelo governo federal e funda sua própria rede de televisão, o SBT. O empresário e animador junto a Paulo Machado passa a administrar o canal 9 do Rio de Janeiro (que também havia vencido na licitação que concorreu), que com isso foi transformado na Record Rio de Janeiro em 1982, tornando-se a quarta emissora própria do canal (visto que já existiam, além da matriz de São Paulo, as outras duas do interior do estado já citadas).

Depois da fundação do SBT, em 1981, a Record São Paulo ficou em segundo plano para Silvio Santos, mas a família Machado de Carvalho, coproprietária do canal, insistia em investir na pequena emissora. Em 1983, estreou o programa Especial Sertanejo, sob o comando de Marcelo Costa, enquanto que o jornalismo seguiu como carro-chefe da emissora com a estreia do Jornal da Noite. Em 1985, o SBT se consolidou nacionalmente em estrear sua programação em rede nacional via satélite para todo o Brasil, através do Brasilsat, canal exclusivo da Embratel. Em 1986, a Record transmitiu sua segunda Copa do Mundo num pool com o SBT diretamente do México. No ano de 1987, o Programa Silvio Santos deixa de ser exibido na Record.

A partir de 1988, começou a surgir o interesse na venda da Rede Record. Uma das interessadas foi o Grupo Abril, que buscou comprar a parte pertencente à família Machado de Carvalho. Logo após saber da venda do canal, o líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, se interessou em comprar a Record. Na época, ele estava nos Estados Unidos e ficou sabendo da venda da emissora pelo seu advogado Paulo Roberto Guimarães. Macedo nomeou o pastor Laprovita Vieira para ser o intermediário da compra da Record. Laprovita fez uma reunião com Demerval Gonçalves, representante de Silvio Santos e de Paulo Machado de Carvalho, na antiga sede da emissora, no bairro da Moema em São Paulo; a negociação foi rápida.[40] Além da Record, Edir Macedo também adquiriu a Rádio Record.

A partir de 1990, Macedo passou a ser proprietário da Rede Record. Um dos objetivos era voltar a alcançar o segundo lugar em audiência, ocupado na época pelo SBT. Portanto, a emissora buscava a ser uma rede de televisão comercial, embora não abrisse mão dos conteúdos religiosos da Igreja Universal.
O negócio originou a criação da Central Record de Comunicação (atual Grupo Record), que se tornou o principal conglomerado midiático controlado pelo próprio Macedo que hoje inclui, além das próprias TV e Rádio Record, o portal R7, Record Entretenimento, Record News, dentre outros.[carece de fontes]

Crescimento e investimentos (1990–2007). Após a sua venda, a Record passou por drásticas mudanças: foi apresentada uma nova identidade visual em julho de 1990 e uma reformulação em seus programas que conseguiram recuperar sua audiência perdida. A emissora iniciou sua expansão nacional quando começou a transmitir seu sinal pelo satélite BrasilSat A2, passando a distribuir sua programação também nas parabólicas. O canal voltou a ganhar caráter nacional e reforçou a marca Rede Record, começando a adquirir emissoras próprias, afiliadas e retransmissoras para sua nova rede.

Em 1995, a emissora compra os antigos estúdios da TV Jovem Pan na Barra Funda, além da maioria dos equipamentos que pertenciam ao canal, incluindo algumas câmeras BETACAM, ilhas de edição e carros para transmissões externas. Apesar da compra, somente em 1998 que a Record mudaria oficialmente a sua sede para o novo prédio da Barra Funda, encerrando as atividades no prédio da Avenida Miruna, em Moema. Durante este período, a empresa contratou diversos artistas para preencher sua grade de programação dentre os quais mais se consagraram foram Eliana, Raul Gil, Gilberto Barros, Ratinho, Milton Neves e outros diversos. A Record passa a ocupar a terceira colocação na audiência nacional ultrapassando a Band e a já falida Rede Manchete.

Em 2004, a emissora decide apostar numa nova fase visando mais audiência. Com o slogan A caminho da liderança, a Record começa a ampliar suas atrações produzindo programas consagrados, novas vinhetas e telenovelas que se tornam populares. Dentre os sucessos desta nova fase, destacam-se as produções A Escrava Isaura, Prova de Amor, Vidas Opostas e Caminhos do Coração (que foi dividida em três temporadas devido à sua enorme audiência).[carece de fontes] Na época também fechou um acordo milionário com a Universal Studios, para a exibição exclusiva de filmes e séries.


Lula e Edir Macedo na cerimônia de abertura da Record News

No dia 27 de setembro de 2007 foi inaugurada a Record News, o primeiro canal de notícias da TV aberta brasileira, ocupando o sinal da antiga Rede Mulher. No dia da fundação da nova emissora do grupo estiveram presentes o governador do estado de São Paulo José Serra, o prefeito da cidade de São Paulo Gilberto Kassab, o então presidente da Record Alexandre Raposo, o proprietário Edir Macedo e o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. A cerimônia de inauguração do novo canal foi transmitida pela Rede Record dentro do Jornal da Record, além da própria Record News.

Reformulação (2010–2015). No começo de 2010, um helicóptero da Record caiu dentro do Jockey Club de São Paulo depois de sofrer uma pane. A aeronave estava naquela região para cobrir um assalto que tinha ocorrido no bairro do Morumbi, Zona Sul de São Paulo. O piloto do helicóptero, Rafael Delgado Sobrinho, morreu na hora e o cinegrafista Alexandre Silva de Moura "Borracha" foi levado em estado grave para o hospital; os dois ocupantes foram socorridos pelo Globocop da TV Globo. A Rede Record lamentou o ocorrido na época e encerrou o Jornal da Record em silêncio, sem ao menos desejar boa noite aos seus telespectadores.

Em 2010, a Record obteve 2,7 bilhões de reais de faturamento, exatos 25% a mais em relação a 2009. 
Em 2011, a emissora faturou 3,5 bilhões de reais, e, em 2012, 1,72 bilhão. As informações são do vice-presidente comercial da rede.

Em 2012, a Record transmitiu com exclusividade os Jogos Olímpicos de 2012 em Londres e as inéditas Olimpíadas de Inverno de 2010 em Vancouver. Foi a primeira vez que a rival Rede Globo ficou de fora da transmissão de uma Olimpíada.[carece de fontes]

Em 2013, a Record passou por uma reformulação, que acabou resultando na troca do alto comando da emissora. Alexandre Raposo acabou demitido e para seu lugar Luiz Cláudio Costa veio da Record Brasília para o cargo de presidente. Outra troca importante no comando foi a de Honorilton Gonçalves, por Marcelo Silva no cargo de vice-presidente da Record. Depois de passar 2012 sem muita lucratividade, a empresa contratou um serviço de consultoria para reformular suas estratégias de mercado.

Atualidade (2016–presente). Para marcar um reposicionamento da marca, a Record, na noite de 24 de novembro de 2016, durante a exibição do Jornal da Record, apresentou ao público sua nova identidade visual. O telejornal exibiu uma reportagem sobre a mudança da marca e do slogan da emissora, que passa a ser "Reinventar é a nossa marca". O nome da emissora também foi alterado para RecordTV. A  mudança ocorre para consolidar a imagem da RecordTV como uma emissora de vanguarda e multiplataforma, atrelada à televisão do futuro e reafirmar que sua atuação está além das fronteiras do Brasil e chega com seu sinal a mais de 150 países. Além disso, produtos como novelas e minisséries são exportados para países de todos os continentes.

Em 6 de novembro de 2023, a emissora adotou uma nova identidade visual e retomou seu nome original, deixando de usar RecordTV como marca.

Teledramaturgia. Telenovelas. A primeira telenovela produzida e exibida pela Record foi o folhetim A Muralha, de 1954.[56] Entre 1954 e 1977, o canal havia produzido setenta e oito telenovelas. Nesse primeiro período, ainda na era de Silvio Santos e Paulo Machado de Carvalho, destacaram-se Os Deuses Estão Mortos e As Pupilas do Senhor Reitor, sendo que esta última, segundo a Unicamp, tornou-se a novela de maior audiência da história da Record.[carece de fontes] A última produção da emissora nessa primeira fase foi Meu Adorável Mendigo de 1974, trama que encerrou o núcleo de teledramaturgia na emissora, que foi desmontado e os profissionais dispensados após este período. Em 1977, no entanto, a emissora exibiu O Espantalho, uma parceria com a autora Ivani Ribeiro, que havia começado no canal em 1954. Entre 1999 e 2004 foram produzidas de forma despretensiosa oito telenovelas adicionais, originárias de parcerias da Record com empresas independentes.

Em 10 de maio de 2004, Herval Rossano foi contratado como diretor geral de teledramaturgia e passou a orientar a emissora na reestruturação, promovendo o investimento na compra de equipamentos de última geração, novos estúdios e expansão da equipe, além da aquisição de um casting de autores em ascensão e novos atores qualificados. O diretor apresentou a proposta de sete tramas de autores diferentes antes que fosse escolhida qual reestrearia a dramaturgia na emissora. Além da telenovela de estreia desta nova fase, A Escrava Isaura, se destacaram diversas outras produções, como Vidas Opostas, Prova de Amor, Amor e Intrigas, Chamas da Vida e Caminhos do Coração.


Bianca Rinaldi com o figurino da protagonista Isaura da novela A Escrava Isaura.

Em 2015, foi produzida a trama Os Dez Mandamentos, a primeira telenovela bíblica da emissora e do Brasil. Os Dez Mandamentos foi um sucesso imediato e fez história na televisão brasileira. Com a novela, a emissora bateu um recorde de audiência ao ultrapassar pela primeira vez em 40 anos a principal novela da Globo. Com o sucesso da novela, a Record decidiu em outubro de 2015 que o horário das 20h30 seria apenas dedicado às produções bíblicas. A novela também foi transmitida em vários países (como na Argentina pela Telefe).



Em 19 de janeiro de 2021, com o lançamento da novela Gênesis, a Record conseguiu ganhar de sua concorrente em duas capitais e tornar uma das produções mais seguida do mundo.

Minisséries e séries. Até o momento a Record exibiu mais de 20 séries, seriados e minisséries em suas diferentes fases, desde a década de 1950. Também a partir da retomada do núcleo de teledramaturgia da emissora, em outubro de 2004, além das telenovelas, algumas séries e minisséries foram produzidas, em sua maioria com temática bíblica ou policial.




Identidade visual. Desde sua fundação em 1953, a Record apresentou diversas identidades visuais. Sua primeira logomarca foi uma rosa-dos-ventos com a descrição "TV Record". Desde então, vários símbolos foram adotados para a identificação visual da emissora, sendo que até mesmo um tigre foi adotado como um mascote do canal na década de 1960, assim como suas então principais rivais naquela época Tupi e Excelsior (que usavam um índio e duas crianças em suas vinhetas, respectivamente).
Cobertura.

Atualmente, a Record possui 15 emissoras próprias e 96 afiliadas, totalizando 111 emissoras. Foi uma das pioneiras no Brasil na transmissão digital.


A jornalista da Record, Adriana Bittar, durante a gravação de uma matéria jornalística em Pretória, na África do Sul.



Cobertura internacional. Criada em 2002, a Record Internacional está presente em 150 países e leva programas que são sucesso no Brasil. A Record Internacional contém seis canais que levam sinal digital pelo mundo e 17 emissoras. A emissora é também afiliada à CNN International. Na África, a Record está em Moçambique, Uganda, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Madagascar. Em Moçambique, a TV Miramar, que faz parte da Record Internacional, tem 10 emissoras e tem diversos programas locais de grande sucesso. Adicionalmente, a emissora também transmite para toda a Ásia, sendo que essa cobertura é feita por dois satélites: Asiasat 2 e Jsat. Nos Estados Unidos, a cobertura é feita pelos satélites NSS-806 e EchoStar e é distribuída pela Comcast e pela Dish Network. Na Europa, a Record é a única televisão brasileira disponível sem nenhum pagamento de assinatura. A cobertura atinge todos os países do continente.

Capa da autobiografia de Edir Macedo publicado pela Editora Planeta


Controvérsias, perseguições  e prisão de Edir Macedo. A venda da Record em 1989 para o empresário Edir Macedo até hoje é motivo de controvérsias: a Polícia Federal realizou uma investigação na qual descobriu que parte do dinheiro usado por Macedo para a compra da estação consistia em empréstimos sem juros de sua Igreja Universal. O líder da IURD foi condenado a pagar uma multa por não ter declarado esse dinheiro. No ano de 1992, os estúdios da emissora, ainda localizados na Moema, sofreram um novo incêndio onde vários documentos relativos a venda da Record se perderam, fazendo com que a transação devesse mais explicações satisfatórias.

No ano de 1992, Edir Macedo foi preso logo após ter realizado um culto no Templo Maior da Igreja Universal no bairro de Santo Amaro em São Paulo sob a acusação de charlatanismo, estelionato e lesão à crendice popular". O então novo dono da Record ficou preso durante 11 dias e foi solto por falta de provas, posteriormente livrando-se das acusações. 

Cenas da prisão de EDir Macedo no  filme biográfico baseado no livro Nada a perder. 


No final de 1995, Macedo seria mais uma vez alvo de polêmica ao aparecer em um vídeo gravado em 1990 por um ex-integrante da IURD e veiculado na TV Globo onde o líder espiritual aparecia ensinando outros pastores a convencer fiéis a doar dinheiro para a sua igreja. Com a viralidade do vídeo na internet, Macedo tentou pedir a justiça para que cópias da reportagem da Globo saíssem do YouTube, mas teve seu pedido negado.

Entre 2008 e 2009, a Universal foi acusada de lavagem de dinheiro e seus integrantes, incluindo Edir Macedo, foram acusados por formação de quadrilha. O caso ganhou notoriedade, principalmente, por ter sido bastante veiculado novamente pela Rede Globo dentro do Jornal Nacional. Em resposta, a Record apresentou dentro do seu Jornal da Record várias acusações antigas que a Globo tinha como suas supostas ligações no resultado das eleições para presidente em 1989 e também com a Ditadura Militar. O caso posteriormente foi arquivado e a Record novamente criticou a Globo por não noticiar a inocência de Edir Macedo.

Segundo a revista Forbes, Edir Macedo é o pastor mais rico do Brasil, tendo um patrimônio estimado em janeiro de 2013, em quase dois bilhões de reais. A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e Edir Macedo contestaram e afirmaram em nota que, embora a Rede Record seja de sua propriedade, Macedo não seria remunerado nem participaria de lucros ou quaisquer outros recursos financeiros provenientes da emissora e que os mesmos seriam reinvestidos na Record. Seu único sustento viria da igreja através da "ajuda de custo" paga a pastores e bispos pela instituição e dos direitos autorais dos livros de sua autoria.

Em 2007, o jornal Folha de S.Paulo apontava que Macedo era o maior detentor de concessões na mídia eletrônica brasileira, com 23 emissoras de televisão, entre elas a Rede Record, e 40 emissoras de rádio, e que a extensão financeira do conglomerado, registrada no então paraíso fiscal da Ilha de Jersey, serviria para "lavagem de dinheiro" dos dízimos recebidos pela Universal.
Relação com a Igreja Universal. Segundo a investigação, ao menos 50 empresas, como emissoras de rádio e TV (em especial a Rede Record), gráficas e agências de turismo controladas direta ou indiretamente por integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus são beneficiadas por doações feitas por fiéis da IURD em todo o país.

A Igreja Universal, juntamente com a Record e a Folha Universal, principais meios de comunicação ligados à Universal, também já tiveram inúmeros conflitos editorias com vários outros meios de comunicação no Brasil, entre eles o portal UOL, a revista Veja, o jornal Folha de S.Paulo e em especial a Rede Globo. Edir Macedo afirmou ao site da IstoÉ que a emissora carioca é um dos maiores inimigos da Universal.
 

Fotografia de um televisor exibindo o momento em que o ex-bispo Sérgio von Helde chuta a estátua.


Chute na santa. Na madrugada do feriado de 12 de outubro de 1995, dia de Nossa Senhora Aparecida comemorada pelos católicos, foi exibido na Rede Record o programa O Despertar da Fé, produzido pela Igreja Universal liderada por Edir Macedo, dono da emissora. Durante a transmissão, o então bispo e televangelista Sérgio von Helder desferiu diversos pontapés e golpes numa imagem da Santa que ele mesmo havia comprado. Além de ter praticados agressões contra a imagem, Sérgio afirmou que "Deus não poderia ser comparado a um 'boneco' tão feio, tão horrível e tão desgraçado".

O ocorrido foi noticiado pelo Jornal Nacional da concorrente Rede Globo no dia seguinte, causando grande repercussão nacional. O fato foi visto com amplas críticas não só pelos católicos, como também por outras religiões, sendo relatado como intolerância religiosa. Na época, Edir Macedo chegou a oferecer espaço na Record para alguns líderes católicos como um pedido de desculpas, sendo recusado pelos mesmos. Posteriormente, Macedo afirmou que estava sofrendo perseguição religiosa da mídia, em especial da TV Globo, chegando a afirmar que a emissora de Roberto Marinho havia lhe transformado em um "monstro".



Edir Macedo ao lado de Jair Bolsonaro e Silvio Santos durante as comemorações do Dia da Pátria de 2019.

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SILVIO SANTOS E O SBT

POSTADO NO DIA DA MORTE DO APRESENTADOR (17 DE AGOSTO DE 2024)





Silvio Santos (Senor Abravanel) nasceu em 12 de dezembro de 1930, na Travessa Bemtevi, no bairro da Lapa, na região central da cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil e sede do então Distrito Federal. Filho primogênito de um casal de imigrantes vindo em 1924 para o Brasil: Alberto Abravanel (1897–1976), um imigrante judeu sefardita nascido na cidade de Tessalônica (hoje parte da Grécia), e Rebecca Caro (1907—1989) também judia de origem sefardita nascida na cidade de Esmirna (hoje parte da Turquia). Ambos os pais nasceram como súditos do Império Otomano. Silvio possui outros cinco irmãos: Beatriz (a mais velha), Perla, Sara (Sarita), Leon (Léo) e Henrique (o mais novo). Seus pais estão sepultados no Cemitério Comunal Israelita do Caju, Rio de Janeiro. A mãe de Senor é quem o chamava de "Silvio". O sobrenome artístico surgiu quando Senor foi participar do programa de calouros comandado pelo apresentador Jorge Curi e o produtor Mário Ramos.

Educação e serviço no Exército Brasileiro. Senor e o irmão Léo frequentaram a Escola Primária Celestino da Silva, na rua do Lavradio, perto de onde moravam (rua Gomes Freire). Terminado o primário, estudaram na Escola Técnica de Comércio Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado, onde Senor se formou técnico em contabilidade. O primeiro tipo de produto que começou a comercializar foi capa para título de eleitor (o Brasil entrava numa fase de redemocratização após a ditadura do Estado Novo) Sua voz começou a chamar a atenção e foi chamado para fazer um teste na Rádio Guanabara. Passou em primeiro lugar, mas preferiu voltar a trabalhar como camelô porque faturava mais. Em 1948, serviu o Exército Brasileiro na Escola de Paraquedistas, no bairro de Deodoro, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde se destacou com saltos considerados bons.


Silvio Santos (à direita) com a equipe da Rádio Nacional de São Paulo


Início como comunicador. Enquanto seguia no Exército, Silvio Santos voltou para o rádio. Como não atuava como paraquedista aos domingos, passou a trabalhar na Rádio Mauá nesse dia da semana, acompanhando o programa de Silveira Lima. Depois, transferiu-se para a Rádio Tupi. Nessa época, chegou a fazer algumas figurações para a TV Tupi. Também trabalhou na Rádio Continental, de Niterói.

Por trabalhar em Niterói, Silvio era usuário do serviço de barcas do Rio de Janeiro. Ao perceber que podia colocar um sistema de música para animar as viagens, apostou nesse novo tipo de serviço e pediu demissão da Continental. Conseguiu a aparelhagem e criou um serviço que trazia música e propagandas. O sucesso foi tanto que as barcas passaram a ter um bar e um bingo, onde o consumidor comprava um refrigerante e ganhava uma cartela para concorrer a prêmios como jarras e quadros.

Com o êxito no sistema de barcas, Silvio passou a ser o principal cliente da Antarctica na venda de refrigerantes e cervejas. Logo, passou a ser amigo de um dos diretores da empresa. Quando a barca ficou em reparos, Silvio foi convidado a ir para São Paulo. Conseguiu uma vaga na Rádio Nacional de São Paulo e continuou a carreira de empresário, criando uma revista chamada Brincadeiras para Você. Criou também uma caravana para se apresentar aos sábados e domingos em circos e clubes ao lado de outros artistas, que acabou ganhando o nome de "Caravana do Peru que Fala" devido ao apelido dado pelo amigo Manuel de Nóbrega, que fazia brincadeiras com Silvio em seu programa no rádio, deixando-o vermelho. Em 1958, Silvio participou de alguns "teledramas" na TV Paulista.

Começo do Baú da Felicidade. Em 1958, Manuel de Nóbrega administrava junto com um alemão o Baú da Felicidade, que vendia brinquedos a prazo. O radialista contribuía com anúncios na Rádio Nacional, enquanto o sócio tocava a empresa. Entretanto, ele passou a ter dificuldades com a companhia, que não conseguia entregar os baús de brinquedos. Manuel havia sido traído pelo sócio alemão que ficou com o dinheiro. Silvio assumiu a empresa, atendendo a um pedido de Manuel. Ao conhecer a sede, descobriu que o Baú da Felicidade funcionava numa espécie de "porão" na rua Libero Badaró. Silvio pediu ao alemão para que fosse embora. E pediu para que Manuel de Nóbrega continuasse a fazer os anúncios na Rádio Nacional.

O negócio passou a crescer sob o comando de Silvio Santos que mudou a sede da empresa, além de conseguir uma parceria com a Estrela na fabricação de 40 mil bonecas. Manuel de Nóbrega deixou a empresa sem jamais ter conhecido a sede (ele mesmo não se considerava um homem de negócios), fazendo com que Silvio assumisse o controle da companhia. O Baú passou a ser base dos programas que Silvio viria a apresentar na televisão. Dessa forma, Silvio manteve o sistema de crediário, mas criou lojas em que as pessoas poderiam trocar os carnês quitados por brinquedos ou eletrodomésticos.

Começo e expansão na televisão. Silvio ganhou a chance de estrelar seu programa de televisão, adaptando o formato dos shows, espetáculos e sorteios que fazia no circo. Seu primeiro programa, Vamos Brincar de Forca, estreou em 1960 e era transmitido pela TV Paulista canal 5 de São Paulo à noite, tendo obtido um imenso sucesso. Ficou poucos meses nessa faixa de horário, pois a TV Paulista desejava uma programação de variedades nas tardes de domingo, já que a emissora só iniciava a programação por volta das 15h30. Já em 1963, foi lançado o Programa Silvio Santos, sua principal marca. Outras de suas marcas conhecidas também começaram a ser veiculadas nessa época: em dezembro de 1962, entrou no ar o Pra Ganhar É Só Rodar; em 1965, já existia o Festival da Casa Própria, este na TV Tupi.

Na Tupi, apresentava programas às quartas-feiras, incluindo atrações como Festa dos Sinos, Cidade contra Cidade e Silvio Santos Diferente, que foi transferido para a Record em 1976, ficando no ar de março a setembro, quando Silvio parou temporariamente de fazer programas à noite.

Em 1966, a TV Paulista se transformou na TV Globo São Paulo, e Silvio assinou um contrato de cinco anos com os novos proprietários. Atingiu a liderança de audiência ao vencer o programa Jovem Guarda, de Roberto Carlos, na Record.

Na medida em que aumentava o sucesso do Programa Silvio Santos, Silvio tinha ótimos resultados financeiros. Realizava sorteios de carros, móveis e eletrodomésticos, o que motivou a expansão dos negócios através da loja de móveis Tamakavy e a concessionária de veículos Vimave.


Silvio Santos no programa infantil "Revelações" da TV-Rio, 1964

Quase tudo o que sei sobre o público, aprendi com um domador de circo. O público é como um leão, se você tiver medo, ele te devora!
— Silvio Santos, em entrevista para reportagem da Revista Veja, em 1969.

Em 1969, a Globo passou a exibir o Programa Silvio Santos em rede para o Rio de Janeiro, naquela altura líder absoluto de audiência. Antes, Silvio já havia feito uma experiência na televisão carioca pela TV Rio, em 1964, à frente do Revelações Kibon.

O Programa Silvio Santos começou a apresentar, em 1971, o Troféu Imprensa, premiação criada pelo jornalista Plácido Manaia Nunes. Em 1974, inaugurou a Studios Silvio Santos Cinema e Televisão Ltda, que passou a ser a base da produção de seus programas, além da produção de comerciais de TV e coberturas jornalísticas. A empresa funcionava na sede da antiga TV Excelsior.

Fundação da TVS Rio de Janeiro


Tony Tornado e Silvio Santos nos anos 1970

No início dos anos 1970, Boni e Walter Clark, diretores da TV Globo, promoveram reformas no padrão de qualidade da emissora, investindo em filmes, esporte, jornalismo e novelas e acabando com os programas independentes. Para os executivos, o programa de Silvio Santos destoava da grade de programação.

O apresentador quase saiu da emissora em 1972, mas Roberto Marinho o convenceu a ficar, renovando o contrato por mais quatro anos. Silvio buscava uma concessão de televisão, mas o contrato com a Globo o impedia de ser sócio de uma outra emissora de TV. Até que Dermerval Gonçalves, empresário e amigo próximo de Silvio, procurou o empresário Joaquim Cintra Godinho, para que pudesse emprestar o nome na compra das ações da TV Record até que Silvio encerrasse o vínculo com a Globo. O negócio foi feito, e Cintra Godinho manteve esse segredo até o último instante. Tudo isso foi necessário para que Silvio não ficasse fora do ar em São Paulo.

A primeira etapa para conseguir um canal próprio de televisão seria no Rio de Janeiro, após a abertura de concorrência pelo canal 11. A intenção de Silvio em ter o canal recebeu o apoio de artistas do Brasil inteiro. Até mesmo Carlos Imperial, então crítico de seus programas, manifestou apoio a Silvio Santos.
Silvio Santos, Euclides Quandt de Oliveira (então Ministro da Comunicação) e Manuel de Nóbrega durante reunião em 1975, ano em que o apresentador foi autorizado a ter televisão própria. No dia 22 de dezembro de 1975, o presidente Ernesto Geisel e o ministro Quandt de Oliveira assinaram o decreto 76.488, outorgando a frequência para Silvio Santos. A oficialização da concessão aconteceu em Brasília, com a presença de Silvio e de Manuel de Nóbrega, que relembraram o início da amizade em São Paulo Silvio pretendia que Manuel fosse diretor-superintendente do novo canal, mas o amigo estava em tratamento de um câncer e faleceu no dia 17 de março de 1976 sem ver a estação ser inaugurada.

O primeiro desafio de Silvio Santos era colocar o canal no ar em pouco tempo. Silvio comprou equipamentos nos Estados Unidos, mas viu nos jornais que haveria um leilão da massa falida da TV Continental. Estando interessado na torre, Silvio arrematou o equipamento. A mídia da época informou que o apresentador havia arrematando sucata, mas foi descoberto que os equipamentos da Continental eram aptos para transmitir a cores. Assim, em 14 de maio de 1976, foi inaugurada a TVS Rio de Janeiro. A programação da emissora era composta por séries e filmes. A partir do dia 1.º de agosto de 1976, uma semana depois de deixar a Globo, o Programa Silvio Santos passou a ser exibido na TVS. O ano de 1976 também foi marcado pela formalização da compra de 50% das ações da TV Record. Assim, o Programa Silvio Santos era transmitido pela Rede Tupi, TVS e Record.

Em 1977, Silvio Santos entrou no mercado das telenovelas, quando seu estúdio produziu a novela O Espantalho, sendo exibido na TVS e na Record.

Formação do SBT. Silvio prosseguiu na Rede Tupi, embora já houvesse rumores de que a emissora poderia ser fechada. Em seu último contrato, válido a partir do dia 1.º de fevereiro de 1980, havia uma cláusula que permitia a Silvio migrar para outra rede, sem pagar multa, em caso de excepcional importância.[19] E o fechamento total da Tupi aconteceu no dia 16 de julho de 1980.[19] As emissoras que até então exibiam a Tupi, acabaram migrando para a TVS. Enquanto isso, o governo federal abriu licitação para os canais cassados da Tupi e as emissoras que estavam desativadas - o canal 9 de São Paulo, da Excelsior, e o canal 9 do Rio, da Continental.[19] Começou uma batalha política para que Silvio pudesse ser o concessionário dos canais desativados - entre os concorrentes estavam empresas como a Rádio Jornal do Brasil, Grupo Abril, o Grupo Bloch e a rede de rádios do empresário Paulo Abreu. Silvio pediu para o IBOPE fazer uma pesquisa para perguntar aos brasileiros sobre quais grupos o governo deveria entregar as concessões de televisão. Os resultados que colocavam o apresentador como grande favorito do público foram publicados nos jornais no dia 26 de outubro de 1980.


Silvio Santos (esquerda) junto ao então presidente João Figueiredo e sua filha Silvia Abravanel, nos anos 1980.


Em 1981, através de um lobby com a primeira-dama Dulce Figueiredo, com quem tinha longas conversas por telefone, Silvio Santos foi um dos vencedores da concorrência pública do governo federal. A outra empresa vencedora foi o Grupo Bloch, que formou a Rede Manchete. O Sindicato dos Radialistas de São Paulo reclamou do resultado da licitação. A entidade afirmou que Silvio estava mais preocupado em vender carnês do Baú da Felicidade e lembrou da situação da emissora do Rio de Janeiro, que exibia "enlatados". Silvio foi o vitorioso pelo canal 4 de São Paulo, a antiga Tupi. O objetivo seguinte foi colocar a nova emissora no ar rapidamente. Foram reaproveitados os ex-funcionários do antigo canal paulistano. A transmissão foi feita a partir da torre da Record com transmissores importados da RCA norte-americana. Outra opção seria alugar os equipamentos da Tupi, mas Silvio temia em ser considerado o sucessor e herdeiro das dívidas da emissora cassada.

No dia 19 de agosto de 1981, às 9h30, entrava no ar a TVS São Paulo que, junto com a TVS Rio de Janeiro, formavam as duas primeiras emissoras do Sistema Brasileiro de Televisão. A primeira transmissão foi justamente a assinatura do contrato de concessão, que teve a presença do ministro das Comunicações, Haroldo Correa de Matos. Depois, foram exibidos os programas O Povo na TV e Bozo, com desenhos como Tom & Jerry, Pica-Pau e Pernalonga. Em seguida, entraram no ar os outros canais outorgados a Silvio Santos. Em 26 de agosto de 1981, entrava no ar a TVS Porto Alegre; e o sinal de Belém chegou no dia 2 de setembro. Silvio também tinha a outorga do canal 9 do Rio de Janeiro, que foi cedido para Paulinho Machado de Carvalho para a transmissão da TV Record do Rio de Janeiro. Posteriormente, se transformaria na TV Corcovado, que acabou vendida a José Carlos Martinez para formar a Rede CNT, sediada em Curitiba.



VIII


PERDIZES, PARQUE DA ÁGUA BRANCA E SUMARÉ



Cruzamento da rua Caiubi com Cardoso de Almeida nos ano anos 1960. 

Perdizes é um bairro nobre situado na zona oeste do município de São Paulo e pertencente ao distrito de Perdizes. Possui o terceiro maior IDH entre os distritos paulistas, ficando atrás apenas de Moema e Pinheiros.Limita-se com os bairros de: Sumaré, Vila Pompéia, Água Branca, Barra Funda e Pacaembu.

História. A exemplo de muitos bairros paulistanos, Perdizes proveio de propriedades rurais, sendo uma delas a Sesmaria do Pacaembu. Há registros, datados de 1850, que indicam a presença de chácaras na região, algumas delas criavam animais, como a perdiz. Uma dessas propriedades pertencia a Joaquim Alves, um vendedor de garapa que criava perdizes em seu quintal, onde hoje é o Largo Padre Péricles. A ave batizou a localidade, informalmente chamada até então de Campo das Perdizes. Devido ao crescimento da cidade as características rurais da área desaparecem pelo loteamento e venda das terras. Ao final do século XIX, especificamente em 1897, Perdizes entra na planta oficial da cidade. Nas primeiras décadas do século vindouro houve um crescimento imobiliário do novo bairro, sendo consolidado na década de 1940 como um bairro de classe-média. Com o passar do século verticaliza-se e sedia importantes instituições educacionais, como a PUC-SP em 1946. A quadra, onde atualmente se encontra a PUC-SP, formada pelas atuais ruas Monte Alegre, João Ramalho, Ministro Godoy e Bartira, constituía-se na antiga Chácara Lúcia de propriedade de Germaine Lucie Buchard, Condessa de Gontand Birou. Em 1948, as Carmelitas deixaram o Mosteiro que foi doado para a Universidade Católica. O conjunto é formado pelo antigo Convento das Carmelitas Descalças e Capela, projetado por Alexandre Albuquerque, no início da década de 1920, em estilo neocolonial e pelo Teatro da Universidade Católica – TUCA, de 1965. A mesma universidade foi alvo de emblemáticas intervenções e manifestos ocorridos na ditadura militar, como a: invasão de seu câmpus em 1977 e as manifestações no TUCA, teatro da universidade.

Tombamentos. Neste bairro, em 1900, no Largo das Perdizes, existia uma Capela, ou seja, uma igreja nacional, muito pequena e pobre, dedicada à nossa Senhora da Conceição e Santa Cruz. E nesta Capela funcionou a primeira Matriz da nova Paróquia de São Geraldo. No Largo Padre Péricles (antigo Largo das Perdizes), se localiza a Paróquia São Geraldo das Perdizes, criada em 15 de fevereiro de 1914, por Dom Duarte Leopoldo e Silva, Arcebispo Metropolitano de São Paulo. Na Paróquia São Geraldo, muitos tesouros arquitetônicos e artísticos estão guardados, mas o de maior destaque é o que está protegido no Campanário: o Sino que anunciou a Sete de Setembro de 1822, uma hora após a proclamação, a Independência do Brasil, às margens do Ipiranga pelo príncipe D. Pedro. O CONDEPHAAT tombou alguns edifícios do bairro, bem como o histórico Sino da Independência do Brasil, localizado no campanário da Igreja de São Geraldo. Além desse objeto, tombado em 1972, a dita igreja também possui outros acervos significativos, entre eles o conjunto de sessenta vitrais, alguns deles executados pela famosa Casa Conrado Sogenith, de São Paulo. e o conjunto de edifícios da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Em estudos para Tombamento pelo Conpresp, a pedido de moradores, estão 38 imóveis, visando a preservação de sobrados e casarões históricos. Estão em sua maioria em ruas como Doutor Homem de Mello, Turiaçu, Ministro Godoy, Germaine Burchard, Monte Alegre, Itapicuru, Bartira, Caiubi e Vanderlei. Perdizes e o Parque da Água Branca. Outras paróquias históricas do bairro são: a Paróquia de Santa Rosa de Lima em honra a Santa Rosa de Lima, padroeira do bairro e a Igreja de São Domingos.

Avenida Heitor Penteado. 

Sumaré é um bairro nobre da cidade de São Paulo localizado na zona oeste, no distrito de Perdizes. Está localizado em uma das regiões mais altas da cidade, chamada de Espigão da Paulista. O bairro-jardim é resultado do loteamento original da Sociedade Paulista de Terrenos e Construções Sumaré Ltda., moldado com extensa porcentagem de área verde e solo permeável, apresentando também traçado viário tortuoso. Seu nome se deve a uma espécie de orquídea de nome científico Cyrtopodium puntactum. No Sumaré, foi inaugurado o primeiro canal de televisão da América Latina, a TV Tupi, em 1950. Em 1983 foi construída ali a primeira sede da Rede Manchete em São Paulo, idealizada por Oscar Niemeyer, na rua Bruxelas. No ano de 1981 o SBT iniciou suas atividades no bairro, onde tinha prédios com antena de transmissão. No ano de 1991 o SBT reativou seus estúdios no bairro, onde foram gravadas algumas de suas novelas, além do talk-show Jô Soares Onze e Meia. Esses estúdios foram parcialmente abandonados em 1996, como foi na Vila Guilherme, quando a emissora mudou-se para o CDT da Anhanguera. Ainda hoje, o bairro é lembrado e caracterizado pelas diversas antenas de transmissão cortando sua paisagem, composta também por muitas árvores e ruas sinuosas e inclinadas, além de casas de alto-padrão, vielas grafitadas, prédios de poucos andares - característicos da década de 1950, casinhas geminadas e pequenas vilas. É classificado pelo CRECI como "Zona de Valor B", assim como: Brooklin, Alto da Lapa e Vila Madalena. No bairro, há grandes exemplares da arquitetura moderna paulista, como o Edifício Jaraguá, de autoria de Paulo Mendes da Rocha, o Spazio 2222, de Décio Tozzi, e residências de Vilanova Artigas. O Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima é muito procurado pela colônia portuguesa, notadamente no mês de maio. Nele foi gravada a última cena da novela Éramos Seis, da autoria da escritora Maria José Dupré, em 1994 pelo SBT. Em virtude deste aparato arquitetônico o Sumaré é tombado pelo CONDEPHAAT, e com isso sua área está preservada da verticalização e de mudanças no traçado das ruas, mantendo suas características originais. A população do Sumaré é bairrista, fato comprovado no ano de 2003, quando impediu a construção de um prédio de oito andares nos territórios do bairro.


Estação Sumaré.Encontram-se no bairro as sedes da Pró-TV, e da Ideal TV, situada no Edifício Victor Civita, o mesmo prédio na qual já sediou as extintas Rede Tupi, MTV Brasil e Loading. Apresenta também uma quantidade considerável de antenas de transmissão de emissoras nacionais, exemplos das torres: Cultura, da TV Cultura, Bruxelas, da RedeTV!, Victor Civita, que transmite a Ideal TV, e Assis Chateaubriand, do SBT, localizada no Estúdio S. Este estúdio é a base operacional de transporte da rede, sendo alugado também pela ESPN. Suas vias principais são Rua Heitor Penteado, Rua Apinagés, Avenida Sumaré, Avenida Doutor Arnaldo e Avenida Professor Alfonso Bovero, por onde circulam linhas de ônibus para as zonas Oeste, Sul e Norte de São Paulo. Além disso, o bairro é servido por duas estações de metrô da Linha 2 - Verde: Estação Sumaré e Estação Vila Madalena.

1960 - Avenida Sumaré  e Rua Grajaú .Fotos antigas de SP, Cidade


Carro descendo a rua Caiubi no cruzamento com a avenida Sumaré (lado Sumaré) nos anos 1960.


A Avenida Sumaré é uma importante avenida da zona oeste de São Paulo. Corta o bairro de Perdizes, estendendo-se sobre o Córrego Sumaré, canalizado em direção à Avenida Antártica. Embaixo do viaduto da Avenida Doutor Arnaldo e sobre a Avenida Sumaré, foi construída a Estação Santuário Nossa Senhora de Fátima-Sumaré. Pela avenida, é possível acessar diversos pontos referenciais da região, como a Sociedade Esportiva Palmeiras, o Allianz Parque, as escolas de samba Tom Maior e Camisa Verde e Branco, a universidade PUC-SP, o Parque da Água Branca, o Terminal Rodoviário Barra Funda, os estúdios da MTV, Record e ESPN Brasil, o Museu das Invenções e os shopping centers West Plaza e Bourbon. É considerada uma avenida radial pela prefeitura, por cortar em forma longitudinal um bairro e construída num fundo de vale de um córrego canalizado na década de 1960.
História. A construção da avenida já era prevista desde um projeto elaborado pelo prefeito Prestes Maia, em 1944, mas a ideia foi deixada em segundo plano pelas administrações posteriores. Ao assumir novamente a Prefeitura, em 1961, Prestes Maia voltou a dar atenção ao projeto e deu início às obras de canalização de 3,4 mil metros do Córrego Sumaré. Com a conclusão dessa obra, em 1965 foi dado início à pavimentação na nova via, com pistas de dez metros de largura cada e um canteiro central com dez ou catorze metros de largura, dependendo do trecho. A partir do segundo semestre de 2006, a avenida foi utilizada para o projeto piloto de uma faixa exclusiva para motocicletas. Para isso, suas três faixas foram estreitadas e a velocidade máxima na via caiu para 60 km/h. O projeto foi considerado polêmico, pois ao mesmo tempo em que garantia maior segurança aos motociclistas, diminuiria a fluidez do trânsito na região. Além disso, o fato de a faixa de motos não poder ser utilizada por automóveis, mas as faixas de automóveis poderem ser utilizadas livremente pelas motocicletas foi alvo de protestos e ação por parte da população local. Em resposta, a Prefeitura desativou provisoriamente as pistas exclusivas das motos.

Sumaré anos 1970, divisa com Pinheiros. Ao fundo a sede do Instituto Goethe na rua Lisboa. Paulista Paulistano. 




PARQUE DA ÁGUA BRANCA


Parque da Água Branca, ou Parque Fernando Costa, na atual Avenida Francisco Matarazzo, na época, Avenida Água Branca, na zona oeste da cidade de São Paulo, nos anos 30.
Fonte - Acervo do álbum de Júlio Prestes/ antonio m. rudolf.




O Parque Estadual da Água Branca (oficialmente Parque Fernando Costa) é um parque localizado no distrito da Barra Funda, na cidade de São Paulo, Brasil. O local possui 136.765.41m², e fica na Avenida Francisco Matarazzo no bairro da Água Branca. Idealizado pela Sociedade Rural Brasileira (SRB), entidade representativa da agropecuária brasileira, o Parque começou as ser formado em 1905 e foi inaugurado em 2 de junho de 1929 pelo Secretário de Agricultura Dr. Fernando de Sousa Costa, responsável por fornecer novas vertentes à indústria animal, criando também o Departamento de Lacticínios da Indústria Animal.


Fernando de Sousa Costa (São Paulo, 10 de junho de 1886 - Jacareí, 21 de janeiro de 1946) foi um político e agrônomo brasileiro. Formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, de Piracicaba, foi prefeito de Pirassununga (1912), deputado estadual (1919), secretário da Agricultura de São Paulo (1927 — 1930), no governo Júlio Prestes, ministro da Agricultura (1938 - 1941) na primeira metade do Estado Novo - tendo fundado o Instituto Biológico e o Parque da Água Branca, que leva seu nome, além de ter realizado pesquisas de exploração de petróleo - e interventor do Estado de São Paulo (1941 - 1945).


Com o objetivo de abrigar exposições e provas zootécnicas, o parque foi criado em um período em que a Avenida Água Branca sequer havia sido asfaltada. O parque foi tombado em 1996 pelo Condephaat como patrimônio cultural, histórico, arquitetônico, turístico, tecnológico e paisagístico do estado de São Paulo, e em 2004 pelo CONPRESP, por seu valor histórico, arquitetônico e paisagístico-ambiental. O local abriga o Fundo Social de São Paulo, (antigo Fundo de Assistência Social do Palácio do Governo). A sede do Fundo funcionava em um palacete antigo da avenida Rio Branco, em Campos Elísios, em frente ao Palácio dos Campos Elísios, o antigo palácio do governo paulista. Em 1980, na administração de Paulo Maluf, a sede foi transferida para o atual endereço, no Parque Fernando Costa (Água Branca). O Parque também abriga diversas associações de criadores de raças de equinos e bovinos e a AAO (Associação dos Agricultores Orgânicos de São Paulo), além do Instituto de Pesca e o Museu Geológico Valdemar Lefèvre, entre outras instituições.

Antecedentes. Em 1890 foi criado o serviço agronômico em São Paulo, que reunindo legislações já existentes, definiu atividades e codificou a ação oficial do Departamento de Agricultura Estadual. Já em 1896, surgiu o Instituto Agronômico, que em 1898 teve suas funções reorganizadas e ampliadas, como o Posto Zootécnico, anexo ao Instituto e responsável por realizar estudos sobre animais domésticos e suas aptidões e emprego na agricultura. Naquela época, assim como a cultura do algodão, a industria animal se tornava muitas vezes desprezada ou restringida por depender de inúmeros fatores. Alguns anos depois, o período entre 1904 e 1908 ficou marcado por grandes mudanças e pela participação oficial da indústria animal, responsável pelo desenvolvimentos da cidade e por melhorias nos rebanhos paulistas. O então prefeito de São Paulo, Antônio da Silva Prado, reconhecendo que a atividade agrícola se encontrava em estágio inicial, onde a população abastecia-se de produtos em pequenas hortas e galinheiros, assim como em áreas periféricas, notou que era hora de oferecer novas perspectivas ao setor.


Entrada principal do Parque da Água Branca, na Avenida Francisco Matarazzo.


Com isso, o Parque da Água Branca passou a ser formado em 1905, quando a lei 811 de 14 de março daquele ano autorizou a Prefeitura de São Paulo a possuir um terreno de João Batista de Souza e também de outras pessoas. A área total do local era de 91.781,27 m², destinada à Escola Municipal de Pomologia e Horticultura, criada pelo então prefeito Antônio da Silva Prado para que pessoas pudessem se dedicar profissionalmente à agricultura. A escola funcionou até 1911. Após a escola ser desativada, o local passa um período desativado, embora fosse conhecido pela população como um viveiro de plantas da Prefeitura. Nos anos seguintes, ampliações do terreno foram realizadas, como em 24 de dezembro de 1912, com o espaço de 1.742 m² e em 25 de setembro de 1913, com a aquisição de terrenos remanescentes de 31.211, 87 m² pertencentes a João Batista de Souza. Com isso, nos anos 20 o Parque possuía uma área de 126.556,14 m².




O ano de 1911 marcou um grande retrocesso e atraso do setor da pecuária, com a Diretoria de Indústria Animal se transformando em uma Seção da Diretoria de Agricultura, que passou a ser chamada de Diretoria de Agricultura e Indústria Pastoril. Em 1928 O governador de São Paulo, Júlio Prestes, que tinha Dr. Fernando de Souza Costa como Secretário da Agricultura, decidiu transferir as dependências de Produção animal e de Exposições da Mooca para o bairro da Água Branca, criando o "Pavilhão de Exposições de Animais", que no futuro passaria a se chamar Parque Estadual "Dr. Fernando Costa"O Posto Zootécnico Central, criado em 1905 na Mooca, onde permaneceu até 1929 e depois transferiu-se para o Parque da Água Branca foi suprimido. Em 1918 o Posto foi restabelecido.

A inauguração e ampliação de território. No dia 2 de junho de 1929, o Parque foi oficialmente inaugurado, pertencendo à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, com o objetivo de abrigar o Recinto de Exposições e Provas Zootécnicas. Em suas dependências haviam estábulos, pavilhão de equinos, tanques para peixes, além de estufas e pomares, tornando-se também um local para passeios. O Parque surgiu em uma época de desenvolvimento agropecuário, tornando-se um patrimônio nesse setor. As feiras e exposições de animais que aconteciam no local se tornavam acontecimentos marcantes para a sociedade paulistana.  Uma das grandes atrações na época era visitar o local à noite, para ver os prédios projetados e construídos pelo engenheiro Mário Wathely no estilo Normando, construções que usam elementos comuns à arquitetura típica da região da Normandia, na França. O parque também foi palco para o cinema mudo, passeio famoso entre os visitantes, e também permaneceu ocupado por militares durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Também foi usado para venda de queijos, frios e manteigas. Com a inauguração do Parque, também foram criadas as Seções de Veterinária, Defesa Sanitária Animal e de Caça e Pesca, e a atual sede do Departamento de Produção Animal. Além disso, foram instalados pavilhões de administração, recintos para exposições, estações de laticínio, tanques e escadas de peixes.



No dia 25 de abril de 1928 a área do Parque da Água Branca foi transferida ao Estado pela Prefeitura, que recebeu como permuta um terreno "da Fazenda do Estado", situado no Parque do Ibirapuera. Com isso, o Estado ampliou o terreno em mais 35.000 m². Com o apelo de criadores e fazendeiros para a criação de um recinto de exposições e um local para sediar o antigo Departamento de Produção Animal, em 1928 o então governador do Estado de São Paulo, Júlio Prestes, que tinha como secretário da Agricultura Fernando Costa, decidiu transferir o antigo Departamento e Parque de exposições da Mooca para a Água Branca, local que ficou conhecido por um tempo como Pavilhão de Exposições de Animais, até ganhar o seu nome oficial. No período de 1939 a 1942 foram adquiridos pelo governo do Estado de São Paulo mais 12.022,27 m², totalizando a área atual do parque, de 136.765.41 m2².






Fotos: Arquivo Público do Estado. Acervo: Álbum de Júlio Prestes/ Antônio M. Rudolf.


PUC PERDIZES


Prédios da Pontifícia Universidade Católica no bairro de Perdizes nos anos 1960

PUC São Paulo. O Campus de Perdizes, situado na rua Monte Alegre e sede da universidade, é o maior da PUC-SP, tanto em tamanho quanto em número de alunos. Nele estão a Reitoria e os principais serviços administrativos da Universidade divididos em dois complexos, o Edifício Cardeal Motta (antigo Convento Carmelita datado do século XIX), também chamado de Edifício Sede ou de Prédio Velho, e o Edifício Reitor Bandeira de Mello, conhecido como Prédio Novo. Ao lado da entrada principal do Edifício Sede está o histórico e emblemático Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o TUCA. Além disso, o campus abriga o enorme acervo da Biblioteca Nadir Gouvêa Kfouri (5° Reitora da Universidade) e a Paróquia Imaculado Coração de Maria, apelidada de Capela da PUC. Situa-se em Perdizes, na zona oeste da cidade de São Paulo. O Campus da Consolação, na rua Marquês de Paranaguá, ocupa a área da antiga sede do Instituto Sedes Sapientae.[Textos e imagens da Wikipedia]

Missa no Pátio da Cruz nos anos 1950
 

Assembleia de protesto em frente ao TUCA. Teatro da Universidade Católica de São Paulo nos anos 1970. 

Resistência  crítica ao Regime Militar. Durante a época da Ditadura Militar, vários estudantes e professores da PUC-SP participaram de várias manifestações contra o regime, e o então Grão-Chanceler, Dom Paulo Evaristo Arns, admitiu professores de universidades públicas que tinham sido cassados pela ditadura. Nomes como Florestan Fernandes, Octávio Ianni, Bento Prado Jr., José Arthur Giannotti, Celso Furtado e Paulo Freire, perseguidos pela ditadura militar, passaram a fazer parte do quadro de docentes da universidade. Em meados da década de 1970, o curso de filosofia é ameaçado de extinção, sendo que em 1974, a reitoria chegou a anunciar o fechamento do curso. O departamento de filosofia, através de elaboração de relatórios e reorganização administrativa, reage e consegue sustentar a existência do mesmo. INVASÃO. Foi no campus sede da PUC-SP, em meados de 1977, que ocorreu a 29ª reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), até então proibida. Pouco tempo depois, em 22 de setembro de 1977, a instituição foi local da reunião de retomada da UNE - União Nacional dos Estudantes, outrora fechada pelo regime militar. Nesta mesma reunião com estudantes de diversas universidades brasileiras, como a Universidade de São Paulo (USP), Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a Universidade Presbiteriana Mackenzie, a PUC-SP foi invadida por tropas militares comandadas pelo Secretário de Segurança Pública, Coronel Erasmo Dias,[23] onde centenas estudantes foram presos. O episódio ficou conhecido como "a invasão da PUC", como descrito pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) no Jornal Folha de São Paulo. Na manhã seguinte ao fato, o então Cardeal-Arcebispo e Grão-Chanceler da PUC-SP, Dom Paulo Evaristo Arns, ao saber do ocorrido e voltando com urgência de Roma, manifestou a frase mais marcante do período: Na PUC só se entra prestando exame vestibular, e só se entra na PUC para ajudar o povo, não para destruir as coisas.

Prédio Novo da Puc da rua Ministro Godoy esquina com a rua Caiubi, em Perdizes.



ENTRE SÃO VICENTE E SÃO PAULO, FUI ESTUDAR NA PUC
 

DALMO  DUQUE


Morei em São Vicente pela primeira vez  entre março de 1974 e janeiro de 1985, quando pedi demissão da Liquid Química em Cubatão. Em 1985 fui para São Paulo acompanhar minha família. Minha mãe finalmente tinha conseguido realizar o sonho dela: morar e trabalhar em São Paulo. Fomos residir na região do Butantã, especificamente no Jardim Bonfiglioli, entre a Avenida Corifeu de Azevedo Marques e a rodovia Raposo Tavares, altura do quilômetro 13. 

Já era fascinado pela grandiosidade paulistana, que visitava com frequência desde o final da década de 1970. Durante a semana, trabalhando como voluntário do Centro Espírita Irmão Timóteo e do CVV, sempre subia a Serra para comprar livros para abastecer a livraria do centro (o qual eu era responsável). Além das visitas frequentes à Editora Aliança e Secretaria do CVV, na rua Genebra, percorria os principais pontos de venda de livros e discos no eixo Maria Paula-Praça da Sé. Meu ponto preferido era a Livraria Freitas Bastos.

Em São Paulo as coisas eram bem diferentes. Sempre foram. Realmente uma cidade de muitas faces e oportunidades. Fui estudar História na PUC e lá entrei definitivamente na educação. Como estudante, dava aulas no Colégio e no Curso Objetivo. Também lecionava, como estagiário, num supletivo de funcionários da manutenção do prédio da Secretaria da Fazenda, na Avenida Rangel Pestana, através da FUNDAP. Saía de casa às cinco da manhã e só voltava às onze ou meia noite. Estava mais fascinado ainda pelo ritmo elétrico da cidade e por tudo que estava acontecendo naquela época. 

Certa vez, não sei por qual motivo, enfiei na cabeça que queria ser redator de publicidade. Tinha pensado em fazer jornalismo, mas esse desejo há muito não me atraia mais. Matriculei-me, então, numa oficina de texto publicitário na Escola Superior de Propaganda e Marketing-ESPM, cuja sede ainda era na Rua Rui Barbosa, no Bexiga, próximo do Teatro Franco Zampari (onde o Faustão gravava o Perdidos na Noite). As aulas eram ministradas pelo escritor Ricardo Ramos (filho do Graciliano e parecidíssimo com o pai). Foi o verão mais deslumbrante (literalmente) que passei em São Paulo, ouvindo mil histórias e experiências da propaganda brasileira. Fiquei tão animado que comecei a pesquisar textos publicitários de todas as épocas, para aprender estilos, vocabulário, macetes, intenções, superlativos, adjetivos, slogans, títulos, enfim, tudo sobre essa arte que antigamente era exercida nas agências pelos melhores escritores e jornalistas: Orígenes Lessa, Mário Prata e dezenas de outros, como próprio Ricardo Ramos. Sabia que essa não seria a minha carreira, mas não deixava de sonhar com essa possibilidade. Não foi em vão, pois cultura e tecnologia a gente nunca perde e acaba sempre transformando em algo útil e diferente em situações e diferentes circunstâncias.

Realmente ainda tem gente que pensa que os anos 1980 foram uma década perdida e concordo, radicalmente, que, ao contrário, foram os anos nos quais foi inventado o século XXI, a Era da Informação e do Conhecimento. Foram muitas mudanças importantes: o surgimento da informática, a redemocratização no Brasil, a queda do Muro de Berlim, o fim da Guerra Fria, as guerras na Iugoslávia e no Golfo, enfim, mil coisas ao mesmo tempo. Dava aulas de manhã e à noite e estudava no período da tarde, no campus das Perdizes. Época maravilhosa, na qual ocorreu a minha formação intelectual, proporcionada pela intensa vida cultural de São Paulo: o Centro Cultural do Paraíso, a USP, as livrarias e sebos no centro e em torno da PUC, feiras, cinemas alternativos, teatros, shows e grandes espetáculos ao ar livre no Ibirapuera.

Em 1986 a Polícia Federal invadiu a PUC, quando assistíamos ao filme "Je Vous salue, Marie", proibido pelo governo Sarney. A PUC tinha uma história de invasões e violências na época do regime militar. Nesse dia, para fugir da polícia, os alunos atiravam a fita de vídeo do prédio velho para o prédio novo. Lá tinha uma molecada que adorava provocar e apanhar da polícia. Todos os anos eles levavam "bombas" de chocolate de presente para o Coronel Erasmo Dias (deputado), na Assembleia Legislativa. Erasmo havia invadido o campus em 1977, quando era secretário de segurança. Ele recebia cordialmente os alunos, mas sempre um deles, de propósito, falava um desaforo e ele, muito nervoso, perdia a paciência, começava a xingar e logo chamava a segurança.

Calçada dos diretórios acadêmicos e passagem do prédio velho para o novo prédio da PUC



Permaneci no Objetivo por seis anos, uma grande escola de docentes. Tinha aprendido a dar aulas ainda na adolescência num centro espírita, com grandes oradores como Jacques e Sueli Conchon, Valentim Lorenzetti, Flávio Focassio e Adolfo Marreiro. Porém, o meu modelo de docência para grandes plateias, com quem praticamente dei os primeiros passos (e substituía eventualmente) foi o professor José Jobson Arruda, que era uma mistura de acadêmico e show-man, com aulas curiosíssimas sobre Grécia e Roma. Depois de assistir a uma aula dele sobre Maomé e a expansão muçulmana, nunca mais fui a mesma pessoa. Na cadeira de História tinha verdadeiros ícones do cursinho paulistano: Heródoto Barbeiro (depois jornalista e apresentador de TV). Isso acontecia na unidade da Paulista, 900, no prédio da TV Gazeta e Fundação Cásper Líbero. Era registrado em três empresas: Di Gênio & Patti (Cursinho), Colégio Integrado Objetivo e Bricor (franquia). 

Trabalhei em vários bairros cujas unidades do Objetivo eram um autêntico reflexo social das classes, costumes e etnias da nossa pauliceia desvairada: na Paulista e Aclimação, os japoneses, coreanos, chineses e mestiços de italianos com orientais, de classe média; em Pinheiros, Altos da Lapa e Santo Amaro (região do Brooklin), muitos descendentes de italianos e judeus de classe média alta; no Morumbi e Alfaville, os ricos e novos ricos, filhos de grandes e famosos empresários, que não se adaptavam nos colégios tradicionais e mais rigorosos (Pueri Domus, Miguel de Cervantes, Porto Seguro, Augusto Laranja e outros). Interessante lembrar que nas unidades onde frequentava a classe alta os professores eram muito bem tratados pelos alunos.  Já nas unidades de classe média tínhamos muitos problemas de disciplina, que obviamente aliviávamos aparentando certa informalidade e irreverência ao expor as aulas, sobretudo os assuntos polêmicos. 

Os próprios professores da nossa turma e época eram uma complexa e rica diversidade étnica e racial. Ao sentarmos numa mesa para tomar chope e bater papo nas calçadas daqueles barzinhos de Cerqueira César, dava para ter uma ideia das nossas diferenças e semelhanças culturais: Gabriel Bandouk (palestino); James Kobayashi, Issao e Yumiko (japoneses); Wu (chinês); Moré (judeu, irmão do jornalista Gilberto Dimenstein); eu (mulato, neto de negros, nordestinos e húngaros); as irmãs Marisol e Nuricel, e Luizinho “Torquemada”- especialista em Inquisição - (espanhóis); Nogueira e Gomes (portugueses); as também as irmãs Eva e Benê Turim, Sidnei Malena (italianos); Eduardo Silva - Dudu – biólogo e ator afro que fazia o Bongô do RA-TIM-BUM – e finalmente o Altino, talvez descendente de alguma família quatrocentona, pois morava numa bela casa em Moema e hoje mora no Canadá. O Cidão Malena dizia que ele certamente iria ficar famoso porque um dia existiu o Al Johnson, existia o Al Jarreau e ele seria o Al Tino. Nosso coordenador na unidade Vergueiro era o Renato e o primo dele, Ermínio, caipirão muito divertido de Ourinhos e fã do Roberto Carlos e, na época, do Fernando Collor de Melo. No Morumbi era o Otto, alemãozão muito gente boa; em Pinheiros era o Domingos.  

Essa era apenas a nossa turma, pois havia, na unidade da Paulista uma verdadeira legião de professores controlados por uma enorme sala de horário comandada pelo Professor Fazzoli e o Armandinho (japonezinho de Álvares Machado). Nessa época as estrelas e veteranos do cursinho eram Fernando Teixeira, Honda (de Tupã), Kvork, Clézio, Eduardo, Sales (de Piracicaba), Derville, Jobson, Nicola, Moacir, Fazzoli, Vera e Hernani (ex-vocalista dos Sombras, de Presidente Prudente). Nós éramos apenas seus aprendizes. 

Alguns professores do Objetivo se tornaram políticos influentes, vereadores e deputados, como os irmãos biólogos Ricardo e Roberto Trípoli; e o geógrafo Paulo Kobaiashy. Alguns alunos também entraram para a política como Aurélio Miguel e Robson Tuma (filho do Romeu Tuma). 

No mundo artístico, a lista de alunos é interminável. Só para citar alguns: Gretchen (nos anos 70), Luciana Vendramini, Mara Maravilha e Roger (Ultraje à Rigor, que também foi professor de inglês). Outra figura importante do Objetivo foi o Dr. Dráuzio Varela, que conheci quando estava fazendo sua pesquisa no presídio do Carandiru. Desses estudos surgiram as primeiras aulas e materiais didáticos sobre AIDS nas escolas e, anos depois, o famoso livro Estação Carandiru.  Dráuzio Varella foi colega de faculdade do também médico João Carlos Di Gênio e criador do nome “Objetivo”. Apesar de toda essa badalação, o Objetivo era, na verdade uma passarela de uma grande maioria de alunos e professores anônimos, desconhecidos, que por ali passam como meros aprendizes. Histórias como a minha e desses colegas citados são inúmeras e se perdem nessa multidão paulistana. (Dalmo Duque- organizador)


Edifício Gazeta, sede da Fundação Casper Líbero (Rádio e TV Gazeta) e também a mais famosa unidade do Curso e Colégio Objetivo. 



A MORTE DE DI GÊNIO


Eduardo Suplicy- Nota na pagina pessoal do Facebook
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Expresso meus sentimentos à família, aos amigos e a toda comunidade que trabalha e estuda , tanto no Objetivo quanto na UNIP, pelo falecimento de seu fundador, João Carlos di Gênio, neste sábado, 12, aos 83 anos. Di Gênio abriu oportunidades de ensino a um número extraordinário de estudantes. Agradeço muito o apoio que deu às minhas campanhas quando fui candidato nas eleições.



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Morreu João Carlos Di Gênio, um dos profetas do fim da sala de aula e empreendedor do pragmatismo escolar. Dono do império Unip-Objetivo, fundado com Roger Patti, Drauzio Varella e Tadashi Ito. 

Entrou na medicina da USP no ano em que nasci. Fui funcionário do grupo durante seis anos e também franqueado. Ele também não tinha jeito para os negócios. Quem fazia isso por ele eram os amigos-sócios sírio-libaneses Jorginho Brihy (morreu alguns meses depois do Di Gênio) e o professor de química, Nasser. 

Era literalmente um gênio da educação. Dizia que ler, interpretar e fazer as quatro contas era o foco do ensino e o único pré-requisito para ingressar e concluir um curso superior. O resto era tudo bobagem e burrice do sistema. Colocou em prática suas ideias e ficou bilionário. 

Solitário e notívago, telefonava de madrugada para os funcionários mais próximos para falar das novas ideias. Odiava puxa-sacos. Dava carros e casas para os melhores professores e os transformava em sócios em novas unidades. 

Montou uma escola num circo em Brasília depois que os professores de lá fizeram uma greve e criaram um cursinho próprio e concorrente. Levou ao DF os melhores dos cursinhos de SP e os manteve lá até que o concorrente fechasse as portas. Toda noite tinha um show musical, depois das aulas. 

Era fissurado por educação especial e superdotados, sobretudo estudantes pobres. Foi o primeiro a oferecer informática e falar de AIDs para os alunos, nos anos 80. 

Vaidoso (comentavam que que ele comprou uma capa da Veja, mesmo sabendo que o valor era altíssimo), politicamente conservador e cheio de inimigos e críticos mordazes que tinham inveja do seu sucesso financeiro. Foi acusado pela esquerda de financiar a Operação Bandeirantes e manipular o MEC para fins pessoais. 

A primeira aula via satélite no Brasil aconteceu no Objetivo da Paulista, 900 (prédio da Gazeta), durante a Guerra do Golfo. O historiador Jobson Arruda e Joelmir Beting conduziram o evento. Era a época das parabólicas. 

Uma greve de alunos paralisou o trânsito da paulista e deu notícia no Jornal Nacional. Ficou furioso e demitiu vários professores suspeitos de aliciamento político (a maioria de História e OSPB). Eu e o Moacyr (professor antigo, meu professor no cursinho em Santos em 83) assistimos tudo sem abrir a boca. Fomos salvos. 

Di Gênio não cumprimentava ninguém, era grosso com os funcionários que cometiam erros de correção de vestibular. Ficávamos de plantão no dia da FUVEST. Era tenso. Um colega nosso viu ele em um dos corredores e o cumprimentou: "Oi , tudo bem. Eu sou professor" . E o Di Gênio respondeu: "Tá, e daí"? E foi embora. Bem feito, puxa-saco tem mesmo é que se ferrar. Zoamos o colega durante anos nos almoços da churrascaria do Estádio do Pacaembú, nos dias de pagamento. 

Vai com Deus, Di Gênio. E não diga a São Pedro que era professor-empresário porque você já sabe qual vai ser a resposta. 

Dalmo Duque. São Vicente, 14 de fevereiro de 2022



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SEMANA DE ARTE MODERNA 




A Semana de Arte Moderna, embora ocorra um pouco antes da formação do Grupo dos Cinco, destaca as ideias e paixões que o grupo focaria e desenvolveria durante sua colaboração. Também desempenhou um papel essencial ao reunir os cinco poetas e artistas. A exposição ocorreu em fevereiro de 1922 e foi "um evento inaugural em nível simbólico, comparável ao Armory Show que havia ocorrido nos Estados Unidos nove anos antes". Organizada principalmente por Oswald de Andrade, a mostra tinha a intenção de empurrar o Brasil para o modernismo. A cultura conservadora do Brasil na época hesitava em acolher tal mudança, pois, como mostra a recepção mordaz da exposição anterior de Malfatti, o Brasil ainda não estava familiarizado com os "ismos" populares da arte moderna. A Semana de Arte Moderna concentrou-se particularmente em obras do fauvismo, expressionismo e pós-cubismo - movimentos artísticos considerados bizarros quando apresentados de repente a um Brasil conservador.
Esta exposição é melhor considerada não pela qualidade do trabalho que exibiu, mas pela natureza propositadamente provocativa da exposição. "A verdadeira busca do Modernismo na arte começou após a Semana de arte moderna", em grande parte devido à formação do Grupo dos Cinco.[Textos e imagens da Wikipedia]



O Grupo dos Cinco foi um grupo de pintores e escritores influentes associados ao modernismo brasileiro. Eles trabalharam juntos de aproximadamente 1922 a 1929, embora seu trabalho individual como artistas e poetas existisse antes disso e continuasse após o término da colaboração. O grupo incluía Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Menotti Del Picchia, Oswald de Andrade e Mario de Andrade. Enquanto Malfatti e Amaral eram pintoras, seus três homólogos masculinos eram poetas e escritores. O Grupo dos Cinco é conhecido por seu papel central na busca da identidade brasileira, bem como por seu trabalho e envolvimento com a Semana de Arte Moderna, embora Amaral não tenha participado. Como grupo, desenvolveram ideias e manifestos que inspirariam futuras gerações de artistas brasileiros, como o manifesto poético Pau-Brasil e o Manifesto Antropófago.

Visão geral. Em dezembro de 1917, Anita Malfatti causou escândalo com sua exposição individual Exposição de Pintura Moderna. Seu uso de cores vivas e figuras abstratas não poderia estar mais em oposição às pinturas românticas e naturalistas que a cultura conservadora brasileira reverenciava. Enquanto a recepção em massa foi esmagadoramente crítica, o trabalho de Malfatti atraiu a atenção de intelectuais brasileiros como Oswald de Andrade e Menotti del Picchia. O Brasil era um país conservador nessa época e ainda não havia sido devidamente apresentado aos estilos de arte moderna como o cubismo, o expressionismo ou o fauvismo que estavam sendo praticados em lugares como Paris e Nova York. A exposição de Malfatti destacou as visões de arte conservadoras do Brasil e inspirou artistas e intelectuais a pressionar pela arte moderna brasileira. Oswald foi uma dessas figuras inspiradas e mais tarde se tornou o principal organizador da Semana de Arte Moderna - uma exposição dedicada à arte moderna no Brasil. O trabalho de Malfatti teve destaque e foi aqui que o Grupo dos Cinco começou a se relacionar. Amaral estava em Paris na época da exposição, mas veio ao Brasil três meses depois e se encontrou com Malfatti, Picchia e os Andrades em seu ateliê na Rua Vitória. Neste momento, o Grupo dos Cinco foi formado e começou sua busca para descobrir o Brasil. Eles viajaram por todo o país, desenhando e escrevendo sobre suas descobertas. Refletindo sobre esses tempos, Amaral escreveu: "Devemos ter parecido um bando de lunáticos disparando por toda parte no Cadillac de Oswald, delirantemente felizes e prontos para conquistar o mundo para renová-lo". Durante o período de debates e viagens intelectuais do grupo em 1922, Amaral descreveu o Grupo dos Cinco como "inseparável". Apesar do grupo ter permanecido em contato, após 1922 eles estavam frequentemente separados. Amaral e O. Andrade, principalmente, viajaram juntos pelo Brasil sem o resto do grupo. Em dezembro de 1923, o casal fez uma viagem às cidades mineiras com o poeta suíço Blaise Cendrars. Embora o grupo nunca tenha se desfeito oficialmente, a maioria dos estudiosos observa que o início da rixa entre Mário de Andrade e Oswald de Andrade sinaliza o fim da colaboração do Grupo dos Cinco.[Textos e imagens da Wikipedia]

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VIOLÕES GIANNINI


Fábrica da Giannini na Rua de São João, 84, futura avenida São João. 


Giannini é uma empresa brasileira fabricante de instrumentos musicais, com destaque no ramo de instrumentos de cordas. Foi fundada em 1900 pelo luthier italiano Tranquillo Giannini.

Remontando ao período de sua fundação, Tranquillo Giannini, imigrante italiano desembarcou no Brasil aos 20 anos, durante um período compreendido entre 1850 e 1913 aonde diversos imigrantes europeus chegaram ao Brasil, em busca de oportunidades e que trouxeram em suas bagagens conhecimento prévio do comércio e de processos industriais, além de contar com a expertise de negócios que já eram desenvolvidos em seus países de origem.

Desta forma, enxergando no Brasil uma terra promissora para o desenvolvimento de novos mercados, uma série de empresas surgiram, dentre elas a “Grande Fábrica de Instrumentos de Cordas de Tranquillo Giannini – Ao Violão Moderno”.

Em 1900, é iniciada a construção da primeira fábrica de instrumentos musicais acústicos da empresa; um sonho antigo de seu fundador que há época era um renomado luthier. Até então os violões eram fabricados na própria residência de Tranquillo. Localizada na Rua São João, região central da cidade de São Paulo, o local contava com 150 m² e os primeiros violões ali produzidos eram feitos totalmente a mão. Com o investimento inicial Tranquillo Giannini fez a aquisição de alguns equipamentos essenciais para a fabricação dos instrumentos, bem como contratou os primeiros colaboradores da empresa. A produção deste início de trabalho resultou na fabricação de 2.500 violões por ano.

Um dos principais desafios da época era a introdução do violão na sociedade paulistana, que identificava as pessoas que tocavam o instrumento como boêmios marginalizados. Os violões, porém foram bem aceitos e o mercado em princípio focado em atender apenas São Paulo experimentou sua primeira expansão, chegando ao Rio de Janeiro. A qualidade dos instrumentos produzidos era muito boa e o próprio Tranquillo Giannini se encarregava de fazer a propaganda no meio artístico e boêmio.

Mesmo que o Violão naquela época ainda fosse visto como algo marginalizado, a pequena fábrica da rua São João ficou pequena, o que gerou a mudança para um novo local, que contava com 20 colaboradores e algumas máquinas novas. A empresa passou a produzir 6.500 instrumentos anuais e as entregas muitas vezes eram realizadas na base da caminhada, onde as pessoas carregavam de três a quatro violões nas costas e outros dois nas mãos. A fábrica que deu início a trajetória da Tranquillo Giannini transformou-se em depósito. 

Nos idos de 1920 operando apenas com recursos próprios e reinvestindo os lucros, em pouco tempo a empresa triplica a produção de instrumentos e surge uma nova demanda: Escolas voltadas para o aprendizado de violão, uma vez que concertos eram realizados em casas de família e os mesmos passaram a atrair virtuoses do violão, como Américo Jacomino. Com a crescente aceitação por parte das famílias pelo instrumento, um novo prédio é construído para abrigar as instalações da Tranquillo Giannini, na Rua dos Gusmões, região central da cidade, em que a previsão era produzir dois mil violões mensais e que mantinha proximidade com a antiga fábrica.

Em 1924 um acontecimento acaba por abalar as previsões de produção que a empresa havia traçado para o período. A eclosão de uma revolução, que acabou por paralisar quase que totalmente o comércio em São Paulo. A situação durante este período beirou o caos, pois não entrava e saia matéria-prima e nem produção. Em decorrência desta paralisação houve um corte de colaboradores, estocagem de violões e quedas nas vendas, em um quadro que se juntava com a recente mudança para a nova fábrica. Ao final da revolução a empresa concentrou esforços na abertura de mercados (passou a distribuir nas cidades de Curitiba, Belo Horizonte, Salvador e Recife) e no aumento da previsão, para que os prejuízos pudessem ser recuperados.

Com a entrada nestes estados, a empresa passou a ser mais conhecida e a demanda por instrumentos tornou a crescer, o que em 1930 levou a Tranquillo Giannini a mudar de endereço novamente. Desta vez seguia para o bairro de Perdizes, na região oeste de São Paulo. Uma nova Revolução assolava o país, e a Giannini teve de reduzir drasticamente a produção, o que obrigou a companhia a tomar medidas drásticas para retomar o rumo de crescimento. O mercado do interior do estado de São Paulo passou a ser visto como prioritário para a recuperação, o que levou a Giannini para Jundiaí, Campinas, Ribeirão Preto, Santos e Sorocaba.

O enfrentamento de crises trouxe a empresa e a seu fundador uma expertise que poucos tinham naquele período. Em menos de 10 anos a empresas enfrentou duas revoluções e soube como se recuperar das consequências que os movimentos traziam consigo. Desta forma durante o período em que ocorreu a Segunda Guerra Mundial, a Tranquillo Giannini contava com um estoque de matérias-primas importadas, como aço e pinho sueco para o tampo de violões, o que permitiu a empresa atravessar o período com tranquilidade e sem grandes problemas, quando em 1945 as importações voltaram a ocorrer normalmente.

Em 1938, antes do período em que se deu a Segunda Guerra Mundial, Tranquillo montou uma pequena metalúrgica, visando diminuir a dependência das importações dos encordoamentos e tarraxas, que eram a princípio utilizados para consumo próprio. Tal percepção auxiliou no processo para que as cordas passassem a ser vendidas no mercado, tanto que em 1940 a primeira fábrica de encordoamentos nasce.

No ano de 1952, o fundador da “Grande Fábrica de Instrumentos de Cordas Tranquillo Giannini – Ao Violão Moderno” vem a óbito, e sua esposa Stela Coen Giannini assume a presidência da empresa, e a administração das áreas é distribuída para diversos diretores. Em 1954, Giorgio Coen Giannini, sobrinho do fundador ingressa no negócio familiar e após passar dois anos trabalhando em todas as áreas da empresa, para conhecer de forma plena o funcionamento da companhia em todas as suas divisões, assume a Diretoria Comercial em 1956.  Os anos 60 trouxeram a Giannini um de seus melhores momentos, muito em conta pela contribuição que os movimentos musicais da Bossa Nova e Jovem Guarda trouxeram à sociedade. A Bossa Nova passa a ser gravada por músicos de jazz e até por nomes como Frank Sinatra, após o estrondoso sucesso do , Festival de Bossa Nova ocorrido no Carnegie Hall em Nova York. A mesma época, Tom Jobim e Vinícius de Moraes compõem “Garota de Ipanema”. Pouco tempo depois, o “Rei” Roberto Carlos, o “Tremendão” Erasmo Carlos e a “Ternurinha” Wanderléa, passaram a formar a santíssima trindade do movimento que passou a ser chamado de Jovem Guarda, e que celebrrou 50 anos de sua criação em 2015.

Ainda em 1960, a Tranquillo Giannini S.A (a empresa foi nacionalizada em 1948, transformando-se em uma sociedade anônima) inicia a fabricação de violões elétricos e é registrada a primeira exportação de instrumentos para a Argentina (foram enviados 25 mil violões em dois anos).

Durante a segunda metade da década 60, os músicos brasileiros não dispunham de acesso aos Amplificadores de qualidade profissional, e havia certa dificuldade em importar tal equipamento. Enxergando uma grande oportunidade, a Giannini começa a desenvolver equipamentos equivalentes aos melhores importados daquele período, trazendo para seu time mão-de-obra especializada e dando vida a uma fábrica voltada somente a construção de eletrônicos. O primeiro modelo a ser lançado, foi o Tremendão, que marcou época e é saudado até os dias de hoje por muitos músicos, por sua sonoridade. Neste período, outros grandes ícones foram lançados, como as guitarras Gemini, Supersonic e Apollo, que inclusive ganharam reedições com o passar dos anos.

Era difícil encontrar um músico que não tenha história com algum instrumento fabricado pela Giannini e que não tenha iniciado seus estudos utilizando um violão Tranquillo Giannini. Muitos instrumentos eram passados de pai para filho e muitos músicos de renome a exemplo de Frejat se inspiraram em artistas como Pepeu Gomes, que durante o período dos Novos Baianos utilizava uma guitarra Giannini.

Outra iniciativa inovadora lançada no decorrer dos anos 60, mais precisamente em 1967 foi a Magazine Violão e Mestres, que era distribuída de forma gratuita as pessoas interessadas, como forma de homenagear violonistas e como contribuição à divulgação do violão e sua música.

No ano de 1969, um dos instrumentos mais adorados por músicos ao redor do mundo, a Craviola®, é concebida. Uma ideia conjunta de Giorgio Giannini e do violonista Paulinho Nogueira, que enquanto faziam um lanche e conversavam sobre os modelos de violões disponíveis naquele período, começaram a desenhar em guardanapos algumas possibilidades de shapes diferenciados, até chegarem ao desenho que a tantos admiradores e músicos causa encantamento.

A Craviola® é um produto exclusivo da Giannini, patenteado internacionalmente. O nome do instrumento só nasceu após a construção do primeiro protótipo, que era um modelo de 12 cordas e como os encordoamentos utilizados para o teste eram em sua maioria de viola, obteve-se este resultado sonoro, que acabou por contribuir com nome do instrumento. Como não tinha ideia de que tipo de alteração sonora a forma inusitada proporcionaria, Paulinho só notou que o som era único após tocar o primeiro modelo. “Eu só fui ter essa noção mesmo depois que ela ficou pronta. Como parecia um pouco do som de cravo e um pouco de viola, nasceu o nome evidente. Nos Estados Unidos eles gostaram muito desse nome, caiu bem para eles.”

Desde seu lançamento, diversos músicos notáveis usaram a Craviola® ao redor do mundo, entre eles Jimmy Page, Bill Witers, Robert Plant, Linda Perry e Andy Summers.


VIOLÕES DEL VECHIO



Nossa história começou com Angelo Del Vecchio. Natural de Riposto – Sicilia, em 1900 Ângelo casou-se e recebeu como presente de núpcias uma viagem ao Brasil. Quando chegaram em São Paulo, onde sua esposa Carmela tinha dois irmãos, encantaram-se e decidiram ficar. Angelo, que já exercia na Itália a profissão de luthier, começou a atuar no segmento e, em 1902, abriu no Largo Riachuelo, a fábrica e loja de instrumentos musicais.

Após 18 anos no endereço, mudaram-se para a Rua Aurora, onde aumentaram significativamente a produção. Angelo Del Vecchio foi inventor de uma série de modelos de violões que foram patenteados, dentre os quais se destaca o “Violão Dinâmico” que é fabricado até hoje.

Em 1948 a empresa passou a ser dirigida por seus filhos e a denominar-se, então, “Irmãos Del Vecchio”. Francisco Del Vecchio cuidava da parte administrativa, e Salvador Del Vecchio da parte técnica de fabricação. Salvador foi responsável pela criação de novos sistemas e estruturas, tais como os chamados “Timbre Vox”, “Super Vox” e “Nylon Vox”. Em 1968, com a inclusão do neto Angelo Sergio Del Vecchio, a firma passou a chamar-se Casa Del Vecchio.




 


 COMPOSITORES  QUE TRADUZIRAM SÃO PAULO


William Blanco Abrunhosa Trindade, mais conhecido como Billy Blanco (Belém, 8 de maio de 1924 — Rio de Janeiro, 8 de julho de 2011), foi um arquiteto, músico, compositor e escritor brasileiro.


"Sinfonia Paulistana", de autoria do compositor paraense Billy Blanco,  foi concluída em 1974, depois de dez anos de trabalho. É composta por quinze canções, que foram cantadas e gravadas cantadas por Elza Soares, Pery Ribeiro, Cláudia, Claudette Soares, Nadinho da Ilha, Miltinho e pelo coro do Teatro Municipal de São Paulo. A produção foi de Aloysio de Oliveira, com orquestra regida pelo maestro Chico de Moraes. As músicas se chamam "Louvação de Anchieta", "Bartira", "Monções", "Tema de São Paulo", "Capital do Tempo", "O Dinheiro", "Coisas da Noite", "O Céu de São Paulo", "Amanhecendo", "O Tempo e a Hora", "Viva o Camelô", "Pro Esporte", "São Paulo Jovem", "Rua Augusta" e "Grande São Paulo". Em "Monções, destaca-se o carimbó épico, e em "O Tempo e a Hora", a fusão entre bossa e pop. O jornal O Estado de S. Paulo definiu o refrão de "Amanhecendo" como o "que mais define o paulistano". Entre 1974 e 2017, essa música, a mais famosa da suíte, fez parte da trilha sonora do Jornal da Manhã, noticiário matutino da Rádio Jovem Pan.[Textos e imagens da Wikipedia]

TREM DAS ONZE E SAMBA NO BRÀS



Adoniram Barbos com jornalistas do Diário da Noite 


Adoniran Barbosa, nome artístico de João Rubinato (Valinhos, 6 de agosto de 1912– São Paulo, 23 de novembro de 1982), foi um compositor, cantor, comediante e ator brasileiro, autor de famosas canções como "Trem das Onze", "Saudosa Maloca" e "Samba do Arnesto". Adoniran era filho de Francesco "Fernando" Rubinato e Emma Ricchini, imigrantes italianos da comuna de Cavarzere, província de Veneza. Seus avós paternos eram Angelo Rubinato e Anna Manfrinato, e os maternos, Francesco Ricchini e Antonia Freddo. Seus pais casaram-se em Cavarzere em 23 de maio de 1895, desembarcaram em Santos em 15 de setembro de 1895, passaram pela Hospedaria dos Imigrantes e foram trabalhar nas lavouras do município de Tietê. Sua mãe morreu em 1939 e seu pai em 1943. João Rubinato nasceu em 6 de agosto de 1910 em Valinhos, localidade que foi distrito do município de Campinas até 1953. Numa entrevista em 1972 ao programa Ensaio Especial da TV Cultura, Adoniran disse que na verdade nascera em 1912, mas sua família teria adulterado os documentos para 1910, para que começasse a trabalhar mais cedo, pois a fábrica em que iria trabalhar não admitia quem tivesse menos de doze anos.[Textos e imagens da Wikipedia.

QUAZ, QUASQUAZQUASCAZ, QUASQUASCAZ...



Demônios da Garoa. Criado na Mooca,  fez fama interpretando clássicos de Adoniran Barbosa. O grupo contabiliza cerca de 14.000 shows, 69 discos e 11 milhões de cópias vendidas em quase sete décadas de carreira - chegará à marca em fevereiro de 2013- e é citado no Guinness Book como o mais antigo do país em atividade. Seu primeiro registro é de 1943 (foto), quando Antônio Espanha, Zezinho, Bruno, Arnaldo Rosa, Vicente e Benedito Espanha ainda não sabiam o que era sucesso. Ao longo do tempo, a formação foi mudando, mas sem perder as raízes. (Publicado em Vejinha SP 31.08.2011)

RONDA 



Paulo Vanzolini em sua formatura em medicina pela Universidade de São Paulo (FMUSP), em 1947.


Paulo Vanzolini. Descendente de italianos, seu pai, o engenheiro Carlos Alberto Vanzolini, foi com a família para o Rio de Janeiro quando Paulo tinha quatro anos. A família voltou para São Paulo dois anos depois, em 1930. Paulo cursou o primário no Colégio Rio Branco e o ginásio em escola pública. onde se formou em 1938. Aos dez anos de idade, Vanzolini visitou o Instituto Butantã, em São Paulo, onde surgiu sua vontade de ser biólogo e estudar répteis. Anos mais tarde, pretendia fazer graduação em zoologia, mas orientado pelo professor André Dreyfuss, fundador do Instituto de Biologia da USP, foi convencido a cursar medicina pois, na época, abriria mais possibilidades para doutorado no exterior. Então, em 1942, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Nessa época, junto com grupos de estudantes, passou a frequentar as rodas boêmias e a compor seus primeiros sambas. Em 1944, deixou a casa dos pais e foi morar no Edifício Martinelli, e a trabalhar com um primo, Henrique Lobo, na Rádio América, no programa Consultório Sentimental, de Cacilda Becker. Em seguida, foi convocado para o Exército, interrompendo os estudos. Dois anos depois retomou o curso de Medicina, passou a lecionar no Colégio Bandeirantes e começou a trabalhar no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.[Textos e imagens da Wikipedia]

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O MEU ERA PAULISTA, MEU AVÔ PERNAMBUCANO...


Chico Buarque com o pai Sérgio Buarque de Holanda. O disco ‘Paratodos’, lançado em 1993, traz na capa a ficha policial de Chico Buarque decorrente de sua prisão no final de 1961, quando tinha 17 anos. 

Francisco Buarque de Hollanda , mais conhecido como Chico Buarque  é um cantor, compositor, violonista, dramaturgo, escritor e ator brasileiro. É considerado por muitos críticos o maior artista vivo da música brasileira. Sua discografia conta com aproximadamente oitenta obras, entre elas discos-solo, em parceria com outros músicos e compactos. Ganhou destaque como cantor a partir de 1966, quando lançou seu primeiro álbum, Chico Buarque de Hollanda, e venceu o Festival de Música Popular Brasileira com a música A Banda. Autoexilou-se na Itália em 1969, devido à crescente repressão do regime militar do Brasil tornando-se, ao retornar, em 1970, um dos artistas mais ativos na crítica política e na luta pela democratização no país. 

Em 1971, foi lançado Construção, tido pela crítica como um de seus melhores trabalhos, e em 1976, Meus Caros Amigos - ambos os discos figuram, por exemplo, na lista dos 100 maiores discos da música brasileira organizada pela revista Rolling Stone Brasil.

Além da notabilidade como músico, desenvolveu ao longo dos anos uma carreira literária (escreveu seu primeiro conto aos 18 anos), sendo autor de peças teatrais e romances. Foi vencedor de três Prêmios Jabuti: o de melhor romance em 1992 com Estorvo e o de Livro do Ano, tanto pelo livro Budapeste, lançado em 2004, como por Leite Derramado, em 2010. Em 2019, foi distinguido com o Prémio Camões, o principal troféu literário da língua portuguesa, pelo conjunto da obra.

Neto de Cristóvão Buarque de Hollanda e filho de Sérgio Buarque de Hollanda e Maria Amélia Cesário Alvim, Chico é irmão das cantoras Miúcha, Ana de Hollanda e Cristina. Foi casado por 33 anos (de 1966 a 1999) com a atriz Marieta Severo, com quem teve três filhas, Sílvia Buarque, Helena e Luísa.

Francisco Buarque de Hollanda nasceu em 19 de junho de 1944 na cidade do Rio de Janeiro, filho de Sérgio Buarque de Hollanda (1902–1982), um importante historiador e jornalista brasileiro, e de Maria Amélia Cesário Alvim (1910–2010), pintora e pianista. Casou-se com Marieta Severo no ano de 1966, com quem teve três filhas: Sílvia Buarque, Luísa Buarque e Helena Buarque. O cantor tem, também, cinco netos. Chico é irmão das cantoras Miúcha, Ana de Hollanda e Cristina Buarque. Ao contrário da crença popular, o dicionarista Aurélio Buarque de Holanda era apenas um primo distante do seu pai. Nos primeiros versos da sua canção "Paratodos", Chico Buarque celebra seus ascendentes familiares: 

O meu pai era paulista / Meu avô, pernambucano / O meu bisavô, mineiro / Meu tataravô, baiano. 

O "avô pernambucano" ao qual o cantor se refere era paterno: Cristóvão Buarque de Hollanda. Já o "bisavô mineiro", Cesário Alvim, e o "tataravô baiano", Eulálio da Costa Carvalho, eram pelo lado materno. Em 1946, mudou-se para São Paulo, onde o pai assumiu a direção do Museu do Ipiranga. Chico sempre revelou interesses pela música, tal interesse foi bastante reforçado pela convivência com intelectuais como Vinicius de Moraes e Paulo Vanzolini.

Em 1953, Sérgio Buarque de Hollanda, pai do cantor, foi convidado para lecionar na Universidade de Roma. A família Buarque de Hollanda, então, muda-se para a Itália. Chico aprende dois idiomas estrangeiros, na escola fala inglês, e nas ruas, italiano. Nessa época, compõe as suas primeiras marchinhas de Carnaval.

Chico regressa ao Brasil em 1960. No ano seguinte, produz suas primeiras crônicas no jornal Verbâmidas, do Colégio Santa Cruz de São Paulo, nome criado por ele. Sua primeira aparição na imprensa, porém, não foi em relação ao seu trabalho, mas sim policial. Publicada, no jornal Última Hora, de São Paulo, em edição datada de 1961, a notícia de que Chico e um amigo furtaram um carro nas proximidades do Estádio do Pacaembu para passear pela madrugada paulista foi anunciada com a manchete "Pivetes furtaram um carro: presos".

Chico Buarque chegou a ingressar no curso de Arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP) em 1963. Cursou dois anos e parou em 1965, quando começou a se dedicar à carreira artística. Em 1965, a pedido de Roberto Freire, diretor do Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (TUCA), na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Chico musicou o poema Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto, para a montagem da peça. Desde então, sua presença no teatro brasileiro tem sido constante.

Musicou as peças Morte e vida severina e o infantil Os Saltimbancos. Escreveu também várias peças de teatro, entre elas Roda Viva (proibida), Gota d'Água, Calabar (proibida), Ópera do malandro e cinco livros: Estorvo, Benjamim, Budapeste, Leite Derramado e O irmão Alemão.

Ameaçado pelo regime militar, esteve autoexilado na Itália em 1969, onde chegou a fazer espetáculos com Toquinho. Nessa época, teve suas canções Apesar de você (que dizem ser uma alusão negativa ao presidente Emílio Garrastazu Médici, mas que Chico sustenta ser em referência à situação) e "Cálice" proibidas pela censura brasileira. Adotou o pseudônimo de Julinho da Adelaide, com o qual publicou apenas três canções: Milagre Brasileiro, Acorda amor e Jorge Maravilha. Na Itália, Chico tornou-se amigo do cantor Lucio Dalla, de quem fez a Minha História, versão em português (1970) da canção Gesù Bambino (título verdadeiro 4 marzo 1943), de Lucio Dalla e Paola Palotino.

Ao voltar ao Brasil, continuou com composições que denunciavam aspectos sociais, econômicos e culturais, como a célebre Construção ou a divertida Partido Alto. Apresentou-se com Caetano Veloso (que também foi exilado, mas na Inglaterra) e Maria Bethânia. Teve outra de suas músicas associada a críticas a um presidente do Brasil. Julinho da Adelaide, aliás, não era só um pseudônimo, mas sim a forma que o compositor encontrou para driblar a censura, então implacável ao perceber seu nome nos créditos de uma música. Para completar a farsa e dar-lhe ares de veracidade, Julinho da Adelaide chegou a ter cédula de identidade e até mesmo a conceder entrevista a um jornal da época.

Uma das canções de Chico Buarque que criticam o regime é uma carta em forma de música, uma carta musicada que ele fez em homenagem a Augusto Boal, que vivia no exílio, quando o Brasil ainda vivia sob a regime militar. A canção se chama Meu Caro Amigo e foi dirigida a Boal, que na época estava exilado em Lisboa. A canção foi lançada originalmente num disco de título quase igual, chamado Meus Caros Amigos, do ano de 1976.



A 25 de março de 1996, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, de Portugal. Em 1998, o artista foi homenageado no Desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, pela GRES Estação Primeira de Mangueira, no enredo "Chico Buarque da Mangueira". A escola verde e rosa dividiu o título de campeã daquele carnaval com a Beija-Flor de Nilópolis. Em 2015, participou da canção "Trono de Estudar", composta por Dani Black em apoio aos estudantes que se articularam contra o projeto de reorganização escolar do governo estadual de São Paulo. A faixa teve a participação de outros 17 artistas brasileiros: Arnaldo Antunes (ex-Titãs), Tiê, Dado Villa-Lobos (Legião Urbana), Paulo Miklos (Titãs), Tiago Iorc, Lucas Silveira (Fresno), Filipe Catto, Zélia Duncan, Pedro Luís (Pedro Luís & A Parede), Fernando Anitelli (O Teatro Mágico), André Whoong, Lucas Santtana, Miranda Kassin, Tetê Espíndola, Helio Flanders (Vanguart), Felipe Roseno e Xuxa Levy.

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Anúncio Da Companhia Brasileira De Discos. Eles foram representados por quadros e estavam cercados por estrelas como Jorge Ben, Trio Mocotó, Paulo de Tarso, Ronnie Von, Sérgio Dias, Arnaldo Baptista, Rita Lee, Maria Bethânia, Roberto Menescal, as meninas do grupo "Umas & Outras", Manoel Barenbein, Tim Maia, Nelson Motta, Paulinho Tapajós, Erasmo Carlos, Wanderléa, Mieli e Aldo Luz. Caetano Veloso e Gilberto Gil estavam exilados. Ano 1970. Memória dos Birros Paulistanos. 


SAMPA




Caetano Emanuel Viana Teles Veloso (Santo Amaro da Purificação, Bahia, 1942). Cantor, compositor, produtor, escritor. Caetano Veloso é um dos artistas brasileiros mais controversos e influentes. Tem atuação intensa no meio musical desde meados dos anos 1960. É agitador e debatedor cultural por excelência, sofisticado artesão de canções e artista de presença marcante no palco. 

Passa a infância em sua cidade natal e, em 1960, muda-se para Salvador, onde aprende a tocar violão. Entre 1960 e 1962, faz apresentações musicais em bares da cidade com a irmã Maria Bethânia (1946). Inicia a graduação em filosofia, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 1963. Sua estreia acontece em 1967 com o lançamento do LP Domingo, em parceria com Gal Costa (1945). 

No mesmo ano, se apresenta no 3º Festival da Música Popular Brasileira da TV Record interpretando “Alegria, alegria” e alcança o quarto lugar. A canção provoca polêmica ao trazer a guitarra elétrica (considerada, à época, uma ameaça à MPB) e versos exaltando a liberdade (uma afronta à ditadura militar1). Essa edição do festival é considerada um marco do movimento tropicalista em curso na música brasileira: Gilberto Gil (1942) conquista o segundo lugar da edição com a canção “Domingo no parque” , acompanhado pelo grupo de rock Os Mutantes, composto por Rita Lee (1947), Sérgio Dias (1951) e Arnaldo Baptista (1948).

Em 1968, lança seu primeiro álbum solo, Caetano Veloso. Nele, o compositor busca captar a complexa realidade de seu tempo em suas contradições e nuanças. Em forma de colagem poética, os refrãos evocam elementos díspares da cultura brasileira — exóticos, sofisticados, cosmopolitas e grotescos — em roupagem carnavalesca. Enquanto o arranjo de Júlio Medaglia (1938) justapõe ritmos nacionais com orquestração sinfônica, o eu-lírico explora os contrastes do país. Na canção “Tropicália”, que abre o disco, ele homenageia uma de nossas manifestações artísticas mais bem-acabadas e modernas, a bossa nova, para, em seguida, “louvar” um de nossos elementos mais rústicos e arcaicos, as palhoças (habitações simples do campo): “Viva a bossa, sa, sa / viva a palhoça, ça, ça, ça, ça”.  

A proposição de sincretismos, como “rural” e “urbano”, “nacional” e “estrangeiro”, “popular” e “erudito” etc. é uma característica da Tropicália, movimento construído por Caetano e outros artistas, que procura superar as ideologias das chamadas “tradições nacionais puras'', numa atualização do programa modernista antropofágico de Oswald de Andrade (1890-1954). Agregam-se aos diversos estilos da música brasileira signos estrangeiros e novidades do momento no Brasil e no mundo, veiculadas por meios de comunicação de massa e circuitos de vanguarda.

Na década de 1970, a atividade artística de Caetano é intensa. Exilado em Londres desde 1969 por causa da ditadura militar, registra mais um álbum homônimo e compõe o LP Transa, lançado em sua volta definitiva ao Brasil no início de 1972. Grava oito álbuns solo nessa década, além de discos em parceria com outros artistas, como Gilberto Gil e Chico Buarque (1944). Seu trabalho mais controverso nesse período é Araçá azul (1973), cujo grau de experimentalismo é tão intenso que motiva diversas devoluções, saindo de catálogo temporariamente. Já outros discos, como Muito (dentro da estrela azulada) (1978), têm grande receptividade do público, com clássicos como “Terra” e “Sampa”.

Nos anos 1980, com a carreira consolidada, alcança grandes vendagens, além de realizar turnês no exterior. Outras palavras (1981) inaugura uma nova fase da música de Caetano e chega à tiragem de cem mil cópias, o disco mais vendido do cantor até então. Cores, nomes (1982) é outro álbum importante dessa época. Nele, o compositor explora com afinco o trabalho com a língua, além de trazer a canção “Sina”, composta por Djavan (1949), que cria o verbo “caetanear”. O cantor baiano segue com seu sucesso nos anos de 1990, entre álbuns inéditos, coletâneas e releituras. A música “Sozinho”, composição de Peninha (1953), é o maior êxito comercial de Caetano, parte do disco ao vivo Prenda minha (1998).

Mantendo-se conectado com os rumos da música brasileira, incorpora novas sonoridades no milênio que se inicia, como se pode observar na trilogia composta pelos discos Cê (2006), Zii e Zie (2008) e Abraçaço (2012), que traz uma roupagem de rock eletrônico. Em 2021, depois de um hiato de nove anos, lança Meu coco (2021), com músicas inéditas e autorais. Distribuído em plataformas digitais, o álbum demonstra a inventividade do artista e sua forma de perceber os acontecimentos contemporâneos, falando do mundo sob sua ótica – daí o uso da palavra “coco”, gíria para “cabeça”. A faixa “Anjos tronchos”, por exemplo, aborda o controle que as redes sociais, com seus algoritmos, têm sobre fatos sociopolíticos, em uma dura crítica não à tecnologia, mas ao uso que seus criadores fazem dela. Na ocasião do lançamento, a revista francesa L’Obs escreve que “devemos zelar por Caetano Veloso como zelamos pela Amazônia”, pois ele também seria “um patrimônio mundial”2. 

Em quase cinco décadas, Caetano Veloso é uma das personalidades mais marcantes da música popular. Transita por diversos gêneros e temáticas, materializando o espírito tropicalista em trabalhos multifacetados que permitem a fruição em diversos níveis. Realoca informações de diferentes registros sob uma referencialidade particular em suas canções com uma voz inconfundível. É, sem dúvida, um dos grandes personagens da cultura brasileira. Itaú Cultural


A TROPICÁLIA PAULISTANA 



Antônio José Santana Martins, conhecido como Tom Zé (Irará, 11 de outubro de 1936), é um compositor, cantor, arranjador e jardineiro brasileiro. É considerado uma das figuras mais originais da música popular brasileira, tendo participado ativamente do movimento musical conhecido como Tropicália nos anos 1960 e se tornado uma voz alternativa influente no cenário musical do Brasil.
Em 27 de setembro de 2022, Tom Zé foi eleito para ocupar a cadeira 33 da Academia Paulista de Letras, sucedendo a Jô Soares, morto em agosto deste ano. Com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia e Djalma Corrêa realiza espetáculo Nós, Por Exemplo nº 2, no Teatro Castro Alves, em Salvador. Com o mesmo grupo, vai a São Paulo encenar Arena Canta Bahia, sob a direção de Augusto Boal, e grava o álbum definidor do movimento Tropicalista, Tropicália ou Panis et Circensis, em 1968. Em 1968, leva o primeiro lugar no IV Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, com a canção "São Paulo, Meu Amor". Como é notável no seu disco de 1968, "Grande Liquidação", Tom Zé carregava fortes traços tropicalistas em suas canções e era também um dos expoentes do movimento, tendo inclusive participado do disco "Tropicália ou Panis et Circensis". Porém, por desencontros e desentendimentos, acabou se afastando do tropicalismo, de onde sua imagem foi sendo aos poucos apagada. Tom Zé chegou a ser chamado de "Trótski do tropicalismo", em referência ao marxista cuja participação na Revolução Russa foi apagada durante o governo stalinista.

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"Boa tarde, meus prezados amigos cultos e ocultos! Hoje, logo cedo, escutei uma música vinda de um dos apartamentos do prédio onde moro. Estava alto o som e eu só não fui lá reclamar porque a música era boa, um instrumental que eu logo identifiquei. Era o Cesar Camargo Mariano. Peraí, pensei comigo, eu tenho esse disco! Achei até que já o tivesse postado no blog, mas verifiquei que não. Taí uma boa hora para fazê-lo. É um dos discos de música instrumental que eu mais gosto. É ousado, competente e de altíssima qualidade. Para mim, se iguala ou supera aos melhores do ‘fusion’ internacional. Quer dizer, ‘fusion’ no sentido mais amplo do termo. Foi o segundo disco solo de Cesar Mariano, ou Cesar Camargo Mariano. Um trabalho inspiradíssimo que projeta em nossas mentes as diversas facetas de Sampa. Uma homenagem e tanto! Mas este disco não seria o que é se não tivesse o Cesar Camargo acompanhado pelas feras, Crispim Del Cistia, Natan Marques, Wilson Gomes e Eduardo Portes. Os caras juntos formam uma química muito boa.

O certo é que eu fui procurar o lp na estante, onde esperava encontrá-lo. Qual o quê… nada de achá-lo. Verifiquei várias vezes toda a estante pensando que estivesse fora de ordem. Necas! Devo tê-lo perdido ou vendido, pois empréstimo é coisa que eu não faço, hehehe… Só pra um ou dois amigos muito chegados, que também me emprestam seus discos 🙂
Só de raiva, resolvi então postar a versão cd, que por incrível que pareça está tão boa quanto o vinil. Esta postagem foi mais por honra da firma do que propriamente pela necessidade manter acesa uma boa chama. É bom ver estampado aqui no Toque Musical este discão 😉 Quem, por acaso não conhece, faça me o favor… vai logo conferir! metrópole, estação do norte, fábrica, poluição, imigrantes, metrô, litoral, futebol de bar.

Publicado em Cesar Camargo Mariano, Selo RCA por Augusto TM. 




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Racionais MCs na Virada Cultural

Racionais MC's é um grupo brasileiro de rap fundado em 1988 na cidade de São Paulo. É formado por Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay. É o maior grupo de rap do Brasil, e está entre os grupos musicais mais influentes do país e da música brasileira. Suas canções demonstram a preocupação em denunciar a destruição da vida de jovens negros e pobres das periferias brasileiras e o resultado do racismo e da violência policial, ao sustentarem a miséria diretamente ligada com a violência e o crime. Temas como a brutalidade da polícia, do crime organizado e do estado, bem como o preconceito, as drogas e a exclusão social são recorrentes nas letras do conjunto. Embora inicialmente conhecido apenas na capital paulista, o grupo conseguiu alcançar sucesso nacional e internacional a partir dos álbuns Raio X Brasil (1993), Sobrevivendo no Inferno  e Nada como um Dia após o Outro Dia (2002).
Nascido no final da década de 1980, o nome do grupo foi inspirado no disco Tim Maia Racional de Tim Maia. A primeira gravação do grupo foi feita em 1988, quando o selo Zimbabwe Records lançou a coletânea Consciência Black, Vol. I. Neste LP, apareceram os dois primeiros sucessos do grupo: "Pânico na Zona Sul" e "Tempos Difíceis". Ambas canções apareceriam dois anos depois em Holocausto Urbano, primeiro disco oficial do grupo e cujas letras denunciam o racismo e a miséria na periferia de São Paulo, marcada pela violência e pelo crime.

Após esse álbum, os Racionais MC's tornaram-se bem conhecidos dentro da cena rap da periferia paulistana e da Grande São Paulo. Essa popularização fez com que os integrantes dos Racionais MC's passassem a desenvolver trabalhos especialmente voltados para comunidades pobres, dentre os quais um projeto criado pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, em que o conjunto realizou palestras em escolas sobre drogas, racismo, violência policial entre outros temas. Também participariam nos anos seguintes de diversos concertos filantrópicos em benefício de HIV positivos, campanhas de agasalho e contra a fome, além de atuarem em protestos como o aniversário da Abolição dos Escravos no Brasil. Em 1991, os Racionais MC's abriram o show do pioneiro Public Enemy, um dos mais famosos grupos de hip hop americano, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. No final de 1992, foi lançado o segundo LP do grupo, Escolha o seu Caminho. No ano seguinte, o grupo participou do projeto "Música Negra em Ação", realizado no Teatro das Nações em São Paulo, e gravou o disco Raio X Brasil, terceiro disco do conjunto, lançado em uma festa na quadra da escola de samba Rosas de Ouro para um público estimado de 10 mil pessoas. Canções deste disco como "Fim de Semana no Parque" e "Homem na Estrada" (ambas de Mano Brown) fizeram grande sucesso em bailes de rap e nas rádios do gênero em todo o país. Principal atração do Rap no Vale, um concerto de rap realizado no final de 1994, no Vale do Anhangabaú (centro de São Paulo), e que terminou em confusão e quebra-quebra, os membros do grupo foram presos pela polícia sob acusação de incitação à violência - a violência policial é um tema frequente nas letras do grupo. Ainda naquele ano, a gravadora Zimbabwe lançou a coletânea Racionais MC's. No final de 1997, foi lançado o disco Sobrevivendo no Inferno, pelo selo Cosa Nostra (do próprio grupo), que vendeu cerca de 500 mil cópias. Dentre os grandes sucessos deste álbum estão "Diário de um Detento", "Fórmula Mágica da Paz", "Capítulo 4, Versículo 3" e "Mágico de Oz". Com esse disco, os Racionais MC's deixaram de ser um fenômeno na periferia paulistana para fazer sucesso entre outros grupos sociais. Apesar disso, o grupo adotou uma postura antimídia. Um exemplo notório foi a cerimônia de premiação do Video Music Brasil, da MTV Brasil, quando a emissora teve muita dificuldade para levar o grupo para a premiação e Mano Brown ressaltou que a mãe havia lavado muita roupa pra '"playboy" pra fazê-lo chegar até ali.

Em 2022, os Racionais participaram pela primeira vez do festival Rock in Rio, um dos maiores festivais de música do mundo. O grupo se apresentou no sábado, dia 3 de setembro, no Palco Sunset. O show teve início com projeções do filme The Warriors, conhecido no Brasil com o título "Os Selvagens da Noite", clássico dos anos 1970, o filme procura refletir sobre as origens da violência na sociedade. A projeção continuou com imagens do grupo no metrô de São Paulo, quando o trem chega na estação Capão Redondo, os Racionais "descem" do trem da projeção e entram no palco do Rock in Rio. Pelo fato de o grupo sempre buscar fazer críticas e reflexões sociais, pode-se interpretar o paralelo feito entre o filme e as imagens em São Paulo "onde há um acordo para que gangues de diversas partes de Nova York se reúnam sem armas ou atos violentos, nesta noite a plateia representava as diferentes "tribos" do país".


VIRADA CULTURAL



Virada Cultural é um evento anual promovido desde 2005 (a foto acima é de 2022) pela prefeitura do município de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura tendo o apoio de vários parceiros artísticos e institucionais. Com o intuito de promover na cidade 24 horas ininterruptas de eventos culturais, como espetáculos musicais, peças de teatro, exposições de arte e história, entre outros. Inspirada no festival francês Noite Branca (em francês: Nuit blanche), que acontece todos os anos em Paris desde o ano de 2002, a Virada Cultural convida a população a ocupar o centro da cidade, incentivando o convívio social através da cultura e possibilitando o acesso a diversas formas de arte às diversas classes sociais, além de buscar reverter o esvaziamento da região central de São Paulo. O evento possui palcos temáticos como a Avenida São João (Rock Nacional), Praça da República (Samba), Largo do Arouche (Estilo Popular) e a Estação Júlio Prestes (MPB). Durante toda a realização, o Metrô de São Paulo permanece aberto em tempo integral para que os participantes possam se deslocar entre os diversos palcos e assistir às apresentações espalhadas por toda a cidade.

O evento foi criado em 2005 durante a gestão Serra-Kassab visando oferecer gratuitamente para a população, atrações artísticas e culturais, durante 24 horas de programação cultural. Em sua primeira edição, a Virada trouxe a proposta de realizar atividades em toda a cidade utilizando equipamentos da Prefeitura, como as unidades do Centro Educacional Unificado, e parceiros, como o Serviço Social do Comércio e o Governo do estado de São Paulo. A proposta inicial permaneceria em outras edições. A escolha do mês de realização se mostrou, contudo, inadequada por conta dos altos índices pluviométricos característicos da primavera. A festa deu origem a Virada Cultural Paulista, que segue um modelo semelhante e acontece em vários municípios do interior de São Paulo.

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TEATROS, BANDAS E FESTIVAIS



Teatro Record - Rua da Consolação em 1958. O teatro Record foi fundado em 9 de março de 1958, na rua da Consolação, no também bairro da Consolação, na capital paulista. Na época, foi palco dos tradicionais musicais, mais notoriamente os festivais da MPB dos anos 1960 e seriados como Família Trapo. Depois de sofrer um grande incêndio, o teatro foi desativado. Após ser reativado por um curto período na Zona Central de São Paulo, foi transferido para o Jardim Aeroporto, com o nome de Teatro Paulo Machado de Carvalho onde permaneceu até 1995. Paulo Machado de Carvalho foi o fundador e proprietário da Rádio Record e TV Record dos anos 1930 até 1990.[Textos e imagens da Wikipedia]

SHOWS, BAILES E FESTIVAIS



                                 Foto: The Jordans no hall do teatro nos anos 1960.



Miguel Maimone, José Américo Sestini e Clóvis Suete, os Três do Rio – todos, aliás, paulistas. Memórias Garcense. 




Caminhão do Conjunto Dimensão 5 estacionado na avenida Ibirapuera em 1970. 



Um das formações do Placa Luminosa, já nos anos 1980. 

"Pois é meus amigos. há 49 anos, no dia 2 de janeiro de 1975, após me encontrar com meu inesquecível amigo Pique Riverte em frente a Boate 'La Licorne', na rua Major Sertório, e ter ido dormir em sua casa. O Pique tinha acabado de sair da banda Casa da Máquinas. De manhã, ele me pediu pra ir com ele buscar quatro músicos (Jesse, Luizão e Ribah) na que estavam vindo de Brasília (Ari só veio 20 dias depois). Falei com Ari nascimento Dias atrás e chorei muito quando ele me disse, olhando a foto do Corrente de força, que todos na foto estavam mortos, só sobrou ele. (amo você Ari.). 

Antiga Rodoviária de S.P nesse Dia , nasceu a Banda Corrente de Força, que um ano depois viria se tornar Placa Luminosa, fato que mudaria minha vida pra sempre. Maravilhosas e eternas lembranças na minha trajetória no mundo da música. Realmente, fui privilegiado por ter conhecido, trabalhado e vivido, com esses músicos fora de série e à frente do seu tempo. Onde estiverem, obrigado ... Jamais os esquecerei. Obrigado por tudo que passamos juntos...


Ps. A foto do Corrente de força, foi inspirada na capa do LP da banda Mandril, que adorávamos ouvir na época. Bons tempos de boa música kkkkk. Sidney Leonel.


CHIC SHOW NO GINÁSIO DA S.E. PALMEIRAS



 Os bailes da Chic Show no Palmeiras era o maior palco da cultura negra de São Paulo. Estes bailes eram a difusão da música negra no Brasil, era ali no clube , que passaram artistas como: Earth, Wind and Fire, Cool and the Gang, James Brown, Areta Franklin, Betty Wright, Zapp, Tim Maia, Jorge Ben e outros. Fonte Apaixonados pela Black Music
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EXISTE BOOGGIE EM SP

Esta matéria foi publicada originalmente na edição 114 da revista NOIZE, lançada com o vinil de “Tim Maia Disco Club” (1978), do Tim Maia, em 2021. 

Os bailes black e soul no Brasil se unem ao redor do conjunto de valores formados pela exaltação da cultura preta e do povo preto sob influência direta do que borbulhava nos Estados Unidos na curva da década de 60 para os 70. Um caldeirão composto pelo movimento black power, os Panteras Negras, o soul, o funk, o R&B e até mesmo os ecos da luta de países africanos por independência que reverberavam através do intercâmbio entre ativistas negros dos continentes de África e América. 

Entretanto, em cada novo território brasileiro em que chegavam, tais ventos moldavam as manifestações culturais locais de forma diferente. No estado de São Paulo, por exemplo, o termo baile black se origina a partir das equipes de som como a Chic Show. 

A marca, que se tornaria emblemática, tem como embrião a Discoteca do Luizão, fenômeno que transformou os rumos de Luiz Alberto da Silva para sempre. Nascido no bairro paulistano da Lapa e criado na Vila Madalena, ele, ainda na juventude, inicia sua jornada como colecionador de discos. 

Pela qualidade de sua coleção e por possuir um bom equipamento de som, Luizão começou a receber convites para tocar em diversos eventos, de forma ainda informal: amigos, parentes e conhecidos que queriam som no quintal, em encontros de família, piqueniques e festas, como ele nos conta em entrevista. Os convites se expandiram para bailes de bairros como Pinheiros, Vila Madalena, Butantã, Bonfiglioli, Ferreira e Vila Sônia. Com o aumento da demanda, Luizão decide que é hora de dar um passo a mais. 

Assim é criada a equipe de som Chic Show, no ano de 1968, conforme registra a dissertação de mestrado Chic Show e Zimbabwe e A Construção de Identidade nos Bailes Black Paulistanos (2000), de João Batista de Jesus Félix. 

A escolha por um nome que soasse pomposo foi intencional e por um motivo nada banal: o de conectar o status de elite à população negra. Em específico, a uma geração negra “com novos anseios”, como Luizão classifica.  A partir daí, os bailes organizados sob o nome da Chic Show passaram acontecer, de forma improvisada, no quintal do Bica, um local aberto, equipado por uma lona, e localizado no bairro Pinheiros, conforme atesta o trabalho de Félix. Ele segue nos indicando a cronologia, informando que ainda em 68 os bailes passam a ser sediados aos domingos no salão da cooperativa Carvão, situada no mesmo bairro. 
Luiz Alberto da Silva, o Luizão, criador da equipe de bailes 'Chic Show'. Fonte G1



O ano de 71, entretanto, marca uma virada de chave; primeiro, com a realização dos bailes no salão São Paulo Chic, pertencente à Escola de Samba Camisa Verde. Segundo, com a ampliação das atividades da Chic Show a outros locais – entre eles, clubes de elite – como Mansão Azul no Jabaquara, Clube Homs e Clube Alepo no Jardins, entre outros. 

Entretanto, Luizão tinha ambições ainda maiores para a Chic Show e para o lazer da população negra. É nessa conta de adição que surge o salão de festas da Sociedade Esportiva Palmeiras, em 1975. “Era uma questão [vinda] da necessidade de fazer o negro dançar nos grandes espaços da cidade, lugares que eram praticamente proibidos para negros, entendeu?”, demanda. 

Propor uma parceria com um dos clubes tradicionais da elite paulistana exigiu confiança, e logo se firmou em resultados expressivos. Os primeiros contatos se deram através de uma conexão estratégica: o Palmeiras “tinha um diretor que era juíz, e eu tinha um amigo que era do Juizado de Menores”, detalhe Luizão. “Convoquei essa pessoa e ela me colocou diante desse diretor. Com muita dificuldade, a gente conseguiu entrar no Palmeiras”, remonta. 

De acordo com o já referido trabalho de Félix, o pedido de aluguel foi aprovado pela diretoria da Sociedade Esportiva Palmeiras na seguinte condição: se o público total não atingisse os 10 mil, o espaço não seria mais alugado para esse tipo de atividade. 

O baile de estreia da Chic Show no espaço alviverde teve como atração nada mais, nada menos que Jorge Ben Jor e reuniu 16 mil pessoas. O sucesso selou um contrato anual entre a equipe de Luizão e diretoria do Palmeiras, dando início à fase mais icônica dos bailes black da Chic Show. 

Chic Show nos anos 1980. Acervo : Identidade Palmeiras. 


People Get Up And Drive Your Funky Soul

O lugar de destaque da Chic entre os outros bailes black de SP na época se dá tanto pela prestigiosa nova sede quanto pela promoção de shows de peso. No salão localizado embaixo da arquibancada do antigo Parque Antártica (estádio do Palmeiras, antes de se tornar Allianz Parque), localizado no nobre bairro de Perdizes, cabiam de 15 a 20 mil pessoas, segundo Luizão. 

Sucedendo a Ben Jor, o artista da vez foi Tim Maia. Na ocasião, Luizão relata que houve a derrubada de um muro do espaço palmeirense. “Era muita gente, o que tinha na rua cabia duas vezes o que tinha dentro do ginásio”, estipula. Depois dele, nomes como Gilberto Gil, Djavan, Sandra de Sá e Carlos Dafé marcaram presença em uma sequência dedicada à música nacional. 

“Bombava, bombava! Cerca de 20 mil pessoas em cada baile do Palmeiras, fora os que ficavam do lado de fora porque não conseguiam entrar”, relembra de modo enfático o dançarino e ícone do Hip Hop Nelson Triunfo, que conta à NOIZE ter começado a frequentar os bailes black da Chic Show por volta de 1977. 

Nessa fase, a Chic e o Palmeiras já celebravam uma parceria de franca ascensão. “Se você fosse ter um baile em São Paulo no dia que tivesse o baile da Chic Show no Palmeiras, era melhor que não fizesse, porque não iria ninguém”, diz Triunfo. Uma grande festa que virou tradição e ponto de encontro de diversas São Paulo existentes na mesma capital. 

É Nelson quem pontua: “Era como se fosse uma festa de intercâmbio da cidade. Você não conhecia só as pessoas do seu bairro, você conhecia novas amizades e encontrava pessoas da Zona Leste, Zona Sul, Zona Norte e da Zona Oeste”, explica. 

O maior balanço do mundo aterrissa em SP. “O James Brown era um sonho americano dos negros brasileiros. Eles sonhavam em vê-lo no palco”, cunha Luizão. O Mr. Dynamite era a principal figura da potência do soul mundo afora. Sua estreia no Brasil aconteceu em 1973, mas é em sua segunda passagem, no ano de 1978, que ele marca presença como a primeira atração internacional do baile da Chic Show. Posteriormente, viriam Gloria Gaynor, Earth Wind & Fire, Jimmy Bo Home, e mais.

Os panfletos anunciavam “James Brown – o maior balanço do mundo”, ressaltando a oportunidade imperdível com os dizeres “única apresentação para os blacks paulistas”. Sobre os bastidores da façanha de trazer um dos maiores nomes da música internacional para o palco da Chic Show, Luizão permanece reservado e breve: “Isso tinha que ser realizado, então, batalhamos para poder trazê-lo”.

Já Nelson Triunfo recorda a busca do ídolo no aeroporto: “Na época só existia o Aeroporto de Congonhas em São Paulo, e fomos lá recebê-lo. A gente tava lá vendo o cara pela primeira vez! [Foi aí] que ganhei aquela capa que aparece em uma foto minha durante o show e que ficou famosa”, destaca.

À noite, o espetáculo foi ganhando tons de um evento ainda mais memorável. Luizão evoca:

O Palmeiras teve uma superlotação. Grande acontecimento! Os jovens negros vindo de todo o Brasil para se reunir, pessoal de Minas Gerais, Porto Alegre, Rio de Janeiro…, pessoal até de outros países da América Latina vieram para ver o James Brown. Muitas pessoas dentro do Palmeiras, muitas não conseguiam se mexer no espaço. Uma loucura muito grande porque o James Brown com a banda dele tinha uma coisa, era o ápice de tudo. Vibração de gol, loucura!

Nelson também retoma algumas das cenas que nos ajudam a mensurar o frenesi. “Foi louco porque lotou, lotou! Eu vi gente chegando até pelas telhas – não sei como eles chegaram até lá em cima, [outros] quebraram o portão. Muita gente não conseguia mais entrar no salão, então, ficavam ao redor do ginásio sentindo o som ao vivo, que era muito alto e pesado”, conta.

Em entrevista concedida à Gazeta do Esporte, publicada em 2020, Luizão diz terem entrado 23 mil pessoas no salão para ver James Brown, apesar do espaço ter como lotação máxima um público de 12 mil. Ele acrescenta, ainda, a impossibilidade de “levantar o braço” pela quantidade de gente – foi preciso “colocar o pessoal todo pra dentro. Foi a única maneira de controlar a galera”, justifica.

Nelson Triunfo já era uma estrela à parte na cena dos bailes black de São Paulo. Na noite do show, se apresentaria no palco. Ele compartilha sua visão momentos antes de protagonizar um dos momentos mais marcantes da noite e eternizado em fotografia.

– Eu fui para o baile com a capa que James Brown me deu. Não sei que porra deu na cabeça dos caras que estavam comigo, mas, no meio daquela multidão, eles falaram pra mim ‘endurece as pernas que nós vamos te levantar!’. Eles começaram a me levantar, e eu endureci as pernas; os caras me puseram por cima do ombro deles, tinham várias mãos me pegando, e eu fiquei em pé numa boa por cima da multidão. Foi uma loucura aquilo! Fico pensando qual visão o James Brown teve…

A foto se tornou uma das mais simbólicas quando assunto é baile black brasileiro. O que nem todo mundo sabe é que depois de tirar a capa para uma outra apresentação no baile e guardá-la em sua mochila, dentro do camarim, ela foi perdida/furtada. “Quando fui [mexer] na mochila, ela levantou muito fácil”, narra, “quando fui olhar, ela realmente estava vazia”, diz já conformado.

Chic Show, para além do Palmeiras

A conquista da ocupação de um espaço de elite não esteve imune a questionamentos. Luizão atesta a ocorrência de um certo choque com alguns associados do Palmeiras, que compartilhavam o uso de um espaço com um baile de veia negra e periférica. Em matéria publicada no blog Verdão Web (ligado ao Palmeiras), o fundador da Chic Show dá exemplos do que se colocava em xeque: “pô, não pode alugar para a negrada, o pessoal é da raça”, alegavam. Mas, segundo ele, “os diretores [do clube] sempre correram junto conosco”, conforme registrado no blog.

Fato é que a monografia de Félix, baseada em depoimento de Luiz, indica que as (não especificadas) dificuldades trazidas pela organização dos bailes junto ao Palmeiras marcam a década seguinte, impulsionando uma desconexão entre a Chic Show e o alviverde.

As atividades foram perdendo fôlego e sendo realizadas de forma mais espaçada, pulverizando-se para outras partes da cidade, inclusive para as zonas periféricas, de onde haviam surgido. Em 81, a Equipe Chic Show ruma para uma sede própria – uma oficina antiga, próxima à Camisa Verde Branco, no bairro da Barra Funda. Após as primeiras reformas, recebe o nome de Clube da Cidade e é inaugurado em 82.

A consolidação nas periferias é frutífera. Se no Rio de Janeiro o movimento de bailes soul formou as bases para o desenvolvimento do funk, em São Paulo prosperaram o rap e o pagode. Coletâneas, concursos e bailes – inclusive os organizados pela Chic Show – cruzaram e contribuíram para a trajetória de nomes como Racionais MC’s, Rappin’ Hood, SampaCrew e Péricles.

A marca Chic Show se mantém há 50 anos, prosperando, ramificando e se reinventando sob o comando de Luizão. “Hoje ela não é mais uma equipe de som, ela é uma empresa de eventos”, distingue o fundador. Ele detalha: “Temos trabalhado com artistas internacionais de outras linhas e também em outras áreas; a própria rádio Chic Show, os programas em outras rádios. A Chic Show continua ativa”, pontua.

Os bailes black paulistanos contribuíram para o fortalecimento da identidade cultural negra, oferecendo um espaço feito por e para a comunidade negra. As dimensões desse legado impulsionam discussões no âmbito da pesquisa acadêmica, estão expressas na influência artística do rap e do pagode, e merecem destaque. As noites da Chic Show deixaram uma marca na Sociedade Esportiva Palmeiras que nenhuma reforma é capaz de destruir.

Serviço Festival Chic Show


OS VIRGULÓIDES


Cena do video clip da música " O Bagulho do Bumba"

Os Virgulóides foi uma banda brasileira que mistura rock e samba, formada em São Paulo. Era  caracterizada pelas suas letras bem humoradas e repletas de sarcasmo, e pela mistura de ritmos distintos, como o rock e o samba. Foi criada pelo trio Henrique Lima (vocal e guitarra), Beto Demoreaux (baixo) e Paulinho Jiraya (bateria) na Cidade Dutra, zona Sul de São Paulo, na segunda metade dos anos de 1990. O nome da banda surgiu da fusão de nomes de Virgulino Ferreira da Silva, o "Lampião", e do desenho animado Os Herculóides. O produtor Carlos Eduardo Miranda foi o responsável pela produção1 e gravação do primeiro disco do grupo, lançado em 1997 pelo selo independente Excelente e intitulado Virgulóides?. O álbum de estreia de Virgulóides vendeu mais de 200 mil cópias e contém o principal hit da banda: "Bagulho no Bumba", música que ficou na posição 33 das 100 músicas mais tocadas de 1997 no Brasil. No mesmo ano, a banda ganhou o Prêmio Multishow de Artista Revelação em 1997. Pouco antes de eles assinarem com a Polygram e lançarem o novo álbum, Marcello Cassettari, o "Marcello Fumaça" (guitarra e cavaquinho) entra na banda.

Em 1998, os Virgulóides lançaram seu segundo disco, Só Pra Quem Tem Dinheiro?, pela PolyGram, produzido por Liminha. O álbum contou com a participação de Bezerra da Silva na faixa "Alcoólatra da Fumaça" e dos Raimundos na regravação de "Eu Sou Rebelde". Após um período sem gravadora, o grupo lançou seu terceiro disco: As Aventuras dos Virgulóides, pela BMG em outubro de 2000, com produção do inglês Paul Ralphes (baixista da banda inglesa Bliss). No ano seguinte, Marcello Fumaça sai da banda, que posteriormente apresentou-se no Rock in Rio, no Rio de Janeiro. Depois de passar um ano sem conseguir contrato para shows e o novo disco não vingar, a banda resolve encerrar suas atividades. 

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TODOS OS SONS DO MUNDO NESTE FESTIVAL DE JAZZ!


Por Ezequiel Neves

O simples fato de ter levado ao Palácio das Convenções do Anhembi uma platéia superior a 60.000 pessoas, durante sete dias e oito noites, consagra triunfalmente a realização do Primeiro Festival Internacional de Jazz de São Paulo. E o melhor: o fato de pelo menos metade dessa platéia ser composta de jovens que antes nunca haviam travado contato com o idioma de Louis Armstrong dignifica ainda mais a ótima idéia da Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia. que transformou São Paulo, do dia 11 ao dia 18 de setembro, em capital mundial do jazz. Lógico que um evento monumental como esse iria gerar muitas controvérsias. E as discussões partiram, principalmente, de puristas e retrógrados que insistem ainda em rotular o que é e o que não é jazz. O que não deixa de ser um papo muito do furado: durante mais de seis décadas, o jazz tem se firmado justamente por ser uma linguagem musical aberta a todas as influências. E os instrumentistas que integram suas trincheiras sempre souberam absorver e transcender todas as experiências do presente. Tendo por base a mais sadia improvisação, o jazz, acústico ou elétrico, provou mais uma vez ser o idioma musical popular sem as fronteiras que limitam repressivamente o passado, presente e futuro. John McLaughlinQuem foi ao Anhembi se esbaldou com a diversidade fosforescente de estilos e correntes. Elas conviveram sem nenhum conflito, mostrando de forma didática um vibrante painel que cobre quase cinqüenta anos de jazz.


As big bands (espécie de som discotheque dos anos 30) estiveram representadas da forma mais descabelada possível. Se a Jazz Band da Universidade do Texas mostrou apenas um xerox pomposo e amador de standards jazzísticos, Paulo Moura e José Menezes fizeram a platéia mergulhar na maior farra. O primeiro, tocando e regendo a Rio Jazz Orquestra, mostrou que o tempero brasileiro só enriquece e apimenta o jazz tradicional. E o segundo, à frente da eufórica Banda de Frevo do Recife, provou que esse ritmo explode o rótulo "folclore": jazz é também alegria. A exibição do grupo Jazz at the Philarmonic foi, principalmente, bem emocionante. Se somássemos as idades de seus componentes (os lendários Jimmy Rowles, Harry Edison, Mickey Roker, Ray Brown, Milt Jackson, Roy Eldridge e Zoot Jims) teríamos quase 400 anos de genialidade a serviço do som. E o que se ouviu foi uma exibição clássica e cristalina de estilistas vibrantes, exemplo máximo do que aconteceu de melhor com o jazz dos anos 50. E o mesmo pode ser dito do show do saxofonista Benny Carter, que transcendeu a "música de boate" feita pelo grupo de Nelson Ayres. Pertencendo à mesma geração desses medalhões, o sempre jovem Dizzy Gillespie, além de soprar seu trumpete entortado, também se esbaldou alegremente nas Percussões, inventando sons repletos de atualidade. Mas foi o setor do jazz vocal que motivou as mais caducas discussões. A incendiária Etta James, por exemplo, quase foi condenada à morte. Isso porque o seu jazz está pousado nos gospels profanos e na fusão do rhythm and blues com o rock. Etta, mastodôntica e maravilhosa, pulverizou a platéia com sua garganta furiosa a ponto de eclipsar a exibição de Al Jarreau (um Johnny Mathis da pirotecnia dos scats), Taj Mahal (prejudicado pela falta da cozinha rítmica) e Milton Nascimento. E os superstars também mandaram ver com classe e garra surpreendentes. George Duke instalou a farra no Anhembi, enquanto Chick Corea brilhou com seu "sofistifunk" e John McLaughlin estraçalhou seu arrebatador jazz-rock, faiscante e interplanetário. Mas em matéria de técnica e emoção, os violonistas Larry Coryell e Philip Catherine foram estrelas máximas, expandindo brilhantemente influências como as de Django Reinhart, Charlie Christian e Wes Montgomery. A grande virtude desse triunfal "Primeiro Festival", foi que não houve disputa ou confronto entre brasileiros e estrangeiros. Houve, isto sim, uma sadia troca de energia e vocabulário musicais em que o jazz saiu sempre e sempre vitorioso. A prova disso foi dada pelo prodigioso "Bruxo do Som", Hermeto Paschoal - autêntica síntese da maratona musical acontecida no Anhembi. Deliciosamente antropofágico, liquidificando todas as informações sonoras atuais, Hermeto partiu do mais descabelado free até a música nordestina, provando que os autênticos inventores vocais são aqueles que batalham para a criação da música do futuro.

PRIMEIRO FESTIVAL DE JAZZ DE SÃO PAULO

Data: de 11 a 18 de setembro de 1978
Local: Palácio das Convenções do Anhembi
Platéia: mais de 60.000 pessoas
Artistas: John McLaughlin, Tony Smith, Larry Coryell & Philip Catherine, Dizzy Gillespie, Taj Mahal, Patrick Moraz, Hermeto Paschoal, Egberto Gismonti, Chick Corea, Joel Farrel, Stan Getz, Al Jarreau, Peter Tosh, Milton Nascimento, Nivaldo Ornellas, Benny Carter, Jazz at the Philarmonic, Raul de Souza, Djalma Correa, George Duke, Etta James, Ray Brown, Zimbo Trio, Luiz Eça, Helio Delmiro, Márcio Montarroyos, Wagner Tiso, Victor Assis Brasil, entre outros.

Show do Zimbo Trio na Estação São Bento do Metrô em 1978 durante a realização da versão paulistana do Festival Internacional de Jazz de Montreux. 



O COMEÇO DO FIM DO MUNDO

O MOVIMENTO PUNK PAULISTANO


"Rock 80 Brasil teve várias facetas. Tivemos influências de vários tipo de Rock. Um deles foi o punk, originário da Inglaterra e que se alastrou pelo mundo, reunindo jovens, principalmente da periferia e da classe operária. Foi nos dias 27 e 28 de novembro de 1982, portanto há 32 anos, ocorria em São Paulo um dos mais importantes marcos da história do movimento punk. Foi o festival “O Começo do Fim do Mundo”, que aconteceu no Sesc Pompeia, na capital paulista, cujo objetivo foi reunir as diversas facções punks da capital e do ABC paulista. Apresentaram-se um total de 20 bandas, entre elas Dose Brutal, Inocentes, Lixomania e Ratos de Porão. Os shows foram gravados em um tape e lançado em forma de LP em 1983".

ONDE SURGIU O PUNKN PAULISTANO

Movimento punk teve início nas regiões mais pobres e afastadas de SP


Estadão - 28/09/2016 


No fim da década de 1970 e começo dos anos 1980, o Brasil ainda vivia sob o regime ditatorial. Se o mundo observava atento o aparecimento de bandas como Ramones, Sex Pistols, MC5, Stooges, New York Dolls e The Clash, a produção nacional, principalmente o rock, ficava cada vez mais nebulosa e sem graça. O que se via e ouvia era conflitante com a situação política do País, que enfrentava censura, violência e repressão policial.

Somado a isso, as periferias, principalmente as de grandes cidades como São Paulo, nos extremos, não eram ouvidas. Os jovens pobres ficavam cada vez mais à margem da sociedade e do pensamento cultural. Faltava sangue. O Brasil estava carente de um pulso musical vibrante, que pudesse dar voz aos excluídos. “Quando o movimento punk surgiu no País, no início da década de 1980, as bandas passaram a fazer um som mais pesado. Isso foi reflexo do momento político que vivíamos. Até então, a grande influência do rock era a Blitz, de Evandro Mesquita. Eles transformavam crônicas cariocas em grandes hits. No entanto, muita coisa acontecia naquela época: greve no ABC e a luta contra a ditadura militar, por exemplo. O Clemente e Os Inocentes são símbolos disso. Eles deram a largada para a mudança”, afirma Marcelo Rubens Paiva.

Pobre e negro, Clemente Tadeu Nascimento, morador do bairro do Limão, na zona norte de São Paulo, filho do vendedor Clementino Lopes Nascimento e xodó de dona Alice, trabalhava como office-boy. Comprou seu primeiro baixo aos 16 anos, ainda com a ajuda da mãe. Ao lado das irmãs, abriu um crediário e adquiriu um amplificador. Foi um grande evento para toda a família, quando a sua banda, o Restos de Nada, foi se apresentar em um lugar bem afastado. Pouco tempo depois, ele deixou o grupo e passou a integrar os Condutores de Cadáver, que se tornaria, enfim, a espinha dorsal dos Inocentes. “Eram muitas bandas. Restos de Nada, AI-5, Condutores de Cadáver, Cólera. A gente não tinha ideia do que estava sendo formado ali. Demorou um tempo para termos essa percepção”, afirma ainda Clemente.

Em 1981, os punks já lotavam shows nos subúrbios da capital paulista. Muitos festivais eram realizados por lá. Além das bandas já citadas, grupos como Ratos de Porão e Lixomania também se apresentavam nas zonas norte, leste e sul de São Paulo. No ABC, crescia o movimento operário. O punk-rock se fortalecia e, finalmente, chegava à grande metrópole. As gangues punks eram heterogêneas e de várias regiões da cidade. Embora tivessem o mesmo propósito, elas se enfrentavam duramente. O filme Warriors (1979), que fala sobre a briga entre as gangues de Nova York Gramercy, Rogues e Warriors, era uma forte inspiração para os jovens. Os punks do ABC, por exemplo, rivalizavam com os grupos da zona norte e da zona leste. “Até o estereótipo era diferente. A gente conseguia identificar se o cara era do ABC ou da capital paulista”, lembra também Clemente.

Não existia paz entre as gangues. Pisar no território inimigo podia significar a morte. Aos 17 anos, Clemente se apaixonou por Elenice, uma garota mais velha. Ele fazia parte da gangue da Carolina. Mas ela, entretanto, moradora da Vila dos Remédios, era da gangue Punk do Terror. Obviamente, não deu certo. Passar a noite na cadeia era algo normal para aqueles jovens. Clemente, por sinal, ficou várias noites na prisão. “A gente brigava muito. Quase toda noite. O livro traz inúmeros relatos. Depois de um tempo, a coisa toda parou de fazer sentido. Começou a ficar mais violenta. Afinal, se tínhamos o mesmo propósito, por que brigávamos? Não estávamos chegando a lugar nenhum, a coisa não evoluía, não saía do lugar, acrescenta Clemente.

TITÃS




Titãs é uma banda de rock formada na cidade de São Paulo, Brasil em 1982. Embora originalmente tocassem pop-rock alternativo em seus primórdios, o grupo também já utilizou diversos outros gêneros ao longo dos mais de 40 anos de carreira, como new wave, punk rock, grunge, MPB e música eletrônica.É uma das bandas de rock mais bem sucedidas no Brasil, tendo vendido mais de 6,3 milhões de álbuns e fazendo parcerias com vários artistas brasileiros de renome e diversos cantores internacionais. Eles receberam um Grammy Latino em 2009 e ganharam o Troféu Imprensa de Melhor Banda por quatro vezes.
A formação inicial contava com um número de integrantes bastante incomum. Eram nove membros, sendo que seis eram vocalistas. Arnaldo Antunes, Branco Mello e Ciro Pessoa cantavam e faziam vocais de apoio. Sérgio Britto, Nando Reis e Paulo Miklos, além de cantarem, se revezavam entre os teclados e o baixo. O restante do grupo era formado por André Jung, na bateria, Marcelo Fromer na guitarra rítmica e Tony Belloto na guitarra solo. Ciro Pessoa rapidamente deixou o grupo, antes mesmo do lançamento do primeiro álbum da banda, em 1984. André Jung era o baterista inicial, mas foi substituído por Charles Gavin no início de 1985, estabelecendo a formação clássica da banda.

Desde então, a banda perdeu outros cinco membros que nunca foram substituídos oficialmente: em 1992, Antunes deixou o grupo para seguir carreira solo. Em 2001, Fromer morreu após ser atropelado por uma motocicleta em São Paulo. No ano seguinte, Nando Reis também deixou a banda para se concentrar em seus projetos solo. As mudanças mais recentes foram as saídas de Charles Gavin, em 2010, e Paulo Miklos, em 2016, ambas por motivos pessoais. Após a morte de Marcelo e a saída de Nando, o grupo passou a se apresentar com alguns guitarristas e baixistas eventuais (Emerson Villani, André Fonseca e Lee Marcucci). A partir do lançamento do álbum Sacos Plásticos (2009), Branco Mello e Sérgio Britto tornaram-se baixistas definitivos (com Britto tocando apenas quando Mello canta) e Miklos como guitarrista até sua saída do grupo. Em 2010, a banda voltou a usar músicos de apoio, com a entrada do baterista Mario Fabre no lugar de Charles Gavin; algo que se repetiria em 2016, após a saída de Paulo Miklos, com a entrada do guitarrista Beto Lee.

Formação e primeiros trabalhos. Quase todos os integrantes da banda se conheceram no Colégio Equipe, em São Paulo, no final da década de 1970. As exceções eram o guitarrista Tony Bellotto e o baterista Charles Gavin. Após acompanharem apresentações de Novos Baianos, Alceu Valença e Gilberto Gil no pátio da instituição, e também por influência da Blitz, iniciaram uma banda e gravaram uma fita com cantadas para meninas - àquela altura, o grupo era grande e incluía nomes como Nuno Ramos, que mais tarde viraria artista plástico. A partir de uma apresentação na Biblioteca Mário de Andrade no ano de 1982, na qual Nando Reis atuou como baterista, passaram a fazer shows em várias casas noturnas da cidade, com o nome Titãs do Iê-Iê.A origem do nome remete aos primeiros ensaios da banda, realizados na biblioteca da casa dos pais de Tony, onde havia livros como Titãs da Ciência, Titãs do Esporte, Titãs da Literatura, entre outros, e isso os inspirou a criar o nome Titãs do Iê Iê.

O ex-vocalista, tecladista, saxofonista e guitarrista Paulo Miklos descreve o início da banda da seguinte forma:

A gente já tinha claro que o barato era a coisa criativa, aquilo que a gente podia criar juntos, e defender essa criação sem preconceitos. A gente tinha toda essa carga de informação, adorava o Arrigo [Barnabé], o Itamar [Assumpção], essa vanguarda paulista. Eu queria fazer umas frases dodecafônicas! A gente tinha uma proximidade também com a poesia concreta do Augusto [de Campos], o Arnaldo [Antunes] é um cara que estudou as coisas. A gente tinha esse conhecimento profundo da música popular brasileira trombada com toda música internacional. A gente era new wave, mas curtia Alceu Valença. (...) A gente sempre gostou do The Clash, por exemplo, que é uma banda que introduziu a música caribenha, o reggae, misturados com um punk rock mais encardido, mais sectário. (...) A gente era uma coisa caleidoscópica.

Antes do surgimento dos "Titãs do iê-iê", os integrantes da banda já tocavam em vários grupos. Arnaldo Antunes e Paulo Miklos eram parte da banda Performática; Nando Reis era percussionista e crooner da banda Sossega Leão; Branco Mello, Marcelo Fromer e Tony Bellotto formavam o Trio Mamão e as Mamonetes, que chegou a se apresentar no programa de televisão da Tv Tupi, de estilo competição musical Olimpop, em que a atriz Deborah Seabra, após a apresentação dos 3 garotos, disse que eles precisavam evoluir e que tinham que estudar, e Wilson Simonal disse que tinham um gosto mais moderno e que gostou do conjunto. Sérgio Britto e Marcelo Fromer também chegaram a se apresentar como calouros no programa do Chacrinha, sendo "gongados" cantando a música "Eu Também Quero Beijar", sucesso de Pepeu Gomes.

Os primeiros shows dos ainda Titãs do Iê-Iê ocorreu nos dias 15 e 16 de outubro de 1982, no Sesc Pompeia,[8] descrito pelo hoje baixista e vocalista da banda Branco Mello como uma "sessão maldita", pois teria começado muito tarde, após a meia-noite. No início, o visual da banda incluída maquiagens e ternos coloridos e gravatas de bolinhas. Além disso, a primeira formação contava com nove integrantes, sendo eles Arnaldo Antunes, Branco Mello, Marcelo Fromer, Nando Reis, Paulo Miklos, Sérgio Britto, Tony Bellotto, Ciro Pessoa e André Jung, dos quais seis eram vocalistas. Arnaldo, Branco e Ciro eram apenas vocalistas, Paulo Miklos cantava e se dividia entre o baixo (com Nando Reis) e o teclado (com Sérgio Britto), Sérgio Britto cantava e tocava teclado, Nando Reis tocava baixo e cantava, Tony e Marcelo tocavam guitarra e violão respectivamente e André Jung tocava bateria.

“Titãs Encontro”, 
2023 , a série de shows que reuniu a formação clássica dos Titãs.

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SALAS DE TEATRO

O teatro em 1862 com obras inacabadas.



O THEATRO SÃO JOSÉ

Interior do teatro com visão para o fosso da orquestra e palco, em 1920.

O Theatro São José foi um importante teatro existente na cidade de São Paulo. Inaugurado em 4 de setembro de 1864, seu primeiro edifício tinha capacidade para 1200 pessoas e estava localizado no Largo São Gonçalo, atual Praça Doutor João Mendes. Após um incêndio ocorrido às vésperas do carnaval de 1898 que destruiu o edifício, um novo Theatro São José foi construído ao lado Viaduto do Chá.

O novo teatro projetado pelo arquiteto Carlos Ekman tinha capacidade para 3000 pessoas e foi inaugurado em 28 de dezembro de 1909. Depois da inauguração do Theatro Municipal de São Paulo em 1911, o Theatro São José sofreu impacto em sua programação, permanecendo em atividade até 1919. Posteriormente foi adquirido pela Light São Paulo que passou a utilizar suas instalações até 1924, quando foi demolido e deu lugar ao Edifício Alexandre Mackenzie, inaugurado em 1929.

História. A criação do teatro foi decidida em 1854 na Assembleia Legislativa Provincial de São Paulo, que autorizou por lei o governo a contratar a construção de um novo teatro para a cidade, pois a antiga Casa da Ópera, o primeiro teatro da cidade localizado no Pátio do Colégio, estava muito deteriorada.

No início houve uma indefinição sobre a localização do novo teatro. Havia a possibilidade de inaugurá-lo no Largo de São Francisco, onde hoje está a Escola de Comércio Álvares Penteado. Por fim foi decidido que o edifício seria localizado no Largo São Gonçalo, atual Praça Doutor João Mendes.

A construção ficou a cargo de Antônio Bernardo Quartim, mesmo empreiteiro responsável pela reforma da Casa da Ópera. Seriam sócios o governo e Quartim, que ficaria com a concessão do teatro por vinte anos. De acordo com o contrato assinado, o teatro teria “72 camarotes, cada um com 6 palmos de frente e 13 de fundo, uma tribuna decente para o Presidente, tudo cercado por corredores com suficiente largura, uma plateia com 350 assentos e 100 cadeiras, e, além disso, salas espaçosas para recreio, bem como para pintura e guarda-roupa, e 2 botequins no saguão, sendo as paredes do edifício de pedra”.


Theatro São José após reformas em 1876.


A pedra fundamental foi lançada em 7 de abril de 1858 com grandes comemorações e o engenheiro Francisco Antônio de Oliveira ficou responsável pelo projeto do edifício. O prazo inicial para a obra era de três anos, porém os constantes atrasos e solicitações de verbas adicionais provocaram a crítica da imprensa.

O teatro foi inaugurado em 4 de setembro de 1864 com apresentação da peça Túnica de Nessus, do estudante de direito Sizenando Nabuco. Considerado um dos maiores teatros do Brasil na época, não era visto como um monumento de arte. Possuía uma fachada com a combinação de tijolos expostos, pilastras rudimentares e caixilhos de janelas sem adornos, encimados por um triângulo pesado que era o teto do salão.

As instalações do teatro comportavam 1200 pessoas e foram inspiradas nas grandes casas europeias de espetáculo, porém o edifício ainda permanecia inacabado e em precárias condições, com a plateia ainda em chão de terra, permanecendo assim por um bom tempo. Quem quisesse sentar para melhor apreciar os espetáculos levava sua própria cadeira de casa.

Em 1868 o presidente da província de São Paulo, Saldanha Marinho, irritado com as obras infindáveis do edifício, determinou ao Procurador Fiscal do Tesouro que tomasse providências. Em 1870, por força de uma lei provincial, foi determinado a encampação do teatro. O efeito prático da lei surgiu somente em 1873, no governo de João Teodoro, quando foram constatadas todas as irregularidades na obra. Após ser encampado pelo governo, o Theatro São José passou para a administração de Antônio da Silva Prado, que reformou o edifício e concluiu o trabalho em março de 1876, quando o teatro foi inaugurado novamente.

Com o passar dos anos, o Theatro São José se consolidou como um importante polo cultural da cidade e passou a receber importantes companhias internacionais, como a famosa companhia de Ermete Novelli, que apresentou dez peças no local. Passaram pelo São José malabaristas japoneses, mágicos alemães, companhias dramáticas italianas e artistas como o maestro Arturo Toscanini, a atriz Sarah Bernhardt, Eugênia Câmara e o poeta Castro Alves, que fazia declamações de seu camarote. Além disso, o teatro passou a ser palco para as pregações abolicionistas de Antonio Bento.

Na madrugada de 15 de fevereiro de 1898, às vésperas do carnaval, um grande incêndio acabou destruindo o tradicional teatro. Dizem que um funcionário, preparando o teatro para o baile de carnaval, havia esquecido uma um bico de gás aberto. Ao amanhecer, o edifício ficou em ruínas, permanecendo apenas as paredes externas. Após o incêndio que destruiu o edifício do teatro no Largo São Gonçalo, foi ordenada a construção de uma nova sede para o São José no começo do século XX, porém desta vez em outro local: ao lado do Viaduto do Chá.

Projetado em estilo eclético pelo arquiteto Carlos Ekman, o novo teatro foi inaugurado em 28 de dezembro de 1909. Em sua reabertura, foi executado o Hino Nacional, sucedido pela abertura da ópera Il Guarary, de Carlos Gomes. Seguiu-se com a apresentação da ópera Gueisha, de Howen Hallo e Sidney Jones, com elenco da Cia. Ernesto Lahoz. No dia seguinte foram anunciadas I Saltinbanchi, do maestro Ganné, sucedendo-se Sonho de Valsa, de Strauss e A Viúva Alegre, de Franz Lehár, que fechou a temporada de 1909.

O novo São José tinha capacidade para 3000 espectadores, distribuídos em 387 cadeiras na plateia, 39 camarotes, 28 frisas, 356 lugares no anfiteatro, 415 nos balcões e 629 nas galerias. Todos os lugares da plateia, que tinha forma tradicional de ferradura, possuíam uma visão privilegiada do palco, pois o projeto do edifício aproveitou o declive para o Vale do Anhangabaú, que se situava ao fundo, nas vizinhanças da rua Formosa. O local contava com salas para administração, sala de espera dos espectadores, instalação de bufê, sanitários e outros. O palco, um dos maiores de São Paulo até então, era adequado a qualquer tipo de espetáculo e tinha fosso de orquestra capaz de abrigar 70 músicos, treze camarins e quatro salas de comparsaria.

O teatro teve uma temporada de sucesso em 1910, trazendo artistas internacionais. Em 23 de dezembro estreou a Cia. Lírica Italiana Ratoli-Biloro, conjugada à Cia. Schiaffino, que encenaram, seguidamente, uma após a outra, as óperas: Aida, Manon Lescaut, Cavalleria Rusticana, I Pagliacci, Rigoletto, Werther, L'amico Fritz, Il Guarany, La Traviata, Tosca, La Gioconda, La Bohème, Carmen, Il Trovatore, Faust, Un ballo in maschera e Mefistófele. Essa temporada de óperas acabou sendo o ponto mais alto de toda a programação do teatro.

Após a inauguração do Theatro Municipal de São Paulo, em 1911, o Theatro São José teve sua programação fortemente alterada, passando a contar com temporadas curtas, elencos de segunda linha e plateias reduzidas. O teatro foi obrigado a recorrer às fontes de renda alternativa: aluguel das suas dependências para pequenas lojas, ateliês, oficinas de alfaiates e, até mesmo, residências. Em 1919 foi desativado como teatro e passou a pertencer à Assunção e Cia.

Neste Período, a Light São Paulo estava procurando um novo local para sediar suas atividades. Paulo Assunção, proprietário do teatro, ofereceu o edifício no dia 3 de junho de 1919, porém a empresa demonstrou desinteresse na proposta. Posteriormente as negociações foram retomadas e a empresa adquiriu o edifício 27 de junho de 1920.

Após comprar o teatro, a Light solicitou em juízo a notificação dos inquilinos, oferecendo 60 dias para que desocupassem o prédio. Houve um prazo especial de apenas 30 dias para Madame Ravidadt, uma inquilina do teatro que sublocava quartos para encontros amorosos. Foi também solicitada a retirada dos painéis de propagandas pertencentes à Água Platina e ao Cimento Rodovalho, afixados na fachada do teatro. A empresa só se viu livre dos inquilinos em maio de 1923.

Inicialmente a Light tentou adaptar o prédio às suas atividades, transferindo em 1 novembro de 1923 o setor de recebimento de contas de luz. Foram traçadas algumas alternativas para adaptação do prédio, porém a empresa concluiu que o melhor seria demolir o teatro e construir um edifício novo em seu lugar.

Em 29 de agosto de 1924 foi assinado o contrato para a demolição do edifício. O entulho resultante da demolição do Theatro São José serviu para o aterramento da área onde hoje existe o Mercado Municipal de São Paulo. As peças que ornavam as fachadas do teatro, como os mascarões e as esculturas em cimento, foram reaproveitadas na construção da Vila Itororó, então construída pelo comerciante português Francisco de Castro, onde permanecem decorando o local até hoje.

No local do Theatro São José foi construído o Edifício Alexandre Mackenzie, que durante muitos anos abrigou as atividades da Light São Paulo e posteriormente da Eletropaulo. Atualmente o edifício abriga Shopping Light.



THEATRO COLOMBO

O Teatro Colombo foi uma sala de espetáculos brasileira situada no Largo da Concórdia, bairro do Brás, na cidade de São Paulo. Era considerado o teatro de melhor acústica da cidade e tinha capacidade para 1968 lugares. Neste teatro o compositor italiano Pietro Mascagni regeu pessoalmente sua sua ópera Amica. O teatro foi inaugurado em 20 de fevereiro de 1908 após a reforma do prédio do antigo Mercado do Brás, no Largo da Concórdia, com apoio do coronel França Pinto. Na inauguração foi apresentada a peça Maria Antonieta, rainha da França, de Giacometti, pela Companhia Dramática Italiana dirigida pelo ator Antonio Bolognesi. O teatro tinha capacidade para 1968 lugares, contando com 39 camarotes e 24 frisas. Tinha ainda as cadeiras de plateia e três arquibancadas, comportando 260 lugares em pé. Era considerado o teatro de melhor acústica da cidade. A criação do Colombo foi uma resposta das classes menos favorecidas à elitização dos teatros paulistanos e de seus preços exorbitantes cobrados pelas bilheterias. Era conhecido como o local de reunião das famílias dos bairros industriais e populosos, por praticar preços ao alcance das classes operárias.

Em 3 de agosto de 1911 o compositor Pietro Mascagni regeu pessoalmente sua ópera Amica, ocasião tão especial que o edifício recebeu uma placa comemorativa em seu saguão. A apresentação na época foi anunciada como "A mais completa expedição lírica de todos os tempos", contando com uma produção de 183 pessoas vindas da Itália, incluindo os músicos da orquestra. Do teatro brasileiro, o Colombo recebeu artistas como Itália Fausta, Leopoldo Fróes, Procópio Ferreira e Nino Nello. Recebeu também artistas internacionais e numerosas companhias estrangeiras, especialmente italianas, em apresentações de óperas, balé, concertos e peças de teatro. Com o tempo, passou a exibir filmes e a hospedar bailes de carnaval que se tornaram famosos na cidade. O local também foi palco de grandes manifestações de trabalhadores e grupos de tendência anarquista.

Em 1911, arrendado pela Companhia Cinematográfica Brasileira de propriedade de Francisco Serrador, o teatro tornou-se uma sala de exibição de filmes e entrou em decadência nos anos seguintes. A prefeitura do município conseguiu reavê-lo para reinaugurá-lo em 1952, mas o Colombo não conseguiu se impor no cenário cultural paulistano como antes. Posteriormente a prefeitura fez planos de sua demolição para a construção da Radial Leste.

Em julho de 1957 o edifício foi interditado por não apresentar condições de segurança devido a problemas em seu telhado.

Em 19 de julho de 1966 seu edifício ardeu em chamas e foi completamente destruído. As causas do incêndio são suspeitas. Foi publicado no jornal O Estado de S. Paulo que o teatro vinha sendo ameaçado de destruição por telefonemas anônimos. O primeiro incêndio se iniciou num colchão colocado no teatro vazio no domingo, 17 de julho. Na ocasião o fogo foi controlado, mas na quarta-feira irrompeu novamente e destruiu o edifício em apenas trinta minutos.

Do outro lado da mesma praça ficava a antiga "Estação do Norte", da Estrada de Ferro Central do Brasil, mais tarde denominada "Estação Roosevelt". Hoje chama-se Estação Brás da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), integrada com o Metrô de São Paulo.


THEATRO MVNICIPAL DE SÃO PAVLO

Praça e Viaduto do Chá como foi concebido pelo escritório do arquiteto Ramos de Azevedo.


O Teatro Municipal de São Paulo é um dos mais importantes teatros da cidade e um dos cartões postais da capital paulista, tanto por seu estilo arquitetônico semelhante ao dos mais importantes teatros do mundo, e claramente inspirado na Ópera de Paris, como pela sua importância histórica, por ter sido o palco da Semana de Arte Moderna de 1922, o marco inicial do Modernismo no Brasil


Theatro Municipal na área central. Projetado pelos arquitetos Ramos de Azevedo (nome da praça onde se localiza), Claudio Rossi e Domiziano Rossi no estilo arquitetônico eclético, inspirado na Ópera de Paris e inaugurado em 1911. É um dos cartões postais da cidade, localizado na Praça Ramos de Azevedo, também considerado um dos mais importantes teatros do país. Construído para atender ao desejo da elite paulista da época, que queria que a cidade estivesse à altura dos grandes centros culturais. Seu estilo arquitetônico é semelhante ao dos mais importantes teatros do mundo. O edifício faz parte do Patrimônio Histórico do estado desde 1981 quando foi tombado pelo Condephaat. Além de sua importância arquitetônica, o teatro também possui notabilidade histórica, pois foi palco da Semana de Arte Moderna, o marco inicial do Modernismo no Brasil.

niciou-se no ano de 1895 as discussões sobre a construção de um teatro especificamente para ópera com um projeto enviado para a Câmara Municipal que tramitou sem sucesso. Em 1898, após o Theatro São José ser destruído por um incêndio, a Câmara Municipal decretou a Lei nº 336 de 24 de janeiro de 1898, com incentivo para o empreendimento da construção de um ou mais teatros na Capital mediante a isenção de impostos por 50 anos e de outros benefícios fiscais. O Escritório Técnico de Ramos de Azevedo apresenta a proposta de construção. Outra proposta já havia sido apresentada por Cláudio Rossi ao primeiro prefeito Antônio Prado que fez a aproximação entre o escritório de Ramos de Azevedo.

O local escolhido para a construção foi o Morro do Chá, que já abrigava o Teatro São José. Com o projeto de Cláudio Rossi, desenhos de Domiziano Rossi e construção pelo Escritório Técnico de Ramos de Azevedo, as obras foram iniciadas em 26 de junho de 1903 e finalizadas em 1911. O estilo arquitetônico da obra é o eclético, em voga na Europa desde a segunda metade do século XIX. São combinados os estilos Renascentista, Barroco do setecentos e Art Nouveau, sendo o último o estilo da época. O teatro é estruturado em quatro corpos: a fachada, composta pelo vestíbulo, o salão de entrada e a escadaria nobre; o central, no qual encontra-se a sala de espetáculos; o palco; e, por fim, o ambiente onde estão localizados os camarins.


Página de matéria de O Estado de S. Paulo sobre a inauguração do Theatro Municipal, em 12 de setembro de 1911.

A inauguração estava marcada para o dia 11 de setembro, mas devido ao atraso na chegada dos cenários da companhia Titta Ruffo em São Paulo, pois vinham de turnê pela Argentina, foi adiada para 12 de setembro. Houve uma grande aglomeração no entorno do edifício. Cerca de 20 mil cidadãos vieram admirar a iluminação com energia elétrica vinda do interior e do entorno do Theatro Municipal, algo que era atípico na época.

Além da inauguração, a noite de 12 de Setembro de 1911 foi cenário do primeiro trânsito da cidade de São Paulo. O espetáculo foi iniciado com a leitura de um trecho da obra da ópera Il Guarany, de Carlos Gomes. Seguiu-se depois a encenação da ópera Hamlet, de Ambroise Thomas, com o barítono Titta Ruffo no papel principal.

Foto de 1910 registrando o grupo de técnicos e operários que participaram da construção do Theatro Municipal.

O Theatro Municipal de São Paulo, a principal casa de ópera do país.




Salão Nobre do Theatro Municipal de São Paulo.

Vista da escada central do Theatro Municipal em dia de apresentação.


Vista interior da sala principal.

Fundos do edifício do teatro, com vista para a porta de entrada dos artistas.



Até o começo do século 20, as companhias líricas internacionais que se apresentavam no Theatro Municipal traziam da Europa seus instrumentistas e coros completos, pela falta de um grupo orquestral em São Paulo especializado em ópera. Somente a partir da década de 1920 uma orquestra profissional foi criada e passou a realizar apresentações esporádicas, tornando-se regular em 1939, sob o nome de Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal. Uma década mais tarde, o conjunto passou a se chamar Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo e foi oficializado em lei de 28 de dezembro de 1949, que vigora ainda hoje.

A história da Sinfônica Municipal se confunde com a da música orquestral em São Paulo, com participações memoráveis em eventos como a primeira Temporada Lírica Autônoma de São Paulo, com a soprano Bidú Sayão; a inauguração do Estádio do Pacaembu, em 1940; a reabertura de Theatro Municipal, em 1955, com a estreia da ópera Pedro Malazarte regida pelo compositor, Camargo Guarnieri; e a apresentação nos Jogos Pan-Americanos de 1963, em São Paulo.

Estiveram à frente da orquestra os maestros Arturo de Angelis, Zacharias Autuori, Edoardo Guarnieri, Lion Kasniefski, Souza Lima, Eleazar de Carvalho, Armando Belardi e John Neschling.
Roberto Minczuk é o atual regente da Orquestra Sinfônica Municipal – OSM.


REGENTE ATUAL. Roberto Minczuk nasceu em São Paulo, e começou a estudar música com o pai aos 6 anos de idade. Aos 9, ingressou como trompista na Escola Municipal de Música de São Paulo e, com 10 anos, fez sua estreia como solista no Theatro Municipal de São Paulo. Aos 13 anos, foi contratado por Isaac Karabtchevsky em concurso público para ser 1a. trompa do Theatro Municipal de São Paulo, em 1981. Mudou-se para Nova York aos 14 anos com bolsa de estudos, e se formou na Juilliard School of Music. Como solista, fez sua estreia no Carnegie Hall aos 17 anos. Aos 20, tornou-se membro da Orquestra Gewandhaus de Leipzig na Alemanha.

Fonte - blog do theatromunicipal

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Teatro São Paulo. 1952, entre as ruas da Glória e Conselheiro Furtado. Foi demolido no início dos anos 1970 e, função das obras da Radial Leste.


"O Teatro de Alumínio era uma grande estrutura portátil encomendada no início dos anos 50 pela prefeitura, para ser montada e desmontada em diferentes locais da cidade. O primeiro lugar escolhido foi a praça da Bandeira, onde o teatro foi instalado em 1952. Mas o projeto acabou não saindo exatamente como previsto e o teatro acabou ficando 15 anos ali mesmo, até ser demolido definitivamente em 1967.O teatro serviu de sede à companhia de Nicette Bruno, e depois foi um dos principais palcos do teatro de revista na cidade. Hoje em dia ninguém lembra que ele existiu". Blog Quando a Cidade era Mais Gentil. .





Teatro Cultura Artística, na Rua Nestor Pestana, que também foi sede da extinta TV Excelsior Canal 9 de São Paulo . / F. / Fbcdn.


O Teatro Cultura Artística é um teatro localizado na região central da cidade de São Paulo, pertencente à Sociedade de Cultura Artística. Entre os anos 1947 e 1950, sob o projeto do arquiteto Rino Levi, o teatro foi construído no terreno do antigo Velódromo de São Paulo, o primeiro estádio de futebol do país. O sonho da Sociedade de construir um espaço próprio para abrigar os seus espetáculos veio, por fim, em duas noites de inauguração: nos dias 8 e 9 de março de 1950, a cargo de Heitor Villa-Lobos e Camargo Guarnieri, que revezaram-se na regência da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, e apresentaram obras suas.

Em 17 de agosto de 2008, o teatro foi parcialmente destruído por um incêndio e desativado. O teatro possuía duas salas superpostas: a Sala Esther Mesquita, com 1.156 poltronas, e a Sala Rubens Sverner, com 339, ambas com acesso para deficientes físicos e ar condicionado. A sua fachada exibe o maior afresco existente de Di Cavalcanti, medindo 48 metros de largura por 8 de altura, feito em mosaico de vidro, que não foi destruído pelo incêndio e passou por ampla restauração, pelos maiores especialistas do Brasil e do exterior.

A Sociedade de Cultura Artística nasceu em 1912 na cidade de São Paulo através de saraus realizados nas casas de membros da elite econômica e cultural paulistana. Neste período, sentiu-se a necessidade de expandir as produções culturais pela cidade, uma vez que um ano antes, em 1911, a capital inaugurava o seu Teatro Municipal de São Paulo. Foi então que alguns intelectuais, empresários e profissionais liberais criaram a Sociedade Cultura Artística. Entre os seus fundadores estavam Vicente de Carvalho, Arnaldo Vieira de Carvalho, Nestor Pestana, Frederico Vergueiro Steidel, Roberto dos Santos Moreira e Júlio de Mesquita.

Com o objetivo de promover eventos ligados à literatura e à música, os primeiros anos da Sociedade contaram com apresentações nacionais e, posteriormente, internacionais de saraus, conferências e recitais. O grupo utilizava dos espaços do Teatro Municipal de São Paulo para realizar as suas atividades. Entretanto, foi a partir de 1920 que eventos com artistas renomados se tornaram cada vez mais frequentes, tendo a necessidade de se criar um espaço próprio. Ligado a isto, o crescimento das produções culturais no Municipal acabou criando conflito de agendas e nem sempre era possível sediar os eventos da Sociedade. Dessa forma, Arnaldo Vieira de Carvalho, presidente então do Cultura Artística, estabeleceu como meta a construção de um espaço próprio.

O arquiteto.Rino Levi é hoje considerado um importante contribuinte para o desenvolvimento da arquitetura moderna em São Paulo. Nascido em 1901, o paulista se formou em arquitetura na Itália e regressou para o Brasil em 1926. Seu trabalho foi decisivo para a arquitetura da cidade e para a formação futura de gerações de arquitetos.

O Mural de Di Cavalcanti. Rino Levi projetou para o Teatro uma fachada bastante ousada. Três artistas foram convidados a criar um painel de grande dimensão para decorar a frente do espaço e o trabalho de Emiliano Di Cavalcanti foi o selecionado. O artista, que dedicava grande parte do seu trabalho à arte muralista na cidade de São Paulo, fez um projeto minucioso para a escolha das pastilhas e das cores que comporiam o mosaico. Em março de 1950, o mural intitulado Alegoria das Artes ficou pronto.
Di Cavalcanti buscou retratar através de uma simetria impecável dez musas da mitologia grega inspiradoras das artes e das ciências que, sem duvida, deixaram uma marca registrada para a fachada do Teatro. Este trabalho foi um marco na carreira do pintor e, até hoje, a obra é considerada uma das maiores artes exposta em espaço público em São Paulo.

Características Arquitetônicas. Com capacidade para cerca de duas mil pessoas, o terreno do Teatro Cultura Artística ocupa quase que integralmente um lote de formato irregular no centro da Cidade de São Paulo. De acordo com o site Arquicultura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, a plateia principal ficava acomodada em um patamar mais elevado em relação ao palco. A sala principal de espetáculos foi amplamente estudada para que formasse nas paredes, pisos e teto uma curvatura parabolóide,  com o objetivo de uma melhor difusão do som. A suave curvatura das paredes dos fundos permitiu que a fachada do Teatro recebesse o painel de Emiliano Di Cavalcanti. Assim, ao passar em frente ao local, é possível acompanhar a curvatura da rua com a do gigantesco mosaico.


Incêndio e reforma. O Teatro Cultura Artística, um dos equipamentos culturais mais importantes da cidade de São Paulo, será reaberto neste domingo (25 de agosto de 2024), 16 anos após ser destruído por conta de um incêndio. Fechado para reforma desde então, a reabertura tinha sido programada inicialmente para novembro de 2021, mas sofreu atrasos. O projeto de reforma teve como objetivo voltar na ideia inicial do prédio, em 1950. Com a missão de reconstruir o teatro, a Associação Cultura Artística decidiu que o local vai focar em concertos musicais. Por isso, as duas salas foram milimetricamente calculadas para a melhor experiência sonora. Até hoje não se sabe exatamente o que provocou o fogo. Duas salas foram completamente destruídas no incêndio. A casa sempre foi palco de alguns dos principais artistas brasileiros do século XX. O teatro foi inaugurado em 1950 mas, antes disso, a Cultura Artística já existia. Ela foi fundada em 1912 por um grupo de intelectuais e empresários, entre eles estava Mário de Andrade e Olavo Bilac. O Teatro Cultura Artística é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - o Iphan desde 2016. O trabalho de restauro contou com recursos exclusivamente da Lei Rouanet, e um total de R$ 87 milhões. G1. 

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"A atriz Maria Della Costa posa diante de seu teatro e seu Aero-Willys em meados da década de 1960". Sâo Paulo Antiga.

Em 1955 era inaugurado, na Rua Paim, o Teatro Maria Della Costa. Proprietária do espaço, a companhia de mesmo nome foi umas das principais responsáveis pela implementação do teatro profissional no país. Durante o período de profissionalização, entre os anos 1940 e 1960, as mulheres tiveram uma projeção excepcional na cena teatral, maior inclusive que a alcançada pela geração seguinte. Reconhecidas como “estrelas”, elas emprestariam o prestígio de seus nomes a diversas companhias teatrais. O Teatro Maria Della Costa expressa bem esse momento. A companhia da célebre atriz abriu seus palcos para a projeção de diversas atrizes e suas companhias. Ao longo de sua existência também enfrentou problemas com a censura por garantir a montagem de peças de conteúdo político ou escritas por autores visados pelo regime. Por se embater contra a restrição da liberdade de expressão, a companhia esteve entre aquelas que foram olhadas com desconfiança pela ditadura. Memorial da Resistência. 



Cine Teatro Paramont. Sua construção iniciou-se no mesmo ano de 1927 e tinha como objetivo ser a primeira sala de cinema sonoro da América Latina. De propriedade da Paramount Pictures, foi projetado pelo engenheiro Arnaldo Maia Lello com capacidade de receber um público de 1800 pessoas, somando-se plateia, balcão e frisas. A localização do cinema foi escolhida a dedo: a requintada Avenida Brigadeiro Luís Antônio, no número 79 (atualmente 411). No local já existia um velho estabelecimento: o Palace Theatro, um velho casarão de madeira que era mais dedicado a exibição de peças teatrais e espetáculos circenses, mas que também exibia filmes. Seu proprietário era Alberto Andrade. Douglas Nascimento- SP Antiga



Teatro Artur de Azevedo na Mooca, em 1953.


Cine Rex, depois Teatro Zácaro. Inaugurado em 10 de outubro de 1940 com uma sessão exclusiva para convidados, o Cine Rex teria suas portas abertas para o público oficialmente no dia seguinte. A inauguração do cinema, na Rua Rui Barbosa, foi um grande impacto na cidade, que passava a contar com mais uma sala de exibição moderna em um edifício bem arrojado e similares aos grandiosos cinemas dos Estados Unidos.O Cine Rex funcionaria por décadas e começaria a enfrentar decadência em meados dos anos 70. No final desta mesma década encerraria definitivamente suas atividades, ficando alguns anos fechado até ser reaberto novamente. No início da década de 80 o Maestro Zaccaro, um dos símbolos da cultura italiana na capital paulista, adquiriu o antigo Cine Rex e o fez ressurgir com um dos mais importantes teatros de São Paulo naquela década, o Teatro Zaccaro. São Paulo Antiga





Fundada em 1958 como a Companhia Teatro Oficina, que veio a formar a atual Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona, foi criada por Zé Celso Martinez Corrêa e outros estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, como Amir Haddad e Carlos Queiroz Telles. Desde sua profissionalização, em 1961, tem sua sede no bairro do Bixiga, São Paulo. O prédio atual era a sede do antigo Teatro Novos Comediantes, de uma companhia teatral mesmo nome. Na década de 1960, o prédio foi adquirido pela companhia. No mesmo ano, no entanto, o teatro foi destruído por um incêndio e, posteriormente, remontagens de peças teatrais foram realizadas para levantar de fundos e reconstruir o prédio. Dezenas de obras de grande importância na dramaturgia ocidental e do Brasil foram encenadas pelo Teatro Oficina por centenas de artistas que trabalharam na história da companhia. Atualmente, a companhia é dirigida por José Celso Martinez Corrêa.[Textos e imagens da Wikipedia]


O Teatro Lira Paulistana, também conhecido como Lira Paulistana ou Lira, foi um teatro e centro cultural da cidade de São Paulo. Em setembro de 2014, um dos fundadores do Lira Paulistana, lançou o livro "Lira Paulistana - Um delírio de porão", onde conta a trajetória do Lira. A obra contém depoimentos dos fundadores e de artistas que lá se apresentaram. Tem um vasto material iconográfico -- cartazes, filipetas e fotos dos shows, discos lançados pelo selo Lira Paulistana, depoimentos de artistas e de produtores e jornalistas sobre o teatro que fez fama na cidade de São Paulo. Com nome tirado da obra homônima do escritor Mário de Andrade, o Lira foi fundado em 25 de outubro de 1979 em um porão com cerca de 150 lugares localizado na Praça Benedito Calixto, na Rua Teodoro Sampaio, 1091, no bairro de Pinheiros na Zona Oeste de São Paulo. Além de teatro propriamente dito, também foi palco de diversos tipos de manifestações culturais, dentre estas a famosa Vanguarda Paulista que era composta de nomes como Ná Ozzetti, Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Tetê Espíndola, Cida Moreira, Eliete Negreiros, Laura Finocchiaro, Zé Eduardo Nazário, de grupos musicais alternativos como Língua de Trapo, Tonelada & Seus Kilinhos Rumo, Grupo Um e Premeditando o Breque, o regional Grupo Paranga e, mais tarde, dos grupos de rock da década de 1980 tais como Gang 90, Ira!, Ultraje a Rigor, Titãs, Violeta de Outono. O Lira encerrou suas atividades em 1986, mas entrou para a história cultural paulistana. O Lira também se notabilizou pelo seu selo fonográfico pelo qual lançou vários discos do membros da Vanguarda Paulista. Foram ao todo dezessete discos, sendo que alguns foram lançados em conjunto com o selo Continental. Foto: Folha de São Paulo. 


Itamar Assunção e a Banda Isca de Polícia. 


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Teatro Boa Vista, na rua Boa Vista esquina com a ladeira Porto geral. Construído pelo jornal estado de São Paulo ao lado de sua sede , o Teatro Boa vista foi inaugurado em 1916 e demolido em 1947 , posteriormente a demolição do teatro foi construído no local o banco Paulista do Comércio.
Em tempo; o Jornal Estado de São Paulo ( Estadão) estará completando esse ano, 150 anos de existência. Amo Sâo Paulo- Fotos Antigas. 


O CARNAVAL DE RUA 




O Carnaval de São Paulo é composto pelo desfile das escolas de samba no sambódromo do Anhembi, bailes em clubes e blocos de rua. Atualmente, é considerado um dos maiores e mais importantes eventos populares do Brasil.

O Carnaval em São Paulo nasceu  sob forte influência das populações que migravam do campo para a cidade e com o contexto da crise da economia cafeeira, foi a população resultante do êxodo rural causado pela crise do café que desencadeou o início do Carnaval de São Paulo

As comemorações carnavalescas e o próprio samba diferenciam um pouco da cidade do Rio de Janeiro para a cidade de São Paulo, exceto por uma nítida diferença de andamento da candência do som, ou seja, a grosso modo, de velocidade, de tempo da música. O sambista paulista, acostumado à árdua vida nas lavouras de café e migrando para a cidade para realizar o trabalho operário, fazia o que Plínio Marcos denominou de "samba de trabalho, durão, puxado para o batuque", contrastando com o lirismo e a cadência do samba carioca. Além disso, o samba paulistano era decisivamente influenciado por outros ritmos fortemente percussivo, como o jongo-macumba, também conhecido por Caxambú. Data dessa época o início da relação entre o Carnaval e o direito: a repressão policial sofrida pelos sambistas, feita de forma dura e sem critério. Os sambistas, não só no Carnaval, mas durante todo o ano, eram vistos como marginais e duramente perseguidos pelas autoridades. Na periferia marginalizada de uma São Paulo em construção, o som dos batuques anunciava uma cultura imigrante que mais tarde influenciaria a cultura brasileira de forma definitiva.

Na data de 1885, ocorreu a primeira intervenção da Prefeitura Municipal de São Paulo no Carnaval, promovendo o primeiro desfile carnavalesco dos cordões existentes à época.[carece de fontes] Os cordões por longo tempo definiram a musicalidade da população operária paulistana, e neles é que se desenvolvia o samba paulistano. No entanto, as manifestações carnavalescas das classes menos abastadas, de forte influência negra, eram praticamente ignoradas pela grande imprensa da época, bem como pelo poder público, que por vezes as reprimia extensivamente.

Em 1914, foi criado o Cordão da Barra Funda, por Dionísio Barbosa, sendo este cordão um ancestral da Camisa Verde e Branco. Ele morou no Rio de Janeiro, onde teve contato com as bandas militares e com carnavalescos que eram populares no século XX, só que os cordões carnavalescos paulistanos exibiam características peculiares. Na frente dos cordões vinha o Baliza, personagem responsável pela execução do malabarismo com bastões para abrir caminho para os demais componentes passarem por ali, além disso, ele também defendia o estandarte do grupo. As características musicais eram a batucada, que ficava responsável pelo ritmo e era executada através dos instrumentos de percussão e sopro, dando destaque ao bumbo, e o choro, que ficam responsáveis pelo acompanhamento melódico e harmônico, além disso também tinha os instrumentos de corda.  Destacaram-se posteriormente outros como, Geraldinos, Mocidade do Lavapés, Ruggerone e Campos Elyseos, os maiores da cidade até então.

Década de 1930

Carnaval de rua, na Avenida Tiradentes, anos1930.


Foi instituída em 1933 a Taça Arthur Friendenreich pela Frente Negra Brasileira, com o objetivo de valorizar as agremiações de raiz africana,que era relacionada principalmente com as características rítimico-musicais e coreografias do samba, que até então eram excluídas dos certames oficiais. Dela participaram o Cordão da Barra Funda, Bloco do Boi, Cordão das Bahianas e Bloco da Mocidade. Em 1934, o mesmo concurso foi novamente realizado, sendo vencido pelo Vae-Vae. Graças à influência da Rádio Nacional, que começara a transmitir os desfiles carnavalescos do Rio, nasce a Primeira de São Paulo, no ano de 1935, considerada a primeira escola de samba da capital paulista. Nesse ano, agremiações de cunho mais popular foram incluídas no Carnaval oficial da Prefeitura de São Paulo, que passou a oferecer local, arquibancadas, infraestrutura, além de apoiar e oficializar campeonatos através do Conselho dos Festejos Populares, Recreações e Divertimentos da Cidade, ou das federações. Nessa época, não havia ainda uma diferenciação clara em São Paulo entre cordões, blocos e escola de samba, que desfilavam competindo pelo mesmo certame.

Paralelamente, muitas agremiações já desfilavam pelas ruas da cidade. Já existiam nessa época os ranchos Mimosa, Príncipe Negro e Diamante Negro; os Cordões: Ruggerone, Campos Elyseos, Geraldinos, Baianas Paulista Marujos Paulistas, Vai-Vai, Cordão Camisas Verdes, Maricota, A.A. Bom Retiro, 13 de Maio, Sabratino, Barra Funda e Flor da Mocidade; os Blocos: Artistas de Cor, Caprichosos de São Paulo, 11 Irmãos Patriotas, Nossa Vida é Um Mistério, Enxada, Moderado e Roma; e as Escolas de Samba: Primeira de São Paulo, Desprezados da Penha, Grupo Regional Vim do Sertão e a Mocidade do Lavapés. Os desfiles começavam no Largo São Bento, desciam a Rua Libero Badaró e acabavam na Praça Patriarca ou no Largo do São Bento, de forma ainda corriqueira, onde as escolas, ranchos e cordões se apresentavam em um tablado, com uma mesa julgadora, e lá cantavam Marchinhas, e apresentavam suas fantasias. A Campeã foi a Mocidade do Lavapés e a Vice Campeã foi a Desprezados da Penha.

Os Cordões e s primeiras Escolas

A década de 1940 é marcada, pela afirmação dos Blocos, Cordões e Escolas. Outros integrantes se reuniam no Largo da Banana (Onde é atualmente o Memorial da América Latina), entre danças, jogos de pernada, e baralho,começava a se formar um movimento muito forte do samba paulistano naquele espaço. Na Zona Leste de São Paulo, no antigo Largo da Penha (onde se encontra a Igreja da Penha), também surgia um movimento muito parecido com o que havia no Largo da Banana, com os negros e brancos pobres da região. Mesmo com cerca de quatro escolas de samba ativas em São Paulo, os desfiles no Rio de Janeiro, começam a ser divulgados por todo Brasil, isso acaba fomentando e atraindo o interesse da população da cidade paulistana, que começa a agregar e abraçar os desfiles da capital.

Em 1940 nasce a E.S. Preto e Branco, e também e criada a agremiação E.S. Henrique Dias, que tinha a frente do comando o Pres. Aparecido Durval de Oliveira, a escola tinha sua sede na Rua São Joaquim nº129, Centro da Cidade. Durante esse período, também ganha força o colunista da Folha da Manhã "Lord Charuto" que fazia artigos contando sobre o samba paulista no jornal, além das instituições carnavalescas, apontando os favoritos e visitando os bairros onde se faziam desfiles, cortejos e bailes em geral. Em 1941 é criado o primeiro Grito de Carnaval, uma parceria do antigo Clube Roxy com a Primeira de São Paulo a frente dos festejos, acontecendo assim a primeira participação de uma escola de samba em um show de entretenimento, o grito foi transmitido pela Rádio Record para todo país, também sendo a primeira transmissão de uma escola de São Paulo em todo Território Nacional.

Durante o pré-carnaval acontece o primeiro concurso de Escolas de Samba, Blocos e Cordões, no dia 16 de fevereiro, realizado em homenagem ao Folha da Manhã (Atual Folha de S.Paulo), o desfile foi realizado no Largo do Arouche, no bairro da República. O desfile foi transmitido para toda Capital e Grande São Paulo pela antiga Rádio Kosmos. Outro fato curioso, que marcou o pré carnaval naquele dia foi a competição da campeã de 1940 do Carnaval Carioca a Portela, que veio à São Paulo, disputar uma espécie de Rio-SP de escolas de samba, organizado pela quermesse da "Casa do Ator", juntou com a Campeã de São Paulo, União Filme do Brasil. A escola do Rio trouxe figuras famosas como seu cofundador Paulo da Portela, e Heitor dos Prazeres além de Cartola famoso compositor da Mangueira, a escola Filme do Brasil tinha os sambistas Edgard da Filme e Durval Soares. A apresentação começa com a escola paulistana que conta com Edgard no microfone, segundo o jornal "Folha da Manhã" cantou vários sambas e era dono de uma voz valorosa. A Portela por sua vez canta o samba Pauliceia e o samba São Paulo, é aplaudida pelo público, que traz Heitor e Cartola ao microfone.

O resultado foi surpreendente, a escola União de Filme Brasil empata, e conquista talvez o maior resultado de uma escola até aquele momento. O Carnaval de São Paulo conquista seu primeiro grande resultado ao enfrentar de igual para igual uma escola do porte da Portela, multicampeã da época. O Carnaval do Povo (Como era chamado o concurso da prefeitura) fez vários torneios, em conjunto com Rádios e Imprensa da cidade, realizado no bairro do Bixiga, além do concurso, um dia antes foi realizado o desempate entre Filme do Brasil e Portela, houve tumulto devido a tamanha repercussão e torcida que foi até à Casa do Ator acompanhar, segundo notícia, cerca de 5000 pessoas. Não houve resultado final divulgado infelizmente, porém fica mais um adendo a história do samba paulista que já atraia multidões as suas organizações e festas. No ano de 1941, o Torneio mais valoroso era o realizado na "Cidade Folia", onde a Rádio São Paulo e o C.C.R-SP (Clube dos Cronistas Radiofônicos de São Paulo) em conjunto com a FEPSC (Federação das Pequenas Sociedades Carnavalescas) realizava com total cobertura. Sendo assim então, em 1941 a verdadeira campeã do Carnaval paulistano foi o bloco do Clube Ruggerone, composto por italianos e brancos trabalhadores da Lapa. O Carnaval de 1942 tem seus primeiros suspiros ao começo de fevereiro, no dia 6 tem a "Primeira Batalha de Conffetti" , torneio realizado pelo CPCC e pela Prefeitura com o seu "Carnaval do Povo", na Praça Fernando Prestes, o carnaval passa a ser temático, as instituições são obrigadas a contar sobre alguma das 200 cidades paulistas que compunham até então o Estado.

O desfile percorreria a Fernando Prestes, passando pela Avenida Tiradentes e por fim a Rua Três Rios, onde estava instalada a tenda de julgadores, participaram as seguintes instituições: Campos Elíseos, Mocidade do Lavapés, Ideal Juventude do Ipiranga, Som de Cristal, Vai-Vai, SRBE Lavapés, Primeira de São Paulo, Henrique Dias, Morro dos Perdizes, União Filme do Brasil, Caipiras da Guaiauna (Região onde fica hoje a Estação Penha do metrô), entre outras instituições mais. O torneio transmitido pela Rádio Kosmos, e o concurso liderado por João Turco, acabou sendo um verdadeiro sucesso. Tendo como campeã a União Filme do Brasil, que começava a rivalizar com a Primeira de São Paulo, como a maior escola de samba da cidade. No dia 10 de fevereiro acontece mais um concurso do "Carnaval do Povo", dessa vez na Praça Santos Dumont, e a vencedora foi novamente a União Filme do Brasil, porém, nesse concurso especificamente houve uma divisão entre Corsos e Escolas de um lado, e de outro, Ranchos e Blocos, e o vencedor da então Taça Hoffman, foi a Geraldinos. No dia 12 ocorre o penúltimo concurso do "Carnaval do Povo" no Largo do Cambuci, e o vencedor foi o Som de Cristal. No dia 13 o ultimo acontece no Largo do Arouche, o vencedor foi o Cordão Geraldinos. Porém o desfile principal aconteceria na Rua do Lavapés. Organizado pelo presidente dos Cravos Vermelhos, a "Taça Paulista do Carnaval de 1942", seria o maior concurso da cidade até então. O certame foi vencido pela E.S Preto e Branco, que já era uma das maiores de São Paulo.

No início da década, o carnaval de São Paulo era pequeno, a escola que mais se destacava era a Lavapés. Em 1952 surge a Unidos de Vila Santa Isabel que, posteriormente, em 1964, mudaria seu nome para o atual: Acadêmicos do Tatuapé, fundada por Osvaldo Vilaça (o Mala), sobrinho de Mano Décio da Viola, um dos fundadores da Império Serrano do Rio de Janeiro. Em 1954, a Brasil de Santos foi convidada pelas escolas de São Paulo, graças a uma rixa que existia, de quem possuía o maior carnaval do estado, em termos de escola, e o que foi comprovado com a chegada da Brasil de Santos, fato que se repetiu em 1955 num empate com a Garotos do Itaim Paulista, em 1956 dois fatos que marcaram o samba paulista, o nascimento da Unidos do Peruche. E nesse mesmo ano as vencedoras num empate ferrenho vieram da Zona Leste, com a Garotos repetindo o caneco junto com a Nenê de Vila Matilde, nesse mesmo ano a "Águia Guerreira", (apelido carinhoso que os integrantes da Nenê chamam a agremiação), apresenta o primeiro samba-enredo, e uma letra construída falando da história de São Paulo. No ano seguinte foi a vez da Unidos do Peruche inovar, traz o primeiro casal de Mestre Sala e Porta Bandeira no Carnaval Paulistano. Entre 1958 e 1960 a Nenê conquista um tricampeonato.

Essa lei, juntamente com a criação da Secretaria de Turismo e Fomento e as atividades por esta promovida, encontrava-se num contexto de ampliação da atuação cultural da Municipalidade. Ainda como consequência desta política, foi idealizada no ano de 1968 e criada no ano de 1970 a Anhembi Turismo e Eventos da Cidade de São Paulo S/A, (hoje chamada de SPTuris) sociedade de economia mista de capital aberto, que atualmente tem 77% de suas ações em propriedade da Prefeitura Municipal de São Paulo. A Anhembi teria, no futuro, papel de destaque nas transformações e estruturações pelas quais passou o carnaval na cidade de São Paulo. A edição da lei acima referida iniciou o fenômeno denominado "oficialização do Carnaval". Embora aparentemente bem intencionada, a atuação da Prefeitura revelou-se desastrosa do ponto de vista cultural. Isso porque, embora o parágrafo único do artigo 1° da lei estipulasse vários investimentos públicos em infraestrutura para acomodar festejos em vários pontos da cidade, além de instituir verbas e premiações, na prática os recursos foram destinados unicamente a organizar o desfile das Escolas de Samba, decretando, pela falta de incentivo e recursos, o fim dos cordões e da ligação do Carnaval paulistano com suas raízes culturais, institucionalizando o carnaval paulistano.

Escolas Novas

Na década de 1970, chegam escolas "novas", a primeira foi a Mocidade Alegre, antes um bloco, presidida por Juarez da Cruz, passa por todos os grupos inferiores até que em 1971, recém-chegada ao Grupo 1, vence o carnaval e se torna tricampeã, surpreendendo a velha guarda do samba paulistano. Num jeito corsino de evolução, mais apresentando uma técnica completamente nova na construção de alegorias e fantasias, foi uma referência durante os anos em que venceu. O ano de 1972 foi marcante pela morte definitiva dos cordões: Vai-Vai, Camisa Verde e Branco, Paulistano da Glória, Fio de Ouro não recebem mais apoio da prefeitura, e graças ao reconhecimento pela grandiosidade no segmento que elas então participavam, as maiores campeãs (Vai-Vai, Camisa Verde e Branco e Fio de Ouro), recebem um convite para participar do desfile principal de escolas, e já no primeiro ano todas elas surpreendem, a ponto do Camisa Verde e Branco, acabar com a série da Mocidade Alegre, e conquistar um tetracampeonato entre 1974-1977, e a partir daí, o que se viu foi um domínio das escolas corsinas, em 1978 com o enredo "Na Arca de Noel, Quem Entrou Não Saiu Mais", o Vai-Vai vence e conquista seu primeiro título entre as escolas.


Bexiga,1986. Ensaio do Grêmio Recreativo, Cultural e Social Escola de Samba Vai-Vai.

Já no ano de 1979, com o excelente samba "Almôndegas de Ouro", o Camisa Verde e Branco novamente se torna campeão, ratificando assim, o título de maior escola de samba da década de 1970, além desse marco histórico do Camisa, neste ano a novata agremiação Pérola Negra com o enredo Carnaval, Intrigas e Opiniões conquista um honroso 5º lugar, ficando a frente da tradicional Rosas de Ouro. A escola da Vila Madalena conquistou no ano de 1979 sua melhor posição no Grupo Especial Paulistano. Outro fato que marcou foi a troca de passarela, saindo do Centro da cidade, passando para a Avenida Tiradentes em 1977, onde eram construídas arquibancadas que comportavam, ainda que com pouca infraestrutura, trinta mil pessoas. A pista então passava a ser maior com 732 m, e mais larga, forçando as escolas a "ziguezaguear" durante os desfiles, marcando um jeito de evoluir bem paulistano.

Outra vitória do Carnaval paulistano veio durante o programa Fantástico da TV Globo: No ano de 1978, o Paulistano da Glória vence o "1º Concurso Nacional de Sambas-Enredo", com "Epopeia da Glória", composto por Geraldo Filme, talvez um dos maiores compositores de samba do país. Já em 79 o concurso é vencido novamente por São Paulo, dessa vez com a representação da Nenê de Vila Matilde, com "Treze, Rei, Patuá". A década de 1970, mais uma vez marcou com a chegada da Sociedade Rosas de Ouro, escola do bairro da Vila Brasilândia, que nos anos 80 se firmaria como uma potência.

Carnaval de 1967 Acervo Estadão



Década de 1980

Na chegada dos anos 1980, a Mocidade Alegre vence com o enredo "Embaixada, Sonho de Bamba", um dos maiores sambas da história; vence as eliminatórias paulistas do Fantástico, e foi apresentado ao país todo. Nesse mesmo ano marca a primeira aparição de uma garota de 19 anos ao microfone de uma pequena escola de samba da Zona Leste, ela é Eliana de Lima, que puxa a escola Príncipe Negro da Vila Prudente. Mas não se deixem enganar, a primeira puxadora de samba em São Paulo foi Ivonete da Acadêmicos do Peruche, e logo após em 1977 aparece outra grande puxadora, Bernadete na Acadêmicos do Tatuapé. Em 1981 e 1982, a Vai-Vai, é campeã em uma disputa acirrada com a Nenê de Vila Matilde, que traz sambas épicos nesses dois anos "Axé, Sonho De Candeia" em 81 e "Palmares, Raiz da Liberdade" em 82, chegando ao vice-campeonato com este último, realizando um dos maiores desfiles da história. O ano de 1981 também marca a chegada de Dom Marcos, como puxador da Cabeções da Vila Prudente, e Royce do Cavaco, auxiliando Tunicão, na Rosas de Ouro.

O ano seguinte (1985), uma surpresa, a Secretária de Turismo, Anhembi e UESP, se unem junto as entidades que promovem a festa no Rio de Janeiro, e promulga: "O Vencedor do Carnaval Paulistano vai desfilar no Rio de Janeiro". A correria foi geral, o luxo tomou conta de todas as escolas, houve um esforço tremendo de todos, e a campeã foi a Nenê de Vila Matilde, acabando assim com uma fila que durava 15 anos sem título e se torna a primeira e única escola paulistana a desfilar na Sapucaí, e com muito mérito, pois até aquele ano a Nenê era a escola com mais títulos do carnaval de São Paulo, havia conquistado 10 até o momento. Mas naquela noite, talvez o que poucos saibam, é que a aclamada da noite foi a Barroca Zona Sul que com enredo "Chico Rei - O Esplendor de Uma Raça" fez na avenida o que a Vila Isabel faria só 3 anos depois com material rústico, palha, sisal e artesanatos diversos. O fator que tirou o título da escola foi o atraso no tempo de desfile, que tirou 6 pontos, e afastou a escola do primeiro lugar. Outra curiosidade foi a Unidos do Peruche, que tira Eliana de Lima da Barroca Zona Sul, e com o samba "Água Cristalina", conquista o Brasil e vence o concurso do Fantástico.

A partir de 1987, a organização das Escolas de Samba passou a ser feita nos moldes atuais, com a fundação da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo – LigaSP, que de certa forma, substituiu a UESP sem extingui-la, uma vez que a representação das agremiações tornou-se bipartite: as Escolas do Grupo Especial e do Grupo de Acesso (respectivamente a primeira e a segunda divisão) eram representadas pela LigaSP acima aludida; e as Escolas dos grupos inferiores, bem como os blocos pela UESP, que deixou de representar todas as Escolas como fazia desde a sua fundação. Em 1990, a Prefeita Luiza Erundina sancionou a Lei nº 10.831, que, de acordo com sua emenda "socializa o Carnaval da Cidade de São Paulo, revoga a Lei n° 7.100/67, e dá outras providências". Esta lei acomete à Prefeitura, por meio do artigo 3 °C/c artigo 2°, II, a responsabilidade de organizar o Carnaval, por meio da Anhembi S/A.

Em 1987, fica marcada a safra genial de sambas, e o aparecimento de agremiações como Acadêmicos do Tucuruvi e Colorado do Brás (que chegou em 1986), a disputa mais uma vez é grande, Unidos do Peruche aparece com um jeito novo de evoluir (o jeito que hoje se evolui), larga a mão do "ziguezague", traz alegorias e fantasias fora do padrão paulistano, graças ao intercâmbio que o presidente Walter Guaríglio fazia constantemente ao Rio de Janeiro. Camisa Verde e Branco com a ousadia do Mestre Divino , Mocidade Alegre chegou com o samba mais bonito do ano, cantado em primeira pessoa, "50 Anos de Comunicação - Moraes Sarmento" e o Vai-Vai e o Nenê de Vila Matilde sambaram muito e tiveram seus sambas aclamados pelo público e aceitos pela crítica. Mais a campeã no detalhe foi a Vai-Vai, graças a erros que tiraram o título do Camisa Verde e Branco, onde uma alegoria se quebrou em frente a cabine de julgamento de alegoria, e a escola passou grandes apuros no carro de som.

No ano do centenário da abolição, se estudou um tema único para todas as escolas, mais a ideia não foi para frente causando um alívio geral aos carnavalescos das escolas. Em 1988, ficou marcado o crescimento absurdo do Unidos do Peruche que traz para a passarela paulistana, o maior intérprete da história Jamelão. Outros fatos que marcaram muito foi o Colorado do Brás, que com o maior samba depois de "Narainã - A Alvorada dos Pássaros" do Camisa Verde em 77, vem sem alegorias, somente com seu abre-alas e alguns tripés, cantando "Quilombo Catopês do Milho Verde - De Escravo a Rei da Festa", Flor de Vila Dalila, que traz ao microfone Carlinhos de Pilares, o já consagrado intérprete carioca, Nenê de Vila Matilde traz naquele ano um dos sambas mais amados pela sua comunidade, "Zona Leste Somos Nós" falava sobre a região que a escola representa, região mais populosa e pobre da cidade, mas a escola teve mudanças, contratou Chuveiro no lugar de Armando da Mangueira, que na escola da Zona Leste estava desde 1979, tendo passagem entre 1968 até 1975, onde foi para a Unidos do Peruche reeditar a parceria que fazia com Jamelão na década de 1960. Camisa Verde e Branco, traz pela última vez, "Dona Sinhá", que muito doente faz questão de desfilar pela escola, a escola é a primeira a trazer alegorias iluminadas à "Luz Neon" em São Paulo. Com o enredo "Boa Noite São Paulo - Um Convite Para Amar", a escola belisca um tri-vice. O samba-enredo do Rosas de Ouro, puxado por Royce do Cavaco, vira um clássico, eternizado em transmissões esportivas (por meio do refrão Pra frente é que se toca a bola. E a bola rola trazendo emoção…). Barroca que retornava trouxe "Novamente" do carnavalesco carioca consagrado Edson Machado e Pé Rachado pela ultima vez pisou na Avenida Tiradentes. Já o troféu vai para o Vai-Vai, fazendo um desfile arrebatador, e perfeito com o tema "Amado Jorge - A História da Raça Brasileira"

A lei n°10.831/90 desencadeou a última mudança de endereço dos desfiles de Carnaval, que se deu em 1991, quando passaram a ser realizados no Polo Cultural Grande Otelo, uma grande passarela de mais de quinhentos metros construída na Avenida Olavo Fontoura, e popularmente conhecido por Sambódromo do Anhembi. Este local, de propriedade da Anhembi S/A, sedia os desfiles desde então, e nele ainda são realizados diversos eventos das mais variadas naturezas.

Desfile de escolas de samba na avenida Tiradentes em 25 de fevereiro de 1977. O carnaval das escolas de samba era concentrado na região central de SP até a inauguração do Anhembi, em 1991. Originalmente na Avenida São João e, depois, no Vale do Anhangabaú, a festa foi transferida para a Tiradentes em 1977, local onde surgiram os primeiros grandes carros alegóricos.
A imagem faz parte do Fundo Diários Associados (acervo iconográfico).
APESP - Arquivo Público do Estado de São Paulo.



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IX

JARDINS

Avenida Joaquim Eugênio de Lima em 1920



Avenida Paulista ,1977, esquina com a Alameda Joaquim Eugênio de Lima. Casarão Abrão Andraus demolido em 1982.


