terça-feira, 9 de julho de 2019

SÃO VICENTE DE OUTRAS ÉPOCAS - Mário Azevedo Alexandre

O PANORAMA VISTO DA PONTE



Outro dia, passando pela centenária Ponte Pênsil, precisamente às 21 horas, uma noite bonita e agradável, caminhava com meus passos lentos, ouvindo apenas o barulho das águas que se encontravam com as rochas, parecia uma sinfonia que fazia bem a qualquer mortal, e de vez em quando o barulho era quebrado, pelos carros que passavam sobre o madeiramento. Parei por alguns momentos, já bem no meio da ponte, e fiquei observando a beleza de nossa Célula Máter apresenta, os prédios iluminados, todos enfileirados, refletindo suas luzes nas águas, que ao fazer as marolas, distorcia aquela geometria refletida dos prédios.

Do meu lado direito, os casarões iluminados que dão acesso à Prainha, mas o melhor estava por vir, bem na minha direção estava a majestosa Ilha Porchat, sempre badalada e redutos dos jovens, iluminada em todo o seu contorno dos prédios, discotecas e restaurantes, parecendo uma ilha da fantasia, tal a sua beleza.

Enfim, senti-me iluminado e de fato estava, a iluminação da ponte é algo fascinante e comove o ser humano e debruçado naquelas ferragens, senti uma solidão profunda, porém notei, que não estava sozinho, a lua era minha companheira e testemunha de toda aquela beleza, que já passa dos cem anos, mas nossa ponte continua jovem e na sua plenitude, olhando para o alto, senti-me tão pequeno, pela grandiosidade de suas torres, suspensas por cabos de aço, é sem dúvida uma peça de arte exposta ao ar livre.

Mesmo com o barulho dos carros, notei que alguns peixes saltavam de um lado para outro, pareciam espadas, pois brilhavam no reflexo da lua e nas suas marolas, que se fazia ao redor, pareciam que as espadas estavam saudando a nossa Ponte Pênsil, que talvez muitos vicentinos passando de carros não observam a beleza que ela representa.

Depois de olhar toda essa grandeza de cimento e aço, senti um alivio na alma e uma sensação de êxtase em pode observar e sentir ao mesmo tempo a brisa refrescante numa noite de lua cheia.

Boletim do IHGSV , Julho/Agosto de 2016


TRABALHO, FUTEBOL, CHOP E CERVEJA


São Vicente foi um celeiro de craques do futebol de várzea, muito disputado pelo que me lembro, nas décadas de 60, 70 e mais, torneios organizados pela Liga Vicentina de Futebol Amador, entidade que existe há mais de 80 anos. E fez São Vicente ter atletas que disputaram vários torneios pelo Brasil, não vou mencionar nomes, pois a memória pode esquecer alguns deles. Assisti muitos jogos na várzea, inclusive, quando comecei a trabalhar na Vidrobrás, fábrica de vidros, o time da fábrica disputava o torneio da LVFA, diziam até, que para entrar na fábrica, tinha um item na entrevista : joga futebol ? Assim também consegui trabalhar na fábrica, não pelo futebol, pois era jovem ainda. Poucos clubes resistiram, bem como seus campos de futebol, assim podemos citar alguns, E. C. Beira Mar, Tumiaru, Ilha Porchat, Itararé Praia Clube, São Vicente Praia Clube, Guamium, Primavera, Continental, São Paulo, Industrial, Ferroviária, Beija-Flor Brasil, Sporting, Portuguesa, Campo Belo, Paulistano, Petrópolis e muitos outros que ficaram pelo caminho. Nessa época, os clubes para divulgação e melhorar suas receitas, faziam a tradicional festa do chopp, em seus salões ou alugados de outras entidades, e como lembrança, depois de tomar o chopp, levava uma linda caneca,






VIAGEM NO TEMPO



Orla do Gonzaguinha nos anos 1950. Boris Kauffman



Vamos fazer uma viagem pelo tempo, década de 60, São Vicente era servida pelo bonde 1 e 2 com destino a Santos, o bonde 1 tinha o caminho da Av. N. S. de Fátima (alguns ainda falam da linha 1) e ao retornar pela praia, tinha o número dois, chegando em São Vicente, pela praia, logo após a divisa podíamos observar:

OCEANORIUM – Situado na areia da praia do Itararé, era como se fosse um aquário, em forma circular, de côr azul, que abrigava o famoso golfinho Flipper. Que era a alegria das crianças, adultos e turistas, após o fechamento do Oceanorium, o golfinho Flipper saiu do cativeiro para o mar aberto, se não falha a memória foi para Santa Catarina, porém em certa época ele aparecia na praia dos milionários.

