segunda-feira, 18 de julho de 2011

O GOLF CLUB E O ILHA PORCHAT CLUBE




OS ARISTOCRATAS DO GOLF CLUB


Em 9 de setembro de 2005, o jornal santista A Tribuna registrou, na seção Imagem do passado: A imagem é de 1959 e mostra a antiga sede do Santos Golf Club, em São Vicente, posteriormente substituída por outra, mais moderna, mas na mesma área. O grupo que posa é formado por sócios àquela época, entre eles, Harry Charles Jones (todo de branco, à direita), dono desta foto. (Novo Milênio)

A data de nossa fundação - 2 de outubro de 1915 - representa efetivamente um marco histórico no panorama esportivo de Santos e São Vicente. O Clube nasceu dos esforços e ideias da colônia inglesa da época. A quantidade de firmas britânicas poderosas, dominando as atividades de importação e exportação e um largo espectro de demais atividades no nosso Brasil de então, era notável. De algumas delas surgiram nossos primeiros associados; São Paulo Railway; The City of Santos Improvements Company; Western Telegraf Co; Brazilian Warrant Co; Light & Power Company; Royal Mail Lines; Lamport & Holt Lines; Cunard Lines; F.S. Hampshire & Co; Bank of London & South América Ltd; Pratt House - e muitas outras. O pessoal empregado nestas firmas, em nível de gerência ou administração, era bem respeitável. A quantidade de recursos possibilitava bons empreendimentos para a colônia anglo-americana. A "alma e cuore" da fundação foi HENRY L. WRIGHT. Reuniu os membros da colônia, e, juntando os recursos, promoveu a fundação oficial do Clube, nas dependências do Anglo-American Club of São Vicente.

Pode-se afirmar, que o Clube, levando-se em conta a época, já nasceu grande. Com os recursos prontamente levantados entre os abonados fundadores, promoveu-se paulatinamente a aquisição de vastas áreas, em uma zona então distante e remota, que ia da divisa com atual via férrea e atual fábrica de vidro Santa Marina, até praticamente todos os canais e mangues que circulam a nossa Ilha de São Vicente. A área era considerável, e nada existia em termos de "civilização" em torno do Clube. Aos poucos outras áreas foram sendo acrescidas, tendo em 1924 sido adquirida a última gleba. De 1915 a 1928 HENRY L. WRIGHT foi presidente. A partir desta última data, passou a Presidente de Honra do Clube. Sua figura afável e nobre ainda hoje é lembrada pelos sócios mais antigos. Nunca perdeu o contado com a vida do Clube. Já bem idoso, o simpático velhinho, vinha até o seu Clube, com o motorista particular, e, não podendo sair do carro, nele ficava tomando seu whisky, que era levado com prazer até ele!.. Acompanhava o andamento dos jogos sempre com alegre interesse.

Algum tempo após a fundação, foi erguida uma sede social de madeira nobre e pinho de Riga. Tinha um bar (sem restaurante), os vestiários, masculino e feminino, e um terraço. O número de sócios efetivos era talvez maior do que hoje. Até 1936 a maioria absoluta, diríamos quase que 95% dos sócios, eram de anglo-americanos. Os brasileiros, pouquíssimos. Com início da Segunda Guerra Mundial muitos sócios retornaram, ou a Inglaterra ou aos Estados Unidos, para se alistarem nas forças armadas que combatiam na Europa. O Clube sofreu sério esvaziamento. Segundo os sócios mais antigos, o ano de 1942 foi o pior de todos. O número de sócios caiu por demais, o bloqueio submarino impedia qualquer transação comercial, salvo a grandes riscos; não havia a chegada de material esportivo. E foi então que um brasileiro, ÁLVARO DE SOUZA DANTAS, assumiu a presidência de 1941 a 1947, conduzindo o Clube durante os anos difíceis da guerra, sendo que a partir de 1948 o número de sócios brasileiros começou a aumentar muito, sobrepujando os estrangeiros.