Jardins  é uma região paulistana que compreende as ruas de quatro bairros nobres, todos pertencentes à Subprefeitura de Pinheiros: Jardim Paulista e Jardim América no Distrito de Jardim Paulista; e Jardim Europa e Jardim Paulistano no distrito de Pinheiros além de certos trechos de Cerqueira César, localizados na área sul à Avenida Paulista, que também são considerados como parte integrante da região. O Jardim América (jardim mais velho de todos) foi criado a partir de um loteamento feito pela Companhia City of S. Paulo Improvements and Freehold Land Co. Ltda. (do qual Horácio Sabino, dono das terras da Paulista em direção ao Rio Pinheiros na época, era um dos fundadores) e projeto urbanístico do inglês Barry Parker que também planejou o primeiro bairro-jardim de Londres. O projeto baseava-se no conceito de cidade-jardim e pretendia concentrar residências de alto padrão. A empresa impôs em contrato que os fechamentos dos terrenos para a rua deveriam ser baixos, afastados uns dos outros para que não pudessem impedir a visão dos imóveis. As obras foram iniciadas em 1913 e finalizadas em 1929. Industriais, políticos, famílias tradicionais da elite e profissionais liberais bem-sucedidos passaram a procurar lotes para construir suas residências, onde poderiam esbanjar e usufruir de sua riqueza.  



Rua Bela Cintra nos 1920. 

O sucesso do Jardim América levou ao lançamento, em 1922, do projeto para o Jardim Europa, seguindo as mesmas diretrizes urbanísticas, na continuação do terreno em direção ao rio Pinheiros. O projeto, neste caso, foi assinado pelo engenheiro-arquiteto carioca Hipólito Gustavo Pujol Júnior. O terreno, originalmente alagadiço, apresentou-se adequado à especulação imobiliária depois da retificação do Pinheiros, na década de 1920. Ainda na década de 20, foi feito o loteamento do Jardim Paulista, em terras pertencentes às famílias Pamplona e Paim, nas terras acima do Jardim América, até a Avenida Paulista. Diferente do bairro vizinho, o Jardim Paulista nasceu com propósito residencial e foi urbanizado com ruas de traçado retilíneo, que se cruzavam apenas em ângulos retos. Além disso, em vez de nomes de países da América ou da Europa, as alamedas deste loteamento receberam nomes de localidades do interior paulista. O bairro foi ocupado por famílias de classe média alta. Na mesma época foram loteados também os terrenos a oeste e noroeste do Jardim Europa, pertencentes às famílias Matarazzo e Melão. Esses lotes deram origem ao Jardim Paulistano. Sem ser assinado por um grande urbanista, o planejamento urbano da região manteve o padrão de grandes áreas verdes e construções de luxo. No ano de 1986, os quatro bairros-jardins, juntamente com a tradicional Sociedade Harmonia de Tênis,foram tombados pelo CONDEPHAAT em virtude de serem a primeira experiência de urbanização pelo modo cidade-jardim no país. O Tombamento dos Jardins incidiu sobre o traçado urbano, a vegetação e as linhas demarcatórias dos lotes. Já o clube em questão recebeu o destaque por sua arquitetura inovadora, que explorou ao máximo o visual dos jardins circundados pelo terreno.
O bairro Jardins é um dos principais pontos turísticos do município, devido à presença de diversas lojas consideradas luxuosas, por serem de grifes internacionais, restaurantes, bares, prédios de luxo, flats e hotéis. O Jardim Europa e Jardim América são formados majoritariamente por residências horizontais de alto padrão. Já o Jardim Paulista e Cerqueira César, bairros vizinhos, destacam-se por uma maior verticalização e desenvolvimento comercial, principalmente por abrigarem as avenidas Paulista, Rebouças e as ruas Oscar Freire, Haddock Lobo, Bela Cintra e Augusta, algumas das mais movimentadas do município. No bairro de Cerqueira César estão o Colégio Dante Alighieri, o Conjunto Nacional e o único parque da região, o Parque Trianon e o Museu de Arte de São Paulo (MASP). No Jardim Paulista estão o edifício sede da FIESP, sede do Grupo Pão de Açúcar, sede do Enjoei, o Club Homs, o Citibank Brasil e o Banco Mercantil do Brasil. E no Jardim Paulistano (Avenida Faria Lima e cercanias) encontram-se o Shopping Iguatemi, a Escola Panamericana de Arte, a St. Paul's School, as sedes: da Camargo Correa, da Marfig, da Even, da BRF, da Multilaser e da Bradesco Investimentos.
O bairro possui uma expressiva comunidade judaica, tendo como exemplo desta o clube "A Hebraica", um dos grandes clubes do município, que está localizado no Jardim Paulistano. Além da Hebraica, também existem outros clubes com grandes áreas privadas destinadas ao convívio social e à pratica de esportes, como o Clube Atlético Paulistano, a Sociedade Harmonia de Tênis e o Esporte Clube Pinheiros, frequentados por selecionados associados.

Rua Pamplona nos anos 1920.


Pontos turísticos: Museu da Casa Brasileira, rua Oscar Freire e Conjunto Nacional. A região apresenta diversos atrativos culturais, tais como o Museu de Imagem e do Som de São Paulo, Museu Brasileiro da Escultura, Fundação Cultural Ema Gordon Klabin, Teatro Procópio Ferreira, Museu da Casa Brasileira e o Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico. Seu território apresenta a maior concentração de consulados do município, tais como: Espanha, Costa Rica, Peru, Bangladesh, Venezuela, China, Portugal, México, Rússia, França, Alemanha, Índia, Dinamarca, Uruguai e Paraguai. Por ser um local conhecido como um bairro muito nobre e que representa as classes alta e média alta, geralmente, em tramas de novela onde os personagens mais ricos, as cenas são gravadas no Jardins. Como exemplo, pode-se citar as novelas Caras & Bocas e Sete Pecados (do autor Walcyr Carrasco) e Rainha da Sucata e Passione (de Silvio de Abreu). [Textos e imagens da Wikipedia]

Rua Augusta- 1965, lado Jardins. Fotos Antigas- Preservação Da Memória Fotográfica. 


A Rua Augusta é uma via arterial da cidade de São Paulo que conecta o bairro dos Jardins a região do Centro Histórico de São Paulo. A rua é conhecida por suas lojas, boutiques e estabelecimentos de luxo na região do Jardins e por suas boates, casas noturnas, bares e vida noturna na região que parte da Avenida Paulista em direção ao Centro, passando pela região conhecida como Baixo Augusta. A rua segue em subida a partir de seu início no entroncamento das ruas Martins Fontes, Martinho Prado e a Praça Franklin Roosevelt, até o cruzamento com a Avenida Paulista. Após cruzar a Paulista, ela se torna uma descida seguindo em direção a rua Colômbia, no Jardim Europa. As primeiras referências dela datam de 1875, chamando-se primeiramente Rua Maria Augusta; em 1897 já aparece como Rua Augusta. Foi parte das terras do português Mariano António Vieira, dono da Chácara do Capão desde 1880, quando abriu várias ruas no Bairro da Bela Sintra, inclusive a Rua da Real Grandeza, atual Avenida Paulista. Resolveu abrir uma trilha, pois os caminhos eram muito íngremes, para posteriormente serem instalados bondes puxados por burros, em 1890. Apenas em 1891, com a inauguração da luz elétrica, foram movidos com eletricidade. Entre 1910 e 1912 ela foi estendida até a Rua Álvaro de Carvalho, ficando oficial em 1927. Até 1942, a Rua Martins Fontes fazia parte da Rua Augusta. O nome "Augusta": tudo leva a crer que o responsável pela sua abertura, o português Mariano Antonio Vieira, não quis homenagear uma pessoa e sim aplicar algo como um título de nobreza (ou adjetivo) ao chamá-la de "Rua Augusta". Colabora para esta versão o fato de que o mesmo Mariano, ao abrir uma "picada" no alto do Morro do Caaguaçu, chamou este logradouro de "Rua da Real Grandeza".Com o tempo, vieram os loteamentos, quando surgiram confortáveis residências e algum comércio para servi-las. Pouco a pouco começaram a surgir pequenos edifícios de moradia. Grande parte de comércio fino de decoração se instalou na região central-ascendente, a partir da Rua Marquês de Paranaguá. As casas residenciais deram lugar ao comércio de rua. Shoppings e Cinemas de categoria se instalaram frequentados pelas famílias e mais tarde pelos jovens que buscavam distração. Caminho certo rumo aos bairros dos Jardins e seus clubes, como o Club Athletico Paulistano, a Sociedade Harmonia de Tênis e o Esporte Clube Pinheiros.

Décadas de 1960 e 70. A Rua Augusta representou para os jovens paulistanos na década de 1960, glamour e diversão. A canção Rua Augusta, de Ronnie Cord, lançada em 1964 foi uma espécie de hino da juventude paulistana que frequentava o logradouro nesta época. A partir da década de 1970, começou a adaptar-se às mudanças, dado o pesado tráfego de automóveis e ônibus e a criação de inúmeras galerias e centros comerciais, aliado à falta de estacionamento. Mesmo assim, os jovens continuaram a estar por lá com suas motos, carros envenenados e muito congestionamento, principalmente, entre 1976 e 1980. Haviam muitas discotecas para acompanhar os "embalos de sábado à noite", pistas de esqui no gelo, doceiras, academias de musculação e aeróbicas. Está sempre sendo atualizada desde aquela época, com a reforma do calçamento, decoração com vasos, retirada de uma parte dos postes de iluminação pública (que estavam obsoletos), colocação de carpete, estacionamento Zona Azul e subterrâneo e a construção de um boulevard e por fim a eliminação dos ônibus elétricos com as novas calçadas.[Textos e imagens da Wikipedia]



A Avenida Brasil é uma importante via da cidade de São Paulo, situada no bairro do Jardim Paulista, que tem início na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, e término na Avenida Rebouças, cortando regiões valorizadas da cidade, como os bairros de Pinheiros, Jardim América, Jardim Paulistano, Jardim Europa e Ibirapuera. Com 2,3 quilômetros de extensão, a avenida tem como regra de zoneamento a construção apenas de edifícios com até doze metros de altura. Entre o início, na esquina com a Avenida Brigadeiro Luís Antônio, e a esquina com a Rua Colômbia é permitida a instalação de bancos, consulados e escritórios de profissionais liberais. No trecho a partir da Rua Colômbia e até o final da avenida, na esquina com a Avenida Rebouças, podem ser instalados orfanatos, museus, bibliotecas, serviços de saúde e showrooms — exceto de motocicletas —, e pode ser exercido ainda o comércio de alimentação, desde que sem consumo no local. A avenida foi projetada para cortar a região da cidade conhecida como Jardins, que foi projetada para ser um grande jardim, e concentrar grandes mansões.  O loteamento foi feito pela Companhia City, que impôs em contrato que os fechamentos dos terrenos para a rua deveriam ser baixos e não poderiam impedir a visão dos imóveis. Industriais e profissionais liberais bem-sucedidos passaram a procurar a avenida para construir suas casas, onde poderiam demonstrar sua riqueza nas respectivas fachadas. Até os anos 1960 apenas uma igreja, a Nossa Senhora do Brasil, até hoje na esquina com a Rua Colômbia, dividia espaço com residências na avenida. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, ela foi o "símbolo de riqueza e modernidade no início do século XX", mas passou a ter sinais de progressiva decadência no início do século XXI em meio à pujança do Jardim América, com diversos imóveis vazios, demolidos ou abandonados. 

Construção da Igreja Nossa Senhora do Brasil, Jardim América, 1940. 


Casarão antigo da avenida Brasil. 

Avenida Brasil em 1934


Rua Oscar Freire, Jardim América, em dia de feira livre nos anos 1950. #SPFotos


Oscar Freire é uma via localizada nos bairros Cerqueira César (Jardins) e Pinheiros, ambos pertencentes à zona oeste da cidade de São Paulo, e é considerada um dos principais endereços de compras de lojas de rua na cidade e uma das ruas mais luxuosas e caras do mundo, estando frequentemente na primeira posição a nível nacional. Entre as ruas Melo Alves e Padre João Manoel, os postes foram retirados e os fios da rede elétrica transformados em um sistema subterrâneo, tornando o visual do local mais agradável. A Avenida Rebouças cruza a rua separando os bairros acima citados. O nome da rua é uma homenagem ao médico legista baiano Oscar Freire de Carvalho, um dos principais discípulos do cientista maranhense Nina Rodrigues. Freire foi responsável pela introdução do ensino de medicina legal na Faculdade de Medicina da Universidade da Bahia e, posteriormente, em São Paulo.
Características. A rua é avaliada como um dos metros quadrados mais caros da América Latina, e reconhecida por ser um dos pontos de comércio mais elegantes e valorizados da cidade de São Paulo. Geralmente essas lojas fazem um espaço conceito, ou seja, uma loja diferenciada das que elas têm em outros bairros e cidades. [Textos e imagens da Wikipedia]


CLUBE ATHLETICO PAULISTANO

Vista aérea do Clube Athletico Paulistano  em 1979.


O Club Athletico Paulistano é um clube poliesportivo brasileiro sediado na cidade de São Paulo. Fundado no ano de 1900, está situado no Jardim América, bairro nobre da capital paulista. Teve como primeira sede o antigo Velódromo Paulista, localizado na Rua da Consolação, época na qual o futebol era a principal modalidade praticada pelo clube. Conhecido pelas cores branca e vermelha, o Paulistano conquistou 11 títulos do Campeonato Paulista de Futebol ao longo de três décadas. Após se tornar o único clube paulista campeão estadual quatro vezes seguidas, também foi o primeiro clube brasileiro a conquistar um torneio nacional oficial, o Campeonato Brasileiro de Clubes Campeões da CBD, em 1920, e também o primeiro a excursionar pela Europa, em 1925.

Contudo, o clube se recusava a aderir a profissionalização que ocorria com o futebol paulista, e departamento de futebol no início da década de 1930, ocasionando na dissidência de diretores e atletas do departamento de futebol, dos quais se uniram a Associação Atlética das Palmeiras, nascendo dessa fusão entre as duas equipes o atual São Paulo Futebol Clube. Desde então, o clube passou a investir em outras modalidades consideradas por muitos anos no país como amadoras, por exemplo, o atletismo, a natação, basquetebol e o voleibol.

História. No dia 30 de novembro de 1900, um grupo de jovens se reuniu na Rotisserie Sportsman, terceiro edifício dos famosos Palacetes Prates, na Rua São Bento, com o objetivo de criar um novo clube esportivo. A ideia era que a nova instituição pudesse ser frequentada por famílias brasileiras e também introduzir no país a cultura de valorização da educação física.

Nesta reunião estavam presentes amigos e parentes dos irmãos Martinico e Antônio da Silva Prado, um dos responsáveis pela criação do Velódromo Paulista em 1895, que ficava dentro dos limites da antiga chácara de propriedade de dona Veridiana Prado, sua avó, que decidiu alugar o terreno por 250 mil réis mensais. Assim, uma vez discutidos e aprovados os estatutos, foi fundado oficialmente o Club Athletico Paulistano em 29 de dezembro de 1900.

No ato de sua fundação, estiveram reunidos apenas 59 homens, e durante vários anos, o clube foi exclusivamente masculino. Em 1903, o número de sócios já havia crescido consideravelmente, chegando a 159, e depois ultrapassando os 200. O primeiro presidente do CAP foi o jornalista Bento Pereira Bueno (1900-1902), que foi também secretário do interior (1900-1906) em dois governos estaduais sucessivos, o de Rodrigues Alves e o de Bernardino de Campos.

Era comum que os clubes de São Paulo fundados no fim do século XIX e no começo do século XX fossem poliesportivos, mesclando as mais diversas modalidades, individuais ou coletivas. E o Paulistano não seria diferente. Entre os esportes que os sócios do CAP passaram a praticar estavam o ciclismo, a pelota basca e ginástica. Mas a primeira modalidade que de fato ganhou destaque foi o futebol.

Depois de 80 anos, o Paulistano ainda tem números no futebol que não foram ultrapassados. Até hoje, com 11 troféus, é o quinto time que conquistou mais títulos do Campeonato Paulista, atrás apenas de Corinthians, Santos, Palmeiras e São Paulo. Também segue sendo a única equipe paulista a conseguir o feito de ser tetra-campeã em anos consecutivos (1916, 1917, 1918 e 1919).

Em 1905, graças às bilheterias dos jogos de futebol e aos empréstimos de sócios, o CAP iniciou reformas em sua sede. O estádio foi reinaugurado em 30 de abril, contando com novos vestiários e arquibancadas pintadas em vermelho e branco, as cores do clube. Foram construídos também um frontão para o jogo de pelota e quatro novas quadras de tênis.

Após a morte de Veridiana da Silva Prado, proprietária do Velódromo Paulista, em 11 de julho de 1910, seus herdeiros anunciaram a venda do estádio e o terreno foi comprado pelo Banco Italiano, que pretendia abrir uma rua no local e loteá-la. O CAP manteve o arrendamento do velódromo com o novo proprietário até o final de 1915, quando foi anunciado que ele seria demolido para a criação da rua Nestor Pestana.

Precisando de uma nova sede, o clube encontrou um local no Jardim América, bairro ainda em formação, na Rua Augusta, 541. O então prefeito de São Paulo, Washington Luís contribuiu com a mudança, calçando a Rua Augusta para facilitar o acesso. Linhas de bonde também foram modificadas pela Light, empresa responsável, para que os passageiros chegassem mais rápido ao local, em cerca de 18 minutos. Assim, foi surgindo de fato o Jardim América, que passou a ser conhecido como bairro do Paulistano.

As obras foram oficialmente concluídas em 29 de dezembro de 1917. A inauguração da nova sede teve a presença do então prefeito e futuro presidente Washington Luís, do governador do estado de São Paulo, o Altino Arantes, e do poeta Olavo Bilac, que hasteou a bandeira do clube. A mudança de ares foi benéfica para o CAP. Já em 1916, o número de sócios aumentou para 398. Ao final do ano seguinte, já inaugurada a nova sede, eram 760 sócios, número que chegou a 1476 em 1920. Além disso, o Paulistano apostou também em novos objetivos, visando promover não só o esporte, mas a vida social.


Sede do Clube Atlhético Paulistano. Nome Oficial: Sede do Clube Atlhético Paulistano / Sede do Clube Atlético Paulistano / Sede do Club Atlhético Paulistano. Arquiteto: Gregori Warchavchik. Colaboradores: Abelardo de Souza, Hélio Duarte, Henrique Verona Cristofani, Zenon Lotufo. Ano Projeto: 1948. Construção: Sociedade Comercial e Construtora S.A. Período de Construção: 1950 - 1957.https://arquivo.arq.br/projetos/sede-do-clube-atletico-paulistano


Futebol. O Paulistano nasceu como um clube poliesportivo e inclusive demorou a aceitar a inclusão do futebol nas atividades do clube E a história de como ela aconteceu é curiosa. Em 1901, três sócios do clube (há discordância quanto ao nome de um deles: Clovis Glycerio ou Olavo de Barros, além de Renato Miranda e Silvio Penteado) foram assistir a uma partida de futebol entre o Mackenzie College e o Sport Club Internacional (SCI).

Os três encontraram um conhecido, Ibanez Salles, meia-direita do time da Associação Athletica Mackenzie College (AAMC), que sugeriu a introdução da modalidade no C.A. Paulistano. A ideia foi de fato levada ao clube, mas não foi para frente pela falta de interesse dos sócios. Meses mais tarde, no final daquele mesmo ano, Ibanez encontrou novamente os mesmos amigos no campo do São Paulo Athletic Club e insistiu na proposta. E desta vez, surtiu efeito e os treinos foram iniciados do Velódromo Paulista.


Time do futebol do Paulistano em 1905, quando conquistou o Campeonato Paulista pela primeira vez.


E não tardou para o futebol começar a fazer sucesso. No início da modalidade no país, as partidas eram disputas apenas entre sócios da mesma agremiação. Com o tempo, clubes diferentes começaram a se enfrentar entre si e dessa forma, em 13 de dezembro de 1901, foi fundada da Liga Paulista de Football, idealizada por Antônio Casimiro da Costa. E em maio de 1902, São Paulo Athletic Club (1888), Associação Athletica Mackenzie College (1898), Sport Club Internacional (1899), Sport Club Germania (1899) e Club Athletico Paulistano (1900) deram início ao primeiro campeonato organizado do Brasil.

Um dos grandes feitos do Paulistano na esfera do futebol foi a sua excursão pela Europa realizada em 1925, a primeira viagem oficial de um clube brasileiro ao velho continente, que foi organizada pelo então presidente e do clube, Antônio da Silva Prado Filho, diretamente com a Federação Francesa de Futebol. Além do feito inédito, o desempenho do time em terras estrangeiras foi notável. A delegação, composta por 21 jogadores, sendo quatro destes emprestados por outros clubes, disputou dez jogos em três países diferentes (Portugal, Suíça e Espanha), vencendo nove deles e perdendo apenas um.


MUSEU DA IMAGEM E DO SOM - MIS



O Museu da Imagem e do Som (MIS) é um museu público estadual, vinculado à Secretaria da Cultura e inaugurado no ano de 1970. Fruto de um projeto iniciado alguns anos antes por intelectuais e produtores culturais, como Ricardo Cravo Albin, Paulo Emílio Salles Gomes, Rudá de Andrade, Francisco Luiz de Almeida Salles e Luiz Ernesto Machado Kawall, o museu preserva hoje o patrimônio de audiovisual nacional e abriga diversos documentos sonoros e imagético. Localizado no Jardim Europa, distrito de Pinheiros, tem como objetivo principal, desde sua inauguração até atualmente, preservar e documentar o passado e o presente de manifestações que estão ligadas à arte, imagem e som, como música, cinema, fotografia, artes gráficas etc. para um levantamento de um painel da vida brasileira nos seus aspectos humanos, sociais e culturais. Nas década de 1970 e década de 1980, destacou-se como um importante núcleo de difusão artística e educativa, e se transformou em um centro de referência para a pesquisa da indústria audiovisual brasileira. Seu acervo conta com mais de duzentos mil itens e, atualmente, possui uma programação cultural variada, voltada a diversos públicos. Vem ganhando destaque na crítica e na mídia por suas exposições bem elaboradas e sobre grandes nomes da arte contemporânea, do cinema, da música, além de dar espaço a novos artistas.  Em 30 de outubro de 2019, foi inaugurado na Água Branca o novo museu MIS Experience. Criado em parceria com a Fundação Padre Anchieta, responsável pela TV Cultura, o espaço foi totalmente adaptado para receber exposições imersivas

Histórico. Foi o então governador de São Paulo, Roberto Costa de Abreu Sodré, que sugeriu a ideia de criar um Museu de Imagem e do Som na capital paulista visando a publicidade que a produção de tais entrevistas com nomes célebres da cultura brasileira poderia trazer para o governo. O MIS esteve entre as primeiras instituições culturais do Brasil a organizar e sediar festivais de vídeo, mostras audiovisuais e de fotografia, como a Mostra do Audiovisual Paulista, o Festival Internacional de Curtas e as primeiras exibições dos vídeos experimentais do norte-americano Bill Viola. Foi também precursor na exibição de filmes fora do circuito comercial, transformando-se em uma referência cultural da cidade e em um ponto de encontro de produtores, estudantes e profissionais da área audiovisual e interessados em gera. Em 1983, o MIS sediou a primeira edição do Festival de Vídeo Brasil, mostra competitiva que premiou o diretor de teatro José Celso Martinez Correa, por seu documentário abordando as relações ente o teatro e as artes plásticas. O então diretor do museu, Ivan Negro Isola, que permaneceria no cargo até 1987, buscou enfatizar as políticas estruturais e consolidar uma agenda fixa de eventos culturais e atividades didáticas. No começo da década de 1990, o museu criou o setor de artes gráficas, após a organizar a mostra Gráficos Brasileiros - Antes de Hards e Softs, em julho de 1991, e buscou dar continuidade a uma agenda cultural fixa. Não obstante, a multiplicação de espaços culturais na cidade e o aumento da oferta de eventos ligados à produção audiovisual contribuiriam, nos anos seguintes, para uma queda significativa no número de visitantes, em comparação às décadas de 1970 e 1980.


Exposição do Castelo Rá-Tim-Bum no MIS-SP.

Acervo. O acervo do MIS conta com mais de 200 mil itens relacionados à história da produção audiovisual brasileira. São fotografias, filmes (curtas, longas, vídeos e documentários), vídeos, cartazes, peças gráficas, equipamentos de imagem e som e registros sonoros e audiovisuais, além dos livros, catálogos, periódicos, CDs, DVDs, VHS, coleções, cuja coleta e criação esteve sempre ligada aos acontecimentos contemporâneos. As informações sobre a documentação do acervo estão disponíveis em um Banco de Dados online,[38] para facilitar seu acesso. O Museu da Imagem e do Som, fica localizado na Avenida Europa, número cento e cinquenta e oito, no Jardim Europa. O horário de funcionamento, de terça-feira a sábado, é das doze horas às vinte e uma horas, e aos domingos é das onze horas às vinte horas. A entrada custa dez reais ou cinco reais, meia entrada, as terças feiras é oferecido a entrada gratuita ao público para que possam visitar o acervo.

Fotografia. O núcleo de fotografias é composto por exemplares produzidos pelo próprio museu, adquiridos ou recebidos em doações. Possui autocromos, cartes-de-visite, ferrótipos, negativos e estereoscópios, diversas coleções especializadas em cinema, rádio e televisão e uma coletânea de trabalhos de fotógrafos contemporâneos.É particularmente relevante a coleção relacionada à iconografia paulistana, com obras de Militão Augusto de Azevedo, Guilherme Gaensly, Valério Vieira, Alice Brill, Hildegard Rosenthal e Hans Gunter Flieg, entre outros.

Vídeo. O acervo de vídeo conta com mais de 5.000 títulos, produzidos a partir de 1970. São documentários, obras de ficção, videoclipes, animações, exemplares de videoarte, programas de televisão, peças publicitárias, gravações de festivais e musicais. Há significativas coleções relacionadas à produção brasileira (como as coleções "Televisão no Brasil", "Pioneiros", "Modernismo", "O Olho do Diabo", etc) e internacional, incluindo títulos do Japão, França, Argentina, Estados Unidos e Alemanha. Além disso, estão no acervo as produções internas do museu, como os registros da conquista do tricampeonato de futebol em 1970, das comemorações do sesquicentenário da Independência (1972) e das demolições para a construção do metrô de São Paulo (1975).

Cinema.A coleção de cinema é reúne em torno de 13.000 títulos, entre curtas, médias e longas-metragens, em Super 8, 16 e 35 mm, dos mais variados gêneros e épocas. Foi formada a partir de exemplares coletados pela Comissão Nacional de Cinema do Conselho Estadual de Cultura, aos quais se somaram as próprias produções do museu, doações de particulares e de instituições culturais estrangeiras, títulos adquiridos por meio do Prêmio Estímulo de Curtas Metragens,[curtas apresentados no Festival de Gramado e o acervo de produções norte-americanas da Castle Rock Entertainment. Destaca-se o núcleo relativo à produção cinematográfica paulista, com títulos como Pixote, a Lei do Mais Fraco, de Héctor Babenco, O Homem que Virou Suco, de João Batista de Andrade, Cidade Oculta, de Chico Botelho, bem como títulos da Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Conta ainda com nomes como Ozualdo Candeias, Anselmo Duarte, Paulo César Saraceni, Roberto Santos, Jean Manzon, Carlos Reichenbach, Guilherme de Almeida Prado, Suzana Amaral, José Mojica Marins, André Klotzel, Ugo Giorgetti, Alain Fresnot, Cláudio Tozzi, Flávio del Carlo, esses dois últimos em registro Super 8, integrantes da coleção Abrão Berman.Em 2016, o MIS recebeu a exposição "O Mundo de Tim Burton", na qual mostra os trabalhos criativos do diretor Tim Burton desde a infância até a carreira atual de diretor.

História Oral. O museu também tem uma coleção de mais de 3000 registros sonoros de depoimentos, entrevistas, debates e palestras. Essas gravações foram realizadas no âmbito de um projeto pioneiro de história oral desenvolvido pelo MIS, dedicado a coletar material sonoro de brasileiros famosos e anônimos, divididos nos núcleos “Histórias de Vida”, “Projetos Políticos, Sociais e Trabalhistas”, “Memória e Tradição Oral”. Estão representados nos depoimentos personalidades como Pietro Maria Bardi, Pelé, Gregori Warchavchik, Arrigo Barnabé, Cacá Rosset, José Celso Martinez Corrêa, Alfredo Volpi, Tarsila do Amaral, Camargo Guarnieri, Sérgio Buarque de Hollanda e Tom Jobim, entre muitos outros. Atualmente, a recolha de depoimentos tem continuidade pelo programa mensal "Notas Contemporâneas", que realiza gravações de entrevistas com músicos brasileiros por especialistas em música. O projeto, que teve sua primeira fase dedicada à música erudita, agora (2013) se volta para nomes consagrados da Música Popular Brasileira. A entrevista é dividida em duas partes, contando com participação do público na segunda.

Artes Gráficas. O departamento de artes gráficas é o mais recente do acervo do museu, inaugurado em 1990. Reúne catálogos, folhetos, embalagens, adesivos, selos, calendários, capas de livros, revistas, cartazes e materiais impressos em geral, agregando trabalhos de mais de 120 designers. A formação dessa coleção se iniciou em 1991, após a organização da exposição Gráficos Brasileiros – Antes de Hards e Softs. Por fim, o museu conserva uma amostra de mais de 300 equipamentos de imagem e de som, atestando a linha evolutiva da tecnologia de produção e reprodução audiovisual, incluindo câmeras fotográficas, filmadoras, projetores de filme, aparelhos de rádio e televisão, toca-discos etc.



AVENIDA FARIA LIMA


Avenida Prefeito Faria LimaA lei determinando a abertura da via foi promulgada em janeiro de 1968, prevendo uma ligação de cinco quilômetros entre os bairros de Pinheiros e Brooklin, mesmo sem a Prefeitura saber a quantidade de edifícios que deveriam ser desapropriados. Segundo a lei, a avenida começaria na Praça Roquete Pinto e seguiria até a atual Avenida dos Bandeirantes, seguindo pelas ruas Pedroso de Moraes, Coropés, Miguel Isasa e Martim Garcia, alcançando, a partir daí, a Rua Iguatemi após cruzar interiores de quarteirões. A lei também previa cruzamentos em desníveis com as avenidas Eusébio Matoso, Rebouças e Cidade Jardim, com o Córrego do Sapateiro e com a Rua Doutor Eduardo de Souza Aranha. 
A avenida teve sua construção iniciada na segunda metade dos anos 1960, com o alargamento do trecho da rua Iguatemi compreendido entre o Largo da Batata, em Pinheiros, e o cruzamento com a Avenida Cidade Jardim, no Itaim Bibi (atual praça Luís Carlos Paraná), cruzando todo o bairro denominado Jardim Paulistano. As obras foram iniciadas na gestão do prefeito José Vicente Faria Lima e obrigaram a demolição de cem prédios. Com a morte deste, em 1969, a nova artéria, que se chamaria Radial Oeste, recebeu o seu nome, oficializado quando da inauguração do trecho duplicado da avenida, em 28 de abril de 1970 — a primeira pista já havia sido entregue ao tráfego no fim de 1969. José Eduardo, filho de Faria Lima, participou da cerimônia, descerrando uma placa de bronze. Em seu discurso, o prefeito Paulo Maluf elogiou o homenageado: "Faria Lima não nasceu em São Paulo, mas deu sua vida em holocausto a esta capital. Esta homenagem, que ora prestamos ao saudoso administrador, era o mínimo que a Prefeitura Municipal poderia fazer pela sua memória. Ela deverá lembrar, às gerações futuras, a figura marcante que foi o Brigadeiro."

Com o atraso da entrega e o aumento dos custos, as informações constantes de uma placa conjunta do Governo Abreu Sodré e da Prefeitura foram alteradas com tinta branca. Maluf brincou com o atraso em seu discurso, dizendo que poderia ter sido escrito um livro sobre a obra, com o título "Odisseia da Construção de uma Avenida". Poucos minutos após a nova via ser aberta, operários começaram a quebrar o asfalto na esquina com a Avenida Cidade Jardim, em busca das tampas de ferro das galerias subterrâneas, cobertas durante o asfaltamento, promovido às pressas. Além disso, em frente ao Shopping Center Iguatemi haviam sido fechados buracos cujas obras não estavam prontas, que teriam de ser abertos novamente. "Em poucos dias, irão reabri-los, mas, então, a inauguração já terá passado", contou um morador da região ouvido por O Estado de S. Paulo. O jornal, entretanto, destacou os aspectos positivos da avenida, considerada "muito boa", como a marcação das faixas em relevo, faixas de pedestres (embora nenhuma delas com semáforo) e iluminação feita por postes altos, com luz de mercúrio. Os dois únicos semáforos da avenida inteira ficavam no início (à época, a Avenida Cidade Jardim) e no fim (à época, a Avenida Rebouças). Na inauguração, Maluf já falou sobre os planos de prolongamento: de um lado, até as proximidades do CEASA, correndo em paralelo à Avenida Pedroso de Morais; de outro, em diagonal rumo ao Córrego da Traição (atual Avenida dos Bandeirantes), que era previsto no projeto original. Esse último prolongamento, entretanto, já estava descartado, porque o prefeito pretendia entregar em breve a pista da marginal esquerda do Rio Pinheiros. O projeto ainda previa um "canteiro-balão" entre a Rua Tucumã e a Avenida Cidade Jardim, em formato de "v", para a construção de um "parque-estacionamento" com capacidade para sessenta veículos e largura máxima de sete metros. A largura da avenida variava de quarenta metros, na altura da Alameda Gabriel Monteiro da Silva, a sessenta metros, no cruzamento com a Avenida Cidade Jardim.

Já no início da década de 1970, teve início a construção de inúmeros edifícios comerciais que romperam com a antiga paisagem residencial arborizada do Jardim Paulistano, e que caracterizariam a avenida como uma espécie de "segunda Avenida Paulista", dada a semelhança entre seus skylines. Desde essa época, já existia a expectativa de ampliação da avenida no sentido sul: em 1972, essa ampliação avançou os primeiros quarteirões após a Avenida Cidade Jardim, entre as ruas Amauri e Jorge Coelho, mas a obra parou ali e, dois anos depois, os moradores da região já se preocupavam com uma eventual desapropriação que parecia nunca sair do papel. Em 1974, o prolongamento era tratado como prioridade da Prefeitura, para ligar a avenida (e, consequentemente, os bairros da zona oeste) à Avenida Santo Amaro, por meio da Avenida Juscelino Kubitschek, cujas obras de construção estavam sendo finalizadas juntamente com a canalização do Córrego do Sapateiro, que passa por baixo dela.

Entretanto, esse prolongamento levaria mais de vinte anos para ser concluído. Na década de 1990, Maluf, novamente ocupando o cargo de prefeito, promoveu a extensão da avenida em suas duas extremidades: entre o Largo da Batata e a Avenida Pedroso de Moraes (alargando a antiga rua Miguel Isasa), e entre as avenidas Cidade Jardim e Hélio Pellegrino (já na Vila Olímpia), alargando pequenas ruas residenciais do Itaim Bibi. O traçado originalmente projetado passaria pela Rua Elvira Ferraz, causando a demolição de vários imóveis, porém a pressão da associação de moradores do bairro fez com que a Prefeitura optasse por um novo traçado. Depois, esse traçado seria alterado para o que acabou efetivamente sendo construído.[Textos e imagens da Wikipedia]


A inauguração do novo trecho de Pinheiros, com 1,38 quilômetro, até a Avenida Pedroso de Moraes, deu-se em 23 de outubro de 1995, embora ele tenha sido mantido no início com os nomes de Rua Corupés e Rua Miguel Isasa, por depender ainda de uma mudança nos cadastros dos imóveis que não foram demolidos e ainda ocupavam o que agora era a Avenida Brigadeiro Faria Lima. A construção desse trecho custou cerca de quatro milhões de reais e foram desapropriados 107 imóveis para a obra, causando protesto entre os donos desses imóveis. O trecho do Itaim estava, então, previsto para ser entregue entre março e maio de 1996, embora a Prefeitura tivesse a intenção de antecipá-lo para janeiro.
Em 25 de maio de 2010, foi inaugurada a Estação Faria Lima, da Linha 4-Amarela do metrô. Ela foi, juntamente com a Estação Paulista, uma das primeiras da linha a ser inauguradas. Está situada na Avenida Brigadeiro Faria Lima, na altura do Largo da Batata. Nela estão localizadas importantes atrações paulistanas, tais como: o Shopping Iguatemi, shopping center pioneiro no Brasil, em 1966; O Museu da Casa Brasileira. O Esporte Clube Pinheiros.  O Edifício Dacon, com seu formato cilíndrico, um dos mais famosos de São Paulo. Inúmeros bares e pontos de agitação noturna, localizados principalmente nas extremidades da avenida. Nas proximidades da Estação Faria Lima do Metrô (Linha 4–Amarela) está a sede do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulo. Nos arredores da avenida, encontram-se também outros importantes pontos de visitação da cidade, tais como o Shopping Eldorado, localizado próximo à Estação Hebraica-Rebouças do Trem Metropolitano (Linha 9–Esmeralda), e os luxuosos restaurantes e hotéis da região próxima aos cruzamentos com as avenidas Cidade Jardim e Juscelino Kubitschek.[Textos e imagens da Wikipedia]


Duas imagens do Shopping Center Iguatemi no ano da sua inauguração em 1966.


Depois do Shopping do Méier, localizado no subúrbio do Rio de Janeiro, inaugurado em 1963, o Iguatemi é considerado o segundo shopping center da América Latina, o segundo shopping center construído no Brasil e também um dos mais famosos shoppings da cidade de São Paulo.





 Clube Pinheiros durante a realização da Copa Davis em 1971,  Ao fundo, letreiro do Shopping Iguatemi. São Paulo. Fonte: Blog Rádio Vitrola.

Piscinas e raias do Esporte Clube Pinheiros (Germânia) nos anos 1920 

O primeiro campeonato de Atletismo feminino do Brasil foi realizado no Sport Club Germania, em 1930.




A avenida, na altura do cruzamento com a Avenida Eusébio Matoso.


ITAIM BIBI


Córrego do Sapateiro, Itaim Bibi, 1950. Esse córrego, hoje todo canalizado, nasce no Paraíso, nas proximidades da Rua Rio Grande com Dr. Mario Cardim. Desce paralelo a avenida 23 de Maio em direção ao Parque do Ibirapuera, onde alimenta os três lagos. Depois segue a Avenida Juscelino Kubitschek em direção ao Rio Pinheiros, onde deságua próximo do Parque do Povo. Foto: Crianças no Córrego do Sapateiro, Itaim Bibi,1950. Folhapress.

Itaim Bibi é um bairro nobre situado na Zona Oeste do município de São Paulo no distrito de mesmo nome.  Popularmente e em algumas reportagens a região é erroneamente considerada como pertencente à Zona Sul, porém é administrada pela Subprefeitura de Pinheiros, sendo oficialmente integrada à Zona Oeste. A mudança de região geográfica ocorreu em 2002, na gestão Marta Suplicy, até então fazia parte da Zona Centro-Sul (Zona Sul), sendo administrado pela Subprefeitura de Santo Amaro. Compreende a área formada pelas avenidas Juscelino Kubitschek, São Gabriel, 9 de Julho e Brigadeiro Faria Lima, apesar de ser comum incluir o bairro Chácara Itaim e chamá-lo também de Itaim Bibi. Limita-se com os bairros de Vila Nova Conceição, Vila Olímpia, Jardim Europa, Ibirapuera e Jardim Paulistano. A Avenida Brigadeiro Faria Lima cruza o bairro do Itaim Bibi, trazendo muito movimento para o mesmo.


Cruzamento da Avenida Santo Amaro com a Avenida São Gabriel na altura do Itaim-Bibi. 



Etimologia. Bibi (bebê) era como as escravas chamavam o filho do médico Leopoldo Couto Magalhães, dono da Chácara Itaí, que cresceu e virou o "Seu Bibi". A palavra Bibi viria a acompanhar o nome do bairro, antes chamado Rio das Pedras. A Rua Renato Paes de Barros se chamava Rua Bibi, em sua homenagem.

História. Sua história começou em 1896, quando o general José Vieira Couto de Magalhães adquiriu uma extensão de 120 alqueires, que era propriedade de Bento Ribeiro dos Santos Camargo. Essas terras não tinham muito valor, pois eram inundáveis; sua função era meramente recreativa, para caça e pesca, e abrigava árvores frutíferas (principalmente jabuticabeiras). Embora não tenha se casado, o general teve um filho, José Couto de Magalhães, com uma índia do Pará. Em 1898, com a morte do general, seu filho herdou o local, conhecido como Chácara do Itahy ("pedra pequena", em tupi). Em 1907, Leopoldo Couto de Magalhães, irmão do general, comprou as terras por 30 contos de réis, fixando residência no lugar. A rua João Cachoeira leva o nome de um agregado da família que vivia cantando e contando causos por ali. A sede da chácara propriamente dita, hoje conhecida como Casa Bandeirista do Itaim, está localizada no início da atual rua Iguatemi. Tombada pelo Patrimônio Histórico, foi, porém, destruída pelos seus atuais proprietários. Antigamente era, durante vários anos, foi um sanatório (Casa de Saúde Bela Vista), fundado em 1927 pelo médico Brasílio Marcondes Machado, onde doentes mentais ou dependentes químicos de famílias abastadas se tratavam. Com o falecimento de Leopoldo, o local foi dividido entre seus herdeiros. Leopoldo Couto Magalhães Júnior, também 'Bibi', que era conhecido por possuir um dos primeiros automóveis da região e pelo hábito de usar boné de bico, continuou residindo na casa até a segunda metade da década de 1920. O filho de Bibi, Arnaldo Couto de Magalhães foi responsável pelo loteamento da chácara. Na década de 1920, surgiram pequenos sítios de um hectare, vendidos a italianos vindos da Bela Vista/Bixiga, um bairro central. Eles produziam verduras e legumes para o abastecimento local e dos bairros vizinhos. As terras foram vendidas e revendidas entre a década de 1920 e a década de 1950 e, com a ocupação da várzea próxima ao Rio Pinheiros, propiciou atividade a barqueiros, olarias e portos de areia, que forneciam tijolos e telhas para construções. Para diferenciá-lo do Itaim Paulista um subúrbio de São Paulo, depois da Penha de França, os moradores da região passaram a referir o local como os “terrenos do Bibi”. Hoje em dia, a antiga Rua do Porto é denominada de Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior.


Avenida Juscelino Kubitschek., Até a década de 1930, a ocupação populacional do Itaim Bibi se restringiu ao quadrilátero formado entre o Rio Pinheiros e as atuais avenidas Nove de Julho, São Gabriel que era estreita e chamava-se Rua Ana Neri e a Juscelino Kubitschek. Após os anos 1950, o bairro passou a enfrentar um grande crescimento, causando o desaparecimento de chácaras e sítios.

Mappin Itaim Bibi em 1984


AVENIDA NOVE DE JULHO


A avenida 9 de Julho em meado do século XX



A Avenida 9 de Julho ou Avenida Nove de Julho é uma via arterial da São Paulo.

Trata-se de uma importante artéria no sistema viário da capital paulista, principalmente por sua função como eixo radial que liga o centro da cidade a outras regiões, como Sudoeste, Avenida Paulista, Marginal Pinheiros e outras vias no município. A 9 de Julho, que fez parte da modernização de São Paulo e integrou o Plano de Avenidas de Prestes Maia, foi inaugurada em 1941 e é conhecida por ser uma via de fundo de vale, localizada sobre o Rio Saracura e o Córrego Iguatemi.

O nome da avenida remete a uma data relevante na história de São Paulo, 9 de julho de 1932, data do início da Revolução Constitucionalista de 1932, mais tarde feriado estadual instituído pelo governador Mario Covas.

A Avenida Nove de Julho passa a aproximadamente trinta metros abaixo da Avenida Paulista, por meio do Túnel Nove de Julho.

História. Construção. As obras de construção da Avenida 9 de Julho tiveram início em 1929, sob administração do prefeito José Pires do Rio, mas só foram concluídas doze anos depois, durante a gestão de Prestes Maia. Trata-se da primeira grande via integratória construída fora do centro de São Paulo, na época, ligando o Largo da Memória à Rua Estados Unidos.

O período de maior impulso na construção deu-se durante o mandato de Fábio Prado, prefeito da cidade entre 1934 e 1938. Juntamente com as avenidas Ipiranga e Rebouças, a concretização da 9 de Julho marca o início da implementação do Plano de Avenidas do engenheiro Prestes Maia, que, entre diversos objetivos, pretendia ampliar espaços abertos da região central, abrir avenidas diametrais e marginais na cidade, alargar ruas e construir um anel viário para distribuição do fluxo de veículos.

Foi, por fim, inaugurada em 25 de janeiro de 1941. Suas construções foram regulamentadas ainda no mesmo ano, em 11 de fevereiro, a partir do decreto-lei número 75, que fixou recuos obrigatórios, estabeleceu alturas mínimas e máximas para os edifícios, e determinou outras questões de caráter urbanístico para a região.

Sua construção foi fundamental não apenas para a integração entre centro e bairros, garantindo o escoamento do fluxo urbano, como também integrou um importante processo de valorização de espaços do ponto de vista imobiliário, por meio de uma lógica que se fez presente durante toda a urbanização de São Paulo. Áreas desvalorizadas, como fundos de vale, frequentemente afetados por alagamentos, recebiam infraestrutura e investimento do governo e, a partir de então, passavam a ter seus terrenos rapidamente valorizados, ao lado, por exemplo, de grandes avenidas.


300 RIOS ESCONDIDOS NO SUBSOLO


Rio Saracura, formador do rio Anhangabaú, no início século. 


Uma avenida sob rios. Por se tratar de uma avenida de fundo de vale, construída sobre dois cursos de água, a região apresenta muitos alagamentos até os dias atuais. Sob o trecho da região central da cidade, a 9 de Julho esconde o Rio Saracura, formador do Anhangabaú, afluente do Tamanduateí. O Saracura tem sua nascente atrás de onde atualmente se encontra o hotel Maksoud Plaza, na rua sem saída Garcia Fernandes. Retificado, seu caminho passa por uma galeria pluvial e desemboca no Tamanduateí.

Já na Zona Oeste, a Avenida 9 de Julho passa por cima de trecho do Córrego Iguatemi, afluente do Rio Pinheiros.

Ao todo, a cidade de São Paulo possui mais de trezentos rios escondidos em seu subsolo. Em seu processo de urbanização, a canalização e a transposição de rios passaram a representar, na subjetividade paulistana da época, a vitória humana sobre a natureza, por meio da engenharia, da construção de viadutos e do processo de verticalização.A condição de superação de obstáculos naturais levou lugares como o Vale do Anhangabaú e a Avenida 9 de Julho a se tornarem famosas paisagens fotográficas, frequentemente retratadas por fotógrafos como Werner Haberkorn, artista que documentou, por meio de suas fotografias, o processo de modernização da capital paulista durante as décadas de 1940 e 1950.

Nos cinquenta primeiros dias de 2010, o trecho na região central somou 38 pontos de alagamento, incluindo dez pontos intransitáveis, situação creditada a galerias de escoamento antigas, sem capacidade para receber grande quantidade de água.

Denominação. O nome da avenida remete à Revolução Constitucionalista de 1932, conflito armado que aconteceu no Estado de São Paulo e tinha como intuito derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas, considerado antidemocrático pelos paulistas. Foi em 9 de Julho de 1932 que o movimento eclodiu na capital, colocando as forças paulistas, sob liderança de Isidoro Dias Lopes, contra as tropas do então chefe de Estado. Após três meses de combate, um termo de rendição, que colocou fim à revolução, foi assinado em 1 de outubro de 1932.

Urbanização e Plano de Avenidas de São Paulo

O Plano de  Avenidas, realizado pelo engenheiro Prestes Maia, foi encomendado por Pires do Rio em 1930, com o objetivo de solucionar o problema do tráfego no centro de São Paulo. Seu ponto de início não começou do zero, mas aproveitou um sistema já apresentado anteriormente por João F. Ulhoa Cintra, o “Perímetro de Irradiação”, que assim era chamado pois objetivava servir como linha de partida das artérias que conduziriam aos bairros. A principal proposta do plano era construir um anel envolvendo a área de congestionamento, com início na Praça de República e envolvendo outras áreas, como Rua dos Timbiras, Avenida Senador Queiroz, Parque D. Pedro II, Rua Tabatinguera, Praça João Mendes, Rua Santo Amaro, Rua 7 de Abril e Avenida São Luís.

O “Sistema Y”, formado pelas avenidas 9 de Julho, Itororó (que depois se tornou 23 de Maio) e Anhangabaú Inferior (hoje, nomeada Prestes Maia), foi efetivado durante o governo de Prestes Maia, que assumiu a prefeitura de São Paulo em maio de 1938, em gestão que duraria até novembro de 1945 e concretizaria a maior reforma urbanística da cidade até então, superando administrações como as de João Teodoro e Antônio Prado. Enquanto as avenidas 9 de Julho e Itororó levavam em direção à Zona Sul, a Anhangabaú Inferior tinha sentido ao bairro da Luz, unindo, assim, a Zona Norte e a Sul.

Túnel 9 de Julho


Túnel Nove de Julho, em fotografia do século XX, por Werner Haberkorn


Ao longo de sua extensão, a Avenida 9 de Julho apresenta um trecho subterrâneo de 450 metros, que passa por baixo de pontos como a Avenida Paulista, mais especificamente na altura onde está localizado o MASP e o Parque Tenente Siqueira Campos–Trianon. O túnel foi construído para ligar o centro de São Paulo à Zona Sul, onde ainda prevalecia a presença de grandes casarões, palacetes e construções rurais.

O acesso rápido entre centro e zona sul era sonho consagrado no pensamento paulistano da época, pois o trajeto só era possível para quem subia o espigão da Avenida Paulista, que se apresentava como obstáculo natural atrapalhando o desenvolvimento da Capital para os lados das chácaras do Itaim e Santo Amaro. A passagem subterrânea tornou-se uma alternativa mais eficiente e impactou na urbanização da região, que passou a receber grandes edifícios e maior fluxo de pessoas e veículos.
A obra levou um ano para ser finalizada e custou 17 192 contos de réis. Foi, por fim, inaugurada em 23 de julho de 1938, em cerimônia que reuniu o então presidente da República, Getúlio Vargas, e o prefeito da cidade e engenheiro do plano, Prestes Maia. Atualmente, continua sendo considerada um grande marco na história urbanística da cidade de São Paulo.

Em 2001, durante o mandato da prefeita Marta Suplicy, o Túnel 9 de Julho foi rebatizada como Daher E. Cutait. O nome, no entanto, não teve adesão popular e permanece apenas grafado entre parênteses nas placas de trânsito.

Mirante 9 de Julho

Quando inaugurado, em 1938, o Túnel 9 de Julho possuía um mirante, que permaneceu abandonado por 76 anos, até que, em 2015, por meio de uma parceria público-privada entre a prefeitura de São Paulo e o Grupo Vegas, o espaço foi revitalizado, transformando-se em uma área multicultural, com restaurante, café e eventos, como shows, feiras independentes, exibições ao ar livre, aulas e oficinas.
O local é aberto ao público, com entrada gratuita, e tornou-se um ponto turístico da cidade, pois proporciona aos visitantes uma bela vista da capital. Um dos projetos que acontecem no espaço recebe o nome de "18h30" e consiste de atrações musicais gratuitas que se apresentam de terça a domingo, a partir das 18h30, na escadaria do Mirante.[

Viaduto 9 de Julho


Entre 1940 e 1950, foram construídos viadutos do Perímetro de Irradiação, de Prestes Maia, como Dona Paulina, 9 de Julho e Jacareí. O Viaduto 9 de Julho cruza a Avenida de mesmo nome em trecho próximo à Praça da Bandeira. Ao longo de sua extensão, ele possui 220 metros, sendo o maior dentre os três citados.


Arquitetura. Masp

Vista de trás do MASP

Quando a prefeitura de São Paulo doou o terreno na Avenida Paulista para a construção do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, foi imposta a condição de que não fosse construído nenhum prédio que tapasse a vista para o centro da cidade, possibilitada através da Avenida Nove de Julho. Por isso, a arquiteta Lina Bo Bardi construiu o museu sobre um grande vão livre, que se tornaria uma referência de arquitetura por se tratar, na época, do maior vão livre do mundo. O endereço na Avenida Paulista foi inaugurado em 7 de novembro de 1968, e o vão continua sendo usado para manifestações, feiras livres, exibições de filmes, flashmobs e apresentações de artistas de rua.

Residência Castor Delgado Perez. Desenhada por Rino Levi, a residência, localizada na Avenida Nove de Julho, é um clássico da arquitetura moderna de São Paulo. Luiz Carvalho Franco e Roberto Cerqueira César são co-autores do projeto, que foi idealizado em 1958 e concluído em 1959.
Casarões antigos
A Avenida 9 de Julho possui muitos casarões antigos, erguidos entre as décadas de 1930 e 1940. Enquanto muitos seguem abandonados, alguns, como o que leva o número 4 180, foram revitalizados e apresentam atualmente boas condições. Um exemplo de edifício antigo, que ainda hoje preserva um grande legado, é a antiga sede do Colégio Sacré-Coeur de Marie, instituição fundada em 1938 que, durante 47 anos, ofereceu os cursos primário, ginasial e secundário em regimes de externato, internato e semi-internato. Atualmente, o casarão abriga a unidade paulistana da Escola Concept, com linha de ensino bilíngue.

Outros locais, eventos e prédios históricos da Avenida 9 de Julho

As obras que iniciaram a avenida, sua urbanização e decadência sempre foram assuntos rodeados de polêmicas nas administrações municipais. Por ser um marco da cidade, toda e qualquer ação na região causa um grande impacto. Desde sua construção, esta via perpassa toda a história da cidade e traz muitos acontecimentos, relatos, instituições, segredos e até crimes.

Praça 14 Bis. A praça já foi um bebedouro para os cavalos de carroceiros que faziam compras no Mercado Central. Na época, a avenida era repleta de mato. Hoje, a 14 Bis é basicamente uma saída dos pontos de ônibus da Estação Vai-Vai, que compõe o corredor da Avenida Nove de Julho, cercada por uma rotatória da própria avenida. Próximo a praça, futuramente estará localizada a Estação 14 Bis–Saracura da Linha 6–Laranja do Metrô.



Praça da Bandeira. No século XIX a Praça da Bandeira era um local onde aconteciam leilões de escravos. A praça é uma junção do Largo do Bixiga com o Largo do Piques, aonde chegavam grandes carregamentos na cidade, como o de açúcar, por exemplo.

Obra de arte no Edifício Brasilar. Uma pintura com influências cubistas foi encontrada no Edifício Brasilar, construído em 1973. Devido a uma série de inundações que acometeram o local, não foi possível identificar seu criador. Suspeita-se de que tenha sido alguém de renome. A obra já foi avaliada e considerada com valor artístico.

Edifício Praça da Bandeira/Edifício Joelma. Em 1974 um incêndio tomou conta do Edifício Joelma. O incidente marcou a população paulistana. Ao todo, 189 pessoas morreram e aproximadamente trezentas ficaram feridas. Após alguns anos de reforma, foi reinaugurado sob o nome de Edifício Praça da Bandeira.

Hotel Claridge/Cambridge. Hoje desapropriado pela Prefeitura, já foi um dos maiores da cidade. Seu funcionamento já abrigou balada, bar e a rotina de um dos mais badalados lugares para se hospedar na década de 1950, mas hoje está ocupado pela Frente de Luta por Moradia. Também foi inspiração para longa-metragem.



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JAGUARÉ E BUTANTÃ


Projeto urbanístico de Henrique Dumont Villares para o Jaguaré.


Jaguaré é um distrito situado na zona oeste do município de São Paulo e é administrado pela Prefeitura Regional da Lapa, possui uma área de aproximadamente 6,6 km² e uma população de 42,4 mil habitantes, relativamente heterogênea e de classe média em sua maioria. Limita-se com os distritos paulistanos de Vila Leopoldina, Alto de Pinheiros, Butantã e Rio Pequeno, e com a zona centro-sul do município de Osasco. O distrito de Jaguaré é constituído pelos bairros: Centro Industrial do Jaguaré, Super Quadra Jaguaré, Vila Nova Jaguaré, Parque Continental, Vila Graziela, Vila Jaguaré e Vila Lageado. Localizam-se no distrito o Mirante do Jaguaré, que é tombado pelo poder público municipal, e o Museu da Tecnologia de São Paulo, próximo à Cidade Universitária.

O distrito do Jaguaré foi projetado e construído pelo engenheiro Henrique Dumont Villares em 1935. Dono da Sociedade Imobiliária Jaguaré, Villares dividiu a região em áreas residenciais, comerciais e industriais, e incentivou sua ocupação, consolidada após a construção da ponte do Jaguaré, sobre o rio Pinheiros. Nas décadas seguintes, atraiu centenas de fábricas, tornando-se um dos distritos mais industrializados do município. O lento crescimento econômico registrado na década de 1980 afetou profundamente o distrito, que perdeu grande parte de suas empresas. Conserva-se até hoje, no entanto, como importante centro industrial, ao mesmo tempo em que assiste ao crescimento do terceiro setor. Nos últimos anos, registram-se investimentos no setor imobiliário, que começam a incentivar a verticalização das áreas residenciais, ainda predominantemente compostas por casas térreas e sobrados.

Vista do centro industrial

O Jaguaré foi uma das muitas áreas rurais situadas além dos rios Tietê e Pinheiros cuja ocupação e exploração só se iniciou após o expressivo crescimento do parque industrial paulistano e da explosão demográfica a que o município assistiu a partir das primeiras décadas do século XX. Por volta de 1925, alguns imigrantes europeus encontram-se instalados nos arredores do futuro distrito, ocupado por fazendas, sítios e chácaras. A região que compreende o Jaguaré propriamente dito era uma grande fazenda de 165 alqueires, pertencente à Companhia Suburbana Paulista, empresa responsável pelo loteamento de terras, fundada por Ramos de Azevedo. O nome "Jaguaré" deve-se ao ribeirão homônimo, que nascia em Osasco e cortava a região até desembocar no rio Pinheiros. 

Em 1935, a fazenda é adquirida pela Sociedade Imobiliária do Jaguaré, empresa criada por Henrique Dumont Villares, engenheiro agrônomo formado na Bélgica, sobrinho e afilhado de Santos Dumont. Henrique Dumont Villares idealizou um projeto de urbanização para a região, dividindo-a em áreas residenciais, comerciais e industriais. As ruas foram desenhadas de modo que o centro comercial fosse rodeado por residências e estas pelas indústrias. Foram construídas 42 praças e diversas casas para os funcionários da empresa. No ponto mais alto do Jaguaré, ergueu-se um mirante dotado de uma torre com relógio e sino, cuja função era servir de símbolo ao novo bairro. Canalizou-se o ribeirão Jaguaré e executou-se o traçado do sistema viário. Desde a fase de implementação do projeto, no entanto, o rio Pinheiros já constituía uma barreira natural que limitava a circulação das pessoas e atrapalhava o plano de instalar um centro industrial na região. Em 1940, para sanar o problema, Henrique Dumont Villares doou, à prefeitura, a quantia de 700 réis a serem aplicados na construção da ponte do Jaguaré, ligando o distrito à também incipiente região de Vila Leopoldina e, em seguida, à Lapa. O Grupo Matarazzo foi o primeiro a instalar uma fábrica na região. Com a conclusão da ponte, na década de 1940, outras dezenas de indústrias se instalariam no Jaguaré, incentivando o estabelecimento de funcionários e comerciantes e iniciando um período de grande crescimento econômico e demográfico. Em meados do século XX, o bairro já era considerado um dos mais industrializados do município, com mais de 125 fábricas e indústrias de pequeno, médio e grande porte.

Nas décadas seguintes, prosseguiu a expansão da região e novos bairros foram incorporados ao distrito, como Parque Continental (na divisa com Osasco), Vila Graziela, Vila Lageado e Conjunto Butantã. O longo período de recessão econômica iniciado nos anos 1970 e agravado nos anos 1980, no entanto, afetou, profundamente, o distrito, com a saída e fechamento de várias empresas. Apesar disso, o Jaguaré se mantém como importante centro industrial: no ano 2000, o distrito registrava a presença de 156 indústrias, que, juntas, respondiam por mais de 8 500 empregos diretos - mais do que o comércio (3 149) e o setor de serviços (6 126). Sem embargo, vem crescendo a participação do setor terciário na economia do distrito: em 1975, foi inaugurado o Shopping Continental, o primeiro centro comercial da região, e grandes empreendimentos imobiliários têm influenciado a verticalização em alguns bairros do Jaguaré, onde, em geral, predominam as casas térreas e sobrados.

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Estação Butantã do Metrô, na Avenida Vital Brasil Brasil, esquina com a avenida Corifeu de Azevedo Marques. USP imagens. 

Butantã é um distrito situado na zona oeste do município de São Paulo e é administrado pela subprefeitura do Butantã. Possui 12,5 quilômetros quadrados, sendo delimitado a leste pela margem do rio Pinheiros. A região é marcada pela heterogeneidade socioeconômica. Junto ao rio, há um bairro-jardim de alto padrão, o City Butantã, semelhante aos jardins América e Europa, localizados na outra margem do rio Pinheiros. O distrito faz divisa com os seguintes distritos: Pinheiros, Alto de Pinheiros, Jaguaré, Morumbi, Vila Sônia, Rio Pequeno e Raposo Tavares

Bairros do distrito Butantã: City Butantã; Vila Indiana; Jardim Rizzo; Vila Pirajussara; Conjunto Residencial Butantã (também conhecido como Inocoop); Jardim Christi; Jardim Ademar; Previdência; Caxingui; Rolinópolis; Jardim Esmeralda; Vila Gomes; Jardim Bonfiglioli; Jardim São Gilberto; Cidade dos Bandeirantes; Jardim Matarazzo; Jardim Pinheiros. Todos de perfil predominantemente residencial, com alguns corredores comerciais: as avenidas Vital Brasil, Corifeu de Azevedo Marques, Engenheiro Heitor Antônio Eiras Garcia, Eliseu de Almeida, Comendador Alberto Bonfiglioli e Professor Francisco Morato, além de ruas como Alvarenga, Camargo e MMDC.


 Começo da avenida professor Francisco Morato ,  próximo a famosa paineira do Butantã nos anos 1950. Essa avenida é bem extensa ,  e abrange muitos bairros em seu trajeto , alguns como o bairro da Previdência,  Caxingui , Morumbi , vila Sônia , Jardim Perí Perí ,Jardim Ferreira , e terminando em Taboão da Serra , antigamente era passagem dos caminhões , que saíam das marginais , em direção  a Régis Bitencourt , ( antiga BR2 ) para o Sul do País . Fonte : Viva o Butantã.



O Butantã é, ainda, atravessado pelos quilômetros iniciais da rodovia Raposo Tavares. Destacam-se, também, no distrito, a Cidade Universitária, sede da Universidade de São Paulo, e, vizinho à universidade, o Instituto Butantan. No censo de 2000, apresentava uma população de 52649 habitantes. O distrito é atendido pela Linha 4–Amarela do Metrô de São Paulo por meio da Estação Butantã, inaugurada em 28 de março de 2011, e da Estação São Paulo–Morumbi, inaugurada em 27 de outubro de 2018. Esta última está localizada na divisa com os distritos do Morumbi e da Vila Sônia.

 A grande enchente de 1929 ocorrida em Sâo Paulo. Na imagem o encontro entre as estradas de Butantã e Osasco (atuais avenidas Corifeu de Azevedo Marques e Autonomistas).

História. A região do Butantã era rota de passagem de bandeirantes e jesuítas que se dirigiam ao interior do país. Foi na região do Butantã que Afonso Sardinha montou o primeiro trapiche de açúcar da vila de São Paulo, em sesmaria obtida em 1607. As terras da antiga sesmaria tiveram várias denominações: Ybytatá, Uvatantan, Ubitatá, Butantan e, finalmente, Butantã. Após a expulsão dos jesuítas do Brasil, em 1759, as suas terras foram confiscadas e vendidas. Um dos últimos proprietários foi a família Vieira de Medeiros que vendeu as terras para a Companhia City Melhoramentos, em 1915, responsável pela urbanização das margens do Rio Pinheiros. Datam do século XVII e XVIII duas construções históricas localizadas na região do Butantã, respectivamente a Casa do Sertanista e a Casa do Bandeirante, ambas tombadas. A região do Butantã era constituída por sítios, como o Sítio Butantã, Sítio Rio Pequeno, Sítio Invernada Grande ou Votorantim, Sítio Campesina ou Lageado e Sítio Morumbi. O desenvolvimento do bairro ocorreu a partir de 1900, sobretudo com a implantação do Instituto Butantan e da Cidade Universitária.


Parque do Instituto Butantan

O Instituto Butantan foi oficialmente inaugurado em 1901. Sua origem está associada ao combate da peste bubônica, que por volta de 1898 causava uma epidemia em Santos, no litoral paulista. Para produzir o soro contra a peste, foi escolhida uma área fora do perímetro urbano da cidade de São Paulo. Assim, foi instalado um laboratório junto ao Instituto Bacteriológico, na fazenda Butantã, que dois anos mais tarde recebeu o nome de Instituto Serumteráphico, passando a atuar na área de pesquisa e produção de soros, sob a coordenação do médico Vital Brazil. Somente em 1925, o nome oficial passou a ser Instituto Butantã, hoje vinculado à Secretaria de Estado da Saúde. O conjunto arquitetônico foi tombado pelo Patrimônio Histórico em 1981. O local onde está instalado o Instituto é apenas uma parte da propriedade que abrangia também o campus da Universidade de São Paulo.

Ponto de ônibus no Largo da Batata (Pinheiros) em 1950. O destino dos passageiros é o Butantã e suas vilas nascentes. Uma das placas de publicidade ao fundo anuncia a venda de lotes do Jardim Bonfiglioli, vizinho da Vila Gomes.  


A partir dos anos 1920, começaram a surgir os primeiros bairros, como Vila Butantã, Vila Lageado e Cidade Jardim. 

Nos anos 1930, surgiram os bairros Peri Peri, Vila Clotilde, Vila Gomes, Água Podre e Caxingui. 

Nas décadas de 1940 e 1950, foram os bairros Jardim Guedala, Previdência, Vila Progresso, Vila Hípica, Jardim Ademar, Jardim Trussardi, Vila Pirajussara. 

Nos anos 1940, a Companhia Imobiliária Morumby dividiu os últimos lotes da antiga Fazenda Morumbi. Até então ocupado por chácaras e pequenas fazendas, o Morumbi se tornaria área residencial a partir de 1948. Seu nome possui duas interpretações: uma corruptela de Meru-obi, que significa "mosca verde", ou Marâ-bi, que significa "luta oculta". 

Entre os anos 1950 e 1960, surgiram os bairros Rolinópolis, Esmeralda, Ferreira, Jardim Monte Kemel, Jardim Bonfiglioli, Jardim Pinheiros entre outros. Quase a totalidade da área abrangida pela Subprefeitura do Butantã está conurbada aos municípios vizinhos de Taboão da Serra e Osasco. 
O intercâmbio entre esses municípios e o município de São Paulo é intenso em termos de comércio, serviços e lazer.

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XI

MORUMBI E PARAISÓPOLIS


Construção da primeira ponte do Morumbi nos anos 1950. 

Morumbi é um distrito da cidade de São Paulo. Situado na zona oeste, apesar de comumente ser considerado zona sul, já que parte do bairro Morumbi, está localizado no distrito de Vila Andrade, este sim situado na Zona Sul.

Topônimo. Existem várias explicações etimológicas para "Morumbi": é um termo de origem tupi que significa "mosca verde", através da junção dos termos moru (mosca) e mbi (verde).Eduardo de Almeida Navarro, "Morumbi" viria do termo da língua geral maromby, que significa "rio dos peixe e jubileusa foi quem cria língua portuguesa "marumbi", que significa "lagoa cheia de taboas".
Características. Popularmente e em algumas reportagens, é considerado como parte da Zona Sul, porém é administrado pela Prefeitura Regional do Butantã, sendo oficialmente pertencente à Zona Oeste. Afastado do centro de São Paulo em cerca de quinze quilômetros, o distrito ocupa parte da margem oeste do Rio Pinheiros e se limita com os distritos de Vila Sônia, Vila Andrade, Itaim Bibi, Pinheiros e Butantã.

História. É o resultado do loteamento de chácaras e pequenas fazendas, descendentes da Fazenda Morumbi, propriedade cultivadora de chá pertencente ao inglês John Rudge, introdutor do chá da Índia no Brasil. Acompanhando o crescimento do sentido sudoeste (a partir do Centro Histórico) do município, o engenheiro Oscar Americano iniciou, em 1948, o loteamento e o futuro povoamento do distrito. Oscar Americano adquiriu grandes glebas e iniciou um processo urbanização da área. Além disso fez a arborização dos futuros bairros-jardins ao plantar um exemplar de cada uma das espécies da flora brasileira na área. Os lotes à venda pela Companhia Imobiliária Morumby eram extensos e, logo, muitas das famílias ricas paulistanas se instalaram nas ruas sinuosas da área. Com destaque para a arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, autora de projetos emblemáticos como o Museu de Arte de São Paulo e o Serviço Social do Comércio de Pompeia, que projetou sua residência, a primeira do distrito, em meados da década de 1950. A empresa imobiliária também contratou o arquiteto Gregori Warchavchik, que restaurou as ruínas da Casa Grande e da capela da antiga Fazenda Morumbi. Em dezembro de 2005, as mesmas foram tombadas pelo CONPRESP. Devido à construção do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, no final dos anos 1950 e a transferência da sede do governo do estado para o Palácio dos Bandeirantes, foi rápida a ocupação dos terrenos livres. Nos anos 1980 e 1990, a verticalização atingiu o Morumbi, principalmente nos arredores da Avenida Giovanni Gronchi.


Hospital Albert Einstein em 1971 . O empreendimento foi um dos fatores marcantes do desenvolvimento do bairro Morumbi e da região. 


O Hospital Israelita Albert Einstein é um hospital brasileiro, localizado no distrito do Morumbi, zona sul do município de São Paulo. Foi fundado pela comunidade judaica da cidade de São Paulo em 4 de junho de 1955. É uma das unidades de saúde mais conhecidas do Brasil pela qualidade de atendimento e pelos equipamentos e especialidades médicas de que dispõe para tratar os principais tipos de patologias. Possui um programa de assistência social na comunidade de Paraisópolis, próximo ao hospital. Tem mais de 10 mil médicos cadastrados, sendo o hospital privado mais moderno da América Latina. Em 1999 tornou-se a primeira instituição de saúde fora dos Estados Unidos a ser reconhecida pela Joint Commission International (a certificadora de serviços de saúde mais importante do mundo). É considerado a melhor instituição de saúde da América Latina e frequentemente listado entre os melhores e mais inteligentes do planeta, sendo classificado, em estudos da Newsweek, entre as 50 melhores instituições médicas do mundo. Configura-se como um complexo de saúde cujo foco de atuação está nas áreas da medicina de alta complexidade. Por isto, se tornou referência na prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças na área da cardiologia, oncologia, ortopedia, neurologia e cirurgia.
A Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein havia em 2010, 8.655 funcionários. Destes, aproximadamente 40% possuíam ensino superior; 68% eram mulheres e 32% homens.


Atualidade. O distrito do Morumbi concentra alguns dos bairros mais nobres do município de São Paulo e do Brasil, sendo um reduto da classe alta paulistana. Ao mesmo tempo apresenta favelas, tais como: Real Parque e Jardim Panorama e também faz divisa com a favela de Paraisópolis, a segunda maior do município, no distrito vizinho de Vila Andrade.  O distrito tem a maior concentração de renda e uns dos mais elevados índices de desenvolvimento da capital, seus moradores têm o maior poder aquisitivo do município. Exemplo desses bairros são: Cidade Jardim, Jardim Everest, Jardim Leonor, Jardim Morumbi, Jardim Panorama, Real Parque, Rolinópolis, Vila Morumbi, Vila Progredior e Vila Tramontano. É também um dos distritos mais arborizados do município, contando com inúmeros parques e praças, como a praça Vinícius de Moraes e o Parque Alfredo Volpi.

Dentro dos limites do distrito encontram-se o Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo do Estado de São Paulo (uma construção originalmente erguida pela família Matarazzo no final dos anos 1950 para tornar-se uma universidade) e residência oficial do governador; o Hospital Israelita Albert Einstein, um dos mais importantes hospitais privados do município, o Hospital São Luiz, a sede da Rede Bandeirantes de rádio e televisão, o clube Paineiras do Morumby, o luxuoso Shopping Cidade Jardim, a sede do São Paulo Futebol Clube, o Hipódromo de Cidade Jardim, pertencente ao Jockey Club de São Paulo e colégios da colônia espanhola e alemã.

Produções cinematográficas, como Sinhá Moça, produzido pela Vera Cruz Cinematográfica e dirigido por Tom Payne, foi rodado na Casa da Fazenda do Morumbi, por seu significado histórico, e ainda A Moreninha e Beto Rockfeller, de Oliver Perroy e A Nova Primavera, de Franco Zeffirelli.

Segundo o Metrô de São Paulo, está em estudos o projeto da construção da Linha 17-Ouro, que cortaria o distrito em direção aos bairros de Panamby e Paraisópolis, sendo construído em vias elevadas, monotrilhos. Com isso, os moradores organizaram protestos, reuniões e abaixo-assinados contra a intervenção, alegando que haveria um grande impacto visual, parecido com o do Elevado Presidente João Goulart, na Zona Central de São Paulo.

Subdivisões. O distrito do Morumbi engloba os seguintes bairros:Cidade Jardim, Hipódromo de Cidade Jardim, Jardim Everest, Jardim Leonor (parte), Jardim Morumbi, Jardim Panorama,Real Parque, Rolinópolis, Vila Morumbi, Vila Progredior, Vila Tramontano



Paraisópolis é um bairro favelizado, localizado na zona sul da cidade de São Paulo, e pertencente ao distrito de Vila Andrade. É derivado do loteamento de Paraisópolis, e sua população, aferida no Censo de 2010, era de 42 826 habitantes.

História. O bairro de Paraisópolis originou-se de um loteamento destinado à construção de residências para a classe alta realizado em 1921, resultado da divisão da antiga Fazenda do Morumbi em 2 200 lotes com quadras regulares de 10m x 50m e ruas de 10 metros de largura. A partir da década de 1950 iniciou-se a ocupação dos terrenos, na época não habitados e de caráter semi rural, por famílias de baixa renda, em sua maioria migrantes nordestinos, atraídos pelo emprego na construção civil. Devido ao descaso público e a dificuldade da regularização dos terrenos, em 1970 já residiam irregularmente vinte mil habitantes, e ao mesmo tempo novos bairros nobres e seus condomínios luxuosos eram criados ao redor das áreas de ocupação, que eram muitas vezes construídos utilizando a mão de obra dos próprios moradores de Paraisópolis. Houve uma tentativa de remoção da área de ocupação, por meio de uma obra rodoviária, elaborada na gestão de Paulo Maluf, no início da década de 1980. Devido à construção de uma avenida que visava interligar a Avenida Giovanni Gronchi à Marginal Pinheiros, haveria a remoção de uma grande área de habitações de baixa renda, porém a obra foi suspensa, sendo retomada parcialmente em 2012, tornando-se a Avenida Hebe Camargo.

No início do século XXI Paraisópolis já era a segunda maior favela em solo paulistano e começaria a receber investimentos públicos. Em 2005, foi iniciado um processo de urbanização e regularização dos imóveis construídos lá irregularmente, semelhante ao processo que aconteceu na antiga favela de Heliópolis. Há investimentos do poder público (municipal, estadual e federal) em mais de R$ 250 milhões de reais e da iniciativa privada, onde, de acordo com decreto assinado pelo prefeito Gilberto Kassab, donos de imóveis ocupados poderão doar seus antigos terrenos em troca de abatimento de eventuais dívidas com a prefeitura. Entre as ações de urbanização realizadas em Paraisópolis encontram-se: a pavimentação das vias de tráfego; obras emergenciais de reparos da infraestrutura; regularização fundiária; canalização de córregos; abertura de novas ruas, parte invadida e novamente suprimida do arruamento oficial, adequação das calçadas, também invadidas e estreitadas irregularmente a seguir, construção de rede integral de água e esgoto, construção de escadarias hidráulicas, também em seguida invadidas parcialmente, construção da avenida perimetral Hebe Camargo, desocupação do leito dos córregos, em seguida re-ocupados, remoção de moradias em área de risco, construção de novas calçadas e sarjetas, construção de espaços de lazer e de um parque linear e construção de 2.500 unidades habitacionais em convênio com a CDHU.


Incêndio em Paraisópolis em 2013.

A partir destas obras de urbanização a favela começou a receber investimentos privados, como na abertura da primeira filial de uma loja das Casas Bahia na região, ocorrida no dia 12 de novembro de 2008 com a presença do então prefeito Gilberto Kassab. Paraisópolis recebeu no dia 13 de dezembro de 2008 a escola CEU Paraisópolis, que apresenta mais de 10 mil m² de área construída, num terreno de 25.400 m², com a capacidade para atender 2.800 alunos, eliminando o terceiro turno em três escolas municipais de Ensino Fundamental (EMEFs). Apesar dos investimentos em educação as piores escolas da cidade situam-se no bairro, segundo dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica divulgados em 2010. Essa realidade contrasta com os colégios particulares presentes ao redor do bairro, exemplo da: Graded School, escola estadunidense e do Colégio Visconde de Porto Seguro, e da ETEC Abdias do Nascimento). Em março de 2008 delegações internacionais de Lagos (Nigéria), Ekurhuleni (África do Sul), Cairo (Egito), Manila (Filipinas), Bombaim (Índia), Rio de Janeiro (Brasil), La Paz (Bolívia), Chile, Île-de-France (França) e Gana, visitaram diversas favelas de São Paulo. Paraisópolis foi um dos destaques, devido a sua infraestrutura, sendo muito elogiada pelos urbanistas estrangeiros, os quais chegaram à conclusão de que a "favela" é "incomparável a qualquer outra no mundo" e não poderia assim ser classificada. Bastante evidente que a análise foi apenas superficial, visto que o viário da região é caótico. Nos anos seguintes ganha maior repercussão internacional e recebe delegações de diversas localidades como: França, Anistia Internacional, pesquisadores das escolas de Arquitetura das universidades estadunidenses Colúmbia e Harvard e até visitas de personalidades internacionais como o rapper Ja Rule e de Stefania Fernández, ganhadora do Miss Universo 2009.

Apesar de haver uma convivência pacífica na região, em fevereiro de 2009 houve uma série de confrontos entre moradores e autoridades públicas. Ocorreram assaltos a residências próximas às zonas de menor renda, atos de vandalismo e troca de tiros, devido à presença do PCC na área. Em dezembro de 2013, um incêndio em Paraisópolis deixou cerca de 250 famílias desabrigadas. Além de apresentar uma extensão do Corredor Parelheiros-Rio Bonito-Santo Amaro, o maior corredor de ônibus da cidade e sete linhas de micro-ônibus fazerem ponto final em suas ruas, está em projeto a chegada do Metrô de São Paulo, que passaria por dois pontos do bairro.[19] O metrô chegaria através da Linha 17-Ouro, ligando-se com os distritos de: Santo Amaro, Itaim Bibi, Campo Belo e Jabaquara.

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 XII

PINHEIROS



O rio Pinheiros é um curso de água que banha a cidade de São Paulo, no estado de São Paulo, no Brasil. Nasce do encontro do rio Guarapiranga com o rio Grande e deságua no rio Tietê. No passado, os rios Grande, Jurubatuba e Pinheiros formavam um único rio, com nascentes situadas na serra do Mar e com a foz no rio Tietê. A construção do barramento que deu origem à represa Billings, na década de 1920, criou uma ruptura em seu curso natural, que descaracterizou a noção de continuidade desses corpos hídricos. Na cidade de São Paulo, é margeado pela via expressa Professor Simão Faiguenboim (Marginal Pinheiros), um dos principais eixos viários da cidade. Nos tempos coloniais, o rio Pinheiros foi chamado de Jurubatuba, que, em língua tupi, significa "lugar com muitas palmeiras jerivás", pela junção dos termos jeri'wa ("jerivá") e tyba ("ajuntamento"). Passou a ser chamado de rio Pinheiros pelos jesuítas, em 1560, quando eles criaram um aldeamento indígena de nome Pinheiros. Foi chamado assim por causa da grande quantidade de araucárias (ou pinheiros-do-brasil) que cobriam a região. O principal caminho que dava acesso à aldeia era o Caminho de Pinheiros, que, hoje, é a Rua da Consolação. Formação do Pinheiros, à direita, no encontro do rio Jurubatuba à esquerda, com o rio Guarapiranga no centro. O rio Pinheiros recebe os seguintes afluentes: ribeirão Jaguaré, rio Pirajuçara, córrego Poá, córrego Belini, córrego Corujas, córrego Verde, córrego Iguatemi, córrego Sapateiro, córrego Uberaba, córrego Traição, córrego Água Espraiada (Jabaquara), ribeirão Morro do S, córrego Ponte Baixa, córrego Zavuvus e Córrego Olaria. As nascentes destes córregos estão parte em São Paulo, parte no município de Taboão da Serra e parte no município de Embu das Artes. A maior parte das pessoas tem total desconhecimento sobre eles porque estão quase totalmente canalizados e cobertos por ruas.[Textos e imagens da Wikipedia]


Curso do rio Pinheiros  na zonal sul da cidade. 



Pinheiros é um distrito situado na zona oeste do município de São Paulo e é administrado pela subprefeitura de Pinheiros, tido por alguns historiadores como um dos mais antigos distritos paulistanos, serviu por muito tempo como passagem dos tropeiros para a atual Região Sul do Brasil. A área do distrito é limitada pelo Rio Pinheiros, Av. Prof. Frederico Herman Júnior, R. Natingui, R. Heitor de Andrade, caminho de pedestres entre a R. Heitor de Andrade e a R. Cristóvão de Burgos, R. Paulistânia, R. Heitor Penteado, Av. Dr. Arnaldo, Av. Paulo VI, R. Henrique Schaumann, início da Av. Brasil, Al. Gabriel Monteiro da Silva, R. Groenlândia, Av. Nove de Julho, Av. Cidade Jardim, até chegar novamente ao Rio Pinheiros. É um dos mais sofisticados distritos do município, tem intensa vida cultural e gastronômica. Entre as etnias estrangeiras predominantes no distrito destacam-se os alemães, italianos, judeus, franceses, portugueses, japoneses, chineses e coreanos. Entre os imigrantes brasileiros destacam-se os fluminenses, em especial na região da Rua Fradique Coutinho.

História. A região de Pinheiros é considerada pela grande maioria dos historiadores como o primeiro bairro de São Paulo, tanto por suas origens indígenas quanto portuguesas. Após a chegada dos jesuítas ao planalto que originaria a cidade de São Paulo, um grupo indígena instalou-se, por volta de 1560, às margens do rio Grande - que posteriormente conhecido como rio Pinheiros - supostamente no local hoje ocupado pelo largo de Pinheiros. A área fazia parte de uma enorme sesmaria doada por Martim Afonso de Sousa a Pero de Góis, em 1532, cujas terras se estendiam do Butantã à cabeceira do riacho Água Branca. Em 1584, estas terras passaram a pertencer a Fernão Dias Paes. No início do século XVII, o Caminho de Pinheiros (que atualmente corresponde à rua da Consolação, à parte alta da Av. Rebouças e à rua Pinheiros) era um dos mais destacados da Vila de São Paulo, por ser o único acesso à aldeia e a outras terras além do rio. O desenvolvimento econômico e populacional do bairro posteriormente foi causado pelo sítio do Capão, uma propriedade altamente produtiva que se localizava nas terras da sesmaria, principalmente quando esta se encontrava sob comando de Fernão Dias Paes Leme, o "Caçador de Esmeraldas" e neto do antigo dono da sesmaria.


Largo de Pinheiros nos anos 1950


Solicitada desde 1632, uma ponte de madeira sobre o rio foi construída apenas no século XVIII, ligando a região às vilas de Parnaíba, Cotia, Itu e Sorocaba. A ponte foi várias vezes destruída, principalmente por enchentes, cabendo aos moradores das vilas vizinhas arcar com as despesas de reconstrução. Somente em 1865 foi erguida uma ponte de metal. Além da ponte, os moradores custeavam a manutenção do Caminho de Pinheiros que levava ao centro da vila de Piratininga, passando pela atual rua Butantã, Largo de Pinheiros, rua Pinheiros, Avenida Rebouças e rua da Consolação. Em 1786 iniciou-se a construção de estrada ligando Pinheiros aos campos de Santo Amaro, o que hoje corresponde à Av. Faria Lima. Posteriormente, a estrada foi estendida para o sentido oposto até a Lapa, e este novo trecho recebeu o nome de Estrada da Boiada, hoje rua Fernão Dias, rua dos Macunis e Av. Diógenes Ribeiro de Lima. A região foi pouco habitada ao longo do século XIX, chegando ao seu final com 200 casas. A primeira padaria foi inaugurada em 1890 e a segunda em 1900. Havia um pouso para tropeiros e a economia era baseada em agricultura, carvoarias e, devido à excelente argila, olarias. Nestas eram fabricados tijolos e telhas que aos poucos foram substituindo o pau a pique nas construções de toda a cidade de São Paulo. A linha de bonde ligando Pinheiros ao centro da cidade foi iniciada em 1904 e, passando pelo cemitério do Araçá, chegava até o cruzamento da rua Teodoro Sampaio com a Capote Valente. Como não havia um pátio de manobras, os bancos do bonde eram virados. 

O Largo de Pinheiros foi alcançado apenas em 1909, após drenagem e aterro em toda a área entre os dois pontos. O Mercado de Pinheiros foi inaugurado em 1910 e não passava de uma área cercada por arame farpado com pequeno galpão no centro, onde agricultores locais e de Cotia, Itapecerica da Serra, Carapicuíba, Piedade, MBoy, etc. comercializavam seus produtos.[A área que ficava entre o Mercado de Pinheiros e o Largo de Pinheiros, e que, a partir do início do século XX, começou a receber os agricultores de Cotia (predominantemente japoneses) que se dirigiam à Vila de Pinheiros para comercializar batatas (o principal produto agrícola de Cotia nas primeiras décadas do século XX) e lá estacionavam sua carroças e animais, acabou sendo denominada, por essa razão, de Largo da Batata.



Acima, a rua Teodoro Sampaio em 1920. Embaixo a mesma rua nos anos 1980, um dos pontos comerciais mais  frequentados da região. 

Avenida Teodoro Sampaio em 1952


Avenida Teodoro Sampaio nos anos 1980.
     

Largo da Batata, confluência da avenida Brigadeiro Faria Lima e das ruas dos Pinheiros, Teodoro Sampaio, Cardeal Arcoverde, Baltazar Carrasco, Martim Carrasco, Chopin Tavares de Lima e Fernão Dias.  Já no século XX, foi fundado o Mercado Caipira, mercado de produtos agrícolas e, a partir de 1909, foi construído um mercado municipal, fortalecendo sua característica comercial. É conhecido como Largo da Batata desde a década de 1920, por concentrar vendedores de batatas. Possui também importância histórica no transporte, recebendo na década de 1930 bondes elétricos que ligavam o bairro ao centro da cidade. Fatos históricos importantes ocorreram no Largo da Batata, tais como: a chegada de portugueses e indígenas, pois foi o local onde estes se instalaram. Foi nesta região onde ocorreu também a catequese de índios. O Mercado Caipira, que logo após se transformou no mercado de Pinheiros foi o local onde agricultores vindo do interior vendiam seus produtos. Agricultores de origem japonesa deram origem a Cooperativa Agrícola de Cotia para comercializar batatas e que logo passou a ser o local de distribuição de frutas legumes e cereais[Textos e imagens da Wikipedia]

Largo da Batata, 1970. 


A urbanização e desenvolvimento econômico tiveram seu início na região apenas na época do ciclo do café no Brasil, principalmente em São Paulo, e foi constituído com o dinheiro proveniente das exportações do produto. Ao final do século XIX a região recebeu um bom número de imigrantes italianos e, posteriormente, já no século XX, de japoneses. O início da construção, em 1922, da Estrada São Paulo-Paraná (futura Rodovia Raposo Tavares), sobre a antiga Estrada de Cotia ou Estrada de Sorocaba, acelerou o desenvolvimento da região e atraiu os agricultores de Cotia a comercializar seus produtos no Mercado de Pinheiros. O bairro começou a se firmar como uma região de classe média, com grande presença de comércio e indústrias.

Por volta de 1920 é fundada a Sociedade Hípica Paulista, que gozava de intenso movimento, principalmente das classes mais abastadas, sendo um dos grandes pontos de encontro dessa elite paulistana até meados do século XX. Cinco anos antes, em 1915, foi firmado um acordo entre o governo do estado de estado de São Paulo e a Fundação Rockefeller para a construção da sede da Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo. Este acordo também previa a criação de um hospital para ser utilizado no aprimoramento dos estudantes e ao mesmo tempo no atendimento da população mais carente da capital paulista e até do interior do estado. Este hospital, que por uma série de dificuldades começou a ser construído apenas em 1938, foi chamado de Hospital das Clínicas e foi inaugurado oficialmente em 19 de abril de 1944. O hospital ainda é um dos principais da cidade e é considerado o maior complexo hospitalar da América Latina.

Com a consolidação da cidade de São Paulo como maior centro econômico e financeiro do país, o distrito de Pinheiros teve algumas de suas áreas escolhidas pela elite mais rica da cidade para fixar residência. Estas áreas são os atuais bairros Jardim Europa, Jardim Paulista, Jardim América e Jardim Paulistano e formam a região conhecida como Jardins, o reduto de boa parte da classe mais abastada da cidade.

O COMPLEXO CLÍNICAS



Hospital das Clínicas , Faculdade de Medicina da USP e Cemitério do Araçá, na avenida Dr. Arnaldo nos anos 1940.


Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) é um complexo hospitalar localizado na cidade de São Paulo e uma autarquia do governo do estado de São Paulo, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde para fins de coordenação administrativa, associado à Faculdade de Medicina (FM) da Universidade de São Paulo (USP) para fins de ensino, pesquisa e prestação de ações e serviços de saúde destinados à comunidade.

Na área assistencial, atua por meio de ações de promoção da saúde, prevenção das doenças, atenção médico-hospitalar no nível terciário de complexidade e reabilitação de sequelas após o tratamento das doenças. Na área acadêmica, desenvolve cursos de graduação e pós-graduação senso lato e senso estrito. Na área de pesquisa, atua em todos os ramos das ciências da saúde, por meio de seus 62 Laboratórios de Investigação Médica. Desde sua inauguração, em 19 de abril de 1944, o Complexo Hospital das Clínicas da FMUSP é considerado um dos mais importantes polos brasileiros de disseminação de informações técnico-científicas, sendo um Centro de excelência e referência no campo de ensino, pesquisa e assistência. Com área construída de cerca de 380 mil metros quadrados conta com dois mil leitos e 15 mil profissionais nas mais diversas profissões. É formado por sete institutos, dois hospitais auxiliares, laboratórios de investigação médica, unidades especializadas e demais áreas de apoio como o Prédio da Administração e Anexos, o Centro de Convenções Rebouças e a Escola de Educação Permanente. A obra foi reiniciada em 10 de outubro de 1938 com a cerimônia de lançamento da pedra fundamental por Adhemar Pereira de Barros, que veio a ser homenageado com a inauguração do Instituto Central. Atualmente, é considerado o maior complexo hospitalar da América Latina e uma das melhores instituições médicas latino-americanas, sendo considerada a melhor unidade pública do Brasil, segundo a Newsweek, e uma das melhores do mundo.

Hospital das Clínicas em seus primeiros anos. Museu Paulista da USP. Coleção Werner Haberkorn

O HCFMUSP é formado, atualmente, por sete institutos especializados, correspondentes aos departamentos congêneres da Faculdade de Medicina.

Institutos


Instituto Central (ICHC). Primeiro prédio a ser inaugurado em 1944, com a cerimônia de lançamento da pedra fundamental em 10 de outubro de 1938, pelo Adhemar Pereira de Barros, simboliza o início desse gigantesco complexo hospitalar. Abriga a maioria das especialidades de clínicas médicas e cirúrgicas, e onde está localizado Pronto-Socorro, que é considerado Unidade de Emergência Referenciada, prestando atendimento a casos de alta complexidade. Destaca-se a atuação das equipes multiprofissionais, entre elas, a Divisão de Nutrição e Dietética - primeira unidade de Nutrição, em Hospital Público do Brasil e do Mercosul, a conquistar a Certificação NBR ISO 9001.

Prédio dos Ambulatórios (PAMB). Inaugurado em 1981, é diretamente ligado ao Instituto Central, oferece tratamento a pacientes ambulatoriais, além de contar com áreas de apoio diagnóstico e terapêutico. Tem em sua estrutura a Divisão de Farmácia, responsável pelo sistema de doses individualizadas de medicamentos para atender os leitos do Instituto como forma de aumentar a segurança ao paciente internado e ter maior controle e combate ao desperdício. Nesse prédio, encontra-se também o maior centro cirúrgico e a Divisão de Laboratório Central, primeira área do HC e primeiro laboratório do serviço público no país a receber o certificado ISO 9002.

Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT).  Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da FMUSP. Inaugurado em 1952, presta atendimento especializado a pacientes com afecções ortopédicas e traumatológicas, sendo centro de referência para lesões raquimedulares e reimplantes de membros. O Laboratório de Estudos do Movimento é especializado na avaliação funcional do movimento e capaz de realizar todas as análises relacionadas à fisiologia do exercício. Também se destacam nesse Instituto o Banco de Tecidos do Sistema Músculo-Esquelético, a Divisão de Próteses e Órteses e a Unidade de Emergência Referenciada para tratamento de trauma ortopédico de alta complexidade.

Instituto de Psiquiatria (IPq). Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP
É um avançado centro de assistência, pesquisa e ensino em psiquiatria e neurocirurgia funcional. Há quase seis décadas o IPq vem combinando sensibilidade humana e progresso cientifico, reunindo alguns dos melhores profissionais do país para oferecer aos pacientes atendimento personalizado e de alto nível. O IPq é pioneiro na criação de programas e serviços especializados, abrangendo todos os transtornos psiquiátricos, nas diferentes fases da vida. Sua estrutura conta com ambulatórios,unidades de internação, laboratórios, serviços de diagnóstico, hospital-dia, centros de reabilitação, psicoterapia, odontologia para pacientes psiquiátricos, além de um moderno centro de neurocirurgia funcional.

Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da FMUSP. Inaugurado em 1976, é considerado um centro de referência nacional em saúde da criança pelo Ministério da Saúde, é reconhecido pela qualidade do seu atendimento, capacitação de sua equipe profissional e incorporação dos mais modernos recursos de tratamento, reunindo as especialidades pediátricas do HCFMUSP. A utilização de tecnologia de ponta por parte de profissionais qualificados possibilita a realização de procedimentos diagnósticos e terapêuticos de alta complexidade. Estes procedimentos incluem transplantes de fígado, de rim e de medula óssea, diálise especializada para crianças, tratamento de recém-nascidos de alto risco, atendimento de Terapia Intensiva, além da assistência ambulatorial e de internações para doenças complexas e crônicas na infância e na adolescência.

Instituto do Câncer de São Paulo (ICESP). Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira. É um dos maiores hospitais especializados em tratamento de câncer da América Latina. Com 112 metros de altura, foi construído em uma área aproximada de 84 mil metros quadrados na Avenida Doutor Arnaldo, próximo à Avenida Paulista. O Instituto é um órgão do governo de São Paulo, em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, localizado no complexo do Hospital das Clínicas de São Paulo. Inaugurado em 2008, contava com 578 leitos, sendo 12 de UTI dentre os 29 do prédio. É uma instituição que realiza atendimento ambulatorial em oncologia clínica e ginecológica, além de tratamentos de quimioterapia.


Instituto do Coração (InCor). Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP. Inaugurado em 1977, o Instituto do Coração é um dos três maiores centros cardiológicos do mundo em volume de atendimento e em número de subespacialidades da cardiologia e da pneumologia reunidas num único hospital. Além de ser pólo de atendimento para a população desde a prevenção até o tratamento, o InCor, também se destaca como um grande centro de pesquisa e de ensino, sendo o hospital latino-americano que mais tem trabalhos aceitos para a apresentação em congressos americanos e europeu da especialidade. Esse atributo qualifica o InCor como um centro de referência no tratamento de alta complexidade das doenças do coração e do pulmão e o coloca na posição de melhor hospital cardiológico do Brasil na opinião de médicos paulistas consultados por Instituto de Pesquisa.


Zerbini com Crhristian Barnard

Filho de Eugênio Hugo Zerbini e de Enerstina Teani, Euryclides de Jesus Zerbini nasceu na cidade de Guaratinguetá-SP em 7 de maio de 1912, sendo o caçula de sete irmãos. Médico cardiologista brasileiro, foi o primeiro da América Latina e o quinto do mundo a realizar um transplante de coração.

Em dezembro de 1929, Zerbini mudou-se para São Paulo e em 1930 foi aprovado no vestibular da Faculdade de Medicina de São Paulo, sendo diplomado em 6 de dezembro de 1935. Em 1936, Zerbini iniciou suas atividades cirúrgicas no Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Em 1939, trabalhando no Hospital São Luiz Gonzaga da Santa Casa, passou a se dedicar à cirurgia torácica e pulmonar, o que o levou, em 26 de março de 1941, a defender a sua tese de Livre-Docência, cujo conteúdo dizia a respeito à colapsoterapia do pulmão afetado pela tuberculose.

Professor da Universidade de São Paulo, criou o Centro de Ensino de Cirurgia Cardíaca, semente do futuro Instituto do Coração (InCor). Sua concepção como um centro de excelência no ensino, pesquisa e assistência em cardiologia, pneumologia e cirurgias cardíaca e torácica é feita na década de 50, época em que a cardiologia, tanto no Brasil quanto no exterior, iniciava seus primeiros passos como especialidade.

Na Universidade de Minneapolis, Estados Unidos, foi colega de Cristian Barnard, cirurgião da África do Sul que fez o primeiro transplante de coração humano, procedimento realizado em seguida nos EUA, França e Inglaterra. Seis meses depois, no dia 25 de maio de 1968, no Hospital das Clínicas em São Paulo, uma equipe dirigida pelos doutores Euryclides de Jesus Zerbini e Luiz Venere Décourt realizou o primeiro transplante de coração da América Latina.

O Dr. Zerbini foi o quinto médico do mundo a realizar o procedimento. Em 1985, aos 73 anos de idade, foi novamente pioneiro ao realizar o primeiro transplante de coração num paciente portador do mal de Chagas, desta vez já com recursos farmacológicos para combater a rejeição.

Em 58 anos de carreira, realizou, junto com sua equipe, mais de 40 mil cirurgias. Dr. Zerbini recebeu 125 títulos honoríficos e inúmeras homenagens de governos de todo o mundo. Participou de 314 congressos médicos. Costumava dizer que morreria operando e quase cumpriu esta profecia. Faleceu de câncer, aos 81 anos, no próprio hospital que criou, inaugurou e dirigiu – o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.


1968. O Primeiro Transplante de Coração da América Latina. Na madrugada de 26 de maio, equipe liderada pelo médico Euryclides de Jesus Zerbini fez no HC/USP o primeiro procedimento da América Latina de transplante do coração. A equipe do Professor Zerbini, atuou no transplante do paciente de nome João Boiadeiro. Ele foi o pioneiro na América Latina, nos transplantes de coração. Anos antes, o primeiro transplante de coração no Mundo, fora atribuído ao médico sul-africano Christian Barnard.
Os Professores Zerbini e Décourt aparecem em segundo plano. Os que centram a foto são o Dr. Oscar Cesar Leite, então Superintendente do HC e o governador Abreu Sodré. SP e suas Histórias.


Instituto de Radiologia (InRad). Inaugurado em 1994, o Instituto de Radiologia é um centro de excelência e referência nacional e internacional em Radiologia, com pioneirismo tecnológico em diagnóstico, terapêutica por imagem e tratamento oncológico. A modernização de seu parque de equipamentos com tecnologia de ponta, aliada a um corpo de profissionais qualificados, contribuem para maior eficácia no diagnóstico por imagem e na terapia das mais diversas patologias, elevando o padrão de qualidade dos serviços prestados ao paciente. Foi a primeira instituição da América Latina a aplicar as técnicas de Medicina Nuclear. Também foi a primeira da América do Sul a dispor de equipamento de braquiterapia de alta taxa de dose e, de uma Unidade de Produção e Desenvolvimento de Radiofármacos emissores de pósitrons em Medicina Nuclear (Projeto Ciclotron), instalado em hospital público do país, para utilização em exames de diagnóstico de pequenos tumores e em projetos de pesquisa na área de imagem molecular.

Instituto de Medicina Física e Reabilitação (IMREA). Inaugurado em 13 de janeiro de 1975, atende a pessoas com deficiência física ou doenças potencialmente incapacitantes, desenvolvendo seu potencial físico, psicológico, social, profissional e educacional. Iniciou suas atividades como Divisão de Medicina de Reabilitação, antiga DMR e, se tornou IMREA em janeiro de 2009, com a publicação do decreto 53.979 de 28 de janeiro de 2009. Oferece programas de reabilitação e inclusão social nas unidades Vila Mariana, Umarizal e Lapa, além de atuar em parceria com o Centro de Reabilitação da Polícia Militar. Os atendimentos são realizados por uma equipe multiprofissional especializada em reabilitação, que conta com completa infraestrutura e os mais modernos recursos tecnológicos para diagnóstico e tratamento.

Hospital Auxiliar de Suzano (HAS). Inaugurado em 1960, o Hospital Auxiliar de Suzano, localizado no município de Suzano, atua como retaguarda dos diversos Institutos do Complexo e tem como missão prestar assistência médico-hospitalar especializada em cuidados a pacientes de longa permanência do HC. Por sua peculiaridade tem como diferencial a hospitalidade no atendimento onde todas as equipes multiprofissionais agem de maneira integrada.

No hospital são desenvolvidas diversas ações de humanização com os pacientes, familiares e funcionários, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e evitar a ruptura dos vínculos sociais e familiares dada a longa permanência de internação.

Hospital Auxiliar de Cotoxó (HAC)
Inaugurado em 1971, o Hospital Auxiliar de Cotoxó, localizado no bairro da Pompeia, atua como hospital de retaguarda, prestando assistência médico-hospitalar especializada em cuidados intermediários a pacientes transferidos do Instituto do Coração, Instituto da Criança e Instituto Central. O Hospital funciona como Escola de Administração em Saúde e serve de campo de ensino e pesquisa em administração hospitalar, formando gestores por meio do seu Programa de Estudos Avançados em Administração Hospitalar e de Sistemas de Saúde – PROAHSA.

Casa da Aids. Inaugurada em 1994, a Casa da Aids é uma unidade especializada no cuidado integral e multidisciplinar a pacientes vivendo com HIV/AIDS, por meio da assistência ambulatorial e de hospital-dia.

Centro de Convenções Rebouças (CCR). Vinculado a Superintendência do Hospital das Clínicas da FMUSP é especializado na locação de espaços para eventos.

Iniciou suas atividades em 1982, atualmente conta com 8 ambientes diferenciados, com capacidade para até 1.200 participantes e 50 empresas expositoras. São 5.450 metros quadrados de área construída preparados para atender qualquer tipo de evento (científicos, culturais, sociais, comerciais, institucionais, como congressos, conferências, palestras, exposições, cursos, de diversas tipologias), oferecendo serviços adequados às necessidades do cliente.

Laboratórios de Investigação Médica (LIM): Inaugurados em 1975, os Laboratórios de Investigação Médica (LIM) respondem pelas pesquisas científicas realizadas pelo Hospital das Clínicas. Hoje os LIM contam com 66 unidades laboratoriais, referências em padrão de qualidade científica no país e no mundo.

Obras de pavimentação da rua Alves Guimarães , Pinheiros, em 1959.  Trecho próximo da rua Cardeal Arcoverde. PMSP

Avenida Rebouças em 1930 responsável pela ligação da Avenida Paulista com a Marginal Pinheiros e desta com o Centro, por meio da Rua da Consolação. A Avenida Rebouças caracteriza-se como um dos principais eixos rodoviários e de transporte público da cidade e é classificada como via arterial. Devido à grande importância de centro financeiro e comercial, a avenida apresenta tráfego intenso de veículos durante quase todo o dia. A avenida é atendida pela Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo por meio da Estação Oscar Freire, localizada no cruzamento com a Rua Oscar Freire. Originalmente chamada Rua Doutor Rebouças, a via homenageia Antônio Rebouças. Contratado em 1873 pela Companhia Paulista de Estrada de Ferro Jundiahy a Campinas para ser o Engenheiro em Chefe do prolongamento da Estrada de Ferro até São João do Río Claro, porém vitimado por febre tifóide veio a óbito na Cidade de São Paulo em 1874. Ela foi aberta em 1916, e seu traçado remonta a trecho do antigo Caminho do Peabiru. Nos anos 1930, passou a ser uma das principais ligações listadas no "Plano de Avenidas" do então prefeito Francisco Prestes Maia. A avenida tem seu início na Rua da Consolação, na altura do número 2 608, no Complexo Viário Rebouças, e estende-se até a Marginal Pinheiros. Seu trecho principal é duplicado e tem extensão de 3,3 quilômetros, terminando na Avenida Brigadeiro Faria Lima, no cruzamento onde se localiza o Túnel Jornalista Fernando Vieira de Mello, inaugurado em 2004. O outro trecho, menos conhecido, é uma rua de mão dupla, paralela à Avenida Eusébio Matoso, que termina na Avenida Nações Unidas (Marginal Pinheiros), em frente ao Shopping Eldorado.[Textos e imagens da Wikipedia]



Avenida Rebouças na direção dos cruzamentos com as avenidas Brasil, Henrique Schauman
e Faria Lima. Anos 1950.
Confluência das avenidas Rebouças e Dr. Arnaldo. Ao fundo o complexo Clínicas. Anos 1940.



Alto de Pinheiros é um bairro nobre localizado na Zona Oeste do município de São Paulo, capital do estado brasileiro homônimo. Faz parte do distrito do Alto de Pinheiros, pertencente à subprefeitura de Pinheiros, e ao qual dá nome, é considerado desde 1880 um distrito paulistano, que dentro dele se insere os bairros Vila Madalena, Vila Ida, e Vila Beatriz, estes três nomes foram dados em homenagem as três filhas do primeiro loteador da região. Em 1913 essas terras foram adquiridas pela Companhia City of São Paulo Improvements and Freehold Land Companhy Ltd., ou Cia. City, companhia que introduziu o planejamento e loteamento de bairros segundo modelo inglês, quando em virtude de enchentes no rio Pinheiros já estavam desocupadas. Caracterizado por apresentar os traços arquitetônicos do inglês Barry Parker, arquiteto que deixou o Brasil em 1919, deixando para a Companhia City estudos de como preservar e dar continuidade aos aspectos da região, deixando assim suas características no Alto de Pinheiros, Pacaembu, entre outras regiões, o bairro possui uma praça central com rotatória, esta por sua vez distribui largas avenidas em suas diagonais. O Alto de Pinheiros possui muitas áreas verdes desde suas calçadas até as praças, sendo um bairro-jardim. Ocupado predominantemente pelas classes média-alta e alta da sociedade paulistana, abriga o consulado ganês. Um de seus bairros mais conhecidos é a Vila Madalena. Localizam-se no Alto de Pinheiros, o parque Vila Lobos, o Beco do Batman, e a Praça do Pôr do Sol, além de diversos museus, bares e restaurantes.

Vila Beatriz.O bairro de Vila Beatriz, localizado no distrito, expandido e urbanizado no ano de 1954, quando Alto de Pinheiros já estava praticamente com seu arruamento completo, a esquina da Vila Beatriz com a Leão Coroado-Vila Madalena era inexistente pois ainda não havia sido arruada. Há uma canalização no Córrego das Corujas que faz com que haja uma divisão entre os bairros Vila Beatriz e Vila Madalena. O bairro, antes nomeado de Sitio do Rio Verde, está localizado no lado oeste do córrego.

Rua Fradique Coutinho na Vila Madalena em Pinheiros ,em foto do ano de 1953. / F. / Folhapress.


A Vila Madalena é um bairro nobre da zona oeste de São Paulo, localizado no distrito de Alto de Pinheiros. Nasceu em 1910 como Vila dos Farrapos, ano em que a empresa Light começou a construir uma linha e uma estação de bondes no local. Com isso vários trabalhadores começaram a se instalar na região e isso levou ao crescimento do bairro, que logo foi loteado. Entre 1920 e 1930, o bairro se desenvolveu, e em 1928, a energia elétrica foi inaugurada, trazendo melhores condições de moradia e em meio a isso um grande número de imigrantes portugueses. O bairro é conhecido por sua boemia, desde o ano de 1970, em que os estudantes optavam por residirem nesta região. E no ano de 1980 o bairro passou a ser constituído por diversos bares e casas noturnas, como é conhecido atualmente.
Além da atmosfera boêmia, o bairro também tem muitas opções culturais como a Livraria da Vila e o Beco do Batman, uma via estreita de paralelepípedos, onde os muros dos dois lados da rua são repletos de coloridos grafites, sendo considerado um ponto turístico do município. Uma das características mais pitorescas do bairro é o nome de suas ruas. São nomes líricos como: Paulistânia, Harmonia, Girassol, Purpurina, Wisard e Original. Segundo historiadores, as ruas foram batizadas por sugestão de estudantes, participantes do movimento anarquista. A adoção de nomes poéticos tinha a intenção de quebrar a tradição urbana de homenagear autoridades públicas.

Rua Fradique Coutinho na Vila Madalena,  anos 1980. Foto. Eduardo José Afonso.


Hoje, o bairro abriga uma concentração ímpar de ateliês e centros de exposições artísticas. Lojas de vanguarda e escolas de música e teatro também compõem as características do lugar. A associação de moradores organiza feiras para mostrar os talentos artísticos do bairro e um festival anual - a famosa "Feira da Vila" - que atrai gente de toda a cidade, com shows e barracas de artesanato. Uma vez por mês, as lojas e ateliês fazem um fim de semana com todos os produtos na calçada e uma van leva gratuitamente os visitantes para conhecer os pontos mais interessantes do bairro.

Voluntários do posto CVV Pinheiros ofertando amizade e apoio emocional na Feira de Arte da Vila Madalena. O número atual do CVV é 188. 

Este bairro é bastante conhecido por ser um reduto boêmio da cidade de São Paulo, desde o início dos anos 70, quando estudantes com pouco dinheiro passaram a morar por lá, por causa da proximidade à Universidade de São Paulo e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Lá há grande concentração de bares e casas noturnas, além da escola de samba Pérola Negra. O nome do bairro também serviu de título a uma novela da Rede Globo, na década de 1990. Por causa de sua fama de bairro jovem e boêmio e por estar próximo ao metrô, diversos albergues (hostels) se instalaram na região. Devido ao grande número de galerias e estúdios de arte, mistura eclética de restaurantes(Nutty Bavarian é uma marca presente em grande quantidade na Vila Madalena por causa dos viajantes que passam por lá.) e bares e uma série de ruas e becos grafitados, como as ruas do Beco do Batman, que atraem jovens profissionais e inúmeras pessoas de diversas localidades, foi eleito o 13.º bairro mais legal do mundo de 2022 na publicação da revista Time Out.

Beco do Batman - uma das principais atrações da Vila Madalena. — Foto: Amanda Perobelli/Estadão Conteúdo. A revista inglesa "Time Out" publicou a edição 2022 da lista dos 51 bairros mais legais do mundo – e tem presença paulistana na seleção: a Vila Madalena ocupa a 13ª posição do ranking liderado por Colonia Americana, bairro de Guadalajara, no México. O bairro boêmio de São Paulo é a única presença brasileira entre os locais escolhidos. G1




O Parque Estadual Villa-Lobos, em Pinheiros,  projeto do arquiteto Decio Tozzi, foi originalmente concebido para ser um oásis musical – uma homenagem ao compositor Heitor Villa-Lobos, mas hoje é muito procurado para caminhadas e passeios de bicicletas.  Antes de 1989, em sua porção mais a oeste havia um depósito de lixo do CEAGESP, onde cerca de oitenta famílias recolhiam alimentos e embalagens, na parte leste ao lado do Shopping Villa-Lobos, era um depósito de material dragado do Rio Pinheiros e na porção central o antigo proprietário permitia o depósito de entulho de construções.
Boa parte dos seus 750.000 metros quadrados são de área verde. A história do parque Villa Lobos é um pouco diferente da de outros parques. Antes de 1989, a área onde está hoje destoava muito dos arredores da região de Alto de Pinheiros. Na sua porção mais a oeste havia um depósito de lixo da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (CEAGESP), onde cerca de oitenta famílias recolhiam alimentos e embalagens. Na parte leste, vizinha ao atual Shopping Villa-Lobos, era depositado material dragado do Rio Pinheiros e na porção central o antigo proprietário permitia o depósito de entulho da construção civil.Em 1987, ano de comemoração do centenário de nascimento de Heitor Villa-Lobos, foram apresentados os primeiros estudos visando à implantação de um parque temático contemporâneo na área. Os Decretos Estaduais 28.335 e 28.336/88 destinavam os 732 mil m² à implantação de um “parque de lazer, cultura e esporte”. Os moradores da região receberam bem a proposta, principalmente por eliminar os problemas causados pelos usos que na época a área apresentava. Em 1989, o parque Villa-Lobos começou a ser implantado pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica – DAEE. Foram removidas as famílias que viviam no local, retirados 500 mil m³ de entulho com mais de 1 metro de diâmetro, e movimentados 2 milhões de m³ de entulho e terra para acerto das elevações existentes. O córrego Boaçava, que passava pela área, foi canalizado.No período de 2004 a 2008, foram plantadas 12 mil mudas em uma área de 120 mil m2, entre as quais 1.200 ipês de oito espécies, 110 roxos e 550 amarelos, árvore-símbolo de São Paulo. O projeto paisagístico do parque é do Engenheiro Agrônomo e paisagista Rodolfo Geiser, mas foi posteriormente adequado para o plantio realizado entre 2004 e 2006 de maneira a atender às Resoluções da SMA sobre a diversidade de espécies. Esta adequação foi possível principalmente devido a maior oferta de mudas de espécies nativas, com alta diversidade e com porte adequado para as situações de um parque em pleno uso. Sendo assim, o parque foi entregue concluído em 2006 com aproximadamente 24 mil árvores plantadas em covas de mil litros de substrato, após a remoção de entulho e troca de solo. Em 2008 foram plantadas mais 800 mudas referentes ao Termo de Compromisso de Recuperação Ambiental TCRA da Autoban, para enriquecimento dos bosques.[Textos e imagens da Wikipedia]






XIII

MOEMA, IBIRAPUERA, PARAÍSO E VILA MARIANA


Vista dos bairro de Moema e Paraíso a partir do Parque Ibirapuera

Moema é um bairro  situado na zona centro sul . Limita-se com os bairros de Vila Olímpia, Vila Nova Conceição, Vila Clementino, Jardim Lusitânia, Planalto Paulista, Campo Belo e Brooklin..É delimitado pela Avenida República do Líbano, Avenida Indianópolis, Avenida Moreira Guimarães (Corredor Norte-Sul), Avenida dos Bandeirantes, Avenida Santo Amaro, Avenida Hélio Pellegrino e Rua Inhambú. O bairro é subdividido em "Moema Pássaros" e "Moema Índios". Moema Pássaros fica entre a Avenida Santo Amaro e a Avenida Ibirapuera e possui ruas com nomes de pássaros, como: Canário, Jacutinga, Inhambu, Gaivota, Pavão, Rouxinol, entre outras. É a parte mais próxima do Parque do Ibirapuera. Já Moema Índios fica entre a Avenida Ibirapuera e a Avenida Moreira Guimarães, e é onde está localizado o Shopping Ibirapuera. Possui ruas com nomes indígenas, como: Maracatins, Nhambiquaras, Jandira, Jurema, entre outros. É a parte mais próxima do Aeroporto de Congonhas. O topônimo "Moema" é uma referência à personagem homônima do poema Caramuru, de Santa Rita Durão, clássico da literatura árcade brasileira escrito em 1781. O nome da personagem, por sua vez, corresponde ao termo do tupi antigo mo'ema, que significa "mentira" (no poema, Moema era a amante do personagem principal, Diogo Álvares, representando, assim, o amor falso, em contraposição ao amor verdadeiro representado pela esposa de Diogo, Catarina Paraguaçu). No século XIX, a região ocupada por Moema era uma propriedade rural que pertencia a Joaquim Pedro Celestino. Na época, a mesma era cortada pelos trilhos de bonde a vapor que unia a cidade de São Paulo ao extinto município de Santo Amaro. Alguns documentos retratam que, desde 1880, havia um grande número de chácaras ocupadas por imigrantes ingleses e alemães. Após o loteamento do Sítio da Traição em 1913, ocorreu a urbanização do bairro de Indianópolis. Da década de 1930 até 1965, era um bairro industrial, que atraía imigrantes russos e lituanos à região. Na década de 1970, recebeu investimentos privados em virtude de seu terreno plano, baixo custo e área útil. Em 1976, houve a inauguração do primeiro shopping center da região. Com esses avanços, o bairro sofreu um crescimento vertiginoso. No ano de 1987, recebeu o nome atual devido a uma mobilização popular. Por meio de um abaixo-assinado, houve a emancipação de uma parte do bairro de Indianópolis, tornando-se o atual bairro de Moema. Em 2018 foram inauguradas as estações Moema e Eucaliptos da Linha 5-Lilás do Metrô de São Paulo.

Atendentes do balcão de informações do Shopping Ibirapuera - Moema. 1977. SP Velhos Tempos. 


O Ibirapuera é um bairro nobre localizado na região centro-sul da capital paulista, no distrito de Moema, e cortado pela Avenida Indianópolis. Limita-se com os bairros de: Paraíso, Vila Nova Conceição e Jardim Lusitânia e a região dos Jardins. Era uma região alagadiça, que fora parte de uma aldeia indígena na época da colonização. No século XIX predominavam chácaras e pastagens na área, assim como nos futuros bairros vizinhos. A primeira edificação da região foi construída em 1822, sendo uma sede de fazenda. Essas propriedades rurais perduraram até o ano de 1922, quando houve um loteamento da região, tornando-a urbana. O desenvolvimento do bairro ocorreu na década de 1940, quando houve a construção da Avenida Santo Amaro, em substituição à antiga estrada de rodagem que ligava o então município Santo Amaro à cidade de São Paulo. O nome Ibirapuera é usado pelo subdistrito formado em 1935, quando o município de Santo Amaro foi incorporado. Compreendia o distrito policial do Brooklin. Originalmente se estendia do Morumbi ao Jabaquara. Em 1964 foi criado o subdistrito do Jabaquara, que se formou com parte do subdistrito da Saúde e parte do subdistrito do Ibirapuera. Em 1991, houve a nova divisão da cidade em distritos. Permaneceu a divisão anterior nos cartórios de registro civil. O subdistrito do Ibirapuera se estende desde o Real Parque e a Fazenda Morumbi no Morumbi, incluindo o Brooklin e o Campo Belo, até parte da Vila Guarani e do Parque Jabaquara, no Jabaquara. A partir da inauguração do Parque Ibirapuera no ano de 1954, durante o IV Centenário da cidade, houve a edificação de importantes pontos do município no bairro, tais como: o Comando Militar do Sudeste, o Ginásio do Ibirapuera e a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, além de marcos históricos, a exemplo do Obelisco dos Revolucionários de 1932 e do Monumento às Bandeiras. Sua área é ocupada majoritariamente por grandes equipamentos públicos, como: o Parque do Ibirapuera, o Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese, a Assembleia Legislativa de São Paulo e o Complexo Esportivo Constâncio Vaz Guimarães, além de grandes áreas institucionais, como: o Círculo Militar, o Instituto de Engenharia, o Comando Militar do Sudeste, o Forte do Ibirapuera, dentre outros.

Parque do Ibirapuera nos anos 1960 ainda pouco arborizado. 

Parque do Ibirapuera, na zona Sul.  É um parque urbano localizado na cidade de São Paulo, Brasil. Em 2017, foi o parque mais visitado da América Latina, com aproximadamente 14 milhões de visitas, além de ser um dos locais mais fotografados do mundo. Inaugurado em 1954 com uma área de 158 hectares (390 acres), entre as avenidas Pedro Álvares Cabral, República do Líbano e IV Centenário, o Parque Ibirapuera é um parque tombado e patrimônio histórico de São Paulo. Tem como atrações e equipamentos culturais o Museu de Arte Moderna, Jardim de Esculturas, Auditório Ibirapuera, Planetário Professor Aristóteles Orsin, Escola de Astrofísica,Viveiro Manequinho Lopes, Escola de Jardinagem, Herbário Municipal, Fonte do Ibirapuera, Marquise. Parquinho, Pavilhão Japonês, OCA, Bienal de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea, Museu Afro Brasil e o Pavilhão Engenheiro Armando de Arruda Pereira.[Textos e imagens da Wikipedia]

Vista panorâmica do Parque Ibirapuera e sue entorno residencial.


O MAM- MUSEU DE ARTE MODERNA  E A BIENAL




O Museu de Arte Moderna de São Paulo é uma sociedade civil de interesse público, sem fins lucrativos, fundada em 1948. Seu acervo possui mais de 5 mil obras produzidas pelos nomes mais representativos da arte moderna e contemporânea, principalmente brasileira. Tanto a coleção como as exposições privilegiam o experimentalismo, abrindo-se para a pluralidade da produção artística mundial e a diversidade de interesses das sociedades contemporâneas. As exposições principais são realizadas em duas salas, além da sala de vidro. Outras mostras são exibidas regularmente nos espaços da biblioteca e do corredor de ligação, onde é desenvolvido o programa de instalações Projeto Parede.
A cada dois anos, o MAM realiza o Panorama da Arte Brasileira, exposição que resulta do mapeamento da produção contemporânea em todas as regiões do país. O crescimento do interesse pela arte brasileira no mundo consolidou o Panorama como uma mostra relevante no circuito artístico internacional.
O museu mantém ainda uma ampla grade de atividades que inclui cursos, seminários, palestras, performances, espetáculos musicais, sessões de vídeo e práticas artísticas. O conteúdo das exposições e das atividades é acessível a todos os públicos, por meio de audioguias, videoguias e tradução para a língua brasileira de sinais. A missão do MAM São Paulo é colecionar, estudar, incentivar e difundir a arte moderna e contemporânea brasileira, tornando-as acessíveis ao maior número de pessoas possível.

Localizado no Parque Ibirapuera, a mais importante área verde de São Paulo, o edifício do MAM foi construído por Oscar Niemeyer na década de 1950 e adaptado por Lina Bo Bardi em 1982. Além das salas de exposição, o museu possui ateliê, biblioteca, auditório, restaurante e loja. Os espaços do museu se integram visualmente ao Jardim de Esculturas, projetado por Roberto Burle Marx em 1993 para abrigar obras da coleção. Todas as dependências são acessíveis a pessoas com deficiência. As obras da coleção são exibidas em exposições temporárias realizadas no MAM e em outras instituições, tanto brasileiras como estrangeiras. O museu tem uma política de atualização, conservação e ampliação permanente da coleção. A formação de público é o alvo principal das ações do Educativo. O atendimento escolar é gratuito e específico para cada faixa etária, da educação infantil à universidade.
Visitas às exposições, práticas artísticas, oficinas e cursos especiais são concebidos para atender às necessidades do público diverso. As atividades são acessíveis a todos, não havendo barreiras físicas, sensoriais, mentais, intelectuais ou sociais. Uma extensa grade de cursos é oferecida semestralmente nas áreas de história e crítica da arte, fotografia e artes plásticas. Os cursos são ministrados por profissionais renomados e têm por objetivo atender interesses específicos do público pelas linguagens contemporâneas. Catálogos de exposições e projetos especiais distribuídos gratuitamente são editados no MAM. As publicações permitem ao museu perpetuar e difundir conteúdos por meio da distribuição em bibliotecas públicas e aos visitantes. O acervo de livros, periódicos, documentos e material audiovisual é formado por 65 mil títulos. O intercâmbio com bibliotecas de museus de vários países mantém o acervo vivo.

O MAM possui um clube dedicado à difusão do colecionismo de gravura e fotografia. Periodicamente, o clube convida artistas a desenvolver uma obra com tiragem de 70 exemplares para serem distribuídos entre os assinantes e passam a integrar a coleção do museu. A loja comercializa produtos de design, livros de arte e uma linha de objetos com a marca MAM.


BIENAL DE SP



A Bienal de São Paulo  é uma exposição de artes que ocorre a cada dois anos na cidade de São Paulo, desde 1951. É considerada um dos três principais eventos do circuito artístico internacional, junto à Bienal de Veneza e Documenta de Kassel. Maior exposição do hemisfério sul, a Bienal é pautada por questões inovadoras do cenário contemporâneo e reúne mais de 500 mil pessoas por edição. Desde sua criação, 32 Bienais foram produzidas com a participação de mais de 170 países, 16 mil artistas e 10 milhões de visitantes. O evento acontece no Pavilhão Ciccillo Matarazzo do Parque do Ibirapuera, que foi construído junto com todos os seus outros edifícios em 1954. O prédio também é conhecido como Pavilhão da Bienal e foi concebido por Oscar Niemeyer com projeto estrutural de Joaquim Cardozo como forma de comemorar o 4º Centenário da cidade de São Paulo. Em 1962 surge a Fundação Bienal de São Paulo, instituição que idealiza e coloca em prática iniciativas artísticas, educativas e sociais.

A primeira Bienal de São Paulo ocorreu em 1951 devido aos esforços do empresário e mecenas Francisco Matarazzo Sobrinho (1892 - 1977) (conhecido como Ciccillo Matarazzo) e de sua esposa Yolanda Penteado. A segunda edição (1953) ficou famosa por trazer ao Brasil a até então inédita no país Guernica, de Pablo Picasso.

Uma das edições mais simbólicas, contudo, foi a 10ª Bienal de São Paulo, no ano de 1969. Com o recém-lançado Ato Institucional nº5 (AI-5), dezenas de artistas se recusaram a participar da exposição, dentre eles Burle Marx e Hélio Oiticica, e alguns países e regiões recusaram-se a apoiar a exposição, como a União Soviética. Paralelamente, na França, cerca de 321 artistas assinaram o manifesto "Não à Bienal", ou, em francês, "Non à la Biennale", no Museu de Arte Moderna de Paris, uma maneira de repudiar a ditadura brasileira. O intenso movimento pode ser compreendido pela censura à arte imposta pelo governo durante o período militar.

A Bienal é a primeira exposição de arte moderna de grande porte realizada fora dos centros culturais europeus e norte-americanos. Sua origem articula-se a uma série de outras realizações culturais em São Paulo - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp (1947), Teatro Brasileiro de Comédia - TBC (1948), Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP (1949) e Companhia Cinematográfica Vera Cruz (1949) - que aponta para o forte impulso institucional que as artes recebem na época, beneficiado por mecenas como Ciccillo Matarazzo e Assis Chateaubriand (1892 - 1968). Concebida no âmbito do MAM/SP, a 1ª Bienal é realizada em 20 de outubro de 1951 na esplanada do Trianon, local hoje ocupado pelo Masp. O espaço, projetado pelos arquitetos Luís Saia e Eduardo Kneese de Mello, dá lugar a 1,8 mil obras de 23 países, além da representação nacional.


1a Bienal de São Paulo. No ano de 1951 entre os dias 20 de outubro e 23 de dezembro foi sediada em São Paulo a primeira edição da Bienal Internacional de Arte de São Paulo, realizada pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) em um pavilhão provisório localizado na Esplanada do Trianon, na região da Avenida Paulista. Na edição, o primeiro Aparelho cinecromático (1949) de Abraham Palatnik (1928-2020) foi recusado por não se encaixar nas categorias previstas. Posteriormente, a obra seria aceita e receberia uma menção especial do júri internacional.



Na época, o presidente do MAM era Ciccillo Matarazzo (1898-1977), importante industrial da capital paulista e figura muito relevante no cenário de arte do Brasil. Ao seu lado encontrava-se o diretor artístico da exposição, Lourival Gomes Machado (1917-1967), importante crítico de arte no período. Dentre os nomes de maior destaque entre os artistas participantes encontravam-se o escultor suíço Max Bill (1908-1994), os brasileiros Cândido Portinari (1903-1962) e Di Cavalcanti (1897-1976), Pablo Picasso (1881-1973), artista espanhol, René Magritte (1898-1967), belga, e o italiano Danilo di Prete (1911-1985), que foi consagrado com o prêmio de melhor pintura da exposição com sua obra Limões. Participaram, também, Lasar Segall (1891-1957), Alberto Giacometti (1901-1966), George Gros (1893-1959), Victor Brecheret (1894-1955), Oswaldo Goeldi (1895-1961), Jorge Mori (1932), e diversas outras personalidades da cena internacional da arte. Os prêmios concedidos à escultura Unidade Tripartida de Max Bill (1908-1994) e à tela Formas de Ivan Serpa (1923-1973) são sintomas da atenção despertada pelas novas tendências construtivas na arte. Fundador da Hochschule für Gestaltung Ulm [Escola Superior da Forma], em Ulm (1951), Max Bill foi o principal responsável pela entrada do ideário concreto na América Latina, sobretudo na Argentina e no Brasil, no período após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A exposição do artista em 1951 no Masp e a presença da delegação suíça na 1ª Bienal, no mesmo ano, abriram as portas do país para as novas linguagens plásticas, que passaram a ser amplamente exploradas.





35ª Bienal de São Paulo (2023)

A 35ª Bienal de São Paulo teve o título “Coreografia do Impossível”, o qual foi inspirado no trabalho da poeta e ensaísta Leda Maria Martins, que trabalha com a ideia de um tempo em espiral, o que levou à curadoria de trabalhos que incitavam não apenas o movimento, mas também novas relações de passado, presente e futuro. A mostra trouxe uma reflexão sobre os espaços geográficos e políticos que habitamos junto a uma crítica sobre como a estrutura neoliberal da nossa sociedade é desenhada para excluir. A 35ª Bienal de São Paulo realizou um feito histórico, com 93% dos artistas participantes são não-brancos, ou seja, pardos ou negros. Foi a primeira vez que a curadoria não teve um curador-chefe, sendo assinada pelo coletivo. Foi fechado o guarda-corpo do segundo andar do prédio projetado por Oscar Niemeyer com grandes paredes que circundam o vão, enfatizando o movimento das serpentinas do desenho do arquiteto. Com essa escolha, o objetivo era fazer com que o visitante acostumado a frequentar o prédio perdesse a sua referência do espaço, propondo uma nova vivência da área.

Istalação "Parlamento de Fantasmas" de Ibrahin Mahama. 


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Monumento das Bandeiras é uma obra em homenagem aos Bandeirantes, que exploraram os sertões durante os séculos XVII e XVIII. Foi inaugurada no ano de 1953, fazendo parte das comemorações do IV Centenário da cidade de São Paulo. O Monumento está localizado no Parque do Ibirapuera, na área que compreende a Praça Armando de Salles Oliveira. O Monumento às Bandeiras, do escultor Victor Brecheret, começou a ser desenhado ainda em 1920, quando o artista tinha apenas 26 anos de idade. Por conta de uma série de questões políticas do país, a obra só foi concretizada 33 anos depois, às vésperas do IV Centenário da capital paulista de 1954. Já com 58 anos, Victor Brecheret não quis esperar o ano seguinte e finalizou a obra no ano de 1953.[Textos e imagens da Wikipedia]

Avenida Ibirapuera em 1960. Acervo: Eliezer Poubel Magliano. 


Avenida Ibirapuera é uma avenida localizada na cidade de São Paulo. Tem início na Avenida Conselheiro Rodrigues Alves (antigo nome da via), no distrito de Vila Mariana e termina no acesso à Avenida dos Bandeirantes e no viaduto homônimo, na divisa dos distritos de Moema e Campo Belo.
O nome da via é originado da junção dos termos indígenas "ibira" (madeira) e "uera" (velho), que significa "aquilo que foi e não é mais". A avenida teve seu nome atual oficializado por meio do Ato nº 505, de 18 de agosto de 1933. Ela foi constituída a partir da união de dois antigos logradouros, um considerado como parte integrante da Av. Conselheiro Rodrigues Alves, e o outro chamado de "Av Araponga" ou mesmo com a denominação do primeiro trecho. Ao longo de sua extensão, estão localizadas diversas empresas, além de duas estações (Moema e Eucaliptos) da Linha 5-Lilás do Metrô, e o Shopping Ibirapuera, um dos maiores e mais antigos de São Paulo, inaugurado em 1976. Nas proximidades da avenida também está localizado o Parque Ibirapuera, um dos maiores da cidade. A avenida faz parte do Corredor Vereador José Diniz-Ibirapuera-Centro, inaugurado em 2008 e que liga a Zona Sul ao metrô Santa Cruz e ao centro pelo Corredor Norte-Sul, no trecho conhecido como Avenida 23 de Maio.


Avenida Ibirapuera, Moema, anos 1970. Paulista Paulistano.



XIV

PARAISO E VILA MARIANA


Paraíso é um bairro nobre da cidade de São Paulo, pertencente à subprefeitura e ao distrito da Vila Mariana, situado entre a Avenida Paulista e o Parque do Ibirapuera. Está localizado em uma das regiões mais elevadas da cidade, chamada de Espigão da Paulista. Há bastante controvérsia quanto aos seus limites, pois antigamente se considerava como Paraíso áreas pertencentes atualmente aos distritos da Liberdade e Bela Vista.

É delimitado pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio, Avenida Paulista, Rua do Paraíso, Rua Vergueiro, Rua José Antônio Coelho, Avenida 23 de Maio e Avenida Pedro Álvares Cabral. Limita se com os bairros de Aclimação, Jardim Paulista, Mariana e Bela Vista (distrito de São Paulo).

O bairro do Paraíso é uma região rica em história e desenvolvimento, refletindo a evolução urbana da cidade ao longo dos anos. Já era assim denominado em 1900, tendo como ponto central o Largo da Guanabara, atual Praça Rodrigues de Abreu.

A origem do bairro remonta ao século XIX, por volta de 1860, a partir de uma grande área rural chamada Chácara do Sertório, situada nas imediações da atual Praça Oswaldo Cruz, antigo Largo do Paraíso. Esta chácara foi inicialmente propriedade de João Sertório, que a vendeu para a Senhora Alexandrina Maria de Moraes a propriedade rural ligava as ruas da Liberdade ao extinto município de Santo Amaro (1832-1935). Após o falecimento de Alexandrina em 1886, seus herdeiros lotearam a propriedade, criando os trechos que deram origem ao bairro do Paraíso que conhecemos hoje. Entre as ruas formadas estão a Humaitá, Abílio Soares, Pedroso, Maestro Cardim, Martiniano de Carvalho, Paraíso, e Artur Prado.

Nome. O nome do bairro vem do nome do "Largo do Paraíso", atual Praça Osvaldo Cruz.
Como extensão da Vila Mariana, o Paraíso se beneficiou do progresso trazido pela Estação da Companhia Carris de Ferro de São Paulo a Santo Amaro e pela marcante presença de imigrantes alemães, que inicialmente se estabeleceram na Rua José Antônio Coelho. Em 1885, foi aberta a Cervejaria Germânia pela Cia. Faust & Schmidt no Paraíso. Esta cervejaria, uma das pioneiras no Brasil, ocupava um grande terreno entre as Ruas Vergueiro e Apeninos, em frente ao Largo Guanabara. Durante a Primeira Guerra Mundial, mudou seu nome para Cervejaria Guanabara e, em 1921, foi comprada pela Companhia Cervejaria Brahma. A fábrica encerrou suas atividades na década de 1980 e o edifício foi demolido em 1994, dando lugar a um grande empreendimento imobiliário.

No mesmo Largo da Guanabara, a primeira paróquia da região, dedicada a Santa Generosa, começou a ser erguida em 1915. Inaugurada parcialmente em 1924, a paróquia enfrentou anos de tensão devido ao anúncio da Prefeitura, em 1943, de que seria demolida para obras de urbanização. A demolição ocorreu em 1967 para a construção da Avenida Vinte e Três de Maio e do viaduto que levou o nome da santa padroeira. A nova Paróquia de Santa Generosa foi inaugurada em 1970 na Avenida Bernardino de Campos, onde se encontra até hoje.

Hospital de Campanha no Ginásio do Ibirapuera durante a Pandemia de COVID-19, ao fundo o bairro.
Por volta de 1916, o bairro já tinha uma quantidade razoável de moradores em ruas como a Rua do Paraíso, Rua Tomás Carvalhal, Rua Cubatão e trecho da Rua Abílio Soares. Algumas casas de famílias ricas já haviam sido construídas nas Avenidas Bernardino de Campos e Paulista, mas a ocupação próxima ao atual Parque do Ibirapuera ainda era escassa. Os limites do bairro sempre foram controversos.

Do começo do século XX até seus meados, destacam-se algumas construções na Avenida Paulista, no trecho do bairro do Paraíso, que permanecem até hoje. O Instituto Pasteur, fundado em 1903, foi inaugurado em 1904 no atual número 393. A Escola Estadual Rodrigues Alves, projetada pelo escritório do arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo, foi concluída em 1919 e está tombada nas esferas estadual e municipal. A Casa das Rosas, projetada por Felisberto Ranzini, foi construída na década de 1930 e se tornou um espaço cultural público em 1991.

Outro destaque de suas adjacências é a Catedral Metropolitana Ortodoxa, na Rua Vergueiro, o maior templo em estilo bizantino da América do Sul, cuja construção começou em 1942 e terminou em 1954.

Em 1975, a inauguração da estação Paraíso do metrô trouxe definitivamente um caráter multifacetado para o bairro. Do Instituto Pasteur à Catedral Ortodoxa Metropolitana, passando pelo edifício sede da IBM e o Ginásio do Ibirapuera, o bairro oferece tanto uma face dinâmica residencial e comercial/financeira.

Moradores e ex-moradores: Zélia Gattai (1916-2008), escritora, fotógrafa e memorialista
Fernando Haddad, professor da Universidade de São Paulo, ex Ministro da Educação e prefeito de São Paulo


Eparquia Greco-Melquita Nossa Senhora do Paraíso


A Catedral Nossa Senhora do Paraíso é a sede episcopal da eparquia melquita de São Paulo da Igreja Greco-Católica Melquita no Brasil. O templo está localizado no bairro do Paraíso na cidade de São Paulo. Construída no ano de 1952, com projeto arquitetônico de autoria de Benedito Calixto de Jesus Neto, 




CASA DAS ROSAS



Casa das Rosas, evoca a época do loteamento da Avenida Paulista

A Casa das Rosas é um casarão no estilo clássico francês, localizado na Avenida Paulista. É dedicado a diversas manifestações culturais, com enfoque em literatura e poesia,na cidade de São Paulo. É um dos edifícios remanescentes da época característica da ocupação inicial de uma das principais vias da cidade. Tem sua importância por ser um dos poucos restantes desse período relevante para o desenvolvimento do próprio Brasil. Em 1985, o bem foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Turístico (CONDEPHAAT) e foi restaurada em diversas oportunidades, sendo atualmente conhecida como Centro Cultural Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura. 
História

A Casa das Rosas foi construída em 1935 a partir do projeto pelo escritório sucessor de Francisco de Paula Ramos de Azevedo, o Severo Villares. É considerada parte integrante do rol de diversas obras de renome assinadas pelo “Escritório Técnico Ramos de Azevedo”, tais como a Pinacoteca do Estado, Teatro Municipal de São Paulo, o Mercado Municipal de São Paulo e o Colégio Sion, por exemplo. A Casa das Rosas em específico, foi de autoria do arquiteto Felisberto Ranzini. A casa foi habitada durante os primeiros 51 anos de sua existência. Os primeiros a ter como residência o casarão foram uma das filhas de Ramos de Azevedo, Lúcia Ramos de Azevedo e seu marido, Ernesto Dias de Castro. A residência foi passada ao filho do casal Ernesto Dias de Castro e Anna Rosa, sua esposa.

A construção em 1935. A desapropriação do imóvel se deu em 1986 e foi realizado pelo Governo do Estado de São Paulo, cuja compromisso fora a preservação do terreno sem alterar sua originalidade. O imóvel, tombado em 1985 pelo CONDEPHAAT, possui um dos mais belos jardins de rosas da cidade de São Paulo. Passou por reformas entre 1986 e 1991, quando mais precisamente em 11 de março de 1991, a Secretaria da Cultura implantou a Casa das Rosas – Galeria Estadual de Arte, um espaço cujo principal função era acolher exposições temporárias e circulantes do acervo de obras que o próprio Governo do Estado de São Paulo detinha, privilegiando a difusão de poesias e da arte em geral.

Em 2003, o bem tombado foi novamente fechado para reformas e manutenção, sendo reinaugurado em 9 de dezembro de 2004 e renomeado para homenagear o poeta Haroldo de Campos, falecido em 2003.[O nome do espaço passou a ser Espaço Haroldo de Campos,[ com a missão de ser um local destinado não só às artes em geral, mas também um lugar público especificamente voltado à poesia, proporcionando a toda São Paulo oficinas de criação, crítica literária, cursos de formação, ciclos de debate entre outros. Transformou-se num museu onde se destaca por promover a difusão e divulgação da literatura dos escritores menos favorecidos, desconhecidos e até dos esquecidos pelo mercado. Sua proposta atual visa manter o ambiente como um local cujas atividades estão no âmbito de pesquisas e leituras, com uma programação diferenciada.

Após a morte de Haroldo de Campos aos 73 anos de idade, todo seu acervo pessoal foi doado à Secretaria da Cultura do Estado em 2004. Como proposta destinada à nova função exercida pela Casa das Rosas, esta foi designada para receber o tão respeitável acervo. A partir desta decisão, foi criado o Centro Cultural Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura. A Casa das Rosas possui desde seu início as características originais de seu vasto jardim de roseiras. A essência do local é reforçada também devido ao nome concebido posteriormente, retomando assim, a ideia de um espaço considerado um refúgio para qualquer tipo de manifestação artística e poética, abrigando também a primeira biblioteca do país especializada em poesias.
Arquitetura

Sobre a arquitetura do casarão e seus arredores há discordâncias em suas definições. Há aqueles que caracterizam a construção como pertencente ao estilo da Renascença Francesa. Por outro lado existe a corrente que defende a assinatura do movimento eclético na concepção da mansão histórica. Essa concepção se dá exatamente pela presença de elementos neoclássicos, da Art Noveau, Art Déco e Neocolonial.

Em relação a sua concepção física, o imóvel conta com quatro pavimentos: sótão, porão, andar térreo e andar superior. Ao longo do terreno de 5.500 metros quadrados podemos encontrar oito quartos, escritório, salas, cozinha, copa, mansarda e lavanderia. A construção traz varanda em seu andar térreo e com terraços descobertos, com proteção e decoração de elementos vazados, no superior. Quase todos os materiais utilizados são importados como por exemplo, os mármores das escadarias, tanto da parte externa, que dão saída para os jardins, quanto da parte interna, que conduzem aos quatro dormitórios, são de origem italiana; os vidros e os cristais vieram da Bélgica, os canos condutores de água, de cobre, e as louças do banheiro e da cozinha foram trazidos também da Europa, pela firma de importação de Ernesto Dias de Castro, genro de Francisco de Paula Ramos de Azevedo.

O telhado da casa é constituído de ardósia, com suas águas inclinadas em relevante proporção. Na parte traseira do terreno, considerando a frente a da Avenida Paulista, foi construído um edifício comercial. O projeto só pôde ser concebido de maneira a respeitar as características visuais da Casa das Rosas.

Significado histórico e cultural. A importância da Casa das Rosas se dá por ser um bem cultural de interesse tanto histórico quanto arquitetônico. Segundo Nádia Somehk, presidente do Conpresp, em declaração à Folha de S.Paulo em 2013, a Casa das Rosas representa o período dos palacetes ecléticos, construídos no início do século passado até a década de 1930. Os construídos a partir de 1940 marcam a verticalização da Avenida Paulista.

Portanto, a Casa das Rosas tem sua importância calcada em ser uma construção tardia do período de auge da produção cafeeira em São Paulo, sendo uma das últimas que contam com essa importância. Sendo assim, confere tipos caracterizados como predominantes na primeira fase de ocupação da Avenida. Sua importância foi reconhecida com a publicação do Diário Oficial do dia 24 de outubro de 1985, na Seção I, página 14, na qual foi divulgado o processo de tombamento que fora inscrito no Livro do Tombo Histórico, sob a inscrição de número 241, na página 65, de 21 de janeiro de 1987.

Casa das Rosas. Delma Paz. Postada no Flikr. 



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VILA MARIANA

Linha de bonde em 1909 na Estação de Vila Mariana. 



Vila Mariana. Anos 1970.  Rua Loefgreen, antiga travessia - hoje ligada pelo Viaduto Miguel Colello. 


Obras do Metrô na Vila Mariana no início dos ano 1970. Jornal Zonal Sul. 

Vila Mariana é um distrito localizado na zona centro-sul do município de São Paulo. Tem como característica marcante ser uma região nobre predominantemente de classe alta com um perfil ora comercial, ora residencial, possuindo um dos metros quadrados mais caros de São Paulo.[carece de fontes] Além disso, o bairro bem arborizado tem como importante ponto turístico, o Parque Ibirapuera. A subprefeitura da Vila Mariana, abrange os distritos de Moema e Saúde. O distrito sedia a Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, a Escola Superior de Propaganda e Marketing, o Centro Universitário Assunção- UNIFAI e o Museu Lasar Segall, bem como alguns dos mais tradicionais colégios da cidade como o Colégio Bandeirantes, Colégio Benjamin Constant, Liceu Pasteur, Colégio Marista Arquidiocesano, Colégio Madre Cabrini e a Faculdade e Escola técnica SENAI - Anchieta. Abrange também cerca de 550 metros do lado ímpar da Avenida Paulista em seu trecho inicial, entre a Praça Osvaldo Cruz e a Avenida Brigadeiro Luís Antônio.

Rua Borges Lagoa na Vila Mariana, com a igreja Nossa senhora da Saúde ao fundo ainda sem a torre , em foto do final dos anos 40. / F. / PMSP.


História. O governador da Capitania Real de São Paulo, Francisco da Cunha Menezes concedeu em 1782 uma sesmaria a Lázaro Rodrigues Piques, situando-se essas terras entre o ribeirão Ipiranga e a Estrada do Cursino, abrangendo o futuro bairro de Vila Mariana, outrora da Saúde; em torno de tal sesmaria surgiram muitas questões de terra. Originalmente foi chamado de Cruz das Almas - em virtude das cruzes colocadas no local por causa da morte de tropeiros por ladrões, na metade do século XIX, na continuação da "Estrada do Vergueiro" (atual Rua Vergueiro) aberta em 1864 por José Vergueiro e que era a nova estrada para Santos. Posteriormente passa a ser denominado de Colônia e finalmente de Vila Mariana, nome atribuído pelo coronel da guarda nacional Carlos Eduardo de Paula Petit, a partir da fusão dos nomes de sua esposa Maria e da mãe de sua esposa, Anna. Carlos Eduardo de Paula Petit, foi um dos homens mais importantes na Vila Mariana, foi eleito vereador e também atuou como juiz de paz. Entre 1883 e 1886 foi construída a estrada de ferro até Santo Amaro, partindo da rua São Joaquim, na Liberdade; seu construtor foi o engenheiro Alberto Kuhlmann e sua empresa se chamava Cia. Carris de Ferro de São Paulo a Santo Amaro. Essa linha férrea, cuja inauguração total até Santo Amaro deu-se em 1886, foi locada sobre o antigo Caminho do Carro para Santo Amaro, no trecho então conhecido como "Estrada do Fagundes", no espigão; seguia, acompanhando ou sobreposta, o referido caminho do Carro. Com isso deu-se o fracionamento das chácaras existentes na região. 

Há uma versão aparentemente verdadeira de que a uma das estações, Kuhlmann deu o nome de sua esposa, Mariana, e tal denominação passou para o local e depois para todo o bairro, que antes se chamava "Mato Grosso". Havia em 1856 a chácara do Sertório, cujas terras vieram mais tarde a formar o bairro do Paraíso. A chácara de João Sertório, situada entre as duas estradas para Santo Amaro, foi vendida para dona Alexandrina Maria de Moraes, que faleceu em 1886; seus herdeiros arruaram a propriedade e a Câmara Municipal aceitou esse arruamento, que veio ligar as ruas da Liberdade (antigo Caminho do Carro) e Santo Amaro (antigamente estrada para Santo Amaro). Aí surgiu um trecho do bairro do Paraíso, desde a rua Humaitá até a Abílio Soares, nascendo as ruas Pedroso, Maestro Cardim, Martiniano de Carvalho, Paraíso, Artur Prado e outras demais. No ano de 1887 começou a funcionar no bairro o Matadouro Municipal, fator que ajudou muito no povoamento de toda a região. Isso ajudou para a instalação das oficinas de Ferro Carril, na rua Domingos de Morais, e da fábrica de fósforos. Também foi criada a Escola Pública de Dona Maria Petit, na Rua Vergueiro. O local onde funcionou o Matadouro é atualmente a Cinemateca Brasileira.


Por volta de 1891, José Antônio Coelho comprou a chamada "Chácara da Boa Vista", na Vila Mariana, e a loteou, abrindo ruas que tiveram nomes como "Central", "Garibaldi", "dos Italianos" (hoje denominadas, respectivamente, Humberto I, Rio Grande e Álvaro Alvim) e deu o nome oficial de Vila Clementino, em homenagem ao Dr. Clementino de Souza e Castro. Em 1928 iniciou-se a construção do Instituto Biológico, concluída em 1945. Um de seus principais objetivos à época em que foi construída foi o controle de uma praga que infestava os cafezais. Mais tarde tal objetivo foi, segundo a organização do local, criar um instituto para a biologia "a exemplo do que foi o Instituto Oswaldo Cruz (no Rio de Janeiro) para a saúde do homem”. Em 1929, iniciou-se no bairro a construção de uma série de residências em estilo modernista, desenhadas pelo arquiteto Gregori Warchavchik; a mais notável é a Casa Modernista da Rua Santa Cruz, tombada pelo CONDEPHAAT em 1986.


Características. A Vila Mariana pode ser considerada uma das regiões mais desenvolvidas da capital paulista. No distrito encontram-se a Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), a Escola Superior de Propaganda e Marketing (mais conhecida como ESPM), a Escola de Belas Artes e a Faculdades Paulus de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM), as maiores referências em ensino superior na região, que também conta com universidades não-específicas (UNIP, FMU, entre outras). Em relação à área da saúde, existem o Hospital São Paulo e o Hospital do Servidor Público Estadual, um complexo hospitalar que responde por quase 40% dos atendimentos dos servidores públicos estaduais. Há também instituições para o tratamento de jovens e idosos, fator que contribui para a alta qualidade de vida do distrito. Na área de cardiologia há o hospital Dante Pazzanese. A região também sedia a Casa Hope, uma ONG dedicada a crianças com câncer.


O MUSEU LASAR SEGALL



O Museu Lasar Segall é uma instituição localizada em São Paulo, inaugurado em 21 de setembro de 1967, tem por objetivo reunir, divulgar e preservar a obra do pintor, escritor e gravurista, Lasar Segall. O local foi idealizado pela viúva do artista, Jenny Klabin Segall, e criada pelos filhos do casal, Mauricio Klabin Segall e Oscar Klabin Segall. Localizado à Rua Berta, 111, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo, está instalado na antiga residência e ateliê de Lasar Segall, projetada em 1932 por seu concunhado, o arquiteto de origem russa, Gregori Warchavchik.

Em 1985 foi incorporado à Fundação Nacional Pró-Memória, integrando hoje o Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), do Ministério da Cultura, como unidade museológica. O principal objetivo do museu é conservar, pesquisar, divulgar, documentar e estudar as obras de Lasar Segall, o acervo possui cerca de três mill (3.000) trabalhos do artista doados pelos seus filhos, além do próprio arquivo pessoal e fotográfico que somados chegam a mais de seis mil itens catalogados.

O Museu também possui diversas atividades culturais, oferecendo cursos relacionados, programas de visitas monitoradas, projeção de cinema, e ainda possui uma biblioteca.

Auto retrato do pintor





Segall e Jenny no ateliê em 1940, foto de Hildegard Rosenthal


Uma mulher idealizou o Museu Lasar Segall: a escritora e tradutora Jenny Klabin Segall, viúva do artista. Com a morte de Segall, em 2 de agosto de 1957, Jenny assumiu a missão de organizar e expor a obra do marido. Para isso, abriu mão momentaneamente de sua atividade literária, iniciada em meados da década de 1930. Jenny traduziu obras fundamentais como o Fausto, de Goethe, e peças de Molière, Racine e Corneille, demonstrando grande talento e versatilidade poética em seu ofício. Suas traduções de clássicos do teatro alemão e francês receberam numerosas edições, elogiadas por intelectuais brasileiros e europeus.

“Não há quase página em que as margens e entrelinhas não tenham ficado marcadas por sua impaciência de alcançar aquele ideal de exatidão”, observou Sérgio Buarque de Holanda (1949). “As letras brasileiras e portuguesas ficam devedoras e gratas por esse diuturno amor e labor”, escreveu Antônio Houaiss (1970).

A partir de 1963, consolidadas as atividades de documentação e organização da obra de Segall, Jenny iniciou reformas em uma das três casas contíguas que formavam sua residência na Vila Mariana para possibilitar pequenas mostras públicas do acervo. As instalações iniciais foram abertas ao público em agosto de 1963, por ocasião da VII Bienal de São Paulo.

Em 1966, ela retomou suas atividades literárias, completando a tradução do Fausto II — a primeira em língua portuguesa em versos respeitando rigorosamente a forma original da totalidade do poema.
Em 2 de agosto de 1967, no décimo aniversário de morte do marido, sofreu o ataque cardíaco que a mataria três dias depois, aos 68 anos, menos de dois meses antes da inauguração do Museu Lasar Segall. Em sua homenagem, nossa biblioteca especializada nas Artes do Espetáculo (Cinema, Teatro, Rádio e Televisão, Dança, Ópera e Circo) leva seu nome — Biblioteca Jenny Klabin Segall.



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O COMPLEXO ESPORTIVO DO IBIRAPUERA 



O Ginásio Geraldo José de Almeida, mais conhecido como Ginásio do Ibirapuera, é uma construção feita por Ícaro de Castro Mello. A construção arquitetônica se deu início na década de 50 do século XX, por iniciativa da administração pública e o processo de modernização Prestes Maia. Sua inauguração se deu em 1957, quando foi inaugurada a construção do Parque do Ibirapuera. Concluído em 25 de janeiro de 1957, o Ginásio faz parte do Complexo Desportivo do Ibirapuera Constâncio Vaz Guimarães,[8] que também engloba estruturas como o estádio de atletismo Ícaro de Castro Melo, o conjunto aquático Caio Pompeu de Toledo e o Ginásio Poliesportivo Mauro Pinheiro. Sua construção faz parte do projeto de idealização do Complexo do Ibirapuera, que também engloba o parque, em homenagem ao aniversário de 400 anos da cidade. Idealizado pelo arquiteto Ícaro de Castro Melo, seu nome é uma homenagem ao narrador Geraldo José de Almeida, famoso radialista e narrador esportivo que acompanhou, principalmente, a seleção brasileira de futebol entre os anos de 1954 e 1974.

Composição. o Gymnasium de Esportes do Ibirapuera começou a ser criado em 1954, como consolidação do processo de modernização da cidade de São Paulo promovida por Prestes Maia. Seu fim se deu em 25 de janeiro de 1957. Em sua criação, o ginásio conta com uma cúpula, alçada à 38 (trinta e oito) metros do solo, branca, com uma quadra em sua base. O diâmetro desta cúpula ocupa 40 (quarenta) metros de diâmetro e conta com uma quadra poliesportiva, podendo abarcar um grande número de atividades, sendo algumas delas o handebol, futsal, voleibol, luta livre, esgrima, hockey, patinação no gelo. Com capacidade para 20 mil espectadores ao redor do espaço para jogos, acima das arquibancadas estão as tribunas de imprensa, os vestiários, sanitários públicos, almoxarifados, secretarias, gabinetes médicos, pronto-socorro e um salão nobre, que contem bares e dependências próprias. Hoje em dia, após as reformas, o número de espectadores caiu para quase 11 mil pessoas.
A arquibancada possui 34 (trinta e quatro) degraus que, somadas, dão uma extensão de 15 (quinze) quilômetros. O piso da quadra e todos os equipamentos necessários para práticas são desmontáveis, visando a prática do maior número possível de esportes. Desde seu início, o ginásio teve esta capacidade e propósito de se tornar um ambiente versátil para a prática esportiva. A arena de imprensa conta com uma capacidade para 144 (cento e quarenta e quatro) lugares. Imprensa, rádio e televisão são divididos em áreas correspondentes a instalação e infraestrutura. Sendo assim, dos 144 lugares, há 24 cabines para transmissão de emissoras radiofônicas e televisivas.

Plano de Avenidas de São Paulo. Sua criação se deu pelo processo de modernização protagonizado pelo então chefe da Secretaria de Viação e Obras Públicas da Prefeitura de São Paulo em 1930, Francisco Prestes Maia. O Plano de Avenidas de São Paulo relata de modo claro que há a necessidade de criar um parque na região que pudesse contribuir com o lazer do paulistano. Sem propriamente apresentar um plano estruturado, o então secretário apresenta a ideia para a Dierberger & CIA na ideia de construir 2.000.000 m² de parque dentro da cidade de São Paulo. O projeto definia duas áreas projetadas para a formação do Parque do Ibirapuera. Um margeado pela Avenida Brasil e outro próximo ao viveiro de mudas, perto do lago. Nesta divisão, Prestes Maia busca tratar com diferenciamento as duas áreas: a primeira buscava uma "arte e delicadeza" que seria traduzido em um estilo de vida próximo das classes altas presentes na região; enquanto a segunda seria a parte mais da natureza. Não houve aceitação inicial do projeto. Mesmo com outros planos propostos e com Prestes Maia se tornando prefeito da cidade de São Paulo, não houve viabilização para a construção do parque. Em 1929 surge o primeiro projeto materializado do parque após a ideia de Maia, organizada por Reinald Dierberger. O projeto contava com extensas áreas de jardins e perspectiva de ocupação pública por meio dos esportes, com ginásio e edifícios destinados a ginástica e outras atividades. Em 1930 o plano de avenidas é barrado na gestão de Pires do Rio. Com a Revolução de 1932 e a consequente mudança do governo paulista, Dierberger consegue a aprovação do primeiro projeto futuro pelo Ato n° 378, de 29 de julho de 1932. Este ato determinava a retirada do Hipódromo da Mooca para os terrenos do Ibirapuera. De acordo com essa mesma lei, os recursos a serem gastos na construção do parque seriam promovidos pelos cofres da Prefeitura. Portanto, não havendo a necessidade de ser aberto em hipótese alguma nenhum crédito particular. O novo plano de Dierberger não implicava mais num memorial descritivo.
O plano sofreu diferenças mudanças de 1933 até 1948. Os planejamentos eram então estudados e constantemente colocados em segundo plano pelos governantes da cidade. No decorrer do tempo, até 1948, o projeto volta a tomar proporções primárias com o plano de urbanização da Prefeitura Municipal (1948). O plano tinha como principal movimento reconstruir áreas próximo da Avenida Brasil até o monumento de 9 de julho. Em 1951, com uma influência de Cristiano Stockler Neves, as coisas se modificam e o plano de construção do Ginásio passa a ser feito. Com o convite de Matarazzo Sobrinho, mesmo criador do Museu de Arte Moderna de São Paulo, o empresário, indo de encontro com o planejamento de Stockler Neves, prepara uma equipe formada pelos arquitetos Oscar Niemeyer, Zenon Lotufo, Eduardo Kneese de Mello e Hélio Cavalcanti, com colaboração de Gauss Estelita e Carlos Lemos, para a produção do parque. Desta maneira começam seus estudos na área do parque do Ibirapuera. Ícaro de Castro Mello, Milton Ghiraldini e Otávio Augusto Teixeira Mendes também participaram de certos elementos do parque, como, respectivamente, o ginásio, paisagismo e urbanização. Este projeto saiu do papel devido a comemoração do IV Centenário da Fundação de São Paulo. Após sua apresentação em 1952, o plano passa por uma fase de maturação, desenvolvimento e acordos com o governo paulista. A dificuldade se consistia no assentamento do terreno na região, implantação de planos para formulação dos projetos e outros feitos. Em 1954 o parque é inaugurado e, junto a ele, o Ginásio do Ibirapuera, criação de Ícaro de Castro Mello. O projeto de arte e cultura como dito por Maia propôs uma possibilidade de novos meios de ocupação da cidade de São Paulo que não pelos interesses industriais, como ocorria na época. As releituras do espaço e a reflexão do que é moderno e nacional se traduziram na construção do Ginásio e do propósito do parque.

Ícaro de \Castro Mello, arquiteto, engenheiro e atleta nas Olimpíadas de Berlim em 1936. 


A composição de Ícaro de Castro Mello possui traços técnicos dominantes quanto a utilização da cúpula. Em função do tamanho do prédio e a necessidade de ventilação, Ícaro reforça este traço ao construir o Ginásio do Ibirapuera. Além disso, para a quadra retangular, segundo Fontana, permite que haja uma maior percepção do espaço. Os arcos de metal colocados no Ginásio funcionaram pelo tamanho da construção. As estruturas densas procuravam retirar o máximo do espaço construído pelo arquiteto-engenheiro. Além disso, utiliza de cruzamentos entre as peças verticais das estruturas com os quebra-sóis horizontais que circundam e dão unidade ao edifício. Em sua composição inicial, para a parte de esportes, o Ibirapuera contaria com o Ginásio Geraldo José de Almeida e o estádio de atletismo ao redor de sua composição inicial. Os primeiros projetos não previam a construção de um conjunto desportivo. Contudo, no decorrer da construção iniciada em 1954, outros tipos de construções se deram pela presença do Ginásio naquele espaço. O Conjunto foi inaugurado em 1957, três anos após a criação do inicial prometido. Ainda hoje é um dos maiores da América Latina. Portanto, além do Ginásio, o conjunto conta com o Conjunto Aquático do Ibirapuera (Caio Pompeu de Toledo), o Estádio Ícaro de Castro Melo (inaugurado para fins de atletismo até 1998), o Ginásio Poliesportivo Mauro Pinheiro e o Palácio do Judô. Todos estes fazem parte dos 95 mil m² presentes no Parque do Ibirapuera. Além disso, o conjunto possui ainda um alojamento de 340 atletas e auditório para 300 pessoas, três salas de condicionamento físico, quadras de tênis e outra pista de corrida menor. O conjunto recebe este nome pelo advogado, procurador fiscal, decatleta, e presidente da delegação Olímpica nos jogos de Berlim, em 1936.




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XV

LIBERDADE E ACLIMAÇÃO



Avenida da Liberdade em 1930: com trilhos de trem e bonde.

Avenida da Liberdade é uma via situada no Centro de São Paulo (Brasil), capital do Estado de São Paulo e maior cidade brasileira. A avenida é de extrema importância econômica e cultural para a cidade, sendo ela parte da maior comunidade japonesa fora do Brasil (Bairro da Liberdade). No comércio, nos restaurantes e na arquitetura da Avenida e do Bairro, é notável a enorme influência da cultura não só japonesa, mas chinesa e coreana também, pela colonização de todos esses grupos no século XX. Inicia-se na Praça Doutor João Mendes, próximo a Catedral Metropolitana de São Paulo e termina na Estação São Joaquim, da Linha 1 do Metrô de São Paulo. É uma avenida bastante movimentada, por causa do Fórum da Sé, que fica próximo dela, e da Linha 1-Azul do metrô, que passa embaixo da avenida. São duas estações subterrâneas: São Joaquim, e Japão-Liberdade, que juntas têm uma demanda média de 64 mil passageiros por dia, sendo 39.000 na São Joaquim, e 25.000 na Liberdade.[Textos e imagens da Wikipedia]



Rua Galvão Bueno


. Caminhão escolar transportando estudantes do Colégio Marista no bairro da Liberdade nos 1930. 


BAIRRO DA LIBERDADE

No século XIX, o bairro era conhecido como Bairro da Pólvora, em referência à Casa da Pólvora, construída em 1754 no largo da Pólvora. Era uma região periférica da cidade, e ficava no caminho entre o Centro da cidade de São Paulo e o então município de Santo Amaro. No bairro, se localizava o largo da Forca, assim nomeado em função da presença de uma forca que era utilizada para a execução da pena de morte. A forca havia sido transferida da rua Tabatinguera em 1604 a pedido dos religiosos do Convento do Carmo e funcionou até 1870. A partir de então, o largo passou a se chamar Largo da Liberdade, e o nome se estendeu a todo o bairro. Existem duas versões para a adoção do nome "Liberdade"ː uma diz que é uma referência a um levante de soldados que reivindicavam o aumento de seus salários à coroa portuguesa em 1821, e que teria resultado no enforcamento dos soldados Chaguinhas e Cotindiba. O público que acompanhava a execução, ao ver que as cordas que prendiam Chaguinhas arrebentaram várias vezes, teria começado a gritar "liberdade, liberdade". Outra versão diz que o nome Liberdade é uma referência à abolição da escravidão.[Textos e imagens da Wikipedia]

Capela dos Aflitos, hoje rodeada de prédios

Em 1779, próximo ao então largo da Forca, foi instalado o primeiro cemitério público aberto da cidade, destinado a enterrar indigentes e condenados à forca. O cemitério funcionou até 1858, quando foi inaugurado o cemitério da Consolação em terras doadas pela Marquesa de Santos. Conhecido atualmente por ser um bairro de asiáticos, a Liberdade era, originalmente, um bairro de negros. Abrigou organizações de ex-escravizados e seus descendentes, como a Frente Negra Brasileira e, mais tarde, o Paulistano da Glória, que foi um sindicato de domésticas que virou escola de samba e era liderado pelo sambista Geraldo Filme. Durante o século XIX, imigrantes portugueses e italianos construíram sobrados que, com o tempo, viraram pensões e repúblicas que seriam habitadas, nas primeiras décadas do século XX, por imigrantes japoneses.

Bairro da Liberdade em 1962.


INÍCIO DA OCUPAÇÃO JAPONESA

A presença japonesa no bairro começa quando, em 1912, os imigrantes japoneses começaram a residir na rua Conde de Sarzedas, ladeira íngreme, onde, na parte baixa, havia um riacho e uma área de várzea.
Um dos motivos de procurarem essa rua é que quase todos os imóveis tinham porões, e os aluguéis dos quartos no subsolo eram incrivelmente baratos. Nesses quartos, moravam apenas grupos de pessoas. Para aqueles imigrantes, aquele cantinho da cidade de São Paulo significava esperança por dias melhores. Por ser um bairro central, de lá poderiam se locomover facilmente para os locais de trabalho.
Já nessa época, começaram a surgir as atividades comerciais: uma hospedaria, um empório, uma casa que fabricava tofu (queijo de soja), outra que fabricava manju (doce japonês) e também firmas agenciadoras de empregos, formando, assim, a "rua dos japoneses". Até o ano de 2006, o bairro era conhecido por seus letreiros de neon em estilo oriental. Com a aprovação da Lei Cidade Limpa em 2007, muitos letreiros tiveram que ser removidos. Em 1915, foi fundada a Taisho Shogakko (Escola Primária Taisho), que ajudou na educação dos filhos de japoneses, então em número aproximado de 300 pessoas. Em 1932, eram cerca de 2 mil os japoneses na cidade de São Paulo. Eles vinham diretamente do Japão e também do interior de São Paulo, após encerrarem o contrato de trabalho na lavoura. Todos vinham em busca de uma oportunidade na cidade. Cerca de 600 japoneses moravam na rua Conde de Sarzedas. Outros moravam nas ruas Irmã Simpliciana, Tabatinguera, Conde do Pinhal, Conselheiro Furtado, dos Estudantes e Tomás de Lima (hoje Mituto Mizumoto), onde, em 1914, foi fundado o Hotel Ueji, pioneiro dos hotéis japoneses em São Paulo. Os japoneses trabalhavam em mais de 60 atividades, mas quase todos os estabelecimentos funcionavam para atender a coletividade nipo-brasileira.

 Rua da Glória nos anos 1970. SP de Antigamente. 


Em 12 de outubro de 1946, foi fundado o jornal São Paulo Shimbun, o primeiro no pós-guerra entre os nikkeis. Em 1º de janeiro de 1947, foi a vez do Jornal Paulista. No mesmo ano, foi inaugurada a Livraria Sol (Taiyodo), ainda hoje presente no bairro da Liberdade, que passa a importar livros japoneses através dos Estados Unidos. A agência de viagens Tunibra inicia as atividades no mesmo ano. Uma orquestra formada pelo professor Masahiko Maruyama faz o primeiro concerto do pós-guerra em março de 1947, no auditório do Centro do Professorado Paulista, na Avenida Liberdade. Em 23 de julho de 1953, Yoshikazu Tanaka inaugurou, na rua Galvão Bueno, um prédio de 5 andares, com salão, restaurante, hotel e uma grande sala de projeção no andar térreo, para 1 500 espectadores, batizado de Cine Niterói. Eram exibidos, semanalmente, filmes diferentes produzidos no Japão, para o entretenimento dos japoneses de São Paulo. A rua Galvão Bueno passa a ser o centro do bairro japonês, crescendo ao redor do Cine Niterói, tendo recebido parte dos comerciantes expulsos da rua Conde de Sarzedas. Era ali que os japoneses podiam encontrar um cantinho do Japão e matar saudades da terra natal. Na sua época áurea, funcionavam, na região, os cines Niterói, Nippon (na rua Santa Luzia – atual sede da Associação Aichi Kenjin kai), Joia (na praça Carlos Gomes – hoje casa de shows3) e Tokyo (rua São Joaquim – também igreja).[Textos e imagens da Wikipedia]


Em abril de 1964, foi inaugurado o prédio da Associação Cultural Japonesa de São Paulo (Bunkyô) na esquina das ruas São Joaquim e Galvão Bueno.


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ACLIMAÇÃO 



Aclimação é um dos bairros mais jovens de sua região, a central. Nasceu no século XX, depois que outros de perfil mais aristocrático, como Higienópolis, Pacaembu, Campos Elísios, ou mesmo industriais, como o Brás, haviam surgido. Todos desenvolveram-se a partir do loteamento das antigas chácaras e fazendas que tomavam as terras da capital, circundando os vários "caminhos de tropeiros", que faziam a ligação entre o centro da cidade, o sertão e o litoral. Havia o Caminho do Carro para Santo Amaro, que seguia por onde hoje estão as avenidas da Liberdade, Vergueiro e Domingos de Morais em direção ao distante povoado de Santo Amaro. Havia também o Caminho de Pinheiros, que partia da Sé, atravessava o Vale do Anhangabaú e descia pela atual rua da Consolação em direção ao que na época era um povoado indígena. Havia ainda um caminho para Minas Gerais, um para Goiás e também o Caminho do Mar ou Estrada de Santos, que descia a Rua da Glória, atravessava o rio Lavapés (hoje canalizado e oculto sob o nível da rua), seguia pelo Ipiranga e acabava em Santos.O local que deu origem ao bairro da Aclimação é uma área sinuosa, cheia de morros e baixadas, um triângulo conhecido como Sítio Tapanhoin, demarcado pelo Caminho do Mar e pelos córregos Lavapés e Cambuci. Foi essa área que Carlos Botelho, médico nascido em Piracicaba e formado em Paris, adquiriu em 1892, em busca da realização de um desejo nascido na capital francesa: a criação de uma versão brasileira para o Jardin d’Acclimatation, que, entre outras atrações, possuía um zôo e servia de base para a aclimatação de espécies exóticas, além de experiências envolvendo reprodução e hibridação de animais. Assim, o nome indígena deu lugar à inspiração francesa no que passou a se chamar Jardim da Aclimação, origem do atual Parque da Aclimação e de todo o bairro.


Pavimentação da rua Urano em 1958. 


Ocupação e verticalização. Enquanto o Jardim da Aclimação ainda vivia seus dias de glória, o que viria a ser um bairro começava a tomar forma. Se em 1900 existiam apenas as ruas e avenidas que hoje o delimitam em relação a seus vizinhos, como Vergueiro, Lins de Vasconcelos ou Tamandaré, em 1905 estavam abertas as ruas Pires da Mota, Cururipe, Espírito Santo, José Getúlio, Baturité e o trecho inicial da atual Avenida da Aclimação. Em 1914, já constavam do mapa as ruas Machado de Assis, além de parte da Paula Ney e José do Patrocínio. Entre essas vias - localizadas na área mais íngreme das terras chamadas de Morro da Aclimação e pertencentes originalmente à família de Francisco Justino da Silva, e outras, como a Lins de Vasconcelos, a Avenida da Aclimação e o próprio Jardim da Aclimação - tudo o que existia ainda era um longo trecho com características rurais, dominado por mato, córregos, plantações e estábulos. Em 1916, sempre respeitando a sinuosidade da região, começou a ser aberta uma série de ruas que formam um semicírculo a partir da avenida da Aclimação, convergindo para o Largo Rodrigues Alves, atual Praça General Polidoro, todas com nomes de pedras preciosas: Turmalina, Topázio, Diamante, Ágata, Safira, Esmeralda, Rubi, etc. Mais acima, em direção à rua Nilo, a inspiração para o nome dos logradouros foram os planetas do sistema solar: Júpiter, Urano, Saturno. Só após 1928 os mapas mostram uma relativa ocupação do Morro da Aclimação entre a rua Jurubatuba (atual Avenida Armando Ferrentini) e o cemitério de Vila Mariana. Nascia ali um bairro residencial de classe média, no qual predominavam as casas térreas e os sobrados, que receberam italianos, japoneses, portugueses e paulistanos. A partir da década de 1970, no entanto, a expansão imobiliária fez surgir mais e mais edifícios, marcando a verticalização crescente do bairro, o aumento da população e a consequente instalação de bancos, escolas, casas de comércio, imobiliárias e prestadoras de serviços para atender às demandas dos moradores. Em vias importantes como a Avenida da Aclimação, são poucos os endereços residenciais que ainda resistem ao assédio do mercado imobiliário.



Parque nos anos 1920, quando ali funcionava um zoológico. 

Parque da Aclimação. Durante 30 anos, até a década de 1920, este jardim, muito maior do que é hoje, foi uma das grandes atrações da capital. No local Botelho conseguiu criar um complexo de lazer e de pesquisa. Ali, o médico, pesquisador e político realizava a quarentena, ou "aclimatação" de gado trazido da Holanda. Na "cremérie", os frequentadores do parque podiam beber leite tirado na hora ou adquirir derivados como creme ou queijo. Lá também funcionava a sede da Sociedade Hípica Paulista, que depois transferiu-se para o Brooklin Novo, um posto zootécnico e um laboratório de pesquisas científicas. Para o lazer, havia o bosque, o lago formado a partir do represamento de córregos da região, no qual havia canoas para passeios, um zoológico (o primeiro da cidade) com ursos, leões, macacos, elefantes, onças e outros animais, além de salão de baile, rink de patinação, barracas de jogos, aquário, parque de diversões. Para entrar, os visitantes pagavam 300 réis. Por se tratar de uma região semideserta, o acesso ao Jardim da Aclimação através de transporte público só era possível aos domingos e feriados, quando o bonde nº 28 partia da Sé. Anexa ao jardim, havia uma extensa área privada pertencente à família Botelho. Na década de 1930, ela começou a ser loteada pelos filhos do médico, que há anos enveredara para a atividade política e passara a propriedade das terras aos seus herdeiros. Em 1938, ao ser informado de que estes, com dificuldades para arcar com a manutenção e despesas do Jardim da Aclimação, iriam loteá-lo também, o prefeito Prestes Maia propôs a compra do local. Em 16 de janeiro de 1939, os herdeiros Antônio Carlos de Arruda Botelho, Constança Botelho de Macedo Costa e Carlos José Botelho Júnior oficializaram a venda da área de 182 mil metros quadrados à prefeitura de São Paulo, por um valor de 2.850 contos de réis. Paradoxalmente, a aquisição marcaria não o renascimento do Jardim da Aclimação, mas o fim, em definitivo, da maior parte de suas atrações, e o início de longos períodos de alternância entre abandono e revitalização da área verde.

Acima o Parque da Aclimação em 1914 e embaixo uma foto recente (Guia de Destinos).


Criado no início do século XX , o Parque da Aclimação possui uma área de mais de 112 mil m2 com as mais diversas atividades. O Parque conta com um lago natural e uma área com muitos eucaliptos, concha acústica, jardim japonês com espelho d’água, aparelhos de ginástica para a população, pista de cooper e caminhada, playgrounds infantis com espaço para piquenique, campo de futebol, quadras de vôlei e basquete e toda a infraestrutura para visitantes. O local conta ainda com a Biblioteca Temática de Meio Ambiente – Raull Bopp (SMC)

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MULHERES PAULISTANAS 


Veridiana Valéria da Silva Prado foi uma mulher marcante para a cidade, seja pelas obras de caridade, ou pelo seu incentivo à agricultura, aos esportes e às artes. Também destacou-se devido aos seus empreendimentos, sendo inclusive proprietária do jornal “O Comércio de São Paulo” e dona de fazendas e casas comerciais de café. Era filha de Antônio da Silva Prado, barão de Iguape, cafeicultor, comerciante de açúcar e de tropas, um dos paulistanos mais ricos da época, e de Maria Cândida de Moura Vaz. Os seus pais enfrentaram preconceito social e uma barreira legal ao casarem-se, pois a mãe, Maria Cândida, era uma mulher divorciada. Veridiana casou-se com seu meio-tio Martinho da Silva Prado, mas depois separou-se, sendo o divórcio considerado um escândalo para a sociedade da época. No entanto, ela obteve o comando da família e teve 6 filhos, 36 netos e 96 bisnetos. Veridiana educou os filhos, que exerceram papéis de destaque na política, nos negócios, na vida social e cultural do país, entre eles, Antônio da Silva Prado, seu filho primogênito, que foi Ministro de Estado, senador, deputado e o primeiro prefeito de São Paulo ( 1899 a 1911) e Eduardo Prado, fundador da Academia Brasileira de Letras.[Textos e imagens da Wikipedia]



Anália Emília Franco Bastos  foi professora, jornalista, poetisa, escritora e filantropa brasileira. Durante seus 62 anos de vida foi responsável por fundar mais de setenta escolas, 23 asilos para crianças órfãs, dois albergues, uma colônia regeneradora para mulheres, uma banda musical feminina, uma orquestra, um grupo dramático, além de diversas oficinas para manufatura em 24 cidades do interior e da capital. Na cidade de São Paulo, onde morou definitivamente a partir de 1898,também fundou uma importante instituição de auxílio às mulheres, a Associação Feminina Beneficente e Instrutiva, em 1901, que teve seu prédio tombado pelo Patrimônio Histórico da Cidade de São Paulo. Mais tarde, em sua homenagem foi nomeado um bairro da zona leste de São Paulo, o Jardim Anália Franco. Além do seu trabalho social, também possuía uma extensa lista de produções literárias, como o livro "O Novo Manual Educativo", sobre o processo pedagógico; três romances: "A Égide Materna", "A Filha do Artista" e "A Filha Adotiva"; numerosas peças teatrais; e várias poesias, como "Hino a Deus", "Hino a Ana Nery"; "Hino a Jesus"; "Minha Terra" e outros. Em 1919, foi vítima da gripe espanhola de 1918, que se espalhou durante a Primeira Guerra Mundial e chegou ao Brasil em meados de agosto daquele ano, e veio a falecer enquanto se preparava para viajar ao Rio de Janeiro para a criação de mais uma instituição, o Asilo Anália Franco, materializado depois de sua morte por seu marido, Francisco Antônio Bastos, com quem se casou em 1906.

Em 1868, aos 15 anos, iniciou o magistério e, mais tarde, recebeu permissão para ser professora primária. Na época, trabalhava como auxiliar de sua mãe, que também se dedicava a essa profissão.
Em 1872, foi aprovada em um concurso de Câmara na capital, mas preferiu ficar no interior. Essa decisão deu-se principalmente porque, no lugar, optou por abraçar uma causa social e compadecer-se de um problema que cresceu por conta da Lei do Ventre Livre, aprovada em 28 de setembro de 1871. Com essa lei, tornavam-se livres todos os filhos de mulheres escravas nascidos a partir daquele ano, mas estes ficariam sob o domínio dos senhores de suas mães até os oito anos completos — o que resultava em abusos e descaso por parte dos fazendeiros, que não tinham interesse em cuidar dessas crianças por não terem nenhum retorno financeiro com isso. Diante dessa situação, Anália mobilizou-se e assumiu a causa desses desamparados, que eram expulsos das fazendas logo cedo e, muitas vezes, tornavam-se mendigos. Assim, ela usava seu talento de escritora para redigir cartas para as mulheres fazendeiras, pedindo para que amparassem essas crianças abandonadas e necessitadas. Ao mesmo tempo, também criava um local para acolhê-las, a Casa Maternal. Mais tarde, ela foi expulsa do local onde foi instalada essa Casa e decidiu ir para a cidade de São Paulo, onde criou outra escola pública e abrigo para crianças e deu início ao seu legado, conseguindo implantar mais dessas instituições pelo estado com o apoio do grupo de abolicionistas e republicanos.

Em 1888 e 1889, com o decreto da abolição da escravatura e a proclamação da República no Brasil, o trabalho de Anália avançou ainda mais e ela conseguiu construir dois colégios gratuitos para meninos e meninas. No mesmo ano, ela ainda criou uma revista própria, o "Álbum das Meninas" — após já ter feito contribuições a revistas femininas, como "A Família", "A Mensageira" e "O Eco das Damas" — e foi também nesta época que fixou-se na capital paulista, passando a morar lá definitivamente.

Em 1901, fundou a Associação Feminina Beneficente e Instrutiva, de apoio às mulheres e crianças, que levou até o final de sua vida, em 1919. Contou com o apoio de vinte senhoras e inaugurou-o no dia 17 de novembro daquele ano. Com esse projeto, construiu ainda mais escolas maternais e primárias e criou o Albergue Diurno para os Filhos de Mães Jornaleiras, um dos braços da AFBI, além de creches, bibliotecas, escolas noturnas, oficinas profissionalizantes, asilos, liceus, abrigos, centros de atendimento médico e oficinas. Em 1902, inaugurou o Liceu Feminino, destinado a instruir e preparar professoras para a direção e a educação em suas escolas. Durante os cursos, publicou inúmeros livros, folhetos e tratados sobre a infância e o processo pedagógico, como O Novo Manual Educativo, que também tratava sobre a adolescência e juventude. Em 1903, passou a publicar uma revista mensal, A Voz Maternal. Em 1911, conseguiu adquirir, mesmo sem recursos financeiros, a Chácara Paraíso, 75 alqueires de terra que pertenciam ao padre Diogo Antônio Feijó, que se tornou regente do Império do Brasil de 1835 a 1837. Nesse espaço, fundou a Colônia Regeneradora D. Romualdo, com o objetivo de regenerar centenas de mulheres consideradas "desviadas", como prostitutas ou que engravidavam "fora das convenções", por exemplo.

A expulsão da Casa Maternal. O local onde foi instalada a Casa Maternal, a primeira escola pública criada por Anália Franco, foi oferecido por uma das fazendeiras a quem ela escrevia cartas pedindo ajuda pelas crianças, filhas de escravas, que estavam desamparadas. A casa ficava em Jacareí, no norte do estado de São Paulo,[4] e tinha sido cedida gratuitamente pela proprietária, mas sob uma condição: "não misturar negros e brancos". Anália não aceitou a proposta e recusou a oferta, passando, portanto, a pagar um aluguel pela casa e recebendo qualquer criança nela, sem segregação ou distinção racial. Mesmo recebendo um pagamento por sua residência, a fazendeira não gostou da ousadia da professora e alegou que o local estava sendo transformado em um albergue. Recorrendo ao prestígio de seu marido, um coronel respeitado, a mulher conseguiu a remoção de Anália de lá. Diante da situação, a professora resolveu ir para a cidade de São Paulo, onde alugou uma velha casa com seu próprio dinheiro e anunciou no Jornal Locall a existência do abrigo. A despesa custou a metade de seu salário, não sobrando o suficiente para a alimentação das crianças. Sendo assim, não hesitou em ir pessoalmente pedir esmolas nas ruas.

"O comportamento, insólito para a época, de uma professora espírita proteger negros, filhos de escravos, pedir esmolas pelas ruas em pleno regime monarquista, católico e escravocrata, gera um clima de antipatia e rejeição entre os moradores da região ante a figura daquela mulher considerada perigosa, e seu afastamento da cidade já é cogitado, quando surge um grupo de abolicionista e republicano a seu favor"

Apesar de viver em um período que as mulheres tinham pouco espaço na vida pública e pouca voz diante da sociedade, Anália destacou-se por seu trabalho e sua intensa luta por seus ideais, que eram considerados contrários ao pensamento da época escravocrata e segregacionista em que vivia. No início, decidiu abraçar a causa abolicionista e dedicou grande parte da sua vida a atividades socioeducacionais voltadas às crianças, principalmente negras, filhas de escravas, abandonadas após a promulgação da Lei do Ventre Livre, em 1871. Mais tarde, estendeu seus projetos às mulheres trabalhadoras, pobres ou marginalizadas pela sociedade, aos órfãos e aos necessitados, até seu falecimento em 1919. Anália foi de muita importância para a defesa da igualdade étnica, à educação livre e popular, à alfabetização, à mudança no sistema de ensino e ao combate do patriarcalismo por meio da profissionalização e da possibilidade de participação da mulher em âmbito social, elevando-a a uma posição de igualdade perante os homens e dando-lhe autonomia. Em suas produções literárias, sempre ressaltava a importância da educação para todos como uma forma de progresso ao Brasil e da libertação da mulher, para torná-la independente, principalmente quanto ao papel de mãe e esposa imposto pela sociedade, além de sempre declarar suas convicções sociais e políticas diante dos assuntos da época. Outro diferencial dos projetos sociais de Anália Franco é que ela sempre buscava capacitar os atendidos e não acomodá-los. Portanto, buscava de todas as formas a educação, o ensino profissional e o desenvolvimento da possibilidade de aprender, crescer e construir uma vida própria. Assim, eles eram inseridos na sociedade, de forma que pudessem também participar dela. Isso fazia com que não houvesse apenas a formação teórica dessas pessoas, mas também uma transformação da realidade destes.

Revista Álbum das Meninas. Em 30 de abril de 1898, Anália Franco criou sua própria revista, intitulada "Álbum das Meninas", publicação mensal literária e educativa voltada às jovens brasileiras. O periódico, que funcionou até meados de 1901, mesma data da criação da Associação Feminina Beneficente e Instrutiva, contava com matérias jornalísticas, poesias e literatura, com romances publicados em episódios, por exemplo. Grande parte do conteúdo era produzido pela própria Anália, que também recebia a ajuda de outras colaboradoras. O diferencial dessa revista para a época era a preocupação com a mulher pobre, negra e/ou marginalizada, que não eram retratadas em outros títulos, como em "A Mensageira", por exemplo. Além disso, o "Álbum das Meninas" também incentivava muito a leitura, o que podia despertar novos talentos femininos. Inclusive, em alguns exemplares, ela faz um apelo direto aos pais, dizendo o quão importante é que eles invistam na educação de suas filhas e no ciclo escolar completo para que elas aprendam mais do que apenas ler e escrever, além de pedir para que as pessoas apoiem o ensino público. Para deixar ainda mais convincente, cita exemplos internacionais que tiveram sucesso, como as creches na França. Em sua última publicação, na edição número 24, Anália escreveu um texto, sob o título de "A Nossa Apatia Mental", em que falava sobre como gostaria de contribuir para a educação, alfabetização, profissionalização e literatura. Assim, o periódico foi visto como um ensaio para o AFBI e uma divulgação de seus futuros projetos.

Religião e filosofia de vida. Anália Franco não atribuía caráter religioso em seus projetos, embora viesse de família católica e depois tenha se afeiçoado ao espiritismo. A professora defendia a liberdade e a tolerância, já que recebia crianças e mulheres de todas as crenças em suas instituições. Em uma das suas incursões ao interior, em Ribeirão Preto, sofreu um boicote feito por uma padre local contra a arrecadação de fundos da sua banda musical feminina. Sabendo da campanha contrária, o bispo da cidade, padre Euclides, num claro gesto amistoso, foi pessoalmente levar para Dona Anália um donativo em seu nome e da comunidade católica. Ainda assim, ela era perseguida por considerarem que ela fosse aliada somente ao espiritismo. Inclusive, jornais católicos da época não poupavam críticas ao seu trabalho, dizendo que era algo "perigoso para o sentimento religioso das crianças". Por outro lado, espíritas enalteciam seus projetos e ela ficou fortemente conhecida na comunidade por conta de sua caridade e amor ao próximo. Faleceu em 1919. [Textos e imagens da Wikipedia]


A Pintora Tarsila do Amaral observa uma de suas obras expostas no MASP

Tarsila de Aguiar do Amaral (Capivari, 1 de setembro de 1886 — São Paulo, 17 de janeiro de 1973) foi uma pintora, desenhista, escultora, ilustradora, cronista e tradutora brasileira. É considerada uma das principais artistas modernistas latino-americanas, além de ser considerada a pintora que melhor alcançou as aspirações brasileiras de expressão nacionalista nesse estilo artístico. Como integrante do Grupo dos Cinco, Tarsila também é considerada uma grande influência no movimento da arte moderna no Brasil, ao lado de Anita Malfatti, Menotti Del Picchia, Mário de Andrade e Oswald de Andrade. Foi fundamental na formação do movimento estético, Antropofagia (1928-1929); na verdade, foi Tarsila quem com seu célebre quadro, Abaporu, inspirou o famoso Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade. Além das 230 pinturas, centenas de desenhos, ilustrações, gravuras, murais e cinco esculturas, o legado de Tarsila é seu efeito na direção da arte latino-americana. Tarsila impulsionou o modernismo na América Latina e desenvolveu um estilo único no Brasil. Seguindo seu exemplo, outros artistas latino-americanos foram influenciados a começar a utilizar o tema indígena brasileiro e desenvolver seu próprio estilo. A cratera Amaral em Mercúrio recebeu o nome da pintora brasileira como uma homenagem da União Astronômica Internacional. Em 2018, o MoMA, em Nova Iorque, abriu uma exposição individual de seu trabalho, a oitava retrospectiva sobre artistas da América Latina.[Textos e imagens da Wikipedia]



Carolina Maria de Jesus, nascida em Sacramento-MG, em 14 de março de 1914 e faleceu em São Paulo, no dia 13 de fevereiro de 1977). Ficou famosa por seu primeiro livro Quarto de Despejo: Diário de uma favelada, publicado em 1960 com auxílio do jornalista Audálio Dantas. O livro fez um sucesso estrondoso, tendo vendido 10 mil exemplares em apenas uma semana, e sido traduzido para treze idiomas e distribuído em mais de quarenta países. A publicação e a tiragem recorde, cerca de 100 mil em três edições sucessivas, revelam o interesse do público e da mídia da época pelo ineditismo da narrativa da favelada catadora de papéis e de outros lixos recicláveis. Era filha ilegítima de um homem casado e foi maltratada durante toda sua infância. Aos sete anos, sua mãe a obrigou a frequentar a escola, depois que a esposa de um rico fazendeiro decidiu pagar seus estudos, mas ela interrompeu o curso no segundo ano, tendo já conseguido aprender a ler e a escrever e desenvolvido o gosto pela leitura. Carolina não negava sua religiosidade, referia-se a Deus em seu diário. Em 1937, sua mãe morreu e ela se viu impelida a migrar para a metrópole de São Paulo. Carolina construiu sua própria casa, usando madeira, lata, papelão e qualquer material que pudesse encontrar. Saía todas as noites para coletar papel, a fim de conseguir dinheiro para sustentar a família.[Textos e imagens da Wikipedia]



Da esquerda para direita Carolina Maria de jesus (Escritora), o jornalista Audálio Dantas e a atriz Ruth de Souza na Favela do Canindé em SP no ano de 1961. Acervo Ruth de Souza 





Ada Rogato foi a primeira mulher a obter licença como paraquedista, a primeira volovelista (piloto de planador) e a terceira a se brevetar em avião (1935). Também se destacou pelas acrobacias aéreas e foi a primeira piloto agrícola do país. Era filha do casal de imigrantes italianos Maria Rosa Greco e Guglielmo "Guilherme" Rogato, ambos naturais de San Marco Argentano, na Calábria. Seu pai abandonou a família na década de 1930 para formar nova família em Alagoas, onde consolidou a carreira de fotógrafo e cineasta. Com sua segunda companheira teve mais uma filha, a médica Flavia Rogato. Ada Recebeu dos pais a mesma educação dada à maioria das moças de classe média da época, para torná-las "prendadas" – além do colégio, aulas de piano e pintura -, mas a ambição ia além: queria aprender a voar. E não abandonou a meta mesmo quando os pais se separaram e ela teve de ajudar a mãe não só nas atividades domésticas como em bordados e trabalhos artesanais para se sustentar. Conseguiu juntar dinheiro suficiente para as aulas que lhe possibilitaram tirar em 1935 o primeiro brevê feminino de voo a vela e, no ano seguinte, a primeira licença concedida a uma mulher pelo Aeroclube de São Paulo para pilotar avião. Um curso de paraquedismo feito no Campo de Marte em 1941 lhe garantiu o primeiro certificado de pára-quedista concedido a uma brasileira. Adepta incondicional da aviação esportiva, Ada passou desde então a usar suas habilidades para divulgar a aviação: acrobacias aéreas e saltos de paraquedas, ajudava a atrair público para os eventos aviatórios organizados tanto nas capitais como nos recém-fundados aeroclubes do interior de São Paulo e de outros Estados. Durante a Segunda Guerra Mundial, realizou voluntariamente 213 voos de patrulhamento aéreo do litoral paulista. E em 1948, quando as autoridades decidiram dar combate aéreo à broca-do-café - praga que ameaçava as plantações do nosso principal produto de exportação na época -, ela aceitou o desafio de cumprir a tarefa que a transformou em pioneira do polvilhamento aéreo no Brasil.[Textos e imagens da Wikipedia]

BRANCA ALVES DE LIMA



Entre a década de 50 e os anos 1990, estima-se que mais de 48 milhões de brasileiros tenham aprendido a ler seguindo as frases simples da cartilha Caminho Suave, que usava a técnica denominada "alfabetização por imagem", e que ainda desperta memórias afetivas de muitos adultos como a lembrança de um método eficiente para ensinar a ler. 

Branca Alves de Lima (São Paulo, 13 de agosto de 1910 - ibid., 25 de janeiro de 2001) foi uma educadora brasileira. Ficou conhecida por editar a cartilha Caminho Suave, que se tornou um fenômeno editorial na alfabetização de crianças pelo Brasil.

Biografia. Começou a lecionar em escolas do interior de São Paulo durante a década de 1930. Seu primeiro trabalho foi em uma escola rural localizada em Jaboticabal. Na época, segundo ela, era obrigatório lecionar por um ano em uma escola de zona rural e alfabetizar no mínimo quinze alunos para poder conseguir ensinar em uma escola urbana.

Em 1936, passou a lecionar em Rio Preto, no grupo escolar Cardeal Leme. Lá, iniciou experiências de alfabetização com imagens associadas à sílabas. Ela percebeu que, se associar uma letra a uma figura, as crianças não se esqueceriam. A letra G foi associada a um gato e a o F a uma faca, por exemplo.

De acordo com Branca, os métodos anteriores de alfabetização não eram eficientes, pois começavam com as orações para depois chegar às palavras.

O sucesso dos cartazes fez com que muitas professoras a sugerissem que ela escrevesse uma cartilha. Para poder aumentar a transmissão desse sistema, Branca criou o livro Caminho Suave em 1949. Com a ajuda do pai, um contador, bancou sozinha a distribuição de 5 mil exemplares — mil distribuídos às escolas e os outros 4 mil foram vendidos rapidamente. Sua empresa passou a se chamar editora Caminho Suave.

Seu método consiste na alfabetização pela imagem. Depois da fase em que se associa desenhos a letras é que se começa a usar pequenos textos de fixação. Segundo ela, esse método segue em ordem alfabética, não colocando sílabas que ainda não foram apresentadas.



Em 1971, a cartilha apresentou a primeira alteração, passando a ser colorida e com noções de gramática funcional. Já em 1980, ganhou espaço para exercícios escritos. Até 1987, o livro vendeu mais de 40 milhões de exemplares.

A cartilha perdeu força quando o governo brasileiro passou a adotar o método construtivista, cujos maiores expoentes são Jean Piaget e Paulo Freire. Em 1996, a Caminho Suave foi excluída do Programa Nacional do Livro Didático. Naquele mesmo ano, Branca fechou a sua editora, com os direitos da publicação sendo repassados para a Edipro.

Morte. Branca morreu no dia 25 de janeiro de 2001, no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, vítima de um câncer de pulmão Era solteira e não tinha filhos.

Legado. Apesar de o livro não ser mais distribuído pelo Estado brasileiro, a Caminho Suave continuou a ser lembrada pelos leitores. Em 2010, chegou à 129ª edição e era um dos cinco livros mais vendidos pela Livraria da Folha.



ANITA MALFATI





Anita Malfatti (São Paulo, 2 de dezembro de 1889 — São Paulo, 6 de novembro de 1964) foi uma pintora, desenhista, gravadora, ilustradora e professora ítalo-brasileira. Anita Malfatti era portadora de deficiência motora. É considerada pioneira da Arte Moderna no Brasil. Filha do engenheiro italiano, Samuele Malfatti e da pintora norte-americana poliglota, de origem alemã, Eleonora Elizabeth "Betty" Krug.  Anita Malfatti nasceu na cidade de São Paulo, em 2 de dezembro de 1889, sendo a segunda filha do casal. Nasceu com deficiência congênita no braço direito e, por esse motivo, aos três anos de idade, foi submetida a uma cirurgia na cidade de Lucca, na Itália, na esperança de corrigir a atrofia. Entretanto, não houve recuperação total dos movimentos. Voltando ao Brasil, teve o apoio da norte americana Miss Browne, amiga da família, no desenvolvimento da escrita e aprendizado do desenho com sua mão esquerda. Iniciou seus estudos em 1897 no Externato São José de freiras católicas, onde foi alfabetizada. Logo depois, passou a estudar em escolas protestantes: na Escola Americana, em 1903, e pouco depois no Mackenzie College onde, em 1906, recebe o diploma de normalista. Em 1902, com a morte prematura do pai de Anita, sua mãe, Betty, começa atividade profissional como professora de línguas e pintura. Anita iniciou-se na técnica de pintura com sua mãe. Seu gosto pela arte também foi influenciado por seu tio e padrinho, o engenheiro Jorge Krug. Nutria o sonho de estudar em Paris, todavia, embarcou para Berlim, em 1910, com o financiamento de seu padrinho. Com a instabilidade política e social causada por uma guerra que se mostrava iminente, Anita Malfatti resolve deixar Berlim e, passando rapidamente por Paris, retorna ao Brasil.

Em 1917 Anita promoveu uma exposição em 13 de dezembro de 1917, na esperança que sua arte seja compreendida pelo público mais amplo. Suas pinturas causam tanto polêmica quanto admiração. Sua obra A Boba é duramente criticada pela ala conservadora da elite cultural de São Paulo.
A mais dura crítica veio do escritor e crítico Monteiro Lobato que, em 20 de dezembro de 1917, dedicou um artigo ao assunto no jornal O Estado de S.Paulo, intitulado A propósito da exposição Malfatti. Lobato considerou as obras das artistas distorções de mau gosto, porém, reconheceu o talento da pintora. Muitas de suas obras foram devolvidas, outras quase destruídas. Anita mergulhou em profunda tristeza e isolou-se de todos. Suprimiu sua inquietação artística, retomando, em 1919 os estudos acadêmicos. as críticas severas e reações conservadoras, todavia, provocaram reação de jovens literatos e artistas visuais, como Oswald de Andrade, Menotti del Picchia e Emiliano Di Cavalcanti em defesa de Malfatti. Este momento é emblemático por ter possibilitado o reconhecimento e aproximação daqueles que viriam a se chamar modernistas. A Semana de Arte Moderna movimentou a vida artística São Paulo. Anita dela participou com 22 trabalhos. Anita embarcava em viagem para Paris para cumprir cinco anos de estudos pela bolsa do Pensionato. Este seria o último e mais longo período fora do Brasil. Em agosto de 1922, ela tinha 33 anos e embarcava no vapor Mosella rumo à França. No final de setembro de 1928, Anita voltou ao Brasil. O ambiente artístico já era diferente daquele que ela deixara anos antes, com novos adeptos e novos movimentos. O número de artistas plásticos também havia crescido.[carece de fontes. Em 1929, abriu em São Paulo sua quarta exposição individual. Depois disso, a partir de 1932, Anita dedicou-se ao ensino escolar. Retomou suas aulas na Escola Normal Americana e foi trabalhar também na Escola Normal do Mackenzie College. Em 1933, instala seu ateliê no bairro paulista de Higienópolis, no qual permanece até 1952. Anita Malfatti faleceu no dia 6 de novembro de 1964. Foi sepultada no Cemitério dos Protestantes.[Textos e imagens da Wikipedia]

Anita Malfatti. Praia de São Vicente.  1942. Pinacoteca do Estado.