PEDRA DA FEITICEIRA - Encontra-se na praia do Itararé, conta-se que uma misteriosa mulher, pernoitava ali, na chamada !Cama da Velha”, essa senhora apresentava-se muito mal trajada, com um longo vestido, parecendo a imagem lendária de uma bruxa, contava que ela acendia fogueira, acenando para os barcos que ao longo passavam, não molestava ninguém, dizia que amava um marinheiro, que por ele havia concedido, que mais tarde prometera voltar, ficara grávida e nunca mais voltou, por decepção e crise mental, perdeu a gestação naquele local, na pedra onde acontecia seus encontros amorosos, e permaneceu por longos períodos, esperando pelo retorno do amado marinheiro. Certo dia, achando que algum barco distante lhe acenava, foi adentrando ao mar, com maré cheia, junto as pedras e ali morrera afogada, sob forte correnteza, dizem que ainda hoje no local, em noites de luar, escuta-se vozes daquela feiticeira.

PEDRA DO LADRÃO - mais adiante da pedra da feiticeira, tinha a chamada pedra do ladrão, era uma pedra enorme, próximo ao teleférico de hoje, e o bonde 2 passava próximo à pedra, o que causa transtorno à população, era um local desabitado, apenas servia de passagem de pedestres, com a urbanização da avenida da praia, chamado de tapetão, a pedra do ladrão desapareceu, ficando hoje somente os ladrões.

O ERMITÃO - bem em frente à pedra do ladrão, tinha uma pessoa folclórica no Itararé, era chamado de Ermitão, com sua barba branca longa, mal vestido e habitava em uma caverna no Morro Voturuá, bem próximo onde o VLT faz uma pequena curva, era uma pessoa pacata, falava pouco, e não fazia mal a ninguém, apenas se alguém tentasse invadir seu recanto, ele costumava jogar pedras.

BAR SUJEIRA – Era um bar bem acanhado e sem estrutura, estava bem na esquina com a Rua Onze de Junho, hoje tem a Igreja São Pedro Pescador, era um ponto de encontro dos jovens frequentadores da Praia do Itararé, frequentei muito com meu amigo Ruivo, após partida de futebol na praia do Itararé, tomando uma caipirinha e observando as moçoilas da época.

PANELA DE BARRO – Situado também na Rua Onze de Junho, era muito frequentado pelos vicentinos e turistas, tinha variedade de pratos, era considerado um restaurante dançante, sob a direção de José Luiz Servo, com música ao vivo, em 1986 desmembrou o restaurante no andar superior criou o “Aconchego” local para buffê e eventos, com pista de danças..

BOA VISTA – Fechado recentemente, após 50 anos no mesmo lugar, muito frequentado e conhecido pelos turistas que vinham à nossa cidade, sua especialidade era frutos do mar, principalmente caranguejo, que tinha durante o ano todo, sempre lotado e um ambiente muito agradável, esteve sob a direção de Eugenio Francisco Cação

ILHA PORCHAT CLUBE – Na década de 60 e 70 era considerado um dos maiores clubes da Baixada Santista, com apresentações de artistas famosos em seus bailes, sem contar o famoso Baile do Havai, onde reunia a sociedade da baixada santista e São Paulo, com personalidades e políticos, o show era televisionado pela Bandeirantes, no Programa do Bolinha, que frequentava muito o clube. No auge de sucessos o Ilha apresentou nada menos que Ray Coniff, com sua banda e orquestra, uma noite magnifica com sua lindas músicas, na época o Presidente era Odarcio Ducci .