Um dos fatos históricos mais marcantes de nosso Clube foi a visita do então Príncipe de Gales, mais tarde Rei Eduardo VIII e Duque de Windsor, que no dia 4 de março de 1931, demonstrando suas habilidades golfísticas, logrou fazer um "hole-in-one", que até hoje está registrado em um marco no campo. Até 1951, a par das atividades individuais, o Clube sempre manteve um campeonato interno e a disputa da medalha do mês, bem como o "TROPHEU WRIGHT". A partir de 1951, sendo prefeito de São Vicente Sr. CHARLES A. FORBES, foi instituído o primeiro campeonato aberto da CIDADE DE SÃO VICENTE. Na década de 50 chegou-se a conclusão de que o Clube já merecia ter uma nova sede, mais condigna para os associados. Por intermédio dos diretores TARQUÍNIO FERREIRA, LEO NIOAC e FRANCISCO FORBES partiu-se então para o difícil empreendimento de erguer-se uma nova sede social. A diretoria contou novamente com pleno apoio do entusiasmado quadro social. A exemplo do difícil ano de 1942, quando os diretores deram ao Clube, junto com grande número de associados, uma contribuição extra mensal de 20$000 réis (vinte mil réis), até a situação do bloqueio marítimo ser aliviada novamente, houve outras colaborações inestimáveis por parte dos associados. Naquele ano de 1958 foi instituída uma contribuição de Cr$ 30.000 (trinta mil cruzeiros) pró-construção da sede, que foi unanimente subscrita.

Iniciada a construção em 1958, sob a supervisão do arquiteto ARNALDO CONCEIÇÃO PAIVA FILHO, e do engenheiro ARTHUR GUILHERME MARTINELLI, foi a mesma gloriosamente inaugurada justamente no dia 21 de abril de 1.960, para coincidir com a inauguração de Brasília. O custo orçado foi de Cr$ 3.000.000 ( três milhões de cruzeiros) da época.

Não podemos nestas linhas deixar de destacar que o Clube, no início, tinha bem mais "apoio geral" das autoridades esportivas e fiscais do que temos agora. Assim é que em 7. de outubro de 1919 o "The Santos São Vicente Golf Club" conseguia uma isenção de direitos alfandegários para uma máquina "movida a gasolina", própria para cortar a grama do campo. A máquina chegara ao porto trazida pelo vapor "Nedmac" de Philadelphia. Da mesma forma, em 13 de novembro de 1919, uma grande caixa com tacos de golfe também era isenta, chegada pelo navio "Tintoretto" de Liverpool. A 19 de dezembro de 1.919 eram isentas caixas de bolas de golfe, trazidas pelo "S.S. Molière"; assim por diante, muitas isenções eram dadas estímulo do esporte. Hoje, com tantos e tantos brasileiros associados, maior apoio deveria ser dado para a divulgação do esporte de golfe entre nós. Há sempre esperanças... Isto é, em linhas gerais e em rápidas pinceladas, o que tem sido o Santos- São Vicente Golf Club desde a sua fundação até os dias de hoje. O Clube continua relativamente pequeno em comparação com a maioria dos clubes de golfe no Estado de São Paulo, limitado pelo estatuto, e pela infra-estrutura, a 180 associados (=famílias), mas em compensação, o seu ambiente é como numa grande família, onde todos se conhecem e todos se dão bem, havendo sempre um clima de harmonia e fraternidade, em que todos estão sempre procurando melhorar as condições de funcionamentos das atividades esportivas do clube e do bem estar geral dos associados e visitantes.

Além do campo de golfe com 9 buracos - evidentemente o nosso maior patrimônio, o Clube possui uma sede social agradável, com varanda, bar e restaurante, sala de jogos e duas saunas (seca e vapor), bem como uma sala recreativa para as crianças. A esta última foi dado o nome de "AVELINO FERREIRO’, em homenagem ao saudoso gerente do Clube, por quase meio século. Portanto, um nome que faz parte da própria história do Santos (São Vicente Golf Club).


Golf Club de São Vicente está perto de dar sua última tacada


Clube passou a pagar R$ 3,7 milhões por ano de IPTU e luta pelo tombamento

O Golf Club conta atualmente com 80 sócios. 

Não está fácil para ninguém. Pelo menos, é o que parece. Local de encontro de dezenas de pessoas da região, o Santos São Vicente Golf Club - que tem nada menos que 104 anos - pode fechar suas portas e dar lugar a um condomínio de alto padrão.