 Rita Lee é a filha mais nova do dentista Charles Fenley Jones, paulista descendente de imigrantes norte-americanos confederados do Alabama e do Tennessee estabelecidos em Santa Bárbara d'Oeste, e de Romilda Padula, apelidada Chesa, também paulista, filha de imigrantes italianos da região do Molise, no sul da Itália. Ela nasceu e cresceu no bairro da Vila Mariana, onde viveu até o nascimento de seu primeiro filho. Em entrevistas, revelou que esse bairro lhe era especial, já que lá tem uma grande parte de todas as melhores lembranças de sua vida. A artista foi educada no colégio franco-brasileiro Liceu Pasteur; era poliglota e falava fluentemente português, inglês, francês, castelhano e italiano. Chegou a ingressar no curso de Comunicação Social na Universidade de São Paulo, em 1968, na mesma turma da atriz Regina Duarte. Assim como Regina, abandonou o curso no ano seguinte. Na adolescência passou a se interessar por música e compôs suas primeiras canções. Junto de alguns amigos começou a se apresentar em clubes da região como componente do "Tulio's Trio". Fez parte do grupo tropicalista. Os Mutantes e depois fez carreira solo com sua própria banda, Rita Lee e Tuti-Fruti, tornando um ícone do rock nacional com shows e gravações  antológicas nos anos 1970 e início dos anos 80. Seu casamento com o guitarrista Roberto de Carvalho deu outro rumo na carreira de Rita, sempre com grande prestígio na mídia, nas trilhas de novelas e anúncios publicitários. Faleceu em São Paulo em 2023. [Textos e imagens da Wikipedia]


Tomie Ohtake OMC (Kyoto, 21 de novembro de 1913 — São Paulo, 12 de fevereiro de 2015) foi uma artista plástica japonesa naturalizada brasileira. É uma das principais representantes do abstracionismo informal. Sua obra abrange pinturas, gravuras e esculturas. Foi premiada no Salão Nacional de Arte Moderna, em 1960; e em 1988, foi agraciada com a Ordem de Rio Branco pela escultura pública comemorativa dos oitenta anos da imigração japonesa no Brasil, em São Paulo. Pela sua carreira consagrada, Tomie Ohtake é considerada a “dama das artes plásticas brasileira”. Artistas como Tomie Ohtake, Tikashi Fukushima, Manabu Mabe e outros são reconhecidos abstracionistas, representativos do Brasil, que contam com muitos apoiadores. Tomie Ohtake foi a mãe do arquiteto Ruy Ohtake (também falecido)[ e Ricardo Ohtake, diretor do Instituto Tomie Ohtake. Tomie Nakakubo, filha de Inosuke e Kimi Nakakubo, chegou ao Brasil em 1936 para visitar um irmão. Conheceu o engenheiro agrônomo Ushio Ohtake, também japonês, com quem se casou e teve dois filhos, Ruy e Ricardo. A família estabeleceu-se no bairro da Mooca, na capital paulista. Em 1952, iniciou na pintura com o artista Keisuke Sugano. No ano seguinte, integrou o Grupo Seibi. Passou um certo tempo produzindo obras no contexto da arte figurativa, mas a artista definiu-se pelo abstracionismo. A partir dos anos 1970, passou a trabalhar com serigrafia, litogravura e gravura em metal. Naturalizou-se brasileira em 1968. Nos anos 50 e 60, participou de salões nacionais e regionais, tendo sido premiada na maioria deles. Foi convidada a participar da Bienal de Veneza em 1972, pela própria instituição. Recebeu o Prêmio Panorama da Pintura Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo.[Textos e imagens da Wikipedia]


Lygia Fagundes da Silva Telles (São Paulo, 19 de abril de 1918– São Paulo, 3 de abril de 2022), também conhecida como "a dama da literatura brasileira" e "a maior escritora brasileira" enquanto viva, considerada por acadêmicos, críticos e leitores uma das mais importantes e notáveis escritoras brasileiras do século XX e da história da literatura brasileira. Além de advogada, romancista e contista, Lygia teve grande representação no pós-modernismo, e suas obras retratavam temas clássicos e universais como a morte, o amor, o medo e a loucura, além da fantasia. Nasceu na cidade de São Paulo, mas cresceu em Sertãozinho e noutros pequenos municípios do interior paulista, e desde pequena demostrou interesse pelas letras. Aos oitos anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, permanecendo lá por cinco anos. De volta a São Paulo, matriculou-se no Instituto de Educação Caetano de Campos e passou a interessar-se por literatura. Sua estreia literária foi com o livro de contos Porão e Sobrado (1938), o qual foi bem recebido pela crítica; o sucesso se repetiu com Praia Viva (1944). Após ter concluído o curso de Direito na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em 1946, onde conhecera Mário de Andrade e Oswald de Andrade, Paulo Emílio Sales Gomes, entre outros, integrou a academia de letras da faculdade e colaborou com os jornais Arcádia e A Balança. No ano seguinte, ela casou-se com Gofredo Teles Júnior, com quem teve Goffredo da Silva Telles Neto, casando-se novamente em 1962 com Paulo Emílio Salles Gomes. O terceiro livro de contos dela, O Cacto Vermelho, lançado em 1949, recebeu o Prêmio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras. Seu primeiro romance, Ciranda de Pedra, publicado em 1954, foi bem recebido pela crítica e público, tornando-a nacionalmente conhecida. Em paralelo à carreira literária, ela trabalhou como Procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo, cargo que exerceu até a aposentadoria, e foi presidente da Cinemateca Brasileira, fundada pelo marido Paulo Emílio. A década de 1970 foi de suma importância para Lygia e marcou seu êxito literário e consagração internacional, dado que foi naquele período em que ela publicou algumas de suas obras mais aclamadas e prestigiadas: Antes do Baile Verde (1970), cujo conto que dá título ao livro venceu o Grande Prêmio no Concurso Internacional de Escritoras, na França; As Meninas (1973), que ganhou o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, o Prêmio Coelho Neto da Academia Brasileira de Letras e "Ficção" da Associação Paulista de Críticos de Arte; e Seminário dos Ratos (1977), pelo qual ganhou o Pen Club do Brasil. Ela ingressou na Academia Paulista de Letras em 1982, e, em 1985, ocupou a cadeira de número dezesseis da Academia Brasileira de Letras, tomando posse em 12 de maio de 1987. Naquele mesmo ano, tornou-se membro da Academia das Ciências de Lisboa. Dentre seus outros sucessos estão: Verão no Aquário (1964), Mistérios (1981), As Horas Nuas (1989) e Invenção e Memória (2000). A escritora teve seus livros traduzidos para o alemão, espanhol, francês, inglês, italiano, polonês, sueco, tcheco, além de inúmeras edições em Portugal. Encontra-se colaboração da sua autoria na revista luso-brasileira Atlântico.


Maria Esther Andion Bueno (São Paulo, 11 de outubro de 1939 — São Paulo, 8 de junho de 2018), conhecida no exterior como Maria Bueno, foi uma tenista brasileira, que atuou nas décadas de 1950, 1960 e 1970, sendo uma das raras tenistas a conquistar títulos em três décadas diferentes.


Maior nome do tênis brasileiro (incluindo homens e mulheres), eleita a melhor tenista do século XX da América Latina, e incluída em 2012 na posição 38 entre os 100 Melhores Tenistas da história (incluindo homens e mulheres) pelo canal Tennis Channel, em seus vinte anos de carreira, colecionou 589 títulos internacionais, entre os quais se destacam feitos importantes, como a conquista dos torneios individuais de Forest Hills (atual US Open), em 1959, 1963, 1964 e 1966, e os de duplas de 1960 e 1962 (com Darlene Hard), e 1968 (com Margaret Smith Court). Ao todo, Bueno venceu dezenove torneios do Grand Slam (sete na categoria simples; onze em duplas femininas; um em duplas mistas). Segundo a Federação Internacional de Tênis, foi a n.º 1 do mundo em 1959, na categoria individual feminina. O International Tennis Hall of Fame também a incluiu como a melhor tenista do mundo, em 1964 (depois de perder a final no Torneio de Roland-Garros e ganhar Wimbledon e o U.S. Open) e 1966. Em 1960, entrou para a história como a primeira mulher a ganhar o chamado Grand Slam de tênis, ou seja, a conquistar os quatro Grand Slams jogando em duplas num mesmo ano (três com Darlene Hard e um com Christine Truman Janes). Seu nome está no Livro dos Recordes: na final do US Open de 1964, contra a americana Carole Caldwell Graebner, Maria Esther venceu a partida em apenas dezenove minutos. Além disso, sua vitória sobre Margaret Court na final individual de Wimbledon, em 1964, é considerado por muitos um dos dez jogos mais emocionantes da história do tênis. Maria Esther Bueno morreu no dia 8 de junho de 2018, aos 78 anos. Estava internada, desde maio, no Hospital 9 de Julho, em São Paulo, para tratar um câncer labial, que se espalhou no organismo, que havia sido diagnosticado em 2017. O corpo da tenista foi velado no Salão Nobre do Palácio do Governo de São Paulo e sepultado no Cemitério da Consolação, na cidade de São Paulo.

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XVI

BRÁS, PARI, GASÔMETRO


1900 - Panorama do Gasômetro e Brás. Anônimo. Instituto Moreira Salles.





O Museu da Imigração do Estado de São Paulo é uma instituição pública vinculada à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Está localizada na sede da extinta Hospedaria dos Imigrantes, na Rua Visconde de Parnaíba, 1316, no tradicional bairro da Mooca, na cidade de São Paulo. O museu possui forte tendência a ser um ponto turístico altamente frequentado por pessoas de dentro e de fora da cidade de São Paulo. O edifício é um patrimônio histórico tombado devido à sua importância para compreender os fluxos de imigração no país e no Estado de São Paulo. Por sua vez, o museu vem aprimorando seu trabalho, criando oportunidades para que seu público entre em contato cada vez maior com as diferentes influências que compõem o cenário cultural da cidade e do Estado de São Paulo.[Textos e imagens da Wikipedia]


A famosa "porteira do Brás" que por décadas foi conhecida por atrasar o progresso desta região do bairro e da Avenida Rangel Pestana, foi substituída por um viaduto. 

Brás é um distrito situado na região central do município brasileiro de São Paulo, a leste do chamado Centro Histórico da São Paulo.  É uma região muito conhecida no Brasil pelo comércio de roupas, especialmente nas imediações do Largo da Concórdia e da rua Oriente. Em sua área, possui também um grande número de galpões e plantas industriais desativadas. O nome Brás vem do proprietário das terras onde se formou o distrito, que se chamava José Brás, que se tornou um benemérito. Nas terras de José Brás foi erguida na segunda metade do século XVIII a Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em torno da qual formou-se a povoação. Tornou-se no início do século XX uma referência de bairro da comunidade italiana (comemoração das festas de Nossa Senhora de Casaluce e São Vito), e da comunidade grega (com a Igreja Ortodoxa Grega), comunidade armênia, com forte presença de indústrias (especialmente próximo às ferrovias) e madeireiras (região da rua do Gasômetro). Com o tempo essas características foram-se modificando, com o aumento do contingente de nordestinos na região próxima ao Largo da Concórdia, ponto em que operava a estação terminal da Estrada de Ferro Central do Brasil. Atualmente é um distrito essencialmente voltado à indústria e ao comércio de confecções com forte destaque ao comércio de jeans no atacado e também de moda infanto juvenil, destacando-se ainda a grande concentração de lojas especializadas na venda de enxovais e produtos para gestantes e bebês. Possui forte presença das comunidades coreana e boliviana. A presença de um comércio de características populares também é grande, especialmente nas avenidas Rangel Pestana e Celso Garcia, por serem tradicionais vias de passagem de moradores da Zona Leste que trabalham no Centro da cidade.[Textos e imagens da Wikipedia]

Saída de turno de uma fábrica do Brás nos anos 1960.


 Estação do Brás. Anos 1950. 



Cena cotidiana do Brás nos anos 1970: gentileza entre vizinhos numa época em o telefone era raro e de alto custo. 


Cortiços no Brás em 1947. Peter Scheier:. Acervo Instituto Moreira Salles


Rua Caetano Pinto esquina com a rua Sobral  em foto de Outubro de 1957. A esquerda a antiga fábrica do Biotônico Fontoura. / F. / Folha / Uol . Publicado por Roberto Iorio.


GASÔMETRO




O Complexo do antigo Gasômetro de São Paulo foi inaugurado em 1890 pela empresa londrina The São Paulo Gás Company.

O Gasômetro foi aberto em 1890 e desativado em 1972, período em que foi responsável por produzir gás hidrogênio carbonado para ser utilizado na iluminação pública e doméstica da cidade. Hoje, o edifício é tombado pelo Condephaat e pertence à Companhia de Gás de São Paulo (COMGÁS), que o utiliza como Centro Operacional da Região Metropolitana. O conjunto está localizado entre as ruas da Figueira e Maria Domitila e está na área delimitada como subprefeitura da Mooca, na zona leste da capital paulista. Um ponto que se destaca do Complexo da Comgás é a utilização da cogeração de energia, que serve mais para gerar eletricidade ao complexo do que para resfriar a água do sistema de ar-condicionado. Consequentemente, 20% dos recursos energéticos imprescindíveis para o complexo vem da rede pública. Além do mais, é utilizada nos edifícios a tecnologia de reuso de água da chuva e de efluentes examinados biologicamente para descarga sanitária.

História. As primeiras tentativas de instalar iluminação pública na cidade de São Paulo tinham como base lampiões feitos com azeite de peixe ou de mamona. Gás hidrogênio líquido e azeite resinoso fotogênico também foram algumas das matérias-primas testadas até que, em 1842, a iluminação pública a gás fosse regulamentada na cidade. A história do Gasômetro começa em 1870 quando o engenheiro inglês William Ramsay desembarcou no Brasil em busca do local perfeito para as instalações da empresa conterrânea São Paolo Gás Company. O imóvel escolhido foi a Chácara do Ferrão, que estava situado entre as ruas da Figueira e Maria Domitila, no bairro do Brás, e que já havia sido propriedade da Marquesa de Santos. A localização demonstrou-se estratégica, e isso deu-se por causa da futura construção da linha férrea da São Paulo Railway e da Central do Brasil, que ficaram encarregadas do transporte das matérias primas indispensáveis para o funcionamento da futura usina de gás.

O gasômetro, também conhecido como Casa da Figueira, abriu as portas de forma experimental em janeiro de 1872 e, de forma definitiva, dois meses mais tarde. A inauguração aconteceu para celebrar a volta de uma das viagens de Dom Pedro II e iluminou, à gás, arcos construídos em frente à antiga Catedral do antigo Palácio do Governo. Durante o século XIX, então, o gasômetro armazenava e distribuía o gás hidrogênio carbonado produzido a partir da queima da hulha (que vinha do Reino Unido por navio), na Casa das Retortas, próxima do gasômetro. Na ocasião, São Paulo e suas freguesias contavam com apenas 31 mil habitantes e o gasômetro abastecia apenas 700 lampiões da iluminação pública da época e 174 residências (alimentando fogões e aquecedores). Com a chegada do século XX, uma série de fatores contribuíram para uma grande expansão na cidade de São Paulo, dentre eles contingente populacional, situação geográfica estratégica e um sistema eficiente de transportes. Com isso, os serviços de iluminação disponíveis de tornaram insuficientes. O surto de urbanização e a ampliação dos horários para a realização de atividades fez com que surgisse a necessidade de novas formas de iluminação pública. Por isso, em 1901, a São Paolo Gás Company passou a ser responsável apenas pela iluminação residencial, já prevendo a substituição do gás pela eletricidade no serviço de iluminação pública.

Hospital de Caridade do Brás em 1919. 



A partir da virada do século XIX para os anos 20, os combustores a gás já haviam substituído as antigas lamparinas a azeite nos postes da cidade e 20 anos depois, seriam mais de 1.950 postes públicos, diversos com mais de um lampião. O crescimento dinâmico da cidade a partir dos anos 30 fez com que em 1935 o lampião a gás fosse definitivamente substituído pela iluminação elétrica e em 1937 já não havia mais nenhum lampião a gás funcionando na cidade. Foi nesse ano que a São Paolo Gás Company encerrou suas atividades no Brasil, depois que o imóvel foi desapropriado e incorporado aos domínios da prefeitura de São Paulo. Já no ano seguinte, 1968, instituiu-se uma empresa pública de fornecimento de gás, a Companhia Municipal de Gás (COMGÁS), que funcionou na usina da Rua da Figueira até 1972, quando se mudou para uma nova usina de gás nafta, no bairro da Mooca, encerrando as atividades no Complexo do Gasômetro. Atualmente, o Edifício segue sendo propriedade da COMGÁS, que utiliza o espaço como um centro operacional até que se concretize a restauração e os planos de transformar o edifício na sede do Museu de História do Estado de São Paulo, com previsão de inauguração para 2017.


Rua do Gasômetro em 1958. 

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Templo da Igreja universal construído  na avenida Celso Garcia. 
 
Templo de Salomão da IURD é uma réplica do Templo de Salomão, citado na Bíblia e a sede mundial da Igreja Universal do Reino de Deus, construída no bairro do Brás, distrito do Belém, São Paulo, Brasil. É um dos mais visitados pontos turísticos do Brasil, ultrapassando o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, ambos do Rio de Janeiro. Em seu primeiro ano de funcionamento, o templo obteve mais de 2 milhões de visitas. Em 2017, ganhou um certificado de excelência pelo site TripAdvisor. Chega a receber cerca de 400 mil fiéis por mês. A edificação foi inspirada em características da construção do Segundo Templo de Jerusalém. Esse localizava-se em Jerusalém, Israel, e fora destruído pelo general romano Tito, em 70 d.C. É um dos maiores espaços religiosos do país e teve o custo de construção de 680 milhões de reais. Em 8 de agosto de 2010, o bispo Edir Macedo reuniu milhares de pessoas no terreno do templo, onde foi feita uma reunião com o objetivo de lançar a pedra fundamental do projeto do templo. Na mesma semana, o Bispo lançou duas contas bancárias para os que quisessem fazer suas doações em prol da construção. Em 2013 foram iniciadas as colocações das pedras vindas de Israel. Vários tipos de modelos foram colocados a Taltishe, que mede cerca de 25x50x3cm, para revestir aproximadamente 19 mil metros quadrados. No piso interno, foi usado a pedra Brushed Stone, no tamanho 80x80cm. As colunas receberam a rocha chamada de Matabeh, que mede 50x100x3cm, para intercalar partes com cortes rústicos com polidas. Sua capacidade é de mais de dez mil pessoas na nave principal ou santuário, bem com uma área de 70 mil m2, o equivalente a 16 campos de futebol. O altar e a fachada do templo foram feitos com pedras nativas de Israel. A construção consumiu mais de 28 mil m³ de concreto e duas mil toneladas de aço, o bastante para construir duas vezes o Palácio do Planalto que é a sede do gabinete presidencial localizado na cidade de Brasília. As medidas e arquitetura do templo são com base nas orientações bíblicas. O Templo de Salomão conta com 126 metros de comprimento, 104 metros de largura, 55 metros de altura com dois subsolos, que corresponde a de um prédio de 18 andares, quase duas vezes a altura da estátua do Cristo Redentor. E o templo tem 36 salas de Escola Bíblica Infantil (EBI) com capacidade para receber aproximadamente 1 300 crianças, estúdios de televisão e rádio, auditório para 500 pessoas e estacionamento para dois mil carros. Além de 59 apartamentos do tipo quitinetes, 12 apartamentos com uma suíte e 13 de duas suítes para abrigar pastores e bispos da instituição. A igreja ocupa quase um quarteirão inteiro da Avenida Celso Garcia, onde para a construção foram comprados 24 imóveis nesse mesmo local e nas Ruas João Boemer e Júlio César da Silva. 


PARI




Pari é um distrito situado na região central do município brasileiro de São Paulo, a Nordeste do chamado Centro Histórico da São Paulo. Apesar de sua posição geográfica, pertence à região administrativa do Sudeste, visto que o Distrito integra a subprefeitura da Mooca. Trata-se de um dos menores distritos da Capital, abrangendo o bairro do Canindé, onde se situa o estádio da Associação Portuguesa de Desportos e o Shopping D. O distrito possui também a sede da IFSP. Tradicionalmente a comunidade do distrito participa dos desfiles de Carnaval com a sua Escola de Samba Colorado do Brás. Apesar de ser um distrito relativamente pequeno (possui 2,75 km²), suas ruas são largas e asfaltadas, sendo que algumas possuem canteiro central com vegetação. Por ocupar a várzea do Rio Tietê, é um distrito quase inteiro plano, sendo também considerado "baixo", pois em sua área existem muito poucos prédios acima de quatro andares, sendo predominantes as casas, prédios de dois ou três andares, além de vários galpões e garagens de ônibus no Largo do Pari (Feirinha da Madrugada) e Galpão da Associohorti na rua Sta Rosa.

Etimologia. No início, para apanhar os peixes, os colonizadores europeus haviam aprendido uma técnica indígena de envenenar a água com timbós ou tinguis. Porém, o veneno causava danos ao rio e, em 1591, o governo local proibia a técnica, com pena de quintos réis, no Tamanduateí. Com a proibição, os pescadores passaram a colocar em certos pontos do rio uma armadilha chamada "pari": Era uma cerca de taquara ou cipó, estendida de lado a lado para pescar peixes. No caso, eles eram pescados principalmente nos rios Tietê e Tamanduateí, que ficavam próximos e eram rios piscosos, próprios para a instalação de "paris". Daí nasceu o nome do bairro: Pari.

Formação. O Pari é um bairro antigo cravado entre os rios Tamanduateí e Tietê. Formou-se em fins do século XVI, constituído essencialmente por pescadores, seus habitantes eram formados por índios, portugueses e mamelucos. Situado em uma região de alagamentos, Pari foi uma parte importante para a sobrevivência e o crescimento da cidade durante seus primeiros séculos, enquanto a alimentação dos moradores era resultado da pesca. Em 1867, foi inaugurado, pela São Paulo Railway, um pátio ferroviário denominado Pari, hoje erradicado, que auxiliava nas manobras e na estocagem dos materiais que não podiam permanecer na Estação da Luz, possuindo também uma pequena estação de embarque e desembarque de mercadorias. Porém, apesar do nome, o pátio situava-se fora do atual distrito, entre as atuais ruas São Caetano, Monsenhor Andrade, Mendes Caldeira e a Avenida do Estado, no Distrito do Brás. Neste distrito, também também se situa o denominado Largo do Pari, logradouro da confluência da Avenida do Estado com a Rua Santa Rosa e, por aí, se percebe que a delimitação do distrito não respeitou a antiga compreensão que se tinha do Bairro do Pari.

Século XX

No início do século XX, a cidade de São Paulo, passa por um intenso processo de urbanização e a vinda de um grande fluxo de imigrantes europeus. O Pari por ser um bairro operário, recebe grandes contingentes de italianos, espanhóis, portugueses e gregos, nesse período os imigrantes italianos, nos fins de semana, ocupavam a praça Padre Bento, para cantar e dançar a "tarantela". Para tentar acabar com os constantes transbordamentos nos arredores do rio Tamanduateí, a prefeitura mandou, em 1908, solevar uma grande extensão da várzea do rio. Foram cobertos com dois metros de terra as planícies do Brás, passando por Pari, até a Mooca. Na década de 1940, sírios e libaneses passam a integrar o bairro multi-étnico.


Rua das Olarias.  Denominada pelo Ato nº 972 de 24 de agosto de 1916 Denominação de origem popular que lembra a existência de olarias no local, para a fabricação de tijolos e telhas, muito comuns em São Paulo e principalmente próximos aos rios Tietê e Tamanduateí. Nos anos 60, assim como toda a região central de São Paulo, o Pari passou por um processo de degradação e esvaziamento populacional, na década de 1980 o bairro passou a abrigar um grande contingente da colônia coreana e, a partir da década de 1990 o bairro começa a receber um grande número de imigrantes bolivianos, que se reúnem aos domingos na praça Kantuta. Nos últimos anos do século o bairro mudou seu perfil urbano, e suas antigas fábricas passaram a ser substituídas por novos empreendimentos residenciais. Histórias do Pari. 

Atualmente o bairro do Pari é conhecido como um dos maiores polos da indústria de confecções do país, sendo visitado diariamente por consumidores vindos de diversas regiões do Brasil e até do exterior, para adquirir confecções e produtos de vestuário nas centenas de lojas que comercializam tanto no atacado como no varejo, localizadas principalmente nas ruas Silva Teles, Maria Marcolina, Oriente entre outras, se estendendo até o bairro do Brás, formando com o comércio deste bairro vizinho um único centro comercial.

PILLON, UM TÍPICA FAMÍLIA D PARI


Festa na Carrocerrias João Pillon, em 1944.

Na 1ª Fila da esquerda para a direita, no fundo empé, o 8º é meu avô Vitório Pillon, ao lado sua filha Eurydice Pillon (a que cantava na Páscoa, ela fazia o papel da Verônica), ao lado sua filha Doly Pillon,
ao lado não sei, mas a seguir vem a filha mais velha Ester Pillon. 2ª Fila, do meio, da esquerda para a direita a 3ª é a esposa do Álvaro Pillon, Judith Mantovani Pillon e atrás dela, a esposa do meu avô, minha avó Cecília Carlet Pillon. 3ª fila, ao lado do sanfoneiro, Vladir Pillon, meu pai aos 9 anos. Meu tio Wilken Pillon não está na foto, pois estava no Rio de Janeiro se preparando para partir para a Europa lutar na 2ª Guerra. Chegou até a embarcar em 1945, mas graças a Deus a guerra terminou.V. Meu tio Álvaro devia estar  batendo a foto, porque assim como eu ele era o fotografo da família.

Thereza Pillon

O BAIRRO MAIS DOCE DE SÃO PAULO



O “bairro doce” de São Paulo é um dos mais antigos da cidade, separado da Vila Guilherme pelo Rio Tietê e vizinho do Brás, do Belém e da Luz, o Pari tem como principais pontos de referência a igreja de Santo Antônio do Pari e o Estádio do Canindé, sede da Portuguesa de Desportos. Fundado por pescadores, que escolheram seu nome baseados no uso, muito comum no local na época, de uma armadilha indígena, o “pari”, para fisgar os peixes dos rios Tamanduateí e Tietê; o bairro teve sua história marcada pelo cheiro doce que saía das chaminés das fábricas de biscoitos e guloseimas instaladas décadas atrás.  Hoje indústrias como Tostines, Neuza e Bela Vista, já se mudaram, abrindo espaço para o comércio de utilidades domésticas que tem crescido diariamente no Pari. São centenas de lojas que agora se atrevem a esconder os restaurantes e estabelecimentos tradicionais, especializados em diferentes culinárias, maravilhosos que o distrito possuí. Marjoritariamente simples, chegando às vezes a possuir decoração antiquada, os ambientes são familiares, tendo a presença dos donos diariamente e preços acessíveis. Toda a variedade encontrada deve-se ao encontro das diversas gerações de imigrantes que passaram a viver a partir do final do século XVI. Portugueses, italianos, libaneses, coreanos e, mais recentemente, bolivianos, habitam o Pari e ali reproduzem as receitas tradicionais que suas famílias costumavam fazer em suas próprias casas. Todo esse mix de culturas transformou o distrito em um incipiente pólo gastronômico na capital paulistana.

É comum ver três gerações de uma mesma família dividindo algumas das enormes porções de bacalhau da Casa Santos. Qualquer que seja a receita e o modo de preparo do os preços são os mesmos: 59 reais (para uma ou duas pessoas), 129 reais (para três) e 195 reais (para cinco). Nessa casa a procura pelo bacalhau é tão grande que os fornecedores entregam de 300 a 350 quilos por semana. “Num sábado dos bons, chegamos a vender entre 600 e 700 bolinhos de bacalhau”, conta Sônia Osório, uma das donas. 

 Localizado na rua Barão de Ladário o Restaurante do Líbano, da família Mohamad e Hanie Moussa entrou no mundo gastronômico reproduzindo pratos típicos libaneses que eram costumeiramente produzidos na cozinha do casal. “Passamos a servir as mesmas receitas que minha mãe fazia em nossa casa”, conta o filho Hassan Moussa, que administra o salão. “Ficávamos felizes nos dias em que atendíamos a três ou quatro mesas.”Em 2005, o restaurante mudou do número 907 para o 831 da mesma via, em instalações maiores e mais modernas, e trocou o nome para Casa Líbano. Nas paredes há belas fotos de cidades libanesas, em preto-e-branco. Logo na entrada fica o café e, no fundo, está instalada a mercearia da qual se pode levar produtos importados do Oriente Médio, como frutas secas e narguilés, além do açougue islâmico,(onde estão à venda cortes obtidos segundo preceitos muçulmanos. Essa carne com corte especial é a matéria-prima de itens como o quibe, a esfiha e a cafta servidos no restaurante que não vende bebidas alcoólicas.      

Os 15 centímetros de diâmetro da massa são a medida que faz a fama das esfihas preparadas no Rei das Esfihas. Conhecidíssimo pelos apreciadores do quitute, o restaurante tem a 30 anos um único garçon, Tadeu Dantas, que atende sozinho aos 36 lugares do salão. Na cozinha, doze pessoas encarregadas de dar conta dos pedidos espremem-se na cozinha, à vista do cliente, para preparar a massa, enrolá-la, recheá-la  e mandá-la ao forno. Podendo ser de carne, mussarela, calabresa, provolone, escarola, presunto, palmito ou calabresa com catupiry No início deste ano, as esfihas gigantes passaram a fazer parte do cardápio da Barakiah, lanchonete com ambiente mais amplo e fachada envidraçada que os mesmos donos do Rei das Esfihas inauguraram numa esquina a cerca de 200 metros da casa original.   

A relação  do fundador do Recanto do Líbano, Manuel Ferreira, e os doces árabes, vem de 1970. Quando o mineiro desembarcou em São Paulo para trabalhar como faxineiro em uma confeitaria e passou a observar os cozinheiros preparando doces.
Em 1989, deixou de ser empregado e abriu a própria fábrica, que hoje tem cinco funcionários que preparam 2.000 doces por dia, sob o atento olhar do dono do empreendimento. Vendidos no pequeno e simplório salão ou despachados para clientes (como o Empório Tio Ali, os restaurantes Congonhas Grill, do Aeroporto de Congonhas e Esfiha Imigrantes, na Saúde) os deliciosos doces são um sucesso. 

Além dos estabelecimentos há das 11h às 19h aos domingo, na Rua das Olarias, uma Feira Livre Andina. Ponto de encontro de milhares de bolivianos que vivem em São Paulo, os vendedores circulam por um trecho de cerca de 200 metros da rua, até a praça Kantuta. Em cerca de oitenta barracas, é possível comprar artesanato, vestimentas, alimentos, como pães, diversos tipos de batata e de milho, caixinhas de chá de folha de coca e quinoa e comer receitas típicas, como frango churrasqueado, saltenhas apimentadas, anticucho, tendo como bebidas, suco de amendoim batido, refresco de pêssego e o refrigerante peruano Inca-Cola, de cor amarelada.  Heloísa Gonçalves Pinto


1960: corredor e ponto de ônibus na Avenida Celso Garcia.



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XVII

ZONA LESTE

JARDIM ANÁLIA FRANCO, TATUAPÉ, SÃO MATEUS, PENHA, CANGAÍBA ,

BELÉM, BELENZIHO, VILA MARIA ZÉLIA, 

PARQUE NOVO MUNDO, JARDIM JAPÃO, COHAB E SINGAPURA


A Zona Leste de São Paulo é genericamente a área do município brasileiro de São Paulo situada a leste do rio Tamanduateí. Embora não exista uma lei definindo claramente os limites da Zona Leste, a maioria dos órgãos públicos e privados concordam em incluir na região as subprefeituras da Penha, Ermelino Matarazzo, São Miguel Paulista, Itaim Paulista, Guaianases, Itaquera, Cidade Tiradentes, São Mateus e Subprefeitura de Aricanduva/Formosa/Carrão. Na maioria das vezes também é incluída a Subprefeitura da Mooca (parte também do Centro Expandido) e as subprefeituras de Vila Prudente e Sapopemba e a Subprefeitura do Ipiranga. Oficialmente porém, definem-se as seguintes zonas: Zona Leste 1 de São Paulo; Zona Leste 2 de São Paulo; e Zona Sudeste de São Paulo


Antigos galpões da Mooca.

Os colonizadores portugueses que buscavam rumos para o oeste sofriam constantes e violentos ataques indígenas pelo caminho por terra. Então os rios Tietê, Tamanduateí, Aricanduva e seus afluentes tiveram um importante papel nas bandeiras. Estas utilizavam as vias fluviais para garantir segurança e maior rapidez. Pouco a pouco, as localidades banhadas por esses rios, áreas distantes do Centro Histórico de São Paulo, foram povoadas, exemplo de: Mooca, Tatuapé e São Miguel Paulista. Na última, o primeiro núcleo populacional da zona, houve a fundação da primeira igreja por meio dos jesuítas no ano de 1622, sendo estabelecida a Capela de São Miguel Arcanjo. Com o passar dos anos, a região ganhou importância, pois fazia a ligação de São Paulo e Rio de Janeiro. O município de São Paulo expandia-se, e seus territórios mais distantes tornavam-se propriedades rurais. Vilas eram criadas ao redor de igrejas, sendo assim criados novos bairros, como a Penha. No final do século XIX, o município industrializa-se e as antigas propriedades rurais são substituídas por indústrias e bairros proletários, caso de Vila Matilde e Vila Formosa. Houve, também, uma extensão da malha ferroviária paulistana, que escoava as mercadorias. Através da imigração, a população multiplicou-se descontroladamente e os bairros operários passaram a sofrer marginalização, por serem desprovidos de infraestrutura. Os imigrantes vindos predominantemente da Itália, Espanha, Japão, Síria e Líbano estabeleceram tradições de suas culturas em seus bairros, forte exemplo da Festa de San Gennaro e Clube Atlético Juventus na Mooca. Na Vila Zelina, Vila Alpina e Vila Bela, região da Vila Prudente, há forte influência de povos eslavos. As fábricas existentes, primeiramente produtoras de tecidos e alimentos, são gradativamente substituídas pela indústria pesada e construção civil. As mesmas passam a exigir grande quantidade de mão de obra. A imigração diminuía a cada ano, e começou a haver a atração de milhões de migrantes oriundos da Região Nordeste do Brasil. As regiões periféricas recebiam novos moradores, que, por falta de fiscalização do Governo, construíam suas moradias em áreas sem infraestrutura, saneamento básico, eletricidade, dentre outros aspectos. Surgiram, então, os bolsões de pobreza vistos na maioria dos distritos das regiões Leste 1 e 2. Aliado à decadência da indústria paulistana, a zona enfrenta inúmeros problemas, fazendo com que registre a pior renda média familiar e a menor concentração de atividade econômica, sendo uma das mais pobres do município.


Na cultura popular


Arena Corinthians e seu entorno imediato.


Na Zona Leste, a presença da sede oficial do clube de futebol Corinthians no bairro do Tatuapé e a Arena Corinthians em Itaquera, ambos bairros da Zona Leste, é um dos principais motivos da forte identificação de grande parte dos moradores da região com a instituição e fazem com que haja uma forte ligação, entre os moradores da Zona Leste os torcedores da equipe paulista. Outro clube conhecido do futebol paulista, que tem a sua sede social e o seu estádio situado na Zona Leste, é o Juventus da Mooca. Na linguagem coloquial, a Zona Leste é frequentemente designada pela sigla ZL.

Regiões


Zona Leste 1. A Região Leste Um de São Paulo é uma região administrativa estabelecida pela prefeitura de São Paulo englobando as subprefeituras da Penha, de Ermelino Matarazzo, de Itaquera e de São Mateus. De acordo com o censo de 2000, tem uma população de 1 552 070 habitantes e renda média por habitante de 875,90 reais. É uma região diversificada, tanto comercial, quanto residencial, que está em desenvolvimento, a qual está passando por processos de urbanização e regularização de áreas risco (favelas), canalização de córregos e do rio Aricanduva, além da verticalização.

Zona Leste 2. A Região Leste Dois de São Paulo é uma região administrativa estabelecida pela prefeitura de São Paulo englobando as subprefeituras do Itaim Paulista, de Guaianases, de São Miguel Paulista e da Cidade Tiradentes. De acordo com o censo de 2000, tem uma população de 1 169 815 habitantes e renda média por habitante de 625,26 reais. É a região com renda per capita mais baixa do município, com pior infraestrutura, com a maior incidência de pobreza (63,9% da população) e com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Zona Sudeste. Região dos distritos de Vila Prudente e Mooca, na Zona Sudeste. A Região Sudeste de São Paulo é uma região administrativa estabelecida pela prefeitura de São Paulo englobando as subprefeituras da Mooca, de Aricanduva, de Sapopemba, de Vila Prudente e do Ipiranga. Forma, com as Zonas Leste Um e Dois, a macro-zona conhecida simplesmente como Zona Leste, à exceção da subprefeitura do Ipiranga. De acordo com o censo de 2000, tem uma população de 1 522 997 habitantes e renda média por habitante de 2 441,40 reais. É a região mais desenvolvida da Zona Leste do município, com melhor urbanização, verticalização, infraestrutura, e bairros nobres, como o Jardim Avelino.

Perfil social, econômico e de infraestrutura. Popularmente, a Zona Leste é vista como a "periferia de São Paulo" algo que não faz mais sentido com a região, que nos últimos anos, tem tido uma mudança de perfil econômico em vários distritos, principalmente os mais próximos do centro, como exemplo os distritos de: Água Rasa, Belém, Carrão, Mooca, Tatuapé, Vila Formosa, Vila Prudente e parcialmente os distritos de Aricanduva, Penha, São Lucas e Vila Matilde. Esses distritos, formam uma "fronteira social" fazendo a Zona Leste se dividir entre os distritos com maior infra-estrutura, e com os menos desenvolvidos. Já os distritos da Zona Leste mais distantes do centro, é comum serem chamados de "Periferia da Zona Leste" algo que já faz mais sentido, mas apesar disso, ainda não é possível saber a real desigualdade da Zona Leste, já que mesmo nos distritos que são realmente periféricos, é possível encontrar bairros de classe média. De acordo com ArchDaily, 10 dos 20 distritos com pior IDH de São Paulo estão na região, enquanto somente o distrito do Tatuapé está entre os 20 melhores. Quatro dos cinco distritos com média salarial mais baixa também estão na região (Lajeado, Guaianases, Jardim Helena, e Artur Alvim).

A Zona Leste também é a região menos arborizada da cidade, com uma cobertura vegetal de apenas 11% enquanto detém um terço da população paulistana. Apesar disso também é a região onde se localiza o Parque do Carmo, o maior do município de São Paulo, além do Parque Ecológico do Tietê.
Em termos de infraestrutura, a região é atendida pelas linhas 3 e 15 do Metrô de São Paulo e pelas linhas 11, 12 e 13 da CPTM. Dois dos mais importantes eixos de desenvolvimento da região são o Jardim Anália Franco, localizado no distrito de Vila Formosa, e o recente Eixo Platina, no Tatuapé, onde está localizado o edifício mais alto de São Paulo (Platina 220). A região sedia a Escola de Artes Ciências e Humanidades da USP (EACH/USP) e o Instituto das Cidades da Universidade Federal de São Paulo (IC/UNIFESP).


AVENIDA RADIAL LESTE


Avenida Radial Leste, uma importante via arterial da cidade de São Paulo, cruzando todo o eixo leste da capital paulista em direção à região central, servindo às subprefeituras da Mooca, Penha, Itaquera, Guaianases, além de ser a principal via de ligação da cidade de São Paulo com o município de Ferraz de Vasconcelos.

No sentido Centro-Bairro, a Radial Leste tem seu início na região do Parque Dom Pedro II, na altura da rua da Figueira, embora seu fluxo de veículos mais importante provenha do elevado do Glicério, que a conecta com a Ligação Leste-Oeste e com a Avenida do Estado. Tendo sua criação anunciada em 1945, a via surgiu como opção para diminuir o trânsito das avenidas Rangel Pestana e Celso Garcia. 

O nome Radial faz referência à maneira com a obra foi pensada para ser um raio dentro de uma circunferência, ou seja, uma reta que parte do centro paulistano dentro de um círculo formado pelo conjunto de avenidas e ruas da região central. O projeto para a construção da Radial Leste foi apresentado em 1945 pelo então prefeito da cidade de São Paulo, Prestes Maia. 

No entanto, suas obras só foram iniciadas doze anos depois, em 1957. Na época, a avenida Rangel Pestana e a Avenida Celso Garcia encontravam-se congestionadas devido ao grande fluxo de automóveis, linhas de bonde e ônibus na região, sendo assim a Radial Leste surgia como via necessária para aliviar o trânsito nas mesmas e opção de caminho para o motorista. Boa parte das áreas utilizadas para a construção da avenida faziam parte da faixa patrimonial da Estrada de Ferro Central do Brasil, o que facilitou sua construção. 

A implantação da nova via estimulou a especulação imobiliária na região e serviu como estímulo para a ocupação da região leste de São Paulo, que se tornaria a mais populosa da cidade algumas décadas depois. Após mais de uma década paralisado, o prolongamento da Radial Leste da região do Tatuapé à Vila Matilde foi retomado em 1966 na gestão do prefeito José Vicente Faria Lima, quando foi inaugurado em 17 de maio de 1967 mais um trecho de 800 metros de extensão, entre a praça Presidente Kennedy (na altura da rua dos Trilhos) e a rua Bresser e o viaduto Alcântara Machado, de 1 150 metros de extensão.[Textos e imagens da Wikipedia]

Inaugurção da radial Leste. Formação dos bairros da Zona Leste







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JARDIM ANÁLIA FRANCO, TATUAPÉ E SÃO MATEUS





Jardim Anália Franco é um bairro nobre paulistano pertencente ao distrito de Vila Formosa, localizado na Zona Leste da cidade de São Paulo que surgiu no final da década de 1960. O Jardim foi assim nomeado em homenagem a educadora Anália Franco que conservava no país, escolas e instituições de apoio a mulheres e crianças desabitadas. Após a morte da Anália Franco, o terreno que havia comprado para habitar essas crianças e mulheres, passou por diversas transformações, e após os anos 80 passou por uma valorização e foram construídos prédios de alto-padrão. Chegaram o conhecido shopping Anália Franco (avenida Regente Feijó, 1739 e a Universidade Cruzeiro Sul onde era a escola.

História. No início do século vinte, mais precisamente em 1901, a, na época educadora, Anália Franco adquiriu uma chácara na região Sudeste e nesse terreno fundou a Associação Feminina Beneficente Instrutiva, essa associação tinha a função de empregar ex-prostitutas com o propósito de trabalhar nas lavouras e também investia na educação de órfãos. Esse lar funcionou até 1993, nesse terreno havia uma casa de taipa-de-pilão, a qual existe até hoje e na qual morou por mais de dez anos Diogo Antônio Feijó (1784-1843). O bairro surgiu em 1968, resultado do loteamento do terreno da Associação Feminina Beneficente Instrutiva - Lar Anália Franco, fundada pela filantropa fluminense Anália Franco Bastos. Antes disso, no início, o jardim tinha o nome de Sítio do Capão Grande, as terras do Jardim já pertenceram ao Regente Feijó.

Foi construído como um loteamento de alto padrão nas proximidades do então Lar Anália Franco, que funcionou como um asilo para crianças orfãs de 1911 á 1993; e desde então vem se transformando.

O local do loteamento era um aterro sanitário, muito conhecido da população local da época (chamavam-no simplesmente de matão). A área de loteamento incluia o Ceret - Centro Recreativo do Trabalhador, que mais tarde se tornaria um clube privativo; a área compreendia parte dos atuais distritos de Vila Formosa e Tatuapé.

Curiosamente, o antigo aterro sanitário retardou o processo de urbanização de um bairro de alto padrão aos moldes do Jardim América, que seria planejado por uma instituição privada. Este bairro é o atual vizinho Vila Formosa.

Seis anos mais tarde surge o Ceret, com intuído de ser um clube privado, destinado a trabalhadores sindicalizados e moradores do local que estariam dispostos a pagar para usufruir do empreendimento; Futuramente o mesmo seria convertido para parque público e batizado como Parque Anália Franco, no início com jurisdição do Governo do Estado e logo depois cedido para a prefeitura paulistana; o então empreendimento clube privado valorizou o Anália trazendo condomínios horizontais para a região, essas casas eram de 10 x 20 metros quadrados ou até 10 x 30 metros quadrados. Nos anos 1980 inicia-se a verticalização da região, o primeiro condomínio foi o Mansão Anália Franco, um edifício de alto-padrão.


Na divisão geográfica do município, chama-se "região leste" à área 4, compreendida entre a Av. Sapopemba, a Radial Leste, a Av. Salim Farah Maluf e o limite do município. Esta região é representada pelas cores vermelha (Zona Leste), amarela (Zona Nordeste) e verde (Zona Sudeste) nas placas de rua e nos ônibus e microônibus urbanos que circulam na região

Chácara Anália Franco, antiga obra social que deu origem à grande parte do bairro. 



CERET. Com 286.000 metros quadrados de área o CERET (Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador) antes do início das construções do parque em meados dos anos 1970, era uma reserva da Mata Atlântica, conhecida por Mata Paula Souza, formada por árvores das mais diversas espécies. Em 1970 através do decreto, o Governador Abreu Sodré desapropriou a área, dando início à construção de centro destinado ao trabalhador, que ocupa menos da metade da mata original. As obras tiveram início em 1973, e em 1974, a estátua de Davi (réplica da obra de Michelangelo, doada pelo governo Italiano) foi retirada do estádio do Pacaembu, para ocupar a entrada do Ceret.

Inaugurado em 1975, o local conta com três campos de futebol oficiais, um campo de futebol society, quatro quadras de basquete, quatro quadras de vôlei, quatro quadras poliesportivas, seis quadras de saibro, pista de atletismo, pista de atletismo com seis raias, dois locais para arremessos de peso e disco, um ginásio poliesportivo, duas canchas de bocha, galpão e sala de ginástica. Vale destacar a piscina de 100 metros de cumprimento por 50 metros de largura que comporta em média 5,5 milhões de litros de água e está entre as maiores da América Latina.

Vale ressaltar que para usar qualquer dependência do parque CERET não é necessário o pagamento de mensalidade e apresentação de algum tipo de carteirinha.

Em Setembro de 2012, foi instalado no parque um programa que visa estimular a implantação de horas comunitárias e escolares, com a intenção de conscientizar a comunidade sobre os cuidados com o meio ambiente através do ensino das técnicas de cultivo de hortaliças e de outras plantas.

O bairro está localizado muito próximo ao distrito de Tatuapé e Água Rasa. Faz divisa entre os respectivos distritos, limitando a área do seu distrito, Vila Formosa. É também uma região muito conhecida informalmente como Altos do Tatuapé.[

Tradicionalmente o bairro era pertencente ao distrito do Tatuapé, mas através da lei 11.220 de 20 de maio de 1992, onde se estabeleceu a nova divisão de distritos de São Paulo, a então prefeita Luiza Erundina desmembrou parte do Tatuapé; com isso o Jardim Anália Franco e o bairro vizinho Chácara Paraíso foram transferidos para a Vila Formosa e Água Rasa, respectivamente. Entretanto, boa parte da população local ainda se engana com relação à sua localização e de seus bairros vizinhos; devido à continuidade da verticalização da região que engloba além do Jardim Anália Franco, partes dos distritos de Água Rasa, Tatuapé e do próprio distrito de Vila Formosa; fazendo com que se perca os limites precisos entre os distritos e consequentemente de seus respectivos bairros.

Roberto Dubeau, descendente de imigrantes franceses, nasceu na cidade praiana de Santos-SP em 16 de setembro de 1926 e logo viria morar no Tatuapé, onde foi fotografado em sua bicicleta 


Tatuapé é um distrito na Zona Sudeste de São Paulo (ou mais conhecido apenas como Zona Leste de São Paulo) no Município de São Paulo, Brasil. Possui a forma aproximada de um hexágono côncavo.
Foi uma região brasileira pioneira na prática da viticultura, tendo sua primeira vinícola instalada por Brás Cubas em 1551. Esta atividade foi a principal fonte de economia do bairro e atingiu seu apogeu em fins do século XIX, com a instalação das vinícolas de famílias de imigrantes italianos, como as famílias Marengo e Camardo, cujos membros, hoje, emprestam seus nomes a algumas ruas do bairro. A área do distrito, originalmente, abrangia também os atuais distritos do Carrão, Aricanduva e Vila Formosa, que foram se emancipando gradualmente por decretos da prefeitura. Os atuais limites do distrito foram estabelecidos em 1990 pela prefeita Luíza Erundina. Isto fez que o distrito de Carrão perdesse a Estação Carrão do Metrô de São Paulo, já que com essa nova divisão, a estação ficou a poucos metros da divisa com o distrito de Carrão, em território do Tatuapé. De acordo com os mapas oficiais da Prefeitura de São Paulo. Também fez com que o Jardim Anália Franco, considerado tradicionalmente parte do Tatuapé, fosse transferido para o distrito vizinho da Vila Formosa. O distrito com todas as vilas é delimitado pelo quadrilátero formado pelas vias: Rua Antônio de Barros, Avenida Salim Farah Maluf, Rua Emília Marengo e Marginal Tietê.

Casario no Parque São Jorge, 1952.

O desenvolvimento do distrito aconteceu de maneira desigual. Dividido ao meio pela ferrovia, que hoje serve ao metrô e à Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, durante a segunda metade do século XIX, o lado norte se tornou uma região altamente industrializada, sediando fábricas de empresas como o Grupo Vicunha, a Bosch do Brasil, a Itautec/Philco e a Souza Cruz, enquanto a parte sul era predominantemente rural, ocupada principalmente por fazendas e chácaras. Típica vila operária da primeira metade do século XX que sobreviveu a descaracterizações e demolições de construções antigas, um grave problema de preservação do patrimônio histórico que ainda ocorre com bastante força no Século XXI. Na segunda metade do século XX, as antigas chácaras da parte sul do distrito começaram a ser loteadas para a construção de condomínios residenciais de médio e alto padrão, o que atraiu para o distrito famílias com maior poder aquisitivo, motivando o surgimento de estabelecimentos comerciais e de lazer destinados a atender o novo público da região. Enquanto isso, o norte do distrito se notorizou como uma região de comércio popular e estritamente residencial, de casario baixo, que sofreu com o esvaziamento industrial, deixando galpões abandonados que só começaram a ser desapropriados para o uso residencial em meados do final da década de 1990 e finais da década de 2010, especialmente nas proximidades do Parque do Piqueri.

Praça Silvio Romero nos anos 1960


Estação do Metrô Tatuapé nos anos 1980. 


Sport Club Corinthians Paulista. O distrito também abriga o Sport Club Corinthians Paulista, um dos clubes de futebol mais bem sucedidos e populares do Brasil. O clube chegou ao Tatuapé em 1926, onde montou a sua sede social, localizada dentro do Parque São Jorge.


O Memorial do Corinthians, também conhecido como Memorial do Parque São Jorge, é uma homenagem ao time brasileiro de futebol Sport Club Corinthians Paulista, onde são representados os 113 anos de história do time. O memorial fica localizado na Sede do clube, no Parque São Jorge, na zona Leste de São Paulo e é aberto para visitação pública.É considerado uma atração turística da cidade, foi inaugurado no dia 27 de Janeiro de 2006. O Memorial ocupa uma área de aproximadamente 1.500 metros quadrados dentro do Parque São Jorge, que tem 158.170 metros quadrados. Inaugurado em 27 de janeiro de 2006, o Memorial com nome do padroeiro do time, tem sua sede social do time localizada no Parque São Jorge desde 1928. Em sua abertura, foi notada a presença de várias personalidades como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi convidado para inaugurar o Memorial, além de fazer um discurso, o deputado Nivaldo Santana, o presidente do Corinthians Alberto Dualib, o Governandor do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin, o prefeito de São Paulo José Serra, entre outros.


São Mateus é um bairro localizado no distrito homônimo do município de São Paulo. Sua área é de 13,2 km² e em 2010 tinha uma população 155.140 habitantes. A maior parte população possui renda média. Existe, ainda, uma grande concentração de comércio, concentrada na principal via do bairro, a avenida Mateo Bei. Por São Mateus também passa a maior avenida do Brasil, em extensão, a Sapopemba, além de estar localizado ao lado da região do ABC Santo André, e distritos como o Aricanduva e Tatuapé. O bairro teve origem em 1948, quando Mateo Bei, resolveu lotear o terreno comprado pela sua família (família Bei) dois anos antes. Em 1949 surgiu o primeiro estabelecimento comercial, o Empório do Eustáquio. Três anos depois a empresa de ônibus Cometa ligou o bairro com a Avenida Sapopemba.




O patriarca Matteo Bei com sua família nos 1930. Seus filhos, sobretudo Armando Vitório Bei, deram continuidade aos negócios imobiliários na Capital e também no litoral. Em São Vicente, na divisa Leste com Santos, lotearam a Vila Jockey Clube (local do antigo hipódromo),Vila Matteo Bei e Sambaiatuba. 


São Mateus é um distrito localizado na zona leste do município brasileiro de São Paulo, a aproximadamente 20 km da região central do município. Foi criado pela Lei Estadual nº 4.954, de 27/12/1985,[1] após pedido apresentado a Assembleia Legislativa de São Paulo no ano de 1984.Tem uma população de aproximadamente 220 mil habitantes. Recentemente tentou uma emancipação, sem êxito.  Loteado a partir de 1948, somente a partir de 1956 teve seu desenvolvimento mais acelerado, devido ao grande desenvolvimento econômico do ABC Paulista e a forte migração para São Paulo (principalmente de mineiros, portugueses, japoneses, pessoas oriundas do interior de São Paulo e nordestinos). Seu comércio concentra-se sobretudo em uma das principais vias da região, a Avenida Matteo Bei. Bairros de São Mateus: Jardim São Cristóvão; Jardim São José; Cidade IV Centenário; Conj. INOCOP Barreira Grande; Jardim Itamarati; Jardim Nove de Julho; Jardim Imperador; Jardim Egle; Jardim Itápolis; Vila Santo Antônio; Jardim Cinco de Julho; Jardim Tietê; Cidade São Mateus; Parque do Jardim Sapopemba; Jardim Colonial; Jardim Santa Adélia; Jardim Vera Cruz; Jardim Três Marias; Cidade Satélite Santa Bárbara; Jardim Vila Carrão; Parque São Lourenço; Jardim Ricardo Jardim da Conquista.

Avenida Ragueb Schoff em 2022, altura do número 2700, futura Estação Boa Esperança do Metrô. 


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PENHA, CANGAÍBA, BELÉM, BELENZINHO



Basílica Nossa Senhora da Penha em meio as edificações do bairro Penha de França

Penha é um distrito na Zona Leste de São Paulo, conhecido pelos vários templos de diversas religiões, sobretudo católicos. A arquitetura da região chama a atenção de quem passa pelos bairros próximos à porção central do distrito pois é possível ver de construções típicas do século XIX a construções modernas. A constante procura por residências na região fez com que ela se tornasse cada vez mais valorizada e, junto aos bairros do Tatuapé, Jardim Anália Franco, Vila Carrão, Mooca e Vila Prudente, compõe um conjunto de bairros da Zona Leste com IDH muito elevado e uma razoável infraestrutura.

História. A Penha é um dos distritos mais antigos do município de São Paulo. A primeira referência oficial a localidade é uma petição em que o licenciado Mateus Nunes de Siqueira obteve uma sesmaria do capitão-mor Agostinho de Figueiredo, a 5 de setembro de 1668. No ano de 1682, o o padre Jacinto Nunes, filho ou irmão do licenciado, aparece como proprietário e protetor da Nossa Senhora da Penha de França. Seu testamento diz que a dotou com bens e raízes, conforme consta em seu testamento aberto de fevereiro de 1684.

A origem da localidade está ligada intrinsecamente à religiosidade, pois seu nascimento se confunde com uma lenda que faz parte da história da fundação do local. Conta-se que um francês, católico devoto, seguia viagem de São Paulo ao Rio de Janeiro carregando consigo uma imagem de Nossa Senhora. Durante a caminhada ele pernoitou no alto de uma colina ainda sem nome ("Penha" significa penhasco, rocha, rochedo), e no dia seguinte retomou seu trajeto até dar por falta da imagem. Assustado, tratou de retornar pelo mesmo caminho e encontrou a estátua no alto da colina. No dia seguinte a estátua sumiu novamente durante o sono do viajante, que entristecido, retornou e encontrou novamente a estátua no alto da colina, o que foi interpretado pelo francês como vontade da santa, que havia escolhido o local para se estabelecer. A Igreja de Nossa Senhora da Penha foi finalizada em 1667; foi em torno dela que cresceu o povoamento do distrito. Um século depois, em 26 de março de 1796, a região foi promovida a Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França; junto com a Paróquia de Nossa Senhora do Ó, foram as duas primeiras paróquias desmembradas da Sé. Mais tarde, a paróquia tornou-se freguesia.

No século XVII, a região era passagem obrigatória para os viajantes que se deslocavam entre São Paulo, Vale do Paraíba e Rio de Janeiro.Em 9 de julho de 1924 o distrito da Penha foi sede do governo estadual paulista quando Carlos de Campos, presidente do estado, foi forçado a abandonar o Palácio dos Campos Elísios após ser atacado pelas forças revolucionárias durante a Revolução de 1924. Campos ficou instalado em um vagão de trem adaptado, na estação Guaiaúna, até 28 de julho de 1924.

Avenida Penha de França nos anos 1940


Migrantes e imigrantes. Assim como em outros distritos da Zona Leste de São Paulo, na Penha fixaram-se muitas das pessoas que vieram a São Paulo em busca de melhores condições de vida, como italianos, portugueses, sírios-libaneses, japoneses, judeus e nordestinos. De 1920 aos anos 1940 a população saltaria de 6.080 para 56.709 habitantes. Embora fosse no início do século XX um bairro ocupado por uma maioria de pessoas pobres, também desfilavam no bairro famílias articuladas aos modismos da elite paulistana, como os Rodovalho, os Vergueiro, os Paiva Azevedo, os Gomes Jardim e os Augusto Camargo. É nessa época que algumas atividades de lazer se popularizam no bairro e se tornam mecanismos de integração social, como a ida ao cinema e as partidas de bocha e de futebol.

Bar no bairro da Penha, 1961. SP Antigamente.


Com o crescimento de São Paulo, a Penha foi testemunha de grandes mudanças no perfil da cidade, no seu ritmo e na sua paisagem. Vizinha de bairros como o Tatuapé, que também tem históricos registros arquitetônicos, mas vive um intenso processo de verticalização, a Penha encontra-se numa região sob forte pressão imobiliária. Muitas das construções históricas resistem à pressão imobiliária, mas nem todas. Construções de grande impacto na paisagem e de relevância na memória do bairro foram desmanchadas para dar espaço a outras, como o Palacete do Coronel Antônio Proost Rodovalho, foram Colégio Ateneu Ruy Barbosa, e em 2019, o casarão da Rua Antônio Lamanna. O aniversário do distrito é celebrado em 8 de setembro, dia de Nossa Senhora da Penha, padroeira do Distrito e do Município de São Paulo. Neste dia há muitas festas e comemorações no distrito, como missa, procissão, quermesse e queima de fogos. Os festejos começam no final de agosto, com uma novena, e terminam no final de setembro com o já tradicional encontro dos corais da região. Com a histórica vocação católica da Penha, que é repleta de igrejas, pensou-se no final da década de 1940 em erguer um edifício para servir de convento. Com sua conclusão no início da década de 1950, as autoridades religiosas responsáveis pela construção acabaram achando que o imóvel ficou grande demais. Concluiu-se que deveria ser transformada a edificação em um seminário para padres redentorista que ficou conhecido como Seminário da Penha. Já abrigou funções administrativas da prefeitura e também o Hospital Nossa Senhora da Penha.

CANGAÍBA



Foto tirada da Av. Cangaiba, altura curva do S, década de 1970, por José Pereira com uma Rolleyflex 6X6. Grupo Pùblico Cangaíba. 


Cangaíba é um distrito está situado na zona leste do município brasileiro de São Paulo, com 151.538 habitantes, de acordo com o Censo de 2010, é habitado em geral por pessoas de classes média e baixa.
Ao norte, faz divisa com o município de Guarulhos, através do Parque Ecológico do Tietê — região muito movimentada devido ao turismo ocasionado pelo parque e por abranger parte da rodovia Ayrton Senna, principal ligação da capital paulista com o Vale do Paraíba. Ao leste e ao sul, faz divisa com o distrito da Penha e também ao sul com a Ponte Rasa, mais a leste faz divisa com Ermelino Matarazzo, encerrando seu trajeto.

Bairros do Cangaíba: Jardim Jaú (Parte); Vila Londrina; Vila Mesquita; Vila Santo Henrique; Jardim Otília; Vila Paz; Jardim Gôndolo; Vila Dom Duarte Leopoldo; Jardim de Lorenzo; Chácara Cruz do Sul; Vila Pierina; Vila Vidal; Vila Rui Barbosa; Vila Araguaia; Vila Penteado; Chácara Santo Antônio; Jardim Arizona; Jardim Cangaíba; Jardim Piratininga; Vila Fernando; Vila Rufino; Jardim Paulistânia; Vila Hilda; Vila Antenor; Vila Rica; Jardim São Francisco; Vila Arruda; Vila Sartori; Jardim Janiópolis; Engenheiro Goulart; Vila Brasil; Vila Buenos Aires; Jardim do Castelo; Vila Franci; Vila Belo Horizonte; Vila Libanesa; Parque Líbano; Vila Sílvia; Jardim Danfer; Vila Amália; Jardim Gonzaga; Vila São Jorge; Jardim Penha; Jardim Aidar; Vila Guaraciaba (Parte).

Etimologia e História. O termo Cangaíba vem do tupi-guarani Cangaíva, da junção de caa + nga + iva, onde caa é mata, nga é lugar e iva é fruta, do que se traduz que as terras do Cangaíba eram um "lugar na mata com frutas" ou um "lugar frutífero na mata". 

Fundação. A teoria aponta que a data mais antiga localizada informando as antigas paragens do Cangaíba, se deu em torno da Carta de Sesmaria doada pelo Rei de Portugal, D. Fernando, ao Aldeamento Ururaí, que tinha 6.000 léguas, indo do antigo Vale do Ticoatira, próximo à desembocadura do Rio Tietê, até São Miguel de Ururaí (São Miguel Paulista), datada de 12 de outubro de 1580. A data de fundação do bairro Cangaíba, no entanto, a partir do colonizador é datada de 1667, quando bandeirantes solicitaram sesmarias na Penha de França e seu entorno, à época da descoberta do ouro, sendo invadidas, pouco a pouco, as terras indígenas da região. O treslado de uma Carta de Datas de 25 de novembro de 1667 aos oficiais da Câmara, informa que o bandeirante Pantalião Pedroso, morador na Vila de São Paulo, suplica uns "alagadiços" no "Cangá", uma corruptela de Cangaíva, para pastos de suas criações, gado e cavalgaduras, em terras indígenas. A súplica foi atendida, dando o título de fundador do bairro à Pantalião Pedroso que transformou a mata nativa em plantio para a subsistência e pastos. Nos séculos seguintes a região cairá em abandono, sendo recrutados os índios escravizados para desbravar outros sertões e surge um novo ciclo do ouro em Minas Gerais, alterando o foco da migração dos colonizadores.

Foto tirada da Av. Cangaiba, altura curva do S, década de 1970, por José Pereira com uma Rolleyflex 6X6. Grupo Pùblico Cangaíba. 


As vilas do Cangaíba. O Cangaíba do século XIX era uma longínqua vila da Freguesia da Penha de França que de tudo carecia, mas que se desenvolveu tão rapidamente que, atualmente, é um distrito que possui dezenas de vilas e uma extensa rede de comércio e serviços em toda a região. Cabe-nos recordar que toda a cidade se desenvolveu a partir dos mesmos fenômenos históricos- sociais, os antigos sítios e chácaras dos séculos XVIII e XIX passaram a ser loteados, a partir da industrialização do centro da cidade, que fez com que as vilas ao redor se tornassem dormitórios do imenso fluxo de moradores que buscaram a região para morarem próximas da área do trabalho ou para iniciarem um pequeno comércio, como padarias, açougues, bares, mercearias e casas de materiais de construção, que com o tempo, diversificaram em magazines, salões de cabeleireiros, calçados, móveis, roupas, restaurantes, docerias, escolas particulares, bancos e outros serviços.

Neste contexto, desenvolveram-se as vilas que se formaram ao longo das principais avenidas, as que se formaram às margens do Tiquatira, no sentido Penha de França a Ermelino Matarazzo com quem faz divisa são: Jardim Jaú, Vila Londrina, Chácara Cruzeiro do Sul, Vila Rui Barbosa, Vila Pierina, Vila Antenor, Jardim Arizona, Vila Araguaia, Vila Buenos Aires, Jardim Penha, Vila Libanesa e Parque Boturussu. 

As que se formaram a partir do topo do Cerro do Cangaíba, sentido Avenida Doutor Assis Ribeiro ou ao contrário, fixaram-se às margens da várzea do Tietê e demarcaram suas divisas no topo do cerro são: Vila Mesquita, Jardim Piratininga, Jardim Paulistânia, Engenheiro Goulart, Vila Sílvia, Jardim Danfer e Vila Cisper.

 As vilas que surgiram entre as antigas várzeas do Rio Tietê e a linha férrea do Trem Metropolitano, são: Jardim Flávio, Jardim Piratininga (citado acima) na parte abaixo da linha férrea, Jardim São Francisco e Jardim Keralux. Algumas vilas não tem seu perímetro delimitado, são elas: Vila Paz, Jardim do Castelo, Jardim Janiópolis, Vila Franci, Vila Amália (próxima ao Jardim Danfer), Vila Arruda, Vila Belo Horizonte, Vila Ilda, Vila Rica, Vila Rufino, Vila São Pedro, Vila São Jorge, Vila do Sapo, Jardim Flavio, Jardim São Francisco e Vila Sampaio. 

Algumas regiões do bairro sofreram invasões, formando extensas favelas, como é o caso das mais conhecidas: Caixa d'Água (chamada anteriormente de Santa Rita), em Engenheiro Goulart; Arizona, no Jardim Arizona; Danfer, no Jardim Danfer; atrás da linha do trem, a Vila do Sapo e a do Pira, no Jardim Piratininga, e Bato e Morro da Fé.

Emancipação Política. O Cangaíba esteve vinculado à histórica Freguesia da Penha de França, tanto por ser caminho obrigatório do vai e vem dos habitantes da região, como por sua formação política e administrativa que esteve subordinada à Penha, até que, em 28.02.1964, a Assembleia Legislativa promulgou a Lei 8.092 que criou centenas de  municípios no Estado e novos subdistritos, declarando em seu Anexo I do Quadro Geral da Divisão Territorial do Estado de São Paulo em Comarcas, Municípios e Distritos, a criação do 41º Subdistrito- Cangaíba- com território desmembrado do 3º Subdistrito- Penha de França do Distrito de São Paulo. Em 11 de março de 1997, é aprovado o Projeto de Lei que institui o Dia do Aniversário do Cangaíba, a ser comemorado, anualmente, no dia 28 de fevereiro, integrando-o no calendário oficial da cidade de São Paulo. A data escolhida é em alusão à Lei 8.092 de 28 de fevereiro de 1964, data do desmembramento do novo bairro da Penha de França. À época do povoamento dos bairros da Penha de França e de São Miguel Paulista, é importante entender que os bairros eram povoações contíguas, isto é, sem divisas, o que dificulta a compreensão do desenvolvimento do bairro do Cangaíba, a partir de documentos que registram os fatos históricos a partir da Penha, assim, há que haver um esforço para inferir que os mesmos acontecimentos se davam também, no Cangaíba:

A passagem de viajantes e personalidades importantes como D. Pedro I e D. Pedro II, registrados como visitantes da Penha de França, em momentos decisivos para o país, também passaram pelas estradas do Cangaíba para seguirem para o Rio de Janeiro; O maior conflito bélico da cidade de São Paulo, motivado pelo descontentamento dos militares com a crise econômica e a concentração de poder nas mãos de políticos de São Paulo e Minas Gerais, a Revolução de 1924, fez com que o Presidente Carlos de Campos se refugiasse na Penha, em 9 de julho, instalando-se em um vagão adaptado na estação de trem Guaiaúna, à época, um presídio foi instalado no Cangaíba para prenderem os revoltosos.

As mesmas atividades agrícolas, cujo excedente abastecia a incipiente cidade paulista; As primeiras indústrias da região, as olarias, que se espalhavam pelo Rio Tietê, graças à matéria-prima que jazia nas várzeas do rio, foram usadas na construção da cidade; A rápida urbanização com a chegada do trem na região; A onda imigratória que jamais cessou na região, mudando apenas a composição dos grupos nacionais ou estrangeiros que buscam novas oportunidades no entorno da Penha de França: primeiro chegaram os portugueses em diferentes períodos e maior número, depois os espanhóis, seguidos dos italianos e japoneses, em menor número; atualmente há a presença de bolivianos na região e refugiados africanos.

Desfile de 7 de Setembro em 1975 pelas escolas da região do Cangaiba, Caetano Miele, e outras. Provavelmente todas essas alunas do ensino fundamental e médio na época, hoje são vovós. José Pereira. Grupo Público Cangaíba. 



BELÉM E BELENZINHO


Avenida Celso Garcia em 1940, ligando os bairros Brás e Belém. A avenida Celso Garcia é uma importante via arterial da Zona Leste de São Paulo, localizada entre os distritos de Brás e Penha. Constitui-se num corredor de ligação de bairros da Zona Leste com a região central da cidade, sendo passagem de diversas linhas de ônibus. Desde a década de 1970, a avenida vive um acelerado processo de degradação na maior parte de sua extensão. Até 1909, a avenida era denominada "rua da Intendência", quando o nome foi modificado para homenagear Afonso Celso Garcia da Luz, jornalista e advogado formado em Direito pela Faculdade de São Paulo.
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Belém é um distrito situado na região central do município de São Paulo, a leste do chamado centro histórico da capital. Apesar de sua posição geográfica, pertence à região administrativa do Sudeste do município, visto que o distrito integra a Subprefeitura da Mooca. Tem uma superfície de 6 km², parte dele é localizado sobre um morro. A região é banhada pelo rio Tietê, o maior rio de São Paulo, que está sob processo de despoluição. Havia muitas fazendas e chácaras na região antes da urbanização do distrito. Trata-se de uma localidade marcante para a história do município, pois no último quarto do século XIX, juntamente com os distritos limítrofes do Brás e da Mooca, experimentou o início da industrialização paulista (fábricas de tecido e vidro foram características do distrito). O Belém abriga um marco importante de São Paulo e do próprio país: a Vila Maria Zélia, a primeira vila de operários do Brasil. Idealizada pelo industrial Jorge Luis Street, a vila era uma continuação da sua indústria, oferecendo condições dignas de moradia aos operários que lá trabalhavam.

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O Belém era uma região bem conhecida dos paulistanos lá pelos idos de 1880 devido à sua altitude, ao ar puro, aos vastos pomares e às grandes árvores. Sua fama de estação climática se espalhou graças às enormes chácaras, mansões e solares dos poucos ricos paulistanos. Mesmo assim o bairro não se desenvolveu por muito tempo. Ficou na calma do repouso, enquanto seus vizinhos já viviam a febre do desenvolvimento. O nome do lugar vem da fé católica dos moradores: uma homenagem a são José de Belém. A paróquia de São José do Belém foi criada em 14 de julho de 1897, desmembrada da do Bom Jesus do Brás. Em 26 de junho de 1899, foi criado o distrito da paz do Belenzinho, desmembrado também do Brás. Interessante foi como o Belenzinho se transformou em Belém: o bonde 24, que servia toda a região, trazia estampado somente “Belém” e não Belenzinho. Esse uso acabou caindo no agrado do povo: vimos mais um distrito da capital e o Belenzinho tornou-se um pequeno bairro.

Vila operária Maria Zélia com fábrica ao fundo, no bairro paulistano do Belenzinho, em 1918.
Fonte: periódico A Vida Moderna/ antonio m. rudolf.


Indústrias. Por volta de 1910, chegaram ao Belém as primeiras indústrias, as fábricas de vidro. Em seguida algumas tecelagens começaram a se instalar nas imediações. Foi o suficiente para que o progresso chegasse atrasado , mas a passos largos, tanto que o numero de operários e moradores triplicou de um ano para o outro. Em 1911 a história do bairro mudaria para sempre. Nesse ano iniciou-se a construção da Vila Maria Zélia, um projeto idealista e revolucionário para os padrões brasileiros. O industrial Jorge Street Construiu a vila , que levou o nome de sua esposa, para abrigar 2100 operários especializados da Companhia Nacional de Tecidos de Juta. Após a desativação da fabrica, a vila tornou-se um presídio político na ditadura do Esta Novo, entre 1936 e 1937. Em 1938 foi vendido a uma empresa. O bairro foi crescendo, mudando com a capital e, assim como ela, se ampliando. Com todas as mudanças o Belém continua com aquele jeitão de bairro eminentemente paulistano.
Uma Curiosidade : O escritor paulista Monteiro Lobato morava no Belém no começo do Século XX. Sua casa – na rua Vinte e Um de Abril – era conhecida como o minarete, e costumava receber um grande numero de escritores, poetas e intelectuais da capital. As madrugadas da grande casa amarela eram famosas na capital pela grande quantidade de boêmios e geniais artistas que nela transitavam: a nata da intelectualidade paulistana. Fonte: 450 Bairros São Paulo 450 Anos. Editora: Senac São Paulo
Autor: Levino Ponciano

VILA MARIA ZÉLIA



A Vila Maria Zélia foi fundada dentro de um contexto histórico específico iniciado na segunda metade do Século XIX, em que o Estado fazia investimentos na área de higiene. Os cortiços eram o tipo de habitação coletiva mais comum na época. Entretanto, além de custar metade do salário do trabalhador, eram marcados pela condição insalubre de sobrevivência - sendo a construção de vilas uma parte das políticas públicas para melhorar o setor. Existia ainda a questão moral: se os operários estivessem próximos às fábricas em que trabalhavam, a fiscalização seria mais fácil contra hábitos tidos como bohêmios. Nos planos político, social e econômico o Brasil estava se transformando pela inserção dentro do capitalismo internacional, permitindo que a Cidade de São Paulo passasse por uma modernização no setor urbano. Este momento foi possibilitado, sobretudo, pela lavoura cafeeira. Assim, a capital paulista foi adquirindo uma nova composição. Belém, Belenzinho, Bom Retiro (distrito de São Paulo), Brás (bairro de São Paulo) e Mooca são exemplos de bairros operários - onde surgiram as vilas operárias - localizados próximos às linhas ferroviárias. Essas vilas foram elemento chave para aliviar os problemas de habitação – visto que a população aumentava consideravelmente - e de mão de obra.

A história da Vila Maria Zélia começou com o médico carioca Jorge Street, nascido em 22 de setembro de 1863. Ele adquiriu por herança as ações da Tecelagem de Juta São João, em 1896, e desde então sua atividade industrial foi crescendo. Fundou a Companhia Nacional de Tecidos de Juta mais tarde, em 1904 – sendo a fábrica matriz localizada nas imediações da Rua Gabriel Piza, em Santana (bairro de São Paulo). O trabalho acontecia em tempo integral e a fábrica chegava e atingir sua capacidade máxima de produção. Por isso, Street decidiu aumentar as instalações e construir uma filial, escolhendo o bairro do Belenzinho como sede – região que já contava com muitas indústrias na época. O empresário, então, adquiriu as terras que pertenciam ao Coronel Fortunato Goulart, um proprietário de grandes terras naquela região. O terreno ia da atual Avenida Celso Garcia (próximo ao Marco da Meia Légua) até as margens do Rio Tietê. Atualmente o local é retificado, mas entre o Século XIX e o Século XX era bastante sinuoso. A Vila começou a ser construída em 1912 e foi inaugurada cinco anos mais tarde, em 1917 – quando a fábrica já contava com aproximadamente 1000 funcionários – enquanto na unidade de Santana haviam 3500. Apesar de menos funcionários, a filial da Maria Zélia também era bastante grande. Contava com instalações para tecelagem, estamparia de algodão, fiação e possuía 2 mil teares, 84 mil fusos e 3 mil motores elétricos – o que tornou a empresa uma das maiores consumidoras de energia na capital. A inauguração oficial da Vila Maria Zélia foi um acontecimento marcante para São Paulo. A cerimônia contou com a participação de moradores, políticos, industriais e também do Cardeal Arcebispo de São Paulo Dom Duarte Leopoldo e Silva, que ficou no responsável pela missa inaugural. Ele visitou e abençoou todas as localidades da Vila enquanto era seguido por uma multidão. Outro aspecto importante é o motivo da Vila ter o nome de Maria Zélia. Em 1915 – portanto um ano antes da inauguração – a filha de Jorge Street contraiu tuberculose e acabou falecendo aos 16 anos de idade. O empresário, então, prestou homenagem a ela e batizou o local com seu nome. Ela está sepultada no túmulo da família localizado no Cemitério da Consolação, quadra 48, terreno 38. Ao todo, Jorge Street teve seis filhos. Wikipédia. 


PRESÍDIO DA MARIA ZÉLIA


Inaugurada em 1917, a Vila Operária Maria Zélia foi construída para os funcionários da Companhia Nacional de Tecidos de Juta. Em 1936, após o fechamento da fábrica, uma parte do edifício foi convertida em cárcere de presos políticos. O Presídio Maria Zélia recebia condenados por crimes contra a Segurança Nacional, entre comunistas, anarquistas, sindicalistas e intelectuais, chegando a abrigar 700 pessoas. A convivência entre militantes deu lugar a experiências únicas, como a Universidade Maria Zélia, uma proposta de educação coletiva organizada pelos próprios presos. Em 1937, após uma frustrada tentativa de fuga, alguns presos foram fuzilados no episódio conhecido como “Massacre do Maria Zélia”. Em 1939, o local volta a ser fábrica, ficando também marcado na história da resistência à ditadura. Foi no estádio Maria Zélia que, em 1970, foi preso o operário Olavo Hanssen, assassinado em seguida no Deops/SP. Em 1992, a vila foi tombada, mas continua, nos dias atuais, com função residencial.  Memorial da Resistência. Acervo: Iconographia. 


JARDIM JAPÃO

O Jardim Japão é um bairro da cidade de São Paulo, localizado no distrito de Vila Maria, próximo à Vila Maria Alta e ao Parque Novo Mundo. Neste bairro está a sede da escola de samba Unidos de Vila Maria.

O nome do bairro é devido aos nomes de diversas de suas ruas, que fazem referência a cidades japonesas como Kobe, Hiroshima, Nagasaki, Tóquio (nome de praça), Cerejeiras (árvore típica japonesa), Yokohama, Niigata, Osaka e etc.

A escola mais antiga construída no Jardim Japão foi a Escola Estadual Imperatriz Leopoldina em 1952.





MOOCA: BAIRRO E CENTRO INDUSTRIAL



 O nome do bairro é de origem indígena. Uma versão aventada é a de que ele teria surgido no século XVI, quando os primeiros habitantes brancos começaram a construir suas casas na região, sob o olhar curioso dos índios, que teriam exclamado Moo-oca! Numa tradução livre, algo como "Eles estão fazendo casas!", de moo, fazer e oca, casa. Além dessa etimologia, no entanto, o tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro acrescenta outra possibilidadeː a de que o nome do distrito tenha se originado 

Durante a Revolta Paulista de 1924 o bairro foi bombardeado por aviões do Governo Federal. O exército legalista ao governo de Artur Bernardes se utilizou do chamado "bombardeio terrificante", atingindo vários pontos da cidade, em especial bairros operários como Mooca, Ipiranga, Brás, Belenzinho e Centro, que foram seriamente afetados pelos bombardeios.

Formação e desenvolvimento. A Mooca se caracteriza por uma intensa ocupação de italianos, cujos descendentes não abandonaram o distrito. Outras imigrações importantes foram de lituanos e croatas. Um nome intimamente ligado ao distrito é o do italiano Rodolfo Crespi, dono da que chegou a ser a maior tecelagem de São Paulo, o Cotonifício Crespi, fundado em 1896. Sucessivas ampliações da fábrica foram acompanhadas por construção de moradias para seus funcionários. Assim como a família Crespi, boa parte dos operários era de origem italiana. Desde 2006, o complexo fabril do antigo cotonifício é ocupado pelo hipermercado Extra, que promoveu um projeto polêmico e agressivo de reabilitação e ampliação dos edifícios, alterando sua integridade arquitetônica e construtiva.

Símbolo da imigração italiana, o Clube Atlético Juventus foi fundado no dia 20 de abril de 1924 por funcionários do Cotonifício Rodolfo Crespi. Os grandes patronos do clube eram Rodolfo e o seu filho Adriano Crespi, italianos da cidade de Busto Arsizio, na província italiana de Varese, próximo ao Piemonte. Rodolfo era simpatizante da Juventus, time de futebol da cidade italiana de Turim, enquanto o seu filho Adriano gostava da Fiorentina, de Florença. O nome Clube Atlético Juventus nasceu numa homenagem à Juventus da Itália, porém utilizando a cor lilás, da camisa da Fiorentina. Com o tempo, aquela cor arroxeada foi passando para o grená (vinho) utilizada até os dias de hoje. Existe uma outra versão que diz que a camisa é grená em homenagem ao Torino, o outro grande clube de Turim. Assim, teriam sido homenageados os dois clubes dessa cidade.

Ativismo político. O distrito foi um dos principais cenários da atividade política e revolucionária no Brasil, decorrente de sua natureza industrial. Seus habitantes, no início do século XX, eram trabalhadores imigrantes, oriundos de países com um emergente pensamento socialista. Na época, o ativismo comunista e anarquista era intenso. A confluência da avenida Paes de Barros, rua da Mooca, rua Taquari e rua do Oratório era conhecida como Praça Vermelha. Seus moradores também cruzaram o Rio Tamanduateí e puderam participar da "Queda da Bastilha" no distrito do Cambuci, ocorrida em 30 de outubro de 1930, com a finalidade de pôr fim ao tratamento desumano da delegacia da Rua Barão de Jaguara, local onde eram confinados sindicalistas e agitadores.  A Mooca, juntamente com o Largo de São Francisco e o Largo de São Bento, constituía ponto de passagem de carros puxados por animais. Na época, esse meio de transporte era uma inovação e, logo, São Paulo começaria a se transformar com a chegada da estrada de ferro inglesa, com um ramal se estendendo pela Rua dos Trilhos até o bairro do Hipódromo.


O Cotonifício Rodolfo Crespi foi uma indústria têxtil inaugurada localizada no município de São Paulo, no bairro da Mooca. Foi inaugurado em 1897 pelos sócios Rodolfo Crespi e Pietro Regoli sob o nome de Regoli, Crespi & Cia., e desativado em 1963. 

Mooca Prédios do IAP 1950. Saudosa Mooca.


O distrito foi, aos poucos, se formando. O local, que era cheio de chácaras e de sítios, logo passou a ser ocupado por fábricas e usinas, além de casas de operários. Assim é que, entre 1883 e 1890, instalaram-se, no distrito, algumas fábricas de massas, como a Carolina Gallo, a Rosália Médio, a Romanelli e outras. Em 1891, o casal Antônio e Helena Zerrenner fundou a Companhia Antarctica Paulista. Não só de trabalho viviam os moradores do distrito. Em 1923, foram inaugurados o Cine Teatro Moderno e o Cine Santo Antônio. Em seguida, o Cine Aliança, o Imperial, o Icaraí (mais tarde Ouro Verde) e o Patriarca. Outro lazer, aliás, prazer dos mooquenses, era o footing realizado aos sábados e domingos, entre a Rua João Antônio de Oliveira e a Avenida Paes de Barros, onde as moças desfilavam aos grupos, enquanto os rapazes sem namoradas ficavam apreciando e esperando por algum olhar convidativo. Com essa farta oferta de lazer e com um significativo número de boas lojas, o mooquense dificilmente saía do distrito.

Antiga fábrica da Alpargatas na rua Dr. Almeida Lima nº9

Alpargatas S/A é uma indústria brasileira do ramo de calçados e lonas. Foi fundada em 1907, com o nome original de Fábrica Brasileira de Alpargatas e Calçados, pelo escocês Robert Fraser, oriundo da Argentina, em associação com uma indústria inglesa. Robert havia criado fábricas de alpargatas na Argentina e no Uruguai. Iniciou suas produções no distrito da Mooca, em São Paulo. Já em 1909, a empresa - com o nome de São Paulo Alpargatas Company S/A - encontrou o sucesso na venda de seus produtos graças à utilização das sandálias e lonas na produção cafeeira. Na década de 1930, o controle acionário da São Paulo Alpargatas foi transferido para a empresa argentina.

Principais produtos e marcas. Além das lonas e sandálias, muitas das marcas lançadas ou adquiridas pela Alpargatas tornaram-se bastante populares no Brasil e até mesmo fora dele. As principais são: Havaianas, uma das maiores marcas brasileiras de chinelos de borracha, desde 1962;
Dupé, chinelos de borracha.


1946: Propaganda antiga dos Sapatos Roda, produzidos pela São Paulo Alpargatas.


No entanto, em 1982, após um gradativo processo de nacionalização do capital iniciado em 1948, a São Paulo Alpargatas deixou de ter participação argentina e passou para ao controle do Grupo Camargo Corrêa (atual Mover Participações), seu maior acionista. Superando inúmeras dificuldades ao longo dos cem anos, a companhia tornou-se uma das maiores indústrias calçadistas do Brasil.


1935: Propaganda dos calçados e tecidos fabricados pela São Paulo Alpargatas Company


Enfermeiras da fábrica em 1944. Publicado na página  São Paulo de Antigamente.


Em 2012, a Alpargatas mudou sua logomarca. A modernização do logotipo atendeu à estratégia de crescimento da companhia. Em 2015, a Alpargatas vendeu as marcas Topper e Rainha por 48,7 milhões de reais. No mês de novembro do mesmo ano, o grupo Camargo Correa (atual Mover Participações) a vendeu ao conglomerado J&F Investimentos, dona da companhia de alimentos JBS por 2,67 bilhões de reais. Em 12 de julho de 2017, as empresas Cambuhy Investimentos e Brasil Warrant (ambas de propriedade da família Moreira Salles) e a holding Itaúsa fecharam a compra da Alpargatas por 3,5 bilhões de reais. A aquisição foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica ainda em 2017.



Anúncio da marca Topeka nos anos 1970 invocando a imagem do casal John Lennon e Yoko Ono. 

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"Cia União de Refinadores, uma das grandes indústrias que tem a história da Mooca". Saudosa Mooca.



Linha de montagem do LTD na extinta fábrica da Ford, em 1960.

Também conhecida como a “Ford do Ipiranga”, esta unidade inaugurada em 1953 fica, de fato, localizada entre a Mooca e a Vila Prudente, numa região atualmente conhecida como Parque da Mooca e foi a substituta da antiga fábrica localizada no Bom Retiro.Nesta unidade foram inicialmente montados caminhões com peças importadas e, em 1957 saiu de suas linhas de produção o primeiro caminhão efetivamente fabricado no Brasil, o modelo F-600 que foi o pioneiro de uma linha importante de caminhões Ford brasileiros a partir de então. Lá estavam a fábrica de motores, a estamparia, o centro de engenharia, os diversos laboratórios e a área administrativa da empresa. Mas este lugar também é testemunha de outros fatos importantes na história da nossa industrialização, afinal foi de lá que saiu o primeiro trator fabricado no Brasil, o “8 BR” que tinha sua linha de produção dentro daquela unidade. Estávamos em dezembro de 1960 e a fábrica, por esta época, tinha mais de 2.200 funcionários. Podemos imaginar o impacto econômico desta massa de trabalhadores no desenvolvimento da região.


Outro ícone lá produzido foi o automóvel de luxo Galaxie lançado em 16 de fevereiro de 1967 e que exigiu da Ford um grande investimento para adequar as instalações para produzir o seu primeiro automóvel no Brasil. Neste mesmo ano a Ford absorveria a Willlys-Overland e outros automóveis de passeio passariam ser fabricados pela empresa, porém na fábrica da Willys em São Bernardo do Campo onde era produzido, por exemplo, o Corcel, na verdade um produto de origem Willys.


Em grave crise por qual passava o país na década de 1980, foi criada a Autolatina que geria a Volkswagen e a Ford e foi nesta administração que a ferramentaria que lá funcionava foi fechada, em agosto de 1987. Com a nova fábrica da Ford aberta em Camaçari, na Bahia, o destino da unidade “do Ipiranga” estava traçado e no final de 1999 a fábrica, ainda com 1.500 funcionários, foi definitivamente fechada. A confusão sobre o que efetivamente restou se dá por conta do estilo dos prédios que seguem um mesmo padrão, mas comparando-se as fotografias de época com os prédios que ainda existem, podemos perceber nitidamente que todo o prédio principal foi demolido para dar espaço ao Mooca Plaza Shopping inaugurado em 2011. Neste local, das instalações originais, restou um pedaço de uma pista que rodeava um pátio de guarda dos veículos produzidos. Se bem notarmos, o complexo era dividido pela avenida Henry Ford e a parte que efetivamente restou fica justamente entre esta via e a linha férrea que passa ao lado.A entrada da avenida Henry Ford, número 1380, ainda existe e neste endereço funciona uma igreja evangélica. Nos demais espaços laterais, estão instaladas diversas empresas. No outro prédio, bem menor, que fica na confluência da avenida Henry Ford com a rua Capitão Pacheco e Chaves, está funcionando a empresa Sustentare Saneamento que trabalha com limpeza urbana e coleta de lixo para a prefeitura paulistana.

É utópico querer que todos os prédios industriais sejam preservados, mas poder-se-ia tomar um cuidado maior na preservação da memória, ao menos indicando e informando de alguma maneira, no local, a importância que algumas construções tiveram no desenvolvimento da cidade e do país. Outro ponto é que, ao que parece, nunca se imagina preservar parte dos edifícios e integrá-los num novo projeto arquitetônico. O fato é que, diante da utilização atual do que ainda restou, só nos resta rezar para tudo não ir parar no lixo.José Vignoli 06/02/2024. São Paulo Antiga. 

OS PADEIROS DA SÃO GUSTAVO


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“OS ENTREGADORES DE PÃO”. “O imigrante alemão Otto Breneizer (1909-1960) costumava acordar de madrugada para preparar pães. Dono da padaria e confeitaria São Gustavo que ficava na Rua Marques de Valença, na Mooca, ele colocava todos os funcionários para trabalhar às 2h30 da manhã. Antes das 5 horas, as fornadas eram embarcadas em catorze carroças cobertas puxadas por cavalos. Breneizer (a primeira pessoa que aparece na foto por detrás de todas as carroças nesta foto de 1949) fiscalizava a produção de perto. Logo depois do almoço, voltava para a cozinha a fim de preparar a fornada da tarde, que saía por volta das 16 horas. “A padaria funcionou até o fim dos anos 50, quando ele ficou doente e decidiu vender o negócio”, lembra o professor Renato Breneizer, neto do imigrante.”  Revista Veja SP

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VILA MATILDE


A estação ferroviária da Vila Matilde em 1962


Escola Bernardo Rodrigues Nogueira Dom. Acervo: Bairro Vila Matilde.



Vila Matilde é um distrito do município de São Paulo, situado na zona leste do município e pertencente à Subprefeitura da Penha.É famoso pelos seus antigos carnavais e pela escola de samba Nenê de Vila Matilde. Também destaca-se o "comércio de bairro", principalmente na região do bairro Vila Dalila, sendo que a Avenida Waldemar Carlos Pereira tem boa parte de seu comércio.

Bairros de Vila Matilde: Vila Aricanduva; Chácara 6 de Outubro; Vila Euthália; Vila Dalila; Jardim Maringá; Vila Talarico; Vila Nova Savoia; Vila Guilhermina; Jardim Triana; Jardim Assunção; Jardim Samara; Jardim São João; Jardim Hercília; Vila Palmeirinha; Cidade Patriarca.

História. O distrito nasceu na segunda década do século XX, da mesma maneira de seus vizinhos e vários outros distritos paulistanos. Havia uma grande gleba de terra e pessoas dispostas a comprar, Nos primeiro anos da década de 20, essa gleba pertencia a Dona Escolástica Melchert da Fonseca e ia da Guaiaúna (hoje o distrito da Penha) à Fazenda do Carmo, (hoje o Parque do Carmo, no distrito de mesmo nome Parque do Carmo). Dona Escolástica tinha uma filha de nome Matilde, que havia sido casada com o ex ministro e embaixador José Carlos de Macedo Soares - figura importante da política paulistana. A área (gleba) era muito extensa e por isso foi por etapas. para dar início ao grande loteamento, Dona Escolástica começou pela parte principal, homenageando à sua filha Matilde, com o nome de Vila Matilde. Atualmente, o distrito de Vila Matilde possui um perfil residencial de classe média, com casas térreas e sobrados residenciais. Mas nos últimos anos, a Vila Matilde vem passando por um "boom" imobiliário,e casas são demolidas para dar lugar a edifícios residenciais de várias tipologias, desde aqueles com espaço de lazer, para pessoas com maior poder aquisitivo, até "microapartamentos" ou "Studios", em condomínios sem garagem.

Bar do Alemão (do Capeta). Acervo: Bairro Vila Matilde




O primeiro prédio comercial na Vila Matilde. Avenida Waldemar Carlos Pereira esquina com a Rua Elisa de Carvalho. Acervo: Bairro da Vila Matilde. 







ITAQUERA E COHABS





Itaquera é um distrito dentro da Subprefeitura de Itaquera, na Zona Leste de São Paulo. Dentro de seus limites passa a Avenida Jacu Pêssego, que possui extensões até o Grande ABC, na porção meridional, e até o município de Guarulhos, na porção setentrional.

Colonização. Por volta de 1620, apareceram as primeiras referências à "Roça Itaquera", localizada nas proximidades do Aldeamento de São Miguel. No final do século XVII, a região passou a ser citada como povoamento de São Miguel, no fim do século XVIII, como território da freguesia da Penha e por último como bairro do distrito de São Miguel Paulista. Em 1920, passou a ser um distrito autônomo.

Estação Itaquera de Trem (1926), construída em 1875, desativada em 2000, e demolida em 2004 para o prolongamento da Avenida Radial Leste. Grupo Sâo Paulo de Antigamente.



Desenvolvimento. O desenvolvimento do distrito se deu, em grande parte, sob a forma clássica de loteamentos e vilas. Em 1837 existiam apenas três grandes extensões de terras:

Fazenda Caguaçu, também conhecida como Fazenda do Carmo, que pertencia a uma ordem religiosa chamada Província Carmelitana Fluminense (daí a origem dos nomes - Carmosina, Fazenda do Carmo, Parque do Carmo e Jardim Nossa Senhora do Carmo e da própria igreja matriz no centro do bairro), Sítio Caguaçu, que pertencia ao doutor Rodrigo Pereira Barreto, onde foi feito o primeiro "loteamento" ocorrido na região, com lotes de 10.000 metros quadrados cada um, vendidos como áreas de veraneio e chácaras (área compreendida entre o Hospital Planalto e o Rio Jacu).Sítio da Casa Pintada - cuja casa sede foi retratada por Debret, teve um cunho mais popular. Os compradores fizeram casas no local e ergueram uma capela em louvor a Santa Ana, surgindo assim a Vila Santana.A Fazenda Caguaçu teve uma parte vendida para o engenheiro Oscar Americano, parte esta que compreendia a área do Jardim e do Parque do Carmo. Na área remanescente a Companhia Pastorial e Agrícola. Este fez um loteamento de cunho popular e urbano plenamente planejado (um dos primeiros da Zona Leste de São Paulo) no que hoje conhecemos como Vila Carmosina e fez loteamentos de cunho rural, na área hoje conhecida como Colônia Japonesa.

Em 1875, um acontecimento moldou o desenvolvimento econômico da região: a inauguração da Estação de Trem de Itaquera pelo ramal da Estrada de Ferro Central do Brasil. O impacto da chegada da estrada de ferro foi enorme, propiciando o transporte de seus moradores a outras regiões e das mercadorias produzidas em Itaquera ao centro de São Paulo. Ao redor da estação se consolidou um pujante centro comercial.

A partir da década de 1920, imigrantes japoneses passaram a residir nas glebas rurais existentes na região. A principal atividade econômica dessas famílias era a produção de pêssegos em uma extensa área circundante à Mata do Carmo. No transcorrer do século XX, processos econômicos foram aos poucos substituindo as áreas de roçado por vilas e loteamentos. Grandes levas populacionais, sobretudo do Nordeste assentaram-se na região, atraídas pelos terrenos baratos e pela estação de trem, que permitia o deslocamento rápido até o centro do município.


Memórias da Cohab Itaquera I. "Praça do Morcegão. COHAB 1". Fonte: Denilson Vendrame.


Bairro de Itaquera e as Cohabs. Até o início da década de 1980, Itaquera era um distrito com pouca infraestrutura urbana, e sua população era composta de operários e trabalhadores assalariados no comércio e no ramo de serviços. Foi nessa época que surgiram as primeiras favelas da região. A partir de 1980, no entanto, a construção dos conjuntos habitacionais (conhecidos como Cohabs) potencializou a explosão demográfica de Itaquera. O primeiro deles, o Cohab José Bonifácio, foi inaugurado em 1980 pelo então presidente João Batista Figueiredo e se localiza em um enorme terreno ao lado das plantações de pêssegos. Após a inauguração do primeiro conjunto habitacional, vários outros foram construídos, sendo rapidamente povoados. A população pressionou o poder público por serviços essenciais de saúde e educação, sendo em parte atendida, uma vez que até hoje a prestação de serviços públicos é deficitária. Nesse momento, o distrito contava com 1.247.239 habitantes e por meio do processo migratório, sem precedentes, por conta do programa de habitação popular da COHAB atingiu 2.380.783 de habitantes em 2010.

Em fevereiro de 1987, uma batida entre dois trens próximo à estação de Itaquera causou mais de 70 mortes, sendo este o maior acidente ferroviário da história de São Paulo. No mesmo ano, se estabeleceu no distrito o Parque Marisa, o maior e mais antigo parque de diversões em funcionamento na capital paulista, após ter funcionado como um parque itinerante por 14 anos. Em setembro de 1988, a chegada do metrô referendou Itaquera enquanto centralidade da zona leste. Em 1996, o então prefeito Paulo Maluf inaugurou a Avenida Jacu-Pêssego, que atravessa o distrito de ponta a ponta. Em 2000, a inauguração da linha de trem Itaquera-Guaianases serviu para desativar o trajeto da antiga estrada de ferro, tirando a linha férrea do centro do distrito e do local da batida dos trens.

Atualmente. Em 2004, sobre o traçado da antiga linha de trem foi inaugurada a Nova Radial Leste.[9] Enquanto tramitava o processo de tombamento da antiga estação, memória histórica do distrito, uma ação silenciosa da prefeitura a demoliu, em 2004. Em 2007, influenciado pelo aquecimento do comércio na região, foi inaugurado o Shopping Metrô Itaquera, ao lado da estação de metrô Corinthians-Itaquera. No mesmo período, começou a ser inaugurada uma série de edifícios de padrão médio, voltados às demandas da classe média.

Em 2010, é anunciada a construção da Arena Corinthians, que foi construída em um terreno de 197 095,14 metros quadrados na Zona Leste, ao lado da Estação Corinthians-Itaquera do Metrô e da CPTM, onde situava-se, desde a década de 1980, o centro de treinamento para as categorias de base do Corinthians.

Na área no entorno da arena, foi estabelecido pelo governo o "Polo Institucional de Itaquera", onde foram implantadas unidades da Escola Técnica Estadual (ETEC) e da Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (FATEC). Após o torneio mundial de futebol, seriam criados ainda um fórum; uma unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI); um quartel da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros; um centro de convenções; um parque ecológico e uma nova rodoviária.O terminal urbano de ônibus da região também foi ampliado em 40%.

Entre as obras viárias construídas para a região consistem na abertura de uma nova avenida de ligação norte-sul, no trecho entre as avenidas Itaquera e José Pinheiro Borges (Radial Leste), incluindo as transposições em desnível sobre as linhas do Metrô e da CPTM; uma nova avenida, articulando a ligação norte-sul com a avenida Miguel Inácio Curi, junto à adutora da SABESP existente; adequação viária no cruzamento da avenida Miguel Inácio Curi com a avenida Engenheiro Adervan machado; além de novas alças de ligação no cruzamento do Complexo Viário Jacu Pêssego com a Radial Leste.
O valor total investido no empreendimento foi de 548,5 milhões de reais, sendo 397,9 milhões do governo do estado e 150,6 milhões de reais da prefeitura para desapropriações e compensações ambientais. A estimativa é de que a abertura da Copa do Mundo FIFA de 2014 traria cerca de 30 bilhões de reais ao longo de 10 anos para o município de São Paulo.


Estação Corinthians-Itaquera do Metrô de São Paulo. A Neo Química Arena está localizada a 19 quilômetros a leste do centro da cidade e a 21 km de distância do Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos. A estação de metrô mais próxima é a Corinthians-Itaquera, a 500 metros do estádio. Ela se conecta a uma estação de trem com o mesmo nome. A estação de metrô Artur Alvim está a 800 metros de distância. Se todos os usuários embarcaram em trens para deixar o estádio, ele estaria vazio em 30 minutos. Em jogos do Mundial um trem expresso ligou a Luz e a Estação Corinthians-Itaquera da CPTM, fazendo a viagem em 17 minutos. Após a Copa do Mundo, estudos[quais?] iriam determinar se o serviço seria mantido.

As estações de metrô e de trem podem lidar com 100 mil passageiros por hora. Cada trem do metrô pode transportar 1 600 passageiros e tem um intervalo de 85 segundos.

O local tem 1 620 vagas de estacionamento cobertas e 929 vagas de estacionamento ao ar livre, com mais 2 214 espaços fornecidos pelo Shopping Metrô Itaquera. Há 61 linhas de ônibus que param perto da Neo Química Arena.

Verticalização. Segundo Dados do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) confirmam a expansão do mercado imobiliário na região do estádio. Em 2022, o distrito ficou em sexto lugar na lista de distritos com o maior número de lançamentos residenciais, que registrou a criação de 2.065 apartamentos até setembro do ano de 2022. É classificado pelo CRECI como "Zona de Valor E", assim como outros distritos da capital: Campo Limpo, Brasilândia e Itaim Paulista.

Transporte.O distrito é atendido pela Estação Corinthians-Itaquera, das linhas 3-Vermelha e 11-Coral do Metrô de São Paulo e da CPTM, respectivamente, e pela Estação Dom Bosco, da Linha 11-Coral, além de dois terminais de ônibus.

Principais Vias. Avenida Jacu Pêssego/Nova Trabalhadores, Avenida Maria Luiza Americano que hoje vem se transformando em ponto de alimentação e gastronomia, pizzarias, restaurantes, Rua Sabbado D'Ângelo, onde é possível encontrar escolas, delegacias, restaurantes, supermercados e outros serviços, além de um casarão de mesmo nome tombado pelo CONDEPHAAT e pelo CONPRESP. Outras vias são: Rua Augusto Carlos Baumann, Avenida dos Campanellas que leva até o bairro de Artur Alvim, e a Rua Virgínia Ferni que liga a Cohab até a Radial Leste, além das avenidas Radial Leste e Avenida Itaquera.

Geografia. O distrito de Itaquera localiza-se na porção oriental do Estado de São Paulo. A estrutura geológica da área é constituída de rochas muito antigas do tipo cristalino. A região é constituída por morros com altitudes que variam entre 700 e 800 metros de altitude.

Hidrografia. O principal rio que banha a área de Itaquera é o Rio Jacu. A área é servida por uma densa rede de rios todos afluentes e sub-afluentes do Rio Tietê. São rios pouco expressivos, sendo os principais eixos: Jacu, Itaquera e Aricanduva.


A  Colônia Japonesa . A colônia japonesa em Itaquera também se destacou com a eletrificação desta comunidade, iniciada em novembro de 1943, também um marco histórico do bairro:

 "Em comemoração à eletrificação desta Colônia, iniciada em novembro de 1943,"celebra a chegada da modernidade, foi o elemento catalisador de inovações e melhorias na qualidade de vida, impulsionou a colônia japonesa. O memorial em pedra rememora essa época".



FEIRA POPULAR EM ITAQUERA
ANOS 1980

Acervo: Arquivo Pùblico dos Estado. 















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PARQUE NOVO MUNDO


O Parque Novo Mundo, situado no Distrito da Vila Maria, zona norte da cidade, é marcado pela carência de espaços públicos e áreas verdes. O local também apresenta sistema viário desorganizado, marcado pela intensa circulação de veículos de carga e pelo contraste entre pequenos lotes ocupados por moradias precárias e grandes terrenos pertencentes a empresas, principalmente do setor logístico e de transportes.  Para ajudar a mudar este cenário, o projeto urbanístico para o Parque Novo prevê a requalificação da área que abrange o próprio Centro Educacional Unificado (CEU) Parque Novo Mundo, o entorno da Unidade Básica de Saúde (UBS) Parque Novo Mundo e outras escolas públicas. Eles estão localizados entre a Rodovia Presidente Dutra e a Marginal Tietê.  Em 2022, a Prefeitura de São Paulo, o escritório de arquitetura que desenvolveu o projeto e representantes do Pacto Pelas Cidades Justas realizaram oficina pública com a população para aprimorar o projeto.  


  OCUPAÇÃO  SE REGULARIZA E VIRA MINI-BOLÌVIA EM SP

VITOR SERRANO/BBC. Legenda da foto,Rose Mari Mammani vive da renda de um mercadinho de produtos bolivianos

Leandro Machado Role, Da BBC News Brasil em São Paulo.11 novembro 2023

“Uma amiga chegou e falou: ‘Cosme, quer sair do aluguel? Vamos invadir um terreno ali no Parque Novo Mundo?’. Eu tinha cinco filhos em casa, 20 anos pagando aluguel, a mulher desempregada, com bolso apertado. Aceitei na hora… Foi um rebuliço danado, tinha gente demais.”

Quem conta é o comerciante Cosme Correa, de 59 anos, que, com a esperança de melhorar as condições difíceis da família, nos primeiros dias da invasão, escolheu um lote e rapidamente construiu seu sobrado na ocupação sem-teto Douglas Rodrigues, na Zona Norte de São Paulo. Cosme e a família fazem parte da primeira leva de moradores do aglomerado com 2 mil sobrados de tijolos vermelhos, sem reboco ou pintura, que muda a paisagem da Marginal Tietê, importante via da cidade, formada principalmente por edifícios residenciais de classe média, lojas de decoração e garagens de transportadoras de carga. O assentamento, um dos maiores de São Paulo, com 12 mil pessoas - centenas delas imigrantes   -, completou dez anos de existência em 2023.E conseguiu algo raro para movimentos de moradia na maior cidade do Brasil: a desapropriação e o direito de uso da propriedade particular que ocupou de maneira irregular.

Abandonado por 22 anos pela empresa proprietária, o terreno foi ocupado em 2013 por membros do Movimento Independente de Luta por Habitação da Vila Maria (MIVM) e famílias pobres da zona norte. A ocupação Douglas Rodrigues tem esse nome em homenagem a um jovem morto por um policial militar na região. Ela cresceu e se transformou em um pequeno bairro popular com milhares de casas e comércio efervescente, embora serviços públicos ainda sejam precários: ruas de terra alagam com chuva forte, falta saneamento básico e as ligações de energia elétrica são clandestinas. Com a pandemia, esse tipo de assentamento se tornou ainda mais comum em um município cuja fila da moradia social tem 219 mil pessoas cadastradas, segundo a Secretaria de Habitação. Em fevereiro de 2020, por exemplo, havia 218 ocupações irregulares na cidade. Hoje, são 529 pontos monitorados pela Prefeitura - uma alta de 142% em pouco mais de três anos. Foi na ocupação que a família de Cosme finalmente conseguiu estabilidade financeira depois de sair de Pernambuco para tentar a vida em São Paulo. Depois de anos de dificuldades, sair do aluguel significou melhorar de renda para investir em outras demandas da família.



Vitor Serrano. /BBC. Legenda da foto,Terreno de 50 mil m² pertencia a empresa com dívidas tributárias

“Nada como ter um teto só seu, sem ninguém batendo na porta cobrando o aluguel. Mas vou te dizer: sofremos muito", diz Maria Aparecida Nogueira, de 56 anos, mulher de Cosme, na sala recheada de plantas e com TV de 75 polegadas na parede.

"Aqui, teve enchente, incêndio, bala de borracha da polícia, ameaça de reintegração. Não tinha água ou luz. Fizemos das tripas coração.”

O casal, que prosperou economicamente na comunidade, hoje é famoso na ocupação por ser dono de um bar feito de madeira, ponto de encontro dos imigrantes bolivianos que vivem no bairro.
“Quem movimenta o comércio aqui são os bolivianos. Com o dinheiro deles é que construí minha casa, comprei a geladeira que eu sonhava, minha TV…”, brinca Cosme.

“Quando eles querem festejar, juntam uns 15 caras aqui no bar, e eles só saem pela manhã.”
A presença de imigrantes é constante nas vielas e no comércio da comunidade. Das 2 mil famílias, pelo menos 80 são formadas por bolivianos, mas há também dezenas de colombianos, peruanos e haitianos. Há sempre representantes estrangeiros na direção do assentamento. Neste ano, um dos escolhidos é Andres Cuarite, de 47 anos, natural de La Paz e que vive há oito anos no bairro colado à Marginal Tietê.
“Se para o brasileiro pobre já é difícil conseguir uma moradia, imagina para um boliviano que chega ao Brasil com as mãos abanando em busca de uma oportunidade de vida, às vezes até passando fome”, explica ele, que saiu de seu país para fugir da pobreza. Antes da casa atual, Andres levou um golpe: juntou todo o dinheiro da família, R$ 20 mil, e comprou um terreno em Itaquera, periferia da Zona Leste. Mas o terreno não existia, e o vendedor golpista sumiu do mapa. Com sete filhos - alguns deles nascidos no Brasil -, a família de Andres vive da renda de uma pequena oficina de costura montada em casa. O som de máquinas de costura, aliás, é constante nas vielas de Douglas Rodrigues. Em um sábado no final de setembro, outro ruído produzido pelos bolivianos agitou a comunidade: o som da Banda Murilo, especializada em músicas típicas do país vizinho.

Para comemorar os dez anos da ocupação, foi realizada uma festa boliviana na rua principal. Além da suingue de metais e percussão, os imigrantes apresentaram danças tradicionais, como a El Morenada, que representa o sofrimento dos africanos traficados para a Bolívia durante a colonização espanhola. Uma das participantes da Morenada era Rose Mari Mammani, de 46 anos, há seis no bairro. Ela conta que foi parar ali porque não conseguia bancar o aluguel de R$ 600 com três filhos para criar. Se preparando para entrar em cena, ela contou a dificuldade que foi se estabelecer em São Paulo.
“Tem muito preconceito com boliviano, ainda mais porque somos pobres da classe trabalhadora. Mas aqui, na ocupação, me sinto à vontade”, diz Rose, hoje dona de um mercadinho de produtos bolivianos.
“Só não te levo lá, porque agora vou dançar”, brinca.

Na última década, os moradores de Douglas Rodrigues também enfrentaram uma batalha judicial contra a proprietária do terreno, uma empresa chamada Ideal Empreendimentos Imobiliários SA. Em maio, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MBD), assinou um decreto de desapropriação da área de 50 mil metros quadrados, abrindo caminho para a regularização fundiária e urbanização do pequeno bairro popular. A reportagem apurou que a propriedade, declarada de "interesse social" no ano passado, foi avaliada em R$ 7,5 milhões por técnicos da Prefeitura - e o valor deverá ser abatido da dívida de IPTU que a empresa tem com o município. A Ideal Empreendimentos era uma subsidiária ao grupo Tenório, de Pernambuco, um conglomerado empresarial com uma dívida de cerca de R$ 1 bilhão em impostos com a União, segundo a Receita Federal.

O grupo conseguiu manter a posse do terreno em decisões judiciais de várias instâncias, até que a 33ª Vara Federal de Pernambuco decidiu colocar o movimento de moradia como fiel depositário da área - essa ação correu em para lelo à desapropriação da Prefeitura de São Paulo. A BBC News Brasil procurou o escritório RPF Advogados, que representa a empresa no processo em São Paulo.
“Agradecemos seu contato, mas, infelizmente, estamos impedidos de fornecer informações sobre esse caso, por força do estatuto da advocacia", respondeu o escritório.A reportagem não conseguiu contato com a família que comanda o grupo empresarial.
“Foi a resistência e organização de 2 mil famílias engajadas em um movimento político que fez a ocupação conseguir com que a área fosse desapropriada", explica Henrique Ollitta, secretário-geral do MIVM.
"Quando tinha pedido de reintegração, a gente levava milhares de pessoas para a frente do fórum para pressionar o juiz.”
Ao longo dos anos, houve alguns mandados judiciais de reintegração, mas eles nunca foram cumpridos, porque a própria Justiça, em acordos com a Defensoria Pública, Prefeitura e Polícia Militar, adiou as ações por temer o impacto social de ter 2 mil famílias pobres desalojadas em plena Marginal Tietê.
“Nosso movimento foi estratégico ao conversar com todo mundo que pudesse ajudar, sempre com a pauta principal que era a moradia", diz Ollitta, que faz parte dos quadros do PT paulistano.
"Tivemos apoio de igrejas evangélicas e de padres, falamos com políticos de esquerda e direita, com os ex-prefeitos Fernando Haddad e Bruno Covas, e, agora, com Ricardo Nunes.”

Ainda não se sabe se a comunidade passará por obras de urbanização, como calçamento das ruas, instalação de esgoto e rede elétrica, ou se os moradores terão de desocupar toda a área para a construção de moradias sociais. A Prefeitura afirma que “existe um estudo urbano a ser desenvolvido na região que inclui a construção de unidades habitacionais para as famílias que lá estão”, mas não detalhou os planos. Enquanto esperam o que será feito do bairro, os moradores comemoraram a desapropriação.
“Hoje, estou embaixo do meu teto. É o paraíso”, diz Cosme Correa, saindo de seu sobrado para ir à festa boliviana.


CONJUNTOS HABITACIONAIS DA ZONA LESTE



Construção da COHAB I na zona leste


A Cohab-SP nasceu oficialmente no dia 16 de novembro de 1965, esta é a data que consta na Lei Municipal Nº 6738. Essa legislação constituiu oficialmente a Companhia e foi promulgada pelo então prefeito José Vicente de Faria Lima. Quando a Cohab-SP foi criada, o Brasil era governado pelo presidente Castelo Branco, integrante do regime militar instituído um ano antes (1964). Antes de se tornar Cohab-SP, existia a SUMHAB – Superintendência Municipal de Habitação. Porém, essa autarquia durou apenas nove meses e logo foi substituída pela Companhia. Em 55 anos, a Cohab-SP teve a sede em três endereços; inaugurou na Rua Maria Antônia, em 1965; na década de 1970, passou a ser na Rua Luis Coelho. Da década de 80 até hoje, a sede fica no prédio Martinelli, na Rua São Bento.

A Companhia foi a primeira empresa estatal criada em uma cidade brasileira, voltada exclusivamente para políticas públicas de habitação. Na época, já existia a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) do estado de São Paulo. Desde então, mais de 30 administrações municipais e estaduais do país implementaram o mesmo modelo de empresa para lidar com os desafios de moradia.
Durante mais de 40 anos, a própria Cohab era a responsável por construir os conjuntos habitacionais na cidade. Até por isso, existia na Companhia uma Diretoria de Obras, encarregada de gerir esses projetos. Com a regulamentação do Minha Casa Minha Vida, em 2009, a forma de atuação foi alterada e a empresa passou a ser facilitadora do Programa. Hoje, realizamos a compra e a desapropriação de terrenos, além de fazer o chamamento das construtoras responsáveis pelos empreendimentos.

O primeiro empreendimento da Cohab foi o Capitão Alberto Mendes Junior, em São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo. Em junho de 1967, ou seja, menos de dois anos após a criação da Companhia, começaram a ser entregues as 349 casas na região.Os primeiros mutirões da Cohab-SP aconteceram em 1976 nas regiões de Pirituba/Perus, Freguesia do Ó, São Miguel, Santana, Itaquera e Guainases. Atenderam 600 famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos da época.



Em 1979, e por mais alguns anos, o pagamento do mês era entregue junto ao holerite em um envelope da Companhia; os trâmites bancários não eram feitos com tanta agilidade como hoje, em 2020, onde todos recebem o pagamento creditado em conta-corrente.

Entre as décadas de 70 e 80 existiu um time de futebol entre os funcionários da Companhia. Ele era chamado “Futeboys” e foi pauta na página de esportes do Jornal Popular no dia 7 de janeiro de 1978, quando foi vice-campeão no campeonato esportivo da Prefeitura. Alguns empregados recordam sobre o Jornal da Cohab, que trazia fotos de inauguração de empreendimentos na década de 70 e 80. Quando a Central de Habitação funcionava na Galeria Prestes Maia, na década de 80, a Companhia organizava projetos culturais em troca do uso do espaço.

Cidade Tiradentes foi construído na década de 1980 pela Cohab-SP, CDHU e algumas empreiteiras por meio do extinto Banco Nacional da Habitação. Hoje, vivem nesse complexo mais de 200 mil pessoas; uma população maior do que a de 97% das cidades brasileiras.  A construção de prédios residenciais na região mudou radicalmente a paisagem local, até então dominada por eucaliptos e trechos da Mata Atlântica. Este é o maior complexo habitacional da América Latina. O complexo de Cidade Tiradentes foi criado em um movimento semelhante ao que ocorreu no Rio de Janeiro, com a construção dos Conjuntos Habitacionais da Cidade de Deus, pelo então governo da Guanabara. O intuito, para um primeiro momento, foi abrigar famílias retiradas de invasões e outras áreas de risco. Entretanto, atualmente, a área é destina a levar moradia digna a famílias paulistanas; uma proporção maior do que estimada pelas administrações públicas. Sabe-se também que o empreendimento foi construído em uma área que, antigamente, abrigava curandeiros e, possivelmente, escravos. De acordo com o historiador Marcio Reis, morador e estudioso da região, antes de se tornar a Fazenda Santa Etelvina, em 1895, o local foi uma Fazenda Escravista.

Feira livre na Cohab 1 em Itaquera nos anos 1980.

Na década de 80 existiu o Programa de Organização Condominial, na área social da Cohab. Como as pessoas de baixa renda ainda não eram acostumadas a viver em condomínios, esse programa ensinava sobres os conceitos desse estilo de vida. Desde como respeitar os espaços compartilhados até o que faz um síndico, foi o que aprenderam os moradores do Conjunto Itaquera 1, na época. Na década de 80, a Cohab perdeu o convênio com os Correios e as parcelas do financiamento não chegavam nas casas dos mutuários. Então uma equipe da Companhia ia de porta em porta entregar essas correspondências. Esse é o compromisso que nossos funcionários têm com os moradores de conjuntos habitacionais.

O primeiro computador instalado na Cohab, em 1983, foi na área de informática; o modelo Edisa, que tinha a mesma quantidade de memória de uma calculadora, era tão grande que precisava de um ar condicionado só para ele. Um pouco depois, o jurídico e a técnica também receberam os equipamentos. Apesar de já existirem algumas máquinas instaladas, a primeira rede de computadores só foi criada na Cohab  em 1988. Nesse momento, a interligação da rede funcionava de forma limitada dentro de cada departamento. A Cohab é o órgão operador do Fundo Municipal de Habitação - FMH. A Companhia é a principal responsável por firmar, gerir e fiscalizar os mais de 15 mil contratos com os recursos do FMH.

Cohab e meio ambiente? Nessa mesma década de 80 a 90 eram feitas plantações de árvores pela Cohab juntamente a população, a fim de repor as áreas desmatadas nos conjuntos, todos (moradores e empregados) participavam da criação das áreas verdes nos empreendimentos.

Na década de 90 foi criado o SinCohab, sindicato que cuida dos direitos dos funcionários; com isso, trabalhadores de empresas públicas na área de habitação puderam se organizar no estado e, principalmente, na capital. Na última década, uma das conquistas pelo SinCohab foi a participação nos lucros e resultados (PLR) aos empregados.

Até meados da década de 1990, era preciso pagar uma taxa administrativa para fazer parte do Cadastro da Cohab. Após feita inscrição, o benefício era concedido por data de inscrição. Hoje, muitas pessoas utilizam o termo “fila” de forma equivocada para se referir a demanda habitacional do município. Nos anos 2000, tanto a forma de se cadastrar como os critérios de seleção mudaram. Se inscrever na Cohab se tornou gratuito, por meio da internet, e os critérios de seleção passaram a ser socioeconômicos, de acordo com as determinações municipais, estaduais e federais. O cadastro da Cohab continua sendo uma das principais ferramentas de auxílio da política habitacional no município, disponível a todos pelo site da Companhia.

Em 2004, a Cohab realizou a desapropriação e desocupação do local onde hoje funciona o empreendimento São Vito, que foi o primeiro passo para a transformação urbanística do entorno da região do Mercadão de São Paulo.Ainda em 2004, a Cohab deu início a implantação do Programa Locação Social, que beneficia principalmente idosos que não se enquadram nas regras de financiamento da Caixa Econômica federal. 

VILA DOS IDOSOS
Inaugurada em 2007, o Conjunto Vila dos Idosos, possui 145 unidades destinadas a pessoas da 3ª idade. Em 2017, recebeu um prêmio da Associação Brasileira de Cohabs pela relevância social e urbana.




A Vila dos Idosos é empreendimento do programa de Locação Social e que foi reconhecido, em 2017, como modelo para demais cidades brasileiras



Até o ano de 2017, o atendimento aos mutuários ficou restrito à Central de Habitação, no centro de São Paulo. Desde então, os cidadãos também passaram a ser atendidos nos postos da Cohab criados nas Subprefeituras. Como uma alternativa para a descentralização do atendimento municipal, em 2017 foi criado o “Cohab na Área”. Tratava-se de uma Van que rodou todas as regiões de São Paulo para levar atendimento rápido e personalizado aos munícipes e mutuários da Companhia. Como outra maneira de levar o atendimento aos mutuários, a Cohab-SP possui 2 postos de atendimentos dentro do Descomplica, em São Miguel Paulista e no Campo Limpo. Ao todo foram realizados mais de 10 mil atendimentos realizados nas duas unidades.

Mais de mil síndicos dos empreendimentos da Cohab já passaram pelo Congresso dos Síndicos. O evento é organizado há quatro anos pela Companhia. No site da Cohab, foi criado em 2017 o Espaço do Síndico, onde os representantes dos moradores podem se cadastrar e ter um canal direto e mais rápido de relacionamento com a Companhia.

Você sabe quantos atendimentos a Central de Habitação da Cohab realiza por dia? A média registrada entre 2018 e 2019 é de 152 atendimentos por dia útil, sendo 38 mil pessoas por ano. Devido à pandemia causada pelo novo Coronavírus, o atendimento passou a ser agendado e caiu para menos da metade: até outubro de 2020, foram recebidas em torno de 14 mil pessoas.

Visando um maior ambiente sustentável no espaço de trabalho, a Cohab adotou diversas medidas para a diminuição de utensílios descartáveis, como os copos plásticos. A campanha Traga Sua Caneca mobilizou os funcionários da Companhia, que encaminharam as fotos de suas canecas para compartilhar a ideia entre os companheiros de trabalho.

Para auxiliar os conjuntos habitacionais a economizar nas contas de água e esgoto, a Cohab-SP auxiliou os síndicos a participarem no programa Tarifa Social, da SABESP. Hoje o programa está em mais de 349 conjuntos habitacionais, e gerou a economias de até 66% nas despesas de água.

Com o objetivo de levar entretenimento e os serviços da Cohab para os conjuntos habitacionais aos finais de semana, foi criado o Agita Cohab. Ao todo o evento percorreu todas as regiões da cidade em 18 edições entre 2017 e 2018.

A Cohab-SP produz materiais informativos elaborados para o público, seja virtualmente (site, redes sociais) ou enviados aos conjuntos. Alguns destes projetos de incentivo: "Desplugando", alerta sobre os riscos de aparelhos eletrônicos ligados na tomada; "Conviva bem", focado em dicas de convivência para moradores; "Não seja enganado", que atua no combate da venda irregular de imóveis da Cohab por terceiros.

Desde 2017, a Cohab-SP reforçou a iniciativa de regularizar contratos dos mutuários. Dessa forma, em parceria com os CEJUSCs, foram realizados uma série de eventos para a negociação de parcelas em atraso. Cerca de 7.000 famílias já foram beneficiadas com os eventos promovidos. Ao todo, as ações em conjunto com os CEJUSCs, totalizam aproximadamente 98% de acordos efetuados, resultando em cerca de R$ 50 milhões que voltarão aos caixas do município. 

Você sabia que a Cohab já eliminou 9,5 toneladas de papéis e pastas com o programa “5s”? Em 2017, a Companhia realizou pela primeira vez o programa, que tem como foco a melhoria do ambiente de trabalho. Com a ação foram removidas 5 toneladas de papéis e 250 móveis foram doados ou removidos. Em 2021, a empresa passou novamente pelo processo e foram removidas cerca de 4,5 toneladas de papéis e pastas. No mesmo período, em 2017, foi realizada a maior reforma com impacto estético e de melhorias do ambiente de trabalho. Todos os pisos foram trocados, além da reestruturação da parte elétrica e a instalação de novos computadores, mesas e cadeiras.

Em janeiro de 2018, em parceria com a SEHAB, foram entregues 21 apartamentos do empreendimento Casarão do Carmo. O prédio de uma torre, possui unidades que vão de 41m² a 52m², conta com uma unidade acessível para cadeirantes e área de lazer externa. Em 2018 a cidade de São Paulo fez história, com o lançamento da primeira Parceria Publico-Privada Municipal do Brasil para habitação popular. Inclusive, em agosto de 2019, a PPP recebeu a condecoração do Selo de Mérito da Associação Brasileira de Cohabs e Agentes Públicos de Habitação (ABC) e pelo Fórum Nacional de Secretários de Habitação e Desenvolvimento Urbano (FNSHDU), na Categoria: Projetos, Ações, Planos e Programas Voltados para a Produção e/ou gestão de HIS. A Companhia também tem atuação na PPP do Centro, do Governo do Estado. A Cohab é responsável pela desapropriação das Quadras 37 e 38 na região do Campos Elíseos.

Em 2019, a Cohab-SP decidiu modernizar seu regramento interno. No ano, foi realizada a reformulação do estatuto da Companhia, que estava em vigência desde 2004. A alteração potencializou a atuação da primeira Parceria Público-Privada da Habitação Municipal.

A Cohab possui 3 empreendimentos que tem a sua edificação tombada. São eles o Palacete dos Artistas, Riachuelo e Senador Feijó. Nossa cidade possui uma história muito rica e a arquitetura desses prédios fazem parte dela.

A Cohab-SP tem um mascote, o Cohabinho. Ele foi criado em 2019, em um momento de aproximação dos munícipes com os serviços públicos, a fim de levar entretenimento e conscientização para a população durante os eventos e ações.

O terreno onde é o estádio do Corinthians um dia foi da Cohab. Em 1970 a Companhia adquiriu o espaço com as áreas que hoje são os conjuntos habitacionais Itaquera A, B e C.

Um dos empregados mais antigos da Companhia, Toninho, tem 46 anos na casa e começou a escrever um livro com fatos aleatórios da Cohab-SP. Juntamente a outros empregados, unem histórias que fazem parte da trajetória da Companhia.

A Cohab é uma das grandes responsáveis pela regularização da situação de milhares de famílias que vivem de forma irregular na capital. Com a atuação na desapropriação e regularização fundiária de terrenos, a Cohab auxilia que o direito básico de moradia seja atendido. Uma das mais relevantes ações dessa característica foi realizada em 2019. A Cohab concluiu a regularização das áreas do Jardim Celeste I e II e IV Centenário, beneficiando 794 famílias que moram nos locais.

O conjunto Mario de Andrade, inaugurado em 2019, é o primeiro destinado a atender exclusivamente famílias que estavam em situação de rua e idosos. O empreendimento completa o atual parque de Locação Social, composto por: Parque do Gato, Olarias, Vila dos Idosos, Asdrúbal do Nascimento, Senador Feijó, Palacete dos Artistas e Mário de Andrade.

O empreendimento conjunto Asdrúbal do Nascimento é modelo de sustentabilidade. A Cohab investiu em energia renovável e instalou painéis de placa solar, que abastecem as áreas comuns do prédio e ajudam a diminuir a conta de luz mensal.

A Cohab também atuou e participou da entrega de um empreendimento pensado 100% na acessibilidade. O Conjunto Academia, no Itaim Paulista, todas as unidades podem ser adaptadas para Pessoas com Necessidades Especiais. Atualmente, 50% dos moradores se encaixam nessa demanda.

Nos anos de 2018 a 2019, numa ação de descentralizar o atendimento, a prefeitura de São Paulo levou a prestação de serviços das secretarias municipais para todas as regiões da cidade, e a Cohab-SP esteve presente em todas as edições.De 2017 a 2021, a Cohab e a Sehab atuaram e participaram da entrega de 30.194 unidades habitacionais em todas as regiões da cidade.Em 2021, a Cohab-SP criou um espaço voltado à conscientização e prevenção da Covid-19. O grupo “Cohab-SP Contra o Coronavírus” é destinado aos síndicos e oferece conteúdos sobre o combate a pandemia aos moradores de conjuntos habitacionais, com informações relevantes e verificadas.

A Cohab já abrigou grandes nomes artísticos. O Conjunto Habitacional Presidente Castelo Branco, em Carapicuíba, foi cenário de vida do vocalista do grupo musical Negritude Júnior e dos irmãos. Com isso, a banda criou o sucesso “Cohab City”, que emplacou o cenário musical por anos.

Inauguração da COHAB I na zona leste. Em baixo em fase de contrução e expansão: 1977-78






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XVIII

JABAQUARA


Jabaquara é um distrito do município de São Paulo, no Brasil, fundado em 1964. Localiza-se na zona centro-sul do município. Conta com duas estações de Metrô (Jabaquara e Conceição) e uma rodoviária. Conta atualmente com aproximadamente 215 000 habitantes. Até o início do século XVII, a região era ocupada apenas pelos viajantes que se dirigiam a Santo Amaro e à Borda do Campo. A partir dessa época, a região começou a ser procurada por fazendeiros e sitiantes que passaram a abrir estabelecimentos agrícolas e comerciais. Contudo, começou a popularizar-se apenas a partir do final do século XIX, quando a prefeitura decidiu instalar o parque do Jabaquara, utilizado para passeios e piqueniques. Entre os anos de 1886 e 1913, circularam, pela região, os trens a vapor de uma pequena ferrovia que ligava a Vila Mariana a Santo Amaro e cujos trilhos foram implantados sobre uma via do antigo caminho do Carro (via de ligação entre São Paulo e Santo Amaro após atravessar os atuais distritos do Campo Belo e do Brooklin). Em 1906, a São Paulo Tramway, Light and Power Company implantou uma linha de bondes que passava ao largo da região, pois seguia em um trajeto que ia desde a rua Tutoia, na Vila Mariana, até o centro de Santo Amaro.

O primeiro loteamento do Jabaquara aconteceu na vila Santa Catarina entre 1920 e 1921. Até o final da década de 1920, boa parte da região era escassamente povoada, com chácaras esparsas em meio a extensas superfícies não ocupadas. Uma região sem grande urbanização e com grandes características rurais até então. O desenvolvimento e a urbanização vieram apenas no final da década de 1920, com a criação da Avenida Washington Luís, ligando a mais desenvolvida vila Mariana aos loteamentos suburbanos às margens das represas e, principalmente, com a inauguração do Aeroporto de Congonhas em 1936.

A construção da Paróquia São Judas Tadeu em 1940, a pedido do arcebispo metropolitano dom José Gaspar Afonso e Silva, auxiliou na valorização das terras da região, que se beneficiaram com o desenvolvimento. Isso incentivou a abertura de loteamentos (Jardim Aeroporto, Vila Mascote, Vila Santa Catarina, Vila Parque Jabaquara), que, no entanto, permaneceram praticamente desocupados ou com apenas alguns núcleos isolados até a década de 1950.

Terminal Rodoviário do Jabaquara, uma das três rodoviárias localizadas na cidade de São Paulo


Avenida Jabaquara em 1962 passado pelas primeiras mudanças de urbanização.

 Avenida Jabaquara é uma via situada na cidade de São Paulo, no distrito da Saúde, sendo uma das vias mais importantes para a região sudeste da cidade. Ela conecta a região da Vila Mariana até o distrito do Jabaquara e o bairro do Planalto Paulista, sendo uma alternativa de acesso para o Aeroporto de Congonhas e demais pontos turísticos e de interesse na zona sul da cidade. Entre o fim dos anos 60 e começo da década de 70, durante as obras da Linha 1 do Metrô de São Paulo, a avenida foi palco de um marco na engenharia brasileira, pois foi cavada uma vala aberta em quase toda a sua extensão para a instalação da rede de túneis e trilhos do sistema.

Histórico. Na virada do século XIX para o século XX, a região onde atualmente fica a Vila Clementino passou a ser conhecida como "Saúde", em homenagem a Nossa Senhora da Saúde. Por volta de 1840, a região onde atualmente fica a avenida teve seus primeiros registros de população, também era uma região muito utilizada como passagem por romeiros e viajantes em seu caminho para Santo Amaro ou para a Villa Conceição, em Diadema. Neste caminho havia uma estrada que começava na continuação da Rua Domingos de Moraes. Em 1917, com a oficialização da Igreja de Nossa Senhora da Saúde na região, esta estrada passou a ser conhecida informalmente como "Avenida da Saúde". Em 1913, havia uma rua no bairro da Vila Mariana com o nome de Rua Jabaquara (atual Avenida Conselheiro Rodrigues Alves). A fim de evitar que as pessoas se confundissem com a então existente Avenida Jabaquara (atual Avenida Bosque da Saúde), em 1915, o então prefeito de São Paulo, Washington Luís, instaura uma lei que transformava a Rua Jabaquara em Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, e assim, deixava a então Avenida Jabaquara como a única via com este nome em São Paulo.


Avenida Jabaquara a partir da estação São Judas do Metrô, sentido Vila Mariana

A antiga Avenida Jabaquara ligava o Bosque da Saúde até o Parque Jabaquara, a sua extensão era composta pelos trajetos da atual Avenida Bosque da Saúde, continuando no trecho da atual Avenida Jabaquara que partia da altura do numero 700 até o seu final. Em 1923, com a publicação do ato nº 1.966, a prefeitura de São Paulo legaliza a criação de uma avenida entre a Rua Domingos de Moraes e o Parque Jabaquara, alterando o trajeto da Avenida Jabaquara para o atual. Com isso, o trecho da atual Avenida Bosque da Saúde foi separado e recebeu à época o nome oficial de Avenida da Saúde.

Em 1928, iniciam-se as obras de pavimentação da avenida e anos mais tarde, em 1940, surge a Paróquia de São Judas Tadeu, que na década de 60, viria a se tornar o Santuário de São Judas Tadeu. Nesta mesma época, começa a aumentar a população e a densidade de comércios, residências e prédios nos arredores da avenida devido ao recém inaugurado Aeroporto de Congonhas, aberto em 1936.

Em 1955, na altura do número 100 foi inaugurado o Cine Nilo, um dos maiores cinemas de rua da região em um antigo prédio, posteriormente demolido em 2023 e que ficava entre a avenida e a Rua Caramuru. Na mesma época, o trecho da avenida na região da Praça da Árvore começava a se tornar uma área de comércio popular para moradores dos bairros cortados por ela e arredores. Já nos anos 60, iniciam-se as obras do Metrô de São Paulo, tendo as obras iniciadas no entroncamento da Avenida Jabaquara com a Rua Pereira Estéfano, no bairro da Saúde. Em 1974, com o término das obras e a inauguração do primeiro trecho, a avenida ganharia 3 estações de metrô em sua extensão (Praça da Árvore, Saúde e São Judas).

Obras do Metrô de São Paulo

Obras do metrô na avenida em 1970, na altura da estação Praça da Árvore


Em 24 de abril de 1968, iniciavam-se as obras do Metrô de São Paulo no entroncamento da Avenida Jabaquara com a Rua Pereira Estéfano, em frente a Central Telefônica da Saúde, na altura do numero 1500 da Avenida Jabaquara. O método utilizado pela construtora na época foi o "cut and cover" que consiste em cavar uma espécie de trincheira ou vala, fazer as obras dos trilhos e de suas estruturas de concreto armado, para depois cobri-la e formar o túnel. A partir de 1969, praticamente toda a avenida se tornou uma grande vala a céu aberto para possibilitar as obras do primeiro trecho do Metrô. As obras levaram aproximadamente quatro anos, tendo interditado boa parte da avenida por três anos até serem concluídas em 1972. Neste ano, o Metrô iniciou seus testes com trens entre as futuras estações Jabaquara e Saúde. A obra se tornou um marco na engenharia do Brasil, pois além de ser parte das obras do primeiro sistema de transporte metroferroviário do país, pela primeira vez esta técnica era implantada em larga escala.

Pontos de interesse. Mosteiro Santa Tereza, no trecho inicial da Avenida Jabaquara, no bairro de Mirandópolis. A Avenida Jabaquara se conecta com diversas avenidas importantes da zona sul da cidade de São Paulo, como a Avenida dos Bandeirantes, Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira, Avenida Miguel Estéfano, Avenida Bosque da Saúde, Alameda dos Guatás, Avenida Indianópolis, Avenida Fagundes Filho (a qual fornece acesso à Rodovia dos Imigrantes), dentre outras, além de fazer parte da principal rede de ciclovias da cidade que se conecta a outras ciclorrotas e ciclofaixas que vão para os bairros de Moema, Jabaquara, Bosque da Saúde e Vila Mariana. Também há 3 estações de metrô situadas na avenida, além de dezenas de pontos de ônibus municipais e intermunicipais.

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XIX

CENTRO


Avenida  Ipiranga com São Luiz. Anos 1950


Chama-se comumente Zona Central de São Paulo (ou simplesmente Centro de São Paulo) a região administrada pela Subprefeitura da Sé, que engloba os distritos da Bela Vista, Bom Retiro, Cambuci, Consolação, Liberdade, República, Sé e Santa Cecília. Não deve ser confundida com a região conhecida como centro expandido, utilizada eventualmente pela prefeitura do município em ações de planejamento urbano, a qual engloba também partes das subprefeituras da Mooca, Lapa, Pinheiros, Vila Mariana e Ipiranga, ou com o Centro Histórico de São Paulo, que engloba apenas a parte mais antiga da região central.

Definição. Zona Central de São Paulo, com destaque aos edifícios Altino Arantes, Martinelli e Banco do Brasil. Oficialmente, a zona central é delimitada pelos distritos da Subprefeitura da Sé. No entanto, a percepção social daquilo que se chama "centro de São Paulo" varia e eventualmente inclui outras áreas do município. Até a criação da subprefeitura da Sé, a noção de "centro" equivalia à região da antiga Administração Regional da Sé, que também incluía os distritos do Brás e do Pari - atualmente englobados pela Subprefeitura da Mooca -, interpretação que também é encontrada atualmente. A noção de "área central de São Paulo", porém, é mais ampla a depender do estudo que é feito a respeito da região e pode incluir pontos como os centros financeiros da Avenida Paulista e da Avenida Berrini. Para Villaça, chama-se de "área de concentração das camadas de alta renda" a região do município que engloba todas as centralidades que são historicamente chamadas de "centro" e cujas imagens são de tempos em tempos ideologicamente associadas à própria imagem do município. Esta região, que poderia ser entendida como o centro metropolitano de São Paulo, também é chamada de "vetor sudoeste" e concentra a maior parte da renda, dos empregos e da atuação do Estado no município.

O centro de São Paulo foi também o principal distrito financeiro do município até aproximadamente a segunda metade do século XX. A partir da década de 1970, por vários erros de sucessivos governos municipais e pelo desenvolvimento de outras áreas da município, muitas empresas começaram a se mudar para outros distritos do município. Novos centros financeiros começaram a surgir pelo município e a sede de órgãos do governo do estado de São Paulo deixaram a região, como a transferência sua sede para o Palácio dos Bandeirantes no distrito do Morumbi (Zona Oeste de São Paulo). Com o forte processo de degradação urbana e de queda na qualidade de vida da região, a maioria das pessoas de alta e média renda, além de artistas e intelectuais que viviam na região, também começaram a mudar-se para outras áreas do município, resultando no agravamento da decadência da região central da cidade. O intenso processo de esvaziamento e degradação urbana na região trouxe várias consequências como o aumento das taxas de delinquência, economia informal, atos de vandalismo, falta de investimento privado em novos imóveis, depredação do patrimônio histórico, especulação imobiliária, prostituição, aumento no número de mendigos e consumo de drogas.


No início da década de 1990 começaram a surgir as primeiras intenções e movimentos por parte da sociedade (como a associação "Viva o Centro") e do governo (municipal e estadual) que tratavam da recuperação social, econômica, turística e cultural da região, iniciando um lento, porém constante, processo de revitalização. Vários centros culturais foram criados ou recuperados, como a Pinacoteca do Estado de São Paulo, a Estação da Luz, o Museu da Língua Portuguesa, a Estação Júlio Prestes, a Sala São Paulo, o Teatro Municipal de São Paulo, o Mercado Municipal de São Paulo, o Palácio das Indústrias, o Museu Catavento, entre outros.

Em 2009 foi criada uma nova forma de vigilância dos espaços públicos para esta zona do município, denominada "Aliança pelo Centro Histórico de São Paulo" que inclui esforços da prefeitura do município, da associação "Viva o Centro" e das empresas privadas da região. O projeto "Aliança pelo centro histórico" tem o objetivo de proporcionar a qualidade total dos serviços públicos como: a segurança, a iluminação e a limpeza das ruas e praças e outros mais. Outra importante iniciativa de recuperação da região central de São Paulo é o Projeto Nova Luz, criado pela prefeitura em 2004 e iniciado em 2005, tem por objetivo reformular por completo a área da atual "Cracolândia", local bastante degradado no centro da cidade, conhecido por ser ponto de tráfico e uso de drogas.



Avenida São João, esquina com Rua Formosa, Centro-SP. Ano 1900


Avenida São João em 1936. Foto:  Oskar Schmieder.

A Avenida São João é uma importante via arterial do Centro de São Paulo. Conecta-se a ela o Elevado Presidente João Goulart e em sua perspectiva encontra-se o Edifício Altino Arantes (Banespa), importante ponto focal urbano. Em sua área mais central, a avenida é inteiramente pedonal (situação caracterizada como "calçadão"), sendo restrito o tráfego de automóveis. A história da Avenida São João remonta a 1651. Naquele ano, os paulistanos Henrique da Cunha Gago e Cristóvão da Cunha solicitaram à Câmara Municipal a doação de terrenos na área delimitada pelos Ribeirões Anhangabaú e Yacuba. Com o passar do tempo, esse rústico caminho passou a ser conhecido como “Ladeira do Acú”, numa abreviação de Yacuba, o riacho fronteiriço. A ladeira iniciava-se no antigo Largo do Rosário – atual Praça Antonio Prado – e terminava nas proximidades do Largo do Paissandú. Desse ponto em diante, ela transformava-se na “Estrada de Jundiaí”, caminho muito utilizado por tropeiros que seguiam em direção ao interior do Estado. E como Ladeira do Acú, a São João permaneceu durante todo o século XVIII. A designação atual é uma homenagem a São João Batista, considerado o “protetor das águas” na tradição católica. Buscando as raízes dessa homenagem, verificamos que os cursos d’água que cruzavam a antiga “Ladeira” eram considerados perigosos para os antigos paulistanos: Yacuba ou Acú, significa em Tupi “Água Envenenada”; esse córrego margeava o atual edifício dos Correios e desaguava no Anhangabaú que, também no Tupi, significa “Águas Assombradas” ou Águas do Diabo”. Referida homenagem, inicialmente, consolidou-se informalmente passando a constar nos registros a partir de 28 de novembro de 1865, quando o vereador Malaquias Rogério de Salles Guerra sugeriu a denominação “Ladeira de São João”. Mais tarde, o logradouro se transformou em Rua e, a partir de 1916, Avenida São João.Entre 1910 e 1937, sucessivas reformas, alargamentos e prolongamentos foram realizados. Alguns dos alargamentos ocorreram nas administrações de Raimundo Duprat (1911-1913) da Rua Libero Badaró ao Largo de Paissandu, Washington Luís (1914-1919) do Largo do Paissandu à Praça Júlio de Mesquita e de Firmiano Pinto (1920-1925) da Rua Libero Badaró até a Praça dos Pirineus (atual Praça Marechal Deodoro). No começo de 1970, sobre trecho relativo da Avenida São João foi levantado o Elevado Presidente João Goulart. A obra lançada pelo prefeito da época, Paulo Maluf, visava o desafogo das vias centrais e foi inaugurada no 417° (quadragésimo décimo sétimo) aniversário da cidade de São Paulo. O fluxo pesado e contínuo de automóveis, o ruído, a sujeira e a poluição aumentaram drasticamente nas vias sobre as quais o elevado foi construído, cenário que desvalorizou o mercado imobiliário da região.


Vista área da avenida Ipiranga  e sua principais confluências. Foto Labor, 1953



O Largo do Arouche em 1951.

Largo do Arouche é uma praça tradicional da região central, considerada patrimônio cultural da cidade de São Paulo. O local também é conhecido como Praça das Flores ou Mercado de Flores e abriga diversos floristas que se instalaram após a retirada das bancas existentes na Praça da República pelo prefeito Armando de Arruda Pereira por volta de 1914. Durante os anos 1900 a praça abrigou a "Feira Livre do Arouche", a segunda da cidade, criada no contexto da crise do abastecimento de produtos hortifrutigranjeiros e encerrada em 1954. O nome atual remete ao tenente-general José Arouche de Toledo Rendon, reconhecido por ser o primeiro diretor da Faculdade de Direito de São Paulo e do Jardim Botânico. Durante a história, foi renomeada diversas vezes e já foi chamado de Largo do Ouvidor, Largo da Artilharia e Praça Alexandre Herculano.

O Largo é composto pelas ruas Jaguaribe, Amaral Gurgel, a avenida Duque de Caxias e o término da rua do Arouche. Em seu lado oposto passa a avenida Vieira de Carvalho, dados que constam na planta genérica da cidade de São Paulo. O nome da praça é uma homenagem ao tenente-general José Arouche de Toledo Rendon, dono do terreno desde a demarcação da Cidade Nova, marcos formados a partir da transposição do vale do rio Anhangabaú, regiões hoje conhecidas como Santa Cecília, Praça da República e Vale do Anhangabaú. Arouche era proprietário de boa parte da zona central da cidade de São Paulo, hoje conhecida como Vila Buarque, uma área que abrangia o atual Largo do Arouche e a Praça da República. Em 1881, a pedido do tenente, a Câmara de São Paulo cedeu à sua vontade de desterrar e aplainar a Praça então chamada de Legião para "disciplinar os milicianos por brigadas" e mudar seu nome para Praça dos Milicianos. Desde então o espaço quadrangular entre as ruas Jaguaribe e do Arouche, considerado a parte baixa, recebeu muitos nomes (Tanque do Arouche, Praça da Alegria, Praça da Legião), até finalmente em 1865 receber o nome de Campo do Arouche, que perdurou até 1910, quando pela Lei nº 1.312 mudou para "Praça Alexandre Herculano". Três anos depois, o art. 2° da Lei Municipal nº 1.741 reverteu "Largo do Arouche" como o nome definitivo de toda praça.

Em 1953 foi chamada "Mercado de Flores do Arouche" a partir de ato normativo exarado pela prefeitura municipal. A parte alta, antiga praça da Artilharia, logo mudou seu nome para Largo do Arouche, como até hoje é conhecida.

Praça da Sé em foto de 1880 de Marc Ferrez. A velha catedral de São Paulo está à direita.



CATEDRAL E PRAÇA DA SÉ. 

MARCO ZERO DA CIDADE

Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção e São Paulo, informalmente conhecida como Catedral da Sé, é a principal templo católico da cidade de São Paulo, Brasil. Localiza-se na Praça da Sé, na Zona Central do município. Apesar de ter uma cúpula de estilo renascentista, a Catedral Metropolitana de São Paulo é considerada como o quarto maior templo neogótico do mundo. A catedral é o templo principal da paróquia de Nossa Senhora da Assunção de São Paulo, criada em 10 de agosto de 1591. É uma das sete maravilhas brasileiras. A história da catedral de São Paulo começa em 1589, quando se decidiu que uma igreja principal (Matriz) seria construída na pequena vila de São Paulo de Piratininga. Esta igreja, situada onde está hoje o Monumento a Anchieta, escultura de Heitor Usai na Praça da Sé, foi terminada em torno de 1616. São Paulo transformou-se em sede de diocese em 1745, e a partir dessa data, a antiga igreja foi demolida e substituída por uma nova, construída em estilo barroco, terminada em torno de 1764. Esta modesta igreja seria a catedral de São Paulo até 1911, quando foi demolida.. Após um longo período de deterioração, a catedral foi completamente renovada entre 2000 e 2002. Com o fim de reparar o edifício, muitos pináculos sobre o nave e as torres foram terminados. As plantas originais, datadas de 1912, foram encontradas dentro do próprio edifício, permitindo uma restauração fiel ao projeto original. A catedral é a mais alta igreja de São Paulo, com 111 metros de comprimento, 46 de largura, duas torres com 92 metros de altura e uma enorme cúpula. Tem capacidade para abrigar 8 000 pessoas. No acabamento foram usadas 800 toneladas de mármore. Suas medidas a tornam uma das maiores igrejas do Brasil e do mundo. A cripta localiza-se debaixo do altar principal e é um vasto salão suportado por várias colunas e arcos de perfil gótico. Nela estão sepultados bispos e arcebispos de São Paulo e vários personagens importantes da história do Brasil. Entre estes, encontram-se: o grã-cacique Tibiriçá dos Guaianás, que teve importante papel na fundação de São Paulo. Outro personagem ilustre sepultado na cripta é o Regente Feijó, governante do Brasil durante o Período regencial. Encontra-se, ainda, parte dos restos mortais do sacerdote Bartolomeu Lourenço de Gusmão, brasileiro a quem foi dada a primeira patente de invenção em 1707. Dom Paulo foi sepultado no dia 16 de dezembro de 2016.[Textos e imagens da Wikipedia]


A Praça da Sé é um espaço público localizado no bairro da Sé, no distrito homônimo, no Centro do município de São Paulo, no Brasil. É considerado o centro geográfico da cidade. Nela, localiza-se o monumento marco zero do município. A partir dele, contam-se as distâncias de todas as rodovias que partem de São Paulo, bem como a numeração das vias públicas da cidade. Considerada quase um sinônimo para o Centro Velho, a praça é um dos espaços mais conhecidos da cidade e foi palco de muitos eventos importantes para a história do país, como o comício das Diretas Já. O nome deve-se ao fato de a praça ter se desenvolvido em frente à Sé da capital paulista. Originalmente conhecida como o "Largo da Sé", a praça desenvolveu-se a partir da construção, durante o período colonial, da Igreja Matriz do município (substituída pela atual Catedral Metropolitana de São Paulo no século XX) e de uma série de edifícios ao seu redor. No início do século XX, porém, com a demolição de vários dos edifícios originais e as obras de embelezamento urbano e alterações no sistema viário, a praça transformou-se e assim permaneceu até a segunda metade do século XX.  A praça abriga diversos monumentos e esculturas, entre eles o célebre Marco Zero no centro da praça e que indica o "coração" da cidade de São Paulo. À frente do Marco Zero, encontra-se o monumento a José de Anchieta, fundador de São Paulo e "Apóstolo do Brasil", inaugurado em 1954 por ocasião do quarto centenário da cidade. Com a reforma de 2006, a praça recebeu diversas novas intervenções artísticas, de maioria abstrata; entre elas as esculturas "Condor" e "Diálogo", entre outras. As esculturas foram espalhadas pela praça, e interagem com o espaço reformado. Apenas em 2009 foi instalada na praça um monumento em homenagem a São Paulo, apóstolo de Jesus e santo que dá nome da cidade.[Textos e imagens da Wikipedia]

Praça da Sé nos anos 1960 com destaque do Edifício Mendes Caldeira, demolido na década seguinte  por causa da construção da Linha Azul do Metrô e da  Estação Sé.



PRAÇA DA FÉ E DA POLÍTICA



Protesto em 1979  contra morte do operário Santos Dias durante um piquete em frente a fábrica Sylvania. Acervo Cedem-Unesp.



Em 1954, a Catedral da Sé, ou Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção de São Paulo, foi inaugurada tornando-se, rapidamente, o principal espaço religioso da cidade. Durante a ditadura, desempenhou importante papel de apoio à resistência, principalmente a partir de 1970, com a nomeação de Dom Paulo Evaristo Arns como Arcebispo (e Cardeal em 1973). Com ele, a Catedral atuou na proteção de opositores políticos e de movimentos sociais, assim como na articulação e sustentação política às ações solidárias de bispos e párocos da cidade. Entre as inúmeras atividades em que a Catedral esteve envolvida, podemos citar: a celebração de missas em memória de vítimas - como o estudante Alexandre Vannuchi, o jornalista Vladimir Herzog, o operário Santo Dias, e o dominicano Frei Tito de Alencar -, o apoio às primeiras reuniões e buscas de familiares de desaparecidos políticos, a criação da Comissão de Justiça e Paz, e a participação no projeto Brasil Nunca Mais, primeira iniciativa de apuração sistemática das violações de direitos humanos cometidas no período.

Presença policial durante o protesto contra o custo de vida em 1978. Nair Benedicto. Cedem-Unesp. 


Implosão do edifício, realizada em 16 de novembro de 1975. Acervo da Companhia do Metropolitano de São Paulo.


O Viaduto do Chá foi o primeiro viaduto a ser construído na cidade de São Paulo, localizado no Vale do Anhangabaú, no centro da cidade. Foi idealizado pelo francês Jules Martin em 1877, mas inaugurado apenas em 6 de novembro de 1892. Na época, foi construído com estrutura metálica, que com o passar do tempo se tornou inadequada, inclusive com riscos de queda. Por este motivo, ao lado da antiga estrutura foi construído um novo viaduto, com a estrutura de concreto armado presente até os dias de hoje. Após a inauguração deste novo viaduto, em 1939, o antigo foi desmontado. Por ser uma região de intenso trânsito de pessoas, o Viaduto do Chá costuma servir de plano de fundo para muitas entrevistas e enquetes de programas de televisão. A construção também é um local muito usado para locações externas de novelas e filmes que se passam no centro de São Paulo, como, por exemplo, a telenovela da Rede Globo Tempos Modernos, que teve grande parte de suas cenas gravadas no Vale do Anhangabaú e no chamado "Centro Velho" da capital paulista. O Viaduto do Chá tinha início na Rua Direita e terminava na Rua Barão de Itapetininga, na região conhecida como Morro do Chá (que ganhou esse nome por causa de inúmeras plantações de chá preto que havia na área; como originalmente era plantada na Índia, uma possessão inglesa, também era conhecida como chá-da-índia),onde hoje se encontram os distritos da República e da Consolação. Foto: Viaduto do Chá nos anos 1920. Ao fundo o Teatro Municipal. [Textos e imagens da Wikipedia]

A Rua de São Bento em 1905, fotografia de Guilherme Gaensly. Festejo pelo fim da Segunda Guerra Mundial em 1945.


Rua São Bento é um logradouro histórico localizado no distrito da Sé, Centro da cidade de São Paulo, capital do Estado de São Paulo. Começa no Largo São Francisco junto a Rua José Bonifácio, passando ainda: pela Praça do Patriarca, Rua Direita, Rua da Quitanda, Largo do Café, Rua Miguel Couto, Praça Antonio Prado e finaliza sua extensão junto à Rua Boa Vista, já no Largo de São Bento. A rua tem atividades eminentemente comerciais nos dias atuais, onde podem ser encontradas diversas lojas que vão desde grandes redes, passando por perfumarias, livrarias, lanchonetes, restaurantes, bancos, redes de "Fast Food" até pontos históricos e turísticos da cidade de São Paulo como é o caso do Edifício Martinelli, cuja portaria principal é acessada pela Rua São Bento. Já foi denominada de "Rua de Martim Afonso Tibiriçá" e "Rua de São Bento para São Francisco". O nome "São Bento" é referência ao Mosteiro de São Bento, localizado no Largo de São Bento, ao final da rua. Em conjunto com as ruas Direita e 15 de Novembro, a Rua São Bento formou o célebre "Triângulo" paulistano, centro da vida comercial, intelectual e elegante da São Paulo de finais do século XIX e início do século XX.

Estabelecimentos históricos e conhecidos dos paulistanos, abrigados na rua em diversas épocas: Leiteria Campo Belo, Casa Fortes, Casa Fretin (esquina com Rua da Quitanda), Casa Genin, Botica Ao Veado d'Ouro, Joalheria Adamo, Casa Paiva, Electrolandia, Casas Pernambucanas, Au Bon Marché, A Triumphal, Casa Sotero, Lapidação de Diamantes Antuérpia, Loja do Japão, Loja da China, Cine São Bento. O Grande Hotel, na Rua São Bento esquina do Beco da Lapa (atual Rua Miguel Couto), inaugurado em 1878, era considerado o melhor hotel do Brasil, ocupando todo um quarteirão: Beco da Lapa, Rua São Bento até a Rua São José (atual rua Líbero Badaró). Edifício de três andares projetado por Von Puttkamer, recebeu hóspedes famosos como o príncipe Henrique da Prússia (1885) e a artista Sarah Bernhardt (1886), sendo demolido em 1964, dando lugar a edifício comercial. Havia ainda o Cursinho do Professor Castelões, preparatório aos vestibulandos das Faculdades de Direito.


Rua São Bento anos 1930


O Copan é um dos mais importantes e emblemáticos edifícios da cidade de São Paulo, localizado no número 200 da Avenida Ipiranga, no centro da cidade, e foi inaugurado em 1966. É um dos símbolos da arquitetura moderna brasileira, concebido pelo arquiteto Oscar Niemeyer com projeto estrutural do engenheiro Joaquim Cardozo, visando às comemorações do Quarto Centenário da cidade de São Paulo. A obra, contudo, foi iniciada apenas em 1957, com algumas alterações e executada com a ajuda de Carlos Lemos. Como um símbolo da cidade de São Paulo, é um marco da arquitetura modernista no Brasil. É a maior estrutura de concreto armado do país, com 115 metros de altura e 120 mil metros de área construída. Com a utilização da liberdade formal, leveza, materiais curvilíneos, o modernismo deixa de seguir padrões europeus e norte americanos e passa a expressar sua própria cultura. Sem ornamentos típicos da arquitetura antes vista no Brasil e no mundo, o edifício inova na época em que se constrói (1951-1967), com a leveza de sua fachada e organicidade das formas, quebrando ângulos retos do centro da capital paulista. A projeção de lotes de geometria irregular funciona como uma extensão da rua. Com a arquitetura livre, Oscar Niemeyer pretendeu transformar a realidade, fazendo a sugestão de dissolução do lote, no centro da cidade. Buscando o racionalismo e o funcionalismo, o arquiteto buscava integrar o projeto com o entorno e a paisagem.[Textos e imagens da Wikipedia]

Edifício Copan em construção 



Ladeira Porto Geral. Começa na Rua Boa Vista e termina na Rua 25 de Março. Por estar em um terreno inclinado, leva a denominação de ladeira. Possui característica comercial, com uma enorme quantidade de barracas de camelôs, apesar de proibidas. Seu nome original era Ladeira do Porto Geral, pois na região o rio Tamanduateí formava um meandro ou curva, uma das sete existentes na região, e nela ficava um porto que atendia o Mercado dos Caipiras e o Mercado Grande (ou Mercado Velho) com mercadorias transportadas por barcos que navegavam pelo rio. Essa área era inundável, considerada várzea e navegável na época. Posteriormente a região foi aterrada e retificada da forma original para a atual.
Ladeira Porto Geralcom Rua 25 de Março, no início do século XX. São Paulo Velhos Tempos

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Ladeira Porto Geral . Ao lado de outras denominações históricas como as ruas "Direita", "Boa Vista" ou "da Quitanda", sobreviveu, na colina histórica de São Paulo, o nome da "Ladeira Porto Geral". 
Principal caminho para o Rio Tamanduateí ao tempo em que este corria ao lado da Rua 25 de Março, a ladeira, por isso mesmo, foi chamada inicialmente de "caminho que vai para o Tamanduateí", e isso por volta de 1780.  Não obstante, e como era muito comum nos séculos XVII e XVIII, ela era ainda era conhecida por diversos nomes como "Beco do Barbas" (referência a um antigo barqueiro que residia nas imediações), "Beco da Barra" e "Beco do Quartim" (referência a Antonio Maria Quartim, proprietário de uma chácara na região). Posteriormente, recebeu a denominação de "Porto Geral de São Bento", e isso por dois motivos: o primeiro deles deve-se ao fato de que o "porto", além de ficar nas proximidades do Mosteiro de São Bento, era também muito utilizado como atracadouro para as canoas carregadas de mercadorias provenientes das fazendas de São Caetano e que pertenciam ao Mosteiro. 
A designação "Porto Geral", por sua vez, deve-se ao fato de que este não era o único porto no Rio Tamanduateí. Existiam ainda o da "Tabatinguera" e, mais abaixo, o da "Figueira" e o do "Coronel Paula Gomes". Porém, e em pouco tempo, o de "São Bento" passou a ser o mais importante da região, visto que nele é que atracava o maior número de canoas recheadas de mercadorias vindas dos sítios e das roças ribeirinhas e das olarias de São Bernardo.  Nesse sentido, o povo passou a chamá-lo de Porto Geral, pois ele era o principal da cidade. O "Porto Geral" se tornara, pois, um centro de grande atividade comercial, apresentando-se sempre cheio de tropas e mercadores. E tudo isso até 1848, quando então o Rio Tamanduateí começou a ser retificado. O golpe final veio em 1896 com o término daquelas obras que redundou no desaparecimento do "porto". Permaneceu, porém, o seu nome como que a chamar a nossa atenção para este fato histórico da velha São Paulo.


Ladeira do Porto Geral nos anos 1950. 



A Avenida São Luís  está localizada no bairro da Consolação - no distrito da Sé e subdistrito da República. Tem início na Avenida Ipiranga, próxima a Praça da República e a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, e término na Rua da Consolação - perto da Biblioteca Mário de Andrade - esquina com o Viaduto Nove de Julho, com extensão de apenas um quarteirão. É uma via de mão única que abriga, dentre outras coisas, o Edifício Itália, a Galeria Metrópole e, além de tudo, é uma das ruas temáticas da cidade onde há lojas do comércio especializado do ramo de agências de viagens.
 Quando aberta no início do século XVIII, não era uma das avenida mais movimentada da cidade, era apenas um beco denominado Beco Comprido. Inclusive, no mapa de 1810, o mais antigo da cidade, este logradouro aparece, porém sem denominação. Já no mapa seguinte, de 1881, encontra-se o logradouro com nome de Rua de São Luiz. Não se sabe muito sobre quem abriu a via, entretanto, sobre quem a batizou, tem-se coisas de sobra. Na origem da nomeação, está Luís Antônio de Sousa Queirós, o conhecido Brigadeiro Luís Antônio, militar luso-brasileiro que se tornaria um dos homens mais ricos de São Paulo na primeira parte do século XIX - como tropeiro, fez fortuna que lhe possibilitaria adquirir terras na capital. Uma de suas propriedades era uma chácara no bairro da Consolação - entre as ruas do mesmo nome, Rua 7 de Abril (antiga Rua da Palha) e a Praça da República (antigo Largo dos Curros). Dentro deste terreno, foi aberta uma trilha que, tempos depois, se tornaria a avenida. Com a morte do Brigadeiro em 1819, a chácara da Consolação passou para seu filho, Luís António de Sousa Queirós, o Senador Queirós. Por mais que a área fosse da família Queirós, a tal não residia nela, usando-a apenas para passar temporadas na casa sede. Foi por volta de 1960 que a rua recebeu seu nome em homenagem ao santo de devoção do Brigadeiro. Falecendo o Senador, a chácara passou a ser dividia e vendida em porções menores.[Textos e imagens da Wikipedia]


Rua Direita em dia de chuva e frio em 1957.

A Rua Direita é um dos mais antigos logradouros da cidade de São Paulo, localizada na região da Sé. Tem início na Praça da Sé e término na Praça do Patriarca. Forma em conjunto com a rua Quinze de Novembro e a rua São Bento, o histórico "triângulo" do centro da cidade. Faz esquina com a rua José Bonifácio, o Largo da Misericórdia e a rua Quintino Bocaiuva. Foi aberta no final do século XVI para ligar o centro da cidade com a antiga estrada que levava à aldeia indígena de Pinheiros. Delineou-se sem nenhum planejamento, por força da necessidade. Do Pátio do Colégio, berço de São Paulo, seguindo-se pela Igreja da Misericórdia, e após a Igreja de Santo Antônio, precipitava-se para o Vale do Anhangabaú, subia-se no que futuramente seria a Ladeira do Piques (rua Quirino de Andrade), e então o caminho de Pinheiros, atual Rua da Consolação (antiga Estrada de Sorocaba). A partir daí entrava-se no sertão.

Dar a denominação de Rua Direita a principal rua de uma cidade é um costume que veio de Portugal com os colonizadores. Não importando se a rua era reta ou não, sendo a principal rua da cidade ela tinha que se chamar Direita, e geralmente ficava à direita da principal igreja local, devido a influência religiosa na vida das pessoas. A rua inicialmente foi chamada "Direita de Santo Antônio" e também "Direita da Misericórdia", sendo os templos religiosos as referências. Entre 1700 e início de 1800 a maioria de suas casas eram assobradadas, com comércio no térreo e residência no andar superior.

Em 1828 a rua ganhou iluminação pública com lampiões funcionando à azeite ou óleo de peixe. Somente a partir de 1870, com os melhoramentos da cidade, passa a ter iluminação pública a gás, bondes tracionados por burros, água encanada e calçamento com paralelepípedos. A iluminação elétrica chega em 1890. Em conjunto com as Ruas São Bento e Quinze de Novembro formou o célebre “Triângulo Paulistano", representando o centro da vida comercial, intelectual e elegante da cidade de São Paulo dos finais do século XIX e início do século XX. Foram seus moradores ilustres o Barão de Iguape (Antônio da Silva Prado), o Barão do Tietê (José Manuel da Silva), e ainda o senador Nicolau de Campos Vergueiro.

A partir de 1950, a Direita e outras ruas do centro velho passaram a ser destinadas estritamente aos pedestres.


A Casa Lebre (1912). Desde os meados do século XIX a série de lojas da rua Direita era iniciada pela Casa Lebre, funcionando em casarão de propriedade do Barão de Tietê na esquina com a rua Quinze de Novembro, loja que sobreviveu por décadas. No início do século XX começaram a aparecer lojas bem mais sofisticadas, quando foram adotadas vitrinas e atendimento mais elaborado. Assim surgiu a Casa Alemã (depois Galeria Paulista de Modas), que construiu uma moderna sede na rua Direita e atravessou décadas. A Casa Au Bon Marché, quase na esquina da atual Praça do Patriarca, e depois, quase em frente, instalou-se a Casa Bonilha. Também foi escolhida pela Casa Bevilaqua, uma das primeiras em instrumentos musicais do Brasil. Consta no Farol Paulistano de 1828 a divulgação de cadeiras e canapés vindos da Inglaterra que poderiam ser encontrados à Rua Direita, 2 ou na casa do Sr. Joaquim Elias. E ainda se estabeleceram na rua Ao Preço Fixo, Sedanyl, Tecelagem Francesa, Casa Henrique, Casa Cosmos, Casa Sloper, Lojas Brasileiras, Lojas Americanas, Marcel Modas, e outras tantas que mantiveram longamente a sua tradição comercial.

Imóveis históricos. No antigo prédio nº 33 da rua Direita foi inaugurada em 07 de janeiro de 1884 pela Companhia Telégrafos Urbanos (Ferdinand Rodde & Co.) a primeira central telefônica da cidade de São Paulo (uma das primeiras do Brasil), fazendo parte da história das telecomunicações do país.

O Edifício Guinle é considerado o 1º arranha-céu de São Paulo, com 7 andares, sendo o precursor da verticalização na cidade. Construído entre os anos de 1913 a 1916, de autoria do arquiteto Hipólito Pujol Junior, apenas teve sua construção aprovada pela Prefeitura após laudo oficial, pois o então prefeito Barão de Duprat duvidou que um edifício de tal porte tivesse estabilidade. Para isso foi solicitado um aval ao engenheiro Antônio Francisco de Paula Souza, então diretor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. O edifício possui figuras que lembram folhas e frutos de café, que remetem à riqueza do "ouro verde" que viabilizou a sua construção no início do século X
O luxuoso Cine Alhambra foi construído em 1927 e pertencia aos senhores João Batista de Souza e Manuel Pereira Guimarães. Foi inaugurado no ano de 1928 com a exibição do filme "A Carne e o Diabo", da MGM, cuja exibição foi considerada "imprópria para senhoritas" na época.


Rua Direita. Promoção de Natal das Lojas Ducal  em foto dos anos 60. Na Marquise sobre a loja, um conjunto musical tocava para uma pequena multidão  que se aglomeravam na frente da loja . Mais a frente, a loja das casas Pernambucanas. Foto:  Veja São Paulo.

Passeata em período eleitoral no calçadão comercial do centro nos anos 1980 com a presença do governado e ex-prefeito Paulo Maluf e também o ex-prefeito Olavo Setúbal. 


BAIRRO, PARQUE E ESTAÇÃO   DA LUZ

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Luz é um dos bairros do distrito do Bom Retiro, localizado na Zona Central da cidade de São Paulo. O que há alguns séculos era apenas um pântano transformou-se em um dos bairros mais importantes da região central da capital paulista. Conhecido como Campo de Guaré, recebeu este nome devido às inundações que sofria com as cheias dos rios Tietê e Tamanduateí. Seu surgimento se deu exatamente em 1600, quando foram doados a Antonio Camacho duzentos lotes de terras. Em 1601, Domingos Luiz e sua esposa Ana se mudaram do Ipiranga para o bairro. Dois anos mais tarde Luiz ergueu uma pequena capela em homenagem à sua santa de devoção, Nossa Senhora da Luz, e assim ficou definido que aquela região se chamaria Bairro da Luz.

Neste bairro estão situados o Jardim da Luz, a Estação da Luz, a estação de Metrô Luz, a Estação Júlio Prestes (Sala São Paulo), o Museu da Língua Portuguesa, o Mosteiro da Luz, o anexo Museu de Arte Sacra de São Paulo e a Pinacoteca de São Paulo, Estação Pinacoteca (antigo DOPS) em frente à Igreja de São Cristovão. A Rua de São Caetano, famosa por abrigar roupas para casamentos, é chamada de "rua das noivas" e se situa no bairro. Abriga em seus limites parte da zona conhecida como Cracolândia, logo na divisa com o bairro dos Campos Elíseos.

 Frontaria e pátio do Mosteiro da Luz, atual Museu de Arte Sacra. Wilfredor (Wikipedia)


O Museu de Arte Sacra de São Paulo é uma das principais instituições brasileiras voltadas ao estudo, conservação e exposição de objetos relacionados à arte sacra. Localiza-se na cidade de São Paulo, na ala esquerda do Mosteiro da Luz, um convento de recolhimento de monjas enclausuradas, fundado em 1774 por iniciativa de Frei Galvão (1739-1822) onde estão seus restos mortais, foi o primeiro santo brasileiro. O mosteiro é a única edificação colonial do século XVIII em São Paulo a preservar seus elementos, materiais e estrutura originais. Encontra-se inserido em meio à última chácara conventual urbana do país. Foi tombado como monumento arquitetônico de interesse nacional em 1943, pelo então SPHAN (atual IPHAN) e, posteriormente, pelo Condephaat. Mantido por um acordo entre o Governo do Estado e a Arquidiocese de São Paulo, o museu foi fundado em 1970. Abriga um dos mais importantes acervos de arte sacra do Brasil, acumulado pela Mitra Arquidiocesana ao longo do século XX, com peças provenientes de antigas igrejas de todo o país. E também com imagens de santos feitas no Brasil e na Europa entre os séculos XVI e XX, além de pratarias e quadros. A coleção, também tombada pelo IPHAN, abarca obras brasileiras e estrangeiras produzidas a partir do século XVI, com especial ênfase na imaginária do período colonial e várias obras de artistas exponenciais como Aleijadinho, com réplicas das estátuas dos seus profetas do lado de fora do museu, Frei Agostinho da Piedade, Frei Agostinho de Jesus, Mestre Valentim, Mestre Ataíde, Almeida Júnior e Benedito Calixto.



Cracolândia é a denominação comum para uma população em situação de rua, composta, na sua maioria, por dependentes químicos  que costuma ocupar uma determinada área no centro da cidade de São Paulo. A Cracolândia se localiza nas imediações das Avenidas Duque de Caxias, Ipiranga, Rio Branco, Cásper Líbero, Rua Mauá, Estação Júlio Prestes, Alameda Dino Bueno e da Praça Princesa Isabel,  Fica mais propriamente situada na "Praça do Cachimbo" (esquina da Rua Helvetia com Alameda Cleveland) no bairro de Campos Elíseos, e coincide parcialmente com a região da Boca do Lixo e da Luz. A Cracolândia surgiu a partir da década de 1990.  A demanda veio de chacinas nas periferias de São Paulo, que forçaram os consumidores a se exilarem no Centro. Ao longos dos anos,, entre 1990 e 2023, a Cracolândia passou por diversas migrações, com movimentos de dispersão ou concentração. Foto. Área do antigo Terminal Rodoviário da Luz, ao lado da Praça Júlio Prestes, em 2010. Wikipédia. 


 Adhemar Ferreira da Silva, bicampeão olímpico do salto triplo na Avenida Rio Branco, em um ponto de ônibus para o bairro da Casa Verde. SP Antiga.

A avenida Rio Branco, no centro da cidade de São Paulo, tem início no Largo do Paiçandu e termina na Rua Dr. Elias Chaves. No século XIX (por volta de 1860), essa avenida era uma trilha conhecida como "Alameda dos Bambus". Com o tempo passou a ser chamada "Rua dos Bambus" e depois, passou a ter dois nomes em sua extensão: Alameda dos Bambus e Rua Visconde do Rio Branco (homenagem a José Maria da Silva Paranhos, estadista, diplomata, militar, pai do Barão de Rio Branco) e posteriormente, Rua Visconde de Rio Branco e Alameda Barão de Rio Branco (homenagem a José Maria da Silva Paranhos Júnior, patrono da diplomacia brasileira). A mudança de nomes e as homenagens ao pai, Visconde do Rio Branco e depois ao filho, Barão do Rio Branco, ficam evidentes a partir das leis, ato e plantas da cidade de São Paulo de períodos diversos. Na Planta da Cidade de São Paulo de 1881, aparece o nome Rua dos Bambus, com início no Largo do Paysandú e até encontrar a Alameda Glete, pois não há continuidade do traçado. Na Planta Geral da Capital de São Paulo, de 1897, a avenida aparece com dois nomes em sua extensão: como Rua Visconde do Rio Branco, do início no Largo do Paysandú até o cruzamento com a Rua Duque de Caxias, quando aparece como Alameda dos Bambus. Na Planta Geral da Cidade de São Paulo, de 1905, aparece ainda como Alameda dos Bambus e Visconde do Rio Branco. A Lei 4068, de 31 de dezembro de 1954, passa a denominar como Avenida Rio Branco toda a extensão das antigas Rua Visconde do Rio Branco e Alameda Barão do Rio Branco.[Textos e imagens da Wikipedia]


ESTAÇÃO DA LUZ


A estação no dia da visita do rei da Bélgica a São Paulo em 1920. 

A Estação da Luz é uma das mais importantes estações ferroviárias da cidade de São Paulo. Possui um grande hall de entrada, uma plataforma central e duas laterais. Atende às linhas 7 Rubi, 11 Coral e 13 Jade da CPTM. Também possui conexão com as linhas 1–Azul e 4–Amarela do Metrô de São Paulo, através de uma ligação subterrânea, integrando a rede de transportes sobre trilhos da Grande São Paulo. A estação recebe uma média de 450 mil passageiros todos os dias.

Inaugurada em 1865, a estação passou por três versões. A primeira era singela, erguida junto com a ferrovia. Ampliada na década de 1870, foi aos poucos se tornando obsoleta diante do crescente número de cargas e de passageiros, que tinham como destino a cidade de São Paulo.

A atual está localizada no Bairro da Luz e foi erguida entre os anos de 1895 e 1901, projetada pelo arquiteto britânico Charles Henry Driver para a São Paulo Railway, empresa sediada em Londres e que era responsável por erguer o primeiro trecho ferroviário do estado de São Paulo, ligando o porto de Santos à cidade de Jundiaí. O edifício abriga ainda o Museu da Língua Portuguesa e, em seus arredores, está a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Jardim da Luz e a Sala São Paulo, na Estação Júlio Prestes.

Primeira estação. À época da implantação da linha, a região da Luz era um bairro retirado caracterizado por ter sua localização elevada em relação aos Rios Tietê e Tamanduateí em cerca de 20 metros de desnível, indicando em média 748 metros ao nível do mar, contra 728 metros dos rios que o cercam que unia o centro da cidade à Ponte Grande, além de abrigar um jardim botânico, ampliado pelo presidente da Província, João Teodoro Xavier de Matos, e uma ermida dedicada às irmãs de São José.

O terreno para a estação fora cedido ao largo do jardim botânico, apesar de sua localização não ter sido decidida até 1865; deste modo o superintendente à época, J. J. Aubertin, solicitou a implantação da obra em terreno situado próximo à atual Estação Luz do Metrô de São Paulo, na esquina com a Rua Brigadeiro Tobias. O pedido fora realizado pelo engenheiro das obras, Daniel M. Fox, ao presidente da Província; este solicitava o retorno aos projetos originais realizados para a Estação da Luz: por determinação do engenheiro fiscal Vasco de Medeiros, uma vez que a estação seria deslocada para o outro lado do Jardim Botânico, próximo ao escritório do empreiteiro Robert Sharpe, para instalarem-se duas cancelas nas ruas Alegre e Constituição. Entretanto, o engenheiro Daniel M. Fox aconselhava a realização da estação no Largo do Jardim Público, determinando com isso a instalação de uma única cancela que serviria a ambas as ruas. Sua primeira edificação, como todas as outras da companhia, era muito simples, constituindo de um pequeno bloco de um pavimento, localizado lateralmente à linha da estrada de ferro, onde se situavam as instalações de despacho, embarque e desembarque de passageiros e residência do chefe da estação. Junto à mesma localizava-se uma série de pequenas edificações destinadas à administração da linha, à engenharia da companhia, para reparos das composições e armazenamento de mercadorias.



Segunda estação. Em 17 de março de 1888, a companhia propôs a execução de aumento da plataforma da estação de passageiros na Luz e respectiva cobertura, bem como a ampliação da edificação. Esta passou a contar com dois pavimentos, com linhas neoclássicas, cobertura em ferro na entrada da edificação e sobre as plataformas, sendo construída sobre a estação anterior. Alfredo Moreira Pinto, em 1900, forneceu uma precisa descrição sobre a segunda Estação da Luz:

Atualmente ocupa um edifício que tem um corpo central reentrante, com três janelas no segundo pavimento e duas portas, três janelas e um alpendre no primeiro e dois corpos laterais salientes com quatro janelas em cada um sendo duas em cada pavimento. No corpo central ficam um saguão e a bilheteria no primeiro pavimento e a repartição do tráfego no segundo. Aos lados do saguão ficam o correio, uma sala de senhoras e em frente a esta, um botequim. Nos fundos do edifício rasga-se uma extensa plataforma, na qual se acham a sala do chefe da estação, o telégrafo e diversos compartimentos para cargas. Tal edificação foi mantida até início do século XX, quando foi demolida para a complementação da gare da terceira Estação da Luz.


A Estação da Luz é uma das mais importantes estações ferroviárias da cidade de São Paulo. Seu projeto foi feito por Charles Henry Driver, um arquiteto britânico conhecido por projetos em estações ferroviárias. Local: São Paulo/SP Data: 09/08/2018 Foto: Governo do Estado de São Paulo


Terceira estação. As mais completas descrições sobre a terceira estação de passageiros de São Paulo foram realizadas por contemporâneos à construção, como Alfredo Moreira Pinto, em 1900, e Adolfo Augusto Pinto, em 1903. A estação, ocupando uma área de 7 520 m², é composta por dois blocos distintos: o primeiro, uma ampla edificação, construído em alvenaria de tijolos, com dois pavimentos, abrigando os escritórios da superintendência, engenharia e contadoria, encimado por uma alta torre de relógio, avistada de diversos pontos da cidade, obedecendo em suas linhas arquitetônicas o padrão adotado nas estações do Brás e de Santos, com coberturas em mansardas e torreões em suas extremidades, alvenaria aparente em tijolos; o segundo bloco constitui-se de uma ampla gare envidraçada com quarenta metros de vão, 150 metros de comprimento e altura de 25 metros, cobrindo seis linhas da estrada de ferro, rebaixadas em relação ao nível das ruas laterais à estação. O projeto da estação é atribuído ao arquiteto britânico Charles Henry Driver (1832–1900), renomado arquiteto de estações ferroviárias.

Para a Estação da Luz, foram realizados dois projetos, sendo o projeto não realizado possuidor das mesmas linhas e estilo arquitetônico existentes no outro projeto destinado à estação de passageiros de Santos, com cúpulas em estilo neoclássico no corpo central do edifício e nos torreões, em vez das mansardas construídas. A estação não foi formalmente inaugurada, pois o tráfego não fora interrompido para a construção da duplicação da linha, já que, à medida que o corpo principal da edificação ia sendo concluído, passava a abrigar os serviços de embarque e desembarque de passageiros que ocorriam na segunda estação de passageiros. Tal serviço iniciou-se antes mesmo de a gare ter sido concluída. As obras foram formalmente concluídas em fevereiro de 1901, conforme indica o ofício dirigido pela superintendência à engenharia fiscal:

Tendo sido franqueada ao público e entregue ao tráfego a nova estação da Luz, por estarem concluídas as obras e completa a instalação de todas as suas dependências, conforme V. S. verificou ontem pessoalmente, venho rogar o obséquio de declarar, em nome do Governo Federal, que ficam aceitas definitivamente desta data em diante as respectivas obras para todos os efeitos do Contrato de 17 de julho de 1895.
— William Speers, Superintendente

Era contemporânea. O Governo Federal, através do Ministro da Viação e Obras Públicas, Epitácio Pessoa, acatou o pedido através do despacho datado de 23 de fevereiro de 1901. As obras de Duplicação mesmo após o aceite das obras continuaram a ser realizadas ao longo da primeira década do século XX, concluindo-se as obras remanescentes nas estações de Jundiaí e de Santos, sendo na primeira a conclusão da cobertura das plataformas e na segunda a conclusão dos armazéns de mercadorias e a apresentação de um novo plano para uma nova estação de passageiros que não fora aceito. Menos de quinze anos após a conclusão das obras deste importante representante da arquitetura ferroviária em São Paulo, em 1915, quando o superintendente da Companhia era o brasileiro Antônio Fidélis e seu engenheiro residente Sheldon, foram realizados dois projetos pelo arquiteto Victor Dubugras para uma nova estação da Luz em São Paulo, que previa a completa demolição da existente. Estes dois projetos, além desta radical proposta, apresentavam a construção de uma ampla laje sobre as linhas existentes com o desmonte da atual gare. No lugar da atual praça da Luz, entre a atual estação e o jardim, seria construída uma nova gare com a implantação de novas linhas.

Em 1946 a estação sofreu um incêndio e, após a reforma, foi-lhe adicionado um novo pavimento no bloco administrativo. A partir das décadas seguintes, o transporte ferroviário entrou em um processo de degradação gradual no Brasil, assim como o bairro da Luz, levando a Estação a igualmente degradar-se.

Nas décadas de 1990 e 2000 passou por uma série de reformas, uma das quais encabeçada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha e seu filho Pedro Mendes da Rocha — que teve como intenção adaptá-la a receber o Museu da Língua Portuguesa. Em dezembro de 2015, um outro incêndio de grandes proporções ocorreu na estação, destruindo as instalações deste museu, e causando grandes danos ao patrimônio arquitetônico do prédio. Contudo, o acervo não se perdeu, por ser na maior parte virtual e recuperável das suas cópias de segurança.

Legado cultural. A estação reflete o momento histórico em que foi construída, evidenciando o poder do café na trajetória de expansão da cidade. Erguida junto ao Jardim da Luz, por décadas a sua torre dominou parte da paisagem central paulistana. O seu relógio era o principal referencial para acerto dos relógios da cidade. Destruído pelo incêndio de 1946, foi substituído, cinco anos depois, por um relógio Michelini, de fabricação nacional.

Bairro da Luz em 1928, registro feito a partir da torre da estação ferroviária. São Paulo Antiga.  


No período de auge da estação (ou seja, nas primeiras décadas do século XX, quando a Luz era uma região de destaque na cidade), ela compunha um conjunto arquitetônico que não só era um referencial urbano como efetivamente fazia parte da vida cotidiana do município, constituindo aquilo que pode ser chamado de a "imagem da cidade". A estação, vizinha do Jardim da Luz, compunha com o edifício da Pinacoteca do Estado um marco na definição da região da Luz, marcando os limites dos bairros do Bom Retiro e Campos Elíseos.

Além disso, até meados dos anos 1970, um terceiro elemento configurava aquele espaço de forma bastante marcante: na perspectiva da Avenida Tiradentes localizava-se, em frente à Pinacoteca, um monumento à figura de Ramos de Azevedo (arquiteto responsável pelo projeto de diversos edifícios importantes naquele período, inclusive o prédio da Pinacoteca). Desta forma, tendo como referência aquele monumento, alguém localizado tanto no Centro Antigo quanto nas regiões mais próximas ao Rio Tietê (para o qual a Avenida Tiradentes se estende) poderia localizar o bairro da Luz e especular a que distância estava da estação. Com as obras do Metrô de São Paulo, conduzidas na década de 1970, o Monumento a Ramos de Azevedo teve de ser removido do local, levando a uma alteração radical da configuração espacial da paisagem original daquele local, assim como a sua percepção cotidiana dos transeuntes do local. Por outro lado, a Estação da Luz ganhou uma certa monumentalidade.

O Museu da Língua Portuguesa é um museu interativo sobre a língua portuguesa localizado no edifício da estação. Foi concebido pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo em conjunto com a Fundação Roberto Marinho. O objetivo da instituição é criar um espaço vivo sobre a língua portuguesa, considerada como base da cultura do Brasil, onde seja possível causar surpresa nos visitantes com os aspectos inusitados e, muitas vezes, desconhecidos de sua língua materna. Segundo os organizadores do museu, "deseja-se que, no museu, esse público tenha acesso a novos conhecimentos e reflexões, de maneira intensa e prazerosa".

Em 21 de dezembro de 2015, o museu foi atingido por um incêndio que destruiu dois andares de sua estrutura, vitimando um bombeiro que trabalhava no combate às chamas. Seu acervo, contudo, não se perdeu, por ser virtual, sendo recuperado das cópias de segurança. Após anos de reformas, a data da reabertura do museu foi marcada para 27 de junho de 2020. Porém, devido à pandemia do novo coronavírus, a reinauguração do mesmo acabou sendo adiada, vindo a ocorrer somente em 31 de julho de 2021.

DEGRADAÇÃO DOS CAMPOS ELÍSIOS E DA LUZ


Cúpula do antigo o terminal rodoviário da Luz


A degradação da região de Campos Elíseos e Luz, que geraria no final da década de 90 o famigerado apelido de “Cracolândia“, começou muito tempo atrás, na década de 60, com a polêmica construção da rodoviária, ou como era conhecida oficialmente, Terminal Rodoviário da Luz.

Fica difícil hoje de imaginar uma cidade como São Paulo na década de 50, já com dimensões de uma grande metrópole mundial, sem uma terminal rodoviário, mas esta era a realidade paulistana. As discussões sobre como e onde construir um grande terminal de ônibus para a cidade se estenderam por muitos anos e nunca chegavam a um consenso definitivo sobre o lugar.

Durante estas discussões foi aventada a ideia de construir a rodoviária no local do Parque da Luz. A absurda ideia afirmava que o local ideal era ali, pois estava bem ao lado da Estação da Luz. Felizmente, o absurdo não foi levado adiante e a estação acabou sendo idealizada e construída não muito distante dali, diante da outra estação ferroviária, a Júlio Prestes.

E foi assim, em 25 de janeiro de 1961 que o Terminal Rodoviário da Luz foi inaugurado. À época com muitas críticas do jornal O Estado de S. Paulo (conforme editorial publicado em 25/1/1961, página 10) pelo local escolhido, mas na época não deram muita atenção a reclamação, muitos alegando que o crítica era em virtude de um dos construtores, o empresário Octávio Frias de Oliveira, ser vinculado ao jornal concorrente, a Folha de S. Paulo (leiam o box “As pastilhas da Rodoviária” no final do artigo).

E com o tempo, seria verificado que o editorial do jornal O Estado de São Paulo estava coberto de razão. O local escolhido para a rodoviária paulistana era um dos piores possíveis.

De uma hora para outra o que se viu foi um trânsito absurdo se deslocar para uma área da região central que até então não tinha visto tamanha concentração de tráfego. Centenas de ônibus e taxis, além de milhares de pessoas passaram a frequentar a área. No mesmo ano da inauguração, moradores do bairro passaram a reclamar do grande aumento de furtos nas redondezas, já que rodoviárias são foco de pessoas que não conhecem a cidade (especialmente migrantes) e estes, por sua vez, mais suscetíveis a golpes e roubos.

Esta chegada repentina de pessoas de outras regiões afugentou os moradores mais antigos, que procuraram mudar para bairros como Higienópolis e Barra Funda. Por outro lado, inúmeras residências agora desocupadas foram transformadas em pequenos e médios hotéis, muitos deles de baixa qualidade, o que diminuiu consideravelmente o padrão de vida do entorno da nova rodoviária, iniciando um processo de deterioração da região que até hoje não foi revertido.

Outro grande problema da rodoviária era o grande número de linhas de transporte coletivo que haviam ali. Como o final da Avenida Duque de Caxias e a Rua Mauá são relativamente estreitas, causavam, já naquela época, grandes congestionamentos especialmente no horário de rush. Em 1977 boa parte das linhas foram transferidas para a Praça Princesa Isabel, causando certo alívio no trânsito.

Mas nem tudo era ruim na nova rodoviária. Concebida com desenho moderno e uma arquitetura bem diferente do que os olhos dos paulistanos estavam acostumados a ver, o Terminal Rodoviário da Luz tinha em seu hall um belo chafariz, e todo seu interior era decorado com pastilhas coloridas. Além disso também haviam grandes painéis acrílicos, também coloridos, que davam um visual bastante inusitado tanto do lado externo como no interior. Na década de 70 o terminal recebeu televisões a cores o que atraía para a estação não só passageiros como curiosos em ver aquela grande novidade.

Plataforma de acesso e embarque do antigo terminal. 

O Terminal Rodoviário da Luz teria uma vida relativamente curta na sua função: duas décadas. Saturado, seu fim começou a ser delineado em 1977, quando parte das suas linhas foram transferidas para o Terminal Jabaquara. E o fim definitivo viria em 1982, com a inauguração do Terminal Rodoviário do Tietê, na gestão do então governador Paulo Maluf.

O fim repentino do terminal rodoviário foi um golpe muito grande nos já transtornados bairros da Luz e Campos Elíseos. Sem a rodoviária, vários hotéis de pequeno e médio porte fecharam as portas, outros transformaram-se em prostíbulos.

Além disso muitas lojas, bares e lanchonetes também fecharam as portas. Em 1988, seis anos após o terminal ser desativado, a área foi vendida a um grupo de empresários que transformaram o local no Fashion Center Luz.

Foi durante o período do Fashion Center Luz que as famosas pastilhas foram removidas. O local seguiria funcionando até 2007, quando foi desapropriado pelo Governo do Estado de São Paulo para a construção de um centro cultural (ainda no papel) com teatro e escola de dança. A demolição só começou em 2010, com muita polêmica e desrespeito ao direito individual, como a triste história do Edifício Opus e, principalmente, da Drogaria Duque de Caxias que o São Paulo Antiga acompanhou de perto.

Hoje o local é um grande terreno vazio sem qualquer indício de início de obras. O que era uma grande ponto de chegadas e partidas se tornou um grande ponto de encontros de usuários de drogas e desencontros de vidas sem rumo. - Douglas Nascimento. 06/12/2013. São Paulo Antiga


Área externa do antigo terminal rodoviário da Luz


A RUA 25 DE MARÇO


Antônio Ferrigno. Rua 25 de Março. 1894




Registro de 1862 da rua 25 de Março  pelo fotógrafo Militão Augusto de Azevedo da rua 25 de Março. Já foi apelidada de  Becos da Sete Voltas, que eram os contornos do rio Tamanduateí, e oficialmente Rua de Baixo. 


A Rua 25 de Março, via pública localizada na região central da cidade,  é  considerada como o maior centro comercial da América Latina, pois consiste em um dos mais movimentados centros de compras varejistas e atacadistas da Capital. A história da rua também é marcada pela forte presença de imigrantes, especialmente sírios, libaneses e chineses. Tem forte influência nas atividades econômicas nos dias atuais, movimentando bilhões de reais por ano nos mais de 4800 estabelecimentos da região.  O comércio local é conhecido pelo alto volume de barracas de camelôs dividindo espaço com as lojas comerciais, shoppings e galerias. A via urbana ganhou o nome no ano de 1865 em homenagem à constituição brasileira de 1824, assinada em 25 de março daquele ano e tornando-se assim a primeira constituição do Brasil. Porém, antes teve os nomes: rua Várzea do Glicério, rua das Sete Voltas, rua de Baixo e rua Baixa de São Bento. Foto: anos 1970.[Textos e imagens da Wikipedia]

Rua 25 de Março nas duas primeiras décadas do século XX. 



BOM RETIRO



Linha de ônibus Centro-Bom Retiro nos anos 1940


O bairro do Bom Retiro, localizado entre os rios Tietê e Tamanduateí, é um testemunho vibrante da evolução social e cultural de São Paulo. No século XIX, a região era composta por chácaras e sítios, como a "Chácara do Bom Retiro", que deu nome ao bairro. Estas propriedades serviam como retiros de fim de semana para a elite paulistana, incluindo a família Souza Aranha do Marquês de Três Rios, cujo nome ainda é lembrado em uma das ruas centrais do bairro.

O caráter de lazer do Bom Retiro começou a mudar com a instalação das primeiras olarias, aproveitando a argila das várzeas dos rios, frequentemente inundadas. A Olaria Manfred, estabelecida em 1860, foi a primeira e mais importante dessas indústrias. O desenvolvimento significativo do bairro ocorreu com a chegada da Estrada de Ferro São Paulo Railway, conhecida como Estrada de Ferro "Inglesa", inaugurada em 1867. Esta linha ferroviária, que ligava Jundiaí a Santos, com uma parada em São Paulo na Estação da Luz, facilitou a chegada de imigrantes que desembarcavam no porto e incentivou a instalação de fábricas próximas à linha ferroviária.

A história do Bom Retiro e sua diversidade étnica estão intrinsecamente ligadas à industrialização e urbanização de São Paulo, além de refletirem guerras, revoluções e crises econômicas globais. Esses eventos impactaram profundamente os imigrantes, que foram os grandes afetados. As trajetórias do bairro, da cidade e dos estrangeiros se cruzam no final do século XIX, com o ciclo do café como ponto de partida. Em 1850, 40% da produção mundial de café vinha do Brasil, e o dinheiro gerado por essa exportação ajudou a fomentar o nascimento da indústria paulista, inicialmente nos bairros do Bom Retiro, Brás e Mooca.

Rua  Itaboca nos anos 1950

Um marco importante na história do bairro é a fundação do Sport Club Corinthians Paulista. Fundado em 1º de setembro de 1910 por um grupo de operários paulistas do Bom Retiro, o Corinthians rapidamente se tornou um dos clubes mais populares do Brasil. O clube foi fundado após uma partida inspiradora entre o Corinthians Team, de Londres, e a Associação Atlética das Palmeiras, que motivou os fundadores a criar um time com o nome de "Corinthians" em homenagem à equipe inglesa. Com o tempo, o Corinthians se tornou um dos clubes de futebol mais bem-sucedidos do país, começando sua trajetória em um terreno baldio na Rua José Paulino.

Rua Solon: montadora dos primeiros automóveis da Ford vendido no Brasil


Em 1940, uma pesquisa sobre a concentração de estrangeiros – sírios, japoneses e judeus – realizada por Olavo Egidio de Araujo, técnico de estatística do Departamento de Cultura da PMSP, revelou a concentração de judeus no Bom Retiro. Publicada sob o título “Enquistamentos Étnicos” na Revista do Arquivo Municipal, o estudo destacou que roupas feitas e artefatos de tecidos correspondiam a 39% das indústrias do bairro, e malharias a 15%. Além da atividade econômica, a presença de sinagogas, peixarias e filmes israelitas exibidos no cinema local, bem como a alta porcentagem de crianças israelitas frequentando escolas no bairro, foram apontados por Araújo como elementos distintivos da comunidade judaica.

O trabalho de Araújo marcou um divisor de águas, conferindo ao Bom Retiro uma identidade étnica associada à presença judaica. Nos estudos subsequentes, como “A Cidade de São Paulo” de Aroldo de Azevedo e “O bairro do Bom Retiro” por Dertônio, a década de 1940 é destacada como o período em que os judeus começaram a influenciar fortemente a cultura local, inclusive através do uso da língua ídiche.
A partir dos anos 1960, os sul-coreanos começaram a chegar ao Bom Retiro, adquirindo as principais lojas do bairro, especialmente nos anos 1980, após a anistia de imigrantes ilegais em 1982. Durante esse período, muitos judeus migraram para bairros mais residenciais, como Higienópolis, à medida que as novas gerações buscavam outras profissões.

A chegada dos bolivianos ao Bom Retiro começou a se intensificar na década de 1980. A princípio, muitos vieram em busca de melhores oportunidades econômicas, fugindo de condições difíceis em seu país de origem. No Brasil, encontraram trabalho principalmente nas oficinas de costura, um setor que estava em expansão no bairro devido à já estabelecida indústria têxtil. Infelizmente, muitos desses imigrantes trabalharam em condições precárias, enfrentando longas jornadas de trabalho e baixos
 salários.

Rua José Paulino no Bom Retiro, anos 1960. O mais importante mercado de confecções na época e ainda hoje bastante influente.  



Com o passar dos anos, no entanto, a comunidade boliviana no Bom Retiro começou a se estabelecer de forma mais sólida. Muitos imigrantes que inicialmente trabalhavam como empregados em oficinas de costura conseguiram abrir seus próprios negócios, contribuindo para o dinamismo econômico do bairro. Hoje, alguns bolivianos são proprietários de suas próprias confecções, e a comunidade é uma parte vital do setor de moda do Bom Retiro. A presença boliviana no bairro não se limita apenas ao aspecto econômico. Eles também trouxeram suas tradições culturais, que são visíveis em eventos comunitários e festas tradicionais que ocorrem no Bom Retiro. A comida boliviana, por exemplo, é uma parte importante da oferta culinária local, com restaurantes que servem pratos típicos como salteñas e api.