CASA DO PROFESSOR – na Rua Onze de junho esquina com a Messi Açu, existia uma colônia de Férias de Lazer do Professorado Católico de São Paulo, é um famoso casarão construído em 1.944.

FARMACIA MARMO – situado na Rua Onze de junho, tinha o farmacêutico José Bonna Sobrinho, era muito procurada, pois nessa época, os farmacêuticos também atuavam como médicos e muitas vezes resolviam os problemas.

EDIFICIO GRAJAHU - Situado ao lado da Sociedade Amigos da Boa Vista, na Rua Onze de junho, foi o primeiro prédio construído na areia da praia em 1945, em 27/10/1946 a Tribuna publicava venda de aptos e uma novidade o único prédio sobre as areias da praia de São Vicente.

RESTAURANTE LEÃO DE OURO – Situado no Gonzaguinha (hoje é o Ti Maria) ostentava dois leões na entrada, e servia os melhores pratos gastronômicos, era uma referência para os turistas, permaneceu por muito tempo, comandado pela família Luca.

THE PUB – Também no Gonzaguinha, havia um tipo bar com música MPB, que era comandado pelo Tite jogador do Santos, que tocava violão e algumas vezes seu filho acompanhava, depois de algum tempo mudou para a Av. Newton Prado, próximo a Ponte Pensil.

RESTAURANTE GAUDIO – no inicio da Rua Frei Gaspar, um dos melhores e tradicionais restaurante de São Vicente, de frente ao mar, e o único prédio que foi construído com um abrigo anti-aéreo, motivado pela Guerra Mundial.

BANCO MOREIRA SALES – situado na esquina das Ruas Frei Gaspar e Visconde do Rio Branco, um banco muito tradicional na época, inclusive muitos dos meus amigos, trabalharam nesta agência, com o fechamento do banco, abriu uma Coletoria Estadual e depois um boliche para lazer dos calungas, hoje tem o Supermercado Dia.

Na própria Frei Gaspar, havia também a Casa de Massas do Sr. Gino, um senhor italiano, que preparava as massas caseiras, e servia muito bem os frequentadores.

IHGSV – situado ao lado, em uma imensa área verde e tombada pelo Patrimônio Histórico, conhecida como a Casa do Barão, temos os maior acervo de livros, cursos variados, antes do Instituto, desde 1946 até 1972, funcionou o Instituto São Vicente Clinica cardiológica do Dr. Francisco de Assis Jarussi, sendo que o Instituto veio em 1972, hoje sob comando pelo brilhante Presidente Paulo Costa.

MERCADO MUNICIPAL – Embora construído em 1729, a primeira sede que se tem notícia foi construída na encosta do Morro dos Barbosas, no local onde hoje existe uma nascente, juntamente com a Igreja a cadeia e a Alfandega, após um abalo sísmico, obrigou o governo Municipal a reconstruir a nova sede no Largo Baptista Pereira, depois Largo Santo Antonio e hoje Praça João Pessoa, esse prédio foi construído em 1979, e funcionava juntamente com a cadeia e quartel de polícia.

O Mercado Municipal, existe uma placa logo na entra principal, desde a sua fundação que diz o seguinte “Esse edifico agora construído teve a contribuição de Vinte Contos de Réis da cia. Santista de Crédito Predial-Prefeito José Meirelles – São Vicente, 14 de julho de 1929. Todos tem noção do que representa um mercado e suas finalidades, normalmente tem sua barracas de frutas, legumes, hortaliças, etc.

Para nossa alegria temos remanescentes o casal Carlos Alberto dos Reis e Maria Helena Anacleto dos Reis, que estão há 40 e 60 anos respectivamente, resistiram aos tempos, mudanças de governos, enfim por tudo que passou na fase econômica do País e resistiram até hoje, embora o Mercado hoje completamente desfigurado, tem todos tipo de atividade, inclusive uma precária e humilhante Estação Rodoviária. Conforme relato da Sra. Maria Helena passaram muitos negociantes na época, como Sr. Américo, João Maria (japonesa) Marcos, boda, Lourdes, Rodrigues, Belmira e também o Sr. Alcides Costa, pai do nosso querido Presidente Paulo Costa, Lembrou ainda que na praça havia um Seminário dos Padres, como Monsenhor Boroski, padre Newton, padre Paulo, etc. e no meio da praça havia um busto de Benedito Calixto esculpido por Domingos Savorelli e inaugurado em 1953, na praça também tinha o Colégio Itá, que era comandado pela família Frahia.