Oficialmente, o assunto está sendo tratado em sigilo, mas até assembleia entre os associados já aconteceu e teria sido aprovada a divisão da área de 276 mil metros quadrados, equivalente a 38,5 campos de futebol, em lotes, que serão comercializados.

O motivo disso é o valor do Imposto Territorial e Urbano que passou a ser cobrado dos clubes de entretenimento em São Vicente. Por ano, essa conta bate em R$ 3,7 milhões. Outro clube que está prestes a ser comercializado é o Jóquei Clube da Cidade.

O Santos São Vicente Golf Club, inclusive, já vendeu uma parte do seu terreno para uma rede de supermercado por atacado. O local possui árvores, várias espécies de aves e nascentes e uma história de mais de 100 anos.

Há quatros anos, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico, Cultural e Turístico de São Vicente (Condephasv) aprovou por unanimidade o tombamento do Golf Club para proteger a área.

Essa atitude implicaria na isenção de impostos. Acontece que, à época, o então prefeito Luís Cláudio Bili não assinou o decreto. O atual mandatário da Cidade, Pedro Gouvea, não assinou também. Outra questão é que dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal, a Prefeitura de São Vicente não pode abrir mão dos R$ 3,7 milhões.

O clube não está tombado; uma parte de 12 mil metros quadrados teria sido vendida por R$ 7 milhões e corre sério risco de dar lugar a um condomínio. Perto de R$ 2 milhões serão encaminhados para um empresa para fazer um estudo ambiental para ver o que pode ser comercializado legalmente.

Em contato, o presidente do Santos São Vicente Golf Club, Raul Ferreira da Rosa, disse que era a informação era novidade. "Se teve assembleia, não participei", afirmou.

Prefeitura

A Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), informa que os clubes começaram a ser tributados a partir de 2018. Atualmente, há 18 clubes instalados na Cidade. Para o exercício de 2019, foram lançados em torno de R$ 7 milhões de IPTU para estes clubes. (diário do Litoral, 26 de março de 2019)


DO CASSINO AO ILHA PORCHAT CLUBE


 Banhistas na praia do Itararé, em frente ao Casino Ilha Porchat, nos anos 1940.


A 30 de setembro de 1964, um grupo de cidadãos paulistanos, também domiciliados em São Vicente, adquiriram a propriedade do antigo Casino Ilha Porchat e a transformaram num clube social-recreativo, através de uma sociedade incorporada com a venda de títulos de sócios-proprietários. Foram seus incorporadores os Srs. Jorge Fares, Antonio Ferraz de Andrade Filho,Carlos Ernesto Passinato e Reginaldo Bertolino, dos quais assumiu a presidência o Sr. Jorge Fares. 

O Ilha Porchat Clube funcionou muitos anos, em regime de empresa, sob a exclusiva direção do grupo incorporador, sem que os sócios tivessem qualquer direito de opinar ou de participar da administração da entidade. 

Foi necessário mover uma ação judicial, pela iniciativa de um grupo de associados, para que, obtendo ganho de causa, o Poder Judiciário determinasse que o clube deveria ser entregue a soberana deliberação de sua Assembléia Geral de Sócios. 

E assim aconteceu. A Assembléia Geral foi convocada, foi eleito seu primweiro Conselho Deliberativo e através deste o Primeiro Presidente do Clube, Dr. Ismar Marcílio de Freitas, que a 20 de dezembro de 1973 assumia a presidência do Clube, através de legítima representação do quadro associativo. Seguiram-lhe, em sucessão, no exercício da Presidência, o Gal. José de Souza Carvalho, Geraldo Faggiano e Odarcio de Oliveira Ducci, que já se mantém na Presidência, em seu terceiro mandato consecutivo. 

A Atual Diretoria do Ilha Porchat Clube está assim constituída: Presidente: Odarcio de Oliveira Ducci; 1º vice-presidente, Reinaldo Terciano; 1º tesoureiro,José Roberto Guimarães; 2° tesoureiro,Enzo Dales Nava; diretor de patrimônio, Ayres Lima Santos; 1º secretário, Armando de Jesus Carvalho; 2º secretário, Armando Micelli. 