O Bom Retiro é relativamente extenso e limita-se com os bairros de Santana, Ponte Pequena, Canindé, Pari, Luz e Campos Elísios. Possui três estações de metrô: Luz, Tiradentes e Armênia. Passam pelo bairro vias largas e movimentadas como: Avenida Tiradentes, Avenida do Estado e Avenida Santos Dumont. Outros importantes logradouros são: Rua João Teodoro, Rua Ribeiro de Lima, Rua Três Rios e Rua José Paulino - esta última, importante reduto de comércio de roupas. Nele localiza-se a Defesa Civil do Município de São Paulo. Trata-se de um bairro multicultural, com pessoas de diversas origens, principalmente italianas, judaicas, gregas, coreanas e também bolivianas.

Na área de várzea próximo ao rio Tietê se situam o Parque do Gato, uma área que passou por transformações significativas, com projetos de urbanização e melhorias para os moradores. É um exemplo de como a cidade de São Paulo tem trabalhado para integrar áreas menos favorecidas ao tecido urbano. O Centro Esportivo Tietê, situando no antigo Clube de Regatas Tietê, é um grande complexo esportivo que oferece uma variedade de atividades para a comunidade, incluindo piscinas, quadras esportivas e áreas de lazer.

Clube de Regatas Tietê na altura do Bom Retiro em 1907.


Mostrando a influência japonesa na região o Estádio Municipal de Beisebol "Mie Nishi" foi o inaugurado em 21 de junho de 1958, sendo um marco nipônico, construído em comemoração ao cinquentenário da imigração japonesa no Brasil. É o único local público no Brasil que oferece beisebol, além de outras modalidades como gatebol e sumô. O estádio também oferece aulas gratuitas de beisebol e softbol, promovendo o esporte na comunidade.

Mais recentemente ganhou o Centro de Esportes Radicais, localizado ao lado do Estádio Mie Nishi, o Centro de Esportes Radicais é um espaço de 38.500 m² dedicado a esportes como skate, BMX, e patins. O local possui ciclovia, pista de caminhada, e diversas rampas para diferentes níveis de habilidade. Conta com o Memorial da Imigração Judaica, dedicado à preservação da história da imigração judaica no Brasil e à memória do Holocausto. Ele oferece exposições e programas educativos que promovem a compreensão e a tolerância.

O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) possui uma unidade no Bom Retiro, oferecendo serviços relacionados a habilitação e veículos. O Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM) é responsável por coordenar as operações de segurança e emergências na cidade, garantindo uma resposta rápida e eficiente e além do Quartel do Comando Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, centro administrativo e operacional da Polícia Militar do Estado de São Paulo, onde são tomadas decisões estratégicas para a segurança pública.


MUSEU DAS FAVELAS



O Museu das Favelas, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerido pela organização social de cultura IDG – Instituto de Desenvolvimento e Gestão, será transferido, em novembro, para a região do Pateo do Collegio, no Centro Histórico da capital paulista, reabrindo ao público com a exposição principal do Museu. A mudança estratégica para um espaço de grande circulação e oferta de equipamentos culturais e turísticos busca fortalecer a promoção e preservação do patrimônio cultural das favelas e atender ao Projeto do Centro Administrativo do Governo, com a transferência de órgãos estaduais para a região do Campos Elíseos. Em novembro de 2024, o Museu comemora seu segundo ano de operação, já tendo recebido mais de 90 mil visitantes, sendo cerca de 11 mil estudantes da rede pública e particular de ensino. E, ainda, 12 exposições de arte das favelas e periferias em âmbito nacional foram apresentadas à população de São Paulo e do país, em formatos virtuais, itinerantes e temporárias, além de mais de 110 ações como cursos, palestras, formações e lançamentos de livros de artistas pretos e periféricos. 

O equipamento segue seu trabalho envolvendo pessoas que vivenciam o cotidiano das favelas, nas atividades culturais e educativas, exposições, formações e pesquisa, voltadas para todos os públicos, sendo um ambiente de pesquisa, preservação, produção e comunicação das memórias e histórias das favelas brasileiras. Em novembro de 2024, o Museu comemora seu segundo ano de operação, já tendo recebido mais de 90 mil visitantes, sendo cerca de 11 mil estudantes da rede pública e particular de ensino. E, ainda, 12 exposições de arte das favelas e periferias em âmbito nacional foram apresentadas à população de São Paulo e do país, em formatos virtuais, itinerantes e temporárias, além de mais de 110 ações como cursos, palestras, formações e lançamentos de livros de artistas pretos e periféricos.

O equipamento segue seu trabalho envolvendo pessoas que vivenciam o cotidiano das favelas, nas atividades culturais e educativas, exposições, formações e pesquisa, voltadas para todos os públicos, sendo um ambiente de pesquisa, preservação, produção e comunicação das memórias e histórias das favelas brasileiras. Fonte: ABC do ABC


A PRAÇA DA REPÚBLICA



A Praça da República, localizada no centro da cidade, a praça é visitada diariamente por turistas e habitantes da cidade. A grande frequência é explicada pela proximidade com avenidas importantes, como a Ipiranga e a São João, ruas comerciais, como a Sete de Abril e Barão de Itapetininga, além de alguns dos principais pontos turísticos da metrópole, como o Theatro Municipal, Viaduto do Chá e o Edifício Copan. Tem como afluentes as ruas Araújo, Marquês de Itu, do Arouche, Joaquim Gustavo, Pedro Américo, Timbiras, Vinte e Quatro de Maio, Basílio da Gama e as já citadas Barão de Itapetininga e Sete de Abril, além das avenidas Vieira de Carvalho, Ipiranga e São Luís. Conhecida antigamente como Largo dos Curros, era ali que os paulistanos do século XIX assistiam a rodeios e touradas. Nessa época, como era uma área desvalorizada e afastada da região central, a cidade mantinha no local um hospício e um hospital para portadores de varíola. Posteriormente, foi chamada de Largo da Palha, Praça das Milícias e Largo 7 de Abril. Com a Proclamação da República, em 1889, a praça passou a se chamar 15 de Novembro e, finalmente, Praça da República. Em 1894, foi escolhida como o endereço da Escola Normal Caetano de Campos, edifício planejado por Antônio Francisco de Paula Sousa e Ramos Azevedo, que atualmente é a sede da Secretaria Estadual da Educação. Logo no começo do século XX, veio a primeira reforma, que, inspirada em praças europeias, trouxe as pontes e lagos, deixando o lugar mais parecido com sua forma atual. Foi palco de manifestações importantes da história nacional notadamente com a eclosão da Revolução Constitucionalista de 1932, no dia 23 de maio, ao manifestarem-se os paulistas contra a ditadura Vargas. Desde fins dos anos 1960, a praça passou a ser um ponto de encontro de hippies que constituíram no local, de forma espontânea, a conhecida feira de artesanatos. Aos poucos, a feira transformou-se em grande atração, seja para turistas, seja para paulistanos. Entre 2005 e 2006, o prefeito José Serra (PSDB) tentou encerrar a feira, porém, o evento persiste até os dias atuais como destino obrigatório para os que visitam São Paulo. Abriga o Edifício Esther, o Edifício São Tomás, com requintados apartamentos de quatrocentos metros quadrados, o Edifício Eiffel, projetado por Oscar Niemeyer, e o Edifício São Luiz, projetado no estilo neoclássico francês, pelo arquiteto francês Jacques Pilon, em 1944, com abrigo antiaéreo utilizado posteriormente como garagem. Por abrigar a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, sediada no belíssimo edifício Caetano de Campos, desde os anos 90, a Praça tornou-se ponto de manifestações, de estudantes e profissionais da educação, contra a precarização da educação pública na rede estadual de ensino.[Textos e imagens da Wikipedia]




Tourada na Praça da República, 1902


A atual Praça da República começou a ser formada ainda no século XVIII nas terras que pertenciam ao tenente José Arouche de Toledo Rendon. Como o tenente Arouche utilizava esse espaço para exercícios militares, o logradouro ficou conhecido como "Praça dos Milicianos". Anos depois, ali se realizavam festas, cavalgadas e touradas e por isso, seu segundo nome foi o de "Praça dos Curros". Foi inclusive construído um anfiteatro de madeira por determinação do Marechal Daniel Pedro Muller. Mas, em 1823 tudo estava em ruínas.

No dia 28/11/1865, por iniciativa do vereador Malaquias Rogério de Salles, seu nome foi alterado para "Praça 7 de Abril", uma referência ao dia 07/04/1831, data da abdicação de D. Pedro I. Entre 1872 e 1875, a praça passou por algumas reformas com a finalidade de transformá-la num centro pitoresco e de descanso. Posteriormente, com a Proclamação da República aos 15/11/1889, os vereadores paulistanos alteraram o nome de várias ruas e praças da cidade que lembravam o antigo regime. Assim, a "Praça 7 de Abril" passou a ser chamada definitivamente de "Praça da República".

A partir de finais do século XIX e início do XX, a Praça da República passou por grandes transformações. Foi construído um belo edifício onde funcionava a antiga "Escola Normal" e os seus jardins foram completamente remodelados com a implantação de lagos e pontes


Praça da República,1910.Crianças e alguns adultos ao redor de realejo.Vincenzo Pastore - Acervo Instituto Moreira Salles.



Feira de artes e artesanato nos anos 1970. 


Feira de artesanato na praça da República em foto dos anos 70. A Praça da República é conhecida pela feira de artesanato que abriga aos finais de semana. Todos os sábados e domingos, uma concentração de barracas oferece aos passantes desde comidas típicas nordestinas até objetos da cultura latino-americana. A tradição teve início em 11 de novembro de 1956, quando o filatelista J.L. de Barros Pimentel promoveu uma pequena exposição de seus selos antigos. Com o tempo, o lugar acabou juntando hippies e artistas, e virou uma galeria a céu aberto. / Texto / Marcelo Duarte / Foto / Arquivo Nacional / Fundo Correio da Manhã


A praça e seu entorno tendo com destaque o antigo Colégio Caetano de Campo (segunda sede) e atual sede da Secretaria Estadual da Educação. 

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo possui a maior rede de ensino do Brasil, com 5,4 mil escolas autônomas e vinculadas, aproximadamente 3,5 milhões de alunos e 234 mil servidores nos quadros do Magistério (QM), no Quadro de Apoio Escolar (QAE) e no Quadro da Secretaria da Educação (QSE). São 190 mil professores e 5 mil diretores de escolas distribuídos em 91 Diretorias Regionais de Ensino, que se agrupam em 15 Polos Regionais. A estrutura da SEDUC-SP conta com dois órgãos vinculados, sendo eles o Conselho Estadual de Educação (CEE) e a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) e seis Coordenadorias: Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação “Paulo Renato Costa Souza” (EFAPE); Coordenadoria Pedagógica (COPED); Coordenadoria de Informação, Tecnologia, Evidência e Matrícula (CITEM); Coordenadoria de Infraestrutura e Serviços Escolares (CISE); Coordenadoria de Gestão de Recursos Humanos (CGRH); Coordenadoria de Orçamento e Finanças (COFI). Localizada na Casa Caetano de Campos desde 19 de fevereiro de 1979, na Praça da República, região central da cidade, a SEDUC ocupa um edifício tombado como bem cultural do Estado e do Município de São Paulo, pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Artístico Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT), e pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (CONPRES).[Textos e imagens da Wikipedia]


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Largo do Arouche nos anos 1960. É uma praça tradicional da região central, considerada patrimônio cultural da cidade de São Paulo.  Situa-se no distrito da República, próximo à estação República do metrô. O local também é conhecido como Praça das Flores ou Mercado de Flores e abriga diversos floristas que se instalaram após a retirada das bancas existentes na Praça da República pelo prefeito Armando de Arruda Pereira por volta de 1914. Durante os anos 1900 a praça abrigou a "Feira Livre do Arouche", a segunda da cidade, criada no contexto da crise do abastecimento de produtos hortifrutigranjeiros e encerrada em 1954. O nome atual remete ao tenente-general José Arouche de Toledo Rendon, reconhecido por ser o primeiro diretor da Faculdade de Direito de São Paulo e do Jardim Botânico. Durante a história, foi renomeada diversas vezes e já foi chamado de Largo do Ouvidor, Largo da Artilharia e Praça Alexandre Herculano.  [Textos e imagens da Wikipedia]

Vale do Anhangabaú em 1970. E uma região do centro da cidade de São Paulo, situada entre a Praça da Bandeira e a Avenida São João. É um espaço público comumente caracterizado como parque, onde tradicionalmente se organizam eventos, como manifestações públicas, comícios políticos, apresentações e espetáculos populares. É considerado o ponto que separa o Centro Velho do Centro Novo. Atualmente, os 43 mil metros quadrados do Vale do Anhangabaú são utilizados como um local de passagem para pessoas que desejam transitar entre as regiões leste e oeste do Centro, podendo ser definido como um extenso calçadão sob um entroncamento rodoviário. O espaço também interliga-se a outras praças da área central, como a Praça Ramos de Azevedo, justaposta ao Vale, ao Largo São Bento, por meio das escadarias do Metrô e a Praça da Bandeira, que atualmente abriga um terminal de ônibus.[Textos e imagens da Wikipedia]

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SANTA EFIGÊNIA


Santa Efigênia. O bairro recebe este nome por lá ter sido construída em 1809, no mesmo lugar da antiga capela, uma igreja que homenageava Ifigênia da Etiópia que difundiu o catolicismo por lá. Era uma região que tinha uma bifurcação para os Caminhos de Pinheiros e Luz e abrigava inúmeras chácaras. A escolha do nome foi feita pelo rei Dom João VI. O bairro era uma mistura de classes. Na rua Santa Ifigênia, aberta em 1810 pelo Marechal Arouche de Toledo Rendom até a rua Elesbão (atual rua Aurora), concentrava a população mais abastada. A elite ocupava o chamado Campo Redondo (atual Campo Elíseos) e a rua Florêncio do Abreu. Já a Rua dos Bambus (atual Avenida Rio Branco) era ocupada por estudantes, o que explica a existência de muitas residências acadêmicas, como “repúblicas” de estudantes, onde moraram conhecidas personalidades que passaram pela Faculdade de Direito, como Afonso Arinos, Afrânio Melo Franco, Melo Pimentel e Francisco de Andrade. Descendo para as partes mais baixas da rua dos Bambus, Aurora, Triunfo e Duque de Caxias ficavam os cortiços. Estes cortiços foram detalhados em um relatório em 1893, com informações da área mínima destas habitações, valores pagos por seus moradores, nomes dos inquilinos e proprietários. Se por um lado este relatório era resultado da preocupação com questões sanitárias e recorrência de epidemias, por outro lado os cortiços eram um investimento lucrativo onde se aproveitava o mesmo imóvel para várias alocações. Em 1872, as chácaras são substituídas por residências, fábricas, lojas de comércio de roupas e artigos de formatura. Hotéis, pensões e cortiços também são atraídos para a região devido à existência das estações ferroviárias de São Paulo Railway e Sorocabana. No início do século XX, o centro de São Paulo passa por uma reformulação, com a implantação de grandes avenidas. Deste projeto resultou a implantação do Viaduto de Santa Ifigênia e o início da edificação da igreja Santa Ifigênia. Escolas, residências da elite ao lado de cortiços, lojas de luxo e comércio miúdo conferiram um caráter de transição ao bairro até 1930, quando a elite paulistana transfere-se para os bairros de Higienópolis e Paulista. Então os terrenos e estas casas são subdivididos, aumentando o número de habitações coletivas de baixo custo.

Comércio. No início do século XX, a rua Santa Ifigênia abrigou várias das melhores lojas de tecidos, peles e chapéus femininos. A sua clientela era formada principalmente pelas ricas famílias que moravam no elegante bairro dos Campos Elíseos. Depois especializou-se primeiro em produtos de rádios e TV e a partir da década de 40 e 50, surgem as primeiras lojas especializadas em material elétrico e produtos eletrônicos, que a partir da década de 70 e 80 já eram a maioria. Atualmente o bairro é um importante centro comercial da capital paulista, especialmente no ramo de eletrônicos (aparelhos, acessórios, peças etc.). As ruas mais movimentadas são Santa Ifigênia, Aurora, Vitória, dos Andradas e a avenida Rio Branco.

Pontos de Referência. A Igreja Santa Ifigênia foi projetada pelo arquiteto Johann Lorenz Madein e construída de 1904 e 1913. Edificada em estilo gótico e romano, contém diversas obras de artevitrais confeccionados em Venezatelas dos pintores Benedito Calixto, Henri Bernard, Dario V. Barbosa e  Carlos Osvald,cúpulas do italiano Gino Catani,  altares confeccionados pela Casa Pucci, pela Casa Tomagnini, Fratello e Ciao altar da Capela-Mor foi executado pelo Instituto Bryal de Mayer de Munique, caixas de esmolas e cofre confeccionados pelo Liceu de Artes e Ofícios. Em 1830, abrigou a primeira escola de primeiras letras depois de promulgada a lei que determinava a criação de escolas de primeiras letras em cidades, vilas e lugares populosos do Brasil. A escola chamava-se "Escola de Primeiras Letras da frequesia de Santa Ifigênia". O Instituto D. Ana Rosa, fundado em 1874, instalou-se inicialmente na chácara de seu fundador, o senador Francisco Antônio de Souza Queiróz, neste bairro, entre as ruas Brigadeiro Tobias e Florêncio de Abreu. Foi a primeira iniciativa particular de assistência e formação profissional do Brasil, abrigando inicialmente 62 alunos, a partir de 12 anos, na maioria órfão de pai. Depois transferiu-se para a "Chácara Velha" onde hoje é a Biblioteca Mário de Andrade na praça Dom José Gaspar. Também abrigou o Colégio Moretzsohn.

É nesse bairro também que se localiza o Viaduto Santa Ifigênia. A seu lado, está o maior edifício de São Paulo, o Mirante do Vale, com 170 metros de altura e 51 andares. Esse edifício parece menor por estar dentro do Vale do Anhangabaú. Santa Ifigênia 

Rua Santa Efigênia esquina com a rua Aurora, com destaque para dois palacetes aristocráticos do início do século XX




O Viaduto Santa Ifigênia é um viaduto localizado no centro de São Paulo, com uso exclusivamente para pedestres. Ele começa no Largo São Bento, próximo a estação de metrô São Bento, e termina em frente à Igreja de Santa Ifigênia, interligando dois pontos históricos importantíssimos para o município de São Paulo. A estrutura, pensada pelo arquiteto Giulio Micheli e desenvolvida pelos engenheiros Giuseppe Chiapori e Mário Tibiriçá, foi totalmente fabricada na Bélgica e tinha o intuito de melhorar o trânsito e a circulação de carros, carruagens e bondes durante o período do século XIX, que atravessavam o Vale do Anhangabaú. O viaduto foi montado entre os anos 1910 e 1913 e inaugurado em 26 de julho de 1913, pelo prefeito Raymundo Duprat. Atualmente, o viaduto é uma das principais ligações dos pontos mais altos do centro de São Paulo, passando sobre o Vale do Anhangabaú e a avenida Prestes Maia e assim ligando o centro velho ao centro novo da cidade de São Paulo. O Viaduto Santa Ifigênia, de estilo Art Nouveau, é um dos principais cartões postais da cidade de São Paulo.

Entre o Viaduto Santa Ifigênia e a Rua Duque de Caxias, há diversas lojas e pequenas galerias que vendem os mais diversos tipos de produtos eletrônicos, como computadores, vídeo games, celulares, equipamentos de sons e luzes e instrumentos musicais e além da venda desses diversos produtos, também conta com lojas que disponibilizam o conserto deles por preços mais acessíveis. E além da diversidade, é possível adquirir descontos consideráveis nestes produtos pois os vendedores negociam os preços para que se tornem acessíveis para seus clientes. Assim como na famosa rua 25 de Março, a Santa Ifigênia (conhecida popularmente) é um excelente lugar para fazer compras, principalmente em datas comemorativas como Natal e Dia das Crianças. 

História. São Paulo teve sua população multiplicada e sua malha urbana expandida ao final do século XIX, por conta da economia do café, criando uma demanda por melhorias no transporte e trânsito da cidade. Em 1901 foi apresentado à Câmara Municipal um projeto de um viaduto que ligaria o Largo de São Bento ao Largo Santa Ifigênia. Seria o segundo viaduto a transpor o Vale do Anhangabaú, já que já existia o Viaduto do Chá, inaugurado em 1892. A construção do Viaduto Santa Ifigênia só começou, de fato, em 1910 e foi concluída apenas em setembro de 1913. Mesmo com os três anos que a obra durou o viaduto foi começado e teve fim ainda no mandato do então prefeito Raymundo Duprat. Para a construção do projeto 250 mil libras foram emprestadas dos ingleses, foi o primeiro endividamento externo realizado pela Prefeitura de São Paulo.

A estrutura do viaduto foi totalmente fabricada na Bélgica. Cerca de mil e cem toneladas de estrutura metálica desembarcaram no porto de Santos e chegaram na região pela estrada de ferro São Paulo Railway. A montagem foi realizada pela empresa Lidgerwood Manufacturing Company Limited, sob a direção do engenheiro Giuseppe Chiappori, sócio de Giulio Micheli e Mário Tibiriçá, enquanto a execução das fundações ficou a cargo do mestre de obras e carpinteiro alemão Johann Grundt. Um ano além do prazo previsto, devido às desapropriações e indenizações, falta de mão-de-obra qualificada e orçamento comprometido, o Viaduto Santa Ifigênia foi finalmente inaugurado no 26 de julho de 1913 pelo prefeito Raymundo Duprat, com festa e travessia de bondes e automóveis. O objetivo ao construir este viaduto era, além de ligar os Largos São Bento e Santa Ifigênia, melhorar o trânsito de carros e carruagens que enfrentavam a ladeira da Av. São João, além de melhorar o trânsito da rua XV de Novembro e da rua São Bento, por onde passavam os bondes. Assim, haveria uma maneira mais eficiente de ligar um lado do Anhangabaú ao outro. Na década de 1970, a estrutura foi protegida por Lei Municipal de Zoneamento. No final da mesma década o Viaduto passou por uma reforma que recuperou sua estrutura e passou a ser exclusivo para passagem de pedestres. Com essa reforma, as luminárias foram substituídas por luminárias antigas, conhecidas como São Paulo Antigo, o calçamento passou a ser de pastilhas coloridas, com as cores do arco-íris, e foi colocada uma escada que dá acesso ao Vale do Anhangabaú.


Viaduto Santa Ifigênia, meados do século XX.

O Viaduto Santa Ifigênia sobre a Avenida Prestes Maia une o Largo de São Bento ao Largo de Santa Ifigênia. Possui bases de concreto decorados com pilares de onde se elevam arcos metálicos que proporcionam aparente leveza ao viaduto projetado pelo arquiteto Giulio Micheli e os engenheiros Giuseppe Chiapori e Mário Tibiriçá. O piso pavimentado de pastilhas sobre lajes de concreto, forma tapetes geométricos tricolores. Junto ao piso, destaca-se também pequenas valas com grelhas metálicas para captação de água da chuva. O viaduto também pode ser acessado a partir de uma escada pavimentada por pastilhas de borracha na Praça Pedro Lessa, onde, atualmente, encontra-se o Terminal Correio, localizado ao lado do edifício Mirante do Vale. Foi construído a partir de mil e cem toneladas de ferro que vieram da Bélgica. As peças que juntas compõem o estilo art noveau. Em 1978 o viaduto Santa Ifigênia foi entregue reformado e reinaugurado com a implementação de um calçadão, com peças da mesma empresa que havia fornecido as estruturas originais. Em 1982, foi pintado com as cores do arco-íris (Vermelho, Laranja, Amarelo, Verde, Azul, Anil Violeta). O estilo Art nouveau fica nítido nas grades de proteção do viaduto, que, seguindo o conceito do estilo, destaca as linhas curvas e formas inspiradas em flores e folhagens.


Importância cultural. O Viaduto Santa Ifigênia é uma via com duzentos e vinte e cinco metros de extensão, marcada pelo avanço econômico e cultural da cidade de São Paulo durante o século XIX. As atividades cafeeiras demandaram uma nova estrutura para o trânsito de carroças, bondes e para o trânsito de uma população que só tendia ao aumento. O viaduto veio como uma proposta de melhoria na circulação por dentro da cidade e, no decorrer dos anos, transformou-se em um dos principais pontos turísticos da cidade de São Paulo. Atualmente, o viaduto é exclusivamente para a travessia de pessoas, interligando pontos importantes do centro novo e do centro velho da cidade, como por exemplo Rua Santa Ifigênia, Avenida Cásper Líbero, Rua Antônio de Godói e o Largo do Paissandú, assim como fazia o viaduto do Chá que também foi construído com o intuito de otimizar o tempo dos paulistanos e turistas. O Viaduto Santa Ifigênia foi a primeira grande obra viária paulistana amplamente documentada através da fotografia, cujas imagens são pouco conhecidas pelos paulistanos.

Estado atual. O Viaduto Santa Ifigênia, apesar de protegido pela Lei de Zoneamento e tombado como um patrimônio histórico e cultural da cidade de São Paulo, é alvo de vandalismo, que ocorre pela falta de policiamento no local. Atualmente, sua estrutura encontra-se firme, porém gasta pelo tempo e pela depredação. Em toda a sua extensão, o viaduto tem pichações contrastando com a arquitetura Art Noveau. Ainda assim, possui postes quebrados e utilizados como lixeiras, ferrugem nas partes metálicas, pastilhas soltas pelo piso e pelas escadas e também moradores de rua localizados na Praça Pedro Lessa que vivem sob a cobertura do viaduto.




Mapa turístico de São Paulo nos anos 1950. Dá uma noção dos principais bairros da cidade, sem a periferia. Fonte: São Paulo em Fotos.

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O PALÁCIO DAS INDÚSTRIAS


O palácio em 1924, ano da sua inauguração. 


O Palácio das Indústrias é uma edificação histórica localizada no parque Dom Pedro II, no centro da cidade de São Paulo, Brasil. Foi projetada por Domiziano Rossi em parceria com outros dois arquitetos, Francisco Ramos de Azevedo e Ricardo Severo. Faz parte dos patrimônios históricos tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico do estado de São Paulo (CONDEPHAAT). Com estilo arquitetônico eclético (elementos de diversos estilos contidos em um só), o prédio foi construído com o intuito de abrigar exposições relacionadas à indústria paulista, sendo inaugurado em 29 de abril de 1924, como mostra a placa de inauguração afixada na entrada do local, que atualmente abriga o Museu Catavento Cultural. A escolha do local e a construção do prédio foram iniciativas da Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas do Estado de São Paulo, órgão que estava sob a chefia de Antônio de Pádua Sales. O projeto de construção do Palácio das Indústrias fazia parte do plano de renascimento da capital paulista, esquematizado pelos arquitetos Joseph-Antoine Bouvard e Francisque Couchet, com o objetivo de revitalizar a região conhecida como Várzea do Carmo, levando a ela saneamento básico e melhorias. O Palácio teve sua primeira exposição em 1917, seguindo como centro de exposições até o ano de 1947, quando foi transformado em Assembleia Legislativa, tendo seu nome modificado, em 9 de julho daquele ano, para “Palácio Nove de Julho”, devido à promulgação da Constituição do Estado naquele dia. Entre 1947 e 1968, o edifício serviu de palco para atividades políticas. Posteriormente, na década de 70, abrigou também celas para presos comuns, configurando-se como sede da Secretaria de Segurança Pública. Passando por restauros projetados pela arquiteta Lina Bo Bardi, a partir de 1992 serviu de sede para a Prefeitura da Cidade de São Paulo, o que perdurou até o ano de 2004. Desde o dia 27 de março de 2009 o edifício abriga o Museu Catavento, museu dedicado às ciências e tecnologia.


Cartaz da Exposição Cafeeira de 1927



Fachada lateral do palácio

Domiziano Rossi tirar sua inspiração para o planejamento do Palácio das Indústrias da construção Castello Mackenzie, de Gino Coppedè e, à primeira vista, podem ser identificadas grandes semelhanças entre o Castello Mackenzie e o Palácio das Indústrias. São mais de oito mil metros quadrados distribuídos em um prédio principal com três pavimentos e um jardim interno; e um prédio anexo. Com estilo eclético, o edifício situado no Brasil possui uma fachada que faz alusão a castelos da época medieval, contendo estátuas embutidas na fachada que possuem estilo renascentista. O anexo lateral nos remete a galpão de fábrica, e seu jardim interior (onde atualmente está situado o Borboletário do Museu Catavento) possui características arquitetônicas religiosas - o claustro. Algumas figuras marcam a estrutura externa do Palácio, como as estátuas de Nicola Rollo, mencionadas no parágrafo anterior, representando o comércio, a pecuária, a agricultura e a indústria, assim como a estátua do Progresso, contendo um carro de bois no topo de uma das colunas. O relógio, no topo central da fachada principal, é um símbolo do progresso e reflexo da Revolução Industrial, similar à estrutura da Estação da Luz. Além desses elementos, frases em latim esculpidas nas paredes do lado de fora do prédio principal nos remetem ao trabalho e indústria, assim como os nomes de cidades paulistas dentro de brasões localizados ao topo de paredes internas, também compondo a estrutura do patrimônio. Internamente, os grandes lustres e vitrais aparecem como símbolo de riqueza da cidade em desenvolvimento, e que lucrava com as indústrias recém-instaladas, algo que também é visto na iluminação das cúpulas externas dos pontos mais altos do prédio principal.

Fachada do prédio principal do Palácio das Indústrias, contendo duas estátuas de Nicola Rollo.


O MUSEU CATAVENTO


O Museu Catavento é um museu interativo, inaugurado em 2009 com o propósito de se dedicar às ciências e sua divulgação e está localizado no Palácio das Indústrias, em São Paulo, Brasil. O espaço de 12.000 metros quadrados é dividido em 4 seções: "Universo", "Vida", "Engenho" e "Sociedade" e conta com mais de 250 instalações. Voltado ao público jovem, foi fundado pelas secretarias estaduais de cultura e educação, com um investimento de 20 milhões de reais após 14 meses de construção.



Embora o museu tenha iniciado seu funcionamento em 2009, a Prefeitura de São Paulo já estava discutindo sua criação desde 2005, quando enviou o projeto de lei 469/2005 à Câmara Municipal de São Paulo para que autorizasse o executivo a instituir a Fundação Catavento. O projeto só foi aprovado e transformado na lei 14.130 em 2006, depois de um ano de tramitação e alteração do texto original pelo político Chico Macena, que defendia a criação da Fundação Catavento para criar e administrar o Museu da Criança e não apenas um centro de desenvolvimento de crianças e adolescentes.

História. O Palácio das Indústrias foi erguido durante a época de 1911 a 1924, período em que a cidade de São Paulo continha menos de 1 milhão de habitantes. Foi programado como Palácio das Indústrias, porém o espaço também reunia a exposição da agricultura e da pecuária. Entre 1947 e 1968, o palácio foi sede da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Em 1992, a então prefeita Luiza Erundina, transferiu a sede do governo municipal para lá. Em 2004, depois que Marta Suplicy mudou o gabinete para o Edifício Patriarca, no Viaduto do Chá, o Palácio ficou abandonado, e as grades que cercavam o prédio foram roubadas. A região passou a ser conhecida como “Faixa de Gaza”. A inauguração do Catavento revitalizou o local. Devido ao rápido crescimento de São Paulo, o Palácio das Indústrias criado para ser Palácio de Exposições também teve outros usos como: delegacia de polícia, Assembleia legislativa, e sede da Prefeitura de São Paulo. Em 2009, o local regressou à sua finalidade original, exposições, ao acolher o Catavento Cultural e Educacional.

Os edifícios São Vito e Mercúrio, que chegaram a abrigar 800 famílias em más condições, foram esvaziados em fevereiro de 2009. Enquanto isso, a prefeitura contratou uma empresa para demolir o Viaduto Diário Popular e definiu o projeto dos pontilhões que vão ligar o Mercado Municipal ao museu. Os prédios erguidos na década de 1950 foram demolidos entre 2010 e 2011. Em 2014 ocorreu a doação da área de 9,2 mil metros quadrados, sancionada pelo ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e foi publicada no Diário Oficial do Município em julho do mesmo ano. O projeto de lei foi aprovado na Câmara de Vereadores em junho, três anos após ser encaminhado pela Prefeitura ao Legislativo. Originalmente, a medida fez parte de um plano de revitalização da região central da capital, incluindo a requalificação do Parque D. Pedro II. O terreno foi cedido ao SESC

Estado atual. O Museu recebeu duas novidades no dia 17 de fevereiro. A Instituição inaugurou uma nova sala, a Dinos do Brasil, além de restaurar a fachada histórica. A obra foi concluída no ano que se completa cem anos desde a primeira exposição realizada no Palácio das Indústrias.

O Museu Catavento inaugurou em fevereiro de 2017 a "Sala Dinos do Brasil", que com a ajuda de óculos de realidade virtual, conduz o visitante a uma viagem aos períodos Triássico e Cretáceo do Brasil, com os dinossauros que habitavam este território. Segundo o paleontólogo Luiz Anelli, o território já teve desertos e dinossauros que se espalharam por várias regiões como Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e São Paulo. Destaque para os dinossauros que habitavam o Triângulo Mineiro, eram herbívoros e tinham aproximadamente 15 metros de altura os Uberaba titãs e o Abelissauro que era carnívoro e selvagem. Para refazer digitalmente os locais onde os dinossauros habitavam e simular alguns comportamentos que possuiam, o museu contou com a consultoria de Luiz Eduardo Anelli, professor de paleontologia do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGC-USP), e com a reconstrução dos dinossauros, feita pelo paleoartista Rodolfo Nogueira. 

Iniciado em junho de 2016, o restauro da fachada do Catavento teve investimento de R$ 1,2 milhão disponibilizado pelo Fundo de Interesses Difusos (FID). Foram recuperados cerca de 70 elementos arquitetônicos, entre janelas, pilastras, esculturas e o sino da torre.[

Palácio das Indústrias. Edificado pelo Escritório de Ramos de Azevedo, encarregado também pelo Theatro Municipal, sua arquitetura exibe uma estrutura metálica importada no seu prédio principal. Faz uso de tijolo aparente como principal acabamento e tem inúmeros elementos decorativos, alguns ligados à produção, como touros, e outros não, como cachorros, e seteiras em vários cumes da murada, jardim circundante ao prédio principal e anexos e os três andares da construção que ocupa o centro do terreno: porão, térreo e andar superior. O arquiteto foi Domiziano Rossi. O complexo apresenta semelhanças com o Castello Mackenzie, um palacete localizado em Gênova, na Itália.

Área externa. Pátio externo. A parte externa do museu conta também com inúmeros objetos expostos. Há réplicas de carruagens, peças de engenhos antigos, vagões de trem, locomotivas e um avião antigo. Além disso algumas peças bélicas, como canhões de artilharia antiaérea também estão expostos Conta com uma grande fonte com peixes vivos, um borboletário e muitas árvores. Na frente entrada do museu há uma esfera de granito rolante

No pátio do museu, encontra-se um avião modelo DC-3 (prefixo PT-KUB), fabricado em 1936 pela Douglas Aircraft Company. Foi utilizado como cargueiro militar na Segunda Guerra Mundial, sendo posteriormente adquirido pela VASP e adaptado para a versão civil. Transportou passageiros e cargas na ponte área Rio-São Paulo até 1972. Em 1974, a VASP doou a aeronave ao Projeto Rondon. Em 1979, ele foi restaurado pela Aeronáutica e doado ao Museu da Tecnologia de São Paulo. Para equipá-lo foram utilizados peças e componentes de 3 outras aeronaves, que se encontravam no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro. Em 2011, após o encerramento das atividades do Museu, seu acervo foi transferido para o Museu Catavento.

Pátio interno. Em julho de 2015 o Museu inaugurou uma estrutura de ferro que abriga diferentes espécies de borboletas, como a borboleta-coruja. Mais de 20 variedades de plantas específicas para cada espécie de borboleta compõem o espaço e vão fazer com que as borboletas se sintam mais próximas da natureza. Os animais vieram do borboletário Laerte Brittes de Oliveiras, em Diadema, no ABC Paulista. No borboletério os visitantes conhecem as diferentes fases de desenvolvimento das borboletas.

O acervo exposto contém mais de 250 instalações, sendo 187 de propriedade da Fundação Museu de Tecnologia de São Paulo. As exposições são distribuídas em quatro seções, a saber: Universo, Vida, Engenho e Sociedade.

A seção "Universo" possui inúmeros painéis expositivos que representam o conhecimento do espaço tal como é conhecido atualmente pela humanidade. A interação é feita através de filmes didáticos incorporados a painéis pintados ou em relevo, outras construções artísticas que expõem o núcleo do sol e da terra e fornecem informações sobre a atuação desses astros. As obras expõem assuntos de sistema solar, geologia, viagem espacial, paisagens e relevos terrestres, contando com ferramentas audiovisuais e um meteorito real.

A seção "Engenho" é dedicada à engenhosidade humana, acumula um conjunto de obras interativas rico e diversificado, permitindo ao público uma proximidade interativa que faz despertar ainda mais a curiosidade inata dos seres humanos. Os aparatos culturais na totalidade são interativos e possuem, cada qual, uma função específica de conhecimento associada a determinado campo da física: mecânica, ótica, ondulatória, termodinâmica e eletromagnetismo.

Na seção "Sociedade" o primeiro assunto abordado é o meio ambiente e a sustentabilidade. É possível assistir o passeio virtual em 3D pelo Rio de Janeiro e conferir alguns dos animais ameaçados nos painéis espalhados pelo lugar. O espaço de Nanotecnologia, com games relacionados ao tema também é uma boa pedida. Os monitores conduzem uma verdadeira jornada pelos novos achados da robótica atual. Diferentemente da seção anterior, quem conduz a maioria das grandes atrações neste espaço são os monitores. O espaço de experimentos químicos, o game show com perguntas sobre história e a pista de escalada com intervenções de grandes pensadores merecem atenção nesta seção. E, se os visitantes forem maiores de 13 anos, o passeio pode ficar completo com uma volta pela sala Prevenção, que alerta para os perigos das drogas e também a palestra interativa que ilustra os riscos das relações sexuais sem segurança Discute aborto, mostra os males do consumo de álcool e drogas e permite avaliar decisões históricas, como o lançamento de bombas atômicas no Japão pelos EUA, na Segunda Guerra.

A seção "Vida" exibe diversos blocos:

Biomas: está localizado na entrada da Seção Vida, neste local se encontra painéis de texto, vídeos e imagens sobre os 6 biomas que compõem o Brasil : Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga,Floresta Amazonica, pantanal e Pampa.

Árvore da vida: retrata o tema da gênese comum da vida e da classificação biológica, exprime os principais grupos da sistemática.

Insetos: organizado em três grupos de animais bicho-pau (um viveiro contendo bichos-pau vivos e textos salientando o privilégio da camuflagem que a estrutura e forma do corpo deles); formiga (que conta com um modelo de formiga aumentado 100 vezes, ao lado de um painel retratando o núcleo de um formigueiro e conta também com um recurso audiovisual, um vídeo de alguns minutos que mostra o preenchimento de um formigueiro abandonado com cimento) e borboletas (um mostruário com exemplares de borboletas e mariposas reais (empalhadas), com informações de algumas espécies, contém também textos sobre mimetismo, do ciclo de vida das borboletas e mariposas e alguns dados sobre o bicho-da-seda).

Vida no Oceano: apresenta um painel pintado na parede com exemplos da diversidade de animais marinhos, com aves e mamíferos. Contamk com uma vitrine com exemplares de conchas, os nomes dos grupos de moluscos às quais pertencem, e mais algumas informações, como a indicação de uma das maiores conchas do mundo.

Aquários Marinhos: o aquário grande se encontra no centro do espaço de circulação dos visitantes, nele estão localizados espécimes vivos de peixes e invertebrados tropicais. Contém exemplares de peixe-palhaço e da anêmona, essas duas espécies mantêm uma relação de Mutualismo (biologia). Ao redor dos aquários lupas são disponibilizadas para os visitantes observarem os animais mais detalhadamente. O aquário pequeno tem menos espécies e fica ao lado do bloco " Do Veneno ao Remédio". Este aquário conta com uma moreia, há também um peixe-leão, espécime venenoso, entre outros.

Fotossíntese: mostra os anéis de crescimento das árvores e exibe algumas explicações textuais dispostas em placas ao redor dos troncos, é explicado que o número de anéis equivale a idade das árvores.
Do Veneno ao Remédio: um painel disposto na parede, mostra com textos e figuras ilustrativas, a importância do veneno para os animais e a possível produção de remédios proveniente destes venenos. A "bancada de observação" contém uma mesa com placas exibindo animais como escorpiões, aranhas e sapos, que podem ser observados em maiores detalhes com a utilização de lupas. Possui também um painel de texto sobre vertebrados. Há também um armário de madeira com portas de vidro, que conta com cobras e lagartos taxidermizados, incluindo uma serpente exibida em posição de predação de um rato.
Aves do Brasil: nas paredes é exibida uma imagem com o nome científico e comum de várias espécies de pássaros brasileiros. Na parte central da seção "Vida", há mesas com computadores e fones de ouvidos em que o público consegue ouvir diferentes cantos de aves.

Evolução e Darwin: tem modelos de crânios de espécies ancestrais de hominídeos, com textos informativos contendo nome científico, em que época viveu e da espécie humana contemporânea, seguindo uma ordem cronológica. Há também um painel de textos com dados sobre a vida e o trabalho do pesquisador Charles Darwin, que consagrou a Teoria da evolução das espécies, um modelo em tamanho real de um exemplar do extinto tigre-dente-de-sabre, um palanque com um mostruário eletrônico e interativo que possibilita realizar um exercício sobre seleção natural, uma disposição de figuras de diversos animais indicando quais são os vertebrados e uma mostra com modelos de esqueletos dos membros superiores de diversas espécies animais, mostrando a semelhança dos ossos apesar das diferentes funções que podem exercer.

Corpo humano: o acervo deste bloco foi produzido pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. São exibidos em dois locais distintos dentro da seção "Vida". Primeiramente, com os equipamentos de reprodução humana, circulação, respiração, digestão e cérebro estão inclusos em uma sala de dois andares integrada ao salão principal da exposição. Os outros equipamentos estão organizados por divisórias no salão principal e o bloco é nomeado de "Homem Virtual". Oferece informações sobre os músculos, ossos, peles, visão e audição.
Célula e DNA: conta com um modelo do interior de uma célula, com seus componentes (organelas, membrana e núcleo), além de uma estrutura de cerca de 2 metros de altura, simula a estrutura de um DNA, textos e conta com representações de vírus e um grande painel que traz dados sobre o processo de fabricação de vacinas.

BELA VISTA




Bela Vista é um distrito situado na região central do município de São Paulo, que abrange os bairros do Morro dos Ingleses e Bixiga (não oficial).Dentro de seus limites estão localizadas algumas das mais importantes atrações paulistanas – como o lendário bairro do Bixiga, com cantinas, teatros e festas populares, e o Museu de Arte de São Paulo. Abriga também a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, referência no ensino de administração de empresas no Brasil. Mais recentemente foram instaladas no bairro a Escola de Economia e a Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas.

O distrito é atendido pela Linha 2-Verde do metrô e futuramente será também coberto pela Linha 6-Laranja. O romance Anarquistas, Graças a Deus de Zélia Gattai se passa no bairro, assim como parte do enredo de dois populares livros infanto-juvenis intitulados O Mistério do Cinco Estrelas e O Covil dos Vampiros.

A Bela Vista apresenta contrastes sociais, tendo famílias de classe média alta no Morro dos Ingleses, nas proximidades da Av. Paulista, e famílias operárias no Bixiga.

O bairro recebeu um grande número de imigrantes italianos na segunda metade do século XIX e início do século XX. Realiza um dos mais tradicionais eventos de rua de São Paulo, a Festa de Nossa Senhora de Achiropita, todos os finais de semana do mês de agosto.

BEXIGA



Bexiga, rua 13 de Maio com Santo Antônio, anos 1970.#SPFotos


O Bixiga é um estado de espírito. Você sente quando está no Bixiga, você cheira à Bixiga”. Era assim que Armandinho Puglisi, o Armandinho do Bixiga, definia os limites do bairro, um tanto controversos. Bairro que, na verdade, deixou de ser chamado oficialmente de “Bexiga” em 1910 para tornar-se Bela Vista e cujo nome ele insistia em escrever com i, da maneira como é pronunciado pela maioria das pessoas. O fato é que, quase um século após a mudança, o Bixiga permanece no coração e na memória dos paulistanos por ser o mais fiel retrato da cidade: um pólo de cultura, gastronomia e dificuldades sociais, com seus teatros, cantinas e cortiços. Bixiga ou Bexiga? Há pelo menos duas teorias para a origem do nome. Primeira: foi tomado de Antonio Bexiga, dono da hospedaria no Largo do Piques (atual Praça da Bandeira) e das terras do bairro no início do século XIX e que teria sido vítima de varíola, recebendo por isso a alcunha. Segunda: veio do matadouro público da rua Santo Amaro, construído em 1774, que comercializava bexigas de boi. Em 1878, um jornal anunciou a venda dos terrenos “das matas do Bixiga”, iniciando então o processo de loteamento e formação do bairro. Para lá se mudaram imigrantes italianos que não se adaptavam ao trabalho nas lavouras e escravos fugidos ou recém libertos. “Os italianos desenhavam a planta da casa no chão de terra com uma bengala e assim determinavam os terrenos”, conta Afonso Roperto, cujo bisavô veio para o Brasil em 1886. Em 1942 ele abriu uma cantina na rua Treze de Maio, comandada hoje por Afonso. É por este costume que as casas mais antigas do Bixiga são estreitas e compridas. Como nos fundos era mata, cada um avançava até onde quisesse. A padaria Basilicata, fundada em 1904, segue a mesma ‘arquitetura’. Nos fundos da casa havia uma cocheira já que as entregas naquela época eram feitas a cavalo. Arcos da Rua Jandaia. Mais antigos que as cantinas e armazéns são os Arcos da Rua Jandaia, construídos provavelmente no século XIX como muros de arrimo para contenção de enchentes. Os arcos foram descobertos por acaso na década de 80, quando os prédios que haviam sido construídos em frente a eles foram demolidos. Outro pedaço da história do Bixiga está na Casa de Dona Yayá, hoje sede do Centro de Preservação Cultural da USP. Yayá era uma órfã rica que teria apresentado sinais de demência muito jovem, e foi internada em um sanatório por seus tutores. A casa foi construída no final do século XIX e restaurada em 2001 pela USP. O Bixiga é rico em histórias e personagens, muitas delas preservadas no Museu Memória do Bixiga. Como a do ladrão Gino Amleto Meneghetti, um “arrombador de classe”. Meneghetti, contam os mais antigos, roubava os casarões da avenida Paulista e fugia facilmente pelos telhados. Seu primeiro roubo teria sido aos 11 anos, em Pisa, sua cidade natal. Desafiava e desacatava a polícia, mas acabou passando 19 anos preso no Carandiru. No entanto, na rua em que morava era querido e considerado um benfeitor. O samba do Bixiga. A comunidade negra, que se concentrava nas áreas mais próximas à avenida Nove de Julho, deu a contribuição que faltava ao bairro: o samba. A Vai-Vai, fundada como bloco carnavalesco em 1930, é hoje uma das escolas de samba mais tradicionais da cidade, tendo sido campeã diversas vezes. Seus ensaios atraem jovens vindos de todos os cantos da cidade. Já Adoniram Barbosa não nasceu no Bixiga mas era freqüentador assíduo e homenageou seu bairro do coração em várias canções, entre elas “Samba no Bixiga”.

Cidade de São Paulo- Comunicação

Rua 13 de maio, 1950. 


DONA YAYÁ



Dona Yayá, a herdeira que virou prisioneira na própria casa



Dona Yayá foi considerada incapaz e viveu quase toda a vida adulta dentro de casa, com cuidadores e empregados. Conheça sua história

Dona Yayá é o nome pelo qual ficou conhecida Sebastiana de Mello Freire, única sobrevivente de uma família rica que não pode usufruir a riqueza herdada do pai.

A história de Dona Yayá, que foi considerada incapaz e interditada na Justiça e viveu boa parte da vida dentro de casa, com cuidadores e empregados, inspira muitas versões diferentes: seria ela vítima de uma conspiração ou uma pessoa doente? Uma mulher à frente do seu tempo ou apenas louca?

Nascida em 21 de janeiro de 1887, em Mogi das Cruzes, a mais nova de cinco filhos de Manoel de Almeida de Mello Freire e Josephina Augusta de Almeida Mello. O pai, de uma família de proprietários de terras e políticos de Mogi das Cruzes, seguiu a tradição dos jovens da elite paulista, formando-se advogado pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e dedicando-se à carreira política.

Dona Yayá. O pai e a mãe morreram em dezembro de 1900, com dois dias de diferença. Yayá e Nhonhô, seu irmão cinco anos mais velho, herdaram dinheiro, ações, terrenos, propriedades rurais e imóveis urbanos alugados tanto em São Paulo quanto em Mogi das Cruzes. Os outros filhos haviam morrido na infância. Cinco anos depois, Nhonhô cometeu suicídio, e Yayá ficou sozinha.

Ela nunca se casou e não teve filhos, mas teve duas afilhadas que criou como se fossem filhas. Ela vivia na companhia desses parentes e agregados em um palacete na Rua Sete de Abril, no centro de São Paulo, naquela época uma região nobre de moradias.

Em 1919, com 32 anos, Yayá apresentou recorrentes sinais de desequilíbrio emocional que levaram à sua internação em uma instituição hospitalar. Laudos médicos atestaram sua condição de paciente psiquiátrica e a necessidade de cuidados especiais para tratamento. Foi internada uma segunda vez, em 1920, e considerada incapaz de administrar sua própria vida e seus bens, recebendo interdição judicial. Nunca conseguiu recuperar a gestão sobre a própria vida.

Essa história, amplamente questionada pelo jornal sensacionalista O Parafuso, comoveu a sociedade paulistana. Um ano depois, por recomendações médicas, Yayá passaria a receber tratamento em casa, em melhores condições, em um ambiente de tranquilidade e segurança.

Mudou-se então para a casa na Rua Major Diogo, no Bixiga, uma antiga chácara onde Yayá permaneceu reclusa por 40 anos, em companhia de suas cuidadoras e empregados. Ela morreu em 4 de setembro de 1961, durante uma cirurgia para retirar um câncer de útero.

Casa da Dona Yayá. Em 1968, após um processo judicial que concluiu que ela não tinha herdeiros, a casa foi destinada à Universidade de São Paulo. Em 1990 a Usp fez as obras de recuperação e restauro do imóvel e desde 2004 o local é a sede do Centro de Preservação Cultural da Universidade de São Paulo. O imóvel foi tombado pelo Estado de São Paulo, em 1998, e pelo Município, em 2002




Um preconceito alimentado pelo estigma da doença mental. D. Yaya cuidava de si e aprendeu lidar com suas tormentas íntimas. Essa autonomia incomodava e ainda incomoda porque denuncia os abusos do tratamento químicos e as tentativas de reativação das práticas manicomiais ortodoxas.





ANHAGABAÚ



O Vale do Anhangabaú no início do século XX


Vale do Anhangabaú,  O Rio Anhangabaú é formado por três afluentes, Rio Saracura, Rio Itororó e Córrego do Bexiga, que preservam a memória da presença indígena no coração da metrópole. Por ser um obstáculo físico à expansão urbana, a primeira ponte registrada na cidade data de 1589 sobre seu leito. Outras duas pontes facilitavam sua travessia, a ponte do Lorena no Bixiga e a Ponte do Acú na Avenida São João. 

No período colonial, o Vale do Anhangabaú era um território de populares e manifestações religiosas, local de roçados e hortas onde circulavam indígenas, caipiras, roceiras, quilombolas. Em suas pontes concentrava o comércio miúdo, quituteiras, quitandeiras, vendedores de frutas. 
Nos anos de 1700 passou a acolher as irmandades negras com a construção das igrejas de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e de Santa Ifigênia e Santo Elesbão em seu entorno. No período imperial, sua paisagem foi tomada pelo plantio de agrião e chá da índia pertencente a Chácara do Barão de Itapetininga. 

Na década de 1870 recebeu as primeiras intervenções urbanas com a canalização do rio, até que em 1910 obras de ajardinamento conformaram o Parque do Anhangabaú junto a inauguração do Teatro Municipal. 

No período republicano, com a chegada das ferrovias, bondinhos e estruturas em aço, foi instalado em 1892 o Viaduto do Chá (com pedágio) e em 1910 o de Santa Ifigênia para traspor a vale profundo e impulsionar os loteamentos de Campos Elísios, República e Santa Cecília. 

No final de 1930, o Parque do Anhangabaú foi destruído para dar lugar as vias expressas do Plano de Avenidas Preste Maia. 

Em 1981 um novo projeto regatou o Parque com a retirada das vias expressas, interligando o “Centro Histórico” (Sé) ao “Centro Novo” (República) e tornando-se um local de encontro, lazer, festividades culturais e manifestações políticas. 


Em 2021, o parque novamente foi destruído, dando lugar a um grande calçadão de gestão privada que limitou seu acesso e ampliou o controle dos usuários e eventos culturais. Insituto Bexiga



O Córrego do Saracura (foto de Vicenzo Pastre, 1910)  Foi nomeado a partir da ave homônima, um símbolo tradicional do bairro do Bixiga e da escola de samba Vai-Vai, por onde passa. Suas nascentes ficam no espigão da Avenida Paulista: uma delas no encontro da Rua Doutor Seng com a Rua Garcia Fernandes, atrás do hotel Maksoud Plaza; outra na Almirante Marquês de Leão, a duas quadras. De lá desce, canalizado por galerias subterrâneas, pela Rua Rocha / Cardeal Leme, até a Praça 14 Bis e dali ao longo da Avenida Nove de Julho, até desaguar no Ribeirão Anhangabaú. Embora corra quase todo canalizado, é possível vê-lo em uma pequena abertura na Avenida Nove de Julho, na saída do Viaduto Doutor Plínio de Queiroz. Tem como afluente principal o Córrego da Mandioca, e várias outras pequenas nascentes que ficam nas proximidades da rua Barata Ribeiro, da rua Coronel Nicolau dos Santos, da rua Penaforte Mendes, entre outras. Acervo Instituto Moreira Salles. Mesbla foi uma rede de lojas de departamentos que iniciou suas atividades em 1912, como filial de uma firma francesa, e teve sua falência decretada em 1999.


Via expressa no vale do Anhangabaú, por volta dos anos 1940. Werner Haberkorn/Fotolabor/Museu Paulista da USP e mais um autor - Museu Paulista



HISTÓRICO DE DOENÇA MENTAL E SUICÍDIOS 




Centro, Bexiga, Carmelitas, Brigadeiro, Genebra, Maria Paula, Francisca Miquelina, Abolição, Japurá. Esses foram os endereços onde funcionaram os primeiros encontros de voluntários e postos de prevenção do suicídio no Brasil. Foi também nesse antigo território rural paulistano, rapidamente mudado pela industrialização e transformado em ruas, que serviu como cenário dos acontecimentos que explicam as causas do surgimento da prevenção em São Paulo: o sofrimento mental, a proliferação do suicídio, o surgimento dos primeiros sanatórios e hospícios e finalmente o serviço de prevenção.

O blogue Histórias Paulistas (de Alexandre Giesbrech) explica como esse nomes de ruas tem ligações familiares entre si, efeito da intenção de imortalizar a memória aristocrática da cidade.

“A Rua Genebra, na pontinha do Bixiga, não leva esse nome em homenagem à segunda cidade mais populosa da Suíça. Seu nome é, na verdade, uma homenagem a Dona Genebra de Barros Leite (1783—1836), esposa do Brigadeiro Luís Antônio de Souza. A honraria foi planejada pela nora de Dona Genebra, Dona Francisca de Paula Souza e Melo, a Baronesa de Limeira. Seu marido, Vicente de Souza Queirós, o Barão de Limeira, era um dos três filhos do Brigadeiro, e o único que não foi homenageado com nome de rua naquele bairro: suas irmãs, Maria Paula e Francisca Miquelina, também são homenageadas em ruas que fazem esquina com a Rua Genebra. A esquina das ruas Genebra e Maria Paula nem sempre foi como é hoje. Até 1954, era como se existissem duas “Ruas Genebra”: uma entre as ruas Aguiar de Barros e a Maria Paula (a parte “de cima”) e outra entre as ruas Maria Paula e Santo Amaro (a parte “de baixo”). A parte de cima terminava na altura da Maria Paula, mas num íngreme barranco de alguns metros de altura. Por causa disso, a parte de baixo era um local mais movimentado e procurado para estabelecimentos comerciais, também pela proximidade ao eterno futuro Paço Municipal”.

A memória dessa parte central de São Paulo também foi registrada por Marcos Rey, pseudônimo do escritor paulistano Edmundo Donato. Em “O Caso do Filho do Encadernador”, Marcos Ray recorda sua infância nessas redondezas, cujo ponto alto da vizinhança era uma mansão nobre que desapareceu no tempo:

“Era na rua Genebra e possuía uma espaçosa área para a qual, como numa construção espanhola, abriam-se portas e janelas. (...) Vizinha, pelos fundos, com frente pela rua paralela, tínhamos nada menos que uma baronesa. Ainda circulavam em São Paulo alguns títulos de nobreza nos anos 30. Provavelmente se tratava de uma aristocracia decadente dos bons tempos do café”

O pai do escritor tinha sido funcionário da editora falida de Monteiro Lobato , de quem comprou algumas máquinas para montar sua própria oficina de encadernação. Ali, no casarão do Bexiga, recebia escritores importantes e também os menos famosos, clientes e amigos inesquecíveis como Menotti Del Picchia, Cassiano Ricardo, Cleomenes Campos, Orígenes Lessa, Paulo Setúbal e Júlio César da Silva. Este último era irmão da poetisa Francisca Júlia da Silva.

“Sem ter alcançado as alturas da irmã, escrevera dois livros de certa repercussão na época, A arte de amar, poesias, e O Diabo existe, contos”.

O bairro tinha o lado simples e já cheio de cortiços.

Marcos Rey recorda-se da chegada dos caríssimos rádios de alto-falantes, “em formato de igrejinha”, tão caros que a lojas empestavam por algum tempo, para que os interessados tomassem gosto depois da longa experiência.

“Mesmo pessoas sem a menor possibilidade financeira faziam solicitações em caráter experimental . Quando pobre dava festa, o aparelho era infalivelmente de experiência. Lembro-me, em minha rua, do rádio que foi retirado no dia da festa. O vizinho que o solicitara, deprimido, tomou veneno. Quase morreu. Cada época tem seu tipo de tragédia”.

Hospital dos Alienados na área central paulista no início do seculo XX


Há 100 anos, se uma pessoa tivesse uma  crise de choro, ansiedade, pânico ou sinais de depressão  poderia ser  internada num hospício e lá passaria o resto da sua vida. Hoje, ao passar por esses transtornos,  essa mesma pessoa ou qualquer um de nós pode ligar para um serviço de prevenção e, na maioria dos casos, é possível interromper esse ciclo vicioso, dar voz aos sentimentos,   compreender melhor o que se passa conosco, assumindo o autocontrole e podendo até mesmo escolher qual o tipo de ajuda e tratamento profissional que melhor atenda às nossas necessidades.  É uma atenção disponibilizada de forma transparente e instantânea, tal qual é o mundo no qual todos vivemos. A  visão de mundo obscura sobre os transtornos mentais , concepção generalizada da loucura, foi durante muitos séculos o tom dominante para definir quem era e quem não era normal. Mesmo aqueles que tinham comportamento divergente do comum e usual, eram punidos com os mesmos métodos de controle da loucura, sendo trancafiados nos manicômios para serem contidos nas suas inclinações consideradas socialmente perigosas. Os julgamentos e as sentenças para esses casos seguiam um padrão de isolamento e confinamento.  Foi então, por motivação humanitária, que os mesmos grupos que se interessam pela prevenção do suicídio também sempre esteve muito próximo e se envolveu de forma crescente com o problema da saúde mental.

Antiga sede da Federação Espírita do Estado de São Paulo -FEESP: fundação em 1961e primeiro Posto do CVV- Centro de Valorização da Vida.


SOCORRO AOS SUICÍDAS

No início dos anos 1960 a cidade de São Paulo já tinha ares de metrópole, ocupada por milhares de habitantes que se movimentavam pelas ruas escurecidas pela neblina cinzenta e molhadas pela garoa fina e gelada. Quem se lembra ou conheceu a famosa “pauliceia desvairada” por fotografias antigas dessa época - com transeuntes circulando pelas calçadas, homens de ternos escuros e de chapéu, enquanto as mulheres desfilavam de salto alto, conjuntos e capas de chuva - não vai estranhar essas histórias dos primeiros voluntários da prevenção. Secretamente eles observavam de longe os atendidos que haviam dado a eles algumas informações sobre sua rotina diária. Essa primeira geração de plantonistas agia como se fosse uma agência de detetives, para investigação e intervenção nos planos de autodestruição dos clientes. Isso significava identificar, diagnosticar suas intenções e estudar detalhadamente seus hábitos e rotinas para que tais informações facilitassem a ação salvadora sobre seus planos mórbidos. Se o suicida em potencial tinha gosto pelo futebol, lá estava no estádio um plantonista vigiando seus passos para que não cometesse suicídio antes, durante ou depois da partida. Era uma missão de vigília. Muitas vezes essas abordagens resultavam em problemas graves nas quais os plantonistas externos eram surpreendidos por reações agressivas e vingativas de alguns atendidos, que se sentiam traídos na confiança que haviam depositado no voluntários. Alguns armavam ciladas como acusações de crimes de roubo e de ameaças. A intenção de ajudar de forma diretiva e imediata se transformava em transtornos marcados pela decepção e até dores de cabeça com as autoridades. Nem é preciso dizer que essa fase de abordagens persuasivas, com lances de tensão e aventura, foi sendo gradualmente substituída por outras menos focadas nos problemas dos atendidos e mais voltadas para suas características emocionais. Foi gradual porque fluiu como um amadurecimento de quem aprende com os erros. Isso levou exatamente o tempo de uma década, até que, a partir dos anos 1970, o grupo pioneiro de prevenção resolveu dar uma guinada na forma de atender e ajudar pessoas em sofrimento. Era um novo tempo no qual a neblina e a garoa desapareceriam, a cidade se tornaria mais colorida pela moda pop e pelos outdoors gigantescos; também completamente caótica, ganhando avenidas largas, duplicando a frota de automóveis, a poluição, o barulho de motores e buzinas, linhas de metrô e de habitantes cujo número chagaria à casa dos milhões. A cidade mudou, as pessoas mudaram, o sofrimento mudou sua expressão e prevenção também precisava mudar. E continuou mudando nas década seguintes. (Dalmo Duque- Ouvindo Sentimentos. Roteiros da Prevenção do Suicídio)



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GRANDES LOJAS DE DEPARTAMENTOS


Imagem noturna icônica do Mappin da Praça Ramos nos ano 1970.

A origem do negócio do Mappin remete-se ao fato dos irmãos Mappin já possuírem negócios no Brasil, apesar de nunca terem vindo para a América do Sul . No Brasil, a Mappin & Webb, uma empresa fabricante de pratarias foi trazida em 1912 pelos irmãos Walter e Hebert Mappin que abriram primeiramente uma filial na Rua do Ouvidor na Capital da República - Rio de Janeiro, e em seguida, abriram uma filial em São Paulo. Os Irmãos Mappin em 1913, tiveram a iniciativa de criar uma Loja de Departamento colocando o inglês John Kitching como diretor e investiram cerca de £1000.000 e montaram uma nova loja totalmente independente de Mappin & Webb, surgindo assim uma loja-irmã , a Mappin Stores. A primeira loja criada no Brasil para vendas por departamentos, com história e administração independente da loja britânica citada.

Com objetivo de aumentar seus negócios no Brasil devido ao enorme retorno financeiro que o país emergente proporcionava, no ano de 1913 fundam o Mappin Stores com sede administrativa em Londresl. A primeira loja inaugurada na rua 15 de Novembro, região central de São Paulo em 29 de novembro de 1913, na sua primeira fase trazia o conceito dos grandes magazines franceses do "Palais de La Femme", ou seja , um grande estabelecimento voltado a satisfazer as necessidades de consumo feminino.Inicialmente foram estabelecidos onze departamentos com quarenta funcionários Em sua inauguração os departamentos eram : Roupas brancas, Layette (roupas de bebê),, Blusas femininas, Cortinas, Meia e Luvas, Rendas e Fitas, Golas e colarinhos, Artigos de Armarinho, Lenços, Leques e bolsas e, por fim, Lingeries. Em 1914 passou a oferecer moda masculina.

Pioneira com o conceito de Lojas de Departamentos reunindo produtos de diversos tipos em um único local. Em seu interior eram vendidos além de roupas femininas e masculinas, produtos de origem importada da Europa e forneciam serviços como Salão de Cabeleireiro Feminino e um concorrido Salão de Chá, que atraiam um público ainda maior para o espaço que se tornou um dos principais pontos de encontro da Capital. O interior da loja era muito luxuoso, possuía grandes lustres de cristais, móveis de madeira maciça e tapetes enormes importados da Europa. O ambiente proporcionava muito glamour para a elite paulista que frequentava constantemente as salas individuais com vendedores que traziam todas as mercadorias escolhidas no catálogo da loja, que era uma ideia extremamente inovadora na época. A loja era tão importante que, em 1914, foi palco da primeira exposição de arte de Anita Malfatti. Realizava liquidações semestrais, de inverno e verão, que tornaram-se verdadeiros acontecimentos na cidade e levavam famílias inteiras reunidas para às compras, inclusive, foi o primeiro estabelecimento a utilizar de técnicas de promoções temáticas principalmente na época de Natal em que a loja vendia decorações dos mais diversos tipos. Em 1919, já em seu novo endereço Na Praça do Patriarca, contava com 35 departamentos e cerca de 200 funcionários. O prédio, localizado na Praça do Patriarca, possuía arquitetura em estilo europeu e um relógio em sua fachada que, mais tarde, seria transferido para a próxima sede da loja.

No dia 20 de janeiro de 1922, a loja foi parcialmente destruída por um grande incêndio mas conseguiu diminuir o prejuízo ao promover em fevereiro próximo uma liquidação enorme com as mercadorias que restaram chamuscadas após a catástrofe, formando filas enormes em frente à loja. Foi a primeira vez que os mais pobres conseguiram entrar na loja.

Em 1929, com a crise econômica, o café perdeu grande valor afetando diretamente à elite paulistana da época. Na década de 30 as mercadorias ficaram paradas nas prateleiras. Foi então que John Kitching resolveu exibir os preços em etiquetas colocadas em todas as peças à venda na loja. A solução seria marcar os preços e, com isso, facilitar a compra para um público mais amplo. O Mappin inovou mais uma vez sendo o pioneiro a introduzir etiquetas de preços nas vitrines, atraindo consumidores de camadas mais populares. Com isso chegaria outra novidade na loja: o crediário. E desta forma o Mappin ganhou fôlego, retomou o crescimento. A possibilidade de popularização criou uma cisma entre cria e criador. Os Irmãos Mappin não concordavam com a alternativa apresentada pelo sócio John Kilching de fazer concessões e expandir os espectros sociais, atingindo um público mais popular, assim como acontecia com as lojas de departamento mundo afora.

A tradição do nome Mappin & Webb imperava para os Irmãos que davam nome a loja-irmã, e que também estavam acostumados a servir a elite do setor cuteleiro e de presentes finos em seu país de origem, a |Inglaterra. Apesar de terem os Irmãos Mappin e Henry Portlock como proprietários em comum, a Mappin & Webb e a Mappin Stores possuíam administração e gerências diferentes no Brasil, eram lojas com funcionamento independentes. Desta forma, em 1936, os Irmãos Mappin se retiraram da sociedade, colocando à venda suas ações no mercado londrino. Ao mesmo tempo que encerraram as atividade das Lojas Mappin & Webb no Brasil. Por anos eles reivindicaram na justiça a retirada de seu sobrenome Mappin do nome da loja brasileira.Mas não conseguiram.

Interior da loja em dia de liquidação nos anos 1980.

Segunda Fase. Em 1939 o investidor Mr. Alfred Sim compra as cotas dos Irmãos Mappin e passa a ser o principal acionista da Mappin Stores, e por Decreto do Estado Novo de Getúlio Vargas e por pressão de forte propaganda nacionalista a mudança da razão social, que a partir de então passou a ser Casa Anglo-Brasileira S/A.em 02 de julho de 1939. Sua intenção principal era alterar a estrutura de vendas do Mappin, dando características mais brasileiras à loja e ampliando definitivamente seu público consumidor. Uma de sua primeiras providências foi a mudança para um prédio maior para adaptar-se à nova realidade econômica, e poder pensar em sua expansão, A mudança para o endereço ocorreria no mesmo ano de 1939.para seu novo e enorme prédio na Praça Ramos de Azevedo.

Já restabelecida economicamente, em 1939, a marca pôde expandir para o novo prédio na Praça Ramos de Azevedo. O edifício foi reformado pelo valor de 400 contos de réis na época e criava toda uma atmosfera de requinte para a clientela que, além de serem atendidos em salas de estar particulares, era servido com chás e petits-fours.[9] As novas instalações contavam com 5357m² em cinco andares que abrigavam 50 departamentos e mais de 500 funcionários.

O Edifício João Brícola, foi construído pelo arquiteto Elisário Bahiana, mesmo que projetou o Viaduto do Chá e o Jockey Club, e havia sido construído para ser a sede do Banespa mas, por conta da localização considerada distante do centro financeiro da época, houve uma troca e o prédio tornou-se propriedade da Santa Casa. Na época, era possível realizar as compras, também, pelo telégrafo, pelo telefone - bastava discar o número 45, ou pelos correios ao encaminhar os pedidos para uma caixa postal.

Possuía um famoso jingle que fazia parte das principais campanhas publicitárias da época, se tornando viral entre a população brasileira que, até hoje, se recorda da letra e ritmo da música:

“Mappin
Venha correndo, Mappin
Chegou a hora, Mappin
É a liquidação!
Mappin
Tem tudo aqui no Mappin
Muitos descontos, Mappin
É a liquidação!
Mappin
Venha correndo, Mappin
Chegou a hora, Mappin
É a liquidação!
Liquidação no Mappin!”

— Jingle Mappin

A loja na Praça Ramos de Azevedo, se tornou referência da marca. Os departamentos eram divididos nos vários andares do prédio, interligados por elevadores. Cada andar vendia um tipo de produto, como roupas, móveis, eletrodomésticos e brinquedos, etc. Mas crescer, requer, melhoria na gestão em proporção maior do que o esperado.Em 1947, foi inaugurado uma nova seção de roupas voltada para a classe média da população, que já era alvo das principais lojas da cidade.

Alguns anos depois, na segunda metade da década de 40, o Mappin começaria a sentir o peso da aceleração da economia brasileira que atraia novos concorrentes. e passou a ter dificuldades. A empresa apresentou grande dificuldade em entender às necessidades desse novo público que, queria ter acesso a produtos de grande qualidade sem precisar pagar muito por isso. O controle acionário foi vendido em 1950.[ passando a ser controlada pela família "Alves Filho.

O novo administrador, o advogado Alberto José Alves , fazendeiro e Industrial da Fábrica de Tecidos Santa Margarida em Guaranésia e seu filho, o negociador de café, advogado Alberto Alves Filho promoveriam uma série de mudanças na operação da empresa, principalmente sua total popularização, como a substituição dos produtos importados pelos nacionais, novas políticas de crediário e de funcionamento. O empresário Alberto Alves Filho seguiu inovando a frente do Mappin, deixando a empresa cada vez mais popular e conhecida e, em 1972, abriu o capital da empresa.

Alves Filho enxergando a necessidade de adequação à nova realidade econômica de seus consumidores, substituiu os produtos importados por nacionais para que tivessem uma maior rotatividade de seus estoques e menor margem, criou novas políticas de crédito que permitiam o parcelamento do pagamento em até dez vezes e abriu o capital da empresa, além de ter criado famosas propagandas de TV que passavam na extinta Rede Tupi e aumentaram ainda mais a popularidade da loja varejista. Em 1973, a empresa já apresentava um aumento de vendas de cerca de 54,86%.

No final da década de 70, se tornou a primeira empresa da América Latina a implantar o PDV - caixa no ponto de venda, que trouxeram ganhos de produtividade extremamente significativos. Em 1982 e no ano seguinte, o Mappin foi considerado a empresa do ano e segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Gallup, 97% da população paulistana conhecia a empresa. Antonio Alves Filho comandou até seu falecimento em 1982, assume a frente da empresa sua esposa Cosette Alves. Nos os próximos anos, a marca investiu na compra de outras empresas concorrentes do setor como a Sears que, na época, possuía cinco unidades localizadas em shoppings da capital e cidades próximas.

MESBLA





O começo. No prédio de número 83 da rua da Assembleia, no centro da cidade do Rio de Janeiro, foi instalada em 1912 uma filial da firma Mestre & Blatgé, com sede em Paris e especializada no comércio de máquinas e equipamentos.

A filial brasileira tinha pouca importância dentro da organização francesa espalhada pelo mundo. Quatro anos depois de sua instalação, sua administração foi entregue ao francês Louis La Saigne, até então subgerente da filial em Buenos Aires. Em 1924 La Saigne transformou o estabelecimento carioca numa firma autônoma, com o nome de Sociedade Anônima Brasileira Estabelecimentos Mestre et Blatgé, que em 1939 passou a denominar-se Mesbla S.A.. A nova denominação era uma combinação das primeiras sílabas do nome original, que foi sugerida pela secretária de Louis La Saigne, Isaura, por meio de um concurso interno. A preocupação era que no início da Segunda Guerra Mundial a França se manifestou solidária a Adolf Hitler, o que poderia ocasionar represálias no Brasil com referência ao nome.

La Saigne teve quatro filhas, e a mais velha casou-se com Henrique de Botton. Após um dia de intenso trabalho, Louis La Saigne, morreu em sua residência na noite do dia 18 de janeiro de 1961. Com sua morte foram eleitos presidente e vice-presidente dois de seus mais antigos funcionários, respectivamente, Silvano Santos Cardoso e Henrique de Botton. No ano seguinte, em 12 de agosto de 1962, a MESBLA celebraria seu Jubileu de Ouro já como uma empresa genuinamente brasileira, com seus mais de 8.000 funcionários operando em 13 filiais, lojas de varejo e agências de venda estabelecidas em pontos estratégicos do território nacional, após a morte de Silvano Santos Cardoso em de 29 de fevereiro de 1968, Henrique assumiu a presidência, e depois da morte de Henrique, seu filho André também assumiu a presidência. Ambos comandaram a expansão e o declínio da empresa até os anos 1980. Na década de 1950 a empresa tinha lojas instaladas nas principais capitais do país e em algumas cidades do interior. Nos anos 1980 a Mesbla tinha 180 pontos de venda e empregava 28 mil pessoas. Suas lojas de grande porte, com áreas raramente inferiores a 3 mil metros quadrados, eram pontos de referência nas cidades onde a Mesbla se fazia presente.

Por quase três décadas reinou praticamente sozinha no mercado de varejo, por ser a única empresa do gênero de abrangência nacional. Orgulhavam-se seus funcionários em afirmar que a Mesbla só não vendia caixões funerários, que são para os mortos; para os vivos tinham todas as mercadorias, desde botões até automóveis, lanchas e aviões.

 SEARS ROEBUCK




Foi fundada por Richard Warren Sears (1863-1914) e Alvah Curtis Roebuck em 1893 na cidade de Chicago. Richard Sears era um agente ferroviário e iniciou a sua atividade de comerciante vendendo relógios de bolso, a associação com o relojoeiro Alvah Roebuck deu início ao negócio de vendas por catálogos tendo sido a primeira loja de departamentos a fazer este tipo de vendas. Foi também a primeira primeira varejista a suprir praticamente de quase tudo, abrindo depois lojas de departamento em todo o país.

A melhor época da empresa aconteceu na década de 1960, quando assumiu a posição de maior varejista do mundo, sendo ultrapassada pela rede Walmart em 1991.

Brasil. As lojas Sears chegaram ao Brasil em 1949 sendo inovadora no mercado varejista com uma ampla variedade de produtos, atuando em grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. O Mappin e Mesbla eram os principais concorrentes da época. Utilizou o slogan Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta e a empresa foi líder de mercado até o início da década de 1980. 

Uma das lojas mais conhecidas estava localizada na Praça Oswaldo Cruz, no bairro Paraíso onde funcionava um salão de festas anexo conhecido como Blue Room, no local hoje funciona o Shopping Paulista. Outra loja muito procurada era a da Água Branca que em 1952 instalou a primeira escada rolante do Brasil.





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 XX

INDIANÓPOLIS 


Cruzamento da Avenida Indianópolis com a Avenida Rubem Berta na distante década de 1960. Arquivo Nacional do Brasil. Acervo Fundo Correio da Manhã.

Avenida Indianópolis. Foi aberta em 1913 e 1915 pela Cia. Territorial Paulista, primeiramente a Avenida tinha o nome de Avenida Araci em forma de homenagem a filha de Fernando Árens, diretor da Cia. Territorial Paulista, porém no dia 18 de Agosto de 1933 por conta do Artigo nº 505 o nome foi mudado para Avenida Indianópolis. 

"Frederico Guilherme Fernando Árens, filho de alemães, nasceu em Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Engenheiro formado na cidade alemã de Hamburgo, em 1878 estabeleceu-se em Campinas com uma fábrica de carruagens e máquinas agrícolas. Casado com Felisbina Teixeira Nogueira Garcia, em 18 de abril de 1880 torna-se pai de Fernando Árens Júnior, jovem que aos sete anos segue para Hamburgo, onde cursa o secundário e faz aprendizado em fundição e montagem de máquinas. Volta para o Brasil em 1895, ingressando na Escola Politécnica. Com lucro apurado no primeiro loteamento da Praia Grande, hoje cidade de Mongaguá, Fernando comprou, em 1913, o Sítio Traição, com cerca de quatrocentos e quarenta e dois hectares de campo entre os córregos Uberaba e Traição, a Oeste da Vila Mariana e entre a primitiva estrada para Santo Amaro e Jabaquara. Pouco mais da quarta parte dessas terras acabaram vendidas, para custear o acerto de divisas e iniciar melhoramentos necessários. Fernando fundou, então, a “Companhia Territorial Paulista” e organizou o loteamento da área, à qual deu o nome de “Indianópolis”. Em uma época em que as máquinas de terraplanagem ainda estavam para serem inventadas, passou a executar esse trabalho com ferramentas manuais – enxadão, machado e picaretas – transportando a terra em carrocinhas puxadas por burros. Traçou a avenida principal, quase uma reta, sobre o espigão do Morro do Uberaba e a batizou com o nome da filha Aracy. Um mês após a constituição da companhia, efetuou a primeira venda de terrenos já urbanizados. Ao fundar esse que hoje é um dos mais bonitos e habitáveis bairros de São Paulo, Fernando doou terreno para a construção da primeira igreja com culto à padroeira do Brasil, a Igreja de Nossa Senhora Aparecida de Indianópolis; doou o terreno do Hospital da Cruz Vermelha Brasileira e para a construção do Club Suíço, na Avenida Aracy, atual Avenida Indianópolis". (Mano Fronberg. Portal Nogueirense)

 Avenida Aracy (atual avenida Indianópolis), no bairro de Moema em obras de recapeamento em 1959.


Avenida Ruben Berta nos anos 1960. Avenida Rubem Berta é uma via que faz parte do corredor norte-sul de São Paulo. No trecho do corredor conhecido por esse nome, a via passa pelos distritos de Moema, Vila Mariana e Saúde Cruza com a Avenida Indianápolis. Ruben Martin Berta (Porto Alegre, 5 de novembro de 1907 — Rio de Janeiro, 14 de dezembro de 1966) foi um empresário brasileiro que ocupou a presidência da Varig, uma das empresas que impulsionaram o aeroporto de Congonhas, localizado nessa região.[Textos e imagens da Wikipedia]


Assentamento de trilhos na rua Vergueiro em direção a Vila Mariana em 1903. A esquerda nota-se mulas atreladas a carroção de entrega de cerveja e gelo da Cia Antarctica.



Rua Vergueiro - Distrito: Liberdade. Com mais de 9 km de extensão, entre a Rua São Joaquim na Liberdade e até às margens da Rodovia Anchieta, na Vila Vera, a Rua Vergueiro é uma das mais extensas de São Paulo. Essa característica é explicada pela sua origem, pois a princípio esta via era uma estrada que fazia a ligação da Capital com a antiga “Estrada da Maioridade”, também conhecida como estrada do Mar ou estrada de Santos.

A rua Vergueiro é uma importante rua da cidade de São Paulo. Seu nome é uma homenagem a José Vergueiro, responsável pela construção da variante da Rodovia Caminho do Mar na década de 1860, a Estrada do Vergueiro, que em seu trecho paulistano coincide com a referida rua. Possui mais de 9 km de comprimento, com duas pistas em seus 2,8 km. Começa no bairro da Liberdade (centro), corta o distrito de Vila Mariana, e alguns quilômetros adiante termina no distrito de Sacomã, na zona sul. Encontram-se com a Vergueiro vias importantes como Avenida da Liberdade, Avenida Bernardino de Campos (que faz ligação direta com a Avenida Paulista), Avenida Doutor Ricardo Jafet, Rua Santa Cruz, Avenida Dr. Gentil de Moura e Avenida Presidente Tancredo Neves. É a única via da cidade a ser servida por três linhas de metrô diferentes. Sob a rua Vergueiro passam trechos das linhas 1-Azul, 2-Verde e 5-Lilás do Metrô. As estações São Joaquim, Vergueiro, Paraíso, Ana Rosa e Chácara Klabin dão acesso à rua. Futuramente, a 6-Laranja atenderá a rua, através da Estação São Joaquim.[Textos e imagens da Wikipedia]

Até a década de 1850, a antiga estrada de Santos possuía outro trajeto, pois tinha início na Rua da Glória e depois seguia pelo Lavapés até atingir o Ipiranga e daí por diante buscava o rumo do litoral em Santos. Entretanto, no ano de 1862, e em decorrência dos desmoronamentos ocorridos na Serra do Mar em 1861, o governo da Província firmou contrato com o empresário José Pereira de Campos Vergueiro, filho do senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro.

Aproveitando a oportunidade, Vergueiro decidiu estudar o trecho mais próximo da cidade e verificou que melhor seria projetar outro traçado, já que as cheias do Tamanduateí por vezes se colocavam como um obstáculo aos viajantes. Assim, e ao invés de seguir pelo Lavapés, ele resolveu tangenciar o rio e buscou outro caminho que, da cidade, seguia o rumo da atual Vila Mariana para, mais adiante, encontrar a estrada do Mar. Para isso ele aproveitou algumas vias já abertas como o antigo “Caminho do Carro” para Santo Amaro, hoje trecho inicial da Rua Vergueiro entre a Liberdade e Vila Mariana. Em 1863, e por conta dos melhoramentos realizados, a nova via passou a ser chamada de “Estrada Vergueiro”, numa referência ao mesmo empresário José Pereira de Campos Vergueiro, seu construtor.

Poucos anos depois, mais especificamente em 1868, o seu nome já estava consolidado, ocasião em que o logradouro passou a ser conhecido como “Rua Vergueiro” conforme referencia um anúncio publicado no jornal Diário de São Paulo de 09/10/1868. Entretanto, a partir de 1885 – e por razões ainda desconhecidas, alguns órgãos de imprensa começam a vincular notícias e anúncios onde o nome da rua aparece alterado para “Rua do Senador Vergueiro” (Correio Paulistano de 20/03/1885 e O Estado de São Paulo de 19/02/1886 e também de 05/05/1897). Neste caso, o homenageado era o senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro. Uma hipótese para esta alteração seria a existência, no Rio de Janeiro, da Rua Senador Vergueiro, considerada na época como uma das mais elegantes da cidade, bem como em outras cidades a exemplo de Limeira e Santos, onde havia o Largo Senador Vergueiro. Porém, no caso de São Paulo, a homenagem não era ao senador e sim ao seu filho José Vergueiro. Nos registros oficiais da Câmara Municipal e da Prefeitura, por sua vez, o logradouro foi sempre tratado como “Rua Vergueiro”, exceto por um breve momento em 1911, quando o mesmo aparece como “Rua Senador Vergueiro”, retornando depois como “Rua Vergueiro”.

Nos mapas oficiais da cidade, por seu turno, e desde 1890, a mesma foi sempre tratada como “Rua Vergueiro”. Nesse sentido, a conclusão até o presente momento é que a Rua Vergueiro foi assim denominada em referência ao construtor da antiga estrada, o empresário José Pereira de Campos Vergueiro e não ao seu pai, o senador Vergueiro.




José Pereira de Campos Vergueiro – Nasceu em São Paulo, no bairro da Sé, e foi batizado em 1812. Era filho do senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro e de d. Maria Angélica de Vasconcelos. Casou-se em 1837, na igreja de Santa Ifigênia, com Maria Umbelina Gavião Peixoto e teve apenas um filho, o dr. Nicolau José Vergueiro, batizado em 1839 em Santa Ifigênia e falecido solteiro. Com negócios na cidade de Santos, foi vereador daquela cidade entre 1839 e 1841 e depois também em 1849 e 1850. No ano de 1841 representou aquela cidade nas cerimônias de coroação de D. Pedro II.

Eleito deputado provincial, cumpriu mandato na Assembleia paulista no biênio 1858/1859. Em conjunto com seu pai e na companhia dos irmãos Nicolau e Joaquim fundou, em 1846, a empresa Vergueiro & Cia que administrava a exportação de produtos no porto de Santos e também seria a responsável pela introdução de trabalhadores europeus livres nas fazendas da família, especialmente na fazenda Ibicaba, em Limeira, cidade esta onde também foi vereador entre 1883 e 1889. Entre 1862 e 1864 assumiu o comando das obras de reconstrução da antiga estrada da maioridade, que ligava São Paulo a Santos, sendo muito elogiado por este trabalho onde utilizou trabalhadores e engenheiros europeus.

Em 1864 foi condecorado pelo imperador D. Pedro II no grau de comendador. José Pereira de Campos Vergueiro faleceu em janeiro de 1894 na fazenda Saudade, localizada no então município de Xiririca, atual Eldorado Paulista. Nessa ocasião, assim publicou o jornal O Estado de São Paulo na sua edição de 17/01/1894: “Noticia o Diário de Santos, em sua edição de ontem, a morte em Xiririca, sul do nosso Estado, do venerando paulista sr. comendador José Vergueiro.

A morte desse homem não pode deixar de encher de mágoa a todos os que conheceram e souberam dar valor ao seu gênio arrojado e empreendedor, que nenhuma provação amarga conseguiu abater. Espírito inteligente e prático, prestou sempre o concurso de sua atividade inquebrantável ao Estado em que nasceu. A lavoura paulista teve nele um propugnador incansável, dando aos dois conhecidos estabelecimentos agrícolas de que foi sócio – as fazendas Angélica e Ibicaba – o desenvolvimento e importância a que atingiram, sendo sempre procurado pelo estrangeiro que desejava conhecer a riqueza e a propriedade da nossa lavoura.

Quando a fortuna não lhe foi propícia, o velho comendador José Vergueiro, espírito tenaz e lutador, e, contando 79 anos, foi para os sertões das matas de Xiririca e lá deixou o seu sinal, fundando a fazenda que denominou Saudade. Compreendendo a insuficiência da empresa São Paulo Railway para transportar a riqueza do nosso Estado, estudou e iniciou os trabalhos da Estrada do Sul Paulista procurando novos caminhos para o escoamentos de nossos gêneros de exportação e dar força à expansão industrial do nosso descurado sul.

O seu papel político não foi destituído de brilho. O dr. José Vergueiro foi sempre partidário das ideias liberais, o que lhe custou muitos dissabores. A República encontrou-o em sua linha de combatentes. Faleceu aos 82 anos de idade.” Não obstante ser esta homenagem uma referência ao empresário José Vergueiro, apresentamos a seguir alguns dados biográficos de seu pai, o Senador Vergueiro - Nicolau Pereira de Campos Vergueiro nasceu Val da Porca, Província de Traz os Montes, Portugal no dia 20 de dezembro de 1778.

Bacharel em leis pela Universidade de Coimbra, veio para o Brasil e em 1803 tendo se estabelecido em São Paulo com banca de advogado. Foi também fazendeiro, a princípio em sociedade com o Brigadeiro Luiz Antonio, e introduziu o trabalho livre do colono europeu pelo sistema de parceria. Representou a província de São Paulo nas Cortes portuguesas em 1822, na Constituinte brasileira em 1823 e na primeira legislatura.

Em 1828 foi eleito senador por Minas Gerais. Ocupou as pastas do Império, da Justiça e Fazenda. Foi membro da regência provisória que se seguiu à abdicação de D. Pedro I, diretor do Curso de Direito de São Paulo de 1837 a 1842, foi um dos primeiros membros do governo paulista.

Lutou pela Independência, tendo sido um dos mais enérgicos nessa empreitada, pois recusara-se a assinar a constituição portuguesa. Acusado como um dos promotores da revolução de 1842, o Senado julgou a acusação improcedente. Era do Conselho do Imperador, Grã Cruz da Ordem do Cruzeiro e membro do Instituto Histórico. Escreveu: "Memória Histórica", sobre a fundação da fábrica de ferro de Ipanema, em 1822, e "Resposta" dada ao Senado sobre a pronúncia contra ele proferida pelo Chefe de Polícia de São Paulo, J.A.G. de Menezes, no processo da revolta de 17 de maio de 1842, dada a lume no ano seguinte.

Foi casado com Maria Angélica de Vasconcelos e teve os filhos: Carolina de Campos Vergueiro, Angélica Joaquina Vergueiro, Luiz Pereira de Campos Vergueiro, José Pereira de Campos Vergueiro, Antonia Eufrosina Vergueiro, Maria do Carmo Vergueiro, Francisca de Campos Vergueiro, Nicolau José Vergueiro, Joaquim Vergueiro e Ana de campos Pereira Vergueiro.

O senador Vergueiro faleceu no Rio de Janeiro em 18 de setembro de 1859 e foi sepultado no cemitério São João Batista daquela cidade.




XXI

IPIRANGA E HELIÓPOLIS


Ipiranga é um bairro localizado no distrito de homônimo no município de São Paulo, Brasil. É um dos bairros localizado na zona Sul do município de São Paulo e abriga importantes pontos históricos, como o Museu do Ipiranga, um dos mais conhecidos no Brasil, e o Parque da Independência, em frente ao edifício do museu. No Parque da Independência, há um monumento que simboliza a Independência do Brasil (proclamada onde hoje está o parque) e o famoso "Grito do Ipiranga". Dentro do parque, é possível se ver a Casa do Grito, que aparece no lado direito do quadro do pintor Pedro Américo que retrata a independência do Brasil.

Topônimo. O nome do bairro é uma referência ao riacho do Ipiranga, local onde foi proclamada a independência do Brasil, em 1822. De acordo com Eduardo de Almeida Navarro, o topônimo de origem tupi é formado pelas termos "y + pirang + a" e significa "rio vermelho" ou "água vermelha".

Além de ser um bairro residencial, também é um bairro comercial, tendo a avenida Nazaré como sua principal via. Paralelo à essa avenida está localizado o chamado "miolo do Ipiranga", entre as ruas Manifesto, Tabor, Comandante Taylor e a Avenida Nazaré, que é o ponto mais famoso do bairro. O bairro é atendido por quatro estações da Linha 2 do Metrô de São Paulo. São elas: Tamanduateí, Sacomã, Alto do Ipiranga e Santos-Imigrantes, e ainda pelas estações Tamanduateí e Ipiranga da Linha 10 do Trem Metropolitano de São Paulo. Também conta com boa parte da extensão do Expresso Tiradentes.

História. Conhecido como um dos bairros mais antigos do município de São Paulo, foi fundado em 7 de Setembro de 1822, data também da Proclamação da Independência, por Dom Pedro I às margens do ribeirão Ipiranga. O bairro foi povoado por índios guaianases, porém no século XVI os homens brancos chegaram nessas terras. O português João Ramalho foi um dos primeiros a chegar no bairro e a contribuir para o surgimento de uma população mesclada do lugar. João se casou com Bartira, filha do cacique com quem teve muitos filhos. Após um tempo, os índios que residiam naquelas terras foram embora, pois não queriam mais ser escravizados pelos homens brancos. 

Com o passar do tempo, o bairro deixou de ser apenas uma passagem entre o mar e a cidade, e Ipiranga testemunhou e colaborou nas modificações urbanas provocadas pela indústria, em 1904, foi palco do primeiro bonde elétrico. Outro fator que provou a industrialização da região foi a inauguração da Rodovia Anchieta, que no ano de 1947 ocasionou na instalação de indústrias, comerciantes e novos moradores ao bairro. Durante a Revolta Paulista de 1924 o bairro foi bombardeado por aviões do Governo Federal. O exército legalista ao governo de Artur Bernardes se utilizou do chamado "bombardeio terrificante", atingindo vários pontos da cidade, em especial bairros operários como Mooca, Ipiranga, Brás, Belenzinho e Centro, que foram seriamente afetados pelos bombardeios.

A Família Jafet foi uma das primeiras de origem libanesa a chegar no Brasil. Benjamin Jafet foi o primeiro membro da família a chegar no país. Após alguns anos, os irmãos Jafet se tornariam os principais atacadistas e empreendedores da indústria têxtil brasileira. Sua Companhia Fabril de Tecelagem e Estamparia, contribuiu para o surgimento do bairro Ipiranga, auxiliando no seu desenvolvimento. A partir desse momento, a família Jafet em geral esteve presente nas principais obras da região do Ipiranga. Foram eles os responsáveis pela implantação de fábricas, obras de tratamentos as águas do rio Tamanduateí, construção de hospitais, escolas e estradas.  Outra figura importante para o surgimento e desenvolvimento do bairro foi a do Conde José Vicente de Azevedo, advogado, professor, parlamentar e precursor da ação social católica. Nos últimos anos do Império, José adquiriu terras na colina do Ipiranga. Através da expansão urbana do bairro, se desenvolve o Conde Vicente de Azevedo sua obra, fundada nos princípios de solidariedade cristã, dispondo de colaboradores notáveis da época. No dia 22 de Novembro de 1896, é inaugurado o "Asilo de Meninas Órfãs", primeira grande empreitada do Conde no bairro. O asilo proporcionou diversas obras de cunho educacional e assistencial. 
Através das mudanças, se tornou um dos bairros mais tradicionais e conhecidos do município de São Paulo. Hoje, é considerado um museu a céu aberto, pois em 8 de maio de 2007 as doze construções centenárias do bairro foram tombadas pelo Conpresp (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental do Município de São Paulo). 

O MUSEU DO IPIRANGA


Pedra Fundamental do Museu do Ipiranga. Pintura de Henrique Manzo. Acervo do museu.


Museu na época da sua construção em 1895. 


O Museu Paulista da Universidade de São Paulo, também conhecido como Museu do Ipiranga ou Museu Paulista, é o museu público mais antigo da cidade de São Paulo, cuja sede é um monumento-edifício que faz parte do conjunto arquitetônico do Parque da Independência. É o mais importante museu da Universidade de São Paulo e um dos mais visitados da capital paulista. O museu foi inaugurado oficialmente em 7 de setembro de 1895 com o nome Museu de História Natural. O edifício, inicialmente projetado para concretizar a versão conservadora da proclamação da independência, adquiriu outros significados a partir da Proclamação da República, dentre eles o de “renascimento da nação”. Com sua apropriação pelo governo do Estado de São Paulo, que o transformou em museu público, a ressignificação do monumento passou pela ideia de que a história do progresso nacional era a história do progresso de São Paulo, colocando a colina do Ipiranga como um caminho articulador das riquezas com o Porto de Santos, então recém-inaugurado. Em 1922, época do Centenário da Independência, o caráter histórico da instituição foi reforçado, quando novos acervos foram criados, com destaque para a História de São Paulo. A decoração interna do edifício foi criada, com pinturas e esculturas apresentando a História do Brasil no Saguão, Escadaria e Salão Nobre. Também foi inaugurado o Museu Republicano "Convenção de Itu", extensão do Museu Paulista no interior paulista. Ao longo do tempo, houve uma série de transferências de acervos para diferentes instituições. A última delas foi em 1989, para o Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. A partir daí, a instituição vem ampliando seus acervos referentes ao período de 1850 a 1950 em São Paulo. Como órgão da Universidade de São Paulo desde 1963, o museu exerce pesquisa, ensino e extensão. Até seu fechamento para reformas, o Museu Paulista possuía um acervo de mais de 125 mil unidades, entre objetos, iconografia e documentação textual, do século XVII até meados do século XX, significativo para a compreensão da sociedade brasileira, especialmente no que se refere à história paulista e conta com uma equipe especializada de curadoria. Desenvolve também um Projeto de Ampliação de seus espaços físicos.

Festa cívica no Museu do Ipiranga em 1912.

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Heliópolis é um bairro com uma vila de mesmo nome localizado no distrito de Sacomã, na Zona Sul da São Paulo, no Brasil. Composto por catorze glebas, possui mais de 100.000 habitantes em uma área de quase um milhão de metros quadrados, é destacada por ser a maior favela da cidade. Seus limites são a Avenida Juntas Provisórias e se estende até a divisa com São Caetano do Sul (delimitada pelo rio Tamanduateí) e a Avenida Guido Aliberti. O transporte público não entra em algumas ruas da favela, pois as mesmas são estreitas, então as pessoas se deslocam até as vias principais, como a Estrada das Lágrimas, avenida Almirante Delamare, rua Coronel Silva Castro e Rua Cônego Xavier (Hospital Heliópolis), onde estão localizados os pontos de ônibus. A área do bairro Cidade Nova Heliópolis foi adquirida em 1942 pelo Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários. O instituto tinha a intenção de construir, na área, casas para residência dos seus associados. Porém a área veio a ser dividida, pois, em 1966, unificaram-se os diversos institutos no Instituto Nacional de Previdência Social. A gleba passou, então, para o Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social, que, a partir daí, vendeu e ocupou o terreno. Em 1978, foi a vez da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, que ficou com uma parte depois da desapropriação para a construção da Estação de Tratamento de Esgotos do ABC, que, no entanto, só começaria a funcionar 20 anos depois. Em abril de 1969, o Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários construiu o Hospital Heliópolis e o Posto de Assistência Médica (hoje, Ambulatório Médico de Especialidades Heliópolis). Entre 1971 e 1972, a prefeitura, sob o comando do prefeito José Carlos de Figueiredo Ferraz, retirou 153 famílias de áreas ocupadas na região da Vila Prudente e Vergueiro - que foi a maior de São Paulo na década de 1970, antes do crescimento do bairro Heliópolis. De acordo com registros da prefeitura de São Paulo, os primeiros habitantes chegaram do município de Heliópolis (Bahia), assim o local viria a ser chamado de Heliópolis no início de 1972. Outras famílias foram construindo suas casas. Pessoas que participaram da obra do Hospital Heliópolis acabaram permanecendo por lá. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 92 por cento da população são nordestinos e estão lá desde a década de 1970. Não foram só as pessoas removidas pela prefeitura que são moradores de Heliópolis hoje. Alguns trabalhadores, entre 1970 e 1980, escolheram o Heliópolis para morar, pois trabalhavam nas metalúrgicas das cidades vizinhas do ABC. Nessa época, havia uma crise de oferta de imóveis para a população de baixa renda e os altos preços dos aluguéis desestimulavam os trabalhadores.

Urbanização. Em março de 2008, delegações internacionais visitaram as obras de urbanização de Heliópolis para conhecer o seu traçado urbanístico e modelo de utilização do espaço público. Estiveram presentes delegações de Lagos (Nigéria), La Paz (Bolívia), Cairo (Egito), Manila (Filipinas) e Ekurhuleni (África do Sul). Atualmente, algumas glebas do bairro estão em processo de urbanização. A liderança comunitária foi importante na luta pelo processo de urbanização: dentre elas, a União de Núcleos, Associações dos Moradores de Moradores e Região foi uma das principais. Com a urbanização, houve grande valorização dos imóveis da favela e os seus preços aumentaram até 90 por cento. Um imóvel de dois quartos, sala e cozinha, que em 2002 era alugado por 280 reais passou a custar, em 2012, 1000 reais. O preço de venda passou de 20 000 reais para 100 000 reais. O bairro já recebeu a tecnologia wi-fi, o que facilita o uso da internet pelos moradores. Desde 1997, funciona, no bairro, a rádio Heliópolis, uma emissora de rádio comunitária cujo funcionamento foi autorizado pelo Ministério das Comunicações em março de 2008. Entre 1992 e 1997, a programação da emissora era transmitida por cornetas penduradas em postes em pontos centrais do bairro.[Textos e imagens da Wikipedia]


XXII

 LAPA, POMPÉIA E VILA ROMANA


Estação da EFS na Lapa nos anos 1950, linha vinda de Pirituba com direção à Estação Júlio Prestes




Alto da lapa em 1956. SP in Foco


Lapa. No ano de 1561, há evidências de que os jesuítas ganharam uma sesmaria na região. O terreno era banhado pelo Rio Emboaçava, atual Rio Pinheiros. A região foi batizada de "Emboaçava" que significa "lugar por onde se passa" pelos índios Goitacases. Em meados do século XVIII, uma propriedade da região se destacava: a Fazendinha da Lapa, que recebera este nome devido ao fato de os jesuítas terem sido obrigados a realizar uma missa anual a Nossa Senhora da Lapa em troca das terras. Por volta de 1743, os religiosos abandonaram o local devido ao seu terreno acidentado e à falta de mão de obra, se mudando para a Baixada Santista. No final do século XIX, chegaram, ao bairro, famílias de diversas nacionalidades. Destacavam-se os tiroleses, vindos do norte da Itália e que eram agricultores. Anos mais tarde, vieram outros italianos, vindos da região de Veneza. Houve, também, imigração portuguesa, espanhola, francesa e sírio-libanesa. Estes eram comerciantes, profissionais liberais, artesãos, sapateiros ou alfaiates. A influência italiana no bairro é muito significativa, tanto que alguns logradouros do bairro têm designações que fazem referência à Itália, e ao Império Romano, tais como: Roma, Coriolano, Cipião, dentre outros. No século XX, o bairro se tornou industrial. Através da construção da Estrada de Ferro São Paulo Railway e de suas oficinas, houve a implantação de indústrias como a Vidraria Santa Marina e os frigoríficos Armour, Bordon, Swift e Wilson. Estes estabelecimentos trouxeram operários e técnicos ingleses, croatas, lituanos, poloneses, russos e húngaros (do então Império Austro-Húngaro e fundadores da chamada "Igreja do Galo" na Rua Domingos Rodrigues), que passaram a ser moradores do local e da Lapa de Baixo. As indústrias baseavam-se na proximidade com o Rio Tietê, multiplicando-se ao longo dos anos.


Anos 1970: Lapa de Baixo, Avenida 12 de outubro, altura da Metalúrgica Martins Ferreira. 


Viaduto da Lapa em direção à avenida 12 de Outubro nos anos 1970. 


Avenida 12 de Outubro no centro comercial da Lapa. Anos 1970.




Em 24 de agosto de 1954, foi inaugurado o Mercado Municipal da Lapa, em uma área de 4.840 m². O dia não foi dos melhores: foi a mesma data do suicídio do então presidente Getúlio Vargas. Segundo levantamento do historiador Claudinei Nascimento, as portas do mercado ficaram abertas somente até as 10h, e os previstos fogos de artifícios foram cancelados.

Hoje, com 96 boxes ocupados por 87 lojas, é o maior dos 11 mercados municipais de São Paulo (o Mercadão da Cantareira está com a iniciativa privada desde 2021) e o quarto mais antigo, atrás dos de Pinheiros (1910), Ipiranga (1949) e Tucuruvi (1949). Em julho deste ano, foi oficializado pela Prefeitura Municipal de São Paulo patrimônio cultural da cidade – e desde 2009 o prédio já é tombado como patrimônio histórico pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp).

O mercado originalmente tinha 40 boxes, e a maior parte deles era ocupado por comerciantes de um extinto mercado (quase uma feirinha, com três entradas) localizado na rua Clélia, que liga a Lapa aos bairros da Vila Romana e Pompeia. Era composto de imigrantes – principalmente italianos – que vendiam vinhos, uísques, bacalhau, peixes, cogumelos e azeites importados para suprir as necessidades da população também imigrante.

A criação do novo mercado, na rua Herbart, 47, havia sido instituída três anos antes de sua abertura (1954), por meio da Lei 4.162, assinada pelo então prefeito Lineu Prestes, e teve forte articulação do vereador Ermano Marchetti, hoje nome de uma tradicional avenida na Lapa de Baixo. Na época, O Estado de S.Paulo noticiou o projeto, que “custará 10 milhões de cruzeiros, sendo gastos na construção 8 mil sacos de cimento e 160 toneladas de ferro”.

Décadas depois, em 1982, o mercado passou a levar o nome de Rinaldo Rivetti, de uma família estabelecida na região desde o século 19 e que atuava em diversos segmentos, mas principalmente na construção civil. Rivetti lutou por diversas melhorias no bairro, inclusive a idealização do mercado, do qual foi proprietário de um box desde o início. Era um açougue. Morreu de acidente vascular cerebral (AVC), em 1953. Diário do Comércio. 


Vila Romana e um bairro localizado na Zona Oeste da cidade de São Paulo e faz parte do distrito da Lapa. O bairro fica ao lado dos seguintes bairros: Lapa, Pompéia, Sumaré e Água Branca. 
Originalmente, era um loteamento planejado no século XIX, de chácaras agrícolas, cada uma com cerca de dez mil metros quadrados. Suas ruas têm nomes de imperadores, oradores, juristas, deuses romanos - sempre o prenome: Tito, Espártaco, Catão, Clélia, Marco Aurélio, Guaicurus, Camilo, Aurélia, Duílio, Fábia, Marcelina, Mauricina, Coriolano, Vespasiano, Scipião, Faustolo, Crasso, Praça Cornélia, entre outras. No final da década de 1950, a Vila Romana era um bairro que começou a ser povoado pelo desenvolvimento do bairro da Lapa. Assim como o bairro vizinho, a Vila Romana teve como primeiros moradores, os imigrantes de origem italiana e seus descendentes. Sendo assim, o bairro possui muita influência dessa cultura, como por exemplo, os nomes das ruas, que levam nomes de imperadores e deuses romanos.  Ao longo do tempo, o bairro vem passando por uma forte transição, dos pequenos sobrados, oficinas e algumas fábricas para edifícios de médio e alto padrão, além de bares e restaurantes. 

Parque gráfico da Companhia Melhoramentos nos anos 1960 na rua Tito. Com a fachada tombada pela prefeitura em 2009, o prédio foi transformado recentemente em um centro cultural. 


A Cia Melhoramentos de São Paulo foi formada pelo Coronel Antônio Proost Rodovalho originalmente em 1877, mas foi constituída formalmente em 12 de setembro de 1890, como fábrica de papel. O Coronel Rodovalho construíra em sua fazenda às margens do Rio Juqueri-Guaçu, dois fornos para produção de cal e contratou Albert Graf como chefe na Construção dos fornos de Cal, um dos primeiros funcionários da Companhia Melhoramentos de São Paulo, logo o local passou a ser conhecido como Caieiras. No mesmo ano, Rodovalho funda a Companhia Cantareira e Esgotos, e obtém contratos oficiais para obras de saneamento e urbanização em São Paulo. Em 1888, a companhia constrói o reservatório da Consolação, em São Paulo. Rodovalho decide produzir papel e, em 1887, inicia-se a construção da fábrica de papel, a cargo da empresa alemã Gebrüder Hemmer.

Em 1894, Otto Weiszflog chega a São Paulo, vindo de Hamburgo, Alemanha, e passa a trabalhar para o também hamburguês M. L. Bühnaeds, no ramo de papelaria, encadernação, livros em branco e importação de papel. Seu irmão, Alfried Weiszflog, chega em 1896. Em 1900 a Companhia Melhoramentos começa a fornecer papel para a “M. L. Bühnaeds & Cia” onde trabalham os irmãos Weiszflog, e Rodovalho deixa a Melhoramentos, após desentendimento com o restante da diretoria sobre uma operação com ações. Em 1905, Otto e Alfried tornam-se donos da Bühnaeds & Cia. e, no ano seguinte, a segunda máquina de papel entra em funcionamento na Melhoramentos.

Em 1908, é inaugurada uma linha férrea ligando a fábrica de Caieiras a São Paulo, e a falta de energia leva a Melhoramentos a começar, em 1912, a plantação de eucaliptos, para fornecer lenha para os fornos de cal e cerâmica, e são construídas uma barragem e uma usina de energia elétrica para movimentar a terceira máquina de papel, que entra em funcionamento em 1913. Nesse mesmo ano, aos 75 anos, morre o Coronel Rodovalho.

A parte editorial teve inicio em 1915, como firma independente, a “Weiszflog Irmãos". Quando o diretor Alfred Weiszflog assumiu o controle da fábrica em 1920, houve a fusão das 2 empresas, com a incorporação da Weiszflog pela Melhoramentos. Weiszflog e Irmãos havia iniciado sua atividade editorial com a publicação de O Patinho Feio, de Hans Christian Andersen, ilustrado por Francisco Richter. Devido às ligações de Andersen com Portugal, o português foi a primeira língua para a qual seus livros foram traduzidos, e essa foi a primeira tradução de Andersen feita no Brasil. O primeiro gerente da Weiszflog, Arnaldo de Oliveira Barreto, deu sequência a essa linha editorial, formando a “Coleção Biblioteca Infantil”.

Em 1928, a produção editorial cresce, chegando nesse mesmo ano a um catálogo de 248 títulos, com 670.000 livros impressos. Em 1929 uma nova máquina de papel é comprada. A produção da Melhoramentos atinge 7.400 toneladas de papel para indústria, impressão, cartões, cartolinas, papel de seda e outros, em 1937. Finalmente, em 1938, é publicado o livro “O Filho do Trovão”, de Barros Ferreira, o primeiro livro a ostentar a indicação “Edições Melhoramentos”.

A máquina de papel V, feita pela alemã Voith, começa a funcionar em 1940 e no ano seguinte o nome da empresa é mudado para “Companhia Melhoramentos de São Paulo, Indústrias de Papel”. A Fazenda Levantina, em Camanducaia (MG) passa a fazer parte da Melhoramentos em 1942, e no ano seguinte inicia-se ali a produção da primeira celulose brasileira. A Melhoramentos foi pioneira no uso de madeira brasileira na fabricação do papel. Em 1946, em Caieiras, obtém-se a produção de celulose a partir de eucalipto, um feito de repercussão mundial.

Em 1960 é inaugurada a “Livraria Melhoramentos” no Largo do Arouche, em São Paulo. Quatro anos depois a empresa adquire a Fazenda Santa Marina, em Bragança Paulista.

Em 1968, quando publicou Meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcellos, a Melhoramentos vendeu 1.200.000 exemplares em menos de 10 anos, e mais 3.000.000 em traduções para o exterior o que foi considerado, na época, um fenômeno.

Em 1969 é constituída a Melbar, sociedade entre a Melhoramentos e a empresa americana Dresser Magcobar. A tecnologia de produção de celulose é inovada em 1982, com o início da produção de polpa de celulose do tipo CTMP a partir de eucalipto, inaugurando mundialmente a fabricação de papel higiênico a partir dessa madeira.

Linha literária. A linha de literatura infantil e os livros didáticos são a linha mestra da Melhoramentos. A concentração na literatura infantil vem dos primeiros tempos, quando Weiszflog e Irmãos havia iniciado sua atividade editorial com a publicação de O Patinho Feio.

Outro nome importante do período inicial para a atividade editorial da Melhoramentos foi Manuel Bergström Lourenço Filho, como diretor de ensino no Ceará desde 1922, e cuja “Introdução ao estudo da escola nova” inspirou toda uma geração de reformadores educacionais em todo o Brasil. Manoel foi consultor editorial da melhoramentos durante muitos anos, e a partir de 1926, passou a fazer a revisão de todos os livros infantis da casa.






 

SESC FÁBRICA POMPÉIA



Sesc Pompéia. Muitos não sabem, mas a arquitetura dá a dica: por aqui, funcionava uma fábrica. Construída em 1938 pela firma alemã Mauser & Cia. Ltda, a construção foi inspirada em um projeto inglês característico do início do século 20.Em 1945, a Indústria Brasileira de Embalagens - Ibesa, fabricante de tambores, comprou-a. Depois, instalou por aqui a Gelomatic, uma indústria de geladeiras a querosene. Quando se debruçaram sobre o espaço na década de 70, os profissionais responsáveis pela readequação e requalificação da antiga fábrica, liderados por Lina Bo Bardi, partiram da premissa de recuperar e manter a antiga fábrica a partir de uma perspectiva contemporânea. Ao mesmo tempo em que fizeram pulsar novos conceitos como a democratização dos espaços, preservaram antigos elementos do que aqui funcionava, como os latões de lixo com referência aos antigos tambores.


O Sesc Pompeia é um centro de cultura e lazer localizado no bairro Vila Pompéia, no distrito de Perdizes, na zona oeste da cidade de São Paulo, que reúne teatros, quadras poliesportivas, piscinas, lanchonetes, restaurantes, espaços de exposições, choperia, oficinas, área de leitura e internet livre, entre outros serviços. Seu projeto arquitetônico foi desenvolvido pela arquiteta Lina Bo Bardi, em 1977. Sua inauguração, em 1982, contou com apresentações de bandas da cena punk de São Paulo na época, como Inocentes, Ratos de Porão, Cólera e Olho Seco.


Show da cantora Tetê Espíndola no Sesc Fábrica Pompéia nos anos 1980.



Ano:1977
Lina Bo Bardi, André Vainer e Marcelo Ferraz
Imagens: Nelson Kon, Acervo Instituto Bardi - Casa de Vidro e Acervo Marcelo Ferraz

Descrição: Entrando pela primeira vez na então abandonada Fábrica de Tambores da Pompéia, em ’76, o que me despertou curiosidade, em vista de uma eventual recuperação para transformar o local num centro de lazer, foram aqueles galpões distribuídos racionalmente conforme os projetos ingleses do começo da industrialização européia, nos meados do século XIX.

Todavia, o que me encantou foi a elegante e precursora estrutura de concreto. Lembrando cordialmente o pioneiro Hennebique, pensei logo no dever de conservar a obra.

Foi assim o primeiro encontro com aquela arquitetura que me causou tantas histórias, sendo consequência natural ter sido um trabalho apaixonante.

Na segunda vez que lá estive, um sábado, o ambiente era outro: não mais a elegante e solitária estrutura Hennebiqueana mas um público alegre de crianças, mães, pais, anciãos passava de um pavilhão a outro. Crianças corriam, jovens jogavam futebol debaixo da chuva que caía dos telhados rachados, rindo com os chutes da bola na água. As mães preparavam churrasquinhos e sanduíches na entrada da rua Clélia; um teatrinho de bonecos funcionava perto da mesma, cheio de crianças. Pensei: isto tudo deve continuar assim, com toda esta alegria.

Voltei muitas vezes, aos sábados e aos domingos, até fixar claramente aquelas alegres cenas populares.

É aqui que começa a história da realização do centro Sesc Fábrica da Pompéia. Existem ‘belas almas’ e almas menos belas. Em geral as primeiras realizam pouco, as outras realizam mais. É o caso do Masp. Existem sociedades abertas e sociedades fechadas; a América é uma sociedade aberta, com prados floridos e o vento que limpa e ajuda. Assim, numa cidade entulhada e ofendida pode, de repente, surgir uma lasca de luz, um sopro de vento. E aí está hoje, a Fábrica da Pompéia, com seus milhares de frequentadores, as filas na choperia, o ‘Solarium-Índio’ do Deck, o Bloco Esportivo, a alegria da fábrica destelhada que continua: pequena alegria numa triste cidade.

Ninguém transformou nada. Encontramos uma fábrica com uma estrutura belíssima, arquitetonicamente importante, original, ninguém mexeu… O desenho de arquitetura do Centro de Lazer Fábrica da Pompéia partiu do desejo de construir uma outra realidade. Nós colocamos apenas algumas coisinhas: um pouco de água, uma lareira.

A idéia inicial de recuperação do dito Conjunto foi a de ‘Arquitetura Pobre’, isto é, não no sentido da indigência mas no sentido artesanal que exprime Comunicação e Dignidade máxima através dos menores e humildes meios.

BARDI, Lina Bo. SESC – FÁBRICA DA POMPÉIA – Anotações pessoais apud Lina Bo Bardi / Marcelo Carvalho Ferraz, org. – 4.ed. – São Paulo: Instituto Bardi: Casa de Vidro: Romano Guerra Editora, 2018, p. 220.

 




Depois de cinicamente julgar esgotados o conteúdo e as possibilidades humanas do Movimento Moderno na arquitetura, aparece na Europa um novo lançamento: o Post-Modern, que pode ser definido como a Retromania, o complexo da impotência frente à impossibilidade de sair de um dos mais estarrecedores esforços humanos do Ocidente. A vanguarda nas artes vive comendo os restos daquele grande Capital. A nova palavra de ordem é: “chupar ao máximo os princípios da documentação histórica reduzidos a consumo”. A Retromania impera, na Europa e nos Estados Unidos, absolvendo criticamente os penetras da arquitetura, que, desde o começo da industrialização gratificam as classes mais abastadas com as reciclagens espirituais do Passado. Cornijas, portais, frontões, trifórios e bífores, arcos romanos, góticos e árabes, colunas e cúpulas grandes e pequenas nunca deixaram de acompanhar num coro baixinho, discreto e sinistro, a marcha corajosa do Movimento Moderno brutalmente interrompida pela Segunda Guerra Mundial.

É história velha. Estão voltando os arcos e as colunas do nazi-facismo, a história tomada como Monumento e não como Documento. (Michel Foucault: “L’Histoire est ce qui transforme des Documents en Monuments”. É justamente o contrário: a História é aquilo que transforma os Monumentos em Documentos. Claro que Monumento não se refere somente a uma obra de arquitetura, mas também as “ações coletivas” de grandes arranques sociais).

Conclusão: estamos ainda sob o céu cinzento do pós-guerra. ” Tout est permis, Dieu n’exist pas”. Mas o que existiu de verdade foi a Guerra, que ainda continua, como continuam as grandes resistências.

Tudo isso pode ser julgado uma premissa exagerada para a apresentação de uma simples cadeira de teatro-auditorium, mas esta nota antecipada sobre os equívocos europeus do Post-Modern (o Movimento Post-Modern, nascido nos Estados Unidos, adquiriu importância internacional na última Bienal de Veneza, reacionário e anti-atual confunde o verdadeiro sentido da história, com os duvidosos retornos ao historicismo) é a esperança que o Brasil não enverede mais uma vez no mesmo caminho de sociedades culturalmente falimentares.

Por quanto se refere à dita cadeirinha, toda de madeira e sem estofado, é de observar: os Autos da Idade Média eram apresentados nas praças, o público de pé e andando. Os teatros grego-romanos não tinham estofados, eram de pedra, ao ar livre e os espectadores tomavam chuva, como hoje nos degraus dos estádios de futebol, que também não têm estofados. Os estofados aparecem nos teatros áulicos das cortes, no setecento e continuam até hoje no “confort” da Sociedade de Consumo.

A cadeirinha de madeira do Teatro da Pompéia é apenas uma tentativa para devolver ao teatro seu atributo de “distanciar e envolver”, e não apenas de sentar-se.

BARDI, Lina Bo. SESC – FÁBRICA DA POMPÉIA – Anotações pessoais apud Lina Bo Bardi / Marcelo Carvalho Ferraz, org. – 4.ed. – São Paulo: Instituto Bardi: Casa de Vidro: Romano Guerra Editora, 2018, p. 226.

 


Uma galeria subterrânea de ‘águas pluviais’ (na realidade o famoso córrego das Águas Pretas) que ocupa o fundo da área da Fábrica da Pompéia, transformou a quase totalidade do terreno destinado à zona esportiva em área “non edificandi”. Restaram dois ‘pedaços’ de terreno livre, um à esquerda, outro à direita, perto da ‘torre-chaminé-caixa d’água – tudo meio complicado.

Mas, como disse o grande arquiteto norte-americano Frank Lloyd Wright: ‘As dificuldades são nossos melhores amigos’.

Reduzida a dois pedacinhos de terra, pensei na maravilhosa arquitetura dos ‘fortes’ militares brasileiros, perdidos perto do mar, ou escondidos em todo o país, nas cidades, nas florestas, no desterro dos desertos e sertões. Surgiram, assim, os dois ‘blocos’, o das quadras e piscinas e o dos vestiários. No meio, a área “non-edificandi”. E… como juntar os dois ‘blocos’? Só havia uma solução: a solução aérea, onde os dois ‘blocos’ se abraçam através de passarelas de concreto protendido.

Tenho pelo ar-condicionado o mesmo horror que tenho pelos carpetes. Assim, surgiram os ‘buracos’ pré-históricos das cavernas, sem vidros, sem nada. Os ‘buracos’ permitem uma ventilação cruzada permanente.

Chamei o todo de ‘Cidadela”, tradução da palavra inglesa “goal”, perfeita para o conjunto esportivo.

Na área “non-edificandi” pensei num grande deck de madeira. Ele corre de um lado ao outro do ‘terreno proibido’ em todo o seu comprimento; à direita, uma ‘cachoeira’, uma espécie de chuveiro coletivo ao ar livre.

Meu grande amigo Eduardo Subirats, filósofo e poeta, diz que o conjunto da Pompéia tem um poderoso teor expressionista.

É verdade e isto vem de minha formação européia. Mas eu nunca esqueço o surrealismo do povo brasileiro, suas invenções, seu prazer em ficar todos juntos, de dançar, cantar. Assim, dediquei meu trabalho da Pompéia aos jovens, às crianças, à terceira idade: todos juntos.

BARDI, Lina Bo. SESC – FÁBRICA DA POMPÉIA – Casa Vogue nº06, São Paulo, 1986 apud Lina Bo Bardi / Marcelo Carvalho Ferraz, org. – 4.ed. – São Paulo: Instituto Bardi: Casa de Vidro: Romano Guerra Editora, 2018, p. 231.



Tudo aquilo que os países ocidentais altamente desenvolvidos – incluímos nesses países também os Estados Unidos – procuraram e procuram, o Brasil já o detém, é a mínima parte de sua cultura.

Somente que: o detentor desta total liberdade do corpo, desta desinstitucionalização, é o POVO, esse é o modo de ser do Povo Brasileiro, ao passo que, nos países ocidentais altamente desenvolvidos, é a classe média (incluindo nesta classe um certo tipo de intelectual) que procura angustiosamente uma saída de um mundo hipócrita e castrado cujas liberdades eles mesmos destruíram há séculos.

A importação para o Brasil deste sentimento de procura estéril e angustiada é um delito que pode levar à castração total.

Nas grandes civilizações do Extremo Oriente como o Japão e a China, a postura cultural do corpo (corpo como “mente”) e o exercício físico coexistem. No Brasil coexistem também, só não existem na classe média, e o verdadeiro problema é uma ação para o auto conhecimento de baixo para cima e não de cima para baixo.

A respeito do Centro da Pompéia, o Centro Esportivo é o Centro Esportivo, Físico, dedicado especialmente aos jovens das padarias., açougues, quitandas, supermercados, lojas e lojinhas que os frequentavam antigamente como eu os vi em ’76 e ’77, e que hoje sentem-se desfraudados. Para Homens e Mulheres, o domínio físico tem limites de idade. Para as crianças também, que poderão ocupar o espaço desde o começo definido como “Palestra”, no “Estudo” Espaço NOBRE, no sentido latim da palavra., espaço também dedicado a festas, reuniões e dança. Os espaços de um projeto de arquitetura condicionam o homem, não sendo verdadeiro o contrário, e um grave erro nas determinações e uso desses espaços pode levar à falência toda uma estrutura.

O enorme sucesso desta primeira experiência na Fábrica da Pompéia denuncia claramente a validade do “Projeto Arquitetônico” inicial.

BARDI, Lina Bo. SESC – FÁBRICA DA POMPÉIA – Anotações pessoais apud Lina Bo Bardi / Marcelo Carvalho Ferraz, org. – 4.ed. – São Paulo: Instituto Bardi: Casa de Vidro: Romano Guerra Editora, 2018, p. 234.



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Avenida Pompéia, anos 1960. 



Este mapa mostra uma parte da zona oeste de São Paulo, região habitada inicialmente pelos povos indígenas. A expansão da cidade no século XIX trouxe a urbanização gradual da área, inicialmente marcada por fazendas e sítios que aproveitavam as margens do rio Tietê, que oferecia acesso a terras férteis e recursos naturais.
No século XX a região viveu um boom populacional e a migração de diferentes grupos étnicos para essa parte da cidade. Bairros como Lapa e Perdizes começaram a se desenvolver, e a chegada de imigrantes italianos, por exemplo, deixaram marcas na arquitetura e cultura local.
📸Título: Vila Pompea- Propriedade da companhia urbana Predial em Água Branca.
Código de Referência: BR_APESP_IGC_IGG_CAR_I_S_0284_001_001


Anúncio do jornal O Estado de São Paulo:  loteamento da Vila Pompéia  em 1916



A Avenida Pompéia, em 1922, na esquina com a Rua Ministro Ferreira Alves. Obras de abertura e pavimentação. São Paulo Velhos Tempos. 



ESTAÇÃO CIÊNCIA


Rua Guaicurus, endereço da Estação Ciência, prédio de uma antiga fábrica da região, posteriormente tombada pelo Conpresp. 


A Estação Ciência é um centro de difusão científica, tecnológica e cultural da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo. Está localizada originalmente no bairro da Lapa, na zona oeste da cidade de São Paulo, numa antiga fábrica reformada, contígua ao terminal de ônibus da Lapa, ao Shopping Center Lapa e à estação ferroviária da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Atualmente, o edifício está fechado e não existe um novo espaço físico para o projeto.

História. Foi fundada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico em 1987 e integrada à universidade em 1990. Em 2006, passaram, por suas instalações, mais de 400 mil visitantes. É um ponto de interesse turístico da cidade de São Paulo. Lá, os visitantes têm a oportunidade de conhecer, através de exposições e experimentos, de forma lúdica e interessante, o que a física, biologia, astronomia, matemática, meteorologia, geografia, urbanismo, geologia, entre outras ciências, têm a ver com o nosso cotidiano. Além disso, o museu promove outras atividades relacionadas à difusão da ciência, como cursos para professores, congressos, conferências, feiras, mostras etc.

O centro, chamado de Estação Ciência, abrigava inúmeros tipos de inovações que garantiam o total entretenimento das escolas que o visitavam. O local era aberto ao público e de diferentes maneiras tinha a capacidade de transmitir conhecimentos científicos e culturais para os visitantes.

O local visava construir, de maneira criativa, um tipo de aprendizado não-formal, cujo método não era relativamente o mesmo ensino utilizado em salas de aula, e dessa maneira poder aproximar um pouco da ciência com o cotidiano das crianças.

A Estação recebeu os prêmios José Reis de Divulgação Ciêntífica e o Premio Latino-Americano de Popularización de la Ciencia y la Tecnologia - RedPOP/Unesco como reconhecimento pelo seu trabalho científico, entre outros.

O prédio da Estação Ciência foi tombado no dia 12 de maio de 2009 pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo).

Atualidade. Em maio de 2016, o prédio foi devolvido ao governo de São Paulo,que é seu proprietário. O prédio se encontrava fechado para visitas desde o dia 15 março de 2013, quando foi decidido que ele seria fechado temporariamente para restauração, reforma e modernização das instalações; fatores como os custos da obra e a situação financeira da Universidade, entretanto, houve a decisão de devolver o prédio para o governo paulista e ele nunca foi reaberto. Tais medidas foram impostas como forma de corte de gastos, porém antes de seu desligamento e durante o período de restauração, as únicas reformas foram: a reforma das calçadas e limpeza das paredes.

O acervo expositivo da Estação Ciência foi transferido para outros espaços da USP, como o Parque CienTec, a Escola de Engenharia de Lorena (EEL), a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) e o Centro de Difusão Científica e Cultural (CDCC). Na mesma época, o professor Eduardo Colli, do IME-USP (Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo) foi indicado como o novo diretor da Estação.



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XXIII

VILA MARIA, VILA GUILHERME, CASA VERDE E LIMÃO



Vila Maria é um distrito localizado na Zona Norte. Boa parte da economia do bairro é proveniente das atividades relacionadas com logística e transporte de cargas, devido à grande quantidade de empresas do setor localizadas na região. Foi o primeiro e principal reduto eleitoral do político e ex-presidente da República do Brasil, Jânio da Silva Quadros. 

O bairro também é famoso pela escola de samba Unidos de Vila Maria e mais recentemente a escola de samba caçula do carnaval paulistano a Acadêmicos de São Jorge Vanguarda Paulistana - Vila Maria foi também um dos epicentros do movimento de renovação musical que marcou a década de 1980 em São Paulo, denominado Vanguarda Paulistana pela jornalista e acadêmica da USP Marilia Pacheco Fiorillo. Centrado no teatro Lira Paulistana, teve Arrigo Barnabé e Itamar Assunção, dentre seus artistas de destaque. Um dos pioneiros no movimento, na Vila Maria, foi Dari Luzio com seu LP Bastardo, membro dos Pracianos, artistas da Vila Maria que se reuniam na Praça Santo Eduardo. Os bairros do distrito de Vila Maria, são: Vila Maria; Jardim Japão; Vila Maria Alta; Vila Maria Baixa; Parque Vila Maria; Parque Novo Mundo; Jardim Andaraí; Conjunto Promorar Vila Maria.

História

No inicio do século passado a região norte de São Paulo, onde hoje está situado o bairro de Vila Maria era formada por charcos de terra preta e capinzais. Era separado do bairro do Belenzinho pelo Rio Tietê.
Os habitantes do Belenzinho e bairros adjacentes, a exemplo da grande maioria dos habitantes de São Paulo, utilizavam-se para locomoção e transporte de veículos com tração animal. O alimento básico desses animais era o capim. Pelo fato da região onde hoje se situa Vila Maria ser um manancial inesgotável de capim, alguns "comerciantes" atravessavam o Rio Tietê com seus carroções e os carregavam com feixes de capim que eram depois vendidos às pessoas que possuíam animais de tração. Era o combustível da época.

Uma das poucas construções que remontam a épocas anteriores à formação do bairro é a chácara de Dom Pedro que era situada onde hoje é a Rua Dr. Edson de Melo com Rua Araritaguaba, indo até a Rua Nova Prata. Hoje, defronte onde era a chácara, está o sobrado que serviu de escritório para o piloto de Fórmula 1, Ayrton Senna da Silva.


Esta fotografia sensacional, de meados da década de 1980, mostra um Ayrton Senna bem jovem diante de uma casa bastante charmosa. SP Antiga. Foto: Divulgação / Acervo de Armando Botelho


Certa vez, num dos seus discursos em Vila Maria, Jânio Quadros, que iniciou com o indefectível "Povo de Vila Maria", acrescentou: "de Vila Maria Baixa, de Vila Maria Alta e, por que não, de Vila Maria do Meio". Foram muitas risadas e aplausos.

Vila Maria foi servida durante anos por duas linhas de bonde que tinham ponto inicial na Praça da Sé. O número 34 que ia até a Praça Santo Eduardo e o número 67 que ia até a Praça Cosmorama.

Vila Maria já teve vários cinemas. O cine Vila Maria, na Av. Guilherme Cotching com Rua Andaraí, o Cine Centenário na parte mediana da mesma avenida, o Cine Candelária, na mesma avenida com Rua da Gávea e o Cine Singapura na av. Alberto Byingthon.

Na época da inauguração da Rodovia Presidente Dutra era motivo de distração dos moradores da parte alta da Vila Maria, que tinham vista até a rodovia, ficar contando os poucos carros que trafegavam por ela. Faziam apostas de qual sentido de direção passariam mais veículos.

Jânio em campanha na Vila Maria , seu maior reduto eleitoral em São Paulo. Memorial da Democracia. 



VILA GUILHERME



Vila Guilherme é um distrito situado na zona norte do município de São Paulo e é administrado pela subprefeitura de Vila Maria. Os bairros do distrito de Vila Guilherme são: Vila Guilherme; Vila Isolina Mazzei; Vila Salvador Romeu; Vila Isolina; Vila Paiva; Vila Santa Catarina; Jardim da Coroa; Vila Pizzotti; Vila Eleonore; Vila Bariri; Vila Leonor; Chácara Cuoco; Parque Velloso; Jardim da Divisa;

História. Inicialmente, as terras da hoje Vila Guilherme, denominada à época “Tapera”, pertenciam ao Capitão-mor Jerônimo Leitão, que as repassou como sesmaria (terreno inculto ou abandonado que os reis de Portugal distribuíam a colonos ou cultivadores) para o donatário Salvador Pires de Almeida e a seus descendentes.Já no século XIX, chegaram ao Barão de Ramalho e, por herança, à sua filha, Joaquina Ramalho Pinto de Castro, que as vendeu a Guilherme Braun da Silva. Esse, por último, as loteou em sítios e chácaras, que foram vendidas principalmente a imigrantes portugueses, impulsionando o seu desenvolvimento. 

Foi em 12 de setembro de 1912 que o comerciante fluminense Guilherme Braun da Silva, adquiriu junto a Dona Joaquina Ramalho Pinto de Castro, herdeira do Dr. Joaquim Inácio Ramalho, o “Barão de Ramalho”, uma área de cerca de 115 alqueires de terra, que ia do rio Tietê até a estrada da Bela Vista, por oitenta contos de réis, oficializando-se tal data como a fundação do bairro de Vila Guilherme.

Guilherme, ao lotear o bairro, também construiu diversas melhorias, tais como: a primeira capela (dedicada a São Sebastião, a quem era devoto), a delegacia de policia, o grupo escolar de Vila Guilherme, depois renomeado para Grupo Escola Afrânio Peixoto, a primeira ponte do bairro sobre o rio Tietê (feita de madeira, ligava a av. Guilherme e a av. Carlos de Campos), iniciou a construção de um clube hípico (morreu antes de concluir as obras. Após sua morte a área do clube foi vendida e deu origem á Sociedade Paulista de Trote), dentre outros feitos. 

Algumas ruas e praças são nomes de parentes ou pessoas que tiveram alguma importância na história do bairro, como Joaquina Ramalho (antiga proprietária), Maria Cândida (2ª esposa do Sr. Guilherme), Chico Pontes (um dos primeiros moradores do bairro), Oscar da Silva (filho do Sr. Guilherme, morto num comício acontecido no bairro), Amazonas da Silva (filho do Sr. Guilherme), Alfredo da Silva (filho do Sr. Guilherme), Ida da Silva (filha do Sr. Guilherme), Coronel Jordão (sogro do Sr. Guilherme), doze de setembro (data da fundação do bairro), entre outros.

Parque do Trote. No distrito, temos a Av. Luis Dumont Villares com 70% de sua extensão pertencente ao bairro de Vila Guilherme. Tem também um dos grandes shopping centers da cidade: o Center Norte, considerado, outrora, o maior shopping da América Latina, com grandes lojas populares, grifes, cinemas e áreas de diversão. O Center Norte é um complexo que conta com um grande pavilhão de exposições (o Expo Center Norte), responsável por sediar grandes eventos nacionais e internacionais (rivalizando com o tradicional Parque Anhembi). Além do Shopping Center Norte, também existe, no distrito, o Shopping Mart Center, que fechou e hoje não existe projeto para a área, e era voltado ao comércio de produtos direcionados a moda e, ultimamente, também para grandes eventos, como o Anime Friends e, recentemente, receberam o evento de música eletrônica DGTL.

Lazer e esportes. Sede da Igreja Bíblica da Paz, este prédio sediou anteriormente os estúdios da TV Excelsior e do SBTA Vila Guilherme também hospeda a antiga Sociedade Paulista de Trote,desapropriada e transformada no Parque do Trote, na divisa com o distrito da Vila Maria (dis. trito). O Parque do Trote, reinaugurado em julho de 2006, é o primeiro parque da cidade de São Paulo totalmente adaptado para pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida. Ele conta com: a Trilha dos Sentidos, com estímulos para pessoas com deficiência visual; pista de caminhada acessível (sem desníveis e com corrimão); piso intertravado; piso tátil e um centro de convenções para a realização de eventos. As próximas etapas para a conclusão do projeto preveem instalações para atividades de reabilitação e esportivas, com implantação de equoterapia e iniciação à equitação para os frequentadores do local, preservando a temática do parque. O parque fica localizado na Rua São Quirino, nº 905.

Durante muitos anos, na Rua Dona Santa Veloso, 575, ficaram instalados os estúdios da TV Excelsior e do SBT com a extinta TVS, onde era gravada boa parte dos programas do canal até o fim dos anos 1990, quando as gravações se transferiram para a região da Rodovia Anhanguera.

Lendas. Uma das mais célebres histórias da Vila Guilherme conta que fica ali uma casa que dom Pedro I utilizava para se encontrar com a Marquesa de Santos. Ainda que se tenha comprovado que não passa de lenda, a história ganhou fama entre os moradores da região. Era casarão no final da Av. Guilherme chamado de Casa das Rosas, um enorme palacete demolido durante os anos 1958 e 1960 na época invadido por pessoas sem moradia.


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CASA VERDE


Ponte da Casa Verde em reforma nos anos 1940


Casa Verde é um bairro do distrito de Casa Verde, na Zona Norte Tradicional bairro de sambistas, é famoso por ser o bairro das escolas de samba Império de Casa Verde, Morro da Casa Verde e Unidos do Peruche. Foi fundado em 21 de maio de 1913. É um bairro residencial de classe média. A Casa Verde possui fácil acesso ao Centro e à Zona Oeste da cidade através das pontes da Casa Verde e do Limão, além de fácil acesso ao Terminal Intermodal Palmeiras-Barra Funda e ao Terminal Rodoviário Tietê.

História. O velho sítio da Casa Verde, que já fora propriedade do aclamado "rei" Amador Bueno (em 1641 pelos espanhóis residentes em São Paulo) e que posteriormente passa ser propriedade do militar José Arouche de Toledo Rendon, descendente de Amador Bueno. Foi nessa época pelo que consta em documentos do arquivo histórico do municipio que a região acaba por ser conhecida popularmente como "sítio das moças da casa verde" e sítio da casa verde. Em 1842 João Maxwell Rudge torna-se proprietário da área da margem direita do Tietê; seus herdeiros em 1913 lotearam a área onde pretendiam criar o bairro como "Vila Tietê". O empreendimento é bem-sucedido. O nome, no entanto, não resiste a força popular das histórias do sítio das moças da Casa Verde. O desenvolvimento é lento só acelerado no ritmo que os benefícios chegam no bairro (a construção da ponte de madeira, chegada do bonde, a luz elétrica, a construção da igreja, o distrito de paz...). O bairro cresce, a cidade cresce. Hoje, uma megalópole.Em 1937 chega a luz elétrica do bairro. A ponte de madeira é substituída pela atual de concreto em 1954.Por causa do Aeroporto Campo de Marte em Santana, até os anos 1980 eram poucos os prédios existentes no bairro. Após uma revisão do comando da Aeronáutica, houve uma liberação de uma parte da faixa proibida e a Casa Verde começou a se verticalizar.


Carreata festiva na antiga ponte da Casa Verde nos anos 1930. 


Córrego do Mandaqui, tendo ao seu lado uma rua de terra, que viria ser a Avenida Engenheiro Caetano Alvarez no ano de 1960.O local fica em frente à sede da Sociedade Amigos do Vale do Mandaqui próximo do terminal de ônibus Casa Verde. Foto: Gentilmente cedida ao Acervo do Martiniano pelo Dr. Marcelino Atanes Neto. Fonte: Eu Respiro Casa Verde. 



O córrego Mandaqui nasce próximo da divisa com o distrito do Tucuruvi no Barro Branco. Ele possui cerca de 7,5 km de extensão e corre sob a Avenida Engenheiro Caetano Álvares, construída posteriormente após sua canalização. Ele deságua no Rio Tietê entre as pontes do Limão e Júlio de Mesquita Neto. Do trecho onde nasce até próximo da Rua Valdemar Martins (altura do número 3000 da Avenida Engenheiro), na Casa Verde, o córrego é todo subterrâneo. Desse trecho até o Rio Tietê ele segue a céu aberto.

O córrego funciona como divisa natural de distrito em parte do Mandaqui e Santana, e Casa Verde e Limão. Da nascente até a foz, muitos outros córregos, sob ruas, avenidas ou mesmo à céu aberto, desembocam no Mandaqui, compondo a Bacia Hidrográfica do Mandaqui, que possui 19,8 km² de área. Esses afluentes, segundo a Sabesp, somam 33 km.

Em 2015, a Sabesp concluiu a despoluição desta bacia, por meio do Programa de Despoluição de Córregos, com um investimento de R$ 18 milhões. Planurb Mobilidade.




Grupo Escolar Benedito Tolosa, 1940

Em 1975, o bairro serve de cenário à novela A Viagem, escrita por Ivani Ribeiro, produzida pela Rede Tupi e exibida de 1º de outubro de 1975 a 27 de março de 1976, às 20 horas, em 141 capítulos. As principais cenas foram gravadas na Praça Centenário. Em 2013, o bairro serve de cenário à telenovela Sangue Bom, da Rede Globo. 




A avenida Brás Leme[nota é uma via de ligação da zona norte de São Paulo e foi denominada através do Decreto 5.836/64 pelo prefeito Francisco Prestes Maia. Recebeu o nome de um bandeirante paulista, Brás Esteves Leme, que realizou expedições a Minas Gerais com o propósito de encontrar esmeraldas (século XVII). Ela foi construída em 1970, inicia-se como continuação da Ponte da Casa Verde e termina na Rua Voluntários da Pátria, em Santana. Parte da avenida está no distrito de Casa Verde e parte no de Santana, sendo que nas proximidades da via estão o bairros Jardim São Bento e Vila Baruel entre outros. Há também o aeroporto Campo de Marte, o Sambódromo e o futuro Parque Campo de Marte. A avenida é larga, possui canteiro central e é bastante arborizada. 


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LIMÃO




Bairro do Limão é um bairro do distrito do Limão situado na Zona Norte do município de São Paulo, no estado de São Paulo, no Brasil. Constituído a partir de antigas chácaras, teve seu primeiro loteamento ocorrido no ano de 1921, porém, sua urbanização se iniciou principalmente na década de 1930.
Em 1990, foi inaugurada no bairro a sede da Rede Manchete em São Paulo, na Rua Prof. Ida Kolb, próximo a ponte do Limão.O prédio foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e hoje é a sede da Editora Escala.Em meados do século XIX a região que compreende o bairro do Limão e adjacências era ocupado por sítio e chácaras. Nessa época, contam os antigos que foi encontrado um pé de limão bravo bem na divisa com a Freguesia do Ó, daí o nome de Bairro do Limão. Foi somente em 1921 que o bairro começou a ser loteado. Entretanto foi apenas na década de 30, entretanto, é que se intensificou a instalação das primeiras famílias no bairro. 

Logo depois o bairro do Limão começou a se desenvolver e, em 1939 era criada a Paróquia de Santo Antônio do Limão. Foi em 1935 que chegou a primeira linha de ônibus, que saia da Barra Funda e ia até a Vila Santa Maria, passando pelo Limão. Já em 1964, a ampliação de uma linha já existente, passou a ligar o bairro ao Jardim Paulista. 

Pela lei 8.092, de 28 de fevereiro de 1964, o Limão passou a ser o 44º subdistrito do município de São Paulo, mas foi instalado somente em 17 de janeiro de 1965. Outro ítem que trouxe benefícios ao bairro foi a Sociedade Amigos do Bairro do Limão, fundada em 1953. 

A área deste subdistrito é de aproximadamente 5 quilômetros quadrados e abrange várias vilas como: Vila Munhoz, Vila Barbosa, Vila Carbone, Vila Carolina, Vila Cristo Rei, Vila Diva, Vila Espanhola, Jardim das Graças, Vila Itapeva, Bairro do Limão, Sítio do Morro, Jardim Pereira Leite, Vila Prado, Jardim Primavera, Vila Santa Cândida, Vila Santa Maria, Parque São Luís, Vila Siqueira. A mais antiga do subdistrito é a Vila Santa Maria, de 1930. As demais vilas surgiram nas décadas de 50 e 60. 

Bairros. A área deste subdistrito é de aproximadamente 5 quilômetros quadrados e abrange várias vilas como: Vila Munhoz, Vila Barbosa, Vila Carbone, Vila Carolina, Vila Cristo Rei, Vila Diva, Vila Espanhola, Jardim das Graças, Vila Itapeva, Bairro do Limão, Sítio do Morro, Jardim Pereira Leite, Vila Prado, Jardim Primavera, Vila Santa Cândida, Vila Santa Maria, Parque São Luís, Vila Siqueira, Vila Santista. A mais antiga do subdistrito é a Vila Santa Maria, fundada em 1930. As demais vilas surgiram nas décadas de 50 e 60.

Infraestrutura e Serviços. O Limão conta com uma boa infraestrutura de transportes, possuindo amplas avenidas, das quais se destacam a Avenida Professor Celestino Bourrol, a Avenida Engenheiro Caetano Álvares, a Avenida Nossa Senhora do Ó e a Avenida Deputado Emílio Carlos. Há também indústrias, um grande número de residências, escolas públicas e particulares e variados serviços, tendo acesso bastante facilitado pela Via Professor Simão Faiguenboim. É vizinho de importantes bairros, como a Lapa, a Barra Funda, a Água Branca, a Freguesia do Ó, Pompéia e Casa Verde. Há um projeto de construção de uma estação de metrô na região da Freguesia do Ó, vizinha do bairro, o que beneficiará em muito toda a região. Atualmente, há um grande número de condomínios de edifícios sendo construídos na região.
Turma da Mônica. Os personagens das histórias em quadrinhos da Turma da Mônica moram no fictício "Bairro do Limoeiro", numa provável alusão ao bairro, uma vez que Maurício de Souza era um frequentador do bairro, devido a proximidade com as antigas sedes da Editora Abril e a Maurício de Souza Produções, que ficavam localizadas respectivamente nos bairros vizinhos da Freguesia do Ó e na Água Branca.


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 XXIV

FREGUESIA DO Ó, PIRITUBA E BRASILÂNDIA


 Vista antiga do bairro Freguesia do Ó a partir do Seminário. Ruas João Alves, Javorahú ao centro subindo até o alto na avenida Itaberaba, cemitério, ruas Diogo Domingues e Bonifácio Cubas. Portal do Ó


Freguesia do Ó é um distrito localizado na zona noroeste do município de São Paulo, que servia de caminho entre a cidade e a região de Campinas e Jundiaí, no interior do estado brasileiro de São Paulo. É conhecido pela igreja matriz, que foi a primeira igreja a ser construída, por ser distrito (freguesia) mais antigo da capital paulistana. A denominação de "freguesia" foi dada ao distrito a partir de um decreto da rainha de Portugal, Dona Maria I, em 15 de setembro de 1796, quando a Vila de São Paulo contava com apenas uma freguesia - a da Sé. No regime do "Padroado", ao dividir a Freguesia da Sé em três partes, ficou assim constituída a Vila do São Paulo: Freguesia da Sé, Freguesia da Penha e Freguesia de Nossa Senhora do Ó. O termo "Freguesia" vem da mudança aportuguesada do latim; "Filii Eclaesia" - Filhos da Igreja - que é a forma de "pertença", hoje denominada "Paróquia". A honraria foi a única que se manteve no nome oficial dentre os distritos paulistanos, e que foi concedida como uma forma de divisão do Episcopado, facilitando assim a vida dos fiéis moradores de regiões longínquas, que não mais precisariam se deslocar por horas para receberem amparo religioso. Os demais distritos, como o Brás, Penha e Santo Amaro, aos poucos deixaram de usá-lo nos nomes, e a Freguesia de Nossa Senhora do Ó passou a ser chamada simplesmente de "Freguesia do Ó".


História. A região da Freguesia do Ó foi povoada em 1580, quando o bandeirante Manuel Preto tomou posse do lugar com sua família e índios escravos. Seu primeiro nome Citeo do Jaragoá e suas terras incluíam o Pico do Jaraguá (onde se acreditava haver ouro), além das terras correspondentes aos atuais bairros de Pirituba e Limão. Em 1610, Manuel Preto solicitou à sede da paróquia autorização para erguer uma capela em honra de Nossa Senhora do Ó, que deu nome ao lugar. Manuel e sua esposa, Águeda Rodrigues, após obterem despacho favorável em 29 de Setembro de 1615, ao requerimento de provisão que fizeram, pelo motivo de não poderem cumprir suas obrigações religiosas na Vila de São Paulo, juntamente com sua gente, iniciaram a construção da capela dedicada à virgem sob a denominação de Nossa Senhora da Esperança ou da Expectação. Um século e meio depois, em 1796, foi inaugurada a nova igreja dedicada à Virgem do Ó, construída onde hoje se situa o "Largo da Matriz Velha", e se tornou Paróquia pelo alvará de constituição de 15 de Setembro de 1796, concedido pela Rainha de Portugal. A cultura da cana-de-açúcar foi muito praticada na região, principalmente para a produção de aguardente. Inúmeros alambiques asseguravam a produção de fina cachaça, conhecida como caninha do Ó. Outras culturas de subsistência foram também praticadas, como café, mandioca, algodão, milho e legumes. Durante muitos anos, o distrito foi considerado como pertencente ao chamado "Cinturão Verde" da Capital Paulista. O plantio de cana-de-açúcar foi a principal atividade rural da região até a metade do século XX, antes da expansão da urbanização da cidade. 


Da Freguesia até a Água Branca. Na foto de 1918, a Vidraçaria Santa Marina e a Estação Água Branca. Uma das indústrias mais antigas do Brasil, fundada em 1896, a Vidraçaria Santa Marina foi uma das principais responsáveis pela urbanização dos bairros da Água Branca, Lapa, Pompéia e Freguesia do Ó, dentre outros. Em 1892 iniciaram a exploração de turfa com um forno primitivo em terrenos que cobriam aproximadamente 33 mil m2 da Água Branca à Freguesia do Ó, na várzea do Tietê. Foto colorizada. São Paulo de Antigamente. 

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Na década de 1950, o distrito foi conectado à cidade, com a construção da Ponte da Freguesia do Ó. Na década de 1970, a administração do prefeito Olavo Setúbal abriu as avenidas Inajar de Sousa e General Edgard Facó, e nelas, realizou a canalização dos rios Cabuçu e Verde (respectivamente). No ano de 1996, criou-se a Associação Amigos do Ó, cujas conquistas incluem ter transformado um terreno abandonado em uma praça que leva o nome dessa associação. Em 2015, iniciou-se a construção da Estação Freguesia do Ó, parte da futura Linha 6 do metrô, na Vila Arcádia. Demografia. Atualmente, o distrito sofre um aumento do ataque especulativo de empresas construtoras. Um dos motivos se deve justamente à presença de terrenos descampados e casas velhas simples, de baixo valor comercial, em comparação a outros locais da cidade. Isto se deve em grande parte a retificação pela qual o Rio Tietê passou, durante a administração do prefeito Prestes Maia, com as obras que abriram as avenidas Inajar de Sousa e General Edgard Facó nos anos 80, e posteriormente. Além do bairro da Freguesia do Ó, o distrito é formado por pelo menos 64 outros bairros, possuindo uma população de classe média e média-alta, além de alguns bolsões de pobreza. Em 2008, cerca de 4,5% dos domicílios encontravam-se em regiões de favelas. Fotos: SP in Foco. 


A região da Freguesia do Ó foi povoada em 1580, quando o bandeirante Manuel Preto tomou posse do lugar com sua família e índios escravos. Seu primeiro nome Citeo do Jaragoá e suas terras incluíam o Pico do Jaraguá (onde se acreditava haver ouro), além das terras correspondentes aos atuais bairros de Pirituba e Limão. Em 1610, Manuel Preto solicitou à sede da paróquia autorização para erguer uma capela em honra de Nossa Senhora do Ó, que deu nome ao lugar. Manuel e sua esposa, Águeda Rodrigues, após obterem despacho favorável em 29 de Setembro de 1615, ao requerimento de provisão que fizeram, pelo motivo de não poderem cumprir suas obrigações religiosas na Vila de São Paulo, juntamente com sua gente, iniciaram a construção da capela dedicada à virgem sob a denominação de Nossa Senhora da Esperança ou da Expectação. Um século e meio depois, em 1796, foi inaugurada a nova igreja dedicada à Virgem do Ó, construída onde hoje se situa o "Largo da Matriz Velha", e se tornou Paróquia pelo alvará de constituição de 15 de Setembro de 1796, concedido pela Rainha de Portugal. A cultura da cana-de-açúcar foi muito praticada na região, principalmente para a produção de aguardente. O plantio de cana-de-açúcar foi a principal atividade rural da região até a metade do século XX, antes da expansão da urbanização da cidade. Na década de 50, o distrito foi conectado à cidade, com a construção da Ponte da Freguesia do Ó. Na década de 1970, a administração do prefeito Olavo Setúbal abriu as avenidas Inajar de Sousa e General Edgard Facó, e nelas, realizou a canalização dos rios Cabuçu e Verde (respectivamente).

Largo da Matriz da Freguesia do Ó nos anos 1960. 

Avenida Itaberaba, esquina à esquerda com a rua Javorau e Cemitério da Freguesia do Ó, sentido da igreja Matriz. Década de 1930.


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PIRITUBA E BRASILÃNDIA



Estação de Pirituba construída pela companhia inglesa São Paulo Railway


Pirituba é um distrito situado na Zona Noroeste do município de São Paulo, no Brasil. Seu perfil socioeconômico é diversificado, abrigando famílias de todas as classes sociais. No entanto, de acordo com informações obtidas pela Revista Exame e pela Globo (através da CBN), Pirituba é um bairro formado majoritariamente por famílias de classe média, e é intermediário entre o centro e a periferia. Sua localização se dá nas proximidades de vias como a Marginal Tietê, Rodovia dos Bandeirantes e Rodovia Anhanguera. Faz divisa com os distritos da Lapa, São Domingos, Freguesia do Ó, Brasilândia e Jaraguá. A Companhia City, empresa responsável pelo desenvolvimento de bairros nobres como o Pacaembu e o Jardim América, urbanizou uma parte de Pirituba com base nos padrões definidos pela companhia, atraindo, assim, famílias de classes média alta e alta, principalmente em locais como o City América e o City Pinheirinho. O loteamento da Fazenda Barreto e a presença de ingleses que trabalhavam na São Paulo Railroad durante a construção da Estação Pirituba, por sua vez, deram origem a lugares como a Vila Pereira Barreto e a Chácara Inglesa, conhecidos por serem bairros estruturados cujas características são calçadas arborizadas, infraestrutura de comércios, presença de instituições de ensino privadas e públicas, distribuição de praças e áreas verdes e residências de padrões médio e alto.Em contrapartida, algumas áreas foram urbanizadas sem planejamento, com base na ocupação irregular, culminando no surgimento de comunidades carentes, como as encontradas em locais como a Vila Zatt, a Vila Mirante e o Canta Galo, onde há presença de favelas.


A região que abrange os distritos de Pirituba, Jaraguá e São Domingos, tem uma população de aproximadamente 437,5 mil habitantes, em uma área de 54,7 km². Está localizado na zona norte da cidade. Sua origem no século XIX deve-se à existência de grandes fazendas de café, sendo as principais: a fazenda Barreto, de propriedade do médico resendense Luiz Pereira Barreto, a Fazenda do brigadeiro Tobias e a Fazenda Jaraguá. Com grande influência política dos fazendeiros e a grande importância do café, construíram a estação para receber os carregamentos que se destinavam ao porto de Santos. O nome de Pirituba é o resultado da palavra "piri", que significa vegetação de brejo e com o aumentativo "tuba", que na língua tupi significa "muito". Pirituba tem como referência histórica a inauguração da Estação de Trem em 1 de fevereiro de 1885. A Fazenda Barreto, com a morte do seu proprietário em 1922, foi partilhada entre seus herdeiros. Nesse mesmo ano foi loteada a primeira partilha da Fazenda e em 1926 foi loteada a segunda partilha. Essas duas vilas, somadas ao núcleo inicial que se desenvolveu ao lado da estação, vieram a se constituir no núcleo principal de desenvolvimento do bairro. Posteriormente, outras partes da Fazenda Barreto foram loteadas dando lugar a formação de novas vilas, como a Vila Bonilha, Vila Zatt, Vila Maria Trindade, Vila Mirante e Jardim São José. O Parque São Domingos tem sua origem nas fazendas do Coronel Anastácio de Freitas Trancoso, que cultivava cereais, café e chá. Com a morte do coronel em 1839, seus descendentes venderam, em 1856, a fazenda ao Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar e à sua mulher Domitila de Castro, a marquesa de Santos. Em 1917 a Companhia Armour do Brasil compra as fazendas Anastácio e Capuava. A partir de 1950, parte das terras são loteadas pela Novo Mundo Investimentos Ltda, que as adquiriu da Cia Armour, dando origem ao Parque São Domingos. O nome do bairro é em homenagem ao santo católico, São Domingos Sávio. Quando a estação de trem de Pirituba foi instalada em um pedaço de zona rural, em 1885, a história do povoado começou a tomar corpo. Durante muito tempo, a paisagem consistia basicamente de cafezais, pastos e matas. Com o progresso do café, viriam as indústrias e os novos moradores, entre eles muitos imigrantes italianos, japoneses, espanhóis, ingleses, russos, holandeses e húngaros.

SANATÓRIO PINEL


  Avenida Raimundo Pereira Magalhães nos anos 1930., 5214, sede do Sanatório Pinel

O Hospital Psiquiátrico Philippe Pinel, ou Sanatório Pinel, foi fundado em 1922 e inaugurado em 1929, em um contexto de aumento da demanda por leitos nos nosocômios, tendo como principal idealizador e fundador o Dr. Antonio Carlos Pacheco e Silva (que já havia sido diretor do Hospital do Juquery). O médico baseou-se na observação de instituições para o tratamento de alienados em outros países, principalmente o Institute of Living de Hartford (Connecticut, EUA).  De forma geral, o sanatório é um exemplar da alteração do enfoque da doença para o paciente durante a consolidação psiquiátrica de cunho eugenista, ocorrida no Brasil a partir da década de 1920. Fundado pela iniciativa privada, era voltado a pacientes de um extrato abastado da sociedade, funcionando por meio de cobrança de mensalidades. Foi pioneiro na adoção de práticas psiquiátricas desenvolvidas nas primeiras décadas do século XX, tais como a laborterapia, ludoterapia ao ar livre e o conceito “open-door”, no qual a maioria dos pacientes podia circular livremente pela área do hospital.

Prédio central Sanatório Pinel de Pirituba, São Paulo.  Fundo Pacheco e Silva do Museu Histórico "Carlos da Silva Lacaz" da FMUSP).


Mina de ouro no Pico do Jaraguá. Nem mesmo um sinalzinho desse povoado existia no século XVI, provavelmente, quando no Pico do Jaraguá os exploradores descobriram a primeira mina de ouro do Brasil (antes mesmo de Minas Gerais). No início do século XIX, porém, a área em que se desenvolveu o distrito e o bairro de Pirituba já era ocupada pela Fazenda Anastácio, onde havia plantações de café e de chá. Moravam na região cerca de 250 pessoas. Mais adiante, essa mesma fazenda seria comprada pelo brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar e sua mulher, Domitila de Castro – a Marquesa de Santos. Eles provavelmente mudaram o nome para Fazenda Tobias. A influência dos fazendeiros fez com que, em 1885, fosse inaugurada a estação de Pirituba da São Paulo Railway, pela qual eram transportados imigrantes e carregamentos de café. Ela existe até hoje (Linha 7–Rubi do Trem Metropolitano) e marcou a origem da vila, que parou de crescer em sua decadência. No começo do século XX, as terras da Fazenda Anastácio foram divididas. A Cia. Armour do Brasil ficou com o pedaço da plantação de chá e café. Depois ela as venderia para a investidora Novo Mundo, que daria origem aos bairros de São Domingos até hoje confundidos com os de Pirituba. O desenvolvimento de Pirituba propriamente dito surgiria pelas mãos da Cia. City de Desenvolvimento, que ficou com a área destinada à criação de gado e a loteou, atraindo moradores e fábricas para a região. 

A partir de 1898, instalaram-se no bairro inúmeras fábricas, que foram vitais para o desenvolvimento socioeconômico do bairro. Entre elas, podem ser citadas a Fábrica de Colla Paulista, a Cia. Armour do Brasil, a Fiat-Lux, o Lanifício Pirituba, a fábrica de pianos da Fritz Dobbert (antiga Pianofatura Paulista), a Cia. Anglo Brasileira de Indústria de Borracha, a Gessy-Lever e a Refinações de Milho Brasil (da marca Maizena). Boa parte dos moradores têm suas histórias de vida até hoje diretamente ligadas à industrialização do bairro.

BRASILÂNDIA



Brasilândia, também chamado de Vila Brasilândia é um bairro pertencente ao distrito de Brasilândia na zona norte do município de São Paulo. Está rodeado pelos bairros da Vila Penteado, Jardim Guarani, Sítio Morro Grande e Jardim Maracanã. Com o intenso processo de urbanização na cidade a partir dos anos 40, a região Brasilândia também sofre grandes modificações. Os sítios foram desmembrados em pequenas vilas e grande parte foi adquirida por diversas companhias loteadoras, entre elas a Cia. Líder, que era ligada ao Banco F. Munhoz.

As principais vias que cruzam o distrito de Pirituba são:

Rodovia Anhanguera (SP-330): Uma das mais importantes rodovias do Brasil e uma das mais movimentadas, a Rodovia Anhanguera passa pelos distritos de Pirituba, São Domingos, Vila Jaguara, Jaraguá, Perus e Anhanguera. Ela serve como importante via de ligação ao Centro, Lapa, Marginal Tietê e cidades da região metropolitana, como Osasco, Caieiras, Cajamar, e outras.
Rodovia dos Bandeirantes (SP-348): Outra importante rodovia do estado, a Rodovia dos Bandeirantes cruza, paralelamente à Rodovia Anhanguera, os distritos de Pirituba, Jaraguá, Perus e Anhanguera.
Avenida Raimundo Pereira de Magalhães (SP-332): Esta avenida compõe o primeiro trecho da Estrada Velha de Campinas. Ela inicia-se no distrito da Lapa, e avança até a divisa de São Paulo com o município de Caieiras, passando por locais importantes como a Marginal Tietê, Piqueri, Jaraguá, Perus, e Anhanguera. Nela, encontram-se o Terminal Pirituba, a Estação Pirituba e o Hospital Psiquiátrico Pinel. É uma das maiores avenidas de São Paulo, com mais de vinte quilômetros de extensão.
Avenida General Edgar Facó: inicia-se no bairro do Piqueri (pertencente ao distrito de Pirituba) e é limite com o distrito de Freguesia do Ó. Tem cerca de 2,6 km e faz parte do corredor Pirituba-Lapa-Centro. Importante via de ligação ao centro, ponte do Piqueri e à Marginal Tietê. O bairro é rico em praças, parques e tem um comércio com grande diversidade, prova disso são os portais eletrônicos de empresas da região.
Avenida Paula Ferreira: inicia-se no distrito da Freguesia do Ó e termina no distrito de Pirituba, quando liga-se à Avenida Raimundo Pereira de Magalhães. Tem cerca de 3,6 km a partir do distrito de Freguesia do Ó e é via de importante acesso para os bairros do Piqueri, Vila Bonilha e Vila Pereira Barreto. Localizam-se, nela, a Estação Pirituba, o Shopping Pirituba e o Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó.
Avenida Mutinga: inicia-se em Pirituba e termina no município de Osasco. Tem cerca de 5,5 km e passa pelos distritos de Pirituba, São Domingos e Vila Jaguara, terminando no subdistrito de Remédios.
Avenida Elísio Cordeiro de Siqueira: antiga Avenida Um, liga os distritos de Pirituba, São Domigos e Vila Jaguara.
Avenida Doutor Felipe Pinel: liga Pirituba aos distrito de Jaraguá.
Avenida Elísio Teixeira Leite: tem cerca de 7,2 km e abrange os distritos de Freguesia do Ó, Pirituba, Jaraguá e Brasilândia. Outras vias importantes são: Avenida Alexios Jafet, Estrada São Paulo-Jundiaí, Avenida Chica Luisa, Estrada de Taipas, Avenida Miguel de Castro, Avenida Cabo Adão Pereira, Avenida Benedito de Andrade, Avenida Fuad Lutfalla, Rua Manoel Barbosa e Rua Guerino Giovani Leardini.


 Ponte do Piqueri nos anos 1950


A Ponte do Piqueri - Joelmir Beting é uma ponte que cruza o rio Tietê, na cidade de São Paulo, no Brasil. Constitui parte do sistema viário da Marginal Tietê. Ela interliga a avenida General Edgar Facó, na Freguesia do Ó/Pirituba, à avenida Ermano Marchetti, na Lapa.Por força da Lei Ordinária 16.556/16, acresceu-se à denominação da ponte o nome de Joelmir Beting, jornalista brasileiro falecido em 2012. O nome é uma referência ao bairro do Piqueri, em Pirituba, que se conecta à ponte. Esse nome é originado de uma tribo indígena que habitava o trecho situado na confluência do Ribeirão Tatuapé e o Rio Grande, atualmente o Rio Tietê. 

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O PICO DO JARAGUÁ 



Pico do Jaraguá
 na década de 40, foto tirada por Gerhard Henske. #SPFotos. É um dos pontos mais altos do município de São Paulo, no Brasil, elevando-se a uma altitude de 1 135 metros. Situa-se no bairro do Jaraguá, a oeste da serra da Cantareira. Nos seus arredores, foi criado o Parque Estadual do Jaraguá, para conservação da área. Pode-se ascender ao seu cume por uma via asfaltada (Estrada Turística do Jaraguá) ou por meio da Trilha do Pai Zé (1800 metros de extensão).Ao  se atingir o topo, tem-se uma visão principalmente da parte oeste da Grande São Paulo. Também pode ser avistado o Rodoanel Mário Covas, na parte posterior. Junto à antena de televisão, existe uma grande escadaria que permite subir ainda mais, ladeada por um bondinho que se destina ao transporte de pessoas e materiais para manutenção das antenas ali instaladas. Em 1946, a Prefeitura de São Paulo transformou o pico do Jaraguá em ponto turístico da cidade. 

Em 1961, foi criado o Parque Estadual do Jaraguá, onde os visitantes podem conhecer as pias de lavagem manual do ouro ao lado das ruínas do grande casarão do próprio Afonso Sardinha. Esse parque foi tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico) em 1983. Em 1994, o Parque Estadual do Jaraguá foi tombado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco, passando a integrar a Zona Núcleo do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo, Reserva da Biosfera. Existe, na entrada do Parque do Pico do Jaraguá, uma aldeia indígena, porém em total estado de penúria.[Textos e imagens da Wikipedia]

Grupo de amigos em domingo de pic-pic nos anos 1950. 



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PERUS



Perus é um distrito situado na zona noroeste do município de São Paulo. A data de aniversário do distrito é comemorada em 21 de setembro. Faz parte do antigo caminho para a região de Campinas e Jundiaí e é servido pela Linha 7–Rubi (antiga São Paulo Railway), pela Rodovia dos Bandeirantes, pela Rodovia Anhanguera, pela Estrada Velha de Campinas, e pelo Rodoanel Mário Covas. Faz divisa com os distritos de Jaraguá ao sul, Anhanguera a oeste e com o município de Caieiras ao norte e leste. A história mais conhecida sobre o nome de Perus é a de uma mulher chamada Maria que servia refeição de qualidade para os tropeiros que passavam na região, tornando-se famosa entre eles. Por criar perus ela passou a ser chamada Maria dos Perus. Servia de referência na região "Vou lá aonde há a Dona Maria dos perus"..."vou aonde há perus"..."vou à fazenda dos perus".."vou lá em perus". Outra história, essa por sua vez, focada no nome "perus", segundo a língua tupi-guarani, o nome "Perus" foi uma justaposição e modificação do real nome "PI-RU", que traduzido, significa pôr-se apertado, à força Tornou-se, de fato um distrito do município de São Paulo em 1934, desmembrado do então subdistrito de Nossa Senhora do Ó, o qual, desde 1867, o distrito ficou dependente da jurisdição do distrito Nossa Senhora do Ó. Em 1948, parte de seu território serviu para a formação do novo distrito do Jaraguá. Atualmente fazem parte do distrito de Perus mais de 45 bairros, chamados também de "Vilas".


Fábrica de Cimento Perus. Humberto do Lago Müller. Wikipédia.  


Perus também abrigou em seu território, a primeira fábrica de cimento do país, a Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus, que produzia o mais denso e original cimento, com sua cor bem escura. Porém, depois de muitos protestos, a fábrica de cimento fora desativada, por pressão popular. A área teve o seu perímetro tombado em 1992. Desde então, coletivos e moradores reivindicam a transformação do local em um centro de cultura e lazer devotado à memória das lutas operárias da região.
A expansão demográfica da região aconteceu graças à Estrada de Ferro Santos - Jundiaí, da antiga São Paulo Railway, de importância excepcional para o crescimento do estado de São Paulo. Após a via, foi inaugurada a estação, no ano de 1867. No bairro ainda pouco povoado, a maior utilidade da estação era o abastecimento de trens. Em 1877, o primeiro grande empreendimento da região é a fábrica de papéis Melhoramentos, na cidade vizinha ao bairro - Caieiras - que atraiu moradores para Perus. Em 1924, o bairro entra para a história da indústria do Brasil por sediar a primeira fábrica de cimento do país: a Brazilian Portland Cement. Durante a Segunda Guerra Mundial, a fábrica parou de importar, o que significou maior investimento no mercado nacional. A década de 30 foi um período de grande expansão imobiliária na cidade, com incentivo fiscal do governo Vargas, que representou para Perus um período de muita prosperidade. Na década de 40, a fábrica foi adquirida pelo grupo nacional JJ Abdalla. De 1962 a 1969, os operários da Companhia de Cimento Portland Perus paralisaram os fornos da fábrica utilizando a filosofia da não-violência-ativa. O movimento ficou denominado como "Greve dos Sete Anos", e teve o intuito de reivindicar melhores condições de trabalho e o pagamento dos salários atrasados. O exponencial crescimento da população na década de 70 culminou em reivindicações populares pela construção de um cemitério na região, uma vez que, à época, São Paulo enfrentava um surto de meningite e os trabalhadores das fábricas da região eram expostos a condições de trabalho insalubres. Os sepultamentos dos moradores costumavam ocorrer, até então, na cidade de Caieiras. Atendendo ao clamor da população, o Cemitério Dom Bosco foi inaugurado no dia 02 de Março de 1971 pelo então prefeito Paulo Maluf. O Cemitério de Perus ganhou notoriedade nacional na década de 1990, quando o jornalista Caco Barcellos revelou em seu livro-reportagem "Rota 66 - A História da Polícia Que Mata" a suspeita de que o local fora utilizado para ocultar cadáveres desaparecidos durante o período da Ditadura Militar. Constatou-se que 1049 ossadas estavam enterradas em uma vala comum, apartada da área de sepultamentos. As investigações que visam identificar as ossadas perduram até os dias atuais, e testes genéticos já identificaram os restos mortais de militantes como Sônia Maria Angel Jones, Luiz Eurico Tejera Lisbôa e os irmãos Dimas Antônio Casemiro e Dênis Casemiro.
A Estrada de Ferro Perus-Pirapora foi primeira ferrovia integralmente tombada como patrimônio histórico e cultural no Brasil. Foi a última ferrovia de bitola reduzida do pais, de apenas 60 cm. Preserva todo o seu parque de material rodante, com 20 locomotivas a vapor e mais de 130 carros e vagões, assim como a sua linha-tronco, em meio a uma paisagem natural surpreendente, que hoje abriga um eco-museu. Os bairros vizinhos de Perus têm grandes pontos turísticos para a população, como o Parque Anhanguera e o Pico do Jaraguá. 

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XXV

BROOKLIN PAULISTA E  CAMPO BELO 


Foto: Primeira construção do bairro Brooklin Paulista. Na porta, o proprietário João Klein e família.
Acervo DIM/DPH/SMC/PMSP – Texto: João Bosco Petroni



1922 - NASCIMENTO DO BAIRRO BROOKLIN PAULISTA


O Brooklin Paulista passou a ser conhecido como bairro, em 1922, com a junção natural e quase simultânea de três grandes loteamentos, que acabaram por consolidar o seu território:

Um deles, projetado por Júlio Klaunig e Álvaro Rodrigues, abrangia a área de 174 alqueires, da antiga Fazenda Casa Grande, localizada entre a Avenida Santo Amaro e Marginal do Pinheiros, limitando-se de um lado com Avenida Morumbi e de outro, com as Águas Espraiadas.

Um outro, lançado por Afonso de Oliveira Santos, situava-se entre a Avenida Morumbi e a Avenida Roque Petroni Júnior. Chamava-se Jardim das Acácias.

O terceiro, lançado pela Sociedade Anônima Fábrica Votorantim, confrontava com as Avenidas Santo Amaro, Washington Luís, Vicente Ráo e Águas Espraiadas.

Em 1880, o engenheiro Alberto Kuhlmann, havia criado a "Companhia Carris de Ferro São Paulo-Santo Amaro", para ligar o centro de São Paulo a Santo Amaro, com vagões puxados por burros.
O projeto, no entanto, não saiu do papel. Seis anos depois, a linha foi inaugurada com carros movidos a vapor. Deficitária desde o início, a empresa de Kuhlmann faliu em 1900, quando a Light arrematou todo o seu acervo.

Por fim, em 1913, a empresa canadense introduziu na linha, os bondes elétricos. O bairro foi descoberto, atraindo a curiosidade de centenas de forasteiros e o interesse econômico de grandes investidores imobiliários.

A linha foi extinta em 27 de março de 1968, quando já se achava sob o controle da CMTC desde 1947. O bairro, até fevereiro de 1935, pertencia ao município de Santo Amaro mas, o interventor em São Paulo, Armando de Salles Oliveira, decretou fim de Santo Amaro como município e, ambos passaram a integrar o município de São Paulo.

Santamarenses históricos e inconformados foram às ruas lutar pela emancipação de Santo Amaro. Nada conseguiram, apesar de inúmeros abaixo-assinados e plebiscitos, sendo o último deles, realizado em maio de 1985.


Casa no Brooklin em 1922  com placa de ofertas de terrenos


Quem deu o nome de Brooklin Paulista, foi a Light, em alusão ao lendário distrito do Brooklyn, de 
Nova York. Quem lhe deu o nome atual foi a Light, em alusão ao distrito do Brooklyn, de Nova York que vem do nome original Breukelen dado pelos holandeses e significava "ponte pequena" Diversas de suas vias possuem nomes de locais dos Estados Unidos da América, tais como: Michigan, Florida, Texas, Miami, Kansas, Nebrasca, Nova York e Hollywood.

Até o mês de fevereiro de 1935, o bairro pertencia ao município de Santo Amaro, extinto no mesmo ano. Após a segunda metade do século XX o bairro perde suas características industriais, um exemplo desta transição foi a mudança da fábrica da Bombril para outra localidade da cidade Na década de 1960 houve uma ampliação da Estação Campo Belo de energia, havendo a criação da Estação Berrini, atendendo todo o bairro.

Devido ao crescimento e desenvolvimento e empresarial da cidade de São Paulo houve a necessidade de criação de novas centralidades para a ocupação de novas empresas comerciais e prestadoras de serviços. A Avenida Engenheiro Luiz Carlos Berrini foi um destes polos recentes. Criada no final da década de 1970, a via foi um meio em diversas empresas nacionais e multinacionais encontraram para fugir do elevado custo dos terrenos na avenidas Paulista e Faria Lima. Os arquitetos Carlos Bratke, Roberto Bratke e Francisco Collet fundaram ali a Construtora Bratke & Collet, que em dez anos construiu vinte edifícios na região.

Nos anos 1980 em diante o Brooklin atrai investimentos públicos, como a Operação Urbana Água Espraiada, que consistia na construção da Avenida Água Espraiada, a canalização do córrego de mesmo nome e a remoção das favelas às margens do córrego. O último destes foi o Complexo viário Real Parque, inaugurado em maio de 2008, que por meio da Ponte Octávio Frias de Oliveira, um marco arquitetônico da cidade, consagrou o bairro como um dos principais centros econômicos paulistanos. Devido a construção da obra houve a demolição da favela do Jardim Edith.


Bonde da Light na parada Volta Redonda, em frente à antiga Padaria Estoril, na Vereador José Diniz esquina com rua Joaquim Nabuco. Note-se que o trânsito na Joaquim Nabuco dava mão para baixo, e seguia assim pela avenida Morumbi. Foto: Mário Bock. 

Avenida Morumbi ainda sem o Peg Pag (Pão de Açúcar) na esquina à direita, mas já com a atual igreja do Sagrado Coração de Jesus, e o Colégio Meninópolis ainda em obras. Principado do Brooklin. 



TOM JOBIM E O BROOKLIN 


Entrevista que o Tom concedeu ao Roda Viva da TV Cultura, com verdadeiras "feras" da crítica musical e também link para o programa e para a canção que Tom fez para São Paulo:

- Tom Jobim: A minha música é exatamente um outro ponto de vista, entende? Por exemplo, ela não tenta ser paulista, ela não tenta conhecer a cidade, na Consolação, Bexiga, Ibirapuera, ela não fala nada disso. É um outro ponto de vista.
- Zuza Homem de Melo: É um poema de amor a São Paulo?
- Tom Jobim: Bom, você só faz um negócio que você ama. Você não vai fazer uma música que você odeia. Só naquele tempo do protesto. Eu vou fazer uma música de São Paulo, o São Paulo... Eu vim muito a São Paulo, naturalmente, eu sou de 25 de janeiro, com dez anos de idade eu estava aqui em São Paulo. A minha mulher é paulista, a minha primeira mulher é paulistana.
- Julio Medaglia: Aquele programa, O Bom Tom, que você fazia aqui na TV Cultura... Aliás, acho que foi um dos primeiros lugares que te reconheceu como compositor ao nível de um grande veículo foi aqui, a TV Cultura.
- Tom Jobim: Maravilha, maravilha.
- Julio Medaglia: Você comprou sua casa com o dinheiro que ganhou lá.
- Tom Jobim: É verdade, eu comprei o apartamento. Eu fiquei morando no Brooklyn, ali no aeroporto. E eu fiquei ali trabalhando, eu tinha um...
- Maria Luisa Kfouri: Ficou ali para ficar mais perto da saída para o Rio, Tom? Já ficava ali no aeroporto, para ficar fácil pegar uma ponte área para o Rio?
- Tom Jobim: A praia estava ali.
- Jorge Escosteguy: Morava perto da praia?
- Tom Jobim: Morava perto da praia. Ficava ali perto do aeroporto e trabalhava para o Jimmie Cristie, um meio paulista, meio americano, casado com a Michelle, uma francesa, que fez o [a boate] Michel do Rio, que fez o Michel de São Paulo [nas duas cidades, eram locais de encontro de intelectuais e artistas nas décadas de 1950 e 1960. Johnny Alf, um dos precursores da bossa nova, e Dorival Caymmi, por exemplo, passaram por seus palcos]. Então, eu ficava de noite, toda noite tocava na boate, ali tinha aquele pianista que foi assassinado no Rio. E trabalhei também no Michel do Rio e trabalhei no Michel daqui. E foi muito bom!. 

Transcrição: Principado do Brooklin

Córrego das Águas Espraiadas, hoje av Roberto Marinho. Seguindo a linha do bonde ali pra cima, o Brooklin propriamente dito onde havia o balão de retorno para a cidade ou se seguisse, para Santo Amaro... Essas residências ainda permanecem no local! Ricardo Hucke


A Avenida Jornalista Roberto Marinho, originalmente denominada Avenida Água Espraiada, é uma importante avenida do município de São Paulo que corta os distritos do Itaim Bibi e Campo Belo, na zona sul. Inicia-se na Marginal Pinheiros, na Ponte Octávio Frias de Oliveira, conhecida como ponte Estaiada, e termina na Avenida Pedro Bueno, na divisa dos distritos do Campo Belo e Jabaquara.

História. As margens do Córrego Água Espraiada foram desapropriadas pelo Departamento de Estradas de Rodagem em 1972, para que ali fosse implantado um pequeno anel rodoviário, mas a ideia foi abandonada devido a seu alto custo, e a desapropriação foi cancelada em 1984. Um ano depois a Câmara Metropolitana de Transportes recomendou a urbanização das margens do córrego, com a construção de uma avenida.

O projeto da avenida foi iniciado pelo ex-prefeito Jânio Quadros, que no entanto deixou o cargo antes de iniciar a construção. A obra foi interrompida por Luiza Erundina e retomada por Paulo Maluf em 1993. Na sua inauguração no final de 1995, fora concluído apenas 4,5 quilômetros, ao custo de 840 milhões de reais, o que a tornou a avenida mais cara do mundo na época. As suspeitas de superfaturamento levaram a questão à CPI do Banestado, sobre evasão de divisas, em 1993.

Inaugurada como Avenida Água Espraiada, a avenida teve seu nome alterado em outubro de 2003, pela prefeita Marta Suplicy A mudança homenageia o jornalista Roberto Marinho, falecido em agosto do mesmo ano, aos 98 anos de idade. A mudança de nome foi feita em desrespeito à Lei Municipal 13 180, que desde 2001 permite mudança de nome de ruas apenas em casos de homonímia (ruas com nomes iguais ou muito parecidos) ou quando se tratar de nome "suscetível de expor ao ridículo moradores ou domiciliados no entorno". A homenagem foi justificada com a frase "não se escreve a história do Brasil nos séculos XX e XXI sem o jornalista Roberto Marinho".

No dia 18 de outubro de 2004 grupos defensores do controle à imprensa rebatizaram informalmente a Avenida Jornalista Roberto Marinho de "Avenida Vladimir Herzog", pois consideraram aviltante o rebatismo feito pelo poder municipal, que homenageava um jornalista que havia apoiado o governo militar. Em protesto, fizeram o rebatismo popular para o nome do jornalista morto durante o governo militar em 1975. A manifestação foi reprimida pela polícia com violência e prisão.

Avenida Água Espraiada (atual Avenida Jornalista Roberto Marinho), Brooklin, São Paulo (SP), abril de 1970. Arquivo Nacional. Fundo Correio da Manhã.


Obra concluída em 2009. Em 2008 o prefeito Gilberto Kassab inaugurou o Complexo Viário Real Parque, composto pela Ponte Octávio Frias de Oliveira e duas alças de acesso que ligam a Avenida Roberto Marinho à Marginal Pinheiros. Esta obra corresponde à primeira fase da expansão da avenida.

Ao lado da via, no cruzamento com a Avenida Santo Amaro, está localizada a Estação Campo Belo do Metrô, inaugurada em 8 de abril de 2019, a última a ser entregue como parte do plano de expansão da Linha 5–Lilás. Futuramente, a avenida também irá abrigar seis estações da Linha 17-Ouro do monotrilho (uma delas, a própria Estação Campo Belo), inicialmente prometida para ficar pronta para a Copa do Mundo de 2014 e cujas obras já sofreram diversas paralisações ao longo dos anos. Atualmente, tem inauguração prevista para 2026.

Existem projetos de extensão da avenida até a Rodovia dos Imigrantes, servindo como alternativa à já saturada Avenida dos Bandeirantes. Este projeto será feito em duas etapas. Na primeira, houve a inauguração que ligou o final da avenida com a Avenida Pedro Bueno e, na segunda etapa, será construído um túnel que dará acesso direto à Imigrantes, com saída para a Avenida Engenheiro George Corbisier, facilitando o acesso à Rodovia dos Imigrantes e à Avenida Doutor Ricardo Jafet. Também serão construídos dois parques.


Na esquina da avenida Santo Amaro com a rua Bernardino de Campos, onde depois foi a Tortula e hoje é uma agência do Bradesco, ficava a Padaria Petrópolis. O estabelecimento tinha 3 aberturas, uma para cada via e outra voltada para o centro da esquina. 


Atualidade. O Brooklin Novo abriga edifícios residenciais de luxo, várias sedes de empresas multinacionais, tais como: a Oracle, Nestlé, Nokia, Terra Networks e HP, canais de televisão, exemplos: da Disney-ABC Television Group, HBO Brasil e Turner Broadcasting System, e os consulados: canadense, esloveno, húngaro e sueco.

Por ser em um dos centros financeiros da cidade, possui um tráfego intenso em dias úteis da semana, principalmente na avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini. Porém, por ser uma região comercial, aos finais de semana, permanece livre de congestionamentos. É o bairro paulistano que mais consome água, cerca de 600 litros por habitante ao dia.

Nele estão exemplos da arquitetura moderna brasileira, sendo alguns deles os edifícios mais altos do país, exemplo do: Centro Empresarial Nações Unidas, World Trade Center de São Paulo, Edifício Mandarim e Plaza Centenário. Localizam-se também em sua extensão a Sociedade Hípica Paulista e o Hotel Hilton de São Paulo, um dos principais hotéis da cidade.


Edifício Jornalista Roberto Marinho, prédio que integra 17 áreas e abriga a filial da Rede Globo em São Paulo.
À beira da Marginal Pinheiros, situa-se Ponte Estaiada Octávio Frias de Oliveira, um dos novos pontos turísticos paulistanos. A ponte faz a ligação dos distritos do Itaim Bibi e Morumbi. Assim como o distrito do Brooklyn de Nova Iorque, a versão paulistana possui uma ponte como cartão postal. É servido por uma estação ferroviária da Linha 9 do Trem Metropolitano de São Paulo, a Estação Berrini e pelo corredor Diadema-Morumbi da EMTU.

Já o Brooklin Velho é uma região de alto padrão mais horizontalizada e majoritariamente residencial. Nele são realizados dois eventos da cultura alemã, predominante no bairro, o Maifest e o Brooklin Fest. Em suas proximidades está em válido a Estação Brooklin da Linha 5-Lilás do Metrô de São Paulo. Poderá receber a estação Brooklin Paulista da Linha 17 do Metrô de São Paulo, em construção a monotrilho.

É um dos bairros que mais recebe lançamentos imobiliários da cidade e está em valorização. Em virtude da especulação imobiliária os territórios de Vila Cordeiro, o bairro vizinho ao Brooklin, são denominados como uma continuação do Brooklin Novo. Em Vila Cordeiro encontram-se diversas instituições importantes, como a TV Globo São Paul e o Hotel Hyatt. O mesmo ocorre com a Vila Gertrudes, onde estão localizados o Morumbi Shopping , a sede da Vivo, o Market Place Shopping Center e o RochaVerá Plaza.

Todo ano o bairro conta com duas festas alemãs, inspiradas na Oktoberfest de Blumenau, Santa Catarina: uma delas acontece no mês de maio já estando na sua 17º edição, recebendo o nome de Maifest, e a outra no mês de outubro que realizará no ano de 2017 sua 23º edição, batizada com o nome de Brooklinfest. Um carro chefe da festa são os salsichões, encontrados lá em diversos tamanhos, no local também são vendidos outros tipos de comida da culinária alemã, como por exemplo o Eisbein, acompanhado de chucrute e salada de batatas.

As festas sempre são feitas nas mesmas ruas do bairro, e além das comidas típicas, se encontra danças, roupas, musicas, artesanatos e entre outras coisas tanto da cultura alemã, como de outras culturas.

1957. Inauguração da fantástica fábrica de chocolates Lacta no Brooklin. Depois de 10 anos em construção, a nova fábrica da Lacta no Brooklin é inaugurada pela família Barros mudando a cara do bairro. Eram tantos funcionários que chegavam de bonde que, mesmo não existindo, ficou famosa a Parada Lacta. Os moradores sentiam o cheiro de chocolate no ar e a vida ficou mais gostosa em toda a região.

Na esquina da Avenida Morumbi com a Avenida Santo Amaro, ficava a Panificadora Moriatan, onde depois seria a agência colonial do Bradesco, que por sua vez já foi demolida dando lugar a um prédio de grandes proporções. PB


Fabrica de Sorvetes Kibon na antiga chacara China da rua Santo Arcadio. PB

Fábrica das Bicicletas Caloi na esquina da Avenida Santo Amaro com a rua das Acácias (Pássaros e Flores).PB


CAMPO BELO




A Avenida Vereador José Diniz nos anos 1970 é uma avenida localizada nos distritos de Santo Amaro e Campo Belo, na Zona Sul da cidade. Tem início na Avenida Adolfo Pinheiro e termina no Viaduto dos Bandeirantes, que passa por cima da avenida homônima e dá acesso à Avenida Ibirapuera, no distrito de Moema. Ela faz parte do Corredor Vereador José Diniz-Ibirapuera-Centro, inaugurado em 2008 e que liga a Zona Sul ao metrô Santa Cruz e ao centro pelo Corredor Norte-Sul, no trecho conhecido como Avenida 23 de Maio. A via leva esse nome em homenagem a José de Oliveira Almeida Diniz (1909-1973), político que exerceu várias vezes o cargo de vereador na Câmara Municipal de São Paulo. Antigamente chamada de Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, a via teve seu nome alterado para a nomenclatura atual por meio do decreto Municipal nº 11.689 de 13 de janeiro de 1975. Futuramente, ao lado da avenida estará localizada a estação Vereador José Diniz da Linha 17-Ouro do metrô, que teve sua entrega atrasada por cinco oportunidades (2016, 2017, 2019, 2020 e 2021) e atualmente tem previsão de inauguração no final de 2022.

Campo Belo é um distrito situado na região sul do município de São Paulo, no limite norte do antigo município de Santo Amaro. Tornou-se, nos últimos anos, numa área de grandes edifícios de classe média e média-alta. O distrito é delimitado pelas avenidas dos Bandeirantes, Santo Amaro, Professor Vicente Rao, Vereador João de Luca, Rua Maratona, Rua Palacete das Águias, Avenida Doutor Lino de Moraes Leme, Rua General Pantaleão Teles, parte sul do Aeroporto de Congonhas e Avenida Jurandir (delimitadora da parte leste do aeroporto).

A origem do distrito do Campo Belo está ligada à evolução da antiga Vila de Santo Amaro. Em princípio, com a inauguração em 1886 da linha férrea ligando São Paulo a Santo Amaro, a região de vastos campos e fazendas começou a ser ocupada. Uma das maiores fazendas da região pertencia a família Vieira de Morais, loteada em meados de 1903. O loteamento dessa e de outras fazendas facilitou a colonização alemã da região.

A antiga linha de trens foi substituída, em 7 de julho de 1913, por uma linha de bondes, que do trajeto anterior desviava na Rua Domingos de Morais para a Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, seguindo pelas regiões de Indianópolis, Campo Belo, Brooklin Paulista e Alto da Boa Vista, dando origem ao que hoje são a Avenida Ibirapuera e a Avenida Vereador José Diniz.

Em 1953, a antiga Companhia Telefônica Brasileira - CTB, instalou no bairro, na Rua Vieira de Morais, uma estação telefônica que foi inicialmente denominada Santo Amaro, que, com o prefixo 61 servia toda a zona sudoeste da capital paulista. Em 1967, passou a ser chamada Estação Campo Belo, e passou a ter sucessivas ampliações, além de diversos cortes de área, que passaram a ser atendidos por novas estações telefônicas (Santo Amaro, Chácara Santo Antônio, Real Parque, Berrini, Moema e Campo Grande). Em 1995, com a substituição do equipamento da antiga central de prefixo 61, para nova central digital com prefixo alterado para 5561, foi o primeiro bairro do Brasil a ter telefones com oito dígitos. Atualmente, mais de 250 mil terminais estão instalados na estação telefônica Campo Belo.

Hoje é bairro de alto padrão, vizinho de bairros consagrados da cidade como Itaim Bibi, Saúde e Moema, e também é vizinho de outros bairros que estão em grande desenvolvimento, como Jabaquara, Santo Amaro e Cidade Ademar, mas o distrito também abriga muitas favelas, principalmente na divisa com os distritos de Jabaquara e Santo Amaro. Algumas das comunidades mais conhecidas são Buraco Quente, Souza Dantas e Alba.

No distrito do Campo Belo encontra-se o Aeroporto de Congonhas, um dos mais movimentados da América Latina. O aeroporto apenas deixou de ser a referência para viagens internacionais após a construção do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, apesar de possuir um intenso movimento de viagens para todo o território nacional.

Nesse distrito, foi onde ocorreu o maior desastre aéreo da história do Brasil. Em 17 de julho de 2007, um avião Airbus A320 da TAM atingiu um prédio da própria companhia na Avenida Washington Luís após não ter conseguido pousar no Aeroporto de Congonhas. Ao todo, 199 pessoas morreram no acidente, incluindo passageiros, tripulantes, pilotos e pessoas que estavam em solo no momento da queda. Alguns anos depois, foi inaugurada uma praça em forma de memorial no local da tragédia, como homenagem às vítimas do acidente.

Em 2019, o distrito passou a ser atendido pelo Metrô de São Paulo com a abertura da estação Campo Belo, inaugurada em 8 de abril e pertencente à Linha 5-Lilás, operada pela Via Mobilidade. Futuramente, o distrito também será atendido pela Linha 17-Ouro, que já passou por vários atrasos em seu cronograma e atualmente encontra-se com as obras paralisadas, sem previsão de conclusão nem de inauguração. Em seu traçado, a linha terá cinco estações abrigadas no distrito: Washington Luís, Congonhas (com conexão ao aeroporto), Brooklin Paulista, Vereador José Diniz e a própria estação Campo Belo, fazendo assim, integração com a Linha 5-Lilás.

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XXVI

SANTO AMARO


 Vista aérea da hípica de SantoAmaro.Werner_Haberkorn

Santo Amaro é um distrito situado na zona centro-sul do município de São Paulo e é administrado pela subprefeitura de Santo Amaro. Foi um município independente de 1832 até 1935, quando foi reincorporado à capital. O distrito é delimitado pelas avenidas Roque Petroni Jr., Professor Vicente Rao, Washington Luís e Marginal Pinheiros. Atualmente, é o mais importante centro da região sudoeste do município, sendo considerado, para esta e também para vários municípios vizinhos, mais importante que o zona central do município. É a região do município onde houve a maior concentração de imigrantes alemães a partir de 1829. Em 1833, foi elevado a município, se desmembrando de São Paulo, e permaneceu assim até 1935, quando voltou a ser incorporado por São Paulo. A partir de 1947, soma-se, à parcela de europeus ligados à atividade industrial, o constante fluxo migratório de nordestinos, que intensificaram o comércio do distrito. Distritos limítrofes: Itaim Bibi (Norte): Campo Belo (Nordeste): Jabaquara (Leste);Cidade Ademar (Leste e Sudeste);Campo Grande (Sudeste);Socorro (Sul);Jardim São Luís (Sudoeste);Vila Andrade (Oeste)

O primeiro registro de ocupação da região refere-se à aldeia tupiniquim Jerubatuba, liderada por Caiubi, irmão de Tibiriçá, no século XVI. Algum tempo depois, foi instalada uma missão jesuíta de índios guaianases chamada "missão do Ibirapuera". O nome, na língua tupi (ybyrá-puera), significa "pau podre", "árvore apodrecida". O aldeamento foi um dentre vários devastados pela varíola. José de Anchieta, vindo do povoado de São Paulo de Piratininga, em uma das várias vezes que visitou a região percebeu que, devido ao número de índios catequizados e colonos instalados na região, era possível constituir ali um povoado. Para esse fim, foi construída uma capela em terras do português João Paes e de sua esposa Suzana Rodrigues, os quais doaram à capela a imagem de Santo Amaro. A região de Santo Amaro foi então elevada a paróquia em 1680[4] e transformada em freguesia em 1686.

Colonização alemã. No final do Primeiro Reinado, por ocasião do casamento de Dom Pedro I com Dona Amélia de Leuchtenberg, a região que viria a formar o antigo município de Santo Amaro foi transformada em núcleo de colônia alemã e prussiana por aviso do Ministério do Império em 8 de novembro de 1827. Em 1829, após desembarcarem dos navios no porto de Santos, a princípio os colonos deveriam seguir para o bairro do Rio Bonito e para a colônia de Itapecerica. Data dessa época de pioneiros o cemitério da Colônia (alemã) em Parelheiros. No final do século XIX e início do século XX, novos grupos de alemães (e também de escandinavos) dirigiram-se à região de Santo Amaro, estabelecendo-se preferentemente no bairro do Alto da Boa Vista, ao qual deram uma característica própria que persiste até os dias de hoje.

Em 1832, Santo Amaro tornou-se município separado de São Paulo, sendo instalado em 7 de abril de 1833. O município, então, abrangia todo o território ao sul do córrego da Traição (hoje canalizado sob a avenida dos Bandeirantes), parte da Vila Mariana e da Saúde, todo o Ipiranga e Cursino, estendendo-se até a serra do Mar, incluindo as terras correspondentes aos atuais municípios de Itapecerica da Serra, Embu, Embu-Guaçu, Taboão da Serra, São Lourenço da Serra e Juquitiba.

Em 1886, foi inaugurada a linha férrea de São Paulo a Santo Amaro, com a presença do imperador Pedro II. A antiga linha seguia desde pelo que hoje corresponde à Avenida da Liberdade, Rua Vergueiro, Rua Domingos de Morais e Avenida Jabaquara (o trajeto da atual Linha 1-Azul do metrô). Ela então passava por trás de onde, mais tarde, seria construído o aeroporto de Congonhas, seguindo então para o centro do município. O plano original para construção da linha previa que ela fosse estendida até o povoado de São Lourenço da Serra. Essa linha de trens foi substituída, em 7 de julho de 1919, por uma linha de bondes, que do trajeto anterior desviava na Rua Domingos de Morais para a Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, seguindo pelas regiões de Indianópolis, Campo Belo, Brooklin Paulista e Alto da Boa Vista, dando origem ao que hoje são a Avenida Ibirapuera e a Avenida Vereador José Diniz.
Em 1899, foi inaugurada a Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro e, em 1924, a igreja Matriz de Santo Amaro (atual catedral de Santo Amaro, pois em 30 de maio de 1989 o papa João Paulo II criou a diocese de Santo Amaro, desmembrando a região da arquidiocese de São Paulo).


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"Uma linda foto do antigo Frigor Eder, em Santo Amaro em São Paulo SP. Esquina da rua Isabel Schimidt com a Av. Adolfo Pinheiro, a foto de 10/02/1928 é de acervo pessoal enviada gentilmente para a galeria da saudade por Carlos Zahn. Na foto aparece o pai dele que era guarda-livros do frigorífico. Essa foto foi encomendada para divulgação, pelo proprietário, Sr. Alexandre Eder". Memória da Publicidade Brasileira · 


Reincorporação. A inauguração do Aeroporto de Congonhas, em 1934, foi uma das razões pelas quais o decreto estadual número 6 983, de 22 de fevereiro de 1935, determinou a extinção do município de Santo Amaro, incorporando-o ao município de São Paulo. (Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, o aeroporto Campo de Marte foi ocupado pelas tropas rebeldes, o que levou o Governo de Getúlio Vargas a procurar locais alternativos para o transporte aéreo em São Paulo.). Uma outra razão para que o município fosse reincorporado foi o endividamento do município, que acabou sendo pago por São Paulo. A área do antigo município foi, então, subdividida nos subdistritos de Santo Amaro, Ibirapuera, Capela do Socorro, e no distrito de Parelheiros. Abrangia o que hoje também atinge parte do Morumbi (Palácio dos Bandeirantes), Vila Sônia, Vila Andrade, Campo Limpo, Capão Redondo, M Boi Mirim. Movimentos emancipacionistas ocorridos nas décadas de 1950, 1970 e 1980, contudo, não conseguiram sensibilizar a população para que Santo Amaro fosse novamente elevado à condição de município.