CÂMARA MUNICIPAL – O prefeito de São Vicente, Orlando Intrieri, mandou providenciar a mudança da Câmara em 1954 para a Rua Martim Afonso, 251 esquina com a Praça Barão do Rio Branco, hoje temos as lojas Marabráz. Em 1983 o prédio já não comportava mais, os vereadores junto com o Prefeito Sebastião Ribeiro da Silva, conseguiram construir um novo prédio na Rua Jacob Emmerich, no Parque Bitaru, inaugurado em 22 de janeiro de 1987

PRAÇA BARÃO DO RIO BRANCO – A Praça era o centro agitado de São Vicente, para saborear a melhor feijoada de São Vicente, era recomendado Amigo Campos, muito simpático e prestativo, era o ponto de encontro de amigos. Ao lado tinha a Casa Nico, Adega Central, o Rio Branco, muito frequentado, ao lado a Gruta Transmontana, Lojas Ibirapuera, e bem na esquina o Restaurante Itapura, que passou por vários lugares e hoje permanece na Av. Presidente Wilson, contornando a praça, tinha o Cartório Ayres, hoje na Rua Martin Afonso, no mesmo local funcionou também A Droga Régia, ao lado a Veranista, loja tradicional de calçados, ao lado o Banco comercio e Industria de São Paulo, depois Banco Nacional, mais adiante uma pequena Estação de ônibus, e ao lado da estação, o Bar Nosso Ponto, muito frequentado pelos vicentinos, e a seguir a Coletoria Federal. Atravessando a rua Frei Gaspar, havia Lojas Glória, uma loja de magazines que foi novidade na época, ao lado a Olimpica, sinônimo de bem vestir, comandado pelo Carlos e Leon Sarkissian, um dos mais conceituados de roupas masculinas, ao lado o Bar Esporte, parada obrigatória para tomar uma cerveja e jogar conversa fora, no alto do bar a Rádio Royal apresentado pelo radialista Marcos Machado, tocando músicas e dando notícias, no alto da rádio tinha a Associação Comercial e Industrial de São Vicente, e no centro da praça a Banca do Walter, que permanece até hoje, atravessando a Rua a famosa Panificadora Chic, parada obrigatória para fazer lanches e levar pães frescos, na Frei Gaspar ainda, tinha o salão de Barbeiro, do Bigorrilho, famoso por ser barbeiro oficial dos prefeitos naquela época., mais adiante para consertar sapatos tinha Sapataria Rápida São Vicente (funciona até hoje ). Uma referência em tirar fotografias naquela época era o Studio do João Vieira, fotógrafo conceituado na cidade, trabalhando por vários anos na Sucursal de A Tribuna, que era comandado por Edison Telles de Azevedo e depois Ivo Roma Nóvoa., mais na frente na esquina da Padre Anchieta, o Messias Bassili, que fez o meu terno de casamento, com muita dedicação e funciona até hoje, na mesma Padre Anchieta tinha a Paulistana, e permanece até hoje e ao lado A Pensão Anchieta, hotel estritamente familiar, comandado pelo Ernesto Sinigoi, conhecido como Neco, hoje reside em Botucatu, próximo dali na Frei Gaspar a Papelaria Cruzeiro, uma referencia em materiais para escritório e escolar, comandado pelo saudoso Mario Diegues. Mas retornando no centro, pegando a Martim Afonso, ao lado da panificadora Chic, a Loja Tic-Tac, que resistiu aos tempos e funciona até hoje, mais adiante o Bar do Fuminho, local muito frequentado pelos apreciadores de sinuca, era bem simples, mais agradável, em frente ao Fuminho, tinha o Cine Anchieta, da família Lima, depois inaugurou o Cine Teatro Jangada, com bons filmes, sala moderna e peças teatrais vinham para SV, na época de carnaval sempre era montado tablado no meio da praça, era o Carnaval Popular. Dizem os vicentino que para saber noticias em primeira mão, era falar com o Walter da banca e Toninho Campos, não que fossem fofoqueiros, mas ganharam até uma estátua na praça.