A presidência do Conselho deliberativo foi exercida, pela ordem, pelos seguintes associados: Mario Esteves, Mario Diegues e Carlos Aparecido de Vasconcelos Camargo,seu ataul presidente. 

O Gal. José de Souza Carvalho é sócio-benemérito do clube, e são seus sócios-honorários: Capitão-Mar-e-Guerra Antonio Eduardo César de Andrade; Gal. Dickens Ferraz; Deputado Athiê Jorge Coury; Gal. Waldir Eduardo Martins; Governador do Estado de São Paulo, José Maria marim e o empresário Carlos Caldeira Filho.






















Anos 1970. Parte reservada da praia do Itararé para os sócios do Ilha Porchat Clube. 


Entre as diversas atividades que o clube promove, têm se destacado os concursos: Rainha das Praias Brasileiras, sendo eleitas Fernanda Boscolo de Camergo (1980), Maristela Silva Grázzio (1981) e Karen Ribeiro (1982). Garota lha Porchat, sendo eleitas Jeanice Julie Garcie (1978), Sarita Lopes Martins Licchti (1979), Fernanda Boscolo de Camargo (1980, - eleita Miss São Paulo e Miss Brasil – e Ana Eliz Flores da Cruz (1982). 

Também são destaques nas atividades do clube os shows e bailes promovidos, mobilizando todos os eus vasto quadro associativo, além da sociedade vicentina, santista , paulistana e de toda a Baixada Santista, não apenas pelo alto gabarito de seus extraordinários shows nacionais e internacionais, mas pela excelência de suas orquestras e da beleza de suas excepcionais ornamentações. Dentre as suas maiores festividades, duas se destacam por suas riqueza e grandiosidade: Uma Noite nos Mares do Sul; e os festejos carnavalescos. 

Em seus shows têm desfilado artistas que por si só são as maiores afirmações da grandeza dos espetáculos promovidos: Ray Connif, Dione Warwick, Fred Bongusto, Peppino Di Capri, Nico Fidenco, Billy Eckstine, Billy Vaughan, Sergio Endrigo, Gigliona Cinqueti, Roberto Carlos, Juca Chaves, Sargentelli, Simone, Caetano Veloso, Angela Maria, Chico Anísio, Ney Mato Grosso, Martinho da Vila, Milton Nascimento, Nelson Gonçalves, Silvio Caldas e outros tantos. 

No Ilha Porchat foi Montado um Museus de Danças Folclóricas Afro-Brasileiras, com 350 peças do ceramista Geraldo Albertine o que se constitui numa atração até mesmo de natureza turística. (Poliantéia, 1982)



























O Ilha Porchat Clube no início dos anos 1990. 



REVISTA ILHA PORCHAT CLUBE







HELÔ PINHEIRO NO BAILE  MARES DO SUL 




HELÔ PINHEIRO NA BAND ENTREVISTANDO LILIAN RAMOS. Cobri, durante anos o Carnaval pela Tv Manchete, SBT, Band e CNT. Adorava trabalhar porque além de ganhar estava me divertindo entrevistando. O Ilha Porchat foi um ponto de partida para estar lá durante anos no tradicional Baile dos Mares do Sul onde toneladas de frutas e as diversas orquestras ou bandas agitavam o litoral paulista . Tudo era organizado de uma forma brilhante pelo Presidente Odárcio Oliveira Ducci . Pessoas em fantasias bem criativas esbanjavam beleza e simpatia, era um Carnaval em estilo havaiano que abria a temporada de folia .


ENCONTRO DE MISSES NO ILHA



Em 1982, a venezuelana Pilin León (Miss Mundo 1981) esteve no Brasil e participou do tradicional baile do Ilha Porchat Club, em São Vicente (SP). O baile foi chamado de "Uma Noite nos Mares do Sul", na decoração foram gastas aproximadamente 40 toneladas de frutas naturais. Estavam presentes Martha Rocha e Martha Vasconcellos, duas misses da Bahia. De quebra a bela manequim Luiza Brunet, que até hoje continua saindo como Rainha da Bateria. Revista Fatos e Fotos - Carnaval 1982.