Atualidade. A região de Santo Amaro concentra importantes indústrias, sobretudo na região localizada entre Santo Amaro e Jurubatuba, precisamente no distrito de Campo Grande. O antigo município de Santo Amaro corresponde às atuais áreas 6 e 7 do município de São Paulo (sul e sudoeste), englobando os atuais distritos paulistanos de Santo Amaro, Campo Grande, Campo Belo, Campo Limpo, Capão Redondo, Vila Andrade, Jardim Ângela, Jardim São Luís, Socorro, Cidade Dutra, Grajaú, Parelheiros, Marsilac, Cidade Ademar, Pedreira, e parte do distrito do Itaim Bibi, que, segundo a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística para 2004, totalizavam uma população de aproximadamente 2 100 000 habitantes, em uma área de 660 quilômetros quadrados, que corresponde a 43% do total da superfície do município de São Paulo. O distrito de Santo Amaro, centro da Zona Sul de São Paulo, continua a exercer considerável influência sobre os moradores dos municípios que já pertenceram a seu território. Em áreas de Parelheiros e de Marsilac, no extremo sul da região, são encontradas, atualmente, aldeias indígenas guaranis.



Estrada de Santo Amaro em 1928, futura avenida com o mesmo nome. 



Avenida Santo Amaro em 1965 
- Destaque para o Monumento a Borba a Gato que está de costas na imagem. São Paulo Antiga. A avenida surgiu como Estrada de Santo Amaro, uma estrada que fazia a ligação entre São Paulo e o antigo município de Santo Amaro. Uma parte da estrada mudou de nome para Avenida Adolfo Pinheiro. O trecho entre o Viaduto dos Bandeirantes e a Avenida João Dias era parte das Avenidas Adolfo Pinheiro e João Dias e depois foi passado para a Avenida Santo Amaro.
Até meados do século XX a avenida não costumava ter congestionamentos, mas esse panorama mudou com o crescimento do número de linhas de ônibus, que chegava a quatrocentos por hora em 1986, quando a avenida não comportava mais do que 250 por hora. Com isso, ônibus formavam enormes filas próximo aos pontos, parando em filas duplas e até triplas, o que era agravado pelo fato de apenas 10% dos passageiros que saíam da zona sul seguirem até o fim do trajeto. Para contornar esse problema foi construído um corredor de ônibus nas faixas centrais. A avenida, que tinha três faixas de rolamento em cada sentido, passou a ter duas para carros e uma para ônibus em cada pista, sendo esta última separada das demais por pequenos muros de concreto e grades. As obras começaram em agosto de 1985, no Largo Treze de Maio, em Santo Amaro, e foram seguindo no sentido centro. "Trata-se de uma das mais importantes interferências no sistema de transporte coletivo que a cidade sofreu nos últimos tempos", disse, à revista Veja em São Paulo, o então presidente da Companhia Municipal de Transportes Coletivos, Jair Carvalho Monteiro, em 1986.Junto com o corredor, foram construídos terminais de ônibus no Largo Treze e na Avenida João Dias, que passaram a receber linhas que saíam de bairros da zona sul mais afastados, na época já com integração para que se usasse o mesmo bilhete nas viagens em mais de uma linha com baldeação nos terminais. Apesar de cortar regiões extremamente valorizadas da cidade de São Paulo, a partir da inauguração do corredor de ônibus, em 1986, a avenida passou a enfrentar um processo de degradação, com uma grande quantidade de imóveis antigos sendo abandonados ou deteriorados. Esses imóveis tinham sido elementos de contraste urbano e arquitetônico para bairros como Vila Nova Conceição e Moema, pertencentes à Zona A do CRECI. Porém, desde 2006 esse contraste arquitetônico está sendo diminuído por meio de agressões e demolições ao patrimônio histórico e construção massiva de imóveis modernos, feitas de forma massiva por grandes construtoras. Esses imóveis antigos deteriorados poderiam ser restaurados e recuperados, mantendo suas condições, fachada e materiais de construção originais, com exceção da rede hidráulica e fiação elétrica, utilizando uma técnica de construção civil chamada retrofit, em vez de ser destruídos e substituídos por imóveis modernos sem características arquitetônicas que tenham a ver com a essência histórica.[Textos e imagens da Wikipedia]

O LARGO 13 DE MAIO


Vista do Largo Treze de Maio, no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, em 1986 | Alexandre Tokitaka / Folhapress



O Largo 13 de Maio localiza-se no distrito de Santo Amaro, no município de São Paulo, no estado de São Paulo, no Brasil. É o local de surgimento do distrito e do extinto município de Santo Amaro. É um importante centro comercial e um ponto obrigatório de passagem para outras localidades, e também abriga a Catedral de Santo Amaro.

Topônimo
"Largo 13 de Maio" é uma referência à data da abolição da escravidão no Brasil, em 1888.

História
O local onde fica o Largo 13 de Maio, o mais alto do distrito de Santo Amaro, é onde o distrito começou a ser ocupado pelos portugueses, por meio de missões de jesuítas. Antigamente, era chamado "Largo do Jogo da Bola". Em fevereiro de 1885, a Câmara da cidade de Santo Amaro mudou a denominação de Largo da Bola para Largo Tenente Adolfo, em homenagem a um residente de Santo Amaro chamado Adolfo Pinheiro, que possuía uma loja no logradouro. Atualmente Adolfo Pinheiro é o nome de uma das avenidas afluentes do largo.

Promulgada a lei que abolia a escravatura (Lei Áurea), assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888, a Câmara de Santo Amaro aprovou a mudança da denominação do Largo Tenente Adolfo para "Largo 13 de Maio" no dia 9 de junho de 1888.

Em novembro do 1924, foi inaugurada a Catedral de Santo Amaro, que mantém grande parte das características iniciais. A catedral contêm a imagem de Santo Amaro que existe desde a inauguração da vila, em 1560. Ao completar-se o centenário do Município de Santo Amaro (1932), o "Largo 13 de Maio" já se delineava como centro comercial e ponto obrigatório de passagem para outras localidades.

Após 103 anos de emancipação, em 22 de fevereiro de 1935, o interventor federal em São Paulo, Armando de Sales Oliveira, resolveu anexar Santo Amaro ao município de São Paulo. Posteriormente, já incorporada ao município de São Paulo, a mesma área do antigo município foi subdividida entre vários distritos da Zona Sul e Centro-Sul de São Paulo.

Com o passar do tempo, no entanto, o local passou por um processo de decadência urbana, semelhante ao do Centro Histórico de São Paulo. A característica do local passou a ser a presença de um grande número de vendedores ambulantes. Nos anos 2000, a situação chegou a tal ponto que cerca de 700 barracas e 1 400 ambulantes ocupavam completamente o largo e suas ruas adjacentes, como a Desembargador Bandeira de Melo, a Senador Fláquer, a Capitão Tiago Luz e a Senador José Bonifácio, vendendo com frequência produtos contrabandeados, pirateados ou roubados. A criminalidade também era alta; na época, a região concentrava 3% dos roubos em São Paulo.

A revitalização da região, assim como de todo o Centro Histórico de Santo Amaro, seria determinada pela Lei 13 885/2004, promulgada em agosto de 2004 pela então prefeita Marta Suplicy. Em 15 de abril de 2007, a Prefeitura de São Paulo, ocupada então por Gilberto Kassab, iniciou a remoção dos ambulantes da área. Em setembro de 2009, todos os ambulantes haviam sido removidos, sendo destinados a estruturas específicas em outras partes do bairro; alguns, no entanto, afirmavam que não tinham para onde ir.

.A região do Largo 13 de Maio, referência histórica do bairro na saída das expedições de bandeirantes e também local de festas e comemorações religiosas, tem uma população flutuante de cerca de 2 000 000 de pessoas por dia e é centro de comércio popular do bairro, sobretudo de itens da cultura nordestina. Além disso, é sede do Mais Shopping, centro comercial que trouxe para São Paulo o conceito inédito de lojas modulares junto a lojas satélites e âncoras.



JARDIM ÂNGELA, INTERLAGOS, 

CAPELA DO SOCORRO, PARELHEIROS.


Jardim Ângela é um distrito da zona sul do município de São Paulo, no estado de São Paulo, no Brasil. Fica às margens da Represa de Guarapiranga, na sua margem norte. Juntamente com o Jardim São Luís, conforma a região da cidade conhecida como M'Boi Mirim. Os distritos de Jardim São Luís e Jardim Ângela faziam parte anteriormente do Capão Redondo; com o novo plano diretor da cidade na gestão Marta Suplicy, ambos os bairros ganharam certa autonomia e uma subprefeitura (a Subprefeitura de M'Boi Mirim). Considerada a região  mais violenta de São Paulo, é um aglomerado de 74 pequenos bairros irregulares situados em área de manancial, à veiga da Represesa de Guarapiranga, na zona sul. A Estrada do M'Boi Mirim ( do tupi “cobra pequena”) é a grande via de acesso desses bairros para a cidade. Até o início do terceiro milênio, o índice de cidadania era zero, segundo o Ministério Público.


Interlagos é um bairro nobre localizado no distrito de Socorro na zona sul da cidade de São Paulo, pertencente à Prefeitura Regional da Capela do Socorro. Recebeu esse nome por se localizar entre dois "lagos", as represas de Guarapiranga e Billings.

Em 1920 o engenheiro britânico Louis Romero Sanson adquiriu terras entre as Represas de Guarapiranga e Billings; o mesmo planejava construir um resort de luxo no local, um bairro balneário planejado visando à elite paulistana, contou com a ajuda do  urbanista francês Alfred Agache que percebeu uma semelhança daquela região com a cidade de Interlaken, na Suiça. Dessa parceria iniciou-se à implantação do bairro Balneário Satélite da Capital, que tinha como principal objeto de escopo, atrair as pessoas de alto nível social, moradores da capital. Para tal foi criada uma praia artificial com areia vinda de Santos, junto às margens da Represa Guarapiranga.

O projeto inicial do bairro previa, além de casas, muitas áreas de lazer e também um ginásio de esportes, mas, com a crise da quebra da bolsa nos Estados Unidos na década de 30, a implantação do projeto de construção do bairro foi abandonada e somente na década seguinte, Louis Romero Sanson pôde retomar seus projetos para a região. 

Na época um grave acidente em uma corrida internacional de carros nas ruas da cidade, que começavam a ficar popular, levantou a necessidade de São Paulo ter um autódromo definitivo. Em uma parceria com o Automóvel Clube do Brasil, Sanson priorizou a criação e construção de um circuito na Cidade Balneário, o que deu origem ao autódromo de Interlagos, em um traçado que fez inspirado nas pistas de Indianápolis, nos Estados Unidos, Brooklands, na Inglaterra, e Monthony, na França. 







O Grande Prêmio do Brasil (português brasileiro) ou Grande Prémio do Brasil (português europeu) de Fórmula 1 aconteceu pela primeira vez em 1972 e fez parte do campeonato de Fórmula 1 entre 1973 e 2019. Foi realizado em todos os anos no Autódromo José Carlos Pace — mais conhecido como Autódromo de Interlagos — com exceção dos anos de 1978 e de 1981 a 1989, em que as corridas foram disputadas no antigo Autódromo de Jacarepaguá (Autódromo Internacional Nelson Piquet). Após sua edição de 2020 (a última sob contrato com a Fórmula 1 ser cancelada devido à pandemia de COVID-19, o Brasil retornou ao calendário da Fórmula 1 em 2021, mas com o evento realizado em Interlagos passando a ser oficialmente designado de Grande Prêmio de São Paulo.

Assim como os circuitos de Bacu, de Marina Bay, o Circuito das Américas e o de Yas Marina, o Grande Prêmio do Brasil era um dos poucos que esteve presente até recentemente no calendário da Fórmula 1 a ter sentido anti-horário.

A última sede do Grande Prêmio do Brasil, o Autódromo José Carlos Pace recebeu inúmeras reformas, melhorias e adaptações ao longo dos seus 76 anos de história. As principais intervenções se deram nos anos de 1979, 1990 e 2000, por conta de adequações às normas de desenvolvimento do automobilismo mundial. Sendo assim, desde a sua inauguração, a extensão original da pista, de 7 960 metros, sofreu algumas alterações. Em 1979, passou a ter 7 873 metros. Já em 1990, a reforma mais abrupta da história do circuito - que trouxe o Grande Prêmio de volta a São Paulo - fez com que a pista diminuísse seu comprimento em 3 548 metros, ficando com 4 325 metros. No ano de 2000, a pista foi adaptada para sua atual extensão de 4 309 metros.

Astros da Fórmula 1 reunidos durante um Grande Prêmio no início dos anos 1970: José Carlos Pace, Emerson Fitipaldi, Clay Regazzoni, Niki Lauda. Jochen Mass, Patrick Depailer e Joddy Schekter. Atrás : Mário Andrétti, Wilsinho Fitipaldi, Tom Pryce e John Watson.



Características. Autódromo de Interlagos, principal ponto turístico e histórico, além de emblemático de Interlagos. Está situado na margem direita da Represa Guarapiranga onde há diversos bolsões residenciais de alto padrão localizados em torno do Parque Jacques Cousteau, mais conhecido pelos moradores locais como "Parque do Laguinho", Fedidinho ou apenas "Laguinho". Totalmente arborizado, sua topografia é considerada das mais peculiares da capital paulista. encontra-se inserido em área de proteção de mananciais e por isso possui uma ocupação rarefeita com grande permeabilidade do solo. por todas essas características, o seu tombamento foi realizado pelo CONPRESP em 2004.Além da topografia e vegetação, o traçado urbano também representa um motivo para o tombamento do bairro.  Corresponde à uma Zona Exclusivamente Residencial Ambiental (ZERa) no atual Plano Diretor da cidade de São Paulo (anteriormente denominada de Z1), portanto, trata-se de um bairro exclusivamente residencial com predominância de lotes de grande porte, inserido na zona de proteção de mananciais[8]. Ocupa uma área de aproximadamente 2,25 km², com seu perímetro determinado pelas seguintes vias: Avenida Atlântica, Rua Leonardo Di Fásio, Avenida do Rio Bonito, Avenida Interlagos e Rua Nicolau Alayon. Pertencente ao distrito de Cidade Dutra está próximo ao Autódromo de Interlagos e boa parte da população local acredita que o bairro de Interlagos esteja situado, sob influências do Autódromo, em todas cercanias do mesmo, o que torna toda região popularmente conhecida como Interlagos. A chegada do Autódromo de Interlagos ao bairro, enriqueceu o local e fez crescer a busca por imóveis, ou seja, enriqueceu o setor imobiliário. A região de Interlagos possui duas estações da CPTM, a estação Autódromo, situada próxima ao Autódromo e daí o seu nome e também a estação Primavera-Interlagos, que recebeu seu nome por estar próxima aos bairros do Jardim Primavera e de Interlagos.


Capela do Socorro é uma das 32 subprefeituras da cidade de São Paulo, sendo regida pela Lei nº 13.999 de 1º de agosto de 2002. É composta por três distritos: Socorro, Grajaú e Cidade Dutra, que, somados, ocupam uma área de 134,2 quilômetros quadrados, habitada por mais de seiscentos e oitenta (680) mil pessoas, sendo a subprefeitura com a maior populosa administrada no município. A partir de 1975, a ocupação da Região da Capela do Socorro tornou-se legalmente subordinada à Lei de Proteção dos Mananciais e à legislação de zoneamento industrial. A região que compreende a Capela do Socorro era anteriormente habitado pelos índios Tupis, que acabaram tendo que regressar para a região de Parelheiros. A primeira ocupação europeia é datada de 1827, quando no Porto de Santos desembarcaram 120 imigrantes alemães. Esses imigrantes estabeleceram-se em parte na região da Capela do Socorro. Infelizmente pouco restou dessa ocupação, sendo o remanescente poucas famílias (os Schunck, Reeberg, Roschel, Hessel, Guilger etc.). No início do século XX houve o começo do projeto de controle de vazão do do rio Tietê, a região foi beneficiada com retificação do Rio Pinheiros (diminuindo a região alagadiça) e a construção da Represa Guarapiranga (aumentando a oferta de energia). Por advento da seca de 1924 houve a ampliação do projeto com a construção da Represa Billings. Com construção das represas houve a instalação de diversos equipamentos públicos e privados de lazer (como parques, clubes, áreas de recreação, etc.), juntamente com a construção da estrada Washington Luís (atual avenida Washington Luís) e posteriormente a Avenida Interlagos fizeram com que a ocupação do solo e a especulação imobiliária alavancasse durante a segunda metade do século XX. Dois projetos imobiliários que se destacaram foi a Vila Friburgo e a "Interlagos - Balneário Satélite de São Paulo", esse ultimo construído pela Auto Estradas S.A.

A partir da década de 1940, a Subprefeitura de Santo Amaro teve um grande aumento no numero de indústrias, passando a acomodar parte do crescimento urbano da cidade , que fez com que muitos trabalhadores dessas indústrias buscassem moradia na Capela do Socorro. Um exemplo desse tipo de ocupação foi a Cidade Dutra, que foi planejada e construída pela Auto Estradas S.A. para atender a demanda residencial, e virou um vetor de desenvolvimento. O desenvolvimento industrial e urbano foi alavancado nas décadas de 50, 60 e 70 com a construção da Marginal Pinheiros e a ampliação e construção de logradouros públicos.

Em 1975, a Lei de Proteção dos Mananciais e a legislação de zoneamento industrial colocou um "freio" no desenvolvimento desenfreado, visando assim um controle na qualidade ambiental e de crescimento. Neste mesmo período começa a se constatar os primeiros assentamentos irregulares, principalmente próximo a córregos. Estima-se que atual mente existam duzentos (200) bairros irregulares e duzentas e vinte (220) favelas.  Área. Aproximadamente 90% de sua extensão está introduzida em uma área de proteção aos mananciais encarregados pelo abastecimento de 30% da população da Região Metropolitana do Estado de São Paulo. A Prefeitura Regional da Capela de Socorro é concebida pelos distritos de Grajaú, Socorro e Cidade Dutra, com uma superfície de 134 quilômetros quadrados, que equivalem a 8,8% do território do município. A região da Capela de Socorro, que se localiza ao sul do Município de São Paulo, expande-se por uma ampla área inferior aos canais dos rios Guarapiranga e Jurubatuba, se limitando ao norte com a Subprefeitura de Santo Amaro através do rio Jurubatuba, a oeste com a Subprefeitura de M'Boi Mirim através do Rio e a Represa do Guarapiranga, a leste com a Subprefeitura de Cidade Ademar e os Municípios de São Bernardo do Campo e Diadema (separados pela Represa Billings), e por fim, ao sul, com a Subprefeitura de Parelheiros. 

Parelheiros é um distrito localizado na zona sul do município de São Paulo. É o segundo maior distrito do município em extensão territorial, embora seja muito pouco povoado. Tem a maior parte da área coberta por reservas ambientais da mata atlântica — nele, localiza-se a Área de Proteção Ambiental Capivari-Monos e parte da Área de Proteção Ambiental Ilha do Bororé-Colônia. Em Parelheiros, também se encontra a aldeia indígena guarani Krukutu. A região recebeu a primeira imigração alemã no estado de São Paulo, no início do século XIX. Dista 15 a 25 quilômetros de Itanhaém e de São Vicente, na Baixada Santista, e 50 a 60 quilômetros do região central do município de São Paulo.

História. Na região de Parelheiros, já havia nativos e caboclos antes da vinda dos imigrantes alemães (1829). Os nativos acabaram sendo forçados a abandonarem suas aldeias assim que estradas eram abertas. Diz-se que havia também um grande quilombo de ex-escravizados afro-brasileiros. A mão de obra imigrante era composta sobretudo por ex-militares e o intuito era "clarear" a "raça brasileira", pois o governo imperial temia que o pais se tornasse um país de negros, o que na verdade já o era na maioria, ou mormente composto por mulatos, entre eles brilhantes estadistas e engenheiros, i.e., em se tratando de filhos de negras com pais brancos de certa posição e que podiam mandar seus filhos estudar na Europa. Sendo a princesa Leopoldina de origem austríaca e tendo bom relacionamento com terras de língua germânica, sem contar o favoritismo por teutônicos tidos como superiores no aspecto racial.

A teimosia teutônica, assim como havia sido a dos indígenas ao serem forçados ao trabalho escravo, os impediu de aceitar qualquer terra improdutiva para viverem. Vários foram enganados e quando chegaram à região e viram que eram dominadas por brejos, partiram a outras regiões mais férteis e onde havia mais conterrâneos como no Sul do pais. Alguns, porém ficaram e como não tinham templo onde se congregarem e como o Brasil ainda tinha o catolicismo como religião oficial, os luteranos eram forçados a viajar com colonos católicos 'a matriz de Santo Amaro todo domingo e ouvir missa católica-romana talvez para que não ficassem na ociosidade ou se reunissem em culto protestante. Mais tarde, os japoneses foram trazidos para trabalho no campo.

Parelheiros recebeu este nome devido às diversas corridas de cavalos (parelhas) entre os alemães e os brasileiros. Antes o distrito era conhecido como Santa Cruz, por existir uma cruz no local, colocada por um devoto chamado Amaro de Pontes, a qual originou a igreja de Santa Cruz. Parelheiros se destaca em relação à Colônia Paulista pelo fato de haver sido aberta uma estrada no século XIX, por iniciativa do imigrante alemão Henrique Schunck, pai do fundador de Cipó-Guaçu (hoje distrito de Embu-Guaçu). A estrada de Parelheiros, atual Estrada Ecoturística de Parelheiros, ligava às vilas de Embu-Guaçu e São José, de onde se podia partir para Rio Bonito e Santo Amaro, evitando, assim, a passagem pela Colônia, onde havia a mais antiga estrada da Conceição.


Igreja em Parelheiros, meados do século XX (foto de Werner Haberkorn).

Em meados do século XX, principalmente após a Segunda Guerra Mundial, milhares de japoneses desembarcaram no Porto de Santos. Grande parte deles ficou no chamado Cinturão Verde Metropolitano de São Paulo. Assim, os bairros de Jaceguava e Casa Grande – que fazem parte da Subprefeitura de Parelheiros – foram sendo ocupados por famílias japonesas, que se dedicavam ao trabalho agrícola, especialmente de hortifrutigranjeiros, tornando-se importantes fornecedores deste gênero ao abastecimento da metrópole. Em busca de alojamento barato, uma população bastante numerosa escolheu os mananciais de Santo Amaro para residir. A possibilidade de encontrar aluguéis mais baixos ou até casa própria, com algum sacrifício, surgiam os numerosos loteamentos, muitos deles irregulares, devido à publicação da lei estadual de Proteção aos Mananciais em 1976.

A inexistência de grandes espaços em áreas urbanas acabou por tomar os terrenos dos habitantes. Lotear suas propriedades foi a saída vista pelos proprietários de terra, pois o aumento de impostos territoriais veio encarecer as grandes propriedades. A solução foi dividir as chácaras e sítios em loteamentos, dando lugar ao aparecimento de vilas, jardins e parques deixando que os interesses da especulação imobiliária determinassem a localização de moradia da população trabalhadora, acentuando-se, no delineamento do traçado urbano, o desordenamento no uso do solo.

Características físicas. São 353 km², representando 24% do município, com ocupação urbana de 2,5% e dispersa de 7,7%. Com a totalidade de seu território em área de proteção aos mananciais, a região compreende remanescentes importantes de Mata Atlântica e as áreas mais preservadas do Município. Inclui parte das bacias hidrográficas das Represas Guarapiranga e Billings, que são responsáveis pelo abastecimento de 30% da população da Região Metropolitana de São Paulo. É cortado por ferrovia de escoamento da produção agrícola ao porto de Santos e um ramal suburbano desativado.

A Cratera da Colônia com 3,5 km² é marco geológico produzida por meteorito há milhões de anos. Parte dela é ocupada por 25 mil pessoas em loteamentos irregulares, outra de um presídio Estadual (cerca de 1500 presos); e o restante (cerca de 50%) preservada como área agrícola tradicional. A área é tombada pelo Condephaat (Res. SC 60 de 20.08.2003). Originariamente foi habitada por índios Tupis e no século XX um subgrupo guarani ali se estabeleceu, tendo hoje tem cerca de 600 pessoas em duas áreas, a Aldeia Krukutu e Morro da Saudade. Apesar das restrições impostas pela legislação ambiental, a região apresenta urbanização intensa e desordenada, com parte da população residindo de forma precária e sérios impactos sobre os processos naturais de produção de água, devido à impermeabilização do solo, ao desmatamento, ao despejo de esgotos e ao assoreamento dos corpos d'água.

Cidade Dutra. é um distrito de classe média pertencente à Prefeitura Regional da Capela do Socorro, localizado na Região Sul do município de São Paulo, no Brasil. A história do distrito iniciou-se em meados de 1930, quando um grupo de empresários liderados por Luís Romero Samson criou a empresa Auto Estrada S/A. O objetivo era construir uma ligação entre São Paulo e o então município de Santo Amaro, ao qual o distrito de Cidade Dutra fazia parte. Junto desse objetivo vieram outros projetos que ficaram conhecidos como “Projeto Interlagos”. As avenidas Washington Luís e Interlagos, o Aeroporto de Congonhas e a “Cidade Satélite de Interlagos”, compreendendo hotel, igreja e autódromo, em áreas destinadas para uso residencial, comercial e industrial. A construção da autoestrada para Santo Amaro iniciou-se em 1927 e foi concluída em 1933. O trajeto total tinha 14 quilômetros, começando na Avenida Brigadeiro Luís Antônio até o pedágio na Vila Sophia, próximo à Chácara Flora, e em 1940, foi construída uma variante em direção à represa, que dava acesso exclusivo à Cidade Satélite de Interlagos e ao autódromo, hoje conhecida como Avenida Interlagos.

A companhia Auto Estradas S/A negociou grandes glebas de terras com os proprietários dos terrenos que seriam cortados e, consequentemente, beneficiados com a construção da estrada de rodagem, acumulando um patrimônio imobiliário considerável, valorizado com a implantação dos seus próprios empreendimentos.  Paralelamente a atuação da empresa Auto Estradas, em 1904 é constituída a empresa Light and Power com os mesmos sócios da empresa canadense São Paulo Tramway, Light and Power Company que operava  serviços de geração e distribuição de energia elétrica e serviços de bondes elétricos do município de São Paulo, uma revolução para a época, quando havia apenas bondes puxados a burro. Entre 1900 e 1930, a Light São Paulo realizou inúmeras obras de expansão dos serviços de energia elétrica na capital de São Paulo e municípios vizinhos, construindo em 1908 a represa de Guarapiranga e usinas hidrelétricas, como Edgar de Souza e Rasgão, localizadas no Rio Tietê, em Santana do Parnaíba, a 40 quilômetros da capital. Mais tarde, na década de 1940, a Light São Paulo também foi responsável pela retificação do rio Tietê, Rio Pinheiros e pela construção da represa Billings e da usina hidrelétrica Henry Borden. Como proprietária a época das represas Billings e Guarapiranga, a Light and Power, adquiriu lotes de terrenos pertencentes a Auto Estradas S/A, com o objetivo de atender a demanda por moradia de seus funcionários, cuja construção foi financiada pela Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Servidores Públicos em São Paulo. Em 25 de janeiro de 1949 teve início então, a construção de 500 casas planejadas, das quais 437 foram concluídas e entregues em 1º de  julho de 1950, estando a quase totalidade já habitadas por funcionários da Companhia de Gás, Companhia Telefônica, da “Light” e de funcionários da própria Caixa, todas elas construídas em ruas pavimentadas, com luz elétrica, água encanada e esgotos. Às 16 horas desta data, com a presença de autoridades federais e estaduais era inaugurada a Cidade Previdenciária Presidente Dutra, assim chamada em homenagem ao então Presidente Eurico Gaspar Dutra, dando início então ao bairro, que posteriormente viraria distrito Cidade Dutra. No início, a distância deixou o distrito isolado, mas foram criadas linhas de ônibus que trouxeram na sua esteira a formação de outros bairros, fazendo da Cidade Dutra um pólo de desenvolvimento do então extremo da Zona Sul. Outros bairros foram surgindo frutos da especulação imobiliária, sem qualquer preocupação urbanística. O comércio começa a se formar em torno dos pontos de parada de ônibus criando pontos de aglomerações que foram aos pouco se expandindo ao longo das vias principais.



Sesc Interlagos. 

Infraestrutura. No distrito, está localizado o Autódromo José Carlos Pace, também conhecido como Autódromo de Interlagos, onde, desde 1989, acontece o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, além de outras competições de automobilismo. O distrito faz divisa com Pedreira, Grajaú, Parelheiros, Jardim São Luís, Socorro e Campo Grande. É servido de duas estações de trem da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos: Estação Autódromo, localizada a seiscentos metros do Autódromo de Interlagos e a Estação Primavera-Interlagos, localizada no cruzamento da Avenida Presidente João Goulart com a Rua Jequirituba. Também está localizado, no distrito, o SESC Interlagos, um local de diversão com 500 000 metros quadrados, com quadras, churrasqueiras, piscinas e muito verde e o Clube de Campo de São Paulo, este localizado no bairro de Vila São José. É cortado pela Avenida Senador Teotônio Vilela, sendo esta servida pelo Corredor Parelheiros-Rio Bonito-Santo Amaro, principal acesso da região a Santo Amaro.

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XXVII

CAMPO LIMPO E VILA SÔNIA


Avenida Francisco Morato, na altura da avenida Eusébio Matoso. Na época, uma frondosa Paineira marcava o final da avenida


Campo Limpo é um distrito da Zona Sul do município de São Paulo, no Brasil. Uma das hipóteses para a origem do nome do distrito reside no fato de, antigamente, ter funcionado, nas imediações, uma antiga chácara do Jockey Club de São Paulo. Pouco se sabe sobre a criação do distrito, mas moradores mais antigos especulam que o distrito de Campo Limpo originou-se da Fazenda Pombinhos, da família Reis Soares, em meados de 1937. Várias colônias de japoneses, italianos e portugueses se estabeleceram na região, devido ao preço baixo dos terrenos naquela época. Por volta de 1950, a paisagem do distrito era ainda de muitas fazendas, chácaras e olarias. Havia também três "secos e molhados", uma farmácia, uma barbearia, um grupo escolar de madeira e um mosteiro da Igreja Católica. As igrejas de São Judas Tadeu e São José Operário, constituídas nos anos 1960, são importante referência para a região. A energia elétrica chegou em 1958, a primeira linha de ônibus foi criada em 1963 e o calçamento das primeiras ruas iniciou em 1968. Nos anos 1960/70, iniciou-se uma explosão populacional no distrito. Foi então que chegaram os novos moradores, em sua maioria de origem pobre e migrante, principalmente do interior de São Paulo e dos estados das Regiões Nordeste e Sul do Brasil, se estabelecendo na região a partir das décadas de 1960 e 1970.

A região também contou com uma importantes indústrias, como a indústria química chamada Poliquima, instalada na principal via da região, a Estrada do Campo Limpo. No final dos anos 1980, a holandesa Akzo Nobel, então naquela época simplesmente Akzo, adquiriu a Poliquima, mudando assim o nome. No final dos anos 1990, a Akzo deixa o Campo Limpo e muda-se para o interior paulista. Até hoje, o terreno permanece por lá sem ocupação alguma, um enorme espaço na mais importante via da região. Também na Estrada do Campo Limpo tivemos a indústria metalúrgica Metafil, que funcionou até o final da década de 1990 e, hoje, em seu lugar, temos a Universidade Anhanguera (antiga Uniban). Outra grande indústria do distrito que também era sediada na Estrada do Campo Limpo foi a multinacional de aparelhos eletrônicos Sharp, que operou até o final da década de 1990.

O crescimento da região, assim como em outras áreas periféricas da cidade, ocorreu de maneira mais intensa entre as décadas de 1970 e 1980, sem planejamento necessário pelos órgãos públicos. A partir da década de 1990, o distrito sofreu um grande crescimento imobiliário com o lançamento de empreendimentos residenciais para a classe média. O distrito, por ser vizinho de outros grandes centros comerciais e de escritórios em crescimento acelerado, como o Centro Empresarial São Paulo, a Marginal Pinheiros e a região da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, além de também ser vizinho de bairros considerados nobres, como a Vila Andrade e Morumbi, começou a atrair novos moradores com perfil diferente daquele dos moradores que vieram na primeira fase de ocupação na década de 1960. Muitos destes novos moradores têm nível superior e/ou são profissionais liberais e paulistanos de outros distritos em busca de preços de imóveis mais baratos e próximos das novas áreas de trabalho.

A partir de 2001, o Campo Limpo iniciou uma modesta ação de crescimento em construções e instalações comerciais e educacionais. Recentemente, o distrito recebeu duas universidades particulares.
O distrito está numa localização próxima de várias vias importantes da cidade, como por exemplo a Marginal Pinheiros, Rodovia Regis Bitencourt, Rodoanel, Av. Francisco Morato, Estrada de Itapecirica, Av. Morumbi e Av. Giovanni Gronchi.

O Campo Limpo faz divisa com os distritos de Vila Sônia, Vila Andrade, Jardim São Luís, e Capão Redondo e com o município de Taboão da Serra através do Córrego Pirajuçara. O distrito está localizado a cerca de 16 quilômetros do Marco Zero da cidade de São Paulo, na Zona Sudoeste.De acordo com dados do censo demográfico de 2022 a população do Campo Limpo é de 236.162 habitantes e a densidade demográfica é de 18.743 habitantes por quilômetro quadrado.

Contrastes sociais. O distrito é conhecido pela presença de uma grande divisão social, com pessoas de baixa renda vivendo em favelas, residências de baixo padrão e conjuntos habitacionais populares, ao lado de condomínios horizontais e verticais de classe média e média alta. Além disso, o distrito possui grandes áreas de comércio popular e uma atividade industrial em processo de declínio, com alguns galpões e fábricas ainda em atividade.

Nos municípios de Embu das Artes e Taboão da Serra, a inauguração do trecho oeste do Rodoanel, em 2002, beneficiou o trânsito nas principais vias de tráfego na região do Campo Limpo, eliminando consideravelmente o fluxo de caminhões nessa área.

O Governo Estadual, em parceria com a Prefeitura de São Paulo, também inaugurou diversos piscinões entre os anos de 2002 e 2006 na área do Córrego Pirajuçara, minimizando as enchentes, um problema crônico do distrito. A Prefeitura também implantou outras melhorias, como os Centros Educacionais Unificados, conhecidos como CEUs, que contam com biblioteca, piscinas, escolas e atividades educativas e culturais para toda a comunidade, e o SESC Campo Limpo, que conta com diversas atividades esportivas e culturais.

Terminal Campo Limpo. Em 2009, deu-se a inauguração do primeiro terminal de ônibus da região, o Terminal Campo Limpo, com linhas diárias saindo para Pinheiros, Hospital das Clínicas, Praça Ramos de Azevedo, Aclimação, Jardim Helga, Jardim Guarujá, Jardim Rosana, Jardim das Rosas, Parque do Engenho, Jardim Maria Sampaio, Jardim Macedônia, Valo Velho, Metrô Conceição (permitindo acesso à respectiva estação), Morumbi Shopping (com acesso à estação da CPTM), Parque do Lago, Jardim Mitsutani, Inocoop Campo Limpo, Campo Limpo (Jardim Leônidas), Terminal Capelinha, Metrô Santa Cruz (com acesso à estação de mesmo nome), Metrô Paraíso (com acesso à estação de mesmo nome), Terminal Bandeira (com acesso á Estação Anhangabaú) e Terminal Santo Amaro (com acesso á Estação Largo Treze) do Metrô de São Paulo.

Polêmica. A construção do terminal gerou uma grande polêmica na região, pois populares reclamaram que as viagens ficaram mais longas e com tempo de espera maior. A proposta do terminal é facilitar o acesso às diversas linhas da região, que já sofre bastante com a falta de transporte público de qualidade.
As reclamações mais frequentes são relativas à extinção das linhas que faziam a interligação direta entre os bairros e o centro. Historicamente, a população contava com linhas de ônibus que operavam há décadas e, com o seu fim, houve muita resistência às mudanças. Além disso, o Terminal Campo Limpo se tornou um ponto de passagem obrigatória, sem opções de linhas diretas para os bairros do Butantã e Pinheiros. Por outro lado, a SPTrans e a Prefeitura de São Paulo se defendem justificando a racionalização das linhas em direção ao centro e ao metrô, permitindo uma maior fluxo de veículos, menor espera nos pontos e menos congestionamentos nos corredores de ônibus da região oeste.

Problemas e dificuldades. Apesar dos investimentos em piscinões e canalização de córregos, a região ainda sofre em alguns pontos isolados com as enchentes e alagamentos no Córrego Pirajuçara, principalmente em casos de chuva muito forte. As chuvas muito fortes, particularmente no verão, também provocam o deslizamento de terra em áreas onde famílias vivem precariamente, quase sempre áreas invadidas e de risco já conhecido. Apesar da construção de Centros Educacionais Unificados (CEU), faltam mais opções de lazer e cultura para a população da área. O trânsito também é difícil e pesado, principalmente na Avenida Carlos Lacerda, Estrada do Campo Limpo e no Largo do Campo Limpo.

Vila Sônia é um distrito situado na zona oeste do município brasileiro de São Paulo. É o local onde fica a estação final da Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo e da ViaQuatro, em seu sentido Oeste, sendo inaugurada no dia 17 de dezembro de 2021.

O distrito da Vila Sônia pertence à subprefeitura do Butantã, fazendo divisa com os distritos do Rio Pequeno, Butantã, Raposo Tavares, Morumbi, Campo Limpo e Vila Andrade, além do município de Taboão da Serra. Nas últimas décadas tem presenciado um crescimento imobiliário muito grande, inicialmente próximo à divisa com o distrito do Morumbi, com empreendimentos para classes média e média-alta. No distrito existem algumas áreas mais periféricas como o Jardim Jaqueline, onde há uma favela com o mesmo nome. O Jardim Colombo é um bairro com muitos condomínios, mas também existe uma favela no bairro com o mesmo nome. Outro forte contraste é no Portal do Morumbi, na divisa com o município de Taboão da Serra, onde há algumas favelas próximas ao Cemitério da Paz.

O terreno da região pertencia ao médico Antonio Bueno e a Joaquim Manuel da Fonseca, sendo que o nome Vila Sônia foi dado em homenagem a uma das filhas de Antonio Bueno. É uma região relativamente nova no município de São Paulo, sendo que na década de 50 não possuía sequer energia elétrica ou água encanada. O desenvolvimento da região só iniciou-se realmente na década de 60.

O distrito conta com dois shopping centers, ambos nas divisas com outros distritos: o Raposo Shopping na divisa com o distrito do Rio Pequeno e o Butantã Shopping na divisa com o distrito do Butantã.

Avenida Professor Francisco Morato no final da década de 1960


A Avenida Professor Francisco Morato é uma importante via da cidade de São Paulo. Tem grande importância pois liga a Marginal Pinheiros às Rodovias Régis Bittencourt e Raposo Tavares, além de ser uma das rotas para se chegar ao Estádio do Morumbi (via Avenida Jorge João Saad)[1] e ao distrito do Campo Limpo. É também a principal via de ligação da cidade de São Paulo com o município de Taboão da Serra.

A avenida tem uma extensão aproximada de 6.500 metros. Nos seus três quilômetros iniciais, a avenida serve como divisa entre os distritos do Butantã, ao norte, e do Morumbi, ao sul. Já nos seus três quilômetros finais, a avenida atravessa o distrito da Vila Sônia.

Nesta avenida circulam por dia muitas linhas de ônibus municipais e intermunicipais no Corredor Campo Limpo-Rebouças-Centro, inaugurado pela gestão Marta Suplicy. A via também é atendida pela Linha 4-Amarela do Metrô, operada pela ViaQuatro, com duas estações: São Paulo-Morumbi, que fica na confluência com as avenidas Jorge João Saad e Deputado Jacob Salvador Zveibil, inaugurada em 27 de outubro de 2018,[3] e Vila Sônia, atual terminal da linha, inaugurada em 17 de dezembro de 2021. Futuramente, irá receber mais uma estação, Chácara do Jockey, também da Linha 4-Amarela, cujas obras possuem previsão de início para dezembro de 2024, enquanto a abertura, inicialmente, está programada para o primeiro semestre de 2028.

Na avenida também está localizado o Parque Chácara do Jockey, o qual batizou o nome da futura estação de metrô supracitada. Ele foi inaugurado em 2016 e encontra-se em um antigo terreno que pertencia ao Jockey Club de São Paulo.

A avenida inicia-se na Praça Jorge de Lima e termina na Avenida Jorge Amado, na divisa com o município de Taboão da Serra.

Seu nome é uma homenagem ao jurista e político brasileiro Francisco Antônio de Almeida Morato.[

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 XXVIII

CAMBUCI, VILA PRUDENTE, IPIRANGA


Sobrados geminados do Cambuci. Sâo Paulo Antiga. 


Cambuci é um bairro situado na região central do município de São Paulo pertencente ao distrito do Cambuci. Conhecido desde o século XVI, é um dos bairros mais antigos do município.[1]. Está localizado a sudeste do marco zero da Praça da Sé. Tem como vizinhos o bairro da Mooca a leste e norte, Vila Mariana e Ipiranga ao sul, Aclimação e Liberdade a oeste. A origem do nome do bairro Cambuci tem duas possíveis versões, uma delas diz que o nome veio do tupi-guarani "cambuci" que significa "pote",[3] e que passava na região do largo (com cinco ruas que antigamente eram passagem obrigatória) um córrego que tinha o nome de "Cambuci". O nome do largo no início era Largo do Pote e depois ficou Largo do Cambuci. A outra versão é que o nome faz uma referência a um certo tipo de árvore chamada também "cambuci", da família das Mirtáceas, que era bastante comum nesta região, e desta árvore, era extraída pelos moradores um fruto chamado "cambricique" utilizado na fabricação de pinga na época. O crescimento da região fez surgir o bairro no ano de 1906. Nos primórdios do município de São Paulo de Piratininga, a região de Cambuci era utilizada como trilha para poder chegar no Caminho do Mar e que, por fim, chegasse ao município de Santos. Durante o caminho, os tropeiros lavavam seus pés no Córrego do Lava Pés, que tem este nome justamente pelo seu uso, além disso, descansavam por algum tempo alimentando os seus animais de carga. Devido ao uso constante dessa região surgiu a necessidade de desenvolver ao redor da trilha um pequeno comércio e algumas chácaras, sítios e fazendas, e isso ocorreu a partir de 1850. Nos anos de 1870 foi construída a Capela Nossa Senhora de Lourdes por Eulália Assunção e Silva (1834-1894), devota da santa. A capela tem o mesmo estilo da gruta localizada na França em Lourdes.

O bairro do Cambuci foi considerado por moradores, durante o século XX, o berço do Anarquismo, já que era alvo de muitas manifestações operárias. Além disso, houve durante a Revolta Paulista de 1924 a ocupação de rebeldes na Igreja da Glória (na época, Igreja do Cambucy), liderada pelo general Isidoro Dias Lopes pela sua localização no ponto mais alto da região. Durante 23 dias, os operários tomaram aquele espaço e enfrentaram as tropas legalistas para que, assim, tivessem a queda do presidente Artur Bernardes. Portanto, o Cambuci foi um dos palcos da revolução junto com o Brás e a Mooca, os quais no fim ficaram devastados. Em contrapartida a toda destruição, Cambuci teve Alfredo Volpi como morador fiel a região, ele representou em sua arte também nos distritos do Brás e Ipiranga.


Trecho em obras da avenida Lins de Vasconcelos em 1956.


Apesar de já existir ocupação do local desde os primórdios do município, o bairro surgiu oficialmente apenas em 1906. Na época, era apenas passagem para o centro, sendo ocupado majoritariamente por fazendas e plantações. Com a oficialização, as ruas foram criadas e os terrenos foram loteados. Nas décadas seguintes, acompanhando a industrialização do país, toda a região, incluindo os bairros vizinhos, Ipiranga e Mooca, serviu à instalação de diversas fábricas, o que atraiu grande massa de trabalhadores imigrantes, especialmente italianos e sírios-libaneses, a viver no bairro, delineando características do bairro preservadas até hoje, como velhos galpões fabris e sobradinhos operários.

A partir da década de 1970, as fábricas começaram a abandonar o bairro, seguindo a tendência de se mudar para locais mais afastados na Região Metropolitana de São Paulo e no Interior de São Paulo. O bairro, aos poucos, mudou seu aspecto fabril para se tornar um bairro de serviços, passando a concentrar grande variedade de comércios no eixo do Largo do Cambuci e Avenida Lins de Vasconcelos. Os terrenos abandonados deixados pelas antigas fábricas atraíram os moradores sem-teto, e em contrapartida, há espaços de intervenções artísticas, como o grafite. Um dos maiores exemplos são as obras d'Os Gêmeos, principais expoentes do grafite paulistano atual e originários deste bairro.


A Rua Espírita era curtinha e no final dela erguia-se o Morro do Piolho, local em que se reuniam os valentões e malandros do passado. Hoje a rua estendeu-se até o alto do morro. Seu nome é uma lembrança de um personagem que lá morou, o famoso médium Batuíra, um dos precursores do kardecismo em São Paulo. Era a rua do espírita e acabou tornando-se Rua Espírita. Batuíra foi consagrado como médium espírita, mas tem uma história interessante e para conhecê-la vamos voltar um pouco no tempo até 1838 na Vila Meã, Freguesia de São Tomé do Castelo, Concelho de Vila Real, perto da cidade do Porto, onde nasceu Antônio Gonçalves da Silva, que aos doze anos embarca para o Brasil aportando no Rio de Janeiro em 3 de janeiro de 1850. Ficou na então capital do Império por dois a três anos trabalhando no comércio, quando foi para Campinas trabalhar na agricultura. Tinha o transmontano uns 17 anos quando veio à capital da Província e empregou-se como distribuidor de jornais de porta em porta. Entregava os exemplares do Correio Paulistano. Como andava sempre rápido de um lado para o outro recebeu o apelido de Batuíra, nome popular de uma ave de pouco mais de um palmo de altura e muito arisca chamada narceja. Este apelido que o acompanhou por toda a vida acabou sendo adotado por Antônio Gonçalves como seu último sobrenome. Dizem que tinha muita facilidade de relacionamento com as pessoas de todos os níveis e acabou muito popular. Da convivência com seus amigos estudantes da Academia é que surgiu a ideia do teatro, que não só dirigia, mas onde também atuava em palco. Seu teatro funcionou entre o final da década de 1860 e 1880 no número 10 da antiga Rua da Cruz Preta, depois Rua do Príncipe e atual Quintino Bocaiúva. Ficava nos fundos de uma taverna. Não era grande, devia comportar umas 200 pessoas e era conhecido como o Teatrinho do Batuíra. Era a alegria dos estudantes, pois a entrada custava mil réis, mas se o estudante não podia pagar, não tinha problema, entrava do mesmo jeito e era bem recebido. Era uma boa alternativa para quando não havia funções no Teatro São José. Batuíra era querido por seu público. Quando as cortinas se levantavam e ele aparecia no palco, os estudantes o aplaudiam muito e era saudado com versos meio “non sense”:

Salve grande Batuíra
Com seus dentes de traíra
Com seus olhos de safira
Com tua arte que me inspira
Nas cordas da minha lira
Estes versos de mentira


Alguns jornais da época, maldosamente, chegaram a dizer que no local do teatro o que existia era na realidade uma rinha de galos, chegando até O Cabrião, semanário satírico, a utilizar-se deste boato em uma de suas charges políticas. Mas a verdade é que até artistas de boa fama apresentaram-se no teatrinho do Batuíra. Mas o local havia sido utilizado para rinhas antes de ser teatro, como mostra uma carta de Batuíra em resposta às acusações, publicada no jornal O Correio Paulistano de 2-12-1869. Mais tarde resolveu dedicar-se à fabricação de charutos, conseguindo melhorar sua situação financeira e comprou uma área desvalorizada na região do Lavapés, onde começou a construir várias casas que alugava aos mais carentes. Batuíra era dotado de um espírito idealista e humanitário. Participou ativamente da campanha abolicionista de Luiz Gama e Antônio Bento, chegando a esconder escravos fugitivos em sua própria casa até conseguir negociar sua alforria. Foi um dos pioneiros na divulgação da doutrina espírita no Brasil, em 1890 fundou o Grupo Espírita Verdade e Luz, ainda existente, e no mesmo ano comprou uma tipografia a que deu o nome de Tipographia Espírita e lançou o periódico Verdade e Luz. Conta-se uma história curiosa a respeito de como Batuíra aproximou-se do Espiritismo. Ele foi casado em segundas núpcias com Maria das Dores Coutinho e Silva, e dessa união nasceu Joaquim Gonçalves Batuíra. Em 1883, aos doze anos de idade o menino espeta o dedo num espinho de roseira e contrai um tétano, vindo a falecer. Como é natural, a morte repentina trouxe muita comoção e tristeza à família. O velório foi realizado na casa da Rua Espírita e Batuíra mostra-se entristecido, porém respeitoso com todos, como era habitual. Lá pelas tantas, muito emocionado, Batuíra levanta-se e retira-se para seu quarto trancando a porta. Depois de meia hora, ressurge na sala com a fisionomia modificada. A dor foi substituída pela paz e tranquilidade. Declara a todos os presentes que não quer mais lamentos e choros pelo filho, pois ele não estava morto, porém bem vivo ao lado de Jesus. Para surpresa de todos, Batuíra sai de casa e volta mais tarde com uma banda de música, que começa a tocar. Não música fúnebre como seria de se esperar, porém alegres valsas, polcas e marchas. Para uns seria o desvario de um pai enlouquecido pela dor, para outros uma ofensa. Mais tarde, porém Batuíra contaria aos seus amigos mais íntimos que, trancado em seu quarto começou a ver um vulto se formando envolto por uma luz. Dentro de pouco tempo reconheceu naquele vulto seu filhinho querido que lhe dizia: “Pai, não fique triste. Eu não morri. Estou mais vivo do que nunca”. A partir deste episódio começou a interessar-se pelo Espiritismo e trabalhar na sua divulgação e prática de caridade para com os necessitados. Batuíra morreu em 22 de janeiro de 1909 aos 69 anos, sendo enterrado no cemitério da Consolação. Em sua homenagem, em 2009, os frequentadores do Grupo Espírita Batuíra de Algés (Portugal) afixaram, uma placa com seu retrato na casa onde nasceu na Vila Meã. Edson Loureiro. São Paulo Passado. 

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Vila Prudente em 1968. um distrito do município de São Paulo, localizado na zona leste. A história da Vila Prudente começou no início do século XVI com a doação de uma sesmaria a João Ramalho, para que ele a povoasse. Depois de três séculos, em 1829, o negociante João Pedroso adquiriu lotes e formou na área sítios de recreio, nos quais criava gado e plantava árvores frutíferas. Aos poucos, ele foi ampliando os limites da área, que passou a englobar os baixos do Zimbaúba (atuais Vila Zelina, Vila Bela e Jardim Independência). A fundação de Vila Prudente ocorreu em 4 de outubro de 1890. Foi neste ano que os imigrantes italianos Irmãos Falchi (Emiídio, Panfilio e Bernardino Falchi), com auxílio do financista Serafino Corso, compraram a gleba de terra de Martinha Maria, viúva de Antônio Pedroso e instalaram a primeira indústria da região, a Fábrica de Chocolates Falchi. O nome do bairro (e distrito) vem da admiração que os irmãos Falchi, proprietários na época da fundação, tinham pelo então presidente do estado de São Paulo, Prudente de Morais, que seria, anos depois, o primeiro presidente do Brasil de origem paulista. [Textos e imagens da Wikipedia]


A Avenida Sapopemba , zona Leste da cidade de São Paulo, Brasil, um dos maiores logradouros da Capital, com 38,5km de extensão, com dezenas linhas de ônibus diferentes (entre municipais de São Paulo, municipais de Mauá e Ribeirão Pires). A avenida é atendida por quatro estações da Linha 15 - Prata do Metrô de São Paulo: Estação Jardim Planalto, Estação Sapopemba, Estação Fazenda da Juta e Estação São Mateus. Inicia no acesso à avenida Salim Farah Maluf, no distrito da Água Rasa e termina no Largo de Santa Luzia, próximo ao centro do município de Ribeirão Pires, à leste da Grande São Paulo. A partir da limítrofe entre Mauá e o município de São Paulo, esta via passa ser denominada como "SPA-052/031 Ramal Sapopemba", trecho sob jurisdição do DER (Departamento de Estradas de Rodagem). Sua origem remonta ao início do século XIX, quando era chamada de Estrada de Sapopemba, e ligava a zona rural ao centro da cidade de São Paulo. Em 3 de junho de 1954 o prefeito Jânio Quadros sancionou a Lei 4.484 que alterava o nome de "estrada" para "Avenida Sapopemba", após algumas tentativas fracassadas de alterar o nome anos antes.[Textos e imagens da Wikipedia]


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 XXIX

SANTANA, TUCURUVI,  VILA MAZZEI



Placa de um bonde do século XIX em exibição no Museu do Transporte

Santana é o principal, um dos mais antigos bairros da Zona Norte do município de São Paulo, no Brasil. Surgiu em 1782 originado da Fazenda de Sant’Ana, propriedade da Companhia de Jesus que foi pela citada primeira vez em 1560 pelo padre José de Anchieta, funcionou como o cinturão verde da "São Paulo dos Campos de Piratininga". As terras da fazenda foram divididas em sesmarias no início do século XIX. O Império do Brasil começou a nascer na Rua Alfredo Pujol, onde ficava a sede da fazenda, pois foi ali que a família dos Andradas se estabeleceu e o lugar onde José Bonifácio de Andrada e Silva redigiu o manifesto paulista que ajudou na declaração do Dia do Fico por parte de dom Pedro I (posteriormente, houve a independência do país, em 1822). Um pequeno núcleo se formou no entorno da antiga fazenda. Na planta de 1897, já aparece um traçado de ruas, mas as casas concentravam-se exclusivamente ao longo de algumas destas.

O século XX marcou a integração de Santana à metrópole, dos bondes puxados a burros do século XIX à inauguração da primeira estação do metrô na década de 1970. Com esse processo de desenvolvimento e avanços em sua infraestrutura, o bairro transformou-se em um dos principais polos comerciais da zona norte e da cidade. É o mais antigo núcleo de povoamento na cidade ao norte do Rio Tietê. O bairro foi conhecido por muito tempo como Fazenda Tietê ou Guaré, no caminho de Atibaia e de Minas Gerais. Os colonizadores portugueses trouxeram índios escravos, se instalando juntamente com jesuítas, que já haviam montado um colégio para a catequização.  A sede da fazenda, construída em 1734, ficava onde é hoje o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo. Como reflexo da determinação do Marquês de Pombal de expulsar os jesuítas do Reino de Portugal e de suas colônias, confiscando seus bens, a fazenda passou a ser administrada pelo governo da Capitania de São Paulo, já não mais pela Companhia de Jesus. A fazenda tinha seus limites a partir das imediações do Jardim da Luz, seguindo o Rio Guaré (atual Tietê) e terminando aproximadamente em Mairiporã. No início do século XIX, a Coroa tentou fundar um núcleo colonial distribuindo terras em sesmarias. Em 1887, viviam, ali, pouco mais que 130 pessoas, que cultivavam vinha, batata e milho. Anos depois, foi criada a Paróquia de Sant’Ana, tendo, por sede provisória, a Capela de Santa Cruz, no Alto de Santana. Até 1897, as habitações encontravam-se apenas ao longo das atuais ruas Alfredo Pujol e Doutor César. Devido às inundações periódicas da várzea do Tietê, houve uma expansão lenta e a fazenda foi sendo dividida e subdividida, surgindo então o núcleo do atual bairro de Santana. Em 1821, a sede da fazenda era chamada de Solar dos Andradas e, em dezembro deste mesmo ano, José Bonifácio de Andrada e Silva, vice-presidente da província, redigiu a representação paulista ao Governo Imperial neste solar.
No ano 1852, o alferes de milícias Francisco Antônio Baruel, representante de uma das primeiras famílias da Zona Norte, adquiriu terras no bairro. Ele era agricultor, criador de animais, fabricante de farinha e de telhas. Fabricava telhas no Sítio Morrinhos, transportando-as, por canoas, pelo Rio Tietê. Formou a Chácara Baruel, que possuía a área de um alqueire (24 250 m²) e cuja sede situava-se em um castelo de estilo nórdico construído por volta de 1879. A Família Baruel ajudou na construção da Capela de Santa Cruz no Alto de Santana. Tempos depois, este palacete, chamado também de "Castelinho de Santana", se tornou um orfanato dirigido por Pérola Byington. Francisco Baruel foi homenageado com uma rua que situa-se próximo ao palacete.[Textos e imagens da Wikipedia]

Biblioteca Narbal Fontes,  casa da Chácara Baruel

Outro imóvel que restou da Chácara Baruel foi a casa de dona Maria, filha dos Baruel. Construída em estilo normando com estrutura sólida e rico trabalho arquitetônico, é um patrimônio histórico que preserva a história do bairro. Nos anos 1950, a casa foi apropriada pela prefeitura e a Biblioteca Narbal Fontes foi criada na gestão do prefeito Jânio da Silva Quadros, recebendo, como patrono, o escritor e médico Narbal Fontes. Ocupa área de 1 450 metros quadrados, sendo circundada por um jardim com muitas árvores e bancos. Na Avenida Conceição, na direção de Guarulhos,  uma escola estadual também recebeu o nome do médico. 

Recorte de um mapa do período imperial ligando a região da atual zona norte com a serra do mar e o litoral (.Cubatão, Santos e São Vicente). Publicação:  São Paulo Antiga. 


Dificuldades de acesso a Santana eram históricas e retardaram o desenvolvimento até meados do século XIX. Até então, a região produzia uvas e vinhos. Quando a Companhia Cantareira e Esgotos resolveu captar água na Serra da Cantareira para abastecer o reservatório da Consolação foi necessária a criação de um meio de transporte para locomoção de trabalhadores e materiais de construção. Por isso, o Governo do Estado resolveu construir a pequena linha férrea provisória do Tramway Cantareira. Ao final do ano de 1893, o trem já estava em operação. Passava por Santana na atual Avenida Cruzeiro do Sul transportando passageiros e cargas. Houve uma ampliação do sistema por meio de um ramal até Guarulhos. Este ramal começava na Estação Areal (próximo ao atual Parque da Juventude) e seguia pela Avenida General Ataliba Leonel. A Estação Santana ficava na Rua Alfredo Pujol, entre a Rua Voluntários da Pátria e a Avenida Cruzeiro do Sul, não muito distante de onde, mais tarde, foi construída a Estação Santana do metrô. Além de garantir o acesso, a ferrovia ajudou a desenvolver o bairro rapidamente. Mas, em 31 de março de 1965, após 72 anos de uso, o trem foi desativado, pois frequentemente ocorriam acidentes nas ruas de Santana, oferecendo um risco à segurança dos moradores e também para liberar caminho para o metrô.[Textos e imagens da Wikipedia]


Sede residencial da antiga Fazenda Sant'Anna




Rua Voluntários da Pátria em 1973.

A rua Voluntários da Pátria começa na Marginal Tietê, na zona norte, liga-se a importantes vias de Santana, como Avenida General Ataliba Leonel, Avenida Brás Leme e Rua Conselheiro Moreira de Barros e termina no Mandaqui logo no início das avenidas Zumkeller e Santa Inês. Até a segunda metade do século XIX, a Voluntários era chamada "Estrada para Bragança". O nome atual da rua é uma homenagem aos "Voluntários da Pátria", soldados brasileiros que lutaram na Guerra da Tríplice Aliança (Guerra do Paraguai). É uma das ruas mais importantes, movimentadas e conhecidas da zona norte paulistana. Possui grande concentração comercial, principalmente nas proximidades da estação Santana. Ao longo de seus quase 5 quilômetros de extensão, encontram-se um pequeno shopping, a Galeria Santana, lojas, supermercados, agências bancárias, alguns colégios e faculdades, cinco hospitais e vários edifícios comerciais e residenciais. Possui cerca de 600 lojas. A região baixa da rua, nas proximidades da Estação Santana, está relativamente degradada, devido principalmente a zonas de meretrício noturnas, inúmeras pichações e certo número de moradores de rua. No trecho mais alto da rua, passando pela região do Alto de Santana até as proximidades do Hospital Mandaqui, há predomínio residencial, com muitos edifícios de classe média, média-alta.

Rua Alfredo Pujol em Santana. Linha de bonde saindo da rua Voluntários da Pátria em direção ao quartel do CPOR (rua Marechal Hermes da Fonseca), meados da década de 50, com os trilhos do trem da Cantareira.

A Rua Alfredo Pujol começa na Rua Voluntários da Pátria, próximo a Avenida Cruzeiro do Sul, na zona norte, liga-se a vias de Santana, como Rua Voluntários da Pátria, Rua Amaral Gama, Rua Frei Vicente do Salvador, Rua Cônego Manuel Vaz, Rua Aluísio Azevedo e termina na Rua Leão XIII no Jardim São Bento. O nome da rua é uma homenagem a Alfredo Gustavo Pujol (1865-1930). É uma das ruas mais importantes de Santana, fazendo a ligação deste com o bairro vizinho do Jardim São Bento. Nos séculos XVIII e XIX era a rua que situava a sede da Fazenda de Sant' Ana (onde é hoje o CPOR/SP). No trecho inicial é plana, não abriga nenhum prédio, nas outras áreas da via algumas edificações são voltadas ao uso residencial, mas a maioria é comercial. Na sua extensão encontram-se o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo; cursinhos; padarias; a Gazeta da Zona Norte, que é‎ um jornal tradicional do bairro; a Associação Brasileira de Oficiais da Reserva do Exército e diversas lojas. As ruas afluentes a ela, ladeiras, abrigam na sua maioria casas de uso residencial de médio padrão.

 VILA MAZZEI 


Estação Vila Mazzei do extinto Tramway da Cantareira em 1927, dois anos após a inauguração da estação. A estação foi desativada em 1965 e demolida pouco tempo depois, ficava onde atualmente se encontra a Praça José Nelson Anastassi. Fotos e dadoa - Arquivo Público do Estado

A Vila Mazzei é um bairro da cidade de São Paulo, pertencente ao distrito do Tucuruvi. Está localizado na zona norte da cidade e é próximo à estação de metrô do Tucuruvi. É um bairro com muitas ladeiras e de característica residencial. A Avenida Mazzei é uma das principais do bairro.

A vila era uma das estações do Trenzinho da Cantareira, porém no ramal que ia para Guarulhos. Inaugurada em 1925 a estação ficava na quadra onde hoje se cruzam as ruas Pero Vidal, Manuel Gaya e Benjamim Pereira. O ramal Areal - Guarulhos foi desativada em 1964 e a estação foi demolida em 1965.

A origem do nome do distrito vem do sobrenome de uma família de italianos que tinham terras no local no início no século XX.


 Vila Mazzei. Uma interessante foto do final da década de 20 mostrando a Rua Conego Ladeira ... ao alto no lado direito a capela que deu origem a Igreja do Menino Jesus e mais ao lado esquerdo o Grupo Escolar Tucuruvy na Rua Ausonia. Fonte: Tucuruvi Antiga. 


TUCURUVI



Tucuruvi é um bairro do distrito homônimo, na Zona Norte do município de São Paulo, no Brasil.Seu nome vem da língua tupi e significa "gafanhoto verde", através da junção dos termos tukura (gafanhoto) e oby (verde). Fica próximo à Serra da Cantareira. É conhecido por ser o bairro onde se situa a sede da escola de samba Acadêmicos do Tucuruvi e a Subprefeitura de Santana-Tucuruvi, além da Estação Tucuruvi do Metrô. Dentre as principais vias do bairro, estão: Avenida Tucuruvi, Avenida Mazzei, Avenida Guapira, Avenida Nova Cantareira, Avenida Coronel Sezefredo Fagundes, Avenida Luiz Dumont Villares e Avenida Doutor Antônio Maria Laet - essas duas últimas compõem o Corredor Norte-Sul. Além dos acessos á Mairiporã, via Serra da Cantareira, o bairro é o ponto inicial da Rodovia SP-08 (Coronel Sezefredo Fagundes), que Liga São Paulo a Socorro.

Bairros como Mandaqui, Tremembé e Tucuruvi se formaram no entorno das estações do trem. Hoje, o Tucuruvi é um dos bairros mais importantes da Zona Norte de São Paulo e abriga a última estação da Linha 1 do Metrô de São Paulo. 

O Tramway da Cantareira, implantado para a construção do reservatório de água no alto da serra, incentivou o surgimento de numerosas chácaras no início do século XX, que produziam hortaliças e serviam também como local de descanso e férias. O loteamento da região teve início nas décadas de 1920 e 1930, mas a ocupação dos lotes não acompanhou esse ritmo. Bairros como Mandaqui, Tremembé e Tucuruvi se formaram no entorno das estações do trem. O Tucuruvi manteve aspectos rurais durante muito tempo. Até 1965, o trem da Cantareira ainda era um dos únicos meios de transporte dos seus moradores. Hoje, o Tucuruvi é um dos bairros mais importantes da zona Norte e abriga a última estação da linha Norte/Sul do Metrô.


As fotos mostram o Cine Tucuruvi em dois aspectos distintos: um em 1945 e outro em 1960. 

Na primeira foto, vemos a fachada do antigo Cine Tucuruvi, que funcionou no prédio que foi demolido na Av. Tucuruvi, onde hoje esta estabelecida uma loja de colchões, esquina com a Av. Luis Dumont Villares. - 1945. 

Na segunda foto, vemos a mesma fachada do cinema e também os estabelecimentos comerciais que existiam à época, como a Padaria Trigo Puro, a Foto São Luiz, o Bar do pai da Filomena, a casa do Jaime (todos demolidos para a abertura da avenida), e vemos ainda o muro da escola Silva Jardim, firme até hoje, e a ponta do telhado da casa do Fidalgo que foi demolida (onde existe o prédio da Subprefeitura Santana - Tucuruvi). Meados para o final da década de 1960. Fonte: Tucuruvi Antiga


Avenida Tucuruvi nos anos 1950

Avenida Tucuruvi nos anos 1970. 






São Paulo Velhos Tempos. "Na foto vemos uma noiva, o noivo e os convidados que voltam de um casamento religioso. Vão para a festa, caminhando na Linha do Trem vindo da Estação Tucuruvi do Trem da Cantareira sentido Guarulhos. Na época, a maioria das ruas do bairro não eram pavimentadas e portanto ficava difícil para veículos, as pessoas caminhavam muito a pé. Foto: Casamento da Sra. Cleusa dos Santos Braga no ano de 1965.


XXX

MANDAQUI, JAÇANÃ, TREMEMBÉ, CARANDIRU

HORTO E CANTAREIRA



Avenida Zumkeller com a Avenida Santa Inês, no bairro do Mandaqui, nos anos 1970. SP in foco.


MANDAQUI



A primeira referência oficial ao Mandaqui data de 1616, quando a Câmara da então Vila de São Paulo de Piratininga deu permissão ao bandeirante Amador Bueno da Ribeira para a construção de um moinho de trigo ao lado do Ribeirão Mandaqui ("rio de mandis"), que era afluente da margem direita do Rio Grande (atual Rio Tietê). Após a construção do moinho, no ano de 1641, um pilão de água foi instalado no local pelo Sr. Josaphat Batista Soares, em sua propriedade que, provavelmente passou a ser chamada de Fazenda Pilão de Água. Consta assim, que Josaphat Batista Soares foi um dos primeiros moradores do bairro Mandaqui. Com a construção do moinho e do pilão, a região tornou-se propícia para a imigração de diversas etnias da Europa, principalmente os alemães, franceses, e posteriormente portugueses, que foram se instalando próximos ao sopé da Serra da Cantareira, que atualmente também abriga o Parque Estadual Alberto Löfgren (antigo Horto Florestal de São Paulo). Este surgiu baseado nas grandes fazendas que se localizavam nesta região no século XVII que pertenciam a portugueses da época. Nesta época existia a Estrada de Ferro Cantareira, que era muito utilizada para transportar mercadorias e fazer ligação de uma região a outra.

Uma das primeiras famílias imigrantes dessa região foi a família a Zumkeller, (mais precisamente em 1863 conforme Escritura arquivada no Arquivo Histórico do Estado de São Paulo - propriedade comprada pelos irmãos Lucas e Adolpho Zumkeller) de origem suíço-alemã, que se instalou onde hoje temos o Conjunto dos Bancários. Estes se dedicaram a plantar videiras, produzir vinho e criar gado leiteiro. O sobrenome Zumkeller, atualmente, nomeia uma grande avenida e incorpora o nome de ruas do bairro, rua Judith Zumkeller, rua Alfredo Zumkeller e rua Eduardo Zumkeller.

No início do século XX, outra tradicional família de origem européia chegou ao Mandaqui e bairros vizinhos, os De Laet. Atualmente, encontramos seus nomes em inúmeras ruas e até escolas, como a Rua João De Laet, Rua Isidoro De Laet e a Escola Municipal Professor Adolpho Otto De Laet.

Nos séculos XVIII e XIX, as imensas fazendas que existiam na região começaram a ser progressivamente retalhadas tornando-se chácaras já habitadas por portugueses. Foi assim que, em 1928, o sr. Alfredo Zumkeller, o patriarca da família, dividiu suas propriedades com os filhos, que começaram a loteá-las.

O século XIX foi marcante para o bairro do Mandaqui, afinal foi em 1893 que o bairro recebeu o Tramway da Cantareira ou Trem da Cantareira, e em 1896, a inauguração do Horto Florestal. Ambos foram incisivos na transformação do local da ruralidade à urbanização.

A estrada de ferro que passava pelo bairro, com o seu trem a vapor, Trem da Cantareira, foram o principal recurso para as obras do Reservatório da Cantareira, tão importante, até hoje, para o abastecimento do município de São Paulo. Em poucos anos o trem passou a servir para o transporte de passageiros e tornou-se a principal ligação da zona norte como centro da cidade. Assim passou a trazer os trabalhadores na construção do parque Horto Florestal.

A posteriori, pela via férrea, vinham muitos visitantes interessados nos 187 hectares do Horto Florestal devido a sua flora com eucalipto, pinheiro-do-brejo, o interessante pau-brasil, carvalho-nacional, pau-ferro, jatobá, e outras espécies e também devido a sua fauna com bugios, capivaras, esquilos, jacus, macacos-prego, garças e maritacas, mergulhões e tucanos.

No ano de 1939, a região ainda era de mata e a temperatura típica de pé de serra. Isto propiciou o então médico Ademar de Barros a interceder junto ao presidente da república Getúlio Vargas a construir um santório para tuberculosos onde hoje é a divisa entre o baixo Mandaqui início do bairro de Santana. O hospital depois passou a atender os acometidos por pênfigo (fogo selvagem), mas manteve-se como um centro especializado em doenças respiratórias até 1982, quando o governo do Estado iniciou sua transformação para hospital geral. O Hospital passou a ser chamado por Conjunto Hospitalar do Mandaqui.

A partir da década de 60, o bairro do Mandaqui começou a se verticalizar e atualmente abriga vários prédios domiciliares e somente alguns poucos comerciais. Então, apesar de manter-se um bairro residencial, seu vertiginoso crescimento populacional em suas ruas estreitas, causam bastante transtorno no transporte. A exemplo do seu crescimento populacional temos os populares Conjunto dos Bancários e os Condomínios Vitória Régia I e o II. Somente o Condomínio Parque Residencial Vitória Régia II possui 5000 moradores, confirmando o alto índice habitacional do bairro.


JAÇANà


Vista aérea do Jaçanã nos anos 1950. Publicação:  Bairro do Jaçanã SP. Ontem e Hoje.


Jaçanã é um distrito situado na zona norte do município de São Paulo, pertencente à Subprefeitura de Jaçanã/Tremembé. O distrito é em grande parte residencial e é circundado pela Serra da Cantareira e pela cidade de Guarulhos. Ficou célebre na canção Trem das onze de Adoniran Barbosa. Seus versos dizem: Não posso ficar nem mais um minuto com você / Sinto muito, amor, mas não pode ser. / Moro em Jaçanã... se eu perder esse trem, que sai agora às onze horas / Só amanhã de manhã (...). Os versos fazem referência ao Tramway da Cantareira, cujo Ramal de Guarulhos que ia do Carandiru até Cumbica operou até 1965 com uma estação no distrito.

Bairros do distrito Jaçanã: Vila Milagrosa; Vila Germinal; Jaçanã; Vila Constança; Jardim Modelo; Jardim Aliança; Vila Carolina; Vila Ester; Vila Laura; Vila Isabel; Jardim Cabuçu; Parque Edu Chaves; Jardim Guapira; Vila Nilo; Chácara São João; Vila Nova Galvão;

Etimologia. Em 1870, o bairro era conhecido como Uroguapira, pois acreditava-se que houvesse ouro no local. Posteriormente, seu nome foi abreviado para Sítio Guapira, nome dado pelos indígenas para a região da Cantareira. Em 1 de junho de 1930 o bairro passou a se chamar Jaçanã, nome da ave ribeirinha que se caracteriza pelo tom avermelhado do peito e que abundava na região. O nome antigo permaneceu em locais como a Avenida Guapira e o Clube Guapira.

História. Em 1874, os primeiros leitos do Hospital Geriátrico D. Pedro II foram instalados para atender a mendigos e idosos, na época o hospital era conhecido como Asilo dos Inválidos.[1] Em 1906, começava a ser construído o prédio que permanece até hoje, com projeto e arquitetura de Francisco de Paula Ramos de Azevedo. A inauguração ocorreu em 2 de julho de 1911, com a presença de diversas autoridades, como o então presidente do estado Manoel José de Albuquerque Lins. Em 1904, foi inaugurado o Hospital São Luiz Gonzaga, com o nome de Leprosário Guapira, e tinha a finalidade de cuidar de doentes que sofriam de lepra. A partir de 1932, o nome foi alterado e passou a tratar também de doentes de tuberculose. Nesse local também foram feitas as primeiras cirurgias cardíacas e realizado o Primeiro Congresso Brasileiro de Tuberculose.


Fachada do antigo Asilo dos Inválidos em 1929, atual Hospital Geriátrico e de Convalescentes D. Pedro II.



Em 1934, grandes glebas de terra foram loteadas pelos irmãos Mazzei, tornando a área um típico bairro paulistano de classe média.

Em 1949, no final da Rua Francisco Rodrigues, próximo a duas chácaras e a um grande terreno de onde se tirava argila para a indústria de tijolos Aremina, foi inaugurado o primeiro estúdio de cinema de São Paulo: a Companhia Cinematográfica Maristela. Ali foram rodados filmes com Mazzaropi, Procópio Ferreira, Adoniran Barbosa e Regina Duarte. Adoniran Barbosa ia para os estúdios no trem da Cantareira, até a estação do Jaçanã, a poucas quadras do estúdio. Esta foi a inspiração para música Trem das Onze.

Em 1964, o bairro do Jaçanã tornou-se ainda mais conhecido e foi imortalizado em toda a cidade de São Paulo pela música Trem das Onze, de Adoniran Barbosa, em que o compositor fazia referência ao trem que ligava o centro da cidade ao antigo bairro e ao município de Guarulhos. Principal meio de transporte do bairro, permaneceu em atividade entre 1893 e 1965.


Vila Holandesa  nos anos 1930. Publicação:  Bairro do Jaçanã SP. Ontem e Hoje.


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METALÚRGICA ALIANÇA



Vista aérea da Metalúrgica Aliança nos anos 1950. Embaixo uma linha de produção de peças  composta basicamente por mulheres operárias. Publicação:  Bairro do Jaçanã SP. Ontem e Hoje.



Publicação:  Bairro do Jaçanã SP. Ontem e Hoje.

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DARLING CONFECÇÕES


Dona Sol, Sr. Izo, Sr. Castro, Sr. Moises e Dona Berta. Acervo de H.Mary Marieth. Publicação:  Bairro do Jaçanã SP. Ontem e Hoje.

Dois momentos históricos Linha de Produção da Empresa Darling localizada no Jaçanã. "Sua história tem início quando Iso Masijah e Moisés Castro Nahum eram amigos na Iugoslávia quando estourou a Segunda Guerra Mundial e cada um foi para o seu lado. Em 1948, Moisés veio para São Paulo e começou a vender material de escritório. Iso também aportou por aqui, e se virava como vendedor de parafusos e outros itens para mecânicos. Ambos judeus e vindos do mesmo ponto da Europa, não demorou para se esbarrarem na sinagoga. Felizes com a coincidência, tornaram-se inseparáveis. Mas a vida era dura, dinheiro não havia nenhum, e um terceiro amigo, que vendia gravatas, sugeriu que Iso e Moisés entrassem para o mundo da confecção"



 Publicação: Bairro do Jaçanã SP. Ontem e Hoje.


A CINEMATOGRÁFICA MARISTELA




Filmagem de " Simão, o Caolho" de 1952 produzido pela Cia. Cinematográfica Maristela 


A Companhia Cinematográfica Maristela foi uma companhia brasileira produtora de filmes, fundada em São Paulo em agosto de 1950. Produziu e coproduziu cerca de 20 filmes até 1958, ano em que fechou suas portas. A companhia fez parte do cinema industrial paulista dos anos 1950, assim como a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, outro importante estúdio da época. A produtora era conhecida, de um modo pejorativo, como a "prima pobre da Vera Cruz".

História. Foi um dos primeiros estúdios de cinema de São Paulo, fundado em 1950 e localizado no bairro de Jaçanã, na Zona Norte, por Mário Audrá Júnior (conhecido como Marinho) e Arthur Audrá (deputado federal por São Paulo). Seu surgimento se deu em um momento de entusiasmo no cinema brasileiro: passada a época do chamado cinema de cavação, onde empresas investiam em certas produções como uma forma de propaganda (por exemplo, o setor agrário, a aviação, etc), pequenos empresários viram na atividade cinematográfica uma oportunidade de negócio lucrativa. Dessa maneira, Marinho, que já provinha de uma família de empresários, voltou seus olhares para a produção fílmica.

A ascensão. Sua primeira produção, Presença de Anita, se deu de modo simples, como locações exteriores e equipamentos alugados. Porém, a companhia cresceu de maneira muito rápida e desproporcional, ao passo que o irmão de Mário, Alberto, que era quem chefiava a maior parte das atividades empresariais da família no momento, se envolveu e empolgou muito com a ideia de estúdio, investindo, assim, muito dinheiro ali.

Porém, esse crescimento repentino gerou uma série do problemas, desde a elaboração dos filmes (encarados pela crítica como extremamente comerciais e que pouco abordavam os assuntos nacionais) até nas relações de trabalho conflituosas, pois, com a falta de um retorno financeiro esperado, uma vez que foram investidos mais de 30 milhões de cruzeiros para as primeiras produções, a contratação de aproximadamente 150 funcionários gerou um grande volume de demissões. Outro ponto criticado também era que os dirigentes da Maristela preferenciavam os técnicos estrangeiros, uma vez que os brasileiros trabalhavam mais e ganhavam menos.

A crise. Passada a fase inicial de extremo investimento e desorganização geral, a Maristela seguiu, pelos anos de 1951 e 1952, com difíceis questões financeiras. Produções como "Simão, o Coalho" não deram prejuízo, porém não chegaram a reparar os danos financeiros causados na primeira fase da empresa. Dessa maneira, a família Audrá vendeu o estúdio e os equipamentos para uma outra companhia, chamada Kino Filmes que, por sua vez, também enfrentou muitas dificuldades financeiras, sendo obrigada a encerrar o negócio.

Também era apontado pela crítica a falta de um plano comum no funcionamento da empresa: a realização dos filmes se dava se forma quase que dessincronizada entre seus setores, as equipes eram despreparadas tanto físico como psicologicamente, e costumavam a trabalhar em horários excessivos e não usais. Inclusive, diárias noturnas extras eram habituais, o que resultava no funcionamento dos transportes até mais tarde, fato que deu surgimento à música "Trem das Onze", de Adoniran Barbosa. Porém, apesar de todas as questões trabalhistas, o motivo mais atribuído à sua crise foi o tipo de produção que se queria fazer, que não era correspondente às condições da produtora e do próprio cinema nacional na época, em questões financeiras e de infra-estrutura.

A retomada e o Fim. Em 1954, Marinho retoma o controle da empresa, sem interferência de seus parentes, e produz com a maior frequência já vista na Maristela, filmes de viés tanto nacional quanto coproduções estrangeiras. O fim da companhia se deu por questões financeiras, que a assoaram durante toda sua trajetória de produção. A manutenção de equipamentos, do espaço físico e pagamento de funcionários fez com que, entre 1957 e 1958, a Maristela encerrasse suas atividades.



O legado. Apesar do seu breve tempo de existência, durante os anos 1950, a Companhia Cinematográfica Maristela possui importante relevância para o cinema brasileiro, principalmente dentro do circuito paulista.

Além de toda sua filmografia e o que ela representa, a empresa ainda foi responsável por introduzir nomes ilustres do cinema brasileiro. Servindo como espécie de escola prática para técnicos de todas as áreas, a Companhia ajudou a “formar” personalidades como os diretores e produtores Luis Sérgio Person (autor do clássico São Paulo S.A/1965), Glauco Mirko Laurelli e Ary Fernandes (criador da série de TV O Vigilante Rodoviário). Também estão na lista o fotógrafo Oswaldo de Oliveira (conhecido como um dos maiores técnicos da Boca do Lixo), e os montadores Luiz Elias e Sílvio Renoldi (figuras essenciais do Cinema Marginal). A Companhia também foi responsável por apresentar ao mundo críticos como Caio Scheiby, Carlos Ortiz, Marcos Marguliés e Alex Viany.

Apesar de ter sido destaque dentro do cinema paulista, a empresa também foi responsável por acolher grandes nomes do cinema carioca, como o ator e diretor Aurélio Teixeira e o diretor e produtor Roberto Farias.

Mesmo que a Cinematográfica Maristela tenho encerrado oficialmente suas atividades em 1958, seu fundador, Mário Audrá Junior, se manteve empenhado em preservar e divulgar as obras da companhia. Posteriormente, seu filho Marco Audrá, tornou-se curador, e mantém como objetivo e função promover diversos projetos de recuperação e divulgação da companhia.

Toda essa iniciativa permitiu que se fosse criado um importante projeto, conhecido como “LAB Restauro”. Essa instituição tem como propósito buscar e recuperar os filmes produzidos, pela Maristela, entre 1950 e 1960, além de restaurar, digitalizar, colorir, licenciar e distribuir as obras resgatadas.

Atualmente, o acervo da Companhia possui mais de 20 de suas produções originais, todas em condições favoráveis a preservação, porém ainda falta muito para que se recupere todas as obras da produtora. Juntamente com esses projetos, a empresa tem, aos poucos, retornado as atividades, dentro da coprodução de alguns filmes atuais.

Filmografia. Presença de Anita (1951) - Ruggero Jacobbi/Drama/97 min[5]
Susana e o Presidente (1951) Ruggero Jacobbi /Comédia/79 min
O Comprador de Fazendas (1951) - Alberto Pieralisi/Comédia/90 min
O Cinema Nacional Em Marcha (1951) - Documentário/8 min
Simão, o Caolho - 1952/Alberto Cavalcanti/Comédia/95 min
Meu Destino É Pecar - 1952/Manuel Peluffo/Drama/72 min
O Canto do Mar - 1953/Alberto Cavalcanti/Drama/87 min
Mulher de Verdade 1954/Alberto Cavalcanti/Comédia/107 min
Ana (1955) - Alex Viany/Drama/25 min
Quem Matou Anabela (1956) - D. A Hamza/Policial/93 min
Getúlio, Glória e Drama de um Povo (1956) - Mário Audrá Junior (produtor)/Documentário/73 min/
Casei-me com um Xavante (1957) - Alfredo Palácios/Comédia Musical/88 min
Carnaval em Lá Maior (1955) - Luiz Carlos Lucena/Documentário (série)
Coproduções. Magia Verde (coprodução com Leonardo Bonzi) - 1953-1955/ Gian Gaspare Napolitano/Documentário/100 min, vencedor do Urso de Prata do Festival Internacional de Cinema de Berlim 1953.
Mãos Sangrentas (coprodução com Artistas Associados Filmes) - 1954/ Carlos Hugo Christensen/Drama/92 min
Leonora dos Sete Mares (coprodução com Artistas Associados Filmes) - 1955/Carlos Hugo Christensen/Drama/110 min
Carnaval em Lá Maior (coprodução com Cinédia) - 1955/Adhemar Gonzaga/Comédia/90 min
A Pensão da D. Stela (coprodução com Cinebrás Filmes) - 1956/Alfredo Palácios; Ferenc Fekete/Comédia/87 min
Vou Te Contá... (coprodução com Columbia) - 1958/Alfredo Palácios/Comédia Musical/94 min
Os Sonhos de Um Sonhador (coprodução com Nation Filmes) - 2016/Caco Milano/Biografia; Drama/80 min
Real: O Plano por Trás da História (coprodução com LightHouse Filmes) - 2017/Rodrigo Bittencourt/Drama; História/105 min
Silvio (coprodução com Moonshoot Pictures) - 2024/Marcelo Antunez/Cinebiografia/114 min


Uma foto de 1951 dos Bastidores do filme Presença de Anita e que foi filmado nos Estúdios da Cinematográfica Maristela que ficava no Bairro do Jaçanã, zona norte de São Paulo/SP. 
(Foto e texto  frontispicio - Revista O Cruzeiro Edição Especial de Carnaval - 03/02/1951).



TREMEMBÉ





Trem da Cantareira passando pelo Tremenbé nos anos 1950



Tremembé que em tupi (Tirime'mbé "Tere-membé") significa alagadiço é um distrito do município de São Paulo. A população estimada em 2010 é de 185.731 habitantes. O distrito tem seu aniversário comemorado em 10 de novembro (Lei municipal 11.544).

O distrito é dividido em 41 bairros e alguns conjuntos habitacionais, são eles: Tremembé, Vila Nova Mazzei; Jardim Floresta; Parque Palmas do Tremembé; Jardim Hugo; Jardim Yara; Jardim Maria Nazaré; Jardim Entre Serras; Jardim Virgínia Bianca; Jardim da Ponte; Parque Ramos de Freitas; Vila Santa Maria; Vila Vieira; Parque do Tremembé; Vila Esmeralda; Jardim Santa Marcelina; Jardim Daysy; Jardim Ibira; Jardim Ibiratiba; Vila Marieta; Vila Bibi; Vila Albertina; Jardim Denise; Vila Maria Augusta; Vila Irmãos Arnoni; Vila dos Rosas; Jardim São Manoel; Parque Petrópolis; Vila Solear: Vila Pereira; Vila Brasil; Jardim Guapira (parte); Jardim das Rosas; Vila Paulistana; Jardim Filhos da Terra; Bortolândia; Parque Casa de Pedra; Jardim Apuanã; Jardim Jaçanã; Jardim Mário Fonseca; Jardim Joamar; Vila Aurora; Vila Zilda; Conj. Fidalgo; Jardim Tremembé; Jardim M Maurício; Jardim Maria Cândida; Jardim Ataliba Leonel; Vila Fidalgo; Vila Dornas; Jardim Luísa; Vila Virgínia; Jardim Piqueri; Jardim Furnas; Jardim Francisco Mentem; Jardim Joana D’Arc; Jardim Martins Silva; Jardim Campo Limpo; Jardim Fontalis; Vila Ayrosa; Jardim Flor de Maio; Chácara São José; Jardim Corisco; Jardim das Pedras; Sítio São João; Chácara Paraíso; Chácara Santa Sofia; Chácara São Francisco; Jardim Recanto Verde; Jardim Uniserve; Jardim Valparaíso; Jardim Labitary;

História. Nasceu do desmembramento da fazenda da família Vicente de Azevedo em chácaras e glebas médias, no final do século 19. Tudo indica que a sede da fazenda ficava na esquina da Avenida Nova Cantareira com a rua Maria Amália Lopes Azevedo, por isso o nome Fazendinha para a região. Na década de 1910 os filhos de Pedro Vicente de Azevedo e Maria Amália Lopes de Azevedo criaram a Cia Villa Albertina de Terrenos, dando início ao loteamento em moldes urbanos.

Devido a seu relevo e vegetação de pé da serra, que lembravam paisagens europeias, foi muito procurado por portugueses, italianos, alemães e eslavos no começo do século XX. Até recentemente tinha uma expressiva população de alemães. O restaurante Recreio Holandês, da família teuto-holandesa Van Enck, funcionou por 50 anos da Fazendinha, e era uma referência da Zona Norte em toda o município.

Por um tempo, o distrito permaneceu relativamente isolado, devido ao relevo, e também porque a região norte do município foi a última a se desenvolver. Até os anos 1950, o principal acesso ao distrito se dava através da linha de trem, o Tramway da Cantareira, surgida em 1894 para auxiliar na construção dos reservatórios de água do município. A estação Tremembé era a penúltima, antes da estação Cantareira. A operação da linha de trem foi encerrada em 1964.

Linha ferroviária no Tremembé em 1916



BAIRRO CARANDIRU


Carandiru é um bairro da zona norte da cidade de São Paulo. Recebeu este nome pois o córrego Carandiru banhava a histórica Fazenda de Sant' Ana que originou a maioria dos bairros da zona nordeste paulistana. Parte do bairro situa-se no distrito de Vila Guilherme e parte no distrito de Santana.

Nos anos 70 houve uma invasão de terras: terrenos baldios da avenida Zaki Narchi formaram uma favela homônima à avenida. Após décadas de ocupação irregular e 5 incêndios em 9 anos, todas as moradias irregulares foram removidas no ano de 2005. Próximo ao local há um conjunto habitacional vertical, o primeiro Cingapura de São Paulo, na divisa com o distrito de Vila Guilherme. Curiosamente do outro lado da avenida há um hotel sofisticado, o Novotel Center Norte, que demonstra a desigualdade social da região.

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 A PENITENCIÁRIA E O PARQUE DO CARANDIRÚ




O Carandiru  (foto acima , 1970) é nacionalmente conhecido por ter abrigado a Casa de Detenção de São Paulo, conhecida popularmente como o Carandiru (atual Parque da Juventude). O bairro também ficou famoso, embora em escala menor, por lá abrigar o antigo Teatro Silvio Santos, do SBT; nos anos 1980 e 1990 o mesmo abrigou a danceteria Ácido Plástico, conhecida por seus shows de rock ao vivo, atualmente no local funciona uma loja Maçônica. Nos anos 70 houve uma invasão de terras, terrenos baldios da avenida Zaki Narchi formaram uma favela homônima à avenida. Após décadas de ocupação irregular e 5 incêndios em 9 anos, todas as moradias irregulares foram removidas no ano de 2005. Próximo ao local há um conjunto habitacional vertical, o primeiro Cingapura de São Paulo, na divisa com o bairro de Vila Guilherme. Curiosamente do outro lado da avenida há um hotel sofisticado, o Novotel Center Norte, que demonstra a desigualdade social da região. Atualmente localizam-se parte do Parque da Juventude, inaugurado em 2003, composto por quadras poliesportivas, área de shows e apresentações, a biblioteca de São Paulo, pistas de cooper dentre outros aparelhos de lazer; o Novotel Center Norte; o 9º DP, a ETEC Parque da Juventude, a escola de samba X-9 Paulistana e o Departamento de Investigação sobre o Crime Organizado. Próximo ao bairro encontra-se a estação Carandiru do metrô.

Show de Rita Cadillac no complexo do Carandiru ,em foto do ano de 1984. / F. / Acervo Estadão.



2 de outubro de 1992: multidão aguarda notícias sobre a rebelião e invasão do presídio pela polícia militar. Foto: Heitor Hui-Estadão.


Implosão de três pavilhões desativados da Casa de Detenção do Complexo Penitenciário do Carandiru. (Paulo Liebert/Reprodução).



 Em setembro de 2003, o Parque da Juventude mudou a paisagem na Zona Norte, ao substituir a Casa de Detenção do Carandiru por uma grande área verde. A primeira fase do Parque, entregue em setembro de 2003, incluiu instalações esportivas como pista de skate, dez quadras (onde são praticados esportes como tênis, vôlei, futsal e basquete). Há ainda áreas de descanso, vestiários e pista para caminhada. Nesta etapa o Governo investiu recursos de R$ 7,2 milhões. A segunda fase do Parque da Juventude, denominado Parque Central, foi entregue em setembro de 2004. Seus 95 mil m² incluem um conjunto de atrativos para os visitantes como o arvorismo (modalidade de esporte que permite andar pelas árvores em caminhos suspensos), imensa área verde com alamedas, jardins, bosques, árvores ornamentais e frutíferas. As antigas passarelas de vigia da muralha do antigo presídio, que foram preservadas, é uma atração para quem quer conhecer a área, passear ou observar a natureza.

No Parque Central também serão oferecidos cursos de segurança em esportes de aventura e formação de monitores para este nicho da indústria do turismo, que capacitará profissionais para a atuarem no próprio parque e em vários pólos no Estado. O local tem ainda um viveiro onde serão preparadas as mudas e espécies arbóreas originais da Mata Atlântica. Para o início de 2005, haverá uma programação de educação ambiental dirigida a alunos da rede ensino estadual, municipal e particular. Toda esta estrutura integra um projeto paisagístico especialmente desenvolvido para a implantação do Parque Central, onde o Governo do Estado investiu R$ 6,3 milhões, por meio da Secretaria da Juventude Esporte e Lazer.

A terceira fase do Parque da Juventude será entregue em 2006 e inclui os prédios institucionais. Sua entrada será localizada em frente à estação Carandiru do metrô, facilitando o acesso não só da população da Zona Norte, mas de toda a Capital.


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HORTO FLORESTAL  E PARQUE DA CANTAREIRA


Estação ferroviária Horto Florestal, anos 1950



Horto Florestal de São Paulo. O Parque Estadual Alberto Löfgren, conhecido como Horto Florestal, é um importante parque de lazer e cultura localizado na zona norte da cidade de São Paulo a cerca de 15 quilômetros do centro do município, próximo também ao Parque Estadual da Cantareira. Foi criado pelo Decreto 335 de 10 de fevereiro de 1896 por iniciativa do botânico sueco da Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo, Albert Löfgren. Por este motivo o Parque Estadual da Cidade passou posteriormente a ter seu nome. O Parque possui diversos tipos de eventos como, playground infantil, equipamentos de ginástica, pista de cooper, lagos e variadas paisagens para contemplação dos visitantes. Além disso, ele também abriga o Palácio de Verão do Governo do Estado, as sedes da Polícia Militar e Polícia Florestal do Estado e o Museu Octávio Vecchi, também chamado de Museu da Madeira Florestal, inaugurado em 1931. Ocupa uma área de 187 hectares[6], sendo 35 de uso público, no pé da Serra da Cantareira. Fica ao lado do Parque Estadual da Cantareira, no distrito do Mandaqui. Seu acesso pode ser feito a partir do distrito vizinho do Tremembé (ao fim da Rua do Horto). Seu perímetro é de 47 875 metros. Flora e fauna. Seus ecossistemas são o horto botânico e o arboreto. Além disso, conta com uma flora rica devido as áreas de proteção criadas pelo Poder Público, as chamadas Unidades de Conservação, nas quais destacam-se árvores das espécies pau-brasil, pau-ferro, carvalho-nacional e jatobá. No local são encontrados animais como o macaco-prego, tucano, gambá, socó, garça, tico-tico, serelepe e martim pescador e diversos outros animais que estão ameaçados de extinção. O Horto Florestal também se destaca por abrigar uma notável população de capivaras. É importante lembrar que não se pode oferecer alimentos a qualquer animal silvestre presente na região, vide o regulamento do parque. Recordes climáticos. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período entre 1961 e 1990, a menor temperatura registrada no Horto Florestal de São Paulo foi de −1,8 ºC em junho de 1979 e a maior atingiu 35,8 ºC em fevereiro de 1971. O maior acumulado de chuva observado em 24 horas foi de 109,2 milímetros em outubro de 1978. Anteriormente a 1961, foi registrada a menor temperatura de toda a série, com -3,9ºC no dia 2 de agosto de 1955.

Parque Canteira em 1896. Arquivo Público SP.


Localizado ao lado do Horto Florestal , o Parque da Cantareira possui uma das maiores áreas de mata tropical nativa do mundo situada em uma região metropolitana. Seus 7.900 hectares são formados por remanescentes de Mata Atlântica. O parque assegura a proteção de seus mananciais e abriga espécies animais ameaçadas de extinção, como o bugio, o gato-do-mato, a jaguatirica, o macuco, o gavião-pomba, o jacuguaçu e o bacurau-tesoura-grande. Possui espécies vegetais, incluindo algumas ameaçadas de extinção, como a imbuia, a canela-preta e a canela-sassafrás.


TRANSPORTE E MOBILIDADE  URBANA 

DAS CARROÇAS AO METRÔ E CICLOVIAS



Visando minimizar os crescentes problemas de congestionamento e a prejudicial emissão de gases poluentes, o Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo (Lei Municipal 16.050/2014), em conformidade com a Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei Federal 12.587/2012), define diretrizes que favorecem os modos de transporte não motorizados, incentivando o uso da bicicleta como meio de transporte sustentável.

Se comparada aos modos de transporte motorizados, a bicicleta é uma alternativa de locomoção econômica e ambientalmente mais saudável, razão pela qual o Plano de Governo da atual gestão contempla a implantação de uma série de medidas adequando a cidade a esta crescente demanda


Ciclovia na rua Boa Vista- Pàtio do Colégio.

Ciclovia na marginal do rio Pinheiros. 



Estrutura cicloviária na Avenida Ragueb Chohfi. Conforme mencionado no post anterior sobre a Avenida Aricanduva, esta estrutura está próxima a esta última mas ainda sem conexão. Inicia logo abaixo da estação Jardim Colonial da Linha 15 - Prata até o Largo São Mateus e conectando com as estruturas das avenidas Adélia Chohfi e Sapopemba. Permite a intermodalidade com o Terminal São Mateus e estação de mesmo nome da L15.

O Sistema Cicloviário, parte integrante do Plano de Mobilidade do Município, tem por objetivo fomentar o uso da bicicleta como meio de transporte.

De acordo com o Plano Diretor Estratégico, o Sistema Cicloviário é caracterizado por um sistema de mobilidade não motorizado e definido como o conjunto de infraestruturas necessárias para a circulação segura dos ciclistas e de ações de incentivo ao uso da bicicleta.

ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO SISTEMA CICLOVIÁRIO

- Rede Cicloviária Estrutural - infraestrutura viária para a circulação de bicicletas

- Estacionamentos de Bicicletas - bicicletários e paraciclos

- Sistema de Compartilhamento de Bicicletas – programas de empréstimo de bicicletas

- Ações Complementares - ações e programas complementares compreendidas nas áreas de educação, comunicação, mobilização social e outros.


Para orientar o ciclista sobre os aspectos de segurança no trânsito ao pedalar, o Centro de Treinamento e Educação de Trânsito - CETET oferece o curso 'Pedalar com Segurança', em um espaço projetado para simular as situações do dia a dia de quem usa a bicicleta como meio de transporte, como 'bike fretista' ou mesmo nos momentos de lazer.



Estrutura cicloviária em implantação em São Paulo: na região da Bela Vista, nas ruas Rui Barbosa e Treze de Maio entre a Rua Santo Antônio e Praça Amadeu Amaral, conectando com as estruturas existentes da Martiniano de Carvalho e no trecho já existente da Treze de Maio chegando na Avenida Paulista. Também na região está próxima da estrutura existente da própria rua Santo Antônio e Viaduto 9 de Julho . Plamurb. 2023


A CICLOVIA DA PAULISTA



A História da Ciclovia da Avenida Paulista. Por Willian Cruz 10 de junho de 2016 

Saiba como foi a mobilização popular que levou à construção da ciclovia da Avenida Paulista e por que a presença da estrutura é tão importante nessa via.

Ao contrário do que pensam os que a consideram uma decisão autoritária do então prefeito, Fernando Haddad, a ciclovia na avenida símbolo da cidade era uma demanda antiga dos ciclistas de São Paulo e é considerada uma das maiores conquistas do cicloativismo paulistano. A via já estava incluída em planos cicloviários da cidade desde, pelo menos, 2008, sem contudo ser implantada – o que mostra, mais uma vez, que planejamento sempre foi feito, o que faltava era colocar em prática alguma parte de todos esses estudos.

Foi nesta avenida que perdemos Márcia Prado, em 2009, Juliana Dias, em 2012, e Marlon Moreira de Castro, em 2014, após serem atropelados por motoristas de ônibus, além do caso de David Santos, que teve seu braço levado ao ser atropelado por um motorista embriagado e quase veio a óbito na ocasião, sendo ressuscitado por massagem cardíaca pelo estudante de Publicidade Thiago Chagas dos Santos, de 26 anos, que passava pelo local.

A Paulista já foi palco de um sem número de Bicicletadas (que ocorrem mensalmente na avenida), Pedaladas Peladas, passeios do Dia Mundial Sem Carro e muitas outras manifestações por um trânsito mais seguro. Uma delas foi realizada em resposta ao atropelamento de David, com a afixação de um braço de plástico simbólico no canteiro central, e acabou resultando na primeira reunião de ciclistas com um prefeito na história da cidade e, por consequência, na primeira campanha paulistana de respeito ao ciclista veiculada na TV e na decisão de colocar em prática o plano de 400 km de ciclovias.

Não à toa, ciclistas comemoraram o início das obras, em janeiro de 2015, com uma divertida “pajelança”, com direito a champanhe (ou espumante, como queiram), sal grosso e folhas de arruda. 

Quando uma ação do Ministério Público suspendeu a implantação das ciclovias em março daquele ano, uma manifestação com mais de 7 mil pessoas lotou a avenida de bicicletas e foi ecoada em dezenas de cidades do Brasil e do Mundo, pedindo continuidade da implantação de ciclovias na cidade. A suspensão foi derrubada em segunda instância pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

A inauguração se deu em 28 de junho de 2015, no primeiro dia de Paulista Aberta. Com a presença de 50 mil pessoas (veja vídeo e fotos), a inauguração já mostrou a demanda reprimida, tanto pela ciclovia quanto pelo espaço aberto ao lazer e à convivência. Havia até pessoas de outras cidades e estados, que perceberam que se tratava de um momento histórico na mobilidade por bicicletas do Brasil e se sentiram parte dessa conquista.

A implantação dessa estrutura, em uma avenida de grande visibilidade e com histórico de várias mortes de ciclistas, é considerada um divisor de águas na bicimobilidade brasileira, escancarando a demanda com cidadãos circulando de bicicleta ininterruptamente em uma das avenidas mais famosas do país.

Opositores
Algumas figuras públicas se posicionaram contrárias a essa ciclovia, como o então vereador Andrea Matarazzo (na época filiado ao PSDB), que chegou a afirmar que “se faz de tudo para os ciclistas e se esquece dos carros”. O atual pré-candidato à prefeitura da cidade pelo PSD também declarou à época que o canteiro central era “essencial para a segurança de pedestres e motoristas“, dando a entender que a ciclovia colocaria em risco a vida de quem dirige. Devido à repercussão negativa de suas declarações, mudou de opinião posteriormente, passando, ao menos no discurso, a ser favorável à estrutura.

A Associação Paulista Viva também contestou a construção da ciclovia, alegando serem necessários “estudos mais aprofundados”, para que a intervenção pudesse “atender a todos os cidadãos de forma justa”. Entre outros questionamentos, apontou uma suposta “descaracterização da ideia de boulevard” da avenida.

Apesar da importância da estrutura ter sido destacada com unanimidade em Audiência Pública na Câmara Municipal de São Paulo, em novembro de 2014, a ação do Ministério Público Estadual em que a promotora Camila Mansour Magalhães da Silveira pedia interrupção da implantação das ciclovias também exigia que a obra dessa avenida fosse interrompida – o que foi negado pela justiça, apesar da suspensão temporária dos trabalhos em outros locais da cidade. A interrupção foi fortemente criticada por diversos setores da sociedade e culminou em uma manifestação com milhares de pessoas, apoiada por dezenas de cidades em todo o mundo, sendo finalmente suspensa pelo TJ-SP.

A imprensa tradicional também se posicionou contrária à implantação em diversos momentos. Dois exemplos marcantes foram a matéria da revista Veja questionando o custo das obras e esta reportagem da Globo (entre várias outras), reclamando sobre uma suposta “tinta” da ciclovia.

Nesse um ano, a via permanente para ciclistas e a abertura dominical da avenida às pessoas se consolidaram, provando seu valor com a alta adesão da população mesmo em dias de chuva e sendo aceitas até pela imprensa e pela maioria dos vereadores e demais políticos locais. Mesmo os mais críticos à política cicloviária que vem sendo implantada na cidade costumam, sutilmente, dar o braço à torcer em relação à estrutura construída na Paulista.

Por que é importante ter uma ciclovia na Paulista?

A Avenida Paulista já foi a via com mais acidentes com ciclistas por quilômetro em São Paulo – um título nada agradável para a avenida que representa a cidade. Uma de suas esquinas também foi considerada, historicamente, a líder de atropelamentos de pedestres na capital, com a sinistra alcunha de “esquina da morte”.


Uma bicicleta branca (ghost bike) marca o local onde Marcia Prado faleceu atropelada por um motorista de ônibus. A uma quadra dali está outra ghost bike, em memória de Julie Dias. Foto: Willian Cruz

Apesar da falta de receptividade dos motoristas, muitas pessoas sem passaram em bicicletas pela avenida, principalmente no horário de pico da tarde. Uma contagem fotográfica realizada pela Ciclocidade em 2010 registrou 733 ciclistas na avenida em um espaço de 16 horas. A média de 52 ciclistas por hora já equivalia a praticamente uma bicicleta por minuto naquele ano, mesmo sem haver ciclovia ou qualquer outro tipo de sinalização no local.

Mas se a bicicleta não era bem aceita pelos motoristas na avenida, por que ainda assim tanta gente passava pedalando por lá? Para responder a essa pergunta, é importante entender que as pessoas raramente saíam de casa para “passear de bicicleta na Paulista”. Quase sempre trafegavam ali para chegar a algum lugar – como os motoristas que ali estavam. E para muita gente esse sempre foi o melhor caminho para se fazer pedalando, por ser o mais curto e plano.

O eixo do “espigão”, que vai do Jabaquara à Pompeia, é relativamente plano, com um desnível irrisório e bem distribuído ao longo de seus mais de 13 km de extensão. Qualquer rota alternativa implica em muitas subidas e em aumento da distância percorrida – o que todo ciclista que está realizando um deslocamento sem intenção de treino costuma evitar.

Paralelas

Apesar da agressividade dos motoristas na Paulista, as pessoas continuavam utilizando aquela avenida para se deslocar em bicicleta por dois motivos, que se complementam: aclives e falta de segurança viária. Como a questão dos aclives é bastante clara, comentaremos apenas a questão da segurança.

Na Alameda Santos, o principal problema estava nos trechos de subida, onde motoristas embalados pela descida anterior e acelerando livremente devido à falta de fiscalização se tornam impacientes com qualquer veículo em baixa velocidade à sua frente. Numa situação como essa, os maus motoristas buzinam, forçam passagem, passam perto demais e fecham o ciclista, principalmente por se tratar de uma via com menos faixas de rolamento e veículos estacionados, que dificultam as ultrapassagens.

No sentido oposto, no trecho inicial, relativamente plano, havia presença intensa de ônibus. Além de virarem à direita ao chegar na Brigadeiro, as faixas mais estreitas e em menor número dificultam aos motoristas dos coletivos a realização de ultrapassagens. Parte deles acabava forçando a passagem de maneira criminosa, com o veículo de várias toneladas a centímetros do ciclista, geralmente com velocidade alta devido à ligeira descida. Um risco fortíssimo de atropelamento e morte.

Além do aumento do esforço físico e da distância ao adotar esses trajetos paralelos, as situações de risco com carros e ônibus assustavam e afastavam os ciclistas dessas vias. Por isso, muitos se sentiam menos seguros nessas paralelas do que na avenida principal.

Saiba mais a respeito da escolha da principal e não das paralelas nesta videorreportagem de Rachel Schein.

Deslocamentos humanos

As grandes avenidas costumam ser construídas em regiões de fundo de vale ou sobre “espigões”. Isso faz com que as paralelas geralmente tenham aclives, tornando a avenida principal o caminho mais plano, reto e geograficamente adequado a quem usa a bicicleta.

Em uma cidade para pessoas, esses caminhos seriam priorizados para pedestrianismo e meios movidos a propulsão humana, deixando o ônus dos aclives para quem só precisa pisar em um pedal ou torcer uma manopla para vencê-los.

Não adianta insistir para que o ciclista escolha outro trajeto: quem se desloca usando um meio que dependa de esforço físico (a pé, bicicleta, skate, patins e outros) tende sempre a buscar o caminho mais curto e plano. É isso o que também faz as pessoas atravessarem fora da faixa de pedestres, por exemplo, quando utilizá-la implicaria em um deslocamento de dezenas de metros.

São escolhas lógicas, naturais e compreensíveis, que devem ser aceitas e protegidas pelo poder público, além de previstas e incentivadas por quem planeja a infraestrutura viária e o meio urbano, tornando a cidade mais amigável e segura para quem for a pé ou de bicicleta e incentivando os deslocamentos sustentáveis, que fazem bem para as pessoas e para as cidades.


Vivian Reis
Do G1 São Paulo -28/06/2015

A ciclovia da Avenida Paulista foi inaugurada na manhã deste domingo (28) com festa dos ciclistas, protesto contra o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e tinta azul jogada na pista exclusiva de bicicletas. Por volta das 10h, a Paulista foi interditada ao trânsito nos dois sentidos e só foi liberada às 17h15, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

O prefeito disse, durante a cerimônia de inauguração, que a ciclovia é um "símbolo de qualidade de vida". Ele justificou o fechamento da Avenida Paulista para o evento dizendo que o espaço "é público". Ao ser questionado sobre fechamento na Paulista todos os domingos, o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, respondeu que isso ainda está em estudo. “A intenção da ciclovia é abrir a Avenida Paulista para todo mundo, não só para carros, mas também para pedestres e veículos não motorizados”, falou o secretário.

Durante a coletiva, o prefeito enfrentou protestos de pessoas contrárias ao PT, que gritavam frases contra ele e a presidente Dilma Rousseff. Simpatizantes do prefeito o defenderam gritando contra o grupo.

Uma das pessoas que protestou foi Henrique Sousa, de 39 anos. "Eles não conseguem enxergar que, naturalmente, as turmas estão contra. Não é uma coisa orquestrada. Especificamente contra ciclovia não tenho uma opinião formada porque não sou daqui. Contra o PT é óbvio, a popularidade da Dilma está em menos de 10%", afirmou.

No mesmo horário, funcionários da Prefeitura limpavam um trecho da pista, na altura do prédio da Fiesp, porque tinta azul foi jogada na ciclovia. Não havia informações sobre o responsável pelo ato de vandalismo. 

O secretário municipal de Educação, Gabriel Chalita, foi até a Avenida Paulista para a inauguração. Ele acredita que a ciclovia é uma iniciativa que demora até as pessoas se acostumarem, até por isso há muitas críticas. “A juventude olha com bons olhos essas novidades e quer se apropriar dos espaços da cidade. Os jovens nem querem ter carro.”

O ex-senador Eduardo Suplicy, secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania, pedalou na nova ciclovia na manhã deste domingo.

O advogado Roberto Valtorta diz que pensa em utilizar a ciclovia para ir trabalhar todos os dias. “Caminho quatro quilômetros por dia até o trabalho para evitar o trânsito e penso em pedalar agora para chegar mais rápido. Não acho que o trânsito vá melhorar com a ciclovia, mas deixa a cidade mais bonita”, disse. Ele conta que mora perto e costuma andar de bicicleta na região.

Com 2,7 km de extensão e construída no canteiro central, a pista exclusiva está entre a Praça Oswaldo Cruz e a Avenida Angélica. A ciclovia tem quatro metros de largura e fica a uma altura de 18 cm em relação às faixas de rolamento ao seu lado.

Devido ao alargamento do canteiro central, as faixas das duas pistas, tanto no sentido Consolação quanto no sentido Brigadeiro, precisaram ser reajustadas e diminuíram a largura de 3 metros para 2,8 metros. Já a faixa de ônibus, à direita da pista, perdeu 20 centímetros, passando de 3,5 metros para 3,3 metros.

A obra, que durou quase cerca de seis meses, custou R$ 12,2 milhões aos cofres públicos, no trecho entre as avenidas Paulista e Bernardino de Campos, incluindo a instalação de dutos para a passagem de fibra ótica sob a pista. Diferentemente da maioria das ciclovias, que são pintadas com tinta vermelha, a da Paulista é feita com concreto pigmentado com coloração.

"Nós aumentamos o espaço de pedestres no canteiro central. O pedestre tem o tempo semafórico. Se ele ficar no canteiro central, tem uma ilha de segurança que nós aumentamos”, afirmou o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto. “Fizemos o recuo para pedestre, para o ciclista, tiramos os relógios por questão de segurança”, disse.

Apesar da inauguração da ciclovia, a ciclofaixa de lazer da Avenida Paulista, que funciona aos domingos e feriados, não será desativada. “Eu acho melhor deixar segregado (ciclofaixa de lazer). Se tiver muita gente, acaba um transtorno danado. A ideia é manter a ciclofaixa de lazer e o pedestre fica ao lado”, disse o secretário de Transportes.

A construção de ciclovias é uma das principais marcas da gestão do prefeito Fernando Haddad (PT), que pretende entregar 400 km de vias exclusivas para ciclistas até o fim deste ano. Atualmente, a cidade possui 298,6 km de ciclovias, sendo 238,3 km somente da gestão do prefeito Haddad. Com as inaugurações deste domingo, São Paulo tem 307,4 km de ciclovias.


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Largo da Sé – 1910 – recuo para estacionamento de carroças. Foto de Aurélio Becherini #SPFotos


Rua do Carmo, Centro. Sede da Sociedade dos Taxistas em 1928. Cotidiano SP



Ponto de taxi no cruzamento das avenidas 7 de Setembro com Bento Viana 1960.

Chofer de Praça na Rua Mauá, ao lado da Estação da Luz, em São Paulo. Atrás vê-se o Hotel Federal Paulista, ele existe até hoje, este hotel tem mais de 100 anos. Pra fechar, um Ford 1946. A foto é de 1950. SP, suas histórias

Trânsito paulistano nos anos 1970 (época dos fuscas VW) sempre repleto de taxis e passageiros.


"UBER", QUASE 700 MIL MOTORISTAS NA CIDADE


Cidade de SP tem 563 mil motoristas de aplicativos ativos, diz Prefeitura; 74% dos carros têm placa da própria cidade. 214 mil deixaram de atualizar cadastro. Apesar do grande contingente de prestadores desse serviço, empresas como Uber e 99 se mudaram para Osasco, na Grande São Paulo, e deixaram de recolher ISS na capital paulista. Só a Uber deixará de pagar R$ 82 milhões por ano.
Por Rodrigo Rodrigues, g1 SP — São Paulo. 04/12/2021 


Aplicativo de transporte Uber, o maior da capital paulista  — Foto: Getty Images/BBC


A capital paulista atingiu em novembro a marca de 563 mil motoristas de aplicativos ativos cadastrados na Prefeitura de São Paulo, segundo números fornecidos à CPI dos Aplicativos da Câmara Municipal. Os dados da Secretaria Municipal da Fazenda e do Comitê Municipal do Uso do Viário - órgão que cobra e fiscaliza as empresas de transporte pelo uso das vias na cidade - apontam que cerca de 777 mil motoristas chegaram a se cadastrar na cidade para trabalhar nesse tipo de serviço, ao longo dos últimos sete anos. Desse total, cerca de 214 mil deixaram de atualizar o cadastro ou foram excluídos da plataforma de consulta por algum motivo. O que sinaliza, segundo membros da CPI, que trata-se do contingente de pessoas que desistiram do trabalho de motorista na cidade.

“Muitos motoristas que se arriscaram nesse tipo de serviço, sentiram na pele os efeitos da precarização do trabalho e todas as suas consequências. Não tenho dúvidas de que os custos altos da gasolina, a inflação e a fatia grande que as empresas de aplicativos abocanham do valor total da corrida fizeram muitos desistirem”, afirmou o vereador Adilson Amadeu (DEM), presidente da CPI.
“Os motoristas de aplicativos [que permanecem] tiveram que mudar sua estratégia e passaram a escolher corridas justamente por causa disto. O custo não compensa”, completa.

Segundo a Prefeitura de SP, a cidade tem 856 mil veículos cadastrados para prestar o serviço de transporte por aplicativos, com o Certificado de Segurança do Veículo de Aplicativo (CSVAPP) em dia para fazerem as corridas. Um motorista pode ter vários carros cadastrados para uso. Desse total, 678 mil são de carros com placa da própria capital e outros 178 mil de outros municípios.
Ou seja, 74% dos motoristas cadastrados na prefeitura trabalham e têm o carro emplacado na cidade de São Paulo. Como a capital tinha um contingente de cerca de 6,2 milhões de automóveis registrados no Detran-SP até maio de 2021, é possível concluir que os números apontam que cerca de 12% de toda a frota registrada em SP fez algum cadastro na prefeitura para realizar corridas por aplicativo ao longo dos últimos sete anos.

“Esse números indicam um abuso de aplicativos como Uber e 99, que tem a maior parte do contingente de motoristas com placa de SP e prestando serviço na cidade, enquanto a sede da empresa muda para Osasco para recolher imposto lá”, afirmou o vereador Marlon Luz (Patriota), que é motorista de aplicativo cadastrado desde 2015.“São aplicativos que não contribuíram em nada para controlar a pandemia e se beneficiaram diretamente da melhora econômica trazida pela vacinação. Mas na hora de recolher ISS e apresentar a contrapartida aos munícipes, preferiram mudar de cidade”, completou o vice-presidente da CPI.

Guerra fiscal. Além do Uber e 99 (antiga 99 Táxi), que anunciaram mudança para Osasco, o iFood também mantém sua sede fiscal no município vizinho à capital paulista. Em depoimento à CPI dos Aplicativos em 30 de novembro, o diretor da Uber, Ricardo Leite Ribeiro, declarou que a empresa recolheu cerca de R$ 574 milhões em Imposto Sobre Serviços (ISS) na cidade de São Paulo entre os anos de 2014 e 2020. O valor significa que a plataforma líder do mercado paulistano pagou cerca de R$ 82 milhões por ano de ISS à cidade.

8 de setembro - Entregadores de aplicativos fazem protesto em frente à Câmara Municipal de São Paulo — Foto: Celso Tavares/G1


TRANSPORTE URBANO COLETIVO

CMTC 


Fotografia comemorativa da conclusão do primeiro ônibus elétrico construído nas oficinas da CMTC, em 1964. Fonte: Lexicar Brasil.


A paulistana Companhia Municipal de Transportes Coletivos foi criada em 1946, por decreto do Prefeito Abrahão Ribeiro, na tentativa de reestruturar o transporte público da cidade de São Paulo, que passava pela maior crise da sua história. Orgulhosa em ser “a locomotiva do Brasil” e “cidade que mais cresce no mundo“, São Paulo convivia com um sistema de transportes tão caótico que, nos momentos mais críticos, obrigava a população a utilizar até mesmo caminhões “pau-de-arara” para seu deslocamento urbano. A crise paulistana (cuja situação não diferia da maioria das grandes cidades brasileiras de então) resultava da associação de três fatores principais: escasso controle público sobre os operadores privados, criados de forma espontânea ao longo dos anos, sem nenhum planejamento e com fraca regulamentação; degradação dos serviços de bondes (explorados pela Light – concessionária canadense de energia), fruto de décadas de falta de investimento e da omissão do poder público na definição e fiscalização de padrões mínimos de qualidade de serviço; e envelhecimento da frota de ônibus, como resultado da interrupção das importações de veículos durante a 2ª Guerra Mundial, das quais o Brasil era totalmente dependente. As dificuldades foram agravadas pela devolução do sistema de bondes para a Prefeitura, que não dispunha de estrutura preparada para geri-lo, assim que terminou a guerra (a concessão à Light terminou em 1941 e a empresa já comunicara seu desinteresse na renovação; a pedido do governo municipal manteve a operação até dezembro de 1945).

A CMTC foi formada como sociedade anônima de economia mista, a partir da absorção, pela Prefeitura, dos serviços de bondes e de grande parte das empresas privadas operadoras do transporte urbano da cidade. No processo, todas as empresas de ônibus foram extintas e seus proprietários, assim com a Light, tornaram-se acionistas da CMTC, na proporção do patrimônio que dispunham e que foi a ela agregado.

Desde suas origens a empresa se destacou pela busca de soluções modernas na gestão e operação do transporte municipal, quer com relação ao planejamento e integração do sistema, quer quanto à especificação dos veículos e ao fomento à nacionalização de equipamentos. Foi a CMTC que implantou o primeiro (e maior) sistema de ônibus elétrico do país, iniciado apenas três anos após a criação da companhia, com veículos importados dos EUA (no seu melhor momento a frota superou 500 veículos). Em 1955, foi a primeira empresa a utilizar uma grande frota de “papa-filas” (50 unidades do mal-sucedido ônibus-reboque construído pela Massari e Caio, tracionado por cavalo mecânico FNM). Foram de São Paulo os primeiros trólebus nacionais (Grassi / Villares, em 1958).

Foi em conseqüência à iniciativa de CMTC de modernizar e ampliar sua rede de transporte eletrificado, em 1977, que foi criado o Programa Nacional de Trólebus, para o qual foi projetada nova geração de veículos com carroçaria padron e introduzida no Brasil a moderna tecnologia de comando eletrônico de velocidade por recortador (chopper); foi ainda da CMTC o maior projeto nacional de expansão do sistema de trólebus (e um dos poucos concretizados). Em 1985 também foi a responsável pela contratação junto à Mafersa, Tectronic / Marcopolo e Villares (coligada com a Cobrasma) dos três primeiros (e únicos) trólebus articulados fabricados no país (18 m e 180 passageiros, com recursos da Finep). Entre 1987 e 88 desenvolveu e construiu protótipo de ônibus de dois andares (depois licitado e produzido pela Thamco), equipamento que teve vida curta. Já nos primeiros anos do século XXI, através de sua sucessora SPTrans, desenvolveu com a Marcopolo o sistema troncal guiado, totalmente segregado e com veículos biarticulados apelidado “fura-fila”.

Em 1957 o transporte urbano de São Paulo foi novamente aberto às empresas privadas; à CMTC, porém, foi assegurada a dupla função de gestora do sistema e de operadora – por muitos anos ainda a maior da cidade. Como gestora, a companhia teria papel vital na profunda reestruturação do sistema, implantada a partir dos anos 80. Então, já contando o município com eficiente rede de metrô, o transporte público foi reorganizado por níveis de serviço (corredores estruturais, linhas transversais, periféricas e alimentadoras), com total integração física e tarifária e clara definição do tipo e características do veículo para cada utilização. A (quase) permanente continuidade das políticas de transporte da administração municipal permitiu que o sistema paulistano se constituísse no mais bem equipado do Brasil, com a maior frota operante de trólebus, ônibus padron, articulados, híbridos e de piso baixo do país.

Trólebus da CMTC, linha 107 Centro-Tuicuruvi circulando no anos 1970. 

A persistência da CMTC na busca de melhores padrões de serviço, aliada à dimensão de mercado representada por uma cidade do porte de São Paulo prestaram, indiretamente, inestimável contribuição para a indústria brasileira de equipamentos de transporte, viabilizando economicamente, pela escala grandiosa de cada encomenda feita pela cidade, a produção de chassis e carrocerias mais adequados para o transporte público de passageiros – mais caros e sofisticados, porém de muito melhor qualidade, conforto e eficiência, reduzindo impactos urbanísticos e ambientais e cobrando menor custo social.

Além deste relevante papel coadjuvante no desenvolvimento da indústria automotiva brasileira, pelo menos em dois momentos distintos a CMTC também participou diretamente da sua história como fabricante. O primeiro ocorreu em 1954, quando a empresa ainda operava como monopolista e estruturou uma oficina para reforma de sua frota importada e para reencarroçamento de chassis usados; lá também construiu carroçarias de madeira sobre chassis nacionais FNM. No segundo momento, a partir de 1963 e por quatro anos, operou uma linha de montagem de trólebus e carrocerias, exclusivamente para suprir sua frota. Para a estrutura dos veículos foi escolhida a tecnologia de perfis extrudados de alumínio; para simplificar e baratear a fabricação, a CMTC optou por aproveitar componentes disponíveis no mercado, já utilizados por outros fabricantes – no caso, a carioca Metropolitana, com a qual negociou os direitos de produção de seu excelente modelo urbano de então.

A prioridade da CMTC, contudo, era a construção de ônibus elétricos, cujo fornecimento nacional ainda era caro e irregular. Em 1964 concluiu o primeiro exemplar de uma longa série: com chassi FNM V-9 e motor elétrico e controles Villares, com 100% de nacionalização, 139 unidades foram fabricadas até 1971, quando a linha de montagem foi desativada. (Pelo menos um exemplar foi montado, em 1968, sobre chassi GM ODC usado.) Suas carrocerias mudaram ligeiramente ao longo dos anos (porém sempre mantendo o “estilo Metropolitana”) e a última série já apresentava faróis duplos e para-brisas maiores, ampliados mediante a colocação de vigias inferiores adicionais de vidro.



Além de fabricar trólebus novos, a CMTC reconstruiu 38 antigos Grassi e Massari e forneceu carrocerias para sua frota de ônibus diesel. Em 1968 lançou a série Monika I (nome da primeira neta do então prefeito de São Paulo), com 9,0 m de comprimento, sobre os anacrônicos chassis Mercedes-Benz LP; sempre calcado no Metropolitana urbano, o veículo recebeu grade de desenho próprio e sistema de ventilação interna mais aprimorado, com saídas de ar viciado em quatro das colunas laterais. Mais adiante iniciou a fabricação da carroceria Monika II, sobre chassi FNM com motor dianteiro e, no ano seguinte, da Monika III. Cerca de 180 unidades foram produzidas, das quais 110 da versão I e 50 da II. A CMTC esteve presente em duas edições do Salão do Automóvel (V e VI), expondo os trólebus e carrocerias fabricadas em suas oficinas.

A CMTC foi extinta em 1993, no início da segunda gestão do prefeito Paulo Maluf, quando ainda detinha 27% do transporte por ônibus da cidade; foram privatizadas as linhas então operadas pela empresa e, dois anos depois, constituída a SPTrans – São Paulo Transporte S.A., com a atribuição exclusiva de gerir o sistema de transportes públicos do município.

Corredor da avenida Nove de Julho. O sistema de circulação exclusivo foi criado entre os anos 1980-90 em alguma avenidas consideradas estratégicas para acelerar o fluxo de trânsito. Fonte: Viatrólebus. 


Este foi também o local onde faleceu o dramaturgo Dias Gomes:


Dias Gomes morreu aos 76 anos em um acidente de trânsito ocorrido na madrugada de 18 de maio de 1999 na região dos Jardins, na cidade de São Paulo. O dramaturgo voltava de táxi de um jantar com sua mulher Bernadeth depois de assistirem à encenação de Madame Butterfly, ópera dirigida pela atriz Carla Camurati. O taxista fez uma conversão proibida na avenida 9 de Julho, e o carro foi atingido por um ônibus que seguia na mesma direção. Com o impacto e sem estar usando o cinto de segurança, Dias Gomes foi arremessado para fora do carro e bateu a cabeça na mureta que separa a via exclusiva dos coletivos na avenida, o que causou sua morte instantânea. Bernadeth sofreu ferimentos e foi internada. O motorista do táxi, que também sofreu ferimentos, estava na profissão havia dois meses e alegou que só fez a manobra proibida "por insistência de Dias Gomes" (Wikpedia)
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Presenciamos (eu, um colegas   e dois irmãos) esse acidade quando também voltávamos para casa nessa madrugada. Passamos pelo local em direção ao Jardins e ouvimos o barulho da colisão e um grito de dor. Não conseguimos saber o que estava acontecendo e nem de que se tratava. Só conseguimos entender e identificar as vítimas com o noticiário nas horas seguintes. Reza a lenda que o filósofo Ésquilo não acreditava em destino e sim na fatalidade e que teria morrido quando uma águia predadora soltou uma tartaruga ao acaso sobre sua cabeça enquanto caminhava pela rua. O dramaturgo Dias Gomes também era fatalista, escrevia muito sobre isso, e teve um morte trágica ao ser lançado de um taxi e bater a cabeça numa mureta (acidente que presenciamos em São Paulo, sem saber que se tratava de Dias Gomes). Destino ou fatalidade? Acaso ou intuição? (Dalmo Duque)


EMTU


Acesso de Pedestres ao Terminal Metropolitano de Campinas.


A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU/SP) é uma empresa controlada pelo Governo do estado de São Paulo. Gerencia o transporte intermunicipal por ônibus na Grande São Paulo, nas regiões metropolitanas de São Paulo, Baixada Santista, Campinas, Sorocaba e no Vale do Paraíba e Litoral Norte, através dos corredores metropolitanos São Mateus–Jabaquara, Diadema–Morumbi, Guarulhos–São Paulo e Itapevi–Butantã, além do VLT da Baixada Santista. Em 2009 transportou cerca de 634 milhões de passageiros.

A ideia de criação de Empresas Metropolitanas de Transportes Urbanos foi uma iniciativa federal, que ocorreu na década de 1970. A proposta era que cada região metropolitana existente no país tivesse uma empresa que cuidasse de todo o planejamento e gerenciamento dos transportes públicos. Da proposta surgiu a EMTU paulista e a do Recife.

A EMTU de São Paulo foi criada no dia 13 de dezembro de 1977, a partir da lei nº 1.492 e foi incorporada a Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa) em 1980. Sete anos depois a EMTU foi recriada com uma nova legislação e juntamente com o decreto nº 24.675 de 30 de janeiro de 1986, recebeu a atribuição de gerenciar e fiscalizar o Sistema de Transporte Intermunicipal de passageiros por ônibus nas regiões metropolitanas, até então de responsabilidade do Departamento de Estradas de Rodagem do estado de São Paulo.

Em 1988 foi criado e operado pela EMTU, o Corredor Metropolitano São Mateus - Jabaquara, que possui 33 km de extensão e nove terminais, ligando o leste ao sul de São Paulo, passando pelos municípios de Diadema, São Bernardo do Campo, Santo André e Mauá. Foi repassado à iniciativa privada depois uma concessão, algo inédito na época.

Atualmente é subordinada à Secretaria dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo e gerencia o transporte intermunicipal por ônibus nas regiões metropolitanas de São Paulo, Baixada Santista, Campinas, Sorocaba e no Vale do Paraíba e Litoral Norte. Atende 128 municípios das cinco regiões metropolitanas, somando 25 milhões de habitantes, gerenciando uma frota aproximada de 5.000 ônibus (a terceira maior do país, atrás apenas da frota municipal da capital paulista e da capital fluminense), com mais de 70 empresas operadoras e mais de 1000 linhas; transportando 2 milhões de usuários por dia em média. Além de gerenciar o transporte público por ônibus em linhas regulares, a EMTU também tem por atribuição fiscalizar todo e qualquer transporte intermunicipal privado entre municípios das regiões metropolitanas, como ônibus e vans fretados e transporte escolar.

Sistemas de transporte

Terminal Metropolitano Prefeito Magalhães Teixeira, em foto de 2010



Micro-ônibus da RTO's em Guarulhos - SP.

A EMTU/SP gerencia sistemas de transporte nas 5 regiões metropolitanas. Eles estão divididos em Serviço Regular, que é composto por linhas operadas por empresas privadas, por modalidade 'concessão' ou 'permissão', ligando pelo menos dois municípios que fazem parte da mesma região metropolitana. No caso específico da Baixada Santista, Região de Campinas, Vale do Paraíba e Litoral Norte algumas linhas do Serviço Regular ligam até 6 municípios da mesma região, mas praticando o seccionamento por trecho percorrido em alguns casos vários ônibus utilizam 2 catracas. São utilizados ônibus urbanos comuns nas cores azul, branco e cinza, sendo permitido o transporte de pessoas sentadas e em pé. O Serviço Seletivo, é semelhante ao regular, porém são utilizados micro-ônibus e ônibus rodoviários nas cores cinza, branco e cinza, os percursos são entre menores e maiores e só é permitido o transporte de pessoas sentadas também praticando o seccionamento por trecho percorrido.

Há ainda o Sistema Fretamento, onde a cobrança para execução dos serviços de transporte é periódica, as RTOs (Reserva Técnica Operacional), que são vans ou micro-ônibus que operam linhas regulares em conjunto com as empresas de ônibus, o Corredor Metropolitano São Mateus – Jabaquara, que é um corredor de ônibus segregado das vias comuns e os serviços especiais Airport Bus Service e Ponte Orca Zoo.


VLT-VEÍCULO LEVE SOBRE TRILHOS



TRECHO SÃO VICENTE-SANTOS FOI MODELO EXPERIMENTAL NO ESTADO

Em 2006, quando a internet ainda não tinha a atual abrangência das redes sociais, circulava pelo e-mail um pequeno vídeo de uma animação digital dos trechos e estações do VLT entre São Vicente e Santos. A futura linha linha seria construída sobre o trecho urbano dos trilhos da antiga Estrada de Ferro Sorocabana na ilha de São Vicente  na direção do litoral sul. Após a desativação da Fepasa, esses trilhos ficaram abandonados por quase 20 anos, cobertos por matagal e lixo. 

A notícia do VLT, dada pelo então governador Geraldo Alkmin deu um novo impulso ao desenvolvimento da região, pois o projeto, a longo prazo, iria abranger a área continental de São Vicente até a antiga estação do Distrito Samaritá, passando antes pelos novos bairros do Quarentenário (antigo pouso de quarentena de gado abatido nos matadouros da ilha), Jardim Maria Dolores. Dali a linha seguia na direção dos últimos bairros-balneários de Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruibe. 

Esse dois primeiros trechos de São Vicente foram incluídos na linha verde  de expansão do VLT (ver o mapa abaixo). Trata-se de um trecho de ocupação recente, incluindo a Fazendinha, que soma uma população de quase 200 mil habitantes, quantia considerada alta para os padrões urbanos da região, cuja maioria da população se desloca diariamente para trabalhar e usufruir de comércio e serviços na área insular de São Vicente, Santos e Cubatão. 

Muitos desconfiavam e até ironizavam o projeto ilustrado no vídeo, mas estavam enganados. O projeto saiu do papel e da animação digital e tornou-se realidade. - Nota do organizador do CALUNGAH

Trecho do VLT em São Vicente, entre as estações João Moura e Itararé.


O FUTURO DOS TRANSPORTES


"O futuro dos transportes já é realidade na Baixada Santista. O Governo do Estado de São Paulo, por meio da EMTU, levou à região o VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, um modelo de eficiência e acessibilidade.

Já em operação há alguns anos em cidades europeias com excelentes resultados, o Veículo Leve Sobre Trilhos tem emissão zero de poluentes. Interage com o meio urbano de maneira amigável, circulando ao nível das ruas, preservando o patrimônio histórico e colaborando para a revitalização urbanística das vias por onde passa.

A operação do VLT da Baixada Santista começou em abril de 2015. O moderno Centro de Controle Operacional foi entregue em junho de 2016. O primeiro trecho do VLT, com 11,1km de extensão foi totalmente entregue à população no dia 31/01/2017, ligando o Terminal Barreiros, em São Vicente, à Estação Porto, em Santos. 

A população dos nove municípios da Região Metropolitana da Baixada Santista já usufrui dos benefícios do VLT, com menos poluição sonora, além da redução do tempo gasto nas viagens entre os municípios. 

Em setembro de 2018, o VLT foi nomeado como Complexo Geraldo Volpe, em homenagem ao vereador que atuou durante duas décadas no município de São Vicente. 

Projetos de ampliação das linhas do VLT na Baixada Santista. 


Inauguração do trecho do VLT em São Vicente em 2017.


O  primeiro trecho do VLT, com 11,1km de extensão foi entregue à população no dia 31/01/2017, ligando o Terminal Barreiros, em São Vicente, à Estação Porto, em Santos. A operação parcial no trecho começou em abril de 2015. Todas as 15 estações estão operando, atendendo diariamente cerca de 27 mil pessoas.

O Centro de Controle Operacional foi entregue no primeiro semestre de 2016. O prédio com três pavimentos possui 3.050 m² de construção e abriga sala com painel sinóptico para o controle da operação dos veículos e segurança das vias e estações. A Gerência Regional da EMTU/SP na Região Metropolitana da Baixada Santista também está instalada no prédio do CCO.

O Pátio de Manutenção e Estacionamento próximo ao Porto de Santos já foi entregue. O espaço tem capacidade para 33 VLTs e abriga oficina, almoxarifado, subestação de energia própria e equipamentos de lavagem dos veículos e de retificação de rodas.

No Terminal Barreiros, em São Vicente, também foi entregue o estacionamento de VLTs, capaz de abrigar seis veículos. No mesmo Terminal fica o edifício de apoio, com área de 164 m² e o bicicletário.

O segundo trecho, que ligará Conselheiro Nébias ao Valongo, atualmente está em fase de obras. Serão 8 km de extensão e 12 estações, com capacidade para transportar 35 mil pessoas/dia, entre a Linha 1 (terminais Porto e Barreiros) e o terminal Valongo.

No terceiro trecho (Barreiros-Samaritá),estão previstos para serem publicados os editais de licitação das obras, que foram divididos em dois lotes. O Lote 1, que prevê a reforma da Ponte dos Barreiros, tratando da primeira fase das obras. E o Lote 2, segunda fase, que fará a ligação Barreiros-Samaritá". (Site da EMTU)




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O METRÔ


Bilhete de embarque com tarja magnética emitido para a inauguração e período experimental. Atualmente o acesso pode ser feito com QR-code de aplicativo de aparelhos celulares.



As obras do Metrô foram iniciadas em 1968, seis anos antes da sua inauguração em 14 de setembro de 1974.


Anúncio publicado nos jornais pelas empreiteiras, executores e fornecedores das obras da primeira linha do metrô.




 Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô foi constituída no dia 24 de abril de 1968. É controlada pelo Governo do Estado de São Paulo sob gestão da Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos (STM). É responsável pela operação e expansão de rede metroviária e pelo planejamento de transporte metropolitano de passageiros da Região Metropolitana de São Paulo.
A rede metroviária da cidade de São Paulo é composta por 6 linhas, totalizando 104,4 km de extensão e 91 estações, por onde passam mais de 5 milhões de passageiros diariamente. Está integrada à CPTM nas estações Luz, Tamanduateí, Brás, Palmeiras-Barra Funda, Tatuapé, Corinthians-Itaquera, Pinheiros e Santo Amaro e aos outros modais de transporte na cidade de São Paulo. Foto: Primeiro teste do metrô de São Paulo, realizado em 6 de setembro de 1972. Arquivo Público do Estado de São Paulo.

Inauguração do Metrô, Linha Azul, início dos anos 1970. 





Exposição informativa sobre o funcionamento e as primeiras estações do Metrô Linha Azul no início dos anos 1970. 



Estação Ana Rosa. 

No início dos anos 1960, Prestes Maia voltou à prefeitura e Ademar de Barros, ao governo do estado, e criaram, em 13 de fevereiro de 1963, as comissões estadual e municipal para os estudos de criação do Metrô. Ademar destinou então quatro milhões de cruzeiros para o Metrô. 

O Brigadeiro Faria Lima assumiu a prefeitura da cidade em 1965 e tornou o projeto do metrô a meta de sua gestão. Em 31 de agosto de 1966, foi formado o Grupo Executivo do Metropolitano (GEM), que tinha como objetivo organizar nova concorrência internacional para um estudo de viabilidade econômico-financeira. Ao mesmo tempo, a câmara municipal aprovou a lei número 6 988, em 26 de dezembro de 1966, autorizando a criação da Companhia do Metropolitano de São Paulo. No ano seguinte, a concorrência internacional foi vencida pelo consórcio HMD (formado pelas empresas alemãs Hochtief e DeConsult e pela brasileira Montreal, que tinha entre seus acionistas o brigadeiro Eduardo Gomes[38]), que iniciou estudos geológicos e sociais, projetando uma rede básica de setenta quilômetros, dividida em quatro linhas: Norte–Sul (Santana ↔ Jabaquara), Nordeste–Noroeste (Casa Verde ↔ Vila Maria), Sudeste–Sudoeste (Jóquei Club ↔ Via Anchieta) e Paulista (Vila Madalena ↔ Paraíso); e mais dois ramais: Moema (Paraíso ↔ Moema) e Mooca (Pedro II ↔ Vila Bertioga). Essa rede tinha a previsão de estar pronta em 1978. No ano de 1968, enquanto o projeto do metrô avançava, o sistema de bondes de São Paulo, após anos de decadência, foi desativado no dia 27 de março. Em 24 de abril, foi criada pela prefeitura a Companhia do Metropolitano de São Paulo, que iniciaria as obras da linha Norte–Sul (Jabaquara ↔ Santana) em 14 de dezembro do mesmo ano. Porém, por seu alto custo, logo a Companhia do Metrô foi assumida pelo governo estadual em 1979, embora a prefeitura de São Paulo ainda possua ações.

A primeira viagem de trem foi realizada em 1972, entre as estações Jabaquara e Saúde. Em 14 de setembro de 1974, o trecho Jabaquara ↔ Vila Mariana começou a operar comercialmente e, em 1975, o projeto da Linha Norte–Sul foi concluído, ligando o Jabaquara a Santana, hoje denominada Linha 1–Azul. Depois, em 1979, começou a operar o primeiro trecho (Sé ↔ Brás) da Linha Leste–Oeste — hoje denominada Linha 3–Vermelha, concluída em 1988. No ano de 1991, foi concluído o primeiro trecho da Linha 2–Verde: Paraíso ↔ Consolação. Em 1998, após algumas extensões, a linha operava entre Ana Rosa e Vila Madalena, a maior extensão no trecho oeste da linha até o momento. Também naquele ano foi concluída a extensão norte da Linha 1 até o Tucuruvi, o que concluiu a linha, segundo os planos estabelecidos na época. Em 2002, foi inaugurado o trecho inicial da Linha 5–Lilás, predominantemente elevado, operando no trecho Largo Treze ↔ Capão Redondo.

Século XXI


Tatuzão chegando à atual estação AACD-Servidor da Linha 5-Lilás

Na década de 2000, a Linha 2 foi expandida gradualmente para o leste, tendo chegado à Estação Alto do Ipiranga em 2007, à Estação Sacomã em 30 de janeiro de 2010 e à Terminal Intermodal Vila Prudente em 21 de agosto do mesmo ano. Em 21 de setembro de 2010, foi adicionada à linha a Estação Tamanduateí. No dia 25 de maio, a Linha 4–Amarela havia sido inaugurada, embora ainda incompleta, com o início da operação de duas estações: Faria Lima ↔ Paulista. Ao longo do ano seguinte, foram inauguradas as estações Butantã e Pinheiros, além das integrações nas estações República e Luz, ampliando a Linha 4. A inauguração da primeira estação da extensão da Linha 5 na direção nordeste foi prevista para 2012, mas só aconteceria em fevereiro de 2014, com a abertura da Estação Adolfo Pinheiro.

Em abril de 2012, o governo estadual anunciou a contratação de uma consultoria para a implantação de três novas linhas na rede. Os estudos seriam feitos para as linhas 6–Laranja (da Estação São Joaquim à Estação Brasilândia e, em sua segunda fase, da Estação Cidade Líder à Estação São Joaquim e da Estação Bandeirantes à Estação Brasilândia), 18–Bronze (entre a Estação Tamanduateí e a Estação Estrada do Alvarenga, em São Bernardo do Campo) e 20 (ligando a Estação Lapa da CPTM à futura Estação Rudge Ramos, em São Bernardo do Campo).

Em abril de 2019, a expansão da Linha 5-Lilás rumo à Chácara Klabin foi concluída, ligando-a às linhas 1 e 2 e aumentando sensivelmente seu movimento. Também nesse ano, o projeto da Linha 18-Bronze foi cancelado pelo Governo do Estado, sendo substituído por um futuro corredor expresso de ônibus, modelo BRT. Em 12 de outubro de 2023, um protesto de funcionários da empresa levou a paralisação das Linhas 1-Azul, 3-Vermelha e 15-Prata. A Linha 2-Verde continuou operando com velocidade reduzida e as Linhas 4-Amarela e 5-Lilás continuaram operando normalmente.[Textos e imagens da Wikipedia.

Estação Santa Cruz na região da Vila Mariana nos anos 170.  A rede subterrânea de trens metropolitanos, mais conhecida como "metrô" deu a cidade de São Paulo e novo ritmo demográfico acelerando a mobilidade e a interligação entre regiões e bairros. Essa nova movimentação de milhões de usuários seguia o ritmo do crescimento acelerado da Capital e municípios próximos que inicialmente funcionavam como periferia industrial e mais tarde se integrou definitivamente ao conjunto Grande São Paulo, imensa região metropolitana que logo ultrapassaria a casa do 20 milhões de habitantes. [Textos e imagens da Wikipedia]


Obras da Estação Saúde na avenida Jabaquara (acima )  nos anos 1970 na Avenida Jabaquara, ao centro, o trecho entre as ruas Pereira Stéfano e a avenida Miguel Estéfano.

A Praça da Sé no início da construção da Estação do Metrô 

O Metrô de São Paulo é responsável pela operação das Linhas 1-Azul (Jabaquara – Tucuruvi), 2-Verde (Vila Prudente – Vila Madalena), 3-Vermelha (Corinthians-Itaquera – Palmeiras-Barra Funda) e o Monotrilho da Linha 15-Prata (Vila Prudente – Jardim Colonial), somando 71,5 km de extensão e 63 estações. Pela rede administrada pelo Metrô, chegam a passar 4 milhões de passageiros diariamente. A Linha 4-Amarela é operada pela Via Quatro em regime de PPP desde 2010. Possui 12,8 km de extensão e 11 estações. A Linha 5-Lilás passou a ser operada em regime de concessão pela Via Mobilidade em 04 de agosto de 2018. Possui 20 km e 17 estações. Abaixo, a construção da Estação Sé, que anos mais tarde seria o principal ponto de interligação das demais linhas.

Estação Sé já concluída nos anos 70. Foi a principal da Linha Azul e depois, seguindo a ideia do Marco Zero da cidade, ela foi projetada para centralizar o cruzamento das demais linhas surgidas nas décadas seguintes.











Trem da Linha Amarela  e superlotação no Terminal Intermodal Palmeiras-Barra Funda.

Fonte: Relatório Integrado 2019 - Metrô


Estação Intermodal Corínthians -Itaquera.


Em 2017, a rede metroviária atingiu a marca de 1,3 bilhão de passageiros transportados, sendo que o Metrô de São Paulo foi responsável pelo transporte de 1,1 bilhão desses passageiros, destacando-se mundialmente pelos resultados obtidos na produção e na qualidade do serviço prestado no transporte público de passageiros sobre trilhos.


Trem da Linha Amarela


Monotrilho da Linha 15 do metrô. 
A Linha 15–Prata é uma linha de monotrilho. É a sexta linha do Metrô, com 24,6 quilômetros de extensão e dezessete estações previstos. Quando totalmente pronta, ligará os distritos do Ipiranga e Cidade Tiradentes, através dos bairros de Vila Prudente, Parque São Lucas, Sapopemba, São Mateus e Iguatemi, entre outros. Com custo total de 6,40 bilhões de reais, atenderá uma demanda estimada em 550 mil passageiros por dia e integrará os terminais de ônibus de Vila Prudente, Sapopemba, São Mateus e Cidade Tiradentes. O primeiro trecho, entre as estações Vila Prudente e Oratório, foi inaugurado em 30 de agosto de 2014. O trecho até a Estação Vila União foi inaugurado em 6 de abril de 2018, a Estação Jardim Planalto foi inaugurada em 26 de agosto de 2019, e, em 16 de dezembro de 2019, inaugurou-se o trecho até a Estação São Mateus, que foi aberto, completando a segunda fase da linha, e em 29 de dezembro de 2021 foi inaugurada a estação Jardim Colonial.[Textos e imagens da Wikipedia]

LINHA 17 OURO -  TREM MADE IN CHINA



80 toneladas e 50 funcionários: entenda o transporte do 1º trem da Linha 17 do Metrô.

Primeira composição do trecho chegará da China a São Paulo com operação especial; veja as etapas.

Uma operação de grandes proporções foi montada a partir da China para que o primeiro trem da Linha 17-Ouro chegue a São Paulo. O transporte a navio envolve ao menos 50 funcionários. Os cinco vagões da composição do monotrilho pesam aproximadamente 16 toneladas cada, totalizando 80 toneladas.
O trem foi entregue ao Metrô de São Paulo no dia 26 de abril de 2024 na cidade de Guang’an, na China, onde foi fabricado pela empresa BYD, e, na sequência, levado até o porto de Zhangjiagang, na região de Xangai. Com tripulação de 26 pessoas, o navio “Kong Que Song” tem cerca de 180 metros de comprimento e 27 metros de largura. O içamento dos vagões é feito por guindastes da própria embarcação.

Da China ao Pátio Água Espraiada. O trajeto marítimo vai passar pela Malásia, para abastecimento, e, já no Brasil, por Suape, no Pernambuco, e em Vitória, no Espírito Santo, antes de atracar no Porto de Santos. A estimativa é que o navio chegue no litoral paulista em meados de julho. O Metrô encomendou 14 unidades junto à BYD. As composições foram projetadas exclusivamente para atender ao projeto da Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo. Com 60 metros de extensão e capacidade para mais de 600 passageiros, o trem é equipado com sistema de ar-condicionado, iluminação LED, câmeras de vigilância e sistema de detecção e combate a incêndio. Os veículos contam com assentos prioritários e áreas para deficiente, sistema de comunicação audiovisual aos passageiros, com mapa de linha dinâmico e intercomunicador para contato ao Centro de Controle Operacional (CCO). Além disso, os carros dispõem de um sistema de bateria que garante autonomia de tração entre as estações.

Linha 17-Ouro. O Metrô retomou a construção da Linha 17-Ouro do monotrilho em setembro do ano passado e vem avançando nas obras com mais de mil pessoas envolvidas. A empresa já concluiu o lançamento de vigas, por içamento, da via de operação comercial, e há ainda atividades de fabricação das estruturas de ferro do Pátio Água Espraiada, além da montagem dos aparelhos de mudança de via no local. A meta é concluir a obra bruta até o final de 2025, permitindo o avanço da instalação de sistemas para a abertura da linha em 2026. O trajeto vai ligar o Aeroporto de Congonhas à estação Morumbi da Linha 9-Esmeralda.

Foto: divulgação GESP. Companhia do Metropolitano de São Paulo - Metrô. Brasil Engenharia



TERMINAIS RODOVIÁRIOS




Terminal rodoviário ou antiga Rodoviária da Luz-Glicério no início dos anos 1970, que absorvia praticamente todo o fluxo de passageiros vindos do interior paulista e também dos outros estados.  Com a inauguração da primeira linha e  das estações do Metrô,  esse ponto seria mudado para o Terminal Tietê, primeiro modelo modelo intermodal integrado. A Estação Jabaquara teve essa mesma função pioneira recebendo passageiros do litoral centro-sul. Essas instalações do Glicério seria transformada posteriormente num shopping especializado em modas. [Textos e imagens da Wikipedia]


No dia 25 de janeiro de 1961, a cidade ganhou “de presente” uma nova rodoviária. Esse empreendimento, que já não existe mais, foi chamado de Terminal Rodoviário Júlio Prestes, Rodoviária da Luz e Estação Rodoviária da Praça Júlio Prestes. A curiosidade? Era revestido de pastilhas coloridas, o que lhe concedia um visual único em uma capital que começava a ficar com “cinza para todo lado”.

A infraestrutura da rodoviária era capaz de atender 10 mil passageiros por dia e de abrigar 2.800 veículos. Além disso, o investimento para sua construção veio da iniciativa privada e soma era a de 250 milhões de cruzeiros. Importante dizer: para aquele aniversário de São Paulo, a rodoviária fora inaugurada de maneira parcial e contou com a presença do então prefeito, Adhemar de Barros.

Outra curiosidade do empreendimento é a de que ela foi erguida em 230 dias seguidos de trabalho em um terreno de 110 metros que ficava de frente para a Praça Júlio Prestes.  A estação tinha 10 plataformas de embarque de passageiros e uma de desembarque. No andar superior, restaurantes, bilheterias e cafés faziam parte da paisagem.

Com relação ao seu financiamento, havia a expectativa de que os empresários envolvidos na construção da rodoviária recuperassem seu dinheiro com propagandas, mais do que com o movimento de ônibus. O financiamento da rodoviária ficou a cargo de Carlos Caldeira Filho, Otavio Frias e Julio Brizzola.

O aluguel das plataformas, das bilheterias e dos espaços de convivência seriam boa parte da receita. Por outro lado, a prefeitura ficou de assinar contratos que garantiriam que cerca de 60% dos ônibus intermunicipais passassem por ali.

Contudo, a inauguração também trouxe problemas. Desde sua inauguração, surgiram protestos contra esse equipamento. Os moradores ao redor alegavam que esse tipo de negócio traria criminalidade, poluição e aumentaria o trânsito da região. O próprio Estadão, em editorial de inauguração do terminal, disse que:


“A estação rodoviária foi mal estudada quanto à sua localização. A praça Julio Prestes não apenas é pequena, como principalmente está rodeada de ruas estreitas e imprestáveis para oferecer ao tráfego um índice de vazão pelo menos razoável.”. Editorial Estadão de 25 de janeiro de 1961

A rodoviária teve vida curta. Em 1977 iniciou-se o processo de desativação, com ramais passando para o Terminal Jabaquara.  Em 1982, com a inauguração do Terminal Rodoviário do Tietê, o local seria desativado permanentemente. As ruas estreitas, o aumento nos furtos na região e a mudança de moradores para a Barra Funda e Higienópolis acabaram implodindo o terminal Rodoviário da Luz.

Alguns anos depois do fim da rodoviária, começou a funcionar no edifício um shopping conhecido como Fashion Center Luz. O terreno de 19 mil metros quadrados foi desapropriado em 2007 para construção do Complexo Cultural da Luz.

Entretanto, em 2015, após decisão do Tribunal de Justiça de SP, foi declarado nulo o contrato entre o Governo do Estado e o escritório de arquitetura suíço Herzog & de Meuron, autor do projeto do complexo, devido à modalidade de contratação escolhida em 2007: dispensa de licitação, tida como injustificada.

Referências: O Correio Paulistano de 25 de janeiro de


TERMINAL DO TIETÊ


Vista aérea do Terminal Rodoviário Tietê, na zona norte quando o terminal foi inaugurado em maio de 1982. #SPFotos

O Terminal Rodoviário Tietê (oficialmente Governador Carvalho Pinto) é um terminal rodoviário localizado na cidade de São Paulo, Brasil. Está localizado na zona norte da cidade na Avenida Cruzeiro do Sul, no bairro de Santana. O local também pode ser acessado facilmente pela Estação Portuguesa-Tietê da Linha 1 - Azul do Metrô de São Paulo. Trata-se do maior terminal rodoviário da América Latina e o segundo maior do mundo, superado apenas pelo Terminal Rodoviário de Nova Iorque.

Inaugurada em 1982, a Rodoviária do Tietê, como também é conhecida, contém 89 plataformas de embarque e desembarque numa área de 120 mil metros quadrados, atendendo em média cerca 90 mil usuários por dia. No local, são servidas linhas para diversos locais do país, atendendo 21 estados brasileiros e cinco países da América do Sul (Argentina, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai), sendo operadas por cerca de 60 empresas rodoviárias.

O terminal também possui uma linha especial que parte para o Aeroporto de Guarulhos e para o Aeroporto de Congonhas. A rodoviária conta com estacionamento, vias com acessibilidade a pessoas com deficiência, diversos pontos de alimentação, vários tipos de estabelecimentos comerciais, pontos de táxi, guarda-volumes, carregadores de bagagens, caixas eletrônicos de variados bancos, telefones públicos, tomadas para carregadores de aparelhos, correios, casa de câmbio, locadora de veículos, serviços públicos como a ARTESP e ANTT e despacho de encomendas.

Antecedentes. Com o grande crescimento econômico oriundo da industrialização que o estado de São Paulo sofreu principalmente a partir dos anos 30, a capital paulista passou a receber brasileiros de diversas partes do país devido ao êxodo rural, sobretudo da Região Nordeste. Nesta época, a cidade de São Paulo carecia muito de um sistema de transporte rodoviário para atender a alta demanda; os primeiros serviços de ônibus intermunicipais que atendiam a cidade surgiram na década de 1920, na época do então presidente do estado Washington Luís. As empresas que ofereciam essas viagens consistiam de uma estrutura extremamente básica, com algumas linhas destas saindo de diversos pontos do centro da cidade como Avenida Ipiranga, Avenida Cásper Líbero, Brás, Luz e Pinheiros. Os ônibus paravam na rua e os embarques e desembarques eram realizados ali mesmo, como se fossem linhas urbanas.

O antigo Terminal Rodoviário da Luz era o principal terminal rodoviário da cidade de São Paulo antes da construção do Tietê. Com rápido crescimento de sua demanda, o local foi ficando saturado rapidamente, havendo a necessidade de substituí-lo. Na década de 1950, o serviço de ônibus intermunicipais foi crescendo à medida que rodovias foram sendo pavimentadas e construídas em torno da capital (Anchieta em 1947, Anhanguera em 1948 e Dutra em 1951). Assim sendo, a prefeitura paulistana iniciou estudos para a construção de um terminal rodoviário unificado na cidade; após uma proposta de erguimento de uma estação rodoviária em pleno Parque da Luz ser descartada, foi aprovado um projeto de construção de um terminal na região central de São Paulo próximo a Estação Júlio Prestes, o projeto seguiu adiante mesmo recebendo desaprovação de parte dos paulistanos por conta do local escolhido para sua construção pois o local possuía um trafego intenso e as ruas do entorno eram pequenas para comportar veículos de grande porte em excesso.

O Terminal Rodoviário da Luz foi então construído durante a gestão do governador paulista Adhemar de Barros em parceira com os empresários Carlos Caldeira Filho e Octávio Frias de Oliveira com a Prefeitura de São Paulo. Inaugurada em 25 de janeiro de 1961, a Rodoviária da Luz, com cerca de dezenove mil metros quadrados, rapidamente foi ficando saturada, causando diversos transtornos para a região. Na época, os atrasos em algumas linhas chegavam a seis horas e os motoristas perdiam quase uma hora para deixar as plataformas do terminal e seguirem até a Marginal Tietê. Outro problema do terminal era que o mesmo não era adaptado para ônibus maiores.

Com a implantação do metrô em São Paulo no anos 1970, a prefeitura e o governo estadual iniciaram um projeto de descentralização das linhas rodoviárias do centro da capital, que seriam integradas ao novo sistema de transporte. Assim, a Rodoviária da Luz seria desativada e novos terminais seriam construídos e administrados pelo governo estadual. No dia 2 de maio de 1977, foi inaugurado o primeiro terminal deste plano: o Terminal Rodoviário Jabaquara, já integrado ao metrô pela estação homônima, passando a dar prioridade às linhas que ligavam a capital à Baixada Santista. Na mesma época, foi inaugurado o provisório Terminal Rodoviário do Glicério, para auxiliar no desembarque de linhas que vinham do Norte e do Nordeste do Brasil.


Construção e inauguração. A proposta de construção do Terminal Rodoviário do Tietê teve início em 1977, como parte do plano de descentralização das linhas rodoviárias do centro de São Paulo, onde a Rodoviária da Luz já se encontrava extremamente saturada. O projeto para erguer um novo terminal ao lado da já existente Estação Tietê do Metrô foi aprovado tanto pela Companhia do Metropolitano de São Paulo quanto pelos governos federal e estadual, sendo assinado pelo arquiteto Renato Viegas e pelo engenheiro Roberto Mac Fadden. Um fator que ajudou muito na aprovação do projeto foi o fato de sua localização: a rodoviária estaria localizada bem na Marginal Tietê, o que facilitaria bastante as chegadas dos ônibus e evitaria o trânsito destes na região central da cidade. As obras da nova estação rodoviária começaram em janeiro de 1979.


Após quatro anos de construção, o Terminal Tietê, oficialmente nomeado de Terminal Rodoviário Governador Carvalho Pinto, foi finalmente inaugurado durante a gestão do então governador paulista Paulo Maluf em 8 de maio de 1982 com 89 plataformas (72 de embarque e 17 de desembarque), tendo sua operação iniciada as três horas da manhã do dia seguinte com um Mercedes-Benz O-364 da extinta Viação Varzealegrense (proveniente do Nordeste) sendo o primeiro ônibus a adentrar nas plataformas do Tietê. Após sua inauguração, o antigo Terminal Rodoviário da Luz, que estava saturado, foi gradualmente deixando de ser utilizado, o que não demorou muito: aproximadamente um mês depois da inauguração do Tietê, o terminal da Luz já havia sido completamente desativado (sendo posteriormente usado como um pequeno centro comercial até ser finalmente demolido em 2010).

Rapidamente, a Rodoviária do Tietê foi ganhando alto fluxo de pessoas. O recorde de movimento registrado no local ocorreu na véspera do Natal de 1986, quando 110 mil pessoas saíram da capital paulista pelo terminal, por meio de 2.820 ônibus. O movimento foi 15% superior ao mesmo período de 1985.[5] Para evitar uma supersaturação (como o que ocorreu com a antiga Rodoviária da Luz), foi inaugurado no ano de 1989 o Terminal Rodoviário da Barra Funda, localizado na zona oeste da cidade.



Acima,  o Terminal rodoviário do Tietê e embaixo o Terminal Jabaquara, ambos integrados com as linhas e estações do Metrô. 



O Terminal Intermodal Palmeiras–Barra Funda, também conhecido como Terminal Barra Funda, ou apenas Estação Barra Funda, é o segundo intercambiador de transportes mais importante de São Paulo. Inaugurado em 17 de dezembro de 1988, fica localizado na Barra Funda e reúne num mesmo complexo terminal linhas de ônibus municipais, intermunicipais, interestaduais, internacionais e metropolitanos, trens e metrô.[Textos e imagens da Wikipedia]

Terminal Jabaquara da linha Azul do Metrô. 


TRAVESSIAS AQUÁTICAS


Terminal de embarque da travessia no canal do porto entre Santos e Vicente de Carvalho

Balsa de veículos motorizados e ciclistas entre Santos e Guarujá

Um dos mais importantes serviços de mobilidade urbana do Litoral Paulista, o Sistema de Travessias Litorâneas do Estado de São Paulo passou a ser administrado, em 1º de novembro de 2020, pelo Departamento Hidroviário – DH, em razão do Decreto Estadual n.º 65.262 / 2020, atualmente vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística.

Sua história, secular, inclui uma série de grandes investimentos que transformam a vida da população, oferecendo agilidade, segurança e economia para quem precisa atravessar e aos turistas que visitam várias das mais belas e atraentes cidades do país.

São oito travessias: Santos/Guarujá, Bertioga/Guarujá, São Sebastião/Ilhabela, Iguape/Juréia, Cananéia/Ilha Comprida, Cananéia/Continente, Santos/Vicente de Carvalho e Cananéia/Ariri. Com uma frota atual de 34 Embarcações, entre lanchas e balsas, o sistema tem um volume diário de 20 mil pedestres, 11 mil ciclistas e 26 mil veículos.

As viagens por ferryboats são gratuitas para ciclistas e o serviço de lanchas oferece isenção de tarifa para maiores de 65 anos e menores de 5 anos. Os estudantes pagam metade da tarifa, assim como os moradores da região da Travessia Cananéia/Ariri. Idosos e pessoas com necessidades especiais têm embarque prioritário em todas as embarcações.

Travessia na represa de Guarapiranga na periferia-Serra do Mar em São Paulo



HIDROVIA PARANÁ-TIETÊ



A hidrovia Paraná-Tietê consiste em uma das principais vias hidroviárias em funcionamento no país, pois é uma importante via para o escoamento da produção agrícola dos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e parte de Rondônia, Tocantins e Minas Gerais. É composta pela HN-900 Rio Paraná, entre São Simão (GO) e Itaipu (PR); rio São José dos Dourados, nos primeiros 40 km de jusante; Canal Pereira Barreto; HN-913 Rio Tietê entre a sua foz e a cidade de Anhembi (SP); HN-914 Rio Piracicaba da foz até a ponte da SP 181.

Situada entre as Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, permite a navegação e, consequentemente, o transporte de cargas e passageiros ao longo das HN-900 Rio Paraná e HN-913 Rio Tietê. Um sistema de eclusas viabiliza a passagem pelos desníveis das muitas represas existentes nas duas hidrovias. A hidrovia Paraná-Tietê possui uma extensão de 2.400 km, sendo 1.600 km na HN-900 Rio Paraná e 800 km na HN-913 Rio Tietê.

A HN-900 Rio Paraná é navegável ao longo de 1.023 km, com largura média de 120 m. Sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT, a hidrovia se estende entre a Usina Hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR), e duas barragens: a da UHE de São Simão, no município goiano de mesmo nome, na HN-400 Rio Parnaíba; e a da UHE de Água Vermelha no rio Grande, em Iturama (MG), no Triângulo Mineiro.

Afluente da HN-900 Rio Paraná, a HN-913 Rio Tietê tem uma extensão navegável de 715 km, com profundidade mínima de 3 m. Essa hidrovia é administrada pelo Governo de São Paulo, por meio do Departamento Hidroviário.

A hidrovia Paraná-Tietê integra um grande sistema de transporte multimodal do Corredor Sudeste de Logística. Possui 12 terminais portuários, distribuídos em uma área de 76 milhões de hectares. A entrada em operação dessa hidrovia impulsionou a implantação de 23 polos industriais, 17 polos turísticos e 12 polos de distribuição, onde é gerada quase a metade do PIB brasileiro e conecta áreas de produção aos portos marítimos. No sentido do interior, conecta os principais centros do Mercosul.

Características Gerais

A hidrovia Paraná-Tietê abrange os Estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, em seus limites se encontram inseridos os territórios de 286 municípios. Entre esses municípios vale destacar as cidades: São Paulo (SP), Campinas (SP), Guarulhos (SP), Londrina (PR), Foz do Iguaçu (PR), Três Lagoas (MS) e Araguari (MG), como os principais centros urbanos.

O sistema formado pelas duas hidrovias tem 8 eclusas em funcionamento, sendo 6 na HN-913 Rio Tietê: Barra Bonita, Bariri, Ibitinga, Promissão, Nova Avanhadava e Três Irmãos. Todas têm 142 m de comprimento e 12 m de largura, com profundidades entre 3 e 4 m. As outras eclusas estão localizadas na HN-900 Rio Paraná: Jupiá, em Castilho (SP) e Porto Primavera, em Rosana (SP). Essas duas têm 210 m de comprimento, 17 m de largura e 4 m de profundidade.

Essa estrutura permite a navegabilidade: na HN-914 Rio Piracicaba desde o encontro com a HN-913 Rio Tietê até 22 km a montante; ainda nessa hidrovia, desde a cidade paulista de Conchas (SP) até o encontro com a HN-900 Rio Paraná, numa extensão de 554 km; na HN-400 Rio Parnaíba, desde a base da barragem da Usina de São Simão (GO) até ao encontro com a HN-900 Rio Paraná, numa extensão de 180 km; na HN-915* Rio Grande PR, desde a base da barragem da Usina Hidrelétrica de Água Vermelha até o encontro da HN-915* Rio Grande PR com a HN-900 Rio Paraná, numa extensão de 59 km; na HN-900 Rio Paraná, desde o encontro das HN-915* Rio Grande e HN-400 Rio Parnaíba até a barragem da Usina Hidrelétrica de Itaipu, numa extensão de 800 km; no canal Pereira Barreto, que liga a barragem Três Irmãos da Usina Hidrelétrica de Três Irmãos, da HN-913 Rio Tietê ao rio São José dos Dourados, afluente da margem esquerda da HN-900 Rio Paraná, no Estado de São Paulo, numa extensão de 53 km.

As condições físicas de navegação são inadequadas nas HN-913 Rio Tietê, a montante de Salto (SP), e na HN-914 Rio Piracicaba, a montante da cidade de Piracicaba (SP) devido, principalmente, aos inúmeros obstáculos naturais e pequenas dimensões do canal. As HN-908 Rio Paranapanema e HN-400 Rio Parnaíba possuem uma série de barragens implantadas, todas sem eclusas e com desníveis de cerca de 40 m. E as HN-904* Rio Amambaí, o rio Anhanduí, HN-905* Rio Ivaí e HN-906 Rio Ivinheíma possuem pequenas dimensões do canal e têm potencial de navegação apenas para pequenas embarcações.

O DNIT divide a HN-900 Rio Paraná em 4 trechos:

O trecho 1 está situado entre a UHE de Itaipu e a entrada do canal de navegação, sob a rodoviária de Guaíra (PR), e apresenta profundidades que variam entre 10 m e 190 m, com extensão de 170 km. 

O trecho 2, com extensão de 245 km, estende-se desde o canal de navegação sob a ponte rodoviária de Guaíra (PR) até a barragem da UHE de Porto Primavera. 

O trecho 3, com extensão de 270 km, está situado em sua totalidade no reservatório da UHE de Porto Primavera. 

O trecho 4, com extensão de 225 km, apresenta boas condições de navegação desde a foz do Rio São José dos Dourados até São Simão (GO), com percurso de 55 km na HN-900 Rio Paraná e 170 km na HN-400 Rio Parnaíba. A HN-900 Rio Paraná suporta comboios de 200 m de comprimento, 16 m de boca e 3,7 m de calado. Já na HN-913 Rio Tietê o comboio-tipo tem 137 m de comprimento, 11 m de boca e 2,7 m de calado.

Abrangência: 286 Municípios em SP, PR, MS, GO e MG. Extensão navegável: 2.400 km . Largura média: 120 m. Principais cargas: Produtos agrícolas. 


Trecho da hidrovia Tietê-Paraná no lago da barragem hidrelétrica de Iha Solteira-SP, nome dos rios, dos Estados e pontos de interesse. A linha laranja indica o percurso da hidrovia


A CRISE CLIMÁTICA E AS HIDROVIAS



Hidrovia é usada para o escoamento da produção agrícola, mas com a seca as empresas têm preferido transportar suas cargas por meio de trens


Portal CUT – As mudanças climáticas já atingem diretamente os empregos de trabalhadores do Brasil. Somente neste ano, 400 pessoas que atuavam em empresas de transporte de carga na Hidrovia Tietê-Paraná foram demitidas, porque o nível de água dos rios da região diminuiu tanto que  prejudicou o tráfego de embarcações. E manutenção de outros 1.500 empregos direitos e indiretos depende da chuva. Isso porque, a hidrovia que percorre os estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais é utilizada principalmente para o escoamento da produção agrícola, mas com a seca as empresas têm preferido transportar suas cargas por meio de trens. E as previsões para o futuro não são nada boas. Até 2030, as mudanças climáticas devem ser a causa de 30 milhões de empregos perdidos em todo mundo, principalmente na agricultura, e em setores industriais, advertiu a Organização Internacional do Trabalho (OIT) no ano passado.

Para a sobrevivência do planeta e das futuras gerações é necessário que os governos invistam em energias limpas, como eólicas, solar, construção sustentável, diminuição de pastos para o gado e controle dos venenos aplicados na agricultura – o Brasil é campeão mundial no uso de defensivos agrícolas – e  a diminuição de uso de combustíveis fósseis, entre outras medidas que podem causar desemprego nessas e outras áreas com a aplicação de novas tecnologias. No entanto, a OIT acredita que outros 20 milhões de novos empregos sejam criados a partir de novas tecnologias. Ainda assim, a conta não fecha já que a previsão é de perdas de outras 30 milhões de vagas no mesmo período.

O desemprego na Hidrovia Tietê-Paraná já é um exemplo de como as mudanças climáticas afetam a vida dos trabalhadores. Não há dúvidas de que as queimadas na Amazônia e no Pantanal são em boa parte responsáveis pela seca que atinge o país. Os efeitos do desmatamento da Amazônia – a liberação de gases de efeito estufa é causada pela derrubada e queima de árvores, deixando um planeta mais quente, o que aumenta as secas e inundações.

Negando esta realidade, o presidente da República  Jair Bolsonaro e seu ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, fizeram os brasileiros passar vergonha durante a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP-26), por mentirem sobre as às mudanças climáticas, e de que estamos preservando o meio ambiente.

Presente à COP-26, o secretário do Meio Ambiente da CUT Nacional, Daniel Gaio, reforça a necessidade do movimento sindical avançar, não só com um plano de transição energética e justa para os empregos, mas disputar a regulamentação das novas tecnologias cujos impactos sociais podem prejudicar outros trabalhadores, mesmo que gere empregos.

“Trata-se da tarefa urgente, incorporar nas nossas elaborações reivindicações e ações as abordagens integradas do ecossocialismo, da economia ecológica e da economia feminista e antirracista, que apontam as ferramentas necessárias na superação das formas atuais de organização da economia”, afirma Gaio.

O dirigente diz ainda que apesar do reconhecimento da urgência pela transição para um modelo de baixas emissões de carbono, a crescente demanda por energia nos aponta a necessidade de uma discussão maior.

“Para além do tipo de modelo energético, precisamos disputar para o quê a energia será utilizada, por quais meios será produzida, por quem será consumida e a qual custo. A defesa da propriedade e controle público da energia precisa estar colocado no centro para poder definir e intervir como este modelo será implementando”, defende Gaio. Enquanto a Europa já se prepara para essas mudanças incentivando novos negócios baseados em energia limpa, o Brasil , embora tenha uma grande vocação para o setor de energias renováveis, ainda patina. Para Daniel Gaio, é preciso construir uma política pública para proteger os trabalhadores brasileiros. Segundo ele,  empresas europeias – eólicas na Espanha, e mineradoras ou indústrias de agrotóxicos da Alemanha – quando passam a operar de forma mais lucrativa apoiam a desregulamentação do trabalho no Brasil para ter seus lucros aqui.

Empregos na Hidrovia Tietê-Paraná. De acordo com o Sindicato dos Armadores de Navegação Fluvial do Estado de São Paulo (Sindasp), que representa as empresas que atuam na região da Hidrovia Tietê-Paraná, uma delas, a ADM Sartco, fechou as portas, em setembro, demitindo  todos os seus 70 funcionários. A informação foi publicada pelo jornal Folha de S.Paulo. Como a água da região também é utilizada para geração de energia, a  Agência Nacional de Águas (ANA) declarou, em junho, situação crítica de escassez na bacia hidrográfica do Paraná até 30 de novembro.

Tanto as empresas de navegação como trabalhadores defendem o aprofundamento do leito do rio, principalmente no trecho em Nova Avanhandava (SP), cuja obra, que começou em 2017, está parada desde 2019.

O Ministério dos Transportes afirmou, em nota ao jornal, que a obra está parada porque o Departamento Hidroviário de São Paulo, do governo João Doria (PSDB), atualizou o projeto, mas os estudos apresentados se mostraram insuficientes e incompletos, e que os ajustes foram entregues somente em 8 de outubro deste ano.

IMPACTOS DA CRISE HÍDRICA DE 2016





Trecho da hidrovia Tietê-Paraná no lago da barragem hidrelétrica de Iha Solteira-SP, nome dos rios, dos Estados e pontos de interesse. A linha laranja indica o percurso da hidrovia

Frete mais caro, queda de renda do produtor: veja possíveis impactos da paralisação na Hidrovia Tietê-Paraná para o agro. Via é um dos principais meios para escoar milho e soja dos estados do Centro-Oeste até São Paulo. Transporte por rio é mais barato do que caminhão e trem pois é possível carregar mais produto.Alta custo do frete e perda de rentabilidade de produtores do Centro-Oeste são algumas das consequências para o agro da paralisação da Hidrovia Tietê-Paraná, apontam especialistas e empresas do setor consultados pelo G1.

A região do porto intermodal de Pederneiras (SP) anunciou que por volta das 9h de sexta-feira (27) recebeu a última barcaça antes da paralisação das operações de transporte de carga pelo rio. A via é um dos meios para escoar grãos dos estados do Centro-Oeste até o Sudeste e não faz muito tempo que teve seu funcionamento suspenso pelo mesmo motivo. Entre 2014 e 2016, durante uma das maiores crises hídricas do estado de SP, a hidrovia ficou paralisada por 20 meses. A Tietê-Paraná já operava com capacidade reduzida desde junho, com somente 10 de um total de 24 comboios que navegaram até maio. A situação já provocou demissões no setor de navegação.

Segundo o governo de São Paulo, o estado tomou a medida após ser informado pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), do Ministério de Minas e Energia, da necessidade de utilização da água estocada nos reservatórios das usinas de Ilha Solteira e Três Irmãos, que ficam nas bacias do Paraná e Tietê, respectivamente. Se a situação se prolongar, como no passado recente, o risco é de desestímulo de investimentos no setor, avalia Edeon Vaz, diretor-executivo do Movimento pró-Logística, ligado à Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja).

O que tem a ver com o agro. Para o agro, o problema principal está no transporte de soja, farelo de soja e milho. A cana-de-açúcar também navega pela via, mas não será afetada, de acordo com Luizio Rizzo, presidente do sindicato das empresas que exploram a hidrovia (Sindasp). Ele explica que a cana navega apenas entre a região de Jaú e Bariri, não passando, portanto, no ponto mais crítico da hidrovia, que é o canal de Nova Avanhandava. Neste local, como há presença de pedras, o nível do rio costuma ser naturalmente mais baixo. Mas, com a seca, caiu mais.Hoje, os grãos movimentados pela Tietê-Paraná têm como destino a exportação, de acordo com Rizzo. A cana navega apenas para o mercado interno.
Já a soja, o farelo de soja e o milho precisam passar por Nova Avanhandava para chegar até SP. Eles saem do Porto de São Simão, em Goiás, com destino ao Porto Intermodal de Pederneiras (SP), onde são transportados por trem ou caminhão até o Porto de Santos, de onde navegam para outros países.

Em 2020, foram transportadas 543,5 mil toneladas de soja por esta hidrovia, de uma colheita de total de 121,5 milhões de toneladas (0,44%) no ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do governo de SP. Já de milho, circularam 688,2 milhões de toneladas de uma produção de 103,2 milhões (0,66%). A movimentação até julho deste ano indica proporções semelhantes. No período, o transporte de soja pela Tietê-Paraná chegou a 845 mil toneladas, parcela de 0,63% da produção estimada pelo IBGE (133 milhões de toneladas). Enquanto o de milho totaliza 123 mil, só 0,13% da produção estimada (91,5 milhões).

Com a paralisação, portanto, o percurso do Centro-Oeste até o Sudeste terá que ser feito por ferrovia ou rodovia, modais que têm um custo muito mais alto do que a navegação interior, diz a assessora técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Elisangela Pereira Lopes.Isso acontece por causa do ganho de escala: em uma barcaça é possível transportar mais produto do que em uma carreta de caminhão ou em um vagão de trem, explica Elisangela.Outra vantagem da hidrovia é que ela é 80,2% menos poluente do que o transporte por caminhão e 14,2% do que ferroviário.O aumento do custo do frete recai tanto para quem comprou o grão, como para o produtor.No caso da Tietê-Paraná, esse custo, em um primeiro momento, tem sido repassado para as empresas importadoras e exportadoras, as chamadas "tradings", que adquirem o produto para revender a outros países.

A Gavilon do Brasil foi uma das afetadas pela situação. Nos meses de maio a julho, com a redução do movimento na via, a trading já teve que alterar o transporte de soja em grão e farelo para a ferrovia, diz o gerente de logística da empresa, Jean Salgado. Neste momento, é o milho que está sendo redirecionado pela companhia. O grão vai descer para SP pela ferrovia Norte-Sul até Estrela D'Oeste (SP), de onde segue para o Porto de Santos pela malha ferroviária paulista. Segundo ele, a alta no frete dificilmente vai conseguir ser repassada para o preço do produto final. "Essas exportações já são contratadas meses ou até um ano antes. Então, para o consumidor [externo] que comprou essa soja, por exemplo, não vai mudar nada. O que vai acontecer é uma redução do nosso lucro", acrescenta. Mas, uma hora ou outra, o custo também chega para o produtor, afirma Edeon Vaz, do Movimento pró-Logística, da Aprosoja."Se acontece um problema desse de fechar a hidrovia e o transporte sobe de US$ 70 para US$ 80, por exemplo, vai ser descontado US$ 80 do produtor. Se não descontarem agora, descontam na compra seguinte", acrescenta.

Para Vaz, portanto, haverá uma queda na rentabilidade dos produtores do Centro-Oeste. Já para o sócio-fundador da consultoria de comércio exterior BMJ, Welber Barral, o custo da suspensão do funcionamento da hidrovia deve acabar sendo diluído para toda a cadeia.

"A trading ganha menos, o transportador ganha menos, o produtor ganha menos. Mas, neste momento, ainda não dá para calcular qual deve ser o efeito. Tudo vai depender de quanto tempo a hidrovia vai ficar parada", afirma Barral, que foi secretário de Comércio Exterior do Brasil entre os anos de 2007 e 2011. Para Vaz, a principal preocupação se a Tietê-Paraná ficar parada por muito tempo, como entre 2014 e 2016, é a diminuição de investimento.

Outras hidrovias continuam operando. Elisangela, da CNA, ressalta que as outras hidrovias do país não passam, por enquanto, pelo mesmo problema que a Tietê-Paraná e que seguem operando normalmente.

"Paralisações por causa de estiagens naturais acontecem todos os anos, como no Rio Madeira, por exemplo. Neste caso da Tietê-Paraná, a situação é diferente. O baixo volume de chuvas reduziu o nível do rio e está sendo priorizada a energia à navegação. É uma decisão estratégica para garantir os outros usos da água", afirma.
Segundo a assessoria de imprensa do governo de São Paulo, o estado decidiu reduzir o número de embarcações na Tietê-Paraná, a partir de junho, após ser informado pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), do Ministério de Minas e Energia, da necessidade de utilização da água estocada nos reservatórios das usinas de Ilha Solteira e Três Irmãos, que ficam nas bacias do Paraná e Tietê, respectivamente.

Em nota, o Ministério de Minas e Energia disse que informou com antecedência as cotas mínimas de operação nesses rios, garantidas para cada período, para que "operadores pudessem se preparar e avaliar quando iriam parar com a navegação de seus comboios e adotar modais alternativos.".


No Brasil, a hidrovia é o modal que tem menos participação no transporte de grãos, sendo responsável por 14,3% dessa circulação. O rodoviário lidera com 60%, seguido do ferroviário (25,7%).


Por Paula Salati, G1. 27/08/2021 

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AVIAÇÃO, AVIADORES E AEROPORTOS 


SANTOS DUMONT


Alberto Santos Dumont (Palmira, 20 de julho de 1873 – Guarujá, 23 de julho de 1932) foi um aeronauta, esportista, autodidata e inventor brasileiro.Santos Dumont projetou, construiu e voou os primeiros balões dirigíveis com motor a gasolina. Esse mérito lhe é garantido internacionalmente pela conquista do Prêmio Deutsch em 1901, quando em um voo contornou a Torre Eiffel com o seu dirigível Nº 6, transformando-se em uma das pessoas mais famosas do mundo durante o século XX. Com a vitória no Prêmio Deutsch, ele também foi, portanto, o primeiro a cumprir um circuito pré-estabelecido sob testemunho oficial de especialistas, jornalistas e populares.

Santos Dumont também foi o primeiro a decolar a bordo de um avião impulsionado por um motor a gasolina. Em 23 de outubro de 1906, voou cerca de sessenta metros a uma altura de dois a três metros com o Oiseau de Proie (francês para "ave de rapina"), no Campo de Bagatelle, em Paris. Menos de um mês depois, em 12 de novembro, diante de uma multidão de testemunhas, percorreu 220 metros a uma altura de seis metros com o Oiseau de Proie III. Esses voos foram os primeiros homologados pelo Aeroclube da França de um aparelho mais pesado que o ar, e possivelmente a primeira demonstração pública de um veículo levantando voo por seus próprios meios, sem a necessidade de uma rampa para lançamento.

O título de responsável pelo primeiro voo num avião, atribuído por brasileiros a Santos Dumont, é disputado com outros pioneiros, nomeadamente os irmãos Wright. Na França, costuma-se atribuir o feito a Clément Ader, que teria efetuado o primeiro voo de um equipamento mais pesado que o ar, a aeronave a vapor Ader Éole, propulsionado por um motor a vapor de 20 CV e levantando voo pelos seus próprios meios em 9 de outubro de 1890, mas teve suas alegações refutadas pelo Ministério da Guerra do Exército Francês. Ao redor do mundo, pelo menos catorze nomes são citados como inventores do avião.

A Federação Aeronáutica Internacional (FAI), no entanto, considera que foram os irmãos Wright os primeiros a realizar um voo controlado, motorizado, num aparelho mais pesado do que o ar, por uma decolagem e subsequente voo ocorridos em 17 de dezembro de 1903 no Wright Flyer, já que os voos de Clément Ader foram realizados em segredo militar, vindo-se apenas a saber da sua existência muitos anos depois. Por outro lado, o 14-Bis de Dumont teve uma decolagem autopropulsada, reconhecida oficialmente por público e jornalistas, tendo sido a primeira atividade esportiva da aviação a ser homologada pela FAI.

Capa do jornal mais famoso da Belle Époque enfocando o vôo histórico do 14 BIS
Alpinismo, automobilismo e balonismo

O primeiro balão de Santos Dumont em 1898

Em 1891, com 18 anos, Santos Dumont fez uma viagem turística à Europa. Na Inglaterra passou alguns meses aperfeiçoando o seu inglês, e na França escalou o Monte Branco. Essa aventura, a quase 5 000 metros de altitude, acostumou-o a alturas elevadas. No ano seguinte, seu pai o emancipou no dia 12 de fevereiro de 1892, devido a seu acidente, aconselhando o jovem Alberto a focar nos estudos da mecânica, química e eletricidade.  Com isto Alberto largou a Escola de Engenharia de Minas de Ouro Preto e voltou à França onde ingressou no automobilismo e ciclismo. Também iniciou estudos técnico-científicos com um professor de origem espanhola chamado Garcia. Em 1894 viajou para os Estados Unidos, visitando Nova Iorque, Chicago e Boston. Nesse mesmo ano  ele chegou a estudar na Merchant Venturers’ Technical College, não chegando a graduar-se. Agenor Barbosa descreveu o Santos Dumont deste período como sendo um “Aluno pouco aplicado, ou melhor, nada estudioso para as ‘teorias’, mas de admirável talento prático e mecânico e, desde aí, revelando-se, em tudo, de gênio inventivo”, mas que depois foi descrito por Agnor como alguém focado na aviação desde quando os "…“motores a explosão” começaram a ter êxito."

Em 1897, já independente e herdeiro de imensa fortuna com a qual investiu no desenvolvimento de seus projetos, aplicou no mercado de ações e permitiu que trabalhasse sem prestar contas à nenhum investidor— contava 24 anos — Santos Dumont partiu para a França, onde contratou aeronautas profissionais que lhe ensinaram a arte da pilotagem dos balões após ler o livro "Andrée — Au Pôle Nord en ballon", sobre a Expedição polar de S. A. Andrée. No dia 23 de março de 1898 ele realizou sua primeira ascensão num balão da firma Lacham-bre & Macuhron pelo custo de 400 francos,]descrevendo que: “Eu nunca me esquecerei do genuíno prazer de minha primeira ascensão em balão”. Nesse ano, antes mesmo de ser conhecido como balonista, ele passou a ser citado pela mídia devido ao seu envolvimento no automobilismo.

No dia 30 de maio de 1898, realizou sua primeira ascensão noturna e no mês seguinte ele passou a trabalhar como comandante, levando um grupo de passageiros num balão alugado. Sabe-se que em 1900 ele já havia criado nove balões, dos quais dois se tornaram famosos: o Brazil e o Amérique.  O primeiro, estreado em 4 de julho de 1898 foi a menor das aeronaves até então construídas — inflado a hidrogênio, cubava apenas 113 metros num invólucro de seda de 6 metros de diâmetro, pesando 27,5 kg sem o tripulante fez mais de 200 voos. De acordo com o biografo Gondin da Fonseca, Dumont teria sido influenciado a criar seu primeiro balão após participar da corrida Paris-Amsterdam em seu triciclo, onde atravessou 110 quilômetros em duas horas, abandonando após um acidente. O segundo balão, Amérique, tinha 500 m³ de hidrogênio e 10 metros de diâmetro, sendo capaz de carregar alguns passageiros, mas sem controle. Com o segundo balão ele enfrentou de tempestades a acidentes. Em suas primeiras experiências ele foi premiado pelo Aeroclube da França pelo estudo das correntes atmosféricas, atingiu altas altitudes e chegou a ficar no ar por mais de 22 horas. Nesta época, Dumont já entendia a necessidade do investimento governamental no desenvolvimento da aviação e da importância da opinião pública estar a favor disso, algo anteriormente notado por Júlio César Ribeiro de Sousa.

A Princesa Isabel em Paris durante uma exibição de Santos Dumont. 


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O aviador brasileiro Santos Dumont junto ao Príncipe Roland Bonaparte, sobrinho-neto de Napoleão Bonaparte. Paris, início do século XX. Roland Napoléon Bonaparte, fotógrafo e botânico, foi o principal responsável pela efetivação do sucesso de Dumont na Europa, uma vez que durante a disputa pelo Prêmio Deutsch de la Meurthe, em 1901, Santos Dumont teve sua vitória negada pela banca avaliadora, devido a um pequeno atraso. Roland, que fazia parte do comitê, enfureceu-se com seus colegas e ameaçou entrar na justiça para que o brasileiro pudesse ser reconhecido como vencedor. Henri Deutsch de la Meurthe, o empresário que oferecia o prêmio, concordou com Bonaparte e o feito de Santos Dumont foi finalmente imortalizado. O objetivo do concurso era premiar o inventor da primeira máquina aérea capaz de realizar uma viagem de ida e volta do Parc de Saint-Cloud até a Torre Eiffel e retornar em menos de meia hora. O concurso era um incentivo ao desenvolvimento do transporte aéreo.O dinheiro recebido como prêmio foi dividido por Santos Dumont entre sua equipe de mecânicos e diversas famílias pobres de Paris.


EDÚ CHAVES



Eduardo Pacheco Chaves, conhecido como Edu Chaves, (São Paulo, 18 de julho de 1887 — 21 de junho de 1975) foi um aviador brasileiro, pioneiro nas ligações aéreas entre São Paulo e Santos, São Paulo e Rio de Janeiro e também entre o Rio e Buenos Aires.

Sua paixão pela aviação começou ainda na Inglaterra, onde estudava, ocasião em que conheceu Santos Dumont. Em julho de 1914, Edu Chaves entrou para a história ao realizar, sem escalas, o primeiro voo de São Paulo ao Rio de Janeiro. O voo levou 6 horas, em um motoplanador com motor de 80 cavalos e a uma velocidade máxima de 80 km/h.

Edu nasceu na capital paulista em 1887. Era filho de Elias Antônio Pacheco e Chaves e de Anésia da Silva Prado. Nasceu em um casarão da rua São Bento no centro da cidade e era filho de uma antiga família de cafeicultores. Fascinado pela aviação, Edu foi para a França com o propósito de tornar-se piloto. Em 28 de julho de 1911 adquiriu seu "brevê" de piloto da Federation Aeronautique Internacionale a bordo de um aparelho modelo Bleriot de 25 HP.

Ainda na França, foi o primeiro aviador a realizar voos noturnos. Foi o primeiro piloto brasileiro a voar nos céus do Brasil no dia 8 de março de 1912, na cidade de Santos. Neste período teve a oportunidade de voar em companhia do aviador francês Roland Garros na breve estadia deste no Brasil. Edu também foi pioneiro ao fundar a primeira escola de aviação do país em Guapira, onde empregou aviões trazidos da Europa.

Edu Chaves e Roberto Thierry_(1920)

O primeiro voo sem escalas

O dia de ontem assinalou mais um triunfo para a aviação no Brasil. Coube ainda uma vez a Edu Chaves realizar um "raid" sensacional, vindo de São Paulo ao Rio de Janeiro em 6 horas e meia, vencendo com admirável segurança um percurso de 450 quilômetros. O arrojado aviador paulista, nessa prova de resistência teve de vencer dificuldades que não chegaram para impedir a terminação do seu voo memorável, desta vez terminado com um absoluto sucesso, aterrando calmamente no campo de aviação da fazenda dos Afonsos. (...) Edu Chaves saiu do prado da Mooca em S. Paulo às 9,30 da manhã, tendo resolvido de surpresa renovar o "raid" que o tornara famoso, alguns anos atrás, quando uma falsa orientação do terreno o fez cair ao mar, nas proximidades de Mangaratiba. O aparelho de que se serviu Edu Chave foi um monoplano Bleriot, com um motor Gromo de 80 cavalos. O percurso realizado no "raid" de ontem foi de cerca de 450 km , vencidos em 6 horas e meia. Edu Chaves fez o voo à altura de 2000 metros, subindo a 3000 metros ao atravessar a Serra do Mar. A velocidade desenvolvida pelo Bleriot foi de cerca de 80 km/h. Foi uma verdadeira surpresa a chegada de Edu Chaves no campo de aviação da fazenda dos Afonsos. Recebido com efusivas demonstrações de aclamação, por Darioli, Nicola Santo, Kirk e outros aviadores presentes, Edu Chaves foi felicitado entusiasticamente pelo "raid" que realizara com um sucesso tão brilhante.
Em janeiro de 1921 voou do Rio de Janeiro a Buenos Aires.

Edu Chaves morreu na capital paulista, em 21 de junho de 1975, aos 87 anos. Em homenagem ao ilustre aviador, o aeroporto de Paranavaí, no Paraná, recebeu o nome de "Aeroporto Edu Chaves", assim como uma avenida e um bairro da cidade de São Paulo, que tem o nome de Parque Edu Chaves.

Edu Chaves e Santos Dumont numa cerimônia pública nos nos 1930. 


CUMBICA


Aeroporto Internacional de Guarulhos.  As obras para construção da primeira etapa do aeroporto, que consistia na pista com 3 000 metros de comprimento e um terminal capaz de atender 7,5 milhões de passageiros por ano, foram iniciadas em 11 de agosto de 1980, quando foi dada a ordem de serviço. O consórcio ganhador da licitação oferecida pela COPASP foi formado pelas empresas Camargo Corrêa e Constran. O prazo de dois anos e meio foi dado para conclusão das obras de terraplenagem, drenagem e pavimentação de pistas, pátios, vias de acesso e de serviço, mobilizando uma verba de Cr$ 4 602 233 537, cerca de 82,5 milhões de dólares. Uma série de atrasos na obra contribuiu para que a primeira fase demorasse o dobro de tempo previsto para ser concluída. Em agosto de 1984, a Infraero abriu centenas vagas de empregos no aeroporto. No 20 de janeiro de 1985, um Boeing 747-200 da Varig, procedente de Nova Iorque, pousou em Guarulhos, inaugurando oficialmente as operações do aeroporto e do primeiro terminal de passageiros.[Textos e imagens da Wikipedia]


CONGONHAS


Congonhas em 1939. 




Congonhas em 1956. 


Congonhas em 1959



Congonhas em 1968. 



Aeroporto de Congonhas. Em 1942, tem inicio estudos de melhorias do Aeroporto de São Paulo feitos a pedido da Diretoria da Viação. Em 1947, começam as obras da primeira grande reforma do aeroporto de São Paulo. Em 1949, as obras de prolongamento da pista principal para 1 865 metros foi concluída. Em 1951, as obras da torre de controle são terminadas. Em 1954, é inaugurado o pavilhão das autoridades e em 1955, o novo terminal de passageiros começou a funcionar. Em 1957, o Aeroporto de Congonhas passa a ser o terceiro do mundo em movimento de carga aérea, depois de Londres e Paris. Em 1959, a ala internacional é inaugurada e a ponte aérea Rio-São Paulo, acordo firmado entre as companhias Varig, Vasp e Cruzeiro do Sul que operavam os Convair 240, Scandia e Convair 340, respectivamente, na ligação aérea entre as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, começa a funcionar.
[Textos e imagens da Wikipedia]





Aeroporto de Congonhas (CGH, ou SBSP para os especialistas) , localizado nas coordenadas 23° 37' 34" S e 46° 39' 23" está no coração da zona sul de São Paulo, sendo o 2º aero mais movimentado do Brasil. Há quem diga que é um aero bem “executivo”, em função do grande número de passageiros que viajam a negócios entre São Paulo e outros grandes centros, como Rio de Janeiro e Brasília. Vários aviões e companhias marcaram a história de Congonhas. CGH foi hub (ponto estratégico) da Varig, Vasp, TransBrasil dentre diversas empresas aéreas. Aeronaves famosas brilhavam os olhos de quem acompanhava os serviços em Congonhas. Lembramos as operações do SAAB Scandia, Electra, DAC, Fokker, Embraer, A300, B727, e até dos primeiros Airbus 330 da antiga Tam que pousaram e, principalmente, decolaram em 1998 utilizando os 1.940m de pista. Arquivo Público do Estado



 Vista parcial do Aeroporto de Congonhas - Fundo Diários Associados 29.01.1976

 
Uso da ala internacional - Fundo Diários Associados 27.07.1977

Fotos da zona de aeroporto: a extensão gigantesca da zona sul - Fundo Diários Associados 23.06.1975


Aeroporto: divertimento popular - Fundo Diários Associados 11.08.1969

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A Ponte Aérea Rio-São Paulo, foi originalmente um acordo firmado em 5 de julho de 1959, pelas empresas Varig, Cruzeiro do Sul e VASP que ofereciam várias frequências diárias entre os aeroportos Santos Dumont no Rio de Janeiro e Congonhas em São Paulo. Originalmente, esses voos não eram regulares e muitas vezes saíam quase juntos, com um ou outro lotado ou vazio. A partir deste questão, as principais empresas aéreas do país na época, Varig, Vasp e Cruzeiro, assinaram um acordo e começaram a voar entre Rio e São Paulo com voos escalonados alternadamente a cada 60 minutos, com livre circulação dos passageiros entre as companhias. Com um bilhete embarcava-se na primeira aeronave disponível, independendo de qual empresa pertencia. [Textos e imagens da Wikipedia]

Passageiros no Aeroporto  Santos Dumont, no Rio,  aguardando embarque para São Paulo. Anos 1970. Foto: O Globo. 

 

CAMPO DE MARTE



Vista da torre do Aeroporto Campo de Marte e do PAMA-SP ao fundo, com um Beechcraft KingAir taxiando para o pátio do aeroporto. Idril86 

Aeroporto Campo de Marte (IATA: RTE, ICAO: SBMT) é um aeroporto brasileiro, localizado na zona norte da cidade de São Paulo, no bairro de Santana. Foi o primeiro terminal aeroportuário de São Paulo,sendo que hoje não conta mais com linhas comerciais regulares, predominando o tráfego de helicópteros e aviões de pequeno porte, a denominada aviação geral. Apresenta a maior frota de helicópteros do Brasil e sua infraestrutura permite que São Paulo abrigue a maior frota do mundo desse tipo de aeronave, tendo superado a de Nova York. É um aeroporto compartilhado, com parte da área física sob controle do Comando da Aeronáutica e outra sob a administração da Infraero, empresa pública federal brasileira subordinada à Secretaria de Aviação Civil - SAC.

História. As atividades operacionais do aeroporto foram iniciadas em 1929, sendo ele a primeira infraestrutura aeroportuária da cidade de São Paulo, quando foi construída a primeira pista para pousos e decolagens bem como um hangar da Força Pública. Durante a Revolução de 1932 o governo federal ordena às forças armadas o bombardeio aéreo do Campo de Marte. O Campo de Marte foi alvo de um ataque aéreo pesado, pois seus pilotos haviam sido convocados para integrar o Movimento Constitucionalista, juntamente com outros aviadores militares que haviam aderido à causa. Terminada a contenda, todos os aviões do Campo de Marte foram levados para o Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro. Além do ataque aéreo na Revolução de 1932 e a interdição do terminal aeroportuário em 1934 pelo então presidente Getúlio Vargas, houve uma grande enchente no local em 1929. Esses distúrbios induziram o início de estudos técnicos para a escolha de um local alternativo. O sítio escolhido foi Congonhas inaugurado em 1936, os bairros Brooklin e Indianópolis também foram cogitados na época.
Em 12 de novembro de 1933 houve uma cerimônia, na qual inauguraram-se voos para o interior paulista com a VASP, com duas rotas; uma para São José do Rio Preto com escala em São Carlos, e outra para Uberaba com escala em Ribeirão Preto, o que veio implementar em 1934, o Parque Aeronáutico, que ocupou uma boa parcela da área do Campo de Marte. No dia 26 de outubro de 1967 um grande incêndio destruiu o hangar Santos Dumont, que pertencia ao Aeroclube de São Paulo. Cerca de 26 aeronaves P-56 Paulistinha foram consumidas pelo fogo. O Aeroclube estimou o prejuízo em torno de 1 bilhão de cruzeiros velhos, o que nos dias de hoje seria algo equivalente a pouco mais de 3,2 milhões de reais.