PRAÇA DO CORREIO – O nome correto é Praça Cel. Lopes, era uma praça agradável, com um coreto, e os jardins eram suspensos, com agencia do correio no Centro, somente na década de 70, em nome do modernismo é que a praça sofreu a grande transformação, suas árvores foram arrancadas, sumiram as flores, as cigarras e os bancos de madeira e ferro foram embora, ficando somente o prédio dos Correios, na esquina a Padaria Bandeirantes, muito frequentada pelas pessoas, mais adiante, tinha a Escola de Datilografia Acosta, da qual ostento um diploma de datilógrafo, próximo a Escola, havia o sinônimo de alta costura que era Canalonga, que na época comentava que o Pelé vinha fazer seus ternos, uma honra para nossa cidade, ao lado do Canalonga o famoso Grupão que dispensa comentários, muitas pessoas estudaram lá. Seguindo tinha o Pergaminho, loja que permanece até os dias de hoje, e na esquina da Praça o famoso Pata-Pata (foto), onde guardo boas recordações de pois de um dia de trabalho, juntamente com os amigos.



RUA JACOB EMERICH – contornado o Restaurante Itapura, no mesmo prédio tinha a Floricultura Cinderela, da nossa Regina do Carmo, que na época eu comprava botões de rosa para minha namorada, hoje minha esposa e creio que deu certo, a floricultura funciona até hoje na esquina com a Rua Padre Anchieta, nesta mesma Rua tem uma firma tradicional em fotografias, a Studio Estrela.

AV. ANTÔNIO EMERICH – A referencia para peças e conserto de carros era a BACAL, (Barreira & Diogo ), firma conceituada e um Atendimento de primeira, mais adiante tinha o Clube Hipico de Santos e São Vicente, um lugar maravilhoso e muito grande. (hoje tem o Luanda Supermercado), mais para a frente outros comércio que ficaram pouco tempo, na esquina com a Av. Mota Lima, tinha o Posto De Colores ( hoje tem um prédio em construção) mais adiante chegando na praça 1 de maio, tinha o Cine Petrópolis, ao lado a Casa da Sogra, era um novo estilo de supermercado na época, da família Alexandre Cró. Do outro lado da praça tinha o SESI, um tipo de supermercado que só vendia para quem era beneficiário das indústrias, tinha carteirinha e tudo, havia um outro SESI na Rua Marques de São Vicente. Mais adiante a Cooperativa Agricola de Cotia, um tipo de atacadão de verduras, frutas e legumes, que atendia os Negociantes na época. Do outro lado da calçada o Colégio Brasilia, também uma referencia em ensino.

RUA JOSE BONIFÁCIO - Além do tradicional Martim Afonso, um dos melhores colégio da Baixada Santista, fiz o científico ( 1 ano) depois fui para o Vidrobrás, tenho boas lembranças de alguns professores, : Joaquim (química) Sebastião (física) Capellari (matemática), Sara (português), Borges (inglês) Disaró (matemática) Yolanda (latin) Pereira, Iracema, etc. e dos diretores Arthur Ewbank e Prof. Cleuza Velloso, nessa época você aprendia ou reprovava de ano, ao lado tinha a Churrascaria Choupana, muito requisitada na época e mais acima o Restaurante Kikos, também uma referencia em pratos deliciosos, na esquina com a R. Martim Afonso, havia um lava-rápido muito frequentado pelos vicentinos, mais adiante na Martim Afonso, tinha o Foto Astral, no local das ruinas da casa de Martim Afonso.