Atualmente o aeroporto opera exclusivamente com aviação geral, executiva e táxi aéreo. Opera com o sistema de balizamento noturno, que permite operações da aviação executiva até as 22 horas. É o quinto do país — após Congonhas, Guarulhos, Brasília e Galeão — em maior movimento operacional. Sedia o Aeroclube de São Paulo, que foi inaugurado oficialmente em 8 de junho de 1931, uma das mais antigas escolas de aviação civil em funcionamento no país, conta também com a Associação dos Concessionários, Empresas Aeronáuticas Intervenientes e Usuários do Aeroporto Campo de Marte, onde listam integrantes e serviços prestados no mesmo. Além das atividades aeroportuárias e da escola de aviação, o Campo de Marte abriga o Serviço Aerotático da Polícia Civil e o Grupamento de Rádio Patrulha Aérea da Polícia Militar, sem contar órgãos da Força Aérea Brasileira, como a Subdiretoria de Abastecimento, o Centro de Logística da Aeronáutica, o Parque de Material Aeronáutico de São Paulo e o Hospital de Força Aérea de São Paulo (HFASP).

Helicóptero Águia 11, da Polícia Militar do Estado de São Paulo, deixando sua base no Aeroporto Campo de Marte.


VIRACOPOS

Saguão nos anos 1950

Pouso do Concorde em 1972



O Aeroporto Internacional de Viracopos teve sua construção iniciada na década de 1950 pelo governador Adhemar Pereira de Barros e foi inaugurado em 19 de outubro de 1960. Sua longa pista, com 3.240m x 45m, foi construída para receber com segurança os quadrimotores a jato de primeira geração: Comet, Vickers VC-10, Douglas DC-8, Convair 990 e o Boeing 707. Em 19 de outubro de 1960, através da Portaria Ministerial n.º 756, Viracopos foi elevado à categoria de Aeroporto Internacional e homologado para aeronaves a jato puro. Ao longo dos anos, várias reformas foram realizadas no aeroporto para que o pudesse acompanhar a evolução da aviação. A partir de 1978 a Infraero começou a administrar o Terminal de Cargas e, em 1980, recebeu do DAESP a administração geral do Aeroporto Internacional de Viracopos/Campinas. A vocação cargueira de Viracopos foi consolidada na década de 1990, quando o aeroporto despontou para o segmento de Carga Aérea Internacional. Sua infraestrutura foi ampliada, os processos de movimentação de carga e desembaraço aduaneiro foram modernizados, transformando o aeroporto em referência logística no cenário nacional.[Textos e imagens da Wikipedia]



BOVESPA -BOLSA DE VALORES DE SP


Edifício Palácio do Café (à direita da estátua), próximo ao Pátio do Colégio, uma das primeiras sedes da bolsa.Michell Zappa


Em 23 de agosto de 1890 foi fundada pelo presidente Emílio Rangel Pestana a Bolsa Livre, que seria o embrião da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A Bolsa Livre encerrou suas atividades em 1891, em decorrência da política do Encilhamento. Quatro anos depois, em 1895, foi aberta a Bolsa de Fundos Públicos de São Paulo, que deu continuidade à evolução do mercado de capitais brasileiro. No ano de 1934, instalou-se no Palácio do Café, localizado próximo ao Pátio do Colégio. No ano seguinte, seu nome foi alterado para Bolsa Oficial de Valores de São Paulo.

Até meados da década de 1960, a Bovespa e as demais bolsas brasileiras eram entidades oficiais corporativas, vinculadas às secretarias de finanças (atuais Secretarias da Fazenda estaduais). Eram 27 bolsas de valores em todo o Brasil, dos governos estaduais e compostas por corretores nomeados pelo poder público. Com as reformas do sistema financeiro nacional e do mercado de capitais que foram implementadas nos anos de 1965 e 1966, as bolsas assumiram a característica institucional, transformando-se em associações civis sem fins lucrativos, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial. A antiga figura individual do corretor de fundos públicos, que eram os corretores autônomos de confiança de cada investidor, foi substituída pela da sociedade corretora ou as atuais corretoras de valores, empresa constituída sob a forma de copiar a sociedade por ações nominativas ou por cotas de responsabilidade limitada. Em 1967, a entidade passou a ser denominada Bolsa de Valores de São Paulo.

Integração das bolsas nacionais e surgimento da Bovespa

Pregão de Bolsa meados do século XX.


Desde o início dos mercado de capitais no Brasil, durante a fase final do período colonial, a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro foi o grande mercado de ações do país. No entanto, a partir da década de 1970, em decorrência dos efeitos do Crash de 1971, começou a perder espaço gradativamente para a Bovespa. Em junho de 1971, tem início o segundo crash de maior impacto econômico interno da história do Brasil.

Em 2000, as duas bolsas comandaram a assinatura de um acordo de integração das nove bolsas de valores brasileiras. O documento estabelecia que as ações de companhias abertas e os títulos privados em geral seriam negociados na Bovespa, enquanto a BVRJ se encarregaria do mercado eletrônico de títulos da dívida pública, lançado em agosto daquele ano. No mesmo ano, as bolsas de valores de São Paulo (BOVESPA), do Rio de Janeiro (BVRJ), de Minas-Espírito Santo-Brasília (BOVMESB), do Extremo Sul (BVES), de Santos, da Bahia-Sergipe-Alagoas (BOVESBA), de Pernambuco e Paraíba (BOVAPP), do Paraná (BVPR) e a Regional (BVRg) foram integradas. Desde então a Bovespa passou a concentrar toda a negociação de ações do Brasil, e as bolsas regionais mantiveram as atividades de desenvolvimento do mercado e de prestação de serviços às suas praças locais.

A Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) foi a maior bolsa de comércio brasileira até a sua fusão com a Bovespa. Ela consistia em uma sociedade mercantil criada por empresas, corretoras de valores e bancos. Nela, diferentemente da Bovespa, não se negociavam ativos mercantis societários (ações). Em vez disso, eram negociados contratos de mercadorias (principalmente commodities) e derivativos, à vista ou para pagamento futuro. Localizava-se na cidade de São Paulo e operava principalmente com taxa de câmbio, taxa de juros, café, açúcar, soja, gado bovino, milho e ouro.

A Bolsa de Mercadorias de São Paulo (BMSP) foi criada por empresários paulistas, ligados à exportação, ao comércio e à agricultura, em 26 de outubro de 1917. Foi a primeira no Brasil a trabalhar com operações a termo (compra e venda sob condição de entrega futura). Alcançou com o tempo rica tradição na negociação de contratos agropecuários, particularmente café, boi gordo e algodão. Em julho de 1985, surge a Bolsa Mercantil de Futuros, que já utilizava a sigla BM&F. Seus pregões começam a funcionar em 31 de janeiro de 1986. Em pouco tempo, a bolsa conquista posição invejável entre suas congêneres, ao oferecer à negociação de produtos financeiros em diversas modalidades operacionais.
Em 9 de maio de 1991 as duas bolsas fecharam acordo para unir suas atividades operacionais, aliando a tradição de uma ao dinamismo da outra. Surgiu então a Bolsa de Mercadorias & Futuros, mantendo a sigla de Mercantil de Futuros. Em 30 de junho de 1997, ocorreu novo acordo operacional, agora com a Bolsa Brasileira de Futuros (BBF), fundada em 1983 e sediada na cidade do Rio de Janeiro, com o objetivo de fortalecer o mercado nacional de commodities, o que consolida a BM&F como o principal centro de negociação de derivativos do Mercosul.

Em abril de 2002, têm início as atividades de clearing de câmbio BM&F (operação de câmbio com compra e venda para pagamento das aquisições na BM&F) e a BM&F adquiriu da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia. Com isso passa a administrar os direitos de gestão e operacionalização das atividades da câmara de compensação e liquidação de operações com títulos públicos, títulos de renda fixa e ativos emitidos por instituições financeiras, e os títulos patrimoniais da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ) de seus titulares, bem como os direitos de administração e operacionalização do sistema de negociação de títulos públicos e outros ativos, conhecido como Sisbex. Em 12 de novembro do mesmo ano, a BM&F negociou acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e com a Central Clearing de Compensação e Liquidação, visando o fim das atividades de registro, compensação e liquidação de operações com títulos públicos e privados de renda fixa desenvolvidas por esta última e a sua consequente centralização das atividades na BM&F. Em consequência, no dia 14 de maio de 2004, foram iniciadas as operações da clearing de Ativos BM&F ampliando sua atuação, para se transformar na principal clearing da América Latina.

Em 29 de agosto de 2002, foi lançada a Bolsa Brasileira de Mercadorias, que reunia, além da BM&F, que lhe presta serviços de compensação e liquidação, as bolsas de mercadorias dos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul e da cidade de Uberlândia (MG), transformadas em Centrais Regionais de Operação, com o intuito de formar um grande mercado nacional para as commodities agropecuárias, com mecanismos modernos de formação de preços e sistema organizado de comercialização.

No dia 29 de janeiro de 2004, o Banco Central do Brasil emitiu resolução por meio da qual autorizou as bolsas de mercadorias e futuros a constituir bancos comerciais para atuar no desempenho de funções de liquidante e custodiante central, prestando serviços às bolsas e aos agentes econômicos responsáveis pelas operações nelas realizadas. Assim, a BM&F deu início ao processo de criação do Banco BM&F de Serviços de Liquidação e Custódia. Em 30 de novembro de 2007 a BM&F torna seu capital aberto, registrando um recorde na procura de seus papéis, negociados sob o código BMEF3.SA, com preço inicial de 20 reais por ação e lote padrão de 100 ações. O volume de negócios nos primeiros momentos de negociação foi tão grande que causou uma pane no sistema BOVESPA. Os primeiros negócios foram realizados no valor de 25 reais por ação.

Em 26 de março de 2008 a Bovespa anunciou oficialmente o início do processo de fusão com a BM&F. A Bolsa de Valores.

CETIP SA. A Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (CETIP S.A.) foi criada em 1984 como um braço operacional da Associação Nacional dos Dirigentes do Mercado Aberto (ANDIMA), sob a forma de sociedade civil brasileira, sem fins lucrativos. Iniciou suas operações em 1986, passando, desde então, a disponibilizar sistemas eletrônicos de custódia, registro de operações e liquidação financeira no mercado de títulos públicos e privados. Participou ativamente do desenvolvimento do mercado financeiro, em estreita ligação com o mercado e os órgãos de regulação, propondo, criando, viabilizando e operacionalizando soluções e sistemas para suporte das operações de seus participantes, desempenhou papel relevante no processo de privatização da empresas públicas e na concepção e operacionalização do Sistema de Pagamentos Brasileiro.Em 22 de março de 2017, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovaram a fusão da CETIP com a BM&FBovespa. A empresa passou a ser a quinta maior bolsa de mercado de capitais e financeiro do mundo, com patrimônio de 13 bilhões de dólares.

O Novo Mercado da B3 é uma listagem de empresas que possuem práticas de governança corporativa diferenciadas, além das obrigações legais.A entrada de uma companhia no Novo Mercado implica na adesão de um conjunto de regras de "boas práticas de governança corporativa", presentes no Regulamento de Listagem do Novo Mercado, através da assinatura de um contrato. As empresas deste segmento de listagem podem emitir somente ações com direito de voto, conhecidas como ações ordinárias ou ON.

Sede da B3 no centro de São Paulo.



EMPRESAS PÚBLICAS PAULISTAS 


 VASP


McDonnell Douglas MD-11 da VASP nas proximidades do Aeroporto de Bruxelas em 1996.


A VASP (acrônimo de Viação Aérea São Paulo) foi uma companhia aérea comercial brasileira com sede na cidade de São Paulo, onde chegou a ser uma das maiores e mais importantes do país. A companhia deixou de operar em 2005 e teve sua falência decretada pela Justiça de SP em 2008. Fundada em 4 de novembro de 1933, no dia 12 de novembro de 1933 em uma cerimônia no Campo de Marte, foram inauguradas as duas primeiras linhas, que decolaram os dois primeiros voos comerciais da empresa, foram com bimotores Monospar ST-4 ingleses, de São Paulo a São José do Rio Preto com escala em São Carlos, e São Paulo a Uberaba com escala em Ribeirão Preto. Eles tinham capacidade para três passageiros e tiveram como madrinhas, a Dª Olívia Guedes Penteado que batizou o VASP-1 (denominado Bartholomeu de Gusmão) e a Dª Antonieta Caio Prado que batizou o VASP-2 (denominado Edu Chaves). Seu primeiro Presidente e um dos fundadores foi Heribaldo Siciliano
As condições precárias da infraestrutura aeroportuária dificultavam a operação. Nos primeiros meses de atividades, a VASP teve suas operações suspensas devido a fortes chuvas que inundaram o Campo de Marte, sendo retomadas em 16 de abril de 1934. Tais dificuldades foram decisivas para a empresa participar do desenvolvimento de aeroportos e campos de pouso no interior paulista. A empresa transferiu suas operações para o recém inaugurado Aeroporto de Congonhas, conhecido como "Campo da VASP". Em janeiro de 1935, a sua frágil saúde financeira fez com que a diretoria pedisse oficialmente ajuda ao Governo do Estado. A VASP foi estatizada e recebeu novo aporte de capital para a compra de dois Junkers Ju-52-3M. Em 1936 a VASP estabeleceu a primeira linha comercial entre São Paulo e Rio de Janeiro, e em 1937 recebeu seu terceiro Junkers. Em 1939 a VASP comprou a Aerolloyd Iguassu, pequena empresa de propriedade da Chá Matte Leão, que operava na região sul do país.

Tripulação da VASP nos anos 1960. Acervo do Comandante Célio Soret (primeiro à direita). Jornal Debate. 


Em 1949, o avião da VASP pousou no Aeroporto de Catanduva, inaugurando assim a sua linha de voos diretos para São Paulo, Santos e Rio de Janeiro, feitos no mesmo avião. O possante “Douglas”, em seu voo inaugural, trouxe a esta cidade para presidir o ato de abertura, o governador Adhemar de Barros, vários assessores, imprensa, além de Aderbal Ramos, governador de Santa Catarina, que se encontrava em São Paulo e foi convidado para acompanhar a comitiva. Em aqui chegando todos se dirigiram a Associação Comercial, Industrial e Agrícola, onde foi feita a recepção tendo feito uso da palavra o Dr. Ítalo Záccaro, que saudou o Governador, focalizando a importância do acontecimento que ele viera presidir, depois falou o governador de Santa Catarina que manifestou seu entusiasmo pela capacidade de trabalho do povo Paulista e depois o governador Adhemar de Barros falou da importância que tinha essa região no contexto Estadual, daí a inauguração da nova linha da VASP, pioneira da aviação comercial no país.

Embarque de gado da VASP Cargas. Publicado pelo jornal Debate. 


A VASP funcionou na cidade de Catanduva cerca de três anos, seu escritório era na Rua Pernambuco, 153 e seu agente era o Sr. Moacyr Lichti. Em 1962 foi a vez do Lloyd Aéreo ser comprado, ampliando ainda mais sua participação a nível nacional. No início da década de 1990, a VASP foi privatizada no governo de Orestes Quércia. Em 4 de setembro de 1990, o empresário Wagner Canhedo adquiriu 60% das ações da Vasp, em leilão no qual pagou o lance mínimo, US$ 43,7 milhões (Cr$ 3,3 bilhões, à época). Posteriormente, foram apontadas irregularidades no processo de privatização que levam a abertura de uma CPI pela Câmara dos Deputados. Seu novo presidente, Wagner Canhedo, iniciou uma agressiva expansão internacional: Ásia (Osaka no Japão e Seul na Coréia do Sul), Canadá (Toronto), Caribe (Aruba), Estados Unidos (Nova York, Los Angeles, São Francisco, Miami, e Orlando voos charters), Europa (Madri e Barcelona na Espanha, Frankfurt na Alemanha, Zurique na Suíça, Bruxelas na Bélgica, Atenas na Grécia) e até mesmo o Marrocos (Casablanca), entraram no mapa da empresa. Aumentou a frota, trazendo entre outros três DC-10-30 e depois nove MD-11. Criou o VASP Air System, após adquirir o controle acionário do Lloyd Aéreo Boliviano, Ecuatoriana de Aviación e da argentina Transportes Aéreos Neuquén. A empresa não conseguiu sustentar o crescimento. [Textos e imagens da Wikipedia]

Boeing 737-200 da VASP abandonado no Aeroporto Internacional de Viracopos/Campinas em 2007.





Jingle da VASP composto pelo violonista Theo de Barros, do Quarteto Novo, nos anos 1970.


BANESPA




Se existe um banco que está na memória de todos os paulistas este é, sem dúvida, o Banespa. Extinto em 2001, após ter sido privatizado e arrematado pelo espanhol Santander, o banco segue até hoje no imaginário paulistano graças a diversos fatores, como o seu icônico edifício que por longos anos foi o maior arranha-céu da América do Sul, seu outro prédio menor que ganhou o apelido de Banespinha, após sair das mãos dos Matarazzo e que hoje abriga a prefeitura de São Paulo. O Banespa também é lembrado pelo seu incrível clube localizado na zona sul da capital e pelo seu saudoso time de vôlei, tanto no masculino quanto no feminino. A história do Banespa, ou melhor, Banco do Estado de São Paulo, como é seu nome original, começou praticamente junto com o século 20, no distante ano de 1909 e, por incrível que pareça, majoritariamente estrangeiro, com uma injeção de 75% capital francês.
Naquela época ele ainda não tinha a nomenclatura que ficou conhecido por boa parte do século 20, sendo chamado de Banco de Crédito Hipotécário e Agrícola do Estado de São Paulo e seu principal objetivo era financiar a produção cafeeira dos fazendeiros paulistas. A empresa só seria nacionalizada em 1919, quando o Tesouro Estadual comprou a participação estrangeira, com a ajuda de um aporte do então poderoso Instituto do Café.

O banco permaneceria neste padrão e nome até o ano de 1926 quando através de assembleia tem sua denominação alterada para Banco do Estado de São Paulo, passando a valer a partir do início do ano seguinte. Nos próximos anos a instituição continuou em franco crescimento e relevância a ponto de se transformar em um dos principais bancos estatais brasileiros, rivalizando especialmente com bancos federais.


A ascensão do banco levou os dirigentes da instituição e do Governo Paulista a pensar em uma nova sede para abrigá-lo. Para este novo empreendimento a ideia foi erguer um edifício que deixasse evidente a pujança paulista e o grande desenvolvimento tanto da cidade como do restante do Estado na década de 1930. Assim, em 19 de setembro de 1939, era colocada a pedra fundamental que iniciaria a construção do Edifício Banco do Estado de São Paulo. Projetado originalmente por Plínio Botelho do Amaral ele seria afastado do projeto no decorrer da construção pois a diretoria do banco não estava animada com seu projeto arquitetônico e queria que o novo edifício tivesse uma maior semelhança com o Empire State Building de Nova York. Por isso a construtora paulista Camargo & Mesquita assume as obras em andamento, levando-a até sua conclusão.

O Banespa entraria em dificuldades financeiras em meados da década de 1980, acompanhando as crises que assolam o país e os sucessivos e malsucedidos planos econômicos. O banco chegou a receber intervenção federal em 1994, através do chamado RAET (Regime de Administração Especial Temporária). Para sanear as contas do banco e evitar sua quebra foi gasto naquela época R$45.5 bilhões. Anos mais tarde, em 1999, já federalizado o banco teve toda sua diretoria demitida pelo governo federal.

Em 20 de novembro de 2000, quase um século após seu surgimento, o Banespa é arrematado pelo grupo espanhol Santander em um processo que não foi tranquilo, seguido de protestos por parte de funcionários e até clientes, desgostosos com o baixo nível de qualidade e de atendimento do novo banco proprietário. Aos poucos o nome Banespa vai saindo de cena – chegou a ser chamado Santander Banespa – até que passa a ser apenas Santander.

Interiores do Edifício Altino Arantes


Curiosidades. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932 o Estado de São Paulo, pressionado pelo Governo Federal, sofre uma grande escassez de dinheiro, razão que leva o banco paulista a emitir sua própria moeda (foto abaixo). Após o término da revolução o Banco do Brasil reconheceu o dinheiro local e ele é trocado com paridade. Atualmente o chamado “dinheiro paulista” tem grande valor entre os colecionadores. O Banespa foi o primeiro banco do país a aceitar uma mulher nos quadros funcionais. Em 1932 o Banespa admitiu Maria Eugênia Guimarães como funcionária efetiva e seu ingresso causou grande escândalo na sociedade paulistana. A bandeira tremulando no topo do edifício não é algo que acompanha o banco desde a inauguração do prédio. Esse costume surgiu após a reforma na fachada do edifício, ocorrida na década de 1970. Anteriormente o topo recebeu desde publicidade até antenas, sendo a mais famosa delas a antena da extinta TV Tupi. Outra curiosidade  é a respeito da bandeira a tremular no topo do edifício que é sempre a bandeira paulista. Em algumas ocasiões especiais o cerimonial troca a bandeira pela de São Paulo, em 25 de janeiro, aniversário da capital e em datas como 7 de setembro e 15 de novembro, respectivamente as datas da Independência do Brasil e Proclamação da República, ocasião que tremula a Bandeira do Brasil. O nome “Altino Arantes” não era oficial do prédio até meados da década de 1960. O novo batismo do edifício foi uma forma encontrada pela diretoria da instituição para homenagear aquele que além de ter sido governador de São Paulo de 1916 a 1920, foi também o primeiro presidente do banco. A nomeação trouxe um caso curioso na cidade, com dois grandes edifícios próximos compartilhando o mesmo nome (e curiosamente ambos ligados a bancos).Hoje São Paulo é uma metrópole com 12,33 milhões de habitantes o que faz da cidade uma das maiores do mundo. Na época da inauguração do edifício, em 1947, a população paulistana era de 2,2 milhões. Já parou para pensar como era a vista do mirante naquela época? As fotografias abaixo são do folder de inauguração do prédio e mostram as vistas respectivamente das regiões nordeste, sudoeste e sudeste da capital e arredores. São Paulo Antiga. 

Agência do Banespa (na época como uma marca em que estava nas mãos do Santander) em Avaré, no interior de São Paulo.

CAIXA ECONÔMICA ESTADUAL




A Nossa Caixa foi originário das Caixas Econômicas Paulistas, fundado em 30 de dezembro de 1916 e encerrado oficialmente em 30 de novembro de 2009, quando foi incorporado ao Banco do Brasil. Possuía 547 agências e cerca de 15.000 funcionários. 

Em 1916 a economia cafeeira sofria com um grande corte das exportações para a Europa, principal mercado do país, em função da Primeira Guerra Mundial. A recessão provocada pelo conflito ajudou a agitar ainda mais os cenários social, político e, sobretudo, econômico. A instabilidade econômica fez com que os gastos da população fosse efetuados com parcimônia, com a prioridade passando a ser a formação de pecúlios. Neste contexto, o momento era ideal para a criação das caixas econômicas paulistas, uma iniciativa que não obteve sucesso em governos anteriores. Em 1892, o presidente do estado Bernardino de Campos sancionou a Lei nº 117, autorizando a fundação de Caixas Econômicas. No entanto, por ser considerada anacrônica, foi posteriormente revogada pela Assembleia Legislativa.


Caderneta de Poupança, emitida em 1971, pela então Caixa Econômica do Estado de São Paulo.


Em 30 de dezembro de 1916, o presidente do estado, Altino Arantes, promulgou a Lei nº 1.544, do Congresso Legislativo, criando as Caixas Econômicas na Capital, além de Santos, Campinas e Ribeirão Preto. Elas foram destinadas a receber pequenos depósitos e estimular a formação de pecúlios populares. O Decreto nº 2.765, de 1917, regulamentou a lei. Em 22 de março de 1917, a Caixa Econômica do Estado, na Capital, precisamente na rua Floriano Peixoto, iniciou suas atividades com um depósito no valor de um conto de réis, efetuado pelo filho de Arantes, o estudante Paulo Francisco.

Ainda em 1917, após o estabelecimento de sua sede, o banco inaugurou outras três unidades: em Santos (2 de maio), em Campinas (2 de junho) e em Ribeirão Preto (30 de junho). Todas contavam com autonomia administrativa, mas estavam submetidas às diretrizes da Secretaria da Fazenda. Nos anos seguintes, suas atividades se ampliaram rapidamente. Em meados da década de 1920, já acumulava depósitos em quantia semelhante a da Caixa Econômica Federal. O banco então iniciou um processo de interiorização, fundando agências em diversas cidades do interior paulista. Se no final de 1917 detinha 56 agências, em 1939 este número mais que triplicou, crescendo para 198. Em 1938, contava com quase 100.000 cadernetas de depósitos. No ano 1951, o governo estadual decidiu reunir todas as agências em uma autarquia, que foi denominada Caixa Econômica do Estado de São Paulo.

Em 1956, a sede da instituição foi transferida para o edifício Altino Arantes. Em 1974, deixou de ser autarquia para se transformar em empresa de sociedade anônima. Em 1990, mudou novamente de status, passando a se tornar um banco múltiplo, o que lhe possibilitou diversificar suas ações. Também recebeu um novo nome: Nossa Caixa Nosso Banco S/A. Em 2000, assumiu a posição de banco oficial do Estado com a privatização do Banespa, mudando novamente de nome, para Banco Nossa Caixa S/A.No ano seguinte, o governador Geraldo Alckmin sancionou a Lei nº 10.853, autorizando o estado a vender até 49% das ações do banco. Converteu-se, assim, em uma companhia de economia mista, expandindo suas agências para outros estados. Em 2005, transformou-se em uma instituição de capital aberto, juntando-se à Bovespa (atual B3). Em 2007, o Nossa Caixa começou a pagar toda a folha de pagamento estadual. Na época, era terceiro maior banco público brasileiro, com 5,4 milhões de clientes e com agências em todas as cidades de São Paulo.

Protesto de sindicalistas contra a incorporação da Nossa Caixa ao Banco do Brasil. 


Incorporação ao Banco do Brasil. Em novembro de 2008, o Banco do Brasil informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à Bolsa de Valores de São Paulo a aquisição do Nossa Caixa, ao custo de R$ 5,38 bilhões. A incorporação levou o Banco do Brasil a liderar o mercado no estado de São Paulo, onde anteriormente ocupava a quarta colocação. Para que o negócio fosse concretizado, foi necessária a autorização do Governo do Estado, que detinha diretamente 71,25% das ações ordinárias, e a autorização da Assembleia Legislativa. A Nossa Caixa era o último grande banco estadual ainda não privatizado.


TELESP

O governador Laudo Natel  em cerimônia de lançamento do sistema DDD no início dos anos 1970. 

Telecomunicações de São Paulo (TELESP) foi a empresa operadora de telefonia do sistema Telebras no estado de São Paulo, sucessora da CTB e da COTESP, permanecendo em atividade de maio de 1973 até o processo de privatização em julho de 1998. Dos atuais 645 municípios do estado de São Paulo a Telesp só não operava em 43 municípios, atendidos pelas empresas CTBC Borda do Campo, CTBC Brasil Central e CETERP. A partir de janeiro de 1974 inicia-se o processo de transferência das cidades do Alto Tietê para a área de operação da CTBC a fim de racionalizar o sistema interurbano e acelerar a integração operacional na Grande São Paulo.  Dessa forma as operações dos serviços telefônicos de Ferraz de Vasconcelos, Poá, Itaquaquecetuba e Guararema (antiga concessão CTB), Arujá, Biritiba Mirim, Igaratá, Salesópolis, Santa Branca e Santa Isabel (antiga concessão COTESP), e Jacareí (antiga concessão Telefônica Jacareí) foram transferidas da Telesp para a CTBC. Em 1975 Cubatão passa a ser atendida pela Telesp pela conveniência de uma solução técnica global para a Baixada Santista, e em setembro de 1979 as operações dos serviços telefônicos de Jacareí, Santa Branca e Salesópolis retornaram à Telesp por razões de facilidades operacionais,sendo que na década de 90 Salesópolis volta a ser atendida em definitivo pela CTBC. As seis gerências regionais eram a São Paulo Leste (OL) e a São Paulo Oeste (OW), criadas em 1979 através da divisão da regional com sede em São Paulo, a Centro-Sul (OA) criada em 1976 com sede em Campinas, a Centro-Oeste (OB) criada em 1977 com sede em Bauru, a Norte (OT) criada em 1978 com sede em São José do Rio Preto e a Sudeste (OS) criada em 1979 com sede em Santos. Até o ano de 1992 sua área de operação abrangia um total de 532 cidades. Após a criação de novos municípios a área de operação passou a ser de 583 cidades em 1993 e de 602 cidades em 1997.

Morte do Orelhão: comercial de 1980, da antiga DPZ, para a Telesp. Combate ao vandalismo.


ORELHÕES. No início os telefones públicos disponibilizados pela Telesp eram somente os orelhões amarelos (equipados com aparelhos telefônicos na cor vermelha que funcionavam com fichas telefônicas locais), utilizados para a realização de chamadas locais ou interurbanas para cidades e localidades da mesma área de tarifação. Esses orelhões começaram a ser instalados em 1972 pela CTB.
Em 1975 surgem os orelhões azuis (equipados com aparelhos telefônicos na cor azul que funcionavam com fichas telefônicas DDD), utilizados para a realização de chamadas interurbanas diretas para todas as cidades e localidades já integradas ao sistema DDD, ou com o auxílio da telefonista para as demais.
Haviam também os telefones semipúblicos, que instalados em estabelecimentos credenciados como bares, restaurantes, hotéis e padarias, funcionavam como telefone público e como telefone comum, graças a uma chave seletora no aparelho. Nos bairros periféricos das grandes cidades, assim como em bairros rurais que não dispunham de telefonia, haviam os chamados vilafones, aparelhos que faziam e recebiam chamadas locais e interurbanas, instalados em estabelecimentos comerciais de fácil acesso ao público. Para atender as populações de baixa renda a Telesp iniciou em 1981 a instalação de orelhões em conjuntos habitacionais. Também em 1981 começaram a ser instalados os primeiros telefones públicos para deficientes físicos. O primeiro orelhão comunitário, telefone público que fazia e recebia chamadas, foi instalado em agosto de 1982 na favela de Vila Prudente. Posteriormente muitos orelhões começaram a ser substituídos por cabines de concreto e vidro temperado incolor. As cabines foram testadas inicialmente nas cidades de São Paulo, Santos, Guarujá, São Vicente e Campinas, e depois instaladas por todo o estado, mas não tiveram boa aceitação.Já as fichas telefônicas utilizadas nos telefones públicos começaram a ser substituídas pelos cartões telefônicos a partir de 1993.




LISTAS . As listas telefônicas, instrumentos integrantes da exploração do serviço telefônico, tinham por objetivo proporcionar informações sobre os assinantes do serviço público de telefonia. Sua edição e comercialização eram de exclusiva responsabilidade da operadora do serviço de telecomunicações e, caso necessário, esta poderia contratar serviços de terceiros. Obrigatoriamente elas deveriam conter lista de assinantes e classificada, e facultativamente lista de endereços das principais cidades abrangidas, sendo a abrangência determinada pela operadora. As listas telefônicas oficiais da cidade de São Paulo eram publicadas pela Editora de Guias LTB desde a época em que ainda era atendida pela Companhia Telefônica Brasileira, sendo elas a Lista Telefônica Assinantes e a Páginas Amarelas.

Plano de expansão Telesp (década de 70). Na política do governo brasileiro de expansão do sistema telefônico os usuários antecipavam recursos financeiros para financiá-lo, através do esquema de autofinanciamento das linhas telefônicas, adotado em 1967 e que foi único em todo o mundo. Assim, o usuário recebia ações da empresa concessionária do serviço público de telecomunicações, ou seja, ele não estava apenas adquirindo a linha, mas também se tornando acionista da companhia. Esse era o processo de expansão das empresas de telefonia: elas aumentavam o capital emitindo ações que eram compradas pelos interessados em ter um telefone. Depois, o dinheiro era usado para ampliar a rede de telefonia e instalar as linhas compradas. Entre a venda do plano de expansão e a instalação da linha o processo podia demorar dois anos ou mais. Aqueles que adquiriram planos de expansão de janeiro de 1973 a dezembro de 1974 e de janeiro de 1996 a junho de 1997 se tornaram acionistas da Telesp, enquanto aqueles que adquiriram planos de expansão de janeiro de 1975 a dezembro de 1995 se tornaram acionistas da Telebras.


Frota de operação técnica de rua  


DDD-DDI. Em 1969 o sistema de Discagem Direta à Distância (DDD) começou a ser implantado em todo o país. A partir de maio de 1973 a Telesp começou a implantar em conjunto com a Embratel o sistema DDD nas cidades em que operava. No início da implantação várias cidades receberam primeiramente o DDD de entrada, ou seja, somente recebiam chamadas interurbanas via DDD de outras cidades mas não podiam fazer as ligações por DDD, estas tinham que ser via telefonista. Posteriormente é que receberam o DDD de saída, passando também a realizar chamadas interurbanas via DDD para outras cidades através de sua central telefônica, sem necessidade da telefonista. Mas a grande maioria das cidades recebeu de uma vez o sistema completo de entrada e saída. Quando a Telesp iniciou as operações o DDD havia sido implantado somente em São Paulo, nos anos de 1969 (entrada) e de 1970/1971 (saída), com a inauguração oficial em julho de 1970 transmitida ao vivo para o país pela TV Tupi, Santos, Cubatão e Guarujá (maio de 1971-entrada) e Presidente Prudente (junho de 1972).


O governador Laudo Natel em visita a um central da Telesp no Campo Belo nos anos 1970.


COMPANHIA SIDERÚRGICA PAULISTA-COSIPA




A Companhia Siderúrgica Paulista (COSIPA), também conhecida como Usina José Bonifácio de Andrade e Silva, localiza-se no município paulista de Cubatão no litoral do Estado de São Paulo, no Brasil. Possui 12 milhões de metros quadrados, incluindo um porto privativo alfandegado e que pode operar 12 milhões de toneladas/ano, e um complexo ferroviário com capacidade de atender 4 milhões de toneladas/ano. A empresa conta com cerca de 5.500 empregados, dos quais 5.300 trabalhando na Usina de Cubatão. A empresa produz aços planos não-revestidos, (placas, chapas grossas, laminados a quente e a frio), que atendem segmentos estratégicos da economia, como o automobilístico, ferroviário, automotivo, naval, de construção civil, agrícola, de embalagens, mecânico, eletroeletrônico, de utilidades domésticas, máquinas, equipamentos e de distribuição.

A COSIPA foi fundada em 1953, um sonho de empreendedores paulistas, dentre eles, Martinho Prado Uchoa, Plínio de Queiroz, Alcides da Costa Vidigal e Herbert Levi. Após mais de dez anos em fase de preparação e projeto, a Usina foi inaugurada em 18 de dezembro de 1963 pelo presidente João Goulart. Em 1966, transformou-se em uma usina siderúrgica integrada a coque.


Conversor da aciaria nº 2. Foto: Cosipa, cerca de 1990

Em setembro de 1973, foi criada a holding Siderbrás para controlar e coordenar a produção de aço no Brasil. A companhia recebeu a transferência da participação acionária do BNDES em várias empresas do setor, controlando inicialmente sete empresasː CSN, Usiminas, Cosipa, Cofavi, Cosim, Usiba e Piratini. Após dois grandes planos de expansão nos anos 70 e 80 e com muitos problemas oriundos da recessão e deficiências administrativas impostas por sucessivas diretorias indicadas pelo Governo, a COSIPA entrou os anos 90 com os resultados mais negativos das siderúrgicas brasileiras.

Greve dos funcionários da Cosipa na década de 1980.


A partir de 1993, entretanto, a COSIPA deixa de ser uma empresa estatal. Em 20 de agosto desse ano, a empresa é privatizada, através de um leilão na Bolsa de Valores do Estado de São Paulo (atual B3), passando a ser controlada por um grupo de investidores, liderados pela Usiminas. A data da privatização foi o início de uma nova era de objetivos e conquistas, atingidas ano após ano.

A renovação de seu parque industrial, finalizada em 2001, fez com que a COSIPA passasse a operar com capacidade máxima, ou seja, produzir 4,5 milhões de toneladas/ano de aço líquido e conseguiu equacionar os seus problemas ambientais. Estes dois objetivos foram consolidados através de um plano de investimento de R$ 1,1 bilhão nos equipamentos da Usina de Cubatão, sendo R$ 240 milhões destinados somente a equipamentos de controle ambiental.

Instalações da Cosipa em Cubatão. Foto: Cosipa, cerca de 1990


A partir de meados de 2005, formalmente integrada ao Sistema Usiminas, mantém uma sequência de excelentes resultados financeiros e em todos os demais indicadores empresariais. Bastante integrada à comunidade da Baixada Santista, um dos desafios iniciais no período pós-privatização, a COSIPA se prepara para atingir 5 milhões de toneladas de aço líquido anuais com uma nova Máquina de Lingotamento 4, Conversor 7, linha de Laminação a Quente, a modernização da Máquina de Lingotamento Contínuo 3 e a reforma do Alto Forno 1.

Em março de 2009 teve seu nome alterado para Usiminas, bem como as demais empresas desse grupo.

Em outubro de 2015, sob o contexto da crise econômico/financeira que atingia o país, foi anunciado o encerramento das atividades de produção de aço, provocando milhares de demissões e com reflexos na economia da cidade de Cubatão e da baixada santista, entretanto a usina não foi desativada. As desativações atingiram a metalurgia primária e os equipamentos e atividades a ela relacionados: pátios de minérios, coqueria, sinterização, altos fornos e aciaria. Desativado também o laminador de chapas grossas. Foram mantidas as linhas de laminação a quente e de laminação a frio, sendo que o laminador de tiras a quente é um dos mais modernos do mundo.

Complexo Portuário da Cosipa em Cubatão. Foto: Cosipa, cerca de 1990


CENTRAIS ELÉTRICAS SÃO PAULO-CESP


Usina Sergio- e o Reservatório de Porto Primavera formado pelo represamento do Rio Paraná.  


Companhia Energética de São Paulo (CESP) foi uma empresa estatal de de energia elétrica do Estado de São Paulo, que possuiu três usinas hidrelétricas integradas ao Sistema Interligado Nacional (SIN), atuando nos segmentos de geração, transmissão e distribuição de energia. Desde a década de 40, o setor elétrico do estado de São Paulo era servido por empresas privadas, como a Light e a Companhia Paulista de Força e Luz. No entanto, o setor privado não estava conseguindo atender à crescente demanda por energia, resultante do desenvolvimento industrial. A dificuldades de abastecimento elétrico e de investimentos, bem como o esgotamento dos potenciais hidrelétricos de investimento da Light, demandaram a necessidade da intervenção do Estado de forma a garantir a continuidade do serviço vital para o desenvolvimento econômico do estado.

Origens. Em 1948, foi criado o Conselho Estadual de Energia Elétrica. A Lei nº 1.350 de 12 de dezembro de 1951 criou o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica). Em 1952, foi desenvolvido o Plano Básico de Eletrificação do Estado, que deu origem às primeiras usinas e empresas do Governo Estadual (USELPA – Salto Grande e CHERP – Euclides da Cunha – Limoeiro). As empresas era de capital misto, com capital público e privado. A CESP foi inicialmente constituída pelo governo de São Paulo, em 5 de dezembro de 1966, pela fusão de onze empresas de energia elétrica que atuavam isoladamente, a fim de centralizar o planejamento e racionalização dos recursos do estado de São Paulo no setor energético, recebendo o nome de Centrais Elétricas do Estado de São Paulo (CESP).
As onze empresas fusionadas, das quais cinco eram empresas de economia mista com participação majoritária do governo estadual, eram: Usinas Elétricas do Paranapanema (Uselpa), Companhia Hidroelétrica do Rio Pardo (Cherp), que detinha o controle acionário de: Central Elétrica de Rio Claro (Sacerc) e de suas associadas; Empresa Melhoramentos de Mogi Guaçu; Companhia Luz e Força de Jacutinga e Empresa Luz e Força de Mogi Mirim; Centrais Elétricas de Urubupungá (Celusa);
Bandeirante de Eletricidade (Belsa), que controlava: Companhia Luz e Força de Tatuí e Empresa Luz e Força Elétrica de Tietê; Companhia Melhoramentos de Paraibuna (Comepa).

A CESP, a partir de sua criação, passou a ser a maior empresa de geração de energia elétrica brasileira.
Em 1975, a CPFL teve o controle acionário repassado à CESP. Em 1984, o controle acionário da Comgás passa para a CESP. A CESP chegou a ter uma participação de quase 30% na capacidade instalada e de geração no País. No fim da década de 1980, o parque gerador da CESP era o maior do país, com uma soma de potencial instalado de 8.649.080 kW.

Primeira alteração. Em 27 de outubro de 1977, a razão social da CESP foi alterada para Companhia Energética de São Paulo. Com isso, procurava-se ampliar a atuação da empresa, abrindo espaço para o desenvolvimento de outras formas de energia que não somente a hidrelétrica. Assim teve início o estudo de fontes alternativas de energia, como o hidrogênio e o metanol. Passou, então, a ser uma empresa reconhecida mundialmente em função de sua tecnologia desenvolvida nas áreas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Os trabalhos desenvolvidos na área de meio ambiente e hidrovia foram pioneiros no setor elétrico brasileiro, e serviram de referência ao setor.

UH Porto Primavera. Em 1980, durante o governo de Paulo Maluf, iniciou-se a construção da Usina hidrelétrica Porto Primavera nos municípios de Rosana (paulista) e Bataiporã (sul-matogrossense).  A região inundada pelo lago, em sua maior parte no estado de Mato Grosso do Sul, tratava-se da maior e melhor reserva de argila da América do Sul, era um importante sítio arqueológico e abrigava quase duas mil famílias ribeirinhas. Também se tratava de um dos ecossistemas de maior biodiversidade do Brasil e do mundo, com características semelhantes às do Pantanal, abrigando dezenas de espécies animais e vegetais em extinção. Por esses e outros motivos, várias ações judiciais passaram a ser movidas contra a CESP.

Privatização. O governo do estado de São Paulo promoveu, a partir de 1996, o processo de privatização de seu setor energético com a lei estadual número 9.361/96 e a coordenação pelo Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização (PED). Em 5 de novembro de 1997, foram vendidas 60,7 % das ações ordinárias da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), controlada pela CESP desde 1975.

Em 1 de junho de 1998 foi criada a Elektro - Eletricidade e Serviços, subsidiária da CESP. Reunia a distribuição de energia elétrica, com um milhão de clientes distribuídos por duzentos e vinte oito municípios nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Sua privatização ocorreu em 16 de julho de 1998, com a venda de 90% das ações ordinárias em leilão na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Em abril do ano seguinte, a CESP passou por uma cisão parcial. Foram criadas duas empresas de geração e uma de transmissão de energia elétrica. A empresa de transmissão, chamada de Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, permaneceu sob controle do governo até junho de 2006, quando foi vendida por R$ 1,193 bilhão para o grupo ISA (Interconexión Eléctrica S/A Esp), da Colômbia, com um ágio de 57,89% sobre o preço mínimo de R$ 755,6 milhões. Duas empresas de geração foram privatizadas: a Companhia de Geração de Energia Elétrica Paranapanema, cujo leilão na Bovespa ocorreu em 28 de julho de 1999, e a Companhia de Geração de Energia Elétrica Tietê, privatizada em 27 de outubro de 1999. A CESP continuou com o controle das usinas hidrelétricas.

A CESP também terminou sua participação na Companhia de Gás de São Paulo (Comgás) e vendeu os 61,9 % que tinha do capital social daquela empresa em leilão na Bovespa, em 14 de abril de 1999. O governo do estado de São Paulo decidiu em 15 de maio de 2001 adiar a realização do leilão de venda de ações do capital social da CESP, que seria realizado em 16 de maio do mesmo ano. O adiamento decorreu por motivos alheios à vontade do governo do estado, relacionados à indefinição quanto às medidas de contenção do consumo de energia elétrica, que ainda não haviam sido anunciadas pelo Governo Federal e que poderiam influenciar significativamente o comportamento do mercado em geral.
Foi marcado novo leilão de privatização para 26 de março de 2008 porém esse leilão fracassou, pois nenhum dos concorrentes fez o depósito das garantias exigidas.

No dia 19 de outubro de 2018, após quatro tentativas frustradas de privatização, o consórcio São Paulo Energia, formado entre as empresas Votorantim Energia e o Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB), arrematou o controle acionário do governo paulista na CESP, pelo valor de R$ 1,7 bilhão. Adicionalmente, o consórcio deverá pagar R$ 1,397 bilhão de outorga pela renovação antecipada da concessão da Usina Engenheiro Sérgio Motta (Porto Primavera), por 30 anos, até 2048. O atual contrato de concessão com o governo federal vence em 2028 Em 28 de março de 2022, a CESP foi incorporada pela VTRM Energia, joint venture da Votorantim Energia e do CPPIB, e a nova empresa resultante da fusão passou a se chamar Auren Energia.

COMPANHIA PAULISTA DE FORÇA E LUZ -CPFL




A CPFL foi fundada por José Balbino de Siqueira e Manfredo Antônio da Costa, dois engenheiros da Escola Politécnica de São Paulo que, acreditando no potencial de um país que começava a se industrializar e ganhar contornos urbanos, foram os grandes responsáveis por consolidar as empresas que forneciam energia para as cidades de Botucatu, São Manuel e Dois Córregos. Nascia assim em 16 de novembro de 1912 a Companhia Paulista de Força e Luz, a partir da fusão de quatro companhias (Empresa Força e Luz de Botucatu, Empresa Força e Luz de São Manoel, Empresa Força e Luz de Agudos-Pederneiras e Companhia Elétrica do Oeste de São Paulo). Em 1927, a empresa passou do controle privado nacional ao controle estrangeiro através da venda à empresa American & Foreign Power, pertencente a uma subsidiária da General Electric, permanecendo sob seu controle até 1964, quando foi estatizada e encampada pela Eletrobrás.

Expansão. Em 1973 a CPFL adquiriu a empresa privada dos municípios de São Carlos e Descalvado, à CPE (Companhia Paulista de Eletricidade), que era uma das mais antigas empresas de eletricidade do Brasil. Fundada em 1890, inaugurou a primeira hidrelétrica do estado de São Paulo, a usina de Monjolinho, em julho de 1893. Em 1975, teve o controle acionário repassado à CESP (Companhia Energética de São Paulo), pertencente ao governo de São Paulo. A CPFL Paulista se manteve sob controle estatal até novembro de 1997, quando foi privatizada por R$ 3,015 bilhões e teve seu controle repassado ao Grupo VBC (Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa) (45%), além do fundo de pensão Previ (38%) e Bonaire Participações (que reunia os fundos Funcesp, Sistel, Petros e Sabesprev) (17%).
Foi feita uma reestruturação societária, com a criação da holding CPFL Energia em 1998. A partir da privatização, houve desmembramentos das regionais e novas regionais foram criadas para melhor redimensionamento e atendimento a população.

Mudanças estruturais. Em 1999, ocorreu a privatização da Empresa Bandeirante de Energia, oriunda da cisão da Eletropaulo. Tendo a empresa sido adquirida em consórcio da CPFL com a EDP. Em 2001, a companhia foi parcialmente cindida, tendo sido constituídas a Bandeirante Energia, controlada pela EDP, e a CPFL Piratininga, sob controle da CPFL. Em 2000, os ativos de geração de energia foram segregados com a criação da CPFL Geração. Em 2001, a CPFL Paulista adquiriu o controle acionário da Rio Grande Energia (“RGE”), empresa de distribuição  de energia das regiões norte e nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, fruto da cisão da CEEE. Em 2002, foi criada a CPFL Brasil, com o objetivo de fornecer energia elétrica às distribuidoras controladas da CPFL Energia, e comercializar e gerir energia no ambiente de contratação livre. Em 2004, foi feita Oferta Pública de Ações (IPO) na Bolsa de Valores de São Paulo e na Bolsa de Nova Iorque. Em 2006, adquiriu a Companhia Jaguari de Energia (CPFL Jaguari). No ano seguinte, comprou a CMS Energy Brasil, que atuava nos segmentos de distribuição e geração em São Paulo. Em 2007, o Bradesco, através da holding Bradespar, vendeu as ações da VBC. Em 2009, a Camargo Corrêa comprou as ações da VBC que pertenciam a Votorantim, tornando-se, o único acionista da holding. Em 2010, adquiriu a Companhia Luz e Força Santa Cruz (CPFL Santa Cruz), da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), pertencente ao grupo Votorantim. Em 2011, foi criada a CPFL Renováveis, a partir da associação de ativos e projetos da CPFL e da ERSA em PCHs, parques eólicos e usinas termelétricas a biomassa. Em 2012, foi criada a CPFL Transmissão, para operar a concessão do Leilão de Transmissão ANEEL 007/2012. Em 2016, adquiriu a AES Sul, que teve nome modificado para RGE Sul e foi fundida com a distribuidora RGE em 2019.

Aquisição pela State Grid. Em janeiro de 2017, a empresa chinesa State Grid, a maior empresa do setor elétrico do mundo, concluiu a aquisição de 54,64% de participação acionária da CPFL Energia por R$ 14 bilhões. No mesmo ano, a State Grid realizou Oferta Pública de Aquisição (OPA), por meio da qual passou a deter 94,75% do capital social da holding. Em julho de 2021 a CPFL Energia arrematou a elétrica gaúcha CEEE-T (CEEE Transmissão), em leilão de privatização, por R$ 2,67 bilhões, com ágio de 57,13% ante o mínimo previsto.

Áreas de atuação. No momento, o Grupo CPFL, através de suas 4 distribuidoras, atua em 687 municípios, numa área de 300.000 km², com 17,2 milhões de clientes nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, numa área que atende aproximadamente 22 milhões de habitantes. No ramo de geração, possui capacidade instalada no setor de 4,53 GW de geração, sendo 95,6% de fontes renováveis.


COMGÁS




A Companhia de Gás de São Paulo (Comgás) é uma empresa brasileira, considerada pela Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado) a maior distribuidora de gás natural do Brasil em volume de gás distribuído. A Comgás distribui gás canalizado para mais de 1,7 milhão de consumidores nos segmentos residencial, comercial, industrial, automotivo, cogeração e termogeração em 88 cidades de sua área de concessão - Região Metropolitana de São Paulo, Vale do Paraíba, Baixada Santista e Região Administrativa de Campinas.

A história da empresa remonta ao século XIX, passando por inúmeras denominações e proprietários diferentes:

1872: a companhia inglesa San Paulo Gás Company recebe autorização do Império, através decreto número 5071, para a exploração da concessão dos serviços públicos de iluminação de São Paulo;
1912: a canadense Brazilian Traction Light and Power Co. Ltd. assume o controle acionário da San Paulo Gás Co. Ltda;
1959: a empresa é nacionalizada, passando a se chamar Companhia Paulista de Serviços de Gás;
1968: a empresa passa a ser administrada pelo município e recebe o nome de Comgás. Por meio da lei municipal 7199, é constituída a sociedade anônima Companhia Municipal de Gás (Comgás);
1974: nova mudança do nome, para Companhia de Gás de São Paulo;
1984: o controle acionário da Comgás passa para a estatal Companhia Energética de São Paulo (CESP);
1999: o controle acionário da Comgás é arrematado pelo consórcio formado pela união das empresas, BG Group e pela Shell, por R$ 1,65 bilhão;
2012: A Cosan assume o controle acionário da Comgás, com a compra da participação do Grupo BG - 60,05%;
2017: A Cosan adquire os 16,77% de participação que a Royal Dutch Shell detinha na Comgás por 1,156 bilhão de reais.

Na sua longa trajetória, a companhia usou os mais diversos tipos de combinações para produzir combustíveis: de azeite a gás de hidrogênio carbonado, carvão, nafta, uma mistura envolvendo água e hulha, até chegar ao gás natural. A adoção do gás natural, a partir da década de 1990, foi considerada a fase mais importante de toda a história da Comgás, que esteve presente na vida de São Paulo desde a extinção dos lampiões a azeite de baleia. De 1999 a 2012, a Comgás investiu mais de R$ 4 bilhões na expansão e modernização de sua rede de distribuição de gás, que foi ampliada em mais de 6 mil km.

Resultados atuais. A Comgás é considerada atualmente a maior distribuidora de gás natural canalizado do país. Conta com mais de 14 mil quilômetros de rede, levando gás natural para mais de 1,7 milhão de clientes nos segmentos residencial, comercial, industrial e automotivo, em 77 cidades. Sua área de concessão potencial abriga cerca de um quarto do Produto Interno Bruto do país, abrangendo 177 municípios das regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas, além da Baixada Santista e do Vale do Paraíba. Em 2012, a empresa apresentou receita liquida de R$ 5 bilhões. O volume de gás distribuído pela companhia nesse ano foi de mais de 5 bilhões de metros cúbicos. A empresa tem aumentado as vendas para clientes residenciais e comerciais¹. Atualmente cerca de 70% do volume de gás distribuído vai para indústrias. Hoje, cerca de 1.000 indústrias em aproximadamente 270 postos de combustíveis são atendidos na área de concessão da Comgás.


SABESP



A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo - Sabesp é uma empresa estatal brasileira que detém a concessão dos serviços públicos de saneamento básico no Estado de São Paulo. Seu principal acionista é o Governo do Estado de São Paulo, que controla a gestão da companhia. Na edição 2004/2005 da Masons Water Yearbook a Sabesp foi considerada a sexta maior operadora de serviços de água e esgoto do mundo. A edição 2008/2009 destacou a atuação da empresa para que seus serviços sejam oferecidos a toda população do Estado de São Paulo até o ano de 2018 e também garantir a sustentabilidade econômica e financeira da empresa. A atuação da Sabesp na crise hídrica de 2014 em São Paulo tem sido muito criticada. Um artigo baseado em dados fornecidos pela própria Sabesp demonstra a responsabilidade da gestão da empresa na crise, que empurrou o Sistema Cantareira em mudança catastrófica.

História da Sabesp. Criada em 1973 pelo então governador Laudo Natel por meio da Lei Estadual nº 119, de 29 de junho do mesmo ano, a Sabesp originou-se da fusão das seguintes empresas e autarquias.

Comasp - Companhia Metropolitana de Águas de São Paulo;
Sanesp - Saneamento de São Paulo;
Saec - Superintendência de Águas e Esgotos da Capital;
Fesb - Fomento Estadual de Saneamento Básico;
SBS - Saneamento da Baixada Santista;
Sanevale - Saneamento do Vale do Ribeira.

A Sabesp foi criada com o objetivo de implementar as diretrizes do Governo brasileiro estabelecidas no Plano Nacional de Saneamento (PLANASA). A partir de sua fundação, a Sabesp passou a operar em municípios que não faziam parte das áreas de atuação das antigas empresas. Um Estatuto Social rege a constituição e o funcionamento da Sabesp.

Empresas pré Sabesp

CCAE - Companhia Cantareira de Água e Esgotos (1877)
RAE - Repartição de Águas e Esgoto (1883)
DAE - Departamento de Águas e Esgoto (1954) - São Paulo, Guarulhos, São Caetano, Santo André e São Bernardo do Campo.

O Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de parcela significativa da Região Metropolitana de São Paulo, teve sua primeira etapa inaugurada em 30 de dezembro de 1973, começando a operar no ano seguinte. A segunda etapa foi iniciada em 1976 e inaugurada em 1981. Em 1985, a empresa concluiu o Programa de Fluoretação na Grande São Paulo. Em 1992, deu início ao Projeto Tietê, com o objetivo de ampliação da coleta e do tratamento de esgoto na Grande São Paulo, para a revitalização progressiva do rio Tietê na região. Em 1994, a companhia tornou-se uma empresa de economia mista com capital aberto, com o Governo do Estado como seu único acionista. Em 1997, a Sabesp abriu seu capital na Bolsa de Valores de São Paulo e, em 2002, na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). Em março de 2018, foi concluída a interligação Jaguari-Atibainha, permitindo que as águas do rio Paraíba do Sul possam a abastecer o sistema Cantareira. Em 2019, é lançado o Programa Novo Rio Pinheiros, com objetivo de revitalizar o rio.

Áreas de atuação. Atua em serviços de abastecimento de água e de coleta de esgotos em 375 dos 645 municípios paulistas, incluindo a capital. Vinte e oito milhões de pessoas dependem dos serviços oferecidos pela empresa. De acordo com os rankings elaborados pela Trata Brasil, a Sabesp é responsável pelo fornecimento de água e tratamento de esgoto em muitas das cidades com os melhores indicadores entre as cem maiores cidades do País.


A Sabesp é uma empresa de economia mista e capital aberto com ações negociadas nas bolsas de valores de São Paulo e de Nova York. O governo do Estado de São Paulo detém 50,3% das ações da Sabesp. As demais são negociadas na B3 (37,6%) e na NYSE (12,1%).

Em 1995, a Sabesp adotou o modelo de administração descentralizado, baseado na regionalização por bacias hidrográficas. O critério atendeu à legislação estadual de recursos hídricos, para melhor atendimento às demandas ambientais, sociais e locais de clientes e prefeituras. Esse modelo passou a ser aplicado através de 17 Unidades de Negócio, com autonomia de gestão, aplicação e alocação de recursos. As unidades seguem diretrizes centrais e estratégicas estabelecidas pela companhia. As decisões locais são comunicadas e discutidas em Assembleias dos municípios concedentes de permissões e em comissões de gestão regional, responsáveis por garantir transparência à gestão dos recursos hídricos e financeiros.

Transparência. A Sabesp privatizou parte de seu capital em 1994, possuindo 100% de ações ordinárias. Em 2002, tornou-se a primeira empresa de economia mista a aderir ao Novo Mercado da B3. Simultaneamente, passou a ter suas ações listadas na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). Apesar de a maior parte das ações pertencer ao governo paulista, os papéis dos acionistas minoritários são negociados na Bolsa de Valores de São Paulo e na Bolsa de Valores de Nova Iorque. Em 17 de outubro de 2023, o governo de São Paulo enviou à Assembleia Legislativa um projeto de lei para a privatização da Sabesp. O modelo a ser adotado via follow on, com uma nova oferta de ações na Bolsa de Valores, o que faria com que o governo estadual deixasse de ser o acionista majoritário da empresa pela redução de sua participação total.

Em 6 de dezembro, o projeto de privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo foi aprovado pela Alesp.

Em 28 de junho de 2024, o governo de São Paulo anunciou que a Equatorial Energia foi a única finalista da oferta pública de ações da Sabesp, tendo oferecido R$ 6,9 bilhões por 15% de participação, tornando-se o acionista de referência da companhia.

Em 1º de julho de 2024, será aberto o prazo para que os investidores, incluindo para pessoas físicas, façam a reserva de mais 17% das ações da Sabesp na Bolsa de Valores de São Paulo, o que deve ocorrer até o dia 15 de julho. A liquidação da operação está prevista para o dia 22 de julho.

PARQUES DO ESTADO (ÁGUA FUNDA) 

E FONTES DO IPIRANGA




O Parque Estadual das Fontes do Ipiranga ou PEFI, também conhecido como Parque do Estado ou Parque da Água Funda, é um parque público estadual localizado no município de São Paulo. O parque hospeda diversas instituições, entre elas o Jardim Botânico de São Paulo, o Parque Zoológico de São Paulo, o Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade de São Paulo e o Observatório de São Paulo. É uma das pouquíssimas áreas do município em que ainda se encontra vegetação de Mata Atlântica. Estende-se por 526 hectares. A atual denominação do parque data do final da década de 1960. Nos idos de 1893 a região era privada, pertencia a diversos proprietários e era 22% maior do que é hoje, mas por estar situada na Bacia do Ribeirão Ipiranga foi desapropriada pelo governo da época e a partir de então utilizada como fonte de recursos hídricos até a década de 1930, quando deixou de ser explorada para essa finalidade em decorrência da reformulação dos sistemas de abastecimento de água do município.
 A região possui importância histórica considerável, pois que abriga as nascentes do riacho Ipiranga, às margens do qual a Independência do Brasil foi declarada. Preservação. Um grupo de trabalho foi criado em 1993 para elaborar um diagnóstico do estado de preservação daquela área. A partir dessas informações, políticas de preservação ambiental seriam implantadas. O Conselho de Defesa foi criado pelo decreto nº 43 342, de 22 de julho de 1998, para elaborar políticas para a preservação. Alguns locais são abertos à visitação pública:Jardim Botânico (aberto ao público);Instituto de Botânica de São Paulo (aberto ao público);Instituto Geológico (aberto ao público);Fundação Zoológico (aberto ao público);Parque de Ciência e Tecnologia da USP (aberto ao público);Observatório de São Paulo (aberto ao público);Secretaria do Estado de Agricultura e Abastecimento; Centro de esportes, cultura e lazer (aberto ao público);Centro de logística de exportação; Centro de exposições Imigrantes; CAISM "Dr. David Capistrano da Costa Filho" da Água Funda.

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AS REPRESAS



Represa Bililings, na zonal Sul, Por volta de 1910, o engenheiro Walter Charnley escolheu na Serra do Mar as escarpas de 640 m do Itapanhaú, que deságua em Bertioga, como local de um grande projeto de geração de energia. Em 1923, o engenheiro americano Asa White Kenney Billings preferiu que fosse represado o Rio Grande ou Jurubatuba e desviasse as águas através de um canal chamado Summit Control para o Córrego das Pedras, com curso serra abaixo. A represa foi idealizada em 27 de março de 1925 pelo engenheiro Billings, empregado da extinta concessionária de energia elétrica Light, daí o nome. Inicialmente, a represa tinha o objetivo de armazenar água para gerar energia elétrica para a usina hidrelétrica Henry Borden, em Cubatão. Em 1925, a Light iniciou a construção do dique do Rio das Pedras. A represa foi inundada em 1927 e a Light iniciou a construção do dique do Rio Grande, em 1937. Na década de 1940 foram construídas estações elevatórias de Pedreira e Traição para aumentar a vazão de água, trazendo problemas ambientais.[Textos e imagens da Wikipedia] Foto: Folha de São Paulo. 


Represa Guarapiranga. Inicialmente conhecida por Represa de Santo Amaro, Guarapiranga teve sua construção iniciada em 1906 pela São Paulo Tramway, Light and Power Company, na época responsável pelo fornecimento de energia elétrica na cidade, sendo concluída em 1908. Em 1928, com o crescimento da região metropolitana de São Paulo, Guarapiranga passou a servir como reservatório para o abastecimento de água potável. Nesse mesmo ano, a represa foi o local de chegada dos aviadores italianos que fizeram uma das primeiras travessias aéreas do Atlântico Sulː Francesco de Pinedo, Carlo del Prete e Vitale Zacchetti. Em 1912 o São Paulo Yacht Club foi fundada próximo a barragem, este sendo o primeiro clube de Iatismo na represa. A partir dos anos 1920 e 1930, um crescente interesse pela ocupação das margens da represa fez surgir loteamentos pioneiros que procuravam oferecer, ao cidadão paulistano, uma opção de lazer náutico. Sendo provenientes daí, o surgimento de bairros com nomes como Interlagos, Veleiros, Riviera Paulista e Rio Bonito. Foi o local de disputa do torneio de vela dos Jogos Pan-Americanos de 1963. Entre as décadas de 1980 e 1990, a ausência de políticas claras de uso e ocupação do solo por parte do Governo do Estado com parceria da Prefeitura de São Paulo e dos municípios vizinhos contribuiu para a criação de loteamentos populares clandestinos ao redor da represa, que cresceram desordenadamente e que jogam, na represa, esgoto não tratado.[Textos e imagens da Wikipedia]

Guarapiranga em 1967. 



Guarapiranga em 1952. 

Ciclistas na represa Guarapiranga em 1958. Instituto Moreira Salles. 


Finais de semana em Guarapiranga com competições náuticas nos anos 1960. Fotos:  Fábio De Cillo Pagotto.




Textos, Imagens e Referências Bibliográficas: Wikipedia. 
 
PORTA, Paula (org); História da cidade de São Paulo - 3 volumes; São Paulo: Editora Paz e Terra, 2004 ISBN 85-219-0756-7
TOLEDO, Benedito Lima de; São Paulo: três cidades em um século; São Paulo: Editora Cosac e Naify, 2004; ISBN 85-7503-356-5
TOLEDO, Roberto Pompeu de; A capital da solidão; São Paulo: Editora Objetiva, 2004; ISBN 85-7302-568-9
TAUNAY, Afonso d'Escragnolle. História da Cidade de São Paulo



ARQUIVO HISTÓRICO MUNICIPAL-AHMSP



Visão panorâmica do Edifício Ramos de Azevedo, novembro de 2018


O Arquivo Histórico Municipal de São Paulo é responsável pela guarda, preservação, divulgação e estudo dos documentos considerados de valor histórico produzidos ou adquiridos pela administração pública da cidade de São Paulo. A data mais aceita para a sua fundação é 17 de outubro de 1907. Durante 41 anos, de 1969 a 2010, era oficialmente denominado Arquivo Histórico Municipal Washington Luís. Esteve subordinado ao Departamento do Patrimônio Histórico até 2012, quando se torna um departamento subordinado diretamente ao Gabinete da Secretaria Municipal de Cultura e atende a administração da capital paulista, pesquisadores e interessados em geral. A instituição conserva um acervo de aproximadamente 4,5 milhões de documentos textuais (ou mil metros lineares), abrangendo o período que vai do século XVI às primeiras décadas após a Proclamação da República, além de imagens e registros sonoros. Também existem exposições permanentes e temporárias no local.

O AHM detém a custódia das Atas da Câmara de Santo André da Borda do Campo, dos períodos entre 1555 e 1558, considerados os documentos mais antigos da América Latina. Desde o ano 2000 tem como sede o Edifício Ramos de Azevedo, antigo prédio da Escola Politécnica de São Paulo, no bairro do Bom Retiro. Anteriormente, o Arquivo Histórico já havia ocupado outros quatro imóveis.

Histórico. A data de início do acervo é incerta. Pelo menos desde 1899 há registros de um “arquivo” da Prefeitura de São Paulo, ligado à Secretaria Geral, que prioritariamente armazenava documentos correntes relacionados a burocracia da cidade. Na lei número 1.051 de 1907 é criada uma Seção para ser a responsável pelos serviços de instrução pública, estatística e arquivo municipal. Desde então, os documentos em posse da Prefeitura passaram a ser sistematizados, organizados, e, posteriormente divulgados.

A regulamentação do arquivo só veio a ocorrer quatro anos mais tarde por meio do Ato nº 400. Como a criação do Departamento de Cultura do Município. Em 1935, foi constituída a Divisão de Documentação Histórica e Social, que desempenhava as funções que hoje são do Arquivo Histórico Municipal. No ato nº 861/1935 consta o que deveria ser feito pela subdivisão de Documentação Histórica: “recolher, restaurar e conservar documentos históricos ou antigos, pondo-os em condições de serem consultados e publicados”.

De acordo com o artigo 32 do Decreto-Lei n.° 430 do dia 8 de junho de 1947: "A Divisão do Arquivo Histórico é o órgão incumbido de recolher, restaurar e conservar os papéis e documentos históricos e antigos, pondo-os em condições de serem consultados e publicados; de coligir leis, atos e outras matérias que possam interessar à administração; de propor denominação para os logradouros públicos; de promover concursos históricos; de editar a Revista do Arquivo [...]".

Até 2010 o Arquivo Histórico Municipal levava o nome do prefeito, presidente de Província e presidente da República Washington Luís Pereira de Sousa (1869-1957). Foi na sua gestão a frente da prefeitura de São Paulo, de 1914 a 1919, que começaram a publicação das Atas da Câmara Municipal de São Paulo. Ao todo, foram editados 82 volumes dessas atas, abrangendo o período de 1562 a 1903, com exceção de alguns anos dos quais não foram encontrados os originais. Até o sétimo volume o título foi "Actas da Camara de Vila de São Paulo". Do oitavo em diante, o título foi o "Atas da Câmara da Cidade de São Paulo".Além das Atas também foram também editados pelo Arquivo Histórico 20 volumes de Cartas de Datas de Terra e 38 volumes do Registro Geral da Câmara.

Edifício Ramos de Azevedo. O prédio foi inaugurado em 17 de abril de 1920 e a construção esteve sob responsabilidade do escritório do famoso arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo (1851-1928), que dá nome ao edifício. Inicialmente foi construído para ser uma extensão da Escola Politécnica, hoje um braço da Universidade de São Paulo, destinada aos cursos de Eletrotécnica e Mecânica. Outras obras do Ramos de Azevedo na capital paulista: Theatro Municipal, Casa das Rosas, Museu Catavento, Pinacoteca de São Paulo, Mercado Municipal e Palácio da Justiça.

No ano de 1987 o prédio passa a ser propriedade da Prefeitura Municipal de São Paulo e, em 2000, após ser submetido à adequações, foi aberto ao público já abrigando o Arquivo Histórico Municipal. Além do AHM, também funcionam no prédio o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo e a Diretoria do Departamento de Preservação Histórica.

Arquitetonicamente, o edifício conta com dois vitrais feitos pela Casa Conrado, a mesma empresa que executou os vitrais do Mercado Municipal. Os lances de escadas que dão acesso ao segundo piso, foram confeccionados pelo Liceu de Artes e Ofícios da cidade.

Estrutura


Entrada do Edifício que abriga o Arquivo Histórico de São Paulo


O AHM é composto pelo Edifício Ramos de Azevedo e mais dois prédios anexos. Um, conhecido como “Torre da Memória” (antiga Casa do Politécnico) abriga a Biblioteca e uma espécie de reserva técnica; o outro é onde estão os arquivos que disponíveis para consulta. A biblioteca tem um acervo com aproximadamente 7.000 exemplares de livros, a hemeroteca conta com 2.700 exemplares de periódicos além de um arquivo de recortes de jornais e revistas com cerca de 900 pastas, sobre a história dos bairros, dos edifícios e da cidade. Quase a totalidade dos exemplares estão voltados à  História de São Paulo e para a questão da administração da cidade. Também há na biblioteca uma coleção de obras raras. As informações sobre o acervo bibliográfico da instituição integra o Sistema Municipal de Bibliotecas, que pode ser consultado na internet. O Arquivo Municipal de São Paulo tem um cadastro com cerca de 65 mil históricos das ruas da cidade.

Subdivisões


Anfiteatro restaurado da antiga Escola Politécnica

O Arquivo Municipal é organizado em subdivisões, que anteriormente chama-se de secções. A Subdivisão de Documentação Histórica compreende os documentos que tem atendem a requisitos específicos de relevância e tempo de publicação. Já a Subdivisão de Documentação Social e Estatísticas Municipais lida mais diretamente com um arquivos relacionados à administração pública. Antes de serem disponibilizados para consulta, os documentos são higienizados e catalogados. Para o Ato de 1936 (art. 217, parágrafo único), “papel e documento histórico ou antigo é todo aquele existente no Arquivo Municipal há mais de 30 anos”. Entre as subdivisões também existe um arquivo especializado no nomes das ruas e praças da cidade.

Outras sedes

No subsolo do Edifício existem salas para a restauração e preservação de documentos
Antes de ocupar o Edifício Ramos de Azevedo, o Arquivo Histórico Municipal já esteve sediado em vários imóveis na cidade. Nos anos 1950 era localizado juntamente com vários órgãos do Departamento de Cultura, na Rua da Cantareira, no centro.A instituição ainda esteve abrigada na Rua Brigadeiro Tobias e na Rua da Consolação, na antiga sede da Chácara Lane. Em seguida, após um processo de restauração, foi transferida para a Casa nº 1, próximo ao Pátio do Colégio (marco zero da capital paulista).

Desde 2000 está no Edifício Ramos de Azevedo, na Praça Coronel Fernando Prestes no bairro do Bom Retiro. Além do AHM, estão localizados nesta praça o Edifício Paula Souza, hoje pertencente à FATEC, o Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, a Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, e a Escola Estadual Prudente de Moraes]

Revista. A revista do Arquivo Municipal foi criada em junho de 1934. Na época o Prefeito da Cidade era Antônio Carlos de Assumpção. Um dos objetivos do impresso é a publicação, na íntegra, dos documentos históricos que constam no acervo.Um ano após o lançamento foi incorporada ao recém-criado Departamento de Cultura e Recreação e passou a circular mensalmente. A linha editorial foi diversificada e foram publicados artigos de autores estrangeiros e pesquisas sobre história, etnologia, sociologia, antropologia e questões voltadas à preservação da memória nacional. A publicação foi ganhando destaque e se tornou um importante veículo de comunicação para a intelectualidade paulistana, paulista e brasileira. Nos anos de 1930, a Revista chegou a ser distribuída em outros países, tendo uma tiragem recorde de 2000 exemplares. Além da transcrição de documentos existentes no Arquivo, também foram publicados estudos de autores como Afonso de Taunay, Caio Prado Jr., Mário de Andrade, Paulo Duarte, Claude LéviStrauss, Florestan Fernandes e Antônio de Alcântara Machado.
A revista não teve por grande parte do tempo uma periodicidade regular, ela chegou a ficar dez anos sem circular e foi retomada no ano de 2002. Entre os volumes mais destacados estão os que homenagearam os 70 anos da própria publicação e os 450 anos da cidade de São Paulo.

No subsolo do Edifício existem salas para a restauração e preservação de documentos



Coleção de Fotografias. O Arquivo Histórico de São Paulo ainda conta com uma coleção de fotografias que estão disponíveis para consulta a cerca de dez anos. O acervo iconográfico que apresenta grande valor histórico tem imagens produzidas sobretudo na primeira metade do século XX. As temáticas principais giram em torno das ações municipais desenvolvidas na estrutura urbana, sobretudo na área em que a expansão urbana ocorre de forma mais acelerada, entre as décadas de 1920 e 1950.

As fotografias têm três eixos temáticos predominantes:

a) documentação urbana: registros do cotidiano na cidade, como por exemplo pavimentação de logradouros, aberturas de vias e construção de edifícios públicos.

b) assessoria de imprensa: cobertura de ações oficias dos prefeitos, como por exemplo inaugurações e eventos políticos.

c) fundos particulares: são as mais recentes e registram a vida social pública e privada dos donos originais do acervo, por exemplo através de retratos de família e ambientes domésticos.

São cerca de 5 mil fotografias, entre álbuns, montagens, positivos e negativos simples. A maioria da coleção de fotografias está disponível na internet.

Dicionário de Ruas

O AHM desenvolveu uma ferramenta intitulada "Dicionário de Ruas" que permite o acesso a informações do nome dos logradouros públicos da capital paulista. Foram compilados os dados da documentação disponível na instituição para a criação do site.

ArquiAmigos. A Associação Amigos do Arquivo Histórico Municipal foi criada no dia 24 de setembro de 2008. A instituição visa contribuir para o aprimoramento cultural, técnico e administrativo do Arquivo Histórico Municipal e fomentar entre a população os valores do direito à Memória e da garantia de acesso universal à informação. A Associação produz um informativo sobre o Arquivo.

Acervo. Como exemplares do acervo, temos: mapas e boletins referentes aos recenseamentos da população; livros de receita e despesa da Câmara Municipal; os livros de contas correntes e caixa da municipalidade; livros de tombo; livros de cemitérios; e os livros de protocolo, entrada e saída de papéis, da Câmara Municipal e da Prefeitura de São Paulo.


Mapa da província de São Paulo (1886).

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SEGUNDA PARTE 

10 CAPÍTULOS

1. Capitania, Província e Estado
2. Regiões Administrativas e Micro-Regiões.
3. A Era das Ferrovias e o Porto do Café. 
O Trem de Prata SP-Rio.
4. Poderes de São Paulo
 Alesp, Palácio dos Bandeirantes e Justiça. 
Exército, Polícias e Bombeiros. 
O Arquivo do Estado. 
A Orquestra Sinfônica do Estado. 
Industrialização, Urbanização e Poluição
A Indústria Paulista e a Fiesp. 
A Emblemática Votorantim. A Beneficência Portuguesa. 
Antônio Ermírio de Moraes. O Colégio Rio Branco. 
5. Cidades Regionais do Centro e Oeste Paulista. 
O Abc Paulista. 
Franco da Rocha e o |Complexo Psiquiátrico do Juquery
O Vale do Paraíba. 
O Ita e o Centro Aeroespacial em S.J. dos Campos 
 Serra da Mantiqueira. Serra da Bocaina.
Pontal do Paranapanema.  
6. Localidades Históricas e Turísticas
7. Unesp e  Unicamp.
8. A Era das Rodovias e o Porto das Indústrias
9. O porto Federal em Santos, Guarujá e Cubatão
10. A Obra paulista e paulistana de Benedito Calixto
ESPECIAL 100 ANOS
A GUERA CIVIL PAULISTA DE 1924




I

CAPITANIA, PROVÍNCIA E ESTADO


A história de São Paulo inicia-se no século XVI com a chegada de navegadores portugueses e espanhóis devido ao descobrimento do Brasil. No entanto, apenas em 1532 o português Martim Afonso de Sousa fundaria a primeira povoação de origem europeia no Brasil e uma das primeiras da América — a vila de São Vicente, na atual Baixada Santista, realizando também as primeiras eleições em continente americano. No século XVII, os bandeirantes paulistas intensificaram a exploração do interior da colônia, o que acabou por expandir os domínios territoriais dos portugueses na América do Sul. Após a instituição da Capitania de São Paulo, no século XVIII, a região começa a ganhar peso político. São Paulo, no entanto, só conseguiu crescimento econômico e populacional após a independência, durante o Império, com a cultura do café na segunda metade do século XIX. A mão-de-obra escrava foi substituída por imigrantes europeus, principalmente italianos, atraídos pela oferta de terras do governo imperial para que se estabelecessem como proprietários agrícolas. A expansão da cultura cafeeira impulsionou o crescimento econômico de São Paulo e a construção de ferrovias. Estas eram utilizadas para levar a produção até o Porto de Santos, de onde seria exportada para a Europa e Estados Unidos. Durante o século XX, o estado continuou a ter grande desenvolvimento econômico, especialmente no setor industrial. Aumentou consideravelmente sua população e conquistou a posição de principal força produtiva do país. Sob o regime de Vargas, o estado é um dos primeiros a iniciar um processo de industrialização e sua população se torna uma das mais urbanas da federação. A população paulista é uma das mais diversificadas do país e descende principalmente de italianos, que começaram a emigrar para o país no fim do século XIX, de portugueses, que colonizaram o Brasil e instalaram os primeiros assentamentos europeus na região, de povos ameríndios nativos, de povos africanos e de migrantes de outras regiões do país. Outras grandes correntes imigratórias, como de árabes, alemães, espanhóis, japoneses e chineses, também tiveram presença significativa na composição étnica da população local.



"Fundação de São Vicente", por Benedito Calixto

O nome São Vicente foi dado por Américo Vespúcio, em 22 de janeiro de 1502, em viagem que objetivava mapear o litoral do Brasil. Quando passou pela região, encontrou duas ilhas, onde hoje estão as cidades de Santos e São Vicente na Ilha de São Vicente e a cidade de Guarujá na ilha de Santo Amaro e o estuário, que achou ser um rio. Era dia de São Vicente, assim tendo sido batizada a localidade.

As primeiras povoações de São Vicente também não foram oficiais. Ali foi abandonado o Bacharel de Cananeia. Segundo muitos historiadores, teria sido ele o português Cosme Fernandes Pessoa, verdadeiro fundador de São Vicente, a partir de onde de fato governava e controlava o comércio da região. Segundo documento encontrado pelo português Jaime Cortesão, o Bacharel já moraria no Brasil antes até da chegada de Cabral: O degredado é citado num documento datado de 24 de Abril de 1499, descoberto por Cortesão, que se reporta a uma viagem não-oficial de Bartolomeu Dias ao Brasil. Outro documento, de 1526, descreve o povoado de São Vicente, informando que teria uma dúzia de casas, sendo apenas uma de pedra, com uma torre para defesa.

Guerra de Iguape

O Bacharel de Cananeia foi acusado junto ao Rei de Portugal, por dois amigos que em troca receberam doações em terras, de manter relações com espanhóis que viviam mais ao sul, com perigo para o domínio português na região. Martim Afonso de Sousa partiu para o Brasil com diversos objetivos. O primeiro deles era o de estabelecer oficialmente a colonização do Brasil, confirmando o poder da coroa. Como consequência, subtraiu o poder das mãos de Cosme Fernandes Pessoa.[Textos e imagens da Wikipedia]


Martim Afonso de Sousa, fidalgo e explorador português em tela de Benedito Calixto. 


O nome de São Vicente se estendeu à capitania hereditária doada ao mesmo Martim Afonso de Sousa pelo Rei de Portugal em 1534. Assim, o primeiro nome do atual estado de São Paulo foi capitania de São Vicente.


"Biquinha de Anchieta", na cidade de São Vicente, cenário das aulas de catecismo do padre jesuíta José de Anchieta. Painel concebido e construído pelos irmãos Moral Sendim:  Waldemar, Armando e Estrela.  


"A Fundação de São Paulo" é um óleo sobre tela de Oscar Pereira da Silva do ano de 1909. Acervo do Museu do Ipiranga. O quadro retrata uma cena idealizada sobre a missa de fundação da capital paulista pelos padres Manuel da Nóbrega, Manuel Paiva e José Anchieta em 1554.

Foi a 25 de janeiro de 1554 que um grupo de missionários jesuítas, chefiado pelo padre Manuel da Nóbrega, se fixou num planalto chamado então de Piratininga, onde fundou um colégio destinado à evangelização das populações ameríndias. Após a consagração do local, foi-lhe dado o nome de S. Paulo, por ser o dia dedicado ao apóstolo com esse nome.

A escolha do local, que fica a uns 50 km da costa, prendeu-se com as condições naturais da região e, sobretudo, com o bom acolhimento concedido pelos líderes locais à presença portuguesa e pela sua abertura à conversão ao catolicismo. É de destacar a influência exercida por João Ramalho, um português que ali vivia há várias décadas entre os índios Tupiniquins e que tinha casado com a filha de um dos chefes. Foi, portanto, uma fundação pacífica e consensual, que resultou da vontade dos missionários de desenvolverem o seu trabalho de forma autónoma e longe da influência das autoridades e dos colonos portugueses.

A cidade de São Paulo tem seu início em uma missão estabelecida pelos jesuítas Manuel da Nóbrega , José de Anchieta e outros no sertão brasileiro. A vila - então chamada de São Paulo dos Campos de Piratininga - foi fundada em um planalto entre dois rios, o Tamanduateí e o Anhangabaú, e estava ligada à vila litorânea de São Vicente por um caminho precário na mata atlântica.

Ao longo dos séculos XVI e XVII, S. Paulo foi o grande eixo de penetração no interior, através das chamadas Bandeiras. S. Paulo evoluiu como um dos grandes centros coloniais do Brasil e é hoje a cidade mais populosa de todo o continente americano.





O BANDEIRANTE E A IDENTIDADE PAULISTA




No século XVII e na primeira metade do XVIII, a fala sobre os bandeirantes, que não escreveram sobre si próprios, restringia-se aos jesuítas e às autoridades metropolitanas. Ambas salientaram a violência e a insubordinação dos paulistas. Na segunda metade do século XVIII, a imagem dos bandeirantes será reabilitada por dois cronistas, descendentes dos primeiros povoadores da Capitania de São Vicente: Frei Gaspar da Madre de Deus (1715-1800) e Pedro Taques de Almeida Paes Leme (1714-1777). 

Com eles se correspondera Cláudio Manuel da Costa (1729 – 1789), interessado em obter informações para o poema Vila Rica, considerado “não apenas a primeira história de Minas, mas, (...) uma das sementes do paulistismo, isto é, da prosápia bandeirante”14. No poema, o futuro inconfidente ressalta a fidelidade dos paulistas à coroa portuguesa e as dificuldades enfrentadas nas Minas Gerais, principalmente a sede e a fome

Quando, em 1889, Henrique Bernardelli dedica-se aos bandeirantes, a obra de Oliveira Martins "O Brasil e as colônias portuguesas" datado de 1880, era a principal referência sobre o tema. A imagem do gênio aventureiro paulista construída por Oliveira Martins, segundo o autor, herdado do conquistador português, difundiu-se entre os intelectuais brasileiros. Será incorporada pela historiografia que desenvolver-seá após a criação do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, em 1894. A primeira frase da apresentação do número inaugural da revista do IHGSP, A história de S. Paulo é a propria historia do Brazil, por si só indica a assimilação do caminho apontado por Oliveira Martins. A elite paulista relacionará a coragem e a determinação dos bandeirantes ao perfil do Estado e sua vitoriosa trajetória, impulsionada pela economia cafeeira.  
  
Barão do Rio Branco, definiu os bandeirantes: "O Brasil tem suas fronteiras continentais muito graças ao grande movimento de bandeirantes e índios pelos sertões, no qual Alexandre de Gusmão, o “brasilico” do tratado de 1750, legalizou suas conquistas dos seculos XVII e XVIII"
A partir de então, o tema da insubmissão dos paulistas será constante, como bem sintetiza Carlos Eduardo Berriel: A frase ‘o espírito aventureiro paulista foi a primeira alma da nação brasileira’ tornar-se-á uma espécie de divisa regionalista, bordão da hegemonia cafeicultora, e atravessará todo o século seguinte – com especial ênfase na década de 20 – e atingirá expressões de histeria chauvinista na guerra civil de 32, após a perda do poder pela oligarquia do café
 

A Terra de Santa Cruz. Fonte: Artigo: Bandeirantes ao chão: diálogos de Henrique Bernardelli. Me. Maraliz de Castro Vieira .






SÃO PAULO VISTA DO ESPAÇO Foto tirada por um astronauta a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) mostra a região do Estado de São Paulo e três grandes rios: Paraná, Tietê e Paranapanema.



A Grande São Paulo, a Serra do Mar e a Baixada Santista vista do espaço pela lente do fotógrafo astronauta  alemão Alexander Gerst. Praia Grande, na posição centro-esquerda, com quase 30 quilômetros de orla. se destaca entre as demais localidades.


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1932- IV CENTENÁRIO DA FUNDAÇÃO DE SÃO VICENTE




Viagem de três aviões Savoia Marchetti S - 55A do Rio de Janeiro a São Vicente (SP) para as comemorações do IV Centenário da cidade. Fotografias de Jorge Kfuri.  Registro feito pela Esquadrilha aérea fundeada em São Vicente no dia da inauguração da Exposição do 4° Centenário. 22 de janeiro de 1932. Arquivo da Marinha DPHDM - Escola Naval da Marinha (1916-1941).





EXPANSÃO VICENTINA NO PLANALTO  E NO SERTÃO DISTANTE

A despeito das inumeráveis dificuldades para transpor a serra do Mar, os campos do planalto logo atraíram os povoadores, o que tornou São Paulo uma exceção no tipo de colonização dos portugueses dos primeiros tempos, que se fixavam sobretudo no litoral. Assim, em 1553, povoadores portugueses fundaram a Vila de Santo André da Borda do Campo. No ano seguinte, os padres da Companhia de Jesus fundaram, em uma colina de Piratininga, um colégio para os índios, berço da Vila de São Paulo. Em 1560, a Vila de Santo André foi extinta e seus moradores foram transferidos para São Paulo de Piratininga.

A faixa litorânea, estreita pela presença da Serra do Mar, não apresentava as condições necessárias para o desenvolvimento da grande lavoura. Por sua vez, o planalto deparava com o sério obstáculo do Caminho do Mar, que, ao invés de ligar, isolava a região de Piratininga, negando-lhe o acesso ao oceano e, portanto, a facilidade para o transporte. Em consequência, a capitania ficou relegada a um plano econômico inferior, impedida de cultivar com êxito o principal produto agrícola do Brasil colonial, a cana-de-açúcar, e de concorrer com a principal zona açucareira da época, representada por Pernambuco e Bahia.

Estabeleceu-se, em Piratininga, uma policultura de subsistência, baseada no trabalho forçado do índio. Os inventários dos primeiros paulistas acusavam pequena quantidade de importações e completa ausência de luxo. O isolamento criou no planalto uma sociedade peculiar. Chegar a São Paulo requeria fibra especial na luta contra as dificuldades do acesso à serra, os ataques dos índios, a fome, as doenças, o que levaria a imigração europeia a um rigoroso processo seletivo. Tais condições de vida determinariam a formação de uma sociedade em moldes mais democráticos que os daquela que se estabelecera mais ao norte da colônia.

Concorreu em boa parte para tanto a proliferação de mamelucos oriundos do inevitável e intenso cruzamento com as índias da terra, pertencentes às tribos tupis que dominavam o litoral brasileiro. Em São Paulo, especialmente, o hibridismo luso-tupi na sua feição étnico-cultural não se atenuaria tão rapidamente como ocorreu em outras regiões em que o fluxo de negros e o contato mais fácil com a metrópole veio diluí-lo. Mais do que em qualquer outro lugar, o português saberia, à sombra de uma excepcional capacidade de adaptação, integrar certos traços culturais dos tupis que lhe permitiriam sobreviver — e mais, tirar proveito do sertão hostil.

As bandeiras

Estátua de Antônio Raposo Tavares, um dos mais famosos bandeirantes, no Museu Paulista em São Paulo.


Dificuldades econômicas, tino sertanista, localização geográfica (São Paulo era um importante centro de circulação fluvial e terrestre), espírito de aventura, seriam poderosos impulsos na arrancada para o sertão. Desde os primeiros tempos da colonização eram constantes as arremetidas, num bandeirismo defensivo que visava a garantir a expansão paulista do século XVII. Este seria o grande século das bandeiras, aquele em que se iniciaria o bandeirismo ofensivo propriamente dito, cujo propósito era em grande parte o lucro imediato proporcionado pela caça ao índio. Da vila de São Paulo partiram as bandeiras de apresamento chefiadas por Antônio Raposo Tavares, Manuel Preto, André Fernandes, entre outros.

Do bandeirismo de apresamento passou-se ao bandeirismo minerador, quando a atividade de Borba Gato, Bartolomeu Bueno da Silva, Pascoal Moreira Cabral e outros foi recompensada com o encontro dos veios auríferos em Minas Gerais e Mato Grosso. Dura provação foi o efeito do descobrimento do ouro sobre São Paulo e outras vilas do planalto: todos buscavam o enriquecimento imediato representado pelo metal precioso. Como disse José Joaquim Machado de Oliveira, "não havia paulista que, mais ou menos, deixasse de afagar o pensamento de descobrir minas".

A capitania, que então abrangia toda a região das descobertas auríferas, foi transferida para a coroa e ali instalou-se governo próprio em 1709, separado do governo do Rio de Janeiro e com sede na vila de São Paulo, elevada a cidade em 1711.

O ciclo do ouro e decadência da capitania

No final do século XVII, bandeirantes paulistas descobrem ouro na região do Rio das Mortes, nas proximidades da atual São João del-Rei. A descoberta das imensas jazidas de ouro provoca uma corrida em direção às Minas Gerais, como eram chamadas na época os inúmeros depósitos de ouro por exploradores advindos tanto de São Paulo quanto de outras partes da colônia.

O êxodo em direção às Minas Gerais provocou a decadência econômica na capitania, e ao longo do século XVIII esta foi perdendo território e dinamismo econômico até ser simplesmente anexada em 1748 à capitania do Rio de Janeiro. Assim, pouco antes de ser anexada ao Rio de Janeiro, São Paulo perdeu território para a criação da Capitania de Goiás e a Capitania do Mato Grosso. Estas duas capitanias correspondem hoje aos estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Goiás, Tocantins, Distrito Federal e o Triângulo Mineiro.



Capitania de São Paulo 
"O presente mapa, delineado por Francisco Tosi Colombina, “mostra a primeira parte do ‘Caminho de Goyazes’, que se iniciava na Vila de Santos, no paralelo 24 e, neste mapa, seguia até o paralelo 17. Abrangia a região desde a serra do mar até o rio do Peixe, com destaque para a cidade de São Paulo, vilas, fortalezas, arraiais, rios e trilhas. A rede hidrográfica foi desenhada ao longo do caminho, e o relevo foi representado de forma simbólica. No carimbo, no canto superior direito, constava a explicação dos desenhos utilizados para assinalar cidade, vila, fortaleza, arraial e sítio”. Fonte – Biblioteca Nacional- Data – Século XVIII


A restauração da capitania e a província de São Paulo

Em 1765, pelos esforços do Morgado de Mateus é reinstituída a Capitania de São Paulo e este promove uma política de incentivo à produção de açúcar para garantir o sustento da capitania. A capitania é restaurada entretanto com cerca de um terço de seu território original, compreendendo apenas os atuais estados de São Paulo e Paraná e parte de Santa Catarina.

O Morgado de Mateus criou a Vila de Lages e Campo Mourão para a defesa da capitania. Foram criadas várias outras vilas, fato que não ocorria desde o início do século XVIII em São Paulo.

Assim, são fundados no leste paulista, região propícia para tal cultivo, as vilas de Campinas e Piracicaba, onde logo a cana-de-açúcar desenvolve-se. O açúcar é exportado pelo porto de Santos e atinge seu auge no início do século XIX.

A capitania de São Paulo ganha peso político, durante a época da Independência do Brasil, pela figura de José Bonifácio, natural de Santos, e em 7 de setembro de 1822 a Independência é proclamada às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, por Dom Pedro I. Em 1821 a capitania transforma-se em província.

Em 1820, D. João VI anexou Lages a Santa Catarina, perdendo São Paulo mais um pouco de seu território.

Em 1853 é criada a província do Paraná, e São Paulo perde, pela última vez território, ficando a partir daquela data com seu território atual.

As divisas atuais do estado de São Paulo só foram fixadas em definitivo, na década de 1930.



Linha regular São Paulo Santos. Fonte: Propagandas Antigas. 



O ciclo do café

Já em 1817 é fundada a primeira fazenda de café de São Paulo, no vale do rio Paraíba do Sul,[14] e, após a Independência do Brasil, o cultivo de café ganha força nas terras da região do Vale do Paraíba, enriquecendo rapidamente cidades como Guaratinguetá, Bananal, Lorena e Pindamonhangaba.


Bolsa do Café em Santos

Nas fazendas cafeeiras do Vale do Paraíba, era utilizada em grande escala a mão-de-obra escrava, e os grãos eram escoados via Rio de Janeiro. Assim sendo, o Vale enriquece-se rapidamente, gerando uma oligarquia rural, porém o restante da província continua dependente da cana-de-açúcar e do comércio que vai se estabelecendo na cidade de São Paulo, impulsionado pela fundação de uma faculdade de Direito em 1827. São Paulo começa a se desenvolver também como cidade, abrindo seus primeiros estabelecimentos receptivos aos viajantes, estudantes e comerciantes que desejavam conhecer o lugar ou para estabelecer empreendimentos. Pensões, hotéis e pousos passavam a ser regulamentados e cresciam em número, proporcionando opções de hospedagem, conforto e lazer.

Entretanto, a exaustão dos solos do Vale do Paraíba e as crescentes dificuldades impostas ao regime escravocrata levam a uma decadência no cultivo do café a partir de 1860 naquela região. O Vale vai se esvaziando economicamente enquanto o cultivo do café migra em direção ao Oeste Paulista, adentrando primeiramente na região de Campinas e Itu, substituindo o cultivo da cana-de-açúcar realizado até então.

A migração do café rumo ao oeste provoca grandes mudanças econômicas e sociais na Província. A proibição do Tráfico negreiro em 1850 leva a necessidade de busca de nova forma de mão-de-obra para os novos cultivos. A imigração de europeus passa a ser incentivada pelo governo Imperial e provincial. O escoamento dos grãos passa a ser feito via porto de Santos, o que leva a fundação da primeira ferrovia paulista, a São Paulo Railway, inaugurada em 1867, construída por capitais ingleses e do Visconde de Mauá, ligando Santos a Jundiaí, passando por São Paulo, que começa a se transformar em importante entreposto comercial entre o litoral e o interior cafeeiro.


Café sendo embarcado no porto de Santos em 1880, por Marc Ferrez.


O café vai adentrando paulatinamente o oeste paulista, passando por Campinas, Rio Claro e Porto Ferreira; em 1870, a penetração da cultura encontra seus campos mais férteis de cultivo: as terras roxas do nordeste paulista, próximas a Ribeirão Preto, São Carlos e Jaú onde surgiram as maiores e mais produtivas fazendas de café do mundo.

Atrás de novas terras para o café, exploradores adentram o até então desconhecido quadrilátero compreendido entre a Serra de Botucatu e os rios Paraná, Tietê e Paranapanema, onde fundaram cidades como Bauru, Marília, Garça, Araçatuba e Presidente Prudente no final do século XIX e início do século XX.


A REPÚBICA  DO CAFÉ

Ao se instalar a república, afirmava-se claramente o predomínio econômico do novo estado. Se o Brasil era o café, o café era São Paulo. Essa realidade repercutiu na esfera nacional, daí a homogeneidade de 1894 a 1902, em três quadriênios consecutivos, com os presidentes Prudente de Morais, Campos Sales e Rodrigues Alves.

No início do Século XX, com o avanço das ferrovias rumo ao Rio Paraná são criados dezenas de municípios ao longo das ferrovias Estrada de Ferro Sorocabana, NOB e Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Pela primeira vez é ocupado o Oeste paulista. Por ter sido povoado ao longo das ferrovias, o oeste paulista se dividia em regiões chamadas "Zona da Paulista", "Zona da Sorocabana", "Zona da Noroeste" e "Zona da Araraquarense". As ferrovias foram construídas nas regiões mais altas mais próprias para o café, os chamados espigões, menos sujeitos à geada.


Não foram, entretanto, tranquilos os primeiros momentos republicanos em São Paulo. Eles refletiam as agitações e desacertos que ocorriam no âmbito federal. Como nos demais estados, estabeleceu-se uma junta governativa provisória. Em seguida foi nomeado governador Prudente de Morais, que logo renunciou. O governo do estado passou então para Jorge Tibiriçá, indicado por Deodoro.

Após 1904, os mandatos dos presidentes do estado de São Paulo se estabilizaram, de 4 em 4 anos. Jorge Tibiriçá Piratininga reformou as polícias de São Paulo. Em 1910, em uma campanha malograda, os paulistas apoiaram a candidatura de Rui Barbosa à presidência da república, tendo o presidente de São Paulo Albuquerque Lins como seu vice. Derrotado Rui Barbosa e assumindo a presidência Hermes da Fonseca, São Paulo correu o risco de intervenção federal na Política das Salvações, porém, com a eleição do Conselheiro Rodrigues Alves, presidente de São Paulo de 1912 a 1916, graças a seu prestígio em todo o Brasil, São Paulo escapou da intervenção federal.

O presidente de São Paulo de 1916 a 1920, Dr. Altino Arantes Marques enfrentou os "5 Gs": a Primeira Guerra mundial, a grande Geada de 1918, as Greves (paredes) de 1917, a Gripe espanhola e a invasão de Gafanhotos no interior de São Paulo.

O Dr. Washington Luís, que governou São Paulo de 1920 a 1924, revolucionou São Paulo com seu lema "Governar é abrir estradas", sendo que, atualmente, 19 das 20 melhores rodovias brasileiras são paulistas.


Revolta paulista de 1924

Em 1924, durante a presidência estadual de Carlos de Campos, ocorre em São Paulo, tanto na capital quanto no interior, a Revolução de 1924, que obriga Carlos de Campos a se retirar da capital. Acontecem destruições e depredações e bombardeiro. A capital paulista foi palco do maior conflito urbano da história do Brasil, em cenas que lembravam a Primeira Guerra Mundial, com explosões de bombas, moradias e prédios destruídos, bombardeios por aviões, soldados com metralhadoras, população fugindo pelas ruas, tanques de guerra cruzando a cidade e trincheiras abertas nas ruas. Os rebeldes são derrotados e rumam para o sul do Brasil.

O Dr. Washigton Luís chegou à presidência da república em 1926, sendo porém deposto em 24 de outubro de 1930.

Revolução de 1930 e a Revolução de 1932

Em 1 de março de 1930, o presidente de São Paulo, o paulista Júlio Prestes, foi eleito presidente da república, obtendo 91% dos votos válidos em São Paulo, mas não tomou posse, impedido pela Revolução de 1930, a qual também derrubou da presidência da república Washington Luís que fora presidente de São Paulo entre 1920 e 1924.São Paulo então passou a ser governado pelos vencedores da Revolução de 1930 e logo em seguida se revoltou contra essa situação protagonizando a Revolução de 1932. Júlio Prestes e Washington Luís foram exilados. Os jornais apoiadores do PRP foram destruídos.[


Cartaz MMDC convocando o povo paulista às armas.

A década de 1930 em São Paulo caracterizou-se, do ponto de vista econômico, pelos esforços de ajustamento às novas condições criadas pela crise mundial de 1929 e pela derrocada do café. Do ponto de vista político, o período foi marcado pela luta em prol da recuperação da hegemonia paulista na federação, atingida pela Aliança Liberal e afinal aniquilada pela revolução de 1930.Esta submeteu o estado à ação dos interventores federais, que, de início, nem paulistas eram.

Em 9 de julho de 1932, irrompeu a revolução constitucionalista de São Paulo. Governava o estado, como interventor federal, o paulista Pedro de Toledo, logo proclamado governador. Formaram-se batalhões de voluntários, e aderiram ao movimento algumas unidades do Exército, um forte contingente de Mato Grosso e a quase totalidade da força pública estadual. Foram mobilizados inicialmente cinquenta mil homens, cujo comando coube ao general Bertolo Klingler, e depois ao coronel Euclides de Oliveira Figueiredo.

A indústria participou da revolução com entusiasmo. Sob a direção de Roberto Cochrane Simonsen, todo o parque industrial paulista foi colocado a serviço da rebelião, dedicado à produção bélica. Organizou-se também o abastecimento interno. A luta durou, porém, apenas três meses e terminou com a derrota dos paulistas e a perda de centenas de vidas.

Alguns meses após a capitulação, o governo federal, a fim de pacificar o país, decidiu convocar eleições para a Assembleia Constituinte, respondendo ao objetivo principal dos revolucionários paulistas: a restauração da ordem constitucional. Enquanto isso, São Paulo foi ocupado militarmente de outubro de 1932 a agosto de 1933. Foram exilados o ex-governador Pedro de Toledo, seu secretariado e outros políticos que tomaram parte ativa na revolução.

Mapa paulista comemorativo do Movimento Constitucionalista de 1932.


Industrialização e metropolização

São Paulo, durante muito tempo a cidade foi o principal polo industrial do estado.
Após a Primeira Guerra Mundial, o cultivo do café começa a enfrentar crises de excesso de oferta e concorrência de outros países. O cultivo começa a ser controlado pelo governo, a fim de evitar crises e fazendas fecham, levando imigrantes em direção a São Paulo, onde se tornam operários.

No período do Estado Novo (Brasil) com Ademar de Barros como governador do estado e Prestes Maia prefeito da cidade de São Paulo, o estado entra em uma nova fase de desenvolvimento com a construção de grandes rodovias e usinas hidrelétricas.

A Segunda Guerra Mundial interrompe as importações de produtos e a indústria paulista inicia um processo de substituição de importações, passando a produzir no estado os produtos até então importados. O processo intensifica-se no governo de Juscelino Kubitschek, que lança as bases da indústria automotiva no ABC paulista.

Em 1960, a cidade de São Paulo torna-se a maior cidade brasileira e principal polo econômico do país, superando o Rio de Janeiro. Este título de maior cidade brasileira deve-se a um número maior de migrantes que escolhiam ir para São Paulo. Neste período a política paulista era dominada pela rivalidade entre o "janismo" e o "ademarismo", sendo os dois maiores líderes políticos de São Paulo, Ademar de Barros e Jânio Quadros.

Industrialização do interior

Rodovia dos Bandeirantes, um dos principais vetores de desenvolvimento do interior do estado.
Nas décadas de 1960 e 1970 o governo estadual promove diversas obras que incentivam a economia do interior do estado, esvaziado desde a quebra do café em 1930.

A abertura e duplicação da Via Dutra (BR-116) recupera e industrializa o Vale do Paraíba, que se concentra em torno da indústria aeronáutica de São José dos Campos.[37] Para o Oeste, a implantação do Aeroporto Internacional de Viracopos, a criação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) a abertura de rodovias como a Rodovia Anhanguera e Bandeirantes e Rodovia Washington Luís o implemento de técnicas modernas de produção, em especial da cana-de-açúcar e de seu subproduto, o álcool combustível, levam novamente o progresso às regiões de Campinas, Sorocaba, Central, Ribeirão Preto e Franca.

Atualmente, ainda que o crescimento não seja mais tão alto e haja concorrência de outros estados, São Paulo é o principal polo econômico e industrial da América do Sul, sendo o maior mercado consumidor do Brasil.


 AS REGIÕES ADMNISTRATIVAS

Mapa da Micro-Regiões do Estado de São Paulo. As regiões administrativas paulistas possuem uma estrutura geral de organização e também dos segmentos e setores que seguem o modelo geral geral de acordo com as suas especificidades , como este da administração judiciária. Fonte TJSP


O Estado de São Paulo subdivide-se em 645 municípios, distribuídos em 42 regiões de governo, 14 regiões administrativas e três regiões metropolitanas: de São Paulo, da Baixada Santista (que tem a conformação espacial da RA de Santos) e de Campinas (contida na RA do mesmo nome).
O conjunto de transformações socioeconômicas ocorridas nos últimos 50 anos no Estado foi acompanhado por um intenso processo de redistribuição da população, do que resultou uma concentração populacional regionalmente diferenciada.

Os mapas referentes à ocupação territorial mostram que esse processo praticamente acompanhou a dinâmica e a localização das atividades industriais. Desde os anos 40, já se verificava uma significativa concentração industrial no Estado, favorecendo de início a Região Metropolitana de São Paulo e municípios circunvizinhos. Posteriormente, a relativa desconcentração dessas atividades rumo ao interior beneficiou as regiões situadas no centro e no leste do Estado.

Além dos centros industriais já consolidados, como Campinas, São José dos Campos e Santos e respectivos entornos, foram privilegiados os grandes eixos de ligação com a capital, notadamente as cidades com melhor infra-estrutura, ligadas pelas rodovias Bandeirantes e Anhangüera, Dutra e Carvalho Pinto, Castelo Branco e Rondon, Raposo Tavares e Washington Luís e Fernão Dias.

 A Região Metropolitana de São Paulo mantém o papel de liderança em termos econômicos e de concentração populacional, respondendo em 2005 por 47,9% da população paulista. 

Com concentrações menores, encontram-se outras áreas situadas no leste do Estado, caracterizadas por grande dinamismo econômico, como as RAs de Campinas (14,6%), Sorocaba (6,7%), São José dos Campos (5,4%) e a RM da Baixada Santista (4,0%). No oeste do Estado, destaca-se a RA de São
José do Rio Preto, responsável por 3,5% da população. 

As menores concentrações da população estadual encontravam-se na RA de Barretos (1,1%) e na RA de Registro (0,7%).

As regiões com maior concentração da população também se caracterizam pela maior densidade demográfica.

Os contrastes regionais em relação a esse indicador mostram-se bastante pronunciados, oscilando de 2.376,2 hab./km2, na RM de São Paulo, até um valor mínimo de 23,6 hab./km2, na RA de Registro.


FONTE: Fundação SEAD




Sorocaba, sul-paulista.Sorocaba (pronuncia-se AFI: [so̞ɾo̞ˈkabɐ]) é um município brasileiro no interior do estado de São P aulo. É a segunda cidade mais populosa do interior paulista (precedida por Campinas) e a mais populosa da região sudeste paulista com uma população de 723.682 habitantes,de acordo com o Censo 2022 realizado pelo IBGE, sendo uma capital regional. Possui uma área de 450,38 km². O município está integrado — junto com a Grande São Paulo, a Região Metropolitana de Campinas, a Região Metropolitana de Jundiaí, Região Metropolitana de Piracicaba, a Região Metropolitana da Baixada Santista e a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte — ao Complexo Metropolitano Expandido, uma megalópole que ultrapassa os 30 milhões de habitantes (cerca 75% da população paulista) e que é a primeira aglomeração urbana do tipo no hemisfério sul. A Região Metropolitana de Sorocaba é composta por 27 municípios que somam aproximadamente 2,06 milhões de habitantes. A cidade é um importante polo industrial do estado de São Paulo e do Brasil, sendo que sua produção industrial chega a mais de 120 países, atingindo um PIB acima dos R$ 32 bilhões, o décimo nono maior do país, a frente de capitais como São Luís, Belém, Vitória, Natal e Florianópolis. As principais bases de sua economia são os setores de indústria, comércio e serviços, com mais 22 mil empresas instaladas, sendo mais de duas mil delas indústrias.A cidade localiza-se a 87 km de distância da capital do Estado.[ Se situa às margens de uma importante ferrovia, a Linha Tronco da antiga Estrada de Ferro Sorocabana, que acompanhou todo o seu desenvolvimento. As principais rodovias são a Castelo Branco (SP-280) e Raposo Tavares (SP-270). É atravessada pelo Rio Sorocaba, afluente da margem esquerda do Rio Tietê. O município de Sorocaba situa-se sob o Trópico de Capricórnio, na latitude 23° 26′ 16″. No entroncamento da Rodovia José Ermírio de Morais (SP-75, Castelinho) com a interligação para a Rodovia Raposo Tavares, a Rodovia Dr Celso Charuri (SP-91/270), há um marco sinalizando o Trópico. Possui um dos maiores pátios ferroviários do Brasil, de onde há um entroncamento entre as linhas férreas da Estrada de Ferro Sorocabana e da Estrada de Ferro Elétrica Votorantim, hoje ambas estando sob concessão da Rumo Logística para o transporte de cargas.

Fábrica de ferro em Sorocaba de São João de Ipanema em 1884

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"GLOBAL TRADE"

O IMPACTO FERROVIÁRIO


CULTURA EUROPÉIA MUDOU COM A CONSTRUÇÃO DAS FERROVIAS



Gravura de uma estação ferroviária europeia no século XIX 

História, por João Marcos Coelho -Estadão, sexta-feira, 24-02-23

A criação de uma “cultura europeia” no decorrer do século 19 está intimamente ligada à implantação de uma malha ferroviária ligando o Velho Continente, dos anos 1840 em diante. As estradas de ferro aceleraram a criação e consolidação dessa “cultura europeia”. Este é o tema do fascinante livro Os Europeus, do historiador inglês Orlando Figes, de 63 anos. Com uma prosa de fácil leitura e uma infinidade de informações e dados que jamais incomodam o leitor, ele constrói um formidável painel das artes e da cultura europeias na segunda metade do século 19. Mostra a íntima relação entre as artes e o capitalismo. O objetivo “é explicar como foi que, por volta de 1900, os mesmos livros passaram a ser lidos em todo o continente, as mesmas pinturas passaram a ser reproduzidas, a mesma música passou a ser tocada em casa ou nas salas de concerto, as mesmas óperas passaram a ser encenadas em todos os grandes teatros da Europa”.

Lúcido e certeiro, Figes mostra como o que chama de “cânone europeu” se consolidou na era das ferrovias. É fundamental conhecer esse processo no detalhe porque esse cânone “constitui a base da alta cultura hoje não só na Europa, mas em todas as partes do mundo onde os europeus se estabeleceram”. A cultura hegemônica de elite já existia no continente ao menos desde o Renascimento. “Mas só no século 19 uma cultura de massa relativamente integrada pôde se desenvolver em toda a Europa.”

Seu olhar inova ao enxergar o continente como “um espaço de transferências, tradições e trocas culturais por cima das fronteiras nacionais, gerando uma ‘cultura europeia’, como ‘síntese internacional de formas, ideias e estilos artísticos’”. Em suma, o livro trata a era da ferrovia “como primeiro período de globalização cultural”. E aqui acentua que de fato o século 19 europeu instaurou um mercado continental para as artes. Foi esse mercado que determinou o cânone do continente.

Figes coloca no primeiro plano de sua narrativa um triângulo amoroso: a mezzo-soprano e compositora Pauline Viardot (1821-1910); seu marido Louis Viardot (1800-1883); e o escritor russo Ivan Turgueniev (1813-1883). Eles chegaram a morar na mesma casa por bons anos. Ou melhor, nas mesmas casas. Suas vidas nômades os levaram a todas as latitudes do continente, incluindo a Rússia. Pauline, filha do tenor Manuel Garcia, foi irmã mais nova da maior diva romântica, a soprano Maria Malibran, que morreu em 1836, aos 28 anos. Amiga íntima de Frédéric Chopin, chegou a colocar letra em diversas peças pianísticas dele, transformando-as em canções. Mas seu maior triunfo foi ter dominado a cena lírica europeia (e russa) por muitas décadas. Seu marido Louis só figura no rodapé das biografias das divas, mas foi um polímata cultural, ao mesmo tempo crítico de arte, erudito, editor, gestor teatral, ativista republicano, jornalista e tradutor literário do russo e do espanhol para o francês. Figes oportunamente o resgata do esquecimento e o define como “tudo aquilo que o artista não é, mas de que depende”. E Turgueniev, modernamente o mais conhecido, nasceu em família aristocrata russa e terminou a vida como um dos grandes escritores russos da segunda metade do século 19, ao lado de Dostoievski e Tolstoi. Morou em Berlim, Paris, Baden-Baden, Londres e São Petersburgo e em sua biblioteca havia livros em nove línguas diferentes: “Sou um europeu, e amo a Europa; minha fé está vinculada a sua bandeira, que carrego desde a juventude”.

Para Figes, o que os une, além do ménage à trois, é sua condição de “importantes intermediários culturais”, promovendo escritores, pintores e músicos em toda a Europa. Eram cosmopolitas, integrantes de “uma cultura europeia capaz de viver em qualquer lugar no solo europeu, desde que isso não comprometesse seus princípios democráticos, e sem perder nada da própria identidade nacional”.

O que lhes permitiu tamanha mobilidade? A era das ferrovias. “A viagem é fatal para o preconceito, o fanatismo e a intolerância”, já anotava o escritor norte-americano Mark Twain no livro Inocentes no Exterior, de 1869. É basicamente um relato de suas viagens de trem pela Europa em direção à Terra Santa. “Essa sensação de fazer parte da Europa estava ligada à possibilidade de viajar de trem para qualquer parte do continente.”

Capítulos são dedicados a cada uma das artes. E nos levam para verdadeiras “viagens” culturais. A era das ferrovias costuma ser fixada de 1830 em diante, quando, na Inglaterra, a primeira ligação ferroviária para passageiros transportou 460 mil pessoas em 12 meses entre Liverpool e Manchester.

Na sequência, a malha ferroviária foi se espalhando vertiginosamente. Em 1850, Turgueniev levava 21 dias para ir a sua propriedade rural em Spasskoe, na Rússia. Vinte anos depois, fazia o mesmo trajeto em cinco dias. E Pauline brilhou em todos os grandes palcos líricos europeus e russos, graças às ferrovias.

Um dos acontecimentos mais ruidosos da década de 1840 aconteceu na inauguração do trecho francês, entre Paris e Lille, da ferrovia internacional ligando a capital francesa a Bruxelas, em 1846. Em Lille, organizaram-se festejos mamutes para comemorar. O prefeito encomendou a Hector Berlioz uma obra para ser estreada na ocasião. Ele teve só três dias para compor a Cantata Ferroviária, para barítono e grande orquestra. Na balbúrdia que se seguiu, o manuscrito da partitura e seu chapéu foram roubados. Berlioz teria preferido reaver apenas o chapéu, mas o manuscrito é que lhe foi restituído. Uma obra que ele teria preferido não assinar.

As elites, com os Rothschild à frente, eram acionistas preferenciais das grandes empresas ferroviárias. Turgueniev tinha ações de companhias russas, assim como Madame Nadejda von Meck, viúva de um magnata da indústria ferroviária e mecenas de Tchaikovski.

Tamanho impulso foi decisivo para o incremento do turismo de massa. Os novos turistas só tinham algumas poucas semanas de férias anuais para viajar. Assim, uma imensa parcela majoritária da população passou a se movimentar usando a malha ferroviária. “O mundo está viajando”, escreveu o escritor alemão Theodor Fontane (1819-1898) em A Viagem Moderna publicado em 1873: “Assim como nos velhos tempos as pessoas se entretinham conversando sobre o tempo, agora o fazem viajando”.

FOLHETIM. A primeira grande consequência no mundo literário foi a proliferação de guias turísticos de baixo custo para essa multidão. Além disso, um novo tipo de literatura – os folhetins publicados diariamente em capítulos nos jornais se transformaram em verdadeira febre por todo o continente. Surgiram as livrarias nas estações ferroviárias. Afinal, agora não só dava para conversar, mas também para ler durante a viagem. Houve um verdadeiro boom editorial. Autores como Alexandre Dumas vendiam dezenas, centenas de milhares de exemplares de seus livros em edições de baixo custo. Figes calcula que esses livros custavam um décimo dos livros capa dura, que circulavam no mundo das elites culturais europeias.

Não só o tipo de literatura era mais popular. As vendas de livros, traduções e revistas literárias explodiram na década de 1870 por causa das tecnologias de publicação, a mecanização e a rede ferroviária. Tudo isso reduziu os custos de impressão e distribuição. Figes observa que “a aceleração das traduções levou à crescente uniformidade ou padronização das formas literárias, com toda a Europa lendo os mesmos livros ao mesmo tempo”.

Alexandre Dumas (1802-1870) foi um dos reis dos folhetins. Seu ritmo de produção era alucinante. Os folhetins eram diários: em 1844, publicou Os Três Mosqueteiros em Le Siècle entre 14 de março e 11 de julho, e O Conde de Monte Cristo no Journal des Débats entre 18 de agosto e 15 de janeiro de 1846. Paralelamente, publicou A Rainha Margot em La Presse entre 25 de dezembro de 1844 e 5 de abril de 1845. Emile Marcelin publicou um cartum com o escritor escrevendo quatro livros ao mesmo tempo – com os dois braços e as duas pernas. Outra consequência: os personagens acabaram se europeizando. Como nos romances de Júlio Verne.

PINTORES. O impacto nas artes plásticas pode ser avaliado por Gare Saint-Lazare, série de 11 quadros de Claude Monet (1840-1926). Em 1877, ele acabara de chegar a Paris vindo de Argenteuil. Encantou-se com a Gare Saint-Lazare (hoje Museu d’Orsay), estação ferroviária, sobretudo com os efeitos da luz se infiltrando pelo telhado de vidro e as baforadas de fumaça saindo das locomotivas e se dissolvendo como nuvens. O escritor Émile Zola, defensor dos impressionistas, assim descreveu um desses quadros: “Ouvimos o ronco dos trens, com a fumaça se propagando no vasto espaço sob o telhado de vidro. Nossos pintores devem encontrar a poesia dessas estações, assim como seus pais encontraram nos rios e nas florestas”.

Esse cosmopolitismo europeu que tanto fascina Orlando Figes foi bruscamente interrompido pela Primeira Guerra Mundial, em 1914. Um dos maiores escritores franceses do século 19, Victor Hugo (1802-1885), de certa forma previu o desastre a partir do horror que experimentou em relação à Guerra da Crimeia na década de 1850, ao saber de “ferrovias transportando soldados e máquinas de destruição”. O cosmopolitismo sofreria outro duríssimo golpe com o nazi-fascismo dos anos 1930 e a Segunda Guerra Mundial. Mas felizmente permanece vivo na cultura de massa, hoje planetária.

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O Trem de Prata foi um serviço ferroviário operado pela Rede Ferroviária Federal (RFFSA), em parceria com o consórcio privado homônimo, que circulou entre as estações Barão de Mauá (Estrada de Ferro Leopoldina), no Rio de Janeiro e Barra Funda (Estrada de Ferro Santos Jundiaí), em São Paulo, no Brasil.

História. Em 16 de fevereiro de 1991, o Trem Santa Cruz, serviço que fazia a ligação Rio - São Paulo, fez sua última viagem, após mais de quarenta anos de circulação. O Santa Cruz saía da Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro em direção à Estação da Luz, em São Paulo. Houve épocas em que o trem se dirigia à Estação Roosevelt (atual Estação do Brás), também na capital paulista. Com isso, o serviço ferroviário de passageiros da Rede Ferroviária Federal ficou comprometido, pois o Santa Cruz era um dos trens mais utilizados, apesar dos atrasos e problemas na conservação da via férrea. O Santa Cruz era muito utilizado por agências de viagem que vendiam pacotes de viagens de trem entre o Rio de Janeiro e Corumbá, sendo que o seu cancelamento causou prejuízos econômicos. Após tentativas malsucedidas de se retomar o serviço, ocorridas em 1992, a Rede Ferroviária Federal resolveu retomar a operação dos trens em parceria com a iniciativa privada. Em 13 de agosto de 1993, foi lançado o edital de licitação 033/SR-3/93,[1] através da qual a iniciativa privada ficaria responsável pela organização do serviço e venda de passagens, cabendo à Rede Ferroviária Federal a locação de 25 carros Budd, além de locomotivas.

A viagem inaugural do Trem de Prata ocorreu no dia 8 de dezembro de 1994, quando partiu da Estação Barão de Mauá (Leopoldina), no Rio de Janeiro para a Estação da Barra Funda (da EFSJ), em São Paulo. Devido ao grande sucesso causado pelos altos números de reservas e de demandas de passageiros, as viagens que anteriormente ocorriam aos finais de semana, tornaram-se diárias a partir de 1995. 
O Trem de Prata contava com cerca de 10 vagões (1 carro-bar, 2 carros-restaurantes, 2 vagões de bagagem e 4 carros-dormitórios com suíte, dotados de quarenta cabines duplas ocupadas por oitenta passageiros e atendidas por 24 tripulantes). Em uma velocidade de 60 quilômetros por hora, a viagem ferroviária durava nove horas e meia pelos 516 quilômetros de trilhos, partindo às 20h30 e chegando ao destino final às 6 da manhã. No carro-restaurante, as refeições eram servidas em dois turnos: das 20h30 às 22h30 da noite e das 22h30 da noite à 0h30 da manhã. O ambiente requintado e o conforto oferecido durante a viagem, lhe valeram o apelido de "trem-hotel" ou "hotel sobre trilhos", dados pelos próprios passageiros à época.

Depois de quase quatro anos, o Trem de Prata deixou de circular em 1998, tendo como um dos principais motivos a queda no número de passageiros. Ao ser reativado em 1994, sua capacidade era de 124 passageiros. Depois de dois anos, caiu para 76 passageiros.

Após um acidente com um Fokker-100 da TAM em novembro de 1996, que fazia a ponte aérea Rio–São Paulo, houve um aumento da procura de passageiros por vagas no trem, onde suas centrais de reserva receberam 100% a mais de ligações que o habitual, repetindo-se em outros dias, totalizando-se 250 candidatos. Às segundas e terças-feiras, o trem costumava viajar com 50% de lotação e com 80% das passagens sendo vendidas horas antes da partida da composição, no Rio.

Com o passar do tempo, o barateamento das passagens da ponte aérea a tornou mais acessível que a viagem ferroviária na época, além de problemas com atrasos ou acidentes e a falta de manutenção adequada da linha férrea, sobretudo na malha suburbana das duas metrópoles, que causavam por vezes até mesmo a interrupção de viagens, que eram completadas por ônibus, já na capital fluminense.

"Quando entrei no vagão, senti cheiro de mofo", disse a fisioterapeuta Margareth Ferreira Fonseca, fluminense de Nova Iguaçu. "Me decepcionei. Vim esperando algo mais chique. Tive vontade de pedir meu dinheiro de volta e pegar a ponte aérea." Se optasse pelo avião, Margareth teria economizado. Para ir de trem, uma viagem de dez horas com direito a jantar e café da manhã, gastou R$ 120 (cabine mais barata). Teria gasto R$ 82 na ponte aérea (viagem de 50 minutos).

— Trecho de matéria do repórter Fábio Schivartche publicada no jornal Folha de S.Paulo, 1 de dezembro de 1998.

O último Trem de Prata partiu na noite de 29 de novembro de 1998 da antiga Estação da Barra Funda (da EFSJ), chegando à Estação Barão de Mauá (Leopoldina) na manhã de 30 de novembro. 

O fim das viagens do Trem de Prata causou comoção na época, tanto entre funcionários como também entre os tradicionais passageiros da ponte ferroviária entre as duas capitais. 

Primeira Classe do Trem de Prata Rio-SP nos anos 1970.




 FERROVIAS NO ESTADO DE SP

 



Ferrovias no Estado de São Paulo (Foto: ABPF)


As ferrovias foram implantadas no estado de São Paulo na segunda metade do século XIX. Ao longo dos anos, muitas dessas estradas de ferro foram se modernizando e passaram a fazer o transporte de passageiros pelo estado.

Já no século XX, as ferrovias atingiram seu auge e desempenharam um papel importante no desenvolvimento do interior de São Paulo, sendo que muitas cidades e bairros se originaram a partir e no entorno de tais paradas.

Primeiramente com o foco na carga, passaram, anos mais tarde, a transportar passageiros por diversas cidades do estado de São Paulo. O transporte era rápido e o custo de acordo com a qualidade do serviço.

Em uma época onde não havia muitas rodovias cortando o estado, as ferrovias eram o meio de transporte mais procurado. Até mesmo após a construção das diversas rodovias, as ferrovias ainda eram mais procuradas, pois os trens eram rápidos, não enfrentavam trânsito e o acesso era fácil. Algumas ferrovias eram, também, eletrificadas e isso colaborava com a preservação do meio-ambiente e a não poluição do ar.

No final da década de 90, as ferrovias foram privatizadas e o transporte de passageiros, extinto. Com o fim do transporte de passageiros pelas ferrovias, os usuários foram obrigados a migrar para as rodovias, seja através de linhas de ônibus regulares ou através dos próprios automóveis, o que encareceu as viagens, aumentou o tempo de deslocamento e proporcionou maior cansaço por parte dos condutores.

Atualmente há planos do Governo do Estado de São Paulo (GESP) em reimplantar trens de passageiros nas principais cidades do estado, com destaque para Santos, Campinas, Sorocaba e Vale do Paraíba. Os trens regionais, assim chamados pelo GESP, sairiam da cidade de São Paulo e partiriam para os locais já citados.

Entretanto, é incompreensível entender o porquê de se querer implantar algo que já tínhamos no passado, sendo que bastaria uma boa reforma para que continuassem operando com a mesma qualidade e eficiência do passado.


AS FERROVIAS E O PORTO DO CAFÉ

 

SÃO PAULO RAIL- SPR 

A PRIMEIRA FERROVIA DE SÃO PAULO


Em 1867 era inaugurada pela empresa São Paulo Railway o lastro ferroviário que ligava Santos a Jundiaí, com extensão de 159 quilômetros e passagem por São Paulo justamente na Estação da Luz e Cubatão. Na mesma data, 16 de fevereiro, as estações Água Branca, Perus e Francisco Morato, da atual Linha 7-Rubi, e São Caetano do Sul, Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra da Linha 10-Turquesa, foram postas em operação.

A linha da São Paulo Railway foi planejada principalmente para transportar a produção de café do noroeste paulista ao porto de Santos. O empreendimento foi idealizado por Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, José da Costa Carvalho, o Marquês de Monte Alegre, e o Conselheiro José Antonio Pimenta Bueno. Um decreto imperial de 1856 autorizou-os a constituírem uma companhia encarregada da construção, custeio e gozo de uma estrada de ferro que partisse de Santos e chegasse a Jundiaí, passando pela capital São Paulo. O projeto da ferrovia resultou da colaboração de diversos engenheiros britânicos, entre os quais Robert Milligan, James Brunlees e Daniel Makinson Fox. As obras de implantação da estrada foram iniciadas em Santos em 1860. O trecho da Serra do Mar foi o mais difícil de ser executado, devido à alta declividade, que impunha um desnível de cerca de 800 metros a ser vencido em apenas 8 quilômetros, e à intensa pluviosidade, que provocava deslizamentos e a interrupção das obras e do tráfego ao longo da via. O prédio original da Estação da Luz funcionou até pelo menos 1888. O rápido crescimento de passageiros e a necessidade de escoamento de produção exigiam mais espaço e estrutura e, em 1° de março de 1901, finalmente, é colocada em operação a instalação que conhecemos hoje. Fonte: Brazil Imperial. @BrazilImperiu



Trem turístico da SPR na Estação da Luz, em São Paulo.  


 Símbolo da São Paulo Railway estilizado num pórtico  da Estação Júlio Prestes em São Paulo.

Centro ferroviário da SPR em Paranapiacaba, atual município de Santo André. 


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ESTRADA DE FERRO SOROCABANA


Gravura de 1884 retratando a E.F. Sorocabana. Arquivo Nacional


A Estrada de Ferro Sorocabana foi uma companhia ferroviária brasileira. Permaneceu em atividade de julho de 1875 até outubro de 1971, quando foi extinta e incorporada à FEPASA - Ferrovia Paulista S/A. O Fundador. Em 1866 chegou a Sorocaba o imigrante austro-húngaro Luís Mateus Maylasky. Com conhecimentos em engenharia, encontrou na empresa de Batista uma maquina quebrada de descaroçar algodão (por falta de mão-de-obra para repará-la) e a colocou em funcionamento. Isso fez com que o processamento do algodão fosse mais rápido. Batista convidou Maylasky para ser gerente de sua empresa. Em pouco tempo Maylasky tornou-se sócio de Batista. No entanto, o transporte do algodão para São Paulo era precário e limitava os lucros da empresa. Assim Maylasky propôs a construção de uma estrada de ferro ligando Sorocaba à São Paulo, com conexão com a ferrovia inglesa que dava acesso ao porto de Santos. Inicialmente Maylasky juntou seus esforços a um grupo de fazendeiros de Itu que possuíam o mesmo interesse. Após a constituição da Companhia Ytuana de Estradas de Ferro em 20 de janeiro de 1870, Maylasky foi à Câmara Municipal de Itu e propôs a expansão dos trilhos da Ituana até Sorocaba. Após a recusa da Companhia Ytuana (que tinha o objetivo de atender apenas as demandas de Itu e ligá-la a Jundiaí onde seus trilhos iriam encontrar os das companhias São Paulo Railway e Paulista), Maylaski e Batista reuniram um grupo de produtores de algodão, fazendeiros, e comerciantes que incluiu Antônio Lopes de Oliveira, Francisco Ferreira Leão, Olivério Pilar, Vicente Eufrásio da Silva Abreu, Ubaldino Amaral, entre outros e abriu a Companhia Sorocabana de Estrada de Ferro de Ypanema a São Paulo em 2 de fevereiro de 1870 com um capital inicial de 1 200 contos de réis, posteriormente elevado para 4 mil contos. Maylasky obteve da então província de São Paulo uma garantia de juros de 7% ao ano sobre o capital que fosse investido na ferrovia. Para angariar investidores, Maylasky percorreu os arredores de Sorocaba e região a cavalo e convenceu até pequenos produtores rurais da importância da estrada de ferro.

...Aqui está o primeiro capital subscrito! Com estes dois vinténs levantaremos o capital necessário...
—  Luís Mateus Maylasky durante reunião com o grupo de empresários que se organizou para fundar a Companhia Sorocabana de Estrada de Ferro de Ypanema a São Paulo em 2 de fevereiro de 1870

Para angariar interesse do Império do Brasil, foi proposta a extensão da ferrovia até a Real Fábrica de Ferro São João do Ipanema, que também poderia fornecer parte do material necessário para a construção. As obras da ferrovia foram iniciadas em 13 de junho de 1872.

Exatamente às 13 horas do dia 13 de junho de 1872 um grupo de homens munidos de pás e enxadas iniciava, no centro de Sorocaba, à margem do Córrego Supiriri, a construção da Estrada de Ferro Sorocabana (EFS). A ferrovia, projetada e bancada por empresários, teve o trecho entre Sorocaba e São Paulo concluído em três anos, um feito até para os dias atuais...
—  O Estado de S. Paulo




Para financiar as obras, Mailasky obteve um empréstimo junto ao banco alemão Deutsch Brasilianische Bankum. As obras foram prejudicadas pela falência do banco alemão (causada pelo Pânico de 1873), por uma greve dos fornecedores de locomotivas e equipamentos na Europa e por um surto de febre amarela na província de São Paulo. Ainda assim, a ferrovia foi inaugurada em 10 de julho de 1875 após 37 meses de obras. Após a inauguração, ocorreu uma disputa entre os sócios. Um pequeno grupo queria a venda da estrada para um grupo estrangeiro ou a encampação pelo Império, com uma lei provincial sendo discutida sobre o assunto. No final de 1876 Mailasky conseguiu manter o controle sobre a empresa e a lei acabou rejeitada. Em 1877 a ferrovia alcançou Ipanema e já se estudava sua ampliação para a região do Paranapanema, embora o presidente da província de São Paulo Sebastião José Pereira tivesse rejeitado uma liberação de cem contos de réis criada pela assembleia provincial para patrocinar a realização do projeto. A Sorocabana envolveu-se em uma disputa judicial com a Companhia Ituana, que desejava ampliar sua linha de Piracicaba até Botucatu e obter os cem contos de réis. Com isso, a Sorocabana não poderia ser ampliada além daquela cidade. Enquanto a Ituana havia angariado apoio do presidente Pereira, a Sorocabana buscou como apoiador e acionista Joaquim Manuel Gonçalves de Andrade, vice-presidente da província. A disputa ocorreu por todo o ano de 1877 e só foi encerrada quando Pereira deixou o cargo. Assim, a Sorocabana pôde iniciar seu projeto de ampliação até Botucatu e a Ituana (que também após envolveu-se na mesma época em outra disputa com a Companhia Paulista de Estradas de Ferro) acabou entrando em decadência.


Estação de Maylasky, entre 1885/1889, retratada por Julio Wieczerski Durski. Acervo do Arquivo Nacional.

Primeira crise e falência. A conclusão da obra coincidiu com o fim do ciclo do algodão e o rescaldo do Pânico de 1873. Esses eventos causaram seguidos prejuízos anuais que a gestão de Mailasky não pôde conter. Isso fez com que os acionistas o destituíssem da presidência da ferrovia em dezembro de 1880 e nomeassem o conselheiro Francisco de Paula Mayrink para o cargo. Maylasky tentou retomar a presidência da empresa, utilizando-se até de meios judiciais, porém acabou derrotado e mudou-se para Mogi Mirim. Mayrink realizou uma auditoria e, com seus resultados, acusou Mailasky de má gestão e malversação dos recursos. Apesar de Mayrink realizar ações para minimizar os prejuízos da empresa, a Sorocabana acabou sofrendo problemas econômicos e políticos, permanecendo instável por todo o século XIX. Após a proclamação da República, Mayrink adquiriu a Companhia Ytuana de Estradas de Ferro e rebatizou a nova empresa de Companhia União Sorocabana e Ytuana de Estradas de Ferro. Essa aquisição aumentou o déficit financeiro da Sorocabana. O fracasso da política do Encilhamento (apoiada por Mayrink) o levou a renunciar ao controle da Sorocabana em 1893, sendo substituído brevemente pelo Visconde de Socorro João José Pereira Júnior. O Visconde, abalado por problemas de saúde, deixou o cargo em 1895. O maior acionista da companhia era o jornalista João Pinto da Costa Ferreira Leite (1850-1905), que assumiu a direção da empresa em 1 de março de 1895 com o plano ambicioso de tornar a Sorocabana a maior ferroviária da América do Sul. Dirigindo a Sorocabana a partir do Rio de Janeiro, Ferreira Leite não possuía experiência e acumulou muitas dívidas na gestão da empresa. Outra de suas empresas, a Companhia Viação Paulista de bondes em São Paulo acabou liquidada por má gestão pela província de São Paulo em 1899. Ferreira Leite deixou a administração da Sorocabana em 19 de janeiro de 1901 após intervenção do Tesouro Nacional, que temia a falência da ferrovia. Além disso, o governo federal era o maior credor das dívidas da empresa. Em seu lugar assumiu o interventor nomeado pelo governo, o comendador Francisco Casimiro Alberto da Costa.

Intervenções. O Comendador Costa descobriu diversas irregularidades nas contas da Companhia União Sorocabana e Ytuana de Estradas de Ferro. Apesar de ter tentado uma venda ou concordata, injetando 4 100:000$000 da Companhia Edificadora-presidida por ele, a Sorocabana acabou liquidada por meio de sentença judicial e o arresto de seus bens ao Tesouro Nacional. Posteriormente o comendador tentou reaver a quantia investida, apresentando-se como credor ao Tesouro. O governo federal nomeou Alfredo Eugênio de Almeida Maia como diretor da Superintendência da Companhia Sorocabana em 10 de janeiro 1903. Almeida Maia, um experiente engenheiro ferroviário, conseguiu regularizar o funcionamento da ferrovia e acabou resgatando as finanças da empresa. Com isso, foi possível retomar a expansão da ferrovia, reaparelha-la e sanear suas contas. Em janeiro de 1904 o governo federal vendeu a ferrovia para o governo do estado de São Paulo. Apesar do negócio, Almeida Maia foi mantido à frente da Sorocabana. Posteriormente o governo paulista negociou a concessão da Estrada de Ferro Sorocabana, por um período de 60 anos, ao grupo Brazil Railway Company (de Percival Farquhar) em 1907. Apesar de ser convidado a permanecer no cargo pelos novos donos, Maia preferiu deixar o cargo em 30 de junho de 1907.

Sorocabana Railway Company


Malha da Brazil Railway Company, 1913. A Sorocabana era a principal e mais lucrativa ferrovia da empresa.


A Companhia Sorocabana foi concedida por 60 anos para a Brazil Railway Company do capitalista estadunidense Percival Farquhar. Renomeada Sorocabana Railway Co., a empresa acabou adquriida por Farquhar como ponto de partida para a criação de uma rede ferroviária no Centro-Sul do Brasil. A Brazil Railway Company adquiriu outas ferrovias e concessões nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e lançou obras de ampliação de suas ferrovias. Em 1916, o grupo detinha 11 mil dos 23 mil quilômetros da rede ferroviária brasileira. Ao assumir a Sorocabana em 1907 , Farquhar nomeou o estadunidense Frank Joseph Egan para dirigi-la inicialmente. Egan, alinhando com os objetivos de Farquhar, trabalhou com o governo do estado para a ampliação da ferrovia entre Manduri e Ourinhos para se integrar ao ponto inicial da futura Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande (outra concessão da Brazil Railway). Em 1912, com a Sorocabana superavitária, Egan foi substituído por H.M Taylor. Foi o início de gestões caóticas, com a ferrovia sofrendo falta de vagões (supostamente desviados para a E.F.São Paulo Rio Grande), problemas de manutenção, atrasos no transporte de passageiros e mercadorias e descumprimento de cláusulas contratuais em nome de uma política de maximização dos lucros (desviados para outros empreendimentos de Farquhar) e minimização de investimentos, iniciada em 1911. Taylor acabou substituído em 1913 pelo superintendente da Light T.R.Ryan. Ryan pouco pôde fazer, por conta do início da Primeira Guerra Mundial. Como Farquhar dependia da injeção de capitais europeus para a manutenção da Brazil Railway (com o banqueiro francês Hector Legrú encabeçando o maior grupo europeu financiador da empresa), ela entrou em crise durante o período. Ao mesmo tempo, eclodiu a Guerra do Contestado. Causada pelo projeto ferroviário de Farquhar na região, causou muitos prejuízos para a Brazil Railway e aos governos da época. Para tentar conter a crise, Farquhar nomeou diretor da Sorocabana o engenheiro Rudolf Oscar Kesselring em 15 de agosto de 1915. Kesselring, engenheiro civil, foi um dos projetistas e construtores das Estrada de Ferro Madeira Mamoré e Noroeste do Brasil, trabalhava com Farquhar desde 1906. Apesar de diagnosticar os problemas da Sorocabana (falta de vagões, manutenção de vias e trens, entre outros, Kesselring não conseguiu convencer os investidores da ferrovia a recuperá-la minimamente. A degradação da empresa provocou protestos nos meios públicos e entre autoridades. O deputado Julio Prestes passou a ser o líder de um grupo que desejava o fim da concessão da Sorocabana. Com a decretação de concordata da Brazilian Railway em 1917, a pressão sobre o fim da concessão da Sorocabana cresceu até que em 1919 o presidente do estado, Altino Arantes, conseguiu encerrar o contrato de forma amigável através da Lei Estadual 1643/1918. A mesma lei autorizou o estado a encampar a Southern San Paulo Railway (medida efetivada apenas na década de 1920, quando essa ferrovia acabou incorporada à Sorocabana).

Em setembro de 1919, o governo de São Paulo assumiu novamente o controle da ferrovia, que passou a se chamar Estrada de Ferro Sorocabana (EFS). Calisto de Paulo Souza, o segundo "inspetor geral" da Sorocabana nomeado pelo governo do estado, assim descreveu a situação da ferrovia em agosto de 1919:

...os armazéns estavam repletos de mercadorias aguardando para serem despachadas, havia frequentes interrupções de tráfego devido ao mau estado de conservação das locomotivas, os trens ficavam parados nas estações por falta de água... o leito da ferrovia não oferecia segurança...

Estatização


Emblema da E.F. Sorocabana, adotado após a sua segunda estatização.

Vista da Estação São Paulo, 1938. O governo do estado de São Paulo construiu ente 1926 e 1938 uma nova estação terminal para abrigar a sede da Sorocabana e rivalizar com a Estação da Luz.
Arquivo Nacional. Após o governo paulista reassumir o controle da ferrovia, foi nomeado inspetor inicialmente inspetor da ferrovia Jose de Góis Artigas. Uma das primeiras medidas de Artigas foi restabelecer a operação segura da empresa ferroviária. Artigas deixou o comando da ferrovia em pouco tempo e Calisto de Paula Souza assumiu como novo inspetor geral. Em sua gestão a Sorocabana iniciou a aquisição de novas locomotivas e vagões e a reparação de carros de passageiros e das vias férreas, graças a um investimento de 30 contos de réis obtidos junto ao orçamento do estado. Em 1921 a Sorocabana incorporou a ferrovia da Companhia Agrícola Funilense. Ainda sob a administração de Francisco de Paula Mayrink, convencido que o sucesso da ferrovia estava condicionado ao transporte do café, a expansão da linha tronco foi projetada na direção do Oeste Paulista para atingir regiões cafeeiras. A partir de Sorocaba, a ferrovia se expandiu chegando a Botucatu e posteriormente a Ourinhos, na divisa com o estado do Paraná. A pequena estação de Ourinhos, aberta em 1908 principalmente para atender cargas vindas da região do Norte Pioneiro do Paraná, a partir de 1924 transformou-se em entroncamento com a Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, que fazia a ligação com o estado vizinho. Com o tempo, Ourinhos transformou-se em uma das principais estações de cargas e passageiros da EFS, devido ao grande fluxo trazido pela SPP, especialmente após 1932, quando esta ferrovia alcançou Jataizinho, já próxima da nascente cidade de Londrina. Após o estado assumir a Sorocabana, a expansão da linha tronco prosseguiu e em 1922, chegou às margens do rio Paraná - seu ponto final - em Presidente Epitácio, limite oeste do estado paulista. Durante a década de 1920 a Sorocabana iniciou dois grandes projetos: a retificação do trecho inicial da Linha Tronco entre São Paulo e Cotia e o início da construção da Linha Mairinque-Santos. Além disso, a ferrovia Southern San Paulo Railway foi incorporada pela Sorocabana para permitir o acesso desta ao Porto de Santos.

Vista da Estação São Paulo, 1938. O governo do estado de São Paulo construiu ente 1926 e 1938 uma nova estação terminal para abrigar a sede da Sorocabana e rivalizar com a Estação da Luz. Arquivo Nacional



A descida da Serra do Mar. Foram feitas inúmeras tentativas e vários projetos para levar os trilhos da Sorocabana até o porto de Santos que era servido - em regime de monopólio - apenas pela São Paulo Railway (SPR), popularmente conhecida com A Inglesa. Muitos alegavam que A Inglesa sufocava o desenvolvimento do porto com suas altas tarifas. Mas todas essas tentativas de levar novos trilhos até o porto de Santos esbarravam no sistema de privilégios de zona. A zona por onde os trilhos teriam que passar pertencia à Southern San Paulo Railway Co. Ltd. O governo de Altino Arantes Marques (1916 a 1920) muito se empenhou para que a Sorocabana conseguisse descer a Serra do Mar, realizando várias gestões para que o estado encampasse a Southern San Paulo Railway Company. Em 1926, ao assumir o governo do estado, Júlio Prestes de Albuquerque, finalmente, conseguiu comprar a Southern San Paulo Railway Co. Ltd., incorporando suas linhas à Sorocabana, sob a designação de linha do Juquiá. A vila de Mairinque foi escolhida como ponto inicial do ramal, partindo da linha tronco da ferrovia e seguindo para se encontrar com a linha do Juquiá, já na Baixada Santista. O trecho ficou conhecido como Linha Mairinque-Santos.

No dia 10 de outubro de 1927 começaram as difíceis e demoradas obras de construção da ferrovia que desceria a Serra do Mar, os quais exigiram a execução de complexos serviços de cortes, aterros, túneis, viadutos e pontes. A 2 de dezembro de 1937, correu entre São Paulo e Santos, via Mairinque, em viagem experimental, a primeira composição de passageiros, conduzindo toda a administração da Sorocabana e representantes da imprensa de São Paulo, Rio de Janeiro e Santos. No dia 10 de dezembro de 1937 começaram a correr, normalmente os trens de carga e passageiros, iniciando assim o tráfego regular, que pôs fim ao monopólio da São Paulo Railway.


Inauguração do trem expresso Ouro Verde com a presença do governador Ademar de Barros. Anos 1940.


Carro Bagagem-Correio EF-202 - Entrada da exposição e estação "Raízes". Cada carro compõe um ambiente diferente que ajuda a contar, de forma linear, a história do Trem Ouro Verde e do transporte ferroviário de passageiros em São Paulo. EFS Ouro Verde 80 Anos. 9 de junho de 2022  




Carro 1a. Classe B-202 - estação "Luxo". Este ambiente apresenta o apogeu do Trem Ouro Verde enquanto trem noturno de luxo da EF Sorocabana e suas principais locomotivas



Ramais. Além da Linha Tronco, a Estrada de Ferro Sorocabana construiu vários outros ramais. Em 1909, a Sorocabana construiu o Ramal de Itararé, que ligava Iperó a Itararé, conectando a rede ferroviária paulista às estradas de ferro do Paraná, pelo antigo caminho dos tropeiros que viajavam até o sul do Brasil. A partir de Itararé, se iniciava a Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande. Em 1957, inaugurou o Ramal Dourados, no oeste paulista, que ligava Presidente Prudente a Teodoro Sampaio. Originalmente foi projetado pela Sorocabana, em 1953, para chegar a Dourados e Ponta Porã, no hoje estado de Mato Grosso do Sul, para aproveitar o potencial madeireiro da região ainda desabitada e ter um transporte mais fácil para os grandes centros. Entre 1952 e 1957, foi construído pela Sorocabana o ramal de Jurubatuba com o propósito de encurtar a distância entre a Capital e Santos. Partindo da linha tronco na Estação Imperatriz Leopoldina, o ramal seguia até a estação Evangelista de Souza, no entroncamento com a Mairinque-Santos, no alto da Serra do Mar, para dali descer para o porto de Santos. Transportando passageiros e cargas que saíam da Estação Júlio Prestes, no centro de São Paulo, e iam até o extremo sul na Estação Evangelista de Souza, desde a abertura em 1957, o ramal acabou por se tornar uma das linhas de subúrbio da Capital. Com a criação da Fepasa, em 1971, o ramal deu origem a Linha Sul da Fepasa. A partir dos anos 20, em seu trecho inicial - primeiro até Mairinque, depois somente até Amador Bueno - passaram a circular, principalmente, trens de subúrbio.

Extinção. A Sorocabana permaneceu até 1971 sob o controle direto do estado de São Paulo, quando foi incorporada à Fepasa. A partir de 1996, as linhas suburbanas da antiga Sorocabana passaram a ser administradas pela CPTM. Em 1998, o governador de São Paulo, Mário Covas, transferiu a Fepasa para a União, dentro do processo de renegociação das dívidas do estado. Posteriormente a União transferiu a empresa para a RFFSA, passando a ser denominada Malha Paulista, e com a extinção da RFFSA, as linhas foram transferidas sob regime de concessão para a iniciativa privada.




COMPANHIA MOGYANA



Escritório Central da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, tomada a partir da Rua Visconde Rio Branco. Centro de Memória - Unicamp 


A Companhia Mogiana de Estradas de Ferro foi uma companhia ferroviária brasileira criada em 1872 com sede na cidade paulista de Campinas. Sua construção inscreve-se na história da expansão da cultura do café em direção ao interior da então Província de São Paulo, constituindo-se, inicialmente, por um simples prolongamento da ferrovia então existente, até Mogi-Mirim e de um ramal para Amparo, com um seguimento até às margens do Rio Grande. A proposta original, entretanto, de estender seus trilhos até Goiás, ao norte, nunca ocorreu. Permaneceu em atividade de maio de 1875 até outubro de 1971, quando foi extinta e incorporada à FEPASA - Ferrovia Paulista S/A.

História. Começa com a concessão para a construção da ferrovia ocorrida nos termos da lei provincial número 18, de 21 de março de 1872. A companhia também contava com privilégios de zona ou concessão exclusiva por noventa anos com uma contra garantia de juros de 7% sobre o capital de três mil contos de réis (ou R$ 369.000.000,00 [trezentos e sessenta e nove milhões de reais] em valores convertidos, levando em consideração a inflação e cotação do ouro, aproximadamente) habitual nas concessões fornecidas à época, e concedia privilégio, sem garantias de juros, para o prolongamento da linha até as margens do Rio Grande, passando por Casa Branca e Franca.

No dia 1 de julho de 1872, no Paço da Câmara Municipal de Campinas, reuniram-se em Assembleia Geral os acionistas da nova empresa, entre os quais a família Silva Prado, Antônio de Queirós Teles e José Estanislau do Amaral que eram grandes proprietários de plantações de café e o barão de Tietê, por si próprio e pela empresa de Seguros que presidia, a Companhia União Paulista. A reunião realizada visava a discussão e aprovação do projeto e de seus estatutos, assim como a eleição da diretoria provisória que deveria gerir os negócios da empresa até à sua organização definitiva.

A primeira diretoria ficou assim constituída:

Dr. Antônio de Queirós Teles (Barão, Visconde e Conde de Parnaíba)
Tenente-coronel José Egídio de Sousa Aranha
Dr. Antônio Pinheiro de Ulhoa Cintra (Barão de Jaguara)
Capitão Joaquim Quirino dos Santos
Antônio Manuel Proença.

Estes mesmos diretores foram eleitos em caráter definitivo na assembleia geral realizada em 30 de março de 1873. Ficava assim constituída a Companhia Mogiana com o capital de três mil contos de réis, divididos em quinze mil ações no valor nominal de duzentos contos de réis cada. As obras de construção da ferrovia iniciaram-se em 2 de dezembro de 1872, muito tempo antes de se ter assinado o contrato com o Governo Provincial, o que só ocorreu a 19 de junho de 1873. Em 3 de maio de 1875 era concluída a primeira etapa entre Campinas e Jaguari (atual Jaguariúna), numa distância de 34 quilômetros. Três meses depois a estrada chegava em Mogi Mirim totalizando 41 km. O tráfego, nesse trecho, foi inaugurado em 27 de agosto de 1875 com a presença do imperador D. Pedro II. Neste mesmo ano ficou pronto o ramal de Amparo, numa extensão de trinta quilômetros. Em janeiro de 1878, a estrada chegou em Casa Branca, a 172 quilômetros de Campinas.

No ano de 1880, após muitos debates com a Companhia Paulista, levando-se em conta os privilégios de zona, a Mogiana conseguiu a concessão para prolongar seus trilhos até a cidade de Ribeirão Preto (na época chamada Vila do Entre Rios) tudo dentro da então Província de São Paulo. Posteriormente a Mogiana partiu para a construção do trecho que levaria seus trilhos ao Triângulo Mineiro e Sul de Minas Gerais, com vista a atrair a economia local para a paulista e vice versa. O ramal de Poços de Caldas foi concluído em 1886, o rio Grande foi atingido em 1888. O ramal de Franca em 1889.

Nessa época a empresa recebeu o nome de Companhia Mogiana de Estradas de Ferro e Navegação, tendo em vista que em 1888 iniciava o serviço de navegação fluvial pelo rio Grande, com o transporte de mercadorias e gado em grandes batelões (ou chatas de madeira), com capacidade de quinze toneladas cada um. Ainda em 1889, na tentativa de quebrar o monopólio britânico sobre a rota do porto de Santos, a Companhia Mogiana planejou construir um novo ramal partindo de sua linha em Atibaia, seguindo o lado paulista aos pés da Serra da Mantiqueira, cortando o Vale do Paraíba até chegar ao porto de São Sebastião, criando outro acesso das plantações de café paulista a um porto de escoação para o exterior, fora da zona de privilégio da São Paulo Railway. Porém, os administradores da SPR, ao saberem do projeto, compraram a Estrada de Ferro Bragantina, que estava bem no meio do trajeto necessário, e a expandiram, impossibilitando definitivamente a passagem de outra ferrovia na região sem ferir as proteções legais de concessão.

Pelo Decreto nº 977, de 5 de agosto de 1892, recebeu autorização para prolongar suas linhas (linha de Ressaca) até Santos, como o mesmo não foi cumprido, 17 de outubro de 1900, foi editado o Decreto nº 3811, prorrogando o prazo em mais três anos. Nunca essa linha foi construída. A linha-tronco da Mogiana (também conhecida como "linha do Catalão") foi a primeira ferrovia a transpor o rio Grande, que marca a divisa da então Província de São Paulo com região do Triângulo Mineiro. A primeira ponte sobre o rio foi erguida em 1888 num trecho onde a água se afunila em corredeiras, próximo do local onde havia a cachoeira de Jaguara. Logo após a ponte, que era exclusiva para passagem ferroviária, havia a estação de Jaguara, ligada a um porto fluvial no Rio Grande. As ruínas da ponte e da estação ainda podem ser vistas logo abaixo da usina hidrelétrica de mesmo nome.

Estação de Mogi-Mirim, lado da plataforma, anos 10. Foto cedida por A. C. Belviso

Adentrando Minas Gerais, a linha-tronco atendia as cidades de Sacramento (ligada à estação Cipó por linha de bonde), Conquista e Uberaba, onde a ferrovia chegou em 1889. Em 1895 os trilhos chegaram a Uberabinha (atual Uberlândia) e um ano depois ao ponto final na cidade de Araguari. Apesar de prevista no projeto original, a extensão da linha até Catalão, já no estado de Goiás, nunca foi feita pela Cia, Mogiana, e acabou sendo executada pela Estrada de Ferro de Goiás.

A presença da Cia Mogiana no oeste do estado de Minas Gerais, tornou as ligações desta região mais rápidas e fáceis com São Paulo do que com a região central do próprio estado e com a sua capital Belo Horizonte.

Em comemoração aos 25 anos de fundação da Companhia Mogiana, em 2 de dezembro de 1897 foi construído um monumento feito em ferro fundido em sua homenagem. Inicialmente, ele se localizava na antiga Praça dos Ferroviários (atual Terminal Rodoviário) e depois foi transferido para frente da Estação Cultura, onde permanece até hoje.

Por volta de 1899, a Mogiana iniciou a construção de uma variante à linha-tronco, ligando a estação Entroncamento (em Ribeirão Preto) a Santa Rita do Paraíso (atual Igarapava), às margens do Rio Grande, onde a linha chegou em 1905. Dez anos depois, a construção de uma grande ponte metálica rodoferroviária permitiu a extensão da linha até Uberaba, reduzindo significativamente a distância entre o Triângulo Mineiro e Ribeirão Preto. Em pouco tempo, o chamado Ramal de Igarapava passou a concentrar a maior parte do tráfego, suplantando a antiga linha-tronco.




Ferrovias incorporadas

A Mogiana ainda incorporou mais duas ferrovias:

Companhia Ramal Férreo do Rio Pardo (1888);
Companhia Agrícola Santos Dumont (1890).

Declínio. Na década de 1930, com o declínio da produção de café e os problemas econômicos originados pela Segunda Guerra Mundial, a Mogiana entrou em dificuldades financeiras, que se refletiram negativamente na prestação de seus serviços e passou a ser controlada pelo Governo do Estado de São Paulo em 1952

Em 1967 a Mogiana já estatal, assumiu a administração da Estrada de Ferro São Paulo e Minas, cujas linhas correm entre as cidades de São Simão (SP) até São Sebastião do Paraíso (MG).

Em novembro de 1971, a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro foi incorporada pela FEPASA empresa estatal do ramo ferroviário, atualmente desativada e seccionada em quatro novas concessões por vinte anos.

Fatos Históricos

A Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, teve quase dois mil quilômetros de linhas, servindo aos estados de São Paulo e Minas Gerais até 1971, quando foi incorporada à Fepasa.

O último trecho foi inaugurado em 1921, quando os trilhos da CM chegaram em Passos (MG).

Passagem inferior da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro (cerca de 1912)

Inicialmente denominada Companhia Mogiana de Estradas de Ferro e Navegação, teve seus primeiros cinquenta anos marcados pela expansão de suas linhas ou tentativas de fusão com a Companhia Paulista. Em 1936, cria a Companhia Mogiana de Transportes, mais tarde Rodoviário da Cia. Mogiana. A segunda metade de sua vida é marcada pela crise financeira que culmina com a sua encampação pelo Governo do Estado de São Paulo, em 1952. Nesse mesmo ano, inicia o processo de dieselização, com aquisição das primeiras locomotivas diesel-elétricas GE-Cooper Bessemer, continuando com a chegada de 30 locomotivas EMD-GM em 1957 e mais 23 delas, em 1960.

A Mogiana procurou modernizar seus equipamentos fabricando carros metálicos e comprando novos vagões de carga, não obstante os seguidos déficits provocaram a unificação das ferrovias paulistas, Companhia Paulista de Estradas de Ferro, Estrada de Ferro Sorocabana, Estrada de Ferro Araraquara, Estrada de Ferro São Paulo e Minas (desde 1967 sob administração da CM) e a Mogiana, criando-se assim a Fepasa em 1971. Em 1968, inaugura o serviço de transporte de passageiros para Brasília, utilizando carros Budd-Mafersa adquiridos da Estrada de Ferro Sorocabana.

Dos dois mil quilômetros de linhas que possuía em 1922, restavam apenas 1500 em 1970, sendo que vários ramais foram desativados entre 1956 a 1970.

A Fepasa, privatizada em fins de 1998, não conseguiu manter os níveis de serviços prestados, principalmente no transporte de passageiros, provocando a total extinção dessa modalidade.

A CM tinha oficinas em Campinas (uma das maiores e mais completas do Brasil), Ribeirão Preto e Uberaba. Além de depósitos de locomotivas em Aguaí e Guaxupé. Na oficina de Campinas foram fabricados locomotivas a vapor, carros de passageiros, vagões de carga e inúmeros componentes. Serviu, entre outros, aos municípios de Campinas, Jaguariúna, Pedreira, Amparo, Socorro, Serra Negra, Santo Antônio de Posse, Mogi-Mirim, Mogi-Guaçu, Aguaí, Casa Branca, São José do Rio Pardo, Ribeirão Preto, Batatais, Sertãozinho, Franca, São João da Boa Vista, Espírito Santo do Pinhal, São Simão, Cajuru, Itapira, Mococa no estado de São Paulo, Uberaba, Uberlândia, Araguari, Poços de Caldas, Guaranésia, Guaxupé, Monte Santo de Minas, Conquista, Itaú de Minas, Passos em Minas Gerais.

Linhas: Tronco Campinas - Araguari
Ramais:  de Igarapava; de Caldas; de Sertãozinho; de Cajuru; de Serra Negra

Preservação. Atualmente, a Mogiana é uma das ferrovias que mais têm sua história preservada. Entre Campinas e Jaguariúna, na linha tronco (desativada em 1973 e substituída pelo Corredor de Exportação Araguari-Santos), a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária opera a Viação Férrea Campinas-Jaguariúna, desde 1977, possuindo em seu acervo, entre outros, 17 locomotivas a vapor e cerca de 40 carros de passageiros. Em Monte Alegre do Sul, a prefeitura mantém um trem turístico ao longo de 1,5 quilômetros do antigo Ramal de Socorro, utilizando a locomotiva #351 e um carro da Estrada de Ferro Sorocabana. Boa parte do material rodante originário da Companhia Mogiana se encontra preservado por todo o país:


 Mapa da malha ferroviária da Companhia Paulista de Estradas de Ferro publicado no Relatório n. 112 da Diretoria da Companhia Paulista de Estradas de Ferro para a sessão de Assembléia Geral Ordinária de 1961. Exercício de 1960. Acervo da Biblioteca do Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro.


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A NOVA MALHA FERROVIÁRIA  PAULISTA






Propaganda da Fepasa sobre investimentos no Corredor de Exportação Araguari-Santos, 1986.

Apesar da grande contribuição das ferrovias paulistas ao desenvolvimento do estado de São Paulo até meados do século passado, a partir de 1945 elas entraram num processo de estagnação e obsoletismo pela falta de adequação técnica, operacional e física. Como forma de reverter essa situação, o governador Carvalho Pinto optou pela criação de uma empresa única, ideia que começou a tomar forma em 1961 quando o Instituto de Engenharia de São Paulo, por sua própria iniciativa, sugeriu a formação da Rede Ferroviária Paulista (RFP), sendo apresentada em 1962 com uma mensagem encaminhada à Assembleia Legislativa propondo a unificação das ferrovias paulistas por medida de ordem econômica, pois havia cinco ferrovias diferentes e estatais no estado. Houve rejeição desta proposta, sendo reencaminhada em 1966 e novamente rejeitada pela Assembleia Legislativa.

Em 29 de maio de 1967, com os decretos 48 028 e 48 029, o governador Abreu Sodré deu o primeiro passo ao transferir para a Companhia Paulista de Estradas de Ferro a administração da Estrada de Ferro Araraquara, e para a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro a administração da Estrada de Ferro São Paulo e Minas. Em seguida, a exemplo do que já ocorria com a Paulista e com a Mogiana, o governador através do decreto-lei de 18 de setembro de 1969 transformou as demais ferrovias de sua propriedade em sociedades anônimas.


Ferrovia Paulista S/A (Fepasa) foi uma empresa estatal paulista de transporte ferroviário de cargas e de passageiros, sendo constituída mediante a unificação das empresas Companhia Paulista de Estradas de Ferro, Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, Estrada de Ferro Sorocabana, Estrada de Ferro Araraquara e Estrada de Ferro São Paulo e Minas. Permaneceu em atividade de outubro de 1971 até maio de 1998, quando foi extinta e incorporada à Rede Ferroviária Federal.

Fundação. A consolidação da unificação das ferrovias vai ocorrer no governo de Laudo Natel, quando este através do decreto número 10 410, de 28 de outubro de 1971[1] sancionou a criação da nova empresa, oficializando a Fepasa - Ferrovia Paulista S/A. Ao invés de ocorrer uma fusão entre todas as companhias, como preceituava a letra da lei, foi decidido em Assembleia Geral Extraordinária convocada para o dia 10 de novembro de 1971, alterar previamente a denominação social da "Companhia Paulista de Estradas de Ferro" para "Fepasa - Ferrovia Paulista S/A", seguido de incorporação à Fepasa do acervo total da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, da Estrada de Ferro Araraquara, da Estrada de Ferro Sorocabana e da Estrada de Ferro São Paulo e Minas, onde logo em seguida as quatro companhias foram declaradas extintas. A unificação teve por objetivo possibilitar a centralização dos estudos de programa de investimentos e coordenação dos serviços ferroviários, a centralização das importações, da contabilidade e do orçamento; a uniformidade do serviço e do material, bem como o remanejamento do material existente e melhor aproveitamento do pessoal.

Textos e imagens da Wikipedia.


Negativo preto e branco, de autoria de Aristide Pedro da Silva, com vista da fachada da Estação da Ferrovia Paulista S.A. À frente, vêem-se pessoas, automóveis e uma banca de jornal. Idioma: português brasileiro. Centro de Memória - UNICAMP (CMU).


Em 28 de outubro de 1971 foi instituída a FEPASA - Ferrovia Paulista S.A. uma sociedade de economia mista pertencente ao governo do estado de São Paulo.

No início da década de 1960, antes mesmo do governo do estado encomendar os primeiros estudos para avaliar a viabilidade de unificar todas ferrovias estaduais em um só sistema, o Instituto de Engenharia de São Paulo recomendou a formação de uma rede ferroviária estadual. Essa medida acabou consolidada em 1971, com a criação da FEPASA, empresa que incorporou as Companhias Paulista de Estradas de Ferro, Mogiana, Sorocabana, Araraquara e São Paulo-Minas.

Em 10 de novembro de 1971, a criação da FEPASA foi ratificada por uma assembleia geral extraordinária, na qual aprovou-se o seu estatuto social. De acordo com o estatuto da entidade, a FEPASA ficou responsável pela exploração, manutenção e expansão do sistema de transporte ferroviário paulista, integrando-o à Rede Ferroviária Federal e aos outros meios de transporte.

Com a fusão das cinco linhas ferroviárias, a FEPASA passou a contar com 5.252 quilômetros de extensão, 622 locomotivas, 1.109 carros de passageiros, 116 trens urbanos e 17.200 vagões, tornando-se a maior rede ferroviária estadual do país.
Em 1998, a FEPASA foi federalizada e incorporada integralmente à Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA).

Saiba mais sobre o Fundo FEPASA em nosso Guia do Acervo:
 

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AS QUATRO FASES DA DESTRUIÇÃO DAS FERROVIAS NO BRASIL


História de um declínio planejado. Predominante até a década de 1950, rede de estradas de ferro foi golpeada pela emergência do automóvel. Poderia integrar o país. Hoje, subutilizada, serve apenas ao agronegócio e à mineração



Publicado 12/11/2021. Por Camilla Veras Mota, na BBC Brasil

Lançada em 1975, a canção Ponta de Areia, composta por Milton Nascimento e Fernando Brant, é um lamento do fim da Estrada de Ferro Bahia Minas, que ligava os 582 km entre Araçuaí (MG) e o distrito de Ponta de Areia (BA). Em 15 anos, o Brasil tinha perdido 8 mil km de ferrovias, que se estendiam naquele momento por cerca de 30 mil km do território nacional. Desde então, o tamanho da malha ferroviária patina no mesmo patamar. Atualmente, de acordo com o os dados do Anuário Estatístico de Transportes, tem 29,8 mil km. A BBC News Brasil perguntou a especialistas em história e engenharia ferroviária o porquê – sintetizado, a seguir, em quatro momentos.

A CRISE DO CAFÉ

O café é elemento central nos primeiros capítulos da história das ferrovias no Brasil – tanto na ascensão quanto na decadência, como explica Eduardo Romero de Oliveira, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp). É a razão para a construção das primeiras estradas de ferro no século 19: a primeira delas, a Estrada de Ferro Mauá, que começou a operar em 1854, levava em suas locomotivas a vapor a commodity do Vale do Paraíba ao porto de Magé, na baixada fluminense, que, de lá, seguia de barco até a cidade do Rio. Nessa época, o café representava quase 50% das exportações brasileiras.

A malha ferroviária foi aumentando com a expansão da atividade cafeeira e passou a deslocar também passageiros, que até então só conseguiam viajar longas distâncias com transportes movidos por tração animal, como as charretes puxadas por cavalos.

“Durante muito tempo, as ferrovias foram praticamente a única via de transporte de cargas e pessoas no país”, destaca Oliveira, um dos pesquisadores do projeto Memória Ferroviária.

E foi nesse contexto que a malha chegou a quase 30 mil km de extensão na década de 1920, quando veio o baque da crise de 29. O crash da bolsa nos Estados Unidos, na época o maior comprador de café brasileiro, e a grande depressão que se seguiu tiveram impacto direto sobre o Brasil. Em um curto espaço de tempo, as exportações da mercadoria despencaram, assim como os preços. As ferrovias, que eram administradas pelo setor privado sob regime de concessão, passaram a transportar cada vez menos carga e viram sua rentabilidade despencar. Tem início, nesse momento, um período lento de decadência que culminaria na estatização das estradas de ferro mais de duas décadas depois.


Trecho da São Paulo Railway Company na Serra do Mar: desde o início, ferrovias operaram sob regime de concessão.

JK e o nascimento da indústria automobilística

Antes, contudo, outros dois fatores importantes entram em cena: o crescimento das cidades e a popularização do automóvel. O país vive uma grande transformação depois de 1940. Até então baseada quase exclusivamente na agricultura, a economia brasileira se volta cada vez mais para a indústria. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Vale do Rio Doce, então empresas estatais, são fundadas nessa época, em 1940 e 1942, respectivamente, no último período do governo de Getúlio Vargas, a ditadura do Estado Novo. Essa mudança na matriz de crescimento, por sua vez, catalisa um processo de migração das populações de áreas rurais para as cidades. As capitais ganham uma nova escala, vão inchando, um processo que tem como efeito colateral a diminuição da demanda por trens de passageiros em alguns trechos menores, entre cidades próximas. “As fábricas estão nas cidades”, pontua Oliveira. A política de industrialização continua com o presidente Juscelino Kubitschek, que assume em 1956 e elege a indústria automobilística como catalisador de seu plano de desenvolvimento. O Plano de Metas de JK, que ganhou o slogan “50 anos em 5”, é frequentemente apontado como o início do chamado “rodoviarismo” no Brasil. Um movimento cheio de nuanças e explicado por uma combinação de fatores, diz o professor de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ Hostílio Xavier Ratton Neto.
Um deles é a própria natureza da indústria automotiva, que tem uma cadeia de produção longa, com efeito multiplicador na economia, e emprega uma mão de obra qualificada que até então não existia no país.

“É nessa época que se cria a classe do operário especializado, com maior poder aquisitivo”, afirma.
Em paralelo, a construção das rodovias era menos custosa que as estradas de ferro e o petróleo usado para produzir combustível ainda era muito barato.

No pano de fundo, a Guerra Fria estreitava as relações entre Brasil e Estados Unidos. Na tentativa de barrar a expansão da influência da União Soviética no continente, os americanos firmaram acordos de cooperação técnica e de financiamento para investimentos com diversos países da América Latina.
Assim, ainda em 1956 foi criado o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA), sob o comando do Capitão de Mar e Guerra Lúcio Meira. O Brasil, que até então só montava veículos, passaria a fabricar carros, caminhões e jipes, tendo como principal polo a região do ABC paulista. São desse período dois modelos que fizeram história no país: o Fusca e a Kombi, ambos da linha de montagem da Volkswagen em São Bernardo do Campo.
Com a produção de veículos nacionais, multiplicaram-se os quilômetros de rodovias. Só nos cinco anos de gestão JK, a malha rodoviária federal pavimentada foi multiplicada por três, de 2,9 mil km para 9,5 mil km.

As ferrovias, por sua vez, entravam os anos 1950 sucateadas. Além da redução da demanda de carga e passageiros, um outro fator contribuiu para o “estado bastante acentuado de degradação física das estradas de ferro”: “Muitas concessões já estavam no final, próximo da devolução, e não havia cláusula nos contratos que obrigassem as concessionárias a fazer investimentos ou devolver as ferrovias no estado em que as pegaram”, diz Ratton Neto, que tem larga experiência no planejamento, construção, operação e gestão de sistemas de transporte metroviário e ferroviário. É nesse contexto que, em 1957, surge a Rede Ferroviária Federal (RFFSA), estatal que passou a administrar as ferrovias que até então estavam nas mãos de diferentes empresas privadas.
Inicialmente, diz o historiador Welber Luiz dos Santos, do Núcleo de Estudos Oeste de Minas da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, a intenção não era “destruir” as ferrovias.
“Os primeiros relatórios da empresa demonstram que o projeto era de modernização e unificação administrativa para facilitar a integração entre os diferentes meios de transporte”, afirma o pesquisador.
“Os investimentos rodoviários do Plano de Metas de JK não eram uma ameaça ao sistema ferroviário”, avalia.

A extinção das linhas de passageiros

Os projetos de recuperação e melhoria, contudo, incluíam a desativação de uma série de linhas e “ramais” (jargão do setor para os trechos secundários) considerados deficitários.
A lógica, diz o historiador Eduardo Romero de Oliveira, é que o mundo de meados do século 20 era completamente diferente daquele que, muitas décadas antes, havia norteado a construção de parte das ferrovias.

“Houve uma mudança no negócio”, diz o professor da Unesp. “As estradas de ferro da música do Milton Nascimento eram de outra época, para pensar o transporte de café, de açúcar, em um período em que nem a legislação trabalhista existia.”

O químico Ralph Mennucci Giesbrecht, um “fanático por ferrovias” que há mais de duas décadas pesquisa sobre elas, especialmente sobre as estações, coleciona diversas histórias desse período turbulento.

“Nos anos 60 e 70 sumiram praticamente todas as ferrovias menores, aquelas consideradas deficitárias”, diz ele, autor do livro O Desmanche das Ferrovias Paulistas.

Os conflitos aparecem em histórias como a da desativação do trecho entre as cidades paulistas de São Pedro e Piracicaba, concluída em 1966. O prefeito de São Pedro na época chegou a enviar um telegrama incisivo ao governador, Laudo Natel, questionando o critério da baixa rentabilidade usado para justificar a extinção do ramal.

“Déficit, se não levarmos em conta o bem coletivo, também dá a polícia, dão as escolas e todas as repartições mantidas pelo Estado. O déficit do ramal é muito relativo, pois, não levando em conta o movimento das estações de Barão de Rezende, Costa Pinto, Recreio e Paraisolândia, a estação de São Pedro despachou este ano mais de 40.000 toneladas de cana. Finalizando, aqui deixo minha desilusão por tudo e por todos”, dizia a mensagem, conforme reportagem do jornal O Estado de S.Paulo de 30 de outubro de 1966 encontrada por Giesbrecht.

Aos poucos, as linhas de passageiros foram desaparecendo, permanecendo, em alguns casos, aquelas que cruzavam as regiões metropolitanas das grandes cidades, usadas até hoje.
Com o avanço da indústria automobilística e a entrada do avião em cena, as ferrovias entraram em crise, em maior ou menor medida, em todo o ocidente. Nos países em que foram mantidas para transporte de passageiros, o serviço, na maioria dos casos, passou às mãos do Estado.

É o caso, por exemplo, dos Estados Unidos. A estatal Amtrak foi fundada em 1971 e faz até hoje a gestão das linhas de passageiros no país. Também são estatais a alemã Deutsche Bahn, a espanhola Renfe e a francesa Société Nationale des Chemins de fer Français (SNCF).

A estagnação e o corredor de commodities

Do lado do transporte ferroviário de carga, parte dos investimentos vislumbrados no período JK não saíram do papel, diz o historiador Welber Santos. Em sua visão, a ditadura militar mudou o foco da política de transportes, que passou a ser mais voltada para as rodovias, com a aposta em grandes obras de engenharia, como a ponte Rio-Niterói, e alguns investimentos questionáveis, como a Transamazônica, que nunca foi concluída. A Ferrovia do Aço, ele diz, um dos projetos ferroviários que chegou a sair do papel nesse período, começou a ser construída em 1973 com a promessa de ser entregue em mil dias, mas só foi inaugurada em 1992, e com um porte muito mais modesto do que o projeto inicial. Para Ratton Neto, da Coppe/UFRJ, um dos principais obstáculos à realização dos investimentos necessários à malha ferroviária do país naquela época foi a crise do petróleo de 1973 e o período turbulento que se seguiu.

“Depois daquele choque na economia mundial, o Brasil, que até então tinha acesso fácil a crédito, passou a ser visto como país de alto risco. A partir daí, teve início uma crise que impediu que os planos nacionais de desenvolvimento pudessem ter sequência. Deixamos de planejar para apagar incêndio praticamente até os anos 90”, diz ele.

Nos anos 1990, em um contexto de baixo crescimento econômico, inflação elevada e alto nível de endividamento público, a RFFSA é liquidada e as ferrovias são novamente concedidas à iniciativa privada, por meio do Plano Nacional de Desestatização (PND). A partir daí, elas passam a funcionar majoritariamente como corredores de transporte de commodities para exportação, diz o professor da Coppe/UFRJ. Hoje, quase metade da malha, 14 mil km, está nas mãos da Rumo Logística, empresa do grupo Cosan. Outros 2 mil km são administrados pela Vale. Cerca de 75% da produção de transporte ferroviário é minério de ferro. “Outros 10% ou 12% são soja”, estima Ratton Neto. Como os contratos de concessão não preveem a realização de investimentos e melhorias, boa parte da malha segue como foi construída no segundo império, com a chamada bitola métrica, ultrapassada, bem mais estreita que a bitola internacional, hoje usada como padrão. O modo atual de exploração das ferrovias, na avaliação do especialista, subaproveita o potencial do país e deixa o Brasil refém das rodovias – consequentemente, mais suscetível a greves de caminhoneiros como a de 2018, que gerou caos e desabastecimento. As estradas de ferro poderiam ser mais utilizadas para transporte de bens industriais, ele exemplifica, de bobinas de ferro e cimento a automóveis, inclusive em trechos curtos, nos moldes das “short lines” dos Estados Unidos.

“Também poderiam ser usadas para transportar contêineres, uma tendência nova e muito rentável”, acrescenta.

Um entrave para o planejamento de novas linhas, contudo, é o apagão de dados sobre a movimentação interna de cargas. O Brasil não sabe, no detalhe, o que é transportado e de onde para onde. Iniciativas como o Plano Nacional de Contagem de Tráfego ainda não geram dados robustos nesse sentido, diz o professor. A outra é o próprio modelo de concessão, em que as concessionárias têm controle tanto sobre as vias quanto sobre os trens. Assim, essas empresas acabam tendo o monopólio do transporte ferroviário e, em última instância, decidem o que trafega ou não pelos trilhos.

“As ligações hoje atendem aos interesses dos próprios concessionários.”

Os nossos projetos anunciados recentemente pelo governo, na avaliação do professor, não chegam a quebrar a lógica das ferrovias como corredor de commodities. Em setembro, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, anunciou a autorização para construção, pela iniciativa privada, de 10 novas ferrovias, com investimentos da ordem de R$ 50 bilhões. Um paralelo, ele chama atenção também para o projeto da Ferrogrão, que deve ligar o Mato Grosso ao Pará em cerca de 933 km com a proposta de facilitar o escoamento de grãos pela região Norte do país. Na tentativa de tirar a ferrovia do papel, o governo sinalizou que disponibilizará para a futura concessionária até R$ 2,2 bilhões em recursos da União. O dinheiro, contudo, viria da outorga que será paga pela Vale para renovar a concessão de duas das ferrovias que administra hoje, a Estrada de Ferro Carajás e a Estrada de Ferro Vitória-Minas.

“Os recursos da outorga que poderiam ser usados para geração de benefícios econômicos e sociais nesse caso acabariam



Depósito e oficinas da antiga E.F. Sorocaba em Assis SP. Registro drone Mundozinhos.


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PODERES PÚBLICOS PAULISTAS


PODER EXECUTIVO E  LESGISLATIVO

A  ALESP E O PALÁCIO DOS BANDEIRANTES




Sede da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, bairro do Ibirapuera, São Paulo-Capital. Após a independência do Brasil, a Constituição do Império, outorgada em 25 de março de 1824, criou, com funções legislativas nas Províncias, os Conselhos Gerais. O Conselho Geral da Província de São Paulo era composto por 21 membros, eleitos indiretamente. A Assembleia Legislativa da Província de São Paulo foi instalada no dia 2 de fevereiro de 1835. Funcionou, inicialmente, em prédio localizado no Pátio do Colégio. Nessa época, a Assembleia era composta por 36 membros, sendo Nicolau de Campos Vergueiro seu primeiro presidente. Em 1879, sua sede foi transferida para o Largo de São Gonçalo, próximo à atual praça João Mendes. Proclamada a República, em 15 de novembro de 1889, a Assembleia foi extinta, pelo Decreto n.º 7, de 20 de novembro de 1889, expedido pelo Governo Provisório. Promulgada em 24 de fevereiro de 1891, a Constituição Federal conferia aos Estados-membros autonomia para organizar o Poder Legislativo. Em São Paulo, a Constituição Política do Estado, promulgada em 14 de julho de 1891, determinava em seu artigo 5º que o Poder Legislativo paulista seria exercido pelo Congresso, composto pelo Senado e Câmara dos Deputados estaduais. O Congresso do Estado de São Paulo foi instalado em 8 de junho de 1891. Esse sistema durou até a Revolução de 1930, que propunha mudanças institucionais. Começava a Era Vargas (1930 - 1945) que, em 11 de novembro de 1930, dissolveu também o Congresso Estadual de São Paulo. Iniciou-se um dos períodos mais conturbados da história paulista, com a eclosão da Revolução Constitucionalista de 1932, que pugnava pela restauração da ordem constitucional no país, mediante convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.A Constituição Federal veio a ser promulgada em 1934 e previa um Legislativo estadual unicameral com o nome de Assembleia Legislativa.


PODER EXECUTIVO



 Palácio dos Bandeirantes é o edifício-sede do Governo do Estado de São Paulo e residência oficial do governador. Localizado no distrito do Morumbi, na cidade de São Paulo, o palácio também abriga as Casas Civil e Militar, algumas secretarias de estado e um amplo acervo histórico e artístico aberto à visitação pública. O projeto inicial, idealizado em 1938 pelo arquiteto italiano Marcello Piacentini, apresentava linhas abstratas, muros lisos e ampla fachada. Com o início das obras, em 1954, sob a direção do engenheiro Francisco da Nova Monteiro, já possuía um estilo italiano com influência neoclássica. O principal objetivo era abrigar a Universidade Conde Francisco Matarazzo, mas, devido a problemas financeiros, teve suas obras paralisadas. Desapropriado durante a gestão de Adhemar de Barros, o edifício substituiu o Palácio dos Campos Elísios como sede do poder executivo paulista a partir de 19 de abril de 1964, quando recebeu o nome de Palácio dos Bandeirantes, além de tornar-se moradia oficial do governador e museu. Tornou-se um centro cultural em 1970, sob o governo de Abreu Sodré, com a iniciativa de reunir um acervo de móveis, quadros e objetos. Foi criada uma comissão com nomes como Paulo Mendes de Almeida, Oswald de Andrade, Sílvia Sodré Assunção, Pedro Antonio de Oliveira Neto e Marcelo Ciampolinni, para a aquisição das obras de arte que atualmente compõem o Acervo Artístico-Cultural dos Palácios Governamentais.


LISTA DOS GOVERNADORES DE SÃO PAULO


Visita diplomática do astronauta soviético Yuri Gagarin ao governador Carvalho Pinto (1959-1963)



Visita de de Richard Nixom, presidente dos EUA , ao governador Abreu Sodré em 1967. 



PODER JUDICIÁRIO


Sede do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), constituído por 56 Circunscrições Judiciárias (CJ) pelo interior do estado e conta com 360 desembargadores, sendo considerado o maior tribunal do mundo. 


O Palácio de Justiça é a sede do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Localiza-se no centro antigo de São Paulo, entre a Praça da Sé, a Praça João Mendes Jr. e a Praça Clóvis Bevilácqua, próximo à Catedral da Sé, ao Palácio Anchieta (sede da Câmara Municipal de São Paulo) e ao Edifício Matarazzo (sede da Prefeitura Municipal de São Paulo). Em suas proximidades também se encontram as sedes da Ordem dos Advogados do Brasil e do Ministério Público do Estado de São Paulo, além da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Sua construção se deu graças à expansão do âmbito judiciário paulista e do crescimento demográfico, em que, o Tribunal da justiça necessitava ser abrigado em uma nova sede, e não mais em antigos casarões na região central de São Paulo. Com a Proclamação da República no Brasil, em 1889, seguiu-se a estruturação federativa do País, atribuindo-se, em 1891, a competência judiciária às antigas Províncias do Império, ora Estados. Com a crescente demanda decorrente do crescimento econômico de São Paulo nas primeiras décadas do Século XX, fez-se necessária a construção de uma sede para o poder judiciário paulista. Em 1911 foi contratado o escritório do famoso arquiteto Ramos de Azevedo, que, inspirado no Palácio da Justiça de Roma, o Palácio da Justiça de Calderini, realizou projeto que foi acolhido pelo Tribunal. A primeira sede do Tribunal de Justiça e levava o nome de Tribunal da Relação da Província de São Paulo e foi criada no dia 06 de agosto de 1873, pelo decreto de número 2.542. Nessa época, o Tribunal ficava localizado na Rua da Boa Vista, próximo das Rua 3 de Dezembro e a Rua 25 de Março. O edifício do Palácio da Justiça teve a pedra solenemente lançada no dia 24 de agosto de 1920, que ficava localizada em frente à Rua Onze de Agosto. Apesar da pedra só ter sido lançada nessa data, a ideia da realização do projeto já era incubida em junho de 1911 pelo então Secretário da Justiça e da Segurança Pública Washington Luís, que anos mais tarde se tornou o décimo terceiro presidente do Brasil. Após 13 anos de construção a contar a partir do lançamento da pedra, a instalação foi finalmente concluída, sendo inaugurada em 2 de janeiro de 1933.


No quinto pavimento, está localizado o grandioso Salão Nobre do Palácio da Justiça. Decorado com motivos clássicos gregos, mede 22 por 14 metros, é denominado “Sala Ministro Costa Manso” em homenagem a uma das maiores figuras da Magistratura paulista. Nesta sala, a simbologia ligada à Justiça foi ricamente representada, com pinturas folheadas a ouro nas suas paredes, arte em alto relevo no teto, além de exuberantes lustres de bronze, que reproduzem as imagens presentes em todo o salão. O Salão Nobre é destinado a sessões de julgamento do Órgão Especial, além de realização de solenidades e grandes eventos.


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EXÉRCITO, POLÍCIAS E BOMBEIROS




O Comando Militar do Sudeste (CMSE) é um dos oito Comandos Militares de Área do Exército Brasileiro, com sede na cidade de São Paulo. É o Comando enquadrante da 2ª Região Militar, da 2ª Divisão de Exército, do Comando de Aviação do Exército e do Comando de Defesa Antiaérea do Exército. É o único Comando Militar de Área que abrange apenas um Estado, justificado pela pujança e importância dentro do contexto nacional.O CMSE desempenha importantes funções junto à sociedade paulista. É o Comando Militar de Área responsável pelos Sistemas Operacionais, Logísticos e de Mobilização no Estado de São Paulo, sendo capaz de dispor da pronta resposta no cumprimento de sua missão constitucional. A Zona Militar do Centro, com sede na capital de São Paulo, foi criada em 24 de julho de 1946 pelo Decreto-Lei nº 9.510. O comando era cumulativo com o da 2ª Região Militar. Abrangia todos os Comandos e Forças com sede nos territórios dos Estados de São Paulo, Mato Grosso e Minas Gerais (2ª RM, 4ª RM e 9ª RM). Primeira sede. Antes de ocupar o Quartel-General do CMSE, a Zona Militar do Centro era sediada em um palacete localizado na Rua Conselheiro Crispiniano, entre a Rua Barão de Itapetininga e a Rua São João, hoje avenida. Construído em 1893, o palacete serviu de residência do político e empresário José Paulino Nogueira. Em 1919, a casa foi vendida pela família e passou a ser o Quartel-General da 2ª Região, sediada em São Paulo. Em 1946, a casa tornou-se a sede da Zona Militar do Centro.


Mudança de denominação para II Exército. Em 28 de agosto de 1956, mudou-se a denominação de Zona Militar do Centro para II Exército. A história do Quartel-General do CMSE começa em 15 de dezembro de 1955, quando o então Comandante da antiga Zona Militar do Centro, General de Exército Olympio Falconieri da Cunha, envia ao Prefeito de São Paulo, um ofício solicitando o atual terreno do quartel. Posteriormente, em 1956, a lei municipal nº 4.999 autoriza a cessão de uso do terreno. Um concurso público é, então, lançado, em 1965, para definir o projeto arquitetônico do edifício destinado ao então Quartel-General do II Exército. Entre os 28 trabalhos apresentados, o projeto vencedor foi elaborado pelos arquitetos Paulo Bastos, Léo Bomfim Jr. e Oscar Arine, com colaboração de Ubirajara Mota Lima Ribeiro, Paulo Sergio de Sousa e Silva, Gabriel Oliva Feitosa, Hitoshi Koyama, Koichi Shidara e Massayoshi Kamimura. Integraram o júri o Coronel Augusto Cid de Camargo Osório, o Major Heinz Haltenberg, o engenheiro Ricardo Capote Valente e os arquitetos Salvador Candia, Israel Sancovsci, Jean Maitrejean e Ari de Queirós Barros. Executada pela Construtora Ribeiro Franco, a obra foi concluída no ano de 1968. Também em 1968, o palacete da Rua Conselheiro Crispiniano foi vendido ao Governo do Estado. Em 1977, o prédio foi demolido por ordem do Prefeito Olavo Setúbal. Hoje existe uma praça, chamada de Praça das Artes, no mesmo local.

Inauguração do novo quartel em 1968.



Dentre seus 51 comandantes, destacam-se figuras notáveis como os Ministros e Comandantes do Exército Newton Estillac Leal, Odylio Denys, Nelson de Mello, Carlos Tinoco Ribeiro Gomes, Francisco Roberto de Albuquerque e Tomás Ribeiro Paiva; os Ministros Chefes do Estado-Maior das Forças Armadas Anor Teixeira dos Santos, Arthur Hescket Hall, Osvaldo de Araújo Mota, Pery Constant Bevilacqua e Jonas de Morais Correia Neto; um dos Generais integrantes da Força Expedicionária Brasileira Olympio Falconière da Cunha; o antigo Chefe do Estado-Maior do Exército e atual Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República Marcos Antonio Amaro dos Santos e o ex-Secretário de Segurança Pública de São Paulo João Camilo Pires de Campos.


POLÍCIA CIVIL



A Polícia Civil do Estado de São Paulo é uma Instituição que integra a estrutura da Secretaria de Estado dos Negócios da Segurança Pública e tem por atribuição principal (essencial) o desenvolvimento das atividades próprias administrativas e de Polícia Judiciária. Nasceu junto à Secretaria dos Negócios da Justiça, em 1841, tendo como primeiro chefe de polícia, o Conselheiro Rodrigo Antonio Monteiro de Barros. A primeira pessoa a pensar na estruturação da Polícia, tornando-a mais séria, profissional e remunerada: de carreira foi José Cardoso de Almeida, quando chefe de polícia no governo de Francisco de Paula Rodrigues Alves. Procurando alertar as autoridades para essa necessidade de melhoria organizacional, Cardoso de Almeida fez um relatório, em 1902, narrando as dificuldades policiais da época. As suas idéias de uma Polícia Civil de Carreira foram acompanhadas pelo delegado de polícia, Antonio de Godoi Moreira e Costa, que as aprofundou e lhes deu maior consistência. Finalmente, em 1905, mais precisamente no dia 7 de novembro, o presidente do Estado, Jorge Tibiriçá Piratininga deu início à tão sonhada reivindicação de José Cardoso de Almeida, criando a Polícia Civil de Carreira. A Polícia de Carreira foi se impondo e o delegado de polícia passou a exercer um papel civilizador dos mais importantes. Em 1912, a Lei nº 1.342, de 16 de dezembro, reorganizou vários departamentos da Secretaria da Justiça e da Segurança Pública e também o Gabinete de Investigações e Capturas, que teve suas seções distintas: investigação, capturas e de identificação. A Lei foi um dos pontos altos da Polícia paulista, porque possibilitou a melhor reaparelhagem dos serviços policiais. Pouco depois, já em 1916, sete delegacias regionais foram inauguradas: Santos, Campinas, Ribeirão Preto, Guaratinguetá, Botucatu, Araraquara e Itapetininga.

O Gabinete de Investigações e Capturas, atuante em todo o Estado de São Paulo através de suas sete delegacias especializadas, tornara-se o mais afamado departamento de nossa Polícia, principalmente pela elucidação de crimes de grande repercussão, motivo pelo qual recebeu nova denominação em 1924, passando a Gabinete Geral de Investigações, e dois anos depois, a Gabinete de Investigações.

A Delegacia de Ordem Pública e Social, já existente em 1940, recebeu novas denominações, como Superintendência de Segurança Política e Social, até que chegasse a Departamento Estadual de Ordem Política e Social – setor definitivamente extinto em 1991. O acervo do departamento foi transferido para o Arquivo do Estado, despertando enorme interesse da população, pois se trata de dados e documentos produzidos pela Polícia Política de 1924 a 1983.

Rádio Patrulha. Também faz parte da história da Polícia Civil, o serviço  criado em São Paulo no ano de 1935, entrou em funcionamento na capital e em algumas cidades do interior em 1937 - Esse moderno serviço policial de comunicações foi inspirado no modelo da Rádio Policial norte-americana e teve como sede, a 6ª Divisão Policial.

A Escola de Polícia foi outro setor que passou por modificações ao longo dos anos. De 1934 a 1936, funcionou em um prédio na Rua Visconde de Rio Branco, nº 541, e no ano seguinte, devido à ampla reforma no ensino técnico-policial realizada por Adhemar de Barros, foi substituída pelo Instituto de Criminologia do Estado de São Paulo, IC, pois o governador entendia que o ensino policial deveria incluir as questões de Criminologia.


O IC funcionou na Rua Conde do Pinhal, nº 52, onde hoje há um estacionamento, até 1942, quando o Decreto nº 12.497, de 7 de fevereiro (em seu artigo 19), determinou que o tradicional estabelecimento paulista de ensino técnico-policial voltasse a denominar-se Escola de Polícia, mantendo-se sua estrutura, e por quase dez anos (até 1951), funcionou no prédio da Rua da Glória, nº 410, o qual, atualmente preservado, mantém a sede do 1º distrito policial.

Apenas em 24 de julho de 1969, através do Decreto nº 52.213, a Escola de Polícia passou a se chamar Academia de Polícia, recebendo no dia 6 de março de 1975, a denominação de Divisão de Ensino e Aperfeiçoamento. Finalmente, em 27 de maio de 1970, foi realizado o ato de despedida do velho prédio da Rua São Joaquim, com celebração de missa de ação de graças, sendo transferida a Academia de Polícia para o prédio na Cidade Universitária, zona oeste de São Paulo.  Atualmente, a Academia, que se denomina “Dr. Coriolano Nogueira Cobra”, realiza concursos públicos para provimento de vagas das carreiras policiais, de caráter efetivo e temporário, das classes administrativas da Polícia Civil, e de despachantes policiais, e mantém o atual Museu do Crime, onde há objetos e documentos relacionados a crimes de grande repercussão e à história de “famosos” marginais. 

Dentre os avanços tecnológicos que fez a Polícia Civil nesses cem anos, está o Setor de Identificação. Em 1938, Ricardo Gumbleton Daunt o revolucionou dividindo-o em quatro fases: Fotografia, Antropometria, Dactiloscopia e Aplicação (de vários recursos da ciência da identidade), e desde a sua criação, o Instituto de Identificação, que leva o seu nome, o IIRGD, já identificou mais de 40 milhões de pessoas, e atualmente emite mais de 10 mil cédulas de identidade por dia, entre primeiras e segundas vias. Na década de 50, e especialmente no ano de 1954, novas formas de delinqüência se multiplicaram pelo Estado, o que suscitou nova reforma na Polícia Civil paulista. As autoridades da época pretendiam fazer de cada policial de São Paulo um especialista inteiramente integrado às suas funções específicas, dando-lhe treinamento cuidadoso, bem como aos meios materiais de que disporiam para trabalhar dignamente. Os ensinamentos a eles passados pela Academia da Polícia Civil “Coriolano Nogueira Cobra” são um exemplo dessa filosofia. Nessa linha de modificações, outro registro importante veio através do Decreto nº 25.409, de 30 de janeiro de 1956, do então Governador Jânio Quadros, que instituiu no Gabinete da Secretaria de Segurança Pública, a Assessoria Policial.

Um órgão de suma importância para a Polícia Civis é o Setor de Arte Forense, da Delegacia Geral de Polícia, o qual está inserido na Assistência Policial de Comunicação Social (APCS), cujo trabalho é feito a partir de todo e qualquer tipo de imagem de rosto, com o objetivo de identificar pessoas o mais convictamente possível. Através desse trabalho, grandes casos foram elucidados pela Polícia Civil de São Paulo. Ressalte-se, contudo, que muitos outros também foram esclarecidos pelos trabalhos manuais de desenhos e de lâminas de acetato feitos (e ainda hoje) por alguns departamentos de polícia.

Luta por melhoria salarial em 1.961.Discursando, o Investigador de Polícia Mário Gonçalves, Presidente da Associação dos Funcionários da Polícia Civil do Estado de São Paulo. Memória da PCSP.



Dando um salto até 1967, chegamos à modificação ocorrida no Departamento de Investigações, DI, que deixando de existir após outra grande reforma da estrutura policial civil, deu lugar ao Departamento Estadual de Investigações Criminais, o Deic. No final da década, em 1969, as circunscrições policiais se tornaram distritos policiais e a 1ª Divisão Policial, também conhecida como 1ª Auxiliar, teve sua denominação alterada para Departamento das Delegacias Regionais de Polícia da Grande São Paulo, Degran, ao mesmo tempo em que as zonas policiais receberam o nome de seccionais de polícia. Ainda em 1969, pelo Decreto-Lei nº 141, de 24 de julho, foi criado o Dicom, responsável pela instalação, operação e manutenção das redes de telecomunicações da Polícia Civil, incluindo o Cepol, Centro de Operações e Comunicações da Polícia Civil. Desaparecia, então, a denominação Departamento de Comunicações e Serviço de Rádio Patrulha - Rádio que passou a pertencer à Polícia Militar.

Paralelamente ao Degran, surgiram o Departamento das Delegacias Regionais de Polícia de São Paulo Interior, Derin, formado por dezoito delegacias regionais e cinqüenta e duas seccionais e o Departamento Regional de Polícia da Região de São Paulo Exterior, Derex, que, em 1975, foi transformado em Delegacia Regional da Polícia do Litoral, e subordinado ao Derin. Naquele mesmo ano, era criado o DEPC, Departamento Estadual de Polícia Científica, com a incumbência de realizar os trabalhos de pesquisa nos campos de Criminalística, Medicina Legal, Identificação e Cadastramento de interesse policial, bem como proceder às perícias médico-legais e técnico-científicas, coordenar e executar a formação, pesquisa, especialização e o aperfeiçoamento dos policiais civis, executar identificações civis e criminais e fazer o cadastramento de interesse policial. Posteriormente, o DEPC tornou-se DPC, Departamento de Polícia Científica, e hoje, DIRD, Departamento de Identificação e Registros Diversos, ao qual estão subordinados órgãos como o IIRGD e as Divisões: de Produtos Controlados, Registros Diversos, Capturas, Policial de Portos, Aeroportos, Proteção ao Turista e Dignitários, Administrativa e o Serviço de Fiscalização de Despachantes.

Ainda com referência à história da Polícia Civil de Carreira, não podemos deixar de mencionar o Detran, Departamento Estadual de Trânsito, órgão subordinado, diretamente, à Secretaria da Segurança Pública, mas que é dirigido por um delegado de polícia de classe especial. Também faz parte da história dessa Polícia de Carreira, o policiamento ostensivo, como o efetuado pela RONE, Ronda Noturna Especial, RUPA, Rondas Unificadas da Primeira Auxiliar, RUDI, Rondas Unificadas do Departamento de Investigações – que deu origem ao GARRA, CERCO, Corpo Especial de Repressão ao Crime Organizado, GOE, Grupo de Operações Especiais, do Decap e GARRA, Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos – que foi criado em 1976, por Mauricio Henrique Guimarães Pereira, tendo como primeiro supervisor, o delegado Alberto Angerami.

RUDI 4 -Ronda Unificada do Departamento de Investigações, no final dos anos 60. Memória da PCSO.


Nos anos 80, outras criações importantes: Em 1983, era criado o Decon, Departamento de Polícia do Consumidor, para apurar e investigar infrações penais contra a economia popular, a ordem econômica e as relações de consumo, além das infrações previstas no Código do Consumidor.

Com a extinção do DEOPS, o órgão responsável pela prevenção e repressão dos crimes contra a economia popular, o governo estadual se viu obrigado a dotar a Polícia de um meio para combater crimes dessa área – motivo da criação do Decon, que passou a operar no mesmo prédio em que o DEOPS estava instalado, e ainda, que ficou responsável pela fiscalização dos despachantes policiais. Hoje, porém, o Decon não existe mais.

Também em 1983, foi instituído o Deplan, Departamento de Planejamento e Controle da Polícia Civil, um dos órgãos de apoio da Delegacia Geral de Polícia, incumbido de planejar, coordenar e controlar os recursos humanos e materiais e de proceder à execução policial.

O Deplan ainda assessora a DGP em suas áreas de atuação, propondo alterações de sua legislação e apresentando sugestões para valorizar os trabalhos desenvolvidos pela Polícia Civil de São Paulo. Hoje, o Deplan é o DAP, Departamento de Administração e Planejamento.

No ano seguinte, 1984, surgiu o DHPP, Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa, que foi oficializado em 14 de março de 1986, pelo Decreto de nº 24.919, assinado pelo governador Franco Montoro.

Considerado “a menina dos olhos” da Polícia Civil, o DHPP, hoje, utiliza a Recognição Visuográfica, recurso amplamente utilizado na investigação de crimes contra a vida, bem como, contra o patrimônio e em acidentes de trânsito, cujo criador foi o então delegado geral de polícia, Marco Antonio Desgualdo. A Recognição é um relato do crime, detalhadamente descrito, esquematizado e ilustrado fotograficamente, considerada a verdadeira semente da futura investigação policial, considerando-se o seu dinamismo e praticidade.

DELEGACIAS ESPECIALIZADAS



Outro marco também importante da história da Polícia Civil de Carreira é a inauguração da primeira Delegacia de Defesa da Mulher, fundada no dia 6 de agosto de 1985, cuja primeira delegada foi Rosmary Corrêa - um ato inédito no País e no mundo. 

Dois anos depois, uma importante e estratégica divisão da Polícia foi transformada em departamento: a de entorpecentes. No dia 24 de setembro de 1987, foi criado o Denarc, Departamento de Investigações SobrNarcóticos, extinguindo a Dise, Divisão de Investigações Sobre Entorpecentes, do Deic (que existia desde 1975).

No Denarc funcionam divisões como a Diap, Divisão de Inteligência e Apoio Policial, órgão destinado a coletar, estudar e arquivar as informações obtidas das mais diversas formas e fontes, assessorando, colaborando e participando conjuntamente das ações das delegacias da Dise que foram mantidas no novo departamento, e a Dipe, Divisão de Prevenção e Educação, que mantém uma assistência social e uma seção de ensino, e faz encaminhamentos de dependentes químicos a hospitais e clínicas especializadas; grupos como o Gape, Grupo de Apoio e Proteção à Escola, criado em 1997, com a finalidade exclusiva de atender às solicitações recebidas da área educacional sobre a criminalidade circundante (As ações de apoio e proteção à escola, hoje, são atribuições de todas as unidades policiais do Denarc, não mais apenas do Gape); e setores como o SOE, Setor de Operações Especiais, criado em 1998, como órgão especializado em ações repressivas, e destinado ao apoio necessário às demais delegacias do departamento.

A disciplina da Polícia Civil de Carreira também faz parte de sua história. Através do Decreto nº 25.440, de 3 de fevereiro de 1956, foi criado um órgão para sistematizá-la e aplicá-la aos policiais: Sua primeira sede foi instalada na antiga 8ª divisão policial, e sua primeira qualificação foi Serviço Disciplinar da Polícia, SDR - sendo extintas as comissões de correição. Anos depois, em 1975, o SDR deu origem à Corregedoria da Polícia Civil, a qual, finalmente, foi estruturada em 15 de setembro de 1989, pelo Decreto de nº 30.413.

A Corregedoria da Polícia foi criada com o objetivo de apoiar a Delegacia Geral, e dentre suas atribuições, está a elaboração de procedimentos referentes às infrações administrativas e penais praticadas por policiais civis no exercício de suas funções.

Na década seguinte, mais precisamente no dia 18 de maio de 1990, o Decreto nº 31.581 criava a Deatur, Delegacia Especializada de Atendimento ao Turista, que ficaria subordinada ao Degran, e estaria incumbida de prestar assistência de natureza policial aos turistas, durante sua permanência no município de São Paulo. Ao mesmo tempo, pretendia-se um entrosamento entre os órgãos policiais civis e as entidades ligadas ao turismo na cidade, para que se solucionassem adequadamente os problemas ocorrentes.

No ano de 1991, o Degran foi extinto, dando lugar ao Decap, Departamento de Polícia Judiciária da Capital, que foi instalado na Rua Ferreira de Araújo, nº 653, no bairro de Pinheiros, onde se formou o GOE, e, paralelamente, ao Demacro, Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo.

O Decap dirige as delegacias seccionais, delegacias de defesa da mulher, a Delegacia de Proteção ao Idoso – criada através do Decreto nº 35.696, de 21 de setembro de 1992, para atender, auxiliar e orientar pessoas idosas, bem como encaminhá-las, quando necessário, aos órgãos competentes -, as Delegacias de Polícia da Infância e da Juventude, a Delegacia de Polícia de Investigações Sobre Infrações Contra o Meio Ambiente e a Saúde Pública e os distritos policiais da capital.

Também em 1991, surgiu o Dinfor, Departamento de Informática da Polícia Civil, com a finalidade de gerir e coordenar a elaboração, implantação e operação na Polícia Civil de um sistema de coleta, armazenamento e recuperação de dados de interesse policial civil, por processamento eletrônico. Seis anos depois, em 1997, ele foi extinto, criando-se em seu lugar, o Detel, Departamento de Telemática da Polícia Civil, ao qual ficou subordinada a Dicom, Divisão de Comunicações da Polícia Civil.

O Deic, em fevereiro de 1995, foi denominado Departamento de Investigações Sobre Crimes Patrimoniais, ou seja, Depatri, deixando o Palácio da Polícia e ganhando novas instalações na Avenida Zacki Narchi, nº 152, e em 2001, tornou-se o hoje conhecido, Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado.

Ainda em 1995, outras novidades: foi implantado o site da Polícia Civil na Internet, um trabalho da equipe de policiais do extinto Departamento de Informática (Dinfor), que hoje é o Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol), através do qual a população tem acesso aos links da Polícia, como da Sala de Imprensa da DGP, Academia de Polícia, Decap, Demacro, Denarc, DHPP, Dipol, Garra e outros, bem como a consultas referentes a editais de licitações, concursos públicos, pessoas desaparecidas, procurados da Justiça e informações sobre antecedentes criminais, cédula de identidade, dicas de segurança, dentre outras; e foi dado início ao processo de desativação das cadeias anexas aos distritos policiais da capital, Grande São Paulo e interior.

No final da década, em 1999, o Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior, Deinter, substituiria o Derin. Atualmente, para facilitar o trabalho policial e administrativo, existem nove Deinteres: Deinter-1, São José dos Campos; Deinter-2, Campinas, Deinter-3, Ribeirão Preto; Deinter-4, Bauru; Deinter-5, São José do Rio Preto; Deinter-6, Santos; Deinter-7, Sorocaba; Deinter-8, Presidente Prudente e Deinter-9, Piracicaba.

Também em 1999, o Departamento de Administração e Planejamento da Polícia Civil, DADG, foi extinto para que surgisse o atual Departamento de Administração e Planejamento, DAP, criado em novembro daquele ano, pelo Decreto nº 44.448, órgão que sofreu intensa reorganização em 2000, assumindo várias atribuições, e desde então, sua estrutura básica constitui as Divisões: de Planejamento e Controle de Recursos Humanos, Controle de Recursos Materiais, Controle de Execução Policial, de Administração de Pessoal, de Finanças, Suprimentos, Transportes, Protocolo e Arquivo, Serviços Diversos e Saúde.

Atuando em parceria com o Dipol, o DAP mantém um cadastro atualizado dos quadros de recursos humanos, materiais e de toda a frota da Polícia Civil, o que possibilita o vislumbramento imediato das necessidades de cada unidade, sanando as defasagens existentes, ao mesmo tempo em que as corrige de forma adequada às necessidades prioritárias da instituição.

Dentro dessa visão, foram adquiridos armamentos, munições, viaturas e outros equipamentos necessários à segurança dos policiais e da população.

Por um bom tempo, os policiais civis de São Paulo portaram revólveres do calibre 38, Puma do calibre 38, Calibre 12 e alguns policiais, o Taurus 357 - armas que ficaram obsoletas com o passar dos tempos. Uma curiosidade: A primeira arma automática adquirida pela Polícia foi a Imbel calibre 45.

Um importante setor do DAP é a Divisão de Prevenção e Apoio Assistencial (DPAA), que tem como atribuição prestar ao policial civil e a seus familiares, serviços médicos, odontológicos, psicológicos e fisioterápicos. Hoje, a Polícia Civil conta com um amplo Ambulatório Médico para consultas e atendimentos.

Em janeiro de 2000, a Polícia Civil de São Paulo inovou em relação a todo o País com a inauguração da Delegacia Eletrônica, acessada pela população através dos sites www.policia-civ.sp.gov.br e www.ssp.sp.gov.br. A Delegacia Eletrônica foi idealizada para descongestionar os distritos policiais de todo o Estado, objetivo que vem sendo cumprido nesses sete anos de funcionamento. De pouco mais de vinte mil boletins eletrônicos de ocorrência registrados em 2000, chegou-se a quase duzentos mil em 2006. Um aumento considerável que impulsionou o crescimento do setor: o número de policiais civis da unidade passou de cinco a quarenta e quatro e o de terminais, de cinco a trinta (após a reforma pela qual passou, finalizada em 2007). A Delegacia atende casos de furtos e perdas de documentos, celulares e placas de veículos, furtos de veículos, desaparecimento e encontro de pessoas, e disponibiliza consultas dos BEOs pelos sistemas Infocrim (Informações Criminais) e RDO (Registro Digital de Ocorrência), o que impossibilita a duplicidade de comunicação de um crime e viabiliza o compartilhamento de informações por toda a Polícia Civil do Estado.

Também em 2000 foi criado o Gradi, Grupo de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância, com o objetivo de reprimir crimes e ataques contra minorias da população e executar o trabalho preventivo de crimes de intolerância de qualquer espécie, como racial, religioso, sexual, esportivo, dentre outros.

Em 2002, o Detel foi substituído pelo Dipol, um órgão projetado para planejar e apoiar as atividades de telecomunicações, informática e de inteligência da Polícia Civil, ao qual ficou subordinado o Setel, Serviço Técnico de Monitoramento Legal de Telecomunicações.

Entre 2003 e 2005, o Departamento de Inteligência da Polícia Civil desenvolveu dois projetos de inteligência policial: o Ômega e o Phoenix.

Ômega é um sistema que integra diversas bases de dados em um único ambiente, viabilizando o agrupamento de ocorrências e a identificação automática de relacionamento entre pessoas, veículos, armas e endereços. Por meio de alertas e pesquisas realizadas nos bancos de dados do Registro Digital de Ocorrência e da Delegacia Eletrônica ele é usado para aprimorar cada vez mais as investigações policiais.

O Phoenix possibilita a identificação criminal por meio de boletins de identificação digitalizados, além da elaboração de retratos falados. Ele possui banco de dados de vozes e de individuais dactiloscópicas digitalizadas, fazendo com que detalhes como características físicas, incluindo tatuagens, cicatrizes, deformações do corpo, cor da pele, olhos e tipo do rosto da pessoa pesquisada, além do modus operandi de um criminoso possam ser pesquisados. Ainda em 2002, a Resolução Conjunta nº 1, do dia 21 de março, da Secretaria de Governo e Gestão Estratégica e da Secretaria da Segurança Pública, estabeleceu que fossem concebidas e implantadas as delegacias de polícia participativas no Estado – um programa que visa oferecer à comunidade atendimento gratuito e de boa qualidade, ou seja, de forma padronizada, rápida, transparente e eficiente, sem discriminações ou privilégios, nas áreas social, jurídica e psicológica, além da policial, durante vinte e quatro horas.


POLÍCIA MILITAR



Polícia Militar de São Paulo. Em 15 de dezembro de 1831, por lei da Assembleia Provincial, foi criado o Corpo de Guardas Municipais Permanentes, composto de cem praças a pé, e trinta praças a cavalo, em atendimento ao decreto Imperial baixado pelo Regente Feijó. Dentro da província (atual estado de São Paulo), a Polícia Militar, assim como o Corpo de Bombeiros, a Guarda Nacional, a Marinha e as tropas regulares do Exército, faziam parte da Força Pública de São Paulo. Seus integrantes são denominados militares estaduais (artigo 42 da CRFB), assim como os membros do Corpo de Bombeiros Militar de São Paulo (CB PMESP). Atualmente, em efetivo, é a maior polícia do Brasil e a terceira maior Instituição Militar da América Latina, contando com aproximadamente 82 500 policiais. Em 1926, é criada a Guarda Civil do Estado, como auxiliar da Força Pública, mas sem o caráter militar desta. Às vésperas da Revolução de 1930, a Força Pública do Estado de São Paulo já era o segundo maior corpo armado da América Latina, somente superada pelo próprio Exército Brasileiro. Possuía desde infantaria até aeronáutica militar. No entanto, a oposição de São Paulo contra essa Revolução levou a cortes drásticos no poderio bélico da Força por parte do Governo Provisório de Getúlio Vargas, devido ao medo do presidente de uma possível reação paulista ao golpe dado contra o Governo Washington Luís. Em 1970, a Força Pública se fundiria com Guarda Civil, originando a denominação atual de Polícia Militar. Desde então, a PMESP é uma organização fardada e organizada militarmente. Fica subordinada ao Governador do Estado, por meio da Secretaria da Segurança Pública e do Comando Geral da Corporação. A PMESP tem a obrigação constitucional, assim como todas as outras PMs brasileiras, de prestar seus serviços dentro dos limites do rigoroso cumprimento do dever legal. [Textos e imagens da Wikipedia]



Soldado PM em ação urbana de controle de trânsito e fluxo de pedestres.


Treinamento de tiro  no início do século XX. 


Primeira turma da Polícia Feminina SP 1955.


Registro das primeiras ações ostensivas e repressivas de PMs femininas
 

Centro de comunicações, atendimento e operações da PM em São Paulo nos anos 1970. 

Patrulhamento preventivo apelidado de "Romeu e Julieta"  no comércio das ruas do centro, década de 1970. 

Patrulhamento da cavalaria  no centro de São Paulo nos anos 1980.


QUARTÉIS DA CAPITAL




Ao ser elevado a predicamento de cidade, em 11 de junho de 1711, o núcleo existente com o nome de São Paulo, desde 25 de janeiro de 1554, não havia nele prédio algum, que merecesse o nome de quartel.
Nessa época existia na povoação, sede da capitania, apenas um grupo insignificante de homens armados que constituia a guarda da pessoa do capitão general. Esse pugilo de militares alojava-se na própria residência do Governador. A tropa da linha, quando em trânsito para as fronteiras, aquartelava-se em armazéns, e barracões, improvisados ou em simples ranchos de palha, que ofereciam insuficiente abrigo e eram totalmente desprovidos de qualquer conforto.

"Quartel de Linha"

Somente 64 anos depois em 1775, foi dado início a construção de um quartel destinado a tropa colonial. Havia sido criado nesse ano, pelo governo da metrópole, o corpo de voluntários reais, composto de regimentos de infantaria e cavalaria. Como se tratava de um corpo de elite, ostentando inusitado garbo e brilhante uniforme, afluiam em grande numero os indivíduos para nele se engajarem. Não podiam esses voluntários ser imediatamente acolhidos e incorporados, por não existirem armazéns ou quartéis nem enfermarias disponíveis.

Não somente por isso, mas também porque São Paulo, já nessa época era o centro militar obrigado, e de onde partiam as tropas em socorro das capitanias das fronteiras, quase sempre invadidas e taladas, o governo precisava cuidar, sem perda de tempo, da construção de quartéis e de hospitais militares, que pudessem receber e abrigar as tropas que se tornavam numerosas.

Existiam algumas casas alugadas que serviam de depósito de materiais bélicos, casernas e uma pequena enfermaria particular que era denominada "Misericórdia".
Essa enfermaria porém, pela sua exiguidade não comportava senão um número muito reduzido de militares doentes, sendo necessário improvisar outras em casas particulares, que não ofereciam naturalmente nenhum conforto aos enfermos.

Ao capitão general Martins Lopes Lobo Saldanha, havia o bispo Fr. Manuel da Ressurreição, doado em, 1775 um terreno situado na parte mais alta da cidade, onde já existia uma construção em início. Lembrou-se ele então de aproveitar esse terreno para construir um quartel, visto a isso se prestar magnificamente, devido a sua localização, a cavaleiro da cidade. Esse terreno é o mesmo onde se acha o velho quartel , na rua Onze de Agosto.

Tomada essa resolução, representou o capitão general a S.M. , sobre a urgência que tinha a cidade de São Paulo de possuir um quartel digno desse nome e uma enfermaria militar que oferecesse conforto aos soldados nele recolhidos e propunha os meios e modos de se poderem fazer com pouca despesa da Real Fazenda.

Parte posterior do velho quartel do 2º Batalhão

Pondo justamente, em execução essa proposta, dirigiu em 10 de novembro de 1875, um ofício a S.M. , no qual lembrava o alvitre de se convocarem os escravos de algumas fazendas que haviam sido confiscadas na capitania de São Paulo, aos proprietários denominados jesuítas, para com poucos mestres que os dirigissem socarem as paredes de taipa de que eram formadas nesta cidade todas as casas por falta de pedras, em cujo extração pouco ou nada se perdia porque, achava que também pouco ou nada tinham rendido as mesmas fazendas, totalmente destruídas.

Com esses escravos, entre os quais havia alguns carpinteiros, dizia ele, entrando em detalhes sobre a construção projetada, seriam feitos os cortes das madeiras que não custariam mais que a condução e contratariam mais alguns carpinteiros para lavrarem-se e fazerem-se as obras.

Quanto as ferragens e pregos que em São Paulo eram excessivamente caros seriam adquiridos em Lisboa.

Mandar-se-ia fazer telhas pelos mesmos escravos das fazendas confiscadas.

Para o custeio das obras, que o mesmo capitão general avaliava em oito ou dez mil cruzados, achava suficiente a importância que se obtivesse com a venda dos bens deixados pelos jesuítas proscritos.
No ano seguinte, conseguidos os meios propostos, foi dado início a construção do quartel, cujo ala direita ficou concluída em 1790, sob o governo do então capitão general Bernardo José de Lorena. Somente muitos anos depois, 20 aproximadamente, foi socada a última camada de terra da grossa taipa e colocada a última trave do teto. O vasto edifício ocupava toda a quadra limitada pelas ruas Anita Garibaldi, Teatro, Onze de Agosto e Travessa do Quartel.



Esse vetusto casarão de feição antiquada e colonial, reclama urgentemente a ação da picareta demolidora das obras públicas, para dar lugar a um elegante palácio que faça honra ao adiantamento e ao progresso assombroso da capital paulista.

A ação do tempo a muito que se encarregou de fazê-lo ruir pouco a pouco. A parte Sul do edifício já havia desaparecido a mais de dez anos e o restante, mau grado os esforços do atual comandante do segundo batalhão, nele aquartelado, que se empenha pela sua conservação, não se manterá por muito tempo em pé.

Já em 1887, está antiquissima construção se achava em mau estado. O relatório apresentado pelo Visconde de Parnaíba, presidente da Província, dizia que todo e qualquer reparo seria feito sem vantagem alguma e que a reforma deveria ser radical.
Lembrava ele, nesse mesmo relatório, a assembleia, que lhe desse autorização para a venda do velho edifício, para com o produto construir um novo com todas as acomodações necessárias a um quartel moderno.

A câmara concedeu a autorização pedida, porém não chegou a alcançar aprovação do senado, ficando assim burlado o plano de possuir a cidade um edifício apropriado ao seu fim e continuando o velho quartel a ameaçar ruína e a dispensar os piores cômodos aos continentes de linha nele aquartelados, além do depor de modo sensível contra o grau de adiantamento da nossa culta capital e de nossa cara província, dizia ele no citado relatório.

Penso que não vem longe o dia em que esse casarão terá de desaparecer, para ser substituído por um belo, majestoso e moderno palácio, capaz de figurar ao lado dos que já embelezam a nossa capital.
Os urbanos tiveram o seu primeiro quartel em 1873, na rua das Flores, esquina da rua de Santa Tereza, edificio de sobrado, em cujos altos funcionava a repartição da polícia. Transferiu-se depois para um prédio da rua do Quartel e decorridos dez anos, para um outro na rua do Carmo, próximo ao largo do Palácio, onde permaneceu até sua extinção em 1891.

Os bombeiros aquartelaram-se em 1880, por ocasião de sua criação em umas exiguas dependências do Quartel de Urbanos, na rua do Quartel, mudando-se depois, em 1886 para o prédio adaptado na rua do Trem.




Fonte: Jornal O Estado de S.Paulo 19/08/1911 pág. 3. Pesquisa: Eduardo Marques de Magalhaes .


O VIGILANTE RODOVIÀRIO



Carlos Miranda, ator do primeiro seriado produzido especialmente para a televisão em toda a América Latina, com o maior índice de audiência já registrado no Brasil, nasceu em São Paulo, capital, a 29 de julho de 1933. Começou sua carreira como cantor de circo e de parques de diversões aos 15 anos, logo em seguida indo trabalhar nas empresas Maristela e freqüentando os grupos do Teatro Popular do SESI, onde fez curso de ator, estreando na peça “O Ídolo das Meninas” de Gastão Tojeiro, levada no teatro Colombo no Largo da Concórdia em São Paulo, hoje Praça da Concórdia (o teatro já não existe mais). Trabalhou nos estúdios da Maristela no Jaçanã até o seu fechamento. De lá saíram os equipamentos para a montagem do primeiro estúdio de dublagem de filmes estrangeiros do Brasil. O seriado “Vigilante Rodoviário”, era patrocinado pelos produtos Nestlé e o nome da série para a TV era para ser: “O Patrulheiro” e o registro foi feito naquela ocasião, porém pouco antes da data de lançamento, a Toddy (Achocolatados) estreou um seriado estrangeiro com o titulo “Patrulheiros Toddy”. O Sr. Ary Fernandes (Criador e diretor da série “Vigilante Rodoviário”), em reunião com o Sr. Gilberto Valtério (Diretor da Nestlé), sugeriu o embargo da concorrente pelo uso do título registrado, mas este diretor da Nestlé, solicitou ao Sr. Ary Fernandes que colocasse outro nome no seriado, para evitar conflitos com uma concorrente do mesmo seguimento de mercado, sendo assim o Sr. Ary rebatizou sua série, com o nome que a fez tão famosa até os dias de hoje.

O seriado “Patrulheiros do Oeste” existiu, porém foi exibido pela TV muitos anos depois do “Vigilante Rodoviário”.  O primeiro episódio da série O Vigilante Rodoviário®, foi ao ar em março de 1961, na Rede Tupi Canal 4 numa (4ª) quarta-feira, às 20:05pm. Já no primeiro mês de exibição disparou na frente dos concorrentes para se tornar o campeão de audiência com a expressiva marca de +-45%. Como na época só 30 % das casas possuíam televisão, o produtor e o diretor acharam importante transformar a série em um filme de longa metragem, unindo 4 episódios e em seguida mais 4. O lançamento foi no cine Art-Palácio em São Paulo, resultando em uma divulgação nacional e assim , um fenômeno de bilheteria. Curiosidades a respeito da produção não faltam: como o orçamento era apertado foram convidados a fazer parte do filme atores em início de carreira como: Fulvio Stefanini, Rosamaria Murtinho, Ari Fontoura, Stenio Garcia, Juca Chaves, Ari Toledo, Toni Campelo, Milton Gonçalves, Luis Guilherme, e outros. Hoje são nomes conhecidos nacionalmente. Na época não havia televisão colorida, vídeo tape, e o equipamento era simples de cinema profissional de bitola de 35 mm. Para ser exibido em televisão era reduzido para 16 mm.

 O Oficial. Após o término da série em 1962, Carlos foi convidado pelo então Comandante Geral da Força Pública General de Exército João Franco Pontes para ingressar na carreira de policial, pois para interpretar o personagem do Vigilante, ele tinha feito a escola de Policiais Rodoviários em Jundiaí. Depois de 25 anos na Polícia, e tendo feito todos os cursos na corporação, em 1998 passou para a reserva como Tenente Coronel PM RES.  O Legado. Hoje Carlos Miranda participa de encontros de colecionadores de carros antigos, além de dar palestras e de se apresentar em comemorações de festas cívicas como símbolo das Polícias. O sucesso da série, lembrada até hoje pelas pessoas com mais de 45 anos, é digno de estudos na área de propaganda e marketing, bem como na de antropologia e sociologia.
Carlos MIranda faleceu em março de 2025.

Fonte: site da corporação


Um Simca Chambord usado na série "O Vigilante Rodoviário"


HERÓIS EM SÃO VICENTE

 

ZELADOR E RODOVIÁRIO EVACUARAM O PRÉDIO EM POUCOS MINUTOS


imagem da "Revista Enciclopédia Bloch", do Edifício Vista Linda, que tombou em 1966 em São Vicente. São Vicente de Outrora.

Queda do Edifício Vista Linda  na saída da Ponte Pênsil. 23  de Dezembro de 1966, às 17:28 horas, o sargento Jaime de  Miranda, de plantão no posto rodoviário, ouviu um estalo achando que parte do Morro dos Barbosas, atrás do edifício, poderia desabar e provocar uma tragédia. Com a ajuda do zelador do prédio, o oficial conseguiu evacuar em poucos minutos os  38 moradores que estavam espalhados pelos 10 andares. Logo em seguida, uma  pedra rola pelo morro abaixo e atinge parte das vigas de sustentação do edifício provocando sua queda junto ao morro.  



O HERÓI DO VISTA LINDA. Na esquerda da imagem dos anos de 1960,o lendário policial rodoviário Jaime Miranda, o "Turco Louco", herói da retirada dos moradores do edifício "Vista Linda", literalmente tombado em São Vicente. A imagem é no antigo posto da Polícia Rodoviária na Ponte Pênsil. Claudio Sterque. 


Posto rodoviário da Ponte Pênsil no Japui nos anos 1960. Claudio Sterque



BOMBEIROS


O Centro de Memória do Corpo de Bombeiros é um museu localizado na cidade de São Paulo, Brasil. Foi criado e inaugurado em 10 de maio de 2005, em comemoração dos 125 anos da instauração da corporação. Ocupa o espaço de um casarão projetado em 1927 por um engenheiro italiano, situado no bairro Vila Mariana, na capital de São Paulo. O museu tem como objetivo conservar o histórico da corporação, através de um acervo, ainda em construção, que conta com reportagens, instrumentos antigos e atuais, vestimentas e outros itens que foram colecionados durante todos esses anos. O público pode acompanhar, portanto, a evolução dos serviços prestados aos paulistas, inclusive em grandes incêndios que atingiram a cidade e tornaram-se famosos, como os ocorridos nos edifícios Grande Avenida, Andraus e Joelma. 

O Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo (CBMESP) possui como missão primordial a execução de atividades de defesa civil, prevenção e combate a incêndios, buscas, salvamentos e socorros públicos no âmbito do estado de São Paulo. É atualmente o maior Corpo de Bombeiros do Brasil e da América Latina em termos de efetivo. Ele é Força Auxiliar e Reserva do Exército Brasileiro, e integra o Sistema de Segurança Pública e Defesa Social do Brasil. Seus integrantes são denominados Militares dos Estados pela Constituição Federal de 1988, assim como os demais membros da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Em 23 de outubro de 2014, ganhou autonomia em relação a Polícia Militar passando a reportar-se diretamente ao Secretário da Segurança Pública, sobre temas relacionados às operações.

Histórico. Desde 1851 existiram iniciativas no sentido de constituir um serviço de combate à incêndios na cidade de São Paulo. Porém, oficialmente isso somente se concretizou em 10 de março de 1880, com a promulgação de uma lei da Província de São Paulo que instituiu um Corpo de Bombeiros com vinte integrantes, anexo à Companhia de Urbanos que era a Corporação Policial da época. Sendo assim, ao contrário dos bombeiros fluminenses, o de São Paulo tem origem dentro da Corporação Policial.

Em 1887 essa Seção foi transferida para o prédio da Rua do Trem (atual Rua Anita Garibaldi); endereço que permanece até os dias de hoje, como uma das sedes do Corpo de Bombeiros de São Paulo.

Em 1890 o efetivo foi ampliado para uma Companhia. Em 1900 as diversas Instituições de Segurança foram reunidas numa só, denominada Força Pública de São Paulo. Desde então o Corpo de Bombeiros teve sua história ligada a essa Corporação a qual, posteriormente, viria a se tornar na Polícia Militar de São Paulo.

Cronologia do Corpo de Bombeiros no século XIX
1850 - Ocorre um incêndio na Rua do Rosário (atual Rua XV de Novembro), o incêndio é extinto por uma bomba manual emprestada por um francês chamado Marcelino Gerard.
1852 - Em decorrência de tal incêndio é apresentado na Assembleia Provincial, pelo então Brigadeiro Machado de Oliveira um Projeto de Lei de um Código sobre Prevenção de Incêndios. Nesse Código estavam regulamentados os serviços de prevenção e extinção de incêndios, ficando o povo, por lei, obrigado a cooperar com a polícia nos dias de incêndio.
1856 - Surge o Corpo de Bombeiros da Corte (atual Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro).
1861 - Ocorre um incêndio em uma livraria na Rua do Carmo.
1863 - Novo incêndio, desta vez na Rua do Comércio em uma loja de ferragens.
1870 - Um barril de pólvora explode no centro da cidade de São Paulo.
1875 - É criada uma "Turma de Bombeiros" com dez homens egressos do Corpo de Bombeiros da Corte e que ficaram adidos à Companhia de Guarda de Urbanos.
1880 - Um incêndio na Faculdade de Direito, determina a criação oficial do Corpo de Bombeiros (10 de março de 1880). O então Alferes José Severino Dias é designado em 24 de julho Comandante da Seção de Bombeiros com vinte homens (praças) oriundos da Cia de Urbanos.
1883 - Ocorre a primeira troca de comando.
1888 - O efetivo da Seção de Bombeiros aumenta para trinta praças.
1890 - Elevação a categoria de "Companhia de Bombeiros". O efetivo aumenta para sessenta homens. O Comandante passa a ser um capitão. É criada a 6ª Zona de Bombeiros no município de Santos (atual 6º Grupamento de Incêndio).
1891 - O’Connel Jersey assume o comando. É criado a Estação Oeste de Bombeiros (2ª Zona) - atual 2º Grupamento de Incêndio responsável pelo atendimento dos bairros da Barra Funda, Campos Elíseos e Lapa e a Estação Norte de Bombeiros (3ª Zona).
1893 - Os movimentos de tropas federalistas no sul do país e a situação agitada do povo diante dos acontecimentos subversivos (Revolta da Armada), faziam com que os brasileiros temessem uma guerra civil. Um contingente do Corpo de Bombeiros segue para Santos integrando à Força Policial, juntando-se às tropas em defesa da causa republicana.
1895 - É inaugurada a 3ª Zona de Bombeiros, responsável pelo atendimento dos bairros da Moóca, Brás, Belém, Penha e Vila Prudente (atual 3º Grupamento de Incêndio).
1896 - São inauguradas as estações do Norte e Oeste, inicia-se o funcionamento do 1º Sistema de Alarmes, o "Generst".
1900 - Unem-se todas as forças de segurança em uma só "Força Pública". É criado o Corpo Municipal de Bombeiros de Campinas, seu efetivo inicial era de oito homens.




ARQUIVO PÚBLICO DE SP




O Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP) é a instituição arquivística do Poder Executivo do Estado de São Paulo responsável por formular e implementar a política estadual de arquivos, por meio da gestão dos documentos produzido pelo poder executivo paulista, da preservação dos documentos categorizados como "de guarda permanente" (também chamados de "históricos"), da difusão do patrimônio documental e do acesso à informação contida em tais documentos. O APESP encontra-se instalado em um conjunto de edifícios no bairro de Santana, cidade de São Paulo, próximo à Rodoviária do Tietê. É um dos maiores arquivos públicos do Brasil, que compõem um abundante acervo para a pesquisa e ajudam no resgate da memória pública paulista.

Criado em 1891, o Arquivo Público é uma das repartições mais antigas do estado de São Paulo. Seu acervo é composto por documentos provenientes tanto das secretarias de Estado quanto do Poder Judiciário, prefeituras, cartórios e fundos privados, abrangendo manuscritos do Brasil Colônia, importantes registros pertencentes ao extinto DOPS e acervos particulares de ex-governadores e ex-presidentes, como Júlio Prestes, Washington Luis e Adhemar de Barros.

Vinculado atualmente à Secretaria de Projetos, Orçamento e Gestão, o APESP é o órgão central do Sistema de Arquivos do Estado de São Paulo (SAESP), sendo responsável pela coordenação e sistematização dos arquivos públicos paulistas, envolvendo confecção de Tabelas de Temporalidade, montagem e coordenação de Comissões de Avaliação, efetivação de descarte ou recolhimento de conjuntos documentais produzidos pelo governo paulista.

É um dos maiores arquivos públicos do Brasil, contendo um rico acervo disponível para a pesquisa pública, com mais de 25 milhões de documentos textuais e 3 milhões de documentos iconográficos e cartográficos, disponíveis para a pesquisa. Seu acervo é constituído por documentos de órgãos e entidades da Administração Públi­ca paulista, bem como por documentos privados de pessoas físicas ou jurídicas declarados de interesse público e social Possui documentos manuscritos do Brasil Colônia, registros pertencentes ao extinto DOPS, arquivos privados de ex-governadores como Mário Covas, Júlio Prestes, Washington Luis e Adhemar de Barros, bem como documentos digitais do século XXI.

O Arquivo Público do Estado também custodia acervos de órgãos e entidades extintas e, recentemente, incorporou os documentos da Companhia Paulista de Obra e Serviços (CPOS), Desenvolvimento Rodoviário S/A (DERSA), Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S.A. (EMPLASA), Fundação do Desenvolvimento Administrativo (FUNDAP), Fundação Prefeito Faria Lima - Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal (CEPAM) etc. Além da consulta ao acervo, o Arquivo Público do Estado oferece, entre outros, os serviços de certidões e cópias certificadas; reprodução de documentos; visitas monitoradas; ação educativa e edição de manuais técnicos e a Revista do Arquivo.

A instituição. O Arquivo Público do Estado é uma das mais antigas repartições públicas de São Paulo. Suas origens remontam a 1721, por iniciativa do capitão-mor Dom Rodrigues César de Meneses. Governador da então Capitania de São Paulo, César de Meneses havia determinado a seu secretário de governo, Gervásio Leite Rabelo, que desse início ao “Inventário dos Documentos da Governança”. Armazenados no Pátio do Colégio, à época sede do governo, os documentos amealhados por Rabelo constituíram o núcleo inicial do atual acervo da instituição.

Em 1892, o decreto de número 30, instituído pelo vice-governador do Estado, José Alves de Cerqueira César, criou a “Repartição de Estatística e do Archivo do Estado”, subordinado à Secretaria do Interior, e que tinha por objetivo “a guarda, coordenação e classificação de todos os papéis , documentos e livros atinentes ao Direito Constitucional, à História Política e Administrativa, à Legislação e à Geografia de São Paulo, e de todos os demais que as autoridades competentes determinarem que ali se depositem”. Assim, o “Archivo do Estado” passou a armazenar não apenas os ofícios e materiais das secretarias governamentais, mas também documentos oriundos das municipalidades, do poder judiciário, de cartórios e de particulares.[

Em 1899, o coronel Fernando Prestes de Albuquerque, então presidente do Estado de São Paulo, instituiu a Lei nº 666, de 6 de setembro, onde mandou "remover para o archivo publico do Estado todos os papeis, autos e livros existentes no cartorios dos escrivães do judicial, officiaes de registros e tabelliães de notas, anteriores ao século 19º." Dessa forma, um grande volume de documentação do período colonial e imperial passou para a guarda do Arquivo Público Estadual.

No ano de 2012, um novo prédio para a instituição foi inaugurado, este foi o primeiro prédio para suporte de grandes arquivos do Brasil. Além disso, nesse mesmo ano, foi decretada uma lei em São Paulo que regula o acesso de informações no estado, dando competência para o Arquivo Público coordenar as integrações sistêmicas dos Serviços das Informações aos Cidadãos (SIC).

As sedes


Sede atual do Arquivo Público

Do ano em que foi criado até 1906, o arquivo ocupou primeiramente o pavimento térreo e, posteriormente, parte do convento do Pátio do Colégio. Foi então transferido para os fundos do prédio da igreja Nossa Senhora dos Remédios, localizada na Rua Onze de Agosto, número 80, na região central paulistana, tendo sido demolida na década de 1940. Ocupou ainda um edifício na rua Visconde do Rio Branco esquina com rua dos Timbiras, onde funcionou até 1949. Nesse ano, o arquivo foi fechado, retomando suas atividades somente no final do ano seguinte, ou seja; em 26 de novembro de 1949 sofre um tremendo golpe: sendo obrigado a mudar-se repentinamente do prédio que foi desapropriado. 

Em 1951 o arquivo foi instalado no edifício da E. F. Sorocabana, no largo General Osório (onde funcionou o Departamento de Ordem Política e Social. Em 1953, o arquivo instalou-se na Rua Dona Antônia de Queiroz nº 183 (antigo edifício da “Manufactura de Tapetes Santa Helena”), onde o edifício contava com 165 janelas e uma boa iluminação natural, "facilitando muito menos cansaço visual dos leitores de documentação antiga", onde permaneceu até 1997.

Em 22 de abril de 1997, o Arquivo do Estado mudou-se para um conjunto de edifícios no bairro de Santana, sede da antiga "Fábrica de Tapetes Ita". Reformados para atender às necessidades da instituição, os edifícios contam com depósitos para o acervo, além de laboratórios, salas de consulta e um anfiteatro. Parte de seu acervo, denominado Arquivo Administrativo, é conservado em um antigo depósito industrial na Mooca (bairro de São Paulo), de acesso restrito.

E, em 2012, foi inaugurado um novo prédio para o conjunto. Este é o primeiro prédio brasileiro projetado especificamente para ser um Arquivo moderno, em conformidade com as especificações técnicas necessárias para garantir a guarda e a preservação de documentos permanentes. São vinte e três mil metros quadrados de área construída, distribuída em dez andares, sendo cinco com pé-direito duplo para abrigar os documentos de guarda permanente; laboratórios de conservação preventiva, restauro, microfilmagem, digitalização e acondicionamento.

O acervo 

Criado oficialmente em 1892, o Arquivo Público do Estado de São Paulo é uma das principais fontes para pesquisas documentais no Brasil e uma importante referência na historiografia brasileira. É um dos maiores arquivos públicos do Brasil, contendo um rico acervo disponível para a pesquisa pública, com mais de 25 milhões de documentos textuais e 3 milhões de documentos iconográficos e cartográficos, disponíveis para a pesquisa. A instituição abriga aproximadamente 26 mil metros lineares de documentação textual, além de um acervo iconográfico com cerca de um milhão e meio de imagens (fotografias, negativos, postais, caricaturas e ilustrações) e alguns milhares de rolos de microfilmes. Abriga ainda uma biblioteca de apoio à pesquisa, com 45 mil volumes, além da mapoteca e de uma grande hemeroteca. O acervo é dividido em “fundos públicos” (produzidos pelos órgãos do Poder Executivo Paulista, fundações e universidades públicas), “fundos privados” (documentos privados de pessoas físicas ou jurídicas declarados de interesse público e social, doados ou comprados pelo estado), “fundos cartoriais” (registros civil e de imóveis).

Do período colonial, o arquivo abriga cerca de sete milhões de manuscritos avulsos e outros mil livros manuscritos, desde inventários e testamentos a cartazes de “procura” por escravos foragidos. O item mais antigo é o chamado “Inventário do Sapateiro”, um registro dos bens de Damião Simões, datado de 1578. O setor denominado Arquivos Privados conserva documentos de particulares, como a coleção do ex-presidente Washington Luís, doada ao arquivo em testamento.

Em 1994, o Governo do Estado transferiu para o Arquivo do Estado e liberou para consulta os documentos provenientes do extinto DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) - o órgão governamental responsável por controlar e reprimir os movimentos políticos e sociais contrários ao regime no poder. Nessa coleção podem ser vistos desde fichas prisionais, prontuários de personalidades brasileiras e estrangeiras - como Elis Regina, Jânio Quadros, Papa João Paulo II e Adolf Hitler -, até correspondências privadas e oficiais, trocadas por titulares da ditadura militar no Brasil.

Possui parcerias com diversas instituições, públicas e privadas, nacionais e internacionais para o desenvolvimento de projetos e difusão do acervo, contribuindo, assim, com a formação de acadêmicos, pesquisadores e profissionais. Entre os seus parceiros estão o Ministério Público Estadual, a Imprensa Oficial, a Cinemateca Brasileira e a Universidade de São Paulo.

Sistema de Arquivos do Estado de São Paulo

Vinculado atualmente à Secretaria de Projetos, Orçamento e Gestão,[4] o APESP é o órgão central do Sistema de Arquivos do Estado de São Paulo (SAESP). O SAESP é composto ainda pelos serviços de arquivos e de protocolos da administração direta do governo estadual (secretarias de estado e Procuradoria Geral do Estado), autarquias e fundações estaduais (inclusos as universidades públicas e institutos de pesquisa), empresas públicas ou de economia mista. Ministério Público de São Paulo (desde o ano de 2000) e o Tribunal de Contas do Estado (desde o ano de 2018) também integram o SAESP por meio de termos de cooperação técnica.

Dentro do conjunto de instituições do SAESP, a função do Arquivo Público do Estado de São Paulo é a coordenação e implantação da política arquivística, estabelecendo normas e procedimentos para a organização dos arquivos, bem como para produção, tramitação e eliminação de documentos. Além disso, desenvolve atividades de assistência técnica, capacitação e monitoramento dos órgãos setoriais do SAESP, mantendo interlocução permanente com as Comissões de Avaliação de Documentos e Acesso (CADA). E, por meio do Programa de Institucionalização de Arquivos Públicos Municipais, fornece orientação técnica a prefeituras e câmaras municipais dos municípios paulistas.

Lei Estadual de Acesso à Informação

O Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP) também é responsável por propor a política do Estado de São Paulo para o acesso aos documentos públicos. Por isso, o APESP participou ativamente da regulamentação da Lei de Acesso à Informação (LAI) no âmbito da Administração Estadual, resultando no Decreto Estadual n° 58.052/2012, que definiu a gestão documental como condição necessária para garantir o direito de acesso às informações. O Decreto também atribuiu ao Arquivo Público do Estado as competências de: presidir a Comissão Estadual de Acesso à Informação (CEAI),
propor normas, procedimentos e requisitos técnicos complementares para o tratamento da informação,
coordenar os Serviços de Informação ao Cidadão (SIC), e gerenciar o Sistema SIC.SP, ferramenta de registro de pedidos de acesso à informação e controle de prazos de resposta, por meio de sua Central de Atendimento ao Cidadão (CAC).

A CEAI (item 1) é a terceira e última instância recursal para os indeferimento de pedidos de acesso à informação recebidos pela Administração Estadual. O tratamento da informação (item 2) diz respeito a "produção, recepção, classificação, utilização, acesso, reprodução, transporte, transmissão, distribuição, arquivamento, armazenamento, eliminação, avaliação, destinação ou controle da informação". Os SICs (item 3) são unidades criadas nos órgãos e entidades da Administração Pública Estadual para receber recursos e pedidos de acesso à informação, e para controlar os prazos de resposta. Já o CAC (item 4) capacita, orienta, coordena e integra os SICs em sua atuação, além de gerenciar o sistema online SIC.SP por onde tramitam os pedidos e recursos.

A ação educativa do Arquivo Público do Estado de São Paulo tem como responsabilidade elaborar alguns programas educativos que tem por objetivo a aproximação do APESP com instituições educacionais e com toda a sociedade em geral. Algumas das atividades realizadas pelo conjunto são as oficinas pedagógicas direcionadas a professores e alunos de todos os graus de ensino e as exposições virtuais. O processo pedagógico é feito com professores da rede pública e privada, com propósito de aproximação dos envolvidos com artigos históricos da cidade de São Paulo.

SP Sem Papel. No âmbito do Programa SP Sem Papel, o Arquivo Público do Estado de São Paulo e a Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (PRODESP) realizaram testes, fizeram análise de requisitos, mapearam e modelaram documentos, além de elaborarem regras para parametrização e aprimoramento tecnológico do sistema SIGAdoc. A ideia do Programa é transicionar a Administração Estadual para a produção digital de documentos, em vez de produzí-los e tramitá-los em papel.

ArquivoDigital.SP. Considerando a inclusão progressiva e segura da administração pública nas práticas digitais, o Arquivo Público do Estado criou o Programa Arquivo Digital.SP, composto por diversas ações que visam adotar políticas, técnicas e procedimentos de preservação e segurança digital capazes de controlar os riscos decorrentes da degradação do suporte, da obsolescência tecnológica, bem como garantir a integridade, autenticidade e disponibilidade dos documentos, dados e informações governamentais. Nesse sentido, está em construção um piloto de repositório arquivístico digital confiável (RDC-Arq) capaz de garantir a preservação de documentos de guarda intermediária longa e de guarda permanente.

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OSESP-ORQUESTRA SINFÔNICA DO ESTADO DE SÃO PAULO

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, também conhecida como Osesp, é um equipamento cultural do Governo do Estado de São Paulo e uma das principais orquestras do Brasil, fundada pela Lei nº 2 733, de 13 de setembro de 1954. A maioria de suas apresentações acontecem dentro de sua temporada anual – em 2022, foram 91 concertos na "Temporada Osesp – Vasto Mundo". Realiza de forma recorrente turnês nacionais e internacionais e marca presença em festivais, como o Festival de Inverno de Campos do Jordão, e outros projetos, como o OsespMASP.

Desde 1999 tem como sede a Sala São Paulo, considerada uma das melhores salas de concerto do mundo,onde são realizadas apresentações sinfônicas, corais e de câmara de grupos artísticos variados.

Desde 2005, a Osesp é gerenciada pela Fundação Osesp, organização social de cultura que mantém contrato de gestão com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo para a manutenção e desenvolvimento da Orquestra, bem como a Sala São Paulo, o Coro da Osesp, os coros Infantil e Juvenil da Osesp, a Academia de Música da Osesp, a Editora da Osesp, o Centro de Documentação Musical ‘Maestro Eleazar de Carvalho’ e o Festival de Inverno de Campos do Jordão. Realiza, ainda no escopo do contrato de gestão, ações de educação musical para crianças, jovens e adultos; promoção, capacitação e treinamento de profissionais das áreas da música e da educação; e formação de plateias.


Apesar de ter realizado seu primeiro concerto no dia 18 de julho de 1953, a fundação da Osesp – na época denominada Orquestra Sinfônica Estadual – foi oficializada somente em 13 de setembro de 1954, pela Lei Estadual nº 2 733, na gestão do então governador do Estado Lucas Nogueira Garcez. Quem assume como primeiro Regente Titular é o pianista, maestro e compositor João de Sousa Lima. Mesmo tendo sido criada por lei, os concertos não têm continuidade nos anos seguintes e a orquestra passa por um recesso de 10 anos.

A Osesp só volta à ativa em 1964, quando o maestro italiano Bruno Roccella assume o cargo de Regente e Diretor Artístico. Na época, o contingente de músicos chegava a 80 pessoas. Este período de atividades durou cerca de quatro anos, durante os quais a orquestra se apresentou ao menos 22 vezes na capital paulista.

Após outro recesso de quase cinco anos, em 1973 a Osesp passa por seu primeiro grande processo de reestruturação sob a condução do então Diretor Artístico e Regente Eleazar de Carvalho. O maestro dedicou 23 anos de vida à frente da orquestra, período intenso de atividades e muito importante para consolidar a orquestra e pavimentar o caminho para o reconhecimento que cresceu nas décadas seguintes. Um exemplo disso foi a criação, em 1973, da programação pedagógica dentro do Festival de Inverno de Campos do Jordão, evento criado por Carvalho, Camargo Guarnieri e João de Sousa Lima em 1970. O objetivo era conceder bolsas de estudo para jovens no campo da música. Até hoje, a iniciativa possibilita que estudantes tenha contando com professores renomados.

A mudança do nome da época, Orquestra Sinfônica Estadual, para o atual (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), acontece em 1978. O objetivo era de "distingui-la, convenientemente, de outras, da mesma natureza, pertencentes aos diferentes estados da federação".

A década de 1980 é marcada por maiores dificuldades financeiras. Foi apenas em 1980 que os músicos da Osesp passaram a ser contratados no regime CLT.A regularização dos contratos, somada à contratação de mais 42 músicos, deu início ao período mais produtivo sob a regência de Eleazar de Carvalho. A orquestra se apresentava semanalmente no Teatro Cultura Artística, que tinha a presença de uma audiência fiel e da atenção dos críticos dos principais jornais do país. Isso criou um "tímido mas efetivo sistema de música clássica". O movimento só durou até 1985, quando o convênio com o Teatro venceu e a Osesp precisou se deslocar para o antigo cinema do Edifício Copan.


Em 1989, a Osesp foi realocada novamente, dessa vez para o Auditório Simón Bolívar, no então recém-inaugurado Memorial da América Latina. O auditório era usado para outras finalidades e muitas vezes a orquestra não podia nem mesmo ensaiar. Essa precariedade das instalações, somada ao desânimo causado nos músicos por conta dos salários baixos, estabeleceu um dos momentos de maiores privações da Osesp.

O cenário muda com a morte de Eleazar de Carvalho, em 1996. No ano seguinte, a convite do então Secretário do Estado da Cultura Marcos Mendonça, John Neschling assume como Regente Titular e inicia a maior reestruturação da história da Osesp. O processo é pautado por diretrizes que já haviam sido estabelecidas por Carvalho em seus últimos meses de cargo: uma nova sede e melhores salários para os músicos.


O IMPACTO INDUSTRIAL PAULISTA E A FIESP


Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) MHMAIC é entidade politica da indústria paulista entre seus pares na indústria brasileira. A FIESP é filiada à Confederação Nacional da Indústria (CNI). A entidade reúne 52 unidades representativas no estado de São Paulo, que representam 133 sindicatos patronais e 130 mil indústrias


A federação localiza-se na cidade de São Paulo. O edifício das entidades da indústria paulista hospeda o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP), o Serviço Social da Indústria de São Paulo (SESI-SP), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (SENAI-SP), o Instituto Roberto Simonsen (IRS) e a sede de alguns sindicatos filiados.


Paulo Skaf foi eleito presidente da FIESP, em 2004. Ele foi reeleito presidente da federação em 2007 e reeleito novamente em 2011 e 2017, ficando no cargo até 31 de Dezembro de 2021. Em junho de 2014, o empresário Benjamin Steinbruch, diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e do Grupo Vicunha, assumiu a presidência da FIESP em substituição a Skaf, que foi candidato ao governo do Estado de São Paulo.


Em Julho de 2021, o empresário Josué Gomes da Silva foi eleito presidente do CIESP e Rafael Cervone Netto 1º vice-presidente, junto com a nova diretoria para o quadriênio 2022-2025. Gomes sofreu um processo de impeachment e foi removido do cargo em janeiro de 2023.


História. Durante a Revolução de 1924 comandada pelo general Isidoro Dias Lopes, o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), José Carlos de Macedo Soares permaneceu na cidade de São Paulo, que estava sendo bombardeada para proteger os bairros operários, as fábricas e os estabelecimentos comerciais. Com a derrota da resistência, Macedo Soares foi acusado de ter cooperado com a revolução e foi mandado para o exílio. A ACSP ficou enfraquecida sem o seu presidente.


Em 1928, um grupo de empresários da Associação Comercial de São Paulo, liderados por Jorge Street, Francisco Matarazzo e Roberto Simonsen fundaram o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo CIESP, uma associação privada que apoia e representa os interesses das Indústrias. Em 1931, Matarazzo, Simonsen, Street e um grupo de empresários fundaram a FIESP para pleitear pela competitividade das indústrias no Brasil, reivindicar para diminuir os custos de produção e conter a desindustrialização. Durante o governo Vargas, o CIESP e a FIESP permaneceram separados. Após a Segunda Guerra Mundial, as entidades voltaram a atuar juntas.


Após o Golpe Militar de 1964 a Federação foi desmobilizada, perdeu seu presidente Rafael Noschese (em 1966), desmontou seu departamento econômico e ficou incapaz de produzir documentos sobre a economia brasileira por oito anos.


Em 18 de agosto de 1997 foi agraciado como membro-honorário da Ordem Civil do Mérito Agrícola, Industrial e Comercial Classe Industrial de Portugal. Em 2002, a foi concedida a insígnia da Ordem do Mérito Militar pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.



Edifício sede da FIESP na avenida Paulista na Capital. Foto: Wilfredo Rafael Rodríguez Hernández


A FIESP possui 52 unidades representativas no estado de São Paulo. A federação reúne 133 sindicatos patronais e 130 mil indústrias, reunindo setores que, segundo o ex-presidente Skaf informou para o ano de 2008, compõem 42% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial do Brasil. Skaf foi eleito presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo FIESP, do do Serviço Social da Indústria SESI-SP, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI-SP e do Instituto Roberto Simonsen IRS em 2004. Ele foi reeleito presidente das federações em 2007 e reeleito novamente em 2011.

 Possui também diversos comitês, departamentos e conselhos que representam diferentes setores industriais. Entre os comitês estão o Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da FIESP, que é um grupo formado por jovens empreendedores que participam de diversas atividades da federação, acompanhando reuniões dos conselhos superiores, departamentos e outros comitês. O CJE interage com diversas entidades para promover o empreendedorismo. O Comitê de Ação Cultural (Comcultura) da FIESP, que é um grupo que promove ações culturais de acesso à arte e à cultura junto à comunidade. O Comitê de Responsabilidade Social da FIESP (Cores), que é um grupo formado por profissionais de diversos setores que orientam sindicatos e indústrias na gestão de responsabilidade social, meio ambiente e direitos humanos.

A Câmara de Conciliação, Mediação e Arbitragem de São Paulo da FIESP, que atua na administração, conciliação, mediação de arbitragens de conflitos empresariais para que diminua o número de processos abertos nos tribunais do Brasil.

Sede. O edifício sede da FIESP é um dos principais marcos arquitetônicos da cidade, além de uma das principais atrações da Avenida Paulista, por conta do seu formato de pirâmide. O edifício tem 92 metros de altura e é um dos maiores da avenida. O edifício foi projetado pelo escritório de arquitetura Rino Levi, vencedor de um concurso em 1969, e inaugurado em 1979. Em 1998 o prédio foi reformulado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha para a criação de um centro cultural nos pisos do térreo.


Centro Cultural Ruth Cardoso. A FIESP financia e apoio culturalmente o Centro Cultural FIESP Ruth Cardoso, fundado em março de 1998 e cujo nome homenageia a antropóloga Ruth Cardoso. O espaço inclui o Teatro do SESI, a galeria de arte do SESI-SP e o Espaço Mezanino. O Centro Cultural apresenta espetáculos teatrais, exposições, shows, projeções de filmes e palestras. 


CENTRO DAS INDÚSTRIAS

Jornada de mais de 95 anos. O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), entidade civil sem fins lucrativos, fundado em 1928, reúne empresas industriais e suas controladoras, e associações ligadas ao setor produtivo, bem como empresas que possuem por objeto atividades diretamente relacionadas aos interesses da Indústria.

Com sede na capital, o Ciesp também está presente no interior do Estado de São Paulo, por meio de suas 42 Diretorias Regionais, Municipais e Distritais, formando uma sólida estrutura a serviço de mais de 8 mil empresas associadas.

Suas ações são baseadas na preservação dos interesses gerais da Indústria e de seus associados.Mais de 95 anos trabalhando em defesa da indústria representando os interesses do setor no âmbito Municipal, Estadual e Federal. Atua em todos os segmentos, incentivando a produtividade e fomentando a geração de novos negócios.

Os associados ao Ciesp têm à disposição um conjunto de serviços, bem como assessoria nas áreas jurídico-consultiva e técnica, econômica, comércio exterior, infraestrutura, tecnologia industrial, responsabilidade social, desenvolvimento sustentável, crédito, e apoio em pesquisas, feiras, simpósios, rodadas de negócios, cursos, convênios e demais eventos promovidos pela entidade.


A EMBLEMÁTICA  VOTORANTIM



História. José Ermírio de Moraes, um engenheiro pernambucano formado pela Escola de Minas do Colorado, compra as ações e assume o controle da empresa de seu sogro, o imigrante português Antônio Pereira Inácio, que em 1918 havia adquirido uma fábrica de tecelagem localizada no bairro Votorantim em Sorocaba, São Paulo. É neste ponto que se inicia a história da companhia.

A Votorantim S/A (VSA) é uma multinacional brasileira de controle familiar, criada pelo engenheiro pernambucano José Ermírio de Moraes. Com presença global, atua hoje em 19 países com investimentos nos setores de mineração, cimento, energia, finanças, investimentos imobiliários e produção de suco de laranja concentrado, possui mais de 34 mil funcionários e registrou um lucro líquido de R$ 2 bilhões em 2018.

Em função da Grande Depressão, ocorrida alguns anos depois, José Ermírio passou a diversificar as frentes de negócios da empresa, que até então atuava somente no setor têxtil, e ingressou no setor químico através da aquisição da Companhia Nitro Química. Investiu também na produção de cimento e alumínio, fundando a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) e passou a atuar nos setores de energia, siderúrgico, papel e celulose, financeiro e suco de laranja. Com o seu falecimento em 1973, seu filho Antônio Ermírio de Moraes assumiu o controle da companhia, juntamente com seu irmão José Ermírio de Moraes Filho.

Em 2001, a investidora inicia seu processo de internacionalização através da compra da St. Marys Cement, no Canadá, dando início à Votorantim Cimentos North America.

Em 2003, a Votorantim cria um centro de documentação e pesquisa responsável pelo legado e preservação da história da empresa, que desenvolve um trabalho de catalogação e registro da história oral dos empregados. Contando com uma lista de empresas em seu portfólio, a Votorantim se torna a única holding brasileira de capital fechado a possuir classificação nas três mais importantes agências de rating: Moody’s (2007), Fitch Ratings (2006) e Standard & Poor’s (2005).

Em 2009, um estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) classifica a gestora como uma das cinco multinacionais brasileiras com maiores ativos no exterior, somando US$ 7.8 bilhões.

Em 2016, 2017 e 2018, a Votorantim é mencionada nos rankings Melhores Empresas para Trabalhar e Melhores Empresas para Começar a Carreira, ambos organizados pela revista Você S/A. Também foi reconhecida em 2018 pela premiação das 150 melhores empresas para trabalhar, pela Great Place to Work (GPTW) com publicação na Época Negócios.

Governança Corporativa. O sistema de Governança Corporativa do Grupo começou nos anos 90 quando a 3ª geração de acionistas da família ficou responsável por criar um modelo de gestão de acordo com a competitividade industrial da época, mais agressivo e globalizado.

Com isso, a gestora passa a utilizar um formato de governança que assegurava o crescimento e o equilíbrio entre acionistas familiares e executivos da companhia. Esse modelo foi consolidado em 2001 e passou a ser exercido pelo Conselho de Administração da Hejoassu, empresa que opera o controle acionário da Votorantim.

A estrutura englobava o Conselho da Família, responsável pela interface entre os familiares e empresas do portfólio com o acompanhamento da sua educação, e o Conselho da Votorantim Participações, encarregado de definir estratégias e diretrizes da companhia como a validação do planejamento de todas as frentes de negócio.

Em função do seu modelo de governança, a Votorantim recebeu o reconhecimento internacional do Instituto suíço IMD Business School e do Lombard Oder Darier Hentsch Bank em 2005, sendo considerada a melhor empresa familiar do mundo e sendo a primeira companhia latino-americana a receber este reconhecimento.

Para seguir aprimorando seu sistema de gestão, foram criados, em 2013, novos Conselhos e Comitês de Supervisão para cada empresa do portfólio, liderados por conselheiros Votorantim Participações, executivos e representantes independentes.

Em janeiro de 2016, houve uma reestruturação societária das holdings em que a Votorantim Participações foi incorporada pela Votorantim Industrial, que passou a se chamar Votorantim S.A .

Segmentos de atuação. As empresas investidas da Votorantim S/A são:

Votorantim Cimentos. Fundada em 1936, através da fábrica Santa Helena, é primeira empresa da companhia. No início, produzia cimentos da marca Votoran e estava localizada em uma área industrial de Sorocaba (São Paulo). Em 2002 a Votorantim Cimentos expandiu a sua presença no mercado brasileiro com a aquisição da empresa Engemix, especializada em serviços de concretage. Dois anos mais tarde, a empresa Holcim, que atuava no mesmo segmento, foi incorporada à Engemix. Sendo três vezes destaque no prêmio “Melhores e Maiores” da revista Exame (2014, 2015 e 2016), a Votorantim Cimentos atua em 14 países e é a 7ª maior companhia do setor cimenteiro em capacidade instalada do mundo. Em 2017, liderou o ranking Transparência em Relatórios Corporativos, divulgado pela organização Transparência Internacional Brasil.
Acerbrag

Em 2017, a Votorantim firma um acordo com a ArcelorMittal pelo qual as operações de siderurgia da Votorantim no Brasil, controladas pela Votorantim Siderurgia, passam a ser subsidiárias da ArcelorMittal. Com isso, a Votorantim se torna acionista da empresa. A gestora continua a investir no setor siderúrgico por meio de sua empresa internacional: a AcerBrag. Em 2022, a Paz del Río foi vendida pelo grupo Trinity.

CBA. As atividades ligadas à produção de alumínio têm início com a construção da Companhia Brasileira de Alumínio, a CBA, inaugurada em 1955, localizada no interior de São Paulo.

Em função da alta demanda de energia das plantas de alumínio da companhia, a Votorantim inicia a construção de usinas hidrelétricas na bacia do Rio Juquiá (Vale do Ribeira/SP). Esse investimento cresce para formar o Complexo Juquiá que conta, ao todo, com sete usinas. Para assegurar o abastecimento contínuo de águas nas usinas dessa região, são adquiridos 31 mil hectares de Mata Atlântica nas áreas próximas de rios e nascentes, mantendo assim sua proteção. Em 2012, a área se transforma na Reserva Legado das Águas, embora a região seja conservada por mais de 50 anos pela Votorantim. Nos anos que seguem, a CBA conquista o Prêmio de Excelência da Indústria Minero-metalúrgica Brasileira, realizado pela revista Minérios y Minerales.

Nexa Resources. A Votorantim Metais (atual Nexa) é inaugurada em 1956 com a produção de zinco feita pela refinaria Três Marias, em Minas Gerais. Suas operações iniciam em 1969, com o uso do minério tratado em Vazante. 

Em 2004, a empresa aumenta a sua abrangência com a aquisição da refinaria Cajamarquilla, no Peru, e torna-se internacional. Um ano depois, compra participações da mineradora Milpo e, em 2010, assume o controle total da terceira maior produtora de zinco do Peru. Nos anos seguintes, amplia sua atuação para os Estados Unidos e Luxemburgo

Em 2005, a Votorantim Metais é classificada como uma das 10 maiores empresas de mineração do Brasil, segundo a “Melhores e Maiores” da Revista Exame e, em 2012, conquista o título de uma das “Melhores Empresas para se Trabalhar” no Brasil pela Você S/A. 

Em 2017, a empresa muda seu nome e torna-se Nexa Resources ao realizar a precificação da sua oferta pública de ações (IPO) nas Bolsas de Toronto e Nova York. Considerada uma das cinco maiores produtoras de zinco do mundo e a líder na América Latina, a Nexa Resources conta com um portfólio diversificado que inclui ainda: chumbo, prata, cobre, ouro, minérios, metais não-ferrosos e químicos. 

Citrosuco. A Votorantim inicia suas operações dentro do setor de suco de laranja concentrado em 1989 com a criação da Citrovita. Em 2010, essa empresa se funde à Citrosuco, do Grupo Fisher, e passa a adotar este nome, tornando-se a maior produtora mundial de suco de laranja concentrado.

Banco BV. O Banco BV foi fundado em 1988, como uma distribuidora de valores mobiliários (DTVM). Em 1991, se torna um banco múltiplo. Devido seu crescimento nos anos seguintes, é considerado uma das cinco instituições com maior grau de acerto em suas projeções de curto, médio e longo prazo. Em 2009, visando a expansão dos negócios e o reforço da competitividade do Banco, a Votorantim firma um acordo de parceria estratégica com o Banco do Brasil, dando direito ao equivalente de 50% do capital social total dele para o BB. O Banco BV conta com 5.052 funcionários e soma um total de ativos equivalente a R$ 108.028 milhões (2016).

Votorantim Energia. Criada em 1996, a Votorantim Energia é uma das maiores autoprodutoras de energia do setor privado. A primeira usina da companhia foi construída com o objetivo de suprir a necessidade energética. O grupo tem sob sua gestão 33 hidrelétricas.

Em 2018, a Votorantim Energia inaugura o Complexo Eólico Ventos do Piauí anunciando a entrada da empresa no investimento em energia eólica.

No dia 19 de outubro de 2018, o consórcio São Paulo Energia, formado entre as empresas Votorantim Energia e o Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB), arrematou o controle acionário do governo paulista na CESP, pelo v alor de R$ 1,7 bilhão.Adicionalmente, o consórcio deveria pagar R$ 1,397 bilhão de outorga pela renovação antecipada da concessão da Usina Engenheiro Sérgio Motta (Porto Primavera), por 30 anos, até 2048. O contrato de concessão com o governo federal venceria em 2028.

Em 28 de março de 2022, a CESP foi incorporada pela VTRM Energia, joint venture da Votorantim Energia e do CPPIB, e a nova empresa resultante da fusão passou a se chamar Auren Energia.

Em 15 de maio de 2024, foi anunciada a compra da AES Brasil pela Auren. Com a incorporação dos ativos da AES Brasil, seria criada a terceira maior geradora do Brasil, com 8,8 GW de capacidade instalada. Será feita uma reorganização societária que converterá a AES em subsidiária integral da Auren e ocorrerá a unificação das bases acionárias da Auren e da AES Brasil.

Altre. Constituída no fim de 2020 como uma plataforma de investimentos imobiliários da Votorantim, a Altre avançou em diversas frentes no decorrer de seu primeiro ano completo de atuação — a começar pela estruturação da governança, com a nomeação de Diretor-Presidente e a instituição de seu Conselho de Administração, incluindo membros independentes. A Altre escolheu instalar-se na Vila Leopoldina, bairro da capital paulista onde, desde 2016, a empresa vem conduzindo um inovador projeto de ressignificação urbana sob o conceito de smart cities, que consiste em aliar desenvolvimento econômico a ganhos sociais.

O complexo instalado na região, que, em 2021, passou a ser denominado Spark e ganhou marca própria, agrega o espaço de entretenimento ARCA e o hub de inovação e tecnologia STATE — resultados de retrofits realizados em antigos galpões de propriedade da holding —, além do empreendimento Atlas Office Park, de escritórios corporativos.

Em 2021, grande parte dos eventos realizados na ARCA foram on-line, em razão da pandemia, mas também ocorreram alguns presenciais com destaque para o SP-Arte, Festival Internacional de Arte de São Paulo, que levou ao espaço cerca de 7 mil pessoas por dia, no decorrer de cinco dias. Com o arrefecimento da crise sanitária, a agenda de eventos para 2022 está disputada. Ao lado do STATE, foram concluídas obras de ampliação e retrofit de novos espaços de escritório. Parte deles já foram locados e abrigam a nova sede de uma grande empresa de móveis e decoração. No Atlas Office Park, onde está instalada a sede da Altre, o destaque foi a aquisição dos 50% de participação remanescente do capital do empreendimento, que agora passou a pertencer integralmente à Altre.

Na vertical de desenvolvimento de bairros planejados, a Altre conduziu movimentos relevantes no ano, como o lançamento da primeira fase do Vivalegro, um novo bairro no município de Votorantim, em São Paulo, que teve os 450 lotes da 1ª fase 100% vendidos. A iniciativa foi a largada para o fortalecimento da estratégia da Altre no desenvolvimento de ativos próprios. Ao mesmo tempo, a empresa vem conduzindo o licenciamento de bairro planejado no município de Paulista, em Pernambuco, com previsão para lançamento da primeira fase ainda em 2022.

Na pauta de novos investimentos, além da aquisição da participação recente do Atlas Office Park, a Altre adquiriu 60% da torre corporativa do empreendimento Alto das Nações, que será o edifício mais alto da capital paulista após a sua conclusão, prevista para 2025. Além disso, iniciou a prospecção de oportunidades de investimento imobiliários nos Estados Unidos.

Instituto Votorantim. Com o intuito de fazer a gestão do investimento social privado, nasceu o Instituto Votorantim em 2002. O Instituto é responsável por definir o foco de atuação das empresas e definir suas diretrizes na área de responsabilidade social. O trabalho desenvolvido é voltado para as comunidades dos municípios s em que as empresas investidas da Votorantim estão presentes, atuando em políticas socioambientais, educação e desenvolvimento local. O Instituto também atua em parceria com ONGs e monitora resultados dos trabalhos nas comunidades.

Em 2013 e 2015, o Instituto ganha o Prêmio Latino Americano de Desenvolvimento de Base, cujo objetivo é valorizar iniciativas comunitárias focadas no combate à pobreza na América Latina. Também em 2015, o Programa ReDes, desenvolvido pelo Instituto Votorantim e pelo BNDES, é reconhecido pelo PNUD como uma das iniciativas de inclusão social do Brasil.

Em 2016, o Instituto Votorantim executa 340 projetos entre iniciativas próprias e apoio a projetos locais, totalizando um investimento equivalente a R$ 108,50 milhões de reais. Motivado pela celebração de 100 anos da Votorantim, em 2018, o Instituto aumentou a abrangência do Parceria Votorantim pela Educação (PVE) para 103 municípios.

Legado das Águas. Entre 1920 e 1950, Antonio Ermírio de Morais, membro acionista da Votorantim, adquire 31 mil hectares de Mata Atlântica, a fim de garantir a proteção das nascentes e dos rios utilizados pelas usinas do Complexo Juquiá. Considerado a maior reserva de mata atlântica privada do Brasil, o Legado das Águas fica no Vale do Ribeira, sul do estado de São Paulo e abrange três municípios: Juquiá, Miracatu e Tapiraí. 

Até 2012, a Votorantim firma um acordo com o Governo do Estado de São Paulo para a implantação de uma reserva que oferece um legado positivo para a sociedade, desenvolvendo atividades de pesquisa, educação ambiental e turismo sustentável, além de possibilidades de negócio a partir dos recursos ambientais ali presentes. Com isso, a área adquirida entre as décadas de 20 e 50 transformam-se na Reserva Legado das Águas.

A BENEFICÊNCIA PORTUGUESA

A Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência , mais conhecida como BP, situada na cidade de São Paulo, no Brasil, é um dos maiores e mais avançados complexos hospitalares privados da América Latina.

Localizados no bairro Bela Vista, os hospitais da Beneficência contam com aproximadamente 7.500 colaboradores e 3.000 médicos, e atendem anualmente a cerca de 1,9 milhão de pacientes em mais de 50 especialidades médicas.


Hospital em fotografia de Guilherme Gaensly


História. A Beneficência Portuguesa foi criada por iniciativa dos pequenos comerciantes portugueses Luís Semeão Ferreira Viana e Joaquim Rodrigues Salazar, aos quais somou-se ainda Miguel Gonçalves dos Reis. A fundação oficial da organização benemérita realizou-se a 2 de outubro de 1859 numa reunião na residência do também português Aires Coelho da Silva Gameiro, mais tarde Barão da Silva Gameiro.
 Originalmente, a instituição destinava-se à ajuda mútua entre os sócios, membros da comunidade portuguesa de São Paulo. Os estatutos de 1859 especificavam que "Os Portugueses reunidos como membros d'esta Associação têm por objetivo contribuir com os meios pecuniários, e zelo munificiente para minorar os males que sobrevierem a qualquer dos associados."

Silva Gameiro foi o primeiro presidente da instituição, que inicialmente contava com 118 sócios. Em 1864 os associados eram já 290 pessoas, e começaram os preparativos para a construção de uma sede própria. Finalmente, em 1873, foi lançada a primeira pedra do Hospital São Joaquim, erguido na rua Alegre (hoje Brigadeiro Tobias). A inauguração foi realizada em 1876 e durante sessenta anos esse foi o único edifício da Beneficência.

Na década de 1950, já sob a presidência de José Ermírio de Moraes, foi construído na rua Maestro Cardim o primeiro edifício do novo complexo do Hospital São Joaquim, inaugurado a 16 de junho de 1957. Entre 1971 e 2008 a Beneficência foi presidida por Antônio Ermírio de Moraes, do Grupo Votorantim. Atualmente é dirigida por Rubens Ermírio de Moraes.

Hospitais. A Beneficência Portuguesa possui três hospitais, dois deles estão localizados nos nobres bairros: Bela Vista e Paraíso (bairro de São Paulo). Hospital de São Joaquim: possui um total de cinco edifícios e uma área total de 143 mil m². Atende anualmente a 300 mil pacientes, 60% dos quais através do Sistema Único de Saúde (SUS). Hospital de São José: inaugurado em 2007 e com uma área total de 23 mil m², foi projetado para ser referência em oncologia, cardiologia, ortopedia e neurologia.

A Beneficência Portuguesa de São Paulo possui um total de 1.080 leitos, 233 destinados a UTI, 52 salas de cirurgia, além de setores de diagnóstico e ambulatório. Em 2010, realizaram-se 34 mil cirurgias e mais de 4 milhões de exames. Também é considerada um centro de referência em transplantes. Entre 1973 e 2010, foram realizados 4.050 transplantes de coração, fígado, medula, rim, pulmão, entre outros.

Homenagens. A denominação "Real e Benemérita" foi outorgada por El-Rei Dom Carlos I de Portugal em 22 de novembro de 1900. A 1 de Maio de 1947 foi feita Comendadora da Ordem de Benemerência e a 17 de Setembro de 1954 Comendadora da Ordem Militar de Cristo, tendo sido elevada a Grã-Cruz da Ordem de Benemerência a 12 de Outubro de 1959 de Portugal.

Em maio de 2008, Antônio Ermírio de Moraes, presidente da Beneficência, recebeu das mãos do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a Medalha de Mérito Oswaldo Cruz, pelo atendimento realizado pela Instituição para o Sistema Único de Saúde (SUS). Em agosto do mesmo ano, a Instituição foi homenageada por sua atuação no terceiro setor, com relevantes serviços prestados à população carente, no 11º Seminário CIEE/Gazeta Mercantil do Terceiro Setor.

Sua denominação anterior era Real e Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficência, que teve de ser modificada em virtude do surgimento do novo Código Civil Brasileiro, em vigor desde janeiro de 2003, que exigia que dentro de um ano as entidades beneficentes adequassem seus estatutos às novas disposições. Naquela ocasião verificou-se a necessidade de mudar de "Sociedade" para "Associação" por ser uma instituição totalmente sem fins lucrativos.


ANTÔNIO ERMÍRIO DE MORAES


Foto: Saúde Business/ Informa Markets

Antônio Ermírio de Moraes  (São Paulo, 4 de junho de 1928 — São Paulo, 24 de agosto de 2014) foi um escritor, empresário, engenheiro e industrial brasileiro. Foi presidente e membro do conselho de administração do Grupo Votorantim. Filho do engenheiro pernambucano José Ermírio de Moraes, assumiu controle acionário do Grupo Votorantim, comprando as ações de uma empresa de tecelagem localizada na cidade homônima, no estado de São Paulo, que pertencia ao seu sogro, avô de Antônio Ermírio, o imigrante português António Pereira Inácio, e diversificando o negócio. Sua mãe, Helena Rodrigues Pereira, natural de Boituva, teve quatro filhos com José Ermírio, dos quais Antônio Ermírio foi o segundo.

Antonio Ermírio nasceu sem um rim e isso o ajudou a lutar toda a vida. Após se formar no Colégio Rio Branco, tradicional escola da cidade de São Paulo, formou-se em engenharia metalúrgica em 1949 pela Colorado School of Mines, mesma universidade que seu pai, José Ermírio, estudou. Casou em 1953 com Maria Regina.

Na década de 1950, sua família foi tachada de louca por querer concorrer com os grandes produtores de alumínio, como Alcan, Alcoa e Vale, fundou a Companhia Brasileira de Alumínio. A empresa iniciou suas operações em 1955 produzindo apenas 4 mil toneladas e completou seu cinquentenário com 400 mil toneladas.

Em 1956, teve de contrair empréstimos que equivaliam a 16 meses de faturamento, na mesma época sofreu um acidente ao visitar a unidade e, queimado por soda cáustica, ficou um mês de cama - esta experiência ajudou a sedimentar em sua obsessão por conduzir o Grupo Votorantim da forma mais conservadora possível, evitando contrair dívidas.

Após assumir o grupo, Antônio Ermírio transformou-o em uma multinacional, com a aquisição de uma fábrica de cimento Cimenteira St. Mary´s no Canadá. Expandiu o Grupo Votorantim, com mais de 60 mil funcionários, atua nas áreas de cimento, celulose, papel, alumínio, zinco, níquel, aços longos, filmes de polipropileno biorientado, especialidades químicas e suco de laranja.

Apesar de o grupo Votorantim possuir um Banco, Ermírio foi um crítico do sistema financeiro e da especulação financeira:

Se eu não acreditasse no Brasil, seria banqueiro.

Quando o Banco foi criado não se conformava com o fato dele, ocupando somente um andar e empregando poucos funcionários, ser mais lucrativo do que sua Companhia Brasileira de Alumínio. Em relação ao banco Ermírio costumava brincar que a instituição só foi criada "para não pagar os juros cobrados pelo mercado e estabelecidos pelo Banco Central".

Ao mesmo tempo que lida com matérias-primas, Ermírio deu o aval para a criação da Votorantim Ventures, a caçula das empresas do grupo criada há quase quatro anos. A Ventures é um fundo de investimento com trezentos milhões de dólares para investir em áreas tão diversas como biotecnologia, bioinformática, distribuição de MRO, serviços de datacenter e de call center, comércio eletrônico e biodiversidade.

Assim como o pai, ingressou na política, lançando-se à candidatura a governador nas eleições estaduais em São Paulo em 1986 pela União Liberal Trabalhista Social (PTB, PL e PSC), ficando em segundo lugar, perdendo para Orestes Quércia, do PMDB, em uma época em que não havia segundo turno). Durante esta experiência ficou chocado com as manobras políticas e fisiológicas, todos que o abordavam pediam cargos para poder ficar sem trabalhar.

***
Paródias da campanha política das eleições para governado em 1986:

"Orestes fala, Maluf faz...
Ermírio xinga, Maluf faz
Maluf faz, faz, faz, faz...
A gente andar pra trás faz, faz, faz..."

" Eu toco violão (boneco do Quércia, que tinha aparecido na TV tocando violão clássico)
Eu toco piano (boneco do Maluf, sugerindo que o candidato tinha ficha suja na polícia)
Eu toco o pau na cabeça na cabeça dos meus empregados (sugerindo Ermírio com o mau patrão e represssor das greves)"


HOMEM DE TEATRO

Foi a frustração com a política que levou Antônio Ermírio a escrever peças teatrais, dizia que "a política é o maior de todos os teatros". É autor de três peças de teatro, duas já lançadas no circuito paulistano: Brasil S.A., Acorda Brasil e S.O.S Brasil. Todas as peças acabaram virando livro, a peça "Acorda Brasil" foi vista por 26 mil pessoas. Também escreveu para a Folha de S. Paulo uma coluna dominical durante 17 anos. O empresário sempre dedicou parte de seu tempo à Sociedade Beneficência Portuguesa de São Paulo, uma hora e meia todo dia. Também se dedicou à Associação Cruz Verde de São Paulo, à Fundação Antônio Prudente, entre outras organizações não governamentais.

Em 2001 deixou a presidência do conselho de administração do Grupo Votorantim e entregou o comando do conglomerado aos filhos e sobrinhos. Trabalhador incansável, uma combinação de doenças afetaram sua mente e seus movimentos, imobilizando-o numa cama, levando-o a sofrer de hidrocefalia e mal de Alzheimer.

Resultados e homenagens. A fortuna pessoal do empresário quando faleceu foi estimada em US$ 12,7 bilhões, segundo Forbes em 2014, o que o torna uma das pessoas mais ricas do mundo

Pela intensa atividade social e pela trajetória empresarial ascendente, o empresário é um ícone da classe empresarial industrial. O currículo exibe ainda o Prêmio Eminente Engenheiro do Ano, mérito reconhecido em 1979. Em 2003 recebeu a Medalha do Conhecimento do Governo Federal.

Sua família ganhou o destaque do Prêmio Octavio Frias de Oliveira, tanto pela administração do Hospital Beneficência Portuguesa há mais de 50 anos, quanto pela participação no conselho curador e da rede voluntária do Hospital A.C. Camargo e a atuação e ser uma das maiores doadoras da Associação de Assistência à Criança Deficiente

Em 1972, Moraes foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, de Portugal. Em 1979, foi admitido à Ordem do Mérito no grau de Grande-Oficial, sendo promovido em março de 1996 ao seu último grau, a Grã-Cruz. Em outubro do mesmo ano, no Brasil, foi admitido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso à Ordem do Mérito Militar no grau de Comendador especial
Participou com relevantes serviços em projetos humanitários como Associado do Rotary Club de São Paulo.

Corinthians. Sempre citado pelo clube, e também por alvinegros em geral como um dos torcedores mais ilustres, Antônio Ermírio de Moraes era conselheiro vitalício do Sport Club Corinthians Paulista.

Vida e Morte. Antônio Ermírio morreu na noite de 9 de agosto de 2014, em São Paulo, aos 86 anos, em decorrência de insuficiência cardíaca. O mesmo dia do falecimento de Getúlio Vargas (em 1954). Teve 9 filhos, entre eles Regina de Moraes, presidente da ONG Velho Amigo. Seu filho Carlos Ermírio de Moraes faleceu em 18 de agosto de 2011 após lutar durante 4 anos contra um câncer.


CENA DA MADRUGADA PAULISTANA
A CARAVAN BEGE DO HOMEM MAIS RICO DO BRASIL. 


 Indo trabalhar em 1987, em dia comum da semana, às 5 horas da manhã, vi   pela janela do ônibus que peguei na Raposo Tavares (no Bonfiglioli), uma cena curiosa. 

Ainda estava escuro. O ônibus da CMTC estava quase vazio. Estacionou num farol dos cruzamentos das avenidas Eusébio Matoso, Francisco Morato e Vital Brasil,

Da janela reparei quando parou ao lado uma Caravan-Chevrolet de cor bege, com vidros abertos. O motorista usava camisa de mangas curtas e descansava o braço esquerdo na porta do carro. 

Era Antônio Ermírio de Moraes. 

Sozinho, arrumava cabelo desgrenhado, passando rapidamente as mãos no rosto para espantar o sono. Incrível, pensei comigo: o que esse homem, rico desse jeito, está fazendo na rua a essa hora da madrugada... 

E seguiu, como nós, na direção da avenida Rebouças até a avenida Paulista, quando o perdi de vista. 

Um tempo depois, vendo uma entrevista num programa de TV (Acho foi o Bom dia São Paulo, da Globo), entendi a misteriosa e impressionante cena do cruzamento naquela manhã. 

Questionado sobre suas atividades rotineira de trabalho, Ermírio explicou que acordava muito cedo porque, antes de ir para os escritórios da Votorantim, dava plantão diário no Hospital da Beneficência Portuguesa. 

Contou que chegava cedo, para poder ter contato mais próximo com os funcionários durante a troca de turno. Fazia questão de conversar com todos que podia. Começava pelos vigilantes do estacionamento. 

Era um hábito que certamente ficou marcado na vida de cada um deles e que acrescentou muito no seu repertório pessoal, de empresário e também nos conteúdos de suas peças teatrais”. (Dalmo Duque)


O NECROLÓGIO DA "SAÚDE BUSINESS"

O presidente de honra do grupo Votorantim faleceu em casa, em São Paulo, por insuficiência cardíaca. Em maio de 2013, o empresário tinha sito afastado do comando do Grupo por problemas com Alzheimer.

Conhecido por seu conceito de gestão diferenciado, o empresário era filho de José Ermírio de Moraes, fundador do grupo que presidia. Começou sua carreira na empresa em 1949 e, em 1955 foi o responsável pela instalação da Companhia Brasileira de Alumínio. Em 2013, entrou na lista de bilionários da Forbes, com uma fortuna avaliada em 12,7 bilhões de dólares.

Antônio Ermírio de Moraes também teve atuação de destaque na área da saúde. Ele presidiu, por 40 anos, a diretoria administrativa do Hospital Beneficência Portuguesa, embora pouco falasse sobre o assunto.

O conceito de gestão de Antônio era, como o de seu pai, voltado ao nacionalismo. Porém, o empresário era mais irônico, polêmico e ácido do que seu patriarca, além de defender fortemente o regime democrático.

O empresário teve suas ideias contrárias ao governo ditatorial apoiadas no final da década de 1970, por empreendedores que concordavam com seu conceito de gestão e se reuniam no Fórum dos Líderes da Gazeta Mercantil. Em 1980, ao bater de frente com os ideais econômicos do governo Figueiredo, com o comando de Delfim Netto, ganhou o apelido de ”herói da resistência”. Antônio chegou a fechar por alguns dias a Siderúrgica de Santo Amaro, como protesto.

Outro ponto importante de seu conceito de gestão era seu discurso contra o capital externo. Para Antônio, as empresas estrangeiras eram ”parasitas”. O empresário também condenava os empreendedores que dependiam de multinacionais para crescerem.

A seguir, citaremos sete frases de Antônio Ermírio de Moraes sobre o empreendedorismo, o capital externo e o seu conceito de gestão:

“Estabeleçam-se, lutem com honestidade e não pensem na chamada economia de escala. E, quando alguma multinacional os procurar, resistam”.

(Em um discurso para empresários, em 1977)

“Se aproveitam de todas as facilidades que o governo brasileiro oferece, de mão de obra barata que encontram aqui, sugam o que podem e nada fica no Brasil”.

(Sobre as empresas estrangeiras, em 1977)

“Aceito muitas coisas, mas não posso me sujeitar a acatar lições de moral do Delfim e muito menos ainda de um moleque como o Viacava: o governo manda e desmanda na política econômica, mas nas minhas empresas quem manda sou eu. A siderúrgica foi desativada por um capricho meu, porque fui atingido no que tenho de mais caro: o meu caráter e o meu nome, jogados na lama pelo governo”.

(Sobre o fechamento da Siderúrgica de Santo André, em 1980)

“O empreendedor deve estudar muito, preparar-se enquanto for jovem, e depois trabalhar pensando no Brasil, com amor à terra. Se tivermos gente pensando no Brasil, como tem que pensar, este país será um dos grandes países do mundo.”

(Em entrevista à revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios)

“Trabalhamos com capital próprio e não temos grandes dívidas nem em real nem em dólar. Quem arrisca seu próprio capital acaba sendo forçado a ser mais eficiente”

(Em entrevista à revista IstoÉ)

“Há firmas estrangeiras que têm lavras imensas aqui no Brasil e que jamais mineraram, em tempo algum. Estão sentadas nessas lavras há dez, 15 anos e nada ocorre. Uma multinacional aqui, a 150 quilômetros de Brasília, tem a maior reserva de níquel do Brasil e ninguém fala nada”

(Em declaração aos constituintes da Subcomissão de Princípios Gerais, Intervenção do Estado, Regime da Propriedade do Subsolo e da Atividade Econômica, em 1987)

“O Brasil tornou-se um gigante de pés de barro. Na hora em que os credores fecharam a caixa, nós entramos numa crise sem tamanho”

(Sobre a dívida externa em entrevista para O Globo, em 1983)

 

O COLÉGIO RIO BRANCO

Edifício Rotary. Fotografia do Colégio Rio Branco. Rosana Maria Machado Marques 

Conhecida Escola  particular da cidade de São Paulo, o Colégio Rio Branco tem como finalidade maior formar as crianças desde a educação infantil até o ensino médio. Com mais de 70 anos de história, é considerado um dos mais tradicionais colégios da cidade de São Paulo. O colégio faz parte do Programa de Escolas Associadas da UNESCO, que o qualifica para partilhar práticas educacionais com instituições de todas as partes do mundo, por meio de projetos inovadores nas áreas de Ciência e Cultura.

Instalado em duas unidades, uma no bairro de Higienópolis, em São Paulo, com mais de 15.000m² de área construída, e outra na Granja Viana, município de Cotia, com área total de 80.000m² e 23.000m² de área construída. O colégio foi fundado por Savério Cristóforo, professor de um curso preparatório ao exame de admissão. Com o tempo, o curso se expandiu e precisou aumentar o espaço físico, mudando para outro local, e passou a chamar-se Instituto Rio Branco. Em 1926 foi trocado o nome para Liceu Nacional Rio Branco, passando por nova ampliação de suas instalações. Falecendo o professor Savério, em 1945, o Liceu foi comprado por dr. Antônio Sampaio Dória, mas acabou encerrando suas atividades logo no primeiro semestre.

José Ermírio de Moraes, que foi senador da República por Pernambuco em 1963, vendo que a escola tinha um valor institucional, adquiriu o Liceu em 1945, e deu-lhe o nome de Colégio Rio Branco. Em 1946, o colégio foi doado à Fundação de Rotarianos de São Paulo. Nessa época localizava-se na Rua Doutor Vila Nova, onde atualmente é o Tribunal de Justiça da Polícia Militar; posteriormente, nos anos 60, transferiu-se para o atual prédio da unidade Higienópolis, o Edifício Rotary (Rotary International).

O Teatro Rio Branco revelou atores como Antonio Fagundes, Dan Stulbach e Odilon Wagner.

Outras pessoas notórias que também estudaram na instituição incluem o locutor e narrador esportivo Galvão Bueno, o piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna, o humorista e apresentador Carlos Alberto de Nóbrega, o zoólogo e compositor Paulo Vanzolini e o prefeito e ex-goverandor João Doria.



O SERTÃO E A CULTURA CAIPIRA




Cornélio Pires contestou intelectuais da época que tachavam o caipira de inútil, bêbado, ridículo e até ladrão

Nascido em Tietê-SP, Cornélio Pires conseguiu, ao mesmo tempo, conhecer a alma paulistana do início do século XX, quando morou em São Paulo, e a alma caipira, em sua vivência nas cidades interioranas, ditas também caipiras, como Botucatu e Piracicaba. Foi, sem mais discussões, o grande pioneiro do folclore e da literatura regional paulista.

Em 1910, estreou com o livro “Musa Caipira”, que iria tornar-se um dos clássicos dessa literatura regional. Na imprensa de Piracicaba, publica, em 1914, a novela “Tragédia Cabocla”, em dialeto caipira, onde registrou “rezas e muxirões, com sambas e bate-pés”. Nessa época, nasce, também, o Cornélio Pires humorista-conferencista, que iria correr o Brasil levando a sabedoria, a picardia e a malícia do caipira paulista.





O CAIPIRA DE CORNÉLIO

Sem metodologia ou qualquer pretensão acadêmica, Cornélio Pires, com sua vivência junto ao caipira de São Paulo, acabou criando a sua própria teoria sobre ele. Tentou descrevê-lo, “tal como é”, reagindo ao pessimismo de “certos escritores”, conforme escreveu, que apresentam o caipira, “o camponês brasileiro coberto do ridículo, inútil, vadio, ladrão, bêbado, idiota e `nhampã´!”

Como que repetindo Euclydes da Cunha, Cornélio Pires qualifica o caipira: “é um obscuro e um forte”. E parece compor um hino ao narrar-lhe a saga do caipira:

“Ei-lo tangendo suas `tropas´cargueiras, empoeiradas ou cobertas de lama, pelos caminhos tortuosos e esburacados, furando matas virgens, galgando montanhas ásperas, vadeando rios revoltos e pestíferos, afrontando pantanais e `atoledos´, atravessando campos e campos, vencendo dezenas de léguas a pé ou arcado e molengão sobre o burro manteúdo, ao monótono `belém-belém´do sino pendurado ao pescoço da madrinha ruana!”

Esse caipira – assim o enxerga Cornélio Pires – é nascido “fora das cidades, criados em plena natureza” e, por isso, se tornam “tímidos e desconfiados ao entrar em contato com os habitantes da cidade”. No entanto, são expansivos , alegres, folgazões e francos quando “em seu próprio meio”, onde, “revelando rara inteligência”, são “mais argutos, mais finos que os camponeses estrangeiros”, referindo-se aos colonos imigrantes.

E completa: “Dócil e amoroso é todo camponês; sincero e afetivo é o caipira.”

CLASSIFICAÇÃO CAIPIRA

A partir de suas observações pessoais e vivência, Cornélio Pires “classificou” quatro tipos de caipiras: o branco, o caboclo, o preto e o mulato.

CAIPIRA BRANCO– Fosse hoje, Cornélio Pires seria qualificado como “politicamente incorreto” ou preconceituoso. São textuais as suas observações sobre o caipira branco: “quer dizer de melhor estirpe. Meia mescla, descendente de estrangeiros brancos, gente que possa destrinçar a genealogia da família até o trisavô, confirmando pelo procedimento, o nome e a boa fama dos seus genitores e progenitores. Podem ser alvos,
morenos ou trigueiros... São brancos. ”

Esses “caipiras brancos” descendem dos primeiros povoadores e de fidalgos ou “nobres decaídos de suas pompas”: os Bandeirantes.

Cornélio Pires descreve-os: “por mais pobres que sejam, são sempre proprietários e, com seus cobrinhos e suas terras, podem andar remendados mas andam limpos. Usam chinelos de liga, sapatões ou botinas de elástico, são altos e não têm pés muito grandes. As barbas são abundantes e os lóbulos das orelhas, gordos e destacados das faces. Não dispensam o paletó, não usam colete, mas não passam sem um lenço amarrado ao pescoço, chapéu de pano, calça de riscado e uma boa cinta de couro curtido.

...As suas casas, apesar de serem de chão e telha vã, são asseadas, bem varridas, ostentando nas linhas enxadas de cabos envernizados pelo uso, ficando atrás da porta os machados e foices. Nas estanqueiras não faltam a espingarda, a patrona de couro de jaguatirica, o laço, o cabreço, o bornal, o freio, serigote ou socado, o corote, o samburá e um poncho."

As “caipiras brancas”, por sua vez, “são mulheres asseadas e amorosas, fugindo às cores berrantes tão apreciadas pelos caipiras caboclos. Excessivamente pudicas, suas filhas, aos sete para oito anos, já usam saias compridas…” Os penteados prediletos delas são: “pericote na nuca ou no alto da cabeça; a trança longa e cheia ou duas tranças pendentes, usando, também, quando pouco cabeludas, trancinhas em rondilha.”

Os “caipiras brancos” são, para o escritor, “os mais hospitaleiros dos homens.”

CAIPIRA CABOCLO– Seriam os descendentes diretos dos bugres com bandeirantes brancos, catequizados pelos primeiros povoadores do sertão. Enquanto o “caipira branco” dizia pertencer a uma família – Amaral, Arruda Campos, Camargo, Bueno, Botelho e outras – o “caipira caboclo” referia-se a si mesmo: “eu sou da raça de tal gente…” Fortes e magruços, Cornélio Pires diz que não ficavam carecas e nem sofriam do coração ou conheciam a tuberculose. Barba rala, fios espetados aqui e ali, pele bronzeada, “cor de cuia ou de cobre”, era chamado no tempo das bandeiras de "Mameluco".

As famílias de “caipiras brancos” raramente aceitavam casamentos com “caipiras caboclos”. O prestígio da “caboclada” não era dos melhores entre os intelectuais: inteligentes e preguiçosos, velhacos, barganhadores como os ciganos, desleixados, sujos e esmulambados, mas valentes, brigadores e ladrões de cavalos…” E o "escritor" faz o resumo de suas vidas: “caçar, pescar, dormir, fumar, beber pinga e tocar viola, enquanto a mulher, guedelhuda, vai pelos vizinhos, pidonha e descarada, fala dos bons trabalhadores o feijão, o toicinho, café, a farinha.” E conclui, lembrando ser esse caboclo a figura do “Jeca Tatu”, criada por Monteiro Lobato, que dizia: “Além de sujo é roto. Mas, graças a Deus, esse tipo vai desaparecer…”

CAIPIRA PRETO– Os descendentes dos africanos. Segundo Cornélio: “os bons brasileiros vítimas ainda das últimas influências da escravidão. Almas carinhosas e pacientes, generosas e humildes, os ´negros velhos`…” E lembra-se deles, “conversando ao pé do fogo, sentados numa pedra, no terreiro, na soleira de uma porta, aquecendo-se ao sol, pobres, depois de terem, com o seu suor, inundado as fazendas de patrícios seus, enchendo-os de dinheiro.”

Já surgira, porém, “o novo caipira preto” que, na descrição corneliana, vive numa “casa quase sempre limpa, coberta de sapé mas cercada de lavoura, com sua plantação de cana, um pouco de café e cereais. Tem um punhado de “santos no terreiro”, em mastros, são João, santo Antônio, são Benedito. É cavalheiresco e gentil, batuqueiro, sambador e `bate´ dez léguas a pé para cantar um desafio num fandango ou `chacuaiá´`o corpo num baile da roça.”

CAIPIRA MULATO– Que Cornélio diz ser “oriundo do cruzamento de africanos ou brasileiros pretos com portugueses, e caipiras brancos, e raramente com o caboclo.” Este é, para o escritor, “o mais vigoroso, altivo, o mais independente e o mais patriota dos brasileiros”. Excessivamente cortês, galanteador para com as senhoras, jamais se humilha diante do patrão. Apreciador de sambas caipiras e bailes, não se mistura com o “caboclo-preto”.

Nas primeiras décadas do século XX, Cornélio Pires insistia no surgimento, em São Paulo, de “um noto tipo de caipira mulato, simpático, robusto e talentoso, destacando-se nos grandes centros, após breves estudos: o mestiço do italiano com a mulata ou do preto tão estimado por algumas italianas.”

por: Cecílio Elias Netto, A Província




O SERTÃO DISTANTE - AULA DE DALMO DUQUE 2024
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RAÍZES MAIS ANTIGAS DO OESTE PAULISTA
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Boiadeiros na região de Presidente Prudente. 

A estradas boiadeiras foram as precursoras das ferrovias e rodovias, com seus trechos e pousos demarcados entre as grandes fazendas de invernada de gado. Conheci também uma das maiores fazendas sul-mato-grossenses: A "Estância Boiadeira", em Anaurilândia, imensidão de terras, mas já desativada em sem gado. Uma sede enorme, de madeira, com tudo que uma família precisava para administrar e prover a propriedade, incluindo os "armários", com espingardas, revólveres, garruchas, facas, punhais e facões. Até o final dos anos 1970 era possível ver no interior as comitivas comandadas por grandes chefes condutores de boiadas (Zico Bueno, Disná, Cantalício e tantos outros famosos, seus ponteiros e cozinheiros, como esses que estão na foto. Era uma cultura nômade, percorrendo grandes distâncias dos sertões. O sertão era o lar deles. Na minha região, Porto XV-Porto Epitácio-Porto Tibiriçá, tinha travessia de gado vindo do Mato Grosso, por meio das balsas. No centro da cidade tinha selarias de couro e oficinas de troca de ferraduras e outros apetrechos. Tudo isso desapareceu como movimento econômico, mas impactou como herança cultural, no linguajar, nas crenças, no vestiário, na comida e sobretudo nos valores de honra e respeito. Eram rústicos e violentos, mas também solidários, tementes a Deus e devotos de N.S. Aparecida e de Santa Bárbara, protetora contra raios e tempestades. Quando criança conheci muitos deles. Tinha um, Zé D'Orácio, amigo do meu pai, que assoviava músicas inteiras soprando uma folha de limoeiro. Coisa de gente do mato. Saudades. (Dalmo Duque)

*

CIDADES REGIONAIS E LOCALIDADES HISTÓRICAS 


Cenário de importantes acontecimentos histórico regionais e do Brasil, o estado e São Paulo foi fruto de duas épocas das capitanias hereditárias, afonsina e paulista,  experimentou o os declínios do açúcar e da mineração e renasceu com toda força com o ciclo dos café e das ferrovias no século XIX. Este último seria a base  da futura industrialização que marcaria por décadas a vida econômica da Capital e também do interior, impulsionando o crescimentos de dezenas de cidades pela expansão da malha ferroviária, pelo porto de Santos e principalmente pelos milhares quilômetros de pequenas e grande rodovias, bem como dos seus aeroportos regionais e internacionais. 


Itú. Sua população estimada em 2019 era de 173 939 habitantes, formada principalmente por descendentes de imigrantes portugueses, italianos, japoneses, além de migrantes de outras regiões do Brasil, em especial do Nordeste, além da forte presença de migrantes do estado do Paraná. Itu já foi a cidade mais rica do estado, sendo famosa por nela terem residido muitos "barões do café" e autoridades importantes do país. O município teve importância no processo que conduziu à proclamação da república do Brasil em 1889. Em 2010, a cidade completou 400 anos. 


A MAIOR CIDADE DO INTERIOR



 "Campinas foi fundada em 14 de julho de 1774. Entre o final do século XVIII e o começo do século XX, a cidade teve o café e a cana-de-açúcar como importantes atividades econômicas. Porém, desde a década de 1930, a indústria e o comércio são as principais fontes de renda, sendo considerada um polo industrial regional. Atualmente, é formada por seis distritos, além da sede, sendo, ainda, subdividida em 14 administrações regionais, cinco regiões e vários bairros" Sedia importantes centros universitários tradicionais como a PUC; e a Unicamp, um dos mais influentes polos de produção científica do interior e referência acadêmica em pesquisa em todo o pais e no também no exterior. 

Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é uma instituição de ensino superior pública estadual brasileira, sediada na cidade de Campinas, no estado de São Paulo, considerada uma das melhores universidades do país e da América Latina.É uma das quatro universidades mantidas pelo Governo do Estado de São Paulo, ao lado da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). Fundada em 1962, a Unicamp foi projetada do zero como um sistema integrado de centros de pesquisa, ao contrário de outras universidades brasileiras, geralmente criadas pela consolidação das escolas e institutos anteriormente existentes. Seu foco em pesquisa reflete que quase metade de seus estudantes são alunos de pós-graduação, a maior proporção entre todas as grandes universidades no Brasil. Ela também se destaca no grande número de cursos de pós-graduação oferecidos (153, comparados aos 70 cursos de graduação), além de oferecer vários cursos para cerca de 8 mil estudantes por meio de sua escola de extensão.

Apresentação artistica no câmpus de Barão Geraldo, na Unicamp. 


***

BAIXINHOS E GIGANTES

FERNANDO DEL CORSO



O Clube dos Baixinhos. Você que tem até 1,63m de altura. Está convidado para integrar o Clube dos Baixinhos de Campinas! Fundado no dia 2 de setembro de 1964, pelo jornalista Maurício de Morais, o Clube dos Baixinhos nasceu da percepção de que, se existia clubes para tantas coisas, em lugares como os EUA, por exemplo, por que não poderia haver um clube em Campinas, esta grande cidade, que agigantasse aqueles que não cresceram muito, mas que eram grandes em valor? O Clube dos Baixinhos fez muito sucesso desde sua criação, e cresceu ao longo do tempo, embora crescer fosse uma palavra proibida para os membros. Ser muito alto era sinônimo de defeito físico, e o importante era superar os complexos da baixa estatura e de que baixinhos eram caçadores de encrenca. A finalidade do clube era reafirmar a presença da superraça dos baixinhos no mundo, dado exemplos clássicos de baixinhos ilustres, como Rui Barbosa, Getúlio Vargas, Santos Dumont, Portinari, Napoleão Bonaparte...

Alguns slogans ficaram famosos no clube, como:

" Mulher, casa-te com um baixinho, que dos males é menor!"

Os membros do clube realizavam suas assembleias mensais em um restaurante, mas havia um probleminha gigante. Alimentar o mascote do clube, o futuro trapalhão gigante Emil Rached, na época, jogador de basquete. A fama do clube ganhou citação na revista americana Time, e em vários jornais do mesmo país. Também surgiram outros clubes de baixinhos em cidades brasileiras como Uberaba, Ribeiro Preto, Ouro Fino, Rio Claro, Juiz de Fora. Também em cidades estrangeiras como Las Vegas, Barcelona e Montevidéu.

Em março de 1971, houve o primeiro Congresso Nacional de Baixinhos em Campinas, sede do Clube dos Baixinhos, que contou com a presença ilustre de Emil Rached, mascote do clube campineiro, e do cantor e compositor Juca Chaves. Alguns dos temas discutidos neste encontro foram: "Arranha-Céus, monstros das civilizações", "As vantagens das plantas de pequeno porte", "Porque as frutas menores tem melhor sabor", "Quanto maior o corpo, pior o tombo", "Coração menor, vida mais longa", "Se Napoleão fosse grande, a História teria sido diferente ", "Perfume bom, frasco pequeno ", "A síntese é a essência do poder", "Homem grande, cabeça na lua", "Um átomo vale mais que uma cachoeira ", dentre outros.

O Clube dos Baixinhos foi uma grande ideia que surgiu em Campinas, defendendo o interesse da classe dos pequenos grandes homens, que cultuavam a valentia e a amizade.


Revista Manchete, edição 0933



Bragança Paulista. Como marco da época dos Bandeirantes, foi erguida uma cruz, onde mais tarde seria implantada uma pequena capela, dando origem a um dos templos mais antigos da região, que ainda permanece: a Igreja Nossa Senhora Aparecida do Lopo. No entanto, outras trilhas foram abertas, descendo pelo rio Jaguari, para descobrir pequenos veios de ouro no rio Camanducaia, atualmente banhando o município de Pedra Bela e em alguns pontos o município de Socorro. Essa trilha bem mais tarde se transformaria no antigo caminho Bragança – Pedra Bela. Assim, já no século XVII, a Região Bragantina exercia papel importante na história do Brasil, por intermédio dos Bandeirantes.


Mogi das Cruzes 
começou como um povoado, por volta de 1560, servindo como um ponto de repouso aos bandeirantes e exploradores indo e vindo de São Paulo, entre eles Brás Cubas. Gaspar Vaz Guedes foi responsável pela abertura da primeira estrada entre a capital e Mogi, iniciando o povoado, posteriormente elevado à "Vila", com o nome "Vila de Sant'Ana de Mogi Mirim". O fato foi oficializado em 1º de setembro de 1611. Em 13 de março de 1865 foi elevada à cidade, e em 14 de abril de 1874 à comarca. 



Barretos. Quem iniciou o povoamento da área conhecida como “Sertão de São Bento de Araraquara” foram dois afamados desbravadores mineiros vindos de Caldas e Aiuruoca, respectivamente, na época da Independência do Brasil. Em 1831, chegaram à região as famílias de Paraguaçu, Campanha, Jacuí e Caldas e Baependi. Esses pioneiros  queriam erguer uma capela, para realizar suas necessidades religiosas e não depender mais de Jaboticabal, curato ao qual as fazendas pertenciam e cujo acesso era difícil. Dessa forma, em 25 de agosto de 1854, doou-se terras em louvor ao Divino Espírito Santo para que fosse erguida a capela, registrada em 1856 no local em que hoje está a agência do Bradesco da Praça Francisco Barreto. Ao redor do templo, foram surgindo as primeiras casas de pau a pique e sapê, assim nascendo o povoado do Divino Espírito Santo de Barretos.


Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp) é uma universidade pública  com atuação no ensino, na pesquisa e na extensão de serviços à comunidade. É uma das quatro universidades mantidas pelo governo do estado de São Paulo, ao lado da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). A Unesp distingue-se das outras universidades estaduais por ter unidades em 24 municípios do estado — 21 campi no interior, um câmpus na cidade de São Paulo e um câmpus em São Vicente, o primeiro de uma universidade pública no litoral paulista. Este modelo de universidade multicampi é inspirado na estrutura da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, que é composta por 23 campi, criados entre os anos de 1857 e 2002. Criada em 1976 a partir de institutos isolados de ensino superior que existiam em várias regiões do estado, a Unesp possui atualmente cerca de 40 mil estudantes e 3 mil professores espalhados por 32 faculdades e institutos, que oferecem 168 cursos de graduação e 114 cursos de pós-graduação, em 64 profissões de nível superior. Foto: Campus de Franca. 

Faculdade de Medicina no câmpus de Botucatu. 




Presidente Prudente, Oeste paulista. O município de Presidente Prudente foi emancipado de Conceição de Monte Alegre (hoje Paraguaçu Paulista) na década de 1910. Seu nome é uma referência ao ex-presidente brasileiro Prudente de Morais (1841 - 1902), que foi um advogado e político brasileiro, tornando-se o primeiro governador paulista na República (1889-1890).O desenvolvimento de Presidente Prudente também foi ajudado pela ferrovia, sendo que esta foi a principal via de circulação de pessoas e mercadorias durante décadas. A escolha do sítio urbano está correlatada ao traçado da Estrada de Ferro Sorocabana, que também seguiu a linha dos espigões.


São José do Rio Preto, Oeste PaulistaEmancipado de Jaboticabal na década de 1850, o nome do município é uma mistura entre o padroeiro, São José, e o Rio Preto, rio que passa pelo município. Hoje, é formada pelos distritos de Engenheiro Schmitt (Zona Sul). São José do Rio Preto (distrito-sede) e Talhado (Extremo Norte da cidade). O município é subdividido em cerca de 360 bairros, loteamentos e conjuntos habitacionais. É um dos principais polos industriais, culturais e de serviços do interior de São Paulo. Sua história econômica esteve por muito tempo ligada à cafeicultura, também presente em grande parte do estado de São Paulo, principalmente no início do século XX. 


OSASCO


Osasco é um município brasileiro localizado na Região Metropolitana de São Paulo. Nascido como um bairro da capital paulista no final do século XIX, tornou-se município emancipado após um plebiscito em 1962. Ocupa uma área de 64,954 km², e sua população estimada no ano de 2022 pela prévia do Censo era de 777 048 habitantes, sendo o 5.º mais populoso do estado de São Paulo.  Possui importante atividade econômica nos setores industrial, comercial e de serviços. Conforme o censo do IBGE, com dados de 2020, Osasco possui o 7.º maior Produto Interno Bruto do Brasil e o 2.º maior do Estado de São Paulo, ficando à frente de muitas capitais estaduais brasileiras, como Porto Alegre, Salvador, Fortaleza e Recife, sendo a cidade não capital com o mais alto PIB da nação.

Veículos da Osram desfilando na rua Antônio Agu em 1964 em comemoração ao 2º aniversário da emancipação de Osasco. Acervo: Osasco Antiga by Hagop Garagem 




São Roque foi fundada na segunda metade do século XVII pelo bandeirante Pedro Vaz de Barros - mais conhecido como Vaz-Guaçu - a cidade surgiu de uma enorme fazenda e uma capela por ele erigida no local. A capela - então localizada onde hoje é a Praça da Matriz - foi levantada em devoção a São Roque por ventura com o intuito de não ser perseguido ou investigado por pratica de judaísmo. Pedro Vaz de Barros e filho de Jerônimo Pedroso e Joana Vaz de Barros Cristãos Novos nascidos em Lisboa Portugal. A fazenda tinha por objeto o cultivo de vinhedos e de trigais, utilizando-se mão-de-obra indígena e mais tarde, de escravos africanos. Pouco depois da criação dessa fazenda, o irmão de Pedro Vaz - Fernão Paes de Barros, também veio a se instalar em São Roque, nos mesmos moldes que seu irmão, fundando uma fazenda e uma capela, contudo em louvor a Santo Antônio.


São Roque, 1920. Estação da Estrada de Ferro Sorocabana.



Guarulhos é um município da Região Metropolitana de São Paulo, no estado de São Paulo, no Brasil. É a segunda cidade mais populosa do estado, a 13.ª mais populosa do Brasil e a 53.ª mais populosa do continente americano, com 1 291 784 habitantes, de acordo com o Censo 2022 do IBGE. Guarulhos foi fundada em 8 de dezembro de 1560, pelo padre jesuíta Manuel de Paiva, com a denominação de Nossa Senhora da Conceição de Guarulhos. Sua origem está ligada à de cinco outros povoamentos que tinham, como principal objetivo, defender o povoado de São Paulo dos Campos de Piratininga contra um possível ataque dos Tamoios. É a cidade não capital mais populosa do Brasil e é considerada a 9.ª cidade mais rica do Brasil. Em 2020, registrou um Produto Interno Bruto (PIB) de 65,8 bilhões de reais, o que representa 0,9% de todo PIB brasileiro, além de deter o 3.º maior PIB de seu estado. Guarulhos sedia o principal aeroporto do país, que serve São Paulo, o Aeroporto Internacional André Franco Montoro.

Borá vista de cima, Fotodrone Mundozinhos. 

Borá é um município brasileiro do interior do estado de São Paulo. Sua população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 1.º de julho de 2021, era de 839 habitantes. Até 2014, Borá era o município menos populoso do país. A partir daquele ano, passou para a segunda posição, perdendo para a cidade mineira de Serra da Saudade, o menor município brasileiro, com estimativa de 771 habitantes para 1.º de julho de 2021. Nas eleições de 2014, Borá registrou 806 votos válidos, para um total de 835 habitantes. Nas mesmas eleições, Serra da Saudade registrou 697 votos válidos, para um total de 822 habitantes. O início do povoamento de Borá deu-se por volta de 1918, quando os membros da família Vedovatti, atravessando as águas do Borá, iam a Sapezal, cidade em que faziam seu comércio de gêneros alimentícios. Em 1919, chegaram as famílias portuguesas de Manuel Antônio de Sousa, Antônio Caldas e Antônio Troncoso, construindo suas residências no acampamento dos engenheiros, localizado na fazenda de propriedade de Dionísio Zirondi.


Águas de São Pedro,  é o menor município paulista em extensão territorial e o segundo menor do Brasil. Águas de São Pedro foi emancipado de São Pedro na década de 1940. Atualmente, é formado pelo município de Águas de São Pedro, sendo a sede seu único distrito, subdividido ainda em seus quatro bairros.[7] Hoje é um dos onze municípios paulistas considerados como estâncias hidrominerais pelo governo do estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual. A cidade é conhecida pelas suas águas hidrominerais de valor medicinal, tendo suas fontes naturais com alguns dos principais atrativos turísticos. Possui ainda dois grandes parques (Dr. Octavio Moura Andrade Parque Municipal e o Parque das Águas "José Benedito Zani"), além do minijardim municipal, importantes áreas verdes do município.


PONTAL DO PARANAPANEMA


Brasil Visto de Cima_Pontal do Paranapanema_02_Crédito Divulgação TV Brasil


O Pontal do Paranapanema é uma região com 18844,60 km², que compreende 32 municípios do estado de São Paulo. Se localiza no extremo oeste do estado de São Paulo, na região sudeste do Brasil, em uma posição estratégica considerando tanto sua proximidade com os estados de Mato Grosso do Sul e Paraná quanto o advento do Mercosul.

Sua população total estimada em 2010 é de 583.703 habitantes, sendo 89,74% desse total concentrada em áreas urbanas, segundo o Censo do ano de 2010 do IBGE. Na região do Pontal do Paranapanema, testemunhou-se a partir das últimas décadas do século passado muitos conflitos sociais relativos à concentração de terras, envolvendo disputas entre movimentos populares, como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), e os latifundiários. Os participantes do MST lutam pela reforma agrária reivindicando a utilização das terras em desuso e terras de especulação para a realização de reforma. A comunidade acadêmica tem estado consciente e preocupada com esta situação e, portanto, tem desenvolvido estudos e pesquisas sobre o assunto, tanto individualmente quanto através de grupos de pesquisa. A Universidade Estadual Paulista, possui dois campi na região, localizados nos municípios de Presidente Prudente e Rosana.

O Pontal do Paranapanema é uma região com 18844,60 km², que compreende 32 municípios do estado de São Paulo. Se localiza no extremo oeste do estado de São Paulo, na região sudeste do Brasil, em uma posição estratégica considerando tanto sua proximidade com os estados de Mato Grosso do Sul e Paraná quanto o advento do Mercosul.

Sua população total estimada em 2010 é de 583.703 habitantes, sendo 89,74% desse total concentrada em áreas urbanas, segundo o Censo do ano de 2010 do IBGE. Na região do Pontal do Paranapanema, testemunhou-se a partir das últimas décadas do século passado muitos conflitos sociais relativos à concentração de terras, envolvendo disputas entre movimentos populares, como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), e os latifundiários. Os participantes do MST lutam pela reforma agrária reivindicando a utilização das terras em desuso e terras de especulação para a realização de reforma. A comunidade acadêmica tem estado consciente e preocupada com esta situação e, portanto, tem desenvolvido estudos e pesquisas sobre o assunto, tanto individualmente quanto através de grupos de pesquisa. A Universidade Estadual Paulista, possui dois campi na região, localizados nos municípios de Presidente Prudente e Rosana.

A grilagem de terras foi o instrumento para a ocupação das terras no Pontal do Paranapanema. A história da grilagem de terras nesta região tem seu início em maio de 1856, quando Antônio José de Gouveia chega à região e extrai o registro paroquial de uma imensa gleba de terras, à qual dá o nome de Fazenda Pirapó-Santo Anastácio. A descrição do grilo é a seguinte: [...] os limites da fazenda vão desde a barranca do Rio Paranapanema, seguindo por 10 léguas o Rio Paraná acima e voltando-se para leste, pelas vertentes do Rio Pirapó, até encontrar-se de novo com o Rio do Paranapanema.

Faz-se necessário atentar que após 1850, a Lei de Terras permitia a legitimação das terras ocupadas até 1856 e proibia as ocupações de terras devolutas, determinando sua aquisição unicamente por meio da compra. As terras que não foram regulamentadas a partir das determinações da Lei de Terras de 1850 passaram a ser consideradas como devolutas.

Antônio José Gouveia, primeiro a se apropriar das terras, vendeu sua posse a Joaquim Alves de Lima, em 1861. Com o falecimento deste último quem assume a Pirapó-Santo Anastácio é seu filho João Evangelista de Lima. Este tentou legitimar a posse da terra, porém a inabilidade e as nulidades na área jurídica junto a erros técnicos, fez com que o governador Prudente de Morais considerasse “imprestável e nula a medição”. Mesmo antes de sair a sentença sobre a fazenda Pirapó-Santo Anastácio, mais tarde Evangelista realizou uma permuta entre as glebas griladas junto a Manuel Pereira Goulart, que passou a controlá-la.

Goulart na necessidade do reconhecimento oficial das terras devolutas ocupadas, para tanto, encaminhou petição ao Ministério da Agricultura solicitando permissão para receber colonos estrangeiros na Pirapó-Santo Anastácio, a resposta foi favorável. A partir daí, Goulart vendeu, trocou e doou terras.

Em razão do grande contingente de populações que chegavam a região, em razão da construção da ferrovia em direção ao Vale do Paranapanema, começou-se a multiplicar-se a compra de algumas terras da Fazenda, que apesar de adquiridas não eram ocupadas o que proporcionava a invasão por intrusos que apresentavam “título de propriedade” falso.

Eram necessárias a medição e a divisão dessa imensa gleba, dando início a um dos mais volumosos processos de litígio de terras do estado de São Paulo. Em 1930, o governo do Estado de São Paulo negou a partilha da Pirapó-Santo Anastácio, alegando ser nulo o processo divisório, já que os títulos originais da posse e domínio dos particulares sobre as terras da aludida fazenda foram falsificados criminosamente, lesando o patrimônio do Estado. Assim, todos os títulos referentes ao imóvel, desde o registro paroquial de 14 de maio de 1856 até a permuta feita em janeiro de 1890 entre João Evangelista de Lima e Manuel Pereira Goulart, foram considerados falsos ou nulos e sem valor jurídico. Nestas circunstâncias, essas terras eram de domínio do Estado, por serem devolutas.

Em 1932, a Secretaria da Agricultura do Estado divulga uma nota oficial comunicando ser perigosa a compra de terras no Pontal do Paranapanema, por serem devolutas. Mesmo assim os negócios continuaram. Os compradores que se deslocavam para o Oeste Paulista onde queriam comprar terras e os grileiros queriam ofertar. E para assegurar o procedimento dessas atividades, eles apelavam incansavelmente contra as decisões judiciais do Estado. As ocupações e vendas irregulares das terras desta região prosseguiram mesmo com a rejeição do governo do Estado em 1935 o senhor Alfredo Marcondes chega a fundar na capital da República a época a cidade do Rio de Janeiro, a Companhia Imobiliária e Agrícola Sul-Americana.

Após a morte de Alfredo Marcondes, novos grileiros ocupavam a região como Sebastião Camargo, o povoado de Rosana, foi fundado com tal denominação tendo em vista o nome da filha de Camargo. No ano de de 1954, a Imobiliária e Colonizadora Camargo Correia lançou um edital de loteamento da recém fundada cidade de Rosana. O Estado embargou o loteamento na justiça, por se tratar de terras públicas. O dono da empresa não esperou a sentença e começou a vender os lotes. Neste mesmo ano, na Assembléia Legislativa, começou a batalha parlamentar a respeito da peleja do Pontal: de um lado existiam os deputados simpáticos aos grileiros que queriam revogar os decretos das reservas florestais; de outro os deputados que defendiam a manutenção daquelas áreas, em nome do interesse público.

A grilagem de terras continuou sendo um elemento estruturante da questão agrária no Pontal do Paranapanema. Este elemento, evidentemente, gerou conflitualidades entre grileiros e camponeses, grupo que cresceu de forma exponencial a partir da segunda metade do século XX. Em Santo Anastácio, a Liga Camponesa estabelecida em abril de 1946 sob influência do PCB – Partido Comunista Brasileiro representava os interesses dos pequenos agricultores e trabalhadores rurais, ou seja, da classe trabalhadora rural, por conseqüência fortalecendo o partido na região (WELCH, 2009).

Além da defesa dos interesses dos camponeses as ligas lutavam pela reforma agrária, sendo assim, vista pela por latifundiários como ameaça a ordem e a propriedade privada. A Liga fora compreendida como uma organização representativa, por parte da classe trabalhadora rural. Em junho de 1946 a Liga fora fechada. Também, diante das repressões do Estado, o PCB foi fechado e posto na ilegalidade obrigando a manter relações clandestinas durante a década de 1950. As ligas camponesas no Pontal foram uma breve experiência de organização dos camponeses na luta contra a grilagem que se consolidara somente quatro décadas depois, ou seja, na década de 1990 com a chegada do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Flora. Na década de 1940 inicia-se na região um amplo processo de desmatamento e ocupação agrícola para implantação de fazendas de criação de gado, cultivo de algodão e amendoim. Muitas fazendas da região foram construídas através do abuso do trabalho de posseiros e imigrantes que trabalhavam com a promessa de posteriormente poder produzir na área, mas acabavam sendo expulsos ou eliminados das terras.

A expansão da fronteira agrícola e da criação de pasto para gado bovino provocou graves impactos ambientais, como: erosão, exaustão do solo, assoreamento dos córregos, etc. Na mesma década o governo estadual criou três reservas florestais para conservação da fauna e flora, sendo elas: Lagoa São Paulo, Morro do Diabo e Grande Reserva do Pontal. Dentre as reservas criadas apenas a reserva florestal Morro do Diabo restou, as outras foram consumidas pelo avanço da pastagem. O desmatamento ocorreu de maneira intensa no período de 1945 a 1965 contribuindo para o processo de degradação do meio ambiente e destruição das reservas florestais existentes no Pontal do Paranapanema.

Assim sendo, além do próprio Parque Estadual do Morro do Diabo, restaram no Pontal alguns fragmentos isolados que, desde 1980, têm sido alvo incessante das lutas conservacionistas de organizações e ambientalistas preocupadas em mantê-los a todo custo, mesmo porque o diploma legal que criou a Grande Reserva do Pontal não foi revogado, estando os mesmos inseridos neste espaço geográfico.

O Instituto de Pesquisas Ecológicas desenvolve na região do Pontal do Paranapanema, projetos de manejo conservacionista, no qual diversas atividades são realizadas para promover a conservação da biodiversidade local. Uma atividade realizada é a implementação de corredores florestais, outra atividade executada para facilitar o fluxo gênico, são os “Trampolins Ecológicos”, que são pequenas manchas de árvores que aumentam a conectividade entre fragmentos florestais. A partir dessa estratégia, busca-se a mudança do paradigma de para corredores ecológicos, ou redes compostas por conjuntos de Unidades de Conservação sob diferentes características de manejo, incluindo os remanescentes florestais sob domínio privado, distribuídos em áreas representativas das diferentes comunidades florísticas e faunísticas dos ecossistemas amazônicos e da Mata Atlântica



Parque Estadual Morro do Diabo
(antigamente denominada Serra do Diabo). O Parque Estadual Morro do Diabo é um parque brasileiro que situa-se no Pontal do Paranapanema, município de Teodoro Sampaio, extremo oeste do Estado de São Paulo. Criado pelo Decreto-Lei n. 25.342 de 4 de junho de 1986, com uma área de 33.845,33 ha. Em seu relevo destaca-se o Morro do Diabo, elevação de 600 metros acima do mar. Não se sabe ao certo as origens do nome dessa elevação, há algumas lendas, como a de que a região seria um cemitério indígena (nunca comprovado por expedições antropológicas) e de que homens brancos foram assassinados pelos índios da região na época do Brasil Colônia como vingança pelas atrocidades cometidas por bandeirantes. Esta unidade de conservação constituía, junto com a Grande Reserva do Pontal do Paranapanema e a Reserva Lagoa São Paulo, um dos maiores trechos de Mata Atlântica do interior de São Paulo. Essas reservas, criadas na década de 1940, estão bastante reduzidas, sendo que o Parque Estadual do Morro do Diabo é a única que não sofreu grandes alterações.

O Município de Teodoro Sampaio é um município brasileiro do estado de São Paulo. Localiza-se no Pontal do Paranapanema. Sua população estimada em 2018 era de 23.019 pessoas, segundo o IBGE. O município é formado pela sede e pelo distrito de Planalto do Sul. Historicamente, ocupa terras que faziam parte da Fazenda Cuiabá. A escritura da fazenda é datada de 11 de janeiro de 1853, transcrita em 28 de junho de 1885, em Santa Cruz do Rio Pardo, no livro nº 04, folha 15, assim como as demais terras ocupadas no Pontal do Paranapanema, as da Fazenda Cuiabá também foram griladas. Nessa época todas as terras pertencentes a Alta Sorocabana até o espigão do Rio do Peixe, pertenciam à Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo. A sede da Fazenda Cuiabá ficava no local onde hoje se localiza Cuiabá Paulista, distrito do município de Mirante do Paranapanema. Após sucessivas vendas, a fazenda foi dividida em três quinhões, conforme decisão judicial processada pelo Juiz de Direito de Presidente Prudente, transcrita e julgada em 20 de maio de 1925, folha nº 25, livro 3-A, no Registro Imobiliário de Presidente Prudente.
Depois da aquisição de parte da Fazenda Cuiabá, o Coronel Pires parou com as atividades na região, aguardando o término de diversas ações judiciais em pendência, inclusive ação discriminatória, pois na época, surgiram várias pessoas dizendo ser portadoras de títulos de propriedade sobre as terras da Fazenda Cuiabá, entre eles o Sr. Labieno da Costa Machado, fundador de Garça e também de Costa Machado, distrito do município de Mirante do Paranapanema. Após o término do julgamento de todas as ações, o Coronel Pires vende, em 30 de abril de 1951, os 1.200 alqueires da Fazenda Cuiabá, à "Organização Colonizadora Engenheiro Theodoro Sampaio S/C", firma fundada em 18 de outubro de 1950, na cidade de Marília, por José Miguel de Castro Andrade e Odilon Ferreira. O nome da firma colonizadora foi uma homenagem ao ilustre Engenheiro baiano Teodoro Fernandes Sampaio. Crescia a cidade e com ela o desejo de uma rápida emancipação político-administrativa. Em 28 de fevereiro de 1964, a Lei nº 8.092 criava o município de Teodoro Sampaio, desmembrando-se do município de Marabá Paulista. O Governador do Estado na época, era o Sr. Adhemar Pereira de Barros.Em 7 de setembro de 1964 chega o primeiro trem à Teodoro Sampaio vindo de Presidente Prudente, através do ramal de Dourados.

A primeira eleição para prefeito e vereadores do município ocorreu em 15 de novembro de 1964, sendo eleitos o Prefeito José Natalício dos Santos (popular Natal) e o Vice-Prefeito Pedro Ginez Abellan. A posse da 1ª Câmara Municipal ocorreu em 21 de março de 1965, data esta em que se comemora a emancipação político-administrativa do município de Teodoro Sampaio. O município de Teodoro Sampaio foi elevado à categoria de "comarca" pela Lei Estadual nº 3.396, de 16 de junho de 1982, tendo sido instalada em 14 de janeiro de 1983.

Com 2.879,8 km², Teodoro Sampaio era o maior município do Estado de São Paulo em extensão territorial e estava assim constituído: Teodoro Sampaio (Sede), Rosana, Porto Primavera, Euclides da Cunha Paulista, Planalto do Sul (Distritos) e Santa Rita do Pontal (Bairro rural). O distrito de Rosana foi criado em 31 de dezembro de 1963, pela Lei nº 8.050, com território pertencente ao município de Presidente Epitácio. Em 27 de Janeiro de 1966, ocorre a instalação do distrito e, através de um plebiscito, o distrito de Rosana passa a pertencer ao município de Teodoro Sampaio. O distrito de Euclides da Cunha Paulista foi criado em 23 de dezembro de 1981, Lei nº 3.198. Em 5 de novembro de 1989, realizaram-se os plebiscitos sobre a emancipação dos distritos de Rosana e de Euclides da Cunha Paulista. 96% dos eleitores de Rosana, e 94% de Euclides da Cunha Paulista, votaram a favor da emancipação. Os municípios de Rosana e Euclides da Cunha Paulista foram criados através da Lei nº 6.645, de 9 de Janeiro de 1990, sancionada pelo Governador Orestes Quércia. A instalação dos novos municípios ocorre em 1º de Janeiro de 1993, com a posse dos Prefeitos Jurandir Pinheiro, em Rosana, e José Carlos Mendes, em Euclides da Cunha Paulista. E o também distrito Porto Primavera passa a pertencer a Rosana. O município de Rosana ficou com uma área de 740,6 km², e o de Euclides da Cunha Paulista com 578,6 km². Com o desmembramento, o município de Teodoro Sampaio ficou com a seguinte formação: Teodoro Sampaio (Sede), distrito de Planalto do Sul e as glebas Água Sumida e Ribeirão Bonito. Nos últimos anos, o município ficou conhecido por ser o epicentro de conflitos de terras no Pontal do Paranapanema, onde o MST reivindica o uso destas para reforma agrária, alegando que os títulos de posse dos proprietários são falsos e frutos de grilagem. O município de Teodoro Sampaio possui em seu território o Parque Estadual do Morro do Diabo, um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica do Estado de São Paulo, local de habitat do Mico Leão Preto, espécie ameaçada de extinção.





São Vicente e Praia Grande, litoral centro-Sul de São Paulo. Entre o período colonial (Capitania) e a República, Praia Grande foi sesmaria, sítios e finalmente bairro continental de São Vicente. Em 1967 a cidade emancipou-se após um longo períodos de lutas políticas impulsionadas por moradores locais e veranistas paulistanos e do interior. 


SÃO VICENTE NAS TELAS DE BENEDITO CALIXTO



Prainha e Ponte Pênsil.


Morro dos Barbosas e Biquinha de Anchieta no final século XIX e início do XX

Praia do Guamium no Mar Pequeno. 

Pedra dos Ladrões, rio e praia do Itararé.

"Caminho do Porto das Naus". Tela de Benedito Calixto. Segundo o memorialista Fernando Lichti, essa praia originalmente, até as primeiras décadas dos século XX, chamava-se "Mahuá", nome não reconhecido pelos veranistas, que passaram a denominá-la apenas de praia de São Vicente. Nos anos 1940, a prefeitura, por influência dos investidores imobiliários e do turismo, tentou oficializar o nome "Praia das Caravelas", logo rejeitado pela população, que adotou o apelido "Gonzaguinha", imitando a famosa praia santista, mantido até hoje. Parte dessa cerca de obeliscos de concreto registrada na tela de Calixto ainda existe nas duas entradas da ponte Pênsil e também na área do porto das Naus, em direção ao Japui. Fonte: São Vicente na Memória. 

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Porto de Martim Afonso. Ao fundo a Ponte Pênsil ligando a ilha de São Vicente ao continente. Cartão postal dos anos 1950.




FAROL DA ILHA DA MOELA. Construído entre 1830 e 1852 para orientar embarcações que trafegam na Bacia de Santos. Está localizado na região costeira de Praia Grande, à 24 quilômetros da estátua de Iemanjá. É administrado pelo Ministério da Marinha. Foto: Irandy Ribas. A Tribuna, 2010. Novo Milênio.




Projeto de Defesa do Porto de Santos elaborado pelo oficial militar Erico de Oliveira no final do século XIX.



Guarujá, litoral centro-Norte. Em 1892, surge a Companhia Prado Chaves, que tem por finalidade a criação de uma vila balneária na praia de Pitangueiras e a exploração do turismo na ilha. Para a vila, são encomendadas 46 casas de madeira nos Estados Unidos e um hotel de luxo, contando inclusive com um cassino. O hotel, batizado de La Plage, foi também construído com a mesma madeira com que foram feitas as casas. Além da vila, a Companhia construiu uma linha férrea ligando o estuário de Santos à praia de Pitangueiras, batizada de Tramway de Guarujá, bem como o primeiro serviço regular de navegação entre Santos e Guarujá. O empreendimento é inaugurado em 2 de setembro de 1893 e torna-se reduto da classe alta paulistana durante o verão, inclusive com a presença do presidente do Estado e de seus secretários. Esta data é também considerada a de fundação do município, quando Guarujá foi promovido a Vila Balneária.


Baía de Santos e ilha de São Vicente,  litoral centro-sul. Atribui-se a fundação de Santos a Brás Cubas, sertanista português que, em 1536, recebeu a mais vasta sesmaria do litoral da Capitania de São Vicente. Em 1543, Brás Cubas instalou às margens da baía a Casa de Misericórdia de Todos os Santos para abrigar doentes dos navios que chegavam da metrópole. O povoado, com nome simplificado de Santos foi elevado à categoria de vila em 1545.


Divisa de São Vicente-Santos: Ilha Urubuqueçaba e aos fundos os morros do Itararé e José Menino e suas respetivas praias. Foto: Viver em São Vicente e Região. 




Porto Federal  de São Sebastião ou Companhia Docas de São Sebastião está localizado na costa do litoral norte do estado de São Paulo, na cidade de São Sebastião, a 180 km da capital do estado. É administrado atualmente pela Companhia Docas de São Sebastião (criada pelo decreto estadual 52.102 de 29/08/07). O governo federal brasileiro já tinha planos para construir um segundo porto no estado de São Paulo desde meados dos anos 1920. Na época, o jornalista Assis Chateaubriand usou seu recém-comprado jornal Diario da Noite para atacar a proposta, embora tal investida tenha sido considerada por opositores como mero "agradecimento" a Guilherme Guinle, dono da Companhia Docas de Santos, que havia lhe emprestado dinheiro para financiar a compra do periódico. A União celebrou contrato de concessão com o governo do estado de São Paulo, em 26 de outubro de 1934, autorizando a construção e a exploração comercial do porto de São Sebastião pelo prazo de 60 anos, prorrogado até junho de 2007. As obras, no entanto, começaram somente em 26 de abril de 1936, a cargo da Companhia Nacional de Construção Civil e Hidráulica. 



Itanhaém. Martim Afonso de Sousa, líder desta expedição, durante os dois anos em que permaneceu na região de São Vicente, teria fundado o núcleo original da cidade de Conceição de Itanhaém em 22 de abril de 1532, à margem oriental da foz do Rio Itanhaém, sob os pés do Morro do Itaguaçu[10] sendo, portanto, o segundo núcleo populacional criado pelos colonizadores portugueses no território brasileiro.



Cananéia. Em 24 de janeiro de 1502, chega no local a expedição exploratória com Gaspar de Lemos e Américo Vespúcio (Amerigo Vespucci) no comando, visando reivindicar e demarcar as novas terras e nomearam o local por Barra do Rio Cananor. Esta expedição trazia uma figura obscura da história brasileira, o degredado português Cosme Fernandes, conhecido como Bacharel de Cananéia, o qual tornou-se uma figura poderosa na região, vindo a possuir muitos escravos e não prestando obediência à coroa portuguesa. Anos depois, em 1531, Portugal enviou mais uma expedição, sob o comando de Martim Afonso de Sousa, que chegou na comunidade de Marataiama (antigo nome de Cananéia registrado no diário de navegação da expedição; Mara = mar e Tayama = terra). Este ano é considerado o da fundação oficial da Vila. 


Iguape. Em 1532, pouco depois de chegar ao Brasil, Martim Afonso de Sousa ordenara a desocupação por Moschera e pelo Bacharel do território onde hoje está Iguape, que pertenceria à coroa portuguesa. Não sendo atendido, ordenou uma expedição chefiada por Pero de Góis que deveria executar a desocupação à força. Informados sobre a expedição, Moschera e o Bacharel, apoiados por indígenas flecheiros carijós, capturaram um navio corsário francês e desbarataram a força portuguesa, travando a Guerra de Iguapé, a primeira guerra entre europeus na América do Sul. Entre os anos de 1534 e 1536, as forças de Moschera e do Bacharel destruíram a vila de São Vicente, matando a maior parte da população, libertando os prisioneiros e incendiando o cartório onde estavam os registros oficiais do município, levando inclusive o Livro do Tombo, fonte oficial de informação sobre a região de Iguape e sobre seus fundadores. Após os ataques, Moschera retornou ao rio da Prata. A povoação de Iguape continuou sob o domínio do Bacharel de Cananeia e teve sua primeira igreja, em homenagem a Nossa Senhora das Neves, construída em 1537. A data de fundação de Iguape foi estabelecida em 3 de dezembro de 1538, ano em que Iguape e Cananeia se separaram. Em 1577, o povoado foi elevado à categoria de "Freguesia de Nossa senhora das Neves da Vila de Iguape", ano em que foi aberto o primeiro livro do tombo da Igreja de Nossa Senhora das Neves.


São Sebastião. É a cidade mais antiga do litoral norte. Antes da colonização portuguesa, a região de São Sebastião era ocupada por índios Tupinambás e Tupiniquins, sendo a serra de Boiçucanga uma divisa natural das terras das tribos. A ocupação portuguesa ocorre com o início da História do Brasil, após a divisão do território em Capitanias Hereditárias. Em 1608, aproximadamente, João de Abreu e Diogo de Unhate alegando "estarem na Capitania há muitas décadas, serem casados, terem filhos e terem ajudado às suas custas, nas guerras contra franceses, ingleses e índios inimigos" obtiveram sesmaria em São Sebastião sendo eles os sesmeiros que iniciaram a povoação com agricultura, pesca e alguns engenhos de madeira de cana-de-açúcar sendo, pois, os responsáveis pelo desenvolvimento econômico e a caracterização como núcleo habitacional e político. Isto possibilitou a elevação do povoado à categoria de vila em 16 de março de 1636 e a emancipação político-administrativa (elevação à categoria de cidade) em 20 de abril de 1875.


ABC (D) PAULISTA



Mauá, importante polo industrial e petroquímico da região do ABCD. Allan Lisboa. Wikipedia.

A Zona Sudeste da Grande São Paulo, mais conhecida como ABC Paulista, Região do Grande ABC, ABC, ABCD ou ainda ABCDMRR é uma região tradicionalmente industrial do estado de São Paulo, parte da Região Metropolitana de São Paulo, porém com identidade própria. A sigla vem das três cidades que, originalmente, formavam a região em um único município, sendo: Santo André (A), São Bernardo do Campo (B) e São Caetano do Sul (C). Às vezes, Diadema (D) é incluída na sigla.

A sigla foi dada em ordem alfabética no ato de suas fundações, devido à influência da religião católica na região, fato este que deu a origem da sigla "ABC" Paulista, a região dos três santos de São Paulo. É relativamente comum encontrar também ABCDMRR que também inclui, além de Diadema, os municípios de Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

Aspectos gerais. Apesar de não contribuírem à sigla original, também fazem parte da região Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra (pois eram extensão do município de Santo André, antes da divisão) e Diadema. A Represa Billings banha 6 dos 7 municípios da região, exceto São Caetano do Sul. Os 7 municípios somados perfazem uma área de 825 km², e reúnem uma população de mais de 2,5 milhões de habitantes (estimativa do IBGE para 2007).

Em Santo André estão ainda localizados os distritos de Parque Capuava e Paranapiacaba, bem como o subdistrito de Utinga, também chamado de 2º subdistrito. Em São Bernardo do Campo, o distrito de Riacho Grande e o bairro de Rudge Ramos; Os bairros de Piraporinha e de Eldorado, em Diadema. Em Mauá, os bairros de Jardim Zaíra, Bairro Capuava, Jardim Guapituba não constituem legalmente distritos, mas desempenham funções polarizadoras em suas respectivas áreas. Em Ribeirão Pires está o distrito de Ouro Fino Paulista.

São Caetano do Sul é o município com menor área territorial do Grande ABC, com 15,3 km²; a menor população residente é a de Rio Grande da Serra (42 405 habitantes em 2007). São Bernardo do Campo possui a maior população residente (781 390 habitantes em 2007) e também a maior área (406 km², quase a metade de toda a região).

O acesso da cidade de São Paulo a esta região é feito principalmente pelas rodovias Anchieta e Imigrantes, pelas avenidas Cupecê, Engenheiro Armando de Arruda Pereira, dos Bandeirantes, do Estado, Salim Farah Maluf, Anhaia Melo, Oratório e pelos corredores de trólebus e pelos trens urbanos da CPTM.

A história da região do ABC Paulista começa com sua ocupação pelos indígenas e pelos portugueses que, liderados por Martim Afonso de Sousa e João Ramalho, fundaram em 1553 a vila de Santo André da Borda do Campo, de onde se iniciou a ocupação de todo o planalto paulista e que daria origem, no ano seguinte, à vila de São Paulo de Piratininga, a atual cidade de São Paulo. Passados alguns anos a vila de Santo André foi extinta, e os habitantes transferidos para São Paulo.

Em 1717 surge a fazenda São Bernardo, de monges beneditinos, na mesma região da antiga vila de Santo André da Borda do Campo. Um século depois é fundada a freguesia de São Bernardo e, em 1889, a região é transformada em município. No século XX, movimentos emancipacionistas conseguem a divisão da cidade de São Bernardo, surgindo os atuais sete municípios do Grande ABC.

São Bernardo do Campo conta com a maior população estimada do ABC (833.240 habitantes, de acordo com as estimativas de 2018 do IBGE). Na cidade está localizada mais de 70% da represa Billings, e parques cincundantes à represa, como o do Estoril, localizado nas imediações do Riacho Grande, com acesso pela Rodovia Caminho do Mar.

Com a Lei Complementar nº 1.139, de 16 de junho de 2011, aprovada pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, e, consequentemente, com o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana de São Paulo (PDUI), os municípios da Região Metropolitana de São Paulo também passaram a ser zoneadas de acordo com as sub-regiões da capital. Desta forma os municípios da região, juntamente com os bairros da Zona Sudeste do município de São Paulo passam a formar a Zona Sudeste da Grande São Paulo.

Indústria e Sindicatos. A região conhecida como ABC Paulista, que a partir do século XX já representa o maior bairro industrial da grande São Paulo, ganhou prestígio no cenário nacional desde os anos 1950, período de considerável expansão industrial no Brasil e da instalação das montadoras de automóveis na região.

O ABC é marcado historicamente por ser o primeiro centro da indústria automobilística brasileira. A região é sede de diversas montadoras, como Mercedes-Benz, Ford, Volkswagen e General Motors, entre outras. No entanto, o setor de serviços também vem crescendo significativamente. Por exemplo, a base das operações, atualmente encerradas, da America Online, no Brasil, ficava em Santo André.


Ribeirão Pires, a única estância turística da Região Metropolitana de São Paulo e do Grande ABC.
A presença de indústrias desse porte fez com que a região fosse o berço do movimento sindical contemporâneo no Brasil. As greves dos operários foram fortes no final da década de 1970, o que resultaria na fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), no início da década seguinte.

Esta força sindical concentrada em uma só região (do ABC) tomou dimensões gigantescas e, mesmo com seu caráter importante para defender os trabalhadores brasileiros, também teve uma contribuição negativa; considerando que muitas plantas de grandes indústrias deixaram de se instalar ou migraram a outras regiões do país. São exemplos: a FIAT em Minas Gerais e a Ford, dentre outras, e toda a rede de fornecedores que abastecem estas megaindústrias.

Todo este caráter político-social também se refletiu nas artes e cultura da região, principalmente no teatro. Grupos e espetáculos foram criados nesta época, refletindo bem sua realidade. Esta crescente manifestação cultural acabou germinando em grupos de teatro que ainda hoje são atuantes.


Santo André. O nome do município remonta à antiga vila de Santo André da Borda do Campo, que existiu na região do Grande ABC no início do período colonial. Esse povoado foi fundado por João Ramalho, genro do chefe tupiniquim Tibiriçá, em algum momento entre a sua chegada à América, no início do século XVI e 1532. No dia, 8 de abril de 1553, o povoado em que vivia foi elevado ao estatuto de vila pelo então governador-geral do Brasil Tomé de Sousa. Em 1558, Ramalho passou a governar a vila como alcaide-mor. Em 1560, devido aos conflitos com os povos indígenas da Confederação dos Tamoios, o governador-geral Mem de Sá ordenou a transferência da vila para os campos de Piratininga, onde, desde 1554, já se localizava o Colégio de São Paulo - erguido no atual Pátio do Colégio.


São Bernardo do Campo. A origem da cidade remonta a 1553, quando é oficializada a Vila de Santo André da Borda do Campo, fundada pelo português João Ramalho, junto a seu sogro Tibiriçá. A Vila foi o primeiro núcleo de povoamento do território brasileiro fora do litoral. O nome do município provém da Fazenda de São Bernardo, fundada pelos monges beneditinos em 1717, origem da ocupação moderna da cidade.

Em 1877, a já decadente Fazenda de São Bernardo é desapropriada pelo Império, e sedia, de acordo com os planos do então governador da Província de São Paulo, João Teodoro Xavier, um dos núcleos coloniais instalados nas cercanias de São Paulo. Além do Núcleo Colonial de São Bernardo, são criados também os de São Caetano, Glória e Santana. Se inicia assim o estabelecimento das primeiras levas de imigrantes em São Bernardo, notadamente de italianos, especialmente os vênetos, mas também com destaque para os alemães e poloneses. Dos quatro núcleos coloniais estabelecidos, São Bernardo era o maior deles e o que, oficialmente, durou mais tempo. Sua sede foi instalada no antigo casarão que era a residência da fazenda de Francisco Bonilha, o Alferes Bonilha, um dos mais proeminentes e participativos cidadãos do lugar no Século XIX. Entre 1887 e 1891, o núcleo ainda seria ampliado junto as suas "linhas", tais como "Borda do Campo", "São Bernardo Novo", "Galvão Bueno", "Capivary", "Rio dos Meninos", "Jurubatuba", entre outras, a maior parte delas, responsáveis diretas e indiretas pela formação da maioria dos atuais bairros da cidade. Em 1894 e 1897, respectivamente, abrem-se as duas últimas linhas coloniais: Campos Salles e Bernardino de Campos. Em 1898, as linhas mais antigas se emancipam. Em 1902, todas as terras que compunham o núcleo são oficialmente devolvidas ao município, extinguindo-se assim a tutela estadual ou federal sobre o núcleo. Entre 1876 e 1897, um total de 1535 imigrantes se estabelecem no núcleo, sendo 1255 italianos, 168 alemães, 75 austríacos e 37 nacionais. Destes últimos, 11 eram provenientes do Pilar (atual Mauá), 2 do Estado do Ceará e 24 de Santo Amaro. Entre 1890 e 1897, ainda recebe 420 poloneses, 10 húngaros, 11 dinamarqueses, 13 franceses, 8 suíços, 5 portugueses, 4 espanhóis, dois armênios provindos da Argentina, além de alguns alemães provenientes de colônias de Santa Catarina. Para efeitos de comparação, até a chegada do núcleo colonial, São Bernardo possuía cerca de 157 moradores. Em 1897, já contava com 2170.

Freguesia e Município. Em 1812, o Marquês de Alegrete eleva São Bernardo à freguesia do então Município de São Paulo, pela Resolução Régia de 23 de setembro de 1812, abrangendo todas as atuais cidades da Região do Grande ABC. Anos mais tarde, por força da Lei Provincial nº 38, de 12 de março de 1889, São Bernardo adquire o status de vila Apesar de oficializado ainda durante o Império, o município só é instalado de fato em 1890, já durante o regime republicano, com o nome de São Bernardo.[2
A abertura da São Paulo Railway, em 1867, ligando São Paulo a Santos, corta todo o território do município de norte a sul. Porém, a estrada de ferro passa longe da sede do município (a atual São Bernardo do Campo). O entorno da estação de São Bernardo (atual Santo André), distante oito quilômetros da sede do município e conhecida por Bairro da Estação, ou "Estação São Bernardo" experimenta um acelerado processo de desenvolvimento a partir da inauguração da ferrovia, assim como os distritos do município servidos por ela: São Caetano, Ribeirão Pires, Pilar (Mauá), Rio Grande (Rio Grande da Serra) e Alto da Serra (Paranapiacaba). A ferrovia desvia o fluxo de cargas entre o interior da província e Santos. São Bernardo, cortada pelo Caminho do Mar, experimenta um longo período de estagnação. Os tropeiros, que antes cortavam o núcleo urbano da cidade diariamente por conta das viagens entre São Paulo e Santos, desaparecem junto a suas tropas de mulas e seus pousos ao longo do caminho. Já os distritos cortados pela ferrovia, florescem e se industrializam rapidamente, principalmente a partir do final do século XIX e início do século XX.

Ao longo dos anos, o desenvolvimento trazido pela SPR impulsiona estes locais, o que leva a administração do município a criar vários distritos em São Bernardo, os quais dariam origem a atuais cidades da região. Em 1896 é criado o Distrito de Paz de Ribeirão Pires e em 1907 é criado o Distrito de Paz de Paranapiacaba, ambos no município de São Bernardo.

Rebaixamento e Autonomia.  Por força da Lei nº 1.222-A, de 14 de dezembro de 1910, é criado o Distrito de Paz de Santo André, compreendendo o Bairro da Estação. Em 1916 é criado o Distrito de Paz de São Caetano e em 1934, é criado o Distrito de Paz de Mauá.

Em 1938, em pleno regime ditatorial da era Vargas, o interventor federal Ademar de Barros determina, pelo Decreto nº 9.775, de 30 de novembro de 1938, que o distrito de Santo André passa a ser a sede do município, e não mais a Vila de São Bernardo, o que se justificaria pela maior prosperidade do núcleo/distrito de Santo André, em virtude da proximidade com a ferrovia. O próprio nome do município é alterado para Santo André. A antiga sede municipal, emancipada desde 1889, passa a ser considerada como o Distrito de São Bernardo parte, agora, de Santo André.

A partir deste rebaixamento político-administrativo, moradores de São Bernardo fundam a "Associação Amigos de São Bernardo" com o objetivo de recuperar a autonomia do município, conquistado em 30 de novembro 1944 (Decreto-Lei nº 14.334, de 30 de novembro de 1944) e oficializada em 1° de Janeiro de 1945, com a instalação do município de São Bernardo do Campo, desmembrado de Santo André, tendo como primeiro prefeito Wallace Cochrane Simonsen, presidente da associação que almejava a recuperação da autonomia.

Em 1948 é criado o Distrito de Diadema, no município de São Bernardo do Campo, pela Lei nº 233, de 24 de dezembro de 1948 compreendendo Vila Conceição, os bairros Piraporinha, Eldorado e parte do Taboão. Em 1958 ocorre um plebiscito pelo qual este distrito obtém sua emancipação política, vindo a tornar-se, em 1959, o município de Diadema.

Industrialização e crescimento

Wallace Simonsen, 4º da esq-dir, em 1 de janeiro de 1945, quando da instalação do município.[
A abertura da São Paulo Railway em 1867, cortando o território do antigo município (correspondente as atuais sete cidades do chamado Grande ABC) ao meio, de norte a sul, foi o marco indutor das primeiras experiências industriais em São Bernardo, porém, restritas as áreas lindeiras a ferrovia, fizeram prosperar os Distritos de Santo André e São Caetano, enquanto a atual São Bernardo do Campo, longe de sua própria estação, experimentava uma experiência baseada em indústrias de pequeno porte. No território correspondente ao atual Município de São Bernardo do Campo, o pioneirismo coube a Bortolo Basso, que com a força das águas do Rio Grande, hoje o principal formador da Represa Billings, instalou no município a primeira serraria, em fins do século XIX. A atividade madeireira, a época, era a mais praticada e exercida. Outro dos pioneiros, Ítalo Setti, instalou uma fábrica de charutos, denominada "A Delícia". A abundância da atividade madeireira e a instalação de mais serrarias, possibilitou a criação das primeiras indústrias de móveis, em um ofício dominado principalmente por italianos e alemães. 

Nas quatro primeiras décadas do século XX o parque industrial moveleiro de São Bernardo do Campo cresce vertiginosamente. Ainda incipiente se comparado ao desenvolvimento industrial alcançado pelos antigos bairros, e hoje municípios de Santo André e São Caetano, era extremamente significativo para a realidade da cidade, que viu pequenas fábricas quase artesanais tornarem-se grandes indústrias do ramo. A qualidade dos móveis, deu para São Bernardo o títiulo de "capital do móvel", com estes produtos atingindo todo o Estado e também outros estados do país. 

A abertura da Via Anchieta, e sua inauguração, em 1947, transfiguraram a cidade definitivamente. Assim como a ferrovia, no passado, havia deslocado a indústria, serviços e comércio, além dos grandes núcleos urbanos formados ao redor dela - deixando São Bernardo estagnada ao lado do velho Caminho do Mar, a Via Anchieta, cortando o território do município desde a divisa com São Paulo, a norte, até a divisa com Cubatão, no extremo sul, aliada a política de industrialização dos anos Vargas e JK e também ao rodoviarismo, transformaram a cidade em pólo estratégico para a implantação de indústrias. Grandes terrenos disponíveis e a estratégica posição entre São Paulo e Santos fizeram com que, a partir dos anos 50 do século XX São Bernardo experimentasse um crescimento sem precedentes. As pioneiras foram Varam Motores e Brasmotor (depois, Brastemp), que traziam veículos desmontados e semi desmontados da Europa e Estados Unidos, e os montavam aqui. 

Além delas, se multiplicaram ainda nos anos 1940 as tecelagens. Na mesma época a cidade ganhou até mesmo uma fábrica de discos: a Odeon. Já no governo Juscelino Kubitschek, a política de atração de multinacionais e da criação da indústria automobilística brasileira tornou São Bernardo do Campo sede de praticamente todas as grandes indústrias do ramo: Willys-Overland, Volkswagen (primeira unidade fora da Alemanha),Toyota, Mercedes-Benz, Scania, Karmann-Ghia, Simca, Chrysler, IBAP, Ford, Volkswagen Caminhões além de, literalmente, centenas de indústrias de auto peças, converteram a antiga vila, estagnada, em uma das maiores concentrações industriais do planeta, e com sua população crescendo vertiginosamente entre 1950 e 1970.

Nesse período, São Bernardo saltou de uma população inferior a 40 mil habitantes para mais de 200 mil habitantes. Nos anos 1980, atingiria a marca de mais de 420 mil habitantes.




A Volkswagen Brasil é um das filiais do Grupo Volkswagen. Fundada em 1953, a filial no Brasil depois da China, é onde a montadora alemã tem maior presença fora de sua sede. Sua origem remonta a 1950 a partir da ideia de Heinz Nordhoff, então presidente da Volkswagen na Alemanha, de expandir seus mercados para novos países. Durante a sua existência, a Volkswagen do Brasil tem desenvolvido modelos próprios e variantes adequadas para diversos mercados na América Latina e África, substituindo ou complementando modelos projetados para a Europa. A Volkswagen do Brasil possui três fábricas de automóveis, em São Bernardo do Campo (SP), São José dos Pinhais e Taubaté (SP) e uma de motores em São Carlos (SP).





As origens da Volkswagen, na Alemanha e em São Bernardo.

Fundada em 1937, a indústria de automóveis Volkswagen iniciou sua existência como uma empresa estatal alemã . À época, vigorava naquele país o regime nazista, cujos dirigentes criaram a firma com o objetivo de fabricar em massa o chamado “carro popular”, o “Volkswagen” – no Brasil conhecido como “Fusca” . Em 1934, antes mesmo do surgimento da companhia, o governo alemão havia contratado o engenheiro Ferdinand Porsche para o desenvolvimento do projeto do Volkswagen, cujo desenho original este entregara ao ministério dos transportes germânico em janeiro do mesmo ano. Em 1938, teve inicio a construção da fábrica principal da empresa e de uma cidade – posteriormente denominada Wolfsburg - para abrigar as instalações industriais e seus milhares de funcionários .

Com o início da II Guerra Mundial, a indústria, ainda inacabada, teve a maior parte de sua produção direcionada para a fabricação de veículos militares, incluindo uma versão militar do “fusca” . Após o final da guerra e dos reparos aos danos causados pelos bombardeios sofridos pela fábrica, a produção do Volkswagen vai aos poucos atingindo grandes volumes e inicia-se sua exportação para diversos países .

No final do ano de 1950, a Cia. Distribuidora Geral Brasmotor anunciou a montagem deste automóvel em suas instalações em São Bernardo do Campo e sua revenda no Brasil . Entre fevereiro de 1951  e junho de 1953, data da expiração de seu contrato com a Volkswagen, a Brasmotor montou 1274 Fuscas em São Bernardo do Campo .

Nesse mesmo ano de 1953, a Volkswagen transferiu suas operações para um galpão no bairro do Ipiranga, na capital paulista, ao mesmo tempo em que manifestava intenções de construir uma fábrica no Brasil para produção – e não mais apenas montagem – de automóveis, respondendo às sinalizações do governo brasileiro no sentido da criação de políticas favoráveis à implantação da indústria automobilística no país.

Em maio de 1955, após um período de indefinições – no qual se inseria a crise política associada ao suicídio do presidente Vargas – a Volkswagen anunciou a construção da fábrica na Via Anchieta, a qual apenas começaria, de fato, após a vitória de Juscelino Kubitschek nas eleições presidenciais de outubro do mesmo ano . A partir do ano seguinte, o apoio efetivo do novo presidente seria fundamental para a continuidade do processo da industrialização automotiva no país, sobretudo através da criação do GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística), o qual estabeleceu um cronograma de nacionalização progressiva dos automóveis montados no país, que deveriam chegar a ter, em meados de 1960, entre 90% e 95% de seu peso constituído por material fabricado no Brasil. Em 1956, um relatório da matriz da Volkswagen – que na época ainda era uma empresa estatal alemã – repercutia o encaminhamento da política industrial brasileira e justificava a criação da fábrica em São Bernardo do Campo com as seguintes palavras: “Como resultado das fortes restrições de importação por parte do governo brasileiro, a importação de produtos completos e veículos desmontados são extremamente difíceis. No ano em análise, a subsidiária preparou-se para começar a produzir parcialmente vans internamente no decorrer de 1957.Para isso, foi construída uma fábrica em São Bernardo, próximo a São Paulo.

No segundo semestre de 1957, com a fábrica da Via Anchieta já operando, a Volkswagen apresentou os primeiros utilitários Kombi produzidos no Brasil, com um índice de nacionalização de 50%  . No final desse ano, a empresa já oferecia trabalho a cerca de 800 funcionários em São Bernardo do Campo .

No dia 18 de novembro de 1959, aconteceu a inauguração oficial da fábrica na Via Anchieta, a qual contou com a presença do presidente Kubitschek, do engenheiro Heinz Nordhoff, diretor mundial da VW – um dos responsáveis pelo sucesso da empresa no pós-guerra – e de Lúcio Meira, presidente do BNDE e do GEIA. A esta altura a Volkswagen já empregava quase 8 mil funcionários, fabricando o Fusca e a Kombi, com altos índices de nacionalização.

Nas duas décadas seguintes a empresa consolidaria a posição de maior indústria automobilística do Brasil, ultrapassando a impressionante barreira dos 27 mil empregados  e fazendo do Fusca o carro mais vendido do país.

Imagem. Fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo. Década de 1970. Ao fundo é possível observar o Jardim Andrea Demarchi e a Igreja da Paróquia Santa Maria. Vastas áreas do Bairro Demarchi e adjacências também aparecem, todas ainda pouco ocupadas.

Acervo, pesquisa e texto: Centro de Memória de São Bernardo do Campo


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VERA CRUZ, A HOLYWOOD DO ABC


Estúdios da Vera Cruz em São Bernardo do Campo. 


O que foi a Companhia Cinematográfica Vera Cruz - e porque ela foi tão importante para o cinema brasileiro

Revista RollingStone. Camilla Millan. 
Publicado em 04/11/2020. 

Em 4 de novembro de 1949, a Vera Cruz foi fundada, e acabou se transformando em um marco do cinema nacional

A Companhia Cinematográfica Vera Cruz surgiu em 4 de novembro 1949, em meio a uma efervescência cultural no estado de São Paulo. Fundada por Franco Zampari e sediada em São Bernardo do Campo, a produtora é um marco do cinema nacional, e representou uma mudança da indústria brasileira. 
Com o fim da Segunda Guerra Mundial e ditadura do Estado Novo, a vida paulista era tomada por uma cultura em agitação. Aparelhos culturais, como o Museu de Arte Moderna (MAM) e o Museu de Arte de São Paulo (MASP), foram inaugurados na década de 1940 - e o interesse pelo cinema só crescia.

NOVIDADE

Na época, as chanchadas estavam a todo vapor, com produções populares que evidenciavam o humor. O gênero fez sucesso em território nacional, principalmente devido aos filmes produzidos pela produtora Atlântida. Apesar de ser um gênero reprodutor de estereótipos e não ser bem-recebido pela crítica, os longas lotavam salas de cinemas do Brasil, mas não alcançavam outros países.
Assim, Zampari fundou a Vera Cruz com o objetivo de projetar o cinema brasileiro para o exterior. Ele chamou técnicos da Europa, investiu muito dinheiro com cenário, atores e câmeras - tudo para fazer com que o cinema nacional alcançasse padrões internacionais.

Empreitada internacional e declínio 

Para conseguir alcançar o “padrão internacional de qualidade”, Zampari deixou de lado o cinema popular - atitude muito criticada até hoje. Os técnicos europeus da Vera Cruz não estavam familiarizados com a cultura brasileira, muito menos com o estilo cinematográfico do país.
Prezando por longas policiais e dramáticos, a Vera Cruz é criticada por uma abordagem superficial do Brasil e por lançar filmes a partir de moldes estrangeiros, como explicou a Enciclopédia Itaú Cultural - e essa estratégia teve consequências.

Sem apelo popular e sofrendo com a concorrência do cinema internacional, o dinheiro arrecadado em bilheteria não supria o orçamento dos filmes. Isso, adicionado à administração caótica da produção, levou ao endividamento e falência da empresa. Apesar de alguns filmes alcançarem sucesso internacional, a distribuição por meio da Columbia Pictures fazia com que o dinheiro não voltasse para a produtora.

Assim, os estúdios da Vera Cruz ficaram em atividade por apenas 5 anos, período no qual foram produzidos mais de quarenta longa-metragens - e um dos mais famosos é O Cangaceiro. 

Cena de O Cangaceiro, sucesso internacional da Vera Cruz e destaque no Festival de Cannes, na França. 

Legado 

Apesar das diversas críticas à Vera Cruz, é notável que, com a empreitada, Zampari conseguiu profissionalizar diversas pessoas da indústria cinematográfica. Criou-se uma nova geração de profissionais capacitados e diferentes técnicas de filmagens que agregaram na produção brasileira.
A produtora alcançou grande sucesso com O Cangaceiro, que representou um dos primeiros filmes brasileiros a extrapolar, de fato, as fronteiras nacionais. Após muita insistência, o cineasta Lima Barreto conseguiu a aprovação para fazer um filme inspirado na cultura brasileira - mais especificamente, no bandoleiro Lampião.

O longa ganhou o prêmio de melhor filme de aventura e de melhor trilha sonora no Festival Internacional de Cannes. Outro lançamento icônico da Vera Cruz foi Sinhá Moça, que recebeu o Leão de Bronze, terceiro maior prêmio do Festival de Veneza. 
A revelação de grandes talentos também foi um legado importante da Vera Cruz. Um deles foi o ator, cineasta e comediante Amácio Mazzaropi. Pela companhia, o astro despontou, e  participou de longas como Sai da frente - e mais para frente, atuou no grande sucesso Jeca Tatu, posterior à produtora.
Além dos prêmios, a Vera Cruz conseguiu consolidar o cinema brasileiro por meio do apoio da elite financeira e intelectual, que tirou a produção nacional da marginalidade. A partir da técnica e do status do cinema brasileiro adquirido por meio da companhia, a indústria brasileira passou a ter capacidade para desenvolver um estilo verdadeiramente nacional, como indicou o site Aventuras na História.
Dessa forma, um dos grandes legados da produtora foi abrir a possibilidade para que novas ideias pudessem ser exploradas no cinema nacional com tecnologia suficiente para serem executadas.

Assinatura audiovisual das produções da Vera Cruz


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Vista aérea de São Caetano do Sul na década de 1970 -ao centro a linha férrea ao fundo a linha férrea ladeada por indústria e ao centro por viadutos, poucos edifícios, casarios e comércios. Fonte Fundação Pró Memória de São Caetano do Sul.


São Caetano do Sul. A história da cidade liga-se ao descobrimento do Brasil. Após o encerramento da vila de Santo André da Borda do Campo, já no ano de 1631, o capitão Duarte Machado doou aos padres beneditinos o sítio que possuía no Tijucuçu. Anos mais tarde, em 1671, o bandeirante Fernão Dias Pais Leme arrematou em leilão outro sítio vizinho e também o doou aos padres. Assim, formaram a Fazenda São Caetano, onde, além de pequenas plantações, mantinham uma olaria para fazer os tijolos, lajotas e telhas de que necessitavam para a construção do Mosteiro de São Bento, no centro de São Paulo. As terras da antiga Fazenda São Caetano foram adquiridas pelo Governo Imperial com a intenção de formar Núcleos Coloniais para incentivar a imigração européia, sendo este o primeiro a ser inaugurado. Em 29 de junho de 1877, algumas famílias de imigrantes italianos da região de Vittorio Veneto, no Nordeste da Itália, embarcavam no porto de Gênova com destino ao Brasil, iniciando-se o processo imigratório no município.

São Caetano do Sul  é a letra "C" da sigla ABC Paulista, a qual foi marcada pelo desenvolvimento industrial e automobilístico. Alguns exemplos são as indústrias localizadas na divisa com São Paulo, e a sede da General Motors no Brasil, na avenida Goiás, o principal centro financeiro da cidade. Atualmente, na avenida, encontram-se instaladas matrizes e filiais de várias empresas. Pessoas de várias regiões da metrópole vão a cidade a trabalho, vindas principalmente da região do próprio ABC e dos distritos das zonas sul e leste paulistanas que fazem divisa com a cidade.

A história da cidade liga-se com a intenção do governo imperial de formar Núcleos Coloniais para incentivar a imigração européia, sendo este o primeiro a ser inaugurado. Em 29 de junho de 1877, algumas famílias de imigrantes italianos da região de Vittorio Veneto, no Nordeste da Itália, embarcavam no porto de Gênova com destino ao Brasil, iniciando-se o processo imigratório no município.

No início do século XX, a cidade destacou-se pela produção cerâmica e química, tendo sido endereço da Louças Claudia e da Fábrica de Rayon Matarazzo, integrantes do núcleo Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo, além da Fábrica de Louças Adelinas, fundada pelo português Manoel de Barros Loureiro, e da Cerâmica São Caetano, fundada por Roberto Simonsen. Um dos funcionários desta última, aliás, acabou se tornando o responsável pela popularização arquitetônica dos "pisos de caquinhos",[12] a pavimentação com mosaicos de cerâmica, em muitas casas no Grande ABC, e na Vila Mariana, na Capital Paulista. Além do forte histórico na produção cerâmica e química, a cidade também é sede de outras empresas como, por exemplo: Grupo Casas Bahia, fundada em 1952 por Samuel Klein no município, General Motors do Brasil, fábrica de brinquedos Gulliver, fábrica de Chocolate Pan.

Vista aérea da Cerâmica São Caetano -1931 -vemos surgir o Bairro Cerâmica em volta a áreas ermas de São Caetano. Fonte: Fundação Pró Memória de São Caetano do Sul.




A INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA NO BRASIL
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CARROS, MONTADORAS E FÁBRICAS



A formação e desenvolvimento da chamada "Grande São Paulo" foi marcada inicialmente pela ferrovia e posteriormente pela indústria automobilística, base da mobilidade dos conglomerados urbanos. Essa marca seria impulsionada sucessivamente pela presença de grandes empresas desse setor, vindas da Europa e EUA e posteriormente da Ásia (Japão, Koréia e China). 

Pode-se dizer que a era automobilística nasceu no Brasil no dia 25 de novembro de 1891, quando desembarcou no porto de Santos, do navio Portugal, o primeiro carro importado, adquirido pelo jovem inventor do avião, Alberto Santos Dumont, que mais tarde seria conhecido como o "Pai da Aviação" no Brasil. O carro era um reluzente Peugeot com motor Daimler a gasolina, de 3,5 cavalos-vapor e dois cilindros em V, conhecido pelos franceses como voiturette por ser muito parecida com uma charrete. Seu proprietário o comprara por 6 200 francos, em Valentigney, cidade perto de Paris, e o trouxe diretamente para Santos. Mais tarde, o veículo foi levado a São Paulo, permanecendo na residência de Santos Dumont. Esse Peugeot foi o primeiro carro a chegar no Brasil, asseguram os historiadores. O primeiro veículo emplacado no Brasil foi em São Paulo, do empresário Francisco Matarazzo, em 1900. O primeiro acidente de trânsito que se tem notícia no Brasil foi em 1897, quando o poeta Olavo Bilac colidiu com uma árvore. Se ele se feriu, ninguém sabe, mas, com certeza, sobreviveu, uma vez que veio a falecer apenas em 1918.

O Brasil é um dos primeiros países do mundo a fazer um protótipo de um carro. Utilizando um motor de origem inglesa, o inventor paulistano Paulo Bonadei foi o primeiro a montar um carro no Brasil. O veículo ficou pronto em 1905, quando Paulo percebeu um "pequeno" detalhe: o protótipo era maior que a porta da garagem, que teve de ser alargada.

Em agosto de 1925, a Estação Experimental de Combustíveis e Minérios (futuro Instituto Nacional de Tecnologia), realizou as primeiras experiências no Brasil, com um automóvel adaptado para usar álcool etílico hidratado como combustível. O veículo, modelo Ford, percorreu 230 km numa prova no circuito da Gávea, no Rio de Janeiro, a primeira promovida pelo Automóvel Clube do Brasil. Ainda naquele ano, o mesmo veículo fez os percursos Rio-São Paulo, Rio-Barra do Piraí e Rio-Petrópolis.

Entre as décadas de 1930 e 1940 o piloto Chico Landi venceu algumas corridas pilotando carros movidos a álcool de fabricação nacional, enquanto seus concorrentes usavam metanol importado da Europa.

A FNM (Fábrica Nacional de Motores, popularmente conhecida como "Fenemê") foi criada em 1942.A empresa, cujo objetivo inicial era a fabricação de motores aeronáuticos, passou a fabricar também caminhões e automóveis em 1949.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o país enfrentou um grave racionamento de combustíveis, que eram reservados aos veículos oficiais e para aqueles empregados nos serviços públicos. Como alternativa, durante este período, incentivos governamentais levaram veículos particulares e de transporte público, a utilizarem o equipamento gasogênio. Este equipamento, inventado por Georges Imbert (1884-1950),[20] era usado para a produção do combustível popularmente conhecido como gás pobre.[18] Em 1943, 1944 e 1945, Chico Landi, que também era proprietário de uma empresa fabricante de gasogênios, foi campeão de automobilismo pilotando carros equipados com gasogênios abastecidos com carvão vegetal sendo, por isso, apelidado de o "Rei do Gasogênio".

Em 31 de março de 1952, o presidente da Comissão de Desenvolvimento Industrial (CDI) instalou a subcomissão de jipes, tratores, caminhões e automóveis. O primeiro carro montado em território brasileiro foi a Romi-Isetta, em 1955, produzida pelas indústrias Romi na cidade de Santa Bárbara d'Oeste, no interior de São Paulo. O veículo foi produzido entre 1956 e 1961. Ainda em 1956, a Vemag também colocou no mercado uma camioneta derivada da família F91, produzida pela DKW montada no Brasil. Em 1958 passou a disponibilizar sedãs e peruas da família F94 montados sob licença da DKW e com crescentes índices de nacionalização. Também produziu uma versão abrasileirada do jipe Munga e, nos anos 1960, encomendou uma carroceria refinada aos Fissore, da Itália, e a montou sobre a mecânica DKW. Em 1957 foi o início da montagem da Kombi no Brasil, com as peças importadas, no sistema CKD (Completely Knocked Down) ainda pelo Grupo Brasmotor. A Toyota estabeleceu-se no país em 23 de janeiro de 1958. Em maio do ano seguinte, a fábrica começa a produzir o Land Cruiser modelo FJ-251, produzido exclusivamente no Brasil e, o primeiro veículo da companhia montado fora do Japão.






As Quatro Grandes. Em 1959, no município de São Bernardo do Campo, São Paulo, foi instalada a fábrica da Volkswagen, cujo primeiro modelo produzido foi a Kombi, lá e que precedeu ao famoso Volkswagen Sedan (mais conhecido no Brasil como Fusca). Entretanto, em Rio Bonito (RJ), já um pequeno empreendedor chamado Sebastião William Cardoso havia montado um pequeno jipe que chamou de "Tupi", movido a partir de um motor de um gerador elétrico. A Chevrolet e a Ford, que eram apenas montadoras de peças importadas, também começaram a dar os seus primeiros passos com a fabricação de caminhões para, mais tarde, iniciarem a produção de automóveis em 1968. A seguir veio a italiana Fiat de Turim, instalou-se em 1973 em Betim (MG).

Outras montadoras e fabricantes as seguiram, como a Renault, Peugeot, Citroën, que montaram fábricas no Brasil, enquanto outras marcas iam sendo incorporadas, como a Dodge pela Chrysler do Brasil. A Mercedes-Benz, que já fabricava caminhões, estabeleceu em São Bernardo uma fábrica, a Daimler Benz do Brasil, inicialmente fabricante de carrocerias de caminhão e ônibus, inaugurando a sua unidade montadora veicular em 1999, em Juiz de Fora(MG). Em 1969, Kazuo Sakamaki, conhecido por ter sido o primeiro prisioneiro de guerra dos EUA na II Guerra Mundial (capturado após o ataque japonês a Pearl Harbor), foi nomeado presidente da Toyota do Brasil.

Anos 1970, 1980 e 1990. BR-800, fabricado pela Gurgel de 1988 a 1991, foi o primeiro carro 100% brasileiro. Com as crises do petróleo nos anos 1970, o país desenvolveu como alternativa o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) para substituir a gasolina pelo álcool combustível (bioetanol). Em 1979, o Fiat 147 tornou-se o primeiro carro com motor a álcool a ser produzido em série.

Diversos foram os fabricantes de automóveis genuinamente brasileiros como Puma Veículos e Motores, Gurgel, Miura, Envemo entre outros. Muitos não sobreviveram à reabertura das importações no início dos anos 1990 e à competição com modelos importados. A Gurgel entrou em processo de falência após ter lançado no mercado brasileiro o Gurgel BR-800 (o primeiro automóvel genuinamente brasileiro) e posteriormente o Gurgel Supermini, mas o governo federal estendeu a isenção do IPI (antes exclusiva para o modelo nacional) a todos os modelos de veículos existentes no Brasil com menos de 1000 cilindradas e negou um empréstimo já acertado havia tempos para a instalação do projeto Delta (que incluía a construção de um complexo industrial para a fabricação do mesmo no estado do Ceará), o que não aconteceu, culminando na consequente queda do preço das ações. O primeiro carro nacional a ser vendido com injeção eletrônica no Brasil foi o Volkswagen Gol GTI, fabricado a partir de 1989. No entanto, o primeiro carro com este recurso a ser fabricado no Brasil foi o Volkswagen Fox (Volkswagen Voyage para exportação) em 1988. O primeiro automóvel inteiramente fabricado no país foi o minicarro BR-800, em 1988.

Século XXI. Décadas de 2000 e 2010. Até recentemente, o fabricante brasileiro de maior destaque era a Troller, com os veículos T4 e Pantanal porém, em 2007 o fabricante foi adquirido pela Ford. Nos últimos anos, a indústria automobilística no Brasil tem crescido bastante, atraindo grandes investimentos das principais empresas. Em 2007, a produção automobilística no Brasil cresceu cerca de 14% em relação a 2006, chegando a três milhões de veículos, o que torna o país o sexto maior produtor mundial de automóveis, porém segue sendo o único membro do BRIC a não possuir uma montadora genuinamente nacional.

Em artigo escrito por Joe Leahy no Financial Times, foi questionada a política industrial brasileira voltada para o setor automobilístico, que foi intensificada a partir de 2002. O jornal relaciona essa política com o travamento do sistema de transportes nas grandes metrópoles brasileiras, onde, em geral, há muitos carros particulares e pouco transporte de massa. Essa política, segundo o jornal, poderia ser associada, em parte, às manifestações em 2013. Nas palavras de João Augusto de Castro Neves, membro de uma agência de consultoria de riscos políticos, "a conta chegou".[

O setor automotivo foi central para a política industrial brasileira há muitas décadas, de Juscelino Kubitschek a Fernando Henrique Cardoso e os governos do PT. No entanto, com o PT no poder, foram as políticas de crédito, de incentivos fiscais e de proteção alfandegária que turbinaram o setor. Desde 2002, o setor mais que dobrou e o Brasil se tornou o quarto maior produtor de automóveis do mundo, enquanto a infraestrutura e o transporte público não conseguiram manter o mesmo ritmo de crescimento.

O investimento nessas redes de transporte foi insuficiente. O tráfego em muitas vias aumentou em mais de 50%. Para Albert Fishlow, a política industrial brasileira sempre foi muito concentrada no setor automobilístico. Com as manifestações de junho de 2013, direcionadas em parte contra o sistema de transportes do país, o custo político dessas medidas aumentou. Entre as diversas demandas, se popularizou o ditado "País desenvolvido não é onde o pobre tem carro. É onde o rico usa o transporte público."

A partir dos anos 2010, começa a acontecer uma descentralização da produção brasileira automotiva, que antes era hiper concentrada na Região do Grande ABC. São Paulo respondia por 74,8% da produção brasileira em 1990. Em 2017, esse índice diminuiu para 46,6%, e em 2019, para 40,1%, impulsionado por fatores como os sindicatos, que oneraram excessivamente a folha de pagamentos e os encargos trabalhistas, desencorajaram investimentos e favoreceram a busca por novas cidades. O próprio desenvolvimento das cidades do ABC ajudou a frear a atratividade, pelo aumento de custos imobiliários, e maior adensamento de áreas residenciais. O Sul Fluminense (RJ), que chegou a ser o segundo maior polo do país em 2017, em 2019 caiu para em 4º lugar, atrás do Paraná (15%) e de Minas Gerais (10,7%), que tomaram parte da produção de SP e RJ.

Em 2015, foi inaugurado em Pernambuco o Polo Automotivo Stellantis. Localizado em Goiana, município da Região Intermediária do Recife, produz carros do segmento premium como o Jeep Renegade, o Jeep Compass, o Jeep Commander, a Fiat Toro e a Ram Rampage.

Em 2018, a FNM ressurgiu, agora ressignificada como Fábrica Nacional de Mobilidade, dedicando-se a produção de caminhões elétricos.

Em 2019, o Brasil lançou o primeiro veículo híbrido a etanol do mundo. Um estudo mostrou que os veículos híbridos de etanol têm emissões de CO2 em seu ciclo de vida de 86 g de CO2 equivalente/km. Um híbrido a gasolina emite 173 g de CO2 equivalente/km, em comparação, as emissões do carro elétrico na Europa (133 g) e no Brasil (95 g) e o carro flex no Brasil (93 g) também perdem para o híbrido a etanol.

Década de 2020. Em 17 de dezembro de 2020, a Mercedes-Benz anunciou o encerramento da sua fábrica de veículos em Iracemápolis, interior de São Paulo. Segundo a montadora, a decisão foi tomada devido a difícil situação econômica do País, porém afirmou que continuaria a comercializar os seus veículos importando-os do Exterior, além disso, pretende manter as suas duas fábricas de caminhões, uma em São Bernardo do Campo (SP) e a outra em Juiz de Fora (MG).

Em 11 de janeiro de 2021 a Ford anunciou o encerramento de suas fábricas no Brasil, continuando apenas com modelos importados. Em nota, a montadora disse que os novos desafios globais do mercado automotivo, a pandemia de Covid 19 e os baixos índices de vendas na região da América do Sul motivaram a decisão. Apesar disso, continuaria a atuar no Pais.

Em 27 de janeiro de 2022, a chinesa GWM apresentou oficialmente a marca no Brasil. Sua fábrica está localizada em Iracemápolis, em instalações compradas da Mercedes-Benz.

Em 4 de julho de 2023, a montadora chinesa BYD Auto anunciou que irá inaugurar uma fábrica automotiva localizada no antigo complexo da Ford em Camaçari, na região metropolitana de Salvador. Segundo a empresa, está previsto um investimento de R$ 3 bilhões para a construção de três unidades dentro do complexo que serão responsáveis por produzir automóveis, caminhões e ônibus e também por processar células de lítio e ferro fosfato.

Em 2024, as montadoras chinesas Omoda, Jaecoo, Neta e Zeekr anunicaram que irão comercializar seus veículos no Brasil.

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ABC, SERRA DO MAR E ARREDORES DA GRANDE SP



 Oficina e galpão de estacionamento e garagem dos locobreques da SPR em Paranapiacaba.



A antiga estação de Paranapiacaba foi destruída em um incêndio em 1981. Fonte - Rogério Rezende.



Rancho de trabalhadores da construção da Vila em 1867






1953 - Ribeirão Pires - Matriz.07/03/1953. Acervo - Museu Histórico Municipal de Ribeirão Pires.

Ribeirão Pires 1950, passagem das porteiras da Estação Ferroviária e ao fundo o antigo centro comercial. 


1960 - Santo André :Vila Assunção.. Fonte - Roger Rezende.

 Dia da instalação do município (01-01-1945). Em frente ao antigo prédio da prefeitura, atual Câmara de Cultura de São Bernardo do Campo. Arquivo retirada da História de SBC. Aprem Comunicação


Ruinas  do Portão de entrada da unidade de azulejos da Indústrias Matarazzo de Artefatos de Cerâmica - IMACESA em São Caetano do Sul.



São Caetano do Sul 1954: Viaduto dos Autonomistas aberto ao público em 15..1954. Ao lado a Rodoviária Presidente Vargas. Ao fundo a IRFM - Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo.

Vagão de Breque da SPR. 



Serra do Mar. 

Estação da SPR em São Bernardo do Campo. 1865. Atual Santo André. 

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Vista da área urbana de Franco da Rocha em região bem próxima a área central. RonanW Humberto Do Lago Müller 


Franco da Rocha é um município do estado de São Paulo, localizado na Região Metropolitana de São Paulo na microrregião de Franco da Rocha. Pertence a sub-região norte da grande São Paulo, em conformidade com a lei estadual nº 1.139, de 16 de junho de 2011 e, consequentemente, com o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana de São Paulo (PDUI). A população aferida pelo censo de 2022 do IBGE foi 144 849 habitantes, resultado uma densidade demográfica de 1 090,9 hab/km², contra 131 604 habitantes e densidade de 980,95 hab/km² pelo censo de 2010.

História. A cidade de Franco da Rocha tem sua primeira documentação histórica datada em 1627, época em que o rei de Portugal oferecia sesmarias (que eram doações de terras com a obrigação de cultivo dentro de três anos, sob a pena de revogação) aos interessados em cultivar a área. Na época, o benefício foi concedido ao senhor Amador Bueno da Ribeira, para que cuidasse dos Campos do Juqueri.

Franco até o século XIX, era uma região que servia de caminho para os bandeirantes ou todos aqueles que se dirigiam ao Estado de Minas Gerais. Nessa época, tratava-se de um lugarejo, que era conhecido pelos tropeiros, como Parada do Feijão, onde a topa que transportavam gados e mercadorias faziam suas refeições.

Onde hoje se encontra o município, nada mais eram que grandes fazendas. No ano de 1807, surgem as primeiras escrituras, como do sítio Borda da Mata, que em 1866 foi vendido para a Estrada de Ferro São Paulo Railway, juntamente a fazenda Belém e Cachoeira, onde anos depois a cidade começaria a mudar de ares, com a inauguração da estação de trens.

A estação do Juqueri foi fundada em 1º de fevereiro de 1888. E nesse mesmo ano, chegou à localidade o italiano Filoteo Beneduce (também grafado Beneducci) que tinha a intenção de descobrir ouro em grande escala no lugar, conhecido na época como Pedreira, atualmente a Quarta Colônia. Como no local não existia a quantidade esperada pelo imigrante que resolveu se dedicar à extração de pedras enviadas para a cidade de São Paulo pela Estrada de Ferro recém-inaugurada. Essa extração é tida como a primeira atividade industrial de Franco da Rocha.


Museu Osório César, patrimônio tombado do Juqueri. RonanW Humberto Do Lago Müller 

O desenvolvimento da cidade prosseguiu com um fato marcante, que mudaria para sempre a vida no município com a instalação do Hospital Psiquiátrico no Juqueri. Sua construção, em uma área de 150 hectares começa em 1885, com o projeto do arquiteto Ramos de Azevedo, denominada Colônia Agrícola do Juqueri, para suprir a demanda de pacientes mentais, já que os locais que atendiam os doentes mentais de todo Estado de São Paulo – Hospital de Alienados, na capital e em Sorocaba e a Chácara Ladeira do Tabatinguera não tinham mais condições de receber pacientes e o número aumentava a cada dia. Inaugurado com capacidade inicial de 800 leitos, o Hospital ocupava um terreno à margem da linha férrea, próximo à estação Juqueri. Com o passar dos anos as terras da Quarta Colônia, as fazendas Cresciúma e Velha foram incorporadas ao patrimônio do Hospital. Na Quarta Colônia, aliás, foi instalada a usina elétrica do hospital - hoje Cachoeira Quarta Colônia - que durante anos forneceu energia também para a estação Juqueri e todo o povoado.

Com o falecimento de Frederico Alvarenga, em 1896, o doutor Francisco Franco da Rocha, a serviço do governo do estado, foi designado para administrar o maior Hospital Psiquiátrico do Brasil e da América Latina.

A religiosidade também esteve sempre presente na cidade. No ano de 1908, foi iniciada a construção da Igreja Matriz, em louvor à Nossa Senhora da Conceição, que se tornou a padroeira do município.

A primeira escola primária de Franco da Rocha ficava em um local muito castigado pelas enchentes e em 1909, a escolinha Rural Masculina passou a funcionar onde hoje é a rua Azevedo Soares e ficou sob a tutela do professor Ernesto Alves de Oliveira. Entre outras escolas tradicionais em Franco da Rocha estão o Grupo Escolar de Franco da Rocha, atual Escola Estadual Professor Domingos Cambiaghi, homenagem ao diretor de mesmo nome. O Grupo Escolar Azevedo Soares foi inaugurado em 1950 e o Ginásio Estadual Benedito Fagundes, O BEFAMA, foi criado no dia 15 de maio de 1952.

Franco da Rocha foi elevado a distrito do município de Mairiporã, em 21 de setembro de 1934, e em 30 de novembro de 1944, Franco da Rocha tornou-se uma cidade autônoma.


O COMPLEXO PSIQUIÁTRICO DO JUQUERY

Hospital Psiquiátrico do Juqueri.RonanW Humberto Do Lago Müller


Por ocasião da inauguração do Hospital Psiquiátrico, idealizado pelo médico psiquiatra Francisco Franco da Rocha o município e a estação homônimos, na época chamados "Juqueri" foram renomeados em sua homenagem, tendo ele ajudado a transformar o sanatório numa colônia agrícola, em que os alienados eram na sua maioria curados pelo contato com a natureza, e a fauna local, não ficando reclusos. É sabido que o fundador do município não foi o médico psiquiatra, mas sim o italiano Filoteo Beneducce, pois este já tinha uma pedreira na atual Quarta Colônia, que gerou vários empregos no local e até teve um Tramway para transporte das pedras, e posteriormente convertido em bonde puxado a burro para aceder ao Complexo Hospitalar do Juqueri (CHJ).


Antecedentes. Hospital de Alienados da Província de São Paulo, que operou entre 1862 e 1903. Posteriormente tornou-se o Quartel do Segundo Batalhão de Guardas. Até o início do século XIX todas as pessoas com problemas mentais na então província de São Paulo eram confinadas nas cadeias junto aos presos ali existentes e acabavam sofrendo maus tratos e agressões (que mais vezes culminavam em mortes). A primeira iniciativa para a instalação de um hospital psiquiátrico ocorreu em 1829, quando a Santa Casa de Misericórdia alugou um imóvel próximo à Praça da República para abrigar os primeiros dois internos (um deles um padre). 

Em 11 de maio de 1848 foi instalado ali o primeiro Hospital de Alienados da Província de São Paulo. Por conta de sua superlotação, a edificação acabou severamente deteriorada e o hospital acabou transferido em 19 de maio de 1862 para um imóvel na Várzea do Carmo, às margens do Rio Tamanduateí. Com o passar das décadas, as instalações do hospital ficaram novamente precárias e superlotadas.

A primeira iniciativa para combater o problema se deu em 1890 (quando haviam 296 internos no hospício existente), na mensagem anual à câmara estadual, quando o presidente do estado de São Paulo Jorge Tibiriçá Piratininga indicava as condições do Hospital de Alienados da cidade de São Paulo e apresentava uma possível solução:

...Na proporção do rápido aumento da população do Estado, tem crescido o número dos dementes, de modo que a lotação do Hospício está muito excedida e os doentes estão mal acomodados. Parecendo-me inconveniente o aumento do edifício por ser reconhecida má a sua situação, era pensamento meu estabelecer um outro Hospício fora da capital. O zeloso e dedicado administrador do Hospício, incumbido por mim, foi a Mogi das Cruzes e a Sorocaba, a fim de verificar se encontrava em uma dessas cidades edifícios que se pudessem adaptar para esse fim...
—  Jorge Tibiriçá Piratininga, em Mensagem do Presidente de São Paulo para a Assembleia para o ano de 1890, páginas 47 e 48.

Apenas em 1893, já sob gestão de Bernardino José de Campos Júnior, o governo de São Paulo iniciou a criação do novo Hospital de Alienados, embora ainda não tivesse escolhido uma área para a sua implantação.

Projeto e implantação do Asilo do Juqueri. Em 24 de fevereiro de 1893, o governo do estado criou uma comissão de especialistas para a escolha adequada do local do novo Hospital de Alienados. Essa comissão era formada pelo engenheiro Teodoro Sampaio, o médico Francisco Franco da Rocha e o botânico Alberto Loefgreen. Em março Franco da Rocha foi incorporado oficialmente à equipe médica do Hospital de Alienados da Várzea do Carmo. As cidades de Mogi das Cruzes e Sorocaba acabaram rejeitadas e a Comissão estudou a implantação do Hospital em uma área a ser desapropriada na Mooca ou em Juqueri. Por falta de abastecimento de água, a área da Mooca acabou rejeitada.

Em setembro a comissão definiu que seria construído um Asilo Colônia para Alienados em uma área de 600 mil metros quadrados em Juqueri, às margens do rio homônimo (contendo uma queda capaz de ser represada para a geração de eletricidade) e próxima da estação do quilômetro 111 da ferrovia São Paulo Railway. No entanto, um proprietário de terras da região criou empecilhos para a concretização do negócio. Com isso, Victor Nothmann ofereceu uma chácara no Morro de Santana (próximo da Cantareira), porém o estado rejeitou o local, preferindo manter o projeto em Juqueri.
Os projetos foram confiados aos arquitetos Emílio Olivier e Ramos de Azevedo. Suas obras deveriam ter sido iniciadas em 1894, tendo sido reservado um crédito de 1.000:000$000 de réis para as obras.

O início da construção da Colônia Agrícola Juqueri acabou ocorrendo, porém, em meados de 1895. As obras foram realizadas de forma lenta, por conta das epidemias de cólera e febre amarela ocorridas no estado de São Paulo entre 1889 e 1896 e que exigiram os recursos do estado.[ Ao mesmo tempo, o número de internos do Hospital de Alienados da Várzea do Carmo passou de 296 em 1890 para 423 em 1894. Com isso, a comissão de Higiene do estado estudou a implantação de um segundo hospital de Alienados em Campinas, no lugar do prédio em construção para abrigar a hospedaria dos imigrantes.

Funcionamento. Primórdios e ampliações. O Asilo de Alienados do Juqueri foi inaugurado pelo doutor Francisco Franco da Rocha em 18 de maio de 1898 quando os primeiros 70 pacientes foram trazidos de Sorocaba por meio de um trem especial. A escolha pelo modelo de asilo e colônia agrícola se deu após Franco da Rocha ter participado do Congresso Internacional de Psiquiatria em Paris, 1889. No congresso, os especialistas ali reunidos afirmaram ser esse o melhor método de gestão hospitalar para centros psiquiátricos, com os trabalhos agrícolas para os internos funcionando como terapia auxiliar.

O complexo hospitalar foi projetado para possui 12 pavilhões, sendo 10 de internação , 1 administrativo e 1 de centro médico. Em 1898 foram inaugurados os primeiros oito pavilhões de internação. Cada pavilhão possuía capacidade para 20 beliches, totalizando 320 vagas para internação. Outros dois pavilhões destinavam-se a administração e ao centro médico. Os internos menos graves contribuíam com mão-de-obra para o cultivo de uma pequena produção agropecuária para o abastecimento de víveres do hospital. Posteriormente os quatro pavilhões restantes foram concluídos, ampliando a capacidade para a internação de até mil pessoas.

No início de seu funcionamento o Asilo Hospital de Juqueri possuía fama de excelência, atendendo não apenas aos cidadãos mais humildes como até mesmo pessoas da alta sociedade como o sobrinho do ex-embaixador alemão na França Georg Herbert Münster, que cometeu suicídio por enforcamento no Juqueri após uma crise mental em 1908. Naquele ano, dos 924 pacientes, 47 eram particulares. Com o crescimento do número de pacientes ultrapassando a capacidade máxima pela primeira vez em 1909, o governo autorizou uma nova ampliação das instalações.

Com a superlotação, o número de óbitos dobrou (em 1903 foram registrados 83 enquanto que em 1912 eram 160. Outro problema era a internação de pacientes por ordem judicial, muitos dos quais haviam cometido crimes (incluindo homicídios). As condições do hospital pioram e sua ampliação atrasou em virtude da Primeira Guerra Mundial. Em 1925 Franco da Rocha faz um apelo para a construção de um manicômio judiciário para separar os enfermos comuns dos apenados. O projeto do Manicômio Judicial de Franco da Rocha foi apresentado em 1927 e aprovado no mesmo ano. Com isso, o Asilo de Alienados do Juqueri passou a denominar-se "Hospital e Colônia de Juqueri" em 1929. As obras do Manicômio Judicial são iniciadas no final da década de 1920, dentro da área do Complexo Juqueri, porém a Crise de 1929 atrasou a sua conclusão e ele foi inaugurado em 1934. A partir de 1935 o Hospital e Colônia de Juqueri passou a receber apenas pessoas com problemas psiquiátricos sem condenações penais.

Crise e superlotação. Com a decretação do Estado Novo, o número de prisões políticas cresceu. A superlotação das prisões era alimentada também por pessoas insanas, detidas em todo o estado por atentar contra a ordem pública. Em 1939 estimava-se que haviam mais de 1000 pessoas nessas condições nas cadeias públicas e presídios do estado. Após assumir o estado, o interventor Ademar de Barros ordenou a transferência de todos os presos do estado considerados insanos pelos delegados de polícia para o Hospital do Juqueri. Foi o início de uma crise de superlotação que durou 50 anos.[


Enquanto o Hospital recebia cada vez mais internos, as obras de expansão eram cada vez mais tímidas. Após a entrega da 8ª Colônia feminina em 1942, o Hospital Juqueri atingiu uma capacidade máxima teórica de 5210 leitos para atendimento, tornando-se naquele momento o segundo maior hospital psiquiátrico do mundo. No entanto, o número de internados continuou a crescer e em pouco tempo as instalações encontravam-se superlotadas. Outro problema ocorreu com a (cada vez maior) interferência política na gestão do hospital, que engessava a contração de mais profissionais arquivava planos de ampliação e reforma das instalações. Em 1951 a Assembléia Legislativa de São Paulo enviou uma comissão parlamentar de fiscalização ao Hospital do Juqueri. Liderada pelo deputado e médico Alípio Correia Neto, a comissão constatou em que maio daquele ano haviam 11067 pessoas internadas no Juqueri. Considerando a capacidade máxima de 5210 leitos, havia uma superlotação de 5857 pessoas. A precariedade da situação foi registrada no relatório da Comissão:

...No seu relatório de 1950, o Dr. Raul Malta (diretor do Hospital do Juqueri) avalia a superlotação, só no Hospital Central, em 2.411 doentes que é uma imensa quantidade a ser colocada onde não há lugar. Basta lembrar, senhores deputados, que o Hospital das Clínicas, esse imenso monumento, foi construído para mil doentes. Precisaríamos então, para os 2.411 doentes, um hospital uma vez e meia maior do que o Hospital das Clínicas...Os dementes, na sua imensa maioria ficam atirados aos pátios, como plantas vegetando, movidos como sombras animadas pelo principio da vida vegetativa, sem quase a manifestação psíquica de um ser pensante...
—  Deputado Alípio Correia Neto, no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo.


Detalhe de um dos pavilhões do Complexo Hospitalar. RonanW Humberto do Lago Müller


Num só ano a população de pacientes aumentou em quase quatro mil pessoas, passando de 7.099 em 1957 para 11.009 em 1958.[28] Enfrentou a explosão migratória dos anos 1960 provocada pelo desenvolvimento industrial, que contribuiu para o aumento do desemprego, mendicância e marginalidade.

O jornalista Renato Ribeiro Pompeu (que deu grande contribuição ao movimento antimanicomial), passou a conviver com a loucura desde o dia em que foi parar numa sala de tortura por uma semana, no início dos anos 1970. Levou pancadas com cabo de vassoura e choques. Passou a sofrer mania de perseguição e a ter alucinações, até ser internado pela primeira vez, entre janeiro de 1974 e agosto de 1975, no Hospital Psiquiátrico do Juqueri.

Reforma psiquiátrica. Em 1981 o complexo contava 4 200 pacientes entre o Juqueri e o Manicômio Judiciário, instalados na mesma área. Além desses, vários órgãos públicos, como escolas, Corpo de Bombeiros, 26º Batalhão da Polícia Militar, lixão e até invasores de terra situam-se na Fazenda Juqueri, com 1.100 hectares ou 731 quilômetros quadrados de área. Tratava-se de uma instituição prestando atendimento aos municípios de Franco da Rocha, Francisco Morato, Cajamar, Caieiras e Mairiporã, no conjunto com cerca de 400 mil habitantes. Esses municípios formaram-se a partir do hospital.

O diagnóstico de 1995 detectou 1 800 internos, 9% dos quais em condição de alta; 13% de deficientes físicos/mentais; 21% de idosos sem doença mental primária; 21% em condição de reinserção social; 36% de doentes mentais em condição de reabilitação.

Em 1998, havia 1 411 internos (741 homens e 670 mulheres) e nenhuma criança. A maioria (47%) tinha entre 41 e 60 anos, estava sob os cuidados de 2 213 funcionários (médicos, técnicos e administrativos).