RUA XV DE NOVEMBRO - iniciando pela Igreja Matriz de São Vicente, havia a Lavanderia Colombo, muito antiga, porém com o progresso veio a encerrar as atividades, mais na esquina com a Rua José Bonifácio, a Farmácia do Ruas, era uma referencia em cura pelo farmacêutico Ruas, tinha uma freguesia seleta. Mais adiante a Padaria Rio Branco, que resistiu aos tempos e permanece até hoje, acima da padaria funcionava o IHGSV em algumas salas cedidas, o Educandário São Gabriel, também resistiu aos tempos, assim como a Tapeçaria Dias, uma das poucas referencias em decoração que havia em São Vicente, na quadra seguinte tínhamos o Forum de São Vicente, improvisado em algumas salas. Na quadra seguinte na esquina a Casa Prandini, com comércio de materiais para construção, assim como o Bazar Ideal, também do mesmo ramos sendo o proprietário José Fernandes, já na esquina próximo ao Hospital São José tinha uma das firmas mais importantes de S. Vicente a Cia. Antarctica Paulista. Na quadra seguinte o Hospital São José, que completa 100 anos, na quadra seguinte o Fiel Barateiro, inaugurado em 1945, um pequeno comércio de secos e molhados, comandado pelo Ulisses, Celestino e família, sabemos que Celestino ajuda muitas pessoas e funcionários, tendo um carinho especial, talvez aí o segredo de seu sucesso, hoje abriga uma centena de funcionários, é sem dúvida um marco na história de São Vicente, na esquina com a Rua Expedicionário Vicentino, tinha o Instituto Musical Bethoven, formando vários musicistas na época, na outra esquina o E.C.Beira Mar, com seus bailes, na época era comandado pelo Presidente Toninho Campos, e outros que vestiam a camisa do clube, foi um momento mágico, com torneios de futebol de salão, sem contar o arquivo fotográfico do clube comandado pelo Cotuba, o time profissional disputou muitos torneios na várzea vicentina. Revelando vários atletas, em fevereiro o clube comemorou 80 anos. Na esquina do Beira Mar, tinha o Bar Xangô, muito frequentado pelas pessoas que vinha no Beira.

RUA JAPÃO - Recebeu esse nome em 1958, durante as comemorações do cinquentenário da Imigração Japonesa no Brasil, está num reduto de pescadores, como uma pequena aldeia, entre muitas histórias, há uma que no final de um jogo, numa tarde no campo do E.C. Guamium, as duas equipes perderam para os caranguejos, que de vez em quando eram retirados pelos jogadores, e a partida teve que ser anulada.

AV. CAPITÃO MÓR AGUIAR - uma referencia em ensino tinha Escola Comercial Nações Unidas, fundado em 26 de fevereiro de 1944, a nossa Presidente da Academia vicentina Letras, Artes e Oficio Sra. Regina Dias, em 1958 estudou na escola, após se formar passou a trabalhar como aux. De escritório, em 1962 fez o curso Tecnico Comercial, depois terminou o magistério e começou a dar aulas e orientação. O colégio tinha fama de fazer quadrilhas juninas e também a fanfarra onde ganhos vários prémios pelo Estado, foi o único colegrio que tinha cursos profissionalizante, em 2001 foi vendido para o Grupo Alpha, e hoje infelizmente está abandonado.

RUA JOÃO RAMALHO - Nos fundos do IHGSV, na esquina tinha a Delegacia de Policia, em um lugar meio acanhado que ficou por muito tempo, até a construção da nova sede na Rua XV. Mais adiante tinha CPFL – Cia Telefonica do Litoral Paulista, lembro-me, que para fazer uma ligação para SP, entregava o numero para \a recepcionista, ela mandava entrar numa minúscula cabine, e ficava aguardando para fazer a ligação.