Em 2005 um incêndio atingiu o setor administrativo do prédio do Hospital. As seis horas de fogo destruíram o prédio de dois andares tombado pelo Condephaat, sua biblioteca (a mais completa em livros e periódicos de psiquiatria da metade do século XIX até metade do século XX) e 100 anos da memória do Hospital. Do edifício sobraram apenas as paredes estruturais e uma parte da cobertura do piso inferior em uma de suas laterais. O prédio havia acabado ser restaurado, com reforma do telhado, do piso, vitrais e da estrutura elétrica.

O Hospício do Juqueri está em um processo de desativação há décadas. Em 2005, cerca de 500 internos foram transferidos para clínicas. Em dezembro de 2019 haviam 57 pacientes.

A administração implantou um programa de resgate da cidadania de pacientes, funcionários e moradores. O funcionário passa por cursos de aperfeiçoamento profissional e os pacientes voltam cada vez mais ao convívio com a sociedade e recebem incentivo à manifestação artística, como pintura, escultura e artesanato. 

Os pacientes, porém, continuam vagando, mas a diferença é que atualmente as condições gerais do Hospital melhoraram. Hoje melhorou-se a ambiência e os pacientes são tratados com dignidade. Busca-se no Juqueri a vocação para ser uma instituição de saúde mental e assistência integral, que faz reabilitação. Neste movimento, identificaram-se pacientes, providenciaram-se documentos, localizaram-se famílias e reintegraram-se alguns pacientes, providenciaram-se aposentadorias, contas bancárias, poupanças e foi feita uma comissão de internos. Os pacientes andam sozinhos pela cidade quando têm autonomia para cuidar-se. Em geral, são idosos abandonados pela família que o Juqueri mantém abrigados. Alguns deles trabalham durante o dia e retornam à casa ao anoitecer.


Instalações. Inaugurado em 18 de maio de 1898, o Hospital Juqueri passou por diversas ampliações e modificações ao longo do século XX, transformando-se em um vasto complexo hospitalar dividido nas seguintes alas:





Estrada de Ferro de Juqueri: Locomotiva a vapor manobre carros de passageiros na ferrovia em Juqueri


O empreiteiro italiano Filoteo Beneducci passou a receber vários contratos de pavimentação da cidade de São Paulo. O pavimento empregado era de paralelepípedos. Para fornecer grande quantidade para as obras, Beneducci adquiriu uma pedreira próxima do Rio Juqueri. Posteriormente foi encontrado um pequeno veio de ouro ali e o empreiteiro construiu em 1886 uma ferrovia particular de bitola de 0,60 m ligando a pedreira à estação Juqueri, no quilômetro 111 da São Paulo Railway. O empreendimento foi chamado informalmente de Estrada de Ferro Juqueri. O veio de ouro revelou-se antieconômico ao mesmo tempo em que os serviços de Beneducci junto à cidade passaram a ser questionados (por má qualidade) e cancelados. Assim, ele vendeu suas terras e a ferrovia para o empresário Ângelo Sestini.

Com a construção do Asilo Hospital do Juqueri, Sestini passou a fornecer com exclusividade alimentos para o mesmo e obteve grandes lucros. A maior dificuldade do hospital era a falta de fornecimento de eletricidade (até então o asilo era abastecido por pequena usina de caldeiras à vapor ou gás), sendo que o estado tinha interesse na exploração hídrica do Rio Juqueri para esse fim. Sestini, dono de vastas terras, construiu uma pequena usina hidrelétrica e celebrou um contrato exclusivo de fornecimento de eletricidade ao Asilo Hospital em 13 de abril de 1908, válido por dez anos e com clausulas de renovação automáticas válidas até 22 de agosto de 1926. O contrato previu o transporte dos internos através da ferrovia, entre a estação Juqueri da SPR e as instalações do Asilo Hospital.

Com o passar dos anos, o contrato torna-se cada vez mais desvantajoso ao estado. Em 1916 o secretário de interior do estado de São Paulo Oscar Rodrigues Alves anunciou a encampação da empresa de eletricidade, das terras e da ferrovia de Sestini, através do pagamento de indenização de 575 contos de réis. A aquisição não só permitiu uma grande economia para o estado como serviu para a ampliação do Asilo Hospital, através da construção de novas colônias. A ferrovia operou regularmente até meados dos anos 1950, quando foi desativada e desmontada. Suas locomotivas, vagonetes e demais materiais foram vendidos para a Companhia Melhoramentos. O transporte de internos entre o Hospital e as colônias de internamento passou a ser feito por ônibus e furgões. A usina hidrelétrica foi desativada e demolida entre 1968 e 1972, durante as obras de construção da Represa Paulo de Paiva Castro.

Cemitério. Mortes eram recorrentes no Hospital. Estima-se que dezenas de internos morriam por ano. Eram vitimados por doenças (tuberculose, febre amarela, etc) trazidas ao Asilo ou adquiridas ali em meio a superlotação do espaço, por agressões de outros internos, maus tratos dos funcionários ou suicídio, sendo que boa parte acabava enterrada como indigente. Em 1906 o Juiz de Paz de Juqueri registrou uma reclamação formal ao Secretário de Justiça do Estado de São Paulo afirmando que as certidões de óbito dos falecidos no Asilo eram preenchidas de forma incompleta, ocultando a causa de falecimento em muitos casos. O crescente número de mortos obrigou a implantação de um cemitério formal em 1913 e de um necrotério próprio em 1928.

O numero de mortes disparou nas décadas seguintes, com a inclusão de filhos de internos, com internações e torturas realizadas durante a Ditadura Militar. No entanto, o registro dos óbitos ficava restrito aos arquivos do Hospital e raramente era divulgado. Em 1991 dois livros do arquivo histórico do hospital foram enviados à Assembléia Legislativa de forma anônima. Neles constavam o registro de 12500 pacientes que faleceram nas dependências do Hospital entre 1965 e 1989, dos quais 7600 foram sepultados no cemitério do complexo hospitalar. A revelação das informações provocou um escândalo político, pois o Hospital do Juqueri divulgava até então que haviam apenas 5201 sepulturas no cemitério do complexo.

A maior parte dos documentos oficiais sobre óbitos desapareceu em incêndios misteriosos, embora estima-se que entre 1898 e 1991 faleceram cerca de 61 mil pessoas no Hospital, sendo enterradas no cemitério do complexo hospitalar cerca de 33.977 pessoas (dois quais 7000 eram recém nascidos, crianças e adolescentes).

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O VALE DO RIO PARAÍBA E O EIXO RIO-SP

Rodovia Presidente Dutra duplicada em 1967.



O Vale do Paraíba é um acidente geográfico natural que abrange as regiões: Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, no estado de São Paulo e Região Sul Fluminense, no estado do Rio de Janeiro, que se destaca por concentrar uma parcela considerável do PIB do Brasil.

O nome deve-se ao fato de que a região é parte da bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul, já que esse rio se estende por parte do São Paulo e ao longo de quase todo o comprimento do estado do Rio de Janeiro e parte do estado de Minas Gerais.

Deve-se ressaltar que em sentido estrito, o nome "vale do Paraíba" deve ser utilizado apenas para se referir a uma região com certa característica geográfica. Não se tratando portanto de uma Região, Mesorregião ou Microrregião oficial do IBGE.

Localiza-se nas margens da rodovia Presidente Dutra (BR-116), exatamente entre as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, dentro do complexo metropolitano formado pelas duas capitais e com seu principal eixo urbano seguindo o traçado da Via Dutra. Apesar de altamente urbanizada e industrializada, a região também tem reservas naturais importantes, como a Serra da Mantiqueira, na divisa com Minas Gerais, um dos pontos mais altos do Brasil, e a da Bocaina, reduto de Mata Atlântica que também inclui pequenas cidades e fazendas de interesse histórico e arquitetônico.

Municípios da região. A Mesorregião do Vale do Paraíba Paulista e a Microrregião do Vale do Paraíba Fluminense.  A população somada de todos os municípios da região é de quase 3,3 milhões de habitantes, equivalente à população do estado do Rio Grande do Norte.

As cidades mais importantes da região são:

No lado fluminense: Volta Redonda, Resende, Barra Mansa e Barra do Piraí;

No lado paulista: São José dos Campos, Taubaté, Caçapava, Jacareí, Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Lorena, Caraguatatuba e Cruzeiro. Além destas, Aparecida e Cachoeira Paulista, possuem grande destaque nacional graças ao turismo religioso.

Outras cidades da região são:

No lado fluminense: Vassouras, Itatiaia, Pinheiral, Piraí, Quatis, Rio Claro, Valença, Rio das Flores, Porto Real e Paraty.

No lado paulista: Arapeí, Areias, Bananal, Campos do Jordão, Canas, Cunha, Igaratá, Ilhabela, Jambeiro, Lagoinha, Lavrinhas, Monteiro Lobato, Natividade da Serra, Paraibuna, Piquete, Potim, Queluz, Redenção da Serra, Roseira, São Bento do Sapucaí, Santa Branca, São José do Barreiro, São Luiz do Paraitinga, São Sebastião, Silveiras, Tremembé e Ubatuba.

Primeiros tempos. Jacques Félix, fundador de Taubaté, primeira vila vale-paraibana
A região era originalmente habitada por indígenas, os quais, no século XVI, confederados com os tamoios de Ubatuba e Cabo Frio, inimigos dos portugueses, atacavam constantemente as vilas de São Paulo e de Santo André da Borda do Campo, levando os moradores destas vilas a uma guerra com as tribos vale-paraibanas e dando início ao chamado bandeirismo de apresamento. Os índios vale-paraibanos foram aprisionados, escravizados e levados para serem usados como mão-de-obra nas lavouras. O Vale do Paraíba foi uma das regiões mais devastadas pelo bandeirismo de apresamento.

O Vale do Paraíba foi povoado a partir do final do século XVI, com a chegada de colonos a procura de pedras preciosas e índios para escravizar, que acabaram ali se fixando. Estes desbravadores foram embrenhando-se pelos vales e grotas, abrindo caminhos, plantando roças e assinalando a presença colonizadora. O Vale do Paraíba Fluminense era escassamente povoado até o século XIX.

Os colonizadores que foram chegando no Vale do Paraíba Paulista, nos séculos XVI e XVII, foram criando suas roças e sítios, ali vivendo isolados, praticando a agricultura de subsistência. Foram se adaptando à realidade, recebendo muita influência dos indígenas, principalmente na alimentação. A mão-de-obra era indígena, escassa.

Surgem, no século XVII, os núcleos populacionais vale-paraibanos mais antigos, como os que deram origem a Taubaté (c. 1640), Guaratinguetá (c. 1646), Jacareí (1652), Paraibuna (1666), Tremembé (1669) e São José dos Campos (1680).

Ciclo do ouro e do açúcar. Ouro Preto (MG), cidade fundada por bandeirantes vale-paraibanos
Para sair do isolamento que viviam, bandeirantes vale-paraibanos abandonam suas casas e famílias para ir em viagens, talvez sem volta, para procurar outras fontes de riqueza. Em 1693, o bandeirante taubateano Antônio Rodrigues Arzão foi o primeiro desbravador a descobrir ouro em Minas Gerais, dando início ao Ciclo do ouro. Muitos desbravadores percorrem os caminhos que vão para Minas Gerais, muitos dos quais passando pelo Vale do Paraíba. Muitas expedições partiam de Taubaté rumo a Minas Gerais.

O Vale do Paraíba começa a ganhar destaque, por ser um dos fornecedores de alimentos e mercadorias para as Minas Gerais. Além disso, bandeirantes vale-paraibanos fundaram diversas cidades, como Ouro Preto, Mariana, Caeté e São João del-Rei. Com o declínio da produção do ouro, os vale-paraibanos iniciaram a cultura da cana-de-açúcar para reerguer a economia da região e superar a crise econômica e demográfica ocorrida com a diminuição do comércio e o deslocamento dos caminhos. A partir de 1750, Guaratinguetá, Lorena e Pindamonhangaba instalaram os engenhos de açúcar e aguardente, introduziram a mão-de-obra escrava africana e iniciaram a urbanização das vilas. Com os canaviais, os escravos e o comércio exportador, modificou-se a estrutura social e econômica da região, com o predomínio absoluto dos senhores de engenho.


Fazenda de Café do Vale do Paraíba, de Benedito Calixto



Ciclo do café. O café chega no Vale do Paraíba Fluminense no final do século XVIII, vindo do Rio de Janeiro. A primeira fazenda cafeeira no Vale do Paraíba Paulista surgiu em 1817 e o cultivo de café nessa região ganha destaque após a Independência do Brasil.

O café trouxe grandes mudanças ao Vale do Paraíba. A elite dos "barões do café" erguem casarões aonde vivem com suas famílias, trazem materiais e utensílios importados. O Vale do Paraíba Paulista se torna a principal região econômica da Província de São Paulo. A paisagem rural sofreu uma violenta transformação, derrubando-se a floresta nativa e os cafezais esparramando-se pelos morros e vales. Migrantes vindos de Minas Gerais se instalam nas lavouras cafeeiras vale-paraibanas. O café era exportado pelos portos de Paraty, Mambucaba, Ubatuba e São Sebastião.

A mão-de-obra usada nos cafezais era a escrava e, com a Lei Eusébio de Queirós (1850), que proibia o tráfico de escravos para o Brasil, os fazendeiros vale-paraibanos começaram a comprar escravos nos engenhos decadentes do Nordeste, criando um tráfico interno.

Em torno do café nascem diversos povoados e vilas, como Vassouras, Valença, Três Rios, Paraíba do Sul, Resende, Piraí, Barra Mansa, Bananal, São José do Barreiro, Areias, Silveiras, Lagoinha, Jambeiro, Queluz, Lavrinhas, Roseira, Redenção da Serra, Natividade da Serra, Guararema e Cruzeiro.

A partir de 1870, o café na região do Vale do Paraíba começa a apresentar sinais de decadência. As causas foram múltiplas e se acentuaram a partir de 1880, como o esgotamento progressivo das terras, ausência de técnicas modernas para o cultivo, a erosão acentuada nas áreas mais antigas, o endividamento crescente dos cafeicultores, a concorrência das novas áreas produtoras no interior de São Paulo, as leis abolicionistas e a mentalidade conservadora dos fazendeiros. Em alguns municípios, a crise foi lenta; em outros, rápida e decisiva.

Com o declínio da produção cafeeira, o Vale do Paraíba passou por uma fase de estagnação econômica e demográfica.

Pecuária leiteira e indústria. A partir de 1920, muitas famílias mineiras migram para o Vale do Paraíba Paulista e Fluminense, adquirindo antigas fazendas de café e nelas introduzindo a pecuária leiteira, que se tornaria a base da economia do Vale do Paraíba. Muitos municípios, como Guaratinguetá, Cunha, Cachoeira Paulista, Silveiras, Paraibuna, Resende, Vassouras e Lorena, passaram a viver da pecuária leiteira.


Construção da Companhia Siderúrgica Nacional - CSN, em 1941. Arquivo Nacional.


A industrialização do Vale do Paraíba iniciou-se na década de 1940, durante o Estado Novo, após um acordo diplomático feito entre Brasil e Estados Unidos, que previa um projeto ambicioso: a construção de uma usina siderúrgica que suprisse a demanda por aço dos "países aliados" durante a Segunda Guerra Mundial e ajudasse no desenvolvimento do Brasil. No ano de 1946, foi inaugurado um dos maiores complexos siderúrgicos do mundo e o maior da América Latina, a Companhia Siderúrgica Nacional - CSN, instalada em Volta Redonda. O início da produção de aço na CSN serviu de base para a industrialização do país e, especialmente, do Vale do Paraíba, com a chegada de empresas ligadas a siderurgia na região, assim como a indústria automotiva e aeroespacial.

O segmento de prestação de serviços se ampliou e a chegada de indústrias básicas passou a absorver toda a mão de obra. Com isso, apareceram outros elementos na paisagem urbana, voltados ao lazer das novas levas de trabalhadores, como bosques, pontes e coretos.

Economia e Agropecuária.A agropecuária ainda é de grande importância para vários municípios dessa região. O Vale do Paraíba é o segundo maior polo produtor de leite do país. Por questões conjunturais, a produção de leite se encontra em decadência, mas ainda sustenta boa parte da população rural dos pequenos municípios. O arroz é um dos mais importantes produtos agrícolas da região atingindo na safra de 2002/2003, a marca de 850 mil sacas de 60 kg. Outras culturas diversificadas vêm sendo experimentadas por alguns produtores nessas várzeas.

A atual estrutura fundiária do Vale do Paraíba é fruto de mudanças significativas na forma de distribuição das terras ocorridas a partir da decadência do café, quando as grandes fazendas passaram a ser retalhadas em partilhas e heranças familiares. Esse processo se multiplicou à medida que as gerações foram se sucedendo, o que resultou numa região pontuada por pequenas propriedades e produção agropecuária marcadamente familiar.



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APARECIDA


Vista de Aparecida a partir do Mirante do Cruzeiro com a Catedral Basílica ao centro da imagem. 


Aparecida é um município brasileiro no interior do estado de São Paulo, Região Sudeste do país. Durante muitos anos era chamada popularmente de "Aparecida do Norte".  Localiza-se no Vale do Paraíba Paulista, a nordeste da capital do estado, distando desta cerca de 170 km. Ocupa uma área de 120,890 km², sendo que 6,2 km² estão em perímetro urbano, e sua população em 2022 era de 32 569 habitantes. A cidade é popularmente denominada Aparecida do Norte em razão da construção da Estrada de Ferro do Norte (depois Estrada de Ferro Central do Brasil) na segunda metade do século XIX. As origens do município remontam à fé consolidada ao redor do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida no curso do Rio Paraíba do Sul por pescadores, em 1717. Os milagres atribuídos à representação levaram à construção de uma capela, em 1745, ao redor da qual se estabeleceram vários fiéis e os primeiros residentes. Dado o desenvolvimento da localidade, em 1842 foi criada a freguesia, subordinada a Guaratinguetá, município do qual Aparecida se desmembrou em 17 de dezembro de 1928.

O número crescente de fiéis implicou na construção de um templo maior, a atual Basílica Velha, que foi inaugurada em 1888 e substituída pela nova Basílica de Nossa Senhora Aparecida na segunda metade do século XX. Esta configura-se como o maior centro de peregrinação religiosa da América Latina, recebendo anualmente milhões de visitantes, os quais fazem do município um dos principais núcleos turísticos do Brasil. O complexo turístico aparecidense abrange ainda marcos como o Porto Itaguaçu, que marca o local onde a imagem de Nossa Senhora foi encontrada; o Seminário Missionário Bom Jesus; o Morro do Cruzeiro, com suas esculturas que representam a Via Sacra; e a Igreja São Benedito, inaugurada em 1918.

O surgimento da atual cidade de Aparecida está ligado diretamente com a passagem de Dom Pedro de Almeida, conde de Assumar e governante da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, pela então Vila de Guaratinguetá, durante uma viagem até Vila Rica em outubro de 1717.A população decidira realizar uma festa em homenagem à presença da autoridade e, apesar de não ser temporada de pesca, os pescadores lançaram seus barcos no Rio Paraíba do Sul com a intenção de oferecerem peixes ao conde.[ Os pescadores Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso rezaram para a Virgem Maria e pediram a ajuda de Deus e após várias tentativas infrutíferas, desceram o curso do rio até chegarem ao local conhecido como Porto Itaguaçu, já prestes a desistirem da pescaria, até que João Alves jogou sua rede novamente e em vez de peixes, apanhou o corpo de uma imagem de Nossa Senhora, sem a cabeça. Ao lançar a rede novamente, apanhou a cabeça da imagem, que foi envolvida em um lenço.


Em baixo, o velário da Basílica. 


AVE MARIA 


Neste final de semana fui conhecer o Santuário Nacional de Aparecida do Norte. Fé e concepções religiosas à parte, é um lugar muito interessante, catalisador de energias mentais poderosíssimas, despendidas por milhares de romeiros de todos os tipos e procedências, a maioria gente simplória, cheia de respeito e muitas esperanças. 

O turismo é muito curioso e baseado no relato dos pescadores que encontraram a imagem da Santa em 1717.

Observei detalhadamente a arquitetura da Basílica, sua posição geográfica, seu exterior, seus múltiplos interiores; 

Subi na torre de 100 metros e visitei os dois museus que ela abriga. 

Naveguei no rio Paraíba do Sul.

Pensei, refleti, comparei, discuti, orei, constatei a intensidade da vida extrafísica  do lugar.  

Me emocionei ao lembrar da minha Avó materna e da Madrinha (as romeiras Maria e Manoela), tendo a impressão viva de que elas me visitaram em alguns momentos.

Vi padres bem velhinhos recebendo confissões e liberando as pessoas de suas culpas e tormentas.

Vi jovens sacerdotes orientando o comportamento político na missa.

Vi tantas coisas que nem um livro seria suficiente para registrar minhas impressões.  

Vi um helicóptero chegando e saindo do Santuário, carregando alguém ou coisas importantes. 

Voltei mais convicto na minha certeza e mais crente na simplicidade dos que creem. 

Tudo por Marta e Maria.

São Vicente, 15 de dezembro de 2015- Dalmo Duque


Romaria de Epitacianos em Aparecida do Norte, nos meados dos anos 1960. Acompanhada de Dona Manoela Borges, madrinha de todos, Dona Maria Pesqueira Duque levou consigo os filhos Sérgio Maurício (Felão, com as mãos nos bolsos, e que hoje estaria fazendo 70 anos) e Antônio (Olégas); e os netos Guilherme ( Gui, de chupeta), Helvio (Mia) e Carlos Maurício (Nenê), filhos de Jacy e Carlos Alberto (Toco). A viagem era feita de trem até São Paulo; e até Aparecida ou Guaratinguetá, o percurso era de ônibus. Ao todo, só de ida, mais de 20 horas até o destino.




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SÃO JOSÉ DOS CAMPOS



São José dos Campos, Vale do Paraíba,  foi elevado à categoria de vila em 1767. No decorrer do século XIX a agricultura desenvolveu-se no município, com destaque para o café, principalmente a partir da década de 1880. Porém na segunda metade do século XX a indústria ganhou força, sendo este o momento que a cidade descobre sua vocação para a área da tecnologia.O município é a sede de importantes empresas, como: Panasonic, Johnson & Johnson, Ericsson, Philips, Ball Corporation, General Motors (GM), Petrobras, Monsanto, Embraer (sede), entre outras. Possui também relevantes centros de ensino e pesquisas, tais como: o DCTA, o INPE, o Cemaden, o IEAv, o IAE, o IFI, a UNESP, o ITA, a FATEC, a UNIFESP e o IFSP, sendo um importante tecnopolo de material bélico, metalúrgico e sede do maior complexo aeroespacial da América Latina. O Parque Tecnológico de São José dos Campos, o maior do tipo no país, sedia unidades de pesquisa de grandes empresas, sendo a única cidade do mundo com centros de pesquisas das três maiores fabricantes mundiais de aeronaves, a Embraer, a Boeing e a Airbus. 


A Embraer nasceu como uma iniciativa do governo brasileiro dentro de um projeto estratégico para implementar a  indústria aeronáutica no país, em um contexto de políticas de substituição de importações.


Indústria. Embraer 190 no seu roll-out em São José dos Campos, cidade vista informalmente como capital da região, por sua influência, tamanho e dinamismo econômico. O PIB e a renda per capita de São José dos Campos se elevou mais do que algumas capitais do País como Rio Branco, Maceió ou Porto Velho.

Na década de 1950, a região industrializou-se rapidamente. Nesta época destacou-se, no território paulista, a criação do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, a consequente instalação da indústria aeronáutica com a Embraer, o maior complexo aeroespacial da América Latina, além das montadoras Volkswagen, Ford, GM, Chery, as empresas de eletrônicos LG e Ericsson, além da Alstom e Usiminas, entre outras. No território fluminense, a CSN atraiu outras empresas do setor de mineração e siderurgia. Além dessas, destacam-se outros complexos industriais como os das empresas Coca-Cola FEMSA Brasil, Nissan, Jaguar Land Rover, PSA Peugeot Citroën, MAN Caminhões e Ônibus e Hyundai Heavy Industries, além de outras empresas como Guardian do Brasil, ArcelorMittal Siderúrgica Barra Mansa, Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Michelin, White Martins, a Industria Nacional de Aços Laminados (INAL), a Companhia Estanífera Brasileira (CESBRA), S/A Tubonal, Saint-Gobain Canalização, entre outras.



Convencida do potencial de mercado associado à aviação regional e das primeiras experiências bem-sucedidas com o protótipo, a equipe partia, então, para um novo desafio: viabilizar a fabricação em série do Bandeirante. Após tentativas junto ao setor privado, o time liderado por Ozires Silva articulou com o governo a criação de uma companhia de capital misto, com capitalização inicial do Estado. Em 19 de Agosto de 1969, a Embraer foi oficializada via Decreto de Lei. Suas atividades se iniciaram em 2 de janeiro de 1970, em endereço que, até hoje, homenageia a data (Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2170 em São José dos Campos - SP). Para viabilizar a comercialização do Bandeirante, a Embraer introduziu diversas modificações no modelo. Depois delas, o avião trocou de código: recebeu a numeração EMB 110, deixando as iniciais “EMB 100” apenas para os primeiros três protótipos. Ao longo dos anos 1970, o Bandeirante ganhava destaque no mercado e rasgava os céus dos quatro cantos do planeta. Simultaneamente, a Embraer trazia soluções inovadoras para seus primeiros clientes nos segmentos de aviação agrícola, comercial e executiva. Entre as aeronaves apresentadas, destacaram-se o Ipanema, o Xavante e o Xingu, além da linha montada em parceria com a americana Piper. - Portal da Embraer.


O ITA


O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) é uma instituição de ensino superior pública da Força Aérea Brasileira, vinculada ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), localizado na cidade de São José dos Campos, São Paulo e com futuro campus em Fortaleza, no Ceará.

O ITA possui cursos de graduação e pós-graduação em áreas ligadas à engenharia, principalmente no setor aeroespacial. É considerado uma das melhores instituições de ensino superior do Brasil. O ITA oferece aos seus alunos alimentação gratuita e moradia de baixo custo, dentro do próprio DCTA.




História. O ITA foi criado pelo Marechal-do-Ar Casimiro Montenegro Filho. De acordo com o previsto no plano de criação do antigo Centro Técnico Aeroespacial (CTA, atual DCTA), o primeiro instituto a ser instalado seria uma escola de formação de engenheiros aeronáuticos. Assim, desde o início de seus trabalhos, paralelamente às atividades de construção e aquisição de equipamentos, a Comissão de Organização do DCTA (COCTA) selecionou professores e técnicos para o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, os quais inicialmente trabalharam junto à Escola Técnica do Exército (atual Instituto Militar de Engenharia, IME).

Após o Decreto 27.695/50 transferir daquela escola para o ITA os cursos de preparação e formação de engenheiros de aeronáutica, o então Ministro da Aeronáutica baixou instruções regulando a admissão ao ITA (Portaria nº 38, de 1º de março de 1950) e a organização do mesmo (Portaria nº 88, de 24 de abril de 1950). Nos termos do Decreto nº 5.657, de 30 de dezembro de 2005,[6] o ITA é uma das Organizações Militares (OM) subordinadas ao atual DCTA.

Em 19 de setembro de 2024, o Ministério da Educação autorizou a 1ª etapa da construção do campus do Instituto no Ceará, sendo a primeira unidade fora da Região Sudeste. O novo campus, localizado na Base Aérea de Fortaleza, contará inicialmente com os cursos de Engenharia de Energias Renováveis e Engenharia de Sistemas, terá 18.568,59 m² e será dividido em: bloco de alojamentos com três pavimentos: duas salas de atividades, área de circulação, uma sala de aula, dois quartos com acessibilidade para pessoas com deficiência (capacidade: quatro alunos), 40 quartos com sala de estar e cozinha (capacidade: 80 alunos) e bloco para cursos de engenharia com três pavimentos: 14 laboratórios didáticos, quatro salas de apoio técnico, oito salas de aula, dois auditórios, seis salas de reunião, seis salas de estudo, duas salas de convivência, dois setores com diversas salas para professores, biblioteca, espaço de eventos e exposições. As primeiras turmas começarão em 2025, no Campus São José dos Campos, onde os alunos vão cursar o ciclo básico (dois primeiros anos). A partir do terceiro ano da graduação (2027), as aulas passarão a ser ministradas no novo campus de Fortaleza.




Cursos. Graduação. O ITA oferece os seguintes cursos de graduação: São José dos Campos: Engenharia Aeroespacial, Engenharia Aeronáutica, Engenharia Civil-Aeronáutica, Engenharia de Computação, Engenharia Eletrônica, Engenharia Mecânica-Aeronáutica

Fortaleza:Engenharia de Energias Renováveis, Engenharia de Sistemas
Pós-graduação

O ITA foi pioneiro na pós-graduação em engenharia no Brasil. Os programas de pós-graduação stricto sensu, previstos na lei federal n° 2.165/54, foram formalmente regulamentados em 1961. O ITA formou o primeiro Mestre na área de Engenharia do país em 1963 e o primeiro Doutor em 1970. A primeira dissertação de Mestrado foi defendida em 10 de janeiro de 1963 na área de Física e, em 22 de janeiro do mesmo ano, na área de Engenharia Eletrônica. Os Programas de Pós-Graduação do ITA têm por objetivo a formação de profissionais nos níveis de Mestrado e Doutorado para atuarem em ensino, pesquisa e desenvolvimento com ênfase no desenvolvimento de estudos e técnicas que contribuam para o estabelecimento de novas tecnologias adequadas à realidade brasileira, notadamente no Setor Aeroespacial.

O CTA


O Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA; originalmente Centro Técnico de Aeronáutica, CTA) é uma organização militar e instituição científica e tecnológica do Comando da Aeronáutica[nota 1] à qual compete planejar, gerenciar, realizar e controlar as atividades relacionadas com a ciência, tecnologia e inovação, no âmbito da Força Aérea Brasileira.

História. Seu projeto remonta aos tempos de Santos Dumont, que em um de seus livros já havia percebido que a região de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, seria ideal para um centro que pudesse agregar conhecimentos científicos e técnicos para uma escola aeronáutica que abrigasse seus próprios alunos.

No final de 1939, o então Ministério do Exército criou um curso de especialização em engenharia aeronáutica na Escola Técnica do Exército, no Rio de Janeiro. Era o primeiro curso de nível superior do Brasil voltado para a aeronáutica. Três anos mais tarde, em 1942, formava-se a primeira turma de engenheiros aeronáuticos brasileiros. Com a criação formal do Ministério da Aeronáutica (MAER) em 1941, parte do contingente de militares do Exército foi transferida para a recém-criada força aérea. Entre esses oficiais encontrava-se o então tenente-coronel Casimiro Montenegro Filho: um dos primeiros engenheiros formados pela Escola Técnica do Exército, Montenegro visitou, em 1943, um centro de pesquisas aeronáuticas nos EUA. De volta ao Brasil, passou a buscar incansavelmente a criação de um centro análogo em território brasileiro. Assim, em 1945, Montenegro esteve novamente nos EUA, quando então procurou o professor Richard Smith, do famoso MIT, que concordou em auxiliá-lo na implantação de um centro de pesquisas aeronáuticas no Brasil. A área escolhida foi São José dos Campos, entre outras razões porque situava-se estrategicamente ao lado (e praticamente no ponto médio) da Via Dutra, que na época já ligava os dois maiores pólos industriais do país: as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo.



Assim, em 29 de janeiro de 1946, durante a presidência interina de José Linhares, foi criada a Comissão de Organização do Centro Técnico de Aeronáutica (COCTA), com sede temporária no Campo de Marte (zona norte de São Paulo). A COCTA era subordinada ao então Comando-Geral de Pesquisas e Desenvolvimento, que tinha sede em Brasília (Na verdade este comando só foi criado em 31 de março de 1967, pelo Decreto, de nº 60.521 Art. 65) e pouco tempo depois passou a ser denominado Departamento de Pesquisas e Desenvolvimento (DEPED). Oito meses depois, a COCTA recebia, por intermédio do então Ministério da Aeronáutica (MAER), a verba necessária para viabilizar o início da execução do plano geral de estabelecimento do Centro Técnico de Aeronáutica (CTA). Após pouco mais de 4 anos de atuação, em 1950 a COCTA concluiu a implantação, na cidade paulista de São José dos Campos, das duas primeiras unidades do Centro Técnico de Aeronáutica: o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento (IPD). Embora ainda sob a gestão da COCTA e sem todas as unidades implantadas, em pouco tempo o Centro Técnico de Aeronáutica se tornou o principal centro de pesquisas aeronáuticas do Brasil.

Durante seus 4 primeiros anos de funcionamento, o Centro Técnico de Aeronáutica (1950 a 1954) foi mantido sob gestão da COCTA, situação que perdurou até 10 de setembro de 1954, quando a COCTA foi extinguida. Após a extinção da COCTA, em 10 de novembro do mesmo ano o Centro Técnico de Aeronáutica entrou oficialmente em operação (embora já operasse desde 1950). 17 anos depois (1971), o Centro Técnico de Aeronáutica passou a ser denominado Centro Técnico Aeroespacial (CTA).

O IPD absorveu grande parte dos engenheiros aeronáuticos formados pelo ITA, especialmente os militares. No IPD foram projetados três dos quatro primeiros aparelhos fabricados pela Embraer: o Bandeirante, o avião agrícola Ipanema e o planador Urupema. A própria criação da Embraer foi uma iniciativa de um grupo de engenheiros militares que atuava no IPD. Dessa forma, pode-se estabelecer as origens da Embraer na própria implantação do CTA, de onde saíram os principais projetistas e dirigentes da indústria aeronáutica brasileira da década de 1970.

Em 2006, a estrutura do DEPED foi transferida de Brasília para São José dos Campos e se fundiu à do Centro Técnico Aeroespacial (CTA). Dessa fusão, surgiu o Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), dotado de características de Grande-Comando Militar.

Em 2009, por força do Decreto presidencial nº 6.834/09, o Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA) passou a ser denominado Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA).

Desde sua criação, o DCTA tem coordenado e acompanhado a implantação de vários projetos bem sucedidos que contribuíram para o crescimento da Aeronáutica e do Brasil, com destaque para a implantação da indústria aeronáutica brasileira e o desenvolvimento das pesquisas espaciais.

O DCTA no processo de urbanização

Entrada do DCTA em São José dos Campos. A partir da década de 1950, o fenômeno de urbanização do Vale do Paraíba ficou mais evidenciado em São José dos Campos.


Graças à pesquisa dentro do então Centro Técnico Aeroespacial, surgiu um produto de interesse do mercado, o que causou, em 1969, a fundação da Embraer para fabricar em série o avião Embraer EMB-110 Bandeirante. Por conta disso e de outras pesquisas, várias outras indústrias se estabeleceram no município de São José dos Campos como fornecedoras de componentes para a grande indústria aeronáutica. Esta então se fortaleceu, devido principalmente à grande presença e disponibilidade de recursos humanos qualificados, como os engenheiros formados pelo ITA. Neste contexto, o DCTA, o ITA e a indústria aeronáutica, de maneira geral, contribuíram para a industrialização de São José dos Campos na medida em que induziram o surgimento de novos bairros e o adensamento populacional nos bairros mais antigos. Isto por conta de uma migração de profissionais oriundos de diversas partes do país para trabalhar diretamente na indústria aeronáutica ou em setores sob sua influência, além de outras indústrias do município.







Vocação na produção de tecnologia

Lagoa do ITA, um dos produtos do planejamento urbanístico-arquitetônico que deram origem ao CTA.
O DCTA não tem vocação somente para a indústria aeronáutica: o conhecimento e tecnologia gerados servem também à indústria em geral, podendo ser aplicados a vários campos do conhecimento. Exemplos de aplicações práticas dos resultados das pesquisas realizadas no DCTA: motor a gás, motor a álcool para aviões, urna eletrônica, radares meteorológicos etc.


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SERRA DA MANTIQUEIRA


A serra da Mantiqueira é uma cadeia montanhosa que se estende por três estados do Brasil: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A serra tem uma formação geológica datada da era arqueana que compreende um maciço rochoso que possui grande área de terras altas, entre mil e quase três mil metros de altitude, ao longo das divisas dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Na serra da Mantiqueira existem diversas unidades de conservação, como a área de proteção ambiental serra da Mantiqueira, o Parque Nacional do Itatiaia, e os parques estaduais da serra do Brigadeiro, da serra do Papagaio e de Campos do Jordão.

Cerca de 10% da serra encontra-se no estado do Rio de Janeiro, 30% no estado de São Paulo, e os demais 60% estão localizados em Minas Gerais. A serra inicia-se na região onde está o município de Barbacena e de lá inclina-se para o sudoeste até se encontrar com as divisas com o Rio de Janeiro e logo após, com São Paulo, onde torna-se uma divisa natural com o estado de Minas Gerais até as mediações finais de Joanópolis e Extrema e, por fim, esta termina no município de Bragança Paulista.

Etimologia. "Mantiqueira" é um termo de origem tupi que significa "gota de chuva", através da junção dos termos amana (chuva) e tykyra (gota). Seu nome dá ideia da grande importância da serra como fonte de água potável, formação de rios que abastecem um grande número de cidades da Região Sudeste do Brasil. Seus riachos formam o rio Jaguari, responsável pelo abastecimento da região norte da Grande São Paulo, o rio Paraíba do Sul, que corta uma região densamente habitada e altamente industrializada no eixo Rio-São Paulo, o rio Grande, que é parte integrante do maior complexo hidroelétrico do país.

Nos planaltos ao norte da serra que adentram o estado de Minas Gerais, estão localizadas as fontes de águas minerais em Baependi, Caxambu, Conceição do Rio Verde, Itamonte, Passa Quatro, Pocinhos do Rio Verde (em Caldas), Poços de Caldas, Pouso Alto, e São Lourenço. Em sua face sul temos as fontes de Águas da Prata, localizadas na serra do Cervo.

Localização e extensão. Pico do Rachado na Serra da Mantiqueira no município de Pouso Alto.
O maciço da serra da Mantiqueira possui aproximadamente 500 km de extensão e se inicia próximo à cidade paulista de Bragança Paulista e segue para o leste delineando as divisas dos três estados brasileiros até a região do Parque Nacional do Itatiaia onde adentra Minas Gerais até a cidade de Barbacena. A partir daí, uma continuação pode ser considerada, pois a mesma desvia para o norte até a serra do Brigadeiro, no leste de Minas Gerais, chegando a aproximar-se do Parque Nacional do Caparaó.

Seu ponto culminante é a Pedra da Mina, com 2 798 metros, na divisa dos estados de Minas Gerais e São Paulo e seu ponto de transposição mais baixa é a Garganta do Embaú, por onde passaram os bandeirantes durante suas incursões ao interior de Minas Gerais.

Na descoberta de ouro em Minas Gerais, A serra da Mantiqueira fecha sua cadeia nos últimos contrafortes do Ouro Branco, no centro do estado de Minas. Principia na serra do Espinhaço, a chamada serra Geral ou serra de Minas e se estende no sentido sul-norte até além da Bahia. Seu sistema assume para o norte os topônimos dos lugares por onde passa, serra do Ouro Preto, do Batatal, do Capanema, do Ouro Fino, do Gongo Soco, do Garimpo, da Mutuca, do Cipó, da Pedra Redonda, ao pé da qual nasce o rio Jequitinhonha. Um de seus contrafortes é a serra do Caraça, em curva quase perfeita, uma das maiores eminências da serra Geral, o cabeço mais alto de sua linha dorsal. Os picos do Sol e do Carapuça, frequentemente enevoados, altaneiros, erguem-se a 2 072 m (o primeiro) e a 1 955 m (o segundo).

Avistam-se a noroeste a serra da Piedade, além a serra da Lagoa Santa; a leste as serras que abrem permeio para os rios Piracicaba e de Santa Bárbara se ligarem ao rio Doce; a oeste o rio das Velhas e seu vale, a serra do Curral d'El-Rei e o vale do rio Paraopeba; a sudeste os dois matacões característicos do Itacolomi e o declive sombrio onde corre o ribeirão do Carmo. Na serra da Mantiqueira foi encontrado ouro, durante o período colonial na região onde hoje se encontra a cidade de Conceição dos Ouros.

Campos do Jordão é a cidade com a sede mais elevada na serra da Mantiqueira com 1628 metros de altitude. Renato. M.E. Sabattini.


CAMPOS DO JORDÃO E SERRA NEGRA


Na imagem da década de 1930, temos uma vista da vila Abernéssia, centro comercial e administrativo de Campos do Jordão e que conta com uma de nossas estações ferroviárias. Chamada de Vila Nova até 1915, Abernéssia vem da junção do nome de duas cidades escocesas, Aberdeen e Inverness.EFGJ.


CAMPOS DO JORDÃO. A partir do século XVI, a região começou a ser percorrida por desbravadores de origem portuguesa, como Martim Corrêa de Sá, Gaspar Vaz da Cunha e Inácio Caetano Vieira de Carvalho. A família deste último vendeu suas terras na região para Manuel Rodrigues do Jordão, cujo sobrenome veio a conferir à região seu nome atual. As terras de Jordão foram loteadas e vendidas na segunda metade do século XIX. Em 20 de setembro de 1790, Inácio Caetano Vieira de Carvalho chegou, no alto da Serra da Mantiqueira, na Fazenda Bonsucesso. Desde então, passou a ser hostilizado pelo vizinho João Costa Manso por problemas com os limites da fazenda. Essa briga iniciou uma luta aberta entre paulistas e mineiros que só terminou em 1823, quando morreram Vieira de Carvalho e Costa Manso. Os Vieira de Carvalho venderam a Fazenda Bonsucesso ao brigadeiro Jordão, que mudou o nome da fazenda para Natal, mas ficou conhecida como os Campos do Jordão.

Fundação. Em 1874, Mateus da Costa Pinto, considerado o fundador da cidade, tendo adquirido boa parte das terras que pertenciam ao brigadeiro Jordão, transfere-se de Pindamonhangaba para os Campos do Jordão onde, em 29 de abril de 1874 deu início a inúmeras construções, fundando, assim, o primeiro povoado, que denominou São Matheus do Imbiri, por estar localizado nas proximidades do Pico do Imbiri e Ribeirão do Imbiri. Em 2 de Fevereiro de 1879 teve início à construção da capela Nossa Senhora da Conceição dos Campos do Jordão, onde já havia a capelinha de São Mateus. Em 1891, Dr. Domingos José Nogueira Jaguaribe Filho comprou todas as terras de Mateus Pinto, e instalou-se na vila de São Mateus, que em sua homenagem foi chamada de Vila Jaguaribe. A povoação se desenvolveu, tornando-se distrito do município de São Bento do Sapucaí em 29 de outubro de 1915, com o nome de Campos do Jordão. Nessa mesma época, iniciou-se a construção da Vila Abernéssia onde estavam localizados os sanatórios dos doentes dos pulmões. Em 1920, foi iniciada a construção da Vila Emílio Ribas. O fato de tornar-se um local para tratamento de saúde originou a criação de uma prefeitura sanitária em 1 de outubro de 1926, mantida até 21 de janeiro de 1931.

Emancipação. Em 19 de junho de 1934 conseguiu sua autonomia político-administrativa com a criação do município. O nome do município homenageou o Brigadeiro Jordão, pois, na época, era costume ligar-se o nome do proprietário à propriedade.[9] A partir da década de 1950, o avanço da medicina fez com que a tuberculose deixasse de ser uma doença tão perigosa. Com isso, a cidade passou a desenvolver o turismo. Atualmente, é um dos principais destinos de inverno do Brasil.


A Estrada de Ferro Campos do Jordão. Em 1914, a EFCJ foi inaugurada para facilitar o transporte de pacientes com tuberculose para Campos do Jordão, onde havia vários locais para o tratamento dessa enfermidade. Com o avanço da medicina, novos métodos foram descobertos e o clima da Serra da Mantiqueira deixou de ser utilizado neste tipo de tratamento. Mas, ainda hoje, a tuberculose atinge milhões de pessoas em todo o mundo. Ela tem cura e o diagnóstico precoce é a principal ferramenta no combate à doença. Na imagem, painel em exposição no nosso Centro de Memória Ferroviária que mostra como a sociedade lidava com a tuberculose no início do século XX e como Campos do Jordão se tornou um local de cura da doença.

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Serra Negra foi fundada em 23 de setembro de 1828 por Lourenço Franco de Oliveira. A fundação remete-se à data em que a pequena capela construída nas terras de Lourenço Franco de Oliveira (local do atual bairro das Três Barras) recebeu a concessão de Capela Curada (termo que institui um paróquia) pelo bispo Dom Manoel Joaquim Gonçalves de Andrade, de Mogi Mirim. Em 12 de março de 1841, a capela, pertencente à região de Mogi Mirim, foi elevada à categoria de Freguesia (povoação sob aspecto eclesiástico). Em 24 de março de 1859, Serra Negra foi elevada à categoria de Vila, sendo os respectivos habitantes obrigados a construir Cadeia e Casa da Câmara a sua custa.[7] A primeira sessão da Câmara Municipal foi realizada em 7 de setembro de 1859. Pela lei n° 113, de 21 de abril de 1885, a Vila de Serra Negra foi elevada à categoria de cidade. Inicialmente, os lavradores que moravam em Serra Negra cultivavam cereais. No ano de 1873, teve o início do plantio de café em larga escala.

A partir de 1880, começaram a chegar as primeiras famílias de imigrantes italianos para trabalharem nas lavouras de café, mudando totalmente as características portuguesas da colonização e revelando ser a tradição italiana fator predominante na contribuição da cultura local. Em março de 1892, foi inaugurado o ramal férreo da Companhia Mogiana. A locomotiva fazia o trajeto de Serra Negra até Campinas. Além do transporte de passageiros, o principal produto transportado era o café. O ramal foi desativado em 1956, quando as estradas de rodagem já se desenvolviam em larga escala no país. Na década de 1920, a economia brasileira já começava a sofrer os efeitos ocasionados pelo excesso da produção de café.

Águas minerais. Serra Negra, embora afetada pela crise, do café  já recebia os primeiros benefícios da descoberta da qualidade terapêutica de suas águas minerais a partir da Fonte Santo Antonio, de Luiz Rielli. A descoberta das propriedades radioativas das águas em 1928 levou à criação, em 1930, de um pavilhão hidroterápico construído ao lado da grandiosa fonte. Sua composição mineral, combinada a pequenas doses de radioatividade, revelou serem as águas minerais de Serra Negra indicadas para os mais diversos tratamentos de saúde. 

SERRA DA BOCAINA




O Parque Nacional da Serra da Bocaina localiza-se na divisa entre os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, na região Sudeste do Brasil. É um segmento da Serra do Mar. Foi criado por Decreto Federal em 1971, compreende uma área aproximada de 134 mil hectares e uma expressiva biodiversidade. A criação do parque teve como objetivo a implantação de um escudo de vegetação nativa, nas escarpas da Serra do Mar como proteção de um eventual acidente nuclear nas usinas de Angra I e II. A sede do parque fica na cidade de São José do Barreiro, no Estado de São Paulo. É administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O parque oferece uma ampla gama de atrações turísticas naturais, tais como a Cachoeira Santo Isidro, a Cachoeira das Posses e mais no interior do parque, a Cachoeira dos Veados. A entrada do parque marca também o início do trecho final da Trilha do Ouro, com uma extensão de aproximadamente 73 quilômetros, e que termina na praia de Mambucaba, em Angra dos Reis. O seu ponto mais elevado é o Pico do Tira o Chapéu, que alcança 2 088 metros acima do nível do mar, um dos pontos mais altos do Estado de São Paulo.


"Caminho do Boi e do transporte de Café que saía de São Paulo em direção ao Rio de Janeiro, no Morro do Pedro na Divisa de Bananal e Rio Claro. O Marco de Divisa de número 17, que está localizado nessa região, foi instalado em 1956 e ainda serve como referência das divisas dos estados" 

Serra da Bocaina Bananal. Foto. @guiaemanuelecalago




Sorocaba. O primeiro ciclo a marcar a vida econômica de Sorocaba foi o bandeirismo, quando os Sorocabanos aprofundaram-se além das linhas de Tordesilhas, montando entrepostos comerciais e de mineração. Os bandeirantes sorocabanos Paschoal Moreira Cabral e Miguel Sutil são fundadores da cidade de Cuiabá, no estado de Mato Grosso. Sérgio Buarque de Holanda mostrou que Sorocaba nos séculos XVII e XVIII vivia intensamente e tinha importante produção agrícola. A partir do século XVIII, o bandeirantismo de predação foi gradativamente substituído pelo comércio de mulas. O coronel Cristóvão Pereira de Abreu, um dos fundadores do estado do Rio Grande do Sul, conduziu pelas ruas do povoado a primeira tropa de muares no ano de 1733, inaugurando o ciclo do tropeirismo. Sorocaba tornou-se um marco obrigatório para os tropeiros devido a sua posição estratégica, eixo econômico entre as regiões Norte, Nordeste e Sul. Com o fluxo de tropeiros, o povoado ganhou uma feira onde os brasileiros de todos os estados reuniam-se para comercializar animais, a feira de Sorocaba. Este fluxo intenso de pessoas e riquezas promoveu o desenvolvimento do comércio e das indústrias caseiras baseadas na confecção de facas, facões, redes de pesca, doces e objetos de couro para a montaria.


Fábrica de ferro em Sorocaba de São João de Ipanema em 1884


Em 1852, apareceram as primeiras tentativas fabris. No entanto, o comércio do algodão cru revertia melhores lucros aos Sorocabanos. A cultura do algodão desenvolveu-se grandemente, a ponto de levar Luís Mateus Maylasky, o maior comprador de algodão da zona, a construir, em 1870, a Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) inaugurada em 1875. A ferrovia foi um dos fatores do desenvolvimento industrial, que teve início com a Real Fábrica de Ferro São João do Ipanema, primeira metalúrgica em escala industrial da América Latina, de onde saiu um dos grandes Sorocabanos, Francisco Adolfo de Varnhagen, o Visconde de Porto Seguro. A partir da queda das exportações do algodão, os Sorocabanos passaram a industrializar a fibra na própria cidade. Assim, Manuel José da Fonseca inaugurou, em 1882, a fábrica de tecido Nossa Senhora da Ponte; logo em 1890, apareceram as fábricas Santa Rosália e Votorantim, que deram início ao parque industrial de Sorocaba juntamente com as indústrias têxteis de origem inglesa que se instalaram na cidade, tornando-a conhecida como a "Manchester paulista".

Rua Direita, c. 1875-1880. Pedro Benedito Paiva Junior - Álbum Fotográfico - Vistas de Sorocaba - 2008



Bauru, região central do estado. Foi fundada em 1896, sendo que a Marcha para o Oeste, impulsionada pelo governo de Getúlio Vargas como incentivo ao progresso e a ocupação da região central do Brasil, foi um importante fator de incremento populacional para a região. No começo do século XX o município começou a ganhar infraestrutura e a população aumentou com a chegada da ferrovia e, mais tarde, das rodovias. A cafeicultura ganhou força no município no início do século, porém Bauru tornou-se industrializada, acompanhando a crescente industrialização do país a partir da década de 30, sendo esta atividade a principal responsável pela urbanização do município. É, juntamente com o setor terciário, a principal fonte de renda municipal, fazendo com que o município tenha o 68º maior PIB brasileiro. No campo ganhou força após a década de 1950 a cana-de-açúcar.



Ribeirão Preto, norte paulista. Foi fundada em 1856, neste período a região recebia muitos mineiros que saíam de suas terras já esgotadas para a mineração e procuravam pastagens para a criação de gado. No começo do século XX, a cidade passou a atrair imigrantes, que foram trabalhar na agricultura ou nas indústrias abertas na década de 1910. O café, que foi por algum tempo uma das principais fontes de renda, se desvaloriza a partir de 1929, perdendo espaço para outras culturas e principalmente para o setor industrial. Na segunda metade do século XX foram incrementados investimentos nas áreas de saúde, biotecnologia, bioenergia e tecnologia da informação, sendo declarada em 2010 como "polo tecnológico".



Marília, oeste paulista. A Companhia Paulista de Estradas de Ferro vinha desde 1924 avançando seus trilhos de Piratininga até chegar a Lácio (terras do deputado Sampaio Vidal),[23] sendo que a próxima estação passaria próximo dos patrimônios já existentes, o que causaria disputas entre os fundadores, principalmente entre Antônio Pereira da Silva, já que era o fundador do primeiro patrimônio e Sampaio Vidal. Bento de Abreu ignorou o Alto Cafezal e tudo fez para impulsionar o desenvolvimento de seu próprio patrimônio, estabelecido justamente ao lado do povoado já existente. Investiu em infraestrutura e em recursos humanos, recrutando profissionais liberais em diversas áreas, que para lá se dirigiram. Para demarcar as terras do novo patrimônio contratou o engenheiro Dr. Durval de Menezes e compôs aliança política com o grupo de Rodolfo Miranda. O poder político venceu e a estação foi construída nas terras do deputado, que deveria escolher um nome para a estação com a letra "M", já que, de acordo com o esquema dessa companhia, as estradas que iam sendo inauguradas no ramal, haveriam de ser nomeadas por ordem alfabética. Foram propostos vários nomes, como "Marathona", "Mogúncia" e "Macau", mas Bento de Abreu não ficou satisfeito com nenhuma das sugestões. Em uma de sua viagens de navio à Europa, leu o livro de Tomás Antônio Gonzaga, "Marília de Dirceu", de onde teve a ideia de sugerir o nome de "Marília". 


Piracicaba, centro-paulistaFoi fundada em 1767, às margens do rio Piracicaba, manancial que foi vital para a região. No decorrer do século XIX, a agricultura se desenvolveu no município, com destaque para o cultivo da cana-de-açúcar e do café. Contudo, ainda na primeira metade do século XX, a cidade entrou em decadência. Com o fim do ciclo do café e a queda constante de preços do açúcar, a economia piracicabana se estagnou, o que viria a ser revertido somente a partir do início de sua industrialização.



Jundiaí é um município brasileiro do estado de São Paulo, sede da região metropolitana de Jundiaí.  Seu nome é uma referência ao rio Jundiaí, que significa "rio dos jundiás", famoso peixe da época da colonização do interior paulista (peixe hoje em extinção). A cidade possui conurbação consolidada com Várzea Paulista e Campo Limpo Paulista, além de estar em processo de conurbação com Itupeva. As cidades mencionadas fazem parte da Região Metropolitana de Jundiaí (antiga Aglomeração Urbana de Jundiaí ou região de Jundiaí), juntamente com os municípios de Cabreúva, Louveira e Jarinu, totalizando cerca de 835 mil habitantes segundo censo do IBGE. Esta região metropolitana está integrada — junto com a Grande São Paulo, a Região Metropolitana de Campinas, a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, a Região Metropolitana de Sorocaba e a Baixada Santista (litoral de São Paulo) — ao Complexo Metropolitano Expandido, uma megalópole que ultrapassa os 30 milhões de habitantes (cerca de 75% da população paulista) e que é a primeira aglomeração urbana do tipo no hemisfério sul. Na época de sua emancipação, Jundiaí marcava o limite norte do povoamento da Capitania de São Vicente. Esse povoamento acusava dois rumos principais: um de Jundiaí para leste, atingindo a zona montanhosa banhada pelo Rio Atibaia; e outro de Jundiaí para o norte, alcançando o vale do Rio Mojiguaçu. No primeiro caso, surgiram os povoados de Atibaia (1665), a partir da edificação de uma capela por Jerônimo de Camargo e a fixação de índios vindos do sertão pelo padre Mateus Nunes de Siqueira, e de Nazaré (c. 1676). Depois da descoberta das minas de ouro em Goiás, no século XVIII, chegou, a traçado definitivo, o "Caminho dos Goiases", partindo de Jundiaí, atravessando as povoações de Mogi Mirim e Mogi Guaçu, rumando para o noroeste por áreas que, mais tarde, formariam o sul de Minas Gerais.

Ramal da Ferrovia Santos-Jundiaí na Capital paulista

Na metade do século XIX, a cultura cafeeira chegou em Jundiaí e, em pouco tempo, se tornou a sua base econômica. Em 1867, foi inaugurada a São Paulo Railway, ligando Jundiaí a Santos, passando por São Paulo. Outras ferrovias foram inauguradas nas três décadas seguintes, como a Companhia Paulista de Estradas de Ferro, a Companhia Ytuana de Estradas de Ferro e a Estrada de Ferro Bragantina. Surgiram também as primeiras indústrias têxteis. Em 28 de março de 1865, Jundiaí foi elevada à condição de cidade. Na segunda metade do século XIX, houve uma crise do escravismo e a alta do preço do escravo. Neste contexto, os grandes produtores rurais passaram a buscar novos trabalhadores, recebendo grande número de imigrantes italianos, e também, em menor número, outros imigrantes europeus. A imigração estimulou o crescimento comercial e industrial e, ainda, do segmento de serviços e infraestrutura urbana. Para abrigar as famílias de imigrantes, foram criados na cidade, por iniciativa do então presidente da Província de São Paulo, Antônio de Queirós Teles, conde de Parnaíba, quatro núcleos coloniais, entre eles o “Barão de Jundiaí”, criado em 1887, que deu origem ao bairro da Colônia. As famílias italianas, que chegaram ao Brasil com poucos bens, foram criando em Jundiaí seus próprios meios de subsistência, comprando pequenos lotes, cultivando milho, feijão, arroz, batata, legumes e frutas (especialmente uva) e montando armazéns.

Industrialização. Na primeira metade do século XX, Jundiaí descobriu a sua vocação industrial. O processo de industrialização de Jundiaí acompanhou as vias de circulação. Com isso, as indústrias se concentravam nas regiões próximas à ferrovia e às margens do Rio Guapeva, atendendo principalmente os segmentos têxtil e cerâmico. Nos anos 1930 e 1940, ocorreu novo impulso industrial e após a inauguração da Rodovia Anhanguera (1948), mais empresas procuraram a cidade, aproveitando também a abertura da economia ao capital estrangeiro em 1950. Foi nesta época que vieram para o município as indústrias metalúrgicas. Ao longo de sua história recente, Jundiaí perdeu territórios para a criação dos municípios de Vinhedo (1948), Campo Limpo (1964), Itupeva (1964) e Várzea Paulista (1965).



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Embarcações fluviais no rio Paraná, divisa entre São Paulo e Mato Grosso (Atual Mato Grosso do Sul)





Porto Tibiriçá (abaixo)   e  Presidente Epitácio (acima) . Confluência entre os rios Paraná e Rio Pardo antes da formação do lago da Usina de Porto Primavera. Ao centro a ilha Tibiriçá (hoje inundada) e sobre ela a ponte que liga São Paulo e Mato Grosso do Sul. Liga também as rodovias Manoel da Costa Lima (MS) e Raposo Tavares (SP). Acima e antes da curva do rio Paraná, a Vila e o antigo Distrito Federal do Porto Tibiriçá, fundado em 1907 e incorporado ao governo federal durante a II Guerra Mundial. Mais acima o porto e cidade de Presidente Epitácio, fundada na década de 1924 com a chegado dos trilhos da E.F. Sorocabana.


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A ERA DAS RODOVIAS E O PORTO DAS INDÚSTRIAS



Caminho do Mar em 1920. 

A Rodovia Caminho do Mar (SP-148), também conhecida como Estrada Velha de Santos, é uma rodovia brasileira que liga o litoral do estado de São Paulo (Santos-Cubatão) ao planalto paulista (São Paulo, via Região do Grande ABC). Desde 1985 fechada para automóveis de passeio particulares,[1] só pode ser percorrida por visitantes a pé, veículos de manutenção e micro-ônibus da Fundação Patrimônio Histórico da Energia de São Paulo, administradora do Polo Ecoturístico Caminhos do Mar, abrangendo a própria rodovia, a Calçada do Lorena e outros monumentos, como Pouso de Paranapiacaba, Belvedere Circular, Rancho da Maioridade, Padrão do Lorena, dentre outros. A chamada Trilha dos Tupiniquins, também denominada Caminho de Paranapiacaba ou Caminho de Piaçaguera, foi a mais antiga e principal ligação entre o litoral (Baixada Santista) e a vila de São Paulo de Piratininga durante o período colonial. Iniciava-se na vila de São Vicente, atravessava uma área alagada (hoje Cubatão) e prosseguia Serra do Mar acima, até as nascentes do Rio Tamanduateí (no atual município de Mauá) e, daí, ao Córrego Anhangabaú, na aldeia do índio Tibiriçá, em Piratininga (atual Pátio do Colégio, no centro histórico de São Paulo). A escarpa da Serra do Mar entre a Baixada Santista e o planalto paulista foi transposta por distintos caminhos indígenas e posteriormente, na sequência, pela Calçada do Lorena, Estrada da Maioridade/Vergueiro/Caminho do Mar, Anchieta e Imigrantes. Com a crescente expansão dos parques industriais de São Paulo, o ABC e Cubatão, em 1947 foi inaugurada a primeira pista da Via Anchieta; em 1953, a segunda; em 1976, foi inaugurada a pista Norte da Rodovia dos Imigrantes; e, em 2002, a pista Sul. O fluxo de veículos pela Via Anchieta era mais eficiente do que pelo Caminho do Mar. Logo, a estrada passou a ser subutilizada, assim ficando por várias décadas. No período 1992-2004, a estrada foi fechada e reformada, tornando-se, atualmente, o Polo Ecoturístico Caminhos do Mar, que é formado pela estrada Caminho do Mar e por um trecho da Calçada do Lorena. [Textos e imagens da Wikipedia]



Trechos da Estrada Velha  nos anos 1950. 

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Via Anchieta em cartão postal dos anos 1960


Construção das marginais da Via Anchieta próximo ao município de São Paulo nos anos 1970. 


A Rodovia Anchieta ou anteriormente Via Anchieta(SP-150) faz a ligação entre a capital paulista, São Paulo e a Baixada Santista onde fica o Porto de Santos, passando pelo ABC Paulista. É uma das vias de maior movimentação de pessoas e de mercadorias de todo o Brasil, bem como a Rodovia dos Imigrantes, que constitui o mesmo sistema da Via Anchieta, o Sistema Anchieta-Imigrantes. Faz parte do sistema BR-050, que liga Brasília a Santos, passando pelo estado de Minas Gerais. A rodovia é o maior corredor de exportação da América Latina. Essa rodovia foi autorizada em lei em 4 de janeiro de 1929 pelo presidente de São Paulo Júlio Prestes, foi iniciada em 1939 pelo interventor Adhemar Pereira de Barros e por ele concluída, quando governador do estado, em 1947. Na Rodovia Anchieta está situada a matriz brasileira da Volkswagen, vista ao lado direito da imagem
Durante o período do Estado Novo, sob o governo do então presidente da República Getúlio Vargas, o projeto de construção de custos altíssimos levou o governo a considerar a obra desnecessária. Foi inaugurada em duas etapas: a pista norte em 1947 e a pista sul em 1953. A rodovia é considerada uma obra-prima da engenharia brasileira da época, dada a arrojada transposição da Serra do Mar por meio de túneis e viadutos. Em 1969, uma decisão do governo do estado de São Paulo concedia à Dersa, empresa estatal, o direito de explorar o uso da rodovia. Em 1972 são instalados os primeiros pedágios, ainda no trecho de São Bernardo do Campo. Em 29 de maio de 1998 a rodovia foi privatizada pelo então governador Mário Covas juntamente com a Rodovia dos Imigrantes através de uma licitação em que a empresa Ecovias, formada por um consórcio de empresas privadas, recebeu a concessão por um período de 20 anos para a operação e manutenção de todo o Sistema Anchieta-Imigrantes. [Textos e imagens da Wikipedia]



Trecho da Vida Anchieta na Serra do Mar nos anos 1950. 


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Rodovia dos ImigrantesEm 23 de janeiro de 1974 foi lançada a pedra fundamental da rodovia que seria inaugurada com sua primeira pista no trecho de serra, a ascendente. Durante a construção desta pista, os engenheiros perceberam vários problemas que inviabilizavam o projeto inicial de três pistas paralelas: a proximidade com as encostas havia criado problemas de deslizamentos de terra, com altos custos de obras de contenção e de pequenos túneis, e de que a geografia das outras duas pistas seria ainda mais complicada. Em 1974, surge a ideia de construir as pistas descendente e reversível como superpostas, basicamente com a pista reversível sendo construída em cima da pista descendente. As duas pistas contariam com túneis mais longos (seriam 5.438 metros de túneis, com o maior deles tendo 3.200 metros de extensão). A ideia logo seria abandonada porque se constataria que pistas colaterais permitiriam uma diminuição dos custos, aumento da segurança operacional ao permitir a ligação das duas pistas. Com sérias limitações orçamentárias, o DERSA deixa os projetos tanto da pista reversível quanto da pista descendente de lado. A pista ascendente passa a ser operada de forma reversível, com o sentido sendo revertido de acordo com as demandas de tráfego. A construção da pista ascendente, inaugurada em 28 de junho de 1976, teria usado cem engenheiros e treze mil operários.
[Textos e imagens da Wikipedia]





A Rodovia Presidente Dutra (anteriormente, Via Dutra) (BR-116, também chamada de SP-60 no estado de São Paulo), conhecida coloquialmente como Via Dutra, é uma rodovia que faz a ligação entre as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, no Brasil. Possui uma extensão total de 402 quilômetros, iniciando-se no Trevo das Margaridas, no acesso à Avenida Brasil, no Rio de Janeiro e terminando na Ponte Presidente Dutra, no acesso à Marginal Tietê, em São Paulo.[Textos e imagens da Wikipedia]

Rodovia Presidente Dutra em Guarulhos na década de 1970. Arquivo Histórico Guarulhos.




A Rodovia Fernão Dias  é a denominação que a BR-381 recebe no trecho entre duas regiões metropolitanas brasileiras: a Grande São Paulo e a Grande Belo Horizonte. Em 1959, foi inaugurada pelo presidente Juscelino Kubitschek a ligação Belo Horizonte-Pouso Alegre quando ainda estava inacabada a obra. Contudo, apenas em 1961 a rodovia havia sido totalmente concluída, com a finalização das obras no trecho paulista.[Textos e imagens da Wikipedia]


Rodovia Régis Bittencourt  é o nome que recebe o trecho da BR-116 entre São Paulo e a divisa entre o Paraná e Santa Catarina, no limite entre Rio Negro e Mafra. Esta designação é oficial do extinto DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem), e do atual DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). O engenheiro civil Edmundo Régis Bittencourt teve participação ativa na gestão do DNER nos anos 50 e se empenhou na construção da rodovia São Paulo-Paraná, que atualmente leva seu nome. Ela foi inaugurada, com a denominação de BR-2, por Juscelino Kubitschek de Oliveira, no começo de 1961. No estado de São Paulo é denominada SP-230. [Textos e imagens da Wikipedia]


A Rodovia Anhanguera liga São Paulo com a região nordeste do estado, passando por importantes cidades industriais e a uma das mais produtivas áreas agrícolas. É uma das mais importantes rodovias do Brasil e uma das mais movimentadas, com o trecho de maior tráfego entre São Paulo e Campinas, o primeiro a ser construído. É duplicada, contendo trechos com faixas adicionais e pistas marginais. Têm um tráfego pesado, especialmente de caminhões. É considerada, juntamente com a Rodovia dos Bandeirantes e Rodovia Washington Luís, o maior corredor financeiro do país, pois interliga algumas das regiões metropolitanas do estado como São Paulo, Jundiaí, Campinas e Ribeirão Preto, assim como o Aglomerado Urbano de Franca e a Região Administrativa Central.[Textos e imagens da Wikipedia]

A rodovia Anhanguera em 1955 na altura do município de Jundiaí



A Rodovia dos Bandeirantes faz a ligação entre importantes municípios paulistas como São Paulo, Caieiras, Cajamar, Franco da Rocha Jundiaí, Itupeva, Valinhos, Campinas, Hortolândia, Sumaré, Santa Bárbara d'Oeste, Limeira e Cordeirópolis. [Textos e imagens da Wikipedia]


A Rodovia Washington Luís  é uma rodovia radial do estado de São Paulo, sendo o maior e principal trecho da SP-310. Faz a ligação de São Paulo aos municípios de Rio Claro, São Carlos, Araraquara, Matão, Catanduva e São José do Rio Preto, dentre outros.[Textos e imagens da Wikipedia]

A Rodovia Presidente Castelo Branco (SP-280), também denominada BR-374 e originalmente chamada de Rodovia do Oeste) é a principal ligação entre a Região Metropolitana de São Paulo e o Centro-Oeste Paulista, iniciando-se no Complexo Viário Heróis de 1932, conhecido popularmente como "Cebolão", no acesso às vias marginais Tietê e Pinheiros, em São Paulo, com término no entroncamento com a SP-225, entre Espirito Santo do Turvo e Santa Cruz do Rio Pardo.



Trecho da rodovia Castelo Barnco ainda em construção no final dos anos 1960. 


Os primeiros estudos para a construção da rodovia datam de 1953, e, de acordo com o DER-SP, o projeto é de 1961. Destinada a ser a primeira autoestrada brasileira, sua construção teve início em 1963, pelo governador Adhemar Pereira de Barros, e o primeiro trecho, entre São Paulo e Torre de Pedra, foi entregue ao trânsito em 10 de novembro de 1968 pelo então governador Roberto de Abreu Sodré. Adhemar foi criticado na época porque estaria fazendo uma obra cara e desnecessária.

Segundo o jornal Diário Popular, em 1965, a estrada ofereceria "características técnicas somente encontradas nas mais recentes rodovias dos Estados Unidos e Europa Ocidental", como pistas com 10,5 metros de largura, com três faixas cada, canteiro central largo, faixas de acostamento amplas, curvas suaves, rampas com baixa inclinação e acessos sem cruzamento às cidades diretamente servidas pela rodovia. Porém, como o anel viário da Capital, que incluía as avenidas marginais Tietê e Pinheiros (em cuja confluência a rodovia teria início), não estava pronto ou mesmo com previsão de entrega, o jornal Diário da Noite criticou: "Nem mesmo para articulação com a imperial Rodovia do Oeste, o Palácio dos Bandeirantes encontrou ainda solução adequada e rasgou, através de morros e baixadas, a larguíssima estrada tendo início num ponto mais abstrato do que real, de coordenação com um segundo anel rodoviário a ser construído, não se sabe ainda quando.

Teve como primeiro nome Auto Estrada do Oeste e foi popularmente conhecida como Rodovia do Oeste. O nome oficial foi estabelecido pelo decreto número 48 275, de 1967, e constituiu-se em uma homenagem do governador Abreu Sodré ao ex-presidente Humberto de Alencar Castelo Branco. Por vezes o nome da rodovia é escrito com duas letras L, todavia o acordo ortográfico vigente é claro quanto à ortografia de nomes de pessoas falecidas e da toponimização desses antropônimos, que devem sempre respeitar as normas vigentes. A filha do militar, Antonieta, descerrou a placa alusiva à inauguração, discursando: "Este monumento evoca os governadores que tornaram possível esta obra."[4] Segundo ela, esses governadores seriam Carvalho Pinto ("que idealizou"), Ademar de Barros ("que iniciou") e Abreu Sodré ("que concluiu"). Mais informações: Wikipedia. 


Trecho da então quase deserta Rodovia Castelo Branco em dezembro de 1968. Liga SP ao interior com pista separadas até a metade do estado. Depois interliga-se com a Raposo Tavares, mais antiga e estreita.



Trecho inicial da Rodovia Raposo Tavares no Butantã.  Anteriormente Via Raposo Tavares e também denominada SP–270, é uma rodovia do estado de São Paulo. Inicia-se no final da Rua Reação, no distrito do Butantã, zona oeste da cidade de São Paulo e termina na divisa de estado com o Mato Grosso do Sul, no município de Presidente Epitácio.

EXTREMO OESTE  PAULISTA - ALTA SOROCABANA. Trecho da rodovia Raposo Tavares, entre os Km 400 e 600, cruzando a cidade de Assis na direção de Presidente Prudente, Bernardes, Santo Anastácio, Piquerubi, Presidente Venceslau, Caiuá e finalmente Presidente Epitácio, na divisa com Mato Grosso do Sul.  



Rodovia dos Tamoios (SP-99) é uma rodovia do estado de São Paulo, Brasil. Faz a ligação entre São José dos Campos, no planalto, e Caraguatatuba, na planície. É a principal ligação entre o Vale do Paraíba o Litoral Norte do estado de São Paulo. Em 2015, o maior trecho da rodovia passou a ser administrado pela Concessionária Tamoios, do Grupo Queiroz Galvão S/A. O Coronel Edgard Pereira Armond da então Força Pública de São Paulo e o engenheiro João Fonseca de Camargo e Silva, do DER foram os grandes responsáveis pela abertura e construção da antiga estrada. Em dezembro de 1931, em férias, o Coronel Armond embarcou em Santos no vapor Iraty com destino a São Sebastião. A bordo conheceu o ex-deputado estadual Manuel Hipólito do Rego, natural daquela cidade e, juntos conversaram sobre o estado decadente da região e da necessidade de comunicações terrestres com o planalto, pois o litoral norte estava abandonado.[Textos e imagens da Wikipedia]

Rodoanel Governador Mário Covas (SP-21), também conhecido simplesmente como Rodoanel, é um anel rodoviário de 176 quilômetros de extensão que circunda a região central da Grande São Paulo. Construído ao longo de duas décadas (com a conclusão da última etapa prevista para 2025), o Rodoanel conecta todas as 10 rodovias estaduais ou federais que passam pela Grande São Paulo, criando rotas alternativas que evitam, por exemplo, que caminhões vindos do interior do estado com destino ao porto de Santos circulem pelas vias urbanas já congestionadas da região metropolitana. A rodovia é dividida em 4 trechos, construídos em etapas separadas e operados por duas concessionárias diferentes. O primeiro trecho a ser aberto, o oeste, começou a ser construído em 1998 e foi inaugurado em 2002. O trecho sul foi aberto em 2010, e o leste em 2014. O trecho norte, ainda em construção, deve ser concluído em 2025. Há pedágios na divisa entre cada trecho e na saída para cada uma das rodovias interligadas. Além da capital paulista, o Rodoanel cruza outras 16 cidades da região metropolitana: Santana de Parnaíba, Barueri, Carapicuíba, Osasco, Cotia, Embu das Artes, Itapecerica da Serra, São Bernardo do Campo, Santo André, Mauá, Ribeirão Pires, Suzano, Poá, Itaquaquecetuba, Arujá e Guarulhos. É uma rodovia estadual, com a designação SP-21. Seu nome é uma homenagem a Mário Covas, governador do estado de São Paulo falecido durante o exercício do cargo em 2001.[Textos e imagens da Wikipedia]


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Bibliografia

DEAN, Warren. A industrialização de São Paulo (1880-1945). São Paulo: Difel, Edusp, 1971. [1a ed., 1969, link.]

MILLIET, Sérgio. Roteiro do Café. São Paulo: Ed. Bipa, 1946.
«Edição integral do livro História da Capitania de São Vicente Pedro Taques de Almeida Paes Leme (em formato PDF).

Memórias para a história da capitania de S. Vicente, autor Frei Gaspar da Madre de Deus

Capítulos da História Social de São Paulo, de Alfredo Ellis Júnior (1944). (PDF)

Referências e imagens : Wikipedia

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PORTO FEDERAL EM SANTOS, GUARUJÁ E CUBATÃO


Margens portuárias: a margem direita compreende a área insular (conjuntos de ilhas) da cidade de Santos, e sua margem esquerda, parte de Cubatão, a área continental de Santos e a Ilha de Santo Amaro, que compõe o município do Guarujá.


Inauguração: 2 de fevereiro de 1892 . Operado por Autoridade Portuária de Santos
Proprietário: Governo Federal
Tipo de porto Marítimo. Área: 7,8 milhões de m²
Dutos: 55 km
Empregados: 1 468

Estatísticas
Carga anual de toneladas:147,0 milhões (2021)
Volume anual de contêineres: 3,853 milhões de TEUs
Valor da carga: 103,3 bilhões de US$ FOB
Tráfego de passageiros: 243 mil (2017)
Lucro líquido: R$ 199,3 milhões (2012)"

Geografia. O Porto de Santos é um porto estuarino, localizado nos municípios de Santos, Guarujá e Cubatão, no estado de São Paulo. É o principal porto brasileiro, o maior complexo portuário da América Latina e um dos maiores do mundo. Possui uma grande variedade de terminais de carga para diversos produtos, que realizam a movimentação de granéis sólidos (principalmente de origem vegetal), líquidos, contêineres, carga geral e passageiros. A área de influência econômica do porto concentra aproximadamente 67% do produto interno bruto (PIB) do país e abrange principalmente os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Aproximadamente 60% do comércio internacional do estado de São Paulo (em valores) são embarcados ou desembarcados através do Porto de Santos. O Complexo Portuário de Santos responde historicamente por mais de 25%, ou um quarto, da movimentação da balança comercial brasileira, e é o maior porto exportador de açúcar, suco de laranja e café em grãos do mundo. Outras cargas de importância são a soja, cargas conteinerizadas, milho, trigo, sal, papel, automóveis, álcool e outros granéis líquidos. Em 2016, foi considerado o 39.º maior porto do mundo por movimentação de contêineres, e 35.º por tonelagem, segundo ranking da AAPA — Associação Americana de Autoridades Portuárias, sendo o mais movimentado da América Latina.

História -Primeiras operações e concessão. As operações de carga na região de Santos e São Vicente remontam ao princípio do Século XVI, ocorrendo de forma primitiva com a utilização de trapiches, por meio dos quais a mão de obra humana ou animal transportava as mercadorias aos navios ou a barcos intermediários. A movimentação de cargas neste período era explorada de forma independente por diversos agentes. A partir de 1870, a Coroa passou a buscar alternativas de expansão do setor portuário para a crescente oferta de exportação da produção cafeeira. Em 1886, foi iniciado o processo de concessão do Porto de Santos, que envolvia os direitos de exploração da movimentação portuária por 90 anos, com a contrapartida de realização de obras de investimento em infraestrutura, operação e saneamento. Os vencedores da concessão foram o grupo liderado por Eduardo Guinle e Cândido Gaffrée, então comerciantes no Rio de Janeiro, que para tanto administraram o Porto de Santos com a Gaffrée, Guinle e Cia., depois renomeada Empresa de Melhoramentos do Porto de Santos e finalmente com o nome ficou amplamente conhecida, Companhia Docas de Santos (CDS). 

O porto foi explorado, desenvolvido e ampliado pela CDS, sob a gestão da então concessionária Companhia Docas de Santos, entre 7 de novembro de 1890 e 8 de novembro de 1980. Em 2 de fevereiro de 1892, o porto abriu suas portas ao comércio exterior como "porto organizado", com limites legalmente determinados, infraestrutura de 260 metros de cais construído e área específica para armazenagem. A primeira embarcação a atracar no novo porto, foi o Vapor britânico Nasmith. Francisco de Paula Ribeiro foi o superintendente da Companhia Docas de Santos entre os anos de 1888 e 1902, supervisionando e administrando a construção dessa infraestrutura.

No início do Século XIX, Santos foi um dos principais portos brasileiros para o desembarque de imigrantes, que afluíam principalmente da Itália e do Japão. Porém, a infraestrutura da cidade e suas atividades econômicas não comportavam o acolhimento destes indivíduos, que rapidamente se distribuíam para o interior do estado. Nesta época, Santos era conhecido como o "Porto da Morte", em virtude das diversas epidemias de doenças tropicais que acometiam periodicamente a população, acirradas pela falta de saneamento básico e condições precárias de moradia e higiene da população, bem como pela natureza alagadiça da cidade; este cenário alterou-se somente com as obras sanitárias realizadas por Saturnino de Britto a mando do então Secretário do Interior do Estado, Vicente de Carvalho, que criou os canais de drenagem que são hoje marcos da paisagem urbana santista. Em 1897, Santos teve a primeira greve organizada do País, deflagrada por um acidente em um navio.

Com o passar dos anos, a estrutura foi ampliada e desenvolvida de acordo com os investimentos realizados pela CDS, que chegou a empregar 15 000 funcionários. Além das diversas estruturas de terminais e dos prédios administrativos, a CDS executou diversas obras de engenharia de destaque para a época, seja por sua dimensão ou por sua complexidade. São particularmente notáveis o aterramento de Paquetá-Outeirinhos e a construção da Usina Hidrelétrica de Itatinga, ambas sob a direção do engenheiro Guilherme Benjamin Weinschenck.

Região norte do complexo portuário em 2018.A área de Paquetá-Outeirinhos, na margem direita (Santos), entre os atuais armazéns 12 e 23, que era originalmente um golfo, foi aterrada para criar uma estrutura linear de cais que permitisse a atracação de navios de maior profundidade, bem como uma retroárea de armazenamento. Para este aterramento, foi criada uma linha férrea especial para transportar as pedras da pedreira do bairro Jabaquara. Em uma das pontas das áreas aterradas, foram construídos prédios para a administração portuária, que hoje compõem a sede oficial da administração do porto.

 A construção da Usina Hidrelétrica de Itatinga, concluída em 1910, às margens da Serra do Mar, foi outra obra de destaque. À época, Itatinga era uma das mais importantes hidrelétricas do país, em uma época em que poucos tinham acesso à rede elétrica; eletricidade gerada por ela foi utilizada inclusive na construção da usina hidrelétrica de Henry Borden, em Cubatão. Por conta da localização da usina, isolada no meio da Mata Atlântica a 7 Km de Bertioga, foi construída uma vila de apoio para a residência de funcionários que trabalham em sua manutenção e operação, na qual chegaram a residir 70 famílias simultaneamente. Mesmo sendo o efetivo de pessoal atual muito menor, ainda hoje a usina fornece eletricidade para a operação do porto e para suas instalações administrativas. Embora modernizada, parte de sua estrutura, como as turbinas por exemplo, são parte do equipamento original, em contínua operação há mais de cem anos.

Retorno à administração pública e Landlord Port. Após o vencimento da concessão, em outubro de 1980, a administração do porto e seu acervo voltaram ao domínio do Governo Federal, mais especificamente à então Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), sociedade de economia mista que, até março de 1990, permaneceu sob controle da Empresa de Portos do Brasil S.A. (Portobras). A Codesp operou o porto em regime de monopólio até a promulgação da Lei 8.630/93, que instituiu o ambiente concorrencial por meio do arrendamento das áreas portuárias para terminais, passando os portos federais brasileiros a operar por meio de um sistema conhecido como Landlord Port. Com a instituição deste sistema, a Codesp (e consequentemente o Governo Federal) passou a exercer apenas a função administrativa do complexo portuário (conhecida como Autoridade Portuária), passando a operação às mãos de terminais portuários privados. Este conjunto de áreas, primárias (operacionais) e secundárias (administrativas), passa a configurar o Porto Organizado, área sob a jurisdição da Autoridade Portuária. Com a instituição da lei, a mão de obra operacional da Codesp foi transferida para o Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo), e a Codesp passou a contar com um efetivo de aproximadamente 1 500 funcionários, distribuídos em funções administrativas, de fiscalização e de Guarda Portuária. A legislação foi atualizada quando da promulgação da Lei 12.815/2013.

Em 15/12/2010, o Porto de Santos recebeu da Comissão Nacional de Segurança Pública de Portos, Terminais e Vias Navegáveis (Conportos) o certificado internacional de implantação do ISPS Code, garantindo que a monitoração, fiscalização e controle dos meios de acesso às áreas primárias e secundárias estão adequados às exigências internacionais de segurança portuária.

No segundo semestre de 2018, o Governo Federal realizou a compra das ações dos acionistas minoritários da Codesp, buscando a nacionalização da empresa. Este processo foi concluído com sucesso, porém a Codesp permanece como sociedade de economia mista, uma vez que a Prefeitura de Santos é detentora de uma pequena parcela de ações da empresa, e a legislação atual não permite a negociação de ações entre diferentes esferas de governo.

A partir de outubro de 2019, a Codesp iniciou um processo de remodelagem de sua marca, passando a adotar o nome fantasia Santos Port Authority (SPA). Em março de 2020, a empresa alterou também sua razão social, para "Autoridade Portuária de Santos".

Incêndios. Em 18 de outubro de 2013, ocorreu o pior incêndio da história do Porto até aquela data. As chamas se iniciaram no sistema de esteiras de transporte de dois armazéns de açúcar da empresa Copersucar, deixando quatro trabalhadores feridos e queimando cerca de 180 mil toneladas de açúcar. Foram necessários dez caminhões do Corpo de Bombeiros, um caminhão da Petrobras, dois carros da Guarda Portuária, um helicóptero Águia da Polícia Militar e uma equipe vindo de São Paulo para combater o fogo. O açúcar carbonizado junto com a água utilizada no combate ao incêndio atingiram o estuário de Santos, contaminando as águas e matando milhares de peixes.

No ano seguinte, dia 03 de agosto de 2014, um incêndio de grandes proporções atingiu outro armazém de açúcar no Porto de Santos. O armazém X (terminal 19), operado pela Rumo Logística do grupo Cosan, tinha capacidade para estocar 18 mil toneladas de açúcar, sendo que 15 mil toneladas estavam armazenadas e foram completamente destruídas pelas chamas. As chamas iniciadas pela tarde, só foram extintas na madrugada do dia seguinte, após a atuação de doze caminhões do corpo de bombeiros. Cerca de 100 funcionários trabalhavam no local durante o acidente, mas ninguém foi ferido.

Cerca de dois meses depois, no dia 20 de outubro de 2014, outro incêndio destruiu um armazém inteiro de açúcar da empresa Cargill na margem esquerda do Porto de Santos no Guarujá. As chamas foram controladas pelos bombeiros antes de atingirem outro armazém. Nenhuma pessoa foi ferida no acidente.

No dia 2 de abril de 2015, principiou um incêndio em um dos terminais de armazenamento de combustíveis e fertilizantes líquidos no complexo da Alemoa. Os tanques onde ocorreu o incêndio são ligados por dutos ao terminal portuário e pertenciam à empresa Ultracargo. As chamas duraram mais de uma semana, e durante este período a água utilizada no combate ao incêndio, contaminada com combustível e outros produtos químicos, fluiu para o estuário, causando alteração da temperatura e saturação do oxigênio, o que causou a morte de milhares de peixes. Apesar de não ter havido registro de vítimas, foi um dos maiores e mais longos incêndios a acometer o complexo portuário.[33] O combate à ocorrência teve ajuda federal da FAB e da Infraero, sendo inclusive utilizada uma espuma especial gelatinosa conhecida como cold fire, que foi fornecida pela Petrobras, específica para o combate a incêndios em combustíveis.



Estrutura física. O estuário do Porto de Santos é um braço d'água natural, no qual foram instalados os terminais de carga. Sua margem direita compreende a área insular da cidade de Santos, e sua margem esquerda, parte de Cubatão, a área continental de Santos e a Ilha de Santo Amaro, que compõe o município do Guarujá. Não houve aterramentos ou expansões físicas da estrutura terrestre, com a exceção dos atuais terminais açucareiros, localizados na área de Paquetá-Outeirinhos.

A profundidade natural do estuário de Santos é de 6 metros. Para viabilizar o acesso de navios de maior calado, é necessária a realização constante de esforços de dragagem. Em 2018, o calado permitido para a atracação de embarcações é de 13m.

O Porto Organizado possui 66 berços de atracação, distribuídos entre 15 Km de cais e suas duas margens, nos quais operam os diversos operadores portuários de Santos. O Complexo Portuário de Santos é composto pelo Porto Organizado de Santos, administrado pela SPA, e por cinco Terminais de Uso Privado (TUP):

Terminais de uso privado (TUPs)
TUP DP World Santos
TUP Sucocítrico Cutrale
TUP Dow Brasil Sudeste (Terminal Marítimo Dow)
Terminal Integrador Portuário Luiz Antônio Mesquita (Tiplam)
TUP Saipem

Porto Organizado de Santos margem direita (Santos)

Terminais de Granéis Líquidos da Alamoa Brasil
Terminal Portuário (BTP)
Cais do Saboó
Cais do Valongo
Cais do Paquetá
Cais de Outeirinhos (Terminais Açucareiros)
Cais de Outeirinhos (Terminais da Curva 23)
Cais de Outeirinhos (Seção Sul)
Cais do Macuco

Terminais da Ponta da Praia

Porto Organizado de Santos margem esquerda (Guarujá)

Terminal de Veículos de Santos (TEV)
Terminal de Contêineres (Tecon) da Santos Brasil
Terminais de Granéis Líquidos da Ilha Barnabé
Terminais de Granéis Sólidos da Conceiçãozinha


BERÇOS DE ATRACAÇÃO

Acessibilidade

Distante cerca de 70 quilômetros da cidade de São Paulo, o porto é servido por ligações ferroviárias, rodoviárias e dutoviárias. O sistema de acessos terrestres diretos ao porto é formado por três modais: rodoviário, pelas rodovias do complexo Anchieta-Imigrantes e pela Rio-Santos; ferroviário, por duas malhas que são operadas pelas empresas Rumo Logística (malha sul) e MRS Logística, (malha norte); e dutoviário, estando integrado ao sistema de dutos da Transpetro. De acordo com suas atribuições de prover infraestrutura de acesso terrestre e aquaviária, a Codesp mantém e investe nas infraestruturas relativas a estes acessos. O complexo portuário possui 100 quilômetros de malha ferroviária interna (dentro do Porto Organizado), operada pela Portofer Transportes Ferroviários. O modal ferroviário responde por cerca de 27% da movimentação de cargas, em particular cargas derivadas do agronegócio (soja, milho, açúcar, celulose, fertilizantes, café, etc.), das quais 53% se utilizam deste modal. A Autoridade Portuária também é responsável pelo sistema conhecido como avenidas perimetrais, que busca garantir a qualidade dos acessos rodoviários, evitar conflitos com o fluxo urbano e evitar entroncamentos rodo-ferroviários. Da mesma forma, realiza também os esforços de dragagem de aprofundamento e manutenção, de forma a permitir o acesso de navios com o calado operacional necessário.

Movimentação de cargas


Terminal de contêineres na margem do Guarujá. 


Em 2016, o Porto de Santos foi considerado o 39º maior porto do mundo por movimentação de contêineres, e 35º por tonelagem, segundo ranking da AAPA — Associação Americana de Autoridades Portuárias, sendo o mais movimentado da América Latina. O porto recebe navios de contêineres com capacidade de até de 11 mil TEUs.

O perfil de carga do Porto de Santos, segundo dados de 2017, é de aproximadamente 47% granel sólido (soja, açúcar, milho, café, fertilizantes, etc.); 39% carga geral (contêineres, cargas de projeto, veículos); e 14% granel líquido (óleos vegetais, petroquímicos, gases, etc). O movimento acumulado de 2017 em tonelagem atingiu 129 865 022 toneladas, sendo 36 307 745 t de importações e 93 557 277 t de exportações. A movimentação de contêineres acumulou 2 495 397 unidades, representando 3 853 719 TEU, dos quais 1 259 163 unidades (1 947 082 TEU) foram importadas, e 1 236 234 unidades (1 906 637 TEU), exportadas. Em toneladas, a movimentação geral de cargas conteinerizadas totalizou 44 534 271 t.

Os distritos industriais da Grande São Paulo e o complexo industrial de Cubatão devem grande parte de sua existência à proximidade ao Porto de Santos. O município de Cubatão tem acesso direto ao mar por meio do Canal de Piaçaguera, braço aquático que conecta o canal de navegação do porto aos Terminais de Uso Privado (TUPs) lá instalados — como é o caso da siderúrgica USIMINAS, de Minas Gerais, e do TIPLAM, terminal da VLI Multimodal S.A.

Tarifa portuária. A Autoridade Portuária tem a responsabilidade de prover infraestrutura de acesso terrestre e marítimo, bem como outras garantias contratuais, e cobra tarifas e taxas de seus arrendatários pela utilização dessa estrutura. Os arrendamentos são viabilizados por meio de licitações públicas, e ao término dos contratos, os bens vinculados aos espaços arrendados revertem ao patrimônio da União. Em contrapartida, cobra taxas e tarifas pelos serviços ou vantagens auferidos de sua atuação.



A praticagem no Porto de Santos, o maior porto da América Latina, desempenha um papel crucial na segurança e eficiência das operações marítimas. Vamos explorar alguns detalhes sobre a praticagem nesse contexto. É um serviço de assessoria náutica prestado por práticos altamente treinados e experientes. Esses profissionais auxiliam os navios durante suas manobras de entrada e saída nos portos, garantindo a segurança da navegação. No Porto de Santos, a praticagem é essencial para lidar com as complexidades da entrada e saída de embarcações em uma área com 67 pontos de atracação distribuídos ao longo de 16 quilômetros de cais1. A Santos Pilots é uma empresa de praticagem que atua no Porto de Santos. Ela oferece serviços especializados para garantir a segurança e eficiência das manobras de navios. Além disso, a Santos Pilots fornece informações sobre as condições meteorológicas e as manobras realizadas no porto. A operação de praticagem no Brasil remonta à abertura dos portos com D. João VI. Em Santos, a organização dessa profissão começou em 1870. A regulamentação oficial da praticagem ocorreu em 1961, e a Marinha do Brasil tornou-se o órgão gestor dessa profissão. Condições Meteorológicas e Operações  afetam diretamente as operações no Porto de Santos. Por exemplo, rajadas de vento e ondas podem interromper as atividades portuárias. Acompanhar as informações meteorológicas é fundamental para garantir a segurança das manobras e a eficiência das operações.Em resumo, a praticagem é um elemento vital para o funcionamento seguro e eficiente do Porto de Santos, contribuindo para o sucesso do comércio marítimo na região.


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Calixto e as Capitanias Paulistas. Além de refinado pintor, responsável por importantes telas que compõem a memória iconográfica da Baixada Santista, Benedicto Calixto foi também historiador e produziu várias obras no gênero, como esta, Capitanias Paulistas, impressa em 1927 (segunda edição, revista e melhorada, pouco após o seu falecimento) na capital paulista por Casa Duprat e Casa Mayença (reunidas).  O exemplar, com 310 páginas, foi cedido a Novo Milênio para digitalização pela Biblioteca Pública Alberto Sousa, de Santos, através da bibliotecária Bettina Maura Nogueira de Sá, em maio de 2010.

 A OBRA  DE BENEDITO CALIXTO

ACERVO DO MUSEU PAULISTA


Esta é uma lista de pinturas de Benedito Calixto de Jesus disponíveis no acervo do Museu Paulista. Benedito Calixto foi um artista brasileiro, nascido na cidade de Itanhaém (antiga Conceição de Itanhaém), localizada na Baixada Santista no estado de São Paulo, no ano de 1853. Ele faleceu na cidade de São Paulo, em 1927. No final de século XIX e início do século XX, foi considerado ao lado de Almeida Júnior, Pedro Alexandrino e Oscar Pereira da Silva como um dos grandes influenciadores das artes plásticas do cenário paulista. Calixto trabalhou sob encomenda do diretor do Museu Paulista, Afonso d'Escragnolle Taunay, especialmente na reprodução em pinturas de fotografias de Militão Augusto de Azevedo. As imagens no acervo do Museu Paulista, que compõem a Coleção Benedito Calixto de Jesus (CBCJ), retratam paisagens urbanas da cidade de São Paulo, da Baixada Santista e de cidades do interior do estado de São Paulo. Dentre os quadros de destaque na coleção do Museu Paulista estão "Inundação da Várzea do Carmo, 1892", em que Benedito Calixto registra o limite industrial de São Paulo, destacando edificações associadas à indústria do café. Esse quadro, assim como outros desse pintor, é considerado um "verdadeiro documento de época".

Ver também neste blog: Itanhaém e Álbum de Pinturas e Fotos


Fundação de São Vicente. Óleo sobre tela. 188 x 379 cm. 1900

Fundação de São Vicente em 1532. Pintura de Benedito Calixto de Jesus, (1900). Acervo do Museu do Ipiranga, São Paulo.

A imagem foi idealizada no ano de 1900 sob encomenda e reproduz como teria sido a ocupação de São Vicente (localizada na microrregião de Santos - São Paulo, Brasil), com a chegada de portugueses liderados por Martim Afonso de Sousa.

Na composição da imagem, observa-se a chegada dos portugueses através da expedição de Martim Afonso de Souza e o seu contato inicial com os índios. Diferentes peças de roupas, objetos e forma social de comportamento são determinantes na obra, assim como a vegetação. A celebração do IV Centenário do Descobrimento foi o momento escolhido pelo pintor para realizar sua obra.

A tela pressupõe três tipos sociais: índios, brancos colonizadores (portugueses) e os representantes da Igreja Católica, que levam a cruz para as terras brasileiras. Tendo Santos como interesse primordial ao produzir suas obras, um dos principais objetivos de Benedito foi revelar uma tradição tipicamente paulista em suas pinturas, como "Fundação de São Vicente". Morando praticamente toda a vida no estado de São Paulo, a maior parte do tempo em São Vicente, buscou retratar o litoral brasileiro como ação patriótica, mostrando o mar, a fauna e a flora da região

Um dos mais destacados fildalgos portugueses do Século XVI, Martim Afonso de Sousa (1490-1564) estudou Matemática, Cosmografia e Navegação.

Iniciou sua carreira de homem de mar e guerra ao serviço de Portugal em 1531 na armada que El-Rei D. João III determinou mandar ao Brasil, cerca de 1530, indicado por seu primo-irmão D. Antônio de Ataíde, Conde da Castanheira. 

A historiografia tradicional brasileira encara sua expedição como a primeira expedição colonizadora. Levava Regimento para expulsar os franceses da costa brasileira, colocar padrões de posse desde o Rio Maranhão até ao Rio da Prata, o qual não alcançou em função de ter naufragado antes, e dividir a costa brasileira em capitanias medidas em léguas de costa que seguidamente El-Rei concederia a donatários.
Fundou em 22 de Janeiro de 1532 a primeira vila do Brasil, batizando-a de São Vicente, uma homenagem a São Vicente Mártir, por ser o dia consagrado a este santo, confirmando o nome dado por Gaspar de Lemos trinta anos antes, quando chegou àquela ilha, coincidentemente, em 22 de janeiro de 1502.

Graças às medidas tomadas por Martim Afonso de Sousa, São Vicente tornou-se a primeira vila e município do Brasil, visto que, no dia 22 de agosto de 1532, se elegeu a primeira câmara de vereadores.
Fundou a primeira vila nos moldes portugueses no Brasil: a vila de São Vicente. Em São Vicente, iniciou a cultura da cana-de-açúcar e ordenou a instalação do engenho dos Erasmos.

Na região do planalto, na aldeia de Piratininga governada pelo Cacique Tibiriçá fundaram os jesuítas, por ordem do Padre Manuel José da Nóbrega, o Colégio de S.Paulo, destinado à conversão dos índios, o qual esteve na origem da atual cidade de São Paulo.

Combateu corsários franceses no litoral e foi agraciado pela coroa portuguesa, sob o reinado de D. João III, como capitão-donatário de dois lotes de terras no Brasil: os dois lotes da capitania de São Vicente. Desde outubro de 1532, recebera comunicação do rei de que o imenso território seria dividido em extensas faixas de terras: as capitanias hereditárias. Na ocasião, foram-lhe doadas cem léguas na costa e recebeu autorização de retornar a Lisboa."

Seus feitos no Brasil são mencionados nos "Lusiadas" de Camões: "Das mãos do teu Estêvão vem tomar/ As rédeas um, que já será ilustrado/ No Brasil, com vencer e castigar/ O pirata Francês ao mar usado/ Despois, Capitão-mor do Índico mar, O muro de Damão, soberbo e armado, Escala e primeiro entra a porta aberta, Que fogo e frechas mil terão coberta: o Poeta refere-se a Dom Martim Afonso de Sousa, Primeiro Donatário da Capitania de São Vicente, devido ao fato de ter vencido e castigado piratas franceses muito experientes nas coisas do mar."

Foi a ação deste ilustre calipolense que marcou a dinamização da exploração económica e da colonização do Brasil na sequência de vários embates vitoriosos com embarcações francesas, da introdução da cultura da cana-de-açúcar e da instalação de núcleos de povoamento em São Vicente.
Fonte: Terra de Santa Cruz




O PRIMEIRO RICO DE SÃO PAULO. Segundo Jorge Caldeira, o português, judeu, degradado e vicentino João Ramalho foi o primeiro home rico de São Paulo, tornando-se o símbolo da cidade, onde foi vereador e influente homem de negócios, em todo o planalto de Piratininga. Foi casado com a filha do Cacique dos guaianases e deixou milhares de descendentes mamelucos, fruto de outros relacionamentos sentimentais e políticos.

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ESPECIAL 100 ANOS
A GUERRA CIVIL PAULISTA DE 1924



A Revolta de 1924 em São Paulo (também chamada de Revolta Paulista, Revolução ou Movimento de 1924, Segundo 5 de Julho e Rebelião de 1924 em São Paulo) foi um conflito brasileiro com características de guerra civil, deflagrado por militares tenentistas para derrubar o governo federal de Artur Bernardes. Iniciado na cidade de São Paulo em 5 de julho, o movimento expandiu-se ao interior e inspirou levantes em outros estados. O combate urbano concluiu numa vitória legalista em 28 de julho. A retirada dos rebeldes, até setembro, deu continuidade ao movimento com a Campanha do Paraná.

O núcleo conspiratório por trás da revolta era de oficiais do Exército, veteranos da Revolta dos 18 do Forte, de 1922, aos quais se associaram militares da Força Pública de São Paulo, baixas patentes e civis, todos inimigos do sistema político da República Velha. Eles escolheram o general reformado Isidoro Dias Lopes como seu comandante e planejaram um movimento de dimensão nacional, começando com a ocupação em poucas horas de São Paulo, cortando um dos braços das oligarquias que dominavam o país na política do café com leite. O plano desandou, houve menos adesões do que o esperado e os legalistas resistiram no centro da cidade até 8 de julho, quando o governador Carlos de Campos retirou-se para a estação de Guaiaúna, na periferia. O governo federal concentrou grande parte do poder de combate do país na cidade, com uma vantagem numérica de cinco para um, e começou uma reconquista pelos bairros operários a leste e sul do centro, às ordens do general Eduardo Sócrates.

O maior parque industrial do país teve suas fábricas paralisadas pela luta, a mais intensa já travada dentro de uma cidade brasileira. Faltaram alimentos e, no vácuo de poder, começaram saques populares aos armazéns. Os legalistas desferiram um bombardeio indiscriminado de artilharia, com pesados danos para as residências, indústrias e os habitantes. Os civis foram a maioria dos mortos, e um terço dos habitantes tornaram-se refugiados. A elite econômica paulista, liderada por José Carlos de Macedo Soares, presidente da Associação Comercial, fez o possível para conservar suas propriedades e a ordem na cidade. Temendo uma revolução social, ela influenciou o distanciamento dos líderes da revolta a movimentos operários, como os anarquistas, que haviam oferecido seu apoio; Macedo Soares e outros também tentaram, sem sucesso, intermediar um cessar-fogo.

Sem perspectivas de sucesso em batalha, os rebeldes ainda tinham uma rota de fuga para o território ocupado de Campinas a Bauru, mas ela estava prestes a ser cortada por vitórias legalistas no eixo de Sorocaba. O exército revolucionário escapou do cerco iminente e transferiu-se às margens do rio Paraná. Após uma invasão frustrada ao sul de Mato Grosso (a Batalha de Três Lagoas), entrincheiraram-se no oeste do Paraná, onde se uniram a revoltosos do Rio Grande do Sul para formar a Coluna Miguel Costa-Prestes. O governo restabeleceu o estado de sítio e intensificou a repressão política, prenunciando o aparato usado mais tarde pelo Estado Novo e a ditadura militar; em São Paulo, criou-se uma Delegacia de Ordem Política e Social (Deops). Apesar da dimensão dos combates, da destruição causada e das consequências políticas, o movimento ganhou o apelido de “Revolução Esquecida” e não tem comemorações públicas equivalentes às realizadas para a Revolução Constitucionalista de 1932.

A causa tenentista. Tenentes e oficiais superiores do Exército Brasileiro, veteranos da revolta tenentista de 1922, foram o núcleo inicial das revoltas seguintes, incluindo a de São Paulo em 1924. A participação dos mesmos indivíduos deu continuidade de um movimento a outro, mesmo com novas adesões e pautas na revolta de 1924. O movimento também abrangia patentes inferiores do Exército, militares da Força Pública de São Paulo e civis. A historiografia aborda os tenentistas como representantes de setores da sociedade (oligarquias dissidentes, classes médias) e também como resultado da dinâmica interna do Exército Mais preocupados com a honra militar em 1922, dois anos depois os tenentistas já desenvolviam uma visão política para além das questões corporativas.

Esses revoltosos ou revolucionários são mais facilmente definidos pelo que eram contra do que a favor O movimento de 1922 queria impedir a posse de Artur Bernardes na Presidência da República; como isto falhou, o movimento de 1924 queria tirá-lo do cargo. A questão não era tanto o presidente em si, mas o que ele representava: a hegemonia das oligarquias agrárias de São Paulo e Minas Gerais na política nacional (a “política do café com leite”), o poder do coronelismo local, a fraude eleitoral, a corrupção, o compadrio e o favoritismo nos negócios públicos, características da política na República Velha.

Indignava-os o que chamavam de “espírito de vingança” de Artur Bernardes, perseguindo os integrantes da Reação Republicana, a coalizão que o enfrentou na eleição de 1922. O presidente submeteu o Rio de Janeiro à intervenção federal e a Bahia ao estado de sítio. No Rio Grande do Sul, impediu a reeleição de Borges de Medeiros como parte do Pacto de Pedras Altas, que concluiu a Revolução de 1923. O governo tinha tendência autoritária, começando o mandato sob estado de sítio e renovando-o até dezembro de 1923. Os revoltosos de 1922 foram submetidos a um processo rigoroso e arbitrário na Justiça. O Exército, acreditavam os tenentistas, era usado como guarda pretoriana pelo presidente da República, escudando atos de legalidade duvidosa (como a intervenção no Rio de Janeiro) a pretexto de respeitar a disciplina e a hierarquia.

Ao contrário de dois anos antes, os revoltosos de 1924 fizeram questão de expor em manifestos e folhetins algumas propostas para o novo regime. Sua ambição era a “República que não foi”, o retorno a um ideal que teria existido na Proclamação da República. Para isso, quebrariam o domínio das oligarquias sobre o eleitorado. O terceiro dos manifestos publicados durante a revolta[e] defendia uma reforma do Judiciário, dando-lhe independência do Executivo; a educação pública; e o voto secreto com censo alto. A ideia era erradicar o analfabetismo, mas enquanto isso não fosse possível, o voto seria limitado aos mais esclarecidos.

Essa ideia foi levada mais longe num rascunho não publicado, propondo uma “Ditadura” até que 60% da população estivesse alfabetizada, e então seria convocada uma Constituinte. Este documento não necessariamente representava a opinião geral, mas demonstra a influência de alguns pensadores autoritários do período, como Oliveira Viana, para o qual um Estado forte seria necessário para preparar a população para o liberalismo. Outros conspiradores pensavam no corporativismo. Havia uma diversidade de reformas pensadas, mas elas não formavam um projeto coeso.
Nem todos os participantes tinham motivação ideológica; para alguns, o importante era seus compromissos pessoais, demandas econômicas ou a insatisfação com a carreira militar.


A opção pela luta armada. Não se sabe ao certo quando se iniciaram conspirações para uma segunda revolta tenentista, mas em agosto de 1922 já havia aproximações no Rio de Janeiro, e no mesmo período, em Itu, em São Paulo. A atmosfera era tensa e circulavam boatos sobre novos levantes. Alguns oficiais revoltosos de 1922 davam o assunto por encerrado, e outros, embora inconformados, aguardavam os resultados do processo judicial. Enquanto isso, em 1923 a revolução no Rio Grande do Sul e a reabertura do Clube Militar reacenderam as discussões político-militares. Muitos revoltosos aguardavam a sentença longe do Rio de Janeiro, em condições de se incorporar à conspiração.

Em dezembro de 1923 a Justiça se pronunciou, enquadrando os participantes no artigo 107 do Código Penal (“mudar por meios violentos a Constituição política da República ou a forma de governo estabelecida”). Havia até então a expectativa de anistia;[39] esse procedimento era tradicional nas revoltas militares anteriores. Justamente por isso, o governo queria desincentivar novas revoltas. Sua recusa em conceder a anistia foi considerada mais uma medida vingativa.

Dos 50 oficiais enquadrados, 22 já estavam presos e 17, decepcionados, se entregaram. Os outros 11 ficaram como desertores, destacando-se os capitães Joaquim Távora, Juarez Távora e Otávio Muniz Guimarães e os tenentes Vitor César da Cunha Cruz, Stênio Caio de Albuquerque Lima, Ricardo Henrique Holl e Eduardo Gomes. Estes e outros oficiais presos, exilados ou clandestinos formaram um núcleo de revolucionários profissionais, para os quais a luta armada parecia a única opção restante. Ela precisaria ser mais sofisticada que o movimento anterior, sem a improvisação e os simples golpes de quartel. O objetivo final permanecia a tomada do poder no Rio de Janeiro.

Nos últimos meses de 1923, alguns conspiradores já sondavam a possibilidade de uma intentona no sul. Em dezembro, um plano para prender o ministro da Guerra Setembrino de Carvalho em sua passagem por Ponta Grossa, no Paraná, foi descoberto pelas autoridades. Este plano possivelmente seria simultâneo a um golpe de Estado no Rio de Janeiro, liderado pelo coronel Valdomiro Lima. O governo já esperava uma revolta, embora não particularmente em São Paulo. Ao longo de vários meses, o Presidente da República já lia informes reservados sobre a conspiração. Para desarticular o movimento, oficiais eram presos ou transferidos de guarnição, o que foi até certo ponto contraproducente, disseminando levantes para regiões distantes. Para demonstrar sua força, o governo frequentemente colocava as tropas de prontidão, impedindo a saída dos oficiais de seus postos

Preparação da revolta. A escolha de São Paulo. O movimento pretendido pelos conspiradores teria dimensão nacional, culminando no Rio de Janeiro. O ponto de partida, São Paulo, era o resultado circunstancial do planejamento militar. Portanto, o movimento de 1924 não foi uma revolta paulista. A iniciativa foi de forasteiros, e eles pouco se importavam com as lutas políticas paulistas.

No Rio, maior polo militar do país, a vigilância e a delação eram constantes, impedindo que fosse o ponto de partida. A polícia política da capital, representada pela 4.ª Delegacia Auxiliar, era bem articulada, e o Chefe de Polícia era o marechal Carneiro da Fontoura, escolhido por Artur Bernardes no lugar dos tradicionais bacharéis em Direito. Em contraste, o aparato policial era mais fraco em São Paulo, onde o governo estadual confiava excessivamente na sua Força Pública, à época mais forte do que a guarnição federal no seu estado. A possibilidade de sublevar essa corporação foi um fator decisivo na escolha. O número de adesões, no Exército e na Força Pública, e a correlação de força militar pareciam favoráveis.

O rápido crescimento de São Paulo dificultava a identificação de conspiradores e foragido. Os cerca de 700 mil habitantes em 1924 eram dez vezes mais do que os 65 000 presentes em 1890. A cidade era a capital do estado mais rico do país, centro das atividades comerciais e bancárias ligadas ao café. Inicialmente vinculada à cafeicultura, a acelerada industrialização atraía muitos imigrantes, a ponto de os estrangeiros e seus descendentes representarem mais da metade da população. O urbanismo e a arquitetura imitavam as metrópoles europeias, enquanto os bairros pobres expandiam-se sem planejamento na periferia.

São Paulo tinha as melhores comunicações ferroviárias do país, através das quais a capital federal poderia ser alcançada em poucas horas. 22% da rede ferroviária nacional concentrava-se em São Paulo no início da década, e sua capital era o entroncamento para o qual a Companhia Paulista, Mogiana, Sorocabana, Santos-Jundiaí, Noroeste do Brasil e Central do Brasil convergiam. Sua queda teria imensa repercussão nacional, cortando o braço forte do governo federal e da política do café com leite, e garantindo para o movimento “enormes recursos bélicos, econômicos e políticos”.
Na política estadual, dominada pelo Partido Republicano Paulista, o momento era delicado. O governador Washington Luís havia forçado Carlos de Campos como seu sucessor, em detrimento do senador Álvaro de Carvalho, gerando descontentamento. A alta artificial do preço do café, gerando carestia, originou greves operárias para exigir reajustes salariais. Desde a greve geral de 1917, a chamada “questão social” era uma grande preocupação.


Isidoro Dias Lopes (esq.) e Miguel Costa (dir.)

Rede de conspiração. Os conspiradores clandestinos viviam em empregos civis, sob identidades falsas Para alistar novos aliados, incluindo oficiais na ativa, eles recorriam a seus parentes e a contatos construídos na Escola Militar do Realengo e nos quartéis, prisões e vizinhanças. Era normal que os revoltosos fossem colegas na Escola Militar, e muitos outros se conheceram quando presos. As lideranças viajaram por quartéis da maior parte do Sul e Sudeste para angariar apoio. O comitê central revolucionário tinha um plano de aliciamento de oficiais, que no caso de São Paulo, começou a ser implementado em agosto de 1923. Os conspiradores presos no Rio de Janeiro tinham bastante liberdade e correspondiam-se com seus companheiros em São Paulo.

As reuniões eram realizadas nos próprios quartéis ou em residências particulares; festividades também davam cobertura aos contatos. Em São Paulo, a casa do tenente Custódio de Oliveira na rua Vauthier, no Pari, servia de “QG Revolucionário”. Ali morava clandestinamente Joaquim Távora, considerado por João Alberto Lins de Barros como a “bandeira, cérebro e alma do movimento em sua fase inicial”. As reuniões eram frequentadas, entre outros, pelo major Cabral Velho, fiscal do 6.º Regimento de Infantaria, de Caçapava, o capitão Newton Estillac Leal, chefe de material bélico da 2.ª Região Militar, e os tenentes Asdrúbal Gwyer de Azevedo e Luís Cordeiro de Castro Afilhado, do 4.º Batalhão de Caçadores. Custódio de Oliveira também alugava uma casa na Estrada da Boiada, onde os conspiradores escondiam armas desviadas dos quartéis.

Outras articulações ocorriam na Travessa da Fábrica, na Sé, residência dos desertores Henrique Ricardo Holl e Victor César da Cunha Cruz. Um quartel de intensa atividade foi o 4.º Regimento de Artilharia Montado (RAM), de Itu, comandado pelo major Bertoldo Klinger, oficial de grande prestígio, que chegou a concordar em assumir um papel no estado-maior revolucionário. Em 23 de dezembro de 1923 seu superior, o general Abílio de Noronha, comandante da 2.ª Região Militar, questionou a notícia de uma reunião secreta no quartel; em resposta, foi assegurado que todos os oficiais estavam dispersos para as festas de Natal e Ano Novo. O general, por isenção, não queria perseguir os oficiais foragidos vivendo clandestinamente na sua jurisdição.

Os conspiradores “estudaram” diversos oficiais de maior escalão da Força Pública. Desde 1922 o tenentismo já influenciava os oficiais dessa corporação, que acrescentavam ao movimento suas próprias pautas, como a equiparação de vencimentos ao dos oficiais do Exército. O grande trunfo dos tenentistas foi a adesão do major Miguel Costa, fiscal do Regimento de Cavalaria da Força Pública,[80] figura de prestígio dentro e fora da corporação e amigo de vários oficiais do Exército. Ele forneceu plantas de quartéis e edifícios públicos, participando ativamente do planejamento da ocupação da cidade.

Para chefiar a revolta, era preciso o prestígio de um oficial mais velho, papel desempenhado pelo marechal Hermes da Fonseca em 1922. Devido aos expurgos pós-1922, o corpo de oficiais de alta patente na ativa não tinha mais simpatizantes do movimento. O encontrado foi um reformado, o general Isidoro Dias Lopes, cumprindo as condições: era prestigiado, tinha habilidade política para atrair a confiança de civis e não estava envolvido em 1922. Outros nomes considerados foram os reformados Augusto Ximeno de Villeroy, Odílio Bacellar Randolfo de Melo e os oficiais da ativa Bertoldo Klinger e Miguel Costa. Os conspiradores no Rio de Janeiro consideravam Isidoro alheio à situação e preferiam Klinger.


Soldados da Força Pública de São Paulo

Baixas patentes e civis. A historiografia dá destaque aos tenentes e oficiais superiores na revolta, afirmando, por exemplo, que a propaganda revolucionária só foi feita entre a oficialidade; dali em diante, bastaria que os sargentos, cabos e soldados obedecessem. Mas o processo-crime aberto após a revolta evidencia a presença de sargentos dentro do núcleo conspiratório. Nesse processo, os sargentos são a maioria dos militares indiciados (59%) e condenados (47%); os tenentes estão em segundo lugar. Por outro lado, para a Justiça, as baixas patentes foram cúmplices, não cabeças do plano. As defesas dos sargentos justificavam a participação no movimento como simples obediência às ordens dos comandantes, às vezes por coerção, mas as promoções recebidas por vários dentro do exército revolucionário sugerem uma participação ativa.

O movimento era militar, articulado nos quartéis, mas por objetivar o poder, era de interesse fora da caserna. Os conspiradores entraram em contato com vários civis, contando com suas adesões para logo após o início da revolta. Houve dificuldade, pois conspirar fora da caserna era mais arriscado e havia preconceitos em relação aos civis. Para os defensores dessa aproximação, a presença dos civis é o que daria legitimidade ao movimento, distinguindo-o de uma mera quartelada.

Apesar das críticas tenentistas aos políticos profissionais, havia uma coincidência de interesses com a Reação Republicana, cujo líder, Nilo Peçanha, defendeu os revoltosos de 1922 e teve várias reuniões com Isidoro. Tentou-se cooptar alguns dissidentes da elite paulista, como Júlio de Mesquita e Vergueiro Steidel, mas eles não queriam uma revolução, menos ainda feita por elementos estranhos à sua classe. Para angariar apoio entre os operários, Isidoro usou Maurício de Lacerda e Everardo Dias como intermediários. Os conspiradores aproximaram-se do anarquista José Oiticica, do socialista Evaristo de Morais e da Confederação Sindicalista Cooperativista Brasileira.

Planejamento militar. Balanço das forças com as quais os conspiradores esperavam contar. Não obstante os improvisos na sua execução, o levante de 1924 foi planejado detalhada e longamente. Os conspiradores fizeram um balanço do apoio nos quartéis e, nos mapas, classificaram as unidades entre forças “amigas”, “que nos auxiliarão”, “de fácil adesão” e “inimigas”. Obedecendo a cronogramas rigorosos de deslocamento, essas forças concentrariam-se nos pontos estratégicos, controlando ou destruindo as conexões ferroviárias, telegráficas e telefônicas. A guerra seria violenta e decisiva; conforme o plano, “a astúcia e a mobilidade serão as armas preferíveis”. Enquanto as forças estivessem em inferioridade numérica, elas evitariam o combate direto.

Fora de São Paulo, o movimento era esperado em Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com apoios isolados em Mato Grosso, Goiás e no Rio de Janeiro. No Paraná, Juarez Távora estimava a adesão de 80% da guarnição, com oficiais suficientes para dominar o estado, simpatia dos praças e apoio civil. A 1.ª Região Militar como um todo, no Rio de Janeiro, era considerada hostil,mas havia ordens escritas para a unidade de Valença. Por motivos logísticos, não havia plano de revolta no Brasil setentrional.

Consta no plano que “o movimento revolucionário iniciar-se-á pela queda militar da cidade de São Paulo, que deverá consumar-se, necessariamente em algumas horas”. As unidades participantes seriam poucas, todas da cidade e dos arredores, para permitir um golpe rápido e inesperado, deixando sem reação os legalistas. O próximo grande objetivo seria Barra do Piraí, no interior do Rio de Janeiro, para onde correria, desde antes do amanhecer, a vanguarda comandada por Joaquim Távora. Ela consistiria num batalhão de 550 homens do 6.º Regimento de Infantaria, de Caçapava. Pelotões de reforço ficariam nos entroncamentos de Cruzeiro e Barra Mansa. Uma companhia seria destacada para além da estação de Santana, e outra para Entre Rios. Com a ajuda de elementos civis, as conexões telefônicas e telegráficas para Petrópolis e Além Paraíba seriam cortadas. Em 24 horas, os rebeldes concentrariam 3 870 homens em Barra do Piraí; em 36 horas, seriam 5.494. Eles estariam em controle dos desfiladeiros da Serra do Mar, por onde passavam as estradas de ferro Central, Auxiliar, Leopoldina e Oeste. O Distrito Federal ficaria isolado, mas o plano não esclarece como ele seria ocupado.

Em outras frentes, as unidades sublevadas deveriam reforçar a ofensiva contra o Rio de Janeiro, ou pelo menos distrair o governo. Para evitar uma invasão anfíbia legalista, seria preciso ocupar São Francisco do Sul, Paranaguá e Santos, ou no mínimo a Serra do Mar entre Santos e São Paulo. No Rio Grande do Sul, o objetivo seria impedir reforços legalistas de Porto Alegre para São Paulo.

A parte do plano referente à capital paulista. Em 1924 as lideranças da conspiração reuniram-se várias vezes em Jundiaí e São Paulo para marcar datas de início para o movimento. Essa definição, e os compromissos de quem começaria primeiro, foram complicados. Em 24 de fevereiro, uma facção liderada por Joaquim Távora defendeu um início em pouco tempo, enquanto outra facção, representada por Bertoldo Klinger, considerava a ação prematura. Prevalecia a facção de Távora.

A data escolhida, 28 de março, permitiria reagir à iminente intervenção federal na Bahia, onde se contava até com o apoio do governador J. J. Seabra. Conforme um dos documentos policiais, o próprio Seabra financiava os conspiradores. Mas a discussão das decisões coletivas era muito difícil, seja por inexperiência ou temor da repressão. O plano teve que ser adiado devido a Klinger, que desistiu da conspiração, e dúvidas sobre a adesão do 4.º Regimento de Infantaria. Para piorar, Klinger escreveu uma carta para Curitiba negando sua participação e dizendo não haver nada de concreto em São Paulo. Isto foi um desastre para a conspiração no Paraná; segundo Juarez Távora, o prejuízo foi em dobro, pois mais tarde as tropas paranaenses viriam combater os rebeldes. Seabra perdeu o governo baiano e Nilo Peçanha faleceu em 31 de março, dando mais um desânimo à conspiração. Sem poder contar com o sul, os esforços concentraram-se em São Paulo.

A essa época, rumores sobre a revolta já chegavam ao general Noronha, que exigiu compromissos de lealdade de seus comandantes. Enquanto isso, os conspiradores definiam novas datas, mas não usaram nenhuma por falta de garantias de uma ou outra unidade. A data de 26 de junho foi cancelada devido à prisão de diversos foragidos no Rio de Janeiro. A vigilância dos órgãos de segurança era cada vez mais forte. Por pouco os conspiradores não perderam duas unidades, o 2.º Grupo de Artilharia de Montanha e 5.º Batalhão de Caçadores, pois a remoção de seus comandantes foi solicitada por Abílio de Noronha ao Ministério da Guerra em 28 de junho. Antes que ela fosse realizada, a revolta se concretizou.

Em 30 de junho Joaquim Távora colocou os conspiradores em São Paulo em alerta, avisando-os da chegada iminente de “Severo” (Isidoro). Boatos de um levante no Rio de Janeiro surgiram em 2 de julho, mas eram apenas inspeções e transferências de militares para desbaratar a conspiração. No mesmo dia o major Carlos Reis, ex-chefe de segurança pessoal de Artur Bernardes, veio a São Paulo em missão especial. O general Estanislau Pamplona, comandante da artilharia no estado, determinou às baterias de Quitaúna que os exercícios fora do quartel não durariam mais de duas horas e não se aproximariam de São Paulo mais do que o bairro de Pinheiros. Em 3 de julho, o alto comando revolucionário marcou o início para a zero hora do dia 5. Esta data, definida no desespero, aproveitava o simbolismo do aniversário da revolta de 1922. Na noite de 4 de julho, Carlos de Campos conferenciou com oficiais do Exército e Força Pública para unificar as diversas informações desencontradas que ouviam sobre a conspiração.

Início da guerra urbana. Em 5 de julho não houve marcha para o Rio de Janeiro, e as adesões não ocorreram como planejadas. Em vez de algumas horas, a queda da cidade demorou quatro dias, até que o governador Carlos de Campos retirou-se para a estação de Guaiaúna, na periferia. De simples instrumento no plano dos conspiradores, a cidade tornou-se vítima da guerra urbana, a mais intensa na história do Brasil, com cenas que remetiam à Primeira Guerra Mundial.


Revoltosos no telhado do quartel do 1.º BFP, na Luz

Execução do plano. Às 04h30 da madrugada de 5 de julho, o general Noronha foi avisado que oficiais estranhos à guarnição haviam movimentado 80 praças do 4.º Batalhão de Caçadores (BC), em Santana. A notícia foi transmitida para o governo estadual e o Ministério da Guerra. A tropa sublevada foi conduzida à Luz, sede do principal complexo de quartéis da Força Pública, que foi ocupado, sem resistência, com a atuação interna de Miguel Costa. O general Isidoro instalou o comando revolucionário no quartel general da Força Pública, e o comando dessa corporação ficou com Miguel Costa. Destacamentos da Força Pública ocuparam as estações ferroviárias da Sorocabana, da Luz, do Norte e do Brás.

Nas primeiras horas desse movimento, oficiais revoltosos conseguiram várias vitórias sem disparar um tiro, mas para sua surpresa, os legalistas fizeram o mesmo. O general Noronha foi ao quartel do 4.º Batalhão da Força Pública (BFP), na Luz, onde mandou embora cerca de 30 soldados do 4.º BC — e eles obedeceram. Os oficiais legalistas que estavam presos foram libertos. O general Noronha foi preso pelos rebeldes quando retornava a seu quartel. Mas o estrago estava feito: Joaquim e Juarez Távora, Castro Afilhado e outros revoltosos, sem perceber que o batalhão mudara de lado, adentraram o prédio e foram presos.

Nas palavras de Juarez Távora, “todas as previsões laboriosamente discutidas e pesadas durante vários meses, se deveriam esboroar cruelmente, em algumas horas, sob a realidade de insignificantes imprevistos”. O 4.º Regimento de Infantaria (RI), de Quitaúna, deveria reforçar o movimento na capital, mas não foi sublevado pela ausência do contato interno, o tenente Custódio de Oliveira, cujas missões foram atrasadas pela demora na chegada de Isidoro à capital e por uma roda de canhão que passou sobre o seu pé. Os conspiradores esqueceram de cortar as comunicações telegráficas e telefônicas, e a Repartição do Telégrafo Nacional foi ocupada tardia e brevemente. O tenente Ari Cruz, responsável pela ocupação do prédio, fez a troca da guarda para uma companhia da Força Pública, sem perceber que esses “reforços” eram legalistas.


Atacantes ao Palácio dos Campos Elíseos posicionam uma metralhadora.

Em Santos, os envolvidos ficaram sem orientação, também por causa do atraso de Isidoro. Havia telegramas com ordens para o capitão tenente Soares de Pina, comandante da Escola de Aprendizes Marinheiros e do Tiro Naval de Santos, e para o tenente Luis Braga Mury, do 3.º Grupo de Artilharia de Costa do Forte de Itaipu, ambos na baixada Santista. Os telegramas foram interceptados, e os cabeças do levante, presos antes mesmo de recebê-los.

Para ocupar o Palácio do Governo, os conspiradores contavam com o tenente Villa Nova — na realidade, um informante do governo, O Palácio dos Campos Elíseos, residência do presidente estadual, tinha uma guarda de apenas 27 homens, mas eles já estavam avisados e conseguiram rechaçar uma primeira tentativa de ocupação, às 07h30.  Algumas horas depois os rebeldes bombardearam o Palácio, e no processo, erraram vários disparos e mataram civis nas redondezas. Carlos de Campos fez questão de permanecer no local, mesmo visado pelo inimigo, e recebeu um grande número de visitas.

Resultados da falha do plano.  Após esses contratempos, o comando revoltoso decidiu concentrar-se na luta dentro de São Paulo. Isto deu tempo ao governo federal para fechar o ramal de Itararé, a baixada Santista e o Vale do Paraíba. Em 6 de julho uma força-tarefa da Marinha, encabeçada pelo encouraçado Minas Gerais, aportou em Santos, e no dia seguinte o general Eduardo Sócrates, à frente de reforços legalistas de Minas Gerais e Rio de Janeiro, reunia seu estado-maior em Barra do Piraí. Ele firmou seu quartel general em Caçapava, mais tarde transferido a Mogi das Cruzes, com um posto de comando mais à frente em Guaiaúna. Legalistas do Exército ocuparam São Caetano, entre Santos e São Paulo.

Os combates disseminaram-se em São Paulo, aproximando-se do centro, por onde se disputaram o vale do Anhangabaú e os largos do Paissandu, Santa Ifigênia e São Bento. Grupos dispersos de combatentes lutavam pelo alto dos prédios e morros. No 4.º BFP, quarenta legalistas continuavam sitiados. Posições eram conquistadas e perdidas e a situação permanecia indefinida. Em 7 de julho, 70 legalistas atacaram o flanco sudeste do coração das forças revolucionárias, os quartéis da Luz. Eles foram repelidos e ficaram sitiados na usina da Light, onde ainda eram uma ameaça.

Na manhã de 5 de julho, ambos os lados tinham aproximadamente mil combatentes.Adesões fora de São Paulo, com efeito direto na luta, só ocorreram em alguns corpos da 2.ª Região Militar, e ainda assim, tardiamente. No dia 6 os legalistas receberam reforços do Exército, mas parte deles (o 6.º RI e uma companhia do 5.º RI) aderiram à revolta. Em 7 de julho os legalistas receberam novos reforços do Exército, da Força Pública e um contingente de marinheiros. Nenhum lado conseguiu superioridade numérica decisiva.

Consequências para a população

Populares contemplam o resultado do tiroteio na rua Florêncio de Abreu


A manhã de 5 de julho começou como qualquer outra para os civis, mas o barulho da fuzilaria logo assustou os habitantes do centro. Sair à rua nos locais conflagrados era perigoso demais, e por segurança, seus habitantes ficavam em casa. Muitos não conseguiam chegar a seu destino por conta dos combates. As trincheiras proliferaram-se na paisagem; ao todo, 309 foram construídas na cidade. A população desconhecia os chefes e objetivos da revolta, e era difícil identificar os combatentes dos dois lados; as fardas do Exército e da Força Pública tinham cores diferentes, mas havia rebeldes e legalistas em ambas as corporações. O ambiente de guerra no centro em 8 de julho foi assim descrito pelos jornalistas Paulo Duarte e Hormisdas Silva:

Não pudemos descer a ladeira de São João, rumo à Cruz Vermelha, na rua Líbero, por causa do tiroteio que as forças do capitão Guedes da Cunha sustentavam, do alto da ladeira, na praça Antônio Prado, com as forças revoltosas no largo do Paissandu. Pelo largo de São Bento, impossível passar. A fuzilaria aí era mais intensa. Deixamos o carro em frente à redação do Estado e, colados às paredes, aventuramo-nos ladeira abaixo. Algumas balas assobiaram em nosso entorno.

A matéria-prima para as fábricas e os gêneros alimentícios do interior dificilmente poderiam chegar, pois as estações de trem estavam ocupadas. Consequentemente, as fábricas paralisaram e a distribuição de mercadorias foi desorganizada. Quase tudo parava — a maior parte do comércio, os bondes, escolas e repartições públicas. Os telefones e o fornecimento de energia ainda funcionavam, mas precariamente. Os veículos particulares eram requisitados por ambos os lados, e civis eram recrutados à força. Poucos jornais circulavam, pois o papel, a energia e até o movimento dos funcionários eram limitações. Tanto o governo quanto os rebeldes censuraram a imprensa.

A 9 de julho o desabastecimento de alimentos já era sentido. As padarias não conseguiam farinha, e os leiteiros voltavam atrás quando encontravam trincheiras. Bares, restaurantes e cafés atendiam a portas fechadas, por medo de balas perdidas. A população tentava estocar o máximo de mantimentos, mas os armazéns só aceitavam pagamento em dinheiro, e o governo federal, temendo uma corrida aos bancos, decretou feriado até o dia 12.

Retirada do governo estadual


Barricada no Palácio do Governo, no Pátio do Colégio, abandonado pelos legalistas


Nos Campos Elíseos, os rebeldes conquistaram posições mais próximas ao Palácio em 7 de julho e no dia seguinte fizeram um novo bombardeio, dessa vez mais eficaz. Aconselhado pelo general Estanislau Pamplona a se retirar a um local mais seguro, Carlos de Campos dirigiu-se ao complexo de prédios governamentais do Pátio do Colégio, onde estavam concentrados policiais e marinheiros. Este local foi igualmente fustigado pela artilharia revoltosa, que não sabia da decisão do governador, mas percebia a concentração de oficiais de alta patente. Oswald de Andrade ironizou: “pela primeira vez na história militar, em vez da bala procurar o alvo, foi o alvo que procurou a bala”.

O governador novamente se retirou, desta vez para a estação ferroviária de Guaiaúna, na Penha, a última da Central do Brasil que ainda se comunicava com o Rio de Janeiro. Ali também estavam os reforços legalistas comandados pelo general Eduardo Sócrate O governador ficou alojado numa locomotiva especial pertencente à administração da estrada de ferro, servindo ao mesmo tempo de quartel-general ambulante e sede provisória do governo estadual.



Revoltosos no portão do 4.º BFP

A essa hora a moral na liderança rebelde estava no ponto mais baixo. O general Isidoro, constatando a exaustão da tropa e temendo deserções em massa, queria retirar todo o exército revolucionário para Jundiaí. Miguel Costa insistia em continuar a luta no terreno urbano ao qual a tropa estava acostumada. Isidoro ordenou a retirada para a manhã de 9 de julho, mas Miguel Costa passou a madrugada organizando as defesas. Ele escreveu uma carta ao governador, assumindo toda responsabilidade pelo levante e pedindo anistia em troca de sua rendição. Se suas condições não fossem aceitas, lutaria até o fim. Mas não havia ninguém para receber a carta; na manhã do dia 9, o Palácio estava vazio. As ruínas encheram-se de populares curiosos.

Não só o governador, como também as forças legais abandonaram suas posições ou se renderam. Isidoro, mesmo vitorioso, pensou em renunciar, ressentido com a insubordinação de Miguel Costa, mas este convenceu-o a permanecer à frente do movimento. Os rebeldes comemoraram esta reviravolta, considerada por Isidoro uma obra do acaso e não um feito militar. Muitos anos após o conflito, a decisão da retirada ainda era controversa; os rebeldes “tão certos estavam da derrota, e no entanto receberam, de mão beijada, o alvo que eles supunham inalcançável”. Conforme Abílio de Noronha, os líderes abandonaram a tropa, provocando uma retirada desordenada.

Ocupação de São Paulo


Após a saída do governo estadual, por um instante a cidade aparentou voltar à normalidade, pois as hostilidades foram momentaneamente interrompidas. Os rebeldes não aproveitaram a baixa moral de seus inimigos, no momento da retirada, e não levaram adiante seus planos de ofensiva. Se havia ilusão de que a cidade funcionaria normalmente, deixando-os tratar só da frente militar, ela se desfez. A cidade foi bombardeada, a população saqueou os armazéns e incêndios consumiram as fábricas. Além de resistir à nova ofensiva legalista, o comando revolucionário precisou lidar com o sofrimento da população e reorganizar o governo, cedendo responsabilidades a civis.

Vácuo de poder


Bônus de guerra emitido pelo “Governo Revolucionário do Brasil”

O general Isidoro proclamou-se chefe de um “governo provisório”. O governo estadual estava expulso de sua sede, mas isto não era o objetivo original dos revolucionários; se o Palácio dos Campos Elíseos tivesse sido ocupado sem resistência, eles possivelmente manteriam Carlos de Campos no poder. O general Isidoro declarou em um manifesto que a revolução não tinha objetivos regionais ou pessoais; o movimento era unicamente contra o governo federal. Dessa forma, o prefeito Firmiano de Morais Pinto foi mantido no cargo. Suas responsabilidades aumentaram, preenchendo a lacuna deixada pelo governo estadual. Esta atitude contrastou com a do Poder Legislativo municipal: os vereadores não se reuniram em nenhum momento durante o conflito.

Respeitar o mandato do prefeito demonstrava fraqueza, mas permitia aos rebeldes concentrar suas atenções na frente militar. Mais do que manobra tática, a decisão pode ser interpretada como coerência. Firmiano Pinto foi encarregado de oferecer a Fernando Prestes de Albuquerque, vice-presidente de São Paulo, para assumir no lugar do governador expulso dos Campos Elíseos. Prestes respondeu que “aceitaria o governo transmitido pelo dr. Carlos de Campos por sua livre vontade e nunca pelas mãos dos revolucionários”; o prefeito concordou. Esta recusa não era nenhuma surpresa; o vice-presidente era um poderoso coronel de Itapetininga, de conhecida fidelidade ao Partido Republicano Paulista, e estava organizando uma resistência legalista no interior. Os revoltosos ofereceram então o governo a José Carlos de Macedo Soares, presidente da Associação Comercial de São Paulo, num triunvirato com líderes tenentistas, mas ele recusou.

Saques ao comércio. As condições de vida continuaram a deteriorar. Inumeráveis mortos e feridos dão entrada nos hospitais de sangue. Acumula-se o lixo pelas ruas. Reina a imundície. Apesar da tabela reduzida de preços, para os gêneros alimentícios, campeia a fome, qual uma praga imobilizadora. (...) Em vários pontos da cidade, ostentam-se cavalos mortos e abandonados. Um cheiro pestilente invade o espaço, num prenúncio de epidemia, e tortura os olfatos...



Saque ao depósito da Companhia Puglisi

Esfomeadas, as famílias operárias perceberam a falta de policiamento. Em 9 de julho, uma onda de saques populares aos estabelecimentos comerciais começou nos bairros mais afastados (Mooca, Brás e Hipódromo), depois alcançando o centro. A prefeitura registrou 61 estabelecimentos saqueados, 6 saqueados e incendiados e 6 roubados ao longo do mês. Quase todos os depósitos, empórios e armazéns foram atacados. As firmas mais atingidas foram a Sociedade Anônima Scarpa, Matarazzo & Cia, Ernesto de Castro, Nazaré e Teixeira, Motores Marelli, Maheifuz & Cia, Moinho Gamba, Moinho Santista, Reickmann & Cia e J.M. Melo.

Bois embarcados num trem da Central do Brasil foram soltos, abatidos e esquartejados na rua. Nas fábricas e moinhos dos Matarazzo, no Brás, oradores italianos discursaram durante o saque, chamando os proprietários de “usurários e exploradores do povo”. Sobre esse caso, José Carlos de Macedo Soares relata que a multidão “carregou até a última tábua das prateleiras, arrebentando os vidros, inutilizando as balanças, os armários, as vitrinas, os balcões, tudo era partido e carregado”.

Os saques tinham uma dimensão moral, expressando a indignação popular com a alta dos preços e o descontentamento prévio com os patrões. Algumas das indústrias que sofreram os maiores saques, como a Matarazzo e Gamba, haviam passado por greves em janeiro e fevereiro do mesmo ano. Saquear era igualmente uma forma de matar a fome, e, para alguns, de conseguir lucros fáceis. Testemunhas viram todo tipo de produto sendo carregado, como louças, meias de seda, máquinas de escrever e fios elétricos, e não só alimentos. Mesmo A Plebe, periódico com visão menos negativa dos saques, notou “muita gente que aproveitou a ocasião sem estar necessitada, como também houve muito desperdício e estrago de víveres”.

Homens e mulheres participavam, e pouca coordenação e planejamento eram necessárias. Não se sabe ao certo quem os começou; eles podem ter sido um movimento espontâneo, mas algumas fontes atribuem seu início a João Cabanas, tenente do exército revolucionário. Em seu relato, Cabanas declara ter pego em flagrante e fuzilado dois saqueadores. Ao encontrar o Mercado Municipal cercado de uma multidão furiosa, ele mandou arrombar as portas e distribuir os gêneros aos pobres, tomando cuidado apenas para evitar abusos, o que não foi totalmente possível. Conforme o processo judicial, os rebeldes iniciaram saques para abastecer suas tropas, e os populares aproveitaram-se da oportunidade. Há relato de um saque popular apoiado pelo exército legalista em Vila Mariana.

Nesse sentido, houve uma aquiescência dos rebeldes com os ataques ao comércio, mas as lideranças distanciaram-se de quaisquer saques ou depredações, prometendo prender os desordeiros, e ao mesmo tempo, exigindo que os comerciantes não exagerassem nos preços. A cavalaria da Força Pública patrulhou as ruas, e soldados do Exército vigiaram os bancos, grandes empresas de exportação e representações diplomáticas. A Chefatura de Polícia Revolucionária, comandada pelo major Cabral Velho, exigiu a devolução dos itens saqueados, ameaçando prender os responsáveis com base em fotografias e denúncias.

Renovação dos combates. Primeiras manobras na periferia. Grande parte do poder de combate do país foi concentrado em São Paulo. Reforços legalistas do Exército e das Forças Públicas, oriundos de diversos estados, expandiram o exército legalista a 14–15 mil homens em meados do mês, armados com o equipamento mais moderno das Forças Armadas. Em comparação, os rebeldes tinham no máximo 3 a 3,5 mil combatentes efetivos, uma inferioridade numérica de um para cinco. Os legalistas organizavam-se numa divisão comandada pelo general Sócrates e composta de cinco brigadas de infantaria e uma de artilharia divisionária. Os rebeldes dividiam-se em quatro setores defensivos e duas flanco-guardas.

Os legalistas vinham do Rio de Janeiro, pela Central do Brasil, e de Santos pela São Paulo Railway, condicionando sua distribuição num semicírculo estendido do Ipiranga, ao sul, até Vila Maria, ao leste. A linha de frente recaía, então, nos bairros operários da periferia. Segundo o general Sócrates, as posições defensivas inimigas eram fortes. O general Noronha tinha opinião contrária, enfatizando a precariedade das barricadas de rua. Mas várias fontes enfatizam o valor defensivo de alguns pontos, notavelmente as fábricas.


Posição dos revoltosos na rua da Liberdade

No Ipiranga, a brigada Arlindo deixou seu flanco esquerdo exposto a um ataque vindo do Cambuci e Vila Mariana em 10 de julho, mas conseguiu repelir a ofensiva. Com seu flanco direito garantido por avanços da brigada Tertuliano Potiguara, na Mooca, a brigada Arlindo ocupou posições no Cambuci e Liberdade em 14 de julho, Enquanto isso, às margens do rio Tietê a brigada Florindo Ramos teve seu avanço bloqueado pelos defensores da Fábrica Maria Zélia.

Segundo Abílio de Noronha, a coordenação entre as brigadas legalistas foi muito precária, deixando flancos expostos a ataques dos rebeldes. Estes, aplicando o princípio de concentração de forças, mantinham grande parte do seu efetivo como uma reserva motorizada. Dessa forma, em 14 de julho a brigada Potiguara avançou demais, expôs seus flancos e foi obrigada a recuar. Isto expôs os flancos das brigadas Telles, à sua direita, e Arlindo, à sua esquerda. Até 16 de julho os ganhos da brigada Arlindo foram revertidos. Durante essa contraofensiva os rebeldes sofreram uma grande perda: Joaquim Távora foi mortalmente ferido no ataque ao quartel do 5.º BFP, na Liberdade.


Bombardeio legalista. Canhão de 75 mm
 

A artilharia foi a principal causa de morte do conflito. A vantagem material nesse armamento estava com o governo, que dispunha de canhões numerosos, mais modernos e de maior calibre. Contra cerca de 20 peças Krupp de 75 e 105 milímetros, os legalistas dispunham de mais de uma centena de bocas de fogo da Krupp, Schneider e Saint-Chamond, incluindo canhões de 155 milímetros. A artilharia dos revoltosos não conseguia competir com os canhões legalistas de alcance superior, bem posicionados nas elevações ao redor da cidade.

Em 8 a 9 de julho a artilharia legalista atacou a Luz, onde estava o quartel-general revolucionário, e o Brás. O bombardeio intensificou-se nos dias 10 a 11, atingindo também a Mooca e Belenzinho. Muitos outros bairros foram atingidos ao longo do mês, como a Liberdade, Aclimação, Vila Mariana, Vila Buarque, Campos Elíseos, Paraíso e Ipiranga. Os mais atingidos foram a Luz e os bairros operários do leste,[mas os bairros residenciais mais ricos, embora muito menos afetados, não foram poupados. O bombardeio era contínuo, de dia e de noite; em 22 de julho, chegou-se a contar 130 granadas de artilharia disparadas por hora.

Atingiram-se áreas densamente povoadas, desprovidas de alvos militares. As granadas desabavam paredes e telhados, dissolvendo o casario. O terror dominava a população, que se refugiava nos porões. Os civis eram a maioria dos mortos. Um caso emblemático foi o Teatro Olympia, no Brás: embora situado a meio quilômetro da trincheira mais próxima, ele foi atingido no dia 15, soterrando dezenas de famílias desabrigadas. O governo pareceu não se importar com os danos colaterais. Os rebeldes também mostraram pouco caso com mortes civis, mas causaram destruição muito menor.

Muitas indústrias foram danificadas, como a Companhia Antarctica Paulista, os Biscoitos Duchen e os Moinhos Gamba. O mais chocante foi o símbolo do poder industrial paulista, o Cotonifício Crespi, que abrigou tropas rebeldes e famílias desabrigadas. Ele foi incendiado até cinco vezes e parcialmente destruído. No dia 22, as colunas de fumaça eram visíveis a quilômetros de distância. Incêndios consumiram vários pontos da cidade, atribuídos tanto ao bombardeio quanto aos saques. O incêndio do Fórum Criminal pode ter sido uma destruição de registros, sem relação com o bombardeio.



Parede do Cotonifício Crespi

Militarmente, o bombardeio pode ter sido forma de desgastar progressivamente o inimigo e poupar as próprias tropas. Entretanto, ele teve pouco efeito sobre as defesas;[n] Abílio de Noronha avaliou-o como um ataque a esmo, sem regulação e correção de tiro, desobedecendo aos princípios de emprego da artilharia. O ministro da Guerra condenou seus inimigos por “combater sob a proteção moral da população civil”, mas prometeu que não causaria danos materiais inúteis. Carlos de Campos foi mais duro na retórica: “São Paulo prefere ver destruída sua bela capital antes do que destruída a legalidade no Brasil”.

Historiadores discutem o bombardeio como uma violência deliberada à população civil, um “bombardeio terrificante” ou “bombardeio à alemã”. Isto poderia ser uma forma de pressionar os rebeldes a deixarem a cidade, acelerando a capitulação,  Foi um retorno aos métodos brutais das guerras de Canudos e do Contestado, e/ou uma punição aos operários por sua associação com os rebeldes ou pelos saques. O direito internacional do período condenava o bombardeio indiscriminado, sem consideração pelos civis, como um crime de guerra. Nos anos após a revolta, a legalidade da decisão foi muito debatida entre juristas.

Êxodo populacional



Retorno dos refugiados ao final do conflito

Fugindo da violência, a população, especialmente das regiões mais bombardeadas, deslocou-se em massa a bairros mais distantes do centro, como Casa Verde, Lapa, Perdizes e Santo Amaro, e ao interior. A prefeitura registrou 42 315 pessoas abrigadas em hospitais, escolas, igrejas e outras instituições. Muitos outros desabrigados ficaram em barracões de lona.

257 981 refugiados foram contabilizados pela prefeitura, cerca de um terço dos 700 000 habitantes; existem cifras de até 300 000 refugiados. Comparando à população do município nos anos 2010, com 11 milhões de habitantes, seriam 4 milhões de refugiados. O principal destino era Campinas, com fluxos menores para Jundiaí, Itu, Rio Claro e até municípios mais distantes como Bauru. Os ricos preferiam suas fazendas ou Santos. Cidades como Campinas passaram a ter problemas de abastecimento.

O principal meio de transporte foi a ferrovia, usada por 212 385 refugiados, segundo a prefeitura. As conexões ferroviárias com o interior foram restabelecidas em 12 de julho, mas eram irregulares e arriscadas. Famílias amontoavam-se nas estações da Luz e Sorocabana, e os trens partiam com refugiados pendurados nas grades, do lado de fora dos vagões. Os refugiados saíam de toda forma possível: em automóveis, charretes, carroças ou a pé.

Relações com a sociedade. Elite econômica


Soldados rebeldes guardam uma sucursal do Banco do Brasil

Os bombardeios, incêndios e saques trouxeram muitos prejuízos à elite econômica paulista, e esta atuou ativamente para defender suas propriedades e evitar o colapso da cidade. Os rebeldes derrubaram o poder político (ou seja, o governador), mas ainda tinham que lidar com o poder econômico — o Centro Industrial, Sociedade Rural, Associação de Bancos e a Associação Comercial. Esta última declarou apoio a Carlos de Campos no início da revolta, mas cooperou com os rebeldes quando eles se tornaram a autoridade real na cidade.

Os saques foram grande fator de atrito entre os rebeldes e os banqueiros, fazendeiros, industriais e comerciantes. Policiar as ruas com soldados que poderiam estar na linha de frente não era de interesse da revolta. Em 10 de julho o general Isidoro compareceu a uma reunião da Associação Comercial, onde foi decidido que a prefeitura organizaria uma Guarda Municipal[ e uma Comissão de Abastecimento. A Guarda foi organizada com 981 voluntários, entre eles mais de uma centena de alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, a “Brigada Acadêmica”. Estas medidas atenuaram o problema dos saques.

O poder formal estava com o prefeito, mas as decisões mais importantes passaram a ser tomadas nas reuniões da Associação. Seu presidente, José Carlos de Macedo Soares, desenvolveu uma relação cordial com o general Isidoro e assumiu protagonismo entre os “cidadãos prestantes”, que para a Justiça desempenharam “serviços à coletividade, exercendo funções essenciais à manutenção da ordem, na ausência das autoridades legalmente constituídas”. Outro exemplo importante nesse grupo foi Júlio de Mesquita. Ele tinha críticas ao Partido Republicano Paulista, mas a colaboração sua e de outros representantes da elite, muito criticada por elementos mais legalistas como o vice-prefeito Luiz de Queirós, não significava uma adesão à revolta.

Em 11 de julho, a diretoria da Associação de Bancos discutiu com o general Isidoro a prorrogação dos feriados. Não havia rompimento financeiro; as operações financeiras não estavam sob o domínio dos rebeldes, que permitiram aos banqueiros negociar com o governo federal. Os industriais e comerciantes também queriam uma moratória, que consistiria na dilatação dos prazos para saldar os compromissos bancários, mas esta medida só foi concedida após o fim do conflito. A preocupação era a dificuldade de pagamento dos salários aos operários, o que poderia resultar em perturbações. A escassez do dinheiro era suplantada em parte pela circulação de bônus emitidos em nome da revolução.

Operários


Carro blindado fabricado para os rebeldes

A participação de operários na revolta, sob diversas formas, foi marcante. Pelo menos 102 ferroviários colaboraram com a logística dos rebeldes no interior. Nas oficinas ferroviárias em São Paulo, outros trabalhadores, direcionados por técnicos estrangeiros, improvisaram bombas, granadas, carros blindados e até um trem blindado.

Após 20 de julho, até 750 imigrantes alistaram-se no exército revolucionário, formando três batalhões estrangeiros (alemão, húngaro e italiano). Os voluntários eram em sua maioria operários que haviam perdido o salário devido à paralisação das fábricas. Alguns eram veteranos da Primeira Guerra Mundial, com experiências valiosas para a guerra em São Paulo. Os “mercenários” estrangeiros foram um dos elementos mais polêmicos da revolta; a imprensa legalista tachava-os de ameaça à população brasileira e associava-os à reputação de radicalismo político dos imigrantes.

Em geral, os trabalhadores aderiram de forma improvisada, como simples moradores e não como integrantes de organizações de classe. Alguns comícios convocados fora da classe operária tentaram mobilizar esse segmento da população, que, por sua vez, tentou incluir suas pautas nas demandas da revolta. Na sociedade civil organizada, o maior apoio, mesmo que apenas moral, veio de grêmios, sindicatos e associações dominadas pelos anarquistas e socialistas libertários em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em 15 de julho, alguns desses militantes pleitearam sua simpatia numa “Moção dos militantes operários ao Comitê das Forças Revolucionárias”, lembrando que o manifesto dos rebeldes havia dado garantias para as reivindicações da população. No Rio de Janeiro, a tipografia de Antônio Canellas, ex-dirigente do Partido Comunista Brasileiro, publicou o jornal pró-revolta. O 5 de Julho.

Receios de revolução



Numa fábrica dos Matarazzo, o “aniquilamento do poder industrial de S. Paulo”, prenunciando uma revolução, segundo José Carlos de Macedo Soares.

A guerra piorou as condições de vida dos operários, e o programa político dos tenentistas não oferecia reivindicações como o salário mínimo e a jornada de oito horas. Os anarquistas admitiam não ter a revolução com a qual sonhavam, mas viam potencial revolucionário no processo. Seu objetivo seria “uma revolução o mais nossa que seja possível”, nas palavras do periódico A Plebe, que tratou com otimismo os saques e a fuga da elite “temendo por uma vingança popular”. Os oradores insuflando os saques, e o voluntariado no exército revolucionário, também seriam indícios desse potencial. Em 1925, os comunistas também imaginaram a possibilidade de cooptar a revolução dos tenentistas, mas durante a Revolta Paulista, ainda optavam pela prudência, sem apoiar nem criticar o movimento.

Do outro lado do conflito, a radicalização ao ponto de uma revolução como a ocorrida na Rússia em 1917 era temida pelo governo federal, ciente do histórico de conflitos operários em São Paulo. Dentro da cidade, a agitação social, e não só os prejuízos imediatos, era o que motivava a Associação Comercial a manter a ordem e minimizar os danos da guerra. Nas palavras de Macedo Soares, “os operários agitam-se já e as aspirações bolchevistas manifestam-se abertamente. Será mais tarde pelos sem trabalho tentada com certeza a subversão da ordem social”.

Por esse motivo, a Associação Comercial e outros representantes da elite cobraram do governo federal a suspensão do bombardeio, e ao mesmo tempo, afastaram a liderança tenentista dos movimentos operários, alertando sobre a subversão e a guerra civil. Pressionadas, as lideranças ficaram divididas. O envolvimento de civis abastados era bem-vindo, enquanto o de operários era controverso; Isidoro era mais conservador nesse quesito, e Miguel Costa era menos. Como militares, os tenentistas faziam parte de uma instituição de repressão do Estado, e o envolvimento operário desvirtuava o que eles entendiam como a ordem. Prevaleceu a tendência mais elitista, e o movimento deu mais atenção aos comerciantes e autoridades políticas do que aos representantes operários.

Na almejada “revolução com ordem”, o apoio popular só poderia vir a favor de seu projeto político em específico, ou pelo menos, sem interferir nele. Por isso, recrutar os batalhões estrangeiros não foi um problema, mas quando os anarquistas se ofereceram para formar batalhões autônomos, sem a disciplina e ingerência militares, foram recusados pelo general Isidoro. Segundo o tenentista Nelson Tabajara de Oliveira, “isso desvirtuaria o motivo original do movimento”; “não lhes interessava portanto a presença de esquerdistas nos quadros combatentes, mesmo que viessem reforçar a revolução”. Anteriormente, no planejamento da revolta, os comunistas ofereceram-se para organizar guerrilhas, e foram igualmente rechaçados. Mais tarde em 1924, o comunista Octávio Brandão culpou essa atitude pela derrota, classificando-a como pequeno-burguesa, positivista e de visão especialista estreita.

Nível de apoio popular


Voluntário à paisana entre dois soldados rebeldes


Constava nos planos da revolta que “o apoio material e sobretudo moral do povo à Revolução é um fator importantíssimo de Vitória”. Embora o tenentismo seja considerado um movimento basicamente militar, o envolvimento civil na revolta foi amplo. Civis foram 61% dos indiciados na Justiça por participação no movimento, contra 29% de militares do Exército e 9% da Força Pública. Entre eles estavam muitos elementos da classe média, como professores, estudantes, comerciários e funcionários.

Afora esses participantes ativos, as opiniões dos observadores foram muito variadas, da aprovação à total condenação. Na literatura secundária, algumas fontes apresentam a reação popular como pouco cooperativa ou entusiasmada, com adesões mínimas. Outras descrevem apoio popular,e até uma crescente participação de massas. Motivos citados para a falta de apoio incluem o próprio desinteresse da liderança em negociar com o proletariado, e a necessidade de requisitar alimentos da população. Para a tese contrária, a revolta atraía todos os setores angustiados com a situação política e econômica, convencendo por afinidades ideológicas e pelo caráter moralizador do movimento. O bombardeio legalista criou antipatia às autoridades federais.

Evidências de apoio estão nas declarações à Justiça após a revolta, e em diversos relatos de fraternização nas trincheiras. Segundo o sapateiro Pedro Catalo, “em qualquer casa que esses soldados pedissem comida, café ou outros favores de emergência, eram atendidos com simpatia a entusiasmo”. Houve até modas de viola caipira exaltando Isidoro.

Em julho, Macedo Soares avaliou que a população “compara com azedume o tratamento generoso que tem recebido dos revolucionários com a desumanidade inútil do ininterrupto bombardeio”. Monteiro Lobato escreveu em agosto que “o estado de espírito do povo brasileiro é de franca revolta”, e a prova disso seria Carlos de Campos: “um governo cai integralmente, derruído em todas as suas peças, e ninguém surge a defendê-lo”. Numa carta aberta ao governador, ele e outros paulistas notórios, incluindo figuras do PRP, alertavam que “o legalismo não existe em privado”, e funcionários públicos, comerciantes, industriais e acadêmicos simpatizavam com a revolução.

Medidas humanitárias

Abate de gado para alimentar as forças legais e a população

A caridade pública garantiu a subsistência de parte da população. Antes mesmo da criação da Comissão de Abastecimento Público, a Cruz Vermelha, a Liga Nacionalista e outras instituições já prestavam serviços à população. A Comissão da prefeitura verificou os estoques de alimentos, combustível e lenha, tabelou os preços e organizou o transporte dos alimentos e da população para áreas mais seguras da cidade. A prefeitura identificou 182 postos de socorro, nos quais foram distribuídas 581 187 refeições. Um representante viajou a Santos, mas o almirante Penido, que comandava a cidade, vetou qualquer compra de alimentos.

Enquanto os incêndios ardiam, o Corpo de Bombeiros estava desmantelado, pois seus integrantes combateram no exército legalista e, após a retirada do governo estadual, haviam deixado a cidade ou ficado como prisioneiros. A pedido de Macedo Soares, o general Isidoro liberou esses prisioneiros, e a prefeitura conseguiu reorganizar o serviço em 25 de julho. O atendimento médico ocorria no Hospital Umberto Primo, Hospital Samaritano e Santa Casa de Misericórdia. O setor de limpeza pública enterrou ou incinerou os animais mortos, enquanto a Diretoria de Higiene da prefeitura organizou os sepultamentos. Os cadáveres coletados na cidade eram empilhados na garagem dos bondes da Vila Mariana, onde dezenas de pessoas inspecionavam cada corpo, à procura de seus familiares desaparecidos. O número de corpos excedia a capacidade de trabalho dos coveiros e a oferta de urnas mortuárias, a ponto de alguns serem enterrados enrolados em lençóis.


Interior de São Paulo
 
87 municípios paulistas tiveram registro de revolta, e outros 32, de manifestações de apoio. Dos municípios com revolta, em 21 ela começou pela iniciativa de civis. As elites políticas locais, pertencentes ao Partido Republicano Paulista, tendiam a apoiar o governo, a ponto de organizar batalhões patrióticos para combater a revolta. Mas os municípios eram muito dependentes do poder central, que deixou-os desamparados. A oportunidade foi ótima para dissidentes locais, muitos das quais associaram-se aos militares revoltosos. Os prefeitos e delegados de 35 municípios aderiram à revolta ou foram substituídos por “governadores” nomeados pelos militares.

Em 9 de julho os rebeldes já controlavam Itu, Jundiaí, Rio Claro e Campinas; os três primeiros municípios foram dominados pelas unidades locais do Exército quando aderiram à revolta. Por si só, Campinas já tinha grande valor como entroncamento ferroviário e base econômica. O vereador Álvaro Ribeiro, chefe da oposição municipal, foi nomeado governador da cidade e recebeu autoridade para intervir em outras.



Júlio Prestes (no meio, de terno), um dos legalistas do interior, entre a oficialidade dos batalhões patrióticos

Três brigadas legalistas foram enviadas para cortar a retaguarda da revolta: o general Azevedo Costa veio do Paraná, João Nepomuceno da Costa, de Mato Grosso, e Martins Pereira, de Minas Gerais. Em resposta, em 17–19 de julho o comando revolucionário enviou três destacamentos para as Estradas de Ferro Sorocabana, Mogiana e Paulista e Noroeste. Além desses três, grupos menores de sargentos e aliados civis ocuparam diversos municípios. Ao final do mês, os rebeldes ocuparam o triângulo entre São Paulo, Campinas e Sorocaba, além de um cone na direção de Bauru e Araraquara.

O objetivo mais valioso era Bauru, entroncamento ferroviário quase obrigatório na passagem para Mato Grosso, e onde havia também uma forte oposição local. Em 18 de julho a cidade foi ocupada pelo capitão Muniz Guimarães e sua coluna improvisada, composta de voluntários alistados no caminho. Não houve combates desgastantes. 300 soldados da Força Pública poderiam ter defendido a cidade, mas haviam sido mandados embora em meio ao pânico e boatos sobre a saída de Carlos de Campos do centro da capital. A brigada de Mato Grosso, que poderia também ter defendido Bauru, só chegaria no mês seguinte, atrasada pela precariedade da mobilização e as simpatias revolucionárias da oficialidade.


Controle das ferrovias no interior. Na Mogiana, o tenente João Cabanas liderou uma força inicial de 95 homens contra os quase 800 regulares do general Martins Pereira. Mas os legalistas dispersaram demais suas forças e agiram com passividade, enquanto Cabanas tinha uma tropa experiente, que manteve concentrada e em constante movimento, usando a guerra psicológica para enganar o oponente quanto à sua direção e efetivo. Seu contingente, que ganhou o apelido de “Coluna da Morte”, foi vitorioso em Mogi Mirim, no dia 23, e Espírito Santo do Pinhal, no dia 26, frustrando a intenção de Martins Pereira de avançar contra Campinas.

Só na Sorocabana os legalistas foram vitoriosos. O capitão Francisco Bastos deixou os revoltosos numa defesa de posição, dando tempo de sobra para os legalistas se organizarem. O general Azevedo Costa foi reforçado em Itapetininga por três batalhões patrióticos organizados por Fernando Prestes. Em 19 de julho ele organizou a Coluna de Operações do Sul ou Coluna Sul, com a qual enviou uma vanguarda para Itu e outra para São Paulo. A caminho de São Paulo, a segunda vanguarda derrotou uma forte resistência em Pantojo e Mairinque, a 26–27 de julho. 

Levantes paralelos. A dimensão nacional dos levantes de 1924 e da mobilização de tropas legalistas. A Revolta Paulista foi o foco propagador de uma série de levantes tenentistas em outras regiões do país, referidos coletivamente como os “levantes de 1924” ou “revoltas de 1924”. Cada um teve suas particularidades.Não se tratavam, porém, das adesões esperadas pelos conspiradores, mas poucos, dispersos e malogrados focos de rebeldia.

Os levantes paralelos eram a forma de desviar os reforços governistas a caminho de São Paulo, aliviando a pressão sobre os revoltosos paulistas. Diversos batalhões de caçadores dos atuais Norte e Nordeste receberam ordens de embarque para o Rio de Janeiro, mas somente o 19.º, de Salvador, chegou a combater em São Paulo. O 20.º, 21.º, 22.º e 28.º, respectivamente de Maceió, Recife, Paraíba (atual João Pessoa) e Aracaju, preparavam-se para o embarque quando o 28.º foi sublevado em 13 de julho, e os demais foram redirecionados para combatê-lo em Sergipe. No mesmo dia, a ordem de embarque do 24.º, 25.º e 26.º, respectivamente de São Luís, Teresina e Belém, foi cancelada. Novos preparativos de embarque foram feitos com o 26.º e o 27.º, de Manaus, mas estes revoltaram-se, respectivamente nos dias 26 e 23 de julho.

O levante paraense falhou rapidamente em combate com a Brigada Militar do Estado. Os levantes sergipano e amazonense foram mais longe do que o paulista, instalando novos governos estaduais. Ambos os movimentos foram derrotados em agosto, após a vitória legalista na cidade de São Paulo. No caso do Amazonas, o governo teve que enviar 2 700 soldados ao Norte, oriundos dos batalhões nordestinos, do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. Além de lidar com duas frentes de guerra, na Amazônia e no Sul-Sudeste, o governo, por precaução, teve que manter forças de defesa no Rio de Janeiro, onde estava ancorada a Esquadra e concentrados os efetivos do Exército.

Somente em Mato Grosso os planos da conspiração em São Paulo tiveram resultado concreto. O próprio comandante da 1.ª Brigada Mista, o tenente-coronel Ciro Daltro, pode ter retardado o movimento a São Paulo para beneficiar os rebeldes. Em 12 de julho o 10.º Regimento de Cavalaria Independente, em Bela Vista, entrou em revolta, mas ela foi contida pelos sargentos da unidade.
Vitória legalista na cidade. Os combates na cidade de São Paulo duraram até a noite de 27 de julho, quando os revoltosos retiraram-se de trem rumo ao interior. Na avaliação de Isidoro, ainda teria sido possível resistir por mais dez ou quinze dias dentro da cidade.

 
Últimos combates


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Cada lado recorria a novidades na tecnologia militar. A Aviação Militar legalista começou a sobrevoar a cidade em 19 de julho. Ela operou pouco, mas seus bombardeios tiveram impacto psicológico. A Aviação Naval ficou com a esquadra em Santos. Os rebeldes usavam aviões civis requisitados, mas somente para reconhecimento e distribuição de propaganda.

A Companhia de Carros de Assalto, com onze Renault FT-17, atacou os rebeldes no Belenzinho a partir do dia 23; há relatos de sucesso inicial, mitigado mais tarde devido à falta de apoio de infantaria para esses carros de combate. A primeira tentativa de fabricar blindados no país ocorreu nas oficinas em território rebelde, mas os dois carros resultantes eram pesados demais para se mover. Houve mais sucesso com um trem blindado, usado em incursões às posições legalistas na Central do Brasil, até que em 26 de julho ele foi descarrilhado por uma emboscada de artilharia. Na São Paulo Railway, a Marinha improvisou uma artilharia ferroviária com canhões dos navios.

Em 23 de julho, após dias de intenso combate, os legalistas conquistaram dois pontos fortes na defesa inimiga, o largo do Cambuci e a Fábrica Antarctica, na Mooca; por outro lado, a ofensiva em Vila Mariana foi derrotada. A ofensiva legalista geral foi retomada em 25 de julho, quando a Brigada Militar do Rio Grande do Sul aproximou-se de outro reduto, o Cotonifício Crespi.[345] No dia seguinte, a Força Pública de Minas Gerais dominou o Hipódromo da Mooca, e no próximo, o armazém da Central do Brasil, já se preparando para ocupar a Estação do Norte. No Brás, Cambuci e Liberdade, os setores defensivos recuavam.

Em 26 de julho, aviões legalistas distribuíram sobre a cidade boletins do Ministério da Guerra instando a população a abandonar a cidade “para se pouparem os efeitos das operações militares, que, dentro em poucos dias, serão executadas”. O clima de pânico aumentou; na interpretação de Macedo Soares, aquilo era “a ameaça de um bombardeio geral, de completa destruição da cidade, indistinto, sem tréguas, sobre a zona edificada”. Pior ainda, para ele, os 400 000 habitantes restantes na cidade não tinham como se retirar.

Tentativas de negociação. Desde o início do bombardeio legalista, instituições assistenciais, representantes dos comerciantes e industriais e diplomatas estrangeiros tentaram negociar um cessar-fogo. Essa intervenção tinha motivos humanitários e, igualmente, interesses em jogo. Em 12 de julho, Macedo Soares, Júlio Mesquita, Dom Duarte Leopoldo e Silva, arcebispo de São Paulo, e Vergueiro Steidel, presidente da Liga Nacionalista, enviaram o seguinte telegrama ao Presidente da República:

Pedimos a Vossa Excelência intervenção caridosa para fazer cessar bombardeio contra a inerme cidade de S. Paulo, uma vez que as forças revolucionárias se comprometam a não usar seus canhões em prejuízo da cidade. A comissão não tem intuito algum político mas exclusivamente a compaixão pela população paulista.

O ministro da Guerra Setembrino de Carvalho respondeu que os danos morais da revolta eram muito piores do que os danos materiais à cidade. Ele propôs que os rebeldes poupassem a população, deixando a cidade para combater em campo aberto. Outra resposta veio do general Sócrates, quando solicitado pelos cônsules de Portugal, Itália e Espanha: ele pouparia as áreas civis, contanto que os rebeldes indicassem onde estavam suas tropas.

Em 16 de julho Macedo Soares comunicou-se com o general Noronha, prisioneiro dos rebeldes, para que intercedesse junto ao presidente. O general concordou em ser um intermediário para um armistício e no dia seguinte leu as demandas de Isidoro. A primeira: “entrega imediata do Governo da União a um Governo provisório composto de nomes nacionais de reconhecida probidade e da confiança dos revolucionários. Exemplo: Dr. Venceslau Brás”. Noronha não quis mais saber; a renúncia de Artur Bernardes, nessas condições, seria para ele um “golpe na soberania nacional pelo gume das baionetas”.

Numa nova proposta em 27 de julho, os rebeldes, já prestes a ser derrotados, tinham uma única demanda, a anistia para os revoltosos de 1922 e 1924. Macedo Soares redigiu uma carta ao general Sócrates, argumentando que “a vitória de qualquer das partes combatentes, se não for imediata, não mais salvará o Estado de S. Paulo e, portanto, o Brasil, da mais desoladora ruína”. Para ele, o perigo de agitação social era mais sério do que a rebelião militar, e assim, ele solicitou um armistício de 48 horas para que Abílio de Noronha pudesse parlamentar. O jornalista Paulo Duarte entregou a carta em Guaiaúna, onde foi lida por Carlos de Campos. O governador, irritado, acusou os negociadores de fazer causa comum com os revoltosos e prometeu aumentar os bombardeios.



O general Potiguara chega ao Palácio do Governo
 
Retirada dos rebeldes da cidade. Em 27 de julho o alto comando revolucionário tomou uma decisão imprevista, mas que parecia a única forma de prolongar o movimento: retirar o exército de São Paulo, travando uma guerra de movimento no interior. Em Mato Grosso, ainda esperavam reforçar o movimento com os simpatizantes locais, ou, na pior das hipóteses, exilar-se no Paraguai ou Bolívia.[360] A única estrada para Campinas estava prestes a ser cortada, o que prenderia o movimento dentro da capital. E a luta na capital só resultaria na destruição de si mesmos e da população. As negociações foram um fracasso, e a única possibilidade de vitória seria com a eclosão de levantes no Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os combatentes estavam desgastados, muitos deles feridos; existem relatos contraditórios sobre o moral da tropa.

A pressão da divisão legalista deveria fixar os rebeldes em combate, impedindo uma retirada, que é uma operação militar trabalhosa e arriscada. O embarque do material bélico começou às 14h00, mas a tropa retirou-se à noite, e os legalistas não tinham patrulhas noturnas ou contato com a infantaria inimiga. O exército revolucionário escapou praticamente intacto, com todos os seus suprimentos; somente alguns elementos do destacamento sul ficaram para trás. Os legalistas só perceberam a retirada na manhã de 28 de julho. Em Jundiaí, a Coluna Sul cortou a estrada para Campinas ao meio-dia, mas às 07h00 o último comboio já havia passado por Itirapina. Um dia de diferença teria impedido a fuga.


Eduardo Sócrates, Carlos de Campos e outras autoridades na sacada do Palácio dos Campos Elíseos


Às 10h da manhã do dia 28, Carlos de Campos reassumiu seu gabinete no Palácio dos Campos Elíseos. A desocupação da cidade foi celebrada com pompa e desfiles militares pelas ruas do centro. Segundo Macedo Soares, a população recepcionou-os com frieza; Monteiro Lobato comparou os desfiles dos legalistas com o “exército alemão entrando em Paris”.[293] Vários jornais criticaram o comportamento dos soldados durante a reocupação, e a imprensa anarquista acusou a ocorrência de estupros. Há relatos de saques às lojas comerciais pelos soldados das Forças Públicas fluminense e mineira. Por essas acusações, a Força Pública de Minas Gerais expulsou 17 praças, mas incorporou-os novamente quando um inquérito concluiu pela sua inocência ou inculpabilidade.

Ao início de agosto, as indústrias e serviços estavam de volta à atividade, numerosos operários limpavam os escombros e os prédios danificados eram reconstruídos. Escoteiros procuravam cadáveres enterrados em quintais, praças e jardins, e famílias do interior, por curiosidade, visitavam as trincheiras abandonadas.

Continuidade do movimento. Os revoltosos de 1924 foram muito mais longe que os de 1922, e os movimentos iniciados em 1924 arrastaram-se até 1927, como parte da Coluna Miguel Costa-Prestes. Mas nessa fuga para o interior, os tenentistas afastaram-se do Rio de Janeiro, que nunca conseguiram ameaçar.

De São Paulo ao rio Paraná

Ponte do rio Pardo, dinamitada pela Coluna da Morte e restaurada pelos engenheiros da Coluna Sul
 Ver artigo principal: Interior de São Paulo na Revolta Paulista de 1924 § Retirada de São Paulo
O exército revolucionário chegou a Bauru em 28 de julho, onde foi reorganizado em três brigadas comandadas por Bernardo de Araújo Padilha, Olinto Mesquita de Vasconcelos e Miguel Costa. A passagem da Estrada de Ferro Noroeste para Mato Grosso, em Três Lagoas, já estava barrada pelos legalistas, deixando como única opção o ramal da Sorocabana que, passando por Botucatu, conduzia a Presidente Epitácio. Um destacamento foi enviado a Araçatuba, na Noroeste, para atrasar a brigada mato-grossense. Os batalhões de Juarez Távora e João Cabanas defendiam a retaguarda durante a passagem por Botucatu, quando foram atacados no alto da serra pela vanguarda legalista. O general Malan d'Angrogne registrou pesadas perdas nos defensores (73 prisioneiros), mas eles garantiram o escoamento do grosso de seu exército.

A vanguarda rebelde parou em Assis em 5 de agosto, quando uma solenidade comemorou um mês do movimento e foi editado o jornal O Libertador. No dia seguinte ela ocupou Porto Tibiriçá, em Presidente Epitácio, às margens do rio Paraná, aprisionando várias embarcações e um pequeno contingente legalista.

As ações da retaguarda ainda demorariam 42 dias ao longo dos 1 200 quilômetros de estrada, na qual ainda se travaram diversos combates contra as colunas legalistas de perseguição, notavelmente em Santo Anastácio. Esta missão coube à “Coluna da Morte”, que sistematicamente destruiu a infraestrutura ferroviária no caminho para atrasar o avanço legalista. Isto era uma necessidade militar, mas criou polêmica na imprensa. João Cabanas tornou-se famoso e infame, acusado de inúmeras depredações, ameaças e assassinatos no inquérito policial do movimento. Cabanas, em seus escritos, orgulhou-se do terror que seu nome criava nos oponentes, mas afirmou ter punido duramente, até com fuzilamentos, a criminalidade entre os soldados

Batalha de Três Lagoas
 




Mapa da retirada

Ás margens do Paraná, o comando revolucionário dividiu-se sobre a estratégia: o coronel João Francisco queria desde já descer o rio e, no oeste paranaense, conectar-se com oficiais comprometidos com o movimento no Rio Grande do Sul. Isidoro preferiu subir a Três Lagoas e invadir Mato Grosso. Ali, João Cabanas acreditava na viabilidade de um “Estado Livre da Brasilândia”, financiado pelas tarifas de exportação da erva-mate. Facilmente defendidos pelo rio Paraná, os revoltosos teriam tempo para recompor suas forças e reconquistar São Paulo, ou ao menos obrigar o governo a negociar.

A força de invasão desembarcou em 17 de agosto, sob o comando de Juarez Távora, com 570 homens, incluindo uma tropa de choque composta principalmente de estrangeiros. Mas Três Lagoas estava melhor defendida do que eles achavam. Os legalistas mato-grossenses haviam retirado as tropas enviadas a Bauru para defender seu próprio território, e foram reforçados pelo coronel Malan d'Angrogne e sua coluna vinda de Minas Gerais. Em 18 de agosto travou-se o que já foi referido como o combate mais sangrento da revolta paulista, no qual os invasores foram derrotados, com perdas elevadas, pelo 12.º Regimento de Infantaria e a Força Pública de Minas Gerais. Entretanto, os legalistas haviam concentrado forças demais para norte, e o caminho para o Paraná foi deixado aberto.

Ligação com os rebeldes gaúchos. A vanguarda adentrou o território paranaense na localidade de São José, em 31 de agosto. Quando os legalistas reocuparam Porto Tibiriçá, em 10 de setembro, todos os revoltosos já haviam embarcado e descido o rio. Esta região era escassamente povoada e conectada, a ponto de inicialmente o governo não saber onde estavam os oponentes. A travessia foi lenta; em setembro a vanguarda alcançou Foz do Iguaçu, enquanto a retaguarda ainda estava entre as margens 

Tive a intuição de que chegáramos ao início do fracasso, e que íamos entrar no regime das guerrilhas, último recurso das revoluções não vitoriosas no seu primeiro ímpeto. De fato, podíamos manter bem alto no seio daquela natureza exuberante o estandarte da revolução durante meses. Mas, depois apareceriam o cansaço e o esfriamento do entusiasmo, pela monotonia dos dias que iam se sucedendo. Uma esperança ainda brilhava no meio destas cogitações dolorosas, fortalecendo o moral: o cumprimento das promessas do levante de guarnições militares de vários estados.



Rendição de remanescentes da Revolta Paulista em Catanduvas, Paraná

Novas revoltas estouraram em outubro e novembro no encouraçado São Paulo e nas guarnições do Rio Grande do Sul, ambas as quais foram derrotadas. Os remanescentes da revolta gaúcha, liderados por Luís Carlos Prestes, começaram uma trajetória a norte para alcançar o território rebelde no Paraná. compreendido entre os rios Paraná, Piquiri e Iguaçu. A campanha do Paraná tornou-se uma guerra de trincheiras na região de Catanduvas, marcada por dificuldades logísticas e de movimento e doenças que mataram muito mais do que os ferimentos em combate. Sem reforços e qualquer reabastecimento regular, os revoltosos foram esgotados pela tropa numerosa do general Cândido Rondon.

No final de março de 1925, os últimos defensores de Catanduvas se renderam à ofensiva legalista. Os demais “paulistas” recuaram em direção ao rio Paraná e se uniram aos revoltosos gaúchos que finalmente chegavam ao Paraná. A 1.ª Divisão Revolucionária, formada nessa junção, ficou conhecida como a “Coluna Miguel Costa-Prestes”. O general Isidoro seguiu ao exílio, devido à sua avançada idade, enquanto a divisão escapou do cerco adentrando o território paraguaio e retornando ao Brasil por Mato Grosso. Esta Coluna prolongou a revolta até 1927, percorrendo 36 000 quilômetros do território nacional

Exumação de cadáveres para levá-los ao cemitério

Consequências.Danos materiais e humanos. Pelo número de mortes, o conflito já foi chamado de “maior massacre urbano realizado durante os governos republicanos”.O relatório da prefeitura contabilizou 503 mortos e 4 846 feridos com o conflito. Esses números são até hoje contestados; por algumas fontes, seriam 800 mortos e 5 000 feridos. Agências internacionais estimaram mil mortos. Pelo registro da Santa Casa, teriam sido 723 civis mortos; o conflito teria chegado a uma média de 30 mortos e 100 feridos por dia].A contagem da prefeitura não inclui as baixas fora da cidade e provavelmente omitiu grandes números de cadáveres sepultados fora dos cemitérios. Em 29 de julho, um jornal relatou centenas de mortos encontrados em terrenos no Belenzinho e Mooca, e em agosto, outro mencionou 500 corpos nos entornos da cidade. Artur Bernardes é acusado de ter mandado suspender a contagem.

Os legalistas são acusados de fuzilamentos sumários e sepultamento em covas coletivas. Abílio de Noronha menciona essas acusações a respeito de um dos generais de brigada, mas defende o general Sócrates, dizendo que, se ocorreram, não tiveram sua aprovação. Um caso conhecido é o fuzilamento pela Força Pública de Minas Gerais de três civis acusados de espionagem; suas famílias estavam refugiadas sob as arquibancadas do Hipódromo da Mooca.

A Força Pública de Minas Gerais registrou seis mortos e sete feridos nos combates na capital, dois mortos e cinco feridos em Espírito Santo do Pinhal e três mortos e sete feridos em Três Lagoas. Antes de 10 de julho, a Marinha teve 83 mortos, feridos e extraviados. A Brigada Militar do Rio Grande do Sul contabilizou 26 mortos e 30 feridos em todas as suas operações no estado de São Paulo.

Conforme a prefeitura, 1 800 prédios foram danificados por granadas e balas. 103 estabelecimentos comerciais e industriais tiveram prejuízos pelos incêndios, saques, bombardeios, roubos e requisições dos sediciosos, com um prejuízo total de 30000:000$000 réis. De modo geral, a população reconstruiu suas casas sem auxílio governamental. A principal medida do governo estadual para auxiliar a reconstrução foi a lei número 1972, de 26 de setembro, destinada a “socorrer as vítimas da recente rebelião militar, a auxiliar as instituições de caridade e a concorrer para a reconstrução de templos danificados”; 200 famílias, 33 hospitais e a Cruz Vermelha Brasileira foram indenizadas. Algumas entidades da sociedade civil e colaboradores privados também contribuíram recursos. As viúvas e órfãos dos militares legalistas mortos em combate foram amparadas pela prefeitura.

A Light e a Companhia Antarctica Paulista moveram ações para pedir ao governo ressarcimento pelos danos ao seu capital. A Light também queria indenização pelos “lucros cessantes” e “despesas forçadas”. No ordenamento jurídico da época, a responsabilidade civil do Estado tinha caráter subjetivo; era preciso que a vítima provasse a culpa dos danos. Em 1937, após treze anos do processo da Light, o decreto-lei n.° 392 abriu um crédito para os “saques e danos motivados pelo bombardeio da capital de São Paulo durante o movimento de 1924”.

As despesas do governo federal com a revolta foram financiadas pelo Banco do Brasil, que atingiu o limite legal às suas emissões monetárias entre agosto e outubro. O governo perdeu o controle da política monetária justamente quando tentava, sem sucesso, apreciar a taxa de câmbio e controlar a inflação. A revolta e o insucesso das negociações de um empréstimo com credores britânicos mudaram o curso da política econômica no restante do governo Bernardes. A partir do final de 1924 o governo abandonou o apoio federal à valorização do café e executou um ajuste ortodoxo, com austeridade fiscal e contração monetária.

Repressão e controle político. A resposta do governo aos levantes de 1924 inaugurou um período de repressão política mais intensa do que a ocorrida em 1922, e o aparato de controle social criado na gestão de Artur Bernardes foi um prenúncio da repressão conduzida nas décadas seguintes pelo Estado Novo e a ditadura militar. Em dezembro de 1924, a polícia paulista passou a contar com seu próprio corpo especializado nessa função, a Delegacia de Ordem Política e Social (Deops), equivalente ao que a polícia na capital federal tinha desde 1922.

Durante a revolta, a imprensa do Rio de Janeiro foi censurada. Os periódicos recebiam notícias da Secretaria da Presidência da República, enquanto a polícia condenava a ação dos “boateiros” nas ruas. O estado de sítio foi renovado ao final da luta na capital paulistana, e repetidamente ao longo do governo de Bernardes. Inicialmente previsto para o Distrito Federal e os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, ele foi estendido a Mato Grosso, Bahia, Sergipe, Pará e Amazonas à medida que surgiram novos focos; em setembro, foi aplicado no Paraná e Rio Grande do Sul. As prorrogações continuaram até o final do mandato de Bernardes. Em São Paulo, os funcionários públicos e militares da Força Pública envolvidos na revolta foram expulsos. Os jornais Estado de S. Paulo e Folha da Noite foram punidos com suspensões temporárias.

O Exército e a Força Pública de São Paulo adotaram regulamentos mais rígidos, procurando evitar um novo levante. O governo paulista perdeu confiança no seu “exército estadual”. Alguns batalhões da capital foram transferidos ao interior, e a Guarda Civil foi criada para policiar a cidade. Delegados da Polícia Civil passaram a gerenciar os praças da Força Pública no serviço de policiamento, enquanto oficiais da Força Pública foram transferidos a funções administrativas.
Navio-prisão Cuyabá

Prisões. Após a vitória militar legalista, “começa para o Governo a fase mais antipática e ingrata, que é a “liquidação” da revolta”, nas palavras do secretário de Justiça Bento Bueno. A repressão política fez prisioneiros em todas as classes sociais: militares (de marechais a praças) e civis, apoiadores da revolta, militantes operários, deputados, jornalistas e comerciantes. Muitos não tinham culpa formada, e alguns eram apenas os parentes dos inimigos do Estado.Esses prisioneiros políticos eram deliberadamente misturados com criminosos comuns.

No Rio de Janeiro, a repressão começou desde os primeiros dias de julho. Sob a autoridade do marechal Lopes da Fontoura, chefe de polícia do Distrito Federal, foram presos jornalistas como Mário Rodrigues e Edmundo Bittencourt, do Correio da Manhã, Diniz Júnior, de A Pátria, e Roberto de Toledo Lopes, de O Jornal; o líder anarquista José Oiticica; o comunista Otávio Brandão; militares e outros. Por falta de celas, a Ilha Rasa e o navio Campos foram aproveitados como prisões. A ação era preventiva, e os presos não eram necessariamente suspeitos de envolvimento na sedição. Os estrangeiros na capital, especialmente os russos, foram investigados para uma possível ligação com o movimento bolchevique russo.

Em São Paulo, as prisões em massa começaram assim que o governo reocupou a cidade. Lourenço Moreira Lima, preso em Capão Bonito, calculou em 10 000 o número de presos. A maioria era de colaboradores ou simpatizantes da revolta, e até menores de idade foram encarcerados. Prisioneiros abastados do interior tornaram-se fontes de renda para a “advocacia de porta de xadrez”. Operários organizados, especialmente anarquistas, foram perseguidos pelo apoio moral à rebelião. Alguns sindicalistas, antevendo a repressão, ainda conseguiram se esconder antes da chegada do governo, mas até o fim do ano, a atividade sindical em São Paulo foi desmantelada.

Houve tortura nas prisões e delegacias: “o cano de borracha, a água fria, o isolamento, subnutrição e os maus tratos, de toda a hora”. O pior destino foi o dos 408 rebeldes paulistas que se entregaram nos campos de batalha de Catanduvas em 1925. Junto a prisioneiros do Rio de Janeiro e do Amazonas, eles fizeram parte dos 946 presos enviados à colônia penal de Clevelândia, na fronteira com a Guiana Francesa, onde mais de 400 morreram de disenteria e outras doenças.

As “classes conservadoras” também tiveram vários representantes presos, especialmente Macedo Soares e Júlio de Mesquita, escolhidos para servir de exemplo por seus entendimentos com os rebeldes. O prefeito Firmiano Pinto também foi alvo das acusações, mas não chegou a ser preso. Em dezembro, Macedo Soares conseguiu seguir ao exílio. Ele e Firmiano Pinto chegaram a ser denunciados pelo Ministério Público, mas não responderam a processo. A Liga Nacionalista, cujo primeiro tesoureiro era Macedo Soares, foi fechada por seis meses.
Julgamento


Sessão do julgamento em junho de 1927

Nos centros de conspiração e no QG da Luz, a polícia apreendeu boletins, mapas, relatórios confidenciais, ordens de comando, mensagens cifradas, códigos secretos e correspondências particulares que incriminavam centenas de militares e civis. Enquanto se iniciava a investigação e os combates continuavam no interior, em agosto, um decreto presidencial flexibilizou o devido processo legal para acelerar a punição dos investigados. A competência para o julgamento de crimes contra a Constituição e a forma de governo foi transferida do júri federal para o juíz de secção, por temor de que um júri fosse benevolente. O ministro do STF Edmundo Lins criticou o objetivo da lei: "não foi aparelhar-lhes [os revoltosos] uma cama de rosas, mas ao contrário, um verdadeiro leito de Procusto". O decreto permitiu o julgamento à revelia de crimes inafiançáveis e suprimiu a prescrição aos acusados homiziados no estrangeiro. Ele foi aplicado retroativamente aos eventos ocorridos antes da promulgação.

667 indiciados foram acusados do crime político definido no artigo 107 do Código Penal, “tentar, diretamente e por fatos, mudar por meios violentos a Constituição política da República, ou a forma de governo estabelecida”. Os acusados eram tantos que não cabiam no edifício da Justiça Federal em São Paulo e tiveram que ser acomodados na Hospedaria dos Imigrantes. Algumas das defesas apresentaram a revolta como simples reação aos atos arbitrários e inconstitucionais do Poder Executivo, sem intenção de mudar a Constituição. Ao final do processo, em 1929, 176 foram condenados pelo artigo 108 (“tentar, pelos mesmos meios, mudar algum dos artigos da Constituição”), com penas de até quatro anos de reclusão. Mas muitos dos presos e punidos não passaram pelo devido processo legal, e estão fora do universo dos indiciados.

Repercussão internacional. Pelo menos dezoito países tinham representantes diplomáticos em São Paulo, devido à sua importância econômica, política e social. Partes importantes da economia da cidade eram controladas por investidores da França, Estados Unidos e especialmente do Reino Unido. Consulados brasileiros receberam críticas e pedidos de neutralidade para os cidadãos estrangeiros, mas elas eram muitas vezes ignoradas. 21 cidadãos italianos morreram na batalha e outros 90 foram feridos. Em setembro a visita do príncipe Umberto de Savoia, herdeiro ao trono italiano, teve que ser transferida de São Paulo a Salvador. O autoritarismo do governo Bernardes prejudicou a imagem internacional do Brasil, que pleiteava um assento permanente no Conselho da Liga das Nações. Preocupado com sua imagem no exterior, o governo brasileiro censurou até mesmo os telegramas dos correspondentes das agências de notícias internacionais. A United Press International e Associated Press foram proibidas de enviar qualquer notícia aos Estados Unidos, e um correspondente americano chegou a ser preso por algumas horas. Isto provocou protestos da Embaixada americana.

O Ministério das Relações Exteriores montou um serviço de informações para vigiar os tenentistas na Argentina, Uruguai e Paraguai. Ativo desde a tomada de São Paulo, ele atuou sistematicamente a partir do período da Coluna Miguel Costa-Prestes.

Evolução política dos envolvidos. Derrotada a revolta, o Partido Republicano Paulista parecia ter confirmado sua hegemonia na política estadual. Os oposicionistas estavam todos na clandestinidade ou em meios aparentemente da situação. Mas quando Washington Luís assumiu o governo federal em 1926, a imprensa, livre do estado de sítio, revelou um grau de prestígio acumulado pelos tenentistas. Em São Paulo o Partido Democrático (PD) contestou a hegemonia do PRP e explicitamente associou sua causa à dos tenentistas. Tdos livros sobre o tema têm visão negativa de seu bombardeio à cidade.

Washington Luís soltou presos políticos, mas não anistiou os que respondiam ao processo. A primeira fase do tenentismo chegou ao fim em 1927. Um terceiro movimento armado começou a ser articulado, dessa vez associado aos dissidentes políticos civis. O tenentismo sofreu uma cisão interna, mas foi vitorioso na Revolução de 1930. Tanto Artur Bernardes quanto parte dos tenentistas apoiaram o movimento que alçou Getúlio Vargas ao poder e encerrou a República Velha.[466] Ironicamente, Vargas havia sido um dos defensores do governo em 1924, quando elogiou Carlos de Campos em discurso na Câmara dos Deputados, chamando de “criminoso” o levante tenentista.

No novo regime, Miguel Costa chegou a ser comandante da Força Pública e secretário de Segurança. Ele fundou a Legião Revolucionária de São Paulo, enquanto o PRP e o PD se uniram contra Vargas, formando a Frente Única Paulista. A organização de Miguel Costa reagiu a tiros a uma manifestação em sua sede, precipitando a Revolução Constitucionalista de 1932. Os constitucionalistas prenderam Miguel Costa, mas receberam o apoio de Isidoro Dias Lopes. Artur Bernardes também ficou do lado dos constitucionalistas e tentou reabilitar sua imagem em São Paulo. O movimento não conseguiu derrubar Vargas. Posteriormente, vários envolvidos com os levantes de 1924 aproximaram-se do socialismo, como João Cabanas e Miguel Costa, um dos refundadores do Partido Socialista Brasileiro em 1945. Isidoro condenou o golpe de Estado de 1937, mas a esse ponto já estava afastado da vida pública.

Legado. A Revolta Paulista foi muito fotografada, especialmente na destruição das casas e indústrias. Muitas das fotografias foram reunidas pela Light, justamente pela necessidade de documentar os danos da empresa. As imagens impactantes da destruição alimentaram o debate entre os defensores e inimigos da revolta. Algumas revelam a proximidade física dos fotógrafos aos militares, e até mesmo a circulação da população pelas trincheiras e uma aparente indiferença dos populares. A maioria das fotografias não tem autoria conhecida; o fotojornalismo profissional estava em seus primórdios. Entre os poucos fotógrafos conhecidos estão Aniceto de Barros Lobo e Gustavo Prugner.

Os planos das fotografias são quase sempre abertos. No século XXI, sua paisagem é quase irreconhecível; a maior parte da São Paulo de 1924 já foi demolida e reconstruída. A cidade antiga não tinha as grandes avenidas e arranha-céus; seu perfil era horizontal e havia muitos espaços vazios com sítios e várzeas entre os bairros.

Escritos do período. O processo-crime aberto na Justiça foi um dos maiores da história de São Paulo, com 171 volumes e 18 715 folhas. As cartas trocadas entre os revolucionários também são documentos relevantes. Uma coleção denominada “Cartas da Revolução de 1924”, sob a guarda do Arquivo Público do Estado de São Paulo, data principalmente do exílio da Coluna Miguel Costa-Prestes e não da Revolta Paulista. Outro conjunto de cartas são as endereçadas da população afetada pelo conflito ao arcebispo D. Duarte Leopoldo Silva, presidente da comissão responsável pelos pedidos de indenização.

Memorialistas e cronistas publicaram pelo menos 20 livros sobre suas experiências no conflito, dentre os quais pode-se destacar Justiça, de José Carlos de Macedo Soares, Sob a metralha, de Ciro Costa e Eurico de Góis, Agora Nós, de Paulo Duarte, 1924: episódios da revolução de S. Paulo, de Antônio dos Santos Figueiredo, Férias de Julho, de Luiz Marcigaglia, Aventuras de uma família durante a Revolução de 1924, de Henrique Geenen, e Dias de pavor, de Aureliano Leite. Ciro Costa, Eurico de Góis e Aureliano Leite estão entre os poucos a defender o governo ao ponto de justificar o bombardeio de artilharia.

Para a classe intelectual paulista, a revolta evidenciava um mal-estar nacional, um risco do Brasil ter uma política tão militarizada quanto outros países latino-americanos. Uma capital cosmopolita, dinâmica e civilizada foi palco de violência desmedida, especialmente do governo. A população praticou saques e mostrou-se indiferente à causa legalista. Segundo o Diário da Noite, a revolta desfez as ilusões de democracia no Brasil. Para Mário de Andrade, o prejuízo psicológico era pior do que o material Monteiro Lobato correspondeu-se com Artur Bernardes, alertando-o para o divórcio entre a política e a opinião pública. De modo geral, os intelectuais contemporâneos da revolta constatavam uma crise moral, política, social e econômica, para a qual esperavam uma solução elitista, que não viria do povo. Lobato, Antônio de Sampaio Dória, Jorge Americano, Júlio de Mesquita Filho e outros fizeram diagnósticos e propostas de reformas. Mesmo os apoiadores do PRP reconheciam a crise.


O Correio Paulistano celebra a vitória legalista na capital

Entre os militares participantes, o legalista Abílio de Noronha publicou Narrando a verdade e O resto da verdade, defendendo-se das acusações de leniência com os conspiradores quando comandava a 2.ª Região Militar. Noronha faz uma dura crítica militar à condução das operações pelo general Sócrates e seus subordinados As memórias dos revolucionários são representadas por obras como À guisa de depoimento, de Juarez Távora, e A Coluna da Morte, de João Cabanas.

Os jornais mais influentes em São Paulo no momento eram o Correio Paulistano, órgão do PRP, e seu rival, O Estado de S. Paulo. O Correio só voltou a circular em 28 de julho, enquanto o Estado foi o único a circular todos os dias, e mesmo assim, reduzido a duas páginas e controlado por censores dos rebeldes. As consequências da guerra ocupavam quase todo o espaço. As linhas editoriais do Estado e do Correio estavam em polos opostos: este referiu-se aos tenentistas como “bandoleiros” e “bandos de impatriotas”, e aquele, como “rebeldes” e “revolucionários”. O Estado era oficialmente neutro, mas tinha certa simpatia pelo movimento.

Memória e esquecimento. Monumento aos mortos da Força Pública de São Paulo em 1924 e nos conflitos tenentistas seguintes. Um dos nomes do movimento de 1924 é a “Revolução Esquecida”. Suas testemunhas oculares ainda guardavam muitas memórias, décadas após o evento, mas em São Paulo, “revolução” é sinônimo de 1932. Enquanto o movimento de 1932 é comemorado com um feriado estadual, homenageado com monumentos e nomes de ruas e assimilado como parte da identidade paulista, a Revolta de 1924 ficou sem referências públicas. Na imprensa, 1924 aparece ocasionalmente em jubileus comemorativos. Na historiografia, a revolta não é esquecida, mas é absorvida como apenas um dos capítulos do tenentismo, que, por sua vez, tem suas revoltas dos anos 20 ofuscadas pela Revolução de 1930. Ainda assim, a relevância de 1924 é reconhecida pela dimensão do conflito e de seus prejuízos materiais e humanos, a contribuição à queda da República Velha, alguns anos depois, e à construção do aparato de controle social do Estado brasileiro.

Durante a República Velha, o Executivo e Legislativo paulistas fizeram o possível para execrar a imagem da revolta, descrevendo-a em termos de traição, crime e desgraça, uma “afronta à nossa cultura e à nossa civilização”. Mesmo após a Revolução de 1930, o movimento não foi comemorado e continuou a cair no esquecimento. Em 1932, o constitucionalista Leven Vampré lembrou 1924 como exemplo de descaso do governo federal com São Paulo, mas não defendeu o movimento, pois seus objetivos eram opostos aos da Revolução Constitucionalista.

Vários motivos já foram propostos para o esquecimento. A historiografia brasileira enfatiza os grandes momentos de ruptura da ordem política, e assim, 1930 toma muito mais espaço do que 1924. Mesmo que militarmente mais relevante, o movimento de 1924 fracassou em seu objetivo político. Ao contrário da Revolução Constitucionalista, protagonizada pela elite paulista, o levante tenentista foi liderado por militares forasteiros e de baixa patente, com a adesão de operários estrangeiros. Suas consequências foram desastrosas para os dois lados, e ainda mais para a população; o aspecto mais lembrado do conflito é a destruição da cidade.

Terminologia. A historiografia usa termos variados para o evento, como a “Revolta”, “Movimento” ou “Revolução” de 1924 ou o “Segundo Cinco de Julho” À época, os apoiadores do movimento rotulavam-no como uma “revolução”, termo de grande valor simbólico, e os opositores, como um “movimento subversivo”, “mazorca”, “sublevação” e “revolta”. Definindo a palavra “revolução” como uma transformação profunda na sociedade, existem argumentos contra seu uso para o movimento de 1924, pois ele ainda tinha um comprometimento com a ordem social e seus objetivos para a sociedade eram modestos. Além desses termos, a Revolta Paulista também adquiriu características de guerra civil: além da escala da destruição, a soberania do governo foi contestada por um grupo que também se considerava representante da nação e almejava o monopólio da violência legítima.


Do topo, em sentido horário: incêndios decorrentes do bombardeio, ruínas do Cotonofício Crespi, soldados revoltosos no telhado do 1.º Batalhão da Força Pública, efeitos de um ataque aéreo, posição de metralhadora em Vila Mariana





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