CAMPOS DE FUTEBOL – para os atletas, São Vicente na década de 60 tinha muitos campos de futebol, revelando vários atletas na várzea, quando disputava os torneio da Liga Vicentina de Futebol, hoje temos o campo do São Vicente, Beija Flor, São Paulino, na época tinha a dona Celeste que comandava e orientava o futebol de campo, chegou até a aparecer no Fantástico, Guamium, Itararé, Ferroviária, campo do 2 BC,

Os campos que desapareceram : Sporting (campo de areião, ficava no Parque São Vicente), Portuguesa, no Beira Mar, depois virou Estação Rodoviária, Industrial no Japui, ao lado do Curtume; Brasil no Parque Bitaru, onde hoje tem o fórum, um fato interessante, quando havia jogo de futebol, no meio do caminho tinha uma trilha, e o jogo era interrompido quando pessoas, vinham do cemitério, ou voltava da feira, era uma folga para acalmar os ânimos.

Outros clubes também tem destaque e funcionam até hoje, Praia Clube e Nissei Vicentino, próximo aos bombeiros, o Paulistano e Petropólis no Jardim Independência, e outros de menor expressão, apenas sobrevivem


Praia dos Milionários nos anos 1960.  Boris Kauffman. 



ALGUMAS CURIOSIDADES .

1) Em uma época em que o preconceito sobre homossexualidade era muito forte, o carteiro Roberto Mafaldo, trabalhando nos correios, entregava cartas na cidade, ele assumiu sua identidade nessa época e todo ano desfilava na Baianas sem Tabuleiro, bloco tradicional da cidade., para não ficar atrás Santos, tinha o DUDU do Gonzaga.

2) Biquinha - na década de 70, foi construído um enorme Pombal, e as crianças ficavam contente, e tirar fotos juntos aos pombos, mal sabiam das doenças que podiam ser transmitidas, e também o painel de Anchieta catequizando os índios, são obras do renomado pintor Armando e Waldemar Moral Sendim.

3) A Estrada de ferro Sorocabana, transferiu o mangueirão que ficava na Av. Alcides de Araujo, próximo a Mota Lima e Vila Cascatinha, era um transtorno quando algum moleque conseguia soltar os animais, os bois saiam desembestados pelas ruas do Catiapoã e Jardim 3 Estrelas.

4) Um personagem marcante na época era o Parafuso, normalmente os moleques e jovens, do outro lado da rua, gritava oi Parafuso, e logo escutava aquele palavrão bem alto, todo mundo dava risada.

5) Cinemas – Tinha o Cinemar na Rua Benjamim Constant, Maracanã na Rua Campos Salles, Rosário na Rua Frei Gaspar, que depois abriu um bolice; São Jorge, no final da Frei Gaspar, no Beira Mar; o Petrópolis na Av. Antonio Emerich, na praça 1 de maio e o Santa Helena, depois Anchieta da família Lima, fechando o cinema, inaugurou o Cine Teatro Jangada na Martim Afonso.

6) No edifício Tumiaru, o segundo mais antigo de São Vicente, onde funcionou um restaurante famoso, também tem obras de Armando Sendin.

7) Também na década de 60, lembro que na Praça Barão do Rio Branco, montaram uma pequena tenda, era a Campanha de doar ouro para o bem do Brasil, eu na minha ingenuidade e muitos doamos ouro para o bem do Brasil, falava-se no Milagre Brasileiro e hoje vemos os escândalos da corrupção no Brasil, ainda tenho a lembrança que ganhei na época.

Outros fatos e comércios fizeram parte de nossa São Vicente e para relatar tudo ficaria muito longo e cansativo e


São Vicente é isso uma cidade poética e apaixonante e com boas recordações.


* Mário Azevedo Alexandre, natural de São Vicente/SP, é bacharel em Comunicação Social e Direito, contabilista, escritor, poeta, professor, autor de livros de poesias, crônicas, haicai e ensaios literários, participou de inúmeras Antologias poéticas pelo Brasil, tem trabalhos publicados na Itália e em Portugal., pertence a Academia Santista de Letras, Academia Vicentina de Letras, Artes e Ofícios, Instituto Histórico e Geográfico de Santos e São Vicente, Academia Paulistana Maçônica de Letras em SP, membro da UBE – União Brasileira de Escritores, premiados em mais de uma centena de concursos de poesias, crônicas, haicai, ensaios literários, etc. Tem trabalhos publicados em vários jornais em revistas pelo Brasil.